Considerações periciais acerca da voz enquanto instrumento de trabalho janeiro/2013 Considerações periciais acerca da voz enquanto instrumento de trabalho Maria do Socorro Barros da Silva – [email protected] Perícias Médicas Instituto de Pós-graduação - IPOG Resumo A voz profissional tem recebido um enfoque crescente. Para este trabalho usou-se um revisão da literatura com o objetivo de analisar os últimos conceitos que podem ser aplicados na pratica médica pericial. A apresentação clínica da voz enquanto instrumento de trabalho varia de indivíduos assintomáticos até quadros de deficiência vocal. Nos transtornos da voz profissional a fisiopatologia está relacionada ao excesso e ao ineficiente uso do mecanismo vocal, com trauma repetido da mucosa da prega vocal. De acordo com os conceitos de síndrome disfônica ocupacional e laringopatia ocupacional, a perturbação vocal é dividida nas fases pré-patogênica, patogênica precoce, patogênica precoce discernível, patogênica avançada e convalescença. Não há um padrão para se estabelecer nexo causal da disfonia com o trabalho, assim como também não há respaldo legal para afirmar sobre incapacidade laborativa nesses profissionais, portanto, na avaliação pericial pode-se utilizar o conhecimento das fases evolutivas e os conceitos gerais de incapacidade da Lei 8213/1991. Nos períodos pré-patogênico, patogênico precoce e patogênico precoce discernível não há incapacidade laborativa. Na patogênese avançada pode haver incapacidade laboral temporária ou voz adaptada e a manutenção da rotina laboral é importante para adaptação adequada ao trabalho. Na convalescença, pode ser necessária a reabilitação profissional ou até aposentadoria por invalidez. Palavras-chaves: Síndrome Disfônica Ocupacional; Laringopatia Ocupacional; Profissional da Voz; Perícia. 1. Introdução A comunicação oral é fundamental para o desempenho da grande maioria das profissões. Há, entretanto, um vasto grupo de indivíduos em que a voz constitui a ferramenta básica do exercício profissional e sem ela o trabalho não pode ser desenvolvido. Esses são os denominados profissionais da voz. Em Fortes et al. (2007) consta a informação de que cerca de 25% da população economicamente ativa considera a voz como instrumento de trabalho primordial. O Boletim COMVOZ nº1 afirma que aproximadamente um terço das profissões têm a voz como ferramenta básica de trabalho (NUDELMANN, et al., 2010). Devido à grande demanda vocal exigida para esses profissionais, os mesmos precisam de uma adaptação precisa dos seus órgãos da fonação sob pena do surgimento de sintomas disfônicos, mais ou menos precoces, que podem ser prejudiciais para o exercício profissional. Sabe-se, entretanto, que há uma diversidade sintomatológica nos transtornos da voz, além de múltiplos fatores de riscos que podem estar associados ao aumento da demanda vocal (ALMEIDA E PONTES, 2010), o que dificulta a padronização da perda da saúde vocal pelo uso profissional e a fixação do nexo de causalidade. O 3º Consenso Nacional sobre Voz Profissional (CNVP) considerou esse tema como uma questão de saúde e direito do trabalhador (ABORLCCF, 2004). Em 2009 foi constituído o Comitê Brasileiro multidisciplinar de voz ocupacional com o objetivo de lutar pela saúde vocal, por considerar que não há critérios de avaliação para os distúrbios de voz relacionados ao trabalho. Novos conceitos têm surgido na tentativa de minimizar essa problemática, como as definições da síndrome disfônica ocupacional, deficiência vocal e voz adaptada. Assim, o objetivo deste estudo foi descrever, mediante revisão de literatura, os achados científicos quanto às alterações vocais e laríngeas que acometem os profissionais da voz, a evolução das patologias vocais dentro do conceito de síndrome disfônica ocupacional e os critérios que podem ser utilizados para determinação de incapacidade e de nexo de causalidade com o trabalho dessas doenças. Dessa forma, esse estudo irá auxiliar na prevenção de distúrbios vocais e contribuir para uma melhor avaliação pericial da capacidade laborativa dos profissionais da voz. Como fontes de informações para levantamento literário foram utilizados os bancos de dados eletrônicos MEDLINE, LILACS e SCIELO, as lista de referências dos artigos identificados e a base Periódicos CAPES. Também foram consultados dissertações e teses na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP e na Biblioteca Digital da Unicamp, além de livros, considerados relevantes para a realização desta revisão. A seleção dos descritores utilizados no processo de revisão foi efetuada mediante consulta ao DECs (descritores de assunto em ciências da saúde da BIREME). Nas buscas, os seguintes descritores em língua portuguesa e inglesa, foram considerados: "voz”, “disfonia", "rouquidão", “distúrbios da voz”, "medicina preventiva”, "saúde do trabalhador". Recorreu-se aos operadores lógicos "and" e "or" para combinação dos descritores e termos utilizados para rastreamento das publicações. Foram utilizados artigos originais e revisões da literatura, publicados no período de 1998 a 2010. Foi realizada ainda pesquisa documental que incluiu a lista de doenças relacionadas com o trabalho do Ministério da Saúde, o 3º Consenso Nacional Sobre Voz Profissional e o boletim COMVOZ nº 1 do Comitê Brasileiro Multidisciplinar de Voz Ocupacional, além da legislação que regulamenta os benefícios por incapacidade da previdência social. A distribuição e análise dos resultados foram realizadas conforme a relevância e o valor informativo dos dados para a finalidade do estudo. 2. Definições A apresentação de alguns conceitos é necessária para uma melhor compreensão do contexto das alterações vocais relacionadas com o trabalho. 2.1. Voz A voz é uma função neurofisiológica inata, pois se desenvolve num paralelismo com o desenvolvimento orgânico do indivíduo (MOTA et al., 2010), estando presente desde o nascimento através do choro do bebê. Por ser fundamental nas relações humanas e para a comunicação interpessoal, deve ser levada em consideração quando se fala na saúde geral do indivíduo (SILVA, 1999). Sulica (2010) afirma que a vocalização humana é o resultado de interações complexas de todos os elementos do trato aerodigestivo superior. Os componentes básicos para a produção sonora são: uma fonte de força, uma fonte de vibração e um ressonador. O ar é a principal fonte de energia, de força, para a fonação; as pregas vocais, com suas propriedades biofísicas, compreendem a fonte de vibração e as estruturas supraglóticas, faringe e laringe, formam a câmara de ressonância (COUREY, 2010). A voz, portanto, resulta da cíclica interação entre o ar exalado, a elasticidade das pregas vocais somadas ao fechamento glótico preciso e a vibração pela passagem do ar através da constrição formada (SULICA, 2010). A voz é produzida pela vibração passiva das pregas vocais pelo ar que flui entre elas enquanto elas estão aduzidas, sendo esse som moldado pelo trato vocal supraglótico e estruturas articulatórias (COUREY, 2010). Além do fator orgânico, a voz humana também apresenta um conteúdo emocional e de expressividade. É um som com características individuais, revelando a personalidade do indivíduo e identificando-o, na medida em que espelha à sua auto-imagem e sua auto-estima pessoal (PARK E BEHLAU, 2009). Portanto, quando há uma harmonia entre os fatores psicológicos e orgânicos, obtemos um som de boa qualidade para os ouvintes e emitido sem dificuldade ou desconforto para o falante. Neste sentido: Voz normal é um conceito que implica enorme variabilidade e subjetividade; basicamente, as características incluem uma qualidade vocal agradável, freqüência apropriada para sexo e idade, intensidade e modulação adequadas, e a não interferência na inteligibilidade da fala nem nas funções sociais e ocupacionais (BEHLAU, AZEVEDO, PONTES, 2004:54.) A voz profissional é definida como a forma de comunicação oral utilizada por pessoas que dela dependem para sua atividade ocupacional. 2.2. Disfonia A disfonia é uma limitação vocal, “um distúrbio da comunicação oral, no qual a voz não consegue cumprir seu papel básico de transmissão da mensagem verbal e emocional de um indivíduo” (MOTA et al., 2010:28). A disfonia pode ser definida como qualquer dificuldade ou alteração na emissão natural da voz e é o principal sintoma de distúrbio da comunicação oral, limitando a transmissão da mensagem verbal e podendo trazer repercussões importantes no uso profissional da voz (ABORLCCF, 2004). Dessa forma, a apresentação da voz disfônica se dá através de um número ilimitado de alterações, tais como: fadiga vocal, esforço à emissão, desvios na qualidade vocal, perda de potência da voz, falta de volume e projeção, variações descontroladas da freqüência fundamental, baixa resistência vocal, perda da eficiência vocal e sensações desagradáveis à emissão (BEHLAU et al., 2001). De acordo com Behlau et al. (2001), os problemas de voz têm implicações nas investidas para a obtenção de um emprego, no exercício da profissão e na almejada ascensão social e profissional – especialmente naquelas funções que demandam comunicação oral e o uso da voz. E devido à comunicação oral ser também um instrumento utilizado para os relacionamentos sociais e afetivos e para as opções de lazer, a disfonia pode causar ainda dificuldades psicológicas e consideráveis restrições emocionais, sociais e funcionais, afetando inclusive a qualidade de vida e a auto-imagem do indivíduo (BEHLAU et al., 2001; VIEIRA, 1996; HOGIKYAN E SETHURAMAN, 1999). Portanto, segundo Park e Behlau (2009) vozes disfônicas podem produzir um impacto negativo no ouvinte ou, até mesmo, influenciar os relacionamentos interpessoais, prejudicando a vida social e interferindo no trabalho. A disfonia pode ser considerada funcional, também chamada primária, quando o uso da voz é a causa do problema; orgânica ou secundária, quando a voz apenas reflete uma alteração cuja causa independe da produção vocal e organofuncional, quando o uso da voz gera lesões nas estruturas envolvidas na produção vocal e tais lesões pioram a qualidade vocal. Segundo Piccolotto (1998), a maioria dos distúrbios da voz parece relacionar-se à disfonia funcional, ou seja, ao mau uso de mecanismos vocais ou abuso vocal, sendo que o mau uso da voz ocorre quando há desvios de padrões corretos da emissão e o abuso está presente quando o uso da voz ultrapassa os limites saudáveis, mesmo com a utilização de uma boa técnica vocal. De acordo com o CNVP (ABORLCCF, 2004), existem quatro graus de intensidade da disfonia: Grau leve: disfonia eventual ou quase imperceptível; Grau moderado: disfonia percebida continuamente, a voz é audível, com oscilações; Grau intenso: disfonia constante, a voz torna-se pouco audível; Grau extremo ou afonia: “quase ausência” ou “total ausência” de voz, a voz torna-se inaudível. 2.3.Profissional da voz De acordo com Ferreira e Souza (1998), o uso da voz nas ocupações profissionais sempre existiu, podendo-se citar o teatro e o canto em todas as grandes épocas da história da civilização e os oradores da Grécia Antiga. Em algumas profissões, a voz é essencial para uma comunicação eficaz e para viabilização do trabalho, além de ser influente na expressão de significados e enriquecimento do discurso (UEDA et al.. 2008). Os indivíduos que necessitam primordialmente da utilização da voz para o desempenho de suas atividades e ao produzir sua voz tem nela seu instrumento básico de trabalho são chamado de profissional da voz. Há ainda outras profissões que apesar de não dependerem diretamente da voz para o desempenho de suas funções, estas podem estar associadas a um aumento de demanda vocal, como ocorre muitas vezes com gerentes, vendedores, operários de indústrias com ruído elevado, educadores físicos, profissionais da saúde, advogados, religiosos, entre outros. Para Ortiz et al. (2004) pode-se perceber a ampliação do conceito de profissional da voz, incluindo nesse conceito profissões incomumente relacionadas a alterações vocais, como promotor de eventos, lavadeira industrial, operador de máquinas e secretária, não havendo ainda uma padronização ideal em relação ao uso da voz durante o trabalho. Costa et al. (2000) sugerem a subcategorização destes profissionais como necessária para melhor condução e entendimento deste tipo de profissional, quanto ao uso vocal. Os fatores laborais de demanda, carga horária e intervalos devem ser incluídos na categorização do profissional, quando se trata de voz ocupacional. Em geral, esses trabalhadores têm o uso da voz de forma mais contínua e intensa quando se trabalha em período superior a seis horas ao dia, ou, mesmo em tempo inferior, mas em ambientes ou situações mais exigentes, seja por exposição a ruído, ar seco, úmido, vento, frio, calor, poeira, mofo, odores, vapores, substâncias voláteis ou quaisquer agentes de poluição que possam exigir maior esforço muscular e/ou respiratório na emissão vocal e/ou afetar a integridade mucoepitelial das vias aerodigestivas superiores. Putnoki et al. (2010) afirmam que há diferença em relação à quantidade e à forma do uso vocal de acordo com a profissão. Há diversas categorias de profissionais da voz, a saber: 1. Profissionais da arte: cantores (erudito, popular, coral, religioso e teatro musical) e atores (teatro, circo, televisão e dubladores), entre outros; 2. Profissionais da comunicação: locutores e repórteres (televisão e rádio) e telefonistas, entre outros; 3. Profissionais da educação: professores de diferentes áreas e graus; 4. Profissionais de atendimento (marketing): operadores, vendedores, leiloeiros, camelôs, entre outros; 5. Profissionais de setores da indústria e comércio: diretores, gerentes, encarregados de seção, supervisores, entre outros; 6. Profissionais de mercados financeiros (ou bursáteis): operadores de pregão a viva voz; 7. Outros usuários da voz: profissionais liberais, religiosos, oradores, etc. (ABORLCCF, 2004:14) Baseando-se na relação entre o uso da voz e o trabalho e considerando-se a demanda e importância da voz para o exercício profissional, Koufman e Isaacson (1991) sugeriram uma classificação em que as profissões se dividem em quatro níveis: Nível I – elite vocal (cantores e atores profissionais); Nível II – usuário profissional da voz (professores, conferencistas, padres); Nível III – usuário não-profissional vocal (comerciantes, médicos, advogados); Nível IV – usuário não-profissional não-vocal (programadores de computação, operários). De acordo com essa classificação, tem-se que: Alguns destes profissionais têm maior demanda e risco vocal, como os pertencentes aos níveis I e II, sendo que os profissionais do nível I utilizam a voz artística (cantores e atores) e os profissionais do nível II a voz falada (professores, operadores de teleatendimento, conferencistas, padres), embora geralmente em maior quantidade de uso. (PUTNOKI et al., 2010: 489) O sintoma de disfonia em profissionais dos níveis I e II pode ser um agente limitante do bom rendimento profissional, podendo levar a faltas, frustrações, e até mesmo ao desejo de mudança de profissão, pois se sabe que as alterações vocais podem influenciar na qualidade de vida e os profissionais que tem na voz o seu instrumento básico de trabalho, tendem a priorizá-la mais do que os indivíduos que não a utilizam profissionalmente (Park e Behlau, 2009) O CNVP também sugere uma classificação, buscando uma forma objetiva de categorizar os profissionais da voz, utilizando-se as seguintes variáveis: demanda, requinte, repercussão e limitação, que devem ser pontuadas de 0 a 10. A demanda tem relação com o adequado emprego (tempo e intensidade) da voz e com as condições do ambiente e da organização do trabalho (salubridade ambiental, meios de apoio disponibilizados à comunicação verbal e grau de solicitação proveniente da organização dos processos de trabalho); o requinte se refere às necessidades de habilitação vocal e de controle sobre a voz necessária para desempenhar a atividade profissional; a repercussão representa o grau de impacto que a voz (ou sua alteração) poderia trazer ao resultado da atividade profissional e a limitação refere-se à relação entre a alteração da voz e as exigências do seu uso profissional (ABORLCCF, 2004). Com essas informações, tem-se a classificação: Elite - pontuação total entre 75 e 100; Superior - pontuação total entre 50 e 74; Médio - pontuação total entre 25 e 49; Básico - pontuação total entre 0 e 24. Dentre os profissionais da voz, professores e cantores tem apresentado uma maior frequência de distúrbios vocais, sendo que está entre os professores a maior incidência de disfonia (VERDOLINI E RAMIG, 2001). Segundo Freitas, (2006: 145) “estudos mostram que mais de 50% dos professores acabam por experimentar dificuldades fonatórias no decorrer da sua vida profissional activa”. Fuess e Lorenz (2003) colocam que, quando na função de magistério, as mulheres apresentam maior predisposição para a disfonia devido às dimensões reduzidas da laringe e à pequena diferença entre a freqüência vocal delas e das crianças, o que faz com que haja necessidade de se aumentar a intensidade da voz para se fazer ouvir. Segundo Ortiz et al. (2004) a literatura ratifica o fato de haver maior freqüência de alterações vocais no sexo feminino, relacionando com a ocorrência de mudanças significativas na configuração glótica das mulheres durante a fonação prolongada e por a área pedagógica ser tradicionalmente do domínio feminino, mas ressaltam que com o aparecimento de novas categorias profissionais dentre os profissionais da voz, talvez essa proporção possa se modificar. 2.4. Voz adaptada Segundo Behlau, Azevedo e Pontes (2004) a voz adaptada é quando o trabalhador apresenta estabilidade e resistência ao uso específico que habitualmente faz da voz. Segundo os mesmos autores, pode-se empregar esse termo em todas as situações nas quais a voz é aceitável socialmente e consiga transmitir a mensagem emocional do discurso, com frequência, intensidade, modulação e projeção apropriados para o sexo e idade do falante. De acordo com Oliveira (1999), mesmo diante da presença de alterações estruturais nas pregas vocais, pode-se ter uma laringe adequada e com voz adaptada. Recomenda-se cautela para não rotular uma alteração adaptativa ao uso mais intensivo da voz como sendo uma patologia ou lesão incapacitante, pois “significativo percentual de trabalhadores que usam a voz de modo mais intensivo podem apresentar lesões sem sintomas e com boas chances de se manter estável e assintomática ao longo de meses ou anos de carreira” (ABORLCCF, 2004:22). 2.5. Deficiência vocal Dentro da clínica de transtornos vocais há o indivíduo que não consegue produzir voz com intensidade adequada para nenhuma das necessidades diárias. A sociedade, de forma consciente ou inconsciente, considera que quem não se expressa verbalmente, não pensa, portanto o indivíduo que não pode expressar suas idéias deixa de existir para a sociedade (PARK E BEHLAU, 2009). Nesse contexto, tem-se a definição de deficiente vocal, que seria a pessoa que apresenta incapacidade de desenvolver a função fonatória na comunicação verbal, em caráter permanente e irreversível. A incapacidade de desenvolver a função fonatória, inclui voz, fala e linguagem (ABORLCCF, 2004). 3. Laringopatias relacionadas com o trabalho As laringopatias relacionadas com o trabalho podem ser definidas como um conjunto de doenças que acometem o profissional que utiliza a voz como principal meio para a execução de seu trabalho. De acordo com o CNVP são alterações, disfunções e/ou enfermidades laríngeas, do aparelho fonador ou de quaisquer outros sistemas orgânicos que podem repercutir na voz e na fala ou que sejam causadas pelo mau uso ou abuso da voz ocupacional (ABORLCCF, 2004). Há diversos sintomas e sinais que podem estar presentes nas laringopatias, como: esforço fonatório, estridor respiratório, pigarro, tosse, fadiga vocal, oscilação vocal e episódios de afonia, mas segundo Almeida (2005), as laringopatias desenvolvem-se no decorrer de anos, sendo a disfonia o sintoma clínico principal. Forte et al. (2007) encontraram que as principais laringopatias relacionadas com o trabalho são: alterações estruturais mínimas, nódulos vocais, pólipo vocal, edema de Reinke e cordite, sendo essa última a patologia mais freqüente, se caracterizando por um processo inflamatório inespecífico das pregas vocais. 3.1. Fisiopatologia “As mudanças no esforço vocal e na qualidade são secundárias ao excesso e ao ineficiente uso do mecanismo vocal e de trauma repetido da mucosa da prega vocal. Todo padrão carregado de excesso de vibração laríngea resulta em trauma vocal” (COUREY, 2010:235). O trauma prolongado leva a lesão, que induz um processo inflamatório, que é o início do processo de cura, mas as sobreposições de trauma e de inflamação somadas a possíveis infecções e refluxo gástrico podem impedir o adequado restabelecimento. Segundo Leavell e Clark (1976), há dois períodos nos quais ocorrem o desenvolvimento e a instalação da doença: pré-patogênico e patogênico. No período pré-patogênico tem-se o indivíduo suscetível e os fatores de risco ambientais e no período patogênico o desenvolvimento da doença propriamente dita. O período patogênico pode ser dividido ainda em: patogenia precoce, patogenia precoce discernível, patogenia avançada e convalescença, como se pode ver: O período patogênico precoce se inicia no momento em que o fator desencadeante atua e o hospedeiro (o profissional da voz) não se adapta e responde com modificações funcionais ou nos tecidos no sistema fonatório. Estas alterações não são evidentes pelos métodos atuais diagnósticos e necessitam de critérios de conhecimento clínico que considerem a história natural da doença desde os seus primórdios, ou seja, do período pré-patogênico e patogênico precoce. (ALMEIDA e PONTES, 2010:347) Caso ocorra evolução, passa-se para o surgimento de sintomas que ainda não impedem o pleno desenvolvimento das atividades e que seria designado de período patogênico precoce discernível. Até essa fase, há possibilidade de reversão do quadro. Quando ocorre surgimento de lesão na laringe e há impedimento parcial das atividades, chama-se de fase da patogênese avançada e necessita de tratamento. Na convalescença há cronicidade das alterações e suas consequências extremas podem levar a um grau de incapacidade definitiva para atividades com demanda vocal aumentada (ALMEIDA E PONTES, 2010). 3.2. Síndrome Disfônica Ocupacional Almeida e Pontes (2010), considerando a diversidade sintomatológica e multicausalidade nos transtornos da voz, introduziram o conceito de Síndrome Disfônica Ocupacional (SDO), que seria o conjunto de fatores relacionados à perda de saúde vocal pelo uso profissional e passaram a chamar de laringopatia Ocupacional (LO) a fase de evolução da doença em que surgem lesões na laringe. A Síndrome Disfônica Ocupacional tem sua aplicação conceitual nas fases precoces de patogenia da doença vocal funcional e orgânica, quando há capacidade de reversão da doença. É, portanto, um sinal que alerta para medidas preventivas, específicas para cada necessidade individual, com o objetivo de não permitir a evolução do quadro para a Laringopatia Ocupacional. Os sinais e sintomas da síndrome disfônica são: dor ou irritação na garganta, sensação de corpo estranho, dor cervical, necessidade de pigarrear e a rouquidão (ALMEIDA et al., 2010). Fuess e Lorenz (2003) têm dois conceitos: Síndrome Laríngea de Tensão-Fadiga que é a presença de qualidade vocal flutuante associada a suporte respiratório inadequado, se manifestando pela fadiga vocal; Sintoma de Tensão Músculo-Esquelética a presença de odinofonia. Tais sintomas estariam presentes em 55,6% e 28,6% dos professores respectivamente (FUESS E LORENZ, 2003) e fazem parte da SDO. Ao se identificar a SDO, a abordagem inicial multidimensional nos fornece critérios para a prevenção das consequências patogênicas que poderiam culminar na exclusão do indivíduo de seu ambiente profissional. 4. Avaliação pericial em transtornos vocais A atuação da perícia médica em transtornos vocais relacionados com o trabalho se baseia na determinação da capacidade ou incapacidade laborativa e na fixação do nexo de causalidade entre a doença e o trabalho. 4.1. Incapacidade laborativa De acordo com a Resolução do INSS/DC nº10 (1999), de forma generalizada, a incapacidade laborativa é a impossibilidade de desempenho das funções específicas de uma atividade devido a alterações morfopsicofisiológicas provocadas por doença ou acidente, incluindo-se no conceito o risco de vida, para si ou para terceiros e o agravamento que a permanência na atividade possa acarretar. Segundo Ortiz et al. (2004), não há respaldo legal para afirmar sobre incapacidade laborativa em profissionais da voz. O CNVP ratifica o fato de que legislação vigente sobre aptidão e inaptidão vocal para o trabalho é ainda insuficiente e imprecisa, orienta o enquadramento dentro do conceito geral de incapacidade, observando-se as Leis 8213/1991 e 9032/1995 e cita o Quadro nº 3 do Anexo III do Decreto 3.048/1999 como um nível de conhecimento atual sobre o tema (ABORLCCF, 2004). O Decreto 3048/99 é o Regulamento da Previdência Social em vigor para a Lei 8.213/91. O anexo III desse decreto dá a relação das situações que dão direito ao auxílio-acidente e coloca no quadro 3 as situações em que há perturbação da palavra em grau médio ou máximo, desde que comprovada por métodos clínicos objetivos. Essa é a única referência a doença vocal no decreto. Na avaliação da capacidade laborativa em profissionais da voz, há algumas peculiaridades, como enfatizam Ortiz et al. (2004) ao destacar dois fatos relevantes: a manutenção da rotina laboral é necessária para adaptação adequada às condições reais de trabalho, visto que o tratamento do profissional afastado do trabalho torna-se inefetivo; o conceito de voz adaptada, quando não há risco de comprometimento orgânico e fonatório com o exercício laboral, mesmo que haja lesões estruturais. Tais autores concluem que a norma legal vigente que recomenda afastamento do trabalho dos agentes de risco torna-se inadequada nas disfonias de origem ocupacional. Essas orientações podem ser aplicadas nas situações em que mesmo com sintomatologia vocal e lesão estrutural, é possível a emissão sonora compatível com as necessidades profissionais. Segundo os mesmos autores, deve-se atentar, inclusive, que o fato de se atestar incapacidade por disfonia pode gerar conflitos para o próprio paciente, o que pode acontecer em exames admissionais de profissionais com voz adaptada, que podem ser prejudicados por serem considerados incapazes. Quando se analisa a relação entre o grau de disfonia e a capacidade laborativa, tem-se a seguinte orientação através do CNVP (ABORLCCF, 2004): Grau leve: o trabalhador consegue desempenhar suas atividades vocais habituais com mínima dificuldade, rara fadiga, e sem interrupções; Grau moderado: o trabalhador consegue desempenhar suas atividades vocais habituais, com percepção (por si próprio e/ou por ouvintes) de esforço, falhas, fadiga eventual a freqüente e necessidade de interrupções; Grau intenso: o trabalhador não consegue desempenhar suas atividades, ou o faz com grande esforço, intensa fadiga e com grandes interrupções; Grau extremo ou afonia: o trabalhador não consegue desempenhar suas atividades. Portanto, haveria incapacidade para o trabalho apenas nos casos de disfonia em grau intenso ou extremo. Quanto ao tempo de afastamento, há uma estimativa média de evolução, tratamento, redução ou afastamento de uso profissional da voz, para restabelecimento de condições plenas de trabalho: Laringites virais agudas leves – 1 a 5 dias; Laringites virais agudas moderadas – 5 a 10 dias; Laringites bacterianas agudas leves – 5 a 10 dias; Laringites bacterianas agudas moderadas – 10 a 20 dias; Hematoma de prega vocal – 10 a 20 dias; Nódulos, pólipos e cistos vocais pequenos – 30 a 45 dias; Nódulos, pólipos e cistos vocais moderados – 45 a 90 dias; Paralisias e lesões maiores ou processos mais intensos – indefinido. (ABORLCCF, 2004:28) Fazendo um paralelo com o que foi colocado sobre fisiopatologia e as definições de SDO, pode-se deduzir ainda que nos períodos de pré-patogênese, patogênese precoce e patogênese precoce discernível não há incapacidade laboral e que na fase de patogênese avançada pode haver incapacidade laboral temporária, sempre se tendo o cuidado de não prolongamento da incapacidade, considerando o que já foi discutido sobre a manutenção da rotina para melhor adaptação. Na fase de convalescença, entretanto, por se tratar de um quadro cronificado e avançado, podem ser necessárias a reabilitação profissional ou mesmo, em casos extremos, a aposentadoria por invalidez, conforme os artigos 43 do decreto 3048/1999: “Art. 43. A aposentadoria por invalidez, uma vez cumprida a carência exigida, quando for o caso, será devida ao segurado que, estando ou não em gozo de auxílio-doença, for considerado incapaz para o trabalho e insuscetível de reabilitação” Segundo Simões e Latorre (2006), as faltas ao trabalho devido à presença de alteração vocal foram da ordem de 30%. Os afastamentos por incapacidade decorrentes de adoecimento vocal causam um prejuízo estimado em mais de 200 milhões de reais ao ano, valor que ainda pode estar subestimado pela baixa notificação (MEDEIROS, BARRETO e ASSUNÇÃO, 2006). 4.2. Nexo causal entre a doença e a existência do agente no trabalho Para a caracterização do acidente de trabalho pela Previdência Social, segundo os arts. 19 a 21 da Lei n. 8.213 (1991), além da lesão e da incapacidade para o trabalho, é requisito essencial a demonstração do nexo causal. Nexo causal, ou nexo etiológico é o vínculo, a ligação ou relação de causa e efeito entre a atividade laborativa e a doença. O enquadramento como acidente de trabalho das doenças profissional e doenças do trabalho pode ser considerado quando há: I - doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social; II - doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I. (Art.20 da lei 8213/ 1991) No Anexo II do Decreto 2.172/1997, que regulamentava a Lei 8.213/1991, consta apenas a lista de agentes patogênicos, especificando os trabalhos que contem tal risco, sem a identificação das doenças decorrentes dos efeitos da exposição ocupacional aos referidos agentes. Havia, portanto, subjetividade das decisões administrativas e técnicas, gerando controvérsias e conflitos. Em 1998, o Ministério da Saúde tomou a iniciativa de elaborar uma lista de doenças profissionais ou do trabalho, para orientar o Sistema Único de Saúde (SUS) no concernente ao diagnóstico destas nosologias, e às medidas decorrentes. Tal lista foi adotada pelo Ministério da Previdência e Assistência Social e publicada no Decreto 3.048/1999, que revogou o decreto 2.172/1997. Portanto, no anexo II do decreto 3.048/1999, além da lista de agentes patogênicos foi acrescentada a lista B de doenças e respectivos agentes etiológicos ou fatores de risco de natureza ocupacional. Entende-se, portanto que para que seja fixado o nexo causal entre o trabalho e uma determinada doença, esta deve estar presente no anexo II do decreto 3.048/1999, o que infelizmente não ocorre com as laringopatias relacionadas com o aumento da demanda vocal no ambiente de trabalho. A única laringopatia citada é a laringotraqueíte relacionada com exposição ao iodo e ao bromo, sem nenhuma menção às doenças respiratórias relacionadas com o uso excessivo da voz no trabalho como fator de risco (MEDEIROS, BARRETO e ASSUNÇÃO, 2006) Apensar de não estar inclusa na lista de doenças ocupacionais, há riscos ambientais e condições em postos de trabalho listados para qualquer atividade profissional e reconhecidos pela legislação vigente que podem ser aplicados para a voz ocupacional segundo o CNVP (ABORLCCF, 2004) como: Químicos: inalação de poeiras, fumos, névoas, gases, substâncias voláteis, compostas ou produtos químicos em geral; Biológicos: exposição a vírus, bactérias, fungos e bacilos; Ergonômicos: tempo de uso vocal diário, período de uso (noturno e diurno) e múltiplos períodos, uso contínuo, uso repetitivo, intensidade de uso, exposição a situações causadoras de estresse; Físicos: condições de acústica, temperatura, umidade, movimento do ar (ventilação) e pressão no posto de trabalho. Podem-se citar os metalúrgicos, que segundo o estudo de Ubrig-Zancanella e Behlau (2010:75), “apresentam alta referencia de sintomas vocais indicando a importância de verificar possíveis relações com exposição a diversos riscos presentes no ambiente de trabalho”, como ruído intenso, poeira, produtos químicos, fumaça, alteração de temperatura. Para esses profissionais o uso da voz não é constante, mas em forte intensidade. Jardim, Barreto e Assunção (2007) falam da necessidade de se investigar melhor o papel do ambiente e condições de trabalho na qualidade de vida relacionada à voz de forma a contribuir para políticas de intervenção efetivas que envolvam trabalhadores e gestores. Ignorar esses riscos causa prejuízo na notificação das patologias vocais relacionadas com o trabalho e subestima o problema. A OMS, desde 1985, através de seu informe técnico, considera a disfonia como multifatorial, ressaltando que pode ser relacionada ao trabalho (ORTIZ et al., 2004), portanto reconhece o possibilidade de fixação do nexo de causalidade. Ortiz et al. (2004) fixaram o nexo de causalidade entre a disfonia e a atividade laboral em 40% da amostra constituída por profissionais da voz, levando-se em conta os dados de anamnese e os antecedentes pessoais, como o abuso vocal extra-trabalho, os sintomas alérgicos, o refluxo gastresofágico, as alterações psíquicas e os hábitos. 5. Conclusão Nas doenças vocais relacionadas com o trabalho encontramos um conjunto de doenças e um polimorfismo de sintomas. A disfonia é o sintoma clínico mais evidente, mas é importante considerar os períodos precoces da patogenia da doença vocal funcional e orgânica, quando podem aparecer dor, irritação na garganta, sensação de corpo estranho ou dor cervical. A fase inicial dos transtornos vocais pode ser enquadrada na síndrome disfonia ocupacional e normalmente não causa incapacidade laborativa, mas é uma fase importante a ser identificada para que se possa atuar de forma preventiva, visto se tratar de quadros reversíveis. As laringopatias ocupacionais ocorrem quando surgem lesões na laringe. Nesses casos a capacidade laborativa varia desde: a) plena capacidade para o trabalho, quando há a voz adaptada e a lesão não implica em alteração na estabilidade e na resistência ao uso específico que o trabalhador faz da voz; b) incapacidade temporária para restabelecimento de condições plenas para uso profissional da voz; c) incapacidade definitiva para atividades com demanda vocal aumentada, optando-se pela reabilitação profissional ou, em casos não passíveis de reabilitação, pela invalidez. Apesar de não haver legislação pertinente que considere o nexo de causalidade das laringopatias com o trabalho e mesmo sem respaldo legal para afirmar sobre incapacidade laborativa em profissionais da voz, a OMS já reconheceu que a disfonia pode estar relacionada ao trabalho e há diversos fatores de risco reconhecidos pela legislação vigente que podem ser encontrados em diversos postos de trabalho onde se encontram os profissionais da voz. Muito ainda se precisa evoluir nos estudos desse tema para que, em um futuro próximo, possam ser incluídos os diagnósticos que contemplem as laringopatias relacionadas com o trabalho na lista doenças ocupacionais e assim alcançar uma notificação adequada para um melhor dimensionamento do problema, para redirecionamento das políticas nacionais de saúde pública e finalmente para um melhor respaldo das decisões periciais. Referências. ABORLCCF - Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. 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