XVIII ENCONTRO NACIONAL DOS GRUPOS PET – ENAPET – RECIFE – PE
1º A 6º DE OUTUBRO 2013 – UFPE/UFRPE
Dengue: acabe com esse perigo reciclando, aprendendo e ensinando
Márcio José de Santana1, Priscila Pereira Cavalcanti2, Ruan Cairo Alves de Sene², Rodrigo de Morais Borges2, Taynara
Tuany Borges Valeriano2, Ana Flávia de Oliveira², Stefany Silva de Souza², Américo Iorio Ciociola Júnior³
Introdução
O mosquito Aedes aegypti é menor que os mosquitos comuns, possui, em média, 0,5 cm de comprimento. Ele é preto com pequenos riscos brancos no dorso, na cabeça e nas pernas, sendo essas características marcantes da espécie. É considerada uma espécie hematófaga originária da África que atingiu o
continente americano na época da colonização. Esse mosquito é o vetor e transmissor de doenças graves, como o dengue e a febre amarela (Combate a dengue, 2011).
A transmissão ocorre quando a fêmea pica a pessoa infectada, mantendo o vírus na saliva e o retransmite pelo ciclo homem-mosquito e mosquito-homem. Na picada, ela aplica uma substância anestésica, fazendo com que não haja dor. Os machos alimentam-se de frutas ou outros vegetais adocicados
(Combate a dengue, 2011).
Hoje, a dengue é considerada a arbovirose mais importante do mundo e, nos últimos anos, se tornou
um grave problema de saúde pública no Brasil, assim como em outras regiões tropicais do mundo. O
crescimento urbano propicia grande fonte de indivíduos susceptíveis e infectados concentrados em áreas restritas. Este fato, associado às condições precárias de saneamento básico, moradia inadequada e
fatores culturais e educacionais e, também aos fatores fundamentais para sua ocorrência, como: o homem, o vírus, o vetor e principalmente as condições políticas, econômicas e culturais (Marzochi,
1994), proporcionam condições ecológicas favoráveis à transmissão dos vírus da dengue (Lines et al.,
1994) pelo mosquito Aedes aegypti, seu principal vetor, que se adaptou perfeitamente a esse ambiente,
através do processo conhecido como domiciliação (Forattini, 1992).
Cerca de 2,5 bilhões de pessoas encontram-se sob risco de se infectarem, particularmente em países
tropicais onde a temperatura e a umidade favorecem a proliferação do mosquito vetor. O número de
casos notificados de suspeita de dengue teve aumento 279% entre 1º de janeiro e 23 de março de 2013
na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados do Ministério da Saúde.
Tendo em vista os crescentes registros de casos da doença e a ausência de uma vacina eficaz para uso
preventivo, soluções alternativas vão sendo desenvolvidas e adaptadas, a fim de combater ou diminuir
a infestação do mosquito da dengue. Uma dessas alternativas é a “mosquitérica”, uma armadilha de
baixo custo feita com garrafa pet, para capturar o mosquito adulto e, consequentemente diminuir a infestação do mesmo.
O armadilha foi criada por um professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a pesquisa na região é coordenada pela professora Junia de O. Costa do IFTM do câmpus Ituiutaba. No
câmpus Uberaba, a pesquisa é coordenada pelo professor Américo I. Ciocciola Júnior juntamente com
os integrantes PET – Engenharia Agronômica.
Sendo assim, o presente trabalho tem como objetivo conscientizar e auxiliar a comunidade na confecção da armadilha para controlar a proliferação do mosquito, auxiliando também indiretamente na
reutilização das garrafas pets.
Material e métodos
1
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Tutor do PET-Engenharia Agronômica do Instituto Federal do Triângulo Mineiro – Campus Uberaba.
Graduando do curso de Engenharia Agronômica do IFTM – Campus Uberaba membro do grupo PET-Engenharia Agronômica.
Professor do curso de Engenharia Agronômica do Instituto Federal do Triângulo Mineiro – Campus Uberaba..
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O projeto “IFTM Contra Dengue” está sendo desenvolvido nas escolas públicas e particulares de ensino fundamental I e II da cidade de Uberaba, assim como, para a comunidade com integrações nas
praças (encontros nas principais praças da cidade para toda a população).
A armadilha é feita basicamente com garrafa pet de 2 litros, tecido microtule, lixa, fita isolante e ração de gato (Figura 1A). Inicialmente para fazer a armadilha mosquitérica, corta-se no meio a garrafa
pet (Figura 1B). O lacre da garrafa deve ser retirado sem romper (Figura 1C), para que assim possa encaixar o tecido microtule e, novamente, colocar o lacre para fixar o tecido (Figura 1D). Lixa-se a parte
superior interna da garrafa (Figura 1E), para facilitar a evaporação da água (como atração para o mosquito) e que os ovos escorreguem para dentro da água. Colocam-se quatro rações para gatos trituradas
(menos gordurosa), na parte inferior da garrafa (Figura 1F); adiciona-se água na armadilha (Figura 1G)
e deixa em locais baixos e escuros, já que segundo Barata et al. (2001) machos e fêmeas podem ser coletados em cantos escuros das casas, em baixo de camas, atrás de armários, sob pias de cozinhas, no interior de banheiros, entre série de outros possíveis abrigos. As fêmeas adultas quando fecundadas, vão
abrigar-se em algum local escuro e úmido, no ambiente urbano, até serem estimuladas à alimentação
sanguínea (Natal, 2002). Posteriormente, encaixam-se as duas partes da garrafa pet de forma que a parte superior fique por dentro e virada para baixo, lacrando-as com fita isolante (Figura 1H). A água deve ser trocada e a garrafa pet deve ser lavada no máximo após cinco dias depois da confecção da armadilha, uma vez que, o mosquito da dengue tem acentuada preferência por recipientes contendo água
limpa, embora tenha sido observado também em ambientes poluídos (Clements, 1999).
Resultados e Discussão
A eficiência da mosquitérica foi observada quando os ovos eclodem na água e as larvas se alimentam
da ração do gato, ficando inchadas, assim, impedindo que elas passem no tecido microtule e saiam da
armadilha. Desta forma, quando chegarem a fase adulta, ficarão presas.
Como benefícios, ocorre a integração com a sociedade, promovendo o compartilhamento de conhecimentos entre os petianos e a sociedade (Figura 2A,B,C,D), onde orientam sobre como controlar o
mosquito da dengue (Aedes aegypti) utilizando materiais simples para a fabricação da armadilha mosquitérica. Sendo assim, há um trabalho conjunto para evitar maiores epidemias da doença.
Em 2013 já foram visitadas duas escolas abrangendo aproximadamente 500 alunos (as). Nota-se o
empenho e consciência principalmente de estudantes de ensino médio, afim de buscar alternativas no
controle desse inseto, pois o município de Uberaba, MG, bem como em todo o país enfrenta sérios
problemas com esta doença.
Referências
Barata, E. A. M., Costa, A. I. P., Chiaravalloti Neto, F., Glasser, C.M., Barata, J.M.S., Natal, D. Populações de Aedes aegypti em área endêmica de dengue, Sudeste do Brasil. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v.35, n.3, p.237-242, 2001.
Clements, N. A. The biology of mosquitoes. Wellinford: CABI Publications; 1999. v. 2.
Forattini, O.P. Ecologia, epidemiologia e sociedade. São Paulo, Artes Médicas, 1992.
Combate
a
dengue.
Mosquito
da
dengue.
2011.
Disponível
www.combateadengue.com.br/mosquito-da-dengue/>. Acesso em: 02 ago. 2013.
em:
<http://
Lines, J.; Harpham, T.; Leake, C.; Schofield, C. Trends, priorities and policy directions in the control
of vector-borne diseases in urban environments. Health Policy Plann., 9: 113-29, 1994.
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Marzochi, K. B. F. Dengue in Brazil: situation, trasmission and control - a proposal for ecological
control. Mem. Inst. Oswaldo Cruz, 89: 235- 45, 1994.
Natal, D. Bioecologia do Aedes Aegypti. São Paulo: USP, 2002.
Figura 1. Figura A: Materiais necessários para confecção da armadilha; Figura B: Corte da garrafa; Figura C: Tire o lacre da garrafa; Figura D: Corte um pedaço de microtule e prenda na boca da garrafa com o lacre; Figura E: Lixe a parte
superior da garrafa; Figura F: Coloque quatro unidades de ração triturada no interior da armadilha; Figura G: Coloque a
água até a metade da garrafa e vire a parte superior da garrafa; Figura H: Passe a fita isolante ao redor para vedação total.
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Figura 2. Figura A: Equipe PET; Figura B,C e D: Integrantes ensinando a confeccionar a armadilha.
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