EFEITO DO PROCESSAMENTO TÉRMICO NA ATIVIDADE DA PAPAÍNA E VISCOSIDADE DO SUCO DE MAMÃO (Carica papaya L.) Ramon de Souza Carvalho¹, Mateus da Silva Junqueira², Cícero Cardoso Pola 1, Luciano José Quintão Teixeira2, Raquel Vieira de Carvalho2 1 – Estudantes do curso de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Espírito Santo, Alegre-ES, Brasil 2 – Professores adjuntos da Universidade Federal do Espírito Santo, Alegre-ES, Brasil ([email protected]) Data de recebimento: 02/05/2011 - Data de aprovação: 31/05/2011 RESUMO O suco de mamão tem sua estabilidade afetada pela ação da enzima papaína, que catalisa algumas reações de degradação promovendo sabor amargo no produto durante o seu armazenamento. O presente trabalho teve por objetivo o levantamento de parâmetros adequados à produção de suco de mamão para que o mesmo se mantenha estável durante o armazenamento. Foram estudados os efeitos de três binômios de processamento térmico (85 ºC/50 s; 90 ºC/30 s e 95 ºC/10 s) na atividade proteolítica e viscosidade aparente em três diferentes concentrações de polpa (v/v) no suco (25%, 30% e 35%). O binômio 95 ºC/10 s foi eficiente na inativação da papaína, reduzindo a zero sua atividade proteolítica nas três concentrações estudadas. A viscosidade aparente das amostras com concentração igual a 25% submetidas aos tratamentos térmicos sofreu aumento em relação à amostra que não foi submetida a tratamento térmico. Para as amostras com concentração igual a 30% e 35% houve uma redução da viscosidade aparente nas frações que sofreram processamento térmico nos três binômios propostos. PALAVRAS-CHAVE: Inativação enzimática, processamento térmico, suco de mamão, viscosidade aparente. EFFECT OF THERMAL PROCESSING ON THE PAPAIN ACTIVITY AND VISCOSITY OF PAPAYA JUICE (Carica papaya L.) ABSTRACT The stability of papaya juice is affected by the action of the enzyme papain that catalyze some degradation reactions promoting bitter taste in the product during the storage. This study had the objective to survey the relevant parameters of the production of papaya juice so that it remains stable during the storage. Was studied the effects of three thermal binomials processing (85 ° C / 50 s, 90 ° C/30 to 95 ° C/10 s) in the proteolytic activity and viscosity at three different concentrations of pulp (v / v) in the juice (25% , 30% and 35%). The proteolytic activity was determined by spectrophotometer reading of the supernatant solution containing papaya juice and casein as substrate, incubated at 70 ° C. Apparent viscosity was determined with the aid of a capillary viscometer of type "Ubbelohde. The 95 ºC/10 s binomial was effective in the inactivation of papain, ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, vol.7, N.12; 2011 Pág. 10 reducing to zero the proteolytic activity in the three concentrations. The apparent viscosity of the samples with a concentration equal to 25% subjected to thermal treatments has increased over the sample that has not undergone heat treatment. For the samples with concentrations equal to 30% and 35% had a reduction in the apparent viscosity in the fractions that have undergone thermal processing in the three binomials proposed KEYWORDS: Apparent viscosity, enzyme inactivation, papaya juice, thermal processing. INTRODUÇÃO O Brasil ocupa atualmente a terceira colocação no ranking de produção mundial de frutas e a sua participação no mercado externo, como exportador, tem aumentado consideravelmente. Fatores como avanços tecnológicos na etapa de produção, abertura de novos mercados consumidores e a maior rapidez nos sistemas de distribuição, permitem a manutenção da qualidade e a competitividade dos preços, possuem influência direta nessa expansão das exportações brasileiras. As frutas que respondem por esse crescimento são banana, citros (laranja, lima/limão e tangerina), maçã, manga, melão, uva e mamão (ABANORTE, 2007). O mamão (Carica papaya L.) é uma fruta que apresenta uma polpa saborosa e frágil, possui baixa acidez, é fonte das vitaminas A e C, além de ter ótima propriedade digestiva, o que faz essa fruta ser consumida por milhões de pessoas no mundo inteiro (ADORNO, 1997). O Brasil se destaca como maior produtor mundial, onde os Estados da Bahia e Espírito Santo aparecem como os maiores produtores nacionais. A fruta comumente é consumida in natura, porém é possível elaborar produtos como geléia, purê e suco (ABANORTE, 2007). Em relação ao suco, a sua estabilidade é afetada pela ação da enzima papaína, que catalisa algumas reações de degradação promovendo sabor amargo no produto durante o seu armazenamento. A viscosidade é uma propriedade reológica de grande importância para alimentos líquidos e semi-sólidos nas diferentes áreas de processamento de alimentos. Essa propriedade pode ser alterada por fatores como aquecimento, resfriamento e concentração, tendo papel importante na determinação da força necessária para o bombeamento desses alimentos e no dimensionamento de bombas, tubulações e outros equipamentos (FELLOWS, 2006). O processamento térmico é um método de conservação de alimentos que visa à redução da carga microbiana alteradora, destruição de microrganismos patogênicos e a inativação de enzimas que afetam a estabilidade dos alimentos (BARUFFALDI & OLIVEIRA, 1998). Uma dessas enzimas é a papaína, que afeta a estabilidade do suco durante o armazenamento alterando seu sabor, no entanto, o processamento térmico pode afetar algumas características fisico-químicas do suco como a viscosidade, tornando-se necessário o estudo do efeito deste tratamento sobre as características físico-quimicas do produto, além de determinar a eficiência dos tratamentos na inativação da papaína. ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, vol.7, N.12; 2011 Pág. 11 OBJETIVOS Tendo em vista as considerações expostas, o presente trabalho tem por objetivo o levantamento de parâmetros adequados à produção de suco de mamão para que o mesmo se mantenha estável durante o armazenamento, por meio da avaliação de tempos e temperaturas adequados de processamento térmico e a influência deste tratamento na viscosidade do suco e na atividade da protease papaína. METODOLOGIA Elaboração do suco Foram utilizadas frutas no mesmo estádio de maturação e provenientes da mesma cultura. As etapas de preparo da polpa, que serviram de base para a produção da bebida de fruta, foram a seleção, lavagem, descascamento, desintegração e peneiramento (PELEGRINE et al., 2000). A seleção consistiu na escolha de frutos sem danos físicos consideráveis e que estavam no mesmo estádio de maturação. A lavagem foi realizada em água clorada (200 ppm de cloro livre) para a promoção da desinfecção externa do fruto e evitar a contaminação da polpa durante o descasque (TODA FRUTA, 2004). O descascamento foi realizado manualmente com auxílio de faca, a parte comestível do fruto foi dividida ao meio e as sementes foram retiradas. Essa polpa sofreu desintegração em liquidificador industrial da marca Vitalex, e passou por uma peneira para remoção de material fibroso. As avaliações foram realizadas para as bebidas com concentrações de 25%, 30% e 35% (v/v) de polpa. Tratamento Térmico A etapa de tratamento térmico foi realizada por meio do processamento das amostras em banho-maria modelo NT 247 da marca Nova Técnica, em três diferentes binômios temperatura/tempo (85 ºC/50 s, 90 ºC/30 s, 95 ºC/10 s). As amostras ficaram incubadas em banho-maria nas temperaturas referidas e foi medida a temperatura da amostra com auxilio de termômetro até que se atingiu a temperatura alvo, e então permaneceram pelo tempo estabelecido acima. Esses binômios foram propostos a partir da observação de que a papaína apresenta faixa ótima de temperatura entre 60 ºC e 80 ºC e é rapidamente inativada em temperaturas superiores a 90 ºC (DEERLAND ENZYMES, 2005). Atividade Proteolítica A quantificação da atividade proteolítica foi realizada para a avaliação do efeito do tratamento térmico na inativação das enzimas proteolíticas presentes na bebida de fruta obtida da polpa do mamão. Também foi feita a quantificação de proteínas totais nas três concentrações utilizando o método de Lowry com as modificações propostas por Peterson (ZAIA et. al., 1998). Utilizou-se a albumina de soro bovino (BSA) como proteína padrão para a construção de uma curva padrão de proteína a partir de soluções contendo de 5 µg/mL a 60 µg/mL de BSA em intervalos de 5 µg/mL (ZAIA et. al., 1998). A curva padrão relacionou a concentração protéica das soluções com a leitura de absorbância no ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, vol.7, N.12; 2011 Pág. 12 comprimento de onda igual a 750 nm. Após a construção da curva padrão, foi feita uma regressão linear com o auxílio do software EXCEL e obteve-se uma equação da reta que foi utilizada para a quantificação de proteína nas diferentes amostras. A quantificação de proteínas totais nas amostras foi feita com os mesmos reagentes utilizados na construção da curva padrão, substituindo-se apenas a solução contendo a proteína padrão (BSA) pelo suco de mamão nas três concentrações. O sobrenadante da reação também foi submetido à leitura de absorbância em espectrofotômetro e as leituras foram substituídas na equação da curva padrão para o cálculo da concentração protéica. A determinação da atividade proteolítica seguiu a proposta de LADEIRA et. al. (2010). A atividade foi determinada em duplicata pela quantificação de peptídeos solúveis em ácido tricloroacético (TCA) 15% (p/v). Utilizou-se uma solução de caseína 0,2% (p/v) preparada em tampão Tris-HCl 0,2 M (pH 8,5) como substrato, a análise consistiu na incubação em banho-maria NT 247 da marca Nova Técnica a 70 ºC de tubos de ensaio contendo 0,5 mL da amostra de suco de mamão e 1 mL do substrato. Após 10 minutos a reação foi paralisada com a adição de 0,5 mL de TCA, os tubos foram centrifugados a 15000 x g por 5 minutos a 4 ºC em centrífuga Heraeus Multifuge 3SR+ da marca Thermo Scientific. Depois de serem centrifugados os tubos receberam 0,5 mL de NaOH 1,0 M, paralelamente foi feito um tubo controle contendo todos os reagentes, diferindo dos outros tubos devido à adição do TCA antes da amostra de suco. A coloração desenvolvida foi medida em espectrofotômetro modelo SP-2000 UV da marca BEL, utilizando-se o comprimento de onda de 420 nm. Uma unidade de atividade da protease foi definida como a quantidade de enzima requerida para produzir um aumento na absorbância a 420 nm igual a 0,1 em 60 minutos. Viscosidade Aparente A medida da viscosidade aparente foi feita nas amostras de concentração de polpa igual a 25%, 30% e 35% antes e depois dos tratamentos térmicos propostos, para que fosse avaliada a influência do processamento térmico na viscosidade das amostras. Os ensaios foram realizados em viscosímetro de tubo capilar do tipo “Ubbelohde”. Utilizou-se 10 mL de cada amostra para o ensaio, com duas repetições para cada concentração e tratamento. Os tempos obtidos foram anotados e as médias foram empregadas no cálculo da viscosidade. Também foi realizado um ensaio com água destilada para se obter o tempo de descida que foi utilizado na equação de viscosidade. Todos os ensaios foram realizados à temperatura de 20 ºC. RESULTADOS E DISCUSSÃO Quantificação Protéica A partir da aplicação do Método de Lowry para quantificação de proteínas e da utilização da albumina de soro bovino (BSA) como proteína padrão foram feitas soluções com diferentes concentrações de proteína, com três repetições para cada concentração, de acordo com o Quadro 1. ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, vol.7, N.12; 2011 Pág. 13 QUADRO 1 – Reagentes utilizados na construção da curva padrão de BSA. Concentração Vol. Sol. BSA (µg/mL) (µL) H2O destilada (µL) Reag. C (µL) Folin C. (µL) 5 26 374 2000 200 10 52 348 2000 200 15 78 322 2000 200 20 104 296 2000 200 25 130 270 2000 200 30 156 244 2000 200 35 182 218 2000 200 40 208 192 2000 200 45 234 166 2000 200 50 260 140 2000 200 55 286 114 2000 200 60 312 88 2000 200 As soluções com diferentes concentrações de BSA foram submetidas à leitura de absorbância em comprimento de onda igual a 750 nm. Uma solução controle (Branco) foi feita com a substituição da BSA por água destilada, também com três repetições. A Tabela 1 apresenta a leitura de absorbância para cada solução descrita no quadro acima. TABELA 1 – Absorbância das amostras em diferentes concentrações de proteínas. Leitura de Absorbância Tubo B 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 Repetição (Nº do tubo) 1 2 3 0,065 0,076 0,071 0,423 0,207 0,327 0,226 0,250 0,237 0,288 0,287 0,304 0,360 0,371 0,369 0,520 0,210 0,381 0,408 0,420 0,446 0,457 0,491 0,476 0,532 0,537 0,531 0,515 0,571 0,558 0,500 0,559 0,506 0,552 0,579 0,579 0,713 0,683 0,607 Média 0,071 0,319 0,238 0,293 0,367 0,370 0,425 0,475 0,533 0,548 0,522 0,570 0,668 Média – Média do Branco 0,000 0,248 0,167 0,222 0,296 0,300 0,354 0,404 0,463 0,477 0,451 0,499 0,597 Com as leituras de absorbância para as diferentes concentrações de BSA foi plotado o gráfico de Absorbância versus Concentração de proteína, ilustrado na Figura ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, vol.7, N.12; 2011 Pág. 14 1 e realizada a regressão linear no software EXCEL para a obtenção da equação da reta. Absorbância X Concentração de proteína Absorbância 0,700 y = 0,0079x + 0,1124 R2 = 0,9674 0,600 0,500 0,400 0,300 0,200 0,100 0,000 0 10 20 30 40 50 60 70 Concentra çã o [µg/mL] FIGURA 1 – Curva padrão de BSA. Determinada a equação da reta da curva padrão de BSA, foi novamente aplicado o Método de Lowry, desta vez para quantificação de proteínas nas amostras com diferentes concentrações de suco de mamão e as leituras de absorbância observadas estão dispostas na Tabela 2. TABELA 2 - Leituras de absorbância utilizadas na quantificação de proteínas no suco. Repetição Absorbância das amostras Tubo 1 2 3 Média Média - Média do Branco Branco 0,100 0,112 0,121 0,111 0,000 25% 0,285 0,290 0,287 0,232 0,176 30% 0,328 0,326 0,330 0,328 0,217 35% 0,381 0,384 0,347 0,371 0,260 O resultado das médias das três repetições para cada concentração estudada subtraídas da média dos controles (Branco) foi aplicado na equação da reta, obtida por regressão linear, dos pontos da curva padrão de BSA. A equação da reta apresentou um coeficiente de determinação (R²) igual a 0,9674, significando que 96,74% da variação de “y” pode ser explicada pelo modelo quando ocorre uma variação de “x”, o que representa um bom ajuste do modelo à relação entre absorbância e concentração de proteína. A Equação 1 descreve a função da reta encontrada. y = 0,0079 x + 0,1124 (1) ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, vol.7, N.12; 2011 Pág. 15 onde: y = unidade de absorbância; x = concentração de proteína em μg/mL. Substituindo-se o valor da incógnita x da equação pelo resultado das diferenças entre as médias das leituras de absorbância e a média dos controles descritos no quadro acima foi possível determinar a concentração de proteínas nas amostras com diferentes concentrações de polpa de mamão. O Quadro 2 apresenta as concentrações obtidas através da equação da reta. QUADRO 2 – Concentração de proteínas nas amostras. Amostra X (absorbância) y (Concentração calculada [µg/mL]) 25% 0,176 8,050 30% 0,217 13,240 35% 0,260 18,683 As concentrações de proteína nas amostras, expressas em µg/mL, foi diretamente proporcional a concentração de polpa utilizada, ou seja, a maior concentração de proteínas foi encontrada na amostra de suco preparado com a concentração de polpa igual 35%. Estes dados conferem com o teor de proteínas encontrado por CHAIWUT (2006), utilizando o mesmo método (14,2 – 41,0 µg/mL). Porém o suco de mamão se apresenta como uma pequena fonte de proteínas, tendo em vista que a ingestão diária recomendada (IDR) deste nutriente é de 50g para um adulto (ANVISA, 2004). O cálculo da concentração de proteínas foi necessário para a determinação da atividade proteolítica da enzima, sendo a atividade da protease no suco segundo CAPUCHO (2007), expressa em unidades de atividade enzimática (U) por quantidade de proteínas totais na amostra (mg). Atividade Proteolítica A atividade proteolítica foi medida para o estudo do efeito do tratamento térmico, em diferentes binômios Tempo/Temperatura, na atividade da protease papaína. A papaína possui um pH ótimo em torno de 5,0, porém este valor pode variar de acordo com o substrato utilizado. Além disso, esta enzima possui uma alta estabilidade em baixas temperaturas, não apresentando perdas significativas de atividade sendo armazenada a 4 ºC. Em relação a altas temperaturas apresenta estabilidade térmica maior do que outras enzimas proteolíticas (LIMA et. al., 2001). Depois de submeter as amostras ao processamento térmico observou-se a variação da atividade proteolítica entre as amostras controle (sem tratamento) e as amostras que sofreram os tratamentos de 85 ºC/50 s; 90 ºC/30 s e 95 ºC/10 s, nas concentrações de 25%; 30% e 35% de polpa no suco. A atividade proteolítica foi quantificada para cada amostra em duplicata e os resultados médios das duas repetições estão dispostos nas Figuras 2, 3 e 4, apresentadas a seguir. ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, vol.7, N.12; 2011 Pág. 16 Atividade Proteolítica x Tratamento Térmico Atividade Proteolítica (U/mg de proteína) 300 275 253,416 268,323 250 223,602 225 200 175 Legenda: T1- S/ Trat. Térmico T2- 85ºC/50 s T3- 90ºC/30 s T4- 95ºC/10 s 150 125 100 75 50 25 0 0 T1 T2 T3 T4 Tratamento FIGURA 2 - Gráfico de Atividade Proteolítica X Tratamento Térmico (25%). Atividade Proteolítica (U/mg de proteína) Atividade Proteolítica x Tratamento Térmico 150 135 120 Legenda: T1- S/ Trat. Térmico T2- 85ºC/50 s T3- 90ºC/30 s T4- 95ºC/10 s 140,483 117,825 105 90 72,508 75 60 45 30 15 0 0 T1 T2 T3 T4 Tratamento FIGURA 3 - Gráfico de Atividade Proteolítica X Tratamento Térmico (30%). ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, vol.7, N.12; 2011 Pág. 17 Atividade Proteolítica (U/mg de proteína) Atividade Proteolítica x Tratamento Térmico 140 118,825 120 109,19 100 80 Legenda: T1- S/ Trat. Térmico T2- 85ºC/50 s T3- 90ºC/30 s T4- 95ºC/10 s 70,652 60 40 20 0 0 T1 T2 T3 T4 Tratamento FIGURA 4 - Gráfico de Atividade Proteolítica X Tratamento Térmico (35%). Analisando os gráficos de relação entre o tratamento térmico aplicado e a atividade da protease observada, foi possível perceber que para as amostras com concentrações de polpa igual a 25%, 30% e 35% o tratamento 4, no qual aplicou-se um binômio de processamento térmico de 95 ºC/10 s foi eficaz na inativação da papaína levando a atividade proteolítica da mesma a um valor nulo, sendo considerado para todos os dados três casas decimais. Os valores encontrados diferem dos descritos por CHAIWUT (2006), mas com experimentos ligeiramente distintos. É possível observar ainda que os tratamentos 2 (85 ºC/50 s) e 3 (90 ºC/30 s) aplicados nas amostras das três concentrações promoveram um aumento da atividade da protease em relação às amostras sem tratamento térmico. Esse comportamento pode ser devido a uma ativação térmica da enzima no início do aquecimento, aumentando assim a sua atividade. Viscosidade Aparente Os ensaios de viscosidade realizados em viscosímetro de tubo capilar do tipo “Ubbelohde” foram realizados com duas repetições com as amostras na temperatura de 20 ºC e os tempos médios observados estão na Tabela 3. TABELA 3 – Tempos médios, em segundos, dos ensaios de viscosidade. Concentração Tratamento 25% 30% 35% S/ Trat. 8 15 28 85 ºC/50 s 16 13 26 90 ºC/30 s 14 12 23 95 ºC/10 s 14 10 22 ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, vol.7, N.12; 2011 Pág. 18 Para o cálculo da viscosidade aparente das amostras foram determinadas as densidades das diferentes concentrações estudadas e as mesmas apresentadas no Quadro 3. QUADRO 3 – Densidades das amostras. Concentração Densidade (g/cm³) 25% 1,045 30% 1,052 35% 1,056 Empregando-se a relação entre as viscosidades aparentes de dois fluidos e suas densidades e tempos de ensaio em um mesmo viscosímetro capilar descrita na Equação 2 foi possível determinar a viscosidade aparente das amostras. Para o cálculo utilizou-se como substância padrão água a 20 ºC (μ= 1,005 x 10-3 e ρ= 0,99823 g/cm³). µ 1 ρ 1.t1 = µ 2 ρ 2 .t 2 ( 2) onde: μ1 e μ2: são as viscosidades da substância padrão (água) e da amostra, respectivamente. ρ1 e ρ2: são as densidades da substância padrão (água) e da amostra, respectivamente. t1 e t2: são os tempos do ensaio da substância padrão (água) e da amostra, respectivamente. As viscosidades aparentes calculadas se encontram agrupadas na Tabela 4. TABELA 4– Viscosidade aparente, em Pa.s x 10³, das amostras. Concentração Tratamento 25% 30% S/ Trat. 2,806 5,296 85ºC/50 s 5,611 4,590 90ºC/30 s 4,910 4,237 95ºC/10 s 4,910 3,530 35% 9,923 9,214 8,151 7,797 Foram realizas a Análise de Variância (ANOVA) e, quando necessário Teste de Tukey, para os dados de cada concentração com o auxilio do software estatístico SAEG e as comparações entre as médias estão dispostas nas Tabelas 5, 6, e 7 ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, vol.7, N.12; 2011 Pág. 19 TABELA 5 – Médias de Viscosidade Aparente dos Tratamentos, Concentração de 25%. Tratamentos Médias (Pa.s x 10³) Trat. 2 (85 ºC/50 s) 5.6110 A Trat. 3 (90 ºC/30 s) 4.9100 B Trat. 4 (95 ºC/10 s) 4.9100 B Trat. 1 (Sem trat. térmico) 2.8060 C * Médias seguidas de mesma letra não diferem estatisticamente entre si, pelo Teste de Tukey a 5% de significância. Através da Análise de Variância e o teste de Tukey (p<0,05) foi possível observar que as médias dos tratamentos estudados para as amostras com 25% de polpa apresentaram diferenças entre si. Pelo teste de Tukey foi possível perceber que as médias dos tratamentos 2 (85ºC/50 s), 3 (90ºC/30 s) e 4 (95ºC/10 s) diferiram estatisticamente da média do tratamento 1 (sem tratamento térmico). Observando as diferenças entre as médias foi possível verificar que o aumento de viscosidade da amostra submetida ao tratamento 2 foi significativa, porém nos tratamentos 3 e 4 a viscosidade calculada apresentou uma redução em relação a viscosidade da amostra do tratamento 2. Este comportamento pode ter ocorrido possivelmente pela concentração por evaporação das amostras (perda de massa) submetidas aos tratamentos 2, 3 e 4 em relação à amostra do tratamento 1. TABELA 6 – Médias de Viscosidade Aparente dos Tratamentos, Concentração de 30%. Tratamentos Médias (Pa.s x 10³) Trat. 1 (Sem trat. térmico) 5.2960 A Trat. 2 (85 ºC/50 s) 4.5900 B Trat. 3 (90 ºC/30 s) 4.2370 B Trat. 4 (95 ºC/10 s) 3.5300 C * Médias seguidas de mesma letra não diferem estatisticamente entre si, pelo Teste de Tukey a 5% de significância. Pelo teste F foi possível concluir que as médias de viscosidade aparente para os quatro tratamentos aplicados nas amostras com concentração igual a 30% diferiram estatisticamente entre si. Foi realizado o Teste de Tukey (p<0,05) para comparar as médias estudadas. As médias precedidas da mesma letra não apresentaram diferenças significativas pelo teste, o que ocorreu com as médias dos tratamentos 2 e 3. Porém as médias destes tratamentos diferiram da média do tratamento 1 e do tratamento 4. Pode-se observar então, que a viscosidade aparente da amostra de concentração igual a 30% submetidas aos tratamentos 2, 3 e 4 sofreu redução significativa em relação ao tratamento 1. ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, vol.7, N.12; 2011 Pág. 20 TABELA 7 – Médias de Viscosidade Aparente dos Tratamentos, Concentração de 35%. Tratamentos Médias (Pa.s x 10³) Trat. 1 (Sem trat. térmico) 9.9230 Trat. 2 (85 ºC/50 s) 9.2140 Trat. 3 (90 ºC/30 s) 8.1510 Trat. 4 (95 ºC/10 s) 7.7970 A B C D * Médias seguidas de mesma letra não diferem estatisticamente entre si, pelo Teste de Tukey a 5% de significância. Também pelo teste F foi possível concluir que houve diferença significativa entre as médias dos tratamentos para as amostras com a concentração de 35%. Por isso foi realizado o Teste de Tukey (p<0,05) para comparar as médias estudadas. As médias precedidas da mesma letra não apresentaram diferenças significativas pelo teste, o que não ocorreu neste caso. Todas as médias dos tratamentos estudados apresentaram diferença estatística entre si. Pode-se observar então, que a viscosidade aparente das amostras de concentração igual a 35% submetidas aos tratamentos térmicos estudados sofreu uma redução se comparada a amostra que não foi submetida ao tratamento térmico. A redução de viscosidade aparente devido ao aquecimento também foi observada por FERREIRA et. al. (2002) no estudo reológico das polpas de caju e goiaba, por GRANGEIRO et. al. (2007) no estudo da viscosidade de polpa de figo-daíndia. Esta redução se deve possivelmente a hidrólise de polissacarídeos solúveis (fibras) e a quebra de partículas grandes em partículas menores aumentando assim a fluidez do suco após o tratamento térmico. CONCLUSÃO Entre os três binômios de tratamento térmico propostos, o tratamento que apresentou eficiência na inativação da papaína, medida pela determinação da atividade proteolítica das amostras, foi o de 95ºC/10 s. Este tratamento foi capaz de reduzir a zero a atividade proteolítica das amostras de suco de mamão nas três concentrações estudadas (25%, 30% e 35%). Em relação à viscosidade aparente, observou-se um aumento nas amostras com concentração igual a 25% (v/v) submetidas aos três binômios de tratamento térmico em relação à amostra sem tratamento térmico. Este comportamento pode ser explicado pela possível concentração sofrida pelas amostras durante o aquecimento. Para as concentrações de 30% (v/v) os tratamentos térmicos promoveram uma redução na viscosidade aparente das amostras em relação à amostra que não sofreu tratamento térmico. As amostras submetidas aos tratamentos 85ºC/50 s e 90ºC/30 s não diferiram estatisticamente quanto à viscosidade aparente. Na concentração de 35% (v/v) os tratamentos térmicos também promoveram redução na viscosidade aparente, houve diferença estatística entre as médias de viscosidade aparente para todos os tratamentos estudados. ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, vol.7, N.12; 2011 Pág. 21 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABANORTE. RECEITA MUNDIAL COM EXPORTAÇÃO DE FRUTAS CRESCE 62% EM 10 ANOS. Disponível em: <http://www.abanorte.com.br/noticias/receita-mundialcom-exportacao-de-frutas-cresce-62-em-10-anos>. Acesso em: 20 de Abril de 2010. ADORNO, Roselene A. C. REOLOGIA DE FRUTAS TROPICAIS : MANGA, MARACUJÁ, MAMÃO E GOIBA. 1997, 191f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Alimentos) – Faculdade de Engenharia de Alimentos, Universidade Estadual de Campinas, Campinas/SP. ANVISA. REGULAMENTO TÉCNICO SOBRE INGESTÃO DIÁRIA RECOMENDADA (IDR) PARA PROTEÍNA, VITAMINAS E MINERAIS. Disponível em: < http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/CP/CP%5B8989-1-0%5D.PDF>. Acesso em: 16 de Abril de 2010. BARUFFALDI, R.; OLIVEIRA, M.N. FUNDAMENTOS ALIMENTOS. São Paulo, Ed. Atheneu, 1998. 301p. DE TECNOLOGIA DE CAPUCHO, Helaine C. 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