Universidade
Católica de
Brasília
PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
ENFERMAGEM
A INSERÇÃO DO ACOMPANHANTE NA CENA DO PARTO:
UMA ANÁLISE SOB A ÓTICA DA EQUIPE DE
ENFERMAGEM DE UM HOSPITAL PÚBLICO
Autor: Helena Araújo Silva
Kamila Moraes Bezerra
Orientadora: MSc Leila Bernarda Donato Gottems
Co-orientadora: Letícia de Matos Araújo Nicolletti
BRASÍLIA
2008
Helena Araújo Silva
Kamila Moraes Bezerra
A INSERÇÃO DO ACOMPANHANTE NA CENA DO PARTO: UMA ANÁLISE SOB
A ÓTICA DA EQUIPE DE ENFERMAGEM DE UM HOSPITAL PÚBLICO
Monografia apresentada ao curso de
Graduação em Enfermagem da Universidade
Católica de Brasília, como requisito parcial
para obtenção do Título de Bacharel em
Enfermagem.
Orientadora: MSc Leila Bernada Donato
Gottems
Co-orientadora: Letícia de Matos Araújo
Nicolletti
Brasília
2008
AGRADECIMENTOS
Á orientadora Leila Gottems por compartilhar suas idéias e experiência durante todos os
momentos nessa nossa caminhada, pelo envolvimento que teve principalmente com a nossa
idéia e por ter contribuído para tornar o nosso trabalho mais rico.
A Co-Orientadora Letícia Nicolletti, por ter aceitado nos orientar e ter se envolvido com
nossa idéia. Agradeço por toda dedicação e atenção dispensados a nós durante esta
caminhada. Pela seriedade e competência que demonstrou ter durante a realização deste
sonho. Pelo exemplo de profissional que mostrou ser e que por nós será perpetuado durante
nossa atuação profissional. Você sempre será lembrada com muito carinho pela forma como
nos acolheu e nos conduziu diante das dificuldades enfrentadas. Muito obrigada por tudo.
À Enfermeira Sueli, pela forma e carinho que fomos recebidas no Centro Obstétrico e que
contribuiu para tornar mais rico nosso trabalho.
As nossas adoráveis amigas e irmãs, Ana Cláudia, Cláudia, Meire e Rafaela, que estiveram
conosco durante cincos anos, nos dando força e que realmente serão amizades fiéis e
verdadeiras que certamente ultrapassarão os portões da Católica.
EM ESPECIAL DA HELENA...
A Deus pela minha existência e pelo dom da minha vida, que me presenteou com esta
experiência e que desde o início me deu força para continuar em busca do meu sonho.
A minha mãe Rosa que é a fonte inspiradora de determinação, fé, equilíbrio, que abriu mão
dos seus sonhos para que eu realiza-se o meu. Muito obrigado por todo apoio e dedicação que
tive por mim e que me tornou essa mulher vencedora. Amo muito você.
A minha doce e pequenina Sofia que é uma força em minha vida e a grande razão do meu
viver. Ela que me fez rir nas situações difíceis e me proporcionou momentos de descontração
necessários a minha vida. Amo-te muito
Ao meu querido irmão Hugo que sempre esteve ao meu lado, principalmente nas situações
mais difíceis. Você é muito importante para mim. Te Adoro.
Ao meu avô querido Raimundo (in memória) que mesmo não estando aqui nesse plano
espiritual, tenho certeza que onde estiver estará comemorando juntamente comigo.
A minha avó Francisca que é um exemplo de fortaleza que me apóia em todas as minhas
decisões.
A minha querida tia Rosileyde que é uma segunda mãe para mim e que também me ajudou
nessa caminhada.
A toda minha família e amigos que me incentivaram de alguma forma, para a concretização
desse sonho.
E a minha companheira de TCC, Kamila, por trilhar comigo esta caminhada. Agradeço a
amizade, alegria e dedicação prestadas a mim durante todos os momentos em que passamos
juntas. Sei que nossa amizade não será passageira e mesmo que o tempo nos separe você
sempre estará no meu pensamento. Adoro você.
EM ESPECIAL DA KAMILA...
Agradeço a realização deste trabalho à mulher mais especial da minha vida, minha mãe
Fátima, que lutou e ainda luta com muita garra e coragem para eu ser o que sou hoje e que
tanto me incentivou a buscar pelos meus sonhos, abrindo mão até mesmo de seu bem-estar em
prol do meu crescimento. Te amo!
Ao meu irmão Helbert, que compartilhou os momentos difíceis ao meu lado e também os
momentos de muita felicidade. Adoro-te.
À minha amiga Talita, que em diversos momentos alegres e tristes sempre esteve ao meu
lado. Valeu Thalas, te adoro!.
E a minha amiga e companheira de Faculdade, monografia e balada Helena, que esteve ao
meu lado a fim de desenvolvermos com sucesso este trabalho. Te agradeço os momentos de
alegria e descontração, pois foram essenciais no meu crescimento como pessoa e como
profissional. Te adoro!.
E a todas as pessoas que foram fundamentais na realização de mais uma conquista. A todos
um muito OBRIGADA!
RESUMO
SILVA, Helena Araújo; BEZERRA, Kamila Moraes. A inserção do acompanhante na cena do
parto: uma análise sob a ótica da equipe de equipe de enfermagem de um hospital público.
2008. 41 f . Enfermagem - Universidade Católica de Brasília, Campus I, 2008.
Esse trabalho tem como objetivo identificar a percepção da equipe de enfermagem sobre a
assistência prestada à parturiente na presença do acompanhante por ela escolhido, juntamente
com as dificuldades sentidas por estes profissionais em relação à permanência do
acompanhante na sala de parto. Trata-se de uma pesquisa quantitativa de caráter descritivo,
com aplicação de um questionário semi-estruturado para coleta dos dados. A população do
estudo compreendeu 30 profissionais de enfermagem que trabalham no Centro Obstétrico de
um hospital público e a análise do conteúdo foi através de tabelas e estatísticas a fim de
facilitar a compreensão da relação entre os segmentos e as variáveis levantadas. A
institucionalização e a inserção do parto no ambiente hospitalar fizeram com que houvesse a
necessidade da presença do acompanhante no processo do nascimento, na tentativa de suprir o
medo e a solidão do ambiente hospitalar. Compreende-se a importância do acompanhante no
momento do parto, mas a aceitação desta pratica como rotina ainda sobre resistência. Diversos
fatores dificultam o processo de inserção como a adequação da estrutura física considerada
imprescindível, sobretudo no que se refere à acomodação do acompanhante, há a necessidade
de preparo dos profissionais a fim de saberem como lidar com a permanência desse
acompanhante no setor e o preparo do mesmo para o nascimento, evitando possíveis
complicações e riscos no desenvolver do parto. As crenças e os valores de cada profissional
também devem ser trabalhados, inclusive as dúvidas relacionadas aos benefícios prestados à
mulher com a presença de uma pessoa escolhida por ela no processo parturitivo.
Palavras-chave: Acompanhante; Enfermagem obstétrica; Humanização do parto.
ABSTRACT
This paper aims to identify the perception of the nursing team on the assistance provided to
mother in the presence of the accompanying of its choice, along with the difficulties faced by
these professionals regarding the permanence of accompanying the delivery room. This is a
quantitative research of descriptive character, with application of a semi-structured
questionnaire to collect data. The study population comprised 30 nursing professionals who
work at the Center for Obstetric a public hospital and analysis of the content was through
tables and statistics to facilitate understanding of the relationship between the segments and
the variables raised. The institutionalization and the insertion of childbirth in hospitals has
meant that there was a need for the presence of accompanying the process of birth, in an
attempt to alleviate the fear and loneliness of the hospital. Understands the importance of
accompanying at the time of delivery, but the acceptance of this practice as routine even on
resistance. Several factors hinder the process of integration as the adequacy of the physical
structure considered crucial, particularly with regard to accommodation of members, there is a
need to prepare for professionals to know how to deal with the permanence of that date in the
industry and prepare the same for the birth, avoiding risks and possible complications of
childbirth in developing. The beliefs and values of each professional should also be worked
out, including questions related to the benefits provided to women with the presence of a
person chosen by it in the process parturitivo.
Keyword: Accompany; Obstetrical nursing; Humanizing delivery.
LISTA DE ABREVIATURAS
CO - Centro Obstétrico
HRC - Hospital Regional da Ceilândia
MS - Ministério da Saúde
OMS - Organização Mundial de saúde
PHPN - Programa de Humanização de Hospitais
PPP- Pré- Parto, Parto e Pós - Parto.
SUMÁRIO
1-INTRODUÇÃO
10
1.1-OBJETIVO
11
1.2-JUSTIFICATIVA
11
1.3-MATERIAL E MÉTODOS
12
1.3.1-Classificação da Pesquisa
12
1.3.2-Local
12
1.3.3-Instrumento de Coleta de Dados
13
1.3.4-População
13
1.3.5-Limitação do Estudo
14
1.3.6-Análise de Dados
14
1.3.7-Aspectos Éticos
14
2-REFERENCIAL TEÓRICO
16
2.1-HISTÓRIA DO PARTO
16
2.1.1-Atuação da Parateira/Parto Domiciliar
17
2.1.2-Institucionalização e Medicalização do Parto
19
2.1.3-O parto no Ambiente Hospitalar
21
2.2-HUMANIZAÇÃO DO PARTO
21
2.3-A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHANTE NA CENA DO PARTO
23
2.3.1-A Lei do Acompanhante
24
2.3.2- O papel do Homem no Cenário do Parto
24
3-RESULTADO E DISCURSSÃO
29
4-CONCLUSÃO
36
5-REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
38
6-ANEXOS
42
10
1-INTRODUÇÃO
O parto é considerado um momento único e transformador na vida da mulher. Uma
fase inesquecível que além de manifestar sentimentos positivos também transmite sensações
de dor, desconforto, medo, angústia, desamparo e solidão, tornando-se mais intensos quando a
mulher não tem ao seu lado a presença de um familiar ou de seu companheiro.
No intuito de minimizar a dor e o sofrimento materno a obstetrícia médica passou a
institucionalizar o parto, as mulheres deixaram de parir em seus lares para terem seus filhos
no ambiente hospitalar, sofrendo diversos procedimentos cirúrgicos e vivenciando a ruptura
dos hábitos cotidianos. As práticas instituídas baseadas em normas e rotinas tornaram as
mulheres pacientes e impossibilitaram a presença de pessoas de seu convívio social para
apoiá-las.
A institucionalização do parto foi determinante para afastar a família do processo do
nascimento, visaram principalmente atender as necessidades dos profissionais de saúde às
necessidades das parturientes.
Essa mudança do ambiente familiar para o hospitalar trouxe a perda do apoio
emocional que a mulher necessita e que muitas vezes os profissionais de saúde não são as
pessoas aptas a dividir o momento tão especial e marcante em suas vidas, isso fez com que
abrisse as portas para os acompanhantes e estimulasse a assumir postura ativa durante o
trabalho de parto.
A assistência prestada à mulher durante o processo do nascimento vem sofrendo
transformações que visam à humanização do cuidado. A presença do acompanhante no
cenário do parto tem sido discutida em prol desta humanização, a fim de proporcionar a
mulher e seu bebê maior confiança e conforto em um momento tão especial e marcante de
suas vidas.
A relação do casal, evidenciando a presença do acompanhante ao longo da gestação e
no processo do nascimento, demonstra maiores probabilidades de vivenciar essa experiência
de forma positiva, indo de partos mais breves, redução do uso de medicamentos e da anestesia
até a ausência de instrumentação no parto, além de proporcionar inquestionáveis benefícios à
saúde da mulher, do recém-nascido e em última análise de toda a família.
No Brasil o ministério da saúde reconhece os benefícios prestados a mulher quanto a
presença de um acompanhante de sua escolha, e estabeleceu um protocolo assistencial
permitindo que esta prática passe a ser rotineira nas instituições brasileiras.
11
Independente da maioria das instituições não aplicarem esta assistência, há uma
expectativa de mudança a partir da sanção da Lei n. 11.108, em abril de 2005, resultado de
vários esforços, especialmente da Rede de Humanização do Nascimento. A vigência dessa lei,
não assegura a sua implementação. De fato, inicia-se um processo de reorganização dos
serviços de saúde e dos profissionais para vivenciarem essa prática. A inserção do
acompanhante, escolhido pela parturiente, para lhe proporcionar apoio no processo do parto e
nascimento, é uma intervenção que mobiliza a opinião dos profissionais de saúde e das
pessoas escolhidas para desempenharem esse papel (BRÜGGEMANN, 2007).
1.1-OBJETIVOS
OBJETIVO GERAL:
•
Analisar a percepção dos profissionais de enfermagem sobre a assistência prestada
à parturiente na presença do acompanhante por ela escolhido.
OBJETIVOS ESPECIFÍCOS:
•
Identificar as dificuldades sentidas pelos profissionais de enfermagem com relação
à presença do acompanhante na sala de parto.
•
Conhecer as estratégias a serem desenvolvidas a fim de facilitar a implantação do
direito ao acompanhante no Centro obstétrico do HRC.
•
Identificar a valorização do acompanhante pela equipe de enfermagem.
1.2-JUSTIFICATIVA
No Brasil nas últimas décadas a assistência à mulher no período gravídico vem
emergindo movimentos a favor de uma assistência humanizada e holística, que considera a
mulher como principal sujeito do seu corpo e vida e não apenas simples objeto que obedece às
ordens de quem obtém o saber. A humanização da assistência ao parto propõe que os
profissionais evitem intervenções desnecessárias, reconheçam os aspectos sociais e culturais
do parto oferecendo suporte emocional à mulher e sua família.
12
Em prol dessa humanização houve o reconhecimento da necessidade de um apoio
emocional a mulher no processo parturitivo e nem sempre os profissionais da saúde são as
pessoas aptas a dividir o momento tão especial e marcante em suas vidas, permitindo a
abertura gradativa das portas para a inserção do acompanhante e o estimula a assumir postura
ativa durante o trabalho de parto.
Mesmo com a lei n. 11.108 sancionada em abril de 2005, permitindo a inclusão do
acompanhante escolhido pela parturiente no parto, não é segurança para a sua implementação
e aplicabilidade, havendo a necessidade de reorganização dos serviços e dos profissionais de
saúde para dar vida a essa lei.
1.3-MATERIAL E MÉTODO
1.3.1-Classificação da pesquisa
Trata-se de um estudo quantitativo de natureza descritiva. O objetivo primordial do
estudo e a descrição das características de determinadas populações ou fenômenos. Uma de
suas características está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o
questionário e a observação sistemática.
Destacam-se também na pesquisa descritiva aquelas que visam descrever
características de grupos (idade, sexo, procedência etc.), como também a descrição de um
processo numa organização, o estudo do nível de atendimento de entidades, levantamento de
opiniões, atitudes e crenças de uma população, etc (GIL, 2001).
1.3.2-Local
O estudo foi realizado no Centro obstétrico do Hospital Regional da Ceilândia (HRC),
End. QNM 17 - Área Especial 01 Bairro: Ceilândia CEP: 72.215-170- Telefone: (61) 4719000.- O hospital possui aproximadamente 273 leitos, considerado de médio porte, com
atendimentos eletivos, urgências e de emergências, composto de um pronto socorro, uma
central de material não centralizada, um centro cirúrgico com 06 salas de cirurgias de médio e
grande porte, um centro obstétrico, maternidade, clínica médica, clinica cirúrgica, entre outros
serviços.
13
O centro obstétrico (CO) do HRC conta com quarenta e oito (48) Auxiliares/Técnicos
em enfermagem, cinco (5) Enfermeiros assistenciais, um (01) enfermeiro Coordenador,
cinqüenta e seis (56) Médicos Ginecologistas/Obstetras, num total de cento e dez (110)
profissionais. A unidade é composta por oito (08) leitos de alto risco-PPP, oito (08) leitos de
baixo risco-PPP, oito (08) leitos pós-parto normal, cinco (05) leitos de recuperação pósanestésica (SRPA), dois (02) leitos de cuidados intensivos, uma (01) sala para cuidados com o
recém nascido, duas (02) salas cirúrgicas para a realização de parto cesárea e uma (01) sala
para curetagem. Nesta unidade são realizados em media 540 partos por mês.
1.3.3-Instrumento de coleta de dados
A coleta de dados foi feita através da aplicação de um questionário semi-estruturado,
contendo 10 questões, dirigido aos profissionais de enfermagem que trabalham no Centro
obstétrico do Hospital Regional da Ceilândia (HRC).
O instrumento considerou as seguintes variáveis: características sócio-demográficas
e questões referentes à percepção dos profissionais de enfermagem com a presença do
acompanhante na parturição e às dificuldades sentidas por esses profissionais na assistência
com a presença deste.
Os profissionais de enfermagem foram abordados no centro obstétrico do Hospital
Regional da Ceilândia, mediante convite informal e explicação da pesquisa indo de acordo
com o propósito abordado, finaliza-se com o consentimento do termo de livre esclarecido
seguido da assinatura do documento autorizando a participação da pesquisa.
1.3.4-População
A quantidade de sujeitos entrevistados foi de 30 profissionais de enfermagem que
trabalham no centro obstétrico do HRC, no período de 1 a 30 de outubro.
Critério e inclusão:
•
Profissionais de enfermagem que trabalham no centro obstétrico.
Critério de exclusão:
•
.
Médicos
14
1.3.5-Limitações do estudo
O êxito do estudo dependeu da concordância dos profissionais de enfermagem em
participarem voluntariamente das entrevistas. Sendo assim visualizamos os seguintes riscos e
benefícios.
Riscos: Não atingir a amostra pré-determinada; coleta de dados falsos e a não
colaboração dos entrevistados.
Benefícios: Propor estratégias a fim de um melhor atendimento, trazendo benefícios
para o profissional e principalmente para a mulher com a presença de seu acompanhante no
trabalho de parto e parto e refletir sobre as questões da presença do acompanhante, que é uma
forma de contribuir para a transformação e melhoria da assistência à mulher na parturição.
1.3.6-Análise de dados
Os dados foram obtidos através do questionário sendo divididos e analisados conforme
a disposição deste. O método utilizado para análise dos dados foi através de tabelas e
estatísticas através do programa SPSS 11.5 for Windows 2002, e a disposição das tabelas
elaborados com a ajuda do programa Word 1998 a fim de facilitar a compreensão da relação
entre os segmentos e as variáveis levantadas.
1.3.7-Aspectos éticos
Com relação aos aspectos éticos, primeiramente houve uma solicitação para coleta de
dados e realização da pesquisa no Hospital regional da Ceilândia, a solicitação foi
encaminhada ao comitê de ética em pesquisa da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito
Federal onde ocorreu à aprovação do projeto, posteriormente a liberação da pesquisa
encaminhamos a carta ao Centro obstétrico, para dar inicio ao projeto. Os servidores foram
abordados no próprio setor com a ajuda da enfermeira gerente, que facilitou a obtenção dos
dados. Estes foram esclarecidos quanto ao objetivo, a finalidade e aos itens do Termo de
consentimento Livre e esclarecido, conforme preconizado na Resolução N°196/96 do
Conselho Nacional de Saúde, relativos às diretrizes Éticas e Normas regulamentadoras de
Pesquisa em Seres Humanos (BRASIL, 1996).
15
Essa pesquisa cumpriu com todos os requisitos éticos estabelecidos para pesquisas
com seres humanos, enfatizando que a coleta dos dados levou em consideração o bem-estar
dos profissionais de enfermagem antes de iniciar as observações, sendo realizando com
cuidado e discrição.
16
2- REFERENCIAL TEÓRICO
2.1-HISTÓRIA DO PARTO
O parto é um momento rico e único da vida da mulher. Ao mesmo tempo lindo
doloroso e inesquecível e que nos remete á nossa própria origem, ao que somos de mais
verdadeiro, simples e natural.
Para que as mulheres aproveitem e vivam intensamente é preciso que haja uma
preparação para enfrentar as contrações intensas, o medo do desconhecido e a sensação de
ruptura do próprio corpo é preciso ter coragem, entrega, concentração, força e fé.
Ao receber a notícia da gravidez, o casal reage conforme o momento que está vivendo
interna e externamente. Cada gravidez é única, assim como cada fase da vida. Qualquer que
seja a reação do casal, esse é um momento que implica mudanças e transformações físicas,
psíquicas e emocionais.
A alteração física e emocional leva o homem e a mulher a entrar em contato com suas
próprias emoções e sentimentos, até então escondidos em seu inconsciente, causando
situações conflituosas e incompreensíveis para ambos.
É importante que ambos se conscientizem de que o período da gravidez é um
momento próprio para o autoconhecimento e passem a trabalhar seus conflitos. Crescer como
pessoa junto com a criança que está para nascer é uma experiência gratificante. Ela culmina
com o nascimento de um novo ser, e o renascimento do homem e da mulher, unindo e
fortalecendo o casal (RODRIGUES, 1997).
O parto é compreendido como um processo psicossomático diretamente influenciado
pelo contexto social onde a gestante encontra-se inserida. Sendo assim, Davim & Menezes
(2001), afirmam que a atitude da mulher frente a parturição vai depender, além da evolução
do trabalho de parto, de seu grau de conhecimento, de sua história pessoal e de sua condição
sócio-econômica. Além disso, esse processo desenvolve-se numa realidade carregada de
simbolismos e características da personalidade da mulher podendo resultar numa experiência
tranqüila ou não, de acordo com sua adaptação.
O fenômeno do parto alcançou uma posição mais abrangente do que um simples
evento biológico é interpretado como um momento de transição do status de “mulher” para o
de “mãe”.
17
“Esta transição na vida da mulher configura um momento em que ela requer apoio e
compreensão para poder enfrentar com naturalidade o trabalho de parto e o parto, entendendo
que pode e deve dele participar ativamente”(DAVIM & MENEZES, 2001).
E no que diz respeito ao parto e nascimento a abordagem histórica nos permite
entender as origens das profissões, que apesar de terem os mesmos objetivos, desenvolveramse de forma tão distinta.
Desde a antiguidade o parto em seres humanos sempre foi um fenômeno que
despertou sentimentos de simpatia e apreensão. Devido a estes sentimentos surgiram os
primeiros esforços na arte de partejar.
As antigas civilizações (egípcios, persas, hindus, hebreus, gregos e romanos)
desenvolveram uma prática médica muito vinculada aos desígnios divinos.
Surgiram, assim cultos aos mais variados deuses, invocados no auxílio do parto e
aos aspectos relacionados à pré e pós-concepção (SANTOS et al, 2002,p.43).
“No princípio, a mulher pariu isoladamente, sem o mínimo de atenção e cuidados. A
gravidez e a capacidade reprodutora feminina não eram fenômenos de interesse da
coletividade. A historicidade da assistência ao parto tem início a partir do momento em que as
próprias mulheres se auxiliam, e iniciam um processo de acumulação do saber sobre a
parturição” (MELO 1983).
2.1.1-A atuação da parteira/parto domiciliar
Como parte integrante da função reprodutora feminina, do ciclo vital da mulher, o parto e o
nascimento, têm sido, até tempos recentes, considerado como evidentemente feminino.
O parto foi, e continua sendo uma experiência extrema, envolvendo dor, trabalho
árduo, e a possibilidade de morte, tanto materna quanto do bebê. Desde sempre, as
mulheres em trabalho de parto têm sido ajudadas por outras mulheres — quer
venham do seu ambiente mais próximo (parentes, vizinhas ou amigas), quer sejam
reconhecidas pela sua experiência ou competência (parteiras escolhidas ou eleitas
pela comunidade, que transmitiam oralmente seu saber, de geração em geração, às
vezes de mãe para filha) (SANTOS et al 2002,p.46).
Embora algumas parteiras desempenhem sua função junto às mulheres de sua própria
família e sua comunidade, esta função tornou-se para algumas, fonte de subsistência. Para a
maioria delas uma função complementar aos afazeres domésticos. A profissão de parteira é
considerada um dos mais velhos ofícios do mundo sendo citado diversas vezes no Antigo
Testamento e comprovada entre os Hebreus.
Na Europa, em particular na Inglaterra, a prática das parteiras era considerada como
algo mágico, entendida como um “conjunto mais ou menos sistemático de crenças e práticas,
18
relativamente institucionalizados dentro de um grupo social, e que dizem respeito à
possibilidade de manipular certas forças impessoais ou indecifráveis que se manifestam nos
indivíduos” (SANTOS et al 2002). Isto por um lado favorecia a satisfação das mulheres pela
atenção prestada pelas parteiras.
O primeiro programa de treinamento de parteiras que se tem registro foi iniciado
por Hipócrates no século V a.C. Os atenienses reconheciam dois tipos de parteiras
— a parteira tradicional, responsável pelo acompanhamento de grávidas saudáveis,
e os iatpouaiai, “médico-parteira”, que estariam habilitados a lidar com as
complicações (MELO, 2002, p. 65).
Até o desenvolvimento de programas de treinamento e escolas, que iniciaram em
diversas épocas e em diversos lugares, a maioria das parteiras aprenderam seu ofício
observando e ajudando suas vizinhas ou assistindo o trabalho de outra parteira, elas
aprendiam por tentativa e erro, ganhando experiência a cada parto, gradualmente
desenvolvendo métodos efetivos de suporte a estas mulheres, facilitando, desta forma, o parto.
É evidente que, ao longo dos tempos, até um passado recente, nenhuma competência especial,
em matéria de medicina, era exigida para o exercício da profissão de parteira. Exigia-se,
naturalmente, que esta fosse irrepreensível no plano dos costumes. Tratava-se freqüentemente
de uma mulher com experiência, isto é, com uma certa idade e mãe de numerosos filhos, pois,
era preciso que ela tivesse conhecido, “na própria carne”, as dores do parto. Em muitos casos
era viúva, podendo, assim, estar disponível; era robusta, gozava de excelente saúde, para
poder deslocar-se pelas estradas independente das condições climáticas, tanto de noite como
de dia, sendo ainda capaz de suportar as noites de espera. Devia ostentar um mínimo de
higiene, ter unhas aparadas e não ter anéis nos dedos enquanto trabalhava. Mantinha o
sangue-frio em todas as circunstâncias, inspirava confiança — era conhecida de todos pela
sua reputação — e sabia usar as palavras adequadas para consolar e reconfortar (SANTOS et
al, 2002).
A primeira lei surgida na Europa que regulamenta a profissão de parteira surgiu em
Regensburg, Alemanha, em 1452. Ela define a parteira como uma profissão de
direitos iguais a qualquer outro artesão que adote códigos profissionais. Este código
de honra ou lei adotado em Regensburg foi modificado e adotado rapidamente em
outras cidades. Em 1480 o estado de Württemberg inclui instruções sobre como a
parteira poderia realizar a operação cesariana em mulheres vivas. Antes desta
regulamentação a cesárea só era realizada em mulheres mortas. Registros históricos
indicam a sobrevivência de muitas mulheres e crianças submetidas por parteiras à
operação cesariana (SANTOS et al, 2002, p. 70).
O parto e o nascimento dependiam mais do que a atenção de uma parteira para a
obtenção do sucesso; requeriam a ajuda principalmente de familiares e amigas, que não
somente ajudavam o nascimento, mas tomavam a responsabilidade pelos afazeres domésticos
durante o período do resguardo. Toda esta prática tornava o parto um evento social e familiar.
19
Além das mulheres se ajudarem no parto e no puerpério, também compartilhavam as
emoções, as angústias e os medos com a parturiente e se preparavam para o próprio parto no
futuro. Com isso a mulher estaria assegurada por outras mulheres mais velhas que já haviam
passado por essa experiência de dar à luz.
Percebe-se que a vivência do processo parturitivo configurava um elemento
fundamental para a construção de uma assistência eficiente. Este era um ponto valorizado nas
comunidades da antiguidade e que de certa forma favorecia a atuação das acompanhantes, em
particular, das parteiras tradicionais (COSTA, 2007).
Assim é possível avaliar que a assistência durante o parto realizado pela parteira no
domicílio da mulher era de grande importância por tornar o ambiente agradável e familiar,
trazendo conforto, segurança, respeito, tranqüilidade e afetividade neste momento da
parturição.
2.1.2-Institucionalização e medicalização do parto
Para alguns autores, o parto é concebido como uma forma de violência, um fenômeno
"fisiologicamente patogênico"; que implicaria sempre danos, riscos e sofrimentos, seria então
considerado patológico. A maternidade iniciaria com a violência física e sexual da passagem
da criança pelos genitais. Devido a essa violência a obstetrícia cirúrgica, basicamente
masculina, ofereceu solidariedade humanitária diante deste sofrimento, reivindicando sua
superioridade sobre o ofício feminino em relação ao parto.
A ausência de qualquer apoio que trouxesse alívio aos ricos e dores deste fenômeno,
era dificultado por ser entendido pela Igreja Católica, como uma pena pelo pecado original,
um desígnio divino acompanhado de sofrimento e dor.
De acordo com Souza (2006), no mito Bíblico onde a gênese do planeta e dos seres
humanos é relatada, descreve-se a criação da mulher com objetivo primordial de atender as
necessidades do homem. Entretanto, a primeira mulher, Eva (esposa de Adão), desobedece às
determinações de Deus e rebela-se recebendo como castigo o submetimento ao poder e
domínio do homem e o contexto doloroso do parto. Na Bíblia Sagrada encontramos a
descrição do pecado original e sua conseqüência: “Multiplicarei as dores de tuas gravidezes,
na dor darás à luz filhos. Teu desejo te impelirá ao teu marido e ele te dominará”.
Ainda de acordo com a autora a concepção mitológica da Bíblia, reforçada pela Igreja
Católica por diversas gerações, a rebeldia da primeira mulher trouxe conseqüências
determinantes para a posteridade. Em decorrência do pecado original, as mulheres passaram a
20
ser vistas como figuras amaldiçoadas e degradadas no âmbito religioso, sendo destinados a
uma condição de miserabilidade humana. Após este episódio, sua imagem como a sua
sexualidade passou a ser encarado como um grande mal da humanidade.
Neste contexto, a obstetrícia médica entendeu que era de sua responsabilidade resgatar
a mulher de tal condenação, passando a ser considerada uma questão humanitária que deveria
resolver o problema da parturição sem dor, abolindo a teoria de que o momento do
nascimento deveria ser perverso e impiedoso.
Diversos estudos referem que a busca da medicina pelo conhecimento acerca da
parturição ocasionou intensas transformações no contexto do parto. Nesta conjuntura, surgiu a
necessidade de hospitalização do parto, pois, para os médicos era importante o aprendizado e
o treinamento a fim de prestar uma assistência adequada à mulher neste momento. Mas
faltava pratica aos cirurgiões que não se sentiam capazes de auxiliar um parto com habilidade
diante de sua inexperiência.
A transformação marcante ocorrida no modelo de atenção ao parto e nascimento só foi
possível após uma mudança na forma de pensar tanto dos médicos como de suas clientes, que
passaram a entender que o parto hospitalar ofereceria maior segurança, tanto para a mulher
quanto para o bebê.
O hospital vendia uma imagem de ter conseguido associar o melhor de dois
mundos, o hospital era um hotel que estaria habilitado a prover serviços de atenção
tanto direcionados à mulher quanto ao bebê, com segurança e com a internação
durante um período suficiente para a recuperação da mulher. O médico relacionavase de forma direta com a paciente, provendo os cuidados necessários, utilizando
suas habilidades profissionais para aumentar a segurança e o conforto de todo o
processo, e, finalmente, curando as doenças quando estavam presentes (SANTOS,
2002, p.63-64).
De 1900 a 1930 mulheres e médicos compartilharam do ponto de vista que o parto e o
nascimento eram melhores atendidos e mais seguros se as mulheres confiassem todo o
processo aos cuidados prestados por especialistas em hospitais.
A partir daí a mulher entregou, de forma gradativa aos médicos, o controle do parto e
do nascimento, a manipulação de seus corpos, mas não desistiram dos rituais acerca deste
processo. De uma forma que espelha a acomodação entre a religião e a ciência, a mulher
permitiu ao homem tratá-la como uma máquina que pode não funcionar direito, mas ela
manteve o significado espiritual do nascimento para ela própria. O processo do parto e do
nascimento naquela época passou a apresentar uma nova dicotomia: o corpo nas mãos do
homem, o espírito na companhia da mulher (SANTOS et al, 2002).
21
2.1.3-O parto no ambiente hospitalar
A transição do parto domiciliar para o parto hospitalar ocorreu rapidamente, apenas
em duas gerações. Nestas duas gerações, o nascimento passou de um evento familiar e natural
para um procedimento médico. As mulheres passaram a ser paciente, e o cuidado dos recémnascidos uma especialidade em desenvolvimento.
Essa mudança tão radical e em um curto período, tem sido explicada historicamente
pela introdução de técnicas anestésicas, pelo conhecimento das causas das doenças,
introdução da assepsia, pela teoria dos germes, etc. Estes fatores foram de grande importância
para essa mudança, é interessante reconhecer o estimulo quanto aos problemas trazidos pelo
processo global de urbanização para o entendimento da substituição das parteiras pelos
médicos e do domicilio pelo hospital, mudanças ocorridas no âmbito familiar.
Nessa longa evolução assistencial, parturientes e seus conceptos sofreram
conseqüências responsáveis por elevada morbiletalidade1 imediata, mediata e
tardia, cuja redução resultou dos avanços ocorridos na reposição sangüínea, na
terapêutica antiinfecciosa e na instituição dos agentes anestésicos, optando por uma
prática mais liberal da operação cesárea nos partos distócicos2(NEME et al, 2000,
p.134).
Com isso a mulher vivência no ambiente hospitalar, ansiedades próprias do trabalho
de parto e possíveis sensações de angústia, medo, desamparo e solidão o que torna mais difícil
quando a mulher não tem a presença de um parente ou de seu companheiro.
2.2-HUMANIZAÇÃO DO PARTO
Há cerca de 25 anos atrás, um movimento internacional que priorizava a tecnologia
apropriada, a qualidade da interação entre parturiente e seus cuidadores, e a des-incorporação
de tecnologia danosa. O movimento é batizado com diferentes nomes em diversos países, e no
Brasil é em geral chamado de humanização do parto, este movimento foi criado a fim de
evitar técnicas inadequadas que provocavam mais danos que benefícios às parturientes.
A humanização da assistência, nas suas muitas versões, expressa uma mudança na
compreensão do parto como experiência humana e, para quem o assiste, uma mudança no
_____________
1
Estado de doença que leva a um número absoluto de óbitos ocorridos com uma população em um período
determinado, geralmente o ano calendário. REY; Luiz. Dicionário de termos técnicos de medicina e saúde.
Guanabara: Rio de Janeiro; 1990. p. 518-519.
2
Trabalho de parto difícil. SILVA; C. R. L. Dicionário de enfermagem. Ed. Difusão: São Paulo; 2004.
22
"que fazer” diante do sofrimento do outro humano. No caso, trata-se do sofrimento da outra,
de uma mulher.
No Brasil, o movimento pela humanização do parto é impulsionado por experiências
em vários Estados. Na década de 1970, surgem profissionais dissidentes inspirados por
práticas tradicionais de parteiras e índios, como Galba de Araújo no Ceará e Moisés
Paciornick no Paraná, além do Hospital Pio X em Goiás, e de grupos de terapias alternativas
como a Yoga, com o Instituto Aurora no Rio. Na década de 1980, vários grupos oferecem
assistência humanizada à gravidez e parto e propõem mudanças nas práticas, como o Coletivo
Feminista Sexualidade e Saúde e a Associação Comunitária Monte Azul em São Paulo, e os
grupos Curumim e Cais do Parto em Pernambuco (DINIZ et al, 2005).
O movimento a favor da humanização do parto está embasado na história da mulher
e de seu parto. Os defensores deste movimento denunciam as práticas
intervencionistas de gestar, parir e maternar. Entre as defesas, estão a posição
corporal adotada durante o parto que poderiam ajudar ou atrapalhar o processo
parturitivo natural, como também, a indispensável presença de um acompanhante
neste evento (SOUZA, 2006, p.59).
Em 1993, é fundada a Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento, Rehuna, que
atualmente congrega centenas de participantes, entre indivíduos e instituições. A Carta de
Campinas, documento fundador da Rehuna denuncia as circunstâncias de violência e
constrangimento em que se dá a assistência, especialmente as condições pouco humanas a que
são submetidas mulheres e crianças no momento do nascimento. Considera que, no parto
vaginal a violência da imposição de rotinas, da posição de parto e das interferências
obstétricas desnecessárias perturbam e inibem o desencadeamento natural dos mecanismos
fisiológicos do parto, que passa a ser sinônimo de patologia e de intervenção médica,
transformando-se em uma experiência de terror, impotência, alienação e dor. Desta forma,
não surpreende que as mulheres introjetem a cesárea como melhor forma de dar à luz, sem
medo, sem risco e sem dor (DINIZ et al, 2005).
Em 1994 surge no Rio uma primeira maternidade pública "autodefinida" como
humanizada, que recebeu o nome de Leila Diniz. Outros marcos em termo de políticas
públicas foram à criação do Prêmio Galba Araújo para Maternidades Humanizadas, em 1998,
e a proposição das Casas de Parto. Os critérios para a concessão do prêmio são baseados na
adesão às recomendações da OMS, tais como a presença de acompanhantes no pré-parto,
parto e pós-parto, a assistência aos partos de baixo risco por enfermeiras, e controle das taxas
de cesárea. Concedido em nível estadual, regional e nacional, o Galba tem provocado uma
mobilização dos hospitais e tido a participação de um número de serviços crescente a cada
edição, contribuindo para conferir legitimidade ao modelo humanizado - ainda que os serviços
23
premiados enfrentem incontáveis problemas para a implementação do modelo (TORNQUIST,
2004).
Estas iniciativas inauguraram um processo mais amplo de humanização dos
serviços conduzido pelo Ministério da Saúde, como o Programa de Humanização
no Pré-Natal e Nascimento (PHPN) e o de Programa de Humanização de Hospitais,
lançados em maio e junho de 2000, com objetivo de abranger centenas de
instituições. No caso do PHPN, talvez pela ênfase em garantir um padrão mínimo
na assistência (número de consultas, imunizações, etc.) e seu registro, o programa
não incorporou os questionamentos feitos pelo movimento de humanização à
técnica desumanizada e sem base na evidência, sendo basicamente um instrumento
de gestão (DINIZ, 2005, p. 9).
À medida que o uso do termo humanizar se expande e é utilizado, cada indivíduo
interpreta e recria esse termo, aplicado a assistência de diferentes formas. Entre elas, as
propostas de humanização de hospitais, da assistência ao recém-nascido, ao prematuro
(associado ao modelo de "mãe-canguru"), ao abortamento, e inclusive à morte. A
humanização é uma releitura do cuidado com o outro, das relações humanas e assistenciais
como dos direitos humanos.
2.3-A IMPORTÂCIA DO ACOMPANHANTE NA CENA DO PARTO
A necessidade de acompanhamento e atenção, na parturição, parte da compreensão de
que o parto é um fenômeno de intensidade emocional e física, no qual os fatores fisiológicos,
sociais, culturais e psicológicos interagem ao longo do trabalho de parto. Nesse momento, a
parturiente pode experimentar diversos sentimentos e sensações, tais como medo, angústia,
alegria, tristeza e alívio de diferentes formas, desde a contenção até a expressão de sensações
físicas e emocionais. (MOTTA E CREPALDI, 2004).
Durante esse processo, as mulheres lidam com fatores emocionais que tornam cada
individuo e parto diferentes. Esta atribuição dada às mães é verídica e torna a experiência do
parto algo único e inesquecível. Assim, a mulher pode ter uma experiência positiva, que se
reflete na satisfação de ser mãe e possuir poder frente à sociedade ou experimentar sensações
negativas que podem incidir na vida da mãe, do casal e do bebê.
Na parturição, é preciso estar atento às suas necessidades, que vão desde fatores
emocionais a cuidados dispensados nas maternidades. Tal atenção ou acompanhamento ajuda
a mulher a passar por essa experiência, proporcionando benefícios físicos e emocionais.
Esses benefícios resultantes do apoio dado vêm sendo comprovados em pesquisas
ao longo dos últimos 30 anos, as quais demonstram que parturientes que recebem
apoio emocional de outras mulheres apresentam resultados perinatais3 mais
positivos do que as que não são acompanhadas. Segundo Tais benefícios realizam-
24
se como menor extensão de trabalho de parto, menor necessidade de usar analgesia4
menor ocorrência de cesariana, menor índice de uso de fórcipe, menor taxa de
problemas de asfixia e de presença de mecônio e menor ocorrência de infecção na
mãe ou no bebê. Os fundamentos básicos das pesquisas realizadas por esses autores
são apoio emocional, apoio físico e informações (MOTTA E CREPALDI, 2004, p.
106).
De acordo com as pesquisas citadas, o apoio emocional fornecido a parturiente resumise de forma carinhosa, é importante que digam palavras de encorajamento e elogios. Já o
apoio físico dá-se por meio de toques, massagens e estímulos à deambulação e as mudanças
de posição, proporcionado conforto físico à mulher.
2.3.1-A lei do acompanhante
Em resposta a mobilização de incentivo a presença do acompanhante nas maternidades
no momento do nascimento como instrumento favorável à parturiente e seu bebê, foi
aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República a Lei n.11.108,
de 7 de abril de 2005 , que refere:
“Art. 19-J. Os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde - SUS, da rede própria ou
conveniada, ficam obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de 1 (um)
acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. ”
§ 1o O acompanhante de que trata o caput deste artigo será indicado pela
parturiente.
§ 2o As ações destinadas a viabilizar o pleno exercício dos direitos de que trata este
artigo constarão do regulamento da lei, a ser elaborado pelo órgão competente do Poder
Executivo” (DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO, 2005).
Algumas maternidades estão adequando a sua área física para favorecer a permanência
de um acompanhante, escolhido pela mulher em trabalho de parto, sem comprometer a
privacidade das demais parturientes, e até mesmo implantando o modelo conhecido como PPP
(Pré-parto, Parto e Pós-parto ou Puerpério) (BRUGGEMANN et al 2005).
Portanto, no Brasil o direito ao acompanhante durante o evento do nascimento é
assegurado na forma de lei. Em 2 de Dezembro de 2005, o Ministério da Saúde (MS)
______________
3
Evetos que ocorrem nas proximidades do nascimento. SILVA; C. R. L. Dicionário de enfermagem. Ed. Difusão:
São Paulo; 2004.
4
Ausência da sensação normal da dor. SILVA; C. R. L. Dicionário de enfermagem. Ed. Difusão: São Paulo;
2004.
25
publicou a Portaria no 2.418 que regulamenta esta lei e favorece sua implementação na
perspectiva de melhorar o atendimento a mulher (COSTA et al, 2007).
Há necessidade dos serviços de saúde de se organizarem e colocarem em pratica a
determinação legal que permite a presença de um acompanhante.
A percepção adquirida confirma o que foi mencionado anteriormente é de que a
mulher atendida nestes moldes ainda sente falta da liberdade de escolha durante o evento
parturitivo. Além disso, essa disposição da estrutura nem sempre favorece a presença do
acompanhante que muitas vezes fica restrito a um espaço sem conforto e sem condições de
oferecer um bom suporte à parturiente.
Contudo, algumas instituições de saúde já se adaptaram ou pelo menos estão em
processo de adaptação a este novo contexto. Alguns hospitais já se organizaram no
sentido de incluir em sua rotina a presença de um acompanhante junto à parturiente,
pois entendem que este suporte dado à mulher traz benefícios de grande relevância
na resolução do parto (COSTA, 2007, p.34).
Algumas maternidades seguem os moldes do Ministério da saúde, pois, recomenda
que todos os esforços devem ser feitos a fim de garantir a mulher em trabalho de parto e parto
à presença de uma acompanhante a sua escolha.
Contudo, apesar desta medida ser recomendada pela OMS, defendida pelo MS, ser
baseada em evidências científicas quanto aos seus benefícios e ser assegurada na forma de lei
o quantitativo de instituições adeptas a esse ideal de assistência ainda representa uma minoria.
De acordo com Hotimsky & Alvarenga (2002) discursos jurídicos e políticos, bem como de
âmbito médico e acadêmico reconhecem a importância que tem a presença do acompanhante
no trabalho de parto e parto, entretanto a sua aceitação como prática de rotina ainda vem
sendo muitas vezes discutida e negociada com a mulher em muitos hospitais públicos e
privados. Percebe-se que, se a escolha de acompanhante é livre, ainda se restringe a um
acompanhante que muitas vezes só pode ser do sexo feminino e seu acesso à parturiente
limita-se ao período em que esta vivencia o trabalho de parto.
Muitas mulheres desconhecem o direito a ter uma acompanhante durante o trabalho de
parto. A minoria conhece a existência da lei que garante este direito e com isso deixam de
vivenciar o momento da parturição, com a companhia de alguém que lhe proporcione
segurança e afetividade. Talvez esse desconhecimento seja atribuído a um acesso restrito a
informação ou então a divulgação a respeito desse direito a população não está ocorrendo de
forma uniforme.
2.3.2-O papel do homem no cenário do parto
26
Na antiguidade, onde os homens viviam de acordo com seus instintos naturais, as
mulheres ajudavam uma as outras nos serviços que o parto requeria. Nesta época a sociedade
recebia bem os nascituros, mas não dava a menor importância ao ato de parir. Mais tarde, e
isto representou um grande avanço, o homem não abandonava sua mulher durante o trabalho
de parto, mas permanecia ao seu lado ajudando-a; um desenrolar interessante deste período
foi à prática da “couvade”7.Na próxima etapa de desenvolvimento cultural o marido não mais
participava ativamente do processo, mas mantinha-se presente, observando. E finalmente o
homem foi completamente excluído — o parto passa a ser um processo exclusivamente
feminino. Nesta época, uma mulher que a comunidade considerasse como mais experiente
nesta matéria era reconhecida como parteira (SANTOS, 2002).
Com isso o homem perdeu a oportunidade de sua inserção na assistência, sentido-se
excluído no processo de geração da vida que se passa no corpo da mulher, deixando de
acompanhar o nascimento de seu filho.
Melo (1983), vê neste processo uma “profunda correlação entre a historicidade social
da mulher, as relações econômico-culturais, o exercício da medicina e o momento de atenção
ao parto”.
Atualmente a participação de um acompanhante escolhido pela parturiente é
reconhecida pela Organização Mundial de Saúde e pelo Ministério da Saúde (MS, 2001)
como fator que promove saúde física e psíquica à parturiente. No entanto, a participação do
pai ainda sofre limitações institucionais, episódio comum nas maternidades brasileiras.
Embora a indicação da OMS e as leis federais, estaduais e municipais brasileiras,
preconizem e garantam a participação de um acompanhante de livre escolha da parturiente
durante o parto, há tendência à participação, nesse momento, do companheiro ou do pai da
criança, como sustenta Carvalho (2001). De acordo com essa autora, a presença do homem
tem sido incentivada pelas instituições que permitem a presença dele na sala de parto.
A entrada dos pais na sala de parto surgiu entre famílias nucleares urbanas em países
desenvolvidos na década de 70, com o objetivo da recuperação da afetividade, da valorização
da mulher e do resgate da referência familiar, perdidos na passagem do parto domiciliar para a
assistência hospitalar. Nas diferentes abordagens, ele pode aparecer como integrante do
___________
7
Costume segundo o qual o pai, depois do parto de sua mulher, é obrigado a deitar-se dias inteiros, não fazer
trabalho pesado e abster-se de muitos alimentos importante. Ferreira ABdH. Novo dicionário da língua
portuguesa. 1 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; 1975
27
processo de nascimento, como referencia emocional ou ainda como treinador da mulher no
parto (SALEM, 1987). Poucos estudos abordam o tema, mas revelam uma grande satisfaça do
casal, havendo uma mudança significativa na vida conjugal e da emoção vivida pelos homens.
Recentemente há discussões em torno da dificuldade que um pai ansioso pode trazer ao parto.
No Brasil, a participação do pai na sala de parto é fenômeno relativamente novo. A
participação do pai na sala de parto nas maternidades particulares iniciou-se em meados da
década de 1980, com os homens da classe média intelectual, sendo essa decisão
absolutamente particular, dependendo de como a família entendia seus próprios desejos e suas
necessidades. Tais partos ocorriam em maternidades particulares, onde os pais possuem maior
poder de decisão. Já nas maternidades publicas, a participação no trabalho de parto passou a
ser permitida a partir da década de 90, principalmente naquelas em que instituíam o parto
humanizado. Com a integração do homem ao trabalho de parto, acompanhar e confortar a
mulher, constituem um novo papel para ele.
A participação do pai no nascimento da criança traz importantes contribuições e
questões ao exercício dos direitos reprodutivos de homens e mulheres no nosso país. A
escolha do apoio amoroso do pai da criança ou de uma mulher durante o trabalho de parto e o
parto faz parte das propostas de humanização da assistência (MS, 2001; OMS, 1996), com
base nas evidências científicas que mostram que a presença de acompanhante possibilita
segurança emocional à mulher, trazendo benefícios à sua saúde e à do bebê. Esta participação
facilita a formação de vínculo pai-bebê, estando afinada com o gradativo envolvimento dos
homens nos cuidados com as crianças. Oferece oportunidade para que pai e mãe
compartilhem o nascimento, passagem importante na vida conjugal. Envolve a concepção de
casal grávido surgido no nosso país entre intelectuais de classe media (SALEM, 1987), e vem
se fazendo presente em instituições públicas com homens de camadas populares, a partir da
década de 90.
O envolvimento dos pais nos cuidados com os bebês trazem benefícios tanto para eles
quanto para o desenvolvimento de seus filhos, facilitando o desenvolvimento e as
transformações conjugais que acompanham o nascimento.
“De forma incipiente, a participação dos pais se faz presente nas instituições onde está
implantada a escolha de acompanhante no nosso país, indicando transformações nas relações
de gênero, na compreensão de parto e de paternidade”. (CARVALHO, 2003). “No entanto, na
grande maioria das maternidades públicas, este é um momento de grande sofrimento tanto
para o pai à espera do parto fora da maternidade, quanto para a gestante internada e solitária”
(BRITTO-E-ALVES, 2002).
28
A vivência desses cuidados depende das possibilidades de cada pai, da relação entre o
casal e das expectativas do homem e da mulher, nesse momento. É necessário considerar que,
assim como a gestante, o futuro pai passa por um processo de adaptação e reajuste
emocionais, para vivenciar a paternidade.
Os processos psicossociais vivenciados pela mulher durante a gravidez são também
identificados no companheiro, porém, nele, são marcados pela dinâmica psíquica
masculina e pelo papel social que ele cumprirá nesse momento. A paternidade
constitui um momento de transição e de possibilidade de crescimento emocional
(MOTTA E CREPALDI, 2005, p.108).
Evidencia-se que o envolvimento do homem na experiência da gravidez e a forma
como ele vivenciou esse período influência a maneira como ele lidará com a situação no
decorrer do trabalho de parto. Intitula-se que o trabalho de parto envolve todos que o
acompanham em uma ocasião de grande intensidade emocional. Dessa maneira o homem
como genitor e companheiro da mulher, vivencia o momento com muita veemência, buscando
transmitir solidariedade e proteção a ela. Juntamente com os processos emocionais que o
homem passa no andamento do parto há uma expectativa da equipe de saúde em relação a ele,
de que proporcione o conforto e a segurança a mulher,
29
3-RESULTADOS E DISCUSSÃO
Entre os 30 participantes 3 são enfermeiras de um total de 5, o que corresponde a 60%
dos enfermeiros atuantes e 27 técnicos de enfermagem de um total de 48 o que corresponde a
56,25% dos profissionais que trabalham no setor. As características dos 30 profissionais que
completaram os estudos estão dispostos nas tabelas abaixo.
Tabela 1 – Distribuição numérica sobre as características sócio-demográficas da equipe de enfermagem do
centro obstétrico em Outubro de 2008.
Variável
Freqüência
Percentagem
Percentagem acumulado
Faixa etária
21 a 30
8
26,7
26,7
31 a 40
10
33,3
60,0
41 a 50
10
33,3
93,3
51 a 60
2
6,7
100
Total de Respostas
30
100%
100%
Sexo
Masculino
Feminino
Total de Respostas
Profissão
Enfermeiro
Técnico de enfermagem
Total de Respostas
0
30
30
0
100
100%
0
100
100%
3
27
30
10
90
100%
10
90
100%
Na tabela 1, dentre os entrevistados 26,7% (8) dos profissionais de enfermagem estão
na faixa etária entre 21 a 30 anos, ‘ 33,3% (10) entre 31 a 40 anos e 6,7% (2) entre 41 e 50
anos.A maior concentração dos entrevistados está entre 31 e 50 anos.
Em relação ao sexo, 100% (30) dos profissionais entrevistados são do sexo feminino e
no que tange sua categoria profissional 10% (3) são enfermeiros e 90% (27) são técnicos de
enfermagem.
Tabela 2 – Distribuição numérica relativa à opinião dos profissionais de enfermagem que acreditam nos
benefícios prestados a mulher com a presença do acompanhante no trabalho de parto e parto.
Variável
Freqüência
Percentagem
Percentagem acumulado
Enfermeiros
Sim
2
66,7
66,7
Não
1
33,3
100
Total de respostas
3
100%
100%
Técnicos de enfermagem
Sim
Não
Total de respostas
19
8
27
70,4
29,6
100%
70,4
100
100%
30
Dentre os profissionais entrevistados 66,6% (2) dos enfermeiros e 70,38% (19) dos
técnicos de enfermagem acreditam que o acompanhante traga benefícios à mulher na
parturição e33,3% (1) enfermeiro mais 29,62%(8) técnicos de enfermagem responderam que a
presença do acompanhante não garanta benefícios à mulher (Tabela 2). Um estudo realizado
por Brüggmann et al (2007) com profissionais da saúde e acompanhantes em uma
maternidade de São Paulo obteve dados semelhantes. Pré dizendo que a há uma percepção
benéfica dos profissionais de enfermagem sobre o apoio prestado pelo acompanhante a
parturiente, sendo este incentivado a participar do processo do nascimento por considerá-lo
fonte segura e facilitadora do trabalho de parto. O papel desempenhado pelo acompanhante é
de extremo valor, torna-se uma fonte de apoio e de suporte emocional capaz de transmitir
segurança e conforto no momento do parto, permitindo que o processo do nascimento
desenvolva-se naturalmente. A segurança que o acompanhante proporciona a mulher oferece
condições para que o desenvolver do parto flua de maneira fisiológica, reduzindo a
medicalização e as intervenções muitas vezes agressivas e até mesmo traumatizantes. Apesar
de uma parcela significativa acreditar que o acompanhante traz benefícios à parturiente,
29,6% dos entrevistados não acreditam nesses benefícios, refletindo na falta de conhecimento
por parte desses profissionais ou falta de incentivo de seus gestores para que aja uma maior
sensibilização da equipe de enfermagem a fim de torná-la capacitada e humanizada para
receber a parturiente e seu acompanhante.
Tabela 3- Distribuição numérica relativa à opinião dos profissionais entrevistados sobre o preparo deles em
receber o acompanhante no centro obstétrico.
Variável
Freqüência
Percentagem
Percentagem
acumulado
Enfermeiros
Sim
2
66,7
66,7
Não
1
33,3
100
Total de respostas
3
100%
100%
Técnicos de enfermagem
Sim
Não
Total de respostas
19
8
27
70,4
29,6
100%
70,4
100
100%
Dentre os profissionais entrevistados 66,7% (2) dos enfermeiros e 70,4% (19) dos
técnicos de enfermagem acreditam que estejam preparados para receber o acompanhante no
centro obstétrico e 33,3% (1) enfermeiro mais 29,6%(8) técnicos de enfermagem não se
acham preparados (Tabela 3). Grande parte dos servidores não acreditam nessa prática e
conseqüentemente não se sentem preparados para receber e fazer parte desse novo contexto.
31
Se parte conhece e não acredita e não se sente preparada talvez seja necessário aprimorar a
equipe com treinamentos para que contemple uma maior sensibilização para este novo
contexto, havendo uma rotatividade entre os profissionais com percepções diferentes, para
que aja uma troca de opiniões entre os mesmos tornando-os mais humanizados.
Tabela 4- Distribuição numérica relativa às dificuldades que o espaço físico pode proporcionar na inserção do
acompanhante no setor.
Variável
Freqüência
Percentagem
Percentagem acumulado
Enfermeiros
Sim
3
100
100
Não
0
0
Total de respostas
3
100%
100%
Técnicos de enfermagem
Sim
Não
Total de respostas
27
0
27
100
0
100%
100
100%
Tabela 4.1- Distribuição numérica relativa à opinião dos profissionais de enfermagem sobre as mudanças
necessárias no setor para um melhor acolhimento do acompanhante.
Opinião
Freqüência
Percentagem
Percentagem acumulado
Enfermeiros
Aumento do espaço físico do Box
2
66,7
66,7
Box privativo com portas ou cortinas
1
33,3
100
Total de respostas
3
100%
100%
Técnicos de enfermagem
Aumento do espaço físico do Box
Box privativo com portas ou cortinas
Aquisição de mais mobiliário como
camas e cadeiras.
Construção de mais banheiros
Total de respostas
10
10
37
37
2
5
27
7,5
18,5
100%
37
74
81,5
100
100%
Dentre os profissionais entrevistados 100% (3) dos profissionais de enfermagem
acreditam que o espaço físico prejudica a inserção do acompanhante no setor (Tabela 4). De
acordo com Hoga (2007) em seu estudo com uma equipe multiprofissional de um hospital
público em São Paulo, correlaciona-se de forma parecida, recomenda que a adequação da
estrutura física é de fato imprescindível para o bom desenvolvimento do trabalho e permite
que o acompanhante desenvolva seu papel na assistência. A adequação do espaço físico se faz
necessário para que a permanência do acompanhante no setor se dê de forma harmoniosa,
proporcionado o direito a privacidade da mulher que está sendo acompanhada quanto das
demais puérperas que dividem o ambiente. Essas mudanças no espaço físico, como as
relatadas nos questionários (Tabela 4.1), proporcionam condições favoráveis de trabalho e
32
bem estar a equipe de enfermagem, a parturiente e seu acompanhante. Ressaltamos a
importância da privacidade, mas, mesmo que 100% acreditem que o espaço físico dificulte a
presença do acompanhante no setor, esses servidores utilizam o pretexto da falta de estrutura
para desviarem o foco real do problema, lembramos que é mais fácil a adequação do espaço
físico do que a postura e a conduta dos profissionais. Havendo uma maior sensibilização dos
gestores através de cursos de capacitação e visitas nas unidades onde o projeto já é realidade,
facilitará a percepção dos profissionais para essa nova prática.
Tabela 5 – Distribuição numérica relativa à opinião dos profissionais de enfermagem que acreditam que o
acompanhante possa ser um obstáculo na assistência à parturiente.
Variável
Freqüência
Percentagem
Percentagem acumulado
Enfermeiros
Sim
2
66,7
66,7
Não
1
33,3
100
Total de respostas
3
100%
100%
Técnicos de enfermagem
Sim
Não
Total de respostas
24
3
27
88,9
11,1
100%
88,9
100
100%
Tabela 5.1- Distribuição numérica relativa aos motivos que os profissionais de enfermagem possuem ao acreditar
que o acompanhante seja um obstáculo na assistência à parturiente.
Opinião
Freqüência
Percentagem
Percentagem acumulado
Enfermeiros
Despreparo dos acompanhantes o que leva
a interferência na conduta.
2
100
100
Falta de colaboração da parturiente devido
à presença do acompanhante
0
0
Total
2
100%
100%
Técnicos de enfermagem
Despreparo dos acompanhantes o que leva
a interferência na conduta
Falta de colaboração da parturiente devido
à presença do acompanhante
Total
19
5
24
79
21
100%
79
100
100%
Dentre os profissionais entrevistados Na tabela 6, 86,6% (26) dos profissionais
acreditam que o acompanhante possa ser um obstáculo na assistência à parturiente
principalmente pelo despreparo dessas pessoas em não saberem como lidar em situações de
urgência e emergência a apenas 13,3% (4) não acreditam que o acompanhante possa
atrapalhar a dinâmica de trabalho do setor (Tabela 5). Segundo Zani (2008), seu estudo com
profissionais de enfermagem que atuam em uma maternidade de um hospital no município de
33
Cambé traz concordância com os dados obtidos, percebe-se que os motivos alegados pela
equipe de enfermagem contra a inserção do acompanhante é o despreparo dos mesmos, o que
leva esses profissionais a terem dificuldades na prestação de cuidados, gerando ansiedade e
vontade de resolver de imediato as intercorrências. À falta de embasamento científico que
alguns acompanhantes possuem fazem com que os profissionais se relacionem com essas
pessoas de maneira errada, tratando-os como problemas, capazes de interferir no atendimento
e nas condutas prestadas à mulher. Essa rejeição inicial pode ser atribuída ao preconceito e o
medo de se sentirem ameaçados e questionados em relação às intervenções prestadas. O fato
de muitos profissionais se sentirem ameaçados com a permanência do acompanhante pode
estar relacionado à falta de conhecimento sobre a existência da lei que garante esse direito.
Portanto é necessário conscientizar a equipe de enfermagem a conhecerem, respeitarem e
obedecerem à lei que dá o direito a parturiente de permanecer com um acompanhante de sua
escolha no setor.
Tabela 6 – Distribuição numérica relativa à alteração na rotina de trabalho que o acompanhante causaria no
centro obstétrico (CO).
Variável
Freqüência
Percentagem
Percentagem acumulado
Enfermeiros
Sim
2
66,7
66,7
Não
1
33,3
100
Total de respostas
3
100%
100%
Técnicos de enfermagem
Sim
Não
Total de respostas
18
9
27
66,7
33,3
100%
66,7
100
100%
Tabela 6.1 – Distribuição numérica relativa aos motivos pelos quais a equipe de enfermagem possui sobre a
alteração na rotina de trabalho do setor.
Opinião
Freqüência
Percentagem
Percentagem acumulado
Enfermeiros
Prestar informações e esclarecimentos
sobre o trabalho de parto e parto.
2
66,7
66,7
Despreparo dos acompanhantes comprometendo
o atendimento a parturiente
1
33,3
100
Total de respostas
3
100%
100%
Técnicos de enfermagem
Prestar informações e esclarecimentos
sobre o trabalho de parto e parto.
Despreparo dos acompanhantes comprometendo
o atendimento a parturiente.
Tumultuaria o setor
Total
8
38,9
38,9
5
6
19
27,8
33,3
100%
66,7
100
100%
34
Dentre os profissionais entrevistados 66,66% (2) dos enfermeiros e 33,33% (18) dos
técnicos de enfermagem relataram que a permanência do acompanhante na sala de parto
alteraria sua rotina de trabalho por dificultar na concentração de suas ações na parturiente e
33,33% (1) enfermeiro mais 9 técnicos de enfermagem informaram que não haveria
interferência na rotina (Tabela 6). No estudo feito por Nagahama et al (2008), houve uma
correlação com os dados obtidos. Relata que o as dificuldades de inserção do acompanhante
no parto ainda persiste, havendo diversas e diferentes versões para este impedimento,
ressaltando que o parto não é um exercício familiar e sim institucional. Muitos profissionais
acreditam que a estada do acompanhante no setor acabe por modificar as ações da equipe, a
presença deste poderia acarretar em sentimentos de ansiedade, preconceito e sobrecarga de
atividades, pois, teriam que cuidar da puérpera e do acompanhante, medo da atitude desses
acompanhantes em uma urgência e até mesmo a interferência na conduta profissional. Muitos
desses sentimentos são resultados da falta de habilidade em lidar de forma afetiva com a
mulher e seu acompanhante.
Tabela 7 – Distribuição numérica relativa à opinião dos profissionais entrevistados sobre a necessidade de
treinamento da equipe de enfermagem para a recepção do acompanhante no CO.
Variável
Freqüência
Percentagem
Percentagem acumulado
Enfermeiros
Sim
3
100
100
Não
0
0
Total de respostas
3
100%
100%
Técnicos de enfermagem
Sim
Não
Total de respostas
21
6
27
77,8
22,2
100%
77,8
100
100%
Dentre os profissionais entrevistados 100% (3) dos enfermeiros e 77,8% (21) dos
técnicos de enfermagem informaram que haveria necessidade de um treinamento da equipe
para receberem o acompanhante no centro obstétrico e 22,2% (6) dos técnicos de enfermagem
responderam que não necessitaria de um treinamento da equipe (Tabela 7). Segundo Hoga
(2001), em seu estudo com uma equipe multiprofissional em São Paulo também há uma
similaridade com os resultados, indicando que o preparo de toda a equipe é essencial para o
bom desenvolvimento desse tipo de assistência, evitando possíveis atitudes temerosas que
dificultam a inserção do acompanhante no parto. Isso demonstra que o treinamento da equipe
de enfermagem é necessário a fim de desmistificar o empecilho que o acompanhante pode se
tornar. Revertendo a postura receosa que alguns profissionais carregam em relação às atitudes
do acompanhante.
35
Tabela 8 – Distribuição numérica relativa à opinião dos profissionais de enfermagem sobre a necessidade de um
treinamento prévio dos acompanhantes para o momento do parto.
Variável
Freqüência
Percentagem
Percentagem acumulado
Enfermeiros
Sim
3
100
100
Não
0
0
Total de respostas
3
100%
100%
Técnicos de enfermagem
Sim
Não
Total de respostas
26
1
27
96,3
3,7
100%
96,3
100
100%
Dentre os profissionais entrevistados 100% (3) dos enfermeiros e 96,3% (26) dos
técnicos de enfermagem responderam que os acompanhantes deveriam receber um
treinamento prévio a fim de prepará-los para o momento do parto e apenas 33,3% (1) dos
entrevistados responderam que não haveria necessidade de preparo dos acompanhantes
(Tabela 8). De acordo com Carvalho (2003), em seu estudo com pais em uma maternidade
pública no Rio de janeiro, também houve semelhanças com os resultados. Mostrando que a
necessidade de preparo dos acompanhantes é importante para facilitar a compreensão do
processo do nascimento, o que levaria maior conforto e segurança as parturientes. Não
devendo este preparo tornar-se condição para a permanência do acompanhante no setor. Isso
demonstra que há necessidade de um preparo dos acompanhantes para uma melhor inclusão e
prestação da assistência no momento do parto, pois, muitos não entendem o processo da dor
como fator integrante do processo parturitivo e por desconhecer a fisiologia do parto associam
a demora e a dor do nascimento a sentimentos negativos como sofrimento e prováveis
complicações. Fica evidente que o treinamento facilita a inclusão e a dinâmica do
acompanhante no processo do nascimento, mas o fator preparatório não deve ser condição
para permanência dessas pessoas no parto, pois diversos motivos levam a não capacitação dos
acompanhantes, como a indisponibilidade de tempo, questões de trabalho e problemas de
saúde, não devendo generalizar as atitudes de todos os acompanhantes como problemas,
alguns podem ser questionadores ou reivindicar maior atenção dos profissionais e outros são
capazes de prestar o suporte necessário à parturiente, o que deve ser levado em conta é que
cada “caso é um caso” o preconceito que envolve o despreparo dos acompanhantes fere o
direito de permanência no parto e desmotiva a sua participação.
36
4-CONCLUSÃO
Grande parte dos profissionais entrevistados acreditam na importância do
acompanhante na cena do parto, contudo referem que a permanência desse personagem no
momento do nascimento passe a ser um obstáculo na assistência à mulher, mudando a rotina
de trabalho da equipe de enfermagem e indicando o despreparo dos profissionais na recepção
deste novo ator no processo parturitivo.
Observamos ainda que os resultados descritos no estudo indicam a idéia de que o
acompanhante pode gerar problemas durante o processo do nascimento.O fato desses
profissionais serem contra a inserção do acompanhante está relacionado à falta de
conhecimento sobre os benefícios prestados e da lei que garante esse direito.Há a necessidade
de uma educação continuada da equipe de enfermagem, voltada a torná-la mais humana e
preparada para lhe dar com os medos e anseios da parturiente e do acompanhante.
O espaço físico e a privacidade da parturiente também são colocados como mudanças
necessárias no setor para um melhor acolhimento do acompanhante, talvez as barreiras
encontradas não estejam no fator físico e sim inerente a sua própria conduta profissional
incluindo postura e atitude. Assim, colocam como prioridade os sentimentos contra os
acompanhantes no processo parturitivo sendo a maioria a favor de um treinamento prévio
desses acompanhantes. Lembramos que os profissionais de saúde não podem generalizar as
atitudes dos acompanhantes que não tiveram um treinamento prévio, infelizmente muitas
barreiras impedem o preparo dos mesmos como a falta de tempo, condições financeiras ou a
ausência de informações sobre o assunto.
Também é importante a divulgação da lei que garante a permanência do acompanhante
no processo do parto, o acesso a essa medida ainda acontece de forma tímida e pouco
expressiva no cenário brasileiro, o que dificulta a luta da mulher por esse direito. Este
benefício atestado na forma de lei não só favorece a parturiente que recebe um apoio
reconfortante no momento do parto, mas também transforma o acompanhante um elemento
indispensável na atenção de qualidade.
Ressaltamos que a equipe de enfermagem é de fundamental importância no processo
de transformação na forma como as mulheres vivenciam o processo parturitivo no ambiente
hospitalar, uma vez que está diretamente ligado na assistência e acolhimento das parturientes.
Sendo assim é necessário considerar os sentimentos e anseios relacionados à presença do
acompanhante unindo todos os achados para direcionar de forma significativa os treinamentos
que devem contemplar a sensibilização da equipe e facilitar o processo de mudança.
37
A inserção poderá ser difícil, uma vez que deverá ter uma grande mobilização por
parte dos gestores para colaborarem com treinamentos e sensibilização da sua equipe, a
integração entre a instituição hospitalar e as unidades básicas de saúde poderão proporcionar
orientações aos acompanhantes durante o pré-natal através de cursos, palestras ou
depoimentos de outros acompanhantes que vivenciaram essa prática, na tentativa de uma
melhor prestação de cuidados.
38
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42
6-ANEXOS
QUESTIONÁRIO
1- Idade? ______________
2- Sexo?
( ) Feminino
3- Profissão?
( ) Enfermeiro(a)
( ) Masculino
( ) Técnico(a) de enfermagem
4- Você acredita que a presença do acompanhante traz benefícios à mulher no trabalho de
parto e parto?
( ) Sim
( ) Não
5- Você se sente preparada para receber o acompanhante aqui no centro obstétrico?
( ) Sim
( ) Não
6- O espaço físico pode dificultar a inserção do acompanhante?
( ) Sim. Quais____________________________________________ ( ) Não
7- Você acredita que o acompanhante pode ser um obstáculo na assistência à parturiente?
( ) Sim. Por quê? ____________________________________________________
( ) Não. Por quê?______________________________________________________
8- A permanência do acompanhante na sala de parto alteraria sua rotina de trabalho?
( ) Sim. Por quê?________________________________________________________
( ) Não. Por quê? _______________________________________________________
9- Você acha necessário um treinamento da equipe de enfermagem a fim de prepará-los para
a recepção do acompanhante no CO/HRC?
( ) Sim
( ) Não
10- Haveria necessidade de um treinamento prévio dos acompanhantes para o momento do
parto?
( ) Sim
( ) Não
43
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Helena Araújo e Kamila Moraes Bezerra