Comparação do número Nd (qd/σv0) dinâmico com o ângulo de
atrito de um solo compactado
Franciele Diemer
Mestranda do Programa de Pós-graduação em Geotecnia, Estruturas e Construção Civil - GECON,
Escola de Engenharia Civil, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil,
[email protected]
Carlos Alberto Lauro Vargas
Professor Dr., Escola de Engenharia Civil, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil,
[email protected]
Renato Resende Angelim
Professor Dr., Escola de Engenharia Civil, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil,
[email protected]
RESUMO: Os ensaios de investigação de campo representam uma necessidade para engenharia
geotécnica, pois podem identificar as camadas e estimar os parâmetros mecânicos do solo para uma
adequada previsão do comportamento das estruturas de contenção, estabilidade de taludes,
fundações, aterros compactados de barragens, entre outros. Estes ensaios realizados in situ
fornecem informações reais do comportamento do maciço, pois levam em consideração todas as
condições de contorno e fornecem informações diretas dos parâmetros do maciço, além de serem de
rápida execução quando comparados com os ensaios de laboratório. Nesse contexto a resistência do
solo é um dos principais parâmetros geotécnicos e o ensaio de penetração dinâmica com energia
variável – conhecido como PANDA, atualmente na sua 2ª geração, é um ensaio que está sendo
introduzido no Brasil, e surge como uma boa opção para auxiliar em projetos de fundações rasas,
relacionando a capacidade de carga de fundações com o ensaio PANDA2, pois apresenta uma série
de vantagens como, por exemplo: são muito leves, portáteis e de fácil execução do ensaio, além de
registrar continuamente e milimetricamente a resistência de ponta “qd” do perfil do solo. Este
trabalho tem como objetivo comparar o número Nd dinâmico, expresso pela relação (qd/σv0), com
resultados de ângulo de atrito obtidos em laboratório (ensaios de compressão triaxial drenados e
cisalhamento direto), podendo assim obter uma relação para auxiliar em projetos de obras
geotécnicas. Foram realizados ensaios PANDA2 no aterro compactado da ombreira direita da
Barragem João Leite, localizado em Goiânia-GO, a 200 km da Capital Federal, onde se obteve a
resistência de ponta do perfil do aterro. Também foram realizados ensaios de cisalhamento direto
para obtenção dos parâmetros de resistência (c’ e ’) do solo compactado a partir de amostras
retirada do referido aterro. Estes resultados nos mostram que há uma relação entre os parâmetros
de resistência de laboratório e de campo obtido com o PANDA2 e que a medida que aumenta-se o
banco de dados é possível estimar valores de resistência que irão nos auxiliar em projetos
geotécnicos.
PALAVRAS-CHAVE: Ensaios in situ, Penetrômetro dinâmico leve, PANDA2
1
INTRODUÇÃO
Projetos geotécnicos de qualquer natureza,
independentemente da abordagem, são, em
geral, executados com base em resultados de
ensaios de campo, cujas medidas permitem uma
definiçao satisfatória da estratigrafia do subsolo
e uma estimativa realista das propriedades dos
materiais envolvidos, podendo nos fornecer
adequada previsão de comportamento das
estruturas de contenção, estabilidade de taludes,
fundações, aterros compactados de barragens,
entre outros.
Diante dessa necessidade, surge como uma
alternativa o emprego de ensaios de campo, que
além de serem de mais rápida execução quando
comparados aos de laboratório, tem a vantagem
de possibilitar a análise do maciço nas
condições reais em que se encontra,
considerando fatores intrínsecos, como tensões
confinantes, umidade natural, saturação,
densidade, sucção, poro-pressão de água e fluxo
d’água, e outros extrínsecos, como temperatura,
carregamento e sobrecargas (ANGELIM,
Nesse contexto a resistência do solo é um dos
2011).
principais parâmetros geotécnicos e o ensaio de
penetração dinâmica com energia variável –
PANDA, na sua 2ª geração, é um ensaio que
está sendo introduzido no Brasil, e surge como
uma boa opção para auxiliar em projetos de
fundações rasas, relacionando a capacidade de
carga de fundações com os resultados do ensaio
PANDA2, pois apresenta uma série de
vantagens como, por exemplo: são muito leves
comparados a outros, portáteis e de fácil e
rápida
execução,
além
de
registrar
continuamente
e
milimetricamente
as
características do perfil do solo durante a
cravação. É uma ferramenta que veio a somar
às outras ferramentas de investigação in situ e
que se tratada como um ensaio de resistência
ele deve necessariamente ser associado com a
resistência ao cisalhamento do solo, e com isso
estimar parâmetros para um projeto de
fundações rasas. Este trabalho tem como
objetivo comparar o número Nd dinâmico,
proposto como a relação (qd/σv0) obtidoa com o
PANDA2 com resultados de ângulo de atrito
obtidos em laboratório (ensaios de compressão
triaxial drenados e cisalhamento direto),
podendo assim chegar a uma correlação
satisfatória para auxiliar em projetos
geotécnicos.
2
O PANDA
O equipamento PANDA, desenvolvido pela Soil
Solution Company, de origem francesa, tem seu
uso fundamentado na fórmula dinâmica dos
holandeses usada em ensaios de cone.
O ensaio fornece a medida da energia
cinética durante o processo de cravação do
cone, o que permite obter diretamente a
resistência de ponta do solo (qd) no ensaio
PANDA2, por meio da Equação 1, na qual
tem-se:
1
1 2 .MV
1
(1)
qd  .
.
A
e 1 P
M
Onde:
qd: resistência de ponta (Pa);
A: área da ponta (m²);
M: massa do martelo (kg);
V: Velocidade do impacto (m/s);
e: profundidade de penetração da haste
para uma batida do martelo (m);
P: massa das hastes e ponta (kg).
O ensaio é descrito pela norma francesa
NF P94-105, realizado por meio da cravação de
uma haste de aço com ponta cônica por golpes
de um martelo de peso fixo. Tal equipamento
possui uma ponteira cônica conectada a
extremica inferior da haste, cujo diâmetro
externo é ligeiramente maior que o da haste.
A Figura 1 apresenta um esquema do
penetrômetro PANDA2. O equipamento utiliza
um martelo de 2 kg, que, por ser operado
manualmente, aplica uma energia variável a
cada golpe. O PANDA2 é composto também de
hastes de 50 cm de comprimento e 14 mm de
diâmetro, pontas cônicas (com ápice de 45º) de
2, 4 e 10 cm² e sensor de penetração com
central
microcomputadorizada,
para
armazenamento de dados e apresentação de
penetrograma em tempo real de ensaio.
As hastes devem, preferencialmente,
apresentar o seu diâmetro externo inferior ao
diâmetro das pontas, o que garante minimização
do atrito lateral das hastes com as paredes do
furo do perfil de solo sob análise (GOURVES;
BARJOT, 1995). No entanto, devido à maior
energia necessária para cravação de pontas
maiores, materiais de alta resistência (e.g.,
certas bases de pavimento ou cascalhos
naturais) podem ser investigados com a ponteira
menor, cujo diâmetro é pouco superior ao
diâmetro das hastes, como é o caso da ponta de
2 cm2.
As hastes são unidas uma a outra por uma
rosca, de modo a obter uma série contínua e
rígida durante a penetração. A altura de golpe
do martelo não segue nenhuma regra, pois varia
constantemente com o operador, apenas
limita-se às energias de impacto registradas no
microprocessador a profundidade de cravação
da haste.
A profundidade mínima necessária por cada
golpe é fixada em 1 milímetro e adota-se uma
variação adequada de 2 mm e 20 mm.
Conforme apresentado por Oliveira (2007), esta
limitação serve para evitar o repique elástico e
geração de pressão neutra para solos saturados
e solos compactados com umidade acima da
umidade ótima.
pois a fricção lateral majora os resultados.
caso interrompe-se a cravação e o ensaio,
podendo reiniciá-lo com ponteira superior ou
refazê-lo com a de mesma dimensão quando o
operador perceba que o atrito se deu com a
parede do furo devido a perda de prumo das
hastes.
3
MATERIAIS E MÉTODOS
O trabalho de campo e a coleta de amostras
para a execução dos ensaios de laboratório
foram realizadas em um platô do aterro da
ombreira esquerda, a jusante da barragem do
Ribeirão João Leite localizada na cidade de
Goiânia – GO, região central do Brasil. A
Figura 2 mostra o panorama geral da barragem
e o platô onde se estabeleceu o campo
experimental.
Figura 2 - Fotografia aérea da barragem com a indicação
do platô (cedida pelo 42º Batalhão do Exército)
(ANGELIM, 2011).
Figura 1 - Esquema do equipamento PANDA2.
Com estas informações ele fornece em
real a resistência dinâmica ao longo da
profundidade (penetrograma) na tela do
microprocessador. A fricção entre as hastes e o
solo é nula se a cada adição de haste, com
profundidades acima de 2 m, o conjunto de
hastes for rotacionado manualmente em 360º, e
não for percebido pelo operador resistência por
atrito ao movimento de rotação, caso contrário
a resistência medida seria a soma da resistência
de ponta mais a resistência por atrito das hastes,
o que dificultaria a interpretação dos resultados,
As amostras para realização dos ensaios de
laboratório foram coletadas durante construção
do aterro, para evitar a escavação muito
profunda a partir de sua cota final e facilitar a
reconstituição do aterro.
3.1 Ensaios de compressão triaxial
Os ensaios triaxiais determinaram os
de resistência dos solos (coesão e ângulo de
atrito) para as condições de umidade natural e
saturada. Todos os ensaios foram realizados
pelo Laboratório de Solos de Furnas segundo as
normas da American Society for Testing and
Materials (ASTM). Os ensaios de compressão
triaxial foram realizados nas amostras
indeformadas retiradas do platô do aterro. Os
corpos-de-prova foram moldados na posição
vertical, ou seja, na mesma direção da espessura
das camadas compactadas, com 5 cm de
diâmetro e 10 cm de altura.
Foram executados ensaios do tipo CD para
as condições de umidade natural e saturada.
Neste estudo serão analisados os resultados
obtidos nos ensaios CDnat, tendo em vista a
condição mais semelhante com a de campo.
As tensões confinantes de ensaio foram 49,
98, 196 e 588 kPa. Excepcionalmente, a tensão
de 588 kPa foi substituída por 392 kPa no
ensaio CDnat. Essas tensões foram definidas
contemplando o intervalo de pré-adensamento
oriundo do processo de compactação e também
o das tensões geostáticas considerando o aterro
acabado.
3.3 Ensaio PANDA2
Conforme relatado anteriormente, o Ensaio
PANDA2 permite obter de uma forma direta a
resistência de ponta do solo (qd).
Foram analisados 5 ensaios PANDA2 (P1A,
P1B, P2A, P2B e P3A) dos 8 realizados no
platô do aterro da ombreira esquerda, a jusante
da barragem, a Figura 3 apresenta em planta a
localização dos pontos de sondagem realizados
com o PANDA2 com ponta de 4 cm2.
3.2 Ensaios de cisalhamento direto
O ensaio de cisalhamento direto é outra forma
de determinar os parâmetros de resistência do
solo. Neste caso realizou-se ensaios de
cisalhamento direto em amostra compactada
(dmax = 16,97 kN/m3 e wot = 20,40 %), a partir
de amostra deformada retirada do perfil do
aterro, a fim de complementar o estudo.
O ensaio de cisalhamento direto foi realizado
no Laboratório de Geotecnia da Escola de
Engenharia Civil da Universidade Federal de
Goiás, seguindo as normas da American Society
for Testing and Materials (ASTM D 3080,
2011).
Durante a realização do ensaio, cada
corpo de prova foi submetido a uma tensão
normal constante (49, 98, 196 e 392 kPa) com o
objetivo de determinar alguns pares de tensões
(cisalhante versus normal) na ruptura da
amostra.
Após a moldagem e instalação na prensa, as
amostras receberam a aplicação da carga
vertical constante e a inundação, até o fim do
adensamento (24 horas). Após o término da
fase de adensamento, iniciou-se a fase de
cisalhamento, que consistiu na aplicação de uma
carga tangencial até a ruptura com velocidade
constante de 0,042 mm/minuto.
Figura 3 - Locação dos ensaios PANDA2 (Ferreira, et al.
2013, adaptado de Angelim, 2011).
4
RESULTADOS E DISCUSSÕES
A Tabela 1 apresenta os parâmetros de
resistência do solo determinados a partir dos
ensaios de compressão triaxiais adensados
isotropicamente e drenados (CDnat) realizados
nas amostras retiradas dos blocos de amostras
indeformadas, na condição de umidade natural
que variou entre 19,3% e 22,1%.
Analisando a Tabela 1, observa-se que valor
médio do ângulo de atrito () determinado no
perfil foi de 30º e do intercepto coesivo (c') foi
de 107 kPa.
A Figura 4 apresenta o resultado obtido no
ensaio de cisalhamento direto para situação
inundada de uma amostra compactada em
laboratório.
Tabela 1 - Resultados do ensaio de compressão triaxial
(ANGELIM, 2011).
Prof.
(m)
0,25
1,15
2,45
3,15
4,15
5,15
6,15
7,15
ϕ
(º)
27
30
33
30
30
30
29
32
30
c’
(kPa)
148
80
69
93
114
134
142
72
107
350
Tensão Cisalhante (kPa)
Cota
(m)
745,75
744,85
743,55
742,85
741,85
740,85
739,85
738,85
Média
Tensão Cisalhante vs Tensão Normal
400
y = 0,8677x + 17,376
R² = 0,9992
300
250
200
150
100
50
0
0
40
80
120
160
200
240
280
320
360
400
440
480
Tensão Normal (kPa)
Figura 5 - Envoltória de resistência do solo.
As Figuras 6 a 10 apresentam os resultados
obtidos com o PANDA2 em cada ponto
ensaiado.
Tensão Cisalhante vs Deslocamento Horizontal
400
350
49,3
99,5
300
199,2
Tensão Cisalhante (kPa)
396,9
250
200
150
100
50
0
0
2
4
6
8
10
12
Deslocamento Horiz. (mm)
Figura 4. Resultado da tensão cisalhante versus
deslocamento horizontal.
Figura 6 - Perfil de resistência de ponta do solo - P1A.
A partir da Figura 4 foi possível extrair o
valor de tensão cisalhante máxima (τmáx), para
cada tensão normal aplicada (σ). Cabe salientar
que para o caso em questão todos os valores
foram extraídos para o deslocamento horizontal
de 10 mm. Os valores respectivos de tensão
cisalhante máxima (τmáx) são apresentados
resumidamente na Tabela 2.
Tabela 2 – Valores de tensão cisalhante máxima.
σ
τ máx
(kPa)
(kPa)
49,34
59,89
99,47
100,51
199,19
195,52
396,85
359,89
Os resultados da Tabela 2 foram utilizados
para o traçado da envoltória de resistência do
solo, conforme visualizado na Figura 5.
Através da envoltória apresentada na
Figura 5 e da sua respectiva equação
determinou-se um ângulo de atrito (ϕ) de 40,95º
e uma coesão (c) de 17,37 kPa.
Figura 7 - Perfil de resistência de ponta do solo – P2A.
Figura 8 - Perfil de resistência de ponta do solo – P3A.
Figura 9 - Perfil de resistência de ponta do solo – P1B
Procurando obter uma relação da resistência
dinâmica do ensaio PANDA2 (qd) com a
resistência ao cisalhamento em laboratório,
utilizou-se da teoria de resistência de
Mohr-Coulomb para encontrar uma relação
com o ensaio PANDA2, onde pode-se concluir
que existe uma relação da tensão cisalhante
máxima do solo com a resistência de ponta para
cada profundidade, conforme pode-se observar
na Figura 12. Esta relação fica na ordem de
20 vezes o valor da tensão cisalhante máxima.
f * τ máx (kPa)
0
1000
2000
3000
4000
5000
0,0
Figura 10 - Perfil de resistência de ponta do solo – P2B
Observa-se nas Figuras 6 a 10 que o perfil é
homogêneo, devido a repetibilidade dos dados,
onde os resultados de qd para os 5 pontos
ensaiados ficaram compreendidos em média
entre 2 e 4 MPa e com valores levemente
crescentes com a profundidade, coerente com o
aumento das tensões verticais e octaédricas que
aumentam com a profundidade.
Esta tendência pode ser melhor visualizada
na Figura 11, onde são plotados todos os pontos
juntos.
Figura 11 - Perfil de resistência de ponta do perfil do
solo.
Uma das teorias mais usadas para determinar
a resistência ao cisalhamento de um solo e que
melhor representa o seu comportamento é
através das envoltórias de Mohr-Coulomb. Esta
teoria afirma que os materiais rompem quando
a tensão de cisalhamento máxima, função da
tensão normal, em um determinado plano
iguala-se a resistência ao cisalhamento do
material.
Profundidade (m)
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,0
qd kPa
7,0
f * τ máx kPa
8,0
Figura 12 - Correlação entre resistência à penetração e
tensão cisalhante máxima.
Existem diversas correlações na literatura
(Terzaghi, 1943; Vésic, 1975; Baligh, 1975;
Houlsby; Teh, 1988, entre outros) que são
usuais e empregadas na interpretação de ensaios
de cone estático. Os melhores resultados tem
sido
a
combinação
de
metodologias
(SCHNAID, 2012).
Experiências realizadas em câmaras de
calibração reunidas por Robertson e Campanella
(1983b) são apresentadas na Figura 13, onde
compara a resistência à penetração do cone
estático com o ângulo de atrito medido a partir
de ensaios triaxiais para solos arenosos.
Com a intenção de encontrar uma relação da
resistência a penetração dinâmica do PANDA2
que definie-se um novo índice Nd (denominado
número dinâmico) que é expresso pela relação
qd/σv0. Dessa forma utilizando a mesma
metodologia proposta na Figura 13, apresentase os dados nas Tabelas 3 a 7 os valores de Nd e
tan ϕ para as profundidades correspondentes e
na Figura 14 os resultados obtidos. O valor de
qd utilizado foi referente ao valor médio
do perfil e o valor de σv0 foi determinado pelo
produto do peso específico natural médio do
material de 20 kN/m3 pela profundidade.
Tabela 5 – Resultados de Nd e tangente de ϕ – P3A.
Cota
(m)
745,75
744,85
743,55
742,85
741,85
740,85
739,85
738,85
σv0
(MPa
0,004
0,022
0,048
0,061
0,080
0,099
0,118
0,138
P3A – Ombreira esquerda
Qd
Nd
tan ϕ
2,30 472,24
2,36 103,93
0,58
1,55
32,32
0,65
2,89
47,17
0,58
2,01
24,94
0,58
3,34
33,55
0,58
3,50
29,49
0,55
3,14
22,73
0,62
Tabela 6 – Resultados de Nd e tangente de ϕ – P2B
σv0
(MPa
0,004
0,022
0,048
0,061
0,080
0,099
0,118
0,138
Figura 13 - Correlação entre resistência à penetração
estática de cone e ângulo de atrito (modificado de
ROBERTSON E CAMPANELLA, 1983).
Cota
(m)
745,75
744,85
743,55
742,85
741,85
740,85
739,85
738,85
Tabela 3 – Resultados de Nd e tangente de ϕ - P1A
Tabela 7 – Resultados de Nd e tangente de ϕ’ – P1B
Cota
σv0
(m)
(MPa)
745,75 0,004
744,85 0,022
743,55 0,048
742,85 0,061
741,85 0,080
740,85 0,099
739,85 0,118
738,85 0,138
Cota
(m)
745,75
744,85
743,55
742,85
741,85
740,85
739,85
738,85
P1A – Ombreira esquerda
Qd
Nd
tan ϕ
1,52 312,08
2,26
99,53
0,58
1,64
34,19
0,65
2,00
32,59
0,58
2,09
25,89
0,58
2,20
22,09
0,58
2,81
23,67
0,55
2,94
21,26
0,62
Tabela 4 – Resultados de Nd e tangente de ϕ – P2A.
σv0
(MPa
0,004
0,022
0,048
0,061
0,080
0,099
0,118
0,138
P2A – Ombreira esquerda
Qd
Nd
tan ϕ
2,07 421,62
1,50
66,00
0,58
1,87
38,95
0,65
3,14
51,21
0,58
2,67
33,12
0,58
3,07
30,84
0,58
2,18
18,37
0,55
2,20
15,91
0,62
P1B – Ombreira esquerda
qd
Nd
tan ϕ’
2,27 451,57
2,10
92,33
0,58
2,51
56,86
0,65
2,10
34,33
0,58
2,71
33,64
0,58
2,94
29,54
0,58
1,15
9,69
0,55
3,46
25,01
0,62
1,00E+03
β=-15º
β=0
β=+15º
1,00E+02
Nd = qd / σ'v0
Cota
(m)
745,75
744,85
743,55
742,85
741,85
740,85
739,85
738,85
σv0
(MPa
0,004
0,022
0,048
0,061
0,080
0,099
0,118
0,138
P2B – Ombreira esquerda
qd
Nd
tan ϕ
2,84 576,17
1,83
80,45
0,58
3,66
76,30
0,65
2,13
34,74
0,58
2,22
27,56
0,58
4,13
41,51
0,58
1,63
13,74
0,55
4,55
32,93
0,62
1,00E+01
Janbu e Sanneset (1974)
1,00E+00
0,0
0,2
0,4
0,6
0,8
1,0
1,2
1,4
Tangente ϕ
P1A
P2B
P1B - cisalhamento direto
P2A
P1A - cisalhamento direto
P2B - cisalhamento direto
P3A
P2A- cisalhamento direto
P1B
P3A - cisalhamento direto
Figura 14 - Correlação entre resistência à penetração do
PANDA2 e ângulo de atrito.
Através dos resultados apresentados na
Figura 14, pode se observar que não existe uma
relação perfeita entre a tan ϕ e o Nd e isto pode
ser devido ao solo em estudo apresentar
resistência por coesão e não somente a
resistência por atrito, o que não é considerado
nos parâmetros do gráfico. Mesmo assim existe
uma
relação
entre
estes
parâmetros
considerando que se trata de uma camada
compactada relativamente homogênea, ou seja,
que conduzirá a um mesmo valor de tan ϕ.
Na Figura 14 se observa uma diferença entre
os dados de cisalhamento com as amostras de
campo e do cisalhamento direto com a amostra
compactada em laboratório, onde o ângulo de
atrito da amostra de laboratório (cisalhamento
direto) ficou maior que das amostras obtidas em
campo (ensaios triaxiais), isso pode ser devido
ao processo de compactação em laboratório
mais controlado e o ângulo de atrito do ensaio
triaxial ser sempre o menor e também pelas
diferenças inerentes a cada tipo de ensaio.
Cabe salientar que esta relação não é
definitiva, pois é necessário mais pesquisas com
outros tipos de solos (fofo, compacto, etc.) e
também em diferentes condições de umidade (
variação do perfil de sucção).
5
CONCLUSÕES
A resistência ao cisalhamento do solo
compactado analisado neste trabalho tem
relação com a resistência de ponta medida
como o penetrômetro dinâmico leve PANDA2.
Uma relação preliminar da resistência de
ponta dinâmica (qd) do PANDA2 foi encontrada
com a tangente do ângulo de atrito, isto com
base em correlação existentes para o ensaio de
cone (penetração estática de cone), onde se
verifica uma variação maior nesta relação qd
versus tan ϕ devido também a presença de
coesão no solo.
Esta relação precisa ser mais estudada para
o caso de solos com resistência por atrito mais
resistência por coesão e também para diferentes
tipos de solos e condições de umidade.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao CNPQ, à Eletrobrás-Furnas,
aos meus professores pelo apoio e a
Universidade
Federal
de
Goiás
pela
concretização desse trabalho.
REFERÊNCIAS
AFNOR: l’Association Française de Normalisation. NF
P94-105. Controle de La qualité Du Compactage –
Méthode ao pénétromètre dynamique à énergie
variable –Norme Française. La Plaine Saint-Denis
Cedex, 2012, 38 p.
ANGELIM, R. R. (2011). Desempenho de Ensaios
Pressiométricos em Aterros Compactados de
Barragens de Terra na Estimativa de Parâmetros
Geotécnicos. Tese de Doutorado, Departamento de
Engenharia Civil e Ambiental, Universidade de
Brasília, Brasília, DF, 291 p.
ASTM - American Society for Testing and Materials.
D3080: Standard Test Method for Direct Shear Test
of Soil under Consolidated Drained Conditions.
United States, 2011. 9p.
FERREIRA, I. P., QUIRINO. R.; SOARES, T. M.
(2013) Estudo comparativo entre os ensaios SPT e
PANDA 2 em aterros compactados de barragem de
terra. Trabalho de Conclusão de Curso,
Departamento de Engenharia Civil da Universidade
Federal de Goiás, UFG, Goiânia – GO, 76p.
ROBERTSON, P. K.; CAMPANELLA, R. G.
Interpretation of cone penetration tests. Canadian
Geotech. Journal, v. 20, n. 4, p. 718-733, 1983.
SCHNAID, F., ODEBRECHT, E. Ensaios de Campo e
suas aplicações à Engenharia de Fundações. Editora
Oficina de Texto, São Paulo, 2012, 223p.
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Comparação do número Nd dinâmico com o ângulo de atrito de um