Recebido: 03/09/2012
Emitido parece: 02/10/2012
Artigo original
ESTILO DE VIDA DE UNIVERSITÁRIOS CALOUROS E FORMANDOS DE EDUCAÇÃO FÍSICA
DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA DO CENTRO-OESTE BRASILEIRO
Leandro Rechenchosky1, Thaís Alves Paiva1, Juscinéia Gomes de Melo1,
Lauane Lacerda Inês1, Lídia Acyole de Souza1
RESUMO
O objetivo do estudo foi descrever, comparar e associar o estilo de vida (EV) de universitários calouros
e formandos de um curso de Educação Física de uma universidade pública do Centro-Oeste brasileiro. A
amostra foi composta por 81 acadêmicos da Universidade Estadual de Goiás, UnU Goiânia. O EV foi obtido
por meio do questionário Perfil do Estilo de Vida Individual (NAHAS, BARROS, FRANCALACCI, 2000). Os
testes empregados foram: Teste t de Student independente, ANOVA para medidas repetidas, teste t de student
para amostra única, qui-quadrado 2x2 e qui-quadrado para tendência. A significância foi de p<0,05. Para a
análise dos dados utilizou-se o programa SPSS, versão 13.0. A idade média foi de 22,0 ± 4,3 anos e o EV geral
foi de 1,65 ± 0,37. Enquanto somente 21% da amostra apresentou perfil positivo para o EV geral e 13,6% para a
nutrição, a maioria dos universitários demonstraram perfil postivo na atividade física (54,3%) e relacionamento
social (66,7%). Não houve associação significativa do EV geral entre calouros e formandos. Contudo, observou-se
associação (p<0,05) para o relacionamento social e controle do stress a favor dos calouros e para a nutrição a
favor dos formandos. Conclui-se que os universitários desta instituição pública da região Centro-Oeste brasileira
são jovens e possuem um EV regular, demonstrando atividade física satisfatória e bons relacionamentos, em
contrapartida, não apresentam hábitos alimentares adequados. Calouros e formandos mostraram um EV geral
semelhante; quando comparados, calouros demonstraram melhor relacionamento social e controle do stress,
enquanto os formandos melhores hábitos alimentares.
Palavras-chave: Estilo de vida. Universitários. Educação Física.
LIFESTYLE OF FRESHMEN AND GRADUATING STUDENTS OF PHYSICAL EDUCATION IN A
PUBLIC UNIVERSITY IN THE BRAZILIAN MIDWEST
ABSTRACT
This study’s aim was to describe, compare and associate the lifestyle (LS) of Physical Education
freshmen and graduating students of a public university in the Brazilian Midwest. The sample was composed
of 81 academic students of the State University of Goiás, UnU Goiânia. The LS was obtained through the
“Perfil do Estilo de Vida Individual” questionnaire (NAHAS, BARROS, FRANCALACCI, 2000). The tests used
were: Student’s t tests for single samples and independent samples, ANOVA for repeated measures, 2x2 chisquare test and chi-square for trends. The significance was p<0.05. The program SPSS, version 13.0, was used
for data analysis. The average age was 22.0 ± 4.3 years and the general LS was 1.65 ± 0.37. While only 21%
of the sample showed a positive profile for the general LS and 13.6% for nutrition, most university students
demonstrated a positive profile in physical activity (54.3%) and social relationship (66.7%). There was not a
significant association between the general LS of freshmen and the LS of the graduating students. However, an
association (p<0.05) was observed between the social relationship and stress control in favor of the freshmen
and nutrition in favor of the graduating students. We concluded that university students in this public institution
in the Midwest region of Brazil are young and have a regular LS showing satisfactory physical activity and good
social relationships. However, they do not have appropriate eating habits. Freshmen and graduating students
showed a similar general LS. When compared, freshmen showed better social relationships and stress control,
while the graduating students have better eating habits.
Keywords: Lifestyle. University students. Physical Education.
INTRODUÇÃO
Atualmente sabe-se que viver mais não significa necessariamente viver com qualidade. Nesse
sentido, fatores que influenciam a qualidade de vida das pessoas têm sido amplamente discutidos na literatura
científica. Segundo Nahas (2006), qualidade de vida é a “percepção de bem-estar resultante de um conjunto de
parâmetros individuais e sócio-ambientais, modificáveis ou não, que caracterizam as condições em que vive
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o ser humano”. Os parâmetros sócio-ambientais envolvem aspectos como: moradia, transporte, segurança,
assistência médica, condições de trabalho, educação, opções de lazer, meio ambiente, dentre outros; já os
parâmetros individuais compreendem a hereditariedade e o estilo de vida.
Comportamentos relacionados ao estilo de vida (EV), como nutrição adequada, atividade física
suficiente, atitudes preventivas, suporte social e controle do estresse, tem sido cada vez mais fatores decisivos
na qualidade de vida. Pessoas com comportamentos saudáveis tendem a apresentar proteção contra várias
doenças, além de possuírem autoestima positiva e melhor percepção de bem-estar. O estilo de vida pode ser
caracterizado como “um conjunto de ações habituais que demonstram as atitudes, valores e oportunidades das
pessoas, sendo que estas ações têm grande influência na saúde e qualidade de vida dos indivíduos” (NAHAS,
2006).
Estar no meio universitário, ambiente que comumente produz muito conhecimento, nem sempre
significa apresentar um estilo de vida saudável, inclusive em cursos da área da saúde. Paixão, Dias e Prado
(2010), avaliando o estilo de vida e estado nutricional de universitários ingressantes nos cursos de Educação
Física, Ciências Biológicas, Enfermagem, Medicina e Odontologia de uma universidade pública do Nordeste,
observaram que tais acadêmicos não demonstraram um estilo de vida saudável, o que os colocam em situação
de risco para várias doenças crônico degenerativas. Segundo os mesmos autores esse comportamento é ainda
mais preocupante por esse público ser disseminador de um estilo de vida saudável. Franca e Colares (2008),
com amostra de 13 cursos da área de saúde de duas universidades públicas do Nordeste, não encontraram
diferenças significativas nas condutas de saúde de estudantes matriculados no início e final do curso, apesar
dos conhecimentos recebidos na graduação.
A Educação Física como uma das áreas das Ciências da Saúde (CAPES, 2009) pode contribuir de
forma decisiva na produção do conhecimento e nas mudanças de comportamento a partir de um estilo de vida
mais saudável. Assim, os acadêmicos de Educação Física devem compreender a importância de seu papel no
processo educativo, seja no meio formal de educação ou não, visando estimular também comportamentos
para um estilo de vida saudável e para uma vida com mais qualidade. Mas será que os mesmos apresentam
comportamentos que possam favorecer tais condições?
Dessa forma, esta investigação em universitários calouros e formandos de Educação Física justifica-se
mediante dois aspectos: a) a maioria dos universitários é jovem e consequentemente a inserção nesse meio
é um momento em que se estabelecem novas relações sociais e um período de afastamento da família; tais
condições são facilitadoras para a adoção de um estilo de vida inadequado; b) nos momentos finais do curso
comportamentos - adequados ou não - relacionados ao estilo de vida podem estar mais solidificados, já que
é um momento de independência e autonomia do jovem; esses comportamentos tendem a serem adotados
ao longo da vida.
Considerando que poucos são os estudos com características semelhantes publicados com sujeitos
da região Centro-Oeste do Brasil, sobretudo de uma tradicional instituição pública de Goiás, o objetivo deste
estudo foi descrever, comparar e associar o estilo de vida de universitários calouros e formandos de um curso
de Educação Física de uma universidade pública do Centro-Oeste brasileiro.
METODOLOGIA
CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO E AMOSTRA
Estudo transversal caracterizado como descritivo correlacional (THOMAS, NELSON, 2002) já que
busca investigar e apresentar as características da população analisada (universitários de Educação Física) e
relacioná-las entre si. O projeto de pesquisa deste estudo foi aprovado conforme Parecer 117515104724652 e
Memorando PrP/CP nº400/2011 da Universidade Estadual de Goiás. O mesmo foi apresentado para apreciação
ética (CAAE 00860112.0.0000.0035) e aprovado, conforme parecer 71534/2012, de acordo com as normas
da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde sobre pesquisa envolvendo seres humanos.
Todos os acadêmicos do curso de Educação Física da Universidade Estadual de Goiás, UnU Goiânia
– Eseffego, matriculados no 1º e 8º período do primeiro semestre de 2012 foram convidados a participarem
do estudo. Aqueles que aceitaram, assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
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DESENHO EXPERIMENTAL E COLETA DE DADOS
Quanto à validade externa, optou-se pela amostragem probabilística por conglomerados, uma das
mais utilizadas devido a sua operacionalização (LEVY, LEMESHOW, 1999).
A coleta de dados ocorreu no mês de Abril de 2012. Inicialmente o pesquisador fez contato prévio
com vários professores do curso de Educação Física da instituição com o objetivo de apresentar o estudo e
solicitar autorização para que pudesse adentrar a sala para a realização da coleta de dados. Dessa forma, foi
combinado antecipadamente dia e horário, geralmente nos momentos finais das aulas.
INSTRUMENTOS DE MEDIDA E CLASSIFICAÇÃO
Inicialmente foi aplicada uma ficha sócio-demográfica – nome, período, gênero, data de nascimento,
data da coleta de dados - a cada um dos participantes com o intuito de conhecer e caracterizar a amostra.
Na sequência os mesmos preencheram o questionário Perfil do Estilo de Vida Individual, desenvolvido por
Nahas, Barros e Francalacci (2000), para avaliar o estilo de vida. O questionário é composto por 15 questões
envolvendo cinco componentes: nutrição, atividade física, comportamento preventivo, relacionamento social
e controle do stress. Em cada componente há três questões, onde o sujeito deve manifestar-se sobre cada
afirmação considerando a seguinte escala: (0) absolutamente NÃO faz parte do seu estilo de vida, (1) às VEZES
corresponde ao seu comportamento, (2) QUASE SEMPRE verdadeiro no seu comportamento, e (3) a afirmação
é SEMPRE verdadeira no seu dia a dia, ou seja, faz parte do seu estilo de vida. Quanto à classificação de
cada perfil do estilo de vida, esta foi feita com base em Nahas (2006), sendo que um valor menor do que 1
representou perfil negativo, entre 1 e 1,99 perfil regular e valor entre 2 e 3 um perfil positivo.
ANÁLISE DOS DADOS
Inicialmente foi aplicado o teste de Kolmogorov-Smirnov para verificar a distribuição dos dados. Os
demais testes estatísticos empregados foram: Teste t de Student independente, ANOVA para medidas repetidas,
teste t de Student para amostra única, qui-quadrado 2x2 e qui-quadrado para tendência. A significância foi
fixada em 5% (p<0,05). Todos os dados foram tabulados e analisados com auxílio do programa Excel e do
pacote estatístico Statistical Package for the Social Science (SPSS), versão 13.0.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A tabela 1 apresenta a caracterização da amostra, composta por 81 acadêmicos do curso de Educação
Física da Universidade Estadual de Goiás – UnU Goiânia, Eseffego. A idade média da amostra foi de 22,0 anos,
sendo a maior parte dela composta por formandos (58%).
Tabela 1. Caracterização da amostra.
Frequência absoluta
Frequência relativa
Idade (média e desvio-padrão)
Calouros
34
42%
20,0 ± 4,3
Formandos
47
58%
23,5 ± 2,3
Total
81
100%
22,0 ± 4,3
A idade do grupo investigado foi semelhante à de outros estudos. Silva et al., (2012), analisando o
estilo de vida de acadêmicos de Educação Física de uma universidade pública do Nordeste, encontraram uma
idade média de 20,6 ± 3,1 anos. Nunes (2010), com o objetivo de verificar o estado nutricional e a atividade
física de universitários de um curso de Educação Física da região Sul, encontrou uma idade de 21,7 ± 2,8 anos.
Considerando a idade de acordo com o momento no curso, os valores encontrados são parecidos aos de Nunes
(2010), que obteve 19,7 ± 1,9 anos para os calouros e 23,8 ± 3,0 anos para os formandos. Percebe-se, portanto,
uma semelhança na idade média desses acadêmicos de Educação Física, em três diferentes regiões brasileiras.
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A tabela 2 mostra o estilo de vida geral dos calouros, formandos e amostra total, além dos valores
em cada um dos cinco componentes. Valores entre 0,00 e 0,99 indicam perfil negativo, de 1,00 a 1,99 perfil
regular e de 2,00 a 3,00 perfil positivo do estilo de vida, com base em Nahas (2006).
Tabela 2. Estilo de vida de calouros, formandos e amostra total (média e desvio-padrão).
Controle
Stress
EV geral
2,16 ± 0,42
1,70 ± 0,72
1,70 ± 0,29
1,84 ± 0,74
1,82 ± 0,66
1,40 ± 0,72
1,60 ± 0,41
0,483
0,007*
0,078
0,203
Nutrição
AF
CP
Calouros
1,00 ± 0,48
1,95 ± 0,63
1,73 ± 0,64
Formandos
1,32 ± 0,62
1,63 ± 0,93
0,011*
0,068
1,19 ± 0,59
1,77 ± 0,83
Valor-p
Total
2-6
1
RS
1,79 ± 0,70 1 1,96 ± 0,591,5,6
1,53 ± 0,73 1,4 1,65 ± 0,371,4
AF – atividade física; CP – comportamento preventivo; RS – relacionamento social; EV – estilo de vida.
Teste t de Student para amostras independentes; p – valor de significância; * p<0,05.
Teste Anova medidas repetidas, sendo as diferenças (p<0,05) representadas pelos seguintes números: 1 Nutrição;
2
AF; 3 CP; 4 RS; 5 Controle Stress; 6 EV geral.
Considerando toda a amostra, os valores médios dos componentes nutrição (1,19 ± 0,59), atividade
física (1,77 ± 0,83), comportamento preventivo (1,79 ± 0,70), relacionamento social (1,96 ± 0,59), controle
stress (1,53 ± 0,73) e do estilo de vida geral (1,65 ± 0,37) ficaram abaixo do ponto de corte para um perfil
positivo (2,0). A maior média encontrada foi no componente relacionamento social (1,96), com diferença
significativa (p<0,05) para nutrição, controle do stress e estilo de vida geral, e a menor média observada foi
no componente nutrição (1,19), com diferença significativa para todos os demais componentes.
Os achados são semelhanças aos de Silva, Hartmann e Júnior (2012), que investigaram a atividade
física habitual e o estilo de vida de acadêmicos de uma universidade federal do Nordeste, para os componentes:
nutrição (1,19 contra 1,23), comportamento preventivo (1,79 ambos os estudos), relacionamento social (1,96
contra 1,94) e controle do stress (1,53 contra 1,57), respectivamente. Adotando o teste t de Student para amostra
única, verificou-se diferença significativa a favor dos acadêmicos do presente estudo nos componentes: atividade
física (1,77 contra 1,17; p=0,00) e estilo de vida geral (1,65 contra 1,54; p=0,01). Uma possível explicação
para esses achados é o fato do estudo de Silva, Hartmann e Júnior (2012) envolver universitários de diferentes
cursos, diferentemente deste que investigou somente acadêmicos de Educação Física.
Comparando os valores médios de calouros e formandos (Tabela 2), nota-se diferença significativa
nos componentes relacionamento social a favor dos calouros, inclusive com média superior a 2,00 o que
indica um perfil positivo; e na nutrição, a favor dos formandos. Nos demais componentes não houve diferença
significativa (p>0,05) entre os grupos, estando todos os valores médios localizados no perfil regular.
Considerando somente o grupo de calouros, os resultados dos componentes relacionamento social,
controle do stress e estilo de vida geral foram semelhantes aos de uma amostra de ingressantes de um curso
de Fisioterapia da região Norte do Brasil (ASSIS et al., 2012). Na atividade física o valor foi significativamente
(p<0,05) superior (1,95 versus 1,40), entretanto, nos componentes nutrição e comportamento preventivo os
valores foram significativamente inferiores aos de Assis et al., (2012), sendo: 1,0 versus 1,4 e 1,7 versus 2,1,
respectivamente.
Quanto aos formandos, os dados dos componentes nutrição, atividade física e controle do stress
foram semelhantes aos achados de Santos e Venâncio (2006), que analisaram o estilo de vida de acadêmicos
concluintes de um curso de Educação Física da região Sudeste do Brasil. No comportamento preventivo,
relacionamento social e estilo de vida geral os valores do presente estudo foram significativamente (p<0,05)
inferiores (1,84; 1,82 e 1,60) aos achados dos universitários da região Sudeste (2,08; 2,16 e 1,73), respectivamente
(SANTOS, VENÂNCIO, 2006).
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Na tabela 3 temos a classificação (NAHAS, 2006) do estilo de vida geral e de seus cinco componentes
subdivididos em calouros, formandos e amostra total.
Tabela 3. Frequência relativa (%) do perfil do estilo de vida geral e de seus componentes entre calouros,
formandos e amostra total.
AF – atividade física; CP – comportamento preventivo; RS – relacionamento social; EV – estilo de vida; C –
calouros; F – formandos; T – total; Associação verificada mediante Qui-quadrado para tendência; p – valor
de significância; *p<0,05.
Analisando toda a amostra, a maioria dos universitários investigados apresentou perfil regular nos
componentes nutrição (58,0%), comportamento preventivo (48,1%), controle do stress (42,0%) e no estilo
de vida geral (77,8%). Nos componentes atividade física (54,3%) e relacionamento social (66,7%) a maioria
alcançou um perfil positivo.
O teste qui-quadrado para tendência foi empregado para verificar possível associação entre a
classificação do estilo de vida e o momento do acadêmico no curso de Educação Física – calouros e formandos.
Dessa forma, associação significativa a favor dos calouros foi identificada para os componentes relacionamento
social e controle do stress, já que a proporção de calouros e formandos no perfil positivo foi 79,4% versus
57,4% e 47,1% versus 29,8%, respectivamente. Por outro lado, no componente nutrição verificou-se maior
proporção no perfil positivo dos formandos (21,3%) em relação aos calouros (2,9%), com diferença significativa
(p=0,014). Não foi identificado associação dos componentes atividade física, comportamento preventivo e
estilo de vida geral (p>0,05) entre calouros e formandos.
Uma discussão, por componente do estilo de vida, será feita a partir dos achados desta pesquisa –
mediante dados da tabela 3 e resultados de moda - e também de outros estudos.
No componente nutrição - que envolve questões sobre a ingestão de frutas, hortaliças, alimentos
gordurosos e número de refeições por dia - apenas 13,6% dos acadêmicos demonstraram perfil positivo. Neste
estudo verificou-se associação entre o momento no curso e a nutrição, a favor dos formandos, diferentemente
dos achados de Franca e Colares (2008), que ao avaliarem hábitos alimentares de acadêmicos da área da
saúde no início e final de um curso da região Nordeste, não encontraram diferenças significativas mediante o
teste qui-quadrado, embora o instrumento de avaliação tenha sido outro. Coelho e Santos (2006), investigando
a prevalência de comportamentos inadequados no estilo de vida individual de acadêmicos da primeira fase
dos cursos tecnológicos da UDESC, Sul do Brasil, encontraram 37,8% desses acadêmicos com perfil positivo
nos hábitos alimentares. No presente estudo, somente 2,9% dos acadêmicos ingressantes apresentou perfil
positivo neste componente, mesmo a amostra sendo composta somente por acadêmicos de Educação Física,
diferentemente do primeiro estudo com universitários de cursos tecnológicos.
Nas questões que envolvem a nutrição, a maior parte dos universitários investigados disseram que “não
faz parte do seu EV” ou “às vezes corresponde ao seu comportamento” ingerir pelo menos 5 porções de frutas e
hortaliças (81,5%) e evitar alimentos gordurosos (69,2%). Um pouco mais da metade (50,6%) informaram que
realizar de 4 a 5 refeições ao dia “quase sempre” ou “sempre” faz parte do seu EV. Entre calouros e formandos
os resultados foram semelhantes, com exceção da terceira questão, na qual apenas 38,2% dos calouros
informaram que sempre ou quase sempre realizam de 4 a 5 refeições ao dia, enquanto que nos formandos
essa proporção foi de 59,6%. Considerando toda a amostra esses resultados são piores aos encontrados por
Joia (2010) avaliando universitários de 10 cursos de uma instituição do Nordeste brasileiro. Para Sakamaki et
al., 2005, o ambiente universitário, do ponto de vista de ensino formal, representa a última oportunidade para
uma educação em saúde nutricional envolvendo grande parte dos jovens estudantes.
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Na atividade física - com questões sobre frequência e volume de atividades físicas moderadas/intensas,
exercícios sobre força e alongamento muscular e meio de transporte no dia a dia - 54,3% dos universitários
pesquisados mostraram perfil positivo, sem associação desta variável entre calouros e formandos. Por outro
lado, Franca e Colares (2008) encontraram diferença significativa (p=0,029) da prática de atividade física, a
favor dos estudantes do último semestre. Estudo de Coelho e Santos (2006), com calouros, encontrou 63,3%
dos alunos com perfil positivo na atividade física. No presente estudo 58,8% dos calouros foram classificados
dessa forma.
Nas questões que envolvem a atividade física, a maioria dos universitários respondeu que “sempre”
ou “quase sempre” realizam atividade física suficiente - 61,7% da amostra total, 70,6% dos calouros e 55,3
dos formandos – incluindo exercícios que envolvem força e alongamento muscular (71,6%, 82,3 e 63,9%,
respectivamente). Sobre a utilização de caminhada ou pedalada no dia a dia para transporte a maioria respondeu
que “não faz parte” ou “às vezes corresponde ao seu comportamento”, sendo 56,8% da amostra total, 58,8%
dos calouros e 55,3% dos formandos. Comparando com os resultados de Joia (2010), desta vez e diferente da
nutrição, a presente amostra apresentou melhores resultados nas 3 questões que envolvem a atividade física,
muito provavelmente, por envolver somente universitários de Educação Física. Importante destacar que a prática
habitual e suficiente de atividade física constitui-se como um dos principais fatores que podem desencadear
um estilo de vida mais ativo.
No componente comportamento preventivo, as questões buscam identificar se o indivíduo conhece
valores de sua pressão arterial e colesterol, se o mesmo fuma, ingere álcool e se respeita as normas de trânsito.
Neste componente, verificou-se 45,7% dos acadêmicos com perfil positivo, sem associação entre calouros e
formandos. Ao se tratar de calouros, os dados deste trabalho mostraram 44,1% com perfil positivo, enquanto
que em Coelho e Santos (2006) essa proporção foi de 66,9%.
Sobre as questões relacionadas ao comportamento preventivo, a maioria da amostra (55,6%), inclusive
entre calouros (58,8%) e formandos (53,2%) desconhece valores de sua pressão arterial e colesterol, semelhante
a Joia (2010). Por outro lado, mais da metade relatou não fumar e não ingerir álcool (se sim, com moderação),
compreendendo 55,5%, 58,8% e 53,2%, respectivamente. Outro achado importante é em relação ao respeito às
normas de trânsito, no qual 87,6% da amostra total, 85,3% dos calouros e 89,4% dos formandos indicaram que
esse comportamento quase sempre ou sempre faz parte do seu estilo de vida. A presente amostra demonstrou
melhores comportamentos preventivos em relação a outro estudo com amostra de diferentes cursos (JOIA, 2010).
No relacionamento social, as questões envolvem a forma com que o indivíduo se relaciona no seu
ambiente e se está satisfeito. Esse componente foi o que apresentou a mais alta proporção de acadêmicos
no perfil positivo, 66,7%; superior aos achados de Machado et al., (2011), com 98 alunos da disciplina de
Condicionamento Físico da Universidade Federal de Santa Catarina, região Sul, que encontraram 49% de
alunos neste perfil (adequado) e inferior aos de Coelho e Santos (2006). No presente trabalho, quando a análise
envolve calouros e formandos, verifica-se 79,4% e 57,4%, respectivamente, classificados no perfil positivo,
com associação significativa (p=0,038) verificada pelo teste qui-quadrado 2x2.
Nas questões utilizadas como indicador de relacionamentos, elevada proporção de universitários
investigados (amostra total, calouros e formandos) relatou que “sempre” ou “quase sempre” procuram cultivar
amigos e estão satisfeitos com seus relacionamentos (91,4%, 97,1% e 87,2%, respectivamente), além do lazer
incluir encontro com os amigos (70,4%, 79,4% e 63,9%, respectivamente). No que se refere a ser ativo em sua
comunidade, 55,6% da amostra total respondeu que “não faz parte do EV” ou “às vezes corresponde ao seu
comportamento”; mesma situação observada nos formandos (66,0%). Diferentemente do panorama anterior,
58,8% dos calouros indicaram que “sempre” ou “quase sempre” são ativos em sua comunidade, sentindose útil no seu ambiente social. Os achados deste estudo são semelhantes, para as duas primeiras questões, a
de outros que investigaram acadêmicos de Educação Física (JOIA, 2010; CONCEIÇÃO, DUZZIONI, 2008),
embora inferiores quando se trata de ser ativo na comunidade.
Quanto ao controle do stress - com o intuito de conhecer como a pessoa se comporta diante de uma
discussão e como o mesmo administra o tempo dedicado ao trabalho, ao lazer e relaxamento - a maioria dos
acadêmicos (42,0%) foi classificada no perfil regular, sendo 37,0% no perfil positivo e 21,0% no perfil negativo.
Em contrapartida, no estudo de Machado et al., (2011) a maioria dos alunos (68,4%) foi classificada com perfil
positivo (adequado). Neste trabalho, observou-se associação significativa (p<0,05) entre o momento no curso e
o controle do stress, a favor dos calouros. Coelho e Santos (2006), analisando somente calouros, encontraram
67,5% no perfil positivo, proporção superior ao desta investigação (47,1%).
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Sobre o controle do stress, a maioria dos universitários investigados (amostra total, calouros e formandos)
respondeu que “sempre” ou “quase sempre” reservam em todos os dias um tempo para relaxar (61,7%, 67,7%
e 57,5%, respectivamente). “Não faz parte do EV” ou “às vezes corresponde ao comportamento” manter
uma discussão sem alterar-se para 61,7% da amostra total, para 64,7% dos calouros e 59,6% dos formandos.
Já quanto a equilibrar o tempo dedicado ao trabalho e ao lazer, 70,6% dos calouros demonstraram esse
comportamento, enquanto que a proporção de formandos foi de apenas 29,8%, totalizando 53,1% da amostra
com resultado insatisfatório. Uma possível explicação para esse último resultado pode ser a demanda excessiva
que universitários formandos tem no último período do curso. Esses achados são diferentes dos encontrados
por Conceição e Duzzioni (2008).
Sobre o estilo de vida geral, resultado do conjunto dos 5 componentes, apenas 21% dos acadêmicos
investigados demonstraram perfil positivo, o que é preocupante, sendo a grande maioria (77,8%) classificada
no perfil regular e somente 1,2% no perfil negativo. Mediante o teste do qui-quadrado para tendência não foi
observada associação entre o momento do acadêmico no curso e o estilo de vida geral, ou seja, ser calouro
ou formando não impactou no estilo de vida geral desses acadêmicos.
CONCLUSÃO
Considerando os achados desta pesquisa, conclui-se que os universitários desta instituição pública da
região Centro-Oeste brasileira são jovens e possuem um estilo de vida regular, demonstrando uma atividade física
habitual satisfatória e bons relacionamentos, em contrapartida, não apresentam hábitos alimentares adequados.
Calouros e formandos mostraram um estilo de vida geral semelhante. Quando comparados por
componente, calouros demonstraram melhor relacionamento social e controle do stress, enquanto que os
formandos melhores hábitos alimentares.
REFERÊNCIAS
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