Interação na Internet
Júlio César Araújo
Bernardete Biasi-Rodrigues
(Organizadores)
INTERAÇÃO NA INTERNET:
Novas Formas de Usar a Linguagem
Editora Lucerna
Rio de Janeiro – 2005
Copyright © 2005 by
Júlio César Araújo e Bernardete Biasi-Rodrigues
Todos os direitos reservados e protegidos.
Proibida a duplicação ou reprodução deste livro ou partes do mesmo,
sob quaisquer meios, sem autorização expressa dos editores.
Revisão
Daniela Ferrari
Diagramação
Victoria Rabello
Capa
Rossana Henriques
Produção gráfica
Editora Lucerna
CIP-Brasil. Catalogação na fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ
I48
Interação na Internet : novas formas de usar a linguagem / Júlio César Araújo, Bernardete
Biasi-Rodrigues (orgs.). – Rio de Janeiro : Lucerna, 2005
176 p. ; 23cm.
Inclui bibliografia
ISBN 85-86930-50-4
1. Internet – Aspectos sociais. 2. Comunicações digitais. 3. Internet na educação. 5.
Sistemas hipertexto. 4. Multimídia interativa. 5. Análise lingüística. I. Araújo, Júlio César. II.
Biasi-Rodrigues, Bernardete.
05-2825
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AGRADECIMENTOS
A elaboração deste livro só foi possível graças ao esforço de muitos colegas.
Entre eles, agradecemos aos pesquisadores aqui reunidos que, mesmo pertencendo a diferentes Universidades e regiões brasileiras, conseguem manter
um estreito e fecundo diálogo seja durante os Congressos científicos, seja utilizando as novas formas de usar a linguagem na Internet.
Não podemos deixar de agradecer ao Professor Antônio Carlos Xavier
(UFPE) pelo constante diálogo sobre o tema do livro e pela inventividade de
seu título bem como à Professora Fabiana Komesu (FAPESP/UNESP) e ao
grande amigo Professor Dieb (UERN/UFC) pelo constante companheirismo durante a organização do volume.
Também externamos o nosso agradecimento ao Professor Luiz Antônio
Marcuschi (UFPE) pelas palavras generosas do prefácio bem como pela preciosa colaboração ao apresentar nosso trabalho à Editora Lucerna, a quem
também agradecemos, na pessoa de nosso editor Evanildo Bechara, pela iniciativa de dar “voz” às pesquisas aqui relatadas.
SUMÁRIO
Apresentação ......................................................................................................9
Palavras Iniciais ................................................................................................13
Sobre os Autores...............................................................................................15
PARTE I
Gêneros Digitais: Práticas Discursivas da Internet
Tendências em Pesquisas em Gêneros Digitais:
Focalizando a Relação Oralidade/Escrita ......................................................19
Iúta Lerche Vieira
E-forum na Internet: um Gênero Digital .......................................................30
Antônio Carlos Xavier
Carmi Ferraz Santos
Formas Associativas Existentes nas Salas de Bate-Papo ................................39
Júlio César Ferreira Firmino
A Natureza Hipertextual do Gênero Chat Aberto ........................................48
Júlio César Araújo
Bernardete Biasi-Rodrigues
Espaços Mentais e Hipertexto: Considerações sobre os Chats do IRC ........63
Terezinha Mestrinelli
PARTE II
Hipertexto: Controvérsias, Pesquisa e Ensino
Pensar em Hipertexto ......................................................................................87
Fabiana Komesu
Da Leitura de Hipertexto: Um Diálogo com Rouet et al ............................109
Carla Viana Coscarelli
Os Hipertextos que Cristo Leu ......................................................................124
Ana Elisa Ribeiro
Estratégias de Leitura para a Compreensão de Hipertextos ......................131
Regina Cláudia Pinheiro
O Hipertexto na Sala de Aula de Língua Estrangeira ..................................147
João Renê Pereira Hass
Referências Bibliográficas .............................................................................. 167
Apresentação
INTERAÇÃO NA INTERNET
Novas formas de usar a linguagem
Com menos de um quarto de século de existência, a Internet penetrou de
maneira impressionante todas as esferas da atividade humana, desde as mais
íntimas às mais públicas. Despertou o interesse de muitas áreas de conhecimento, propiciou o surgimento de novas formas de expressão e o desenvolvimento de alguns gêneros textuais. Contudo, na esteira dessa avalanche de
novidades, afloraram diversos desafios. Entre os mais debatidos hoje, estão os
aspectos relativos às novas estratégias de comunicação e às formas de uso
lingüístico, que se diversificam tanto na escrita como na relação interpessoal.
Objetivando aprofundar representativa parcela desses temas, com pistas
para enfrentar muitos deles, Júlio César Araújo (UERN/UFC) e Bernardete
Biasi-Rodrigues (UFC) organizaram esta coletânea com dez ensaios de pesquisadores brasileiros. Todos os autores dos estudos vêm-se dedicado intensamente a essas questões nos últimos anos e a maioria deles defendeu tese de
doutorado ou dissertação de mestrado ligada à Internet. Não obstante essa
origem acadêmica, a linguagem em que se expressam e a maneira como tratam os assuntos teve em mente um público mais amplo, não especializado,
sem sacrificar a qualidade.
No conjunto, trata-se de um significativo elenco de investigações situado
no contexto dessa nova e multifacetada mídia contemporânea, a Internet,
com duplo foco: por um lado, as análises se voltam para os processos interativos e práticas discursivas centrados nos bate-papos e, por outro lado, dedicam-se à pesquisa sobre o ensino de língua e os problemas de leitura emergentes no hipertexto.
Assim, na primeira parte, predomina o enfoque dos gêneros mais interativos, tais como os fóruns de discussão eletrônicos, os bate-papos pela Internet e
os problemas da relação entre oralidade e escrita nesse novo espaço discursivo.
Na segunda parte, são debatidos aspectos tipicamente relacionados às questões de leitura do hipertexto e ao ensino de língua, tanto no caso da língua
materna como estrangeira. No conjunto, abrem-se vários flancos de pesquisa
que deverão constituir boa parte das preocupações de lingüistas, sociólogos,
educadores, antropólogos e teóricos da comunicação nos próximos anos.
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Esta dupla linha de análise justifica-se tendo em vista o aparecimento de
determinadas formas de expressão escrita que já estão preocupando professores, em sala de aula e pais, em casa. Quanto a isso, os autores mostram que,
como acontece com todas as novas mídias ligadas à atividade de comunicação
humana, também a Internet atinge de modo particular os usos da linguagem.
Basta olhar como se dá a escrita nos blogs, nos chats e nos e-mails mais informais. É por isso que já se tornou comum a indagação dos pais preocupados
com as novidades lingüísticas na escrita da geração internetiana. Mas não
menos preocupantes são também as novas formas de interação no mundo
virtual que muitas vezes isolam as pessoas e passam a interferir seriamente na
interação no mundo real. Os autores destes ensaios ensinam que não se deve
dar menos atenção a esses novos formatos de interação virtual que aos novos
usos da linguagem. É bem provável que futuramente os problemas mais sérios
surgidos nos contextos da Internet estejam ligados a essa nova gramática de
interação e compreensão do que propriamente às formas de escrita da gramática das formas lingüísticas.
Portanto, tudo leva a crer que o problema maior na comunicação internetiana não está basicamente nos novos tipos de escrita cheios de abreviações e
truncamentos, nem numa escrita quase ideográfica, mas sim nos desafios cognitivos, no acúmulo de informações e na necessidade de maior formação para
enfrentar problemas de compreensão. Percebe-se com nitidez que a Internet
não é perigosa nem ameaça a Língua Portuguesa. Aqui, salta aos olhos o papel
que as condições externas (sociais, culturais, históricas, tecnológicas) exercem
sobre os usos da língua, sobrepondo-se até mesmo às condições internas (formais ou estruturais) mais facilmente visíveis na superfície textual. Aí reside um
ponto essencial de toda reflexão levada a cabo nestes estudos.
A Internet incentiva ações novas que permitem profundas mudanças sociais, de um lado, e o surgimento de novos modos de operação cognitiva, de
outro lado. Além disso, pela natureza da escrita que nela se desenvolve, aflora
uma certa primazia de estratégias orais sobrepondo-se às estratégias da escrita. Sabemos que esta tese é polêmica, mas se considerarmos que os textos
tipicamente internetianos são escritos em condições especiais de produção e
recepção, veremos que a questão é no mínimo instigante. Ao contrário da
‘escrita pré-Internet’ que tinha sua recepção sempre defasada no tempo (todos
nós líamos todos os textos muito depois de escritos), na era da Internet, a
recepção da escrita pode ser simultânea à sua produção. Você leitor ou leitora,
está lendo este texto muito tempo depois que foi escrito, mas se você estiver na
Internet batendo papo com alguém numa das salas existentes, poderá responder na hora, em sincronia temporal com seu interlocutor. É claro que essa
APRESENTAÇÃO
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condição de temporalidade interfere na forma de escrever pela necessidade da
reação em tempo real. Isto constitui algumas das estratégias de textualização
da oralidade que passam para a escrita.
A escola deve aprender a lidar com esse formato de escrita que é mais
complexo do que um simples ato de falar por escrito. Pois aí ocorrem interferências que não vêm da oralidade e sim de outros modos discursivos. Atentese para o fato de que na fala usual existem gestos, mas não existem as carinhas,
os emoticons e outros recursos da Internet. Apesar de não ser uma inovação
do meio especificamente internetiano, a Internet contribui para uma absorção sistemática dessas semioses proporcionando um formato mais diversificado de escrita. São essas possibilidades que tornam a Internet um espaço de
grande plasticidade com recursos infindáveis para novas formas de interação
pela escrita e por isso mesmo um desafio muito mais promissor do que assustador. É o tipo da ruptura que constrói e não corrói.
Já é um consenso hoje que a Internet está propiciando uma revolução
social de grande porte e de conseqüências jamais vistas. Para muitos, a progressiva informatização de todos os serviços e setores da produção humana,
inclusive o educacional, estaria causando desempregos notáveis. Para outros,
parece ocorrer o contrário com inúmeras formas de novos empregos surgindo em setores antes inimagináveis. Mas não é deste tema que trata esta coletânea e sim das novas formas de interação e dos gêneros textuais que surgem
nesse ambiente de comunicação digital. Contudo, essa revolução social é um
pano de fundo que motiva parte substantiva das reflexões.
Quem hoje não se acha sob a influência de algum tipo de comunicação
informatizada? A informatização tomou conta tanto de nossa vida cotidiana
no interior de nossos lares como na vida pública – supermercados, bancos,
hospitais, escolas e meios de locomoção em geral. Hoje, podem-se comprar
livros, roupas, eletrodomésticos, reservar hotéis, passagens de avião, de ônibus e de trem pela Internet e fazer todos os tipos de pagamentos e contatos por
via eletrônica. É por isso que esta obra faz do letramento digital um tema
central, que ainda traz perplexidades e constitui fator decisivo de exclusão
social. Se até ontem parecia um luxo dedicar-se ao ensino dos usos da Internet,
hoje é uma necessidade, pois esta tecnologia tornou-se irreversível e invasora
de todos os ambientes. A segunda parte da obra aqui apresentada entra fundo
nesses aspectos do hoje tão discutido letramento digital, isto é, o modo como
lidamos socialmente com a escrita digital.
É sobre tudo isto e muito mais que você vai se informar e refletir com
segurança e clareza nesta coletânea de ensaios. A riqueza dos pontos de vista e
das alternativas aqui apresentados deixa-nos com a sensação de que quase
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tudo ainda está por se pensar. Mas não se esperem destes ensaios fórmulas
prontas como pílulas de ingestão rápida e efeito imediato. A missão que os
autores desta coletânea se impuseram foi a de oferecer um leque de reflexões
em proporções limitadas com temas verticalmente tratados para evitar a superficialidade. Na leitura destes trabalhos, ficamos com a impressão de que
um mundo bastante complexo está surgindo e quem mais se modifica com
isto não é nem a linguagem nem a natureza do ensino, mas sim a natureza das
atividades interativas e cognitivas pelas novas formas de uso da linguagem
como ressalta o título da coletânea.
Em suma, aqui, lingüistas, educadores, psicólogos, sociólogos, filósofos,
historiadores e todos os interessados em desafios lingüísticos terão a oportunidade de verificar que, se quanto à tecnologia e a velocidade na transmissão
e recepção de dados e informações, a informática anda avançada, o mesmo
ainda não ocorre em relação à compreensão desta tecnologia relativamente
às ações cotidianas. Isto abre uma linha de estudos de importância central
para a sociedade contemporânea. Pois, como vimos, a informatização e a
vida digital acham-se presentes em nosso dia-a-dia desde o mais simples gesto
de abrir a porta de casa até o mais complexo ato de investigar o funcionamento do cérebro humano. Ninguém mais pode ignorar esse admirável novo
espaço da comunicação digital.
Luiz Antônio Marcuschi
(UFPE/CNPq)
Recife, agosto de 2005
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