em pauta Música no Museu Confira o que aconteceu de mais importante nos 15 anos de trajetória do grupo que revolucionou o conceito de programação cultural gratuita Cultura em pauta 1 Publicidade 2 Cultura em pauta SUMÁRIO ENTRE-VISTAS Oscar Niemeyer Editorial a vida que vem Felipe Marques Mariana Sales ESPECIAL Música no Museu Imagem da semana: Susana Levenhagem A OLHO NU Exposições Filmes Galeria no MNBA reúne as principais obras dos artistas brasileiros do século XIX. Pedro Américo e Vitor Meirelles são os grandes destaques. PAG. 16 Cultura em pauta 3 Editorial Em tempos modernos >> No mês de novembro, o CULTURA EM PAUTA foi até o Centro Cultural da Justiça Federal para ouvir música clássica. Tínhamos uma pauta sobre o projeto “Música no Museu” e concretizamos, mas não vamos nos alongar nesse assunto, até porque você já o verá de forma profusa na revista. O teor da reportagem nos levou a uma reflexão sobre o contexto musical atual. “ Por que não há um investimento maior em música clássica no Brasil? ” Entre um concerto e outro, um musicista e outro, uma entrevista e outra, as perguntas surgiam: “Porque essas pessoas não são valorizadas?”; “Porque não há um investimento maior para a música clássica no Brasil?”; “Porque a maioria do povo não gosta desse estilo musical?”. Em nossas pesquisas percebemos há quanto tempo o “Música no Múseu” resiste firme: 15 anos. Vimos também os prêmios ganhos, como o “Latin 4 Cultura em pauta American Quality Awards”, e que o público que recebia o projeto ao som de “Bravo!” era majoritariamente composto por idosos. Será que isso é realmente cultura? Afinal, a maioria do povo nem ao menos conhece algo do tipo. Ou será que o povo está errado em não valorizar a música clássica? Ora, não se pode mandar no gosto da maioria, nem manipulá-lo. Muitas perguntas e algumas respostas. Historicamente, o Brasil é conhecido como um país boêmio e a boêmia, teoricamente, não combina com a música clássica. Talvez essa maneira ortodoxa de viver a vida pareça hostial ao público (Será?). Outro ponto é que muito da musica culturalmente popular brasileira veio da África e os instrumentos musicais eram os mais baratos - ou mais fáceis de fazerem - possíveis, constituindo-se com bandolins, violões etc. Os ritmos também eram bem diferentes, algo mais sensual, incluindo danças como o “lundu”. Depois da época imperial, onde predominavam os estilos “choro” e “modinha”, o gerado foi o tão popular samba. No século XX, tivemos Cartola, Nelson Cavaquinho (etc. etc. etc. e muitos etc.) e, logo depois, foi a vez da Música Popular Brasileira dentro do Tropicalismo, com expoentes como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Denunciando as mazelas do sertão brasileiro e também mostrando que ele não era apenas ruim, Gonzaguinha se tornou famoso e até hoje é conhecido como o “Rei do Baião”. Baião, outro ritmo. Atualmente, muito se destrinchou para o pagode, sertanejo e funk. Isso significa que o brasileiro negou a sua origem europeia? O CULTURA EM PAUTA crê que não. Afinal, origem europeia? O Brasil é um país totalmente miscigenado, fomos colonizados pelos europeus, mas o povo é formado pelo mundo inteiro. O Brasil “ O Brasil tem um gosto musical horrível por sua maioria não gostar de musica clássica? ” tem um gosto musical horrível por sua maioria não gostar de musica clássica? Também cremos que não. A nação tem a própria cultura e cada um tem o seu próprio gosto. Nós, redatores, editores, repórteres etc, gostamos de música clássica, pagode, jazz, funk, rock, sertanejo etc, afinal, também somos miscigenados. ■ A Equipe A vida que vem Sociedade da imagem >> Desde criança, seja por desconhecimento geral ou admiração à profissão, quis ser médico. Era um ideal. Eu me via naqueles jalecos brancos, salvando vidas e ganhando alguns tijolinhos no céu. À medida que ia crescendo e descobrindo a mim e ao mundo, fui lapidando minha visão acerca da Medicina e decidi então, influenciado por uma série americana, que seria um cirurgião plástico. Via no seriado a vida que eu desejava. Quando minha capacidade crítica galgou mais alguns patamares de evolução, percebi que a cirurgia plástica era um ramo diferenciado da medicina: Você exatamente não salvava vidas ou curava pessoas, muito pelo contrário, você as injuriava. No entanto, justificado pelo pensamento de que eu tornaria as pessoas mais belas e, por conseguinte, mais felizes, não abandonei essa aspiração. Ao final de minha adolescência percebi que era sensível demais para ser médico e que escrever e descobrir tinha mais a ver comigo. Na terça-feira um de meus parentes próximos se submeteu a uma cirurgia plástica. Isso me fez refletir, mais uma vez, sobre a importância que a imagem ganhou no último século. Desde a descoberta da fotografia no século XIX, as imagens gradualmente vêm ganhando mais espaço, seja no ambiente familiar, escolar, profissional ou social. A ascensão surpreendente do cinema no último século é, talvez, um dos melhores exemplos que podemos encontrar no tocante ao poder que a imagem passa a exercer na contemporaneidade. No entanto, sabemos que tudo em excesso faz mal. Mesmo os remédios, se ingeridos em quantidades profusas, podem vir a causar algum tipo de complicação. É o que percebo na sociedade atual. Quando vi o estado pós-cirurgia de minha tia, pensei de imediato que ela havia abalroado com um trem. Faixas cobriam parcialmente seu rosto e ela mal podia andar ou falar. A maioria das pessoas que se submetem a processos correlatos de “embelezamento” tem como principal argumento a busca da juventude. Concluí que essa resposta é bastante vaga. O que exatamente tais pessoas buscam na juventude? Meu palpite é que almejam à beleza. Bem, penso que a beleza é um conceito amplo demais para ser restringido à aparência física. Na verdade, penso ser ela a menos importante de todas – mas que nem por isso deve ser deixada de lado, verdade, mas sem extravagâncias, convenhamos. Imbuído de certa indignação, fui perguntar à minha tia o motivo dela ter cometido tamanha atrocidade contra seu corpo, e obtive como resposta nada muito diferente do que eu já ouvira antes de outros entrevistados: “Ué, Felipe, temos que nos esforçar para sermos bonitos”. Essa resposta me fez compreender outro aspecto básico da sociedade ocidental: Buscamos sempre as saídas mais fáceis para os problemas que nos são impostos. Vale mais uma injúria severa ao corpo, pois é mais rápida, do que alguns meses de esforçada dieta e academia. Vejo gente se esforçando demais para parecer bonita do que ser bonita. É a imagem persuadindo e influenciado a cabeça dos despreparados. Encontro mulheres e homens muito bem aparentados, mas sem nenhum tipo de gentileza ou solidariedade. Talvez seja porque ainda, infelizmente, não inventaram clínicas de embelezamento da alma. Enquanto isso, para confortar aqueles que ainda não foram dominados pelo campo imagético, paira a frase célebre de Saint-Exupéry. O essencial é invisível aos olhos. ■ >> Felipe Marques Risco de maturidade Como era bom o tempo da infância. Brincadeiras inocentes me tornavam, de repente, adulta... Brincar de casinha, fingir ser professora, imitar minha mãe!Queria que os anos passassem rápido para poder me tornar mulher: Caminhar pelas ruas com saltos gigantescos, ter vida independente. Sempre soube, porém, que essa realidade não seria fácil. Assumir sozinha as contas e os compromissos dava medo. Percebi que o sonho de me tornar adulta era maior do que minha vontade de ser adulta. Essa sensação paulatinamente foi aumentando, até eu descobrir o peso da palavra “mulher”. Ao amadurecer, vi que não estava preparada. Estresse, ansiedade e nervosismo. Três palavras que jamais queria ter conhecido. Isso atrapalhou minha relação com os outros. Agora, “mulher”, vejo que meu sonho é voltar a ser criança. ■ >> Mariana Benevides Cultura em pauta 5 ENTRE-VISTAS Relembrando os 100 ano Internado em Botafogo, Oscar Niemeyer está perto de alcançar os 105 anos. Como homenagem, rememoramos uma entrevista do arquiteto concedida ao “Vermelho”. >> Paulo Henrique Amorim – Oscar, a nossa conversa tem como propósito celebrar, no dia 15 de dezembro, os seus cem anos. Oscar Niemayer – Você sabe que eu fiz um artigo na IstoÉ em que eu contava uma conversa que eu tive comigo mesmo, com esse ser misterioso que tem dentro de nós. Então eu dizia para mim mesmo: “Oscar, não vai nessa conversa de cem anos, isso é ridículo, não tem interesse nenhum, não cai nessa...” e eu sou obrigado, às vezes, a participar da conversa. PHA – Mas o senhor tem uma frase muito bonita que diz que “a vida é um sopro”. Mas o seu sopro já dura, pelo menos, cem anos. Oscar Niemayer – É o destino... não sei. Eu olho para trás, não sou como os outros que dizem que fariam tudo igual, eu faria muita coisa diferente. A vida é difícil, a vida nos leva nas coisas que às vezes a gente não quer. Eu me lembro do Jorge Saldanha que vinha aqui quase todos os sábados e dizia, se queixava, “a gente não pode fazer plano nenhum que o destino muda, não é? A vida é cheia de surpresas”. A própria situação internacional depende do inesperado, acontece qualquer coisa e muda tudo. De modo como vive assim uma posição muito precária e que vindo de baixo do universo e achando que é importante, na realidade pouca coisa é importante. A vida é um sopro, a gente vem, conta uma história e todo mundo esquece depois. PHA – Mas não no seu caso. As suas histórias são de concreto, ficam para sempre. Oscar Niemayer – É, enfim. Trabalhei, não posso me queixar. O primeiro trabalho que eu fiz em Pampulha foi tendo sucesso, eu trabalhei para JK naquela ocasião, eu me lembro que Pampulha foi o início de Brasília, não é? A mesma correria, a mesma angústia, a mesma preocupação com prazo, e tudo correu bem, Pampulha com a Igreja assim diferente, coberta de curvas, ele ficou satisfeito. Tudo isso eu acredito, deu ao JK um ânimo assim para tocar para Brasília. Eu me lembro 66 Cultura Culturaem empauta pauta que ele me procurou e disse, “Oscar, fizemos Pampulha, agora vamos fazer a nova capital”. E começou essa aventura que durou alguns anos e que deu, pelo menos, ao povo brasileiro a sensação de um pouco de otimismo diante do futuro que agora a gente vê com um certo prazer. A gente sentindo que o Brasil está bem conduzido, que o presidente é operário e está, pela própria origem, ligado ao povo, que o Brasil está crescendo para ser um país importante, a América Latina está se unindo contra essa aventura do império do Bush. PHA – O senhor não gosta do Bush? “ Cem anos dá pena não dá prazer. Eu ia passar os cem anos sem muita alegria. A vida passou, eu procurei ser correto, trabalhar, mas não estou contente, na verdade não traz nenhum prazer. ” Oscar Niemayer – Eu acho que ele é um merda, sabe. PHA – (risos) é muito simples. Mas deixa eu voltar um pouquinho aos cem anos. Os cem anos, a gente pode enumerar uma série de defeitos dos cem anos, mas tem vantagens nos cem anos também, não tem? Oscar Niemayer – O pessoal fica mais condescendente, tratando a gente melhor. PHA – Mais generoso... não é? Oscar Niemayer - ...com pena. Cem anos dá pena não dá prazer. Eu ia passar os cem anos sem muita alegria. A vida passou, eu procurei ser correto, trabalhar, mas não estou contente, na verdade não traz nenhum prazer. PHA – Nada? Oscar Niemayer – Não. Só se o sujeito pensar que é importante, e eu acho isso tão ridículo, se ele pensar que é importante ele está fora do mundo. PHA – Mas nem o Oscar Niemayer é importante? Oscar Niemayer – A nossa política agora é um pouco diferente, é ligada à arquitetura, mas sempre procurando resolver o problema do jovem. Nós estamos pensando no Brasil, no sujeito que entra para a escola sem ler um livro e depois é formado, sai da escola os >> Oscar Niemeyer como um especialista só falando da sua profissão e o mundo pede gente diferente, que se interesse, que converse, saiba alguma coisa. Nós, por exemplo, aqui no escritório nós temos um professor de filosofia há cinco anos. Ninguém quer ser um intelectual... PHA – O senhor estuda filosofia? Oscar Niemayer – Há cinco anos. Mas ninguém tem esse interesse agora. PHA – Mas, qual é esse seu interesse por filosofia agora? Oscar Niemayer – A gente quer se informar melhor sobre tudo, aprender outras coisas. O importante é a pessoa ser curiosa. Não é um interesse de um intelectual, é um interesse de um sujeito normal que sente a vida, que é solidário, que acha que o mundo pode ser melhor, que um dia o homem possa ter prazer em ajudar o outro, é isso que é a generosidade num certo sentido. E o ser - humano, é verdade, a perspectiva dele é muito pouco. A própria natureza está começando a evoluir, já falam que o sol pode crescer, pode queimar tudo, essas teorias todas, a gente tem que querer, ter vontade de participar, ter uma idéia também, para onde nós vamos... não é? De modo que o que eu acho importante é o jovem ler, se informar, ter uma base patriótica, saber que o Brasil é importante. Antigamente não era preciso falar muito em pátria não, mas hoje tem que falar. A América Latina está ameaçada, nós temos que nos unir, o que eu acho que é importante é ter uma visão geral do mundo. PHA – Você se considera um patriota? Oscar Niemayer – Entre nós, geralmente os nossos irmãos militares, a gente traz a idéia da pátria no peito, porque a própria profissão obriga. Quando precisamos dessas autoridades, eles são indispensáveis. É lógico que eu penso o Brasil, penso o povo brasileiro, satisfeito, porque eu estou sentindo que o Brasil está caminhando melhor, vai ser um grande país. A juventude começa a compreender “ O jovem tem que ler, participar da vida, se informar, não pode se transformar num especialista que só fala em arquitetura, que só fala em teoria, em medicina... ” Nascido em 15/12/1907, foi o arquiteto brasileiro de nome mais influente na arquitetura moderna. Foi pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado, e por este motivo teve grande fama nacional e internacional desde a década de 1940. Seus trabalhos mais conhecidos são os edifícios públicos que projetou para a cidade de Brasília, embora possua um grande corpo de trabalho desde sua graduação pela Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro em 1934. que a vida não é um passeio, que tem que se informar, o jovem tem que ler, participar da vida, se informar, não pode se transformar num especialista que só fala em arquitetura, que só fala em teoria, em medicina... PHA – O senhor não gosta de falar muito em arquitetura, não é? Oscar Niemayer – Quando vêm estrangeiros aqui, repórteres estrangeiros, eles realmente querem que eu fale o que eu fiz, os projetos, me dá uma preguiça de falar. A Arquitetura é importante, é a minha profissão, passei a vida debruçado na prancheta. Mas o importante é a vida, fazer a vida mais justa, isso é o que é importante e eles ficam assim e logo para eles sentirem bem o meu ponto de vista eu digo: “vocês sabem, quando eu vejo os estudantes na rua protestando, acho que o trabalho deles é mais importante do que o meu”. Culturaem empauta pauta Cultura 77 15 anos de comemorações E xecutar a ideia de trazer música clássica para os museus e centros culturais na cidade do Rio de Janeiro, onde o erudito é pouco divulgado e valorizado, é uma tarefa complicada. Ainda assim, há 15 anos o projeto 8 Cultura em pauta “Música no Museu” vem mudando a história da música clássica no país. Diaria e gratuitamente, de domingo a domingo, todos os dias dos anos. Ainda que, em linhas gerais, a predominância de público seja de pessoas idosas, o Música no Museu consegue romper com as barreiras de idade e classe social através de frágeis e sutis, mas eficientes, instrumentos musicais. “Música” e “museu” formam uma simbiose que transcende o nível dos “m”s. O genêro clássico, que se repete e se confude com obras históricas, pictóricas e Abreu, responsável pela divisão de difusão cultural da Fundação Casa de Rui Barbosa. Deste modo, os espectadores também se tornam público para outros eventos que possam eventualmente estar ocorrendo. A relação entre música e museu é, acima de produtiva, recíproca e seu sucesso se deve à confiança que é depositada nos colaboradores e organizadores dos concertos. “Todos os concertos do projeto têm excelente frequência de público, principalmente no Festival de Harpas, realizado em maio de cada ano’’, contou a assessora de imprensa do Centro Cultural Banco do Brasil, Sueli Voltarelli. Apesar de o Brasil ser um país em desenvolvimento e a música clássica não ser pouco difundida e conhecida, os concertos produzidos pela série de programação atingem todos os níveis sociais, etários, ideológicos e religiosos, ainda que uns predominem sobre outros. Com casas lotadas, o principal objetivo do projeto é democratizar o acesso à cultura através da música. A colaboradora do projeto, Valeria Lopes, disse que, embora o projeto receba mais idosos e pessoas com idade madura, crianças também prestigiam os concertos - ainda que sejam trazidas pelos pais. Para ela, é importante que as crianças aprendam que existem outros gêneros musicais tão ou mais belos que os correntes na arquitônicas, propulsa os valores brasileiros, pois, além de oferecer um espetáculo sonoro, as pessoas são incitadas a visitar as exposições do museu ou da casa cultural que sediou a apresentação. “O projeto ‘Música no Museu’ contribui para diversificar o nosso público e, em dias de concerto, temos, sem dúvida, um número maior de pessoas circulando pelos nossos espaços e conhecendo melhor os serviços que prestamos”, disse Roberto mídia. São 15 anos de trabalho sério e transparente, e essas características dão credibilidade trabalho que é oferecido. O músico e o público se beneficiam com os concertos. Mesmo sendo eventos gratuitos, os solistas e os instrumentistas são remunerados. Valéria disse que gostariam de receber melhor, mas o desinteresse de empresas em financiar um projeto que não oferece retornos faz com que o orçamento seja reduzido. Há uma dificuldade em conseguir patrocinadores, mas os funcionários não se deixam desanimar, uma vez que estão cientes do papel social que desempenham. “Tem gente que não tem nada na vida além da gente”, pontuou Valéria. E, comprovadamente, o público ama. “O Música no Museu consegue conjugar qualidade e diversidade, o que é raro pra um evento gratuito”, comentou Mathilde Malla, uma das espectadores. O projeto não só busca aproximar o erudito da população brasileira, como também incentivar jovens músicos a apresentarem em lugares de prestígio, proporcionando-lhes uma oportunidade de divulgar seu trabalho, além de cantarem ou tocarem com grandes artistas brasileiros e internacionais. É o caso da cantora Priscilla Cadette, 29, que desde criança cultiva elos com a música. No projeto, a sua primeira apresentação foi no dia Claudio Vettori (esquerda), Priscilla Cadette (meio) e Harold Emert (direita) formaram trio no dia 16 de novembro no Centro Cultural da Justiça Federal. Cultura em pauta 9 16 de novembro, ainda nesse ano. Com uma voz firme e desinibida, os espectadores aplaudiram-na de pé e, no final, cumprimentaram-na. Priscilla contou que não imaginava que ia ser ouvida por um público tão grande, pois era feriado. “Não imaginei que viria tanta gente... E eles foram tão calorosos e receptivos”, disse ela, surpresa. O Ministério da Cultura, por meio das leis de incentivos fiscais, exercem um apoio imprescindível para a sobrevivência do projeto. Através dessas leis, as empresas que receberem o “Música no Museu” trocam o pagamento do imposto de renda pela iniciativa cultural. Elas ganham em dobro: Deixam de pagar o imposto e vinculam seu nome a grandes projetos de apelo popular. Os espaços mais valorizadas para as apresentações são os museus, casas culturais e igrejas em estilo clássico, uma vez que a “aura” desses lugares sintoniza melhor com os ares que as apresentações ganham. Atualmente são realizados mais de 500 concertos do “Música no Museu” por ano; mais de 350 mil pessoas já prestigiaram; cerca de 2.500 concertos já ocorreram em 15 anos de existência; cerca de 1100 músicos participam, sendo 80 deles profissionais. Maiores recordes de público: >> Concerto de Natal em dezembro de 2005, com participação da Banda Sinfônica e Coral da UFF: Cerca de 4.000 pessoas. >> Concerto na Igreja de Santo Antônio, em Tiradentes, Minas Gerais: 400 espectadores dentro da igreja e mais 3.000 nas ruas assistiindo através de telões. 10 Cultura em pauta A localidade não importa; de bairros nobres, como os da zona sul, a comunidades, como a Como tudo começou Rio de Janeiro. O projeto ganhou novos horiA ideia nasceu de uma viagem, em 1997, do empresário Sérgio zontes a partir de 1998, passando Costa e Silva, na qual ele gastava a constar nos calendários culturais os momentos livres na visitação de São Paulo, Brasília e Curitiba. O de museus. A inspiração apareceu sucesso conquistado na cidade carnos famosos museus Metropolitan, ioca se repetiu em todas as demais MoMa e Guggenheim, de Nova cidades que abraçavam o “Música Iorque, onde se pretendia fortalec- no Museu”. A partir de 2007, o er os vínculos entre as artes tradi- Nordeste, Minas Gerais e o Rio de cionais e a música. Sérgio adaptou Janeiro foram os novos destinos de um projeto que já existia ao que músicos amadores e profissionais. hoje se conhece por “Música no O Brasil ficou pequeno para tanto Museu”. A primeira apresentação talento. As fronteiras geopolíticas foi sediada pelo Museu Nacional foram vencidas em razão das rede Belas Artes, em dezembro de percussões das mídias impressa e 1997, e o músico escolhido para eletrônica, o que engendrou matéprotagonizá-la foi o Turíbio San- rias em grandes jornais internactos, violinista. A partir daí, os con- ionais. Paris foi o primeiro país a certos são realizados, alternada ou receber este evento, e a partir daí esporadicamente, nos melhores ocorrem 20 concertos anuais em museus, centro culturais e Igrejas Portugal, Espanha, Estados Unido Rio de Janeiro – ou até clubes dos e Austrália. A versão internacde renome, como o Iate Clube do ional tem apoio do Ministério das a Rocinha, os concertos do “Música no Museu” fazem sucesso por onde quer que passem, seja dia ou seja noite, faça chuva ou faça sol. Relações Exteriores e das Embaixadas brasileiras. O êxito da Música no Museu nesses 15 anos de existência rendeu inúmeros prêmios e honraria. Alguns nacionais, como a Ordem do Mérito Cultural, Golfinho de Ouro, Embaixador do Rio e Urbanidades, e outros internacionais, como Cultura Viva da Unesco e Latin American Quality Awards 2011. Com este resultado, Sergio concebeu o Festival de Harpas, colocando músicos do Brasil no Circuito Mundial de Harpa e no Festival Internacional de Sopro. O Rio Harp Festival (Festival de Harpas) é realizado desde 2006, sempre no mês de maio, e possui cadeira cativa na programação do “Música no Museu”. Desde a sua primeira edição, ícones brasileiros e internacionais se apresentam em virtude do evento. São mais de 200 apresentações de 30 a 35 harpis- futuros músicos. tas de mais 25 a 30 países a cada ano. Em 2012 foram realizados 80 concertos, com 30 harpistas de 22 países. Seguindo com o sucesso do Festival das Harpas, Sérgio criou o Festival Internacional de Sopro, em 2008. Efeméride do mês de novembro, a ênfase é dada nos instrumentos oboé, fagote, clarineta e flauta. Os concertos desse festival, em 2012, foram realizados não somente no Rio, mas também em São Paulo e Porto Alegre; e no âmbito internacional, nos Estados Unidos e Austrália, com 40 concertos. Para os jovens que almejam uma carreira profissional na música erudita, o Concurso Jovens Músicos é um dos meios mais eficazes para o desenvolvimento artístico. O objetivo do concurso é incentivar e promover oportunidades para os Cultura em pauta 11 Novembro: Aniversário Como novembro foi o mês de comemoração dos 15 anos do “Música no Museu”, a agenda do grupo ficou repleta de atrações. Músicos se apresentaram no Quinto Festival de Sopros e no Quinto Concurso Jovens Músicos. Flautistas, oboístas, clarinetistas, fagotistas e saxofonistas se apresentaram na celebração ao lado de jovens talentos musicais. O Quinto Festival de Sopros promoveu, entre 4 a 30 de novembro, ao todo, 40 concertos no Brasil e no exterior. Foram 33 no Rio de Janeiro; 1 em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul; 4 em São Paulo; 1 em Los Angeles, nos Estados Unidos; e 1 em Canberra, na Austrália. A abertura ocorreu No Teatro Sesi com a Orquestra Jovem Música no Museu, sob regência de Anderson Silva. A atração principal do festival foi o oboísta-compositor Harold Emert, que se apresentou nos dias 16, no Centro Cultural Justiça Federal; e 29, na Casa de Rui Barbosa. Em homenagem à iniciativa de 12 Cultura em pauta promover a música clássica, a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) ocupou todas as poltronas durante a apresentação no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no dia 8 de novembro. “Para nós é a glória máxima, porque a OSB homenageando um projeto é realmente uma distinção muito especial”, disse o diretor e fundador do “Música no Museu”, Sérgio. Ainda no mesmo mês houve a quinta edição do concurso “Jovens Músicos”. A seleção foi instituída como incentivo à inserção e continuidade do jovem no universo da música, sobretudo da música clássica. Foram oito meses para escolher, dentre 100 candidatos inscritos, cinco finalistas. As semifinais foram na Academia Brasileira de Música, nos dias 22 e 24. O museu de Arte Moderna foi palco das finais, no dia 25. O ganhador foi o violinista Victor Santana, de Brasília, 21, que foi comtemplado com três apresentações e com um prêmio de três mil reais. Há cinco anos, um músico americano chamado Eric Ruper se apresentou em nome do “Música no Museu” e se admirou com o espaço cedido aos jovens talentos - aproximadamente 30% dos concertos são realizados por eles. Então, Ruper ofereceu uma bolsa no valor de U$ 105.000 que, à escolha de Sérgio, contemplaria um artista para o ano seguinte. Por não conhecer e acompanhar cada das apresentações desses jovens, ele instaurou um concurso e convidou uma equipe para trabalhar em benefício da seleção. Professores das escolas de música da Unirio, da UFRJ, da ProArt, do Conservatório Brasileiro de Música e da UFF participaram do júri, organizaram o concurso, montaram o regulamento e administraram todas as etapas. Dentre os jurados que participaram, estão o representante da James Madson University, Eric Rurper, o representante da Rádio MEC, Lauro Gomes e o professor Gabriel Beavers, da Louisiania University. Para encerrar com chave de ouro o ano de 2012, neste mês de dezembro serão apresentados grandes concertos de Natal e em feriados, como a Missa de Ação de Graças, no dia 11 de dezembro, às 11h30. No dia 2 será realizado o encontro de empreendedorismo musical no Centro Cultural da Justiça do Trabalho, onde serão discutidas alternativas de crescimento profissional para os músicos e o mercado que gira em torno da música, com participação da Sebrae. Encerra-se a programação de 2012 no dia 20 de dezembro, com concerto de gala na Igreja Nossa Senhora da Paz. O projeto retorna em 2013, no dia 11 de janeiro, às 15h, no Centro Cultural Justiça Federal, com a apresentação de um dos maiores pianistas brasileiros, Luís Carlos Castro, que comemora 65 anos de seu primeiro concerto público. ■ Sergio Costa e Silva (direita) é diretor do projeto “Música no Museu” Cultura em pauta 13 (soprano), Fernanda Alvarez (violino), Clara Borges de Medeiros (violoncelo), Érika Machado (piano) Programação do Mês: Dezembro de 2012 07 – Sexta-feira –12:30hrs Centro Cultural Light – Centro Programa: Francesco Provenzale, Domenico Gabrielli, Alessando Scarlatti, Bernardo Gaffi, Giovanni Battista, Bononcini, Sigismund Neukomm, Vivaldi, Padre José Maurício Nunes Garcia, José Rodrigues Domingos de Meirelles. --------------------------------------------- Músico: Duo Cedmon Alves (violão) e Reinaldo Pestana (percussão). Programa: Francisco Tárrega, João Pernambuco, Cedmon Alves --------------------------------------------08 – Sábado – 11:30hrs Parque das Ruínas – Santa Teresa Músico: ABSTRASSOM Programa: Clássicos de Natal --------------------------------------------09 – Domingo – 11:30hrs Museu de Arte Moderna (MAM) - Centro Músico: Luiz Bonfim (voz) e Regina Lacerda (piano) Programa: Handel, Gounod, Bach, Mozart, Franck. --------------------------------------------10 – Segunda-feira – 12:30hs Clube de Engenharia – Centro – 22º andar Músico: Marcio Junior (trompete) e Maria Luisa Lundberg (piano) Programa: Artur Honegger, George Enesco, H. Alves de Mesquista, Torvald Hansen, Oswaldo Lacerda --------------------------------------------11- Terça-feira- 11:30hrs Missa em Ação de Graças - 15 anos de Música no Museu Igreja Santa Cruz dos Militares – Centro 12 – Quarta-feira – 12:30hrs Museu da República - Catete Músico: Gardênia Garcia (piano). Programa: Clássicos do Natal --------------------------------------------13 – Quinta-feira – 18hrs Centro Cultural Justiça Federal – Centro Músico: Coral Agora Vaz – Regência: Célia Vaz Programa: Clássicos brasileiros --------------------------------------------14 – Sexta-feira – 15hrs Centro Cultural Justiça Federal – Centro Músico: Claudio Ribeiro, órgão Músico: Orquestra de Cavaquinhos de Cabo Frio. Regente: Maestro Budega. Lançamento do cavaquinho acústico. Programa: Jan Pieterszoon Sweelinck, Anthoni van Noordt, Johann Adam Reincken e Johann Sebastian Bach Programa: Primeira parte - Participação da Orquestra de Cavaquinhos de Cabo Frio 11 - Terça-feira - 20hrs Iate Clube do Rio de Janeiro - Urca Repertório: Luiz Gonzaga e canções natalinas; Músico: Grupo Signorine: Anne Meyer Segunda parte – Lançamento do cavaqui- 14 Cultura em pauta nho sinfônico. Autor: Angelo-Angeluz Repertório: Waldir Azevedo, Ary Barroso --------------------------------------------15 – Sábado – 18hrs Palácio São Clemente- Consulado de Portugal - Botafogo Músico: DUO D’ONOFRIO-SOVIERO: Antonello d”Onofrio e Claudio Soviero, pianos. Programa: Ravel, Schubert, Poulenc, Mozart 15 – Sábado – 20hrs Centro Loyola de Fé e Cultura – PUC/ Rio Músico: Coral Abstrassom Programa: Clássicos de Natal --------------------------------------------- Programa: Schubert. Bonaventura Soma, Adolph Adam, Michael W. Smith, Mozart, Beethoven, G. F. Handel, F. Gruber www.musicanomuseu.com.br (21) 2253-8645 (21) 2233-6711 16 – Domingo – 11:30hrs Museu de Arte Moderna (MAM) - Centro 18 – Terça-feira – 18hrs Museu do Exército / Forte de Copacabana Músico: Antonelo D’Onofrio, piano Músico: Al Nur Kibir Programa: Mozart, Liszt, Scriabin, Prokofiev, Debussy Programa: Músicas árabes de Natal. --------------------------------------------17 – Segunda-feira – 18hrs Casa de Cultura Laura Alvim - Ipanema --------------------------------------------19- Quarta-feira- 12:30hrs Museu da República - Catete Musico Orquestra de Pandeiros Músico: Maria Luisa (piano) e Tais Soares (violino). Programa: Clássicos ao som dos pandeiros Programa: Beethoven, Veniavsky, Schumann e Manuel de Falla --------------------------------------------18 - Terça-feira- 12:30hrs Centro Cultural Banco do Brasil - Centro Músico: Giuseppe Gullota (piano) Programa: Mozart, G. Lupis, Tchaikovsky/Pletnev, Chopin, Debussy --------------------------------------------Dia 20 - Quinta-feira - 18:30hrs Igreja N. Sra. da Paz - Ipanema Músico: Madrigal Cruz Lopes. Regência: José Machado Neto Participação Especial da CAMERATA A4 CORDA E DA PIANISTA REGINA TATAGIBA Cultura em pauta 15 um brasil desconhecido Galeria no MNBA reúne artistas e obras expoentes da arte brasileira Inaugurado em 19 de agosto de 1938, cerca de dezenove meses após o término oficial de sua construção, em 13 de janeiro de 1937, o Museu Nacional de Belas Artes, situado na Avenida Rio Branco, 199, na Cinelândia, reúne obras dos mais relevantes artistas brasileiros do século XIX. Disposta no segundo piso da edificação, e provisoriamente gratuita, está a Galeria de Arte Brasileira do Século XIX, concentrando 230 trabalhos dispersos em mais de dois mil metros quadrados de área. O visitante, ao entrar no museu, adquirir um bilhete e vencer um pequeno lance de escadas se depara, preso a parede e acima de mais alguns degrayus, com a imponência do quadro Invocação à Virgem, de Vitor Meireles, com esguios 692 centímetros de altura por quase 237 centímetros de largura. Esse sentimento de reverência se repete a cada corredor, proporcionando um contato íntimo com o Brasil do século XIX. Estilos neoclássicos, impressionistas, romancistas, realistas e simbolistas se revezam em telas que retratam eventos históricos, paisagens ao ar livre, figuras reais e anônimas, natureza-morta e mulheres, muitas mulheres. A presença feminina é preponderante e a nudez, frequente, beira o sagrado. As obras icônicas da exposição possuem bancos defronte, um convite à contemplação, e o silêncio nos corredores só não é pleno devido ao som do ar condicionado e dos guardas que confabulam. O público, em geral maduro, visita a exposição por razões oca16 Cultura em pauta sionais e raramente intencionadas. Marcos Reigota, professor, tentava utilizar parte das horas que restavam até a viagem de volta para São Paulo, mas Bruno Jabu, 32, analista de sistemas decidiu usar as férias para programas culturais. “A exposição revela um Brasil que se queria europeu”, critica Marcos, confessando ser afeito à arte moderna. “Eu gosto de arte e vim com a intenção de contemplá-la”, disse Bruno, que durante a visita dedicou minutos preciosos a cada uma das obras com que cruzou. Carlos Loss, que passeava com a esposa, Eunice Loss, percebeu que a entrada era franca e decidiu arriscar. Não se arrependeu. “Encontrei aqui as obras que, quando criança, via apenas pelos livros”, disse, sentado ao lado da mulher e em frente ao quadro Batalha no Avaí, pintura sobre óleo de Pedro Américo. Fabiana de Barros e Lígia de Barros, irmãs e residentes no interior do estado, atenderam à recomendação de um parente e foram ao museu. “Nosso primo disse que não poderíamos vir ao Rio e deixar de visitar o Belas Artes”, disse Fabiana, puxando o ‘r’ – característica do interior. No entanto, não só transeuntes visitam o Belas Artes. Alguns são assíduos visitantes e não perdem uma exposição sequer, chegando a visita-las mais de uma vez. É o caso de Júlio Cesar de Almeida, 47, que há 30 anos visita o museu. “Eu sempre gostei de arte e desde quando era moleque eu vinha aqui”, disse ele. “Essa exposição, gratuita, deveria ser mais bem divulgada”, acrescenta Júlio Cesar, “porque, por exemplo, se você perguntar na rua, ninguém conhece os artistas brasileiros do século XIX. No máximo um Vitor Meireles ou Pedro Américo... Quem conhece, só conhece os ‘tops’, mas existem outras obras de altíssima qualidade”. Júlio também reclama de que a entrada deveria gratuita deveria ser padrão e fala do pouco interesse dos jovens por programas culturais. Ele utiliza o próprio filho como exemplo, que prefere ficar no computador jogando o game Mafia II do que acompanhar o pai. Segundo os guardas responsáveis pela segurança, mesmo sem guias, o museu está sempre sendo visitado, principalmente nos feriados – e mais ainda nos dias de chuva. De uma forma generalizada, a forma mais rápida e econômica de alcançar o número 199 da Avenida Rio Branco é pelo metrô, desembarcando na estação da Cinelândia, ao preço de R$ 3,20 o bilhete unitário, seguindo pelo Acesso Pedro Lessa e virando à esquerda. Para aqueles que preferirem a comodidade de um veiculo particular, a solução mais próxima é o Estacionamento Cinelândia, na Praça Floriano, 19 – ou arriscar uma vaga nas ruas transversais a Rio Branco que, de acordo com o staff do museu, são em geral tranquilas e pouco procuradas. As obras distribuídas na Galeria de Arte Brasileira do Século XIX são, em grande parte, procedentes da Escola Nacional de Belas Artes, que no ano de 1931 se uniu a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Por Felipe Marques Cultura em pauta 17 18 Cultura em pauta Fotografia Natália Etchecoin Yvonne Rousso projeto gráfico Caudo Feitosa Felipe Marques PUBLICIDADES PRÓPRIAS Caudo Feitosa Felipe Marques Mariana Sales Yvonne Rousso Reportagem especial Caio Santana Mariana Sales COMUNICAÇÃO IMPRESSA - 2012.2 Cultura em pauta 19 20 Cultura em pauta