em pauta
Música no Museu
Confira o que aconteceu de mais importante nos
15 anos de trajetória do grupo que revolucionou
o conceito de programação cultural gratuita
Cultura em pauta
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Cultura em pauta
SUMÁRIO
ENTRE-VISTAS
Oscar Niemeyer
Editorial
a vida que vem
Felipe Marques
Mariana Sales
ESPECIAL
Música no Museu
Imagem da semana:
Susana Levenhagem
A OLHO NU
Exposições
Filmes
Galeria no
MNBA reúne
as principais
obras dos
artistas brasileiros do
século XIX.
Pedro Américo e Vitor
Meirelles são
os grandes
destaques.
PAG. 16
Cultura em pauta
3
Editorial
Em tempos modernos >>
No mês de novembro, o
CULTURA EM PAUTA foi até o
Centro Cultural da Justiça Federal
para ouvir música clássica. Tínhamos uma pauta sobre o projeto
“Música no Museu” e concretizamos, mas não vamos nos alongar
nesse assunto, até porque você já
o verá de forma profusa na revista.
O teor da reportagem nos levou a
uma reflexão sobre o contexto musical atual.
“
Por que não
há um investimento maior
em música
clássica no
Brasil?
”
Entre um concerto e outro, um
musicista e outro, uma entrevista
e outra, as perguntas surgiam:
“Porque essas pessoas não são
valorizadas?”; “Porque não há um
investimento maior para a música
clássica no Brasil?”; “Porque a
maioria do povo não gosta desse
estilo musical?”. Em nossas pesquisas percebemos há quanto tempo o “Música no Múseu” resiste
firme: 15 anos. Vimos também os
prêmios ganhos, como o “Latin
4
Cultura em pauta
American Quality Awards”,
e que o público que recebia o
projeto ao som de “Bravo!” era
majoritariamente composto por
idosos.
Será que isso é realmente
cultura? Afinal, a maioria do
povo nem ao menos conhece
algo do tipo. Ou será que o povo
está errado em não valorizar a
música clássica? Ora, não se
pode mandar no gosto da maioria, nem manipulá-lo. Muitas
perguntas e algumas respostas.
Historicamente, o Brasil é
conhecido como um país boêmio
e a boêmia, teoricamente, não
combina com a música clássica.
Talvez essa maneira ortodoxa
de viver a vida pareça hostial
ao público (Será?). Outro ponto
é que muito da musica culturalmente popular brasileira veio da
África e os instrumentos musicais eram os mais baratos - ou mais
fáceis de fazerem - possíveis,
constituindo-se com bandolins,
violões etc. Os ritmos também
eram bem diferentes, algo mais
sensual, incluindo danças como
o “lundu”. Depois da época imperial, onde predominavam os
estilos “choro” e “modinha”, o
gerado foi o tão popular samba.
No século XX, tivemos Cartola, Nelson Cavaquinho (etc. etc.
etc. e muitos etc.) e, logo depois,
foi a vez da Música Popular Brasileira dentro do Tropicalismo,
com expoentes como Caetano
Veloso e Gilberto Gil. Denunciando as mazelas do sertão brasileiro e também mostrando que
ele não era apenas ruim, Gonzaguinha se tornou famoso e até
hoje é conhecido como o “Rei do
Baião”. Baião, outro ritmo.
Atualmente, muito se destrinchou para o pagode, sertanejo e
funk. Isso significa que o brasileiro negou a sua origem europeia?
O CULTURA EM PAUTA crê que
não. Afinal, origem europeia? O
Brasil é um país totalmente miscigenado, fomos colonizados pelos europeus, mas o povo é formado pelo mundo inteiro. O Brasil
“
O Brasil tem
um gosto musical horrível
por sua maioria não gostar de musica
clássica?
”
tem um gosto musical horrível por
sua maioria não gostar de musica
clássica? Também cremos que não.
A nação tem a própria cultura e
cada um tem o seu próprio gosto.
Nós, redatores, editores, repórteres
etc, gostamos de música clássica,
pagode, jazz, funk, rock, sertanejo
etc, afinal, também somos miscigenados. ■
A Equipe
A vida que vem
Sociedade da imagem >>
Desde criança, seja por desconhecimento geral ou admiração à
profissão, quis ser médico. Era um
ideal. Eu me via naqueles jalecos
brancos, salvando vidas e ganhando alguns tijolinhos no céu. À
medida que ia crescendo e descobrindo a mim e ao mundo, fui lapidando minha visão acerca da Medicina e decidi então, influenciado
por uma série americana, que seria um cirurgião plástico. Via no
seriado a vida que eu desejava.
Quando minha capacidade crítica
galgou mais alguns patamares de
evolução, percebi que a cirurgia
plástica era um ramo diferenciado da medicina: Você exatamente
não salvava vidas ou curava pessoas, muito pelo contrário, você
as injuriava. No entanto, justificado pelo pensamento de que eu
tornaria as pessoas mais belas e,
por conseguinte, mais felizes, não
abandonei essa aspiração. Ao final
de minha adolescência percebi que
era sensível demais para ser médico e que escrever e descobrir tinha
mais a ver comigo.
Na terça-feira um de meus
parentes próximos se submeteu a
uma cirurgia plástica. Isso me fez
refletir, mais uma vez, sobre a importância que a imagem ganhou no
último século. Desde a descoberta
da fotografia no século XIX, as imagens gradualmente vêm ganhando mais espaço, seja no ambiente
familiar, escolar, profissional ou
social. A ascensão surpreendente
do cinema no último século é,
talvez, um dos melhores exemplos
que podemos encontrar no tocante
ao poder que a imagem passa a
exercer na contemporaneidade.
No entanto, sabemos que tudo em
excesso faz mal. Mesmo os remédios, se ingeridos em quantidades
profusas, podem vir a causar algum tipo de complicação. É o que
percebo na sociedade atual.
Quando vi o estado pós-cirurgia
de minha tia, pensei de imediato
que ela havia abalroado com um
trem. Faixas cobriam parcialmente
seu rosto e ela mal podia andar ou
falar. A maioria das pessoas que se
submetem a processos correlatos
de “embelezamento” tem como
principal argumento a busca da juventude. Concluí que essa resposta
é bastante vaga. O que exatamente
tais pessoas buscam na juventude? Meu palpite é que almejam
à beleza. Bem, penso que a beleza
é um conceito amplo demais para
ser restringido à aparência física.
Na verdade, penso ser ela a menos
importante de todas – mas que nem
por isso deve ser deixada de lado,
verdade, mas sem extravagâncias,
convenhamos.
Imbuído de certa indignação,
fui perguntar à minha tia o motivo
dela ter cometido tamanha atrocidade contra seu corpo, e obtive
como resposta nada muito diferente do que eu já ouvira antes de
outros entrevistados: “Ué, Felipe,
temos que nos esforçar para sermos bonitos”. Essa resposta me fez
compreender outro aspecto básico
da sociedade ocidental: Buscamos
sempre as saídas mais fáceis para
os problemas que nos são impostos. Vale mais uma injúria severa
ao corpo, pois é mais rápida, do
que alguns meses de esforçada dieta e academia. Vejo gente se esforçando demais para parecer bonita
do que ser bonita. É a imagem persuadindo e influenciado a cabeça
dos despreparados. Encontro mulheres e homens muito bem aparentados, mas sem nenhum tipo de
gentileza ou solidariedade. Talvez
seja porque ainda, infelizmente,
não inventaram clínicas de embelezamento da alma. Enquanto isso,
para confortar aqueles que ainda
não foram dominados pelo campo
imagético, paira a frase célebre de
Saint-Exupéry. O essencial é invisível aos olhos. ■
>> Felipe Marques
Risco de maturidade
Como era bom o tempo da infância.
Brincadeiras inocentes me tornavam, de repente, adulta... Brincar
de casinha, fingir ser professora,
imitar minha mãe!Queria que os
anos passassem rápido para poder
me tornar mulher: Caminhar pelas
ruas com saltos gigantescos, ter
vida independente. Sempre soube,
porém, que essa realidade não seria fácil. Assumir sozinha as contas e os compromissos dava medo.
Percebi que o sonho de me tornar
adulta era maior do que minha vontade de ser adulta. Essa sensação
paulatinamente foi aumentando,
até eu descobrir o peso da palavra
“mulher”. Ao amadurecer, vi que
não estava preparada. Estresse,
ansiedade e nervosismo. Três palavras que jamais queria ter conhecido. Isso atrapalhou minha relação
com os outros. Agora, “mulher”,
vejo que meu sonho é voltar a ser
criança. ■
>> Mariana Benevides
Cultura em pauta
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ENTRE-VISTAS
Relembrando os 100 ano
Internado em Botafogo, Oscar Niemeyer está perto de alcançar os 105 anos. Como
homenagem, rememoramos uma entrevista do arquiteto concedida ao “Vermelho”.
>>
Paulo Henrique Amorim – Oscar,
a nossa conversa tem como propósito
celebrar, no dia 15 de dezembro, os
seus cem anos.
Oscar Niemayer – Você sabe que eu fiz
um artigo na IstoÉ em que eu contava uma
conversa que eu tive comigo mesmo, com
esse ser misterioso que tem dentro de nós.
Então eu dizia para mim mesmo: “Oscar,
não vai nessa conversa de cem anos, isso
é ridículo, não tem interesse nenhum, não
cai nessa...” e eu sou obrigado, às vezes, a
participar da conversa.
PHA – Mas o senhor tem uma frase
muito bonita que diz que “a vida é um
sopro”. Mas o seu sopro já dura, pelo
menos, cem anos.
Oscar Niemayer – É o destino... não sei.
Eu olho para trás, não sou como os outros
que dizem que fariam tudo igual, eu faria
muita coisa diferente. A vida é difícil, a
vida nos leva nas coisas que às vezes a
gente não quer. Eu me lembro do Jorge
Saldanha que vinha aqui quase todos os
sábados e dizia, se queixava, “a gente não
pode fazer plano nenhum que o destino
muda, não é? A vida é cheia de surpresas”.
A própria situação internacional depende
do inesperado, acontece qualquer coisa
e muda tudo. De modo como vive assim
uma posição muito precária e que vindo
de baixo do universo e achando que é
importante, na realidade pouca coisa é
importante. A vida é um sopro, a gente
vem, conta uma história e todo mundo
esquece depois.
PHA – Mas não no seu caso. As suas
histórias são de concreto, ficam para
sempre.
Oscar Niemayer – É, enfim. Trabalhei,
não posso me queixar. O primeiro trabalho
que eu fiz em Pampulha foi tendo sucesso,
eu trabalhei para JK naquela ocasião, eu
me lembro que Pampulha foi o início
de Brasília, não é? A mesma correria, a
mesma angústia, a mesma preocupação
com prazo, e tudo correu bem, Pampulha
com a Igreja assim diferente, coberta de
curvas, ele ficou satisfeito. Tudo isso
eu acredito, deu ao JK um ânimo assim
para tocar para Brasília. Eu me lembro
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Cultura
Culturaem
empauta
pauta
que ele me procurou e disse, “Oscar,
fizemos Pampulha, agora vamos fazer a
nova capital”. E começou essa aventura
que durou alguns anos e que deu, pelo
menos, ao povo brasileiro a sensação de
um pouco de otimismo diante do futuro
que agora a gente vê com um certo prazer.
A gente sentindo que o Brasil está bem
conduzido, que o presidente é operário e
está, pela própria origem, ligado ao povo,
que o Brasil está crescendo para ser um
país importante, a América Latina está se
unindo contra essa aventura do império
do Bush.
PHA – O senhor não gosta do Bush?
“
Cem anos dá pena não dá
prazer. Eu ia passar os cem
anos sem muita alegria. A
vida passou, eu procurei
ser correto, trabalhar, mas
não estou contente, na
verdade não traz nenhum
prazer.
”
Oscar Niemayer – Eu acho que ele é um
merda, sabe.
PHA – (risos) é muito simples. Mas
deixa eu voltar um pouquinho aos
cem anos. Os cem anos, a gente pode
enumerar uma série de defeitos dos cem
anos, mas tem vantagens nos cem anos
também, não tem?
Oscar Niemayer – O pessoal fica mais
condescendente, tratando a gente melhor.
PHA – Mais generoso... não é?
Oscar Niemayer - ...com pena. Cem anos
dá pena não dá prazer. Eu ia passar os cem
anos sem muita alegria. A vida passou,
eu procurei ser correto, trabalhar, mas
não estou contente, na verdade não traz
nenhum prazer.
PHA – Nada?
Oscar Niemayer – Não. Só se o sujeito
pensar que é importante, e eu acho isso tão
ridículo, se ele pensar que é importante ele
está fora do mundo.
PHA – Mas nem o Oscar Niemayer é
importante?
Oscar Niemayer – A nossa política
agora é um pouco diferente, é ligada
à arquitetura, mas sempre procurando
resolver o problema do jovem. Nós
estamos pensando no Brasil, no sujeito
que entra para a escola sem ler um
livro e depois é formado, sai da escola
os
>> Oscar Niemeyer
como um especialista só falando da sua
profissão e o mundo pede gente diferente,
que se interesse, que converse, saiba
alguma coisa. Nós, por exemplo, aqui
no escritório nós temos um professor de
filosofia há cinco anos. Ninguém quer ser
um intelectual...
PHA – O senhor estuda filosofia?
Oscar Niemayer – Há cinco anos. Mas
ninguém tem esse interesse agora.
PHA – Mas, qual é esse seu interesse
por filosofia agora?
Oscar Niemayer – A gente quer se
informar melhor sobre tudo, aprender
outras coisas. O importante é a pessoa
ser curiosa. Não é um interesse de um
intelectual, é um interesse de um sujeito
normal que sente a vida, que é solidário,
que acha que o mundo pode ser melhor,
que um dia o homem possa ter prazer em
ajudar o outro, é isso que é a generosidade
num certo sentido. E o ser - humano,
é verdade, a perspectiva dele é muito
pouco. A própria natureza está começando
a evoluir, já falam que o sol pode crescer,
pode queimar tudo, essas teorias todas,
a gente tem que querer, ter vontade de
participar, ter uma idéia também, para
onde nós vamos... não é? De modo que
o que eu acho importante é o jovem ler,
se informar, ter uma base patriótica, saber
que o Brasil é importante. Antigamente
não era preciso falar muito em pátria não,
mas hoje tem que falar. A América Latina
está ameaçada, nós temos que nos unir, o
que eu acho que é importante é ter uma
visão geral do mundo.
PHA – Você se considera um patriota?
Oscar Niemayer – Entre nós, geralmente
os nossos irmãos militares, a gente
traz a idéia da pátria no peito, porque
a própria profissão obriga. Quando
precisamos dessas autoridades, eles são
indispensáveis. É lógico que eu penso o
Brasil, penso o povo brasileiro, satisfeito,
porque eu estou sentindo que o Brasil está
caminhando melhor, vai ser um grande
país. A juventude começa a compreender
“
O jovem tem que ler,
participar da vida, se
informar,
não
pode
se
transformar
num
especialista que só fala
em arquitetura, que só fala
em teoria, em medicina...
”
Nascido em 15/12/1907, foi o arquiteto brasileiro de nome mais influente na arquitetura moderna. Foi
pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas
do concreto armado, e por este
motivo teve grande fama nacional
e internacional desde a década de
1940. Seus trabalhos mais conhecidos são os edifícios públicos que
projetou para a cidade de Brasília,
embora possua um grande corpo
de trabalho desde sua graduação
pela Escola Nacional de Belas
Artes do Rio de Janeiro em 1934.
que a vida não é um passeio, que tem
que se informar, o jovem tem que ler,
participar da vida, se informar, não pode
se transformar num especialista que só
fala em arquitetura, que só fala em teoria,
em medicina...
PHA – O senhor não gosta de falar
muito em arquitetura, não é?
Oscar Niemayer – Quando vêm
estrangeiros aqui, repórteres estrangeiros,
eles realmente querem que eu fale o que
eu fiz, os projetos, me dá uma preguiça
de falar. A Arquitetura é importante, é a
minha profissão, passei a vida debruçado
na prancheta. Mas o importante é a vida,
fazer a vida mais justa, isso é o que é
importante e eles ficam assim e logo para
eles sentirem bem o meu ponto de vista
eu digo: “vocês sabem, quando eu vejo os
estudantes na rua protestando, acho que o
trabalho deles é mais importante do que
o meu”.
Culturaem
empauta
pauta
Cultura
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15 anos de comemorações
E
xecutar a ideia de trazer música clássica para
os museus e centros
culturais na cidade do
Rio de Janeiro, onde
o erudito é pouco divulgado e valorizado, é uma tarefa complicada.
Ainda assim, há 15 anos o projeto
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Cultura em pauta
“Música no Museu” vem mudando
a história da música clássica no
país. Diaria e gratuitamente, de
domingo a domingo, todos os dias
dos anos. Ainda que, em linhas gerais, a predominância de público
seja de pessoas idosas, o Música
no Museu consegue romper com
as barreiras de idade e classe social através de frágeis e sutis, mas
eficientes, instrumentos musicais.
“Música” e “museu” formam
uma simbiose que transcende o
nível dos “m”s. O genêro clássico, que se repete e se confude
com obras históricas, pictóricas e
Abreu, responsável pela divisão
de difusão cultural da Fundação
Casa de Rui Barbosa. Deste modo,
os espectadores também se tornam
público para outros eventos que
possam eventualmente estar ocorrendo.
A relação entre música e museu
é, acima de produtiva, recíproca
e seu sucesso se deve à confiança
que é depositada nos colaboradores e organizadores dos concertos. “Todos os concertos do projeto
têm excelente frequência de público, principalmente no Festival de
Harpas, realizado em maio de cada
ano’’, contou a assessora de imprensa do Centro Cultural Banco do
Brasil, Sueli Voltarelli.
Apesar de o Brasil ser um país
em desenvolvimento e a música
clássica não ser pouco difundida
e conhecida, os concertos produzidos pela série de programação
atingem todos os níveis sociais,
etários, ideológicos e religiosos,
ainda que uns predominem sobre
outros. Com casas lotadas, o principal objetivo do projeto é democratizar o acesso à cultura através
da música. A colaboradora do projeto, Valeria Lopes, disse que, embora o projeto receba mais idosos
e pessoas com idade madura, crianças também prestigiam os concertos - ainda que sejam trazidas
pelos pais. Para ela, é importante
que as crianças aprendam que existem outros gêneros musicais tão
ou mais belos que os correntes na
arquitônicas, propulsa os valores
brasileiros, pois, além de oferecer
um espetáculo sonoro, as pessoas
são incitadas a visitar as exposições
do museu ou da casa cultural que
sediou a apresentação. “O projeto
‘Música no Museu’ contribui para
diversificar o nosso público e, em
dias de concerto, temos, sem dúvida, um número maior de pessoas
circulando pelos nossos espaços
e conhecendo melhor os serviços
que prestamos”, disse Roberto
mídia.
São 15 anos de trabalho sério e
transparente, e essas características dão credibilidade trabalho que
é oferecido. O músico e o público
se beneficiam com os concertos.
Mesmo sendo eventos gratuitos,
os solistas e os instrumentistas
são remunerados. Valéria disse
que gostariam de receber melhor,
mas o desinteresse de empresas
em financiar um projeto que não
oferece retornos faz com que o
orçamento seja reduzido. Há uma
dificuldade em conseguir patrocinadores, mas os funcionários não
se deixam desanimar, uma vez
que estão cientes do papel social
que desempenham. “Tem gente
que não tem nada na vida além da
gente”, pontuou Valéria. E, comprovadamente, o público ama. “O
Música no Museu consegue conjugar qualidade e diversidade, o que
é raro pra um evento gratuito”, comentou Mathilde Malla, uma das
espectadores.
O projeto não só busca aproximar o erudito da população brasileira, como também incentivar
jovens músicos a apresentarem em
lugares de prestígio, proporcionando-lhes uma oportunidade de
divulgar seu trabalho, além de cantarem ou tocarem com grandes artistas brasileiros e internacionais. É
o caso da cantora Priscilla Cadette,
29, que desde criança cultiva elos
com a música. No projeto, a sua
primeira apresentação foi no dia
Claudio Vettori (esquerda), Priscilla Cadette (meio) e Harold Emert (direita) formaram trio no dia 16 de novembro no Centro Cultural da Justiça Federal.
Cultura em pauta
9
16 de novembro, ainda nesse ano.
Com uma voz firme e desinibida,
os espectadores aplaudiram-na de
pé e, no final, cumprimentaram-na.
Priscilla contou que não imaginava
que ia ser ouvida por um público
tão grande, pois era feriado. “Não
imaginei que viria tanta gente... E
eles foram tão calorosos e receptivos”, disse ela, surpresa.
O Ministério da Cultura, por
meio das leis de incentivos fiscais,
exercem um apoio imprescindível
para a sobrevivência do projeto.
Através dessas leis, as empresas
que receberem o “Música no
Museu” trocam o pagamento do
imposto de renda pela iniciativa
cultural. Elas ganham em dobro:
Deixam de pagar o imposto e vinculam seu nome a grandes projetos
de apelo popular. Os espaços mais
valorizadas para as apresentações
são os museus, casas culturais e
igrejas em estilo clássico, uma vez
que a “aura” desses lugares sintoniza melhor com os ares que as
apresentações ganham.
Atualmente são realizados mais
de 500 concertos do “Música no
Museu” por ano; mais de 350 mil
pessoas já prestigiaram; cerca de
2.500 concertos já ocorreram em
15 anos de existência; cerca de
1100 músicos participam, sendo
80 deles profissionais.
Maiores recordes de
público:
>> Concerto de Natal em dezembro de 2005, com participação
da Banda Sinfônica e Coral da
UFF: Cerca de 4.000 pessoas.
>> Concerto na Igreja de Santo
Antônio, em Tiradentes, Minas
Gerais: 400 espectadores dentro
da igreja e mais 3.000 nas ruas
assistiindo através de telões.
10
Cultura em pauta
A localidade não importa; de bairros nobres, como os da zona sul, a comunidades, como a
Como tudo começou
Rio de Janeiro.
O projeto ganhou novos horiA ideia nasceu de uma viagem,
em 1997, do empresário Sérgio zontes a partir de 1998, passando
Costa e Silva, na qual ele gastava a constar nos calendários culturais
os momentos livres na visitação de São Paulo, Brasília e Curitiba. O
de museus. A inspiração apareceu sucesso conquistado na cidade carnos famosos museus Metropolitan, ioca se repetiu em todas as demais
MoMa e Guggenheim, de Nova cidades que abraçavam o “Música
Iorque, onde se pretendia fortalec- no Museu”. A partir de 2007, o
er os vínculos entre as artes tradi- Nordeste, Minas Gerais e o Rio de
cionais e a música. Sérgio adaptou Janeiro foram os novos destinos de
um projeto que já existia ao que músicos amadores e profissionais.
hoje se conhece por “Música no O Brasil ficou pequeno para tanto
Museu”. A primeira apresentação talento. As fronteiras geopolíticas
foi sediada pelo Museu Nacional foram vencidas em razão das rede Belas Artes, em dezembro de percussões das mídias impressa e
1997, e o músico escolhido para eletrônica, o que engendrou matéprotagonizá-la foi o Turíbio San- rias em grandes jornais internactos, violinista. A partir daí, os con- ionais. Paris foi o primeiro país a
certos são realizados, alternada ou receber este evento, e a partir daí
esporadicamente, nos melhores ocorrem 20 concertos anuais em
museus, centro culturais e Igrejas Portugal, Espanha, Estados Unido Rio de Janeiro – ou até clubes dos e Austrália. A versão internacde renome, como o Iate Clube do ional tem apoio do Ministério das
a Rocinha, os concertos do “Música no Museu” fazem sucesso por onde quer que passem, seja dia ou seja noite, faça chuva ou faça sol.
Relações Exteriores e das Embaixadas brasileiras.
O êxito da Música no Museu
nesses 15 anos de existência rendeu inúmeros prêmios e honraria.
Alguns nacionais, como a Ordem
do Mérito Cultural, Golfinho de
Ouro, Embaixador do Rio e Urbanidades, e outros internacionais,
como Cultura Viva da Unesco e
Latin American Quality Awards
2011. Com este resultado, Sergio
concebeu o Festival de Harpas,
colocando músicos do Brasil no
Circuito Mundial de Harpa e no
Festival Internacional de Sopro.
O Rio Harp Festival (Festival
de Harpas) é realizado desde 2006,
sempre no mês de maio, e possui
cadeira cativa na programação do
“Música no Museu”. Desde a sua
primeira edição, ícones brasileiros
e internacionais se apresentam em
virtude do evento. São mais de 200
apresentações de 30 a 35 harpis- futuros músicos.
tas de mais 25 a 30 países a cada
ano. Em 2012 foram realizados 80
concertos, com 30 harpistas de 22
países.
Seguindo com o sucesso do
Festival das Harpas, Sérgio criou
o Festival Internacional de Sopro,
em 2008. Efeméride do mês de novembro, a ênfase é dada nos instrumentos oboé, fagote, clarineta e
flauta. Os concertos desse festival,
em 2012, foram realizados não somente no Rio, mas também em São
Paulo e Porto Alegre; e no âmbito
internacional, nos Estados Unidos
e Austrália, com 40 concertos.
Para os jovens que almejam uma
carreira profissional na música erudita, o Concurso Jovens Músicos
é um dos meios mais eficazes para
o desenvolvimento artístico. O objetivo do concurso é incentivar e
promover oportunidades para os
Cultura em pauta
11
Novembro: Aniversário
Como novembro foi o mês
de comemoração dos 15 anos do
“Música no Museu”, a agenda do
grupo ficou repleta de atrações.
Músicos se apresentaram no Quinto Festival de Sopros e no Quinto
Concurso Jovens Músicos. Flautistas, oboístas, clarinetistas, fagotistas e saxofonistas se apresentaram
na celebração ao lado de jovens
talentos musicais.
O Quinto Festival de Sopros
promoveu, entre 4 a 30 de novembro, ao todo, 40 concertos no Brasil e no exterior. Foram 33 no Rio de
Janeiro; 1 em Porto Alegre, no Rio
Grande do Sul; 4 em São Paulo; 1
em Los Angeles, nos Estados Unidos; e 1 em Canberra, na Austrália.
A abertura ocorreu No Teatro Sesi
com a Orquestra Jovem Música no
Museu, sob regência de Anderson
Silva. A atração principal do festival foi o oboísta-compositor Harold Emert, que se apresentou nos
dias 16, no Centro Cultural Justiça
Federal; e 29, na Casa de Rui Barbosa.
Em homenagem à iniciativa de
12
Cultura em pauta
promover a música clássica, a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB)
ocupou todas as poltronas durante
a apresentação no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no dia 8 de
novembro. “Para nós é a glória
máxima, porque a OSB homenageando um projeto é realmente uma
distinção muito especial”, disse o
diretor e fundador do “Música no
Museu”, Sérgio.
Ainda no mesmo mês houve a
quinta edição do concurso “Jovens
Músicos”. A seleção foi instituída
como incentivo à inserção e continuidade do jovem no universo da
música, sobretudo da música clássica.
Foram oito meses para escolher, dentre 100 candidatos inscritos, cinco finalistas. As semifinais
foram na Academia Brasileira de
Música, nos dias 22 e 24. O museu de Arte Moderna foi palco
das finais, no dia 25. O ganhador
foi o violinista Victor Santana, de
Brasília, 21, que foi comtemplado
com três apresentações e com um
prêmio de três mil reais.
Há cinco anos, um músico
americano chamado Eric Ruper se
apresentou em nome do “Música
no Museu” e se admirou com o
espaço cedido aos jovens talentos - aproximadamente 30% dos
concertos são realizados por eles.
Então, Ruper ofereceu uma bolsa
no valor de U$ 105.000 que, à escolha de Sérgio, contemplaria um
artista para o ano seguinte. Por não
conhecer e acompanhar cada das
apresentações desses jovens, ele
instaurou um concurso e convidou
uma equipe para trabalhar em benefício da seleção. Professores das
escolas de música da Unirio, da
UFRJ, da ProArt, do Conservatório
Brasileiro de Música e da UFF participaram do júri, organizaram o
concurso, montaram o regulamento e administraram todas as etapas.
Dentre os jurados que participaram, estão o representante da James
Madson University, Eric Rurper, o
representante da Rádio MEC, Lauro Gomes e o professor Gabriel
Beavers, da Louisiania University.
Para encerrar com chave de
ouro o ano de 2012, neste mês
de dezembro serão apresentados
grandes concertos de Natal e em
feriados, como a Missa de Ação
de Graças, no dia 11 de dezembro,
às 11h30. No dia 2 será realizado
o encontro de empreendedorismo
musical no Centro Cultural da
Justiça do Trabalho, onde serão
discutidas alternativas de crescimento profissional para os músicos
e o mercado que gira em torno da
música, com participação da Sebrae. Encerra-se a programação de
2012 no dia 20 de dezembro, com
concerto de gala na Igreja Nossa
Senhora da Paz. O projeto retorna
em 2013, no dia 11 de janeiro, às
15h, no Centro Cultural Justiça
Federal, com a apresentação de um
dos maiores pianistas brasileiros,
Luís Carlos Castro, que comemora
65 anos de seu primeiro concerto
público. ■
Sergio Costa e Silva (direita) é diretor do projeto “Música no Museu”
Cultura em pauta
13
(soprano), Fernanda Alvarez (violino),
Clara Borges de Medeiros (violoncelo),
Érika Machado (piano)
Programação do Mês:
Dezembro de 2012
07 – Sexta-feira –12:30hrs
Centro Cultural Light – Centro
Programa: Francesco Provenzale, Domenico Gabrielli, Alessando Scarlatti,
Bernardo Gaffi, Giovanni Battista, Bononcini, Sigismund Neukomm, Vivaldi,
Padre José Maurício Nunes Garcia, José
Rodrigues Domingos de Meirelles.
---------------------------------------------
Músico: Duo Cedmon Alves (violão) e
Reinaldo Pestana (percussão).
Programa: Francisco Tárrega, João Pernambuco, Cedmon Alves
--------------------------------------------08 – Sábado – 11:30hrs
Parque das Ruínas – Santa Teresa
Músico: ABSTRASSOM
Programa: Clássicos de Natal
--------------------------------------------09 – Domingo – 11:30hrs
Museu de Arte Moderna (MAM) - Centro
Músico: Luiz Bonfim (voz) e Regina
Lacerda (piano)
Programa: Handel, Gounod, Bach, Mozart, Franck.
--------------------------------------------10 – Segunda-feira – 12:30hs
Clube de Engenharia – Centro – 22º andar
Músico: Marcio Junior (trompete) e Maria Luisa Lundberg (piano)
Programa: Artur Honegger, George Enesco, H. Alves de Mesquista, Torvald Hansen, Oswaldo Lacerda
--------------------------------------------11- Terça-feira- 11:30hrs
Missa em Ação de Graças - 15 anos de
Música no Museu
Igreja Santa Cruz dos Militares – Centro
12 – Quarta-feira – 12:30hrs
Museu da República - Catete
Músico: Gardênia Garcia (piano).
Programa: Clássicos do Natal
--------------------------------------------13 – Quinta-feira – 18hrs
Centro Cultural Justiça Federal – Centro
Músico: Coral Agora Vaz – Regência:
Célia Vaz
Programa: Clássicos brasileiros
--------------------------------------------14 – Sexta-feira – 15hrs
Centro Cultural Justiça Federal – Centro
Músico: Claudio Ribeiro, órgão
Músico: Orquestra de Cavaquinhos de
Cabo Frio. Regente: Maestro Budega.
Lançamento do cavaquinho acústico.
Programa: Jan Pieterszoon Sweelinck,
Anthoni van Noordt, Johann Adam Reincken e Johann Sebastian Bach
Programa: Primeira parte - Participação
da Orquestra de Cavaquinhos de Cabo
Frio
11 - Terça-feira - 20hrs
Iate Clube do Rio de Janeiro - Urca
Repertório: Luiz Gonzaga e canções
natalinas;
Músico: Grupo Signorine: Anne Meyer
Segunda parte – Lançamento do cavaqui-
14
Cultura em pauta
nho sinfônico.
Autor: Angelo-Angeluz
Repertório: Waldir Azevedo, Ary Barroso
--------------------------------------------15 – Sábado – 18hrs
Palácio São Clemente- Consulado de
Portugal - Botafogo
Músico: DUO D’ONOFRIO-SOVIERO:
Antonello d”Onofrio e Claudio Soviero,
pianos.
Programa: Ravel, Schubert, Poulenc,
Mozart
15 – Sábado – 20hrs
Centro Loyola de Fé e Cultura – PUC/
Rio
Músico: Coral Abstrassom
Programa: Clássicos de Natal
---------------------------------------------
Programa: Schubert. Bonaventura Soma,
Adolph Adam, Michael W. Smith, Mozart, Beethoven, G. F. Handel, F. Gruber
www.musicanomuseu.com.br
(21) 2253-8645 (21) 2233-6711
16 – Domingo – 11:30hrs
Museu de Arte Moderna (MAM) - Centro
18 – Terça-feira – 18hrs
Museu do Exército / Forte de Copacabana
Músico: Antonelo D’Onofrio, piano
Músico: Al Nur Kibir
Programa: Mozart, Liszt, Scriabin,
Prokofiev, Debussy
Programa: Músicas árabes de Natal.
--------------------------------------------17 – Segunda-feira – 18hrs
Casa de Cultura Laura Alvim - Ipanema
--------------------------------------------19- Quarta-feira- 12:30hrs
Museu da República - Catete
Musico Orquestra de Pandeiros
Músico: Maria Luisa (piano) e Tais Soares (violino).
Programa: Clássicos ao som dos pandeiros
Programa: Beethoven, Veniavsky, Schumann e Manuel de Falla
--------------------------------------------18 - Terça-feira- 12:30hrs
Centro Cultural Banco do Brasil - Centro
Músico: Giuseppe Gullota (piano)
Programa: Mozart, G. Lupis, Tchaikovsky/Pletnev, Chopin, Debussy
--------------------------------------------Dia 20 - Quinta-feira - 18:30hrs
Igreja N. Sra. da Paz - Ipanema
Músico: Madrigal Cruz Lopes. Regência:
José Machado Neto
Participação Especial da CAMERATA
A4 CORDA E DA PIANISTA REGINA
TATAGIBA
Cultura em pauta
15
um brasil desconhecido
Galeria no MNBA reúne artistas e obras expoentes da arte brasileira
Inaugurado em 19 de agosto
de 1938, cerca de dezenove meses após o término oficial de sua
construção, em 13 de janeiro de
1937, o Museu Nacional de Belas Artes, situado na Avenida Rio
Branco, 199, na Cinelândia, reúne
obras dos mais relevantes artistas
brasileiros do século XIX. Disposta no segundo piso da edificação,
e provisoriamente gratuita, está a
Galeria de Arte Brasileira do Século XIX, concentrando 230 trabalhos dispersos em mais de dois mil
metros quadrados de área.
O visitante, ao entrar no museu, adquirir um bilhete e vencer
um pequeno lance de escadas se
depara, preso a parede e acima de
mais alguns degrayus, com a imponência do quadro Invocação à
Virgem, de Vitor Meireles, com esguios 692 centímetros de altura por
quase 237 centímetros de largura.
Esse sentimento de reverência se
repete a cada corredor, proporcionando um contato íntimo com o
Brasil do século XIX.
Estilos neoclássicos, impressionistas, romancistas, realistas e
simbolistas se revezam em telas
que retratam eventos históricos,
paisagens ao ar livre, figuras reais
e anônimas, natureza-morta e mulheres, muitas mulheres. A presença
feminina é preponderante e a nudez, frequente, beira o sagrado. As
obras icônicas da exposição possuem bancos defronte, um convite
à contemplação, e o silêncio nos
corredores só não é pleno devido
ao som do ar condicionado e dos
guardas que confabulam.
O público, em geral maduro,
visita a exposição por razões oca16
Cultura em pauta
sionais e raramente intencionadas.
Marcos Reigota, professor, tentava
utilizar parte das horas que restavam até a viagem de volta para
São Paulo, mas Bruno Jabu, 32,
analista de sistemas decidiu usar
as férias para programas culturais.
“A exposição revela um Brasil que
se queria europeu”, critica Marcos,
confessando ser afeito à arte moderna. “Eu gosto de arte e vim com
a intenção de contemplá-la”, disse
Bruno, que durante a visita dedicou minutos preciosos a cada uma
das obras com que cruzou.
Carlos Loss, que passeava com
a esposa, Eunice Loss, percebeu
que a entrada era franca e decidiu
arriscar. Não se arrependeu. “Encontrei aqui as obras que, quando
criança, via apenas pelos livros”,
disse, sentado ao lado da mulher
e em frente ao quadro Batalha no
Avaí, pintura sobre óleo de Pedro
Américo. Fabiana de Barros e Lígia de Barros, irmãs e residentes
no interior do estado, atenderam
à recomendação de um parente e
foram ao museu. “Nosso primo
disse que não poderíamos vir ao
Rio e deixar de visitar o Belas Artes”, disse Fabiana, puxando o ‘r’
– característica do interior.
No entanto, não só transeuntes
visitam o Belas Artes. Alguns são
assíduos visitantes e não perdem
uma exposição sequer, chegando
a visita-las mais de uma vez. É o
caso de Júlio Cesar de Almeida,
47, que há 30 anos visita o museu.
“Eu sempre gostei de arte e desde quando era moleque eu vinha
aqui”, disse ele. “Essa exposição,
gratuita, deveria ser mais bem divulgada”, acrescenta Júlio Cesar,
“porque, por exemplo, se você perguntar na rua, ninguém conhece os
artistas brasileiros do século XIX.
No máximo um Vitor Meireles ou
Pedro Américo... Quem conhece,
só conhece os ‘tops’, mas existem
outras obras de altíssima qualidade”. Júlio também reclama de
que a entrada deveria gratuita deveria ser padrão e fala do pouco interesse dos jovens por programas
culturais. Ele utiliza o próprio filho
como exemplo, que prefere ficar
no computador jogando o game
Mafia II do que acompanhar o pai.
Segundo os guardas responsáveis pela segurança, mesmo
sem guias, o museu está sempre
sendo visitado, principalmente
nos feriados – e mais ainda nos
dias de chuva. De uma forma generalizada, a forma mais rápida e
econômica de alcançar o número
199 da Avenida Rio Branco é pelo
metrô, desembarcando na estação
da Cinelândia, ao preço de R$ 3,20
o bilhete unitário, seguindo pelo
Acesso Pedro Lessa e virando à
esquerda. Para aqueles que preferirem a comodidade de um veiculo
particular, a solução mais próxima
é o Estacionamento Cinelândia, na
Praça Floriano, 19 – ou arriscar
uma vaga nas ruas transversais a
Rio Branco que, de acordo com o
staff do museu, são em geral tranquilas e pouco procuradas.
As obras distribuídas na Galeria
de Arte Brasileira do Século XIX
são, em grande parte, procedentes
da Escola Nacional de Belas Artes, que no ano de 1931 se uniu
a Universidade Federal do Rio de
Janeiro.
Por Felipe Marques
Cultura em pauta
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Cultura em pauta
Fotografia
Natália Etchecoin
Yvonne Rousso
projeto gráfico
Caudo Feitosa
Felipe Marques
PUBLICIDADES PRÓPRIAS
Caudo Feitosa
Felipe Marques
Mariana Sales
Yvonne Rousso
Reportagem especial
Caio Santana
Mariana Sales
COMUNICAÇÃO IMPRESSA - 2012.2
Cultura em pauta
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