# tf o jornal da platéia Edição mensal de teatro. Ano I / número 3 / agosto de 78. Graúna miacunaíma C P v 21 FE V1995 S«f« éa Üvcíimenísçío I os novos heróis do nosso teatro. E mais: todas as estréias de agosto Página 2 Boas Notícias Aparentemente, ventos novos estão soprando também no teatro. Esse clima de abertura que se promete respirar em breve, embora ainda nada mais que uma leve esperança, parece estar refletindo na escolba de novos temas para a cena. E se não se pode advinbar' uma' temporada excepcional, pelo menos há a perspectiva de um rompimento da indefinição — quase pânico — do primeiro semestre. , Tudo, portanto, parece correr melhor num momento em que se pode divulgar boas noticias como essa. Boas notícias, aüás é o que não nos tem faltado, principalmente agora, que a penetração de PALCO está se tomando uma realidade. Em menos de um mês, essa redação, empolgada, recebeu perto de 200 cartas, algumas delas até do Interior e de outros Estados, fora, portanto, de nossa jurisdição. Centenas de linhas de incentivos, elogios e bons conselhos, sem nenhuma crítica ou desagravo. Gente que sublimou nossas falhas, fez-que-não-viu alguns erros eventuais, para apoiar a tese de um jornal feito exclusivamente para teatro. Nesse embalo, PALCO chega ao número 3 esbanjando alegria. Que os leitores mais astutos descubram em nossa capa um sorriso de otimismo. A lamentar, temos apenas ó procedimento da produção de Chuva, que ficou em cartaz até o fim de julho no teatro Anchieta. Gomo vocês sabem, PALCO é o único jornal de teatro em todo o País. E, para levar adiante essa empresa, contamos com a boa vontade do pessoal de teatro que está distribuindo gratuitamente nosso jornal para seus espectadores. Surpreendentemente, a produção de Chuva furou o esquema e proibiu a circulação dê PALCO nas dependências de seu teatro. Motivo — no primeiro número publicamos uma crítica desfavorável, assinada por Alberto Guzik, à peça de Somerset Maugham. Esse tipo de boicote, condenável em todos os sentidos, revela a preconceituosa mentalidade de seus autores. Preconceituosa e incompreensível. Em primeiro lugar, porque PALCO existe exclusivamente para divulgar as peças de teatro. Se formos boicotados, desapareceremos — e seria burrice quê o próprio teatro destruísse um veículo feito para divulga-lo. Ouanto à crítica, esse é um direito ao qual nos reservamos, para preservar a seriedade de nossas intenções. Quem sabe um dia os produtores de Chuva realizem um trabalho digno de elogios. E, nesse caso, nossos elogios só terão um delicioso sabor de verdade e justiça, porque criticamos desfavoravelmente as peças que não mereciam confetes. ■ Jvraal Ac platrila Editores: Luiz Maciel Filho e Ronaldo Hein Diretor Comercial: João Francisco Bianco Gerente de Publicidade: Ademir José Dias PALCO — Agosto/78 CfiRTAS Diretores, redatores e colaboradores de Palco: «Conheci Palco no intervalo de um espetáculo e o achei muito interessante. Desde então, tenho usado o jornal em minhas aulas de Comunicação, propondo um debate entre os alunos sobre as peças em cartaz. Eles adoraram esse sistema de aula e tenho certeza, agora, que consegui despertar um maior interesse da classe pelo teatro. Obrigado por essa contribuição a uma das profissões mais dolorosas — a de ator». José Cláudio Assis e alunos. — São Paulo (SP) Sr. Diretor: . «Palco. Uma cachaça que embriaga e a gente não compreende por que gosta tanto. Palco, onde passei quase a vida inteira ... e onde acabei me decepcionando. Onde havia, como existe hoje e existirá amanhã, a inveja, a fofoca e o ciúme dos bastidores. Mas teatro é assim mesmo. Ouem que um dia tenha pisado um palco não sente saudade? Lendo o Palco senti amargura. Amargura por não estar mais respirando a poeira do palco». Zaíra Cavalcanti — São Paulo (SP) Srs. Diretores: «Tive a imensa satisfação de receber de um amigo o segundo número de Palco, o jornal da platéia.. Desejo cumprimentar toda a equipe por essa iniciativa, pois vem realmente preencher a necessidade de divulgação do movimento teatral». Moacir Marchezi, presidente da Comissão Municipal de Arte e Cultura de Araraquara — SP Prezados senhores: «A Associação Museu Lasar Segall solicita o envio regular de Palco, o jornal da platéia, para os arquivos da Biblioteca Jenny K. Segall, especializada em teatro, cinema, rádio, televisão, fotografia e comunicação. A biblioteca é franqueada ao público em geral». Amélia Maria Moreira, bibliotecária. São Paulo (SP) Aos editores de Palco: «Felicito-os por este ato de coragem. Coloco-me também em marcha com a bandeira branca do teatro, a cavalgar passagens obscuras, acenando com os nossos sorrisos largos e entrando, onde as portas nos são abertas. A coragem de Palco será o grande estímulo ao ator, diretor e autor, com a aprovação também da platéia. Ou não somos nós os grandes atores da vida?» Ivo Pereira de Castro — São Paulo (SP) A redação: «Solicito a permissão de divulgar Palco, o jornal da platéia através do órgão representativo da minha faculdade, o jornal Eco». Décio Almeida Franco — São Paulo (SP) R: Palco agradece a divulgação. £ autoriza a utilização de suas matérias em outros veículos, com a única condição de ser citado como fonte. Prezados senhores: «Foi-nos muito agradável travar contato com Palco, o jornal da platéia, que veio suprir uma grave lacuna editorial. Gostaríamos de recebê-lo regularmente. Newton Marinho de Moura, delegado de policia assistente; Maria José Roth, investigadora policial; Aparecida Alves Ferreira, escrívã; e Sônia Aparecida de Oliveira, operadora de telecomunicações. 389 Distrito Policial de São Paulo -SP. • R. Ao lado de seus princípios editoriais. Palco preten-, de ser um jornal acessível. Por isto ele é distribuído gratuitamente nos teatros e, desde o número passado, circula com um cupom para os interessados em recebê-lo pelo correio. Todos os que nos enviarem o cupom serão atendidos. Colaboradores: Alberto Guzik, Álvaro de Faria, Antônio Reche, Nelson Blecher, Lyba Fridman, Tatiana Belinki (redatores), Cynthia Guri, Fernando Zamith (ilustradores), Vanildo Nottoli (diagramador) e Gino Lovecchio (fotógrafo). • f^raal da platéia A distribuição é gratuita nos teatros da cidade de São Paulo, Palco o jornal da platéia é uma publicação da HBM Edições Redação, administração e publicidade: Av. Paulista, 2073, sala 319, São Paulo (SP). Tel: 289-2814. CEP 01311. Composto e impresso nas oficinas dos Diários Assossiados em São Paulo. Registrado no 8" Oficio de Registro de Títulos e Documentos sob o número 149, em 27/04/78. As matérias assinadas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, o ponto de vista do jornal. Saiba de tudo o que está acontecendo nos teatros, através de PALCO — o jornal da platéia. Para recebê-lo gratuitamente em sua casa,basta que nos envie esta ficha, devidamente preenchida. NOME ENDEREÇO CEP PROFISSÃO IDADE TEATRO PALCO Página 3 - Acosto 78 Enfim, o bom teatro saindo da toca ALBKKTO GUZ1K fc: '-^s t A perspectiva com que o teatro acena para o espectador nesse segundo semestre é, no minimo, intrigante. Já em cena ou ainda decantando em diferentes estágios de ensaios está uma saíra de espetáculos que promete diversificação suficiente para animar vários tipos de público. Bodas de Papel, o texto muito interessante que marca a estréia de Maria Adelaide Amaral como dramaturga de indiscutíveis possibilidades, tem um encenação correta com boas interpretações e produção caprichadíssima. Falando sobre executivos, Bodas de Papel visa a endereço certo, mas de modo algum exclusivo. Dirigindo-se para um público mais ligado no experimental, Mario Piacentini regressa ao teatro depois de um longo recesso, com Pássaro de Fogo - O Processo Giordano Bruno. Para quem não recorda O Terceiro Demônio, marco do teatro brasileiro recente, é preciso dizer que à frente do TUCA Mario se revelou como um diretor inteligente, exigente e maduro. Experimentou processos cênicos com uma coerência que por aqui não se encontra a toda hora. É preciso acompanhar essa sua nova montagem com muita atenção. Ainda dentro das experiências está Macu naíma sem data certa para estréia mas prometido para a primeira quinzena de agosto. O que faz de Macunaíma a montagem mais ambiciosa da temporada não é apenas a adaptação da obra-prima de Mário de Andrade. É, isso sim, a proposta que está nos bastidores dessa encenação, com um grupo de gente auxiliado pela CET e organizado em cooperativa que se dispôs a atuar o tempo necessário para deixar o trabalho amadurecer adequadamente. O projeto exigiu mais de oito meses de ensaios, com dez ou mais horas de trabalho por dia. O grupo criou o espetáculo, executou os figurinos, meteu a mão na massa da produção e sugere uma postura radicalmente nova na realização teatral. Isso tudo deverá exercer influência enorme a direção geral de Macunaíma, que cabe a Antunes Filho. A adaptação do texto é de Jacques Thieriot, sugerida pela atividade e forma de trabalho do grupo, que também realizou a' cenografia e a música com orientação de Naum Alves de Souza e Murilo Alvarenga. Outro trabalho aguardado com expectativa é Aracelli, Meu Amor, adaptação de Marcílio Moraes para o teatro. O espetáculo, dirigido por Teresa Thieriot, também está prometido para breve. Dado o caráter trágico do episódio e sua pertinência com o atual cotidiano, o interesse do grupo pelo tema deverá motivar igualmente os espectadores. No mesmo tom de lancinante crítica da realidade brasileira, só que em chave de humor (humor desesperado, mas humor) estréia o texto de Henfil, depois de um atribulado período de ensaios, marcado por mudanças na direção no elenco e no próprio roteiro. Com o sarcasmo de Henfril, com sua crueldade pertinente e dolorosa, o resultado deve ser feroz. Henfil está vivo, está bem, está em São Paulo, está sendo produzido por Ruth Escobar e a direção é de Ademar. Guerra. O ânimo ao redor da noticia da encenação de uma peça de Augusto Boal, Murro em Ponta de Faca, decorre muito mais do interesse por esse homem de teatro exilado que da promessa de descoberta de um texto genial. A dramaturgia de Boal sempre teve um interesse menor que a atividade do encenador como um todo. É no ato de escrever, encenar, verificar processos e inventar soluções que está o calor e o apelo do teatro feito por Boal. Camas Redondas Casais Quadrados é exemplo de teatro digestivo, que montado com eficiência e apoiado num elenco experiente, cumpre sua função: divertir. A direção de José Renato é fluente, Marco Nanini e Sérgio Mamberti são atores (e cômicos) de primeira. O sucesso de público é monumental. Ainda no terreno dos textos estrangeiros, há remontagens prometidas. Quem tem Medo de Virgínia Woolf, de Edward Albee, com Tônia Carrero, Raul Corteze Antunes Filho na direção, é estimulante. Já Hair e Rapazes da Banda excitam bem menos. Talvez Hair ainda seja um bom musical e isso deve ser considerado. Mas o texto envelheceu e exige uma direção ousada para voltar a significar alguma coisa. Rapazes da Banda é anterior ao movimento de libertação gay no Estados Unidos. Uma peça onde homossexuais sofrem porque são homossexuais e não porque são seres humanos. A peça é discursiva e as personagens morrem de pena de si mesmas . Fauzi Arap fez muito melhor com o Amor do Não. Mas se houver público disposto a ouvir a Banda então que ouça. O texto estrangeiro mais interessante prometido para os próximos meses é A Vida é Sonho, que está sendo preparado pelo Pessoal do Victor com direção de Celso Nunes. 0 clássico de Calderon de Ia Barca na, montagem de um grupo jovem e inquieto são ingredientes que podem se misturar numa receita do arco da velha. É Celso também que dirige o novo espetáculo de Marilena Ansaldi (não sei se já tem nome definido) que, trabalhando no campo fronteiriço da dança com o teatro e a mímica e etc, cresce a cada dia, como uma das mais sensíveis intérpretes brasileiras. Í5>, f« Página 4 PALCO — Agosto/78 ANJO DE NEVE A história se passa no Brooklin. Conta o relacionamento dè um intelectual e de uma mulher que vende seu amor. Do mesmo autor de «O Exercício.», peça exibida com sucesso há alguns anos. WíNNíNííNCítiSíiíNíííNíííííííííiííNí^í^^ Drama. De Lewis John Carlino. Com Neusa Maria Faro e Adilson Wladimir. Direção de Plínio Rigon, músicas de Dyonisio Moreno. De 4? a 6:'. feira às 21 horas; sábado às 20 e 22 horas; domingo às 18 e 20 horas. Ingressos: Cr$ 70 e Cr$ 50 (estudantes). Censura 18 anos. TEATRO CIRANDA. Rua Major Diogo, 547. Tel: 258-7282. Drama. De Adelaide Amaral. Direção de Cecil Thire, cenários de Flávio Phebo. Com Jonas Mello, Regina Braga, Luís Parreiras, lleana Kwasynsky, Luis Carlos de Moraes, Jandira Martiní e Lourival Pariz. TEATRO ALIANÇA FRANCESA Rua General Jardim, 182, tel 259-8412. De terça a sexta-feira as 21 horas, sábados as 20 e 22 horas, domingos as 18 e 21 horas. Ingressos: Cr$ 50 e Cr$ .100. Cecil Thiré: uma direção segura, baseada na valorização do ator crítico crítica crítica crítica crítica GRUPOS GERADORES "TRAIMSMILL" NÒS DOMINAMOS A FAIXA COMPLETA DE 4 KVA até 2500 KVA TECNOLOGIA A MAIS AVANÇADA s a Matrtz; Rua Planalto, 106/140 vtfdge Ramos (São Bernardo do Canipoi - Fone: 457-7133 P.B.X. Cnrresponriénua Sao Paulo CEP, 01000 CP. 5504 Escritório Sao Pauio. Rua Floréncio de Aoreu 352 con). 804 Fones 227-5752 e 228-2574 Fífral Rio de Janeiro Av. Brasd 7801 Fones 260-0020 e 260-2036 O texto de Maria Adelaide do Amaral é a crua tentativa de colocar no palco a saga da classe média brasileira nos anos do boom-econômico. Uma peça escrita com diálogos reluzentes, escorregadios, nocauteados pela realidade que os personagens não hesitam em assumir mesmo que a eles não se peça. Pois Turco quem seria senão o brasileiro típico, o classe média deslumbrado com a possibilidade de uma posição «independente» de dono de um rendoso negócio Sua mulher, quem seria senão o espantalho, humano, porém espantaho - das mulheres de Atenas que adornam a vida dos nossos executivos? E o profissional liberal- o médico- quem melhor,do que ele para sangrar com o bisturi o juramento sagrado de Hipócrates? A sarcástica Maria Adelaide é também um poço de ódio despejado ironicamente aos borbotões num ambiente torpemente luxuoso. E por que torpe? Por causa da instabilidade, da pastosidade com que os personagens agarram-se aos seus galhos e eriçam os pelos quando lhes é lembrado a condição primeira de suas vidas; assai ariadosl Jorge, superego da decência, é uma peça inteiriça em meio à roda viva das ambições. Desempregado ele pelo menos consegue ver tudo à distância. Faz força e consegue manter a coluna vertebral ereta. Maria Adelaide é um talento que já foi posto à prova. N. B, O Bom Burguês Comédia mr.sical de costumes, que está sendo muito bem recebida pelo público. Montagem de um grupo do Rio de Janeiro. MUSICAL — De Pedro Porfírio. Direção de José Carlos Pieri. Programação musical de Wagner Mello. Músicas e direção musical de' Nelson Mello. Coreografia de Dino Bento. N !íieiíí!í * *NNNN»!NiíÍ«íííí!í1!«i«!1}iíííiíí^^ Caixa de Sombras Numa espécie de colônia de férias sanatório para doentes irrecuperáveis, três pessoas que vão morrer vivem situações diferentes. Uma análise das reações do homem diante da morte, que deu ao autor Michael Christopher os prêmios Pullitzer e Toni. Drama - De Michael Chnstopher, um autor americano. Com Lilian Lemmertz, Yolanda Cardoso, Edney Giovenazzi, Henriqueta Brie ba e outros. Cenários de Gianni Ratto e tradução de Léo Gilson Ribeiro. Direção de Emílio de Biasi O que você faz no fim de semana além de ir ao teatro? FERIMPEX IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. FERRAMENTAS EM GERAL FERRAMENTAS ELÉTRICAS - FERRAMENTAS P/ HOBBV TELEFONES: 228 6289 228 6204 228 7824 R-FLORÉNCIO OE ABREU, 260-CEJ» 01030 . SÃO PAULO Com Silvio Fróes, Déa Peçanha, Evans Brito, Leda Amaral, Carlos Adile e Tânia Loureiro. Horário normal. No TEATRO CENARTE, rua 13 de Maio, 1040 — ESTADO DE SÃO PAULO De 3* a 6. às 21 horas. Sábado às 20 e 22 horas. Domingo às 18 e 21 horas. Censura: 18 anos. Ingressos: Cr$ 100,00 e Cr$ 50,00. Teatro Faap Tel.: 67-73-71. Rua Alagoas, 903. execução de cenários díreçoo rodrígo cíd Irínia klaiss rck empreendimentos promocionais rua dacache 3 . fone 299*26 20 br 116 n0 1640 - taboõo da serra fone 491.5914 Página 5 PALCO — Agosto/78 ^gg£ Viva a troca-troca! Oscar (Guilherme ConreaJ traçava todas. Lina (Ana Rosa), sua mulher, experimentava novos parceiros sempre que podia. Joana (Maria Luiza Castelli), amiga de Linda, só experimentaria por acaso — embora razào não lhe faltasse. Pois Felipe (Sérgio Mamberti), marido de Joana, era do tipo que se poderia chamar de bissexto. E além de bissexto, angustiado com a suspeita de infidelidade de Joana — e justamente, quem diria, por Rogério (Marco Nanini), um decorador de larga reputação homossexual. Meia verdade: Rogério passava os dias perseguindo Silvia (Cleybi Dias), criada apetitosa. Tudo isto, na casa de Felipe e Joana, que recebe ainda as visitas de Walter (Marcos Caruso) e Rosa Maria (Maria Viana), completando o jogo erótico. Mas, como pouca confusão é bobagem, entram em cena valores econômicos, suficientemente altos para arrefecer a libido de toda a família. Divirta-se a platéia. Com esses ingredientes, segun- do receita de Ray Gooney e John Chapman, o adaptador João Bethencourt, e o diretor José Renato estão cozinhando um sucesso de oito meses no Rio de Janeiro. Assim, nada mais natural que a montagem de Camas Redondas, Casais Quadrados fosse fielmente reproduzida na Paulicéia (o cenário é idêntico; a mesma empresa que cedeu os móveis no Rio fez a permuta aqui em São Paulo), para multiplicar os resultados financeiros. Mas temos todo o resto para o seu sítio A peça estreou em São Paulo no dia 21 de julho e, confirmando as previsões, tem lotado o Teatro Itália, desde então. Para o diretor José Renato, trata-se de uma peça "digestiva, mas não alíenante", capaz de atrair público sem apelar para o grotesco e sem arranhar os pudores artísticos. O que a faria, portanto, equilibrada e altamente recomendável na realidade teatral brasileira. "É bom lembrar que teatro sem público não existe" — diz José Renato, com a autoridade de quem já experimentou incontáveis crises de bilheteria, nos seus vinte anos de carreira — iniciada AGROCENTER CnÉrciO t AGRÍCOLA 'éi\£ ifi COMEDIA. De Darcy Penteado. Direção de Odavlas Petti. Com Zé Carlos Andrade, Serafim Gonzales e Vera Abelha. De terça á sexta as 21 horas. Sábado as 20 e 22 horas. Domingo ás 10 e 21 horas. Censura: 18 anos. Ingressos: CrS 100,00 e CrS 50,00. AUDITÓRIO AUGUSTA — Rua Augusta 943'. Tel 257-7575. i. m m m 'm 1. (Mil lí Darcy Penteado estréia como autor nessa peça, que fala da problemática homossexual. A história se desenvolve em torno de um triângulo amoroso em que cada um dos vértices é um homem. Um deles, travesti. E INDUSTRIAL m ül m m m m m. IVARIETEXll m ma m TeOÍDO o Comédia. De Ray Cooney e John Chapman. Adaptação de João Bethencourt. Direção de José Renato cenário de Muniz Zilberberg. Com Maria Luíza Castelli Marco Nanini Sérgio Mamberti Guilherme Corrêa Ana Rosa, Marcos Caruso, Cleybi Dias, Aparecida Pimenta e Maria Viana. No TEATRO ITÁLIA (Av. São Luís, 50, tel: 257-3138). De terça a sexta às 21 horas, sábado às 20 e 22h30, domingo às 18 e 21 horas. Ingressos: CrS 100 e Cr$ 50. Censura: 18 anos. Engrenagem do Meio Não temos tratores'. no Teatro de Arena, depois de um período de preparação na Escola de Arte Dramática da USP. m Av. Amador Buenp da m o o Quem usa moto-serra sabe nr 0ÊBU U4± 4PwdtMB>JMBà tif43^8^ ^t^rlmÉl A Stih' tem as moto~serras ^ue KILHK^ ^■S^rt^D^I S^55H l9vH Imprecisa para os mais diversos trabalhos ^^B no corte de árvores de qualquer espécie. As moto-serras Stihl são fortes, potentes e rhuito versáteis. A Stlhl fabrica as moto-serras ideais para um trabalho seguro e eficiente. Além disso uma extensa rede de distribuidores e revendedores em todo o Brasil garantem assistência técnica permanente e peças originais para reposição. Procure sua moto-serra Stihl e comprove estas vantagens. S77A/Z- ANOREAS STIHL. MOTO-SERRAS LTOA. Fábrica: Av. São Borja, aOOO - CEP 91000 - São Leopoldo - RS Classe média: Televisão quebrada Comédia argentina, adaptada para São Paulo, contando as desventuras de um casal frente a uma situação real: a televisão quebrada. 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O ecletismo de Henfil, tão latente que o desviou de um curso de Sociologia para as páginas de humor dos jornais, tem colocado uma série de desafioa à sua frente, nos últimos tempos. O primeiro ele já ganhou: fazer texto de humor. Desde o seu lançamento, a revista Isto é reserva espaçopara as cartas de Henfil para sua mãe, D. Maria, onde. o humor brota de lúcidas análi-. ses do momento político brasileiro. Mas restam ainda muitos desafios, como levar o seu humor para o teatro, o cinema e a televisão. Até o fim do ano ele espera experimentar todos esses veículos (seus desenhos ganharão brevemente um quadro fixo no Fantástico). E teatro ele já está provando, com a peça Henfil está vivo, está bem, está em São Paulo, que estréia em 27 de agosto no Teatro Ruth Escobar. «Eu não vejo muita diferença entre história em quadrinhos e teatro, quanto ao aspecto criativo. Num e noutro caso, eu pego os personagens, dou a eles uma personalidade e deixo o barco correr. O enredo vai se armando naturalmente. Apenas que no desenho eu posso jogar mais com o fantástico e no teatro eu tenho de prever os problemas técnicos que impedem a fluência da fantasia.» — A idéia de fazer a peça nasceu quando? «Já tem uns quatro anos que eu falei pela primeira vez com o Fauzi Arap da minha vontade de fazer teatro. Ele concordou que era uma boa idéia e ficamos de conversar depois. Até que neste ano a Ruth Escobar, sabendo da minha predisposição, decidiu montar uma peça com personagens meus. Ela chegou a telefonar pra mim no Canadá, onde eu tinha ido visitar meu irmão, pra falar do prq|eto. Quando voltei, o Fauzi me visitou em Natal e nós escrevemos uma revista a quatro mãos.» — De repente, com os ensaios adiantados e o visto de liberação da Censura, o Fauzi desistiu da peça. A que se deve a saída dele? «Foi uma decisão pessoal do Fauzi. Ele e vários atores saíram porque deixaram de gostar do que estavam fazendo. Basicamente foi isso. Não houve problemas mais graves entre nós.» — A peça mudou muito com isso? «Mudou completamente. Essa que vamos montar é uma outra peça, não tem nada a ver com a original. Na primeira, Ubaldo, o paranóico, era convidado para dirigir uma revista pela empresária Rita Furacão. Agora, Ubaldo não é mais protagonista. Ele tem uma boa presença na peça, mas não interfere decisivamente no enredo. Desta vez, o cenário fica apenas na caatinga e os principais personagens são o capitão Zeierino, o bode Orellana e a Graüna. Eles pedem um financiamento pra instalar uma rede de água na caatinga mas só conseguem emprés timo pra fazer pomochanchada...» — A sua participação é maior no novo texto? «É. Com a saída do Fauzi, eu resolvi assumir todos os riscos do roteirista de teatro. eu. Dá peça participam apenas o Zeferino, o bode, a Graüna e eu mesmo. Fora isso, tem uma grande surpresa, que são os Convidei o Oswaldo Mendes dançarinos, destinados ao pra me ajudar, ele leu toda a maior sucesso.» (Palco minha coleção dos Fradí- apurou: tratam-se de legíti: nhos, e.escrevemos urna nova mas prostitutas da Boca do peça.» Lixo). — Não houve prO FradiL. M. F. nho Baixim na história? «Ainda não foi desta vez. O Fradinho, quando entra, tem de botar pra quebrar. Ele é assim. Ninguém pode segura Io. Nem a Censura, nem o Todos os cuidados para Macunaíma câtnétó' HENFIL ESTÁ VIVO, ESTA BEM, ESTA EM SAO PAULO Revista. De Henrique Souza Filho, o Henfil, e Oswaldo Mendes. Direção de Ademar Guerra e Elias Andreatto. Direção musical de Cláudio Petraglia, coreografia de Márika Gidali e Clarise Abujamra. Com Paulo César Peréio (bode Orellana) Rafael de Carvalho (capitão Zeferino), Sônia Mamede (Graúna), Ruth Escobar (Henfil), Sérgio Ropperto (Ubaldo) e Patrícia Escobar. No TEATRO RUTH ESCOBAR (Rua dos Ingleses, 2Ü9, tel: 289-2358). De terça a sexta-feira às 21 horas, sábado ás 20 e 22 horas, dom-ngb às 18 c 21 horas. Ingressos: CrSlüO e Cr$ 50. Censura: 18 anos. Estréia dia 27. Delinilivamente Macunaima abandonou o plano das coisasterrenas. Koi para o céu, tomou-se uma estrela, um mito que, com o perdão da palavra, extrapolou. As pessoas nao talam de Macunaíma como de Capitu, üuincas Borba ou Iracema. Nem a Moreninha, nem mesmo Gabriela ou Ana Terra mais próximas no tempo ocupam o mesmo niveí que Macunaima abocanhou no sentimento literário de cada um (se é que isso existe). Quando falam dele, herói sem caráter e anti personagem, os inle lectüais mostram mais respeito e procedem via de regra, como se diante de uma alta patente, de uma estrela de varias estrelas na literatura nacional. Macunaima tem, portanto, alguma coisa "de inviolável, quase de sagrado. Assim, c até bastante compre ensivel que a primeira transposição para o teatro do texto de Mario de Andrade justamente no cinquen tenário da obra reveste se de cuidados especiais e inéditos. Antu nes Filho, o diretor que ousou arrancar Macunaima da prateleira para colocado no palco está sentindo o peso da responsabilidade. O trabalho que vera realizando, como se verá a seguir, tem a cautela dos que temem profanar. A começar pelo desusado tempo gasto nos ensaios: dez meses conse culivos, com doze horas diárias de trabalho. Nenhuma montagem do chamado teatro comercial poderia arcar com as despesas de um período tão longo de preparação. Nem teria interesse. Mas e aí, basicamente, que se concentra a diferença: Macunaíma tem sido, acima de tudo, um trabalho idealista, uma experiência nova e ousada. A Secretaria do Cultura, contaminada pela magia de Macunaima e aproveitando o aniversário especial, deu o pontapé inicial nesse trabalho, através de uma- verba de 500 mil cruzeiros. Essa operação teve a mediação do Sindicato dos Atores, apoiando a montagemda psça, que, inicialmente veio camuflada como «curso de teatro», E, a bem da verdade, Macunaima esta estreando como uma espécie de exame final de 15 alunos, depois de dez meses de- «curso». Os professores desse curso foram o próprio Antu nes Filho, Naum Alves de Souza e Murilo Alvarenga. Os três selecionaram 15 dos 170 interessados que vieram fazer o teste e com eles desenvolveram um trabalho que pode até (será que posso arriscar?! criar escola. Sim, porque durante os dez meses, os «alunos» assumi ram, alternadamente, todas as funções da companhia. Foram diretores, atores, cenógrafos, fizeram musica, reviram o texto e viveram numa semi clausura teatral, respi rando, quase que exclusivamente, o cheiro de poeira do palco. «A peça toi sendo burilada aos poucos» conta um dos atores «sem pre tora dos padróes convencionais». Assim, entre as atividades não convencionais do grupo (que a propósito, se chama Pau Brasil) incluiu se uma intensa pesquisa teórica. A fonte de alimentação dessa investigação foi uma bibliografia de 140 livros sobre os mais diversos aspectos, alem de conferências exclusivas, para dar - um pouco de «côr local». Orlando Villas Boas auxiliou na reconstituição de determinado capitulo, com uma palestra sobre a vida do índio. O professor Erasmo Magalhães, da Universidade de São Paulo, deu noções básicas da língua tupi. E assim por diante, numa exaustiva busca, que, resultou em seis horas de peça de teatro, com respeito integral a obra de Mário de Andrade. É preciso reservar um capitulo especial "ao trabalho de execução do texto. Ele foi literalmente montado, como um jogo de cubos, partindo de um trabalho inicial de Ana Luiza Fonseca. Mais tarde, Jacques Thierot foi chamado para intervir, como uma espécie de orientador das constantes mutações pelas quais passou o roteiro. Thierot, que e diretor da Aliança Fran cesa, traduziu Macunaíma para o trances - e, para lazê Io, tornou se um expert na Unguagem de Mário de Andrade. Na montagem de Antunes Filho foi enquadrado como executor da prpposta de «ser fiel a todo o texto e a todos os epísó dios». E acredita que está conse guindo fazê Io, com a ajuda do próprio autor: «Vê-se, claramente, que embora Mário de Andrade não fosse um dramaturgo, ele sabia fazer uma cena de teatro. Vários diálogos de seus personagens estão prontos e é só coloca los na boca dos atores». Thierot explica que «o texto não precisou ser adaptado porque a própria ação dramática esclarece o que há de obscuro em Macu naíma». O resultado desse trabalho, efetivamente, só será testado pelo publico. Mas Antunes Filho decidiu sentir a receptividade da peça ainda antes de fechada com um ponto final. Por isso, nos primeiros dias de agosto, promovera ensaios públicos - e só depois desse teste a peça iniciará sua carreira. A intenção é lotar o Teatro São Pedro, que tem capacidade para cerca de 800 pessoas - e depois, aproveitando a inexistência de cenários, viajar. Está claro, enfim, que a transposição teatral de Macunaíma pretende ser definitiva. Todo o trabalho foi orientado no sentido de não «queimar» essa primeira oportunidade, com um espetáculo falho ou incompleto. O heroizinho, de cinqüenta anos, recebeu indubitavelmente, o mesmo tratamento cauteloso de uma relíquia de porcelana, que precisa chegar ao seu destino íntala. R. H. Drama. De Mário de Andrade. Adapt. Jacques Thierot. Dir: Antunes Filho; Comp. e dir. musical: Murilo Alvarenga; dir. de arte; Naum Alves de Souza; assis. dir; Isa Kopelman; prod. Joe Kantor; prod. executiva: Maria Elisa F. Martins. Com o Grupo Pau Brasil: Angela de Castro, Beto Honchezel, Carlos Augusto Carvalho, Clarita Sampaio, Deivi Rose, Guilherme Marback, llona Filet, Isa Kopelman, Jair Assumpçào, João R. Bonifácio, Luiz Henrique, Manfredo Bahia, Mirtes Mesquita, Nazeli Bandeira, Salma Buzzar, Theodora Ribeiro, Walter Portella e Whalmyr Barros. Horário; terça e quinta, as 21 horas, primeira parte do espetáculo; quarta e sexta, mesmo horário, segunda parte. Sábados e domingos, completa, das 18 as 24 horas. No TEATRO SAG PEDRO, rua Albuquerque Lins, 171, tel; 66 3343. Censura: 18 anos. Antunes Filho: teatro com T maiúsculo eúfaéia de conhecimento. E conhecimento a gente só consegue desse Duas vezes Antunes Filho esteve a ponto de ser entrejeito, com trabalhos como esse. Antes de Macunaíma, eu era vistado pela equipe de PALCO. Na primeira confessou que como a maioria dos outros: um estrangeiro em termos de não estava em condições de se concentrar. Na segunda, pediu teatro. Agora conheço melhor a nossa realidade. Veja essa um adiantamento, porque precisava de um sanduíche para história de crise. Não é o teatro que está em crise: há uma não morrer de inanição. Na terceiram, enfim, contou por que crise de idias. A censura é o maior entrave, não há dúvida. foi que se entregou de corpo e alma a criação de Macu Mas não é só a censura. Há um entrave, uma crise de cabenaíma, a ponto de perder a lucidez e quase morrer de fome: ça muito grande por aí. P — Porque,tanto preciosismo na realização de Macu- P — E com Macunaíma você pretende criar escola ou naíma? marcar época? AF — Não há preciosismo. Pelo amor de Deus não use Não sei se isso vai criar escola ou não. Os outros é que essa palavra. O que existe é busca. Uma realimentação para vai dizer. Eu só sei que gosto disso. Aqui estou voltado para mim e para o teatro brasileiro. Seria bom se todos os artistas o autor e principalmente para o ator. Eu sou uma espécie fizessem o mesmo. A gente se refaz do processo comercial. É de papaizão dessa turma, estou tentando ajudá-los a se tornauma enorme purificação. rem atores. Os atores brasileiros estão pensando que só se faz P — Eu disse preciosismo por causa dos cuidados com a teatro com Ímpeto e vontade. Mas é preciso mais que isso. produção que me parecem sem precedentes. Formação. Garra não resolve. Escuta: quem é que tá ensiAF — Nós estamos muito a vontade com Macunaima. nando os novos atores brasileiros? Ouem? Pois é, é uma Nós lemos, estudamos e sabemos tudo. Mas nada de precio- grande lacuna. Daqui a pouco vamos precisar importar sismo. Eu não acredito em teatro com T maiúsculo se não for mestres Me diz: quais são os diretotss preocupados com o desse jeito. É preciso não confundir com o teatro comercial, ator no Brasil? onde você só ganha porcentagem, porra nenhuma além disso. P — Bom... AF — Eu acho que tá legal, não? Mês que Claro que o teatro comercial também precisa existir. Senão vem a gente faz uma coisa maior. Agora põe aí: o negócio é como é que a gente ia viver? Mas o teatro-arte é uma forma crise de cabeça. De cabeça, viu? PALCO — Agosto/78 Página 8 ãP^ Um libelo renascentista PÁSSARO DE FOGO «AGOSTO — RENASCIMENTO NO OFICINA». Esse texto, insistentemente divulgado desde junho na sessão de tijolinhos dos grandes jornais vinha provocando grande curiosidade por seu duplo sentido. Seria uma provável reedição dos grandes momentos do Grupo Oficina, coincidindo com o retomo de Zé Celso Martinez de seu exílio? Ou apenas uma peça sobre o período histórico do Renascimento? Exatamente a dúvida que Marinho Piacentini pretendeu criar. Porque sua peça. Pássaro de Fogo, narra o processo Giordano Bruno, ou a história de um homem que foi queimado vivo por causa de suas idéias liberais durante a Renascença; e porque também existe a pretensão de se reviver, em qualidade, os melhores dias do Oficina. Ou seja: ambas as assertivas estão corretas. Para completar. Marinho, que é autor e diretor do espetáculo, tem um traço em comum com o próprio Zé Celso: também ele está recém chegando do exílio. Entre 1968 e 1973, o autor de-Pássaro de Fogo foi diretor do TUCA — Teatro da Universidade Católica de São Paulo. Naqueles cinco anos, mostrou sua disposição de fazer um teatro de renovação, através de três peças: Comala, Terceiro Demônio e Tlon. Três espetáculos não verbais, vivendo uma experiência vanguardista, qae lhes rendeu prêmios em festivais latino americanos e excursões pelo exterior. Em 73, por causa da situação política. Marinho juntou se a uma leva de intelectuais brasileiros que procuraram exílio voluntário no Gata em teto de zinco quente Completou 100 espetáculos essa a montagem de uma das obras principais de Tennesse Williams. Na falta de bons textos nacionaisliberados pela Censura, esse drama sobre a vida de uma família americana no Sul dos Estados Unidos volta para quem ainda não conhece os profundos personagens do aramaturgo americano. Drama de Tennesse Williams. Direção de Kiko Jaess. Cenários e figurinos de Gianm Ratto. Com Cleo Ventura. Dionisio de Azevedo. Ivete Bonía e outros. De tarça a sexta as 21 horas. Sábado as 19:30 e 21:30 horas; Domingo as 18 e 21 horas. Ingressos: CrS 100,00 e Cr$ 50,00 nos dias de semana e domingos. Sábado preço único: CrS 100,00. Censura 18 anos. TEATRO BRIGADEIRO — Av. Brigadeiro Luiz Antônio, 884 — Tel.: 35-8433. exterior. E até o começo deste ano esteve na Itália, França, Inglaterra, Grécia, Egito e índia, buscando novos caminhos. Agora, ele volta ao teatro brasileiro com uma peça que alia suas experiências anteriores a uma nova tendência do teatro em direção aos temas político — sociais. Pássaro de Fogo, portanto, é uma mistura do teatro não verbal executado há anos pelo grupo do TUCA com um texto contundente sobre a repressão contra um pregador liberal. Drama. De MarmEoPTacentini com direção do próprio autor. Cenografia de Enio Possebom. Com Jovelty Archangelo, Edson Santana, Luiz Marigo, Nikhilprem e Aldo Richiero. De terça a sexta as 21 horas. Sábado as 20 e 22 horas. Domingos as 18 e 21 horas. TEATRO OFICINA — Rua Jàceguai, 520. A partir do dia 6. L-^v^^lnvestigação na 10^ classe dominante É um dos maiores sucessos da temporada. Baseado na peça «An Inspector Caüs», de J.B. Priestley já encenada anteriormente no Brasil),Flávio Rangel criou um ambiente brasileiro e moldou situações comuns a 'nossa realidade. Drama de J.B.Priestley, adaptado por Flávio Rangel. Com Jucá de Oliveira, Cacilda Lanuza, Rildo Gonçalves e outros. Direção de Flávio Rangel. De quarta a sexta ás 21 horas. Sábado as 20 e 22 horas. Domingos às 18 e 21 horas. Ingressos: CrS 100,00 e Cr$ 50,00 durante a semana e aos domingos. Sábado: CrS 100,00, único. Censura: 18 anos. TEATRO MARIA DELLA COSTA — rua Paim, 72 — Tel: 256-9115. Labirinto 0 ci-úme da amante, a revolta da esposa, a presença de um rival. Ou ainda, a ousadia de um caso antigo e o zelo dos anfitriões pelo futuro da filha. Qualquer deles poderá ter assassinado Edward, na manhã sossegada de um domingo, numa casa de campo. Um texto clássico de Agatha Christie, sem o mesmo impacto de A Ratoeira (cartaz em Londres há mais de duas décadas) ou Hóspede Inesperado, mas tão intrigante quanto. E suficiente para produzir lotações animadoras no Teatro Markanti desde março, atravessando em arranhões a- crise de bilheteria da temporada atual.Se na pior das hipóteses uma criação de Agatha Christie promete suspense e entretenimento, em Labirinto há ainda a garantia de uma montagem bem cuidada. Policial. De Agatha Christie. Direção de Dyonísio Amadi. Cenografia e figurinos de 'Leon. Com Isadora de Faria, Kléber Afonso, Vera Nunes, Paolino Raffanti, Marlene Santos, Nelson Luiz, Dinah de Lara', Marie Claire Brant, André Lopes e Eduardo Mamede. De terça a sexta às 21 horas, sábado às 20 e 22h30 e domingo às 18 e 21 horas. Ingressos: CrS 80,00 e 40,00 de terça a sexta; CrS 100,00 aos sábados; CrS 100,00 e 50,00 aos domingos. No TEATRO MARKANTI (rua 14 de Julho, 114, tel: 32-1975). Censura: 14 anos. O Poeta da Vila e seus Amores Depois de completar seu primeiro aniversário em cartaz, a peça que conta a vida de Noel Rosa continua fazendo carreira de sucesso. Filas enormes obstruem a calçada da avenida Paulista, onde fica o teatro. Musical— de Plínio Marcos. Direção de Osmar Rodrigues Cruz, prêmio Moliere de melhor direção. Com Ewerton de Castro, Bruna Fernandes e Nize Silva. De quarta a sexta-feira as 2\ horas. Sábado e domingo as 18 e 21 horas. TEATRO POPULAR DO SES1 — Av. Paulista, 1313 - Entrada gratuita. DISTRIBUIDORA- RIO Débonoh iM ^ ENGENHARIA DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS S/C LTDA. DIVISÃO DE ENGENHARIA SHOK COMÉRCIO DE MATERIAL ELÉTRICO LTDA. DIVISÃO DE MATERIAIS RUA DtLFINA, 277- PABX 211-2577 Atacado - boutique modelos com padronagens exclusivas Av. N.Sde Copacabana 680,12s andar RJ. W lua benedito laplm, 5t - tel: 853 5891 - celxe postal 19.220 - Italm - ep. 91 ■^■■^■■■Í^BHI P^ PALCO — Agosto/78 Página 9 Mirian Mehler por Álvaro Alves de Faria Não. ü teatro não e tudo na vida de Mirian Mehler. Há outras coisas assim importantes. Mas, antes de tudo, o teatro foi o caminho que escolheu, e o que gosta de fazer, pelo qual lutou e luta muito. — "É a minha realização pessoal, de profissão, de criação. Tudo que e ligado a criação é vida. Há muito amor nisso tudo. Aliás, a gonte só pode criar com muito amor". ' Ouatro cigarros longos, um fumado até o meio e três até junto ao filtro. Três telefonemas, um apartamento repleto de quadros e um menino andando pela sala, seu filho Rodrigo, que de vez em quando grita com força: — "Manhcêê!" Mas não quer nada. Chama pela mãe apenas por chamar. Mirian ja sabe disso. Como definir-se? Não sabe. Sinceramente, é difícil. — "Nem tudo que a gente é, e o que a gente gostaria de ser. Então. . . Olha, eu acho que só isso. Não sei, a gente é muito inconstante e, sendo inconstante, como é que a gente vai poder se definir? Acho que não existe uma definição. Eu, pelo menos, não tenho uma para mim mesma. Achb que não sei definir ninguém. É como se eu estivesse rotulando". Pensa muito antes de falar. Ao telefone, gargalha alto, se expande. Mas nas respostas, suspira fundo. Mirian Mehler acha que está faltando muito amor nas pessoas. É como se ninguém se amasse mais. Ninguém tem mais tempo. Tudo é apenas uma corrida para novas emoções, descobertas. As pessoas apenas se disputam. Mirian laia isso com certa tris teza, perplexidade: — "Sabe? O importante é a gente poder ajudar as pessoas, em todos os sentidos. Há gente sem hospitais; sem instrução. A falta de instrução já parece coisa do próprio sistema. As pessoas nãc podem se instruir, porque saberão de muitas verdades inconvenientes. E tudo isso é muito desamor. Fome, matança, guerras, desemprego. É um mundo que está apodrecendo. Mas é preciso dizer que o mundo e a vida são muito belos para serem perdidos assim. Ela acredita que se as pessoas se amassem, se não existisse nenhum tipo de preconceito, se a liberdade fosse respeitada, as coisas seriam bem melhores: — "Nós estamos na Terra para fazer alguma coisa. Todos aqui têm uma missão a ser cumprida. Mas essa missão não é um fardo. A gente é que transforma tudo num fardo. É como se a gente não soubesse usufruir. Ela ama. Mirian, a atriz, ama. A mulher, ama. Sempre ama. Seu filho. Sua familia. Seus pais. As pessoas, üs bichos. As plantas. E Ato sem palavras Peça do mesmo autor de Esperando Godot, encenada pelo Grupo Teatro de Boca, que se auto define como «burgueses» que não conseguiram se desvincular do berço. Um texto serio e importante do teatro mundial. Drama. De Samuel Beckett. Direção de Thana Corrêa. Cenograüa: Alfredo Paulo. Figurinos: Equipe. Produção executiva: Nanei Alonso. Com Marco de Oliveira e César Touguinha. De terça a sexta as 21 hs. Sábados as. 2Ü s 22 horas. Domingos as 18 e 21 horas.rEATRO EUGÊNIO KUSNET, rua dr. Teodoro Baima, 94. Tel: 256 9463. Ate dia 14. r amando, ela se faz feliz. Mas o que é ser feliz? É a gente poder. . . poder... não... é não pensar muito, e viver intensamente todos os momentos que a vida oferece e também exige da gente. O que existira além das pro prias pessoas? Ela não sabe bem, nào tem certeza, mas acha que existem coisas. — "Deve ser alguma continua cão. Eu, por exemplo, acredito em üeus, alguma coisa que está dentro Pela noite dos barulhos espaçados Terezinha d e Jesus Joahdros Colagem de poemas de^Mário de Andra de que está sendo encenada pelo Grupo Brasileiro de Arte Te.itral. São 26 atores que antes de fundarem seu teatro fizeram diversas toumés pelas escolas da cidade. Um elenco numeroso (16 pessoas) e uma produção cara, para trazer de volta o qinse extiftto teatro de revista Atenção porque o grupo não está mais no TAIB. Mudou-se para o Eaiol REVISTA — De Ronaldo Ciambroni. Com o autor no papel-título, Kleber Macedo, Salomé Parísío e outros. De terça à sexta às 21 horas. Sábados às 20 e 22 horas. Domingo às 18 e 21 horas. Ingressos: Cr$ 80,00 e Cr$ 50,00. Censura: 18 anos. TEATRO PAIOL — Rua Amaral Gurgel. Tel.: 221-2462. MWWWtlWtMWMMKMtWtMWtWgMMtMWWWMjtMMKiiM^ rAlguns dos mais 2$, da gente mesmo, uma torça muito superior, uma energia imensa.. . Às vezes, Mirian Mehler se surpreende triste. Angustiada. Não é freqüente, mas as vezes abre o dia com a ponta dos dedos e vê que as ruas e o mundo estão diferentes. Esta tudo pesado. Não se recupera facilmente, mas quando chega a se recuperar toma tudo apenas uma lembrança, deixa de ser uma coisa viva, doendo: — "Eu somo apenas como uma experiência '. Acredita que há gente feliz no mundo. Você é feliz, meu tilho?. importantes negócios do Brasil começam numa Agenda Pi•IIi I:I o Jornal da Capoeira. Nas bancas. Musical de Mário de Andrade: adaptada por Darcio Delia Mónica. Direção do autor e de Fernando César. Com Celso Saiki. Ruth Sierra, Marco Antônio Mendo. Paulo Roberto Leoni e outros. Musicais de Paulo Roberto Leoru. Coordenação de Doroty Lerner. De 4' a domingo as 2 1 horas. Ingressos: CrS 6U,UÜ e Cr$ 4U,ÜU. Especial para escolas: Cr$ 2S,UÜ. Censura: 14 anos. Rua Calvâo Bueno, 714 - Liberdade. Cursos de Teatro Sensoriulização e criatividade Expressão corporal, relaxamento, desinibiçao, improvisação, dramatização, prontidão, auto conhecimento, flexibilidade psiquico-fisica. 2" Semestre — De agosto a dezembro A noite ou aos sábados à tarde 4 horas por semana — Tota; 80 horas incluindo maratona final) Ampliação do potencial psico/corporal/sensor ial/cri ativo Entenda a cultura popular lendo pergunta. Rodrigo, 9 anos e meio responde que sim, e liga a tele visão: — "Eu, por exemplo, sou obri gada a me considerar feliz, soman do todos os prós e os contras, Tenho obrigação". O telefone toca outra vez e ela fala sobre a novela "0 Direito de Nascer". Faz algumas colocações que revelam um imenso zelo profis sional. Desliga e pensa um pouco. 0 quinto cigarro está sendo aceso. — "Mirian, o que você gostaria de dizer agora a um amigo ou amiga muito importante?" Ela não precisa dizer qual é o amigo, qual é a amiga. Apenas pensar e dizer. Mirian tem o rosto sério e há traços de emoção. Diz devagar: — ■Obrigada pelo começo agora eu ja- sei ir em frente..." Direção e Orientação — Svlvio Ziber NOESáPOM SÃO PAULO - Av. Jamaris, 64 - Fone: 240-8211 RIO - Av. Pres. Vargas, 417-A -14.° - Fone: 224-7634 B. HORIZONTE - R. Tupis, 457 - Fone: 226-4310 Teatro escola Mac u na i ma Casa de Mario do Andrade Rua Lopes Chaves 546 — Fone — 66,8091 Barra Funda PALCO Página 10 Agosto 78 —I Faz de Conta que é Verdade Uma peça para 100 mil pessoas. lembrando que sua empresa foi a Se alguém lhe perguntar qual o primeira a trazer as escolas para a peça que esta lazcndo maior as salas de espetáculo. Hoje, sucesso no país, nao hesite em responder: é a peça infantil do Nydia e Alceu tem ônibus aluga teatro Nydia Lida. Seu publico dos exclusivamente para buscar médio, de 10Ü mil pessoas por as crianças nas escolas, tanto em Suo Paulo como no Interior, Ao peça, é um recorde inatingivel, contrario das outras companhias, mesmo pelos mais espetaculares as peças de Nydia tem varias sucessos do teatro adulto. E tem sessões por dia. inclusive durante a vantagem de ser constante, de nunca cair, Nydia e Alceu Nunes a semana, quando recebem as alcançaram esse nível depois de caravanas escolares. Seus atores trabalham em período integral e árduos anos de trabalho. Começa ram no antigo Teatro Bela Vista, ha, enfim, todo um esquema mudaram se para uma igreja e, profissional montado afim de trazer ao teatro o maior numero há cinco anos ocupam permanen possível de espectadores, para temente o teatro de um colégio que assi..„um pecas de boa quali na Vila Mariana. Ali, em duas peças por ano (a primeira sempre dade. O próximo sucesso do teatro e de fevereiro a junho e a segunda de agosto a dezembro) recebem n peça Faz de Conta que e Verda de, que conta a historia de um milhares de pessoas que habitual mente não vão aos teatros. Por ator que só em sonho consegue representar o papel do Pinoquio, causa do preço baixo (dez cruzei ros) atraem, -além de crianças, Alceu Nunes, que lambem e o muitos jovens e ato mesmo adul- autor do enredo, explica: «Nessa peça nós mostramos tos que não podem pagar os um pouco do mundo do teatro: ingressos caros dos outros como nasce um espetáculo e teatros, como uni sonho pode se tornar «Nos estamos querendo realidade; como o artista, mais i dui ar uma geração para o gosto do que ninguém, deve colocar seu coração em tudo aquilo que tizer». pelo teatro» explica Nydia, De Alceu Nunes, Direção de Nydja Lícia, coreografia de Victor Aukstin. Direção musical de Silvinha Góes, cenários de Rodrigo Cid. Com Eliana Barbosa, Nelci Souza Lima, Jorge Amaro e outros. No Teatro Nydia Lícia, rua Domingos de Moraes, 2970. Sábados às 15 horas e domingos às 10,30 e 16 horas. Dez cruzeiros. Roteiro ALICE NO REINO ENCANTADO — Musical infantil de Marilu Alvarez. Músicas de Fernando Lona e Mily. Direção de Álvaro Guimarães. Com Afonso Távola, Mário Richter e outros. Sábados às 16 horas. Domingo às 10,30 e 16 horas. TEATRO 13 DE MAIO rua 13 de maio, 134, Trinta Cruzeiros. utilização de filmes super 8 na encenação. Adaptação e argumento de Carlos Meceni e Gabriela Santos. Músicas de Miguel de Deus e Duda, Com Raul Santos, Eleonor de Brito, Dirceu de Oliveira e Lucélia Machiavelli. Sábados às 16 horas. Domingos às 10,30 e 16 horas. TEATRO DO BEXIGA, rua Rui Barbosa, 672. Trinta cruzeiros. ALAD1M... E A LAMPA DA MARAVILHOSA? - A partir da velha história de Aladim, essa peca apresenta muitas novidades, inclusive a O ANIVERSÁRIO UO PALHAÇO - História de um palhacinho tão distraído, que esquece até o próprio amversàrio. De Waldemar Silas, 1) Lampiaço, Rei do Cangão — de Walmir José — Dir. de Pedro Mattos-Grande Teatro de São Paulo — Rua Galvão Bueno 714 -— Sábados às 17 e Domingos às 10.30 e 17 h. — Cr$ 20, Cr$ 15 e Cr$ 10 (para grupos). Peça no estilo de teatro popular, gênero Cordel, com os personagens clássicos — Mãe DÁgua, Cangaceiro, Mula-Sem-Cabeça, Palhaço, o indispensável Capeta e mais uma gozadíssima Grande Tartaruga Burocrata — fazendo rir pequenos e grandes, num espetáculo buliçoso, com música, dança e canto ao vivo, folclórico, (e informativo) muito bem dirigido e bem representado pelo Grupo Anhangá, na sua primeira montagem profissional para crianças de todas as idades. 2) Do Outro Lado do Espelho — Produção do Teatro Orgânico Aldebarã — baseado na obra de Lewis Carrol — no Teatro Alfredo Mesquita, Rua Santa Madalena, 275 — De quarta a domingo, às 21.00 horas; sábados às 16.00 e domingos às 10.20, 16.00 e 21.00 horas. Sofisticada e bela super produção, de riqueza rara em teatro «infantil», ambiciosa e bemsucedida, com a grata novidade de, dirigindo-se a todas as faixas etárias (inclusive à adulta), apresentar-se também à noite, nos dias de semana. O espetáculo, de uma comicidade que atinge realmente todas as idades, capta, tanto pelo texto como pelo estilo da direção e representação, o senso critico e humor do absurdo do original inglês, num ambiente de muita fantasia e impecável bom gosto. 3) O Mágico de Oz — baseado no livro de Frank Baum, adaptação de Tatiana Belinky — pelo CARBAM — Dir. de Sérgio Barabace — Teatro da ACM, rua Nestor Pestana, 147 — Domingos às 10.30 e 16.00 horas. Cr$ 30.00 Musical alegre, com personagens engraçados, músicas e letras «contagiosas» que reforçam a mensagem implícita da conhecida história: de que a «magia» da solução de certos proble mas (infantis ou não) — como insegurança. dirigido por ele mesmo. Com Roberto Francisco, Maitê Alves e Paulo Maurício. Aos sába dos e domingos às 10,30 e 15,30 horas. No TEATRO DE ARTE (anexo do TBC) Rua Major Diogo, 315. Trinta cruzeiros. VAMOS JOGAR O JOGO DO JOGO — Uma peça premiada, que usa a técnica, do jogo dramático, numa seqüência em que os persona gens se multiplicam, cantam, dansàm e brincam. De Fernando Bezerra. Direção de Luiz Damasceno. Direção Musical de Dionisio Moreno. Com José Batista Caiabe, José Roberto Marti e Alice Marti. Aos sábados às 15,30 horas e aos domingos timidez, dificuldade de relacionamento — pode eventualmente ser encontrada dentro da própria pessoa, sem necessidade do magia «externa». Produção bem cuidada, num espe táculo de fácil comunicabilidade com crianças mesmo pequenas, mas interessando também às maiores, bem dirigido e bem representado. 4) Quero a Lua na Janela do Meu Quarto — de Plinio Rigon e Dionisio Moreno — dir. de Plinio Rigon — com Neusa Maria Faro e outros — no Teatro Ciranda, Rua major Diogo, 547 — Sábado às 16.00, dom,, às 10.30 e 16.00 h. — Cr$ 30,00, Retomada do relevante tema (a partir de pesquisa muito séria) do «espaço vital» da criança urbana, colocado polemicamente, confrontando as justas reivindicações infantis diante da «repressão» (inconsciente?) dos pais. Mas com muito humor e sem agressividade, em chave cômica, à maneira de um teatro de bonecos. Espetáculo cheio de movimento, animação e humor, quo diverte os pequenos (que se identificam facilmente com o assunto) e dá o que pensar aos grandes. Neusa Maria Faro está ótima, na «"mãe», caricata e «operistica». 5) Perfeitópolis, a Cidade da Alegria — de Marcos Caruso — pelo «Timol» — no auditório «Lúcia Lambertini» da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, Rua General Jardim, 485 — segundas, quartas e sextas, as 16.00 horas — Entrada franca. Representada, dançada e cantada, por crian ças e adolescentes freqüentadores da Bibliote ca, a «bem bolada» peça infanto juvenil de Marcos Cáruso, muito bem dirigida pelo autor, cheia de humor e inventiva, de ritmo trepidante, parece um espetáculo de amado res, onde os ensaios, a feitura dos cenários, em suma, o trabalho de equipe — o processo — é mais importante que o resultado final. Acontece que o resultado final é ótimo e o publico se diverte tanto quanto os jovens atores. TATIANA BELINKY às 10,30 e 15,30 horas. No vida aos legumes e às frutas. TEATRO PAIOL, rua Amaral De Ronaldo Ciambroni. DireGurgel, 164. Trinta cruzeiros. ção de Leão Lobo. Com Ange Ia Berna, Valéria de Pietro e o próprio diretor. Sábados às A PANTERA COR DE 16,30 horas. Domingos às ROSA — Seis historinhas da 10,30 e 15,30 horas. TEATRO famosa pantera. Versão e OFICINA ' — Rua Jaceguai, direção de Othon Prado. Com 520. Trinta cruzeiros para Alna Prado, Hélio Rodrigues, adultos e vinte para crianças. Romeu de Faria, Nilson Lara e outros. Somente aos domingos, às 10,30 e 15,30 horas. TEATRO CENARTE — Rua 13 de Maio, 1040. Trinta cruzeiros para adultos e vinte para crianças. VAMOS BRINCAR DF SUPERMERCADO — Historia de um menino que vai ao super-mercado e consegue, com uni poder mágico dar A ÁRVORE QUE ANDAVA — Sobre uma árvore que quer mudar de lugar e pede ajuda aos animaizinhos. De Oscar Colphul. Direção de Alna Prado. Com Alvanez Amaral Elsio Rodrigues e outros. Somente aos sábados, às 15,30 horas. TEATRO CENARTE — Rua 13 de Maio, 1040. Trinta cruzeiros para adultos e vinte para criança. PALCO — Agosto/78 Página 11 eàfaéia, O grupo Pod Minoga, que montou Folias Bíblicas no ano passado, retorna ao Teatro Experimental Eugênio Kusnet com uma comédia de costumes sobre o paulistano. Salada Paulista reúne cenas e personagens bem típicos, como a família que não resiste ao modismo do rodízio de pizza, as viúvas do INPS, o operário que quer ser padrão, os discursos religiosos em praça pública etc, Salada Paulista Segundo o Pod Minoga, a comédia seria o gênero mais adequado para esta temática: «o riso castiga mais e vem a cavalo», ensina um provérbio latino. A conferir. Comédia. Criação coletiva (texto, figurinos, cenário, direção, músicas e interpretação) do grupo Pod Minoga. Integrantes: Tacus (Dionísio Jacob), Mira Haar, Angela Grassi, Carlinhos Moreno e Flávio de Souza. No TEATRO EUGÊNIO KUSNET (Rua Teodoro Baima, 93, tel: 256-9463. De terça a domingo às 21 horas, sábado às 20 e 22 horas. Ingressos: $40 e $20. Censura: 18 anos. Depois eu conto Atores-transformistas (travestis) que trabalham em casas noturnas da cidade decidiram mostrar sua arte a um público maior. Agora eles são Cinderela e sua corte, numa adaptação livre do conto-de-fadas. Um prato cheio para os apreciadores do gênero. Musical. De M. B. Filho e Nery Gomide. Direção de Carlos di Simoni. Assistência de dir. de Gilka Tanganelli. Coreografia de Sidney Brandão. Figurinos de Tony Alonso. Com o grupo «Les Folhes Gay»: Cláudia Wender, Meise, Yoko Tani, Sisi Charisse, Lizandra, Tete Duchaise e muitas outras (outros?). De terça a sexta às 21 horas. Sábados às 20 e 22 horas. Domingos às 18 e 21 horas. No TEATRO RUTH ESCOBAR — Sala Gil Vicente, rua dos Ingleses, 209 — tel. 289-23-58. Ingressos: Cr$ 100,00 e Cr$ 50,00. Censura: 18 anos. PALCO — Agosto 78 Página 12 4^yíFi%iNyif M* Pode parecer incrível, mas a produção de Hair está anunciando sua reest-réia como novidade. Diz o release elaborado para a Imprensa: «Um novo Hair está surgindo na transição das décadas. Hair II está apontado não para o ano 2000, mas para o infinito, acima daquilo que é mesquinhamente temporal e supérfluo para o homem». Vai ser difícil para , Silríey Siqueira (na direção) e Nelly Laport (na coreografia) provarem que Hair não é supérfluo e temporal. Ainda mais com a introdu ção do 11, que parecia privilégio de Hollywood e seus Tubarões Exorcistas. Mas o que mais espanta no release de lançamento é o professora 1 diagnóstico de que a nova geração está precisando de Hair H «para abrir os olhos, tira'- a poeira da vista, remo ver a meleca e ter a coragem de ver e ser». Ora, convenhamos que abrir os olhos para ver Hair ou é nostalgia ou é inconsequência. Jamais necessidade. Hair estréia no dia 21, no Palácio das Convenções do Anhembí. ' • * • Carlos Arena e Márcia Maria estão excursionando pelo interior com a peça Dois na Gangorra. Em novembro, a peça deve vir para a capital Macunaima (leia nas páginas centrais) • • ♦ " Provavelmente em novembro estreará em São Paulo a segunda peça do escritor o poeta Álvaro Alves de Faria, Salve-se quem puder que o jardim está pegando fogo. (a primeira foi Augusto dos Anjos, encenada no antigo teatro Galpão). Esse texto acaba de representar o estado do Paraná na IV Mostra * ♦ • O Teatro Anchieta vai ficar fechado para reformas por dois meses. Mas em outubro será reaberto cem Quem tem medo de Virgínia WoofT?, que não é de Shaw (como por um imperdoável erro saiu no número passado) mas de Edward Albee. No elenco estarão Tônia Carreiro e Raul Cortez. E a direção será confiada a Antunes Filho, que pretende ganhar muito dinheiro. Pelo menos o suficiente' para compensar os meses de «purificação» e caixa baixa na preparação de Nacional do Teatro Brasileiro realizada em Campina Grán de, na Paraíba. Segundo o autor. Salve se... mostra -4 personagens vivendo no palco alguns de seus dramas diários «alguns instantes de suas vidas, levados ás ultimas conseqüências, quando a loucura se manifesta e a vicia não passa de um simples ato do promiscuidade»). • * * Está marcada para 31 de agosto, no Teatro TA1B, a estréia de Murro em Ponta de Faca, ultima peça escrita por Augusto Boal no seu oxilio em Lisboa. Nela, Boal - que em tempos recentes tem sido citado na imprensa brasileira mais pelas dificuldades que enfrenta como exilado (a revalidação do seu passaporte foi um episódio dramático) do que pelo trabalho que realiza em Portugal - fala de si mesmo. Ou seja; das condi ções de vida dos brasileiros impedidos de voltar ao seu pais. No elenco estão Othon Bastos (o produtor do espeta culo), Martha Overbeck, Renato Borghi, Thaia Perez, Francisco Milani e Bethy Caruso. A direção é de Leon Hirzman, cineasta premiado que estréia em teatro. Músi cas de Chico Buarque de Holanda, cenografia e figuri nos de Gianni Ratto. TKWBBWBSS MURO DE ARR1M0 — Peça de Cailos üueiróz Telles (monólogo) que conta a histó ria de um pedreiro, suas reflexões e seus sentimentos durante um jogo do Brasil. Montagem do Grupo Núcleo Expressão de Osasco, com Rubens Pignatari, no único papel. Direção de Ricardo Dias. De 1 a 6 de agosto no Teatro João Caetano, rua Borges Lagoa, 650. 21 horas. Vinte cruzeiros. * • * Prevista para setembro a estréia da peça Cartas Chilenas, do inconfidente Tomás Antônio Gonzaga. A monta gem do Grupo Agosto, que já fez Machado de Assis esta noite e Projeto Chaminé, terá direção de Zé Antônio de Souza. No Studio São Pedro, com os votos de incentivo da Comissão Estadual de Teatro. =ISCPo: FESTIVAL DE TEATRO AMADOR — Reunindo diversas peças. Dias 11, 12, 13, 18, 19, 20, e 22 a 27, no Teatro João Caetano. 2 1 horas. Vinte cruzeiros. O SAGRADO E 0 PROFANO — De Cláudio Lacchesi, aluno da Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo, dirigido por ele mesmo. No Teatro Paulo Eiró, rua Adolfo Pinheiro, 765. De 1 a 6 de agosto às 21 horas. Vinte cruzeiros. Também no Teatro Martins Penna (Penha), de 8 a 13 e 15 a 20 de agosto. Mesmo horário e mesmo preço. A PROCURA DE UM AMIGO — Musical infantil de Landa Hook, com interpretação do grupo «Os Corujinhas». Todos os instrumentos em cena são os personagens prin cipais dessa história, que fala da importância da amizade e do diálogo. No Teatro Martins Penna, dias 12 e13, 19 e 20 o 26 e 27. Aos sábados às 16 horas e aos domingos ás 10,30 e 16 horas. Vinte cruzeiros. CARA OU COROA De José Luozeiro. A peça, do mesmo autor de Lúcio Flávio e Aracelli, meu amor, conta a história de dois marginais que raptam um pclidal, inverten do a relação policial bandido. A direção é de Rcberto Frota, com coordenação musical de Fátima Guedes. No elenco; Jorge Ramos, José Alberto Cotta e Antônio Pompeu. Atenção; estréia nacional no dia 22, às 21 horas, no Teatro Arthur Azevedo. Fm cartaz no mesmo teatro até o cordel, usando uma troupe do circo, onde domadores opressores domam palhaços oprimidos. Montagem do Grupo de Teatro dos Banca rios. Texto de César Vieira. Direção, cenografia e figurinos de Laura Regina. Assis tència de direção de Julia Pasquale e direção musical de Vitor Bortolucci. Com atores amadores do Sindicato dos Bancários. Sábados e domingos às 20 horas. No Circo dos Bancários rua Voluntário da Pátria, 547, dia 3 de selembro. As Santana. Ingressos: normal, horsa. Vinte cruzeiros. trinta cruzeiros; bancários, dez cruzeiros; bancários sindicalizados: grátis e trabalhadores sindicalizados em geral: 15 cruzeiros. **• DESGRAÇA DE UMA CAPOEIRA RODA FESTA, CRIANÇA — De Martins Penna. Pelo grupo de Teatro MANIFESTAÇÃO DE UM, Itinerante do Teatro Popular POVO — Espetáculo de. teatro, música e expressão, do Sesi, sob direção de Ales sandro Memmo. Cenografia corporal, apresentado pelo, grupo Capitães de Areia, que de Arquimedes Ribeiro e figu rinos de Diogo Angélica. Com aborda a opressão da cidade Marly Brand, Diogo Angélica, grande sobre o trabalhador. Miro Martins, Gibe, Laudi Texto, roteiro e. música são de Almir das Areias. Direção Fernandes e Marcelo Couti nho. Nos dias 3, 4 e 6 de de Gabriel Mendes e direção agosto, ás 20,30 horas e 5 de musical de Dado Percussão. Mec-Funarte agosto, às 19 e 21 horas na No Auditório Fundação das Artes de São Alameda Nothman, 1058. Ingressos: Cr$ 60 e 30 (estu Caetano do Sul. danto), horário normal. Do dia 1' ao dia 13 de agosto. **• N. da R. - Esta seção destina se á divulgação de peças itinerantes, amadoras ouproO EVANGELHO SEGUNDO fissionais. Material deve ser ZEBEDEU — Uma peça exclu enviado à redação do jornal sivamente dedicada ao povo. com a maior antecedência História contada em forma de possível.