Copa em Discu$S/Ao Ano II, n. 13, Curitiba, 30 de setembro de 2012 www.copaemdiscussao.com.br E-mail: [email protected] Boletim eletrônico editado pelo Núcleo Curitiba do Observatório das Metrópoles, Projeto Cidade em Debate e LaDiMe Editorial Mais um mês se passou e menos um mês se contabiliza para a Copa de 2014 e para as Olimpíadas de 2016. A corrida contra o tempo se acelera e, com ela, as obras relativas à preparação dos megaeventos. A transparência na divulgação dos valores envolvidos nas intervenções não segue o mesmo ritmo das obras... mas continuamos alerta, trazendo ao leitor um pouco do que foi notícia no mês de setembro e do que está para acontecer em outubro. Dentre os fatos que merecem destaque aponta-se a realização em Curitiba no mês de setembro, a oficina nacional do projeto Metropolização e Megaeventos, que contou com a participação de pesquisadores de todas as cidades que serão sedes da Copa de 2014 no Brasil. Durante os trabalhos, além de fortalecer os eixos analíticos prioritários do projeto, também foi possível refletir sobre novas demandas e aproximar mais os pesquisadores da realidade em transformação em função do evento, resultando na reafirmação do papel das equipes independentes de pesquisa na formulação de leituras críticas sobre o que ocorre hoje no país. Na presente edição do Copa em Discu$S/Ao, há especial ênfase nas Olimpíadas, tanto do ponto de vista de seu papel na reestruturação das cidades, quanto no âmbito da atividade esportiva. Como novidade, anunciamos a inserção do grupo de pesquisadores de Porto Alegre na composição do Boletim, o que deverá resultar na ampliação dos temas tratados, na visão comparativa entre as duas principais cidades do sul do país e na incorporação de novos leitores. Leia, reflita, contribua! Olga Firkowski Coordenadora do Núcleo Curitiba do Observatório das Metrópoles Nesta edição Copa em Notícias 2 Copa 2014: o que foi notícia em setembro Aline Ferreira Martins, Cléverson José dos Santos Copa em Debate 8 Agenda de Outubro de 2012 Copa em Análise 3 “The Olympic City Project” Copa Acadêmica Patricia Baliski 9 Copa em Dados 6 O desempenho olímpico do Brasil: retrospectiva e tendências Olga Firkowski, Aline Ferreira Cléverson José dos Santos Martins, “Dossiê 2007-2016 - A década dos megaeventos esportivos no Brasil” - Revista Motrivivência (Revista de Educação Física, Esporte e Lazer) / UFSC 2 Copa em Discu$S/Ao Copa em Notícias Copa 2014: o que foi notícia no mês de setembro Por Aline Ferreira Martins e Cléverson José dos Santos Bolsistas permanência junto ao LaDiMe A apresentação de duas emendas na Câmara Municipal de Curitiba na seção do dia 11 de setembro, referentes à solicitação da ampliação do valor dos títulos de potencial construtivo concedidos ao Clube Atlético Paranaense, suscitou grandes discussões e o questionamento quanto à natureza dos créditos: de um lado os que consideram os títulos como recurso público; e de outro, aqueles de posição contrária (entre eles o atual prefeito de Curitiba, Luciano Ducci). No entanto, segundo o Jornal Gazeta do Povo, para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), os recursos provenientes dos títulos de potencial construtivo são considerados como dinheiro público. Esse parecer, ainda não votado no TCE-PR, seria utilizado pela oposição contra as emendas na seção marcada para o dia 10 de outubro, na qual seria decidida a ampliação ou não do valor dos títulos. Porém, alguns dias antes das eleições municipais, o prefeito Luciano Ducci (naquele momento, candidato à reeleição) solicitou a retirada da proposta enviada à Câmara, com a justificativa da necessidade de realização de estudos mais aprofundados. Para o Jornal Gazeta do Povo, o recuo foi estratégico, na medida em que a proposta seria motivo de pressão eleitoral e de desgaste às vésperas da eleição. As demolições próximas ao estádio também começaram; as três primeiras residências que haviam sido desapropriadas foram demolidas no dia 13/09, sendo que, nos próximos dias, outras irão ser destruídas. Ainda em relação à reforma da Arena, O Atlético anunciou, no dia 16/09, que 50% das obras já estão concluídas; a primeira metade se referiu à demolição das estruturas originais, terraplanar algumas áreas e construir as Ivolnaldo Alexandre / Gazeta do Povo A primeira parcela do empréstimo feito pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para a adequação da Arena da Baixada para a Copa do Mundo de 2014 deve ser liberada no começo de outubro. A última barreira burocrática foi vencida no dia 04/09, quando o Ministério da Fazenda autorizou a formalização da operação. As duas primeiras parcelas serão liberadas ainda esse ano, sendo que as outras três devem ser concedidas ao longo do ano de 2013. Início da demolição dos imóveis desapropriados no entorno da Arena da Baixada novas estruturas. O estádio, que começou a ser reformado em janeiro desse ano, tem prevista sua reinauguração para junho de 2013. Há menos de dois anos para o início do Mundial, seis dos doze estádios ainda não cumpriram metade do cronograma de obras. Entre as sedes atrasadas estão Curitiba, São Paulo e Manaus, que estão um pouco abaixo dos 50% de conclusão. Natal e Porto Alegre são os casos mais graves: as cidades cumpriram 30 e 33%, respectivamente. Fortaleza ganhou destaque entre as sedes, pois já tem 87% das obras concluídas. As inscrições para voluntários ultrapassaram as expectativas, mais de 120 mil pessoas se candidataram para atuar na Copa. Nesse cenário positivo, o governo brasileiro já planeja aumentar o número de voluntários atuantes durante o evento. Além dos voluntários exigidos pela FIFA, que desempenharão atividades nos estádios, outra parte deverá orientar turistas nos pontos turísticos. O secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, em recente visita ao Brasil elogiou o espírito futebolístico que tem tomado o país. Segundo ele, esse sentimento não se restringe às expectativas em torno do resultado da competição, mas atinge também o legado que as transformações urbanas deixarão para a população das cidades sedes. (Será?) A Arena Fonte Nova, em Salvador, já está recebendo sua nova cobertura. O modelo big flit, projetado por engenheiros americanos e europeus, é inédito no Brasil. Além de proteger todos os assentos, a cobertura também terá a função de captar a água da chuva. Outro estádio que deu início a uma nova etapa foi o Itaquerão. Nesse mês as obras viárias ao redor do estádio foram iniciadas. Com essa nova fase, o Itaquerão deve ultrapassar a casa dos 50% de conclusão. No mês de agosto, após a apresentação do catálogo com os CTs disponíveis para as seleções durante o Mundial de 2014, o presidente da CBF, João Maria Marin, anunciou no dia 19/09, o local onde a seleção brasileira deve se hospedar e treinar para a Copa das Confederações, a cidade de Goiânia. O campeonato ocorrerá entre os dias 15 e 30 de junho de 2013 e a partida de abertura será no Estádio Nacional de Brasília, a 200 km de Goiânia. 3 Copa em Discu$S/Ao Ainda em relação à Brasília, mais uma obra de mobilidade urbana será excluída do Compromisso Oficial para a Copa. O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) por decreto da Justiça do Distrito Federal foi paralisado, em função de suspeitas de corrupção durante sua construção. Foi anunciado, no dia 27/09, os horários dos jogos durante o Mundial, sendo que a partida de abertura ocorrerá no dia 12/06/2014, às 17 h, em São Paulo. Na primeira fase acontecerão jogos nos seguintes horários: 13 h, 15 h, 16 h, 17 h, 18 h, 19 h ou 21 h. Sendo que nas oitavas e quartas de final serão realizados às 13h e 17h, nas semifinais às 17h e a final ocorrerá no dia 13 de julho, no Maracanã, às 16 h. Nota-se a preocupação da FIFA em ajustar os horários das partidas de acordo com os fusos horários europeus, de onde vem boa parte dos acordos publicitários. No dia 16/09, no programa Fantástico, da TV Globo, foi anunciado pelo ex-jogador Ronaldo, membro do Conselho de Administração do Comitê Organizador Local (COL), o Tatu-Bola como mascote da Copa, na semana que antecedeu o registrado feito pela FIFA do desenho do animal no site de patentes europeias (OHIM). Na página da entidade está aberta a votação para escolha do nome mascote, sendo que as opções são: Amijubi, Fuleco e Zuzeco. Mais informações: http://www.gazetadopovo.com.br/copa2014/conteudo.phtml?tl=1&id=1301917&tit=Para-atender-mercado-europeu-Fifa-poe-24-jogospara-inicio-da-tarde http://www.gazetadopovo.com.br/copa2014/estrutura/conteudo.phtml?tl=1&id=1302131&tit=Governo -retira-de-compromisso-oficialmais-uma-obra-de-transporte http://www.gazetadopovo.com.br/copa2014/conteudo.phtml?tl=1&id=1298154&tit=Fifa-confirma-tatu-bola-como-mascote-da-Copa-2014 http://www.gazetadopovo.com.br/copa2014/arena/conteudo.phtml?tl=1&id=1297800&tit=Atletico-diz-que-obra-esta-50-executada http://www.gazetadopovo.com.br/copa2014/arena/conteudo.phtml?tl=1&id=1295722&tit=Oposicao -adia-novamente-votacao-do-potencial-construtivo-a-Arena http://www.gazetadopovo.com.br/copa2014/arena/conteudo.phtml?id=1304245 http://www.gazetadopovo.com.br/copa2014/arena/conteudo.phtml?tl=1&id=1303887&tit=Lei -que-aumenta-potencial-construtivo-esuspensa http://www.gazetadopovo.com.br/copa2014/arena/conteudo.phtml?tl=1&id=1297366&tit=Imoveis -vizinhos-a-Arena-comecam-a-serdemolidos Copa em Análise “The Olympic City Project” Por Patricia Baliski Núcleo Curitiba - Observatório das Metrópoles / Bolsista de Extensão CNPq “Alguns lugares olímpicos antigos são adaptados e usados de modo que desmentem suas grandes origens; transformados em prisões, habitação, centros comerciais, ginásios, igrejas. Outros ficam sem uso por décadas e se tornam cápsulas trágicas do tempo, exemplos de planejamento equivocado e promessas quebradas dos benefícios que os Jogos trariam. Após o término de evento, em que as medalhas foram entregues e a tocha se extingue, o que acontecerá? O que acontece com uma cidade após os Jogos Olímpicos acabarem?” 1 Na sequência, apresentamos algumas imagens disponibilizadas pelos idealizadores do projeto. Maiores informações podem ser obtidas na homepage do projeto1, bem como na página de Internet da galeria em que o trabalho foi exposto2. ¹ http://www.olympiccityproject.com/ ² http://storefrontnews.org/programming/events?preview=true&e=486 http://www.flickr.com/photos/storefront/7742121208/sizes/l/ in/set-72157630972528794/ A partir desses questionamentos, o fotógrafo Jon Pack e o cineasta Gary Hustwit deram início ao “The Olympic City Project”. Desde 2008, o projeto tem registrado o legado dos Jogos Olímpicos de algumas antigas cidades-sede, fotografando os sucessos e fracassos, os lugares esquecidos e os fantasmas do espetáculo olímpico. Até o momento, os idealizadores já documentaram Atenas, Barcelona, Cidade do México, Los Angeles, Montreal, Lake Placid, Roma, Sarajevo, além de Pequim, Moscou, Berlim e Londres. O lançamento ocorreu no dia 07 de agosto deste ano, em Nova York, na Storefront for Art and Architecture, com a exposição fotográfica “The Post-Olympic City”. O projeto culminará com a publicação de um livro de fotografias de edição limitada, em março de 2013. Storefront for Art and Architecture (Nova York), com a exposição “The Post-Olympic City” 4 Copa em Discu$S/Ao http://olimpiadas.uol.com.br/album/2012/ http://olimpiadas.uol.com.br/album/2012/ Los Angeles - Jogos Olímpicos de Verão 1932 Embora o Grand Auditorium Olympic tenha sido construído alguns anos antes, foi alugado pelo Comitê Olímpico para a realização dos Jogos de 1932. Na época era o local com maior capacidade de público dos Estados Unidos. Nas décadas seguintes, foi utilizado para lutas de boxe e shows musicais. Em 2005, toda a propriedade foi comprada pela igreja coreana-americana Glory Church of Jesus Christ. http://olimpiadas.uol.com.br/album/2012/ http://olimpiadas.uol.com.br/album/2012/ Berlim - Jogos Olímpicos de Verão 1936 Ao lado, piscina utilizada nas competições de 1936. Acima, Vila Olímpica dos Jogos de 1936, em Berlim (Alemanha). Abandonada por setenta anos, a Vila Olímpica foi assumida em 2006 pela Fundação alemã DKB e, no local, pretende-se criar um museu ao ar livre. http://olimpiadas.uol.com.br/ album/2012/ http://olimpiadas.uol.com.br/album/2012/ Munique - Jogos Olímpicos de Verão 1972 Estação de trem construída para os Jogos Olímpicos de Verão de 1972, em Munique. 5 Copa em Discu$S/Ao http://olimpiadas.uol.com.br/album/2012/ http://storefrontnews.org/programming/events?preview=true&e=486 Sarajevo - Jogos Olímpicos de Inverno 1984 Na localidade de Trebević, em Sarajevo, foram construídas pistas para as provas de bobsleigh e luge, esportes de inverno em que são utilizados trenós. Posteriormente, no início da década de 1990, a estrutura, localizada em uma região montanhosa, foi utilizada como ponto de artilharia nos conflitos do cerco de Sarajevo. http://olimpiadas.uol.com.br/album/2012/ http://olimpiadas.uol.com.br/album/2012/ Atenas - Jogos Olímpicos de Verão 2004 Da esquerda para a direita: Complexo Olímpico e Estádio Olímpico. Após os gastos exorbitantes para a realização dos Jogos Olímpicos de Verão de 2004 em Atenas, grande parte dos equipamentos está abandonada pela falta de recursos para a manutenção. http://olimpiadas.uol.com.br/ album/2012/ http://olimpiadas.uol.com.br/album/2012/ Pequim - Jogos Olímpicos de Verão 2008 Estádios construídos para as competições de vôlei, para os Jogos de Pequim de 2008. 6 Copa em Discu$S/Ao Copa em Dados O desempenho olímpico do Brasil: retrospectiva e tendências Olga Firkowski Coordenadora do Núcleo Curitiba do Observatório das Metrópoles Aline Ferreira Martins Bolsista permanência junto ao LaDiMe Cléverson José dos Santos Bolsista permanência junto ao LaDiMe O desempenho do Brasil nos XXX Jogos Olímpicos de Verão em Londres, apesar de ter sido o melhor da história em quantidade de medalhas, não foi tão animador quanto se esperava, principalmente em razão de que as próximas Olimpíadas serão realizadas no Brasil... Na natação, o favorito Cesar Cielo não conseguiu o bicampeonato nos 50m livres e terminou a prova na 3º colocação, obtendo o bronze. Já Thiago Pereira conquistou a prata nos 200m medley, modalidade que combina os quatro estilos da natação (borboleta, costas, peito e livre). No quadro de medalhas comparativo entre os países, o Brasil ocupou a 22ª posição com 17 medalhas, assim distribuídas: 3 medalhas de ouro nas modalidades de ginástica artística masculina, judô feminino, vôlei feminino; 5 medalhas de prata: boxe masculino, futebol, natação masculino, vôlei de praia masculino; 9 medalhas de bronze: boxe feminino, boxe masculino, judô masculino, judô feminino, natação masculino, pentatlo moderno feminino, vela masculino e vôlei de praia feminino. A equipe de futebol foi derrotada pelo México e, mais uma vez, não conseguiu o desejado ouro olímpico. No futebol feminino, as jogadoras perderam para as japonesas nas quartas de finais, deixando a competição antes do previsto e sem medalhas. Alguns atletas pouco conhecidos em modalidades também pouco apoiadas no Brasil, foram responsáveis por importantes medalhas, dentre eles, o ginasta Arthur Zanetti, que ganhou o ouro nas argolas e a pentatleta Yane Marques, que conquistou um bronze inédito para o Brasil. O boxe foi a modalidade que mais surpreendeu nos Jogos Olímpicos. Com uma prata, conquistada por Esquiva Falcão, na categoria até 75kg, e dois bronzes de Yamaguchi Falcão (até 81kg) e Adriana Araújo (até 60kg). Com o bom desempenho em Londres, o esporte já busca mais apoio e almeja resultados melhores para 2016. No judô, esporte que tradicionalmente garante medalhas para o Brasil, o ouro de Sarah Menezes (até 48kg), o bronze de Mayra Aguiar (até 78 kg), de Felipe Kitadai (até 60kg) e Rafael Silva (acima de 100kg), confirmam a boa fase dessa modalidade esportiva no Brasil. A seleção de voleibol feminino conquistou o bicampeonato olímpico, vencendo as norte-americanas. A seleção masculina, por sua vez, foi vencida de virada pelos russos e ficou com a medalha de prata. Nas areias do vôlei de praia, onde os brasileiros sempre se apresentam como fortes candidatos ao pódio, a dupla Emanuel e Alison perdeu na final e ficou com a prata; já a dupla Juliana e Larissa, após ser derrotada na semifinal, garantiu o bronze para o Brasil. Robert Scheidt e Bruno Prada, velejadores que competem na classe Star, apesar de terminarem em sétimo na última disputa, haviam somado uma boa pontuação nos dias anteriores e conquistaram o bronze. Assim, considerando a atuação do Brasil em 2012, é natural que se busque uma visão de mais longo prazo, de modo a que se tenha um perfil comparativo com as edições anteriores das olimpíadas. Nesse intuito, apresenta-se, a seguir, uma retrospectiva das edições anteriores, de modo a que se verifique permanências e alternâncias de modalidades esportivas nas quais o Brasil se destacou ao longo do tempo. Objetiva, também, contribuir para que se reflita sobre as modalidades pouco praticadas e/ou apoiadas no Brasil. Atlanta - 1996 Nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, a vela foi o esporte que mais trouxe medalhas para o Brasil. A dupla Torben Grael e Marcelo Ferreira garantiu o ouro na classe Star; na classe Laser, o velejador Robert Scheidt também subiu no lugar mais alto do pódio; Lars Grael e Kiko Pellicano, que ganharam o bronze na classe Tornado, completam o time de velejadores medalhistas. O voleibol também mereceu destaque. No vôlei de praia feminino, o Brasil fez dobradinha no pódio, com o ouro de Jacqueline Silva e Sandra Pires, e a prata de Adriana Samuel e Mônica Rodrigues. Nas quadras, a seleção feminina conquistou o bronze. Os nadadores Gustavo Borges e Fernando Scherer representarem muito bem sua modalidade. Borges subiu duas vezes ao pódio, para receber a prata nos 200m livres e o bronze nos 100m livres, enquanto Scherer foi medalhista de bronze nos 50m livre. Copa em Discu$S/Ao 7 A terceira prata brasileira, nesta edição dos jogos, ficou com as jogadoras da seleção de basquetebol feminino. Ainda nos esportes de equipe, a seleção de futebol masculino conquistou o bronze. O quarteto formado por Arnaldo Oliveira, Robson Caetano, Edson Luciano e André Domingos levou o bronze no revezamento 4x100m do atletismo. Outro quarteto que também colocou mais um bronze no quadro de medalhas brasileiro foi composto pelos cavaleiros Rodrigo Pessoa, Andre Johannpeter, Doda e Luiz Felipe de Azevedo na competição por equipes do hipismo. Por fim, o judô masculino, com Henrique Guimarães e Aurélio Miguel, trouxe dois bronzes para o Brasil, nas categorias até 66kg e até 95kg. Com 3 ouros, 3 pratas e 9 bronzes, o Brasil encerrou sua participação em Atlanta na 25ª posição no quadro de medalhas. Sydney - 2000 A campanha brasileira em Sidney é considerada uma das mais pífias no âmbito do esporte olímpico brasileiro. A delegação brasileira voltou para seu país sem nenhum ouro. Assim como em Atlanta, o voleibol teve grande destaque. Com mais uma dobradinha no pódio feminino, o vôlei de praia trouxe a prata, com Adriana Behar e Shelda, e o bronze, com Sandra Pires e Adriana Samuel; na competição masculina, Ricardo e Zé Marco perderam na final e ficaram com a prata. Nas quadras, as meninas do vôlei terminaram em 3° lugar, recebendo a medalha de bronze. Na vela, Robert Scheidt, competindo na classe Laser, conquistou a prata; já Torben Grael e Marcelo Ferreira, da classe Star, ganharam o bronze. O atletismo brasileiro, mais uma vez, foi bem colocado no revezamento 4x100m; Edson Luciano, Claudinei Quirino, André Domingos e Vicente Lenilson trouxeram a prata para o Brasil. Na natação, Fernando Scherer, Gustavo Borges, Carlos Jayme e Edvaldo Valério, garantiram o bronze no revezamento 4x100m livre. Os judocas Tiago Camilo (até 90kg) e Carlos Honorato (até 90Kg) acrescentaram duas medalhas de prata ao quadro de medalhas do Brasil. A equipe masculina de hipismo, composta por Rodrigo Pessoa, André Johannpeter, Luiz Felipe de Azevedo, ganhou o bronze. Em Sidney, com 6 medalhas de prata e 6 de bronze, o Brasil amargou a 53ª posição no quadro de medalhas. Atenas - 2004 Nos jogos realizados em Atenas no ano de 2004, o Brasil enviou uma delegação que consistiu em 247 atletas, conseguindo o melhor desempenho brasileiro em Jogos Olímpicos, conquistando cinco medalhas de ouro, duas de prata e três de bronze, na colocação geral terminou em 16º - segunda melhor colocação brasileira, perdendo para 1920 em Antuérpia, na Bélgica, quando conquistou o 15º lugar, com um ouro, uma prata e um bronze. Além das medalhas comuns (ouro-prata-bronze), nos Jogos Olímpicos de Atenas o maratonista brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, conquistou a Medalha Pierre de Coubertin – maior honra concedida pelo Comitê Olímpico Internacional - pelo espírito olímpico que apresentou durante a disputa da Maratona, quando, enquanto liderava a prova, foi empurrado pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan, que burlou a segurança, porém o atleta brasileiro continuou a competir e, apesar de perder o ritmo, conquistou a medalha de bronze. O vôlei brasileiro também trouxe medalha de ouro de Atenas, a equipe masculina comandada por Bernardinho, conquistou a medalha após bater os italianos na final, porém a equipe feminina não passou do quarto lugar na competição, após ser derrotada pelas cubanas na disputa pelo bronze. O vôlei de praia logrou duas medalhas em Atenas, a primeira de ouro, com a dupla Ricardo e Emanuel, e a segunda de prata com a dupla feminina Adriana e Shelda. O judô rendeu ao Brasil duas medalhas de bronze: uma com o meio-médio Flávio Canto e outra com o leve Leandro Guilheiro. A vela trouxe dois ouros para o País, com Robert Scheidt, na classe laser e com a dupla Torben Grael e Marcelo Ferreira, na classe Star. Enquanto o futebol masculino não tinha nem passado do pré Olímpico, o feminino conquistou a prata, após uma derrota para os EUA. Um ano após o término das Olimpíadas de Atenas o Brasil conquistou o quinto ouro, quando foi confirmado o doping no cavalo do irlandês que havia ficado em primeiro lugar, deixando o cavalheiro Rodrigo Pessoa, que havia conquistado a prata, com o ouro. Copa em Discu$S/Ao 8 Pequim - 2008 A comitiva brasileira enviada para os Jogos de Pequim em 2008 consistiu de 277 atletas. Foi a vigésima participação brasileira em Jogos Olímpicos. Na classificação geral terminou em 23° lugar, com a conquista de três ouros, quatro pratas e oito bronzes. As primeiras medalhas brasileiras vieram com o Judô: Ketleyn Quadros foi a primeira mulher a conquistar uma medalha olímpica em competições individuais femininas, com um bronze; o judoca Tiago Camilo conquistou também um bronze. O nadador César Cielo trouxe duas medalhas para o país, a primeira de bronze, nos 100m livre, e a segunda de ouro nos 50m nado livre. A vela também rendeu medalha para o Brasil, com a dupla feminina Fernanda Oliveira e Isabel Swan, na classe 470. Duas duplas brasileiras subiram no pódio no vôlei de praia, a prata com Márcio e Fábio Luiz e o bronze com Ricardo e Emanuel. O futebol feminino conquistou novamente a medalha de prata, enquanto o masculino ficou com o bronze. O vôlei feminino conquistou o ouro em Pequim, já o masculino ficou com a prata. Maurren Maggi conquistou o ouro no salto em distância, quando atingiu a marca de 7,04m. Natália Falavigna conquistou a primeira medalha brasileira no taekwondo, um bronze na categoria acima de 67Kg. Tendências Após essa retrospectiva pode-se observar algumas tendências, que apontam ora para a manutenção e/ou ampliação de algumas modalidades que estiveram recorrentemente presentes no rol de medalhas obtidos pelo Brasil ao longo do período analisado, ora para o desaparecimento de modalidades que foram importantes num determinado período, ora, ainda, para a emergência de novas modalidades medalhistas. As modalidades judô, vôlei (tanto de quadra quanto de praia) e vela, são as únicas que tiveram perenidade ao longo do período analisado (1996-2012) do ponto de vista de conquista de medalha, embora variando o tipo de medalha conquistada. Natação e futebol tiveram descontinuidade temporal em alguma edição dos jogos, aqui considerado tanto o futebol masculino quanto o feminino. Hipismo e atletismo protagonizaram papel de grande importância, o primeiro entre 1996 e 2004 e o segundo nos anos de 1996 e 2000, mas desapareceram nas outras edições dos jogos. Outras modalidades tiveram participação pontual em uma edição, foram elas: maratona em 2004; salto em distância e taekwondo em 2008; basquete feminino em 1996 além de boxe, ginástica artística e pentatlo em 2012. Assim, deve-se refletir acerca das políticas voltadas à formação de atletas no Brasil, sobretudo quando se considera, por exemplo, a variedade de modalidades de caráter individual como aquelas relacionadas ao atletismo e seu potencial na conquista de medalhas. Também não pode ser desprezada a oportunidade gerada por uma modalidade medalhista e que tem o importante papel de despertar a atenção dos jovens para sua prática. Há poucos anos das Olimpíadas no Brasil, não nos parece que as políticas voltadas ao fortalecimento do esporte e à preparação para a ampliação qualificada da participação brasileira estejam cumprindo seu papel, isto porque a recente experiência de Londres não apresenta um quadro muito animador no que concerne à excelência do esporte brasileiro. Todas as imagens utilizadas nesta seção foram extraídas de <http://olimpiadas.uol.com.br/2008/historia/> Copa em Debate Agenda de Outubro de 2012 11 - Palestra da Secretaria Especial da Copa 2014 sobre a preparação para o mundial, no X Congresso Internacional da Federação Pan-americana de Segurança Privada Horário: a confirmar Local: EXPOUnimed Curitiba - Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300 (Campo Comprido) - Curitiba/ PR 15 - Reunião Comitê Popular da Copa de Curitiba Horário: 18:30 horas Local: CRESS/PR - Rua Monsenhor Celso, 154 (Centro) - Curitiba/PR 15 - Reunião do Projeto Metropolização e Megaeventos Horário: 14 horas Local: Centro Politécnico/UFPR (Jardim das Américas) - Curitiba/PR Copa em Discu$S/Ao 9 Copa Acadêmica Nesta edição do boletim Copa em Discu$S/Ao indicamos o “Dossiê 2007-2016 - A década dos megaeventos esportivos no Brasil” publicado pela Revista Motrivivência (Revista de Educação Física, Esporte e Lazer), da Universidade Federal de Santa Catarina. Na sequência apresentamos os artigos que compõem o número. Os textos completos podem ser acessados no seguinte endereço: <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/motrivivencia/issue/view/1499/showToc> Os “Negócios Olímpicos” de 2016 no Brasil: “o esporte pode tudo”? Editorial - Os editores. Copa do Mundo e Jogos Olímpicos: inversionalidade e transversalidades na cultura esportiva e na Educação Física escolar. Por Mauro Betti. Organismos internacionais e grandes eventos esportivos: novas dinâmicas da dominação burguesa para o século XXI. Por Marcelo Paula de Melo. Observações sobre os impactos econômicos esperados dos Jogos Olímpicos de 2016. Por Marcelo Weishaupt Proni. O legado educativo dos megaeventos esportivos. Por Katia Rubio. Pedalar na Copa 2014 e nas Olimpíadas 2016 no Brasil? Por Rodrigo Duarte Ferrari, Veronica Piovani Os megaeventos esportivos e seus impactos: o caso das Olimpíadas na China. Por Ricardo Ricci Uvinha. Olimpíada 2016 - O desenvolvimento do subdesenvolvimento. Por Nilso Ouriques. A Copa e a mídia: reflexões sobre a mais-valia ideológica, a soberania comunicacional e o jornalismo. Por Elaine Tavares. Considerações sociais e simbólicas sobre sedes de megaeventos esportivos. Por Bárbara Schausteck de Almeida, Fernando Marinho Mezzadri, Wanderley Marchi Júnior. Desafio do jornalismo na era dos megaeventos esportivos. Por Anderson Gurgel. Responsáveis pela edição Patricia Baliski - Bolsista CNPq pelo Observatório das Metrópoles Olga L. C. de Freitas Firkowski - UFPR / Observatório das Metrópoles Leandro Franklin Gorsdorf - UFPR / Observatório das Metrópoles Colaboraram nesta edição Aline Ferreira Martins - Estudante do Curso de Geografia (UFPR) Cléverson José dos Santos - Estudante do Curso de Geografia (UFPR) Vinícius Zanona - Bolsista CNPq pelo Observatório das Metrópoles Errata Na seção Copa em Dados da edição anterior (n. 12), o valor total de investimentos dos estádios foi digitado incorretamente (página 8). Ao invés de R$ 6.778.200,00, leia-se R$ 6.778.200.000,00. Além disso, ressalta-se que este valor já foi alterado para R$ 6.836.100.000,00. Os investimentos mais atualizados podem ser acessados na versão corrigida da edição em <http://www.observatoriodasmetropoles.net/download/ copa_discussao_12.pdf >. Copa em Discu$S/Ao é uma iniciativa do Núcleo Curitiba do Observatório das Metrópoles, do Projeto de Extensão Cidade em Debate (UFPR/Direito - Universidade Positivo - Ministério Público do Estado do Paraná) e do LaDiMe – Laboratório de Dinâmicas Metropolitanas do Departamento de Geografia da UFPR. É um meio de divulgação das ações relativas ao desenvolvimento do projeto Metropolização e Megaeventos esportivos, coordenado pelo Observatório das Metrópoles e financiado pela FINEP.