UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Departamento Florestal Eng. Luis Lopes (http://home.utad.pt/~lflopes) Curso: Engenharia Florestal Disciplina: Hidráulica Florestal Trabalho prático 1 Caracterização geomorfologica da bacia hidrográfica e sua influência no escoamento superficial 1.1 Considerações iniciais No decurso das aulas práticas abordaremos a bacia hidrográfica como um sistema hidrológico natural. Uma bacia hidrográfica geralmente inclui lagos, rios, estuários, zonas húmidas, e a paisagem adjacente. Áreas subterrâneas de recarga de água também são consideradas. O geógrafo John Wesley Powell, apresenta uma definição de bacia hidrográfica mais abrangente e de difícil tradução: -“that area of land, a bounded hydrologic system, within which all living things are inextricably linked by their common water course and where, as humans settled, simple logic demanded that they become part of a community." 1.2 Objectivos do trabalho - Abordar do espaço à escala da bacia hidrográfica - Caracterizar a bacia hidrográfica - Estabelecer correlações entre as características da bacia e o escoamento superficial - Introdução ao estudo do ciclo hidrológico à escala da bacia hidrográfica 1.3 Procedimentos O aluno define uma sub-bacia hidrográfica que inclua, preferencialmente, a sua área de residência habitual, que posteriormente irá caracterizar. 1 PDF Creator - PDF4Free v2.0 http://www.pdf4free.com 1.3.1 Delimitação da bacia hidrográfica A bacia hidrográfica é definida em todo o seu perímetro por um divisor que separa as águas conduzindo-as para diferentes cursos de água (figura 1). Geralmente o nome da bacia corresponde ao nome do curso de água principal. Divisor topográfico Fig. 1 – Representação esquemática de uma bacia hidrográfica. A delimitação da bacia hidrográfica será realizada de acordo com a topografia seguindo as linhas das cristas das elevações circundantes da secção do curso de água em estudo, atravessando o curso de água somente no ponto de saída ou secção final. Esta delimitação será realizada tendo como suporte uma carta militar à escala 1/250 000. 1.4 Características geométricas 1.4.1 Área da bacia (A) A área de uma bacia é o principal elemento a considerar em estudos de hidrologia, uma vez que influência o escoamento e o número e tamanho dos cursos de água; é quantificada em 2 PDF Creator - PDF4Free v2.0 http://www.pdf4free.com projecção horizontal. Poderá ser quantificada utilizando um planímetro digital ou uma rede de pontos. 1.4.2 Comprimento da bacia hidrográfica1 (L) O comprimento da bacia será definido como o comprimento do segmento de recta com a direcção dominante do curso de água principal, desde a secção de referência até à cabeceira mais distante na bacia. 1.4.3 Largura média (b) A largura média da bacia é definida pelo quociente entre a área e o comprimento da bacia b= A L (1) A- área da bacia (Km2) L- comprimento da bacia (Km) 1.4.4 Índice de simetria (a) O índice de simetria poderá ser definido como a relação entre a área localizada na margens esquerda e a área localizada na margem direita da bacia hidrográfica a= Ae − Ad A (2) Ad- área da parte da bacia localizada na margem direita (Km2) Ae- área da parte da bacia localizada na margem esquerda (Km2) A- área total da bacia (Km2) 1.4.5 Forma da bacia hidrográfica Na sua caracterização, para além duma descrição qualitativa: - Alongada - Arredondada - Radial pode-se recorrer a alguns parâmetros de descrição quantitativa: - Coeficiente de compacidade (Kc) – é relação entre o perímetro (P) da bacia e a circunferência de igual área (A). 1 Lencastre e Franco (1984) consideram como comprimento da bacia o comprimento do respectivo curso de água mais longo, desde a secção de referência até à cabeceira mais distante na bacia. 3 PDF Creator - PDF4Free v2.0 http://www.pdf4free.com K c = P (3) 2 πA P- perímetro da bacia ( Km) A- área da bacia ( Km2) Quanto mais baixo for o Kc maior é a probabilidade de “Picos de cheia”, este coeficiente adimensional não depende da área da bacia mas apenas da sua forma. - factor de forma: é a relação entre a largura média b, e o comprimento da bacia K f = b (4) L b- Largura média (km) L – Comprimento da bacia (km) 1.5 Características da rede de drenagem 1.5.1 Comprimento do curso de água principal O comprimento do curso de água influencia a área de habitat aquático na bacia hidrográfica, e também o tempo de viagem da água e capacidade de transporte de sedimentos. Obtêm-se decalcando a linha do curso de água com o curvímetro. 1.5.2 Estudo quantitativo de redes de drenagens O estudo quantitativo de redes de drenagens foi originado por Horton (1945), que desenvolveu o sistema para ordenar redes de canais e derivar leis relacionando o número e comprimento de rios de ordens diferentes. Os canais mais pequenos são designados de ordem 1; estes canais apenas correm, geralmente em tempo de chuvas. Onde dois canais de ordem 1 se juntam, resulta um canal de ordem 2 a jusante. De um modo geral, onde dois canais de ordem i se juntam, resulta um canal de ordem i+1. Quando um canal de ordem inferior encontra outro com ordem superior, o canal a jusante terá a ordem mais alta dos dois, (ver Fig. 2.) 4 PDF Creator - PDF4Free v2.0 http://www.pdf4free.com Fig. 2 - Rede de drenagem na bacia da ribeira de Cabaninhas-Avelheira Verifica-se a existência e uma rede de drenagem bem desenvolvida, sendo o troço final da ribeira das Cabaninhas de 4ª ordem. 1.5.2 Densidade de drenagem Define-se como a relação entre o comprimento total dos cursos de água da bacia e a superfície desta. D= ∑ Li A (5) D - densidade de drenagem Li - Comprimento de cada um dos cursos de água A - área da bacia (km2) A densidade de drenagem varia directamente com a extensão do escoamento superficial, pelo que é capaz de proporcionar uma indicação da eficiência da drenagem natural da bacia . 1.5.4 Frequência de drenagem É o quociente entre o número de linhas de água e a sua área F= ∑ Nn A (6) F- frequência de drenagem Nn- número de cursos de água A - área da bacia (Km2) 5 PDF Creator - PDF4Free v2.0 http://www.pdf4free.com 1.5.5 Tempo de concentração O tempo de concentração é definido como a duração que a água leva a percorrer a distância compreendida entre um ponto mais afastado hidraulicamente da bacia hidrográfica e a secção de estudo. Fórmulas empíricas 4 A + 1.5L T = (Giandotti) c 0.8 ÄH (7) T = 1.085 A (Torazza) c (8) T = c 0.108 3 AL I (Pasini) (9) Tc-horas A- área da bacia (Km2) ∆H- diferença entre a altitude média e a cota do curso de água na secção considerada (m) L- comprimento da linha de água desde a origem até á secção considerada (Km) I- declive médio da bacia 1.6 Características Climatológicas 1.6.1 Precipitação média de uma região O termo precipitação engloba todas as águas meteorológicas que caem sobre a terra, quer no estado líquido, quer no estado sólido, neve, granizo ou geada. Os diversos tipos de precipitação são dum modo geral, medidos indiscriminadamente através do seu “equivalente em água” pela chamada precipitação (diz-se que caíram X mm de chuva). 6 PDF Creator - PDF4Free v2.0 http://www.pdf4free.com A precipitação média anula é definida como a altura de água que cobriria ao fim de um ano essa mesma região, se não houvesse infiltração, nem evaporação nem enxurros. É afinal a altura de precipitação relativa a um ano. 1.6.2 Determinação da precipitação média da bacia hidrográfica (P) Existe uma infinidade de métodos para determinar a precipitação média de uma região. Apenas vamos referenciar três desses métodos. Por meio da média ponderada, tendo em conta a curva hipsométrica da bacia e a variação de pluviosidade da última. Altitudes Áreas parciais da bacia Altura anual de precipitação Volume total anualmente do hidrográfica (Ai) (pi) fluído m Km2 mm 103m3 abaixo 400 400-500 500-600 600-700 700-800 800-900 900-1000 1000-1100 acima 1100 2.328 28.296 113.104 154.504 82.158 47.338 31.272 24.080 48.977 ∑ 532.657 980 1020 1100 1200 1310 1490 1800 2200 2600 2281.44 29473.92 124414.40 185404.80 107626.98 70533.62 56289.60 52976.00 127340.20 ∑ 756340.96 P= ∑ pi × Ai (10) ∑ Ai 1.6.3 Isoietas As isoietas são os lugares geométricos dos pontos de igual alturas de precipitação durante um determinado intervalo de tempo. p +p i +1 )× A ( ∑ i i 2 P= ∑ Ai (11) Ai- área contida entre isoietas consecutivas pi- altura de precipitação na isoieta i 7 PDF Creator - PDF4Free v2.0 http://www.pdf4free.com 1.6.4 Método de Thiessen O método de thiessen é baseado em procedimentos geométricos para determinar a precipitação média de uma região. Fig.3 – Representação dos polígonos de Thiessen p= ∑ Ai pi ∑ Ai (12) Ai- área do polígono i pi- altura de precipitação do postos udométrico i 1.6.5 Precipitação máxima (Pmax) Em engenharia o conhecimento das características das precipitações máximas apresenta grande interesse de ordem técnica pela sua aplicação em projectos de hidráulica. Assim, nos projectos de descarregadores de barragens, dimensionamento de canais e galerias de desvios de caudais, determinação da dimensão de colector de águas pluviais, etc., é necessário conhecer o valor dos máximos caudais que poderão ocorrer e qual a frequência dessa ocorrência. 1.6.6 Características térmicas da bacia O estudo da evolução da temperatura nos diversos locais de uma bacia hidrográfica é da máxima importância, na maior ou menor evaporação, possibilidade de queda de neve, etc.. O estudo hidrológico de uma bacia deverá pois, comportar a análise das suas características térmicas. 8 PDF Creator - PDF4Free v2.0 http://www.pdf4free.com 1.7. Características topográficas A consideração da topografia de uma bacia hidrográfica é de extrema importância. De facto, quase todas as grandezas de que o engenheiro se serve em trabalhos de hidráulica são influenciadas pelas características topográficas da bacia. 1.7.1 Altitude média A altitude média H , de uma bacia é a relação entre a soma dos produtos parciais da média das altitudes de duas curvas de nível consecutivas, Hi, pela área limitada pelos mesmos e a área global da bacia A H= H1S1 + H 2 S 2 + ... + H n S n = S1 + S 2 + ... + S n ∑HS i i (13) A 1.7.2 Declive médio da bacia hidrográfica Como numa bacia hidrográfica a inclinação do terreno varia de ponto para ponto, recorre-se ao valor da sua inclinação média. I= ∑ A nin ∑ An = DL A (14) A – área total da bacia (Km2) L- desenvolvimento total das curvas de nível D- equidistância natural usada na carta topográfica (25; 50 a 100 m) Fórmula de Herbert: l l h( 1 + l ..... + l + n) ∑ li 2 n -1 2 2 I= =h A A (15) 9 PDF Creator - PDF4Free v2.0 http://www.pdf4free.com I- tgθ, θ ângulo médio do declive h- equidistância natural usada na carta topográfica (10,25,50 a 100) li- comprimento total da curva de nível A= área da bacia 1.8.5 Área efectiva A1= A sec θ (16) A- superfície horizontal calculada na carta θ- ângulo médio do declive da bacia 1.11 Características geológicas da bacia O estudo geológico dos solos e subsolos tem por objectivo principal a sua classificação segundo a maior ou menor permeabilidade, dada a influência que a tal característica tem na rapidez de crescimento das cheias. A determinação das características geológicas da bacia hidrológica é portanto da maior importância, pois permite um conhecimento mais perfeito da forma como se movimenta a água na bacia e estão relacionadas com os processos de erosão. A geologia pode ainda permitir a previsão dos chamados “caudais sólidos”. 1.12 Cobertura vegetal da bacia hidrográfica A cobertura vegetal e em particular as áreas com florestas e as culturas da bacia hidrográfica vêm juntar a sua influência à de natureza geológica dos terrenos, condicionando a maior ou menor rapidez do escoamento superficial. Além da influência que exerce na velocidade dos escoamentos e na taxa de evaporação a cobertura vegetal desempenha um papel importante e eficaz na luta contra a erosão dos solos. O uso actual do solo influência o escoamento superficial, relativamente à quantidade de água infiltrada, evapotranspirada e interceptada pela vegetação. Na fig. 4 representamos o uso actual do solo na sub-bacia hidrográfica “Porto da Lage”. 10 PDF Creator - PDF4Free v2.0 http://www.pdf4free.com Fig. 4 – Uso do para a sub-bacia hidrográfica do “ Porto da Lage”. 1.13 Escoamento superficial Suponhamos que toda a precipitada na bacia contribui para o escoamento superficial, isto é, considere os fenómenos de infiltração e evapotranspiração nulos. Determine o volume de água escoado no mês de maior e menor precipitação para a sua bacia hidrográfica. 11 PDF Creator - PDF4Free v2.0 http://www.pdf4free.com