A VIAGEM DA CULPA Hal Lindsey Editora Mundo Cristão 1 A VIAGEM DA CULPA “Eu, eu mesmo sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro.” O SENHOR, em Isaías 43:25 Se você fosse o comandante de um exército invasor, você procuraria o ponto mais fraco nas defesas de seu adversário para entrar e matar. Satanás, o arquiinimigo dos santos, tem um modo de apagar os cristãos – vezes sem conta. Ele ataca no ponto fraco e os leva na direção que ele quer. Quando uma pessoa se torna verdadeiro crente em Cristo, ela nasceu na família de Cristo e morreu para a família de Satanás. Satanás faz tudo o que pode para conservar-nos cegos à oferta de perdão em Cristo, porém milhões têm-se livrado de seus grilhões e passado da morte para a vida. Isto tem deixado Satanás totalmente furioso, e cada vez que alguém responde ao Evangelho, é um tapa no rosto de Satanás. C.S.Lewis, em seu divertido livro “As Cartas do Coisa-Ruim”, satiriza a rotina diária no inferno e as fraquezas e dores de cabeça de demônios diligentes que apenas tentam apresentar um dia de trabalho honesto arruinando os cristãos. Uma das táticas mais eficazes que os demônios empregavam para neutralizar seus inimigos(os cristãos) era conseguir que eles dessem importância demais a seus fracassos. Uma vez que eles começassem a sentir-se culpados por seu desempenho na vida cristã, já não constituíam mais qualquer ameaça para o programa de Satanás. As coisas não mudaram muito nas táticas de Satanás. Por que deveriam mudar? Ele se fez vencedor. Nada há que mais agrade Satanás do que fazer que um crente inicie a viagem da culpa. 2 Quando volto os olhos para trás em minha própria vida, reconheço que a culpa é um cabo que o diabo tenta constantemente agarrar para dirigir-me. Uma ilustração clássica que me vem à memória aconteceu-me no meu terceiro ano de seminário. Eu tinha um colega que era meu amigo muito íntimo. Havíamos passado juntos três anos de grandes momentos. Certa ocasião pedi-lhe que me emprestasse algum dinheiro. Eu lhe disse que em duas semanas estaria em condições de pagar o empréstimo. Passada uma semana, comecei a preocupar-me um pouco sobre como conseguir o dinheiro para pagar-lhe. Mas eu tinha outra semana para mexer-me, de modo que não me preocupei muito. Passou-se a segunda semana, e eu simplesmente não consegui arrumar o dinheiro em parte alguma. Sentia-me um tanto constrangido perto de meu amigo, mas não levantei o assunto porque esperava que ele tivesse esquecido qual era a data. À medida que os dias passavam, parecia que ele me olhava com uma expressão acusadora cada vez que o via, e eu fazia o melhor que podia para não encontrá-lo. Depois que o último prazo já estava com duas semanas de atraso, comecei a planejar meu dia de modo que eu não tivesse de encontrá-lo inesperadamente. Era horroroso. Eu achava terrível ter perdido um amigo tão bom, mas por outro lado não podia entender por que ele não se mostrava mais compreensivo com meu problema. Lembre-se disto: não trocamos uma palavra sequer com relação ao dinheiro, mas eu me sentia tão culpado que estava certo de que ele me havia riscado como amigo. Finalmente um dia, para meu horror, eu vi que ele vinha em minha direção. Não havia onde esconder-me! Ele me levou a um canto e disse: “Muito bem, Hal; que é que há com você?” “Bem, é a respeito daquele dinheiro que lhe devo”, respondi em tom defensivo. Ele riu e colocou sua enorme mão sobre meu ombro e disse: “ Irmão, eu achei que era isso. Olhe, Hal, eu não mudei. Não me sinto em nada diferente para com você do que sentia há poucas semanas. Se você tivesse o dinheiro, sei que já teria efetuado o pagamento. Mas o dinheiro não significa tanto assim para mim. Sua amizade significa um bocado mais para mim, e ainda sou seu amigo do peito.” 3 Durante três semanas andei de um lado para outro pensando que ele me estava condenando. Mas isso não era absolutamente verdadeiro – ele ainda era meu melhor amigo. Isso me ensinou uma lição inesquecível. Se pensamos que alguém tem algo contra nós, tornamo-nos alienados e hostis para com esse alguém. É simplesmente uma reação inevitável, um mecanismo de defesa. Creio que esse é o motivo número um por que os cristãos falham em seu relacionamento com Deus. Porque estamos sempre cônscios de que em muitos pontos deixamos de atingir o que deveríamos ser como cristãos, é muito natural supor que Deus deve estar descontente com nosso desempenho. Quanto mais desapontamos a Deus, tanto mais supomos que Ele esteja irado, até que em nossas mentes se manifeste tal alienação que praticamente nos é impossível desfrutar uma comunhão vital com Deus. E a dolorosa tragédia é que tudo isto está apenas em nossas mentes. Deus não está furioso conosco! Sei o que alguns dos leitores estão pensando. Dificilmente podem crer que o que eu digo é verdadeiro. Ao nível humano, se desapontamos ou ofendemos as pessoas, essa atitude produz alienação da parte delas. E além disso, se você se viu crivado de culpa, então você tem uma suspeita atormentadora de que realmente você merece a inimizade de Deus. Quero dizer algo em alto e bom som, em termos que não deixem dúvida: “Agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele, santos, inculpáveis e irrepreensíveis” (Colossenses 1:22) Quando você se torna “santo, inculpável e irrepreensível”? No minuto em que Ele o reconcilia com o Pai, e isso acontece no momento em que você crê na morte vicária de Cristo a seu favor. Deixemos que a Escritura sustente essa afirmativa. Há diversas palavras no original grego do Novo Testamento que significam reconciliação. Uma delas está em Mateus 5:24: “diallasso”, que significa que duas partes estão em inimizade entre si e precisam ser reconciliadas pela remoção da causa da inimizade. Essa palavra é 4 empregada estritamente nos relacionamentos humanos que encontramos na Bíblia. Há, contudo, outra palavra sempre usada na relação entre Deus e o homem: “apokatalasso”, significando que somente uma das partes tem inimizade em seu coração e precisa ter removidas as barreiras separadoras da comunhão, enquanto a outra parte não tem inimizade. Veja, Deus não tem inimizade conosco. Ele sempre amou o homem. É por isso que Ele se fez homem, de sorte que, como nosso substituto, Ele pudesse suportar o juízo que nos cabia e, em assim fazendo, remover toda barreira que nosso pecado erigiu entre Ele e nós. Deus nunca teve necessidade de ser reconciliado; só o homem é que tem tal necessidade. Como diz a Escritura: “... Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões...”, pois “ Àquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:19,21). Não parece uma troca equilibrada; Ele fica com nosso pecado e nós ficamos com Sua justiça. Mas aí você tem o fato. O plano incomparável de Deus era reconciliar o homem, trazendo-o de volta à comunhão com Ele. Por isso é que Deus pode, na realidade, dizer a todos que recebem a Cristo: “Agora sois santos e inculpáveis perante Mim” (Colossenses 1:22; Efésios 1:4). Pode você pensar em outro ser humano, inclusive você mesmo, que o considera totalmente santo e inculpável? Eu não posso! Entretanto, aos olhos de Deus já somos perfeitos; não seremos, mas somos! Este não é um status concedido numa base provisória enquanto tentamos tornar-nos dignos dele como cristãos. Uma vez que Deus nos coloca em união com Seu Filho, revestimo-nos de Sua justiça e Deus nos vê como santos e inculpáveis porque é desse modo que Ele vê Jesus. Experimentalmente podemos ser muito imperfeitos, mas nossa aceitação aos olhos de Deus nunca se baseia em como nos desempenhamos, e sim no fato de que estamos em Cristo e Deus O aceita perfeitamente. Conhecer esses fatos libertadores e tê-los na conta de verdadeiros numa base de momento a momento é mais importante fator 5 para viver uma vida agradável a Deus.Você não pode deixar de responder com amor e obediência a alguém que o ama e aceita. Pois bem, Satanás dedica-se a impedir os cristãos de descobrir o que acabamos de dizer-lhe, e ele tem feito um trabalho muito bom no mundo cristão hodierno. Ele permite que os cristãos provem um pouquinho da vida vitoriosa e depois os ataca com sua artilharia pesada. Ele conseguirá que os homens falhem com Deus e tenham os olhos postos em si mesmo. Depois de uma série de fracassos, Satanás os introduz num padrão ao qual tenho chamado de “ a síndrome do pecado”. A SÍNDROME DO PECADO Primeiro, pecamos conscientemente. O resultado inevitável, se não relacionamos o pecado com a cruz, é que desenvolvemos a culpa. E a culpa sempre leva à alienação. Aí está a síndrome: pecado, culpa, alienação. Ninguém pode viver com a culpa. Então o homem tenta lidar com a culpa por uma de duas formas – ambas erradas. Se ele é o tipo que não tem uma consciência especialmente sensível, ele tenta justificar-se. Ele apresenta escusas e oferece motivos válidos por que ele fez algo: “ Foi apenas uma pequena mentira, e era mais fácil com relação aos que estamos envolvidos.” “ Afinal de contas, o governo gasta o dinheiro do meu imposto em coisas com as quais não concordo de maneira alguma.” “ Mas realmente nos amamos, e todo mundo faz isso.” Quando justificamos nossas ações, o resultado será um sentimento de perda de comunhão com Deus, porque lá bem no íntimo sabemos que não temos sido honestos com nós mesmos ou com Deus. Sentimos que temos ofendido a Deus por nossos desvios. E quando sentimos que Deus foi ofendido, então nos sentiremos também alienados de Deus. Lembremo-nos que Deus não está encolerizado, mas nós pensamos que está. 6 Outro modo pelo qual o homem lida com a culpa, e é igualmente errado, é condenar-se. Ele peca repetidamente na mesma área, a culpa se manifesta, e então ele começa a viagem de autocondenação. Satanás gosta de pôr as mãos num desses cristãos “sensíveis”. Sem a menor dificuldade, ele consegue que eles se sintam como vermes inúteis diante de Deus. Ele os convencerá de que possivelmente não poderiam esperar que Deus os ouvisse quando oram, e certamente Ele não lhes responderia às orações mesmo que as ouvisse. Ele consegue que os olhos deles se concentrem de tal modo em suas vidas cristãs miseráveis, que eles ficam certos de que Deus possivelmente não as usaria. Satanás simplesmente senta-se atrás e relaxa-se quando ele nos vê a caminho da autocondenação. Estamos fora de combate no que concerne a ele. A esta altura você pode perguntar se há qualquer tipo de culpa de boa fé na vida de um crente em Cristo. Há o que eu chamo de culpa “legal”. Esta é a maldição de todo homem quando ele entra no mundo. É a culpabilidade herdada pelo pecado, e foi esta que Cristo removeu como barreira entre Deus e o homem quando Ele foi à cruz por nós. Tenho muito a dizer sobre isto um pouco mais adiante. Depois, temos a “emoção” da culpa. Isto é o que Satanás se delicia em amontoar sobre os crentes que acham ter falhado com Deus. Este tipo de culpa é instrumento de Satanás e não tem lugar na vida de um filho de Deus. Finalmente, há o ministério condenador do Espírito Santo descrito pelo Apóstolo Paulo em 2 Coríntios 7:8-9 como “tristeza” que leva ao arrependimento. Se a “tristeza piedosa” causada pela condenação do Espírito Santo não leva ao arrependimento, ou a uma reviravolta, então ela bem pode entrar no segundo tipo de culpa, a emoção da culpa, que é mortal ao andar do cristão com Deus. Há necessidade de confessar a Deus quando somos culpados de pecar, e livremente podemos fazê-lo se temos certeza de que Deus continuará a amar-nos e aceitar-nos. Quando continuamos a sentir-nos imperdoados depois de havermos reconhecido ou confessado nosso pecado, é sinal de que desviamos nosso foco do perdão de Deus para 7 nós mesmos. Então estamos dizendo que nossas fraquezas pecaminosas são mais poderosas do que o poder perdoador de Deus. Ou Ele não é suficientemente grande para nos perdoar ou Ele não quer perdoar-nos. Em qualquer dos casos, quando há culpa não resolvida na vida de uma pessoa, ela se sentirá alienada de Deus. Não confiará que Deus opere em sua vida mediante o Espírito Santo e a livre das tentações da carne e das astúcias de Satanás. Ela simplesmente não quer ir a Deus em busca de ajuda se acredita que Ele está irado com ela. Um cristão apanhado no estado mental de culpa procura fazer coisas para Deus na energia da carne a fim de apaziguá-lO por seu senso de culpa. Isto resulta em mais frustrações porque, como diz a Bíblia: “...o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Romanos 8:7). O rei Davi, de Israel, certamente entendia essa progressão. Ele conhecia um bocado sobre pescar e suas repercussões. Não somente ele era culpado de adultério com Bate-Seba, a esposa de outro homem, porém mais tarde ele tramou a morte do marido dela para encobrir seu pecado. Em sua vida posterior, Davi escreveu o Salmo 130, o qual nos mostra que ele havia aprendido de suas escabrosas experiências. Preste atenção a isto, particularmente: “Se observares, SENHOR, iniqüidades, quem, SENHOR, subsistirá? Contigo, porém, está o perdão, para que te temam”(Salmo 130:3-4). No original hebraico a palavra “observares” significava conservar uma conta discriminada de algo, item por item. Davi está dizendo aqui: “Senhor, se Tu fosses um guarda-livros celestial que mantivesse uma conta pormenorizada de meus pecados, eu estaria em grande dificuldade!” Que é que Davi aprendeu do tratamento de Deus com ele? Ele aprendeu que com “(Deus) está o perdão para que (Ele) seja temido”. A palavra “temer” no hebraico significa ser capaz de confiar reverentemente em alguém. Aqui Davi colocou o dedo numa verdade fantástica, uma das coisas mais importantes que já pudemos saber acerca de Deus. Se pensarmos que Deus está mantendo uma conta detalhada de nossos pecados e mantendo-os contra nós, realmente não podemos confiar 8 nEle; é impossível depositar nEle uma fé ousada, dinâmica. Por quê? Porque você só pode confiar em alguém em que você crê que realmente ama e aceita você completamente, a despeito de todas as suas faltas. Aprender o que Cristo realizou na cruz é a mais importante verdade que você pode assimilar em toda sua vida. Ela deveria saturar sua mente todos os dias. Contar como verdadeiro o absoluto perdão que Cristo conseguiu na cruz é o fundamento de uma fé plena de poder. Você não pode realmente responder a Deus em fé a menos que saiba que Ele o aceitou assim como você é, à menos que saiba o que significa ser aceito no Amado (Efésios 1:6). O Amado é o título do querido filho de Deus, Jesus. Deus nos vê a todos envolvidos em Jesus. A aceitação que Deus tem por Jesus, o Filho de Seu amor, o Amado, é aceitação que Ele continua tendo por nós. Falhar em ser aceito completamente por Deus, mesmo por um segundo, significaria que de certo modo nos apartamos de Cristo, e isso simplesmente não é possível. Ele não nos largaria! Não é essa uma grande notícia? SATANÁS NOS CEGA PARA A CRUZ Satanás gostaria de cegar-nos para toda esta maravilhosa verdade. Na realidade, ele continua tentando cegar-nos todos os dias. Pode ser que nem mesmo o reconheçamos, mas o motivo número um por que o poder de Deus sofre curto-circuito em nossas vidas é que realmente nunca aprendemos o que significa a cruz de Cristo numa base cotidiana. A cruz é a base contínua de Deus aceitar-nos e perdoar-nos. Todos nós temos tido experiências que consideramos maravilhosas – ocasiões quando experimentamos a operação do Espírito Santo em nossas vidas de uma maneira nova. Por um momento tudo é grandioso e então, sem mesmo sabermos por que, as coisas começam a arrastar-se. A frouxidão espiritual começa a enfraquecer-nos, e queremos saber o que estava errado. Já desci por esta estrada dolorosa, e cada vez que isso aconteceu, descobri o verdadeiro problema: Eu havia iniciado uma “viagem da culpa”. Para desapontamento de Deus, deixei de crer que do Seu ponto 9 de vista já estou perdoado; eu tinha apenas de reivindicar um perdão que já é um fato, e não mendigar de Deus como se o perdão fosse algo duvidoso. O ADVOGADO DE DEFESA DO CRENTE É desejo do Senhor que Seus filhos vivam piedosamente e não no pecado, mas nosso Pai onisciente, conhecendo nossa natureza, fez provisão para Seus filhos que erram. O Apóstolo João,ao escrever aos novos crentes de seu tempo, disse: “Filhinhos meus, estas cousas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 João 2:12). Um advogado significa um advogado de defesa. Por que precisaríamos de um advogado de defesa na presença de Deus, nosso Pai? A maior parte das pessoas pensa que Jesus nos defende contra o Pai, de sorte que Ele não nos julgará. É verdadeiro isso? Absolutamente não. Tendo em vista o que Jesus realizou na cruz, nunca mais o Pai nos condenará. A palavra “propiciação” significa não admitir a ira merecida porque a justiça foi satisfeita. O que Cristo realizou na cruz foi suportar a ira de um Deus santo composta de todos os pecados que seriam cometidos por todos os homens que viessem a viver. A grande palavra teológica “propiciação” significa simplesmente: “Deus não está mais irado comigo”. Enquanto Jesus pendia na cruz, Deus derramou sobre Ele toda a ira que Ele teria contra nossos pecados. Agora Ele está livre, numa base perfeitamente justa, para continuar lidando conosco em amor, mesmo quando Ele nos disciplina. DEUS NÃO TIRA DESFORRA Está você pronto para aceitar isto? Deus não castiga. Castigo significa “desforra”, e Deus não faz isso. Ele já “acertou as contas” com Jesus com relação a todos os nossos 10 pecados. Deus “disciplina” Seus filhos, mas sempre em amor, nunca em ira. As palavras “disciplina” e “treinamento” são intercambiáveis. O disciplinamento de Deus sempre tem a vista voltada para o treinamento(Hebreus 12:5-13). Quando Deus vê um filho Seu que continuamente se recusa a depender do Espírito Santo para livrá-lo de suas tentações, então profundamente preocupado pelo bem-estar e felicidade desse filho, Deus começará a treiná-lo de maneira que ele venha a depender dEle no futuro. Deus sabe que somente seremos felizes quando estivermos vivendo vidas santas. Isto é disciplina verdadeira e não tem semelhança com castigo. Às vezes esta disciplina pode parecer dolorosa, mas se aprendermos a ver tudo o que surge em nosso caminho como sendo permitido pela mão amorosa de nosso Pai Celestial, então podemos dar graças, inclusive pela disciplina. Infelizmente, neste ponto Satanás tem tirado sua vantagem de muitos crentes. Eles vivem em constante temor de castigo por seus pecados. A maior parte de nós tem uns poucos pecados especialmente graves, que cometemos no passado e que nos assustam como o proverbial esqueleto no cubículo. Sempre que alguma dificuldade ou calamidade atinge nossas vidas, mostramos o esqueleto e dizemos: “Oh, sim, Deus está tirando desforra de mim por causa ‘daquele pecado’”. Alguns vivem com o inquietante temor de que o raio vai atingílos ou Deus vai matar um de Seus filhos para desforra por algum pecado que cometeram há muito tempo ou pecado em que se acham envolvidos no momento. Deus não nos trata desse modo. Sem dúvida, as adversidades são permitidas na vida do crente, porém elas se destinam a ensinar-nos a confiar em Deus, e não destruir-nos com vingança. MAS O QUE ENTENDER DE... Pois bem, alguns de vocês podem estar dizendo: “ Tudo certinho, Hal; se Deus nunca nos castiga por nossos pecados, como 11 entendemos Gálatas 6:7 que diz: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará?” É incrível como este versículo é arrancado do contexto por tantos cristãos. O versículo anterior a este diz: “Mas aquele que está sendo instruído na palavra faça participante de todas as cousas boas aquele que o instrui” (Gálatas 6:6). Este contexto fala sobre sustentar financeiramente aquele que se entrega a estudar e ensinar a Bíblia. Esta mesma idéia de semear dinheiro para a obra de Deus está contida em 2 Coríntios 9:6: “E isto afirmo: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará”. Este conceito de que “aquilo que o homem semear, isso também ceifará” relaciona-se com investir nosso dinheiro na obra de Deus e a recompensa ou falta de recompensa por nossa mordomia. Aplicar esta passagem ao método de disciplina de Deus é contradizer todo o princípio de graça com o qual Deus agora lida com Seus filhos. SATANÁS, O VELHO AMBULANTE DA CULPA Se você ainda se sente culpado depois de confessar seu pecado e lembrou-se de que está perdoado, adivinhe quem está lançando a culpa sobre você. É o velho ambulante da culpa, ele mesmo, Satanás. Satanás não deseja que você se lembre de que Deus acabou com seu pecado na cruz. É por isso que você precisa de um advogado de defesa diante do Pai. O nome Satanás significa “ o Acusador”. Cristo não tem de defender você contra o Pai; Ele o defende contra Satanás, perante o Pai. Aqui está uma cena que provavelmente ocorreu no céu, na presença de Deus, hoje. Podemos agradecer a Jó por este pedaço de conhecimento da tática de Satanás. Satanás foi para lá hoje com uma pasta de documentos sobre cada um dos filhos de Deus. Ele levou um dossiê sobre João e Pedro e Luiz e Karina, e especialmente um grande arquivo sobre Hal. Ele acusa e aponta: “Ah, ah! Temos aí o Hal. Ele é um de Seus filhos, não é? Viu o que ele acaba de fazer?” 12 Satanás começa a acusar. Então Jesus Se aproxima e diz: “Pai, o Hal creu em Mim em 1956. O perdão que eu adquiri na cruz foi então aplicado a ele. Esta é a nossa única justificativa”. E o Pai diz: “ Acusação rejeitada! Caso encerrando!” Deus não permitirá que ninguém discipline Seus filhos senão Ele mesmo. Ele o fará em amor porque Ele é livre para lidar conosco em graça. Deus, à base de Seu Espírito que reside em nós, em que Ele confia e instalou na vida de cada crente, está nos conformando diariamente à imagem de Jesus. RETRATOS DO ANTIGO TESTAMENTO Há no Antigo Testamento um retrato maravilhoso da obra intercessória de Cristo a favor dos crentes. Ele traz nossos nomes em Seu coração e continuamente nos representa perante o Pai. Aprendemos isto no Antigo Testamento da prática do sumo sacerdote. Ele entrava no Tabernáculo diante da Presença do Senhor, diante da Arca, como era chamada, e queimava incenso, que era representativo da oração. Preso sobre seu coração estava um paramento especial com pedras preciosas, e sobre cada pedra estavam os nomes dos filhos de Israel. Deus disse: “Assim Arão levará os nomes dos filhos de Israel...sobre o seu coração, quando entrar no santuário, para memória diante do Senhor continuamente” (Êxodo 28:29). Este é um belo quadro de como Jesus Cristo está continuamente diante do tronco de Deus com seu nome sobre Seu coração. É por isso que em Hebreus 7:24-25 temos estas palavras encorajadoras: “este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. Por isso também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo para interceder por eles”. De acordo com esta extraordinária promessa de segurança, uma vez que cremos em Cristo como Salvador, é impossível perder-se de novo ou ficar imperdoado. Para um filho de Deus perder-se seria 13 preciso que Cristo deixasse de interceder por ele. A promessa é que Ele “pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus”. Jesus mesmo prometeu: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hebreus 13:5). Graças a Deus que Ele “vive sempre para interceder por nós”, e por causa disso podemos “achegarnos confiadamente junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hebreus 4:16). SATANÁS: ACUSADOR PERANTE DEUS E A CONSCIÊNCIA Depois que Satanás nos acusa perante Deus e não faz qualquer progresso ali, ele começa a acusar nossas consciências. Ele nos coloca como que numa roda-viva: pecar, fazer voto de que não repetiremos, tentar não pecar, e então pecar novamente. Eis como ele trabalha: Primeiro, ele começa trabalhando numa área de fraqueza. Todo cristão tem , pelo menos, uma área onde ele é especialmente vulnerável: Ainda temos em nós a velha natureza de pecado que pode tentar-nos, e quando não nos colocamos na dependência do Espírito Santo que habita em nós, para vencer as tentações, nós pecamos. Procurando ser bom cristão, podíamos dizer: “Deus, sei que ando errado; graças Te dou por me perdoares”. Nossa carga é removida e tudo anda bem por algum tempo. Então Satanás nos faz cair de novo na mesma área. Odiamo-nos por sermos cristãos assim tão horrorosos, mas aceitamos Seu perdão e continuamos a vida – apenas estamos nos sentindo um pouco culpados por termos tão pouca força de vontade de viver para Deus. Não demora muito tempo e Satanás nos faz pecar novamente na mesma área, e desta vez nos sentimos tão indignos que prometemos: “ Ó Deus, se me perdoares apenas mais esta vez, prometo que não farei isto novamente”. Em face desta notícia, Satanás e suas hordas de demônios soltaram um estrondoso viva de vitória. Ele nos tem exatamente onde ele nos quer – na roda-viva do pecado. 14 Esforçamo-nos o mais que podemos para agradar a Deus, só que o fazemos no poder da carne. Quanto mais nos esforçamos, tanto mais falhamos. Quanto mais falhamos, tanto mais fazemos votos de não incidir no mesmo erro. Então Satanás entra e diz acusadoramente: “Péssimo! Deus não vai perdoar você desta vez. Você está perdido. Não há mais graça para você.” Ou, se ele vê que somos sabidos demais para cairmos por essa extrema linha de raciocínio, ele dirá: “Deus pode perdoar você, mas Ele não pode esquecer-Se de que você não merece confiança. Deus nunca poderá usá-lo tão plenamente como antes.” É aquela velha rotina de que “pássaro com asa quebrada nunca voará tão alto novamente.” Pum! Você está liquidado! Você se esqueceu de que o problema não é se Deus vai perdoar você, mas se você vai crer que Ele já o perdoou e vai confiar nEle para obter a força interior para voltar-se do pecado. Não estou tentando ensinar que podemos ir e pecar e não ter a consciência pesada a respeito, portanto não fique preocupado quanto a isto. O Espírito Santo com toda fidelidade convencerá o crente do pecado, não de modo que ele confesse a fim de ser perdoado, mas de modo que possa reivindicar o perdão e crer nEle novamente. Deus não quer que permaneçamos em nossos pecados, e sim, em nosso perdão. Se o seu foco está continuamente concentrado em você mesmo, então você não pode estar “olhando firmemente (sem distrair o olhar) para Jesus” (Hebreus 12:2). Quando finalmente você entender o que Jesus Cristo realizou na cruz, você vai reconhecer que Deus nunca cessa de perdoá-lo, ainda quando você está no processo de pecar, embora você mesmo não possa apreciar o consolo do perdão enquanto está pecando. Quando Cristo morreu na cruz, quantos de seus pecados eram futuros? Todos eles. Eu pensava que quando aceitei a Cristo, isso significava que Cristo havia morrido por meus pecados até esse ponto, mas desse ponto em diante eu tinha de confessá-los à medida que os cometia ou então, eu não era perdoado. É perigoso estar nessa posição, porque você está 15 bem certo de haver confessado todos os pecados e bem podia haver um ou dois que Deus está retendo contra você. Um dia reconheci que aquele todos em Colossenses 2:13 significava: “ E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões, e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos.” Estávamos mortos antes de aceitarmos Jesus, mortos espiritualmente, incapazes de conhecer a Deus como uma realidade viva, como uma Pessoa. Então a Bíblia diz: “...vos deu vida juntamente com ele”. Isto é falar a respeito do novo nascimento, a experiência de receber vida espiritual no momento em que você crê em Cristo. Por que isto é possível? “Perdoando todos os nossos delitos.” O verbo traduzido “perdoando” significa algo que acontece num ponto do tempo que não tem de repetir-se. Um ato final. Na mente de Deus, que quantidade significa aquele todos? Quantos de nossos pecados Deus viu quando Ele os julgou em Jesus na cruz? A resposta é todos! DEUS VÊ TODO O DESFILE DA VIDA Deus está olhando para nossas vidas como um piloto de helicóptero vê lá embaixo um desfile. Se estamos numa esquina observando uma parada, vemos o seu começo, cada segmento que passa por ali, e depois vemos o seu fim. Vemos consecutivamente. Mas Deus, como o piloto, vê o desfile todo de uma só vez. É assim que Deus vê a sua vida: seu passado, presente e futuro estão todos no agora com Ele. Quando você deposita fé em Jesus como seu Salvador, Deus já viu (lá no A.D.33) sua vida passar como num desfile. Ele tomou toda a sua vida e o pecado e a culpa da vida, e colocou tudo sobre Jesus Cristo. Assim, quando você crê em Cristo como Salvador, quantos pecados Deus já lhe perdoou? Não apenas aqueles que você cometeu até esse ponto, mas os pecados de toda a sua vida. Ele não poderia, de maneira alguma, aceitá-lo num relacionamento com Ele a menos que Ele pudesse perdoar você inteiramente. 16 Isto não significa que Deus tolera o pecado na vida de um crente – longe disso. Significa que Ele é livre e está pronto a operar em nós no momento em que vemos que pecamos e o confessamos e aceitamos Seu perdão. Lemos em 1 João 1:9: “Se continuarmos confessando nossos pecados, Ele é fiel e justo, para ter-nos perdoado nossos pecados e ternos purificado de toda injustiça” (tradução literal dos tempos do verbo grego). A Bíblia nunca diz a um crente, depois da cruz, que peça perdão. Já é um fato assentado com Deus, e Ele simplesmente quer que reivindiquemos o que já é verdadeiro. Em 1 João 1:9, a palavra “confessar” significa estar de acordo com alguém a respeito de alguma coisa; neste caso, estar de acordo com Deus a respeito de nossos pecados. Mas não posso estar de acordo com Deus a respeito de Sua atitude para com os meus pecados até que eu veja claramente qual é Sua atitude. CONCORDE COM DEUS Antes de mais nada, Deus quer que vejamos nosso pecado como Ele o vê – é pecado. Mas Ele não quer que paremos aí. Se realmente concordamos com Deus a respeito de nosso pecado, então nós também temos de vê-lo como já perdoado. É desse modo que Deus o vê. Finalmente, Ele quer que nos voltemos do pecado e comecemos a confiar nEle para capacitar-nos a alcançar a vitória sobre o pecado no futuro. Se não julgamos nosso pecado deste modo, aceitando Seu perdão e voltando-nos do pecado em Seu poder, Satanás entra e segura com força aquele cabo da culpa. Ele fará que tentemos compensar nossos pecados, e terminaremos punindo a nós mesmos ou alguém mais por tentar aliviar a culpa. ALGUÉM TEM DE PAGAR Toda vez que pecamos, instintivamente sabemos que alguém tem que pagar por isso. Não é preciso que nos ensinem a esse respeito; faz parte de nossa própria estrutura. Quando eu peco, ou tenho de pagar 17 pelo pecado, ou faço alguém pagar (geralmente aqueles que me são mais caros), ou olho para Jesus como já tendo pago por ele. Nestes anos em que sou crente tenho tido muitas experiências de aconselhamento nesta área. Lembro-me de uma bela jovem cujo marido teve de efetuar uma demorada viagem ao exterior. Enquanto ele estava fora, ela cometeu adultério. Isso era pecado, não resta a menor dúvida. Depois do acontecimento ela reconheceu que era pecado e o confessou a Deus. Porém ela não acreditava no que Deus disse, que o pecado já estava perdoado. No seu caso, ela não contava o perdão divino como sendo verdadeiro. Ela estava em muito pior forma do que imaginava, porque a culpa não solucionada é uma das mais destrutivas forças que há na Terra. O marido voltou. Profundamente plantados na mente daquela jovem estavam o pecado e a culpa não solucionada dele oriunda – não porque Deus ainda lhe retivesse a culpa, mas porque ela não acreditava no que Deus disse e portanto ela não se perdoava. Uns poucos anos depois da volta do marido eles tiveram o primeiro filho. Satanás começou a meter a mão no subconsciente dela e a apossar-se daquela culpa. Não demorou muito e ela estava tendo graves problemas mentais. Ela contou ao marido o que havia acontecido, pensando que talvez isto lhe aliviaria a consciência. Ele a perdoou, porém ela ainda não podia perdoar a si mesma. Sabe o que ela acabou fazendo? Um dia o marido chegou e a encontrou tentando estrangular o filho. Por quê? Porque ela amava aquele filho mais do que qualquer outra coisa no mundo. Matá-lo era um modo de infligir o máximo castigo sobre si mesma pelo senso de culpa. Que tragédia desnecessária! Tudo isto lhe era incompreensível a princípio, até que lhe foi deslindado no aconselhamento. Lá bem no fundo estava esta culpa que não fora solucionada. Em vez de relacioná-la com a cruz de Cristo e dizer: “Graças Te dou por me perdoares”, ela tentava punir-se pelo que havia feito. Instintivamente ela sabia que alguém tinha de pagar, e ela estava fazendo a ela mesma pagar. A culpa é a doença que causa mais aleijões no mundo hoje! Um amigo meu estava no consultório de um médico quando olhou do outro lado da rua, para um hotel, e viu uma mulher prestes a 18 saltar do décimo pavimento. Ele atravessou a rua apressadamente, subiu pelo elevador, e chegou lá exatamente a tempo de dizer: “Espere, não salte. Permita-me apenas falar-lhe.” Lenta e distintamente ele disse: “Deus a ama.” A moça virou-se e olhou para ele com uma horrível expressão de culpa e desespero, depois se voltou e pulou. Ela morreu imediatamente. Os psiquiatras e os médicos dizem que a culpa não solucionada é a causa número um das doenças mentais e do suicídio. Mais da metade dos leitos hospitalares está ocupada por pessoas que têm enfermidade emocional. Possivelmente a melhor terapêutica que eles poderiam encontrar seria descobrir que Deus os ama e colocou à disposição deles, em Cristo, um perdão que abrange tudo. Deus não teve de esperar até que Freud surgisse a fim de ter uma resposta para a enfermidade mental. Não temos de ir a um psiquiatra a fim de obter a resposta para a culpa. Jesus proveu a única resposta verdadeira para a culpa há quase dois mil anos. Se crermos no que Deus disse, há uma resposta que nos purifica a consciência e nos livra das obras mortais para servimos ao Deus vivo. Não quero que você sofra de culpa mutiladora como esta. Quero que você seja capaz de liberar o poder de Deus em sua vida, dia a dia, momento a momento – seja liberto de um complexo de culpa e seja capaz de confessar a Deus: “Sim, Senhor, sou culpado, mas Te dou graças porque fui perdoado.” Depois se volte e creia que o Espírito Santo operará em sua vida neste mesmo instante. Você não tem de esperar até que seja digno desta operação ou que a mereça. Aqui está um texto que me emociona cada vez que o leio – ele nunca envelhece: “Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeuo inteiramente encravando-o na cruz” (Colossenses 2:14). SEM DÍVIDA Este é um poderoso retrato falado. No tempo em que isto foi escrito a palavra traduzida como “escrito de dívida” era amplamente 19 conhecida. Sempre que uma pessoa fosse condenada num tribunal romano, preparar-se-ia um “escrito de dívida” ou obrigação. O escrivão do tribunal pormenorizaria e escreveria por extenso cada crime pelo qual a pessoa fora condenada. Este escrito ou certificado significava que o prisioneiro devia a César um pagamento fixado por aqueles crimes. Depois ele seria levado com o prisioneiro onde quer que ele fosse aprisionado e afixado na porta da sua cela. Que ilustração o Apóstolo Paulo usou para mostrar-nos como Deus lida com os nossos pecados! Quando Jesus pendia na cruz há dezenove séculos, o “escrito da dívida” de cada homem que um dia vivesse estava pregado na cruz com Ele. Nosso escrito de dívida arrola cada vez que não correspondemos à perfeita lei de Deus por pensamento, palavras ou atos. Do mesmo modo como aquele escrito teria sido afixado na cela do criminoso, Jesus tomou nosso escrito de dívida e o cravou na cruz. Por quê? Porque Ele tencionava pagar a dívida. Segundo a lei romana, quando uma pessoa era lançada na prisão e o escrito de dívida era afixada na porta, ele permaneceria ali até que a sentença fosse executada. Então eles pegariam este escrito e escreveriam nele a palavra que significava “está consumado”. Enrolavam o documento, entregavam-no ao prisioneiro, ele nunca mais poderia ser punido por esses crimes. Sabia você que essa foi uma das últimas coisas que Jesus exclamou do alto da cruz? Pouco antes de Ele inclinar a cabeça e dizer: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”, Ele deu um grito de vitória. Ele bradou da cruz: “ Está consumado”. A palavra grega para esta expressão é “tetelestai”, que significa “pago completamente” (João 19:30). PAGO COMPLETAMENTE Jesus pagou nosso escrito de dívida e escreveu nele com Seu próprio sangue: “Pago completamente”. Nunca podemos ser julgados por nossos pecados novamente depois que recebemos o perdão. Está solucionado para sempre no céu pelo sangue do unigênito Filho de Deus. 20 É por isso que diz em Colossenses 2:14: “(Ele) removeu-o (nosso escrito de dívida) inteiramente encravando-o na cruz”. Devo a Deus perfeita obediência à Sua lei, mas Deus usa um método muito diferente de classificar minha observância da lei. É perfeição ou nada – e eu não posso pagar. Isso é o que significa a palavra “redenção”: adquirir da escravidão e libertar pagando o preço do resgate. O resgate que Cristo teve de pagar para libertar-nos foi o preço de devermos a Deus perfeita obediência à Sua lei, e Cristo pagou a sentença de dívida completamente. “Sabendo que não foi mediante cousas corruptíveis como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pedro 1:1819). É por isso que lemos em Colossenses 2:15: “E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.” Os “principados e as potestades” são Satanás e todos os seus exércitos. E Cristo despojou! Eles não têm base legal alguma para pôr as mãos num filho de Deus, jamais. Satanás não tem bases legais para atuar na vida de um cristão. Podemos dar-lhe a base legal, se não quisermos crer em Deus, mas certamente não somos obrigados. Deus quer que tomemos nossa carta de alforria, que é o perfeito perdão de Jesus Cristo, e reconheçamos que quando pecamos devemos ir a Ele imediatamente com a atitude de coração: “ Ó Senhor, concordo contigo que pequei.” Esta atitude, todavia, não tem em mira obter perdão. É simplesmente reconhecer um perdão que já é um fato. Quando Cristo morreu na cruz, Ele cuidou do problema do pecado para sempre. Outro sacrifício nunca será necessário. Por quê? Por causa do valor da vida dAquele que foi sacrificado. Não é como o sangue de bodes e de touros no Antigo Testamento, que meramente cobria o pecado. Quando Cristo morreu pelo pecado, Ele o removeu como um problema. 21 “Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção” (Hebreus 9:12). Quão longa é a eterna? Deus não oferece qualquer coisa menos. A base está no valor do sacrifício de Jesus Cristo. “Portanto, se o sangue de bode e de touros, e a cinza de uma novilha, aspergida sobre os contaminados, os santifica, quanto à purificação da carne, muito mais o sangue de Cristo que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para servirmos ao Deus vivo!” (Hebreus 9:13-14). LICENÇA PARA SERVIR Esta é a mais poderosa mensagem que o Espírito santo já me fez compreender. Era uma licença para servir, não para pecar. A motivação proveniente de conhecer uma perfeita aceitação com Deus é tão maior do que andar no temor de que você vai perder o relacionamento, que simplesmente não há termo de comparação. Deus quer que sirvamos não por dever, mas por gratidão por aquilo que Ele realizou em Jesus Cristo. “Purificará a nossa consciência” – é onde a culpa se engasta – “de obras mortas para servimos ao Deus vivo!” Uma “obra morta” é qualquer coisa que você e eu fazemos tentando ajudar a Deus perdoar-nos nosso pecado. É tentar adicionar ao que Cristo realizou plenamente na cruz. Obra morta é quando não cremos que realmente estamos perdoados e tentamos fazer algo para compensar o que fizemos. Que é que Deus quer que façamos quando pecamos? Precisamos dEle nesse momento mais do que em qualquer outra ocasião em nossas vidas. Não é ocasião para fugir de Deus, como fez Adão. Quando Adão pecou, Deus apareceu no Jardim e disse:”Adão onde estás? “Deus tinha, realmente, necessidade de perguntar? Você não acha que Ele sabia onde Adão estava? Adão escondeu-se porque ele ficou com medo. Ele deveria ter compreendido que Deus ainda o amava, pois do contrário Ele não 22 andaria à procura dele. Então Adão cometeu a primeira obra morta da História! Ele tentou esconder seu senso de culpa com folhas de figueira. Tentou cobrir seu pecado e sua culpa mediante a obra de suas próprias mãos, e em assim fazendo ele cometeu o primeiro ato “religioso”. Isso é, na realidade, o que a “religião” é, se você a entende corretamente. Cristianismo não é religião; cristianismo é um relacionamento pessoal com Deus mediante Jesus Cristo e Sua obra concluída. Não é nosso esforço por ganhar a aprovação de Deus pelo que fazemos. NA FAMÍLIA DE DEUS Pense nisso! Temos acesso à presença de Deus. “Aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo os corações purificados de má consciência, e lavado o corpo com água pura” (Hebreus 10:22). Quando pecamos conscientemente, Deus quer que nos aproximemos dEle “com sincero coração”, para sermos honestos “em plena certeza de fé” (isto é, no que Cristo fez). “Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas” (Hebreus 10:10). Deus nos ama e nos aceita. Estamos perdoados. Ele quer que confessemos o que temos feito e Lhe demos graças por Seu perdão. Se não fizermos isto, teremos uma consciência má. Conheço histórias comoventes, uma após outra, de pessoas que enfermaram mentalmente por causa de culpa não resolvida; outras permanecem razoavelmente sãs, mas não têm poder em suas vidas. Tentam valer-se de alguma experiência que tiveram no passado e querem saber por que não têm mais o mesmo poder. Quão absolutamente fantástico é saber que há um perdão garantido a nós mediante a oferta de Jesus Cristo, uma vez por todas, a nosso favor. Por isso é que se diz: “Portanto Ele é capaz também de salvar ao máximo – completamente, perfeitamente, finalmente e por todo tempo e eternidade – aqueles que vêm a Deus por intermédio dEle, visto como Ele vive sempre para fazer petição a Deus e intercede com Ele e intervém por eles” (Hebreus 7:25, Bíblia Ampliada). 23 Estou certo de que alguns dos que lêem este livro têm permitido que a culpa os venha amarrando durante anos. Você esteve simplesmente esperando que Deus descesse a lenha sobre você por algum pecado oculto ou por uma vida vivida em franca rebelião contra Sua vontade quanto a você. Essa mesma culpa tem produzido uma alienação da única Pessoa da Qual você mais precisa aproximar-se neste momento – seu amoroso Pai Celestial. Não pode você ver quão maravilhoso seria que Ele pusesse Seus grandes e fortes braços em torno de você e o confortasse e lhe reafirmasse Seu amor e aceitação? Deixe-O fazer isso agora. Ele não está zangado com você, - não importa o quanto você O tenha desapontado. Ele o perdoou totalmente por quaisquer ofensas contra Ele. A única coisa que entristece a Deus agora é que Seus filhos se sintam alienados dEle quando Ele Se interessa tantos por eles. 24