Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra Departamento de Engenharia Mecânica Ignição de Combustíveis Florestais por Partículas com Elevada Temperatura Mário António Fonseca Loureiro Orientadores: Professor Doutor Domingos Xavier Viegas Professor Doutor António Rui A. Figueiredo 21/5/2008 Estrutura • • • • Introdução Metodologia Resultados e discussão Conclusões 2/66 Introdução • Há muitos incêndios em Portugal • Alguns desses incêndios são causados acidentalmente pelo uso de maquinas • Estudamos as condições de ignição de combustíveis florestais por partículas com elevada temperatura 3/66 Ocorrências de incêndios florestais em Portugal 36.000 32.000 Nº de Incêndios 28.000 24.000 20.000 16.000 12.000 8.000 4.000 0 1980 1982 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006 Fonte: DGRF15/10/2007 4/66 Área ardida total. 400.000 350.000 Área (ha) 300.000 250.000 200.000 150.000 100.000 50.000 0 1980 1982 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006 Fonte: DGRF15/10/2007 5/66 Distribuição da área ardida por espécies Fonte – DGF (2002) 6/66 Comportamento extremo do fogo Fonte - http://sic.sapo.pt Perto da meia-noite de 22/8/2005, Joel Vale, captou a imagem 1.2 de Coimbra. 7/66 Causas dos incêndios Causas de incêndios entre 2000 a 2006 Fonte DGRF Janeiro de 2007 8/66 Ignições causadas de forma acidental Fonte - Resumo Técnico da Determinação das causas dos incêndios florestais em 2002, elaborado pelo Corpo Nacional da Guarda Florestal 9/66 incêndios provocados por viaturas ano nº de focos por ocorrência marca e modelo do veículo dist. entre o 1º e último foco m dist. da origem à estrada m 1986 1990 1992 1994 1994 1995 1996 1996 1996 11 7 4 5 1 1 4 4 6 ? 78 Ford SU ? ? Dolphin 91 Ford PU ? ? 92GMC van 66 400 16000 122 8200 91 251 2,4 0,6 a 10,7 0,8 a 1,2 2,4 1,5 1,8 4,6 0,3 a 0,9 Os incêndios originados pela libertação de partículas incandescentes de viaturas, provocam geralmente múltiplos focos. O máximo de focos por incêndio nesta tabela foi de 11 e a distancia entre o primeiro e o último foco foi de cerca de 16 km; também a distância máxima do ponto de ignição à linha da estrada foi de cerca de 11 m. Fonte - Industrial Operations Fire Prevention Field Guide, página 140 10/66 Pneu de camião ao desfazer-se provoca incêndio A1 km 168 sentido N-S, Julho de 2004 11/66 Calços de comboio Fonte - Railroad Fire Prevention Field Guide, (1999), Department of Forestry and Fire Protection, US. 12/66 Auto-limpeza do escape Fonte - Spark Arresters and the Prevention of Wildland Fires, video NFES 2237 (1998) 14/66 Comboio com retenção de fagulhas “spark arrester” www.lvrrmodeler.net 15/66 Colector de partículas em comboio Fonte - Railroad Fire Prevention Field Guide, 1999 16/66 Escape de locomotiva Esta imagem mostra uma grande quantidade de fuligem acumulada. Esta fuligem contém muito óleo, além de gasóleo mal queimado, denominado Particulate. Quando esta fuligem se liberta em combustão ela poderá originar vários focos de incêndio ao longo da linha, incêndios que poderão ser difíceis de combater se originarem extensas frentes. 17/66 Vegetação inadequada A quantidade de ocorrências durante o verão de 2005 nesta via foi de tal modo tão elevada, que houve uma ocorrência em média por cada 3km. A92 ao km 70, sentido Granada-Sevilha,16/8/2005 18/66 Partículas em combustão originam focos secundários Fonte - Chisholm, DogRib, and Lost Creek FiresPost-Fire Research Workshop 27/4/2005 19/66 Partículas redondas Partícula depositada, disco de 25mm de diâmetro Manzello, Samuel L (2006) 20/66 Gerador de partículas em combustão A ignição das partículas em combustão é feita por queimadores de propano. Manzello, Samuel L (2007) 21/66 Ensaios com partículas Manzello, Samuel L (2007) 22/66 Secagem dos combustíveis O aquecimento solar dos combustíveis florestais faz aumentar a pressão parcial do vapor de água, tornando-a superior à do vapor presente na atmosfera envolvente. Esta diferença de pressões provoca a passagem de vapor para o ar perdendo progressivamente água até que se atinja um estado de equilíbrio, sendo normal o teor ser inferior a 5%. Imagem de caruma (Lousã) exposta ao sol captada pelo Engº Luís Paulo no dia 20/9/2005, pelas 12h09. O ponto sp1 encontrase a 57.9ºC 23/66 Metodologia • • • • Combustíveis Partículas Método de aquecimento Medição da temperatura 24/66 • Combustíveis – Caruma – Feno – Eucalipto 25/66 26/66 Distribuição da área ocupada por espécies florestais Fonte - Educação para a Cidadania (2006), Ministério da Educação 27/66 • Partículas – Troços de borracha e de calços – Esferas metálicas 28/66 Amostras de calço de comboio Amostras de ensaios iniciais Amostras de ensaios finais 29/66 Esferas utilizadas 30/66 • Método de aquecimento – Resistência eléctrica (disco cerâmico do epiradiador) – Metal fundido – Chama de gás 31/66 Metodologia - Partículas aquecidas - esferas Aquecimento por imersão em metal líquido 32/ 66 Aquecimento a propano 33/66 • Medição da temperatura – Câmara infra-vermelho – Termopar 34/66 Medição da temperatura por infra-vermelhos 35/66 13/6/2005 36/66 Aquisição de temperatura por IR inadequada - Ensaio nº164 com esfera de 14,3mm 37/66 Aquisição de temperatura por termopar Pormenor da junção 38/66 Aquecimento da esfera de 37mm 39/66 Sistema de aquisição inicial por multímetro 14/7/2005 40/66 Aquisição de temperatura por interface PICO TC08 19/9/2005 41/66 Panorama da metodologia utilizada 42/66 Ensaios com partículas do corte abrasivo 9/11/2005 43/66 Ensaios com fuligem projectada por explosão 21/10/2005 44/66 Resultados e Discussão • Inflamabilidade de partículas – Calços de comboio e partículas de borracha • Ignição de leitos por Esferas de aço 45/66 Ensaios de inflamabilidade de partículas de borracha tempo de ignição (s) 14 12 10 8 6 y = 21,331x + 5,3083 4 2 R2 = 0,1255 0 0 0,05 0,1 0,15 0,2 peso da amostra (g) 0,25 Experiências realizadas a 600ºC no epiradiador com chama piloto acesa e ventilação ligada 0,3 46/66 Ensaios de inflamabilidade de partículas de calços de travões de tempo de ignição (s) comboios (modelo antigo de 32cm) 40 35 30 25 20 15 10 5 0 y = 6,2354x + 23,628 R2 = 0,055 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 peso da amostra (g) 0,8 Experiências realizadas a 600ºC no epiradiador com chama piloto acesa e ventilação ligada 0,9 1 47/66 Ensaios de inflamabilidade de partículas de calços de travões de comboios (modelo moderno de 32cm) tempo de ignição(s) 50 40 30 20 y = 22,146x + 11,46 R2 = 0,2076 10 0 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 peso da amostra (g) 0,8 0,9 Experiências realizadas a 600ºC no epiradiador com chama piloto acesa e ventilação ligada 1 1,1 48/66 Ensaios de ignição de combustíveis por esferas Inflamabilidade do feno com cerca de 10% de teor de humidade ignição 1 0 900 910 920 930 940 temperatura 950 960 970 980 G4.2.2 Ensaios de ignição com esfera de 14,3mm em feno a 9,9%humidade Quantidade de ensaios total - 24 Condições ambientais: Humidade máxima do ar 50%; Humidade mínima do ar 45% Temperatura mínima do ar 29ºC; Temperatura máxima do ar 30ºC 49/66 Resultados com registo do temperatura/tempo de ignição Tig(ºC) tig(s) Análise do tempo de ignição 924 0,3 Desvio-padrão 936 0,3 Erro-padrão 946 1 Máximo 972 1,8 Média 973 0,5 Mediana 980 0,4 Mínimo 955,2 média Moda Variância da amostra 0,59 0,24 1,8 0,72 0,45 0,3 0,30 0,35 T4.2.2 - Tempo de ignição com esfera de 14,3mm em feno a 9,9%humidade 50/66 Por cada tipo de combustível fizeram-se três séries de ensaios, um por esfera. A B C D E F1 G1 F2 G2 t min t máx. hum. diam massa Tmin hr máx Tmáx hr min c/ig esfera esfera s/ig esp. H I J nº larg tig atm atm atm atm exp. B-A ºC ºC % (mm) (g) ºC 993 1059 8,3 9 3 26 924 953 9,9 14,3 11,88 29 748 808 6,45 20,2 33,33 25 % 60 50 60 ºC 30 30 27 % 42 45 48 Qt. 28 24 23 médio ºC (s) 66 0,37 29 0,72 60 0,49 T4.2.4 Resultados de inflamabilidade com esferas em feno com cerca de 10% de humidade 51/66 G4.2.4 Inflamabilidade do feno cerca de 10% de humidade Com os resultados obtidos das três séries de experiências, valores a negrito da tabela T4.2.4, realizou-se o gráfico G4.2.4. Temperatura da esfera ºC 1100 1050 inflamabilidade=B 1000 inflamabilidade=A 950 900 850 800 750 700 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 Massa da esfera (g) 24 26 28 30 32 34 52/66 G4.2.31 Inflamabilidade das três espécies (limite inferior) a cerca de 1% de teor de humidade Temperatura da esfera ºC 1100 inflamabilidade feno c/2% 1050 Inflamabilidade caruma c/1% 1000 950 "Inflambilidade eucalipto c/1%" 900 850 800 750 700 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 Massa da esfera (g) 53/66 G4.2.32 Inflamabilidade das três espécies (limite inferior) a cerca de 8% de teor de humidade 1100 inflamabilidade feno c/8% Temperatura da esfera ºC 1050 Inflamabilidade caruma c/9% 1000 Inflambilidade eucalipto c/7% 950 900 850 800 750 700 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 Massa da esfera (g) 54/66 4.3-Inflamabilidade da caruma com cerca de 10% de teor de humidade (com cinco massas) t min t máx. hum. diam massa Tmin c/ig s/ig esp. esfera esfera atm atm atm atm exp. B-A médio média ºC % (mm) (g) 1075 7,7 0,52 5 962 7,65 10,1 4,1 946 9,6 14 10,68 889 8,95 20 32,63 761 8,2 37 206,6 ºC 26 26 28 25 25 % 52 52 54 62 40 ºC 30 28 30 28 33 % 38 42 46 46 32 Qt. ºC (s) 30 60 0,4 30 41 1,06 35 31 1,49 25 24 2,53 24 23 4,68 ºC 1068 946,7 938,3 875,6 761 ºC 1015 921 915 865 738 hr máx Tmáx hr min nº larg tig Tig 1100 Temperatura da esfera ºC 1050 inflamabilidade=B 1000 inflamabilidade=A 950 900 850 800 750 700 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 Massa da esfera (g) 130 140 150 160 170 180 190 200 210 55/66 4.4-Tempo de ignição G4.4.1 Tempo de ignição do feno feno 2,3%; 2,5g feno 0,1g; 10,68g feno 4,2%; 32,77g feno 8,3%; 3g feno 9,9%; 11,88g feno 6,5%; 33,3g 2 1,8 Tempo de ignição (s) 1,6 1,4 1,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 700 750 800 850 900 950 1000 1050 1100 Tem peratura ºC 56/66 G4.4.2 Tempo de ignição do eucalipto eucalipto 1,7%; 2g eucalipto 0,7%; 10,68g eucalipto 1,3%; 32,77g eucalipto 6,9%; 3,3g eucalipto 7,8%; 10,68g eucalipto 7,7%; 32,63g 4 Tempo de ignição (s) 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 700 750 800 850 900 950 Temperatura ºC 1000 1050 1100 57/66 G4.4.3 Tempo de ignição da caruma caruma 2,4%; 3,59g caruma 0,3%; 11,88g caruma 1,2%; 32,63g caruma 6,9%; 3,3g caruma 9,6%; 10,68g caruma 9%; 32,63g caruma 7,7%; 0,52g caruma 7,7%; 206,6g 6 Tempo de ignição (s) 5 4 3 2 1 0 700 750 800 850 900 950 Temperatura ºC 1000 1050 1100 1150 58/66 4.4.1-Tempo de ignição das espécies “secas” 3 feno 2% Tempo de ignição (s) 2,5 caruma 1% 2 eucalipto 1% 1,5 1 0,5 0 700 750 800 900 850 Temperatura ºC 950 1000 1050 59/66 4.4.2-Tempo de ignição da caruma com cerca de 10% de teor de humidade 4 tempo médio de ignição 3,5 y = 1E+21x -7,1027 R2 = 0,9652 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 750 800 850 900 950 1000 1050 1100 Temperatura média ºC 60/66 Tempo ignição (s) G4.4.6 Tempo médio de ignição da caruma c/ humidade [7,7;9,6] 4,5 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 0,392 y = 0,451x R2 = 0,9903 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 190 200 210 Massa da esfera (g) 61/66 4.4.3- Energia de ignição da caruma com cerca de 10% de teor de humidade Variação. T1 T1 diâmetro inicial inicial ºC 1015 921 915 865 738 esfera massa exp esfera nº tig cp1 H1 Cap. cal entalpia K mm kg s J/(kg.k) s 1288 5 0,00052 736 0,4 622 417 1194 10,1 0,0041 676 1,1 608 2977 1188 14 0,01068 673 1,8 607 7702 1138 20 0,03263 629 1,5 599,7 22272 1011 37 0,2066 757 2,8 580,6 121289 T2 cp 2 Cap. cal K 1261 1176 1178 1129 1009 J/(kg.k) 618 605,4 605 598,3 580,3 Índice H transf. Energia H2 entalpia entalpia para a ignição J J esfera J 6 405 11 0,5 26 2919 58 0,45 36 7612 91 0,4 69 22041 231 0,3 80 120969 320 0,25 62/66 80 70 y = 2E+24x -7,7202 R2 = 0,7335 Energia (J) 60 50 40 30 20 10 0 700 800 900 Temperatura (ºC) 1000 1100 Conclusões • Os veículos automóveis e os comboios são potenciais causadores de incêndios por meio de: – Troços de pneus – Calços de travões – Fuligem de sistemas de escape 64/66 • O tempo de ignição de um leito por uma partícula reduz-se com a diminuição da humidade do combustível. • Em igualdade de condições o tempo de ignição do leito depende sobretudo da temperatura da partícula 65/66 Fim de apresentação • Obrigado