A TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO
DA PESCA ARTESANAL NA AMAZÔNIA
Paulo Augusto Ramalho de Souza, Maria do Carmo Romeiro, César Augusto Amador,
Suellen Moreira de Oliveira e Elisandra Marisa Zambra
RESUMO
A preocupação com a questão do desenvolvimento relacionada com a transferência de informação deixou de ser
exclusivamente uma abordagem no macroambiente e passou
também a uma abordagem de âmbito local, o que inseriu pequenas cidades, vilas, comunidades e similares no foco de
pesquisas cientificas. O presente trabalho tem como objetivo identificar a importância da transferência da informação
para o desenvolvimento da pesca artesanal na comunidade
de Vila Amazônia. A metodologia utilizada foi qualitativaexploratória. Como elemento técnico utilizou-se inicialmente
uma observação dos elementos e das principais dificuldades
apresentadas pelos agentes locais, a fim de se identificar preliminarmente os fatores geradores de entraves para a implantação de um arranjo produtivo local (APL) voltado a pesca
artesanal. Em seguida passou-se a trabalhar entrevistas com
os agentes envolvidos, sendo estas direcionadas a 20 pescadores, seis comerciantes de apetrechos de pesca, quatro comerciantes de gelo triturado e quatro comerciantes de pescado. Entre as evidências, se reconhece a importância de uma
transformação positiva na forma de transmissão de conhecimentos que se desencadeara a partir do novo tipo de relação
produtiva entre os agentes envolvidos. O empenho dos agentes está atrelado aos objetivos coletivos, sugere novos rumos
para a pesca artesanal na comunidade de Vila Amazônia, visto que espaço e potencial para crescimento parecem presentes nessa área faltando, no entanto, meios de organização por
parte de instituições educacionais, órgãos públicos e agentes
envolvidos no sistema produtivo.
Introdução
sua verdadeira ocor rência
manifesta-se quando o processo é auto-dir igido, ou
seja, as pessoas tomam grande controle sobre suas vidas
(Bartlett, 2008).
Todavia, Igliori (2001) afere
que a aprendizagem ou o ato
de aprender depende de varias
outras variáveis, entre as
quais destaca a transferência
da informação, que, quanto
mais organizada e inteirada
no arranjo produtivo, maior
sua absorção pelos participantes e, consequentemente,
Nas ultimas décadas, entidades públicas e privadas vêm
focando com expressiva atenção micros e pequenas empresas, principalmente com objetivo de tratar da geração de
emprego, renda e desenvolvimento local. Nesse contexto,
o desenvolvimento dos ‘arranjos produtivos locais’ (APL)
indica que a emancipação
econômica e social de comunidades e regiões pode ser
realizada por meio do
empoderamento e aprendizado
de seus agentes.
O empoderamento visto
como um processo que ajuda
indivíduos, ou grupos de indivíduos, a adquirir controle
sobre suas próprias vidas,
aumentando a sua capacidade
de trabalhar com assuntos
que eles mesmos def inam
como impor tantes (Eyben
et al., 2008), significa, portanto, mais do que ‘fazer escolhas’, envolve diferentes
etapas como a análise, a tomada de decisão e a ação e
maior a capacidade de geração de conhecimento. Nesse
sentido, entende-se que um
dos fatores mais importantes
dentro de um APL são as trocas entre os par ticipantes.
Quanto mais intensa essa troca/transferência, mais eficiente tende a ser a atividade que
os participantes propõem ao
mercado.
No que tange ao sistema
produtivo do pescado, a comunidade de Vila Amazônia,
distante cerca de 30 minutos
(viagem em barco regional) da
PALAVRAS CHAVE / Amazonia / Arranjo Produtivo Local / Pesca Artesanal / Transferência de Informação /
Recebido: 12/06/2013. Modificado: 12/12/2014. Aceito: 16/12/2014.
Paulo Augusto Ramalho de
Souza.
Mestrado
em
Administração, Universidade
Federal de Mato Grosso do
Sul
(UFMS),
Brasil.
Doutorando em Administração,
Universidade Municipal de São
Caetano do Sul (USCS),
Brasil. Profesor, Universidade
Federal de Mato Grosso
(UFMT), Brasil. Endereço:
Depar tamento de Administração, FAC, UFMT. Cuiabá,
44
MT, Brasil. e-mail: [email protected]
Maria do Carmo Romeiro.
Graduada em Economia, USCS,
Mestrado e Doutorado em
Administração, Universidade de
São Paulo, Brasil. Professora,
USCS, Brasil. e-mail: [email protected]
César
Augusto
Amador.
Graduado em Administração
pela Universidade Federal do
Amazonas, Brasil.
Suellen Moreira de Oliveira.
Graduada em Administração,
Faculdades Integradas Urubupungá, Brasil. Mestra em
Agronegócios, Universidade
Federal do Rio Grande do Sul,
Brasil. Doutora em Administração, USCS, Brasil. Professora,
Instituto Federal de Mato Grosso
do Sul, Brasil. e-mail: suellen.
[email protected]
Elisandra Marisa Zambra.
Graduada em Administração,
0378-1844/14/07/468-08 $ 3.00/0
Faculdades Integradas de
Sor riso, Brasil. Mestra em
Agronegócios, UFMT, Brasil.
Doutoranda em Administração,
USCS, Brasil. Professora.
UFMT, Brasil. e-mail: [email protected]
JANUARY 2015, VOL. 40 Nº 1
THE TRANSFER OF INFORMATION FOR THE DEVELOPMENT OF SMALL-SCALE FISHING IN THE AMAZON
Paulo Augusto Ramalho de Souza, Maria do Carmo Romeiro, César Augusto Amador, Suellen Moreira de Oliveira and
Elisandra Marisa Zambra
SUMMARY
The current concern with the issues of development related to the transfer of information is no longer exclusively
a macro scale item. It has begun to be a local one, which
involves small towns, villages, communities and the like, as
the focus of scientific research. This paper aims to identify
the importance of information transfer for the development of
artisanal fisheries in the Vila Amazonia community in Brazil.
The methodology used was qualitative-exploratory. As a technical element, an initial observation of the elements and the
main difficulties presented by the local actors involved was
made, in order to preliminarily identify the factors causing
barriers to the implementation of a productive local arran-
gement (APL) devoted to fishing. Thereafter, interviews were
carried out with the concerned actors, which included 20 fishermen, 6 fishing tackle dealers, 4 crushed ice traders of and
4 fish merchants. Results indicate the importance of a positive transformation in the manner of transmitting knowledge
that unleashed a new kind of productive relationship between
the agents involved. Their commitment is linked to collective
objectives and suggests new directions for the fishing community of Vila Amazonia, for space and growth potential appear
to be present, while the means of organization of educational
institutions, public agencies and agents involved in the production system are missing.
LA TRANSFERENCIA DE INFORMACIÓN PARA EL DESARROLLO DE LA PESCA EN PEQUEÑA ESCALA EN EL
AMAZONAS
Paulo Augusto Ramalho de Souza, Maria do Carmo Romeiro, César Augusto Amador, Suellen Moreira de Oliveira y
Elisandra Marisa Zambra
RESUMEN
La actual preocupación por el tema del desarrollo relacionado con la transferencia de información ya no es exclusivamente a nivel macro, ha alcanzado el ámbito local y concierne ciudades pequeñas, pueblos, comunidades y similares
en el foco de las investigaciones. El presente trabajo tiene
como objetivo identificar la importancia de la transferencia
de información para el desarrollo de la pesca artesanal en
la comunidad de Vila Amazonia, Brasil. La metodología fue
cualitativa-cuantitativa y como elemento técnico exploratorio
se realizó inicialmente una observación de los elementos y de
las principales dificultades que presentan los actores involucrados, con el fin de identificar preliminarmente los factores
que generan barreras para la implementación de un arreglo
productivo local (APL) para la pesca artesanal. Posteriormente se entrevistó a los actores, que incluyen a 20 pescadores, seis comerciantes de aparejos de pesca, cuatro comerciantes de hielo picado y cuatro comerciantes de pescado.
Los resultados revelan la importancia de una transformación
positiva en la forma de transmisión de conocimientos que desató un nuevo tipo de relación productiva entre los actores
y el compromiso de los mismos con los objetivos colectivos,
sugiriendo nuevos rumbos para la comunidad de pescadores
de Vila Amazon, ya que el espacio y el potencial de crecimiento existen y faltan sólo los medios de comunicación entre
las instituciones educativas, organismos públicos y agentes
implicados en el sistema de producción.
cidade de Parintins, AM,
Brasil, desponta com potencial considerável em termos
de produção, uma vez que
essa comunidade localiza-se a
margem direita do Rio
Amazonas e, por tal, vivencia
dois períodos distintos ao que
diz respeito ao pescado.
Primeiro, a comunidade é
agraciada com o fenômeno da
piracema (período de reprodução de peixes), que propicia
que grande quantidade de
pescado seja capturado e comercializado, embora de forma rudimentar e levando a
perdas consideráveis aos comunitários. Segundo, porque,
a comunidade apresenta áreas
propicias para a atividade de
agentes de u m sistema
produtivo.
De certo modo, no contexto
da comunidade em estudo a
atividade de produção de pescado em cativeiro desenvolve-se de maneira incipiente e,
desta forma o esforço aqui
empreendido objetiva estudar
sobre o estágio de transferência de informação na pesca
artesanal da Vila Amazônia e
sua influência no desenvolvimento dos APL, nessa cadeia
de produção. O estudo parte
da premissa de que a ausência
ou ineficiência de um sistema
de informação prejudica consideravelmente o desenvolvimento do APL do pescado no
contexto da Vila Amazônia.
criação de peixes em
cativeiro.
Contudo, o acesso a políticas de extensão r u ral que
venham a promover ou mesmo viabilizar empreendimentos direcionados é prejudicado pela inexistência de informação que coloque os pescadores no patamar de produtores em potencial e que, diante dessa condição, viabilize
aquele acesso. A inexistência
de informação, portanto, contraria o que menciona Santo
(2000) quando alega que a
transferência da informação é
uma característica de suma
importância nos APL, visto
ser responsável pela partilha
do con hecimento ent re os
JANUARY 2015, VOL. 40 Nº 1
Para isso, um estudo qualitativo foi conduzido, utilizando entrevistas com os sujeitos
envolvidos para a coleta de
dados, bem como captou
ocor rências de campo por
meio de observação. O ferramental analítico utilizou a
análise de conteúdo, orientada
pelas categorias encontradas
no referencial teórico especialmente envolvendo arranjos
produtivos locais.
Embora a complexidade do
objeto e a carência de conhecimento prévio sobre sua realidade tenham situado o estudo num âmbito exploratório,
esse se propõe a servir como
uma referência para novos e
aprofundados estudos que
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venham a auxiliar ao entendimento mais preciso das comunidades ou aglomerações produtivas semelhantes ao caso
pesquisado, no sentido de acumular conhecimento para a
descrição mais precisa da estrutura de geração de emprego
e renda e de sua relação com
qualidade de vida.
Referencial Teórico
Em sua abordagem sobre
Princípios de Economia, publicada em 1920, Alfred Marshall
destacou que a concentração
geográfica e setorial das empresas, a instalação de atividades (manufatura e serviço) dos
fornecedores e o conhecimento
das pessoas são os principais
elementos para desenvolver
uma localidade industrial
(Igliori, 2001; Krugman, 1991).
Porter (1986) descreveu essa
concentração, também identificada como aglomeração ou
cluster como “um agrupamento
geograficamente concentrado
de empresas inter-relacionadas
e instituições correlatas numa
determinada área, vinculadas
por elementos comuns e complementares”. De forma semelhante, Santos e Guar neri
(2000) descrevem os arranjos
produtivos locais ou APL como
um fenômeno vinculado às
economias de aglomeração,
associadas à proximidade física
das empresas fortemente ligadas entre si por fluxos de bens
e serviços.
Ainda, Souza (2009) afirma
que um APL representa um
conjunto de aglomerações econômicas, que se desenvolvem
por meio de características locais, tendo como base a geração de conhecimento endógeno, na qual a presença da cooperação esta relacionada à atividade principal destes agentes.
Esse autor menciona que além
dos aspectos técnicos que definem a forma de organização e
estruturação da cooperação, há
o aspecto social que é fundamental no entendimento dos
processos e ações dentro das
atividades dos agrupamentos.
Esse aspecto é menos perceptivo para o observador, mas essencial para o entendimento
não somente dos fatores
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associados às relações sociais
intergrupos, como também das
formas de organização do trabalho e dos mecanismos de
ascensão social.
As interações nesse ambiente
cooperativo tem por base a
transferência de informação, a
qual atua como variável essencial para a permanência da organização
no
mercado.
Segundo Drucker (1993), a informação pode ser considerada
a base para os processos de
gestão e é representada pelo
binômio informação/conhecimento, os quais serão fatores
deter minantes ao sucesso.
Nesse contexto, a comunicação
é considerada um relevante fator para que se estabeleça a
transferência de informação/
conhecimento. Trata-se de um
processo horizontal de conexões o qual se baseia em interações entre os indivíduos, instituições e conteúdos. (Simeão
e Miranda, 2003).
De acordo com Bar reto
(2002), a informação pode ser
concebida como conhecimento
comunicado e, desta forma,
deve ser observado um conjunto de requisitos básicos como:
a qualidade, relevância e confiabilidade da informação, código linguístico comum entre
emissor e receptor e canais de
comunicação acessíveis e eficientes. Para esse autor, a
transferência de informação
possui conotação de passagem,
de deslocamento e de transmissão de conhecimentos entre os
agentes locais. Contudo, para
que o processo possa ocorrer
de maneira otimizada é necessário que os grupos de agentes
possuam relações culturais e
laços de semelhança.
O processo de transferência
de informação trata-se então,
segundo Miranda e Simeão
(2003), de comunidades interpretantes, as quais têm a função de compartilhar os códigos
apropriados para a ação de
comunicar, de forma que, à
medida que evoluem passam a
criar novos conhecimentos e
novas interpretações do conhecimento adquirido anteriormente. Assim, esses autores retratam que a informação pode ser
diretamente comparada com
conhecimento, no sentido de
que quem detém a informação
detém
o
conhecimento.
Entendem, ainda, que a transferência de informação é um
processo de transmutação de
conhecimento entre partes interessadas de modo que haja
uma parte para a emissão da
informação e outra parte com
atributos culturais semelhantes
para a decodif icação do
conhecimento.
A revisão bibliográfica realizada para nortear o estudo
per mitiu a identif icação de
cinco temáticas presentes que
tratam de contextos ou ambientes relacionados ao aqui
focado, as quais foram utilizadas como parâmetros para as
observações e para elaboração
do roteiro de entrevista a ser
aplicado aos pescadores e demais atores da atividade da
pesca artesanal na comunidade
da Vila Amazônia, sendo: características locais; endogenia;
comunicação; proximidade física; atividade motriz.
Procedimentos
Metodologicos
Trata-se de uma pesquisa
exploratória com abordagem
dedutiva, visto que parte uma
visão do coletivo, gerada pela
literatura aqui selecionada referente à APL para o particular.
Inicialmente a pesquisa utilizou a técnica de observação in
loco dos atores e das principais
atividades pelos agentes integrantes da atividade objeto do
estudo, a fim de se identificar
preliminarmente os fatores geradores de entraves para a implantação de um APL voltado
a pesca artesanal. O processo
de observação contou com três
visitas não agendadas, nas
quais os pesquisadores acompanharam dois grupos de pescadores durante algumas horas
de seu trabalho cotidiano.
Cerca de 30 dias após o período de obser vação, foram
realizadas as entrevistas com
os agentes envolvidos, sendo
estas direcionadas a 20 pescadores, seis comerciantes de
apetrechos de pesca, quatro
comerciantes de gelo triturado
e quatro comerciantes de pescado. Vale ressaltar que os dados coletados foram analisados
levando em conta o contexto
socioeconômico no qual os
agentes estão envolvidos, ressaltando-se a utilização de indicadores de conjuntura que
mais se aproximassem daquela
realidade, conforme orientado
por Vergara (2009).
Os dados foram analisados
de forma qualitativa, segundo
a or ientação da técnica de
analise de conteúdo, sendo os
mesmo organizados em etapas.
O cruzamento das variáveis
conhecidas com as os principais fatores de influência para
que se tivesse uma precisão
satisfatória no resultado da
investigação.
Resultados e Discusão
Os resultados evidenciam
inicialmente que todos os pescadores entrevistados detém
laços familiares efetivados, ou
seja, já são pais de famílias
sendo que alguns mantem casamento formal enquanto outros detém união estável, com
variabilidade do número de
componentes da família. Uma
parcela das famílias conta com
agregados que não são parentes, mas sim conhecidos quem
moram e participam das despesas diretas do pescador sem
deter vinculo empregatício e
nem contrato remunerado, por
vezes ajudando na tarefa da
pesca, em troca de abrigo e
comida. Tais dados podem ser
evidenciados na Tabela I.
De forma unânime, os pescadores entrevistados alegaram
que possuem casa própria (em
sua maioria dos casos são moradias cedidas por órgãos ligados a reforma agraria local),
com acesso a serviços de água
encanada e luz elétrica.
Declaram também apresentar
TABELA I
TAMANHO DA FAMÍLIA DOS PESCADORES
2 pessoas
2 pescadores
3-6 pessoas
12 pescadores
6-8 pessoas
4 pescadores
JANUARY 2015, VOL. 40 Nº 1
8-10 pessoas
2 pescadores
acesso à saúde (existência de
uma unidade de saúde local
pública na comunidade).
No que tange a renda média
dos pescadores, a situação evidenciada torna aparente um
maior grupo com manifestações acerca da não obtenção de
recursos suficientes (que segundo os atores atendem suas
necessidades) para o sustento
de suas famílias, como registrado na Tabela II. Da mesma
forma é evidenciado que entre
os pescadores que se dedicam
a uma segunda atividade para
complementar a renda da família, geralmente realizada na
agricultura ou ainda dedicando-se a cultivos incipientes de
produtos regionais e frutas de
época como melancia, mamão,
laranja e etc.
Por outro lado, cabe ressaltar
que segundo Moreira et al.
(2010) “o pescador profissional
que exerce sua atividade de maneira artesanal, com fins de subsistência e de comercialização,
tem direito ao seguro defeso”.
Este benefício é comparado ao
seguro-desemprego do pescador
artesanal, pois tem a função de
garantir assistência financeira
por período determinado ao pescador que se encontra proibido
de exercer sua atividade profissional e que tem como única
fonte de renda o pescado.
Ainda, sobre a questão da
renda, 12 respondentes declararam ter renda de até dois salários mínimos e todos os respondentes declararam estar inseridos em programas sociais
do Governo Federal, especialmente o Programa Bolsa
Família. O rendimento proveniente desse programa, segundo as manifestações dos entrevistados, estaria possibilitando
a manutenção das crianças na
escola e, portanto, indicando o
atendimento a um de seus
propósitos.
Outro aspecto evidenciado
pelas entrevistas refere-se ao
envolvimento de membros da
na atividade de pesca. Metade
dos respondentes (10 casos)
indicaram esse envolvimento
de familiares tanto na atividade
pesca ou mesmo no beneficiamento de derivados, como a
farinha de peixe conhecida
como piracuí.
No grupo de pescadores entrevistados, encontrou-se metade com até ensino fundamental
incompleto e somente um caso
com ensino fundamental completo, tornando aparente o afastamento dos pescadores da
educação formal (Tabela III).
Por outro lado, há a tentativa
por parte dos governos federal
em amenizar tal situação, por
meio do oferecimento do
Programa ‘Pescando Letras’
(projeto do Ministério da Pesca
com o intuito de alfabetizar
pescadores em todo território
brasileiro), já em funcionamento e acessível aos pescadores,
fato este que poderá contribuir
para a melhora do nível de escolaridade dessa população.
Por outro lado, a escolaridade dos f ilhos é descrita no
grupo de forma mais favorável,
visto que mais da metade dos
pescadores (12 casos) declararam a presença de filhos com
pelo menos o fundamental
completo, sem distorção entre
série e idade, ou seja, os filhos
de pescadores apresentam compatibilidade entre a série cursada e a faixa etária de sua classificação (Tabela IV).
Embora essa situação possa
contribuir no tempo para a
geração e fortalecimento do
fluxo de conhecimento entre os
participantes desse grupo de
pescadores, ainda é incipiente
o ambiente de conhecimento e
de educação formal para que
se desenvolva e se transforme
as informações sobre técnicas
de pesca, de comercialização e
de armazenamento de alavancar
um
processo
de
desenvolvimento.
Portanto, o ambiente de desenvolv i mento est i mulado
pela transmutação da informação em domínio de novo
conhecimento ainda é fragilizado, seja pela baixa escolarid ade dos pescadores, seja
pela não incorporação de novas técn icas de pesca.
Particularmente essa última
questão apóia-se na manifestação dos entrevistados sobre
a manutenção de hábitos, cost u mes e prát icas de pesca
aprendidos com antepassados,
não identificando-se qualquer
evidencia de absorção de conhecimento de nova técnica
de pesca proveniente de outra
fonte de informação.
TABELA II
RENDA MÉDIA DOS PESCADORES
EM SALÁRIOS MÍNIMOS
Até 1 salário
2 pescadores
1-2 salários
10 pescadores
2-4 salários
6 pescadores
4-6 salários
2 pescadores
TABELA III
ESCOLARIDADE DOS PESCADORES DA VILA
AMAZÔNIA
Fund.
Fund.
Média
Média
incompl.
compl.
incmpl.
compl.
2 pescadores 8 pescadores 6 pescadores 1 pescador 1 pescador
Alfabetizado
TABELA IV
FORMAÇÃO EDUCACIONAL DOS FILHOS DOS
PESCADORES
Fund. Incompl.
8 pescadores
Fund. Compl.
6 pescadores
Média incompl.
4 pescadores
Média compl.
2 pescadores
TABELA V
TIPO DE EMBARCAÇÃO DOS PESCADORES DA
COMUNIDADE
Canoa
Bajara
12 pescadores 5 pescadores
JANUARY 2015, VOL. 40 Nº 1
Barco até 11m
2 pescadores
Barco mais de 11m
1 pescador
A não absorção de técnicas
resultantes de um novo aprendizado inibe o aumento da produtividade e, consequentemente, do desenvolvimento da atividade. A regularidade na atividade é mantida por todos os
pescadores conforme declaração de realização das atividades de pesca mesmo em tempos de entressafra, período no
qual o preço do pescado é
mais alto, visto que a limitação
de oferta determinada pela dificuldade de captura.
Os atores descrevem que
existem técnicas e insumos
diferenciados para os diferentes
períodos e da espécie a ser
capturada: redes, no caso de
captura de grandes cardumes;
bubuia (espécie de rede com
elevadas alturas), no caso de
pesca em aguas profundas;
além do uso de outros apetrechos menores como espinhel e
tarrafas.
No que tange a embarcações,
foi obser vado que todos os
entrevistados possuem embarcações próprias, com variações
de formato e tamanho ilustrado
no Tabela V. A maioria dos
pescadores possui embarcações
de pequeno porte como canoas
e bajaras, o que influencia desfavoravelmente na produtividade da atividade, visto que a
baixa capacidade de transporte
do pescado limita o volume e a
diversidade de espécies capturados, gerando um diferencial
de custo negativo quando comparado aos resultados obtidos
pelos pescadores com maior
capacidade de captura.
Para uma empreitada de pesca o pescador necessita de recursos financeiros para custeio,
reforçando a relação direta entre
o lucro e a quantidade e qualidade da espécie capturada. As
espécies de maior valor e de
fácil comercialização na região
são: tambaqui, curimatã, tucunaré surubim, jaraqui, pacú,
pirapitinga, entre outras. Não
obstante, há a retirada de um
percentual de pescado para o
próprio consumo, ou seja, para
o sustento da família. Neste
sentido, os pescadores retiram
em média ~10% do total capturado para a subsistência da família, quantidade geralmente
conservada em salga, ainda que
47
outras formas sejam utilizadas,
mas de forma bem menos presente. Quanto à comercialização, os resultados de entrevista
e observação evidenciam a ausência de procedimento tecnológico de beneficiamento e agregação de valor, sendo o pescado
transacionado in natura.
Nesse processo de comercialização é evidenciada presença
de um agente que faz a ligação
entre os pescadores e os comerciantes locais, chamado
‘aviador’. Por falta de capital
por par te do pescador para
subsidiar os custos da ‘empreitada’ de pesca, o ‘aviador’ acaba por financiar a atividade do
pescador e, em contra partida,
obtém o direito de compra de
toda a produção. Tal prática
tende a reduzir de forma significativa o poder de acumulação
de capital da atividade, visto
que o financiamento da atividade feita pelo ‘aviador’ cria
um laço de dependência do
pescador, culminando no pagamento de preços abaixo dos
praticados no mercado. Assim,
a maior incidência de casos de
pescadores que entregam seu
produto a atravessadores e
‘aviadores’ consolida uma relação de dependência aparentemente prejudicial aos pescadores. A redução dessa incidência
pode contribuir para a valorização financeiramente da atividade dos produtores locais.
Cabe observar a diferença
entre o atravessador e o ‘aviador’. Enquanto o atravessador
limita-se a comprar o pescado
do pescador e a comercializá-lo
com preço maior, ou seja, o
atravessador está submisso ao
preço de mercado do produto, o
‘aviador’ busca financiar a empreitada dos pescadores o que
lhe confere exclusividade na
compra e na determinação do
preço a ser pago pelo pescado.
Os poucos casos identificados de comercialização direta
do pescador para o consumidor
f inal foram ilustrados na
Tabela VI.
A pesquisa buscou identificar os equipamentos utilizados
para a captura e conservação
dos peixes, como térmicos de
conservação, arreios de pesca e
de transporte destes e etc.
Também, como resultado das
entrevistas e da observação foi
evidenciado que nem todos os
pescadores entrevistados detêm
equipamentos adequados a pratica da pesca, conforme ilustrado na Tabela VII. Da mesma
forma, o acesso a informações
direcionadas sobre as possibilidades de aquisição de equipamentos necessários a realização
do trabalho não se efetiva e,
portanto, as informações não
são trocadas entre os pescadores. Nesse sentido, encontrou-se poucos entrevistados com
conhecimento sobre linhas de
financiamento disponíveis para
a atividade. O circulo vicioso
do acesso restritivo a informação de f inanciamento, por
exemplo, reforça o comprometimento da produtividade, em
decorrência do uso de equipamentos insuf icientes ou
obsoletos.
Por outro lado, um resultado
que mostrou alta diversidade
de comportamentos entre os
entrevistados refere-se a duração da ‘empreitada’. Pelo menos três situações foram evidenciadas: um gr upo maior
declara atuar cerca de 7 dias
na atividade, com descanso de
3 dias; outro gr upo declara
atuação em torno de 4 dias
com 2 dias de descanso; outro
grupo, ainda, declara atuar até
30 dias na atividade de pesca
com descanso de 7 dias ou até
quando apresentar estoque
capturado.
O fato de perdurar mais na
atividade está intimamente ligado à busca de espécies mais
nobres e com maior valor de
mercado como é o caso de espécies de tambaqui, tucunaré
pescada, surubim e outras. Não
obstante, a forma de captura e
a distancia alcançada para a
mesma estão intimamente
TABELA VI
FORMAS DE COMERCIALIZAÇÃO DO PESCADO
Venda direta
2 Pescadores
48
Atravessador
8 pescadores
Comerciante
6 pescadores
‘Aviador’
4 pescadores
ligadas disponibiliTABELA VII
dade financeira do
CONSIDERA SEUS EQUIPAMENTOS
pescador para reaADEQUADOS AO TRABALHO
lizar uma pescaria.
Adequado
Insuficiente
Razoável
Assim,
quanto 8 pescadores
6 pescadores 6 pescadores
mais distante for o
local de captura,
mais recursos financeiros serão principalmente quais as formas
necessários. Esse fato parece e condições que estariam dislimitar o acesso de pescadores poníveis para os mesmos.
Contudo, mesmo nesse ama atividades em tais regiões,
biente
de restrição de informaou, mesmo, ampliar os laços de
dependência de novos entrantes ções, os entrevistados manifesou atores presentes na ativida- tam que, em parte, a troca de
informação ocorre, especialde com o ‘aviador’.
Os entrevistados alegam que mente tendo como foco a ativitrabalham sob o regime de dade fim. Ilustra essa situação,
economia familiar onde são os relatos dos pescadores sobre
ajudados por parentes e, algu- a informação aos companheiros
mas vezes, por agregados e de profissão sobre lagos favovizinhos. O pagamento desse ráveis e sobre melhores comtrabalhador é realizado por pradores, caracterizando o espírito de cooperação do APL.
meio de cotas de pescado.
De forma geral, os pescadores declaram não possuir recur- Outros agentes entrevistados
sos de custeio e de capital para
a manutenção de seus apetreOs comerciantes de pescado
chos de pesca e reparos de entrevistados declaram que sua
suas embarcações, sugerindo a atividade representa além da
fragilidade dessa comunidade a subsistência para um numero
choques externos do ambiente. considerável de famílias, tamTodos os entrevistados de- bém uma forma concreta para
clararam filiação ou inscrição o crescimento do empoderaem alguma representação de mento para a comunidade.
classe. No caso dos pescadores
Esses agentes também declade Vila Amazônia, os vínculos ram que as formas de trabalho
de afiliação mais comuns são do pescador artesanal ainda
com a Colônia de Pescadores ref letem meios rudimentares,
Z17 e o Sindicato dos herdados de seus antepassados,
Pescadores SI N DPESCA. quando não existiam recursos
Essas entidades são pontos de como os da atualidade.
contato dos pescadores com
Foi evidenciado por alguns
linhas de financiamento, mas comerciantes entrevistados que
aparentemente com pouca a formas de trabalho dos pesatratividade, visto que os pes- cadores artesanais não apresencadores mesmo reconhecendo tam tanto impacto ao meio
a sua importância, declaram ambiente de modo que este
que seus processos são moro- modelo de trabalho seria o
sos e incipientes, especialmen- mais viável para a região e
te na promoção e incentivo da sustentável ao longo prazo.
atividade de pesca.
O reconhecimento de há dePor outro lado, as dois insti- ficiência na transmissão de intuições apontadas alegam que formação declarada por esse
estão em contato direto com o grupo de comerciantes entrevispescador, de modo que as for- tado reforça o circulo vicioso
mas de acesso a linhas de cre- das dificuldades de desenvolvidito, de financiamento e de mento adequado para a região.
cursos técnicos de agregação Conforme os dados obtidos, as
de valor ao pescado possam informações são retidas como
ser por elas intermediados.
elemento de diferencial unitáQuando de eventual contato rio. Essa centralização da inforpara financiamento de aquisi- mação, bem como sua não soção de material para a pesca, cialização reforça o ambiente
os pescadores não são informa- do não desenvolvimento do
dos sobre o programa de pro- APL voltado a pesca artesanal
cedência do recurso e na comunidade.
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A pesquisa pode identificar
um conjunto de agentes, atores
e instituições de fomento
(Figura 1), entretanto neste
cenário as trocas de informação a fim de promover assistência técnica, ampliação e
coordenação dos processos produtivos com o intuito de desenvolvimento da pesca artesanal na comunidade em estudo
ainda é incipiente.
Considerações Finais
A região Amazônica desponta com um potencial considerável para a exploração de pescado de modo que se entende
que a atividade representa elevado nível de emancipação
socioeconômica para as suas
cidades. Também, nessa região,
a atividade de pesca esta intrinsecamente ligada nos costumes e cultura local.
No contexto da comunidade
de Vila Amazônia a atividade
da pesca pode também ser entendida com expressiva importância para o sustento dos núcleos familiares locais, além de
sua íntima relação com o cotidiano, a cultura e as crenças
locais. Contudo, os mecanismos utilizados e as restrições
impostas pela não incorporação
de novas técnicas, vem culminando, nos últimos anos, com
o não acompanhamento das
necessidades de mercado local.
Essa situação, tem provocado a
perda de espaço dessa comunidade de pescadores para profissionais de outras regiões como
também de outras comunidades, nas quais o desenvolvimento da pesca conta com formas modernas de cooperativismo e de interação entre os
comunitários.
Parece evidenciado no estudo que um dos entraves ao
desenvolvimento da pesca artesanal na comunidade da Vila
Amazônia estaria vinculada a
ausência de fluxo continuo de
informação, o que inibe a geração de novos conhecimentos
sobre técnicas mais modernas
e, consequentemente, influenciando negativamente sobre a
atividade de pesca do grupo
de pescadores foco desse
estudo.
A informação é fator essencial ao desenvolvimento de
qualquer atividade (Por ter,
1986;
Bar reto,
2002;
Schumpeter, 1997), de modo
que a ausência desta implicaria
severamente em declínio da
atividade. Da mesma forma, o
ambiente de constantes alterações das relações de comércio
e de mercado implica na necessidade real de desenvolver
continuamente técnicas de
Pescador
INCRA
Prefeitura
Com. Gelo
Atravessador
Com. Agrop.
UEA
SEBRAE
APL PESCA
ARTESANAL
Gov. Estado
IFMT
EMBRAPA
UFAM
IDAM
Ins. Bancárias
Banco da Amazônia
Col. Pesca Z-17
Figura 1. Atores e instituições que influenciam no desenvolvimento do
APL da pesca artesanal da região da Vila Amazônia. SEBRAE: Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenhas Empresas, EMPRAPA:
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, IDAM: Instituto de
Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do
Amazonas, UFAM: Universidade Federal do Amazonas, IFMT:
Universidade Federal de Mato Grosso, UEA: Univesidade do Estado do
Amazonas, INCRA: Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária.
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crescimento como também
adaptações a mudanças, buscando a agregação de valor a
atividades inicialmente orientadas pela tradição.
Com relação aos pescadores da comunidade de Vila
Amazônia, há a potencialidade pa ra a con f ig u ração de
um APL voltado para a pesca artesanal. Contudo, para
que tal empreendimento se
solidifique parece necessário
a ut i l i z a çã o de novos
parâmetros.
A reconfiguração no f luxo
de transferência de informações pode auxiliar no gerenciamento de novos rumos para a
pesca artesanal na comunidade,
fomentando a organização e
cooperação entre os atores
locais.
A transformação positiva na
forma de transmissão de conhecimentos parece que tenderia a desencadear um novo tipo
de relação produtiva entre os
agentes envolvidos, visto que
esses apresentam as características embrionárias para a constituição de um APL, as necessidades operacionais que justif icam a operação em APL,
bem como o espírito de cooperação dinamizador da operação
do APL.
Contudo, a formação e consolidação dessa estrutura em
comunidades de baixa densidade de informação e conhecimento interno exigiria o apoio
de agente externo que viabilizasse a estruturação de mecanismos para acesso e troca de
informação, com vistas a sua
transmutação em conhecimento. Esse ambiente somado ao
empenho dos agentes envolvidos atrelados em objetivos coletivos tenderia a formar o cenário para novos r umos da
pesca artesanal na comunidade
de Vila Amazônia.
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a transferência de informação para o desenvolvimento