UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL EDUCAÇÃO EM SAÚDE NA ONCOLOGIA Franciane Scheren Cleci Lourdes Schmidt Piovesan Rosanelli Enfermagem 2011 DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE – DCSa Rua do Comércio, 3000 – Bairro Universitário Caixa postal 560 Fone: (55) 3332-0200 – Fax:(55) 3332-9100 www.unijui.edu.br CEP 98700-000 Ijuí – RS Brasil 2 FRANCIANE SCHEREN EDUCAÇÃO EM SAÚDE NA ONCOLOGIA Trabalho de Conclusão de Curso em forma de Artigo apresentado ao curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Oncologia - 2ª Edição da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijuí, como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Oncologia. Orientadora: Profª Msc. Cleci Lourdes Schmidt Pioversan Rosanelli Ijuí, RS 2011 3 UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - UNIJUÍ DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE – DCSa CURSO DE ENFERMAGEM A COMISSÃO ABAIXO ASSINADA APROVA O PRESENTE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO INTITULADO: EDUCAÇÃO EM SAÚDE E ONCOLOGIA ELABORADO POR: Franciane Scheren COMO REQUISITO PARCIAL PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE ESPECIALISTA EM ONCOLOGIA COMISSÃO EXAMINADORA: Profª MSc Cleci Lourdes Schmidt Pioversan Rosanelli – Orientadora Profª MSc Adriane Cristina Bernat Kolankiewicz - Parecerista 4 Educação em Saúde na Oncologia1 Franciane Scheren2 Cleci Lourdes Schimdt Pioversan Rosanelli3 RESUMO Objetivo: Analisar as publicações em periódicos nacionais, entre os anos de 2005 a 2010, que discutem os aspectos relativos à Enfermagem e o processo de Educação em Saúde na Oncologia. Método: pesquisa de revisão bibliográfica. Os dados foram obtidos por meio eletrônico, disponíveis na Biblioteca Virtual de Saúde – BVS: Scientific electronic library on-line (Scielo), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), Base de Dados de Enfermagem (Bdenf) com os seguintes descritores: Enfermagem, Educação em Saúde e Oncologia. Resultados: foram selecionados quatro artigos que abordavam o assunto em questão. Na interpretação dos resultados emergiu uma categoria: Educação em saúde e oncologia. Conclusão: os artigos analisados estão voltados para a discussão de ações e intervenções curativas para o enfrentamento da doença e tratamento, visto que, as ações educativas de promoção e prevenção aparecem de forma limitada nos textos. Descritores: Enfermagem; Educação em Saúde; Oncologia 1 Trabalho de Conclusão de Curso Enfermeira, Especialista em Gestão de Organização Pública em Saúde, Pós-graduanda do Curso de PósGraduação Lato Sensu em Oncologia 2º Edição. Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. [email protected] 3 Enfermeira, Mestre em Educação das Ciências e Docente do Departamento de Ciência da Saúde da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, Ijuí/RS. E-mail: [email protected] 2 5 Health Education and Oncology Objective: Analyzes the publications in national journals, amoung years 2005 to 2010, which discuss the aspects relating to nursing and educational health process in oncology. Method: research review of literature. The data were obtained through electronic way, available in the health virtual library-BVS: Scientific electronic library on-line (Scielo), Latin American Literature and Caribbean in health sciences (Lilacs), database of nursing (Bdenf) with the following keywords: Nursing, Health Education and Oncology. Results: Were selected four articles which addressed the subject in question. On the interpretation of results emerged a category: Health Education and Oncology. Conclusions: The articles analyzed are directed for discussing of actions and curative interventions to coping with the disease and treatment, aimed which, that educational actions of promotion and prevention appear of limited form in texts. keywords: Nursing, Health Education and Oncology. 6 Educación para La Salud y Oncología Objetivo: se trata de un estúdio de las publicaciones periódicas nacionales, entre los años 2000 y 2005, discuten los aspectos de La Enfermería y el proceso educativo y de salud en Oncología. Método: investigación de revisión bibliográfica. Los datos fueron obtenidos por medios eletrónicos, disponibles en la Biblioteca Virtual de Salud – BVS: Scientific electronic library on-line (Scielo), América Latina y el Caribe salud Ciencias (Lilacs), Base de Datos de Enfermería (Bdenf) con los siguientes descriptores: Enfermería, Educación para la Salud y Oncología. Resultados: fueron seleccionados cuatro artículos que tratan el asunto en cuestión. Interpretación de los resultados surgieron de una categoría: salud y educación en oncología. Conclusión: los artículos en cuestión son dirigidos a la discusión de acciones e intervenciones curativas para el control de la enfermedad y el tratamiento, ya que las acciones educativas de prevención y promoción aparecen en forma limitada en los textos. Descriptores: Enfermería; Educación para la salud; Oncología 7 LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS Bdenf – Base de Dados de Enfermagem ES – Educação em Saúde INCA – Instituto Nacional de Câncer LILACS – Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciência da Saúde MS – Ministério da Saúde PNAO – Política Nacional de Atenção Oncológica QV – Qualidade de Vida SAE – Sistematização da Assistência de Enfermagem SCIELO – Scientific Eletrinic Library 8 SUMÁRIO RESUMO ......................................................................................................................... 4 LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS ........................................................................ 7 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 9 MÉTODO ....................................................................................................................... 10 RESULTADOS .............................................................................................................. 11 DISCUSSÃO E ANÁLISE ............................................................................................ 12 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 17 REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 18 9 INTRODUÇÃO Dados do Instituto Nacional de Câncer – INCA1 apontam que, desde 2003, as neoplasias ocupam o segundo lugar entre as causas de morte da população brasileira. Conforme o mesmo autor2, estima-se que em 2020 o número de casos novos anuais de câncer chega à proporção de 15 milhões, visto que, pelo menos um terço dos casos novos que ocorre no mundo poderia ser prevenido. Constitui, assim, um problema de saúde pública. No Brasil os tipos mais incidentes de câncer, com exceção do câncer de pele não melanoma, são os cânceres de próstata e de pulmão no sexo masculino e de mama e colo de útero no sexo feminino, acompanham o mesmo perfil observado no mundo. Os padrões de vida, condições de trabalho, nutrição, industrialização, prolongamento da expectativa de vida e envelhecimento populacional são alguns fatores que explicam o acentuado crescimento do câncer e maior exposição dos indivíduos aos fatores de risco carcinogênicos2. Para Rodrigues3, a dificuldade de acesso aos serviços de saúde, dentre outros fatores, contribuem para que, aproximadamente 60% dos pacientes recebam o diagnóstico tardiamente e evoluem para a morte, estes dados, evidenciam o quadro nos dias atuais. Diante deste cenário, fica evidente a necessidade de investimentos e continuidade no desenvolvimento de ações para o controle do câncer, nos diferentes níveis de atuação. Cabe aos profissionais de saúde, em especial o Enfermeiro, trabalhar com ações com vistas a prevenir, diagnosticar precocemente, tratar, evoluir e notificar os casos de câncer4. A Portaria nº 2.439/GM5 institui a Política Nacional de Atenção Oncológica que preconiza a promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos. Desenvolve ações integradas do governo com a sociedade que promovam a qualidade de vida - QV e saúde, capaz de prevenir fatores de risco e redução de danos de forma a garantir equidade, autonomia, acesso e atendimento integral do individuo e coletividade. 10 As ações relacionadas ao seu controle dependem do nível de informação e conhecimento da população assistida, tendo em vista que, é o ponto inicial para o planejamento da assistência do profissional da saúde, de acordo com os princípios de integralidade e humanização instituídos na PNAO5. A Educação em Saúde (ES) é uma estratégia que busca conscientizar a população sobre a sua condição de saúde-doença e agente transformador de sua vida no enfrentamento dos problemas sociais que afetam a população. Articula os saberes técnicos e populares em benefício da QV de indivíduos, famílias e comunidade, favorece o desenvolvimento ao pensamento crítico das pessoas em relação às lutas por direito a saúde e seus deveres, de iniciativa pública e privada6. Nesse sentido, o processo educativo, que se dá por meio das ações de ES vai além da troca de informações entre profissionais e usuários do serviço. Este se constitui em um espaço de aprendizagem continuo promotor de saúde e bem estar. Desta forma, o preparo do enfermeiro é de grande relevância para conduzir tal prática e alcançar com êxito o objetivo proposto. Para tal, o processo pedagógico na formação inicial do Enfermeiro é a base para a condução do processo de ES eficaz nos diferentes contextos. Desse modo, é importante que haja uma reflexão acerca do ensino prestado pelas Instituições Brasileiras, uma vez que, o mercado de trabalho está exigindo trabalhadores cada vez mais qualificados conforme o perfil epidemiológico e a realidade social atual7. Analisando o contexto, e entendo a relevância que trabalhos acadêmicos podem trazer acerca do tema, tem-se como pergunta de pesquisa: Quais são os aspectos que estão sendo publicados por Enfermeiros referentes às ações de Educação em Saúde em oncologia? Para tanto, foi estabelecido como objetivo desse estudo analisar as publicações de Enfermagem relativas à Educação em Saúde em Oncologia. MÉTODO Trata-se de um estudo bibliográfico, que, segundo Gil8, é o estudo desenvolvido com base em material já elaborado constituído principalmente de livros e artigos, o qual utilizou como fonte para levantamento de dados a Biblioteca Virtual em Saúde. 11 Os critérios utilizados para a eleição dos estudos foram: conter minimamente dois dos seguintes descritores, Enfermagem, Educação em Saúde, Oncologia; estar disponível na base de dados o Scientific electronic library on-line (Scielo), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs) e Base de Dados de Enfermagem (Bdenf); ser artigo completo e redigido no idioma português; publicado no período de 2005 a 2010. Considera-se que o marco histórico para o período estimado é a partir da Política Nacional de Atenção Oncológica. Foram identificados nas bases de dados Scielo, quatro artigos, no Lilacs doze artigos e no Bdenf dois artigos. Após leitura e classificação, seguindo os critérios de inclusão, resultaram na seleção de quatro publicações, três artigos na base de dados do Lilacs e um artigo do Scielo. A análise dos dados seguiu os passos da metodologia proposta por Minayo9 com a seleção e ordenação dos temas, no qual resultou na leitura dos artigos seguida de leituras interpretativas, ordenação do material, classificação e análise final. Emergiu um tema de análise, denominado: Educação em Saúde na Oncologia. RESULTADOS Para a análise da produção científica elaborou-se uma ficha de análise documental, composta pelos itens apresentados no quadro abaixo (Figura 1), composto pelas variáveis: código, título, periódico, autores, tipo de estudo, objetivos, tema e principais resultados. Código Título Periódico Autores Tipo de Objetivos Tema Principais Resultados Estudo A1 Sistematização da Assistência de Enfermagem ás Mulheres Mastectomizadas. Cogitare Enferm. 2010 Abr/Jun; 15(2):319-26. *Shérida Karamini Paz de Oliveira; *Maria Tereza Menezes de Paiva Viana; *Suyane Pinto de Oliveira Brilhar; *Francisca Elisângela Texeira Lima Estudo Descritivo, com abordagem qualitativa. Utilizar a Sistematização da Assistência de Enfermagem ás mulheres mastectomizadas. Assistência de Enfermagem ás mulheres mastectomizadas. Foram detectados cinco diagnósticos de Enfermagem real, cinco de promoção a saúde, quatro de risco e três de bem-estar. Demonstrou que após a mastectomia as mulheres apresentam limitações, mas enfrentam de maneira satisfatória a mudança corporal. Manual Educativo para o autocuidado da Texto & Contexto – Enfermagem. *Mariza Silva de Oliveira; *Ana Fátima Pesquisa de desenvolvi mento Validar um manual educativo para contribuir no Manual Educativo para o autocuidado da O Manual foi considerado validado e que o mesmo pode contribuir para a 12 A2 A3 A4 mulher mastectomizada: um estudo de validação. Vol.17 nº1 Florianópolis Jan./Mar. 2008. Carvalho Fernandes; *Namiê Okino Sawada Conhecimento de Pacientes Oncológicos sobre a quimioterapia. Cienc. Cuid. Saúde 2008 Jul/set;7(3): *Ludmila Gonçalves Barbosa; 370-375. *Paulo Prado Fillho; Prevenção do Câncer e educação em saúde: opiniões e perspectivas de enfermagem. Texto & Contexto de Enfermagem. Enferm. Vol.14 nº2. Florianopólis. Apr./June 2005. *Isaura Maria Bata Henriques Peixoto Branco metodológic o, com foco no desenvolvi mento, avaliação e aperfeiçoam ento de instrumento s, adaptada segundo o modelo de Pasquali. autocuidado mulher reabilitação mastectomia quanto validação conteúdo e aparência. Estudo quantitativo e descritivo. Análise e Reflexão – Celso Telles de na da mulher mastectomizada. promoção da saúde, prevenção das complicações e desenvolvimento de habilidades de seus usuários. Busca verificar e avaliar o conhecimento de pacientes oncológicos acerca da quimioterapia a que estão sendo submetidos. Conhecimento de pacientes oncológicos acerca da quimioterapia. Os pacientes apresentam déficit de conhecimento relacionado especialmente ao nome e dosagem dos medicamentos. Apresentam um conhecimento empírico sobre os efeitos esperados e certo conhecimento mais sólido sobre os horários, efeitos colaterais e via de administração. Reflexões alguns pressupostos teóricos prevenção Câncer educação saúde. Prevenção do câncer e educação em saúde. Enfatizar o valor da educação em saúde na prevenção, no trabalho em equipe e, principalmente no papel do enfermeiro na prática assistencial do quotidiano. A educação em saúde nesse domínio assenta em três áreas de base: promoção da saúde, prevenção e rastreamento e diagnóstico precoce. á de de e do e em Figura 01: Distribuição dos artigos selecionados, segundo Código, Título, Periódico, Autores, Tipo de Estudo, Objetivos, Tema e Principais Resultados, 2011. DISCUSSÃO E ANÁLISE Inicialmente, estão apontados os dados de caracterização da pesquisa e, a seguir, a análise fundamentada conforme a literatura pertinente ao tema. Ao analisar as publicações, constata-se que as mesmas versam acerca de temas que abordam a assistência de enfermagem na oncologia, validação de manual educativo para auto cuidado, conhecimento dos pacientes sobre quimioterapia e reflexão sobre prevenção e educação e saúde na oncologia. A maioria destes está relacionada ao câncer de mama e tratamento. Todos os autores são enfermeiros, que trabalham n assistência oncológica e realizam estudos sobre essa temática. 13 Em relação ao ano de publicação, dentro do recorte estipulado, predominam os artigos publicados a partir do ano de 2005, sendo um (25%) em 2005, em 2007 um (25%), em 2008 um (25%) e recentemente em 2010 um (25%). Esses dados demonstram que a temática vem sendo explorada por profissionais da área e denotam a preocupação em publicar estudos que versam sobre a ES na área da oncologia. Educação em Saúde na Oncologia As ações educativas para o autocuidado são estratégias de ES implementadas pelos profissionais de saúde. Guedes, Silva e Freitas10 descrevem que atualmente no Brasil existam dois pressupostos de ES. O primeiro, refere-se às medidas preventivas e curativas que visam à obtenção da saúde e o enfrentamento das doenças; o segundo, as estratégias da promoção da saúde como construção social da saúde e do bem-estar. Colomé e Oliveira11 afirmam em sua pesquisa que os profissionais de enfermagem atribuem o significado de ES como uma abordagem tradicional, historicamente hegemônica e fundamentada em um modelo de intervenção que busca a prevenção de doenças pela mudança de atitudes e comportamentos individuais. Neste sentido cabe ressaltar que a ES, ocorre por meio de diferentes abordagens junto ao indivíduo, famílias e populações, desde que estabeleça a prevenção, recuperação e promoção do indivíduo. Assim, no artigo (A1) os autores implementaram a Sistematização da Assistência de Enfermagem-SAE, a partir da identificação dos problemas prevalentes em mulheres com diagnóstico de câncer de mama, mastectomizadas e perceberam que após a mastectomia as mulheres apresentam algumas limitações, mas enfrentam de maneira satisfatória a mudança corporal.. Conforme as mesmas autoras, a SAE é um dos métodos científicos que direciona e embasa as ações do enfermeiro na prática, permite coordenar a assistência prestada e identificar as necessidades de cada cliente. No entanto, nem todos os serviços em oncologia têm implantado todas as etapas deste método, rotineiramente alguns realizam somente uma entrevista no momento da admissão do cliente ao serviço, abandonando, por falta de tempo os demais passos da SAE. Apropriar-se dessa ferramenta na assistência de enfermagem beneficia tanto o cliente e o profissional, como a instituição de serviço, uma vez que, objetiva identificar 14 e atender as necessidades de cada cliente, bem como, permite a escolha de uma avaliação e intervenção adequada12. As atividades educativas na enfermagem, na sua grande maioria, possibilitam sensibilizar o individuo e conscientizá-lo dos aspectos que envolvam saúde-doença até a valorização do eu, na percepção de não ser o único a estar passando pelo mesmo processo13. No estudo (A2), os autores versam sobre os materiais didático-pedagógicos que, após validação e testagem, são uma das ferramentas de maior acessibilidade e apoio uma vez que, grande parte dos recursos tecnológicos existentes não atingem toda a comunidade. Porém, aponta que a enfermagem, de modo incipiente, produz elementos e instrumentos tecnológicos que auxiliam no processo de trabalho e melhora a qualidade da assistência. A produção tecnológica surge a partir de uma necessidade do cotidiano do Enfermeiro. Conforme o autor Mendes et al14, o instrumento tecnológico implica em um empreendimento que tem como alicerce a necessidade (problema a resolver), conhecimento (o saber como nova alternativa para a resolução do problema) e a criatividade (novas alternativas para resolver o problema existente). Oliveira15 corrobora ao apontar que a utilização da tecnologia educativa deve estar relacionada ás necessidades e adequadas ao grupo de saúde envolvido, a fim de capturar a mensagem transmitida, relacionar e aplicar em seu cotidiano na finalidade de proporcionar conhecimentos adequados na efetividade do seu autocuidado. Entretanto, para alcançar a eficácia e eficiência do instrumento, o mesmo deve passar por ensaios e após a sua validação, servir como uma ferramenta educacional ao alcance dos pacientes e profissionais. Conforme a mesma autora, por meio do conhecimento científico vinculado ao saber prático, o enfermeiro exerce com criatividade a arte do cuidar mediante utilização das mais diversas tecnologias para a promoção, manutenção e recuperação da saúde. Desse modo, a criação de novos artifícios tecnológicos auxilia e facilita o trabalho e o estimula no desejo de inventar novos instrumentos tecnológicos que promovem a educação e colocam a enfermagem como uma ciência em construção. 15 Segundo Oliveira15, a criação e adoção de estratégias de cunho educativo e informativo por meio da utilização de folhetos, livros, cartilhas e manuais direcionadas para o público-alvo, tem como objetivo disseminar o conhecimento sobre a patologia, o que vai lhe proporcionar uma base para o enfrentamento da enfermidade e exercício do auto cuidado. Porém, ressalta-se a utilização de diferentes estratégias para trabalhar com diferentes frentes que precisam ser ressignificadas, uma vez que, em um estudo de Ramos, Carvalho e Mangiacavalli16 que investigaram a representação social das campanhas de prevenção do câncer e seu impacto em relação ao tratamento, os resultados mostram que, as campanhas não ocasionam modificações de atitudes e comportamento entre os entrevistados e o câncer está associado à imagem de morte, medo, impotência. O estudo conclui que é preciso realizar um modelo que desmistifique a doença, ainda muito temida pela sociedade, e que é preciso levar em conta a representação social do câncer, estimular a auto-estima, as relações entre individualidade e coletividade, discurso de gênero e caráter ideológico na elaboração das campanhas de prevenção do câncer. Já (A3), discute o conhecimento dos pacientes submetidos à quimioterapia acerca do tratamento referente a medicações, efeitos colaterais, horário, dosagem e via de administração da quimioterapia e identifica que os pacientes submetidos à quimioterapia apresentam um déficit de conhecimento relacionado ao tratamento e que os profissionais de saúde, em especial o Enfermeiro, devem prestar um atendimento integral e de forma singular a cada paciente, identificando as dificuldades de cada um e disponibilizando informações úteis e claras. Em um estudo realizado por Arruda, Paula e Silva17 buscou identificar o conhecimento sobre quimioterapia antineoplásicas em crianças submetidas ao procedimento. Dos sujeitos entrevistados, a grande maioria relatou desconhecer sobre o tratamento e poucos afirmaram ter conhecimento sobre alguns efeitos ocasionados pela quimioterapia, porém não souberam informar como proceder diante da ocorrência. A assistência de enfermagem exige presença, flexibilidade, partilha de sentimentos, co-responsabilidade, conhecimento e solidariedade. Para que as ações de enfermagem na atenção ao paciente oncológicos sejam realizadas de maneira resolutiva, 16 integral. Neste sentido, cabe aos profissionais buscar, permanentemente, conhecimento técnico-científico e desenvolver habilidade no relacionamento interpessoal, no sentido de prevenir, detectar precocemente o câncer e contribuir no tratamento do mesmo, favorecendo ações de saúde e práticas educativas18. Ao realizar ações de ES a respeito do tratamento ou dúvidas ao paciente, o educador deve levar em conta fatores, como a fragilidade desencadeada pela doença, angústia com o tratamento e a ansiedade pela cura. Tais informações reais e adequadas recebidas de forma objetiva, clara e seguras, ajudam o paciente a preparar-se para enfrentar o tratamento e possíveis complicações, reduz a ansiedade e aumenta a confiabilidade na equipe e serviço19. O planejamento de estratégias de cuidado, embasados em conhecimentos científicos, instiga a motivação dos indivíduos em cuidarem-se e a encontrar nos profissionais que os assiste, em especial no enfermeiro, soluções para o problema em questão15. Os autores do estudo (A4) abordam o quanto o câncer interfere na saúde e qualidade de vida das pessoas. Portanto, dispor de maior investimento de todos os envolvidos na prevenção do câncer, sobretudo fornecer serviços que contribuam para a promoção e manutenção da saúde, prevenção da doença e bem-estar das pessoas. Essas medidas implicam mudanças profissionais, na prática, educação e investigação. Os altos investimentos em exames diagnósticos e procedimentos terapêuticos aplicados na área da oncologia têm proporcionado redução da mortalidade e aumento da sobrevida dos pacientes com câncer. Nesse sentido, a preocupação dos profissionais da saúde que assistem o paciente com câncer está voltada para as questões de QV que atentam para o cuidado nas dimensões físicas, psicológicas e sociais. No entanto essa prática exige do profissional conhecimento da doença e sua evolução, tratamento e as condições emocionais do doente20. Em seu estudo Recco, Luiz e Pinto21 ao buscar conhecer a compreensão da assistência de enfermagem, prestada ao portador de doença oncológica, segundo a opinião de um grupo de enfermeiras, que trabalham em um hospital de grande porte no interior de São Paulo, apontou que, a falta de conhecimento em oncologia é representativa por parte dos profissionais e, segundo as entrevistadas, deve-se a falta 17 desse conteúdo na grade curricular. Esse estudo evidencia o quadro de profissionais das instituições hospitalares no Brasil atualmente, o qual na sua grande maioria, não possui profissionais especializados para trabalharem com pacientes portadores de doença oncológica. Assim, o processo de ES constitui-se papel indispensável na prática do enfermeiro, uma vez que, são comuns no cotidiano de trabalho, atividades que envolvem orientações qualificadas a pacientes e familiares, bem como educação continuada á equipe de enfermagem, seja no âmbito hospitalar ou ambulatorial7. O tema ES deve ser mais explorado entre os profissionais, inclusive pelo o Enfermeiro, por ser um instrumento valioso, desde que qualificado, apresenta inúmeras vantagens e benefícios com resultados satisfatórios e positivos, tanto para o paciente como para os profissionais e instituição13. Para que um paciente possa auto cuidar-se adequadamente, sabemos que perpassa necessariamente, um trabalho já realizado pela equipe de saúde e, em especial, pelo Enfermeiro, pois, o paciente, poderá cuidar-se adequadamente, a partir do momento que ele tem conhecimentos, informações acerca das questões científicas e técnicas que ele poderá utilizar para seu benefício próprio. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste contexto, conforme os objetivos propostos neste estudo, considera-se que os mesmos foram alcançados de modo parcial, possibilitando realizar uma avaliação pertinente dos estudos publicados pelos Enfermeiros referentes às ações de Educação em Saúde na Oncologia . A dificuldade enfrentada na realização desde estudo emergiu do número reduzido de trabalhos científicos relacionados ao assunto. Segundo os dados analisados, esse estudo reflete a deficiência das orientações do profissional Enfermeiro em relação às ações de ES de promoção e prevenção, visto que, apenas um estudo analisado enfatiza a importância da ES na prevenção e assistência dos profissionais no dia-a-dia. As demais publicações analisados, neste estudo, estão voltados, praticamente, na sua maioria, para a discussão de ações e intervenções curativas voltadas para 18 orientações e esclarecimentos após a descoberta da doença direcionada para o tratamento e autocuidado do paciente, os quais direcionam para orientações e cuidados no tratamento. Há muito que se que se avançar nessa área. Uma tarefa que exige persistência e conscientização da importância das ações de Educação em Saúde no cotidiano dos enfermeiros, visando efetivar políticas de caráter de controle e prevenção da patologia e maior adesão da população. REFERÊNCIAS 1 Ministério da Saúde (BR). Instituto Nacional do Câncer. Estimativa 2010/2011. 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Disponível em: http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/Port2005/GM/GM-2439.htm 6 Sousa, LB; Torres, CA; Pinheiro, PNC; Pinheiro, AKB. Práticas de Educação em Saúde no Brasil: A Atuação da Enfermagem. Revista de Enfermagem UERJ, Rio de Janeiro, 2010 jan/mar;18(1):55-60 19 7 Rosa, RB; Maffacciolli, R; Nauderer, TM; Pedro, ENR. A Educação em Saúde no Currículo de um Curso de Enfermagem: O Aprender para Educar. Revista Gaúcha de Enfermagem, Porto Alegre (RS) 2006 jun; 27(2):185-92 8 Gil, AC. Como elaborar projetos de pesquisa. 4.ed. São Paulo.: Atlas:2002 9 Minayo, MCS. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 25ª Ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2007 10 Guedes, MVC; Silva, LF; Freitas, MC. Educação em Saúde: objeto de estudo em dissertações e teses de enfermeiras no Brasil. Ver. Bras. Enferm., Brasília (DF) 2004 nov/dez;57(6):662-5 11 Colomé, JS; Oliveira, DLLC. A educação em saúde na perspectiva de graduandos de enfermagem. Rev. 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