COBRAMSEG 2010: ENGENHARIA GEOTÉCNICA PARA O DESENVOLVIMENTO, INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE. © 2010 ABMS. Zoneamento geotécnico do Vale de Aburrá utilizando Redes Neurais Artificiais Robinson Andrés Giraldo Zuluaga Mestrando, Programa de pós-graduação em geotecnia, Universidade de Brasília, [email protected] Hernán Eduardo Martínez-Carvajal Professor, Programa de pós-graduação em geotecnia, Universidade de Brasília, [email protected] Gabriel Jaime Zapata Guerra Mestrando, Programa de pós-graduação em geotecnia, Universidade de Brasília, [email protected] RESUMO: No presente trabalho utiliza-se a ferramenta computacional conhecida como Redes Neurais Artificiais (RNA) para estimar quantitativamente a ameaça de movimentos de massa no Vale de Aburrá (Medellín, Colômbia), para atingir o objetivo foram utilizados cinco fatores do terreno: geologia, geomorfologia, uso do solo, declividades e processos morfodinâmicos; e como fator desencadeante a chuva, representada pela probabilidade de ultrapassar um limite de chuva acumulada num certo período de tempo definido a partir de análises estatísticas. O intuito da RNA é encontrar a relação funcional entre os fatores predisponentes e a probabilidade de ocorrência do movimento de massa, o qual é feito mediante um processo de aprendizagem onde se apresentam dados de treinamento até alcançar um erro mínimo no modelo. O gerenciamento da informação espacial é feito sobre uma plataforma SIG, considerando células de terreno quadradas de 100m de lado, para um total de 115545 células na área do Vale de Aburrá. Finalmente, encontrou-se um modelo neural com um nível de acerto de 78% na previsão da probabilidade de ocorrência de escorregamentos, observando que 4% da área do Vale de Aburrá encontra-se sob ameaça alta (16% de probabilidade anual de ocorrência). Conclui-se que a metodologia é eficiente, permitindo a quantificação do erro cometido na estimação da ameaça, prevendo o local da provável ocorrência e levando em conta o histórico de chuvas da região. PALAVRAS-CHAVE: Redes neurais artificiais, Ameaça, Zoneamento geotécnico, Vale de Aburrá, Avaliação de ameaças geológicas, Escorregamentos. 1 movimentos de massa são os fenômenos com maior saldo trágico de vidas, com 74,1% do total de vidas reportadas no mesmo período. Seguido, de longe, pelas enxurradas com 13,8% e as enchentes com 5,1%. Devido ao aumento acelerado da população nos últimos 50 anos, está sendo incentivada a urbanização em encostas com estabilidade marginal sobre a parte media e alta das vertentes. Os novos desenvolvimentos de vivendas tanto regularizados como não regularizados estão sendo realizados na periferia do vale, sobre áreas de forte declividade onde, inclusive, já ocorreram movimentos de massa no passado (Aristizábal & Yokota, 2006). A primeira medida para determinar as áreas INTRODUÇÃO Um movimento de massa se define como o movimento de um maciço rochoso, escombros ou terra ao longo de uma ladeira ou talude, estes são fenômenos altamente complexos produto da interação de numerosos fatores geológicos, geomorfológicos, físicos e humanos que controlam a distribuição espaço-temporal de sua ocorrência. Aristizábal & Gómez (2007) encontraram que do total de eventos naturais perigosos registrados no Vale de Aburrá nos últimos 10 anos, os movimentos de massa correspondem a 35%, sendo superado somente pelas enchentes que representam 42%. Em relação aos prejuízos, os autores indicam que os 1 COBRAMSEG 2010: ENGENHARIA GEOTÉCNICA PARA O DESENVOLVIMENTO, INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE. © 2010 ABMS. 2.800 metros sobre o nível do mar. Os municípios pertencentes a ele, considerados de norte a sul são: Barbosa, Girardota, Copacabana, Bello, Medellín, Envigado, Itagüí, Sabaneta, La Estrella e Caldas. mais propensas ou suscetíveis à ocorrência de escorregamentos é a elaboração de cartas de ameaça ou suscetibilidade, as quais, numa abordagem tradicional, têm sido realizadas por peritos mediante procedimentos convencionais de álgebra de mapas e observação apoiada na experiência. Conseqüentemente, a informação fornecida por tais cartas é do tipo puramente qualitativa sendo uma característica importante a representação da ameaça em termos de classes como, por exemplo: alta, media ou baixa. Hoje em dia, com o desenvolvimento de novas ferramentas computacionais, como as Redes Neurais Artificiais (RNA), é possível realizar procedimentos encaminhados à quantificação da ameaça, ou seja, a sua representação em termos da probabilidade de ocorrência do evento em um período de tempo específico. Através do treinamento de um modelo neural, encontra-se uma relação entre os fatores predisponentes e a probabilidade de ocorrência de um movimento em massa numa região dada. A vantagem da RNA é sua imparcialidade inicial em relação aos níveis de importância das variáveis envolvidas nos processos, alem da possibilidade de dar um passo adiante no sentido da quantificação da ameaça. O objetivo deste estudo é a quantificação da ameaça por movimentos de massa para o Vale do Aburrá (Medellín, Colômbia), usando como ferramenta computacional uma RNA agindo conjuntamente com uma plataforma SIG para o gerenciamento e representação da informação espacial. O produto final será uma carta em escala 1:10.000 que sirva como base para a adoção de estratégias de gestão do território, mediante a recomendação de tipos de estudos e restrições sobre o uso do solo. 2 Figura 1. Localização aérea estudada. 3 CARACTERÍSTICAS DO TERRENO Em problemas relacionados com fenômenos de degradação do terreno, tal como são os movimentos de massa, é difícil alcançar níveis de previsão aceitáveis devido ao elevado número de variáveis relacionadas e à complexidade entre as relações envolvidas. Encontrar a relação existente entre um amplo grupo de variáveis representativas de diferentes aspectos do terreno, e a probabilidade de ocorrência de um determinado fenômeno de degradação, não é trivial, sendo, na verdade, um trabalho complexo que dificilmente se resolve usando algoritmos paramétricos convencionais como poderiam ser a combinação matemática ou estatística das variáveis envolvidas. Além disso, as análises realizadas para o zoneamento geotécnico (análise discriminante e de regressão) demandam que os dados sejam derivados de populações normalmente distribuídas, hipótese que geralmente é violada obtendo-se modelos de difícil e não muito confiável interpretação. Para emendar os erros induzidos pelo comportamento estatístico real das variáveis, é prática comum eliminar do conjunto de análise as variáveis com pouca ou escassa relevância no processo, deixando unicamente aquelas que sejam claramente relevantes, para isto podem se usar técnicas de ÁREA DE ESTUDO O Vale de Aburrá está localizado na Cordilheira Central Colombiana, no Departamento de Antioquia tal como se apresenta na Figura 1. Possui uma extensão de 1.164 km2 que fazem parte da bacia do Rio Medellín. O Vale tem um comprimento de aproximada de 60 km e uma largura variável. Está encaixado entre duas encostas com altitudes variáveis entre l.300 e 2 COBRAMSEG 2010: ENGENHARIA GEOTÉCNICA PARA O DESENVOLVIMENTO, INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE. © 2010 ABMS. prévias por Montoya et al. (2002). A geração do mapa de probabilidade de excedência de precipitação acumulada foi gerada por meio de métodos geoestatísticos, usando como banco de dados o histórico de precipitações dos últimos 20 anos em 16 estações meteorológicas espalhadas pelo território. avaliação prévia de sua influência por meio de procedimentos de ensaio/erro (García, 2004). Para o caso deste trabalho foram escolhidas as variáveis selecionadas por García (2004), quem realizou, a partir de procedimentos estatísticos, a quantificação da importância relativa de cada um dos atributos do terreno no processo de geração de escorregamentos para o município de Medellín. Neste trabalho está-se considerando válida a hipótese que as análises feitas mencionadas anteriormente, feitas por Garcia (2004) são válidas e, em conseqüência, extrapoláveis ao resto do Vale de Aburrá. O anterior devido principalmente à proximidade geológica e geomorfológica entre os dois territórios, sendo que o município de Medellín é, de fato, uma sub-unidade geográfica do Vale de Aburrá. No mencionado trabalho, o autor conclui que os fatores predisponentes mais relevantes para a geração de movimentos de massa são: a geologia, o uso do solo, a declividade, a geomorfologia e a altitude. De todos os fatores mencionados, só a altitude foi substituída, neste trabalho, pela declividade, dada sua reconhecida relevância como elemento de controle nos processos de geração de movimentos de massa. A declividade, além disso, parece um fator mais convencional e de uso mais generalizado em modelos não só deste tipo, mas também de álgebra de mapas. Por outro lado, tendo em conta que o propósito final é estimar a probabilidade de ocorrência de movimentos de massa, foi necessário introduzir no modelo, informação que levasse em conta os eventos já ocorridos em um período considerável de tempo. Esta informação foi extraída do inventário de processos morfodinâmicos disponível nos registros da entidade pública conhecida como Área Metropolitana do Vale de Aburrá (AMVA) e do Sistema Municipal de Atenção e Prevenção de Desastres (SIMPAD). Nestes bancos de dados estão consignados aproximadamente 20 anos de laudos de ocorrências de movimentos de massa em todos os municípios do Vale. Finalmente, o fator de detonação introduzido no modelo foi a precipitação, a qual entrou no modelo como uma probabilidade de excedência de um limite crítico de chuva acumulada em um certo período de tempo, estabelecido em pesquisas 4 METODOLOGIA DE TRABALHO A metodologia geral de trabalho está apoiada na ferramenta computacional chamada Redes Neurais Artificiais, a qual pode ser vista como uma aproximação especial de estatística fundamentada, que consiste em uma análise das relações funcionais entre fatores predisponentes e a distribuição dos movimentos de massa (Guzzeti et ao., 1999). Os diferentes passos da metodologia usada são descritos a seguir: Compilação de informações de fatores predisponentes e detonadores de movimentos de massa. Recolheu-se toda a informação disponível para os municípios do Vale de Aburrá sobre os seguintes temas: geologia, geomorfologia, usos do solo, topografia e precipitação. Cada tema encontra-se representado em uma carta que cobre completamente o território estudado. Todas as cartas foram subministradas pela AMVA, a partir de projetos anteriores como os de micro-zoneamento sísmico (AMVA, 2007c), cartas de ordenamento territorial dos municípios (AMVA, 2006) e outros estudos específicos como os de ordenamentos de bacias hidrográficas (AMVA, 2007a). Por outra parte, compilou-se informação dos inventários de movimentos de massa dos últimos 20 anos, obtida dos registros do SIMPAD e da AMVA. Com esta informação foi gerada uma carta adicional de movimentos de massa a qual serve, para calcular a probabilidade histórica de ocorrência de movimentos de massa, dado fundamental para o correto treinamento do modelo neural. Posteriormente, com as séries de chuvas foram geradas duas cartas específicas chamadas cartas de probabilidade de excedência de limites críticos de precipitação acumulada, as quais servem para indicar ao modelo neural se uma região particular do território apresenta 4.1. 3 COBRAMSEG 2010: ENGENHARIA GEOTÉCNICA PARA O DESENVOLVIMENTO, INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE. © 2010 ABMS. for muito alta, apenas uma das variáveis será necessária, sendo que, neste caso, a inclusão das duas pode gerar dificuldades enormes no processo de treinamento e, no final, respostas erradas de validação e predição. A seguir, como é usual neste tipo de aplicações com RNA´s, são criados vários modelos com diferentes arquiteturas para verificar a qualidade do desempenho de cada um deles mediante o cálculo de seus erros de validação. O modelo que apresentar o menor erro de validação é considerado adequado para resolver o problema exposto e sobre sua arquitetura são testados novos processos ou estratégias de treinamento. O modelo final é validado para medir seu nível de confiança sendo que a sua resposta normalizada deve ser levada ao sistema original de referência no qual é possível obter um valor numérico que indica a probabilidade de ocorrência de movimentos em cada uma das celas de trabalho. Por último, a plataforma SIG é usada para uma adequada representação gráfica da informação, produzindo uma carta de ameaça por movimentos em massa, a qual, antes de ser considerada como produto final, é submetida a três níveis de validação adicionais, a saber: (1) análise por parte de expertos, (2) apresentação de um conjunto de exemplos específicos não incluídos na base de dados original e (3) crítica por parte dos funcionários encarregados da gestão do território e dos órgãos de planejamento municipal e regional. A Figura 2 apresenta um esquema de como é a combinação do SIG com a RNA, dando uma idéia mais clara de qual é a função de cada uma das partes do sistema. O SIG organiza, distribui, apresenta e compila toda a informação temática disponível e gera novos mapas com a informação produzida; a RNA descobre as relações existentes entre todas as variáveis envolvidas para cada uma das celas do território, com o propósito de determinar a probabilidade de ocorrência de um fenômeno em particular, que para o caso estudado, foram os movimentos em massa. Neste processo as RNA´s fazem o trabalho que tradicionalmente estava nas mãos dos grupos de expertos ou peritos que, mediante procedimentos convencionais de álgebra de mapas, realizavam as combinações entre as cenários de precipitação que possam dar inicio ou não a movimentos de massa. Criação de uma base de dados para a modelação com RNA´s. Para gerar a informação necessária para o modelo neural o território foi dividido em uma malha de elementos quadrados de 100 m de lado. Este tamanho de celula é considerado adequado para o nível de detalhe e de precisão das variáveis consideradas. Cada cela de trabalho é caracterizada com todas as variáveis predisponentes, de tal forma que ao final do processo obtém-se uma matriz de dimensão NC_x Na, na qual NC é o numero total de celas do território (115545) e Na é o numero de atributos considerados (33. Para a geração desta matriz de informação foi fundamental o uso de uma plataforma SIG, utilizada para exportar os diferentes atributos dos distintos temas de informação em formatos ASCII, compatíveis com quase todos os códigos computacionais atuais, incluindo o Matlab que foi a plataforma de computação usada para o modelo de RNA. 4.2. Criação, treinamento e validação do modelo neuronal. Este procedimento começou com o preprocessamento da base de dados para verificar sua normalidade, cobertura e pertinência. O primeiro consiste na conversão de todas as variáveis da base de dados de entrada para o intervalo [0 1]. A cobertura está relacionada com a correta e ampla distribuição das variáveis dentro do espaço considerado, levando em consideração que não é indispensável que todas as variáveis estejam homogeneamente distribuídas no espaço, mas que seja conhecida a forma da sua distribuição. Em alguns casos foi adequado eliminar alguns pontos de regiões que estavam excessivamente representadas quando comparadas com outras cujo grau de cobertura era deficiente. Finalmente, a pertinência tem a ver com a independência linear entre as diferentes variáveis consideradas, por exemplo, não é conveniente incluir informação sobre a declividade das encostas e a sua classificação geomorfológica de maneira simultânea, sem antes verificar o grau de influência da declividade na definição das unidades geomorfológicas. Se a dependência entre elas 4.3. 4 COBRAMSEG 2010: ENGENHARIA GEOTÉCNICA PARA O DESENVOLVIMENTO, INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE. © 2010 ABMS. variáveis indicando, segundo a sua experiência e vocação profissional, os pesos ou níveis de importância de cada uma delas. A grande vantagem da RNA é sua imparcialidade inicial em relação aos níveis de importância que as variáveis de entrada têm no processo e a possibilidade de dar um passo adiante no sentido de obter não somente uma ameaça qualitativa (alta, meia, baixa), mas também de quantificá-la em términos probabilísticos. Figura 2. Esquema do modelo de interação SIG-RNA. 5 RESULTADOS intensidade e longa duração (chuva acumulada em 15 dias), o tipo de unidade geológica mais afetada é o gneiss (cujo solo residual tende a ser arenoso e, portanto, altamente suscetível tanto a processos erosivos como de movimentos em massa) e o uso do solo predominante é agrícola. A ameaça tipo 4 ocupa uma área de 18,39 km2 equivalente a 1,6% da área total. Os fatores mais importantes são: chuvas de longa duração e intensidades variáveis (chuva acumulada de 15 dias), fluxos superficiais (coluvios) são as unidades geológicas mais afetadas, e unidades geomorfológicas tipo vales secundários de encostas íngremes. A ameaça tipo 5 ocupa uma área de 12,85 km2 equivalente a 1,1% da área total. As declividades mais importantes estão ao redor dos 20º, sendo que a chuva detonadora depende fortemente da intensidade e pouco da duração. O limite de chuva acumulada de três dias foi mais importante que o acumulado para 15 dias. As unidades geomorfológicas mais afetadas foram, de novo, os vales secundários de encostas íngremes. Em relação ao uso do solo, foi encontrada uma correlação muito forte entre a ocorrência dos escorregamentos e o uso urbano, o qual leva a concluir que esta ameaça é acelerada principalmente por processos antrópicos, como por exemplo, más práticas construtivas. O resultado mais importante é a carta de zoneamento da ameaça por movimentos de massa que permite identificar, em qualquer ponto do território, a probabilidade anual de ocorrência de escorregamentos dado certo nível de precipitação acumulada (ver Figura 3) Da observação e análise do mapa gerado se estabeleceram cinco níveis de ameaça segundo a probabilidade associada, tal como se observa na Tabela 1. Tabela 1. Níveis de ameaça para o Vale de Aburrá. Nível de Ameaça Probabilidade anual de ocorrência de movimentos de massa (%) 1 2 3 4 5 0 – 0,2 0,2 – 3,2 3,2 – 5,5 5,5 – 8,5 8,5 – 16,5 Para os níveis 3, 4 e 5 de ameaça foi realizada uma análise da influência das variáveis de entrada, cujos resultados são apresentados a seguir. O somatório das áreas com ameaça tipo 3 foi de 17,84 km2 equivalente a 1,5% da área total. A declividade dominante neste tipo de ameaça é 20º, a precipitação mais influente é a de baixa 5 COBRAMSEG 2010: ENGENHARIA GEOTÉCNICA PARA O DESENVOLVIMENTO, INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE. © 2010 ABMS. Figura 3. Mapa de ameaça por movimentos de massa para o Vale de Aburrá (Prob. Anual). 6 COBRAMSEG 2010: ENGENHARIA GEOTÉCNICA PARA O DESENVOLVIMENTO, INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE. © 2010 ABMS. 6 planejamento regional, devido ao nível de detalhe das variáveis usadas (escalas 1:10.000). Não é pertinente usá-la para tomar decisões pontuais como, por exemplo, as relacionadas com aspectos comuns no dia-a-dia dos funcionários tais como: ordens de evacuação de moradias por fenômenos de instabilidade, entrega de pequenas partidas para a mitigação da ameaça no nível de quadra, determinação do grau de estabilidade de pequenos lotes de terreno para efeitos de instalação temporária ou definitiva de pessoas. Todos estes casos deverão ser tratados com critérios individuais tomando em conta as características pontuais de cada situação na escala adequada. ARGUMENTOS E CONCLUSÕES Em geral, os modelos de previsão da ameaça não podem ser efetivamente validados com os métodos científicos tradicionais; o único caminho para a validação real deste tipo de estudos é o tempo (García, 2004). O sentido de validação que foi usado neste trabalho refere-se à verificação da compatibilidade entre a resposta gerada pelo modelo e a resposta desejada, a qual é calculada a partir dos eventos de movimentos em massa que ocorreram no tempo do inventário. Esta validação permitiu definir um nível de precisão de 78%, o qual é considerado satisfatório para esta classe de aplicações. O modelo aqui oferecido apresenta então certo nível de incerteza, a qual pode se manifestar de duas formas: (1) algumas celas são qualificadas com valores de ameaça altos tendo na realidade valore baixos ou (2) celas com qualificação de ameaça baixa tendo na realidade valores altos. A primeira categoria de erro é do tipo conservador, sendo que, no caso extremo, obrigaria a tomar medidas de prevenção sobre áreas que não as merecem. No segundo caso, considerado mais grave, estar-seia deixando de atender zonas com ameaça alta pensando que a sua ameaça é pequena, o qual aumenta no final o nível de risco da população. Em ambos os casos, o comum denominador é o desconhecimento da magnitude dos erros cometidos. O anterior conduz então a recomendar um processo de validação alternativo que consiste na revisão detalhada do território para, em companhia de outros peritos e expertos, determinar quais zonas podem estar sendo sobre- qualificadas ou sub-qualificadas. O processo anterior deve concentrar o maior esforço de análise de campo naquelas zonas cuja valoração da ameaça é extremadamente baixa. A metodologia utilizada neste trabalho tem uma grande vantagem com relação às metodologias tradicionais, já que não existe subjetividade na determinação dos pesos ou níveis de importância das variáveis consideradas. É necessário destacar que a carta de ameaça deve ser interpretada como uma ferramenta de 7 AGRADECIMENTOS Os autores agradecem ao projeto “Evaluación de Amenaza, Vulnerabilidad y Riesgo generados por Movimientos en Masa, Inundación y Avenidas Torrenciales en el Valle de Aburrá”, executado através do convênio estabelecido entre a Universidade Nacional da Colômbia, Sede Medellín, e a Área Metropolitana do Vale de Aburrá (AMVA) sob a direção do professor José Humberto Caballero, quem deu a oportunidade de desenvolver este trabalho. REFERÊNCIAS Alarcón G. Jorge E. (2007). 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