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Pró-Reitoria de Graduação
Curso de Pedagogia
Trabalho de Conclusão de Curso
DESAFIOS DO LETRAMENTO DA CRIANÇA SURDA:
UM ESTUDO REALIZADO A PARTIR DO 4º E 5º ANO DO
ENSINO FUNDAMENTAL
Autora: Cláudia Aparecida Torres
Orientadora: Msc. Adriana Lira
Brasília-DF
2013
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CLÁUDIA APARECIDA TORRES
DESAFIOS DO LETRAMENTO DA CRIANÇA SURDA: UM
ESTUDO REALIZADO A PARTIR DO 4º E 5º ANO
DO ENSINO FUNDAMENTAL
Monografia
apresentada
ao
Curso
de
Graduação em Pedagogia da Universidade
Católica de Brasília, como requisito parcial
para a obtenção do Título de Licenciada em
Pedagogia.
Orientadora: Msc. Adriana Lira
Brasília-DF
2013
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Monografia de autoria de Cláudia Aparecida Torres, intitulada “DESAFIOS DO
LETRAMENTO DA CRIANÇA SURDA: UM ESTUDO REALIZADO A
PARTIR DO 4º E 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL”, apresentada como
requisito parcial para a obtenção do grau de Licenciada em Pedagogia da Universidade
Católica de Brasília, defendida em 14 de junho de 2013 e aprovada pela banca examinadora
abaixo assinada:
__________________________________
Profª Msc. Adriana Lira
Orientadora
____________________________________
Profª Valícia Ferreira Gomes
Examinadora-interna
Brasília-DF
2013
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A Deus por ter permitido chegar até aqui, na certeza de
que não existe verdade absoluta, já que somos todos
seres inacabados.
Dedico esse trabalho às pessoas com surdez que fizeram
parte dessa pesquisa e à profª Msc. Adriana Lira pelo
profissionalismo, respeito e carinho, com que aceitou me
conduzir nessa pesquisa.
À minha família, em especial aos meus filhos que me
apoiaram e acreditaram no meu amor pela educação
especial.
In memoriam, ao meu pai pelo carinho, apoio e pelas
sábias palavras quando dizia que a educação é capaz de
transformar o sujeito, mesmo sendo analfabeto.
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AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus por ter permitido que eu chegasse até aqui. Não
poderia deixar de agradecer a minha família, em especial meu esposo que por muitas vezes
fez o papel de mãe quando eu precisei estar ausente. Aos meus três filhos, joias raras, que dão
sentido ao meu levantar todas as manhãs. E ainda, os mais e profundos e sinceros
agradecimentos às crianças surdas, pois é por elas e para elas meu estudo e pesquisa. Sem o
carinho e apoio dessas crianças, esse trabalho não faria sentido e nem tampouco existiria.
Na certeza de que a caminhada está apenas começando, agradeço também à ilustre
profª Msc.Adriana Lira por ter compartilhado saberes, trocado ideias e, principalmente, por
ter me apoiado antes mesmo da pesquisa ser apenas um sonho, ajudando a transformá-lo em
realidade e ainda pelo seu respeito à cultura surda.
Às educadoras que compartilharam, trocas, vivências e experiências, o meu muito
obrigada, pois todos sabemos que na estrada da educação não há um fim; o que existe são
pedras as quais juntamos uma a uma para construímos cada degrau de nossa escada.
As colegas do Curso de Pedagogia os parabenizo por superarem frustações no fazer
pedagógico, cuja experiência ficará em minha memória. Desejo que todos consigam ser
educadoras e educadores transformadores e que o trabalho de todos seja pautado na ética e
transparência, com respeito e olhar diferenciado para a educação inclusiva, respeitando as
limitações dos estudantes e trabalhando para que sejam superadas, reconhecendo o sujeito
como ser inacabado, tendo em mente que a criança não é um adulto em miniatura. As
intérpretes que contribuíram com a pesquisa, o meu caloroso abraço e agradecimento na
esperança que um dia possamos atuar como intérpretes educacionais e não apenas como
auxiliares pedagógicas, e, desta forma, conquistando o respeito e o espaço, dentro e fora da
escola.
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RESUMO
TORRES, Cláudia Aparecida. “Desafios do letramento da criança surda: um estudo de
caso realizado a partir do 4º e 5º ano do Ensino Fundamental”.
Brasília. 2013. 76f.
Monografia (Graduação em Pedagogia). Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2013.
Esta pesquisa teve como principal objetivo averiguar quais são os desafios que permeiam o
letramento da criança surda, a partir de um estudo de casos múltiplos, realizado em duas
turmas de uma escola da rede pública de ensino do Distrito Federal. A primeira no 4º ano e a
segunda no 5º ano, ambas do Ensino Fundamental do turno vespertino. Trata-se de uma
escola situada na periferia de Brasília, cuja indicação se deu pela Regional de ensino do
Distrito Federal como aquela que trabalha com a proposta de inclusão. Trata-se, pois de uma
pesquisa qualitativa, de natureza descritiva e exploratória que teve como questões norteadoras
as seguintes indagações: Quais os desafios para o letramento de uma criança surda? A escola
está preparada para receber essa criança, no que se refere à sua inclusão e ao desenvolvimento
de sua aprendizagem? O intérprete de Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) em sala, facilita o
aprendizado da criança surda? A coleta de dados realizada no período de março a maio de
2013 se deu por meio de questionário com questões abertas às professoras, conversas
informais com os estudantes de ambas as turmas e a direção da escola, observação de aulas,
acompanhamento das crianças no recreio que contribuíram para a caderneta de campo. No
que se refere à amostra, a primeira turma do 5º ano era composta por 32 alunos, dos quais
quatro têm surdez moderada e dois têm surdez leve sob acompanhamento de uma professora
contratada em regime temporário. É intérprete de LIBRAS apesar de não fazer uso em sala de
aula. Já a outra turma, do 4º ano, é formada por cinco alunos dos quais três tinham surdez
profunda e dois possuíam surdez moderada. Os resultados estão organizados nos seguintes
blocos: caracterização da escola, amostra, o trabalho docente e a proposta do letramento, a
formação docente, atuação docente – experiência com Libras e, por fim, o processo de
inclusão. O estudo permitiu uma comparação no trabalho de ambas as professoras
colaboradoras para se analisar a proposta de letramento, objeto de estudo desta pesquisa. Em
suma, o estudo permitiu verificar que a alfabetização das crianças surdas não é possível,
entretanto, para facilitar o aprendizado da criança surda e promover o seu letramento, já que a
“leitura de mundo” dos alunos surdos é diferente dos alunos ouvintes, o aprendizado se dá
pelo campo visual o qual é mais aguçado para compensar a surdez. O intérprete de LIBRAS
ocupa uma posição muito importante. Além disso, a pesquisa possibilitou verificar a
fragilidade por parte dos preparativos da escola para atender a necessidade das crianças
surdas, isto é, o projeto de inclusão não ocorre na prática e o letramento da criança surda não
ocorre conforme previsto em lei e se espera da escola, visto as várias fragilidades percebidas:
necessidade de reorganização do espaço físico, preparo docente, ausência do intérprete e
ainda a fata de recursos pedagógicos. Assim sendo, verificamos que as crianças surdas saem
em desvantagem em relação às ouvintes.
Palavras- chave: Letramento. Surdez. Desafios. Inclusão e Exclusão. Ensino Fundamental
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LISTA DE SIGLAS
APADA- Associação de pais e amigos dos Deficientes Auditivos
CF- Constituição Federal
DF- Distrito Federal
EAPE- Escola de Aperfeiçoamento dos professores de Educação
ECA- Estatuto da Criança e Adolescente
FENEIS- Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos
ILS- Intérprete de Língua de Sinais
L1- Língua 1
L2- Língua 2
LDB- Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
LIBRAS- Língua Brasileira de Sinais
PROLIBRAS- proficiência em Língua Brasileira de Sinais
MECE- Melhoramento de qualidade e equidade da Educação
PMDF- Polícia Militar do Distrito Federal
SEDF- Secretaria de Educação do Distrito Federal
SEEDF- Secretaria de Estado de Educação Estado do Distrito Federal
TDAH- Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade
UNESCO- Organização das Nações unidas para, a ciência e a cultura.
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LISTA DE QUADROS
Quadro 01-Tolerância do som e qualidade...........................................................................33
Quadro 02-Grau de severidade da pessoa com perda auditiva..........................................34
Quadro 03-Classificação de perdas auditivas quanto ao grau............................................34
Quadro 04-Perfil do professor e estudantes turma A..........................................................44
Quadro 05-Perfil do professor e estudantes turma B..........................................................46
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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................11
2 INDAGAÇÕES DA PESQUISA.........................................................................................13
3 OBJETIVOS........................................................................................................................13
3.1 OBJETIVO GERAL...........................................................................................................13
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS..............................................................................................13
4 RESENHA DA LITERATURA..........................................................................................14
4.1 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: POSSIBILIDADES E DESAFIOS
..............................................................................................................................14
4.1.1
Apontamentos
importantes
no
processo
de
letramento
da
criança
surda.........................................................................................................................................18
4.1.2 Os métodos e sua escolha na aquisição e aprimoramento da linguagem da criança
surda........................................................................................................................................20
4.2 INCLUSÃO: CONQUISTAS, DESAFIOS E RETROCESSOS........................................24
4.2.1
O
papel
da
família
na
aceitação
e
construção
da
identidade
surda.....................................................................................................................................26
4.2.2. O que garante a constituição brasileira no ingresso do sujeito surdo na realidade
sociocultural?.....................................................................................................................29
4.3 A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DA CRIANÇA SURDA: DESAFIOS PARA OS
CAMINHOS DA APRENDIZAGEM......................................................................................31
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4.4 TIPOS DE SURDEZ E SUAS IMPLICAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO
COGNITIVO DA CRIANÇA SURDA NO PROCESSO DE LETRAMENTO......................32
4.5 INTÉRPRETE DE LÍNGUA DE SINAIS (ILS): QUAL O PAPEL E ATRIBUIÇÕES
DESSE PROFISSIONAL NO ESPAÇO ESCOLAR: CO-DOCÊNCIA OU AUXILIAR
PEDAGÓGICO?..........................................................38
5 METODOLOGIA ...............................................................................................................41
6 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS............................................................42
6.1 CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA...............................................................................42
6.2 A AMOSTRA.....................................................................................................................43
6.3 RESULTADOS..........................................................................................................48
6.3.1 O trabalho docente e a proposta do letramento....................................................48
6.3.2 formação docente......................................................................................................52
6.3.3 atuação docente - experiência com libras...............................................................53
6.3.4 o processo de inclusão..............................................................................................55
7 SUGESTÕES E APONTAMENTOS NO FAZER PEDAGÓGICO...............................56
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................60
REFERÊNCIAS......................................................................................................................66
APENDICÊS............................................................................................................................69
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INTRODUÇÃO
Ao longo dos anos, o discurso sobre educação inclusiva assumiu novas molduras em
decorrência das novas exigências do mercado de trabalho advindas das tecnologias cada dia
mais aperfeiçoadas e acessíveis a nossa população. Todavia, a criança, em especial a criança
surda, continua merecedora de atenção, pois são múltiplas as interferências às quais são
submetidas. Há de se pensar o mundo com outras nuances, o qual irá “cobrar” competências e
habilidades que estarão intimamente ligadas à formação geral. Para atender este requisito
reconhecemos a importância do letramento da criança. Aliás proposta esta já inserida na
educação de crianças e ensino fundamental (cf. p.ex., SOARES, 2003; BRASIL, 2007;
LAGES, 2010), cujo desafio é ainda maior quando se trata do letramento de crianças surdas.
Para tanto, como se trata de uma proposta ainda não implantada em todas as escolas do
Distrito Federal (cf. LAGES, 2010), há uma necessidade de se repensar como a Pedagogia
vem sendo executada para que o letramento dos estudantes de modo a prepara-los para os
estudos subsequentes e para o convívio social. No entanto, é preciso se pensar a educação a
ser executada com base no ensino do século XXI, abraçando as causas humanas e
contemporâneas, respeitando as diferenças e principalmente aceitando e reconhecendo o
sujeito surdo como parte de uma sociedade e dotado de saberes, apesar de sua limitação.
A aquisição de valores, de conhecimentos, a convivência fraterna e socializadora entre
crianças surdas e ouvintes, ajudar as mesmas a ampliarem seus horizontes, desvendando
novos conhecimentos, contribuindo para a autoafirmação e aceitação dos mesmos,
desenvolvendo e construindo autonomia intelectual e pensamento crítico. E, desta forma,
consolidando pilares para o trabalho e o exercício de uma cidadania justa e democrática, tendo
ciência de seus direitos e deveres como cidadãos.
É importante salientar que a escola por ser um espaço social não pode se furtar do seu
trabalho como multiplicadora da tolerância e respeito às diferenças. Portanto, entende-se que
cabe à escola contemplar mais efetivamente soluções para que a socialização entre os alunos
aconteça de maneira mais saudável e natural possível. E assim, abolir paulatinamente as ações
emergenciais, que, por força das circunstâncias, tornam-se pouco substanciais para resolução
dos problemas causados por uma prática pedagógica não adequada, no âmbito da escola
inclusiva, para que as crianças deficientes ou não convivam em harmonia, sem discriminação.
E, desta forma, tornando-as capazes de escrever suas próprias histórias, com o
desenvolvimento de suas potencialidades e descobrir-se como sujeitos capazes, sobretudo, de
atuarem efetivamente na condução do processo educacional e social.
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No entanto, não cabe pensarmos em um modelo de educação unificado sem levar em
conta as necessidades das crianças. É preciso pensar nas condições necessárias para que o seu
letramento ocorra. Não se trata de ver o surdo como um “ouvinte deficiente”, que precisa de
tratamento médico para “normalização”, ou seja, um sujeito que por falta de audição é
ineficiente. É preciso vê-lo com um indivíduo pertencente a uma cultura, que se comunica por
outro canal, tendo assim consequentemente outra língua e, portanto, nos seus desafios e
potencialidades para que ocorra o seu letramento.
Por sua vez, a qualidade das interações interpessoais, a estimulação e a exposição ao
meio social tanto importante no momento do letramento e da formação da criança surda ou
não, terá forte influência no seu desenvolvimento cognitivo, pois, dessa forma, a criança vai
fazendo sua própria leitura de mundo, o que a permitirá uma aprendizagem prazerosa e
instigante e não algo sem sentido, sem relação com sua vida. É nas brincadeiras, na escrita, na
socialização que as crianças desenvolvem suas mentes de forma vigorosa e eficiente, usando e
aperfeiçoando sua maneira natural de aprender.
A escola deve, pois favorecer e oferecer condições para que isso aconteça. A escola
não pode desencorajar e alienar os sujeitos surdos em seu processo de letramento. O ensino
precisa envolver a relação entre o ensinar e aprender, formando assim uma unidade
indissociável na educação da criança surda, na qual é necessário ter significado, provocando a
aprendizagem, pois a escola não é um espaço acabado e estático, ela faz parte de um processo
em construção, á qual deve levar em consideração os sujeitos que dela participam.
Compreende-se que ignorar as condições de inclusão e de letramento das crianças
implicará no fracasso escolar, isto é implica não apenas em reprovação, mas mais que isso,
implica uma exclusão por parte da escola, da sociedade que não aceita esse sujeito e não
reconhece o seu saber, obrigando-o também a acumular conhecimentos, que na maioria das
vezes, não possui relação com sua vida.
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2 INDAGAÇÕES DA PESQUISA
Esta pesquisa procurou averiguar as seguintes questões:
Quais os desafios para o letramento de uma criança surda?
A escola está preparada para receber essa criança, no que se refere à sua
inclusão e ao desenvolvimento de sua aprendizagem?
O intérprete de libras em sala facilita o aprendizado da criança surda?
Qual o trabalho feito pela escola para inserir a criança surda não só dentro da
escola, mas para torna-la apta para o convívio social?
3 OBJETIVOS
3.1 OBJETIVO GERAL:
Averiguar quais os desafios que permeiam o letramento da criança surda no 4º e 5º
anos do Ensino Fundamental.
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
Analisar a participação de docentes bilíngues no processo de letramento da criança
surda.
Compreender como se dá o processo de inclusão das crianças surdas e ouvintes na sala
de aula.
Identificar quais as possibilidades oferecidas pela escola para promover um
desenvolvimento da criança com surdez de modo a respeitar os seus limites pessoais e
não de padrões impostos pela sociedade ouvinte.
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4 RESENHA DA LITERATURA
4.1 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: POSSIBILIDADES E DESAFIOS
Para Soares (2004), a alfabetização é entendida como a aquisição do sistema
convencional de escrita diferencia de letramento entendido como o desenvolvimento de
comportamentos e habilidades de uso competente da leitura e da escrita em práticas sociais.
Distingue-se tanto em relação aos objetos de conhecimento quanto em relação aos processos
cognitivos e linguísticos de aprendizagem e, portanto, também de ensino desses diferentes
objetos – isso explica por que é conveniente a distinção entre os dois processos.
Na medida em que o sujeito consegue identificar uma palavra ou mais, está adquirindo
e desenvolvendo a leitura, entretanto ler não é o mesmo que compreender. Pois alfabetização
e letramento são competências diferentes que requer habilidades específicas uma vez que a
criança pode estar alfabetizada mais, no entanto não consegue interpretar o que lê, ou seja,
não está letrada. O ambiente juntamente com os estímulos irá contribuir ou não para a
aquisição e aprimoramento da leitura dentro de um contexto do letramento o qual está
intimamente ligado o uso a práticas sociais e autonomia no aprender.
Segundo Ferreiro (1996, p.24) “o desenvolvimento da alfabetização ocorre, sem
duvida, em um ambiente social. Mas as praticas sociais assim como as informações sociais,
não são recebidas passivamente pelas crianças.”.
Assim sendo, “alfabetização não é apenas aprender a ler e a escrever”, “alfabetizar é
muito mais que apenas ensinar a codificar e decodificar”, e outras semelhantes (SOARES,
2004). A insuficiência desses recursos para criar objetivos e procedimentos de ensino e de
aprendizagem que efetivamente ampliassem o significado de alfabetização, alfabetizar,
alfabetizado é que pode justificar o surgimento da palavra letramento, consequência da
necessidade de destacar e claramente configurar, nomeando-os, comportamentos e práticas de
uso do sistema de escrita, em situações sociais em que a leitura e/ou a escrita estejam
envolvidas.
O educador precisa reconhecer que o letramento se inicia antes da criança entrar na
escola, e se dá por meio de suas experiências e vivências. É função do professor dar
continuidade ao processo respeitando e valorizando o conhecimento prévio do sujeito.
Como este processo ocorre com as crianças surdas? É o que busca responder este
trabalho. Atualmente, a proposta para educação de pessoas com surdez está pautada no uso do
bilinguismo, para tornar acessível às duas línguas, sendo que a primeira a língua materna do
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surdo (LIBRAS) e a segunda o português. É importante salientar que o português deve ser um
recurso a mais e não uma obrigação.
Ao tomar por base as argumentações defendidas por alguns atores (SKLIAR, 2009,
GOLDFELD, 2002, LODI, LACERDA, 2010) entende-se que aprender uma língua não é
apenas aprender palavras soltas e sim entender seus significados culturais. Dessa forma, o
sujeito terá mais propriedade para aprender e interpretar a realidade, compreender a palavra
dentro do seu contexto e sentido, vinculando realidade e linguagem. Para que a criança
compreenda e faça relação da figura e escrita é necessário que o educador assuma postura
multidisciplinar apresentando textos com figuras para que a criança faça a relação das
palavras com as gravuras, pois assim o texto fará sentido. A leitura não se faz só através das
palavras, se faz também por meio de figuras, gravuras e desenhos, tendo também imagens e
leituras em libras para oportunizar e possibilitar a criança surda o desenvolvimento de sua
consciência com relação à necessidade de aquisição da escrita para que essa criança possa se
comunicar e se inserir no mundo letrado.
Vale lembrar que a aquisição e o aprimoramento do português escrito pela criança
surda não pode estar pautado no ensino do português para crianças ouvintes, já que estas
aprendem naturalmente a língua falada no convívio com a família e pessoas que a cercam.
Nesse sentido, é preciso se pensar no processo, em que ser letrado não é somente saber ler e
escrever e sim interpretar, ou seja, práticas sociais preparam a criança para assumir a postura
de cidadã crítica e participativa, com liberdade de escolha e responsável por elas mesmas. As
crianças surdas enfrentam uma barreira de comunicação com a família o que pode se
complicar se a mesma for filha (o) de pais ouvintes já que compreendemos que o processo de
letramento é de suma importância o envolvimento e o apoio dos pais visto que o letramento
inicia-se antes mesmo da entrada da criança na escola, começando com a primeira
socialização que é a família. Sendo assim, em algumas escolas, a Língua de Sinais (LIBRAS)
está sendo usada meramente como interpretação de palavras soltas, não levando em
consideração o contexto, tornando o ensino mecânico e artificial, “criando” apenas copistas,
sem a capacidade de ler e interpretar um texto. Percebe-se assim, que as escolas não estão
desenvolvendo práticas de letramento adequado e sim interpretação de palavras soltas, quando
o objetivo da educação, não só de crianças surdas mais de crianças ouvintes, deveria favorecer
o desenvolvimento intelectual, físico, motor, emocional e social. No entanto, sabe-se que nem
sempre as escolas inclusivas estão preparadas, não conseguindo, pois oportunizar as
experiências e conhecimentos que podem ser ampliadas por meio do convívio, jogos e
brincadeiras, já que os recursos das escolas são limitados. Há de se pensar que a escola, em
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parceria com a família, deve instruir a criança surda, preparando-a para a sociedade, dando
oportunidade para ela consiga construir sua autonomia.
Além disso, a interação e a relação entre as crianças com surdez e as ouvintes e demais
pessoas da escola constituem um fator muito importante, para a compreensão do universo
surdo tanto no que se refere ao desenvolvimento sócio emocional como no processo de auto
aceitação e adaptação.
As escolas que trabalham com a inclusão precisam de investimentos no que diz
respeito a materiais pedagógicos e formação dos educadores que geralmente têm se mostrado
despreparados. O contato com as escolas nos fazem perceber a necessidade de uma
preparação deste profissional para atuar na educação especial. No entanto o que se tem feito é
a simples transferência do aluno com deficiência auditiva para a sala de aula regular, o que
não vai garantir a ele um aprendizado e, sim, apenas e tão somente um convívio que muitas
das vezes é deficitário, pois poucas são as escolas que tem um preparo ou trabalho para
receber e incluir verdadeiramente essas crianças junto aos demais.
Tanto mudanças estruturais quanto pedagógicas fazem-se necessários no que diz
respeito à inclusão. Na verdade, o aluno não é do professor, mas pertence à escola. Assim, a
convivência e aceitação vão além da sala de aula. Para tanto, é preciso um trabalho feito por
toda equipe escolar no intuito dessa criança surda se sentir acolhida e segura para desenvolver
sua aprendizagem. Entretanto, apesar de muito se falar em inclusão, percebe-se que, na
maioria das vezes isso fica apenas no papel, pois os princípios que norteiam à educação
inclusiva em nossas escolas parecem estar pautados na “normalização e integração dos
sujeitos”, enquanto a priorização do respeito às diferenças é utópico. Prova disso é a avaliação
dos sujeitos surdos, por exemplo, onde as crianças aprendem de diferente maneira, Por que a
avaliação é igual? Nota-se dessa forma, uma fragilidade na política educacional. A educação
regular e a especial não conseguem desenvolver uma ação conjunta, não tendo consistência
até mesmo para o preparo dos atores da escola, (direção, educadores e demais funcionários).
Assim sendo, à inclusão vai além do acesso à escola. Não é suficiente colocar a
criança na escola se essas não tiverem êxito na adaptação, devido entre outros fatores à falta
de despreparo do corpo docente que acaba por contribuir mais uma vez para a segregação no
espaço escolar.
A criança surda se apropria do conhecimento de acordo com que ela presencia
juntamente com suas experiências. Dessa forma, ocorre a possibilidade de aprendizagem, isto
é, que a faz entender e aguça a sua capacidade de melhor compreender o mundo que a cerca,
criação, construção, transformação, invenção, analise, interrogação e etc. É pela
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aprendizagem que o sujeito consegue sua inserção no mundo da cultura, sendo que esse
processo deve acontecer de uma maneira ativa, pois, dessa forma, a criança constrói suas
hipóteses em um universo de representações significativas e simbólicas e por meio da
interação entre elas.
É pela história de seu desenvolvimento que é construída a aprendizagem da criança
surda. No início dessa aprendizagem, a família é a responsável por tal tarefa, depois vêm
todos “atores” que representam o meio onde essa criança está inserida onde os aspectos pelos
quais os indivíduos são constituídos, como, por exemplo, social, histórico, familiar, cognitivo,
orgânico entre outros que exercem influências não só na formação do educando mais também
nas suas relações interpessoais. Relações essas que ocorrem de forma natural entre elas e são
importantes para promover a aprendizagem.
Cabe ao educador o papel de observar os alunos nos aspectos totais, pois há de se
pensar que cada criança está inserida em um contexto, onde ela traz para escola suas
vivências, experiências e leitura de mundo, onde linguagem, pensamento e até mesmo a
afetividade vão estar “a flor da pele” na construção e reformulação de seus próprios
conhecimentos e de suas identidades no âmbito social. Dessa forma, não cabe um
ensinamento robotizado, onde a criança surda assume papel de mero reprodutor sem relação
com sua vida, com suas necessidades, não oportunizando, pois um ensino onde a criança
assuma um papel “ativo”, em sua aprendizagem e em suas relações interpessoais.
Diante do exposto, a equipe gestora juntamente com os educadores é responsável por
averiguar quais são os instrumentos necessários para a transmissão do conhecimento e
efetivação da aprendizagem. Portanto, o fazer pedagógico vai não apenas contribuir para a
interação como também favorecer trocas recíprocas entre alunos e professores, já que é com
os alunos que se aprende a ensinar. Por conseguinte, sem essa troca, o ensino tende não só a
empobrecer, mas a fracassar, pois se cumpre a missão e função de educar quando se consegue
estabelecer alianças entre os sujeitos. Para tanto, constitui um desafio buscar novas
ferramentas e metodologias quando se trata de Educação Inclusiva, de modo que provocar a
aprendizagem, motivar os alunos não tem sido uma tarefa fácil somada à dificuldade de
desconstrução da ideia da incapacidade. Além disso, grandes transformações no ensino
exigem profundas reflexões e principalmente, uma visão mais ampla do contexto onde ocorre
a aprendizagem. As dificuldades de aprendizagem que os estudantes surdos têm não podem
ser tratadas como problemas que não têm solução e sim como desafios que fazem parte do
processo de aprendizagem e letramento, pois no decorrer da vida acadêmica, os alunos
superam ou não essas dificuldades por vários motivos. O professor deve estar atento e
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perceber qual a melhor forma de trabalhar com essa criança e, principalmente, inclui-la no
processo de letramento. As inúmeras barreiras que podem surgir no processo de adaptação,
dos surdos nas escolas podem desestimular a participação dos mesmos, pois eles podem se
sentir diminuídos, diferentes e até mesmo discriminados pelos demais colegas, ficando assim
desacreditados por eles mesmos quanto à sua capacidade. Nesse caso, o professor deve estar
atento para trabalhar, no sentido de transmitir que tanto o aluno surdo como o ouvinte é
caracterizado pelas suas capacidades, habilidades e competências e não pela deficiência
propriamente dita. Deve se partir do princípio que existe um sujeito capaz, precisando
acreditar em si mesmo, a ser valorizado no seu processo de Ensino- Aprendizagem. No
entanto, se as práticas pedagógicas utilizadas pelos educadores não respeitarem as limitações
dos alunos surdos, eles vão estar simplesmente reproduzindo o que lhe foi passado sem
significado, deixando assim esse aluno em desvantagem em relação aos demais, no que diz
respeito ao letramento. Entende-se dessa maneira que a escola precisa ser significativa, pois é
nesse espaço social que o sujeito irá construir apropriar e transformar sua cultura, mudando
assim sua realidade e consequentemente seu pensamento sobre suas capacidades de interação
e aprendizagem, de maneira espontânea transformando o seu meio. Destaca-se, portanto, que
a escola poderá retardar ou auxiliar o desenvolvimento da criança.
4.1.1 APONTAMENTOS IMPORTANTES NO PROCESSO DE LETRAMENTO
DA
CRIANÇA SURDA
É por meio da cultura, linguagem e diálogo que nós nos desenvolvemos. Essas são as
áreas mais comprometidas das pessoas com surdez. Desta forma, fica a indagação: qual a
melhor maneira de letrar uma criança surda? Essa pergunta, norteadora deste trabalho, tem
sido objeto de intermináveis especulações, tanto no passado como no presente. Porém ainda
não encontrou-se resposta para ela.
É preciso se levar em conta que a surdez pode prejudicar o esforço e levar o
investigador por caminhos, duvidosos, a aprendizagem que se não afetada depende de fatores
como, experiência pessoal, cooperação, saúde, meio físico e social, apoio familiar entre
outros. Porém, compreender como se dá aprendizagem da criança surda, significa conhecer
como ela acontece e a que conduz, ao invés de definição de como se aprende, há de se
perguntar de que modo ás crianças organizam seus pensamentos? O pensamento é
indissociável da vida. Não se pode ver o pensamento. Ele simplesmente se manifesta em
ações. No entanto, está relacionado às atividades humanas. Todas as crianças surdas ou não
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são únicas, possuindo diferenças individuais. Isso se aplica ao seu aprendizado. Sendo assim,
a maneira de ensinar deveria ser individualizada. Para considerar as habilidades e respeitar a
maneira peculiar que cada sujeito aprende. Desde muito pequenas, ainda bebês as crianças, na
tentativa de construírem sua linguagem, começam a balbuciar sons. São tentativas de se
comunicarem. Na verdade, essa tentativa está presente nas relações das crianças surdas. No
entanto, acredita-se que o estímulo em desenvolver a fala vai ser fator determinante para o
sucesso ou não da aquisição da linguagem. No caso da criança ouvinte, geralmente, os pais
falam e pedem para que elas repitam o que foi dito, e, quase sempre, toda ação é falada
primeiro para depois ser feita. Exemplo: agora vamos tomar banho... Mamãe vai preparar sua
mamadeira e assim por diante.
É a partir dessas relações interpessoais que se inicia a aprendizagem da criança, já que
a mesma está inserida na primeira socialização que é a família. Quase sempre essa
socialização se dá por meio da comunicação e da língua falada. No entanto, o atraso na
linguagem vai influenciar diretamente na aprendizagem do indivíduo e, consequentemente, no
seu desenvolvimento. É valido lembrar que não é apenas na escola que a criança aprende, pois
desde o nascimento, ela é “convidada” pelo meio a estar em constante processo de
desenvolvimento e aprendizagem, através da socialização com as demais, pelas brincadeiras,
observações e, principalmente, pelos estímulos que irão ou não ser oferecidos a ela. O homem
ao decorrer da sua história, construiu e aperfeiçoou a linguagem, pois ele precisava entender
os demais e se fazer entender, para que houvesse comunicação. Acredita-se que no início da
civilização humana, a comunicação era feita por gestos. Com a evolução da espécie, o homem
aperfeiçoou a comunicação onde o sistema fonador passou a ser usado, dando mais liberdade
e também favorecendo certas invenções como, rádio, televisão, telefone, ao ponto de
chegarmos à internet. Foi à necessidade de comunicação mais rápida que levou o homem a
aperfeiçoar os meios de comunicação.
A criança ouvinte utiliza muito os gestos para se comunicar, no entanto, à medida que
vai crescendo, adquirindo e aprimorando a linguagem, passa a usá-la. Para se comunicar. Já as
crianças surdas se comunicam usando as mãos, que a princípio pode ser apenas gestos e
mímicas. No entanto, dependendo do contato e da preocupação da família em inserir essa
criança no mundo letrado, essa comunicação irá se aperfeiçoar até se tornar LIBRAS (Língua
Brasileira de Sinais). Cabe à pergunta, por que a surdez causa tantas consequências às pessoas
se as mesmas possuem um canal de comunicação viso-manual, que permite uma comunicação
competente? As crianças nem sempre têm contato com a língua de sinais, desde pequenas.
Isso se soma ao preconceito que muitas vezes está na família, que demora a entender as
20
peculiaridades da surdez e tem dificuldade em aceitar e procurar apoio. Percebe-se que além
do problema orgânico, existe o social, onde muitos acreditam que esse é o mais preocupante o
mais prejudicial, no que diz respeito à aquisição e aprimoramento da linguagem.
Muitas são as discussões acerca da melhor maneira de inserir a criança surda no
mundo letrado e qual a melhor filosofia educacional que o professor deve utilizar, para letrar
essa criança, sem tornar um ensino distante da inclusão. Para que exista de fato comunicação,
é necessário haver integração entre os sujeitos, pois é na vivência em grupo que se dá a
manifestação dos nossos sentimentos, trocas de experiências e a exposição de nossos
pensamentos e ideias. Na comunicação das pessoas com surdez, faz- se necessária à existência
dessas relações, pois caso não haja não terá comunicação. Um sistema de signos que permite a
comunicação entre sujeitos pode ser chamado de língua, no entanto o método pelo qual a
criança vai adquirir e aprimorar seus conhecimentos vai ter implicações sobre diversos
fatores, pois a escolha da família será primordial no uso do método. Somado a isso, se a
criança é filha de pais ouvintes ou surdos, o ensino da criança não pode ser baseado em uma
imposição, mas sim no desenvolvimento mais adequado para essa criança absorver o
conhecimento já que cada ser é único em sua singularidade e aprende de maneiras
diferenciadas. Verifica-se, pois que o acesso da criança à escola não resolve sozinha o
conjunto avassalador referente ao atraso educacional que as pessoas com surdez têm em
comparação com as ouvintes. É, pois, coerente afirmar que, sem esse acesso pouco poderá ser
feito.
.
4.1.2 OS MÉTODOS E SUA ESCOLHA NA AQUISIÇÃO E APRIMORAMENTO DA
LINGUAGEM DA CRIANÇA SURDA
A proposta da educação bilíngue para as pessoas com surdez está pautada no uso e
valorização da língua materna da criança à LIBRAS como a primeira língua L1, e o português
como a segunda língua L2, é bom destacar a L2 como uma opção e não uma obrigatoriedade,
devendo se cobrado na modalidade escrita.
Carlos Skliar (2009, p. 10) ressalta que, desde a celebração da conferência da
UNESCO, em 1951, é axiomático que, ao se mencionar o caráter bilíngue de um projeto
educativo, seja reconhecido o direito que têm as crianças que usam uma língua diferente da
língua majoritária de serem educadas na sua língua. Por isso, a materialização de uma
educação bilíngue para surdos não é apenas uma decisão de natureza técnica, mas deve ser
politicamente construída tanto quanto sócio- linguisticamente justificada.
21
A questão do método a ser adotado para o surdo tem a ver não apenas no que diz
respeito à escolarização da criança, vai além, diz respeito à sobrevivência e a própria vida do
sujeito. Quando a escola é inclusiva e decide por um método, há de se saber se os surdos têm
voz de participação nas decisões. Sendo que a responsabilidade por ensinar o conteúdo fica a
cargo do professor que como foi destacado anteriormente precisa estar preparado para
trabalhar com as crianças surdas.
O Bilinguismo deve ser entendido como uma nova perspectiva, ou seja, como mais
uma possibilidade de integração do indivíduo ao meio social e cultural e não como tão
somente uma “tábua de salvação”. Se a escolha for essa deve ser feita de modo consciente. Na
verdade, é preciso primeiramente reconhecer as diferenças para que haja respeito e
valorização entendendo as limitações para não tornar a surdez um obstáculo social onde às
crianças fiquem isoladas, principalmente fora do ambiente escolar. Cabe ressaltar que,
independente do método utilizado e escolhido, é importante criar condições para os surdos se
desenvolverem e serem respeitados enquanto estudantes. A escola deve oferecer a esses
estudantes todo tipo de conhecimento. Segundo Goldfeld (2002), o bilinguismo se deu por
causa da insatisfação dos surdos com a proibição da língua de sinais, somado a isso aos
estudos linguísticos que reconheceu a LIBRAS como uma língua e não como apenas gestos
soltos. Foi a partir da década de 90 que a língua de sinais começou a ser implantado em
escolas e clínicas.
Já o método oralista tem por objetivo a integração do surdo a comunidade ouvintista,
ensinando a ele a língua oral de seu país. Nesse caso, a apropriação da língua oral não ocorre
de maneira natural, pois a criança com surdez severa e profunda fica impossibilitada de
adquirir a língua oral apenas por meio da convivência com os demais ouvintes, ela irá
necessitar de um acompanhamento fonaudiológico, o qual irá oferecer estimulação da língua
oral.
Goldfeld (2002, p. 90) considera que o atendimento baseado no oralismo, isto é, o
aprendizado da língua oral de forma sistematizada e ao longo de muitos anos não garante o
pleno desenvolvimento da criança surda e nem sua integração a comunidade ouvinte, já que
apenas o domínio dessa língua em hipótese alguma possibilita a equiparação entre pessoas
surdas e ouvintes. A criança constrói sua linguagem por meio de uma participação ativa, na
comunidade que ela está inserida, privilegiando as relações sociais e a qualidade das mesmas,
pois a construção da linguagem não é algo que se consegue individualmente, necessitando que
apenas coloque essa criança à exposição de uma língua. Se essa prática não tiver relação com
algum material concreto, fazendo sentido ao aprendizado, pode está fadada ao fracasso. A
22
parte auditiva dos surdos está adormecida, contudo a visão dos mesmos é extremamente
aguçada. Uma compensação da própria natureza, segundo os neurologistas que relatam ainda
sobre o cérebro, onde o lado esquerdo é responsável pela fala e o direito pela imagem. Isso
talvez explique uma peculiaridade do sujeito surdo, a formação de uma frase com
significação.
A arte de configurar as mãos juntamente com expressões faciais e corporais precisas
expressam a ideia ou sentimento e reproduzem nada mais do que a imagem do pensamento.
Como se fosse uma história em quadrinhos ou até mesmo um filme. A sequência da imagem é
colocada na frase. O que o surdo vê em primeiro, segundo, terceiro lugar e assim
sucessivamente, será o que ele irá sinalizar, se expressando como se estivesse dentro de um
cinema mudo. O que a primeira vista pode parecer simples, mas é de suma importância para a
comunicação das pessoas com surdez e principalmente na tradução da língua de sinais para o
português.
No que se refere ao domínio da língua escrita, é preciso considerar que a língua é
formada por conceitos que são expressos por palavras. Por exemplo, “bola”, “forte”, “andar”,
“calmamente” são palavras que representam conceitos. Quando uma palavra tem um conteúdo
semântico bem definido, como essas palavras acima, nós podemos chama-las de palavras de
conteúdo. O número de palavras de conteúdo de uma língua é enorme e em constante
processo de crescimento. Ex: quando nós queremos expressar um conceito que ainda não
existe em nossa língua, podemos criar uma palavra combinando duas palavras já conhecidas:
guarda + chuva = guarda-chuva, isto é, um objeto que guarda ou protege a pessoa contra a
chuva. Se a composição for boa às pessoas começam a utilizá-la cada vez mais, até essa
combinação se consolidar na língua. Esse processo de formação de uma nova palavra, a partir
de palavras antigas, é estudado no âmbito da morfologia e a consolidação da nova palavra no
repertório de uma comunidade de fala está relacionada ao que Saussure (1969) chamava de
convencionalidade da língua. O texto a seguir se refere ao texto de uma criança surda que está
no 5º ano do ensino fundamental. O referido texto está composto apenas por palavras de
conteúdo.
Texto: escorpião precisar atravessar rio falhar pode pedir sapo levar escorpião sapo
responder ter medo fazer conhecer escorpião saber matar picada fim travessia
escorpião responder evitar conhecer bem escorpião picar sapo morrer sapo escorpião
afogar lógico forte sapo aceitar proposta imediatamente começar travessia meio rio
escorpião morder sapo escorpião sapo afogar sapo assustado perguntar você fazer
morrer escorpião responder saber natureza mudar difícil. Disponível em
(http://www.escorpiao.vet.br/parabola.html. Acesso em 20 abr. 2013)
23
A dificuldade com o português faz com que o surdo não saiba usar muito bem os
recursos gramaticais da língua portuguesa. Esses recursos dariam maior coesão ao texto e
tornaria mais clara e explícita a ideia a ser comunicada. É difícil compreender a história em
toda a sua complexidade com clareza porque ela está composta apenas por palavras de
conteúdo. As palavras de conteúdo nos permitem acessar as informações centrais da história,
mas colocar simplesmente uma informação ao lado da outra não nos mostra qual é a relação
entre elas. Uma sequência linguística como no texto acima é extremamente falha em termos
de coesão. Isso significa que o receptor do texto acaba tendo que preencher as lacunas de
sentido, imaginando quais seriam as possíveis relações entre os conceitos, para fazer qualquer
sentido no texto.
Nesse sentido, a modalidade oralista exige que o surdo oralize, colocando assim a
língua oral acima das suas relações pessoais e até mesmo da sua aprendizagem por meio da
sua língua materna. No entanto, a criança surda depois de anos de tratamento com
fonoaudiólogo, pode conseguir fazer leitura labial, mas quando pensamos na abstração, nas
brincadeiras, das crianças pode ocorrer uma limitação, já que o oralismo não prioriza a
convivência nem tão pouco o uso e a valorização da LIBRAS.
A comunicação total veio para ampliar a visão de surdez e a “desobrigação” da
necessidade de oralização e valorizou a utilização de códigos espaços-viso-manuais, mas isso
não quer dizer que valorizou e reconheceu a LIBRAS como uma língua. Contribui para o
surgimento de códigos diferentes, pois o que importa para a comunicação total é priorizar a
comunicação dessas crianças com surdez. Percebe-se que é essencial que a criança esteja
envolvida em um contexto comunicativo, o qual irá estimular essa criança a criar suas
hipóteses sobre a língua. A essa comunicação mais solta com poucas regras pode ser
conhecida como português sinalizado, onde “a leveza” da língua de sinais não se faz presente,
o objetivo seria a facilitação do aprendizado da criança surda. Goldfeld (2002, p. 104) afirma
que as próprias comunidades surdas parecem não aceitar essa língua artificial, que em muitos
casos é motivo de deboche e desvalorização da pessoa que a utiliza, estando sempre
relacionada aos ouvintes e não aos integrantes da comunidade. Percebe-se também um
preconceito contra surdos que misturam o português com a língua de sinais, visto que ele não
deveria aceitar a imposição de contaminar sua língua.
Contudo, as pessoas com surdez buscam a valorização e o reconhecimento de sua
língua, pois a luta desse povo sempre foi pelo direito de usá-la para facilitar a aprendizagem,
24
para entender melhor o mundo o qual estão inseridos, pois sendo surdo severo ou profundo,
esses sujeitos, possuem um modo peculiar de perceber o mundo e as pessoas que os cercam.
No que diz respeito à educação das crianças surdas, deve ser pensado vários fatores
para que a aprendizagem ocorra. Por exemplo, se a criança conviveu desde cedo com algum
adulto surdo, se a mesma tem o domínio da Língua de Sinais, o apoio da família, da escola, a
oferta ou não do Intérprete de Língua de Sinais (ILS) para que seja pensado como se dará à
educação da criança surda. A família certamente irá fazer seus apontamentos sobre qual
método que irá escolher para educar essa criança.
4.2 INCLUSÃO: CONQUISTAS, DESAFIOS E RETROCESSOS
A história da raça humana se constrói por mudanças e avanços contínuos como na área
da tecnologia, da cultura e educação a qual vem se consolidando de forma fragmentada.
Discutir educação inclusiva e os direitos, de quem dela necessita infelizmente nos remete a
um triste cenário que se encontra ainda em construção, apesar de avanços inegáveis
conquistados pela luta social da pessoa com surdez e seu crescente reconhecimento e
legitimidade, de um povo, uma história, uma língua e uma cultura. A educação é um direito
fundamental do ser humano, sendo ele surdo ou não. Portanto, é esse direito que irá não só
potencializar os demais direitos conquistados como também reestruturar uma sociedade, tão
desigual e ávida por mudanças.
A vinda e oferta desses alunos á escola regular não significa necessariamente sucesso,
e sim o surgimento de um novo paradigma que inquietam estudiosos e profissionais da
educação. Na verdade “a página” da inclusão se encontra com muitas questões a serem
esclarecidas. Sendo assim, a escola necessita de uma ação planejada, voltada para a
conscientização não só da comunidade escolar, mas também dos familiares, a fim de superar
gradativamente a exclusão dos sujeitos com surdez, pois, sem esse suporte, a educação
inclusiva está fadada ao fracasso, ficando comtemplada apenas no papel.
A educação inclusiva não requer apenas recursos financeiros, mas faz necessário
repensar nas formas como será ofertado esse ensino a crianças com limitações há de se pensar
que o indivíduo, tem sua maneira peculiar de aprender, então não há como se exigir e querer o
mesmo desempenho de crianças tão diferentes em suas peculiaridades.
Então pensar no melhor método de ensino, requer uma reflexão mais profunda. Deste
modo o interesse dos surdos sempre esteve nas mãos dos ouvintes.
25
Cabe à escola oferta da língua de sinais á qual deve ser não só oferecida mais
valorizada como uma língua. Desta forma, o sujeito se sentirá envolvido no seu processo de
ensino – aprendizagem, sendo autor da construção de sua história no ambiente educacional. O
aluno precisa saber que possui os mesmos direitos como qualquer estudante e, principalmente,
como cidadão. As vivências e experiências de alunos surdos com ouvintes podem colaborar
para uma leitura de vida reconhecendo e descobrindo as habilidades pessoais e acompanhar os
ritmos tecnológicos, que afeta a vida em sociedade, na escola, na família.
Ainda sobre o papel da escola, deve-se destacar que a escola, não pode ser de
paternalista e assistencialista, mas sim oferecer recursos internos e educacionais para que
essas crianças possam construir sua dependência, se tornado construtores de seus saberes.
Neste sentido, pode-se afirmar que no que diz respeito à educação inclusiva existe uma
continuidade e descontinuidade, no plano da educação inclusiva, pois apesar da garantia à
classe regular ainda se discute a qualidade do ensino. Sendo a escola uma instituição, ela
possui um produto que é o educando e não os meios pelos quais esses educandos aprendem.
Se esses meios não estão sendo suficientes para que a aprendizagem aconteça, algo deve ser
feito, pois, segundo Paro (2011), só há ensino quando há aprendizagem. Para que os
educandos aprendam é preciso haver, antes de mais nada, motivação. Esse desejo que os
alunos surdos devem ter de aprender é o primeiro desafio da escola, a qual precisa do apoio
incondicional da família, pois a família não tem apenas o papel de acompanhar e auxiliar as
crianças nas tarefas de casa. O compromisso social deve ser assumido por todos. Esse prazer
em aprender deve ser construído pela escola em parceria, com a família numa interação
mútua.
Como a escola vai promover essa inclusão, as especificidades do trabalho docente
requerem uma teoria e prática articulada, onde a ação, reflexão e ação devem assumir os
pilares para uma boa prática pedagógica e comtemplar as necessidades e exigências dessas
crianças incluídas no sistema regular de ensino. À escola cabe também o trabalho de inclusão
dos alunos na sociedade e não apenas na escola. Visto que futuramente essas crianças estarão
à procura de empregos, buscando seu lugar dentro de um sistema de emprego cada vez mais
competitivo. Pensando assim, a escola não pode se furtar desse compromisso em trabalhar a
valorização e reconhecimento desse futuro profissional, o que implica um exercício de
cidadania. Todavia, os professores devem estar preparados não só para lidar com a falta de
recursos e materiais pedagógicos, mas também para lidar com as questões afetivas e
motivacionais. Exigindo deles (educadores) um olhar diferenciado e uma sensibilidade para
lidar com esses “empecilhos”. A autoavaliação do educador terá que fazer parte do seu fazer
26
pedagógico, pois são as perguntas que nos levam a construir e elaborar novas práticas. A
formação adequada e o preparo dos profissionais da área de educação contribuirá para um
atendimento melhor e, principalmente, enxergar e entender o surdo dentro de um contexto
sociocultural e linguístico diferenciado.
O marco normativo oficial da política educacional brasileira, a Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional, Lei 9.394/1996 trata a educação como direito inalienável,
enquanto “direito social proeminente, como pressuposto para o exercício adequado dos
demais direitos sociais, políticos e civis” (cf. BRASIL, 2011). A educação dos surdos deve
estar pautada em uma educação libertadora, com a inclusão social, pois o ensino precisa ser
ofertado não apenas para os sujeitos aprenderem a ler e escrever, mas formar cidadãos
capazes de reescrever suas histórias como atores sociais para saírem de suas injustas situações
de exclusão e desta forma, buscar autonomia em sua comunidade, em respeito às lutas e
afirmações de um povo, uma história.
4.2.1 O PAPEL DA FAMÍLIA NA ACEITAÇÃO E CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE
SURDA
Quando um casal pensa em ter filhos, logo já começa a visualizar em pensamento
como seria essa criança, que nome daria se for menina ou menino, em qual escola a criança
irá estudar. Enfim, começam a pensar no futuro dessa criança antes mesmo de estarem
“grávidos”. Poucos, porém pensam e planejam como será o futuro desse sujeito se o mesmo
tiver uma deficiência, ao não ser é claro que já tenha outro caso na família. No entanto, após o
nascimento se ficar constatado que a criança é surda, a família á princípio leva um “susto”,
alguns já podem conhecer alguém surdo ou ter na família alguma pessoa com surdez, no
entanto há aqueles que pouco sabe sobre surdez e como lhe dá com tal questão. No primeiro
momento, bate a insegurança e, talvez, até o desespero, pois ambos, pai e mãe se preparavam
para receber uma criança ouvinte na maioria dos casos... O que fazer? Quem procurar? Como
se comunicar com essa criança? Como inseri-là no mundo cheio de transformações e
estímulos, um mundo onde mal conseguimos “digerir” uma informação e outra logo surge.
Esses e outros questionamentos certamente durante algum tempo irá ocupar a cabeça dos pais,
na tentativa de preparar o filho para um mundo que se transforma a cada descoberta, na área
da ciência e tecnologia cada vez mais avançada. Deste modo, não cabe apontar “fórmulas
mágicas” de como os pais devem lhe dar com a situação, mesmo porque as fórmulas não
existem, o que existe são apontamentos, os quais partem sempre de uma indagação, pois não
27
há verdade absoluta, há dúvidas e suposições, para quem tem uma criança com surdez isso a
princípio pode parecer desesperador, pois faz parte da natureza humana o imediatismo que
muitas vezes, queremos e buscamos para soluções rápidas com o intuito de suprir, nossa falta
de informação e desconhecimento do assunto. Alguns apontamentos são válidos: como, os
pais precisam ir à busca de conhecimentos e orientações não para a cura da surdez, a qual é
irreversível, a não ser em caso de um implante coclear, mas mesmo assim caso os pais
decidam por fazê-lo é preciso informações sobre os riscos de uma cirurgia, e principalmente
se os prováveis benefícios valem os ricos. Perceber que o professor não é o único mediador da
criança surda com o mundo, reconhecendo a limitação imposta pela surdez, mas apoiando
essas crianças a fim de incluí-las na sociedade. Procurar informações sobre as possibilidades
profissionais das pessoas com surdez bem como a inserção das mesmas no mercado de
trabalho.
Aos pais cabem estar atentos quanto ao direito dos filhos, os quais devem ser incluídos
no sistema regular de ensino, o que não significa apenas a convivência com os alunos
ouvintes, mas significa se apropriarem verdadeiramente do conhecimento, propiciando o
desenvolvimento cognitivo, emocional, social e linguístico para que a inclusão seja
considerada uma prática e não apenas uma utopia. Os pais são importantes para a
comunicação com essa criança surda, pois cabe aos mesmos se apropriarem da LIBRAS para
que a partir daí consiga essa interação. Não se pode falar de uma língua, sem ao menos
“experimentá-la” mesmo porque com a ajuda dos pais essa criança terá mais confiança e
naturalidade não só para aprender mais aprimorar a sua linguagem. Se a criança não percebe a
valorização, respeito e reconhecimento da LIBRAS, dentro do lar, terá mais dificuldade e até
menos interesse em se apropriar dessa língua, para os pais cobrarem da escola um ensino de
qualidade da criança com surdez é necessário saber como esse ensino é oferecido, quais são
os direitos da criança, o que a (BRASIL, 2011, BRASIL, 2012, BRASIL, 2012a) tem a dizer
quanto aos direitos educacionais da pessoa com surdez, não se pode cobrar aquilo que não se
conhece. É direito do aluno surdo ou ouvinte estudar em um ambiente que não só propicie
como oportunize o desenvolvimento cognitivo, emocional, interpessoal, social e linguístico
entre outros. Por esse motivo, a informação dos pais sobre o que a escola pode e deve oferecer
enquanto espaço social “vivo” de relações é de suma importância.
É preciso que a escola pense com mais seriedade como “aproximar” as crianças surdas
das ouvintes, pois os surdos não podem enxergar os ouvintes como rivais, formando guetos,
se isolando. Ambas as partes podem e devem aprender uma com a outra. Esse termo
“comunidade dominante ouvintista” deve ser superado e abolido, pois ninguém deve dominar
28
ninguém, pois fazemos parte de uma sociedade multicultural. Precisamos desenvolver a
solidariedade, o respeito às diferenças e à tolerância. Só assim, conseguiremos a efetiva
promoção da igualdade entre os sujeitos independente da sua língua, limitação e singularidade
os surdos precisam de igualdade de oportunidades. Esse direito só será conquistado se o
direito de não ser discriminado for valorizado e respeitado pelos demais, principalmente por
fazer parte de um povo, uma história de lutas e conquistas, de uma língua diferente e porque
não dizer de um jeito diferente de ser.
Até aqui alguns direitos foram adquiridos porque foram precedidos de lutas e
mobilizações. Não tem sido diferente com os sujeitos surdos, as conquistas tem sido
alcançadas, devido às cobranças que os mesmos tem feito à sociedade e ao governo. O direito
de estar no ambiente educacional frequentando a sala regular, já foi conquistado. Agora a luta
é garantir o aprendizado. Para tanto, a escola deve assumir o compromisso de criar um espaço
democrático de aprendizagem, onde todos consigam aprender independente das limitações
que possuem. São diversos os fatores que excluem as crianças surdas da escola. Alguns estão
intimamente ligados a problemas extraescolares, como por exemplo, o nível socioeconômico,
a motivação, a falta de apoio da família, o pré-conceito, entre outros. No entanto, quando essa
criança consegue chegar e fazer parte do ambiente educacional, o compromisso do professor
enquanto educador vai além, passa pelo social e pela ética. Nesse sentido, faz necessário o
educador pensar em estratégias de ensino e repensá-las, para garantir não só o aprendizado,
mas a permanência desse educando, o aluno deve perceber que está avançando, o incentivo
deve partir não só do educador, mas da família no intuito de estimular o engajamento do
estudante no que diz respeito à aprendizagem. A família tem o direito de ser informada sobre
o avanço do educando e orientada também sobre qual profissional da área da saúde que está
habilitado para acompanhar, apoiar e orientar os pais há possíveis intervenções médicas,
como otorrinolaringologista, psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo, o professor deve ter
esse olhar, pois alguns pais não sabem a que profissional recorrer.
Segundo Quadros (2011, p.37), a maioria das crianças surdas adquire a linguagem por
meio da língua de sinais, antes de seus pais. As crianças surdas que estão no período crítico de
aquisição da linguagem e em contato com sua língua apresentam rápida evolução na
compreensão e na expressão. O vocabulário e a construção sintática de muitas crianças surdas
são superiores aos de seus pais ouvintes.
Os professores devem passar segurança aos pais para que os mesmo fiquem tranquilos
quanto à intervenção, o compromisso do professor em relação ao ensino inclusivo, pois a
partir do momento que a escola se diz inclusiva, ela precisa “abraçar” a inclusão, que perpassa
29
pelo social, ética e pelo compromisso dos gestores que deve incentivar os professores à
formação continuada. A educação da criança surda deve ser compromisso de todos para
precisam passar maior tranquilidade para os pais perceberem que da mesma forma que uma
criança ouvinte se insere no mundo da oralidade, a criança surda poderá se inserir no mundo
dos sinais (LIBRAS).
Há muito, a educação dos surdos esteve nas mãos dos ouvintes, entretanto, é tempo do
surdo ter o direito de opinar sobre a sua educação. A família, a escola precisa trabalhar em
conjunto para esse direito ser conquistado, respeitado e cobrado, mas é necessário que as
pessoas com surdez conheçam seus direito. Nesse caso, a escola tem responsabilidade, como
espaço social deve tomar para si essa ação, para instruir o sujeito com surdez para que os
mesmos além de beneficiários assumam o papel de protagonistas da democracia brasileira,
pois somos todos “povos”, filhos de uma só nação. Educação libertadora, de um povo em
busca de autonomia pessoal, autonomia de sua comunidade, para que possam ser atores
sociais. Entretanto, verificou-se que isso ainda hoje não acontece preparar as crianças surdas
para o pleno desenvolvimento de suas capacidades pessoais, bem como os desafios que
poderão encontrar em sua trajetória acadêmica é um compromisso e desafio, que deve ser
pensado, planejado e assumido pela família e escola, pois essa parceria deve existir para “unir
forças”, pois o sujeito surdo não necessita de uma escolha de acolhimento e sim de
conhecimento, onde o seu cognitivo seja desenvolvido, valorizado em um ambiente
estimulante para conquista de sua autonomia enquanto pessoa, enquanto estudante e enquanto
cidadão, opinando e reconhecendo seus direitos, que foram negados por mais de um século.
Desta forma, entende- se que tanto a escola quanto a família tem o dever de preparar a
criança surda para a vida em sociedade. Portanto, há de se pensar que essa preparação requer
um aprendizado de um código de comunicação para que a mesma, além de conseguir se
inserir na realidade sociocultural, tenha condições de reconhecer e cobrar seus direitos
enquanto cidadã participativa.
4.2.2 O QUE GARANTE A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA NO INGRESSO DO
SUJEITO SURDO NA REALIDADE SÓCIOCULTURAL
Apesar de ser um direito público e subjetivo o acesso o acesso à educação juntamente
com a qualidade ainda constitui um desafio, no entanto quando nos referimos à educação
inclusiva, esse desafio tende á ser maior, não só no que diz respeito à qualidade, mas
principalmente à oferta e permanência dessa criança na escola. É possível perceber que a
30
escola não consegue oferecer o suporte básico para que a inclusão aconteça de fato, nesse
caso o envolvimento da família, a participação, o compromisso com a educação do filho o
conhecimento sobre os diretos irá ajudar os pais na cobrança de uma educação de qualidade,
dessa forma tentando articular novos arranjos sobre á inclusão, pois a luta pelo direito à
educação à qual vai estar ligada ao direito de qualidade de vida e de convivência com os
demais.
O artigo 7 da Constituição da República Federativa do Brasil (BRASIL, 2012), trata
dos direitos das crianças com deficiência, devendo esta ter igualdade como as demais
crianças:
Os estados partes tomarão todas as medidas necessárias para assegurar às crianças
com deficiência o pleno exercício de todos os direitos humanos e liberdades
fundamentais, em igualdade de oportunidades com asa demais crianças. [...] Os
Estados partes assegurarão que as crianças com deficiência tenham o direito de
expressar livremente sua opinião sobre todos os assuntos que lhes disserem respeito,
tenham a sua opinião devidamente valorizada de acordo com sua idade e
maturidade, em igualdade de oportunidades como as demais crianças, e recebam
atendimento adequado à sua deficiência e idade, para que possam exercer tal direito.
(art. 7, BRASIL, 2012)
Já o artigo 8, também da Constituição Federal, prevê ações imediatas para atender as
crianças com necessidades como é o caso da surdez além de incluí-las socialmente, todavia,
isso não ocorre na prática.
Os Estados partes se comprometem a adotar medidas imediatas, efetivas e
apropriadas para conscientizar toda a sociedade, inclusive as famílias, sobre as
condições das pessoas com deficiência e fomentar o respeito pelos direitos e pela
dignidade das pessoas com deficiência; [...] Promover a conscientização sobre as
capacidades e contribuições das pessoas com deficiência. (art. 8, BRASIL, 2012)
Para que a equidade entre surdos e ouvintes exista é necessário que se entenda que
somos diferentes em diversos aspectos, sociais, culturais entre outros, a diversidade estará
sempre presente, pois os sujeitos surdos ou não constrói sua subjetividade convivendo e
fazendo parte de uma pluralidade de existências. No entanto, a proposta da inclusão não deve
permitir apenas o acesso democrático no ensino regular, mas principalmente a troca de
experiências entre crianças surdas e ouvintes à qual irá promover desafios que irão interferir
tanto no comportamento escolar, quanto na sociedade.
A escola deve promover ações que resulte uma construção coletiva incluindo
estratégias de aproximação entre crianças surdas e ouvintes. Pois de nada vale os direitos
adquiridos se estes não forem colocados em prática.
31
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (cf. BRASIL, 2011 )
prevê no capítulo V a educação especial:
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta lei, a modalidade de
educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para
educandos portadores de necessidades especiais.
§1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular
para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.
§ 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços
especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for
possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular.
§ 3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na
faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil.
No seu artigo 59, verifica-se que a Lei assegura aos educandos com necessidades
especiais os seguintes direitos:
I-Currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para
atender ás suas necessidades;
II- Professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para
atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados
para a integração desses educandos nas classes comuns;
Já o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (BRASIL, 2012a), desde a sua
criação, em 13 de julho de 1990, é de referência mundial como legislação destinada a proteger
a juventude. Fruto de um extraordinário processo de mobilização social e política, que
envolveu representantes do legislativo, do mundo jurídico e do movimento social, este
ordenamento legal adota a chamada Doutrina da Proteção Integral, concepção que é à base da
convenção Internacional dos Direitos da Criança aprovada pela Assembleia Geral da
Organização das Nações Unidas em 20 de novembro de 1989.
Mais de vinte anos após sua promulgação, no entanto, o estatuto ainda não foi
plenamente implantado no país. Para que isso ocorra, é necessário que seus fundamentos
sejam compreendidos e praticados em todos os municípios brasileiros.
4.3 A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DA CRIANÇA SURDA: DESAFIOS PARA OS
CAMINHOS DA APRENDIZAGEM
É de suma importância conhecer e entender a história dos Surdos bem como os
métodos usados para inserção dos mesmos no mundo letrado. Os Surdos sempre travaram
batalhas para serem aceitos e respeitados como seres humanos pela afirmação da sua
identidade, sua cultura e língua.
32
Segundo Guarinello (2007, p. 20) “no Egito acreditava-se que os Surdos
faziam mediações entre os deuses e os faraós, eles eram adorados, temidos e
respeitados pela sociedade. Na antiguidade, os chineses lançavam as crianças surdas
ao mar, por acreditarem que essas mesmas não tinham alma. Já na Grécia, os surdos
eram vistos como seres incompetentes Aristóteles acreditava que os que nasciam
surdos, por não possuírem linguagem não eram capazes de raciocinar e aprender.
Essa ideia fazia com que na Grécia os surdos fossem marginalizados e esquecidos,
não tendo direitos como cidadãos, não podendo ter propriedades e nem reclamar
herança (a não ser que conseguissem falar)”.
Ainda de acordo com Guarinello (2007), foi na idade moderna que se começou a
pensar e a enxergar a pessoa surda como alguém com capacidade cognitiva. Através de um
monge católico da ordem dos beneditinos, Pedro Ponce de Leon, teve início o trabalho com
crianças surdas, fundando em Madri uma escola para surdos. Ele começou a ensinar as
crianças surdas filhos de nobres, mas com a preocupação de que esses filhos não perdessem
seus privilégios. Percebe-se então que o interesse maior em ensinar os surdos era tão somente
financeiro.
Segundo Honora (2009), foi após a Revolução Francesa e, no decorrer da Revolução
Industrial, que começou a disputa entre os métodos oralistas e os baseados nos gestos. Nesse
meio tempo, Jean Itard foi o primeiro médico a se interessar pelo estudo da surdez e seus
aspectos. Ele utilizava métodos como: carga elétrica, sangramentos com sanguessugas,
perfuração de tímpanos e outros. Muitas vidas foram sacrificadas em nome da ciência. No
palco dessa disputa, para definir qual o melhor método acontece um grande movimento de
pessoas que ocorre em 1830, dando assim margem para que em 1834 fosse criado por dez
pessoas surdas um comitê o qual foi liderado por Berthier, nascendo assim o movimento
surdo. Foi à época de “claridade”, onde as pessoas surdas começaram a tomar conta de suas
vidas, entendendo e lutando pelos seus direitos. No entanto, não sessaram os desafios que
persistem até hoje.
4.4 SURDEZ E SUAS IMPLICAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DA
CRIANÇA SURDA NO PROCESSO DE LETRAMENTO
A audição possui um importante papel no equilíbrio emocional e na orientação
espacial do indivíduo, pois os órgãos do sentido captam excitações externas as quais ficam
comprometidas, alterando o nível de vigilância. Quando o sujeito possui surdez severa ou
33
profunda. A saber, são considerados surdos aqueles que apresentam perda auditiva severa e
profunda. Já os considerados com déficit auditivo, aqueles que apresentam perda auditiva de
leve à moderada, ou seja, não são totalmente surdos. Muitas das vezes nesse caso, o aparelho
auditivo é recomendado para facilitar a ampliação sonora que ajuda na percepção da voz
humana.
Para facilitar o entendimento do leitor deste trabalho são apresentados três quadros o
primeiro um comparativo entre a qualidade do som e sua tolerância, o segundo o grau de
severidade da pessoa com perda auditiva e o terceiro com a classificação de perdas auditivas
quanto ao grau.
Quadro 01-Tolerância do som e qualidade
DECIBÉIS (db)
QUALIDADE DO SOM
0 – 20
21 – 40
Muito baixo
Baixo
41 – 60
61 – 80
Moderado
Alto
81 – 100
101 – 120
Muito alto
Ensurdecedor
+ 121
Intolerável
Fonte: Carmozine (2012, p.28)
TIPO DE RUÍDO
Farfalhar das folhas, piar do pássaro.
Gotejar da torneira, sussurro, tique-taque
do relógio.
Conversação normal, fonemas da fala.
Choro do bebê, latido do cachorro,
trânsito.
Cortador de grama, motor de moto.
Turbina de avião, helicóptero, ruído de
show.
Tiro, bomba, britadeira.
Quadro 02-Graus de severidade da pessoa com perda auditiva
Graus de Severidade
audição normal
deficiência auditiva leve
deficiência auditiva
moderada
deficiência auditiva Severa
deficiência auditiva profunda
Fonte: Carmozine (2012, p.28)
Limiares
entre 0 e 24 dB
entre 25 e 40 dB
entre 41 e 70 dB
entre 71 e 90 dB
acima de 90 dB
Graus de Severidade
audição normal
deficiência auditiva leve
deficiência auditiva
moderada
deficiência auditiva Severa
deficiência auditiva profunda
34
Quadro 03-Classificação de perdas auditivas quanto ao grau
Graus de Severidade
audição normal
deficiência auditiva leve
deficiência auditiva moderada
deficiência auditiva Severa
deficiência auditiva profunda
Fonte: Carmozine (2012, p.29)
Limiares
entre 0 e 24 dB
entre 25 e 40 dB
entre 41 e 70 dB
entre 71 e 90 dB
acima de 90 dB
Desde muito cedo, aprendemos a diferença básica entre os homens e os outros
animais, que é justamente o domínio da linguagem e da fala, pois por meio da linguagem se
dá o domínio de novas descobertas nas áreas da ciência e tecnologia, onde os saberes vão
dando lugar às novas ideias e invenções, pois o homem não precisa partir do zero. Ele segue a
uma linha, as suas descobertas ficam registradas, vão se aprimorando conforme estudos. Já os
animais são diferentes; seus filhotes precisam sempre aprender do zero, pois nada conseguem
registrar, por não possuírem um código linguístico. Só nós humanos temos cultura e não
precisamos reinventa-la, pois a produzimos pelos símbolos, uma vez que sabemos do passado
pela linguagem. Estamos inseridos no mundo da linguagem e das representações simbólicas,
como por exemplo, a escrita, a artes em geral, por isso, não somos apenas seres biológicos e
sim sociais, cujas heranças genéticas só se manifestam por causa do contexto social. Percebese que o grau de comprometimento em dB, da criança surda vai fazer muita diferença em seu
aprendizado e, principalmente, se a criança nasceu surda ou ficou surda após adquirir a
linguagem. Soma-se a isso o fato dos pais serem ouvintes ou surdos e usuários da língua de
sinais.
Segundo Sousa (2011) há diferentes formas de hipoacusia.
1) Hipoacusia Ligeira, em que a pessoa só consegue ouvir sons acima dos 20 a 40 dB, tendo
dificuldade na audição de sons distantes, não ouvindo todos os fonemas nem voz baixa um
pouco distante”. É requerido, de um modo geral, o uso da prótese, terapia da fala e, às vezes
ensino especial para apoio às aprendizagens da leitura e escrita. (SOUZA, 2011, p. 71)
2) Hipoacusia Média em que o limiar mínimo da audibilidade se situa entre os 40 e os 70 dB,
o que apenas permite ouvir voz pronunciada com certa intensidade e causa problemas de
articulação verbal e de atraso na fala. Para além da prótese adequada, é necessária terapia da
fala, Ensino Especial e um sistema de amplificação (SUVAG, por exemplo) na classe em que
35
a criança estiver integrada com crianças sem problemas aditivos para poder ouvir o professor.
(SOUZA, 2011, p. 71)
3) Hipoacusia Severa, em que só consegue distinguir sons com intensidade superior a 70-90
dB. Embora consiga ás vezes, entender uma ou outra palavra, quando lhe é dirigida muito
forte, não consegue estabelecer relação verbal, pois que não ouve o que lhe dizem em
intensidade normal nem consegue emitir fala inteligível. Para além da prótese adequada, terá
necessidade de terapia da fala, de apoio diário de Ensino Especial para sua integração no
ensino normal e de sessões de Reeducação Psicomotora. (SOUZA, 2011, p. 71)
4) Hipoacusia Profunda, quando o limiar mínimo de audição se situa acima dos 90 dB.
Apenas consegue ouvir ruídos muito fortes, não sendo capaz de ouvir nem articular palavras.
Ainda, segundo Sousa (2011), a Surdez classifica-se em função da perda tonal média na
condução aérea sobre as frequências 500, 1000 e 2000 Hz do melhor ouvido, sendo as
frequências não percebidas cotadas a 120 dB. (SOUZA, 2011, p. 71)
Nota-se que, nos casos de hipoacusia ligeira, a criança consegue perceber palavras,
mas certos elementos sonoros escapam-se-lhe, o que faz com que cometa confusões fonéticas.
Já nos casos de deficiência auditiva média, o limiar vocal está ao nível da intensidade da
palavra normal, mas abaixo do limiar de compreensão e de diferenciação e muito longe do
limiar de apreensão correta, mas se a criança for muito dotada, poderá iludir os pais durante
muito tempo graças á leitura labial e as crianças com hipoacusia ligeira ou média, com
próteses auditivas, conseguem seguir uma escolaridade normal.
E, por fim, nos casos da deficiência auditiva média ou profunda, a palavra não é
percebida, sendo indispensáveis a prótese auditiva e a leitura labial, pois que na ausência de
educação especial a criança será surda. Percebe-se então que a partir do comprometimento
auditivo da criança, que se deve pensar na educação e estimulação da mesma, no caso de pais
surdos, a LIBRAS será a primeira Língua. No entanto, se os pais não forem surdos e não
tiverem contato com LIBRAS, há de se pensar como será o letramento dessa criança. Terão os
pais que aprender LIBRAS?
A percepção de mundo dessas crianças será diferente, bem como o modo de vida e
aprendizado. A questão é como fazer para construir esse crescimento, uma vez que nós
aprendemos por meio dos sons e também das imagens, as quais nos dias atuais dizem muito.
As crianças experimentam diretamente várias formas de comunicação, verbal ou não
36
deixando suas mentes vagar livre, ficando assim aberta para revelar suas aprendizagens. Não
existe verdade absoluta de como a criança deve aprender. Ela própria “irá dar pistas”. Para
tanto, a ela deve-se oferecer várias formas, despertar a sua curiosidade e aguçar- lhe a visão
para que olhem para o mundo de maneira livre, construindo seu aprendizado.
Uma pessoa quando aprende a falar ela passa a compreender melhor o mundo. No
começo, talvez ela não esteja certa de que “esse negócio de linguagem” funcione de verdade,
não conseguindo ainda transmitir suas emoções e pensamentos, neste caso, estamos pensando
em uma pessoa que pode ouvir. A curiosidade da criança é um “estimulante natural”. Elas
aprendem também independentemente por interesse e uma investigação que é própria da
criança, se familiarizando com o mundo se sentindo parte dele. A criança surda vai precisar de
material concreto, para aquisição da leitura e escrita, onde deve ser apresentada a imagem
juntamente com a escrita de acordo com a série da criança, seria interessante, se a
apresentação, fosse inserida dentro de uma pequena frase. Sousa (2011, p. 110) considerando
que a escrita é um registro gráfico da fala e possuindo a criança problemas auditivos e
consequentemente da fala, é natural que venha a demonstrar também dificuldades na
aquisição da leitura. A metodologia empregue deverá associar o som de cada palavra à
imagem de que ela é significado e à imagem gráfica, ou seja, apresentar à criança a palavra
escrita, o desenho do objeto que ela domina e repetir-lhe oralmente o seu som várias vezes
pedindo para ela fazer o mesmo.
Nesse sentido, é essencial o envolvimento do aluno, pois dessa maneira ele irá
conseguir elaborar suas hipóteses sobre a escrita e com tempo criando suas próprias
estratégias. Deve-se lembrar de que a qualidade da interação com as crianças será essencial
para a construção das hipóteses. Assim ela se sentira envolvida e acolhida, terá mais
segurança e capacidade para participar do processo pedagógico e transformando o meio em
que vive. Dessa forma, a criança vai gerando suas estratégias, a partir da interação com as
demais. No entanto, esses caminhos devem ser oportunizados e criados pelo educador que
deve estar atento ao comportamento dos estudantes para agir de maneira ativa a fim de
favorecer e até aprimorar as possibilidades, desta interação e torná-la real, de modo que os
indivíduos se entendam e se façam entender, pois surdos ou não nascemos sociais e não
deixamos de ser sociais quando nos tornamos sujeitos de nossas histórias. Sem comunicação,
não há interação nem tão pouco participação efetiva na sociedade e com a sociedade.
Há de se destacar a necessidade de se ter um olhar diferenciado na vivência desses
alunos, surdos e ouvintes, pois, quando a criança não consegue interagir, ela tende a se isolar,
o que gera não só um obstáculo na aprendizagem, mas também pode desenvolver problemas
37
de comportamento e até mesmo alguns distúrbios de aprendizagem como, desatenção,
agressividade e hiperatividade, ficando assim a criança submetida ao isolamento social. A
educação deve primar não só pela construção de práticas pedagógicas, mas pela dignidade
humana, em respeito às diferenças, de ser e aprender e trabalhar em prol de promover o
afastamento de todo e qualquer tipo de discriminação, de opressão e vitimização, que são
violências contra o sujeito, pois surdos ou não todos têm o direito de aprender em ambientes
pacíficos, para que se faça valer e aconteça o direito de aprender e de se “transformar”, pois o
aprendizado é uma transformação. Deve a ele ser facultado o direito de aparecer como sujeito,
de participar, onde cada estudante consiga se expressar de maneira livre de modo que a
singularidade e particularidade dos sujeitos surdos, em aprender seja, reconhecida, respeitada
e garantida.
Trazer as crianças surdas para o ambiente escolar não constitui o único desafio, mas
também mantê- las na escola até que se consiga concluir os níveis de ensino na idade certa, o
que constitui um direito das crianças. O educador não pode “ignorar” os sujeitos no que diz
respeito à aprendizagem, isso é, não aceitar as diferenças e transformar a educação em uma
violência silenciosa, pois esses alunos precisam estar incluídos dentro do processo de
aprendizagem com pilares para a transformação e viabilização das interações com intuito de
conseguir a humanização. O aprendizado deve acontecer nas relações de uns com os outros
surdos e ou ouvintes e jamais sob ou outros. Esse papel de atuar nas mudanças a favor de uma
educação para todos, compete aos atores que participam efetivamente do ambiente escolar.
A inclusão não deve ser considerada em apenas números de estatísticas,
desconsiderando o indivíduo, ou seja, é necessário se repensar em um método que tenha o
objetivo de trazer às possibilidades de aprimoramento da leitura e escrita do indivíduo surdo,
em uma nova direção. Desta forma, a educação estará cumprindo seu papel de redentora das
possibilidades e oportunidades de uma educação voltada para autonomia, experimentando
uma verdadeira aventura intelectual, pois é por meio da leitura e escrita que se consegue não
apenas transmitir mais articular o conhecimento, promovendo a motivação e “desafiando” a
mente do educando provocando-o.
Ainda segundo Sousa (2011, p. 111), a criança ouvinte, muitas vezes, aprende a leitura
compreendendo a mecânica da descodificação escrita-fala, mas sem ter compreensão do
conteúdo semântico do que lê, a criança com dificuldades de audição terá ainda mais
dificuldades em chegar à compreensão. A sua pobreza de vocabulário, o desconhecimento da
estrutura sintática e as grandes dificuldades em relação ao código fonológico levantam sérios
obstáculos a uma boa aquisição da leitura. Ainda segundo o autor, mais do que em qualquer
38
outra situação, é importante que antes de dar início à aprendizagem da leitura com uma
criança com dificuldades auditivas. O professor deve se certificar que ela tem já bem
adquiridos e consolidados os pré - requisitos necessários para tal. Em caso de qualquer
dúvida, deve-se consultar o psicólogo, jamais se iniciando qualquer aprendizagem da leitura e
escrita se a criança ainda não possuir capacidade para tal. Portanto, é notário que no processo
de aprendizagem das crianças com surdez, a escola não pode ser benevolente e negligenciar a
construção da motivação, que se encontra “dentro” de cada sujeito no processo de ensinoaprendizagem. A motivação em aprender o a ler e escrever pressupõe uma motivação pessoal
e se resume em um desafio que a mesma tenta vencer, em para agradar á família ou a
competitividade com os demais colegas ou até mesmo conquistar sua autonomia apropriando
e aprimorando sua leitura. A criança precisa de um sentido para continuar sua busca. No
entanto, a falta de motivação não deve ser imputada à falta de inteligência. Todos são capazes
de aprender a aprender, superando os desafios e limitações que são impostos pela deficiência
auditiva. Portanto, não basta apenas inserir essas crianças surdas, no contexto escolar, mas
garantir que elas aprendam e contribuir de forma para a reconfiguração e relações das crianças
no espaço educacional, pois não cabe ignorar o contexto e o modo peculiar que as crianças
surdas aprendem, incluindo-as no processo educativo no intuito de mediar para transformar as
relações das mesmas, consigo e com os outros. Segundo Markku Jokinem (2009, p. 107), os
surdos não veem a surdez como uma doença, como um fenômeno negativo, algo que deveria
ser removido de uma forma ou de outra. Pelo contrário, os próprios surdos ligam o conceito
de surdez a conceitos como língua, comunidade, identificação com os outros, grupos de
colegas, cultura, história, tradição, narração de histórias, encontros sociais, luta por seus
direitos linguísticos e civis e muito mais.
4.5 INTÉRPRETE DE LÍNGUA DE SINAIS (ILS): QUAL O PAPEL E ATRIBUIÇÕES
DESSE PROFISSIONAL NO ESPAÇO ESCOLAR: CO-DOCÊNCIA OU AUXILIAR
PEDAGÓGICO?
A permanência desse profissional irá propiciar e assegurar uma aprendizagem mais
significativa e consistente, das crianças com surdez? A garantia o direito da acessibilidade da
comunicação vai ajudar a inserir a criança surda no processo de letramento? Essas e outras
inquietações deve fazer parte da escola inclusiva, na tentativa de repensar a forma de ensinar,
principalmente no que diz respeito ao trabalho do intérprete e do professor, pois elaborar
estratégias, projetos, pensar em metodologias bem como propor as mudanças necessárias e
39
pensar em um desenvolvimento adequado deve ser ações assumidas e feitas pelo professor e o
intérprete educacional.
O papel do professor não se resume em apenas acompanhar e orientar o trabalho do
intérprete faz necessário que o mesmo elabore as atividades junto com o intérprete, que deve
fazer as devidas adaptações quando achar pertinente. Promover, incentivar e divulgar a
LIBRAS, dentro da sala de aula deve ser um trabalho feito e pensado, não só pelo intérprete
mais pelo professor.
Se há falta de intérprete nas escolas inclusivas, sobram dúvidas quanto ao papel do
mesmo em sala de aula, há de se pensar também que algumas crianças surdas que chegam á
escola sem conhecer Língua de Sinais, no entanto se o intérprete insistir em interpretar, antes
da criança ter “afinidade” com a língua o recurso pedagógico estará fadado ao fracasso, dessa
forma invertem-se os papéis, o intérprete terá que atuar também como professor, ajudando
esse aluno a conhecer LIBRAS, no entanto é válido lembrar que a responsabilidade pelo
aprendizado do aluno é de responsabilidade dos dois profissionais, os quais devem trabalhar
em parceria.
É sabido que o ser humano possui uma capacidade maravilhosa de mudar e adaptar
seu mundo segundo suas necessidades e seus interesses, isso o revela como um ser dinâmico
nas suas interações e reforça a ideia que a cultura é algo que pode ser “reinventada” a
socialização sempre estará em construção ela nunca se completa. Dessa forma, a inclusão
depende também de um compromisso social assumido não só pelo professor, mas sim pela
escola como um todo.
Esperar que todos saibam LIBRAS para se comunicarem com os surdos é uma”
ficção”. No entanto, preparar as crianças para que as mesmas construam sua autonomia, e
enfrentem essa “barreira da comunicação”, é uma responsabilidade dos agentes da escola,
pois o intérprete educacional nem sempre vai estar ao lado dessa criança, até mesmo na
escola, no entanto o seu papel não pode se o de uma “bengala”, e sim trabalhando com o
objetivo, de valorizar e aprimorar as potencialidades dos sujeitos surdos, para uma construção
de dependência e autonomia dos estudantes surdos.
Se a escola é um espaço “vivo de relações” é fato que irá existir conflitos. No entanto,
quando se fala em inclusão não se pode pensar que essa irá acontecer de uma maneira
harmônica e tranquila, pois somado á essa provável falta de harmonia poderemos ter aspectos,
sociais, culturais e até biológico, é preciso considerar como será esse controle dos conflitos,
como acontece e de que maneira se pode trabalhar para gerenciá-lo, pois não se pode acabar
com os conflitos, pois os alunos estão em processo de aceitação, afirmação e pertencem a
40
famílias diferentes, pressupõe que tiveram uma educação diferente, daí a importância do
trabalho em equipe, entre professor e intérprete educacional. De certa forma, os conflitos são
importantes, pois pode servir não só para prevenir mais para educar esses futuros cidadãos,
evitando conflitos ainda maiores e causando a exclusão e não aceitação dos sujeitos surdos,
dessa maneira cabe á pergunta qual o papel do intérprete de sala, co-professor ou auxiliar
pedagógico? A luta pela conquista da equidade das pessoas com surdez em comparação com
os ouvintes é uma construção permanente de um povo que foi visto por várias décadas como
“ineficientes”, assim sendo cabe um compromisso da escola, face á essa marginalização que
sofreram, ao longo da história. Assim sendo, o papel do intérprete é muito importante, pois
ele vai dar “voz” para que o aluno consiga se apropriar e aprimorar o código linguístico Há de
se pensar na preparação desse profissional, e principalmente qual conceito de inclusão que
não só o professor mais o intérprete possuem, o intérprete tem a responsabilidade de apenas
interpretar ou sua conduta como mediador deve ir além, há de se considerar as outras crianças
que estarão convivendo com uma situação diferente, ou seja, dois profissionais em sala, essa
atuação, poderá acarretar uma dispersão aos demais no princípio, essas questões deveram ser
consideradas.
Os alunos surdos não podem ficar em desvantagem, no que diz respeito ao
entendimento dos conteúdos, portanto o ILS precisa ter a liberdade de opinar e ou fazer as
devidas adaptações quando achar pertinente, respeitando as singularidades da surdez, essa
deve ser uma parceria, que corresponde a uma mediação social, que vai favorecer e
oportunizar a interação do aluno surdo com o meio, tornando o ambiente um local
significativo, para que o mesmo consiga chegar ao desenvolvimento. O aluno precisa perceber
e acreditar no seu potencial enquanto estudante para construir seu aprendizado para participar
das mudanças sociais, sendo autores das suas vidas.
A presença de um intérprete em sala significa o respeito e a aceitação dos sujeitos
surdos no espaço escolar, pois as crianças surdas e ouvintes neste momento de adaptação irão
precisar de um mediador que os auxiliem na construção e trocas dos conhecimentos, angústias
e principalmente nas prováveis dúvidas que por ventura irão surgir, tanto no uso, no
conhecimento e aceitação de uma língua que para muitos pode ser o primeiro contato, dessa
forma é por meio da língua de sinais que os sujeitos surdos irão ter o direito de participar do
processo educacional, saber o que está acontecendo não só na sala, mas na escola como um
todo é um direito social dos alunos surdos, pois eles precisam conhecer e entender o que se
passa dentro do contexto escolar, até mesmo para participarem ativamente das atividades
41
extraclasse, esses não podem ficar de fora das atividades pedagógicas, pois essas em muito
contribuirá para afirmação e respeito da cultura surda.
De acordo com Lodi (2009, p. 16), embora a inserção do intérprete de língua de sinais
na sala de aula abra a possibilidade de o aluno surdo receber a informação escolar por
intermédio de uma pessoa competente em língua de sinais, apenas a presença dessa língua não
é garantia de que ele aprenda facilmente os conteúdos. Assim, a escola possui mais alunos
ouvintes, no entanto muitas vezes os conteúdos são preparados, para ser dirigidos a esses
alunos. Cabe, pois um olhar diferenciado do intérprete e do professor para adaptar e fazer as
devidas mudanças para os sujeitos surdos, a presença do intérprete não deve ser apenas para
“tranquilizar” o educador, mas principalmente para sugerir mudanças e adaptações quando
achar pertinente.
Para que o os sujeitos participem do processo de ensino e aprendizagem, é necessário
que haja uma interação, um entendimento, nesse momento cabe o comprometimento ético do
intérprete e do professor em, elaborar atividades que levem também em consideração a
aceitação e respeito dos sujeitos surdos e ouvintes. É bom enfatizar que os alunos surdos
precisam participar das aulas, pois muitas vezes precisam ser “encorajados” nesse caso á
valorização, o reconhecimento e o respeito serão construídos se os mesmos conseguirem
participar ativamente das aulas, dando suas opiniões se “fazendo ouvir e serem ouvidos” pelos
demais colegas.
5 METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza descritiva e exploratória,
desenvolvida no período de março a maio de 2013. Trata-se de um estudo de caso, com
abordagem qualitativa, realizada em uma escola da rede pública localizada na periferia de
Brasília, sugerida pela Regional de ensino de Ceilândia, entretanto, os dados aqui não
representam as demais escolas inclusivas do Distrito Federal. Segundo Gil (2002), na
pesquisa qualitativa, o pesquisador, observador da situação problema, se familiariza com o
problema a ser estudado permitindo a construção de hipóteses e descoberta de intuições e a
partir daí faz interpretações a partir dos participantes, possibilitando, segundo Kerlinger
(2003), respostas para as indagações de pesquisa.
No que se refere à escolha da instituição de ensino para a realização desta pesquisa se
deu por meio de sugestão da Regional de Ensino de Ceilândia para realização do estágio
supervisionado do Curso de Pedagogia em escola com crianças surdas, tema de interesse desta
42
pesquisadora. Assim, buscou-se valorizar esta experiência para elaboração deste trabalho final
de curso.
A coleta de dados a seguir foi feita da seguinte forma: observação in loco, observação
de aula, observação das crianças na hora do intervalo com o intuito de verificar como se dá a
interação de crianças surdas e ouvintes. Também foi elaborado um questionário (ver apêndice
dois) para professores, também interpretes da Língua de Sinais, de duas turmas, cuja seleção
se deu por verificar que havia crianças com diferentes tipos de surdez. O questionário era
composto de 35 questões sendo sete fechadas que tratavam do perfil dos informantes e 28
questões abertas. Também se pretendia conseguir a participação dos pais, entretanto, foi-lhes
respeitados o desejo de não participação.
Além disso, a autora planejou e realizou uma visita ao Congresso Nacional, onde
também atuo, com ambas as turmas, por meio do programa Escola na Câmara, realizado pelo
Plenarinho, que é um site infanto-juvenil da Câmara dos Deputados cujo objetivo de estimular
a participação de jovens estudantes no processo político- democrático o que acontece por
meio da organização de visitas à Câmara dos Deputados que oferece atividades de cunho
pedagógico, que ao ver desta autora propicia um momento rico de letramento aos estudantes e
ainda porque sendo uma escola situada em uma realidade carente, verificou-se que eles (os
estudantes) não tinham tido tal oportunidade antes, isto é, o contato com obras de artistas
pintores e arquitetos brasileiros como Athos Bucão, Marriane Perreti, Di Cavalcanti, Oscar
Niemayer, entre outros, são histórias e artes as quais as crianças devem ter contato, o espaço
oferece também exposições como o da Primeira Missa, Holocausto, Mulheres na política,
História da ditadura, entre outras.
6 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Os resultados foram organizados nos seguintes blocos: caracterização da escola,
amostra, o trabalho docente e a proposta do letramento, a formação docente, atuação docente
– experiência com Libras e, por fim, o processo de inclusão.
6.1 CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA
A escola, aqui denominada de AL, está situada em uma cidade com 41 anos de
existência. Passou por reformas no que diz respeito apenas a pinturas das salas de aula e o
parque infantil, o qual não pode receber mais que uma turma, devido ao pequeno tamanho.
Falta espaço para socialização das crianças. Segundo Manhas (2011, p. 55) nenhum ser
43
humano é fora do mundo, fora do ambiente cultural e do ambiente natural. A interação com os
outros ocorre como relação com os sentidos (mundo) e as condições de sentido ( culturais e
naturais) nas quais se está inserido.
A instituição de ensino funciona no turno diurno. É bom ressaltar que por falta de
intérprete nas escolas próximas às casas de algumas crianças surdas, essas estudam na referida
escola. No entanto, como moram no entorno do Distrito Federal não têm direito ao transporte
escolar, o que dificulta o acesso dessas crianças na escola, as quais faltam constantemente,
ficando prejudicadas no processo de ensino aprendizagem e, desta forma, fragilizando o
trabalho de letramento esperado.
A referida foi indicada pela Regional de Ensino como uma escola inclusiva. Assim
sendo, ela deve ter como base o princípio da igualdade de oportunidades no que diz respeito
ao acesso de conhecimentos entre crianças surdas ou não. Entretanto, verificou-se que nesta
escola a proposta não acontece como se propõe a fazer.
6.2 A AMOSTRA
A amostra era composta de duas turmas as quais serão chamadas de turma A e turma
B, sendo que a turma A ( do 5ºano) era composta de 32 estudantes dos quais quatro têm
surdez moderada além de deficiência intelectual e TDAH ( Transtorno de Déficit de Atenção
e Hiperatividade) e dois educandos com surdez leve os quais também com deficiência
intelectual e TDAH.
Já a turma B (4º ano) tinha 5 alunos, sendo que três com surdez profunda e dois alunos
com surdez moderada e com autismo e um deles com deficiência intelectual (diagnosticados).
Notou-se que o fato de estas crianças não estarem com crianças ouvintes fragiliza a proposta
do letramento além da proposta de inclusão prevista na Constituição Federal, ECA etc.
Os quadros quatro e cinco a seguir reúnem informações mais precisas de cada uma das
turmas.
44
Quadro 04-Perfil da professora e estudantes turma A – 5º ano
PROFESSORA A
ESTUDANTES
Total: 32 Alunos sendo quatro com surdez
moderada e dois com surdez leve.
Sexo: Feminino.
Idade: Mais de 40 anos.
Idade: entre 10 e 12 anos-5ºano do Ensino
Fundamental.
Formação Acadêmica: Nível Superior/curso
de LIBRAS nível intermediário.
Carga horária: 40 horas - professora
temporária.
Acompanhamento Escolar: Alguns alunos
estão no integral e têm reforço escolar.
Turno: Os alunos estudam no turno
vespertino.
Tempo de atuação: É docente há mais de Tempo de convivência: Os alunos estudam
11anos. Nesta escola, atua a menos de um juntos desde o início do presente ano.
ano.
Fonte: Elaboração própria
a) Turma A – 5º ano
A professora
Conforme o quadro 04 (turma A do 5º ano) é possível verificar que a educadora tem
mais de 40 anos de idade é docente a mais de 11 anos e atua na escola pesquisada a menos de
um ano. Possui nível superior e curso de LIBRAS nível intermediário. Porém, apesar de ter o
curso intermediário de LIBRAS, não o utiliza em sala. No entanto, a educadora relatou que o
uso da LIBRAS poderia servir de suporte, que iria auxiliar as crianças a entenderem os
conteúdos ministrados, uma vez que na sala há crianças com surdez moderada e leve
(deficientes auditivos) os quais falam muito alto o que por vezes atrapalha o andamento das
atividades deixando os demais alunos agitados.
A educadora foi contratada como intérprete e, no entanto passou a desenvolver o papel
de auxiliar de sala. A mesma relatou que as crianças deficientes auditivas da sala não
conhecem LIBRAS .
“ Eles falam praticamente gritando isso também me deixa agitada, as vezes tenho
que gritar para ser ouvida mas o que piora, saio da sala com a cabeça doendo e
cansada, penso que o uso da LIBRAS, ia me ajudar, mas eles nem sabem o que, não
fazem a mínima ideia, e a outra professora que no caso é a regente, diz que se usar a
LIBRAS eles ficaram dependentes cada vez mais da língua e isso não é bom, na
verdade eu sou tipo uma “auxiliar de sala”. ( Professora A, turma A 5º ano).
Por isso, como não conseguem acompanhar as atividades relacionadas ao 5º ano, à
professora faz adaptações que assumem características de conteúdo do 3º ano. Já as seis
45
crianças com surdes moderada e leve apenas duas conseguem ler embora não conseguem
interpretar, são apenas copistas. A educadora revelou sua decepção em não utilizar LIBRAS,
em sala, pois ela acredita que os educandos seriam beneficiados, tornando a sala um ambiente
com menos barulho, já que devido à deficiência os alunos falam muito alto. “.Não adianta me
desesperar eles quase não conseguem avançar, ensino hoje e amanhã eles já não sabem é
como se eles não conseguissem reter, ficam me olhando com umas caras de quem nunca ouvi
isto antes, quando dito uma palavra nunca conseguem escrever o final da palavra só
consegue pegar algumas letras deve ser porque não ouvem direito, coloco todos juntos assim
facilita meu trabalho para não ficar andando para lá e para cá toda hora, fico com as pernas
doendo.” (Professora A, turma A 5º ano).
Em uma conversa com a professora referida, discutíamos o que poderia ser fazer para
amenizar as barreiras enfrentadas no letramento das crianças. No entanto ela relata:
“As crianças são funcionais, não vão conseguir avançar, pois além da surdez têm
outras deficiências, como autismo e deficiência intelectual, é perder tempo tentar
incluí-las, melhor seria ensina-las uma profissão que não precisasse de
conhecimento...” às vezes é melhor apresentar-lhes uma enxada do que um livro”.
(Professora A, turma A, 5º ano).
Os estudantes
A turma era composta por 32 alunos, sendo que quatro deles têm surdez moderada
entre outras deficiências como intelectual e TDAH. Outros dois estudantes têm surdez leve,
também com TDAH e os demais eram ouvintes, isto é, não eram surdos. A idade dos
estudantes variavam entre 10 a 12 anos. Alguns estão inseridos no sistema integral de ensino,
onde no contraturno é oferecido aula de reforço escolar. Segundo a educadora, o critério para
seleção dos alunos a participarem do integral é feita a partir das dificuldades de
aprendizagem, pois é dada a prioridade para os alunos que mais apresentam deficiência no
aprendizado.
Vale ressaltar que os alunos desconhecem LIBRAS. No espaço da sala de aula, eles
falam muito alto, sendo constantemente alertados pela educadora para falarem mais baixo.
Segundo a professora, os pais argumentam que os educandos não precisam da LIBRAS como
apoio já que é só falar mais alto que eles escutam. Além disso consideram que LIBRAS não
passa de gestos feios.
“ Se os pais não querem e não reconhecem a importância da LIBRAS para os filhos
o que se há de fazer, eles têm preconceito quanto ao uso da língua, pois falam que
todos vão achar que seus filhos são surdos além do que não acreditam que ao usar a
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LIBRAS vai mudar muita coisa, vão continuar do mesmo jeito”.( professora turma
A).
b) Turma B – 4º ano
A professora
Quadro 05-Perfil da professora e estudantes turma B – 4º ano
PROFESSORA B
Sexo: Feminino.
Idade: Mais de 40 anos.
Formação:
libras.
ESTUDANTES
Total: 5 Alunos sendo três com surdez
profunda e dois com surdez moderada,
deficiência intelectual e autismo.
Idade: entre 9 e 11 anos- 4º ano do Ensino
Fundamental.
Superior/especialização/
pró- Acompanhamento Escolar: Não fazem
acompanhamento escolar, pois moram no
entorno.
Carga horária: 60 horas- professora Turno: Estudam no turno vespertino.
temporária e trabalha a noite como intérprete
numa instituição superior de ensino.
Tempo de atuação: É docente há mais de 10 Tempo de convivência: Os alunos estudam
anos, na escola atua a mais de 6 anos.
juntos há dois anos, com exceção do mais
jovem.
Fonte: Elaboração própria
A professora B tinha mais de 40 anos. Tem formação superior, e Pró- eficiência em
LIBRAS (pró- libras).Sua carga horária de trabalho ultrapassa 60 horas, além de trabalhar
como intérprete em uma instituição superior de ensino. Tem contato com grupos de surdos há
mais de 10 anos. É o mesmo tempo que trabalha como intérprete na instituição de ensino
superior, sendo que na escola trabalha há mais de 6 anos. Possui vários cursos, incluindo
alfabetização e letramento da pessoa surda. A professora argumenta que suas aulas ficam
prejudicadas, pois não há recursos disponíveis, como Datashow, computadores entre outros.
Segundo a educadora, os desafios são vários, mas o maior deles é o desconhecimento da
LIBRAS por parte dos pais, os quais são ouvintes. Dessa forma, sem comunicação efetiva há
atraso e prejuízo no processo de letramento.
A educadora não acreditava em um tempo certo para letrar a criança surda, pois
segundo ela, cada sujeito possui suas peculiaridades, além das outras patologias além da
surdez. A mesma relata que desconhece um método que seria o ideal, pois faz adequações
47
curriculares, faz uso de LIBRAS/visual/português para alunos com surdez severa e profunda e
método das boquinhas para educandos com surdez leve e moderada.
Para a educadora a participação da família é de extrema importância. No entanto, a
maioria dos pais de surdos sequer conhecem LIBRAS comunicando-se por mímica,
dificultando, pois o processo de letramento. É preciso mencionar que a graduação não prepara
os educadores para trabalhar com as crianças surdas. Quando a Secretaria de educação do DF
oferece cursos nessa área, as vagas são limitadas, apenas 30 por semestre. Não comtemplado,
pois a todos que procuram. Além disso, a adequação curricular, materiais pedagógicos
adequados e domínio da Língua de Sinais por parte dos professores são dificuldades
enfrentadas pelas escolas inclusivas.
Existe por parte da professora uma “defesa” em relação ao uso e a presença do
intérprete em sala quando se trata de alunos com surdez leve e moderada, pois a maioria dos
professores além de explicar o conteúdo de costas fica se movimentando em sala, o que
dificulta a leitura labial por parte dos alunos e ouvir corretamente o que foi dito pelo
professor. A inclusão, segundo à professora, é mais e vai além da teoria, são mudanças de
hábitos, atitudes e até mesmo na estrutura física da escola que se intitula como inclusiva, e
principalmente, o cumprimento da lei. A informação é a melhor arma para a cobrança dos
direitos. Os pais como desconhecem sobre surdez e os direitos referentes à Educação Especial
não podem cobrar os direitos relacionados às leis. Não sabem que o intérprete de sala auxilia
no desenvolvimento da aprendizagem. Existem exceções, mas infelizmente é a minoria. Os
alunos surdos, apesar de não ter problemas graves de convivência com os alunos ouvintes, só
se relacionam com os colegas também surdos, revelando assim um maior cuidado da inclusão
pela escola.
Os estudantes
A turma é formada por cinco alunos, sendo que três com surdez profunda desses três
dois são irmãos, os quais os pais são ouvintes e não conhece LIBRAS. Os outros dois têm
surdez moderada somada à deficiência intelectual e autismo. É importante mencionar que
esses dois alunos com autismo um não fala sequer uma palavra, não consegue se socializar e
tem tolerância ao toque. Quando cheguei à escola, a professora pediu que eu chegasse antes
dele, pois se ele chegar e tiver alguém na sala, ele não entra, tendo assim que ligar para a mãe
dele para buscá-lo. A faixa etária é de 9 a 11 anos, apenas um tem 9 anos.
A professora relatou que uma das dificuldades é o não conhecimento da LIBRAS por
parte dos pais que além de não conseguirem auxiliar as crianças nos exercícios de casa, não há
48
uma comunicação efetiva e, no entanto, segundo à educadora os pais não têm interesse em
aprender Língua de sinais.
“Os pais não têm interesse em aprender LIBRAS, pois já têm muito trabalho a fazer
e conseguem entender o que os filhos querem, só de olhar para eles, vão ter que se
virar afinal todo mundo agora vai ter que aprender língua de sinais, isso não existe
eles terão que aprender a se virar o mundo é de quem escuta.”
No intervalo, as crianças surdas brincam e se relacionam somente entre si, ficam
afastadas das demais. Vale ressaltar que as crianças surdas não ficam em uma sala regular e
sim em uma sala separada, uma das crianças consegue fazer leitura labial sendo também
oralizada. Na sala de aula estava exposto o alfabeto em LIBRAS com gravuras e também os
trabalhos das crianças, porém, percebeu que os trabalhos geralmente foram direcionados
apenas para recorte e pintura. Durante esse período de pesquisa, verificou-se que os alunos
não produzem textos, apenas copiam do quadro para o caderno.
6.3 OS RESULTADOS
6.3.1 O trabalho docente e a proposta do letramento
De acordo com Botelho (2005, p. 15), tomar um detalhe não essencial como essencial
é um erro de consequências sérias, entre elas, permanecer alheios às contradições. Um surdo
que tem uma perda auditiva leve pode ter as mesmas ou mais intensas dificuldades que um
surdo profundo. E, enquanto se argumenta exaustivamente, se falta um ou vinte decibéis, a
maioria dos surdos continua iletrada e essa discussão irá perdurar tanto tempo quanto se
mantiverem as mentalidades daqueles educadores que aspiram transformar os surdos em
ouvintes.
Conforme foi percebido, a professora da turma A não realiza o trabalho pedagógico
com o objetivo de letrar as crianças com surdez leve e moderada. A começar pelo
conhecimento da LIBRAS, pois em uma conversa com os meninos desta turma A perguntei
se eles sabiam o que é LIBRAS, no entanto a resposta de um deles foi a mesma: “Não sei, Tia
acho que é umas coisas feito com as mãos (...) sei lá, os mudinhos fazem isso, mas não sei o
que é”. A sala não possui o alfabeto em LIBRAS. Os meninos com deficiência sentam todos
juntos. A professora coloca os seis alunos em um pequeno grupo, o que dificulta a interação e
o aprendizado de uns com os outros e a própria aceitação. Porém a professora da turma A,
quando indagada informa que letramento é:
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“O resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever, bem como o
resultado da ação de usar essas habilidades, não possui cursos de letramento, mas
reconhece sua importância, fala também que o educador não pode esperar o
resultado a curto prazo quando se refere ao letramento e cada criança responde a seu
tempo, não acredita em melhor método pois pensa que a criança que determina basta
o professor ser observador e estar disposto a ajudar”.
Em sua fragilidade, a professora reclama a falta de participação da família como
essencial não só no que se refere à aprendizagem, mas na adaptação na sociedade.
Em suas atividades a professora faz adaptações, ou seja, recortes do livro didático,
copiando somente pequenos textos no quadro para os alunos transcreverem no caderno.
Argumentei porque não responder no caderno e consultar o livro sem ter que copiar, pois
mesmo sendo textos pequenos e adaptados, os meninos conseguem copiar, mas, no entanto,
não interpretam nada do que copiam. Segundo a professora “pode ser que copiando muito,
entre alguma coisa na cabeça deles.” Ela elogia a caligrafia dos meninos, mas admite que
eles não conseguem interpretar nada.
Como as atividades são adaptadas, torna-se mais fácil para as outras crianças que
terminam primeiro e ficam conversando. É válido lembrar que as crianças, por serem
deficientes auditivas falam muito alto o que deixa a turma agitada, perguntei para a professora
sobre os pais, se tem conhecimento da deficiência dos filhos. A mesma relatou que os pais
argumentam que os filhos não são surdos e, por isso, não precisam usar aparelho auditivo,
nem tão pouco usar LIBRAS. Apenas uma criança usava aparelho, porém com vergonha de
mostra-lo, tentanva esconder entre o cabelo. Segundo ele, uma vez, um coleguinha o chamou
de mudinho, o que o deixou irritado. Na sala, há duas professoras. Quando comecei a
observação, a professora estava afastada, pois tinha feito uma cirurgia. Assim, estava a
intérprete a qual relatou que nunca usou LIBRAS na sala de aula. Quando a professora que
estava afastada voltou, a intérprete também não usou LIBRAS. Apesar de reconhecer que
seria importante, disse que há uma resistência por parte da outra professora que não
considerava necessário o uso da Língua de Sinais.
A intérprete copia os longos textos no quadro enquanto a outra professora fica sentada,
apenas corrigindo os exercícios: “eu virei uma secretária da outra professora” relatou a
intérprete, mas não reclama, pois tem medo de perder o contrato e voltar para o banco de
reservas. Foi percebido também que as professoras falam que as crianças não aprendem
porque não conseguem ouvir direito. Há então uma controversa, pois sabem a causa, mas, no
entanto, nada fazem para mudar a realidade. Portanto percebe-se que a criança é excluída duas
vezes, ou seja, é excluída dentro de uma proposta dita inclusiva.
50
É importante lembrar que a escola se diz inclusiva. No caso, a coordenadora
pedagógica ou a própria gestora não intervém na realidade desses alunos, e ainda, não se leva
em consideração as outras patologias como deficiência intelectual e TDAH.
Segundo Guarinelo ( 2007, p. 52), muito se tem falado sobre as dificuldades dos
surdos com a linguagem escrita, porém poucas são as soluções apresentadas, principalmente
aos professores de surdos. os quais geralmente desconhecem a surdez e sua consequência.
Considerar a surdez da criança e conhecer as consequências junto com as limitações e
trabalhar para superá-las são ações que contribuem para o letramento, pois há muitos anos os
pais confiaram a alfabetização dos seus filhos aos professores.
Segundo pesquisas, apesar da leitura, algumas pessoas chegam não só nos anos finais
do ensino fundamental e ensino médio, chegam à universidade sem conseguir interpretar
textos são alfabetizadas, mas não são letradas, isso pode ser bem mais complicado quando se
trata da educação dos sujeitos surdos, pois o ensino não tem conseguido preparar o sujeito
para as práticas sociais não tendo êxito no letramento e portanto, a patamares mais elevados.
Já a professora da turma B não difere no que diz respeito ao letramento da criança
surda, pois apesar de ter sido preparada e possuir as condições necessárias para que o
letramento aconteça, isso não acontece. A professora possui o pró-LIBRAS, convive com
adultos surdos há mais de dez anos e trabalha como intérprete em uma instituição de ensino
superior também há mais de dez anos. Foi percebido que a professora copia textos enormes no
quadro para os alunos transcreverem no caderno. Nos vários dias de observação das aulas,
nunca presenciou-se os alunos produzindo textos, quando produzem textos é apenas recortes
de revistas contendo figuras ou barbantes colados .Um problema, visto que a leitura não
acontece apenas na escrita. Fazemos leitura também por figuras e desenhos, mas é muito
importante que a criança surda ou não produza textos e construa certa intimidade com a
escrita, á criança precisa ser encorajada e estimulada a reproduzir textos transcrevendo,
criando e registrando suas ideias e no papel, pois a sociedade, a vida vai lhe cobrar
competências e habilidades, as quais ficarão seriamente comprometidas, sem as produções
dos textos e entendimento dos mesmos.
As crianças não estão inseridas na sala regular de ensino. As mesmas ficam em uma
sala separada. O único contato com ouvinte na sala é com a professora. Há uma criança que
consegue fazer leitura labial e também essa criança é oralizada. Ao ver desta pesquisadora se
essa criança tivesse em uma sala regular, com crianças ouvintes, poderia desenvolver melhor
tanto a oralização como a leitura labial. É preciso colocar que dessas seis crianças, nenhuma é
filha de pais surdos e os pais não sabem LIBRAS e não querem aprender, segundo à
51
educadora. Soares (2002) afirma que a criança precisa, além de saber fazer uso, deve se
envolver nas atividades de leitura e escrita, Pois, para conseguir entrar no mundo do
letramento, as crianças precisam se apropriar do hábito da leitura lendo vários tipos de textos
para se apropriarem do sistema de escrita. Segundo a mesma autora, para que a adaptação seja
adequada ao ato de ler e escrever, é preciso compreender, inserir-se, avaliar, apreciar a escrita
e a leitura. Desta forma, o letramento não acontece, pois apenas copiam textos e não fazem
relação do texto com suas vidas e tem os textos. Na verdade esta simplificar os textos,
omitindo alguns elementos, na tentativa de tornar a aquisição mais fácil, pode prejudicar o
entendimento já que as crianças surdas ou não necessitam ampliar o vocabulário, dessa forma
o professor está subestimando a inteligência da criança, não acreditando no potencial da
mesma e, o que é pior, fazendo com que ela também não acredite em si mesma. A criança
surda tem o direito de receber a mesma educação, independente da sua limitação. Há a
necessidade, às vezes de algumas adaptações, mas trabalhar para que a criança acredite que é
capaz de aprender é por parte do educador um compromisso ético e social pois o letramento
deve ser pensado como função social.
Em um dos dias de observação esta autora teve a oportunidade de acompanhar as
crianças surdas em duas palestras na escola as quais foram ministradas pela Polícia Militar do
Distrito Federal (PMDF). Esta tratava o Bullying e a outra sobre educação no trânsito. Ambas
organizadas em parceria com a Secretaria de Educação do Distrito Federal, SEDF. Porém as
crianças surdas ficaram sentadas assistindo à palestra, mas não houve interpretação
simultânea, elas ficavam olhando para as ouvintes na tentativa de se nortear sobre o que os
policiais estavam falando. Tal fato revela o descuido da equipe organizadora. Segundo
Guarinelo (2007, p. 32), toda criança necessita de um ambiente linguístico adequado, no qual
possa desenvolver sua língua naturalmente. Essas condições ocorrem normalmente em
famílias ouvintes; porém, para os surdos, filhos de pais ouvintes, desenvolverem a língua de
sinais, eles precisam interagir com pessoas que utilizem essa língua. Apesar disso, a
professora da turma relatou que se utiliza do método Boquinhas para letrar as crianças com
surdez leve e moderada e faz uso de LIBRAS/VISUAL/PORTUGUÊS para letrar crianças
com surdez severa e profunda. Segundo Guttman (1993) o Método Fonovisuoarticulatório,
carinhosamente apelidado de Método das Boquinhas,utiliza-se além das estratégias fônicas
(fonema/som) e visuais (grafema/letra),as articulatórias (articulema/Boquinhas). Seu
desenvolvimento foi alicerçado na Fonoaudiologia, em parceria com a Pedagogia, que o
sustenta, sendo indicado para alfabetizar quaisquer crianças e reabilitar os distúrbios da leitura
e escrita. Parte das reflexões deste método foi proporcionada pelo contato com o “Programa
52
de Melhoramento da Qualidade e Equidade da Educação” (MECE) –“Programa das 900
Escolas”, desenvolvido no Chile desde 1990, indicado pela UNESCO e estendido a outros
países. No entanto não foi observado o uso desse método em nenhum dia de aula, nem tão
pouco o uso de LIBRAS/ VISUAL/PORTUGUÊS, apenas longos textos. Só se utiliza da
LIBRAS se somente se os alunos perguntarem alguma coisa, pois a educadora não faz a
interpretação dos textos para as crianças. Segundo Piaget (2005, p. 8), as ações das crianças
não se desenvolvem num mesmo plano no sentido de se tornarem experiências cumulativas.
Elas se diferenciam e conquistam qualidades novas, transformando-se.
6.3.2 Formação docente
A professora da turma A é formada em Pedagogia, possui o curso de LIBRAS
intermediário, feito no ano de 2012, com ênfase em interpretação. Nesta escola só conhece
uma professora que tem proficiência em LIBRAS. Relatou que a SEEDF, divulga cursos
através das reuniões e pela internet. No entanto, as vagas são poucas. Relata também que a
instituição de ensino superior deveria oferecer aos alunos do curso de Pedagogia, disciplinas
voltadas para educação inclusiva. Já no começo do curso de graduação, pois o que a
instituição oferece não prepara o professor para a realidade das salas de aulas inclusivas,
sendo uma preparação superficial. Relata ainda que não basta ter vários cursos se o professor
não tem compromisso com o ensino especial e também o apoio do gestor e da família do
educando.
Segundo Piaget (2011, p. 64) a responsabilidade do professor, de que, às vezes não
damos conta, é sempre grande. A natureza mesmo de sua prática, eminentemente formadora,
sublinha a maneira como a realiza. Sua presença na sala é de tal maneira exemplar que
nenhum professor ou professora escapa ao juízo que dele ou dela fazem os alunos. E o pior,
talvez, dos juízos é o que se expressa na “falta” de juízo. O pior juízo é o que considera o
professor uma ausência na sala.
Já a professora da turma B, possui proficiência em LIBRAS (pró – libras). No
segundo semestre de 2012 a professora fez um curso ofertado pela EAPE- Educação de
surdos on –line. Dos seus colegas professores só conhece uma professora a qual possui o nível
intermediário de LIBRAS. A SEEDF oferta cursos na área de educação especial, no entanto,
são apenas 30 vagas por semestre o que não dá para comtemplar a todos que manifestam
interesse.
53
A educadora relata que a Instituição de Ensino Superior à qual ela se formou não a
preparou para a educação inclusiva nem tão pouco para o letramento da criança surda. Sendo
assim, teve que procurar cursos fora da instituição como na Associação de Pais e Amigos dos
Deficientes Auditivos (APADA), na Federação Nacional de Educação e Integração dos
Surdos (FENEIS) e na Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais de Educação ( EAPE).
Segundo a educadora, para que seja efetivada a proposta do letramento da criança surda,
fazem-se necessários a adequação curricular, o domínio da Língua de sinais por parte do
professor letrador, materiais pedagógicos adequados. Contribuindo para o número de iletrados
funcionais. Guarinelo (2007, p. 53) afirma que , atualmente , muitos surdos são considerados
iletrados funcionais. No Brasil, a grande maioria dos surdos adultos não domina a língua
portuguesa. Além disso, há uma considerável parcela de surdos brasileiros que não tem acesso
à língua de sinais, ou por motivo de isolamento social ou, principalmente, por opção da
família por uma escola que não utilize essa língua, o que causa, além das defasagens
escolares, dificuldade e impedimento quanto à inserção dessas pessoas no mercado de
trabalho. Segundo Peres (2009, p. 28), teoria e prática, conteúdo e procedimento, ensino e
sociedade, história de vida pessoal e história de vida profissional não são aspectos separados e
compartimentalizados. Não existe prática sem teoria ou vice-versa. É a relação com a prática
que inaugura a existência de uma teoria.
6.3.3 Atuação docente – experiência com libras
A professora da Turma A informou que gosta de atuar no ensino fundamental com
crianças surdas e que, desde a adolescência, manifestava interesse em ser professora e
também foi incentivada a seguir a profissão. Defende a presença do intérprete para alunos
com surdez leve à moderada, pois pensa que é um direito deles ter uma educação
diferenciada. Mencionou ainda que trabalhava em uma escola para crianças surdas e
surdocegas, mas, no entanto, não se sentiu a vontade para comparar o trabalho das duas
escolas.
A docente disse que gosta de trabalhar com crianças surdas, pois é uma experiência
ótima sempre tem muitos desafios, e são ele que a impulsionam a aprender mais.
“Não é fácil trabalhar com crianças surdas, às vezes temos que repetir a mesma coisa
várias vezes, pensamos até que não estamos sabendo ensinar, hoje eles sabem
amanhã, não lembram de nada, tem hora que bate o desespero, mas é preciso
recomeçar todos os dias”. ( Professora, turma A).
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A educadora da turma B começou seu trabalho com LIBRAS prestando serviço
voluntário em uma igreja, tornando a sua profissão, segundo ela, gosta do que faz e não se
imagina sendo professora de outras séries sem ser as da Educação Fundamental, anos iniciais.
Ela pensa que as crianças com surdez leve e moderada devem ter o apoio do intérprete em
sala de aula uma vez que algumas professoras ficam de costas para os alunos e explicam as
matérias se movimentando em sala, o que dificulta para os alunos a leitura labial e escutar o
que o professor fala.
“As crianças com surdez leve e moderada precisam do apoio do intérprete em sala,
pois, é um recurso a mais para o desenvolvimento pleno desse aluno. Porque a
maioria dos professores falam andando pela sala ou de costa para o aluno,
dificultando a leitura labial e também ouvir corretamente o que o professor fala”. (
Professora, turma B).
A professora da turma B informou que quem trabalha com ensino especial recebe
uma gratificação de 20%. Como intérprete educacional não é a primeira vez que trabalha com
crianças, pois trabalha também há dez anos como intérprete, em uma instituição superior de
ensino e com adultos o que é completamente diferente. Quanto à experiência como educadora
de crianças surdas, a professora fala que é um trabalho gratificante, mas que no entanto há
um desgaste .
“É cansativo pois requer uma dedicação a mais tanto quanto ao preparo de materiais
pedagógicos quanto a cursos de aperfeiçoamento pois muitas vezes o professor tem
que pagar do próprio bolso”. ( Professora, turma B).
Freire (2011, p. 65), relata que a luta dos professores em defesa dos seus direitos e de
sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente. É tão
parte dela mesma quanto dela faz parte o respeito que o professor deve ter á identidade do
educando, a sua pessoa, a seu direito de ser.
Um dos piores males que o poder público vem fazendo a nós, no Brasil,
historicamente, desde que a sociedade brasileira foi criada, é o de fazer muito de nós
corrermos o risco, a custo de tanto descaso pela educação pública, existencialmente cansados
cair no indiferentismo fatalistamente cínico que leva ao cruzamento dos braços.
6.3.4 O processo de inclusão
De acordo com Almeida (2010, p. 81), a inclusão não é algo natural. O ser humano
tem uma tendência a acreditar que as dificuldades que temos são as dificuldades de sempre e
que não podem ser mexidas. Continuarão sempre a ser dificuldades ou empecilho. “É da
55
essência humana”, “ Sempre foi assim” , é “ Impossível mudar”, são algumas das frases que
trazem uma espécie de paralisia na nossa capacidade de fazer história.
Para a professora da turma A, “ A inclusão deve comtemplar os aspectos políticos,
sociais e educacionais é importante desde que realizada dentro de um objetivo real sem
fantasias. A seu ver, a escola da rede pública de ensino ainda tem muito a melhorar quando o
assunto é inclusão. Considera que está em processo de aperfeiçoamento. “Segundo essa
mesma professora, o espaço educacional coloca em prática o processo de inclusão, mas a
realidade, por vezes, se torna traidora aos anseios do professor, no entanto ainda tem muito
a melhorar”.
O fato da maioria das famílias não saberem seus direitos, atrapalha a cobrança no
respeito de seus direitos enquanto cidadãos. Apesar de não perceber muita interação entre
crianças surdas e ouvintes não há grandes problemas de discriminação. Ela, a professora da
turma A,
aponta que “A sociedade tem um ganho incalculável no que diz respeito à
convivência com as diferenças, pois dessa forma o indivíduo aprende a conviver em
sociedade respeitando à diversidade. Relata ainda que os gestores e professores em sua
maioria não estão preparados para a inclusão e nem tão pouco receptivos para as mudanças
necessárias.
Já a professora da turma B, afirma que a inclusão é muito mais que teorias “são
mudanças de atitudes, hábitos e até mesmo na estrutura física da escola que se intitula
inclusiva, requer além de mudanças no espaço físico também o cumprimento da lei”. No que
se refere a materiais pedagógicos preparo do educador e acessibilidade no espaço físico e
visual, verifica-se que a escola não está preparada e que para a inclusão acontecer não
depende somente dos educadores depende também de políticas públicas, recursos e dos apoios
dos gestores, ficando assim a desejar.Com relação à família, como desconhece os direitos dos
alunos especiais e desconhece LIBRAS, não há cobrança. Segundo as professoras a maioria
está satisfeita só pelo fato das crianças estarem dentro do espaço escolar aprendendo ou não.
Claro que essa regra não se aplica a todas as famílias, mas, infelizmente, à maioria.
Quanto ao relacionamento das crianças surdas com as ouvintes quase não há. Os surdos só se
relacionam entre si, mas, no entanto, não há graves problemas de discriminação.
A educadora B colocou que:
“ A sociedade só tem a ganhar com a convivência com as diferenças, pois assim o
respeito será construído dia a dia, e que o gestor está sempre disposto á ajudar, mas
dentro do possível e dentro das limitações imposta pela própria secretaria de
educação e as maiores falhas dentro da inclusão são: faltam de recursos financeiros,
estrutura física, materiais pedagógicos adequados e o próprio currículo”.
56
7 SUGESTÕES E APONTAMENTOS AO FAZER PEDAGÓGICO
Pensar em uma educação inclusiva de qualidade no Brasil além de não ser uma tarefa
fácil é um assunto complexo e profundo além do que faz necessário uma reflexão para os que
fazem parte do processo pensarem sobre o que é inclusão para que a inclusão? De acordo com
as exigências sociais e carências, inclusão pode assumir outros significados, mas há de se
pensar também no que é qualidade? Nesse contexto, cada escola pode ter seu próprio conceito
de qualidade.
A luta pela escola inclusiva de qualidade deve ser uma luta assumida por todos que
fazem parte do espaço escolar, pois a prática pedagógica deve ser planejada e refletida.
Conseguir a participação efetiva das famílias tem sido uma tarefa difícil. Sem essa parceria o
trabalho do professor fica frágil.
É sabido que as escolas do Distrito Federal, inclusivas ou não ,são carentes de
recursos. No entanto, o comprometimento ético e social perpassam os desafios. Existem
trabalhos que independem de muitos recursos como promover o conhecimento da Língua de
Sinais bem como sua valorização por meio das relações interpessoais das crianças surdas e
ouvintes. Portanto, não requer somente recurso, requer vontade de fazer, como também
oportunizar que as crianças ouvintes tenham o contato, conheçam e valorizem LIBRAS,
levando-as de uma certa forma, a valorizar as duas línguas, evitando o domínio de uma sobre
a outra, encontrando assim o equilíbrio e o respeito entre surdos e ouvintes.
Os professores podem preparar jogos onde as crianças poderão nomear reconhecer
objetos, participar de teatro na própria escola, incentivar a curiosidade. O encantamento da
língua de sinais pode ser feito e pensado pelos educadores. A ausência de preparação e
comprometimento pode fazer com que a luta pela educação inclusiva fique apenas no papel.
Não se faz educação inclusiva sem lutar por ela. Essa luta é no dia a dia é uma construção
permanente, pois a garantia do acesso à sala de aula regular existe, no entanto, a garantia pela
qualidade e permanência do aluno com deficiência na escola é um compromisso que deve ser
assumido por todos e ensinado nas escolas. Apenas o acesso e o número de crianças com
deficiência nas escolas não devem ser vistos como indicadores de qualidade, qualidade vai
além, a qualidade é construída dia a dia, no fazer e nas reflexões pedagógicos. Até hoje, o
Brasil não conseguiu completar a sua evolução de simples colônia de exploração para nação.
Ainda pensamos como colônia, no que se refere à educação não é diferente apesar de
inegáveis avanços, a educação inclusiva ainda é um cenário em construção.
57
A educação inclusiva deve partir do princípio de que todos, independente de suas
limitações, têm o direito de aprender. Não só para informação, mas para entender e participar
da cultura, da história. Isso irá lhes garantir cidadania, pois fazem parte de uma sociedade,
tendo o direito de resistir e se organizar, de protestar em busca do respeito e valorização do
povo e da cultura surda e, principalmente, de produzir e participar dos bens produzidos. Essas
e outras ações podem ser um compromisso ético que deve partir dos agentes da escola como
professores e demais. Não há educação inclusiva sem justiça social que é uma construção
permanente. A educação inclusiva só pode existir, e ser verdadeiramente efetivada, pelo
reconhecimento da singularidade e particularidade dos sujeitos surdos e da universalidade de
direitos entre surdos e ouvintes. Requer recursos? Requer conhecimento, respeito ao povo
surdo e sua cultura, pois se faz necessário antes das cobranças por recursos, o conhecimento
dos sujeitos surdos para perceber quais os recursos são necessários. Não podemos cobrar, a
respeito daquilo que não conhecemos.
O educador deve pensar nas limitações impostas pela surdez ao letrar a criança surda.
Desconsiderar que o aluno ouvinte adquire sua língua o português de forma natural e querer
impor aos surdos às condições iguais em que o ouvinte adquire sua língua é um desrespeito à
cultura surda. Assumir posturas em respeito à criança quando se está explicando, além de ser
um direito das crianças em entender, são condições básicas para o sujeito surdo perceber que
ele é importante e faz parte dos demais alunos. O intérprete de sala pode se valer de variadas
ideias e observações para desenvolver o letramento como as imaginadas por esta pesquisadora
e exemplificadas a seguir:
Trabalhar com os alunos vários tipos de textos como: poesias, contos, lendas,
histórias infantis, se possível às histórias adaptadas para os surdos, tipo: a
cinderela surda, o patinho surdo entre outras. Além de oportunizar a criança
surda contato com diversos tipos de textos, permitirá as crianças ouvintes a
conhecer, respeitar e valorizar a cultura surda. Fazer a tradução em LIBRAS e
as palavras que não tiverem sinais, isto é, será preciso usar a DATILOLOGIA.
Apresentar as ilustrações das histórias, fazendo perguntas para as crianças
relacionadas às histórias e pedir a elas que inventem um final diferente, deem
um título diferente, acrescentem um personagem diferente com características
diferentes, pois penso que isso poderá ajuda-las a ampliar a imaginação a
criatividade e, principalmente, ajudá-los a construírem e entenderem sobre o
que é conotação, ex.: A cachorra da vizinha...só entendendo o contexto é que
58
se pode perceber se cachorra se trata de um animal ou de um “ xingamento”.
Para os surdos, a “conotação” pode ser mais difícil de entender.
Contar a história de uma maneira mais natural. Apresentar o texto por
completo, não se pode letrar “ aos pedaços”
conforme a necessidade e
dificuldade que eles tiverem com o texto. Poder-se-à ir focando as partes
principais até chegar ao texto todo. O ideal é começar do macro para o micro,
ou seja, começar por textos completos, pois ninguém “apresenta um carro
começando pelas rodas, o volante, os bancos e os espelhos, se apresenta o carro
e com o tempo as crianças entendem naturalmente as partes que o compõem.
Ajudar as crianças a perceberem o texto o que não conseguiram perceber.
Porém é importante não dar as respostas e, sim, fazê-las pensar.
Se a história for desinteressante, a criança não irá querer ler até o fim, pois se
os adultos, por vezes, abandonam a leitura por não acharem interessante,
porque com uma criança seria diferente? É importante conhecer, na medida do
possível, qual é o assunto que eles gostam de ler. Em se tratando de crianças
temos vários tipos de leitura e não é difícil de descobrir o gosto dos alunos.
Fazer relação da história com a vida da criança, pois além da criança surda se
sentir valorizada poderá se interessar mais pela história, ex.: O patinho surdo: o
que aconteceu na história. Quem conhece alguém que viveu uma história
parecida? Como foi?
Tentar variar nos sinais, por ex.: Eu moro com minha
mãe, eu moro em qualquer lugar. Nesses casos podem usar o sinal de morar e
viver. Sendo assim, além de evitar o bimodalismo, a criança terá mais sinais
para usar em um mesmo contexto. Há de se pensar que existe o regionalismo.
No entanto, quanto mais sinais ela conhecer mais terá opções de escolhas a
fazer.
O professor precisa deixar explícito que acredita no sucesso da criança, pois se
a mesma perceber que o educador não acredita no seu potencial, como esta irá
ter segurança para aprender a aprender. O aprender se constrói no dia a dia,
isso não difere de crianças surdas e ouvintes.
Organizar como se fosse um teatro para as crianças representarem em sala. A
história pode ajudá-las a ficarem mais desinibidas, além de promover a
interação, usando a Língua de Sinais. Isso ajudará os alunos ouvintes a
ampliarem o uso de LIBRAS e aprenderem sinais novos.
59
Os educadores não podem apresentar um tema e na aula seguinte não retomar a
ele. É preciso verificar o que os alunos conseguiram reter, quais as informações
ficaram claras e quais não entenderam, ação pedagógica que deve ser feita com
alunos surdos ou não.
Não falar de costas para os alunos surdos, ainda que ele não consiga fazer
leitura labial, pois dificulta a visualização dos mesmos. Além disso “ falamos
com expressões”, pois qual pessoa consegue relatar uma tragédia com o rosto
de felicidade ou relatar uma história feliz com o semblante de tristeza. Claro
que isso não é uma regra, mas o aluno surdo ou não precisa ver o rosto do
professor. Falar com o aluno de costas é também um desrespeito bem como
falar andado pela sala.
Quando se tratar de uma história com vários personagens é
necessário que fique claro para as crianças, quantos personagens têm na
história, como eles estavam? Tristes, alegres, confusos, e por que eles estavam
assim? A história pode ser aproveitada para trabalhar matemática no que diz
respeito às quatros operações, exemplo: soma e subtração. Pude observar que
as crianças surdas têm bastante dificuldade em entender , que, às vezes, na
soma, sobe um número e na subtração as vezes é preciso “pegar emprestado”.
É um apontamento, mas que pode ser válido, pois as crianças surdas ou não
dão pistas.
As sugestões acima são apontamentos. Na verdade, é preciso ser levado em
consideração vários aspectos como materiais pedagógicos, recursos, a própria presença do
intérprete e sua qualificação para atuar como ILS e a família quanto à participação da vida do
educando, a postura do gestor enquanto escola inclusiva, políticas públicas voltadas para a
educação especial entre outros. Porém, há um recurso que independe de todos esses, é a ética
do educador e o compromisso social. Quando se escolhe ser educador, o compromisso
perpassa os muros e portões das escolas, assumimos um compromisso com “ o direito” à
educação de qualquer sujeito sendo ele surdo ou não.
O discurso sobre as dificuldades já o conhecemos. É sabido que são várias as barreiras,
mas, no entanto, precisamos trabalhar dentro de nós o discurso da solução. Não que exista
uma pronta, mas apontamentos sim, ideias e observações também podem ajudar no que diz
respeito aos desafios do letramento da criança surda.
60
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como foi possível perceber, inserir crianças com deficiência no espaço escolar e
pensar que esse ato se trata de inclusão é uma ingenuidade, pois para que a educação inclusiva
aconteça são necessários pré- condições, condições, práticas pedagógicas e resultados. No
entanto, outros fatores e responsabilidades podem ser somados ao sucesso ou fracasso da
educação inclusiva. O comprometimento do docente e a formação continuada. São essenciais,
como também o trabalho em equipe onde a escola assume o aluno como seu. Se os problemas
estão na escola, parte da responsabilidade é da escola em tentar resolvê-los. É sabido que
existem medidas que não dependem das escolas, no entanto, existem medidas e ações que
devem ser feitas pela escola e na escola.
Sabe-se que, garantir a educação para todos gera custos. Porém quando se trata de
educação especial os custos são altos. Custos esses que devem ser entendidos como
investimentos, e principalmente, como um direito constitucional de todas as crianças com
necessidades especiais, o direito de serem vistas e respeitadas como sujeitos.
Cada sujeito surdo, não diferente dos ouvintes, agrega a aprendizagem e percebe o
“mundo das letras” ao seu modo, juntamente com suas particularidades e seu tempo. Todavia,
existem fatores que podem auxiliar esse processo ou atrasar a motivação, a interação com os
demais sujeitos, a valorização da própria língua, o acreditar em si, o diagnóstico educacional,
não somente para orientar suas ações, mas para reconhecer e respeitar “o jeito surdo de ser e
aprender”.
A visão de que o surdo deve se normalizar vem se alterando por meio das lutas de um
povo que possui uma cultura, o qual luta para serem vistos e aceitos, já que a história há mais
de um século negou sua existência. Contudo a luta pelo respeito e aceitação da sua língua vêm
se fortificando, pois apesar da sociedade impôr valores como linguísticos, estéticos, culturais
entre outros, começa a perceber que existe um povo que aprende por um canal diferente, que
possui outra língua, mas ainda há muito o que se conquistar.
É por meio da conscientização e do reconhecimento, das diferenças que haverá
chances de se promover a igualdade, pois reconhecendo as diferenças reconheceremos as
limitações que impõe a surdez e valorizando as potencialidades é preciso entender que
somente o uso da LIBRAS não garante o sucesso educacional para as pessoas com surdez. Há
muito que se fazer. O próprio surdo precisa acreditar na sua potencialidade, precisa participar
das decisões que se referem aos interesses dos mesmos.
61
É por meio do vocabulário que nós conseguimos compreender, no entanto, nós
adquirimos vocabulário antes mesmo de aprendermos a ler e depois. Aprendemos no espaço
da escola e fora dele, nas relações com a família e demais pessoas. A aquisição do
vocabulário não depende exclusivamente da leitura, mas o aprimoramento pode ser ampliado
e melhorado por meio da leitura. Para tanto, quem tem contato com a leitura e diversos tipos
de textos e compreender o que lê, têm mais chances, de se tornar bom leitor e conseguir
interpretar textos.
Percebemos que a criança surda, filha de pais ouvintes, enfrenta uma barreira que é a
comunicação. Como essa criança conseguirá ampliar o seu vocabulário, se, na maioria das
vezes, não consegue uma comunicação efetiva. A convivência com adultos surdos é
importante para que esse vocabulário seja ampliado. Quando a criança é ouvinte, mas seus
pais são surdos, a criança pode ter um vocabulário também restrito e resumido, pois além do
português, irá saber LIBRAS, mas isso não significa que seu vocabulário será extenso.
Esta autora termina este estudo com mais dúvidas do que quando iniciou. Fato
importante posso colocar já que as perguntas são mais importantes do que as respostas, pois é
por meio dos questionamentos e inquietações que conseguimos construir nossas hipóteses
sobre o letramento da criança surda. Certezas não existem, o que existem são apontamentos os
quais irão variar de acordo com as necessidades de cada um. Somos únicos e somos
diferentes. Portanto, para que haja igualdade é preciso reconhecer que somos diferentes,
aprendemos de formas diferentes e isso não era levado em consideração em ambas as turmas.
A educação dos sujeitos surdos e ouvintes deve ter a intenção de formar pensadores
não reprodutores de ideias para que consigam ampliar seus horizontes tendo mais confiança
em si mesmo. As crianças surdas precisam se “arriscar”, precisam errar, pois o erro faz parte
do aprendizado, precisam se relacionar com as demais crianças. É imperdoável em uma escola
que se intitula como inclusiva como a que foi pesquisada não divulgar a LIBBRAS nem tão
pouco promover alguma ação para que essa valorização seja efetuada.
Como uma criança consegue fazer leitura labial sem ajuda de um especialista. Será
essa criança incapaz de aprender? Quais recursos indicados para letrar essa criança? Qual
melhor método para letrar? Considerar o educando, reconhecer e respeitar suas limitações é
um compromisso social e ético. Somos responsáveis pela construção de uma sociedade mais
justa onde todos devem fazer parte dela, sendo reconhecidos como cidadãos, com o direito de
produzir e usufruir dos bens de produção. Oferecer-lhes apenas uma cadeira na escola para os
com deficiência e achar que se trata de inclusão é excluir o sujeito duas vezes, respeitá-lo
como diferente, reconhecendo suas limitações, acreditando no potencial e intervindo para o
62
aprimoramento do ensino e aprendizagem é respeitar a criança dentro de suas limitações,
ajudando a criança a acreditar em si mesma, ficando mais segura para aprender a aprender.
Há diferenças entre formação e atualização, o que não deixa de ser responsabilidade
individual do professor. No que diz respeito à formação de professores, verificou-se que ela é
deficitária, porém quando se refere ao letramento da criança surda, os desafios são ainda
maiores, pois estão relacionados aos conteúdos e orientações entre outros, visto que não havia
orientações específicas sobre as competências que os professores deviam ter para exercer sua
função com professoras letradoras de crianças surdas.
As pesquisas sobre letramento das crianças surdas e ouvintes não se findaram e jamais
vão se findar, pois é igual a qualquer conhecimento científico. Perguntas, experimentos e
métodos irão estabelecer novas evidências que devem sempre ser questionados, pois não
existem verdades absolutas, devem ser testadas e sempre serem substituídas quando
necessário ou modificadas adaptadas e ampliadas quando for pertinente.
Segundo (Bhabha, 1994, p. 208), o surdo tem diferença e, não, deficiência, e a
preocupação que foram exploradas aqui. Antes de tudo, trata-se da diferença e da diversidade.
O que importa é como assumimos o sujeito surdo. Fala-se, hoje, frequentemente do
biculturalismo entre surdos ou então se usa o termo bilinguismo. Minha posição é de que o
biculturalismo e o bilinguismo mascaram normas, pois mantêm a diferença cultural surda
como se ela fosse incômoda. As posições bicultural e bilingual mantêm o surdo pelo meio. É
como se dissesse: você é um, mais tem que ser dois ao mesmo tempo. Esta é uma exigência
da “ diversidade” imposta pela sociedade anfitriã ao surdo, uma definição sujeita ainda a
manter cambaleante à comunidade surda. A estratégia é visível: “ o universalismo que
permite paradoxalmente a diversidade, mascara normas etnocêntricas. Isto deixa clara a
tentativa de impor uma língua única para todos, o que nunca será possível. Entra aqui o
esforço de universalizar o surdo, inclusive usando-se como artifício a integração onde se
admite a diversidade, não, porém, a diferença.
Desta forma, querer que o surdo seja ouvinte e se porte como ouvinte como se
percebeu nesta escola é uma agressão e desrespeito à cultura surda. O surdo não tem que ser
ouvinte, pois a cultura ouvintista é constituída de signos que se ouve (audíveis), ele só irá
conseguir entender a palavra até certo ponto, pensando na “ imagem” da palavra para auxiliar
sua compreensão. A escrita do surdo jamais será igual a do ouvinte, pois as palavras são soltas
e, talvez, continuarão soltas sem um contexto, pois pensar em frases no português e fazê-las
não é o mesmo em fazer e pensar em LIBRAS. Terão consciência disto os educadores
observados? Faz-se necessário pensar em estratégias de como letrar e cobrar os resultados
63
sem impor e reforçar a cultura ouvintista para que como educadores não impormos poder e
privilégios, sem respeitar os sujeitos surdos e sua cultura. Segundo Beyer (2010, p. 57) para
os professores em atividade, para quem a proposta da integração/inclusão escolar surge como
um adicional “ complicador” , uma formação continuada deveria tentar propiciar ferramentas
básicas, tendo em vista sua capacitação. Evidentemente, esta formação deve ter os requisitos
essenciais para uma condução do processo de ensino- aprendizagem desde os fundamentos
conceituais da educação integradora/inclusiva até os aspectos pedagógicos implícitos nesse
processo, tais como a metodologia de ensino, os recursos didáticos, as formas de
aprendizagem de alunos com necessidades especiais, sua progressão escolar, as questões de
avaliação e da finalização dos estudos.
As mediações pedagógicas deveriam respeitar as peculiaridades das crianças surdas no
seu jeito diferente de aprender. O corpo docente deve se organizar e preparar suas aulas
levando em consideração que todo o conhecimento passado pelo professor estará ao alcance
de todos independente de suas limitações. Não foi o que se percebeu no ambiente pesquisado.
Nessas condições, uma criança não pode ser avaliada por aquilo que não lhe foi
ensinado, pois não estaria ambos ligados o direito de aprender ao de avaliar? No entanto, se o
educador não tiver essa sensibilidade poderá estar cometendo uma injustiça. Daí a
importância da formação continuada, onde o educador não só terá essa percepção como
poderá preparar uma boa prática pedagógica, a fim de alcançar um aprendizado significativo,
onde nenhum desafio será deixado de lado ou ao menos pensado como superá-lo. Pois,
acredita-se que estão nas perguntas, os caminhos da aprendizagem, sendo que o percurso será
muito importante para confrontar e revelar, novos métodos de inclusão, no que diz respeito à
sala de aula, já que por meio do conhecimento pode-se combater a ignorância que
consequentemente poderá funcionar como um “remédio” para o preconceito. Quando falamos
em inclusão há de se pensar em inclusão do aluno como um todo .A criança precisa da
identificação dos espaços como: direção, salas, banheiros e refeitórios não só para se orientar,
mas também para perceber que a escola a acolhe, divulga, respeita e valoriza a língua de
sinais, não pode ser apenas uma “sinalização tímida” como um faz de conta que se faz
inclusão. Os sinais precisam estar claros, pensando também que a escola como espaço social e
formadora de opiniões, deve divulgar, valorizar, pois essas crianças que estão hoje nas escolas
serão os professores, delegados, médicos de amanhã. Porém, ter a oportunidade de conhecer,
reconhecer e valorizar a LIBRAS poderá contribuir para uma sociedade mais justa e
igualitária, onde todos tenham o direito à informação e a formação, para que o ensino
linguístico seja de fato propiciado aos alunos surdos. A escola deve pensar que, na maioria
64
das vezes as crianças surdas só têm contato com LIBRAS na escola e quando têm diferente da
criança ouvinte que a qualquer lugar que vá terá contato com o português.
Outro agravante é que na referida escola, todos os alunos surdos que foram observados
são filhos de pais ouvintes e nenhum sabe ou utiliza LIBRAS sentiu-se então que a primeira
barreira que essas crianças surdas enfrentam é a barreira da comunicação, tão importante para
sua sobrevivência.
Segundo Lodi (2010, p. 119), os alunos surdos e ouvintes quando estão na mesma sala
de aula, na mesma escola, vivendo circunstâncias tão diversas têm a sua aprendizagem, e
portanto, letramento favorecidos. São crianças, são alunos, têm direito aos estudos, ao
conhecimento,
à
inserção
cultural,
se
respeitadas
às
diferenças
linguísticas
e
consequentemente forem aprimorados procedimentos didáticos adequados. A escola
seriamente comprometida com o aprendizado dos alunos surdos vê e assume o domínio da
Língua Brasileira de Sinais para todos que nela estão. Todos ganham em conhecimento, todos
ganham em partilha de vida: ouvintes e surdos. Dessa forma, entende-se que aprender é um
ato político as adequações as mudanças devem ser pensadas na escola como sendo uma
instituição. Os papéis devem ser definidos e respeitados, intérpretes devem ser intérpretes,
excluir o aluno dentro da inclusão nada mais é que excluí-lo duas vezes, como já dito
anteriormente.
Em suma, o estudo permitiu verificar que o letramento das crianças surdas não é
possível, dentro desse contexto escolar, entretanto, para facilitar o seu aprendizado e
promover o letramento, já que a “leitura de mundo” dos alunos surdos é diferente dos alunos
ouvintes, o aprendizado se dá pelo campo visual o qual é mais aguçado para compensar a
surdez. O intérprete de LIBRAS ocupa uma posição muito importante. Além disso, a pesquisa
possibilitou verificar a fragilidade por parte dos preparativos da escola para atender a
necessidade das crianças surdas, isto é, o projeto de inclusão não ocorre na prática e o
letramento da criança surda não ocorre conforme previsto em lei e se espera da escola, visto
as várias fragilidades percebidas: necessidade de reorganização do espaço físico, preparo
docente, ausência do intérprete e ainda a falta de recursos pedagógicos. Assim sendo,
verificamos que as crianças surdas ficam em defasagem educacional em relação às ouvintes.
65
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68
APÊNDICES
69
DESAFIOS DO LETRAMENTO DA CRIANÇA SURDA: UM ESTUDO REALIZADO
NOS 4º E 5º ANOS DO ENSINO FUNDAMENTAL
1.2013
APÊNDICE A : Termo de consentimento livre do (a) professor (a)
Caro (a) Professor (a),
O/A Sr./a. está sendo convidado (a) a participar voluntariamente de uma pesquisa da
Universidade Católica de Brasília que tem como objetivo principal averiguar quais os desafios
do letramento da criança surda. Leia cuidadosamente o que. Quaisquer dúvidas serão
respondidas prontamente. O/A Sr./a muito contribuirá para o estudo da temática em pauta.
A presente pesquisa será conduzida pela estudante Cláudia Aparecida Torres Marques
com o objetivo de elaboração do trabalho final de seu curso de Graduação em Pedagogia sob
a orientação da Profª Msc. Adriana Lira, Professora da Universidade Católica de Brasília e
secretária geral da Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade da mesma
Universidade.
Se você concordar em participar do estudo, seu nome e identidade serão mantidos em
sigilo. Somente os pesquisadores, terão acesso a suas informações para verificar dados do
estudo. Vale ressaltar que, todas as informações coletadas pela pesquisadora não terão
utilidade para o processo e para fins judiciais.
Sua participação no estudo é voluntária. O/A Sr./a pode escolher não fazer parte dele,
ou desistir a qualquer momento. O/A Sr./a poderá ser solicitado a sair do estudo se não
cumprir os procedimentos previstos ou atender as exigências estipuladas. O/A Sr./a receberá
uma via assinada deste termo de consentimento.
70
Declaro que li e entendi o formulário de consentimento, sendo minhas dúvidas
esclarecidas e que sou voluntário a tomar parte neste estudo.
Agradecemos desde já pela participação.
Brasília, ____de ____________ de 2013.
Instituição: Escola .......................
_______________________________
Assinatura do responsável / Instituição:
_________________________________
Assinatura do (a) professor (a)
_________________________________
Assinatura do pesquisador
_________________________________
Tipo de participação: Questionário ( )
71
DESAFIOS DO LETRAMENTO DA CRIANÇA SURDA: UM ESTUDO REALIZADO
NOS 4º E 5º ANOS DO ENSINO FUNDAMENTAL
1/2013
APÊNDICE B: Questionário do (a) Professor (a)
PREZADO (A) PROFESSOR (A),
O objetivo desta pesquisa é averiguar quais os desafios do letramento da criança surda nos 4º e
5º anos do ensino fundamental de crianças do ensino público.
Sua colaboração é muito importante para esta pesquisa, pois o senhor/senhora estará
contribuindo para se pensar em uma educação inclusiva.
Para responder ao questionário abaixo não há a necessidade de sua identificação. Leiao atentamente e, em caso de dúvidas, solicite ajuda aos aplicadores.
Desde já agradecemos a sua colaboração.
Data:
Turno da pesquisa:
PERFIL
1 - Sexo:
Feminino ( )1
2 – Idade:
Entre 19 e 24 anos
Entre 25 a 30 anos
Masculino ( ) 2
(
(
)
)
Entre 31 a 40 anos
Mais de 40 anos
(
(
)
)
3 - Sua carga horária total nesta e em outra(s) escola(s):
Até 10 horas ( ) 1
31 a 40 horas ( ) 3
20 a 30 horas ( ) 2
41 a 60 horas ( ) 4
4- Qual o seu grau de escolaridade: ______________________________________
5 - Tempo como educador: ____________
Menos de 5 anos ( ) 1
72
6 a 10 anos
( )2
11 anos ou mais ( ) 3
6 - Há quanto tempo trabalha nesta escola?
Menos de 1 ano ( ) 1
1 a 2 anos
( )2
3 a 5 anos
( )3
6 anos ou mais ( ) 4
7 - Há quanto tempo você trabalha com LIBRAS? ____________
Menos de 5 anos ( ) 1
6 a 10 anos
( )2
11 anos ou mais ( ) 3
8 - Fora da escola você tem algum contato com surdo? Quem?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
O TRABALHO DOCENTE E A PROPOSTA DO LETRAMENTO
9 - O que você entende por Letramento?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
10 - Você tem cursos na área de Letramento?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
11 - Na sua opinião, que recursos são importantes para facilitar o trabalho de letramento de
uma criança surda? Esses recursos estão disponíveis na escola?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
12 - Para você, quais são os desafios de letrar uma criança surda?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
13 - Em sua opinião, pode-se afirmar que existe um tempo determinado para a criança surda
se inserir no “ mundo das letras”? Qual seria esse tempo?
73
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
14 -Para você, há um melhor método para letrar crianças surdas? Justifique sua resposta?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
15 - Para você, qual a importância da família no processo de letramento da criança surda?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
FORMAÇÃO DOCENTE
16 - Possui curso de Libras:
( ) Básico ( ) Intermediário
( ) Avançado- intérprete
( ) Pró-libras
17 -Quando foi feito o seu último curso na área de Libras? Qual foi?
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18 - Dos professores que aqui trabalham, todos têm proficiência em Libras?
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19 - Há um incentivo por parte da escola ou da SEEDF para o desenvolvimento de cursos de
aperfeiçoamento nesta área aos professores em geral?
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20 - Você considera ter tido uma boa formação na graduação como forma de preparo para
desenvolver um trabalho com crianças surdas? Onde foi?
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21 - Na sua opinião, o que é necessário para a efetivação da proposta de letramento da criança
surda?
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ATUAÇÃO DOCENTE - EXPERIÊNCIA COM LIBRAS
22 - Você gosta de atuar no ensino fundamental?
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23 - O que a motivou a trabalhar com crianças surdas?
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24 -Você pensa que a criança com surdez leve e moderada, precisa do apoio do intérprete de
Libras em sala de aula? Por quê?
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25 - Os professores que atuam na educação especial recebe alguma gratificação a mais que
outros professores?
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26 - Caso você já tenha desenvolvido o mesmo trabalho em outra escola, como você o
compara o seu trabalho aqui realizado? Era também pública? Era a mesma realidade?
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27 - O que você tem a dizer de sua experiência enquanto professora de crianças surdas?
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O PROCESSO DE INCLUSÃO
28 - Para você o que é inclusão?
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29 - No que no se refere aos materiais pedagógicos, preparo do educador e acessibilidade do
espaço físico e visual, a escola pública está preparada para receber alunos surdos?
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30 - Você considera que esta escola coloca em prática a proposta de inclusão que se propõe
realizar? Justifique sua resposta. Caso não, por quê?
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31 - A escola pública, enquanto escola inclusiva, tem feito um trabalho capaz de valorizar,
divulgar e conscientizar a língua de sinais bem como a cultura surda?
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32 - E em relação à família, como você percebe esta inclusão?
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33 - Como você percebe a relação das crianças surdas e crianças ouvintes nesta escola?
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34 - Em sua opinião, qual o “ ganho” para a sociedade e para os sujeitos surdos, a convivência
com as diferenças?
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35 - Qual o papel do gestor neste processo de inclusão na escola?
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36 - Para você, qual a maior falha no que diz respeito à inclusão escolar?
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Cláudia Aparecida Torres - Universidade Católica de Brasília