SAULO FERNANDES MELO DE OLIVEIRA Desenvolvimento e Validação de um Dinamômetro Compacto para Avaliação da Potência Propulsiva em Cadeiras de Rodas Recife 2012 SAULO FERNANDES MELO DE OLIVEIRA Desenvolvimento e Validação de um Dinamômetro Compacto para Avaliação da Potência Propulsiva em Cadeiras de Rodas Área de Concentração: Saúde e Desempenho Humano Linha de Pesquisa: Avaliação do Desempenho Humano Orientador: Manoel da Cunha Costa Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa Associado de Pós-Graduação em Educação Física UPE/UFPB como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Educação Física. Recife 2012 Agradecimentos: Agradeço a Deus pela oportunidade que me foi concedida de utilizar a melhor das habilidades humanas por Ele projetada: a inteligência! À minha Mãe Neide, meu irmão Fernando, minha namorada Inês e toda sua família, que sempre me acolheram nos momentos mais difíceis desta jornada sem fim. Mamãe e Mano: peço-lhes desculpas pelas ausências, jamais reparadas, e que se tornaram em mim cicatrizes permanentes. Agradeço aos companheiros de Laboratório Fabíola Albuquerque, Juliana Brito, Mirella Cabral, Humberto Morales, Filipe Freitas, Felipe Bezerra, Policássia Ribeiro, Carlos Eduardo Lins e os demais, pelo apoio e aprendizado que me proporcionaram e pelos vários momentos nos quais jamais irei esquecer. Também por “aguentarem”, de maneira compartilhada, minha compulsão por cafeína. Aos professores Manoel Costa, Marcos André, Fernando Guimarães, Karla Toniollo, Warlindo Carneiro, Gilberto Freitas, Teresinha Lima, Wilson Viana, Tetsuo Tashiro e outros mais (que na memória me faltam), que desde a graduação mesmo sem imaginarem, por suas ações, me serviram de inspiração incondicional. Reitero aqui, formalmente, agradecimentos sinceros aos companheiros do Núcleo de Educação à Distância (NEAD) da Universidade de Pernambuco, local este personificado pelo Prof. Renato Moraes, ícone que pensei jamais um dia ter a oportunidade de conhecer e, especialmente, ao companheiro de todas as horas Afonso Bione, que me ensinou a “pensar como um computador”. Encerro aqui os meus agradecimentos com um abraço e um cordial aperto de mão ao meu amigo e orientador Manoel Costa que em todos os momentos, longe ou perto, me ensinou literalmente que empreender é a capacidade de, pela pressão, transformar carvão em diamante! Abraços a todos. Recife, 22 de agosto de 2012. RESUMO Os objetivos dessa pesquisa foram: a) verificar a reprodutibilidade e especificidade do sistema de calibração desenvolvido para o protótipo; b) verificar a especificidade fisiológica do equipamento; e c) analisar a confiabilidade do sistema eletroeletrônico de contagem das rotações e medição da potência propulsiva. O protótipo foi montado sobre dois kits de cilindros para treinamento interligados por uma haste central contendo um sistema de roldanas para calibração do Momento de Inércia (MI) pelo método experimental. Um sistema eletroeletrônico composto por sensores de rotação e uma placa analógica-digital, transmitem as informações para um computador pessoal, para processamento das informações advindas de testes físicos em tempo real. Esta pesquisa dividiu-se em três fases: na primeira, 5 homens (21,2 ± 2,7 anos), participaram de um protocolo experimental contínuo de 5 minutos em 4 estilos distintos de propulsão manual, a uma freqüência de propulsões por minuto de 120%. Ao final de cada minuto foram coletados a freqüência cardíaca e a percepção subjetiva de esforço. Foram realizadas comparações entre os estilos propulsivos nas variáveis de desempenho fisiológico. Na segunda fase, analisou-se a reprodutibilidade e especificidade do sistema de calibração do protótipo, com procedimento teste-reteste por 2 avaliadores com diferença de 24h. Adicionalmente, 6 homens (peso: 67,14 ± 4,41kg; estatura: 1,73 ± 4,41m) realizaram um protocolo de sprint de 20s, com coleta de dados de rotação realizada nos primeiros 10s. Os resultados de potência acumulada nos 10s foram calculados pelos modelos experimental e teórico. Na terceira fase, 21 2 homens (idade: 20,9 ± 2,4anos; peso: 68,9 ± 7,9kg; estatura: 174,0 ± 7,1m; IMC: 22,7 ± 2,5kg·m ) participaram da validação do sistema eletroeletrônico, por meio de um protocolo de esforço de sprint em 20s. Os dados advindos do protótipo e de um sistema de referência por meio de videografia (240qps) foram comparados. Os dados foram analisados por meio do teste Kruskal-Wallis (estudo 1); coeficiente de correlação intraclasse, plotagem de Bland-Altman e teste t não-pareado (estudo 2); coeficiente de correlação intraclasse, plotagem de Bland-Altman e teste t pareado (estudo 3). Nível de significância estabelecido em 5%. Verificou-se que não há diferenças significativas na nas variáveis fisiológicas quando comparados os 4 estilos de propulsão selecionados (P>0,05). Quanto à reprodutibilidade do sistema de calibração percebeu-se altos valores de CCI para o lado direito (0,94; P<0,05) e para o lado esquerdo (0,95; P<0,05), com valores satisfatórios para a plotagem de BlandAltman quando verificados os limites de concordância no intervalo de confiança de 95%. Os valores de MI e PO estabelecidos pelo método experimental proposto apresentam diferenças significativas àqueles calculados por meio do método teórico. De maneira similar, os dados advindos dos sensores de movimento indutivos apresentam valores de CCI (0,99; P<0,001) e critérios de Bland-Altman que indicam para validade concorrente do sistema eletroeletrônico de contagem das rotações e determinação da PO, com valores não significativos (P>0,05) quando comparados ao modelo de referência. O protótipo desenvolvido possui características de validade e reprodutibilidade das suas partes constituintes, mostrando-se como sendo um novo conceito para avaliação do desempenho em usuários de cadeiras de rodas. ® Palavras-chave: biomecânica, testes de esforço, ergonomia, plataforma Arduino . ABSTRACT The aims of this research were: a) verify the specificity and reproducibility of the calibration system developed for the prototype; b) verify the specificity of the physiological equipment; and c) analyze system reliability electronics for counting rotations and measurement of propulsive power. The prototype was mounted on two sets of rollers for training interconnected by a central shaft having a pulley system for calibrating the Moment of Inertia (MI) by an experimental method. A system composed of electronics rotation sensors and a digital-analog card, transmit the information to a personal computer for processing information coming from physical tests in real time. This research was divided into three phases: the first 5 men (21.2 ± 2.7 years) participated in an experimental protocol continuous 5 minutes in 4 distinct styles of hand driving, at a frequency of propulsions per minute 120%. At the end of each minute were collected heart rate and perceived exertion. Comparisons were made between the propulsive styles in physiological performance variables. In the second phase, we analyzed the specificity and reproducibility of the calibration system prototype, with test-retest procedure by 2 reviewers with a difference of 24. Additionally, 6 men (weight: 67.14 ± 4.41 kg, height: 1.73 ± 4.41 m) performed a protocol sprint 20s, with data collection conducted in the early 10s rotation. The results accumulated power in the 10s were calculated by experimental and theoretical models. In the third phase, 21 men (age: 20.9 ± 2.4 years, weight: 68.9 ± 7.9 kg, height: 174.0 ± 7.1 m, BMI: 22.7 ± 2.5 kg • m 2) participated validation of the system electronics, through a protocol effort sprint in 20s. The data coming from prototype and a referral system through videography (240qps) were compared. Data were analyzed using the Kruskal-Wallis (study 1), intraclass correlation coefficient, Bland-Altman and unpaired t-test (study 2), intraclass correlation coefficient, Bland-Altman test and paired t-test (study 3). Significance level set at 5%. It was found that no significant differences in physiological variables when comparing the selected four types of propulsion (P> 0.05). Regarding the reproducibility of the calibration system to realize high ICC values to the right (0.94, P <0.05) and the left (0.95, P <0.05), with satisfactory values for the Bland-Altman checked when the limits of agreement in the range of 95%. The values of IM and PO established by experimental method differ significantly from those calculated by theoretical method. Similarly, the data from the motion sensors feature inductive ICC values (0.99, P <0.001) and Bland-Altman criteria for concurrent validity indicate that the electronics system of counting rotations and determination of PO, with values not significant (P> 0.05) when compared to the reference model. The prototype developed has characteristics of validity and reliability of its constituent parts, showing up as a new concept for measuring performance in wheelchair users. ® Keywords: biomechanic, wheelchair, ergonomic, Arduino Board Sumário 1. INTRODUÇÃO GERAL ............................................................................................ 8 Capacidade de propulsão manual em cadeiras de rodas ....................................... 10 Soluções ergométricas para avaliação física em usuários de cadeiras de rodas15 2. OBJETIVOS ............................................................................................................. 20 3. METODOLOGIA ...................................................................................................... 21 Montagem do protótipo .................................................................................................. 21 4. RESULTADOS ........................................................................................................ 27 Artigo 1: Especificidade de um dinamômetro para usuários de cadeiras de rodas ........................................................................................................................................... 27 Artigo 2: Metodologia para Calibração e sua Especificidade em um Dinamômetro para Usuários de Cadeiras de Rodas ......................................................................... 41 Artigo 3: Validade Concorrente de um Dinamômetro Compacto para Avaliação Física em Cadeiras de Rodas ...................................................................................... 57 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 73 6. CONCLUSÃO GERAL ........................................................................................... 74 7. REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 75 8 1. INTRODUÇÃO GERAL Estudos na área do desempenho físico e locomotor em usuários de cadeiras de rodas vêm sendo realizados desde as décadas de sessenta e setenta (LINDEN, 1993). O interesse pelo entendimento dos mecanismos fisiológicos, cinéticos e cinemáticos da propulsão manual, despertou a criação de diversos institutos e grupos de pesquisa, destacando-se pólos existentes nos Estados Unidos, Holanda, Bélgica e Inglaterra (COOPER, 2009; VAN DER WOUDE, 1986). Após a 2ª Grande Guerra, por intermédio do crescimento advindo do esporte adaptado, principalmente em paralimpíadas, iniciou-se período de grande interesse sobre os aspectos físicos e de saúde dos deficientes, com especial atenção aos usuários de cadeiras de rodas (COSTA; SOUZA, 2008). No Brasil, mesmo tendo observado crescimento da pesquisa nesta área, podemos verificar que há pouco interesse público no que diz respeito ao desenvolvimento de soluções para acessibilidade aos usuários não atletas. As principais fontes de preocupação e dificuldade para a vida social dos usuários de cadeiras de rodas estão nas barreiras arquitetônicas advindas dos ambientes públicos (PIERCE, 1998), impossibilitando a locomoção e diminuindo o livre acesso dos indivíduos aos espaços de lazer e de trabalho (SOUZA, 2009). Em termos de mídia, por diversas vezes os sujeitos portadores de alguma deficiência física, dentre eles, usuários de cadeiras de rodas, têm reconhecimento social apenas por meio do esporte. É a partir destas constatações, que surge a necessidade de criação de técnicas, metodologias e tecnologias que possibilitem a avaliação de aspectos fisiológicos e comportamentais dos usuários, aumentando o poder de decisão e também as possibilidades de diagnóstico e prevenção para melhoria da qualidade de vida relacionada à saúde desta população (GLASER, 1979). A escassez de atividade física por parte dos cadeirantes aumenta a probabilidade de desenvolvimento de patologias hipocinéticas (QUINTANA; NEIVA, 2008), ao mesmo tempo em que o esforço quando realizado de maneira inadequada pode traduzir-se em lesões por sobrecargas repetitivas nos membros superiores (BONINGER, 2002). Dessa forma torna-se parte integrante de programas de reabilitação ou treinamento físico para indivíduos com lesão recente os exercícios de manuseio da cadeira de rodas, inclusive verificando as melhores técnicas, tipos e 9 estratégias de propulsão manual (BONINGER, 2002; DE GROOT, 2004; GOOSEYTOLFREY; KIRK, 2003). Dessa forma, a adequação entre o binômio usuário+cadeira depende de uma avaliação ergonômica e mecânica dessa interação, fundamental para verificação da máxima eficiência propulsiva, reconhecendo, a partir de dados objetivos, as melhores formas de propulsão, locomoção e manuseio do implemento (AMBROSIO, 2005; VANLANDEWIJCK; SPAEPEN; LYSENS, 1994). Dentre as variáveis que podem ser utilizadas para determinar a eficiência de movimento, a potência mecânica (PO) é parte integrante em diversos protocolos de esforço físico voltados a este público-alvo (DE GROOT; ZUIDGEEST; VAN DER W OUDE, 2006; DEVILLARD, 2001; GLASER, 1979). No âmbito da avaliação do desempenho físico, verificam-se instrumentos, muitos deles adaptados, que facilitam o atendimento aos cadeirantes, muito embora haja algum tipo de confusão terminológica no que diz respeito à finalidade dos equipamentos (DIGIOVINE; COOPER; BONINGER, 2001), principalmente dos ergômetros e dinamômetros. Conceitualmente, os dinamômetros são instrumentos que possuem como função a avaliação da força muscular durante a contração, sendo utilizado para verificar o estado do músculo em ação. No que concerne à ergometria, trata-se de um método utilizado para medição da quantidade de trabalho, geralmente durante esforço físico (DECS). Os ergômetros, por outro lado, são equipamentos que têm por objetivo a verificação da máxima capacidade de esforço sob uma determinada carga de frenagem (mecânica ou eletromagnética) por meio da ação de grupos musculares específicos ou de um conjunto deles. Percebe-se que os equipamentos ergométricos podem, em alguns casos, serem utilizados para avaliação de máxima capacidade cinética do movimento sob uma determinada carga; já os dinamômetros se restringem, no âmbito da educação física, somente aos valores de força e potência musculares produzidas em determinado movimento. Contudo, os equipamentos voltados à dinamometria em usuários de cadeiras de rodas até o momento construídos, utilizam-se de métodos ergométricos para verificar cargas máximas ou submáximas desenvolvidas pelos usuários, descaracterizando sua finalidade básica, e desconsiderando os fatores que podem interferir na capacidade de propulsão manual em cadeiras de rodas. A capacidade de propulsão manual em cadeiras de rodas define-se como uma característica que está relacionada não só ao desempenho físico do sujeito, mas também às variáveis biomecânicas, ergonômicas e de estratégicas do 10 manuseio da cadeira de rodas (DEVILLARD, 2001), sendo, por este motivo, uma variável multifatorial e que requer instrumentos para sua avaliação que proporcionem condições metodológicas específicas. Estudos anteriores têm demonstrado que a capacidade de propulsão manual em cadeiras de rodas é um movimento pouco eficiente, devido principalmente ao desperdício da força que é transmitida ao aro de propulsão no momento da locomoção do indivíduo (GLASER, 1980; VAN DER W OUDE, 1997). Sendo assim, a montagem de um novo equipamento que possibilite a criação de métodos e técnicas de maior economia e eficiência dos usuários poderia suprir a lacuna existente, abrindo caminho para o desenvolvimento de outras pesquisas nesta área. Conforme dito anteriormente os dinamômetros disponíveis para avaliação em usuários de cadeiras de rodas possuem característica ergométrica, tendo como principal finalidade a determinação de uma carga de frenagem específica, denominada como potência externa (POEXT) seja esta por meio de elementos eletromagnéticos ou mecânicos, a fim de avaliar diferentes condições de utilização da cadeira de rodas, possibilitando simular algumas condições ambientais e de superfície em laboratório (COOPER; FLETCHER-SHAW ; ROBERTSON, 1998; SHIMADA, 1995). A proposta o presente trabalho é realizar o caminho inverso, verificando a PO que poderá ser produzida pelo conjunto cadeira de rodas+usuário, a partir de uma perspectiva ecológica e ergonômica (THOMAS; NELSON, 2002). Capacidade de propulsão manual em cadeiras de rodas O estudo cinemático da propulsão manual da cadeira de rodas visa determinar padrões de movimento similares em indivíduos lesionados, no intuito de diagnosticar clinicamente sobrecargas articulares e o desenvolvimento de dor e lesões nos membros superiores (COLLINGER, 2008; MORROW ; KAUFMAN; AN, 2010). A interação entre as fases de impulsão e recuperação formam a base para verificação dos padrões propulsivos em cadeiras de rodas (BONINGER, 2002; DE GROOT, 2004). Diversas técnicas e estratégias de manuseio, para quantização da capacidade propulsiva de cadeira de rodas manuais, foram determinadas no sentido de relacionar os aspectos qualitativos desse movimento (BONINGER, 2002) com 11 características fisiológicas (GOOSEY-TOLFREY; KIRK, 2003) e biomecânicas (AMBROSIO, 2005; FINLEY, 2004; FINLEY, 2002) do usuário. Collinger et al (2008), em estudo multicêntrico de caráter descritivo, analisaram as influências de características antropométricas sobre a cinemática dos ombros nos três planos de movimento (x, y e z). Os autores verificaram aumentos na força aplicada aos aros de propulsão proporcionais ao acréscimo de velocidade (p<0,05). De maneira similar o peso corporal, após análise demográfica realizada por meio de regressão linear, mostrou-se como variável preditora das forças sobre a articulação dos ombros. Cumpre destacar que alguns estudos utilizaram nas análises dados advindos apenas de um lado de propulsão (COWAN, 2008; KOONTZ, 2009; RICHTER, 2007), coletados por meio de rodas instrumentadas com sensores de força e movimento. Além desta constatação, acreditamos que o acréscimo de peso adicional à cadeira de rodas pode influenciar a inércia rotacional do equipamento, que no caso dos estudos sobre a PO, é importante que seja considerada. Diferenças entre os lados de propulsão manual (direito e esquerdo) geralmente são conduzidos no intuito de diagnosticar déficits de força, resistência ou potência dos músculos que participam do movimento. Neste sentido, Hurd et al (2008), ao comparar os índices de simetria entre os lados de propulsão sobre condições diversas, verificaram valores menores de assimetria nas condições “ao ar livre” em comparação aos testes de laboratório. Foram encontradas também diferenças significativas (p<0,01) entre os índices de simetria nas variáveis momento propulsivo (M), força total (Ftot), força tangencial (Ftan), fração efetiva de força (Ffef), momento pico de propulsão (Mpico), trabalho (T), tempo de contato (t) e potência (PO). Em análises conjuntas sobre os aspectos eletromiográfico e cinemático do manuseio por parte dos usuários, encontrou-se acréscimo nos ângulos de contato (CHOW , 2009), entre as condições de rampa de 0° para 10°, e também na participação da articulação do tronco a partir de 6° de inclinação. De forma contrária, quando analisadas atividades da vida diária (VAN DRONGELEN, 2005), percebeu-se maior demanda às articulações dos membros superiores nos movimentos de suspensão para alívio de peso e também na transferência de um meio fio, em comparação aos movimentos de locomoção livre ou de rampas com pequena inclinação. 12 Quando comparadas as demandas ambientais sobre as características cinéticas de propulsão manual Hurd et al (2009), verificaram aumentos progressivos na requisição de PO, no momento propulsivo (Nm) e também no trabalho propulsivo (J), embora tenham sido significativas as diferenças apenas para algumas condições ambientais. Um estudo desenvolvido por Richter et al (2007), apontou para uma maior necessidade de exercer PO sobre os aros de propulsão quando os usuários são submetidos a rampas a partir de 6°, provavelmente pelo fato de requerer maiores valores de torque. Chua et al (2011) demonstraram a eficiência de giroscópios adaptados à cadeiras de rodas de corrida, encontrando valores similares para três modelos de aquisição de sinais (Ipod Touch, MinimaxX e Xbee)1, encontrando valores similares para o número de revoluções de segundos, após filtragem dos sinais, despontando como sendo uma forma alternativa e de baixo custo para avaliação de variáveis de desempenho em atletas de cadeiras de rodas. No que diz respeito ao dispêndio energético, a utilização dos modelos de propulsão PAPAW2 mostrou diminuição do consumo de oxigênio e na ventilação (p<0,05), quando da testagem dos usuários por meio de protocolos de incremento de PO num dinamômetro para cadeirantes (ALGOOD, 2004), fato que mostra a eficiência na produção de força por meio de auxílio mecânico aos deficientes, apesar de não terem sido coletados dados cinéticos. Sob o aspecto de rendimento, a potência mecânica (PO) caracteriza-se como variável preditora de rendimento em esportes para pessoas com deficiência tais como rugby, basquetebol e atletismo, especialmente por serem modalidades compostas por momentos de sprint, podendo ser consideradas atividades físicas intermitentes (GOOSEY-TOLFREY; CASTLE; W EBBORN, 2006) e/ou explosivas. Mason et al (2011) durante verificação da influência dos ângulos de inclinação das rodas sobre variáveis fisiológicas e biomecânicas de atletas de cadeiras de rodas, constataram aumentos sucessivos na PO, mensurada por meio do drag test, e na eficiência mecânica (EM%). Ainda nesse sentido, Veeger et al (1989) analisaram os efeitos da inclinação das rodas traseiras sobre variáveis fisiológicas (FC, VO2, EM% ) e cinéticas (tempo de impulso [timp], ângulo de impulso [θimp] e abdução dos ombros) na propulsão manual em esteiras rolantes. Os achados 1 2 Dispositivos que funcionam a partir de módulos de conexão computacional. Pushrim-activated power-assisted wheelchair-PAPAW (Cadeira de rodas assistida com aro de potência). 13 apontam para efeitos significativos em θimp, timp, e abdução nas inclinações de 3 e 6°. FC, VO2 e EM% não apresentaram diferenças entre os ângulos de inclinação. Quando comparadas duas técnicas de propulsão manual em atletas de corrida em cadeiras de rodas (CHOW , 2001) encontra-se diferenças significativas (p<0,05) nas posições do braço nos momentos de contato propulsivo e recuperação quando analisadas por cinemetria, bem como aquelas técnicas que propiciam os maiores tempo e ângulo de propulsão podem propiciar melhores condições de transmissão de forças ao movimento rotacional da cadeira de rodas. Samuelsson et al (2004) verificaram os efeitos da posição do assento sobre a eficiência de mobilidade (testada na esteira rolante) e também sobre atividades de trabalho. Os resultados apontaram para um efeito na distribuição do peso corporal (p<0,001) e também no ângulo do assento (posição I = 5° e posição II = 10°). Tais mudanças geraram efeitos significativos (p<0,05) sobre a frequência e o ângulo de impulsão. Utilizando um ergômetro especial (VP100 HANDI, HEF techmachine, França) para atletas em cadeiras de rodas dois estudos (FAUPIN, 2004; 2008) apresentam resultados contrários sobre as variáveis cinéticas PO, Torque residual (Tresidual), velocidade e tempo de ciclos, sendo observadas diferenças estatisticamente significativas (p>0,05) quando testado grupo de atletas de basquetebol sobre cadeiras de rodas e não usuários saudáveis. Cumpre destacar que as amostras envolvidas nas duas investigações apresentaram heterogeneidade tanto no que concerne aos tipos de lesão dos sujeitos envolvidos nos estudos, como na inclusão de dois voluntários não usuários de cadeiras de rodas (FAUPIN; GORCE; THEVENON, 2008). Em um estudo de caso Usma-Alvarez et al (2011) avaliaram uma nova forma de verificação da demanda propulsiva, bem como das variáveis selecionadas, quando verificadas alterações ergonômicas realizadas em cadeira de rodas específica para manuseio em atletas de rugby, observando influências marcantes na velocidade e aceleração quando realizadas modificações no assento (vertical e horizontal) e no eixo de cambagem da cadeira. Neste mesmo sentido, um estudo de caso conduzido com atleta de alto rendimento (COSTA; RUBIO; LLANA, 2009), apontou para uma relação linear entre frequência de impulso (FI) e velocidade da cadeira de rodas, e usando aros de propulsão maiores (0,37 e 0,36m) a FI aumenta cerca de 6%, com uma diminuição de 27% para o tempo de impulso. 14 Cowan et al (2009), analisando 53 idosos usuários de cadeiras de rodas, verificaram que o aumento de peso nos instrumentos aumentou as variáveis cinéticas do movimento (FPICO e FTAN) e a velocidade de propulsão manual diminuiu a resistência ao rolamento. Na análise foram utilizados vários tipos de superfícies (rampa, carpete e superfície lisa), sendo a magnitude desse efeito (aumento na demanda de força), aumentada conforme as condições mais desafiadoras de locomoção por parte dos usuários. Contudo, Sagawa Jr et al (2010), não encontraram diferenças significativas em variáveis fisiológicas quando indivíduos tiveram pesos adicionais para serem transportados em cadeiras de rodas, quando verificado o desempenho em tarefas cotidianas. Freixes et al (2010), verificaram os efeitos da posição do eixo de inclinação da cadeira de rodas em tetraplégicos, demonstrando que a posição do eixo para baixo e para trás resulta em uma menor velocidade e aceleração do instrumento, com menores frequência de impulso e maior amplitude de movimento, sendo sugerido que as posições do eixo para cima e para frente poderia gerar maiores probabilidades de acidente muscular ou articular nesta população. Algumas investigações prévias sugerem que o treinamento com exercícios, quer seja de caráter de reabilitação ou para o desempenho esportivo, exercem melhorias nos valores absolutos de PO. Outras variáveis relacionadas tais como o consumo de oxigênio (VO2) e a eficiência mecânica (EM%), também parecem modificar-se após período de intervenção. De Groot et al (2002) avaliaram a influência da retroalimentação visual (DE GROOT, 2003), após período de 8 sessões de treinamento em ergômetro para cadeirantes, sobre os níveis de PO e eficiência mecânica bruta (EM%B) em indivíduos saudáveis, comparando os resultados com os sujeitos do grupo controle (GC). Foram observados aumentos nos níveis de produção de força efetiva (%FEF) para o grupo experimental (90-97%), contudo, menores valores relativos à EM%B, quando comparado GC (5,5-8,5% contra 5,9-9,9%), respectivamente. Richter et al (2011), verificaram a influência da utilização de apenas uma variável de amostragem para RV aos sujeitos durante programa de reabilitação, constatando melhorias nas condições cinemáticas de propulsão manual (cadência, distância e ângulo de impulsão). Foram observados aumentos limitados para o pico de força (Fpico), provavelmente pela necessidade de manter os níveis de PO e velocidade, em se tratando de experimentação controlada utilizando esteira rolante 15 sob condições submáximas de manuseio da cadeira de rodas. Cabe ressaltar que os dados cinéticos foram coletados por meio do sistema Optipush® (similar ao sistema SmartWheel®), com aquisição dos sinais de maneira unilateral. Valent (2008), em período de 1 ano avaliando os efeitos do “hand-cycle3”, observaram aumentos na POpico e no VO2máx para grupo de indivíduos paraplégicos (GP), em comparação com grupo de tetraplégicos (GT). A heterogeneidade física de GT foi apontada como sendo uma variável que dificultou serem encontradas melhorias nesses indivíduos. No mesmo sentido, após período de treinamento de 12 semanas administrado em indivíduos paraplégicos utilizando um hand-cycle, os mesmos autores (2009), verificaram aumentos em POpico (42,5W ± 21,9 contra 50,8W ± 25,4) e em VO2pico (1,32 Lmin-1 [DP= 40] contra 1,43 Lmin-1 [DP=43]), entre os valores pré e pós, respectivamente. Da mesma forma, Keyser et al (2003) verificaram aumentos nos valores de PO e de VO2 após período de treinamento com exercícios domésticos de 12 semanas em sujeitos portadores de comprometimento nos membros superiores (G1) e sem comprometimento (G2), havendo diferenças significativas (p<0,001) nos valores entre os dois grupos. Numa perspectiva longitudinal, em 8 centros de reabilitação holandeses, foram verificadas relações entre a variável PO e o desempenho no skill test4, levando em conta as 3 categorias de escores (desempenho, tempo de realização e esforço físico), sendo considerada pelos autores uma capacidade física necessária de ser desenvolvida por meio do treinamento de força muscular em usuários de cadeiras de rodas (KILKENS, 2005). Soluções ergométricas para avaliação física em usuários de cadeiras de rodas Devido à confusão entre os termos ergometria e dinamometria (DIGIOVINE; COOPER; BONINGER, 2001) bem como a sua utilização prática, encontram-se na atualidade algumas soluções tecnológicas que visam adequar às reais demandas fisiológicas e biomecânicas dos usuários de cadeiras de rodas, no âmbito esportivo ou de qualidade de vida (fig.1), tornando o processo de avaliação do desempenho 3 Triciclo especialmente fabricado para locomoção e exercitação de usuários de cadeiras de rodas Teste composto de tarefas motoras padronizadas aos usuários de cadeiras de rodas, realizado para estimar o nível de habilidade no manuseio do aparelho. 4 16 físico mais próximo de uma perspectiva ecológica (THOMAS; NELSON, 2002). Além disso, esses recursos expandem as possibilidades de diagnósticos próximos da realidade desses indivíduos, obtendo medidas das variáveis de consumo máximo de oxigênio (VO2máx) e a potência máxima obtida (POmáx). A B C D Figura 1 – soluções instrumentais para avaliação ergométrica em usuários de cadeiras de rodas. A: cadeira de rodas ligada à ciclo-ergômetro; ergômetro; B: ergômetro de braço com jogo eletrônico para treinamento de cadeirantes; C: dinamômetro para simulação de ambientes e superfícies de locomoção; D: ergômetro específico para avaliação do esforço físico em usuários de cadeiras de rodas. Dentre outras medidas, a potência propulsiva (PO) é uma variável que indica a quantidade de trabalho executada pelo usuário no momento da propulsão manual em cadeiras de rodas, estando dependente da interação sujeito+cadeira de rodas (VAN DER W OUDE, 1986). 1986 . Existem formas distintas para determinação da potência propulsiva em cadeirantes, que basicamente se distinguem pelo tipo de equipamento (COOPER, 2009) 2009 e instrumentação utilizada para análise. Comumente, a equação matemática que descreve a potência em Watts no mundo físico, tida como o uma medida de produção de energia, é expressa conforme equação [1]: 17 = ∙ [1] Na qual F representa uma grandeza cinética, que pode ser representada pela força extraída de transdutores mecânicos ou eletrônicos, e V a velocidade de um determinado objeto, quer seja em um movimento angular ou linear. Cumpre destacar que, nos movimentos rotacionais consideram-se os análogos correspondentes ao deslocamento e velocidade lineares, radianos (rad) e radianos por segundo (rad./s). Em nosso entendimento, distinguem-se dois tipos básicos de PO a serem considerados: a potência interna (POINT), determinada diretamente pelas forças musculares do indivíduo no momento do esforço físico. Geralmente é a forma de derivação da PO utilizada geralmente em ergômetros de braço; e a potência externa (POEXT) verificada por meio de sensores externos ao movimento de propulsão manual e que estão relacionadas à interação do conjunto usuário-cadeira de rodas, estando dependentes, por conseguinte, às alterações que sejam realizadas (THEISEN, 1996). Por vezes a POEXT também é derivada do incremento de cargas externas administradas aos sujeitos em virtude de protocolos de testes físicos. No caso do movimento propulsivo em usuários de cadeiras de rodas, são utilizados para obtenção dos dados cinéticos de POEXT, transdutores de força instrumentados com strain gauges5, (DE GROOT; ZUIDGEEST; VAN DER W OUDE, 2006) e posterior amplificação e tratamento dos sinais eletrônicos por meio de condicionadores específicos. Por sua vez, os dados cinemáticos relativos ao movimento rotacional são também adquiridos nesses mesmos moldes, a depender do instrumento utilizado para coleta (SHIMADA, 1995). No caso de esteiras rolantes, o componente V é determinado pela velocidade linear do tapete, sendo possível a substituição na fórmula: PO (W) = Fdrag . V [2] Onde Fdrag, considerada a força de arrasto, é obtida com base nas medidas advindas dos transdutores de força, com procedimento padrão de incremento na 5 Dispositivo eletro-mecânico que possui propriedade de extensibilidade e produção de voltagem, geralmente utilizados na construção de células de carga para medição de forças de compressão, tração, rotação ou cisalhamento. 18 inclinação das esteiras. De Groot et al (2006), verificaram que existem diferenças nos institutos de pesquisa e reabilitação que avaliam a propulsão manual no que diz respeito à PO medida por meio do drag test6. Os autores atribuíram como principais motivos para os achados, após administração da análise de regressão linear, alterações na cadeira de rodas e também na esteira rolante, principalmente no que concerne aos valores de velocidade. No entanto, a maioria dos aparelhos até hoje projetados desconsideram características ergonômicas da cadeira de rodas e, por conseguinte, antropométricas do sujeito (BRUBAKER, 1986), impossibilitando análises mais acuradas no que concerne ao desempenho específico em cada cadeira, especialmente quando objetivamos avaliar de maneira quantitativa e/ou qualitativa os estilos de propulsão manual (BONINGER, 2002), as estratégias de impulso (GOOSEY-TOLFREY; KIRK, 2003), o tamanho das rodas e do aro de propulsão (FAUPIN, 2004; MASON, 2011), simetria entre os lados de propulsão (HURD, 2009) ou até mesmo novos modelos de cadeiras de rodas voltadas ao desempenho atlético ou esportivo (USMA-ALVAREZ; FUSS; SUBIC, 2011). Do ponto de vista da prática clínica, o advento da criação do sistema SmartWheel® (COOPER, 2009) (fig.2), roda eletrônica instrumentada por meio de strain gauges, proporcionou crescimento significativo às linhas de pesquisa e avaliação da propulsão manual em cadeiras de rodas, sendo considerado principalmente os estilos de manuseio dos cadeirantes a partir de forças compressivas medidas exatamente no aro de propulsão. Dessa forma, há possibilidade de verificação da sobrecarga cinética a que os usuários são submetidos, direcionando as análises aos diversos pontos articulares, bem como permitindo avaliações conjuntas através de eletromiografia (CHOW, 2009; LOUIS; GORCE, 2010; YANG, 2006) e cinemetria (GILAGUDO, 2010; VAN DRONGELEN, 2005). Ainda assim, esse tipo de sistema adiciona peso à cadeira de rodas do sujeito, podendo influenciar significativamente a avaliação funcional dos sujeitos, ainda que estejam em desempenhando suas funções no próprio local de lazer ou trabalho. 6 O drag test (ou teste de arrasto), consiste em protocolo para determinar a força ou potência de arrasto (externa) a partir da adaptação em esteiras rolantes e fixação de cabo com célula de carga, sustentando o deslocamento do conjunto sujeito+cadeiras de rodas, em diferentes inclinações e mantendo-se a velocidade constante da esteira. Este procedimento permite verificar a demanda externa suportada por parte do sujeito, possibilitando avaliar o quanto de esforço físico os usuários sustentam utilizando determinado tipo de equipamento. 19 Figura 2: rodas eletrônicas instrumentadas com dispositivo do tipo Smartwheels. A: cubo para fixação do sistema eletrônico; B: luva para blindagem dos strain gauges; C: bateria e receptor dos sinais. Ainda que tenhamos aporte tecnológico sobre o tema, a maioria dos estudos que analisou a influência de conformações físicas do conjunto usuário+cadeira de rodas, utilizaram-se de transdutores de força ligados ao implemento por meio de cabos, em sessões experimentais realizadas em esteiras rolantes (DE GROOT; ZUIDGEEST; VAN DER WOUDE, 2006; KILKENS, 2005). Ainda como complicador, a utilização de equipamentos de tamanho excessivo, com calibração complexa (DIGIOVINE; COOPER; BONINGER, 2001) ou desconsideração das características inerentes à própria cadeira de rodas do sujeito (BRUBAKER, 1986) trazem limitações à utilização de tais instrumentos. Vale ressaltar que outras características do usuário de cadeira de rodas que são abordadas na prática clínica dizem respeito à postura do usuário (SPRIGLE; MAURER; SORENBLUM, 2010) e ao tipo do assento utilizado pelos sujeitos (GIESBRECHT; ETHANS; STALEY, 2011; HSIU-CHEN, 2011). Muito embora esteja claro que alterações morfológicas dos indivíduos, inclusive os aspectos patológicos da deficiência, devem alterar a forma de manusear a cadeira de rodas. Ainda assim, devido à heterogeneidade dos indivíduos, consideramos o conjunto de dados pouco conclusivo no que diz respeito à multiplicidade de aspectos envolvidos na CPM. 20 2. OBJETIVOS Geral Desenvolver um dinamômetro compacto para avaliação da potência propulsiva em cadeiras de rodas. Específicos a) Verificar a especificidade fisiológica do protótipo em teste de esforço aeróbio; b) Verificar a reprodutibilidade e especificidade do sistema de calibração do protótipo; c) Verificar a validade concorrente do sistema de aquisição de sinais para a determinação das rotações e da potência propulsiva. 21 3. METODOLOGIA Montagem do protótipo O equipamento foi montado nas dependências do Laboratório de Estudos em Avaliação da Performance Humana, da Escola Superior de Educação Física de Pernambuco (LAPH-ESEF ESEF-PE), PE), pelos pesquisadores proponentes e bolsistas vinculados à Universidade de Pernambuco em colaboração. Durante o processo de programação do software, realizou-se realizou parceria com pesquisadores adores do Núcleo de Educação à Distância da Universidade de Pernambuco (NEAD-UPE). (NEAD Para aquisição de todos os instrumentos e componentes constituintes do equipamento, foram utilizados recursos próprios. Do ponto de vista mecânico o protótipo do equipamento está montado sobre dois sistemas de rolamentos para bicicletas (Easy Scroll, Brasil), contendo seis cilindros com superfície de aço galvanizado de comprimentos de 0,45 m, perímetro de 0,24 m e massa de 1,6 kg.. Em cada extremidade dos cilindros fixam-se fixam mancais de poliuretano injetado, com rolamentos blindados. Os pares de cilindros se fixam pelas suas extremidades por duas barras laterais. Os dois “kits” de cilindro unem-se unem por parafusos em sua região central, de forma que funcionem sob eixos distintos. A B Figura 3:: componentes mecânicos do protótipo. A: sistema de rolamentos paralelos independentes, conectados entre si; B: cilindro para instrumentação do sensor magnético. se duas distâncias entre os eixos dos cilindros de cada “kit”, para Definiram-se terem duas orientações distintas, 0,2 e 0,1 m, sendo a primeira para ser utilizada 22 numa perspectiva de maior resistência ao rolamento, e a segunda para causar menor efeito de frenagem nagem e atrito à cadeira de rodas. Esta regulagem é necessária tento em vista as diferenças anatômicas, patológicas e fisiológicas existentes entre os indivíduos. Essa forma o tamanho final do protótipo é de aproximadamente 0,9 a 1m de largura, possibilitando possibilitando a avaliação de tamanhos variados de cadeiras de rodas. Na parte central, entre os dois kits de cilindros, conecta-se conecta um sistema de calibração (SCAL) articulado via roldanas para cabos duplos baseado no método dinâmico de determinação do momento de inércia, inércia, podendo ser erguido perpendicularmente aos eixos do equipamento a uma altura de 0,52 m, e a respectiva aceleração angular (α) ( ) do cilindro. Tal procedimento será ser realizado apenas quando da realização da calibração do sistema no cilindro de instrumentação (CIN). Para este protocolo será suspenso objeto de massa conhecida por meio de fio de nylon (Mazzaferro, Brasil) com espessura de 0,1mm, sendo liberado em seguida após acionamento do sistema eletrônico de contagem das rotações. Experimentalmente o MI pode ser determinado por meio de método dinâmico (PUPO; ZIEMATH, 2009).. Este procedimento consiste em utilizar o princípio da conservação da energia, no qual considera que o trabalho realizado por determinado objeto pode ser transmitido, em forma de energia cinética, para outro sistema ou material. Sendo assim, será fixado objeto de massa conhecida em uma haste móvel que estará conectada ao suporte central do protótipo. A B Figura 4 – Sistema de e calibração para cálculo do MI experimental, em ambos os lados de propulsão. A: sistema de calibração com o objeto suspenso. B: roldana para cabos duplos conectados ao objeto e ao cilindro de instrumentação. 23 A opção por utilizar o modelo experimental para calculo do MI é baseada nas diferenças que podem existir entre os valores obtidos quando comparados aos modelos teóricos. Tais alterações são encontradas por conta da desconsideração das propriedades dos materiais envolvidos no movimento de rotação que podem alterar-se no decorrer do tempo. Após a liberação desse objeto, que estará interligado ao CIN por meio de fio de nylon de 0,1mm (Mazaferro, Brasil), a velocidade linear impressa pela sua massa (Kg) será transmitida para o rolamento, que também será movimentado de acordo com a quantidade de massa deslocada. No início do procedimento o sistema eletrônico será acionado para contagem da velocidade de CIN. Como a altura e a massa do objeto serão sempre conhecidas, a determinação do MI será realizada após administração da equação [3], onde m e R2 representam a massa e o raio elevado ao quadrado do CIN, g e a as acelerações da gravidade e de CIN respectivamente, sendo necessário apenas coletar os valores de aceleração do sistema mecânico. O mesmo procedimento, sob as mesmas condições, deverá ser repetido em triplicata, permitindo utilizar valores medianos de tempo (ALGOOD, 2004) e velocidade (v). ( . )= 2 − [3] Sendo assim, a equação para determinação da potência propulsiva no dinamômetro poderia ser escrita da seguinte forma: ( ) = 2 − ∙ ∙ [4] Para montagem do sistema eletromecânico foram utilizados circuitos impressos com soldagem para distribuição dos sinais elétricos e sensores de proximidade do tipo indutivo (SensorBras, BRA), fixados nas barras laterais e posicionados ao lado dos CIN (direito e esquerdo), a uma distância que permita o sensoriamento e sem que haja interferência entre os imãs e o circuito de detecção. Os objetos magnéticos serão colocados na face lateral dos CIN, onde deverão ter 24 locais demarcados para controle da posição inicial (posição zero), de partida para os testes. Os sinais analógicos de detecção serão transmitidos ao conversor analógicoanalógico digital por meio de cabos emissores e receptores USB, conectados aos circuitos sensores por meio de plugues duplos. A B C D Figura 5 – A: sensores indutivos para detecção dos componentes metálicos e transmissão dos sinais analógicos à placa Arduino; B: posicionamento dos objetos metálicos nas laterais dos cilindros de instrumentação e conexão dos sensores na placa analógica-digital digital Arduino; Arduino; C e D: modelagem eletrônica dos dispositivos de acionamento e aquisição dos sinais de rotação, produzidos pelo software Fritzing, versão 0.7.4 para Windows (University of Applied Scienses, ALE) A aquisição e interpretação dos sinais analógicos é realizada por meio de interface open source Arduino Mega (Sparkfun, EUA), pré-fabricada pré fabricada com micromicro controlador ATmega 328, com velocidade de processamento de sinais máxima de 16MHz. O circuito está acondicionado em uma caixa quadrada para proteção, transporte e conexão dos seus componentes. Um circuito auxiliar, desenvolvido por meio de placa de circuito impresso, liga-se liga e aos pinos transmissores e receptores da placa Arduino, funcionando como um distribuidor dos sinais analógicos processados pela própria placa. 25 A programação do processador, baseada em linguagem C++, será realizada utilizando o próprio software de desenvolvimento Arduino Alpha, versão 022, para ambiente Windows. A velocidade de aquisição e interpretação dos sinais, por meio do controlador embutido no sistema, é pré-fixada a cada sinal recebido, em intervalos de tempo abaixo de 0,01s. Na figura 6 encontra-se detalhado fluxograma das etapas lógicas de rotina do algoritmo. A exibição dos valores obtidos do sistema é realizada por meio da janela serial disponibilizada pela própria placa conversora e também por intermédio do software PLX-DAQ (Parallax, EUA), com amostragem simultânea dos dados em gráficos produzidos em Excel 2007 (Microsoft Office 2007, Microsoft, EUA). Função Loop: Definição dos canais de entrada de sinal; Função Setup: Definição das tarefas do sistema operadores booleanos e estruturas de comando; Início da comunicação serial entre Arduino e PC ( via protocolo USB); Declaração das variáveis e funções permanentes (tempo, contagem de ciclos, rotação e PO); Função Loop: Calculo de PO, segundo equação do trabalho mecânico; Impressão das variáveis rotação e PO via comunicação serial. Figura 6 – etapas lógicas de tarefas executadas pelo software para aquisição, armazenamento e amostragem dos valores de rotações e PO Para calculo da PO será utilizada relação entre a quantidade de rotações desenvolvidas pelo CIN, e a resistência do sistema de rolamentos, representada pelo momento de inércia do cilindro de instrumentação (MICIN), determinado por meio de protocolo de calibração dinâmico. A partir do conhecimento dos valores das rotações, da distância horizontal por intervalo de tempo e do MICIN, poderemos encontrar a PO administrando a equação abaixo, derivada da relação existente entre trabalho (t) e movimento rotacional: ( ) = ∙ ∙ 1 [5] 26 Onde d é uma constante igual a 0,24 (perímetro de CIN), t é o tempo determinado como sendo o nível de sensibilidade do sistema eletrônico, e MI (resistência do sistema) em quilogramas por metro (Kg.m). Dessa forma, será possível determinar a PO produzida a cada rotação do CIN ou, se for o caso, a cada giro completo da roda traseira na própria cadeira de rodas do usuário, a partir da relação de transmissão encontrada antes do início do teste. Para as duas condições PO será expressa em watts (W). 27 4. RESULTADOS Artigo 1: Especificidade de um dinamômetro para usuários de cadeiras de rodas Autores: Saulo Fernandes Melo de Oliveira†*, Ana Patrícia Siqueira Tavares Falcão†, José Humberto Morales Vieira de Melo†, Afonso Augusto Guimarães Bione‡, Leonardo dos Santos Oliveira**, Fabíola Lima de Albuquerque†*, Manoel da Cunha Costa†* Afiliações: * Programa Associado de Pós-graduação em Educação Física, UPE/UFPB † Laboratório de Estudos em Avaliação da Performance Humana (LAPH) ** Mestre em Educação Física. Laboratório de Cineantropometria, Universidade Federal da Paraíba (LABOCINE-UFPB) ‡ Programador, Núcleo de Educação à Distância, Universidade de Pernambuco (NEAD-UPE) Correspondência: Saulo Fernandes Melo de Oliveira. Rua Félix de Brito e Melo, n. 605, apto. 102. Boa Viagem, Recife/PE. CEP: 51.020.260. Fones: (81)3465.9053, (81)9238.6030. RESUMO O presente estudo teve como objetivo verificar a especificidade de um dinamômetro compacto para avaliação de cadeiras de rodas (DINACOM). Participaram da investigação cinco homens saudáveis (21,2 ± 2,7 anos), que depois de informados de todos os procedimentos para o experimento, eles foram colocados em quatro formas diferentes de conduzir exercícios de propulsão manual em cadeira de rodas fixado no DINACOM. O protocolo foi realizado durante 5 minutos para uma taxa de tensão de 120% da frequência de livre escolha. Valores de freqüência cardíaca e uma percepção subjetiva de esforço geral (PSE-G) e específico (PSE-E) foram recolhidos no final de cada minuto. Os dados foram analisados pelo teste de Kruskal-Wallis entre os estilos de propulsão. Não houve diferença significativa entre as quatro maneiras de lidar com as variáveis medidas (P>0,05). Estes resultados confirmam a especificidade do protótipo para avaliar os parâmetros cinéticos da cadeira de rodas o desempenho do motor. Palavras-chave: testes de esforço, biomecânica, ergonomia. 28 INTRODUÇÃO No Brasil a população de usuários de cadeiras de rodas ultrapassa os 930 mil habitantes 1; valor que cresce a cada dia por conta do grande número de acidentes automobilísticos, que provocam lesões permanentes na coluna vertebral e também amputações nos membros inferiores. Esses indivíduos reportam como sendo os principais fatores que dificultam os seus movimentos diários: a utilização das suas próprias cadeiras de rodas, que seriam inapropriadas em alguns casos, juntamente às barreiras arquitetônicas e de locomoção 2. A quebra do paradigma de locomoção por parte de usuários de cadeiras de rodas aliada a quantidade de acidentes e lesões associadas mecânica relacionada ao seu deslocamento 3,4 e a baixa eficiência 5,6 , torna-se a principal característica de apoio e preocupação por parte de médicos, fisioterapeutas e profissionais de educação física, havendo necessidade constante de adequação dos procedimentos de análise, diagnóstico 7 e treinamento físico desses sujeitos. Por conta da especificidade da atividade física e do movimento de propulsão em cadeiras de rodas, alguns instrumentos foram previamente adequados e construídos para a avaliação do desempenho físico deste público 8,9, variando desde aparatos mecânicos adaptados à cicloergômetros 10 , até equipamentos sofisticados usados em centros de reabilitação e pesquisa com a possibilidade de utilização da própria cadeira de rodas dos usuários 9,11 . Contudo, os equipamentos disponíveis pecam pelo tamanho excessivo com pressupostos ergométricos instrumentação e uso de diversos sensores adicionais conjunto cadeira de rodas+usuário 13 8,9 , necessidade de 12 , acréscimo de peso ao e complexidade nas medidas inerciais que interferem no movimento 12. Os métodos de avaliação do desempenho em cadeiras de rodas incluem em seus protocolos de reabilitação e treinamento com exercícios a verificação de capacidades físicas dos sujeitos 14,15 aliados às técnicas de manobrabilidade 16,17 do instrumento de locomoção em particular. Este conjunto de características advém da complexa interação de fatores existentes na propulsão manual de cadeiras de rodas 11 . Sendo assim, muito embora tenhamos recursos metodológicos voltados a essas análises, ainda é difícil a interpretação objetiva dos resultados desses testes. 29 Outro complicador atuante nessas intervenções é a característica ergométrica dos equipamentos atualmente disponíveis, limitando a sua utilização aos protocolos que simulam a cinemática propulsão manual em relação à sustentação do trabalho total, ou a carga final suportada, executados por cada sujeito numa determinada conformação física ou ergonômica dos seus instrumentos 18,19 . Este aspecto torna- se ainda mais importante quando analisadas pessoas com grandes limitações motoras por meio de ergômetros, podendo haver desajustes dos avaliados para suportar as cargas mínimas impostas. Convém lembrar que esses equipamentos possuem gradação de carga que impossibilitam pessoas com graves lesões vencerem as resistências com a força muscular, inclusive por curtos períodos de tempo. Na tentativa de solucionar parte desses problemas, foi desenvolvido um dinamômetro compacto que tem como objetivo a avaliação motora em usuários de cadeiras de rodas, com a possibilidade de adequação da própria cadeira diariamente utilizada, sendo direcionado à medição dos fatores relacionados à potência produzida a partir da interação entre indivíduo e instrumento. Testes iniciais máximos vêm identificando altos valores de reprodutibilidade, por meio de protocolos de uma e dez propulsões máximas 20. Outro aspecto de fundamental importância em instrumentos de medida é a especificidade do método a ser utilizado, que diz respeito à capacidade de avaliar, com bom nível de sensibilidade, a variável que se deseja analisar. Este pressuposto científico tem sido observado em diversos dispositivos e metodologias voltadas à avaliação de características motoras em usuários de cadeiras de rodas 21,22. O estudo biomecânico da locomoção em cadeiras de rodas grande parte dos pesquisadores se concentra nas características de movimento dos membros superiores, levando em consideração as fases do movimento propulsivo e de recuperação 4 . Isto se deve ao fato de atribuir-se aos níveis de stress nas articulações dos ombros, cotovelos e punhos, que estão correlacionados aos diversos estilos de propulsão manual em cadeiras de rodas 3. Por este motivo, a identificação dos padrões propulsivos é objetivo de diversas pesquisas clínicas nesta área, traduzindo-se numa vasta corrente de pesquisa e desenvolvimento tecnológico e ergonômico na área da acessibilidade e eficiência do movimento. Estudos anteriores, tem se utilizado de não usuários de cadeiras de rodas para caracterizar 30 as demandas fisiológicas dos diversos estilos 17,23 . Isto se faz necessário devido à preferência pelo estilo propulsivo que pode ser encontrada em usuários experientes. No caso do protótipo desenvolvido, até o presente momento se desconhece as reais demandas fisiológicas impostas em protocolos de testes padronizados. Tendo em vista a necessidade de verificar, em caráter adicional, o efeito do esforço físico diante das características mecânicas do novo equipamento, o objetivo do presente estudo piloto foi identificar a especificidade fisiológica do equipamento, analisando a resposta da frequência cardíaca e de percepção subjetiva de esforço (geral e específica) a partir de um protocolo experimental submáximo em sujeitos não usuários de cadeiras de rodas. Pelo fato de tratar-se de um equipamento para medição e análise em dinamometria, acredita-se que alterações realizadas no estilo propulsivo dos sujeitos não serão suficientes para demandar esforços aeróbios submáximos em sua utilização, sendo esta a principal hipótese do estudo. MATERIAIS E MÉTODOS Pesquisa A presente investigação, que possui abordagem quantitativa e delineamento transversal, foi devidamente aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade de Pernambuco (protocolo nº 078/2011), e faz parte de um projeto principal, interdisciplinar, que envolve o desenvolvimento de tecnologias e metodologias para a avaliação do desempenho em usuários de cadeiras de rodas. Descrições Básicas do Protótipo Partes mecânicas: o Dinamômetro Compacto (DINACOM) é um sistema mecatrônico desenvolvido por pesquisadores da Escola Superior de Educação Física em parceria com o Núcleo de Educação à Distância, ambos grupos da Universidade de Pernambuco, que tem como objetivo principal a avaliação da potência propulsiva em cadeiras de rodas, possibilitando a utilização, por parte do usuário, do seu próprio instrumento de locomoção e/ou treinamento esportivo. Para acomodação do peso do conjunto sujeito+cadeira de rodas, foram conectados dois sistemas de cilindros (Easy Scroll, Brasil) dispostos paralelamente e unidos pelas suas extremidades pelas suas hastes de sustentação laterais. Cada sistema é composto por três cilindros separados por duas distâncias distintas (0,1 e 0,2 m), 31 para que possam ser produzidos efeitos maiores e menores de resistência ao rolamento no momento de sua utilização. A resistência resistência ao rolamento constitui-se constitui na força de oposição ao movimento de giro dos pneus em uma determinada superfície 24, que é aumentada na conformação de maior distância entre os cilindros (0,2 m). O cilindro central é considerado o cilindro de instrumentação instrumentação (CIN), onde são conectados dois objetos circulares metálicos para acionamento dos sensores de rotação. Cada cilindro possui comprimento de 0,45 m, perímetro de 0,24 m e massa 1,6 kg. (A) Dinamômetro compacto (DINACOM) (DINACOM Figura 1 – (A) para avaliação da potência em cadeiras de rodas (visão superior); (B) Voluntário em período de adaptação ao equipamento. Sujeitos A amostra do estudo foi determinada por conveniência, sendo composta por 5 sujeitos do gênero masculino (21,2±2,7 anos) que não utilizam cadeiras cadeir de rodas usualmente, no sentido de afastar a possibilidade de recorrerem a padrões de movimentos previamente selecionados de acordo com a preferência de utilização 25 . Após explicação dos procedimentos experimentais, todos assinaram termo de consentimento to livre esclarecido e também responderam ao questionário de prontidão para prática de atividades físicas (PAR-Q, (PAR Q, versão 2002). Participaram do estudo apenas aqueles que responderam satisfatoriamente ao inquérito, que não reportaram dores, lesões ou quaisquer quaisq desconfortos musculares ou articulares nos membros superiores, não relataram problemas de saúde diversos que viessem a interferir fisiologicamente na frequência cardíaca e na percepção subjetiva de esforço, além dos que tivessem praticado atividade física fís vigorosa 24h antes da sessão experimental. 32 Especificidade Fisiológica do Protótipo Em todas as situações experimentais utilizou-se apenas a porção mecânica do protótipo, sem aquisição dos sinais eletrônicos advindos dos sensores de rotação. Inicialmente mediu-se a frequência cardíaca de repouso com os sujeitos sentados por 10 minutos e realizando o mínimo de movimentos, com um dos avaliadores realizando a medida da frequência cardíaca por um monitor eletrônico de pulso (Polar, FS1, Finlândia) em intervalos de 30s. Ao final utilizou-se o valor mediano de todas das medidas. Os voluntários foram analisados mediante administração de protocolo de impulsos contínuos. Os sujeitos foram devidamente posicionados no equipamento, utilizando para este procedimento uma cadeira de rodas especialmente desenvolvida para prática de basquetebol, que permaneceu inalterada para todos os sujeitos, com cambagem das rodas fixada em 0° e pressão máxima dos pneus a 60 libras por polegada quadradas. Figura 2 – estilos cinemáticos de propulsão manual em cadeiras de rodas; 1. Deslizamento; 2. Semicircular; 3. Circular; 4. Looping simples; 5. Loopling duplo. Todos os voluntários passaram por um período de familiarização (2-3 minutos), no estilo de propulsão manual anteriormente determinado de maneira aleatória diretamente no site www.randomized.com 26 , após explicação verbal e visual da cinemática do movimento por parte dos pesquisadores. Cumpre destacar que apenas 4 dos 5 estilos encontrados na literatura foram utilizados, sendo considerados os padrões circular e semicircular como sendo um só. No último minuto da familiarização dois avaliadores contaram visualmente o número de propulsões executadas por cada sujeito, sendo esta a frequência livre de propulsão (FPL) individual para cada estilo fixada em 100%. Após período de descanso (5 33 minutos) os voluntários realizaram protocolo contínuo de esforço, com frequência de propulsão fixada em 120%FLP, com estágios de 1 minuto. Ao final de cada estágio foi coletada a frequência cardíaca (FC) e percepção subjetiva de esforço geral (PSEG) e específica (PSE-E). A percepção subjetiva de esforço foi determinada pela administração de escala de BORG analógica (6-20) 27. A frequência de propulsão foi controlada por meio de metrônomo auditivo (M&M Systems, versão 2.0, Alemanha) Análise dos dados Para análise dos dados foi utilizado o pacote estatístico SPSS, versão 20.0. Inicialmente, realizaram-se procedimentos exploratórios dos dados e verificação das medidas de tendência central e variabilidade, para as três variáveis analisadas (FC, PSE-G e PSE-E). Para comparação entre os estilos de propulsão optou-se por utilizar teste de Kruskal-Wallis para amostras independentes. Para todas as condições considerou-se significativo um valor de P<0,05. RESULTADOS As respostas fisiológicas da frequência cardíaca e da percepção subjetiva de esforço dos sujeitos, sob as 4 condições de propulsão manual, encontram-se demonstrados na figuras 3 e 4. Verificou-se por meio do teste de hipótese selecionado que não houve diferenças significativas (p>0,05) entre as respostas da frequência cardíaca, bem como em ambas as percepções subjetivas de esforço (geral e específica), quando analisados os estilos de propulsão entre os mesmos estágios do protocolo do esforço. 34 Frequência Cardíaca (BPM) 120 100 80 60 Deslizamento Semicircular Looping Simples 5 min. 4 min. 3 min. 2 min. 1 min. ~5-10min. 5 min. 4 min. 3 min. 2 min. 1 min. ~5-10min. 5 min. 4 min. 3 min. 2 min. 1 min. ~5-10min. 5 min. 4 min. 3 min. 2 min. 1 min. 0 40 Looping Duplo Figura 3 – Respostas da frequência cardíaca nos 4 estilos de propulsão manual em um protocolo de esforço contínuo a 120%FLP. (N=5) No que concerne ao desenvolvimento das variáveis ao longo do tempo dos protocolos, percebe-se leves aumentos nos três indicadores de esforço, especialmente nos últimos minutos do exercício contínuo. Este achado é verificado inclusive na frequência cardíaca, mesmo tendo partido, conforme se verifica na figura 1, de valores de repouso maiores em comparação ao estilo imediatamente anterior. Além dos dados de frequência cardíaca e percepção subjetiva analisados de maneira objetiva, perceberam-se por parte dos avaliadores, diferenças visuais nas frequências de propulsão entre os cinco sujeitos, que variaram entre valores de 30 e 50 excursões/propulsões por minuto (PPM), aproximadamente, para os quatro estilos analisados. 35 Pontos da Escala de Borg Geral A 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 14 12 10 8 6 4 2 Deslizamento Semicircular Looping Simples 5 min. 4 min. 3 min. 2 min. 1 min. ~5-10min. 5 min. 4 min. 3 min. 2 min. 1 min. ~5-10min. 5 min. 4 min. 3 min. 2 min. 1 min. ~5-10min. 5 min. 4 min. 3 min. 2 min. 0 ~5-10min. Pontos da Escala de Borg Específica B Looping Duplo Figura 4 – Percepção subjetiva de esforço geral (A) e específica (B) em resposta a um protocolo contínuo de esforço nos quatro estilos propulsivos a 120%FPL. (N=5) DISCUSSÃO O presente trabalho pode ser caracterizado como uma quebra de paradigma no campo da avaliação do desempenho em usuários de cadeiras de rodas. Os equipamentos hoje em dia disponíveis para diagnose deste público têm como 36 objetivo a determinação da máxima capacidade de suportar o esforço imposto por mecanismos de frenagem mecânica ou eletromagnética 8,9,11,28,29. A intenção deste estudo piloto foi caracterizar a modificação do padrão propulsivo em cadeiras de rodas que, conforme aponta Boninger et al 4, são as principais causas de sobrecarga muscular e articular aos membros ativos durante o movimento ocasionando, a longo prazo, problemas crônicos tais como tendinites, inflamações ou lesões de esforço repetitivo 30. A escolha pela verificação da frequência cardíaca e também do esforço subjetivo pela escala de Borg, seguem os padrões encontrados na literatura para identificação de processos adaptativos agudos comuns a esforços realizados em instrumentos ergométricos, tais quais as esteiras rolantes os ergômetros de cadeirantes 31 , os cicloergômetros 10 e 29 . Contudo, não foram observadas diferenças significativas nessas variáveis em todas as condições do protocolo experimental (tempo e estilo propulsivo). Lenton et al 17 , avaliaram a repercussão das estratégias de propulsão e também da frequência de impulsos sobre a eficiência mecânica, o gasto energético e a percepção subjetiva de esforço geral, periférica e dos músculos ativos, encontrando reduções nesses parâmetros quando comparados os grupos experimentais e um grupo controle. De maneira similar, Goosey-Tolfrey et al , verificaram a interação entre a frequência e estratégias propulsivas, demonstrando que em um mesmo estilo síncrono de manuseio as demandas de frequência cardíaca e percepção de esforço (geral e específica) tendem a ser maiores nas frequências de propulsão mais altas, a partir de 70 revoluções por minuto, discordando dos achados encontrados no presente estudo. Até o momento, não foram localizados na literatura estudos que tenham sido conduzidos no intuito de verificar, de maneira proposital, a influência dos estilos de propulsão em cadeiras de rodas sobre a frequência cardíaca e a percepção subjetiva de esforço. Sendo assim, iniciativas desse tipo podem aumentar a capacidade de tomada de decisão sobre as formas de manuseio mais econômicas e eficientes do ponto de vista fisiológico, melhorando o seu desempenho de locomoção diário ou esportivo. De maneira objetiva, acreditamos que a frequência, numa frequência de impulsos de 120%FLP, não foi suficiente para promover aumentos consideráveis na 37 frequência cardíaca na amostra estudada. Ainda assim, pudemos perceber diferenças entre os estilos de propulsão selecionados, inclusive no que diz respeito à percepção subjetiva de esforço nos músculos ativos, mesmo não sendo essas diferenças estatisticamente significativas. Este mesmo comportamento também foi observado para a percepção de esforço dos sujeitos. Além dessa característica, a propulsão manual de cadeira de rodas acaba por tornar-se um movimento que envolve grupos musculares de menor tamanho, e que possuem amplitudes articulares maiores, ainda que sejam, anatomicamente, músculos que não participam cotidianamente das ações primárias de locomoção (no caso da amostra desse estudo). Isto pode ter influenciado a diminuição da resposta da frequência cardíaca em consequência do esforço moderado imposto ao sistema cardiovascular. Em decorrência de tal magnitude, percebeu-se a confirmação da hipótese pela sensação subjetiva relatada pelos voluntários. Dessa forma, podemos concluir que o protótipo possui características de especificidade de sua utilização, já que a sua principal finalidade é a de analisar variáveis cinéticas do movimento em cadeiras de rodas, principalmente a potência propulsiva. Esta função parece ser decisiva para a não determinação de diferenças significativas nas variáveis selecionadas de esforço físico e ergométrico. CONCLUSÃO Conclui-se que o estilo de propulsão parece não influenciar nas respostas da frequência cardíaca e também no esforço percebido dos usuários em protocolo de esforço contínuo submáximo realizado no DINACOM. Estes resultados indicam a especificidade mecânica do equipamento para avaliação de características cinéticas da propulsão manual em indivíduos que usam cadeiras de rodas. Sugere-se, para estudos posteriores, testar o mesmo protocolo experimental utilizando frequências propulsivas maiores, a partir de 130%FLP. Elencamos como principais limitações do estudo o pouco tempo de prática por parte dos voluntários, o número de sujeitos envolvidos nas fases do experimento e a consideração apenas da faixa de 120%FLP, apesar da manutenção das recomendações apresentadas em estudos anteriores. 38 REFERÊNCIAS 1. Sagawa Júnior Y, Haupenthal A, Borges Junior NG, Santos DP, Watelain E. Wheelchairs propulsion analysis: review. Fisioterapia em Movimento. 2012;25(1):185-194. 2. Chaves ES, Boninger ML, Cooper R, Fitzgerald SG, Gray DB, Cooper RA. Assessing the influence of wheelchair technology on perception of participation in spinal cord injury1. Archives of physical medicine and rehabilitation. 2004;85(11):1854-1858. 3. Collinger JL, Boninger ML, Koontz AM, et al. 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Medicine & Science in Sports & Exercise. 2011;43(2):319. 41 Artigo 2: Metodologia para Calibração e sua Especificidade em um Dinamômetro para Usuários de Cadeiras de Rodas Saulo Fernandes Melo de Oliveira*, Afonso Augusto Guimarães Bione†, Filipe de Freitas Lima††, Manoel da Cunha Costa** † Núcleo de Educação a Distância (NEAD), Universidade de Pernambuco * Aluno do Programa Associado de Pós-graduação em Educação Física, UPE-UFPB. ** Professor do Programa Associado de Pós-graduação em Educação Física, UPE- UFPB †† Aluno de Iniciação Científica, Laboratório de Estudos em Avaliação da Performance Humana, UPE. RESUMO O objetivo do presente trabalho foi verificar a reprodutibilidade e especificidade de um sistema de calibração desenvolvido para um dinamômetro compacto em cadeiras de rodas. O sistema possui duas partes constituintes; na porção mecânica, o protótipo consiste em dois kits de cilindros paralelos (massa: 1,6kg; comprimento: 0,45m; perímetro: 0,24m), interligados entre si por um sistema de calibração experimental do momento de inércia dinâmico (MI). A porção eletroeletrônica é formada por sensores do tipo indutivo colocados lateralmente aos cilindros de rotação e uma placa conversora analógica digital do tipo Arduino®. Os dados são transmitidos a um computador pessoal para determinação da potência propulsiva. Com 24h de diferença, dois avaliadores realizaram o procedimento de calibração com incrementos de massa conhecida, em ambos os lados do protótipo. Em seguida, 6 sujeitos saudáveis do gênero masculino (peso: 67,14 ± 4,41kg; estatura: 1,73 ± 4,41m), realizaram protocolo de sprint em máxima velocidade por 20s. Os valores de MI determinados pelo modelo experimental foram comparados com o MI calculado pelo modelo teórico. Da mesma forma, os valores de PO determinados com uso do modelo experimental foram comparados com aqueles calculados pelo modelo teórico. Os resultados da plotagem de Bland-Altman e de coeficiente de correlação intraclasse evidenciam ótimos resultados de reprodutibilidade intra () e interavaliadores (), em ambos lados do equipamento. O teste de hipótese confirmou a objetividade do sistema de calibração, mostrando valores estatisticamente diferentes aqueles de MI e PO aqueles calculados pelo modelo teórico (P<0,0001). Conclui-se que o sistema cumpre o seu papel de calibração, mostrando-se como uma alternativa necessária para o controle da confiabilidade dos dados obtidos em testes com dinamometria para usuários de cadeiras de rodas. Palavras-chave: testes de esforço, biomecânica, cadeiras de rodas, plataforma Arduino 42 INTRODUÇÃO Na maioria dos casos equipamentos ergométricos são utilizados para verificar as capacidades físicas em usuários de cadeiras de rodas. Ainda que sob o enfoque de análise em dinamometria, alguns equipamentos possuem sistemas de incrementos de carga adicional, requerendo alterações ergonômicas dos sujeitos e limitando sua utilização aos valores mínimos de potência ou carga de frenagem impostas em testes de esforço, nem sempre suportadas por sujeitos de diferentes deficiências. Nesse aspecto, a oportunização de protótipos que permitam verificar a máxima potência produzida pelo binômio usuário+cadeiras de rodas torna-se uma necessidade da prática na avaliação do desempenho neste público. Do ponto de vista funcional e ergonômico, a capacidade de propulsão manual em cadeiras de rodas constitui-se num movimento pouco eficiente 1,2 , estando dependente das interações existentes no conjunto cadeira de rodas+usuário 3. Neste sentido Vanlandevijck e cols. 2, em estudo clássico, encontraram baixos valores de eficiência mecânica e alterações significativas nos padrões de propulsão manual quando testados sujeitos experientes a partir de 1,67 e 2,22 m/s (6,01 e 7,92 km/h). Além da velocidade, a carga externa (PO) utilizada para opor-se ao movimento simulado de locomoção constitui-se em fator de diminuição da eficiência mecânica e aumento do dispêndio energético relacionado à atividade. Neste sentido, a avaliação ergonômica e funcional desse público necessita de equipamentos de possam eliminar fatores deletérios a eficiência do movimento. Por esses motivos, os equipamentos que permitem a utilização da própria cadeira de rodas dos sujeitos tornam-se a melhor opção para avaliação da maior capacidade de propulsão manual 3-5 . Análises realizadas em equipamentos ergométricos para usuários de cadeiras de rodas permitem a verificação da máxima capacidade de trabalho muscular, por intervalos de tempo definidos. Baseiam-se na determinação de uma carga externa, sendo considerada a força de frenagem e representada pelas grandezas físicas força, kilogramas ou newtons, e pelo espaço ou tempo decorrido até vencer esta resistência que se opõe ao movimento. A partir da relação entre essa força de frenagem, o tempo e o espaço percorrido por esta força, obtêm-se a potência externa, ou potência resultante (eq. 1), variável que está 43 presente na esmagadora maioria dos equipamentos destinados ao treinamento e avaliação do condicionamento físico. = ∙ ou = ∙ [1] Onde f, d, t e v são respectivamente, força, distância, tempo e velocidade. Esses indicadores também podem ser transferidos para outros equipamentos de caráter dinamométrico ou de potência muscular. Após a determinação dessa variável, é possível conjecturar e relacioná-la com outros indicadores relacionados ao desempenho físico tais como a eficiência mecânica (eq. 2). (%) = ! ∙ 100 2 [2] Em estudos experimentais ou para desenvolvimento de novas técnicas de exercitação é de fundamental importância a demonstração dos pressupostos mecânicos e físicos que intervêm no movimento. Entre as grandezas que participam do movimento a inércia (I) configura-se como uma força de característica posicional e geométrica, sendo considerada como a possibilidade de oferecer resistência ao movimento, quer seja este linear ou rotacional 6,7 . No plano físico, a inércia de um corpo é representada pela relação entre massa e o tamanho dos corpos. A massa pode ser determinada por procedimentos mecânicos ou eletrônicos de medição do peso e o tamanho considera-se como sendo a distância geométrica entre as extremidades do mesmo corpo. Para os movimentos rotacionais considera-se o análogo da inércia, conhecido como Momento de Inércia (MI). Matematicamente ambas grandezas podem ser calculadas conhecidas as dimensões e o volume dos corpos (eq. 3 e eq. 4). A maioria dos procedimentos existentes 3,8,9 , consideram as propriedades dos materiais que participam do movimento e, a partir da aplicação de procedimentos matemáticos, se equalizam as forças atuantes e que freiam o seu desenvolvimento normal. = , onde I é o momento de inércia e m a massa de um corpo [3] 44 $ =% ∙ % [4] , onde MI é o momento de inércia, M e R2 a massa e o raio do objeto, respectivamente. Percebe-se então que os instrumentos devem possuir procedimentos de calibração de acesso fácil, rápido e que considere não só as dimensões geométricas ma também as propriedades mecânicas dos materiais envolvidos no processo. Recentemente foi desenvolvido um equipamento compacto para avaliação da potência em cadeiras de rodas, com o objetivo de identificar a máxima capacidade de geração de trabalho mecânico em usuários correntes e esportivos 10 . Devido ao baixo volume para facilitar o seu transporte, as partes que o constituem possuem dimensões menores quando comparado com outros modelos existentes 5. Esta característica conformacional requer um método de calibração condizente que a objetividade e acessibilidade do novo dinamômetro. Por esses motivos, os objetivos da presente investigação são: a) demonstrar o sistema e o método de calibração do dinamômetro compacto; b) verificar a reprodutibilidade do referido sistema; e c) comparar os valores de potência calculados pelos modelos experimental e teórico do momento de inércia. Acreditamos na hipótese de que o procedimento demonstrado neste trabalho possui boa reprodutibilidade e especificidade quando comparado ao modelo teórico. MATERIAIS E MÉTODOS Sistema de cilindros para testes de esforço Partes mecânicas: o Dinamômetro Compacto (DINACOM) é um sistema mecatrônico desenvolvido por pesquisadores da Escola Superior de Educação Física em parceria com o Núcleo de Educação à Distância, ambos grupos da Universidade de Pernambuco, que tem como objetivo principal a avaliação da potência propulsiva em cadeiras de rodas, possibilitando a utilização, por parte do usuário, do seu próprio instrumento de locomoção e/ou treinamento esportivo. Para 45 acomodação do peso do conjunto sujeito+cadeira de rodas, foram conectados dois sistemas de cilindros (Easy Scroll, Brasil) dispostos paralelamente e unidos pelas suas extremidades pelas suas hastes de sustentação laterais. Cada sistema é composto por três cilindros separados por duas distâncias distintas (0,1 e 0,2 m), para que possam ser produzidos efeitos maiores e menores de resistência ao rolamento no momento de sua utilização. A resistência ao rolamento constitui-se na força de oposição ao movimento de giro dos pneus em uma determinada superfície 11 , que é aumentada na conformação de maior distância entre os cilindros (0,2 m). O cilindro central é considerado o cilindro de instrumentação (CIN), onde são conectados dois objetos circulares metálicos para acionamento dos sensores de rotação. Cada cilindro possui comprimento de 0,45 m, perímetro de 0,24 m e massa 1,6 kg. Partes eletroeletrônicas: Os dados de rotação dos cilindros são coletados por meio de dois sensores magnéticos de rotação do tipo “reed switch”. Para transmissão e interpretação dos sinais eletrônicos utilizou-se plataforma de hardware e software abertos Arduino® (Arduino, Itália), especialmente programada para interface física com o mundo externo a partir das informações advindas de diversos meios de comunicação. A placa foi devidamente programada para leitura dos sinais em intervalos menores que 1 segundo. Simultaneamente seus sinais são transmitidos a um computador pessoal para amostragem e armazenamento das informações em arquivos do tipo xlsx ou xls (Office Excel for Windows, Estados Unidos). A comunicação entre a placa Arduino® e o Excel é realizada por meio do software PLX-DAQ (Parallax, Estados Unidos). 46 B A Figura 1 – (A) Dinamômetro compacto (DINACOM) para avaliação da potência em cadeiras de rodas (visão superior); (B) DINACOM com o sistema eletroeletrônico de contagem, interpretação e gravação dos sinais advindos dos sensores de movimento rotacional. Sistema tema de calibração e calculo da potência propulsiva: Pupo e cols 12 , demonstraram um procedimento padronizado para verificação do momento de inércia experimental, utilizando a relação entre aceleração rotacional, a transmissão da energia cinética entre objetos objetos e a resistência padrão de oposição ao movimento, conforme procedimentos contidos nas equações 5, 6 e 7 . Um objeto de massa conhecida é suspenso por uma haste de calibração localizada na região central do DINACOM a uma altura de 0,45m. Após a sua liberação, liberação, a massa mantém sua velocidade constante até alcançar o ponto mais baixo (solo). Este objeto é conectado por um fio de nylon de 1,0 mm (Grilon, Mazzaferro, Brasil) ao cilindro de instrumentação, transmitindo a sua velocidade e energia cinética. Dessa forma, considerando as equações de velocidade e energia cinética temos que: = 2 ' ( &% % 2 ) [5] Onde Como h é a altura, v a velocidade e w é a velocidade angular do cilindro de instrumentação. Considerando que: 47 (= 1 ! 2 % [6] = [7] &= [8] Substituindo os valores na equação original, podemos considerar que o momento de inércia para o sistema de calibração organizado do DINACOM seria: = 2 &= 1 % ' *+2, % -− . /% ) 2 [9] Simplificando os valores da equação 9, por meio de procedimentos matemáticos obtemos o seguinte modelo matemático para determinação do momento de inércia: = − % [10] Onde m e R2 são a massa e o raio do cilindro de instrumentação, respectivamente, g a aceleração da gravidade (determinada em 10m/s2) e a a aceleração do cilindro de instrumentação no intervalo de tempo decorrido até que o objeto toque o solo. A partir da consideração da força padronizada de oposição ao movimento rotacional, e considerando a distância linear percorrida pelos cilindros em cada rotação completa (0,24m), aplicando o MI nas equações que determinam o trabalho mecânico (eq. 1) gerado a cada giro do DINACOM, temos que a potência (em watts) pode ser determinada da seguinte forma: ( ) = ∙ ∙ 0,24 [11] Onde RPM é o número de rotações desenvolvidas pelo cilindro por minuto, MI o momento de inércia determinado pelo sistema de calibração, 0,24 a constante linear de distância percorrida após um giro completo do cilindro e t o tempo decorrido de cada giro. 48 Reprodutibilidade e Especificidade do Sistema de Calibração Para verificar a especificidade do sistema desenvolvido para calibração do momento de inércia (MI) dos cilindros de instrumentação utilizou-se procedimento de teste-reteste por dois avaliadores independentes. Cada pesquisador realizou o procedimento de calibração com incremento de 10 massas conhecidas (0,01 kg). Para cada incremento de pesos o procedimento de calibração foi repetido em triplicata e considerado o valor de MI mediano entre as medidas e armazenamento das informações pelo sistema eletroeletrônico. Todas as massas foram medidas previamente cada tentativa (Marte, Brasil) em balança mecânica com precisão de 0,01 kg. Após a verificação de ambos os pesquisadores, os valores de MI experimental foram comparados ao método teórico (eq.4) para verificação da especificidade do método experimental desenvolvido especialmente para o protótipo. Adicionalmente, 6 voluntários não usuários de cadeiras de rodas (67,14 ± 4,41kg; 1,73 ± 4,41m) participaram de um protocolo experimental d esforço máximo no DINACOM. Os sujeitos tiveram as informações de massa corporal e estatura coletados em equipamentos calibrados e segundo padronização internacional (International Standartization of Advance Kinantropometry, 2002). Após explicação de todos os procedimentos de coleta, os sujeitos assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido e concordaram em participar do estudo. Esta fase da pesquisa está devidamente protocolizada no Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade de Pernambuco (n. 078/2011, CEP-UPE). Os voluntários se posicionaram no DINACOM por meio de uma cadeira de rodas específica para prática de basquetebol, com eixo de cambagem de 0° e pressão dos pneus máxima fixada em 60psi, para diminuir os efeitos de resistência ao rolamento. A cadeira de rodas foi travada no dinamômetro utilizando cintos de segurança, com o objetivo de produzir o mínimo de movimentos laterais ou longitudinais e manter o equilíbrio dos usuários. Após período de aquecimento de 1 minuto, os voluntários realizaram sprint de 20 segundos, a máxima velocidade de movimentos possível. Os valores de rotação foram coletados em intervalos de tempo menores que 1 segundo, sendo considerados para as análises apenas os 10 segundos iniciais do teste de sprint. Este procedimento está em conformidade com 49 estudos anteriores que avaliaram a potência propulsiva em usuários de cadeiras de rodas 3,13. Procedimentos Estatísticos Os dados foram analisados por meio de estatística exploratória, para verificação dos pressupostos de normalidade dos dados utilizando teste de KruskalWallis. No intuito de verificar a reprodutibilidade do sistema de calibração os valores de MI experimental advindos de ambos os avaliadores e lados do DINACOM foram plotados por meio dos procedimentos de Bland-Altman, com determinação dos limites superior e inferior de concordância. Adicionalmente calculou-se o coeficiente de correlação intraclasse tanto para os lados do DINACOM quanto para os dois avaliadores. Para verificar a objetividade do sistema de calibração, os valores de MI e PO experimental foram comparados por meio de teste t simples, utilizando como parâmetros de referência o MI e a PO calculados por meio do modelo teórico matemático. Os dados foram analisados utilizando os pacotes estatísticos SPSS (IBM, versão 20.0, Estados Unidos) e Graphpad Prism (fabricante, versão 5.0, Estados Unidos). Para todas as análises considerou-se significativo um valor de P ≤ 0,05. RESULTADOS Os valores dos índices de reprodutibilidade intra e interavaliadores estão divididos na tabela 2, que trata dos valores relativos ao coeficiente de correlação intraclasse e na figura 5, onde estão disponíveis os gráficos produzidos conforme procedimentos de Bland-Altman. Tabela 1 – Índices de reprodutibilidade inter e intra-avaliadores CCI – intra A CCI – intra B CCI – Inter CCI (D-E) CCI (D-E) CCI-D CCI-E 0,94* 0,92* 0,94* 0,95* CCI: Coeficiente de correlação intraclasse; A e B: primeiro e segundo avaliadores, respectivamente; *valores estatisticamente significativos (P < 0,05). 50 Percebeu-se valores satisfatórios e significativos tanto para os índices de reprodutibilidade intra como interavaliadores (P<0,05). Da mesma forma, os valores medianos de MI obtidos pelos dois avaliadores apresentaram-se significativamente diferentes em comparação aos modelo teórico matemático (tabela 3). Tabela 2 – Comparação dos valores de MI determinados pelo modelo experimental proposto e pelo modelo teórico físico-matemático Pesos Valores de MI médios Desvios-padrão (kg) (kg.m) (kg.m) E* D* E D 0,210 0,0140 0,0155 0,0000 0,0005 0,220 0,0140 0,0152 0,0000 0,0004 0,230 0,0132 0,0148 0,0004 0,0004 0,240 0,0130 0,0140 0,0000 0,0000 0,250 0,0130 0,0140 0,0000 0,0000 0,260 0,0128 0,0140 0,0004 0,0000 0,270 0,0120 0,0133 0,0000 0,0005 0,280 0,0120 0,0130 0,0000 0,0000 0,290 0,0120 0,0130 0,0000 0,0000 0,300 0,0120 0,0128 0,0000 0,0004 0,310 0,0117 0,0122 0,0005 0,0004 E * D valores estatísticamente significativos quando comparados a amostra de MI de referência (0,0003675 kg·m2) Quando analisados os gráficos de Bland-Altman percebe-se que vieses não significativos para o viés (diferença média entre os métodos) intra e interavaliados, apesar dos lados dos cilindros apresentarem MI médios diferentes entre si para uma mesma massa deslocada. Da mesma forma, os dados de MI obtidos em ambos os lados do DINACOM e por ambos os avaliadores encontram-se dentro dos limites de concordância estabelecidos, em um intervalo de confiança de 95%. 51 A B C D Figura 2 – Plotagem de Bland-Altman para os valores do momento de inércia (MI). (A) Reprodutibilidade interavaliador para o MI do lado direito; (B) Reprodutibilidade interavaliador para o MI do lado esquerdo; (C) Reprodutibilidade intravaliador A; (D) Reprodutibilidade intravaliador B. Quando analisados a objetividade do sistema de calibração foram encontradas diferenças estatisticamente significativas (P < 0,0001) entre os valores de PO obtidos pelo DINACOM comparados aos valores de PO calculados por meio do modelo matemático de determinação do MI (Tabela 3). Tabela 3 – Valores de rotação e potência adquiridos pelo DINACOM e comparação com o modelo obtido pelo método teórico de MI. Lados ROTACUM no DINACOM POACUM no DINACOM (W) D 90,50±14,90 3,04±0,50* E 82,67±10,07 2,98±0,34* * Diferença estatisticamente significativa para o valor de referência (0,01 W) 52 DISCUSSÃO O objetivo da presente investigação foi verificar a reprodutibilidade e especificidade do método de calibração para um dinamômetro compacto desenvolvido no intuito de medir a potência propulsiva em cadeiras de rodas. Com base nos resultados estatísticos de objetividade e fidedignidade constaram-se altos níveis de confiabilidade do método, demonstrando que o sistema cumpre seu papel principal. Da mesma forma, perceberam-se diferenças pequenas no MI entre ambos os lados do protótipo (direito e esquerdo), fato este que reforça a necessidade de considerar o modelo experimental em detrimento do modelo teórico. Digiovine e cols 9 encontraram valores de MI menores do que os encontrados no atual estudo. Além deste achado, o modelo de equipamento analisado pelos autores possui maiores diferenças entre os lados de propulsão. Ainda que as diferenças sejam pequenas, com valores de MI abaixo de acreditamos que essas diferenças podem influenciar fortemente os resultados obtidos pelos modelos em ergometria e dinamometria, conforme verificado a partir da análise de objetividade realizada no presente estudo. Isto se deve às características mecânicas e de utilização dos sistemas de cilindros que, com base na freqüência, tipo e nível de lubrificação existentes podem modificar fortemente a capacidade de movimento rotacional. Diferente dos modelos do presente estudo, bem como daquele demonstrado por Digiovine e cols 9, Devillard e cols 3, analisando um modelo de ergômetro adaptado a todas as cadeiras de rodas (VP-100), utilizou o peso corporal dos sujeitos somado a massa das cadeiras de rodas como variáveis de influência na inércia dinâmica do equipamento. Isto se deve às diferenças geométricas existentes entre o DINACOM e VP-100, que possuem diâmetros dos cilindros de rotação distintos, sendo o menor diâmetro mais suscetível às influências do conjunto sujeito+cadeiras de rodas. Cabe ressaltar aqui que o modelo proposto na presente investigação possui características de dinamometria, diferenciando-se, portanto, dos modelos anteriormente desenvolvidos. Keyser e cols 14 , verificaram valores satisfatórios para o coeficiente de correlação intraclasse quando analisaram as variáveis cinemáticas da propulsão manual em não usuários de cadeiras de rodas. Contudo, os valores foram inferiores aqueles encontrados no presente estudo. No mesmo sentido, Theysen e cols 8 53 verificaram a confiabilidade de um novo método para determinação da carga externa da carga externa por meio de um modelo matemático que reúne características do conjunto usuário+cadeira de rodas. Os valores de correlação apresentaram-se similares ao presente estudo (R2 > 0,95). O pressuposto de confiabilidade medido por meio da reprodutibildade constitui-se em uma das diversas características de autenticidade científica de um método de avaliação 15 . Em se tratando de uma nova proposta de avaliação da em usuários de cadeiras de rodas, baseada em um equipamento compacto, constitui-se em uma necessidade premente verificar a capacidade de repetição do procedimento por avaliadores distintos. Em nosso entendimento, o método proposto e demonstrado na presente investigação possui vantagens importantes quando comparados à procedimentos anteriormente descritos. As principais características positivas do método são a não consideração de parâmetros de inércia como a baixa complexidade dos procedimentos práticos 3,13 , bem 5,9 . Quando comparados aos modelos descritos por Devillard (2001), o procedimento proposto é calculado com base na quantidade de movimento rotacional exercido pelo cilindro após o deslocamento de uma massa conhecida. Sendo assim, a resistência ao movimento rotacional, representada pelo MI, é uma característica de suma importância quando analisadas variáveis de força ou potência, pois constitui-se em uma grandeza que interfere nos cálculos. A assunção de um modelo teórico do MI poderia superestimar os valores de PO determinados por este procedimento, já que tivemos valores de MI significativamente menores para o modelo teórico em comparação ao modelo experimental (P<0,05). Modelos de equipamentos que utilizam modelos teóricos têm, muitas vezes, que utilizar recursos de correção para essas distorções; Muitas vezes baseadas no peso do sujeito. Por outro lado, a consideração de parâmetros mecânicos relacionados à própria cadeira de rodas do sujeito serviria para verificar mudanças consideráveis na fisiologia dos avaliados 16-18 . Neste caso, sujeitos que utilizassem cadeiras de rodas diferentes poderiam ser classificados de uma mesma maneira, contudo, possuírem ergonomia 1 de movimento e eficiência mecânica 19 distintas e não detectadas por esses modelos. Acreditamos que a melhor forma de controlar essas alterações no tipo de cadeira, juntamente a estratégia utilizada pelo sujeito no momento da propulsão. Acreditamos que uma das melhores maneiras de realizar essa 54 diferenciação é termos um equipamento devidamente calibrado, com suas propriedades inerciais conhecidas para, a partir da testagem dos sujeitos nos seus próprios instrumentos de locomoção, traçar parâmetros a partir da energia e da potência gerada sob diversas condições. A consideração de características da cadeira e dos sujeitos (com exceção da massa de ambos), nos modelos matemáticos poderiam negligenciar a interação existente (usuário+implemento), que sofrem influência da estratégia padrão de propulsão 21 20 no binômio de propulsão, do 2 , freqüência de impulsos e da ergonomia da cadeira 16,22. O procedimento de incremento de cargas revelou diferenças nos valores de MI para todas as massas conhecidas. Este achado revela a relação existente entre a transmissão da energia cinética no sistema de calibração, o que constitui uma característica comum em sistemas de transmissão de forças. Após as análises realizadas no presente estudo recomenda-se utilizar, nos testes de esforço posteriores, um valor fixo de MI, para que seja o valor de calibração e correção de possíveis diferenças que venham a ocorrer decorrentes da utilização do DINACOM e dos níveis de lubrificação dos cilindros de instrumentação. Sendo assim, recomendamos utilizar o valor de 0,014kg•m2, obtido com a massa de calibração de 0,240kg, visto que configura-se numa grandeza que facilita os cálculos matemáticos além de apresentar desvio-padrão de 0,000 em todas as sessões de reprodutibilidade. CONCLUSÃO Com base nas análises realizadas verifica-se que o método de calibração possui autenticidade científica quanto aos critérios de reprodutibilidade e especificidade, quando comparados aos modelos teóricos para calculo do momento de inércia, constituindo-se em um procedimento simples e de fácil administração na prática da intervenção em condicionamento físico e avaliação do desempenho em usuários de cadeiras de rodas. 55 REFERÊNCIAS 1. Van der Woude L, De Groot G, Hollander A, van Ingen Schenau G, Rozendal R. Wheelchair ergonomics and physiological testing of prototypes. Ergonomics. 1986;29(12):1561-1573. 2. Vanlandewijck YC, SPAEPEN AJ, LYSENS RJ. 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Archives of physical medicine and rehabilitation. 2010;91(8):1248-1254. 57 Artigo 3: Validade Concorrente de um Dinamômetro Compacto para Avaliação Física em Cadeiras de Rodas Saulo Fernandes Melo de Oliveira1, Afonso Augusto Guimarães Bione2, Adalberto Veronese da Costa3, Fabíola Lima de Albuquerque1, Manoel da Cunha Costa1 1 Programa Associado de Pós-graduação em Educação Física, UPE/UFPB 2 Núcleo de Educação à Distância, Universidade de Pernambuco 3 Departamento de Educação Física Resumo O propósito do presente estudo foi demonstrar e validar um novo conceito de avaliação da potência propulsiva em cadeiras de rodas. O protótipo do equipamento foi montado utilizando dois kits de três cilindros paralelos, sob eixos distintos, para posicionamento dos dois lados das cadeiras de rodas. Os dois lados estão fixos por uma haste de calibração, para medição do momento de inércia dos cilindros. Os valores de rotação são detectados por dois sensores indutivos, posicionados perpendicularmente ao cilindro central para acionamento por um circulo de metal. Os dados de rotação são transmitidos para uma placa analógica digital, interpretados e armazenados em um computador pessoal. Para testar a sua validade, 21 sujeitos saudáveis (idade: 20,9 ± 2,4 anos; peso: 68,9 ± 7,9kg; estatura: 174,0 ± 7,1m; IMC: 22,7 ± 2,5 Kg·m2), não usuários de cadeiras de rodas, participaram de um protocolo de sprint por 20 segundos, precedido de aquecimento de 1 minuto. Os dados adquiridos pelo protótipo de rotação de potência foram comparados a um sistema de referência por meio de videografia de alta velocidade (240qps). Analisou-se o coeficiente de correlação intraclasse (CCI), os critérios de concordância pelo método de Bland-Altman e as diferenças entre os métodos por um teste t pareado. Considerou-se significativo um P≤0,05. Os resultados mostram altos níveis de concordância (valores dentro do intervalo de confiança adotado de 95%) e excelentes níveis de CCI (0,99; P<0,0001), além do protótipo não apresentar diferença significativa para a análise de vídeo para rotação (P=0,9196) e potência (P=0,9493). Conclui-se que o equipamento proposto cumpre com os critérios adotados para validação, constituindo-se em uma nova concepção de avaliação da potência em usuários de cadeiras de rodas. Palavras-chave: cadeiras de rodas, biomecânica, testes de esforço, plataforma Arduino 58 INTRODUÇÃO A maioria dos usuários de cadeiras de rodas utiliza as versões que necessitam serem propelidas de maneira manual para suas atividades da vida diária bem como para as atividades esportivas. Torna-se uma quebra de paradigma na vida dessas pessoas, a necessidade de manter-se ativo em diversas situações com utilização dos membros superiores em detrimento dos membros inferiores. Em todos os casos esta modificação traz consigo diversas adaptações de nível fisiológico 1, biomecânico 2,3 e de controle motor 4 , levando os usuários a necessidades constantes de intervenções nas áreas da reabilitação 6,7 5 e do condicionamento físico para suporte das cargas de trabalho impostas às articulações 8,9 e músculos que participam, direta e indiretamente, do movimento de propulsão. Algumas lesões são prevalentes nessa população 10 , advindas exclusivamente da utilização inadequada da técnica propulsiva ou da ergonomia advinda da interação do conjunto usuário+cadeira de rodas 1,11. Do ponto de vista biomecânico, o movimento propulsivo em cadeira de rodas pode ser dividido em fase propulsiva, onde ocorre o contato ativo do usuário no aro de propulsão, e fase de recuperação, que vai desde a perda de contato do sujeito até o início da fase propulsiva subseqüente. Em muitos estudos 2,12-14 , a relação entre ambas etapas é utilizada para caracterizar o padrão técnico de utilização, podendo estar relacionado com a predisposição para aquisição de desordens ao nível dos ombros 5 ou até mesmo na articulação do punho 15. Muito embora investigações anteriores tenham sido conduzidas no sentido de verificar quais as técnicas mais indicadas para o manuseio das cadeiras de rodas, um aspecto de maior importância, no nosso entendimento, deve ser considerado que é a natureza ineficiente do movimento quando comparado com outras atividades de locomoção 11. Isto ocorre devido à distribuição das forças utilizadas na fase de propulsão. Comumente utiliza-se de recursos eletrônicos 16 ou sistemas de cilindros 17 em combinação com análises de vídeo para reconhecimento das características dinâmicas da propulsão. Do ponto de vista cinético, há possibilidade de aquisição das forças de pressão exercidas pelos membros superiores por meio da instrumentação de sensores strain gauges fixados no eixo e no aro de propulsão das cadeiras de rodas 18. A partir da derivação dos eixos de aplicação da força x, y e z, é possível encontrar, após procedimentos de dinâmica inversa, a força resultante, em 59 direção paralela e diagonal à horizontal. Por este motivo, a única expressão da força que é responsável pela locomoção do conjunto cadeira de rodas+usuário é considerada como Força Efetiva (FE). Estudos prévios têm demonstrado que a FE está relacionada com a quantidade de impulsos executados pelo sujeito e também ao estilo empregado por cada usuário; ainda assim não há disponíveis no momento equipamentos capazes de adquirir informações simultâneas sem que estejam interligados a informações externas e equipamentos distintos. Como forma de complementar as informações advindas desses sensores estão disponíveis, em pouquíssimos centros de treinamento e reabilitação internacionais, equipamentos que possuem a finalidade de simular sob condições controladas a propulsão manual em cadeiras de rodas, conhecidos como dinamômetros inerciais 17 . Ainda assim, esses modelos possuem tamanho excessivo, calibração complexa 19 e características de incremento de cargas de frenagem, com funcionamento similar aos equipamentos ergométricos, podendo influenciar a forma de manuseio e contribuição ergonômica ao movimento propulsivo. Pelos motivos anteriormente descritos, os objetivos da presente investigação são: a) apresentar uma nova proposta de avaliação em dinamometria para usuários de cadeiras de rodas, de baixo custo e utilização compacta; e b) verificar a validade do sistema de aquisição e amostragem dos dados de rotação e potência. A hipótese do trabalho é a alta validade concorrente entre o sistema eletromecânico proposto e um sistema convencional de aquisição de imagens de alta velocidade. MATERIAIS E MÉTODOS Pesquisa e Pressupostos Éticos Esta investigação possui característica descritiva do tipo correlacional delineamento transversal. Todos os procedimentos da 20 , sob investigação foram devidamente protocolizados e a pesquisa está cadastrada no Comitê de Ética e Pesquisa com Seres Humanos da Universidade de Pernambuco (protocolo n° 078/2011), e seguiram todos os procedimentos descritos pela legislação nacional. 60 Desenvolvimento do Protótipo Partes mecânicas: o Dinamômetro Compacto (DINACOM) é um sistema mecatrônico desenvolvido por pesquisadores da Escola Superior de Educação Física em parceria com o Núcleo de Educação à Distância, ambos grupos da Universidade de Pernambuco, que tem como objetivo principal a avaliação da potência propulsiva em cadeiras de rodas, possibilitando a utilização do seu próprio instrumento de locomoção e treinamento esportivo. Para acomodação do peso do conjunto sujeito+cadeira de rodas, foram conectados dois sistemas de cilindros (Easy Scroll, Brasil) dispostos paralelamente e unidos pelas suas hastes de sustentação laterais. Cada sistema é composto por três cilindros separados por duas distâncias distintas (0,1 e 0,2 m), para que possam ser produzidos efeitos maiores e menores de resistência ao rolamento no momento de sua utilização. A resistência ao rolamento constitui-se na força de oposição ao movimento de giro dos pneus em uma determinada superfície 21 , que é aumentada na conformação de maior distância entre os cilindros (0,2 m). O cilindro central é considerado o cilindro de instrumentação (CIN), onde são conectados dois objetos circulares metálicos para acionamento dos sensores de rotação. Cada cilindro possui comprimento de 0,45 m, perímetro de 0,24 m e massa 1,6 kg. Partes eletroeletrônicas: Os dados de rotação dos cilindros são coletados por meio de dois sensores de rotação do tipo indutivo (SensorBras, Brasil), com capacidade de acionamento fixada em 60Hz pelo fabricante. Para transmissão e interpretação dos sinais eletrônicos utilizou-se plataforma de hardware e software abertos Arduino® (Arduino, Itália), especialmente programada para interface física com o mundo externo a partir das informações advindas de diversos meios de comunicação. A placa foi devidamente programada para leitura dos sinais em intervalos menores que 1 segundo. Simultaneamente seus sinais são transmitidos a um computador pessoal para amostragem e armazenamento das informações em arquivos do tipo xlsx ou xls (Office Excel for Windows, Estados Unidos). A comunicação entre a placa Arduino® e o Excel é realizada por meio do software PLX-DAQ (Parallax, Estados Unidos). Determinação da Potência Propulsiva: Para determinação da potência propulsiva utilizou-se relação entre carga e movimento rotacional, bem estabelecida na literatura científica da área 22: 61 = ∙ ∙2 [1] Onde, Kg representa a carga de frenagem e oposição ao movimento suportada pelo indivíduo, d a distância horizontal percorrida pelo cilindro de instrumentação, n o número de rotações executadas por minuto (RPM) e t o tempo verificado para percorrer a distância horizontal. Cumpre destacar a diferença entre o conceito existente no protótipo e os protocolos de ergometria, que diz respeito ao suporte das cargas de frenagem, que no caso dos procedimentos em dinamometria, são definidas como sendo a capacidade de produção do máximo de carga externa (força, kilograma-força, newtons e potência) pela ação dinâmica ou isométrica das forças musculares. Sendo assim, a expressão matemática que define ambos os métodos de mensuração são similares, contudo, para efeitos de dinamometria, o diferencial a ser adotado é a definição da carga externa que o sujeito deverá vencer para produção de potência. A carga externa, representa a força que opõe-se ao movimento rotacional ou linear. Em condições ideais de locomoção apenas as forças inerciais que atuam no movimento interferem na eficiência do gesto motor, além das condições fisiológicas dos sujeitos 11. A grandeza física que define a inércia em movimentos rotacionais é o momento de inércia (MI), análogo do movimento linear, sendo considerado, nesses casos, a força de oposição do movimento rotacional 23,24 . Optamos por desenvolver um mecanismo de calibração utilizando o momento de inércia (MI) em oposição à carga em kilogramas (Kg), conforme método descrito por Pupo 25 . Um objeto de massa conhecida, ligado a um dos cilindros por um fio de nylon inextensível, é erguido a uma altura de 0,45 m, e liberado em seguida. A força dinâmica da sua massa movimentando-se em relação ao solo é transmitida diretamente ao cilindro que giram até o momento de sua estabilização. Com base no tempo transcorrido para que todo o fio seja desenrolado do cilindro, é possível calcularmos o momento de inércia dinâmico do cilindro (equação 2) e, em seguida, substituirmos este valor na equação para determinação da potência propulsiva (equação 3). 62 [2] [3] A (A) Sistema de cilindros paralelos, para posicionamento e suporte de peso; B (B) Sistema eletromecânico de contagem, calculo e armazenamento das informações de rotação e potência; (C) Sistema de calibração para determinação do Momento de Inércia C dos cilindros de instrumentação. Figura 1 – Protótipo do dinamômetro compacto Características cterísticas da amostra e procedimentos pré-paticipação pré A amostra de voluntários utilizada na presente investigação foi constituída por 21 sujeitos saudáveis do gênero masculino (idade: 20,9 ± 2,4anos; peso: 68,9 ± 7,9kg;; estatura: 174,0 ± 7,1m; IMC: 22,7 ± 2,5Kg•m2). 2,5 •m2). Os voluntários recrutados eram todos não usuários de cadeiras de rodas, respeitando as orientações definidas em estudos anteriores teriores 26 . Como critérios de inclusão nos procedimentos experimentais consideraram-se consideraram se os seguintes: a) não estarem sob supervisão médica ou tratamento de saúde específico que não permitisse a participação em procedimentos de máximo esforço; b) reportarem dores ou desconfortos nos MMSS que fossem incapacitantes para a participação e protocolos de esforço físico; c) não possuírem idade inferior a 18 anos; d) serem do gênero masculino. Foram excluídos das coletas e das análises os sujeitos que apresentassem algum comprometimento nos MMSS durante os procedimentos de coleta. Após a coleta dos dados antropométricos, cada sujeito foi posicionado em uma cadeira de rodas padronizada, com eixo de cambagem fixado em 0° (zero grau) e pneus pré-calibrados pré calibrados em pressão 63 máxima (60psi), a fim de evitar possíveis efeitos de frenagem indesejados durante os testes 21 . Após posicionamento da maneira mais confortável possível, o conjunto cadeira de rodas+sujeito foi devidamente fixado no protótipo com faixas inelásticas, no sentido de evitar possíveis deslocamentos laterais ou longitudinais que pudessem desequilibrar os voluntários. Protocolo de validação do protótipo em sujeitos saudáveis O protocolo de validação seguiu o princípio do máximo estresse que pudesse ser gerado no sistema de aquisição e interpretação dos dados eletroeletrônicos. Após todos os procedimentos preparatórios os sujeitos passaram por um período de 1 minuto de aquecimento e familiarização ao protótipo, com uma freqüência de propulsões confortável escolhida a critério do próprio avaliado. Após este período os sujeitos foram orientados a executarem um sprint na maior velocidade de movimentos possíveis num intervalo máximo de 20 segundos. Em ambos os momentos (aquecimento e sprint) a estratégia de propulsão selecionada foi síncrona, onde há o movimento bilateral simultâneo dos lados de propulsão. Coleta de dados e Sistema de Referência Real Durante o protocolo de validação o sistema eletroeletrônico foi acionado para coleta dos sinais simultâneos de rotação pelos sensores direito e esquerdo. Antes do início do teste os sensores foram posicionados no ponto zero, considerado quando os leds de indicação estavam acionados (ligados). Este procedimento foi repetido em todas as situações. Os dados de rotação foram imediatamente armazenados em planilhas Excel para posteriores transformações em potência (PO), utilizando o modelo matemático demonstrado na equação 3. Os valores de rotação adquiridos pelo protótipo foram comparados a um sistema mecânico de referência que coletou simultaneamente a rotação real por meio de videografia (Sansung WB2000, Japão) a uma velocidade de aquisição de imagens fixada em 240 quadros por segundo (240qps), com uma câmera de vídeo posicionada na região posterior do dinamômetro a uma distância que permitisse o reconhecimento de ambos cilindros do dinamômetro ao mesmo tempo (direito e esquerdo). Para orientação dos 64 pesquisadores na análise dos vídeos, fixaram-se marcadores reflexivos nos cilindros de instrumentação e na região lateral do dinamômetro para identificação do exato momento das rotações completas. Os arquivos de vídeo foram analisados utilizando o software livre VLC 2.0.1 Twoflower, versão para Windows, (disponível em <www.videolan.org>, acesso em 18 nov. 2012). Para sincronização entre os tempos do vídeo e do dinamômetro utilizou-se procedimento matemático de divisão do tempo dos vídeos pela proporcionalidade existente entre o tempo real e o tempo de filmagem transformado, conforme equação [5]. 3 4 = 3 8 4 ! [5] Onde TR é o tempo real após correção pela velocidade de aquisição de imagens (240qps), TVd é o tempo do vídeo bruto analisado pelos pesquisadores e “8” é a constante de correção tendo em vista as diferenças de aquisição dos sinais pelos dois procedimentos (240÷30). Para comparação dos valores reais (vídeo) e experimentais (protótipo) considerou-se o número de rotações (ROT) e a potência (PO) acumulados nos 10 primeiros segundos do protocolo, considerando o intervalo de tempo necessário para alcance da máxima velocidade de sprint em protocolos específicos para usuários de cadeiras de rodas 27. Análise Estatística Primeiramente os dados foram analisados quanto a sua normalidade por meio do teste de Shapiro-Wilk, com verificação das medidas de tendência central e variabilidade. Para verificação dos pressupostos de validação concorrente utilizou-se os procedimentos de plotagem de Bland-Altman, com intervalo de confiança de 95%, e verificação dos limites de concordância e significância dos possíveis vieses entre protótipo de sistema de referência por meio do teste U de Mann-Whitney, devido a não observação dos critérios de normalidade dos dados. Ainda neste sentido, como critério para observação da proporcionalidade entre ambas medidas realizou-se verificação do coeficiente de correlação intraclasse (CCI). Como complemento e para definição da objetividade das medidas utilizou-se teste t pareado entre as 65 medidas do protótipo e do sistema de referência. Os dados foram analisados mediante utilização dos softwares SPSS versão 20.0 e GraphPad Prism versão 5.0. Para todas as condições de análise foi estabelecido um valor de P significativo menor ou igual a 5% (P≤0,05). RESULTADOS A figura 2 contém as informações de confiabilidade e autenticidade científica para o protótipo, quando comparado com o sistema de referência. Observa-se que todos os valores encontram-se dentro dos limites de concordância estabelecidos pelo método com um intervalo de confiança de 95% para ambos lados do protótipo. Os valores dos viéses para ambas as variáveis (rotação e potência) encontraram-se não significativos com base no teste de hipótese para amostras de referência (P>0,05). A B CCI=0,99 * C D CCI=0,99 * Figura 2: Plotagem de Bland-Altman para os valores de rotações e potência acumuladas em 10s de Sprint, nos lados direito e esquerdo do protótipo. (A) Rotações acumuladas no lado direito; (B) Rotações acumuladas no lado esquerdo; (C) Potência acumulada no lado direito; (D) Potência acumulada no lado esquerdo. (N=21).*P<0,001 66 Ainda sob o enfoque da validade concorrente, os valores obtidos do coeficiente de correlação intraclasse apresentam-se como sendo excelentes (maiores de 0,9), com valores significativos, tanto para os dados de rotação quanto de potência em ambos os lados do protótipo. De maneira semelhante, não há diferenças estatisticamente significativas quando analisados o número de rotações e a potência, ambos acumulados após 10s de protocolo de máxima velocidade de sprint, conforme dados contidos na figura 3. 100,00 90,00 80,00 70,00 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 B 0,25 P=0,9196 73,00 72,67 Potência acumulada em 10s Rotações acumuladas em 10s A P=0,9496 0,20 0,15 0,10 0,18 0,17 POREAL PODINO 0,05 0,00 ROTACUMReal ROTACUMDino Métodos Métodos 110,00 100,00 90,00 80,00 70,00 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 D 0,25 83,57 83,57 Potência acumulada em 10s Rotações acumuladas em 10s C 0,20 0,15 0,10 0,20 0,20 POREAL PODINO 0,05 0,00 ROTACUMReal ROTACUMDino Métodos Métodos Figura 3: valores médios e desvios-padrão de rotação e potência para ambos os métodos de análise. (N=21) 67 DISCUSSÃO A presente investigação teve como objetivo o desenvolvimento e a validação de um novo equipamento destinado a medição e avaliação da potência propulsiva em usuários de cadeiras de rodas. Trata-se de um novo conceito em dinamometria para este grupo de pessoas, tendo em vista suas características ergonômicas e funcionais que são de extrema importância para a prescrição, controle e reabilitação em programas de treinamento e condicionamento físico. Além dessas vantagens, diversas modalidades esportivas apresentam-se como tendo altas correlações com a potência propulsiva 28. Um aspecto de particular interesse na literatura científica sobre avaliação do desempenho diz respeito à autenticidade científica dos métodos e técnicas disponíveis em diversas áreas 29 . Ainda assim, quando se trata de testes e protocolos que objetivam a avaliação funcional em sujeitos deficientes, a validade dos dados é componente fundamental para dispor aos profissionais informações acuradas sobre fenômenos relativos à ergonomia e eficiência do movimento. Com isso, o conhecimento das reais condições científicas dos equipamentos possibilita aos avaliadores a tomada de decisão segura, sem que o diagnóstico seja interpretado a partir de medidas abaixo ou acima dos valores reais. No presente estudo, optou-se por utilizar o método de Bland-Altman 30 , como sendo a principal ferramenta de verificação dos requisitos de validade e confiabilidade das informações. O referido processo estatístico possibilita analisar ambos métodos simultaneamente, com a definição limites de concordância superior e inferior. Notou-se que, em 95% do intervalo de confiança os dados de ambos os sensores de movimento (direito e esquerdo) encontram-se dentro dos limites de concordância determinados pelo método. Além desse indicador, verificou-se que, para o sensor do lado direito, o viés encontrado não apresentou diferença estatisticamente significativa quando analisado o teste de hipótese (P>0,05). Ainda assim, percebeu-se que o sensor de lado direito apresentou, em dois sujeitos, valores de rotação abaixo do real, estando com diferenças de até 2 rotações. Algumas hipóteses podem ser relacionadas para explicar esse fenômeno. Primeiramente trata-se de um protótipo de equipamento, que possui o sistema de suporte de carga (sujeito+cadeira de rodas) e do sistema eletroeletrônico de contagem e verificação da potência. Especificações como o console para acesso ao 68 dinamômetro e a plataforma para acomodação das rodas dianteiras das cadeiras ainda precisam ser modeladas de acordo com a necessidade de cada sujeito. Nas sessões experimentais, este apoio foi realizado utilizando-se plataformas adaptadas e este fator, sem dúvida alguma, tornou e equilíbrio e a movimentação dos sujeitos no momento dos testes um pouco dificultado. Outro detalhe de especial importância diz respeito aos conectores existentes entre os sensores de movimento indutivos e as hastes laterais do equipamento. Conforme especificações físicas e mecânicas desses sensores, a distância mínima de acionamento é de 0,01m, com a capacidade de acionamento e detecção dos sinais eletrônicos. Levando em consideração a possibilidade de vibrações decorrentes da propulsão manual dos sujeitos e a pequena distância de acionamento existente para funcionamento do sensor, essas interferências podem ser responsáveis pela perda de um número pequeno de sinais. Como limitação da presente investigação apontamos a não apresentação de um console que permita uma menor vibração em testes de esforço. Para as próximas versões do protótipo serão propostas a utilização de materiais de sustentação que possam sofrer menores influências de vibração durante os testes. Em se tratando de testes com pessoas que utilizam a cadeira de rodas usualmente esta seria uma solução necessária para evitar erros de medida maiores. Em se tratando dos valores de potência (W), podemos verificar quantidades menores quando comparados com outros estudos 27,31,32 . Isto é caracterizado pelas diferenças existentes nos sistemas de verificação da força propulsiva e da potência, que nos modelos sugeridos por Devillard (2001) e Faupin (2008), utilizam-se de sensores de torque diretamente nos eixos do ergômetro, além de utilizarem sistemas de incremento de cargas de frenagem eletromagnética. Este processo de utilização, somado ao peso do sujeito e a inércia proporcionada pelo arcabouço cilíndrico, gera maiores valores de PO quando comparados ao protótipo validado nesta investigação. Vale ressaltar, contudo, as diferenças encontradas entre o protótipo sugerido e os equipamentos existentes até o momento, que têm como principal característica a imposição de uma carga que freia o movimento propulsivo, requerendo, dessa maneira, adaptações do avaliado no momento dos testes. A proposta do equipamento descrito nesse estudo é realizar o caminho inverso, medindo, portanto, a maior capacidade de geração de potência a partir do esforço 69 padronizado e de possíveis alterações que possam ser provocadas no binômio usuário+cadeira de rodas. Outros modelos de dinamômetros, como o descrito por Shimada e Cooper (1995), e demonstrado por Digiovine (2001), possuem métodos de calibração dispendioso e complexo, utilizando-se de instrumentação de células de carga para verificação das forças envolvidas no movimento rotacional e tacogeradores que medem a quantidade de movimento e a potência dos cilindros. O mecanismo desenvolvido neste trabalho é baseado na transmissão de energia potencial e cinética, a partir da queda livre de uma massa conhecida 25 . Este procedimento permite mais agilidade ao processo de avaliação, podendo ser realizado repetidas vezes e com avaliadores diferentes, sem a necessidade de treinamento demasiado. Convém ressaltar que os valores de momento de inércia encontrados no presente estudo divergem daqueles propostos em estudos anteriores 19. O presente estudo limitou-se a avaliação de não usuários de cadeiras de rodas. Este procedimento esteve de acordo com estudos anteriores 26 , que legitimam a preferência por pessoas não deficientes pelo fato de estarem menos suscetíveis a padrões pré-determinados de propulsão manual, necessitando alterações significativas das estratégias de manuseio preferenciais para cada sujeito. Outro aspecto de deve ser considerado é a necessidade de condições ideais para as filmagens em alta velocidade, que requerem iluminação suficiente para corrigir possíveis quedas de resolução das imagens. Essas condições puderam ser alcançadas, com amostra significativa, apenas no laboratório. Sendo assim, pôde-se perceber excelentes resultados de validação com base nos parâmetros traçados anteriormente (CCI e Plotagem de Bland-Altman). A partir desse momento a pesquisa deve concentrar-se na resolução dos protocolos mais indicados para cada deficiência, nível de atividade física ou modalidade esportiva, adequando a avaliação da potência propulsiva às demandas de esforço e necessidades de eficiência individuais e de grupos distintos. 70 CONCLUSÃO Conclui-se que o protótipo proposto possui validade científica necessária para avaliação em praticantes de esporte ou pessoas sedentárias, ambos usuários de cadeiras de rodas. Sendo assim, propomos que estudos posteriores sejam realizados no sentido de verificar os melhores protocolos de esforço condizentes com o tipo de cadeira de rodas, grau de deficiência física e experiência na utilização da cadeira de rodas, no sentido de identificar as condições mais eficientes de desempenho físico e ergonômico. REFERENCIAS 1. Van der Woude L, Veeger H, Dallmeijer A, Janssen T, Rozendaal L. Biomechanics and physiology in active manual wheelchair propulsion. Medical engineering & physics. 2001;23(10):713-733. 2. Boninger ML, Souza AL, Cooper RA, Fitzgerald SG, Koontz AM, Fay BT. Propulsion patterns and pushrim biomechanics in manual wheelchair propulsion. Archives of physical medicine and rehabilitation. 2002;83(5):718-723. 3. Finley MA, Rasch EK, Keyser RE, Rodgers MM. The biomechanics of wheelchair propulsion in individuals with and without upper-limb impairment. Journal of Rehabilitation Research and Development. 2004;41(3B):385-394. 4. 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Contudo, consideramos como a principal limitação do estudo a utilização de um protótipo com imperfeições no que concerne ao arcabouço de carenagem para suporte do peso do binômio usuário+cadeira de rodas. Acreditamos que versões mais aprimoradas do dinamômetro, no sentido de tornar o aspecto de sua utilização mais amigável aos usuários e que interfiram ainda menos no equilíbrio e a estabilidade durante testes de esforço. 74 6. CONCLUSÃO GERAL No que concerne a especificidade e reprodutibilidade do equipamento e seu sistema de calibração evidenciou-se excelentes valores, comprovando a sua utilização por avaliadores diferentes e dias diferentes; finalmente o protótipo idealizado possui confiabilidade científica quando analisadas as suas validade e objetividade, utilizando como referência do mundo real a videografia de alta velocidade, sendo possível a utilização em diversos indivíduos que utilizem cadeiras de rodas. Trabalhos posteriores devem ser realizados no sentido de desenvolver protocolos específicos para cada modalidade esportiva, tipo de atividade física e experiência na utilização de cadeiras de rodas, no sentido de proporcionar critérios e normas de avaliação do desempenho mais próximos à realidade ergonômica e de esforço físico a cada usuário. 75 7. REFERÊNCIAS ALGOOD, S. D. et al. Impact of a pushrim-activated power-assisted wheelchair on the metabolic demands, stroke frequency, and range of motion among subjects with tetraplegia. Archives of physical medicine and rehabilitation, v. 85, n. 11, p. 1865-1871, 2004. ISSN 0003-9993. AMBROSIO, F. et al. Biomechanics and strength of manual wheelchair users. The journal of spinal cord medicine, v. 28, n. 5, p. 407, 2005. BONINGER, M. L. et al. Propulsion patterns and pushrim biomechanics in manual wheelchair propulsion. Archives of physical medicine and rehabilitation, v. 83, n. 5, p. 718-723, 2002. ISSN 0003-9993. BRUBAKER, C. 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