_______________________________________________________ O Desempenho dos Pavimentos Flexíveis _______________________________________________________ Prof. Fernando Pugliero Gonçalves Novembro de 1999 2 Índice 1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................................................4 2 - EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA APLICADA À PAVIMENTAÇÃO ...........................................6 3 - PROJETO DE PAVIMENTOS............................................................................................................8 3.1 - FATORES DE PROJETO ..........................................................................................................................11 3.2 - CONSIDERAÇÕES SOBRE O DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTOS ASFÁLTICOS .....................................11 4. PAVIMENTOS FLEXÍVEIS EM CONCRETO ASFÁLTICO.......................................................15 4.1 - FATORES QUE INFLUEM NO DESEMPENHO DE PAVIMENTOS FLEXÍVEIS .................................................16 4.2 - O COMPORTAMENTO DOS PAVIMENTOS FLEXÍVEIS ..............................................................................17 4.3 - CONSIDERAÇÕES SOBRE AS CONDIÇÕES CLIMÁTICAS...........................................................................24 4.3 - ESTUDOS EXPERIMENTAIS ENVOLVENDO ENSAIOS ACELERADOS DE PAVIMENTOS ...............................27 4.4 - O DESEMPENHO DE MISTURAS ASFÁLTICAS MODIFICADAS - ESTUDO DE CASOS ...................................39 4.4.1 - Caso 1 - Estudo do desempenho de misturas porosas................................................................39 4.4.2 - Caso 2 - Estudo experimental de misturas modificadas .............................................................44 5 - MODELOS DE PREVISÃO DE DESEMPENHO ...........................................................................48 5.1 - MODELOS EMPÍRICOS ..........................................................................................................................49 5.2 - MODELOS MECANÍSTICO-EMPÍRICOS....................................................................................................50 5.3 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA PARCIAL SOBRE MODELOS DE PREVISÃO DE DESEMPENHO ...........................54 6 - O TRINCAMENTO DOS PAVIMENTOS ASFÁLTICOS.............................................................67 6.1 - PRINCIPAIS CAUSAS DO TRINCAMENTO ................................................................................................67 6.2 - PROPAGAÇÃO DAS TRINCAS .................................................................................................................68 6.3 - CLASSIFICAÇÃO DAS TRINCAS..............................................................................................................70 6.4 - CONSEQÜÊNCIAS DESFAVORÁVEIS DAS TRINCAS .................................................................................72 6.5 - A REFLEXÃO DE TRINCAS ....................................................................................................................72 6.6 - FADIGA DAS MISTURAS ASFÁLTICAS ....................................................................................................74 6.6.1 - Fatores que influem na vida de fadiga das misturas asfálticas..................................................76 6.7 - PREVISÃO DA OCORRÊNCIA DE TRINCAMENTO POR FADIGA ................................................................79 7 - AFUNDAMENTOS EM TRILHA DE RODA................................................................................115 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................................148 3 1. Introdução A tarefa de se melhorar o desempenho dos pavimentos é uma atividade complexa e se constitui num desafio constante. Para vencê-lo, diversos programas de pesquisas vem sendo desenvolvidos ao longo do tempo em vários países. Dentre estes, atualmente, destacam-se a pesquisa Long Term Pavement Performance, as pesquisas envolvendo ensaios acelerados de pavimentos e o estabelecimento de especificações com base no desempenho. Esses estudos têm como objetivo comum propiciar aos responsáveis pelo processo de tomada de decisão e, aos técnicos rodoviários, informações e ferramentas capazes de auxiliá-los nas atividades de projeto e manutenção dos pavimentos, de modo que estes possam oferecer um bom desempenho ao longo de sua vida de serviço (relação custo-benefício, conforto ao rolamento e segurança do usuário). O controle dos mecanismos principais de deterioraração e o estabelecimento de modelos de previsão de desempenho dos pavimentos são atividades essenciais para a eficácia da gerência de uma determinada rede pavimentada. Entende-se por desempenho de um pavimento o grau com que o mesmo atende as funções que lhe são impostas ao longo de sua vida de serviço. A interpretação do desempenho oferecido por um determinado pavimento busca, identificar de maneira objetiva a sua condição atual e futura, possibilitando definir de forma racional as ações que compõe um Sistema de Gerência de Pavimentos. Nesse sentido, diversos órgãos rodoviários tem, ao longo do tempo, desenvolvido uma grande variedade de modelos de previsão de desempenho para utilização em suas atividades de gerenciamento dos pavimentos. De acordo com Rodrigues (1997), a engenharia de pavimentação moderna envolve a concepção, o projeto, a construção, a manutenção e a avaliação de pavimentos dentro de fatores e condicionantes técnicos, econômicos, operacionais e sociais. Sendo, neste contexto mais amplo, fundamental, para uma otimização de fato, a aplicação de modelos de previsão de desempenho mecanístico-empíricos, cuja tecnologia se encontra hoje em condições operacionais 4 O desempenho de um pavimento apresenta diferenças quando é analisado em nível de rede ou em nível de projeto. Também é preciso levar em conta a esfera em que a malha viária está envolvida, ou seja, municipal, estadual ou federal. Na fase de projeto, o desempenho é definido pelas condições oferecidas pelo pavimento em termos da presença e da severidade de mecanismos de deterioração eleitos a priori (ex.: trincamento por fadiga, deformações plásticas, serventia do pavimento e condições de atrito). Os modelos de previsão de desempenho podem ser de dois tipos: determinísticos e probabilísticos. Modelos determinísticos prevêm um único número para a vida de serviço do pavimento ou para o grau de deterioração. Já os modelos probabilísticos incluem análise de distribuição de probabilidade. São utilizados preferencialmente em nível de rede, devido às maiores incertezas associadas a esse nível. Os modelos estabelecidos a partir de respostas fundamentais fornecidas pelo pavimento permitem a previsão das principais respostas a serem oferecidas pelo pavimento quando da sua solicitação pelas cargas do tráfego e pelas condições climáticas, tais como: deflexões, tensões, deformações, tensões térmicas, teor de umidade e temperatura. Esses modelos podem ser do tipo empíricos, mecanísticos ou mecanístico-empírico (modelos calibrados com dados observados no campo). Existem modelos que congregam defeitos de toda espécie que ocorrem nos pavimentos e compõe medidas de condições do pavimento tais como o “Pavement Condition Index” (PCI). Esses modelos podem ser empíricos ou mecanístico-empíricos. Nenhum modelo inteiramente mecanístico para quantificação de defeitos foi desenvolvido até o momento, embora não exista nenhuma razão para que eles não possam ser formulados e desenvolvidos. Já os modelos oriundos da interpretação do desempenho funcional do pavimento prevêem, de modo geral, o Present Serviciability Index (PSI) e o grau de conforto e segurança oferecidos pela via. Procuram refletir quanto o pavimento atende as necessidades de conforto e segurança do usuário ao trafegar pela via. Existem, ainda, modelos derivados tanto dos modelos de desempenho funcionais quanto dos estruturais, acrescendo-se a determinação dos fatores de equivalência de cargas (damage models). A caracterização dos motivos que fazem com que alguns pavimentos ofereçam um desempenho superior a outros é um elemento chave para que se possa construir e manter de forma eficaz um sistema de rodovias. Em função disso, em 1987 teve início a 5 pesquisa Long Term Pavement Performance (LTPP), um programa que deverá durar 20 anos e tem como propósito principal estudar o desempenho de diferentes tipos de pavimentos em serviço. Envolvendo, para tanto, uma série de rigorosos testes e monitoramento de pavimentos asfálticos e de concreto cimento nos Estados Unidos e Canadá. Na primeira década o programa LTPP estabeleceu uma base de conhecimento com vistas ao entendimento do desempenho oferecido pelos pavimentos. Atualmente, entrando na sua segunda década, o grande desafio do programa é entender e explicar porque os pavimentos apresentaram tal desempenho. Nesse sentido, os responsáveis pela pesquisa estão promovendo a abertura dos dados coletados durante a primeira década. Também, está sendo distribuido a pesquisadores do campo de pavimentação que tenham interesse em colaborar na interpretação do desempenho oferecido pelas seções avaliadas, o software DataPave o qual, possibilita acesso aos dados do LTPP através de um CD-ROM. 2 - Evolução da tecnologia aplicada à pavimentação A tecnologia envolvida na pavimentação evoluiu, na medida em que aumentava o volume de tráfego e a magnitude das cargas dos veículos, desde os procedimentos baseados em tentativa de erro, anteriores a 1920, até se efetuar a integração de todas as atividades envolvidas em se administrar uma malha viária (planejamento, projeto, construção, manutenção, monitoriamento e pesquisa), dentro do moderno conceito de Sistema de Gerência de Pavimentos. Esta evolução, que acompanhou o aumento da demanda por pavimentos rodoviários e aeroportuários que oferecessem maior durabilidade, melhores condições funcionais, em termos de segurança e de conforto ao usuário, e uma utilização mais economica e racional dos recursos e materiais disponíveis, está sintetizada na Tabela 1. 6 Tabela 1 - Evolução da tecnologia de pavimentos (FONTE: período Antes de 1920 1920 - 1940 estado de desenvolvimento Inexistência de projeto. Construções eram baseadas em tentativa e erro e na experiência local Surgimento da Mecânica dos Solos. Primeiras Classificações de solos com base em sua adequação como fundação dos pavimentos (Hogentogler e Terzaghi). Construções utilizavam seções padrão. Primeira pista experimental em Illinois 1940 - 1950 “WASHO Road Test”, que evidenciou a deterioração acelerada que ocorre durante o degelo da primavera, e demostrou a influência da espessura do revestimento asfáltico no desempenho dos pavimentos flexíveis. Surge o sistema de classificação de solos aeroportuário (Casagrande, 1948) 1950 - 1960 “AASHO Road Test”. Sintese da experiência californiana (com base no desempenho de rodovias em serviço). Método USACE (CBR) 1960 - 1970 Consolidação da Mecânica dos Pavimentos, como ferramenta básica para o dimensionamento estrutural dos pavimentos. Intensos estudos de laboratório sobre as propiedades mecânicas (reológicas, de fadiga e de deformações permanentes) dos materiais de pavimentação 1970 -1993 Modelos de previsão de desempenho mecanístico-empíricos. Estruturação dos Sistemas de Gerência de Pavimentos. A reflexão de trincas em recapeamentos asfálticos se torna uma preocupação central na restauração dos pavimentos. Surgem os equipamentos automatizados para avaliação estrutural não destrutiva. Pesquisas fundamentais em trechos instrumentados e pistas circulares. Surge o “Heavy Vehicle Simulator” (África do Sul), para ensaios de fadiga acelerados em verdadeira grandeza. Estudos sobre os efeitos das cargas dinâmicas dos diversos tipos de eixos e suspensões. Pesquisa SHRP. 1993 - Atual Consolidação e implementação dos resultados da pesquisa SHRP. Início da pesquisa LTPP do FHWA, para calibração de modelos de previsão de desempenho, com base no monitoramento de seções de pavimentos em rodovias em serviço nos EUA e Canada, a ser executado durante 15 anos 7 3 - Projeto de pavimentos Um pavimento é uma estrutura que tem as seguintes funções principais: (1) Propiciar uma superfície de rolamento que atenda a requisitos de conforto e segurança para o tráfego, nas velocidades operacionais da via; (2) Manter essas características acima de limites admissíveis em quaisquer condições climáticas. A partir do início da década de 60 foram estabelecidas curvas para projeto de pavimentos flexíveis. Tompson et al. (1998) apontam que, desde então, dois critérios principais de falha vem sendo usados em procedimentos de projeto: (1) Limitação da deformação vertical de compressão no topo do subleito com vistas a se reduzir a presença de deformações permanentes no pavimento; (2) Limitação da deformação horizontal de tração na face inferior da camada de revestimentos asfáltico para minimizar a ocorrência de trincamento por fadiga. Alguns dos métodos de projeto atualmente em uso como o do Instituto do Asfalto e o da Shell estabelecem critérios de falha, como por exemplo, pela limitação de ATR a valores admissíveis em torno de 13 mm ou estabelecendo um número admissível de repetições de carga para se atingir um determinado nível de deformação de tração definida com base em ensaios de fadiga realizados em laboratório e/ou calibração efetuada a partir de dados de desempenho obtidos no campo. As respostas de um pavimento flexível quando submetido as cargas do tráfego (tensões, deformações, deslocamentos) são significativamente influenciadas pelo subleito. Uma porcentagem elevada da deflexão que ocorre na superfície do pavimento é acumulada no subleito. Se a deflexão na superfície for um critério de projeto, a necessidade de uma caracterização adequada do subleito torna-se óbvia. Uma caracterização adequada do subleito requer que sejam efetuadas considerações acerca da variação das propriedades do solo do subleito ao longo do pavimento (variabilidade longitudinal) e ao longo do tempo (efeito da sazonalidade e da variação climática). 8 Camadas granulares de base e sub-base são componentes essenciais para o desempenho de pavimentos flexíveis. Sua função principal é a de reduzir as tensões provocadas pelas cargas repetidas do tráfego e transmití-las ao subleito de maneira a minimizar a ocorrência de ATR. Além disso, as camadas granulares tem especial importância em pavimentos de baixo volume de tráfego onde a espessura do revestimento é pequena ou somente tratamento superficial é utilizado. Os módulos resilientes dos materiais das camadas granulares e do solo de subleito são parâmetros fundamentais para avaliação do comportamento estrutural de pavimentos flexíveis. No entanto, para que se possa caracterizar de maneira adequada esse comportamento estrutural, especialmente de materiais granulares e do solo de subleito, é essencial que se determine a variação da magnitude dos valores dos módulos dessas camadas tanto em relação a profundidade como no sentido longitudinal da via (variabilidade construtiva). Diversos programas desenvolvidos para a análise de pavimentos flexíveis permitem que se considere a não linearidade do materiais. No guia da AASHTO (1986) os valores de módulo de resiliência são utilizados para caracterizar solos de subleito e definir coeficientes de equivalência estrutural para as camadas granulares de base e sub-base. Também, são destacadas as dificuldades encontradas por diversos órgãos rodoviários estaduais americanos em estabelecer módulos de resiliência adequados ao processo de input prescrito pelo método de dimensionamento da AASHTO. A determinação dos módulos de resiliência das camadas que compoe uma estrutura de pavimento pode ser efetuada através dos seguintes procedimentos: ♦ Ensaios de módulo de resiliência realizados em laboratório; ♦ Retroanálise a partir de levantamentos deflectométricos efetuados com o FWD; ♦ Estimado a partir de propriedades dos materiais (ex.: granulometria, teor de argila, etc) ♦ Atribuídos com base na experiência adquirida na utilização de solos ou materiais granulares similares. De acordo com Rodrigues (1998), um pavimento dificilmente sofre ruptura catastrófica, a menos que haja erro de projeto geotécnico em casos como os de pavimentos assentes em 9 aterros sobre solos moles. A sua degradação se dá de forma contínua, ao longo do tempo, por meio de mecanismos complexos e ainda não inteiramente equacionados, onde gradativamente vão se acumulando deformações plásticas e trincas nas camadas, decorrentes de uma combinação entre a ação das cargas do tráfego e os efeitos do intemperismo (variações de temperatura e umidade ao longo do tempo). Além disso, a “ruptura” de um pavimento é, até certo ponto, indefinida e subjetiva, havendo divergências entre os técnicos e administradores quanto ao melhor momento de se restaurar um pavimento que atingiu um certo nível de deterioração estrutural e/ou funcional. Dois fatos decorrem desses aspectos: ♦ As conseqüências do mau desempenho de um pavimento nem sempre são imediatamente visíveis. Os prejuízos econômicos causados por elevações nos custos de manutenção e, mais importante ainda, nos custos operacionais dos veículos, podem ser, contudo, extremamente elevados. Além disso, a escassez de recursos para investimentos em infra-estrutura nos países em desenvolvimento torna a tecnologia envolvida na pavimentação um item muito importante para a economia desses países; ♦ A previsão do desempenho futuro de um pavimento ou de medidas de manutenção a ele aplicadas é um problema extremamente complexo. Sua importância é tão elevada, contudo, que as pesquisas na área do desenvolvimento e calibração de modelos de previsão do desempenho têm sido intensas em todo o mundo. As etapas de projeto e manutenção dos pavimentos são influenciadas, de forma predominante, pelo tipo de revestimento utilizado. Assim, pode-se classificar os pavimentos nos seguintes tipos fundamentais: ♦ Pavimentos asfálticos; ♦ Pavimentos semi-rígidos; ♦ Pavimentos rígidos; ♦ Pavimentos de blocos rígidos. 10 3.1 - Fatores de projeto Os seguintes fatores devem ser considerados ao se efetuar o projeto de um pavimento: ♦ Características e condições do solo de subleito; ♦ Tráfego esperado (magnitudes e freqüências das cargas dos veículos ou aeronaves); ♦ Materiais de construção disponíveis a distâncias de transporte economicamente viáveis; ♦ Práticas construtivas locais e experiência e habilidade das empresas de construção; ♦ Condições climáticas (pluviometria e oscilações térmicas); ♦ Importância da rodovia ou aeroporto, traduzida por meio de um nível de confiabilidade (NC) que o pavimento deverá apresentar. Quanto maior for o NC adotado, menores serão os custos de conservação e menos freqüentes serão as intervenções requeridas. É importante, para que se obtenha um projeto economicamente eficaz, que se analise o maior número possível de tipos de estruturas de pavimento que forem aplicáveis. Em algumas situações, um tipo de estrutura pode ser preferível em relação aos demais. 3.2 - Considerações sobre o dimensionamento de pavimentos asfálticos O dimensionamento estrutural de um pavimento flexível tem sido feito aplicando-se métodos de origem empírica, como o Método do DNER (1981) e o Guia da AASHTO (1986), que definem a espessura total necessária para que as camadas de subleito e de reforço do subleito sejam adequadamente protegidas contra a geração excessiva de deformações plásticas, ao mesmo tempo que estipulam, com base no tráfego de projeto, as espessuras mínimas das demais camadas, desde que os materiais empregados atendam a determinadas especificações. Esses métodos apresentam as vantagens da simplicidade de aplicação e de refletirem desempenhos reais observados em pavimentos em serviço. Tem sido notório, contudo, que a extrapolação desses métodos para condições fora das que lhes deram origem leva a subdimensionamentos ou super-dimensionamentos. Este fato deu origem a um grande número de pesquisas no sentido de se obter modelos de previsão de desempenho de natureza mecanístico-empírica. Somente através de modelos deste tipo se pode efetuar projetos 11 considerando o uso de materiais para os quais não se tem experiência de campo suficiente para a elaboração de um modelo empírico adequado. No Brasil, a espessura total requerida para um pavimento em concreto asfáltico, em termos de materiais granulares, vem sendo determinada a partir do Método do DNER/1981 para dimensionamento de pavimentos flexíveis (o qual tem sua origem no Método CBR do USACE de 1962). O estabelecimento da espessura total do pavimento pelo Método do DNER pode ser feita pelos seguintes caminhos: ♦ Através do gráfico ( Np x CBR) 1 7011 2 − 234.33 ♦ H T (cm) = 9.02 + (0.23 log 10 N P + 0.05) CBR ♦ HT ( cm ) = C1 + C2 log10 N p onde Np é o tráfego de projeto, em termos de repetições do eixo padrão rodoviário de rodas duplas e carga de 80 kN, calculado com base nos fatores de equivalência de cargas do USACE. Esse método, contudo, pode ser considerado como a favor da segurança, quando se trata de proteger o subleito contra o acúmulo excessivo de deformações plásticas. A razão para essa garantia de superdimensionamento está no fato de o método consistir essencialmente do método CBR original do USACE, publicado no início da década de 60 (já que não se tem no Brasil o fenômeno do degelo da primavera). Os coeficientes C1 e C2 , definidos em função do CBR do solo de subleito, estão apresentados na Tabela 2. 12 Tabela 2- Coeficientes C1 e C2 CBR C1 C2 CBR C1 C2 2 16.764 13.282 12 8.664 4.239 3 11.221 10.596 13 8.735 3.989 4 12.599 8.750 14 8.635 3.774 5 10.292 7.932 15 8.707 3.525 6 9.856 6.978 16 9.000 3.314 7 10.385 6.199 17 9.264 3.103 8 8.371 5.971 18 9.564 2.889 9 8.471 5.485 19 9.828 2.678 10 8.585 4.992 20 10.121 2.467 11 8.635 4.617 A espessura mínima do revestimento betuminoso é obtida em função do tráfego (Tabela 3) e as espessuras da base, sub-base e reforço do subleito são determinadas pela resolução sucessiva de inequações do tipo: h1kR + h2kB = H20 h1kR + h2kB + h3kS = Hn h1kR + h2kB + h3kS + hnkref = Hm sendo: h1 , h2 , h3, hn = espessuras das camadas do pavimento kR , kB, kS , kref = coeficientes de equivalência estrutural dos materiais das camadas. Tabela 3 - Determinação da espessura do revestimento - DNER/1981 N espessura mínima do revestimento 6 Tratamentos superficiais betuminosos N ≤ 10 Revestimentos betuminosos com 5.0 cm de espessura 106 < N ≤ 5 x 10 6 Concreto betuminoso com 7.5 cm de espessura 5 x 106 < N ≤ 10 7 Concreto betuminoso com 10 cm de espessura 107< N ≤ 5x 10 7 7 Concreto betuminoso com 12.5 cm de espessura N > 5x 10 Ainda, com relação ao dimensionamento de pavimentos asfálticos através da utilização do método do DNER/1981, sua maior deficiência está, contudo, nas suas recomendações de espessura mínima para a camada de revestimento em concreto asfáltico, que podem tanto estar 13 a favor da segurança como contra ela, por não levar em conta as deformações máximas de tração que são provocadas pelas cargas do tráfego nessa camada e que controlam a sua vida de fadiga. O método da AASHTO para dimensionamento de pavimentos flexíveis é baseado nos resultados obtidos na pista experimental da AASHO Road Test. Seu objetivo principal é estabelecer o numero estrutural (SN) adequado para proteção do subleito contra deformações plásticas excessivas para um determinado tráfego. A determinação do número estrutural (guia da AASHTO, 1986) é feita através da seguinte expressão: SN = aD1 + a2D2m2 + a3D3m3 onde: mi = Coeficiente de drenagem para a camada i ; ai = Coeficiente que é usado para converter a espessura da camada i em número estrutural SN; Di = Espessura da camada i em polegadas A equação básica de projeto é: ∆PSI log 10 4,2 − 1,5 + 2,32 log Mr − 8,07 log 10 W18 = Z R S o + 9,36 log 10 ( SN + 1) − 0,20 + 10 1094 0,40 + 5,19 ( SN + 1) onde: W18 = Número de repetições de carga do eixo padrão de 18000 lb. (80 kN); ZR = Desvio padrão normal para um determinado nível de confiabilidade; So = Desvio padrão SN = Número estrutural ∆PSI = pi - pt pi = Índice de serventia inicial pt = Índice de serventia terminal Mr = Módulo de resiliencia em lb./ polg.2 14 4. Pavimentos Flexíveis em Concreto Asfáltico Um pavimento flexível é aquele que tem revestimento asfáltico e camada de base granular. A distribuição das tensões e deformações, geradas na estrutura pelas cargas de roda do tráfego, se dá de modo que as camadas de revestimento e base aliviem as tensões verticais de compressão no subleito por meio da “absorção” de tensões cisalhantes. Neste processo, ocorrem tensões e deformações de tração na fibra inferior do revestimento asfáltico, as quais provocarão seu trincamento por fadiga com a repetição das cargas do tráfego (Figura 1). Ao mesmo tempo, a repetição das tensões e deformações verticais de compressão que atuam em todas as camadas do pavimento levarão à formação de afundamentos em trilha de roda, quando o tráfego tender a ser canalizado, e à ondulação longitudinal da superfície, quando a heterogeneidade do pavimento for significativa. εt Concreto Asfáltico Camadas Granulares εv Subleito Figura 1 - Seção típica de um pavimento flexível em concreto asfáltico Quando da construção de um determinado pavimento ou no caso de sua restauração, a análise de estratégias alternativas possíveis de serem implementadas, feita com base na aplicação de modelos de previsão de desempenho, permite, através da apreciação dos custos envolvidos, que se adote a solução que represente o melhor investimento em termos econômicos. Vale destacar que a eficácia econômica de um investimento em pavimentação envolve aspectos como: ♦ Os custos de construção, restauração e conservação dos pavimentos envolvidos; ♦ Os custos associados a interrupções de tráfego, decorrentes das obras de conservação e restauração, como aqueles que são função do tempo de viagem, elemento importante em áreas com tráfego intenso e economias afluentes; 15 ♦ Nível de serventia fornecido pelo pavimento, expresso pela sua irregularidade longitudinal, que afeta os custos operacionais dos veículos; ♦ A conveniência de se utilizar ou não uma pavimentação por etapas, que permite que as incertezas quanto ao tráfego futuro não levem à adoção de um fator de segurança exagerado. 4.1 - Fatores que influem no desempenho de pavimentos flexíveis Muitos fatores afetam o desempenho a ser oferecido por um determinado pavimento, dentre estes destacam-se: o número e a magnitude das cargas do tráfego, as propriedades dos materiais componentes das camadas e a sua heterogeneidade ao longo da via, a natureza do solo de subleito, a frequencia e as práticas de manutenção aplicadas ao longo do tempo, as condições de drenagem e aspectos ambientais. Diversos indicadores podem ser utilizados para se quantificar o desempenho de um pavimento, variando desde aqueles que caracterizam a sua condição funcional até aqueles que consistem simplesmente do registro de defeitos de superfície ou das deformações plásticas. O desempenho estrutural pode ser avaliado através da variação do módulo de elasticidade efetivo de uma ou mais camadas com o tráfego acumulado. Os principais mecanismos de deterioração dos pavimentos flexíveis são: !"Formação e crescimento de trincas nas camadas asfálticas do revestimento, decorrentes da fadiga provocada pela repetição das cargas do tráfego; !"Geração de afundamentos em trilha de roda ou de ondulações na superfície em decorrência do acúmulo de deformações plásticas em todas as camadas, sob a repetição das cargas do tráfego; !"Se a camada de base é de drenagem lenta, a formação de trincas no revestimento dá acesso a águas pluviais, que se acumulam no topo da base. Com a passagem de uma carga de roda, gera-se um excesso de pressões neutras na água retida, levando ao bombeamento de finos da base para a superfície (erosão) e a solicitações dinâmicas elevadas sob a camada de revestimento, acelerando a sua deterioração. Se a água atingir e se acumular no topo do subleito, não sendo este drenante, aumenta a geração de deformações plásticas nessa camada e a sua intrusão na base granular; !"Envelhecimento do ligante betuminoso por oxidação, que fragiliza a mistura asfáltica e facilita seu trincamento e o arrancamento de agregados. A velocidade com que a 16 oxidação do asfalto se processa depende das condições de temperatura, umidade e insolação. As oscilações térmicas, por sua vez, levam à formação de trincas superficiais, cujo potencial de geração é aumentado pela oxidação dos primeiros 25 mm do topo da camada asfáltica; !"Desgaste com exposição de agregados e perda da macrotextura da superfície do pavimento, em decorrência da abrasão provocada pelos veículos, acelerado pelo intemperismo (oxidação do asfalto), levando à queda do coeficiente de atrito. Este problema é especialmente grave nos revestimentos em Tratamento Superficial. 4.2 - O comportamento dos pavimentos flexíveis A passagem de uma carga de roda gera, em um ponto qualquer do pavimento, pulsos de tensões e de deformações, normais e cisalhantes, sendo que os pulsos de tensões e de deformações cisalhantes são duplos e com reversão de sentido. Os planos principais sofrem rotação, coincidindo com os planos horizontal e vertical apenas para os pontos situados no plano longitudinal da carga de roda e quando o ponto se encontra ao longo da vertical que passa pelo centro da carga (Figura 2). Em uma estrutura de pavimento, o comportamento é transiente, os solos e os materiais granulares da fundação têm comportamento tensãodeformação não-linear (que são influenciados por diversas variáveis), e os materiais asfálticos têm suas propriedades sensíveis à velocidade de aplicação das cargas e à temperatura. 17 Carga de roda x σv τ M σh M σh Subleito τ σv Tensões Vertical Horiz x Cisalhante Figura 2 - Efeitos produzidos no pavimento por uma carga de roda em movimento As propriedades mecânicas do solo de subleito são influenciadas pelo regime de tensões a ele imposto. Este regime deve ser considerado em duas partes: o estado de tensões resultante das condições de equilíbrio estabelecidas após a construção, quando as condições de umidade se estabilizaram, e aquele imposto de forma transiente por uma carga de roda em movimento. A resposta de um elemento de solo às cargas aplicadas depende de sua história de tensões durante a consolidação e do estado atual de tensões efetivas. Como o topo do subleito tende a se encontrar acima do nível do lençol freático, tem-se que, imediatamente acima do lençol, onde o solo está saturado, a poro pressão negativa é proporcional à altura acima do lençol. A proporcionalidade termina à medida que o solo se torna parcialmente saturado nas alturas maiores, no que influi o tipo de solo. Para solos finos e lençóis pouco profundos, pode-se admitir saturação completa do subleito, para efeito de projeto. Medidas feitas com tensiômetros na Inglaterra pelo TRL em subleitos de pavimentos rígidos mostraram que a poro pressão em solos argilosos pode se encontrar tanto acima como abaixo da reta 18 hidrostática, em pontos situados a mais de 1 m do nível do lençol freático. Mostraram também que ocorrem apenas pequenas variações sazonais, apoiando o conceito de um teor de equilíbrio sob superfícies impermeáveis. Um parâmetro bastante útil para se prever as tensões e deformações produzidas no pavimento pelas cargas transientes do tráfego é o módulo de resiliência, o qual inclui as parcelas de deformação elástica e viscoelástica sob pulsos de cargas com duração da ordem de 0,1 s. A origem deste conceito se deve a Francis Hveem e a pesquisadores da Universidade da Califórnia durante a década de 50, que foram os primeiros a relacionar as propriedades resilientes dos materiais de fundação dos pavimentos ao trincamento por fadiga dos revestimentos asfálticos. Em um ensaio triaxial de cargas repetidas, o módulo de resiliência pode ser calculado por: MR = σd σ = d ε E + ε VE ε R onde εR é a deformação resiliente axial. Esta é, portanto, a mesma definição do módulo de Young, aplicada a solicitações transientes de curta duração. A correta caracterização do solo de subleito quanto ao seu comportamento resiliente, especialmente quanto à variação de MR com o estado de tensões, é fundamental para previsões confiáveis da deflexão do pavimento, na medida em que o subleito tende a ser a camada de maior contribuição nas deflexões. Para solos finos coesivos (IP > 0), o módulo de resiliência varia essencialmente com a tensão desvio, de acordo com o modelo: MR = Kσ nd onde n < 0. A pequena influência exercida pelas tensões confinantes, neste caso, deve-se ao fato de serem as tensões de sucção nos solos parcialmente saturados bem mais elevadas que as tensões confinantes usuais. Assim, o estado de tensões efetivas do solo varia apenas ligeiramente quando se varia as tensões confinantes no ensaio. Em um solo saturado este efeito deixa de existir. Para este caso específico Brown et al. (1975) verificaram que, para 19 uma argila siltosa, pôde ser definido um modelo único, independente do volume específico inicial, da razão de pré-adensamento e das tensões efetivas iniciais, o qual pode ser expresso por: q M R = 79 ,3 r σ 3 −0.861 onde MR é dado em MPa, qr é a tensão desvio aplicada e σ3 é a tensão efetiva de confinamento. Os modelos utilizados para se calcular as tensões e deformações induzidas no pavimento pelas cargas do tráfego fazem simplificações quanto ao comportamento real da estrutura. Em geral, considera-se um comportamento elástico linear, com extensões para o tratamento de comportamentos dependentes do tempo (viscoelasticidade) ou do estado de tensões. Algumas hipóteses são comuns a quase todos os modelos até hoje desenvolvidos, além de sua base na teoria da elasticidade. Por exemplo, a carga de roda aplicada é, em geral, tratada como um carregamento estático, deixando-se a consideração dos efeitos dinâmicos para serem embutidos nos módulos de elasticidade dos materiais das camadas. Este procedimento estático equivalente é razoável, na medida em que os efeitos inerciais têm pequena influência, para as velocidades usuais e para as irregularidades comumente existentes nas vias. A razão disto está na massa elevada do pavimento, cuja freqüência de ressonância é muito diferente das freqüências associadas às cargas móveis dos veículos ou aeronaves. Outras hipótese comuns, embora não sejam obrigatórias em análises pelo método dos elementos finitos, incluem: ♦ Materiais isotrópicos e com propriedades idênticas quanto às deformações em tração e em compressão; ♦ Aderência perfeita entre as camadas; ♦ A carga de roda aplica apenas pressões verticais. As propriedades dos materiais a serem utilizadas deveriam ser determinadas por meio de ensaios que simulem, o melhor possível em termos práticos, as condições de solicitação que ocorrem sob a ação de uma carga de roda em movimento, bem como as condições in situ de 20 compactação, temperatura e umidade. Dessa forma, o grau de confiança com que se pode utilizar resultados de ensaios de laboratório em análises estruturais depende do quanto os métodos de ensaio adotados modelizam aquelas condições. Para a identificação dos mecanismos de deterioração que vêm controlando o desempenho oferecido por um determinado pavimento é necessário aplicar-se uma série de modelos de previsão de desempenho às condições oferecidas pelo mesmo, a fim de se comparar suas previsões com o desempenho real observado. Informações confiáveis quanto a idade do pavimento e ao histórico do tráfego atuante são cruciais para que essa comparação tenha significado. O resultado dessa análise será: 1. O esclarecimento do (s) mecanismo (s) de degradação predominante (s); 2. A seleção do (s) modelo (s) de previsão de desempenho mais apropriado (s) à realidade da rodovia; 3. A calibração do (s) modelo (s), para se dimensionar o pavimento restaurado. Além disso, é preciso efetuar a ponderação relativa dos efeitos das duas fontes de solicitações mecânicas: ♦ O clima, na forma de variações de temperatura e de umidade; ♦ O tráfego, seja pela degradação estrutural gerada pelas tensões aplicadas pelos veículos de carga, seja pelo desgaste da superfície produzido pela passagem de todos os tipos de veículo. A estas duas ações externas deve-se opor as condições intrínsecas do pavimento, especialmente: ♦ As propriedades dos materiais das camadas (natureza, compactação, problemas construtivos); ♦ As condições de drenagem, superficial e profunda; ♦ A estrutura do pavimento existente. 21 No caso de pavimentos flexíveis em concreto asfáltico, deve-se pesquisar a existência ou não de correlações entre o trincamento de superfície, expresso pela percentagem de área trincada, por exemplo, e um parâmetro relacionado ao mecanismo de trincamento por fadiga, como a deflexão máxima ou a deformação máxima de tração sob o revestimento. A inexistência de relações bem definidas entre parâmetros estruturais e parâmetros que expressem a degradação do pavimento revela que a origem dos defeitos observados deve estar não em um processo normal de deterioração, que se acumula com a repetição das cargas do tráfego, mas em outros mecanismos como: 1. Envelhecimento natural do revestimento asfáltico, onde a oxidação do ligante torna a mistura gradativamente mais frágil, e propensa a sofrer trincamento apenas em virtude das tensões geradas pelas oscilações térmicas; 2. Condições adversas de drenagem sub-superficial ou subterrânea; 3. Deficiências construtivas, como má compactação, segregação, asfalto super-aquecido na usina ou aplicado abaixo da temperatura adequada. No caso de pavimentos flexíveis em tratamento superficial, uma relação clara entre trincamento e deflexão revela o mecanismo de trincamento por fadiga, enquanto que uma correlação entre a severidade do desgaste de superfície e o volume total diário de veículos que compõem o tráfego revela o mecanismo de desgaste por abrasão. A existência dessas correlações permite que se calibre modelos de previsão de desempenho. No que diz respeito aos modos de degradação superficial dos tratamentos superficiais, têm-se dois processos fundamentais: 1. A desagregação da superfície, por meio do arrancamento de agregados; 2. A perda da macrotextura, por embutimento dos agregados ou por exsudação, e da microtextura, devido ao polimento por abrasão dos agregados. A previsão da época de ocorrência desses fenômenos é muito difícil, por dependerem bastante da especificação dos materiais, da qualidade da construção e dos processos construtivos. Em algumas regiões, por exemplo, o arrancamento de agregados em tratamentos superficiais é muito raro. Esses dois fenômenos tendem a ocorrer, a uma extensão e severidade tais que se faz necessária a manutenção do pavimento, em média entre 6 a 15 anos, para volumes de 22 tráfego inferiores a 2000 veículos/dia, podendo-se chegar a 6000 veículos/dia se a construção for excelente. O arrancamento de agregados ocorre pela ação das rodas em movimento dos veículos, seja por causarem a fratura da película de ligante ou por perda de aderência entre o ligante e o agregado. Associada às tensões decorrentes das pressões verticais de contato do pneu, tem-se ainda uma combinação das tensões horizontais na área de contato do pneu com a sucção que se segue à sua passagem, resultando no arrancamento do agregado. Pode-se considerar que a magnitude da carga de roda não influa de forma significativa no fenômeno, sendo importantes a pressão de contato e as dimensões e demais características dos pneus. Os dois mecanismos que podem levar ao arrancamento de agregados podem ser descritos em termos de: ♦ Fratura mecânica da película de ligante; ♦ Perda de aderência entre o ligante e o agregado, seja em presença de água (stripping) ou por agregado contaminado por finos. O primeiro processo ocorre quando o ligante se torna muito frágil ou quando a película é muito delgada para suportar as tensões aplicadas. Esta fragilização pode ocorrer por: ♦ Evaporação de óleos plastificantes; ♦ Superaquecimento durante a construção; ♦ Oxidação térmica a longo prazo. O processo de oxidação leva mais tempo para endurecer o ligante à medida que se tem películas mais espessas, uma vez que aumenta o caminho que o oxigênio tem que percorrer por difusão. Como se trata de um processo termicamente ativado, quanto mais elevadas as temperaturas, mais rapidamente ocorre a oxidação. A ligação entre o asfalto e o agregado é do tipo molecular. Como os agregados tendem a apresentar cargas superficiais ligeiramente negativas, eles atraem a água de preferência ao betume, que tem carga neutra. É importante, portanto, proteger-se o tratamento superficial das chuvas, até que a ligação se torne plena e tenha ocorrido um embutimento firme dos agregados. Quanto maior o diâmetro dos agregados, maior será a espessura da película de ligante, o que leva a maiores vidas de serviço quanto ao arrancamento de agregados. 23 4.3 - Considerações sobre as condições climáticas Diversas investigações vem sendo realizadas nos últimos anos com vistas a investigar o relacionamento existente entre variáveis climáticas e propriedades estruturais de pavimentos. Ali et al. (1996) apresentam o seguinte modelo para estabelecimento de um fator de correção do módulo da camada asfáltica do pavimento obtido por retroanálise de levantamentos deflectométricos realizados com o FWD. E1 = e (9.37196−0.03608145× T1 ) sendo: E1 = módulo do concreto asfáltico; T1 = temperatura a 25 mm abaixo da superfície. O fator de correção é definido como: C= E1 na temperatura de referencia (210 C) e (9.37196−0.03608145×21) = = e ( 0.03608145×T −0.75771) 9.37196 − 0.03608145× T ) ( E 1 na temperatura medida ( 0 C) e Motta (1991), apresenta correlações estabelecidas entre as temperaturas do ar e da camada asfáltica para diferentes regiões do Brasil. Tais equações, mostradas nas Tabelas 4, 5 e 6, foram desenvolvidas com base nos dados derivados da Pesquisa de Avaliação Estrutural de Pavimentos (PAEP) do IPR/DNER. Tabela 4 - Estimativa da temperatura do revestimento em pavimentos com tratamento superficial (0 C) 24 região correlação Trev. Trev. mín. máx. Tar mín. Tar máx. r sul Trev. = - 0,03 + 1,31 Tar 9 53 7 32 0,89 sudeste Trev. = - 7,40 + 1,55 Tar 20 54 16 36 0,90 nordeste Trev. = - 6,90 + 1,58 Tar 20 54 20 36 0,88 Tabela 5 - Estimativa da temperatura do revestimento em pavimentos com CBUQ - h < 6 cm (0 C) - profundidade entre 3 e 4 cm. região correlação Trev. Trev. mín. máx. Tar mín. Tar máx. r sul Trev. = - 6,51 + 1,61 Tar 14 60 12 37 0,92 sudeste Trev. = - 11,39 + 1,76 Tar 18 58 14 41 0,84 nordeste Trev. = - 8,37 + 1,63 Tar 16 57 14 38 0,88 Tabela 6 - Estimativa da temperatura do revestimento em pavimentos com CBUQ - 8 cm ≤ h ≤ 11,5 cm (0 C) - profundidade entre 5 e 7 cm. região correlação Trev. Trev. mín. máx. Tar mín. Tar máx. r sul Trev. = - 1,18 + 1,45 Tar 13 63 8 39 0,87 sudeste Trev. = - 1,32 + 1,26 Tar 15 49 9 38 0,83 nordeste Trev. = - 8,29 + 1,69 Tar 21 56 18 35 0,88 Também com base nos resultados obtidos na PAEP, Rodrigues (1991) estabeleceu a seguinte equação para estimativa da temperatura do revestimento: ( ) T ( X ) = Tsup. + Tsup. + Tar [1 − exp( 0,06855 − 0,002633 X ) X ] sendo: T(X) = temperatura na profundidade X do revestimento; Tsup. = temperatura da superfície do pavimento; Tar = temperatura do ar próxima ao pavimento. 25 Na AASHO Road Test foi estabelecida a seguinte relação entre módulo de elasticidade da camada asfáltica e temperatura (Ullidtz e Larsen, 1983): E1( t ) = 15000 − 7900 log10 t 0C , t > 1 0C Tal relação foi definida com base nas análises efetuadas a partir de levantamentos deflectométricos. Sendo que as deflexões correspondem a uma velocidade de um veículo a 55 km/h. A faixa de variação de temperatura considerada foi de 0 a 40 0C De acordo com Barker et al. (1977) a temperatura na superfície da camada asfáltica pode ser estimada a partir da temperatura do ar através da seguinte relação: Tasf . = 1,2 × Tar + 3,2 - temperatura em 0 C O Quadro 1, apresentado a seguir, mostra a classificação SHRP para ligantes asfálticos. Tal divisão, considera o efeito da localização geográfica do pavimento através da variação média da temperatura anual. 26 Quadro 1 – Classificação SHRP para ligantes asfálticos 4.3 - Estudos experimentais envolvendo ensaios acelerados de pavimentos Um dos maiores esforços empreendidos no sentido de se compreender o desempenho oferecido por pavimentos em serviço foi o estabelecimento da pista experimental da AASHO (atualmente, American Association of State Highway and Transportation Officials AASHTO). Essa pesquisa foi desenvolvida próximo de Ottawa, Illinóis, por um período de dois anos (1959/60). Infelizmente, os modelos de desempenho estabelecidos a partir dos estudos realizados na pista experimental da AASHO (Figura 3) e de outros estudos conduzidos sob condições similares não são, em geral, diretamente aplicáveis a pavimentos em outras áreas. Isto deve-se principalmente às diferenças relativas a fatores, tais como: cargas do tráfego, materiais do pavimento e solos de subleito, qualidade e controle construtivo e condições climáticas do local. 27 Figura 3 - Layout da AASHO Road Test Após a conclusão da AASHO Road Test, acreditou-se que a qualidade do rolamento expressa pelo PSI (Present Serviceability Index), seria suficiente como indicador do desempenho do pavimento. Contudo, as medições objetivas utilizadas para se estimar a qualidade do rolamento atribuíram pouca significância à ocorrência de trincamento por fadiga e aos afundamentos em trilha de roda. Concluiu-se que a degradação física, que se relaciona à preservação do investimento, não está relacionada de maneira unívoca à irregularidade do pavimento. Embora as trincas, por si mesmas, pouco influam na capacidade do pavimento de servir ao tráfego, elas servem como uma indicação de que algo acerca do projeto do pavimento está inadequado e que sua ruptura é provável que ocorra em uma época mais cedo do que se nenhum trincamento tivesse aparecido. De acordo com Rodrigues (1997), esta é a razão principal pela qual se deveria utilizar em projeto modelos capazes de prever, de forma explícita, a geração de trincas de fadiga e de afundamentos em trilha de roda. A seguinte equação foi estabelecida na pista experimental da AASHO para modelar o desempenho funcional de pavimentos: 28 ( ) w p = p0 − p0 − p f ρ β onde: p = PSI atual; p0 = serventia inicial; pf = PSI terminal; w = tráfego de acumulado; ρ e β = parâmetros determinados a partir do desempenho observado. O modelo apresentado a seguir foi desenvolvido originalmente por Kirk (1973) com base na AASHO Road Test e adaptado posteriormente por Ullidtz (1983) a partir de dados obtidos com o FWD em 157 seções de rodovias em serviço na Europa, expressa a deterioração funcional em função do tráfego acumulado (N) e valor máximo da tensão principal maior (σi) na “camada crítica”, definida como aquela que leva à menor vida de serviço para a seção, quando se aplica o modelo verificando-se os resultados em todas as camadas granulares ou de solos. O modelo é expresso por: σ i N 0,12 MPa pi − pt = 0,91 6 α 10 Ei 160 MPa 3,12 onde: Ei = módulo de elasticidade da camada i; pi = índice de serventia (PSR) inicial; pt = índice de serventia (PSR) terminal; α = 1,16 se Ei < 160 MPa e α = 1,00 nos demais casos. Nos últimos anos, no sentido de avaliar o desempenho de pavimentos em serviço, tem sido feitos diversos estudos envolvendo seções experimentais e a realização de ensaios acelerados de pavimentos. Para tanto, foram planejados e desenvolvidos diversos programas de pesquisa (ex.: Mn/ROAD, Nardo Road Test, Corpo dos Engenheiros do Exercito Americano, Pista Experimental de Nantes, Virttaa Test Track, Alberta Research Council e Pista Experimental de Madri) com o propósito de se possibilitar a obtenção de parâmetros fundamentais, através 29 dos quais se espera racionalizar as etapas de projeto e avaliação de pavimentos. No que se refere a instrumentação de seções de pavimentos destaca-se o estudo que está sendo desenvolvido pelo Departamento de Transportes do Estado de Minnesota (Mn/DOT), Estados Unidos, que planejou e implementou um programa de pesquisas denominado Mn/ROAD (Minnesota Road Research Project), o qual, representa sem sombra de dúvidas, um grande passo no campo de experimentos em escala real para ensaios de pavimentos. A instrumentação inclui a instalação de aproximadamente 3000 sensores, os quais permitem monitorar a resposta dos pavimentos, tanto em relação às cargas do tráfego, como no que se refere as condições ambientais (temperatura e umidade). Os dados coletados no Mn/ROAD são usados para avaliar os métodos de projeto atualmente disponíveis, assim como, para auxiliar no desenvolvimento de novas metodologias para avaliação e projetos de estruturas de pavimentos. Além disso, é feito um esforço no sentido de desenvolver modelos de previsão de desempenho do tipo mecanísticos. Nessa pesquisa são feitas observações relativas a variação das respostas, tanto em períodos curtos (ex.: variações sazonais) como em períodos longos, dentro do período de projeto. Existem dois tipos de instrumentos instalados no Mn/ROAD, os quais, são classificados como estáticos e dinâmicos. Os instrumentos dinâmicos (strain gages) são usados para obtenção de respostas da estrutura devido às cargas do tráfego e permitem monitorar de forma contínua o pavimento, enquanto que os estáticos, são utilizados para obter informações ambientais (sete em cada dez instrumentos instalados no Mn/road são strain gages). Os sensores estáticos (ex.: termopares) são lidos em intervalos de 15 min. e possibilitam a determinação de parâmetros como temperatura e teor de umidade da camada. Os sinais transmitidos pelos sensores são, inicialmente, enviados para um sistema temporário de armazenamento, instalado nas proximidades da pista. Em uma segunda etapa, as informações são transferidas para um computador central instalado do Mn/DOT. As medidas de deformação na fibra inferior do revestimento asfáltico são realizadas a partir da instalação de strain gages espaçados transversalmente (intervalos de 300 mm) sob as trilhas de roda. O intervalo transversal utilizado é necessário para assegurar que as deformações sejam capturadas sob o espaço efetivamente ocupado pelas cargas de roda. 30 Uma vez que as propriedades do concreto asfáltico são altamente dependentes da temperatura (rigidez da camada), as deformações lidas são corrigidas para uma temperatura padrão (25 0 C), com o propósito de assegurar que elas representem efetivamente somente o efeito devido às cargas do tráfego. As leituras de temperatura são realizadas através de termo pares (thermo couples) instalados no interior da camada asfáltica. O fator de correção da temperatura utilizado pela equipe do Mn/DOT é dado por: ε 25 = ε i 1 0.000051T − 0.00047T 2 + 0.0072T + 0.305 3 sendo: ε25 = deformação estimada a 25 0 C; εi = deformação medida na temperatura T. Vale destacar que essa equação foi derivada a partir de medições feitas nas seções-teste do Mn/ROAD e não necessariamente se aplica a todo tipo de pavimentos asfálticos. Outro programa interessante desenvolvido no campo, foi uma extensiva instrumentação realizada no campo de testes de Nardo, Nardo, Itália em 1984. O programa de testes, inicialmente preocupado com a realização de medidas de deformação em camadas asfálticas, envolveu o esforço de pesquisadores de 10 países. Sendo que cada equipe apresentou seus próprios objetivos e utilizou projetos individuais de instrumentos. Durante a construção da camada de concreto asfáltico, para permitir uma alta sobrevivência dos sensores, foram adotados cuidados especiais como utilização de compactador não vibratório e baixa temperatura da mistura asfáltica. A taxa de mortalidade pós construção ficou em torno de 13 % (foram instalados 200 sensores). O sucesso variou de equipe para equipe de acordo com a atenção destinada à proteção dos instrumentos. A maioria desses, foram presumidamente sucumbido pela intrusão de agregados. Mesmo com as precauções adotadas foram registradas perdas significativas durante a construção, principalmente com os sensores cuja proteção era de alumínio. Os testes realizados em Nardo não servem para refletir condições reais de pavimentos em serviço devido, principalmente, às precauções de proteção adotadas durante a construção (compactação e temperatura da mistura). 31 Nesse contexto, também merecem destaque as pistas de testes de pavimentos construídas em Madri na Espanha (Figuras 4 e 5), Nantes na França (Figura 7) e em Nevada nos Estados Unidos (Figura 8), as quais permitem a realização de ensaios acelerados e controlados em pavimentos rodoviários construídos em escala real. Os ensaios consistem em se fazer trafegar veículos sobre os pavimentos de modo a se poder analisar suas respostas ante as cargas e se acompanhar o surgimento e evolução de defeitos. As instalações concebidas permitem ensaiar e comparar distintas estruturas de pavimentos simultaneamente. Seus principais objetivos são a calibração de métodos analíticos de dimensionamento, avaliação de pavimentos, comparação da capacidade de suporte e vidas de serviço de diferentes seções estruturais de pavimentos, comparação de diferentes tipos de revestimentos, medição de tensões e deformações em pontos críticos das estruturas, verificações e calibração de modelos teóricos de desempenho de pavimentos e estudo de novos materiais para rodovias. Figura 4 - Pista de testes de pavimentos - Madri Na Pista de Testes de Madri existem 6 seções de ensaios de 25 m cada, situadas nos trechos retos. As seções foram construídas com materiais e equipamentos comumente utilizados nas rodovias espanholas; a simulação do tráfego é realizada por veículos guiados por uma viga de concreto. As características do simulador correspondem as de um caminhão com máxima carga legal. As respostas do pavimento quando submetido às cargas do tráfego e sua evolução com o tempo, são medidas por instrumentos instalados no pavimento (Figura 6). O sistema de aquisição de dados existente está preparado para monitorar até 400 sensores de respostas. 32 Figura 5 - Representação esquemática das seções instrumentadas na pista experimental de Madri O centro de controle, completamente automatizado, situa-se na parte interna da pista oval. A capacidade inicial de aplicação de cargas (um milhão ao ano com um único veículo) deve ser dobrada com a possibilidade da circulação simultânea de dois veículos. As principais características dessa área de testes são: ♦ Distância total de ensaio (segmento reto) de 150 m; ♦ Seções de ensaios com largura de 8 m e 2,6 m de profundidade, construídas sobre uma plataforma de concreto em forma de U; ♦ As seções são cobertas e existe um dispositivo que permite a simulação de chuvas; ♦ Dois veículos simuladores de tráfego pesado. Características: carga por gravidade, semi-eixo simples, velocidade de 60 km/h, largura de atuação de 1,3 m, carga variável entre 5,5 e 7,5 t ( 11-15 t/eixo); ♦ O controle dos veículos é realizado através de um programa específico com transmisão das ações via cabo. Funcionamento totalmente automático não sendo necessária a presença contínua de pessoal; ♦ Sistema de aquisição de dados totalmente automatizado. 33 Figura 6 - Sinal típico obtido pelos sensores - pista de testes de Madri Figura 7 - Pista de testes de pavimentos – Nantes Figura 8 - Pista de testes de pavimentos - Nevada Ainda, com respeito a instrumentação de pavimentos in situ, sem dúvida, uma das maiores contribuições oferecidas foi a concepção, aplicação e interpretação dos resultados obtidos através da utilização do HVS (Heavy Vehicle Simulator) sul-africano. Trata-se de um veículo pesado rebocável tendo uma roda de carga simples ou geminada que se desloca num comprimento de 8 m e pode distribuir-se transversalmente em 1,5 m. A carga sobre a roda 34 pode ir a 100 kN (10 tf) e a velocidade ir até 14 km/h no movimento de vaivém; podem aplicar-se 1200 repetições por hora. Fazem-se as seguintes medições: deflexões com viga Benkelman própria, deformações permanentes e transientes na superfície e em profundidade (por meio de sensores LVDT a várias profundidades em furo aberto no pavimento) e perfil superficial transversal em 2 m de largura com um perfilômetro automático. Também se pode medir a sucção a várias profundidades com psicrômetros. Os sensores de deslocamento, instalados no pavimento antes da atuação do HVS (Figuras 9 e 10), permitem acompanhar a resposta das várias camadas do pavimento ao longo de carregamentos sucessivos, de várias intensidades e distâncias transversais. A partir dos ensaios acelerados in situ realizados com o HVS foram derivados modelos de previsão de desempenho, como o apresentado a seguir, para a consideração do trincamento por fadiga da base cimentada em pavimentos semi-rígidos: N f = FC × 10 SSR 7 ,19 1− 8 ; SSR = εt R ; ε R = TF ; εR E0 RTF ( psi) = E0 (ksi ) + 139 4 ,6 onde: Nf ⇒ número de repetições de carga para ocorrência do trincamento por fadiga da base cimentada; εt ⇒ deformação de tração atuante sob a base; εR ⇒ deformação de ruptura da mistura cimentada; RTF ⇒ resistência à tração na flexão; FC ⇒ fator de calibração (“default”, FC = 1,0) 35 Figura 9 - Heavy Vehicle Simulator - HVS 36 Figura 10 - Alguns instrumentos utilizados com o HVS Metcalf (1996) apresenta um resumo dos principais programas de investigação do desempenho de pavimentos envolvendo a realização de ensaios em verdadeira grandeza em trechos de rodovias, pistas circulares ou pistas retas. A Tabela 7 mostra uma síntese acerca dos recursos disponibilizados para o desenvolvimento dessas pesquisas. 37 Tabela 7 - Informações acerca de programas estabelecidos para realização de ensaios acelerados em pavimentos (FONTE: Metcalf, 1996) denominação país local ano MnRoad Nardo PTI PWRI WesTrack C-TIC CAPTIF ISETH IUT JHPC LCPC Road Machine RRT Shell S-KSD UCF UNAM WSU ALF FHWA-PTF RIOH-ALF PRF-LA DRTM EPFL HVS CAL-APT LINTRACK Minne-ALF PTF INDO/PURDUE TxMLS EUA Itália EUA Japão EUA Canadá N. Zelândia Suiça EUA Japão França Inglaterra Romênia Holanda Eslovakia EUA México EUA Austrália EUA China EUA Dinamarca Suiça Áfr. do Sul EUA Holanda EUA Inglaterra EUA EUA Minneapolis Brindisi Univ. Pennsylvania Tsukuba Nevada Saskatchewan Univ. de Canterbury Zurich Univ. de Illinois Machida Nantes Harmondsworth Tech. Univ. Iassy Amsterdam Bratislava Florida Ccidade do México Washington Melbourne Washington Beinjing Univ. Louisiania Tech. Univ. Denmark Lausane CSIR Richmond Delft Minneapolis Crowthonne Indiana Texas 1993 1979 1971 1979 1995 1978 1987 1979 1963 1979 1978 1963 1982 1967 1994 1988 1970 1965 1984 1986 1990 1995 1973 1977 1971 1994 1991 1990 1984 1992 1995 custo (milhões US$) 25 0,5 0,4 0,3 0,75 5 0,42 0,25 0,48 1 1,1 1 1,8 0,2 1,75 1 0,2 1,7 0,14 2,5 CEDEX BASt MSU PHRI Espanha Alemanha EUA Japão Madri Bergisch Gladbach Michigan Yokosuka 1987 1963 1990 1969 2,1 0,1 - carga de roda (kN) 356 - 453,9 71 - 120 60 - 160 53,4 + 178 + 5 x 89 40 - 60 21 - 60 50 - 80 14,53 0 - 30 40 - 140 49 - 67 45,5 1 - 20 83 - 130 45,4 - 136,2 80 - 100 50,5 40 - 80 40 - 110 40 - 80 40 - 80 65 (máx.) 120 20 - 100 20 - 100 15 - 100 110 100 90,7 22,2 - 111,2 ou 35,6 191,3 55 - 75 20 - 100 45 - veloc. (km/h) 56 - 104 30 36 40 65 18 - 28 1 - 50 60 3 - 15 10 - 60 30 - 100 5 - 40 1 - 20 10 - 50 24 - 48 4 - 40 1 - 20 20 20 20 25 - 30 10 12 12 20 88 1 - 20 8 32,2 controle ambiental N S N N N S S S N S S S S S N N S N N N N N S S S S S S S S S 1 - 60 2 p/s 88 - S S S S testes relatados 40 17 03 20 130 40 100 12 158 25 16 500 02 32 02 15 em atividade S N N S S S N S S N S N S S S N S S S S S S S S S S S S S N - 38 4.4 - O desempenho de misturas asfálticas modificadas - estudo de casos 4.4.1 - Caso 1 - Estudo do desempenho de misturas porosas Nos últimos anos, o uso de misturas asfálticas porosas como revestimento tem demonstrado enormes vantagens e muitos técnicos rodoviários, principalmente na Espanha, estão optando por estas. Pesquisadores da Universidade Politécnica de Barcelona na Espanha (Pérez-Jiménez, 1990) mostram os resultados obtidos em estudos realizados com o propósito de comparar o desempenho de asfaltos modificados com polímeros e CAP’s comuns. Esses estudos foram realizados no Road Laboratory da Universidade de Cantabria e no E.S.M. Research Center. A característica mecânica básica a ser levada em conta no projeto de misturas asfálticas porosas é a resistência a desintegração. A observação de seções em serviço demonstra que a perda de agregados e a presença de panelas são freqüentes nesse tipo de pavimento. Essas deficiências provêm da perda de coesão da mistura, tornando-a incapaz de resistir adequadamente ao efeito abrasivo provocado pelas cargas do tráfego. A principal vantagem na utilização de misturas porosas é o fato de permitirem melhoramentos na circulação do tráfego em épocas de chuvas, portanto diretamente relacionada com a permeabilidade. Quanto maior a permeabilidade, maior a capacidade de drenagem do pavimento. O grande problema é que as duas principais propriedades estão em oposição (porosidade e coesão). Um aumento na porosidade sempre representa uma perda de coesão e em conseqüência menor capacidade de resistir a desintegração. Em vista disso, é difícil atingir uma solução satisfatória com o uso de asfaltos e demais materiais convencionais. Sendo, portanto, necessário encontrar asfaltos especiais que permitam melhorar essas propriedades ao mesmo tempo ou seja, possibilitando porosidade elevada e coesão adequada. 39 O estudo de laboratório foi centrado na investigação dos efeitos produzidos pela incorporação de polímeros nas seguintes propriedades da mistura: ♦ Resistência à deformações plásticas; ♦ Resistência à tração; ♦ Resistência à desagregação; ♦ Desgaste; Foram preparadas duas misturas sendo que em uma dessas o asfalto foi modificado pela incorporação de polímeros. O asfalto base utilizado foi um 80/100 e o tipo de agente modificante adotado foi o EVA, cujas características principais estão apresentadas na Tabela 8. A mesma Tabela mostra as caracteríaticas do asfalto B-60/70 usado. As diferenças entre os asfaltos são notáveis. Tabela 8 - Caracterização dos asfaltos estudados B-60/70 AMP Penetração a 25 0C (0.1mm) 65 70 Pto. de amolecimento (0 C) 50 68 Índice de penetração -0.5 1.9 Pto. Fraas (0 C) -8 -13 Índice de Plasticidade (0 C) 58 81 Dureza (kg.cm) 4 157 Tenacidade (kg.cm) 95 229 O estudo da resistência à deformações plásticas foi realizado utilizando um simulador de tráfego a uma temperatura de ensaio de 60 0C. Os teores de asfalto adotados variaram de 4 a 4,5 % para ambas as misturas. Na Figura 11 podemos ver que a resistência à deformações plásticas oferecida pela mistura de AMP é bem superior àquela proporcionada pela mistura convencional. 40 Resistência `a Deformações Plásticas Temperatura dos Ensaios: 60 C Asfalto comum (4,5%) Asfalto comum (4%) 9 Asfalto modificado com polímeros (4,5% Deformação (mm) 8 Asfalto modificado com polímeros (4%) 7 6 5 4 2.2 0 0 15 30 45 60 75 90 105 Tempo (minutos) Figura 11 - Resistência à deformações plásticas das misturas O uso de AMP’s pode diminuir o efeito de pós-compactação pelas cargas do tráfego, o qual é, as vezes, observado nas misturas porosas. O efeito do tipo de asfalto na resistência à tração das misturas foi estudado através da ruptura de corpos de prova Marshall em compressão diametral. Os ensaios foram realizados a temperaturas de 5 e 45 0C, e com velocidade de aplicação do carregamento de 50,8 mm/min. Os corpos de prova foram compactados com uma energia de 50 golpes por face. Os resultados desses ensaios são mostrados na Tabela 9 e Figuras 12 e 13. Tabela 9 - Efeito da temperatura e do teor de asfalto na resistência à tração resistência à tração (kp/cm2) teor de asfalto (%) 3,5 4,5 5,5 temperatura oC 5 45 5 45 5 45 AMP 71,5 3,8 72,5 3,5 70,1 3,1 B-60/70 65,4 2,9 69,6 2,9 71,0 2,7 41 Influência do Teor de Asfalto na Resistência à Tração Ensaios Realizados a 45 C Resistência à Tração (kp/cm2) 4 3.8 3.8 Asfalto modificado com polímeros- EVA Asfalto comum - B-60/70 3.6 3.5 3.4 3.2 3 3.1 2.9 2.9 2.8 2.7 2.6 3.5 4.5 5.5 Tor de Asfalto (%) Figura 12 - Influência do teor de asfalto na resistência à tração Influência do Teor de Asfalto na Resistência à Tração Ensaios Realizados a 5 C 72.5 Resistência à Tração (kp/cm2) 72.5 71.5 71.5 71 70.1 70.1 69.6 Asfalto modificado com polímeros - EVA Asfalto comum - B-60/70 65.4 3.5 4.5 5.5 Teor de Asfalto (%) Figura 13 - Influência do teor de asfalto na resistência à tração Os resultados obtidos mostram um melhor desempenho da mistura com asfalto modificado com polímeros. A diferença é mais significativa nos ensaios realizados a 45 C que a 5 C . Além disso, os resultados indicam um aumento na resistência à tração, entre 20 e 30 %, na mistura com asfalto modificado, quando comparado com a mistura com asfalto comum, no caso dos ensaios a 45 C. 42 O comportamento das misturas com relação a desagregação é, talvez, a propriedade mais importante a ser considerado nas misturas asfálticas porosas e, é justamente nela que o efeito do asfalto modificado com polímeros torna-se mais evidente. A resistência a desintegração das misturas foi verificada em laboratório através do ensaio Cantabro, o qual consiste da introdução de amostras Marshall em um aparelho Los Angeles (sem esferas) para obter sua perda de peso após 300 revoluções do tambor. Este ensaio vem sendo usado pelas padronizações espanholas para o estabelecimento de critérios de projeto para essas misturas. Tais padronizações, preconizam, de acordo com esse ensaio, as seguintes especificações (esses valores se referem a utilização de corpos de prova Marshall compactados com 50 golpes por face): ♦ O teor de vazios na mistura deve ser maior que 18% e, preferencialmente, não inferior a 20 %; ♦ As perdas no ensaio Cantabro não devem ser superior 35% . Os resultados obtidos mostram claramente as vantagens de se utilizar asfaltos modificados com polímeros em vez do asfalto tradicional. Para o mesmo teor de asfalto na mistura e com percentagens similares de teor de vazios, o uso de AMP reduz a perda entre 15 e 20 pontos, como ser visto na Tabela 10 e Figura 14. Então, de acordo com os padrões espanhois a não utilização de asfaltos modificados deveria implicar na rejeição da mistura, exceto quando se utilizar 5,5% de asfalto com consequente redução dos vazios na mistura. Tabela 10 - Resultados obtidos no ensaio cantabro Tipo de Asfalto B-60/70 Asfalto modificado com polímeros (EVA) Teor de asfalto (%) 3,5 4,5 5,5 3,5 4,5 5,5 Teor de vazios (%) 24,1 22,2 20,2 24,1 22,1 19,9 Perda1 46 40 33 30 20 15 perda2 (após imersão) 86 65 50 52 32 24 43 100 Perda no Ensaio Cantabro (%) 90 86 Asfalto comum Asfalto polímero 80 Asfalto comum - após imersão Asfalto polímero - após imersão 70 65 60 52 50 40 40 30 50 46 30 32 33 24 20 20 15 10 3.5 4.5 5.5 Teor de Betume (%) Figura 14 - Influência do teor de asfalto na resistência ao desgaste 4.4.2 - Caso 2 - Estudo experimental de misturas modificadas Huet et al. (1990) apresentam um estudo cujo propósito principal foi o de avaliar de maneira comparativa o desempenho oferecido por diferentes composições de misturas asfálticas porosas in situ. Para tanto, foi utilizado o simulador de tráfego instalado na pista circular de testes de pavimentos de Nantes (Figura 15) na França. 44 Seção 01 Asfalto Convencional Seção 02 Asfalto Modificado - SBS1 Seção 04 Asfalto com Fibras Minerais Seção 03 Asfalto Modificado - SBS2 Figura 15 - Representação esquemática do experimento realizado na pista de testes de pavimentos em Nantes As misturas com asfalto modificado foram projetadas com 4,5 % de SBS, penetração a 25 C de 130 (0,01mm) e ponto de amolecimento anel e bola superior a 65 0C. As espessuras dos revestimentos adotadas para as diferentes misturas asfálticas estudadas estão apresentadas na Tabela 11. Tabela 11 - Espessuras do revestimento das seções-teste seção-teste espessura do revestimento (cm) 1 4,2 2 3,4 3 3,8 4 4,2 O experimento com o simulador de tráfego foi realizado no período entre 17 de agosto e 22 de outubro de 1987, sendo iniciado três semanas após a execução das seções-teste. O 45 número máximo de ciclos de carga aplicado foi de 1100000. Nesse estudo, foi avaliado o comportamento das misturas com relação a variação no teor de vazios após a aplicação de ciclos de cargas específicos. Os valores iniciais e suas mudanças foram calculados usando medidas de densidade de três ou quatro corpos de prova. Os resultados são mostrados na Tabela 12 e na Figura 16. Tabela 12 - Teor de vazios das misturas asfálticas após N ciclos de carga N0 de Ciclos de Carga S1 (%) S2 (%) S3 (%) S4 (%) 4 000 17,1 21,3 19,4 23,2 24 000 17,3 18,3 18,8 23,2 100 000 16,9 17,5 19,8 23,9 600 000 13,3 18,7 16,8 22,0 1 100 000 12,4 16,7 16,4 23,8 Análise do Teor de Vazios - CP's Extraídos após N Ciclos de Carga 24 Teor de Vazios na Mistura (%) 22 20 18 16 14 Asfalto Comum SBS1 12 SBS2 Asfalto com Fibras Minerais 10 4000 24000 100000 600000 1100000 Ciclos de Carga Figura 16 - Análise comparativa do teor de vazios de misturas asfálticas após N ciclos de repetições de carga com o simulador de tráfego na pista de Nantes Além da análise das misturas com relação a variação de vazios, os pesquisadores de Nantes, nesse estudo, também avaliaram o comportamento dos revestimentos no que se refere a ocorrência de deformações plásticas (ATR) e caracterização das propriedades de 46 condutividade hidráulica (porosidade efetiva e permeabilidade horizontal e vertical). Os resultados oferecidos mostram, também nesses aspectos, um melhor desempenho da seção cujo revestimento foi constituído por asfalto modificado com fibras minerais. Ao final do experimento, percebe-se que em asfaltos porosos, o teor de vazios tende, geralmente, a diminuir com o acúmulo das cargas do tráfego. Exceção foi o desempenho oferecido pela mistura modificada com fibras minerais, onde o teor de vazios não sofreu redução com a aplicação das cargas do tráfego. Como conseqüência disso, suas propriedades de drenagem permaneceram praticamente inalteradas e os afundamentos plásticos foram mínimos. Enquanto que os outros três asfaltos (comum, SBS1 e SBS2) apresentaram reduções significativas nos teores de vazios (- 28 % para os asfaltos comuns, - 21 % e -16 % para o SBS1 e SBS2, respectivamente. Essa queda no teor de vazios é acompanhada pelo aumento na ocorrência de afundamentos e redução na capacidade de drenagem. Nesses dois aspectos as diferenças entre esses três asfaltos é muito pequena. De acordo com os responsáveis pela pesquisa, o estudo desenvolvido deixa evidente a superioridade no desempenho oferecido pela mistura asfáltica modificada com fibras, em relação as demais. Vale destacar que o percentual de fibras minerais adicionado a mistura foi de apenas 1% e que o teor de asfalto e teor de filler foi de 5,6 e 9,5% respectivamente. Enquanto que nas demais misturas esses teores foram de: asfalto comum: 4,1 e 5,4 %; SBS1: 4,8 e 5,6 % e SBS2: 4,2 e 5,6 %. Portanto, cabem sem dúvida, alguns questionamentos quanto ao fato de se comparar de maneira equitativa o desempenho apresentado pelas quatro misturas testadas nesse estudo, dentre estes destacam-se: !"Qual a influência dos diferentes teores de asfalto e de filler utilizados nas misturas ? !"Qual a influência das diferentes espessuras de revestimentos ? !"Qual a influência das diferentes composições granulométricas das misturas ? Uma alternativa para que se obtenham respostas a essas questões seria, por exemplo, realizar novos experimentos envolvendo simulações de tráfego in situ, semelhantes, portanto, nesse aspecto com o realizado na pista circular de Nantes, e levando em conta 47 esses parâmetros (espessura de revestimento, composição granulométrica, teor de asfalto e quantidade de finos nas misturas), aspectos os quais foram negligenciados quando do planejamentro da pesquisa. 5 - Modelos de Previsão de Desempenho Prever o desempenho futuro de uma seção específica de pavimento é uma tarefa muito difícil. Muitas variáveis influem no comportamento dos pavimentos e muito poucas delas permanecem constantes durante a vida de serviço. As variações normais encontradas na construção podem tornar o uso de valores médios ou de projeto para as variáveis de análise totalmente inadequado. Além disso, um tipo de deterioração pode depender de outro, como é o caso do trincamento e dos afundamentos em trilha de roda. Ao longo dos anos, com a evolução da tecnologia aplicada à engenharia de pavimentos, tem se buscado estabelecer modelos de previsão de desempenho de maneira que se possa prever a ocorrência e a evolução dos principais mecanismos de deterioração que concorrem para a queda da serventia dos pavimentos ao longo do tempo (ex.: trincamento por fadiga, afundamento em trilha de roda e trincamento térmico). Modelos de previsão de desempenho são funções que relacionam as características do pavimento e suas condições atuais (estruturais, funcionais e de degradação superficial) à evolução com o tempo dos defeitos de superfície ou do nível de serventia, sob dadas condições climáticas e de tráfego a que o pavimento está submetido. Tais modelos, são instrumentos tecnológicos essenciais para a análise econômica de rodovias. Infelizmente, os modelos de previsão de desempenho obtidos em pistas experimentais (ex.: AASHO) e em outros estudos desenvolvidos sob condições similares não são, em geral, diretamente aplicáveis a pavimentos em outras áreas. Isto deve-se, principalmente às diferenças no espectro de cargas do tráfego, materiais do pavimento e solo do subleito, metodologia e controle da construção, bem como condições climáticas adversas. 48 Com relação à previsão dos afundamentos em trilha de roda por meio de modelos mecanístico-empíricos, resultados aceitáveis têm sido obtidos em seções de pavimento do tipo full-depth, ou seja, seções onde todas as camadas acima do solo de subleito são constituídas por misturas asfálticas. A presença de camadas granulares tem levado a previsões sem acurácia adequada, qualquer que seja a formulação do modelo mecanístico-empírico utilizado. A explicação mais provável está no fato de o acúmulo de deformações plásticas sob cargas repetidas em materiais granulares ser altamente dependente do estado de tensões efetivas e estas são desconhecidas, na medida em que o processo de compactação de uma camada granular induz elevadas tensões horizontais residuais cuja estimativa é ainda incerta. Quanto ao trincamento por fadiga do revestimento asfáltico, modelos baseados na Mecânica da Fratura são os que têm encontrado maior sucesso nas suas previsões. 5.1 - Modelos empíricos Resultam da observação do desempenho de rodovias em serviço, e são funções de alguns poucos parâmetros ou índices que procuram caracterizar a estrutura do pavimento, o tráfego e o clima. Uma abordagem puramente empírica para previsão do desempenho de pavimentos é baseada em observações de desempenho sem considerar (satisfazer), teoricamente, as contribuições dos vários fatores. Por outro lado, uma abordagem puramente mecanística define matematicamente os fatores individuais específicos concluindo acerca do momento preciso e o modo principal de deterioração. Abordagens empíricas estão restritas às condições para as quais foram desenvolvidas e qualquer extrapolação desses limites podem resultar em interpretações grosseiras. Modelos analíticos e numéricos são usualmente confinados a problemas específicos, como as respostas das cargas ou temperatura, e combinações desses modelos para explicar completamente o comportamento de um pavimento tornam-se impossibilitadas. Uma forma para resolver essas diferenças é a realização de experimentos em escala real, onde seções de pavimentos são devidamente instrumentadas com o propósito de se obter parâmetros e respostas em pontos críticos da estrutura. Portanto, a finalidade principal 49 da instrumentação de seções de pavimentos in situ é a de se buscar condições que possibilitem explicar racionalmente o desempenho dos mesmos. Embora os modelos empíricos sejam de utilização bem mais simples que os mecanístico-empíricos, estes últimos tendem a ser mais confiáveis, especialmente quando se trata de aplicá-los a condições de clima, tráfego e materiais de construção diferentes ou fora das faixas referentes aos trechos experimentais em que foram calibrados. Além disso, os modelos empíricos nada informam sobre a evolução dos defeitos no pavimento ao longo do tempo e, na maioria dos casos, não indicam qual será a condição do pavimento ao final do período de projeto. Estas deficiências não existem, de modo geral, nos modelos mecanístico-empíricos. 5.2 - Modelos mecanístico-empíricos São constituídos por um modelo teórico que procura explicar ou prever a deterioração da estrutura sob a repetição das cargas do tráfego. Modelo este baseado no comportamento mecânico dos materiais das camadas e da própria estrutura sob a ação das cargas dinâmicas dos veículos em movimento, e por Funções de Transferência, que calibram o modelo teórico de modo a que este reproduza o desempenho real de pavimentos em serviço. A calibração é responsável por incluir no modelo final fatores que não puderam ser considerados pelo modelo mecanístico. É comum, no entanto, na grande maioria dos modelos mecanístico-empíricos existentes, que a teoria de degradação adotada seja precária ou muito inconsistente, o que tem levado a dificuldades na calibração experimental, quando se obtém fatores de calibração exageradamente variados. Os modelos de previsão de desempenho do tipo mecanístico-empírico consistem, essencialmente da associação de três componentes fundamentais: 1. Um modelo mecânico para o cálculo das respostas da estrutura do pavimento à passagem das cargas do tráfego, respostas estas na forma de tensões, deformações e deflexões em toda estrutura; 50 2. Uma teoria que associe as respostas calculadas à geração e progressão de defeitos, tais como trincas de fadiga nas camadas asfálticas e cimentadas e deformações plásticas por acúmulo de deformações permanentes em todas as camadas; 3. Uma calibração experimental, para incluir os efeitos de fatores que não puderam ser tratados de forma adequada ou explícita pelo modelo teórico, onde se incluem principalmente as variáveis ambientais (clima, drenagem) e características específicas do tráfego, especialmente aquelas que afetam as solicitações dinâmicas efetivamente aplicadas ao pavimento. A grande maioria dos modelos de previsão de desempenho mecanístico-empíricos desenvolvidos até a atualidade requerem, para a caracterização de cada componente da estrutura do pavimento, incluindo a sua fundação, de constantes da elasticidade linear, ou seja, módulo de elasticidade e coeficiente de Poisson (Finn et al., 1978). Dessa forma, foram desenvolvidos procedimentos para a caracterizaçào dos materiais e para a medida experimental desses parâmetros, tendo se consolidado o AASHTO Test Method T724 para solos e o ASTM Method D3497 para concretos asfálticos, onde se mede o módulo de deformação resiliente a partir da realização de ensaios triaxiais de laboratório. Em reconhecimento de que os materiais de pavimentação não são necessariamente lineares, estes métodos incluem a consideração da sensitividade ao estado de tensões dos solos coesivos e não coesivos e a dependência da temperatura e do tempo de carregamento do concreto asfáltico. Outra dificuldade para a implementação de modelos mecanístico-empíricos é a necessidade de se reproduzir as propriedades dos materiais in situ e a longo prazo. Um grande cuidado é requerido na preparação e no ensaio das amostras e se recomenda o uso de um número suficiente de corpos de prova de modo a se obter a melhor representação possível da condição in situ dos materiais e ao longo do tempo. Assim, é necessário se estimar as condições iniciais e as variações anuais esperadas, a fim de se simular adequadamente as propriedades dos materiais. Estudos de campo acerca de variações com o tempo do teor de umidade e da densidade são requeridos para os solos. Para o concreto asfáltico, os efeitos do envelhecimento e do intemperismo nas relações módulo-temperatura e nas propriedades de fadiga deveriam ser investigados. 51 O guia da AASHTO (1986) descreve os benefícios de se utilizar procedimentos do tipo mecanístico-empírico para projeto de pavimentos. Dentre estes, destaca-se uma melhor confiabilidade para o projeto, a partir da possibilidade de se poder prever tipos específicos de defeitos como trincamento por fadiga ou a presença de afundamentos em trilha de roda. Discussões consideráveis nos comitês do TRB tem procurado aumentar a taxa de aceitação de procedimentos mecanísticos. Corley-Lay, 1997, aponta as seguintes etapas como necessárias para a formulação de um procedimento mecanístico-empírico de projeto: 1. Determinação da temperatura do concreto asfáltico e estabelecimento de um procedimento para correção da temperatura (método de correção da temperatura). 2. Estabelecimento da relação existente entre o módulo de elasticidade do concreto asfáltico com a temperatura do revestimento. 3. Relacionar deformação (de tração) com a espessura e com os módulos dos materiais das camadas. 4. Relacionar deformação com o número de repetições de carga para ruptura. 5. Uso da lei de Miner para obter o efeito acumulado da deterioração provocada pelas cargas do tráfego ao longo da vida de serviço do pavimento. Em se tratando de pavimentos flexíveis em concreto asfáltico, sua deterioração se dá de forma gradual ao longo do tempo devido a dois mecanismos diretamente associados à passagem repetida das cargas do tráfego, ou seja: ♦ O trincamento por fadiga das camadas asfálticas; e ♦ Os afundamentos em trilha de roda decorrentes do acúmulo de deformações plásticas em todas as camadas da estrutura. As condições ambientais a que o pavimento está sujeito, onde se incluem as condições de temperatura do ar, a insolação, a pluviometria e as condições de drenagem subsuperficial e profunda, afetam as velocidades com que a degradação estrutural se 52 processa, por influirem nas propriedades mecânicas e de durabilidade dos materiais das camadas do pavimento e por gerarem tensões quando a estrutura tende a restringir movimentações volumétricas de natureza térmica ou de variação de umidade. Na seqüência, estão apresentados alguns exemplos de modelos de previsão de desempenho de misturas asfálticas com relação a ocorrência do seu trincamento por fadiga. Essas relações baseiam-se em extensos estudos de laboratório e incluem uma calibração com o desempenho observado no campo para pavimentos flexíveis. Vale destacar que modelos desse tipo não podem ser extrapolados para condições diferentes daquelas para as quais foram desenvolvidos. 1- FHWA-IL-UI- 208(1985) Este modelo indica o início do trincamento classe 1 por fadiga que foi observado na AASHO Road Test. log10 NP = 2.4136 - 3.16 log10 ε - 1.4 log E* onde: E*= Módulo dinâmico do CBUQ, dado pela fórmula do Instituto do Asfalto dos EUA(T.A.I.) em psi; ε = Deformação máxima de tração sob a camada asfáltica; NP = Número de repetições de carga necessário para o surgimento das primeiras trincas de fadiga classe I (AASHTO) na superfície do revestimento asfáltico 2 - The Asphalt Institute (MS-1,1981)* Nf = C x 18.4 (4.32 x 10-3) ( ε )-3.29 (E*)-.854 * para que se atinja uma percentagem de área trincada mínima de 20% onde: C = 10M M = 4.84 [( Vb / Vv + Vb ) - 0.69] Vb = Volume de Asfalto( %) 53 Vv = Volume de Vazios de ar(%) E* = Módulo Dinâmico do CBUQ, em psi 3 - FHWA-IL-UI-207(1984) Nf = fi x 2.67 x 10 -10 x (BETA) 5 x (εt )-5 x (E*)-1.4 onde: BETA = 0,300 x PI - 0.015 x PI x Vb + 0.080 x Vb - 0.198 PI = 20 - (500 x PTS) / 1+ (50 x PTS) PTS = log10 800 - log10 Pen / TR&B - TPen E* = Módulo Dinâmico do CBUQ, em ksi fi = 12.32 para 10% ou menos de área trincada(trincas classe 2) fi = 16.20 para 20% de área com trincas classe 2 5.3 - Revisão bibliográfica parcial sobre modelos de previsão de desempenho Vários estados americanos (ex.: Arkansas, Nevada, Iowa, Pennsylvania e Washington) vem desenvolvendo estudos com vistas ao estabelecimento e/ou calibração de equações de desempenho para pavimentos. Tais estudos, em sua grande maioria, são baseados em informações disponíveis nos bancos de dados concebidos a partir da implementação de PMS´s. Como exemplos de modelos calibrados dentro de um SGP em operação, Sebaaly et al.(1995) apresentam nove modelos de previsão de desempenho para as principais técnicas de conservação em pavimentos flexíveis utilizadas no estado de Nevada. Tais modelos relacionam o Present Serviceability Index (PSI) com a idade do pavimento, propriedades dos materiais, cargas do tráfego e parâmetros climáticos. Para desenvolvimento dos modelos foram coletados dados pelo pessoal do Departamento de 54 Transportes de Nevada (NDOT) ao longo da vida de serviço de 123 projetos As técnicas de manutenção adotadas incluem flush seals, sand seals, and chip seals1. Para produzir resultados mais acurados os modelos de desempenho para cada técnica foram desenvolvidos separadamente para três distritos do NDOT. Usando os dados coletados e observados os modelos desenvolvidos foram testados e comparados em termos de desempenho previsto e observado. A maioria dos modelos estabelecidos apresentou um coeficiente de determinação R2 superior a 70 %, indicando um bom ajuste entre os modelos e os dados observados. Os modelos foram desenvolvidos para três distritos distintos e estão apresentados na Tabela 13. Tabela 13 – Modelos de previsão de desempenho para medidas de conservação Distrit medida de o conservação flush seal modelo de desempenho R2 n PSI = 36.03 + C1 + 2.8 x 10-7ESALS – 0.18YEAR 540 0.58 – 0.42TMAX + 0.14TMIN – 0.25WETD – 1.89 x 10-13ESALS2 PSI = - 6,43 + C1 + 30.52BDR – 1.32 x 10-6 sand seal 1 256 0.86 ESALS – 0.13 YEAR PSI = 1.20 + C1 + C2 + C3 - 2.89 x 10-7 ESALS chip seal 284 0.84 + 0.027AGGR – 0.013TMAX – 8.6 x 10-3FT + 0.78SN – 0.28YEAR + 0.023YEAR2 PSI = 3.27 + C1 + 2.86 x 10-6ESALS – 0.56SN – flush seal 72 0.91 0.13YEAR sand seal 2 1 PSI = 6.23 + C1 + 0.51BDR + 3.95 x 10-6 ESALS 314 0.60 sendo: flush seal: aplicação de emulsão ou asfalto liquido à superfície do pavimento; sand seal: aplicação de emulsão ou asfalto liquido à superfície e aplicação de uma cobertura de areia; chip seal: ou tratamento superficial, sendo usual que o ligante seja uma emulsão com látex. 55 + 0.24SN – 0.045TMAX – 9.8 x 10-4CFT – 0.50YEAR + 3.50 x 10-10ESALS2 + 0.12YEAR2 – 8.93 x 10-6ESALS x SN chip seal PSI = -2.86 + C1 + C2 + C3 + C4 – 1.02 x 104 234 0.87 ESALS - 0.015AGGR + 0.075TMAX – 2.98 x 10-3FT + 0.125SN – 0.33YEAR + 0.005YEAR2 flush seal PSI = 11.96 + C1 + C2 x BDR – 7 x 10-7ESALS – 288 0.88 5.62SN – 0.34YEAR – 1.79 x 10-13ESALS2 + 0.92SN2 PSI = 11.34 + C1 + 7.25BDR + 5.25 x 10- sand seal 3 6 224 0.80 ESALS + 0.38SN – 0.15TMAX – 4.3 x 10-3CFT + 0.26YEAR – 3.91 x 10-13ESALS2 + 0.069YEARS2 – 2.47 x 10-6ESALS x SN chip seal PSI = -24.04 + C1 + C2 + C3 - 4.90 x 10-7 150 0.92 ESALS - 0.38AGGR + 0.8TMAX – 0.042FT – 1.32SN – 0.60YEAR + 0.056YEAR2 Definição das variáveis: PSI = calculado a partir de medições objetivas efetuadas para o PMS do NDOT a partir da fórmula da AASHTO: PSI = 5.03 - 1.91 log 10 (1 + SV) - 1.38 RD 2 - 0.01 (C + P) 0.5 O PSI varia de zero a cinco. Sendo que um valor zero representa um pavimento completamente destruído, enquanto que uma nota 5 representa um pavimento em condições ideais. Um pavimento recém construído, de modo geral, não atinge uma nota superior a 4.5. !"C1 = parâmetro que é função do tipo de ligante; 56 !"C2 = = parâmetro que é função do tipo de ligante; !"C3 = função do diâmetro máximo dos agregados; !"C4 = f (tipo de ligante do cheap seal, ligante do revestimento subjacente); !"BDR = taxa de aplicação do ligante (gal./yd2 = 4,6 l / m2); !"AGGR = taxa de aplicação dos agregados (lbs / yd2 = 0,54kg/cm2); !"TMAX = máxima temperatura média anual (0F); !"TMIN = mínima temperatura média anual (0F); !"CFT = número acumulado de ciclos gelo-degelo (= FT x YEAR); !"ESALs = tráfego acumulado, em repetições do eixo padrão rodoviário de 80 kN; !"SN = número estrutural antes da aplicação da medida de conservação; !"YEAR = idade em anos; !"AC = tipo de ligante usado no revestimento subjacente; !"AGGS = tamanho máximo do agregado usado no cheap seal; !"WETD = número total de dias chuvosos. Queiroz (1981), com base na interpretação de dados coletados em pavimentos asfálticos no Brasil, desenvolveu equações de desempenho para a evolução do trincamento e da irregularidade. Tais modelos estão apresentados nas tabelas 14 até 17. Tabela 14 - Equações empíricas para previsão de irregularidade R2 modelo log QI = 1,478 − 0,138RH + 0,00795 A + 0,0224(log N SNC) 2 0.26 QI = 21,8 − 7 ,52 RH + 516 , ST + 0,515 A + 7 ,22 × 10−5 (log N × B) 0.48 log QI = 1,391 − 0,131RH + 0,0414 P + 0,00751 A + 0,0248D × log N 0.32 2 QI = 12 ,63 − 516 , RH + 3,31ST + 0,393 A + 8,66(log N SNC ) + 7 ,17 × 10−5 ( B × log N ) 0.52 log QI = 1,299 − 0,1072 RH + 0,0415 P + 0,00623 A + 0,0856(log N SNC ) + 0,0230 D × log N 0.36 2 Tabela 15 - Equações empíricas para previsão da evolução do trincamento 57 modelo R2 log N = 1,205 + 5,96 log SNC - (início do trincamento) 0.52 CR = −18,53 + 0,0456B × log N + 0,00501B × A × log N 0.64 CR = −14 ,10 + 2 ,84 D × log N + 0,395D × A × log N 0.44 CR = −57 ,7 + 53,5 log N SNC + 0,313 A × log N 0.34 A = 11,46 − 0,0974 B + 0,1454 CR + 2 ,51 × 105 CR (RLA × B) 0.42 Tabela 16 - Equações mecanísticas para previsão de irregularidade Modelo R2 log QI = 1,426 + 0,01117 A − 0,1505RH + 0,001671VSN 3 × log N 0.25 log QI = 1,297 + 9 ,22 × 10−3 A + 9 ,08 × 10−2 ST − 7 ,03 × 10−2 RH + 5,57 × 10−4 SEN 1 × log N 0.52 Tabela 17 - Equações mecanísticas para previsão evolução do trincamento modelo R2 log N = 6,87 − 1,970 log VSN 1 - (início do trincamento) 0.31 CR = −8,70 + 0,258HST1 × log N + 1,006 × 10−7 HST1 × N 0.50 Definição das variáveis utilizadas nos modelos: !"QI = quociente de irregularidade (cont./km); !"RH = variável indicadora do estado de restauração = 0 como construído; = 1 recapeado; !"A = número de anos desde a construção ou recapeamento; !"N = número de eixos equivalentes acumulados (80 kN); !"SNC = número estrutural corrigido; !"ST = variável indicadora do tipo de revestimento = 0 concreto asfáltico; = 1 tratamento superficial duplo; !"B = deflexão média medida com a viga Benkelman ( 0.01 mm); 58 !"P = percentagem da área do pavimento que recebeu reparos (remendos profundos); !"D = deflexão média medida com o dynaflect (0.001 pol.); !"CR = percentagem da área com trincas; !"RLA = taxa de aplicação de carga (no médio de eixos equivalentes por ano); !"VSN3 = deformação específica de compressão vertical no topo do subleito (104 ); !"SEN1 = energia de deformação na face inferior do revestimento (10-4 kgf.cm); !"VSN1 = deformação específica de compressão vertical na face inferior do revestimento (10-4); !"HST1 = tensão de tração horizontal na face inferior do revestimento (kgf/cm2). Colucci et al. (1997) apresentam um estudo desenvolvido com o propósito de estabelecer uma metodologia para caracterização funcional de pavimentos flexíveis em Porto Rico. Tal abordagem, visa facilitar as atividades de gerência de pavimentos em nível de rede e envolve a utilização de modelos de probabilísticos para estimativa da vida de serviço do pavimento em termos de seu desempenho funcional, ou seja, características de conforto ao rolamento e segurança do usuário. A função de sobrevivência do pavimento em termos de sua capacidade funcional inclui um modelo matemático que permite estimar a probabilidade de que um determinado segmento irá sobreviver em termos de sua capacidade funcional quando submetido a um determinado nível de tráfego, assumindo Wf como sendo o tráfego acumulado até a falha. Para simplicidade do processo, assume-se que Wf em todas etapas do processo possa ser estimado dentro de um nível aceitável de confiança, podendo, portanto, ser tratada como uma variável determinística. O modelo adotado para estimativa da capacidade funcional dos pavimentos foi estabelecido com base na distribuição de Weibull a qual, é caracterizada por dois parâmetros positivos denominados α e γ. Sendo α o parâmetro de escala da distribuição e γ o parâmetro de forma. 59 A função densidade de probabilidade para as cargas acumuladas do tráfego f(wf) foi definida como: γ wf f (wf ) = α α γ −1 − w f α e γ ; w f > 0, α > 0 e γ > 0 logo, a probabilidade de que um determinado segmento possa vir a falhar quando o tráfego acumulado é igual ou menor que wf é dada por: F(wf ) = wf ∫0 f (t )dt = 1 − e wf − α γ portanto, a probabilidade de que uma determinada estrutura de pavimento sobreviva quando o tráfego acumulado for maior que wf é definida como função de sobrevivência e é dada por: S (wf ) = e wf − α γ portanto, o tráfego acumulado até a falha (wf) pode ser determinado por: 1 w f = α [− ln( S )] γ Para estimativa da vida residual do pavimento utilizou-se a seguinte equação: w VR = 100 1 − 18 wf onde, VR é a vida residual do pavimento em termos de sua capacidade funcional (%), w18 é o tráfego acumulado até o momento da análise (ESALs) e wf é o tráfego necessário para que o pavimento atinja o estágio de falha. A estimativa de w18 é feita através da seguinte fórmula: 60 w18 p −p = ρ 0 p0 − p f 1 β onde: p0 = PSI inicial; pf = PSI terminal; p = PSI no momento da avaliação ρ e β = parâmetros determinados a partir do desempenho observado. Ainda, durante a pesquisa desenvolvida em Porto Rico foram estimados os parâmetros da distribuição de Weibull para quatro diferentes regiões climáticas daquele país. Diversos programas computacionais tem sido desenvolvidos nos últimos anos com o propósito de auxiliar no estabelecimento de procedimentos mecanístico-empíricos para projetos de pavimentos flexíveis. Exemplos disso são os programas EVERPAVE e FLEXOLAY, desenvolvidos pelos Departamentos de Transportes dos estados americanos de Washington e Idaho (WSDOT E ITD). O EVERPAVE foi concebido com base no sistema elástico multicamadas WESLEA desenvolvido pelo Corpo dos Engenheiros do Exército Americano (Waterways Experiment Station, U. S. Army Corps of Engineers), e permite o cálculo de parâmetros de resposta na estrutura do pavimento, tais como tensões, deformações e deslocamentos. Neste, para os casos de restauração de pavimentos, a determinação da espessura de recapeamento é definida com base na espessura necessária para que o pavimento mantenha níveis de deterioração aceitáveis em termos de trincamento por fadiga e ocorrência de deformações plásticas dentro do período de projeto, de acordo com o tráfego considerado. Além disso, o programa permite que sejam considerados os efeitos relativos às variações sazonais. Para previsão do trincamento por fadiga é aplicado o seguinte modelo desenvolvido por FINN: log N f = 14.82 − 3.291 log(ε t ) − 0.854 log(Eac ) sendo: 61 Nf = número de repetições de carga para a ocorrência de trincamento por fadiga εt = deformação de tração inicial (in./in. x 10-6) Eac = módulo de elasticidade do concreto asfáltico (ksi) O fator de calibração laboratório-campo (shift factor) recomendado para o estado de Washington varia entre 4 e 10. Nas avaliações preliminares efetuadas, esta faixa de variação para o fator laboratório-campo tem permitido a obtenção de resultados razoáveis de desempenho no campo. No EVERPAVE, alternativamente, pode-se efetuar análises da vida de fadiga do pavimento a ser restaurado a partir do uso de deformações de tração calculadas no fundo da camada asfáltica de recapeamento e/ou no fundo da camada de recapeamento. Além disso, pode-se escolher fatores de calibração laboratório-campo diferentes para cada camada. Para a previsão de ocorrência de afundamentos em trilha de roda utiliza-se a equação contida no Chevron a qual, considera apenas a deformação vertical de compressão no topo do subleito. log N f = 1.077 × 1018 (ε vs ) −4 .4843 sendo: Nf = número de repetições de carga para causar 0.75 in. de ATR εVS = deformação vertical de compressão no topo do subleito (in./in. x 10-6) O tráfego é avaliado em termos do número de repetições do eixo padrão de 80 kN (ESALs). Para se levar em conta a variação da temperatura ao longo do ano adota-se a seguinte relação: 1 34 +6 MMPT = MMAT 1 + − Z + 4 Z + 4 sendo: MMPT = média mensal da temperatura do pavimento (0 F) MMAT = média mensal da temperatura do ar (0 F) 62 Z = profundidade do pavimento Linda, 1996, estabelece comparações entre os resultados obtidos para dois casos envolvendo projetos de restauração de pavimentos no estado de Washington. Para tanto, foram utilizados os programas EVERPAVE e DARWin (versão computadorizada do método da AASTHO/1993). Os resultados derivados dessas aplicações, demonstram a aplicabilidade prática do procedimento concebido para o estado de Washington, com vantagens em relação ao DARWin. Na Figura 17 está apresentado o fluxograma geral do procedimento de projeto de restauração utilizado pelo WSDOT. Deflexões medidas (FWD) Estrutura do pavimento EVERCALC (retroanálise) Módulos das camadas Dados do tráfego • tráfego anual; • tráfego de projeto; • tráfego médio diário. Dados Gerais Dados do pavimento • cargas de roda, geometria • módulo e coef. de Poisson da e pressão de inflação dos camada de recapeamento; pneus; • Eespessura inicial de recapeamento (incremento); • Shift Factors; • Dados de temperatura. • módulos das camadas existentes, espessuras e coef. de Poisson. EVERPAVE (projeto de restauração) Espessura de recapeamento Figura 17 - Fluxograma do procedimento de projeto de restauração de pavimentos flexíveis adotado no WSDOT 63 Fouad et al. (1996) apresentam um procedimento de projeto, desenvolvido para o estado americano de Idaho, o qual foi implementado no programa computacional denominado FLEXOLAY. Também, a exemplo do programa desenvolvido pelo WSDOT, são adotadas as equações desenvolvidas pelo Instituto do Asfalto para previsão da ocorrência de trincamento por fadiga e afundamentos em trilha de roda. Para a determinação dos valores dos módulos elásticos dos materiais das camadas são adotados os seguintes procedimentos: 1. Para materiais granulares: M r = k1θ k 2 sendo, k1 e k2 constantes do material e θ o fator de intensidade de tensões (σ1 + σ2 + σ3) 2. Para solos finos: M r = kσ dn sendo, k e n constantes dos material e σd é tensão desvio aplicada (σ1 - σ3). 3. Para camadas asfálticas: Os valores dos módulos são determinados a partir de retroanálise dos levantamentos realizados com o FWD. Para camadas novas de recapeamento a determinação dos módulos é realizada a partir de ensaios de laboratório ou através do uso da equação 1, desenvolvida a partir da utilização de dados derivados da pesquisa SHRP. log10 Eac = 0.553833 + 0.28829 × P200 × f −0.170.. − 0.03476 × Va + 0.070377 × η 70 ,10 6 + 0.000005 [ ] [ ] 1.3+ 0.498251 log ( f ) ) 1.3+ 0.498251 log ( f ) ) × t p( × Pac0.5 − 0.00189 t (p × Pac0.5 × f −1.1 + 0.931757 × f −0.02774 sendo: Eac = módulo de elasticidade do concreto asfáltico ( x 105 psi); Va = percentagem de vazios de ar na mistura; f = freqüência do ensaio; 64 tp = temperatura no centro da camada asfáltica (0 F); P200 = percentagem em peso do agregado que passa na peneira 200; η70,106 = viscosidade do asfalto a 70 0 F; Pac = percentagem do teor de asfalto por peso da mistura. A metodologia de projeto concebida inclui fatores de ajuste para correção dos efeitos sazonais para 6 diferentes regiões climáticas do estado de Idaho. A temperatura é corrigida pela mesma equação apresentada anteriormente adotada pelo WSDOT e cada região apresenta quatro períodos definidos ao longo do ano. Sendo que os valores dos módulos de elasticidade das camadas são ajustados para cada período. Para a obtenção da vida de serviço do pavimento existente utiliza-se uma relação do tipo: 4 N ( p )i i =1 N (adm.)i VS p = ∑ sendo: VSp = vida de serviço consumida pelo tráfego atuante na via; N(p)i = número de aplicações de carga no período i; N(adm.)i = número admissível de repetições de carga no período i determinado pela equação do Instituto do Asfalto com deformação de tração calculada no fundo da camada asfáltica existente. A vida restante (VR) do pavimento pavimento é dada por: VR = 1 - VSp logo, o número de aplicações de carga que o pavimento existente poderá sustentar sem necessidade de recapeamento deve satisfazer a seguinte relação: 4 N ( p )i i =1 N (adm.)i VS p = ∑ ≤ VR 65 a aplicação desta metodologia inclui as seguintes considerações envolvendo o processo de tomada de decisão acerca da necessidade de restauração do pavimento existente: Caso 1: Quando VSp > 1 (condição em que o pavimento existente não apresenta vida residual), assume-se que a camada asfáltica existente encontra-se completamente deteriorada. Nesse caso, atribui-se um valor de 280 MPa para o módulo da camada asfáltica existente. Na sequencia a vida de fadiga incluindo a nova camada de recapeamento é calculada da seguinte maneira (utiliza-se a deformação de tração calculada no fundo da nova camada asfáltica): 4 N ( f )i i =1 N (adm.)i VS f = ∑ A determinação da espessura ótima de recapeamento requer a realização de incrementos da espessura de recape até que VSf <= 1 Caso 2: Quando Vsp < 1, o pavimento possui uma vida residual mas o tráfego futuro excede a VR detectada (um recape é necessário). Nesse caso, a espessura de recapeamento é determinada de tal modo que Vsf não exceda a unidade . Para a camada asfáltica existente, o tráfego futuro deve satisfazer a seguinte relação: 4 N ( f )i i =1 N (adm.)i VS pav .exist . = ∑ ≤ VR sendo, VR a vida residual e Nadm. o número admissível de repetições de carga no período i determinado pela equação 9 com deformação de tração determinada no fundo da camada asfáltica existente com o recapeamento aplicado sobre a mesma. A vida de serviço do recapeamento é determinada da seguinte forma: 4 N ( f )i i =1 N (adm.)i VS f = ∑ ≤1 onde Nadm. é determinado a partir da deformação de tração calculada no fundo da camada de recapeamento. 66 Caso 3: Se o tráfego futuro não excede a vida restante do pavimento, o pavimento atual está estruturalmente adequado para suportar o tráfego futuro sem a necessidade de recapeamento Com o propósito de comparar as espessuras de recapeamento obtidas através da aplicação de diferentes metodologias para projeto de restauração de pavimentos flexíveis (INSTITUTO DO ASFALTO , AASHTO, EVERPAVE, FLEXOLAY) foram realizadas aplicações envolvendo cinco diferentes configurações de pavimentos flexíveis. Os resultados obtidos estão sintetizados na Tabela 18. Vale destacar que os dados de entrada utilizados nos programas foram exatamente os mesmos para cada seção. Tabela 18 - Espessuras de recapeamento obtidas por diferentes procedimentos de projeto espessura de recapeamento calculada (cm) seção 01 02 03 04 05 13.7 13.4 7.1 11.2 1.1 NC = 50 % 9.1 5.1 2.8 0 0 NC = 70 % 11.2 7.1 5.1 0 0.8 NC = 95 % 15.8 11.4 10.9 0 5.8 EVERPAVE (WSDOT) 9.1 6.6 - 10.9 0 FLEXOLAY (ITD) 8.1 6.1 5.1 1 0 Instituto do Asfalto AASHTO (DARWin) 6 - O trincamento dos pavimentos asfálticos 6.1 - Principais causas do trincamento O trincamento dos pavimentos pode ser devido a um grande número de motivos. Aqui serão feitas apenas algumas observações com respeito as causas e desenvolvimento das trincas. Segundo Colombier (1989), as possíveis causas para o aparecimento de trincas em pavimentos asfálticos são: 67 ♦ Fadiga : Decorrente da passagem repetida das cargas dos veículos, causando a ruptura da camada após determinado número de ciclos; ♦ Retração : A adoção de camadas estabilizadas com ligantes hidráulicos (cimento, cal e outros produtos) e a ocorrência de temperaturas muito baixas provocam retração das camadas do pavimento, ocasionando, com isto, o surgimento de trincas; ♦ Movimentação do solo de fundação (subleito) : Os movimentos verticais e especialmente o movimento diferencial entre os bordos da trinca também contribuem para o fenômeno. Isto é provocado por fenômenos como aumento de umidade, recalques, escorregamento, retração hidráulica e expansão; ♦ Defeitos construtivos : Causados pela má composição das camadas do pavimento, pela má execução de juntas longitudinais ou pelo deslocamento de camadas que deveriam permanecer unidas para que o desempenho seja satisfatório. 6.2 - Propagação das trincas A propagação de trincas decorrentes das diversas solicitações é, em geral, um resultado de três etapas, com mecanismos diferentes : a) Início do fissuramento; b) Crescimento estável da trinca; c) Propagação instável da trinca ( aparecimento e propagação na superfície). Para cada etapa, diferentes leis físicas podem ser aplicadas de acordo com o tipo de estrutura e condições de carregamento predominantes. O tempo que a trinca leva para aparecer na superfície aumenta com a espessura da camada de revestimento. A natureza da camada de revestimento também é importante porque a trinca propaga-se mais rapidamente através de um material mais friável. As principais forças dirigidas para o início e propagação das trincas são: 68 ♦ Cargas do tráfego; ♦ Variações de temperatura; ♦ Variações hídricas do solo. Os bordos das trincas se movimentam sob o efeito da passagem dos veículos, da variação da temperatura e de variações de volume dos solos. Existem três tipos de movimentação dos bordos de uma trinca, conforme ilustra a Figura 18: ♦ MODO I : abertura da trinca provocada pela retração térmica, por ressecamento de ligante ou por tração na fibra inferior do revestimento devido as cargas de rodas; ♦ MODO II : cisalhamento da camada sob o efeito das cargas do tráfego; ♦ MODO III: rasgamento da mistura asfáltica. Figura 18- Movimentação das trincas (FONTE: Rodrigues 1991). 69 6.3 - Classificação das trincas Existem diversos sistemas para se classificar o trincamento, em função do tipo, extensão, intensidade e severidade das trincas. De acordo com Molenaar (1993) quatro categorias de trincas podem ser determinadas: ♦ Trincamento transversal; ♦ Trincamento em blocos; ♦ Trincamento longitudinal; ♦ Trincas em couro de crocodilo. As trincas em blocos e transversal, em geral são atribuídos a efeitos ambientais. Como por exemplo tem-se o desenvolvimento de trincas de retração em bases tratadas com cimento devido a hidratação do cimento e a ocorrência de variações térmicas. Estas trincas tendem a se propagar para cima (através do revestimento). Este tipo de trincamento também pode ocorrer sem a presença de base tratada com cimento. Em regiões frias o trincamento dos pavimentos asfálticos por fadiga devido as baixas temperaturas é um fenômeno conhecido. O trincamento longitudinal nas trilhas de roda é o mais influenciado pelo tráfego. As forças horizontais de cisalhamento provocadas pelo rolamento das cargas do tráfego, são responsáveis por elevadas tensões de tração e deformações na superfície do pavimento. Estas deformações ocorrem próximo das bordas das rodas e produzem trincas longitudinais. Estas trincas se propagam na direção longitudinal do pavimento e são comumente chamadas modo III de trincamento (rasgamento). A ocorrência desse tipo de trincamento não é sério sobre o ponto de vista estrutural. Todavia elas tendem a se propagar através do revestimento se um tratamento apropriado não for feito para deter seu avanço. As trincas tipo couro de crocodilo decorrem da fadiga da mistura asfáltica devido à ação repetida das cargas de tráfego. 70 A severidade é uma medida da abertura das trincas, o que é usualmente expresso em classes. Em alguns sistemas de classificação, as classes de severidade incluem tanto a abertura das trincas como a intensidade. Quanto ao nível de severidade o trincamento pode ser classificado como: ♦ Baixo: trincas sem erosão nas bordas, com poucas conexões, abertura < 1 mm; ♦ Médio: trincas com pouca erosão nas bordas, abertura > 1 mm; ♦ Alto: trincas com erosão maior nas bordas e presença de bombeamento de finos. A extensão é a área da superfície que é coberta pelo trincamento, sendo expressa convenientemente pela percentagem de área trincada dentro de uma unidade, como uma faixa de tráfego por exemplo. A intensidade pode ser expressa pelo comprimento total de trincas dentro de uma unidade de área (m/m2), dando-se uma idéia do tamanho médio dos blocos individuais definidos pelas trincas. A Figura 19 ilustra os tipos de configuração mencionados. Figura 19 - Configuração das trincas no pavimento 71 6.4 - Conseqüências desfavoráveis das trincas O aparecimento de trincas na superfície de um pavimento traz conseqüências prejudiciais ao desempenho estrutural e funcional da rodovia, tais como : ♦ Perda de impermeabilização da superfície, permitindo a infiltração de água na estrutura e causando uma perda na capacidade de suporte do solo e a abertura de panelas; ♦ Degradação progressiva do revestimento próximo à trinca, devido à concentração dos esforços nos bordos da trinca, o que leva ao aumento da irregularidade; ♦ Aumento nas tensões verticais que atuam nas camadas subjacentes, devido à queda na rigidez da camada trincada. 6.5 - A reflexão de trincas A reflexão de trincas é considerada um dos principais problemas para o projeto de restauração de pavimentos. Este efeito invalida quaisquer previsões de desempenho convencionais e requer um modelo confiável para fins de dimensionamento, de modo a se minimizar os custos de restauração. A reflexão de trincas é definida como o reaparecimento, na superfície de uma camada de recapeamento asfáltico, do padrão de trincamento subjacente. É causada pela incapacidade da mistura asfáltica de resistir às deformações elevadas que são geradas na região em torno da extremidade das trincas , e que podem ser provocadas por: ♦ Deflexões diferenciais, quando da passagem das cargas de tráfego; ♦ Movimentos horizontais de abertura e fechamento das trincas devido aos ciclos de expansão e retração térmica da camada asfáltica; 72 ♦ Ciclos de expansão e contração do solo de subleito devido a variações de umidade. Em essência, o fenômeno de nada difere do processo de trincamento normal por fadiga de um revestimento asfáltico, na medida em que se trata apenas do crescimento e interligação de microfissuras inerentes à massa asfáltica devido à repetição de ciclos de carga - descarga. Enquanto no revestimento de um pavimento flexível a trinca de fadiga surgirá na fibra inferior da camada (região onde se tem a máxima deformação de tração), no pavimento recapeado a trinca de reflexão surgirá na região de máxima densidade de energia de distorção, que é aquela no entorno da extremidade da trinca do revestimento subjacente à camada de recapeamento. A ocorrência da reflexão de trincas pode tomar de vários anos a poucos meses depois da construção da camada de reforço. Esta forma de trincamento, junto com os efeitos que a acompanha, é a principal causa de deterioração da nova camada. Quando a reflexão de trincas ocorre, a continuidade da superfície da camada de reforço é destruída; a resistência estrutural do pavimento decresce, podendo a água de chuva ingressar na estrutura, tornando-se um forte promotor da deterioração subseqüente. A reflexão de trincas é acelerada quando: !"Aumenta a severidade das trincas subjacentes; !"Aumenta a rigidez da camada trincada; !"O tráfego atuante se torna mais pesado; !"Diminui a espessura da camada de recapeamento; !"Com o aumento da espessura da camada trincada; !"A ductilidade do ligante asfáltico é diminuída. Uma avaliação estrutural adequada do pavimento existente, permite a inclusão do processo de reflexão de trincas nas considerações de projeto para a camada de reforço, possibilitando analisar a contribuição de sua presença para a eficiência das alternativas de manutenção (uso de camada intermediária x aumento da espessura da camada de reforço). Os dados a serem levantados, devem permitir a caracterização do potencial de reflexão de trincas com objetivo de relacionar estratégias futuras de manutenção. 73 Considerando que uma caracterização precisa da movimentação das trincas e juntas é essencial para identificação das várias interfaces de atuação e reconhecimento das trincas no pavimento. 6.6 - Fadiga das misturas asfálticas O principal mecanismo de ruptura de pavimentos flexíveis no Brasil é a fadiga do revestimento asfáltico sob a ação de cargas repetidas de tráfego. Já as deformações permanentes repetidas que levam a afundamentos de trilha de roda são de menor importância devido às características lateríticas que comumente apresentam os subleitos e as camadas terrosas do próprio pavimento. Acresce o fato de que a umidade de equilíbrio do subleito fica próxima e, geralmente, aquém do teor ótimo do ensaio de compactação normal, nos pavimentos de rodovias federais. Além disso, não ocorre a condição de saturação que é típica do degelo da primavera nos países de clima frio. O fenômeno de fadiga tem sido definido como um processo de deterioração estrutural que sofre um material quando submetido a um estado de tensões e de deformações repetidas, resultando em trincas ou em fratura completa, após um certo número de repetições do carregamento, ou seja, é a perda de resistência que o material sofre, quando solicitado repetidamente por uma carga. Na Figura 20 estão caracterizadas as principais categorias de trincamento comumente presentes em estruturas de pavimentos flexíveis em concreto asfáltico. 74 Figura 20 - Progressão das trincas de fadiga em um pavimento flexível em concreto asfáltico Para a estimativa da vida de fadiga e das propriedades elásticas das misturas betuminosas dispõem-se de ensaios de laboratório dinâmicos que são os que melhor reproduzem as condições de carregamento induzidas pelo tráfego. Os ensaios dinâmicos usados para se determinar a vida de fadiga distinguem-se quanto ao processo empregado 75 para desenvolver tensões e deformações repetidas, ou seja, por flexão, tração direta e tração indireta e quanto à geometria das amostras ensaiadas O ensaio dinâmico a flexão alternada consiste em submeter uma vigota de concreto asfáltico simplesmente apoiada a duas cargas simétricas em relação ao seu centro, cargas estas que produzem um estado de tração uniforme na parte central do corpo de prova. A trinca que surge na vigota é geralmente única, formando-se na região onde o momento fletor é constante e máximo, o que reduz a dispersão dos ensaios em relação à vigota carregada apenas no seu ponto central. Ao longo das últimas três décadas, esforços consideráveis tem sido impetrados no sentido de se estabelecer métodos de projeto de pavimentos que possibilitem minimizar a ocorrência de trincamento por fadiga em pavimentos asfálticos. Para se determinar as propriedades de fadiga os seguintes procedimentos são usualmente adotados: ♦ Realização de ensaios de laboratório para estabelecimento de leis de fadiga para as misturas asfálticas; ♦ Estimativas das propriedades de fadiga com base em estudos realizados em materiais similares ou a partir de avaliação do desempenho de pavimentos em serviço através da análise comparativa do trincamento observado. 6.6.1 - Fatores que influem na vida de fadiga das misturas asfálticas A presença de trincas em pavimentos tem sido categorizada em dois grandes grupos: trincas devido às cargas do tráfego e trincas que decorrem de outras causas, como as solicitações térmicas, deficiências construtivas e intemperismo. De modo geral, importam para efeito de projeto as trincas de fadiga, o trincamento por reflexão e, em climas frios, o trincamento térmico a baixas temperaturas. Na Tabela 19 estão listados os principais fatores que afetam a vida de fadiga de misturas asfálticas. 76 Tabela 19 - Principais fatores que influem na vida de fadiga de misturas asfálticas (FONTE : SHRP) fatores da mistura fatores de carga fatores ambientais tipo de cimento asfáltico magnitude do carregamento temperatura teor de asfalto tipo de carregamento umidade temperatura na mistura freqüência temperatura na compactação história de tensões: carregamento simples ou composto método de compactação forma de carregamento: triangular, quadrado, etc. tipo, forma, granulometria e textura do agregado índice de vazios #"Tipo de cimento asfáltico O cimento asfáltico deve ter as características de flexibilidade, durabilidade, aglutinação, impermeabilização e elevada resistência à ação da maioria dos ácidos, sais e álcalis. São classificados pelo seu “grau de dureza” retratado no ensaio de penetração, ou pela sua viscosidade. A penetração de um CAP é definida como a distância em décimos de milímetros que uma agulha padronizada penetra verticalmente em uma amostra de cimento asfáltico sob condições específicas de carga, tempo e temperatura. O Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) e o Departamento Nacional de Estradas de Rodagens (DNER) especificam 4 tipos de CAP, pela sua penetração: CAP 30-45; CAP 50-60; CAP 85-100 e CAP 150-200, e três tipos quanto à viscosidade: CAP 7; CAP 20 e CAP 55. O comportamento dos asfaltos está associado ao estado de dispersão dos asfaltenos nos materiais, tendo-se, portanto, três tipos reológicos distintos (Rodrigues, 19988): • tipo SOL (Newtoniano) 77 • tipo SOL-GEL (Viscoelástico, pseudoplástico) • tipo GEL (Elástico não newtoniano) No tipo SOL, o escoamento é puramente viscoso. A viscosidade independe da tensão cisalhante ou do tempo, ou seja, a velocidade de deformação é proporcional à tensão de cisalhamento. A relação carbono-hidrogênio é relativamente elevada. O betume do tipo SOL-GEL ou viscoelástico tem uma parcela de deformação elástica e se caracteriza por apresentar porcentagem de asfaltenos entre 15% e 30% . Teores baixos de asfaltenos indicam betumes com tendências a um comportamento do tipo SOL e teores elevados, do tipo GEL. O betume GEL ou elástico, não newtoniano, se caracteriza por uma deformabilidade elástica retardada com deformações permanentes elevadas, porém sem deformações viscosas permanentes. #"Teor de asfalto O teor ideal usualmente é determinado pela estabilidade Marshall máxima, ou por considerações volumétricas. Tais procedimentos não garantem a resistência máxima à fadiga das misturas asfálticas. A resistência à fadiga de misturas densas é função do teor de asfalto, do volume de vazios e da temperatura. O tipo de agregado tem uma influência menor, exceto para misturas com asfalto-polímero. #"Temperatura na mistura A temperatura do CAP deve ser suficiente para que envolva totalmente o agregado com uma fina película no processo de misturação. Esta temperatura depende da dureza do CAP e é limitada em torno de 180°C. O superaquecimento pode modificar sensivelmente a estrutura molecular do asfalto, provocando o craqueamento das moléculas de hidrocarbonetos que constituem basicamente o asfalto. #"Temperatura na compactação 78 A temperatura ideal de compactação para se conseguir a densidade máxima da mistura é de 120 a 150°C. A altas temperaturas, o CAP estando em estado líquido apresenta um comportamento do tipo SOL ou Newtoniano e não oferece resistência mecânica ao deslocamento e organização das partículas que compõe a mistura. #"Tipo de carregamento ♦ Tensão controlada: Nos ensaios a tensão controlada, o surgimento das primeiras trincas e a sua propagação da trinca é mais rápida, em vista das condições mais severas de apoio do corpo-de-prova em relação às do revestimento no campo. ♦ Deformação controlada: No ensaio a deformação controlada, a carga é reduzida gradativamente à medida que as trincas se propagam, mantendo-se as deflexões e o Fator de Intensidade de Tensões constante ao longo do ensaio. Assim, este ensaio fornece uma indicação da vida de serviço com relação à propagação de trincas. 6.7 - Previsão da ocorrência de trincamento por fadiga - REVISÃO Várias pesquisas demonstram que a ocorrência do trincamento por fadiga em pavimentos flexíveis está relacionada com a deformação máxima de tração que ocorre no fundo da camada asfáltica quando da passagem das cargas do tráfego. O desenvolvimento de modelos para avaliação da vida de fadiga de estruturas de pavimentos tem sido feito principalmente através do estabelecimento de funções de transferência derivadas de estudos de laboratório. Os resultados desses ensaios são geralmente expressos da seguinte forma: N f = f 1ε t−f 2 E 1−f 3 sendo: Nf = número de repetições de carga para ocorrência de trincamento por fadiga; εt = deformação de tração no fundo da camada asfáltica; 79 E1 = módulo de elasticidade do concreto asfáltico; f1, f2 e f3 = coeficientes (campo e laboratório). Este tipo de modelo exige o estabelecimento de fatores de calibração para se incluir os efeitos de fatores que não puderam ser explicitados no modelo, como as relações passagem-cobertura, o clima, as práticas construtivas de manutenção, os efeitos dinâmicos das cargas do tráfego e as próprias deficiências teóricas do modelo adotado. Tal procedimento tem levado a resultados inconsistentes, o que se reflete na absurda faixa de valores que tem sido obtida para os fatores de calibração, que pode variar de 20 a 100. Coeficientes de alguns modelos de fadiga são apresentados na Tabela 20. Tabela 20 - Coeficientes de fadiga 1 Fonte f1 f2 f3 Dep. de Transportes de Illinois 5.00E-06 3 0 2 Transport & Road Researh Laboratory 1.66E-10 4.32 0 3 Belgian Road Research Center (BRRC) 4.92E-14 4.76 0 4 Austin Research Engineers (ARE) 9.73E-15 5.16 0 5 Federal Highway Administration 7.56E-12 4.68 0 6 Instituto do Asfalto 0.0796 3.291 0.854 7 SHELL Research 0.0685 5.671 2.363 8 U. S. Army Corps of Engineers 497.156 5 2.665 9 Arizona Department of Transportation 9.33E-7 3.84 0 Além da grande variabilidade nos valores estabelecidos para os fatores de calibração, este tipo de abordagem apresenta uma outra incoerência, a qual é observada quando se analisa a variação de εt, calculada pela teoria de camadas elásticas, por exemplo, com a espessura do revestimento (h1). A Figura 21 ilustra o padrão típico desses resultados, de onde se concluiria que, sendo válido o modelo de fadiga das equações anteriores, uma espessura pequena (4 cm, por exemplo) apresentaria a mesma vida de fadiga de uma espessura bem maior ( 9 cm, por exemplo). Este resultado está em desacordo com o que se observa na prática, na medida em que aumentos na espessura do revestimento sempre se refletem em aumentos na vida de 80 serviço do pavimento, na faixa de espessuras que vai de 4 a 20 cm, em pavimentos flexíveis. Aumentos acima de 20 cm podem não se traduzir em uma maior vida de serviço, uma vez que o pavimento passa a sofrer trincamento que se origina na superfície do pavimento e se propaga para baixo. Portanto, o erro da formulação apresentada anteriormente está em imaginar que, após um determinado número de ciclos de carga, surge de repente uma trinca sob o revestimento e que a inserção de um fator laboratório-campo seja suficiente para se levar em conta a propagação dessa trinca até a superfície e até se atingir uma determinada percentagem de área trincada. Na realidade, a mistura asfáltica já apresenta, desde o início, microfissuras inerentes, distribuídas por todo o seu volume, as quais são visíveis apenas através de difração de Raios-X. Com a repetição dos ciclos de carga, as microfissuras que absorverem energia de deformação acima de um valor mínimo crescerão de comprimento a cada ciclo de carga. A primeira trinca que se tornar visível será aquela que se originou da microfissura cuja orientação relativa às tensões solicitantes for mais favorável ao seu crescimento por fadiga. Assim, no caso da estrutura da Figura 22, o ponto crítico para o surgimento dessa primeira trinca é aquele onde ocorre o valor máximo de εt, pois este modo de deformação tende a levar à abertura de uma trinca vertical. Todo fenômeno se processa, portanto, com um crescimento contínuo de uma trinca, desde um comprimento quase nulo até atravessar toda a espessura do revestimento. Assim, o aumento da espessura do revestimento sempre resultará em um incremento da vida de serviço, mesmo que a deformação εt seja a mesma (como no exemplo da Figura 2), uma vez que a espessura que a trinca deverá atravessar será maior, requerendo um número adicional de ciclos de carga. 81 εt 4 9 h1 (cm) Figura 21 - Resultado típico da teoria de camadas elásticas (FONTE: Rodrigues, 1998) h1 CBUQ εt BG h2 SL Figura 22 - Trincamento por fadiga em um pavimento asfáltico flexível Tayeballi et al. (1995), com base em estudos desenvolvidos no projeto SHRP A-003A, destacam que a ocorrência de trincamento por fadiga em misturas asfálticas convencionais é amplamente dependente de duas propriedades fundamentais do concreto asfáltico: a perda de rigidez da mistura e a proporção de vazios preenchidos com asfalto. Resultados obtidos em ensaios de fadiga (flexão) envolvendo 44 diferentes misturas asfálticas conduziram ao estabelecimento dos seguintes modelos para estimativa da vida de fadiga em laboratório: N f = 2 ,738 × 105 exp 0,077VFA (ε 0 ) −3,624 (S ) −2 ,720 0 82 N f = 2 ,365 exp 0 ,0069VFA (ω 0 ) −1,8824 sendo: Nf = número de repetições de carga para o início do trincamento; ε0 = deformação inicial (in/in); S0 = perda de rigidez inicial (psi); w0 = energia inicial dissipada por ciclo de carga (psi); VFA = porcentual de vazios preenchidos com asfalto. Gomez & Thompson estabeleceram valores para fatores de calibração a partir da aplicação de modelos desse tipo para 23 seções-testes de pavimentos estabelecidas na AASHO Road Test. Todavia, uma análise posterior daqueles dados revela uma correlação entre o trincamento observado e o consumo a fadiga calculado através de uma lei de fadiga de laboratório. Esta correlação é: TR = 1,40 − 0,108C F TR = trincamento na superície, expresso como 0 para seções não trincadas, 1 para aquelas cujo trincamento estava começando e 3 para aquelas com trincamento acentuado. CF = N/Nf é a relação entre o tráfego acumulado e a vida de fadiga. Esta relação indicou uma tendência irracional, uma vez que o crescimento de CF implica em uma redução da área trincada. Uma regressão mais adequada aqueles dados seria da forma: TR = 2,363 − 5,454 × 10 −3 × h1 sendo h1 a espessura do concreto asfáltico em mm (r2 = 0,604). Variações extremamente elevadas tem sido detectadas para os valores de shift factors (2 até 700). Além da natureza estocástica do desempenho do pavimento, esta variação é conseqüência do fato que a vida de fadiga não é função somente de εt que ocorre na 83 parte inferior da camada asfáltica. A progressão da trinca através da espessura tem uma velocidade dependente de fatores que não são levados em conta na determinação de εt. A forte correlação estabelecida entre trincamento e espessura da camada asfáltica observada nos dados da AASHO Road Test pode ser explicada pelo fato de que a presença do trincamento na superfície do pavimento não é um evento discreto que ocorre quando o consumo a fadiga atinge um valor unitário. O que se espera é uma propagação contínua de microfissuras sob a repetição das cargas do tráfego e, portanto o processo deve ser descrito utilizando a mecânica da fratura. O estabelecimento de comparações entre seções alternativas de projeto é inconsistente se estas forem realizadas através da utilização de modelos de desempenho de baixa consistência, impedindo dessa forma que se proceda uma otimização racional do projeto estrutural do pavimento. Da mesma forma é impossível se implementar um projeto racional de mistura asfáltica uma vez que o modelo adotado é incapaz de resolver os conflitos entre a tendência de misturas que apresentem rigidez elevadas apresentarem maior resistência ao início do trincamento e misturas com rigidez inferior serem preferíveis no que se refere a sua habilidade em retardar a propagação das trincas. Além disso, a contribuição ao processo de trincamento devida as deformações de cisalhamento não é levado em conta. O asfalto é um material visco-elasto-plástico, cujas propriedades dependem da velocidade de deformações cisalhantes, da temperatura e do grau de intemperização a que foi submetido. A temperaturas extremamente baixas, o asfalto tem um comportamento quase completamente frágil. Contudo, nas temperaturas normais de serviço, ele mostra um certo fluxo plástico durante as deformações e no processo de ruptura. Apesar deste fluxo plástico, diversos estudos mostraram que se pode aplicar a Mecânica da Fratura Elástica Linear para a interpretação do comportamento à fadiga das misturas asfálticas. A moderna mecânica da fratura deve seu desenvolvimento a Irwin, que propôs o conceito de Fator de Intensidade de Tensões. Em 1957, estendendo os trabalhos de Griffith, observou que todo o comportamento de uma trinca podia ser representado por três movimentos cinemáticos independentes relativos às faces da fratura, conforme os 84 deslocamentos resultantes contribuam para a abertura, o escorregamento ou o rasgamento, ou seja, modos de deslocamento relativo das superfícies da trinca. Os três modos são necessários e suficientes para se descrever todos os modos possíveis de comportamento da trinca, no estado mais geral (tridimensional) de tensões elásticas. Cada um desses movimentos é associado a um campo de tensões na vizinhança imediata da extremidade da trinca. Assim, O Modo I é causado pelas tensões normais de tração, que tendem a abrir a trinca, enquanto que os Modos II e III são gerados por tensões cisalhantes no plano da trinca. Estas tensões, obtidas a partir da teoria da elasticidade, são válidas para escoamento localizado (isto é, para uma pequena zona plástica em torno da extremidade da trinca). A Figura 23 mostra as duas posições críticas em termos da presença de tensões e deformações as quais conduzem a propagação de trincas em estruturas de pavimentos flexíveis. Um modelo baseado em εt considera somente a formação de trincas de fadiga na parte inferior da camada asfáltica devido as deformações horizontais de tração quando a trinca está sob o centro da carga de roda. Contudo, as tensões de cisalhamento também podem contribuir para a propagação do trincamento e devem ser, portanto, levada em conta em um modelo racional para a previsão do trincamento por fadiga. Nesse sentido, a lei de Paris tem sido aplicada para se efetuar o cálculo do número de ciclos de carga requeridos para que uma trinca possa se propagar através da espessura da camada asfáltica de revestimento. dc n dN = AK sendo K o fator de intensidade de tensões e A e n propriedades dos materiais associadas com a propagação da trinca. A simulação da propagação da trinca através da camada asfáltica pode ser feita através do método de elementos finitos, pela utilização de elementos que possibilitem reproduzir um campo com concentração de tensões na extremidade da trinca. Jayawickrama & Lytton (1987) desenvolveram um modelo desta natureza, baseado em soluções analíticas para fatores de intensidade de tensões. No entanto, a validade desse tipo de abordagem em um material composto por agregados e 85 ligante asfáltico é duvidosa, uma vez que as trincas percorrem um caminho irregular em torno das partículas. Na posição de flexão (Figura 23) o entrosamento de agregados nas paredes da trinca é baixo e é razoável que se reduza o módulo de elasticidade do material no interior da trinca para valores equivalentes aos apresentados por uma camada granular de alta qualidade. Na posição de cisalhamento espera-se a ocorrência de um elevado intertravamento entre os agregados o que implica na necessidade de se manter o módulo de elasticidade nos elementos finitos internos da trinca próximo do valor original. Uma mistura constituída de areia-asfalto, por outro lado, deverá apresentar um módulo de elasticidade baixo mesmo nessa situação. A lei de Miner é aplicada para estimar a vida de fadiga de cada elemento ao longo do comprimento da trinca. O consumo a fadiga provocado pelos dois mecanismos são somados da seguinte maneira: 1 2 + N = 1,0 N f N C sendo N o número de passagens de carga requeridos para a ocorrência de trincamento em um dado elemento, Nf é o número admissível de ciclos para a falha no modo de flexão e NC é o número admissível de ciclos de carga para a falha no modo cisalhante. CONCRETO ASFÁLTICO εt τ BASE GRANULAR SUBLEITO Figura 23 - Posições críticas da carga de roda para propagação de trincas 86 Rodrigues (1997), adaptou o modelo de Jayawickrama & Lytton (1987), desenvolvido com o objetivo de previsão de reflexão de trincas em recapeamentos asfálticos, para previsão da vida de fadiga de pavimentos asfálticos flexíveis. O expoente n da lei de Paris foi considerado como igual a 3.29, como indicado pela fórmula de fadiga do Instituto do Asfalto (MS-1, 1981). O Parâmetro A foi calculado através de uma relação derivada de uma análise de propagação de trincas em ensaios de fadiga em compressão diametral (Rodrigues, 1991): log e A = −1,4224 − 4 ,2713n A associação entre poucos dados experimentais e previsões teóricas é complicada pela natureza estocástica do desempenho dos pavimentos. Com relação a este fato, é interessante analisar os dados de desempenho gerados pela OCDE (1991), resultantes dos experimentos na pista circular de Nantes. As estruturas I e II avaliadas são constituídas de pavimentos flexíveis com 280 mm de base granular e espessura do revestimento de 67 mm e 140 respectivamente. De acordo com ensaios com FWD e determinação de módulos de resiliência em laboratório, os módulos elásticos das camadas podem ser considerados com os seguintes valores: E1 = 5100 MPa (200 C) – Revestimento asfáltico E2 = 65 MPa E3 = 69 MPa sob cargas de eixo de 100 kN (eixo de rodas duplas com 50 kN cada). A temperatura da superfície variou de 10 a 26 0C durante os ensaios. As primeiras trincas foram observadas na superfície do pavimento após 103000 passagens para a estrutura I e 370000 passagens para a estrutura II, sob uma carga de eixo de 100 kN. Ensaios de fadiga nas misturas asfálticas em laboratório a 20 0C conduziram ao estabelecimento da seguinte lei de fadiga: 1 N f = 4 ,02 × 1020 εt 6,43 87 A deformação de tração sob carregamento de 100 kN foi calculada pela teoria das camadas elásticas como: εt = 4,323 x 10-4 para estrutura I εt = 2,158 x 10-4 para estrutura II e as vidas de fadiga associadas previstas com base na equação de laboratório são NI = 1,72 x 102 repetições para a estrutura I e NII = 1,50 x 104 repetições para a estrutura II. A relação entre estas vidas (= 87) é várias vezes maior que a observada no campo (= 3,6). Se o expoente da relação de fadiga for dividido por dois, como no caso da fórmula do Instituto do Asfalto, a previsão torna-se: NI = 1,79 x 105 e NII = 1,76 x 106 e a relação cai para 9,8 mas ainda é muito maior que o valor experimental determinado. A aplicação do modelo de Jayawickrama & Lytton, com as modificações descritas anteriormente, conduz aos resultados mostrados na Tabela 21, para as três hipóteses relacionadas ao nível de entrosamento dos agregados nas paredes da trinca. Como podemos ver, uma previsão excelente da relação entre as vidas de serviço determinadas experimentalmente para as duas seções pode ser percebida. Fatores de calibração variam entre 0,5 e 2,6 em função do grau de entrosamento dos agregados. O fator de calibração mais adequado é 2,6 devido a distribuição lateral das cargas e ao intervalo de aplicação das cargas (rest periods). Isto corresponde a um baixo nível de entrosamneto dos agregados. Tabela 21 - Modelo da mecânica da fratura aplicado aos dados da OCDE NI (104) NII (104) NII/NI (104) ALTO 19,5 71,8 3,7 MÉDIO 6,99 23,7 3,4 BAIXO 3,90 14,1 3,6 entrosamento dos agregados O modelo da mecânica da fratura desenvolvido foi aplicado a dados experimentais de pavimentos flexíveis obtidos na BR-364/MT. A Tabela 22 mostra a espessura do 88 revestimento asfáltico, fatores de calibração para o modelo da mecânica da fratura e fatores de calibração para a fórmula do Instituto do Asfalto, para prever o número de repetições do eixo padrão de 80 kN para o surgimento das primeiras trincas na superfície dos pavimentos. Tabela 22 - Análise dos dados obtidos na BR-364/MT seção h1 (cm) FC1 FC2 T-170 5.8 2.08 2.25 T-171 4.8 2.41 1.28 T-172 5 2.61 1.15 T-173 5.1 2.21 1.23 T-174 4.8 2.58 1.23 T-175 5 2.83 1.45 T-176 7.1 0.79 1.33 T-177 9.5 1.91 4.68 T-178 5.4 2.21 1.02 T-179 5.2 2.12 0.95 T-180 5.1 3.55 1.70 T-181 5 2.68 0.91 T-182 5 1.57 0.69 T-183 4.8 2.54 0.84 T-184 7.2 0.65 1.11 T-185 9.7 1.76 5.52 média 2.16 1.71 CV (%) 41 81 Fica claro pelos resultados obtidos que o modelo da mecânica da fratura foi mais adequado a calibração, uma vez que o coeficente de variação do seu fator de calibração foi significativamente inferior ao obtido pela fórmula do Instituto do Asfalto . Ainda, Rodrigues (1997) sugere, com base em estudos envolvendo seções experimentais de pavimentos no Brasil (BR-364/MT e BR-101/RJ), que fatores de calibração estabelecidos numa faixa de valores entre 2,2 e 3,0 são razoáveis para as condicões 89 brasileiras de projeto. Isto, considerando-se espessuras de revestimento numa faixa de 5 a 10 cm. Harvey e Tsai (1998) realizaram um estudo de laboratório envolvendo ensaios de misturas asfálticas com o equipamento denominado FBBT (flexural bending beam test), o qual é um dos principais produtos derivados da pesquisa SHRP no projeto A-003A. O FBBT possibilita a realização de ensaios acelerados de misturas asfálticas tanto para a rigidez na flexão quanto para estabelecimento da vida de fadiga, sob condições de deformação controlada com sistema de aquisição e controle de dados completamente automatizado. Os ensaios realizados envolveram a utilização de um único agregado e diversas combinações em termos de teores de asfalto e vazios de ar na mistura (cinco teores de asfalto e três teores de vazios de ar). Os resultados obtidos mostram claramente os benefícios de se utilizar teores mais baixos de vazios tanto na vida de fadiga quanto na rigidez inicial. Outra verificação foi que a elevação do teor de asfalto na mistura implica no aumento da vida de fadiga e na redução da sua rigidez inicial. Modelos alternativos para se prever vida de fadiga e rigidez inicial usando parâmetros da mistura tais como: teor de asfalto, teor de vazios, vazios do agregado mineral e concentrações de asfalto e agregado foram estabelecidos e avaliados. A teoria das camadas elásticas foi usada para simular o efeito do teor de vazios e do teor de asfalto na vida de fadiga de estruturas de pavimentos recapeadas avaliadas como exemplo usando para tanto os modelos derivados dos estudos de laboratório para se prever vida de fadiga e rigidez da mistura. A simulação realizada indicou um aumento na vida de fadiga para teores inferiores de vazios e superiores de asfalto. O projeto do experimento no laboratório incluiu a realização de um fatorial completo envolvendo 3 teores de vazios de ar, 5 teores de asfalto, 2 níveis de deformação e 3 repetições, resultando em 90 testes (3 x 5 x 2 x 3). Os modelos de regressão derivados do estudo realizado em laboratório estão apresentado nas Tabelas 23 e 24. Tabela 23 - Modelos de regressão para vida de fadiga (Nf) Variáveis Modelo coeficiente de 90 correlação (R2) dependentes ln εt , ln S0 ln N f = −25.912 − 3.759 ln ε t + 0.623 ln S 0 0.767 AV, AC, ln εt AV + 0.594 AC − 3.729 ln ε t ln N f = −22.191 − 0164 . 0.916 Vagg ,Vasp, ln εt + 0129 ln N f = −35812 . . Vagg + 0.432Vasp − 3.740 ln ε t 0.918 VFB, ln εt ln N f = −23.255 + 0.044VFB − 3.742 ln ε t 0.875 VFB, ln εt, , ln S0 ln N f = −17.470 + 0.053VFB − 3.761 ln ε t − 0.726 ln S 0 0.885 VFB, ln εt, ln LS0 ln N f = −14.894 + 0.056VFB − 3.731 ln ε t − 1123 . ln LS 0 0.882 Tabela 24 - Modelos de regressão para rigidez inicial (S0) Variáveis dependentes modelo coeficiente de correlação (R2) AV, AC ln S 0 = 10.725 − 0.076 AV − 0171 . AC AC − 0.002 AVAC . AV, AC, interação AVAC ln S 0 = 10.229 − 0.067 AV − 0162 0.684 0.684 Vagg ,Vasp ln S 0 = 1901 . + 0.086Vagg − 0.0004V asp 0.682 VFB + 0.012VFB ln S0 = 8188 . 0.308 sendo: Nf = vida de fadiga da mistura; AV = teor de vazios de ar (%); AC = teor de asfalto (%); S0 = rigidez inicial (MPa); LS0 = S0 sen (ang. fase), MPa; Vagg = concentração de volume de agregado (%); Vasp = concentração de volume de asfalto (%); VFB = vazios preenchidos com betume (%); εt = deformação de tração na fibra inferior da viga; AVAC = interação existente entre os fatores AV e AC. Em estudos realizados na COPPE, Preussler (1983) realizou ensaios de tração indireta com cargas de fadiga para determinação da vida de fadiga de misturas asfálticas contendo dois tipos de ligantes (50/60 e 85/100). Para as misturas estudas foi estabelecida a seguinte relação de fadiga: 91 1 N f = 2 ,99 × 10 ε mis . 2 ,153 −6 sendo, εmis. a deformação específica inicial, definida pela razão entre a tensão de tração repetida e o módulo resiliente. Também, Pinto (1991) estabeleceu com base em ensaios de fadiga realizados em laboratório, a seguinte equação de fadiga para misturas asfálticas (R2 = 0,96 e N = 82): N lab. −9 1 = 9 ,07 × 10 εt 2 ,65 − 0, 033 1 MR onde, εt é a deformação específica de tração e MR é o módulo de resiliência da mistura. Foram realizados ensaios a tensão controlada em seis diferentes misturas asfálticas. O modelo estabelecido fornece o número de aplicações de cargas necessário para provocar a ruptura completa do concreto asfáltico. Ainda, nesse estudo, foram estabelecidos fatores de correção com vistas a calibrar a equação definida em laboratório para condições de campo. O procedimento de calibração adotado consiste na determinação de um fator f0 da seguinte equação: N C( TR ) = f 0 × N lab. onde: NC(TR) é o número de operações do eixo padrão rodoviário necessário para que o revestimento atinja uma percentagem de área trincada TR. O modelo de fadiga de laboratório foi estabelecido a partir de ensaios realizados a 25 0C, onde o módulo de resiliência e a deformação de tração devem ser referidos, para os perfis experimentais, nesta mesma temperatura. As tabelas 25 e 26 apresentam os fatores de calibração determinados para três segmentos rodoviários. Tabela 25 - Fatores de calibração (f0) na temperatura de referência (250 C) segmento 92 Nlab. TR (%). NC f0 Nlab. TR (%). NC f0 Nlab. TR (%). NC f0 1 4,08 x 102 0 4,0 x 106 9,80 x 103 4,08 x 102 14 8,0 x 106 1,96 x 104 4,08 x 102 18 1,2 x 107 2,94 x 104 2 4,07 x 10 0 4,0 x 106 9,83 x 104 4,07 x 10 28 8,0 x 106 1,97 x 105 4,07 x 10 40 1,2 x 107 2,95 x 105 3 2,6 x 102 0 4,0 x 106 1,54 x 104 2,6 x 102 15 8,0 x 106 3,08 x 104 2,6 x 102 22 1,2 x 107 4,62 x 104 Tabela 26 - Fatores de calibração (f0) na temperatura de campo (540 C) Nlab. TR (%). NC f0 Nlab. TR (%). NC f0 Nlab. TR (%). NC f0 segmento 2 2,77 0 4,0 x 106 1,44 x 106 2,77 28 8,0 x 106 2,89 x 106 2,77 40 1,2 x 107 4,33 x 106 1 2,68 x 10 0 4,0 x 106 1,49 x 105 2,68 x 10 14 8,0 x 106 2,98 x 105 2,68 x 10 18 1,2 x 107 4,48 x 105 3 2,92 x 10 0 4,0 x 106 1,37 x 105 2,92 x 10 15 8,0 x 106 2,74 x 105 2,92 x 10 22 1,2 x 107 4,11 x 105 Hossain et al (1998), realizaram um estudo com o propósito de analisar o desempenho oferecido por misturas asfálticas concebidas através da metodologia Superpave. Para tanto, foram selecionados dois projetos implementados no estado do Kansas (K-177 e US-50). Inicialmente, foram moldados corpos de prova para estudos de laboratório (vigotas com dimensões de 75 x 100 x 400 mm3 ). Para a determinação do módulo de rigidez e da deformação específica de tração foram utilizadas as seguintes equações: Es = εt = ( Pa 3L2 − 4 a 2 4bh ∆ ) 3 σ 12 h∆ = 2 Es 3L − 4 a 2 sendo: Es = módulo de rigidez na flexão (MPa); 93 h = altura do corpo de prova (mm); εt = deformação de tração inicial (mm/mm); P = carregamento dinâmico (N); b = largura (mm); L = comprimento (mm); a = espaçamento entre o suporte e o ponto de aplicação do primeiro carregamento (mm); ∆ = deflexão no centro da viga (mm). De posse dos dados obtidos nos ensaios de laboratório as equações de fadiga mostradas na Tabela 27 foram derivadas para as misturas em estudo: Tabela 27 - Equações de fadiga estabelecidas Mistura equação de fadiga coeficiente de determinação 1 N f = 0.0336 × ε t −1.766 0.81 2 N f = 1.264 × ε t −1.397 0.88 3 N f = 0.000446 × ε t −2.1012 0.85 Pesquisadores da Universidade de Nottingham e da Shell desenvolveram, respectivamente, as seguintes expressões para estimativa da deformação de tração em misturas asfálticas: log εt = 14,39 logVb + 24,2 log TRB − 40,7 − log N 5,13 logVb + 8,63 log TRB − 15,8 [ − 0,036 εt = (0,856 × Vb + 1,08)Smix × N − 0,2 . ] sendo: εt = deformação de tração admissível; N = número de repetições de carga; Vb = teor de asfalto na mistura (%); 94 TRB = ponto de amolecimento anel e bola (0 C); Smix. = rigidez da mistura; f (t, T). As equações apresentadas a seguir foram destacadas por Renaud (1996) como relações globais desenvolvidas para previsão da vida de fadiga de pavimentos asfálticos, sendo, ambas derivadas de ensaios a flexão realizados em laboratório. A primeira, foi estabelecida por Tayebali et al (1994) durante a pesquisa SHRP e a segunda, deriva-se de estudos realizados por Myre (1992) com vistas a caracterização do comportamento à fadiga de misturas asfálticas para as condições norueguesas. N f = 2,738 × 105 × e0,077VFB × ε0− 3,624 × S0" −2 ,720 log N f = 34,5326 − 6,1447logε0 − 3,3950logE + 0,3864logVB × MF − 0,00788VV sendo: Nf = duração da vida de fadiga; ε0 = deformação inicial; S0" = módulo de perda inicial (psi); VFB = vazios preenchidos com betume (%); E = módulo inicial (MPa); VB = teor de asfalto (%); VV = teor de vazios (%); MF = “mode factor”. O Instituto do Asfalto, com base em extensos estudos de laboratório e correlações com o desempenho observado no campo, estabeleceu o seguinte modelo para pavimentos asfálticos (adotou o modelo desenvolvido por Finn, et al. e o modificou para refletir o efeito do volume de vazios e do volume de asfalto na mistura): 4 ,84 × Vb − 0,69 −3, 291 −0,854 Vv +Vb × 0,004325 × (ε t ) × ( E ac ) N f = 18,4 × 10 sendo: 95 Nf = número de repetições de carga para a ocorrência de 20 % de área trincada; Eac = módulo de elasticidade do concreto asfáltico (psi); Vv = vazios de ar (%); Vb = volume de asfalto (%); εt = deformação máxima de tração. Nesse modelo, o número de repetições de carga Nf máximo é definido com a presença de 45 % de trincas de fadiga na trilha de roda (considerando uma única trilha). Isto equivale a presença de trincas de fadiga em 20 % da área total da pista. Pesquisadores da Shell desenvolveram o seguinte modelo, similar ao do Instituto do Asfalto, para previsão do trincamento por fadiga: N f = 0,0685 × (ε t ) −5, 671 × ( Eac ) −2 , 363 Nokes et al. (1996) apresentam o planejamento do programa para ensaios acelerados de pavimentos (CAL/APT) desenvolvido pelo Departamento de Transportes da Califórnia (CALTRANS). Após a realização de um programa piloto de testes em uma pista experimental da África do Sul, concluiu-se que o simulador mais adequado seria o HVS. Um protótipo de HVS foi desenvolvido no final da década de 60 pelo CSIR (Council for Scientific and Industrial Research da África do Sul). Além da simulação de carga com o HVS, são utilizados um conjunto de equipamentos adicionais para instrumentação que inclui os seguintes testes: medidas de deslocamentos a diferentes profundidades (MDD), perfilômetros, CAM, defletômetro de superfície e termopares. A aplicação das cargas do tráfego com o HVS pode ser feita em uma única direção ou de maneira bidirecional. A velocidade máxima de deslocamento é de 8 km/h. Podendo, aplicar até 17 000 repetições de carga por dia (bidirecional). Comprimento de viagem é de 7.5 m e o deslocamento lateral programável de até 1.5 m. Podem ser aplicadas cargas de até 200 kN (45 000 lb) 96 Fanella et al. (1996), realizaram estudos envolvendo ensaios de laboratório e análises mecanísticas para prever a vida de fadiga dos pavimentos no California Department of Transportation Accelerated Pavement Testing (CAL/APT). A Tabela 28 apresenta os modelos investigados para interpretação dos resultados derivados de ensaios com o HVS. Foram avaliadas duas estruturas de pavimento. Sendo uma drenada e outra não drenada. Tabela 28 - Modelos avaliados para previsão da vida de fadiga dos pavimentos no CAL/APT modelo Fonte shift factor N f = 4.06 × 10 −8 × ε t−3.348 (Vv = 6.8%) SHRP A-003A 13 N f = 8.36 × 10 −8 × ε t−3.420 (Vv = 3.7%) SHRP A-003A 13 N f = 2.738 * 105 exp 0.077VFB (ε t ) −3.624 ( S mix × sen φ ) −2.720 SHRP A-003A 10 - 13 ε S log N f = 15.947 − 3.291 log t−6 − 0.854 mix3 10 10 Instituto do Asfalto 13 Shell 10 - 20 1 0.57 N mf π × S mix × sen φ 0.77 ( m−1) N f = ε t × 0.278 × C ; = C Yf Em todos os casos analisados nesse estudo, um aumento nas cargas do tráfego causa uma diminuição na vida de fadiga. Para ambas as estruturas, a vida de fadiga sob um carregamento de 40 kN é de aproximadamente 5 vezes maior que aquela determinada sob um carregamento de 80 kN e de aproximadamente 10 vezes a vida de fadiga obtida sob carregamento de 100 kN. Portanto, a carga de 100 kN provoca 10 vezes mais dano que uma de 40 kN. Isto resulta em um coeficiente n = 2.5 (aproximadamente) para a equação do fator de equivalência de cargas. O CALTRANS adota tipicamente um fator de 4.9. No programa CAMAS desenvolvido pelo Instituto do Asfalto o seguinte modelo serve como ponto de partida para previsão do trincamento por fadiga: N f = f o (10 n )( f 1ε t− f 2 )( E ac− f 3 ) 97 onde: Eac = módulo de elasticidade do concreto asfáltico (psi); M = f4[(Vb / Vv + Vb) – f5] Vv = percentual de volume de vazios; Vb = percentual de asfalto, emvolume; εt = deformação máxime de tração sob a camada asfáltica, produzida pela carga de roda. Esta equação é constituída por três componentes: • Fator de ajuste entre o laboratório e o desempenho no campo (= fo ) necessário para se relacionar o início do trincamento sob a camada a uma “condição de ruptura” do pavimento devido ao trincamento; • Fator de ajuste da mistura (= 10M), utilizado para se ajustar as previsões de vida de fadiga devido a desvios em Vv e Vb relativos aos valores vigentes quando do desenvolvimento das curvas de fadiga de laboratório; • Equação − f3 de fadiga de laboratório (= fε −tf2 E ac ). 1 Como valores “default” para os coeficientes, pode-se utilizar aqueles do "Asphalt Institute Thickness Design Manual MS-1"(1981): f0 = 18, 4 f1 = 0, 004325 f2 = 3, 291 f3 = 0, 854 f4 = 4 , 84 f5 = 0, 69 Com estes coeficientes, esta equação define a vida de fadiga ( N f ) como o número de repetições de carga que leva a um mínimo de 25 % de área trincada. Dados experimentais de campo (rodovias em serviço no Brasil) utilizados na estruturação de modelos para o HDM-III indicam que a velocidade de progressão da percentagem de área trincada em pavimentos flexíveis, após o surgimento das primeiras 98 trincas de fadiga na superfície, varia como indicado na Tabela 29. Desses dados, conclui-se que o pavimento atinge 20 % de área trincada após 4 anos do início do trincamento, e atinge 50 % de área trincada após 6 anos do início do trincamento. Tabela 29 - Velocidade de progressão da área trincada no HDM-III TR (%) dTR/dt (% ao ano) 0,5 - 30 6,3 30 - 95 8,7 0,5 - 95 7,7 No caso de recapeamentos asfálticos o HDM-III dispõe dos seguintes modelos de previsão para o início do aparecimento das primeiras trincas de reflexão na superfície: TYcr 2 = 10,8 exp(− 1,21Do − 1,02YE4 D0 ) TYcr 2 = 2,54 exp(0,0157HR − 0,0141PCR4 ) onde: TYcr2 = tempo em anos requerido para o surgimento das primeiras trincas de reflexão na superfície da camada de recapeamento; Do = deflexão do pavimento, em mm; YE4 = número anual de repetições do eixo padrão de 80 kN; HR = espessura da camada de recapeamento, em concreto asfáltico (cm); PCR4 = percentagem de área do pavimento original com trincas muito severas ( classe 4 da AASHTO). Esses modelos são equações empíricas simplificadas, aplicáveis apenas para efeito de planejamento orçamentário em nível de rede, não devendo ser aplicados em nível de definição de soluções de projeto por falta de acurácia em considerar os parâmetros que influem no desempenho dos pavimentos. Um modelo consistente deveria levar em conta, de forma explícita, todas as quatro variáveis acima (D0, YE4, HR e PCR4), uma vez que são parâmetros independentes entre si e que afetam significativamente o 99 desempenho do pavimento restaurado, como é apontado por uma série de estudos, tanto teóricos como experimentais. No HDM-III, contudo, não se dispõe de um modelo com essa característica, sendo aplicado apenas um dos dois modelos referidos acima. Rodrigues (1997) apresenta a seguinte metodologia, incluindo modelos de previsão de desempenho para elaboração de estimativas acerca da vida restante de pavimentos flexíveis em concreto asfáltico (pavimentos novos e restaurados). A função adotada para atender as condições de contorno requeridas é da seguinte forma: IGG = αt β × FC onde: IGG = índice de gravidade global; FC = fator de calibração regional do modelo; t = tempo decorrido desde a abertura ao tráfego, em anos; α e β = parâmetros que definem o modelo. A aplicação desse modelo se dá forma recursivo-incremental, como tem sido recomendado por diversos estudos, a fim de que o modelo possa ser aplicado ao pavimento na condição em que se encontra hoje e de modo a se poder estimar sua vida restante. Dessa forma, a cada semestre deverá ser previsto o aumento do IGG através da seguinte fórmula, obtida por derivação do modelo original: ∆IGG = α 1 β βIGG 1− 1 β ∆t × FC O parâmetro β do modelo pode ser calculado utilizando-se uma informação empírica que é aplicada pelo HDM-III, a saber, que a velocidade média com que a percentagem de área trincada evolui é da ordem de 6,6 % ao ano. Uma outra informação experimental pode ser obtida aplicando-se os modelos do HDM-III às condições médias dos pontos que deram origem a esses modelos, a saber: Nano = 3 x 105 100 HR = 6,5 cm D0 = 56 x 10-2 mm PCR4 = 30 % Para estas condições os modelos do HDM-III indicam TYcr2 = 4,6 anos. Esta condição pode ser associada a IGG1 = 20 e TR1 = 5 %. Para um estágio de degradação posterior, correspondente a, por exemplo, uma percentagem de área trincada de TR2 = 30 %, podese considerar IGG2 = 80 e se pode escrever: IGG2 log IGG1 β= T log 2 T 1 onde: T2 = T1 + dTR TR2 − TR1 dTR dT dT = 6,6 de onde se obtém β = 2,31 Rodrigues (1991) apresenta o seguinte modelo mecanístico para se avaliar a influência dos parâmetros estruturais na reflexão de trincas: N fT = 1,423e1,6013n H R1,363 D0−0,1852 onde n é o expoente da lei de fadiga do CBUQ (que tem um valor típico da ordem de 3 para misturas asfálticas densas convencionais) e NfT é o número teórico de ciclos de carga requerido para a reflexão completa de uma trinca, através da espessura HR da camada de recapeamento asfáltica. Associando-se este modelo com o segundo modelo do HDM-III, tem-se que a previsão do ano em que se espera o surgimento das primeiras trincas de reflexão pode ser feita por: 101 t0 = FA × N ft N ano ou −1 1,363 −0,1852 −0,0141IGG A t0 = FA × 1,423e1,6013n N ano HR D0 e onde: FA= fator de ajuste do modelo teórico; IGGA = IGG do pavimento original, antes do recapeamento; Nano = número anual de operações do eixo padrão de 80 kN. O fator FA pode ser calculado aplicando-se o modelo teórico às condições de campo, já citadas, que originaram os modelos do HDM-III. Para estas condições, os modelos do HDM-III indicam: TYcr2 = t0 = 4,6 anos. Considerando-se o início do trincamento como associado a IGG0 = 20, pode-se escrever: β α = t0 × IGG0 de onde se obtém, para: t0 = 4,6 anos, IGG0 = 20 e β = 2,31 o valor: N α FA = ano N fT IGG0 −1 β = 4 ,6 × 103 O parâmetro α pode ser obtido, portanto, através da seguinte expressão: N fT FA α = IGGo N ano −β A determinação do fator de calibração regional do modelo (FC) deve ser feita com base no histórico de manutenção do pavimento e nas as condições climáticas regionais. 102 No caso de pavimentos que ainda não foram restaurados, os modelos do HDM-III para previsão do ano em que surgem as primeiras trincas na superfície do revestimento original em CBUQ são: ( TYcr2 = 4 ,21 exp 0,139 SNC − 17 ,1YE4 SNC 2 ( TYcr2 = 8,61exp − 24,4YE4 SNC 2 ) ) onde: SNC = número estrutural corrigido (AASHTO); YE4 = número anual de repetições do eixo padrão de 80 kN (em milhões por faixa). Para as condições médias que deram origem a esses modelos: YE4 = 0,4 SNC = 3,28 obtém-se: TYcr2 = 3,5 anos O expoente β do modelo pode ser calculado utilizando-se uma informação experimental oriunda da AASHTO Road Test, onde se observou que a relação entre os números de repetições de carga associados a TR2 = 20 % e TR1 = 10 % (percentagens da área com trincas severas) é dado por: t 2 16,20 = t1 12 ,32 Estas condições podem ser consideradas equivalentes a IGG1 = 55 e IGG2 = 80, de onde se obtém: 103 80 ln 55 = 1,37 β= 16,20 ln 12 ,32 O seguinte modelo mecanístico pode ser utilizado para se avaliar a influência dos parâmetros estruturais no trincamento por fadiga em pavimentos flexíveis. N fT = 9,9 × 103 E1−1,125e3,188n h10, 9465E20,5549 E30,1251Q−2 ,221 onde: n = expoente da lei de fadiga do CBUQ; NfT = numero teórico de ciclos de carga requerido para o surgimento das primeiras trincas na superfície do pavimento; E1, E2, E3 = módulo de resiliência das camadas de revestimento, base e subleito, respectivamente (kgf/cm2); Q = carga de roda simples equivalente aplicada (tf). O tempo requerido para que surjam as primeiras trincas de fadiga na superfície pode ser previsto, dessa forma, pelo modelo: t0 = FA × N fT N ano onde: FA = fator de ajuste do modelo teórico; Nano = número anual de operações do eixo padrão de 80 kN. O fator FA pode ser calculado aplicando-se o modelo teórico às condições de campo, já citadas, que originaram os modelos do HDM-III. Para estas condições, os modelos do HDM-III indicam: TYcr2 = t0 = 3,5 anos. Para o modelo teórico, os seguintes parâmetros refletem aquelas condições médias: 104 h1 = 8 cm (CBUQ) h2 = 40 cm (base granular) D0 = 65 x 10-2 mm O módulo de resiliência do subleito pode ser estimado a partir da seguinte relação, obtida a partir da análise de seções de pavimentos flexíveis pela teoria de camadas elásticas: E3 = 1,81 × 105 × h1−0,437 × D0−1,12 Para a derivação desse modelo, fixou-se a relação: E2 = 1,7 E3, válida de forma aproximada para bases granulares tipo brita graduada. Considerando-se o início do trincamento como associado a IGG0 = 20, pode-se escrever: −β α = t0 xIGG0 de onde se obtém, para: t0 = 3,5 anos, IGG0 = 20 e β = 1,37 o valor: N α FA = ano N fT IGG0 −1 β = 36,8 O parâmetro α pode ser obtido, portanto, através da seguinte expressão: N fT FA α = IGGo N ano −β No caso de recapeamentos asfálticos aplicados sobre pavimentos aeroportuários asfálticos flexíveis trincados, o seguinte modelo pode ser utilizado para a previsão da vida de reflexão de trincas (Rodrigues, 1991): 105 N f = FC × 87 × e1,579 n × Hr1,505 × h1−0,2311 × E0−0,279 × E1−0,0494 × E2 0,172 × E30,0762 × Q−2 ,22 sendo: FC = fator de calibração do modelo (da ordem de 48 para condições brasileiras); n = expoente da lei de fadiga; Hr = espessura da camada de recapeamento em concreto asfáltico; h1 = espessura do revestimento existente; E0 = módulo de resiliência a 25 0C da camada de recapeamento asfáltico; E1, E2, E3 = módulo de resiliência das camadas de revestimento, base e subleito, respectivamente (kgf/cm2). Na versão atual do sistema Superpave, o trincamento por fadiga é modelado como um processo de dois estágios: o início (formação) da trinca e a sua propagação. O início da trinca, na proposta original do SHRP, é previsto através da seguinte relação empírica: log N i = f N (σ m ,τ oct , E, ν , %AC, %Air ) sendo Ni o número de repetições de carga para o início do trincamento, fN é um coeficiente de regressão, σm é a tensão principal média, τoct as tensões octaédricas de cisalhamento, E é o módulo do concreto asfáltico, ν coeficiente de Poisson para o concreto asfáltico, AC teor de asfalto (%) e % Air é o teor de vazios de ar. O número de repetições de carga para o início do trincamento é corrigido (ajustado) para se levar em conta a selagem das trincas que ocorre entre as sucessivas aplicações das cargas do tráfego. O shift factor devido a selagem é definido como: N if = SF × N i SF = 1 + g 5 t r g6 sendo, Ni o número de ciclos de carga para o surgimento da trinca em laboratório, Nif é o número de ciclos de carga para o início do trincamento no campo, SF é o shift factor devido a selagem das microfissuras, tr é o intervalo de aplicação das cargas do tráfego (rest period em segundos) e g5 e g6 são coeficientes de calibração de campo. 106 A propagação do trincamento é definida usando a relação de Paris: Np = 1 h dc 1 = I KII ∫ n C A 0 (∆K II ) A sendo: C0 = comprimento inicial da trinca (assumido como sendo 0.33 pol.); h = espessura da camada asfáltica (pol.); KII = fator de intensidade de tensões para o modo II de trincamento; A e n = propriedades de fratura dos materiais; IKII = integral de propagação da trinca. Durante o contrato A-005 da pesquisa SHRP foram realizados estudos paramétricos envolvendo análises com programas de elementos finitos com vistas a caracterização da integral de propagação da trinca (IKII). Tal estudo envolveu estruturas de pavimentos constituídas de três camadas e os resultados obtidos incluem o estabelecimento de equações de regressão da forma: ( ) ln I KII ∗ 10 4 = f k (h AC , h B , E AC , E B , E SL ) As propriedades de fratura dos materiais são estimadas através de relações estabelecidas com base na teoria de Schapery. Estas, são do tipo: logA = g 2 + (g 3 n )logD1 + g 4 logσ t n = g0 + g1 m Os parâmetros D0, D1 e m não são medidos diretamente e sim calculados com base nos resultados do ensaio shear frequency sweep através do uso da transformada viscoelástica de Laplace. No sistema superpave a previsão do desempenho requer a definição dos parâmetros dos materiais para uma lei constitutiva (relação elástica-plástica de tensão-deformação) para 107 todos os materiais que compõe o sistema de pavimento e para deformações permanentes, início do trincamento e propagação da trinca (relações aplicáveis às camadas asfálticas). Para o concreto asfáltico, muitas dessas propriedades são determinadas através dos ensaios SST e IDT. Outras são assumidas (valores default) ou são estimadas através da utilização de relações empíricas da literatura. A avaliação do comportamento da mistura asfáltica é dividida em componentes elásticos e plásticos. Sendo que cada componente é modelado usando um modelo tensão deformação separado. A análise elástica é realizada através de um modelo derivado do modelo de elasticidade não linear k1-k6. Enquanto que o componente plástico é derivado do modelo de plasticidade de Vermeer. O modelo k1-k6 de elasticidade não linear é uma extensão do “universal material model” desenvolvido para materiais não cimentados (Witczack e Uzan, 1988). O módulo de resiliência é expresso como: θ∗ E = (k 1 p a ) pa k2 τ oct pa k3 ν = f v (k 2 , k 3 , k 4 , k 5 ,σ 1 ,σ 2 ,σ 3 ) sendo: E = módulo de resiliência; pa = pressão atmosférica; θ = primeiro invariante de tensões; τoct = tensões octaédricas de cisalhamento; k1, k2 e k3 = constantes dos materiais determinados no ensaio SST; ν = coeficiente de Poisson. Pesquisadores da universidade de Delft na Holanda discutem a possibilidade de se avaliar a vida de fadiga de pavimentos asfálticos através da seguinte equação, a qual é derivada da combinação entre a lei de Paris ( dc dN = Ak n ) e a relação de fadiga [ ] n estabelecida por Wöhler ( N = k 1 1 ε ): 108 b( N= 1− n 2 ) 1 − c0 1− nq b n A(1 − nq )( E r ) n 1 εt sendo: A = parâmetro da lei de Paris, dependente das propriedades do material e das condições de ensaio; r e q = constantes de regressão (r = 0,942 e q = 0,421); c0 = comprimento inicial da trinca (c0 = 1 mm); b = altura do corpo de prova ou espessura da camada asfáltica do pavimento; n = inclinação da curva de fadiga (3,83 até 3,93); E = módulo de elasticidade da mistura asfáltica. A caracterização do comportamento a fadiga de misturas asfálticas é usuamente feito com base em ensaios de laboratório, sendo definido por relações da forma: 1 N f = k1 ε t k2 1 × E k3 N f = AW z sendo: Nf = vida de fadiga; εt = deformação de tração; E = módulo de elasticidade da mistura asfáltica; W = energia acumulada até a falha; k1, k2, k3, A e z = coeficientes determinados experimentalmente. Diversos modelos similares tem sido propostos ao longo dos últimos anos na tentativa de se poder prever a vida de fadiga que um determinado pavimento asfáltico irá oferecer ao longo de sua vida de serviço. Entretanto, estes modelos, estabelecidos com base em 109 estudos de laboratório, precisam ser calibrados para que possam ser aplicados às condições oferecidas no campo e de modo que se possa efetuar uma estimativa razoável do desempenho a ser oferecido pelo pavimento em termos de trincamento por fadiga. Uma das maiores deficiências desse tipo de abordagem (necessidade da determinação de shift factors) consiste no fato de que os ensaios tradicionalmente realizados em laboratório para investigação do comportamento a fadiga de misturas asfálticas, não conseguem representar adequadamente a fase de propagação das trincas a qual, é portanto, negligenciada em modelos definidos dessa forma. Nesse sentido, Uzan (1997) apresenta um procedimento que visa incluir a fase de propagação da trinca na previsão da vida de fadiga de pavimentos flexíveis. Tal processo envolve a realização de análises incluindo a utilização da seguinte relação: Np = h dc 1 1 × ∫ n = × Ik c 0 k A A E E I k = f hac , hb , ac , b E sg E sg sendo: Np = número de repetições de carga necessários para que a trinca se propague desde o comprimento inicial c0 até a superfície do pavimento; h = espessura da camada asfáltica; c0 = comprimento inicial da trinca; k = fator de intensidade de tensões; A e n = propriedades dos materiais. Nesse estudo foi derivada a seguinte relação para estimativa da vida de fadiga de pavimentos asfálticos: h log W80 f = −313 , − (0,854 × log S ) − (3,291 × log ε t ) + 380 sendo: W80f = vida de fadiga do pavimento; S = rigidez inicial da mistura; 110 εt = deformação de tração no fundo da camada asfáltica sob carregamento do eixo padrão rodoviário de 80 kN; h = espessura da camada asfáltica (mm). A equação anterior pode ser escrita da seguinte forma: W log W80 f = log W80i + W80 p = log W80i × 1 + 80 p W i 80 ( ) log W80i = −3,13 − (0,854 × log S ) − (3,291 × log ε t ) W h = log 1 + 80 p W80i 380 sendo W80i e W80p o número de repetições de cargas para o início e propagação da trinca até a superfície, repectivamente. O termo adicionado, h/380, representa a relação entre o número de repetições de carga necessários para a propagação da trinca e o número de repetições para o seu início. Chen (1997) aplicou os seguintes modelos de previsão de desempenho, estabelecidos pelo Instituto do Asfalto, para investigação preliminar envolvendo as presenças de trincamento e de ATR em seções de pavimentos solicitadas pelo Texas Mobile Load Simulator (TxMLS): N f = 0,0796(ε xx ) − 3,291E ac −0 ,854 N r = 1,365 × 10 −9 (ε zz ) − 4 ,477 sendo: Nf = número admissível de repetições de carga para ocorrência de trincamento por fadiga (10 a 25 % da área total ou 45 % de trincas nas trilhas de roda); Eac = módulo de elasticidade do concreto asfáltico; 111 εxx = deformação de tração (in./in.); Nr = número admissível de repetições de carga para a presença de ATR (13 mm); εzz = deformação vertical de compressão no topo do subleito. 7 - Afundamentos em Trilha de Roda A presença de afundamentos em trilha de roda (ATR) na superfície do pavimento é conseqüência das deformações plásticas que se desenvolvem nas diferentes camadas que constituem a estrutura. Em sua fase inicial, na maioria dos casos, os afundamentos em trilha de roda são praticamente imperceptíveis e somente são notados quando da ocorrência de chuvas, através do acúmulo de água que ocorre nos mesmos. A presença significativa de ATR pode levar ao comprometimento estrutural do pavimento e, também elevar o potencial para a ocorrência do fenômeno da hidroplanagem. Por isso, esforços consideráveis são feitos na etapa de projeto para permitir que as camadas do pavimentos possam resistir a ocorrência de deformações plásticas excessivas. A previsão da evolução de ATR é um problema complexo e requer a caracterização detalhada das propriedades elásticas, plásticas e de viscosidade dos materiais que constituem as camadas do pavimento. Em vários métodos de projeto existentes, o procedimento adotado para proteção da estrutura contra a ocorrência de deformações plásticas excessivas consiste em se limitar a deformação ou tensão vertical de compressão no topo do subleito. Esse procedimento assume que a deformação plástica na superfície do pavimento irá permanecer abaixo de limites tidos como toleráveis se o limite de deformação ou de tensão no topo do subleito não é excedido. Portanto, estes procedimentos não levam em conta as deformações que ocorrem nas camadas superiores do pavimento (sub-bas, base e revestimento). Estudos de campo e de laboratório mostram que a densificação e a fluência plástica de camadas de pavimentos flexíveis podem ser caracterizados da seguinte maneira: • Deformação plástica vertical nas camadas do pavimento (revestimento, base, sub-bas e subleito); 112 • Fluência plástica horizontal na camada asfáltica do revestimento O acúmulo de deformações permanentes em uma camada de concreto asfáltico é causado por uma combinação de densificação (redução do volume) e deformação cisalhante, devido à repetição das cargas do tráfego. O fator predominante são as elevadas tensões cisalhantes na parte superior da camada asfáltica. Assim, as propriedades do asfalto (elásticas e viscosas) e do agregado que contribuem para a deformação permanente nas misturas podem ser quantificadas através de um ensaio de cisalhamento simples. A influência do asfalto nas deformações permanentes é altamente dependente das condições a que a mistura é submetida. Os efeitos do asfalto são significativos mas essa influência é pequena em relação aos efeitos do agregado e dos vazios de ar, especialmente a temperaturas mais elevadas (ex.: 40°C) ou quando a mistura é submetida a estados de tensões que amplificam a influência do agregado. Além disso, a simulação das condições de campo em laboratório envolvendo uma grande variedade de ensaios realizados em temperaturas específicas, aplicando cargas de magnitude específicas, aplicação de carregamento repetido e variando a duração dos ciclos de carga aplicados vem sendo usados na tentativa de se obter misturas asfálticas que não ofereçam deformações plásticas excessivas. No entanto, deformações plásticas irão ocorrer no campo de qualquer maneira, causadas pela densificação e pelas deformações de cisalhamento dos materiais do pavimento devido as cargas do tráfego. Um pavimento asfáltico típico, ao ser restaurado, pode apresentar afundamentos em trilha de roda da ordem de 15 mm, valor este referente ao que se mede com uma treliça apoiada na trilha de roda e em suas adjacências, dentro da faixa de tráfego. Este valor corresponde a um afundamento plástico total da ordem de 20 mm (uma vez que 5 mm seriam o afundamento da área situada fora das trilhas de roda). Supondo uma rodovia de tráfego médio a pesado, o tráfego total acumulado até esse momento seria da ordem de 107 repetições do eixo padrão rodoviário de 80 kN. Dessa forma, a deformação plástica (δp) produzida por uma única passagem da carga de roda seria da ordem de : 113 δp = 20mm = 2 ,0 × 10−4 (10−2 mm) 7 10 sendo este um pavimento flexível, a deformação recuperável produzida pela passagem dessa carga de eixo seria da ordem de 35 a 80 x 10-2 mm, ou seja, várias ordens de grandeza superior à deformação plástica correspondente. Este fato explicaria porque se tem observado que a aplicação da teoria de camadas elásticas com o uso de módulos de resiliência para os materiais das camadas tem sido capaz de prever, com boa acurácia, as tensões e as deformações que são geradas na estrutura dos pavimentos quando da passagem de uma carga de roda. A compactação das camadas que é efetuada durante a construção é suficiente para garantir esse comportamento, a menos que as especificações usuais não sejam atendidas. De acordo com Rodrigues (1997), uma forma de se obter um dimensionamento menos conservativo contra deformações plásticas que o dado por métodos tradicionais de dimensionamento (ex.: método do DNER para projeto de pavimentos flexíveis) é prever-se o afundamento em trilha de roda que deve ocorrer durante o período de projeto através do somatório das deformações plásticas em cada camada ou subcamada. Tal procedimento está esquematizado na Figura 24. n m ATR = ∑ ∑ ε pi , j × ∆zi j =1 i =1 revestimento base sub-base ∆ z = hi subleito 114 Figura 24 - Deformação permanente por camada do pavimento As deformações plásticas específicas (εpi,j ) produzidas pela carga i na subcamada j podem ser previstas por modelos que sintetizam resultados de ensaios de cargas repetidas em diversos materiais e solos. Alternativamente, pode-se aplicar modelos semi-empíricos (derivados de retroanálise do desempenho conhecido em termos de geração de afundamentos em trilha de roda de pavimentos em serviço) como: 1 N v = 1,365 × 10 εv 4 , 477 −9 onde εv é a deformação específica vertical máxima de compressão no topo do subleito, provocada pela carga do eixo padrão, e Nv é o número admissível de repetições de carga para que ocorra um certo nível de afundamentos em trilha de roda. Esta verificação pode ser feita também por um critério mais simples, como o da “razão de tensões”: RT = 100 σd RCS RCS = 0,26 × CBR onde σd é a tensão desvio máxima no topo do subleito e RCS é a resistência à 2 compressão simples do solo de subleito (em kgf/cm ), estimada aqui por meio de uma correlação com o CBR. Como referência inicial, se RT é inferior a 50 % pode-se considerar que a geração de deformações plásticas sob cargas repetidas no subleito será pequena. Para RT > 80 %, ao contrário, ter-se-á um processo rápido e acentuado de acúmulo de deformações plásticas. Diversos estudos desenvolvidos indicam que a causa chave para a ocorrência de deformações plásticas na camada asfáltica de revestimento são o excessivo teor de asfalto utilizado e o baixo teor de vazios de ar. Também, podem ser causadas por 115 deficiências de densificação das camadas durante a etapa de construção ou pelo movimento plástico da mistura asfáltica em temperaturas elevadas. Em parte, a ocorrência de deformações plásticas pode ser minimizada através de projetos adequados da mistura asfáltica e pelo controle eficiente durante a construção. Para que a mistura asfáltica a ser utilizada seja menos suscetível a ocorrência de deformações plásticas é fundamental a existência de uma especificação dos vários componentes da mistura tais como: tipo e teor de asfalto, tipo e granulometria do agregado, grau de compactação (teor de vazios de ar). Na Tabela 30 estão apresentados os percentuais determinados na pista experimental da AASHO referentes a contribuição de cada camada para a deformação permanente total medida na superfície do pavimento. Tabela 30 - Contribuição de cada camada na deformação permanente (FONTE:Huang, 1993) camada do pavimento contribuição na deformação permanente total (%) revestimento em concreto asfáltico 32 base de brita graduada 14 sub-base 45 subleito 9 Detectou-se, ainda, que 20% da deformação permanente do revestimento asfáltico proveio de uma densificação causada pelo tráfego. A deformação permanente da base granular se acentuou na época do degelo da primavera quando aumentou o grau de saturação. Cerca de 80 % das rupturas do pavimento ocorreram na primavera (estação crítica do degelo). Também, verificou-se uma redução acentuada nas deflexões medidas com o aumento da velocidade do veículo. Aumentando-se a velocidade de 3.2 para 56 km/h ocorreu uma redução na deflexão total de 38 %. A ocorrência de afundamentos em trilha de roda (ATR) em pavimentos flexíveis tem sido modelada através de relações do tipo: N d = f 4ε −c f 5 116 sendo: Nd = número de repetições de cargas admissíveis; εc = deformação vertical de compressão no topo do subleito; f4 e f5 = constantes do material. Alguns valores de f4 e f5 derivados de pesquisas envolvendo esforços no sentido de se estabelecer modelos que possibilitem estimar a presença de deformação plástica em estruturas de pavimentos flexíveis são apresentados na Tabela 31. Tabela 31 - Coeficiente de ATR Fonte f4 f5 1 Transport & Road Researh Laboratory 1.130 x 10-6 3.57 2 Belgian Road Research Center (BRRC) 3.050 x 10-9 4.35 3 U. S. Army Corps of Engineers 1.807 x 10-15 6.527 4 Instituto do Asfalto 1.365 x 10-9 4.477 5 SHELL Research 6.150 x 10-7 4 6 CHEVRON 1.337 x 10-9 4.484 Tompson et al. (1998) apresentam uma revisão detalhada e uma sintese cronológica de modelos desenvolvidos a partir de estudos de laboratório para caracterização do comportamento resiliente de solos e materiais granulares. Os modelos apresentados estão mostrados na Tabela 32. 117 Tabela 32 - Modelos para caracterização resiliente de materiais granulares (Fonte: Tompson et al., 1998) modelo parâmetros denominação autor Mr = k1θ k 2 θ = σ1 +σ 2 +σ 3 K-θ Hicks e Monismith (1971) k1 e k2 = constantes de regressão K= β = (1 − µ ) Ki (6Gi ) Ki p(1− µ ) 2 1 − β q p Bulk-Shear Boyce (1976) Contorno Brown e Pappin (1981) Ki = bulk módulo inicial Gi = valor do módulo de cisalhamento inicial G = Gi p(1− µ ) 1 ε v = p µ 1 − β q p Ki µ = constante (< 1) 2 p = tensão normal média q = tensão desvio 1 µ q εq = p 3Gi p 1 p εv = Ki p0 µ −1 2 q 1 − β p0 p 1 p εq = 3Gi p0 1 ∆ε q = 3Gi k −1 p = (σ1 + σ 2 + σ 3 ) 3 q = σ1 − σ 3 k e r constantes dos materiais q k p k q p q 2 2 − 1 1 l r p0 p2 p0 p1 p0 = pressão de referência l = (∆p2 +∆ q2)1/2 ∆εq =εq2 - εq1 118 θ = σ1 + σ 2 + σ 3 = σ 1 + 2σ 3 Mr = K1θ K4 σ d K5 σ d = σ1 Uzan Uzan (1985) K-G modificado Jouve et al. (1987) Thom Thom Octahedral shear Witczack e Uzan (1988) σ3 K1, K2 e K3 = coeficientes de regressão q K = K p(1− µ ) 1 + γ c = p 1k1 q 1 p 2k 2 i p ( G = Gi p 1− k εq = ) 1 q − c p k 3Gi p εv = A∆( ln p) (∆p) B 1 C 2 σ − D ∆ ln 1 σ 3 E G 1 H σ ε q = F∆ ln 1 σ ∆τ + ∆S 3 3 θ M r = K1 pa pa θ M r = K1 3 K2 Mr = β0 (θ + 3ψVw Vt ) K2 τ oct . pa K3 stress model σ d K3 σ 3 K4 β1 (τ oct .)β (γ γ w) β3 Itani Itani Crockford Crockford et al. 119 M r = K1θ K2 (εa ) K3 2 1 µKi q q εv = p µ pa(1− µ ) 1 − β p − A p Ki UTEP Feliberti, 1991 Elhannni Elhannni, 1991 UT=Austin Pezo, 1993 1 q 1 µ (1− µ ) εq = − p PA 3Gi p A M r = K1σd K4 σ 3 K5 120 Para caracterização do comportamento resiliente dos solos de subleito as seguintes relações são comumente adotadas: M R ( psi) = 1500CBR ou M R ( MPa ) = 10CBR M R ( psi) = 1155 + 555R M R ( MPa ) = 17.6(CBR ) 0.64 (Heukelom e Klomp, 1962) (Instituto do Asfalto, 1982) (Lister e Powell, 1987) No caso de solos finos coesivos, o módulo resiliente obtido a partir de ensaios triaxiais sob cargas repetidas pode ser descrito através de uma função bilinear da tensão desvio aplicada, sendo: M R = K1 + K 2 ( K 3 σ d ) quando σ d < K 3 M R = K1 + K 2 (σ d K 3 ) quando σ d > K 3 Brown (1979) com base em ensaios triaxiais de cargas repetidas propôs um modelo que inclui a não linearidade do subleito. Tal modelo é expresso por: p" M R = A 0 qR B sendo, p 0'' a tensão normal média, qR a tensão desvio causada pela carga de roda, A e B constantes dos materiais. Valores típicos de A e B são 2.9 e 29.0 ksi e 0 até 0.5, respectivamente para solos de subleito. Mais tarde, em 1987, Loach propôs uma versão modificada do modelo desenvolvido por Brown. Tal alteração envolve a inclusão de um termo adicional referente a tensão desvio e sua equação é: p "0 D ) M R = Cq R ( qR 121 sendo C e D constantes dos materiais as quais varias nas seguintes faixas: 10 até 100 e 1 até 2, respectivamente. O solo utilizado nos ensaios triaxiais realizados consiste de uma argila siltosa a qual, foi utilizada como subleito das seções experimentais construídas na Universidade de Nottingham. Na seqüência, estão apresentados alguns modelos descritos por Rodrigues (1997) os quais, foram desenvolvidos a partir de estudos de laboratório para previsão do comportamento de diferentes materiais de pavimentação quanto ao acúmulo de deformações plásticas sob cargas repetidas. Acúmulo de deformações plásticas no concreto asfáltico: B σ1 − σ3 N × ε p = Vb 105 * 2 − 0,65 × E × 5,5 × 10 1 − 1,02 Vb − Vv onde o parâmetro B tem um valor típico de 0,25, variando desde o,14, para os asfaltos mais duros, até 0,37, para os asfaltos mais moles. No caso de britas graduadas tem-se o seguinte modelo: 2 ,615 σ ε p = 1,923 × 10− 3 × N 0,12 × 1 σ0 e, no caso de solos em geral (Ullidtz, 1987): C 5 B σ1 ε p = 0,07 ×N CBR σ0 onde o parâmetro C tem um valor típico de 1,67, variando desde 1 até 2. O parâmetro B tem um valor típico de 0,13 para os solos granulares. No caso dos solos finos coesivos, 122 B varia de 0,07 até 0,15, com um valor típico de 0,11. Neste modelo, σ0 é a unidade de tensão adotada. Para números de ciclos de carga inferiores a 1000, Cheung (1994) propôs o seguinte modelo geral para solos: q b ε p ( N ) = A r × (log N + B) S onde S é a sucção (igual a tensão média normal efetiva), qr é a tensão desvio aplicada de forma repetida e A, b e B são propriedades do solo. Nos materiais granulares, a geração de deformações plásticas sob cargas repetidas é insignificante se (Pappin, 1979): q ≤ 0,7 ' p p rup. q ' ou seja, se a relação de tensões de pico aplicada permanece a 70 % daquela que levaria à ruptura estática (envoltória de Mohr-Coulomb). Brown e Bell (1977) apresentam a seguinte expressão para se estimar a vida de serviço de pavimento flexíveis em termos de ATR: 8511 N = ε sg 7 .14 sendo: N = número de repetições de carga; εsg = deformação de compressão no topo do subleito. esta relação considera como o término da vida de serviço do pavimento a presença de uma deformação plástica de 25 mm. 123 Ainda, Brown (1984) realizou estudos com o propósito de aprofundar a questão da previsão da ocorrência de deformações plásticas ao longo da vida de serviço de pavimentos na Inglaterra. Para tanto foram consideradas diferentes configurações estruturais de pavimentos flexíveis. Os resultados obtidos indicam a seguinte relação: εz = 21,600 N f atr 0.28 onde: εz = deformação vertical no subleito; N = número de aplicações de carga para a ocorrência de 20 mm de ATR; fatr = fator de correção dependente do tipo de material da base (variando entre 1 e 1,56). Santucci (1977) apresenta o seguinte modelo para previsão de ATR em pavimentos flexíveis: N ATR εv = 0,0105 −4 ,484 sendo, NATR o número admissível de repetições de carga ao nível εv de deformação vertical. Kestler et al. ( .......) em estudos realizados envolvendo rodovias de baixo volume de tráfego utilizaram a seguinte forma do modelo desenvolvido pelo Instituto do Asfalto para prever deformações plásticas em pavimentos flexíveis: l m ( log l − log ε v ) N s = 10 sendo: 124 Ns = número de repetições de carga para causar ruptura devido a deformação vertical de compressão excessiva no subleito; m = constante (0.25); l = constante (2.8 x 10-2); εv = deformação vertical no topo do subleito (in./in.). As Tabelas 33 e 34 mostram, respectivamente, parâmetros de modelos estabelecidos para previsão da ocorrência de ATR e resultados obtidos através da utilização dos modelos concebidos. Tabela 33 - Coeficientes estabelecidos para diferentes modelos de ATR (Fonte: Rodway e Wardle, 1998) método de projeto K B base de desenvolvimento nível de confiança (%) Austroads (1992) 0,008511 7,14 CBR 80 – 90 Shell (1985) 0,028 4,0 AASHO Road Test 50 Shell (1985) 0,018 4,0 AASHO Road Test 95 Universidade de Nottinghan 0,0216 3,57 U. K. Road Note 29 - 0,00582 5,747 U. S. Army Corps of Engineers 50 (Brown/Brunton, 1984) British Airports Authority Aircraft Test Pavements (Woodman, 1992) Wardle/Rodway (1998) 0,004276 6,635 U. S. Army Corps of Engineers 50 Aircraft Test Pavements 125 Tabela 34 - Determinação comparativa da ocorrência de ATR (Fonte: Rodway e Wardle, 1998) def. no subleito 0,0005 0,0008 618 x 106 22 x 106 Shell (1985) 9,8 x 106 Shell (1985) Universidade de B K N= ε 0,0010 0,0015 0,0020 4,4 x 106 240,000 30,000 1,5 x 106 620,000 120,000 38,000 1,7 x 106 260,000 105,000 21,000 6,500 620 x 103 130,000 58,000 14,000 5,000 1,3 x 106 90,000 25,000 2,400 460 1,5 x 106 68,000 15,000 1,000 160 modelo Austroads (1992) Nottinghan British Airports Authority Wardle/Rodway (1998) Owsu-Antwi (1998) descreve o trabalho realizado com vistas ao desenvolvimento de um modelo mecanístico para previsão da ocorrência de deformações plásticas em estruturas de pavimentos flexíveis em concreto asfáltico. Para tanto, foram utilizados dados experimentais obtidos através da pesquisa LTPP. O procedimento adotado para estabelecimento do modelo baseia-se no princípio de que a formação de ATR em pavimentos asfálticos envolve o acúmulo das deformações plásticas que ocorrem em cada camada do pavimento quando da passagem individual das cargas do tráfego. Dessa forma, assumindo que o surgimento de ATR é provocado por compressão vertical, a taxa de crescimento (incremento) de deformação permanente em cada elemento de uma dada camada devido a repetição das cargas do tráfego é proporcional a deformação resiliente apresentada, ou seja: ∂ε a = µN −α ε r ∂N sendo: 126 εa = deformação permanente; N = número de repetições de carga; εr = deformação resiliente; α = expoente de deformação permanente; µ = coeficiente de deformação permanente. Integrando a equação 1, a compressão vertical em cada camada pode ser calculada pela seguinte expressão: ρi = µi hi ε ri N 1−α i 1− αi ou 1 µi hi ε ri1−α i N ρi = 1− αi 1−α i sendo: ρi = compressão vertical na camada i εri = deformação vertical resiliente em cada camadas; hi = espessura de cada camada. Logo, a compressão vertical total, a qual está relacionada com a profundidade de ATR, pode ser calculada da seguinte maneira: 1−αi 1 µi ρ = ∑ ρ i = ∑ hi Nε i 1−α i 1− αi i =1 i =1 l l Leahy e Witczack apresentam valores típicos de α e µ que variam de 0.006 até 0.92 e 0.006 até 8.82, respectivamente. Diversas tentativas tem sido feitas no sentido de relacionar esses parâmetros com características de ensaios e propriedades dos materiais. Entretanto, até esse momento, resultados de extensos estudos de laboratório mostram 127 que α e µ não são significativamente influenciados pelo parâmetros de projeto da mistura assim como pelo parâmetros de ensaio. Os fatores investigados incluem temperatura, tensão desvio, tipo e teor de asfalto e tipo de agregado. Isto sugere que é razoável assumir valores constantes de α e µ para misturas específicas até que sejam estabelecidas relações confiáveis que permitam definir de maneira mais apropriada esses parâmetros, relacionando-os com as propriedades dos materiais e com os parâmetros de ensaios. Para estabelecimento do modelo, foram desenvolvidas estimativas através da utilização de técnicas de otimização numérica e dos dados acerca de cargas do tráfego e medidas de ATR disponíveis do banco de dados do LTPP. A seguinte equação de regressão pode ser usada para previsão de ATR em um pavimento flexível: 1−α i 1 l C2 1−α i RUT = C1 A ∑ hi N i ε i ,k i =1 C3 sendo: RUT = afundamento devido a compressão vertical; hi = espessura da subcamada i; εi,k = deformação vertical na subcamada i devido a carga k; N = número de ciclos de carga k; αi = expoente de deformação permanente para a subcamada i; A = variável escalar, relacionada com o ambiente e com o coeficiente de deformação permanente, µ; C1, C2 , C3 = coeficientes de regressão obtidos a partir dos dados de campo. Esta formulação é baseada nas equações desenvolvidas por Lytton como parte da análise dos dados do SHRP-P020 as quais, foram modificadas para desenvolvimento do modelo apresentado nesse estudo. Um aspecto fundamental para a aplicação desse modelo é a existência de um procedimento simples para determinação da deformação de compressão nas camadas do pavimento. 128 A partir de informações do banco de dados do LTPP e das deformações calculadas para o centro da camada asfáltica e base e no topo do subleito, a seguinte equação foi desenvolvida para prever a profundidade total de ATR em pavimentos flexíveis (N = 80, R2 = 0.35) : 1−α 3 1−α 2 1−α 1 1 1 1 1−α 3 1−α 2 1−α 1 0.13 RUT = 0.286 AGE h ACi ∑ ni ε ACi + hsubleitoi ∑ ni ε subleitoi + hbasei ∑ ni ε basei sendo: RUT = ATR total; AGE = idade do pavimento; hi = espessura das camadas (subleito = 12 pol. para todas as seções); ni = número de aplicações de carga; α1 = expoente de deformação permanente para a camada asfáltica = 0.6; α2 = expoente de deformação permanente para a base = 0.7; α3 = expoente de deformação permanente para o subleito = 0.7. Ramon (1997) descreve alguns resultados obtidos em uma pesquisa que vem sendo desenvolvido pela FHWA desde 1986. Tal estudo, envolve a realização de ensaios acelerados de pavimentos na pista experimental de pavimentos (Pavement Testing Facility - PTF) localizada no centro de pesquisas do TFHRC (Turner-Fairbank Highway Research Center) em McLean, Virgínia. Em abril de 1991 o uso do PTF foi recomendado para possibilitar uma validação inicial dos resultados preliminares da pesquisa SHRP. A validação atual do sistema Superpave resultaram desse estudo. O projeto experimental foi elaborado pelos pesquisadores do FHWA em conjunto com a equipe de desenvolvimento do SHRP. O estudo de validação enfatiza o efeito das propriedades do asfalto no surgimento de deformações plásticas (ATR) e trincamento por fadiga em pavimentos flexíveis e tem os seguintes objetivos: 129 0.765 • Confirmar as propriedades dos asfaltos identificadas pela pesquisa SHRP como determinantes do desempenho de pavimentos as quais agem significativamente afetando o desempenho do pavimento; • Verificar a capacidade de previsão de desempenho dos ensaios preconizados no Superpave realizados em misturas no laboratório; • Permitir a obtenção de dados sob carregamento controlado que possam ser usados na validação de modelos de previsão de desempenho do Superpave. Na Tabela 35 estão apresentadas as composições das seções utilizada nesse estudo. Cada seção é constituída de revestimento em concreto asfáltico e base de material granular. Sendo que as seções 1 e 2 apresentam espessuras de revestimento e base diferentes das demais. Com relação aos asfaltos utilizados, foram selecionados cinco ligantes com ampla variação na expectativa de desempenho a ser oferecido. A Tabela 35 mostra, ainda, as propriedades físicas dos ligantes utilizados. Sendo que o PG 76-22 é um asfalto modificado constituído pela mistura de um PG 58-28 com 5% de polietileno por massa. Já o PG 82-22 foi obtido através da mistura de um PG 64-22 com 4 % de SBS (por volume). Tabela 35 - Composição das pistas experimentais Revestimento Base Subleito Espessura (mm) Espessura (mm) 102 559 610 102 559 610 SM-3B 204 457 610 PG 64-22 SM-3B 204 457 610 PG 58-28 SM-3B 204 457 610 6 PG 64-22 SM-3B 204 457 610 7 PG 82-22 SM-3B 204 457 610 8 PG 76-22 SM-3B 204 457 610 9 PG 58-34 SM-3B 204 457 610 10 PG 64-22 SM-3B 204 457 610 11 PG 58-34 BM-3 204 457 610 12 PG 64-22 BM-3 204 457 610 Pista Binder Mistura Espessura (mm) 1 PG 58-34 SM-3B 2 PG 64-22 SM-3B 3 PG 58-34 4 5 Com relação ao agregado utilizado nas misturas asfálticas das seções-teste, foram adotadas duas composições granulométricas diferentes. Sendo, que o concreto asfáltico das pistas 1 a 10 possui um agregado cujo tamanho máximo nominal é de 19 mm (SM- 130 3B). Já a mistura das pistas 11 e 12 possui granulometria com abertura máxima nominal de 37,5 mm (BM-3). A Tabela 36 mostra a granulometria média utilizada nas duas misturas adotadas. Tabela 36 - Composição granulométrica Peneira (mm) SM-3B BM-3 37.5 - 100.0 25 100.0 85.6 19 98.7 73.9 12.5 76.0 65.1 9.5 62.0 59.0 4.75 44.0 47.6 2.36 32.5 32.5 1.18 23.5 24.0 0.6 17.5 17.4 0.3 11.5 12.3 0.15 8.0 8.0 0.075 5.1 5.7 % asfalto 4.8 4.0 O principal objetivo do experimento realizado foi demonstrar a correlação existente entre o parâmetro G*/sen δ e a ocorrência de deformações plásticas em seções-teste submetidas a ensaios acelerados em verdadeira grandeza. De acordo com as especificações para ligantes asfálticos do superpave, ligantes que apresentem valores mais elevados de G*/sen δ devem permitir uma maior resistência a ocorrência de deformações plásticas. Os dados coletados durante a realização do experimento incluem: temperatura do pavimento, medidas de irregularidade transversal e de ATR. A temperatura do pavimento foi monitorada por termopares do tipo T, instalados a diferentes profundidades. A medição de ATR na camada asfáltica é realizada a partir de leituras realizadas através de um aparato de referência instalado no topo da camada de base no momento da construção das seções-teste. Tanto G* como δ são determinados através da utilização do dynamic shear rheometer. De acordo com as especificações do SHRP, a susceptibilidade para a ocorrência de deformações plásticas deve diminuir com o aumento do parâmetro G*/sen δ. Amostras 131 de 5 ligantes foram ensaiadas com o dynamic shear rheometer para obtenção dos valores de G*/sen δ. Foram realizados ensaios em temperatura de 10 a 70 o C e freqüências de carga de 0.1 a 10 rad./seg. Para simular as condições de envelhecimento a curto prazo foram realizados ensaios de resíduos RTOF (Rolling Thin Fil Oven). Na Tabela 37 estão apresentados os valores de G*/sen δ para a freqüência de 2,25 rad./seg. De acordo com as especificações SHRP uma frequencia de 10 rad./seg. equivale a 80 km/h das cargas do tráfego, portanto, 2,25 rad./seg. é considerado representativo para uma velocidade de 18 km/h das cargas aplicada pelo ALF (Accelerated Loading Facility). O trem de prova utilizado permite a aplicação de carga de roda em uma única direção variando de 44,5 a 100,1 kN. O equipamento possui controle computadorizado e pode funcionar 24 h por dia durante 7 dias por semana. Tabela 37 - Parâmetro G*/senδ na freqüência ω= 2.25 rad./seg. G*/sen δ o Temp. ( C) PG 58-34 PG 58-28 PG 64-22 PG 76-22 PG 82-22 10 2240 5364 8335 16860 10970 20 351.8 833.5 1383 3387 2270 30 62.22 143.9 267.7 626.3 460.2 40 11.91 26.35 54.47 151.0 116.3 50 2.06 4.45 6.00 32.55 31.14 60 0.53 1.08 2.10 8.39 11.39 70 0.16 0.30 0.55 2.38 4.38 As Tabelas 38 e 39 apresentam os valores de deformações plásticas obtidos para diferentes passagens de carga. A Tabela 38 mostra os valores de ATR medidos apenas na camada asfáltica, enquanto que a Tabela 39 apresenta os valores de deformação total. Propriedades dos materiais utilizados e temperatura de ensaio estão sintetizadas na Tabela 40. O ATR que ocorreu nas camadas de base e subleito pode ser obtido pela subtração dos valores apresentados nas Tabelas 38 e 39. Para análise dos resultados obtidos os dados foram ajustados a uma equação do tipo: ATR = AN B sendo: 132 ATR = afundamento em trilha de roda; N = número de repetições de carga; A e B = coeficientes de regressão. Os coeficientes de regressão determinados para o modelo estão apresentados nas Tabelas 38 e 39. Embora, de modo geral, tenham sido determinado bons ajustes para os dados analisados, não foi atingido um comportamento adequado para níveis baixos de carregamento, geralmente em níveis baixos de aplicação de carga (1 a 10 repetições). Os parâmetros A e B do modelo que foram verificados estão altamente correlacionados entre si. Quando B aumenta, A diminui. Este relacionamento entre os parâmetros do modelo é resultado do ajuste da curva, não estando relacionado com as mudanças nas propriedades dos materiais. Fatores que tendem a elevar o parâmetro B devem também elevar o parâmetro A. Nesse estudo, também foi analisado a taxa de ocorrência de deformações plásticas nas camadas do pavimento. Para tanto fez-se a diferenciação da equação anterior em relação ao número de repetições de carga, resultando: TATR( N ) = d ( ATR ) dN = ( AB) N B −1 133 Tabela 38 - Deformação plástica medida nas camadas asfálticas ATR (mm) Pista 5 Passagens de carga S2 Pista 7 S1 Pista 8 S2 S1 Pista 9 S2 S1 Pista 10 S2 S1 S2 Pista 11 Pista 12 S1 S2 S2 0.5 1 0.2 0.8 0.2 1.4 0.2 0.2 0.2 1.9 06 0 0.3 10 2.9 2.5 1.5 3.4 0.7 4.3 3.0 4.6 2.8 2.1 2.4 3.4 100 6.3 6.3 3.5 5.6 2.2 10.1 9.6 8.8 8.0 5.4 5.7 5.8 500 11.9 8.7 5.6 7.7 3.4 16 14.5 12.3 13.8 8.8 10.1 9.3 1000 14.7 10.1 6.3 8.2 2.9 21.1 27.7 14.2 15.5 9.3 10.6 10.6 1500 - - - - - 23.5 - - - - - - 2000 20.7 - - - - 30.9 36.8 3000 23.8 - - - - 4000 27.4 - - - 13.4 - 19.8 - 11.9 15.2 10.6 - - - - - - - 16.9 - 5000 13.6 7.1 9.1 2.9 27.2 27.4 13.8 18.1 14.4 7000 - - - - 24.9 - 15.7 - - 10000 14.9 12.0 10.7 4.4 27.1 36.3 17.7 22.3 15.2 15000 - - - - 20.8 23.6 - 20000 - - - - 21.6 24.1 - 24.9 24000 - - - - - 25000 17.0 14.3 11.3 - 23.4 - 35500 - - - 5.8 50000 18.3 16.6 14.0 - 20.6 60000 - - - - 20.9 60500 - - - 7.5 - 75000 18.6 17.0 15.3 - 21.2 85500 - - - 7.7 21.9 100000 19.1 16.9 16.2 - - 110500 - - - 7.6 - 125000 19.7 17.6 18.3 - 22.9 18.2 - 1355000 - 8.5 - 150000 17.9 - 23.5 160500 - 8.9 - 175000 18.2 - - 176735 - - 23.5 185500 - 9.2 - 200000 18.1 - 24.1 208805 9.2 Parâmetros de regressão do modelo (RD = A N B ) A 0.933 2.956 1.54 2.30 0.57 1.38 1.13 2.39 1.92 6 4 4 9 2 7 4 B 0.406 0.166 0.24 0.17 0.22 0.39 0.45 0.26 0.29 8 0 7 8 9 8 6 1.242 1.910 2.906 0.289 0.258 0.176 134 Tabela 39 - ATR total ATR (mm) Pista 5 Passagens de carga S2 Pista 7 S1 Pista 8 S2 S1 Pista 9 S2 S1 Pista 10 S2 S1 S2 Pista 11 S1 S2 Pista 12 S2 1 0.3 0.9 0.3 1.5 0.3 0.2 0.2 2.0 0.7 0.1 0.5 0.6 10 3.1 3.2 1.8 3.7 2.4 4.2 4.1 4.8 2.9 2.3 2.6 3.6 100 7.2 7.1 3.8 6.4 5.1 10.5 10.8 8.9 8.1 5.7 6.0 6.3 500 13.8 10.5 6.8 8.8 7.5 18.2 21.6 13.5 14.0 9.0 10.4 9.6 1000 18.8 12.2 8.2 10.0 9.6 26.0 30.3 16.6 16.2 11.3 11.4 11.0 1500 - - - - - 31.6 - - - - - - 2000 25.5 - - - - 41.4 40.1 - - - 14.2 - 3000 29.8 - - - - 22.8 - 16.2 16.4 11.0 4000 34.0 - - - - - - - 18.3 - 5000 17.9 11.0 12.5 11.0 26.4 28.0 18.6 19.5 15.7 7000 - - - - 29.2 - 21.4 - - 10000 20.1 18.1 13.9 15.2 32.8 36.9 23.9 24.4 17.3 15000 - - - - 27.6 28.4 - 20000 - - - - 29.2 32.2 - 35.7 24000 - - - - - 25000 25.1 22.8 17.8 - 31.3 - 35500 - - - 18.6 50000 28.8 26.4 21.2 - - 60000 - - - - 25.3 60500 - - - 22.6 - 75000 30.3 28.2 24.6 - 26.1 85500 - - - 22.2 - 100000 31.3 29.8 26.9 - 27.2 110500 - - - 26.6 - 125000 32.8 30.7 31.1 - 28.8 21.0 - 1355000 - 29.0 - 150000 31.2 - 29.7 160500 - 27.7 - 175000 32.0 - - 176735 - - 30.0 185500 - 28.0 - 200000 32.3 - 30.7 208805 29.3 Parâmetros de regressão do modelo (RD = A N B ) A 1.003 2.775 1.589 1.618 1.627 0.809 1.397 2.271 1.567 1.243 0.980 2.497 B 0.424 0.213 0.252 0.243 0.237 0.509 0.443 0.289 0.342 0.320 0.354 0.208 135 Tabela 40 - Propriedades dos materiais e temperatura do pavimento Pista 5 S2 Pista 7 S1 S2 Pista 8 S1 S2 Pista 9 S1 S2 Pista 10 S1 S2 Pista 11 S1 S2 Pista 12 S2 Temperatura média do pavimento (o C ) Profundidade (mm) 0 61.5 73.3 61.0 73.5 55.6 60.7 62.3 59.2 61.4 58.1 62.3 59.4 20 59.6 69.9 59.0 69.7 55.1 56.9 58.4 56.7 59.2 56.2 60.1 57.3 102 54.9 68.5 58.6 67 54.1 54.8 54.6 55.0 55.5 54.6 57.6 55.6 197 49.2 62.4 55.7 60.8 48.1 51.9 50.9 50.7 50.9 50.4 51.6 51.1 G*/sen δ p/ 20 mm 1.18 4.22 12.6 2.54 15.8 0.84 0.68 3.45 2.42 0.92 0.54 3.17 4.8 4.9 4.9 4.7 4.7 4.9 4.9 4.9 4.9 4.0 4.0 4.1 (kPa) Teor de asfalto (%) Foi adotado um valor de 2000 repetições de carga para o estabelecimento de correlações com G*/ sen δ. A escolha desse valor se deve ao fato de terem sido realizados testes a esse nível em todas as seções, possibilitando assim a sua extrapolação. Os valores de G*/ sen δ usado para o estabelecimento das correlações foram obtidos com w = 2.25 rad./sec para a temperatura média medida a uma profundidade de 20 mm durante a realização dos ensaios. As equações abaixo foram obtidas para as misturas SM-3B. As variâncias dessas equações são de 0.87 e 0.93 respectivamente. Correlações similares não foram derivadas para as misturas BM-3 devido ao limitado número de ensaios realizados envolvendo as mesmas. ATR(2000) = 2076(G * sen δ ) −0.318 TATR(2000) = 9.724(G * sen δ ) −1.090 Desta avaliação, os autores concluem que na primeira zona para valores baixos de G*/sen δ, o comportamento do ATR é muito sensível a pequenas variações nas propriedades do ligante utilizado. Já na segunda, caracterizada por valores elevados de G*/ sen δ, o comportamento das deformações plásticas é relativamente insensível às 136 variações nas propriedades do ligante. A especificação do Superpave limitando G*/ sen δ em 2.20 kPa parece estar na área de transição dessas duas zonas. Ainda, os resultados obtidos demonstram que o comportamento das deformações plásticas é também dependente do tipo de mistura utilizada. Os dados limitados (poucos) da mistura BM-3 sugerem que essa, a qual possui tamanho máximo nominal de agregados maior e menor teor de asfalto, é menos sensível a variações nas propriedades do ligante que a mistura SM-3B. Além disso, percebe-se um comportamento diferenciado quanto a ocorrência de deformações plásticas entre as misturas com asfaltos modificados e não modificados, mesmo com valores de G*/ sen δ similares. As pistas 8 e 10 foram ensaiadas a temperaturas nas quais G*/ sen δ atingia aproximadamente 2.25 kPa. Nesta única comparação, o asfalto modificado apresentou um comportamento muito melhor. De acordo com os autores são necessárias maiores investigações, envolvendo diferentes temperaturas para se confirmar essa observação. Embora os dados apresentados nesse trabalho demonstrem a existência de uma forte correlação entre o parâmetro G*/ sen δ do Superpave e o comportamento de deformações plásticas obtidas a partir de ensaios acelerados de pavimentos, os dados sugerem a presença de diferenças no comportamento das deformações plásticas constituídas por asfaltos modificado e não modificados. Ensaios realizados a temperaturas apresentando valores de G*/ sen δ similares na faixa entre 2.5 e 4.0 kPa mostram a ocorrência de deformações mais elevada em misturas com asfaltos não modificado que aquelas com asfaltos modificados. No programa CAMAS, desenvolvido pelo Instituto do Asfalto com o propósito de auxiliar projetistas na elaboração de misturas asfálticas com base no desempenho, o modelo adotado para se procurar minimizar a magnitude das deformações cisalhantes repetidas no subleito é: N v = d 0 × ε vd1 137 onde εv é a deformação vertical de compressão no topo do subleito. No MS-1 so Instituto do Asfalto, os coeficientes foram: d0 = 1,365× 10− 9 d1 = − 4,477 para a “ruptura” definida por afundamentos em trilha de roda na superfície, devido apenas à deformação do subleito, na faixa entre 13 e 19 mm. Para a previsão da contribuição das deformações permanentes no concreto asfáltico para os afundamentos em trilha de roda o programa CAMAS utiliza o seguinte modelo “default”: log ε p = − 14 , 97 + 0 , 408 log N + 6 ,865 log T + 1,107 log σ d − 0 ,117 log V is + 1, 908 log Peff + 0 , 971 log V v onde: Peff = percentual em volume de asfalto efetivo; Vv = percentual em volume de vazios de ar; σd = tensão desvio(psi); Vis = vis cosidade a 21° C (poises × 106 ); T = temperatura (° F ). Esta relação se baseia em ensaios triaxiais de cargas repetidas, realizados em 251 amostras (100 mm de diâmetro por 250 mm de altura), incluindo dois tipos de agregados (pedregulho arredondado e pedra britada) e dois tipos de asfalto (AC-5 e AC20), com r2 = 0,842 e Se=0,262 (erro padrão da estimativa, na escala log). Dentro das faixas abrangidas pelos ensaios realizados e que levaram a esse modelo (mais ou menos um porcento em torno do teor “ótimo” de asfalto), as previsões são razoáveis. Contudo, este modelo não é aplicável ao caso de um volume vazios extremamente baixo (menos de 3 %), quando o fluxo plástico domina o comportamento da mistura. Como os modelos de previsão deste sistema devem ser usados depois que os critérios 138 convencionais reduziram a faixa concebível para os teores de asfalto, esta restrição não deve ser um problema. Para o cálculo dos afundamentos em trilha de roda, adotou-se o seguinte procedimento: ATR(mm) = N × 13 + ε p (N) × h1 Nv onde se considera que o modelo N v × ε v adotado corresponda a uma contribuição de 13 mm para ATR proveniente apenas do subleito. (Rodrigues, 1997) aponta que, em se tratando da elaboração do diagnóstico acerca da condição estrutural oferecida por um determinado pavimento, com relação aos afundamentos em trilha de roda (ATR), deve-se pesquisar, em princípio, a existência de correlação com a deformação vertical de compressão no topo do subleito (εv). Se ela existir, é sinal de que é o subleito que está contribuindo de forma decisiva para a geração dos afundamentos plásticos, sendo possível, então calibrar-se um modelo como: N v = Fc × 1,6 × 10−8 × εv−4 ,26 onde Fc é o fator de calibração. Para Fc = 1 tem-se um modelo que representa a média dos principais modelos que foram desenvolvidos na Europa e nos EUA. A não existência dessa relação mostra que as deformações plásticas devem ter se acumulado preferencialmente nas outras camadas do pavimento, como nas camadas granulares de base e sub-base, em decorrência de seu enfraquecimento pela entrada de águas pluviais através das trincas. Outra possibilidade é, na existência de uma camada de pré-misturado aberto, seu esmagamento por resistência insuficiente tenha gerado os afundamentos. A ação das cargas dinâmicas, gerando excesso de pressões neutras quando esta camada se encontrava saturada, é outra possibilidade, por levar ao arrancamento gradual da película de ligante que envolvia os agregados. 139 O modelo de deformação permanente implementado na versão atual do sistema Superpave consiste de uma relação linear estabelecida entre a deformação plástica acumulada e o número de repetições de carga em uma escala log-log: log ε p (N ) = log ε p (1) + S log N sendo, εp (N) a deformação acumulada após N ciclos de repetições de carga, εp (1) a deformação permanente após a primeira repetição de carga, S é a inclinação da curva log εp versus N. O parâmetro εp (1) é calculado pelo sistema em função do carregamento aplicado, da estrutura do pavimento e das propriedades dos materiais. S é estimado empiricamente com base nos resultados do ensaio shear frequency sweep através da seguinte equação: S = 1.3 m sendo m a inclinação da curva módulo complexo versus freqüência em uma escala loglog. O modelo de deformação permanente assume que m (e por conseguinte S) é dependente da temperatura e independe do estado de tensões atuante. Groenendjk et al. (1997) apresentam os resultados derivados da aplicação de cargas de roda com um simulador de tráfego do tipo vai-vem (LINTRACK - linear tracking device) em experimentos realizados na Holanda envolvendo duas seções-teste de pavimento do tipo full-depth, com 0,15 e 0,08 m de espessura da camada asfáltica, assentes sobre um solo de subleito arenoso. Durante a realização do estudo foram investigadas diversas variáveis de resposta com vistas a identificação do comportamento estrutural das seções avaliadas (ATR, deformações, temperatura, trincamento e deflexões com o FWD). A análise dos valores medidos de ATR indica que a deformação permanente total detectada nas seções-teste avaliadas pode ser atribuída ao subleito. Além disso, os autores concluem que houve uma boa concordância entre o desempenho observado nas seções trafegadas pelo LINTRACK e aquele previsto pelo critério médio definido para 140 previsão de ATR no método de projeto da Shell. Sendo, que o modelo da Shell é descrito, para 3 níveis de confiança, pelas equações mostradas na Tabela 41. Tabela 41 - Modelo da Shell para previsão de ATR Modelo nível de confiança ε SL = 2 ,8 × 10 −2 N −0 ,25 50 ε SL = 2 ,1 × 10 −2 N −0 ,25 85 , × 10 −2 N −0 ,25 ε SL = 18 95 Com respeito ao comportamento à fadiga foram realizadas análises envolvendo o desempenho oferecido pela seção-teste com 15 cm de camada asfáltica. Tais avaliações revelam que a vida de fadiga oferecida pelo pavimento foi superior a previsão elaborada com base no método utilizado pelo ministério dos transportes da Holanda para projeto de pavimentos. Tal método preconiza o uso da seguinte equação geral para previsão da vida de fadiga: log N = 33,503 − 7 ,364 log S mix . + 0,77818 log 2 S mix . − 5,24 log ε t sendo: N = número admissível de repetições de cargas; εt = deformação de tração (µm/m); Smix. = rigidez da mistura. A equação de fadiga da mistura asfáltica utilizada na seção-teste avaliada foi estabelecida com base em extensos ensaios de laboratório realizados (flexão a 20 0C e 30 Hz), sendo: log N = 12 ,40 − 3,63 log ε t 141 Entretanto, devido ao fato dos ensaios com o LINTRACK não terem sido realizados na temperatura de 20 0C e na frequencia de 30 Hz, mas em temperaturas flutuantes e com frequencia equivalente de carregamento de 3 Hz, as relações de fadiga utilizadas foram concebidas para as condições especícas de ensaio no campo: log N = −10,44 − −3,83 log ε t p / 15 0 C log N = −10,29 − −3,93 log ε t p / 20 0 C As previsões de fadiga elaboradas com base nas equações estabelecidas estão mostradas na Tabela 42. Tabela 42 - Previsões de fadiga para uma seção-teste trafegada pelo LINTRACK εt Nf - kciclos a Nf - kciclos a Nf - kciclos Temp. (µ µm/m) (1 eq.) (2 eq.) (3 a eq. e 4 a eq.) 15 (medida) 144 159 37 19 20 (medida) 183 74 15 25 15 (BISAR) 170 70 20 10 20 (BISAR) 228 26 7 10 142 143 Referências Bibliográficas ALI, H. A., AND TAYABJI, S. D. - Evaluation of mechanistic-empirical performance prediction models for flexible pavements - Transportation Research Board/1998 preprint. ANDERSON, D. A.& KENNEDY, T.W. - “Development of SHRP Binder Specification”. Proceedings AAPT, Volume 62, 1993, pp. 481-501. AYRES, M. Jr. & WITCZAK, M. W. (1998). AYMA - A Mechanistic probabilistic system to evaluate flexible pavement performance. 77th Annual Meeting of Transportation Research Board, Washington, D.C. BAKER, H. B., BUTH, M. R., VAN DEUSEN, D.A. - Minnesota Road Research Project: Load Response Instrumentation/ Installation and Testing Procedures Minnesota Department of Transportation - Mn/ROAD - March 1994. BARKER, W. R., BRABSTON, W. N., AND CHOU, Y. T. - A general system for the structural design of flexible pavements - Proc., 4th International Conference on the Structural Design of Asphalt Pavements, Univ. of Michigan, Ann Arbor, 1977. BARKSDALE, R.D. (1972) - “Laboratory evaluation of rutting in base course materials” - Third International Conference on the Structural Design of Asphalt Pavements - Michigan. BAYOMY, F. M.; AL-KANDARI, F. A. E SMITH, R. M. - Mechanistically based flexible overlay design system for Idaho - TRR/1543 - 1996 - pp. 10 - 19. BONAQUIST, R. F. AND MOGAWER, W. S. - Analysis of Pavement Rutting Data from FHWA Pavement Testing Facility Superpave Validation Study - TRB/1590 - November 1997. BROWN, S. F. AND BELL, C. A. - The validity of Design Procedures for the permanent deformation of asphalt pavement - Proceedings of the Fourth International Conference on the Structural Design of Asphalt Pavements Proceedings, University of Michigan, Ann Arbor, 1977 - pp. 467-482 BROWN, S. F. AND BRUNTON, J. M. - “Improvements to Pavement Subgrade Strain Criterion” - Journal of Transportation Engineering - ASCE, Vol. 110, N 6 November 1984 - pp. 551 - 567. BROWN, S.F. - Soil Mechanics in Pavement Engineering. Geotechnique 46, no 3, pp. 383 - 426, 1996. BROWN, S.F. - State-of-the-Art Report on Field Instrumentation for Pavement Experiments - Transportation Research Record, no 640, pp. 13 - 28, 1977. BROWN, S.F., BUSH, D. I. - Dynamic Response of Model Pavement Structure Transportation Engineering Journal - Proceedings of the American Society of Civil Engineers, Vol. 98 , pp. 1005 -1021, 1972. BROWN, S.F., PELL, P.S. - An Experimental Investigation of the Stresses, Strains and Deflection in a Layered Pavement Structure Subjected to Dynamic Loads International Conference on the Structural Design of Asphalt Pavements, Vol. 2 , pp. 487 -504, 1967. BROWN, S.F., PELL, P.S. - Subgrade Stress and Deformation Under Dynamic Load Journal of the Soil Mechanics and Foundations Division - Proceedings of the American Society of Civil Engineers, pp. 17 - 46, January, 1967. CHEN, D.; FULTS, K. E MURPHY, M. - Primary results for the first texas mobile load simulator test pad - TRR/1570 - pp. 30-38 144 CLAYTON, C.R.I., KHATRUSH, S.A., BICA, A.V.D., SIDDIQUE, A. - The Use of Hall Effect Semiconductors in Geotechnical Instrumentation - Geotechnical Testing Journal, GTJODJ, Vol. 12, no 1, March 1989, pp. 69 - 76. COLUCCI, B.,RAMÍREZ-BELTRÁN, N., AND RODRÍGUEZ-DOSAL, F. Methodology for Developing Generic Performance Curves for Flexible Pavements in Puerto Rico Using Clustering Techniques - TRR/1592 - 1997 - pp. 116 - 124 COOPER, K. E., BROWN, S. F., PRESTON, J.N.& AKEROYD, F.M.L. “Development of a Practical Method for the Design of Hot Mix Asphalt”, Transportation Research Board, 70 th Annual Meeting, January 13-17,1991, Washington, D. C. DAVID K. H. CHUA - Framework for PMS Using Mechanistic Distress Submodels Journal of Transportation Engineering, Vol. 122, n0 1, january/february, 1996 - pp. 29 - 40 DNER -Ensaio Marshall para Misturas Betuminosas - DNER - ME - 43-64. DNER, 1998 - MANUAL DE WHITETOPPING - Memorial Descritivo dos Tópicos da Pesquisa - Ministério de Transportes e Comunicações - Departamento Nacional de Estradas de Rodagem - Diretoria de Desenvolvimento Tecnológico –IPR. FENELLA LONG, JOHN HARVEY, CLARK SCHEFFY, AND CARL L. MONISMITH - Prediction of Pavement Fatigue for California Department of Transportation Accelerated Pavement Testing Program Drained and Undrained Test Sections - TRR/1540-1996 - pp. 105 - 114 FINN, F.N.; NAIR, K. & HILLIARD, J.M. - “Minimizing Premature Cracking in Asphaltic Concrete Pavement”. NCHRP Report 195, Transportation Research Board, Washington, D.C., 1978. FORD M.C. - “Asphalt Mixture Characteristics and Related Pavement Performance”. FOUAD M. BAYOMY, FAWZI A. AL-KANDARI, AND ROBERT M. SMITH Mechanistically Based Flexible Overlay Design System for Idaho - TRR/15431996 - PP. 10 - 19 GONÇALVES, F. J. P.; CERATTI, J. A. P. AND BERNUCCI, L. B. (2002) Permanent deformations in asphalt concrete layers in Brasil In: 6th international RILEM Symposium on Performance Testing and Evaluation of Bituminous Materials, PTEBM ´03, Zurich, Switzerland. GONÇALVES, F. J. P.; CERATTI, J. A. P. AND BICA. A. V. D. (2002) The Use Of Embedded Stress Cells For Monitoring Pavement Performance Geotechnical Testing Journal. GONÇALVES, F. J. P & CERATTI, J. A. P. (2002) Instrumentação de pavimentos flexíveis In: XII Panamerican Traffic & Transport Engineering Conference, Quito. GONÇALVES, F. J. P.; CERATTI, J. A. P. E RODRIGUES, R. M. (2002) Results of Accelerated Tests on Flexible Pavements in Brazil Using the UFRGS-DAER Simulator In: Ninth International Conference on Asphalt Pavements, Copenhagen. GONÇALVES, F. J. P.; CERATTI, J. A. P. AND BERNUCCI, L. B. (2002) Study of permanent deformations in asphalt concrete layers In: 4 European symposium performance of bituminous and hydraulic materials in pavements, Nottingham. GONÇALVES, F. J. P.; CERATTI, J. A. P. E SOMACAL, L. (2002) O desempenho de pavimentos flexíveis em concreto asfáltico. Revista Estradas. , p.39 – 45. GONÇALVES, F. J. P.; CERATTI, J. A. P.; RODRIGUES, R. M. E SOMACAL, L. (2001) Análise do Desempenho de uma Pista Experimental de Pavimento Flexível em Concreto Asfáltico In: 33 a Reunião Anual de Pavimentação, Florianópolis. 145 GONÇALVES, F. J. P.; BERNUCCI, L. B.; CERATTI, J. A. P. E OLIVEIRA, J. A. (2001) Deformações permanentes em camadas asfálticas In: 11 O Congresso Ibero-Latinoamericano del Asfalto (CILA), Lima. GONÇALVES, F. J. P., CERATTI, J. A. P., RODRIGUES, R. M. E SOMACAL, L. (2001) Ensaios Acelerados e Instrumentação de Pavimentos Flexíveis In: 11 O Congresso Ibero-Latinoamericano del Asfalto (CILA), Lima. DOERING, D. & GONÇALVES, F. J. P. (2001) Instrumentação de pavimentos In: XVI Congresso Regional de Iniciação Científica e Tecnológica em Engenharia (CRICTE), Ijuí. GONÇALVES, F. J. P.; CERATTI, J. A. P.; RODRIGUES, R. M. E OLIVEIRA, J. A. (2001) Investigação de Parâmetros que Governam a Reflexão de Trincas em Camadas Asfálticas Lançadas Sobre Geotêxteis In: 11 O Congresso IberoLatinoamericano del Asfalto (CILA), Lima. GONÇALVES, F. J. P.; CERATTI, J. A. P. E SOMACAL, L. (2001) Resultados de ensaios acelerados em pistas experimentais de pavimentos no campus da UFRGS In: Seminário de Engenharia Geotécnica, Santa Maria. MALYSZ, R.; GONÇALVES, F. J. P. E CERATTI, J. A. P. (2001) Tensões geradas no subleito de uma seção experimental de pavimento flexível In: XVI Congresso Regional de Iniciação Científica e Tecnologia em Engenharia, Ijuí. GONÇALVES, F. J. P.; CERATTI, J. A. P.; RODRIGUES, R. M. E SOMACAL, L. (2000) Estudo Experimental do Desempenho de Pavimentos Flexíveis em Concreto Asfáltico: Construção e Instrumentação de Seções-teste In: 32 Reunião Anual de Pavimentação, Brasília. GONÇALVES, F. J. P.; CERATTI, J. E SOMACAL, L. (2000) Investigação do Desempenho de Misturas Asfálticas Convencionais e Modificadas com Polímeros: Proposição de um Estudo Envolvendo Ensaios Acelerados de Pavimentos com um Simulador Linear de Tráfego In: Simpósio Internacional de Manutenção e Restauração de Pavimentos e Controle Tecnológico, São Paulo. GONÇALVES, F. J. P (2000) Estudo do desempenho de misturas asfálticas convencionais e modificadas por polímeros. Exame de qualificação, PPGEC/UFRGS. 569 p. GONÇALVES, F. J. P.; CERATTI, J. A. P. E OLIVEIRA, J. A. (2000) Medidas de Deformações Horizontais em Camadas Asfálticas In: 32 Reunião Anual de Pavimentação, 2000, Brasília. GONÇALVES, F. J. P (1999) O desempenho dos pavimentos flexíveis. Seminário II de doutorado, PPGEC/UFRGS. GONÇALVES, F. J. P., SILVEIRA, J., NUNEZ, W., BICA, A., CERATTI, J. (1998) Avaliação de Medidas de Deformação Vertical no Subleito de uma Estrutura de Pavimento Flexível In: XI COBRAMSEG, Brasília. GONÇALVES, F. J. P (1998) Instrumentação de pavimentos flexíveis. Seminário I de doutorado, PPGEC/UFRGS. GONZALES R, JORGE & SALGADO A., JORGE - Cemento Asfaltico modificado com SBS. Caracterizacion y Determinacion de Ley de Fatiga-Chile. GROENENDJK, J.; VOGELZANG, C. H..; MOLENAAR, A. A. AND DOHMEN, L. M. - Rutting development in linear tracking test pavements to evaluate shell subgrade strain criterion - TRR - 1570/1997 - pp. 23 - 29. GROENENDJK, J.; VOGELZANG, C. H; MIRADI, A.; MOLENAAR, A. AND DOHMEN, L. M. - Linear tracking performance tests on full-depth asphalt pavement - TRR - 1570/1997 - pp. 39 - 47. 146 HARVEY, J. T. E TSAI, B. - Effects of asphalt content and air void content on mix fatigue and stiffness - TRR/1543 - 1996 - pp. HESHAM A. ALI AND ARAMIS LOPEZ - Statistical Analysis of Temperature and Moisture Effects on Pavement Structural Properties Based on Seasonal Monitoring Data - TRR/1540-1996 - pp. 48-55. HICKS, R. G., FINN, F. N., MONISMITH, C. L. & LEAHY, R. B. -Validation of SHRP Binder Specification through Mix Testing". Proceedings AAPT, Volume 62, 1993, pp. 565 - 608. HOSSAIN, M., KALDATE, R., AND FAGER, G. - Mechanistic Analysis of Superpave Pavements - Transportation Research Board/1998 - preprint HUANG, Y. H. - Pavement Analysis and Design - 1993 HUBER, G. A. - 'SUPERPAVE™ Software: A Tool for Mixture Design". Proceedings AAPT, Volume 62, 1993, pp. 529 - 543. HUET, A., DE BOISSOUDY, J., GRAMSAMMER, C., BAUDUIN, A. and SAMANOS, J. - Experiments with Porous Asphalt on the Nantes Fadigue Test Track - Transportation Research Record, n0 1265 - pp. 54 - 58 - Transportation Research Board - National Research Council, Washington, 1990. JOE P. MAHONEY AND LINDA M. PIERCE - Examination of Washington State Department of Transportation Transfer Functions for Mechanistic-Empirical Asphalt Concrete Overlay Design - pp. 25-32 - TRR/1996- 1539 JONH T. HARVEY AND BOR-WEN TSAI - Effects of Asphalt Content and Air Void Content on Mix Fatigue and Stiffness - TRR/1543-1996 - pp. 38 - 45. JORGE B. SOUZA, GEORGE WAY, AND JOHN T. HARVEY - Performance-Based Mix Design and Field Quality Control for Asphalt-Aggregate Overlays TRR/1543-1996 - pp. 46 - 54 KENNEDY, T. W., MOULTHROP, J. S. & HUBER, G. A. - "Development of SHRP Mixture Specification and Design and Analisys System", Proceedings AAPT, Volume 62, 1993, pp. 508 - 528. KESTLER, M. A., BERG, R. L. AND MOORE, T. L. - Reducing Damage to LowVolume Roads by Using Trucks with Reduced Tire Pressures - TRR/1589-1997 pp. 09 - 18 LINDA M. PIERCE AND JOE P. MAHONEY - Asphalt Concrete Overlay Design: Case Studies - TRR/1543-1996 - PP. 03 - 09 MAY, R. W. E KILLINGSWORTH, B. M. - Superpave performance prediction - a first look at utility, sensitivity, and repeatibility - Journal of the Association of Asphalt Paving Technologists - AAPT, Vol. 64, pp. 669-717 - 1995. MAY, R.W. & WITCZAK, M.W. -”An Automated Asfhalt Concrete Mix Analyses System”. Proceedings AAPT, Volume 61,1992, pp.154-184. MEDINA, J. - Mecânica dos Pavimentos - Rio de Janeiro: editora UFRJ, 1997. 380 p. MEDINA, J. E MOTTA, L. - Análise do Pulso de Carga em Pavimentos - 29a Reunião Anual de Pavimentação, pp. 419 - 449 - Cuiabá/MT, Outubro de 1995. METCALF, J. B. - Application of Full-Scale Accelerated Pavement Testing - NCHRP SYNTHESIS 235 - 1996. MOLENAAR, A.A.A. - Evaluation of Pavement Structure with Emphasis on Reflective Cracking. Reflective Cracking in Pavements. Second International RILEM Conference. Procedings, pp. 21 - 48, Bélgica, 1993. MOTTA, L. - Um Ano de Medições de Temperatura do Painel Experimental da COPPE - Simpósio Internacional de Avaliação de Pavimentos e Projeto de Reforço, Rio de Janeiro, 1979. 147 MYRE, J. - Fatigue of asphalt materials for norvegian conditions. Proceedings of the 7th International Confernece on Asphalt Pavements, Nottingham, Vol. 3, pp. 238251, 1992. NEWCOMB, D.E., CHADBOURN, B.A., VAN DEUSEN, D.A. - Relationship Between Statistical Distributions of Traffic Loads and Pavement Responses Journal of Testing and Evaluation, Vol. 25, no 2, pp. 190 - 196, March 1997. NEWCOMB, D.E., VAN DEUSEN, D.A., BURNHAM, T. R. - Characterization of the Subgrade Soils at Minnesota Road Research Project - Minnesota Department of Transportation - Mn/ROAD - June 1994. NOKES, W. A., STOLARSKI, P. J., MONISMITH, C. L., HARVEY, J. T. Establishing the California Department of Transportation Accelerated Pavement Testing Program - TRR/1540-1996 - pp. 91 - 96 NÚÑEZ, W. P. - “Análise Experimental de Pavimentos Rodoviários Delgados com Basaltos Alterados”, Tese DSc, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, 1997. OCDE (1985) Essai OCDE en Vraie Grandeur des Superstructures Routières, Rapport 117401. Organisation de Coopération et de Développement DIRR n0 Économiques, Paris, France. OCDE (1991) Essai OCDE en Vraie Grandeur des Superstructures Routières, Rapport 125145. Organisation de Coopération et de Développement DIRR n0 Économiques, Paris, France. OWUSU-ANTWI, E. B., TITUS-GLOVER, L., AND KHAZANOVICH, L. - A rutting model for implementation in mechanistic-based design procedures - 77th Annual Meeting - Transportation Research Board - Washington, D.C - 1998. PAPAGIANNAKIS, T., DANCEA, A. ALI, N. CHAN, J. AND BERGAN, A. T. Application of ASTM E1049-85 in Calculating Load Equivalence Factors from in Situ Strains - Transportation Research Record, no 1307, Washington, D.C., 1991. PÉREZ-JIMÉNEZ, F. AND GORDILLO, J. - Optimization of Porous Mixes Through the Use of Special Binders - TRR - 1265 - pp. 59-68 PIERCE, L. M. E MAHONEY, J. P. - Asphalt concrete overlay design case studies TRR/1543 - 1996 - pp. 3 - 9. PINTO, S. - “Estudo do Comportamento à Fadiga de Misturas Betuminosas e Aplicação na Avaliação Estrutural de Pavimentos”, Tese DSc, COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, 1991. PINTO, S., NARDI, J. E MARCON, A. - Misturas do Tipo Areia-Cal-Cinzas Volantes Pista Experimental de Santa Catarina - 13a Reunião Anual de Pavimentação, Curitiba/PR, 1977. POTTER, J.F., MAYHEW, H.C., MAYO A.P. - Instrumentation of the Full-Scale Experiment on A1 Trunk Road at Conington, Huntingdonshire - Structural Properties - Road Research Laboratory - Crowthorne, Berkshire, 1969 pp. 1 - 55. PREUSLER, E. S. - Estudo da deformação resiliente de pavimentos flexíveis e aplicações ao projeto de camadas de reforço, 1983 - Tese de Doutorado COPEE/Universidade Federal do Rio de Janeiro. QUEIROZ, C. A. V. – Modelos de Desempenho de Pavimentos: Desenvolvimento e Aplicação. Ministério dos Transportes – MT/DNER/IPR. Rio de Janeiro, 1982. QUEIROZ, C. A. V. - Performance prediction models for pavement management in Brazil - Tese de doutorado, Univeridade do Texas, Austin, 1981. 148 RADA, G.R., LOPEZ, A., ELKINS, G.E., RICHTER, C.A., HENDERSON, B. - LongTerm Pavement Performance Seasonal Monitoring Program: Instrumentation Selection and Installation - Transportation Research Record, no 1432, pp. 32 - 43. RENAUD, C. - Module de rigidité et comportement en fadigue des enrobés bitumineux - Expérimentations et nouvelles perspectives d’analyse - Ecole Centrale Paris1996. RETA 5549-REG Highway Development and Management Research - Final Report Modelling Road Deterioratio and Effects in HDM-4. Asian Development Bank, Octuber 1995. RODRIGUES, R. M - Engenharia de Pavimentos, 1998. Instituto Tecnológico de Aeronáutica, São José dos Campos. RODRIGUES, R. M. - Estudo do Trincamento dos Pavimentos. Rio de Janeiro, 1991 Tese de Doutorado - COPEE/Universidade Federal do Rio de Janeiro. RODRIGUES, R. M. (1997). Prediction of fatigue cracking on flexible highway pavements. Recent Developments in Soil and Pavement Mechanics, Balkema, Rotterdam. pp. 381 - 385. RODRIGUES, R.M., YAMADA, A.T.A., GONÇALVES, F.P., LIMA, G. & ROCHA FILHO, N.R. - Projeto de Misturas Asfálticas Tipo CBUQ. Estudo de Metodologias - 30 a Reunião Anual de Pavimentação, vol. 4 pp.1517/1534 Salvador - Bahia/1996. RODWAY, B, AND WARDLE, L. – Layered elastic design of heavy duty and industrial pavements - Proc. AAPA Pavements Industry Conf., Surfers Paradise, Australia, 1998 http://www.mincad.com.au/AAPA98/AAPA98f.htm ROLLINGS, R.S., PITTMAN, D.W - Field Instrumentation and Performance Monitoring of Rigid Pavements - Journal of Transportation Engineering, Vol. 118, no 3, pp. 361 - 370, may/june 1992 - American Society of Civil Engineers American. ROQUE, R. & BUTTLAR, W. G. - “The Development of a Measurement and Analysis System to Accurately Determine Asphalt Concrete Properties using the Indirect Tensile Mode”. Proceedings AAPT, Volume 61, 1992, pp. 304 - 332. ROQUE, R.; DOMINGUEZ, G. & ROMERO, P. - “Effect of Asphalt Mixture Characterisitcs and Design on Frictional Resistance of Bituminous Wearing Course Mixtures”. TRR 1507, pp. 39-50, july 1995. SEBAALY, P.E., TABATABAEE, N., KULAKOWSKI, B. - Evaluation of the Hall Effect Sensor for Pavement Instrumentation - American Society for Testing and Materials - 1995. SHRP - A/IR - 90 - 011 - Sumary Report on Fatigue Response of Asphalt Mixtures SHRP - A/IR-89-004 - “Summary Report on Aging of Asphalt - Aggregate Systems”, November , 1989, National Research Council, Oregon State University, Corvallis. SHRP - A/IR-90-011 - “Summary Report on Fatigue Response of Asphalt Mixtures”, February 1990, Institute of Transportation Studies, University of California, Berkeley. SHRP - A/IR-90-015 - “Asphalt Properties and Relationship to Pavement Performance: Literature Review”, May 1990, National Research Council, Washington D.C. SHRP - Long-Term Pavement Performance: Proceedings of the SHRP Midcourse Assessment Meeting. Report SHRP-LTPP/UWP-91-514, National Research Council, Washington, D.C. SHRP A/WP - 90 - 008 - “Hypotheses and Models Employed in the SHRP Asphalt Research Program”, August 1990, National Research Council, Washington D.C. 149 SOUSA, J. B. , TAYLOR, R. & TANCO, A. J. - “ Analysis of Some Laboratory Testing Systems for Asphalt Aggregate Mistures”, TRB Paper n° 91-0743, November 1990. SPARROW R. W. AND TORY, A.C. - Behavior of Soil Mass Under Dynamic Loading - Journal of the Soil Mechanics and Foundations Division - Proceedings of the American Society of Civil Engineers, pp. 59 - 83, May,1966. TABATABAEE, N., AL-QADI, I.L., SEBAALY P.E. - Field Evaluation of Pavement Instrumentation Methods - Journal of Testing and Evaluation, Vol. 20, no 2, pp. 144 - 151, March 1992. TABATABAEE, N., SEBAALY P.E. - State-of-the-Art Pavement Instrumentation Transportation Research Record, no 1260, pp. 246 - 255. TAYEBALLI, .A.; DEACON, J. A. E MONISMITH, C. L. - Development and evaluation of surrogate fatigue models for SHRP A-003A abridged mix design procedure - Journal of the Association of Asphalt Paving Technologists-AAPT, Vol. 64, pp. 340-366 - 1995. TENG, P.& COMINSKY, R. J. - "Post-SHRP Binder and Mixture Specifications". Proceedings AAPT, Volume 62, 1993, pp. 639 - 660. THOMAS W. KENNNEDY, FREDDY L. ROBERTS AND KANG W. LEE “Evaluation of Moisture Effects on Asphalt Concrete Mixture”. Proceedings TRR, 1983, pp.134-143 TOMPSON, M. R.; TUTUMLUER, E. E BEJARANO, M. - Granular material and soil moduli, review of the literature - Final Report, COE Report n0 1, Department of Civil Engineering, University of Illinois at Urbana Champaign, Urbana, Illinois, fevereiro 1998 (http://uiairpave.ce.uiuc.edu/enhanced/index.html). ULLIDTZ, P. AND LARSEN, B. K. - Mathematical model for predicting pavement performance. TRB - Volume 949 - 1983 - pp. 45 - 55 UZAN, J. - Evaluation of fatigue cracking - TRR/1570-1997, pp. 89-95 VAN DEUSEN, D.A., LENNGREN, C.A., NEWCOM, D.E. - A Comparison of Laboratory and Field Subgrade Moduli at Minnesota Road Research Project Nondestructive Testing of Pavements and Backcalculation of Moduli (Second Volume). ASTM STP 1198. American Society of Testing and Materials, pp. 361 379 Philadelphia, 1994. VAN DEUSEN, D.A., NEWCOMB, D.E., LABUZ, J. F. - A Review of Instrumentation Technology for the Minnesota Road Research Project - Minnesota Department of Transportation - Mn/ROAD - April 1992. VERSTRAETEN, J., ROMAIN, J. E., AND VEVERKA, V. - The Belgian Road Research Centers Overall Approach to Asphalt Pavement Structural Design Proc., 4th International Conference on the Structural Design of Asphalt Pavements, Univ. of Michigan, Ann Arbor, 1977. WITCZACK, M. W., VON QUINTUS, H. L. AND SHWARTZ, C. W. - Superpave Suport and Performance Models Management: Evaluation of the SHRP Performance Models System – http://www.ence.umd.edu/superpave - 1998 150