REFLEXÕES ACERCA DO LIXÃO DE PIMENTA BUENO/RO Doralice Cesar Dos Santos1 RESUMO: Este artigo é o resultado de uma pesquisa que teve como objeto de estudo o lixão de Pimenta Bueno/RO, mais especificadamente, reflexões acerca da estruturação do lixão, a postura da Prefeitura Municipal e o trabalho dos catadores. A pesquisa objetiva expor considerações a respeito do descarte segura e da implantação de uma cooperativa dos catadores de lixo, bem como do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos apresentados à população em uma audiência pública. A metodologia adotada, levando em conta o aspecto da natureza dos dados, foi a da concepção qualitativa, sendo a pesquisa in loco, pesquisa bibliográfica e conversas informais com os catadores de lixo. A partir do resultado da pesquisa, observou-se a essencialidade assegurar que o lixo produzido pela população tenha um destino seguro, a reciclagem seja uma prática ativa e, os catadores desenvolvam seu trabalho com segurança. No entanto, uma das grandes consequências dos problemas ambientais é o acúmulo de resíduos sólidos, por causa do crescimento desordenado do homem na cidade, pois o principal fator causador do crescimento de resíduos sólidos é o ser humano, pois o lixo é fruto do crescimento populacional, função direta do tamanho da população. Compreende-se que a preparação para as mudanças necessárias depende da compreensão coletiva da natureza sistemática das crises que ameaçam o futuro do planeta; as causas primárias de problemas como o aumento da pobreza, da degradação humana, ambiental e da violência. Palavras-chave: Resíduos sólidos. Reciclagem. Catadores de lixo. Cooperativas. 1 INTRODUÇÃO Atualmente a mídia, ou seja, os meios de comunicações vêm dando grande ênfase sobre a reciclagem dos resíduos sólidos, para tanto este trabalho vem abordando o tema sobre a reflexão do lixão no Município de Pimenta Bueno-RO. A partir da denominado ECO 92, foi que começaram ocorrer por partes das autoridades competentes a fazerem políticas públicas voltadas para sustentabilidade, foi daí, a importância na preservação ambiental, desenvolvimento sustentável e a ideia de formação de cooperativas recicláveis, para a sobrevivência do Planeta Terra. O aumento do descarte dos produtos de utilidades após o primeiro ano de uso pela sociedade atual, motivado pelo aumento da descartabilidade dos produtos em geral, contribuindo para o aumento da geração de resíduos sólidos, contribuindo 1Doralice Cesar Dos Santos, Graduada em tecnologia em Gestão ambiental Unopar pela (Universidade do Paraná e pós-graduanda em Perícia e desenvolvimento de Projeto pela FAP- Faculdade de Pimenta Bueno, [email protected]. assim, para poluição atmosférica, do elevado consumo (e desperdício), da destruição da natureza, dentre outros. No entanto, a reciclagem tende a substituir a matéria prima, primária por secundária em cadeias de reservas em reciclagem e reuso. O processo de reciclagem é a recuperação dos materiais descartados modificando-se suas características físicas, o que a diferencia de reutilização, em que os descartados mantêm suas feições; a reciclagem pode ser direta, ou préconsumo, quando são processados materiais descartados na própria linha de produção como aparas de papel, rebarbas metálicas, entre outras, ou indireta, pós-consumo, quando são reprocessados materiais que foram descartados, com esse processo os resíduos retornam a seu estado quase original como matéria prima, para mais um ciclo produtivo. Com o acumulo dos resíduos sólidos nos lixões, o resultado é o desequilíbrio ambiental que se mostra através do aumento da poluição atmosférica, da agressão a camada de ozônio e das consequências mudanças climáticas que afetam negativamente a vida no planeta. Sabe-se que a coleta, o armazenamento, a reciclagem inadequada dos resíduos sólidos, pode trazer grandes e graves problemas de saúde, incluindo as doenças gastrintestinais, parasitárias, respiratórias, dermatológicas, degenerativas, infectocontagiosas, alérgicas e das mucosas, assim como as intoxicações, acidentes de trabalho e os transtornos mentais. Dentre as possíveis soluções propostas está a reciclagem, através da coleta seletiva do lixo, onde está promovendo o estimulo e adoção do eco eficiência nas empresas, provocando na sociedade o consumo consciente, onde também começou a despertar a vontade e a determinação das lideranças de aberturas de associações/cooperativas de catadores no gerenciamento dos resíduos sólidos. A implantação de programas de coletas seletivas com a inclusão de catadores; a modalidade de coleta seletiva possibilita uma reorganização orçamentária com a realocação de investimentos com recursos livres e vinculados em ações diferenciadas no processo de serviços públicos. Como também os gestores poderão dar dinâmicas diferentes as políticas públicas ambientais, pois a coleta seletiva de porta em porta como participação dos catadores com vantagens financeiras e consequentemente a geração de renda e inclusão social. Diante da problemática em questão, a pesquisa foi desenvolvida intuindo apresentar uma reflexão acerca da situação do lixão de Pimenta Bueno/RO. Para tal, analisaram-se as concepções apresentadas pelo campo teórico, a visão e postura da Prefeitura do Município em foco e, as possíveis soluções para sanar o problema. Para tal, o estudo foi dividido em capítulos, objetivando não fragmentar, mas estruturar os resultados. 2 O primeiro capítulo, Reflexões sobre o lixo e a reciclagem, dispõe sobre o lixo como preocupação ambiental, além de ser causador de outros inúmeros malefícios à sociedade. Assim como, considerações a respeito dos catadores de lixo, que trabalham em condições indignas e totalmente insalubres. Trata-se também, de informações fundamentadas sobre a coleta seletiva e o processo de reciclagem e, o aterro sanitário, como um local seguro para o descarte do lixo. Quanto ao segundo capítulo, Cooperativa que recebem materiais recicláveis de resíduos sólidos expõe considerações fundamentais sobre catador a respeito da importância do processo seletivo e dos trabalhadores que fazem parcerias com cooperativas, promovendo a valorização do trabalho em equipe, a garantia dos direitos pessoais e coletivos, à prática ativa da cidadania, e o desenvolvimento da inclusão social e, o respeito ao meio ambiente. No último capítulo, se trata da discussão e análise de dados, é exposto O Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, documento referente ao futuro do lixão do município em questão. Tal documento foi apresentado aos munícipes em uma audiência pública. O capítulo relata também informações colhidas, em uma visita in loco ao lixão da cidade e, em conversas informais com os catadores de lixo. Além de apresentar possíveis soluções para a problemática em questão, como a implantação de uma cooperativa. Enfim, a pesquisa demonstra a importância do descarte seguro de lixo, do processo de reciclagem, do trabalho dos catadores, da essencialidade das cooperativas e, das possíveis intervenções do município. Assim, minimizando a degradação ambiental, assegurando a limpeza da cidade de forma eficiente e segura e, proporcionando qualidade de vida à população. 2 REFLEXÕES SOBRE O LIXO E A RECICLAGEM Sabe-se que a partir da concepção social, é considerado lixo qualquer material produzido pela atividade humana, que não tem mais serventia ou valor algum, e precisa ser eliminado. No entanto, do ponto de vista natural, entende-se que o lixo, resíduo sólido, pode ser transformado, pois é composto por produtos inertes e biodegradáveis, que depois de passar por um processo de tratamento recebe uma nova utilidade. Gardner (1996) pontua que o lixo constitui uma preocupação ambiental mundial, especialmente em grandes centros urbanos de países subdesenvolvidos. Isso ocorre por que em muitos locais os resíduos são deixados a céu aberto, sem os procedimentos necessários. Heiden (2007) expõe que se o lixo não for coletado e tratado adequadamente, provoca efeitos diretos e indiretos na saúde, além da degradação ambiental. 3 De acordo com Cavalcanti (1995), esta é uma pauta que propõe compromissos com toda a sociedade para estas e futuras gerações, o desenvolvimento sustentável, deve ser conciliar justiça social, eficiência econômica e equilíbrio ambiental. Dessa forma garantindo que o crescimento socioeconômico não prejudique a conservação do meio ambiente. Tratando-se do não tratamento do lixo, observa-se que inúmeros são os malefícios causados. Quando o lixo é depositado em locais inadequados ou a coleta é deficitária, acontecem transtornos, tais como: contaminação do solo, ar e água; proliferação de vetores transmissores de doenças; entupimento de redes de drenagem urbana; enchentes; degradação do ambiente e depreciação imobiliária. (HEIDEN, 2007). Referindo-se à questão social, sabe-se que o problema do acumulo indevido de lixo ainda é mais grave, pois há muitas pessoas que vivem do trabalho realizado nos lixões. Para Heiden (2007), analisa-se que há atualmente uma disposição mundial, em aproveitar cada vez mais os produtos jogados no lixo para fabricação de novos objetos, através dos processos de reciclagem, o que representa economia de matéria-prima e de energia, fornecidas pela natureza. A partir disso, entende-se que o lixo que muitas pessoas consideram sujeiras, desconforto e transmissor de doenças, para outras, devido a necessidade de sobrevivência, é visto como instrumento de trabalho, para a produção, reutilização ou transformação dos resíduos sólidos. Dessa forma trabalhando dando vida ao processo de reciclagem. Apesar de ganhar a vida com a venda dos resíduos sólidos retirados dos lixões, os catadores trabalham em situação de risco, devido estar permanentemente sujeitos a acidentes e contaminações. Apesar das atividades desenvolvidas pelos catadores serem de grande importância, visão preconceituosa da sociedade em relação ao lixo, com a exposição da pobreza, cria estereótipos para os catadores, marginalizando-os e, dessa forma desvalorizando seu trabalho (JUNCÁ, 2004). 2.1 COLETA SELETIVA E O PROCESSO DE RECICLAGEM Sabe-se que a coleta seletiva é um sistema de recolhimento de resíduos previamente separados de acordo com sua constituição e ou composição, intuindo reaproveitá-los reintroduzi-los ao ciclo produtivo. A coleta seletiva também está estreitamente ligada ao processo de reciclagem, já que a partir da seleção dos resíduos ocorre a transformação, com vista à produção de novos produtos. Os resíduos recicláveis se dividem em produtos inertes: plásticos, metais, vidros e papéis, e produtos orgânicos: sobras de alimentos, frutas e verduras. A seleção dos resíduos sólidos traz inúmeras vantagens para a sociedade, como a diminuição da exploração de recursos naturais renováveis e não renováveis; diminuição da 4 poluição do solo, água e ar; minimização de custos pelas indústrias, com o aproveitamento de materiais recicláveis; geração de emprego e renda pela comercialização de recicláveis; redução do consumo de energia e dos recursos hídricos; extensão da vida útil dos aterros sanitários e; a diminuição do desperdício e da proliferação de doenças e da contaminação de alimentos. (CARTILHA DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS (LIXO), 2014, p. 8). A coleta seletiva pode ser vista como um processo de integração entre os interesses econômicos, sociais e ambientais das cidades. Para Heinden (2007, p. 19), trata-se de uma “[...] forma de incluir socialmente os catadores, assegurando estabilidade na atividade econômica, [...]”. Averígua-se que a prática da seleção de resíduos sólidos traz benefícios em prol do meio ambiente e da saúde da população, além de contribuir com as questões políticas e econômicas. A cartilha de gerenciamento de resíduos sólidos (lixo) (2014, p. 11) dispõe que em um município, o planejamento do processo de reciclagem deverá ser estabelecido pela Administração Municipal e também de empresários preocupados com o desenvolvimento sustentável de sua cidade, para implementar as ações estabelecidas na elaboração do Programa de Educação Ambiental. Reflete também sobre as possíveis formas de coletas, conforme exposto abaixo: Coleta porta a porta: separação dos materiais, feita pela população, pata posterior coleta realizada por veículos específicos da Prefeitura Municipal ou empresa contratada, geralmente realizada em dias alternados aos da coleta convencional. Coleta seletiva em postos de entrega voluntária: coleta feita por meio de recipientes individualizados e identificados por meio de código de cores para os diferentes tipos de resíduos. Coleta por catadores: realizada por pessoas que trabalham individualmente (autônomos) ou por meio de associações ou cooperativas, podendo ou não ter atuação do governo municipal/estadual, com investimentos ou subsídios. (A CARTILHA DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS (LIXO), 2014, p. 11) Para que a prática da coleta seletiva se torne efetiva, deve-se manter continuamente campanhas de educação ambiental, intuindo conseguir a participação se não de todos, mas de grande parte dos munícipes. Para Heiden (2007) sobre a coleta seletiva, além de contribuir positivamente para a imagem dos gestores e, sobretudo do município. A seleção de resíduos sólidos juntamente com o processo de reciclagem são meios eficazes de proporcionar o desenvolvimento social. Entende-se que a busca da sustentabilidade exigem um esforço conjunto do poder público do setor produtivo e da sociedade; um dos grandes desafios a enfrentar é o estabelecimento das regulamentações das leis sobre a questão do lixo, pois atualmente é um 5 grande precursor e indutor do desenvolvimento social, ambiental e econômico, onde cada hierarquia assume sua responsabilidade (LIMA, 2009). A coleta dos resíduos sólidos começa pelo acondicionamento correto, utilizando-se recipientes adequados e compatíveis com a qualidade do lixo a se acondicionar, pois desta forma evita os derramamentos dos resíduos em vias públicas. O acondicionamento inadequado dificulta ainda o serviço de coleta e transporte dos resíduos, mas tipo de acondicionamento está diretamente ligado ao sistema de coleta e transporte que é oferecido a população e varia de cidade para cidade (LIMA, 2009). Lima (2009, p. 23) afirma que “Algumas prefeituras oferecem contêineres que são distribuídos ao longo das quadras e a população leva seus resíduos até os mesmos, outras oferecem coletas de porta em porta, com dias e horários estabelecidos para a realização da coleta”. Como também a coleta seletiva dos resíduos sólidos, que muitas vezes acontecem através dos catadores também de porta em porta no Brasil. Quanto ao ato de reciclar, observa-se que “O termo reciclagem é definido como é um conjunto de técnicas que tem por finalidade aproveitar os detritos e reutilizá-los no ciclo de produção de que saíram [...]” (HEIDEN, 2007, p. 29). Diante disso, é essencial que a sociedade promova a ação dos 3R’s: reduzir (consiste em reduzir a quantidade de resíduos produzidos); reutilizar (consiste em reutilizar objetos, assim evitando a geração de novos resíduos sólidos) e reciclar (consiste em transformar um produto-resíduo em outro, visando diminuir o consumo de matéria prima extraída da natureza), dessa forma contribuindo tanto para a diminuição do acúmulo de dejetos quanto para inibição da degradação ambiental. Dias e Braga (2008) afirma que atualmente existem grandes empresas ou cooperativas investidos em tecnologias para reciclar quase qualquer objeto descartado, mas a tecnologia tem um valor e depende da disposição política e de investimentos públicos e privados. Deve-se também levar em conta a possibilidade de estabelecer uma integração entre o poder público e o privado, intuindo encontrar a solução mais adequada para o problema da situação final dos lixos depositados em lixões, ou seja, em céu aberto. Enfim, compreender a importância da coleta seletiva e do processo de reciclagem é um passo importante, mas saber praticá-la é o desafio maior. A reciclagem é uma mola propulsora, pois seu desenvolvimento está diretamente relacionado diversos aspectos, tais como técnicos econômicos e sociais da relação homem e meio ambiente. Dessa forma, entende-se que técnicas de seleção de resíduos visando à reciclagem são importantes ferramentas, que além dos benefícios causados ao meio ambiente, ainda possibilita a geração de renda por meio da reciclagem e reutilização de materiais. 6 3.2 ATERROS SANITÁRIOS: DESCARTE SEGURO Entendem-se como aterros sanitários, depósitos de resíduos que obedecem a uma série de normas e procedimentos, com a finalidade de minimizar o impacto sobre o meio ambiente. Aterro sanitário conforme define a NBR 8.419/1984 é a técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo, sem causar danos à saúde pública e a sua segurança minimizando os impactos ambientais, métodos esses que utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos a menor área e reduzi-los ao menor volume permissível, cobrindo-os com uma camada de terra na conclusão da cada jornada de trabalho ou a intervalos menores se forem necessários. (LIMA, 2009). De acordo com a CARTILHA DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS (lixo), (2014, p. 23), “O aterro sanitário [...] é a técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo que não causa danos à saúde pública e a sua segurança, minimizando os impactos ambientais”. Heiden (2007) complementa expondo que o aterro sanitário é onde ocorre a disposição final de resíduos sólidos no solo e, é embasado em princípios de engenharia e normas operacionais Dias e Braga (2008) afirmam que a implantação de um aterro sanitário traz vantagens e desvantagens: Os custos de implantação e de operação relativamente baixos; recuperação de energia a partir do biogás, quando produzido em volume suficiente para justificar a coleta e utilização como fonte alternativa de energia; Desvantagens: possibilidade de contaminação do lençol freático; diminuição do valor comercial da terra; poluição sonora; desenvolvimento de maus odores devido à decomposição anaeróbia da matéria orgânica; alteração da paisagem; risco de explosão devido ao aumento na concentração de biogás; disponibilidade de áreas adequadas. (DIAS, BRAGA, 2008, p. 11) Assim sendo, é imprescindível que haja a verificação dos fatores que podem interferir na escolha da área para a implantação dos aterros sanitários, tais como: legislação de uso do solo; orientação dos ventos; topografia; geomorfologia; acesso; usos possíveis da água e vida útil versus área disponível. Dessa forma garantindo que o aterro atenda a todas às normas estabelecidas e que não será propício à degradação ambiental e a promoção de doenças à população. 3 CATADORES DE LIXO X COOPERATIVAS 7 Entendem-se como cooperativas ou empresas constituídas e dirigidas por uma associação de usuários, estruturadas por meio da igualdade de direitos e, que trabalham em prol de uma atividade econômica. As atividades são desenvolvidas pelas cooperativas de acordo com sua natureza. Conforme Heiden (2007, p. 53) “As cooperativas têm origem na doutrina do cooperativismo, que busca o bem comum da coletividade, ou seja direitos iguais a todos os seus cooperados”. Diante de sua estruturação, são meios de promover a inclusão social dos catadores, garantindo-lhes estabilidade em seu trabalho e renda fixa, além de proteger o meio ambiente e de garantir uma economia nos gastos com limpeza pública. Dias e Braga (2008, p. 32), consideram que “O cooperativismo e suas ideias de solidariedade, capacitação e organização do trabalho e ganhos de escala podem representar uma solução para aumentar os ganhos com o comércio de recicláveis e assim atrair maior número de profissionais [...]”. Observa-se então, que a efetiva produtividade gera ganhos tanto para as indústrias, a economia do país, e a população com a preservação do meio ambiente. Sabe-se que para se conseguir estabelecer o sucesso de uma cooperativa de reciclagem de lixo algumas medidas devem ser tomadas. Sendo assim, Heiden (2007) considera ser primordial: [...] apoio administrativo e contábil, com contratação de profissional responsável pela gestão da cooperativa; criação de serviço social, com a atuação de assistentes sociais junto aos catadores; fornecimento de uniformes e equipamentos de proteção individual e coletiva; implantação de atividades de caráter educativo (como cursos de alfabetização e programas de educação ambiental). Na fase inicial, considerando a pouca experiência das diretorias das cooperativas, o poder público poderá também auxiliar na comercialização dos materiais recicláveis. Caso haja dificuldade, fruto de variações no mercado comprador, é recomendável que a cooperativa conte com um pequeno capital de giro, de forma a assegurar um rendimento mínimo aos catadores, até o restabelecimento de melhores condições de comercialização. (http://www.cdcc.sc.usp.br/ciencia/artigos/art_28/agua8.html. Acesso 23/12/2014) Analisa-se que as cooperativas são essenciais para a capacitação e segurança dos catadores. No entanto, deve ser bem planejada e organizada, para que assim possa cumprir com sucesso seu papel, de garantir a qualidade de vida desses profissionais e assegurar que “Muitas famílias, que antes tinham pouca ou nenhuma expectativa de vida, agora, quando mobilizados e organizados, em forma de associações ou cooperativas, podem planejar, discutir, construir e sonhar com melhores dias para eles e suas famílias [...]” (HEIDEN, 2007, p. 81). Enfim, observou-se que cooperativos são resultados de ações que valorizam o trabalho em grupo, os princípios democráticos, a autonomia e à prática da cidadania, assegurando a inclusão social. As cooperativas dos catadores de lixo são muito válidas, pois os beneficiam 8 tanto na realização de seu trabalho quanto em sua segurança pessoal. A gestão deve acontecer de maneira participativa, que preze pelo espírito empreendedor e valorize educação ambiental. 4 DISCUSSÃO E ANÁLISE DE DADOS: LIXÃO DE PIMENTA BUENO/RO A partir da realização da pesquisa, pode-se analisar que o lixão de Pimenta Bueno/RO traz inúmeros malefícios à sociedade. Isso ocorre devido o município não atender ao que é disposto na Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS, instituída pela Lei 12.305, de 2010, a qual estabelece que todos os municípios tenham um plano de gestão de resíduos sólidos para assegurar o acesso a investimentos e recursos financeiros do governo federal. Art. 42. O Poder Público poderá instituir medidas indutoras e linhas de financiamento para atender, prioritariamente, às iniciativas de: [...] III - implantação de infraestrutura física e aquisição de equipamentos para cooperativas ou outras formas de associação de Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda. (Lei Federal n.º 12.305, de 2010, http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=636, acesso 14/12/2014) Observa-se que a Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS dispõe que a partir da data 31 de agosto de 2014, o Brasil não poderá mais ter lixões a céu aberto e, os mesmos devem ser substituídos pelos aterros sanitários, que são considerados ambientalmente seguros. Tal lei expõe também que os materiais recicláveis não poderão ser descartados nos aterros sanitários, mas sim inseridos em um programa de reciclagem e, os municípios que desrespeitarem a norma são passíveis de multas. A audiência pública2 realizada no dia 02 de dezembro de 2014, às 19:00 horas, nas dependências da Câmara Municipal de Pimenta Bueno/RO, apresentou um Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – PMGIRS, que trata-se de um documento de construção coletiva, constituído pela participação do poder público e de vários segmentos da sociedade civil, tais como: escolas, associações, empresas e autarquias municipais e estaduais. Diante dessa consideração, entende-se que a estruturação do processo gerenciamento de resíduos sólidos engloba todas as vias que compõem a organização do município: administrativa, legal, financeira, de planejamento e de engenharia. Dessa forma, é primordial que a gestão seja realizada de forma ordenada e eficiente, para assegurar que tudo será realizado de acordo com as normas estabelecidas, não causando danos a nenhum dos setores. 2 Todas as considerações referentes à audiência pública realizada no dia 02 de dezembro de 2014, às 19:00 horas, nas dependências da Câmara Municipal de Pimenta Bueno/RO, são fundamentadas nas informações expostas pelos profissionais presentes no local e nas cartilhas e panfletos distribuídos pelo município. 9 De acordo com as informações expostas na audiência pública, a construção do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – PMGIRS será desenvolvida em etapas sucessivas: diagnóstico, prognóstico e proposições finais. Sendo que todas serão validadas por oficinas, em que os representantes dos poderes públicos municipais e da sociedade civil terão voz e voto. Conforme disposto na audiência pública, para chegar a um diagnóstico preciso, serão realizadas pelos profissionais qualificados, visitas às rotas de coletas de lixo, ao antigo lixão, à estação de transbordo, à associação de catadores, ao aterro sanitário de Vilhena/RO (local onde são descartados o lixo e os resíduos sólidos de Pimenta Bueno/RO até o presente momento) e, às áreas estabelecidas como possíveis opções para a implantação do aterro sanitário do município em questão (áreas de divisa, entre Pimenta Bueno e os municípios de Espigão D’Oeste, Cacoal e Rolim de Moura). Além das visitas foi realizada também, análise gravimétrica, reflexões sobre a limpeza urbana e o manejo dos resíduos sólidos e, averiguação da conjuntura econômica (receitas e despesas diversas). O diagnóstico será realizado tendo como referência temporal o ano de 2013. Quanto ao prognóstico, foi exposto que será realizada uma projeção focada no crescimento populacional para os próximos 20 anos, com fundamentação em parâmetro utilizada pelo IBGE e pesquisadores da área de geografia demográfica, como também estudos referentes à taxa de urbanização. Será também levantada uma estimativa de produção de resíduos sólidos domiciliares do Município de Pimenta Bueno. A audiência pública também apontou soluções técnicas recomendadas para a otimização do gerenciamento de resíduos sólidos, sendo: Coleta Seletiva; formas de gestão e fiscalização de limpeza urbana; formas diretas de arrecadação; parâmetros jurídicos adotados por outros municípios brasileiros; potenciais fontes para a captação de recursos; formas alternativas de gestão; consórcio Público Intermunicipal; concessão; parcerias Públicas Privadas e; administração direta. Quanto às proposições finais, consta que além do estudo de cenários, será levado em consideração não só a variável econômica, mas também outros fatores, como ambiental, social e estratégico. Serão também dispostas ações, diretrizes e metas de curto, médio e longo prazo para que o sistema de gestão ora concebido, proposto e referendado em evento próprio, realizado após a entrega do produto final em data a ser estipulada pela assessoria do Prefeito Municipal. Tratando-se das proposições finais, evidencia-se também o objetivo de conscientizar a população em geral, através campanhas educativas e palestras junto às entidades representativas 10 da sociedade civil e rede pública e particular de ensino, para a importância da implementação do plano de gestão de resíduos sólidos, e as suas necessidades de financiamento; definição dos instrumentos jurídicos necessários a implementação do plano; definição da política de recuperação de custos, de cobrança dos serviços, da criação de subsídios que garantam sustentabilidade econômica aos empreendimentos e; considerações para a criação de incentivo fiscal a empresas que promovam a reciclagem ou beneficiamento dos resíduos sólidos. Como já dito, as ideias expostas são elementos que compõem o plano de ação da prefeitura municipal, para a implantação de um aterro sanitário que atenda às necessidades do município de forma segura eficaz. No entanto, enquanto isso não é posto em prática, o lixão do município, de forma ilegal, está a todo vapor. Em uma visita in loco, pode-se observar que no local existem em torno de 08 famílias trabalhando com a separação dos resíduos sólidos. Sendo esse trabalho a única fonte de renda das famílias. Esses trabalhadores são registrados em uma associação, mas não fazem parte de uma cooperativa. O documento intitulado Catador é legal: Um guia na luta pelos direitos dos Catadores de Materiais Recicláveis, organizado pela Coordenadoria de Inclusão e Mobilização Sociais (CIMOS), e sob a coordenação de Paulo Cesar Vicente de Lima, frisa, entre outras, algumas diferenças existentes entre associações e cooperativas: Em uma conversa informal, os catadores expuseram que sua maior dificuldade é de estrutura, pois necessitam de um barracão onde possam separar os resíduos sólidos, com um pouco de conforto, já que não ficariam expostos ao sol e a chuva. Outro ponto crítico, é que eles não têm equipamentos de segurança adequados, por isso, fica vulnerável a doenças e acidentes. Tratando-se da estruturação do lixão, os catadores disseram que o descarregamento do lixo é feito em qualquer lugar, fator que dificulta o trabalho. Já que muitas vezes o lixo é jogado no caminho, dificultando o acesso e a separação dos recicláveis. Quanto à coleta, já que o lixo é encaminhado para o aterro sanitário de outro município, conforme já citado, os catadores informaram acontecer de 2 a 3 vezes por dia. Relataram também, que o custo dessas coletas para a prefeitura municipal de Pimenta Bueno/RO, é de 80.000,00 mensais. Quando questionados sobre o que poderia facilitar seu trabalho, os catadores responderam: construção de um barracão para separação dos resíduos sólidos; instalação de energia (possibilitando o desenvolvimento de trabalho até mais tarde); carrinhos para os carregamentos dos materiais (já que os sacos com os recicláveis são pesados e causam dores nas costas, devido à má postura); prensadora (facilitar a organização) e, equipamentos de segurança (para minimizar os riscos de acidentes e contaminação). 11 Diante dessa problemática, uma possível solução, será o município proporcionar, juntamente com entidades não governamentais, a aquisição de um terreno, para construção de um barracão, como ainda a obtenção de maquinários destinados para a realização dos trabalhos de reciclagens, uma proposta de trabalho cognitivo com escopo maior, o bem comum. Outra questão exposta foi a importância da conscientização social, sobre a separação do lixo. Pois a maioria dos materiais recicláveis está no meio de restos de comidas, animais mortos, entre outros, dificultando a coleta. Dessa forma, evidencia-se a importância da pré-reciclagem doméstica, que diz respeito à separação dos materiais recicláveis nos domicílios. E também da reciclagem por espécie, isto é, cada cidadão separa os materiais recicláveis de acordo com sua composição e deposita em lixeiras fornecidas pela Prefeitura, identificados por cor, de acordo com critérios estabelecidos. Assim, fica a cargo do cidadão a separação e a disposição nos locais adequados e, a cargo da prefeitura, a disponibilização das lixeiras coloridas em locais apropriados e de fácil acesso. (DIAS, BRAGA, 2008). Complementado o que foi exposto pelas autoras acima, outro meio de conscientizar a população sobre a importância da separação dos resíduos sólidos, é a Prefeitura fechar parcerias com as escolas, faculdade e empresas do município, intuindo a aplicação de projetos e campanhas, que visem levar aos munícipes, informações sobre a essencialidade da separação dos materiais recicláveis. Esclarecendo que essa ação traz benefícios para todos, já que prevê a diminuição do acúmulo de lixo e a promoção da coleta seletiva. Diante de tudo, é evidente que além do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos necessita também da implantação de uma cooperativa, que dê suporte aos catadores. Objetivando promover melhores condições de trabalho e, como resultado, qualidade de vida. Heiden (2007, p. 82) considera que “A implementação ou criação de cooperativas é fruto de uma reflexão sobre a forma de trabalho em grupo, a valorização dos princípios democráticos, da participação do espírito de cidadania e da autonomia e, consequentemente, da inclusão social [...]”. Diante disso, observa-se que a estruturação de uma cooperativa é uma maneira de assegurar aos catadores seus direitos e, ao mesmo tempo propiciar ao município ações ativas voltadas para o descarte seguro do lixo e a ativação do processo de reciclagem. Todos os procedimentos realizados de forma sustentável através de uma gestão compartilhada com a administração pública, população em geral e cooperativa de catadores de resíduos sólidos. CONSIDERAÇÕES FINAIS 12 Pode-se analisar durante a realização da pesquisa, que existem muitos desafios presentes na implantação de um local seguro para o descarte de lixo. Pois são muitos os cuidados que devem ser tomados, para que os efeitos negativos sejam os menores possíveis. Sabe-se que o lixão a céu aberto é causador de inúmeros transtornos tanto ao meio ambiente, quanto à sociedade em geral, já que é um veículo transmissor de doenças e contaminações. Por isso, é considerado ilegal. A partir da análise das concepções teóricas, observou-se que o aterro sanitário, é uma forma eficaz e ambientalmente segura para a realização do descarte de resíduos sólidos. Por isso, a Prefeitura Municipal de Pimenta Bueno/RO, em seu Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos pretende implantar no município, em uma área ainda não estabelecida, o aterro sanitário, intuindo proteger o meio ambiente, andar de acordo com a lei e, garantir o bem estar da população. Observou-se também, que no lixão trabalham como catadores de materiais recicláveis, famílias que dali tira seu único sustento. Mas exercem suas atividades em situação de risco, já que não têm equipamentos de segurança, para evitar possíveis acidentes e até mesmo contaminações. Quanto a esse fato, averiguou-se que uma cooperativa seria um excelente meio de incluir socialmente esses trabalhadores, promovendo um trabalho seguro, a garantia de seus direitos pessoais e coletivos e, sobretudo, qualidade de vida. A pesquisa demonstrou também, que a coleta seletiva e o processo de reciclagem são essenciais para o desenvolvimento do município, já que gera empregos, diminui o acúmulo de lixo e, promove a reflexão sobre o quanto é primordial reciclar, reutilizar e reaproveitar, sempre que possível. A conscientização da sociedade sobre esses aspectos é de grande valia, tanto para a prática ativa da cidadania quanto para o desenvolvimento da cidade. Assim sendo, os resíduos sólidos não devem ser vistos somente como um amontoado de lixo, mas sim como uma possibilidade de transformação social. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Política Nacional de Resíduos Sólidos. Lei Federal n.º 12.305, de 2010. CAVALCANTI, C. Desenvolvimento e natureza: estudos para uma sociedade sustentável. São Paulo, Cortez Editora, 1995. COORDENADORIA DE INCLUSÃO E MOBILIZAÇÃO Sociais (CIMOS). Catador é legal:Um guia na luta pelos direitos dos Catadores de Materiais Recicláveis. Coordenador Paulo Cesar Vicente de Lima. Disponível em 13 http://www.coopcentabc.org.br/documentos/CARTILHA_CATADORES.pdf. Acesso dia 12 de dezembro de 2014. DIAS, N. C. BRAGA, M. C. B. Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos. Volume I. Curitiba: 2008. GARDNER, J. Cultura ou lixo? Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996. HEIDEN, ANKEIRACEMA Von Der. Cooperativas de reciclagem de lixo e inclusão social: o caso do município de Itaúna, MG. 2008. JUNCÁ, D. C. M. Mais que as sobras e sobrantes: trajetórias de sujeitos no lixo. Orientador: Marcelo Firpo de Souza Porto. 2004. 250 f. Tese (Doutorado em Saúde Pública). – Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca / Fiocruz, Rio de Janeiro, 2004. LIMA, Rosimeire Suzuki. Gestão de Resíduos Sólidos: Gestão Ambiental. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. PREFEITURA MUNICIPAL DE PIMENTA BUENO. Cartilha de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (lixo), 2014. 14 ANEXOS 15 FOTOS DO LIXÃO DE PIMENTA BUENO/RO 16