UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA - UNAMA
LÍVIA SANCHES CUNHA MEDINA
AGÊNCIA UNAMA: UMA ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE DIREITOS
HUMANOS E FORMAÇÃO DOS ALUNOS DE JORNALISMO.
ANANINDEUA – PA
2009
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA - UNAMA
LÍVIA SANCHES CUNHA MEDINA
AGÊNCIA UNAMA: UMA ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE DIREITOS
HUMANOS E FORMAÇÃO DOS ALUNOS DE JORNALISMO.
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado para obtenção do grau de
bacharel em Comunicação Social Jornalismo.
Orientadora: Profª Ms. Vânia Torres.
ANANINDEUA – PA
2009
LÍVIA SANCHES CUNHA MEDINA
AGÊNCIA UNAMA: UMA ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE DIREITOS
HUMANOS E FORMAÇÃO DOS ALUNOS DE JORNALISMO.
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado para obtenção do grau de
bacharel em Comunicação Social –
Jornalismo, do Centro de Estudos
Sociais Aplicados da Universidade da
Amazônia.
Banca Examinadora: ____________________________________________
Profª. Ms. Vânia Torres – Unama
Banca Examinadora: ____________________________________________
Profª. Drª Larissa Latif – Unama
Apresentado em: ____ / ____/ ____.
Conceito: __________.
ANANINDEUA – PA
2009
Dedico este trabalho à minha querida
e batalhadora mãe, que sempre priorizou
os estudos dos filhos e nunca me deixou desistir.
AGRADECIMENTOS
À minha mãe, que fez de tudo para que não me faltasse estudo e formação.
À minha família, que me apoiou não apenas durante a realização deste
trabalho, mas durante toda a minha vida: Saulo, Jérsica, Geovanna, Samuel,
Michelle, João Pedro e Celso.
Um agradecimento especial ao Nedo Kriskovic, que me deu suporte para eu
chegar aonde cheguei hoje.
Ao meu namorado, amigo e eterno confidente Mariano Jr. Sem ele, eu não
conseguiria metade das minhas conquistas.
À segunda família que escolhi, que acreditou e sempre cuidou de mim: Ivani,
Keziah, Patrícia, Bianca e Debrinha.
À toda minha família da Agência Unama: onde passei os melhores três anos da
minha vida. Danila Cal, Vânia Torres, Tia Kassya, Edna Nunes, Larissa Latif,
Tay Marquioro: obrigada por todo o aprendizado.
Às minhas amigas do peito que nunca me abandonaram: Nesh, Leila, Marcela,
Nathali, Natália, Alessandra, Yza e Lígia.
Aos alunos, ex-bolsistas, voluntários e estagiários que colaboraram para esta
pesquisa.
À minha orientadora Vânia Torres, pela paciência e ótimas ideias para o
projeto.
Não é possível mobilizar uma sociedade se não se despertar, previamente, a paixão.
Bernardo Toro.
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo analisar a formação jornalística em relação
aos direitos humanos e cidadania dos alunos de comunicação da Universidade
da Amazônia (Unama). Para fazer um contraponto entre o que é aprendido em
sala de aula sobre jornalismo cívico e o que deveria ser estimulado nos alunos
sobre o tema, a Agência Unama de Comunicação pelos Direitos da Criança e
do Adolescente, projeto de extensão da Universidade, foi utilizada como objeto
de estudo para avaliar o nível de formação que a instituição está oferecendo,
sendo tanto a partir das disciplinas ministradas quanto ao que a Agência
oferece aos alunos que participam do projeto.
Palavras-chave: Jornalismo Cívico, Agência Unama, direitos humanos,
Unama.
ABSTRACT
This paper aims to examine the journalistic training in relation to human rights
and citizenship of students in communication at the University of Amazonia
(UNAMA). To make a contrast between what is learned in the classroom on
civic journalism and should be encouraged in students on the topic, the Agency
Commission by Unama of Rights of the Child and Adolescent, extension project
of the university, was used as object Study to assess the level of training that
the university is offering, and both from the subjects taught about the agency
offers to students who participate in the project.
Key-words: Civic journalism, Agency Unama, human rights, Unama
LISTA DE QUADROS
QUADRO 1:
Quadro de pessoal da Agência Unama.........................................43
QUADRO 2:
Produtos da Agência Unama........................................................ 50
QUADRO 3:
Eventos realizados pelo projeto.................................................... 58
QUADRO 4:
O que a Agência proporciona aos alunos..................................... 59
QUADRO 5:
Opinião dos ex-bolsistas e ex-voluntários do projeto................... 60
QUADRO 6:
Opinião dos que não passaram pelo projeto................................ 61
LISTA DE ABREVEATURAS
ANDI
Agência Nacional dos Direitos da Infância
AUN
Agência Universitária de Notícias
ECA
Estatuto da Criança e do Adolescente
FNPJ
Fórum Nacional de Professores de Jornalismo
FEBEM
Fundações Estaduais de Bem- Estar do Menor
FBESP
Fundação de Bem-Estar Social do Pará
FUNABEM
Fundação Nacional do Bem Estar do Menor
ONGs
Organizações Não Governamentais
PNBEM
Política Nacional de Bem-Estar do Menor
PLIMEC
Plano de Integração Menor-Comunidade
SAM
Serviço de Assistência ao Menor
UNAMA
Universidade da Amazônia
UNICEF
Fundo das Nações Unidas para a infância
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................11
2. METODOLOGIA..................................................................................................... 15
3. A TRAJETÓRIA DOS DIREITOS NO BRASIL E A PARTICIPAÇÃO DA MÍDIA NA
PROMOÇÃO DA CIDADANIA................................................................................... 17
3.1 As primeiras leis no país: do Brasil Império até os dias de hoje.......................... 17
3.2 O surgimento do Código de Menores.................................................................. 19
3.3 ECA: legalizando os direitos de meninos e meninas........................................... 22
3.4 O papel social do jornalismo: a comunicação e os direitos humanos................. 24
3.5 Jornalismo Cívico e direitos de crianças e adolescentes.................................... 29
4. JORNALISMO E UNIVERSIDADE....................................................................... 33
4.1 Agências Universitárias e sua importância para a comunidade
acadêmica...................................................................................................................33
4.2 Unama: O surgimento do curso de Jornalismo e os projetos de
extensão..................................................................................................................... 37
4.3 O projeto Agência Unama.....................................................................................41
4.4 Quadro pessoal da Agência Unama..................................................................... 43
4.5 Produtos da Agência Unama................................................................................ 50
4.5.1 Notícias do Dia ............................................................................................. 51
4.5.2 Agenda Criança............................................................................................ 54
4.5.3 Fazendo Bem................................................................................................57
4.6 Eventos realizados................................................................................................58
5. DIREITOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES E A FORMAÇÃO DOS FUTUROS
JORNALISTAS...........................................................................................................59
5.1 Alunos atuais: o que a Agência proporciona aos alunos que atuam no
projeto......................................................................................................................... 59
5.2 Ex- voluntários e ex-bolsistas.............................................................................. 60
5.3 Alunos que não passaram pelo projeto............................................................... 60
5.4 Extensão: da experiência profissional à formação crítica.................................... 61
5.5 A influência da Agência no mercado de trabalho................................................. 67
5.6 Curso de Jornalismo versus mercado de trabalho............................................... 69
5.7 Um outro jornalismo é possível............................................................................74
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................... 80
REFERÊNCIAS.......................................................................................................... 83
APÊNDICES............................................................................................................... 85
ANEXOS..................................................................................................................... 91
1 INTRODUÇÃO
Formar profissionais de jornalismo compromissados com a produção de
uma mídia diferente, que tenha como principal meta repassar à sociedade
notícias de qualidade que informem à população seus direitos e deveres
enquanto cidadãos, ainda é um desafio de muitas universidades existentes no
país e no mundo.
Se é grande a deficiência na produção do jornalismo, maior ainda é a
falta de compromisso com temas específicos na nossa sociedade, como o de
crianças e adolescentes, que mereciam destaque em todos as mídias por conta
da sua importância na divulgação de direitos até hoje não garantidos. A
divulgação da área da infância e adolescência dentro do jornalismo ainda é
pouco vista no país, tendo como principal incentivadora do assunto a Agência
Nacional dos Direitos da Infância (ANDI), que trabalha diretamente com a
divulgação de notícias referentes ao tema, além da produção de materiais e
pesquisas sobre comunicação e direitos humanos.
Basta observar em algumas edições de jornais impressos do Pará, e
acompanhar a cobertura da mídia televisiva em todo o Brasil sobre crianças e
adolescentes, para concluir que esses atores sociais ainda não possuem seus
direitos garantidos pela sociedade, pelo contrário, muitas vezes ainda são
tratados como seres inferiores.
Em reportagens policiais, por exemplo, quando retratam meninos ou
meninas que cometeram ato infracional ou ocasionaram algum tipo de
problema, os jornalistas, em sua maioria, demonstram uma falta de
“conhecimento” quanto às leis vigentes no Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), se referindo a esses meninos e meninas com termos
pejorativos como “menores”, “criminosos”, “trombadinhas”, entre outros.
A falta de informação por parte dos jornalistas paraenses faz com que
muitas lacunas referentes aos direitos da infância e adolescência ainda não
estejam preenchidas na região. O tratamento pejorativo só não acontece
quando esses meninos e meninas são protagonistas de matérias sociais, como
histórias sobre projetos e organizações não governamentais que atuam com
crianças e adolescentes. Isso mostra a falta de percepção social e humanista
do profissional de comunicação, que não investiga as causas e condições
socioecômicas que levaram aquele adolescente a estar na página policial de
uma matéria jornalística.
O ensino de jornalismo, por sua vez, pouco estimula uma mudança de
comportamento entre os acadêmicos da área, que acabam entrando no
mercado de trabalho sem muita base social e crítica a respeito das coberturas
realizadas sobre infância e adolescência. Aprender de forma prática os
conceitos de cidadania relevantes à profissão jornalística, ainda na academia,
requer tempo, dedicação e formação adequada. O grande desafio é sensibilizar
as consciências mais pragmáticas de um aluno de jornalismo, que acredita que
sua função na profissão é apenas relatar os fatos, sem precisar desempenhar
nenhum papel social.
A Agência Unama de Comunicação pelos Direitos da Criança e do
Adolescente, um projeto de extensão da Universidade da Amazônia (Unama),
teve seu trabalho inspirado nas atividades realizadas pela Andi e hoje já possui
quatro anos de atuação na divulgação dos direitos da criança e do adolescente
por meio da mídia. Alunos de Comunicação Social da Universidade participam
do projeto e, este trabalho, por sua vez, pretende analisar como se dá o
envolvimento dos universitários de jornalismo, no desenvolvimento de uma
formação crítica e em direitos humanos dentro e fora do projeto.
O estudo tem como objetivo trazer análises importantes sobre a atual
situação deste projeto de extensão, baseado nas opiniões e conhecimentos
dos alunos de jornalismo entrevistados para o estudo. Com isso, mudanças
podem ser pensadas para que se obtenha uma aceitação abrangente em
relação aos projetos de extensão, não somente ao da Agência Unama, mas
aos outros desenvolvidos pela universidade. Para os acadêmicos, a relevância
social desta pesquisa, está, principalmente, em entender como um projeto de
extensão pode colaborar para a formação profissional e, de que forma se dá
essa qualificação. Entender a importância do projeto para os alunos de
jornalismo é ajudá-los a olharem os projetos de extensão e o curso em si, com
uma visão mais crítica, além de poder verificar se a teoria e a prática do
jornalismo, a partir de uma extensão universitária, podem contribuir para a vida
profissional.
Atuante como bolsista de extensão do projeto desde agosto de 2006,
posso dizer que quase tudo que aprendi no campo profissional da comunicação
foi devido às informações repassadas para mim pelos profissionais e alunos
que passaram pelo local. Portanto, não poderia escolher outro objeto de estudo
se não a Agência Unama, ambiente de trabalho que me fez crescer,
desenvolveu meu senso crítico sobre a mídia e minha noção de
responsabilidade social.
A partir destas perspectivas, o objetivo central do estudo é avaliar a
importância do projeto Agência Unama de Comunicação pelos Direitos da
Criança e do Adolescente, a partir das análises sobre a formação que está
sendo oferecida aos estudantes de jornalismo. Além disso, o estudo pretende
analisar a formação crítica dos alunos após a participação deles na Agência,
entender como a “marca” Agência Unama é vista pelos alunos do curso de
jornalismo e, por fim, pesquisar como professores e estudantes constroem uma
formação em direitos humanos e como os futuros profissionais aplicam este
aprendizado no mercado de trabalho.
As hipóteses que este estudo levanta inicialmente são se o projeto
oferece uma formação crítica e social a todos os alunos que passaram pela
Agência Unama; se o projeto, enquanto “marca”, se mostra desconhecido da
maioria dos alunos e professores do curso de jornalismo e, se dentro do curso,
os alunos se sentem estimulados em trabalhar com um jornalismo voltado para
o “jornalismo cívico”.
O primeiro capítulo deste estudo apresenta a trajetória dos direitos no
Brasil, relatando desde as primeiras leis no país até as existentes atualmente.
Foram relatadas as leis existentes no século XVIII, em relação aos direitos de
meninos e meninas, como a Roda dos Expostos, as do século XIX, como as
casas de correção, o surgimento do Código de Menores e, por fim, a criação do
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ainda em um dos tópicos do
primeiro capítulo, será abordada a questão do papel social do jornalismo e a
sua relação com os direitos humanos e de crianças e adolescentes.
O segundo capítulo entra na discussão sobre jornalismo e universidade,
abordando o surgimento do curso de jornalismo e a importância e a definição
de projetos de extensão. O papel da extensão universitária também é abordado
em um dos tópicos deste capítulo. Em decorrência do objeto de estudo deste
trabalho, além de ser um projeto de extensão, ser uma agência universitária, a
pesquisa também apresenta a importância das agências universitárias para a
comunidade acadêmica.
O terceiro capítulo aborda a formação dos universitários de jornalismo
em relação aos direitos humanos e seu nível de criticidade a partir das
entrevistas com alunos, professores e coordenadores. A participação ou não
deste aluno na Agência Unama será comparado para observar a influência do
projeto na formação do futuro profissional de comunicação.
2 METODOLOGIA
Para a produção deste trabalho, foi realizada uma pesquisa qualitativa
com 20 alunos e profissionais de comunicação, entre acadêmicos do curso de
jornalismo da Unama que, até o momento da realização das entrevistas,
atuavam no projeto Agência Unama, seja como voluntários ou como
estagiários.
O projeto teve voluntários até o final do mês de fevereiro de 2009. Isso
se deu porque, durante a realização da pesquisa com os alunos que atuavam
no Projeto, houve a implementação da nova Lei do estágio, de nº 11.788/2008,
que dispõe que o estudante não pode mais trabalhar em um estágio sem
remuneração.
Ou seja, no caso da Agência Unama, os voluntários não poderiam mais
atuar no projeto. A saída destes alunos ocorreu em fevereiro deste ano, no
entanto, eles são denominados durante todo este estudo como “alunos atuais”,
uma vez que, as entrevistas foram realizadas ainda quando a Lei não estava
em vigor.
Além destes estudantes, foram entrevistados alunos que já passaram
pelo Projeto há um certo tempo, para avaliar o que a sua passagem
representou para o seu trabalho em outros lugares. Ainda na categoria de
pessoas que já passaram pela Agência, foram entrevistados ex-bolsistas e exvoluntários que hoje já estão formados e atuando no mercado de trabalho
como jornalistas. Para mostrar a possível diferença entre as concepções dos
entrevistados sobre direitos humanos e comunicação, alunos que nunca
passaram pelo projeto também foram entrevistados para o estudo.
As perguntas do questionário foram referentes a assuntos como projetos
de extensão, participação social, direitos humanos, infância, adolescência e a
mídia,
visibilidade
da
Agência
Unama
na
Universidade,
experiência
profissional, entre outros temas.
O estudo foi embasado a partir de conceitos teóricos sobre jornalismo
público e prática de uma agência universitária, fazendo um contraponto com
dois tipos de alunos, os que passaram pela Agência e os que não conhecem a
fundo o trabalho realizado pelo Projeto.
O tema, a problemática, a justificativa, objetivos e as hipóteses do
trabalho foram ainda detalhadas durante o projeto de pesquisa. Após essa
produção, referenciais teóricos sobre jornalismo publico foram pesquisados e
estudados para o entendimento da relação entre mídia e direitos humanos. O
principal instrumento utilizado para esta observação foi o fichamento, que, de
acordo com Huhne (2000), é definido da seguinte forma:
Fichamento é uma forma de investigação que se caracteriza pelo ato
de registrar todo o material necessário à compreensão de um texto
ou tema. Para isso, é preciso usar fichas que facilitam a
documentação e preparam a execução do trabalho. (...) É também
uma forma de estudar e assimilar criticamente os melhores textos ou
temas de sua formação acadêmico-profissional (HUHNE, 2000, p.
64).
Um roteiro de perguntas foi aplicado também para professores de
jornalismo da Universidade, abordando sobre se é feito o debate de mídia e
direitos humanos dentro de sala de aula e, se caso existe esta preocupação,
como ela é realizada. Além dos professores, a coordenação do curso e do
Projeto foi entrevistada, afim de complementar a análise para identificar como a
Universidade e o Projeto se preocupam com o tema. Uma jornalista assistente
do Projeto também foi entrevistada para o estudo. O roteiro de perguntas para
os alunos, professores e coordenação do curso pode ser visto no apêndice
deste estudo.
Livros e artigos foram os principais instrumentos da pesquisa
bibliográfica deste trabalho. Por meio das análises obtidas neste processo, foi
possível identificar opiniões semelhantes e diferenciadas entre alunos e
professores em relação ao que os autores abordam sobra o tema.
3 A TRAJETÓRIA DOS DIREITOS NO BRASIL E A PARTICIPAÇÃO DA
MÍDIA NA PROMOÇÃO DA CIDADANIA
3.1 As primeiras leis no país: do Brasil Império até os dias de hoje
Uma das primeiras demonstrações das leis no Brasil em relação à
infância e à adolescência começou ainda na época do Império, por volta do
século XVIII. Neste período, crianças órfãs e rejeitadas eram recolhidas e
deixadas na Casa dos Expostos, conhecidas como “roda dos expostos”, um
lugar para onde meninos e meninas eram levados sem que a pessoa que a
conduzia até lá fosse identificada. O recolhimento destas crianças foi
regulamentado no país em 1775, por meio do alvará emitido pelo Ministro
Sebastião José de Carvalho e Mello (RIZINNI, 2002).
No entanto, Rizinni também mostra que há relatos históricos que
afirmam que as primeiras Casas dos Expostos teriam sido criadas nos Estados,
da Bahia, em 1726 e no Rio de Janeiro, em 1738. A legislação ainda foi
adotada após a independência do Brasil, em 1822.
As medidas punitivas aplicadas por Portugal em crianças e adolescentes
no Brasil Império, só foram abolidas do país a partir de 1830, quando houve o
surgimento de uma lei específica para meninos e meninas menores de 18 anos
de idade, contidas no Código Criminal de 1830.
Antes da lei de 1830, meninos e meninas eram punidos nas Casas de
Correção de maneira drástica, semelhante aos adultos que eram presos,
mesmo sendo estes autores de atos delinqüentes e perigosos em relação ao
que crianças e adolescentes cometiam. Nesta época ainda não se tinha a
educação
como
um
fator
fundamental
para
ocasionar
a
mudança
comportamental de meninos e meninas que eram punidos pelo Estado. A
importante discussão sobre o tema ocorreu apenas no final do Século XIX.
Rizzini mostra que a lei penal de 1830 responsabilizava todos os
adolescentes a partir dos 14 anos por tudo aquilo que praticavam, tendo que
encaminhar estes garotos e garotas até às Casas de Correção, onde teriam
que permanecer no tempo máximo de três anos. Ou seja, “basicamente o que
se vai considerar na lei de 1830 é o estabelecimento da responsabilidade penal
para menores a partir de 14 anos” (RIZINNI, 2002, p.10).
Apenas em 1850 começou a se estimular a criação de um regulamento
para as Casas de Correção. Ele se baseava na construção de alas separadas
para a “correção” dos adolescentes que iam para o local, reconhecidos na
época como “delinqüentes, mendigos e vadios” e outra ala para os presos
adultos.
Segundo Rizzini, as primeiras décadas do Brasil Império foram
marcadas, de um modo geral, “por medidas de caráter essencialmente
assistencial, lideradas pela iniciativa privada de cunho religioso e caritativo”
(RIZINNI, 2002, p.11).
A participação administrativa das instituições religiosas no recolhimento
e no zelo de meninos e meninas expostos no século XVIII era feita a partir de
subsídios provenientes dos cofres públicos, o que demonstra, por sua vez, a
relação entre a Igreja e o poder público.
Em meados do século XIX, período em que o Brasil estava no auge da
transição da vida rural para a urbana, é que as preocupações com a higiene e
com o controle e prevenção de doenças infecto-contagiosas começam a surgir.
Nesta época, iniciou a discussão sobre quais os melhores cuidados para as
crianças, uma vez que, os médicos higienistas constataram que as altas taxas
de mortalidade ocorriam na infância, principalmente, nos primeiros 12 meses
de vida.
Meninos e meninas considerados expostos passaram a ser vistos com
certa preocupação pela categoria de médicos, sobretudo, por conta das altas
taxas de mortalidade que estas crianças apresentavam constantemente. Em
decorrência disso, a busca pelo melhor tratamento para estes indivíduos
passou a ser frequente.
A transição do século XIX para o século XX é marcada pelas
preocupações com as crianças órfãs, abandonadas e expostas no Brasil, o que
se tornará visível na promulgação nas leis e pensamentos no país, a partir de
então. É no Brasil República, por sua vez, que começa a se dar os primeiros
passos (apesar de lentos) em direção à proteção e garantia dos direitos da
infância e da adolescência.
3.2 O surgimento do Código de Menores
Em 1920, começam a surgir no Rio de Janeiro (capital do país, na
época), os centros de atendimento a crianças e adolescentes mais
especializados. Sete anos mais tarde, nasce, finalmente, o primeiro Código de
Menores do Brasil, criado pelo Juiz de Menores da Capital, Mello Mattos,
considerado na época como o “apóstolo da infância abandonada” (PEREIRA,
1996, p.16).
O documento acabou sendo conhecido como Código Mello Mattos,
sendo que o juiz também foi responsável por criar alguns estabelecimentos de
proteção e assistência a meninos e meninas abandonados. Já a partir da
década de 1940, em pleno período do Estado Novo, o sistema adotado em
questão era o Serviço de Assistência ao Menor (SAM), que consistia no
internato de meninos e meninas que tinham cometido infrações, além de
oferecer para pessoas carentes oficinas de capacitação profissional.
Porém, com o passar dos anos, o local levou atribuições como “sucursal
do inferno” e “universidade do crime”, por conta do caráter repressivo dos
atendimentos, o que fez com o que o SAM passasse a ser julgado pela
sociedade.
Durante o regime militar, a partir da década de 1960, foram
estabelecidos dois instrumentos legislativos para crianças e adolescentes em
situação irregular, ou seja, ao “menor carente, abandonado ou infrator”. A
primeira foi a Lei 4.513/64, em que se criou a Fundação Nacional do Bem-Estar
do Menor, que estabeleceu a Política do Bem Estar do Menor, seguida pela Lei
6.697/79, que já seria a legislação referente ao Código de Menores.
O documento, que adotou a Doutrina de Proteção ao Menor em Situação
Irregular, passou a vigorar no Brasil a partir da década de 1980, sendo utilizado
no país até 1989.
As seis categorias das situções especiais que caracterizavam a situação
irregular foram lembradas por Tânia Silva Pereira (1996), no livro “Direito da
Criança e do Adolescente: uma proposta interdisciplinar”, ao citar os aspectos
definidos por Paulo Lúcio Nogueira (1988) em relação às catalogações
existentes no 2º artigo do Código de Menores. Pereira, de acordo com a
citação de Nogueira, afirma que estas situações poderiam ser descritas da
seguinte maneira:
Como as situações de perigo que poderão levar o menor a uma
marginalização mais ampla, pois o abandono material ou moral é um
passo para a criminalidade. (...) A situação irregular do menor é, em
regra, situação irregular da família, principalmente com a sua
desagregação (NOGUEIRA apud PEREIRA, 1996, p.21).
A partir de então, a Política Nacional de Bem-Estar do Menor (PNBEM)
foi uma forma de gestão centralizada e de metodologia unificada para todo o
país, tendo como seu órgão centralizador a Fundação Nacional do Bem Estar
do Menor (FUNABEM), além das filiais no restante do país, conhecidas como
as Fundações Estaduais de Bem- Estar do Menor (FEBEM) (PEREIRA, 1996,
p.18).
A filial paraense era conhecida como a Fundação de Bem-Estar Social
do Pará (FBESP). De acordo com Fernandes (2008), a Funabem, por sua vez,
acabou trazendo artifícios semelhantes ao SAM1, como a cultura da repressão,
os equipamentos e os funcionários antigos do outro estabelecimento e ainda
sem técnicas inovadoras para utilizar no atendimento de adolescentes.
Quando se deu o início do processo de abertura democrática no país, a
partir da segunda metade da década de 1970, período em que consistiu no
surgimento de setores com visões humanistas que envolviam a educação e os
direitos humanos, a PNBEM e o Código de Menores começaram a ser bastante
questionados por estes grupos.
E foi dentro deste quadro criticado pela sociedade, que foi criado o Plano
de Integração Menor-Comunidade (Plimec), programa que tinha como objetivo
principal o atendimento e a promoção de meninos e meninas, sem que estes
precisassem ser retirados do ambiente familiar em que viviam, o que impedia a
institucionalização ou o abandono destes indivíduos.
No entanto, de acordo com Fernandes (2008), as demandas existentes
no programa fizeram com o que o Plano não se adaptasse às principais
1
Serviço de Assistência ao Menor
necessidades do público, uma vez que adotaram um modelo centralizador e
vertical.
A partir da década de 1980, por conta do mau êxito do Plimec,
movimentos sociais em defesa de crianças e adolescentes começam a surgir
no país, além de ser também, o início de várias discussões sobre o assunto,
baseado no fracasso do Programa.
Fernandes (2008) afirma que meninos e meninas de rua, por exemplo,
passam a ser vistos como aspectos de uma realidade presente no Brasil,
sendo eles, motivos de preocupação para a sociedade, pois “pelo seu completo
desprovimento de direitos, o menino de rua passa a ser um fator de reflexão
para a sociedade em um contexto que só crescia no país”. (FERNANDES,
2008, p.34).
Com a constante preocupação do quadro lamentável de crianças e
adolescentes nas ruas, foi iniciado o projeto Alternativas de Atendimento a
Meninos de Rua, criado por especialistas do Fundo das Nações Unidas para a
infância (UNICEF), da Funabem e da Secretaria de Ação Social (SAS). A
iniciativa teve como função inicial identificar e registrar experiências com
meninos e meninas de rua ou de comunidades pobres que estavam tendo
experiências positivas no país.
Com isto, segundo Rizzini (2002), o projeto passou a realizar encontros e
vários grupos espalhados pelo Brasil passaram a se organizar para formar
comissões locais e estaduais. O Encontro Nacional de Meninos e Meninas de
Rua, por exemplo, foi uma das ações organizadas pelo projeto, o que resultou
na participação de várias crianças e adolescentes que, na ocasião, expuseram
suas opiniões a respeito da violência, miséria, alimentação, maus tratos físicos
e saúde.
Após este tipo de demonstrações pelo país, começou a ficar forte a
corrente que tinha como principal argumento a defesa pelos direitos das
crianças e adolescentes.
Para mobilizar e conscientizar ainda mais a sociedade foi assinada, em
1986, a Portaria Interministerial nº449, responsável pela criação da Comissão
Nacional Criança e Constituinte, em que vários setores do poder público, assim
como a mídia, se uniram para defender os direitos e a cidadania dos indivíduos
menores de 18 anos de idade.
Ainda em decorrência da Comissão foram criadas duas emendas de
inciativa popular, a primeira denominada “Criança e Constituinte”, seguida pela
“Criança-Prioridade Nacional”, ambas com assinaturas de 200 mil eleitores,
sendo assim, apresentadas à Assembléia Nacional Constituinte.
Foi então que, no dia 05 de outubro de 1988, segundo Pereira (1996) os
textos contidos nas emendas foram incluídos na Carta Constitucional. E, em
1990, para regulamentar as experiências citadas na Carta, que o então
presidente de República, sancionou a Lei 8.069, o que veio a ser o Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA).
3.3 ECA: legalizando os direitos de meninos e meninas
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), legislação avançada em
relação aos direitos da infância e adolescência no Brasil, traz para a sociedade
um modelo de democracia em que meninos e meninas possuem direitos de
participação e prioridade absoluta nas políticas públicas desenvolvidas pelo
Estado brasileiro.
A proposta instituída pelo documento se estabelece, primeiramente, na
busca pelo entendimento pleno da sociedade para que as crianças possam ser
vistas como sujeitos de direito.
No entanto, a criação do Estatuto passou por uma série de dificuldades.
E tudo só foi possível após a participação e dedicação de vários movimentos
sociais, organizações, sociedade civil e poder público, que, durante muitos
anos, promoveram seminários, encontros, passeatas e manifestações em prol
da garantia de direitos infanto-juvenis.
Saeta e Souza Neto (2006) mostram que o processo de construção para
a efetivação plena dos direitos da infância podem ser vistos com uma “beleza”
diferente, principalmente se comparado aos embates da sociedade civil para a
alteração do Código de Menores de 1979.
Os autores ressaltam que a mobilização feita pelos aliados do processo
de mudança fez com que o ECA se tornasse um projeto da sociedade civil mais
do que uma Lei do Congresso.
O processo, feito a partir de instrumentos legais, deixou de estigmatizar
meninos e meninas como “um feixe de carências, de coitadinhos, de
bandidinhos ou pivetes”, termos encontrados no Código de Menores.
Reconhecê-los como sujeitos de direitos não significa negar, omitir a
relação de subordinação das crianças e adolescentes aos adultos e
nem a responsabilidade destes no crescimento e desenvolvimento
daqueles. Contudo, significa questionar, impedir, denunciar aquilo
que nesta relação – pessoal ou institucional – tenha marca do
autoritarismo discricionário, da violência, do sofrimento, de condições
adversas ao bem-estar e à saúde física e mental, que comprometem
o desenvolvimento do indivíduo e do cidadão em sua realização
pessoal e participação social (SAETA; SOUZA NETO, 2006, p.29).
Na época em que prevalecia a doutrina do Código de Menores no Brasil,
crianças e adolescentes, em especial os de baixa renda, eram tratados como
seres que precisavam ser tutelados pelo Estado. A partir da vigência do ECA, a
garantia dos direitos destes indivíduos passou a ser responsabilidade do
Estado, da família e da sociedade, tudo isso para que as determinações do
Estatuto fossem cumpridas.
De acordo com o ECA, a principal efetivação de direitos por parte do
Estado precisa se dar pela prioridade absoluta na elaboração e implementação
de políticas públicas para crianças e adolescentes.
Castro lembra que alguns conceitos sobre o termo políticas públicas. Os
de autoria de Bruno Jobert e Pierre Muller (1987), por exemplo, definem que
política pública é o Estado em ação e que uma “política só é pública a partir do
momento em que o Estado participa como um agente importante” (CASTRO,
2008, p.66).
A autora afirma ainda que toda política pública precisa ter como objetivo
a promoção do bem comum e o desenvolvimento das pessoas, a partir dos
direitos que possuem. No entanto, Castro revela que na prática a maioria das
políticas
atendem a interesses específicos, mesmo sendo elas em prol da
realização de um bem comum. Isto porque, segundo a autora, acontece porque
os grupos de poder2 são os responsáveis em implantar e desempenhar as
políticas públicas.
2
Portadores de interesses organizados, indivíduos que possuem voz ativa, responsáveis em
formular e pressionar seus interesses e demandas. Estes grupos de poder podem fazer parte
do Estado ou do setor privado e sociedade civil.
O ECA garante às crianças e aos adolescentes a proteção integral, ao
contrário do antigo Código de Menores, que oferecia a proteção apenas a
meninos e meninas considerados em situação irregular.
Para que o Estatuto chegue ao conhecimento de toda a sociedade, é
fundamental que a mídia atue na divulgação e no debate sobre os direitos de
meninos e meninas. Fazer com que esta discussão esteja constantemente em
pauta ainda é um desafio, uma vez que ainda vemos que esta cobertura não
está presente no dia a dia dos veículos de comunicação. A prática de um
jornalismo mais comprometido com as questões sociais seria um diferencial na
mídia brasileira e, sem dúvidas, faria com que essa temática fosse mais
entendida e respeitada pela sociedade.
3.4 O papel social do jornalismo: a comunicação e os direitos humanos
Para se iniciar uma discussão sobre jornalismo e seu papel na
sociedade, é necessário, primeiramente, entender o início deste processo no
país. O curso de jornalismo no Brasil foi instituído no Sistema de Ensino
Superior Brasileiro, no dia 13 de maio de 1943, na sede da Associação
Brasileira de Imprensa (ABI), pelo então ministro da Educação e Saúde,
Gustavo Capanema.
Porém, a regulamentação do curso aconteceu apenas em 1946, a partir
do Decreto 22.245, publicado a mando do atual ministro da Educação e Saúde
na época, Ernesto de Souza Campos. A viabilização do curso, por sua vez,
ocorreu por conta do empresário Cásper Líbero, famoso no século XX, que
transformou seu jornal A Gazeta em um periódico vespertino de São Paulo.
(SANTOS, 2007, p.63).
Após a morte do empresário, estava decretado que todos os jornais,
rádio e revistas de Líbero, seriam constituídos em uma Fundação sob a
responsabilidade dos funcionários mais antigos do empresário, o que
ocasionou no surgimento da Fundação Cásper Líbero, referência hoje no Brasil
no ramo da Comunicação.
A função desempenhada pelos jornalistas, muitas vezes, sofrem
interferência do fator “tempo”, que não permite que o produto final realizado
pela categoria saia do modo que se deseja. Medina (1989) acredita que o custo
que o profissional paga por este imediatismo da notícia é o convívio com a
imperfeição, uma vez que, é praticamente impossível dar conta de atender a
todas as exigências do dia-a-dia da atividade, em um curto espaço de tempo.
A reportagem pode ser interpretada como uma rica peça literária,
porque seu único autor trabalhou muito bem a forma; ou ser
interpretada como uma rica e polêmica matéria porque muitas
pessoas têm oportunidade de falar através dela. São duas maneiras
de encarar o papel do profissional – ou se exige dele a perfeição do
autor “miraculoso”, onipotente, alfabetizado (...), capaz de concluir
sobre o mundo com autoridade de cientista social; ou se dele a
humildade do intermediário que sai para a sociedade para rastrear o
maior número possível de versões (MEDINA, 1989, p.23).
Bucci (2008) cita que o poder emana do povo e em seu nome é exercido,
fundamento este, pertencente à democracia. A imprensa, como parte deste
processo democrático, precisa fiscalizar o poder e o exercício do poder que
dependem do compartilhamento dos interesses e temas importantes - de
interesse público - para o conhecimento dos cidadãos.
Sem esta vigilância do poder, segundo Bucci, “não há como se pensar
em limites para o exercício do poder na democracia” (BUCCI, 2008, p.46).
Tudo isso se dá para que a imprensa possa cumprir melhor seu papel de levar
informações de qualidade e verdadeiras para a sociedade.
O jornalismo possui uma grande responsabilidade social em nossos dias,
uma vez que o direito à informação e à comunicação já foi proclamado como
algo fundamental desde o início das declarações de direitos.
Neste aspecto, Bucci cita o artigo 11 da “Declaração de Direitos do
Homem e do Cidadão”, de 1789, em que diz que “a livre comunicação das
ideias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem”. O autor
também lembra o artigo 19 da Declaração dos Direitos Humanos, de 1948:
Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este
direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de
procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer
meios e independentemente de fronteiras (BUCCI, 2008, p.47 – artigo
19 da Declaração dos Direitos Humanos).
Mesmo com toda esta necessidade plena que o ser humano tem de
receber informações, este direito ainda não é totalmente garantido, a ponto de
vê-los essenciais como os direitos à educação e à saúde. Para Bucci ter
acesso à informação é ter liberdade.
A defesa dos direitos humanos na mídia pode até ser de conhecimento
de uma parte dos profissionais de comunicação. O fato é que estes não põem
em prática o que deve ser feito. Outros, porém, desconhecem totalmente as
normas relacionadas à garantia de direitos do ser humano, seja ele de classe
social inferior a uma outra ou excluído da sociedade por conta de sua cor,
religião, sexo ou raça.
Almeida (2008) afirma que não existe, ao certo, uma exata definição
sobre as percepções de direitos humanos por parte dos profissionais de
jornalismo. Por isso, a única dedução que podemos ter em relação a estes
profissionais só podemos observar no resultado de seus trabalhos, disponíveis
em bancas, rádios, na TV ou em telas de computador:
Os meios de comunicação de massa tiveram e têm um importante
papel na divulgação, análise e fiscalização das diferentes gerações
de direitos humanos e das violações dos mesmos. O trabalho da
mídia fomenta e assegura a garantia da liberdade de pensamento e
de expressão das múltiplas vozes que compõem uma sociedade
(ALMEIDA, 2008, p.257).
Ainda assim, Almeida acredita que estamos tendo certo avanço na
produção e cobertura dos temas relacionados aos direitos humanos no país.
Porém, segundo a autora, este avanço ainda não alcançou seu patamar ideal.
Para Gentilli (2005) os jornais são bons instrumentos de difusão que
asseguram direitos:
Penso o jornalismo como uma atividade indispensável no mundo
contemporâneo, como o instrumento que viabiliza o direito à
informação, onde os jornais desempenham a função de mediadores e
os jornalistas, individualmente, de representantes do leitor,
telespectador e ouvinte, como indivíduos, consumidores e cidadão
(GENTILLI, 2005, p.142).
A escassez de espaço editorial e a busca natural por fatos novos, além
da inexperiência, história de vida e a deficiência da formação em direitos
humanos no Brasil - tanto nas escolas quanto nas universidades brasileiras –
estão entre as principais problemáticas levantadas por Almeida quando se trata
da falta de cobertura e atenção no dia-a-dia da mídia para os direitos humanos.
O autor também cita a ausência dos cidadãos comuns que não cobram
dos grandes veículos, uma abordagem maior sobre o tema em suas
reportagens, edições especiais ou até mesmo em pautas rotineiras.
Para Maria Victória Benevides, no artigo intitulado Cidadania e Direitos
Humanos, apresentado na Cátedra Unesco/USP de Educação para a Paz,
Direitos Humanos, Democracia e Tolerância, em 2006, falar em democracia,
direitos humanos e paz pode acabar sendo interpretado de forma redundante,
já que não se pode entender a democracia se não agregarmos a ela estes
aspectos citados acima. Para ela, a ideia de cidadania é uma ideia
eminentemente política, que não está necessariamente ligada a valores
universais, mas a decisões políticas.
Benevides (2006) acredita que o tema relacionado aos Direitos Humanos
precisa ser mais colocado em foco nas faculdades e escolas. A autora cita a
não participação dos jovens da atualidade na época em que se instaurou a
Ditadura Militar no Brasil, mas, que mesmo assim, sabem muito bem ou, pelo
menos, devem ter ouvido falar do movimento em defesa dos direitos humanos
em prol das pessoas que foram perseguidas por ter envolvimento com a
política.
Mas, após o período mais opressor da Ditadura, Benevides afirma que a
ideia de que todos mereciam a garantia dos direitos fundamentais,
independentemente da condição social, não foi levada adiante como se
esperava. Segundo a autora, apenas aqueles cidadãos denominados presos
políticos eram merecedores da preocupação com a efetivação destes direitos.
Por conta disso, a defesa dos direitos humanos passou a estar
relacionada a situações de defesa de “criminosos comuns que, quando são
denunciados e apenados, pertencem, em sua maioria, às classes populares”
(Benevides, 2006. p3). Parte deste cenário foi construída com a ajuda da mídia.
O tema dos DH (direitos humanos), hoje, permanece prejudicado pela
manipulação da opinião pública, no sentido de associar direitos
humanos com a bandidagem, com a criminalidade. (...) as classes
populares são geralmente vistas como “perigosas” (...). Então, é por
isso que se dá, nos meios de comunicação de massa, ênfase
especial à violência associada à pobreza, ignorância e miséria. É o
medo dos de baixo - que, um dia, podem se revoltar – que motiva os
de cima a manterem o estigma sobre a ideia de direitos humanos
(BENEVIDES, 2006. p.4).
Para a autora, é preciso que as pessoas e os meios mais conservadores
percebam a importância de promover, reconhecer e defender os direitos
humanos no Brasil, principalmente, com a ajuda de várias campanhas de
esclarecimento, demonstrando paras as massas, desde cedo, que é preciso ter
um compromisso maior com a educação para a cidadania democrática.
A instrução para uma melhor cidadania para o povo, por meio da mídia,
pode ser uma das características de um tipo de jornalismo analisado por
Nelson Traquina. Para o autor, o surgimento do jornalismo cívico, também
denominado jornalismo público, serve para evidenciar que o jornalismo, assim
como a democracia, está passando por uma verdadeira crise.
O jornalismo cívico, por sua vez, seria uma maneira inovadora de se
atuar na profissão, que tem como objetivo promover a mobilização social para
se conseguir mudanças e, evidenciar os problemas vivenciados pela
sociedade, como as demandas e reclamações dos cidadãos, fatores estes, de
fundamental importância na atuação jornalística. Com este tipo de jornalismo,
segundo Traquina (2003), a discussão pública entre movimentos sociais e
organizações da sociedade civil estaria mais próxima ao dia-a-dia de um
profissional que segue este segmento do jornalismo.
O movimento do jornalismo cívico ou público, de acordo com Fernandes
(2002), também é descrito como uma maneira de ajudar a sociedade a
encontrar as soluções para os problemas da comunidade. Para ele, por
jornalismo cívico entende-se que:
Seja a ação de ‘retomar contato com a comunidade, descobrindo o
que os leitores querem e abrindo espaço para discussões de temas
de interesse público... um jornalismo que ajude as pessoas a
superarem sua sensação de impotência e alienação, definindo-as a
envolver-se e tomar para si a responsabilidade sobre problemas
comunitários (FERNANDES, 2002, p.96).
Divulgar e trabalhar na produção deste tipo de jornalismo é fazer com
que temas relevantes da sociedade sejam colocados em pauta, além de ajudar
a comunidade no entendimento de questões sociais. Neste contexto, a
divulgação freqüente de matérias e reportagens que abordem os direitos de
crianças e adolescentes faria com que a sociedade entendesse com mais
facilidade a causa e luta pelos direitos da infância e adolescência.
3.5 Jornalismo Cívico e direitos de crianças e adolescentes
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) propõe a cidadania a
meninos e meninas, pois além de legalizar seus direitos fundamentais, oferece
a todas as crianças e adolescentes o direito à voz, à opinião, à participação, ao
respeito, à liberdade e à dignidade.
Ainda precisamos levar mais adiante os debates na mídia sobre os
direitos de meninos e meninas e, é por isso, que Vicente (2008) acredita que o
papel dos comunicadores neste contexto social é de fundamental importância.
Esta participação da imprensa pode acarretar, por exemplo, em
reportagens e informações de serviço público que ajudem a população a
procurar pelos seus direitos em relação à infância e à adolescência.
Um exemplo lembrado por Vicente foi a implementação do Sistema de
Garantia de Direitos, da existência no município do Fundo da Infância e
Adolescência (FIA), além da implementação dos Conselhos Tutelares e de
Direitos.
A partir destes temas, muitas discussões podem ser colocadas em
pauta, gerando conhecimento para a população e, ao mesmo tempo, dando
incentivo para que ela fiscalize estas ações em sua localidade:
O pleno sucesso do ECA depende, sob um certo ponto de vista, da
capacidade em se fazer conhecer não apenas a legislação em si,
mas também todo o aparato previsto para transformá-la em realidade,
o que contribui para dar perenidade a uma nova atitude perante a
infância e adolescência. A isso soma-se o fato de que a própria
imprensa, por definição, pode e deve assumir um papel ativo no
processo de monitoramento, fiscalização e cobrança quanto à
definição, gestão e avaliação das políticas públicas (VICENTE, 2008,
p. 276 - 277).
Um dos desafios referentes à cobertura da infância e da adolescência no
país se baseia no aspecto negativo criado pela opinião pública em relação à
falsa ideia de que o Estatuto protege os adolescentes que cometem atos
infracionais.
Vicente (2008) reitera que a imprensa pode colaborar para desfazer este
tipo de equívoco, por meio de informações qualificadas e comprometidas com a
verdade, que mostrem que a lei garante aos adolescentes que cometem atos
infracionais o julgamento adequado para suas ações.
O chamado jornalismo cívico, conhecido como um segmento de
comunicação que caracteriza a produção de matérias relevantes e de cunho
social à população, não é visto cotidianamente nos grandes veículos de
comunicação. A ausência deste tipo de jornalismo enfraquece a qualidade do
trabalho e da produção jornalística, fazendo com que sejam produzidas apenas
matérias e reportagens não aprofundadas sem perspectivas. No artigo
“Jornalismo cidadão, uma proposta brasileira ao jornalismo cívico”, Barcellos e
Alveti definem muito bem este tipo de jornalismo:
O movimento do jornalismo cívico tem como proposta o resgate dos
ideais do Jornalismo, independente de interesses econômicos e
políticos, visando a cidadania, na defesa das causas de seus
cidadãos. Na prática, isso significa fazer uma cobertura que atenda
aos direitos dos indivíduos, tratando a informação de modo que ela
contribua para que os receptores sejam conscientes de seus direitos
em uma sociedade democrática (BARCELLOS; ALVETI, 2007, p.1).
No Brasil, temos bons exemplos de práticas jornalísticas que atuam com
mídia e direitos humanos. A principal é a Agência Nacional dos Direitos da
Infância (ANDI)3, que tem como objetivo estimular e sensibilizar os profissionais
da área sobre os temas relacionados a direitos de meninos e meninas.
Fernandes (2008), ao citar Cristina Ponte (2002), é clara ao dizer que ainda
são necessárias inúmeras iniciativas que falem e respeitem os direitos
humanos, tendo, por sua vez, o trabalho da ANDI em destaque:
3
www.andi.org.br - endereço eletrônico da Andi em que pode se encontrar resumo das
principais notícias sobre infância e adolescência do Brasil, além de pautas referentes ao tema e
publicações especiais, principalmente para comunicadores, sobre crianças e adolescentes.
Entre outros, destacamos a inscrição da sua cobertura jornalística
como tema de reflexão pela Federação Internacional de Jornalistas
(FIJ), envolvendo aspectos deontológicos, e o trabalho de
sensibilização de jornalistas por parte da agência brasileira ANDI, que
procura nomeadamente influenciar o tratamento jornalístico de
crianças em situação de risco social e que a cobertura noticiosa não
incida apenas na ‘denúncia de situações’ e contenha também ‘busca
de soluções’ (PONTES apud FERNANDES, 2008, p.37).
A Agência disponibiliza em seu site materiais que abordam a situação da
criança e do adolescente no país, por meio de guias e manuais que buscam
tirar dúvidas sobre palavras, termos e expressões que confundem ou
comprometem a qualidade da informação. As publicações existentes no site
permitem, principalmente, que jornalistas e estudantes tenham excelentes
fontes de consulta sobre temas como exploração sexual contra crianças e
adolescentes, situação de risco de meninos e meninas, educação, entre outros
temas.
Não só de comunicadores profissionais é formado o público que a ANDI
deseja atingir. A instituição também acredita que a participação dos
acadêmicos de comunicação social é fundamental para se criar uma formação
em direitos humanos, em especial, os de crianças e de adolescentes.
Para isso, a Agência realiza, anualmente, com o apoio do Fórum
Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), concursos que envolvem a
participação dos alunos de jornalismo, publicidade e relações públicas de
instituições de ensino superior de todo o país: é o chamado programa
InFormação. O concurso, de acordo com a página eletrônica do programa4,
tem como objetivo a ampliação das possibilidades de qualificação dos futuros
profissionais de Comunicação para a cobertura das temáticas sociais,
especialmente as relativas aos direitos humanos de crianças e adolescentes.
O projeto de pesquisa que é enviado à agência precisa ser o mesmo que
o aluno (a) irá defender no término de seu curso, no Trabalho de Conclusão de
Curso (TCC). Os selecionados no programa, que são divididos em várias
4
Disponível em:
http://www.informacao.andi.org.br/relAcademicas/site/visualizarConteudo.do;jsessionid=4D263
E8FBEB4FA26321165C62CA96EDD?metodo=visualizarHome Acesso em 12.02.09.
categorias na área da infância e adolescência, recebem um auxílio financeiro
durante o tempo em que estiver produzindo o estudo final.
Mesmo com o objetivo de aproximar estudantes de comunicação do
estudo na área da infância, ainda é grande a distância entre os alunos de
comunicação da Unama e a Andi, uma vez que ainda é pouca a produção de
trabalhos de conclusão de curso sobre esta temática. O distanciamento poderia
ser diminuído caso a Universidade trabalhasse com mais eficiência a questão
dos direitos de meninos e meninas dentro do conteúdo programático do curso.
No entanto, a instituição apresenta iniciativas de extensão que tentam
aproximar os alunos desta discussão, como é o caso da Agência Unama.
4 JORNALISMO E UNIVERSIDADE
4.1 Agências universitárias e sua importância para a comunidade
acadêmica
A preocupação em ministrar o ensino prático aos universitários de
comunicação já era nítida desde a criação do primeiro curso superior de
jornalismo, em 1935, na Universidade do Distrito Federal. Mesmo assim, a
formação teórica do acadêmico não era esquecida, uma vez que práticas de
Redação e oficinas de História, Literatura e Política caminhavam sempre
atreladas. No entanto, a prática do ensino de jornalismo só começou a surgir,
aos poucos, com a Fundação da Escola de Jornalismo Casper Líbero, em 1947
-, momento em que os cursos começaram a adquirir identidade própria.
Segundo Fernandes (1989), houve neste momento de deficiência de
instrumentos práticos nos cursos, quem se destacasse no ramo e criasse
estratégias para que os alunos tivessem a oportunidade de colocar em prática
o que aprenderam em sala de aula. Foi o caso de Luiz Beltrão, da Universidade
Católica de Pernambuco, que tentou simular as situações profissionalizantes
na sala de aula por meio da implementação do “jornal cobaia”.
O autor também atribui o início da melhoria dos ensinamentos práticos
de jornalismo no país, à produção de uma pesquisa feita pela Faculdade
Casper Líbero em 1967, que teve o objetivo de analisar a experiência de 20
anos dos cursos de jornalismo. Para Lopes, a pesquisa foi uma contribuição
valiosa para formar um quadro sobre a situação do ensino nesse campo.
Essas contribuições esbarravam na falta de infra-estrutura dos cursos
que não estavam aparelhados para enfrentar uma linha de trabalho
mais profissionalizante. A isso, somava-se a contínua pressão
enfrentada pelos formandos nas redações. Com formação apenas
teórica, na maioria dos casos, eles enfrentavam a ironia e o desprezo
dos profissionais formados nos jornais (LOPES, 1989, p. 20).
Na obra “Jornal Laboratório: do exercício escolar ao compromisso com o
público leitor”, que possui relatos e experiências sobre práticas de extensão e
jornal laboratório em uma academia, Lopes afirma que o jornal laboratório pode
ser comparado com o ensino da extensão porque também é vinculado a ele a
teoria e a prática do jornalismo, dando oportunidade de alunos atuarem de
maneira semelhante às atividades de extensão.
Segundo Lopes, que trabalhou com o conceito de jornal-laboratório
obtido a partir do III Encontro de Jornalismo Regional sobre Órgãos
Laboratoriais Impressos, que aconteceu em 1982, na Faculdade de
Comunicação, os jornais-laboratórios são veículos que devem ser feitos a partir
de um conjunto de técnicas específicas para um certo público específico, se
baseando, por sua vez, em parcerias sistemáticas em todo o desenvolvimento
do trabalho.
Outra conclusão obtida durante o Encontro, é que a prática de diferentes
técnicas jornalísticas deve estar incluída em uma mesma escola, como a
existência dos veículos universitários Rádio Unama5 e TV Unama6, além do
jornal interno Comunicado,7 no caso da Universidade da Universidade da
Amazônia.
Porém, definiu-se que é de extrema necessidade que haja em todos os
projetos que desenvolvem a prática jornalística em uma universidade ou escola
de comunicação, a participação de alunos e professores no desenvolvimento
prático, desde a sua formulação até o acabamento gráfico.
Instrumento fundamental de um curso de jornalismo, o jornallaboratório dá condições ao estudante de realizar treinamento na
própria escola, possibilitando que coloque em execução, ainda que
experimentalmente, os conhecimentos teóricos adquiridos nas
disciplinas da área técnico-profissionalizante. Integra os alunos na
problemática da futura profissão, tornando possível que obtenham
uma visão global do processo jornalístico, não apenas no aspecto
conceitual, mas também na prática do dia a dia das redações
(LOPES, 1989, p.149).
Diferenças geográficas e de origem foram levadas em consideração na
tese de doutorado “Prática e Aprendizado – a importância da Agência
5
Rádio universitária da Unama que tem a participação de alunos de jornalismo e publicidade
da instituição.
6
Tv universitária da Unama que produz reportagens sobre diversos assuntos da região. Alunos
de jornalismo e publicidade também fazem parte da iniciativa.
7
Jornal universitário da Unama existente há mais de 30 anos.
Universitária de Notícias como jornal-laboratório”, de Fernando de Maria dos
Santos, pela Universidade de São Paulo (USP), em 2007. No estudo, Santos
analisou a experiência de três agências universitárias atuantes no país, entre
elas, a Agência Unama de Comunicação (particular)8. As outras duas foram a
Agência Universitária de Notícias (AUN - estadual)9, da USP e, a Agência
Unaberta, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC - federal)10 citada
pelo autor como a mais antiga em atividade no Brasil.
A Agência USP, órgão oficial de comunicação da Universidade de São
Paulo, uma das maiores da América Latina (Santos, 2007, p.20), é um projeto
ligado à Coordenadoria de Comunicação Social (CCS), que tem como objetivo
divulgar a produção científica e as atividades da instituição, como cursos e
palestras.
A exemplo do que ocorre no meio institucional universitário –ainda de
forma tímida – alguns cursos de jornalismo já perceberam a
potencialidade desta nova proposta para unir a prática acadêmica por
meio de atividades laboratoriais. E, em alguns casos, introduziram em
sua grade curricular ou como projeto de extensão as atividades na
área de Agências de Notícias. (...). Desta forma, busca-se unir o útil aprendizado aos alunos para a prática jornalística e contribuição
social na divulgação livre de assuntos importantes à comunidade – ao
agradável – divulgação da produção acadêmica junto aos meios de
comunicação (SANTOS, 2007, p.21).
Correia (1998), da Universidade da Beira do Interior, em Portugal, fala
sobre a construção histórica do jornalismo e afirma que a prática jornalística
não deve ser afetada pelas especificidades pressupostas em determinadas
regiões. Uma vez que isso acontece, segundo Correia, a formação dos
jornalistas
pode
sofrer
conseqüências
sob
pena
de
se
cair
numa
condescendência paternalista em relação às empresas jornalísticas, em
relação aos profissionais e em relação aos públicos leitores. Para o autor, as
universidades e Centros Superiores possuem um papel fundamental neste
trabalho:
8
Que pertence à Universidade da Amazônia
9
Disponível em: http://www.usp.br/aun/_reeng/index.php Acesso em: 20/01/09
10
Disponível em: www.unaberta.ufsc.br/ Acesso em: 20/01/09
As regiões precisam de um jornalismo de excelência. Por isso, a
título pessoal, se defende de forma clara e sem tibiezas, que, para
já, no imediato, as Universidades e Institutos Superiores através de
uma relação institucional com as empresas jornalísticas e com
Institutos de Formação já existentes desenvolvam ações viradas
para a preparação, formação e reciclagem de profissionais
qualificados e de públicos cada vez mais exigentes e informados
(CORREIA, 1998, p.8).
Para muitos autores contemporâneos, a relação entre “professor e aluno”
dentro de uma sala de aula já não é a mesma existente há tempos atrás,
quando o pensamento do mestre tinha que se sobrepor ao pensamento do
aluno. Pelo contrário. Para Simone Tuzzo (2004), na relação atual entre
discentes e docentes não pode haver personagem principal ou coadjuvante, e
sim, deve existir um cenário que tenha complementações de ambas as partes,
sem haver, por sua vez, um conceito supremo de verdade.
Segundo a autora, o ensino de graduação precisa ser encarado como
uma “reflexão sobre a atuação de um profissional para suprir uma lacuna
social” (Tuzzo, 2004, p.146). Ou seja, dentro da Universidade, mais ainda, é
necessário que os conceitos possam ser sempre reestudados e atualizados
para garantir ao acadêmico uma boa formação crítica e, consequentemente,
produção de conhecimento.
Dentro deste contexto acadêmico, o tripé ensino-pesquisa-extensão de
uma Universidade, de acordo com Tuzzo, é essencial para que o aluno
perceba que a produção do conhecimento “vai além de uma sala de aula, onde
se realizam as aulas teóricas e além dos laboratórios, onde se realizam as
aulas práticas” (TUZZO, 2004, p.147).
O espaço de aprendizado está em toda a sociedade, pois o
aprendizado não necessita de local ou horário predeterminados
pelas regras universitárias. Assim, os alunos devem enxergar o
cotidiano como um grande laboratório, onde todo tipo de
manifestação possa ser analisado, sob a ótica da ciência que se
pesquisa e que se quer descobrir. O olhar deve ser crítico e o senso
comum deve ceder lugar ao questionamento (TUZZO, 2004, p.147).
No artigo “A Universidade concorre com a mídia”11 Ivana Bentes aborda
as diversas formas de circulação de informação existente, atualmente, no
11
Artigo disponível no endereço eletrônico: http://www.scribd.com/doc/9568822/Auniversidade-concorre-com-a-midia-Ivana-Bentes Acesso em: 13/01/09
mundo. Para tanto, Bentes discorre sobre a utilização dos meios de
comunicação como TV, rádio, jornais, revistas, além de portais e sítios da
Internet e, afirma que estamos mergulhados em um cenário de “excesso e
saturação de informações”.
A questão levantada pela autora é como se pode tirar proveito, ou
absorver algo positivo de todo esse “lixo informacional”? Para Ivana, as
universidades são locais onde seria fundamental a capacitação dos
universitários para se tornarem bons críticos e terem, a partir de então, o poder
de selecionar as informações relevantes do dia a dia.
Resta ao ensino, à universidade, mais do que nunca, assumir sua
função de formadora – não de mão-de-obra especializada para o
mercado, isso qualquer curso técnico pode fazer em poucos meses -,
mas formar analistas simbólicos, pessoas, cidadãos capazes de
interagir, de se movimentar, de decodificar essas informações, de
extrair desse excesso de informações, um pensamento ou uma ação
(BENTES, 1998).
4.2 Unama: O surgimento do curso de Jornalismo e os projetos de
extensão
Partindo da origem da palavra, extensão é “estender-se, levar a
pesquisa e o ensino codificados de forma adequada para bem comunicar além
dos muros das universidades” (NEVES; SANTOS, 2008) e, de acordo com os
autores, nada mais adequado que um estudante da área de Comunicação
Social para efetuar esta ligação.
É necessário que, em uma formação acadêmica em jornalismo, além da
redação, sejam promovidas técnicas profissionais e critérios específicos de
como identificar o que é notícia. É preciso que esta formação acadêmica não
fique restrita também apenas ao despertar do universitário para uma formação
científica, por meio da pesquisa, por exemplo. Necessita-se de um equilíbrio
entre as duas vertentes. Neves e Santos acreditam que é por meio da extensão
que o desenvolvimento crítico do aluno é promovido:
Fazê-lo despertar para seu papel social, ampliando a concepção de
jornalista para além de suas funções técnicas e formais, mas antes
de tudo contribuindo para a formação de comunicadores
competentes, capazes de estabelecer e manter uma relação
responsável com a sociedade e seus diferentes públicos, aprendendo
a tratar com pessoas que trazem em si emoções, sentimentos e
histórias de vida (NEVES; SANTOS, 2008, p.03).
A extensão universitária precisa manter uma interação entre a
comunidade na qual a instituição de ensino superior está inserida, promovendo
atividades que efetuem ligações permanentes entre a universidade e os
diversos setores da sociedade. (NEVES; SANTOS, 2008).
O capítulo Bases Conceituais da Extensão: construindo os caminhos,
escrito por Vera Lúcia Soares (2004), a extensão universitária é vista como
uma iniciativa que possui um importante papel na construção de um novo
paradigma de conhecimento e na ampliação dos vínculos sociais. Tal
importância pode ser retratada no trecho abaixo:
Uma reforma deve levar em conta a capacidade de organização do
conhecimento, capaz de refletir sobre a condição humana,
contribuindo para a existência de uma solidariedade ética,
respeitando as desigualdades e respeitando a diversidade, tendo em
vista a importância da academia em consonância com os problemas
vivenciados. A universidade não pode abdicar da defesa da razão
crítica e da gestão de valores insubstituíveis da condição humana,
tais como: o direito à vida, à informação, à felicidade, à cultura e ao
progresso (FERNANDES, 2008, p. 07)
De acordo Soares (2004), a extensão universitária precisa estar no
espaço entre as teorias da academia e as práticas sociais que colaboram com
a formação do universitário:
O Projeto de Extensão é um conjunto de atividades temporárias de
caráter educativo, cultural, artístico e/ou científico, desenvolvidos
OBRIGATORIAMENTE por docentes e discentes através de ações
sistematizadas, voltadas a questões sociais relevantes. Deve
estabelecer um fluxo bidirecional entre conhecimento acadêmico e
popular, promovendo ações de estímulo ao desenvolvimento da
sociedade. Deve proporcionar aos acadêmicos a formação de uma
consciência crítica. Deve ainda contribuir para uma reflexão crítica
das práticas curriculares e das linhas de pesquisa (SOARES, 2004,
p.10).
Os universitários entrevistados12 que passaram pelo projeto confirmam o
que foi dito por Soares, sobre “a formação de uma consciência crítica”. Eles
revelam que esta, inclusive, é uma das referências e experiências que a
iniciativa proporciona:
A Agência para mim, sem dúvida, foi muito além de um ambiente de
trabalho. Aliás, o melhor ambiente de trabalho que já tive
oportunidade de conviver. Fiz muitos amigos que até hoje fazem
parte da minha vida, construí princípios, reafirmei valores e,
principalmente, me tornei uma pessoa menos preconceituosa e com
13
mais senso crítico.
Baseado nas ideias de Pessanha (2004), pró-reitor de Extensão e
Assuntos Comunitários da Universidade Cruzeiro do Sul e presidente do Fórum
de Extensão das IES Brasileiras, a extensão pode ser caracterizada de várias
formas. Entre elas, temos a extensão enquanto projeto, que é analisado por
Pessanha como um conjunto de atividades de caráter educativo, cultural,
científico ou tecnológico, desenvolvido com um planejamento que contém início
e fim definidos. No entanto, por mais que a Agência Unama de Comunicação
pelos Direitos da Criança e do Adolescente seja conhecida como um “projeto
de extensão”, a definição que mais cabe a ela, de acordo com o autor, é a
denominação “programa de extensão”. Para ele, “programa é o conjunto de
projetos articulados de forma institucional, contemplando objetivos com
características temporal de continuidade e permanência”. (PESSANHA, 2004,
p. 17).
Ou seja, a Agência Unama, enquanto iniciativa sem fim definido, se
encaixaria mais na denominação programa, estabelecida por Pessanha, uma
vez que ela realiza ações mobilizadoras e jornalísticas sobre os direitos da
infância e da adolescência com permanência e, possui prazos definidos apenas
para os projetos internos, como entrega de reportagens, entrevistas e produção
visual, atividades estas, também realizadas por agências universitárias.
O curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, surgiu na
Unama a partir da Resolução CONSUN 022/2002. A implantação do curso foi
12
Universitários da Universidade da Amazônia (Unama) que atuaram no projeto Agência
Unama de Comunicação pelos Direitos da Criança e do Adolescente. As análises e os
comentários dos alunos acerca do projeto serão detalhados no capítulo 4.
13
Lígia Bernar, ex-estagiária do projeto, em entrevista no dia 20 fevereiro.
feita no ano de 2003, com uma versão anual. Já em 2004, o curso passou a ser
semestral, sendo que, em 2007, de acordo com o histórico obtido no endereço
eletrônico da Universidade14 o curso passou por uma reformulação que, de
acordo com o histórico apresentado no endereço eletrônico da universidade,
permitiu
uma
formação
humanística
dos
acadêmicos,
baseada
na
regionalidade, mercado de trabalho e desenvolvimento tecnológico.
A universidade caracteriza o método do curso pela interface com uma
série de áreas de conhecimento e, tem como princípio repassar aos alunos o
exercício da objetividade na futura profissão como um aprendizado essencial,
além dos ensinamentos a respeito da produção de informações relacionadas a
fatos, contextos sociais e circunstâncias. A carga horária total para o curso de
jornalismo é de 3.240 h/a, o que representa um tempo integral mínimo
equivalente a oito semestres (quatro anos) e um total de 140 créditos. Ao todo,
são oferecidas 100 vagas no primeiro semestre do ano e 50 vagas no segundo
semestre, em turnos matutino, vespertino e noturno.
Segundo o histórico do curso, a habilitação em Jornalismo da
Universidade tem como objetivo oferecer aos alunos do segmento uma
formação e compromisso com a cidadania, a partir do conhecimento e da
análise regional, além de buscar que os acadêmicos compreendam o
“processo de transmissão e recepção de mensagens midiáticas e seus
impactos na sociedade”. Outro objetivo do curso está relacionado ao
entendimento e aplicação da língua portuguesa nas diversas formas de
mensagens jornalísticas existentes no mercado de trabalho.
Se compararmos as características que a Universidade afirma
desenvolver no curso, como a formação e compromisso (como a cidadania, a
partir do conhecimento e da análise regional) é possível observar através das
entrevistas que com os alunos de jornalismo, que este compromisso deixa a
desejar. Universitários do último ano entrevistados para este estudo, acreditam
que não foram estimulados o suficiente pela universidade para atuarem e
trabalharem com um jornalismo mais compromissado. No entanto, a ex-
14
Disponível em: http://www.unama.br/graduacao/cursos/Jornalismo/ Acesso em: 15/02/09.
coordenadora do curso Ana Prado15, afirma que o curso de comunicação social
se preocupa bastante com o repasse de conhecimento aos alunos para que
tenham uma visão ampliada do que venha ser comunicação voltada para o
interesse público.
Para colaborar com a prática jornalística dos alunos do curso, a
universidade possui uma infra-estrutura acadêmica com um laboratório,
composto por estúdios de fotografia, TV, áudio, além de ilhas de edição nãolineares e de corte seco, laboratórios de revelação e ampliação fotográfica,
quatro laboratórios de informáticas para aulas de computação gráfica e
redação jornalística.
Outros ambientes na universidade que tem como objetivo proporcionar a
prática jornalística são a TV e Rádio Unama FM, onde alunos podem atuar
como bolsistas e desenvolverem atividades relacionadas ao dia a dia de cada
segmento jornalístico citado acima.
4.3 O projeto Agência Unama
A Agência Unama de Comunicação pelos Direitos da Criança e do
Adolescente, da Universidade da Amazônia (Unama), busca analisar, além de
outras atividades, a mídia e o cenário da comunicação feita, principalmente, no
Estado do Pará, experiência esta que não é papel de muitas práticas
jornalísticas existentes no País, quanto mais em experimentos localizados na
Região
Norte.
As
atividades
desenvolvidas
pelo
projeto
podem
ser
classificadas em três eixos de atuação, são eles: o monitoramento da mídia,
produção de notícias e relações públicas e mobilização social. De acordo com
a coordenação do projeto, o monitoramento é feito por meio da clipagem diária
realizada na Agência. Durante este processo, é possível que os alunos que
trabalham no local possam observar como a mídia aborda a infância e
adolescência nos jornais do Estado.
15
Jornalista que está ausente da universidade desde janeiro de 2008, por conta do doutorado
que foi fazem em Portugal.
Já a produção de notícias, ainda de acordo com a coordenação da
Agência, é feita principalmente pelos alunos que fazem parte do projeto, por
meio de rondas telefônicas16 e buscas de pautas por sites da Internet. As
notícias que são produzidas são publicadas no site da Agência e em boletins
informativos do projeto enviado por email às organizações e veículos de
comunicação de todo o Pará. Por fim, a mobilização social é feita a partir de
eventos realizados no projeto, como oficinas de comunicação e direitos
humanos para comunicadores e debates com a comunidade acadêmica sobre
assuntos relevantes da área da infância e adolescência.
Acadêmicos
de
Comunicação
Social
e
jornalistas
envolvidos,
primeiramente, com a garantia dos direitos humanos, realizam um trabalho
voltado para a área da infância e da adolescência, a partir das atividades
exercidas pelo projeto de extensão e pelos preceitos do Eca.
O compromisso com a formação cidadã dos alunos está entre as
características da Agência Unama, uma vez que ela desenvolve trabalhos e
atividades ligadas aos direitos de meninos e meninas e apresenta preocupação
com a relação direitos humanos e mídia. Segundo a coordenadora do projeto,
Danila Cal17, o papel da Agência Unama está bastante ligado à relação entre
mídia e cidadania, pois trabalha diretamente com temas relacionados às
questões sociais, como o direito de meninos e meninas.
A Agência Unama de Comunicação foi citada no histórico18 do curso
como “um projeto que visa acompanhar e monitorar a qualidade da
comunicação que é produzida no Pará em relação à infância e adolescência”.
Ainda no texto relacionado à extensão universitária, o histórico revela que a
Agência não possui fins lucrativos e conta com a parceria do Unicef.
A Agência é um projeto de extensão do curso de Comunicação Social e
da Superintendência de Extensão da Unama, com apoio do Fundo das Nações
Unidas pela Infância (Unicef) e da Fundação Instituto para o Desenvolvimento
16
Processo de contatos por telefone com as instituições e organizações sociais para buscar
pauta sobre infância e adolescência.
17
18
Entrevista concedida no dia 17/03/09.
Disponível em: http://www.unama.br/graduacao/cursos/Jornalismo/ Acesso em: 15/02/09.
da Amazônia (Fidesa). Existente desde 16 de agosto de 2004, o projeto é uma
iniciativa inédita no Estado do Pará e no Brasil, enquanto associado a uma
universidade.
4.4 QUADRO DE PESSOAL DA AGÊNCIA UNAMA
QUEM
CARACTERÍSTICAS
Coordenação do
projeto
Professor do curso de comunicação responsável em coordenar e
definir as ações do projeto.
Jornalista
assistente
Responsável pelas ações de clipagem do projeto e produção de
notícias.
Bolsista de
extensão
Aluno selecionado durante o concurso de bolsa de extensão da
universidade. O concurso acontece de seis em seis meses.
Estagiário
Aluno ligado ao projeto Agenda Criança Amazônia, do Unicef.
Voluntário
Alunos selecionados a partir de um processo de seleção
realizado pela coordenação do projeto. Os voluntários trabalham
sem receber remuneração e ao saírem do projeto, recebem um
certificado de participação.
A ideia de criação da Agência Unama surgiu no ano de 2002, durante a
realização do seminário Infância e Adolescência na Pauta da Mídia, promovido
pelo Fidesa e pelo Unicef na própria Unama. O evento, que reuniu mais de 70
jornalistas da Região Metropolitana de Belém (RMB) e de diversos municípios
do interior do Estado, teve como objetivo, de acordo com a coordenadora
Danila Cal, discutir alternativas para tornar a comunicação e o jornalismo
paraense mais responsável em relação aos direitos de meninos e meninas.
Uma das propostas que surgiram após a discussão no seminário, foi a criação
de uma agência de comunicação voltada exclusivamente para tratar sobre a
comunicação e infância e adolescência: nasce então, dois anos depois, a
Agência Unama. O surgimento do projeto se deu também porque a
coordenação de comunicação estava tentando ampliar o trabalho realizado
pelo curso na área da cidadania. E, segundo a ex-coordenadora do curso de
comunicação, Ana Prado, a Agência atendia essa demanda.
Com quatro anos de existência, já passaram pelo projeto cerca de 90
alunos do curso de Comunicação Social da instituição, entre acadêmicos de
jornalismo, publicidade e relações públicas, sendo eles, bolsistas de extensão,
voluntários e estagiários. De acordo com o relatório das atividades
desenvolvidas pela Agência no ano de 2006, mídia e direitos humanos são
temas centrais do projeto. Lá, são realizadas atividades referentes à prática de
uma comunicação comprometida e preocupada com o social, principalmente,
com temas relacionados aos direitos de crianças e adolescentes. A ANDI foi o
modelo de agência inspirador para a criação da Agência. Segundo a
coordenadora do projeto, durante o período de implementação da Agência, a
Andi enviou documentos para colaborar com a fortificação e formação do
projeto.
Atuante também como professora da Unama, a coordenadora Danila
afirma que existe um “pessimismo exagerado” entre certos alunos de
jornalismo da universidade, que acreditam que não é possível produzir um
jornalismo comprometido com a causa social por conta do domínio e interesses
econômicos e políticos dos grandes meios de comunicação. Isso demonstra
um certo pré-julgamento por parte dos universitários que acabaram de entrar
na academia, uma vez que eles utilizam esse pensamento no decorrer do
curso como uma verdade absoluta, que não pode ser modificada.
No entanto, Danila explica que as empresas de comunicação são
empresas em primeiro lugar, e que é natural ter seus interesses privados.
Porém, esses veículos precisam prestar contas à sociedade das ações
culturais que estão realizando. Na opinião da coordenadora, “são espaços
complexos, mas que podem ser contornados com matérias relevantes e de boa
qualidade. Assim, sempre terá uma brecha para pautar questões sociais”.19
Larissa Latif, professora e coordenadora do curso de pós-graduação da Unama
“Jornalismo, Cidadania e Políticas Públicas”, também observa essa ideia de
que o mercado de jornalismo não pode ser modificado.
19
Danila Cal, em entrevista concedida no dia 20 de março.
O que muitas vezes me acontece é ouvir de alunos que tudo é
determinado pelo mercado e que não há espaço para a preocupação
com os direitos na competição pelas vendas. Infelizmente essa ideia
é reforçada, principalmente nos ambientes de trabalho onde os
alunos, frequentemente já estão inseridos. Mas o papel da
universidade é justamente buscar construir conhecimento crítico,
combater essas "verdades" de almanaque que fazem parte do senso
comum20.
Um aluno do 6º semestre de jornalismo da Universidade confirmou que
muitos de seus colegas de classe têm a mesma opinião a respeito do mercado.
O aluno, que também acredita que não é possível fazer um jornalismo diferente
do que existe atualmente, revela que desconhece ações que fazem esse tipo
de jornalismo preocupado somente com o social:
Jornalismo é mais um ramo de trabalho e, em decorrência disso, mais
um meio de se ganhar dinheiro com o que se faz. Visar outra coisa a
não ser no lucro que a prática pode trazer, é meio difícil de se ver por
aí. Para ter que atuar na área de direitos humanos, seria preciso me
especializar bastante21.
Além das vagas para bolsistas de extensão, estagiários e voluntários, o
projeto firmou um novo termo de cooperação com o Unicef e, de acordo com o
Relatório de Atividades de 2007 ampliou, em agosto de 2007, seu quadro de
profissionais. Três jornalistas e três estagiários foram contratados com recursos
do Unicef, para atuarem no projeto Agenda Criança Amazônia, um amplo
processo de mobilização social, que tem como objetivo incentivar nos
municípios paraenses a criação e a prioridade nas políticas públicas voltadas
para crianças e adolescentes do estado, por parte da sociedade, das
organizações e das autoridades locais. Desde então, o trabalho da Agência
Unama foi ampliado para mais 24 municípios do Estado do Pará, além da
capital paraense.
Com a ajuda das jornalistas assistentes e da coordenadora do projeto,
docente de comunicação e mestra em Comunicação e Sociabilidade
Contemporânea pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Danila
20
21
Larissa Latif, em entrevista concedida no dia 15 de maio.
Aluno do 6º semestre da Unama que não passou pela Agência Unama. Entrevista no dia
20/04/09.
Cal, os alunos têm a chance de produzir, entrevistar e ter contato com a
cobertura jornalística feita por parte dos jornais quando o foco são crianças e
adolescentes.
Foi a partir do contato com os comunicadores do interior que foi possível
produzir mais um produto da Agência Unama, que é “A criança e o Adolescente
no município”22 uma sugestão de como os temas relacionados à infância
podem ser abordados pelos profissionais de outros municípios. A participação
dos alunos envolvidos com o projeto é fundamental para a produção deste
material.
Outro produto que envolve os acadêmicos é durante a realização dos
grupos de estudo e do Agência Bate-Papo, que discute com a comunidade
acadêmica temas sobre direitos de meninos e meninas. De acordo com a
coordenação da Agência, a importância de buscar as fontes corretas foi
observada pela equipe do projeto a partir das análises de conteúdo dos jornais,
ao se perceber que os jornalistas nem sempre buscam as fontes corretas,
sendo que estas ainda são muito restritas. No relatório das atividades do
projeto de 2007, mostra que durante este ano, a Agência Unama realizou três
bate-papos, com os temas “O Adolescente e a lei: a maioridade penal em
debate”, discutido pela Profª Ana Cristina França, mestre em Psicologia e
docente do Curso de Comunicação Social da Unama, e a Defensora Pública
Nádia Bentes, coordenadora do Núcleo de Atendimento Especializado da
Criança e do Adolescente (NAECA).
O segundo evento do ano foi com o tema “Crianças e Adolescentes
Negros: cultura e identidade”, realizado por um dos diretores da Fundação
Cultural Palmares, ligada ao Ministério da Cultura, Antônio Pompeu. O último
evento de 2007 foi sobre a violência contra a criança e o adolescente, que
contou com as palestrantes Alda Costa, mestre em Sociologia e atual
coordenadora
do
Curso
de
Comunicação
Social;
Eugênia
Fonseca,
coordenadora do Centro Integrado Pró Paz; e Eliane Correa, coordenadora da
Linha Educação para a Cidadania da Associação Paraense de Apoio as
Comunidades Carentes (APACC). De acordo com dados revelados no relatório,
22
Anexo 2
mais de 430 pessoas participaram dos três eventos, entre alunos e professores
da Unama e de outras instituições de ensino superior.
No ano de 2007, também de acordo com o relatório, o projeto concluiu
suas atividades diárias de monitoramento da cobertura dos três jornais diários
da capital do Estado, além do envio do Notícias do Dia para mais de 404
parceiros do projeto. A produção de sugestões de pauta enviadas, desde
agosto, passou a ser três vezes por semana e alcançou um público de 208
comunicadores e veículos de comunicação de Belém e do interior do estado,
além das atividades relacionadas à atualização do site do projeto23. No entanto,
com a pouca quantidade de alunos que estão atualmente no projeto, o envio de
sugestões de pauta passou a ser duas vezes por semana, a não ser quando
existe uma matéria extra que deva ser enviado fora dos dias estipulados para o
envio: às terças e quintas feiras.
Um dos produtos promovidos pelo projeto é a pesquisa “Infância e
Adolescência na pauta da mídia”. O estudo acontece em razão da clipagem
diária dos jornais para a produção do “Notícias do Dia”, o resumo das principais
notícias sobre a criança e o adolescente publicadas nos jornais de Belém. A
pesquisa avalia os textos selecionados e eles se tornam objetos empíricos do
estudo.
Por meio da análise das matérias, é possível avaliar a importância dada
pelos jornais diários ao tema infância e adolescência e indicar os problemas
mais comuns
que podem ser resolvidos
com capacitação para os
comunicadores. A pesquisa pode contribuir ainda como estímulo à presença de
jornalistas mais comprometidos com a infância e a adolescência nas redações.
Em 2005, de acordo com o relatório final de 2006, foi lançada a primeira
edição da pesquisa, referente às matérias publicadas de outubro a dezembro
de 2004. No ano de 2007 foi feita a conclusão do banco de dados sobre as
matérias de 2005 e 2006, selecionadas para a última edição da pesquisa. Mas,
as reportagens ainda não foram concluídas por falta de pessoal e sobrecarga
em outras atividades do projeto, o que demonstra que outras ações, como a
pareceria da Agência com o projeto do Unicef Agenda Criança Amazônia,
foram priorizadas ao invés da conclusão da pesquisa. De acordo com a
23
www.unama.br.
coordenadora Danila Cal, a pesquisa referente aos anos 2005 e 2006 tem
previsão para ser lançada em junho deste ano.
Uma outra atividade do projeto que também está temporariamente
parada: o Grupo de Estudos, que, de acordo com a relatório de atividade da
Agência, se caracteriza desta forma:
Os integrantes do grupo são todos os alunos bolsistas, voluntários da
Agência, jornalistas e demais alunos interessados. Os temas são
escolhidos pelo próprio grupo, que pesquisa sobre o tema, prepara o
texto e distribui à equipe. A cada reunião duas pessoas ficam
responsáveis pela pesquisa e produção de texto.Nas reuniões é
possível aprofundar discussões, refletir e tirar dúvidas. Além disso, os
alunos são estimulados a produzirem textos e se expressarem
oralmente nas apresentações. A avaliação é extremamente positiva e
tem reforçado a visão crítica dos alunos sobre temas extremamente
pertinentes ao projeto. Em 2007, foi possível realizarmos apenas um
grupo de estudos, que teve como tema a redução da maioridade
24
penal.
Os aspectos positivos da Agência citados pela coordenadora Danila são
diversos. Na opinião da coordenadora, a formação mais direcionada e focada
na área dos direitos humanos dos futuros profissionais é a maior colaboração
que a Agência oferece aos universitários que dela participam. “Desde 2004 já
passaram mais de 90 alunos pelo projeto, ou seja, podemos dizer que são 90
profissionais e futuros profissionais que podem fazer a diferença no mercado
de trabalho25”.
A referência e o reconhecimento por parte da imprensa local também é
um dos destaques positivos que a Agência possui, de acordo com Danila. Ela
revela que o projeto já é reconhecido pelo trabalho realizado na área da
infância e adolescência, seja para divulgação de ações de organizações sociais
como para produção de matérias jornalísticas para os jornais locais de Belém e
sugestão de fontes e especialistas para a imprensa que procura o projeto para
se informar sobre assuntos relacionados a meninos e meninas. A partir daí, um
outro tipo de comportamento foi observado em relação ao que a imprensa
pensa sobre o projeto:
24
Relatório de Atividades 2007 do projeto.
25
Danila Cal, em entrevista concedida no dia 20 de março de 2009.
Com o passar do tempo e com a divulgação de nosso trabalho na
grande mídia, passamos até a ser visto por alguns colegas da área
como se a Agência fosse pudesse falar sobre qualquer assunto
relacionado à infância e adolescência. Quando na verdade, o que
fazemos é sugerir fontes que trabalhem com o tema. Mas isso é bom,
é sinal que estamos nos tornando referência no que fazemos. 26
O lado negativo também foi lembrado pela coordenadora do projeto.
Segundo Danila, o principal problema da Agência está relacionado à
sustentabilidade da iniciativa, uma vez que atualmente não conta mais com
parcerias de peso como o Unicef, que ajudava a custear o pagamento dos
profissionais que atuam no projeto. A parceria com Unicef continua, no entanto,
de acordo com a coordenadora, desde 2007 o Unicef deixou de colaborar com
o pagamento dos jornalistas e ficou apenas apoiando a Agência na construção
do Agenda Criança Amazônia. Danila afirma que para melhorar e ampliar o
projeto, a ideia é conseguir novos parceiros para a Agência. “Assim podemos
contratar mais alunos estagiários, oferecer mais oportunidade a outros alunos e
ampliar nosso trabalho como agência de notícia da criança no Pará”.
A Universidade da Amazônia oferece toda a infraestrutura para a
realização das atividades do projeto. Sala, computadores, Internet, material
administrativo, além do pagamento dos bolsistas de extensão, da secretária e
da coordenadora do projeto. Além da estrutura já oferecida pela universidade, a
coordenação do curso disponibiliza um recurso financeiro de R$ 15 mil para
pagamento dos jornalistas assistentes e das assinaturas de jornais.
A mudança que deveria ser feita enquanto atuava no projeto, na opinião
da aluna Rayza, está relacionada ao tempo em que cada aluno ficava em uma
determinada atividade. Para ela, os alunos passavam pouco tempo em uma
única função. “O rodízio era muito grande, mas apesar de ser bom, não
treinava em maior grau os alunos para cada uma das tarefas”, acredita Rayza.
Para Ingrid Bico, ex-voluntária do projeto, o aumento da produção de texto para
o site da Agência e para os jornais diários de Belém seriam uma das soluções
para a melhoria do trabalho feito no projeto.
26
Danila Cal, em entrevista concedida no dia 20 de março de 2009
4.5 PRODUTOS DA AGÊNCIA UNAMA:
PRODUTO
Notícias do
Dia
Agenda
Criança
Fazendo Bem
Destaques
Artigos
CONCEITO
CARACTERÍSTICAS
PÚBLICO ALVO
Boletim com o
resumo das
principais notícias
sobre infância e
adolescência
publicadas nos
jornais diários do
Pará.
Bloco de
sugestão de
pauta sobre
direitos da
infância e
adolescência
produzido pelos
alunos de
jornalismo do
projeto.
Divulgação de
projetos e
iniciativas sociais
paraenses que
envolvem
crianças e
adolescentes.
O boletim é enviado
por email, de segunda
a sexta-feira, após o
processo de clipagem
realizado todas as
manhãs na Agência
Unama.
ONGs;
rádios
comunitárias; alunos
antigos e atuais da
Agência;
O
documento
é
enviado duas vezes
por semana, às terças
e quintas.
ONGs;
rádios
comunitárias; alunos
antigos e atuais da
Agência;
A divulgação acontece
por meio do site do
projeto, através da
sessão Fazendo Bem.
As matérias também
são enviadas
semanalmente para o
jornal Diário do Pará.
Geralmente, é
produzido pelos alunos
de jornalismo que
trabalham no local. As
matérias e as fotos que
servem para a
ilustração saem
creditadas.
A todos os
interessados que
acessam ao site do
projeto.
A produção não é
limitada às pessoas
que atuam na Agência
e à Universidade.
Qualquer pessoa pode
escrever o artigo.
A todos os
interessados que
acessam ao site do
projeto.
O Destaque é um
produto exposto
também no site
do projeto, sendo
atualizado
diariamente com
as matérias
divulgadas no
Agenda Criança.
Sessão do site
que permite a
publicação de
artigos
relacionados à
infância e
adolescência.
Visitantes do site do
projeto.
Espaço no site
destinado para
tirar as principais
dúvidas sobre
infância e
adolescência.
Análise
que
Pesquisa
Infância
e revela como a
mídia
trata
a
Adolescência
questão
da
na Mídia
infância
e
adolescência no
Pará.
SOS
Comunicador
O espaço já possui
nove perguntas e
respostas prontas para
ajudar no trabalho do
interessado em tirar
dúvidas.
A base do estudo é a
seleção diária de tudo
o que é veiculado nos
jornais do Pará sobre
os temas de c/a.
A sessão recebe, tira
as dúvidas e dá
apoio,
principalmente, ao
trabalho de
comunicadores.
Comunicadores,
estudantes de
comunicação e
sociedade em geral.
4.5.1 Notícias do Dia
Um
resumo
das
principais
notícias
relacionadas
à
infância
e
adolescência, publicadas nos jornais O Liberal, Diário do Pará e Jornal
Amazônia, todos periódicos que circulam na capital e em outros municípios
paraenses. É assim que o projeto define o produto “Notícias do Dia”, um
documento enviado – via e-mail-27, pela Agência Unama, de segunda a sextafeira, para representantes do governo do Estado do Pará, organizações nãogovernamentais e empresas privadas.
Baseado
no
“Relatório
de
Atividades
da
Agência
Unama
de
Comunicação – 2007”, o produto, que é enviado gratuitamente, tem como
objetivo informar e atualizar as organizações a respeito das notícias sobre
crianças e adolescentes, principalmente, as que acontecem no território
paraense. O ‘Notícias do Dia’ chega para mais de 405 endereços eletrônicos,
entre pessoas e organizações.
De acordo com a jornalista assistente do projeto, Edna Nunes28, os
alunos têm grande participação na produção do “Notícias”. O processo de
construção deste produto começa ainda na leitura dos jornais, atividade
realizada diariamente (de segunda a sexta-feira) pelos voluntários, bolsistas e
27
28
Anexo 3
Entrevista concedida no dia 17 de abril de 2009.
estagiários que trabalham no projeto no período da manhã. De acordo com a
coordenação da Agência Unama, os três periódicos – que chegam à portaria
do prédio anexo à Universidade, onde se localiza o projeto, por meio de
assinaturas -, precisam ser lidos até, aproximadamente, às 10h, pois o
processo seguinte precisa ser iniciado: a clipagem (corte e colagem das
matérias selecionadas) e o resumo das notícias.
Segundo Edna Nunes, que é a jornalista responsável pela clipagem e
resumo das notícias no projeto, o processo precisa ser feito atenciosamente
pelos alunos. O resumo, independentemente de se tratar de uma grande
reportagem, precisa obedecer a critérios estipulados pela metodologia da
Pesquisa Infância e Adolescência na Mídia, que passam desde a escolha das
matérias para o resumo, até a análise das reportagens, levando em
consideração vários fatores, como estes a seguir:
•
A matéria precisa ter, no mínimo, 500 toques para entrar na
clipagem.
•
Adolescentes apenas são clipados nos jornais quando
suas idades estiverem relatadas até os 17 anos.
•
O resumo é feito pelos alunos da Agência, sob observação
da jornalista responsável e, deve conter, no máximo, entre
sete e 10 linhas.
Após a produção dos resumos, a jornalista responsável faz a edição dos
pequenos textos e orienta os alunos, caso algo esteja incorreto, como
construção de frases e incompatibilidade de informações em relação aos
jornais clipados. Segundo Edna, é na produção dos resumos que ela observa
os primeiros passos de alguns alunos rumo à escrita de qualidade. Ela conta
que após o término do resumo produzido pelo aluno, ela revisa e lhe informa
onde foi o erro causado por ele e explica como melhor fazer da próxima vez. “É
um trabalho coletivo muito interessante, porque eles produzem, eu reviso e
troco ideias com eles. Percebo um nível de aprendizado muito grande neles”,
revela a jornalista. Logo depois de todo este processo, o documento com todos
os resumos produzidos é enviado para os parceiros.
Para a jornalista Edna a clipagem é uma das atividades fundamentais
para que os alunos que estagiam na Agência comecem a criar uma visão mais
crítica sobre as matérias contidas nos jornais. Ela percebe que a maioria dos
alunos que chega ao projeto, principalmente os que ainda não têm muita noção
do jornalismo, pega o jornal durante a clipagem e apenas lêem por ler, como se
não tivessem interesse de fato no que estavam lendo ou não se importavam
com a maioria das notícias. No entanto, após um período no projeto, a
jornalista afirma que a leitura passa a ser diferente:
Depois que eles já começam a perceber e entender o espírito do
projeto, eles passam a ter um olhar mais atento, conhecem até como
é a estrutura do jornal, sabendo o que é título, subtítulo, manchetes e
chamadas de caderno, por exemplo. Passam ainda a ter uma visão
mais crítica do que estão lendo, porque estão comparando um jornal
29
com outro e a leitura deixa de ser aquela leitura superficial .
A partir das entrevistas realizadas para o estudo, foram verificadas
também a mudança de pensamentos e concepções novas a partir das
atividades realizadas no Projeto. Camila Aquino, estudante do 5º semestre do
jornalismo da Unama, afirma que o dia-a-dia no projeto fez com que ela
passasse a ver com outros olhos a situação da infância e adolescência
retratada nos jornais paraenses. Antes de fazer parte da Agência, segundo ela,
Camila acreditava que ninguém na mídia se importava com os direitos de
meninos e meninas e que não existiam interesses em garantir esses direitos na
sociedade. Atividades realizadas na Agência, como a clipagem, por exemplo,
foi um dos destaques que a universitária utilizou para expressar o motivo das
novas concepções:
Com as clipagens, percebi a necessidade de garantia dos direitos à
infância e adolescência, já que agora vejo nos principais jornais
belenenses crianças e adolescentes tendo seus direitos violados. E,
após ver as matérias que voluntários, bolsistas e estagiários
produziram ali (Agência), falando sobre projetos e pessoas
interessadas em defender os direitos de crianças e adolescentes,
mudei de concepção e percebi o que, como jornalista, posso fazer
30
para também contribuir com o desenvolvimento da sociedade .
29
Edna Nunes, em entrevista concedida no dia 20 de março de 2009.
30
Camila Aquino, em entrevista concedida no dia 19 de março de 2009.
Uma das mudanças que poderiam ser feitas na rotina de trabalho do
local, de acordo com os alunos, é o processo de clipagem. No entanto, para o
bolsista Pablo Almeida, nada precisaria ser modificado, pois as rotinas já são
alteradas normalmente. Segundo ele, “o trabalho acaba fluindo naturalmente
do jeito que está, o que, na minha opinião, é o mais importante”, acredita o
bolsista. As mudanças que o aluno está se referindo acima faz parte do
cronograma de atividades de cada aluno, explicado pela coordenadora do
projeto, Danila Cal, como o “momento que cada acadêmico possui para passar
pelas atividades ligadas ao projeto”.
Para o voluntário Raphael Marinho, o método da clipagem utilizada
dentro do projeto deveria ser modificado, uma vez que, com a utilização de
ferramentas como a “clipagem online”, o processo seria mais dinâmico e
facilitaria o trabalho. “As publicações on-line de alguns jornais irão ajudar em
muito na atividade do clipping”, acredita o aluno. A demora no processo da
clipagem é uma das reclamações da maioria dos entrevistados, por conta de
sua demora e repetição. Porém, a jornalista Edna Nunes explica que a
atividade é importante para que os acadêmicos conheçam como os direitos
humanos estão sendo tratados pelos jornais diários do estado.
4.6.2 Agenda Criança
A Agenda Criança31 é um bloco de sugestão de pauta sobre direitos da
infância e adolescência produzido pelos alunos de jornalismo do projeto. De
acordo com o Relatório de Atividades – 2007, as sugestões são enviadas,
geralmente, três vezes por semana (terças, quintas e sextas-feiras), com o
intuito de pautar a mídia local com assuntos que dizem respeito à situação de
meninos e meninas paraenses.
Ainda de acordo com o relatório, as matérias são elaboradas a partir de
entrevistas realizadas pelos alunos, além da prática da ronda, em que os
acadêmicos ligam para parceiros do projeto, instituições públicas, privadas e
31
Anexo 4.
Organizações Não Governamentais (ONGs) que atuam na área da infância,
para verificar se existem programações que renderiam matérias.
Após análise feita em alguns documentos do Agenda Criança, foi
possível observar que a presença de trechos do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) é recorrente em determinados assuntos.
As sugestões são produzidas pelos próprios alunos de jornalismo, que
contam com a ajuda dos jornalistas assistentes do projeto para tirar dúvidas e
receber orientações sobre quais as melhores linhas de apuração a seguir.
Cotta (2005) define o momento da apuração de uma matéria como a
aproximação do repórter com a verdade dos fatos. Em alguns casos, a
produção de textos para o Agenda Criança é feita pelos profissionais de
comunicação do projeto.
Dados do Relatório de 2007 mostram ainda que neste mesmo ano
foram 88 sugestões de pauta envidas para os 208 parceiros contidos no
mailling do projeto, entre comunicadores e veículos de comunicação da capital
e de outros municípios do estado. Nesses 88 documentos, 154 matérias foram
produzidas. Segundo a coordenação do projeto, jornalistas e meios de
comunicação entram em contato frequentemente com a equipe, solicitando
mais detalhes e informações a respeito do que foi produzido, o que mostra que
o documento tem uma grande repercussão com a mídia local, como concluiu
Fernandes (2008).
Além do interesse de jornalistas e veículos de comunicação em
reproduzir outras reportagens de acordo com o que foi proposto pela equipe do
projeto, os três principais jornais de Belém –O Liberal, Diário do Pará e
Amazônia – utilizaram as matérias enviadas por meio do Agenda Criança para
publicá-las na integra em seus periódicos.
Por meio das sugestões de pauta do Agenda Criança para a imprensa
paraense, clipagem e envio das principais notícias relacionadas à área da
infância e da adolescência, como o “Notícias do Dia” publicadas diariamente,
nos jornais Amazônia, Diário do Pará e O Liberal (Belém), além de matérias
especiais produzidas exclusivamente para cada um dos periódicos citados
acima - sendo que a mesma matéria utilizada em O Liberal é publicada no
jornal Amazônia -, o projeto vem se transformando em uma referência para
alguns comunicadores de Belém (PA) quando o assunto é mídia e direitos
humanos de meninos e meninas. A referência pode ser constada no estudo
feito por Fernandes (2008), que observou o interesse e admiração de vários
jornalistas e produtores dos dois principais veículos de comunicação do meio
impresso da capital paraense, são eles o jornal O Liberal e Diário do Pará:
Admiro muito o trabalho da Agência Unama pelo ineditismo da
iniciativa no Pará. Na faculdade e mesmo no mercado de trabalho há
uma total ausência de orientações éticas acerca da cobertura da
infância e juventude, então muitas vezes os jornalistas "erram" mais
por desconhecimento e falta de informação do que por mal-vontade
ou algo do gênero. Assim, é fundamental repassar informações
técnicas (Repórter 1, 29/05/2008) (FERNADES, 2008, p.76).
Essa é uma das maiores contribuições: a possibilidade de
atualização e aprendizagem do ECA, entre outros elementos
importantes para o exercício da profissão (Repórter 2, 30/05/2008)
(FERNADES, 2008, p.76).32
Os números do Relatório de 2007 afirmam que entre os meses de
agosto e dezembro deste mesmo ano, 34 pautas foram repercutidas nos
jornais
impressos.
Mesmo
não tendo
este
exato monitoramento
do
aproveitamento do Agenda Criança pelas rádios, TVs e portais na Internet, a
coordenação acredita que existe “uma ampla utilização das sugestões que
enviamos para esses veículos”33.
Eu considero o meu estágio na Agência Unama a melhor experiência
que pude ter como estudante de jornalismo. Porque a Agência
representa o estilo de jornalismo que me instigou a entrar na
faculdade de comunicação e lá, aprendi a fazer matérias, por meio do
Agenda Criança, que tinham um valor cívico muito grande. Lá eu
experimentei de tudo um pouco, fui repórter, produtora, fotógrafa,
revisora de textos, ministrei oficina, fui relações públicas, assessora
de imprensa e ainda tive a oportunidade de trabalhar com a
mobilização social, que é um segmento da comunicação que muitos
34
desconhecem, até mesmo, os jornalistas.
32
Depoimentos cedidos à pesquisa realizada pela jornalista Kassya Fernandes, em sua
monografia sobre o jornalismo público no Pará.
33
Relatório de Atividades Agência Unama – 2007, p. 6.
34
Lígia Bernar, ex-estagiária, em entrevista concedida no dia 20 de fevereiro de 2009.
Podemos perceber que a ex-aluna do comentário acima aproveitou sua
passagem pela Agência e se identificou com as atividades realizadas na
iniciativa. O grande ponto de discussão desta identificação, é que a exestagiária poderá, agora que já está no mercado de trabalho, fazer a diferença
em relação ao tipo de jornalismo que aprendeu dentro do projeto.
4.5.3 Fazendo Bem
A seção Fazendo Bem, que faz parte do site da Agência, é voltada para
a divulgação de projetos e iniciativas sociais paraenses que envolvem crianças
e adolescentes. A divulgação é feita por meio de matérias jornalísticas
publicadas no endereço eletrônico do projeto, onde também é possível colocar
fotos dos entrevistados ou da organização.
Os alunos de jornalismo também são atores fundamentais neste
processo de produção, pois, segundo a coordenação do projeto, são eles que
se encaminham até o local da organização para entrevistar os responsáveis
pela iniciativa. As matérias ficam publicadas no site no período entre 15 e 20
dias e, após cada espaço deste de tempo, outras matérias são colocadas no
local. A divulgação dos projetos, de acordo com o relatório de atividades,
permite que as organizações ganhem destaque da sociedade e da grande
mídia.
4.6 EVENTOS REALIZADOS:
EVENTO /
ATIVIDADE
CONCEITO
Encontros entre
Agência Bate Papo estudantes de
comunicação e
especialistas ou
pessoas atuantes
das áreas de direitos
humanos e infância
e adolescência.
Grupo de Estudos
Reuniões entre os
estudantes e
jornalistas que
atuam na Agência.
O debate gira em
torno de algum tema
sobre direitos
humanos, criança e
adolescente.
Oficinas
sobre Oficinas sobre
Mídia e Direitos comunicação
Humanos
promovidas pela
equipe do projeto.
Matérias especiais Parceria com os
para os jornais O dois principais
Liberal e Diário do jornais do Estado
Pará
para publicar
matérias sobre os
direitos de meninos
e meninas.
CARACTERÍSTICAS
PÚBLICO
ALVO
O
evento
está
temporariamente
parado. A última vez
que foi realizado foi em
no final de 2008.
Estudantes de
comunicação
de todas as
faculdades de
Belém.
Dois alunos que atuam
no
projeto
ficam
responsáveis
em
produzir o material que
será discutido com o
grupo.
A
iniciativa
também
está
paralisada desde o
final de 2007.
Já foram realizadas
oficinas na redação do
jornal Diário do Pará e
durante o Congresso
de Jornalistas do Pará
(2008).
A Agência Unama leva
os
créditos
das
matérias
publicadas.
Geralmente,
as
matérias publicadas no
jornal
O
Liberal,
também
são
publicadas no jornal
Amazônia, pertencente
à mesma empresa.
Alunos
e
profissionais
que atuam na
Agência
Unama.
Estudantes e
profissionais
de
comunicação.
Leitores dos
jornais
O
Liberal,
Amazônia e
Diário
do
Pará.
5 DIREITOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES E A FORMAÇÃO DOS
FUTUROS JORNALISTAS
5.1 ALUNOS ATUAIS: O que Agência proporciona aos alunos que atuam
no projeto:
O seguinte quadro mostra a relação que os alunos atuais35 estabeleceram
com a Agência Unama a partir das experiências obtidas no Projeto. Os
comentários abaixo foram retirados dos depoimentos dos alunos que atuam na
Agência, que falaram sobre a participação no Projeto, experiência profissional e
formação crítica, além da visão de futuro que a maioria tem.
ENQUANTO EXPERIÊNCIA:
UMA FORMAÇÃO CRÍTICA E
PROFISSIONAL.
RECLAMAÇÕES E
SUGESTÕES
VISÃO DE FUTURO
Oportunidade de colocar em
prática o que se aprende em
sala de aula.
Demora no processo
diário da clipagem.
Modificação do
método de clipagem
atual para o método
de “clipagem online”.
Entendimento sobre a
importância de fazer ações
ligadas aos direitos humanos no
decorrer da profissão.
Pouca divulgação do
projeto por parte da
universidade.
Se o projeto fosse
mais divulgado, mais
alunos participariam.
Facilidade em trabalhar em
grupo em outros locais de
trabalho e respeito com o
público leitor e com os
entrevistados.
Falta de incentivo de
professores para o
jornalismo cidadão.
Mais tempo nas
atividades do projeto
– menos rotatividade
para o aluno fixar o
aprendizado.
5.2 EX- VOLUNTÁRIOS, EX-BOLSISTAS:
35
Maioria dos chamados alunos atuais que atuaram até o final do mês de fevereiro. A saída
destes voluntários se deu por conta da nova Lei do Estágio, que não permite mais que
estudantes trabalhem sem remuneração.
O quadro abaixo mostra a relação dos antigos alunos que atuaram na
Agência Unama. De acordo com os depoimentos obtidos para este estudo, a
maioria dos estudantes afirma que a passagem pelo Projeto foi fundamental
para que sua linha profissional seja com um jornalismo responsável e
compromissado com os direitos de meninos e meninas. Os ex-alunos falaram
sobre aprendizado que levaram para a vida profissional, da influência do
Projeto em outros lugares que já trabalharam ou ainda trabalham e
comentaram sobre a relação entre o curso de jornalismo e a prática jornalística
ensinada em sala de aula.
APRENDIZADO PARA A VIDA
PROFISSIONAL
INFLUÊNCIA DO
PROJETO EM
OUTROS TRABALHOS
CURSO DE
JORNALISMO
VERSUS PRÁTICA
JORNALÍSTICA
Maior aprendizado da
prática jornalística na
Agência Unama, ao
invés das disciplinas
do curso.
no Compatibilidade do
Respeito ao espaço alheio, Destaque
ensinado
companheirismo e a confiança conhecimento sobre o conteúdo
nas pessoas com quem se Estatuto da Criança e no curso com as
atividades realizadas
do Adolescente (ECA).
convive.
na Agência.
Responsabilidade em relação à Alerta aos colegas de
abordagem jornalística.
profissão para que não
utilizem
termos
pejorativos.
5.3 ALUNOS QUE NÃO PASSARAM PELO PROJETO:
Neste último quadro foi possível analisar a relação dos alunos que não
trabalharam na Agência Unama com a prática jornalística compromissada com
os direitos humanos. Os depoimentos de alguns desses alunos abordam a
questão sobre o conhecimento ou não do Projeto, a relação que eles fazem
com o jornalismo e a direitos humanos e, por fim, sobre o engajamento deles
em possíveis trabalhos que desenvolvem ações sociais.
CONHECIMENTO A
RESPEITO DA AGÊNCIA
UNAMA
RELAÇÃO ENTRE
JORNALISMO E
DIREITOS HUMANOS
Conhecimento do projeto a O
Jornalismo
nem
partir
de
um
trabalho sempre caminha de
acadêmico.
mãos dadas com os
direitos humanos.
VONTADE DE
TRABALHAR COM
QUESTÕES
SOCIAIS
Sem vocação para
exercer atividades de
comunicação
voltadas para o lado
social.
Conhecimento do projeto a Jornalismo
possui Trabalhar na Agência
partir do recebimento do relação com qualquer mudaria a forma do
produto Agenda Criança.
área.
jornalismo feito no
Pará pelas futuras
gerações.
Conhecimento a partir do Respeitar os Direitos
contato com as professoras Humanos é fazer um
Vânia Torres e Danila Cal.
jornalismo responsável.
5.4 Extensão: da experiência profissional à formação crítica
Para os 10 alunos entrevistados para este estudo, entre bolsistas,
estagiários e voluntários que participam atualmente do projeto, no período
analisado entre dezembro de 2008 e fevereiro de 2009, a entrada na Agência
de Comunicação foi motivada por questões relacionadas ao aprendizado
profissional que pode ser adquirido por eles e, também, por conta de não
estarem ligados a nenhuma atividade prática de comunicação. Para 20%
destes alunos, o clima existente no local, definido pelos alunos como um
ambiente de aprendizagem “alegre e harmônico” e, a vontade de conhecer o
trabalho realizado para a garantia dos direitos na área da infância e da
adolescência estão entre os principais motivos da curiosidade dos alunos em
relação ao projeto. A permanência dos alunos atuais na Agência Unama pode
ser observada também como um caminho que leva os acadêmicos a terem
uma experiência a mais na futura carreira jornalística.
Desde que comecei a cursar jornalismo na Unama, tive a vontade de
praticar e conhecer o que aprendia nos estudos em sala de aula. (...).
Também me interessei em saber quais eram os direitos das crianças
e dos adolescentes, a sua abrangência e o que era feito para que
esses direitos fossem garantidos.36
A curiosidade em conhecer um “jornalismo público37” foi o que
impulsionou o voluntário Raphael Marinho a entrar no projeto da Agência
Unama. O estilo jornalístico citado pelo acadêmico chegou aos seus ouvidos
por meio de amigos da Universidade que já tinham participado do projeto. No
entanto, Raphael ainda desconhecia o que era feito dentro da Agência, o que
fez com que ele buscasse mais informações e participasse do processo de
seleção de voluntários logo em seguida. O termo jornalismo público, elemento
que despertou a curiosidade do aluno para participar do projeto, é definido por
Traquina (2003), como uma maneira inovadora de se atuar na profissão, que
tem como objetivo promover a mobilização social para se conseguir mudanças
e, evidenciar os problemas vivenciados pela sociedade.
Para alguns alunos que passaram pela Agência Unama, o projeto traz,
além da experiência na prática jornalística, a oportunidade de estabelecer
contatos profissionais, tanto com os futuros colegas de trabalho, no caso, os
acadêmicos que serão jornalistas após se formarem na Universidade, quanto
com os profissionais que já atuam no mercado de trabalho, como os jornalistas
que trabalham no local.
O trabalho diferenciado realizado pela Agência - focado nos direitos de
meninos e meninas-, foi um dos motivos de interesse da ex-voluntária Ingrid
Bico, que entrou no projeto por conta também da oportunidade de estágio e por
querer adquirir experiência na área. Segundo a universitária, após a passagem
na Agência foi possível ver a sua futura profissão de maneira diferente:
Desde que saí da Agência minha visão de jornalismo, de uma
maneira geral, mudou. Isso certamente fez a diferença na hora de
escrever meus trabalhos. Hoje tenho uma preocupação em produzir
36
37
Camila Aquino, voluntária, em entrevista concedida no dia 21 de fevereiro de 2009.
Maneira inovadora de se atuar na profissão, que tem como objetivo promover a mobilização
social para se conseguir mudanças e, evidenciar os problemas vivenciados pela sociedade.
TRAQUINA (2003).
sempre trabalhos de qualidade, bem escritos, bem apurados, com
respeito a si mesmo e ao outro, tanto no relacionamento profissional
em si quanto na hora de escrever reportagens, matérias, etc. (...)
Principalmente as que digam respeito a crianças e adolescentes;
além da ética, sempre.38
A orientação e o repasse de informações aos alunos do projeto fica por
conta dos profissionais de comunicação existentes na Agência e também pelos
alunos mais experientes que já estão há mais tempo no trabalho. Outra forma
de orientação são os manuais entregues aos alunos que entram no projeto. As
cartilhas são relacionadas ao processo de clipagem realizado na Agência, além
de cartilhas sobre os direitos de crianças e adolescentes para que os alunos
comecem a se aproximar do tema.
A aluna Rayza Sarmento, ex- voluntária e ex-estagiária do projeto, no
período entre fevereiro e setembro de 2007, afirma que a Agência foi a grande
responsável pelo seu interesse pela responsabilidade no fazer jornalístico,
além do interesse e curiosidade pela pesquisa acadêmica sobre o sistema de
garantia de direitos e a mídia. Ela também caracteriza a passagem pela
Agência como um divisor de opiniões, pois após trabalhar no projeto, ela
passou a questionar coisas que, na vida pessoal, por exemplo, eram tidas
como normal:
Minha mãe foi trabalhadora doméstica quando criança e para mim,
que sou do interior, da cidade de Vigia, isso era natural, afinal ela
"venceu na vida" apesar desse trabalho. Depois da Agência, mudei
minha concepção sobre isso. Sempre digo que para estar na
Agência você precisa acreditar. Acreditar que com o seu trabalho
você pode mudar alguma coisa. Carrego muito isso comigo, de ter
responsabilidade com o que escrevo, com a forma de abordagem,
não só na área da infância. Se você tem em mente que seu trabalho
pode influenciar de alguma forma você se empenha ao máximo. Foi
assim com os outros estágios posteriores da Agência, nos quais a
passagem pelo projeto foi determinante para o ingresso e pela
postura que assumi neles. 39
Rayza afirma que resolveu entrar no projeto após ver um cartaz sobre a
seleção de voluntários que a Agência iria realizar. Em um primeiro momento,
38
Ingrid Bico, em entrevista concedida no dia 21 de fevereiro de 2009.
39
Rayza Sarmento, em entrevista concedida no dia 22 de fevereiro de 2009.
de acordo com ela, tentou fazer o concurso de bolsas por conta do desconto na
mensalidade e pela “importância curricular de um projeto de extensão”, conta
Rayza. Após não passar no concurso para bolsista de jornalismo, a aluna conta
que resolveu entrar como voluntária mesmo assim.
A universitária lembra que sua participação na Agência também foi
fundamental para ser “marcada” nos outros estágios em que atuou, ficando
conhecida como a pessoa mais experiente quando o assunto se tratava de
direitos de meninos e meninas.
Na Rádio Unama, por exemplo, tanto os outros colegas estagiários,
quanto os próprios jornalistas, sempre se referiam à minha
experiência na Agência para o esclarecimento de dúvidas quanto ao
ECA, a procura de fontes na área da infância, ou até
40
responsabilidades em editar matérias de cunho social.
Um outro exemplo citado pela aluna foi quando ela precisou fazer uma
matéria para o jornal paraense O Liberal (empresa que atualmente trabalha
como estagiária) sobre uma decisão judicial que permitia a utilização de fotos
de cadáveres nas páginas dos jornais. Rayza lembra que fazer a matéria foi um
sofrimento para ela, pois ela era contrária à decisão e a empresa de
comunicação queria que a reportagem fosse a favor. “Eu acreditava que não
era certo, então procurei encontrar pessoas que também se manifestassem
contra e tentei encaixar no texto sem prejuízo ao jornal”, lembra a aluna.
Para Vera Soares41, a importância para os acadêmicos que participam
de um projeto de extensão é a possibilidade de vivenciar na prática do que se
trabalha em sala de aula. Para ela, participar de um projeto de extensão
possibilita que o universitário tenha uma visão de mundo diferenciada, mais
focada na realidade social. Vera também acredita que Agência Unama realiza e
oferece esta visão aos alunos que participam do projeto.
A criação da Agência tambem foi de certo modo uma luta da
Supex,pois entendemos que a sua criação era e é fundamental para
a formação dos nossos alunos, como tambem para auxiliar os meios
de comunicação a entender melhor a linguagem e a problemática
40
41
Rayza Sarmento, em entrevista concedida no dia 22 de fevereiro de 2009.
Superintendente de extensão da Unama, em entrevista concedida no dia 10 de março de
2009.
sobre a criança e o adolescente.Creio que estamos prestando um
42
excelente serviço nesse sentido.
A aluna Brenda Soares, do 5º semestre do curso de jornalismo, foi uma
das entrevistadas que não passaram pelo projeto. Segundo a universitária, ela
tomou conhecimento da existência da Agência a partir de um trabalho
acadêmico que realizou no ano passado. Mesmo assim, ela confessa que não
sabe muito a respeito do projeto. "A única coisa que eu sei é que na Agência
são realizados trabalhos de textos jornalísticos, por exemplo, mostrando
informações que digam respeito a criança e ao adolescente e sobre seus
direitos43".
O produto Agenda Criança, definido pelo projeto como um bloco de
sugestão de pauta sobre infância e adolescência, foi citado como referência da
universitária Tainá Aires, aluna do 7º semestre. Tainá, que também não passou
pelo projeto, afirma que conhece a Agência apenas por meio do Agenda
Criança que recebe. Além das sugestões de pauta, a aluna revela que, por
meio do produto, ela pode analisar que a Agência "trabalha como uma espécie
de "fiscalização" do que sai na mídia, como no caso da menina de
Abaetetuba.44
As professoras do curso de jornalismo da Universidade Vânia Torres e
Danila Cal são citadas frequentemente pelos alunos que foram entrevistados
para o estudo. A relação das duas professoras com o projeto se dá pela
passagem de ambas pela coordenação da Agência, sendo que a Vânia
coordenou o projeto no período de 2004 a fevereiro de 2007 e a professora
Danila coordena de 2007 até os tempos atuais. Elas são citadas nas
entrevistas, principalmente, em decorrência da disciplina do curso de
jornalismo “Comunicação, Cultura e Cidadania”, em que as duas administram
na Universidade.
A disciplina é ensinada aos alunos do terceiro semestre do curso e tem
como objetivo, de acordo com o Guia Acadêmico 2008 disponível no site da
42
Entrevista concedida no dia 10 de março de 2009.
43
Entrevista concedida por Brenda Soares, no dia 31 de março de 2009.
44
Caso da adolescente de 15 anos que ficou na mesma cela com mais de 20 homens. O caso
aconteceu no município de Abaetetuba (PA), em novembro de 2007.
Unama, “formar nos alunos de jornalismo atitudes críticas e abertas quanto aos
valores culturais como mediadores da comunicação, (...) Para que possam dar
ênfase ao receptor como sujeito ativo dos processos de comunicação”.
No entanto, a questão é: será que apenas a disciplina garante uma
formação cidadã aos alunos do curso de jornalismo? Pelo menos, a intenção
da universidade é que esta formação seja garantida aos universitários. Porém,
o que se pode observar com os depoimentos dos acadêmicos é que o curso
inda não dispõe de ferramentas e disciplinas suficientes para que os alunos
estejam completamente envolvidos com os temas direitos humanos, cidadania
e mídia. Uma aluna do último ano do curso, afirma que apenas a disciplina de
Comunicação, Cultura e Cidadania não é o bastante para estimular o interesse
dos alunos pela área.
Uma das únicas disciplinas que eu gostei de verdade no curso foi a
de Comunicação e Cidadania. Mas, infelizmente, o tema foi
abordado apenas naquela matéria e outros professores não levaram
adiante o compromisso com o jornalismo cidadão.45
A partir das entrevistas foi possível perceber também que a relação dos
alunos
com
a
disciplina
Comunicação
Cultura
e
Cidadania
e,
consequentemente, com as professoras citadas Danila e Vânia, foram
fundamentais para que muitos acadêmicos se interessassem em trabalhar na
Agência Unama ou, simplesmente, para passar a conhecer de alguma forma o
trabalho que o projeto realiza. De acordo com o estudante do 7º semestre de
jornalismo Lucas Eugênio Barbosa, por exemplo, primeiramente voluntário do
projeto e um dos estagiários da Agenda Criança Amazônia até o mês de
fevereiro de 2009, a Agência foi uma oportunidade que ele avistou para colocar
em prática as coisas que aprendia dentro da universidade, desde as práticas
mais simples de jornalismo impresso até às ideias debatidas em uma das
disciplinas do curso.
Tive conhecimento da Agência Unama por meio de uma palestra
ministrada pela professora Vânia Torres e gostei muito. Depois tive
contato com a disciplina “Comunicação, Cultura e Cidadania” em que
criei gosto pela matéria sobre jornalismo público, o que me motivou
ainda mais a entrar no projeto. Lá, pude aprender práticas do
45
Depoimento de uma aluna do último semestre de jornalismo.
jornalismo impresso e ainda obtive mais conhecimento sobre esse
tipo novo de jornalismo que a Agência promove. 46
Outro aluno de jornalismo que não passou pelo projeto, mas que
também conheceu a Agência Unama por meio da disciplina e das professoras
citadas acima foi Augusto Lobato, do sétimo semestre do curso. Ele afirma que
o contato com as professoras foi essencial para saber o que a Agência propõe.
Antes mesmo de conseguir meu primeiro estágio, já havia tido algum
conhecimento sobre o trabalho da Agência por meio das professoras
Vânia Torres e Danila Cal, ambas constantemente envolvidas com o
trabalho do projeto. Apesar de nunca ter estagiado lá, sempre
considerei seu trabalho inovador, produtivo e relevante. Além de
funcionar como uma espécie de "monitor" da atividade de imprensa,
de sua cobertura quanto às questões ligadas à infância e à
adolescência, a Agência é um espaço de produção de notícias,
pautas e artigos que sempre vêm a ser úteis, inclusive, à imprensa
diária. 47
Pode-se observar a partir deste depoimento que o projeto possui
reconhecimento de alunos que nunca fizeram parte da Agência, fazendo com
que a passagem pelo projeto não seja fator determinante para que alguns
universitários realizem ou tenham vontade de fazer um jornalismo diferente.
5.5 A influência da Agência no mercado de trabalho
A maioria dos ex-bolsistas e ex-voluntários entrevistados que passaram
pelo projeto e, hoje já estão no mercado de trabalho, afirmam que a Agência foi
essencial para sua atuação responsável e consciente em outros empregos.
A ex- bolsista Amanda Aguiar, hoje jornalista do site do jornal Diário do
Pará48 afirma que a passagem pela Agência lhe ensinou a ter mais
responsabilidade em relação à abordagem jornalística que realizou em outros
46
Entrevista concedida no dia 21 de março.
47
Entrevista concedida no dia 29 de março de 2009.
48
Disponível em: www.diariodopara.com.br.
trabalhos. De acordo com a aluna, “a sensibilidade e o respeito que aprendeu a
ter no projeto, são valores que irão perdurar por toda a vida”. 49
O respeito também foi citado pela ex-voluntária (hoje jornalista assistente
da Agência Unama), Tayana Marquioro, que atuou no projeto no período de
outubro de 2004 a abril de 2005. Desta vez, o respeito foi citado em relação ao
espaço alheio, além da confiança em si mesmo e nas pessoas com quem a
jornalista convive.
Quando a questão é se a Agência Unama influenciou na formação dos
alunos que por lá passaram, as respostas são categóricas: sim. Segundo a exbolsista Amanda, o que mais interferiu na forma com que trabalha em outros
lugares, é que a jornalista está sempre alerta para que os colegas de profissão
com quem convive, não cometam erros em relação à maneira como eles se
referem a meninos e meninas. Amanda revela que “recomendo aos colegas
que não utilizem termos que sejam de alguma maneira, ofensivos para
designar crianças e adolescentes”.
Baseado nas repostas dos alunos que passaram pelo projeto, é possível
verificar a presença do pensamento e ideias de Bentes (2002), no entanto, não
em relação à universidade e seu ensino, mas, diretamente, à Agência Unama
pela sua influência para cada universitário que fez parte do projeto. Bentes
defende que cabe à universidade assumir a função de formadora, porém não
apenas de mão de obra especializada para o mercado, mas, principalmente,
formar analistas simbólicos e cidadãos capazes de interagir e codificar
informações.
Para a ex-voluntária Ingrid Bico, que atuou no projeto em 2008, a
iniciativa trouxe para sua vida pessoal e profissional uma relação de respeito
ao próximo, principalmente nas atividades que realiza. Mais uma vez, os
termos “jornalismo social”, “jornalismo responsável” e “jornalismo sério” foram
citados nas entrevistas concedidas pelos acadêmicos que participaram do
projeto.
A partir das entrevistas com os ex-bolsistas e ex-voluntários, é possível
notar que este comportamento é um dos diferenciais das pessoas que atuaram
no projeto. O respeito ao que diz os artigos do Eca, por sua vez, foi citado em
49
Em entrevista concedida no dia 10 de março de 2009.
todas as respostas dos alunos que passaram pela Agência, sendo esta, de
acordo com os entrevistados, a melhor maneira de se começar a construção de
um jornalismo mais compromissado com a causa da infância e adolescência,
além de ser o início da melhoria na prática jornalística ensinada em sala de
aula.
5.6 Curso de jornalismo versus prática jornalística
A prática jornalística dentro da Universidade, na opinião da ex- voluntária
Tayana Marquioro, não foi bem estimulada e incentivada pelo curso. De acordo
com ela, nos dois primeiros anos de faculdade, as teorias eram ensinadas aos
alunos sem que estes pudessem colocar em prática o que estavam
aprendendo, a não ser em atividades pontuais, como provas e trabalhos que
valessem pontuação. “Eu acredito que grande parte da prática que o curso
deveria ter me oferecido na academia eu assimilei nos meus estágios e, claro,
na Agência”, revela Tayana.
Já para a ex- voluntária e ex- estagiária Rayza, as atividades que
realizava no projeto condiziam com as disciplinas ministradas em sala de aula,
tanto na prática quanto na teoria.
Sim, tanto em teoria, quanto em prática. Entrei na Agência na época,
por exemplo, em que estudava teorias sobre cidadania e
comunicação e também quando estava aprendendo as primeiras
50
técnicas da redação jornalística.
Para a universitária Rayza, a relação entre o projeto e a universidade
quando a aluna ainda atuava na Agência não era das melhores. Segundo ela, a
“Unama ainda não deu o devido valor ao projeto”, acredita a ex-estagiária, que
conta que se refere não somente à instituição em si, mas também pela falta de
conhecimento dos próprios alunos e professores da Unama sobre a iniciativa.
50
Entrevista concedida no dia 2 fevereiro de 2009.
Outra reclamação de Rayza em relação à universidade, é que a instituição
oferece um número de bolsas inferior ao que poderia ser ofertado.
A sala de aula parece não ser um ambiente muito exemplar para alguns
dos alunos entrevistados. As discussões que lá são feitas, de acordo com o
bolsista Pablo, “entram em contradição quando é debatida na agência, pois
alguns professores mostram uma visão diferente da que nos é mostrada no
projeto”. Ele explica essa afirmação citando que certas coisas que são
debatidas no ambiente de trabalho da Agência acabam sendo “modeladas” na
cabeça dos alunos, ou seja, estes passam a ver determinados assuntos com
uma “visão mais ética e respeitadora, ao contrário do que é discutido pelos
professores”, afirma Pablo. Já o conteúdo prático ensinado na academia,
segundo o bolsista, são compatíveis com o que é feito na Agência, uma vez
que os alunos podem exercitar na prática o que aprendem em sala de aula.
Quando a discussão se baseia entre a Agência Unama e a própria
universidade, a queixa maior do voluntário Raphael Marinho em relação ao
curso de jornalismo é sobre a atuação de alguns professores. De acordo com o
acadêmico, existem determinados professores no curso que desestimulam as
atuações dos alunos em práticas que envolvam comunicação e direitos
humanos:
Já tive professores que entravam na sala de aula só para tirar as
forças dos alunos. Eles dizem que a realidade do jornalismo é
diferente e que nós, alunos, não iremos conseguir mudar o mercado
da mídia, pois os meios de comunicação, por exemplo, só querem
saber de vender jornal. No entanto, entrar na Agência foi fundamental
para o desenvolvimento de uma visão de responsabilidade que todo
jornalista deveria ter, nada melhor que desenvolver essa
responsabilidade durante a Universidade e saber que existe uma
forma de fazer um jornalismo responsável. 51
O papel do professor no contexto de uma formação voltada para a
qualidade da produção jornalística social é fundamental para diferenciar os
futuros profissionais que ainda estão na academia. Danila Cal, coordenadora
da Agência, acredita que o professor deve orientar o aluno sobre qual é o
melhor trabalho que ele pode fazer e ainda dar instrumentos para que ele
51
Entrevista concedida no dia 23 de fevereiro de 2009.
ponha isto em prática no mercado de trabalho. Na opinião da coordenadora, o
professor
pode
despertar
ideias
interessantes
para
diversos
alunos,
principalmente, no que diz respeito à mudanças de comportamentos negativos
de alunos relacionados à pauta social:
Como não é possível mudar se somos nós que estamos fazendo o
jornalismo agora e, principalmente, se são esses alunos que vão
fazer o jornalismo de amanhã? É muito complicado chegar no
mercado de trabalho já achando que seu trabalho não vai fazer
diferença na sociedade. Então, professor tem que estimular a
52
responsabilidade social do aluno.
Marcelo Vieira, professor da instituição há mais de quatro anos e
responsável em administrar as disciplinas de Jornalismo Impresso I e II,
Jornalismo Especializado e História da Imprensa aos alunos da universidade,
afirma que o curso de jornalismo da Unama permite sim a formação crítica dos
alunos, uma vez que estes recebem aulas de disciplinas de variadas
abordagens.
Em relação às questões sobre direitos humanos e jornalismo, o
professor, que revela que conhece o trabalho realizado pela Agência Unama,
acredita que a universidade também consegue repassar aos alunos
informações relacionadas a esta temática.
“De uma forma geral, essa
preocupação está presente em todas as disciplinas e professores”, conta o
docente.
O professor Marcelo Vieira define a atuação do Projeto como uma
iniciativa que acompanha o tratamento dado a questões relacionadas à infância
e adolescência na mídia. Marcelo conta que é difícil ver outros professores com
este tipo de característica, como se não quisesse estimular os alunos para um
jornalismo cidadão. “Se há professores com essa postura fazem parte de uma
exceção. A questão dos direitos na minha disciplina é trabalhado com estudos
de caso e debates sobre os temas”.
A pouca divulgação da Agência Unama dentro do curso de jornalismo é
uma das principais reclamações do voluntário Raphael. Segundo ele, os alunos
52
Entrevista concedida no dia 20 de março.
tomam conhecimento do projeto por meio da famosa propaganda “boca-aboca”, ou até mesmo pelas reportagens publicadas nos jornais O Liberal, Diário
do Pará ou Amazônia. “A Agência precisa ser mais divulgada por parte da
Universidade. Tenho certeza que muitos alunos de jornalismo iriam se
interessar por este tipo de formação”, revela o voluntário.
Este não reconhecimento da Agência por parte dos professores é
bastante criticado pela ex-coordenadora do curso. Ana Prado, que confessa
que existem sim dentro da universidade professores que não se interessam
pelo projeto, afirma que a coordenação luta para que os docentes se
aproximem mais do projeto. Ela revela que a coordenação do curso sempre
fala sobre a Agência durante as reuniões de planejamento, nas reuniões de
congregação e nas listas de discussões dos professores. No entanto, de
acordo com Ana, o trabalho ainda não é suficiente.
Penso que também assim como temos alunos desinteressados na
universidade, ainda temos docentes desse jeito, uma pequena parte,
mas há. Para combater isso, temos que pensar em novas estratégias
para atraí-los para os projetos, pelo menos para eles conhecerem
melhor. 53
A professora doutora do curso de comunicação social, Larissa Latif,
afirma que o curso de jornalismo consegue passar uma formação crítica
baseada nos direitos humanos para os alunos, uma vez que as ementas das
disciplinas do curso que têm relação com a interface comunicação / sociedade,
já possuem essa preocupação em repassar esse tipo de formação aos
universitários. Disciplinas como Comunicação, Cultura e Cidadania, Estudos de
Mídia e Política, Estudos e Formação da Opinião Pública estão entre as
principais disciplinas que fazem despertar no aluno a criticidade a respeito de
cada tema proposto, acredita a docente.
Não posso afirmar se todos os professores trabalham ou não nessa
perspectiva. O que posso dizer é que muitos, e aí me incluo, buscam,
sim, conscientizar seus alunos para a cidadania e proteção dos
direitos. Esse tema é frequente nas minhas aulas não só no curso de
jornalismo, como nos de publicidade e relações públicas. Não vejo
como pensar processos comunicacionais sem articular a reflexão à
53
Entrevista concedida no dia 06 de março de 2009.
importância dos processos políticos e de cultura nas sociedades
contemporâneas. Então, a importância da discussão sobre direitos
54
humanos é clara.
Segundo Mattos (1994), a solução pode ser relativamente simples: basta
que se vençam os desafios de integração teoria-prática. É necessário também
uma análise crítica para a identificação dos pontos dificultadores do ensino do
jornalismo. Mas, sobretudo, de acordo com o autor, é necessário ousar,
forçando mudanças na estrutura e desenvolvimento curricular.
Para Mattos, o ensino em que apenas o teórico é desenvolvido vem
perdendo e deve perder ainda mais espaço para a aprendizagem prática. Por
conta disso, o autor afirma que é necessário haver um equilíbrio no ensino para
que exista uma interação entre a teoria e a prática:
Para tanto, se de um lado é necessário que os professores de prática
jornalística mantenham alguma atividade profissional além da que
exercem em sala de aula, para manter um elo entre a escola e o
mercado de trabalho, é igualmente imprescindível que os professores
das disciplinas teóricas, pelo menos entendam essa necessidade.
(MATTOS, 1994, p. 35).
A ex-voluntária Ingrid Bico lembra que sua experiência no projeto foi
“enriquecedora”. Para ela, a Agência é importante porque dá a oportunidade
para que o aluno cresça tanto no lado profissional quanto no pessoal, além de
ser um benefício para a própria universidade, “que ganha um destaque
especial por desenvolver projetos de extensão que não são apenas
laboratórios de calouros: são amostras da vida profissional real”, acredita a
aluna.
5.7 Um outro jornalismo é possível
A mudança é constatada não apenas para a vida profissional dos
envolvidos com o projeto, mas também para o lado pessoal dos acadêmicos. A
voluntária Lorena Palheta, que atua no projeto desde novembro de 2008,
54
Professora Larissa Latif, em entrevista concedida no dia 15 de maio de 2009.
acredita que a Agência contribui para a formação de seu senso crítico, tanto
para as causas que envolvem infância e adolescência, quanto para outros
assuntos contemporâneos. “Passei a me indignar com coisas que antes
passariam despercebidas por mim, como a forma que crianças e adolescentes
são tratados pela mídia” (Lorena Palheta). Para a aluna Carolina Eulálio, a
mudança tem a ver com o tipo de jornalismo que ela irá construir. “Acredito que
posso seguir por um jornalismo diferente e melhor do que é feito em muitos
lugares. Saberei respeitar e ouvir sempre os dois lados”.55
Podemos verificar na declaração das duas universitárias que a
experiência adquirida por elas no projeto, se compara com a ideia citada por
Tuzzo (2004), que afirma que os acadêmicos devem se inserir no tripé ensinopesquisa-extensão de uma universidade, justamente para perceber que a
produção do conhecimento não se resume apenas dentro de uma sala de aula,
onde se realizam as aulas teóricas. Pelo contrário, devem ir além também dos
laboratórios, onde se realizam as aulas práticas, para que eles possam
começar a enxergar o mundo com olhos mais críticos.
O pensamento de “mudança” e as “atitudes diferenciadas” citadas pelas
alunas comprovam a finalidade do espaço acadêmico, exposta pela autora,
quando se refere que este espaço de aprendizado pode ajudar a construir uma
visão diferenciada do cotidiano. As mudanças pessoais já são perceptíveis na
opinião do voluntário Raphael Marinho. De acordo com ele, “lidar com direitos
humanos ajuda na reflexão e ensina a se relacionar com o próximo”, acredita.
Já na questão profissional, ele revela:
Na minha vida profissional é clara a contribuição que a Agência teve
para mim e, acredito que, de alguma forma, com todos os que
passaram por ela. Ao entrar nesse trabalho nos é esclarecida a
importância de fazer ações ligadas aos direitos humanos e o aluno
56
entende a importância e a responsabilidade do seu trabalho .
Tuzzo explica que a maioria dos alunos que passam por projetos como
os de extensão, por exemplo, devem passar a “enxergar o cotidiano como um
grande laboratório, onde todo tipo de manifestação possa ser analisado, sob a
55
Entrevista concedida no dia 21 de fevereiro de 2009.
56
Entrevista concedida no dia 23 de fevereiro de 2009.
ótica da ciência que se pesquisa e que se quer descobrir” (TUZZO, 2004,
p.147). Quanto ao olhar de questionamento em relação ao senso comum
defendido pela autora, também pode ser observado na declaração da aluna
Lorena Palheta, que diz que “tudo que for fazer e questionar futuramente terá
como base o que estou aprendendo na Agência”, afirma a aluna.
Outro fato constatado a partir das entrevistas com os alunos é que,
conceitos como “ética” e “responsabilidade social”, definidos por Bucci (2008)
como elementos cruciais para a existência da democracia, podem ser
observados no discurso dos alunos. A questão do jornalismo social tratado por
Bucci (2008), pode ser observada nos discursos dos alunos que atuam na
Agência, mostrando que estes acadêmicos já possuem uma certa visão crítica
das coisas que envolvem a mídia, como o direito à informação e à
comunicação, citado pelo autor em sua discussão teórica sobre o assunto.
O acadêmico Pablo Almeida, por exemplo, que atuou no projeto como
voluntário no período entre junho e dezembro de 2008 e, atualmente é bolsista
de jornalismo desde fevereiro de 2009, revela que a experiência que a Agência
lhe proporciona será lembrada por toda vida, uma vez que o projeto preza pelo
respeito em seus produtos e aos colegas de trabalho.
Todos são muito atentos com todos. Saber que faço parte de um
espaço que milita por uma questão necessária e sempre ativa, que é
a luta pelos direitos da criança e do adolescente, me faz ser mais
responsável e satisfeito em me dedicar a esta causa. 57
Em alguns alunos, a passagem pela Agência Unama é crucial para que
estes obtenham uma formação crítica diferenciada voltada para os direitos
humanos, além de apresentarem mudanças quanto à sua postura e
desenvoltura com os produtos de comunicação. Esta é uma das definições da
coordenadora Danila sobre a participação dos universitários no projeto.
Têm certos alunos que chegam na Agência super tímidos, tatiando os
produtos de comunicação que o projeto trabalha. No entanto, após
um período de experiência na Agência, estes já se apresentam mais
confiantes, tanto para a área da comunicação quanto para o lado
social58.
57
Bolsista Pablo Almeida, em entrevista concedida no dia 28 de fevereiro de 2009.
58
Danila Cal, em entrevista concedida no dia 20 de março.
As opiniões sobre mídia e direitos humanos são diferenciadas entre os
alunos que não participaram do projeto. Enquanto uns acreditam que esta
relação é essencial para que haja um trabalho de qualidade no jornalismo
paraense, outros alunos apenas afirmam que a atuação na área é “admirável”.
Para o aluno Augusto Lobato, que não estagiou na Agência Unama, o
jornalismo nem sempre caminha de mãos dadas com os direitos humanos, isso
porque, na opinião do universitário, “a conjuntura empresarial transforma
relatos, fere direitos que deveriam estar assegurados e, “obriga” seus
funcionários a cometerem atos contrários aos direitos humanos em nome de
um salário”, acredita o aluno.
Para o acadêmico, a relação entre jornalismo e direitos humanos pode
ser uma combinação naturalmente normal, uma vez que, segundo ele, os
jornalistas são os próprios responsáveis em disseminar um conteúdo de
qualidade e que tenha importância para a sociedade. Tainá Aires, também
acadêmica do curso, possui a mesma opinião de Augusto e, defende que “fazer
jornalismo que respeite os direitos humanos é fazer um jornalismo cidadão e
responsável”.59
A partir das falas dos dois alunos é possível analisar que, mesmo sem
terem participado do projeto, os acadêmicos conseguem ter um olhar sensível
à causa dos direitos humanos. No entanto, outros alunos entrevistados para o
estudo e que não passaram pela Agência, apresentaram um certo despreparo
e desconhecimento, desde a relação entre mídia e direitos humanos até em
relação a definição de projetos de extensão. “Acredito que projeto de extensão
seja algo que tenha relação com pesquisas de campo, feitas com diversas
pessoas a partir de uma enquete60”. Sendo que, Neves e Santos afirmam que o
conceito de projeto de extensão está relacionado a “estender-se, levar a
pesquisa e o ensino codificados de forma adequada para bem comunicar além
dos muros das universidades” (NEVES; SANTOS, 2008, p. 08).
Uma outra aluna do mesmo semestre e que também não estagiou no
projeto, afirma que conheceu a Agência por meio de um trabalho acadêmico
59
60
Entrevista concedida no dia 29 de março de 2009.
Entrevista concedida no dia 30 de março por uma aluna do quarto semestre.
que produziu na universidade, no entanto, ela revela que admira o trabalho do
projeto, mas não se sentiu interessada em seguir sua carreira profissional
atuando em causas sociais.
Acho natural a relação entre jornalismo e direitos humanos, até
porque acredito que o jornalismo pode ter relação com qualquer área.
Mas, nunca trabalhei em nenhum lugar que seja envolvido com
alguma causa social. Já cheguei até a me interessar por este tipo de
jornalismo mais compromissado, mas olhando mais de perto vi que
não tinha vocação. Acho que cada pessoa tem afinidade com um
determinado assunto. Eu, apesar de respeitar e admirar muito as
pessoas que atuam nesses locais, não me vejo exercendo esse tipo
61
de
atividade.
Uma aluna do sexto semestre de curso que não passou pela Agência
Unama também acredita que é preciso se fazer um jornalismo mais
comprometido, divulgando, principalmente, assuntos relacionados a direitos
humanos. No entanto, a universitária afirma que esta prática ainda está
distante das redações das grandes mídias, pois “esse tipo de jornalismo ainda
é pouco visto atualmente”. Mesmo acreditando que é necessária a prática de
um jornalismo cidadão, a aluna demonstrou pouco interesse e disposição para
atuar e produzir um jornalismo cívico:
Acredito que os jornalistas deve sempre ser a favor daqueles que
mais necessitam de ajuda, mostrando o que está errado na
sociedade, para que possa ser consertado. Mas, para ser sincera,
nunca pensei em trabalhar nesse tipo de atuação.62
Apesar de nunca ter participado do projeto, a aluna Tainá Aires não
defende a mesma opinião que as universitárias citadas acima. Segundo Tainá,
trabalhar em algo voltado para o social sempre foi uma de suas grandes
vontades, mesmo sendo fã número um de trabalhar na redação de um veículo
de comunicação. A diferença de trabalhar em uma redação jornalística e um
espaço que seja voltado para a mídia social, de acordo com a aluna, que
atualmente trabalha na redação do jornal O Liberal, é que:
61
Entrevista concedida no dia 29 de março de 2009.
62
Depoimento de uma aluna do sexto semestre de jornalismo.
Na redação nem sempre temos a oportunidade de abordar
determinadas questões que contribuem para a efetivação de direitos
na sociedade. Trabalhar em um local como a Agência Unama, por
exemplo, seria uma forma de tentar mudar a triste realidade em que a
mídia do Estado se encontra63.
Afinal, a Agência Unama e o curso de comunicação, por sua vez, estão
correspondendo às expectativas de alunos como a Tainá, por exemplo, que
acredita que trabalhar no projeto ou praticar bastante o exercício do jornalismo
comprometido com a cidadania mudaria a forma do jornalismo feito no Pará
pelas futuras profissões? De acordo com a coordenadora do projeto, Danila
Cal, as atividades realizadas na Agência Unama estão bastante ligadas à
relação entre mídia e cidadania, uma vez que trabalha com temas relacionados
às questões sociais, como o direito de meninos e meninas. Já no curso de
jornalismo ainda é pouco visível a existência de uma formação dos futuros
profissionais em relação aos direitos humanos e cidadania. As entrevistas
concedidas por diversos alunos do curso demonstram que o jornalismo cívico
ainda é pouco estimulado dentro da universidade.
Ana Prado acredita que a procura pelos projetos de extensão na Unama
ainda é baixa e que os alunos deveriam buscar investir mais na sua formação,
uma vez que "a grande maioria dos estudantes que passa pelo projeto saem
com uma outra visão, mais humana e cidadã", acredita Ana, que afirma ainda
que, do ponto de vista crítico e científico, a Agência contribui bastante para
uma formação mais ampliada. A ex-coordenadora ressalta que ainda há uma
cultura ruim dentro da universidade, que é a de que os alunos não buscam a
qualificação e formação, apenas esperam que tudo caia às mãos. "Os alunos
deveriam usar mais tudo na universidade, ousar e procurar conhecimento seja
num estágio (não remunerado, por vezes) em cursos, grupos de estudo, etc”.64
O futuro passa a ser observado com mais atenção pelos alunos que
fazem parte do projeto. Prova disso é a preocupação citada pelo bolsista Pablo,
que afirma que “tudo que aprendeu na Agência servirá para o meu futuro, pois
a cada dia que passa surge algo novo para eu aprender, o que vai influenciar
quando for jornalista”, revela o aluno.
63
Entrevista concedida no dia 29 de março de 2009.
64
Entrevista concedida no dia 06 de março de 2009.
A partir das entrevistas, foi notório observar que, a maioria dos alunos
que atuam como voluntários permaneceriam no projeto até conseguirem um
estágio remunerado. O fato passa a até ser visto com uma certa evidência, pois
muitos alunos universitários gostam e planejam sua vida profissional pensando
no quanto podem ser bem sucedidos financeiramente com a carreira que
escolheu. A permanência do voluntário Raphael Marinho na Agência Unama
também está ligada à questão financeira. Ou seja, o aluno irá estagiar no
projeto até quando conseguir encontrar um estágio remunerado, “mesmo não
sendo minha vontade sair daqui”, completa Raphael.
Já com os bolsistas a realidade parece ser diferente. Pablo Almeida
afirma que ainda não sabe se vai deixar o projeto quando seu contrato acabar,
pois, segundo ele, as funções que ele passou a assumir atualmente na Agência
estão sendo mais precisas, o que faz com que o aluno sinta vontade de
aprender ainda mais. “Creio que ainda tenho muito a aprender na Agência. Por
isso, prefiro deixar as coisas fluírem. Acho que ficarei tempo suficiente para me
sentir satisfeito com o trabalho e deixar a Agência satisfeita com o trabalho feito
por mim”, afirma o aluno.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo revelou as diversas opiniões e ideias a respeito da
importância da formação acadêmica em relação ao jornalismo cívico,
mostrando como alunos e professores pensam a respeito do fazer jornalístico
voltado para as causas sociais. Observa-se que ainda existe uma necessidade
significativa de estimular os universitários de jornalismo da Universidade da
Amazônia, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento de sua
criticidade em relação aos fatos da sociedade.
A formação acadêmica relacionada aos direitos humanos, por sua vez,
foi o que mais chamou atenção neste estudo. De acordo com as entrevistas e
depoimentos de alunos e professores da universidade, foi possível analisar que
a formação neste segmento ainda é considerada pouco estimulada por parte
dos alunos.
No entanto, professores garantem que a formação cidadã é uma
preocupação constante do quadro pedagógico, uma vez que possui disciplinas
diretamente ligadas a formação crítica e cidadã, como discussões sobre mídia,
política, cultura, cidadania e opinião pública. Porém, o que os universitários
entrevistados reclamam é que o aprendizado não foi suficiente para que eles
se sentissem estimulados a atuarem na área.
Entre os alunos entrevistados que trabalharam ou não na Agência
Unama, foi observado uma diferença entre os depoimentos dados a este
estudo. Os que já haviam passado pelo projeto, afirmam que aprenderam mais
dentro da Agência do que em sala de aula, enquanto que os que não passaram
revelam que o curso não deu suporte suficiente para o interesse nessa
temática. Ou seja, o que alguns não aprenderam em sala de aula, outros se
estimularam dentro do projeto.
Mas, o fazer jornalístico sobre cidadania e direitos humanos não parece
ser tão simples. Foi possível observar nos depoimentos que é preciso ter
vontade, vocação e acreditar naquilo que defende para atuar na área. O que
para alguns era apenas como uma prática “bonita” e “elogiável”, para outros o
jornalismo cidadão era visto como um rumo a ser seguido pelo resto da carreira
jornalística.
Este rumo, no entanto, não foi um desejo observado apenas nos
universitários que trabalharam na Agência Unama.
Tanto que alguns dos
alunos que não passaram pela Agência - e, mesmo assim, possuem uma
consciência diferenciada a respeito dos direitos humanos e a mídia -,
apresentaram interesse em trabalhar com um jornalismo mais responsável.
Porém, o que é mais preocupante, é que essa característica não foi a
apresentada pela maioria dos alunos entrevistados que não participaram do
projeto.
Deste modo, avaliou-se que muitos alunos que não tiveram a
oportunidade de conhecer as práticas jornalísticas voltadas para a divulgação
dos direitos humanos e compromisso social, realizadas pela Agência, podem
acabar não tendo o mesmo desempenho no mercado de trabalho em relação
ao jornalismo cívico que os alunos que atuaram e aprenderam essa prática no
projeto. Esta diferença foi constatada, inclusive, em inúmeras falas dos alunos
que já tinham passado pela Agência e hoje são profissionais.
Neste trabalho, a primeira hipótese – que seria a de comprovar se o
projeto oferece uma formação crítica e social a todos os alunos que passaram
pela Agência Unama – foi comprovada a partir das entrevistas feitas com
alunos, professores e coordenadores, que afirmam que o projeto possui uma
importância fundamental para que os universitários tenham uma visão mais
ampliada de cidadania e direitos humanos.
Sobre a questão relacionada ao projeto enquanto marca, que tinha o
objetivo de descobrir se a marca se mostra desconhecida, a maioria dos alunos
e professores do curso de jornalismo, apresentada neste estudo como a
segunda hipótese a ser analisada, foi possível observar que a marca Agência
Unama é conhecida pela maioria dos alunos e professores.
No entanto, muitos desconhecem a real intenção do projeto e afirmam
que apenas sabem que o projeto trabalha com a questão dos direitos da
criança e do adolescente. Porém, essa constatação não é muito difícil quando
o trabalho da Agência já vem estampado no próprio nome do projeto: Agência
Unama de Comunicação pelos Direitos da Criança e do Adolescente. Foi
comprovado pela própria ex-coordenadora do curso de comunicação que ainda
é preciso que os professores de jornalismo se interessem mais pelo projeto e
divulguem mais suas ações para que mais alunos tenham a experiência de
passar pelo projeto.
A terceira e última hipótese, que era a de pesquisar se dentro do curso
os alunos se sentem estimulados em trabalhar com um jornalismo voltado para
o jornalismo cívico, já foi analisada no início deste tópico e comprovada que
esta hipótese ainda não é verdadeira. Muitos universitários demonstraram
pouco interesse pela prática social jornalística.
É necessário que o curso de jornalismo, além de ensinar as teorias e as
práticas relacionadas à profissão, trabalhe e estimule a atuação destes futuros
profissionais na área do jornalismo cidadão, que preze, em primeiro lugar, a
responsabilidade e comprometimento da prática jornalística, independente de
interesses econômicos e políticos, visando a cidadania e a defesa dos direitos
de todo cidadão. Caso contrário, continuaremos com a ideia, que já se tornou
verdade absoluta, que alguns universitários e jornalistas possuem: a de que
não é possível fazer um jornalismo diferente.
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SOUZA NETO, João Clemente (org). IN: Infância: Violência, Instituições e
políticas públicas. São Paulo: Expresso e Arte, 2006.
SANTOS, Fernando de Maria dos. Prática e aprendizado: a importância da
agência universitária de notícias como jornal-laboratório. Tese de doutorado.
Universidade de São Paulo (USP): São Paulo, 2007.
SOARES, Vera Lúcia; PESSANHA Jorge. Institucionalização da extensão:
passo a passo. In: Fórum de Extensão das IES Brasileiras. Brasília, 2004.
TUZZO, Simone Antoniaci. Deslumbramento Coletivo: opinião pública, mídia
e universidade. São Paulo, Ed. Annablume, 2004.
APÊNDICES
Roteiro de perguntas para a coordenação do curso
1- Você acompanha a Agência desde o começo. Como se deu a criação da
Agência Unama?
2- Quais eram as primeiras impressões da Agência por parte do curso de
jornalismo (universidade) na época?
3- No que você acha que a Agência pode contribuir na formação dos
alunos de jornalismo?
4- Você acha que a procura pelos cursos de extensão ainda é baixa na
Unama? Por quê você acha que que isso acontece?
5- Como acontece a distribuição de recursos para os projetos da Unama?
Qual o critério que a Universidade utiliza para decidir a questão dos
transporte, por exemplo?
6- A maioria dos professores de Comunicação desconhecem a existência
da Agência. A Universidade já pensou em alguma forma de aproximar
esses profissionais do projeto?
Roteiro de perguntas para os alunos atuais
1- Por quê você teve a iniciativa de entrar no projeto?
2- O que você está achando de trabalhar na Agência?
3- Você mudaria alguma coisa na rotina de trabalho? O quê e Por quê?
4- Você acredita que a experiência vai lhe acrescentar algo no futuro? O
quê?
5- Pretende ficar no projeto até quando?
6- O quê você acha da relação entre a Agência e Universidade (curso)?
7- Acredita que vai lhe trazer mudanças para a vida pessoal e profissional?
Roteiro de perguntas para os alunos que já passaram pelo Projeto
1- Como você define a sua participação na Agência Unama?
2- Como e por quê você resolveu entrar no projeto?
3- O quê você leva de aprendizado para a sua vida profissional após a
passagem pelo projeto?
4- E para a vida pessoal?
5- A Agência já influenciou seu comportamento em outros trabalhos?
6- O quê você mudaria no projeto na época em que trabalhava lá?
7- O que aprendeu no curso de jornalismo condizia com as atividades
realizadas no projeto?
8- O que você achava da relação entre o projeto e a Universidade?
Roteiro de perguntas para os alunos que não passaram pelo Projeto
1- Você sabe o que é e para quê serve um projeto de extensão de uma
universidade?
2- Você conhece ou já participou de algum projeto de extensão da Unama?
Qual?
3- Você tem conhecimento sobre o trabalho desenvolvido pela Agência
Unama de Comunicação pelos Direitos da Criança e do Adolescente? O
que sabe a respeito e o que acha?
4- O que você acha sobre a relação entre jornalismo e direitos humanos? É
possível?
5- Você acha que a mídia pode colaborar na construção ou efetivação de
direitos? De que forma?
6- Já trabalhou ou tem vontade de trabalhar em um local que contribua com
sua formação profisisonal no lado social? Por quê?
Roteiro de perguntas para os professores
1- Você conhece a Agência Unama de Comunicação pelos Direitos da
Criança e do Adolescente? Sabe que tipo de trabalho realiza?
2- Na sua concepção, o curso de jornalismo da Unama permite a formação
crítica dos alunos? De que forma?
3- Você acha que o curso de jornalismo consegue repassar aos acadêmicos
uma formação cidadã, baseada principalmente nos direitos humanos?
4- Em entrevista, uma das reclamações dos alunos que já estagiaram na
Agência, era que alguns professores pouco incentivavam a defesa dos
direitos humanos na comunicação. Isso realmente acontece? Como
você trabalha isso em sala de aula?
ANEXOS
ANEXO 1
Agenda Criança Extra – 08.05.2009
Sugestões de pauta sobre infância e adolescência
Em caso de publicação do texto do Agenda Criança é obrigatório
o crédito à Agência Unama
ASSUNTO: VIOLÊNCIA SEXUAL É TEMA DE BATE PAPO COM IMPRENSA
O Fórum Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual de Belém promove na
próxima terça-feira (12), no Cine Acyr Castro, localizado no Espaço Cultural Memorial
dos Povos, em Belém (PA), um bate papo com a imprensa sobre violência sexual
contra crianças e adolescentes. O evento, que vai acontecer das 8h às 12h, terá vagas
limitadas. Para participar, é preciso confirmar a presença pelos telefones (91) 4009 93
90 / 9370.
O bate papo faz parte da programação referente ao Dia Nacional de Combate ao
Abuso e Exploração Sexual de Meninos e Meninas, lembrado no próximo dia 18 de
maio. Para falar sobre o tema com os profissionais de comunicação, especialistas e
representantes das mais de 80 instituições que compõem o Fórum, caracterizadas,
principalmente, por desenvolverem um trabalho de combate à violência sexual na
Região Metropolitana de Belém, estarão presentes para mostrar o quanto o assunto
pode ser tratado de uma maneira diferente pela mídia.
“Nós, que participamos do Fórum de Enfrentamento, sempre acompanhamos o que
sai sobre o tema na mídia. Acreditamos que a imprensa ainda não divulga o problema
o suficiente, apenas em datas relevantes como o 18 de maio, ou acontecimentos
extraordinários”, afirma Eugênia Melo, uma das organizadoras do evento. De acordo
com ela, a mídia ainda trata o tema da violência sexual de forma equivocada, uma vez
que “muitas informações que saem na mídia não são coerentes aos dados e
informações apresentados pelas organizações”, diz.
Para mudar a forma com que a mídia aborda o assunto, Eugênia aposta num processo
de “sensibilização” para que jornalistas e profissionais da comunicação vejam com
outros olhos a questão da violência sexual contra meninos e meninas. “Nosso objetivo
com este evento é chamar atenção desses profissionais para que eles possam
produzir matérias diferentes, mostrar quais as instituições responsáveis que podem
tratar uma criança ou um adolescente que sofrer qualquer tipo de violência sexual”,
completa Eugênia, que ressalta que o tema ainda é tratado de maneira superficial pela
grande mídia.
O evento conta com apoio da Agência Unama de Comunicação pelos Direitos da
Criança e do Adolescente, Universidade da Amazônia(Unama), Fundação Cultural
Municipal de Belém (Fumbel) e Memorial dos Povos.
Contatos:
Eugênia Melo, organizadora do evento: (91) 3212 2496 / (91) 9144 0949
Agência Unama de Comunicação: (91) 4009 9370 / 4009 9391
Serviço
Assunto: VIOLÊNCIA SEXUAL É TEMA DE BATE PAPO COM IMPRENSA
Data: 12 de maio (terça-feira)
Local: Cine Acyr Castro, localizado no Espaço Cultural Memorial dos Povos –
rua Governador José Malcher, entre Dr. Moraes e Assis de Vasconcelos.
Acesse o site www.agencia.unama.br
Este é um produto da Agência Unama, a agência paraense
de comunicação pelos direitos da criança e do adolescente.
4009-9391/4009--9390
[email protected]
ANEXO 2
A CRIANÇA E O ADOLESCENTE NO MUNICÍPIO
NÚMERO 26 ANO I 19.08.2008
Sugestões de pauta sobre a situação da infância e da adolescência nos
municípios
ASSUNTO: O DIREITO DE CONVIVER EM FAMÍLIA E NA SOCIEDADE
Crianças e adolescentes têm direito ao convívio em família e também em sociedade,
seja nas escolas, ou em atividades culturais e esportivas nos seus bairros. O direito a
convivência familiar e comunitária deve ser garantido pela sociedade e pelo estado por
meio de ações que fortaleçam as famílias e que permitam a vida em comunidade.
É com a convivência que se tem o desenvolvimento social e psicológico das crianças.
Principalmente porque é nos primeiros anos de vida que meninos e meninas obtêm
elementos que mais tarde refletem em sua auto-estima, em sua forma de conviver
com o outro e até em seu desenvolvimento emocional.
A contribuição da família e da comunidade no crescimento se dá pela mediação e
auxilio na relação do público infanto-juvenil com o mundo, colocando para crianças e
adolescentes os limites e proibições necessárias para a vida em sociedade.
Garantir esse direito aumenta a possibilidade dos indivíduos de enfrentarem e
superarem condições adversas no futuro, ou seja, evita problemas sociais presentes
no dia-a-dia dos cidadãos, como a violência e a pobreza. Mesmo nos casos em que
crianças e adolescentes vivem em abrigos ou unidades de internação é necessário
que a convivência seja facilitada por meio de atividades que envolvam os familiares e
amigos.
O direito à convivência familiar e comunitária é mais uma conquista da nova forma de
ver o público infanto-juvenil, proposta pela Convenção dos Direitos da Criança e pelo
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Essa diretriz prima que a
institucionalização de meninos e meninas só aconteça em casos extremos em que não
há mais como se ter uma vida saudável em família.
Para que esse direito seja respeitado, foi criado em 2006, o Plano Nacional de
Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes a Convivência
Familiar e Comunitária. O Plano é constituído de diversas ações que têm como
responsáveis o governo federal, os estados e os municípios.
A política tem entre suas diretrizes, a centralidade da família nas políticas públicas e a
primazia da responsabilidade do Estado no fomento de políticas integradas de apoio à
família.
O que diz a lei?
A Constituição Federal (Artigo 227) e o ECA (Artigo 4°) dispõem que toda criança e
adolescente tem o direito de conviver em família e na comunidade. Estes seriam
fatores primordiais para o desenvolvimento das mesmas.
O Estatuto coloca que meninos e meninas têm “direito a ser criado e educado no seio
da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência
familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de
substâncias entorpecentes”. (artigo 19°)
Dentro do direito à convivência familiar, a lei determina (artigo 22°) que os pais
têm o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores de 18 anos e
que a falta ou carência de recursos de ordem econômica (artigo 23) não
justificam a destituição do poder familiar.
Mesmo em casos extremos, como de pobreza e violência, a criança ou o
adolescente deve permanecer na convivência de “sua família de origem, a qual
deverá obrigatoriamente ser incluída em programas oficiais de auxílio”
(parágrafo único do artigo 23).
O poder familiar só pode ser suspenso (artigo 24) a partir de decisão decretada
judicialmente, “em procedimento contraditório, nos casos previstos na
legislação civil, bem como na hipótese de descumprimento injustificado dos
deveres e obrigações a que alude o artigo 22”.
ENCAMINHAMENTOS:
1) As crianças e adolescentes de seu município têm seus direitos familiares
garantidos?
2) As famílias que têm crianças em vulnerabilidade são inclusas em programas
assistenciais para garantir que elas tenham sua convivência familiar garantida?
3) As pessoas reconhecem este direito ou ainda pensam que é melhor colocar
as crianças em abrigos e unidades de internação?
4) Os abrigos e as unidades de internação promovem atividades que garantam o
convívio de crianças e adolescentes com suas famílias?
Mais informações
Para conhecer o Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de
Crianças e Adolescentes a Convivência Familiar e Comunitária, acesse o site da
presidência da república:
http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/.arquivos/pncfc.pdf
Com quem falar sobre isso?
Entreviste conselheiros tutelares e de direito para saber se o direito a convivência
familiar e comunitária está sendo respeitado.
Procure a secretaria de assistência do município para saber quais ações estão sendo
realizadas para o fortalecimento das famílias. Visite abrigos ou unidades de internação
de seu município para saber quais são as atividades que eles promovem para garantir
esse direito.
Psicólogos e assistentes sociais podem ser boas fontes sobre a importância da
convivência familiar e comunitária para o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Dicas
Entreviste uma família que tenha conseguido criar seus filhos por conta do bom
relacionamento entre os familiares. Mostre como é importante uma boa base
familiar para o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Acesse o site: www.agencia.unama.br
Este é um produto da Agência Unama, a agência paraense
de comunicação pelos direitos da criança e do adolescente.
4009-9391/4009-9390
[email protected]
ANEXO 3
Notícias do dia - 04.03.08
O resumo das principais notícias sobre infância e
adolescência veiculadas nos jornais diários do Pará.
• Conselhos tutelares serão fiscalizados em todo o país
• Funcap promove curso profissionalizante
• Funpapa capacita profissionais sobre o ECA
Conselhos tutelares serão fiscalizados em todo o país
As condições de funcionamento dos conselhos de Defesa dos Direitos da Criança e do
Adolescente, dos conselhos tutelares e dos fundos da Infância e da Juventude serão
vistoriadas este semestre pela Ação Nacional dos Conselhos do Brasil. O secretário executivo
de Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente (Comdac), Sérgio Rodrigues,
informou que em todos os municípios do Pará existem conselhos tutelares, entretanto, alguns
estão inativos por não existir nos locais um Comdac, que é o órgão responsável para promover
as eleições para conselheiro. As inspeções serão realizadas em cerca de três mil municípios,
com conclusão prevista para julho deste ano (Diário do Pará, Cidades, p. A-4).
Funcap promove curso profissionalizante
A Fundação da Criança e do Adolescente do Pará (Funcap) oferecerá este mês, no Município
de Santarém (PA), cursos de profissionalização a 42 adolescentes e jovens, de 12 a 19 anos,
assistidos pela instituição. O objetivo é evitar outros tipos de revoltas internas, como a ocorrida
no dia 25 de fevereiro passado. A assistente social, Adriana Rego dos Santos, conta que todos
os monitores, educadores e demais profissionais participaram na semana passada de um
projeto político-pedagógico da própria instituição para se capacitar como instrutores dos
adolescentes (Diário do Pará, Cidades, p. A-7).
Funpapa capacita profissionais sobre o ECA
A Fundação Papa João XXIII começou ontem em sua sede, em Belém (PA), um curso de
capacitação dos novos profissionais que vão atuar nos Programas de Liberdade Assistida e de
Prestação de Serviços à Comunidade. Um total de quinze pessoas, entre psicólogos e
assistentes sociais, aprimoram seus conhecimentos sobre o Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), medidas socioeducativas e outras previstas no Sistema Nacional de
Atendimento Socioeducativo (Sinase). Segundo a presidente da Funpapa, Maria Costa, 204
jovens são atendidos pela instituição. Os profissionais irão atuar nos Programas de Liberdade
Assistida e de Prestação de Serviços à Comunidade (Diário do Pará, Regional, p. A-10).
Fones para contato: 4009-9391/4009-9390.
Se você ou sua instituição não quiser receber mais este informativo,
por favor, mande uma mensagem para [email protected]
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universidade da amazônia - unama lívia sanches