1 APOSENTADORIA: PPA – PROGRAMA DE PREPARAÇÃO PARA APOSENTADORIA – cultive essa semente! MARILENE LOPES PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS ESPECIALIZAÇÃO GESTÃO DE PESSOAS [email protected] MARIA ODETE DE OLIVEIRA FERRAZ - Ms. RESUMO O Programa de Preparação para Aposentadoria (PPA) tem a finalidade de preparar os participantes da PREBEG com idade acima de 50 anos, que nos próximos cinco anos estarão reunindo condições para pleitear a aposentação, no sentido de que possam melhor assimilar o impacto que a nova situação, por certo, irá causar em suas vidas. Este artigo objetiva apresentar a esses participantes algumas reflexões que possam auxiliá-los na reorganização de suas vidas, sob orientação e acompanhamento de psicólogos e assistentes sociais, que funcionarão como facilitadores do processo de adaptação à nova realidade de vida. Foi utilizada como metodologia a pesquisa exploratória, bibliográfica, de campo e descritiva. Os resultados da pesquisa demonstraram uma preocupação muito grande com a aproximação dessa nova fase, e apontaram alguns fatores, como planejamento e qualidade de vida, tidos por primordiais. PALAVRAS-CHAVE: Planejamento, Qualidade de Vida, Aposentadoria. ABSTRACT 2 The Retirement Preparation Program (APP) aims to prepare participants PREBEG aged over 50 years, that over the next five years will be flocking to compete for the retirement conditions, in the sense that they can better absorb the impact the new situation, of course, will cause in their lives. This article presents some thoughts to those participants who can assist them in reorganizing their lives, under the guidance and monitoring of psychologists and social workers who function as facilitators of the process of adaptation to the new reality of life. The methodology used for the exploratory research, literature, field and descriptive. The survey results showed a great concern with the approach of this new phase, and pointed out some factors, such as planning and quality of life, taken by paramount. KEYWORDS: Planning, Quality of Life, Retirement INTRODUÇÃO As estatísticas apresentam um presente difícil e disseminam um futuro pouco pródigo, pois a sociedade mostra uma nova realidade, em que a população de idosos ocupa um lugar cada vez mais significativo. Algumas estatísticas apontam, conforme estudos recentes, as mudanças para um futuro próximo. Diz Rocha (2010), “[h]á uma mudança clara, porém, no perfil da população brasileira e as empresas têm que se preparar.” Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual de idosos deve triplicar já nos próximos 40 anos, passando dos atuais 9% para 29%. Durante a infância sonha-se em se tornar um exímio profissional, de futuro certo e promissor. Às vezes, esses desejos chegam a se concretizar, mas, em sua grande 3 maioria, tomam outro rumo. Surgem as necessidades vitais imediatas, faltam as oportunidades concretas e, na esteira do planejamento inexistente, deixa de florescer a perspectiva de um porvir sem sobressaltos. É assim que os seres humanos, conduzindo suas vidas profissionais quase sempre sem se preocuparem com o futuro, são surpreendidos pelo transcurso dos anos. Constituem-se famílias, criam-se os filhos e prosseguem com a vida profissional anos a fio, e, quando então se dão conta, já se encontram na meia idade, caminhando para a tão sonhada aposentadoria. Porém, toda transformação traz consigo a ruptura de hábitos, ocasião em que se acaba por descobrir que a tão sonhada aposentadoria (aquela de ter o tempo todo livre para a família, os amigos, o ócio mesmo!), que não foi planejada, poderá trazer dissabores à vida de cada um, transformando-a, de uma situação cômoda, e tranquila, num estado de total desequilíbrio emocional e financeiro, quando, então, os sonhos serão substituídos pelas preocupações. As turbulências advindas da nova situação, que surpreende, preferencialmente, aqueles que não se planejaram, atingem todas as dimensões da vida humana, inclusive provocando desajustes que podem redundar na dissolução da célula familiar, e, não raro, podem desencadear doenças as mais diversas, dentre as quais a depressão ocupa lugar de destaque. Publicado no boletim InformeRH, de 28.01.2009: Emocionalmente, torna-se necessário a este indivíduo elaboração dos lutos da perda do exercício dos saberes profissional; da rotina e das relações afetivas vinculadas ao trabalho. Contudo, diante das novas possibilidades de realizações o indivíduo encontra-se diante da conflitante tarefa de efetuar escolha. Seus recursos tanto pessoais quanto financeiros serão referências para uma reordenação dos papéis sociais, familiares e para seu projeto de futuro. InformeRH, 28/jan/2009. 4 A aposentadoria é um dos eventos mais marcantes na vida de um ser humano, pois é nesse momento que ele se vê diante de escolhas e tomadas de atitudes cruciais, isto é, quase que um flashback à época da passagem da adolescência à vida adulta, quando foi necessário escolher uma profissão. Com a aproximação da aposentadoria, a pessoa se vê obrigada a tomar uma decisão radical, desta feita com uma agravante: não se pode mais correr o risco de errar, pois não haverá mais tempo para se recuperar. Além do trauma da mudança essencial, existe a insegurança relacionada às novas escolhas. Mais preocupante, ainda, será quando a aposentadoria for decorrente de algum infortúnio (qualquer doença, seja profissional ou natural). A conclusão, no mais das vezes, será no sentido de que a vida terá chegado ao fim, ocasião em que os distúrbios psicológicos, quase sempre produzirão consequências irreversíveis. É pensando nesse momento de difícil decisão que se sugere a introdução, na empresa, do PPA – Programa de Preparação para Aposentadoria. A expectativa é de que a aplicação do PPA tenha como resultado, em cada aposentadoria, uma escolha prazerosa, que gere ideia de descanso, associada a novas oportunidades e à realização de novos planos e velhos sonhos, numa dinâmica natural, dentro de um processo de transição onde a ruptura com o mundo do trabalho regular, não impeça o surgimento de novos horizontes no mundo da aposentadoria salutar. O Estatuto do Idoso, instituído pela Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, em seu capítulo VI, artigo 28, inciso II, faz referência ao programa dessa natureza, a ser criado e estimulado pelo Poder Público, com a finalidade de preparar o trabalhador para a aposentadoria, utilizando-se de novos projetos sociais, segundo os interesses sociais, além de promover o esclarecimento a respeito dos direitos sociais e de cidadania. Confira-se: 5 II – preparação dos trabalhadores para a aposentadoria, com antecedência mínima de 1 (um) ano, por meio de estímulo a novos projetos sociais, conforme seus interesses, e de esclarecimento sobre os direitos sociais e de cidadania; No mesmo sentido, a Lei nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994, que trata da política nacional do idoso e cria o Conselho Nacional do Idoso, em seu capítulo IV, artigo 10, inciso IV, letra “c”, estabelece, dentre as competências dos órgãos e entidades públicas, na área de trabalho e previdência social, a preparação dos trabalhadores, dos setores público e privado, para a aposentadoria, nos seguintes termos: IV - na área de trabalho e previdência social: ... c) criar e estimular a manutenção de programas de preparação para aposentadoria nos setores público e privado com antecedência mínima de dois anos antes do afastamento; Carlos et al (1999), enfatiza que o limite cronológico proposto pela ONU, em 1982, para o início da chamada terceira idade, toma por base a idade da aposentadoria estabelecida na maioria dos países. Tal limite induz à associação corrente entre velhice e aposentadoria, o que remete a uma representação coletiva em que o velho é percebido como não mais produtor de bens e serviços e, portanto, marginalizado nos contextos sociais pautados pelo valor produtivo. Diante dessas considerações, são sugeridas nas empresas a aplicação do PPA, com a finalidade de desfazer essa associação, estabelecendo um novo paradigma segundo o qual aposentadoria não é sinônimo de senilidade, inutilidade, inatividade ou estagnação. Nota-se que, com o avanço da medicina, houve um aumento da expectativa de vida. Schein (1978) (citado em Dutra, 2007), relata que os futurólogos acreditam que as pessoas nascidas em 1990, nos países desenvolvidos, podem contar com uma expectativa de vida de 100 anos e, aquelas nascidas a partir do ano 2000, poderão estender essa expectativa para 120 anos. 6 Ainda Dutra (2007), pp.35 a 39, publica a tabela “Ciclos Típicos na Vida da Pessoa” de Schein, mencionando que a necessidade de preparação para a aposentadoria surge a partir da fase considerada “declínio de habilidades e competências”, em que as pessoas se tornam “reféns” das consequências do próprio tempo. Ciclos Típicos na Vida da Pessoa Ciclo Biossocial Etapa Característica principal Da adolescência ao início dos 30 neste período, a pessoa está deixando a sua casa, estabelecendo-se por conta própria no mundo adulto e desenvolvendo sua estrutura de vida e estilo. Transição: final dos 20 anos ao meio dos 30 neste período, as pressões sociais levam a pessoa a escolhas mais definitivas quanto à família e ao trabalho. É a fase de criação de raízes. Crise da meia idade: final dos 30 e início dos neste período, a pessoa confronta-se com a 40 disparidade entre sonhos e a realidade vivida, emergindo novamente os conflitos da adolescência – são também sentidos os primeiros sinais do declínio da capacidade física e o reconhecimento de nossa mortalidade. Final dos 40 e início dos 50 anos este período é iniciado por mudanças grandes na estrutura familiar. Os filhos deixam a casa, e o casal redescobre um ao outro. É a fase do “ninho vazio” (empty nest). As pessoas descobrem que sua vida é realmente sua responsabilidade. Tornam-se mais gentis, dóceis, compreensivas, ao mesmo tempo em que crescem os problemas com o reconhecimento do declínio das habilidades e competências. Tabela de Edgar H. Schein (1978), em Dutra(2007) : Administração de Carreiras - Uma proposta para repensar a gestão de pessoas, pp.35 a 39 Este estudo visa preparar o participante do PPA, com idade a partir de 50 anos, para que possa se sentir mais confortável diante de sua opção pela aposentadoria, de forma dinâmica e participativa, oferecendo-lhe a possibilidade de melhoria na qualidade de vida, maior controle emocional, material, financeiro, familiar e de autoestima. Visa, também, acompanhá-lo durante esse tempo com foco específico para o equilíbrio emocional e social. Também como ponto de partida para este estudo, sugere-se a inclusão das famílias no PPA, com a convicção da obtenção de 7 excelentes resultados, auxiliando-os na reestruturação pessoal e, principalmente, na busca pelo equilíbrio entre o mundo da razão e o universo da emoção. Muitas pessoas, ao se verem diante do momento de se aposentarem, sofrem conflitos inenarráveis; afinal, grande parte da população que trabalha fora de casa, passa mais tempo no local de trabalho do que com a própria família. Geralmente, no início da vida profissional, as pessoas costumam desenvolver uma carga maior de trabalho na expectativa de, alcançada a tão sonhada aposentadoria, poderem gozar dos prazeres até então inviabilizados pela falta de tempo. Para privilegiar o trabalho, renunciam a muitas atividades agradáveis, sem considerar que, quando se aposentarem, possa ser tarde demais para resgatá-las. Pode faltar dinheiro, pode faltar saúde, pode sobrar preconceito, pode sobrar despreparo social, podem coexistir estes e aqueles. Hoje, é correto dizer que o PPA é de suma importância para aqueles participantes que se aproximam do momento decisivo. Todo programa deve ser preparado e planejado de forma bastante detalhada, observando a especificidade de seu públicoalvo, relacionando todas as expectativas, carências, agruras, dúvidas, medos, finanças, sonhos, famílias, entre outras coisas. É necessário observar que, até mesmo as pessoas que desejam incondicionalmente a aposentadoria, precisam ser monitoradas e acompanhadas, para evitar que criem expectativas fantasiosas, que poderão não ser alcançadas, levando-as às frustrações. Tem, também, o papel fundamental de fazer com que o participante se prepare para o futuro, considerando-o um salto para além e, não, uma estagnação. Já as empresas devem notar que, essa preparação para a tão sonhada aposentadoria, haverá de render bons frutos, com funcionários dispostos e preparados para enfrentarem quaisquer desafios que tenham, não só após a aposentadoria, mas, e principalmente, no processo para a mesma, que pode durar anos. 8 É gratificante perceber através deste programa, o quanto o colaborador resgata a auto-estima, descobre novas habilidades e competências, melhora os laços conjugais e familiares, o quanto passa a envolver o grupo familiar na elaboração do projeto de vida, com foco na qualidade de vida e felicidade. Cecília Cibella Shibuya, 29/jan/2008. Sobretudo, o PPA deve esclarecer ao participante que a aposentadoria não é uma forma de exclusão e de separação dos colegas de trabalho, e inatividade, mas a possibilidade de experienciar novas formas de se viver a vida. É preciso repensar sobre o processo de aposentadoria, considerando a valorização integral do ser humano. METODOLOGIA Este estudo foi realizado com autorização do Diretor-Gerente da Fundação PREBEG, com aplicação de questionários na massa de participantes em situação de pré-aposentadoria, no período de 1º a 21 de junho/2010. O trabalho teve início com o levantamento do público alvo em conformidade com o Relatório Anual-2009(¹), base setembro/2009, da PREBEG. Na massa ativa de 573 participantes, há um contingente de 112 em condições de se aposentar, com idades que variam entre 50 e 65 anos. Trata-se de uma pesquisa exploratória, bibliográfica, de campo e descritiva. Na pesquisa exploratória tem-se uma visão geral, acerca de um determinado fato, um recurso propício para tornar o fato mais explícito (Gil, 2002). Na pesquisa bibliográfica foram utilizadas algumas fontes de autores diversos, um conjunto harmônico e indispensável na abordagem do tema proposto. (¹) www.prebeg.org.br 9 Por se tratar de uma pesquisa de campo, o questionário, composto por onze perguntas relacionadas à preparação para a aposentadoria (PPA), foi endereçado a 108 participantes, dentre os quais 87 responderam. Para o envio dos formulários das pesquisas, fez-se uso de mecanismos internos da Fundação, como também de recursos virtuais. No que diz respeito à pesquisa descritiva, o grande objetivo foi conhecer a expectativa e o propósito de cada participante diante dessa preparação, que antecede decisão fundamental em suas vidas. Oportuna, no ponto, a seguinte lição: Se o propósito do projeto é obter informações sobre determinada população: por exemplo, contar quantos, ou em que proporção seus membros têm certa opinião ou característica; com que freqüência certos eventos estão associados entre si, a opção é utilizar um estudo de caráter descritivo. (ROESCH, 1999, p.130). Consoante ensina Severino (2007), o questionário é formado por um conjunto de questões sistematicamente articuladas, que apresentam o destino de levantar informações que visam conhecer a opinião dos entrevistados sobre o assunto estudado. QUESTIONÁRIO APOSENTADORIA: PPA - Programa de Preparação de Aposentadoria: cultive essa semente! 1) Você tem pensado em como será a sua aposentadoria? 2) Você participa de algum programa destinado a essa preparação, focando sua aposentadoria para o "aspecto financeiro"? 3) Você argumenta sobre esse assunto no seu ambiente de trabalho / colegas / gestores / diretores? 4) Em sua família, quando fala sobre esse assunto, tem recebido o esperado apoio? 5) Aposentadoria para você é garantia de “liberdade conquistada”? 6) Estar aposentado é, para você, curtir a vida, família, netos, férias, constantemente? 7) Você pensa em trabalho alternativo / voluntário quando estiver aposentado? 8) Você já participou de encontros, palestras, grupos de discussão com a finalidade de buscar informações e ouvir experiências sobre esse assunto? 9) Com a aproximação dessa nova fase, você tem buscado interação com outras pessoas que já vivem a aposentadoria? 10 10) Onde você trabalha, existe algum programa de preparação para aposentadoria, com foco para o “emocional do participante”? 11) Você, quando apto à aposentadoria, gostaria de participar de palestras cujo objetivo principal será o planejamento para uma aposentadoria tranquila? FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A população brasileira está “envelhecendo” de forma acelerada. Essa constatação deriva de dados estatísticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2000. Os resultados da atual Projeção da População do Brasil reforçam que todas as análises feitas com base na Revisão 2004 da Projeção, a julgar pelos resultados, indicam que o envelhecimento da população brasileira estará consolidado na década de 2030. Em 2050, um quinto da população mundial será de idosos. Publicação veiculada no jornal eletrônico AssPreviSite (out/2009) (A Gazeta), lembra que “conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), [...] o Brasil, apesar de ver que sua população está envelhecendo, tem feito pouco para se preparar para esta realidade. Os governos – nas 03 esferas – não investem em programas e projetos voltados para a chamada 3ª idade.” Em conformidade com Martinez (1997), a preparação para a aposentadoria tem hoje escopo nitidamente delineado. A ideia é predispor o trabalhador, permitindo-o antever sua condição de inativo, alertando-o para as mudanças decorrentes da cessação do vínculo de trabalho, enquanto é orientado para identificar novas oportunidades. De acordo com Silva (2009), consultora em Recursos Humanos com ênfase em implantação de Programas de PPA e Saúde do Trabalhador, para que se possa viver de maneira proveitosa a fase de aposentadoria, a pessoa precisa se preparar e, esse preparo, é feito pelo PPA, que é o método capaz de ajudar as pessoas a se 11 descobrirem e se harmonizarem para essa fase, aprendendo consigo mesmas e com a vida, ampliando a consciência do que são e do que querem para si, pelas filigranas dos seus seres: profissional, parental, fraternal e para aprenderem a viver inteiras consigo mesmas e com os outros. Estar bem preparado em qualquer fase da vida possibilita que a dimensão ética e amorosa de cada um se manifeste concretamente na vida profissional, familiar e social. Ao se preparar para a aposentadoria, adquirese um importante agente de mudança, e, quando se muda, muda-se também o todo social. Para Benfatti (2009), o que se percebe é que as famílias geralmente não se preparam para a chegada dessa fase, porque não aceitam a ideia da perda dos entes queridos e nem da queda de suas capacidades físicas e mentais. “Se a cabeça funciona e tem-se muito a oferecer, por que tirar férias longas?” Esse é o pensamento do ser humano. Por esse motivo, torna-se importantíssimo o acompanhamento, não só do profissional da área emocional, como também da família, no auxílio e preparo para essa decisão. De acordo com Barbulho et al (1999), a velhice é um processo pessoal, natural, indiscutível e inevitável, para qualquer ser humano, na evolução da vida. Nessa fase sempre ocorrem mudanças biológicas, fisiológicas, psicossociais, econômicas e políticas, que compõem o cotidiano das pessoas. E nesse processo de transformação, quase sempre se paga um preço alto, pois nem sempre se é compreendido. Para França (1999, p. 30), o PPA (Programa de Preparação para Aposentadoria) deverá ser pautado numa ponte dinâmica de discussão e de avaliação à luz dos fatos, dos riscos e das expectativas que os participantes queiram atingir no futuro. Sendo assim, a preparação deve ser organizada como um processo educativo, contínuo e relacionado a um planejamento de vida. 12 Segundo Silva Filho (2009, p. 80), envelhecer, ainda que da perspectiva individual tenha a conotação de uma situação não necessariamente desejada, é inexorável, e tem como sua antípoda a morte precoce. Da perspectiva coletiva, no entanto, tem sido uma aspiração das mais diversas sociedades, e tem ocorrido de forma mundialmente cada vez mais intensa, ou seja, viver muito tem se tornado uma realidade. Muitos estudos mostram que essa população tem aumentado a cada ano, com destaque para a melhoria da qualidade de vida. Shibuya (2008) enfatiza que, pautados nessa realidade é que se entende a importância da implantação do PPA, onde se busca dar todo o suporte para que cada participante desperte para o futuro, de forma planejada, através de uma visão positiva e real da aposentadoria, de forma a se sentir motivado e comprometido na elaboração de seu projeto de vida. Ainda conforme Shibuya (2006), as exigências profissionais da atualidade fazem com que boa parte dos trabalhadores se privem das horas de lazer, colocando suas expectativas no momento de aproveitar a aposentadoria. Porém, quando chega a hora de se aposentarem, muitos não sabem como gerenciar a situação, tanto pela preocupação de lidar com o tempo livre, como com uma possível queda da renda, mudança na relação com a família e perda de status, por exemplo. A respeito de “Projeto Preparação para a Aposentadoria – Qualidade de Vida”, implantado junto aos servidores da UFPA – Universidade Federal do Pará, Cauby (2010) relata que esses servidores continuarão sendo da UFPA após se aposentarem, e gostaríamos que eles continuassem participando da vida na comunidade universitária, seja por meio do Programa de Serviço Voluntário da Universidade, seja pelo ingresso nas associações da Instituição. Queremos apoiá-los num momento que é uma fase difícil, marcada pela perda do vínculo com a atividade 13 profissional desenvolvida por vários anos, e propiciar todas as condições para que essa transição de modo de vida seja serena e feliz. É correto reafirmar, mais uma vez, que o programa é fundamental na vida do participante; é mais uma etapa de um processo cujo objetivo é a ressocialização, num contexto que privilegia o respeito do ser humano por si mesmo, diante da necessidade de conscientizar o partícipe a respeito das mudanças que deverão ocorrer em sua maneira de viver. Conforme Bulgacov et al (1999), é fato frequentemente observado na fase da “3ª idade”, quando uma sensação de vazio, de inutilidade e de exclusão acomete um número significativo de pessoas. Isso acaba acontecendo porque, na sociedade atual, a valorização do indivíduo é baseada no quanto ele produz. Em outras palavras, o seu valor é determinado segundo a sua capacidade produtiva. Essa realidade está registrada em vários estudos, infelizmente. Para Paulino (²), com tanto tempo pela frente, em boa saúde física e mental e cheia de expectativa em relação ao futuro, essa é sua chance de retirar da gaveta os projetos e sonhos que deixou de lado esperando um momento como esse. Ressalte-se que toda atuação voltada aos problemas relacionados à aposentadoria requer, ainda, um trabalho de disciplina, em que o aspecto psicossocial apresente um caráter de destaque. Segundo Moragas, 1988 (citado em Martinez, 1997), “a preparação para a aposentadoria constitui um processo de informação-formação para que as pessoas aposentadas assumam seu novo papel positivamente : beneficia aos interessados e à sociedade, minimiza custos remediativos e sociais, melhora a saúde física, psicológica e social da pessoa” (p. 3). O autor ainda salienta que a preparação para a aposentadoria constitui o instrumento mais efetivo em custo (²) página eletrônica inicial, sem data. 14 e tempo para configurar essa nova posição social do aposentado. De acordo com Lima (2009), “[...] para a grande maioria, o planejamento da aposentadoria termina quando elas deixam de trabalhar. Afinal, tendo acumulado uma reserva adequada, acreditam que não seja preciso se preocupar com o futuro. Mas, não é bem assim! Ainda que o planejamento na fase de acumulação seja a chave principal, não é suficiente para garantir seu futuro.” Carvalho et al(1995) relata que “a adaptação do trabalhador ao novo ritmo de vida após a aposentadoria, deve ser o objetivo de qualquer programa junto ao préaposentado, na busca de alternativas para ocupar o seu tempo livre sensivelmente aumentado.” Consoante Zanelli (1996), “o programa é uma importante etapa de um processo que tem como objetivo principal a ressocialização do pré-aposentado, baseada no respeito ao ser humano e na consciência das modificações profundas que ocorrem no modo de viver desses indivíduos e da necessidade de reelaborar possíveis prejuízos que possam advir como conseqüência do rompimento da rotina de trabalho.” Para Dallari (2009), “o bem-estar na velhice é um desafio constante, que se constrói ao longo da vida profissional, muito antes da aposentadoria.” Pode-se dizer que esse é o momento em que o planejamento fará toda a diferença para o participante; momento de gestação que possibilitará a execução dos sonhos. Muniz (1997) relata que “um número crescente de organizações vêm se preocupando com o processo de aposentadoria dos seus empregados. Compreendendo as expectativas e ansiedades pelas quais passa o indivíduo no período de pré-aposentadoria, essas organizações vêm desenvolvendo Programas de Preparo para Aposentadoria (PPA). Elas entenderam que, além de auxiliarem no 15 cumprimento de suas responsabilidades sociais, tais programas são excelentes ferramentas gerenciais. Ao assumirem essa responsabilidade, fazem um duplo investimento. O primeiro, sobre os empregados que estão se aposentando, que se sentem valorizados e mantêm um bom desempenho. O segundo, sobre os demais empregados, que observam o cuidado e o respeito que a organização tem pelas pessoas, constatação essa que vem a fortalecer as relações de trabalho.” Barros (2004) declara que a carreira profissional deve ser tratada como um projeto, e todo projeto tem começo, meio e fim. “Sugerimos que a aposentadoria seja planejada desde o início da carreira, para que não haja uma descontinuidade das atividades, o que é prejudicial.” É verdade que, para conseguir colocar em prática os seus projetos, é fundamental o exercício do planejamento, e, quanto mais cedo se começar, maiores serão as chances de sucesso. Ainda segundo Barros, “[e]ncerrar a carreira não significa encerrar a vida.” Finalmente, um programa dessa natureza tem uma extensão muito maior do que aparenta, sendo certo que haverá de produzir efeitos desejáveis no âmbito familiar, possibilitando um melhor inter-relacionamento entre aposentados e familiares. RESULTADOS E DISCUSSÕES A PREBEG é o fundo de pensão dos funcionários do Banco Beg S/A. É uma entidade de previdência complementar, fechada, regularizada e fiscalizada pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar-PREVIC. Em seu organograma, distribuem-se os cargos de diretor presidente, diretor de investimento, diretores gerentes e membros indicados e eleitos para os conselhos deliberativo e fiscal. São patrocinadores da PREBEG: Itaú Unibanco, Banco Beg S/A., Fundação 16 Itaú Saúde-Goiás e a própria PREBEG. É composta de 1.964 participantes (³)(4), assim distribuídos: 573 funcionários ativos e 1.394 participantes aposentados/pensionistas. Os cálculos atuariais da Fundação são de responsabilidade de atuários inscritos no IBA - Instituto Brasileiro de Atuários, RJ. Registro neste momento a boa receptividade, tanto da Diretoria da PREBEG, quanto dos participantes envolvidos na aplicação da pesquisa, fatores esses que favoreceram um bom ambiente para o desenvolvimento deste estudo. Foram encaminhados, por meio da internet e de malotes, 108 formulários de pesquisa. Desses, 87 retornaram, número esse que corresponde a 78% do total da massa pesquisada, percentual suficiente para revelar a importância do programa, conforme se pode verificar a seguir. Por se tratarem de participantes com idade a partir dos 50 anos, é importante ressaltar que a grande maioria desses participantes teve o Banco BEG como seu único emprego, contando, portanto, por volta de 30 anos, ou pouco mais, de serviços prestados. Por esse motivo, na pergunta de nº. 1 – [v]ocê tem pensado em como será a sua aposentadoria? - , com 88,51% para a opção “SIM”, os entrevistados confirmaram que têm pensado na aposentadoria. Após tantos anos de dedicação profissional, a expectativa é no sentido de que, quando optarem pela aposentadoria, poderão deixar a empresa pela “porta da frente”, com a convicção plena do dever cumprido. Segundo Zanelli (1992), em alguns depoimentos tomados houve relatos deixando atestado que “[a] aposentadoria é um presente para quem trabalhou vários anos.” (³) Relatório Anual 2009 / (4) www.prebeg.org.br 17 Com 87,36% e 95,40%, respectivamente, para a opção “NÃO”, as perguntas de nºs. 2 - [v]ocê participa de algum programa destinado a essa preparação, focando sua aposentadoria para o "aspecto financeiro"? - e 10 – [o]nde você trabalha, existe algum programa de preparação para aposentadoria, com foco para o “emocional do participante”? - revelaram uma situação de despreparo dos participantes, por falta de uma política de informação e planejamento da própria Fundação. Veja-se que se tratam de dois ícones importantíssimos para garantir o sucesso pósaposentadoria: finanças e emoções. É preciso que Fundação e participantes estejam inseridos nos programas de PPA, tendo em vista alcançar um estado de equilíbrio e serenidade, razão por que se deve repensar, com urgência, a introdução do programa. Na pergunta de nº. 3 – [v]ocê argumenta sobre esse assunto no seu ambiente de trabalho / colegas / gestores / diretores? -, os entrevistados demonstraram um certo equilíbrio em suas respostas: 55,17% para o “SIM”, 44,83% para o “NÃO”. Esse comportamento se justifica no fato de que aquele que se encontra em processo de pré-aposentadoria, geralmente está no auge de sua carreira, e não pretende falar sobre a possibilidade de encerrá-la, não pretende abrir mão desse status. Em conformidade com Nacarato (1996, p. 279) “...aposentadoria, que durante a vida profissional podia ser considerada um objetivo, agora pode representar perdas como status social, perda do padrão de vida, além do tédio ocasionado pela dificuldade de administrar o tempo livre.” Na pergunta de nº. 4, – [e]m sua família, quando fala sobre esse assunto, tem recebido o esperado apoio? -, 81,61% dos entrevistados veem a família como o seu alicerce, onde encontram apoio social incondicional, que os deixa fortalecidos para trocas de ideias e tomadas de decisões. Benfatti (2009, p. 145) assegura “...é importante ressaltar que o modelo de cuidados que as famílias passam para as 18 próximas gerações influencia e plasma a educação de seus descendentes, garantindo uma cultura de respeitabilidade com o idoso.” Para as perguntas de nºs. 5 – [a]posentadoria para você é garantia de “liberdade conquistada”? - e 6 – [e]star aposentado é, para você, curtir a vida, família, netos, férias, constantemente? -, acima de 65% dos entrevistados declararam ser esse o momento da “liberdade”. Segundo Oliveira (2009, p. 24) “[o] ‘ócio com dignidade’ abre espaço para a pessoa dedicar-se a outros valores, ainda que seja o lazer simples de jogar dominó com os colegas na sombra de uma árvore frondosa no verão.” Aliada às respostas das perguntas de nºs. 5 e 6, está a pergunta de nº. 7 – [v]ocê pensa em trabalho alternativo / voluntário quando estiver aposentado? -, indicando que mais de 68% dos entrevistados pretendem participar de trabalhos alternativos/voluntários. Para Pereira Netto (2009, p. 12) “[...] o trabalho voluntário, enquanto opção consciente e fundamentada no desenvolvimento da uma cidadania plena, surge como possibilidade de doação de tempo, talento e habilidade [...].” Oportuno dizer que a ocupação do tempo livre é o fator preponderante a permitir que se mantenha em nível desejável o conforto emocional nessa etapa da vida. No concernente às perguntas de nºs. 8 – [v]ocê já participou de encontros, palestras, grupos de discussão com a finalidade de buscar informações e ouvir experiências sobre esse assunto? -, 9 – [c]om a aproximação dessa nova fase, você tem buscado interação com outras pessoas que já vivem a aposentadoria? - e 11 – [v]ocê, quando apto à aposentadoria, gostaria de participar de palestras cujo objetivo principal será o planejamento para uma aposentadoria tranquila? -, os percentuais das respostas atingiram níveis preocupantes. Para as respostas de nºs. 8 e 9, mais de 75% da massa não revela a preocupação com o tipo de vida que terá no futuro, não tendo um planejamento. Deve-se analisar a aposentadoria como mais uma etapa no 19 desenvolvimento do ser humano, e discuti-la, tanto com o jovem quanto com quem está prestes a alcançá-la, e, especialmente, com aqueles que a vivenciam. Bueno (2009, p.101): “[a]credito que deveríamos ter mais espaços nas escolas, universidades, em ações sociais e comunitárias, oportunidades preciosas para falarmos daquilo que um dia, foi vividos por nós...” Finalmente, a pergunta de nº. 11, com mais de 95% para a opção “SIM”, revela, em caráter insofismável, que os participantes nutrem o forte desejo de participarem de um PPA. É preciso compreender a necessidade dos partícipes que anseiam por um futuro sereno, disponibilizando um programa que vá ao encontro de suas necessidades. Para Leite (1993, p. 122-123) “...a semelhança de tudo mais que se refere a cuidados para com a aposentadoria, as medidas de preparação para ela voltam-se sobretudo para a terceira idade; e então se confirma uma vez mais a correlação entre esta e a previdência complementar, cujas entidades têm dedicado especial atenção aos programas respectivos, exercendo no setor intensa e variada atividade.” Importante ressaltar que em todas as respostas ficou registrada a preocupação dos participantes com a aproximação da aposentadoria. Percebe-se, nitidamente, uma aposta crescente na profissionalização, no planejamento, na qualidade de vida, nos controles emocional e financeiro, para, depois, pensar em “GOZAR A VIDA, CERTOS DO DEVER CUMPRIDO”. Saliente-se, uma vez mais, que, quando se analisa o percentual de 95,40% alcançado pela opção “SIM”, à pergunta de nº 11, constata-se, de imediato, a valia da aplicação do PPA, quando se vê que os entrevistados gostariam de participar de palestras e obter orientações. 20 PPA - Programa de Preparação para Aposentadoria - cultive essa semente! 88,51 1. Vo cê tem pensado em co mo será sua apo sentado ria? 2. Vo cê participa de algum pro grama destinado a essa preparação , fo cando sua apo sentado ria para o "aspecto financeiro "? 12,64 87,36 3. Vo cê argumenta so bre esse assunto no seu ambiente de t rabalho / co legas / gesto res / direto res? 55,17 4. Em sua famí lia, quando fala so bre esse assunt o , tem recebido o esperado apo io ? Ite n s s o b re A p o s e n ta d o ri a 11,49 44,83 81,61 18,39 5. A po sentado ria para vo cê é garantia de "liberdade co nquistada"? 67,82 32,18 6. Estar apo sentado é, para vo cê, curtir a vida, famí lia, net o s, férias, co nstantemente? 65,52 34,48 68,97 31,03 7. Vo cê pensa em trabalho alternativo / vo luntário quando estiver apo sentado ? 8. Vo cê já participo u de enco nt ro s, palestras, grupo s de discussão co m a finalidade de buscar info rmaçõ es e o uvir experiências so bre esse assunto ? 18,39 9. C o m a apro ximação dessa no va fase, vo cê tem buscado interação co m o utras pesso as que já vivem a apo sentado ria? 10. Onde vo cê trabalha, existe algum pro grama de preparação para apo sent ado ria, co m fo co para o "emo cio nal do participante"? 11. Vo cê, apto à apo sentado ria, go staria de participar de palestras cujo o bjetivo principal será o planejamento para uma apo sentado ria tranquila? SIM NÃO 81,61 24,14 4,60 75,86 95,40 95,40 4,60 Percentual das respostas "sim" ou "não" sobre cada item de aposentadoria Gráfico: PPA – Programa de Preparação para Aposentadoria-cultive essa semente! Fonte: Autora do estudo (2010) 21 A sugestão deste estudo está no sentido de esclarecer que o “período do ócio” também cansa e, se não houver uma preparação para esse enfrentamento, com novas atividades e outras ocupações, a certeza de ter feito a melhor escolha se transformará em incerteza, insatisfação e, finalmente, numa grande frustração, sem nenhuma perspectiva de realizações e conquistas. Pretende, também, servir de alerta, deixando claro que a nova etapa, por certo, trará consigo novas oportunidades e, essas, com a devida preparação, converter-se-ão em novas possibilidades, que estarão aguardando por aqueles treinados para enxergá-las. Para uma reflexão mais profunda, poderá o participante com esse perfil trilhar vários caminhos; e muitas são as possibilidades, tanto na preparação quanto na reabilitação. Com efeito, revelam-se efetivas a participação e a realização de diversas atividades, tais como: palestras, encontros, dinâmicas, filmes, debates, seminários, workshops, abrangendo temas como questões financeiras, familiares, saúde e alimentação, qualidade de vida, autoestima, requalificação profissional, trabalho voluntário, vícios diversos (alcoolismo, tabagismo, compulsão por jogos), absenteísmo, etc. Desnecessário dizer que o sucesso dessas atividades dependerá, sempre, da participação de profissionais especializados, dentre eles, psicólogos, terapeutas ocupacionais, médicos, assistentes sociais, economistas, etc., além, por óbvio, de familiares. Esses grupos deverão ser formados de, no máximo, 10 (dez) participantes, para encontros mensais, com duração de 04 (quatro) horas. Será necessário que, a cada 06 (seis) meses, seja aplicada uma pesquisa de avaliação de satisfação e resultados, para, caso haja necessidade, promover adaptações no programa. Na realização dos diversos trabalhos, vários serão os recursos utilizáveis, adequáveis a cada caso concreto. Poderá haver a distribuição de folders, cartilhas ilustrativas contendo depoimentos de aposentados, agendas, filmes, etc. Poderão ser propostos encontros familiares com palestras ministradas por psicólogos, 22 médicos, economistas, humoristas, etc. Poder-se-á recomendar a prática de terapia/dinâmica de grupo, ioga, ou a frequência a cursos de idiomas, de dança, de música, de teatro ou, ainda, a participação de oficinas de profissionalização ou reabilitação pós-aposentadoria e, quiçá, o ingresso em universidade aberta à terceira idade. Despertar o participante para as inumeráveis possibilidades associadas ao “período do ócio” é o objetivo maior do PPA; afinal, aquele que optou pela aposentadoria, precisa se dar conta de que ele pode e deve ser o “SENHOR DE SEU PRÓPRIO DESTINO”! CONSIDERAÇÕES FINAIS É direito de cada empresa exigir comprometimento no presente, que deverá ser recompensado, dentre outros, pelo sentimento do dever bem cumprido. Entretanto, é dever da mesma empresa estimular, em seu colaborador, o nascimento do ideal que envolve o valor do planejamento respeitante ao seu futuro, despertando-o para a necessidade de aprender a reconhecer, em cada crise, uma oportunidade de mudança, e, em cada mudança, uma nova e promissora oportunidade. Todo fato novo tende a gerar inquietação, que tende a gerar insegurança, que tende a gerar desconforto emocional. Toda novidade, num primeiro momento, para quem não está preparado, traz consigo o receio, que compromete todas as atuações do ser humano, em todas as dimensões da vida. A aposentadoria é um fato novo de alta relevância, que, conforme o caso, pode estar associada à ideia de inutilidade, incapacidade, perda de representatividade social, de prestígio, ou, até mesmo, proximidade da morte. Para aqueles que veem a aposentadoria como um fantasma, um acontecimento patológico no qual só se deverá pensar quando absolutamente inevitável, a 23 qualidade da vida presente poderá estar seriamente ameaçada. Afinal, o ser humano é movido pela esperança. A esperança de dias melhores é um ingrediente vital que subjaz a vida e faz produtivo o ser humano. Consoante noção cediça, só pode dar o seu melhor, no presente, aquele trabalhador que consegue olhar o futuro através dos prismas da esperança e da confiança. Eis aqui o inestimável valor do PPA. Ensinar o empregado a olhar o futuro com confiança por que sabe que pode ter a esperança de dias melhores. Dias melhores por que foram adredemente programados para serem vividos por aquele que se preparou para vivê-los. Aquele que descobriu que a aposentadoria não é o fim, mas, ao revés, o início de uma nova etapa, cheia de novas possibilidades num vasto campo de oportunidades. Em última reflexão, pode-se concluir, sem hesitação, que a empresa que disponibiliza para os seus colaboradores, o PPA, colherá os frutos adicionais da maior produtividade. No dizer de Francis Bacon, “conhecimento é poder”. Aquele que se prepara para a aposentadoria, recebe “conhecimento” que lhe permitirá caminhar com confiança em direção do futuro. Quem caminha com confiança rumo ao futuro, vive motivado no presente. Quem vive motivado no presente, vive melhor. Quem vive melhor, tem mais “energia”. Quem tem mais “energia”, por óbvio, tem mais saúde física e mental, e, portanto, é mais produtivo. Quem é mais produtivo, tem mais “poder”, por que pode promover maiores e melhores transformações no ambiente laboral, e, por extensão, no contexto social. O participante deve olhar para a sua aposentadoria como um recomeço, um renascimento privilegiado, fazendo do PPA não somente um preparo para a aposentadoria, mas, sim, para o amanhã, possibilitando-lhe a revisão de conceitos sobre o “período do ócio”, como também trabalhar as questões relacionadas a saúde, hábitos, rotinas e estilos de vida, permitindo o aprimoramento de um projeto de vida pessoal. 24 Conclusão: a empresa que investir em PPA, além de nada ter a perder, e muito ter a ganhar, estará caminhando, como nenhuma outra, rumo à plenitude no cumprimento de sua função social! REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BENFATTI, Maria Luíza Paulozzi. O impacto da aposentadoria nas relações familiares. Preparação para a aposentadoria: você já pensou sobre isso? / Juliana Presotto Pereira Netto (organizadora). Vários autores. São Paulo: LTr, 2009, p.135. BUENO, Cléria Maria Lôbo Bittar Pucci. Autoestima e autoimagem do aposentado. 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