A VIAGEM
DA
CULPA
Hal Lindsey
Editora Mundo Cristão
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A VIAGEM DA CULPA
“Eu, eu mesmo sou o que apago as tuas
transgressões por amor de mim, e dos
teus pecados não me lembro.”
O SENHOR, em Isaías 43:25
Se você fosse o comandante de um exército invasor, você
procuraria o ponto mais fraco nas defesas de seu adversário para entrar
e matar.
Satanás, o arquiinimigo dos santos, tem um modo de apagar os
cristãos – vezes sem conta. Ele ataca no ponto fraco e os leva na direção
que ele quer.
Quando uma pessoa se torna verdadeiro crente em Cristo, ela
nasceu na família de Cristo e morreu para a família de Satanás. Satanás
faz tudo o que pode para conservar-nos cegos à oferta de perdão em
Cristo, porém milhões têm-se livrado de seus grilhões e passado da
morte para a vida. Isto tem deixado Satanás totalmente furioso, e cada
vez que alguém responde ao Evangelho, é um tapa no rosto de Satanás.
C.S.Lewis, em seu divertido livro “As Cartas do Coisa-Ruim”,
satiriza a rotina diária no inferno e as fraquezas e dores de cabeça de
demônios diligentes que apenas tentam apresentar um dia de trabalho
honesto arruinando os cristãos.
Uma das táticas mais eficazes que os demônios empregavam
para neutralizar seus inimigos(os cristãos) era conseguir que eles
dessem importância demais a seus fracassos. Uma vez que eles
começassem a sentir-se culpados por seu desempenho na vida cristã, já
não constituíam mais qualquer ameaça para o programa de Satanás.
As coisas não mudaram muito nas táticas de Satanás. Por que
deveriam mudar? Ele se fez vencedor.
Nada há que mais agrade Satanás do que fazer que um crente inicie a
viagem da culpa.
2
Quando volto os olhos para trás em minha própria vida,
reconheço que a culpa é um cabo que o diabo tenta constantemente
agarrar para dirigir-me. Uma ilustração clássica que me vem à memória
aconteceu-me no meu terceiro ano de seminário. Eu tinha um colega
que era meu amigo muito íntimo. Havíamos passado juntos três anos de
grandes momentos. Certa ocasião pedi-lhe que me emprestasse algum
dinheiro. Eu lhe disse que em duas semanas estaria em condições de
pagar o empréstimo.
Passada uma semana, comecei a preocupar-me um pouco sobre
como conseguir o dinheiro para pagar-lhe. Mas eu tinha outra semana
para mexer-me, de modo que não me preocupei muito.
Passou-se a segunda semana, e eu simplesmente não consegui
arrumar o dinheiro em parte alguma. Sentia-me um tanto constrangido
perto de meu amigo, mas não levantei o assunto porque esperava que
ele tivesse esquecido qual era a data.
À medida que os dias passavam, parecia que ele me olhava com
uma expressão acusadora cada vez que o via, e eu fazia o melhor que
podia para não encontrá-lo. Depois que o último prazo já estava com
duas semanas de atraso, comecei a planejar meu dia de modo que eu
não tivesse de encontrá-lo inesperadamente. Era horroroso. Eu achava
terrível ter perdido um amigo tão bom, mas por outro lado não podia
entender por que ele não se mostrava mais compreensivo com meu
problema. Lembre-se disto: não trocamos uma palavra sequer com
relação ao dinheiro, mas eu me sentia tão culpado que estava certo de
que ele me havia riscado como amigo.
Finalmente um dia, para meu horror, eu vi que ele vinha em
minha direção. Não havia onde esconder-me! Ele me levou a um canto
e disse: “Muito bem, Hal; que é que há com você?”
“Bem, é a respeito daquele dinheiro que lhe devo”, respondi em
tom defensivo.
Ele riu e colocou sua enorme mão sobre meu ombro e disse: “
Irmão, eu achei que era isso. Olhe, Hal, eu não mudei. Não me sinto em
nada diferente para com você do que sentia há poucas semanas. Se você
tivesse o dinheiro, sei que já teria efetuado o pagamento. Mas o
dinheiro não significa tanto assim para mim. Sua amizade significa um
bocado mais para mim, e ainda sou seu amigo do peito.”
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Durante três semanas andei de um lado para outro pensando que
ele me estava condenando. Mas isso não era absolutamente verdadeiro –
ele ainda era meu melhor amigo.
Isso me ensinou uma lição inesquecível. Se pensamos que
alguém tem algo contra nós, tornamo-nos alienados e hostis para com
esse alguém. É simplesmente uma reação inevitável, um mecanismo de
defesa.
Creio que esse é o motivo número um por que os cristãos falham
em seu relacionamento com Deus. Porque estamos sempre cônscios de
que em muitos pontos deixamos de atingir o que deveríamos ser como
cristãos, é muito natural supor que Deus deve estar descontente com
nosso desempenho. Quanto mais desapontamos a Deus, tanto mais
supomos que Ele esteja irado, até que em nossas mentes se manifeste tal
alienação que praticamente nos é impossível desfrutar uma comunhão
vital com Deus.
E a dolorosa tragédia é que tudo isto está apenas em nossas
mentes. Deus não está furioso conosco!
Sei o que alguns dos leitores estão pensando. Dificilmente
podem crer que o que eu digo é verdadeiro. Ao nível humano, se
desapontamos ou ofendemos as pessoas, essa atitude produz alienação
da parte delas. E além disso, se você se viu crivado de culpa, então você
tem uma suspeita atormentadora de que realmente você merece a
inimizade de Deus.
Quero dizer algo em alto e bom som, em termos que não deixem
dúvida: “Agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne,
mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele, santos,
inculpáveis e irrepreensíveis” (Colossenses 1:22)
Quando você se torna “santo, inculpável e irrepreensível”? No
minuto em que Ele o reconcilia com o Pai, e isso acontece no momento
em que você crê na morte vicária de Cristo a seu favor.
Deixemos que a Escritura sustente essa afirmativa.
Há diversas palavras no original grego do Novo Testamento que
significam reconciliação. Uma delas está em Mateus 5:24: “diallasso”,
que significa que duas partes estão em inimizade entre si e precisam ser
reconciliadas pela remoção da causa da inimizade. Essa palavra é
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empregada estritamente nos relacionamentos humanos que encontramos
na Bíblia.
Há, contudo, outra palavra sempre usada na relação entre Deus e
o homem: “apokatalasso”, significando que somente uma das partes
tem inimizade em seu coração e precisa ter removidas as barreiras
separadoras da comunhão, enquanto a outra parte não tem inimizade.
Veja, Deus não tem inimizade conosco. Ele sempre amou o homem. É
por isso que Ele se fez homem, de sorte que, como nosso substituto, Ele
pudesse suportar o juízo que nos cabia e, em assim fazendo, remover
toda barreira que nosso pecado erigiu entre Ele e nós. Deus nunca teve
necessidade de ser reconciliado; só o homem é que tem tal necessidade.
Como diz a Escritura: “... Deus estava em Cristo, reconciliando
consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões...”,
pois “ Àquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para
que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:19,21).
Não parece uma troca equilibrada; Ele fica com nosso pecado e
nós ficamos com Sua justiça. Mas aí você tem o fato. O plano
incomparável de Deus era reconciliar o homem, trazendo-o de volta à
comunhão com Ele.
Por isso é que Deus pode, na realidade, dizer a todos que
recebem a Cristo: “Agora sois santos e inculpáveis perante Mim”
(Colossenses 1:22; Efésios 1:4).
Pode você pensar em outro ser humano, inclusive você mesmo,
que o considera totalmente santo e inculpável? Eu não posso!
Entretanto, aos olhos de Deus já somos perfeitos; não seremos, mas
somos!
Este não é um status concedido numa base provisória enquanto
tentamos tornar-nos dignos dele como cristãos. Uma vez que Deus nos
coloca em união com Seu Filho, revestimo-nos de Sua justiça e Deus
nos vê como santos e inculpáveis porque é desse modo que Ele vê
Jesus. Experimentalmente podemos ser muito imperfeitos, mas nossa
aceitação aos olhos de Deus nunca se baseia em como nos
desempenhamos, e sim no fato de que estamos em Cristo e Deus O
aceita perfeitamente.
Conhecer esses fatos libertadores e tê-los na conta de
verdadeiros numa base de momento a momento é mais importante fator
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para viver uma vida agradável a Deus.Você não pode deixar de
responder com amor e obediência a alguém que o ama e aceita.
Pois bem, Satanás dedica-se a impedir os cristãos de descobrir o
que acabamos de dizer-lhe, e ele tem feito um trabalho muito bom no
mundo cristão hodierno. Ele permite que os cristãos provem um
pouquinho da vida vitoriosa e depois os ataca com sua artilharia
pesada. Ele conseguirá que os homens falhem com Deus e tenham os
olhos postos em si mesmo. Depois de uma série de fracassos, Satanás os
introduz num padrão ao qual tenho chamado de “ a síndrome do
pecado”.
A SÍNDROME DO PECADO
Primeiro, pecamos conscientemente. O resultado inevitável, se
não relacionamos o pecado com a cruz, é que desenvolvemos a culpa.
E a culpa sempre leva à alienação. Aí está a síndrome: pecado, culpa,
alienação.
Ninguém pode viver com a culpa. Então o homem tenta lidar
com a culpa por uma de duas formas – ambas erradas.
Se ele é o tipo que não tem uma consciência especialmente
sensível, ele tenta justificar-se. Ele apresenta escusas e oferece motivos
válidos por que ele fez algo:
“ Foi apenas uma pequena mentira, e era mais fácil com relação
aos que estamos envolvidos.”
“ Afinal de contas, o governo gasta o dinheiro do meu imposto
em coisas com as quais não concordo de maneira alguma.”
“ Mas realmente nos amamos, e todo mundo faz isso.”
Quando justificamos nossas ações, o resultado será um
sentimento de perda de comunhão com Deus, porque lá bem no íntimo
sabemos que não temos sido honestos com nós mesmos ou com Deus.
Sentimos que temos ofendido a Deus por nossos desvios. E quando
sentimos que Deus foi ofendido, então nos sentiremos também
alienados de Deus. Lembremo-nos que Deus não está encolerizado, mas
nós pensamos que está.
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Outro modo pelo qual o homem lida com a culpa, e é igualmente
errado, é condenar-se. Ele peca repetidamente na mesma área, a culpa
se manifesta, e então ele começa a viagem de autocondenação.
Satanás gosta de pôr as mãos num desses cristãos “sensíveis”.
Sem a menor dificuldade, ele consegue que eles se sintam como vermes
inúteis diante de Deus. Ele os convencerá de que possivelmente não
poderiam esperar que Deus os ouvisse quando oram, e certamente Ele
não lhes responderia às orações mesmo que as ouvisse. Ele consegue
que os olhos deles se concentrem de tal modo em suas vidas cristãs
miseráveis, que eles ficam certos de que Deus possivelmente não as
usaria.
Satanás simplesmente senta-se atrás e relaxa-se quando ele nos
vê a caminho da autocondenação. Estamos fora de combate no que
concerne a ele.
A esta altura você pode perguntar se há qualquer tipo de culpa
de boa fé na vida de um crente em Cristo.
Há o que eu chamo de culpa “legal”. Esta é a maldição de todo
homem quando ele entra no mundo. É a culpabilidade herdada pelo
pecado, e foi esta que Cristo removeu como barreira entre Deus e o
homem quando Ele foi à cruz por nós. Tenho muito a dizer sobre isto
um pouco mais adiante.
Depois, temos a “emoção” da culpa. Isto é o que Satanás se
delicia em amontoar sobre os crentes que acham ter falhado com Deus.
Este tipo de culpa é instrumento de Satanás e não tem lugar na vida de
um filho de Deus.
Finalmente, há o ministério condenador do Espírito Santo
descrito pelo Apóstolo Paulo em 2 Coríntios 7:8-9 como “tristeza” que
leva ao arrependimento. Se a “tristeza piedosa” causada pela
condenação do Espírito Santo não leva ao arrependimento, ou a uma
reviravolta, então ela bem pode entrar no segundo tipo de culpa, a
emoção da culpa, que é mortal ao andar do cristão com Deus.
Há necessidade de confessar a Deus quando somos culpados de
pecar, e livremente podemos fazê-lo se temos certeza de que Deus
continuará a amar-nos e aceitar-nos. Quando continuamos a sentir-nos
imperdoados depois de havermos reconhecido ou confessado nosso
pecado, é sinal de que desviamos nosso foco do perdão de Deus para
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nós mesmos. Então estamos dizendo que nossas fraquezas pecaminosas
são mais poderosas do que o poder perdoador de Deus. Ou Ele não é
suficientemente grande para nos perdoar ou Ele não quer perdoar-nos.
Em qualquer dos casos, quando há culpa não resolvida na vida
de uma pessoa, ela se sentirá alienada de Deus. Não confiará que Deus
opere em sua vida mediante o Espírito Santo e a livre das tentações da
carne e das astúcias de Satanás. Ela simplesmente não quer ir a Deus
em busca de ajuda se acredita que Ele está irado com ela.
Um cristão apanhado no estado mental de culpa procura fazer
coisas para Deus na energia da carne a fim de apaziguá-lO por seu
senso de culpa. Isto resulta em mais frustrações porque, como diz a
Bíblia: “...o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está
sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Romanos 8:7).
O rei Davi, de Israel, certamente entendia essa progressão. Ele
conhecia um bocado sobre pescar e suas repercussões. Não somente ele
era culpado de adultério com Bate-Seba, a esposa de outro homem,
porém mais tarde ele tramou a morte do marido dela para encobrir seu
pecado.
Em sua vida posterior, Davi escreveu o Salmo 130, o qual nos
mostra que ele havia aprendido de suas escabrosas experiências. Preste
atenção a isto, particularmente: “Se observares, SENHOR, iniqüidades,
quem, SENHOR, subsistirá? Contigo, porém, está o perdão, para que te
temam”(Salmo 130:3-4).
No original hebraico a palavra “observares” significava
conservar uma conta discriminada de algo, item por item. Davi está
dizendo aqui: “Senhor, se Tu fosses um guarda-livros celestial que
mantivesse uma conta pormenorizada de meus pecados, eu estaria em
grande dificuldade!”
Que é que Davi aprendeu do tratamento de Deus com ele? Ele
aprendeu que com “(Deus) está o perdão para que (Ele) seja temido”. A
palavra “temer” no hebraico significa ser capaz de confiar
reverentemente em alguém.
Aqui Davi colocou o dedo numa verdade fantástica, uma das
coisas mais importantes que já pudemos saber acerca de Deus. Se
pensarmos que Deus está mantendo uma conta detalhada de nossos
pecados e mantendo-os contra nós, realmente não podemos confiar
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nEle; é impossível depositar nEle uma fé ousada, dinâmica. Por quê?
Porque você só pode confiar em alguém em que você crê que realmente
ama e aceita você completamente, a despeito de todas as suas faltas.
Aprender o que Cristo realizou na cruz é a mais importante
verdade que você pode assimilar em toda sua vida. Ela deveria saturar
sua mente todos os dias.
Contar como verdadeiro o absoluto perdão que Cristo conseguiu
na cruz é o fundamento de uma fé plena de poder. Você não pode
realmente responder a Deus em fé a menos que saiba que Ele o aceitou
assim como você é, à menos que saiba o que significa ser aceito no
Amado (Efésios 1:6). O Amado é o título do querido filho de Deus,
Jesus. Deus nos vê a todos envolvidos em Jesus. A aceitação que Deus
tem por Jesus, o Filho de Seu amor, o Amado, é aceitação que Ele
continua tendo por nós.
Falhar em ser aceito completamente por Deus, mesmo por um
segundo, significaria que de certo modo nos apartamos de Cristo, e isso
simplesmente não é possível. Ele não nos largaria! Não é essa uma
grande notícia?
SATANÁS NOS CEGA PARA A CRUZ
Satanás gostaria de cegar-nos para toda esta maravilhosa
verdade. Na realidade, ele continua tentando cegar-nos todos os dias.
Pode ser que nem mesmo o reconheçamos, mas o motivo número um
por que o poder de Deus sofre curto-circuito em nossas vidas é que
realmente nunca aprendemos o que significa a cruz de Cristo numa base
cotidiana. A cruz é a base contínua de Deus aceitar-nos e perdoar-nos.
Todos nós temos tido experiências que consideramos
maravilhosas – ocasiões quando experimentamos a operação do Espírito
Santo em nossas vidas de uma maneira nova. Por um momento tudo é
grandioso e então, sem mesmo sabermos por que, as coisas começam a
arrastar-se. A frouxidão espiritual começa a enfraquecer-nos, e
queremos saber o que estava errado.
Já desci por esta estrada dolorosa, e cada vez que isso aconteceu,
descobri o verdadeiro problema: Eu havia iniciado uma “viagem da
culpa”. Para desapontamento de Deus, deixei de crer que do Seu ponto
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de vista já estou perdoado; eu tinha apenas de reivindicar um perdão
que já é um fato, e não mendigar de Deus como se o perdão fosse algo
duvidoso.
O ADVOGADO DE DEFESA DO CRENTE
É desejo do Senhor que Seus filhos vivam piedosamente e não
no pecado, mas nosso Pai onisciente, conhecendo nossa natureza, fez
provisão para Seus filhos que erram.
O Apóstolo João,ao escrever aos novos crentes de seu tempo,
disse: “Filhinhos meus, estas cousas vos escrevo para que não pequeis.
Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo,
o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente
pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 João 2:12).
Um advogado significa um advogado de defesa. Por que
precisaríamos de um advogado de defesa na presença de Deus, nosso
Pai? A maior parte das pessoas pensa que Jesus nos defende contra o
Pai, de sorte que Ele não nos julgará. É verdadeiro isso? Absolutamente
não. Tendo em vista o que Jesus realizou na cruz, nunca mais o Pai nos
condenará. A palavra “propiciação” significa não admitir a ira merecida
porque a justiça foi satisfeita. O que Cristo realizou na cruz foi suportar
a ira de um Deus santo composta de todos os pecados que seriam
cometidos por todos os homens que viessem a viver. A grande palavra
teológica “propiciação” significa simplesmente: “Deus não está mais
irado comigo”.
Enquanto Jesus pendia na cruz, Deus derramou sobre Ele toda a
ira que Ele teria contra nossos pecados. Agora Ele está livre, numa base
perfeitamente justa, para continuar lidando conosco em amor, mesmo
quando Ele nos disciplina.
DEUS NÃO TIRA DESFORRA
Está você pronto para aceitar isto?
Deus não castiga. Castigo significa “desforra”, e Deus não faz
isso. Ele já “acertou as contas” com Jesus com relação a todos os nossos
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pecados. Deus “disciplina” Seus filhos, mas sempre em amor, nunca em
ira. As palavras “disciplina” e “treinamento” são intercambiáveis. O
disciplinamento de Deus sempre tem a vista voltada para o
treinamento(Hebreus 12:5-13).
Quando Deus vê um filho Seu que continuamente se recusa a
depender do Espírito Santo para livrá-lo de suas tentações, então
profundamente preocupado pelo bem-estar e felicidade desse filho,
Deus começará a treiná-lo de maneira que ele venha a depender dEle no
futuro. Deus sabe que somente seremos felizes quando estivermos
vivendo vidas santas. Isto é disciplina verdadeira e não tem semelhança
com castigo.
Às vezes esta disciplina pode parecer dolorosa, mas se
aprendermos a ver tudo o que surge em nosso caminho como sendo
permitido pela mão amorosa de nosso Pai Celestial, então podemos dar
graças, inclusive pela disciplina.
Infelizmente, neste ponto Satanás tem tirado sua vantagem de
muitos crentes. Eles vivem em constante temor de castigo por seus
pecados.
A maior parte de nós tem uns poucos pecados especialmente
graves, que cometemos no passado e que nos assustam como o
proverbial esqueleto no cubículo. Sempre que alguma dificuldade ou
calamidade atinge nossas vidas, mostramos o esqueleto e dizemos: “Oh,
sim, Deus está tirando desforra de mim por causa ‘daquele pecado’”.
Alguns vivem com o inquietante temor de que o raio vai atingílos ou Deus vai matar um de Seus filhos para desforra por algum
pecado que cometeram há muito tempo ou pecado em que se acham
envolvidos no momento.
Deus não nos trata desse modo. Sem dúvida, as adversidades são
permitidas na vida do crente, porém elas se destinam a ensinar-nos a
confiar em Deus, e não destruir-nos com vingança.
MAS O QUE ENTENDER DE...
Pois bem, alguns de vocês podem estar dizendo: “ Tudo
certinho, Hal; se Deus nunca nos castiga por nossos pecados, como
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entendemos Gálatas 6:7 que diz: “Não vos enganeis: de Deus não se
zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará?”
É incrível como este versículo é arrancado do contexto por
tantos cristãos. O versículo anterior a este diz: “Mas aquele que está
sendo instruído na palavra faça participante de todas as cousas boas
aquele que o instrui” (Gálatas 6:6). Este contexto fala sobre sustentar
financeiramente aquele que se entrega a estudar e ensinar a Bíblia.
Esta mesma idéia de semear dinheiro para a obra de Deus está
contida em 2 Coríntios 9:6: “E isto afirmo: Aquele que semeia pouco,
pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância
também ceifará”.
Este conceito de que “aquilo que o homem semear, isso também
ceifará” relaciona-se com investir nosso dinheiro na obra de Deus e a
recompensa ou falta de recompensa por nossa mordomia.
Aplicar esta passagem ao método de disciplina de Deus é
contradizer todo o princípio de graça com o qual Deus agora lida com
Seus filhos.
SATANÁS, O VELHO AMBULANTE DA CULPA
Se você ainda se sente culpado depois de confessar seu pecado e
lembrou-se de que está perdoado, adivinhe quem está lançando a culpa
sobre você. É o velho ambulante da culpa, ele mesmo, Satanás.
Satanás não deseja que você se lembre de que Deus acabou com
seu pecado na cruz. É por isso que você precisa de um advogado de
defesa diante do Pai. O nome Satanás significa “ o Acusador”.
Cristo não tem de defender você contra o Pai; Ele o defende
contra Satanás, perante o Pai.
Aqui está uma cena que provavelmente ocorreu no céu, na
presença de Deus, hoje. Podemos agradecer a Jó por este pedaço de
conhecimento da tática de Satanás.
Satanás foi para lá hoje com uma pasta de documentos sobre
cada um dos filhos de Deus. Ele levou um dossiê sobre João e Pedro e
Luiz e Karina, e especialmente um grande arquivo sobre Hal. Ele acusa
e aponta: “Ah, ah! Temos aí o Hal. Ele é um de Seus filhos, não é? Viu
o que ele acaba de fazer?”
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Satanás começa a acusar.
Então Jesus Se aproxima e diz: “Pai, o Hal creu em Mim em
1956. O perdão que eu adquiri na cruz foi então aplicado a ele. Esta é a
nossa única justificativa”.
E o Pai diz: “ Acusação rejeitada! Caso encerrando!”
Deus não permitirá que ninguém discipline Seus filhos senão
Ele mesmo. Ele o fará em amor porque Ele é livre para lidar conosco
em graça. Deus, à base de Seu Espírito que reside em nós, em que Ele
confia e instalou na vida de cada crente, está nos conformando
diariamente à imagem de Jesus.
RETRATOS DO ANTIGO TESTAMENTO
Há no Antigo Testamento um retrato maravilhoso da obra
intercessória de Cristo a favor dos crentes. Ele traz nossos nomes em
Seu coração e continuamente nos representa perante o Pai.
Aprendemos isto no Antigo Testamento da prática do sumo
sacerdote. Ele entrava no Tabernáculo diante da Presença do Senhor,
diante da Arca, como era chamada, e queimava incenso, que era
representativo da oração.
Preso sobre seu coração estava um paramento especial com
pedras preciosas, e sobre cada pedra estavam os nomes dos filhos de
Israel.
Deus disse: “Assim Arão levará os nomes dos filhos de
Israel...sobre o seu coração, quando entrar no santuário, para memória
diante do Senhor continuamente” (Êxodo 28:29).
Este é um belo quadro de como Jesus Cristo está continuamente
diante do tronco de Deus com seu nome sobre Seu coração.
É por isso que em Hebreus 7:24-25 temos estas palavras
encorajadoras: “este, no entanto, porque continua para sempre, tem o
seu sacerdócio imutável. Por isso também pode salvar totalmente os
que por ele se chegam a Deus, vivendo para interceder por eles”.
De acordo com esta extraordinária promessa de segurança, uma
vez que cremos em Cristo como Salvador, é impossível perder-se de
novo ou ficar imperdoado. Para um filho de Deus perder-se seria
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preciso que Cristo deixasse de interceder por ele. A promessa é que Ele
“pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus”.
Jesus mesmo prometeu: “De maneira alguma te deixarei, nunca
jamais te abandonarei” (Hebreus 13:5). Graças a Deus que Ele “vive
sempre para interceder por nós”, e por causa disso podemos “achegarnos confiadamente junto ao trono da graça, a fim de recebermos
misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”
(Hebreus 4:16).
SATANÁS: ACUSADOR PERANTE DEUS E A CONSCIÊNCIA
Depois que Satanás nos acusa perante Deus e não faz qualquer
progresso ali, ele começa a acusar nossas consciências. Ele nos coloca
como que numa roda-viva: pecar, fazer voto de que não repetiremos,
tentar não pecar, e então pecar novamente.
Eis como ele trabalha:
Primeiro, ele começa trabalhando numa área de fraqueza. Todo
cristão tem , pelo menos, uma área onde ele é especialmente vulnerável:
Ainda temos em nós a velha natureza de pecado que pode tentar-nos, e
quando não nos colocamos na dependência do Espírito Santo que habita
em nós, para vencer as tentações, nós pecamos.
Procurando ser bom cristão, podíamos dizer: “Deus, sei que
ando errado; graças Te dou por me perdoares”. Nossa carga é removida
e tudo anda bem por algum tempo. Então Satanás nos faz cair de novo
na mesma área. Odiamo-nos por sermos cristãos assim tão horrorosos,
mas aceitamos Seu perdão e continuamos a vida – apenas estamos nos
sentindo um pouco culpados por termos tão pouca força de vontade de
viver para Deus.
Não demora muito tempo e Satanás nos faz pecar novamente na
mesma área, e desta vez nos sentimos tão indignos que prometemos: “
Ó Deus, se me perdoares apenas mais esta vez, prometo que não farei
isto novamente”.
Em face desta notícia, Satanás e suas hordas de demônios
soltaram um estrondoso viva de vitória. Ele nos tem exatamente onde
ele nos quer – na roda-viva do pecado.
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Esforçamo-nos o mais que podemos para agradar a Deus, só que
o fazemos no poder da carne. Quanto mais nos esforçamos, tanto mais
falhamos. Quanto mais falhamos, tanto mais fazemos votos de não
incidir no mesmo erro.
Então Satanás entra e diz acusadoramente: “Péssimo! Deus não
vai perdoar você desta vez. Você está perdido. Não há mais graça para
você.” Ou, se ele vê que somos sabidos demais para cairmos por essa
extrema linha de raciocínio, ele dirá: “Deus pode perdoar você, mas Ele
não pode esquecer-Se de que você não merece confiança. Deus nunca
poderá usá-lo tão plenamente como antes.”
É aquela velha rotina de que “pássaro com asa quebrada nunca
voará tão alto novamente.”
Pum! Você está liquidado! Você se esqueceu de que o problema
não é se Deus vai perdoar você, mas se você vai crer que Ele já o
perdoou e vai confiar nEle para obter a força interior para voltar-se do
pecado.
Não estou tentando ensinar que podemos ir e pecar e não ter a
consciência pesada a respeito, portanto não fique preocupado quanto a
isto. O Espírito Santo com toda fidelidade convencerá o crente do
pecado, não de modo que ele confesse a fim de ser perdoado, mas de
modo que possa reivindicar o perdão e crer nEle novamente.
Deus não quer que permaneçamos em nossos pecados, e sim, em
nosso perdão. Se o seu foco está continuamente concentrado em você
mesmo, então você não pode estar “olhando firmemente (sem distrair o
olhar) para Jesus” (Hebreus 12:2).
Quando finalmente você entender o que Jesus Cristo realizou na
cruz, você vai reconhecer que Deus nunca cessa de perdoá-lo, ainda
quando você está no processo de pecar, embora você mesmo não possa
apreciar o consolo do perdão enquanto está pecando.
Quando Cristo morreu na cruz, quantos de seus pecados eram
futuros? Todos eles.
Eu pensava que quando aceitei a Cristo, isso significava que
Cristo havia morrido por meus pecados até esse ponto, mas desse ponto
em diante eu tinha de confessá-los à medida que os cometia ou então,
eu não era perdoado. É perigoso estar nessa posição, porque você está
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bem certo de haver confessado todos os pecados e bem podia haver um
ou dois que Deus está retendo contra você.
Um dia reconheci que aquele todos em Colossenses 2:13
significava: “ E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas
transgressões, e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida
juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos.”
Estávamos mortos antes de aceitarmos Jesus, mortos
espiritualmente, incapazes de conhecer a Deus como uma realidade
viva, como uma Pessoa.
Então a Bíblia diz: “...vos deu vida juntamente com ele”. Isto é
falar a respeito do novo nascimento, a experiência de receber vida
espiritual no momento em que você crê em Cristo. Por que isto é
possível? “Perdoando todos os nossos delitos.”
O verbo traduzido “perdoando” significa algo que acontece num
ponto do tempo que não tem de repetir-se. Um ato final. Na mente de
Deus, que quantidade significa aquele todos? Quantos de nossos
pecados Deus viu quando Ele os julgou em Jesus na cruz?
A resposta é todos!
DEUS VÊ TODO O DESFILE DA VIDA
Deus está olhando para nossas vidas como um piloto de
helicóptero vê lá embaixo um desfile. Se estamos numa esquina
observando uma parada, vemos o seu começo, cada segmento que passa
por ali, e depois vemos o seu fim. Vemos consecutivamente. Mas Deus,
como o piloto, vê o desfile todo de uma só vez. É assim que Deus vê a
sua vida: seu passado, presente e futuro estão todos no agora com Ele.
Quando você deposita fé em Jesus como seu Salvador, Deus já
viu (lá no A.D.33) sua vida passar como num desfile. Ele tomou toda a
sua vida e o pecado e a culpa da vida, e colocou tudo sobre Jesus Cristo.
Assim, quando você crê em Cristo como Salvador, quantos
pecados Deus já lhe perdoou? Não apenas aqueles que você cometeu até
esse ponto, mas os pecados de toda a sua vida. Ele não poderia, de
maneira alguma, aceitá-lo num relacionamento com Ele a menos que
Ele pudesse perdoar você inteiramente.
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Isto não significa que Deus tolera o pecado na vida de um crente
– longe disso. Significa que Ele é livre e está pronto a operar em nós no
momento em que vemos que pecamos e o confessamos e aceitamos Seu
perdão.
Lemos em 1 João 1:9: “Se continuarmos confessando nossos
pecados, Ele é fiel e justo, para ter-nos perdoado nossos pecados e ternos purificado de toda injustiça” (tradução literal dos tempos do verbo
grego). A Bíblia nunca diz a um crente, depois da cruz, que peça
perdão. Já é um fato assentado com Deus, e Ele simplesmente quer que
reivindiquemos o que já é verdadeiro.
Em 1 João 1:9, a palavra “confessar” significa estar de acordo
com alguém a respeito de alguma coisa; neste caso, estar de acordo com
Deus a respeito de nossos pecados. Mas não posso estar de acordo com
Deus a respeito de Sua atitude para com os meus pecados até que eu
veja claramente qual é Sua atitude.
CONCORDE COM DEUS
Antes de mais nada, Deus quer que vejamos nosso pecado como
Ele o vê – é pecado. Mas Ele não quer que paremos aí. Se realmente
concordamos com Deus a respeito de nosso pecado, então nós também
temos de vê-lo como já perdoado. É desse modo que Deus o vê.
Finalmente, Ele quer que nos voltemos do pecado e comecemos a
confiar nEle para capacitar-nos a alcançar a vitória sobre o pecado no
futuro.
Se não julgamos nosso pecado deste modo, aceitando Seu
perdão e voltando-nos do pecado em Seu poder, Satanás entra e segura
com força aquele cabo da culpa. Ele fará que tentemos compensar
nossos pecados, e terminaremos punindo a nós mesmos ou alguém mais
por tentar aliviar a culpa.
ALGUÉM TEM DE PAGAR
Toda vez que pecamos, instintivamente sabemos que alguém
tem que pagar por isso. Não é preciso que nos ensinem a esse respeito;
faz parte de nossa própria estrutura. Quando eu peco, ou tenho de pagar
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pelo pecado, ou faço alguém pagar (geralmente aqueles que me são
mais caros), ou olho para Jesus como já tendo pago por ele.
Nestes anos em que sou crente tenho tido muitas experiências de
aconselhamento nesta área. Lembro-me de uma bela jovem cujo marido
teve de efetuar uma demorada viagem ao exterior. Enquanto ele estava
fora, ela cometeu adultério. Isso era pecado, não resta a menor dúvida.
Depois do acontecimento ela reconheceu que era pecado e o
confessou a Deus. Porém ela não acreditava no que Deus disse, que o
pecado já estava perdoado. No seu caso, ela não contava o perdão
divino como sendo verdadeiro. Ela estava em muito pior forma do que
imaginava, porque a culpa não solucionada é uma das mais destrutivas
forças que há na Terra.
O marido voltou. Profundamente plantados na mente daquela
jovem estavam o pecado e a culpa não solucionada dele oriunda – não
porque Deus ainda lhe retivesse a culpa, mas porque ela não acreditava
no que Deus disse e portanto ela não se perdoava.
Uns poucos anos depois da volta do marido eles tiveram o
primeiro filho. Satanás começou a meter a mão no subconsciente dela e
a apossar-se daquela culpa. Não demorou muito e ela estava tendo
graves problemas mentais. Ela contou ao marido o que havia
acontecido, pensando que talvez isto lhe aliviaria a consciência. Ele a
perdoou, porém ela ainda não podia perdoar a si mesma.
Sabe o que ela acabou fazendo? Um dia o marido chegou e a
encontrou tentando estrangular o filho. Por quê? Porque ela amava
aquele filho mais do que qualquer outra coisa no mundo. Matá-lo era
um modo de infligir o máximo castigo sobre si mesma pelo senso de
culpa. Que tragédia desnecessária!
Tudo isto lhe era incompreensível a princípio, até que lhe foi
deslindado no aconselhamento. Lá bem no fundo estava esta culpa que
não fora solucionada. Em vez de relacioná-la com a cruz de Cristo e
dizer: “Graças Te dou por me perdoares”, ela tentava punir-se pelo que
havia feito. Instintivamente ela sabia que alguém tinha de pagar, e ela
estava fazendo a ela mesma pagar.
A culpa é a doença que causa mais aleijões no mundo hoje!
Um amigo meu estava no consultório de um médico quando
olhou do outro lado da rua, para um hotel, e viu uma mulher prestes a
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saltar do décimo pavimento. Ele atravessou a rua apressadamente, subiu
pelo elevador, e chegou lá exatamente a tempo de dizer: “Espere, não
salte. Permita-me apenas falar-lhe.”
Lenta e distintamente ele disse: “Deus a ama.”
A moça virou-se e olhou para ele com uma horrível expressão
de culpa e desespero, depois se voltou e pulou. Ela morreu
imediatamente.
Os psiquiatras e os médicos dizem que a culpa não solucionada
é a causa número um das doenças mentais e do suicídio. Mais da
metade dos leitos hospitalares está ocupada por pessoas que têm
enfermidade emocional. Possivelmente a melhor terapêutica que eles
poderiam encontrar seria descobrir que Deus os ama e colocou à
disposição deles, em Cristo, um perdão que abrange tudo.
Deus não teve de esperar até que Freud surgisse a fim de ter uma
resposta para a enfermidade mental. Não temos de ir a um psiquiatra a
fim de obter a resposta para a culpa. Jesus proveu a única resposta
verdadeira para a culpa há quase dois mil anos. Se crermos no que Deus
disse, há uma resposta que nos purifica a consciência e nos livra das
obras mortais para servimos ao Deus vivo.
Não quero que você sofra de culpa mutiladora como esta. Quero
que você seja capaz de liberar o poder de Deus em sua vida, dia a dia,
momento a momento – seja liberto de um complexo de culpa e seja
capaz de confessar a Deus: “Sim, Senhor, sou culpado, mas Te dou
graças porque fui perdoado.”
Depois se volte e creia que o Espírito Santo operará em sua vida
neste mesmo instante. Você não tem de esperar até que seja digno desta
operação ou que a mereça.
Aqui está um texto que me emociona cada vez que o leio – ele
nunca envelhece: “Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra
nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeuo inteiramente encravando-o na cruz” (Colossenses 2:14).
SEM DÍVIDA
Este é um poderoso retrato falado. No tempo em que isto foi
escrito a palavra traduzida como “escrito de dívida” era amplamente
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conhecida. Sempre que uma pessoa fosse condenada num tribunal
romano, preparar-se-ia um “escrito de dívida” ou obrigação. O escrivão
do tribunal pormenorizaria e escreveria por extenso cada crime pelo
qual a pessoa fora condenada. Este escrito ou certificado significava que
o prisioneiro devia a César um pagamento fixado por aqueles crimes.
Depois ele seria levado com o prisioneiro onde quer que ele fosse
aprisionado e afixado na porta da sua cela.
Que ilustração o Apóstolo Paulo usou para mostrar-nos como
Deus lida com os nossos pecados! Quando Jesus pendia na cruz há
dezenove séculos, o “escrito da dívida” de cada homem que um dia
vivesse estava pregado na cruz com Ele.
Nosso escrito de dívida arrola cada vez que não correspondemos
à perfeita lei de Deus por pensamento, palavras ou atos. Do mesmo
modo como aquele escrito teria sido afixado na cela do criminoso, Jesus
tomou nosso escrito de dívida e o cravou na cruz.
Por quê? Porque Ele tencionava pagar a dívida.
Segundo a lei romana, quando uma pessoa era lançada na prisão
e o escrito de dívida era afixada na porta, ele permaneceria ali até que a
sentença fosse executada. Então eles pegariam este escrito e
escreveriam nele a palavra que significava “está consumado”.
Enrolavam o documento, entregavam-no ao prisioneiro, ele nunca mais
poderia ser punido por esses crimes.
Sabia você que essa foi uma das últimas coisas que Jesus
exclamou do alto da cruz?
Pouco antes de Ele inclinar a cabeça e dizer: “Pai, nas tuas mãos
entrego o meu espírito”, Ele deu um grito de vitória. Ele bradou da cruz:
“ Está consumado”. A palavra grega para esta expressão é “tetelestai”,
que significa “pago completamente” (João 19:30).
PAGO COMPLETAMENTE
Jesus pagou nosso escrito de dívida e escreveu nele com Seu
próprio sangue: “Pago completamente”. Nunca podemos ser julgados
por nossos pecados novamente depois que recebemos o perdão. Está
solucionado para sempre no céu pelo sangue do unigênito Filho de
Deus.
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É por isso que diz em Colossenses 2:14: “(Ele) removeu-o
(nosso escrito de dívida) inteiramente encravando-o na cruz”. Devo a
Deus perfeita obediência à Sua lei, mas Deus usa um método muito
diferente de classificar minha observância da lei. É perfeição ou nada –
e eu não posso pagar.
Isso é o que significa a palavra “redenção”: adquirir da
escravidão e libertar pagando o preço do resgate. O resgate que Cristo
teve de pagar para libertar-nos foi o preço de devermos a Deus perfeita
obediência à Sua lei, e Cristo pagou a sentença de dívida
completamente. “Sabendo que não foi mediante cousas corruptíveis
como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento
que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de
cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pedro 1:1819).
É por isso que lemos em Colossenses 2:15: “E, despojando os
principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo,
triunfando deles na cruz.”
Os “principados e as potestades” são Satanás e todos os seus
exércitos.
E Cristo despojou! Eles não têm base legal alguma para pôr as
mãos num filho de Deus, jamais. Satanás não tem bases legais para
atuar na vida de um cristão. Podemos dar-lhe a base legal, se não
quisermos crer em Deus, mas certamente não somos obrigados. Deus
quer que tomemos nossa carta de alforria, que é o perfeito perdão de
Jesus Cristo, e reconheçamos que quando pecamos devemos ir a Ele
imediatamente com a atitude de coração: “ Ó Senhor, concordo contigo
que pequei.” Esta atitude, todavia, não tem em mira obter perdão. É
simplesmente reconhecer um perdão que já é um fato.
Quando Cristo morreu na cruz, Ele cuidou do problema do
pecado para sempre. Outro sacrifício nunca será necessário. Por quê?
Por causa do valor da vida dAquele que foi sacrificado. Não é como o
sangue de bodes e de touros no Antigo Testamento, que meramente
cobria o pecado. Quando Cristo morreu pelo pecado, Ele o removeu
como um problema.
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“Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu
próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo
obtido eterna redenção” (Hebreus 9:12).
Quão longa é a eterna? Deus não oferece qualquer coisa menos.
A base está no valor do sacrifício de Jesus Cristo.
“Portanto, se o sangue de bode e de touros, e a cinza de uma
novilha, aspergida sobre os contaminados, os santifica, quanto à
purificação da carne, muito mais o sangue de Cristo que, pelo Espírito
eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa
consciência de obras mortas para servirmos ao Deus vivo!” (Hebreus
9:13-14).
LICENÇA PARA SERVIR
Esta é a mais poderosa mensagem que o Espírito santo já me fez
compreender. Era uma licença para servir, não para pecar. A motivação
proveniente de conhecer uma perfeita aceitação com Deus é tão maior
do que andar no temor de que você vai perder o relacionamento, que
simplesmente não há termo de comparação.
Deus quer que sirvamos não por dever, mas por gratidão por
aquilo que Ele realizou em Jesus Cristo.
“Purificará a nossa consciência” – é onde a culpa se engasta –
“de obras mortas para servimos ao Deus vivo!”
Uma “obra morta” é qualquer coisa que você e eu fazemos
tentando ajudar a Deus perdoar-nos nosso pecado. É tentar adicionar ao
que Cristo realizou plenamente na cruz.
Obra morta é quando não cremos que realmente estamos
perdoados e tentamos fazer algo para compensar o que fizemos.
Que é que Deus quer que façamos quando pecamos?
Precisamos dEle nesse momento mais do que em qualquer outra
ocasião em nossas vidas. Não é ocasião para fugir de Deus, como fez
Adão. Quando Adão pecou, Deus apareceu no Jardim e disse:”Adão
onde estás? “Deus tinha, realmente, necessidade de perguntar? Você
não acha que Ele sabia onde Adão estava?
Adão escondeu-se porque ele ficou com medo. Ele deveria ter
compreendido que Deus ainda o amava, pois do contrário Ele não
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andaria à procura dele. Então Adão cometeu a primeira obra morta da
História! Ele tentou esconder seu senso de culpa com folhas de figueira.
Tentou cobrir seu pecado e sua culpa mediante a obra de suas próprias
mãos, e em assim fazendo ele cometeu o primeiro ato “religioso”. Isso
é, na realidade, o que a “religião” é, se você a entende corretamente.
Cristianismo não é religião; cristianismo é um relacionamento
pessoal com Deus mediante Jesus Cristo e Sua obra concluída. Não é
nosso esforço por ganhar a aprovação de Deus pelo que fazemos.
NA FAMÍLIA DE DEUS
Pense nisso!
Temos acesso à presença de Deus. “Aproximemo-nos, com
sincero coração, em plena certeza de fé, tendo os corações purificados
de má consciência, e lavado o corpo com água pura” (Hebreus 10:22).
Quando pecamos conscientemente, Deus quer que nos
aproximemos dEle “com sincero coração”, para sermos honestos “em
plena certeza de fé” (isto é, no que Cristo fez). “Nessa vontade é que
temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo,
uma vez por todas” (Hebreus 10:10).
Deus nos ama e nos aceita. Estamos perdoados. Ele quer que
confessemos o que temos feito e Lhe demos graças por Seu perdão. Se
não fizermos isto, teremos uma consciência má.
Conheço histórias comoventes, uma após outra, de pessoas que
enfermaram mentalmente por causa de culpa não resolvida; outras
permanecem razoavelmente sãs, mas não têm poder em suas vidas.
Tentam valer-se de alguma experiência que tiveram no passado e
querem saber por que não têm mais o mesmo poder.
Quão absolutamente fantástico é saber que há um perdão
garantido a nós mediante a oferta de Jesus Cristo, uma vez por todas, a
nosso favor. Por isso é que se diz: “Portanto Ele é capaz também de
salvar ao máximo – completamente, perfeitamente, finalmente e por
todo tempo e eternidade – aqueles que vêm a Deus por intermédio dEle,
visto como Ele vive sempre para fazer petição a Deus e intercede com
Ele e intervém por eles” (Hebreus 7:25, Bíblia Ampliada).
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Estou certo de que alguns dos que lêem este livro têm permitido
que a culpa os venha amarrando durante anos.
Você esteve simplesmente esperando que Deus descesse a lenha
sobre você por algum pecado oculto ou por uma vida vivida em franca
rebelião contra Sua vontade quanto a você. Essa mesma culpa tem
produzido uma alienação da única Pessoa da Qual você mais precisa
aproximar-se neste momento – seu amoroso Pai Celestial. Não pode
você ver quão maravilhoso seria que Ele pusesse Seus grandes e fortes
braços em torno de você e o confortasse e lhe reafirmasse Seu amor e
aceitação?
Deixe-O fazer isso agora. Ele não está zangado com você, - não
importa o quanto você O tenha desapontado. Ele o perdoou totalmente
por quaisquer ofensas contra Ele. A única coisa que entristece a Deus
agora é que Seus filhos se sintam alienados dEle quando Ele Se
interessa tantos por eles.
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A VIAGEM DA CULPA - (www.ibcu.org.br).