INST IT UT O POLIT ÉCNICO DE CO IMBRA
ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA E GESTÃO DE OLIVEIRA DO HOSPITAL
ISOLAMENTO TÉRMICO DE FACHADAS PELO EXTERIOR
REBOCO DELGADO ARMADO SOBRE POLIESTIRENO EXPANDIDO – ETICS
Trabalho Prático de Direcção e Gestão Técnica da Obra
Paulo Nunes Rodrigues
Docente: Eng. Anabela Marques
Fevereiro de 2009
Paulo Nunes Rodrigues
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ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 1
2. EVOLUÇÃO NA CONCEPÇÃO DE FACHADAS EM PORTUGAL......................................... 2
3. ISOLAMENTO TÉRMICO DE FACHADAS PELO EXTERIOR ............................................... 3
3.1 ASPECTOS GERAIS ....................................................................................................... 3
3.2 VANTAGENS DOS SISTEMAS DE ISOLAMENTO TÉRMICO PELO EXTERIOR ............................ 4
3.3 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS ETICS................................................................................ 5
4. DESCRIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA............................................................... 6
4.1 ASPECTOS GERAIS ....................................................................................................... 6
4.2 SUPORTE..................................................................................................................... 7
4.3 MATERIAIS ................................................................................................................... 7
4.3.1 Produto de colagem....................................................................................8
4.3.2 Isolamento térmico – poliestireno expandido (EPS) ................................. 8
4.3.3 Armaduras ................................................................................................. 8
4.3.4 Produto de base ........................................................................................ 9
4.3.5 Primário...................................................................................................... 9
4.3.6 Revestimento final .................................................................................... .9
4.3.7 Fixação mecânica do isolamento ............................................................. .9
4.3.8 Acessórios ................................................................................................ .9
4.4 PREPARAÇÃO DOS TRABALHOS .................................................................................... 10
4.1 Identificação dos pontos singulares ............................................................ 10
4.4.2 Equipamento necessário ......................................................................... 10
4.4.3 Andaimes.................................................................................................. 11
4.4.4 Análise e tratamento do suporte............................................................... 11
4.4.5 Condições de aplicação........................................................................... 12
4.5 APLICAÇÃO DO SISTEMA.............................................................................................. 13
4.5.1 Montagem dos perfis de arranque e laterais............................................ 13
4.5.2 Preparação da cola.................................................................................. 14
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4.5.3 Aplicação da cola..................................................................................... 14
4.5.4 Colocação do isolamento ........................................................................ 16
4.5.5 Reforço dos pontos singulares ................................................................ 18
4.5.6 Aplicação da camada de base armada ....................................................18
4.5.7 Aplicação da camada de primário ............................................................20
4.5.8 Aplicação da camada de acabamento .....................................................20
4.6 DESEMPENHO ESPERADO ............................................................................................20
5. PORMENORIZAÇÃO CONSTRUTIVA....................................................................................20
6. HOMOLOGAÇÃO....................................................................................................................31
6.1 ASPECTOS GERAIS ......................................................................................................31
6.2 REQUISITOS ESSENCIAIS..............................................................................................31
6.2.1 ER1 – Resistência mecânica e estabilidade ............................................31
6.2.2 ER2 – Segurança contra incêndios...........................................................32
6.2.3 ER3 – Higiene, saúde e ambiente.............................................................32
6.2.4 ER4 – Segurança na utilização ............................................................... 32
6.2.5 ER5 – Protecção contra o ruído................................................................33
6.2.6 ER6 – Economia de energia e retenção de calor.....................................33
6.2.7 Aspectos relativos à durabilidade e aptidão à utilização...........................33
7. SELECÇÃO EXIGENCIAL........................................................................................-.............33
7.1 ASPECTOS GERAIS ......................................................................................................33
7.2 SELECÇÃO DO MODO DE FIXAÇÃO DO SISTEMA EM FUNÇÃO DO TIPO DE SUPORTE............34
7.3 DETERMINAÇÃO DA ESPESSURA DE ISOLAMENTO TÉRMICO A UTILIZAR............................34
7.4 SELECÇÃO EM FUNÇÃO DA EXPOSIÇÃO DA PAREDE........................................................35
7.4.1 Exposição ao vento ..................................................................................35
7.4.2 Exposição à precipitação..........................................................................36
7.4.3 Exposição aos choques e à degradação..................................................36
7.5 SELECÇÃO EM FUNÇÃO DO TIPO DE ACABAMENTO ........................................................ 36
7.6 SELECÇÃO EM FUNÇÃO DA REGULAMENTAÇÃO DE INCÊNDIO ......................................... 36
8. PATOLOGIAS......................................................................................................................... 38
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II
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8.1 ASPECTOS GERAIS ..................................................................................................... 38
8.2 INFLUÊNCIA DAS CONDIÇÕES DE PREPARAÇÃO, APLICAÇÃO E SECAGEM DA COLA E DO
REBOCO...........................................................................................................................
39
8.3 CAUSAS DAS PRINCIPAIS PATOLOGIAS DOS ETICS........................................................ 39
8.3.1 Fissuração ................................................................................................39
8.3.2 Descolagem generalizada e queda do sistema .......................................40
8.3.3 Descolagem parcial do sistema................................................................40
8.3.4 Destacamento e/ou empolamento do reboco ou do revestimento final....40
8.3.5 Manchas resultantes do desenvolvimento de microorganismos..............40
8.3.6 Outras anomalias do aspecto do revestimento ........................................41
8.3.7 Outras patologias......................................................................................41
9. MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO........................................................................................... 42
9.1 ASPECTOS GERAIS ..................................................................................................... 42
9.2 MANUTENÇÃO DO SISTEMA .................................................................................. ……42
9.2.1 Limpeza por lavagem ...............................................................................42
9.2.2 Eliminação de microorganismos...............................................................42
9.2.3 Renovação por pintura .............................................................................42
9.3 REPARAÇÃO DE DANOS LOCALIZADOS........................................................................ ..43
10. POTENCIALIDADES DO SISTEMA E ANÁLISE TÉCNICO-ECONÓMICA ..................…..43
11. CONCLUSÕES .................................................................................................................... 45
12. BIBLIOGRAFIA……………………………………………………………………………………..46
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1. INTRODUÇÃO
A concepção das fachadas tem sofrido uma grande evolução, sobretudo nas últimas décadas,
exigindo uma permanente actualização dos conhecimentos relativos às novas tecnologias.
Consideramos fundamental a preparação de informação técnica sobre sistemas de construção,
que possa ser divulgada entre os intervenientes no processo construtivo, e que inclua:

Descrição do sistema e dos seus componentes;

Apresentação das vantagens do sistema;

Caracterização da tecnologia de aplicação;

Definição das exigências a satisfazer e controlo de qualidade;

Pormenorização construtiva;

Patologias associadas ao sistema;

Manutenção e reabilitação do sistema;
Exemplos de aplicação.
O presente estudo tem como principais objectivos definir as exigências dos sistemas de
isolamento térmico de fachadas pelo exterior com reboco delgado armado (ETICS),
caracterizar o desempenho destes sistemas face às solicitações a que estão sujeitos e
apresentar uma perspectiva de evolução do mercado nacional.
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2. EVOLUÇÃO NA CONCEPÇÃO DE FACHADAS EM PORTUGAL
Tem havido uma evolução significativa na forma como se executam as fachadas dos edifícios
em Portugal (Figura 1).
Figura 1 Evolução das Fachadas em Portugal
Até aos anos 40 as fachadas eram constituídas por um pano de elevada espessura em alvenaria
de pedra ou de tijolo maciço. Na década seguinte surgiram as primeiras paredes duplas, com
pano exterior de alvenaria de pedra e uma “forra” interior em alvenaria de tijolo.
Na década de 60, aligeirou-se a constituição das paredes utilizando alvenaria de tijolo vazado
em ambos os panos. Inicialmente o pano exterior era significativamente mais espesso que o
interior mas houve uma progressiva redução dessa espessura até que, já nos anos 70, os dois
panos apresentavam dimensões idênticas, e por vezes muito reduzidas.
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Durante os anos 80 começaram a introduzir-se materiais de isolamento térmico 1 a preencher,
total ou parcialmente, a caixa-de-ar das paredes. Inicialmente não existia grande preocupação
com o tratamento das pontes térmicas, o que foi significativamente alterado após a entrada em
vigor, em 1991, do Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos
Edifícios (RCCTE), Decreto-Lei n.º 40/90, de 6 de Fevereiro [9].
Na última década, foram introduzidos em Portugal diferentes sistemas de isolamento térmico
pelo exterior e pelo interior, sendo estes últimos menos correntes entre nós e normalmente só
utilizados em reabilitação. Geralmente, os sistemas de isolamento térmico pelo exterior são
aplicados sobre um suporte constituído por uma parede em alvenaria ou em betão armado.
3. ISOLAMENTO TÉRMICO DE FACHADAS PELO EXTERIOR
3.1 ASPECTOS GERAIS
Para responder às crescentes exigências de conforto higrotérmico, que estão intimamente
associadas às preocupações com o consumo de energia e protecção ambiental, é necessário
isolar termicamente a envolvente dos edifícios, de modo a minimizar as trocas de calor com o
exterior, com consequente redução das necessidades de aquecimento/arrefecimento e
diminuição dos riscos de ocorrência de condensações.
Têm sido desenvolvidos diversos sistemas de isolamento térmico de fachadas pelo exterior
que são de utilização corrente em diversos países europeus, quer na reabilitação de edifícios
cuja envolvente vertical apresente índices de isolamento térmico insatisfatórios, infiltrações
ou aspecto degradado, quer em novas construções. Estes sistemas constituem uma óptima
solução, tanto do ponto de vista energético como do ponto de vista construtivo.
De um modo geral, os sistemas de isolamento pelo exterior são constituídos por uma camada
de isolamento térmico aplicada sobre o suporte e um paramento exterior para protecção, em
particular, das solicitações climáticas e mecânicas.
Podemos classificar os sistemas de isolamento de fachadas pelo exterior em três grandes
famílias:

Revestimentos descontínuos fixados ao suporte através de uma estrutura intermédia –
fachadas ventiladas;

Componentes prefabricados constituídos por um isolamento e um paramento, fixados
directamente ao suporte – “vêture”;

Rebocos armados directamente aplicados sobre o isolamento térmico – ETICS
(External Thermal Insulation Composite Systems with rendering).
1
Isolamento térmico – material com condutibilidade térmica ( ) inferior a 0,065 W/m ºC, com uma espessura que
conduza a uma resistência térmica superior a 0,5 m² ºC/W [9].
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A sigla ETICS designa, de acordo com a ETAG n.º0042 [12], os sistemas compostos por
isolamento térmico prefabricado aplicado sobre um suporte, e revestido por um reboco
armado realizado em uma ou várias camadas. A resistência térmica do sistema deverá ser de,
pelo menos, 1 m² ºC/W.
Relativamente à forma de fixação, os ETICS podem classificar-se em:

Sistemas colados (incluindo ou não fixações mecânicas complementares);

Sistemas fixos mecanicamente (incluindo ou não colagem complementar).
3.2 VANTAGENS
EXTERIOR
DOS
SISTEMAS
DE
ISOLAMENTO
TÉRMICO
PELO
O isolamento térmico pelo exterior é hoje reconhecido, de forma incontestável, como uma
solução técnica de alta qualidade, pois permite:

Redução das pontes térmicas3, o que se traduz por uma espessura de isolamento
térmico mais reduzida para a obtenção de um mesmo coeficiente de transmissão
térmica global da envolvente (Figura 2);
Figura 2 Continuidade do isolamento térmico permite reduzir as pontes térmicas
2
External Thermal Insulation Composite Systems with Rendering
Sistemas compósitos de isolamento térmico exterior com revestimento aplicado sobre isolante
3
Ponte térmica – toda e qualquer zona da envolvente dos edifícios em que a resistência térmica é
significativamente alterada em relação à zona corrente. Essa alteração pode ser causada pela existência
localizada de materiais de diferentes condutibilidades térmicas e(ou) por uma modificação na geometria da
envolvente, como é o caso das ligações entre diferentes elementos construtivos.
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
Diminuição do risco de condensações;

Aumento da inércia térmica interior dos edifícios, dado que a maior parte da massa das
paredes se encontra pelo interior da camada de isolamento térmico. Este facto traduzse na melhoria do conforto térmico de Inverno, por aumento dos ganhos solares úteis,
e também de Verão devido à capacidade de regulação da temperatura interior;

Economia de energia devido à redução das necessidades de aquecimento e de
arrefecimento do ambiente interior;

Diminuição da espessura das paredes exteriores com consequente aumento da área
habitável;

Redução do peso das paredes e das cargas permanentes sobre a estrutura;

Aumento da protecção conferida ao tosco das paredes face às solicitações dos agentes
atmosféricos (choque térmico, água líquida, radiação solar, etc.);

Diminuição do gradiente de temperaturas a que são sujeitas as camadas interiores das
paredes (Figura 3);

Melhoria da impermeabilidade das paredes;

Possibilidade de mutação do aspecto das fachadas e colocação em obra sem perturbar
os ocupantes dos edifícios, o que torna esta técnica de isolamento particularmente
adequada na reabilitação de fachadas degradadas;

Grande variedade de soluções de acabamento.
Figura 3 Comparação entre os gradientes de temperaturas a que estão sujeitas três paredes de cor clara
3.3 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS ETICS
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Após a 2.ª Guerra Mundial a Europa atravessou uma difícil situação económica. O custo do
aquecimento dos edifícios e a escassez de combustíveis eram motivos de grande preocupação.
Para reduzir o consumo de energia tornou-se inevitável a aplicação de isolamento térmico na
envolvente dos edifícios. Estudos realizados na altura indicavam que o isolamento térmico
seria mais eficaz se aplicado pelo exterior.
Durante os anos 40, surgiu na Suécia um sistema de isolamento térmico de fachadas pelo
exterior que era constituído por lã mineral revestida com um reboco de cimento e cal.
De acordo com alguns autores, o responsável pelo desenvolvimento dos sistemas de reboco
delgado armado sobre poliestireno expandido, tal como o conhecemos, foi Edwin Horbach.
Terá sido num pequeno laboratório, que construiu na sua cave, que testou diferentes
composições de reboco, diversos produtos de reforço e materiais de isolamento. Após
contactos com um fabricante alemão de poliestireno expandido, o seu sistema de isolamento
térmico começou a ser usado no final dos anos 50.
Os ETICS foram introduzidos nos Estados Unidos da América no final dos anos 60 por Frank
Morsilli4. O sistema teve de sofrer algumas alterações para que se adaptasse ao tipo de
construção existente e ao mercado americano (por exemplo, menor espessura de reboco).
Inicialmente existiu alguma resistência à utilização do sistema nos Estados Unidos. Foi
durante a crise energética do final dos anos 60 e início dos anos 70, que aumentou o interesse
pelo isolamento térmico pelo exterior.
Só no final do século XX é que se verificou a introdução, de uma forma definitiva, dos
sistemas de reboco delgado armado sobre poliestireno expandido no nosso país.
4. DESCRIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA
4.1 ASPECTOS GERAIS
Os ETICS mais frequentes no mercado são constituídos por placas de poliestireno expandido
(EPS) revestidas com um reboco delgado, aplicado em várias camadas, armado com uma ou
várias redes de fibra de vidro (Figura 4). Como acabamento é utilizado, geralmente, um
revestimento plástico espesso (RPE).
4
Nos Estados Unidos da América utiliza-se a sigla EIFS (Exterior Insulation and Finish Systems) para designar
os ETICS.
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Figura 4 Composição esquemática de um ETICS constituído por reboco delgado armado sobre
poliestireno expandido
Neste estudo serão analisados os sistemas fixos por colagem.
4.2 SUPORTE
Os ETICS destinam-se a ser aplicados em superfícies planas verticais 5 exteriores de edifícios
novos ou existentes (reabilitação), e também em superfícies horizontais ou inclinadas desde
que não estejam expostas à precipitação.
Os suportes podem ser constituídos por:

Paredes em blocos de betão leve com argila expandida;

Paredes em alvenaria de tijolo, blocos de betão, pedra ou betão celular;

Paredes de betão de inertes correntes ou leves;

Painéis prefabricados de betão.
É possível a aplicação do sistema em suportes rebocados, pintados ou com revestimentos
orgânicos ou minerais, desde que convenientemente preparados.
4.3 MATERIAIS
5
Superfícies cujo ângulo com a vertical não seja superior a 5º.
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4.3.1 Produto de colagem
Produto utilizado para a preparação da cola que se destina a fixar, por aderência, o isolamento
térmico ao suporte. Trata-se, geralmente, de um produto pré-preparado fornecido:

Em pó, ao qual se adiciona apenas água;

Em pó para mistura com um determinado ligante (resina);

Em pasta (copolímero em dispersão), à qual se adiciona 30% em peso de cimento
Portland.
4.3.2 Isolamento térmico – poliestireno expandido (EPS)
O isolamento térmico destina-se a aumentar a resistência térmica da parede na qual é aplicado
o sistema.
Os componentes químicos do poliestireno expandido são o poliestireno, o agente expansor
(principalmente o pentano) e o ar. Pode ser fornecido em placas com contorno plano ou com
entalhe. A espessura de isolamento a utilizar deverá ser definida pelo cálculo térmico.
As placas de poliestireno expandido que se destinam a integrar um sistema ETICS deverão
satisfazer as especificações do documento “Polystyrène expansé moulé certifié ACERMI Spécifications particulières à l'emploi comme support d'enduit mince (PSE collé et fixe
mécaniquement)” [6] .
O nível mínimo de aptidão de utilização do isolamento deverá ser I2S4O3L4E2 (ACERMI)
[15].
4.3.3 Armaduras
São utilizadas armaduras de fibra de vidro (tecidas ou termo-coladas), incorporadas na
camada de base, com tratamento de protecção anti-alcalino
Distinguem-se dois tipos de armaduras:

As “armaduras normais” têm como função melhorar a resistência mecânica do reboco
e assegurar a sua continuidade;

As “armaduras reforçadas” são utilizadas como complemento das armaduras normais
para melhorar a resistência aos choques do reboco.
As características das armaduras são definidas no documento “Certification CSTBat des
treillis textiles pour enduits de façade - Définition des caractéristiques des armatures utilisées
dans les systèmes d'isolation thermique extérieure par enduit sur isolants” [2].
As armaduras normais deverão dispor de um certificado CSTBat com a seguinte classificação
TRaME: T 1; Ra 1; M 1; E 1.
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4.3.4 Produto de base
Produto que se destina à preparação da argamassa de reboco a aplicar directamente sobre o
isolamento térmico (camada de base). Geralmente, o produto utilizado é idêntico ao produto
e colagem.
A camada de base consiste num reboco (barramento) com alguns milímetros de espessura,
realizado em várias passagens sobre o isolamento, de forma a permitir o completo
recobrimento da armadura.
4.3.5 Primário
O primário consiste numa pintura opaca à base de resinas em solução aquosa, que é aplicada
sobre a camada de base. É necessário que o produto seja compatível com a alcalinidade da
camada de base.
A função da camada de primário é regular a absorção e melhorar a aderência da camada de
acabamento. Alguns sistemas não incluem esta camada.
4.3.6 Revestimento final
Como revestimento final é normalmente utilizado um revestimento plástico espesso (RPE).
Podem, no entanto, ser utilizados outros revestimentos desde que convenientemente testados e
especificados no documento de homologação do sistema.
A camada de acabamento contribui para a protecção do sistema contra os agentes climatéricos
e assegura o aspecto decorativo. É aplicada sobre a camada de base ou sobre a camada de
primário (caso exista).
4.3.7 Fixação mecânica do isolamento
Nos sistemas colados, apesar da sua estabilidade ser totalmente assegurada pela colagem, é
possível utilizar fixações mecânicas complementares. As fixações mecânicas destinam-se,
eventualmente, a fixar provisoriamente as placas de isolamento até à secagem da cola ou, em
caso de descolagem do sistema, a evitar a sua queda.
São utilizadas fixações compostas por buchas em plástico de cabeça circular com, pelo
menos, 50 mm de diâmetro e por um prego ou parafuso metálico no seu interior.
4.3.8 Acessórios
Os ETICS incluem também outros produtos e componentes utilizados para reforço de pontos
singulares, ligação com elementos construtivos e para assegurar a continuidade do sistema.
Para reforço das arestas do sistema são utilizados perfis realizados em alumínio, aço
inoxidável, fibra de vidro ou ainda em PVC ou alumínio com armaduras de fibra de vidro.
Os perfis metálicos de ligação com elementos construtivos poderão ser em:
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
Alumínio ou aço inoxidável (perfis de arranque, perfis laterais à vista ou não, peitoris,
capeamentos);

Alumínio pré-lacado ou anodizado (perfis à vista);

Zinco (rufos e capeamentos).
Não deverão ser utilizados perfis em aço galvanizado.
As faces dos perfis sobre os quais seja aplicado reboco, deverão ter uma largura mínima de 30
mm e apresentar, pelo menos, duas fiadas de orifícios que correspondam a 15% da superfície
(diâmetro dos orifícios deverá ter cerca de 6 mm).
Os produtos utilizados para preenchimento de juntas, de forma a garantir a estanquidade à
água entre o sistema e os elementos construtivos, deverão ser quimicamente compatíveis com
o poliestireno expandido. São geralmente utilizados mastiques elastómeros ou plásticos de 1.ª
categoria (silicone, poliuretano, acrílicos, etc.) e cordões de espuma impregnada pré- comprimida.
Nas juntas de dilatação estruturais deverão ser aplicados perfis cobre-juntas .
4.4 PREPARAÇÃO DOS TRABALHOS
4.4.1 Identificação dos pontos singulares
Antes de se iniciarem os trabalhos de aplicação do sistema de isolamento, é indispensável a
realização de um exame detalhado da envolvente do edifício a isolar, que permita a
identificação de todos os pontos singulares. Só assim será possível a preparação dos desenhos
de pormenor necessários e de um orçamento rigoroso.
Devem ser analisados, nomeadamente, os seguintes aspectos:

Área de fachada a revestir, atendendo à sua acessibilidade;

Características do suporte;

Dimensão e forma dos vãos e dos peitoris;

Características dos dispositivos de oclusão e forma de fixação;

Localização e forma de fixação das tubagens da rede de drenagem de águas pluviais;

Grelhas de ventilação;

Terraços e varandas;

Juntas de dilatação;

Instalação eléctrica;

Tipo de cobertura e configuração do seu contorno;

Identificação de todos os outros elementos a fixar nas fachadas.
4.4.2 Equipamento necessário
Os equipamentos correntemente utilizados para a aplicação dos ETICS são:
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
Dispositivo mecânico para misturar os componentes, por exemplo, da cola (rotação
máxima de 300 rot./min);

Colher de pedreiro e talocha dentada para aplicação da cola sobre as placas de
poliestireno expandido;

Talocha em madeira para colocação das placas de isolamento durante a colagem;

Esquadro, nível e réguas (de 20 cm e 2 m) para garantir o correcto posicionamento do
isolamento;

Serrote e plaina eléctrica para corte das placas e, eventualmente, talocha abrasiva para
eliminar irregularidades;

Tesoura para o corte da armadura;

Espátula em inox para a colocação de armadura;

Espátula de plástico, rolo ou equipamento de projecção para aplicação do revestimento
final;

Berbequim, martelo ou chave de fendas para fixação dos perfis e colocação das
fixações mecânicas.

A limpeza dos equipamentos deverá ser realizada com água imediatamente após terem
sido utilizados.
4.4.3 Andaimes
Para uma correcta aplicação do sistema é indispensável assegurar a estabilidade e segurança
dos operários. Poderão ser utilizados andaimes de plataforma fixos ou móveis, desde que
convenientemente estabilizados para os esforços e movimentos dos trabalhadores durante a
intervenção (Figura 5). Não é aconselhável a utilização de andaimes suspensos.
Figura 5 Andaimes de plataforma
4.4.4 Análise e tratamento do suporte
Para que possa ser realizada a aplicação do sistema por colagem, os suportes deverão
apresentar uma superfície plana, sem irregularidades significativas ou desníveis superiores a 1
cm sob uma régua de 20 cm.
Em edifícios novos é necessário atender ao seguinte:
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
A superfície a revestir não deverá apresentar poeiras ou partículas desagregadas;

O suporte não deverá estar molhado;

É indispensável um período de secagem mínimo de 45 dias para os suportes em betão
e de 30 dias para as alvenarias;

Em paredes de betão, se o produto de descofragem utilizado não for compatível com a
cola, deverão ser realizados ensaios de aderência. Se os resultados obtidos não forem
satisfatórios a superfície deverá ser decapada;

Caso seja necessário realizar uma regularização, deverá ser utilizado um reboco
compatível com a cola do sistema;

Nos suportes em betão celular deverão ser realizados ensaios de aderência.

Na preparação das fachadas de edifícios existentes, deverão ainda ser respeitadas as
seguintes recomendações:

É necessário garantir a estabilidade do suporte. Não é possível aplicar o sistema sobre
panos de alvenaria instáveis;

As fissuras existentes deverão ser tratadas;

Os suportes em betão que apresentem degradação por corrosão das armaduras deverão
ser reparados com produtos compatíveis com a cola;

As paredes de alvenaria ou betão com reboco de ligantes hidráulicos, nas quais tenha
sido aplicado um produto hidrófugo de impregnação, deverão ser lavadas com vapor
ou jacto de água;

Deverá ser realizada uma inspecção de toda a superfície do suporte para aferir se
existem zonas em que o reboco apresenta falta de aderência. Quando tal se verificar,
após a remoção do reboco, deverão ser preenchidos os vazios de profundidade
superior a 10 mm;

Todas as pinturas ou revestimentos orgânicos existentes (revestimentos de
impermeabilização e revestimentos plásticos espessos ou semi-espessos) devem ser
removidos por decapagem. Em função dos produtos a eliminar poderá ser utilizada a
decapagem química, térmica, mecânica, com jacto de areia ou de água. Deverá ser
executada em toda a superfície;

Só é possível a aplicação do sistema em suportes revestidos com elementos cerâmicos
se estes apresentarem aderência adequada. Os elementos de revestimento que estejam
soltos devem ser retirados;

Após a preparação do suporte deverão ser sempre realizados ensaios de aderência.
4.4.5 Condições de aplicação
A colagem das placas de isolamento térmico e a aplicação do reboco não devem ser realizados
durante períodos de chuva ou neve, nem quando a temperatura ambiente for inferior a 5 ºC.
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Para além disso, o reboco não deverá ser aplicado em superfícies expostas ao sol durante os
meses de Verão ou sujeitas a ventos fortes.
Poderão ser utilizados andaimes cobertos com toldos para proteger os trabalhos,
nomeadamente, da chuva e da radiação solar. Deverá existir especial cuidado com a protecção
da parte superior do sistema, de modo a evitar a infiltração de água entre o suporte e o
isolamento térmico.
Em intervenções de reabilitação, os tubos de queda existentes no exterior das fachadas terão
de ser removidos devendo-se, no entanto, garantir que a evacuação das águas pluviais durante
os trabalhos é realizada longe das fachadas
4.5 APLICAÇÃO DO SISTEMA
4.5.1 Montagem dos perfis de arranque e laterais
Após a montagem dos andaimes e protecções individuais, remoção de todos os elementos
existentes na fachada que tenham de ser substituídos ou cuja posição deva ser alterada e
preparação dos suportes poderá ser iniciada a montagem dos perfis de arranque do sistema.
Os perfis de arranque, com espessura adaptada às placas de isolamento térmico a utilizar, são
colocados horizontalmente no limite inferior da zona a revestir. Para sua fixação serão
utilizados parafusos adequados ao suporte, com afastamento inferior a 30 cm. Deverá existir
uma fixação a menos de 5 cm das extremidades.
Caso a face inferior do perfil seja revestida com o reboco armado, a armadura deverá ser
colada directamente sobre o suporte, antes da aplicação do perfil, e posteriormente dobrada
sobre o isolamento (PORMENOR 5A-01)
Entre os perfis deverá existir um espaço de 2 a 3 mm, de modo a permitir a sua dilatação
(Figura 6). Durante a sua colocação é necessário verificar o seu alinhamento.
Se o suporte for irregular, os perfis deverão ser colocados sobre uma faixa de cola para
impedir a ventilação da interface entre o isolamento e o suporte.
A fixação dos perfis laterais é idêntica à dos perfis de arranque.
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Figura 6 Reforço das juntas entre perfis de arranque e laterais
4.5.2 Preparação da cola
Na preparação da cola deverão ser rigorosamente respeitadas as dosagens definidas pelo
fabricante do sistema.
A mistura dos diferentes componentes deverá realizar-se com um dispositivo mecânico
(rotação máxima de 300 rot./min) para que se obtenha um produto homogéneo. A cola só
deverá ser aplicada cerca de 5 a 10 minutos após a preparação da mistura.
4.5.3 Aplicação da cola
A cola deve ser aplicada sobre a placa de isolamento, excepto se tiver sido realizada uma
decapagem parcial do suporte. Não deverá ser utilizada para preencher as juntas entre as
placas (Figura 11).
A distribuição da cola sobre as placas de isolamento poderá ser realizada do seguinte modo:

Colagem contínua com talocha dentada (Figura 7) – a cola é aplicada sobre toda a
superfície da placa, com uma talocha com entalhes de 6 a 10 mm. Deverá ser deixada
uma faixa com cerca de 2 cm de largura no contorno da placa, para evitar que a cola
preencha as juntas entre as placas.

Colagem parcial por pontos (Figura 8) – a cola é aplicada em manchas de espessura
idêntica, distribuídas regularmente pela superfície da placa à razão de, pelo menos, 16
pontos por m² (8 ou 10 numa placa de 0,5 1,0 m).

Colagem parcial por bandas (Figura 9) – é aplicada uma banda de cola de espessura
regular no contorno da placa, a pelo menos 2 cm do bordo, e duas faixas cruzadas no
centro, de modo a assegurar uma repartição homogénea da cola. As bandas não
deverão ser perfeitamente contínuas, para evitar o efeito de ventosa na colocação.
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Figura 7 Colagem contínua com talocha dentada
Figura 8 Colagem por pontos
Figura 9 Colagem por bandas
Nos métodos de colagem parcial, a cola deverá ser aplicada, no mínimo, em 20% da
superfície da placa de isolamento.
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A colagem contínua é aconselhada para suportes com uma superfície regular. Nos suportes
que apresentem maiores irregularidades, mas sempre inferiores a 1 cm, deverá ser utilizada
uma colagem parcial.
Para o sistema possa ser aplicado continuamente em superfícies de grande altura, utilizando
um dos métodos de colagem parcial, deverão ser colocadas cantoneiras horizontais de 5 em 5
m, para que assegurem a estabilidade do isolamento até à secagem da cola.
Independentemente do tipo de fixação utilizada em zona corrente, a aplicação pontual de
placas de isolamento com espessura não superior a 30 mm deverá ser realizada por colagem
contínua.
4.5.4 Colocação do isolamento
As placas de isolamento são colocadas topo a topo, em fiadas horizontais a partir da base da
parede, sendo o nível de referência definido pelo perfil de arranque. São dispostas com juntas
desencontradas, quer em zona corrente, quer nos cantos (Figura 10).
Figura 10 Disposição das placas de isolamento térmico
As juntas entre placas de isolamento deverão estar desfasadas, pelo menos, 0,10 m das juntas
entre dois perfis de arranque ou laterais (Figura 6). Além disso, não deverá haver coincidência
entre as descontinuidades do suporte (por exemplo, juntas entre painéis prefabricados de
betão) e as juntas das placas.
As placas devem ser colocadas imediatamente após a aplicação da cola. Para assegurar uma
colagem eficaz deverão ser pressionadas contra o suporte com o auxílio de uma talocha de
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madeira (não com a mão). A regularidade da superfície deverá ser permanentemente
verificada com uma régua de 2 m.
O recorte e ajuste das placas, nomeadamente nos cantos e nos vãos, deve ser realizado após a
colagem do isolamento.
Nas ligações do sistema com as caixilharias, peitoris ou outras saliências existentes na
fachada, deverá existir uma folga com cerca de 5 mm, para realização da masticagem
(PORMENOR 6A-01)
As folgas existentes, devido à degradação pontual do isolamento, e as juntas entre placas cuja
espessura seja superior a 2 mm deverão ser preenchidas com poliestireno expandido. Não se
deverá utilizar a cola ou o reboco para corrigir os defeitos das placas ou para preencher as
juntas (Figura 11).
Não deverão existir desníveis entre placas contíguas (Figura 11). Caso contrário, será
necessário eliminar as irregularidades por alisamento (por exemplo, com talocha abrasiva) e
de seguida limpar a superfície de modo a remover os resíduos resultantes. As eventuais acções
correctivas só deverão ser realizadas após a secagem da cola.
Figura 11 Posicionamento das placas de isolamento térmico
O sistema deverá ser interrompido nas juntas de dilatação do edifício (PORMENOR7A-01).
4.5.5 Reforço dos pontos singulares
Em todos as arestas do sistema são colocadas cantoneiras de reforço, coladas directamente
sobre o isolamento com argamassa idêntica à da camada de base. São sempre aplicadas por
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baixo da armadura normal. Não deverão ser utilizados pregos para posicionar as cantoneiras
até à sua colagem.
As juntas entre as cantoneiras não deverão coincidir com as juntas entre placas de isolamento.
Antes da realização da camada base, é ainda necessário reforçar os cantos dos vãos
(Figura 12) e a zona das juntas entre perfis metálicos (Figura 6) com faixas de armadura com
0,3x0,3 m, coladas sobre as placas de isolamento.
Figura 12 Reforço da armadura no contorno dos vãos da fachada
4.5.6 Aplicação da camada de base armada
A camada de base deverá ser realizada logo após a secagem da cola para evitar a deterioração
superficial do isolamento térmico. Esta degradação poderá dever-se à prolongada exposição
do poliestireno a intensa radiação solar (cerca de 4 dias). Quando tal ocorrer, toda a superfície
deverá ser lixada antes da aplicação do reboco.
A constituição da camada de base depende do grau de exposição da parede aos choques,
podendo ser utilizadas uma ou duas armaduras normais, ou ainda, uma armadura normal e
uma armadura reforçada (ver § 7.4.3).
A camada de base é realizada em várias subcamadas, sendo cada uma delas aplicada após a
secagem da anterior (geralmente no dia seguinte). O período de secagem entre camadas não
deverá ser muito prolongado para que exista uma boa aderência.
4.5.6.1 Camada de base com uma armadura normal
Após a colagem das placas e dos elementos de reforço nos pontos singulares, a superfície do
isolamento térmico é revestida com uma primeira camada de reboco. A armadura normal é
aplicada sobre esta camada ainda fresca utilizando uma talocha em inox.
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Nas emendas de armadura (Figura 13) deverá existir uma sobreposição de cerca de 10 cm
(nunca inferior a 5 cm). A armadura deverá envolver as arestas onde existam cantoneiras de
reforço.
Figura 13 Sobreposição das armaduras normais
Nunca aplicar a armadura directamente sobre o poliestireno expandido (Figura 14). Após a
secagem da primeira camada é aplicada uma última camada de reboco de modo a envolver
completamente a armadura.
Figura 14 Posicionamento da armadura
4.5.6.2 Camada de base com duas armaduras normais
É aplicada uma camada de reboco armado realizada de acordo com o § 4.5.6.1. Após a sua
secagem, é aplicada uma outra camada de reboco e colocada a segunda armadura normal, de
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preferência com as juntas desfasadas em relação à primeira. Depois de um período de
secagem, aplica-se uma última camada que envolva totalmente a segunda armadura.
4.5.6.3 Camada de base com uma armadura normal e uma armadura reforçada
Depois de terem sido aplicados os reforços de armadura na envolvente dos vãos e nas juntas
dos perfis metálicos, mas antes de colocar as cantoneiras de reforço, reveste-se a superfície do
isolamento com uma camada de reboco. Sobre a camada ainda fresca aplica-se a armadura
reforçada com uma talocha em inox. As emendas de armadura de reforço são realizadas sem
sobreposição.
De seguida colam-se as cantoneiras de reforço sobre a armadura reforçada.
Após secagem da camada inicial de reboco, a superfície é revestida com uma nova camada de
reboco que incorpore uma armadura normal (conforme o § 4.5.6.1). As juntas da segunda
armadura não deverão coincidir com as da armadura reforçada.
4.5.7 Aplicação da camada de primário
Depois da camada de base estar seca (no mínimo 24 horas), o primário é aplicado com rolo ou
trincha.
4.5.8 Aplicação da camada de acabamento
O revestimento final é aplicado sobre a camada de primário, ou se esta não existir, sobre a
camada de base armada.
4.6 DESEMPENHO ESPERADO
Numa fachada plana a flecha máxima admissível sob uma régua de 2 m para o revestimento
final é de 7 mm [7].
5. PORMENORIZAÇÃO CONSTRUTIVA
Nas figuras seguintes são apresentadas alguns exemplos de soluções para a concepção e
realização de pontos singulares [7].
Poderão ser utilizadas outras soluções desde que sejam respeitados os seguintes princípios:

Evitar a penetração de água nas ligações do sistema com os outros elementos
construtivos;

Realizar goteiras nos limites inferiores do sistema;

Prever uma largura suficiente de recobrimento dos perfis perfurados nos limites do
revestimento.
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Pormenor 8A.01
Pormenor 2C.01
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Pormenor 6A.01
Pormenor 3A.01
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Pormenor 3B.01
Pormenor 3C.01
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Pormenor 2D.01
Pormenor 2A.01
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Pormenor 2B.01
Pormenor 4A.01
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Pormenor 5A.01
Pormenor 6B.01
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Pormenor 4B.01
Pormenor 8B.01
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Pormenor 2E.01
Pormenor 1A.01
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Pormenor 1B.01
Pormenor 1C.01
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Pormenor 7A.01
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6. HOMOLOGAÇÃO
6.1 ASPECTOS GERAIS
Para fazer face aos entraves existentes à comercialização de produtos de construção no
interior da União Europeia, decorrentes da disparidade que se verifica entre as normas
nacionais, aprovações técnicas e outras especificações e disposições técnicas dos diversos
Estados-membros, surgiu a Directiva dos Produtos de Construção 89/106/CEE – CPD6 [11].
De acordo com este documento, os produtos de construção só deverão ser comercializados “se
apresentarem características tais que as obras em que sejam incorporados, montados,
aplicados ou instalados, se tiverem sido convenientemente planeadas e realizadas, possam
satisfazer os Requisitos Essenciais”.
Os seis Requisitos Essenciais são:

ER1 – Resistência mecânica e estabilidade

ER2 – Segurança contra incêndios

ER3 – Higiene, saúde e ambiente

ER4 – Segurança na utilização

ER5 – Protecção contra o ruído

ER6 – Economia de energia e retenção de calor
Estes requisitos devem ser satisfeitos durante um período de vida útil economicamente
razoável.
As directrizes para a aprovação técnica europeia – ETAG7 – de um produto ou família de
produtos definem as exigências que estes devem satisfazer, os processos de ensaio e os
critérios de avaliação necessários à apreciação do desempenho em função da utilização
prevista e das condições previsíveis de concepção e execução.
Estes documentos são elaborados pelos organismos pertencentes à EOTA8 e constituem a
base para a atribuição das aprovações técnicas europeias – ATE.
6.2 REQUISITOS ESSENCIAIS
6.2.1 ER1 – Resistência mecânica e estabilidade
6
CPD – Construction Products Directive.
7
ETAG – European Technical Approvals Guidelines.
8
EOTA – European Organisation for Technical Approvals. A EOTA é composta pelos Organismos de
Aprovação nomeados pelos Estados-membros da União Europeia e pelos países da EFTA (European Free Trade
Association) que assinaram o acordo sobre o Espaço Económico Europeu
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As exigências de resistência mecânica e estabilidade dos elementos construtivos não
resistentes incluem-se no requisito Segurança na utilização (ER4).
6.2.2 ER2 – Segurança contra incêndios
As exigências de reacção ao fogo dos ETICS dependem da legislação, regulamentação e
disposições administrativas aplicáveis ao edifício. Serão classificados de acordo com a norma
EN 13501-1.
6.2.3 ER3 – Higiene, saúde e ambiente
6.2.3.1 Ambiente interior, humidade
Deverão ser consideradas duas exigências associadas à presença de humidade em paredes
exteriores, em relação às quais o desempenho do ETICS é decisivo: resistir à humidade
proveniente do exterior e evitar a ocorrência de condensação superficiais e internas.
As paredes deverão impedir que a humidade do solo, a precipitação e a neve penetrem na
construção e se propaguem a outros elementos construtivos promovendo a sua degradação.
Geralmente a aplicação dos ETICS conduz à redução das condensações superficiais e, em
condições normais de utilização, não ocorrem condensações internas no sistema. Nos casos
em que exista elevada produção de vapor de água no interior de um edifício, deverão ser
tomadas precauções adequadas.
O sistema deverá conservar as suas propriedades após ter sido sujeito aos choques provocados
pela circulação e utilização normal (resultantes de acidentes fortuitos ou causados
deliberadamente). Deverá também permitir o apoio dos equipamentos de manutenção
correntes, sem que isso provoque a sua rotura ou a perfuração do reboco.
São avaliadas as seguintes características do sistema e/ou de alguns dos seus componentes:
absorção de água, permeabilidade à água, resistência aos choques, permeabilidade ao vapor de
água e características térmicas (incluídas no requisito ER6).
6.2.3.2 Ambiente exterior
Os trabalhos de construção não devem ser fonte de poluição para o ambiente (ar, solo, água).
A taxa de libertação de produtos poluentes para o ar exterior, solo e água, dos materiais de
construção utilizados em paredes exteriores deverá respeitar a legislação, regulamentação e
disposições administrativas aplicáveis ao local onde o produto é aplicado.
6.2.4 ER4 – Segurança na utilização
Embora os ETICS não tenham uma função estrutural, a sua resistência mecânica e a sua
estabilidade são alvo de exigências. Os ETICS devem ser estáveis e resistir às combinações
das solicitações resultantes das cargas normais tais como: peso próprio, temperatura,
humidade, retracção, movimentos da estrutura do edifício e acção do vento (sucção).
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6.2.5 ER5 – Protecção contra o ruído
As exigências em matéria de protecção ao ruído não são consideradas, uma vez que elas
deverão ser satisfeitas pela parede no seu todo, incluindo o ETICS, e pelas janelas e outras
aberturas.
6.2.6 ER6 – Economia de energia e retenção de calor
Esta exigência deverá ser respeitada pela parede, no seu conjunto.
Os ETICS melhoram o isolamento térmico e permitem reduzir as necessidades de
aquecimento (no Inverno) e de arrefecimento (no Verão). A resistência térmica dos ETICS
deverá ser avaliada, para que possa ser introduzida no cálculo térmico exigido pela
regulamentação Nacional.
As fixações mecânicas podem causar diferenças localizadas de temperatura. A sua influência
deverá ser desprezável para que a resistência térmica do sistema não seja afectada.
6.2.7 Aspectos relativos à durabilidade e aptidão à utilização
Todos os Requisitos Essenciais mencionados acima deverão ser satisfeitos durante a vida útil
do sistema e para as acções a que estará sujeito. É importante referir que o suporte poderá
influenciar a durabilidade do sistema.
6.2.7.1 Durabilidade do sistema
Os ETICS devem ser estáveis e resistir à temperatura, à humidade e à retracção. Não deverão
ser destruídos ou sofrer deformações irreversíveis devido à temperatura.
Devem ser tomadas medidas para evitar a formação de fissuras tanto ao nível das juntas de
dilatação da estrutura como nas juntas entre diferentes materiais, por exemplo ligação com
janelas.
6.2.7.2 Durabilidade dos componentes
Todos os componentes devem conservar as suas propriedades durante toda a vida útil do
sistema para as condições normais de utilização e de manutenção, para que a qualidade do
sistema se mantenha.
7. SELECÇÃO EXIGENCIAL
7.1 ASPECTOS GERAIS
A selecção do ETICS que melhor se adapta a determinada situação deverá ser feita em função
dos seguintes aspectos:
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
Tipo de suporte;

Zona climática e nível de conforto pretendido;

Exposição da parede de fachada (choques, vento e chuva);

Tipo de acabamento pretendido;

Regulamentação de incêndio.
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Só deverão ser utilizados ETICS que estejam homologados.
7.2 SELECÇÃO DO MODO DE FIXAÇÃO DO SISTEMA EM FUNÇÃO DO TIPO DE
SUPORTE
Em edifícios novos a fixação do sistema deverá ser assegurada por colagem, excepto se existir
incompatibilidade entre a cola e o suporte (por exemplo, presença de um produto de
descofragem que não permita a aderência da cola).
A colagem é preferível porque permite minorar os eventuais movimentos do isolamento
térmico e assim limitar as tensões ao nível das juntas entre as placas.
Quando se utilizam ETICS na reabilitação das fachadas de edifícios a opção entre fixação
mecânica e colagem é mais complexa.
Em suportes pintados ou com revestimentos orgânicos, a utilização de sistemas fixos
mecanicamente permite dispensar a decapagem das fachadas, que por vezes é de difícil
realização.
Pelo contrário, em suportes constituídos por elementos perfurados poderá ser necessária uma
grande densidade de fixações mecânicas, devido aos reduzidos valores de carga admissível
por fixação.
7.3 DETERMINAÇÃO DA ESPESSURA DE ISOLAMENTO TÉRMICO A UTILIZAR
O Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios – RCCTE–
define os valores do coeficiente de transmissão térmica que devem ser tidos em conta na
concepção da envolvente opaca dos edifícios.
Quadro 4 – Resistência térmica dos ETICS (e correspondente espessura de isolamento
térmico) em função do nível de qualidade definido a partir dos valores do RCCTE 2006
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7.4 SELECÇÃO EM FUNÇÃO DA EXPOSIÇÃO DA PAREDE
Os critérios de selecção a seguir apresentados têm como base a classificação reVETIR dos
sistemas de isolamento térmico de fachadas pelo exterior:

Exposição ao vento (V);

Exposição à precipitação (E);

Exposição aos choques e à degradação (T).
7.4.1 Exposição ao vento
A utilização de sistemas colados é condicionada pela exposição ao vento.
Refira-se, no entanto, que a utilização dos sistemas fixos mecanicamente é limitada às
situações previstas no seu documento de homologação (depressão máxima).
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7.4.2 Exposição à precipitação
A selecção do sistema de isolamento (classificado como E1 ou E2 na classificação reVETIR)
deverá ser realizada em função da exposição da parede de suporte e da sua constituição.
7.4.3 Exposição aos choques e à degradação
O documento “Systèmes d'isolation thermique extérieure avec enduit mince sur polystyrène
expansé - Cahier des prescriptions techniques d'emploi et de mise en oeuvre” [7] define o
seguinte critério para a selecção do tipo de armadura a utilizar, em função da exposição aos
choques e à degradação da fachada:

Uma armadura normal – fachadas inacessíveis de pisos elevados ou do r/c (classe T2);

Duas armaduras normais – fachadas acessíveis do r/c mas protegidas e pouco
solicitadas (sobretudo em habitação unifamiliar), varandas e terraços (classe T3);

Uma armadura normal e uma armadura reforçada – fachadas acessíveis desprotegidas
(classe T4). A armadura reforçada deverá ser aplicada até uma altura mínima de 2 m,
relativamente à nível do solo.
Todavia, consideramos não ser recomendável a utilização deste sistema ao nível do r/c em
edifícios de habitação colectiva. Será preferível a utilização de soluções alternativas de
revestimento nas zonas de maior exposição à degradação.
7.5 SELECÇÃO EM FUNÇÃO DO TIPO DE ACABAMENTO
Os documentos de homologação deverão definir, para cada sistema, os tipos de revestimento
final admissíveis.
Os revestimentos plásticos espessos aplicados com rolo, devido à sua textura, são mais
sensíveis à sujidade que outros acabamentos. O alisamento da superfície com uma espátula
permite atenuar o relevo e melhorar o ser comportamento.
Não deverão ser utilizados revestimentos cujo coeficiente de absorção da radiação solar ( s)
seja superior a 0,7, excepto se as fachadas estiverem protegidas quer da radiação directa, quer
indirecta.
Caso existam diferentes cores de revestimento numa fachada, se a diferença dos coeficientes
de absorção entre cores justapostas for superior a 0,2, será necessário criar juntas de
fraccionamento.
7.6 SELECÇÃO EM FUNÇÃO DA REGULAMENTAÇÃO DE INCÊNDIO
As classes de reacção ao fogo máximas admissíveis para os revestimentos exteriores de
paredes de edifícios de habitação são as que se indicam de seguida [10] :
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:

M3 (materiais moderadamente inflamáveis) – nos edifícios de habitação unifamiliar
ou edifícios de habitação colectiva de altura não superior a 9 m9);

M2 (materiais dificilmente inflamáveis) – nos edifícios de habitação de altura não
superior a 28 m;

M1 (materiais não inflamáveis) – nos edifícios de habitação de altura superior a 28 m.
9
Para efeitos de segurança contra incêndios, a altura de um edifício é definida pela diferença entre a cota do
último piso coberto susceptível de ocupação e a cota mais elevada da via de acesso ao edifício, em local de onde
seja possível aos bombeiros lançar eficazmente, para todo o edifício, as operações de salvamento de pessoas e de
combate a incêndio. Se a ocupação do último piso coberto se destinar apenas a operações de manutenção e
reparação, esse piso não entra no cômputo da altura do edifício.
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8. PATOLOGIAS
8.1 ASPECTOS GERAIS
Os ETICS, embora sejam sistemas relativamente recentes, representam uma importante fatia
do mercado de isolamento térmico de fachadas pelo exterior em diversos países. A sua
crescente utilização, sobretudo após os anos 70, foi acompanhada pelo aparecimento de
algumas patologias cujas causas interessa conhecer.
Um estudo realizado em França, permitiu verificar quais as patologias mais frequentes dos
ETICS (Figura 15). Os dados são relativos às anomalias declaradas às companhias de seguros
entre 1979 e 1985.
1
9
2
3
8
7
6 5
4
Figura 15 – Distribuição das patologias associadas ao sistema [16]
Descolagem generalizada e queda do sistema
Descolagem parcial do sistema
Infiltrações através do sistema
Microfissuração
Destacamento e/ou empolamento do reboco e do revestimento final
Bolores e algas
Anomalias associadas ao aspecto do revestimento
Degradação ao nível do r/c
Outras anomalias
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8.2 INFLUÊNCIA DAS CONDIÇÕES DE PREPARAÇÃO, APLICAÇÃO E
SECAGEM DACOLA E DO REBOCO
Alguns dos constituintes dos ETICS são preparados em obra. Por esta razão, as suas
características e o seu comportamento poderão ser afectados pelo modo de preparação e pelas
condições atmosféricas (temperatura, humidade e vento) durante a sua aplicação e secagem.
A alteração das características da cola e do reboco poderá dever-se ao desrespeito das
dosagens indicadas pelo fabricante, à falta de homogeneização das misturas ou à adição de
água quando esta não é necessária.
Quando aplicados com temperaturas muito baixas, a cola e o reboco podem perder a sua
capacidade de aderência e coesão, tornando-se friáveis.
Por outro lado, a aplicação do reboco em períodos de temperatura muito elevada ou de vento
seco, poderá alterar as suas características mecânicas devido à rápida evaporação da água. O
risco aumenta se a espessura de reboco for demasiado reduzida.
8.3 CAUSAS DAS PRINCIPAIS PATOLOGIAS DOS ETICS
8.3.1 Fissuração
A fissuração poderá resultar de erros associados à execução do sistema, nomeadamente:

Instabilidade do sistema devido à má fixação do isolamento térmico ao suporte;

Preparação do reboco e condições atmosféricas (ver § 8.2);

Colocação dos perfis de arranque e laterais (ausência de juntas entre perfis
consecutivos, coincidência entre as juntas dos perfis e das placas de isolamento,
coincidência das juntas das placas de isolamento com as descontinuidades do suporte,
etc.);

Aplicação de reboco entre as placas de isolamento térmico;

Variações na espessura da camada base resultantes, por exemplo, do desnivelamento
entre placas de isolamento e da existência de elementos de fixação mecânica
demasiado cravados;

Espessura da camada de base insuficiente para envolver a armadura;

Mau posicionamento da armadura na espessura da camada de base (aplicada
directamente sobre o isolamento);

Insuficiente sobreposição de armadura nas emendas;

Inexistência de reforços de armaduras no contorno dos vãos;

Ausência de desolidarização na ligação do sistema com elementos construtivos;
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
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Utilização de revestimentos de cores escuras ou grande contraste de cores (choques
térmicos diferenciais).
A utilização de placas de poliestireno expandido de insuficiente estabilidade dimensional
poderá também provocar o aparecimento de fissuras.
8.3.2 Descolagem generalizada e queda do sistema
A descolagem de todo o sistema é geralmente consequência do deficiente diagnóstico ou
preparação do suporte. Este tipo de patologia pode verificar-se quando o sistema é
aplicadosobre suportes:

Que apresentam sujidade, poeiras, óleo de descofragem ou produtos hidrófugos;

Muito molhados ou mesmo com gelo;

Com revestimentos orgânicos, sem que se proceda à sua remoção por decapagem
8.3.3 Descolagem parcial do sistema
A descolagem dos sistemas poderá ser apenas parcial resultando geralmente:

Das condições atmosféricas durante a aplicação. Em períodos muito húmidos ou
quando a temperatura é muito baixa poderá ser necessário um maior intervalo de
secagem da cola;

Da má repartição do produto de colagem e insuficiente compressão das placas contra o
suporte;

De Infiltrações de água entre o isolamento e o suporte devido a insuficiente protecção
do limite superior do sistema (rufos, capeamentos, etc.) e deficiente tratamento dos
pontos singulares.

8.3.4 Destacamento e/ou empolamento do reboco ou do revestimento final
Estas anomalias devem-se às condições de aplicação do reboco ou do revestimento final:

Preparação do reboco e condições atmosféricas (ver § 8.2);

Desrespeito pelos intervalos de secagem;

Ausência de camada de primário entre a camada de base e o revestimento final;

Aplicação do reboco sobre placas de poliestireno degradadas.
Podem também surgir após o aparecimento de fissuras, associadas ou não a infiltrações de
água através do sistema.
8.3.5 Manchas resultantes do desenvolvimento de microorganismos
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Para o desenvolvimento de microorganismos tais como algas, fungos e líquenes, sobre o
revestimento final dos ETICS, é indispensável a presença de água em quantidade suficiente.
A presença de vegetação na proximidade da fachada e a textura do revestimento são também
condicionantes ao aparecimento de algas e bolores. Verifica-se ainda, que os biocidas
incorporados em alguns RPE não garantem uma adequada protecção aos microrganismos.
8.3.6 Outras anomalias do aspecto do revestimento
O aspecto decorativo dos ETICS é assegurado pelo seu revestimento final, geralmente
constituído por um revestimento plástico espesso (RPE). As imperfeições de aspecto do
revestimento, quer resultem de insuficiente planeza da camada de base, quer da forma de
aplicação da camada de acabamento, não afectam a durabilidade e a qualidade do sistema.
As heterogeneidades na cor ou textura ou mesmo descoloração do revestimento numa fachada
e a demarcação das juntas entre as placas de isolamento (Figura 17) poderão dever-se:

Às condições atmosféricas durante a aplicação. Quando o tempo está frio e húmido a
secagem dos revestimentos é lenta e irregular provocando diferenças de coloração.

Se o tempo estiver quente e houver vento seco, a secagem dos revestimentos será
muito rápida podendo provocar irregularidades na superfície;

À inexistência de protecções contra as intempéries. A acção da chuva logo após a
aplicação do revestimento poderá danificá-lo;

À ausência da camada de primário o que poderá, eventualmente, dificultar a aplicação
do RPE;

À aplicação de uma insuficiente quantidade de RPE, que não permita disfarçar as
irregularidades de planeza da camada de base;

À utilização de elementos de fixação provisória ou de perfis sem protecção contra a
corrosão, que conduzem ao aparecimento de manchas de ferrugem;

À utilização de andaimes não estáveis para a aplicação do sistema.
Podem ainda verificar-se manchas provocadas pela poluição atmosférica ou por salpicos (na
base das paredes).
8.3.7 Outras patologias
Em alguns edifícios revestidos com sistemas ETICS, verificam-se outros problemas tais
como:
Degradação do sistema em zonas acessíveis, quer devido a choques fortuitos (por exemplo,
provocados por automóveis), quer a actos de vandalismo;
Humidificação da base de paredes em contacto com o solo, após a aplicação do sistema. Isto
poderá ter origem no aumento da cota de ascensão capilar provocado pela redução da
capacidade de secagem da parede. No entanto, isto só se verifica se a parede de suporte já
estiver sujeita às humidades ascensionais;
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Condensações internas na camada de reboco do sistema devido à colocação de revestimentos
de reduzida permeabilidade ao vapor como revestimento exterior.
9. MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO
9.1 ASPECTOS GERAIS
Como qualquer revestimento de fachada exposto às solicitações climáticas, os sistemas de
isolamento térmico por reboco delgado armado sobre poliestireno expandido precisam de
manutenção.
A manutenção corrente do sistema inclui a remoção de microorganismos e de outras manchas
do revestimento, e a conservação e limpeza dos capeamentos e rufos, rede de drenagem de
águas pluviais e de outros elementos que contribuam para a estanqueidade das fachadas.
Pode ser necessário renovar o revestimento do sistema ao fim de 10 anos. Este período poderá
variar em função da textura e da estrutura do revestimento final, do ambiente e da exposição
da fachada.
Para a reparação de danos pontuais do sistema de isolamento deverão ser seguidas as
indicações do § 9.3.
9.2 MANUTENÇÃO DO SISTEMA
9.2.1 Limpeza por lavagem
Em grande parte dos casos, para eliminar a sujidade originada pela poluição atmosférica ou
por salpicos na base das paredes, bastará uma lavagem com água a baixa pressão utilizando,
ou não, um detergente pouco agressivo, seguida de um abundante enxaguamento.
É, no entanto, importante que esta operação não seja demasiado prolongada para limitar a
quantidade de humidade introduzida no sistema.
9.2.2 Eliminação de microorganismos
Existem numerosos produtos para o tratamento de sistemas que apresentam manchas
provocadas pelo desenvolvimento de microorganismos (algas, fungos, etc.), geralmente
formulados a partir de compostos orgânicos em dispersão aquosa.
São geralmente aplicados com rolo ou trincha para que possam impregnar completamente o
revestimento. As superfícies deverão ser previamente limpas por lavagem para remoção da
sujidade depositada no revestimento. As zonas a tratar deverão ser protegidas da chuva
durante o período necessário para que o biocida elimine os microorganismos, que poderá ser
de vários dias. Para determinados produtos é necessário escovar a superfície no final do
tratamento.
9.2.3 Renovação por pintura
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Para a renovação de sistemas que não estejam degradados, deverá ser utilizada uma pintura ou
revestimento compatível com todos os constituintes do sistema, resistente aos choques
térmicos e aos microorganismos. É também muito importante que a permeabilidade ao vapor
do revestimento não seja reduzida.
9.3 REPARAÇÃO DE DANOS LOCALIZADOS
Como todas as paredes expostas às solicitações exteriores, os ETICS podem sofrer
degradação devido a actos, geralmente, de vandalismo (choques, perfurações, etc.). Estas
anomalias podem afectar a durabilidade do sistema pelo que deverão ser rapidamente
reparados.
Quando a área degradada não ultrapassa os 2 cm2, a reparação consiste em preencher o vazio
com produto idêntico ao utilizado na camada de acabamento
A reparação de superfícies de maior dimensão implica a substituição do sistema na zona
afectada. Deverão ser realizadas as seguintes operações:

Delimitar uma superfície rectangular ou quadrada, que envolva a parte degradada;

Cortar o reboco e o isolamento térmico com disco e remover todas as camadas do
sistema até ao suporte;

Limpar o suporte e eliminar todos os resíduos de cola;

A partir dos cantos da área a tratar, fazer cortes a 45º no reboco da zona envolvente, de
forma a libertar a armadura até uma distância de 10 cm;

Remover o reboco aderente à armadura;

Recortar uma placa de isolamento com dimensão idêntica à da zona a tratar e aplicá- la
com uma cola idêntica à utilizada para fixação do sistema;

Após secagem da cola, preparar um enxerto de armadura cujas dimensões sejam
superiores em 5 cm à área de sistema a refazer;

Aplicar a primeira camada de reboco e colar o enxerto de armadura;

De seguida dobrar a armadura libertada na zona envolvente sobre o enxerto;

Aplicar a segunda camada de reboco de forma a revestir totalmente as armaduras;

Após secagem aplicar o primário e o revestimento final.
A reparação dos sistemas segundo o método atrás descrito permitirá o tratamento eficaz das
anomalias. No entanto, para que não sejam perceptíveis as diferenças de aspecto entre as
superfícies tratadas e as zonas envolventes, deverá ser realizada uma pintura da fachada (total
ou por painéis).
10. POTENCIALIDADES DO SISTEMA E ANÁLISE TÉCNICO-ECONÓMICA
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As pontes térmicas têm uma grande importância não só no desempenho energético do edifício
mas, sobretudo, na durabilidade dos elementos de construção. Se as pontes térmicas não
forem tratadas poderão conduzir ao aparecimento de condensações superficiais, mas a sua
correcção inadequada poderá gerar instabilidade nas alvenarias com consequente fissuração (o
que se observa frequentemente nas novas fachadas de alvenaria dupla).
O Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios – RCCTE
utiliza o factor de concentração das perdas térmicas– fc, para traduzir a heterogeneidade ou
descontinuidade do isolamento térmico das fachadas. O valor de referência de fc proposto é de
1,3. Será bom referir que utilizando a construção tradicional, com paredes duplas e estrutura
de betão porticada, muito dificilmente se satisfaz este requisito. Pelo contrário, a utilização de
isolamento pelo exterior permite obter um fc próximo de 1, ou seja, praticamente não existe
heterogeneidade do ponto de vista do isolamento térmico.
Como já foi referido, os sistemas de isolamento de fachadas pelo exterior permitem um
aumento da área útil interior, devido à redução da espessura das paredes. Enquanto que uma
parede dupla correctamente executada exige uma espessura da ordem de 0,40 m, as fachadas
isoladas pelo exterior poderão ser realizadas em parede simples com 0,20 a 0,25 m de
espessura. O suporte do sistema poderá ser constituído, por exemplo, por uma parede de betão
com cerca de 0,20 m de espessura, em alvenaria de tijolo de 0,22 m ou de bloco de betão 0,25
m.
Refira-se que, para uma habitação cujo desenvolvimento das paredes exteriores seja da ordem
dos 20 m, obtém-se um aumento da área útil interior da ordem de 2 m2, quando se opta pelo
isolamento exterior em detrimento de uma parede dupla tradicional.
O isolamento térmico contribui ainda para o aumento da durabilidade das paredes de fachada,
por exemplo, protegendo o suporte de variações de temperatura excessivas. Uma parede com
isolamento pelo interior ou na caixa-de-ar pode facilmente apresentar temperaturas que
variam entre os 5 ºC e 50 ºC (Inverno – Verão). Uma parede idêntica mas isolada pelo
exterior não terá flutuações de temperatura superiores a 10ºC, isto é, entre 15º e 25ºC.
Em diversos países, como por exemplo nos Estados Unidos da América, existe um crescente
interesse nos sistemas de reboco delgado armado sobre poliestireno expandido.
De acordo com dados de 1994, os ETICS constituíam a técnica mais utilizada em França para
isolamentos
Nos Estados Unidos da América os ETICS são utilizados, sobretudo, para isolamento de
novos edifícios, enquanto que na Europa se destinam em grande parte a intervenções de
reabilitação.
Em Portugal a reabilitação representa menos de 10% do sector da construção (Figura 16) mas
estima-se que possa crescer rapidamente nos próximos anos. Esta evolução conduzirá
obrigatoriamente a um acréscimo significativo na aplicação de ETICS, nomeadamente,
devido ao menor custo do sistema em relação a outros tipos de isolamento térmico pelo
exterior.
Consideramos que os ETICS serão muito vantajosos na reabilitação de fachadas não
acessíveis de edifícios de habitação, ou seja, excluindo-se o piso térreo. Como o R/C dos
edifícios de habitação é muitas vezes ocupado por estabelecimentos comerciais ou por
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serviços, e a envolvente vertical apresenta, por isso, grandes áreas envidraçadas, o isolamento
das zonas opacas poderá não ser preponderante.
Os sistemas de reboco delgado sobre poliestireno expandido permitem isolar termicamente os
pisos elevados e também a face inferior dos corpos em balanço (muito frequentes na nossa
construção), reduzindo significativamente as perdas térmicas pela envolvente.
Figura -20 Distribuição do investimento na construção em vários países europeus em 1995 [8]
11. CONCLUSÕES
As principais conclusões do presente estudo são as seguintes:
O isolamento térmico dos edifícios é fundamental para minimizar as trocas de calor com o
exterior, reduzir as necessidades de aquecimento/arrefecimento e o risco de condensações;
O isolamento térmico de fachadas pelo exterior apresenta diversas vantagens em relação às
soluções de isolamento pelo interior dos edifícios ou de colocação de materiais de isolamento
no interior dos elementos construtivos, tais como: redução das pontes térmicas, aumento da
inércia térmica interior dos edifícios, aumento da área útil e protecção das paredes da
envolvente;
Os sistemas de reboco delgado armado sobre isolamento térmico (ETICS) mais comuns
apresentam a seguinte constituição: placas de poliestireno expandido coladas ao suporte,
reboco delgado que incorpora uma ou várias redes de fibra de vidro e revestimento final
(RPE);
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É fundamental a pormenorização construtiva de todos os pontos singulares, como por
exemplo, o limite inferior do sistema, ligação com o contorno da cobertura e vãos
envidraçados, tratamento das juntas de dilatação, etc.;
Os ETICS deverão ser homologados;
Na selecção do sistema a utilizar é necessário atender ao tipo de suporte, zona climática e
nível de conforto térmico pretendido, exposição da fachada, tipo de acabamento e
condicionamento regulamentares relativos ao risco de incêndio;
A futura regulamentação relativa ao comportamento térmico dos edifícios exigirá maiores
espessuras de isolamento;
Existem diversas patologias associadas aos ETICS cujas causas interessa conhecer;
Como qualquer revestimento de fachada, os sistemas de reboco delgado armado sobre
poliestireno deverão ser alvo de manutenção;
Os ETICS constituem uma técnica de grande interesse para a reabilitação de fachadas.
Santa Comba Dão, Fevereiro de 2009
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Avis Technique. Cahier du CSTB 1833. CSTB. 1983.
[5] CENTRE SCIENTIFIQUE ET TECHNIQUE DU BATIMENT (CSTB) – Isolation
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[11] Directiva 89/106/CEE do Conselho de 21 de Dezembro de 1988 relativa à aproximação
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Impacto do ETICS no CCT