Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia CONTECC’ 2015 Centro de Eventos do Ceará - Fortaleza - CE 15 a 18 de setembro de 2015 EFEITO DO PRONAF NA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS NO ESTADO DA BAHIA MELYSSA DA SILVA MOREIRA PINHEIRO1*, MILENA MONTEIRO FEITOSA2, RAQUEL NERIS TEXEIRA3, FRANCISCO AQUILES DE OLIVEIRA CAETANO4, JOSÉ DE JESUS SOUSA LEMOS5 1 Estudante de Agronomia, UFC, Fortaleza-CE. Fone: (85) 96949139, [email protected] 2 Graduada em Ciências Econômicas, UFC, Fortaleza-CE. Fone: (85) 89597402, [email protected] 3 Estudante de Agronomia, UFC, Fortaleza-CE. Fone: (85) 96071373, [email protected] 4 Graduado em Ciências Econômicas, UFC, Fortaleza-CE. Fone: (85) 99912-4614, [email protected] 5 Dr. Professor de Economia, UFC, Fortaleza-CE. Fone: (85) 97534141, [email protected] Apresentado no Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia – CONTECC’ 2015 15 a 18 de setembro de 2015 - Fortaleza-CE, Brasil RESUMO: O estudo avalia a evolução da produção de alimentos no estado da Bahia entre 1999 e 2012. São utilizados dados secundários vindos do IBGE, da FGV e do Banco Central do Brasil. A pesquisa analisa e estima as taxas geométricas de crescimento da produção diária per capita de alimentos, o valor da produção agregada agrícola, o valor médio por contrato do PRONAF do setor agrícola e o valor dos financiamentos totais do PRONAF entre 1999 e 2012, a evolução do montante de crédito rural e do número de contratos captados pelos agricultores familiares no estado da Bahia no período. Os resultados mostraram que o setor agrícola na Bahia apresentou uma resposta negativa em relação à produção de alimentos perante o grande número de contratos e valores financiados para o estado, mostrando que há o fortalecimento da agricultura familiar no estado para atrair recursos e, em relação, a baixa produção de alimentos pode ser consequência de fatores climáticos. PALAVRAS–CHAVE: Agricultura familiar, Crédito rural, Desenvolvimento rural. EFFECT OF PRONAF IN FOOD PRODUCTION IN BAHIA STATE ABSTRACT: The study examines the evolution of food production in the state of Bahia between 1999 and 2012. They are used secondary data coming from the IBGE, FGV and Central Bank of Brazil. The research analyzes and estimates the geometric growth rates of daily production "per capita" of food, the aggregate value of agricultural production, the average value per contract PRONAF the agricultural sector and the value of the total PRONAF financing between 1999 and 2012, the evolution of rural credit amount and the number of contracts obtained by farmers in the state of Bahia in the period. The results showed that the agricultural sector in Bahia showed a negative response in the production of food before the large number of contracts and amounts financed for the state, showing that there is the strengthening of family agriculture in the state to attract resources and, relative, low food production may be due to climatic factors. KEYWORDS: Family farm, Rural Credit, Rural Development INTRODUÇÃO A criação do Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), uma política agrícola voltada para os agricultores familiares, com o objetivo de diminuir a pobreza rural e obter o desenvolvimento, promovendo a oferta de trabalho e aumentando a renda, foi uma conquista de agricultores organizados que se mobilizaram para inserir políticas públicas para o espaço agrário juntamente com estudos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e da Food and Agriculture Organization (FAO) no início da década de 1990. (Azevedo, 2011) Em termos numéricos a agricultura familiar tem importante representação no Brasil. Segundo Sabourin (2007), de um total de quase cinco milhões de estabelecimentos agrícolas no Brasil, 85% pertencem ao setor familiar, enquanto apenas 12% ao setor patronal. A agricultura familiar é responsável por 38% da produção agrícola no Brasil, 75% da população ativa agrícola trabalha no setor e se beneficia de apenas 25% dos financiamentos do governo, embora apresente maior produtividade por hectare cultivado e envolver na atividade sete vezes mais mão-de-obra. (Sabourin, 2007) Ainda segundo Sabourin (op. cit), na região Nordeste aproximadamente 50% dos estabelecimentos agrícolas são familiares, ao contrário do que acontece em outras regiões brasileiras, e possui participação de 43% do PIB agropecuário da região em 1996, abrangendo 27% dos financiamentos do governo e com produtividade maior que a média nacional. (Sabourin, 2007) O estado da Bahia possui aproximadamente 30% dos estabelecimentos rurais familiares da região Nordeste, ocupando uma área de 9.955.563 hectares e financiamentos do PRONAF de 23,04% do total, a maior porcentagem da região Nordeste no ano de 2006. (Censo Agropecuário, 2006) Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA, 2004), o programa é voltado para cobrir os custos da produção agrícola ou atividade agroindustrial, também é direcionado para a aquisição de máquinas e equipamentos e no melhoramento da infraestrutura de produção e serviços, agropecuários ou não. O produtor rural, após decidir o que deseja financiar, deve obter a emissão da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), pois a partir dela identifica-se a linha de crédito à qual pertence o agricultor, de acordo com sua renda. O programa é dividido por grupos que classificam os agricultores de acordo com a renda. O grupo A envolve agricultores assentados do Programa Nacional de Reforma Agrária, que utilizam mão de obra exclusivamente familiar; o grupo A/C são agricultores familiares egressos do Grupo A, que se encaixam nas condições do Grupo C e que não possui renda mínima delimitada do estabelecimento; o grupo B são agricultores familiares que fazem uso exclusivo da mão de obra familiar, com renda bruta de até R$ 2 mil; grupo C são agricultores familiares com uso predominante da mão de obra familiar, mas podendo contratar trabalhadores que não são da família, possui renda bruta anual que pode variar entre R$ 2 e R$ 14 mil; grupo D são agricultores familiares que possuem certo nível de capitalização nas atividades agropecuárias e não-agropecuárias e que além do uso da mão de obra familiar podem contratar até dois trabalhadores permanentes ou trabalhadores temporários e possuem renda bruta anual que pode variar entre R$ 14 e R$ 40 mil; grupo E são agricultores familiares que apresentam melhores condições socioeconômicas em relação aos agricultores dos outros grupos, podem contratar trabalhadores temporários e até dois trabalhadores permanentes, e possuem renda bruta anual que pode variar entre R$ 40 e R$ 60 mil. (Azevedo, 2011) Portanto, é imprescindível o desenvolvimento dessas áreas rurais, contando com a presença do Estado investindo em assistência técnica gratuita, extensão rural e a promoção de novos conhecimentos para aumentar a resiliência perante as vulnerabilidades técnicas, sociais e ambientais. Em relação ao fortalecimento da agricultura familiar, é necessária a interação das políticas macroeconômicas que melhorem as condições de um conjunto de produtores e não somente alguns; políticas que apresentem estratégias de redução da pobreza, tanto urbana quanto rural, gerando empregos e fortalecendo as economias regionais e o mercado interno; ter políticas voltadas para a “emancipação”, em termo de competitividade dos seus beneficiários para entrar no mercado; e ter uma massa crítica mínima de agricultores familiares que possam dar o estopim para o desenvolvimento local. (Buainain et al, 2003) MATERIAL E MÉTODOS O trabalho utilizou dados secundários extraídos da Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE entre os anos de 1999 e 2012. Também utilizou a série anual de total de contratos e valor dos financiamentos do PRONAF, extraídos do Banco Central do Brasil, transferidos para o estado da Bahia, entre os anos de 1999 e 2012. Os valores nominais foram corrigidos usando o índice geral de preços da Fundação Getúlio Vargas, com base em 2012. Estimaram-se taxas geométricas de crescimento do valor agregado da produção de arroz, feijão, mandioca e milho, da produção diária per capita destes itens. Para tanto, se utilizou o modelo de regressão log-linear, representado pela equação 1: Log Y = β0 + β1T + ϵ. Na equação (1) a variável Log Y refere-se ao logaritmo em base neperiana do valor da produção agrícola, da produção diária per capita de alimentos e do valor médio por contrato do PRONAF entre 1999 e 2012 no estado da Bahia. T (T = 0, 1, 2...) é o tempo. O coeficiente β0 é o parâmetro logo-linear e β1 é o parâmetro angular que, multiplicado por cem, será a estimativa da taxa geométrica de crescimento (TGC) da variável Y. A variável ϵ se constitui no termo de erro aleatório que, por hipótese, atende aos pressupostos do modelo linear clássico. Foi estimada a relação entre o valor da produção agregada agrícola, o valor médio por contrato do PRONAF e o valor dos financiamentos totais do PRONAF entre 1999 e 2012 utilizando-se a seguinte equação, representada pela equação 2: Log (VBP) = λ0 + λ1Log (PRONAF) + ϵ. Na equação (2), Log (VBP) é o logaritmo neperiano do valor agregado da produção agrícola na Bahia entre os anos de 1999 e 2012. A variável PRONAF representa o valor médio por contrato do PRONAF e o valor dos financiamentos totais do PRONAF da Bahia naquele período. A variável ϵ se constitui no termo aleatório. Os parâmetros λ0 e λ1 se constituem, respectivamente, dos coeficientes lineares e angulares da equação. O coeficiente angular, neste caso, mede a sensibilidade da variação do Valor Bruto da Produção (VBP) da produção agregada de alimentos no estado baiano no período sob investigação a variações dos investimentos do PRONAF. RESULTADOS E DISCUSSÃO Pode-se observar que a produção diária per capita de arroz, feijão, mandioca e milho no estado da Bahia no Gráfico 1. Gráfico 1 - Trajetória da Produção Diária Per Capita de Alimentos na Bahia entre 1999 e 2012 Fontes dos dados originais: IBGE, vários anos. A produção diária per capita da Bahia apresentou 946 gramas diárias por pessoa em 1999 e em 2012 com 815 gramas diárias por pessoa. O resultado encontrado na aferição da Taxa Geométrica de Crescimento - TGC associada à evolução da produção diária per capita de alimentos na Bahia sinalizam queda de -0,56% entre 1999 e 2012, e coeficiente ajustado de -0,051 demonstrando estagnação na produção per capita de alimentos. Em relação à Taxa Geométrica de Crescimento – TGC da produção agrícola na Bahia, apresenta queda de -2,19% da produção de arroz, feijão, mandioca e milho entre os anos de 1999 e 2012. A evolução da produção agrícola na Bahia entre 1999 e 2012, foi obtida através de dados do IBGE e está representada pela Taxa Geométrica de Crescimento. Por estas evidências depreende-se que a TGC apresentou queda entre 1999 e 2012 a uma taxa média anual de -2,19%. A evolução dos contratos, montante de recursos e valores médios por contratos do PRONAF Agrícola na Bahia entre 1999 e 2012 estão mostrados na Tabela 2. De acordo com as informações da Tabela 2, tem-se que o total de contratos do PRONAF na Bahia cresceu entre 1999 e 2012 a uma taxa média anual de 0,4%. O valor corrigido total dos financiamentos cresceu enquanto que o valor médio por contrato cresceu a uma taxa expressiva de 12,8% ao ano (Tabela 2). Estes resultados sugerem que o valor dos financiamentos aumentou no período sob investigação, juntamente com uma evolução significativa do valor médio dos contratos, mas houve um leve aumento no número de contratos, mostrando que houve uma concentração de recursos. Em relação ao impacto do valor médio do PRONAF sobre a produção agrícola na Bahia, apresentou coeficiente estimado negativo (-0,118) e não significativo, logo pode-se dizer que o valor médio do PRONAF não afetou a produção agrícola do Estado. Tabela 2 - Evolução do total de contratos, do valor corrigido e valor médio por contrato do PRONAF agrícola na Bahia entre os anos de 1999 e 2012 Total de Valor corrigido Valor médio por Ano contratos (R$) contrato 1999 57.084 759217766,62 13300,01 2000 34.720 476143167,85 13713,80 2001 43.317 485278462,23 11202,96 2002 44.845 672846216,93 15003,82 2003 61.087 983353092,06 16097,58 2004 61.002 1301341220,06 21332,76 2005 59.695 1434316043,44 24027,41 2006 80.849 1370350172,34 16949,50 2007 67.956 1412266778,39 20782,08 2008 49.911 1816497480,97 36394,73 2009 44.734 2062413558,83 46103,94 2010 36.812 2126110509,94 57755,91 2011 38.289 2415432361,89 63084,24 2012 68.704 2975920447,49 43315,10 TGC (%) 0,4 0 12,8 R² -0,08 0 0,833 Fontes dos Dados Originais: Banco Central. CONCLUSÕES O crédito rural é de grande importância para o desenvolvimento rural, principalmente em regiões como o Nordeste brasileiro que apresenta desigualdades por carregar no seu processo histórico características como concentração fundiária das melhores terras e a utilização de baixo nível tecnológico na agricultura. O Estado da Bahia não apresentou crescimento da produção agrícola, e, em relação aos impactos dos valores médios, pode-se dizer que não afeta a produção agrícola do Estado. Contudo, na análise da quantidade de oferta de contratos e valor nos financiamentos do programa, o estado baiano apresenta aumento. De acordo com essa observação nos resultados supõe-se que o crescimento mínimo ou os resultados negativos da Bahia podem ser em decorrência dos fatores climáticos ou falta de assistência técnica, e o aumento do acesso dos recursos do PRONAF para o Estado supõe que é decorrente da organização dos agricultores e do fortalecimento da agricultura familiar baiana. REFERÊNCIAS Azevedo, F. F.; Pêssoa, V. L. S. O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar no Brasil: Uma análise sobre a distribuição regional e setorial dos recursos. Revista Sociedade & Natureza, ano 23, n.3, p.483-496, 2011. Disponível em: http://www.seer.ufu.br/index.php/sociedadenatureza/article/view/12573. Acesso em: 07 de abril de 2015. Buainain, A. M.; Romeiro A. R.; Guanziroli, C. Agricultura Familiar e o Novo Mundo Rural. Revista Sociologias, ano 5, n.10, p.312-347, 2003. Disponível em:http://www.scielo.br/pdf/soc/n10/18723.pdf. Acesso em: 20 de maio de 2015. Sabourin, E. Que política publica para a agricultura familiar no segundo governo Lula?. Revista Soc. Estado, v.22, n.3, 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69922007000300009. Acesso em: 10 de abril de 2015. Censo Agropecuário. 2006. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/49/agro_2006_resultados_preliminares.pdf. Acesso em: 15 de fevereiro de 2015. Ministério do Desenvolvimento Agrário. II Plano Nacional de reforma agrária. 2004. Disponível em: http://sistemas.mda.gov.br/arquivos/PNRA_2004.pdf. Acesso em: 15 de fevereiro de 2015.