INSTITUTO A VEZ DO MESTRE JOSÉ CARLOS DE CARVALHO JÚNIOR A RELEVÂNCIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O DESENVOLVIMENTO DA ATIVIDADE TURÍSTICA. Rio de Janeiro 2010 JOSÉ CARLOS DE CARVALHO JÚNIOR A RELEVÂNCIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O DESENVOLVIMENTO DA ATIVIDADE TURÍSTICA. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Gestão de Projetos do Instituto A Vez do Mestre, como requisito parcial à obtenção do grau de Pós-Graduação em Gestão de Projetos. Profo. Luiz Cláudio - Orientador Rio de Janeiro 2010 JOSÉ CARLOS DE CARVALHO JÚNIOR A RELEVÂNCIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O DESENVOLVIMENTO DA ATIVIDADE TURÍSTICA. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Gestão de Projetos do Instituto A Vez do Mestre, como requisito parcial à obtenção do grau de Pós-Graduação em Gestão de Projetos. Rio de Janeiro, 20 de agosto de 2010. PROFESSOR EXAMINADOR Profo. Luiz Cláudio – Orientador Instituto A Vez do Mestre - AVM AGRADECIMENTOS Torna-se complicado mensurar quantos agradecimentos necessito fazer, pois são muitos os que me acompanham em minha trajetória acadêmica. Contudo, aqueles que não forem aqui citados tenham a certeza que o registro estará no meu coração. Inicialmente gostaria de agradecer aos meus pais, que me deram a chance de estudar e por todo o estímulo que me deram ao longo deste último ano. E, também ao meu irmão Armando Antônio que sempre foi um grande exemplo para a minha vida. Agradeço de maneira muito carinhosa a minha namora e grande cúmplice Caroline Marques, por toda a paciência e principalmente zelo com os meus projetos. Agradeço aos amigos que sempre estiveram ao meu lado, incentivando-me e por muitas ocasiões estimulando-me a continuar. Deixo aqui registrado o agradecimento a alguns amigos do curso, Glaucia Borga e Wilson Leonardo. Na pessoa de uma amigo muito especial, na verdade um irmão, agradeço o apoio a todos os meus amigos, Diogo Diniz, obrigado por toda confiança, estímulo e por fazer sempre que eu acredite em meu potencial. Muito obrigado pela torcida nesta caminhada rumo ao sucesso. E para homenagear meus amigos que são peças muito queridas em minha vida faço uma breve dedico estas breves palavras: “A Amizade é uma construção que requer empenho, assim como a trama dos teares requer demora na escolha das linhas e das cores.” Agradeço ainda todos os meus antigos e recentes colegas de trabalho, que me ajudaram a amadurecer a idéia sobre a atividade turística. E muito especial, a minha tão estimada Mariângela Rossetto e a Patrícia Mattos do Carmo por todo estímulo e incentivo. Agradeço a Deus, pela paciência e discernimento que me concedeu no período dos meus estudos. Agradeço a Ele pelas bênçãos e por me encorajar sempre. Dedico este trabalho à minha mãe, meu Pai, meus irmãos e familiares, minha namorada Carol e a meus amigos. RESUMO Este trabalho descreve ações necessárias a serem tomadas para a promoção da prática do desenvolvimento sustentável. Trata da relevância da participação de todos os atores envolvidos no contexto da atividade turística, numa gestão participativa. Apresenta os impactos negativos e positivos gerados pelo turismo, segundo a Professora Doutora Doris Rushmann. Ressalta a questão da conscientização ambiental que o turismo deve promover, quebrando, assim, muitas barreiras ambientais, por meio da cidadania, com a afirmação dos pressupostos de uma gestão turística participativa Relata ações práticas e objetivas para a busca de uma maior maturidade ambiental e crescimento econômico. Conclui que o fenômeno turístico encarado, não só atua como agregador no cenário econômico, mas também nas esferas ambientais, sociais e culturais, culminando em sua sustentabilidade. Palavras-chave: Turismo, meio ambiente, cidadania, educação ambiental. RESÚMEN Este artículo describe las acciones necesarias que deben adoptarse para promover la práctica del desarrollo sostenible. Direcciones de la importancia de la participación de todos los actores involucrados en el contexto del turismo, en una gestión participativa. Presenta los impactos negativos y positivos generados por el turismo, según la profesora Doris Rushmann. Destaca la cuestión de la conciencia ambiental que el turismo debe ser promovido, rompiendo las barreras ambientales tantos, a través de la ciudadanía, con la exposición de las hipótesis de un informe de gestión participativa del turismo y objetiva las acciones prácticas para buscar un ambiente más maduro y el crecimiento económico. Concluye que el fenómeno del turismo de vista no sólo actúa como un agregador en el ámbito económico sino también en el ámbito medioambiental, los derechos sociales y culturales, culminando en su sostenibilidad. Palabras clave: el turismo, medio ambiente, la ciudadanía, la educacion ambiental. METODOLOGIA A pesquisa realizada tem caráter exploratório. Foram utilizados como fonte de informação livros, artigos, jornais, revistas e publicações periódicas, para dar sustentação teórica ao trabalho. Foi utilizada, ainda, como fonte secundária uma pesquisa documental extraída de livros, artigos acadêmicos e revistas, além de fotos que tivesse por finalidade ilustrar o assunto abordado, educação ambiental junto a atividade turística. Além disso, foram utilizados autores não-clássicos, que tratassem da relevância da sustentabilidade turística, educação ambiental e inclusão ambiental. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS PIB – Produto Interno Bruto UC – Unidade de Conservação MEC – Mnistério da Educação MMA – Ministério do Meio Ambiente Mtur – Ministério do Turismo ProNEA - Programa Nacional de Educação Ambiental PNT – Plano Nacional do Turismo OMT – Oranização Mundial do Turismo SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.............................................................................................................11 2 REFERENCIAL TEÓRICO........................................................................................13 3 SUSTENTABILIDADE NO TURISMO.....................................................................19 3.1 OS ASPECTOS AMBIENTAIS NO PROCESSO DE SUSTENTABILIDADE TURÍSTICA...................................................................................................................21 3.2 A ATIVIDADE TURÍSTICA E OS EFEITOS AMBIENTAIS....................................23 4 O FENÔMENO DO TURISMO E A ABORDAGEM AMBIENTAL....................26 4.1 EDUCAÇÃO AMBIENTAL, CIDADANIA COMO GERADORES DE DESENVOLVIMENTO................................................................................................27 4.2 POLÍTICAS PÚBLICAS NO TURISMO.....................................................................30 5 A ATIVIDADE TURÍSTICA BASEADA EM UM PLANEJAMENTO CONSCIENTE.............................................................................................................33 5.1 6 TURISMO RESPONSÁVEL E CONDUTA CONSCIENTE......................................34 CONCLUSÃO................................................................................................................37 REFERÊNCIAS ANEXOS 1 INTRODUÇÃO Este trabalho tem como finalidade aprofundar os estudos na relevância da questão ambiental junto ao processo de desenvolvimento da atividade turística. Visa destacar o intercâmbio social e ambiental, paralelo ao crescimento do fenônomeno turístico e ao equilíbrio entre visantes, comunidade nativa e território onde ocorre o turismo. O estudo aqui realizado destina-se a reiterar a necessidade de firmar um compromisso junto ao meio ambiente por meio da educação ambiental. Visto que, os cuidados com o meio ambiente acarretaram uma maior competitividade no local onde o turismo é instalado. Em seguida, será apresentado como o acontece o processo de sustentabilidade. A pesquisa mostrará um panorama de como a atividade turística pode ser trabalhada de maneira sustentável. Assim, destacará que o desenvolvimento da atividade deverá estar atrelado a uma preservação do ambiente e dos recursos naturais com o objetivo de resguardar estes para as gerações futuras. Neste sentido, torna-se indispensável estimular o desenvolvimento harmonioso e equilibrado do turismo, uma vez que caso não ocorra o equilíbrio com o meio ambiente a atividade turística estará comprometendo a sua própria existência. É de conhecimento que o turismo em sua essência é originário da iniciativa privada. Contudo, o poder público tem fundamental participação no caminhada do desenvolvimento desta atividade. Esta atuação é percebida na definição de políticas públicas e ações, na organização e articulação entre todos os segmentos envovlidos no fenônome turístico e na garantia dos recursos de infra estrutura, promoção, passando pela educação ambiental e qualificação de mão-deobra. O turismo, quando bem conduzido, pode se construir em um aliado estratégico para o conhecimento, para o aprendizado, e para a difusão da diversidade ambiental para diversos coletivos. Atualmente, vive-se uma diferente realidade de busca de desenvolvimento. O objetivo central nas novas realidades do turismo está em trabalhar as experiências de desenvolvimento socioeconômicos concumitantemente no ponto de vista social e ambiental. Ao pensar na construção de uma plano estratégico de desenvolvimento do turismo em um determinado local deverá inumerar alguns impactos sejam eles positivos e negativos que a atividade trará. Uma vez que o presente trabalho versa frisar o lado ambiental do turismo percebe-se que os benefícios ambientais trazidos pelo turismo estão permaeados em: no incentivo a preservação de recursos naturiais, culturais e hsitóricos; o turismo como estímulo a revitalização e embelezamento paisagístico, entre outros aspectos. Já no ponto de visto de destavantagens destacamos o turismo desordenado e sem critérios com finalidade de degradar a qualidade de importantes recursos naturais e históricos. O sucesso econômico do turismo poderá elevar uma maior pressão sobre os recuros naturiais, entre outros. Levando-se em consideração o turismo, a presente pesquisa amplia discussão sobre a relevância da questão ambiental, ou seja seja, de um sentimento maior de conscientização do local onde o turismo se hospeda. Ajudando assim, a identificar e analisar as melhores maneiras de contribuir e os melhores esclarecimentos do processo de desenvolvimento educacional junto ao meio ambiente. O desenvolvimento do turismo em muitas ocasiões está relacionado a um desenvolvimento econômico para a população onde a atividade está instalada. Contudo, existem outros pilares muito relevantes para que realmente o turismo caracterize-se como algo positivo na região onde ele acontece, são eles: o desenvolvimento cultural e ambiental. O turismo já é considerado uma atividade econômica com altos índices de faturamento,mas existe ainda uma necessidade de conscientização para diminuir cada vez mais os impactos negativos que este fenômeno proporciona, como exemplo a degradação em muitas circunstâncias bruscas do meio ambiente. Sendo assim, nota-se a importância de atividades que visem uma maior educação no âmbito educacional. A partir daí, é apresentada a indagação objeto desta pesquisa: Quais são os impactos que a educação ambiental pode proporcionar visando o desenvolvimento do fenômeno turístico ? Para tal estudo, foram utilizados, como fontes, alguns autores que servem como base para a realização do trabalho. Dentre eles, destacam-se a Margarita Barretto (2000), Doris Ruschmann (2002),Susana Gastal (2007) e Mario Petrocchi (2002). 2 REFERENCIAL TEÓRICO O turismo é a atividade do setor terceário que mais cresce no mundo todo, fonte relevante de geração de trabalho e renda e de empregos diretos e indiretos, fundamentais para diversas economias do mundo, principalmente para a economia brasileira que por meio da ajuda do desenvolvimento da atividade turística passa atualmente por um ótimo processo de aceleração econômica. Para muitos especialistas o turismo está na bola da vez. Em muitos países o turismo é a principal atividade econômica ou então a que possui mais peso no PIB (Produto Interno Bruto). E, com o aumento do tempo livre na sociedade contemporânea, aliado às novas facilidades de meios de deslocamento e com o advento de novas ferramentas de comunicação, entre outras causas e condiocionantes o turismo tem alta importância na economia de um país. A atividade turística também é caracterizada por ser uma atividade com muito dinamismo, decorrente do fator humano, este sendo primordial para o seu desenvolvimento. O planejamento do turismo e suas tomadas de decisão envolvem vários atores, como os empresários hoteleiros, de restaurantes, guias de turismo, a população local, entre outros. A etapa do planejamento deve ser realizada anteriomente a etapa da execução. Assim, Barretto (2000, p. 12) define planejamento como: Uma atividade, não é algo estático, é um devir, um acontecer de muitos fatores concomitantes, que têm que ser coordenados para alcançar um objetivo que está em outro tempo. Sendo um processo dinãmico, é lícita a revisão, a correção de rumo, pois exige um repensar constante, mesmo após a concretização dos objetivos. A autora completa ainda caracaterizando o processo de planejar com um processo de determinação de objetivos e meios para a sua execução; mecanismos orientados para o futuro; projeto de um futuro desejado e dos meios efetivos para torná-lo realidade. Já Theobald (2001) acredtia que planejamento é o sucesso de um enfoque estratégico que dependa fundamentalmente de uma análise sistemática e estruturada dos amplos fatores ambientais. Um planejamento bem estruturado envolve o desenvolvimento da base local, que por sua vez, pressupõe uma participação mais ativa de todos os atores envolvidos nas iniciativas do planejamento. Assim, conforme Gastal (2007, p. 49) o planejamento com base local, por meio de projetos que tenham a participação da comunidade tem por finalidade: Manter e valorizar do meio ambiente, convivendo com a presença do ser humano, oresgate de tradições, dos valores e dos costumes locais, garantindo , assim, a atratividade turística, e possibilitando a geração de trabalho e renda, novos empreendimentos e , por fim, a melhoria da qualidade de vida. O planejamento é um dos principais instrumentos utilizado pelo Estado com finalidade de estimular a atividade turística. Ao pensarmos no processo de planejar devemos associar esta etapa a busca da redução do número possível de alternativas, ou seja, àquelas que melhor se ajustem aos fins propostos e os meios disponíveis. Segundo Vignati (2008, p.100) a relevância do planejamento consiste: Em exercer mútiplas funções entre elas destaca-se que o planejamento é o proncipal instrumento da política de turismo; orienta e define políticas de crédito e incentivo; facilita a integração dos esforços públicos e privados, melhora a eficácia comercail dos destinos turísticos, entre outras funções. No procedimento formal de planejar uma atividade é necessário que todas as partes envolvidas, os stakeholders, estejam atuando. É necessário que todos conheçam na íntegra a missão do sistema, além do dever de acreditar no sucesso do projeto. Assim Petrocchi (2002, p. 97) caracteriza planejamento como instrumento de: 1. Comunicação. Na medida em que divulga o conhecimento da missão do sistema, das premissas de trabalho e dos objetivos operacionais; 2. Racionalização. Quando torna visível o papel que cada um pode e deve dsempenhar; evitando, assim, a tomada de direções conflitantes oua realização de esforços duplicados, aspectos que derrubam a produtividade do todo; 3. Otimização. Ao buscar oportunidades de sinergia, ações compartilhadas e criação de verdadeiro sentido de equipe entre as empresas e as isntituições envolvidas; 4. Motivação. Na medida em que os resultados são contabilizados e os benefícios irrigam todos os compartimentos do sistema. Portanto, nota-se que o planejamento da atividade turística constitui em uma tarefa de muita complexidade, uma vez que envolverá vários aspectos dentre eles destacamos: a ocupação territorial, a sociologia, e à cultura dos núcleos receptores, além das características dos locais emissores e à consequente heterogeneidade dos turistas. Já Ruschmann (2002, P. 113) associa o planejamento turístico ao Estado da seguinte forma: O planejamento dos espaços com potencial turístico é tarefa do Estado que, dewsenvolvê-los, se dê diante de dois objetivos conflitantes: o primeiro, que é o de prover a oportunidade e o acessoa locais para o maior número de de pessoas possível, se contraponto do segundo, de proteger e evitar a descaracterização dos locais pela natureza e a cultura original da população receptora. Não é recomendado refletir sobre a atividade turística sem a aproximação entre as pessoas, e a exclusão deve ser combatida. É preciso incluir física e geograficamente todos os envolvidos na atividade turística. Esta inclusão significará dar lugar à população nativa na sociedade, com direitos, oportunidade e status. Neste processo, o indivíduo deve ser mobilizado a preservar, conservar e buscar sua essência, sua originalidade. Segundo Carlos (1996, p.28), O lugar é, em sua essência, produção humana, visto que se produz na relação entre espaço e sociedade, o que significa criação, estabelecimento de uma identidade entre comunidade e lugar, identidade essa que se dá por meio de formas e apropriação para a vida. Para garantir o envolvimento da comunidade no processo de desenvolvimento deve-se manter a manutenção do meio ambiente, convivendo com a presença do ser humano, o regate de tradições, dos valores dos costumes locais, garantindo,assim, a atratividade turística, e possibilidade a geração de renda e trabalho, novos empreendimentos e, por fim, a melhoria da qualidade de vida. Atualmente a questão ambiental é bem debatida no panorama do fenômeno turístico. E percebe-se que é necessário uma urgência cada vez maior para tratar este assunto de grande relevância. Isto, deve ao fato, que o futuro da humanidade depende de uma relação estabelecida entre a natureza e pela ação do homem nos recursos naturais disponíveis. A autora RUSCHMANN (1997) esclarece de seguinte maneira o seu ponto de visto em relação a educação embiental e o turismo: A educação ambiental para o turismo deverá ser desenvolvida por meio de programas não-formais, convidando o “cidadãoturista” a uma participação consciente do meio ambiente não apenas durante as férias, mas também no codiano e no local de residência permanente. Este trabalho versa também apresentar como o meio ambiente ao ser impactado pela atividade turística pode promover ações que gerem a educação ambiental com finalidade de promover cidadãos mais conscientes e comprometidos com as gerações futuras, ou seja, o desenvolvimento sustentável. Então, segundo NEIMAN; RABINOVICI (2002, P. 146) a educação ambiental pode ser promovida da seguinte maneira: A educação ambiental tem como um de seus objetivos formar cidadãos conscientes de sua relação com a natureza e com seu habitat. Diante disso, conclui-se que ela, independentemente da metodologia, deve primar pela formação de pessoas conscientes de seu papel e de sua relação com o meio ambiente de modo a primarem pela sustentabilidade, através do uso racional dos recursos naturais, para que tanto este quanto as futuras gerações possam também deles usufruir. Quando exercita-se um sentimento de cidadania tal medida ajuda a compreender melhor os anseios do desenvolvimento sustentável. Assim, acredita-se que um projeto de educação ambiental deve fundamentar-se no conjunto de direitos e deveres do cidadão para o exercício de uma soberania coletiva sobre os ecossistemas da biosfera. Segundo Peres (2010) em seu artigo sobre educação ambiental caracteriza o processo de conscientização como: Constitui-se na resolução concreta de abordagem dos problemas ambientais, por meio de enfoques interdisciplinares e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade, como agente fortalecedor da transformação social. A evolução do turismo ao longo dos últimos anos nos possibilita identificar uma grande expansão da atividade, visto que é um dos setores da economia que vem ganhando uma maior visibilidade no cenário da economia mundial. Em uma realidade mais prática a atividade turística deve impulsionar um caráter promocional, contudo é necessário promover a preservação do meio. O turismo quando organizado de uma forma sustentável visará um menor impacto ao meio físico e ao ser humano que estão envolvido nesta atividade. Segundo RUSCHMANN (2002, P. 148) o desenvolvimento sustentável da atividade turística é Um novo direcionamento da atividade e, consequentemente, um grande desafio para os órgãos responsáveis pela preservação ambiental e pelo turismo onde este acontece por meio dos recursos naturais consideráveis existentes. A autora reitera ainda que o desenvolvimento sustentável não acontece em apenas um medida, mas sim por meio de algumas etapas, e afirma que este processo é realizado de maneira gradual , portanto, de extensão territorial menor, pois assim facilitará o acompanhamento e o controle de sua evolução. O conceito de turismo sustentável é destacado no Código Mundial de Ética do Turismo da seguinte maneira no artigo 3: É dever de todos os agentes envolvidos no desenvolvimento turístico salvaguardar o ambiente e os recursos naturais na perspectiva de um crescimento econômico sadio, contínuo e sustentável, capaz de satisfazer equitativamente as necessidades e as aspirações das gerações presentes e futuras. Segundo Petrocchi (2002, p. 111) o desenvolvimento do turismo sustentável pode ser alcançado trabalhando quatro áreas básicas. São elas: 1. Preservação/recuperação do meio natural; 2. Preservação/planejamento/recuperação do meio urbano; 3. Capacitação profissionalização; 4. Conscientização da população. O autor explica as considerações acima refletindo que as duas primeiras áreas são as que compõem a parte física dos sistemas, os ativos intangíveis. Já as duas seguintes o autor considera que sejam intangíveis, como a qualificação dos serviços profissionais e a busca do desenvolvimento da coletividade, onde, afinal, deve ancorar-se o processo no qual denominamos Gestão do turismo. A trajetória para chegar a um visível desenvolvimento da atividade turística em uma determinada localidade é esbarrada em alguns entraves, tais como a educação , o fator econômico, entre outros. Barreto (1996) afirma as seguintes palavras quanto o desenvolvimento da atividade turística. O desenvolvimento do turismo só será possível na medida em que houver uma distribuição de renda que permita que segmentos cada vez mais amplos da população possam viajar. O simples crescimento numérico dos dólares movimentados pelo turismo não significa em envolvimento de maiores da sociedade beneficiaremse do efeito multiplicar, através de melhores salários. O turismo de boa qualidade poderá desenvolver-se à medida que tiver bons recursos humanos, e isso só será possível quando todos os cidadãos tiverem educação e saúde garantidas. A esfera pública deve estar envolvida com a atividade turística, de maneira a contribuir para a melhoria de espaços físicos, criação de empregos, promoção da educação e a formação de recursos humanos, além de maximizar os benefícios da comunidade. O setor público se apresenta no turismo da seguinte forma, para Pearce (1998, p.458): O turismo é um fenômeno multifacetado constituído por inúmeros setores (meios de hospedagem, transportes, atrativos turísticos e infraestrutura) e provido por diversos atores. Muitos dos serviços e facilidades utilizadas pelos turistas são supridas pelo setor privado, mas o setor público, em todos os níveis (nacional, estadual e local) também se envolve no turismo, de maneiras diferentes (tal como planejando, provendo infra-estrutura e realimentando a economia) e por razões diversas (econômica, social/cultural, ambiental e política). A Política Pública é um conceito da economia e da política que designa um tipo de orientação para a tomada de decisões em assuntos públicos, políticos ou coletivos. Para Beni (2006, p. 91) as políticas públicas no turismo pode ser caracterizada No caso do turismo, as políticas devem ser orientações específicas para a gestão diária do turismo, abrangendo os muitos aspectos dessa atividade. Numa visa bem simplista, elas procuram maximizar os benefícios e minimizar possíveis efeitos adversos e, como tal, fazem parte do desenvolvimento planejado de uma região do país, em que é necessário criar, desenvolver, conservar e proteger recursos turísticos. As políticas públicas ao participar do processo de desenvolvimento do turismo objetiva aprofundar as parcerias entre o setor público, o privado, a sociedade civil e o cidadão. Também faz-se importante buscar, por meio das ações, o atendimento aos cidadãos de todas as classes e raízes culturais em suas vivências de lazer. Para Gastal (2007, p. 51) A gestão realizada pelo Poder Público onde a atividade turística está instalada deve estimular o turismo urbano e o lazer, tendo cuidado no manejo do ciclo vital do produto (introdução, crescimento, maturidade e declínio), que é a oferta integral dos atrativos do lugar, as facilidades e as atividades programadas no destino turístico, de maneira que possa compensar a adequada prestação de serviços, à medida que sejam solicitados nas distintas fases do ciclo, já que é inevitável que ocorram altos e baixos na demanda. Portanto, os conceitos de desenvolvimento sustentável, de políticas públicas sólidas, da conscientização da questão ambiental não devem ser entendidos como meros pensamentos, mas, sim relevantes instrumentos e estudos técnicos. Deve-se acreditar que por meio destes conceitos o aperfeiçoamento progressivo da atividade turística aconteça. 3 SUSTENTABILIDADE NO TURISMO Para a Organização Mundial do Turismo – OMT - o turismo sustentável é a atividade que satisfaz às necessidades dos turistas e às necessidades socioeconômicas das regiões receptoras, preservando a cultura e os recursos naturais para as gerações futuras. A OMT acrescenta ainda que deve-se levar em conta a um manejo de todos os recursos, de uma maneira que as necessidades econômicas, sociais e estéticas possam ser satisfeitas enquanto a integridade cultural, processo biológicos essenciais, diversidade biológica e sistemas de suporte a vida sejam mantidos. Para que a comunidade se beneficie com o turismo é preciso que o dinheiro reverta em benefício da cidade. O dinheiro deixado pelo turista deve servir para melhorar a qualidade de vida da população local. Isso podemos conceituar como sustentabilidade: o ambiente sendo preservado e atividade turística trazendo desenvolvimento econômico e social à região e sua comunidade. O conceito de desenvolvimento sustentável não é novo, mas a crescente exploração dos recursos termináveis do planeta e forte pressão sobre a capacidade que o meio ambiente possui fizeram com que a filosofia por uma sustentabilidade fosse reafirmada. O turismo por sua vez, caracteriza importantes componentes para que aconteça uma melhor aplicabilidade do desenvolvimento turístico sustentado. Para Murphy (2001, p. 191), cita entre outros os seguintes componentes • Estabelecimento dos limites ecológicos e de normas mais equitativas: exige a promoção de valores que estimulem padrões de consumo dentro das fronteiras do ecologicamente possível e aos quais todos possam razoavelmente aspirar. • Redistribuição da atividade econômica e realocação dos recursos: o entendimento das necessidades especiais em parte da realização de todo o potencial de crescimento e desenvolvimento sustentável e exige ainda o crescimento econômico em lugares onde essas demandas não estão sendo entendidas. • Conservação dos recursos básicos: o desenvolvimento sustentado não deve colocar em risco os sistemas naturais que garantem a vida na terra: a atmosfera, as águas, os solos, os seres vivos. • Capacidade de carga e rendimento sustentado: os recursos mais renováveis fazem parte de um ecossistema complexo e inter-relacionado, e o máximo rendimento sustentado deve ser definido depois de levar em conta os efeitos da exploração no sistema como um todo. • Máxima redução dos efeitos negativos: O desenvolvimento sustentado exige que os efeitos negativos sobre a qualidade do ar, da água e de outros elementos naturais sejam minimizados de forma a garantir a integridade geral do ecossistema. • Viabilidade econômica: A política ambiental das grandes corporações e uma extensão da administração da qualidade total. • Supervisão ambiental: Um sistema de supervisão ambiental eficiente está no cerne da boa administração ambiental. • Acesso mais equitativo aso recursos e intensificação de iniciativas tecnológicas para utilizá-los de modo mias eficiente: O crescimento não tem limites estabelecidos em termos de população ou de utilização de recursos, acima dos quais está o desastre ecológico...Mas existem limites definitivos, e a sustentabilidade exige que, muito antes que estes sejam atingidos, o mundo deve garantir um acesso equitativos aos recursos limitados e reorientar as iniciativas tecnológicas para aliviar a pressão. A sustentabilidade no turismo é apresentada como fonte de um novo direcionamento que a atividade vem tomando, e consequentemente, um grande desafio para os órgãos responsáveis pela preservação ambiental. Segundo o autor France (1997) O desenvolvimento do turismo com base nos critérios de sustentabilidade deve: ser ecologicamente suportado e economicamente viável, simultaneamente; distribuir equitativamente seus benefícios; observar a ética e ser socialmente aceito pela comunidade receptora; integra-se com todos os aspectos do ambiente, de modo a respeitar áreas frágeis e a capacidade de suporte das áreas visitadas; incentivar a participação de todos os atores envolvidos, pois a conservação da herança cultural e natural envolve cooperação, planejamento e manejo e estar integrado a economia local e promover a melhoria da qualidade de vida das comunidades receptoras. A sustentabilidade deve ser entendida como princípio estruturador de um processo de desenvolvimento centrado na eficiência econômica, na diversidade cultural, na proteção, na conservação do meio ambiente e na equidade social. A Tourism Canadá (1990,p.3) afirma que a sustentabilidade do turismo pode ser considerada por meio de um fator que Permite o gerenciamento de todos os recursos de modo a atendermos a necessidades econômicas, sociais e estéticas, preservando ao mesmo tempo a integridade cultural os processo ecológicos essenciais, a diversidade biológica e os sistemas de apoio a vida . Portanto, o desenvolvimento é uma das excelentes maneiras de realizar o progresso da atividade turística em uma determinada região. Logo, a preservação e a conscientização da população nativa são ações básicas para a concretização desse processo de sustentabilidade. 3.1 OS ASPECTOS AMBIENTAIS NO PROCESSO DA SUSTENTABILIDADE TURÍSTICA O Brasil tem uma legislação muito boa que favorece a atividade turística. O turismo deve buscar sempre um relação sustentável entre o meio ambiente e ação do homem. De fato é preciso impulsionar cada vez mais o engajamento das pessoas nas causas ambientais, qualquer que seja esta causa, para assim minimizarmos os problemas que vem acontecendo com a natureza. A participação dos vistantes neste processo de conscientização é importante, pois coma participação direta, o visitante torna-se mais um a atuar na causa da preservação do meio ambiente. Com isso teremos o efeito multiplicador que proporcionará uma fortalecimento ainda maior do turismo. A sustentabilidade diz respeito, também e principalmente, a um padrão de organização de um sistema que se mantém ao longo do tempo. Percebe-se que um sistema é sustentável ao perceber nele a durabilidade, ou seja, quando o sistema é capaz de auto-organizar-se, de se reproduzir. Pode-se considerar o o ambiente a base dos recursos naturais e culturais e qualquer atividade socioeconômica, em especial o turismo, depende da qualidade e da proteção do meio ambiente a longo prazo. Ceballos-Lascurain (1996) define meio ambiente da seguinte maneira: Define-se meio ambiente como todas as condições, circunstâncias e influências que cercam e afetam o desenvolvimento de um organismo ou grupo de organismos. A relação entre o turismo e o meio ambiente é muito próxima, pode ser mensurada como uma relação de dependência. Toda e qualquer atividade turística para realizar-se necessitará de um ambiente para acontecer, e este ambiente ainda que em menor ou maior proporção sofrerá uma descaracterização do seu status original por motivo da ação humana. Segundo o SEBRAE – Série Desenvolvendo o Turismo (2002,p.25), o impacto ambiental promoverá negativamente a ação humana produzida em meio natural, trazendo, assim, alterações bruscas no meio ambiente, principalmente aquelas alterações provocadas por novas atividades econômicas. As práticas ambientais devem andar em um linear comum da atividade turística. Carlos Minc, ex-Ministro do Meio Ambiente do Brasil (2009,p280), afirma que O turismo deve ser sustentável em todas as suas praticas quer seja nas cidades, quer seja na natureza. O turismo e o meio ambiente devem buscar cada vez mais uma unidade. Nessa relação é preciso incentivar ainda em maior escala a participação comunitária no processo de desenvolvimento do setor turístico. Pois assim, além de uma maior descentralização da atividade e geração de empregos nestas comunidades o turismo terá ainda mais valor agregado na sua indústria. Cada vez mais aumenta o interesse dos turistas pela busca de espaços naturais para a promoção da prática da atividade turística, concomitante a isso tem aumentado a preocupação sobre os impactos que a atividade pode gerar. Esta preocupação dá-se ao fato de que grande parte das áreas procuradas são frágeis, finita e possuem um valor conservacionista. Outro fator fundamental para a proteção dos recursos naturais é a promoção do envolvimento comunitário, principalmente em áreas protegidas. Dificilmente será possível proteger as unidades de conservação sem que seja formado um grupo de usuários ou visitantes que as conhecem, entendem seu valor e estão dispostos a defender suas áreas. RUSCHMANN fala um pouco sobre este equilíbrio afirmando que O equilíbrio é necessário para que o desenvolvimento da atividade turística beneficie a conversação ambiental, as comunidades receptoras e os turistas envolve, necessariamente, um planejamento multissetorial. Este planejamento deverá considerar que a conservação de recursos naturais do valor paisagístico notável deve atentar para o fato de que o meio ambiente é considerado patrimônio público e o aspecto da sua conservação ecológica deverá estar equilibrado com o uso comum pelo povo. Assim, considera-se que o equilíbrio entre natureza e fenômeno turístico, onde a primeira constitui matéria-prima para o segundo, necessita ser regulado e disciplinado. Uma relação harmônica entre turismo e meio ambiente é muito importante, então, Pearce & Turner destaca-se Aquele que pretende maximizar e otimizar a distribuição dos benefícios que a atividade turística pode oferecer, baseado no estabelecimento e na consolidação das condições de segurança sob as quais se manterão os serviços turísticos, a fim de que os recursos sejam mantidos, restaurados e melhorados dentro de um futuro previsível. Neste sentido, acredita-se que práticas inovadoras, um sentimento de cooperação entre todos os envolvidos no sistema turístico serão uma alternativa para conseguir uma atividade mais promissora quanto ao compromisso na causa do meio ambiente. Além disso, tornará a atividade economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente sadia e sustentável. Então, ao considerar a relevância dos aspectos ambientais será produzido uma evolução do desenvolvimento da sustentabilidade do turismo. 3.2 A ATIVIDADE TURÍSTICA E OS EFEITOS AMBIENTAIS (IMPACTOS POSITIVOS E NEGATIVOS) A compreensão do meio ambiente pode levar a ações transformadoras, mas para que isso aconteça é muito importante promover uma participação dos stakeholders do processo da atividade turística de forma ativa e não somente observadora. O meio ambiente já há décadas vem se degradando, mas como atualmente os meios de comunicação divulgam e discutem esta realidade, parte dos turistas está se tornando mais sensível aos problemas de degradação ambiental. Esta degradação representa perda de qualidade. De fato, o turismo, tem o potencial de colaborar com a proteção e a conservação do em ambiente e também com a consequente melhoria e manutenção da qualidade de vida das comunidades receptoras. É necessário muito empenho e trabalho para que o impacto realizado pelo turismo seja sempre o mínimo possível. Pois os benefícios que se encontram com a instalação do turismo será proporcional ao esforço empregado. Nas regiões onde turismo já faz-se presente poderá perceber os impactos, sejam eles positivos ou negativos, por meio da elaboração e implementação do Plano de Monitoria e Avaliação. Há diversas formas do turismo contribuir para a conservação e proteção do meio ambiente, ou seja, impactando de forma positiva. Dentre elas, podemos citar: 1. Aumento no investimento para a conservação e manutenção do ambiente visitado. Por meio de contribuições financeiras diretas, resultantes de vendas de serviços, compra de ingressos, entre outros. Uma parte deve ser investida na conservação e manutenção do meio ambiente visitado; 2. Melhorias na condições ambientais do destino aliada à melhoria da infraestrutura básica da localidade, como sistemas de saneamento, de transporte,de saúde, trazendo benefícios para a população local. Os recursos para efetuar estas melhorias podem vir por meio de contribuições financeiras indiretas, como pagamento de impostos. 3. Geração de emprega e renda. Em áreas naturais, as oportunidades que o turismo oferece podem ajudar a diminuir a pressão sobre o uso no sustentável. O turismo produz impactos em diversos segmentos da economia empregando em sua cadeia desde mão-de-obra qualificada, mas áreas de tecnologia até em área de menor qualificação, tanto no mercado formal quanto informal. 4. Conservação, preservação, proteção e recuperação dos ambientes naturais. O turismo pode agregar valor às áreas naturais. Podemos citar o caso das Unidades de Conservação - UC. O poder público e os empresários podem melhorar a qualidade do serviço nestes lugares (UC). Então, percebe-se que com a ação integrada entre o Poder Público, iniciativa privada,a sociedade civil e o terceiro setor o turismo poderá acontecer de maneira mais competitiva. Ações como a sensibilização dos turistas para as questões ambientais ajudará no fortalecimento da qualidade ambiental do destino turístico. Em contra ponto aos aspectos positivos notamos que os aspectos negativos são numerosos e sua visibilidade é ainda maior. Faz-se necessário notar que qualquer ação que seja terá consequências no ambiente natural, ou seja, muitos aspectos negativos sejam eles socioculturais ou econômicos. A exemplificação deste impacto podemos notar pelo seguinte exemplo: Quando o Turismo não é bem planejado e não realiza aspectos de inclusão social promoverá uma descaracterização original de uma comunidade tradicional. Entre outros aspectos ambientais negativos podemos citar: 1. Ampliação da demanda pelos recursos naturais disponíveis, que pode gerar competição com a população local pelo uso de recursos e consequentemente a degradação destes. 2. Poluição em todas as suas formas. O turismo pode causar poluição em diversas maneiras. São elas: emissão de gases através dos meios de transporte; lançamento de óleo na água, por lanchas, iates; poluição sonora,pela utilização de aparelhos de som, pelo excesso de pessoas visitando um local, entre outros. 3. Uso excessivo dos recursos. Exemplo: quando ocorre um número excessivo de visitas em um determinado atrativo natural muito frágil. 4. Desenvolvimento além do esperado, aglomeração e congestionamento. Falta de estudos, fiscalização e monitoramento da capacidade de suporte. Este desrespeito à capacidade em áreas naturais pode gerar destruição da vegetação, erosão de trilhas, entre outros problemas. Portanto, os impactos devem estar sempre controlados e mesurados. O turismo deve promover ativamente ações que despertem interesse na conservação, revitalização, conscientização e recuperação dos recursos naturais e buscar resultados econômicos com ética, contribuindo para a promoção da justiça social e a valorização das culturas locais. 4 O FENÔMENO DO TURISMO E A ABORDAGEM AMBIENTAL A importância que o turismo vem adquirindo com o passar dos anos nos leva também, obrigatoriamente, cada vez mais pensarmos em melhorias para que nos possibilite continuar a desfrutar deste prazer, que é a prática do turismo. Daí o papel fundamental de uma consciência ambientalista, assim como também a promoção do bem-estar das populações, residentes no local. A partir do momento em que uma atividade é colocada em serviço de uma determinada região, esta deve, necessariamente, incluir de forma sustentável as populações que ali vivem e, primordialmente, aquela que retira sua necessidade naquele ecossistema. O panorama da abordagem da Educação Ambiental para os praticantes da atividade em qualquer segmento do turismo, assim como para as sociedades ali incluídas deve ser analisada e praticada de uma forma distinta da tradicional Educação Ambiental que é praticada nas escolas ou parques recreativos. Claro que elas não são excludentes, mas a Educação Ambiental praticada em um parque ecoturístico, por exemplo, deve conter diretrizes diretamente ligadas à problemática local ali estabelecida, É que os problemas ali existentes podem ser endêmicos da região. O visitante não pode, de maneira nenhuma, aventurar-se ecologicamente, sem ter a mínima informação, conscientização, comportamento, conhecimento, habilidade e participação sobre a dinâmica local e as relações humanísticas e culturais da região. A dimensão ambiental no turismo deve envolver os elementos que o compõem e, também com o meio. Assim, teremos uma discussão onde o ambiente seja estudado como ecossistema integrado e o homem sendo caracterizado como um elemento importante e válido dentro do ecossistema. Franco (2000, p. 55) comenta a relevância da relação entre questão ambiental e turismo gerando sustentabilidade da seguinte maneira Um sistema será sustentável na medida da sua flexibilidade e de sua diversidade. O papel da diversidade está estreitamente ligado com a estrutura em rede do sistema. Um sistema diversificada será flexível, pois contém muitas partes com funções sobrepostas que podem, parcialmente, substituir umas das outras. Já RUSCHMANN (2002, p. 98) assiste a busca do equilíbrio entre turismo e meio ambiente da seguinte forma O equilíbrio é necessário para que o desenvolvimento da atividade beneficie a conservação ambiental, as comunidades receptoras e os turistas. Este equilíbrio entre natureza e o turismo precisa ter uma regulamentação e uma maior disciplina. Ou seja, o turismo (visitantes, moradores) necessitam ter um relacionamento harmonioso que vise a conservação ambiental. 4.1 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E CIDADANIA COMO GERADORES DE DESENVOLVIMENTO Entende-se por educação ambiental o processo pelo qual o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente. Este mecanismo de educação ambiental deve ser um processo permanente de aprendizagem. Ele deve ser baseado no respeito a todas as formas de vida, afirmando valores e ações que contribuem para a transformação humana e social e para a proteção ambiental. Estimula a formação de sociedades socialmente justas e ecologicamente equilibradas, que conservam, Os Ministérios do Meio Ambiente – MMA e Ministério da Educação – MEC, atualmente coordenam o Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA, que tem por finalidade atender ao preconizado pela Constituição Federal do Brasil, à promoção pelo poder público da educação ambiental em todos os níveis de ensino e à conscientização pública para a conservação do meio ambiente. Segundo Rodrigues (2003, P. 88-89) este tipo de programa É uma experiência inovadora na área de educação ambiental no Brasil. Essas iniciativas têm contribuído significativamente ao estimular a reflexão e apontar soluções para os problemas enfrentados por comunidades tradicionais, promovendo uma participação social e considerando valores e comportamentos particulares de diversas culturas que compõem nossa sociedade em processos decisórios relacionados ao turismo e a qualidade de vida. No entanto, o processo de educação ambiental como sendo um dos vetores para a prática do turismo sustentável precisa lidar ainda com algumas realidades e desafios. Dentre os quais encontramos: alto grau de informalidade da atividade turística; falta de conhecimento de normas e critérios legítimos. Assim, acredita-se que a população local deve em todos os momentos envolver-se. Pois entende-se que o desenvolvimento gera transformação social. Gastal, Moesch (2007) O turismo propõe valorizar os recursos naturais e culturais , desenvolvendo maior sentimento de pertencimento e, conseqüentemente, elevando seu grau de cidadania. A postura cidadã leva as pessoas a se tornarem protagonistas nos processos de decisão sobre o tipo de turismo e de turistas com os quais dispostos a compartilhar seu próprio espaço de vivência. O caminho para o envolvimento acontece, por meio de estímulo de ações que possam acompanhar e monitorar o que acontece no desenvolvimento da atividade turística. Dentre essas ações destacam-se: • Estimular o respeito à legislação ambiental vigente. • Conservar o ambiente natural e sua biodiversidade. • Considerar o patrimônio cultural e os valores locais. • Promover a revitalização da localidade. Portanto, a idéia de educação ambiental em uma localidade promoverá em desenvolvimento socioambiental. Para que a comunidade local se sinta motivada a participar do contexto do turismo, os agentes ou gestores devem estimulá-la a mostrar o seu valor, resgatar e priorizar a preservação dos costumes e da cultura local, em um verdadeiro processo de cidadania. Segundo Coriolano (2002) A preservação e a conservação dos hábitos e costumes da comunidade local; a inclusão da comunidade local nos processos de planejamento e execução do turismo deve acontecer para atingir a sustentabilidade do turismo. Pois, com essa valorização da comunidade local a qualidade de vida, a segurança e outros fatores serão beneficiados. O envolvimento da comunidade é considerado uma das ações fundamentais para o desenvolvimento da atividade turística, tendo em vista que este desenvolvimento só acontecerá caso a comunidade conheça, valorize e passe a respeitar o seu patrimônio. Tendo em vista que a atividade turística deve oferecer um trabalho contínuo, sugerimos que ocorra uma permanente mobilização da população. Logo, o turismo poderá ser uma oportunidade de desenvolvimento quando utilizado de forma consciente, enfatizando os valores locais, tendo em vista que o turismo é mais uma alternativa de desenvolvimento de uma cidade ou região, principalmente no que diz respeito ao resgate de sua história e cultura. Barreto (2000) constata que Preservar significa proteger, resguardar, evitar que alguma coisa seja atingida por alguma outra que lhe possa ocasionar dano. Conservar significa manter, guardar para que haja uma permanência no tempo. Desde que guardar é diferente de mantêlo estático e intocado, ao passo que conservar implica integrá-lo no dinamismo do processo cultural. Isso pode, às vezes, significar a necessidade de ressemantização do bem considerado patrimônio. Neste resgate da identidade e, além de ações que auxiliem no processo da promoção da cidadania a população passará a dar mais valor ao seu patrimônio. Isto acontecerá visto que ela passará a conhecer algo que antes não sabia, não vivia.. Assim, a conservação do espaço será realizada uma vez passará a representar o local de sua origem. Para Melo (2008) A identidade nos diz sobre nós mesmos. Diz a nós e aos outros. Existem dois aspectos interessantes na identificação: uma afirmação e uma negação. Identificar-se é um jeito que a pessoa ou local tem de afirmar o que é, mas também é um jeito de afirmar o que não é. Ao identificar-se a pessoa ou local estabelece uma autenticação, mas também uma separação. A identidade é parte integrante de uma sociedade, em grande parte moldada por sua história e por seu inconsciente e implica pertencer a uma comunidade imaginada, cujos membros não se conhecem, mas partilham importantes referências comuns: mesma história e tradição (Barreto, 2000). A identidade, posta como identificação, consegue aproximar-se o que chamamos de cidadania, ambas em um conjunto relativamente coeso de características, buscando ser amparadas em normas legais e políticos-institucionais. Ao associarmos a cidadania à atividade do turismo, encaminharia-se outras possibilidades de construção de sujeito, cidadão. Onde este deve participar plena e ativamente no processo de tomada de decisão, além de impor uma maior exigência sobre as políticas. A participação, entretanto, só se dará se os sujeitos compreenderem e dominarem os processos envolvidos e a realidade concreta onde elas se dão. E segundo Demo (1992, p.17), devemos compreender cidadania como Um processo histórico de conquista popular, através do qual a sociedade adquire, progressivamente, condições de tornar-se sujeito histórico consciente e organizado, com capacidade de conceber e efetuar processo próprio. O contrário significa condição de massa marginalização. de manobra, de periferia, de Quando pensamos no turismo não devemos somente pensar sob o olhar de visitante, mas também daqueles que residem no local. Assim, seria um excelente passo para a construção de um novo aspecto no turismo, o de turista cidadão. Marutschka Moesch (2007, p. 65) gestora deste novo conceito explica isso da seguinte forma O turista cidadão é aquele morador da localidade que vivencia as práticas sociais, no seu tempo rotineiro, onde é provado em relação à cidade. Turista cidadão é aquele que resgata a cultura da cidade, fazendo uso do estranhamento da mesma. Este estranhamento inicia no momento em que o individuo descobre, no espaço do cotidiano, outras culturas, outras formas étnicas e outras oportunidades de lazer e entretenimento. Assim conclui-se que a cidadania, quando relacionada a sua contribuição para a formação de um cidadão, será um fenômeno da área de educação em parceria com área cultural podendo ainda envolver a questão ambiental, o que ocasionaria o desenvolvimento. 4.2 POLÍTICAS PÚBLICAS NO TURISMO Com a criação do Ministério do Turismo, em 2003, no primeiro mandato do presidente Lula e a implementação do Plano Nacional de Turismo (PNT), documento que registra as políticas para desenvolvimento da atividade turística no país, o governo brasileiro vem focando o aprimoramento de políticas públicas que visem ao processo de inclusão da atividade. Pereira (2007, p.19) destaca como função do Estado: Agente fomentador coordenador no que diz respeito à participação de outros órgãos do governo, da sociedade civil organizada e do setor privado, com objetivo claramente definido de recuperação psicofísica e de ascensão sociocultural e econômica dos indivíduos O Estado ao visar o desenvolvimento do turismo vem cada vez mais criando políticas públicas. No Código Mundia de Ética do Turismo no artigo 1º (item 04) se observa As autoridades públicas têm como por missão assegurar a proteção dos turistas e vistantes, bem como dos seus bens; devem conceder atenção especial à segurança dos turistas estrangeiros, por causa da sua particular vulnerabilidade; disponibilizar meios específicos de informação, de prevenção, de proteção, de seguros de assistência, correspondendo às necessidades deles[...] É de conhecimento de todos que a Organização Mundial do Turismo – OMT tem recomendado reiteradamente aos países que dela são membros que estabeleçam planos e projetos que busquem desenvolver o turismo como forma de inclusão social, distribuição de renda, preservação ambiental e valorização cultural. No Brasil, Plano Nacional de Turismo 2007 – 2010 – uma viagem a inclusão afirma que O Ministério do Turismo – Mtur foi instituído com a missão de promover o desenvolvimento do turismo como agente de transformação, fonte de riqueza econômica e desenvolvimento social, por meio da qualidade e da competitividade dos produtos turísticos da ampliação e melhoria de infra-estrutura e da promoção comercial do produto turístico brasileiro no mercado nacional e no exterior. Como base no Programa de Qualficação a Distância para o Desenvolvimento do Turismo: formação de gestores das políticas públicas do turismo (2007, p. 114116), é possível afirmar que os Estados Brasileiros estão aptos para desenvolver as ações que lhe são inerentes dentre as quais se destacam: → Primar pela ética e justiça social em turismo. Não buscar somente o lucro financeiro acima de tudo, mas sim incentivar as ações de justiça social. → Elaborar o planejamento turístico. Pois, sem planejamento turístico não há como estabelecer formas confiáveis de desenvolvimento do turismo no Estado. Há muito tempo “o achismo” e decisões baseadas no senso comum foram substituídas no turismo por pesquisas científicas, estudos de mercados, estratégias de marketing e ações fundamentalmente em conhecimento construídos por especialistas. → Financiar empreendimentos turísticos. Os Estados podem criar linhas de crédito direcionadas para o pequeno ou médio empreendedor que deseja investir no turismo. Os juros e correções do financiamento podem ser atrativos e empreendimentos podem ser isentos de impostos até que se estabeleça completamente. → Primar pelo não comprometimento de características culturais e nacionais. Empreendimento que modiquem a fauna, a flora, as paisagens naturais e levem a descaracterização das culturas locais devem ser proibidos pelos estados federados. → Auxiliar na pesquisa, organização e interpretação de dados turísticos. Pode ser criado um organismo estatal existente, que seja responsável pela criação de modelos estatísticos para a correta interpretação e organização dos dados referentes ao turismo. → Estabelecer políticas de turismo locais. Tendo em vista as diretrizes e encaminhamentos do Plano Nacional de Turismo – PMN e dos dados do turismo em seu território. → Implantar infraestrutura básica e turística. De acordo com as ações e estratégias indicadas no planejamento turístico, o Estado deve direcionar, em seu orçamento, recursos para a viabilização de novos atrativos ou aperfeiçoamento de atrativos já existentes. → Apoiar projetos visando o estabelecimento e fortalecimento dos fluxos turísticos internos. A política servirá para nortear as tomadas de decisão que serão provenientes de ações, tanto de caráter público ou privado, com a finalidade de atingir objetivos específicos. Contudo, o turismo não atingirá o seu desenvolvimento, se as ações privadas e públicas forem feitas de maneira isoladas. Na sua essência as políticas públicas estarão voltadas para multiplicar os benefícios sociais e já as ações priorizadas pelo setor privado se voltarão para a maximização dos lucros, o crescimento econômico. É bastante interessante que haja uma cooperação entre o setor público e privado que vise ao desenvolvimento do vetor turístico, tanto no âmbito econômico quanto social. Portanto, considera-se que as políticas públicas de turismo são como um vetor inclusivo na sociedade. E, entende-se ainda que o papel do Estado, nesse caso, é ser um agente fomentador e coordenador no que diz respeito à participação de outros órgãos do governo, da sociedade civil organizada e do setor privado. O Estado tem por dever fomentar a ascensão sociocultural, ambienta e econômica dos indivíduos. 5 A ATIVIDADE TURÍSTICA BASEADA EM UM PLANEJAMENTO CONSCIENTE Quando pensa-se em planejamento está pensando em um processo antecipado as ações de um determinado projeto. Ou seja, é decidir antecipadamente o que deverá ser feito. O planejamento deve ser caracterizado com uma linha de ação preestabelecida. Quando trazemos esta etapa (planejar) para associar a atividade turística percebe-se que é uma tarefa bastante complexa, pois envolve aspectos relativos a ocupação territorial, economia, sociologia e à cultura dos núcleos receptores. Idalberto Chiavenato (1987) considera que O planejamento costuma figurar como a primeira função administrativa, por ser exatamente aquela que serve de base para as demais. O planejamento é uma função administrativa que determina antecipadamente o que deve fazer e quais os objetivos que devem ser atingidos. Considera-se então, o ato de planejar um modelo teórico que tem por finalidade uma ação futura. Esta ferramenta visa ainda dar condições para que o sistema seja organizado e dirigido a partir de certas hipóteses acerca da realidade atual e futura. Para RUSCHMANN planejamento relacionado ao turismo é Uma tarefa do Estado que, para desenvolver os espaços com potencial turístico encontra-se diante de dois objetivos conflitantes. São eles: o primeiro, que é o dever a oportunidade e ao acesso a esses locais para o maior número de pessoas possível, se contrapondo o segundo, de proteger e evitar a descaracterização dos locais privilegiados pela natureza e a cultura original da população receptora. O turismo implica não apenas em dinheiro circulando, equipamentos sendo construídos e serviços de apoio sendo administrados. Implica pessoas se deslocando, comunidade recebendo. Assim, BARRETTO (2000, P. 13) acredita que Um bom planejamento de turismo requer uma profunda pesquisa social, em que toda e qualquer tentativa de neutralidade seria um desrespeito para com os sujeitos que necessariamente fazem parte do processo.. Assim, deve-se ter no planejamento pessoal especializado e técnicos profissionais. O planejamento integrado visando o desenvolvimento turístico vem sendo proposto por diversos autores. Neste trabalho, destacaremos BENI (1987) em sua tese de doutorado, quando o mesmo propõe o Sistema do Turismo – Sistur. Onde ele conceitua sistema como sendo O conjunto de procedimentos e doutrinas, idéias e princípios, logicamente ordenados e coesos, com intenção de descrever o funcionamento da atividade turística como um todo. Neste caso o autor situa o turismo de uma forma bastante abrangente, complexa e multi usual em um esquema sintetizados e dinâmico. Este modelo teórico referencial proposto por Beni sugere a a a análise e integração dos seguintes conjuntos: • relações ambientais que envolvem os seguintes subsistemas: ecológico, social, econômico e cultural; • organização estrutural que envolve a superestrutura e a infra-estrutura; • ações operacionais que envolvem, no mercado, a oferta e a demanda relacionadas com a produção e o consumo, respectivamente. Encontramos ainda outros autores que definem planejamento com conceitos equivalentes e que, no nosso entender, complementam-se: • Sistema de idéias organizado para determinar mentalmente o que fazer na realidade depois de examinadas as circunstâncias concorrentes; • processo de determinação de objetos e meios para sua consecução; • modelos normativos de teorias operacionais; • mecanismos orientados para o futuro; • projeto de um futuro desejado e dos meios efetivos para torná-lo realidade. Portanto, planejamento é uma atividade que não deve ser considerada como algo estático e sim, bastante dinâmico. Onde, muitos são os fatores concomitantes que têm de ser coordenados para se alcançar um objetivo que está em outro tempo. Processo este que além de dinamismo irá ser marcado também por uma constante revisão, uma correção de rumo, pois exige um repensar constante, mesmo após a concretização dos objetivos. 5.1 TURISMO RESPONSÁVEL E CONDUTA CONSCIENTE A compreensão e a promoção dos valores éticos comuns à humanidade, num espírito de tolerância e de respeito pela diversidade das crenças religiosas, filosóficas e morais, são ao mesmo tempo fundamento e consequência de um turismo responsável; os atores do desenvolvimento turístico e os próprios turistas devem ter em conta as tradições ou práticas sociais e culturais de todos os povos, incluindo as das minorias e populações autóctones, reconhecendo a sua riqueza (Código Mundial de ética do Turismo, Artigo 1º – item 1). O turismo pode ser considerado uma atividade que promove um verdadeiro aprendizado prático sobre o que fora vivenciado na viagem. Para facilitar na promoção de um turismo responsável o indivíduo deve buscar ter conhecimento sobre o atrativo. E, além disso é importante que o visitante receba, receba antes do início da atividade, maiores informações sobre a conduta esperada. Assim, podemos perceber a prática da responsabilidade ao realizar a atividade turística por simples situações. A responsabilidade no turismo em muitas oportunidades associada a educação ambiental. Logo, algumas ações básicas de responsabilidade, entre elas estão: • Não retirar nada da natureza como recordação; • não cortar árvores, galhos ou abrir novas trilhas; • carregar o lixo, mesmo quando se tratar de matéria orgânica; • observar o comportamento dos animais mantendo uma distância apropriada. Nota-se que o turismo atualmente passa por uma realidade caracterizado por uma nova mentalidade, na qual se discute o controle do turismo de “massa” e o desenvolvimento de outras formas de turismo, como exemplo o “responsável”. Este tem como uma dos objetivos a apregoar a conservação da autenticidade dos meios naturais e das comunidades receptoras para as gerações futuras. Entre outras características do turismo responsável podemos notar segundo RUSCHMANN (2002, p. 100) As comunidades receptoras deverão ser conscientizadas da importância da atividade turística em si e da conservação da autenticidade dos recursos naturais, pois deles depende o futuro turístico da localidade e, consequentemente, as suas oportunidades e de emprego e complementação de orçamento doméstico. Existem algumas relevantes soluções comportamentais que que auxiliam no processo de proteção ao meio ambiente. Desta forma ainda que a atividade turística seja instalada a mesma terá uma impacto menor. Weiner & Doescher (1991) comenta estas soluções comportamentais da seguinte maneira As soluções comportamentais para proteção do meio ambiente, assim ocasionando uma maior responsabilidade ao realizar a atividade do turismo são identificadas por meio de condições sob as quais os agentes individuais de desenvolvimento restringem voluntariamente o uso de bens públicos, sem coações ou obrigações externas, controlando seus ímpetos de desenvolvimento. Estas soluções envolvem valores tais como o altruísmo, a confiança, a consciência, a responsabilidade social e a comunicação. Assim, entende-se que o turismo em todos as suas fases deve adotar práticas de mínimo impacto sobre o ambiente natural. Deve monitorar efetivamento os impactos, de forma que contribui para a manutenção das dinâmicas e dos processos naturais, além do contexto social e econômico já existente. Algumas ações poderão ser realizadas, visando à prática de um turismo mais consciente. Estas ações tem um contexto de preservação e valorização cultural, como, • Disponibilizar informações sobre a história e cultura local; • promover entendimento e valorização do patrimônio pela comunidade que pode desenvolver trabalhos educativos com os turistas e cobrar deles uma postura de respeito; • incutir a compreensão do turismo cultural como um meio de promoção do patrimônio. Desta forma, a implementação de ações que estimulem hábitos mais responsáveis e conscientes no turismo, fará com que o indivíduo busque a melhoria de suas condições de vida contribuindo, assim, para o desenvolvimento do turismo. 6 CONCLUSÃO Após analisar a crescente relevância que é dada à preservação e à valorização do patrimônio, além da questão da educação ambiental e aspectos de cidadania por meio da atividade turística, ficou muito claro que o fenômeno turístico deve relacionar-se ativamente com práticas sustentáveis, para que seja considerado, uma atividade capaz de promover a transformação na sociedade. Logo, é necessário criar políticas públicas eficazes que fundamentem o planejamento do turismo. Assim, o Estado, na promoção destas políticas, incentivará a valorização das culturas, tornando os destinos mais aptos para receberem os turistas. Contudo, ao inserir a atividade turística em determinada área é inevitável não impacta-lá. Os impactos negativos são inúmeros. Nota-se que qualquer ação tem consequência no ambiente natural, e essa consequência está inserida no ambiente sociocultural e econômico, sempre nociva ao meio ambiente. Fica muito marcante quando percebemos a descaracterização de uma comunidade tradicional, cuja implantação da atividade turística foi gerida sem planejamento. Por isso, por meio desta pesquisa fica confirmado que o planejamento é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento turístico equilibrado e em harmonia com os recursos físicos, culturais e sociais das regiões onde o turismo se instala. Assim, neste trabalho ficou evidenciado que a nova prática do turismo aponta para uma administração moderna. Ou seja, de longo prazo e com uma postura responsável diante da integridade do meio ambiente como um todo – que encontra o desenvolvimento sustentado do turismo o caminho da consolidação da atividade, e da lucratividade dos investimentos realizados no setor. Percebemos, na pesquisa realizada, que o turismo serve como uma ferramenta capaz de contribuir com a conservação do meio ambiente. Assim fica notoriamente percebido o quanto o turismo é capaz de ser uma atividade transformadora. Tendo analisado o turismo no contexto do seu desenvolvimento, percebemos que a sustentabilidade é ainda um foco muito recente. O turismo, visa a ampliar a participação efetiva da comunidade no processo da gestão permitindo-lhe, expressar interesses, necessidades, expectativas e sugestões, para que colabore com a implementação de um projeto comum a todos. Destacamos a necessidade de dar uma maior relevância a questão da educação ambiental por parte da academia, estimulando que aconteçam mais estudos nas diversas áreas do saber, como: sociologia, ciências sociais e ambientais, visando a estimular e apoiar, além de acompanhar o desenvolvimento deste tipo de prática. Notamos ainda que o aprofundamento nestes estudos por parte da academia pode estimular a formulação de políticas públicas que contribuam para o progresso da conscientização da questão ambiental como vetor de desenvolvimento da atividade turística. Para que haja o aumento da disseminação da importância da educação ambiental na localidade onde o turismo se hospeda é necessário o fortalecimento de parcerias entre o poder público e privado, um processo contínuo de capacitação, encontros de sensibilização para os moradores locais, entre outras ações sugeridas para o desenvolvimento da Questão Ambiental. REFERÊNCIAS BARRETTO, Margarita. Planejamento e organização em turismo. Campinas, Papirus, 1996. BARRETTO, Margarita. Turismo e legado cultural. Campinas: Ed Papirus, 2000. BENI, Mario Carlos. “Sistema de turismo: Construção de um modelo teórico referencial para aplicação da pesquisa em turismo”. São Paulo, ECA/USP, 1987 (Tese de Doutorado) CARLOS, Ana Fani A. 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A educação ambiental deve envolver uma perspectiva holística, enfocando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar. 6. A educação ambiental deve estimular a solidariedade, a igualdade e o respeito aos direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e interação entre as culturas. 7. A educação ambiental deve tratar as questões globais críticas, suas causas e interrelações em uma perspectiva sistêmica, em seu contexto social e histórico. Aspectos primordiais relacionados ao desenvolvimento e ao meio ambiente, tais como população, saúde, paz, direitos humanos, democracia, fome, degradação da flora e fauna, devem ser abordados dessa maneira. 8. A educação ambiental deve facilitar a cooperação mútua e eqüitativa nos processos de decisão, em todos os níveis e etapas. 9. A educação ambiental deve recuperar, reconhecer, respeitar, refletir e utilizar a história indígena e culturas locais, assim como promover a diversidade cultural, lingüística e ecológica. Isto implica uma revisão da história dos povos nativos para modificar os enfoques etnocêntricos, até de estimular a educação bilíngüe. 10. A educação ambiental deve estimular e potencializar o poder das diversas populações, promover oportunidades para as mudanças democráticas de base que estimulem os setores populares da sociedade. Isto implica que as comunidades devem retomar a condução de seus próprios destinos. 11. A educação ambiental valoriza as diferentes formas de conhecimento. Este é diversificado, acumulado e produzido socialmente, não devendo ser patenteado ou monopolizado. 12. A educação ambiental deve ser planejada para capacitar as pessoas a trabalharem conflitos de maneira justa e humana. 13. A educação ambiental deve promover a cooperação e o diálogo entre indivíduos e instituições, com a finalidade de criar novos modos de vida, baseados em atender às necessidades básicas de todos, sem distinções étnicas, físicas, de gênero, idade, religião, classe ou mentais. 14. A educação ambiental requer a democratização dos meios de comunicação de massa e seu comprometimento com os interesses de todos os setores da sociedade. A comunicação é um direito inalienável e os meios de comunicação de massa devem ser transformados em um canal privilegiado de educação, não somente disseminando informações em bases igualitárias, mas também promovendo intercâmbio de experiências, métodos e valores. 15. A educação ambiental deve integrar conhecimentos, aptidões, valores, atitudes e ações. Deve converter cada oportunidade em experiências educativas de sociedades sustentáveis. 16. A educação ambiental deve ajudar a desenvolver uma consciência ética sobre todas as formas de vida com as quais compartilhamos este planeta, respeitar seus ciclos vitais e impor limites à exploração dessas formas de vida pelos seres humanos.” (fonte: Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilaidade Global). ANEXO II “ O CÓDIGO MUNDIAL DE ÉTICA DO TURISMO” PRINCÍPIOS ARTIGO 1º Contribuição do turismo para a compreensão e respeito mútuoentre homens e sociedades 1) A compreensão e a promoção dos valores éticos comuns à humanidade, num espírito de tolerância e de respeito pela diversidade das crenças religiosas, filosóficas e morais, são ao mesmo tempo fundamento e consequência de um turismo responsável; os actores do desenvolvimento turístico e os próprios turistas devem ter em conta as tradições ou práticas sociais e culturais de todos os povos, incluindo as das minorias e populações autóctones, reconhecendo a sua riqueza; 2) As actividades turísticas devem conduzir-se em harmonia com as especificidades e tradições das regiões e países de acolhimento, e observando as suas leis, usos e costumes; 3) As comunidades de acolhimento por um lado, e os actores profissionais locais por outro, devem aprender a conhecer e respeitar os turistas que os visitam, e informarse sobre os seus modos de vida, gostos e expectativas; a educação e formação ministradas aos profissionais contribuem para um acolhimento hospitaleiro; 4) As autoridades públicas têm por missão assegurar a protecção dos turistas e visitantes, bem como dos seus bens; devem conceder especial atenção à segurança dos turistas estrangeiros, por causa da sua particular vulnerabilidade;disponibilizar meios específicos de informação, de prevenção, de protecção, de seguros e de assistência, correspondendo às necessidades deles; os atentados, agressões, raptos ou ameaças visando os turistas e os trabalhadores da indústria turística, bem como as destruições voluntárias de instalações turísticas ou de elementos do património cultural ou natural, devem ser severamente condenadas e reprimidas em conformidade com as respectivas legislações nacionais; 5) Os turistas e visitantes devem evitar, aquando das suas deslocações, praticar actos criminosos ou considerados delituosos pelas leis do país visitado, bem como comportamentos considerados chocantes ou que firam as populações locais, ou ainda susceptíveis de atentar contra o meio ambiente local; devem abster-se de todo o tráfico de droga, armas, antiguidades, espécies protegidas, bem como de produtos ou substâncias perigosas ou proibidas pelas regulamentações nacionais; 6) Os turistas e visitantes têm a responsabilidade de procurar informar-se, antes mesmo da sua partida, sobre as características dos países que se propõem visitar; devem ter consciência dos riscos em matéria de saúde e segurança inerentes a toda a deslocação para fora do seu meio habitual, e comportar-se de maneira a minimizar esses riscos. ARTIGO 2º O turismo, vector de desenvolvimento individual e colectivo 1) O turismo, actividade a maior parte das vezes associada ao repouso, à descontração, ao desporto, ao acesso à cultura e à natureza, deve ser concebido e praticado como meio privilegiado de desenvolvimento individual e colectivo; praticado com a necessária abertura de espírito, constitui um factor insubstituível de auto-educação, de tolerância mútua e de aprendizagem das diferenças legítimas entre povos e culturas, e da sua diversidade; 2) As actividades turísticas devem respeitar a igualdade entre homens e mulheres; devem tender a promover os direitos do homem e, especialmente, os particulares direitos dos grupos mais vulneráveis, nomeadamente as crianças, os idosos ou deficientes, as minorias étnicas e os povos autóctones; 3) A exploração dos seres humanos sob todas as suas formas, nomeadamente sexual, e especialmente no caso das crianças, vai contra os objectivos fundamentais do turismo e constitui a sua própria negação; a esse título e em conformidade com o direito internacional, ela deve ser rigorosamente combatida com a cooperação de todos os Estados envolvidos e sancionada sem concessões pelas legislações nacionais, quer dos países visitados, quer dos de origem dos actores desses actos, mesmo quando estes são executados no estrangeiro; 4) As deslocações por motivos de religião, de saúde, de educação e deintercâmbios culturais ou linguísticos constituem formas particularmente interessantes de turismo, que merecem ser encorajadas; 5) A introdução nos programas de educação de um ensino sobre o valor dos intercâmbios turísticos, dos seus benefícios económicos, sociais e culturais, mas também dos seus riscos, deve ser encorajada. ARTIGO 3º O turismo, factor de desenvolvimento sustentável 1) O conjunto dos actores do desenvolvimento turístico têm o dever de salvaguardar o ambiente e os recursos naturais, na perspectiva de um crescimento económico são, contínuo e sustentável, capaz de satisfazer equitativamente as necessidades e as aspirações das gerações presentes e futuras; 2) Todos os tipos de desenvolvimento turístico que permitam economizar os recursos naturais raros e preciosos, nomeadamente a água e a energia, bem como evitar na medida do possível a produção de dejectos, devem ser privilegiados e encorajados pelas autoridades públicas nacionais, regionais e locais; 3) A repartição no tempo e no espaço dos fluxos de turistas e de visitantes, especialmente o que resulta das licenças de férias e das férias escolares, e um melhor equilíbrio entre locais frequentados devem ser procurados por forma a reduzir a pressão da actividade turística sobre o meio ambiente, e a aumentar o seu impacto benéfico na indústria turística e na economia local; 4) As infraestruturas devem estar concebidas e as actividades turísticas ser programadas por forma a que seja protegido o património natural constituído pelos ecosistemas e a biodiversidade, e que sejam preservadas as espécies ameaçadas da fauna e flora selvagens; os actores do desenvolvimento turístico, nomeadamente os profissionais, devem permitir que lhes sejam impostas limitações ou obstáculos às suas actividades quando elas sejam exercidas em zonas particularmente sensíveis: regiões desérticas, polares ou de alta montanha, zonas costeiras, florestas tropicais ou zonas húmidas, propícias à criação de parques naturais ou reservas protegidas; 5) O turismo de natureza e o ecoturismo são reconhecidos como formas de turismo especialmente enriquecedoras e valorizadoras, sempre que respeitem o património natural e as populações locais se ajustem à capacidade de acolhimento dos lugares turísticos. ARTIGO 4º O turismo, utilizador do patrimônio cultural da humanidade e contribuindo para o seu enriquecimento 1) Os recursos turísticos pertencem ao patrimônio comum da humanidade. As comunidades dos territórios onde eles se situam têm face a eles direitos e brigações especiais; 2) As políticas e actividades turísticas são desenvolvidas no respeito pelo património artístico, arqueológico e cultural, competindo-lhes a sua preservação e transmissão às gerações futuras; um cuidado especial deve ser concedido à preservação e valorização dos monumentos, santuários e museus, bem como de locais históricos e arqueológicos, quando estejam em grande parte abertos à frequência turística; deve ser encorajado o acesso do público aos bens e monumentos culturais privados, no respeito pelos direitos dos seus proprietários, bem como aos edifícios religiosos, sem prejudicar as necessidades do culto; 3) Os recursos obtidos pela frequência dos locais e monumentos culturais estão vocacionados, pelo menos em parte, para ser utilizados na manutenção, salvaguarda, valorização e enriquecimento desse patrimônio; 4) A actividade turística deve ser concebida por forma a permitir a sobrevivência e desenvolvimento de produções culturais e artesanais tradicionais, bem como do folclore, e não para provocar a sua padronização e empobrecimento. ARTIGO 5º O turismo, actividade benéfica para os países e comunidades de acolhimento 1) As populações locais estão associadas às actividades turísticas e participam equitativamente nos benefícios económicos, sociais e culturais que geram, e nomeadamente na criação de emprego directo ou indirecto que daí resulta; 2) As políticas turísticas devem ser conduzidas de tal forma que contribuam para a melhoria do nível de vida das populações das regiões visitadas e respondam às suas necessidades. A concepção urbanística e arquitectónica e o modo de exploração das estâncias e alojamentos devem visar a sua melhor integração no tecido econômico e social local. Em caso de iguais habilitações deve ser prioritariamente selecionado o emprego de mão de obra local; 3) Uma particular atenção deve ser dada aos problemas específicos das zonas costeiras e aos territórios insulares, bem como às regiões rurais ou de média montanha frágeis, para quem o turismo representa muitas vezes uma das raras oportunidades de desenvolvimento face ao declínio das atividades econômicas tradicionais; 4) Os profissionais do turismo, nomeadamente os investidores, devem, no quadro da regulamentação estabelecida pelas autoridades públicas, proceder a estudos de impacto dos seus projetos de desenvolvimento no ambiente e meios naturais; devem de igual forma prestar, com a maior transparência e objectividade requerida, as informações quanto aos seus futuros programas e aos impactos previstos, abrindose ao diálogo nessas matérias com as populações interessadas. ARTIGO 6º Obrigações dos actores do desenvolvimento turístico 1) Os actores profissionais do turismo têm por obrigação fornecer aos turistas uma informação objectiva e sincera sobre os destinos, sobre as condições de viagem, de acolhimento e de estada; asseguram a transparência perfeita das cláusulas dos contactos propostos aos seus clientes, quer em matéria da natureza, preço e qualidade das prestações que se comprometem fornecer, quer das contrapartidas financeiras que lhes incumbem em caso de ruptura unilateral por sua parte dos referidos contratos; 2) Os profissionais do turismo, quando isso depender de si, preocupam-se, em cooperação com as autoridades públicas, pela segurança, prevenção de acidentes, protecção sanitária e higiene alimentar dos que aos seus serviços recorrem; zelam pela existência de sistemas de seguro e assistência apropriados; aceitam a obrigação de prestar contas, segundo as modalidades previstas nas regulamentações nacionais, e, se necessário, pagar uma indemnização equitativa no caso de desrespeito pelas suas obrigações contratuais; 3) Os profissionais do turismo, quando tal depender de si, contribuem para o pleno desenvolvimento cultural e espiritual dos turistas e permitem o exercício, durante as deslocações, do seu culto religioso; 4) As autoridades públicas dos Estados de origem e dos países de acolhimento, em ligação com os profissionais interessados e suas associações, zelam pela existência dos mecanismos necessários ao repatriamento dos turistas no caso de falência das empresas que organizaram as suas viagens; 5) Os governos têm o direito - e o dever - especialmente em caso de crise, de informar os seus viajantes das condições difíceis, mesmo dos perigos que podem encontrar por ocasião das suas deslocações ao estrangeiro; incumbe lhes, no entanto, fornecer tais informações sem prejudicar de forma injustificada ou exagerada a indústria turística dos países de acolhimento e os interesses dos seus próprios operadores; o conteúdo de eventuais avisos deve assim ser previamente discutido com as autoridades dos países de acolhimento e os profissionais interessados; as recomendações formuladas serão estritamente proporcionais à gravidade das situações e limitadas às zonas geográficas onde a insegurança estiver provada devendo ser aligeiradas ou anuladas logo que o retorno à normalidade o permitir; 6) A imprensa, nomeadamente a imprensa turística especializada e os outros média, incluindo os modernos meios de comunicação electródica, devem fornecer uma informação honesta e equilibrada sobre os acontecimentos e situações susceptíveis de influir na frequência turística; têm igualmente por missão fornecer indicações precisas e fiáveis aos consumidores de serviços turísticos. As novas tecnologias de comunicação e o comércio electródico devem ser igualmente desenvolvidos e utilizados para esse fim, não devendo, de forma alguma tal como a imprensa e os média incentivar o turismo sexual. ARTIGO 7º Direito ao turismo 1) A possibilidade de aceder, directa e pessoalmente, à descoberta das riquezas do planeta constitui um direito aberto a todos os habitantes do mundo. A participação cada vez mais alargada no turismo nacional e internacional deve ser considerada como uma das melhores expressões possíveis do crescimento contínuo do tempo livre, e não deve ser obstaculizada; 2) O direito ao turismo para todos deve ser visto como corolário do direito ao repouso e aos tempos livres, e nomeadamente do direito a uma razoável limitação da duração do trabalho e licenças periódicas pagas, garantido no artigo 24 da Declaração Universal dos Direitos do Homem, e no artigo 7.1 do Pacto Internacional relativo aos direitos económicos, sociais e culturais; 3) O turismo social, e nomeadamente o turismo associativo, que permite o acesso do maior número de cidadãos aos tempos livres, às viagens e às férias, deve ser desenvolvido com o apoio das autoridades públicas; 4) O turismo das famílias, dos jovens e dos estudantes, das pessoas de idade e dos deficientes deve ser encorajado e facilitado. ARTIGO 8º Liberdade das deslocaçoes turísticas 1) Os turistas e visitantes beneficiam, no respeito pelo direito internacional e legislações nacionais, da liberdade de circulação, quer no interior do seu país, quer de um para outro Estado, em conformidade com o artigo 13 da Declaração Universal dos Direitos do Homem; devem poder aceder às zonas de trânsito e estada, bem como aos locais turísticos e culturais sem exageradas formalidades, nem discriminação; 2) Os turistas e visitantes devem ver-lhes reconhecida a faculdade de utilizar todos os meios de comunicação disponíveis, interiores ou exteriores; devem beneficiar de um pronto e fácil acesso aos serviços administrativos, judiciários e de saúde locais; bem como ao livre contacto com as autoridades consulares do seu país de origem, em conformidade com as convenções diplomáticas em vigor; 3) Os turistas e visitantes beneficiam dos mesmos direitos que os cidadãos do país visitado quanto à confidencialidade dos dados e informações pessoais que lhes respeitem, nomeadamente as armazenadas sob forma electrónica; 4) Os procedimentos administrativos de passagem das fronteiras, impostos pelos Estados ou resultantes de acordos internacionais, como vistos, ou formalidades sanitárias e aduaneiras, devem ser adaptados de modo a facilitar a liberdade de viajar e o acesso do maior número de pessoas ao turismo internacional; os acordos entre grupos de países visando harmonizar e simplificar tais procedimentos devem ser encorajados; os impostos e encargos específicos penalizando a indústria turística e atentando contra a sua competitividade devem ser progressivamente eliminados ou corrigidos; 5) Os viajantes devem poder dispor, desde que a situação econômica dos países donde são originários o permita, do abono de divisas convertíveis necessário às suas deslocações. ARTIGO 9º Direito dos trabalhadores e dos empresários da indústria turística 1) Os direitos fundamentais dos trabalhadores assalariados e independentes da indústria turística e actividades conexas devem ser assegurados sob controlo das administrações, quer dos Estados de origem, quer dos países de acolhimento, com especial atenção dados os obstáculos específicos ligados especialmente à sazonalidade da sua actividade, à dimensão global da sua indústria e à flexibilidade que a natureza do seu trabalho muitas vezes impõe; 2) Os trabalhadores assalariados e independentes da indústria e das actividades conexas têm o direito e o dever de adquirir uma formação ajustada, inicial e contínua; é-lhes assegurada uma proteção social adequada; a precaridade do emprego deve ser limitada ao máximo possível; um estatuto especial, nomeadamente no que diz respeito à sua proteção social, deve ser proposto aos trabalhadores sazonais do sector; 3) Toda a pessoa física e moral, desde que cumpra as imposições e disponha das qualificações necessárias, deve ver-se reconhecido o direito de desenvolver uma atividade profissional no domínio do turismo, no quadro das legislações nacionais em vigor; os empresários e os investidores - especialmente no domínio das pequenas e médias empresas - devem ver-lhes reconhecido o livre acesso ao sector turístico com um mínimo de restrições legais ou administrativas; 4) As trocas de experiência oferecidas aos quadros e trabalhadores, assalariados ou não, de diferentes países, contribuem para o desenvolvimento da indústria turística mundial, devendo ser incentivadas sempre que possível, no respeito pelas legislações nacionais e convenções internacionais aplicáveis; 5) Fator insubstituível de solidariedade no desenvolvimento e dinamismo das trocas internacionais, as empresas multilaterais da indústria turística não devem abusar das situações de posição dominante que por vezes detêm; devem evitar tornar-se vector de modelos culturais e sociais artificialmente impostos às comunidades de acolhimento; em troca da liberdade de investir e operar comercialmente, que lhes deve ser plenamente reconhecida, devem comprometer-se com o desenvolvimento local evitando, pelo repatriamento excessivo dos seus benefícios ou pelas importações induzidas, reduzir a contribuição que dão às economias onde estão implantadas; 6) O partenariado e o estabelecimento de relações equilibradas entre empresas dos países emissores e receptores concorrem para o desenvolvimento sustentável do turismo e para uma repartição equitativa dos benefícios do seu crescimento. ARTIGO 10 Aplicação dos princípios do Código Mundial de Ética do Turismo 1) Os actores públicos e privados do desenvolvimento turístico cooperam na aplicação dos presentes princípios e devem zelar pelo controlo da sua efetivação; 2) Os actores do desenvolvimento turístico reconhecem o papel das Instituições internacionais, na primeira linha das quais a Organização Mundial do Turismo, e das organizações não governamentais competentes em matéria de promoção e desenvolvimento do turismo na protecção dos direitos do homem, do ambiente ou da saúde, no respeito dos princípios gerais do direito internacional; 3) Os mesmos actores manifestam a intenção de submeter, para efeitos de conciliação, os litígios relativos à aplicação ou interpretação do Código Mundial de Ética do Turismo a um organismo terceiro imparcial denominado: Comité Mundial de Ética do Turismo.