ARTES VISUAIS Moedas e cédulas viram obras de arte em exposição na Baró Galeria Em cartaz até 6/4, mostra com entrada gratuita reúne os principais trabalhos de arte financeira do artista visual Lourival Cuquinha O artista visual Lourival Cuquinha conquistou espaço na arte contemporânea internacional criando obras feitas com dinheiro. Batizou-as de arte financeira ou financial art e se tornou referência na cena europeia. Suas peças passaram a integrar coleções na Suíça, nos Estados Unidos e no Brasil. Até o dia 6 de abril é possível conferir grande parte do que produziu na mostra Territórios e capital: extinções, em cartaz na Baró Galeria, na Barra Funda. Trata-se da maior exposição individual já feita pelo artista e também sua primeira em São Paulo (as anteriores aconteceram na França, na Suíça e no Recife, sua cidade natal). Cuquinha ocupou a Baró com trabalhos produzidos entre 2002 e 2013. A maior parte deles, porém, é dos últimos dois anos. “Tudo nesta exposição se relaciona com a ideia de valor. Tanto o valor do trabalho quanto o valor de mercado; o valor ideológico das bandeiras e dos territórios; o valor das peças e o valor agregado das obras de arte”, explica. O destaque é a instalação inédita Zeitgeist, em que um gigantesco asterisco tridimensional é formado por hastes feitas com R$ 7 mil em moedas de cinco e dez centavos de real. Ali estão expostas bandeiras de oito países confeccionadas com cédulas de diversas unidades monetárias. A instalação se completa com uma série de peças produzidas com asfalto, também em exibição pela primeira vez. Outras obras mais antigas podem ser conferidas, como a instalação Parangolé, em que uma cerca eletrificada protege um suposto Parangolé de Hélio Oiticica, que teria sido roubado pelo artista durante uma exposição no Rio de Janeiro em 2002. Já a peça O Trabalho Gira em Torno, montada em um ambiente escuro, é uma escultura interativa feita com três rickshaws interligados que pode ser pedalada pelo público. “A escultura reage de maneira diferente a cada um que a pedala. Nasceu diretamente do meu tempo de trabalho como rickshaw em Londres”, diz Cuquinha. Bandeiras de dinheiro Entre 2007 e 2008, Lourival Cuquinha viveu em Londres acompanhando sua mulher que fazia pósgraduação. Da tensão de viver pela primeira vez fora de um circuito que o reconhecia como artista, nasceu o Jack Pound Financial Art Project, sua primeira obra de arte financeira. Com 505 libras ganhas como motorista de rickshaw, trabalho típico de imigrantes em Londres, mais 495 libras de investidores que compraram ações do projeto, Cuquinha costurou uma bandeira inglesa feita com mil libras em cédulas verdadeiras. A peça foi leiloada dois anos depois por 17 vezes o seu valor original, durante a Frieze Art Fair, e chamou a atenção do mundo. A partir daí o artista iniciou a produção de uma série de bandeiras de dinheiro, todas em exibição na Baró. Além do Jack Pound, podem ser vistas a bandeira cubana Warning Flag, feita com notas de dólares (2011); a norteamericana Old Glory Financial Art Project, também com dólares; a suíça Pocket Knife Financial Art Project, com franco-suíços; a alemã Uniformismus Finanzkunstprojekt, com euros (2012); a grega Duel: Dracma Greek Flag, feita com dracmas (unidade monetária grega anterior ao euro) (2012); a brasileira Amor, Ordem e Progresso Projeto de Arte Financeira, feita com reais e que utiliza as antigas notas de R$ 1,00 para compor as áreas verdes (2012); e a francesa Liberté, Egalité, Fraternité Projet Artistique Financière, também confeccionada com notas de euros (2013). A exposição tem visitação aberta de terça-feira a sábado e a entrada é gratuita. SERVIÇO Exposição: Territórios e capital: extinções Quando: até 6 de abril de 2013 (fechada na sexta-feira 29/3) Horário de visitação: 11h às 19h (terça a sexta); 11h às 18h (sábados) Entrada gratuita Local: Baró Galeria, rua Barra Funda, 216, Barra Funda, zona oeste, São Paulo Telefone: (11) 3666-6489 www.barogaleria.com ENTREVISTAS E IMAGENS: Tatiana Diniz Assessoria de Imprensa/PR 55 11 953 839 717 [email protected] CRÉDITO DAS IMAGENS: Ricardo Lima/Photografie