Silva, E.C., Dutra Jr., W.M., Calado, V.H.V. et al. Levantamento das características morfológicas dos suínos locais do estado de Pernambuco. PUBVET, V.2, N.25, Art#264, Jun4, 2008. PUBVET, Publicações em Medicina Veterinária e Zootecnia. Disponível em: <http://www.pubvet.com.br/texto.php?id=264>. Levantamento das características morfológicas dos suínos locais do estado de Pernambuco1 Elizabete Cristina da Silva2, Wilson Moreira Dutra Jr.3, Victor Hugo de Vasconcelos Calado4, Clenilson Marquezin5, Bruno Cristiano Monteiro de Melo6, Mabel de Souza Lima5, Cristina Lúcia Michaello Macedo do Nascimento6 1 Projeto Financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq) 2 Graduanda do Curso de Zootecnia-UFRPE 3 Professor Adjunto do Departamento de Zootecnia –UFRPE 4 Médico Veterinário Garanhuns-PE. 5 Zootecnistas 6 Alunos do curso de pós-graduação em Zootecnia - UFRPE RESUMO Os dados provenientes deste trabalho foram adquiridos através de visitas “in loco” a 384 criatórios de suínos distribuídos nos municípios de Pernambuco com objetivo de avaliar as características morfológicas qualitativas das raças suínas nativas, e, identificar os locais de maior concentração no Estado de Pernambuco. Foram avaliados o perfil cefálico (PC) e tipo de orelha (TO) dos Silva, E.C., Dutra Jr., W.M., Calado, V.H.V. et al. Levantamento das características morfológicas dos suínos locais do estado de Pernambuco. PUBVET, V.2, N.25, Art#264, Jun4, 2008. animais com indicativo de suínos locais encontrados em 22 propriedades distribuídos em 14 municípios pernambucanos. A partir dos resultados observou-se que 82,4% dos animais pertenciam às raças ibéricas, encontradas principalmente na Zona da Mata Norte (54,0%) e Sertão do Pajeú (13,0%). Vitória de Santo Antão foi o município com maior número de nativos representados por 31,8% de crioulos e 1,2% piaus. 62,5% dos crioulos apresentaram-se com PC retilíneo e 58,3% orelhas asiáticas, 69,2% dos Baés e 60% dos canastras apresentaram PC sub-côncavo com respectivos TO 69,2% ibérica e 50,0% asiática, 45,4% dos piaus tiveram PC côncavo e 54,5% orelhas ibéricas. Observou-se a partir das características analisadas que o perfil cefálico e tipo de orelhas contribuíram na caracterização das raças. No entanto, os resultados obtidos são insuficientes, sendo importante também uma avaliação produtiva e genética. PALAVRAS-CHAVE: caracterização fenotípica, patrimônio genético, raças ibéricas, raças nativas, suínos Survey of morphologic characteristics of natives pigs of the Pernambuco state ABSTRACT The data of this work were acquired through “in loco” visits to 384 creators of swines distributed in the municipalities of Pernambuco with objective of evaluating the morphologic characteristics of pigs natives breeds and to identify the places of larger concentration in the Pernambuco State. The cephalic profile (PC) and ear type (TO) of 85 animals with indicative of national breeds found in 22 properties distributed in 14 municipalities of Pernambuco were appraised. Starting from the results it was observed that 82,4% of the animals belonged to the Iberian breeds, found mainly in the North Forest Zone (54,0%) and backwoods of Pajeú (13,0%). Vitória of Santo Antão was the Silva, E.C., Dutra Jr., W.M., Calado, V.H.V. et al. Levantamento das características morfológicas dos suínos locais do estado de Pernambuco. PUBVET, V.2, N.25, Art#264, Jun4, 2008. municipality with larger number of native pigs represented by 31,8% of Creoles and 1,2% Piaus. PC of 62,5% of the Creoles was rectilineal and 58,3% Asian ears, 69,2% of the Baés and 60% of the Canastras presented subconcave PC with respective TO 69,2% Iberian and 50,0% Asian, 45,4% of the Piaus had concave PC and 54,5% ears Iberian. It was observed starting from the analyzed characteristics that the cephalic profile and ears type contributed in the breeds’ characterization. However, the obtained results are insufficient, being also necessary a productive and genetic evaluation. KEY WORDS: Genetic conservation, natives breeds, Iberian breeds, swine. INTRODUÇÃO As primeiras raças suínas introduzidas no Brasil pertenciam às raças da península ibérica existentes em Portugal. As raças crioulas ou nacionais do Brasil foram originadas da mestiçagem, cruzamento, consangüinidade e seleção das raças portuguesas, espanholas, italianas, asiáticas, além de algumas inglesas e americanas. Sendo que, a partir de 1960, esses animais foram substituídos bruscamente pelas raças de suínos exóticas, geneticamente melhoradas. Segundo PEREIRA (1983) preservar os animais extintos ou em extinção é a única alternativa de avaliar sua possível contribuição genética nos programas de melhoramento genético. E para CAPOTE (2000) a caracterização fenotípica torna-se a base do conhecimento da produção animal, principalmente sob o ponto de vista da conservação dos recursos genéticos, contudo, considera a caracterização morfológica como um clássico dentro da conservação das raças. O objetivo deste trabalho foi avaliar as características morfológicas dos suínos locais dos criatórios do Estado de Pernambuco, bem como, identificar os locais de maior concentração desses animais na área de abrangência do estudo. Silva, E.C., Dutra Jr., W.M., Calado, V.H.V. et al. Levantamento das características morfológicas dos suínos locais do estado de Pernambuco. PUBVET, V.2, N.25, Art#264, Jun4, 2008. MATERIAL E MÉTODOS Os dados deste trabalho foram adquiridos através de visitas “in loco” a 384 criatórios de suínos distribuídos nos municípios do Recife, Paulista, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Abreu e Lima (Região Metropolitana do Recife), Carpina, Paudalho, Vitória de Santo Antão, Lagoa do Carro, Lagoa do Itaenga, Goiana e Itambé (Zona da Mata Norte), Palmares (Zona da Mata Sul), Sairé, Bonito, Bom Jardim, Cachoeirinha, Umari, Jupi, Lajedo, Belo Jardim, Bezerros, Taquaritinga do Norte e Altinho (Agreste) e Serra Talhada, Calumbi, Flores, Carnaíba, Tabira, Afogados da Ingazeira e São José do Egito (Sertão do Pajeú) pertencentes ao Estado de Pernambuco. O Estado de Pernambuco abrange uma superfície de 6,3 % do território nordestino e 0,5% de todo o Brasil. Localizado na região Nordeste do Brasil e situado entre os paralelos 7° 15’ 18’’ e 9° 28’ 18’’, nos meridianos 340° 48’ 35’’ e 41° 19’ 18’’ W.G. (IBGE, 2002). Os animais encontrados com indicativos de suínos nacionais foram avaliados quanto às características morfológicas qualitativas como: perfil cefálico (PC) e tipo de orelha (TO). O perfil cefálico foi classificado em quatro classes (retilíneo; sub-concavilíneo; concavilíneo e ultraconcavilíneo). O tipo de orelha em três classes (céltica, asiática e ibérica) segundo CAVALCANTI (1996). Essas características foram avaliadas quanto sua freqüência em cada tipo de suíno estudado. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foi observada maior percentagem de suínos ibéricos com 82,4%, sendo localizados principalmente na Zona da Mata Norte (54,0%) e Sertão do Pajeú (13%) de Pernambuco. O município com a maior população de suínos locais foi Vitória de Santo Antão com 31,8% de animais crioulos e 1,2% Piaus totalizando 33% dos animais encontrados. Silva, E.C., Dutra Jr., W.M., Calado, V.H.V. et al. Levantamento das características morfológicas dos suínos locais do estado de Pernambuco. PUBVET, V.2, N.25, Art#264, Jun4, 2008. Nas Tabelas 1 e 2, encontram-se as freqüências das características morfológicas do perfil cefálico (PC) e tipo de orelha (TO), onde a maioria (62,5%) dos suínos crioulos apresentou perfil retilíneo e 58,3% orelha asiática. Os Piaus 45,4% tiveram perfil côncavo, sendo a orelha de 54,5% ibérica. Nos suínos Baés 69,2% apresentaram perfil sub-côncavo e 69,2% orelha ibérica. O Canastra apresentou 60% perfil sub-côncavo e 50% orelha asiática. Os animais com perfil retilíneo encontrados apresentaram focinho fino e comprido, com face descarnada, testa estreita e sem papada. Os sub-côncavo tiveram focinho mais grosso, faces também magras, porém algumas se apresentaram com e sem papadas. Os de perfil côncavo, seus focinhos foram mais curtos e mais grossos com, faces cheias e a maioria com papadas. Foram encontrados poucos animais com perfil ultra-côncavo. Esses se caracterizaram pelo focinho muito curto, testas largas e faces cheias. Tabela 1- Percentuais do perfil cefálico (PC) das raças suínas nacionais encontradas nos municípios de Pernambuco Raças Perfil Cefálico N Retilíneo Sub- Concavilíneo Ultra-concavilíneo concavilíneo Crioula 24 62,50 12,50 25,00 0,00 Piau 11 0,00 36,40 45,40 18,20 Baé 13 0,00 69,20 30,80 0,00 Nilo 01 0,00 0,00 100,00 0,00 Canastra 10 30,00 60,00 10,00 0,00 Canastrão 01 0,00 100,00 0,00 0,00 Silva, E.C., Dutra Jr., W.M., Calado, V.H.V. et al. Levantamento das características morfológicas dos suínos locais do estado de Pernambuco. PUBVET, V.2, N.25, Art#264, Jun4, 2008. Tabela 2- Percentuais do tipo de orelha (TO) das raças suínas nacionais encontradas nos municípios de Pernambuco Tipo de Orelha Raças N Asiática Ibérica Céltica Crioula 24 58,30 20,80 20,80 Piau 11 18,20 54,50 27,30 Baé 08 30,80 69,20 0,00 Nilo 01 100,00 0,00 0,00 Canastra 10 50,00 20,00 30,00 Canastrão 01 0,00 100,00 100,00 CONCLUSÕES Observou-se a partir das características analisadas que o perfil cefálico e tipo de orelhas contribuíram na caracterização das raças. No entanto, esses resultados são insuficientes para a caracterização exata das raças, sendo importante também uma avaliação produtiva e genética. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAPOTE, C. Caracterization Morfológica y Produtiva. In: IV Reunion de Investigadores dei Programa Caprino Nacional, 2000. CD-ROM (Palestras). CAVALCANTI, S. S. Produção de Suínos. Ilustração Maria Isabel M. A. Carnio, Angelina M. W.Takahashi, Campinas-SP, p. 187-189,1996. IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 2002. Disponível em:<www.ibge.gov.br>. Acesso em 15/10/05. PEREIRA, J. C. C. Melhoramento genético aplicado aos animais domésticos. Belo Horizonte. Editora Universitária, p. 55-60, 1983. Silva, E.C., Dutra Jr., W.M., Calado, V.H.V. et al. Levantamento das características morfológicas dos suínos locais do estado de Pernambuco. PUBVET, V.2, N.25, Art#264, Jun4, 2008. Figura 1- Tipos de orelha dos suínos locais do Estado de Pernambuco: orelha asiática, animal com possibilidade de ser um Canastra (A); orelha ibérica, típica dos animais crioulos (B) e orelha céltica animal com característica de Baé da região Nordeste (C).