FERNANDA FRONZA MAJCZAK ESTUDO DAS MOTIVAÇÕES DO TURISTA DE AVENTURA DA CIDADE DE CURITBA - PR Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado ao Curso de Turismo da Escola de Negócios da Universidade Positivo como requisito para obtenção do título de Bacharel em Turismo. Orientador: Alexsandro Eugênio Pereira Curitiba – PR 2009 2 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aos meus pais Mirles e Marcos (in memorian), que me deram a oportunidade e o apoio para concluir esta importante fase da minha vida. 3 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus pelo dom da vida e inteligência. Agradeço aos meus pais, Mirles e Marcos (in memorian) pela oportunidade de cursar esta faculdade e poder concluí – la. A todos os professores, sem os quais não teria o conhecimento necessário para a conclusão do Curso. Ao meu orientador Alexsandro, por contribuir com sua sabedoria e inteligência durante todo o ano letivo. Aos meus amigos, em especial a Regiane, Juliana e Caroline, por estarem sempre ao meu lado em todos os momentos e terem me apoiado nas dificuldades e compartilhado as alegrias. Aos tios, Adriane e Cley, e padrinhos Claudio Diogo e Ana, pelas conversas e pelo apoio moral. Ao meu irmão, Rodrigo, por estar sempre ao meu lado, acreditando sempre em mim. 4 "Sempre que houver alternativas tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortavel, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso. Opte pelo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências." Osho 5 RESUMO Existem diversos autores e livros que falam sobre motivações, que procuram compreender o que leva as pessoas em geral a viajarem, estudando as motivações como um todo. Porém, existem poucos estudos na área do turismo que trabalham com estes dois segmentos juntos: a Psicologia e o Turismo de Aventura de forma específica, permitindo, dessa forma, estudos específicos, como o do perfil dos consumidores de turismo de aventura da cidade de Curitiba (PR). Dessa maneira, este trabalho objetiva contribuir nesse sentido examinando os fatores que levam os consumidores turísticos da cidade de Curitiba (PR) a procurarem o turismo de aventura em suas viagens. Esse trabalho pretende entender os fatores que influenciam este tipo de consumidor tão crescente no mercado turístico e o que o motiva a viajar a determinado destino. Para tanto, abordou-se conceitos básicos e teóricos sobre o tema de Psicologia do Turismo, Comportamento do consumidor no Turismo, e Turismo de Aventura. Foram aplicadas, pesquisas específicas com turistas de aventura curitibanos, realizou-se um diagnóstico dos resultados juntamente com a análise dos mesmos, para que o objetivo do trabalho pudesse ser concluído. Concluindo, assim, que, os turistas de aventura buscam algo encontrado somente neste tipo de turismo como: estender os limites, superar suas expectativas, emoção, adrenalina. Enfim, são os motivos que levam o consumidor de turismo de aventura da cidade Curitiba (PR) a optar por este segmento, mostrando a face deste turismo tão diferente. Palavras-chave: Turismo de Aventura, Motivações, Curitiba (PR) 6 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 – Bungee jumping FIGURA 2 – Canyoning FIGURA 3 – Rapel FIGURA 4 – Boiacross FIGURA 5 – Kitesurf FIGURA 6 – Parasail FIGURA 7 – Rafting FIGURA 8 – Parapente FIGURA 9 – Pára - quedismo 7 LISTA DE GRAFICOS GRÁFICO 1 – Sexo dos entrevistados GRÁFICO 2 – Faixa etária dos entrevistados GRÁFICO 3 – Escolaridade dos entrevistados GRÁFICO 4 – Renda mensal dos entrevistados GRÁFICO 5 – Associação a palavra Aventura GRÁFICO 6 – Esportes de Aventura GRÁFICO 7 – Prática turismo de aventura GRÁFICO 8 – Motivação GRÁFICO 9 – Motivação depois da prática 8 SUMARIO DEDICATÓRIA AGRADECIMENTOS EPÍGRAFE RESUMO LISTA DE FIGURAS LISTA DE GRAFICOS 1INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 9 2 REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................................... 11 2.1 TURISMO E SUAS DEFINIÇÕES ............................................................................ 11 2.1.1 Segmentação Turística ........................................................................................... 14 2.2 TURISMO E PSICOLOGIA ........................................................................................ 17 2.3 TURISMO DE AVENTURA ........................................................................................ 19 2.3.1 Turismo de Aventura e Ecoturismo: qual a diferença? ........................................ 26 2.4 O TURISTA DE AVENTURA ..................................................................................... 28 2.5 A MENTE DO CONSUMIDOR .................................................................................. 30 2.5.1 A Motivação do Homem e seu Lazer .................................................................... 30 2.5.2 Motivações do turista de Aventura......................................................................... 37 3 CONSIDERAÇOES METODOLOGICAS .................................................................... 41 3.1 APRESENTAÇÃO DESCRITIVA DOS DADOS DA PESQUISA ........................... 42 3.2 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS DA PESQUISA ........................... 46 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 51 5 REFERÊNCIAS.............................................................................................................. 53 APENDICE A ..................................................................................................................... 56 APENDICE B ..................................................................................................................... 58 9 1 INTRODUÇÃO Existem diversos autores e livros que falam sobre motivações, que procuram compreender o que faz os consumidores viajarem, baseando-se em pesquisas de campo, através de teorias antigas, contemporâneas, entre outras. Mas se comparado a projetos acadêmicos, existem poucos estudos na área do turismo que trabalham estes dois segmentos juntos: Psicologia e o Turismo de Aventura A idéia de estudar as motivações do turista de aventura da cidade de Curitiba (PR) surge pelo fato de a maioria das pesquisas estudarem as motivações como um todo, não focando em um tipo de turista, em um segmento. Com esta perspectiva, é de suma importância ter mais trabalhos direcionados a certo público, contribuindo assim tanto para estudo do mercado que lida com este perfil, como para as agências específicas, os pesquisadores e os estudantes de turismo e turismólogos em geral. Compreender a mente de um cliente, o que o motiva a viajar, é um desejo de muitos, além de se tornar uma vantagem competitiva no mundo dos negócios. Partindo dessa idéia, este trabalho pretende buscar entender o que leva o turista de aventura da cidade de Curitiba (PR) a viajar e quais são as suas motivações. Os objetivos específicos envolvem: 1) compreender o que diferencia os turistas de aventura dos outros turistas; 2) conhecer o perfil dos turistas de aventura; 3) compreender o que esperam e o que obtêm do turismo de aventura; e 4) analisar as motivações em geral e em particular do turista de aventura. Desta maneira, este trabalho objetiva examinar os fatores que levam os consumidores turísticos da cidade de Curitiba (PR) a optar pelo turismo de aventura, para entender que fatores influenciam este tipo de consumidor tão crescente no mercado turístico e o que o motiva a viajar a determinado destino. Para a elaboração deste trabalho, os livros e artigos que mais se adequaram foram os de Sociologia do Turismo, nos quais pode ser localizada uma nova compreensão das viagens, da Psicologia do Turismo e os livros sobre o Comportamento do Consumidor no Turismo, que foram lidos com o objetivo de retratar as motivações do turista e compreender seus diversos perfis. Também foram consultados livros mais específicos do segmento do Turismo de Aventura para compreender melhor este tipo de turismo, quem são os consumidores, perfis, além dos livros em geral, como definições e história, que deram a base referencial durante 10 o estudo. Além dos livros e artigos, que são necessários para desenvolver o problema da pesquisa, e dessa forma evitar que ela fique no senso no comum, foram realizadas, também, pesquisas de campo, nas quais procurou-se entrevistar uma média de 100 turistas de aventura da cidade de Curitiba (PR) com a finalidade de descobrir o que os motiva a viajar em busca de aventura. Esta monografia estará dividida em dois capítulos. O capítulo 2 abordará os seguintes temas como: turismo e suas definições, segmentações turísticas, turismo e psicologia, turismo de aventura, a diferença do turismo de aventura e do ecoturismo, o turista de aventura, a mente do consumidor, a motivação do homem e seu lazer, as motivações do turista de aventura, tornando-se fundamentais para a realização deste. No capítulo 3 são apresentados os resultados das pesquisas de campo com turistas de aventura curitibanos, com o objetivo de saber qual é o perfil destes clientes, e também o que os incentiva a viajar, enfim, suas motivações. Ressalta-se ainda que, além das aplicações dos questionários e das entrevistas, foram realizadas análises dos resultados da pesquisa, que contribuíram para a conclusão deste estudo. Por fim, e não menos importante, as considerações finais resumem, com base em toda a teoria estudada e nas pesquisas de campo, as motivações do turista de aventura da cidade de Curitiba (PR), e o que os leva a viajar, abordando os principais resultados obtidos no trabalho. 11 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 TURISMO E SUAS DEFINIÇÕES O universo da atividade turística é muito complexa, sendo impossível descrever seu conceito em apenas uma definição. Se baseado em apenas um único autor, ficará limitado em apenas uma conceituação, o que é inadequado para este fenômeno que ocorre em diferentes campos de estudo e verificado em contextos variados da realidade social, como afirma Beni (2001, p.39). Por isso, não cabe tentar definir apenas um conceito universal e sim abordá-lo de forma geral, mostrando as opiniões de diferentes pensadores da área do Turismo. Uma definição é da Organização Mundial do Turismo (OMT), onde: O turismo compreende as atividades que realizam as pessoas durante suas viagens e estadas em lugares diferentes ao seu entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócios ou outras. (OMT, 1994) A Organização Mundial do Turismo esclarece ainda, que o entorno habitual de uma pessoa consiste em certa área que circunda sua residência mais todos aqueles lugares que visita frequentemente. Partindo desse conceito básico de turismo, começaram a surgir outros tipos de definições, como econômicas, holísticas, entre outras. Segundo Leiper apud Theobald (2001): Existem três enfoques para definir turismo: econômico, técnico e holístico. As definições econômicas consideram o turismo uma atividade econômica e um setor. As definições técnicas identificam o turista de forma a oferecer uma base comum para a coleta de dados. As definições holísticas tentam incluir toda a essência do tema (LEIPER apud THEOBALD, 2001, p.32). A Escola de Berlim estudou os aspectos econômicos e alguns autores definiram o turismo como: O conjunto de viagens que tem por objetivo o prazer ou motivos não comerciais, profissionais ou outros análogos, durante os quais é temporária sua ausência da residência habitual. As viagens realizadas para locomover-se ao local de trabalho não se constituem em turismo. (BORMANN apud IGNARRA, 1999, p.23). 12 Com uma visão mais qualitativa, McIntosh (apud BENI, 2001, p.34) define turismo como “a ciência, a arte e a atividade de atrair e tranportar viajantes, alojálos e cortesmente satisfazer suas necessidades e desejos.” Necessidades e desejos, palavras muito utilizadas no mundo e no mercado do Turismo, onde não existem dúvidas nem controvérsias entre os pensadores, que concordam que o turismo é uma troca de bens e serviços, necessidades e desejos, aonde o turista vai em busca de seu desejo, e de sua necessidade. O turista somente é atendido em suas necessidades e desejos se pagar pelo que deseja. Com conceitos mais gerais, existem as definições holísticas, também abordadas por diversos autores, como por exemplo, É o estudo do homem longe de seu local de residência, da indústria que satisfaz suas necessidades, e dos impactos que ambos, ele e a indústria, geram sobre os ambientes físico, econômico e sociocultural da área receptora. (JAFARI apud BENI, 2001, p.36) Com um conceito mais geral e qualitativo, porém muito válido, Dias (2003) afirma que: O turismo transformou-se numa das mais importantes faces da globalização, contribuindo para estreiar as distâncias entre as diversas partes do globo e, ao mesmo tempo, para o aumento de uma consciência global. Diferentes povos, através da atividade turística, passam a compreender o lugar que ocupam no mundo e a ligação que possuem uns com os outros. (DIAS, 2003, p.14) Palomo define o Turismo como atividade econômica pelos seguintes motivos: a) a propensão a viajar é um ato humano; b) a recreação é uma atividade desenvolvida por indivíduos, isolada ou grupalmente; c) os deslocamentos são atos que compreendem gastos e receitas; d) o consumo de bens e serviços turísticos pode enquadrar-se em mais de uma atividade econômica; e) a geração de riqueza por meio de um processo produtivo é clara e tipicamente uma atividade econômica. (PALOMO apud BENI, 2001, p.35). 13 Ainda com uma visão econômica deste fenômeno, Lickorish et.al (2000, p.50) afirma: É essencialmente um conceito econômico, baseado no fato de que o viajante, conforme descrito pela definição de „‟turismo‟‟, gasta dinheiro no destino visitado, o qual é ganho fora de tal localidade ou de tal país. Assim, o turismo representa uma injeção externa de riqueza e receitas consideráveis para a área que recebe o turista. (LICKORISH et al, 2000, p.50) Com uma citação menos complexa do que as demais citadas, porém profunda e que faz com que todo este fenômeno chamado Turismo ocorra, Krippendorf (2001) afirma que: A possibilidade de sair, de viajar reveste-se de uma grande importância. Afinal, o cotidiano só será suportável se pudermos escapar do mesmo, sem o que perderemos o equilíbrio e adoeceremos. O lazer e sobretudo as viagens pintam manchas coloridas na tela cinzenta da nossa existência. Elas devem reconstituir, recriar o homem, curar e sustentar o corpo e a alma, proporcionar uma fonte de forças vitais e trazer um sentido à vida. (KRIPPENDORF, 2001, p.36) A partir das diversas terminologias citadas, pode-se perceber a amplitude do fenômeno do Turismo. Como abordado no início do capítulo, fica impossível definir o que é turismo em apenas uma definição, já que esse fenômeno foi e continua se expandindo cada vez mais, abrangendo e interligando campos de estudo, como o marketing, a psicologia, a administração, entre tantos outros contextos da realidade social, causando toda essa multiplicidade de conceitos, onde nenhum deve ser descartado, pois julgá-los certo ou errado, levaria a discussões intermináveis. 14 2.1.1 Segmentação Turística Com o crescimento cada vez maior do turismo, surge a necessidade de definir o mercado turístico de acordo com o que diferencia um turismo do outro, os produtos utilizados para a realização da prática e os tipos de consumidores. O mercado consiste em todos os consumidores potenciais que compartilham de uma necessidade ou desejo específico, dispostos e habilitados para fazer uma troca que satisfaça essa necessidade ou desejo. (KOTLER apud IGNARRA, 1999, p.75) Ou seja, a satisfação dos clientes é obtida quando suas necessidades são alcançadas, passando por um processo de marketing que Kotler (apud Ansarah,1999, p.14), apresenta como: Necessidade humana: estado em que se percebe alguma privação. Desejo humano: necessidades humanas moldadas pela cultura e pelas características individuais. Demanda: as pessoas têm desejos quase infinitos, mas recursos limitados. Esses desejos, quando viabilizados pelo poder de compra, tornam-se demanda. Produto: é qualquer coisa que possa ser oferecida a um mercado para satisfazer uma necessidade ou desejo. Troca: é o ato de obter um objeto desejado, oferecendo algo em retorno. Transação: consiste na troca de valores entre duas partes. Existem transações monetárias, de bens e de serviços. Mercado: é o grupo de compradores reais e potenciais de um produto. A finalidade principal do marketing é a satisfação do cliente, e levando em conta este mesmo cliente, há diversas variáveis importantes que definem as segmentações do mercado para sua melhor eficácia, onde Ignarra (1995, p. 79-80) as divide em: a) idade: turismo infantil, turismo juvenil, turismo de terceira idade; b) sexo: masculino, feminino, turismo de GLS; c) tamanho da família: turismo individual, turismo de casais, turismo de grupos familiares; 15 d) ciclo de vida da família: jovem brasileiro, jovem casado sem filhos, jovem casado com filhos abaixo de 6 anos, jovem casado com filho acima de 6 anos; meia idade casado com filhos, meia idade casado sem filhos, idoso, solteiro; e) renda: familiar, individual; f) ocupação: empresário, profissional liberal, empregado autônomo, aposentado; g) educação: 1 grau, 2 grau, 3 grau, pós-graduado; h) religião: católica, evangélica, judaica; i) raça: branca, negra, amarela; Quanto às variáveis psicográficas o mercado pode ser segmentado por: a) clase social: classe baixa, classe média, classe alta; b) estilo de vida: metódico, intelectual, aventureiro. Quanto às variáveis comportamentais os segmentos de mercado podem ser divididos em: a) ocasiões: periódicos, esporádicos; b) benefícios: qualidade, economia; c) condição do consumidor: não-consumidor, ex-consumidor, consumidor em potencial, consumidor principiante, consumidor habitual; d) índice de consumo: baixo, médio, elevado; e) grau de lealdade: nenhum, fraco, médio, grande, completo; f) estágio de aptidão: inconsciente, consciente, informado, interessado, desejoso, disposto a comprar; g) atitude relativa ao produto: entusiástica, positiva, indiferente, negativa e hostil. Percebe-se como o mercado turístico possui um conceito amplo e diversificado, não tão simples de segmentar. A partir dessa diversidade de critérios, convém citar e explicar alguns segmentos, mostrados a seguir: 16 a) Turismo Científico b) Turismo de Compras c) Turismo Cultural d) Turismo Desportivo e) Turismo Ecológico ou Ecoturismo f) Turismo Específico g) Turismo de Eventos : É o turismo que tem como característica principal a visita a congressos, convenções, seminários, eventos em geral, em busca de conhecimento, lazer e outros. h) Turismo Gastronômico i) Turismo LGBT j) Turismo de Inverno k) Turismo de Negócios l) Turismo Religioso: Motivado pela fé ou necessidade de cultura religiosa, atráves de igrejas, peregrinação, romarias etc. m) Turismo Rural e Agroturismo n) Turismo de Saúde o) Turismo Sexual: São viagens organizadas com o intuito de facilitar o comérico sexual entre turistas e locais. Os perfis geralmente são europeus de classe média, com idade entre 20 e 40 anos. p) Turismo Social q) Turismo de Sol e Praia r) Turismo de Terceira Idade: Tem como demanda principal os idosos, aonde seus motivos variam de fuga da solidão e o aproveitamento do tempo livro. s) Turismo Urbano t) Turismo de Aventura: Pessoas em busca de auto-realização, prazer, também destacam-se por estarem dispostos a correrem riscos, em busca de novas experiências, onde o turista passa a ser o protagonista. (BERBERI, 2006) Os tipos de turismo não terminam, podendo existir outros segmentos, subdivididos, entre outros. A importância de segmentar o mercado turístico é grande, sendo mais fácil compreender os gostos e preferências dos consumidores, tornando-se melhor para quem trabalha e organiza viagens, quanto a estudo. 17 2.2 TURISMO E PSICOLOGIA É comum mencionar-se frases negativas sobre a Psicologia, como: „‟psicologia é para louco‟‟, „‟se a psicologia fosse boa os psicólogos resolviam seus problemas‟‟, „‟vai em um psicólogo pra quê?‟‟, entre tantas outras citadas por Silva (2001, p.15), e que mostram o desconhecimento e preconceito em relação à psicologia, que é: uma ciência nova, que a cada dia vem-se fundamentando cientificamente e está sendo desenvolvida por homens e, como qualquer ação humana, passível de erros e acertos. Isto posto, todo comentário radical, contra ou a favor, é improdutivo e carente de sentido prático. (SILVA, 2001, p.17) É uma área ampla, a da Psicologia, que leva a diversas teorias, escolas e diferenciais, onde serão mostrados a seguir os termos populares desta ciência. Psicólogo: é o profissional com formação superior em psicologia e geralmente volta seus estudos e trabalhos para o conhecimento da personalidade e do comportamento do ser humano. É registrado no Conselho Regional de Classe (CRP). Psiquiatra: é o profissional com formação superior em medicina cuja especialidade é a psiquiatria. É registrado no Conselho Regional de Classe (CRM). Obs: Ambos trabalham com problemas e dificuldades do ser humano, mas em casos de maior gravidade onde há necessidade de medicação, somente o Psiquiatra pode prescrevê-la. * Psicanalista: É um profissional de nível superior (independe o curso) que estudou em Escolas que ensinam a Psicanálise (desenvolvida por Sigmund Freud) e, a partir disto, exerce a psicoterapia (como os dois profissionais anteriores) conhecida com Análise. Não existe Conselho Regional de Classe. (SILVA, 2001, p.19) Pearce e Stringer (1991 apud ROSS, 2001, p.21), comentando a interface psicologia/turismo usaram uma abordagem de „‟níveis da análise‟‟, descrevendo a investigação psicológica como um estudo que enfoca diversos processos biológicos 18 e fisiológicos, cognitivos e mentais, diferenças individuais, comportamento interindividual e comportamentos intergrupais e interculturais. Pelo fato de o turismo ter sido segmentado em diversas áreas, como comentado no capítulo anterior, e pela sua expansão no mercado, surge a necessidade de tentar compreender o turista, um ser complexo, com contradições numerosas, mas que revelam a verdadeira face do turismo. A Psicologia aplicada ao Turismo torna-se cada vez mais relevante no mercado, onde busca-se entender a mente do consumidor, sua personalidade, suas motivações, atitudes, fatores decisivos na escolha de um destino entre tantos outros. Estes aspectos serão abordados de maneira mais específica mais adiante, e ajudam os turismólogos e pessoas que trabalham com estes consumidores (turistas) tornando-se mais fácil satisfazer os seus desejos, criando, assim, um produto personalizado, vantagem competitiva no mercado atual. 19 2.3 TURISMO DE AVENTURA Para uma melhor compreensão do tema, convém retomar as raízes da palavra aventura. Ela é derivada do latim, adventura e significa „‟o que há por vir‟‟. Na sociedade contemporânea, o turismo de aventura está cada vez mais em voga. Ele tem sido considerado um dos segmentos que apresentam maior crescimento mundial. Somente em 2000, de acordo com Millington (2001), o número de viagens registradas no mercado internacional foi de aproximadamente quatro a cinco milhões, ou seja, quase 7% do total de viagens realizadas no período. (UVINHA, 2005, p.25). O cotidiano da vida de cada pessoa é diferente, assim como o conceito de aventura varia de indivíduo para indivíduo, de acordo com sua personalidade e estilo de vida. Swarbrooke et al. (2003) afirmam que é um conceito muito pessoal, onde uma atividade corriqueira para uma pessoa pode representar uma aventura incomum para outra, sendo assim difícil definir aventura em apenas uma definição. Muitas pessoas trabalham horas, estudam e vivem em função de ser alguém perante a sociedade, e assim acabam sentindo uma real necessidade de férias, de lazer, de um tempo para si mesmos. Então os turistas procuram coisas novas e diferentes do que simplesmente viajar. Diante disso aparecem novos tipos de turismo, diferente do “sol e praia”, como o turismo de aventura que. Sobre este segmento do turismo, Beni e Grant afirmam: Denominação dada ao deslocamento de pessoas para espaços naturais, com ou sem roteiros programados e ausência ou incipiência de equipamentos receptivos, motivados pela atração exercida pelo desconhecido e desejo de enfrentar situações de desafio físico e emocional. Compreende múltiplas formas de treinamento de sobrevivência na selva e em outros locais inóspidos ou ainda não desbravados e contato com culturas primitivas. Alguns autores chamam-no de turismo selvagem ou de turismo de exploração. Na Europa, o denominado turismo montanhês inclui-se nesta categoria. No Brasil, este tipo de turismo vem sendo praticado na floresta amazônica, no pantanal mato-grossense, em algumas chapadas do planalto central e nos lençóis maranhenses. (BENI, 2001, p.425) 20 Já Grant (apud Swarbrooke et al., 2003) explica o que difere o Turismo de Aventura dos outros tipos de turismo. ...O principal fator que distingue o turismo de aventura de todas as outras formas de turismo é o nível requerido de planejamento e preparação. Embora essas características possam em parte estar presentes em todas as formas de viagem e turismo, elas são essenciais no contexto do turismo de aventura. A „‟jornada da mente‟‟ (The Times, 2000) se refere não ao planejamento e preparação que possibilita a chance de imaginar a paixão, a emoção e o medo que podem vir a ser experimentados, e os riscos que podem ser enfrentados, delineados em sua grande parte pelos relatos de jornadas de exploradores passados. Essencialmente, cada pessoa experimenta uma jornada mental única; é importante frisar que esté é um componente forte o suficiente para carcterizar o produto.‟‟ (GRANT apud SWARBROOKE et al., 2003, p. 27) Swarbrooke et al. (2003) acreditam que existem duas dimensões, do turismo de aventura; o fenômeno físico, envolvendo turistas que se submetem a atividades físicas, e as de natureza não-física que podem ser divididas em três diferentes tipos: Aventura intelectual, na qual o objetivo da viagem é o aperfeiçoamento mental; Aventura emocional, por exemplo, o jogo e o hedonismo; Aventura espiritual, na qual as pessoas viajam em busca de elevação espiritual. Em relação aos seus tipos, os modelos de atividades de aventura são bem diversificados, onde Uvinha (2005, p.29) afirma que alguns exemplos de aventura física ainda não estão bem definidos pelo fato de cada região ter sua realidade específica. Uvinha (2005, p.29) ainda diz que é muito frequente que as práticas do turismo de aventura estejam relacionadas com os elementos da natureza, como a terra, a água e o ar, e as apresenta da seguinte maneira: 21 Terra: arvorismo, bungee jumping, cicloturismo, caminhada, cavalgada, canyoning, escalada, espeleoturismo, fora de estrada, motocross, rapel, tirolesa. Figura 1 – Bungee jumping Fonte: http ://www.cs.bris.ac.uk Figura 2 – Canyoning Fonte: http://www.watertechkayaks.com 22 Figura 3 - Rapel Fonte: http://www.vcnarede.com.br Água: boiacross, canoagem, duck, kite surf, merulho, parasail, rafting, surfe. Figura 4 – Boiacross Fonte: http://www.pirenopolis.tur.br Figura 5 - Kitesurf Fonte: http://www.avidaebela.com 23 Figura 6 –Parasail Fonte: http://www.shortmoney.net Figura 7 – Rafting Fonte: http://www.mcaconsult.com.br Ar: asa-delta, balonismo, parapente, pára-quedismo, ultraleve. 24 Figura 8 – Parapente Fonte: http://www.tourisme-aveyron.com Figura 9 - Pára-quedismo Fonte: http://www.aeroclubevirtual.com.br Entre muitos outros. O campo de turismo de aventura não-físico também é bem amplo, variando desde viagens a cassinos até férias em busca do prazer, com sol, areia, mar e sexo, ou viagens em busca da elevação espiritual. De uma forma geral, são turistas que estão em busca da auto-realização, do prazer, do novo, e também se destaca pela busca de novas experiências e usufruir de desafios mentais e físicos, onde muitos jovens preferem montar suas próprias viagens, mas não sendo somente eles o perfil do consumidor deste tipo de turismo. Em questão a sua viagem, quanto maior for a adrenalina, maior o grau de fuga de rotina, maior a satisfação e o desejo alcançado. É uma segmentação que está cada vez mais em alta, talvez pelo dia a dia agitado da maioria da população. Como modo de fuga, o turismo de aventura cresce cada dia mais, no mundo e no Brasil, onde de acordo com Uvinha (2005, p.25), as 25 primeiras atividades comerciais surgiram no início de 1990, tendo então obtido um crescimento vertiginoso nos últimos anos, apresentando evidente importância no contexto turístico brasileiro. Na Inglaterra, Swarbrooke (2003) amplia a compreensão do turismo de aventura, relacionando à prática mais de vinte temas. Chega ao exagero de incluir uma diversidade de experiências e atitudes que acaba por confundir o leitor em vez de proporcionar um recorte para o segmento. Em sua listagem, por exemplo, inclui até mesmo „‟a elevação espiritual‟‟ como uma aventura. (SWARBROOKE et al. apud UVINHA, 2005, p. 27). É um tipo de turismo muito amplo, o de aventura, e que confirma a análise de Hopkins e Putnam apud Swarbrooke et al. (2003, p. 14) de que a „‟ aventura pode ser da mente e do espírito, tanto quanto um desafio físico‟‟. Aventura mesmo que resulte em ação não é somente isso, podendo ser também intelectual, emocional e até mesmo espiritual, como citado. O conceito de aventura varia muito de pessoa para pessoa, de acordo com cada personalidade, motivação, mas é o espírito e as sensações de aventura que prevalecem em todos os praticantes, sendo qualidades impossíveis de descrever, e sim somente sentir, dando um tempero especial a vida, que está na mente e no coração do aventureiro. 26 2.3.1 Turismo de Aventura e Ecoturismo: qual a diferença? Além do campo complexo que é o Turismo de Aventura, ainda existem confusões conceituais sobre ele, e outras áreas do turismo, como o ecoturismo, o turismo esportivo, o turismo ecológico, o turismo verde, o turismo exótico, o turismo alternativo, entre outros, onde muitas pessoas acreditam ser a mesma coisa. Mas afinal, existe uma diferença entre estas atividades? E quais são? A figura de Ramos (2005, p. 471) mostra primeiramente as características da aventura. TURISMO DE AVENTURA Alto nível de planejamento AVENTURA Exótico Do latim coisas que estão por vir, de adveniare „‟chegar‟‟ Áreas remotas Acontecimento imprevisto Selvagem Resultados incertos Envolve trade Incerta Atividades esportivas Liberdade de escolha Clientes atuantes Rompimento da rotina Exige plano de emergência É inerente à natureza humana Alto nível de imersão na atividade Sobrepõe limites Pernoite em barracas ou rústicos Logística e operação complexas Figura 10 – Espectrum da aventura dentro do turismo Fonte: Ramos (2005, p.471) Características estas que definem o turismo de aventura e diferem esse segmento do ecoturismo. Ambientes remotos, maior incerteza dos resultados do programa, resultados e riscos inesperados definem bem o turismo de aventura. Dessa maneira, Ramos (2005, p.475) afirma que é possível observar que quanto menos intensa no sentido de esforço físico e mais educativa contribuindo para a evolução ambiental, mais próxima a atividade estará do ecoturismo, e quanto 27 mais adrenalina e riscos avaliados, controlados e assumidos, mais próxima essa atividade estará do turismo de aventura. 28 2.4 O TURISTA DE AVENTURA Nas últimas décadas, novos estilos de vida tem tomado conta dos consumidores, alterando assim seus comportamentos. Indivíduos em busca de uma vida mais saudável, consumidores mais exigentes, entendedores da sua viagem, pessoas querendo rusticidade, experiências e participar de atividades em suas férias são alguns exemplos destes chamados „‟novos turistas‟‟(Poon apud Swarbrooke, 2003, p. 58). Isto tem ocorrido porque o trabalho tem tomado conta da vida das pessoas, porém necessitam dele para sobreviver. Na condição de viver somente do trabalho, as pessoas adoeceriam com mais freqüência. Dessa maneira, surge o lazer, atividade cada vez mais importante na vida das pessoas. A vida moderna encoraja as pessoas a buscarem „‟[...] uma experiência de manifestação profunda, inacessível no dia-a-dia‟‟ (Cater, 2000 apud Swarbrooke, 2003, p. 58). O turismo de aventua proporciona, assim como alguns outros tipos de turismo, essa busca pela experiência não encontrada no dia a dia e cada vez mais procurada pelos „‟novos turistas‟‟. A unanimidade parece acontecer no seguinte ponto: essas necessidades só podem ser satisfeitas „‟fora‟‟ e não „‟dentro‟‟ de casa, salvo para alguns privilegiados que exercem uma atividade agradável, criativa e variada, que determinam eles próprios as tarefas do dia e o ritmo do trabalho, que são livres, a quem nada falta e cuja moradia é tão agradável que podem muito bem passar as férias no jardim. Para eles todos os dias são de férias. (KRIPPENDORF, 2001, p.37) Os turistas de aventura não são somente jovens como normalmente as pessoas acreditam. Um exemplo disso é a Explore Worldwide, principal operadora inglesa de aventura, que oferece uma grande variedade de férias voltadas a diferentes mercados de aventura, e sua faixa etária média de clientes está entre 40 e 45 anos. (Swarbrooke et al., 2003, p. 60). São turistas que independente da sua idade, do sexo, independente se compram pacotes turísticos ou se montam sua própria viagem, possuem um estilo de vida, um preparo físico, e muita vontade de sentir e vivenciar essas experiências proporcionadas pelo turismo de aventura, tão buscadas e chamadas de „‟experiência de pico‟‟, que se resume naquele: 29 momento entre a sensação de estar à beira da exaustão e o término da escalada é o momento que os alpinistas buscam. Aquele momento quando o pulso começa a acelerar e o prazer se instala, e então diminui-se o passo na tentativa de fazer aquela sensação perdurar para sempre. Aquele é o momento. (SWARBROOKE et al., 2003, p.59) Esse mesmo momento é descito pelo alpinista Waldemar Niclevicz, que afirma que: A aventura e o desafio em vencer algum componente da natureza em função de que, quando se vê uma montanha como a do Himalaia, se percebe a insignificância do ser humano. O homem se torna insignificante diante de tamanha grandeza e a emoção de chegar ao topo do Himalaia é que é possível chegar lá se se planejar, persistir, e, o sabor da chegada é que, apesar dessa insignificância, é possível vencer aquela grandiosidade porque no fundo a vida é uma grande escalada. (NICLEVICZ apud GIARETTA, 2003, p.55) Além dos jovens exploradores, turistas, do grupo de pessoas com faixa etária mais velha, um forte público adepto a esta prática são as mulheres. [...] elas têm muita coragem e eu não diria que são imprudentes: são mais humildes – têm mais humildade em relação a uma pessoa que tem o que oferecer; as mulheres são mais prudentes, os homens são mais atirados, como mais orgulhosos também; orgulhosos a ponto de falar „‟não preciso desse cara, eu consigo sozinho‟‟. Para o homem aquele instrutor é um rival, é um objeto de temor, inveja, raiva, porque é o que ele não consegue ser, o que ele não tem coragem de ser, às vezes. (ZAITH apud BRUHNS, 2003, p.46) Enfim, viajantes em busca do desconhecido, do medo e do perigo controlado, com destino e tempo incertos, uma certa adrenalina e sensações que somente este tipo de turismo, o de aventura, pode proporcionar. 30 2.5 A MENTE DO CONSUMIDOR 2.5.1 A Motivação do Homem e seu Lazer O que motiva o Homem a viajar? Por que as pessoas viajam, sentem necessidade de sair do cotidiano, tirar férias? Essas e outras inúmeras perguntas surgem da motivação dos indivíduos, turistas em geral, que nada mais é do que a força impulsionadora do indivíduo para um objeto, de acordo com Minicucci, 1983 (apud SILVA, 2001, p.177). Algumas vezes não são bem-explicados certos comportamentos de consumidores de turismo, ou seja, por que turistas com características sociodemográficas idênticas escolhem destinos diferentes, por que escolhem viajar por uma companhia e não por outra, etc. Por isso, temos que levar em consideração o comportamento do consumidor e seu processo de tomada de decisões. (OMT, 2001, p.63) Complementando, Barretto (2000) afirma que as motivações são as causas subjetivas que vão fazer com que o turista decida sua viagem, onde o contexto turístico depende essencialmente da motivação dos clientes, sendo assim de suma importâcia explicar as diferentes motivações, de acordo com Maslow e Murray (apud SILVA, 2001, p. 75). Para Maslow o ser humano reage às suas necessidades de uma forma inicialmente mais simples (necessidades físicas) até as mais complexas (necessidades psicológicas). (SILVA, 2001, p.75) 31 Figura 11 – Pirâmide de Maslow Fonte: http://www.cobaia.net Maslow explica que as necessidades são satisfeitas em ordem, que segundo a fase da vida, uma ou outra necessidade pode ser mais forte. São necessidades que todo ser humano tem, e seu objetivo é chegar ao topo da pirâmide, ou seja, alcançar a auto-realização, quando todas as demais necessidades já foram alcançadas. Já Murray, como afirma Silva (2001, p.76), dá uma lista de necessidades que não estão conforme a colocação piramidal de Maslow, porém seguem a mesma conotação ao motivarem ações e, se satisfeitas, deixam de motivar. Como há semelhanças entre algumas necessidades dos dois autores, somente serão expostas as que não foram abordadas por Maslow. Elas são: Aquisição: comprar, possuir, ter, ser o dono; Dominação: mandar, ordenar, comandar; Agressão: extrapolar e manifestar as negatividades internas; Nutrimento: ajudar, amparar, aconselhar; Socorro: ser ajudado, amparado, aconselhado; 32 Cognição: aprender, crescer, amadurecer. (SILVA, 2001, p.76) O cotidiano pode ser muito bom e excepcionalmente proveitoso, mas também é cansativo e saturante, a ponto de levar indivíduos e grupos à procura dos mais diversos substitutivos – mesmo que temporários , de variáveis e de alternativas diversas, em busca de sua felicidade ou de alguma coisa que possa representá-la. (ANDRADE, 2002, p. 87) O ser humano sempre trabalhou muito para se sustentar e sobreviver, mas para poder trabalhar bem precisa descansar, cuidar da saúde, ter tempo para vida social, para o pessoal, pois somente o trabalho leva muitas pessoas à depressão e até mesmo ao fim da vida. Sendo assim, Andrade (2002, p. 89) afirma que: A intensa atividade humana e os desgastes dela decorrentes levaram a própria sociedade a procurar recursos capazes de fornecer aos indivíduos os necessários meios para o atingimento de muitas de suas aspirações, entre quais a prática do lazer e do turismo, cujas principais motivações são as seguintes: desejo de evasão, necessidade de evasão, espírito de aventura, aquisição de status, necessidade de tranquilidade, desejo ou necessidade cultural, desejo ou necessidade de compra. (ANDRADE, 2002, pp. 88,89) Estas motivações são inúmeras, dependendo muito de indivíduo para indivíduo, de acordo com a personalidade e necessidade de cada um, Beach e Ragheb (apud SWARBROOKE et al., 2002, p.87,88) criaram em 1983 um modelo chamado „‟ Leisure Motivations Scale‟‟ (Escala Motivacional do Lazer), que buscou esclarecer as motivações a partir do trabalho de Maslow, dividindo-as em quatro tipos: (a) O componente intelectual, que determina até que ponto os indivíduos são incentivados a práticas de lazer envolvendo atividades mentais, como aprender, explorar, descobrir, pensar ou imaginar. (b) O componente social, que determina até que ponto os indivíduos participam de atividades de lazer por razões sociais. Este componente inclui duas necessidades básicas a de amizade e a de 33 relações interpessoais, a segunda sendo a necessidade da estima de outras pessoas. (c) O componente domínio-competência, que determina até que ponto os indivíduos se envolvem em atividades de lazer para alcançar, dominar, desafiar e competir. As atividades costumam ser de natureza física. (d) O componente estímulo-escapismo, que determina o desejo de fugir a situações de vida excessivamente estimulantes. É a necessidade que alguns indivíduos têm de evitar o contato social, buscar a solidão e situações de calmaria; para outros, é a busca do descanso e de espairecimento. (BEACH E RAGHEB apud SWARBROOKE et al., 2002, p. 86,87) Analisando ainda as necessidades psicológicas que influenciam na decisão de viajar, Boullón, 1998 (apud DIAS, 2003, p.36) as resume em oito: 1. Motivos culturais ou educacionais: relacionam-se com o desejo de conhecer, ou voltar a visitar, lugares ou coisas das quais se tem conhecimento prévio bastante preciso; entre estas se encontram as obras de arte, de arquitetura, cidades antigas ou modernas, restos arqueológicos, curiosidades da natureza ou lugares onde há vida silvestre. Também se incluem nessa categoria as viagens para assistir a um congresso, uma convenção, um seminário ou um curso de curta duração; 2. Saúde: causa que inclui as pessoas que, sem estar doentes, viajam para lugares especializados, que apresentam alguma propriedade curativa: águas com alguma propriedade específica, regiões com água do mar com maior densidade salina, locais em que o lodo ou o barro apresentam qualidades excepcionais etc; 3. Desejo de mudança: inclui a busca de algo que compense o desgaste sofrido no trabalho, na rotina da vida diária, no núcleo familiar ou social ao qual pertence e mesmo das pressões da vida numa grande cidade; 4. Compras: essa causa responde à inclinação que todos temos de adquirir coisas típicas, que somente se conseguem no lugar de origem e que 34 podem ser mostradas como testemunho de nossa viagem, ou para obter artigos conhecidos por preço menor; 5. Hedonismo: inclui coisas muito concretas e outras um tanto ambíguas que, de modo geral, dão prazer, como sentir-se bem, comer bem, bronzear-se ao sol, ver coisas interessantes, conhecer gente bonita, extravagante e acolhedora, viver uma aventura amorosa ou sexual, experimentar emoções, divertir-se ou simplesmente não fazer nada; 6. Descanso: supõe um sentimento de esgotamento motivado pela idade, trabalho, família ou vida urbana; 7. Prática de esporte: é uma motivação que só tem validade para as pessoas que adquiriram alguma habilidade e sentem-se atraídas pelas características especiais de algum lugar para praticar seu esporte predileto, que pode ser montanhismo, esquiar sobre a neve, caça, pesca, observação submarina, etc. Dessa lista estão excluídos outros esportes, como tênis, golfe, boliche, que, embora bastante difundidos, atuam como um complemento e não como a única atividade que se espera realizar em uma viagem turística; 8. Conhecimento: é o impulso mais comum que sentem as pessoas, sobretudo quando irão realizar uma viagem a um país estrangeiro ou a um lugar de seu próprio país que nunca tenham visitado. (BOULLÓN, 1998, apud DIAS, 2003, p.36-37). Entender o que motiva o turista é um fator muito importante nas decisões e comportamento durante todo o processo de viagem do indivíduo, desde a compra do destino, passando pela viagem e suas escolhas, e os efeitos da volta. No entanto, Swarbrooke et al. (2003, p.68) explicam que além, dos fatores motivacionais outros fatores também influenciam o comportamento do turista, como a personalidade, as considerações de ordem financeira, a quantia recebida pelas férias, as questões de saúde e os companheiros de viagem. Krippendorf (2001, p. 35), acredita que o ciclo da reconstituição começa pelo homem e suas necessidades, onde elas condicionam as atividades. Ele afirma, ainda, que a psicologia ensina que todo ser humano se vê entre necessidades contraditórias, como: 35 Trabalho – descanso Vigília – sono Esforço – repouso Receitas – Despesas Profissão – Família Liberdade – Obrigações Risco – Segurança O dia a dia da maioria do ser humano é visto dessa maneira, entre estas necessidades. E é exatamente essas contradições que desgastam a rotina dos indivíduos, que fazem com que eles busquem alguma forma de encontrar um certo equilíbrio, por meio da fuga, das viagens, do repouso entre outros. De um lado, o homem está sujeito aos estímulos sob a forma da „‟corrida contra o relógio‟‟, do barulho e do estresse. De outro, tantas coisas são monótonas, sem atrativos e iguais: a moradia, os arredores, o trajeto para o local de trabalho, o trabalho em si e até mesmo o lazer diário. ( KRIPPENDORF, 2001, p. 36) A partir dai, surge a necessidade do novo, da fuga da rotina, enfim diversas razões para viajar, para sair do dia a dia, se desligar, relaxar, mudar de ambiente, recuperar forças, estar em contato com a natureza, comer bem, simplesmente não fazer nada, ser livre, cuidar da saúde, alargar os horizontes, pegar a estrada, entre tantos outros motivos que fazem as pessoas sair de casa em busca de algo fora do seu cotidiano. Algumas pequenas frases de Krippendorf (2001, p.46-50) explicam bem porque as pessoas buscam viajar como uma forma de encontrar o equilíbrio necessário para continuar a jornada da vida, além de mostrar os diversos motivos que a própria viagem pode proporcionar, como mostrado a seguir. Viajar é descansar, refazer-se; Viajar é compensar e integrar-se socialmente; Viajar é fugir; Viajar é comunicar-se; Viajar é alargar o próprio horizonte Viajar é ser livre e autônomo 36 Viajar é partir para a descoberta de si mesmo Viajar é ser feliz Viajar é... (KRIPPENDORF, 2002, p. 46-50) Enfim, os motivos são intermináveis e complexos. O objetivo principal do turista é quando estes desejos e necessidades são alcançados, motivando-os cada vez mais para as próximas viagens e férias e a eterna busca pelo lazer e o próprio equilíbrio. 37 2.5.2 Motivações do turista de Aventura Como citado no capítulo anterior, os motivos que levam os turistas a buscarem o que quer que seja através das viagens são diversos e inúmeros, dependendo muito da personalidade, dos gostos, da classe social, entre tantos outros fatores. Neste capítulo, o foco principal são os motivos específicos de um determinado tipo de turismo e turistas: os de aventura. Devido ao seu perfil distinto, esses turistas buscam a aventura para satisfazer diferentes motivações. Eles alcançam sua „‟euforia de férias‟‟ atráves de várias atividades que envolvem, por exemplo, risco, entusiasmo, escapismo, aperfeiçoamento pessoal, socialização, autoconsciência e auto-realização. Esses são fatores de impulsão, ou de necessidades internas, que levam os indivíduos a participarem da aventura. Como exemplos dos fatores de atração ao turismo de aventura, podemos citar destinos com ambientes selvagens e acidentados, recursos naturais adequados à participação em aventura (por exemplo, montanhas altas para a escalada) ou observação de vida selvagem de pássaros e outros animais raros. (SWARBROOKE et al., 2003, p. 67) Trata-se de um segmento diferente do comum „‟sol e praia‟‟, não tanto massificado, porém ganhando cada vez mais espaço no mercado turístico, onde seu público busca satisfazer suas inúmeras motivações, sentir sensações somente permitidas por este tipo de turismo, agir diferentemente das outras pessoas, ficar longe dos caminhos já percorridos, ir a lugares inexplorados até então, viver algo fora do comum, renunciar à maioria das infra-estruturas turísticas normais, alojar-se de acordo com os hábitos locais, entre tantos outros motivos mencionados por Krippendorf (2001, p.60). As pessoas tiram férias de aventura por diversos fatores. Sendo assim é impossível citar todos, seguindo abaixo alguns de suas principais motivações, de acordo com Swarbrooke et al. (2003, p.70-80). Vivência do risco e aventura O vínculo entre turismo de aventura e o risco controlado são muito grandes, tornando-se um poderoso motivador para os aventureiros. A ausência deste risco, poderá muitas vezes fazer com que o turista perca o desejo de praticar determinada atividade. 38 Busca de sensações e aventura Presente na vida das pessoas, que buscam fugir da rotina e da monotonia, enfim buscam algo novo fora do comum, as sensações que geram prazer e a felicidade obtidas na realização de alguma atividade de aventura. Satisfação da busca de sensações A „‟descarga de adrenalina‟‟ que certas pessoas sentem ao participar de esportes arriscados contribui consideravelmente para a busca por sensações intensas. Certos neurotransmissores, como a adrenalina, as endorfinas e a dopamina, são responsáveis pelo fator de „‟bem-estar‟‟ experimentado por todos, em diferentes graus de intensidade. Por isso tais atividades como o salto de bungee jump, são tão procuradas. Experiência e competência Quanto mais experientes se tornam as pessoas em determinada atividade de aventura, maior a probabilidade de se sentirem competentes naquela atividade. A auto-estima se eleva quando determinada atividade é positiva, fazendo com que o aventureiro se sinta competente querendo sempre participar e praticar mais aventuras, na busca de maior experiência e competência. A experiência do “fluxo’’ O fluxo e a experiência de pico a ele associada resultam em uma sensação global de felicidade e qualidade de vida melhorada, fazendo com que os participantes se tornem verdadeiros praticantes de determinada atividade, parecendo não se importar com nada mais, somente em realizar e praticar certa atividade, pela experiência agradável que a mesma proporciona ao praticante. (SWARBROOKE et al., 2003, p.70-80) Atualmente é cada vez mais forte como uma tendência de mercado turístico, os consumidores e turistas procurarem vivenciar experiências, conhecida também como Sociedade dos Sonhos. 39 Nessa nova tendência, os turistas querem atuar, viver experiências agregadoras em suas vidas, comprar sonhos e viagens que passem do racional ao emocional. Não buscam somente se desligar de tudo, relaxar, como em 1985, onde esta alternativa foi a mais marcada pelos turistas com 65% como o principal motivo de realizar uma viagem nas férias, e 09% apenas para partir em busca de aventuras, assumirem riscos, fazer face ao insólito, como afirma Stanberg, 1986 (apud KRIPPENDORF, 2003, p. 44) Vale ressaltar que a pesquisa foi feita com turistas em geral, e não focada em turistas de aventura, mas o fato é que com o passar dos anos as pessoas cansadas da rotina do dia a dia, com a maioria do tempo dedicada a trabalho, elas querem vivenciar coisas novas no tempo que sobra, querem ter histórias para contar, dando um sabor diferente às suas viagens. E é ai que entra o turista de aventura, que sempre pensou e sempre necessitou destes fatores como forma de motivação para a realização de suas atividades e viagens. Estes motivos não podem ser limitados, mais alguns dos fatores se destacam mais dando as características ou qualidades fundamentais da aventura, como afirma Swarbrooke et al.( 2003, p.9) : Perigo e risco Desafio Expectativa de recompensas Novidade Estímulo e entusiasmo Escapismo e separação Exploração e descoberta Atenção e concentração Emoções contrastantes (SWARBROOKE et al., 2003, p.9) A sensação de risco, criando de certa maneira um desafio a ser cumprido, exigindo atenção e concentração para ser recompensado de alguma forma, aumentando ainda mais a vontade de exploração e descoberta de lugares e atividades, aperfeiçoamentos das atividades, estimulando e entusiasmando a quem 40 pratica, onde a vontade de escapar do mundo convencional é cada vez maior, proporcionando diversas maneiras de emoção. Uma característica leva ao outra, onde todas juntas mostram a face deste turismo tão diferente e que proporciona diversas sensações, emoções e prazer a quem o pratica, onde muitos destes turistas uma vez que experimentaram o turismo de aventura, tornam se verdadeiros amantes e eternos praticantes. 41 3 CONSIDERAÇOES METODOLOGICAS Para evitar que o trabalho fique somente no senso comum, foi realizada também, a pesquisa de campo. Assim, durante o ano letivo foram aplicados dois tipos de questionários com turistas de aventura curitibanos, com o objetivo de saber qual é o perfil destes clientes, e também o que os incentiva a viajar, enfim, suas motivações. O primeiro questionário foi realizado com praticantes de turismo de aventura, moradores da cidade de Curitiba PR. Foram 100 questionários aplicados por Fernanda Fronza Majczak, em vários dias, durante todo o mês de julho. O objetivo da pesquisa foi descobrir quais são os motivos que levam o turista de aventura a praticar este tipo de turismo, e quais são os fatores que traçam este tipo de perfil, como renda, escolaridade, idade, entre outros abordados no questionário. Depois de aplicado este questionário foi possível perceber que as respostas obtidas sobre a motivação ficaram muito fechadas, sendo necessária assim a realização de uma segunda etapa, realizada apenas com 5 pessoas e com a única pergunta: “O que leva você a praticar turismo de aventura, e quais são as suas motivações? (adrenalina, desafio, risco, novidade, experiência, busca por sensações, etc.) Disserte a respeito.” Nesta segunda etapa, foi possível conversar e questionar os entrevistados, podendo assim obter respostas mais amplas, necessárias para atingir os objetivos, e concluir o trabalho. 42 3.1 APRESENTAÇÃO DESCRITIVA DOS DADOS DA PESQUISA Gráfico 1 – Sexo dos entrevistados 38% Fem Masc 62% Fonte: Autor Apesar do crescimento cada vez maior das mulheres em atividades ligadas a aventura, das 100 pessoas que foram entrevistadas a maioria dos praticantes de turismo de aventura da cidade de Curitiba PR ainda são os homens. Gráfico 2 – Faixa etária dos entrevistados 14% 18 e 25 47% 18% 25 e 32 32 e 40 40 e 50 21% Fonte: Autor A partir deste gráfico é possível observar que os considerados jovens são os que mais praticam turismo de aventura e que pessoas acima de 50 anos não praticam turismo de aventura, alternativa essa não assinalada por ninguém. 43 Gráfico 3 – Escolaridade dos entrevistados 38% Em curso Ensino Sup 62% Fonte: Autor O gráfico demonstra que mesmo a maioria dos praticantes sendo jovens de até 25 anos, em um total de 100 pessoas, 62 tem ensino superior completo, concluindo assim que praticantes deste tipo de turismo são pessoas bem instruídas e de um nível cultural alto. Gráfico 4 – Renda mensal dos entrevistados 27% 30% R$400 a R$700 R$700 a R$1000 R$1000 a R$2000 Mais de R$2000 8% N.D.A 35% Fonte: Autor Fazendo uma junção com o gráfico anterior, onde 38 pessoas estão “em curso”, 30 delas assinalaram a alternativa de renda de até R$700,00. 8 destas 38 possuem uma renda de até R$ 1.000,00, e o restante ganham mais de R$ 1.000,00 e R$2.000,00 concluindo que não é um esporte de fácil acesso para rendas mais baixas, além do custo médio alto para a prática do mesmo. 44 Gráfico 5 - Associação a palavra Aventura 11% 4% adrenalina prazer 15% 49% risco novidade emoção 21% Fonte: Autor Ao analisar o gráfico pode-se perceber que adrenalina é a palavra que as pessoas mais associam a palavra aventura, seguido de prazer, risco, emoção e por último a novidade. 6 – Esportes de Aventura Os esportes de aventura mais praticados pelos jovens são o surf e o skate, mas quando possível praticam rafting, rapel etc. As pessoas com faixa etária de 32 a 50 anos praticam mais trilhas, arvorismo, mergulho, motocross e outras atividades que se encontram em seus destinos de férias. Gráfico 7 – Prática turismo de aventura 12% 28% Sempre que possível Uma vez ao ano Férias 10% 50% Pelo menos 1 vez a cada 3 meses Fonte: Autor Analisando o gráfico percebe-se que metade dos entrevistados praticam esportes de aventura somente nas férias, 28% se sentem motivados a praticar 45 sempre que possível, quando conseguem conciliar com o trabalho ou qualquer outra atividade corriqueira do dia a dia, e uma pequena porcentagem não se sente tão motivado a praticar estes esportes tantas vezes, somente uma vez ao ano como mostra o gráfico. Gráfico 8 – Motivação 12% 4% Busca pela adrenalina, emoção Fuga da rotina 54% 30% Simplesmente por prazer Busca pelo novo Fonte: Autor Para mais da metade dos entrevistados, a busca pela adrenalina e emoção foi a alternativa mais marcada pelos entrevistados, como pode-se analisar no gráfico. Pode-se concluir que os praticantes buscam algo que faça superar suas expectativas, fugir da rotina, emoção e não simplesmente por prazer a determinada atividade ou esporte. 9 – Motivação depois da prática A maioria dos entrevistados praticam o turismo de aventura, sempre que possível, um equivalente a 40 pessoas. 38 pessoas não programam este tipo de atividade sempre e praticam somente nas férias. Praticar o turismo de aventura 1vez ao ano é o ideal para 10 pessoas e 12 se sentem motivadas a praticar pelo menos uma vez ao mês. A única alternativa não assinalada por nenhum entrevistado foi “apenas uma vez é satisfatório‟‟. 46 3.2 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS DA PESQUISA Depois de aplicados todos os questionários, e fazendo uma junção com o que já foi estudado sobre turismo de aventura e motivações até agora, ou seja, unindo a teoria e a prática foi possível tirar várias conclusões. Como citado na página 28 e 29 deste trabalho, Krippendorf (2001, p.35) acredita que o ciclo da reconstituição começa pelo homem e suas necessidades, onde suas necessidades condicionam as atividades. Ele ainda afirma que a psicologia ensina que todo ser humano se vê entre necessidades contraditórias como: trabalho – descanso, esforço- repouso, profissão-família, risco-segurança, entre outros que mostram que o dia a dia da maioria das pessoas é visto dessa maneira. Por isso elas buscam de certa forma encontrar um certo equilíbrio, por meio da fuga, viagens, repouso, etc. Como conseqüência do dia a dia agitado da sociedade, as pessoas sentem uma grande necessidade de escapar dessa rotina muitas vezes perturbadora. Dessa forma, surgem os “novos turistas”, pessoas que desejam encontrar algo diferente do seu cotidiano, participar de atividades em suas férias, ter histórias para contar, como forma de recompensar todo o tempo dedicado somente ao trabalho. E é ai que entra o turista de aventura, que sempre pensou e sempre necessitou destes fatores como forma de motivação para a realização de suas atividades e viagens. Assim, ao analisar as respostas do questionário aplicado foi possível observar uma correspondência entre o que foi pesquisado e estudado nos autores do referencial teórico deste parágrafo. O número de mulheres praticantes de esportes de aventura aumentou, isto é fato, mas nestas atividades os homens ainda prevalecem, e se mostram bem interessados em atividades como o Surf, Skate, MotoCross, Mergulho etc. Comparando aos livros novamente, a questão da faixa etária também não entra em contradição. Com a rotina que a maioria das pessoas leva, através de muito trabalho a maioria da população busca cada vez mais algo para sair da rotina, para se divertir, mas infelizmente continuam não tendo tempo. É por isso que quase metade dos entrevistados são jovens de até 25 anos, pois mesmo trabalhando as 47 exigências são menores, sobrando assim mais tempo para a prática de seus esportes, e de suas aventuras. Estas mesmas pessoas que trabalham muito e não tem muito tempo para o lazer, o praticam somente nas férias, quando estão cansadas mais ao mesmo tempo querem aproveitar e fugir da rotina, experimentar coisas novas, enquanto as mais jovens praticam o esporte ou a atividade sempre que podem. Pode-se dizer que o turismo de aventura é motivante, pois depois de praticar certa atividade a maioria das pessoas se sentem motivadas a praticá-las sempre que possível, e nenhuma pessoa marcou a alternativa “ Apenas 1 vez é satisfatório”. Esta resposta se confirma com as declarações feitas por surfistas profissionais, na página 38. Unindo as respostas de renda mensal e escolaridade, pode-se concluir que praticar turismo de aventura não é de fácil acesso a todas as classes sociais, devido ao fato que os esportes tem custo médio alto. A maioria das pessoas possui uma renda entre R$400 e R$1000, sendo mais da metade com Ensino Superior Completo, ou seja com um nível cultural relativamente alto. “Um homem precisa viajar. [...] Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. [...] Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob seu próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como imaginamos, e não como simplesmente é ou pode ser, que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.” (AMYR KLINK) Definição esta que mostra um pouco do que o turismo, de aventura, pode proporcionar, distinguindo-se das outras formas de turismo pela emoção sentida durante a prática de determinada atividade, as sensações que somente este tipo de turismo oferece, e quais são as motivações que levam estes turistas a optarem pela aventura. Swarbrooke et al. (2003, p. 261,262) afirmam que é pouco provável que a gama das motivações, em termos de atividades turísticas, sofra alterações nos próximos anos, e sim que o número de consumidores motivados por necessidades especiais mude de acordo com as mudanças sociais. 48 Swarbrooke et al. (2003, p. 261-262) ainda descrevem alguns dos fatores motivadores que se tornarão mais significativos e responsáveis pelo crescimento do turismo de aventura, sendo eles: 1. Fuga – do estresse da vida urbana, do trabalho e da sobrecarga de informações, bem como da cultura materialista de nossa sociedade consumista. O turismo de aventura pode oferecer atividades absorventes e um estilo de vida mais simples, próximo à natureza, que vão ao encontro dessa necessidade de fuga. 2. Auto-realização – a crescente exposição ao conceito de crescimento pessoal, através do ensino superior, desenvolvimento profissional e da mídia indica que a autorealização tornar-se-á uma exigência mais claramente formulada. Além disso, Muller e Cleaver (2000) afirmam que os bebês do pós-guerra experimentarão algumas transformações psicológicas à medida que se aproximam da meia-idade. Os autores identificam duas mudanças especialmente relevantes a essa discussão: o surgimento da introspecção, que pode levar a um reexame das metas e novos desafios, e o desejo de as pessoas darem o melhor de si e fazerem as coisas cada vez melhor, alcançando assim a auto-realização. Isso reforça a probabilidade de que os participantes mais velhos venham a se tornar uma parte importante do mercado do turismo de aventura. 3. Estimulação e intensidade – o apetite que o consumidor tem por experiências novas e originais parece insaciável. A pressão do tempo exige experiências plenas e intensas. Coisas que sejam “diferentes” e tenham um alto grau “experimental” serão consideradas como um antídoto válido para a aquisição indireta de conhecimento através de intermediários como a televisão ou a Internet, e atenderão à necessidade da busca de sensações. 49 4. Aspiração – no mundo atual voltado para imagens, as atividades de lazer e o tipo de férias que a pessoa escolhe são considerados reflexos de seus valores e de sua personalidade. A aventura pode sugerir heroísmo, força, bravura, individualismo, independência, habilidade e muitas outras qualidades importantes. A TIA também descobriu, em uma pesquisa recente, que 85% a 90% de todos os entrevistados reagiram positivamente à viagem de aventura. Existe uma expectativa de aquisições mais intencionais dos produtos de turismo de aventura e do surgimento de novas estratégias de marketing voltada para tais aquisições. (SWARBROOKE et al., 2003, p.261-262) Depois de analisados todos os questionários tornou-se necessário a aplicação de um segundo questionário, pois as respostas obtidas nas questões sobre motivação ficaram restritas. Nesta segunda etapa foi possível conversar com os entrevistados, obtendo respostas mais amplas. Optou-se por uma entrevista, com apenas uma pergunta, conforme já foi apontado antes. Dessa maneira, e juntamente com as respostas obtidas no primeiro questionário as respostas obtidas foram diversas. Adrenalina é a palavra mais ligada e associada a aventura e também um dos primeiros motivos que fazem uma pessoa a praticar turismo de aventura. A adrenalina estimula o coração, eleva a tensão arterial, relaxa certos músculos e contrai outros, aumentando a freqüência dos batimentos cardíacos, características estas que estimulam tanto o turista levando ele a praticar turismo de aventura. (Wikipedia, 2009) Podemos definir motivações como forças que se manifestam em resultado de uma necessidade não satisfeita e que induzem condutas ou comportamentos das pessoas que buscam assim sua satisfação. Portanto, a base das motivações são as necessidades que devem atingir um nível de intensidade alto para induzir uma pessoa a agir. (REINALDO DIAS, 2005, p.57) Estas motivações, foram declaradas durante a entrevista, através de diversos depoimentos: 50 “Diante do que acontece hoje no mundo, violência e brigas, poder estar se desligando dessa realidade que rola todo o dia, através de alguma atividade que exiga somente a tua concentração naquele momento e que proporcione várias sensações é uma coisa até irreal.” “A busca por novas experiências, em meio a natureza, com a superação de desafios e adrenalina nas atividades. Ainda entram motivações como o risco proporcionado e o alcance dos objetivos no final da prática.” “Quando vai chegando perto o coração começa a bater, o tremor nas pernas, é indescritível, é isso que me motiva.” Depois de analisar as diversas motivações estudadas durante todo o ano letivo, de praticantes do mundo inteiro e ao comparar com os turistas curitibanos pode-se dizer que a base dos motivos que os levam a viajar é a mesma, é buscar algo encontrado somente neste tipo de turismo, como já descrito acima pelos mesmos, entre outros, como: estender os limites, superar suas expectativas, a emoção, a adrenalina, enfim, são diversas as motivações que mostram a face deste turismo tão diferente, emocionante e apaixonante. 51 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Através deste trabalho, notou-se a falta de estudos e projetos acadêmicos específicos, ou seja, direcionados a certo público, e principalmente unindo as áreas de Turismo, Psicologia e um focando em apenas um segmento e uma região, como entender o que motiva os turistas de aventura da cidade de Curitiba (PR) a optarem por este tipo de turismo, o que o leva a viajar em busca de aventura. Com esta perspectiva, este trabalho analisou quais os fatores que influenciam no processo de decisão para a opção de turismo de aventura, e os motivos que levam o consumidor de turismo de aventura curitibano a viajar em busca de aventura, para que ao final pudessem ser apontados os resultados, tornando possível a conclusão deste trabalho. Dessa maneira, foram cumpridos os seguintes objetivos: Para melhor esclarecimento das dúvidas abordou-se conceitos e teorias referentes aos temas de Sociologia do Turismo, Psicologia do Turismo, Comportamento do Consumidor no Turismo, Turismo de Aventura, além dos livros de turismo em geral, que deram a base referencial durante todo o estudo. Compreendeu-se o que diferencia os turistas de aventura dos outros turistas, sendo o foco principal buscar algo encontrado somente neste tipo de turismo, como estender os limites, e a eterna busca por emoção e adrenalina. Identificaram-se o perfil dos turistas de aventura, e compreendeu-se o que esperam do turismo de aventura, sendo pessoas que independente do sexo, idade, estão em busca de experiências difíceis de serem realizadas no dia a dia, gostam de ser desafiadas, de sentir certo medo, perigo controlado, e sentir sensações proporcionadas somente pelo turismo de aventura. Em seguida, realizou-se a aplicação dos questionários específicos em turistas de aventura tornando possível traçar um perfil destes consumidores, de acordo com a renda, escolaridade, sexo, entre outros abordados no questionário, e descobrir o que leva estes turistas a optarem por este segmento. Este primeiro questionário trouxe respostas fechadas em relação ás motivações, insuficientes para a conclusão deste trabalho, sendo necessária assim a aplicação de uma segunda pesquisa, mais qualitativa e com o objetivo de obter respostas mais amplas, o que possibilitou então analisar as motivações em particular do turista de aventura. 52 Sensações sentidas somente por este tipo de turismo, como: a emoção e o medo durante determinada viagem, os riscos que podem ser enfrentados, a adrenalina sentida antes, durante e depois da prática de certa atividade, a busca por novas experiências, superar suas expectativas, estender os limites, enfim são os principais fatores que levam o consumidor a buscar e a praticar este tipo de turismo. Assim, conclui-se que, as respostas levantadas pela problemática foram encontradas e os objetivos foram cumpridos. Da mesma maneira, sugere-se que este trabalho possa servir de fonte para novas pesquisas sobre o assunto, sendo que o tema possa vir a necessitar de constantes atualizações, devido a mudanças sociais da população, e que possa contribuir tanto para estudo do mercado que lida com este perfil, como para as agências específicas, os pesquisadores e os estudantes de turismo e turismólogos em geral. 53 5 REFERÊNCIAS ANDRADE, J. V. Turismo: Fundamentos e dimensões. 8.ed. São Paulo: Ática, 2002. ANSARAH, M. G. R. Turismo: segmentação de mercado. São Paulo: Futura, 1999. BARRETTO, M. Manual de iniciação ao estudo do turismo. 8.ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 2000 BENI, M.B. Análise Estrutural do turismo. 5.ed. São Paulo: Editora Senac, 2001. BOIACROSS. Disponível em: www.pirenopolis.tur.br. Acesso em: 02 de junho de 2009. BUNGEE JUMPING. Disponível em: www.cr.bris.ac.uk. Acesso em: 02 de junho de 2009. CANYONING. Disponível em: www.watertechkayaks.com. Acesso em: 02 de junho de 2009. DIAS, R. Introdução ao turismo. São Paulo: Atlas, 2005. DIAS, R. Planejamento do turismo: política e desenvolvimento do turismo no Brasil. São Paulo: Atlas, 2003. DIAS, R. Sociologia do turismo. São Paulo: Atlas, 2003. GIARETTA, M. J. Turismo da juventude. Barueri, São Paulo: Manole, 2003. IGNARRA, L. R. Fundamentos do turismo. São Paulo: Pioneira, 1999. KITESURF. Disponível em: www.avidaebela.com. Acesso em: 02 de junho de 2009. 54 KRIPPENDORF, J. Sociologia do turismo: para uma nova compreensão do lazer e suas viajens. São Paulo: Aleph, 2000. LEMOS, L. Turismo: que negócio é esse?. Campinas, São Paulo: Papirus, 1999. LICKORISH, L. J; C. L; J. Introdução ao turismo. Rio de Janeiro: Campus, 2000. MARINHO, A, BRUHNS, H. T. Turismo, lazer e natureza. Barueri, São Paulo: Manole: 2003. NALU pelo mundo – O filme. Direção de Rafael Mellin. 2008. 1 DVD (62 min),color. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO (OMT). Introdução ao turismo. São Paulo: Roca, 2001. PAIVA, M. G. M. V. Sociologia do turismo. 3.ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 1999. PARAPENTE. Disponível em: www.tourisme-aveyron.com. Acesso em: 02 de junho de 2009. PARÁ-QUEDISMO. Disponível em: www.aeroclubevirtual.com.br. Aceso em: 02 de junho de 2009. PARASAIL. Disponível em: www.shortmoney.net. Acesso em: 02 de junho de 2009. PIRÂMIDE DE MASLOW. Disponível em: www.cobaia.net. Acesso em 02 de junho de 2009. RAFTING. Disponível em: www.mcaconsult.com.br. Acesso em 02 de junho de 2009. RAPEL. Disponível em: www.vcnarede.com.br. Acesso em 02 de junho de 2009. 55 ROSS, G.F. Psicologia do turismo. São Paulo: Contexto, 2001. – (Coleção Turismo Contexto) SILVA, F.B. A psicologia aplicada ao turismo e hotelaria. 3.ed. São Paulo: CenaUn, 2001. SURF ADVENTURES – O filme. Direção de Arthur Fontes. 2002.1 DVD (90min), color. SWARBROOKE, J e HORNER, S. O comportamento do consumidor no turismo. São Paulo: Aleph, 2001. – (Turismo) SWARBROOKE, J e HORNER, S. Turismo de aventura: conceitos e estudos de caso. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. THEOBALD, W. F. Turismo Global. São Paulo: SENAC, 2001. TRIGO, L. G. G. etal.; Analises Regionais e globais do turismo brasileiro. São Paulo: Roca, 2005 WIKIPEDIA. Disponível em: www.wikipédia.com.br. Acesso em 15 de outubro de 2009. UVINHA, R.R. Turismo de aventura: reflexões e tendências. São Paulo: Aleph, 2005. – (Turismo) 56 APENDICE A Questionário aplicado em turistas de aventura residentes da cidade de Curitiba PR, com o intuito de saber o que os motiva a praticar este tipo de turismo. 1.SEXO a) masculino b) feminino 2.IDADE a) 18 e 25 b) 25 e 32 c) 32 e 40 d) 40 e 50 e) acima de 50 3. ESCOLARIDADE ( ) 1 grau completo ( ) 2 grau completo ( ) Ensino Superior incompleto ( ) Ensino Superior incompleto ( ) Em curso ( ) Outras, qual? 4. RENDA MENSAL a) R$ 400,00 a R$ 700,00 b) R$ 700,00 a R$ 1.000,00 c) R$ 1.000,00 a R$ 2.000,00 d) Mais de R$ 2.000,00 e) N.D.A, qual? 5. Que palavra você associa melhor a aventura? ( ) adrenalina ( ) prazer ( ) risco ( ) novidade ( ) emoção 6. Que esportes de aventura você costuma praticar? ( ) Rafting ( ) Rapel ( ) Surf ( ) Boiacross ( ) Motocross ( ) Bungee Jump ( ) Asa-delta, pára-quedismo, esportes ao ar livre ( ) arvorismo ( ) trilhas ( ) mergulho ( ) skate ( ) Outros, qual? 7. Com que frequência você pratica turismo de aventura? ( ) uma vez ao ano ( ) sempre que possível ( ) férias ( ) pelo menos uma vez a cada 3 meses 57 ( ) outras, qual? 8. Por que você pratica turismo de aventura? ( ) busca pela adrenalina, emoção ( ) fuga da rotina ( ) simplesmente por prazer ( ) busca pelo novo ( ) busca pelo medo e perigo controlado ( ) alargar o próprio horizonte ( ) ir a lugares inexplorados ( ) outros, quais? 9.Depois da prática de certa atividade de aventura, você se sente motivado a praticá-la novamente depois de determinado período de tempo? ( ) Apenas 1 vez é satisfatório ( ) Me sinto motivado a praticar pelo menos uma vez ao mês ( ) Uma vez ao ano é o ideal ( ) Apenas em férias, não programo este tipo de atividade sempre ( ) Sempre que possível ( ) Outras, qual? 58 APENDICE B O que leva você a praticar turismo de aventura, e quais são as suas motivações? (adrenalina, desafio, risco, novidade, experiência, busca por sensações, etc.) Disserte a respeito.