1 1 Pró-Reitoria de Graduação Curso de Pedagogia Trabalho de Conclusão de Curso DESAFIOS DO LETRAMENTO DA CRIANÇA SURDA: UM ESTUDO REALIZADO A PARTIR DO 4º E 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL Autora: Cláudia Aparecida Torres Orientadora: Msc. Adriana Lira Brasília-DF 2013 2 CLÁUDIA APARECIDA TORRES DESAFIOS DO LETRAMENTO DA CRIANÇA SURDA: UM ESTUDO REALIZADO A PARTIR DO 4º E 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Pedagogia da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para a obtenção do Título de Licenciada em Pedagogia. Orientadora: Msc. Adriana Lira Brasília-DF 2013 3 Monografia de autoria de Cláudia Aparecida Torres, intitulada “DESAFIOS DO LETRAMENTO DA CRIANÇA SURDA: UM ESTUDO REALIZADO A PARTIR DO 4º E 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL”, apresentada como requisito parcial para a obtenção do grau de Licenciada em Pedagogia da Universidade Católica de Brasília, defendida em 14 de junho de 2013 e aprovada pela banca examinadora abaixo assinada: __________________________________ Profª Msc. Adriana Lira Orientadora ____________________________________ Profª Valícia Ferreira Gomes Examinadora-interna Brasília-DF 2013 4 A Deus por ter permitido chegar até aqui, na certeza de que não existe verdade absoluta, já que somos todos seres inacabados. Dedico esse trabalho às pessoas com surdez que fizeram parte dessa pesquisa e à profª Msc. Adriana Lira pelo profissionalismo, respeito e carinho, com que aceitou me conduzir nessa pesquisa. À minha família, em especial aos meus filhos que me apoiaram e acreditaram no meu amor pela educação especial. In memoriam, ao meu pai pelo carinho, apoio e pelas sábias palavras quando dizia que a educação é capaz de transformar o sujeito, mesmo sendo analfabeto. 5 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus por ter permitido que eu chegasse até aqui. Não poderia deixar de agradecer a minha família, em especial meu esposo que por muitas vezes fez o papel de mãe quando eu precisei estar ausente. Aos meus três filhos, joias raras, que dão sentido ao meu levantar todas as manhãs. E ainda, os mais e profundos e sinceros agradecimentos às crianças surdas, pois é por elas e para elas meu estudo e pesquisa. Sem o carinho e apoio dessas crianças, esse trabalho não faria sentido e nem tampouco existiria. Na certeza de que a caminhada está apenas começando, agradeço também à ilustre profª Msc.Adriana Lira por ter compartilhado saberes, trocado ideias e, principalmente, por ter me apoiado antes mesmo da pesquisa ser apenas um sonho, ajudando a transformá-lo em realidade e ainda pelo seu respeito à cultura surda. Às educadoras que compartilharam, trocas, vivências e experiências, o meu muito obrigada, pois todos sabemos que na estrada da educação não há um fim; o que existe são pedras as quais juntamos uma a uma para construímos cada degrau de nossa escada. As colegas do Curso de Pedagogia os parabenizo por superarem frustações no fazer pedagógico, cuja experiência ficará em minha memória. Desejo que todos consigam ser educadoras e educadores transformadores e que o trabalho de todos seja pautado na ética e transparência, com respeito e olhar diferenciado para a educação inclusiva, respeitando as limitações dos estudantes e trabalhando para que sejam superadas, reconhecendo o sujeito como ser inacabado, tendo em mente que a criança não é um adulto em miniatura. As intérpretes que contribuíram com a pesquisa, o meu caloroso abraço e agradecimento na esperança que um dia possamos atuar como intérpretes educacionais e não apenas como auxiliares pedagógicas, e, desta forma, conquistando o respeito e o espaço, dentro e fora da escola. 6 RESUMO TORRES, Cláudia Aparecida. “Desafios do letramento da criança surda: um estudo de caso realizado a partir do 4º e 5º ano do Ensino Fundamental”. Brasília. 2013. 76f. Monografia (Graduação em Pedagogia). Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2013. Esta pesquisa teve como principal objetivo averiguar quais são os desafios que permeiam o letramento da criança surda, a partir de um estudo de casos múltiplos, realizado em duas turmas de uma escola da rede pública de ensino do Distrito Federal. A primeira no 4º ano e a segunda no 5º ano, ambas do Ensino Fundamental do turno vespertino. Trata-se de uma escola situada na periferia de Brasília, cuja indicação se deu pela Regional de ensino do Distrito Federal como aquela que trabalha com a proposta de inclusão. Trata-se, pois de uma pesquisa qualitativa, de natureza descritiva e exploratória que teve como questões norteadoras as seguintes indagações: Quais os desafios para o letramento de uma criança surda? A escola está preparada para receber essa criança, no que se refere à sua inclusão e ao desenvolvimento de sua aprendizagem? O intérprete de Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) em sala, facilita o aprendizado da criança surda? A coleta de dados realizada no período de março a maio de 2013 se deu por meio de questionário com questões abertas às professoras, conversas informais com os estudantes de ambas as turmas e a direção da escola, observação de aulas, acompanhamento das crianças no recreio que contribuíram para a caderneta de campo. No que se refere à amostra, a primeira turma do 5º ano era composta por 32 alunos, dos quais quatro têm surdez moderada e dois têm surdez leve sob acompanhamento de uma professora contratada em regime temporário. É intérprete de LIBRAS apesar de não fazer uso em sala de aula. Já a outra turma, do 4º ano, é formada por cinco alunos dos quais três tinham surdez profunda e dois possuíam surdez moderada. Os resultados estão organizados nos seguintes blocos: caracterização da escola, amostra, o trabalho docente e a proposta do letramento, a formação docente, atuação docente – experiência com Libras e, por fim, o processo de inclusão. O estudo permitiu uma comparação no trabalho de ambas as professoras colaboradoras para se analisar a proposta de letramento, objeto de estudo desta pesquisa. Em suma, o estudo permitiu verificar que a alfabetização das crianças surdas não é possível, entretanto, para facilitar o aprendizado da criança surda e promover o seu letramento, já que a “leitura de mundo” dos alunos surdos é diferente dos alunos ouvintes, o aprendizado se dá pelo campo visual o qual é mais aguçado para compensar a surdez. O intérprete de LIBRAS ocupa uma posição muito importante. Além disso, a pesquisa possibilitou verificar a fragilidade por parte dos preparativos da escola para atender a necessidade das crianças surdas, isto é, o projeto de inclusão não ocorre na prática e o letramento da criança surda não ocorre conforme previsto em lei e se espera da escola, visto as várias fragilidades percebidas: necessidade de reorganização do espaço físico, preparo docente, ausência do intérprete e ainda a fata de recursos pedagógicos. Assim sendo, verificamos que as crianças surdas saem em desvantagem em relação às ouvintes. Palavras- chave: Letramento. Surdez. Desafios. Inclusão e Exclusão. Ensino Fundamental 7 LISTA DE SIGLAS APADA- Associação de pais e amigos dos Deficientes Auditivos CF- Constituição Federal DF- Distrito Federal EAPE- Escola de Aperfeiçoamento dos professores de Educação ECA- Estatuto da Criança e Adolescente FENEIS- Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos ILS- Intérprete de Língua de Sinais L1- Língua 1 L2- Língua 2 LDB- Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LIBRAS- Língua Brasileira de Sinais PROLIBRAS- proficiência em Língua Brasileira de Sinais MECE- Melhoramento de qualidade e equidade da Educação PMDF- Polícia Militar do Distrito Federal SEDF- Secretaria de Educação do Distrito Federal SEEDF- Secretaria de Estado de Educação Estado do Distrito Federal TDAH- Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade UNESCO- Organização das Nações unidas para, a ciência e a cultura. 8 LISTA DE QUADROS Quadro 01-Tolerância do som e qualidade...........................................................................33 Quadro 02-Grau de severidade da pessoa com perda auditiva..........................................34 Quadro 03-Classificação de perdas auditivas quanto ao grau............................................34 Quadro 04-Perfil do professor e estudantes turma A..........................................................44 Quadro 05-Perfil do professor e estudantes turma B..........................................................46 9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................11 2 INDAGAÇÕES DA PESQUISA.........................................................................................13 3 OBJETIVOS........................................................................................................................13 3.1 OBJETIVO GERAL...........................................................................................................13 3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS..............................................................................................13 4 RESENHA DA LITERATURA..........................................................................................14 4.1 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: POSSIBILIDADES E DESAFIOS ..............................................................................................................................14 4.1.1 Apontamentos importantes no processo de letramento da criança surda.........................................................................................................................................18 4.1.2 Os métodos e sua escolha na aquisição e aprimoramento da linguagem da criança surda........................................................................................................................................20 4.2 INCLUSÃO: CONQUISTAS, DESAFIOS E RETROCESSOS........................................24 4.2.1 O papel da família na aceitação e construção da identidade surda.....................................................................................................................................26 4.2.2. O que garante a constituição brasileira no ingresso do sujeito surdo na realidade sociocultural?.....................................................................................................................29 4.3 A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DA CRIANÇA SURDA: DESAFIOS PARA OS CAMINHOS DA APRENDIZAGEM......................................................................................31 10 4.4 TIPOS DE SURDEZ E SUAS IMPLICAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DA CRIANÇA SURDA NO PROCESSO DE LETRAMENTO......................32 4.5 INTÉRPRETE DE LÍNGUA DE SINAIS (ILS): QUAL O PAPEL E ATRIBUIÇÕES DESSE PROFISSIONAL NO ESPAÇO ESCOLAR: CO-DOCÊNCIA OU AUXILIAR PEDAGÓGICO?..........................................................38 5 METODOLOGIA ...............................................................................................................41 6 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS............................................................42 6.1 CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA...............................................................................42 6.2 A AMOSTRA.....................................................................................................................43 6.3 RESULTADOS..........................................................................................................48 6.3.1 O trabalho docente e a proposta do letramento....................................................48 6.3.2 formação docente......................................................................................................52 6.3.3 atuação docente - experiência com libras...............................................................53 6.3.4 o processo de inclusão..............................................................................................55 7 SUGESTÕES E APONTAMENTOS NO FAZER PEDAGÓGICO...............................56 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................60 REFERÊNCIAS......................................................................................................................66 APENDICÊS............................................................................................................................69 11 INTRODUÇÃO Ao longo dos anos, o discurso sobre educação inclusiva assumiu novas molduras em decorrência das novas exigências do mercado de trabalho advindas das tecnologias cada dia mais aperfeiçoadas e acessíveis a nossa população. Todavia, a criança, em especial a criança surda, continua merecedora de atenção, pois são múltiplas as interferências às quais são submetidas. Há de se pensar o mundo com outras nuances, o qual irá “cobrar” competências e habilidades que estarão intimamente ligadas à formação geral. Para atender este requisito reconhecemos a importância do letramento da criança. Aliás proposta esta já inserida na educação de crianças e ensino fundamental (cf. p.ex., SOARES, 2003; BRASIL, 2007; LAGES, 2010), cujo desafio é ainda maior quando se trata do letramento de crianças surdas. Para tanto, como se trata de uma proposta ainda não implantada em todas as escolas do Distrito Federal (cf. LAGES, 2010), há uma necessidade de se repensar como a Pedagogia vem sendo executada para que o letramento dos estudantes de modo a prepara-los para os estudos subsequentes e para o convívio social. No entanto, é preciso se pensar a educação a ser executada com base no ensino do século XXI, abraçando as causas humanas e contemporâneas, respeitando as diferenças e principalmente aceitando e reconhecendo o sujeito surdo como parte de uma sociedade e dotado de saberes, apesar de sua limitação. A aquisição de valores, de conhecimentos, a convivência fraterna e socializadora entre crianças surdas e ouvintes, ajudar as mesmas a ampliarem seus horizontes, desvendando novos conhecimentos, contribuindo para a autoafirmação e aceitação dos mesmos, desenvolvendo e construindo autonomia intelectual e pensamento crítico. E, desta forma, consolidando pilares para o trabalho e o exercício de uma cidadania justa e democrática, tendo ciência de seus direitos e deveres como cidadãos. É importante salientar que a escola por ser um espaço social não pode se furtar do seu trabalho como multiplicadora da tolerância e respeito às diferenças. Portanto, entende-se que cabe à escola contemplar mais efetivamente soluções para que a socialização entre os alunos aconteça de maneira mais saudável e natural possível. E assim, abolir paulatinamente as ações emergenciais, que, por força das circunstâncias, tornam-se pouco substanciais para resolução dos problemas causados por uma prática pedagógica não adequada, no âmbito da escola inclusiva, para que as crianças deficientes ou não convivam em harmonia, sem discriminação. E, desta forma, tornando-as capazes de escrever suas próprias histórias, com o desenvolvimento de suas potencialidades e descobrir-se como sujeitos capazes, sobretudo, de atuarem efetivamente na condução do processo educacional e social. 12 No entanto, não cabe pensarmos em um modelo de educação unificado sem levar em conta as necessidades das crianças. É preciso pensar nas condições necessárias para que o seu letramento ocorra. Não se trata de ver o surdo como um “ouvinte deficiente”, que precisa de tratamento médico para “normalização”, ou seja, um sujeito que por falta de audição é ineficiente. É preciso vê-lo com um indivíduo pertencente a uma cultura, que se comunica por outro canal, tendo assim consequentemente outra língua e, portanto, nos seus desafios e potencialidades para que ocorra o seu letramento. Por sua vez, a qualidade das interações interpessoais, a estimulação e a exposição ao meio social tanto importante no momento do letramento e da formação da criança surda ou não, terá forte influência no seu desenvolvimento cognitivo, pois, dessa forma, a criança vai fazendo sua própria leitura de mundo, o que a permitirá uma aprendizagem prazerosa e instigante e não algo sem sentido, sem relação com sua vida. É nas brincadeiras, na escrita, na socialização que as crianças desenvolvem suas mentes de forma vigorosa e eficiente, usando e aperfeiçoando sua maneira natural de aprender. A escola deve, pois favorecer e oferecer condições para que isso aconteça. A escola não pode desencorajar e alienar os sujeitos surdos em seu processo de letramento. O ensino precisa envolver a relação entre o ensinar e aprender, formando assim uma unidade indissociável na educação da criança surda, na qual é necessário ter significado, provocando a aprendizagem, pois a escola não é um espaço acabado e estático, ela faz parte de um processo em construção, á qual deve levar em consideração os sujeitos que dela participam. Compreende-se que ignorar as condições de inclusão e de letramento das crianças implicará no fracasso escolar, isto é implica não apenas em reprovação, mas mais que isso, implica uma exclusão por parte da escola, da sociedade que não aceita esse sujeito e não reconhece o seu saber, obrigando-o também a acumular conhecimentos, que na maioria das vezes, não possui relação com sua vida. 13 2 INDAGAÇÕES DA PESQUISA Esta pesquisa procurou averiguar as seguintes questões: Quais os desafios para o letramento de uma criança surda? A escola está preparada para receber essa criança, no que se refere à sua inclusão e ao desenvolvimento de sua aprendizagem? O intérprete de libras em sala facilita o aprendizado da criança surda? Qual o trabalho feito pela escola para inserir a criança surda não só dentro da escola, mas para torna-la apta para o convívio social? 3 OBJETIVOS 3.1 OBJETIVO GERAL: Averiguar quais os desafios que permeiam o letramento da criança surda no 4º e 5º anos do Ensino Fundamental. 3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Analisar a participação de docentes bilíngues no processo de letramento da criança surda. Compreender como se dá o processo de inclusão das crianças surdas e ouvintes na sala de aula. Identificar quais as possibilidades oferecidas pela escola para promover um desenvolvimento da criança com surdez de modo a respeitar os seus limites pessoais e não de padrões impostos pela sociedade ouvinte. 14 4 RESENHA DA LITERATURA 4.1 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: POSSIBILIDADES E DESAFIOS Para Soares (2004), a alfabetização é entendida como a aquisição do sistema convencional de escrita diferencia de letramento entendido como o desenvolvimento de comportamentos e habilidades de uso competente da leitura e da escrita em práticas sociais. Distingue-se tanto em relação aos objetos de conhecimento quanto em relação aos processos cognitivos e linguísticos de aprendizagem e, portanto, também de ensino desses diferentes objetos – isso explica por que é conveniente a distinção entre os dois processos. Na medida em que o sujeito consegue identificar uma palavra ou mais, está adquirindo e desenvolvendo a leitura, entretanto ler não é o mesmo que compreender. Pois alfabetização e letramento são competências diferentes que requer habilidades específicas uma vez que a criança pode estar alfabetizada mais, no entanto não consegue interpretar o que lê, ou seja, não está letrada. O ambiente juntamente com os estímulos irá contribuir ou não para a aquisição e aprimoramento da leitura dentro de um contexto do letramento o qual está intimamente ligado o uso a práticas sociais e autonomia no aprender. Segundo Ferreiro (1996, p.24) “o desenvolvimento da alfabetização ocorre, sem duvida, em um ambiente social. Mas as praticas sociais assim como as informações sociais, não são recebidas passivamente pelas crianças.”. Assim sendo, “alfabetização não é apenas aprender a ler e a escrever”, “alfabetizar é muito mais que apenas ensinar a codificar e decodificar”, e outras semelhantes (SOARES, 2004). A insuficiência desses recursos para criar objetivos e procedimentos de ensino e de aprendizagem que efetivamente ampliassem o significado de alfabetização, alfabetizar, alfabetizado é que pode justificar o surgimento da palavra letramento, consequência da necessidade de destacar e claramente configurar, nomeando-os, comportamentos e práticas de uso do sistema de escrita, em situações sociais em que a leitura e/ou a escrita estejam envolvidas. O educador precisa reconhecer que o letramento se inicia antes da criança entrar na escola, e se dá por meio de suas experiências e vivências. É função do professor dar continuidade ao processo respeitando e valorizando o conhecimento prévio do sujeito. Como este processo ocorre com as crianças surdas? É o que busca responder este trabalho. Atualmente, a proposta para educação de pessoas com surdez está pautada no uso do bilinguismo, para tornar acessível às duas línguas, sendo que a primeira a língua materna do 15 surdo (LIBRAS) e a segunda o português. É importante salientar que o português deve ser um recurso a mais e não uma obrigação. Ao tomar por base as argumentações defendidas por alguns atores (SKLIAR, 2009, GOLDFELD, 2002, LODI, LACERDA, 2010) entende-se que aprender uma língua não é apenas aprender palavras soltas e sim entender seus significados culturais. Dessa forma, o sujeito terá mais propriedade para aprender e interpretar a realidade, compreender a palavra dentro do seu contexto e sentido, vinculando realidade e linguagem. Para que a criança compreenda e faça relação da figura e escrita é necessário que o educador assuma postura multidisciplinar apresentando textos com figuras para que a criança faça a relação das palavras com as gravuras, pois assim o texto fará sentido. A leitura não se faz só através das palavras, se faz também por meio de figuras, gravuras e desenhos, tendo também imagens e leituras em libras para oportunizar e possibilitar a criança surda o desenvolvimento de sua consciência com relação à necessidade de aquisição da escrita para que essa criança possa se comunicar e se inserir no mundo letrado. Vale lembrar que a aquisição e o aprimoramento do português escrito pela criança surda não pode estar pautado no ensino do português para crianças ouvintes, já que estas aprendem naturalmente a língua falada no convívio com a família e pessoas que a cercam. Nesse sentido, é preciso se pensar no processo, em que ser letrado não é somente saber ler e escrever e sim interpretar, ou seja, práticas sociais preparam a criança para assumir a postura de cidadã crítica e participativa, com liberdade de escolha e responsável por elas mesmas. As crianças surdas enfrentam uma barreira de comunicação com a família o que pode se complicar se a mesma for filha (o) de pais ouvintes já que compreendemos que o processo de letramento é de suma importância o envolvimento e o apoio dos pais visto que o letramento inicia-se antes mesmo da entrada da criança na escola, começando com a primeira socialização que é a família. Sendo assim, em algumas escolas, a Língua de Sinais (LIBRAS) está sendo usada meramente como interpretação de palavras soltas, não levando em consideração o contexto, tornando o ensino mecânico e artificial, “criando” apenas copistas, sem a capacidade de ler e interpretar um texto. Percebe-se assim, que as escolas não estão desenvolvendo práticas de letramento adequado e sim interpretação de palavras soltas, quando o objetivo da educação, não só de crianças surdas mais de crianças ouvintes, deveria favorecer o desenvolvimento intelectual, físico, motor, emocional e social. No entanto, sabe-se que nem sempre as escolas inclusivas estão preparadas, não conseguindo, pois oportunizar as experiências e conhecimentos que podem ser ampliadas por meio do convívio, jogos e brincadeiras, já que os recursos das escolas são limitados. Há de se pensar que a escola, em 16 parceria com a família, deve instruir a criança surda, preparando-a para a sociedade, dando oportunidade para ela consiga construir sua autonomia. Além disso, a interação e a relação entre as crianças com surdez e as ouvintes e demais pessoas da escola constituem um fator muito importante, para a compreensão do universo surdo tanto no que se refere ao desenvolvimento sócio emocional como no processo de auto aceitação e adaptação. As escolas que trabalham com a inclusão precisam de investimentos no que diz respeito a materiais pedagógicos e formação dos educadores que geralmente têm se mostrado despreparados. O contato com as escolas nos fazem perceber a necessidade de uma preparação deste profissional para atuar na educação especial. No entanto o que se tem feito é a simples transferência do aluno com deficiência auditiva para a sala de aula regular, o que não vai garantir a ele um aprendizado e, sim, apenas e tão somente um convívio que muitas das vezes é deficitário, pois poucas são as escolas que tem um preparo ou trabalho para receber e incluir verdadeiramente essas crianças junto aos demais. Tanto mudanças estruturais quanto pedagógicas fazem-se necessários no que diz respeito à inclusão. Na verdade, o aluno não é do professor, mas pertence à escola. Assim, a convivência e aceitação vão além da sala de aula. Para tanto, é preciso um trabalho feito por toda equipe escolar no intuito dessa criança surda se sentir acolhida e segura para desenvolver sua aprendizagem. Entretanto, apesar de muito se falar em inclusão, percebe-se que, na maioria das vezes isso fica apenas no papel, pois os princípios que norteiam à educação inclusiva em nossas escolas parecem estar pautados na “normalização e integração dos sujeitos”, enquanto a priorização do respeito às diferenças é utópico. Prova disso é a avaliação dos sujeitos surdos, por exemplo, onde as crianças aprendem de diferente maneira, Por que a avaliação é igual? Nota-se dessa forma, uma fragilidade na política educacional. A educação regular e a especial não conseguem desenvolver uma ação conjunta, não tendo consistência até mesmo para o preparo dos atores da escola, (direção, educadores e demais funcionários). Assim sendo, à inclusão vai além do acesso à escola. Não é suficiente colocar a criança na escola se essas não tiverem êxito na adaptação, devido entre outros fatores à falta de despreparo do corpo docente que acaba por contribuir mais uma vez para a segregação no espaço escolar. A criança surda se apropria do conhecimento de acordo com que ela presencia juntamente com suas experiências. Dessa forma, ocorre a possibilidade de aprendizagem, isto é, que a faz entender e aguça a sua capacidade de melhor compreender o mundo que a cerca, criação, construção, transformação, invenção, analise, interrogação e etc. É pela 17 aprendizagem que o sujeito consegue sua inserção no mundo da cultura, sendo que esse processo deve acontecer de uma maneira ativa, pois, dessa forma, a criança constrói suas hipóteses em um universo de representações significativas e simbólicas e por meio da interação entre elas. É pela história de seu desenvolvimento que é construída a aprendizagem da criança surda. No início dessa aprendizagem, a família é a responsável por tal tarefa, depois vêm todos “atores” que representam o meio onde essa criança está inserida onde os aspectos pelos quais os indivíduos são constituídos, como, por exemplo, social, histórico, familiar, cognitivo, orgânico entre outros que exercem influências não só na formação do educando mais também nas suas relações interpessoais. Relações essas que ocorrem de forma natural entre elas e são importantes para promover a aprendizagem. Cabe ao educador o papel de observar os alunos nos aspectos totais, pois há de se pensar que cada criança está inserida em um contexto, onde ela traz para escola suas vivências, experiências e leitura de mundo, onde linguagem, pensamento e até mesmo a afetividade vão estar “a flor da pele” na construção e reformulação de seus próprios conhecimentos e de suas identidades no âmbito social. Dessa forma, não cabe um ensinamento robotizado, onde a criança surda assume papel de mero reprodutor sem relação com sua vida, com suas necessidades, não oportunizando, pois um ensino onde a criança assuma um papel “ativo”, em sua aprendizagem e em suas relações interpessoais. Diante do exposto, a equipe gestora juntamente com os educadores é responsável por averiguar quais são os instrumentos necessários para a transmissão do conhecimento e efetivação da aprendizagem. Portanto, o fazer pedagógico vai não apenas contribuir para a interação como também favorecer trocas recíprocas entre alunos e professores, já que é com os alunos que se aprende a ensinar. Por conseguinte, sem essa troca, o ensino tende não só a empobrecer, mas a fracassar, pois se cumpre a missão e função de educar quando se consegue estabelecer alianças entre os sujeitos. Para tanto, constitui um desafio buscar novas ferramentas e metodologias quando se trata de Educação Inclusiva, de modo que provocar a aprendizagem, motivar os alunos não tem sido uma tarefa fácil somada à dificuldade de desconstrução da ideia da incapacidade. Além disso, grandes transformações no ensino exigem profundas reflexões e principalmente, uma visão mais ampla do contexto onde ocorre a aprendizagem. As dificuldades de aprendizagem que os estudantes surdos têm não podem ser tratadas como problemas que não têm solução e sim como desafios que fazem parte do processo de aprendizagem e letramento, pois no decorrer da vida acadêmica, os alunos superam ou não essas dificuldades por vários motivos. O professor deve estar atento e 18 perceber qual a melhor forma de trabalhar com essa criança e, principalmente, inclui-la no processo de letramento. As inúmeras barreiras que podem surgir no processo de adaptação, dos surdos nas escolas podem desestimular a participação dos mesmos, pois eles podem se sentir diminuídos, diferentes e até mesmo discriminados pelos demais colegas, ficando assim desacreditados por eles mesmos quanto à sua capacidade. Nesse caso, o professor deve estar atento para trabalhar, no sentido de transmitir que tanto o aluno surdo como o ouvinte é caracterizado pelas suas capacidades, habilidades e competências e não pela deficiência propriamente dita. Deve se partir do princípio que existe um sujeito capaz, precisando acreditar em si mesmo, a ser valorizado no seu processo de Ensino- Aprendizagem. No entanto, se as práticas pedagógicas utilizadas pelos educadores não respeitarem as limitações dos alunos surdos, eles vão estar simplesmente reproduzindo o que lhe foi passado sem significado, deixando assim esse aluno em desvantagem em relação aos demais, no que diz respeito ao letramento. Entende-se dessa maneira que a escola precisa ser significativa, pois é nesse espaço social que o sujeito irá construir apropriar e transformar sua cultura, mudando assim sua realidade e consequentemente seu pensamento sobre suas capacidades de interação e aprendizagem, de maneira espontânea transformando o seu meio. Destaca-se, portanto, que a escola poderá retardar ou auxiliar o desenvolvimento da criança. 4.1.1 APONTAMENTOS IMPORTANTES NO PROCESSO DE LETRAMENTO DA CRIANÇA SURDA É por meio da cultura, linguagem e diálogo que nós nos desenvolvemos. Essas são as áreas mais comprometidas das pessoas com surdez. Desta forma, fica a indagação: qual a melhor maneira de letrar uma criança surda? Essa pergunta, norteadora deste trabalho, tem sido objeto de intermináveis especulações, tanto no passado como no presente. Porém ainda não encontrou-se resposta para ela. É preciso se levar em conta que a surdez pode prejudicar o esforço e levar o investigador por caminhos, duvidosos, a aprendizagem que se não afetada depende de fatores como, experiência pessoal, cooperação, saúde, meio físico e social, apoio familiar entre outros. Porém, compreender como se dá aprendizagem da criança surda, significa conhecer como ela acontece e a que conduz, ao invés de definição de como se aprende, há de se perguntar de que modo ás crianças organizam seus pensamentos? O pensamento é indissociável da vida. Não se pode ver o pensamento. Ele simplesmente se manifesta em ações. No entanto, está relacionado às atividades humanas. Todas as crianças surdas ou não 19 são únicas, possuindo diferenças individuais. Isso se aplica ao seu aprendizado. Sendo assim, a maneira de ensinar deveria ser individualizada. Para considerar as habilidades e respeitar a maneira peculiar que cada sujeito aprende. Desde muito pequenas, ainda bebês as crianças, na tentativa de construírem sua linguagem, começam a balbuciar sons. São tentativas de se comunicarem. Na verdade, essa tentativa está presente nas relações das crianças surdas. No entanto, acredita-se que o estímulo em desenvolver a fala vai ser fator determinante para o sucesso ou não da aquisição da linguagem. No caso da criança ouvinte, geralmente, os pais falam e pedem para que elas repitam o que foi dito, e, quase sempre, toda ação é falada primeiro para depois ser feita. Exemplo: agora vamos tomar banho... Mamãe vai preparar sua mamadeira e assim por diante. É a partir dessas relações interpessoais que se inicia a aprendizagem da criança, já que a mesma está inserida na primeira socialização que é a família. Quase sempre essa socialização se dá por meio da comunicação e da língua falada. No entanto, o atraso na linguagem vai influenciar diretamente na aprendizagem do indivíduo e, consequentemente, no seu desenvolvimento. É valido lembrar que não é apenas na escola que a criança aprende, pois desde o nascimento, ela é “convidada” pelo meio a estar em constante processo de desenvolvimento e aprendizagem, através da socialização com as demais, pelas brincadeiras, observações e, principalmente, pelos estímulos que irão ou não ser oferecidos a ela. O homem ao decorrer da sua história, construiu e aperfeiçoou a linguagem, pois ele precisava entender os demais e se fazer entender, para que houvesse comunicação. Acredita-se que no início da civilização humana, a comunicação era feita por gestos. Com a evolução da espécie, o homem aperfeiçoou a comunicação onde o sistema fonador passou a ser usado, dando mais liberdade e também favorecendo certas invenções como, rádio, televisão, telefone, ao ponto de chegarmos à internet. Foi à necessidade de comunicação mais rápida que levou o homem a aperfeiçoar os meios de comunicação. A criança ouvinte utiliza muito os gestos para se comunicar, no entanto, à medida que vai crescendo, adquirindo e aprimorando a linguagem, passa a usá-la. Para se comunicar. Já as crianças surdas se comunicam usando as mãos, que a princípio pode ser apenas gestos e mímicas. No entanto, dependendo do contato e da preocupação da família em inserir essa criança no mundo letrado, essa comunicação irá se aperfeiçoar até se tornar LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). Cabe à pergunta, por que a surdez causa tantas consequências às pessoas se as mesmas possuem um canal de comunicação viso-manual, que permite uma comunicação competente? As crianças nem sempre têm contato com a língua de sinais, desde pequenas. Isso se soma ao preconceito que muitas vezes está na família, que demora a entender as 20 peculiaridades da surdez e tem dificuldade em aceitar e procurar apoio. Percebe-se que além do problema orgânico, existe o social, onde muitos acreditam que esse é o mais preocupante o mais prejudicial, no que diz respeito à aquisição e aprimoramento da linguagem. Muitas são as discussões acerca da melhor maneira de inserir a criança surda no mundo letrado e qual a melhor filosofia educacional que o professor deve utilizar, para letrar essa criança, sem tornar um ensino distante da inclusão. Para que exista de fato comunicação, é necessário haver integração entre os sujeitos, pois é na vivência em grupo que se dá a manifestação dos nossos sentimentos, trocas de experiências e a exposição de nossos pensamentos e ideias. Na comunicação das pessoas com surdez, faz- se necessária à existência dessas relações, pois caso não haja não terá comunicação. Um sistema de signos que permite a comunicação entre sujeitos pode ser chamado de língua, no entanto o método pelo qual a criança vai adquirir e aprimorar seus conhecimentos vai ter implicações sobre diversos fatores, pois a escolha da família será primordial no uso do método. Somado a isso, se a criança é filha de pais ouvintes ou surdos, o ensino da criança não pode ser baseado em uma imposição, mas sim no desenvolvimento mais adequado para essa criança absorver o conhecimento já que cada ser é único em sua singularidade e aprende de maneiras diferenciadas. Verifica-se, pois que o acesso da criança à escola não resolve sozinha o conjunto avassalador referente ao atraso educacional que as pessoas com surdez têm em comparação com as ouvintes. É, pois, coerente afirmar que, sem esse acesso pouco poderá ser feito. . 4.1.2 OS MÉTODOS E SUA ESCOLHA NA AQUISIÇÃO E APRIMORAMENTO DA LINGUAGEM DA CRIANÇA SURDA A proposta da educação bilíngue para as pessoas com surdez está pautada no uso e valorização da língua materna da criança à LIBRAS como a primeira língua L1, e o português como a segunda língua L2, é bom destacar a L2 como uma opção e não uma obrigatoriedade, devendo se cobrado na modalidade escrita. Carlos Skliar (2009, p. 10) ressalta que, desde a celebração da conferência da UNESCO, em 1951, é axiomático que, ao se mencionar o caráter bilíngue de um projeto educativo, seja reconhecido o direito que têm as crianças que usam uma língua diferente da língua majoritária de serem educadas na sua língua. Por isso, a materialização de uma educação bilíngue para surdos não é apenas uma decisão de natureza técnica, mas deve ser politicamente construída tanto quanto sócio- linguisticamente justificada. 21 A questão do método a ser adotado para o surdo tem a ver não apenas no que diz respeito à escolarização da criança, vai além, diz respeito à sobrevivência e a própria vida do sujeito. Quando a escola é inclusiva e decide por um método, há de se saber se os surdos têm voz de participação nas decisões. Sendo que a responsabilidade por ensinar o conteúdo fica a cargo do professor que como foi destacado anteriormente precisa estar preparado para trabalhar com as crianças surdas. O Bilinguismo deve ser entendido como uma nova perspectiva, ou seja, como mais uma possibilidade de integração do indivíduo ao meio social e cultural e não como tão somente uma “tábua de salvação”. Se a escolha for essa deve ser feita de modo consciente. Na verdade, é preciso primeiramente reconhecer as diferenças para que haja respeito e valorização entendendo as limitações para não tornar a surdez um obstáculo social onde às crianças fiquem isoladas, principalmente fora do ambiente escolar. Cabe ressaltar que, independente do método utilizado e escolhido, é importante criar condições para os surdos se desenvolverem e serem respeitados enquanto estudantes. A escola deve oferecer a esses estudantes todo tipo de conhecimento. Segundo Goldfeld (2002), o bilinguismo se deu por causa da insatisfação dos surdos com a proibição da língua de sinais, somado a isso aos estudos linguísticos que reconheceu a LIBRAS como uma língua e não como apenas gestos soltos. Foi a partir da década de 90 que a língua de sinais começou a ser implantado em escolas e clínicas. Já o método oralista tem por objetivo a integração do surdo a comunidade ouvintista, ensinando a ele a língua oral de seu país. Nesse caso, a apropriação da língua oral não ocorre de maneira natural, pois a criança com surdez severa e profunda fica impossibilitada de adquirir a língua oral apenas por meio da convivência com os demais ouvintes, ela irá necessitar de um acompanhamento fonaudiológico, o qual irá oferecer estimulação da língua oral. Goldfeld (2002, p. 90) considera que o atendimento baseado no oralismo, isto é, o aprendizado da língua oral de forma sistematizada e ao longo de muitos anos não garante o pleno desenvolvimento da criança surda e nem sua integração a comunidade ouvinte, já que apenas o domínio dessa língua em hipótese alguma possibilita a equiparação entre pessoas surdas e ouvintes. A criança constrói sua linguagem por meio de uma participação ativa, na comunidade que ela está inserida, privilegiando as relações sociais e a qualidade das mesmas, pois a construção da linguagem não é algo que se consegue individualmente, necessitando que apenas coloque essa criança à exposição de uma língua. Se essa prática não tiver relação com algum material concreto, fazendo sentido ao aprendizado, pode está fadada ao fracasso. A 22 parte auditiva dos surdos está adormecida, contudo a visão dos mesmos é extremamente aguçada. Uma compensação da própria natureza, segundo os neurologistas que relatam ainda sobre o cérebro, onde o lado esquerdo é responsável pela fala e o direito pela imagem. Isso talvez explique uma peculiaridade do sujeito surdo, a formação de uma frase com significação. A arte de configurar as mãos juntamente com expressões faciais e corporais precisas expressam a ideia ou sentimento e reproduzem nada mais do que a imagem do pensamento. Como se fosse uma história em quadrinhos ou até mesmo um filme. A sequência da imagem é colocada na frase. O que o surdo vê em primeiro, segundo, terceiro lugar e assim sucessivamente, será o que ele irá sinalizar, se expressando como se estivesse dentro de um cinema mudo. O que a primeira vista pode parecer simples, mas é de suma importância para a comunicação das pessoas com surdez e principalmente na tradução da língua de sinais para o português. No que se refere ao domínio da língua escrita, é preciso considerar que a língua é formada por conceitos que são expressos por palavras. Por exemplo, “bola”, “forte”, “andar”, “calmamente” são palavras que representam conceitos. Quando uma palavra tem um conteúdo semântico bem definido, como essas palavras acima, nós podemos chama-las de palavras de conteúdo. O número de palavras de conteúdo de uma língua é enorme e em constante processo de crescimento. Ex: quando nós queremos expressar um conceito que ainda não existe em nossa língua, podemos criar uma palavra combinando duas palavras já conhecidas: guarda + chuva = guarda-chuva, isto é, um objeto que guarda ou protege a pessoa contra a chuva. Se a composição for boa às pessoas começam a utilizá-la cada vez mais, até essa combinação se consolidar na língua. Esse processo de formação de uma nova palavra, a partir de palavras antigas, é estudado no âmbito da morfologia e a consolidação da nova palavra no repertório de uma comunidade de fala está relacionada ao que Saussure (1969) chamava de convencionalidade da língua. O texto a seguir se refere ao texto de uma criança surda que está no 5º ano do ensino fundamental. O referido texto está composto apenas por palavras de conteúdo. Texto: escorpião precisar atravessar rio falhar pode pedir sapo levar escorpião sapo responder ter medo fazer conhecer escorpião saber matar picada fim travessia escorpião responder evitar conhecer bem escorpião picar sapo morrer sapo escorpião afogar lógico forte sapo aceitar proposta imediatamente começar travessia meio rio escorpião morder sapo escorpião sapo afogar sapo assustado perguntar você fazer morrer escorpião responder saber natureza mudar difícil. Disponível em (http://www.escorpiao.vet.br/parabola.html. Acesso em 20 abr. 2013) 23 A dificuldade com o português faz com que o surdo não saiba usar muito bem os recursos gramaticais da língua portuguesa. Esses recursos dariam maior coesão ao texto e tornaria mais clara e explícita a ideia a ser comunicada. É difícil compreender a história em toda a sua complexidade com clareza porque ela está composta apenas por palavras de conteúdo. As palavras de conteúdo nos permitem acessar as informações centrais da história, mas colocar simplesmente uma informação ao lado da outra não nos mostra qual é a relação entre elas. Uma sequência linguística como no texto acima é extremamente falha em termos de coesão. Isso significa que o receptor do texto acaba tendo que preencher as lacunas de sentido, imaginando quais seriam as possíveis relações entre os conceitos, para fazer qualquer sentido no texto. Nesse sentido, a modalidade oralista exige que o surdo oralize, colocando assim a língua oral acima das suas relações pessoais e até mesmo da sua aprendizagem por meio da sua língua materna. No entanto, a criança surda depois de anos de tratamento com fonoaudiólogo, pode conseguir fazer leitura labial, mas quando pensamos na abstração, nas brincadeiras, das crianças pode ocorrer uma limitação, já que o oralismo não prioriza a convivência nem tão pouco o uso e a valorização da LIBRAS. A comunicação total veio para ampliar a visão de surdez e a “desobrigação” da necessidade de oralização e valorizou a utilização de códigos espaços-viso-manuais, mas isso não quer dizer que valorizou e reconheceu a LIBRAS como uma língua. Contribui para o surgimento de códigos diferentes, pois o que importa para a comunicação total é priorizar a comunicação dessas crianças com surdez. Percebe-se que é essencial que a criança esteja envolvida em um contexto comunicativo, o qual irá estimular essa criança a criar suas hipóteses sobre a língua. A essa comunicação mais solta com poucas regras pode ser conhecida como português sinalizado, onde “a leveza” da língua de sinais não se faz presente, o objetivo seria a facilitação do aprendizado da criança surda. Goldfeld (2002, p. 104) afirma que as próprias comunidades surdas parecem não aceitar essa língua artificial, que em muitos casos é motivo de deboche e desvalorização da pessoa que a utiliza, estando sempre relacionada aos ouvintes e não aos integrantes da comunidade. Percebe-se também um preconceito contra surdos que misturam o português com a língua de sinais, visto que ele não deveria aceitar a imposição de contaminar sua língua. Contudo, as pessoas com surdez buscam a valorização e o reconhecimento de sua língua, pois a luta desse povo sempre foi pelo direito de usá-la para facilitar a aprendizagem, 24 para entender melhor o mundo o qual estão inseridos, pois sendo surdo severo ou profundo, esses sujeitos, possuem um modo peculiar de perceber o mundo e as pessoas que os cercam. No que diz respeito à educação das crianças surdas, deve ser pensado vários fatores para que a aprendizagem ocorra. Por exemplo, se a criança conviveu desde cedo com algum adulto surdo, se a mesma tem o domínio da Língua de Sinais, o apoio da família, da escola, a oferta ou não do Intérprete de Língua de Sinais (ILS) para que seja pensado como se dará à educação da criança surda. A família certamente irá fazer seus apontamentos sobre qual método que irá escolher para educar essa criança. 4.2 INCLUSÃO: CONQUISTAS, DESAFIOS E RETROCESSOS A história da raça humana se constrói por mudanças e avanços contínuos como na área da tecnologia, da cultura e educação a qual vem se consolidando de forma fragmentada. Discutir educação inclusiva e os direitos, de quem dela necessita infelizmente nos remete a um triste cenário que se encontra ainda em construção, apesar de avanços inegáveis conquistados pela luta social da pessoa com surdez e seu crescente reconhecimento e legitimidade, de um povo, uma história, uma língua e uma cultura. A educação é um direito fundamental do ser humano, sendo ele surdo ou não. Portanto, é esse direito que irá não só potencializar os demais direitos conquistados como também reestruturar uma sociedade, tão desigual e ávida por mudanças. A vinda e oferta desses alunos á escola regular não significa necessariamente sucesso, e sim o surgimento de um novo paradigma que inquietam estudiosos e profissionais da educação. Na verdade “a página” da inclusão se encontra com muitas questões a serem esclarecidas. Sendo assim, a escola necessita de uma ação planejada, voltada para a conscientização não só da comunidade escolar, mas também dos familiares, a fim de superar gradativamente a exclusão dos sujeitos com surdez, pois, sem esse suporte, a educação inclusiva está fadada ao fracasso, ficando comtemplada apenas no papel. A educação inclusiva não requer apenas recursos financeiros, mas faz necessário repensar nas formas como será ofertado esse ensino a crianças com limitações há de se pensar que o indivíduo, tem sua maneira peculiar de aprender, então não há como se exigir e querer o mesmo desempenho de crianças tão diferentes em suas peculiaridades. Então pensar no melhor método de ensino, requer uma reflexão mais profunda. Deste modo o interesse dos surdos sempre esteve nas mãos dos ouvintes. 25 Cabe à escola oferta da língua de sinais á qual deve ser não só oferecida mais valorizada como uma língua. Desta forma, o sujeito se sentirá envolvido no seu processo de ensino – aprendizagem, sendo autor da construção de sua história no ambiente educacional. O aluno precisa saber que possui os mesmos direitos como qualquer estudante e, principalmente, como cidadão. As vivências e experiências de alunos surdos com ouvintes podem colaborar para uma leitura de vida reconhecendo e descobrindo as habilidades pessoais e acompanhar os ritmos tecnológicos, que afeta a vida em sociedade, na escola, na família. Ainda sobre o papel da escola, deve-se destacar que a escola, não pode ser de paternalista e assistencialista, mas sim oferecer recursos internos e educacionais para que essas crianças possam construir sua dependência, se tornado construtores de seus saberes. Neste sentido, pode-se afirmar que no que diz respeito à educação inclusiva existe uma continuidade e descontinuidade, no plano da educação inclusiva, pois apesar da garantia à classe regular ainda se discute a qualidade do ensino. Sendo a escola uma instituição, ela possui um produto que é o educando e não os meios pelos quais esses educandos aprendem. Se esses meios não estão sendo suficientes para que a aprendizagem aconteça, algo deve ser feito, pois, segundo Paro (2011), só há ensino quando há aprendizagem. Para que os educandos aprendam é preciso haver, antes de mais nada, motivação. Esse desejo que os alunos surdos devem ter de aprender é o primeiro desafio da escola, a qual precisa do apoio incondicional da família, pois a família não tem apenas o papel de acompanhar e auxiliar as crianças nas tarefas de casa. O compromisso social deve ser assumido por todos. Esse prazer em aprender deve ser construído pela escola em parceria, com a família numa interação mútua. Como a escola vai promover essa inclusão, as especificidades do trabalho docente requerem uma teoria e prática articulada, onde a ação, reflexão e ação devem assumir os pilares para uma boa prática pedagógica e comtemplar as necessidades e exigências dessas crianças incluídas no sistema regular de ensino. À escola cabe também o trabalho de inclusão dos alunos na sociedade e não apenas na escola. Visto que futuramente essas crianças estarão à procura de empregos, buscando seu lugar dentro de um sistema de emprego cada vez mais competitivo. Pensando assim, a escola não pode se furtar desse compromisso em trabalhar a valorização e reconhecimento desse futuro profissional, o que implica um exercício de cidadania. Todavia, os professores devem estar preparados não só para lidar com a falta de recursos e materiais pedagógicos, mas também para lidar com as questões afetivas e motivacionais. Exigindo deles (educadores) um olhar diferenciado e uma sensibilidade para lidar com esses “empecilhos”. A autoavaliação do educador terá que fazer parte do seu fazer 26 pedagógico, pois são as perguntas que nos levam a construir e elaborar novas práticas. A formação adequada e o preparo dos profissionais da área de educação contribuirá para um atendimento melhor e, principalmente, enxergar e entender o surdo dentro de um contexto sociocultural e linguístico diferenciado. O marco normativo oficial da política educacional brasileira, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9.394/1996 trata a educação como direito inalienável, enquanto “direito social proeminente, como pressuposto para o exercício adequado dos demais direitos sociais, políticos e civis” (cf. BRASIL, 2011). A educação dos surdos deve estar pautada em uma educação libertadora, com a inclusão social, pois o ensino precisa ser ofertado não apenas para os sujeitos aprenderem a ler e escrever, mas formar cidadãos capazes de reescrever suas histórias como atores sociais para saírem de suas injustas situações de exclusão e desta forma, buscar autonomia em sua comunidade, em respeito às lutas e afirmações de um povo, uma história. 4.2.1 O PAPEL DA FAMÍLIA NA ACEITAÇÃO E CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE SURDA Quando um casal pensa em ter filhos, logo já começa a visualizar em pensamento como seria essa criança, que nome daria se for menina ou menino, em qual escola a criança irá estudar. Enfim, começam a pensar no futuro dessa criança antes mesmo de estarem “grávidos”. Poucos, porém pensam e planejam como será o futuro desse sujeito se o mesmo tiver uma deficiência, ao não ser é claro que já tenha outro caso na família. No entanto, após o nascimento se ficar constatado que a criança é surda, a família á princípio leva um “susto”, alguns já podem conhecer alguém surdo ou ter na família alguma pessoa com surdez, no entanto há aqueles que pouco sabe sobre surdez e como lhe dá com tal questão. No primeiro momento, bate a insegurança e, talvez, até o desespero, pois ambos, pai e mãe se preparavam para receber uma criança ouvinte na maioria dos casos... O que fazer? Quem procurar? Como se comunicar com essa criança? Como inseri-là no mundo cheio de transformações e estímulos, um mundo onde mal conseguimos “digerir” uma informação e outra logo surge. Esses e outros questionamentos certamente durante algum tempo irá ocupar a cabeça dos pais, na tentativa de preparar o filho para um mundo que se transforma a cada descoberta, na área da ciência e tecnologia cada vez mais avançada. Deste modo, não cabe apontar “fórmulas mágicas” de como os pais devem lhe dar com a situação, mesmo porque as fórmulas não existem, o que existe são apontamentos, os quais partem sempre de uma indagação, pois não 27 há verdade absoluta, há dúvidas e suposições, para quem tem uma criança com surdez isso a princípio pode parecer desesperador, pois faz parte da natureza humana o imediatismo que muitas vezes, queremos e buscamos para soluções rápidas com o intuito de suprir, nossa falta de informação e desconhecimento do assunto. Alguns apontamentos são válidos: como, os pais precisam ir à busca de conhecimentos e orientações não para a cura da surdez, a qual é irreversível, a não ser em caso de um implante coclear, mas mesmo assim caso os pais decidam por fazê-lo é preciso informações sobre os riscos de uma cirurgia, e principalmente se os prováveis benefícios valem os ricos. Perceber que o professor não é o único mediador da criança surda com o mundo, reconhecendo a limitação imposta pela surdez, mas apoiando essas crianças a fim de incluí-las na sociedade. Procurar informações sobre as possibilidades profissionais das pessoas com surdez bem como a inserção das mesmas no mercado de trabalho. Aos pais cabem estar atentos quanto ao direito dos filhos, os quais devem ser incluídos no sistema regular de ensino, o que não significa apenas a convivência com os alunos ouvintes, mas significa se apropriarem verdadeiramente do conhecimento, propiciando o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e linguístico para que a inclusão seja considerada uma prática e não apenas uma utopia. Os pais são importantes para a comunicação com essa criança surda, pois cabe aos mesmos se apropriarem da LIBRAS para que a partir daí consiga essa interação. Não se pode falar de uma língua, sem ao menos “experimentá-la” mesmo porque com a ajuda dos pais essa criança terá mais confiança e naturalidade não só para aprender mais aprimorar a sua linguagem. Se a criança não percebe a valorização, respeito e reconhecimento da LIBRAS, dentro do lar, terá mais dificuldade e até menos interesse em se apropriar dessa língua, para os pais cobrarem da escola um ensino de qualidade da criança com surdez é necessário saber como esse ensino é oferecido, quais são os direitos da criança, o que a (BRASIL, 2011, BRASIL, 2012, BRASIL, 2012a) tem a dizer quanto aos direitos educacionais da pessoa com surdez, não se pode cobrar aquilo que não se conhece. É direito do aluno surdo ou ouvinte estudar em um ambiente que não só propicie como oportunize o desenvolvimento cognitivo, emocional, interpessoal, social e linguístico entre outros. Por esse motivo, a informação dos pais sobre o que a escola pode e deve oferecer enquanto espaço social “vivo” de relações é de suma importância. É preciso que a escola pense com mais seriedade como “aproximar” as crianças surdas das ouvintes, pois os surdos não podem enxergar os ouvintes como rivais, formando guetos, se isolando. Ambas as partes podem e devem aprender uma com a outra. Esse termo “comunidade dominante ouvintista” deve ser superado e abolido, pois ninguém deve dominar 28 ninguém, pois fazemos parte de uma sociedade multicultural. Precisamos desenvolver a solidariedade, o respeito às diferenças e à tolerância. Só assim, conseguiremos a efetiva promoção da igualdade entre os sujeitos independente da sua língua, limitação e singularidade os surdos precisam de igualdade de oportunidades. Esse direito só será conquistado se o direito de não ser discriminado for valorizado e respeitado pelos demais, principalmente por fazer parte de um povo, uma história de lutas e conquistas, de uma língua diferente e porque não dizer de um jeito diferente de ser. Até aqui alguns direitos foram adquiridos porque foram precedidos de lutas e mobilizações. Não tem sido diferente com os sujeitos surdos, as conquistas tem sido alcançadas, devido às cobranças que os mesmos tem feito à sociedade e ao governo. O direito de estar no ambiente educacional frequentando a sala regular, já foi conquistado. Agora a luta é garantir o aprendizado. Para tanto, a escola deve assumir o compromisso de criar um espaço democrático de aprendizagem, onde todos consigam aprender independente das limitações que possuem. São diversos os fatores que excluem as crianças surdas da escola. Alguns estão intimamente ligados a problemas extraescolares, como por exemplo, o nível socioeconômico, a motivação, a falta de apoio da família, o pré-conceito, entre outros. No entanto, quando essa criança consegue chegar e fazer parte do ambiente educacional, o compromisso do professor enquanto educador vai além, passa pelo social e pela ética. Nesse sentido, faz necessário o educador pensar em estratégias de ensino e repensá-las, para garantir não só o aprendizado, mas a permanência desse educando, o aluno deve perceber que está avançando, o incentivo deve partir não só do educador, mas da família no intuito de estimular o engajamento do estudante no que diz respeito à aprendizagem. A família tem o direito de ser informada sobre o avanço do educando e orientada também sobre qual profissional da área da saúde que está habilitado para acompanhar, apoiar e orientar os pais há possíveis intervenções médicas, como otorrinolaringologista, psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo, o professor deve ter esse olhar, pois alguns pais não sabem a que profissional recorrer. Segundo Quadros (2011, p.37), a maioria das crianças surdas adquire a linguagem por meio da língua de sinais, antes de seus pais. As crianças surdas que estão no período crítico de aquisição da linguagem e em contato com sua língua apresentam rápida evolução na compreensão e na expressão. O vocabulário e a construção sintática de muitas crianças surdas são superiores aos de seus pais ouvintes. Os professores devem passar segurança aos pais para que os mesmo fiquem tranquilos quanto à intervenção, o compromisso do professor em relação ao ensino inclusivo, pois a partir do momento que a escola se diz inclusiva, ela precisa “abraçar” a inclusão, que perpassa 29 pelo social, ética e pelo compromisso dos gestores que deve incentivar os professores à formação continuada. A educação da criança surda deve ser compromisso de todos para precisam passar maior tranquilidade para os pais perceberem que da mesma forma que uma criança ouvinte se insere no mundo da oralidade, a criança surda poderá se inserir no mundo dos sinais (LIBRAS). Há muito, a educação dos surdos esteve nas mãos dos ouvintes, entretanto, é tempo do surdo ter o direito de opinar sobre a sua educação. A família, a escola precisa trabalhar em conjunto para esse direito ser conquistado, respeitado e cobrado, mas é necessário que as pessoas com surdez conheçam seus direito. Nesse caso, a escola tem responsabilidade, como espaço social deve tomar para si essa ação, para instruir o sujeito com surdez para que os mesmos além de beneficiários assumam o papel de protagonistas da democracia brasileira, pois somos todos “povos”, filhos de uma só nação. Educação libertadora, de um povo em busca de autonomia pessoal, autonomia de sua comunidade, para que possam ser atores sociais. Entretanto, verificou-se que isso ainda hoje não acontece preparar as crianças surdas para o pleno desenvolvimento de suas capacidades pessoais, bem como os desafios que poderão encontrar em sua trajetória acadêmica é um compromisso e desafio, que deve ser pensado, planejado e assumido pela família e escola, pois essa parceria deve existir para “unir forças”, pois o sujeito surdo não necessita de uma escolha de acolhimento e sim de conhecimento, onde o seu cognitivo seja desenvolvido, valorizado em um ambiente estimulante para conquista de sua autonomia enquanto pessoa, enquanto estudante e enquanto cidadão, opinando e reconhecendo seus direitos, que foram negados por mais de um século. Desta forma, entende- se que tanto a escola quanto a família tem o dever de preparar a criança surda para a vida em sociedade. Portanto, há de se pensar que essa preparação requer um aprendizado de um código de comunicação para que a mesma, além de conseguir se inserir na realidade sociocultural, tenha condições de reconhecer e cobrar seus direitos enquanto cidadã participativa. 4.2.2 O QUE GARANTE A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA NO INGRESSO DO SUJEITO SURDO NA REALIDADE SÓCIOCULTURAL Apesar de ser um direito público e subjetivo o acesso o acesso à educação juntamente com a qualidade ainda constitui um desafio, no entanto quando nos referimos à educação inclusiva, esse desafio tende á ser maior, não só no que diz respeito à qualidade, mas principalmente à oferta e permanência dessa criança na escola. É possível perceber que a 30 escola não consegue oferecer o suporte básico para que a inclusão aconteça de fato, nesse caso o envolvimento da família, a participação, o compromisso com a educação do filho o conhecimento sobre os diretos irá ajudar os pais na cobrança de uma educação de qualidade, dessa forma tentando articular novos arranjos sobre á inclusão, pois a luta pelo direito à educação à qual vai estar ligada ao direito de qualidade de vida e de convivência com os demais. O artigo 7 da Constituição da República Federativa do Brasil (BRASIL, 2012), trata dos direitos das crianças com deficiência, devendo esta ter igualdade como as demais crianças: Os estados partes tomarão todas as medidas necessárias para assegurar às crianças com deficiência o pleno exercício de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais, em igualdade de oportunidades com asa demais crianças. [...] Os Estados partes assegurarão que as crianças com deficiência tenham o direito de expressar livremente sua opinião sobre todos os assuntos que lhes disserem respeito, tenham a sua opinião devidamente valorizada de acordo com sua idade e maturidade, em igualdade de oportunidades como as demais crianças, e recebam atendimento adequado à sua deficiência e idade, para que possam exercer tal direito. (art. 7, BRASIL, 2012) Já o artigo 8, também da Constituição Federal, prevê ações imediatas para atender as crianças com necessidades como é o caso da surdez além de incluí-las socialmente, todavia, isso não ocorre na prática. Os Estados partes se comprometem a adotar medidas imediatas, efetivas e apropriadas para conscientizar toda a sociedade, inclusive as famílias, sobre as condições das pessoas com deficiência e fomentar o respeito pelos direitos e pela dignidade das pessoas com deficiência; [...] Promover a conscientização sobre as capacidades e contribuições das pessoas com deficiência. (art. 8, BRASIL, 2012) Para que a equidade entre surdos e ouvintes exista é necessário que se entenda que somos diferentes em diversos aspectos, sociais, culturais entre outros, a diversidade estará sempre presente, pois os sujeitos surdos ou não constrói sua subjetividade convivendo e fazendo parte de uma pluralidade de existências. No entanto, a proposta da inclusão não deve permitir apenas o acesso democrático no ensino regular, mas principalmente a troca de experiências entre crianças surdas e ouvintes à qual irá promover desafios que irão interferir tanto no comportamento escolar, quanto na sociedade. A escola deve promover ações que resulte uma construção coletiva incluindo estratégias de aproximação entre crianças surdas e ouvintes. Pois de nada vale os direitos adquiridos se estes não forem colocados em prática. 31 De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (cf. BRASIL, 2011 ) prevê no capítulo V a educação especial: Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. §1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. § 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. § 3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. No seu artigo 59, verifica-se que a Lei assegura aos educandos com necessidades especiais os seguintes direitos: I-Currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender ás suas necessidades; II- Professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; Já o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (BRASIL, 2012a), desde a sua criação, em 13 de julho de 1990, é de referência mundial como legislação destinada a proteger a juventude. Fruto de um extraordinário processo de mobilização social e política, que envolveu representantes do legislativo, do mundo jurídico e do movimento social, este ordenamento legal adota a chamada Doutrina da Proteção Integral, concepção que é à base da convenção Internacional dos Direitos da Criança aprovada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em 20 de novembro de 1989. Mais de vinte anos após sua promulgação, no entanto, o estatuto ainda não foi plenamente implantado no país. Para que isso ocorra, é necessário que seus fundamentos sejam compreendidos e praticados em todos os municípios brasileiros. 4.3 A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DA CRIANÇA SURDA: DESAFIOS PARA OS CAMINHOS DA APRENDIZAGEM É de suma importância conhecer e entender a história dos Surdos bem como os métodos usados para inserção dos mesmos no mundo letrado. Os Surdos sempre travaram batalhas para serem aceitos e respeitados como seres humanos pela afirmação da sua identidade, sua cultura e língua. 32 Segundo Guarinello (2007, p. 20) “no Egito acreditava-se que os Surdos faziam mediações entre os deuses e os faraós, eles eram adorados, temidos e respeitados pela sociedade. Na antiguidade, os chineses lançavam as crianças surdas ao mar, por acreditarem que essas mesmas não tinham alma. Já na Grécia, os surdos eram vistos como seres incompetentes Aristóteles acreditava que os que nasciam surdos, por não possuírem linguagem não eram capazes de raciocinar e aprender. Essa ideia fazia com que na Grécia os surdos fossem marginalizados e esquecidos, não tendo direitos como cidadãos, não podendo ter propriedades e nem reclamar herança (a não ser que conseguissem falar)”. Ainda de acordo com Guarinello (2007), foi na idade moderna que se começou a pensar e a enxergar a pessoa surda como alguém com capacidade cognitiva. Através de um monge católico da ordem dos beneditinos, Pedro Ponce de Leon, teve início o trabalho com crianças surdas, fundando em Madri uma escola para surdos. Ele começou a ensinar as crianças surdas filhos de nobres, mas com a preocupação de que esses filhos não perdessem seus privilégios. Percebe-se então que o interesse maior em ensinar os surdos era tão somente financeiro. Segundo Honora (2009), foi após a Revolução Francesa e, no decorrer da Revolução Industrial, que começou a disputa entre os métodos oralistas e os baseados nos gestos. Nesse meio tempo, Jean Itard foi o primeiro médico a se interessar pelo estudo da surdez e seus aspectos. Ele utilizava métodos como: carga elétrica, sangramentos com sanguessugas, perfuração de tímpanos e outros. Muitas vidas foram sacrificadas em nome da ciência. No palco dessa disputa, para definir qual o melhor método acontece um grande movimento de pessoas que ocorre em 1830, dando assim margem para que em 1834 fosse criado por dez pessoas surdas um comitê o qual foi liderado por Berthier, nascendo assim o movimento surdo. Foi à época de “claridade”, onde as pessoas surdas começaram a tomar conta de suas vidas, entendendo e lutando pelos seus direitos. No entanto, não sessaram os desafios que persistem até hoje. 4.4 SURDEZ E SUAS IMPLICAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DA CRIANÇA SURDA NO PROCESSO DE LETRAMENTO A audição possui um importante papel no equilíbrio emocional e na orientação espacial do indivíduo, pois os órgãos do sentido captam excitações externas as quais ficam comprometidas, alterando o nível de vigilância. Quando o sujeito possui surdez severa ou 33 profunda. A saber, são considerados surdos aqueles que apresentam perda auditiva severa e profunda. Já os considerados com déficit auditivo, aqueles que apresentam perda auditiva de leve à moderada, ou seja, não são totalmente surdos. Muitas das vezes nesse caso, o aparelho auditivo é recomendado para facilitar a ampliação sonora que ajuda na percepção da voz humana. Para facilitar o entendimento do leitor deste trabalho são apresentados três quadros o primeiro um comparativo entre a qualidade do som e sua tolerância, o segundo o grau de severidade da pessoa com perda auditiva e o terceiro com a classificação de perdas auditivas quanto ao grau. Quadro 01-Tolerância do som e qualidade DECIBÉIS (db) QUALIDADE DO SOM 0 – 20 21 – 40 Muito baixo Baixo 41 – 60 61 – 80 Moderado Alto 81 – 100 101 – 120 Muito alto Ensurdecedor + 121 Intolerável Fonte: Carmozine (2012, p.28) TIPO DE RUÍDO Farfalhar das folhas, piar do pássaro. Gotejar da torneira, sussurro, tique-taque do relógio. Conversação normal, fonemas da fala. Choro do bebê, latido do cachorro, trânsito. Cortador de grama, motor de moto. Turbina de avião, helicóptero, ruído de show. Tiro, bomba, britadeira. Quadro 02-Graus de severidade da pessoa com perda auditiva Graus de Severidade audição normal deficiência auditiva leve deficiência auditiva moderada deficiência auditiva Severa deficiência auditiva profunda Fonte: Carmozine (2012, p.28) Limiares entre 0 e 24 dB entre 25 e 40 dB entre 41 e 70 dB entre 71 e 90 dB acima de 90 dB Graus de Severidade audição normal deficiência auditiva leve deficiência auditiva moderada deficiência auditiva Severa deficiência auditiva profunda 34 Quadro 03-Classificação de perdas auditivas quanto ao grau Graus de Severidade audição normal deficiência auditiva leve deficiência auditiva moderada deficiência auditiva Severa deficiência auditiva profunda Fonte: Carmozine (2012, p.29) Limiares entre 0 e 24 dB entre 25 e 40 dB entre 41 e 70 dB entre 71 e 90 dB acima de 90 dB Desde muito cedo, aprendemos a diferença básica entre os homens e os outros animais, que é justamente o domínio da linguagem e da fala, pois por meio da linguagem se dá o domínio de novas descobertas nas áreas da ciência e tecnologia, onde os saberes vão dando lugar às novas ideias e invenções, pois o homem não precisa partir do zero. Ele segue a uma linha, as suas descobertas ficam registradas, vão se aprimorando conforme estudos. Já os animais são diferentes; seus filhotes precisam sempre aprender do zero, pois nada conseguem registrar, por não possuírem um código linguístico. Só nós humanos temos cultura e não precisamos reinventa-la, pois a produzimos pelos símbolos, uma vez que sabemos do passado pela linguagem. Estamos inseridos no mundo da linguagem e das representações simbólicas, como por exemplo, a escrita, a artes em geral, por isso, não somos apenas seres biológicos e sim sociais, cujas heranças genéticas só se manifestam por causa do contexto social. Percebese que o grau de comprometimento em dB, da criança surda vai fazer muita diferença em seu aprendizado e, principalmente, se a criança nasceu surda ou ficou surda após adquirir a linguagem. Soma-se a isso o fato dos pais serem ouvintes ou surdos e usuários da língua de sinais. Segundo Sousa (2011) há diferentes formas de hipoacusia. 1) Hipoacusia Ligeira, em que a pessoa só consegue ouvir sons acima dos 20 a 40 dB, tendo dificuldade na audição de sons distantes, não ouvindo todos os fonemas nem voz baixa um pouco distante”. É requerido, de um modo geral, o uso da prótese, terapia da fala e, às vezes ensino especial para apoio às aprendizagens da leitura e escrita. (SOUZA, 2011, p. 71) 2) Hipoacusia Média em que o limiar mínimo da audibilidade se situa entre os 40 e os 70 dB, o que apenas permite ouvir voz pronunciada com certa intensidade e causa problemas de articulação verbal e de atraso na fala. Para além da prótese adequada, é necessária terapia da fala, Ensino Especial e um sistema de amplificação (SUVAG, por exemplo) na classe em que 35 a criança estiver integrada com crianças sem problemas aditivos para poder ouvir o professor. (SOUZA, 2011, p. 71) 3) Hipoacusia Severa, em que só consegue distinguir sons com intensidade superior a 70-90 dB. Embora consiga ás vezes, entender uma ou outra palavra, quando lhe é dirigida muito forte, não consegue estabelecer relação verbal, pois que não ouve o que lhe dizem em intensidade normal nem consegue emitir fala inteligível. Para além da prótese adequada, terá necessidade de terapia da fala, de apoio diário de Ensino Especial para sua integração no ensino normal e de sessões de Reeducação Psicomotora. (SOUZA, 2011, p. 71) 4) Hipoacusia Profunda, quando o limiar mínimo de audição se situa acima dos 90 dB. Apenas consegue ouvir ruídos muito fortes, não sendo capaz de ouvir nem articular palavras. Ainda, segundo Sousa (2011), a Surdez classifica-se em função da perda tonal média na condução aérea sobre as frequências 500, 1000 e 2000 Hz do melhor ouvido, sendo as frequências não percebidas cotadas a 120 dB. (SOUZA, 2011, p. 71) Nota-se que, nos casos de hipoacusia ligeira, a criança consegue perceber palavras, mas certos elementos sonoros escapam-se-lhe, o que faz com que cometa confusões fonéticas. Já nos casos de deficiência auditiva média, o limiar vocal está ao nível da intensidade da palavra normal, mas abaixo do limiar de compreensão e de diferenciação e muito longe do limiar de apreensão correta, mas se a criança for muito dotada, poderá iludir os pais durante muito tempo graças á leitura labial e as crianças com hipoacusia ligeira ou média, com próteses auditivas, conseguem seguir uma escolaridade normal. E, por fim, nos casos da deficiência auditiva média ou profunda, a palavra não é percebida, sendo indispensáveis a prótese auditiva e a leitura labial, pois que na ausência de educação especial a criança será surda. Percebe-se então que a partir do comprometimento auditivo da criança, que se deve pensar na educação e estimulação da mesma, no caso de pais surdos, a LIBRAS será a primeira Língua. No entanto, se os pais não forem surdos e não tiverem contato com LIBRAS, há de se pensar como será o letramento dessa criança. Terão os pais que aprender LIBRAS? A percepção de mundo dessas crianças será diferente, bem como o modo de vida e aprendizado. A questão é como fazer para construir esse crescimento, uma vez que nós aprendemos por meio dos sons e também das imagens, as quais nos dias atuais dizem muito. As crianças experimentam diretamente várias formas de comunicação, verbal ou não 36 deixando suas mentes vagar livre, ficando assim aberta para revelar suas aprendizagens. Não existe verdade absoluta de como a criança deve aprender. Ela própria “irá dar pistas”. Para tanto, a ela deve-se oferecer várias formas, despertar a sua curiosidade e aguçar- lhe a visão para que olhem para o mundo de maneira livre, construindo seu aprendizado. Uma pessoa quando aprende a falar ela passa a compreender melhor o mundo. No começo, talvez ela não esteja certa de que “esse negócio de linguagem” funcione de verdade, não conseguindo ainda transmitir suas emoções e pensamentos, neste caso, estamos pensando em uma pessoa que pode ouvir. A curiosidade da criança é um “estimulante natural”. Elas aprendem também independentemente por interesse e uma investigação que é própria da criança, se familiarizando com o mundo se sentindo parte dele. A criança surda vai precisar de material concreto, para aquisição da leitura e escrita, onde deve ser apresentada a imagem juntamente com a escrita de acordo com a série da criança, seria interessante, se a apresentação, fosse inserida dentro de uma pequena frase. Sousa (2011, p. 110) considerando que a escrita é um registro gráfico da fala e possuindo a criança problemas auditivos e consequentemente da fala, é natural que venha a demonstrar também dificuldades na aquisição da leitura. A metodologia empregue deverá associar o som de cada palavra à imagem de que ela é significado e à imagem gráfica, ou seja, apresentar à criança a palavra escrita, o desenho do objeto que ela domina e repetir-lhe oralmente o seu som várias vezes pedindo para ela fazer o mesmo. Nesse sentido, é essencial o envolvimento do aluno, pois dessa maneira ele irá conseguir elaborar suas hipóteses sobre a escrita e com tempo criando suas próprias estratégias. Deve-se lembrar de que a qualidade da interação com as crianças será essencial para a construção das hipóteses. Assim ela se sentira envolvida e acolhida, terá mais segurança e capacidade para participar do processo pedagógico e transformando o meio em que vive. Dessa forma, a criança vai gerando suas estratégias, a partir da interação com as demais. No entanto, esses caminhos devem ser oportunizados e criados pelo educador que deve estar atento ao comportamento dos estudantes para agir de maneira ativa a fim de favorecer e até aprimorar as possibilidades, desta interação e torná-la real, de modo que os indivíduos se entendam e se façam entender, pois surdos ou não nascemos sociais e não deixamos de ser sociais quando nos tornamos sujeitos de nossas histórias. Sem comunicação, não há interação nem tão pouco participação efetiva na sociedade e com a sociedade. Há de se destacar a necessidade de se ter um olhar diferenciado na vivência desses alunos, surdos e ouvintes, pois, quando a criança não consegue interagir, ela tende a se isolar, o que gera não só um obstáculo na aprendizagem, mas também pode desenvolver problemas 37 de comportamento e até mesmo alguns distúrbios de aprendizagem como, desatenção, agressividade e hiperatividade, ficando assim a criança submetida ao isolamento social. A educação deve primar não só pela construção de práticas pedagógicas, mas pela dignidade humana, em respeito às diferenças, de ser e aprender e trabalhar em prol de promover o afastamento de todo e qualquer tipo de discriminação, de opressão e vitimização, que são violências contra o sujeito, pois surdos ou não todos têm o direito de aprender em ambientes pacíficos, para que se faça valer e aconteça o direito de aprender e de se “transformar”, pois o aprendizado é uma transformação. Deve a ele ser facultado o direito de aparecer como sujeito, de participar, onde cada estudante consiga se expressar de maneira livre de modo que a singularidade e particularidade dos sujeitos surdos, em aprender seja, reconhecida, respeitada e garantida. Trazer as crianças surdas para o ambiente escolar não constitui o único desafio, mas também mantê- las na escola até que se consiga concluir os níveis de ensino na idade certa, o que constitui um direito das crianças. O educador não pode “ignorar” os sujeitos no que diz respeito à aprendizagem, isso é, não aceitar as diferenças e transformar a educação em uma violência silenciosa, pois esses alunos precisam estar incluídos dentro do processo de aprendizagem com pilares para a transformação e viabilização das interações com intuito de conseguir a humanização. O aprendizado deve acontecer nas relações de uns com os outros surdos e ou ouvintes e jamais sob ou outros. Esse papel de atuar nas mudanças a favor de uma educação para todos, compete aos atores que participam efetivamente do ambiente escolar. A inclusão não deve ser considerada em apenas números de estatísticas, desconsiderando o indivíduo, ou seja, é necessário se repensar em um método que tenha o objetivo de trazer às possibilidades de aprimoramento da leitura e escrita do indivíduo surdo, em uma nova direção. Desta forma, a educação estará cumprindo seu papel de redentora das possibilidades e oportunidades de uma educação voltada para autonomia, experimentando uma verdadeira aventura intelectual, pois é por meio da leitura e escrita que se consegue não apenas transmitir mais articular o conhecimento, promovendo a motivação e “desafiando” a mente do educando provocando-o. Ainda segundo Sousa (2011, p. 111), a criança ouvinte, muitas vezes, aprende a leitura compreendendo a mecânica da descodificação escrita-fala, mas sem ter compreensão do conteúdo semântico do que lê, a criança com dificuldades de audição terá ainda mais dificuldades em chegar à compreensão. A sua pobreza de vocabulário, o desconhecimento da estrutura sintática e as grandes dificuldades em relação ao código fonológico levantam sérios obstáculos a uma boa aquisição da leitura. Ainda segundo o autor, mais do que em qualquer 38 outra situação, é importante que antes de dar início à aprendizagem da leitura com uma criança com dificuldades auditivas. O professor deve se certificar que ela tem já bem adquiridos e consolidados os pré - requisitos necessários para tal. Em caso de qualquer dúvida, deve-se consultar o psicólogo, jamais se iniciando qualquer aprendizagem da leitura e escrita se a criança ainda não possuir capacidade para tal. Portanto, é notário que no processo de aprendizagem das crianças com surdez, a escola não pode ser benevolente e negligenciar a construção da motivação, que se encontra “dentro” de cada sujeito no processo de ensinoaprendizagem. A motivação em aprender o a ler e escrever pressupõe uma motivação pessoal e se resume em um desafio que a mesma tenta vencer, em para agradar á família ou a competitividade com os demais colegas ou até mesmo conquistar sua autonomia apropriando e aprimorando sua leitura. A criança precisa de um sentido para continuar sua busca. No entanto, a falta de motivação não deve ser imputada à falta de inteligência. Todos são capazes de aprender a aprender, superando os desafios e limitações que são impostos pela deficiência auditiva. Portanto, não basta apenas inserir essas crianças surdas, no contexto escolar, mas garantir que elas aprendam e contribuir de forma para a reconfiguração e relações das crianças no espaço educacional, pois não cabe ignorar o contexto e o modo peculiar que as crianças surdas aprendem, incluindo-as no processo educativo no intuito de mediar para transformar as relações das mesmas, consigo e com os outros. Segundo Markku Jokinem (2009, p. 107), os surdos não veem a surdez como uma doença, como um fenômeno negativo, algo que deveria ser removido de uma forma ou de outra. Pelo contrário, os próprios surdos ligam o conceito de surdez a conceitos como língua, comunidade, identificação com os outros, grupos de colegas, cultura, história, tradição, narração de histórias, encontros sociais, luta por seus direitos linguísticos e civis e muito mais. 4.5 INTÉRPRETE DE LÍNGUA DE SINAIS (ILS): QUAL O PAPEL E ATRIBUIÇÕES DESSE PROFISSIONAL NO ESPAÇO ESCOLAR: CO-DOCÊNCIA OU AUXILIAR PEDAGÓGICO? A permanência desse profissional irá propiciar e assegurar uma aprendizagem mais significativa e consistente, das crianças com surdez? A garantia o direito da acessibilidade da comunicação vai ajudar a inserir a criança surda no processo de letramento? Essas e outras inquietações deve fazer parte da escola inclusiva, na tentativa de repensar a forma de ensinar, principalmente no que diz respeito ao trabalho do intérprete e do professor, pois elaborar estratégias, projetos, pensar em metodologias bem como propor as mudanças necessárias e 39 pensar em um desenvolvimento adequado deve ser ações assumidas e feitas pelo professor e o intérprete educacional. O papel do professor não se resume em apenas acompanhar e orientar o trabalho do intérprete faz necessário que o mesmo elabore as atividades junto com o intérprete, que deve fazer as devidas adaptações quando achar pertinente. Promover, incentivar e divulgar a LIBRAS, dentro da sala de aula deve ser um trabalho feito e pensado, não só pelo intérprete mais pelo professor. Se há falta de intérprete nas escolas inclusivas, sobram dúvidas quanto ao papel do mesmo em sala de aula, há de se pensar também que algumas crianças surdas que chegam á escola sem conhecer Língua de Sinais, no entanto se o intérprete insistir em interpretar, antes da criança ter “afinidade” com a língua o recurso pedagógico estará fadado ao fracasso, dessa forma invertem-se os papéis, o intérprete terá que atuar também como professor, ajudando esse aluno a conhecer LIBRAS, no entanto é válido lembrar que a responsabilidade pelo aprendizado do aluno é de responsabilidade dos dois profissionais, os quais devem trabalhar em parceria. É sabido que o ser humano possui uma capacidade maravilhosa de mudar e adaptar seu mundo segundo suas necessidades e seus interesses, isso o revela como um ser dinâmico nas suas interações e reforça a ideia que a cultura é algo que pode ser “reinventada” a socialização sempre estará em construção ela nunca se completa. Dessa forma, a inclusão depende também de um compromisso social assumido não só pelo professor, mas sim pela escola como um todo. Esperar que todos saibam LIBRAS para se comunicarem com os surdos é uma” ficção”. No entanto, preparar as crianças para que as mesmas construam sua autonomia, e enfrentem essa “barreira da comunicação”, é uma responsabilidade dos agentes da escola, pois o intérprete educacional nem sempre vai estar ao lado dessa criança, até mesmo na escola, no entanto o seu papel não pode se o de uma “bengala”, e sim trabalhando com o objetivo, de valorizar e aprimorar as potencialidades dos sujeitos surdos, para uma construção de dependência e autonomia dos estudantes surdos. Se a escola é um espaço “vivo de relações” é fato que irá existir conflitos. No entanto, quando se fala em inclusão não se pode pensar que essa irá acontecer de uma maneira harmônica e tranquila, pois somado á essa provável falta de harmonia poderemos ter aspectos, sociais, culturais e até biológico, é preciso considerar como será esse controle dos conflitos, como acontece e de que maneira se pode trabalhar para gerenciá-lo, pois não se pode acabar com os conflitos, pois os alunos estão em processo de aceitação, afirmação e pertencem a 40 famílias diferentes, pressupõe que tiveram uma educação diferente, daí a importância do trabalho em equipe, entre professor e intérprete educacional. De certa forma, os conflitos são importantes, pois pode servir não só para prevenir mais para educar esses futuros cidadãos, evitando conflitos ainda maiores e causando a exclusão e não aceitação dos sujeitos surdos, dessa maneira cabe á pergunta qual o papel do intérprete de sala, co-professor ou auxiliar pedagógico? A luta pela conquista da equidade das pessoas com surdez em comparação com os ouvintes é uma construção permanente de um povo que foi visto por várias décadas como “ineficientes”, assim sendo cabe um compromisso da escola, face á essa marginalização que sofreram, ao longo da história. Assim sendo, o papel do intérprete é muito importante, pois ele vai dar “voz” para que o aluno consiga se apropriar e aprimorar o código linguístico Há de se pensar na preparação desse profissional, e principalmente qual conceito de inclusão que não só o professor mais o intérprete possuem, o intérprete tem a responsabilidade de apenas interpretar ou sua conduta como mediador deve ir além, há de se considerar as outras crianças que estarão convivendo com uma situação diferente, ou seja, dois profissionais em sala, essa atuação, poderá acarretar uma dispersão aos demais no princípio, essas questões deveram ser consideradas. Os alunos surdos não podem ficar em desvantagem, no que diz respeito ao entendimento dos conteúdos, portanto o ILS precisa ter a liberdade de opinar e ou fazer as devidas adaptações quando achar pertinente, respeitando as singularidades da surdez, essa deve ser uma parceria, que corresponde a uma mediação social, que vai favorecer e oportunizar a interação do aluno surdo com o meio, tornando o ambiente um local significativo, para que o mesmo consiga chegar ao desenvolvimento. O aluno precisa perceber e acreditar no seu potencial enquanto estudante para construir seu aprendizado para participar das mudanças sociais, sendo autores das suas vidas. A presença de um intérprete em sala significa o respeito e a aceitação dos sujeitos surdos no espaço escolar, pois as crianças surdas e ouvintes neste momento de adaptação irão precisar de um mediador que os auxiliem na construção e trocas dos conhecimentos, angústias e principalmente nas prováveis dúvidas que por ventura irão surgir, tanto no uso, no conhecimento e aceitação de uma língua que para muitos pode ser o primeiro contato, dessa forma é por meio da língua de sinais que os sujeitos surdos irão ter o direito de participar do processo educacional, saber o que está acontecendo não só na sala, mas na escola como um todo é um direito social dos alunos surdos, pois eles precisam conhecer e entender o que se passa dentro do contexto escolar, até mesmo para participarem ativamente das atividades 41 extraclasse, esses não podem ficar de fora das atividades pedagógicas, pois essas em muito contribuirá para afirmação e respeito da cultura surda. De acordo com Lodi (2009, p. 16), embora a inserção do intérprete de língua de sinais na sala de aula abra a possibilidade de o aluno surdo receber a informação escolar por intermédio de uma pessoa competente em língua de sinais, apenas a presença dessa língua não é garantia de que ele aprenda facilmente os conteúdos. Assim, a escola possui mais alunos ouvintes, no entanto muitas vezes os conteúdos são preparados, para ser dirigidos a esses alunos. Cabe, pois um olhar diferenciado do intérprete e do professor para adaptar e fazer as devidas mudanças para os sujeitos surdos, a presença do intérprete não deve ser apenas para “tranquilizar” o educador, mas principalmente para sugerir mudanças e adaptações quando achar pertinente. Para que o os sujeitos participem do processo de ensino e aprendizagem, é necessário que haja uma interação, um entendimento, nesse momento cabe o comprometimento ético do intérprete e do professor em, elaborar atividades que levem também em consideração a aceitação e respeito dos sujeitos surdos e ouvintes. É bom enfatizar que os alunos surdos precisam participar das aulas, pois muitas vezes precisam ser “encorajados” nesse caso á valorização, o reconhecimento e o respeito serão construídos se os mesmos conseguirem participar ativamente das aulas, dando suas opiniões se “fazendo ouvir e serem ouvidos” pelos demais colegas. 5 METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza descritiva e exploratória, desenvolvida no período de março a maio de 2013. Trata-se de um estudo de caso, com abordagem qualitativa, realizada em uma escola da rede pública localizada na periferia de Brasília, sugerida pela Regional de ensino de Ceilândia, entretanto, os dados aqui não representam as demais escolas inclusivas do Distrito Federal. Segundo Gil (2002), na pesquisa qualitativa, o pesquisador, observador da situação problema, se familiariza com o problema a ser estudado permitindo a construção de hipóteses e descoberta de intuições e a partir daí faz interpretações a partir dos participantes, possibilitando, segundo Kerlinger (2003), respostas para as indagações de pesquisa. No que se refere à escolha da instituição de ensino para a realização desta pesquisa se deu por meio de sugestão da Regional de Ensino de Ceilândia para realização do estágio supervisionado do Curso de Pedagogia em escola com crianças surdas, tema de interesse desta 42 pesquisadora. Assim, buscou-se valorizar esta experiência para elaboração deste trabalho final de curso. A coleta de dados a seguir foi feita da seguinte forma: observação in loco, observação de aula, observação das crianças na hora do intervalo com o intuito de verificar como se dá a interação de crianças surdas e ouvintes. Também foi elaborado um questionário (ver apêndice dois) para professores, também interpretes da Língua de Sinais, de duas turmas, cuja seleção se deu por verificar que havia crianças com diferentes tipos de surdez. O questionário era composto de 35 questões sendo sete fechadas que tratavam do perfil dos informantes e 28 questões abertas. Também se pretendia conseguir a participação dos pais, entretanto, foi-lhes respeitados o desejo de não participação. Além disso, a autora planejou e realizou uma visita ao Congresso Nacional, onde também atuo, com ambas as turmas, por meio do programa Escola na Câmara, realizado pelo Plenarinho, que é um site infanto-juvenil da Câmara dos Deputados cujo objetivo de estimular a participação de jovens estudantes no processo político- democrático o que acontece por meio da organização de visitas à Câmara dos Deputados que oferece atividades de cunho pedagógico, que ao ver desta autora propicia um momento rico de letramento aos estudantes e ainda porque sendo uma escola situada em uma realidade carente, verificou-se que eles (os estudantes) não tinham tido tal oportunidade antes, isto é, o contato com obras de artistas pintores e arquitetos brasileiros como Athos Bucão, Marriane Perreti, Di Cavalcanti, Oscar Niemayer, entre outros, são histórias e artes as quais as crianças devem ter contato, o espaço oferece também exposições como o da Primeira Missa, Holocausto, Mulheres na política, História da ditadura, entre outras. 6 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Os resultados foram organizados nos seguintes blocos: caracterização da escola, amostra, o trabalho docente e a proposta do letramento, a formação docente, atuação docente – experiência com Libras e, por fim, o processo de inclusão. 6.1 CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA A escola, aqui denominada de AL, está situada em uma cidade com 41 anos de existência. Passou por reformas no que diz respeito apenas a pinturas das salas de aula e o parque infantil, o qual não pode receber mais que uma turma, devido ao pequeno tamanho. Falta espaço para socialização das crianças. Segundo Manhas (2011, p. 55) nenhum ser 43 humano é fora do mundo, fora do ambiente cultural e do ambiente natural. A interação com os outros ocorre como relação com os sentidos (mundo) e as condições de sentido ( culturais e naturais) nas quais se está inserido. A instituição de ensino funciona no turno diurno. É bom ressaltar que por falta de intérprete nas escolas próximas às casas de algumas crianças surdas, essas estudam na referida escola. No entanto, como moram no entorno do Distrito Federal não têm direito ao transporte escolar, o que dificulta o acesso dessas crianças na escola, as quais faltam constantemente, ficando prejudicadas no processo de ensino aprendizagem e, desta forma, fragilizando o trabalho de letramento esperado. A referida foi indicada pela Regional de Ensino como uma escola inclusiva. Assim sendo, ela deve ter como base o princípio da igualdade de oportunidades no que diz respeito ao acesso de conhecimentos entre crianças surdas ou não. Entretanto, verificou-se que nesta escola a proposta não acontece como se propõe a fazer. 6.2 A AMOSTRA A amostra era composta de duas turmas as quais serão chamadas de turma A e turma B, sendo que a turma A ( do 5ºano) era composta de 32 estudantes dos quais quatro têm surdez moderada além de deficiência intelectual e TDAH ( Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e dois educandos com surdez leve os quais também com deficiência intelectual e TDAH. Já a turma B (4º ano) tinha 5 alunos, sendo que três com surdez profunda e dois alunos com surdez moderada e com autismo e um deles com deficiência intelectual (diagnosticados). Notou-se que o fato de estas crianças não estarem com crianças ouvintes fragiliza a proposta do letramento além da proposta de inclusão prevista na Constituição Federal, ECA etc. Os quadros quatro e cinco a seguir reúnem informações mais precisas de cada uma das turmas. 44 Quadro 04-Perfil da professora e estudantes turma A – 5º ano PROFESSORA A ESTUDANTES Total: 32 Alunos sendo quatro com surdez moderada e dois com surdez leve. Sexo: Feminino. Idade: Mais de 40 anos. Idade: entre 10 e 12 anos-5ºano do Ensino Fundamental. Formação Acadêmica: Nível Superior/curso de LIBRAS nível intermediário. Carga horária: 40 horas - professora temporária. Acompanhamento Escolar: Alguns alunos estão no integral e têm reforço escolar. Turno: Os alunos estudam no turno vespertino. Tempo de atuação: É docente há mais de Tempo de convivência: Os alunos estudam 11anos. Nesta escola, atua a menos de um juntos desde o início do presente ano. ano. Fonte: Elaboração própria a) Turma A – 5º ano A professora Conforme o quadro 04 (turma A do 5º ano) é possível verificar que a educadora tem mais de 40 anos de idade é docente a mais de 11 anos e atua na escola pesquisada a menos de um ano. Possui nível superior e curso de LIBRAS nível intermediário. Porém, apesar de ter o curso intermediário de LIBRAS, não o utiliza em sala. No entanto, a educadora relatou que o uso da LIBRAS poderia servir de suporte, que iria auxiliar as crianças a entenderem os conteúdos ministrados, uma vez que na sala há crianças com surdez moderada e leve (deficientes auditivos) os quais falam muito alto o que por vezes atrapalha o andamento das atividades deixando os demais alunos agitados. A educadora foi contratada como intérprete e, no entanto passou a desenvolver o papel de auxiliar de sala. A mesma relatou que as crianças deficientes auditivas da sala não conhecem LIBRAS . “ Eles falam praticamente gritando isso também me deixa agitada, as vezes tenho que gritar para ser ouvida mas o que piora, saio da sala com a cabeça doendo e cansada, penso que o uso da LIBRAS, ia me ajudar, mas eles nem sabem o que, não fazem a mínima ideia, e a outra professora que no caso é a regente, diz que se usar a LIBRAS eles ficaram dependentes cada vez mais da língua e isso não é bom, na verdade eu sou tipo uma “auxiliar de sala”. ( Professora A, turma A 5º ano). Por isso, como não conseguem acompanhar as atividades relacionadas ao 5º ano, à professora faz adaptações que assumem características de conteúdo do 3º ano. Já as seis 45 crianças com surdes moderada e leve apenas duas conseguem ler embora não conseguem interpretar, são apenas copistas. A educadora revelou sua decepção em não utilizar LIBRAS, em sala, pois ela acredita que os educandos seriam beneficiados, tornando a sala um ambiente com menos barulho, já que devido à deficiência os alunos falam muito alto. “.Não adianta me desesperar eles quase não conseguem avançar, ensino hoje e amanhã eles já não sabem é como se eles não conseguissem reter, ficam me olhando com umas caras de quem nunca ouvi isto antes, quando dito uma palavra nunca conseguem escrever o final da palavra só consegue pegar algumas letras deve ser porque não ouvem direito, coloco todos juntos assim facilita meu trabalho para não ficar andando para lá e para cá toda hora, fico com as pernas doendo.” (Professora A, turma A 5º ano). Em uma conversa com a professora referida, discutíamos o que poderia ser fazer para amenizar as barreiras enfrentadas no letramento das crianças. No entanto ela relata: “As crianças são funcionais, não vão conseguir avançar, pois além da surdez têm outras deficiências, como autismo e deficiência intelectual, é perder tempo tentar incluí-las, melhor seria ensina-las uma profissão que não precisasse de conhecimento...” às vezes é melhor apresentar-lhes uma enxada do que um livro”. (Professora A, turma A, 5º ano). Os estudantes A turma era composta por 32 alunos, sendo que quatro deles têm surdez moderada entre outras deficiências como intelectual e TDAH. Outros dois estudantes têm surdez leve, também com TDAH e os demais eram ouvintes, isto é, não eram surdos. A idade dos estudantes variavam entre 10 a 12 anos. Alguns estão inseridos no sistema integral de ensino, onde no contraturno é oferecido aula de reforço escolar. Segundo a educadora, o critério para seleção dos alunos a participarem do integral é feita a partir das dificuldades de aprendizagem, pois é dada a prioridade para os alunos que mais apresentam deficiência no aprendizado. Vale ressaltar que os alunos desconhecem LIBRAS. No espaço da sala de aula, eles falam muito alto, sendo constantemente alertados pela educadora para falarem mais baixo. Segundo a professora, os pais argumentam que os educandos não precisam da LIBRAS como apoio já que é só falar mais alto que eles escutam. Além disso consideram que LIBRAS não passa de gestos feios. “ Se os pais não querem e não reconhecem a importância da LIBRAS para os filhos o que se há de fazer, eles têm preconceito quanto ao uso da língua, pois falam que todos vão achar que seus filhos são surdos além do que não acreditam que ao usar a 46 LIBRAS vai mudar muita coisa, vão continuar do mesmo jeito”.( professora turma A). b) Turma B – 4º ano A professora Quadro 05-Perfil da professora e estudantes turma B – 4º ano PROFESSORA B Sexo: Feminino. Idade: Mais de 40 anos. Formação: libras. ESTUDANTES Total: 5 Alunos sendo três com surdez profunda e dois com surdez moderada, deficiência intelectual e autismo. Idade: entre 9 e 11 anos- 4º ano do Ensino Fundamental. Superior/especialização/ pró- Acompanhamento Escolar: Não fazem acompanhamento escolar, pois moram no entorno. Carga horária: 60 horas- professora Turno: Estudam no turno vespertino. temporária e trabalha a noite como intérprete numa instituição superior de ensino. Tempo de atuação: É docente há mais de 10 Tempo de convivência: Os alunos estudam anos, na escola atua a mais de 6 anos. juntos há dois anos, com exceção do mais jovem. Fonte: Elaboração própria A professora B tinha mais de 40 anos. Tem formação superior, e Pró- eficiência em LIBRAS (pró- libras).Sua carga horária de trabalho ultrapassa 60 horas, além de trabalhar como intérprete em uma instituição superior de ensino. Tem contato com grupos de surdos há mais de 10 anos. É o mesmo tempo que trabalha como intérprete na instituição de ensino superior, sendo que na escola trabalha há mais de 6 anos. Possui vários cursos, incluindo alfabetização e letramento da pessoa surda. A professora argumenta que suas aulas ficam prejudicadas, pois não há recursos disponíveis, como Datashow, computadores entre outros. Segundo a educadora, os desafios são vários, mas o maior deles é o desconhecimento da LIBRAS por parte dos pais, os quais são ouvintes. Dessa forma, sem comunicação efetiva há atraso e prejuízo no processo de letramento. A educadora não acreditava em um tempo certo para letrar a criança surda, pois segundo ela, cada sujeito possui suas peculiaridades, além das outras patologias além da surdez. A mesma relata que desconhece um método que seria o ideal, pois faz adequações 47 curriculares, faz uso de LIBRAS/visual/português para alunos com surdez severa e profunda e método das boquinhas para educandos com surdez leve e moderada. Para a educadora a participação da família é de extrema importância. No entanto, a maioria dos pais de surdos sequer conhecem LIBRAS comunicando-se por mímica, dificultando, pois o processo de letramento. É preciso mencionar que a graduação não prepara os educadores para trabalhar com as crianças surdas. Quando a Secretaria de educação do DF oferece cursos nessa área, as vagas são limitadas, apenas 30 por semestre. Não comtemplado, pois a todos que procuram. Além disso, a adequação curricular, materiais pedagógicos adequados e domínio da Língua de Sinais por parte dos professores são dificuldades enfrentadas pelas escolas inclusivas. Existe por parte da professora uma “defesa” em relação ao uso e a presença do intérprete em sala quando se trata de alunos com surdez leve e moderada, pois a maioria dos professores além de explicar o conteúdo de costas fica se movimentando em sala, o que dificulta a leitura labial por parte dos alunos e ouvir corretamente o que foi dito pelo professor. A inclusão, segundo à professora, é mais e vai além da teoria, são mudanças de hábitos, atitudes e até mesmo na estrutura física da escola que se intitula como inclusiva, e principalmente, o cumprimento da lei. A informação é a melhor arma para a cobrança dos direitos. Os pais como desconhecem sobre surdez e os direitos referentes à Educação Especial não podem cobrar os direitos relacionados às leis. Não sabem que o intérprete de sala auxilia no desenvolvimento da aprendizagem. Existem exceções, mas infelizmente é a minoria. Os alunos surdos, apesar de não ter problemas graves de convivência com os alunos ouvintes, só se relacionam com os colegas também surdos, revelando assim um maior cuidado da inclusão pela escola. Os estudantes A turma é formada por cinco alunos, sendo que três com surdez profunda desses três dois são irmãos, os quais os pais são ouvintes e não conhece LIBRAS. Os outros dois têm surdez moderada somada à deficiência intelectual e autismo. É importante mencionar que esses dois alunos com autismo um não fala sequer uma palavra, não consegue se socializar e tem tolerância ao toque. Quando cheguei à escola, a professora pediu que eu chegasse antes dele, pois se ele chegar e tiver alguém na sala, ele não entra, tendo assim que ligar para a mãe dele para buscá-lo. A faixa etária é de 9 a 11 anos, apenas um tem 9 anos. A professora relatou que uma das dificuldades é o não conhecimento da LIBRAS por parte dos pais que além de não conseguirem auxiliar as crianças nos exercícios de casa, não há 48 uma comunicação efetiva e, no entanto, segundo à educadora os pais não têm interesse em aprender Língua de sinais. “Os pais não têm interesse em aprender LIBRAS, pois já têm muito trabalho a fazer e conseguem entender o que os filhos querem, só de olhar para eles, vão ter que se virar afinal todo mundo agora vai ter que aprender língua de sinais, isso não existe eles terão que aprender a se virar o mundo é de quem escuta.” No intervalo, as crianças surdas brincam e se relacionam somente entre si, ficam afastadas das demais. Vale ressaltar que as crianças surdas não ficam em uma sala regular e sim em uma sala separada, uma das crianças consegue fazer leitura labial sendo também oralizada. Na sala de aula estava exposto o alfabeto em LIBRAS com gravuras e também os trabalhos das crianças, porém, percebeu que os trabalhos geralmente foram direcionados apenas para recorte e pintura. Durante esse período de pesquisa, verificou-se que os alunos não produzem textos, apenas copiam do quadro para o caderno. 6.3 OS RESULTADOS 6.3.1 O trabalho docente e a proposta do letramento De acordo com Botelho (2005, p. 15), tomar um detalhe não essencial como essencial é um erro de consequências sérias, entre elas, permanecer alheios às contradições. Um surdo que tem uma perda auditiva leve pode ter as mesmas ou mais intensas dificuldades que um surdo profundo. E, enquanto se argumenta exaustivamente, se falta um ou vinte decibéis, a maioria dos surdos continua iletrada e essa discussão irá perdurar tanto tempo quanto se mantiverem as mentalidades daqueles educadores que aspiram transformar os surdos em ouvintes. Conforme foi percebido, a professora da turma A não realiza o trabalho pedagógico com o objetivo de letrar as crianças com surdez leve e moderada. A começar pelo conhecimento da LIBRAS, pois em uma conversa com os meninos desta turma A perguntei se eles sabiam o que é LIBRAS, no entanto a resposta de um deles foi a mesma: “Não sei, Tia acho que é umas coisas feito com as mãos (...) sei lá, os mudinhos fazem isso, mas não sei o que é”. A sala não possui o alfabeto em LIBRAS. Os meninos com deficiência sentam todos juntos. A professora coloca os seis alunos em um pequeno grupo, o que dificulta a interação e o aprendizado de uns com os outros e a própria aceitação. Porém a professora da turma A, quando indagada informa que letramento é: 49 “O resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever, bem como o resultado da ação de usar essas habilidades, não possui cursos de letramento, mas reconhece sua importância, fala também que o educador não pode esperar o resultado a curto prazo quando se refere ao letramento e cada criança responde a seu tempo, não acredita em melhor método pois pensa que a criança que determina basta o professor ser observador e estar disposto a ajudar”. Em sua fragilidade, a professora reclama a falta de participação da família como essencial não só no que se refere à aprendizagem, mas na adaptação na sociedade. Em suas atividades a professora faz adaptações, ou seja, recortes do livro didático, copiando somente pequenos textos no quadro para os alunos transcreverem no caderno. Argumentei porque não responder no caderno e consultar o livro sem ter que copiar, pois mesmo sendo textos pequenos e adaptados, os meninos conseguem copiar, mas, no entanto, não interpretam nada do que copiam. Segundo a professora “pode ser que copiando muito, entre alguma coisa na cabeça deles.” Ela elogia a caligrafia dos meninos, mas admite que eles não conseguem interpretar nada. Como as atividades são adaptadas, torna-se mais fácil para as outras crianças que terminam primeiro e ficam conversando. É válido lembrar que as crianças, por serem deficientes auditivas falam muito alto o que deixa a turma agitada, perguntei para a professora sobre os pais, se tem conhecimento da deficiência dos filhos. A mesma relatou que os pais argumentam que os filhos não são surdos e, por isso, não precisam usar aparelho auditivo, nem tão pouco usar LIBRAS. Apenas uma criança usava aparelho, porém com vergonha de mostra-lo, tentanva esconder entre o cabelo. Segundo ele, uma vez, um coleguinha o chamou de mudinho, o que o deixou irritado. Na sala, há duas professoras. Quando comecei a observação, a professora estava afastada, pois tinha feito uma cirurgia. Assim, estava a intérprete a qual relatou que nunca usou LIBRAS na sala de aula. Quando a professora que estava afastada voltou, a intérprete também não usou LIBRAS. Apesar de reconhecer que seria importante, disse que há uma resistência por parte da outra professora que não considerava necessário o uso da Língua de Sinais. A intérprete copia os longos textos no quadro enquanto a outra professora fica sentada, apenas corrigindo os exercícios: “eu virei uma secretária da outra professora” relatou a intérprete, mas não reclama, pois tem medo de perder o contrato e voltar para o banco de reservas. Foi percebido também que as professoras falam que as crianças não aprendem porque não conseguem ouvir direito. Há então uma controversa, pois sabem a causa, mas, no entanto, nada fazem para mudar a realidade. Portanto percebe-se que a criança é excluída duas vezes, ou seja, é excluída dentro de uma proposta dita inclusiva. 50 É importante lembrar que a escola se diz inclusiva. No caso, a coordenadora pedagógica ou a própria gestora não intervém na realidade desses alunos, e ainda, não se leva em consideração as outras patologias como deficiência intelectual e TDAH. Segundo Guarinelo ( 2007, p. 52), muito se tem falado sobre as dificuldades dos surdos com a linguagem escrita, porém poucas são as soluções apresentadas, principalmente aos professores de surdos. os quais geralmente desconhecem a surdez e sua consequência. Considerar a surdez da criança e conhecer as consequências junto com as limitações e trabalhar para superá-las são ações que contribuem para o letramento, pois há muitos anos os pais confiaram a alfabetização dos seus filhos aos professores. Segundo pesquisas, apesar da leitura, algumas pessoas chegam não só nos anos finais do ensino fundamental e ensino médio, chegam à universidade sem conseguir interpretar textos são alfabetizadas, mas não são letradas, isso pode ser bem mais complicado quando se trata da educação dos sujeitos surdos, pois o ensino não tem conseguido preparar o sujeito para as práticas sociais não tendo êxito no letramento e portanto, a patamares mais elevados. Já a professora da turma B não difere no que diz respeito ao letramento da criança surda, pois apesar de ter sido preparada e possuir as condições necessárias para que o letramento aconteça, isso não acontece. A professora possui o pró-LIBRAS, convive com adultos surdos há mais de dez anos e trabalha como intérprete em uma instituição de ensino superior também há mais de dez anos. Foi percebido que a professora copia textos enormes no quadro para os alunos transcreverem no caderno. Nos vários dias de observação das aulas, nunca presenciou-se os alunos produzindo textos, quando produzem textos é apenas recortes de revistas contendo figuras ou barbantes colados .Um problema, visto que a leitura não acontece apenas na escrita. Fazemos leitura também por figuras e desenhos, mas é muito importante que a criança surda ou não produza textos e construa certa intimidade com a escrita, á criança precisa ser encorajada e estimulada a reproduzir textos transcrevendo, criando e registrando suas ideias e no papel, pois a sociedade, a vida vai lhe cobrar competências e habilidades, as quais ficarão seriamente comprometidas, sem as produções dos textos e entendimento dos mesmos. As crianças não estão inseridas na sala regular de ensino. As mesmas ficam em uma sala separada. O único contato com ouvinte na sala é com a professora. Há uma criança que consegue fazer leitura labial e também essa criança é oralizada. Ao ver desta pesquisadora se essa criança tivesse em uma sala regular, com crianças ouvintes, poderia desenvolver melhor tanto a oralização como a leitura labial. É preciso colocar que dessas seis crianças, nenhuma é filha de pais surdos e os pais não sabem LIBRAS e não querem aprender, segundo à 51 educadora. Soares (2002) afirma que a criança precisa, além de saber fazer uso, deve se envolver nas atividades de leitura e escrita, Pois, para conseguir entrar no mundo do letramento, as crianças precisam se apropriar do hábito da leitura lendo vários tipos de textos para se apropriarem do sistema de escrita. Segundo a mesma autora, para que a adaptação seja adequada ao ato de ler e escrever, é preciso compreender, inserir-se, avaliar, apreciar a escrita e a leitura. Desta forma, o letramento não acontece, pois apenas copiam textos e não fazem relação do texto com suas vidas e tem os textos. Na verdade esta simplificar os textos, omitindo alguns elementos, na tentativa de tornar a aquisição mais fácil, pode prejudicar o entendimento já que as crianças surdas ou não necessitam ampliar o vocabulário, dessa forma o professor está subestimando a inteligência da criança, não acreditando no potencial da mesma e, o que é pior, fazendo com que ela também não acredite em si mesma. A criança surda tem o direito de receber a mesma educação, independente da sua limitação. Há a necessidade, às vezes de algumas adaptações, mas trabalhar para que a criança acredite que é capaz de aprender é por parte do educador um compromisso ético e social pois o letramento deve ser pensado como função social. Em um dos dias de observação esta autora teve a oportunidade de acompanhar as crianças surdas em duas palestras na escola as quais foram ministradas pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Esta tratava o Bullying e a outra sobre educação no trânsito. Ambas organizadas em parceria com a Secretaria de Educação do Distrito Federal, SEDF. Porém as crianças surdas ficaram sentadas assistindo à palestra, mas não houve interpretação simultânea, elas ficavam olhando para as ouvintes na tentativa de se nortear sobre o que os policiais estavam falando. Tal fato revela o descuido da equipe organizadora. Segundo Guarinelo (2007, p. 32), toda criança necessita de um ambiente linguístico adequado, no qual possa desenvolver sua língua naturalmente. Essas condições ocorrem normalmente em famílias ouvintes; porém, para os surdos, filhos de pais ouvintes, desenvolverem a língua de sinais, eles precisam interagir com pessoas que utilizem essa língua. Apesar disso, a professora da turma relatou que se utiliza do método Boquinhas para letrar as crianças com surdez leve e moderada e faz uso de LIBRAS/VISUAL/PORTUGUÊS para letrar crianças com surdez severa e profunda. Segundo Guttman (1993) o Método Fonovisuoarticulatório, carinhosamente apelidado de Método das Boquinhas,utiliza-se além das estratégias fônicas (fonema/som) e visuais (grafema/letra),as articulatórias (articulema/Boquinhas). Seu desenvolvimento foi alicerçado na Fonoaudiologia, em parceria com a Pedagogia, que o sustenta, sendo indicado para alfabetizar quaisquer crianças e reabilitar os distúrbios da leitura e escrita. Parte das reflexões deste método foi proporcionada pelo contato com o “Programa 52 de Melhoramento da Qualidade e Equidade da Educação” (MECE) –“Programa das 900 Escolas”, desenvolvido no Chile desde 1990, indicado pela UNESCO e estendido a outros países. No entanto não foi observado o uso desse método em nenhum dia de aula, nem tão pouco o uso de LIBRAS/ VISUAL/PORTUGUÊS, apenas longos textos. Só se utiliza da LIBRAS se somente se os alunos perguntarem alguma coisa, pois a educadora não faz a interpretação dos textos para as crianças. Segundo Piaget (2005, p. 8), as ações das crianças não se desenvolvem num mesmo plano no sentido de se tornarem experiências cumulativas. Elas se diferenciam e conquistam qualidades novas, transformando-se. 6.3.2 Formação docente A professora da turma A é formada em Pedagogia, possui o curso de LIBRAS intermediário, feito no ano de 2012, com ênfase em interpretação. Nesta escola só conhece uma professora que tem proficiência em LIBRAS. Relatou que a SEEDF, divulga cursos através das reuniões e pela internet. No entanto, as vagas são poucas. Relata também que a instituição de ensino superior deveria oferecer aos alunos do curso de Pedagogia, disciplinas voltadas para educação inclusiva. Já no começo do curso de graduação, pois o que a instituição oferece não prepara o professor para a realidade das salas de aulas inclusivas, sendo uma preparação superficial. Relata ainda que não basta ter vários cursos se o professor não tem compromisso com o ensino especial e também o apoio do gestor e da família do educando. Segundo Piaget (2011, p. 64) a responsabilidade do professor, de que, às vezes não damos conta, é sempre grande. A natureza mesmo de sua prática, eminentemente formadora, sublinha a maneira como a realiza. Sua presença na sala é de tal maneira exemplar que nenhum professor ou professora escapa ao juízo que dele ou dela fazem os alunos. E o pior, talvez, dos juízos é o que se expressa na “falta” de juízo. O pior juízo é o que considera o professor uma ausência na sala. Já a professora da turma B, possui proficiência em LIBRAS (pró – libras). No segundo semestre de 2012 a professora fez um curso ofertado pela EAPE- Educação de surdos on –line. Dos seus colegas professores só conhece uma professora a qual possui o nível intermediário de LIBRAS. A SEEDF oferta cursos na área de educação especial, no entanto, são apenas 30 vagas por semestre o que não dá para comtemplar a todos que manifestam interesse. 53 A educadora relata que a Instituição de Ensino Superior à qual ela se formou não a preparou para a educação inclusiva nem tão pouco para o letramento da criança surda. Sendo assim, teve que procurar cursos fora da instituição como na Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos (APADA), na Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS) e na Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais de Educação ( EAPE). Segundo a educadora, para que seja efetivada a proposta do letramento da criança surda, fazem-se necessários a adequação curricular, o domínio da Língua de sinais por parte do professor letrador, materiais pedagógicos adequados. Contribuindo para o número de iletrados funcionais. Guarinelo (2007, p. 53) afirma que , atualmente , muitos surdos são considerados iletrados funcionais. No Brasil, a grande maioria dos surdos adultos não domina a língua portuguesa. Além disso, há uma considerável parcela de surdos brasileiros que não tem acesso à língua de sinais, ou por motivo de isolamento social ou, principalmente, por opção da família por uma escola que não utilize essa língua, o que causa, além das defasagens escolares, dificuldade e impedimento quanto à inserção dessas pessoas no mercado de trabalho. Segundo Peres (2009, p. 28), teoria e prática, conteúdo e procedimento, ensino e sociedade, história de vida pessoal e história de vida profissional não são aspectos separados e compartimentalizados. Não existe prática sem teoria ou vice-versa. É a relação com a prática que inaugura a existência de uma teoria. 6.3.3 Atuação docente – experiência com libras A professora da Turma A informou que gosta de atuar no ensino fundamental com crianças surdas e que, desde a adolescência, manifestava interesse em ser professora e também foi incentivada a seguir a profissão. Defende a presença do intérprete para alunos com surdez leve à moderada, pois pensa que é um direito deles ter uma educação diferenciada. Mencionou ainda que trabalhava em uma escola para crianças surdas e surdocegas, mas, no entanto, não se sentiu a vontade para comparar o trabalho das duas escolas. A docente disse que gosta de trabalhar com crianças surdas, pois é uma experiência ótima sempre tem muitos desafios, e são ele que a impulsionam a aprender mais. “Não é fácil trabalhar com crianças surdas, às vezes temos que repetir a mesma coisa várias vezes, pensamos até que não estamos sabendo ensinar, hoje eles sabem amanhã, não lembram de nada, tem hora que bate o desespero, mas é preciso recomeçar todos os dias”. ( Professora, turma A). 54 A educadora da turma B começou seu trabalho com LIBRAS prestando serviço voluntário em uma igreja, tornando a sua profissão, segundo ela, gosta do que faz e não se imagina sendo professora de outras séries sem ser as da Educação Fundamental, anos iniciais. Ela pensa que as crianças com surdez leve e moderada devem ter o apoio do intérprete em sala de aula uma vez que algumas professoras ficam de costas para os alunos e explicam as matérias se movimentando em sala, o que dificulta para os alunos a leitura labial e escutar o que o professor fala. “As crianças com surdez leve e moderada precisam do apoio do intérprete em sala, pois, é um recurso a mais para o desenvolvimento pleno desse aluno. Porque a maioria dos professores falam andando pela sala ou de costa para o aluno, dificultando a leitura labial e também ouvir corretamente o que o professor fala”. ( Professora, turma B). A professora da turma B informou que quem trabalha com ensino especial recebe uma gratificação de 20%. Como intérprete educacional não é a primeira vez que trabalha com crianças, pois trabalha também há dez anos como intérprete, em uma instituição superior de ensino e com adultos o que é completamente diferente. Quanto à experiência como educadora de crianças surdas, a professora fala que é um trabalho gratificante, mas que no entanto há um desgaste . “É cansativo pois requer uma dedicação a mais tanto quanto ao preparo de materiais pedagógicos quanto a cursos de aperfeiçoamento pois muitas vezes o professor tem que pagar do próprio bolso”. ( Professora, turma B). Freire (2011, p. 65), relata que a luta dos professores em defesa dos seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente. É tão parte dela mesma quanto dela faz parte o respeito que o professor deve ter á identidade do educando, a sua pessoa, a seu direito de ser. Um dos piores males que o poder público vem fazendo a nós, no Brasil, historicamente, desde que a sociedade brasileira foi criada, é o de fazer muito de nós corrermos o risco, a custo de tanto descaso pela educação pública, existencialmente cansados cair no indiferentismo fatalistamente cínico que leva ao cruzamento dos braços. 6.3.4 O processo de inclusão De acordo com Almeida (2010, p. 81), a inclusão não é algo natural. O ser humano tem uma tendência a acreditar que as dificuldades que temos são as dificuldades de sempre e que não podem ser mexidas. Continuarão sempre a ser dificuldades ou empecilho. “É da 55 essência humana”, “ Sempre foi assim” , é “ Impossível mudar”, são algumas das frases que trazem uma espécie de paralisia na nossa capacidade de fazer história. Para a professora da turma A, “ A inclusão deve comtemplar os aspectos políticos, sociais e educacionais é importante desde que realizada dentro de um objetivo real sem fantasias. A seu ver, a escola da rede pública de ensino ainda tem muito a melhorar quando o assunto é inclusão. Considera que está em processo de aperfeiçoamento. “Segundo essa mesma professora, o espaço educacional coloca em prática o processo de inclusão, mas a realidade, por vezes, se torna traidora aos anseios do professor, no entanto ainda tem muito a melhorar”. O fato da maioria das famílias não saberem seus direitos, atrapalha a cobrança no respeito de seus direitos enquanto cidadãos. Apesar de não perceber muita interação entre crianças surdas e ouvintes não há grandes problemas de discriminação. Ela, a professora da turma A, aponta que “A sociedade tem um ganho incalculável no que diz respeito à convivência com as diferenças, pois dessa forma o indivíduo aprende a conviver em sociedade respeitando à diversidade. Relata ainda que os gestores e professores em sua maioria não estão preparados para a inclusão e nem tão pouco receptivos para as mudanças necessárias. Já a professora da turma B, afirma que a inclusão é muito mais que teorias “são mudanças de atitudes, hábitos e até mesmo na estrutura física da escola que se intitula inclusiva, requer além de mudanças no espaço físico também o cumprimento da lei”. No que se refere a materiais pedagógicos preparo do educador e acessibilidade no espaço físico e visual, verifica-se que a escola não está preparada e que para a inclusão acontecer não depende somente dos educadores depende também de políticas públicas, recursos e dos apoios dos gestores, ficando assim a desejar.Com relação à família, como desconhece os direitos dos alunos especiais e desconhece LIBRAS, não há cobrança. Segundo as professoras a maioria está satisfeita só pelo fato das crianças estarem dentro do espaço escolar aprendendo ou não. Claro que essa regra não se aplica a todas as famílias, mas, infelizmente, à maioria. Quanto ao relacionamento das crianças surdas com as ouvintes quase não há. Os surdos só se relacionam entre si, mas, no entanto, não há graves problemas de discriminação. A educadora B colocou que: “ A sociedade só tem a ganhar com a convivência com as diferenças, pois assim o respeito será construído dia a dia, e que o gestor está sempre disposto á ajudar, mas dentro do possível e dentro das limitações imposta pela própria secretaria de educação e as maiores falhas dentro da inclusão são: faltam de recursos financeiros, estrutura física, materiais pedagógicos adequados e o próprio currículo”. 56 7 SUGESTÕES E APONTAMENTOS AO FAZER PEDAGÓGICO Pensar em uma educação inclusiva de qualidade no Brasil além de não ser uma tarefa fácil é um assunto complexo e profundo além do que faz necessário uma reflexão para os que fazem parte do processo pensarem sobre o que é inclusão para que a inclusão? De acordo com as exigências sociais e carências, inclusão pode assumir outros significados, mas há de se pensar também no que é qualidade? Nesse contexto, cada escola pode ter seu próprio conceito de qualidade. A luta pela escola inclusiva de qualidade deve ser uma luta assumida por todos que fazem parte do espaço escolar, pois a prática pedagógica deve ser planejada e refletida. Conseguir a participação efetiva das famílias tem sido uma tarefa difícil. Sem essa parceria o trabalho do professor fica frágil. É sabido que as escolas do Distrito Federal, inclusivas ou não ,são carentes de recursos. No entanto, o comprometimento ético e social perpassam os desafios. Existem trabalhos que independem de muitos recursos como promover o conhecimento da Língua de Sinais bem como sua valorização por meio das relações interpessoais das crianças surdas e ouvintes. Portanto, não requer somente recurso, requer vontade de fazer, como também oportunizar que as crianças ouvintes tenham o contato, conheçam e valorizem LIBRAS, levando-as de uma certa forma, a valorizar as duas línguas, evitando o domínio de uma sobre a outra, encontrando assim o equilíbrio e o respeito entre surdos e ouvintes. Os professores podem preparar jogos onde as crianças poderão nomear reconhecer objetos, participar de teatro na própria escola, incentivar a curiosidade. O encantamento da língua de sinais pode ser feito e pensado pelos educadores. A ausência de preparação e comprometimento pode fazer com que a luta pela educação inclusiva fique apenas no papel. Não se faz educação inclusiva sem lutar por ela. Essa luta é no dia a dia é uma construção permanente, pois a garantia do acesso à sala de aula regular existe, no entanto, a garantia pela qualidade e permanência do aluno com deficiência na escola é um compromisso que deve ser assumido por todos e ensinado nas escolas. Apenas o acesso e o número de crianças com deficiência nas escolas não devem ser vistos como indicadores de qualidade, qualidade vai além, a qualidade é construída dia a dia, no fazer e nas reflexões pedagógicos. Até hoje, o Brasil não conseguiu completar a sua evolução de simples colônia de exploração para nação. Ainda pensamos como colônia, no que se refere à educação não é diferente apesar de inegáveis avanços, a educação inclusiva ainda é um cenário em construção. 57 A educação inclusiva deve partir do princípio de que todos, independente de suas limitações, têm o direito de aprender. Não só para informação, mas para entender e participar da cultura, da história. Isso irá lhes garantir cidadania, pois fazem parte de uma sociedade, tendo o direito de resistir e se organizar, de protestar em busca do respeito e valorização do povo e da cultura surda e, principalmente, de produzir e participar dos bens produzidos. Essas e outras ações podem ser um compromisso ético que deve partir dos agentes da escola como professores e demais. Não há educação inclusiva sem justiça social que é uma construção permanente. A educação inclusiva só pode existir, e ser verdadeiramente efetivada, pelo reconhecimento da singularidade e particularidade dos sujeitos surdos e da universalidade de direitos entre surdos e ouvintes. Requer recursos? Requer conhecimento, respeito ao povo surdo e sua cultura, pois se faz necessário antes das cobranças por recursos, o conhecimento dos sujeitos surdos para perceber quais os recursos são necessários. Não podemos cobrar, a respeito daquilo que não conhecemos. O educador deve pensar nas limitações impostas pela surdez ao letrar a criança surda. Desconsiderar que o aluno ouvinte adquire sua língua o português de forma natural e querer impor aos surdos às condições iguais em que o ouvinte adquire sua língua é um desrespeito à cultura surda. Assumir posturas em respeito à criança quando se está explicando, além de ser um direito das crianças em entender, são condições básicas para o sujeito surdo perceber que ele é importante e faz parte dos demais alunos. O intérprete de sala pode se valer de variadas ideias e observações para desenvolver o letramento como as imaginadas por esta pesquisadora e exemplificadas a seguir: Trabalhar com os alunos vários tipos de textos como: poesias, contos, lendas, histórias infantis, se possível às histórias adaptadas para os surdos, tipo: a cinderela surda, o patinho surdo entre outras. Além de oportunizar a criança surda contato com diversos tipos de textos, permitirá as crianças ouvintes a conhecer, respeitar e valorizar a cultura surda. Fazer a tradução em LIBRAS e as palavras que não tiverem sinais, isto é, será preciso usar a DATILOLOGIA. Apresentar as ilustrações das histórias, fazendo perguntas para as crianças relacionadas às histórias e pedir a elas que inventem um final diferente, deem um título diferente, acrescentem um personagem diferente com características diferentes, pois penso que isso poderá ajuda-las a ampliar a imaginação a criatividade e, principalmente, ajudá-los a construírem e entenderem sobre o que é conotação, ex.: A cachorra da vizinha...só entendendo o contexto é que 58 se pode perceber se cachorra se trata de um animal ou de um “ xingamento”. Para os surdos, a “conotação” pode ser mais difícil de entender. Contar a história de uma maneira mais natural. Apresentar o texto por completo, não se pode letrar “ aos pedaços” conforme a necessidade e dificuldade que eles tiverem com o texto. Poder-se-à ir focando as partes principais até chegar ao texto todo. O ideal é começar do macro para o micro, ou seja, começar por textos completos, pois ninguém “apresenta um carro começando pelas rodas, o volante, os bancos e os espelhos, se apresenta o carro e com o tempo as crianças entendem naturalmente as partes que o compõem. Ajudar as crianças a perceberem o texto o que não conseguiram perceber. Porém é importante não dar as respostas e, sim, fazê-las pensar. Se a história for desinteressante, a criança não irá querer ler até o fim, pois se os adultos, por vezes, abandonam a leitura por não acharem interessante, porque com uma criança seria diferente? É importante conhecer, na medida do possível, qual é o assunto que eles gostam de ler. Em se tratando de crianças temos vários tipos de leitura e não é difícil de descobrir o gosto dos alunos. Fazer relação da história com a vida da criança, pois além da criança surda se sentir valorizada poderá se interessar mais pela história, ex.: O patinho surdo: o que aconteceu na história. Quem conhece alguém que viveu uma história parecida? Como foi? Tentar variar nos sinais, por ex.: Eu moro com minha mãe, eu moro em qualquer lugar. Nesses casos podem usar o sinal de morar e viver. Sendo assim, além de evitar o bimodalismo, a criança terá mais sinais para usar em um mesmo contexto. Há de se pensar que existe o regionalismo. No entanto, quanto mais sinais ela conhecer mais terá opções de escolhas a fazer. O professor precisa deixar explícito que acredita no sucesso da criança, pois se a mesma perceber que o educador não acredita no seu potencial, como esta irá ter segurança para aprender a aprender. O aprender se constrói no dia a dia, isso não difere de crianças surdas e ouvintes. Organizar como se fosse um teatro para as crianças representarem em sala. A história pode ajudá-las a ficarem mais desinibidas, além de promover a interação, usando a Língua de Sinais. Isso ajudará os alunos ouvintes a ampliarem o uso de LIBRAS e aprenderem sinais novos. 59 Os educadores não podem apresentar um tema e na aula seguinte não retomar a ele. É preciso verificar o que os alunos conseguiram reter, quais as informações ficaram claras e quais não entenderam, ação pedagógica que deve ser feita com alunos surdos ou não. Não falar de costas para os alunos surdos, ainda que ele não consiga fazer leitura labial, pois dificulta a visualização dos mesmos. Além disso “ falamos com expressões”, pois qual pessoa consegue relatar uma tragédia com o rosto de felicidade ou relatar uma história feliz com o semblante de tristeza. Claro que isso não é uma regra, mas o aluno surdo ou não precisa ver o rosto do professor. Falar com o aluno de costas é também um desrespeito bem como falar andado pela sala. Quando se tratar de uma história com vários personagens é necessário que fique claro para as crianças, quantos personagens têm na história, como eles estavam? Tristes, alegres, confusos, e por que eles estavam assim? A história pode ser aproveitada para trabalhar matemática no que diz respeito às quatros operações, exemplo: soma e subtração. Pude observar que as crianças surdas têm bastante dificuldade em entender , que, às vezes, na soma, sobe um número e na subtração as vezes é preciso “pegar emprestado”. É um apontamento, mas que pode ser válido, pois as crianças surdas ou não dão pistas. As sugestões acima são apontamentos. Na verdade, é preciso ser levado em consideração vários aspectos como materiais pedagógicos, recursos, a própria presença do intérprete e sua qualificação para atuar como ILS e a família quanto à participação da vida do educando, a postura do gestor enquanto escola inclusiva, políticas públicas voltadas para a educação especial entre outros. Porém, há um recurso que independe de todos esses, é a ética do educador e o compromisso social. Quando se escolhe ser educador, o compromisso perpassa os muros e portões das escolas, assumimos um compromisso com “ o direito” à educação de qualquer sujeito sendo ele surdo ou não. O discurso sobre as dificuldades já o conhecemos. É sabido que são várias as barreiras, mas, no entanto, precisamos trabalhar dentro de nós o discurso da solução. Não que exista uma pronta, mas apontamentos sim, ideias e observações também podem ajudar no que diz respeito aos desafios do letramento da criança surda. 60 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS Como foi possível perceber, inserir crianças com deficiência no espaço escolar e pensar que esse ato se trata de inclusão é uma ingenuidade, pois para que a educação inclusiva aconteça são necessários pré- condições, condições, práticas pedagógicas e resultados. No entanto, outros fatores e responsabilidades podem ser somados ao sucesso ou fracasso da educação inclusiva. O comprometimento do docente e a formação continuada. São essenciais, como também o trabalho em equipe onde a escola assume o aluno como seu. Se os problemas estão na escola, parte da responsabilidade é da escola em tentar resolvê-los. É sabido que existem medidas que não dependem das escolas, no entanto, existem medidas e ações que devem ser feitas pela escola e na escola. Sabe-se que, garantir a educação para todos gera custos. Porém quando se trata de educação especial os custos são altos. Custos esses que devem ser entendidos como investimentos, e principalmente, como um direito constitucional de todas as crianças com necessidades especiais, o direito de serem vistas e respeitadas como sujeitos. Cada sujeito surdo, não diferente dos ouvintes, agrega a aprendizagem e percebe o “mundo das letras” ao seu modo, juntamente com suas particularidades e seu tempo. Todavia, existem fatores que podem auxiliar esse processo ou atrasar a motivação, a interação com os demais sujeitos, a valorização da própria língua, o acreditar em si, o diagnóstico educacional, não somente para orientar suas ações, mas para reconhecer e respeitar “o jeito surdo de ser e aprender”. A visão de que o surdo deve se normalizar vem se alterando por meio das lutas de um povo que possui uma cultura, o qual luta para serem vistos e aceitos, já que a história há mais de um século negou sua existência. Contudo a luta pelo respeito e aceitação da sua língua vêm se fortificando, pois apesar da sociedade impôr valores como linguísticos, estéticos, culturais entre outros, começa a perceber que existe um povo que aprende por um canal diferente, que possui outra língua, mas ainda há muito o que se conquistar. É por meio da conscientização e do reconhecimento, das diferenças que haverá chances de se promover a igualdade, pois reconhecendo as diferenças reconheceremos as limitações que impõe a surdez e valorizando as potencialidades é preciso entender que somente o uso da LIBRAS não garante o sucesso educacional para as pessoas com surdez. Há muito que se fazer. O próprio surdo precisa acreditar na sua potencialidade, precisa participar das decisões que se referem aos interesses dos mesmos. 61 É por meio do vocabulário que nós conseguimos compreender, no entanto, nós adquirimos vocabulário antes mesmo de aprendermos a ler e depois. Aprendemos no espaço da escola e fora dele, nas relações com a família e demais pessoas. A aquisição do vocabulário não depende exclusivamente da leitura, mas o aprimoramento pode ser ampliado e melhorado por meio da leitura. Para tanto, quem tem contato com a leitura e diversos tipos de textos e compreender o que lê, têm mais chances, de se tornar bom leitor e conseguir interpretar textos. Percebemos que a criança surda, filha de pais ouvintes, enfrenta uma barreira que é a comunicação. Como essa criança conseguirá ampliar o seu vocabulário, se, na maioria das vezes, não consegue uma comunicação efetiva. A convivência com adultos surdos é importante para que esse vocabulário seja ampliado. Quando a criança é ouvinte, mas seus pais são surdos, a criança pode ter um vocabulário também restrito e resumido, pois além do português, irá saber LIBRAS, mas isso não significa que seu vocabulário será extenso. Esta autora termina este estudo com mais dúvidas do que quando iniciou. Fato importante posso colocar já que as perguntas são mais importantes do que as respostas, pois é por meio dos questionamentos e inquietações que conseguimos construir nossas hipóteses sobre o letramento da criança surda. Certezas não existem, o que existem são apontamentos os quais irão variar de acordo com as necessidades de cada um. Somos únicos e somos diferentes. Portanto, para que haja igualdade é preciso reconhecer que somos diferentes, aprendemos de formas diferentes e isso não era levado em consideração em ambas as turmas. A educação dos sujeitos surdos e ouvintes deve ter a intenção de formar pensadores não reprodutores de ideias para que consigam ampliar seus horizontes tendo mais confiança em si mesmo. As crianças surdas precisam se “arriscar”, precisam errar, pois o erro faz parte do aprendizado, precisam se relacionar com as demais crianças. É imperdoável em uma escola que se intitula como inclusiva como a que foi pesquisada não divulgar a LIBBRAS nem tão pouco promover alguma ação para que essa valorização seja efetuada. Como uma criança consegue fazer leitura labial sem ajuda de um especialista. Será essa criança incapaz de aprender? Quais recursos indicados para letrar essa criança? Qual melhor método para letrar? Considerar o educando, reconhecer e respeitar suas limitações é um compromisso social e ético. Somos responsáveis pela construção de uma sociedade mais justa onde todos devem fazer parte dela, sendo reconhecidos como cidadãos, com o direito de produzir e usufruir dos bens de produção. Oferecer-lhes apenas uma cadeira na escola para os com deficiência e achar que se trata de inclusão é excluir o sujeito duas vezes, respeitá-lo como diferente, reconhecendo suas limitações, acreditando no potencial e intervindo para o 62 aprimoramento do ensino e aprendizagem é respeitar a criança dentro de suas limitações, ajudando a criança a acreditar em si mesma, ficando mais segura para aprender a aprender. Há diferenças entre formação e atualização, o que não deixa de ser responsabilidade individual do professor. No que diz respeito à formação de professores, verificou-se que ela é deficitária, porém quando se refere ao letramento da criança surda, os desafios são ainda maiores, pois estão relacionados aos conteúdos e orientações entre outros, visto que não havia orientações específicas sobre as competências que os professores deviam ter para exercer sua função com professoras letradoras de crianças surdas. As pesquisas sobre letramento das crianças surdas e ouvintes não se findaram e jamais vão se findar, pois é igual a qualquer conhecimento científico. Perguntas, experimentos e métodos irão estabelecer novas evidências que devem sempre ser questionados, pois não existem verdades absolutas, devem ser testadas e sempre serem substituídas quando necessário ou modificadas adaptadas e ampliadas quando for pertinente. Segundo (Bhabha, 1994, p. 208), o surdo tem diferença e, não, deficiência, e a preocupação que foram exploradas aqui. Antes de tudo, trata-se da diferença e da diversidade. O que importa é como assumimos o sujeito surdo. Fala-se, hoje, frequentemente do biculturalismo entre surdos ou então se usa o termo bilinguismo. Minha posição é de que o biculturalismo e o bilinguismo mascaram normas, pois mantêm a diferença cultural surda como se ela fosse incômoda. As posições bicultural e bilingual mantêm o surdo pelo meio. É como se dissesse: você é um, mais tem que ser dois ao mesmo tempo. Esta é uma exigência da “ diversidade” imposta pela sociedade anfitriã ao surdo, uma definição sujeita ainda a manter cambaleante à comunidade surda. A estratégia é visível: “ o universalismo que permite paradoxalmente a diversidade, mascara normas etnocêntricas. Isto deixa clara a tentativa de impor uma língua única para todos, o que nunca será possível. Entra aqui o esforço de universalizar o surdo, inclusive usando-se como artifício a integração onde se admite a diversidade, não, porém, a diferença. Desta forma, querer que o surdo seja ouvinte e se porte como ouvinte como se percebeu nesta escola é uma agressão e desrespeito à cultura surda. O surdo não tem que ser ouvinte, pois a cultura ouvintista é constituída de signos que se ouve (audíveis), ele só irá conseguir entender a palavra até certo ponto, pensando na “ imagem” da palavra para auxiliar sua compreensão. A escrita do surdo jamais será igual a do ouvinte, pois as palavras são soltas e, talvez, continuarão soltas sem um contexto, pois pensar em frases no português e fazê-las não é o mesmo em fazer e pensar em LIBRAS. Terão consciência disto os educadores observados? Faz-se necessário pensar em estratégias de como letrar e cobrar os resultados 63 sem impor e reforçar a cultura ouvintista para que como educadores não impormos poder e privilégios, sem respeitar os sujeitos surdos e sua cultura. Segundo Beyer (2010, p. 57) para os professores em atividade, para quem a proposta da integração/inclusão escolar surge como um adicional “ complicador” , uma formação continuada deveria tentar propiciar ferramentas básicas, tendo em vista sua capacitação. Evidentemente, esta formação deve ter os requisitos essenciais para uma condução do processo de ensino- aprendizagem desde os fundamentos conceituais da educação integradora/inclusiva até os aspectos pedagógicos implícitos nesse processo, tais como a metodologia de ensino, os recursos didáticos, as formas de aprendizagem de alunos com necessidades especiais, sua progressão escolar, as questões de avaliação e da finalização dos estudos. As mediações pedagógicas deveriam respeitar as peculiaridades das crianças surdas no seu jeito diferente de aprender. O corpo docente deve se organizar e preparar suas aulas levando em consideração que todo o conhecimento passado pelo professor estará ao alcance de todos independente de suas limitações. Não foi o que se percebeu no ambiente pesquisado. Nessas condições, uma criança não pode ser avaliada por aquilo que não lhe foi ensinado, pois não estaria ambos ligados o direito de aprender ao de avaliar? No entanto, se o educador não tiver essa sensibilidade poderá estar cometendo uma injustiça. Daí a importância da formação continuada, onde o educador não só terá essa percepção como poderá preparar uma boa prática pedagógica, a fim de alcançar um aprendizado significativo, onde nenhum desafio será deixado de lado ou ao menos pensado como superá-lo. Pois, acredita-se que estão nas perguntas, os caminhos da aprendizagem, sendo que o percurso será muito importante para confrontar e revelar, novos métodos de inclusão, no que diz respeito à sala de aula, já que por meio do conhecimento pode-se combater a ignorância que consequentemente poderá funcionar como um “remédio” para o preconceito. Quando falamos em inclusão há de se pensar em inclusão do aluno como um todo .A criança precisa da identificação dos espaços como: direção, salas, banheiros e refeitórios não só para se orientar, mas também para perceber que a escola a acolhe, divulga, respeita e valoriza a língua de sinais, não pode ser apenas uma “sinalização tímida” como um faz de conta que se faz inclusão. Os sinais precisam estar claros, pensando também que a escola como espaço social e formadora de opiniões, deve divulgar, valorizar, pois essas crianças que estão hoje nas escolas serão os professores, delegados, médicos de amanhã. Porém, ter a oportunidade de conhecer, reconhecer e valorizar a LIBRAS poderá contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária, onde todos tenham o direito à informação e a formação, para que o ensino linguístico seja de fato propiciado aos alunos surdos. A escola deve pensar que, na maioria 64 das vezes as crianças surdas só têm contato com LIBRAS na escola e quando têm diferente da criança ouvinte que a qualquer lugar que vá terá contato com o português. Outro agravante é que na referida escola, todos os alunos surdos que foram observados são filhos de pais ouvintes e nenhum sabe ou utiliza LIBRAS sentiu-se então que a primeira barreira que essas crianças surdas enfrentam é a barreira da comunicação, tão importante para sua sobrevivência. Segundo Lodi (2010, p. 119), os alunos surdos e ouvintes quando estão na mesma sala de aula, na mesma escola, vivendo circunstâncias tão diversas têm a sua aprendizagem, e portanto, letramento favorecidos. São crianças, são alunos, têm direito aos estudos, ao conhecimento, à inserção cultural, se respeitadas às diferenças linguísticas e consequentemente forem aprimorados procedimentos didáticos adequados. A escola seriamente comprometida com o aprendizado dos alunos surdos vê e assume o domínio da Língua Brasileira de Sinais para todos que nela estão. Todos ganham em conhecimento, todos ganham em partilha de vida: ouvintes e surdos. Dessa forma, entende-se que aprender é um ato político as adequações as mudanças devem ser pensadas na escola como sendo uma instituição. Os papéis devem ser definidos e respeitados, intérpretes devem ser intérpretes, excluir o aluno dentro da inclusão nada mais é que excluí-lo duas vezes, como já dito anteriormente. Em suma, o estudo permitiu verificar que o letramento das crianças surdas não é possível, dentro desse contexto escolar, entretanto, para facilitar o seu aprendizado e promover o letramento, já que a “leitura de mundo” dos alunos surdos é diferente dos alunos ouvintes, o aprendizado se dá pelo campo visual o qual é mais aguçado para compensar a surdez. O intérprete de LIBRAS ocupa uma posição muito importante. Além disso, a pesquisa possibilitou verificar a fragilidade por parte dos preparativos da escola para atender a necessidade das crianças surdas, isto é, o projeto de inclusão não ocorre na prática e o letramento da criança surda não ocorre conforme previsto em lei e se espera da escola, visto as várias fragilidades percebidas: necessidade de reorganização do espaço físico, preparo docente, ausência do intérprete e ainda a falta de recursos pedagógicos. Assim sendo, verificamos que as crianças surdas ficam em defasagem educacional em relação às ouvintes. 65 REFERÊNCIAS ALMEIDA. 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Lisboa: Instituto Piaget, 2011. 68 APÊNDICES 69 DESAFIOS DO LETRAMENTO DA CRIANÇA SURDA: UM ESTUDO REALIZADO NOS 4º E 5º ANOS DO ENSINO FUNDAMENTAL 1.2013 APÊNDICE A : Termo de consentimento livre do (a) professor (a) Caro (a) Professor (a), O/A Sr./a. está sendo convidado (a) a participar voluntariamente de uma pesquisa da Universidade Católica de Brasília que tem como objetivo principal averiguar quais os desafios do letramento da criança surda. Leia cuidadosamente o que. Quaisquer dúvidas serão respondidas prontamente. O/A Sr./a muito contribuirá para o estudo da temática em pauta. A presente pesquisa será conduzida pela estudante Cláudia Aparecida Torres Marques com o objetivo de elaboração do trabalho final de seu curso de Graduação em Pedagogia sob a orientação da Profª Msc. Adriana Lira, Professora da Universidade Católica de Brasília e secretária geral da Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade da mesma Universidade. Se você concordar em participar do estudo, seu nome e identidade serão mantidos em sigilo. Somente os pesquisadores, terão acesso a suas informações para verificar dados do estudo. Vale ressaltar que, todas as informações coletadas pela pesquisadora não terão utilidade para o processo e para fins judiciais. Sua participação no estudo é voluntária. O/A Sr./a pode escolher não fazer parte dele, ou desistir a qualquer momento. O/A Sr./a poderá ser solicitado a sair do estudo se não cumprir os procedimentos previstos ou atender as exigências estipuladas. O/A Sr./a receberá uma via assinada deste termo de consentimento. 70 Declaro que li e entendi o formulário de consentimento, sendo minhas dúvidas esclarecidas e que sou voluntário a tomar parte neste estudo. Agradecemos desde já pela participação. Brasília, ____de ____________ de 2013. Instituição: Escola ....................... _______________________________ Assinatura do responsável / Instituição: _________________________________ Assinatura do (a) professor (a) _________________________________ Assinatura do pesquisador _________________________________ Tipo de participação: Questionário ( ) 71 DESAFIOS DO LETRAMENTO DA CRIANÇA SURDA: UM ESTUDO REALIZADO NOS 4º E 5º ANOS DO ENSINO FUNDAMENTAL 1/2013 APÊNDICE B: Questionário do (a) Professor (a) PREZADO (A) PROFESSOR (A), O objetivo desta pesquisa é averiguar quais os desafios do letramento da criança surda nos 4º e 5º anos do ensino fundamental de crianças do ensino público. Sua colaboração é muito importante para esta pesquisa, pois o senhor/senhora estará contribuindo para se pensar em uma educação inclusiva. Para responder ao questionário abaixo não há a necessidade de sua identificação. Leiao atentamente e, em caso de dúvidas, solicite ajuda aos aplicadores. Desde já agradecemos a sua colaboração. Data: Turno da pesquisa: PERFIL 1 - Sexo: Feminino ( )1 2 – Idade: Entre 19 e 24 anos Entre 25 a 30 anos Masculino ( ) 2 ( ( ) ) Entre 31 a 40 anos Mais de 40 anos ( ( ) ) 3 - Sua carga horária total nesta e em outra(s) escola(s): Até 10 horas ( ) 1 31 a 40 horas ( ) 3 20 a 30 horas ( ) 2 41 a 60 horas ( ) 4 4- Qual o seu grau de escolaridade: ______________________________________ 5 - Tempo como educador: ____________ Menos de 5 anos ( ) 1 72 6 a 10 anos ( )2 11 anos ou mais ( ) 3 6 - Há quanto tempo trabalha nesta escola? Menos de 1 ano ( ) 1 1 a 2 anos ( )2 3 a 5 anos ( )3 6 anos ou mais ( ) 4 7 - Há quanto tempo você trabalha com LIBRAS? ____________ Menos de 5 anos ( ) 1 6 a 10 anos ( )2 11 anos ou mais ( ) 3 8 - Fora da escola você tem algum contato com surdo? Quem? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ O TRABALHO DOCENTE E A PROPOSTA DO LETRAMENTO 9 - O que você entende por Letramento? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 10 - Você tem cursos na área de Letramento? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 11 - Na sua opinião, que recursos são importantes para facilitar o trabalho de letramento de uma criança surda? Esses recursos estão disponíveis na escola? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 12 - Para você, quais são os desafios de letrar uma criança surda? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 13 - Em sua opinião, pode-se afirmar que existe um tempo determinado para a criança surda se inserir no “ mundo das letras”? Qual seria esse tempo? 73 ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 14 -Para você, há um melhor método para letrar crianças surdas? Justifique sua resposta? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 15 - Para você, qual a importância da família no processo de letramento da criança surda? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ FORMAÇÃO DOCENTE 16 - Possui curso de Libras: ( ) Básico ( ) Intermediário ( ) Avançado- intérprete ( ) Pró-libras 17 -Quando foi feito o seu último curso na área de Libras? Qual foi? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 18 - Dos professores que aqui trabalham, todos têm proficiência em Libras? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 19 - Há um incentivo por parte da escola ou da SEEDF para o desenvolvimento de cursos de aperfeiçoamento nesta área aos professores em geral? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 20 - Você considera ter tido uma boa formação na graduação como forma de preparo para desenvolver um trabalho com crianças surdas? Onde foi? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 21 - Na sua opinião, o que é necessário para a efetivação da proposta de letramento da criança surda? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 74 ATUAÇÃO DOCENTE - EXPERIÊNCIA COM LIBRAS 22 - Você gosta de atuar no ensino fundamental? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 23 - O que a motivou a trabalhar com crianças surdas? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 24 -Você pensa que a criança com surdez leve e moderada, precisa do apoio do intérprete de Libras em sala de aula? Por quê? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 25 - Os professores que atuam na educação especial recebe alguma gratificação a mais que outros professores? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 26 - Caso você já tenha desenvolvido o mesmo trabalho em outra escola, como você o compara o seu trabalho aqui realizado? Era também pública? Era a mesma realidade? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 27 - O que você tem a dizer de sua experiência enquanto professora de crianças surdas? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ O PROCESSO DE INCLUSÃO 28 - Para você o que é inclusão? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 29 - No que no se refere aos materiais pedagógicos, preparo do educador e acessibilidade do espaço físico e visual, a escola pública está preparada para receber alunos surdos? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 75 30 - Você considera que esta escola coloca em prática a proposta de inclusão que se propõe realizar? Justifique sua resposta. Caso não, por quê? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 31 - A escola pública, enquanto escola inclusiva, tem feito um trabalho capaz de valorizar, divulgar e conscientizar a língua de sinais bem como a cultura surda? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 32 - E em relação à família, como você percebe esta inclusão? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 33 - Como você percebe a relação das crianças surdas e crianças ouvintes nesta escola? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 34 - Em sua opinião, qual o “ ganho” para a sociedade e para os sujeitos surdos, a convivência com as diferenças? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 35 - Qual o papel do gestor neste processo de inclusão na escola? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 36 - Para você, qual a maior falha no que diz respeito à inclusão escolar? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 76