Análise da destruição costeira e sua relação com o aquecimento global em Recife – PE nos anos de 2007 a 2010 Julliana Larise Mendonça Freire¹, Lais Alves Santos¹, Jeane Rafaele Araújo Lima¹, Manoel F. Gomes Filho2 1 Estudante de Meteorologia, Bolsista PIBIC/CNPQ/UFCG da Unidade Acadêmica de Ciências Atmosféricas. Universidade Federal de Campina Grande, Aprígio Veloso 882 CEP - 58.109 - 970 Campina Grande – PB, Bra. [email protected]; [email protected]; [email protected]. 2 Professor Doutor, Unidade Acadêmica de Ciências Atmosféricas. Universidade Federal de Campina Grande, Aprígio Veloso 882 CEP - 58.109 - 970 Campina Grande – PB. [email protected]. ABSTRACT: During the last decades, and especially for periods of the year when the highest tide coefficients occur (January-February and August-September), some coastal locations in the eastern part of Northeast Brazil (Nordeste) have been damaged by sea waves, with associated several road and pavement destructions. In the meantime and the same region, sea surface temperature (SST) and easterly wind trades have shown pronounced increases. These events are compatible with water thermal expansion, as well as water mass accumulation in the Atlantic western boundary, and could be at the origin of the recent coastal damages. These results need to be studied carefully in the context of the current global warming. Palavras-Chave: marés; temperatura da superfície do mar; região costeira. 1 – INTRODUÇÃO A região metropolitana do Recife é considerada uma das mais vulneráveis ao aumento do nível do mar. A região está a apenas quatro metros acima do nível do mar. Além de muito plano, Recife é atravessado por rios como o Capibaribe e o Beberibe. A cidade se expandiu ao longo dos anos e mais de 80% das casas, prédios e outras construções se concentram a menos de 30 metros da faixa litorânea. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climática - IPCC, o mar avançará de 28 a 58 centímetros, até o fim do século. Casas, prédios, comércio e ruas na zona costeira, ameaçados pelo aumento do nível do mar, somariam prejuízo de R$ 207,5 bilhões caso fossem destruídos ou danificados. "Fizemos uma avaliação bastante modesta, só do patrimônio que está em risco. Não está embutida a realocação das pessoas", explica Carolina Dubeux, coordenadora técnica do estudo Economia das Mudanças do Clima no Brasil. Segundo pesquisa da Sociedade Nordestina de Ecologia (SNE) em parceria com a Prefeitura do Recife, as áreas mais afetadas com o aumento do nível médio do mar são a Ilha de Deus e as praias de Piedade e Candeias. Com a elevação de 1 metro no nível do mar, bairros como Pina, Boa Viagem, Afogados, Imbiribeira, Jiquiá e Ipsep seriam afetados. Os diques artificiais não estão conseguindo conter o avanço do mar no Recife. A orla já registra estragos. Alguns trechos da praia de Boa Viagem, a principal da capital, desapareceram nos últimos 14 anos. A cidade histórica de Olinda também enfrenta uma situação crítica, onde 59% da faixa de areia já foi perdida, de acordo com os pesquisadores. Figura 1 – As imagens mostram a orla da Praia de Boa Viagem, no Recife, onde o avanço do nível do mar é evidente. 2 – MATERIAL E MÉTODOS Os dados utilizados neste trabalho foram imagens captadas em fotografias tiradas in situ da situação atual das praias enfocadas, imagens antigas quando a situação ainda estava sob controle, dados diários das tábuas das marés fornecidas pela Diretoria e Hidrografia e Navegação – DHN do Ministério da Marinha, disponibilizados em seu sítio eletrônico (www.dhn.mar.mil.br) e dados gráficos da climatologia e previsão da altura das marés disponibilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE (http://ondas.cptec.inpe.br). A metodologia utilizada foi a análise do material colhido no início deste ano para comparação com material antigo, análise das séries de dados das variáveis climáticas para verificar possíveis tendências que identifiquem uma mudança climática. Posteriormente será feita a análise de arquivos antigos de tábuas das marés em Recife, enfocando uma série de dados maior, para comprovação do aumento do nível médio do mar (diferença entre a maré máxima e a mínima). Se necessário, poderá ser realizada uma análise da série temporal dos dados de precipitação e temperatura do ar para a região estudada provavelmente utilizando-se séries harmônicas de Fourier para determinar se há tendências de aumento ou diminuição no tempo, intrínsecas às séries dos dados. 2 – RESULTADOS E DISCURSÃO Algumas áreas de Jaboatão dos Guararapes (PE) possuem edifícios que dão acesso direto ao mar (Figura 2). Durante a maré alta as ondas avançam consideravelmente removendo a areia da praia e causando uma espécie de erosão próxima aos muros dos edifícios. Figura 2: em Jaboatão dos Guararapes, durante o período de maré alta, as ondas chegam quase que no muro dos edificios. Foram construídos gráficos de linhas que representam o primeiro e o segundo semestre das marés de 2008 e 2009 e para o primeiro semestre de 2010 para o porto de Recife. Analisando os gráficos é observado valores de 2,4 metros para as marés altos nos meses de janeiro/março, 2,4 e 2,2 para agosto e dezembro de 2008. Marés altas de 2,5 2,6 e 2,4 metros referentes aos meses de janeiro, fevereiro e junho de 2009, respectivamente, já para os meses de julho/agosto e dezembro marés de 2,5 e 2,3 metros. Valores correspondentes a 2,7 2,6 e 2,7 metros para o período de fevereiro/março, maio e junho de 2010 no porto de Recife. Já eram esperados esses resultados, pois são os meses em que as marés são mais altas, resultantes da atração gravitacional exercida pela Lua e Sol sobre a Terra. Recife 2008 3 Altura (m) 2,5 10/03; 2,4 23/01; 2,4 2 1,5 1 0,5 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Figura 3 – Representação gráfica das marés do primeiro semestre de 2008 para o porto de Recife. Recife 2008 3 02/08; 2,4 12/12; 2,2 Altura (m) 2,5 2 1,5 1 0,5 0 Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 4 – Representação gráfica das marés do segundo semestre de 2008 para o porto de Recife. Recife 2009 3 12/01, 2,5 09/02, 2,5 23/06, 2,4 Altura (m) 2,5 2 1,5 1 0,5 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Figura 5 – Representação gráfica das marés do primeiro semestre de 2009 para o porto de Recife. Recife 2009 3 23/07, 2,5 20/08, 2,5 04/12, 2,3 Altura (m) 2,5 2 1,5 1 0,5 0 Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 6 – Representação gráfica das marés do segundo semestre de 2009 para o porto de Recife. Recife 2010 3 Altura (m) 2,5 04/01, 2,3 02/02, 2,4 16/06, 2,1 2 1,5 1 0,5 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Figura 7 – Representação gráfica das marés do primeiro semestre de 2010 para o porto de Recife. 4 – CONCLUSÕES Baseado nas evidências preliminarmente observadas do avanço do mar na costa do Nordeste, principalmente em Recife, além do aumento do nível médio do mar apresentado pelos dados das marés fornecidos pela DHN, pode-se concluir, mesmo que de forma especulativa, que este aumento efetivamente vem se verificando. Provavelmente, esta elevação no nível do mar tem sua causa no aquecimento observado no setor próximo à costa da região. Esse aquecimento setorial precisa ser estudado para que se possa identificar alguma relação com o aquecimento global e o conseqüente aumento do nível médio do mar na área de todo o Atlântico Sul. 5 – AGRADECIMENTOS Ao CNPq pela bolsa de Iniciação Científica. 6 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Gomes Filho, M. F.; Servain, J; Lucena, D. B; de Paula, R. K.; Silva, A. B. Evidências observacionais de aumento no nível o Atlântico Tropical próximo à costa do Nordeste do Brasil. Boletim da Sociedade Brasileira de Meteorologia, 30, 39 – 45, 2006. Gomes Filho, M. F.; Servain, J.; Lucena, D. B.; Paula, R. K.; Silva, A. B.: A study of the sea level elevation in the Tropical Atlantic as observed in the neighborhoods of the Brasilian Northeast coastline. Proceedings of the 8th International conference on Southern Hemisphere Meteorology and Oceanography. 259 – 266, 2006. Diretoria de Hidrografia e Navegação – www.dhn.mar.mil.br/servicos/tabuas das marés. tábuas das marés. Sítio eletrônico IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) Climate Change 2001: Impacts, Adaptation and Vulnerability. J. M. McCarthy et al., eds. Cambridge University Press, Cambridge, UK, 1032 pp., 2001a. BALAZINA, Afra; LACERDA, Ângela. RECIFE ‐ O Estadao de S.Paulo, 2009. Disponível em: <http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091125/not_imp471686,0.php>. Acesso em: 28 de abril de 2010, 11:51.