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Sumário
História e Cultura Afro-brasileira e indígena no curso de Pedagogia: formação inicial e
intervenção na escola básica...................................................................................................... 4
CURRÍCULO, CONHECIMENTOS E SABERES DA ESCOLA ............................................ 8
NO E DO CAMPO ................................................................................................................... 8
DIFERENTES CORES SEMELHANTES SERES: REFLEXÕES E PRÁTICAS.................... 15
SINDROME DE DOWN: SUPERANDO DESAFIOS NA ...................................................... 21
EDUCAÇÃO INFANTIL ....................................................................................................... 21
VIVER SAUDÁVEL COM DIABETES ................................................................................. 30
CONDIÇÕES ERGONÔMICAS DOS POSTOS DE TRABALHO E SAÚDE DOS
TRABALHADORES DE ENFERMAGEM INSERIDOS NAS PSFs DE GUANAMBI. ......... 36
Livro didático: narrativas passadas e presentes sobre o negro no Brasil, mitos a desvendar. ..... 42
DEFICIÊNCIA AUDITIVA/ SURDEZ: ALUNOS QUE SOFREM SILENCIOSAMENTE .... 48
SÍNDROME HIPERTENSIVA E SUAS COMPLICAÇÕES NO PUERPÉRIO: Revisão
integrativa da literatura*.......................................................................................................... 56
DESAFIOS NA APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS EM SITUAÇÃO DE RISCO E
VULNERABILIDADE ........................................................................................................... 63
Meio Ambiente e uso consciente dos recursos naturais na formação dos alunos
enquanto cidadãos ............................................................................................................... 70
ANÁLISE DO CONHECIMENTO ERGONÔMICO E NORMAS REGULAMENTADORAS
DO TRABALHO. ................................................................................................................... 77
Fé e regeneração: percepções do processo de doença e cura entre os frequentadores de um
centro espírita na cidade de Guanambi/BA. ............................................................................. 83
O JORNAL COMO INSTRUMENTO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NO PROCESSO
DE ENSINO-APRENDIZAGEM DA LEITURA E ESCRITA ................................................ 89
PROJETO EDUCANDO COM A FAMÍLIA .......................................................................... 96
A PREVALÊNCIA DE SOFRIMENTO MENTAL EM MULHERES DURANTE A
GESTAÇÃO, PARTO E PUERPÉRIO ................................................................................. 103
SER MÃE: TAREFA REPLETA DE DIFICULDADES E SUPERAÇÃO ............................ 109
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HANSENÍASE EM GUANAMBI: Uma mancha silenciosa e presente .................................. 115
EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO MUNICÍPIO DE MATINA-BAHIA :
ALGUMAS REFLEXÕES.................................................................................................... 122
USO E DISPONIBILIDADE DE EPI (EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL)
NOS PSFs DA ZONA URBANA DE GUANAMBI-BA. ...................................................... 129
O CENÁRIO DA EJA NO MUNICIPIO DE CAETITÉ: ALGUMAS REFLEXÕES ............ 135
CONTRIBUIÇÕES DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DE UMA ESCOLA DA REDE
MUNICIPAL DE GUANAMBI-BA ..................................................................................... 142
FATORES PREDISPONENTES da Depressão PÓS-PARTO e ConseqUências na Interação
Mãe/Bebê: Revisão Integrativa.............................................................................................. 149
A FACE PEDAGÓGICA DE EROS EM BUSCA DA VALORIZAÇÃO DA DOCÊNCIA.. 156
GLOBALIZAÇÃO: UM MEIO DE INCLUSÃO SOCIAL E EDUCACIONAL PARA
PESSOAS SURDAS............................................................................................................. 163
A CONCEPÇÃO DO PROJETO ENSINO-APREDINZAGEM NA ESCOLA ...................... 168
A DIVERSIDADE ÉTNICO-CULTURAL E A FORMAÇÃO DOCENTE PARA
TRABALHAR A LEI 10.639/2003 ....................................................................................... 175
Relato de experiência: Construindo um conhecimento introdutório sobre teatro na sala de aula
............................................................................................................................................. 181
TEATRO, COISA SÉRIA! ................................................................................................... 187
INFLUÊNCIA DA ESTRUTURA FÍSICA NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS DOS
PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM ............................................................................... 192
LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS – LIBRAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA NA CIDADE
DE GUANAMBI-BAHIA ..................................................................................................... 199
SINTOMATOLOGIA MÚSCULOESQUELETICO E SUA RELAÇÃO COM A ATIVIDADE
LABORAL DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM .................................................... 204
EDUCAÇÃO INFANTIL: CUIDAR OU EDUCAR? AS ESPECIFICIDADES DO
CURRÍCULO E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES......................................................... 211
PROJETO FAZENDO HISTÓRIA: NARRATIVAS DE VIDA IMBRICADAS NA
FORMAÇÃO DE LEITORES .............................................................................................. 216
TERCEIRA IDADE: SUJEITOS, PRÁTICA E EXPERIÊNCIAS ......................................... 222
Perfil Biopsicossocial dos Profissionais de Enfermagem que atuam nos PSFs da Cidade de
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Guanambi – BA .................................................................................................................... 228
OFICINA DE ORIENTAÇÃO SEXUAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA ............................. 234
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História e Cultura Afro-brasileira e indígena no curso de Pedagogia: formação
inicial e intervenção na escola básica
Heldina Pereira Pinto Fagundes (UNEB) 1
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo realizar uma análise sobre nossa ação de professora, refletindo
sobre a interpenetração entre o currículo formal e o currículo real na disciplina Educação e
Cultura afro-brasileira e indígena. Recorremos à epistemologia qualitativa, por meio do método
autobiográfico; utilizamos como instrumentos de coleta de dados: narrativa, análise de
documento, entrevistas e grupo focal, entre outros. Pretende-se realizar uma avaliação do
currículo formal e do currículo real, a partir do olhar da professora da disciplina e dos alunos. O
cenário é o Campus XII, Uneb, tendo como sujeitos 40 alunos e a professora. Esperam-se como
principais resultados, uma vinculação maior entre teoria e prática, para que as discussões
acadêmicas se articulem com a realidade da educação básica, na consolidação de uma educação
anti-racista. As Leis 10.639/3003 e 11645/2008 produziram alterações na Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional, mas para que elas tenham repercussão, é preciso que perpassem os
cursos de formação de professares. Para que os objetivos da Lei sejam alcançados são
necessárias ações de reflexão e avaliação sobre a condução e os desdobramentos de sua
implementação no sistema educativo. Os resultados parciais apontam que no currículo em ação
do curso de pedagogia o próprio encontro dos graduandos com conhecimentos relativos às
populações afro e indígena já possibilita uma quebra de paradigmas no sentido de apresentar
informações capazes de desconstruir preconceitos e construir uma nova visão sobre a
contribuição da população afro e indígena para o processo civilizatório da humanidade.
Palavras Chave: Lei 10.639/2003, currículo, formação de professores, autobiografia.
INTRODUÇÃO
Este projeto tem como objetivo geral realizar análise sobre a nossa ação
enquanto professora, de forma crítica, num processo de autoformação, refletindo sobre o
que estamos fazendo; sobre como o currículo formal e o currículo real (olhar dos alunos
e da professora) se articulam, enquanto currículo em ação, no percurso da disciplina
Educação e Cultura afro-brasileira e indígena.
Buscamos vincular teoria e prática para que as discussões acadêmicas se
articulem com a realidade da educação básica. A consolidação de uma educação antiracista visando o cumprimento dos objetivos da lei 10.639/2003 exige que se realizem
1
Doutora em Educação: Currículo, professora adjunta da Uneb, Campus XII. E-mail:
[email protected]
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ações, reflexões e avaliação sobre a condução e os desdobramentos da introdução dessa
Lei no sistema educativo brasileiro.
METODOLOGIA
Definimos como objeto de estudo a disciplina História e Cultura Afrobrasileira e
Indígena no currículo do curso de Pedagogia. O escopo da pesquisa volta-se para uma
reflexão sobre o trabalho desenvolvido em um semestre letivo e posteriormente no
acompanhamento da ação das alunas durante o período de estágio curricular.
Recorremos à epistemologia qualitativa, com destaque para o método
autobiográfico, para pensar nossa ação enquanto docente num curso de formação de
professores. Empregamos diversos instrumentos de coleta de dados, como a memória
das aulas, análise de documento, entrevistas e grupo focal, entre outros.
Não pretendemos realizar observação nas escolas de ensino fundamental, mas
pesquisar os graduandos do curso de pedagogia. Suas falas e suas reflexões sobre a
atuação no estágio também constituirão material para nossa análise.
Na primeira fase, concomitantemente com o desenvolvimento das aulas,
realizamos leituras sobre a pesquisa autobiográfica, porque acreditamos ser o melhor
caminho no qual uma professora e seus alunos, presos nas teias do currículo, buscam
desvendar esses fios e tramas para enxergar o objeto sobre o qual falam. Neste
momento, também são realizados os registros do cotidiano das atividades do currículo
em ação, ou seja, das nossas práticas.
Os sujeitos pesquisados incluem, além da professora da disciplina, os
graduandos de Pedagogia do Campus XII, matriculados em História e Cultura Afrobrasileira e Indígena, no semestre 2009.1. Define-se, então o nosso locus, ou cenário da
pesquisa. A pesquisa tem duração de 4 semestres letivos – que, no Campus XII, da
Universidade do Estado da Bahia (Uneb), não corresponde ao calendário regular. A
coleta de dados e a revisão bibliográfica tiveram início juntamente com a oferta da
disciplina, em julho de 2009. Pretende-se concluí-la juntamente com o término do
estágio curricular dessa turma.
Segundo Moreira (1996) trabalhar com autobiografias e narrativa pessoal na
criação de contextos favoráveis ao engajamento multicultural (JACKSON, 1995,
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apud MOREIRA 2001: 29) envolve diversos aspectos. Assim, ―a autobiografia tem sido
combinada com uma orientação fenomenológica para enfatizar os aspectos formativos
do currículo, entendido, de forma ampla, como experiência vivida‖ (SILVA, 1999, 43).
Este método tem sido empregado como instrumento de formação.
A análise dos dados será feita a partir de uma perspectiva hermenêuticafenomenológica e interpretativa (da transcrição à textualização).
RESULTADOS PARCIAIS
Enquanto professora, temos procurado desenvolver a disciplina abordando
conteúdos relativos ao sentido e significado de educação e cultura, na perspectiva dos
estudos culturais (SILVA, 1999). Destacando também o conceito de cultura como
prática de significação, na perspectiva de Moreira (2001), discutimos quais os
conteúdos devemos trabalhar? Que áfrica? Qual sujeito e qual identidade estão sendo
formados.
Analisamos o que são as africanidades brasileiras, a história de luta dos
quilombolas (Carvalho, 1996), a infância afrodescendente (Santos, 2006) e a questão
dos mitos, na perspectiva da cosmovisão religiosa africana, o Candomblé, os Orixás,
etc.
Destacamos também como conteúdo relevante a compreensão dos conceitos de
racismo, preconceito e discriminação, em publicação organizada por Munanga (2001) e
Ana Célia Silva (2001). Apresentamos vídeos e literatura infantil e infanto-juvenil
abordando o cotidiano das escolas de educação infantil e séries iniciais, sugeridos nas
Diretrizes.
Diversos materiais são trabalhados, destacando algumas personagens negras e
protagonistas de feitos históricos, culturais. Exploramos bastante o uso de imagens,
filmes, entre outros.
No início do curso, as ações afirmativas, ou discriminação positiva, também têm
sido conteúdos básicos, os quais têm gerado muita polêmica no que tange à questão das
cotas. Ao final do curso, a maioria passa a defender a necessidade das ações afirmativas,
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por compreender como a discriminação é construída no processo histórico.
Tendo situado essas questões, voltamo-nos para a busca de uma reflexão sobre
nossa ação e sua influência na formação do pedagogo do Campus XII da UNEB.
Desejamos encontrar respostas, mas também produzir conhecimentos que nos
conduzam à melhor direção no trato da educação anti-racista.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações ÉtnicoRaciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (2007).
Disponível em<www.mec.gov.br/secad/diversidade/ci> Acesso em: 20/20/2009.
CARVALHO, José Jorge. (org.); DORIA, Siglia Zambrotti; OLIVEIRA JÚNIOR,
Adolfo Neves de. O quilombo do Ro das rãs: história, tradição, lutas. Salvador, BA:
EDUFBA, 1996.
CATANI, Denise B. et al. Histórias de vida e autobiografias na formação de professores
e profissão docente (Brasil, 1985-2003) IN: Educação e Pesquisa), Universidade de São
Paulo. São Paulo, v.32, n.2, p. 385-410, maio/ago 2006. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/ep/v32n2/a13v32n2.pdf. Acesso em 27/06/2009
MOREIRA, Antonio Flávio Barbosa. Em defesa de uma orientação cultural na
formação de professores. In: MOREIRA, Antonio Flávio B. et. al (orgs.). Ênfases e
omissões no currículo. Campinas, S. P.: Papirus, 2001.
MUNANGA, Kabengele (org.). Superando o racismo na escola. 3. ed. Brasília:
Ministério da Educação, Secretaria de Educação Fundamental, 2001.
SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do
currículo. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 1999.
SANTOS, Ana Kátia Alves dos. Infância afrodescendente: epistemologia crítica no
ensino fundamental. Salvador: EDUFBA, 2006.
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CURRÍCULO, CONHECIMENTOS E SABERES DA ESCOLA
NO E DO CAMPO
Bianca Castro das Neves1 (Uneb)
Maria de Fátima da Silva Magalhães (Uneb)
Patrícia Teixeira Carvalho Donato (Uneb)
Heldina Pereira Pinto Fagundes2 (Uneb)
RESUMO
Atualmente a educação do campo tem sido colocada no centro das discussões
educacionais, o que significa um avanço, pois o campo sempre foi visto como um lugar
inferior à cidade. As escolas do campo ainda são tratadas com políticas compensatórias,
ou com programas que não atendem aos interesses e anseios dos campesinos,
contribuindo, assim, para o aumento do êxodo rural.
Este trabalho, de cunho bibliográfico, tem por objetivo analisar textos que discutem o
currículo e o contexto social da escola do campo, percebendo em que medida são
contemplados os conhecimentos e saberes do povo camponês.
As propostas oficiais existentes hoje para a educação do campo surgiram no bojo das
lutas de reivindicações dos movimentos sociais que questionavam as escolas existentes
por trabalhar com conhecimentos distantes de sua realidade e apresentavam novas
propostas, fundamentadas a partir das pedagogias como a da alternância e da terra, as
quais buscam trabalhar com temas que são significativos e inovadores, para a reflexão
crítica dos educandos para a produção da identidade cultural, da história e das raízes,
num processo de formação humana como sujeito do processo educativo.
Palavras chaves: Educação do campo, currículo, saberes.
INTRODUÇÃO
Historicamente, o conceito de educação rural
esteve associado a uma educação precária,
atrasada, com pouca qualidade e poucos recursos
(...). O movimento Por uma Educação do Campo
recusa essa visão, concebe o campo como espaço
de vida e resistência, onde camponeses lutam por
um acesso a permanência na terra e para edificar e
garantir um modus vivendi que respeite as
1
Graduadas do Curso de Pedagogia – UNEB campus XII. E-mail: [email protected].
Orientadora. Dra. em Educação: Currículo, PUC-SP. Professora Adjunta da Universidade do Estado da
Bahia – Uneb. E-mail: [email protected].
2
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diferenças quanto à relação com a natureza,
trabalho, cultura e relações sociais. Esta neo
concepção educacional não está sendo construída
para os trabalhadores rurais, mas por eles, com
eles, camponeses. (MOLINA E FERNANDES,
s/d, p.9)
O movimento Por uma Educação do Campo luta pela universalização do acesso
e pela permanência dos campesinos na escola. Busca-se, com isso, que essa população
seja respeitada em suas diferenças e seja valorizada em seu modo de vida para que se
identifiquem como ser social, que produz história no processo de construção de sua
identidade.
Compreendendo que se trata de um direito de cidadania, no qual, todos os
brasileiros possam ser incluídos e respeitados enquanto construtores do Estado-nação
simpatizamos com esse desejo de fundar um país mais justo e democrático. Daí nasce o
nosso interesse em fazer um projeto de pesquisa voltado para a discussão do currículo,
dos conhecimentos e saberes da escola no e do campo.
Assim sendo, pretendemos nos debruçar sobre as questões acerca do currículo da
escola do campo para conhecer um pouco mais sobre essas temáticas para podermos
compreender em que medida as propostas de educação do campo atendem aos saberes e
necessidades educacionais dos camponeses.
METODOLOGIA
Escolhemos o tema: ―Currículo, Conhecimento e Saberes da Escola no e do
Campo‖ por estarmos acompanhando as discussões sobre essa área. Com isso
aprofundamos nossos estudos, fazendo um levantamento bibliográfico preliminar. Por
ser um tema muito amplo, procuramos por meio das leituras de obras já publicadas,
buscar noções acerca da delimitação do objeto em estudo.
Com base nisso, localizamos os conceitos sobre currículo e educação do campo
nas fontes consultadas como: teses e dissertações, artigos de periódicos indexados na
base de dados do Scielo, capítulos de livros, livros e anais. As fontes analisadas foram
localizadas na biblioteca universitária do campus XII, em bibliotecas particulares e da
Escola Municipal Marcelino Neves, outras encontradas disponíveis na internet e no
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formato eletrônico, especificamente em CD-Rom de anais de congressos e também se
buscou consultar artigos de bases de dados.
De posse desse material bibliográfico, passou-se à leitura (inicialmente uma
leitura exploratória que consiste em reconhecer e ter uma visão global da obra). Em
seguida a leitura analítica, em que se analisam as informações contidas nas fontes com o
propósito de obter respostas ao problema da pesquisa, e, por fim, a leitura interpretativa
que tem por objetivo relacionar o conteúdo das fontes estudadas a outros conhecimentos
já obtidos, utilizando-se da confecção de fichas.
Além disso, a construção lógica do trabalho será estruturada para atender os
objetivos propostos e, finalmente, a redação. Nesta abordaremos uma visão teórica de
currículo, conhecimentos e saberes da escola do campo.
ESCOLA NO E DO CAMPO
Existe um movimento social no campo, e não só há uma dinâmica social como
há um movimento pedagógico e uma renovação educativa que tem seu alicerce nos
movimentos sociais. Esse movimento de renovação é marcado pelo trabalho e realizado
em escolas de assentamentos, escolas indígenas, educação de jovens e adultos que tem
como base uma pedagogia popular e democrática vinculada aos movimentos sociais do
campo, que por si só já é educativo, visto que forma valores, gera cultura, provoca
processos.
O movimento por uma educação do campo vincula a luta por
educação com o conjunto das lutas pela transformação das condições
sociais de vida no campo; por isso em nossos encontros sempre temos
a preocupação de fazer e ajudar os educadores e educadoras a fazer
uma leitura histórica da realidade mais ampla; e por isso defendemos
que uma das suas tarefas é ajudar na organização do povo para que
participe dessas lutas. (CALDART, 2004, p. 152-153)
O movimento social situa a educação no terreno dos direitos, colocando-a entre
os grandes valores da vida e da formação humana. Tal princípio vai muito além de uma
visão de mercado, já que nesta concepção, para trabalhar no campo, basta conhecer
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poucas letras ou nenhuma. Este movimento representa uma nova consciência do direito
à educação.
A escola no e do campo que ouvimos falar hoje, é uma conquista lançada nas
bases dos movimentos sociais. Caldart (2004, p.150) assinala que ―a educação do
campo tem se desenvolvido em muitos lugares através de programas, de práticas
comunitárias, de experiências pontuais‖, que muito mais que isso, ela necessita ser
demarcada nas políticas públicas brasileiras.
Quando falamos em educação do campo estamos nos referindo a um projeto
educacional que passa a existir a partir das experiências do povo camponês. Fernandes
(2004) diferencia educação no campo e do campo da seguinte maneira:
Enquanto escola no campo representa um modelo pedagógico ligado a
uma tradição ruralista de dominação, a escola do campo representa
uma proposta de construção de uma pedagogia, tomando como
referencia as diferentes experiências dos seus sujeitos: os povos do
campo (p.142).
Mais do que definir ou mudar um conceito ―é preciso desconstruir paradigmas,
preconceitos e injustiças, a fim de reverter às desigualdades educacionais,
historicamente construídas, entre campo e cidade‖; é preciso que tenha a consciência
dessa mudança e o que ela traz de beneficio para o camponês para que assim possamos
acabar com a distinção cidade X campo numa construção mútua de educação.
A escola rural não necessariamente deve ser uma escola agrícola. Ela precisa
estar vinculada à cultura produzida a partir de relações sociais, mediadas pelo trabalho
na terra, tendo como proposta uma educação básica que de fato assuma a identidade
desse povo, não só como formação cultural diferenciada, mas como ajuda efetiva no
preparo desses trabalhadores.
Isso deve ocorrer tanto em relação a políticas públicas como em relação a
princípios, concepções e métodos pedagógicos, entre outras coisas que tenham como
objetivo a superação da dicotomia rural/urbano. Dessa maneira, as pessoas regulam seu
pertencimento a grupos sociais e asseguram solidariedade entre elas, ou seja, se garante
a continuidade dessa sociedade através das práticas educacionais, dos conhecimentos,
destreza e valores que, de uma maneira, explícita ou oculta, são estimulados a sentir-se
membro de uma comunidade.
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É neste contexto que professores precisam pensar como se deve responder á
situação de desigualdade e a diversidade cultural que encontramos em nossa sociedade.
É preciso compreender como se processa a aprendizagem, principalmente no caso do
aluno concreto, real com que lidam todo dia e que difere dos modelos que gostaríamos
de encontrar na sala de aula, conforme alerta Gomes (2007): ―não é fácil trabalhar
pedagogicamente com a diversidade, sobretudo em um país como o Brasil, marcado por
profunda exclusão social‖.
Defender a implantação de políticas públicas específicas para a educação do
campo não significa incentivar uma postura dicotômica, mas sim, romper com a
discriminação para fortalecer a identidade cultural da população rural e garantir o
atendimento diferenciado ao que é diferente, mas, que não deve e não é desigual. Como
diz Moreira e Silva (1999, p. 27): ―A cultura é o terreno em que se enfrentam diferentes
e conflitantes concepções de vida social, é aquilo que recebemos‖.
O Brasil é um país multicultural e, para isso, necessita de uma educação
multicultural, que não trabalha apenas com os grupos ou identidades marginalizadas,
mas que contribua para a transformação social abrindo espaço para a diversidade. Assim
Moreira enfatiza que o currículo é um grande aliado para essa consolidação, pois,
Se o currículo constitui o cerne da relação educativa,
corporificando os nexos entre saber poder e identidade, será em
grande parte por seu intermédio que as escolas buscarão atribuir novos
sentidos e produzir novas identidades culturais, auxiliando a
conformar novos modos de reação à realidade social contemporânea,
inegavelmente multicultural (CANEN; MOREIRA, 2001, p.20).
Neste sentido, o Currículo da escola do campo deve abordar saberes da cultura
do aluno em consonância com outras, para que os mesmos possam refletir sobre a
natureza da sociedade, e a contribuição dos diversos grupos na construção do
conhecimento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Não é possível formar sujeitos históricos, autônomos, criativos e críticos com
práticas educativas alienadoras e autoritárias que não levam em conta a realidade do
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aluno, seus anseios, desafios e perspectivas. Assim, falar em educação do campo é
trazer para dentro da sala de aula todas as experiências, as vivências e os saberes
possibilitando a construção de conhecimentos significativos que estimulem uma melhor
convivência com o seu meio.
Por isso, faz-se necessário refletir sobre a importância do sistema educacional. É
preciso, juntamente com a comunidade, trabalhar em parceria na busca da construção de
um currículo voltado para a educação no e do campo, pois este é algo abrangente,
dinâmico e existencial que precisa ser discutido e analisado, envolvendo situações de
circunstâncias e comprometimento na sua reelaboração.
Nesse tocante, são poucas as mudanças ocorridas no currículo das escolas no e
do campo, as únicas são as defendidas pelos movimentos sociais, principalmente os
Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que propõe a valorização e o
respeito na afirmação da identidade, para o processo de enraizamento da cultura e da
história do campesino.
Assim, como outras instituições sociais, a escola e a comunidade passam por
mudanças na sociedade. Com isso, os papéis da escola no e do campo devem ser
ampliados para dar conta das novas demandas da comunidade rural, construindo, assim,
uma parceria entre ambas.
Esperamos que este trabalho venha despertar a curiosidade dos leitores levandoos a questionarem e debaterem sobre o tema currículo, conhecimento e saberes da
escola no e do campo, pondo em prática atitude que contribua para a resignificação do
currículo. No entanto, para que isso possa ocorrer é preciso que gestores, educadores,
educandos, pais, e comunidade se envolvam e proponham temas significativos para o
processo de ensino-aprendizagem, que são de fundamental importância para o
desenvolvimento do aluno como sujeito crítico e reflexivo na sua coletividade na busca
de produzir e transformar a realidade para o desenvolvimento do campo e do país.
REFERÊNCIAS
CALDART, Roseli Salete. Pedagogia dos Movimentos Sem Terra. 3 ed. São Paulo:
Expressão Popular, 2004.
CANEN, Ana; MOREIRA, Antônio Flávio Barbosa. Reflexões sobre o
multiculturalismo na escola e na formação docente. In: CANEN, Ana;
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MOREIRA, Antônio Flávio Barbosa (orgs.). Ênfases e omissões no currículo.
Campinas, SP: Papirus, 2001.
FERNANDES, Bernardo Mançano. Diretrizes de uma Caminhada. In. ARROYO,
Miguel Gonzalez; CALDART, Roseli Salete; MOLINA, Mônica Castagna (orgs). Por
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Cortez, 1999.
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DIFERENTES CORES SEMELHANTES SERES: REFLEXÕES E PRÁTICAS
Adriana Ferreira de Souza Cardoso 1
Jackeline Silva Cardoso
Liliane de Jesus Lima
Karla Adriana Fernandes de Castro Pereira
Dinalva de Jesus Santana Macêdo 2
Resumo
Este pôster tem como o propósito apresentar algumas reflexões a partir da realização de
uma oficina denominada DIFERENTES CORES SEMELHANTES SERES:
REFLEXÕES E PRÁTICAS, que foi promovida pelo grupo de estudos Educação das
relações étnico-raciais e a lei 10639/2003: desafios e possibilidades para a promoção
de uma educação anti-racista. Essa atividade foi realizada em uma turma de educação
infantil de crianças de 05 e 06 anos, da escola municipal João Farias Cotrim, e teve
como objetivo promover momentos de interação entre os alunos para que pudesse
observar se há na escola preconceitos dos alunos brancos para com as crianças negras,
discutir relações de respeito e de tolerância para com as crianças negras, bem como com
as diferenças existentes na escola. Para os nossos estudos em torno da temática,
recorremos dos seguintes autores: Macêdo (2009), Nascimento (2007), Porto (2007) e
Santomé (2005). Através das observações das relações estabelecidas entre os alunos na
escola e da história do boneco Zezinho trabalhada em sala de aula, evidenciamos que a
cor negra é vista como feia por um dos alunos, o que nos leva a inferir que pode haver
práticas de racismo e de preconceitos ente os alunos. Nesse sentido, é muito importante
investir na formação de professores para que a temática da diversidade étnico-cultural
faça parte da proposta pedagógica da escola e que está seja trabalhada em todas as
atividades durante todo ano letivo de maneira politizada.
Palavras-chave: racismo, preconceito, diversidade, respeito e tolerância.
Introdução
O Grupo de Estudos: Educação das relações étnico-raciais e a lei 10639/2003:
desafios e possibilidades para a promoção de uma educação anti-racista coordenado
pela professora Dinalva de Jesus Santana Macêdo, promoveu estudos sobre o contexto
1
Graduandas do Curso de Pedagogia do Campus XII e participantes do grupo de estudos Educação das
Relações Étnico-raciais e a Lei 10639/2003: desafios e possibilidades para a promoção de uma educação
anti-racista.
2
Mestre em Educação e Contemporaneidade e professora assistente da Universidade do Estado da BahiaCampus XII.
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histórico da população negra, suas vivências; lutas contra o racismo, o preconceito, a
discriminação, a educação quilombola e algumas sugestões de como trabalhar a lei
10.639/03 nas escolas.
Nesse grupo de estudos foram desenvolvidos alguns trabalhos que abordavam a
maneira de como o negro tem sido visto na escola e na sociedade no âmbito em geral,
bem como, o quanto a mídia contribui para o fortalecimento do racismo e do
preconceito racial. Tivemos ainda a oportunidade de entrevistar professores,
coordenadores e diretores das escolas estaduais e municipais do município de
Guanambi, objetivando saber como a Lei 10639 de 2003 está sendo implementada nas
escolas.
Com o intuito de a Universidade contribuir com os seus conhecimentos e
experiências, para que os espaços educativos possam também desenvolver ações
reflexivas sobre as questões étnico-raciais e culturais, de forma a promover uma
educação que respeite e valorize a diversidade cultural. A professora Dinalva de Jesus
Santana Macêdo propôs o desenvolvimento de uma oficina, na Escola Municipal João
Farias Cotrim, 3 que atende crianças e adolescentes das primeiras séries do ensino
fundamental.
A presente oficina intitulada: DIFERENTES CORES SEMELHANTES SERES:
REFLEXÕES E PRÁTICAS, com a duração de 04 horas, foi realizada em uma turma da
educação Infantil, no turno da tarde no dia 23 de setembro de 2010.
Referencial Teórico
Os negros e afro-descendentes tiveram grande influencia no desenvolvimento
da sociedade brasileira, no entanto, essa contribuição no decorrer da história tem sido
silenciada ou desvalorizada. É percebido ainda nos dias de hoje, mesmo que o Brasil é
tido como um país democrático, pluricultural e pluriétnico, ainda se evidencia muitas
práticas de preconceito, racismo e discriminação contra os afro-descendentes, tanto na
escola, como na sociedade em geral.
3
A referida escola foi escolhida devido ao diagnóstico oferecido pela coordenadora pedagógica de que há
muitas práticas de preconceitos e de discriminação entre os alunos.
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Essas práticas segregacionistas e racistas obrigam aos negros a negarem a sua
própria cor, cultura e identidade, sustentando desta maneira a ideologia do
branqueamento, que sustenta a idéia e os valores de que os brancos são superiores e os
negros são vistos como inferiores. Para Sant`Ana ―o racismo é a pior forma de
discriminação porque o discriminado não pode mudar as características raciais que a
natureza lhe deu‖(2008 p.37).
Ninguém nasce preconceituoso, o preconceito é aprendido socialmente, pois é
uma opinião preestabelecida que é imposta pelo meio, época e educação‖(Sant´Ana
2008 p.58). De acordo com essa proposição, pode-se afirmar que o meio em que as
pessoas vivem, tanto podem contribuir para o aumento do preconceito quanto para a
superação deste.
Os educadores que estão dia a dia lidando com crianças, adolescentes, jovens e
adultos devem trabalhar temáticas na sala de aula que contribuam para que seja
reconhecida, valorizada e respeitada a diversidade cultural presente na escola.
No entanto, a educação dada ao povo ainda tem como característica principal a
homogeneização da cultura popular, ainda não foi de fato colocada como possibilidade para a
população brasileira uma educação que leve em conta a diversidade cultural do nosso país, uma
educação que trate a diferença como um dado histórico, portanto de forma não reducionista e
essencializada. A diversidade tem de ser trabalhada de forma a colocar as questões ligadas à
cultura de modo não folclórico que é o que tem sido feito ao longo da historia da cultura
brasileira com os elementos afro-descendentes e indígenas (PORTO 2007).
A lei federal 10.639 de 10 de marco de 2003 determina que o ensino de
História e Cultura afro-brasileira Africana seja obrigatório nas escolas para que estas
instituições educativas possam promover ações anti-racistas, que atenuem qualquer
forma de preconceito e contribuam para a aceitação e a positivação da e auto-estima dos
educandos que sofreram ou sofrem com a discriminação, em especial os afrodescendentes.
A escola tem como obrigação incluir as determinações dessa lei no seu projeto
político pedagógico, para tal propósito, é imprescindível não medir esforços para que
essas determinações possam ser trabalhadas em todo âmbito do currículo escolar,
durante todo o ano letivo, e não apenas em datas especiais.
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Objetivos
A execução da oficina teve como objetivo promover momentos de interação entre
os alunos para que pudesse observar se há na escola preconceitos dos alunos brancos
para com as crianças negras, bem como discutir relações de respeito para com as
crianças negras, bem como com diferenças existentes na escola.
A oficina ainda teve como propósito fazer reflexões sobre a diversidade étnicocultural em especial a identidade negra e a importância de trabalhar o preconceito, o
racismo e a discriminação em sala de aula.
Metodologia
Os procedimentos metodológicos utilizados foram a priori, uma socialização
para saber o nome de cada um presente na sala de aula. Logo após, contamos a história
―A minha cor tem muito Valor‖, por meio de fantoches, depois de uma breve discussão
sobre a moral da história as crianças individualmente interpretaram por meio de desenho
o que entenderam sobre a mesma.
No decorrer da oficina foram cantadas duas músicas para as crianças a respeito
do preconceito e da diversidade cultural. Em seguida realizou-se a dinâmica do espelho,
em que cada criança se colocava na frente do espelho e falavam sobre em si, tomando
por base o nome, idade, cor e se ela era bonita. As crianças se reconheciam como
marrons, negras, pardas e brancas.
Para finalizar foi confeccionado um cartaz com figuras de diversas pessoas
selecionadas pelas crianças que levou o nome da oficina Diferentes cores semelhantes
seres: reflexões e práticas.
Resultados
Ao chegar na escola não evidenciamos nenhuma atitude de preconceito entre os
alunos. Porém, ao realizar esta oficina, presenciamos uma fala preconceituosa de uma
criança ao dizer que o boneco da história, cujo nome era Zezinho, era feio porque sua
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cor era preta. Isso nos instiga a deduzir que as crianças de cor branca podem achar as
crianças negras feias e excluí-las de seu grupo de amigos, o que pode dificultar o
convívio respeitoso entre os alunos. Diante desse fato, é imprescindível que as escolas
trabalhem com as questões da história e da cultura dos afro-descentes para que possa
ajudar na superação do racismo e do preconceito.
A professora da turma demonstrou simpatia pelo tema da oficina e contribuiu
bastante para o desenvolvimento das atividades. Frente aos momentos mais
embaraçosos (como o momento de discutir que ser negro não é ser feio, o que foi
presenciado na fala de um dos alunos), a professora mostrou ter domínio revelando que
sabe lidar com situações desse tipo, porém, não questionamos se ela trabalha com as
questões étnico-raciais em sala de aula.
Conclusões
Trabalhar as questões étnico-raciais não é tarefa fácil e única/exclusiva do
professor, toda a comunidade escolar deve se comprometer com essa questão. Macêdo
(2009), citando Dayrel (1996) elucida que a escola precisa levar em conta toda a
diversidade cultural, pois esta deve ser vista como fruto de um processo de construção
social. A autora ainda afirma que no currículo escolar permeia relações de poder que
podem influenciar no processo de construção de identidade étnico-racial e da autoestima dos educandos.
Dessa forma espera-se que a lei 10.639/03 seja trabalhada em todas as atividades
didático pedagógicas da escola durante todo o ano letivo, deixando de lado o currículo
turístico que trata dessas questões em datas específicas (SANTOMÉ 2005). Mas para tal
tarefa, é urgente que invista numa proposta de formação inicial e continuada de
professores para a educação das relações étnico-raciais, que considere o currículo como
uma construção sociocultural (NASCIMENTO, 2007).
Cabe ainda ressaltar que todas as discussões levantadas no planejamento e
efetivação da oficina e do grupo de estudos contribuíram significativamente em nossa
formação acadêmica, visto que foi um marco inicial para uma melhor compreensão e
valorização da história e da cultura dos negros e afro-descendentes.
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Referências
MACÊDO, Dinalva de Jesus Santana. A identidade étnico-racial e as interfaces com
o currículo escolar: dilemas e possibilidades. In: Anais do Seminário Nacional
Educação e Pluralidade Sócio-Cultural: instituições, sujeitos e política públicas,
realizado na Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, no período de 27 a 29 de
maio de 2009.
NASCIMENTO, Cláudio Orlando Costa. Professores em Formação e a Educação das
Relações Étnico-Raciais. In. XVIII- Encontro de Pesquisa Educacional do Nordeste
2007. Maceió. Anais do XVIII Encontro de Pesquisa Educacional do Nordeste,
realizado em Maceió, Alagoas em 2007.
PORTO, Ana Luiza Araújo. Educação e afrodescendencia: Algumas reflexões. In:
XVIII – Encontro de Pesquisa Educacional do Nordeste 2007. Maceió. Anais do XVIII
Encontro de Pesquisa Educacional do Nordeste, realizado em Maceió, Alagoas em
2007.
SANTOMÉ, Jurgo Torres. As Culturas Negadas e Silenciadas no Currículo In: SILVA,
Tomaz Tadeu da. (org.) Alienígenas em sala de aula. 6 ed. Petrópolis: Vozes, 2005, p.
159 – 177.
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SINDROME DE DOWN: SUPERANDO DESAFIOS NA
EDUCAÇÃO INFANTIL 1
Daniela Matos Carvalho 2
Resumo
Esta pesquisa partiu não somente das dúvidas e/ou questionamentos feitos em sala de
aula durante a graduação, mas através de observações realizadas em ambientes escolares
como também em ambientes sociais, pois é necessário fazermos algumas releituras
quando se trata da educação daqueles que possuem Síndrome de Down: é uma educação
por amor ao próximo ou simplesmente uma tarefa a mais como educadora. Nesse
sentido a pesquisa busca identificar que no diferente o reconhecimento da identidade, da
troca, do aprendizado, vendo cada aluno como único,nos torna mais humano e capaz de
assumir a responsabilidade de encarar o desafio que levem os alunos a descobrirem a
escola como um espaço de ser, viver e crescer com as diversidades humanas. Sugere
também atitudes no intuito de contribuir para a superação de desafios na educação
infantil com portadores de down no município de Caetité. Assim, embasada em teóricos
que defendem e discutem uma nova concepção de educação inclusiva respeitando o
espaço e a aprendizagem do portador de Down, essa pesquisa utiliza-se do estudo de
natureza exploratória, buscando um maior aprofundamento sobre o processo de inclusão
de crianças portadoras de síndrome de down bem como a questão dos recursos e
preparação da comunidade escolar e em especial os professores da rede de ensino
público no município de Caetité nas escolas que possuem educação infantil. Nesse
sentido, dos estudos já realizados podemos perceber que boa parte das superações
somente ocorrerá quando o professor de educação infantil caetiteense da rede púbica
incluir em sua prática pedagógica em seus princípios enquanto educador; atitudes de
saber fazer, ser, aprender e conhecer seu aluno com síndrome de down.
Palavras-chave: Desenvolvimento Infantil, Inclusão e Aprendizagem.
Introdução
Partindo da premissa de que a educação é o meio mais viável, ou o único meio
de desenvolvimento social de uma nação e que por sua vez não tem o direito de ser um
veiculo de exclusão ou de segregação entre indivíduos principalmente aqueles com
1
Anteprojeto de pesquisa apresentado ao Curso de Pós-Graduação em Nível de Especialização Lato
Sensu em Educação Infantil oferecido pelo Departamento de Estudos Básicos e Instrumentais (DEBI), no
Campus Universitário de Itapetinga- BA, Nov., 2009.
2
Aluna do curso de Pós-Graduação em Nível de Especialização Lato Sensu em Educação Infantil,
Campus Universitário/ Itapetinga-BA.
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capacidades físicas, intelectuais, emocionais e sociais diferentes, é necessário
repensarmos com precisão e objetividade que a Síndrome de Down, não é uma doença
contagiosa, mas uma necessidade especial.
Dessa maneira, esta proposta de estudo partiu não somente das dúvidas e/ou
questionamentos feitos durante o curso de Letras com habilitação em língua portuguesa
e literatura portuguesa, mas através de observações realizadas nas escolas que possuem
educação infantil da rede pública no município de Caetité, uma vez que nos propõe
fazer algumas releituras quando se trata da educação daqueles que possuem Síndrome
de Down: é uma educação por amor ao próximo ou simplesmente uma tarefa a mais
como educador? É uma atitude condizente com a profissão ou obrigatoriedade imposta
pela lei? O educador é preparado para receber o aluno com Síndrome de Down? As
escolas têm um aporte teórico metodológico para receber as crianças? Perguntas como
essas fizeram nascer o anteprojeto Síndrome de Down: Superando Desafios na
Educação Infantil no Município de Caetité no qual nos traz um novo olhar mais
reflexivo e dinâmico sobre os portadores de síndrome de down caetiteenses.
Diante desses questionamentos, a necessidade de se estudar novas propostas com
intuito de renovar a postura dos educadores e consequentemente possibilitar na
educação infantil um ensino igualitário é fator desencadeante desse estudo, já que a área
investigada apresenta-se ainda distante das práticas de ensino de muitos educadores
caetiteenses.
A escola deixou de ser um espaço para o desenvolvimento cognitivo daqueles
que a freqüentam; hoje essa instituição deve ser encarada também como um ambiente
fundamental para ampliação das relações sociais. Assim, é dever primordial dos
educadores incentivarem os alunos a estar preparados para reconhecer e valorizar as
diferenças sem negá-las nem discriminá-las.
Dessa forma, este anteprojeto também por meio de uma concisa leitura e diálogo
entre autores renomados, buscará identificar no diferente o reconhecimento da
identidade, da troca, do aprendizado, vendo cada aluno como único, tornando-se mais
humanos e capazes de assumir a responsabilidade de encarar o desafio que leve os
alunos a descobrirem a escola como um espaço de ser, viver e crescer com as
diversidades humanas.
Sendo a Educação um processo de desenvolvimento da capacidade física,
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intelectual e moral de cada criança, faz-se necessário o educador caetiteense das redes
públicas que leciona na educação infantil compreender que mesmo o portador de down
possuindo suas limitações é possível através do estimulo, do reconhecimento e da
dinamicidade escolar desde a educação infantil proporcionar habilidades e competências
concernentes a sua aprendizagem.
Assim a base dessa pesquisa está em primeira instancia investigar como o
educador caetiteense vem trabalhando para possibilitar ao seu aluno portador de down
uma convivência positiva com as demais crianças, buscando dessa forma detectar a
interferência da família e dos gestores da educação infantil para enfim analisar e propor
alternativas efetivas que promovam um processo dialógico entre inclusão e educação,
entre educador e educando, entre família e comunidade escolar.
Dessa forma a escolha da Linha de pesquisa: Desenvolvimento Infantil, Inclusão
e Aprendizagem, deu-se pela principal razão desta linha estar relacionada diretamente
com os estudos dos portadores com Síndrome de Down, considerando que é a partir da
educação infantil que cada criança descobre sua identidade e sua maneira de superar os
desafios. Assim nesta linha de pesquisa poderemos encontrar suporte teórico e
metodológico para a realização da pesquisa, podendo melhorá-la e contribuir com as
pesquisas que já estão sendo feitas nessa área.
Sendo a síndrome de down uma realidade ainda vista superficial pelos
educadores da rede pública no município de Caetité, torna-se de suma importância a
ação desse estudo, uma vez que poderá ajudar não somente aos pais e professores
caetiteense, mas á sociedade através de palestras, cursos e projetos de extensão como
meio de viabilizar uma renovação de uma prática pedagógica que concretize o principio
da escola para todos.
A síndrome de down se caracteriza, por uma alteração na divisão cromossômica
usual, resultando na triplicação ao invés da duplicação do material genético referente ao
cromossomo 21.
O desenvolvimento de uma criança portadora da síndrome de down se difere em
pouca coisa do desenvolvimento das demais, dessa forma ela pode freqüentar uma
escola de ensino regular, pois os convívios com outras crianças não portadoras da
síndrome colaboraram no seu desenvolvimento. Além disso, essa convivência também é
positiva para as demais crianças, pois faz com que cresçam respeitando as diferenças,
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sem nenhum tipo de restrição em seu círculo de amizade, seja por raça, aparência,
religião ou nacionalidade.
Segundo Mantoan (2006; p.20) é necessário ―[...] reconhecer a igualdade de
apresentar como ponto de partida e as diferenças no aprendizado como processo de
ponto de chegada‖, isto é, devemos olhar a educação especial como uma possibilidade
de vencer o modelo educacional elitista, no qual muitas vezes negou á criança e o jovem
reconhecer em si próprio e no outro as particularidades e potencialidades que cada um
possui.
A esse respeito Freitas (2006, p.167) nos acrescenta que:
Há, na educação inclusiva, a introdução de outro olhar. Uma maneira nova
de se ver, ver os outros e ver a educação. Para incluir todas as pessoas, a
sociedade deve ser modificada com base no entendimento de que é ela que
precisa ser capaz de atender às necessidades de seus membros. Assim sendo,
inclusão significa a modificação da sociedade como pré-requisito para a
pessoa com necessidades especiais buscar seu desenvolvimento e exercer
sua cidadania.
Fernandes (2006, p.49) salienta que ―em seu conjunto, a legislação brasileira
tem uma orientação inclusiva já que aponta que a escola regular é o local preferencial
para o atendimento especializado dos alunos com deficiências ou necessidades
especiais‖. Sendo assim, fica importante destacarmos alguns deles.
Na Constituição Federal de 1988 no Art.208 parágrafo III o dever do Estado
com a educação será efetivado mediante a garantia de atendimento educacional
especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de
ensino; o estatuto da criança e do adolescente no capítulo IV Art. 53 parágrafo III
acrescenta que a criança e o adolescente têm direito á educação, visando pleno
desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação
para o trabalho assegurando-lhe atendimento educacional especializado aos portadores
de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.
Por fim a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº. 9394/96)
vem nos confirmar no capítulo V da educação especial no Art.58 que entende-se por
educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar,
oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de
necessidades especiais.
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Assim, como se vê, em todos esses textos tem a retificação que a educação
especial deve haver num espaço de inclusão, ou seja, na escola em especial já que será
através desta que tal portador de alguma necessidade poderá se inserir em um contexto
que trava o respeito e não a desigualdade.
Desse modo a educação inclusiva está agregada à diversidade de cultura, de
raça, de cor e diferenças, pois faz parte do nosso universo enquanto seres falantes e
produtores do conhecimento romper com tais pré-conceitos para uma efetiva construção
de uma aprendizagem significativa e real participação social. A questão não está em
dizer que existe uma ―educação especial‖ para aqueles que necessitam, mas sim um
processo de inclusão, ou seja, eu levo você para minha realidade e você me leva para a
sua e assim descobrimos nossas limitações e competências.
De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, a
missão que eles propõem é "Liderar o processo de transformação da sociedade‖ para
que reconheça a pessoa com síndrome de down como cidadão pleno e integrado, por
meio de mobilização, convencimento e incorporação da classe política dirigente, do
sistema educacional, de outros organismos sociais e da comunicação, apoiado em
valores como inclusão, ética da diversidade, solidariedade, responsabilidade e equidade.
É notório observarmos que tal objetivo ao longo do texto foi discutido e
comprovado através de diversos teóricos, no entanto, precisamos ainda superar muitos
desafios principalmente em contextos que fazem do portador de síndrome de down
refém de rótulos e consequentemente da própria necessidade.
Nas palavras de Mantoan (2006, p.186):
A representação de uma escola que assegure o respeito: ―Mostra-se útil aos
que ainda não compreenderam o que é primordial na escola: a experiência com
as diferenças, mas sem exclusões, diferenciações, restrições de qualquer
natureza e sempre reconhecendo-as e valorizando-as como essenciais á
construção identitária‖.
Uma escola aberta ás diferenças é o desafio postado para este século: uma escola
na qual o principio da inclusão seja o leme a orientar sua organização. ―É necessário
acreditarmos que, diferentes, somos todos. Limitados somos sempre em relação a
alguma coisa ou a alguém. Misteriosos somos todos, porque insondáveis, inconclusivos
e surpreendentes somos como seres humanos‖(GAIO,2006, p.173).
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O portador de síndrome de down reflete em seus sentimentos e atos aquilo que
lhe é ensinado, rejeita ou reivindica aquilo que é seu; dessa maneira um sujeito que não
possui tal necessidade também não se comportaria assim? Faz-se necessário
repensarmos enquanto educadores e cidadãos nossos atos constantemente, pois mesmo
tendo suas limitações genéticas, o portador de down necessita de amor e compreensão
para realizar-se na sociedade.
Para que crianças com síndrome de down possam ter um desenvolvimento
apropriado no contexto do ensino regular, tendo como promotor desse desenvolvimento
o professor, é necessário analisarmos cuidadosamente pelo menos dois aspectos no que
refere à educação dessas crianças. O primeiro deles envolve a concepção de que
crianças com necessidades especiais não diferem de outras ditas com desenvolvimento
"normal" no que diz respeito as suas possibilidades de aprender. O segundo aspecto traz
como exigência examinarmos com mais rigor o nosso papel, enquanto educadores no
processo de ensinar, principalmente no que diz respeito a nossa qualificação para lidar
com uma ampla diversidade de necessidades apresentadas por cada um dos alunos, dado
que, muitas vezes, o ensino da criança com necessidades especiais ocorre de maneira
insatisfatória. Dada a necessidade de conhecimento contínuo e de boa qualidade sobre
as condições para promovermos uma boa educação,
Desde o primeiro dia de vida, a criança com down precisa primeiro ser
genuinamente inserida na sua família. Os pais, muitas vezes, têm um preconceito que é
anterior ao nascimento do filho e com freqüência não se dão conta disto até que alguém
os aponte. Com este preconceito internalizado e muitas vezes culpados por estes
sentimentos camuflam esta questão.
Tal problemática fica evidenciada quando se tenta incluir seu filho na vida
escolar e social, portanto, mais uma vez, vemos a necessidade de um trabalho cuidadoso
e minucioso junto aos familiares que não se trata de orientação, nem prescrição, pois
assim não damos espaço para acolher o lado preconceituoso dos próprios pais e dar-lhes
a possibilidade de transformação.
Segundo (Vygotsky 1995), ―o ambiente é mutável e dinâmico, exercendo um
papel variado no desenvolvimento infantil, dependendo da idade da criança‖. À medida
que esta se desenvolve, seu ambiente também muda, e, conseqüentemente, a sua forma
de relação com este meio se altera. Mas, o ambiente a que nos referimos não é apenas o
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ambiente do lar da criança, mas também outros ambientes que ela começa a
freqüentarem cada momento de sua vida.
Hoje não podemos afirmar até que grau de autonomia a pessoa com Síndrome de
Down pode atingir, mas acreditamos que seu potencial é muito maior do que se
considerava há alguns anos. Os programas educacionais atuais preocupam-se desde
cedo com a independência, a escolarização e o futuro profissional do indivíduo. Os
conteúdos acadêmicos devem ser voltados não só para a leitura, escrita e as operações
matemáticas, mas para a preparação do indivíduo para a vida. A independência
objetivada neste tipo de programa engloba desde habilidades básicas, como correr,
vestir-se ou cuidar da higiene íntima até a utilização funcional da leitura, do transporte,
do manuseio do dinheiro e o aprendizado para tomar decisões e fazer escolhas, bem
como assumir a responsabilidade por elas.
Sob esta perspectiva podemos observar que os portadores de down como
qualquer outro sujeito necessita antes de atenção e amor para se desenvolver e crescer
em um ambiente propicio. Ser diferente não impede ninguém de viver e lutar pelos seus
sonhos, o que impede na maioria das vezes são as dificuldades encontradas pelo
estereótipo já ―gravado‖ na mente de alguns sujeitos.
Para a realização do presente trabalho optou-se por uma pesquisa de natureza
exploratória, enquanto estudo de caso, buscando-se um maior aprofundamento sobre o
processo de inclusão de crianças portadoras de síndrome de down, bem como a questão
dos recursos e preparação da comunidade escolar e em especial os professores da rede
de ensino público no município de Caetité, nas escolas que possuem educação infantil.
Para Marconi (1990, apud SILVA E GRIGOLO, 2002).
A pesquisa de campo é aquela utilizada com o objetivo de conseguir
informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se
procura uma resposta, ou de uma hipótese, que se queira comprovar ou,
ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles. Minayo (2000),
por sua vez, concebe campo de pesquisa como o recorte que o pesquisador
faz em termos de espaço, o que significa o recorte de uma realidade empírica
que quer investigar a partir das escolhas teóricas feitas para tratar o objeto de
investigação.
O eixo condutor da análise retratará a perspectiva dos alunos com síndrome de
down, no intuito de se perceber se há ou não contribuição da educação inclusiva no
processo de aprendizagem da criança. Pretende se utilizar também a técnica de
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observação participativa, visto que:
Na observação participante, o pesquisador não é apenas um elemento de fora
que observa a situação que está sendo estudada. O observador participante
se insere na realidade observada e aproxima-se, o máximo possível, do
fenômeno a ser pesquisado. Esse tipo de observação permite e favorece a
compreensão de valores, costumes, comportamentos, relações e
características dos grupos [...] (SILVA E GRIGOLO, 2002 pág.55).
A investigação contará também com entrevistas não-diretivas com os
professores, a fim de coletar dados gerais sobre sua postura em relação à educação para
e com portadores de down; diálogos, aplicação de questionários com os alunos, para
saber como o professor trabalha, quais suas experiências e dificuldades. Após toda
coleta de informações, pretende-se analisar tais dados sistematizando os resultados;
reunir as informações obtidas e confrontá-las com a realidade e com o referencial
teórico que norteia a pesquisa. Por fim, pretende-se sugerir atitudes, a partir da teoria
que fundamenta a pesquisa, no intuito de contribuir para a superação de desafios na
educação infantil como portadores de down no município de Caetité.
Referências
CONSTRUIR NOTICIAS. Escolhe, pois, a vida. Nº. 38 – Ano 07 – Janeiro/Fevereiro
2008.
Disponível em: <http://drauziovarella.ig.com.br/entrevistas/sdown6.asp> Acessado em:
19/11/09.
FERNANDES, Sueli. Fundamentos para educação especial. Curitiba: Ibpex, 2006;
FREITAS, S.N. A Formação de professores na educação inclusiva: construindo a
base de todo o processo. In: RODRIGUES, D. Inclusão e Educação: Doze Olhares
sobre a Educação Inclusiva. São Paulo: Summus, 2006.
GAIO, R. Para além do campo deficiente: historias de vida. Jundiaí: Fontoura, 2006;
MANTOAN, M.T.E; PRIETO, R.G. Inclusão escolar: pontos e contrapontos. 2.ed. São
Paulo: Summus,2006.
MANTOAN, M.T.E. O direito de ser, sendo diferente, na escola. In: RODRIGUES,
D. Inclusão e Educação: Doze olhares sobre a Educação Inclusiva. São Paulo: Summus,
2006;
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REGO, Tereza Cristina. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação.
Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.
SILVA, Marise Borba; GRIGOLO, Tânia Maris. Metodologia para iniciação à
prática da pesquisa e da extensão II. Florianópolis: UDESC/CEAD, 2002. (Cad.
PEDAGÓGICOII).
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VIVER SAUDÁVEL COM DIABETES
Camila Mirella Rocha Donato
Danielle Santos Leite
Jamille Ribeiro Barros3
Ricardo Franklin De Freitas Mussi 4
RESUMO
O diabetes é um sério problema de saúde pública em todo o mundo, pelo crescimento de
sua frequência, pelos impactos que geram o desenvolvimento de suas complicações
agudas e crônicas, e pelo seu elevado custo social e econômico. O presente estudo teve
como objetivo promover aos pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), um melhor
conhecimento sobre sua doença a fim de proporcioná-los atitudes de auto-cuidado no
cotidiano. Ser saudável com DM não depende somente da realização correta do
tratamento e do sucesso do mesmo, mas também da maneira como a pessoa convive
com sua condição de saúde, de conhecer suas possibilidades e limites, do apoio/suporte
que recebe e do acesso a uma educação em saúde com base no diálogo, em que a pessoa
possa se expressar e construir novas maneiras de lidar com sua doença. É preciso não
somente identificar os recursos disponíveis, mas especialmente saber selecionar aqueles
que possibilitam um maior bem estar, que são mais próximos de seus hábitos e rotinas,
pois a partir do momento que a pessoa aprende a conviver com tais fatores, poderá
definir novas metas e construir caminhos para atingi-las. Trata-se uma pesquisa
qualitativa que através de uma analise aleatória foi obtida uma amostra composta por 21
pessoas com Diabetes Mellitus tipo 2 em acompanhamento na Unidade Básica de Saúde
José Ladeia Lobo de Guanambi – BA. Foi utilizado formulário elaborado para este
estudo a fim de caracterizar o público alvo, e realizadas palestras com os temas:
―Conhecendo a diabetes e a importância da alimentação‖; ―O diabético e a atividade
física‖; com colaboração de acadêmicas do curso de Educação Física. Os resultados
foram apresentados em tabelas através de porcentagem simples, no qual apontaram o
baixo nível de conhecimento dos portadores de DM2 quanto ao entendimento sobre a
doença e suas complicações.
Palavras-Chave: Diabetes, Atividade Física, Alimentação, Educação em Saúde.
INTRODUÇÃO
3
4
Acadêmicas do Curso de Enfermagem da UNEB/Departamento de Educação Campus XII.
Mestrando em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Feira de Santana (Orientador).
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O sedentarismo e o estresse, acompanhados por uma má alimentação, acarretam
mudanças que provocam uma alteração no estado de saúde da população sendo esta a
principal causa do aumento de incidência de doenças crônicas. Entre estas, destaca -se, a
Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2).
O diabetes Mellitus é uma síndrome de etiologia múltipla que pode resultar de
defeitos de secreção e/ou ação da insulina, podendo ser ocasionada pela destruição das
células beta do pâncreas (produtoras de insulina), resistência à ação da insulina,
distúrbios da secreção da insulina, entre outros (BRASIL, 2006).
Por se tratar de uma doença de grande freqüência é de suma importância que o
portador de Diabetes Mellitus aprofunde seu conhecimento acerca da doença. Um
esclarecimento claro e objetivo sobre o conceito, as formas de tratamento e os agravos
ocasionados deve ser disponibilizado aos pacientes com o intuito de estimular uma boa
qualidade de vida.
O objetivo deste estudo foi promover aos pacientes com Diabetes Mellitus tipo
2, um aprofundamento em seus conhecimentos sobre sua doença a fim de proporcionálos atitudes de auto-cuidado no cotidiano, por meio de ações preventivas e educativas.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O Diabetes Mellitus (DM) é um grave problema de saúde pública no Brasil, pelo
crescimento de sua frequência, pelos impactos que geram o desenvolvimento de suas
complicações e pelo seu elevado custo social e econômico. (BRASIL, 2006). Um
levantamento da Sociedade Brasileira de Diabetes – SBD (2005) estima que 11% da
população brasileira acima de 40 anos têm DM. As principais consequências do DM
incluem disfunção e falência de vários órgãos, especialmente rins, olhos, nervos,
coração e vasos sanguíneos (BRASIL, 2006).
Os pacientes com DM2 têm uma propensão de até quatro vezes maior de serem
acometidos por doenças cardíacas e por um acidente vascular cerebral quando
comparados a pessoas não diabeticas (KANTERS et al ,1999 apoud SCHEFFEL et al,
2004, p 263 ).
O tratamento do DM é realizado pelo uso de hipoglicemiantes orais e/ou
insulina, dieta e atividade física . Bretas (2006) afirma que é preciso uma abordagem
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complexa no tratamento, e seu sucesso depende de motivação e de atividades
educacionais, proporcionando modificações de hábitos de vida e incorporação de novas
rotinas referentes à prática de atividade física, dieta balanceada e cuidados com o corpo.
Resultados do Diabetes Prevention Program (2002, apud SARTORELLI; FRANCO,
2003, p.34) demonstraram redução de 58% na incidência de casos de DM através do
estímulo a uma dieta saudável e à prática de atividades físicas, sendo essa intervenção
mais efetiva do que o uso de metformina.
Portanto, é preciso não somente identificar os recursos para viver saudável, mas
especialmente saber selecionar aqueles que possibilitam um maior bem estar, que são
mais próximos de seus hábitos e rotinas, pois a partir do momento que a pessoa aprende
a conviver com tais fatores, poderá definir novas metas e construir caminhos para
atingi-las (SILVA, 2001).
METODOLOGIA
O presente estudo faz uso de uma abordagem qualitativa, na qual a amostra foi
constituída de pessoas com Diabetes Mellitus tipo 2 em acompanhamento na Unidade
Básica de Saúde José Ladeia Lobo de Guanambi – BA.
Acompanhados por agentes comunitários de saúde, as autoras do projeto foram
aos domicílios dos pacientes, onde foi aplicado um formulário com a finalidade de
conhecer a população a ser estudada bem como também de avaliar o conhecimento dos
pacientes sobre diabetes e suas particularidades, além de serem entregues convites
individuais, informando o local de realização, datas e o horário das palestras.
Foram realizadas duas palestras no mês de março do ano de 2009, tendo a
colaboração das acadêmicas do 8º semestre de Educação Física da Universidade do
Estado da Bahia. Os temas estruturados (Conhecendo a diabetes e a importância da
alimentação; O diabético e a atividade física) tiveram como objetivo transmitir aos
pacientes diabéticos, informações sobre a doença, tratamento e medidas de prevenção
de agravos, salientando aos pacientes as mudanças no hábito alimentar e a prática de
atividade física.
Os dados obtidos foram analisados e apresentados em tabelas através de
porcentagem simples, possibilitando a avaliação nível de conhecimento dos portadores
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de DM2 sobre a doença e suas complicações.
DESENVOLVIMENTO
Através de uma analise aleatória, foram incluídos para o estudo 21 pacientes,
com média de idade de 62,6 anos , a maioria do sexo feminino, casados , alfabetizados,
renda igual ou superior a um salário mínimo e utilizam hipoglicemiantes orais como
forma de tratamento. Menos da metade pratica atividade física, sendo a caminhada
predominante. Em relação a mudanças de hábitos alimentares mais da metade relataram
ter reduzido somente o açúcar por orientação médica. A maioria dos portadores
apresenta o diagnóstico da doença há mais de cinco anos. A literatura aponta que há
relação entre a duração do diabetes mellitus e o surgimento de complicações
microvasculares. O que nos afirmam a importância de um bom tratamento e um bom
conhecimento das medidas de prevenção dos agravos, como forma de viver saudável.
Quando perguntados : ― O que você entende sobre a doença?‖ e “Quais
complicações a diabetes pode ocasionar?‖ os resultados encontra-se nas tabelas 1 e 2 ,
no qual pode-se perceber uma diversidade de significados atribuídos ao entendimento
sobre diabetes mellitus.
Tabela 1- Distribuição numérica e percentual das respostas dos diabéticos
referentes a questão: “O que você entende sobre a doença?”
RESPOSTAS
Não sei
É o aumento de glicemia no sangue adquirido através da obesidade
Açúcar no sangue
Açúcar no sangue, não tem cura
Açúcar no sangue; coceira na orelha e na vagina
Doença normal, não sinto nada.
Perigosa, porque tem que ter controle
Doença perigosa, que aleja.
Perigosa, de difícil cicatrização das feridas
É uma doença complicada que mata
Doença ruim
Doença ruim, pois não pode fazer uma operação e não pode se alimentar bem
Doença crônica que deve seguir a dieta
Precisa de cuidados
Sede demasiada, muita urina, fraqueza e dor nas pernas
Nº
4
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
%
19,05%
4,76%
4,76%
4,76%
4,76%
9,52%
4,76%
4,76%
4,76%
4,76%
4,76%
4,76%
4,76%
4,76%
4,76%
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Sente mal, problemas nos rins e coração
TOTAL
1
21
4,76%
100%
Tabela 2 -Distribuição numérica e percentual das respostas dos diabéticos
referentes a questão: “Quais complicações a diabetes pode ocasionar?”
RESPOSTAS
Não sei
Má cicatrização
Não cicatriza como deveria, impossibilita de comer o que deseja
Muita sede, muita fome, dor nas pernas, visão ruim
Perda da visão, problemas nos ossos, falta de sensibilidade nos membros
Perda da visão, audição
Muita sede
Má cicatrização, causa cegueira
Causa amputação, problemas na visão
Problemas visuais
Se não tomar remédio, pode agravar
Dor nas pernas
Problemas nos rins, no coração
Ferida, aleja
Cegueira
Pode morrer
TOTAL
Nº
3
1
1
1
1
1
1
1
1
3
1
1
1
1
1
1
21
%
14,29%
4,76%
4,76%
4,76%
4,76%
4,76%
4,76%
4,76%
4,76%
14,29%
4,76%
4,76%
4,76%
4,76%
4,76%
4,76%
100%
O conjunto desses dados apontou o baixo nível de conhecimento dos portadores
de DM2 quanto ao entendimento sobre a doença e suas complicações.
CONCLUSÕES
Este estudo permitiu conhecer o perfil dos portadores de Diabetes Mellitus tipo
II, com relação a características sócio-demográficas, bem como avaliar o nível de
conhecimento dos mesmos indivíduos a respeito de sua doença levando em
consideração o que cada um entende sobre a patologia e suas possíveis complicações.
A partir das diversas respostas obtidas, conclui-se que há um baixo nível de
conhecimento tendo em vista que muitos relatam o conceito de diabetes conforme seus
sintomas e sua vivência individual. O que nos levar a considerar a importância da
educação em saúde para esses pacientes, desde que seja utilizada uma linguagem
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simples e adequada para que proporcione um aprendizado amplo e complexo, visto que
o conhecimento da doença e de seus agravos é uma forma de facilitar o tratamento e
viver saudável.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Diabetes Mellitus.
Brasília: 2006, nº16, . Disponível em:
http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/cadernos_ab/abcad16.pdf. Acesso em: 07
de fev. de 2009.
BRETAS, P.C.A. e GAMBA, M.A. Enfermagem e saúde do adulto. Barueri, SP:
Manole,2006 (serie Enfermagem).
SARTORELLI, D. S.; FRANCO, L. J.. Tendências do diabetes mellitus no Brasil: o
papel da transição nutricional. Caderno de Saúde Pública. Rio de Janeiro. V. 19, 2003.
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v19s1/a04v19s1.pdf. Acesso em: 30 de
jan. de 2009.
SCHEFFEL, et al. Prevalência de complicações micro e macrovasculares e de seus
Fatores de risco em pacientes com diabetes melito do tipo 2 em atendimento
ambulatorial. Revista da Associação Médica Brasileira, 2004. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/ramb/v50n3/21656.pdf. Acesso em: 06 de fev. de 2009.
SILVA, D.V.FRANCIONI, F.. Narrativas do viver com Diabetes Mellitus:
experiências pessoais e culturais. Florianópolis (SC): UFSC/Programa de Pós
Graduação em Enfermagem; 2001. Disponível em:
http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/714/71416113.pdf Acesso em: 09 de fev de 2009.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Atualização brasileira sobre diabetes,
Rio de Janeiro, 2005. Disponível em:
http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/geral/atualizacao_diabetes2006.pdf.
Acesso em: 29 de jan. de 2009.
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CONDIÇÕES ERGONÔMICAS DOS POSTOS DE TRABALHO E SAÚDE DOS
TRABALHADORES DE ENFERMAGEM INSERIDOS NAS PSFs DE
GUANAMBI.
Ana Paula Lessa Tavares de Andrade1
Daiana Gonçalves Machado1
Frank Evilácio de Oliveira Guimarães1
Leiliane Martins Ângelo1
Welliton Trindade da Silva 1
Mauro César Ribeiro dos Santos2
RESUMO
A relação entre trabalho e o processo saúde-doença constam desde a antiguidade, porém nem
sempre compôs foco da atenção. A discussão de questões relacionadas à saúde do trabalhador
de enfermagem tem merecido cada vez mais destaque, pois o aparecimento de alterações ligadas
ao sistema musculoesquelético nestes profissionais decorrentes da atividade laboral é um
fenômeno que vem ocorrendo a nível mundial. Reconhecendo a magnitude das demandas que
permeiam a discussão sobre saúde do trabalhador e doenças decorrentes do trabalho no cenário
das políticas de saúde, este artigo propõe uma reflexão acerca das condições ergonômicas dos
postos de trabalho com foco na saúde do trabalhador de enfermagem de Guanambi - BA. Tratase de um estudo qualitativo, realizado com pesquisa bibliográfica realizada pela Internet, através
da BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) no banco de dados LILACS (Literatura LatinoAmericana em Ciências de Saúde), SciELO (Scientific Library Eletronic Online), além de dados
do Ministério Público do Brasil e pesquisa de campo através de coleta de dados por meio de
questionário estruturado aplicado aos profissionais de enfermagem lotados nas Unidades
Básicas de Saúde de Guanambi. A análise dos dados foi feita através do confronto das
informações contidas no referencial teórico pesquisado e os dados encontrados em campo. Os
resultados obtidos apontaram que 73,9% dos entrevistados apresentam dores ligadas à atividade
laboral, sendo lombalgia a mais freqüente, e 73,9% não realizam tratamento médico.
Palavras-chave: Trabalho e saúde, Ergonomia e enfermagem; mobiliário e trabalho; Saúde do
trabalhador
INTRODUÇÃO
Dentro da área da saúde pública a Saúde do Trabalhador, segundo Guimarães et.
al. (2005), é um campo específico que procura atuar através de procedimentos próprios
para promoção e proteção à saúde de pessoas envolvidas no exercício do trabalho.
1
Acadêmicos do curso de Bacharelado em Enfermagem da Universidade do Estado da Bahia – UNEB –
DEDC XII. Brasil.
2
Fisioterapeuta, Especialista em Metodologia em Ensino Superior. Professor do departamento de
Educação campus XII da Universidade do Estado da Bahia. Brasil.
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Sant‘anna e Santos (2010) corroboram especificando que esse campo abarca a disciplina
ergonomia, cuja origem epistemológica deriva do grego ergon (trabalho) e nomos
(regras), que foca suas ações mediante estudo das relações trabalho/trabalhador para
promover melhorias no ambiente de trabalho. O processo de formação e definição dessa
disciplina vincula-se à história do trabalho e aos avanços científicos relacionados
(GUIMARÃES et.al, 2005).
Historicamente a relação entre trabalho e o processo saúde-doença constam desde
a antiguidade, porém nem sempre compôs foco da atenção. Essa relação intensificou
durante a Revolução Industrial onde os acidentes que resultaram em perda da
capacidade para o trabalho e até morte, ocorridos por falta de estrutura adequada nos
postos de trabalho gerou revoluções trabalhistas (CASTRO e FARIAS, 2008).
No Brasil o amparo legal para os trabalhadores ocorreu apenas em 1919, através
da adoção de convenções para proteção à saúde do trabalhador através da Organização
Internacional do Trabalho – OIT (SANT‘ANNA e SANTOS, 2010) e com o Decreto
Legislativo nº 3.724 que implantou serviços de medicina ocupacional fortalecendo a
ergonomia (BRASIL, 2003).
Carvão et. al. (2006) define que esse decreto associado a pesquisas realizadas com
digitadores (identificando numerosos casos de tenossinovite ocupacional e Lesão por
Esforço Repetitivo – LER) culminaram na instituição da NR – 17 no ano de 1990 que
refere a Ergonomia como um instrumento de transformação visando uma conjuntura
menos nociva ao trabalho. Para Reinhardt e Fischer (2009) a preocupação com a saúde
dos trabalhadores da saúde foi mais tardia do que em outras categorias profissionais e
segundo Santana (2006) somente em 1980 é que surge a primeira tese tratando do tema
O CAMPO DA SAÚDE DO TRABALHADOR DE ENFERMAGEM
Estudos sobre a saúde dos trabalhadores de enfermagem concluem que estes
convivem com riscos ocupacionais inerentes à profissão (químicos, biológicos e físicos)
e ergonômicos relacionados ao espaço físico do posto de trabalho (MARZIALE e
ROBAZZI, 2000). Para Alexandre (1998) o espaço físico do posto de trabalho, definido
como ―espaço imaginário‖ necessário para realização da atividade laboral, lida com
questões de estrutura física além de equipamentos e mobiliários que suscitam adoção de
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posturas inadequadas quando impróprios e exigem esforço e má postura quando
disposto em lugares inadequados podendo potencializar o risco ocupacional
principalmente para o sistema musculoesquelético caracterizado por Murofuze e
Marziale (2005) como o mais grave no campo da saúde do trabalhador. Entre os
principais fatores de risco relacionados a essas alterações, os ambientais constituem o
principal de acordo com Gurgueira et al (2003) e são causadores de incapacidade,
absenteísmo/afastamentos além de produzir custos expressivos em tratamento e
indenizações (WALSH et al, 2004).
A proteção à saúde dos trabalhadores dada pela NR 32 de 2005 ainda é
incompleta, pois enfoca riscos físicos, químicos e radioativos suprimindo questões
como deslocamentos, esforços adicionais, movimentação e transporte de pacientes e
materiais. Araújo et.al (2009) corrobora afirmando que as condições de trabalho reúne
essas questões além da própria organização do trabalho confirmando a limitação das
diretrizes propostas pela NR – 32.
OBJETIVOS
O presente estudo tem como objetivo avaliar as condições ergonômicas dos postos
de trabalho e a saúde dos trabalhadores de enfermagem das unidades de saúde de
Guanambi para promover reflexão acerca dos riscos ocupacionais aos quais estão
expostos de forma a impactar positivamente na melhoria das condições de trabalho.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo qualitativo com objetivo de avaliar as condições
ergonômicas dos postos de trabalho e saúde dos trabalhadores de enfermagem inseridos
nas Unidades Saúde da Família de Guanambi - BA, cujo universo expressa 46
trabalhadores entre Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares. O levantamento bibliográfico
foi realizado pela Internet, através de dados do Ministério Público do Brasil e pela BVS
(Biblioteca Virtual em Saúde) no banco de dados LILACS (Literatura LatinoAmericana em Ciências de Saúde) e SciELO (Scientific Library Eletronic Online)
utilizando os descritores: Trabalho e saúde, Ergonomia e enfermagem; mobiliário e
trabalho; Saúde do trabalhador. O instrumento de coleta compreendeu as questões 06 a
17 do questionário desenvolvido pelo projeto de pesquisa intitulado ―Perfil Ergonômico
dos postos de trabalho dos profissionais de enfermagem da cidade de Guanambi - BA‖
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vinculado à Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus XII, totalizando 18
questões objetivas de múltipla escolha, aplicado em setembro/2010 após leitura e
assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE pelos respondentes.
A análise e discussão dos resultados basearam-se nas literaturas utilizadas no referencial
teórico
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Quando questionados sobre comprometimento físico gerado pelo mobiliário do
posto de trabalho 10,8% dos respondentes afirmaram que sempre observam essa relação
enquanto a maioria (21,6%) afirmou que essa relação existe às vezes. Em relação aos
mobiliários específicos 52,1% afirmaram nunca ter tido comprometimento físico gerado
por balcões/mesas enquanto 8,6% apontaram que essa relação é sempre observada. Em
contra partida 73,9% afirmaram que apresentam dores ligadas à atividade laboral e que
ocorrem ao final do expediente, sendo lombalgia a mais freqüente (34,7%) seguida de
cervicalgia (28,2%). A divergência nas respostas dos entrevistados aponta para o
desconhecimento dos mesmos acerca da ergonomia e todas as suas faces e aplicações,
principalmente no que refere à mobília e estrutura física dos postos de trabalho que são
os principais responsáveis por distúrbios musculoesqueléticos. Revelam ainda que
grande parte dos entrevistados sofre de patologias relacionadas ao trabalho, porém não
as relacionam com a estrutura/mobília do posto de trabalho.
Destes que declararam possuir algum distúrbio relacionado ao trabalho 73,9%
responderam negativamente quando questionados sobre a realização de tratamento
médico enquanto 32,6% afirmaram fazer uso de fármacos devido a esses transtornos. A
reflexão acerca destes dados aponta para uma questão preocupante onde a maioria não
procura tratamento médico em decorrência de uma doença/lesão do trabalho podendo
refletir futuramente em incapacidade para o trabalho sem que tenha ocorrido um
histórico desse processo de adoecimento, impedindo o profissional de associar a doença
à atividade laboral. Outro fato alarmante proveniente da análise destes dados indica que
8,6% dos entrevistados que responderam negativamente ao questionamento sobre
realização de consulta para tratamento médico da doença afirmaram utilizar medicações
para tratamento da mesma, ou seja, realizando automedicação, fato que pode mascarar
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os sintomas de uma doença decorrente do trabalho ou ainda trazer conseqüências graves
e imediatas decorrentes dessa prática perigosa.
Apesar de grande parte dos entrevistados apresentarem algum distúrbio decorrente
do trabalho, 63% afirmaram que não realizam atividade de relaxamento e 36,9% nunca
realizam revezamento entre colegas para que um possa repousar enquanto o outro
assume seu trabalho.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Emerge das discussões realizadas ao longo desse trabalho a necessidade dos
profissionais conhecerem com maior obstinação os paradigmas que definem o processo
saúde - doença e principalmente sua relação com o trabalho. É indiscutível em uma
visão
global
que
as
condições
ergonômicas,
quando
adversas,
interferem
consideravelmente na qualidade do trabalho, conseqüentemente interferindo também na
saúde do trabalhador, mesmo que para este não tenha relação alguma. Profissionais da
saúde em geral, inclusive os da enfermagem, devem conter esse conhecimento mais
aprofundado para lhe servir de orientador na busca da melhor alternativa de terapêutica
seja para pacientes acometidos por essas doenças, na condição de cuidador, ou mesmo
na condição de doente.
REFERENCIAS
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61º
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Livro didático: narrativas passadas e presentes sobre o negro no Brasil, mitos a
desvendar.
Jamille Pereira Pimentel (UNEB – Bolsista IC-FAPESB) 1
Prof.ª Dra. Heldina Pereira Pinto Fagundes (UNEB) 2
RESUMO:
Apesar de no Brasil se pregar o mito da democracia racial, ainda se verifica a distância entre
discurso e prática no tocante à educação da cultura afrodescendente. Sabe-se que através da Lei
10639/03 tornou-se obrigatória a inclusão nos currículos o ensino da cultura afro-brasileira e
africana nas escolas do Brasil, contudo, sabemos que essa realidade ainda não é perceptível.
Diante disso, neste estudo, voltamos nossa análise para o livro de História, considerando que é
na história que são erigidos os heróis e narrativas míticas capazes de construir representações e
forjar um ideário, já que influi diretamente no imaginário social, pois os livros didáticos são em
muitas das vezes, o único recurso didático que muitas crianças têm acesso.
INTRODUÇÃO:
O Brasil possui 94,3 milhões de afrodescendentes em seu território (FERREIRA. 2009,
p. 177). Estudos e estatísticas mostram que essa população é a que mais sofre com os
problemas sociais, racismo, discriminação, estereótipos, inferiorização, marginalização
social, falta de reconhecimento e invisibilidade histórica, produzindo assim, um efeito
drástico nas condições de vida e na identidade da população negra no país. Atrelado a
isso, esses indivíduos quando ingressam no sistema de ensino, não se reconhecem
dentro da identidade nacional, pois o currículo e o livro didático perpetuam formas
estereotipadas nos mesmos.
Levando essa discussão para a discriminação presente no livro didático, percebemos o
quanto é necessário revisitá-los e analisá-los, pois é neste, enquanto materiais
curriculares, que as maiores formas de transmissão da ideologia racista se sustentam e
se perpetuam.
1
2
Graduanda do curso de Pedagogia – UNEB - Campus XII
Professora Adjunta da UNEB – Campus - XII
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REFERENCIAL TEÓRICO:
A democratização do ensino escolar no Brasil é recente e carece ainda de muitas
mudanças. Se olharmos para o passado, percebemos que desde a década de 1970 até os
dias atuais, os avanços conquistados no campo educacional são altamente expressivos,
tanto em qualidade quanto em quantidade de alunos. O sistema político do país –
através de Leis – se estruturou para garantir que todas as crianças, independente da
classe social, cor, sexo ou etnia, frequentassem o sistema de ensino. Outro grande
avanço é a gratuidade do livro didático oferecido aos alunos, de modo que, todos
tenham acesso às informações deste, desde o ensino fundamental ao médio.
Mas com todos esses avanços, percebemos que a educação ainda sustenta grandes
ranços do passado. Ao analisarmos o currículo escolar, notamos que os conteúdos
transmitidos são baseados na cultura eurocêntrica, que valoriza o conhecimento
empírico, o progresso através da ciência e, sobretudo, apregoa de forma camuflada, o
embranquecimento da população.
Ao depararmos com esses problemas percebemos, então, que os conteúdos a serem
repassados na escola, são submetidos a um processo de seleção no interior da cultura e,
a forma de repassá-los também. Diante disso, cabe a nós analisarmos quais e como
esses conhecimentos são transmitidos.
Sabemos que a cultura é baseada e mantida através de um grupo que compartilha e
perpetua a mesma visão de mundo. Assim, esse conhecimento teórico que os une e, os
faz sentir-se fortes é o que chamamos de ideologia. Essa ideologia pode ser transmitida
para as crianças através da família, do grupo social e, principalmente, pela escola. Dessa
forma, percebemos que a ideologia é, ― constituída por aquelas crenças que nos levam a
aceitar as estruturas sociais existentes como boas e desejáveis‖ (SILVA. apud.
ALTHUSSER, 2002:.31)
Essa ideologia transmitida na escola, principalmente para as crianças, é responsável pela
internalização dos conhecimentos e, consequentemente, pela sua visão de mundo. Um
dos principais veículos para transmitir a ideologia é pelo livro didático de história, pois
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é neste, que um grupo social é reportado como importante, vencedor, enquanto outros se
tornam frágeis e oprimidos. Entendemos assim que a maneira como um grupo social é
abordado no livro, interfere diretamente na construção da identidade da criança.
É sabido que o livro didático é responsável pala transmissão dos conhecimentos
históricos de um povo, sua ideologia, sua cultura, sua estrutura social e, é neste, que
encontramos a visão que a cultura dominante tem do dominado. Dominado aqui,
entendido com o oprimido, o negro, o índio, o camponês. E nesse contexto, entendemos
como a escola trata através do livro didático, os afrodescendentes e qual a importância
destes para a estrutura social.
As relações humanas fetichizadas não são mentirosas, são
coisificadas. Desta forma, a ideologia burguesa, através do livro
didático, contribui para justificar e manter a realidade, reproduzindoa‖ (FARIA, 1991. p.70)
Apesar da Constituição de 1988 garantir direitos iguais para todos os cidadãos
brasileiros, ainda se conserva no Brasil o conceito absurdo e primitivo de julgar e
discriminar os negros. A escola não foge a isso. Em seu seio, ainda se observa práticas
discriminatórias aos indivíduos pertencentes a outros grupos étnicos, principalmente aos
negros. Na estrutura organizacional, no material didático, no currículo, no
comportamento de alguns professores, ainda é observável a inferiorização que estes
relegam aos afrodescendentes.
Através da influência da escola nova e de Anísio Teixeira – onde defendia que a escola
deveria ser laica, gratuita e universalista - a estrutura educacional brasileira goza do
princípio de ser uma entidade pautada na igualdade. Contudo, se percebe, que essa
igualdade é mascarada, pois os conteúdos transmitidos não contemplam a história de
milhões de negros que frequentam diariamente essa instituição de ensino. Não
contemplam a diversidade étnico-cultural que compõe a escola.
―Refletir sobre a cultura negra é considerar as lógicas simbólicas
historicamente construídas, ao longo da história, por um grupo
sociocultural específico: os descendentes de africanos escravizados no
Brasil‖.(GOMES,2006 : 37)
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É inapropriado tentar igualar grupos étnicos tão diferenciados, abordando no livro
didático conteúdos que enaltecem e supervalorizam a cultura europeia em detrimento da
cultura africana, pois ocasiona no aluno um enorme sentimento de desvalorização e
inferioridade:
―temos necessidade de uma noção de política que se baseie em
identidades políticas desiguais, não uniformes, múltiplas e
potencialmente antagônicas‖. (RUTHERFORD, 1996. p.35 citado por
SILVERIO, 2006. p.13)
Diante disso, percebemos a incoerência de um currículo que se baseie unicamente no
fortalecimento da uniformidade de direitos. Todos nós temos os mesmos direitos,
contudo, não há como igualar a noção de direitos de uma estudante branco da classe
media, com o conceito de direitos de um estudante negro periférico. São visões de
mundos diferenciadas, que necessita de políticas públicas diferenciadas.
O currículo escolar, - as disciplinas, o livro didático, as discussões - deve se ater à
grande necessidade de banir todos os atos discriminatórios, também pelo livro didático
de história, já que se trata de um material importante na efetivação do currículo. Há
urgência em recontar a história para as crianças, há de se propagar a enorme
contribuição do negro para a nossa sociedade.
OBJETIVOS:
GERAL:
Analisar livros didáticos de história de 1º a 4º série (do segundo ao quinto ano) do
ensino fundamental, identificando como as questões do negro são tratadas, após a
vigência da Lei 10639/03, destacando as ideologias subjacentes aos conteúdos e as
metodologias propostas para o desenvolvimento das atividades/exercícios de
compreensão, interpretação e fixação e como isso pode interferir na representação que
as crianças fazem sobre os mesmos na atualidade.
METODOLOGIA:
O estudo das transmissões ideológicas e discriminatórias notadamente referidas aos
negros, presentes no livro didático abarca um emaranhado de questões que sugerem
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vários estudos e discussões, exigindo que seja definida a abordagem qualitativa. Essa
abordagem permite a compreensão da problematização, sendo instrumentalizada por
meio da análise documental e interpretada com auxílio da análise de conteúdo.
No decorrer da pesquisa serão analisados livros didáticos de história de 1ª a 4ª série
(segundo ao quinto ano) do ensino fundamental utilizados pelas escolas públicas do
município de Guanambi. A análise dos conteúdos utilizados por esses livros serão
contrastadas com as informações obtidas do estudo das literaturas que discutem essa
temática desvendando assim, as possíveis conclusões que serão obtidas ao fim dessa
pesquisa.
RESULTADOS PARCIAIS:
Os estudos tem demonstrado que ainda há de se percorrer um longo caminho até a
efetivação da referida Lei, pois os livros didáticos ainda não contemplam todas as
normas referidas na Lei. Ao invés de conteúdos fundamentados, percebemos que há um
disfarce com gravuras e imagens de negros que tentam demonstrar uma igualdade
étnica. Contudo, isso não passa de uma maneira de amenizar as disparidades.
Entretanto, percebe-se que existe a vontade de introduzir mudanças que possam
contribuir com a construção de outras narrativas capazes de dialogar com as questões
étnico-raciais.
REFERÊNCIAS:
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(orgs.). Educação como prática da diferença. Campinas, S.P: Armazém do Ipê
(Autores Associados), 2006.
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currículo e questão racial: desafios para a prática pedagógica. Campinas, S.P:
Armazém do Ipê (Autores Associados), 2006.
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centrado na abordagem qualitativa. IN: PIMENTA, S.G.; GHEDIN, E. Franco, M. A. S.
(orgs.). Pesquisa em educação: alternativas com objetos complexos. São Paulo:
edições Loyola, 2006.
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currículo. 2ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2002. 156 p.
TELES, Jorge Luiz. FRANCO, Cláudia Tereza Signori. Educação na diversidade:
como indicar as diferenças?
Brasília: Secretaria de Educação Continuada,
Alfabetização e Diversidade, 2006. 228 p. il. – (Coleção Educação para Todos, Série
Avaliação; n. 8, v. 25).
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DEFICIÊNCIA AUDITIVA/ SURDEZ: ALUNOS QUE SOFREM
SILENCIOSAMENTE
Di Paula Ferreira Prado 1
Stela Regina Montalvão de Oliveira
Tatiana de Cássia Boa Sorte Viana Pereira
Prof. Ms. Sônia Maria Alves de Oliveira Reis 2
Resumo
O presente trabalho é resultado de uma pesquisa sobre a deficiência auditiva/ surdez em
que se procura destacar alguns conceitos básicos e informações relevantes para
compreender e incluir os alunos surdos, uma vez que a audição é uma das bases para a
aprendizagem e constata-se que as crianças demandam grande parte de suas atividades
escolares envolvidas em funções auditivas. Sendo assim, é importante ressaltar que o
acompanhamento na criança surda deve ser iniciado cedo, pois quanto antes começar o
trabalho de habilitação, maior será o aproveitamento na aquisição da linguagem. Para
orientar esta pesquisa, a metodologia utilizada pautou-se na abordagem qualitativa por
meio da pesquisa bibliográfica. Tendo em vista a sistematização das ideias aqui
propostas, o estudo foi direcionado pelas obras dos seguintes autores: Damázio (2007);
Fávero (2007); Mantoan (2006); Rinaldi (1997); Sales (2004); Redondo (2000), dentre
outros. A falta de conhecimento específico das consequências dos problemas auditivos
na infância faz com que muitas crianças sejam erroneamente rotuladas nas escolas, o
que pode prejudicar o seu processo de aprendizagem e desenvolvimento. Desse modo, a
melhor maneira de se cuidar do aprendizado da linguagem é propiciar um meio
ambiente favorável para o seu desenvolvimento, e estar atento às condições de saúde
auditiva da criança. A educação inclusiva constitui-se um desafio para as escolas que
almejam pautar seu trabalho em ambientes heterogêneos de aprendizagem,
contemplando a diversidade linguística.
Palavras - Chave: Deficiência auditiva, surdez, criança, aprendizagem, diversidade
linguística.
Introdução
A audição é uma função complexa e faz parte de um sistema especializado,
constituindo-se num caminho fundamental em que a criança desenvolve a fala e a
linguagem oral, que é a base de muitas aprendizagens. Sendo assim, é necessário
1
Graduandas do VI Semestre do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB
– Campus XII.
2
Professora do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – Campus XII.
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entender seus conceitos básicos para compreender os alunos que muitas veze s
sofrem silenciosamente. As alterações da audição podem causar, em qualquer idade,
problemas de comunicação e sérias implicações. Por isso, devem ser detectados e
tratados tão cedo quanto possível, em benefício do desenvolvimento linguístico,
intelectual, social e emocional da criança.
Quanto antes começar o trabalho de habilitação na criança surda, maior será o
aproveitamento na aquisição da linguagem, uma vez que, a porcentagem da falta de
identificação dos pais e educadores do déficit auditivo na criança é bastante alta. Ao
tratar desse assunto Rinaldi (1997) afirma que:
Com o objetivo de diminuir os efeitos e, consequentemente, as dificuldades
decorrentes da deficiência auditiva, entende-se que toda atenção deve ser
dirigida para o processo de estimulação global da criança surda, com vistas a
facilitar o desenvolvimento de sua linguagem. Essa estimulação implica:
propiciar à criança experiências significativas que favoreçam a compreensão
e a recepção lingüísticas; despertar na criança a necessidade de se expressar,
de se comunicar, partindo do ambiente que a rodeia, através de todas as vias
perceptivas, a fim de possibilitar a emissão lingüística. (RINALDI ,1997,
p. 43).
A deficiência auditiva é a diminuição da capacidade de percepção normal dos sons,
sendo considerado surdo o indivíduo cuja audição não é funcional na vida comum, e
parcialmente surdo, aquele cuja audição, ainda que deficiente, é funcional com ou sem
prótese auditiva. A deficiência auditiva traz muitas limitações para o desenvolvimento
do indivíduo, pois ―a audição é essencial para a aquisição da linguagem falada, sua
deficiência influi no relacionamento da mãe com o filho e cria lacunas nos processos
psicológicos de integração de experiências, afetando o equilíbrio e a capacidade normal
de desenvolvimento da pessoa‖. (REDONDO, p. 5, 2000).
Observa-se que a surdez ainda é um tema pouco explorado pelos educadores,
principalmente no que diz respeito aos aspectos psicológicos, sociológicos, culturais e
educacionais.
A inclusão do aluno com surdez deve acontecer desde a educação infantil
até a educação superior, garantindo-lhe, desde cedo, utilizar os recursos
de que necessita para superar as barreiras no processo educacional e
usufruir seus direitos escolares, exercendo sua cidadania, de acordo com
os princípios constitucionais do nosso país. (DAMÁZIO, 2007, p. 14).
A surdez pode ser: leve se a pessoa apresenta dificuldades para ouvir sons distantes,
mas pode compreender a fala de uma conversa; moderada: compreende a dificuldade
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do indivíduo para acompanhar uma discussão, podendo necessitar do auxílio de um
aparelho auditivo; moderadamente grave, atingindo pessoas que precisam do uso do
aparelho auditivo, mas conseguem ouvir sons próximos, necessitando também de
treinamento em fala e linguagem; e surdez grave, que é caracterizada pela capacidade
de ouvir somente sons próximos; e a surdez profunda, refere-se ao grupo de pessoas
surdas, mas com indicativos de que podem perceber a vibração sonora quando emitida
com intensidade muito forte. Nesse caso, confiam mais na visão para processar
informações. (REDONDO, 2000).
É essencial destacar que a família possui papel fundamental no processo de
desenvolvimento da criança deficiente auditiva, assim como no processo de inclusão
desta na sociedade. Assim, caberá à família, após a confirmação do diagnóstico, a
procura de recursos técnicos e de acompanhamento profissional adequado, visando ao
desenvolvimento global desta criança.
A educação escolar da criança surda é um desafio que se apresenta às escolas que
abraçam a inclusão, pois precisam quebrar barreiras lingüísticas e pedagógicas para que
os alunos com necessidades educativas especiais possam estudar nas turmas comuns de
ensino regular. Percebe-se que a falta de conhecimento específico das conseqüências
dos problemas auditivos na infância faz com que muitas crianças sejam erroneamente
rotuladas,
nas
escolas,
como
―distraídas‖,
―desconcentradas‖,
―incapazes‖,
―desinteressadas‖,ou ―deficientes‖.
Damázio (2007, p. 13) confirma:
As pessoas com surdez enfrentam inúmeros entraves para participar da
educação escolar, decorrentes da perda da audição e da forma como se
estruturam as propostas educacionais das escolas. Muitos alunos com surdez
podem ser prejudicados pela falta de estímulos adequados ao seu potencial
cognitivo, sócio-afetivo, linguístico, e político-cultural e ter perdas
consideráveis no desenvolvimento da aprendizagem.
As abordagens pedagógicas para alunos com deficiência auditiva, concentram-se na
inclusão desses alunos na escola regular ou em classes especiais. Existem três
tendências educacionais: o oralismo que visa a integração da criança surda na
comunidade ouvinte, dando-lhe condições para desenvolver a língua oral (no caso do
Brasil, o português) como única forma desejável de comunicação dos surdos. Nessa
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abordagem, não se permite o uso de sinais e do alfabeto manual ou qualquer forma de
gestualização, sendo a fala o único meio de expressão permitido, pois percebe a surdez
como uma deficiência que deve ser minimizada através da estimulação auditiva e
propõe que a pessoa capte a mensagem através da leitura labial. De acordo com
Damázio (2007, apud Sá, 1999) essa tendência ―...não conseguiu atingir resultados
satisfatórios, pois legitima a manutenção do fracasso escolar, não aceita o uso da Língua
de Sinais, discrimina a cultura surda e nega a diferença entre surdos e ouvintes‖.
Já a comunicação total é um método auditivo-oral com os sinais e o alfabeto
manual. A ênfase está na recepção da informação por todos os meios possíveis,
incluindo a amplificação, a visão, os sinais e os gestos. O método deve ser introduzido
na primeira infância e destaca o papel fundamental dos pais na educação de seus filhos
surdos. No entanto, a língua de sinais não é utilizada como língua natural, como parte
da cultura surda.
Por outro lado a abordagem educacional por meio do bilinguismo tem como
princípio fundamental oferecer à criança um ambiente linguístico, na qual os
interlocutores se comuniquem de forma natural. De acordo com Moura (2001), essa
modalidade pressupõe o ensino de duas línguas para a criança, sendo a primeira a
língua de sinais que dará a base para a aprendizagem de uma segunda língua, que pode
ser a escrita ou a oral, dependendo do modelo seguido. Isto significa que a criança é
exposta à Língua de Sinais através de interlocutores surdos ou ouvintes que tenham
conhecimento em língua de sinais. A língua oral ou escrita será trabalhada seguindo os
princípios de aprendizado de uma segunda língua.
Essa tendência tem como pressuposto básico que o surdo deve ser bilíngue, ou seja,
adquirir como língua materna a língua de sinais, que é considerada sua língua natural, e
como segunda língua, a oficial de seu país. Segundo Rinaldi (1997, p. 25-26) ―As
crianças surdas têm o direito de serem bilíngües. Sua educação, portanto, deve
propiciar-lhes o desenvolvimento da linguagem que inclua o aprendizado da Língua
Portuguesa e a aquisição da Língua Brasileira de Sinais‖.
Nesse sentido, se a criança surda não for exposta à língua de sinais desde seus
primeiros anos de vida, sofrerá várias consequências com atraso no seu
desenvolvimento linguístico, cognitivo, social ou pessoal, uma vez que os surdos não
têm distúrbios intelectuais, mas podem ter atraso no desenvolvimento intelectual, se não
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tiverem acesso a sua língua natural, a língua de sinais, desde crianças.
Língua materna é a que se fala no ambiente da criança desde o seu nascimento, e
natural, a falada na comunidade a que pertence, com a qual identifica-se culturalmente e
não possui barreiras para a sua aquisição. A Língua de Sinais foi criada por
comunidades surdas e é considerada uma língua natural que utiliza canal espaço-visual,
com estruturas gramaticais próprias, possuindo todas as características das língua orais.
Ela propicia o desenvolvimento linguístico e cognitivo da criança surda, facilita o
processo de aprendizagem e constitui seu elemento identificatório. Além disso, não é
universal, pois cada país tem a sua e sofre as influências da cultura nacional.
A Língua Brasileira de Sinais, LIBRAS foi reconhecida oficialmente pela Lei nº
10.436/2002,
como a língua oficial dos Surdos. Segundo Rinaldi (1997, 31)) ―A
aprendizagem de LIBRAS possibilita às crianças surdas maior rapidez e naturalidade na
exposição de seus sentimentos, desejos e necessidades, desde a mais tenra idade.
Possibilita a estruturação do pensamento e da cognição e ainda uma interação social,
ativando consequentemente o desenvolvimento da linguagem‖.
Essas propostas educacionais surgiram a partir das Leis e Decretos regulamentares,
como: a Lei Federal 10.098/2000, prevê a formação de intérpretes de Língua de Sinais
para possibilitar aos surdos o acesso à informação; Lei Federal 10.436/2002, reconhece
a Língua Brasileira de Sinais, como língua oficial das comunidades surdas; e o Decreto
Federal 5.626/2005, regulamenta as leis anteriores e reconhece o direito dos surdos a
uma educação bilíngue, na qual a Língua de Sinais é a primeira língua, e a Língua
Portuguesa, preferencialmente na modalidade escrita, é a segunda. Prevê a inclusão da
Libras como disciplina curricular, com a formação e a certificação de professor,
instrutor e tradutor/intérprete de Libras.
Para Rinaldi (1997, 147))
Nos termos de Paulo Freire, ―a leitura do mundo precede a leitura da
palavra‖. Nesse sentido, as palavras e as outras estruturas do Português só
serão efetivamente apreendidas pelo surdo brasileiro se, anteriormente, sua
linguagem permitir que ele estruture seu conhecimento e suas experiências.
Como raramente o surdo pode fazer essa leitura do mundo através da fala do
Português, é imprescindível que outra fala seja a intermediadora nesse
processo: a língua brasileira de sinais – LIBRAS.
A avaliação psicopedagógica no caso das crianças surdas deve servir para identificar
suas necessidades educacionais e facilitar seu acesso aos objetivos estabelecidos no
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currículo. A coleta, a análise e a avaliação das informações sobre as condições pessoais
do aluno e sua interação com o contexto escolar e familiar devem facilitar as decisões
acerca do tipo de escolarização inicial desses alunos e definir a maneira mais adequada
de ajudá-los facilitando a tomada de decisões em diferentes momentos de sua
escolaridade. (BONALS, e SANCHES-CANO, 2008). Deve-se avaliar o modo como a
criança age para se comunicar, a habilidade na conversa e compreensão das regras e
normas, o conhecimento dos fatos e o uso da linguagem nos acontecimentos.
Com vistas a orientar esta pesquisa, a metodologia utilizada pautou-se na abordagem
qualitativa por meio da pesquisa bibliográfica. Conforme os autores Ludke e André
(2005), Alves-Mazzotti (2004), Trivinos (1987), os pesquisadores qualitativos
preocupam-se com os processos e não apenas com resultados e o produto. Nesse
processo, o pesquisador é o principal instrumento de coleta de dados, sendo estes
tratados predominantemente de forma descritiva. ―O que este tipo de pesquisa visa é a
descoberta de novos conceitos, novas relações, novas formas de entendimento da
realidade‖. (ANDRÉ, 1995, p. 30).
Percebe-se que a educação do surdo voltou-se mais para o desenvolvimento da
comunicação do que à transmissão de conhecimentos, situando-se no âmbito da
caridade e filantropia, desvinculada da educação como direito de liberdade e igualdade.
Manteve assim o estereótipo da incapacidade de aprender por não ouvir.
Dessa forma, a transferência do aluno portador de deficiência para a sala de aula
comum só vai garantir a convivência com os colegas. Para o sucesso acadêmico são
necessárias mudanças estruturais e pedagógicas, em que a inclusão na escola comum se
constitua um processo gradativo, que respeite as diferentes necessidades e interesses de
cada criança, preparando-a para frequentar uma turma regular.
Em síntese, a integração plena da pessoa surda passa, necessariamente, pela garantia
de convívio em um espaço, onde não haja repressão de sua condição de surdo, onde
possa expressar-se da maneira que mais lhe satisfaça, mantendo situações prazerosas de
comunicação e de aprendizagem. As pessoas surdas são únicas e tem diferenças
individuais iguais às dos ouvintes. Os programas educacionais inclusivos efetivos
deveriam ser individualizados para satisfazer as necessidades, pois as habilidades para
comunicar vão ser sempre diferentes para cada pessoa. ―Levar em conta as
potencialidades e limitações da criança surda permite que ela manifeste sua
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espontaneidade e suas diferenças. Diferenças que não a tornam um ser inferior ou
menos capaz, mas apenas diferente – como todo ser humano‖. ( , 2000, p. 30).
O surdo não precisa almejar uma vida semelhante ao ouvinte, mas pode aceitar e
assumir sua surdez e formar uma comunidade, com cultura e língua próprias, uma vez
que, o aprendizado da língua oral não é percebido como o único objetivo educacional do
surdo, nem como uma possibilidade de minimizar as diferenças causadas pela surdez.
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SÍNDROME HIPERTENSIVA E SUAS COMPLICAÇÕES NO PUERPÉRIO:
Revisão integrativa da literatura*
Camila Mirella Rocha Donato ¹
Daiana Gonçalves Machado ²
Monnik Viana Marques³
Larissa Silva De Abreu Rodrigues4
4
¹²³Alunas do Curso de Enfermagem da UNEB/Departamento de Educação Campus XII.
Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da UFBA. Professora da Universidade do Estado da Bahia
(UNEB) Departamento de Educação Campus XII: Guanambi-BA e da Faculdade Guanambi (FG).
__________________________________________________________________
RESUMO
Considerando as síndromes hipertensivas na gestação como uma das principais causas
de mortes materno-fetais, o estudo em questão, buscou averiguar o conteúdo já existente
na literatura brasileira sobre essas síndromes, sua interferência na gestação e
complicações no puerpério, como também medidas de prevenção dessas doenças. Tratase de uma pesquisa de revisão integrativa de literatura da base de dados da Biblioteca
Virtual de Saúde (BVS). Realizou-se análise de artigos da literatura brasileira,
publicados no período de 1986 a 2010, que tivessem em seu conteúdo informações
sobre as complicações decorrentes das síndromes hipertensivas, bem como a maneira
adequada de se evitar estas patologias ou controlar a ocorrência de suas intercorrências
no processo gestacional/puerpério. Selecionando-se aqueles que após a leitura dos
resumos se adequaram com o tema e o objetivo proposto pelo presente estudo. A partir
da leitura pormenorizada dos artigos que compõem a amostra desse estudo, elaborou-se
um quadro sinóptico com a síntese dos artigos que atenderam aos critérios de inclusão
da revisão integrativa, obtendo-se assim, os resultados. Os resultados dessa pesquisa
evidenciaram poucos estudos sobre o referido tema, apesar da importância e de suas
conseqüências serem devastadora no processo gestação-puerpério. Diante da
necessidade de diminuir o alto índice de mortalidade de mulheres em idade fértil, a
assistência pré-natal eficiente tem sido apontada como uma ferramenta imprescindível
no processo de diminuição de morbi-mortalidade quando oferecida em quantidade e
qualidade adequadas.
Palavras-chave: Complicações Puerperais, Síndrome hipertensiva, Pré-Natal.
INTRODUÇÃO
Síndromes hipertensivas na gestação são definidas e classificadas em:
Hipertensão Gestacional, caracterizada por pressão arterial (PA) maior do que 140 x 90
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mmHg; Pré-eclâmpsia: PA maior do que 140 x 90 mmHg diagnosticada após 20
semanas de gestação associada à proteinúria maior do que 300 mg/24 horas;
Hipertensão Arterial Crônica: PA maior do que 140 x 90 mmHg diagnosticada antes da
gestação ou antes de 20ª semana e Eclâmpsia, definida por convulsão que não pode ser
atribuída a outras causas, em mulheres com pré-eclâmpsia (OLIVEIRA, et al., 2006).
Identificar essas diversas formas de manifestação da síndrome hipertensiva, seu
tratamento, sua prevalência e incidência, ajuda a diferenciá-la de outras patologias, bem
como prevenir futuras complicações para mãe e seu filho. As complicações fetais
podem está relacionadas à redução do suprimento de oxigênio e nutrientes, enquanto as
maternas a edema pulmonar e hipertensão arterial sistêmica crônica (FERRÃO, et al.,
2006; CARVALHO, et al., 2006; MELO, et al., 2009). Corroborando com esses autores
Angonesi e Polato (2007), destacaram ainda que, a mortalidade materna é prevalente em
cerca de 60% a 86% e a fetal em 56% a 75%. Para Saviato et. al. (2008) a mortalidade
materna representa um indicador da mulher ao seu acesso à assistência à saúde e a
adequação do sistema de assistência à saúde em responder às suas necessidades.
Nesse sentido, o acompanhamento à mulher desde o pré-natal ao puerpério
(período que vai do instante após o parto até a anatomia da mulher voltar ao seu estado
pré-gravídico), deve constar de um número ideal de consultas de pré-natal e de
prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças intercorrentes da gestação,
principalmente quando se trata de gravidez com risco devido à presença de síndromes
hipertensivas (CALDERON, CECATTI, PEREIRA, 2006; MELO, et al., 2009).
Diante do exposto, o objetivo deste estudo consiste em averiguar o conteúdo já
existente na literatura brasileira sobre as síndromes hipertensivas, sua interferência na
gestação e complicações no puerpério, como também medidas de prevenção dessas
doenças. Justificando-se pela importância de sistematizar o conhecimento sobre a
definição e os fundamentos terapêuticos para o cuidar das gestantes com síndromes
hipertensivas gestacionais.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Trata-se de uma pesquisa de revisão interativa de literatura, devido a sua
característica predominante que é um amplo levantamento bibliográfico. Pelo seu
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delinemaneto metodológico do estudo, procedeu-se com coleta de dados a partir de
fontes secundárias (SOUZA, SILVA, CARVALHO, 2010).
Para acesso aos artigos que compuseram a amostra da presente revisão utilizou se a base de dados da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) que organiza a informação em
uma estrutura que integra e interconecta varias bases de dados referenciais, como
SciELO (Scientific Electronic Library Online), LILACS ( Literatura Latino- Americana
e do Caribe em Ciências da Saúde), MEDLINE ( Literatura Internacional em Ciências
da Saúde) (CENTRO LATINO-AMERICANO E DO CARIBE DE INFORMAÇÃO
EM CIÊNCIAS DA SAÚDE, 1967).
Para identificação dos textos relacionados ao tema pesquisado, foram utilizadas
os seguintes descritores: Complicações Puerpério, Hipertensão, Síndrome de Hellp,
Eclampsia, Pré-eclampsia, Hipertensão Induzida pela Gestação e Puerpério. Após
procedeu-se a delimitação da amostra a partir dos seguintes critérios de inclusão: artigos
de literatura brasileira, com os resumos disponíveis, com texto completo disponível on
line que versam sobre complicações decorrentes das síndromes hipertensivas e
publicados no período entre 1986 a 2010; sendo a amostra constituída de 14 artigos.
RESULTADOS E DISCUSSÂO
Os resultados dessa pesquisa são sistematizados abaixo e evidenciam a produção
científica brasileira sobre as síndromes hipertensivas, sua interferência na gestação e
complicações no puerpério, como também medidas de prevenção dessas doenças.
As Síndromes hipertensivas consistem no resultado da má adaptação do
organismo materno a gravidez, classificando-se em: Hipertensão gestacional, presença
de hipertensão arterial transitória na gravidez, sem proteinúria e normalização da
pressão arterial após a 12ª semana de gestação; Pré-eclâmpsia, forma não convulsiva
marcado pelo início da hipertensão aguda após a vigésima semana de gestação e
Eclâmpsia, distúrbio hipertensivo gestacional que se caracteriza pelos episódios
convulsivos (ANGONESI, POLATO; 2007). Para Novo e Gianini (2010), a eclâmpsia
pode se apresentar de forma isolada ou associada à hipertensão arterial materna
preexistente, sendo a forma mais grave dos distúrbios hipertensivos.
Dentre as diversas complicações dos distúrbios hipertensivos encontra-se a
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Síndrome de HELPP caracterizada por: (H) hemólise, (EL) enzimas hepáticas elevadas
e (LP) baixa contagem de plaquetas. Essa síndrome pode levar a insuficiência cardíaca e
pulmonar, insuficiência renal aguda e síndrome da angustia respiratória (ANGONESI,
POLATO; 2007).
Em conformidade, Novo e Gianini (2010) mostram em seus relatos que mesmo
com o decorrer dos anos a hipertensão é a principal complicação da gravidez e de morte
materna e consideram ainda que a má qualidade na assistência tanto no pré-natal quanto
no ambiente hospitalar durante e após o parto é um dos determinantes para este índice.
De fato, espera-se que, quanto melhor equipado e estruturado o serviço de saúde de um
determinado local, menor sejam seus índices de mortalidade materna e fetal, no qual a
gestante é orientada e esclarecida em relação à gestação e as possíveis complicações
desse período (HADDAD; SILVA, 2000).
Sirqueira, Tanaka (1986) e Laurenti, et al. (1990), afirmam ainda que, aumento
da mortalidade materna relacionado a hipertensão arterial está relacionado a problemas
na assistência pré-natal (ausência de pré-natal, inscrição tardia e até má qualidade de
assistência). Essa mortalidade aumentou genericamente com o aumento das faixas
etárias, onde de 10 a 29 anos, predominaram as causas externas; de 30 a 39 anos,
predominaram as neoplasias e no de 40 a 49 anos, as doenças do aparelho circulatório
(ALBUQUERQUE, et al., 1998). Diante disso, as medidas de controle para a Síndrome
Hipertensiva concentram-se no diagnóstico precoce e identificação de seus fatores de
risco, dando maior significância ao período pré-natal e ao puerpério (OBA, TAVARES;
2001).
CONCLUSÃO
Percebeu-se através dessa pesquisa a escassez de estudos sobre o objeto
investigado, apesar da importância e de suas conseqüências serem devastadora no
processo gestação-puerperio. A maior parte dos estudos sobre pré-eclâmpsia
concentram-se no período pré-parto (MELO, 2009; FERRÃO, et al, 2006; AMORIM, et
al., 2008).
Observou-se, ainda, a partir da análise dos resultado, uma ênfase dos autores na
imprescindível assistência pré-natal eficiente, já que esta é uma alavanca chave no
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processo de diminuição de morbi-mortalidade quando oferecida em quantidade e
qualidade adequadas. Portanto, para diminuir o alto índice de mortalidade materna/fetal
é preciso garantir a estas o acesso a saúde integral, igualitária e universal, com a
necessidade da implementação das políticas de saúde já existentes.
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http://apps.einstein.br/revista/arquivos/PDF/1134-Einsteinv8n1p102-106.pdf.
Acesso
Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto
Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973
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em: 13 de set. de 2010.
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DESAFIOS NA APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS EM SITUAÇÃO DE RISCO
E VULNERABILIDADE
Di Paula Ferreira Prado
Stela Regina Montalvão de Oliveira
Tatiana de Cássia Boa Sorte Viana Pereira 1
Orientadora: Profª. Dra. Débora Alves Feitosa 2
Resumo
Neste trabalho, será abordada a realidade das crianças em situação de risco e
vulnerabilidade que são encaminhadas à casa de Passagem de Guanambi, nas suas
respectivas escolas. Buscar-se-á identificar as ocorrências que levam esses pequenos
seres a esta instituição, tendo como premissa básica conhecer, analisar e compreender o
processo de aprendizagem dessas crianças, que desde cedo tem uma trajetória escolar
conturbada e interrompida, pois sobrevivem em situações adversas. Entende-se que
situação de risco seja a condição de crianças que por suas circunstâncias de vida estão
expostas à violência doméstica, criminalidade, prostituição, abusos, maus-tratos,
abandono, e a um conjunto de experiências relacionadas às privações de ordem afetiva,
cultural e socioeconômica, que desfavorecem o desenvolvimento físico e psicossocial,
traduzidos por dificuldades na freqüência e no aproveitamento escolar. Isso nos levou
aos questionamentos necessários para entender melhor à realidade dessas crianças
oriundas de estruturas familiares tão diferentes e destoantes do padrão social vigente,
órfãs de pais vivos ou não. A compreensão dos dados fundamentar-se-á nos
pressupostos da abordagem qualitativa, utilizando-se a pesquisa bibliográfica, a
observação e entrevistas como suporte técnico-metodológico, em que a sala de aula será
ambiente propício para se colher dados relevantes. Assim, apreender essa situação passa
a significar uma das possibilidades para que o ser humano continue sendo sujeito crítico
da história que constrói, que luta pelo direito de ser criança em suas especificidades.
Ressalta-se a importância da participação dessas crianças no contexto sociocultural em
que vivem, com vistas a desenvolver suas potencialidades e para terem autonomia sobre
suas próprias vidas. Dessa forma, cabe ao educador refletir sobre suas práticas no
processo ensino-aprendizagem de crianças em situação de risco e vulnerabilidade, cujas
experiências externadas no espaço escolar se transformam num desafio constante para o
cumprimento da escola na sua missão formativa, educativa e socializadora.
Palavras - Chave: crianças, situação de risco, vulnerabilidade, aprendizagem.
Introdução
1
Alunas do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia - UNEB, Departamento de
Educação - Campus XII
2
No período em que foi realizado o estudo a Professora era lotada na UNEB – Campus XII.
Atualmente é professora da UFRB.
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Esta pesquisa surgiu devido à necessidade de conhecer, analisar e compreender o
processo de aprendizagem das crianças que são atendidas na Casa de Passagem de
Guanambi, localizada à Rua Santa Maria, no Bairro Alto Caiçara. Essa instituição é
filantrópica, sem fins lucrativos, e tem como prioridade acolher crianças em situação de
risco encaminhadas pelo Conselho Tutelar por período determinado, oferecendo-lhes os
direitos básicos estipulados, como: moradia, alimentação equilibrada, assistência à
saúde, dentre outros.
Isso nos levou aos questionamentos necessários para entender melhor à realidade
dessas crianças, considerando que esta situação de risco acaba se traduzindo por
dificuldades na frequência e no aproveitamento escolar. Tendo em vista que estas
crianças enfrentam um conjunto de experiências relacionadas às privações de ordem
afetiva, cultural e sócio-econômica, necessitando de acompanhamento pedagógico e
psicológico, pois tais condições acabam prejudicando o seu desenvolvimento cognitivo,
afetivo e psicológico.
Nesse sentido, considerando os desafios que envolvem a proposição da pesquisa,
levantamos para nortear o processo de investigação e análise da aprendizagem das
crianças envolvidas, algumas questões como: qual o perfil dessas crianças; qual a
participação da instituição na inserção dessas crianças na escola; quais as relações entre
as crianças atendidas na Casa de passagem e a comunidade escolar em que foram
inseridas e se possuem algum tipo de acompanhamento pedagógico. Tendo como
objetivo observar o cotidiano das crianças na Casa de Passagem e nas respectivas
escolas e descrever e analisar o processo de aprendizagem das mesmas.
Destaca-se o conceito de situação de risco de Lescher (2004, p.11), ―entende-se a
condição de crianças que, por suas circunstâncias de vida, estão expostas à violência, ao
uso de drogas e a um conjunto de experiências relacionadas às privações de ordem
afetiva, cultural e socioeconômica que desfavorecem o pleno desenvolvimento biopsico-social‖. Muitas famílias não têm cuidado e educado as crianças como deveriam,
colocando-as, muitas vezes, em circunstâncias adversas e perigosas, devido aos
múltiplos problemas e à situação de vulnerabilidade em que se encontram isso tudo
como reflexo do contexto brasileiro que é marcado pela extrema desigualdade social.
As concepções de criança e infância
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A concepção de infância que vem se constituindo historicamente, não se
apresenta de forma homogênea, mas de acordo com a organização de cada sociedade e
as suas estruturas sociais e econômicas em vigor. Assim, as idéias a respeito do
desenvolvimento infantil, da educação e do cuidado com as crianças, modificam-se ao
longo da sua história.
Para Corazza (2002, p. 81) as crianças são as grandes ausentes da história
simplesmente porque, ―no chamado passado, da antiguidade à idade média, não existia
este objeto discursivo a que chamamos infância, nem essa figura social e cultural
chamada criança‖. Na realidade, as especificidades da criança, suas particularidades e
toda sua originalidade de conceber o mundo não eram analisadas nem reconhecidas pela
figura do adulto.
A pesquisa sobre a história da infância brasileira começa com o aparecimento do
trabalho de Ariés (1978) sobre a natureza histórica e social da criança, quando se
percebe um sério esforço para consolidar uma visão da criança como cidadã, sujeito
criativo e social, produtora da cultura e da história considerando os aspectos sociais,
culturais e políticos que interferiram na formação da nação.
Para Bazílio (2003) o tema da infância tem estado presente no Brasil há algum
tempo, não só nas discussões teóricas, mas também nas políticas públicas e nas lutas
dos movimentos sociais que sem dúvida, conseguiram várias conquistas no plano legal
– o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional – para tornar fato o preceito constitucional: crianças e adolescentes são
cidadãos de direitos.
Ao abordar essas questões Farias (2005, p. 48) afirma que ―independente de
classe social, etnia ou gênero todos os sujeitos em desenvolvimento – as crianças – tem
direitos inalienáveis e intransferíveis, direitos que devem, democraticamente, ser
legitimados nos diferentes contextos, através da sua plena concretização‖. No entanto,
observa-se que para muitas crianças, o tempo de infância tem sido encurtado, em
virtude das circunstâncias em que vivem.
Foi necessária uma longa caminhada histórica para que as crianças fossem
percebidas em sua plenitude. Portanto, na sociedade contemporânea, a infância é
ressignificada e reconhecida como um tempo de direitos na vida das crianças. Dornelles
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(2005) faz uma abordagem moderna do conceito de infância colocando-a como uma
época de individualização da criança como sujeito infantil, que tem suas singularidades
e particularidades, como a necessidade de ter tempos e espaços diferenciados para a sua
escolarização.
O contexto histórico da educação e do atendimento à criança no Brasil
A situação que mostramos as nossas crianças é violenta e hostil. Educamos não
para a solidariedade e igualdade, mas para a competição, o preconceito e hostilidade. As
crianças são educadas com imagens de violência em todas as esferas da sociedade,
guerras, conflitos, desigualdades entre os povos, intolerância, indiferença e violação
contra os direitos humanos.
Contrapondo-se à visão generalista da modernidade que tenta, num jogo de poder,
naturalizar a idéia de uma infância idealizada, ingênua, única e universal, Dornelles
(2005) aborda uma concepção de infância mais ampla, com características e modos de
vida diversificados, numa análise histórica e social, de poder e saber, de infâncias que se
perdem, na tentativa de formar um indivíduo para um mundo que se torna cada vez mais
complexo e complicado.
Pela análise do contexto histórico da educação e do atendimento à criança no Brasil,
observam-se práticas discriminatórias de atendimento por região ou classe social, além
do fato de que a educação infantil e o ensino elementar foram deixados em segundo
plano. Ao tratar desse assunto, Farias (2005, p. 47), afirma que:
―No contexto de uma educação elitizadora, muitos ficavam fora do processo
de escolarização. Dessa forma, não só os negros, as mulheres e as populações
desfavorecidas (à margem do modo de produção colonial) se encontravam
apartados do campo educacional. A criança de zero a seis anos também não
tinha acesso às escolas, até porque não existiam escolas para essa faixa etária
e esse assunto sequer era cogitado‖.
Percebe-se pelos relatos da história das crianças, que as pertencentes às classes
menos favorecidas sempre foram excluídas da vida social e escolar, ao longo do tempo
foram vítimas das mazelas de uma sociedade excludente.
Os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança
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Nessa perspectiva, Cohn (2005) ao discorrer sobre as implicações da
antropologia da criança, analisa a educação e os processos de aprendizagem dessa
criança, pesquisando suas modalidades, lugares e inter-relações com o meio, pois neste
processo, há uma diversidade de experiências culturais que precisam ser observadas,
considerando as capacidades de aprendizagem e competências de cada uma, pois há
crianças menos atuantes na elaboração dos sentidos e outras que são mais ativas na
construção de conhecimentos.
Para Cohn, as concepções do que é ser criança, do desenvolvimento e da
capacidade de aprender devem ser entendidas de maneira interligada, pois fundamentam
a aprendizagem escolar. Defende ainda, que o cotidiano de uma escola deva ser
abordado em uma pesquisa sobre crianças para compreender as escolas e as pedagogias,
pois as crianças não apenas se submetem ao ensino, mas também criam sentidos e
atuam sobre o que vivenciam. Atualmente reconhece-se a criança como sujeito ativo e
atuante, produtor, mais que receptor da cultura. (COHN, 2005).
A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo, segundo Bock (1999)
envolve aspectos cognitivos, emocionais, orgânicos, psicossociais e culturais, e é
resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos, bem como da
transferência destes para novas situações. Assim, a estrutura cognitiva do aluno tem que
ser levada em conta no processo de aprendizagem, pois os conhecimentos que apresenta
e que correspondem a um percurso de aprendizagem contínuo são fundamentais na
aprendizagem de novos conhecimentos.
Outra influência relevante para os estudos que envolvem o desenvolvimento da
criança, foram as contribuições de Piaget (1975) enfatizando que o sujeito é o principal
agente no processo de desenvolvimento, pois a aprendizagem depende da ação do
sujeito no ambiente e da organização interna dessa experiência. Desse modo, para
organizar seu conhecimento, o indivíduo se baseia em suas aprendizagens anteriores,
relacionando o que já sabe ao que está aprendendo.
Metodologia
Para a realização desse estudo, optou-se pela pesquisa qualitativa com caráter
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descritivo e exploratório por considerar a aproximação que se estabelece com o objeto
de pesquisa e a interpretação e descrição dos fenômenos que são observados em
situações reais. Inicialmente houve uma observação prévia na qual foi detectado esse
problema. Fez-se um levantamento e estudo bibliográfico a respeito, com obras atuais e
consagrados autores envolvidos com o processo de ensino-aprendizagem.
Construídas as reflexões sobre o tema, passou-se então à segunda etapa da
pesquisa: o trabalho de campo. Os dados estão sendo coletados a partir de anotações das
observações e conversas informais e entrevistas com funcionários e crianças da Casa de
Passagem e professores das escolas em que estudam; e finalmente será feito o confronto
entre as observações coletadas e a interpretação obtida das obras anteriormente
selecionadas. Será feito ainda o acompanhamento do desenvolvimento dessas crianças
no desenrolar da pesquisa.
Apesar dos grandes avanços das tecnologias e as contribuições das leis no Brasil,
ainda convivemos com a realidade de crianças que vivem em situação de risco e
vulnerabilidade, traduzidos por dificuldades de aprendizagem, nas condições de saúde,
nas relações afetivas consigo mesmo, com sua família, com a sociedade e com o mundo,
tendo como consequência uma vida marcada pela violência e conflitos com a lei.
Ainda que a Psicologia tenha muitos estudos e conhecimento sobre crianças em
geral, há uma grande lacuna quando se focaliza sujeitos em situação de risco pessoal e
social, uma vez que faltam pesquisas e modelos teóricos sobre o desenvolvimento de
crianças que vivem em situação de miséria ou que fazem parte de minorias
marginalizadas. No Brasil, esta situação tem o agravante do grande número de
desigualdades sociais, o que leva a aumentar, cada vez mais, a quantidade de crianças
expostas aos riscos provocados por estes problemas.
É fundamental que a criança seja encarada como uma prioridade na política
educacional através da definição de um conjunto de soluções inovadoras, de práticas
pedagógicas, familiares e comunitárias mais eficazes e adaptadas às diversas
necessidades educativas, almejando a equidade para ajudar a superar as injustiças
sociais que frequentemente implicam o insucesso, o abandono e a exclusão escolar e
social. Ao estudar a criança de maneira ampla, respeitando suas especificidades e
particularidades, pode-se compreendê-la como um ser social e construtor de
conhecimentos.
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Referências
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1978.
BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L.T. Psicologias: uma introdução ao
estudo de psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 1999.
BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente (ECA). Lei nº 8.069/90 de 13 de julho
de 1990.
COHN, C.. Antropologia da criança. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 2005. 57 p.
(Coleção Passo-a-Passo).
DEL PRIORE, M. (org.). História das crianças no Brasil. 5. ed. São Paulo: Contexto,
2006.
DORNELLES, L. V. Infâncias que nos escapam: da criança na rua à criança cyber.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2005. (Coleção Infância e Educação).
FARIAS, M. Infância e educação no Brasil nascente. IN: VASCONCELLOS, V. M. R.
(org.). Educação da infância: história e política. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.
KRAMER, S. De que professor precisamos para a Educação Infantil? Pátio
Educação Infantil, Porto Alegre, ano I nº. 2. 10-13: Uma pergunta várias respostas.
Agosto/novembro, 2003.
LUDKE, M.; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas.
São Paulo: EPU, 1986.
MOREIRA, D. A. O método fenomenológico na pesquisa. São Paulo: Thomson
Pioneira, 2002.
NUNES, D. G. Reconhecimento social da infância no Brasil: da maioridade à cidadania.
IN: VASCONCELLOS, V. M. R. (org.). Educação da infância: história e política. Rio
de Janeiro: DP&A, 2005.
PIAGET, J. Psicologia da inteligência. Rio de Janeiro: Zahar, 1978
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Meio Ambiente e uso consciente dos recursos naturais na formação dos
alunos enquanto cidadãos
Marizângela Ribeiro dos Santos 1
Francineide de Jesus Pereira 2
Resumo
Aprender e ensinar ciências é um desafio e deve permitir a exploração do
ambiente e da ampliação do conhecimento sobre o mundo, não é adquirindo,
lendo ou ouvindo o professor, mas agindo sobre o meio a partir da perspectiva
dos alunos: observando, descrevendo, investigando e compartilhando
explicações, dúvidas e controvérsias com seus colegas. O aprendizado deve
ser uma aventura estimulante que leve a compreender que a investigação
científica não é uma mera coleção de fatos desconexos, mas sim a produção
de esquemas conceituais amplos promovendo um ambiente amigável e
pacífico, fazendo com que o aluno sinta-se acolhido e responda de maneira
favorável ao ensino. Segundo Piaget é de extrema importância se trabalhar
com coisas que existem no concreto, de contextualizar os conteúdos estudados
e de estabelecer uma relação mais próxima com os alunos. O PCN das
Ciências Naturais tem como objetivo; “Compreender a natureza como um todo
dinâmico, sendo o ser humano parte integrante e agente de transformações do
mundo em que vive; Identificar relações entre conhecimento científico,
produção de tecnologia e condições de vida, no mundo de hoje e em sua
evolução histórica; colocando em prática conceitos, procedimentos e atitudes
desenvolvidos no aprendizado escolar [...] Compreender a saúde como bem
individual e comum...” Considerando os objetivos da educação, principalmente
dando condições para o exercício pleno da cidadania, um mínimo de formação
básica em Ciências deve ser desenvolvido, de modo a fornecer instrumentos
que possibilitem uma melhor compreensão da sociedade em que vivemos.
Assim encaramos o conhecimento mínimo em Ciências como necessário para
a formação cultural de qualquer cidadão, estruturando-se e criando domínio
sobre o desenvolvimento tecnológico.
1
Discente do Curso de Licenciatura em Química do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia Baiano – Campus Guanambi. [email protected]
2
Professora Mestre em Educação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
Baiano – Campus Guanambi. [email protected];
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Palavras – Chaves: aprender ciências;
1. INTRODUÇÃO
Este trabalho foi realizado na Escola Agrícola de Ceraíma, localizada no
Núcleo de Ceraíma na cidade de Guanambi – Ba.
Os sujeitos do nosso
trabalho foram alunos das turmas de 5ª série do Ensino Fundamental,
professores de Ciências das turmas de 5ª série do Ensino Fundamental;
funcionários da instituição e comunidade externa.
Com a preocupação de contemplar questões relacionadas ao meio em que
o aluno está inserido de forma participativa, propõe-se a conscientização do
uso dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente, na formação dos
alunos, a partir da discussão da temática “o meio ambiente e o uso consciente
dos recursos naturais na formação dos alunos enquanto cidadãos”, visto que o
ser humano necessita de vivência social e educativa. Dentre essas discussões,
destacam-se temáticas relacionadas com o caráter e dignidade, a importância
da escola na formação do cidadão, sem esquecer que o sustento vem da terra.
Partindo do princípio que a educação ambiental é um processo longo e
contínuo, e mudar isso não é fácil, acreditamos que antes de tudo devemos
primeiro mudar nossos hábitos e atitudes, uma vez que a mudança deve ser
espontânea e vir de dentro, para que ela possa de fato ocorrer. Muitas
situações estão distantes fisicamente, mas influenciam na manutenção dos
seres vivos. Por isso, a importância de pequenos atos em nossas casas e
escolas é imprescindível para que a mudança ocorra.
3. OBJETIVOS
3.1 OBJETIVO GERAL
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Estimular a mudança de atitudes para formação de novos hábitos com
relação à utilização dos recursos naturais e a reflexão sobre a responsabilidade
ética de nossa espécie e o próprio planeta como um todo, para que a
sociedade possua um ambiente sustentável, garantindo a vida no planeta,
dando ênfase às relações interpessoais.
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
a) Incentivar e promover o trabalho coletivo e a cooperação entre os alunos e
os professores, entre a escola e a comunidade, para transformação humana e
social, alcançando a preservação e a recuperação do ecossistema;
b) Observar e analisar fatos e situações de todos os tipos de poluição do ponto
de vista ambiental, de modo crítico, reconhecendo as necessidades
oportunidades de atuar de modo propositivo para garantir um meio ambiente
saudável e a boa qualidade de vida;
c) Capacitar os alunos para plantar, preservar e recuperar áreas verdes na
escola e comunidade, visando formar cidadãos que interagem e participem de
forma ativa na recuperação do meio ambiente;
d) Participar de ações sociais que resgatem valores humanos como respeito
pela vida, responsabilidade, solidariedade, amizade e ética.
4. METODOLOGIA
A oficina pedagógica que tem como tema “O Ciclo da água e contaminação”
ministrada pelos graduandos de Licenciatura em Química do Instituto Federal
de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano será direcionada as alunos da 5ª
série do Ensino Fundamental da Escola Agrícola de Ceraíma, localizada em
Ceraíma zona rural da cidade de Guanambi - Bahia, aos vinte e sente dias do
mês de outubro do corrente ano.
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A oficina se dará em dois momentos, no primeiro momento ocorrerá a
apresentação dos ministrantes e ministrados através da dinâmica do presente
que tem como objetivo trabalhar a atenção, a observação, o desapego, a
sinceridade, a emoção de dar e repartir um bem recebido, demonstrando o
intuito de construir um mundo mais solidário, mais humano e, a distribuição dos
crachás de identificação. Em seguida, o tema da oficina será apresentado
através de um vídeo que explica como ocorre o ciclo da água, paralelo às
explicações dos ministrantes.
Para que os alunos compreendam o ciclo das águas e como ele ocorre na
natureza, faremos um painel das sensações, no qual os alunos terão contato
com a água em seus três estados (sólido, líquido e gasoso) através do toque,
para que observem e sintam as mudanças ocorridas com a água.
Logo após será realizado um questionário dinâmico, utilizando uma árvore
de
balões,
com
perguntas
relacionadas
ao
conteúdo
apresentado
anteriormente. Cada aluno irá até a árvore e deverá estourar um balão e
responder à pergunta contida dentro do mesmo, podendo ser respondida
individualmente ou com a ajuda dos outros ministrados. Caso a dinâmica
termine antes do horário do intervalo para o almoço, os alunos confeccionarão
cartazes sobre o ciclo das águas.
O segundo momento será realizado no turno vespertino, terá início com a
dramatização do texto Gênese, de Klaus Dessecker, que será contado
inversamente (ver texto em anexo). Ao término da dramatização será
apresentado um vídeo sobre a contaminação da água, suas consequências e
higiene pessoal.
A última etapa da oficina pedagógica será a construção de um terrário (ver
montagem em anexo). O terrário imita o Meio Ambiente das plantas e realiza
na sua pequena área o ciclo das águas.
Com o aumento da temperatura, a água usada para regar o solo evapora, e
se junta à água proveniente da transpiração das plantas, formando uma
concentração de vapor de água. No ambiente fechado, este vapor condensa-se
e em pequenas gotas, que retorna para irrigar novamente o solo e tudo começa
outra vez.
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Com a construção do terrário e observando a formação das gotículas de
água, o aluno terá uma prova visível e constatativa do ciclo das águas.
A culminância da oficina dar-se-á com a confecção de um mural, no qual os
participantes usarão a criatividade e conhecimento adquirido durante as
discussões para ilustrar o que compreenderam do tema “Ciclo da água e
contaminação”.
5. RESULTADOS
Após a realização da oficina promovemos as seguintes atividades:
 Campanhas para a diminuição do uso de veículos, de embalagens
plásticas, etc.;
 Parada da consciência ambiental: carros na garagem, pessoas na rua a
pé ou de bicicleta;
 Lançamento da primeira edição do jornal e pedágio da consciência
ambiental;
 Culminância do projeto: feira pedagógica, apresentações e exposição do
material produzido nas oficinas;
 Apresentação de peças teatrais com o objetivo de sensibilizar e
conscientizar os indivíduos sobre a importância de preservar o meio
ambiente.
Ao fim deste trabalho de educação para o ambiente, oportunizaremos aos
alunos e à população uma compreensão fundamental dos problemas
existentes, da presença humana no ambiente, da sua responsabilidade e do
seu
papel
crítico como
cidadãos
de
um
país
e
de
um
planeta.
Desenvolveremos assim, as competências e valores que conduzirão a
repensar e avaliar de outra maneira as suas atitudes diárias e as suas
consequências no meio ambiente em que vivem.
Como o aluno pode aprender o propósito do ambiente, os conteúdos
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programáticos lecionados, tornar-se-ão uma das formas de tomada de
consciência, mais agradáveis e de maior interesse para o aluno.
6. CONCLUSÃO/AVALIAÇÃO
Espera-se que durante o desenvolvimento da prática pedagógica aplicada a
educação ambiental coexista a relativa mudança de comportamento dos
educandos na comunidade escolar e no exercício da cidadania, solidariedade e
cooperação entre escola e comunidade. Visto que a interdisciplinaridade busca
a reintegração do conhecimento voltado para a interdependência das diferentes
disciplinas curriculares (SANTOMÉ, 1998).
O mesmo se faz necessário com relação à compreensão das diferentes
relações mantidas entre todos os seres vivos, daí a afirmativa de vários autores
e inclusive do Edgar Morin (2001), de que a Ecologia é uma ciência
interdisciplinar
que
necessita
relacionar-se com
outras
ciências
para
compreender as interações existentes entre os seres na Biosfera. Desta
maneira, a Educação Ambiental também não está dissociada da inter-relação
entre as diferentes disciplinas, da interdisciplinaridade. Como afirma Casciano
(1998),
a
Educação
Ambiental
não
contém
especificidade
isolada,
correspondente a uma transformação de toda a educação, a um fazer
educação mais ampla.
Na escola, os conteúdos de meio ambiente devem ser integrados ao
currículo através da transversalidade, pois serão tratados nas diversas áreas
do conhecimento, de modo a impregnar toda a prática educativa e, ao mesmo
tempo criar uma visão global e abrangente da questão ambiental. Para que um
trabalho com o tema meio ambiente possa atingir os objetivos a que se propõe,
é necessário que toda a comunidade escolar (professores, funcionários, alunos
e pais) assuma esses objetivos, pois eles se concretizarão em diversas ações
que envolverão a todos, cada um na sua função. É desejável que a
comunidade escolar possa refletir conjuntamente sobre o trabalho a ser
implementado, sobre os objetivos que se pretendem atingir e sobre as formas
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de se conseguir isso, esclarecendo o papel de cada um nessa tarefa. Portanto,
o convívio escolar é decisivo na aprendizagem de valores sociais e o ambiente
escolar é o espaço de atuação mais imediato para os alunos.
7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares
Nacionais: ciências naturais. Brasília: MEC/SEF, 1997. 136p
CASCINO, F. Educação Ambiental, Princípio, História, Formação de
Professores. SENAC, São Paulo, 1998.
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Pensamento. 5ª edição, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 2001.
SANTOMÉ, J. Globalização e Interdisciplinaridade: O Currículo Integrado.
Tradução: Cláudia Schiling. Artes Médicas, Porto Alegre, 1998.
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24/07/2010 às 20h46minh.
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em 25/10/2010 às 08h30minh
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ANÁLISE DO CONHECIMENTO ERGONÔMICO E NORMAS
REGULAMENTADORAS DO TRABALHO.
Maílla S. Silva1
Paloma C. Dias
Regina de S. Fagundes
Tauane F. S. Amaral
Mauro C.R. Santos2
RESUMO
O presente estudo discute sobre a importância em conhecer o nível de instrução
e utilização dos conceitos ergonômicos e das Normas Regulamentadoras do Trabalho
por parte dos profissionais de enfermagem para que se promova a saúde do trabalhador.
Tem como objetivo analisar o conhecimento dos profissionais de enfermagem, os quais
atuam nas Unidades de Saúde da Família (USF) do município de Guanambi-BA, sobre
a ergonomia, as normas regulamentadoras do trabalho e sua aplicabilidade na prática.
Utilizou-se uma metodologia quantitativa e a investigação foi operacionalizada através
de umquestionário estruturado que serviu para análise dos dados coletados. Com essa
análise observou-se que a maior parte dos profissionais de enfermagem participantes da
pesquisa conhece principalmente a norma regulamentadora do trabalho NR15
(insalubridade) e ainda, não participam de programas de educação continuada sobre o
tema, não identificado se os princípios da ergonomia são aplicados no seu ambiente de
trabalho. A partir deste estudo verificou-se que os profissionais de enfermagem estão
inseridos num ambiente de trabalho que oferece vários riscos e agravos á sua saúde.
Entretanto ainda há dificuldade de reconhecer e aplicar os conhecimentos desta nova
ciência em construção(ergonomia) tanto por parte da equipe de enfermagem, como
pelas instituições nas quais trabalham estes profissionais.
Palavras-Chaves:
Ergonomia,
Profissionais
de
enfermagem,
Normas
Regulamentadoras do Trabalho.
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Acadêmicos de Bacharelado em Enfermagem da Universidade do Estado da Bahia-
UNEB. 2 Professor Orientador da Universidade do Estado da Bahia.
INTRODUÇÃO
A aplicação dos princípios da ergonomia e das Normas Regulamentadoras do
Trabalho é indispensável para a promoção da saúde dos profissionais de enfermagem,
uma vez que esses realizam sua prática laboral num ambiente que oferece riscos á sua
integridade física. Elucidando a importância dos profissionais da área da saúde tomar
conhecimento acerca de quais NRT‘s são mais adequadas à proteção de sua saúde
quando exercendo suas obrigações laborais.
Dessa forma esta pesquisa tem a finalidade de perceber o grau de conhecimento
da equipe de enfermagem que atua nas Unidades Básicas de Saúde do município de
Guanambi-BA sobre a ergonomia e as normas Regulamentadoras do Trabalho.A
investigação foi operacionalizada via questionário estruturado e pesquisa bibliográfica.
REFERENCIAL TEÓRICO
De acordo com Alexandre, a ergonomia é uma ciência que estuda a relação entre
o homem e o seu ambiente de trabalho. Neste contexto, o termo ambiente abrange não
só o meio no qual o homem trabalha, mas também os instrumentos, os métodos e a
organização deste trabalho. O objetivo primordial da ergonomia é contribuir para a
satisfação das necessidades humanas no ambiente de trabalho, incluindo a promoção da
saúde e o bem-estar biopsicosocial. Portanto, um dos pontos básicos para que esses
objetivos sejam alcançados é a realização de uma análise cuidadosa do trabalho, visando
identificar os fatores de incompatibilidade no contexto de trabalho e suas conseqüências
para o indivíduo. A análise crítica da ergonomia sobre as situações de trabalho visa à
reorganização deste ambiente para que dele seja eliminado fontes de prejuízo, e
elementos agressores que podem predispor à perda parcial ou total de qualquer fu nção
vital, em curto, médio ou longo prazo.
Alexandre (1998), afirma que várias Organizações internacionais e grupos de
pesquisa vem destacando o pessoal de enfermagem como um grupo de risco em relação
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ao desenvolvimento de doenças ocupacionais em destaque problemas dorsais e sugerem
a utilização da ergonomia como estratégia fundamental de prevenção.
A fim de garantir a proteção dos trabalhadores existem vinte e oito normas
regulamentadoras que devem ser consideradas de forma inter-relacionada para que
ocorra a proteção devida aos profissionais. Dentre essas, a Norma Regulamentadora 32,
intitulada Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Assistência à Saúde
é a mais abrangente no que concerne á proteção do profissional durante prática laboral.
Ela estabelece as diretrizes básicas para implementação de medidas de proteção à
segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles que
exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral. Evangelinos &
Marchetti (2003).
Desta forma consideramos a aplicação dos princípios ergonômicos na
Enfermagem harmônicos com a fase de desenvolvimento em que esta profissão se
encontra, onde o corpo de conhecimento científico, embora ainda em formação, está
sendo construído, para que o ambientede trabalho do enfermeiro assim como de todos
os demais profissionais atuantes possa lhe proporcionar conforto e segurança para que
haja uma redução dos agravos a saúde impossibilitando os trabalhadores de exercerem
suas funções. Marziale (2000).
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo quantitativo, realizado com questionário estruturado que
tem
como
objetivo
analisar
o
conhecimento
sobre
ergonomia
e
Normas
Regulamentadoras do Trabalho. O universo desse estudo expressa o total de
enfermeiros de nível superior, técnicos e auxiliares de enfermagem lotados em Unidades
de Saúde da Família da zona urbana do município de Guanambi- BA, totalizando 46
trabalhadores aos quais foram feitos convites individuais para participarem deste estudo,
assegurando o caráter sigiloso quanto à identificação dos respondentes e apresentando
objetivo e método da investigação, respeitando-se as recomendações sobre ética em
pesquisa.
O levantamento bibliográfico foi realizado pela pesquisa exploratória de artigos
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encontrados no banco de dados do site scielo utilizando as seguintes palavras-chaves:
Ergonomia, Profissionais de enfermagem, Normas Regulamentadoras do Trabalho.
A coleta de dados realizou-se com aplicação do instrumento após leitura e
assinatura do Termo de Consentimento Livre e esclarecido (TCLE) pelos respondentes.
O questionário compreendeu 28 questões objetivas (algumas com subitens) de múltipla
escolha abordando os seguintes dados: Relação profissional, mobiliários e estrutura
física, EPI‘s (Equipamento de Proteção Individual), Normas Regulamentadoras,
Condições Biopsicossocial e patologias mais freqüentes.
A tabulação dos dados foi feita através da planilha no programa Microsoft Office
Word Excel e sua análise baseou no artigo Riscos Ocupacionais em Saúde de Mauro et
al (2004).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Com base na análise dos dados nota-se que os profissionais de enfermagem nem
sempre estão atentos ás condições ergonômicas do seu ambiente de trabalho sendo que a
maioria deles afirmou nunca ter participado de eventos de educação permanente sobre
ergonomia principalmente pela falta de disponibilidade de eventos da área.
Apesar da importância das Normas Regulamentadoras (NRs) na prática do
exercício profissional foi observado que a grande parte da equipe de enfermagem não
consulta o manual que consta as NRs e por isso eles podem ser prejudicados no que
concerne aos direitos trabalhistas. A NR 15 que de acordo com Mauro et al (2004)
dispõe sobre ―atividades e operações insalubres‖ e, assegura aos profissionais que estão
susceptíveis á riscos físicos, químicos, biológicos e mecânicos da unidade hospitalar um
adicional de insalubridade que gratifica o profissional que trabalha em um ambiente
insalubre. Entretanto, o estudo mostrou que esta norma é uma das mais conhecidas entre
as equipes de enfermagem pesquisadas, e isso talvez se justifique pela maior
preocupação dos profissionais com o benefício financeiro. No entanto, existem NRs que
se voltam mais para a proteção do trabalhador como a Comissão Interna de Prevenção
de Acidentes (CIPA), Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), dentre outras.
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Os técnicos especialistas em Higiene e Segurança do Trabalho são unânimes em
colocar que o importante não é gratificar o trabalhador com o adicional de insalubridade
ou de periculosidade, mas sim tornar o trabalhador e o ambiente absolutamente
saudáveis. Mauro et al (2004:342)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar das dificuldades encontradas para realização deste trabalho, pode-se
verificar que os profissionais de enfermagem estão inseridos num ambiente de trabalho
que oferece vários riscos e agravos á sua saúde e que a Ergonomia traz o conhecimento
necessário para que estas condições sejam melhoradas. Entretanto, constatou-se que
ainda há um reduzido grau de instrução dos profissionais a respeito do que vem a ser
ergonomia, bem como as normas Regulamentadoras do Trabalho, além da ineficácia na
educação continuada dos trabalhadores de enfermagem, de modo que essa, por sua vez,
possibilitaria o conhecimento sobre os temas supracitados.
Dessa forma, nota-se a importância da promoção da educação continuada,
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através de cursos de extensão e palestras que contribuam para um maior conhecimento
dos profissionais de enfermagem sobre ergonomia e NRs, para que assim possam cuidar
de sua saúde se prevenindo dento do local de trabalho.
REFERÊNCIAS
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24/10/10.
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enfermagem. Rev.Esc.Enf.USP, v.32, n.1, p.84-90, abr. 1998. Disponível em < http//:
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MAURO
M.Y.C; MUZI C.D; GUIMARÃES R.M; MAURO.C.C.C.
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ocupacionais em saúde. R Enferm UERJ 2004 12:338-45. Disponível em < http//:
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ROBAZZI M.L.C.C; MARZIALE M.H. A Norma Regulamentadora 32 e suas
implicações sobre os trabalhadores de enfermagem. Rev Latino-am Enfermagem
2004 setembro outubro; 12(5):834-6. Disponível em < http//: www.scielo.com.br
>Acessado em: 29/10/10.
PORTARIA MTE n.º 485, de 11 de Novembro de 2005 (DOU de 16/11/05 – Seção 1)
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Fé e regeneração: percepções do processo de doença e cura entre os
frequentadores de um centro espírita na cidade de Guanambi/BA.
Jardelson Rocha Oliveira 1
Sandra Célia Coelho G. da S. S. de Oliveira 2
RESUMO
O Espiritismo Kardecista tem destaque na área de pesquisa das ciências sociais e seu
estudo pode favorecer consideravelmente a compreensão do poder que a religião exerce
sobre os aspectos socioculturais do homem, uma vez que este possui influência nos
campos da espiritualidade, da fé e da cura. Este artigo tem como finalidade divulgar os
resultados da pesquisa realizada entre os freqüentadores de um centro espírita na Cidade
de Guanambi-BA. O objetivo desta pesquisa foi compreender os motivos que levaram
os freqüentadores deste centro espírita a crê que obtiveram a cura das suas patologias
através da fé na doutrina, bem como, suas percepções acerca do processo de doença e
cura. A metodologia que aplicamos na pesquisa teve como ponto de partida a visão dos
entrevistados, dos pesquisadores e do espiritismo, por meio de uma abordagem
quantiqualitativa. Os resultados desta pesquisa levaram-nos a perceber que muitas
pessoas optam pelas terapias espirituais depois de passarem pelo tratamento na
medicina convencional e não obter cura para as suas doenças. Os relatos contam com
afirmações de cura para determinadas enfermidades como: alguns tipos de cânceres,
hematofobia, colelitíase, dores nas articulações, loucura, dente outras. Todos os relatos
foram cheios de afirmações quanto à contribuição relevante do espiritismo na cessação
da doença.
Palavras-chave: espiritismo, religião, cura.
INTRODUÇÃO
O interesse pelas questões que envolvem o sagrado acompanha o curso da historia
humana através de épocas e culturas distintas. A valorização da religião e da
espiritualidade e de suas práticas justifica-se pela sua relevância social e colaboração
terapêutica como mediadores no processo saúde-doença. O envolvimento da religião em
áreas relacionadas à saúde mental e física é merecedor de um maior aprofundamento
científico para a sua validação. Entretanto, apenas recentemente, tem-se tornado objeto
de estudos científicos passando a ser registrada com maior constância nos últimos anos.
(FARIA e SEIDL, 2005; MOREIRA-ALMEIDA et al, 2010)
1
Graduando em enfermagem pela Universidade do Estado da Bahia – [email protected]
2
Professora, mestranda e orientadora da Universidade do Estado da Bahia – [email protected]
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Espiritualidade, Religião, e o processo saúde/doença.
Religiosidade e espiritualidade mesmo relacionadas podem ser consideradas
como duas vertentes diferentes. Religião é um sistema de símbolos que dispõe e motiva
de forma poderosa e duradoura, e sugere a existência de um coletivo de crenças a que
um indivíduo possa vir a fazer parte, adentrando um universo repousado sobre o
sagrado e sobre a busca de sentidos envolvendo expressões de fé, participações em
igrejas e sistematização de cultos e doutrinas, compartilhados por um grupo. Em contra
partida a espiritualidade permite ser concebida como uma experiência pessoal com o
intangível e com Deus. É um sentimento próprio, que provoca interesse por si mesmo e
pelos outros que dá sentido à vida, adotando um conceito mais amplo que religião.
(SILVA e SIQUEIRA, 2009, SAAD et al 2001).
Ao se ver em meio ao adoecimento e a necessidade de cura, que debilita o
homem, este busca através de representações simbólicas o significado para tais
fenômenos perturbadores. Por muitas vezes o processo desencadeado por um quadro
patológico pode se justificar ao ser inserido num complexo de relações entre a cau sa e o
significado do adoecimento, bem como o merecimento e enfrentamento necessário para
alcançar cura desta doença.
Fé, Cura (regeneração) e Espiritismo.
A se tratar de aspectos espiritualistas, acreditar é mais importante do que ter a
comprovação de seus conceitos. Sendo assim, a confiabilidade na realização de uma
coisa, e a determinação de atingir um fim, pode ser entendida como fé. Esta é
apresentada como uma força superior, que se acredita e que não está necessariamente
ligada a Deus, tampouco vinculada à participação nos rituais ou crenças de uma religião
organizada específica. (SAAD, MASIERO e BATTISTELLA, 2001; PSSINE 2007).
Este sentimento que se manifesta de maneira variável, pode estar ligado a questões
emocionais com motivos e valores diferentes, podendo ser altivo e sublime, coletivo ou
pessoal. Pode ter origem definida ou existir sem razão determinada.
Com base nos contextos de fé e diante do panorama religioso cultural atual,
sobressai-se a busca dos fiéis pelos benefícios oferecidos com objetivos terapêuticos,
como as possibilidades de cura apresentada pelas religiões. Tal fenômeno leva à
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reflexão sobre as noções de normal e patológico que habitam a ideologia dessas
religiões e de seus adeptos, colaborando para o sucesso das práticas curativas
oferecidas. (CERQUEIRA-SANTOS, KOLLER E PEREIRA, 2004)
Ao refletir sobre o envolvimento entre doença, cura e religião, sugere-se
começar pela etimologia da palavra cura. Curar em latim significa literalmente ―cuidar‖.
O verbo curar/cuidar é muito apropriado para os casos de saúde/doença, pois expressa a
idéia de atenção com a saúde antes da instalação da doença ou da deterioração do
doente. (PAIVA, 2007).
O Espiritismo enquanto meio de obtenção de cura.
Em uma de suas obras Kardec (2002, pag. 05) veio a definir o espiritismo
como ―uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das
suas relações com o mundo corporal‖.
É através das práticas terapêuticas que o espiritismo tem atraído cada vez mais
pessoas que buscam nas terapias alternativas, o alívio para suas angústias e o alento para
suas dores bem como, almejam a cura para doenças muitas vezes descritas como
incuráveis em que houve o insucesso no tratamento através da medicina tradicional.
O foco deste estudo, de caráter qualitativo e descritivo, está nas relações entre a
religiosidade dos freqüentadores de um centro espírita na cidade de Guanambi-Ba e o
processo doença/cura. Tentamos compreender as características dessas relações a partir
dos relatos dos entrevistados, transmitindo para esse estudo, suas percepções a cerca do
adoecimento e da influência do espiritismo na busca e na obtenção da cura. O
depoimento oral foi o principal instrumento de pesquisa. Elaboramos entrevista
semiestruturada, salientando tanto aspectos vivenciais dos entrevistados à doença,
quanto suas visões religiosas ou não do processo doença/cura. Recolhemos relatos de
pessoas que se submeteram a algum tipo de terapia espiritual vinculada ao espiritismo.
Fora selecionado aleatoriamente um centro espírita assim como os sujeitos
entrevistados. Procuramos pessoas que freqüentam costumeiramente a instituição e que
se dispusera a nos relatar detalhadamente suas experiências. O universo da pesquisa está
delimitado a 15 pessoas de ambos os sexos, com idades entre 26 e 72 anos. Pedimos
que discorressem sobre alguns temas propostos tais como, tempo em que freqüentam
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o espiritismo, as doenças das quais foram curados, a percepção sobre o adoecimento, os
meios pelos quais se deu a cura, o porquê da certeza de que foi o espiritismo o mediador
da cura e a percepção sobre o processo doença e cura.
As entrevistas foram realizadas no mês de maio de 2010 e objetivo deste
estudo foi perceber a importância do espiritismo para esses indivíduos, bem como
identificar as terapias espirituais utilizadas e as percepções sobre o processo de doença e
cura a que eles estiveram envolvidos.
Para os entrevistados, tanto as enfermidades físicas quanto as de origem
mental, são de cunho espiritual e se originam do desequilíbrio entre o corpo e a alma,
resultante das alterações energéticas ocorridas em ambos. Este processo pode ser gerado
pela interferência de fatores advindos de vidas passadas ou podem resultar da ausência
da adoção de uma linha de pensamentos positivos para evitar o acumulo de energias
negativas que adoecem o corpo.
Dos entrevistados apenas 6,6% não se declarou espírita, e os demais (93,3%)
utilizaram o termo ―espírita kardecista‖ para se denominarem. As doenças, cuja cura
tem relação com o espiritismo, foram na sua grande maioria (46.6%) alguns tipos de
câncer (de tireóide, de ovário, de útero e de próstata), seguido de hidrocefalia (6,6%),
hematofobia (fobia de sangue) (6.6%), colelitíase (6.6%), dor no carpo com perda do
movimento da mão (6.6%), dores nas articulações (13.3%), doença não diagnosticada
nas pernas (6.6%) e loucura (13.3%). Dentre os meios de obtenção de cura e rituais
adotados, foram citadas as preces e orações, água fluidificada, cirurgia espiritual
presente e cirurgia espiritual à distância e as sessões de passe (sendo esta a mais
utilizada 73,3%).
Todos os relatos foram cheios de afirmações quanto à contribuição relevante
do espiritismo na cessação da doença. Pôde-se perceber que a coincidência entre o
período de tratamento espiritual e período em que as doenças foram curadas, bem como,
a inexistência de uma justificativa médica satisfatória, somadas à fé e às explicações
pré-estabelecidas pela doutrina espírita sobre o adoecimento, formaram um conjunto de
argumentos mais utilizados para garantir que a cura foi de procedência espírita.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Entender os motivos que levam alguns homens a acreditarem que a cura possa
advir de uma entidade imaterial é muito mais do que aceitar atuação de uma força
estranha. Ao ouvir esse grupo de espíritas kardecistas, percebemos que o ser humano
pode ser fruto das diversas formas de interferência das religiões que continuamente
atuam na construção das atitudes humanas. Os fenômenos espirituais promovem neste
grupo um entrelaçamento da espiritualidade com a religiosidade que culmina na mais
pura demonstração de fé no sagrado. A procura pelo acolhimento religioso que se dá
pelo coletivo, também se faz na intimidade com o mistério, em que os problemas são
tratados com a instância espiritual no nível particular.
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O JORNAL COMO INSTRUMENTO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NO
PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DA LEITURA E ESCRITA
Eliane Guimarães de Oliveira 1
RESUMO
Com o objetivo de ressignificar as práticas de leitura e escrita na escola, planejamos e
executamos o projeto: O Jornal como instrumento de intervenção pedagógica no
processo de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita, que consiste basicamente em
atividades que estimulam e valorizam a leitura e escrita dos nossos alunos, através do
instrumento: jornal. Primeiro implantamos um jornal-mural e posteriormente um jornal
editado, sendo todo o conteúdo desses portadores fruto de pesquisas, leitura com
diferentes estratégias e escrita por parte de nossos educandos. O resultado desse projeto
desenvolvido em 2008/2009 é a melhoria da nossa qualidade de ensino, com melhores
índices de aproveitamento, maior desempenho em avaliação externa (IDEB) e o
principal: a contribuição gradativa para a formação de uma cultura de leitores.
Palavras – chaves: Jornal, práticas de leitura e escrita, ensino-aprendizagem.
Introdução
O Grupo Escolar Municipal Vereador João Farias Cotrim foi criado em 11 de maio de
1986, durante a gestão do prefeito Nilo Augusto de Morais e recebeu esse nome em
homenagem ao Vereador João Farias Cotrim.
A escola está situada na Avenida Tiradentes, s/n – Bairro Lagoinha, no Município de
Guanambi, na região sudoeste da Bahia; o local onde está inserida a escola é um bairro
residencial, com alguns comércios como: supermercados, lojas, padaria, borracharia...
Atendemos alunos da Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental, nos
turnos matutino e vespertino, e turmas de Educação de Jovens e Adultos no noturno. A
escola tem sete salas de aula, uma biblioteca e um laboratório de informática (em fase
de construção). Em 2008 tivemos cerca de 447 alunos, em 2009 400 e a matricula de
1
Graduada em Pedagogia e Especialista em Metodologia do Ensino Fundamental. Atualmente é
Coordenadora Pedagógica da Rede Municipal de Ensino de Guanambi da Escola João Farias Cotrim e
Analista Universitário na UNEB - Campus XII.
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2010 registra um total de 385 educandos (com sete salas de aula, pois uma sala foi
transformada em biblioteca). Os nossos educandos são provenientes do próprio bairro
onde está localizada a escola e outros próximos, alguns deles considerados periféricos e
com concentração de famílias com baixa renda, daí muitos de nossos alunos provirem
de lares onde enfrentam sérios problemas como: fome, abandono, desemprego. É
importante frisar que, ao longo de sua história, essa instituição tem atendido alunos
provenientes de classes mais baixas e enfrentou em seu percurso problemas como
evasão, reprovação e indisciplina, muitos desses elementos contribuindo para uma
imagem negativa de nossa instituição junto à comunidade local.
Para muitos de nossos alunos atendidos o processo de letramento ocorre única e
exclusivamente na escola, e isto muitas vezes dificulta o processo de ensinoaprendizagem, acarretando déficits na leitura e escrita que influenciam o desempenho
dos educandos e conseqüentemente o rendimento da escola.
Uma análise do nosso rendimento escolar ao longo dos anos, bem como a nota do IDEB
(Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) nos levou a pensar e planejar ações de
intervenção pedagógica. Sobre o IDEB, os dados demonstram que em 2005 obtivemos a
nota mais baixa entre as escolas da rede municipal de Guanambi (2,2), em 2007 nosso
desempenho melhorou (3,7), mas acreditamos que seria importante um salto ainda
maior em 2009. Sabendo da importância da leitura no processo de avaliação do INEP
(Prova Brasil) e considerando que a sociedade pós-moderna requer cada vez mais do
indivíduo a criatividade, que acreditamos ser alimentada por um processo permanente
de leitura, sendo esta um elemento de fundamental importância no contexto de
formação do sujeito, sentimos no coletivo da escola a necessidade de planejar uma
atividade capaz de influenciar no processo de ensino-aprendizagem da leitura e escrita e
que repercutisse no rendimento dos alunos e da escola e servisse de instrumento de
divulgação das nossas leituras e produções, demonstrando o potencial e a capacidade de
nossos alunos e profissionais.
Foi nesse contexto que surgiu e foi elaborado o Projeto O Jornal como instrumento de
intervenção pedagógica no processo de ensino-aprendizagem da Leitura e da
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Escrita, o qual foi executado entre fevereiro de 2008 a novembro de 2009, envolvendo
educandos de todos os segmentos e com resultados alcançados além dos previstos, em
termos qualitativos e quantitativos, como a nota 4,9 no IDEB 2009, publicada
recentemente pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura) e a grande procura de
livros para leitura na biblioteca por parte de nossos alunos.
Objetivos
Levando em conta o contexto de inserção, bem como a realidade de nossa instituição
educacional, definimos os seguintes objetivos:
 Ressignificar as práticas de leitura e escrita da instituição, contribuindo para a
melhoria da qualidade do ensino-aprendizagem através da formação gradativa de
uma cultura de leitores.
 Dinamizar o processo de ensino-aprendizagem da leitura e escrita, com proposta
ousada e inovadora;
 Enriquecer a formação de nossos educandos, com o uso da pesquisa como um
instrumento de leitura;
 Investir na prática de leitura e escrita que seja significativa, interessante e real, a
partir do estudo e construção de um jornal na escola;
 Divulgar as ações da escola, melhorando a sua imagem junto a comunidade
local;
 Socializar leituras realizadas, através das dicas de leituras no jornal-mural e
jornal editado;
 Incentivar a prática de leitura e escrita na escola, contribuindo assim para
melhoria do rendimento escolar;
 Valorizar as leituras e produções de alunos e profissionais da escola em torno de
diversos conteúdos curriculares, com espaço para divulgação em jornal.
Procedimentos metodológicos para uma intervenção pedagógica
Como primeira atividade ocorreu uma reunião na escola, durante a jornada pedagógica
em fevereiro de 2008, para discussão sobre o desempenho da instituição, que também
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repercute em sua credibilidade e a necessidade de investimento na prática de leitura e
escrita, resultando em inclusão de objetivo, meta e ação no Projeto Político Pedagógico
2008 que contemplasse esse processo.
Em seguida, a coordenação da escola ficou responsável pela sistematização das
discussões e Elaboração do Projeto: O Jornal como instrumento de intervenção
pedagógica no processo de ensino-aprendizagem da Leitura e da Escrita (como
produto das discussões coletivas), o qual foi apreciado pelos docentes e finalmente
houve a execução do projeto com as seguintes ações:

Estudo em cada sala de aula sobre o Jornal: o que é, sua função, estrutura.... Para
isso foi solicitado ao aluno, por cada professor, que levasse jornal de casa e os
que não possuíam trabalharam em dupla com colegas; com esses jornais foram
feitas análise de sua função e de sua organização, com atividades como: leitura,
recorte, colagem, enfocando sessões como: notícias, humor, esporte...Nessa
atividade a leitura foi bastante utilizada, atentando para diferentes estratégias

Montagem de um Jornal-Mural no pátio da escola para que os alunos e
professores se familiarizassem com o instrumento e divulgassem no decorrer do
ano de 2008 e 2009 pesquisas e produções (notícias, curiosidades, textos... de
conteúdos diversificados e do currículo escolar trabalhado). A princípio o jornalmural foi feito com isopor e papel, pois não dispúnhamos de recurso para outro
tipo de material, posteriormente conseguimos incluir o material do jornal como
uma ação no Plano de Desenvolvimento da escola e conseguimos construí-lo
mais sofisticado (madeira e vidro);

Enquete com todas as turmas para definição do nome do Jornal, sendo
escolhido: J. F. Noticias (ficando este o nome do jornal-mural e posteriormente
jornal editado);

Divulgação no jornal-mural de registro escrito e fotografias de todos os eventos
e projetos realizados pela escola no decorrer do ano;

Divulgação no jornal mural, durante todo o ano letivo, de leituras (coma as
dicas), pesquisas, produções, relatos de experiências de ensino-aprendizagem
pelas turmas e professores;
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
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Formação de uma comissão (coordenação, direção e professor da escola) para
seleção de material exposto no decorrer do ano no Jornal-mural. A seleção
ocorreu em novembro de 2008 e outubro de 2009 e o material selecionado faria
parte do Jornal impresso;

Discussão coletiva (direção, coordenação e professores) sobre a formatação do
jornal a ser impresso, sendo definidas as partes: Em 2008 – Capa: editorial
abordando o enfoque da leitura em nossa instituição, segunda página: histórico e
fotografia da escola, bem como a equipe dos profissionais; terceira e quarta
página: ações e eventos da escola realizadas no ano de 2008; quinta e sexta
página:
experiências
de
ensino-aprendizagem
das
turmas
(relatos,
depoimentos...); sétima página: dicas de leitura, com textos abordando leituras
realizadas pelos alunos e/ou turmas e oitava página: Informações, curiosidades,
humor e diversão, todas frutos de leitura das turmas. Em 2009 - Capa: editorial e
outdoor produzido por alunos e foto do jornal-mural; segunda página: textos
produzidos pelos alunos em maio de 2009, quando foi feito concurso de redação
com o tema sobre a escola (em comemoração ao aniversário da instituição) e
divulgação de informações produzidas por alunos: aquecimento global, h1n1 e
evento Pedofilia realizado no Município; terceira e quarta página: divulgação de
projetos e eventos realizados pela escola em 2009 – com registro, depoimentos e
fotografias; quinta página: dicas de leitura, com indicação de livros da biblioteca
da escola (fruto de suas leituras) pelos alunos/turmas; sexta e sétima página:
relato de experiências significativas de ensino-aprendizagem das turmas, com
registro escrito e fotos e oitava página: Dicas, curiosidades e humor, todas
pesquisadas e/ou construídas pelos alunos no decorrer do ano a partir do estudo
de conteúdos curriculares (plantas, reciclagem lixo, economia água, animais...) e
nessa última página também aparece a equipe da escola em 2009 (direção,
coordenação, professores e outros profissionais);

Digitação e impressão de 100 (cem) cópias (em cada ano) do jornal J.F.
Notícias. Em 2008 foi pago com recursos de fundos de arrecadação da escola e
em 2009 o serviço gráfico foi pago com recurso do PDDE (Programa Dinheiro
Direto na Escola);

Distribuição do Jornal a todas as escolas da rede Municipal de Guanambi, a
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Secretaria de Educação, aos profissionais da escola, sorteio nas turmas de alguns
jornais para os alunos e visualização do material para todos os educandos;

Divulgação do Jornal impresso junto aos pais em reunião da escola;

Exposição do Jornal impresso em evento da escola (em maio de 2009);

Avaliação dos resultados
Considerações finais
Sabemos que a avaliação não deve ser apenas medida, que simplesmente constata; ela
vai muito além, como afirma Luckesi (1994) e nos faz tomar um posicionamento diante
dos dados; no caso do Projeto: O Jornal como instrumento de intervenção
pedagógica no processo de ensino-aprendizagem da Leitura e da Escrita, ele surgiu
a partir de um processo de avaliação diagnóstica, onde analisamos dados da escola e
tomamos a decisão de elaborar a ação como um meio de intervenção. No decorrer do
processo de execução desse projeto, diversas vezes nos debruçamos sobre a sua
efetividade, inclusive mudando quando necessário. Nesse caminho, os diversos
segmentos da comunidade escolar participaram: alunos, pais, docentes e gestores. Outro
instrumento utilizado como avaliação é a ficha de leitura da biblioteca, onde
observamos um grande índice de procura e empréstimos aos alunos, o que tem
melhorado o grau de letramento de nossos educandos.
Como atividade final de avaliação, fizemos análise dos resultados do projeto e
constatamos que foi além do previsto, com alcance extraordinário, qualitativa e
quantitativamente. Em dezembro de 2009, ao analisarmos os projetos da escola em
reunião, O Jornal J. F. Noticias foi considerado pelo coletivo como uma ação
importantíssima e que deve se tornar um projeto permanente. Outro instrumento de
avaliação desse projeto seria o resultado no IDEB 2009, que foi alcançado, pois nossa
nota foi de 4,9, uma meta estipulada pelo MEC para 2021.
Referencias bibliográficas
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ALUNOS E PROFESSORES DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO. Memorial da
educação de Guanambi. Guanambi: Gráfica Papel Bom, 2004
GERALDI, João Wanderley. O texto na sala de aula: leitura e produção. São Paulo:
Ática, 1997.
JOLIBERT, Josette. Formando crianças leitoras. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
Vol. 1
LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar. 8.ed. São Paulo:
Cortez, 1994
ORSOLON, Luzia Angelina Marino. O coordenador/formador como um dos agentes
de transformação da/na escola. 7 ed. São Paulo: edições Loyola, 2006
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed. Belo Horizonte:
Autêntica, 2001
VASCONCELOS, Celso dos Santos. Planejamento: projeto de ensino-aprendizagem e
projeto político pedagógico. 15 ed. São Paulo: Libertad Editora, 2006
VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Técnicas de ensino: por que não? 3 ED. Campinas:
Papirus, 1995
ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.
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PROJETO EDUCANDO COM A FAMÍLIA
Eliane Guimarães de Oliveira 1
Núbia Carmem Araújo Boa Sorte Reis 2
RESUMO
O projeto Educando com a Família é uma proposta de intervenção pedagógica de uma
escola da rede Pública Municipal de Guanambi - o Grupo Escolar Municipal Vereador
João Farias Cotrim e foi construído para promover parceria entre a instituição escolar e
a familiar, visando à melhoria no processo de ensino-aprendizagem através da reflexão
acerca do tema Escola e Família. O projeto surgiu de observação e estudos sobre a
importância e a influência da educação no espaço familiar na construção da
aprendizagem escolar. O Educando com a família consiste basicamente na realização de
encontros mensais com pais, profissionais da escola e da comunidade local para estudo
de temas de interesse das famílias, sendo os mesmos escolhidos em plenária.
Implantado desde 2004 e com nova formatação a partir de 2008, o projeto tem
proporcionado a instituição escolar oportunidade de construir coletivamente uma
proposta onde a parceria é elemento fundamental na educação. A realização do projeto
trouxe à Escola João Farias Cotrim um crescimento na participação dos pais junto à
instituição, o que tem contribuído para a melhoria do rendimento escolar.
Palavras – chaves: Família, escola, educação, parceria.
Introdução
O Grupo Escolar Municipal Vereador João Farias Cotrim está situado na Avenida
Tiradentes, s/n – Bairro Lagoinha e atende alunos da Educação Infantil e Séries Iniciais
do Ensino Fundamental, nos turnos matutino e vespertino, além de atender turmas de
Educação de Jovens e Adultos no noturno. A escola tem sete salas de aula em 2010 e
cerca de 385 alunos em 16 turmas, sendo a demanda proveniente, em sua maioria de
bairros periféricos da cidade de Guanambi.
1
Graduada em Pedagogia e Especialista em Metodologia do Ensino Fundamental. Atualmente é
Coordenadora Pedagógica da Escola João Farias Cotrim na Rede Municipal de Ensino de Guanambi e
Analista Universitária na UNEB - Campus XII.
2
Graduada em Pedagogia. Atualmente é Diretora da Escola João Farias Cotrim na Rede Municipal de
Ensino de Guanambi.
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Entre os diversos projetos desenvolvidos por essa instituição de ensino, temos o
―Educando com a Família‖ que realizamos desde 2004 com o propósito de melhorar as
relações entre a escola e as famílias e também propiciar informações a comunidade
escolar.
O projeto Educando com a Família constitui-se num instrumento de reflexão acerca do
tema Escola e Família, evidenciando a importância dessa parceria, principalmente pelo
fato de que vivemos uma época em que a conturbação e a desintegração dos valores são
obstáculos para o ser humano. Nesse cenário, a escola se vê diante de vários problemas
educacionais agregados a desordem e ao desrespeito as regras de conduta e a falta de
limites com seus alunos.
Observa-se no contexto escolar que cada vez mais os alunos chegam com menos limites
trabalhados pela família. Nota-se que nos dias atuais a escola não pode viver sem a
família, nem a família sem a escola, pois é através da interação desse trabalho em
conjunto, com objetivo do desenvolvimento do bem estar e da aprendizagem do
educando, que será possível uma formação integral do mesmo.
Os profissionais da escola acreditam, muitas vezes, que os alunos vão mal porque suas
famílias estão desestruturadas ou porque não se interessam pela vida escolar da criança.
A ausência de muitos pais às reuniões pedagógicas é um fato que vem acontecendo
muito no contexto escolar atual, o que pode ser um indicativo do pouco
acompanhamento da vida escolar das crianças.
Para sanar tais conflitos, é preciso criar uma parceria entre família e escola, para que
haja uma distribuição mais justa de responsabilidade na educação da criança, pois
sabemos que quanto mais a família participa, mais eficaz é o trabalho da escola.
Nesse sentido, é importante que direção, pais, professores e alunos dividam
experiências, compreendam e trabalhem as questões envolvidas no dia-a-dia. As escolas
devem ser mais atrativas e participativas, para despertar no aluno o desejo de aprender e
no pais o interesse em se envolver e o apóio familiar pode proporcionar às crianças uma
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estrutura equilibrada e sadia, para crescerem e tornarem cidadãos capazes de interagir
na realidade.
Referencial Teórico
A educação é um processo que ocorre em vários espaços de inserção do sujeito, como
afirma Brandão (2005) a educação está presente em todos os momentos da vida do
homem, seja através de atitudes, ensinamentos, comportamentos e aprendizagem. Não
há educação específica e unitária, nem um lugar exclusivo para se ensinar e se aprender.
A partir dessas considerações e levando em conta abordagens de Libâneo (2004)
observamos que há vários espaços de educação, que pode ser informal, não-formal e
formal, todos de fundamental importância na construção dos conhecimentos do
indivíduo. Em relação à educação formal, ela se dá de forma planejada, daí ser aquela
que desenvolvemos nos espaços escolares, que não podem deixar de considerar os
conhecimentos construídos nos vários outros espaços sociais, entre eles o espaço da
família, aliás, o primeiro grupo social do individuo, onde acontecem as primeiras
aprendizagens.
Ao abordarmos sobre a aprendizagem, notamos que uma série de fatores influencia a
sua construção, inclusive as relações afetivas vivenciadas pelo individuo no decorrer de
sua existência. Pesquisadores como Piaget, Wallon e Vygotsky demonstram em estudos
que essas relações afetivas são construídas desde a mais tenra idade e influenciam toda a
vida do sujeito, inclusive na construção de valores. Desse modo, fica evidente a
importância da participação de uma educação afetiva familiar adequada, onde
sentimentos e emoções são trabalhados e valorizados.
Observando a realidade de nossas instituições educativas, percebemos que muitas das
dificuldades das crianças no processo de construção da aprendizagem escolar estão
relacionadas às aprendizagens (entre elas as afetivas) que ocorrem ou deixam de ocorrer
na família, daí a necessidade de um projeto de intervenção da instituição escola junto à
família. Sabendo que o papel da instituição escolar é o de educar com responsabilidade,
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comprometida com a formação teórica, mas também humana, o projeto Educando com a
Família é uma proposta de intervenção para contribuição na formação de valores. Nesse
sentido, a nossa relação educação/escola/família se transforma através de pequenas
ações modificadoras, onde a família passa a compreender a importância dos objetos
traçados pela escola, assim como o seu lugar de co-responsável nesse processo.
Assim, com espaços de formação, família e escola aproveitam o máximo as
possibilidades de estreitamento de relações, porque o ajuste entre ambas e a união de
esforços para a educação das crianças deve ser, sem dúvida um elemento facilitador da
aprendizagem e educação do sujeito.
OBJETIVOS
 Oportunizar reflexões, discussões sobre a educação familiar;
 Discutir sobre a importância da família na formação do sujeito;
 Incentivar a busca por melhorias nas condições do bairro onde vivem;
 Propiciar formação profissional com a oferta de algumas oficinas;
 Refletir sobre hábitos necessários para a manutenção da saúde da família
Procedimentos metodológicos para uma intervenção pedagógica
A proposta do projeto surgiu inicialmente a partir de considerações em trabalho de
conclusão de curso de Especialização realizado na UNEB – Campus XII (monografia)
sobre afetividade (feito pela coordenação da escola). As considerações foram
apresentadas em encontros de planejamento entre docentes e a coordenação pedagógica
da escola e também foi observado que a participação da família na instituição era
pequena e a relação escola/família precisava de melhoria. A princípio organizamos
alguns encontros esporádicos, com temas definidos pelos docentes e coordenação
pedagógica da escola e horários alternados.
A partir de 2008, buscou-se a revitalização do projeto, implementando-o
de forma sistematizada e constante, com a realização de encontros mensais onde
teríamos temas de interesse da comunidade escolar e palestrantes convidados pela
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escola. Definimos o horário noturno, por ser mais viável a participação dos pais, a
maioria trabalhadores e também por haver turmas de Educação de Jovens e Adultos
nesse horário na instituição, sendo muitos deles pais de alunos da escola. Os temas
escolhidos inicialmente tratavam sobre família, saúde, educação. Com a nova
formatação do projeto, a demanda foi crescente. Com isso buscamos incluir na
programação a realização de oficinas que proporcionasse também educação profissional
aos participantes. Ao final do primeiro ano buscamos avaliação da comunidade escolar,
sendo o projeto considerado como importante no crescimento da participação da família
nas atividades escolares. Nessa avaliação também foi feito levantamento de temas de
interesse da comunidade a serem trabalhados no ano seguinte e houve a certificação dos
participantes. Em 2009 o projeto continuou com essa estrutura e em 2010 também,
tornando-se assim uma atividade permanente na instituição.
ALGUMAS ATIVIDADES DO PROJETO
2008
Palestra: Afetividade na Família
Palestrante: Coordenadora da Escola
Alcoolismo e seus prejuízos à Família
Palestrante: Grupo AA de Guanambi
Planejamento Familiar
Palestrante: Enfermeira PS bairro
Importância da Higiene para a saúde da família
Palestrante: Enfermeira PS bairro
Valores para a família
Ministrante: Pastoral da Família /professora UNEB
Oficinas: Confeite bolo, sabão caseiro, maquiagem, jogos de mesa e Cinema
Ministrantes: Professores e funcionários da escola, pessoas da comunidade, Secretaria
de Cultura de Guanambi
2009
Palestra Alimentação Saudável para a Família
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Ministrante: Alunos Curso Enfermagem FG
Os perigos das drogas para as famílias
Ministrante: Grupo da Igreja Batista
Palestra A Importância do Estudo
Ministrante: professora UNEB e coordenadora EJA Guanambi
Palestra: Os Limites na Família
Ministrante: Pastoral da família/Diretora
Colégio João Durval Carneiro
Oficina de Chocolate e confecção colar
Ministrantes: profissionais da escola
Encerramento com Certificação e show com Leo Cigano
2010
Palestra: Educação Ambiental
Ministrante: RECIVIDA
Mesa redonda: Memórias e Trajetória da Escola João Farias Cotrim
Participação: profissionais da escola e alunos
Palestra sobre Cidadania
Ministrante: Igreja Batista Filadélfia
.
Palestra- O preconceito e a discriminação: algumas reflexões sobre os prejuízos à vida
do ser humano
Ministrante: professora da UNEB
Oficina de pintura
Ministrante: professora de artes
Considerações finais
Percebendo as dificuldades geradas no relacionamento entre a escola e a família, que
afeta diretamente no desenvolvimento integral da criança, sentimos necessidade de
buscar alternativa como forma de estreitar estas relações em contribuição as
crescimento do aluno.
A partir de tais considerações, pensamos nesse projeto como um instrumento de
reflexão conjunta entre pais e escola sobre o papel e a influência de cada um no
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tocante a aprendizagem de nossos educandos. Levamos em conta ainda o fato de que, há
muitos pais que pouco contribuem positivamente na educação dos filhos pelo fato de
não terem tido oportunidades de acesso a informações importantes, daí ser o encontro
um meio de instrumentalização.
Além disso, os encontros são oportunidades de construção de conhecimento para os
pais, e considerando o contexto social procuramos abordar alguns temas que contribuem
para a melhoria das condições de vida das famílias de nossos educandos.
No momento em que escola e família conseguem estabelecer uma parceria na promoção
da educação das crianças e jovens, muitos dos conflitos observados, são aos poucos
superados. Podemos afirmar que o Projeto Educando com a Família é um espaço de
promoção dessa parceria e o resultado é que estamos construindo passo a passo uma
escola mais democrática, mais participativa e mais próxima da realidade dos educandos
e isso vem contribuindo significativamente para a melhoria do nosso processo de
ensino-aprendizagem, com crescimento gradativo dos índices de aprovação.
Referencias bibliográficas
ALMEIDA, Ana Rita Silva. A emoção na sala de aula. Campinas, São Paulo: Papirus,
1995
BRANDÃO, José Rodrigues. O Que É Educação. 1ª ed. Editora Brasiliense, 1995.
GOTMAN, John. Inteligência emocional e a arte de educar os filhos. 38 ed. Rio de
Janeiro:DP & A, 1997.
LIBÂNEO, José C. Pedagogia e pedagogos, para quê? São Paulo: Cortez Editora,
1998.
TAILHER, Y. L. et. al. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão.
São Paulo: Sumus, 1992
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A PREVALÊNCIA DE SOFRIMENTO MENTAL EM MULHERES DURANTE
A GESTAÇÃO, PARTO E PUERPÉRIO
Djamara Souza da Silva
RESUMO: Os transtornos de humor são muito comuns durante a gravidez
principalmente porque o período gestacional é marcado por muitas mudanças
psicológicas, bioquímicas e socioeconômicas que podem refletir diretamente na saúde
mental da mulher. A presente revisão tem como objetivo identificar quais os principais
causas dos transtornos mentais que acometem as mulheres na gestação parto e puerpério
e como o enfermeiro pode identificar e orientar ,precocemente, mulheres portadoras de
transtornos do humor durante a gestação. Para esse estudo oram utilizadas bases de
dados, a saber: Scielo (Revista de Saúde Pública), Revista Eletrônica de enfermagem,
Revista da Escola de Enfermagem da USP, foram selecionados artigos publicados em
português no período compreendido entre 1998–2008. Observou-se com o presente
estudo que grande parte dos transtornos em mulheres gestantes ou puéperas são
ocasionados por fatores externos, entre a gestante e o meio em que vive. A falta de um
diagnóstico preciso pode prejudicar a atuação do profissional de enfermagem no que diz
respeito as orientações e acompanhamento no pré natal e conseqüentemente a um
agravamento do estado patológico da mulher.Seria de grande ajuda que os profissionais
de saúde possuíssem mais informações sobre os transtornos mentais ,de forma que
pudessem estabelecer tratamentos e acompanhamento específicos para essas mulheres
,visando dessa forma identificar tais patologias precocemente evitando assim
conseqüências mais graves para mãe e recém nato.
Palavras – chave: Transtornos mentais, enfermagem, gravidez, parto, puerpério
INTRODUÇÃO
Os distúrbios psiquiátricos podem acometer os indivíduos em diversas etapas da
vida uma vez que a vulnerabilidade é agravada por eventos naturais somados a
predisposição psicossocial, orgânica e hereditária.(CRAUSS;MARCOS,2008)
A gestação é um período de transição que faz parte do processo normal do
desenvolvimento humano. Há grandes transformações, não só no organismo da mulher,
mas no seu bem-estar, alterando seu psiquismo e o seu papel sócio-familiar.
.(FALCONE; MÄDER;NASCIMENTO;SANTOS;NÓBREGA,2005)
A literatura indica que o período gravídico-puerperal é a fase de maior
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incidência de transtornos psíquicos na mulher, necessitando de atenção especial para
manter ou recuperar o bem-estar, e prevenir dificuldades futuras para o filho. A
intensidade das alterações psicológicas dependerá de fatores familiares, conjugais,
sociais,
culturais
e
da
personalidade
da
gestante.(FALCONE;
MÄDER;NASCIMENTO;SANTOS;NÓBREGA,2005)
As síndromes psiquiátricas pós-parto constituem uma área pouco conhecida e
conseqüentemente pouco pesquisada, cuja razão encontra-se ligada ao não
reconhecimento do transtorno, visto a dificuldade de distinção dos sintomas.
Antigamente, associavam-se os transtornos puerperais como distúrbios específicos desta
fase, mas hoje é sabido que o parto e todos os eventos que o sucedem funcionam como
fatores desencadeantes dos processo mórbido.(SILVA;BOTTI,2005)
Os fatores de risco, relacionados com os transtornos psiquiátricos na gestação
são: antecedentes psiquiátricos, dificuldades financeiras, baixa escolaridade, gestação na
adolescência, falta de suporte social, eventos estressores e história de violência
doméstica. Evidências demonstram que, além de a depressão pré-natal ser mais
freqüente, ela é o principal fator de risco para depressão pós-natal, sendo esta, muitas
vezes, uma continuação da depressão iniciada na gestação.(PEREIRA;LOVISI,2008)
A mulher deprimida no período gestacional, em razão dos sintomas depressivos,
apresenta menor preocupação com seu estado de saúde, ocasionando, muitas vezes, nãoadesão ao pré-natal, além de maior consumo de álcool, tabaco e outras drogas,
pessimismo, insônia, falta de apetite, acarretando diminuição da quantidade e qualidade
da ingesta. .(PEREIRA;LOVISI,2008)
O atendimento pré-natal, principalmente, de adolescentes grávidas confirma-se
como uma excelente oportunidade de se conjugar esforços de diferentes profissionais, a
fim de melhorar a detecção e a condição psicossocial dessas gestantes e,
conseqüentemente, de seus futuros bebês.(FREITAS ;BOTEGA,2002)
Os profissionais que atuam com gestantes devem vê-las com uma "concepção de
pessoa humana", procurar estabelecer mecanismos de interação que desvelem as
verdadeiras necessidades e seus significados. Não devem assumir uma posição superior,
vendo as gestantes como pessoas indefesas, fracas e submissas. Se o serviço e os
profissionais assumirem essa posição de igualdade, respeito e confiança em relação às
suas experiências e aprendizagens adquiridas, a relação será de desenvolvimento
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emocional e de crescimento mútuo. Portanto, o aspecto fundamental da assistência prénatal eficiente, deve incluir o cuidar da mulher grávida considerando as suas
necessidades biopsicossociais e culturais. (CAMACHO;CANTINELLI;RIBEIRO
;CANTILINO; GONSALES; BRAGUITTONI; JUNIOR,2002).
O profissional enfermeiro precisa ater-se na importância, também, dos três
primeiros meses após o parto onde a mulher apresenta a maior taxa de risco, em relação
a qualquer outra etapa de sua vida, de vir a sofrer uma internação decorrente de um
transtorno psiquiátrico. Sendo que, cerca de 70% das mulheres com tais distúrbios, não
possuem história prévia de doença mental. (CRAUSS; MARCOS, 2008)
PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
Para a elaboração da presente revisão integrativa as seguintes etapas foram
percorridas: estabelecimento da hipótese e objetivos da revisão integrativa;
estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão de artigos (seleção da amostra);
definição das informações a serem extraídas dos artigos selecionados; análise dos
resultados; discussão e apresentação dos resultados e a última etapa consistiu na
apresentação da revisão. Para guiar a revisão integrativa, formulou-se a seguinte
questão: Quais os principais transtornos mentais que acometem as mulheres na gestação
parto e puerpério e como o enfermeiro pode identificar e orientar ,precocemente,
mulheres portadoras de transtornos do humor durante a gestação?
Para a seleção dos artigos foram utilizadas bases de dados, a saber:
Scielo(Revista de Saúde Pública),Revista Eletrônica de enfermagem,Revista da Escola
de Enfermagem da USP. Dessa forma, procurou-se ampliar o âmbito da pesquisa,
minimizando possíveis vieses nessa etapa do processo de elaboração da revisão
integrativa.
Os critérios de inclusão dos artigos definidos, inicialmente, para a presente
revisão integrativa foram: artigos publicados em português disponíveis nas bases de
dados selecionadas, no período compreendido entre 1998–2008;
As palavras-chave utilizadas foram gestação, gravidez, transtornos mentais e
enfermagem psiquiátrica. A busca foi realizada pelo acesso on-line e, utilizando os
critérios de inclusão, a amostra final desta revisão integrativa foi constituída de 6
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artigos.
Tabela 1 - Apresentação da síntese de artigos incluídos na revisão integrativa
Nome do artigo
TRANSTORNOS MENTAIS
NA GESTAÇÃO E
PUERPÉRIO:
CLASSIFICAÇÃO
DIAGNÓSTICO E
TRATAMENTO
Autores
RENATA
CAMACHO,FÁBIO
CANTINELLI
CARMEN RIBEIRO
AMAUR Y CANTILINO
BÁRBARA GONSALES
ÉRIKA BRAGUITTONI
JOEL RENNÓ JR
Intervenção estudada
Saúde mental das mulheres
em período de gestação e
puerpério
Resultados
33% das mulheres com
transtorno de pânico pioram
com a gravidez,
das
portadoras de TOC 46%
piora durante a primeira
gestação e 13% esta
relacionado ao aparecimento
de TOC durante a gravidez
Recomendações/conclusões
Mulheres
com
diagnóstico
de
esquizofrenia ou depressão maior
apresentaram
elevado
risco para
complicações na gravidez, trabalho de
parto e período neonatal. Entre essas
complicações,
há
anormalidades
placentárias, hemorragias e sofrimento
fetal
DEPRESSÃO PUERPERAL:
UMA REVISÃO DA
LITERATURA
ELDA TEREZINHA DA
SILVA E NADJA C.L.
BOTTI
Distúrbios
Puerperais
Psiquiátricos
50 a 80% das gestantes são
acometidas
de
tristeza
puerperal, 10 a 15% tem
depressão puerperal e 0,1 a
0,2 % tem psicose puerperal
E importante que os profissionais de
saúde desenvolvam ações preventivas na
rede pública não só voltadas para a
gestante, mas para a mulher em geral.
Além disso, estimular a compreensão do
parceiro e da mulher ás fases críticas do
puerpério
TRANSTORNOS MENTAIS
NA GRAVIDEZ, PARTO E
PUERPÉRIO, NA REGIÃO
DE RIBEIRÃO PRETO-SPBRASIL
MARGARITA A. VILLAR
LUIS
ELIENE REIS DE
OLIVEIRA
O número de pacientes
atendidas no Setor de
Urgências Psiquiátricas
(SUP) e Clínica Obstétrica
do Hospital das Clínicas
(COHC) da FMRP-USP,
com o diagnóstico 648.4
(Transtornos Mentais na
Gravidez, Parto e Puerpério),
conforme CID-9, no período
de 1988 a 1993.
Agrupando
os
quadros
psíquicos
de
toda
a
população
de mulheres
incluídas no estudo, verifica
se
que
48
(35,5%)
evidenciaram
transtorno
psiquiátrico sem qualquer
especificação; 27 (20%)
tiveram quadros ou reações
psicóticas; em 13 (9,6%) a
ansiedade foi ou pode ser
identificada como base do
distúrbio; 11 (8,1%) eram
oligofrênicas, metade das
quais com outros problemas
de saúde; 11 (8,1%) eram
pacientes com esquizofrenia;
11 (8,1%) manifestaram
reações
depressivas,
a
maioria com tentativa de
suicídio;
10
(7,4%)
apresentaram transtorno não
especificado em associação
com patologias clínicas e/ou
obstétricas; finalmente, 4
(2,9%) tiveram transtorno
psiquiátrico em associação
com doenças do sistema
nervoso
central(
principalmente epilepsia).
É imprescindível, manter um esquema de
observação
compartilhado
com
elementos da família principalmente no
puerpério, a fim de identificar a presença
de sintomas ou a verbalização de
intenções indicativas de tentativa de
suicídio ou ameaça de filicídio.
GRAVIDEZ
NA
ADOLESCÊNCIA:
PREVALÊNCIA DE
DEPRESSÃO, ANSIEDADE
E IDEAÇÃO SUICIDA
GISLEINE VAZ
SCAVACINI DE FREITAS
E NEURY JOSÉ BOTEGA
A prevalência de depressão,
ansiedade e ideação suicida
em adolescentes grávidas e
verificar associações entre
ideação suicida e variáveis
psicossociais
Tendo em vista os objetivos deste estudo,
pudemos concluir que as prevalências de
depressão, ansiedade e ideação suicida
apresentaram-se aproximadamente iguais
nos diferentes trimestres gestacionais
(Depressão:
27,5;
17,5;
17,5,
respectivamente;
média
=
20,8.
Ansiedade:
22,5;
15;
32,5,
respectivamente; média = 23,3. Ideação
suicida: 20; 15; 15, respectivamente;
média = 16,7). A ideação suicida
associou-se estatisticamente com a
presença de depressão, ansiedade, pouco
apoio social e estado civil solteira.
PREVALÊNCIA DA
DEPRESSÃO
GESTACIONAL E
FATORES ASSOCIADOS
PRISCILA KRAUSS
PEREIRA E GIOVANNI
MARCOS LOVISI
Depressão é um transtorno
mental comum durante a
gravidez, associado com
diversos fatores de risco.
Estudos revelaram relação
entre depressão gestacional e
efeitos
deletérios
no
desenvolvimento do bebê
À época deste estudo, 20
(16,7%)
adolescentes
relataram ideação suicida,
oito
(40%)
também
apresentavam ansiedade e
depressão, cinco (25%)
apresentavam
apenas
depressão,
duas
(10%)
apresentavam
apenas
ansiedade. Cinco (25%) já
haviam tentado suicídio
anteriormente. Apenas cinco
(25%)
dessas
20
adolescentes não foram
consideradas "casos" de
ansiedade ou de depressão
A prevalência de depressão
gestacional encontrada nas
pesquisas provenientes de
países desenvolvidos variou
bastante, oscilando de 5% a
30%. Poucos encontraram
prevalências abaixo de 10%,
sendo mais freqüentes taxas
em torno de 10% e 15%.
Entre os fatores de risco
levantados,
estão
precedentes
psiquiátricos,
uso de substâncias, atitude
negativa ante a gravidez,
falta de suporte social,
eventos de vida estressantes
e conflitos conjugais.
No Brasil, o número de estudos
publicados sobre o assunto ainda é
ínfimo, sendo a prevalência também em
torno de 20% e os fatores associados,
semelhantes aos encontrados nos demais
estudos de países em desenvolvimento.
Considerando a realidade de saúde
pública nacional, o cuidado pré-natal
pode ser o único contato que uma mulher
em idade reprodutiva tenha com os
serviços de saúde, tornando-se crucial
para intervenções direcionadas à
promoção da saúde da mulher como um
todo
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GRAVIDEZ
NA
ADOLESCÊNCIA:
PREVALÊNCIA
DE
DEPRESSÃO, ANSIEDADE
E IDEAÇÃO SUICIDA
GISLEINE VAZ
SCAVACINI DE FREITAS
E NEURY JOSÉ BOTEGA
A prevalência de depressão,
ansiedade e ideação suicida
em adolescentes grávidas e
verificar associações entre
ideação suicida e variáveis
psicossociais
À época deste estudo, 20
(16,7%)
adolescentes
relataram ideação suicida,
oito
(40%)
também
apresentavam ansiedade e
depressão, cinco (25%)
apresentavam
apenas
depressão,
duas
(10%)
apresentavam
apenas
ansiedade. Cinco (25%) já
haviam tentado suicídio
anteriormente. Apenas cinco
(25%)
dessas
20
adolescentes não foram
consideradas "casos" de
ansiedade ou de depressão
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Tendo em vista os objetivos deste estudo,
pudemos concluir que as prevalências de
depressão, ansiedade e ideação suicida
apresentaram-se aproximadamente iguais
nos diferentes trimestres gestacionais
(Depressão:
27,5;
17,5;
17,5,
respectivamente;
média
=
20,8.
Ansiedade:
22,5;
15;
32,5,
respectivamente; média = 23,3. Ideação
suicida: 20; 15; 15, respectivamente;
média = 16,7). A ideação suicida
associou-se estatisticamente com a
presença de depressão, ansiedade, pouco
apoio social e estado civil solteira.
RESULTADOS
De acordo com os objetivos dessa revisão, os transtornos que mais acometem
gestantes nos períodos pré natal, parto e puerpério ainda não tem um diagnóstico ou não
foram identificados, observou-se que grande parte dos transtornos que se apresentam no
período gestacional são causados por fatores externos, entre a gestante e o meio em que
vive. Dessa forma a atuação do profissional de saúde pode ficar prejudicada e restrita a
orientações superficiais, pois seria necessário um diagnóstico mais específico para que
sejam tomadas as orientações e cuidados pertinentes a cada transtorno.
Diante da escassez de artigos que informassem sobre o tema estudado,
percebeu-se que os transtornos presentes na fase gestacional não são muito estudados e
tão pouco conhecidos, boa parte dos sintomas desses transtornos são ignoradas durante
a consulta pré-natal ou de puerpério pela equipe de saúde, seja por desconhecerem seus
sintomas ou por não saberem como diagnosticá-los, dessa forma as desordens mentais
passam sem diagnósticos e muito menos tratamentos adequados.
A prática da enfermagem, desde a antiguidade, relaciona-se ao cuidado e alívio
do sofrimento humano. E sabido que qualquer forma patológica que venha a acometer o
homem desencadeia uma série de transtornos, além de envolver paralelamente
sentimentos de angústia, medo, ansiedade, preconceitos, descrença, pessimismo, entre
outros.
CONCLUSÃO
Concluindo a presente revisão interativa notou-se que seria necessário que as
equipes de saúde possuíssem mais informações a respeito dos transtornos mentais que
acometem as gestantes no período gravídico e pós gravídico. De posse do conhecimento
necessário os profissionais poderiam identificar a presença de sofrimento psíquico
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nas gestantes, que não raras vezes passam despercebidos. Teriam também a
oportunidade de acalmar e esclarecer a gestante quanto aos ricos para o feto e para si
mesma. Um conhecimento mais profundo dos fatores desencadeantes e sintomáticos
poderia também favorecer ao diagnóstico de alterações psíquicas mais precocemente e
assim o enfermeiro seria capaz de, se necessário, encaminhar a paciente para um
atendimento mais específico, proporcionando uma gravidez mais segura para mãe e
concepto.
REFERENCIAS
1-Oliveira,E.Reis e Luis, Margarita A. Villar. Transtornos Mentais Na Gravidez,
Parto E Puerpério, Na Região De Ribeirão Preto-Sp-Brasil .Disponível em<
http://www. ee.usp.br/reeusp/upload/pdf/448.pd f>
2-Silva,E.Terezinha e Botti,N.C.Lappan.Depressão Puerperal:Uma Revisão De
Literatura. Disponível
em<http://www.revistas.ufg.br/index.php/fen/article/viewArticle/880>
3-Freitas,G.V.Escavacine e Botega, N.José. Gravidez Na Adolescência: Prevalência
De Depressão, Ansiedade e Ideação Suicida. Disponível em<
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104...script>
4-Pereira,P.Crauss e Lovisi,G.Marcos. Prevalência Da Depressão Gestacional e
Fatores Associados. Disponível em< http://www.scielo.br/pdf/rpc/v35n4/04.pdf>
5-Falcone, Vanda Mafra; Mäder, Custódia Virginia de Nóbrega; Nascimento,
Christianne Freitas Lima; Santos, Joacira Mota Matos; Nóbrega,
Fernando José. Atuação Multiprofissional e a Saúde Mental De Gestantes.
Disponível em< http:// www.scielo.br/pdf/rsp/v39n4/25534.pdf >
6-Camacho,Renata Sciorilli ; Cantinelli,Fábio Scaramboni ; Ribeiro,Carmen Sylvia ;
Cantilino, Amaury; Gonsales ,Bárbara Karina; Braguittoni, Érika; Jr.Joel Rennó.
Transtornos Psiquiátricos Na Gestação e no Puerpério: Classificação, Diagnóstico
e Tratamento. Disponível em< http:// bases.bireme.br/.../online/?... >
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SER MÃE: TAREFA REPLETA DE DIFICULDADES E SUPERAÇÃO
Daiana Gonçalves Machado¹
Emanuella Soares Fraga Fernandes²
Monnik Viana Marques³
Ricardo Franklin de Freitas Mussi 4
123
Acadêmicas do curso de Bacharelado em Enfermagem da Universidade do Estado da Bahia – UNEB –
DEDC XII. Brasil. E-mail: 1 [email protected].
4
Professor Especialista da UNEB/Departamento de Educação Campus XII (Orientador). Brasil.
RESUMO
Conforme as mudanças ocorridas na área de saúde, esta deixa de ser apenas de
cunho curativo, e passa a direcionar-se também para a prevenção. De acordo com esse
novo enfoque, a pesquisa em questão teve como meta a identificação das dúvidas mais
freqüentes do público alvo assistidas pela ESF, do Bairro Brasília (Guanambi-Ba), com
relação à gestação, lactação e ao cuidado com o recém-nascido e execução de um
programa educativo voltado ao tema. Esse estudo foi realizado no início de 2009, tendo
caráter descritivo com abordagem qualitativa, os dados foram coletados através de
questionário e entrevista semi-estruturada. Em seguida, os elementos foram avaliados e
planejou-se e efetivou-se uma educação em saúde, totalizando um total de três
encontros. Depois disso, foi aplicado um questionário que buscou avaliar a atividade
desenvolvida. A partir dos dados colhidos, percebe-se um problema educacional, pois a
maioria das gestantes sabe dos cuidados dessa época, porém não tem o conhecimento do
porquê dessas ações, notando-se a fragilidade dessas informações, na maioria de caráter
popular. Com relação à avaliação da pesquisa-ação, ela foi positiva, visto que as
participantes afirmaram serem esses encontros de grande valia, propondo a existência de
um grupo permanente. Portanto, fica claro que apesar de todas as dificuldades
encontradas o PSF é um lugar estratégico para as intervenções de educação em saúde,
bem como, essas podem ser desenvolvidas rotineiramente com boa vontade e
criatividade por parte da equipe.
Palavras-chave: Educação em saúde, Gestante, PSF e Enfermagem.
INTRODUÇÃO
Após as Conferências Internacionais sobre Promoção da Saúde vem percebendo
a necessidade de se rever o paradigma orientador das ações de saúde, que são em sua
grande maioria voltadas pra ações de cunho curativo, com a necessidade de definir
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ações de saúde voltadas para prevenção e orientação. Atividades preventivas estas que
de acordo com Okazaki et al. (2005) e Rangel (2008) deve incluir políticas públicas e
ambientes apropriadas, baseadas em uma educação em saúde continuada que possibilita
uma melhor e mais efetiva qualidade de vida em que o cidadão possa exercer um papel
relevante e participativo dentro da sociedade e na garantia da possibilidade de viver
melhor.
De acordo com esse novo enfoque de promoção de saúde, a pesquisa em questão
promoveu uma educação em saúde de caráter preventivo com as gestantes, partindo da
necessidade de uma orientação contínua e do papel do enfermeiro, que deve saber que
ensinar é dar ao outro, veículos de construir seu próprio saber (FREIRE, 1996).
OBJETIVOS
A pesquisa teve como meta a identificação das dúvidas mais freqüentes do
público alvo assistidas pela Estratégia da Saúde da Família, do Bairro Brasília, na
cidade de Guanambi (Bahia), com relação à gestação, lactação e ao cuidado com o
recém-nascido (até oito meses), posteriormente foi planejada, executado e avaliado um
programa educativo no seio do PSF, voltado para as dificuldades encontradas pelas
grávidas, pretendendo assim contribuir para uma gestação, parto e lactação mais
tranqüila, segura e de bom andamento.
O PSF E SUAS POSSIBILIDADES
Segundo Fernandes e Narchi (2007), o PSF busca a reorientação do modelo
assistencial do Sistema Único de Saúde a partir da organização da Atenção Básica,
tendo como principal desafio promover a reorientação das práticas e ações de saúde de
forma integral e ininterrupta. Possuindo para esse objetivo uma equipe multiprofissional
que deve travar um vínculo de confiança com a população assistida e conseqüentemente
um acolhimento mais humanizado e resolutivo (BRASIL, 2000).
Nesse sentido, Kawamoto (1993) e Levy (2000) ressaltam que as ações
educativas em saúde são processos que objetivam capacitar indivíduos e/ou grupos, de
modo que possam assumir ou ajudar na melhoria das condições de saúde da população,
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sendo ainda reforçado por Freire (1996), quando este afirma que o ensino não é somente
uma transferência de conhecimento.
No entanto, na maioria das unidades de saúde acontecem poucos trabalhos
educativos e quando estes ocorrem dificilmente são eficientes e eficazes, em virtude de
diversos fatores que vão desde a falta de material disponível até a participação popular
escassa. Apesar dos empecilhos encontrados é evidente a oportunidade ímpar que o PSF
oferece para o desenvolvimento dessas atividades, sugerindo-se a aplicação de uma
metodologia criativa e o envolvimento do provedor com o seu público-alvo, como uma
alternativa válida para o sucesso do trabalho (MOURA, 2002).
Brasil (2000), Rios e Vieira (2007) reforçam que as atividades educativas (pelas
quais as gestantes constituem o foco do processo de aprendizagem) a serem realizadas
em grupo ou individualmente devem conter uma linguagem clara e compreensível, a
fim de promover orientações gerais sobre os cuidados na gestação e cuidados com o
recém-nascido.
No que tange a promoção da saúde no pré-natal, esta ocorre quando é
possibilitado à mulher conhecimento sobre seu corpo e compreensão das alterações
ocorridas (BRASIL, 2002). Afirmação essa que é complementada por Rios e Vieira
(2007), quando discorrem que a carência de informações sobre o parto e o medo do
desconhecido, são os fatores mais comuns de tensão da gestante, sendo necessário uma
assistência com procedimentos clínicos e educativos, objetivando promover a saúde e
identificar precocemente problemas que possam resultar em risco para a saúde da
gestante e do concepto.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Foi realizado um estudo descritivo com abordagem qualitativa, no PSF
localizado no bairro Brasília em Guanambi (Bahia). Inicialmente foi realizada uma
visita ao PSF para reconhecimento da unidade, após a autorização, foi exposta a meta do
estudo para as gestantes que estavam fazendo o acompanhamento do pré-natal na
unidade, que ao entenderem e aceitarem as condições propostas assinaram o Termo de
Consentimento. Em seguida, foi aplicado o questionário (22 perguntas mistas) e uma
entrevista semi-estruturada, gravada (8 questões). Os dados foram coletados no primeiro
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semestre de 2009 e realizados durante a espera das consultas de pré–natal de cada
paciente presente no dia escolhido pela equipe para coletar as informações.
Após a análise das amostras e avaliação dos resultados. Planejou-se e efetivou-se
uma educação em saúde junto com essa população, as atividades foram divididas em
dois módulos: Saúde da Mulher e Saúde da Criança, totalizando um total de três
encontros. Depois das intervenções foi aplicado um questionário na última palestra, que
teve a intenção de avaliar a atividade desenvolvida, bem como sugestões para o
aperfeiçoamento do trabalho desenvolvido.
APRESENTAÇÃO DOS DADOS E DISCUSSÕES
CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA
A coleta de dados aconteceu com quatro gestantes que estavam presentes na
unidade e aprestaram idade entre 19 e 37 anos; das quais (75%) eram casada, 50%
branca e 50% parda. A maioria referiu ser mãe pela primeira vez, morar com o parceiro,
não praticar nenhuma atividade física e freqüentar mensalmente a unidade para fazer o
pré-natal, afirmando ser a consulta suficiente para esclarecer suas dúvidas. Quando
questionadas sobre até que mês o recém-nascido deve ter amamentação exclusiva e do
por que do teste do pezinho ser importante a maior parte marcou a alternativa correta.
SABERES
Após
responderem
o
questionário,
as
grávidas
foram
entrevistadas
individualmente; em relação à importância do pré–natal e da consulta de enfermagem
para a criança, elas afirmaram que é importante, mas não sabiam justificar essa
importância.
Com relação às dúvidas da gestação, lactação e cuidado com o bebê a maioria
disse não ter; ao serem questionadas se há alguma doença, que acomete a gestante ou
recém-nascido, que as mães gostariam de ter conhecimento, somente uma respondeu
que gostaria de saber sobre a sífilis congênita. Sendo relatado que, quando surge alguma
dúvida, elas buscam conselhos da mãe e outras pessoas da comunidade. Todas as
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entrevistadas preferiram o parto normal, porém sem uma justificativa coerente.
Através dos dados colhidos é perceptível um acompanhamento das gestantes do
bairro, que segundo Brasil (2005), tem como objetivo acolher a mulher desde o início
da gravidez, assegurando, ao fim da gestação, o nascimento de uma criança saudável e a
garantia do bem-estar materno e neonatal. No entanto nota-se uma fragilidade nos
argumentos sobre diversos assuntos como: o por que da importância do pré-natal,
percebendo-se um problema educacional e fragilidade dos conhecimentos das
participantes, sendo a maioria dessas informações de caráter popular.
No dia 25 de março, foi realizado o questionário final, com sete gestantes. Ao se
perguntar da importância dos temas abordados daquele dia, todas acharam os temas
abordados importantes. Em relação a já conhecer o tema suficiente, 57,15%
responderam não saber o necessário. Sendo perceptível a contradição com relação ao
primeiro questionário onde as gestantes afirmaram serem as consultas de pré-natal
suficientes para sanar suas inquietações.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Portanto, fica claro que apesar de todas as dificuldades encontradas o PSF é um
lugar estratégico para as intervenções de educação em saúde, bem como, essas
atividades podem ser desenvolvidas rotineiramente com boa vontade e criatividade por
parte da equipe. Com relação à população, esta apesar de não ter uma presença maciça,
participa de forma constante das ações de educação. Havendo assim, a necessidade de
melhorar o planejamento e a execução das intervenções, além de adequá-los ao público,
para que a orientação educativa aconteça de forma adequada, consecutiva, com
participação da comunidade e que torna os clientes ativos em mente pensante e não em
mero reprodutor de um conhecimento.
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Brasília: Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, 2000.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde (Documento
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br.monografias.com/trabalhos903/educativas-prenatal/educativas-prenatal.shtml>.
Acesso em: 17 dez. 2008.
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HANSENÍASE EM GUANAMBI: Uma mancha silenciosa e presente
Cintya Paloma Moreira Carvalho (UNEB)
Mary Viviani Jacarandá Lima Carneiro (UNEB)
RESUMO: Ao longo da história, a Hanseníase foi descrita como uma doença que
causava horror, em função das deformidades físicas que apresentava, ocasionando
estigma e preconceito dos mais diversos. Provavelmente nenhuma doença provocou um
preconceito tão intenso, sendo associada durante muito tempo e até nos dias atuais a
conceitos como pecado, impureza e punição. Apesar de ser uma doença antiga, com
registros na Bíblia denominando-a como lepra, ainda é constante nos dias atuais. O
problema se encontra nas conseqüências que a doença pode proovocar no indivíduo
acometido. Sendo assim realizou-se esse estudo no intuito de verificar os casos de
hanseníase em Guanambi a partir de dados coletados pelo SINAN, e preceber se há ou
não a adesão ao tratamento que proporciona a cura,
Palavras-chaves: hanseníase, lepra, prevenção.
1.INTRODUÇÃO
A hanseníase é uma doença infecto-contagiosa, causada pelo Mycobacterium leprae,
também conhecido como bacilo de Hansen, que se manifesta principalmente por meio
de sinais e sintomas dermato-neurológicos: lesões na pele e nos nervos periféricos,
principalmente nos da face, olhos, braços, mãos, pernas e pés. A transmissão do bacilo
está relacionada a fatores individuais (resposta imunológica) e sócio-econômicos, bem
como, ao diagnóstico e tratamento; se faz de forma direta, por via respiratória, e por
esse motivo ambientes que concentrem elevado número de pessoas com condições de
saneamento desfavoráveis aliado a uma alimentação insuficiente, propicia ainda mais a
transmissão do bacilo.
Nos últimos cinco anos, ressalta-se que a média de casos novos detectados no Brasil
nessa população foi de 4.000 casos (Ministério da saúde/ BR- Relatório executivo do
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PNCH.–maio 2007 a junho 2008). A região nordeste foi responsável por 47% de todos
os casos menores de 15 anos de idade no país em 2007.
A Bahia reflete os dados nacionais e dentro do estado há várias regiões onde a
hanseníase é uma doença prevalente e o oeste da Bahia tem várias cidades com grande
número de casos de hanseníase notificados a exemplo.
Em Guanambi percebe-se através dos dados obtidos do SINAN, que a hanseníase é uma
doença presente, apesar dos números não serem altos, girando em torno de 10, 11 casos
por ano, numa série histórica de 5 anos, sendo que neste período pode-se observar casos
de hanseníase em menores de 15 anos nas formas graves da doença o que caracteriza
que existem portadores das formas virchowiana e dimorfa, contaminando essas
crianças/adolescentes, sendo necessário uma busca efetiva de pacientes, que devem
iniciar o tratamento o mais precocemente possível afim de controlar a mesma. Aliada a
isso deve-se capacitar médicos, enfermeiros, técnicos, auxliares e toda a equipe para dar
melhores condições de atendimento e diagnóstico.
Percebe-se dessa forma, que é função da (o) Enfermeira(o) da ESF proporcionar uma
educação permanente aos auxiliares e técnicos de enfermagem, bem como dos agentes
comunitários de saúde, e principalmente, realizar consultas que proporcionem, dentre
outras funções, a identificação dos fatores de risco e de adesão ao tratamento.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Denominada durante muitos séculos por lepra, a Hanseníase, ao longo da história, foi
descrita como uma doença que causava horror, em função das deformidades físicas que
apresentava, ocasionando estigma e preconceito dos mais diversos. Seus indícios datam
de 600 a.C., procedendo da Ásia, que juntamente com a África podem ser consideradas
o berço da doença (COLE S.T. et. al/, 2001). Naquela época não havia conhecimento do
agente etiológico, os portadores eram isolados para evitar o contágio, ainda assim, em
fins do século XIX, quando Armauer Hansen descobre o caráter infecto-contagioso da
doença, anulando idéia de hereditariedade, pecado ou castigo, surge a teoria de que o
isolamento do doente eliminaria o mal. Tal fato incentivou durante muitas décadas, a
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adoção de um modelo de tratamento baseado no cerceamento da liberdade em grandes
instituições de isolamento.
A pessoa apresenta área(s) e/ou lesão(ões) (manchas esbranquiçadas ou avermelhadas,
pápulas, infiltrações, tubérculos e nódulos) com distúrbio de sensibilidade, diminuição
ou perda de sensibilidade ao calor, a dor e/ou ao tato em qualquer parte do corpo, com
rarefação ou queda de pêlos, diminuição ou ausência de suor.
As lesões da hanseníase geralmente se iniciam com hiperestesia (sensação de
queimação, formigamento e/ou coceira) no local, que evoluem para ausência de
sensibilidade e, a partir daí, não coçam e o paciente refere dormência. Caso não sejam
tratadas, manifestam-se lesões nos nervos, que se apresentam espessos e doloridos,
resultando em comprometimento sensitivo, motor e autônomo, responsáveis pelas
incapacidades e deformidades característicos da doença.
Os doentes de hanseníase são classificados como Paucibacilares e Multibacilares. Os
paucibacilares são aqueles que possuem forma clínica indeterminada e/ou tuberculóide,
abrigando uma pequena quantidade de bacilos, que é considerada insuficiente para
infectar outras pessoas; tem baciloscopia negativa e apresentam menos de cinco lesões
de pele e/ou apenas um tronco nervoso acometido (VIEIRA C.; 2008).
A forma contagiosa da hanseníase, os multibacilares, abrigam um grande número de
bacilos e são classificados como virchowianos e dimorfos; apresentam mais de cinco
lesões de pele e um ou mais tronco nervoso acometido, sendo que os pacientes que não
estão em tratamento, são considerados como fontes de transmissão e infecção da
doença.
A infecção é considerada de fácil diagnóstico e terapêutica, desde que, os profissionais
tenham o comprometimento e a sensibilidade em diagnosticar precocemente e avaliar os
riscos de agravamento da doença, classificando as formas clínicas corretamente e
iniciando o tratamento o mais cedo possível.
O esquema de Poliquimioterapia (PQT), recomendado pelo Programa de Controle da
Hanseníase (PCH) para o tratamento dos doentes, leva à cura em períodos de tratamento
relativamente curtos, 6 meses para os paucibacilares e 12 meses para os multibacilares,
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sendo possível desenvolver atividades de controle da doença mesmo em municípios
com pouca estrutura. Visto que a meta prevista para o ano 2000 e anos seguintes não foi
atingida na maioria dos estados brasileiros, o objetivo agora é transferido para 2010, a
fim de que os municípios busquem individualmente atingir o controle da doença. O eixo
central do plano nacional de combate à hanseníase, é utilizar a rede de atenção básica
junto às unidades de saúde da família, descentralizando o programa para o mais
próximo dos usuários. Os secretários municipais de saúde devem desempenhar um
papel estratégico ao assumir a responsabilidade pelo combate e controle da doença em
seu município (Ministério da saúde/2007).
É necessário um atendimento que oriente e conscientize a população, informando-a
sobre a hanseníase e suas formas de transmissão, para que não se tenha um público
passivo diante do controle da doença, pois muitos contatos domiciliares acabam não
comparecendo ao serviço de saúde para o exame dermato-neurológico. E para que as
equipes de saúde consigam cumprir essa tarefa com responsabilidade realizando uma
busca ativa dos dados, é fundamental que o agente comunitário busque conhecer o
cotidiano do usuário para facilitar o horário e o comparecimento do mesmo no local de
saúde.
Para a melhoria e organização do controle sobre a Hanseníase, é de fundamental
importância intensificar a busca ativa (muitas vezes não se encontra o indivíduo em
casa) melhorando o registro de dados; descentralizar as ações de controle da doença;
deve-se estabelecer parcerias com outros serviços, com as USF‘s, ou com outras
unidades básicas de saúde, no sentido de resgatar os contatos faltosos e de diagnóstico e
tratamento precoce da doença; necessita-se focalizar e agilizar o diagnóstico de
hanseníase
em
menores
de
quinze
anos;
deve-se
promover
a
educação
continuada/permanente e capacitação da equipe profissional da atenção básica visando
diagnóstico e tratamento precoce e faz-se necessária à continuidade deste trabalho de
controle de contatos, em parceria com as Universidades, sensibilizando e capacitando os
acadêmicos da área de saúde, para suspeição diagnóstica e encaminhamento de casos
suspeitos, também se faz necessária à parceria com outros órgãos governamentais em
nível federal, estadual e municipal, ONGs ou Instituições privadas, visando sensibilizar
outros setores para a luta contra a hanseníse.
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3. OBJETIVOS
Gerais:
 Conhecer a situação epidemiológica da hanseníase no município de Guanambi,
contribuindo para a prevenção da mesma.
Específicos:
 Informar sobre a doença, formas de contágio, prevenção e tratamento;

Orientar os garis para fazerem busca de manchas em familiares e encaminhá-los
aos serviços de saúde através da atenção básica
4. METODOLOGIA
Trata-se de um estudo epidemiológico retrospectivo, investigativo, realizado através dos
dados das fichas do Sistema Nacional de Agravos de Notificação – SINAN dos
pacientes atendidos com diagnóstico de hanseníase no serviço de referência do
município de Guanambi – Bahia.
Inicialmente será realizada uma visita diagnóstica aos espaços da Secretaria Municipal
de Saúde, Departamento de Vigilância à Saúde, Vigilância Epidemiológica, Vigilância
Sanitária, Vigilância à Saúde do Trabalhador, Departamento de Atenção Básica, 1º
Centro de Saúde, Secretaria de Saúde, a partir destas informações dar-se-ão as próximas
intervenções.
Serão realizadas entrevistas com o Diretor do Departamento de Vigilância à Saúde e
Vigilância Epidemiológica para adquirir dados sobre a doença em Guanambi, em
seguida os dados obtidos serão analisados para elaboração do projeto.
Após o Projeto pronto será agendada uma reunião com a Prefeitura Municipal de
Guanambi e as Secretarias de Saúde, para apresentar o projeto e solicitar autorização
para elaboração do mesmo.
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Serão agendados cinco encontros com o público alvo para desenvolvimento dos
trabalhos, no primeiro contatos será aplicado um questionário inicial para verificar o
conhecimento que a clientela do projeto tem sobre o tema, em seguida serão dados
esclarecimentos sobre a doença partindo do conhecimento prévio que os mesmos tem
sobre o assunto e na seqüência serão discutidos temas sobre as formas clínicas, forma de
contágio, tratamento e prevenção de incapacidades.
5. PROBLEMA
Por que as pessoas continuam desenvolvendo a hanseníase nos dias atuais visto que a
educação em saúde vem sendo desenvolvida com foco neste agravo há mais de 30 anos,
através de campanhas ―educativas‖ anuais, utilizando cartazes, folhetos, folders e
realização de palestras nos centros e unidades de saúde?
6. CONCLUSÃO
Através de questionários aplicados e rodas de conversas com o público alvo deste
trabalho em Guanambi percebemos que a população conhece muito pouco a doença
hanseníase, além do fato de confundirem a hanseníase com leshmaniose, os
entrevistados não sabem informar sobre o tratamento, onde buscar ajuda e todo o
tratamento ainda é centralizado em um único local no Primeiro Centro uma Unidade
Básica de Saúde e as Unidades de Saúde da Família – USF e Equipes de Agentes
Comunitários de Saúde – EACS não vêem o problema da hanseníase como um grave
problema grave de saúde pública que precisa ser debelado pela Estratégia de Saúde da
Família – ESF.
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Hanseníase: abordagem transcultural. Revista Brasileira de Enfermagem – REBEn,
vol. 61, número especial, p. 671-5, 2008.
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Manaus: Gráfica Tropical; 2006.
VIEIRA C.S., SOARES M.T., RIBEIRO C.T.S.X., SILVA F.F.G. Avaliação e
controle dos contatos faltosos de doentes com hanseníase. Revista Brasileira de
Enfermagem – REBEn, vol. 61, número especial, p. 671-5, 2008.
LABBATE, S. Educação em Saúde: uma nova abordagem. Cadernos de Saúde Pública,
Rio de Janeiro, 10 (4): 481-4
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EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO MUNICÍPIO DE MATINA-BAHIA
1
: ALGUMAS REFLEXÕES
Bianca Bezerra de Souza 2
Érica Silva Pereira
Gloriana Fernandes Oliveira
Josimara Vieira Lima
Simone Souza Fagundes
Sônia Maria Alves de Oliveira Reis3
Profª Alessandra Reis4
Resumo
Este trabalho é resultado das discussões realizadas nas disciplinas Pesquisa e Prática Pedagógica
III, Educação de Jovens e Adultos e Trabalho Interdisciplinar do Eixo do 3º semestre do curso
de Pedagogia que visa analisar como está sendo efetivado o atendimento da Educação de Jovens
e Adultos no município de Matina-BA. Além disso, pretendemos conhecer as políticas
educacionais para a EJA em âmbito nacional e local, descrever o cenário da EJA no município
de Matina indicando quais programas de EJA foram implementados no município. Para orientar
a realização deste estudo, destacamos Arroyo (2005); Di Pierro (2005) Eiterer & Reis (2009)
Haddad & Di Pierro (2000) e outros. A compreensão dos dados fundamenta-se nos pressupostos
da abordagem qualitativa. Do ponto de vista técnico-metodológico, utilizaremos análise
documental, questionários e entrevistas. Os resultados iniciais desse estudo que nos propomos a
realizar reafirmam a necessidade de uma formação docente que contemple as particularidades
da EJA, conhecimentos e saberes teórico-metodológicos que contribuam para uma prática
educativa emancipatória na EJA.
Palavras Chaves – EJA, políticas públicas, sujeitos, atendimento.
Introdução
O estudo proposto tem como enfoque principal conhecer e analisar como está
sendo efetivado o atendimento da Educação de Jovens e Adultos no município de
Matina-BA5. Além disso, pretendemos conhecer as políticas educacionais para a EJA
1
Este trabalho é resultado das discussões realizadas nas disciplinas Pesquisa e Prática Pedagógica III,
Educação de Jovens e Adultos e Trabalho Interdisciplinar do Eixo do 3º semestre do curso de Pedagogia.
2
Graduandas do curso de Pedagogia, UNEB - Campus XII.
Profª da disciplina Educação de Jovens e Adultos, UNEB – Campus XII.
4
Profª da disciplina Pesquisa e Prática Pedagógica III, UNEB – Campus XII.
5
Município do sudoeste da Bahia, com aproximadamente 13.245 mil habitantes, com uma área de 773
Km². As principais atividades econômicas do município são agricultura e pecuária, a cidade possui um
clima seco a sub-úmido e limita-se com os municípios de Palmas de Monte Alto, Riacho de Santana e
Igaporã.
3
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em âmbito nacional e local, descrever o cenário da EJA neste município indicando quais
programas de EJA foram por ele implementadas.
A EJA constitui um conjunto de processos de aprendizagem, nos quais os
educandos desenvolvem suas capacidades, enriquecem seus conhecimentos e melhoram
suas competências técnicas e profissionais. Garantir ao jovem e adulto a alfabetização
da escrita, leitura e cálculos é prepará-lo para continuidade de seus estudos,
assegurando-lhe o acesso a outros níveis de ensino. Além disso, quando se propõe
práticas de construção coletiva do conhecimento, se valoriza o saber de cada aluno e
possibilita-os aprendizagem através de diferentes linguagens, de forma a prepará-los
frente às exigências do mundo atual, permitindo assim o pleno exercício da cidadania.
Os estudos e pesquisas sobre Educação de Jovens e Adultos são importantes para
conhecermos os dados educacionais da EJA em nosso município, pois enquanto
estudantes de Pedagogia é importante que nos inteirarmos das questões educacionais
locais. Justificamos ainda a escolha do tema por meio de incentivos para analisar as
estratégias em busca de concretizarem dados e ideias a respeito da mesma.
Esta investigação também é relevante e se justifica pelo fato da maioria das
pessoas que estão envolvidas nela tem experiência no campo da EJA, seja na condição
de alfabetizadoras, coordenadoras ou estudantes da disciplina Educação de Jovens e
Adultos. Acreditamos que o conhecimento acerca do tema proposto será pertinente à
organização das questões/dados educacionais do município nessa modalidade de ensino
e em futuros estudos e proposição de projetos tanto de pesquisa quanto de intervenção
pedagógica.
Observamos que um dos grandes entraves em relação a EJA se refere a carência
de Políticas Públicas para esta modalidade de ensino. Portanto pretendemos com este
trabalho investigar se há políticas publicas de EJA no município de Matina.
Compreendemos a educação de Jovens e adultos como um direito por isso objetivamos
com esta investigação conhecer as políticas educacionais para a EJA em âmbito
nacional e local, observando o atendimento por meio dos programas temporários e do
ensino fundamental (escola regular).
Metodologia
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A pesquisa é de cunho qualitativo. Nos estudos qualitativos, o pesquisador é o
principal instrumento de investigação, isso porque tanto a formação intelectual do
pesquisador, quanto suas experiências pessoais e profissionais relacionadas ao contexto
e aos sujeitos dão subsídios na interpretação dos fenômenos observados e assim devem
ser explicitados ao leitor. Na pesquisa qualitativa o pesquisador tem um contato direto
com o objeto a ser pesquisado, conhecendo assim os temas e problemas mais íntimos
destes. O pesquisador deve ganhar a confiança dos participantes da pesquisa, fazendo
com que estes sintam a necessidade de participar.
De acordo com Fernando Rey (2005, pág.103)
A pesquisa qualitativa caracteriza-se pela construção de um modelo
teórico como via de significação da informação produzida, a qual não
está fragmentada em resultados parciais associados aos instrumentos
usados, mas está integrada em um sistema cuja inteligibilidade é
produzida pelo pesquisador.
As pesquisas qualitativas possuem várias metodologias, ou seja, usam uma
grande variedade de procedimentos e instrumentos para coleta de dados. Essa pesquisa
revê como é feito o planejamento para conduzir a investigação de modo a atingir o
objetivo ou até mesmo responder as questões que são propostas.
Segundo Mazzoti ―a natureza das abordagens qualitativas, aliada a sua
disseminação recente em algumas áreas de conhecimento como a educação, exige que
os pesquisadores que as adotam demonstrem preocupação com o rigor com que
pretendem conduzir sua investigação‖ (2004, p.171).
A coleta de dados será realizada no município de Matina-BA, com o
consentimento
da
Secretaria
Municipal
de
Educação.
Como
procedimentos
metodológicos pretendemos realizar análise de documentos, entrevistas semiestruturada
e questionários destinados aos educadores e coordenadores da EJA da rede municipal
das escolas que atende sujeitos da EJA. De acordo com Mazzoti ―por sua natureza
interativa, a entrevista permite tratar de temas complexos que dificilmente poderiam ser
investigados adequadamente através de questionários, explorando-os profundamente‖
(2004, p.168).
No levantamento prévio do número de alunos atendidos na rede municipal de
Matina-BA, detectamos que no Grupo Escolar ―X‖ e no Colégio Municipal ―Y‖ há um
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total de 253 alunos matriculados na EJA e 23 professores.
Revisão de Literatura
A Educação de Jovens e Adultos sempre compreendeu um conjunto diverso de
processos e práticas a respeito da ampliação dos conhecimentos básicos, competências
técnicas e profissionais ou de habilidades socioculturais. Como aponta Di Pierro e
Haddad (2000, p. 109):
No campo dos direitos legais, a primeira Constituição Brasileira, de
1824, firmou sob forte influencia européia a garantia de uma
―instrução primária e gratuita para todos os cidadãos‖, portanto
também para os adultos.
A EJA configura-se como uma modalidade de educação que atende a pessoas de
15 anos ou mais de idade, constituindo um conceito da Educação ao longo da vida.
Propõe que a formação do ser humano está estruturada num sistema tridimensional, ou
seja, o Eu (autoformação) como o Outro (heteroformação) e com o Meio Ambiente
(ecoformação). A EJA nesta linha tri/ou bidimensional utiliza a perspectiva libertadora
que propõe possibilitar ao estudante a percepção de que a educação fornece os
instrumentos para melhor compreender a realidade interferindo e transformando o seu
cotidiano.
Nessa direção a Lei de Diretrizes e Bases – LDB 9394/96 nos dois artigos que
tratam da educação de jovens e adultos, assegura que
Art. 37: A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que
não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental
e médio na idade própria.
Art. 38: Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos
que compreenderão a base nacional, habilitando ao prosseguimento
de estudos em caráter regular.
As mudanças são poucas em relação à concepção e a prática da educação de
jovens e adultos que está em vigor nos sistemas de ensino. Uma delas foi à mudança
ocorrida na idade do jovem para ter acesso a esta modalidade de ensino. Antes, a faixa
de idade era de 18 e 21, com a vigência da LDB a faixa de idade mudou para 15 e 18
anos em cada nível de ensino.
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No entanto, a EJA não é vista como responsabilidade pública, passa a fazer parte
do cenário nacional, porém necessita de mais investimentos para tapar as lacunas que
ainda existem na área de formação do professor, da aprendizagem e de pesquisas. Com
todas essas demandas vê-se a possibilidade de reconfigurar a EJA. Assim, segundo
Eiterer e Reis (2009, p.196) ―a EJA deve ser reconfigurada, tendo por base o perfil do
jovem e do adulto que demandam escolaridade, ou melhor, aprendizagem de fato‖.
Os alunos da EJA são vistos como portadores de problemas na aprendizagem, são
estudantes evadidos, defasados, reprovados. De acordo com Arroyo (2005, p. 23):
A EJA somente será reconfigurada se esse olhar for revisto. Se o direito
à educação ultrapassar a oferta de uma segunda oportunidade de
escolarização, ou na medida em que esses milhões de jovens-adultos
forem vistos para além dessas carências. Um novo olhar deverá ser
construído, que os reconheça como jovens e adultos em tempos e
percursos de jovens e adultos. Percursos sociais onde se revelam os
limites e possibilidades de ser reconhecidos como sujeitos dos direitos
humanos.
Esses jovens e adultos são sujeitos privados de seus direitos educacionais. Temos
de reconhecer, de um lado, que jovens e adultos são cognitivamente capazes de
aprender ao longo de toda a vida e que as mudanças econômicas, tecnológicas e
socioculturais em curso neste novo milênio impõem a aquisição e atualização constante
de conhecimentos pelos indivíduos de todas as idades, propugna-se conceber todos os
sistemas formativos nos marcos da educação continuada. Contudo, faz-se necessário a
implementação de políticas públicas que favoreçam a melhoria da educação de jovens e
adultos, como relata Di Pierro (2005, p. 110):
Já a partir da década de 1920 o movimento de educadores e da
população em prol da ampliação do número de escolas e da melhoria
de sua qualidade começou a estabelecer condições favoráveis à
implementação de políticas públicas para a educação de jovens e
adultos.
Em termos de política pública, uma revisão da literatura permite que
identifiquemos algumas indicações mais ou menos consensuais. Uma delas relaciona -se
ao reconhecimento do direito dos indivíduos traçarem com autonomia suas próprias
biografias formativas. A outra recomenda modificar o estilo de planejamento das
agências formadoras, levando-as a realizar um "giro" da oferta para a demanda, ou seja,
deixar de conceber a oferta educativa a partir de padrões únicos (quase sempre referidos
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aos parâmetros da educação escolar de crianças e adolescentes), passando a concebê-la
a partir da diversidade de demandas concretas dos diferentes segmentos sociais.
Isso não implica em dizer que a educação básica ofertada a jovens e adultos deva
reproduzir as formas de organização, currículos, métodos e materiais da educação
básica infanto-juvenil, muito pelo contrário, a experiência internacional recomenda
flexibilizar currículos, meios e formas de atendimento, integrando as dimensões de
educação geral e profissional, reconhecendo processos de aprendizagem informais e
formais, combinando meios de ensino presenciais e a distância, de modo que os
indivíduos possam obter novas aprendizagens e a certificação correspondente mediante
diferentes trajetórias formativas.
Considerações finais
As políticas públicas precisam atender às especificidades da EJA a fim de que não
haja uma mera concepção compensatória de educação de pessoas adultas, o que
implicaria em negar as desigualdades educativas a serem enfrentadas.
Uma pesquisa em Educação de Jovens e Adultos comporta em seu interior uma
complexa gama de fatores a serem explorados numa investigação, mesmo porque
propõe uma grande diversidade de necessidades formativas. Dessa forma, o lugar da
educação de jovens e adultos pode ser entendido como marginal ou secundário, sem
maior interesse do ponto de vista da formulação política e da reflexão pedagógica,
quando, pelo contrário, a abordagem do fenômeno educativo é ampla e sistêmica,
merecendo maiores atenções quanto a sua história, concepções, proposições, legalização
e financiamento.
Os resultados iniciais desse estudo que nos propomos a realizar reafirmam a
necessidade de uma formação docente que contemple as particularidades da EJA,
conhecimentos e saberes teórico-metodológicos que contribuam para uma prática
educativa emancipatória na EJA.
Referências bibliográficas
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USO E DISPONIBILIDADE DE EPI (EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO
INDIVIDUAL) NOS PSFs DA ZONA URBANA DE GUANAMBI-BA.
Anderson Dias Cardoso 1
Elionara Teixeira Boa Sorte
Gabriela Luz Sousa
Gabryella Castro Guimarães
Maurício da Silva Santos
Orientador: Mauro César Ribeiro dos Santos 2
RESUMO
Relata o uso dos EPI (Equipamentos de Proteção Individuais) pelos profissionais de
enfermagem dos PSFs (Programa de Saúde da Família) da zona urbana do município de
Guanambi-BA, e a disponibilidade desses equipamentos de proteção nestas unidades de
saúde. Objetiva retratar a proporção do uso pelos profissionais e o comprometimento
dos gestores na disponibilidade dos EPI. Discorre a respeito da importância de medidas
preventivas para a saúde do trabalhador, contribuindo assim para o bom desempenho de
suas atividades. É notável que a maioria dos profissionais pesquisados reconhecem a
importância das medidas preventivas, já que fazem uso dos EPI e os gestores cumprem
seu papel no que se refere à disponibilidade desses equipamentos. Como método, optou se realizar uma pesquisa de campo, com abordagem quantitativa, utilizando artigos
científicos e livro para fundamentação teórica, sendo o questionário estruturado o
instrumento de pesquisa adotado. Considera-se que diante do crescente número dos
acidentes de trabalho, relatados em diversos estudos, a discussão e adoção de medidas
preventivas, por parte de profissionais e gestores são de extrema importância para a
garantia de condições ideais de trabalho. Valendo-se da relevância do tema abordado,
anseia-se aprofundar este estudo, utilizando-se de outros instrumentos de pesquisa, a
fim de enriquecer a discussão proposta.
Palavras-chave: EPI (Equipamentos de Proteção Individuais), saúde do trabalhador,
condições de trabalho.
INTRODUÇÃO
1
2
Graduando (a) em enfermagem pela Universidade do Estado da Bahia.
Prof. Esp. da Universidade do Estado da Bahia.
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As questões referentes à saúde e segurança do trabalho tem sido elemento de
discussão com intuito de assegurar melhores condições de trabalho aos profissionais, o
que evitaria danos à saúde e garantiria a continuidade de suas atividades.
A problemática discutida busca responder questionamentos referentes ao uso e
disponibilidade de EPI, sendo pertinente esse estudo, visto a importância da prevenção
para evitar riscos relacionados à saúde do trabalhador. A princípio, julga-se que os
profissionais de enfermagem entrevistados não fazem uso dos EPI, mesmo estes sendo
disponibilizados pelos gestores, suposição essa baseada no conhecimento do alto índice
dos acidentes próprios às atividades laborais referenciados em diversos estudos.
Equipamento de Proteção Individual – EPI intitula a Norma Regulamentadora
do trabalho urbano (NR 6) e estabelece as definições legais, formas de proteção,
requisitos de comercialização e responsabilidades (empregador, empregado, fabricante e
MTE - Ministério do Trabalho e Emprego). Os artigos 166 e 167 da CLT (Consolidação
das Leis Trabalhistas) embasam juridicamente essa norma (ROCHA, 2001).
Os equipamentos de proteção individual referem-se à proteção específica aos
riscos constatados, e cabe a cada empregador fornecer os EPI e capacitar o trabalhador
em relação ao uso correto dos mesmos. Contudo, torna-se indispensável o empenho dos
profissionais em reconhecer a importância de utilizá-los, não se limitando apenas a uma
obrigação dos empregadores.
REFERENCIAL TEÓRICO
Marizale e Robazzi (2000) mostram que desde a década de 40, diante das
inadequadas condições de emprego nos hospitais de diversos países, a Organização
Internacional do Trabalho (OIT) tem considerado o problema como tema de discussão e
proposto recomendações referente à higiene e segurança, para melhorar essa situação.
Em se tratando de profissionais de enfermagem, Costa e Felli (2005) ainda
apontam que esses estão expostos a diversas cargas de trabalho.
[...] No Brasil, MAURO et al. (1976) foram as pioneiras em utilizar os
princípios ergonômicos para analisar o trabalho de enfermagem e na
última década houve uma maior utilização da referida abordagem e
um número crescente de estudos tem sido realizados (MARIZALE E
ROBAZZI, 2000, p.125).
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O estudo de Malaguti et al. (2007) relata os acidentes com perfurocortantes,
sendo a causa mais comum de exposição ocupacional. Além disso, mostra que a adoção
de medidas preventivas requer mudanças de hábitos e, muitos profissionais experientes
têm dificuldade de lidar com essa mudança. Nesse estudo, a disponibilidade dos EPI foi
citada por 44% dos enfermeiros com carga de chefia como a maior facilidade que os
profissionais de enfermagem têm à disposição para prevenção de acidentes.
Malaguti et al., 2007 ainda aponta que a resistência do profissional em utilizar
os EPI foi citada por 41,3% dos sujeitos pesquisados, como motivo que determina a
ocorrência de acidentes na unidade relacionados ao profissional, à instituição e ao
paciente.
Tanto Formozo e Oliveira (2009) quanto Malaguti et al. (2007) afirmam que os
profissionais de enfermagem se preocupam mais com o uso dos EPI de acordo com a
gravidade e a facilidade de transmissão da patologia do cliente assistido.
É relevante a prática de educação preventiva para o grupo de enfermagem,
advertindo os possíveis riscos a acidentes de trabalho com o não uso EPI, é fundamental
que toda equipe busque formas que possibilitem mais garantia nos procedimentos.
Com isso, percebe-se que o uso de EPI é de extrema importância para evitar
acidentes de trabalho, o que é percebido pelos profissionais de enfermagem, contudo,
apesar de muitas vezes esses equipamentos estarem disponíveis, o seu uso adequado não
é estabelecido devido a diversas situações, como por exemplo, o receio pela mudança de
hábitos, sendo necessários treinamentos e orientações a cerca dessa iniciativa.
OBJETIVOS
Este artigo busca investigar o uso dos EPI (Equipamentos de Proteção
Individuais) pelos profissionais de enfermagem dos PSFs (Programa de Saúde da
Família) da zona urbana do município de Guanambi-BA, e a disponibilidade desses
equipamentos nas unidades de saúde da família pesquisadas.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo quantitativo, realizado com pesquisa de campo e
questionário estruturado.
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Esse estudo expressa o total de enfermeiros de nível superior, técnicos e
auxiliares de enfermagem lotados em Unidades de Saúde da Família da cidade de
Guanambi-BA, totalizando 46 trabalhadores aos quais foram feitos convites individuais
para participarem deste estudo, assegurando o caráter sigiloso quanto à identificação dos
respondentes e apresentado a estes profissionais o objetivo e método da investigação,
respeitando-se as recomendações sobre a ética em pesquisa.
O levantamento bibliográfico foi realizado por meio de artigos e livros
relacionados a ergonomia.
O instrumento de pesquisa utilizado foi um questionário estruturado, elaborado
pelo grupo de estudo do projeto de extensão ―Perfil ergonômico dos postos de trabalho
dos profissionais de enfermagem da cidade de Guanambi-Bahia” da Universidade do
Estado da Bahia – Campus XII. A coleta de dados realizou-se em agosto de 2010 com
aplicação do instrumento após leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido – TCLE pelos respondentes. O questionário compreendeu 28 questões
objetivas de múltipla escolha abordando os seguintes dados: Relação Profissional,
Mobiliário
e
Estrutura
Física,
EPI,
Normas
Regulamentadoras,
Condição
Biopsicossocial e Patologias Mais Freqüentes. Sendo que neste artigo utilizou-se apenas
as três questões referentes a EPI.
Os dados foram tabulados em planilha no Microsoft Office Excel 2007, a
análise baseou-se na relação do uso dos EPI e das ofertas destes pelos estabelecimentos,
fato preconizado por leis e normas do trabalho, para isso elaborou-se gráficos em busca
de favorecer as análises dos dados. Isto surgiu com objetivo de proporcionar uma crítica
sobre os riscos ocupacionais pelos quais os profissionais estão submetidos, para que
contribua para melhoria das condições de trabalho.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os questionários foram respondidos por 46 profissionais, sendo 16
enfermeiros, 26 técnicos de enfermagem e 4 auxiliares.
Quanto à disponibilidade dos EPI no ambiente de trabalho, segue o gráfico 1.
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A partir dos dados dispostos no gráfico 1 afere-se que a maioria dos PSFs
pesquisados dispõem de EPI, contribuindo para prevenção dos acidentes de trabalho ao
qual a equipe de enfermagem está exposta. Com isso, percebe-se que a gestão tem
cumprido seu papel diante da NR-6.
Os dados referentes ao uso de EPI encontram-se distribuídos no gráfico 2.
Este gráfico remete ao uso de EPI, em que 50% dos pesquisados refere sempre
usar os equipamentos, fato contrastado com o estudo de Malaguti et al., 2007, no qual
houve resistência dos entrevistados no uso dos equipamentos de proteção individual.
Estes resultados constatam a conscientização e a relevância dada a estes equipamentos
por parte dos profissionais entrevistados, desconfirmando a hipótese apresentada.
CONSIDERAÇÕES
Constata-se a relevância de discutir a saúde do trabalhador, com a finalidade
de adotar medidas preventivas de danos à saúde que visem melhorias nas condições de
trabalho. Em se tratando dos profissionais de enfermagem, a adoção de medidas como o
uso de EPI é relevante para redução de riscos inerentes às atividades realizadas por
estes. Aos gestores cabe propiciar adequadas condições de trabalho e capacitar a equipe
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quanto às prevenções e, aos profissionais, se sensibilizarem para importância dessa
medida, e do uso de todos os equipamentos necessários à sua proteção.
Neste estudo, verifica-se o uso de EPI pelos profissionais entrevistados e a
disponibilidade desses nos estabelecimentos de saúde pesquisados.
Contudo, vale ressaltar um possível aprofundamento deste estudo, com a
utilização de outros instrumentos de pesquisa, como uma observação total, entrevista
semi-estruturada com profissionais de enfermagem e usuários dos PSFs, a fim de
ampliar a discussão a cerca do tema.
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O CENÁRIO DA EJA NO MUNICIPIO DE CAETITÉ: ALGUMAS
REFLEXÕES1
Cláudia Pereira dos Santos2
Danívia da Silva Santos
Isana Cristina S. Neves
Janete de Carvalho da Silva
Lígia Karla S. Magalhães
Naiara Santos R. Lacerda
Sônia Maria A. Oliveira Reis3
RESUMO
O artigo em questão tem como objetivo analisar como a legislação nacional e local
regulamenta e propõe o atendimento, a organização do trabalho pedagógico e o
financiamento da Educação de Jovens e Adultos no município de Caetité – BA. Dessa
forma buscamos compreender como se dá o atendimento da EJA no ensino fundamental
da rede municipal de Caetité, através de levantamento de dados, relatos e questionários
que configuram o ensino oferecido na educação de jovens e adultos. A partir disso,
procuramos com estudos revelar como ocorre à participação e interesse das autoridades
em relação aos sujeitos da EJA, bem como a formação continuada para os professores e
as políticas públicas voltadas a essa modalidade de ensino. A pesquisa foi realizada
numa escola da sede do município, onde buscamos analisar os motivos que levaram os
professores da EJA a empenhar-se nessa modalidade de ensino e indagamos sobre sua
afinidade e afetividade com esses jovens e adultos. Observamos que a educação de
jovens e adultos carrega consigo a pretensão de dar garantias de um direito que foi
negado a esses educandos que é o acesso à escolarização básica e, ao mesmo tempo,
cria grandes expectativas naqueles que frequentam os cursos quanto às mudanças no
cotidiano, principalmente, na realidade profissional deles. Buscamos verificar também
se as instituições de ensino públicas têm se preocupado com a formação de seu corpo
docente, uma vez que a qualidade do ensino depende muito da relação professor-aluno.
Palavras-chave: EJA, políticas públicas, sujeitos, organização do trabalho pedagógico.
1
Artigo produzido na atividade do eixo, 3º semestre curso de Pedagogia.
Graduandas do 4º semestre do Curso de Pedagogia, UNEB – Campus XII.
²Professora mestra do curso de Pedagogia Universidade do Estado da Bahia – UNEB – Campus XII .
2
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Introdução
O presente artigo tem como objetivo analisar o cenário da EJA no município de
Caetité, onde se busca compreender quais são as iniciativas e propostas realizadas neste
município a partir da proposta estadual. Analisamos também o perfil dos sujeitos que
frequentam essa modalidade de ensino.
O trabalho foi desenvolvido a partir de uma reflexão crítica e por meio de coleta
de dados através de entrevistas, questionários e fontes bibliográficas. A partir dos dados
coletados nos propomos a entender como a EJA é regulamentada pela legislação
nacional e local, observando se há uma atenção voltada às necessidades desses sujeitos
que fazem esta modalidade de ensino. Além disso, visamos compreender que
significado os educandos da EJA atribuem ao seu processo de escolarização e como eles
se vêem no ambiente escolar durante as aulas.
Dessa forma procuramos identificar e mapear as principais iniciativas e
discussões relacionadas às políticas públicas de educação de jovens e adultos no Brasil e
especificamente no município de Caetité/BA, tomando por base, os resultados coletados
nos documentos municipais que foram analisados e os estudos e a interlocução com os
autores como Arroyo (2005), Reis (2009), Freire (1997) e Di Pierro (2005) e com a
coordenação de EJA da Rede Municipal de Caetité.
Fundamentos Filosóficos e Pedagógicos da Educação de Jovens e Adultos
A história de Educação de Jovens e adultos no Brasil teve seu início ainda nos
tempos do Brasil colônia, com ações educativas exercidas pelos jesuítas. Porém,
devidos ao contexto sócio-econômico e político da época, que considerava a cidadania
apenas como um direito da elite, pouco ou quase nada foi realizado oficialmente e as
ações desenvolvidas não adquiriram amplitude significativa na sociedade como um
todo. Com o advento do século XIX, surge no cenário nacional, diversos movimentos
contra o analfabetismo que só se formaliza com a promulgação da Constituição
Brasileira de 1988, onde é garantida a escolarização primária e gratuita para todos os
cidadãos. A partir dos anos 60 de acordo (DI PIERRO, 2005).
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[...] ―movimentos de educação e cultura popular ligados a
organizações sociais, à Igreja Católica e a governos desenvolveram
experiências de alfabetização de adultos orientadas a conscientizar os
participantes de seus direitos, analisarem criticamente a realidade e
nela intervir para transformar as estruturas sociais injustas‖.
Percebe-se então que a sociedade começa a voltar toda a atenção para a educação
em todos os seus níveis e modalidades. Entretanto, a educação básica de jovens e
adultos como observa (DI PIERRO, 2005), toma um novo rumo com o início da
ditadura militar, onde o ensino de jovens e adultos deixa de ser pelos ideais dos
movimentos populares onde a formação crítica do aprendiz era o principal objetivo,
para atender ao apelo modernizador da educação à distância e aderindo aos preceitos
tecnicistas, pois o país estava necessitando de mão de obra especializada para manter o
ritmo de crescimento da individualização da aprendizagem e instrução programada, que
fundamentaram a difusão das modalidades de educação não presencial em centros de
estudos supletivos e tele cursos, que se somaram aos cursos presenciais na configuração
de um subsistema de ensino supletivo. Que mais tarde acaba se configurando até mesmo
nas universidades com ensino a distância.
É importante ressaltar que a Educação de Jovens e Adultos deve ser
compreendida enquanto processo de formação humana plena que, embora instalado no
contexto escolar, deverá levar em conta as formas de vida, trabalho e sobrevivência dos
jovens e adultos que se colocam como principais destinatários dessa modalidade de
educação. É necessário relacionar os saberes com a prática, sendo que os educadores
devem a todo o momento relacionar os saberes teóricos com o cotidiano dos educandos,
mostrando-os a importância dessa comparação, relação esta que pode ser comparada
com a pedagogia dialógica freireana, que visa à valorização do ser humano que aprende
como alguém que já traz uma bagagem de experiências, e não aprende como ignorante.
Analisando a história da educação de jovens e adultos no país, percebemos uma
longa trajetória marcada por avanços e retrocessos, sendo que estes avanços fizeram
com que a EJA, se difundisse por todo o país, principalmente com a retomada de seus
objetivos primários onde ONGs tomam a frente do ensino de EJA por todo país.
A EJA em Caetité – Bahia
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A passagem das políticas educacionais da EJA foi marcada, em todo mundo, pelo
crescimento da absorção e a participação de jovens e adultos em programas
educacionais. Dentre as motivações para a busca de maiores níveis de escolarização
após a infância e adolescência destacam-se as múltiplas necessidades de conhecimentos
ligadas ao acesso aos meios de informação, comunicação, havendo assim crescentes
exigências de qualificação de um mundo do trabalho cada fez mais competitivo e
excludente.
As pessoas que se ingressam na EJA no município de Caetité buscam nesta
modalidade de ensino, oportunidades de estudos acelerados em horário noturno. São
adolescentes, jovens e adultos, que por motivos de trabalho, família e muitas vezes
condições financeiras tiveram que interromper o processo de escolarização. Com uma
trajetória escolar truncada e descontínua marcada por insucessos e desistências muitos
retornam à escola em busca de credenciais escolares. Ir à escola como afirma
(EITERER & REIS, 2009, p 206) é uma das estratégias para enfrentar a exclusão, pois
na escola podem aprender não só a dominar a leitura e a escrita, o registro convencional
do cálculo matemático, mas também reorientar sua subjetividade e conduta para fazer
frente aos padrões culturais dominados.
As instituições de ensino públicas têm se preocupado bastante com a formação de
seu corpo docente, uma vez que a qualidade do ensino depende muito da relação
professor-aluno. Muito se discute, atualmente, sobre a formação do professor de jovens
e adultos, pois o educador deve ter consciência de sua força no desenvolvimento do
educando. O professor da EJA deve compreender a necessidade de respeitar a
pluralidade cultural, as identidades, as questões que envolvem classe, etnia, saber e
linguagem dos seus alunos, caso contrário, o ensino ficará limitado à imposição de um
padrão.
Educar jovens e adultos, hoje, não é apenas ensiná-los a ler e escrever seu próprio
nome. É oferecer-lhes uma escolarização ampla e com mais qualidade. E isso requer
atividades contínuas e não projetos isolados que, na primeira dificuldade, são deixados
de lado para o início de outro. Além disso, a educação de jovens e adultos não deve se
preocupar apenas em reduzir números e índices de analfabetismo. Deve ocupar-se de
fato com a cultura do educando, com sua preparação para o trabalho e como está
previsto nas diretrizes curriculares da EJA deve-se preocupar também com a
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qualificação e equalização do ensino e da aprendizagem na Educação de Jovens e
Adultos.
Constata-se o quantitativo de duzentos e trinta e cinco (235) alunos matriculados
no ensino fundamental I (1ª a 4ª série) e o fundamental II (5ª a 8ª). Esses são distribuídos
em cinco escolas sendo uma na sede e as demais nos seus distritos. O município conta
com trinta e dois professores lecionando em turmas de EJA, os quais contam apenas
com a orientação de uma coordenadora pedagógica.
A pesquisa foi realizada na escola da sede do município onde verificamos a
existência de oito professores que ensinam na EJA, sendo dois no fundamental I e seis
no fundamental II, os mesmos possuem nível superior com especializações.
Ao analisar os motivos que levaram os professores da EJA a empenhar-se nessa
modalidade de ensino, notamos principalmente afinidade e afetividade com os jovens e
adultos o que favorece uma relação professor/aluno mais próxima e consequentemente
facilita o aprendizado e provoca o diálogo em sala de aula.
Ao indagarmos sobre formação profissional dos docentes da EJA, abordagens
pedagógicas, as escolhas teóricas e metodológicas utilizadas, percebemos que a
organização do trabalho pedagógico da maioria fundamenta-se nas propostas de Paulo
Freire. Além disso, os professores demonstraram satisfação em lecionar nas turmas da
EJA, embora reconheçam os desafios que terão a enfrentar. Relataram ainda a
preocupação e o esforço constante para estabelecer uma relação entre teoria e prática e
aproximar o cotidiano dos alunos as práticas de sala de aula.
Para superar tais dificuldades, os professores buscam desenvolver práticas
pedagógicas dinâmicas e participativas, valorizando os conhecimentos prévios dos
discentes.
Fazendo uma análise sobre os sujeitos da EJA da escola que serviu de base para
este projeto, notamos que a sua maioria reside na sede do município, eles estão na faixa
etária entre vinte e cinco a trinta e quatro (25 a 34) anos. Percebemos que a maioria dos
discentes matriculados nessa modalidade de ensino são casados e trabalhadores, que
ganham menos de um salário mínimo, além disso, são responsáveis pelo sustento da
família, sendo esta a maior dificuldade enfrentada para continuar os estudos. Os motivos
que os levaram a frequentar a EJA é a perspectiva de conseguir um melhor emprego e
melhoria de vida, os discentes afirmam que o ensino da EJA é excelente e que seus
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professores mostram-se bem próximos dos alunos.
Considerações Finais
Diante do que foi exposto verificamos que o cenário da EJA no município de
Caetité não se difere dos demais, pois ao pesquisarmos sobre o tema constatamos que a
EJA no município ainda não é um campo consolidado, uma vez que sua proposta
curricular da EJA do município ainda não está pronta.
Concluímos também que o perfil dos sujeitos que frequentam essa modalidade de
ensino são jovens e adultos trabalhadores proletariados, desempregados, dona de casa,
com suas diferenças culturais, de etnia, de religião e de crenças, o que exige do
educador uma visão mais ampla dos seus sujeitos.
No que se refere ao professor, este artigo possibilitou identificar as características
que o mesmo deve possuir para atuar com jovens e adultos e a importância do respeito
ao conhecimento que o aluno traz de seu dia-a-dia. Fazendo com que o educando seja
um ser pensante, crítico e produtor do seu conhecimento. Nesse sentido, foi evidenciado
que a maioria dos professores possui um curso de nível superior, porém não voltados
especificamente para a área em que atuam.
Dessa forma, entendemos que o estudo da EJA, despende de pesquisas e
acompanhamentos mais aprofundados e sistemáticos, principalmente em relação ao
estudo da EJA no município de Caetité, pois observamos uma necessidade de
compreender melhor o campo da EJA, reconhecendo as especificidades dos seus
sujeitos, elaborando políticas públicas, garantido o atendimento e financiamento com
qualidade.
Referências Bibliográficas
ARROYO, Miguel. Educação de jovens e adultos: um campo de direitos e de
responsabilidade pública. In: SOARES, L.J. G; GIOVANETTI,M.A; GOMES,N.L.
Diálogos na educação de jovens e adultos. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.p.19-50.
BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais:
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apresentação dos temas transversais e ética. 3. Ed. Brasília: MEC/SEF, 2001.
DI PIERRO, Maria Clara. Notas sobre a redefinição da identidade e das políticas
publicas de educação de jovens e adultos no Brasil. Campinas, vol. 26, n.92, p.11151139, Especial - Out. 2005.
EITERER, C. L.; REIS, S. M. A. O. Educação de jovens e adultos entre regulação e
emancipação. In: SOARES, Leôncio; SILVA, I. O. (Orgs.). Sujeitos da educação e
processos de sociabilidade: os sentidos da experiência. Belo Horizonte: Autentica,
2009, v. 1, p. 179-216.
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CONTRIBUIÇÕES DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DE UMA
ESCOLA DA REDE MUNICIPAL DE GUANAMBI-BA
Isamara Silveira 1
Jussana Ribeiro2
Luciana Rodrigues Martins3
Marleide Figueiredo. 4
Rejane Teixeira 5
Orientadora: Profª Ms. Zizelda Lima Fernandes.
RESUMO: O presente projeto propõe desenvolver um estudo que adentra pelo campo
da educação, cujo objeto de estudo é o Projeto Político Pedagógico compreendido como
um instrumento indispensável de ação e transformação na escola por auxiliá-la na
construção do seu próprio caminho e na realização dos seus objetivos. Propõe-se a partir
desse trabalho, analisar o processo de construção e vivência do Projeto Político
Pedagógico na escola Vivara da rede municipal de Guanambi-BA. A questão problema
orientadora da pesquisa é a seguinte: o Projeto Político Pedagógico da Escola Vivara da
rede municipal de Guanambi, contempla em suas metas e ações as reais necessidades,
anseios e perspectivas dos alunos inseridos nessa instituição? O campo de investigação
é uma escola da rede municipal de ensino que atende crianças que se encontram nos
anos iniciais do ensino fundamental. Pesquisa de natureza qualitativa cujos atores
sociais serão professores, alunos e gestores da escola ( diretor/a, coordenador/a). O
processo de coleta de dados se constituirá a partir dos procedimentos teóricometodológicos: Análise documental, entrevistas semi-estruturadas e questionários. O
material coletado e classificado será a base de apoio para a interpretação e análise dos
dados a partir de articulação com estudiosos diversos que abordam o referido tema em
seus estudos.
Palavras - chave: Projeto Político-Pedagógico, Gestão Democrática e Cidadania.
1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
Ao estabelecer as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a atual LDB 9394/96,
buscou criar condições legais para que cada escola pudesse se organizar para o alcance
dos objetivos propostos na Constituição de 1988, art 2º:
1
Aluna do 4º semestre do Curso de Pedagogia da UNEB/CAMPUS XII
Aluna do 4º semestre do Curso de Pedagogia da UNEB/CAMPUS XII
3
Aluna do 4º semestre do curso de pedagogia da UNEB/CAMPUS XII
4
Aluna do 4º semestre do curso de pedagogia da UNEB/CAMPUS XII
5
Aluna do 4º semestre do curso de pedagogia da UNEB/CAMPUS XII
2
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A ‗educação‘ é um direito para todos, um dever do
Estado e da família, e está a ser promovida com a
colaboração da sociedade, com o objetivo de
desenvolver plenamente o desenvolvimento
integral da personalidade humana e a sua
participação nos trabalhos com vista ao bem-estar
comum.
Como reza a Constituição de 1988, a educação de fato é um direito de todos.
Cabe a cada membro: Estado, Família e Sociedade zelar por medidas de não-exclusão
de alunos através da sua inserção no sistema escolar, não somente pela garantia de
vagas, mas assegurando a sua freqüência, permanência e participação ativa na escola a
fim de que haja a efetivação de uma aprendizagem bem-sucedida.
A partir dos estudos e discussões realizados em torno das diretrizes da LDB
9394/96, assim como das leituras e debates provenientes da disciplina de Didática sobre
o processo de formação do professor, com destaque para os saberes necessários à prática
educativa, fez-se indispensável o estudo dessa temática.
Considerando que o estudo sobre Planejamento em seus vários níveis é crucial
para os profissionais da educação, procuramos abordar o nível de planejamento que
envolve o Projeto Político Pedagógico. O PPP é um documento que facilita e organiza
as atividades na escola, sendo mediador de decisões, da condução das ações e da análise
dos seus resultados e impactos que, por conseguinte, orienta a prática de produzir uma
realidade. Conhecido também como Projeto Educativo da Escola, o PPP é um
instrumento indispensável de ação e transformação na escola por auxiliá-la na
construção do seu próprio caminho e na realização dos seus objetivos.
As reflexões e estudos desenvolvidos nos impulsionaram a buscar conhecer com
maior profundidade essa modalidade de planejamento na escola, especialmente pela sua
grande característica que seria proporcionar a participação e envolvimento da
comunidade interna e externa. Depois de muitas indagações chegamos a um
denominador comum quanto à questão que seria o foco do nosso estudo. A saber: o
Projeto Político Pedagógico da Escola Vivara da rede municipal de Guanambi,
contempla em suas metas e ações as reais necessidades, anseios e perspectivas dos
alunos inseridos nessa instituição. Perante a problemática central, traçamos os objetivos
que nortearão o nosso estudo:
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 Geral: Analisar o processo de construção e vivência do Projeto Político
Pedagógico da Escola Vivara da rede municipal de Guanambi-BA.
 Específicos:
- Analisar a concepção e relevância do Projeto Político Pedagógico;
- Analisar o processo de construção e vivência do Projeto Político Pedagógico no
contexto escolar;
- Identificar no Projeto Político Pedagógico da Escola Vivara da rede municipal de
Guanambi, ações direcionadas às reais necessidades, anseios e perspectivas dos alunos;
- Verificar se o Projeto Político Pedagógico é visto apenas como uma exigência
burocrática ou como elemento articulador das ações da escola.
É de grande valia para nós, futuros pedagogos, a possibilidade da descoberta de
possíveis ações que possam nos aproximar do cotidiano de uma escola, e perceber se
nesse cotidiano é contemplada a realidade sócio-cultural dos alunos, os seus anseios e
perspectivas.
Esta pesquisa também proporcionará a construção dos conhecimentos que
posteriormente possibilitarão reflexões aos professores, gestores e coordenadores
quanto à necessidade da busca de um novo modelo de planejamento.
2. PERCURSO METODOLÓGICO
Propomos para o desenvolvimento dessa pesquisa uma abordagem metodológica de
natureza qualitativa. Segundo Piore (1979, p.560 ) ―o emprego de métodos qualitativos
pode conferir redirecionamentos da investigação, com vantagens em relação ao
planejamento integral e prévio de todos os passos da pesquisa‖.
A pesquisa será realizada na escola Vivara da rede municipal de ensino na
cidade de Guanambi-Ba. A referida instituição atende um total de 290 crianças que se
encontram nos anos iniciais do ensino fundamental, com idade entre 7 aos 14 anos.
Crianças essas que, na sua maioria, apresentam um rendimento escolar insatisfatório e
que são provenientes de uma camada social baixa.. A escola atende também crianças
deficientes: dez surdos e dois cegos. Quanto a estrutura física, a escola possui: seis salas
de aula, uma biblioteca, uma cantina, um almoxarifado, uma sala da direção, três
banheiros, dois para os alunos e um para os professores e funcionários. A área de
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lazer da escola é muito pequeno o que, muitas vezes, tumultua o recreio. Escolhemos a
escola Vivara, em primeiro lugar pela localização e depois por atender a um público
bem mais diversificado.
No processo de coleta dos dados realizaremos: Análise documental, entrevistas
semi-estruturadas e questionários.
Desenvolveremos uma análise do Projeto Político Pedagógico da Escola com o
propósito de realizar um confronto entre as metas traçadas, as análises realizadas e a
realidade do aluno no contexto escolar. Nessa dinâmica buscaremos entrevistar (
entrevista semi-estruturada): o diretor (a) e o coordenador (a) e três dos dez professores
que atuam na escola. A necessidade de consultar o diretor se justifica pelo fato do
mesmo ser o responsável por tomar frente nas decisões e articulações das atividades na
instituição. O coordenador será imprescindível, pois este funciona como auxiliador na
coordenação da escola e encaminhamentos no processo de elaboração e execução do
Projeto Político Pedagógico. Os professores trarão um demonstrativo de participação e
envolvimento no planejamento da escola. A seleção dos três professores será feita a
partir da sua disponibilidade e compreensão quanto à pesquisa a ser realizada.
Cabe dizer que a entrevista semi-estruturada é aquela que combina perguntas
fechadas e abertas, e que permite ao entrevistado discorrer sobre o tema sugerido sem
que o entrevistador fixe a priori determinadas respostas ou condições. Alguns tópicos
são selecionados a priori; contudo, as questões reais não o são (Bailey, 1982). É uma
técnica de pesquisa que visa obter informações de interesse a uma investigação, onde o
pesquisador formula perguntas orientadas, com um objetivo definido, frente a frente
com o respondente e dentro de uma interação social.
Quanto aos questionários serão distribuídos para os alunos com questões
fechadas e abertas. As questões abertas como se sabe, são aquelas em que o interrogado
responde com suas próprias palavras sem qualquer restrição e nas fechadas todas as
respostas possíveis são fixadas de antemão. O objetivo dos questionários é buscar
identificar as perspectivas e anseios dos alunos. Optamos por fazer esse questionários
com os alunos que se encontram no quarto ou quinto ano, devido à sua maior
maturidade, que apresentarem interesse diante da proposta.
Posteriormente, com o material em mãos, coletado e classificado, construirmos o
nosso texto, tendo como base de apoio para a interpretação e análise dos dados, a nossa
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―rigorosidade metódica‖e uma articulação com estudiosos diversos que abordam o
referido tema em seus estudos.
3. REVISÃO DE LITERATURA:
O Projeto Político Pedagógico é a síntese dos princípios, diretrizes e prioridades
estabelecidas pela equipe escolar a partir dos objetivos educacionais e da definição dos
resultados a serem atingidos, sempre voltados para a melhoria da aprendizagem dos
alunos e do desempenho da escola.
Para tratar o tema deste estudo serão utilizados como subsídio teórico, textos que
nos possibilitem adquirir conhecimento a respeito da LBD 9394/96, no que se refere ao
PPP, da construção do planejamento educacional no contexto que envolve todo um
processo participativo (elaboração do PPP). Para tanto utilizaremos também os autores,
Veiga (1995), Vasconcelos (2000).
A consolidação do Projeto Político Pedagógico tem um marco na LDB 9394/96.
O Artigo 12 afirma: ―Os estabelecimentos de ensino respeitando as normas comuns e as
do seu sistema de ensino terão a incumbência de: I – elaborar e executar sua proposta
pedagógica‖. A instituição escolar tem autonomia para que o Projeto Político Pedagógico
aconteça. Isto é assegurado no art. 15, Título IV: ―Os sistemas de ensino assegurarão às unidades
escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia
pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito
financeiro público.‖
Veiga (1995, págs. 16-18) cita em sua obra, princípios que norteiam o Projeto
Político-Pedagógico e que estão definidos em:
a) ―Igualdade de condições para acesso e permanência da escola‖
b) ―Qualidade que não pode ser privilégio de minorias econômicas e sociais‖
c) Situa ―entre concepção e execução, entre o pensar e o fazer, entre teoria e
prática.‖
Percebe-se que tais princípios atentam para a questão da igualdade de
oportunidades, abordam a gestão democrática que implica na socialização e uma
educação de qualidade.
Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino
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público na
Educação Básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes
princípios: I – Participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto
pedagógico da escola. (art. 14. LDB, 9394/96), mediante:
d) A liberdade está associada à autonomia e assume a responsabilidade na
construção do Projeto Político-Pedagógico.
e) A valorização do magistério, e afirma que a qualidade do ensino está relacionada
com a formação inicial e continuada, recursos integrados à escola e
remuneração.
Na visão de (Veiga, 1995; pág. 33), ―o Projeto Político-Pedagógico da escola é
uma reflexão de seu cotidiano‖ e sua construção ―requer continuidade das ações‖
dentro da escola.
O Projeto Político Pedagógico é ―o plano global da instituição‖, plano este que
deve ter todas as informações necessárias para o seu funcionamento, ou seja, o
documento que prova sua existência e a direciona para que funcione corretamente.
Em algumas escolas e redes, o planejamento é encarado como instrumento
burocrático e autoritário. Em um sistema autoritário, o planejamento é uma arma que se
volta contra o professor porque o que ele disser - ou alguém disser por ele - que vai ser
feito tem que ser cumprido. Caso contrário, ele foi incompetente. E, nem sempre,
conseguimos fazer o que planejamos. Por diversas razões, inclusive por falha nossa,
mas não unicamente por isso. No entanto, o movimento da sociedade e o processo de
redemocratização têm favorecido o conceito de planejamento como real instrumento de
trabalho e não como uma ferramenta de controle dos professores.
Desenvolver a cidadania, a ética, o senso crítico, os valores, etc. são objetivos
perfeitos para estarem em um Projeto Político Pedagógico como afirma NOGUEIRA
(2005). Segundo o autor, especificamente sobre os objetivos, é preciso alertar sobre a
sua redação e conteúdo, pois muitas vezes são redigidos com frases bonitas e de
impacto, porém de uma fragilidade e superficialidade que não levam a nada.
REFERÊNCIAS
BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 05 de
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outubro de 1988/organização do texto, notas remissivas e índices por Juarez de Oliveira:
São Paulo: Saraiva, 1988.
NOGUEIRA, Nilbo Ribeiro Pedagogia dos projetos. Etapas, papéis e atores. São
Paulo: Érica, 2005
VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento: projeto de ensino
aprendizagem e projeto político-pedagógico. 10. ed. São Paulo: Libertad, 2002.
VEIGA, Ilma P.A. Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível
(orgs.) – Campinas, SP. Papirus, 1995. – (Coleção Magistério: Formação e Trabalho
Pedagógico).
PIORE, Michael J. Qualitative research techniques in economics, In Administrative
Science Quarterly, vol. 24, nº 4, Decembrer 1979, pp. 560 – 569.
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FATORES PREDISPONENTES da Depressão PÓS-PARTO e ConseqUências na
Interação Mãe/Bebê: Revisão Integrativa
Ana Paula Lessa Tavares de Andrade¹
Jamille Ribeiro Barros¹
Jardelson Rocha Oliveira¹
Larissa Silva de Abreu Rodrigues2
RESUMO
A Depressão pós-parto (DPP) tornou-se marcante na área das ciências no tocante às
pesquisas sobre a saúde da mulher. Percebe-se um aumento gradativo no número de
casos de DPP entre as mulheres em puerpério, principalmente no primeiro ano de vida
da criança. O presente estudo objetivou identificar as conseqüências desta temática
sobre a relação entre a mãe e o bebê, levando em consideração os indicadores descritos
na literatura como determinantes. Trata-se de uma revisão integrativa realizada através
do acesso online da base de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências
da Saúde (LILACS). A busca foi operacionalizada por meio das seguintes palavraschaves: ―depressão pós-parto, relação mãe-bebê e maternidade‖ e os critérios de
inclusão delimitados, conforme está descrito na metodologia do presente estudo. Para a
análise de dados dos seis artigos incluídos, foi desenvolvido um quadro sinóptico com a
síntese destes. Os resultados dessa pesquisa enfatizam as repercussões do quadro de
DPP para a qualidade da relação entre a díade mãe-bebê. Notou-se também, que o
estado depressivo materno exerce ação direta na percepção da mãe, em relação ao
desenvolvimento integral da criança e negativa a sua avaliação em relação ao exercício
da maternidade, o que, segundo o resultado das pesquisas analisadas, influencia
consideravelmente no desenvolvimento psicossocial da criança. Sendo assim, destaca -se
a necessidade de acompanhamento dessas pacientes por profissionais capacitados que
estabeleçam vínculo de confiança e venham assim, a inquirir aspectos determinantes
que forneçam subsídios para prevenção e detecção de distúrbios psicológicos ainda que
no pré-natal, e promova a recuperação da saúde destas mulheres.
Palavras-chaves: Depressão pós-parto, interação mãe-bebê, materna
1
Acadêmico do Curso de Bacharelado em Enfermagem – Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Departamento
de Educação. Campus XII. Guanambi-BA.
2
Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da UFBA. Professora da Universidade do Estado da Bahia
(UNEB) Departamento de Educação Campus XII: Guanambi-BA e da Faculdade Guanambi (FG).
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INTRODUÇÃO
A interação entre a mãe e seu bebê e sua influência para o desenvolvimento
posterior da criança constitui um tema de relevante interesse entre os pesquisadores das
áreas que envolvem a saúde da mulher, da criança e de sua família (SCHWENGBER e
PICCININI, 2003).
Os casos de mães com depressão pós-parto (DPP) são relativamente comuns e
ocorrem devido a inúmeros fatores psicossociais, subjetivos e biológicos, de difícil
controle, que atuam implacavelmente no seu surgimento (COSTA, PACHECO e
FIGUEIREDO, 2007; MORAES et al, 2006). Por isso, os fatores que caracterizam a
DPP como um problema de saúde pública, merecem uma atenção especial, pois, esta
traz conseqüências severas tanto maternas como para o desenvolvimento da criança
(SCHWENGBER e PICCININI, 2003; SANTOS JUNIOR, SILVEIRA e GUALDA,
2009).
Os sintomas comuns à DPP vão do desânimo persistente, sentimentos de culpa,
alterações do sono, idéias suicidas, temor de machucar o filho, inapetência e redução da
libido, diminuição do nível de funcionamento mental à presença de idéias obsessivas ou
supervalorizadas.
Considerando que a identificação e a sistematização das considerações
encontradas na literatura brasileira sobre as produções científicas relacionadas à DPP
podem contribuir para uma melhor interpretação do conhecimento produzido na área
com o propósito de auxiliar no desenvolvimento de futuras investigações e
intervenções. Sendo assim, a presente revisão integrativa buscou identificar as
conseqüências da DPP sobre a relação entre a mãe e o bebê, levando em consideração
os indicadores descritos na literatura como determinantes.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
As etapas da elaboração da presente revisão integrativa constitui-se de:
estabelecimento de objetivos da revisão; estabelecimento de critérios de seleção da
amostra; definição das informações a serem extraídas dos artigos selecionados; análise e
discussão dos resultados.
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Os artigos foram selecionados na base de dados LILACS. O uso dessa base de
dados visou minimizar os possíveis vieses no processo de elaboração da revisão
integrativa.
A busca foi realizada pelo acesso on-line através das seguintes palavras-chaves:
depressão pós-parto, relação mãe-bebê, maternidade. Após a identificação dos artigos,
delimitaram-se os seguintes critérios de inclusão: artigos publicados em português,
independentemente da metodologia utilizada, com textos completos disponíveis na base
de dados selecionada, publicados no período compreendido entre 2005 a 2009. Em
atendimento aos referidos critérios de inclusão, a amostra final desta revisão integrativa
foi constituída de seis artigos.
Para a coleta de dados dos artigos que foram incluídos neste trabalho, foi
desenvolvido um quadro sinóptico com a síntese dos trabalhos que atenderam aos
critérios de inclusão.
ANÁLISE DOS RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na presente revisão integrativa, analisou-se seis artigos e, a seguir, apresentarse-á um panorama geral dos artigos avaliados (Tabela 1). Dentre os artigos incluídos,
quatro são de autoria de psicólogos e dois tem entre seus autores docentes e discentes de
enfermagem.
Dos artigos avaliados três foram de revisão bibliográfica, dois desenvolvidos em
instituições hospitalares e um em um instituto de psicologia de uma universidade
federal. Quatro artigos foram publicados em revistas de psicologia clínica, um em
revista de saúde pública em uma revista de enfermagem.
Quanto aos aspectos específicos da temática estudada presentes na revisão
encontraram-se: fatores de risco para DPP e a prevalência da mesma; tipo de abordagem
da temática e outros tipos enfermidades descritas nos estudos; caracterização da
depressão pós-parto e fatores de risco associados à sua ocorrência; repercussões do
estado depressivo das mães para a qualidade da interação com o bebê; avaliação da
prevalência e os fatores associados à DPP; comparação dos relatos de mães com
indicadores de DPP com mães que não apresentaram tais indicadores.
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TABELA 1 - Apresentação da síntese de artigos incluídos na revisão integrativa.
Título do artigo
Autores
Conclusão
Fatores de risco para a
Uma percentagem
Baixas
DPP e a prevalência da
significativa de mulheres
socioeconômicas da puérpera
sintomatologia
Pacheco; Barbára
mesma
encontra-se clinicamente
e a não aceitação da gravidez
depressiva após
Figueredo
deprimidas
são
preditores
e
de
Costa;
Resultado
Alexandre
Prevalência
Raquel
O que foi estudado
condições
elementos-chave
no
desenvolvimento da DPP.
o parto
Hudson
S.
Jr;
Verificou-se como a
A produção científica está
Percebe-se que a DPP é um
Depressão pós-
Maria de Fátima
temática
presente nos cinco continentes
problema que acomete uma
parto:
Silveira;
abordada e a presença
do
quantidade cada vez maior de
de
predominância da abordagem
mulheres
quantitativa,
na
demandando pesquisas que
prevalência,
possam instruir diagnóstico,
Um
Dulce
Maria Gualda.
problema
vem
sendo
enfermeiros
envolvidos nos estudos.
latente.
mundo,
com
focado
incidência,
na
fatores
associados
e
terapêutica
no
e
puerpério,
cuidado de
tratamento da DPP.
enfermagem a esta síndrome.
Depressão Pós-
Damiana
A DPP como distúrbio
A DPP acomete entre 15 a
Os profissionais de saúde,
parto:
Guedes-Silva;
de
grau
20% das parturientes, e maior
devem estar aptos a cuidar
Marise Ramos de
moderado a severo, de
parte das mães vítimas deste
das parturientes a fim de
Souza;
caráter
distúrbio não procura ajuda
evitar traumas para a mãe,
identificado como um
profissional,
filhos e famílias envolvidos,
Moreira;
episódio
cuidados
Marcelo
com início dentro de
Genestra.
seis semanas pós-parto.
prevenção
e
conseqüências.
Vilma
Perez
humor
de
multifatorial,
depressivo,
ou
usa
médicos
dos
para
o
bebês e não para si mesmas.
inclusive,
episódios
prevenindo
de
suicídio
e
infanticídio
O impacto da
Daniela
Delias
As características da
Fatores
depressão pós-
de
Souza
DPP e fatores de risco
contribuem
parto
Schwengber;
associados. O estado
precipitação da DPP.
de interação mãe-bebê; no
interação mãe-
César
depressivo da mãe e a
O estado depressivo da mãe
caso de diagnostico após o
bêbe
Piccini
qualidade da interação
pode repercutir negativamente
parto realiza-se intervenções
com
nas 1ª interações com o bebê e
multidisciplinares.
desenvolvimento
conseqüentemente
profissionais preparados para
posterior da criança.
desenvolvimento da criança.
lidar com essas situações.
para
Agusto
bebê
no
para
a
no
O atendimento precoce deve
previnir um padrão negativo
Com
Prevalência da
Inácia
da
Avaliar a prevalência e
DPP prevalente em 19,1%,
O acompanhamento de mães,
depressão pós-
Silva; Ricardo T.
os fatores associados
maior em mães de nível
em especial de baixa renda,
parto e fatores
Pinheiro;
para
socioeconômico mais baixo e
por uma ação integrada que
associados.
Ricardo A. da
parto
de menor escolaridade; Os
atenda variáveis associadas à
Silva;
G.
o
biopsicossociais
depressão
pós-
Bernardo
fatores associados incluem:
DPP, pode prevenir graves
L.Horta; Augusto
psicossociais, a preferência
problemas
D.Faria; Paulo L.
por sexo e desejo de aborto
familiares que decorrem da
R.Souza
pessoais
DPP
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e
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Daniela
Delias
Compararam-se,
da maternidade
de
Sousa
no contexto da
Schwengber
depressão
Cesar
com os de mães sem
desenvolvimento
materna
no
Piccinini
indicadores
com papel materno
final
do
A
experiência
Augusto
Mães com indicadores de
Esses achados apontam para a
relatos de mães com
depressão
indicadores
insatisfeitas
de
os
DEDC XII
DPP
estão
mais
importância de avaliações e
com
o
intervenções precoces para
do
bebê,
primeiro ano de
minimizar
negativos
os
da
efeitos
depressão
materna para a díade mãebebê.
vida do bebê
Constatou-se que o estado depressivo da mãe pode repercutir negativamente nas
primeiras interações com o bebê e no seu desenvolvimento, especialmente no tocante à
ocorrência posterior de problemas emocionais e de comportamento. Em relação aos
artigos avaliados, percebeu-se que as mães com indicadores de depressão, se
comparadas com aquelas sem os mesmos indicadores, evidenciam uma impressão
negativa em relação às mudanças comportamentais, as novas habilidades dos seus
bebês, as características emocionais deste e demais elementos do comportamento
infantil, bem como menor satisfação com a maternidade e uma avaliação negativa do
seu desempenho enquanto mãe. Estes fatores estão mais presentes em mães de bebês do
sexo masculino do que naquelas mães de bebês do sexo feminino.
Por fim, os artigos destacaram a DPP como um problema de saúde que acomete
cada vez mais um número maior de mulheres e que requer uma avaliação precoce tendo
em vista a uma intervenção pela atuação marcante de uma equipe multiprofissional para
um acompanhamento direto visando à prevenção, o diagnóstico precoce e a recuperação
da saúde, a fim de evitar complicações para díade mãe-bebê e também para suas
famílias.
CONCLUSÕES
A existência de um vínculo profícuo entre a mãe o bebê, proporciona a estes
uma relação frutuosa, e ao último, atravessar as fases iniciais da vida, convertendo-se
em um adulto saudável.
Muitos aspectos relacionados ao estado depressivo no puerpério ainda estão por
serem esclarecidos, novos estudos devem ser tomados, pois, são importantes para se
conhecer a etiologia e as características deste problema (BORSA, FEIL e PANIÁGUA,
2007). A revisão da literatura mostrou que os fatores que predispõem o
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desenvolvimento de um quadro de depressão entre as mães de crianças, varia de
período, podendo acometê-las desde a gestação até as fases finais do puerpério,
acentuando-se de forma mais severa no primeiro ano de vida do bebê.
Deste modo, a DPP deve ser assistida de forma multifatorial, levando em
consideração os múltiplos aspectos da gestação e puerpério incorporando-se à rotina dos
profissionais que lidam com a DPP, a busca ativa de sintomas depressivos e de seus
fatores de risco, preferencialmente desde o pré-natal, considerando que este é um
momento onde a mulher está exposta a exigências como a reorganização corporal,
pessoal, familiar e social.
REFERÊNCIAS
BORSA, Juliane Callegaro; FEIL, Cristiane Friederich; PANIÁGUA, Rafaele
Medeiros. A relação mãe Bebê em casos de depressão pós-parto. Psicologia.com.pt O Portal dos Psicólogos. Disponível em:
http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0384.pdf. Acesso em: 15 set. 2010.
COSTA, Raquel; PACHECO, Alexandra; FIGUEIREDO, Bárbara. Prevalência e
preditores de sintomatologia depressiva após o parto. Rev. psiquiatr. clín., São
Paulo, v. 34, n. 4, 2007. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010160832007000400001&lng=en&nrm=iso>. access on 23 Sept. 2010.
GUEDES-SILVA, Damiana et al . Depressão pós-parto: prevenção e conseqüências.
Rev. Mal-Estar Subj., Fortaleza, v. 3, n. 2,set. 2003. Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S151861482003000200010&lng=pt&nrm=iso. Acessos em 23 Set. 2010.
MORAES, Inácia Gomes da Silva et al . Prevalência da depressão pós-parto e fatores
associados. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 40, n. 1, Feb. 2006 . Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S003489102006000100011&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 23 Sept. 2010.
SANTOS JUNIOR, Hudson Pires de Oliveira; SILVEIRA, Maria de Fátima de Araújo;
GUALDA, Dulce Maria Rosa. Depressão pós-parto: um problema latente. Rev.
Gaúch. Enferm;v 30, n 3, 2009. Disponivel em:
http://www.seer.ufrgs.br/index.php/RevistaGauchadeEnfermagem/article/view/8062/69
97. acessos em 23 Set 2010.
SCHWENGBER, Daniela Delias de Sousa; PICCININI, Cesar Augusto. O impacto da
depressão pós-parto para a interação mãe-bebê. Estud. psicol. (Natal), Natal, v. 8, n.
3, Dec. 2003 . Disponível em:
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http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413294X2003000300007&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 23 Sept. 2010.
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A FACE PEDAGÓGICA DE EROS EM BUSCA DA VALORIZAÇÃO DA
DOCÊNCIA
Luciana Rodrigues Martins
RESUMO
O que eu pretendo neste trabalho é relacionar e discutir uma temática tão atual que é
mostrada de maneira equivocada pela nossa sociedade, que é a docência, resultando em
um futuro comprometedor para a profissão dos professores. Quando busco
interrelacionar a face pedagógica de Eros com a docência, viso mostrar algo que é bem
pouco visto pelas pessoas, devido ao fato do pouco conhecimento que se tem sobre: a
mitologia, Eros, filosofia e a pedagogia, Essa falta de esclarecimento gera conceitos que
não condizem com a realidade. Como o mito de Eros nos ajuda a compreender melhor
essa relação de amor, amizade e porque não dizer paixão dos docentes com essa causa
bonita e complexa que é a educação? Como Eros era alguém que não estava feliz com o
que possuía, sempre ia em busca de algo que saciasse a sua vontade, assim é o
professor, que não estando feliz com a sua formação vai sempre em busca de novos
conhecimentos para saciar a sua sede do saber, consequentemente melhorando a sua
vida pessoal, profissional gerando frutos na sala de aula, promovendo aos seus alunos a
possibilidade de serem mais críticos e uma formação mais humana, resultando em vida
familiar e social melhor. Logo notarão que isso foi resultado do trabalho do professor,
assim este terá a sua valorização perante toda a sociedade. Porém, isso não acontecerá
do dia para a noite. É preciso a conscientização e maior informação para os professores
saberem como podem ser promotores da sua valorização. Almejo através deste artigo
promover uma reflexão do que é ser professor, baseado nos estudos da doutora em
filosofia Marlene de Sousa Dozol, em um dos seus artigos a ―Face Pedagógica de Eros‖.
PALAVRAS CHAVES: Docência, Eros, Valorização,
A Face Pedagógica de Eros
Antes de fazermos a relação entre o mito de Eros com a carreira da docência
temos de entender como se originou e o que é o mito de Eros, que se dá de duas
maneiras uma delas é descrita por Maria Lucia de Arruda Aranha:
Na Teogonia de Hesíodo, as entidades que saem do seio de Caos - vazio da
desorganização inicial surgem por segregação, por separação. Até que nasce
Eros o Amor, força de natureza espiritual que preside a partir daí a coesão, a ordem do universo
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nascente. No ciclo dos mitos olimpianos, Eros (Cupido. Para os romanos),
filho de Afrodite representado por uma criança travessa ocupada em flechar
os corações para torná-los apaixonados. Mas ele próprio se apaixona por
Psique (Alma). Afrodite, invejosa da beleza de Psique, afasta-a do filho e a
submete às mais difíceis provas e sofrimentos, dando-lhe como companheiras
a Inquietude e a Tristeza; até que Zeus, atendendo aos apelos de Eros, libertaa para que o casal se una novamente. Aranha(1993)
A outra maneira é descrita por Marlene de Souza Dozol em seu artigo ―A Face
pedagogica de Eros:
Eros nasce numa festa na qual os deuses comemoram nascimento de
Afrodite. Seu vínculo com a deusa do amor, torna-o companheiro e servo da
Beleza. Gerado nesse dia, é filho de Pênia (a Pobreza) e Poros (o Recurso).
Por conta de seus progenitores, Eros é duplo. Da mãe herda a carência, a falta
e a busca. Do pai, o poder ou a possibilidade de saciar a fome, suprir a falta,
urdir estratégias para satisfazer suas necessidades e desejos. Porém, esta
satisfação nunca é definitiva. Sempre provisória, impõe a Eros uma espécie
de sina: a de viver a festa de uma fome saciada, de uma falta suprida, de um
prazer lúdico propiciado pela estratégia acertada e a de morrer em seguida,
tendo que sentir e recomeçar tudo para novamente viver. Daí seu destino de
andarilho (cf. Pessanha, in: CIVITA, 1993, p.33).
Socrates em um dos seus dialogo dizia que Eros representava:‖ Eros representa
'um anelo de qualquer coisa que não se tem e se deseja ter". Pela origem de Eros e pelo
que ele significa para a mitologia Grega não fica tão dificil interrelacionar-lo com a
pedagogia como faz a doutora em filosofia Marlene de Sousa Dozol em seus artigos
onde ela busca fazer um comparação do mito com a pedagogia surgindo assima o que
ela chama de ―face padagógia de Eros‖, comparação essa que é muito bem explicada em
seu artigo que tem como nome:‖ A Face Pedagogica de Eros‖, permitindo assimilar as
atitudes e intenções do professor com as de Eros,ele sendo filho de Pênia( a pobreza) e
de Poros ( o recurso), nunca está saciado com o que tem e quer ir sempre em busca de
algo para satisfazer o seu dejeso, assim também é o professor que ama a sua profissão,
ele vai sempre se aperfeiçoando e aprendendo novos conhecimentos para assim suprir o
dejeso que é de levar aos seus alunos o conhecimento de forma criativa, irresistivel e
crítica para que os mesmos possam aprender e continuarem indo atras dos seus sonhos.
Muitos destes sonhos são alimentados pelo amor , paixão e outros sentimentos
que movem as pessoas para além do que elas vivem, esses sonhos fazem parte também
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do imaginario dos professores, quando eles são alcançados vemos docentes felizes com
a sua carreira e com os resultados obtidos pelo sua luta, e estes acabam por levar para
sala de aula e para a sociedade todos esses frutos, posteriormente a sociedade valorizará
a sua profissão, por ser algo que muda a realidade que existe nela.
O mito de Eros ajuda na valorização dos professores, pois dá a eles um grande
incentivo e desperta neles um sentimento de nobreza e poder explicando como usar todo
seu conhecimento de forma criativa para que os seus alunos se sintam atraidos pelo
conhecimento, de modo que o professor use todo o seu saber de forma atraente por meio
da fala dos gestos e de sua subjetividade, de inicio parece ser um pouco sem sentido,
mas se usam toda a sua paixão tudo flui de maneira que eles nem poderão imaginar,
nesse caso que utilizaremos a teoria da face pedagogica de Eros, esta que interralaciona
o mito de eros com o ato de ensinar, Eros que para alguns é o cupido, tem o poder de
seduzir e encantar a todos que ele toca com a sua fecha, assim será o professor que
seduzirar e encantará os alunos com o seu conhecimento que é a sua flecha, mas do que
isso ele tem de execer uma atração muito forte em seus alunos para que estes nunca
mais esqueçam o que lhes é ensinado e veja como é util para a vida deles, mudando
assim essa ideia falsa de que estudar é ruim e não serve pra nada, o professor que busca
mudar essa realidade atraves de leitura de textos que os ajudem a compreender a
trabalhar melhor na sala de aula com esses alunos tornando a aula mais atraente e o
conhecimento mais dinâmico, mudará o que esses alunos pensam e passará a ser
exemplo para os mesmos, mostrará um mundo novo que há por tras de dos livros e
conceitos, dando um sentido mais concreto para tudo que é estudado para que os alunos
passem a viver aquilo que está escrito que parecia está tão longe e intrangivél, nessa
troca ganha o professor, o aluno e toda a escola, que notando o rendimento do professor
valorizará mais o seu trabalho pelo esforço pra mudar a realidade, refletindo muito
significativamente na educação que é ministrada naquele ambiente, ganhando o respeito
dos pais, e posteriormente de toda sociedade em que ele vive.
Notamos que não é uma tarefa muito fácil trabalhar esse lado pedagógico de
Eros que existe em cada professor, mas tudo começa quando este desperta por estudar
aquilo que ele mas se identifica e esse despertar irá desabrochar nele o Eros que estava
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ainda oculto com isso se tornará mas compromissado com algo que é de fundamental
importância para a nossa sociedade que é a educação, sendo esse o caminho para se
buscar a sua valorização, pois a mesma sociedade que menospreza a docência e isso
atinge a educação do nosso país será a que notará o fruto do seu trabalho quando se
deparar com cidadãos mais críticos, atentos aos valores morais que são tão pouco
praticados na sociedade, fazendo a mesma ser obrigada a enxergar o quanto é
importante o professor na formação de pessoas comprometidas com um mundo mais
ético e crítico, ou seja um mundo em que sonhamos viver, mas, esse caminho é árduo e
difícil de ser trilhado por haver tantas barreiras que transpõem- se para que o docente
venha desistir, mas nem tudo está perdido, basta que o docente busque a força em si
mesmo através do Eros que existe dentro dele, força essa que fará com que ele lute pra
cada vez mais se aperfeiçoar e buscar mais conhecimento, essa é a maneira de saciar a
sede que o mesmo tenham sendo ele o exemplo de como é que se revelará a face
pedagógica de Eros para as demais pessoas que lhes cercam, vivendo uma oportunidade
de poder mostrar toda a sua força pra lutar em busca do seu objetivo que é de ter uma
educação voltada para uma formação mas crítica e humana, preceitos esses que não são
mais prioridades em nosso meio educacional, onde que o professor é visto como mero
instrumento para se levar o conhecimento e não mais como um profissional respeitado e
valorizado pelo seu conhecimento o que acaba nos deixando desanimados a querer
seguir na carreira por essa está tão em baixa em nossa sociedade, contudo temos de
buscar a mudança, e aqui é o começo pra essa lutar, colocar em discussão uma temática
não tão atual por ser já a muito tempo pensada dessa forma e pouco repensada e
refletida em nosso meio, temática essa que é de estrema importância na formação dos
novos educadores que irão para sala de aula já sabendo dessa força que ele tem e como
deverá usa lá em seus futuros trabalhos que venham a desempenhar em sala de aula com
seus alunos.
Quando fazemos a associação de Eros com o professor vai mais além do desejar
ardentemente, associamos também pelo outro significado que os gregos davam para o
Eros que é: o amor que seduz o corpo e alma dos que se aproxima e envolvem-se com
ele, ou seja, o erotismo. O professor deve buscar esse envolvimento com os seus alunos,
envolvimento esse que está relacionado com a troca de conhecimento, onde o professor
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―seduzirá ― os alunos com o conhecimento que ele tem, é a utilização do erotismo de
uma forma pedagógica com a utilização de algo que foi citado anteriormente que é a
palavra, essa tem o poder de transmitir aos outros o que há no nosso interior como:
pensamentos, conhecimentos, sensações e emoções, e o professor tem uma arma que é
de fundamental importância para fazer isso acontecer que é a palavra, segundo Dozol:
O uso da palavra, mais de que uma função meramente caracteristica da
espécie humana, requer especial qualificação e é isto que distingue reis e
poetas dos demais serem ouvidos precisam seduzir e quando seduzem
tranformam -se em autoridades. Dozol (2005).
Vemos que somos especiais e a importancia das palavras para nos
comunicarmos com quem está proximo de nós, e como a palavra tem o poder de mudar,
mas não adianta ter a palavra tem de ter eloqüência de saber falar o que vai ser
apropriado para cada aluno sendo que eles são todos diferentes uns dos outros, alunos
esses que poderão serem professores. trabalhar essa palavra juntamente com a
eloqüência de falar sabiamente um discurso. Como cita Torrano“ ...a autoridade de
ambos se estriba na sedução e no fascínio que através da palavra exercem sobre seu
„entourage‟ “ (1995, p.37).
Fazendo isso por meio de uma observação para saber qual será a melhor maneira
de agir e que linguagem específica usará, para que com esse discurso consiga seduzir as
―almas‖, pois ela só se deixa raptar com um bom discurso; que tenha palavras
convincentes que elas gostam de ouvir. Deve também existir a sutileza de saber o
momento de falar e de ficar em silêncio, haverá momentos em que calar será mais
propício, para que esse jogo de sedução aconteça. E quando for falar análise bem a
entonação da voz para que o discurso seja apaixonante, dramático, sedutor, romântico
ou mesmo compassivo, ela é a parte importante do discurso e se estiver combinando
com (entoação da voz com o discurso) o docente conseguirá o seu objetivo ( que é a
atenção dos discentes).
Uma vez que conseguiu ter o aluno próximo e atento ao que for trabalhado em
sala de aula o professor poderá analisar melhor a sua prática, se está atendendo as
expectativas suas ou se ele tem de melhorar em alguma coisa, quanto mais o
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professor ter sede por querer saber mais, quanto mais ele está vivendo o Eros que habita
dentro dele, que lhe faz querer ir mais longe do que todos pensam, desejar aquilo que
parece impossível aos olhos dos outros, que se deixam dominar por: palavras, atos
problemas familiares e profissionais, esses acabam por trabalhar por obrigação, e o seu
trabalho lhe causa angustia, tristeza e até mesmo dores, resultando assim na baixa
produção de conhecimento dele para passar para os seus alunos tendo como
conseqüência uma educação desigual, resultando na falta de valorização que existem na
profissão de docência, sendo isso o que não deve acontecer com os docentes, ao
contrario devem ir em busca da fonte que irá saciar a sua sede de saber.
Diante de tudo que foi dito temos de acrescentar que esse processo de
valorização do professor não acontecerá de uma hora para outra, mudanças assim
demoram um certo tempo para acontecer devido a lentidão com que as pessoas
demoram para aceitar as transformações. No entanto o professor não pode desanimar
diante desse lento processo, ele tem de continuar o seu o seu trabalho em sala de aula
para que as mudanças comecem acontecer nos próprios alunos, fazendo-os pensarem
cada vez mais de forma crítica, mudando assim a sua maneira de pensar e agir na
família e no meio social. Com o passar do tempo poderemos notar as transformações de
forma mais concreta, a ponto dos alunos notarem que estão contribuindo para a
existência de uma sociedade mais crítica, ética e solidaria, e quando forem questionados
a respeito de quem foi o promotor dessa transformação, saberão que foi o professor. A
partir dessas mudanças resultantes do trabalho do professor irão realmente valorizar o
trabalho e a dedicação do docente. Resultados esses que só ocorreram graças a ação do
professor de ir em busca de capacitação e aperfeiçoamento dos conhecimentos, sem
duvida nenhuma pelo fato dele acreditar na possibilidade de haver mudanças e não
deixarem se abater pelo pessimismo e pelos problemas econômicos que passam do
decorrer da sua vida e que agrava mais ainda na sua formação e no seu trabalho, pelo
fato de terem salários que não dão para eles viverem dignamente, por isso tem de haver
uma força maior que o fará ir em busca de seus objetivos de obter mais conhecimento
não somente para a sua formação pessoal, e sim para que possa trabalhar cada vez
melhor para a formação de cidadãos críticos, e essa força nada mais é do que ―A face
Pedagógica de Eros que há dentro de cada um deles, despertando cada vez mais uma
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paixão por uma das profissões mais importantes, a docência resultando assim em
ganhos para os alunos, os professores e a sociedade.
REFERÊNCIAS:
DOZOL, M. S. A face pedagógica de Eros. In: 28ª Reunião da ANPED, 2005,
Caxambu. CD-ROM - 28ª Reunião da ANPED, 2005. V. 1.
HESÍDIO. Teogenia – a origem dos deuses. Estudo e trad. de Jaa Torrano. São Paulo:
Iluminuras, 1995.
ARANHA, Maria lucia De Arruda. Filosofando introdução a filosofia. São paulo,
Mordena, 1993
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GLOBALIZAÇÃO: UM MEIO DE INCLUSÃO SOCIAL E EDUCACIONAL
PARA PESSOAS SURDAS
Celeste Maria Pereira Matos
Dorielma Fagundes de Carvalho
Eliene da Silva Rodrigues
Evilânia da Silva Santos
Kele Reis Silva
Patrícia Pereira Costa¹
Orientador (a): Kátia Montalvão2
RESUMO
Desenvolvemos um projeto de pesquisa, na Associação de Pais e Amigos dos
deficientes auditivos de Guanambi e região (APADA), com o objetivo de conhecer o
seu trabalho, que presta serviço à comunidade trabalhando com crianças e jovens
surdas. Visitamos a sede da instituição que fica na Rua Castro Alves, bairro Lagoinha,
onde vimos fotos de alguns eventos que aconteceram e de pessoas que trabalham na
instituição. Posteriormente visitamos o Colégio Estadual Idalice Nunes que dispõe de
uma sala multifuncional equipada com aparelhos eletrônicos como: computadores,
televisão e DVD e que realiza atividades de apoio pedagógico aos alunos surdos
possibilitando a eles acesso a vários conteúdos através de vídeo-aulas em libras. Neste
colégio há também turmas regulares onde os alunos surdos participam de aulas com
outros alunos ouvintes, havendo uma interprete auxiliar nessas salas. Acontecem
também oficinas de artesanato utilizando matérias recicláveis. Essas atividades têm o
intuito de promover a inclusão dos surdos no meio educacional. A APADA ainda
promove cursos preparatórios para inserir-los no mercado de trabalho. E o trabalho
dessa entidade é voluntário e conta com a ajuda de algumas pessoas que colaboram
além de organizarem eventos para arrecadar dinheiro para manter a mesma, e com lutas
para quebrar as barreiras do preconceito para com os surdos, existente até mesmo na
própria família que não aceitam e não buscam ajuda para o tratamento e inclusão dessas
pessoas especiais que necessitam muito de atenção e de carinho. Através dessa visita
pudemos conhecer os métodos de ensino e aprendizagem dos alunos surdos. E por meio
dessa observação vimos como a globalização é de suma importância para que ocorra a
inclusão dessas pessoas surdas no meio social através de aparelhos eletrônicos que
foram criados para facilitar as suas vidas.
Palavras chaves: APADA; Globalização; Libras; Surdos; Inclusão Social.
INTRODUÇÃO
A globalização tem por finalidade a integração das pessoas, através de ocorrência
da difusão de informações, para que todos interligados a uma mesma aldeia global
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haja uma total união entre todos os seres humanos apesar das suas diferenças. Portanto o
objetivo geral do nosso projeto de pesquisa é utilizar a globalização como um meio de
inclusão social, conhecer e mostrar os métodos utilizados na aprendizagem, através dos
recursos tecnológicos existentes hoje nas escolas, que se encontram preparadas para
acolher e educar os surdos.
A finalidade da escolha deste tema foi mostrar o trabalho desenvolvido pela
APADA, que apóia as escolas na educação dos surdos a partir de suas realidades. E
como futuros pedagogos possamos contribuir de forma satisfatória e adequada nesse
processo educacional, e nos prepararmos para enfrentar algumas dificuldades que
nossos alunos venham a ter, pois queremos fazer parte de uma nova realidade social que
promova uma transformação em que as pessoas recebam atenção e que as escolas
possam contribuir no desenvolvimento físico, moral e psicológico dessas pessoas. E não
somente nós graduandos, mas também a sociedade possa ver entender e ajudar os
surdos, para que não haja exclusão e sejam respeitados como seres humanos e que
conheçam o trabalho desenvolvido pela APADA através de voluntários, dando apoio
aos surdos e seus familiares nas dificuldades enfrentadas por eles.
Em entrevista com o diretor da APADA, José Wilson e com a professora Joilce
Fernandes, direcionamos algumas perguntas em relação à instituição APADA, a
entidade foi fundada no ano de 1988 para atender os alunos surdos que antes estudavam
na APAE, só que por eles não terem deficiência não podiam continuar. A instituição
visa dar suporte educacional, ajudando na inclusão deles no meio social, e no mercado
de trabalho, promove cursos de libras para as pessoas interessadas em aprendê-la. Só
que a entidade passa por dificuldades financeiras, e conta com a ajuda de associados, e
de voluntários para manter-se.
Perguntamos à professora sobre sua formação,
como se dá o processo de ensino aprendizagem e como a globalização contribui para
ajudar na inclusão do aprendizado (deles), ela é pedagoga e está terminando o curso de
libras pelo CEPPEX, (centro de pós- graduação), trabalha há 10 anos com surdos.
A respeito da inclusão vem ocorrendo aos poucos, pois é necessário a
conscientização da sociedade, mas na nossa cidade já houve grandes mudanças, e a
globalização contribuiu de maneira significativa, pois surgem novos equipamentos e
recursos que facilita o aprendizado dos alunos, exemplo disso é a internet, pois através
dela eles tem conhecimento de pessoas como eles, que moram em outros países e que
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estudam em faculdades. E no caso da surdez estão sempre criando novos aparelhos que
os ajudam.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A principal conseqüência da surdez refere-se aos prejuízos na comunicação
natural dos sujeitos surdos que atingem vários aspectos de seu desenvolvimento global.
Não tendo acesso ao mundo sonoro, à criança com surdez é extremamente prejudicada
no que concerne aos processos de aquisição e desenvolvimento de linguagem e fala o
que acarreta a dificuldade de se comunicar e de receber informações através da
linguagem oral. Enquanto o desenvolvimento da linguagem ocorre naturalmente em
uma criança ouvinte, no caso da criança surda, este desenvolvimento depende da
intervenção de profissionais devidamente preparados, levando-o a adquirir uma língua
de forma consciente e deliberada (Poker, 2002).
Segundo Carlos Skliar, ―os Estudos Surdos se constituem enquanto
um programa de pesquisa em educação, onde as identidades, as
línguas, os projetos educacionais, a história, a arte, as comunidades e
as culturas surdas são focalizadas e entendidas a partir da diferença, a
partir de seu reconhecimento político‖ (1998, p. 5).
O princípio constitucional que diz que ―toda criança tem direito à educação‖ é
válido também para crianças surdas. Por isso, é dever da família, da sociedade do estado
oferecer as condições necessárias para que todas possam percorrer as etapas que
constituem os diferentes níveis de ensino: educação infantil, educação fundamental,
ensino médio e educação superior. A continuidade da escolarização visa a oferecer à
criança surda as mesmas chances que são oferecidas às outras crianças no que diz
respeito ao exercício efetivo de sua cidadania, para que posa se desenvolver como
pessoa, adquirir meios culturais para se posicionar na comunidade e para adquirir
habilidades para o seu entrosamento eficiente e produtivo na sociedade.
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1
Graduandas em Pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB Departamento de
educação -campus XII.
METODOLOGIA
A nossa abordagem foi qualitativa, tivemos a preocupação de observar e mostrar
o trabalho educacional realizado no campo e as atividades e eventos desenvolvidos
mensalmente, anualmente em Guanambi e região; como na contextualização da história
da instituição. Nosso campo de pesquisa foi a APADA – Associação de Pais e amigos
Deficientes Auditivos de Guanambi e Região, junto com o Colégio Estadual Idalice
Nunes de Guanambi – Ba. Os sujeitos de pesquisa das entrevistas realizadas foram os
que compõem a equipe APADA: Presidente; Professores; Pais; Interpretes e alunos.
A coleta de dados foi feita através de observações e entrevistas em sala de aula,
onde constatamos a importância dos métodos utilizados na aprendizagem dos surdos e a
interação dos mesmos com os ouvintes, trazendo uma grande transformação e
informação no campo social e educacional. Os recursos utilizados foram às filmagens e
as fotografias, que nos deu suporte para o nosso trabalho ser realizado de forma mais
integra, trazendo assim, mais enriquecimento e dados reais para serem mostrados e
verificados pelas pessoas que presenciaram a exposição do nosso trabalho.
RESULTADOS
Dentro do que observamos, vimos o interesse e a preocupação da equipe
APADA, em desenvolver um trabalho sério e de resultados. A sociedade é constituída
de muitos preconceitos, que assolam tanto a si mesma como as pessoas que sofrem com
ela, e esta instituição tem um compromisso de mostrar para essas pessoas que estão
equivocadas, pois o preconceito é feito através de informações incorretas e de falta de
conhecimento. As nossas expectativas foram superadas ao observá-mos e conhecermos
todo o trabalho desenvolvido pela APADA e o colégio Estadual Idalice Nunes, pois só
tínhamos conhecimento do trabalho da APADA, através de eventos realizados por eles
na comunidade; e ao conhecermos de perto o trabalho realizado, descobrimos de que
forma os surdos são ajudados na educação, para serem inseridos na sociedade, não se
sentindo pessoas inúteis e diferentes dos outros.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Partindo da análise, quanto à deficiência na inclusão social dos surdos, podemos
atribuí-la ao preconceito presente na sociedade, que oculta a capacidade que essas
pessoas têm, como também a falta de profissionais qualificados para prepará-los; que
partindo dessa, possam ser apresentados a sociedade, bem como acontece com qualquer
indivíduo no ciclo social. Para que tenha uma inclusão justa, é necessário que a presença
de tais profissionais sejam indispensáveis no processo educacional, vale ressaltar que o
preconceito quanto aos mesmos devem ser excluídos. Uma vez incluídos, uma
sociedade justa será concebida.
Para finalizar, queremos expor nossas idéias ao elaborarmos tal trabalho que foi o
de transmitir honestamente nossos estudos, nossas expectativas, e a proposta de melhor
encaminhar o aluno surdo a obter o mesmo sucesso que os demais cidadãos possuem
quanto o acesso ao processo social.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SKLIAR, Carlos. Um olhar sobre o nosso olhar acerca da surdez e das diferenças. In: A
surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Editora Mediação, 1998b. p.5.
MONTALVÃO, Kátia. Pesquisa e Prática Pedagógica 1. Guanambi, BA: 2009.
SILVA, Tomas Tadeu da. Alienígenas na sala de aula. 6º. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes,
1995.
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A CONCEPÇÃO DO PROJETO ENSINO-APREDINZAGEM NA ESCOLA1
Adriana Montalvão
Fátima Cardoso
Grasiele Lima
Luciane Gonçalves
Ruth Meire Nogueira 2
Zizelda Lima Fernandes3
Alessandra Reis4
RESUMO
A necessidade de pensar o Planejamento como instrumento facilitador do trabalho pedagógico e
as discussões realizadas nas aulas de Didática nos incentivaram indagar a respeito do
planejamento e suas aplicações no cotidiano escolar. Os estudos sobre a importância dos níveis
de planejamento na escola nos possibilitaram pensar sobre sua elaboração, execução e sobre os
significados que os professores atribuem a ação de planejar. Sabemos que o planejamento é um
instrumento teórico-metodológico que visa dar um novo significado ao trabalho dos docentes de
uma forma refletida, consciente, sistematizada e participativa, como conceitua Vasconcelos
(2008). Do ponto de vista técnico-metodológico, utilizaremos observação, entrevista e analise
de documentos. Objetivamos investigar e analisar o sentido do planejamento para as diversas
instituições escolares, pois compreendemos que a educação é um processo de transformação e
reconstrução do ser humano em todas as suas dimensões – pessoais, sociais, culturais e
históricas. Daí a necessidade de planejar e organizar as atividades sejam no campo pessoal,
institucional e/ou social.
Palavras Chaves – Planejamento, Projeto, Ensino-aprendizagem.
Introdução
Este texto se propõe pensar o projeto de ensino aprendizagem como um instrumento
de base para desenvolver o trabalho pedagógico, sua importância no planejamento,
analisando se realmente é dado a ele o devido valor pelo educador.
O planejamento divide opiniões, se para uns ele é um alicerce, para outros ele pode
ser visto como algo que limita o trabalho do educador.
1
Este trabalho foi apresentado na atividade eixo interdisciplinar, resultados das discussões na disciplina
―Didática‖ oferecida no 3º semestre do curso de Pedagogia.
2
Graduandas do 4º semestre do curso de Pedagogia, UNEB - Campus XII
3
Profª da disciplina Didática, UNEB – Campus XII.
4
Profª da disciplina Prática Pedagógica em Pesquisa, UNEB – Campus XII.
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A importância do projeto ensino-aprendizagem no planejamento, a necessidade de
pensar a elaboração desse projeto como instrumento facilitador do trabalho pedagógico,
como também as leituras e discussões realizadas nas aulas de Didática nos incentivaram
a indagar a respeito do planejamento e suas aplicações no cotidiano escolar.
Não podemos deixar de mencionar os diversos tipos de planejamento uma vez que
em muitos casos é visto como algo de difícil aplicação e para muitos ele se torna
dispensável e rejeitado, ficando marcado por alguns educadores como algo que em nada
contribui no seu trabalho. Considerando o quanto é árduo o trabalho pedagógico,
complicado seria sem planejamento, pois o mesmo o constitui elemento articulador da
ação pedagógica. Percebe-se a partir dessas considerações a relevância da pesquisa.
Com este estudo objetivamos investigar e analisar o sentido que é dado ao projeto
ensino-aprendizagem pelos professores e coordenadores pedagógico do Projeto Monte
Pascoal. Além disso, pretendemos conhecer os níveis de planejamento do Projeto Monte
Pascoal enfocando o projeto de ensino aprendizagem. Buscaremos identificar como é
desenvolvido o planejamento, para isso observaremos a elaboração e execução dos
projetos de ensino aprendizagem e indagaremos os professores em relação aos
significados que eles atribuem aos projetos de ensino-aprendizagem.
METODOLOGIA
Esse trabalho exige pela natureza do seu objeto de estudo, a utilização de uma
metodologia qualitativa como uma forma de se obter um entendimento mais acurado do
tema proposto. As pesquisas qualitativas são caracteristicamente multimetodológicas,
isto é, usam uma grande variedade de procedimentos e instrumentos de coletas de
dados. Podemos dizer, entretanto, que a observação (participante ou não), a entrevista
em profundidade e análise de documentos são os mais utilizados, embora possam ser
complementados por outras técnicas (MAZZOTTI, 2004) uma vez que estas
possibilitam maior aproximação com o cotidiano e as experiências vividas pelos
próprios sujeitos.
Segundo GIL, (2009, p 53)
O estudo de campo focaliza uma comunidade, que não é
necessariamente geográfica, já que pode ser uma comunidade de
trabalho, de estudo (...). A pesquisa é desenvolvida por meio da observação direta das atividades do
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grupo estudado e de entrevistas com informantes para captar suas
explicações e interpretações do que ocorre no grupo.
GIL (2009) enfatiza também a importância do pesquisador realizar a maior parte
do trabalho pessoalmente, pois será uma experiência direta com a situação de estudo.
Esse estudo será realizado no projeto Monte Pascoal, em especial, no local onde o
corpo docente se reúne para realizar o planejamento. Pretendemos entrevistar e
acompanhar a reunião de planejamento de dez professores e um coordenador que atuam
na Educação Infantil e no Ensino Fundamental (1º, 2º e 3º ano), na cidade de Guanambi
- BA. A escolha dos sujeitos se deu pelo fato dos mesmos estarem envolvidos com o
processo de planejamento, elaboração e execução do projeto de ensino-aprendizagem.
O Projeto atende atualmente duzentas crianças pertencentes a classe popular e que
vivem em situação de risco social. As atividades diárias estão divididas em quatro
momentos: socialização, atividades dirigidas em sala; alimentação e recreação. A
estrutura da escola é distribuída em 01 secretaria, 05 salas de aula, 01 banheiro, 01
pátio, 01 cantina e 01 dispensa.
Serão aplicados questionários constituídos de dez questões que abordarão sobre o
conhecimento e a importância do planejamento como também sua eficácia nos projetos
desenvolvidos pela escola. Utilizaremos também o método da observação nas reuniões
de planejamento, objetivando conhecer os níveis de planejamento do Projeto Monte
Pascoal.
Considerando a realização do planejamento dentro da escola em vários âmbitos,
faremos uma analise do empenho do corpo docente no que se refere à elaboração e
aplicação do projeto de ensino-aprendizagem e o que fazem para melhorá-lo quando
necessário. Dessa forma analisaremos a elaboração do projeto desde sua fase inicial até
sua conclusão, observando como os educadores em questão o projetam.
REVISÃO DE LITERATURA
Para realização deste estudo utilizaremos como subsídio Vasconcellos (1995),
pois ele nos possibilitou levantar questões relacionadas ao conceito de planejamento e
seus níveis. Nesse sentido aborda que o projeto pedagógico
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é um instrumento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os
desafios do cotidiano da escola, só que de uma forma refletida, consciente,
sistematizada, orgânica e, o que é essencial, participativa. E uma metodologia
de trabalho que possibilita resignificar a ação de todos os agentes da
instituição (VASCONCELLOS, 1995, p. 143).
Na educação escolar podemos realizar planejamentos em diferentes níveis de
abrangências:
 Planejamento do sistema de educação - é o planejamento de maior abrangência
correspondendo ao planejamento que é feito em nível nacional, estadual ou
municipal.
 Planejamento escolar - trata-se do que chamamos de projeto político pedagógico
(ou projeto educativo), sendo o plano integral da instituição.

Planejamento curricular - é a proposta geral das experiências de aprendizagem
que serão oferecidas pela escola.
 Planejamento ensino-aprendizagem - é o planejamento mais próximo da pratica
do professor e da sala de aula.
 Projeto de trabalho - são projetos de aprendizagem desenvolvidos na escola por
um determinado período, geralmente de caráter interdisciplinar.
 Planejamento setorial - é o plano dos níveis intermediários (cursos,
departamentos, áreas) ou dos serviços no interior da escola (direção coordenação
/supervisão, orientação, secretaria, etc.).
Sabemos que o projeto de ensino-aprendizagem corresponde ao plano didático,
realizado pelos educadores na instituição escolar, com base na necessidade e realidade
de cada educando, considerando-se que para haver um bom planejamento é importante
haver uma relação dinâmica entre professor/ aluno.
Nessa direção, não podemos dizer que há ensino se não houver aprendizagem, e
vice-versa, e mesmo que às vezes o sujeito aprendeu algo sozinho, ele nunca está
completamente sozinho, no mínino está dividindo uma linguagem, que se foi absorvida,
de
algum
emissor.
E
para
que
haja
um
intercâmbio
satisfatório
entre
educador/educando, faz-se necessário um bom planejamento.
O planejamento se coloca no campo da ação do fazer, todavia,
não parte do nada: existem definições prévias (teorias, valores,
etc.) que precisam ser explicitadas. O projeto de ensino – aprendizagem está atrelado a uma concepção
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de educação, que por sua vez, está relacionada ás concepções
de conhecimentos e de currículo. Estas concepções devem
constar do projeto político pedagógico da instituição.
(VASCONCELOS, 1997, p.98).
Refletindo sobre a citação acima o autor nos permite compreender a relação de
interdependência existente entre o tipo de educação que se busca fazer e o tipo de
planejamento a ela relacionado. Em alguns casos, encontramos na prática escolar
verdadeiro ―monstrinhos‖ criados pela tentativa de juntar concepções antagônicas entre
a maneira e o conteúdo de se trabalhar no dia-a-dia a forma e o conteúdo do planejar.
Sendo a educação um processo de transformação e aperfeiçoamento da cultura e
do viver humano, por exigir a sua própria essência sendo uma visão que se projeta além
do momento presente, uma vez que ela não se limita e nem objetiva apenas o
conhecimento e a análise do presente, ou querer conservar o ―status quo‖ da cultura e do
saber, a educação tende a pensar o futuro, buscar novos horizontes e novas perspectivas
para o homem.
Notamos também, que todo ser humano pensa-se no futuro preocupa-se com o
mesmo e a partir desta ansiedade planeja-se pensando no que vai fazer e no que se
pretende fazer, organizando assim o seu agir, a sua vida, o seu trabalho, as suas
economias; enfim, tudo aquilo que se pode interferir na sua vida. Nesse sentido faz-se
necessário o prever, o racionalizar e o planejar, esses três métodos são essenciais para se
organizar qualquer atividade, seja pessoal, Institucional e/ou Social.
Percebemos a necessidade de planejamento na escola e sua abrangência no
relacionamento entre professor e aluno, pois o ato de planejar é pensar sobre o que
existe, o que se quer alcançar, com que meio se pretende agir e como avaliar o que se
pretende atingir.
Considerações finais
Diante do proposto, percebemos que o planejamento é o instrumento básico para
todo um processo educativo, uma vez que nos pode indicar as direções a serem
seguidas. Portanto, este planejamento deve partir do propósito que é o homem e seu
viver.
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Tendo em vista a educação como processo de reconstrução do ser humano em
todas as suas dimensões, pessoais, sociais, culturais e históricas, realiza-se nesse mundo
humano a promoção de uma ação de desequilibro perante a realidade deste, uma vez
que o homem atuando ou interferindo no processo de evolução da natureza, é capaz de
ocasionar a ruptura necessária para modificar a direção dos fenômenos determinísticos.
Mediante o exposto, vemos a necessidade de um planejamento, o qual dimensione
o processo educativo, vise planejar a ação educativa partindo do presente e projetandose para o futuro. Necessitamos planejar o processo educativo de modo que não se limite,
porém, se liberte. Por isso o ato de planejar deve ser numa perspectiva dinâmica.
Todo ser humano pensa no futuro, quer saber do seu
futuro e a partir desta ansiedade pelo o futuro, faz seus
planos. Ele pensa no que vai fazer e no que pretende
fazer. Planeja o seu agir, a sua vida, o seu trabalho, as
suas economias; enfim, tudo aquilo que possa interferir
na sua vida. (ESTEBAN, 2008 p.29).
O trecho acima reforça a função do planejamento escolar e na vida pessoal de
cada indivíduo, pois planejar é uma exigência do ser humano; é um ato de pensar sobre
um possível e viável fazer. E como o homem pensa o seu ―que fazer‖, o planejamento se
justifica por si mesmo. A sua necessidade é a sua própria evidencia e justificativa.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVES-MAZZOTTI, Alda J., GEWANDSZNAJDER, F. O método nas ciências
naturais e sociais: pesquisas quantitativas e qualitativas. São Paulo: Editora
Pioneira, 2004.
GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas,
2009
ESTEBAN, M.T. (org.) A avaliação no cotidiano escolar. In: ESTEBAN, M.T. (org.)
Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos. 5 ed. Petrópolis: Dp et. Alii, 2008.
ESTEBAN, M.T. (org.) Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos. 5 ed.
Petrópolis: Dp et. Alii, 2008.
VASCONCELLOS, C. S. Planejamento: plano de ensino-aprendizagem e projeto
educativo. São Paulo: Libertad, 1997.
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______________. Algumas observações sobre a mudança na prática da avaliação.
In: Revista AEC – Avaliação: Novos Paradigmas. Ano 24, n. 94, Brasília, 1995.
_______________. Planejamento: projeto de ensino-aprendizagem e projeto políticopedagógico. São Paulo: Libertad editora, 2008.
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A DIVERSIDADE ÉTNICO-CULTURAL E A FORMAÇÃO DOCENTE PARA
TRABALHAR A LEI 10.639/2003
Vilma Batista de Jesus12
Dinalva de Jesus Santana Macêdo
Resumo
O presente ensaio nasce a partir dos estudos realizados no projeto de extensão:
Educação das relações étnico-raciais e a Lei 10639/03: desafios e possibilidades para
a promoção de uma educação anti-racista, coordenado pela professora Dinalva de
Jesus Santana Macêdo. O nosso objetivo é fazer algumas reflexões em torno da
diversidade étnico-cultural e a formação dos professores para trabalhar as determinações
da Lei10639/03, que torna obrigatório a História e a Cultura da Afro-Brasileira e
Africana nas escolas básicas do país, tanto nas públicas, como nas particulares. A
justificativa dessa discussão se dá pelo fato de presenciamos através das experiências de
estágio nas escolas, bem como mediante algumas entrevistas que foram realizadas com
professores das escolas públicas de Guanambi e da região, que mesmo os professores
reconhecendo a necessidade de trabalhar com a temática da história e da cultura dos
afro-descendentes, pouco se tem feito no cotidiano das escolas. Através do projeto de
extensão estudamos vários autores que tratam sobre as questões do currículo,
preconceito e discriminação na escola e no livro didático, bem como sobre a formação
de professores tendo em vista a diversidade étnico-cultural. No presente ensaio,
recorremos das discussões de Gomes (2001), Gonçalves e Soligo (2009), Lopes (2008)
e Silva (2001). Acredita-se que essas reflexões poderão contribuir com as discussões
que reconhecem a necessidade de investir na formação inicial e continuada de
professores para a educação das relações étnico-raciais, pautada num currículo
multicultural.
Palavras chave: diversidade cultural, Lei 10639/03 e formação docente.
Introdução
A Lei 10.639/2003 estabelece a obrigatoriedade do ensino sobre História e
Cultura Afro-Brasileira e Africana nos estabelecimentos de ensino fundamental e
1
Graduanda do Curso de Pedagogia do Campus XII, monitora do grupo de Estudos Educação das
Relações Étnico-Raciais e a Lei 10639/03: desafios e possibilidades para a promoção de uma educação
anti-racista, vinculada à PRAES- Pró-Reitoria de Assistência Estudantil.
2
Mestre em Educação e Contemporaneidade e professora Assistente da Universidade do Estado da
Bahia- Campus XII- Guanambi.
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médio, oficiais e particulares, ressaltando a importância e a necessidade da
desconstrução social do preconceito e da discriminação racial que são atribuídas à
população negra.
Dessa forma, é que resolvemos fazer este estudo, tendo como objetivos: refletir
sobre a necessidade de superar os estereótipos, o preconceito e a discriminação na
escola; levantar questionamentos sobre os valores humanos frente às diversidades
étnico-raciais e ressaltar a importância de se investir na formação de professores para a
educação das relações étnico-raciais.
Nesse sentido, reconhecemos que é urgente que os professores desenvolvam o
seu trabalho pautado numa postura democrática e participativa, de maneira que possam
propiciar a produção do conhecimento, bem como a valorização da identidade cultural
dos educandos, promovendo mudanças atitudinais, procedimentais e conceituais para
efetivamente contribuir com a educação das relações étnico-raciais. Para tal tarefa, é
necessário que o professor seja formado para trabalhar com a diversidade cultural
presente na escola.
A Formação docente para a diversidade étnico-cultural
Diante desse novo cenário que se apresenta para a contemporaneidade, os
profissionais da educação se vêem obrigados a refletir e tomar consciência acerca das
limitações sociais, culturais e ideológicas que se fazem presentes na prática docente,
cujas reflexões lhes permitirão perceber que a educação dentro de dada sociedade
poderá ser um instrumento de manutenção, ou de libertação, o que certamente
contribuirá para a construção de uma escola inclusiva, bem como para a formação de
uma sociedade mais humana e democrática.
Considerando esse desafio, faz-se necessário que as instituições de ensino
possibilitem aos docentes e discentes condições para efetivar o conhecimento e a
valorização das relações étnico-raciais, com vistas a atender às necessidades vigentes da
educação inclusiva e plural. Assim sendo, o espaço escolar configura-se como um
ambiente propício para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária,
rompendo com os indícios de exclusão. Seguindo essa linha de raciocínio, Lopes (2008,
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p.183) enfatiza que:
É preciso insistir sempre que a sociedade brasileira é preconceituosa e
discriminadora em relação à sua população. Em decorrência, o modelo
de educação não tem sido inclusivo, ainda quando permite a entrada
de todos na escola. Todos entram, ou a maioria entra, mas nem todos
saem devidamente escolarizados, aptos a enfrentar a vida como
verdadeiros cidadãos. A instituição escolar precisa desenvolver
programas que reconhecendo as diferenças e respeitando-as,
promovam a igualdade de oportunidades para todos, o que se traduz
pela oferta de escola de qualidade.
Nessa perspectiva, a Lei 10.639/2003, passou a ser uma temática sempre
presente nos debates educacionais, estendendo o seu campo de ação a um número cada
vez maior de pessoas com o intuito de universalizar o direito de expressão, sem haver
qualquer tipo de discriminação ou preconceito racial. Em virtude dessas necessidades
educacionais,
as
instituições
de
ensino
devem
trabalhar
numa
perspectiva
transformadora, buscando um conhecimento inter e transdisciplinar no sentido de
assegurar aos educandos autonomia, respeito e valorização das diversidades étnicoracial e cultural. Corroborando com essa reflexão Gomes (2001, p.89) afirma que:
No Brasil ser negro é tornar-se negro. O conhecimento dessas questões pode
nos ajudar a superar o medo e/ou desprezo das diferenças raciais ainda
presente na escola e na sociedade. Entender essa complexidade é uma tarefa
dos/as profissionais da educação. É tarefa de uma escola que se quer cidadã
e, por isso mesmo, não pode deixar de incluir a questão racial no seu
currículo e na sua prática.
No sentido de viabilizar esses propósitos na escola, é preciso romper com o
paradigma cristalizado de inferioridade que a educação tem propagado, através do seu
currículo monocultural e excludente. Assim sendo, Gonçalves e Soligo (2009),
elucidam que é urgente levar em consideração os seguintes aspectos:
O primeiro aspecto é de observar a valorização da cultura européia
em detrimento de outras etnias, como indígena e africana,
principalmente como componente curricular. Tal valorização fez com
que essas culturas negadas ficassem relegadas a inferioridade e até em
certos casos no abandono total e exclusão [...]. O segundo aspecto
está ligado a imagem de África. No campo curricular a imagem da
África e do negro foi moldada pela instituição do escravismo no Brasil pelo colonialismo
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português. Os negros foram transformados em mercadorias e bens,
portanto houve uma dominação sexual, religiosa e lingüística...‖(p. 7
e 8).
As autoras supracitadas continuam colaborando com a nossa reflexão, se
posicionado a favor de uma formação docente multicultural.
O terceiro aspecto diz respeito a formação docente.[...]. O educador
poderá ser um mediador dos estereótipos caso sua formação se paute
em uma visão acrítica das instituições com viés tecnicista e
positivista, que não contempla outras formas de ação e reflexão. Por
outro lado, a questão ligada à pluralidade cultural e étnica pode
despertar neste educador uma postura crítica acerca dos instrumentos
pedagógicos em voga no interior das escolas possibilitando-lhes a
desconstrução de mitos, paradigmas e preconceitos historicamente
veiculados na cultura escolar...( p. 9).
Nesse processo, faz-se necessário ressaltar que um dos grandes desafios dos
profissionais do século XXI é a consciência do saber e do saber-fazer em sala de aula,
considerando as questões étnicas e culturais e para tanto a formação docente deve
contemplar essas abordagens, pois esses profissionais da educação configuram-se como
protagonistas de mudanças sociais.
Portanto, é necessário que o professor trabalhe em prol da desconstrução dos
estereótipos, dos preconceitos e das discriminações em relação à população afrodescendente e indígena que estão presentes na escola, através dos materiais didáticos,
das relações estabelecidas, pelos atores desse universo, bem como no sistema que rege o
comportamento da sociedade brasileira. Para que isso possa se efetivar, é preciso que os
docentes conscientizem-se do seu papel, bem como não se acomodem diante de tal
situação.
A escola é um universo bastante complexo e heterogêneo, fazendo-se necessário
que os professores, coordenadores pedagógicos e gestores tenham uma postura
pluricultural frente a essa heterogeneidade, isto é, precisam utilizar o conhecimento e as
experiências para trabalhar as diversidades culturais.
Nesse cenário entra em voga a formação docente, a qual deve está pautada em
princípios éticos e culturais, despertando nos educadores uma postura crítica acerca dos
instrumentos pedagógicos, possibilitando-lhes a desconstrução de mitos, paradigmas e
preconceitos historicamente vinculados na cultura escolar. Para Silva (2001, p.10):
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Esse entendimento de cultura é necessário para o professor na medida
em que ele atua em um sistema que através da tradição seletiva impõe
a cultura dominante efetiva a alunos de segmentos étnicos e raciais
diversos, colocando-a como a tradição e o passado significativo. O
conteúdo é realmente significativo quando este é relacionado com o
contexto sócio-cultural do aluno e lhe propicia o domínio do
conhecimento sistematizado.
A efetivação de tal proposta é uma tarefa complexa, entretanto para que se tenha
uma educação emancipatória, faz-se necessário que os atores envolvidos nesse processo,
venham angariar novos conhecimentos, reintegrando-lhes e reconstruindo-os, tendo em
vista, uma construção conjunta, pois o processo de aprendizagem não se realiza de
maneira estática, mas através de um processo dinâmico. Assim, a formação docente
configura-se como um processo dialético e multideterminado, sendo uma ação
determinante nas transformações histórico e social da cultura escolar.
Diante disso, é importante investir na formação continuada dos docentes, pois
enquanto agente de transformação estes devem estar atentos aos contextos sociais,
educacionais da escola, o que subsidiará a propor práticas concretas que vão de encontro
às necessidades dos educandos, bem como auxilia a desenvolver as competências
cognitivas e socioculturais desses indivíduos.
Conclusão
Através dos estudos realizados podemos inferir que as escolas reconhecem a
importância de trabalhar com as questões históricas e culturais, todavia, as práticas
curriculares limitam-se aos conteúdos dos livros didáticos, pois não conseguem
contextualizar os conteúdos para torná-los significativos para os alunos.
Nessa perspectiva, é preciso que a escola abra espaço para as várias culturas,
trabalhando-as de maneira contextualizada com a realidade sócio-histórica do educando,
assim sendo, a pluralidade cultural assume uma posição determinante no sentido de
avançar em direção a uma proposta pedagógica multicultural.
Todavia, é necessário sublinhar que apesar das dificuldades que são enfrentados
no cenário educacional para a construção de uma educação anti-racista, a temática
Educação das Relações Étnico Raciais vem ganhando maior notoriedade nas arenas
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educacionais, exigindo um novo perfil dos profissionais da educação, isto é, que estes
tenham uma formação eficiente para atuarem com comprometimento, criticidade e
criatividade, no sentido de forjar ações que permitam transformações política, cultural e
social.
No bojo dessas discussões, acreditamos que para atender às novas demandas da
contemporaneidade, principalmente no que concerne à criação de sujeitos plurais,
competentes e críticos, faz-se necessário implementar no solo das escolas brasileiras,
políticas públicas fundamentadas numa perspectiva de educação multicultural, que
venham viabilizar o processo de formação inicial e continuada dos professores, para que
estes possam trabalhar de forma competente e politizada com a diversidade étnicocultural presente na escola.
Referências:
GOMES, Nilma Lino. Educação cidadã, etnia e raça: O trato pedagógico da diversidade.
In: Racismo e anti-racismo na educação: repensando nossa escola. CAVALEIRO,
Eliane. São Paulo: Summus, 2001.
GONÇALVES, Luciene Ribeiro Dias, SOLIGO, Ângela de Fátima. EDUCAÇÃO DAS
RELAÇÕES ÉTNICO- RACIAIS: O DESAFIO DA FORMAÇÃO DOCENTE.
In: 29ª reunião anual da ANPED, realizada em Caxambu em outubro de 2006.
Disponível
em:<
http://www.anped.org.br/reunioes/29ra/trabalhos/trabalho/GT2.>
Acesso em 07 de abril de 2009.
LOPES, Vera Neuza. Racismo, preconceito e discriminação. In: MUNANGA,
Kabengele (org.). Superando o racismo na escola. 2 ed, revisada, Brasília: Ministério
da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2008.
SILVA, Ana Célia da. Desconstruindo a discriminação do negro nos livro didático.
Salvador: EDUFBA, 2001.
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Relato de experiência: Construindo um conhecimento introdutório sobre teatro na
sala de aula1
Darkson Kleber Alves da Silva 2
Luana Pinto dos Santos3
Nádia Silva Cruz4
Patrícia Magalhães Teixeira 5
Priscila Rocha Frederico 6
Ana Cláudia de Oliveira Freitas7
Resumo: Este trabalho é o resultado de uma prática acadêmica que objetiva modificar a
imagem construída nas escolas de que “ARTE SE FAZ DE QUALQUER JEITO”. Com
base em nossos conhecimentos empíricos e em autores como Barbosa e Buoro,
trabalhamos nos cursos de Pedagogia a realização teatral desde sua concepção até a
maquete cenográfica. Iniciamos com a leitura do livro A MARGARIDA
FRIORENTA de Fernanda Lopes de Almeida, texto de fácil acesso a todas as escolas;
analisamos seu conteúdo e escrita (estrutura teatral); propusemos a livre adaptação a
partir da idéia central do texto; fizemos leituras dramáticas e as maquetes cenográficas
pensando em todas as questões de iluminação e deslocamento cênico. O resultado deste
trabalho sintetizado na fala de um aluno, “Nunca imaginei que fazer arte era assim...
não é o que aprendemos na escola, nunca mais vou assistir a uma peça do mesmo
jeito!”, reafirma a necessidade de estimular o convívio com a arte e diluir o
distanciamento existente entre a prática artística profissional e a “arte escolar”, abrindo
espaço para a construção artística com todas as preocupações dos produtores de arte
para que os indivíduos compreendam a importância da arte na formação do homem e
seu universo profissional.
Palavras-Chaves: Arte/Educação, teatro, experiência escolar.
O trabalho Construindo um conhecimento introdutório sobre teatro na sala de aula foi
desenvolvido na disciplina TEC Teatro e Música sob orientação da Professora
Especialista Ana Cláudia de Oliveira Freitas, no 5º semestre do Curso de Pedagogia da
Universidade do Estado da Bahia – UNEB Campus XII - Guanambi-Ba, com o objetivo
de trazer para a sala de aula o teatro, através da construção de uma maquete e leitura
1
Trabalho produzido em sala de aula, resultado de experiências vividas, desenvolvido na disciplina TEC
Teatro e Musica.
2
Graduando do curso de Pedagogia, UNEB – Campus XII.
3
Graduanda do curso de Pedagogia, UNEB – Campus XII.
4
Graduanda do curso de Pedagogia, UNEB – Campus XII.
5
Graduanda do curso de Pedagogia, UNEB – Campus XII.
6
Graduanda do curso de Pedagogia, UNEB – Campus XII.
7
Licenciada em Arte Educação pela UNESP, Especialista em Planejamento Educacional, Professora
Assistente da UNEB – Campus XII
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dramática da história “Joaninha” livre adaptação do texto A Margarida Friorenta da
autora Fernanda Lopes de Almeida.
A professora Licenciada em Arte Educação acima citada propôs através da leitura do
texto A Margarida Friorenta, a realização de sua livre adaptação e confecção de uma
maquete, denominada caixa preta8, do cenário do espetáculo final. Inicialmente nos foi
sugerido a análise da história infantil para adaptação da forma que o grupo entendesse
como melhor e que enquadrasse com o perfil dos componentes do grupo.
Dessa maneira, o grupo se dividiu nas tarefas para confecção da caixa preta, desde o
planejamento até a escolha dos materiais, tais como a dimensão da caixa, do recurso que
utilizaríamos para forrar ou pintar a caixa na cor preta, até o acabamento final, tais
como a listagem de objetos e peças para a montagem do cenário, até mesmo o figurino
das personagens em palco. Também a utilização das sonorizações adequada nas ações
de suspense; emoção; drama, etc.
Para a confecção da caixa preta, utilizamos uma caixa de papelão de dimensões de um
quadrado de 50 centímetros. Cortamos um lado da caixa, que seria a frente do palco, e
cortamos também aparte superior dessa caixa, que seria o teto do palco, com um corte
de 30 centímetros ao centro do teto.
Posteriormente, escolhemos o forro mais adequado para forragem. Optamos pelo papel
camurça na cor preta, pois este não possui brilho, o que facilita a visualização do
cenário pela platéia. Depois da caixa pronta, tivemos que pensar e analisar o cenário
para sua montagem.
Em nossa adaptação o texto A margarida Friorenta se transformou em “Joaninha”,
contando com dois cenários um externo – a rua e outro interno - a casa.
8
Maquete representativa de um palco de peça teatral confeccionada a partir de uma caixa de papelão,
forrada na cor preta.
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Para a confecção, utilizamos caixinhas de fósforos; papeis coloridos; pedaços de tecidos
de algodão; caixinhas de remédios; hidrocor; cola; tesouras; palitos de 50 centímetros
para dependurar os bonecos personagens9.
Antes de montar o cenário, foi preciso planejar cada detalhe, observar a visão que um
possível auditório teria de cada local, onde aconteceriam as cenas. Durante a criação do
novo texto, nossa imaginação “criou asas” dando margem a uma diversidade de idéias
que foram surgindo com entusiasmo no decorrer do trabalho. Preocupamo-nos com a
clareza em relação aos diálogos entre os personagens e com o desfecho da história.
Foi uma experiência significativa, entendemos a importância e os benefícios que o
teatro traz para a aprendizagem e também suas dificuldades.
Aprendemos como trabalhar uma peça teatral em sala de aula, não deixando ninguém de
fora, utilizando os recursos e o espaço que se tem e claro o mais importante: a
criatividade mostrou-nos um campo de novas possibilidades que deve ser enxergado e
apreciado, usado pelos que se fazem educadores dentro de um espaço escolar. Tudo é
possível, e como diz o ditado popular “com jeitinho de brasileiro, a gente consegue
fazer e bem feito qualquer coisa”.
Vale ressaltar a importância que um trabalho desses tem, tanto para as crianças quanto
para o professor. A confecção da caixa preta é uma maneira prévia de visualizar como
poderá acontecer uma peça de teatro, é uma oportunidade de ver o que realmente está
sendo planejando, identificando o que não ficou bom e o que precisaria ser modificado.
Enfim, uma atividade prazerosa que requer vontade, dedicação compromisso e
criatividade.
9
Miniatura das personagens da história ―Joaninha‖ adaptado do texto A margarida Friorenta, em forma
de bonecos/ fantoches dependurado em um palito de 50 cm.
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ADAPTADO DA HISTÓRIA INFANTIL:
A MARGARIDA FRIORENTA
Fernanda Lopes de Almeida
PERSONAGENS: JOANINHA
FREDERICO
ANA LUÍSA
D. BERTA
NARRADOR
CENÁRIOS: a rua e a casa
CENA 1
NARRADOR - Em meio ao castigante frio junino, havia uma menininha chamada
Joana, que vivia andando sem rumo pelas ruas de uma cidadezinha bucólica e
distante dos grandes centros. Certa noite, Joaninha triste, estava à procura de
um lugar quente e aconchegante para descansar e dormir. Já exausta de tanto
andar, se deitou na varanda de uma casa, quando apareceu um garotinho e,...
FREDERICO - Ei! Qual é o seu nome? O que você está fazendo aí sozinha? Você quer
ficar doente menina? Ta fazendo muito frio! Vai pra sua casa, sua mãe vai
brigar com você!
JOANINHA - Meu nome é Joana! Se eu tivesse casa não estaria aqui! Meu nariz está
gelado, que frio!
NARRADOR - Com pena da menina, o pequeno Frederico procura ajudá-la. Parece ter
uma boa idéia!
FREDERICO - Não saia daí Joana. Vou chamar minha irmã e nós vamos te ajudar!
Você não vai mais sentir frio. Pode crer!
NARRADOR - O menino fica eufórico.
FREDERICO – (gritando) Ana Luísa! Ana Luísa!
ANA LUÍSA - Credo Fred! Tá louco? Para de gritar que nem um maluco. Que foi? Viu
alguma espaçonave?
FREDERICO - Não! Pior que isso!
ANA LUÍSA - Hum?!
FREDERICO - Escuta. Encontrei uma menininha lá fora, na rua. Ela me disse que não
tem casa, esta com fome, frio, suja, chorando, deve estar até doente! Eu
prometi pra ela que ia dar um jeito de ajudá-la. Vamos lá!
ANA LUÍSA - Coitadinha! Pobrezinha! Ela tem quantos anos?
FREDERICO - Deixa de ser curiosa Luísa, e vamos ajudar a menina. Vem!
NARRADOR - Esses dois danadinhos foram até Joana e sem precisar insistir, levaram
ela para casa com todo cuidado para que seus pais não vissem nada!
JOANA - E se a mãe de vocês me colocarem pra fora?
ANA LUÍSA - Ela não vai fazer isso! Nós vamos esconder você no nosso quarto, ela
nem vai te ver. Mamãe está tomando banho agora e papai ainda nem chegou
do trabalho. Eu e Fred acabamos de sair um pouquinho pra rua e ela nem
percebeu.
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FREDERICO - É só a gente não fazer barulho.
JOANA - Na sua casa tem cachorro Fred?
ANA LUÍSA - Não!!!
JOANA - Tem comida? Estou com fome!
FREDERICO - Comida, doce, refrigerante, suco de laranja, chocolate, sorvete,
biscoito,....
ANA LUÍSA - E hoje a noite: pizza! Obá!
JOANA - Humm,... Nunca comi pizza?!
ANA LUÍSA - Depois você vai comer e vai saber como é. Vamos logo, ta fazendo frio
aqui fora!
JOANA E FREDERICO - Vamos!
CENA 2
NARRADOR - As crianças passam pela sala devagarzinho sem fazer barulho e logo
chegam ao quarto e escondem Joaninha. Só não contavam em ser
surpreendidas pela mãe antes de irem a cozinha buscar alguma coisa para
Joana comer.
D. BERTA - Onde vocês estavam? Quem é aquela menina que entrou com vocês?
Onde ela está?
ANA LUÍSA - Eu disse Fred: mamãe não vai deixar a Joana morar com a gente!
FREDERICO - Você não disse nada disso, sua mentirosa!
ANA LUÍSA - Disse sim!
FREDERICO - Não disse! Horrorosa!
ANA LUÍSA - Vou te matar seu magricela! Grrrrrr!
D. BERTA - Parem de brigar agora, ou eu coloco vocês de castigo! Quero saber quem é
essa menina. Podem me explicar o que está acontecendo?
NARRADOR - As crianças contam a mãe como encontraram Joaninha e D. Berta fica
comovida. Enquanto isso....
JOANA - Eu vou embora! A senhora não precisa brigar com eles. Não quero mais ficar
aqui.
FREDERICO - Não Joaninha! Você não tem pra onde ir
D. BERTA - Não estou brigando com eles minha querida. Só queria saber quem é você
e onde a encontraram. Só isso! Não tenha medo, não precisa ir embora, nós
vamos te ajudar.
NARRADOR - Parece que D. Berta, com suas doces palavras, aqueceu o coraçãozinho
da menina. Ela sorriu meio desconfiada.
D. BERTA - Vão brincar um pouquinho no quarto, que eu vou preparar uma pizza
deliciosa pra vocês. (Ana Luísa empreste um vestido seu a joaninha pra ela se
trocar depois que tomar um banho) Fred, você vem me ajudar, e ligar para o
papai vir logo. Depois da pizza e de conversarmos com o papai vamos todos
dormir, e amanhã cedinho vamos ver qual a melhor solução para Joaninha.
Vou conversar com uma amiga para procurar a família da amiguinha de vocês
e se for mesmo verdade que ela não tem ninguém, acho que podemos nos
tornar uma grande família ate Joaninha ter um lar de verdade para morar. O
que vocês acham disso crianças?!
ANA LUÍSA, FREDERICO E JOANINHA - EHHH!!
FREDERICO - Boa idéia mamãe!
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ANA LUÍSA - A minha professora disse que toda criança tem direito de ter uma
família, comida, escola, tudo o que precisa. Ta vendo Joaninha, você agora
não vai mais ficar com fome, nem sentir frio.
JOANA - Encontrar vocês hoje foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida! Valeu!
Nem to mais com medo. A gente já pode comer a tal da pizza tia?
NARRADOR - E graças a Fred e Ana Luísa, tudo acaba mesmo em pizza! Ops,... até
que Joaninha encontre um novo lar. O que não vai ser difícil, já que essa
família vai ajudar!
FIM
Referências Bibliográficas
ALMEIDA, Fernanda Lopes. A Margarida Friorenta. São Paulo: Ática, 2007.
ABRAMOWICH, Fanny. Literatura Infantil: gostosuras e bobices. São Paulo:
Scpione. 1993.
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TEATRO, COISA SÉRIA!
Alciene Santos1
Daniela Fernandes
Dayanne Mota
Di Paula Prado
Sônia Frota
Stela Montalvão
Elinoete Cerqueira
Tatiana de Cássia Boa Sorte
Ana Cláudia de Oliveira Freitas2
Resumo:
Este trabalho é o resultado de uma prática acadêmica que objetiva modificar a imagem
construída nas escolas de que ―ARTE SE FAZ DE QUALQUER JEITO‖. Com base em
nossos conhecimentos empíricos e em autores como Barbosa e Buoro, trabalhamos nos
cursos de Pedagogia a realização teatral desde sua concepção até a maquete cenográfica.
Iniciamos com a leitura do livro A MARGARIDA FRIORENTA de Fernanda Lopes
de Almeida, texto de fácil acesso a todas as escolas; analisamos seu conteúdo e escrita
(estrutura teatral); propusemos a livre adaptação a partir da idéia central do texto;
fizemos leituras dramáticas e as maquetes cenográficas pensando em todas as questões
de iluminação e deslocamento cênico. O resultado deste trabalho sintetizado na fala de
um aluno, “Nunca imaginei que fazer arte era assim... não é o que aprendemos na
escola, nunca mais vou assistir a uma peça do mesmo jeito!”, reafirma a necessidade de
estimular o convívio com a arte e diluir o distanciamento existente entre a prática
artística profissional e a ―arte escolar‖, abrindo espaço para a construção artística com
todas as preocupações dos produtores de arte para que os indivíduos compreendam a
importância da arte na formação do homem e seu universo profissional.
Palavras-Chaves: Arte/Educação, teatro, experiência escolar.
1
Graduandas do VI Semestre do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB –
Campus XII.
2
Professora Especialista do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – Campus
XII.
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RELATO DE EXPERIÊNCIA
Após a leitura do livro infantil: A margarida friorenta da autora Fernanda Lopes de
Almeida foi proposta uma atividade pela professora orientadora Ana Cláudia Freitas, na
qual deveríamos fazer uma adaptação livre do texto original do livro. Diante de várias
discussões optamos por fazer essa adaptação baseada na realidade de grande parte das
crianças da sociedade atual, que sofrem com a nova reconfiguração familiar,
principalmente a inserção da mulher no mercado de trabalho, uma vez que o convívio e
as relações entre pais e filhos têm sido prejudicados, logo percebemos o quanto o
carinho, o afeto e a atenção são fatores importantes que influenciam diretamente na vida
das crianças. Nessa perspectiva, no segundo momento construímos uma maquete para a
representação do texto adaptado, cuja produção foi apresentada em forma de encenação
na sala de aula, com a participação e envolvimento de todos do grupo. Esta atividade foi
de grande relevância para nós, despertando nossa imaginação e criatividade, aguçando
nossa sensibilidade, e contribuindo para uma maior interação com a área – o teatro -,
que é uma ferramenta influente no ensino da arte.
O MENINO TRISTE
Livre adaptação do texto “A Margarida Friorenta” de Fernanda Lopes de
Almeida
Personagens:
Pedro: Menino de 5 anos
Lúcia: Mãe
Graça: Babá
(Música de fundo). Pedro está brincando sozinho em seu quarto com muitos
brinquedos espalhados pelo chão, quando sua babá chega e diz:
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(Babá) – Pedro, ta na hora de dormir, arrume os brinquedos e vá para a cama!
(Pedro) – Vou esperar a mamãe.
(Babá) – Não Pedro. Sua mãe vai chegar muito tarde e você precisa acordar cedo para ir
à escola. Apague a luz e vá dormir.
A babá sai do quarto mais logo ouve um barulho.
Menino no quarto chorando baixinho. (Colocar música de fundo).
(Babá) – Por que você está chorando? Está sentindo alguma coisa?
(Pedro) – Estou triste! (soluçando). Por que minha mãe vai demorar?
(Babá) – Porque ela está trabalhando pra comprar mais brinquedos pra você. Hum! É
tão ruim ficar triste; mas calma essa tristeza vai passar.
Pedro se encolheu ainda mais embaixo do cobertor.
Lúcia chega em casa.
(Lúcia) – Oi Graça, trouxe um presente para o Pedro, entregue a ele, por favor, estou
muito cansada. Boa Noite!
(Babá) – Boa noite Dona Lúcia, vou agora mesmo levar para o Pedrinho.
(Babá) – Olha Pedro, que lindo presente sua mãe trouxe pra você!
(Pedro) – Ah! Eu não quero mais brinquedos, já tenho muitos e nem tenho com quem
brincar...
(Voz triste, choramingando)
(Pedro) – Por que a mamãe não veio me ver?
(Babá) – Ela chegou cansada.
O menino permaneceu triste, sentado na cama e olhando desconsolado para o
brinquedo. A babá teve uma idéia:
(Babá) – Ah, espere um pouco, vou arranjar uma solução para sua tristeza!
A babá foi à porta do quarto da mãe do garoto e a chamou:
(Babá) – Dona Lúcia!
(Lúcia) – Anh! É você Graça? Você está bem?
(Babá) – Sim estou bem, mas o Pedro não!
(Lúcia) – O que ele tem?
(Babá) – Ah, ele está muito triste!
(Lúcia) – Ué, mas por quê?
(Babá) – Ele não me disse, mas está até chorando.
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(Lúcia) – Veja se ele não está com frio, ou fome...
(Babá) – Ok! Vou ver o que ele quer.
A babá foi ao quarto de Pedro e perguntou:
(Babá) – Pedro, sua mãe quer saber o que você tem, se está com frio, com fome, com
medo, ou se quer brincar.
(Pedro) - Eu não tenho nada! (emburrado)
(A babá voltou ao quarto da mãe de Pedro, e disse):
(Babá) – Dona Lúcia, já tentei de tudo, mas ele ainda está triste e não fala o que tem!
(Lúcia) – Então, traga-o para cá. Como é difícil entender as crianças!!!
(Babá) – Certo! Já vou trazê-lo.
E sai para buscar o garoto.
(Lúcia) – Filho, o que você tem? Por que está tão chateado, eu te dou tudo o que me
pede, tem muitos brinquedos, computador, vídeo-game, o que mais você quer?
(Pedro) – Nada não!
(E deitou-se junto à sua mãe).
(Lúcia) - Vamos tentar dormir querido, amanhã vai ser um longo dia.
A mãe escuta um barulhinho.
(Lúcia) – Você está com medo? Fique sossegado, estou aqui com você.
Pedro continuava amuado e não conseguia dormir.
(Lúcia): Já sei o que está acontecendo. Filho venha cá.
Ela então puxou o filho e lhe deu um abraço bem apertado e muitos beijos.
(Música de fundo)
(Lúcia) – Eu te amo filho, você é muito importante para mim, nunca se esqueça disso!
(Pedro) – Eu preciso muito de você mamãe, não saia de perto de mim. Agora não vou
mais ficar triste, vou dormir tranquilo.
Pela manhã, Lúcia diz à babá:
(Lúcia) – Graça, perdi o sono esta noite e fiquei pensando, pensando, até descobri o
motivo da tristeza do Pedro. Não era frio, nem fome ou medo! Ele precisa de atenção,
de carinho como qualquer pessoa. Meu filho está carente, está se sentindo muito
sozinho, mas a partir de agora vou lhe dedicar mais tempo, vou lhe dar muitos abraços,
brincar com ele, contar histórias, passear, enfim, vou ser uma mãe de verdade!
(Música de fundo). A babá responde comovida:
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(Babá) – Ele estava sentindo sua falta, Dona Lúcia. Eu faço o que posso, mas realmente
as crianças precisam muito da afeição e cuidado dos pais, não basta apenas dar coisas
materiais, pois nada substitui a atenção e o amor.
(Lúcia) – Isso mesmo, Graça! O afeto e a interação entre pais e filhos é que fazem a
diferença!
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INFLUÊNCIA DA ESTRUTURA FÍSICA NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM
Adrielle Souza de Jesus¹
Ana Claudia Oliveira Silva
Cristiane Morais de Araújo
Elane Alves Campos
Eliane Bernardes Santos
Orientador: Mauro Cesar Ribeiro dos Santos²
RESUMO
O estudo tem por objetivo analisar os efeitos do espaço físico nas relações interpessoais
no ambiente de trabalho dos profissionais de enfermagem. As relações estabelecidas
neste local são de fundamental importância para que exista um melhor rendimento
profissional, satisfação pessoal e uma boa qualidade dos serviços prestados. Trata-se de
um estudo qualitativo, realizado com pesquisa documental e questionário estruturado. O
universo desse estudo expressa o total de enfermeiros de nível superior, técnicos e
auxiliares de enfermagem lotados em Unidades de Saúde da Família da zona urbana do
município de Guanambi - BA, totalizando 46 trabalhadores aos quais foram feitos
convites individuais para participarem deste estudo, no período de novembro de 2009 a
setembro de 2010. A ergonomia é o estudo do relacionamento do homem e seu
ambiente de trabalho, preocupa-se com a melhoria das condições materiais e
instrumentais de trabalho, ou seja, a qualidade de vida dos trabalhadores. Os resultados
demonstram que a maioria dos entrevistados (65,2%) não considera o ambiente físico
como fator de interferência em suas relações profissionais e 78,2% confirma a ausência
da ergonomia nas pautas das reuniões. Verifica-se que se faz necessário uma difusão de
conhecimento entre os enfermeiros quanto aos aspectos ergonômicos, a fim de melhorar
as condições físicas e psíquicas dos trabalhadores, proporcionando assim boas relações
profissionais.
Palavras-chave: Relações interpessoais, ergonomia, espaço físico.
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Graduando (a) em enfermagem pela Universidade do Estado da Bahia.
Prof. Esp. da Universidade do Estado da Bahia.
1. Introdução
A sociedade atual é marcada por intensas e rápidas transformações, as quais são
nitidamente observadas no ambiente de trabalho, que trouxe ao mesmo tempo mudanças
inquestionáveis para o homem como também precarização das relações entre os
profissionais.
O trabalho é uma atividade realizada com o objetivo de obter um rendimento
econômico, sendo considerado por muitos estudiosos como uma forma elevada de
socialização humana, representando muitas vezes um aprendizado e um contato
permanente entre as pessoas. Neste contexto, torna-se fundamental priorizar a qualidade
de vida do trabalhador, respeitando os aspectos ergonômicos.
A ergonomia é o estudo do relacionamento do homem e seu ambiente de
trabalho, preocupa-se com a melhoria das condições materiais e instrumentais de
trabalho, ou seja, a qualidade de vida dos trabalhadores. A ergonomia desde a sua
criação vem ampliando sua visão atuando em qualquer situação de trabalho ou lazer de
maneira mais flexível, enfatizando o humanismo nos relacionamentos interpessoais.
As relações interpessoais no ambiente de trabalho são de fundamental
importância para que exista um melhor rendimento profissional, satisfação pessoal e
uma boa qualidade dos serviços prestados. Na área da saúde, mais precisamente na
Enfermagem, é necessário que haja uma integração mútua da equipe multiprofissional,
por envolver diversos graus de responsabilidade e complexidade. Desta forma, percebese a importância de um ambiente de trabalho estruturado de acordo com as normas
ergonômicas, visando uma melhoria nas condições físicas e psíquicas dos trabalhadores,
proporcionando boas relações profissionais.
2. Objetivo Geral
Analisar os efeitos do espaço físico nas relações interpessoais no ambiente de trabalho
dos profissionais de enfermagem.
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Objetivos específicos
-Relacionar a interferência da estrutura física com as relações profissionais da equipe de
enfermagem
-Identificar elementos que proporcionam a precarização dos relacionamentos
interpessoais dos profissionais de enfermagem
3. Fundamentação Teórica
A palavra trabalho e o qualitativo profissional são usados em psicologia para
designar toda atividade realizada tecnicamente com a finalidade de conseguir um
rendimento econômico. Em nossa organização social, o ser humano dedica ao trabalho
aproximadamente 65% da sua vida produtiva, incluindo-se jornada de trabalho e
atividade propriamente dita, a locomoção e o atendimento das necessidades
relacionadas ao trabalho. Portanto o homem passa metade de sua existência dedicandose ao trabalho profissional (MAURO, 2004).
Segundo Magalhães (1990), o ambiente de trabalho é constituído de duas partes
distintas: a física: (instalações, móveis e decoração etc.), e social (as pessoas que
habitam)
... influem no conforto social. Evidentemente, se tais elementos forem
precários, ninguém trabalhará com moral elevado. Conforme a natureza do
trabalho exigir-se-á uma luminosidade, uma temperatura, um grau de
umidade diferente, o que também deverá estar de acordo com a região onde
se trabalha e a época do ano.(Magalhães1990 p 51)
Segundo FISCHER e PARAGUAI (1989), o ambiente de trabalho é um
conjunto de fatores interdependentes, que atua direta e indiretamente na qualidade de
vida das pessoas e nos resultados do próprio trabalho. A visão global das influências do
trabalho facilita a compreensão das dificuldades e desconfortos, da insatisfação, dos
baixos desempenhos, das doenças camufladas e/ou na ocorrência de acidentes e
incidentes de trabalho.
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As condições de trabalho e os riscos ocupacionais podem ser estudados por
diferentes abordagens, dentre elas a ergonomia. Para a ergonomia, as condições de
trabalho são representadas por um conjunto de fatores interdependentes que atuam
direta ou indiretamente na qualidade de vida das pessoas e nos resultados do próprio
trabalho; e o homem, a atividade e o ambiente de trabalho são os componentes da
situação de trabalho, que devem ser analisados. (ABRANCHES, 2005).
A ergonomia focaliza um sistema formado por um complexo relacionamento de
componentes que interagem entre si. O centro desse sistema é o homem (educação,
motivação, dados antropométricos) sendo imediatamente influenciado pela tarefa
(análise da postura, vibração, aplicação de forças, repetição, ritmo e métodos de
trabalho, movimentos de flexão e torção); instrumento (peso, tamanho, manejo e
controles, localização) e posto de trabalho (alcance dos movimentos, espaço de trabalho,
altura da superfície de trabalho, mobiliário)(ALEXANDRE, 1998).
Segundo COOPER (1973) A qualidade das relações interpessoais é um aspecto
de grande importância no ambiente de trabalho. ―Umas boas relações entre os membros
do grupo de trabalho são um fator central da saúde individual e organizacional‖.
A Enfermagem, entendida como uma prática social estabelece entre si e os
demais envolvidos no desenvolvimento de seu processo de trabalho, uma teia de
relações interpessoais e grupais de caráter complexo, o que exige da enfermeira,
profissional de referência no meio e legalmente coordenadora da equipe de
enfermagem, especial atenção no gerenciamento destas relações. Neste sentido, a
enfermeira assume o papel de gerenciar as relações interpessoais que estabelecem os
trabalhadores de enfermagem entre si, com os demais profissionais da área e com os
sujeitos que procuram os serviços de saúde (URBANATTO, 2004).
A comunicação já não se pode ser considerada apenas como um dos
instrumentos básicos da enfermagem ou do desenvolvimento do relacionamento
terapêutico. Ela tem de ser considerada como capacidade ou competência interpessoal a
ser adquirida pelo enfermeiro, não importando sua área de atuação STEFANELLI
(1987).
4. Metodologia
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Trata-se de um estudo qualitativo, realizado com pesquisa documental e
questionário estruturado O universo desse estudo expressa o total de enfermeiros de
nível superior, técnicos e auxiliares de enfermagem lotados em Unidades de Saúde da
Família da zona urbana do município de Guanambi - BA, totalizando 46 trabalhadores
aos quais foram feitos convites individuais para participarem deste estudo, assegurando
o caráter sigiloso quanto à identificação dos respondentes e apresentando objetivo e
método da investigação, respeitando-se as recomendações sobre a ética em pesquisa.
O instrumento de pesquisa utilizado, questionário estruturado, a coleta de
dados foi realizada entre novembro de 2009 a setembro de 2010 com aplicação do
instrumento após leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido –
TCLE pelos respondentes. O questionário compreendeu a 5 questões objetivas de
múltipla escolha abordando os seguintes dados: Relação Profissional, estrutura física do
ambiente de trabalho e ergonomia.
5. Resultados
De acordo com os resultados observou-se que grande parte dos funcionários (65,
2%) não considera o ambiente físico como um fator de interferência em suas relações
interpessoais no ambiente de trabalho, somente uma pequena porcentagem (32,6%)
confirmam essa correlação. Os resultados também demonstram que 65,2 % dos
profissionais de enfermagem mostraram-se satisfeitos quanto a estrutura física de
trabalho e uma pequena porcentagem (32,6%) consideram esse aspecto insatisfatório.
Conforme os dados coletados verifica-se que a relação entre os profissionais e a
estrutura física do ambiente de trabalho mostra-se claramente positiva considerando que
80,4 % dos entrevistados apontam para a ausência de conflitos interpessoais entre os
colegas.
Nos questionários chama a atenção o fato dos aspectos ergonômicos serem
pouco discutidos em grande parte das unidades de saúde, pois a maioria dos
entrevistados (78,2%) confirma a ausência desse assunto como pauta das reuniões e
somente 19,5 % dos profissionais presenciaram o contrário. No que diz respeito à
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estrutura organizacional do ambiente de trabalho nota-se que este não é considerado
como um desencadeador de confronto entre os profissionais considerando u m
percentual significativo de 89,9%.
6. Discussão
Com base nas pesquisas realizadas com os profissionais da área de saúde
percebe-se que não há correlação direta entre os fatores físicos do ambiente de trabalho
e as relações interpessoais. Para a maioria dos profissionais entrevistados, o ambiente de
trabalho é considerado satisfatório e não interfere no relacionamento com os colegas.
No cotidiano do trabalho de enfermagem identifica-se que, em diversas
situações, existem dificuldades nas relações de trabalho, tanto dentro da equipe de
enfermagem como dessa com outras equipes profissionais, porém esses conflitos e
disputas estão relacionados principalmente em questões que envolvem autonomia e
poder dos agentes e não aos aspectos ergonômicos do ambiente.
Segundo Lima (1999) ―As enfermeiras, com freqüência, relatam problemas
advindos da pouca autonomia que têm no desempenho do trabalho e na tomada de
decisões, atribuindo-os à indefinição de papéis da enfermeira e à submissão ao médico.‖
Resultados de pesquisa no Hospital Heliópolis (PIZZOLI, 1999), demonstram
que mesmo os profissionais estando insatisfeitos com aspectos que abordam as
condições de trabalho, mostraram elevada concentração em satisfação nas dimensões
que abragem aspectos sociais e de relacionamento.
A ausência de questões ergonômicas nas pautas das reuniões confirmada pela
maioria dos entrevistados nessa pesquisa demonstra o desconhecimento da importância
desse assunto por parte da maioria dos enfermeiros.
Resultados de pesquisas sobre condições de trabalho e aspectos ergonômicos
mostram que há necessidade de difundir-se entre os enfermeiros o conhecimento desses
estudos. (MAURO 2004).
Para que haja um questionamento dos fatores físicos do ambiente de trabalho é
preciso conhecimento sobre ergonomia e estar ciente das normas regulamentadoras, por
isso faz-se importante uma constante discussão sobre o assunto para que assim os
trabalhadores possam buscar soluções para essa adequação.
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7. Considerações Finais
Socialmente ou no trabalho, o homem depende de relações que são
imprescindíveis para a convivência humana, não sendo diferente no campo da
enfermagem. Dentre os vários fatores, pode-se dizer que a comunicação é essencial para
a construção de relações harmoniosas no ambiente de trabalho.
Compreender essa perspectiva implica em reforçar argumentos que possibilite
a conscientização dos profissionais da saúde partindo do ponto de que é preciso se
inteirar das normas regulamentadoras bem como das condições ergonômicas do
ambiente de trabalho, visando um bem estar profissional e consequentemente uma
satisfação para a equipe de enfermagem.
6- Referências bibliográficas
ABRANCHES, Sueli. S. A situação ergonômica do trabalho de enfermagem em
unidade básica de saúde. Tese de pós-graduação. Escola de enfermagem de Ribeirão
Preto- USP. Ribeirão Preto. 2005.
ALEXANDRE, Neusa, M. C. Aspectos ergonômicos relacionados com o ambiente e
equipamentos hospitalares. Rev. Lat-AM. Enfermagem v. 6 n° 4 Ribeirão Preto.
Out.1998.
COOPER, A. (1973). Group Training of Individual and Organization Development.
Basle: S. Karger
FISCHER, F.M.; PARAGUAY, A.I.B.B. A ergonomia como instrumento de
pesquisa e melhoria das condições de vida e trabalho. In: FISCHER, F.M. et al.
Tópicos de saúde do trabalhador. São Paulo: HUCITEC, 1989. p. 19-72
MAGALHÃES, C. Técnica da chefia e do comando. 9.ed. Rio de Janeiro: IBGE,
1990,104p.
LIMA, M.A.D.; ALMEIDA, M. C. P. O trabalho de enfermagem na produção de
cuidados de saúde no modelo clinico. Rev. gaúcha Enferm., Porto Alegre, v.20, n.
esp., p.86-101, 1999
MAURO, Maria Ivone. C. et.al. Riscos ocupacionais em saúde. Rev. Bras. Enferm.
UERJ, 2004. p.339.
STEFANELLI, M.C. Ensino de técnicas de comunicação terapêutica enfermeiro –
paciente. Ver. Esc. Enfermagem da USP, v.21, n. 2, p. 107-115,ago./1987.
URBANATO, Janete. S; CAPELA, Beatriz. B. Processo de trabalho em enfermagem:
Gerenciamento das relações interpessoais. Ver. Brás. Enferm. Vol. 57. n° 4.
July/Aug. 2004.
PIZZOLI, L.M.L. Qualidade de vida no trabalho: um estudo de caso das
enfermeiras do hospital Heliopolis. Cienc. Saúde coletiva vol. 10 n° 4 Rio de Janeiro.
Out/dec.
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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS – LIBRAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA
NA CIDADE DE GUANAMBI-BAHIA
Rodrigues, Mônica X. Santana
UNIVERSIDADE NORTE DO PARANÁ – UNOPAR
RESUMO: Criada em 1856, a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS por muito tempo
foi desprestigiada nos diversos ambientes sociais, alcançando somente nos últimos anos
um alto nível de popularização, não apenas no âmbito escolar como também na
sociedade em geral. A LIBRAS não é a gestualização da língua portuguesa, e sim uma
língua independente, o que a concebe prestigio na construção de estudos. O presente
trabalho, ainda em construção, busca sistematizar as observações enquanto ao
crescimento pela aprendizagem da LIBRAS na cidade de Guanambi – BA,
principalmente pelos jovens. Para tanto, utilizamos a metodologia de pesquisa
etnográfica: observação com registro em diário de campo e análise documental.
Observamos que uma língua considerada natural da comunidade surda despertou em
muitos jovens a autoformação, definida como "a apropriação por cada um do seu
próprio poder de formação". Na autoformação, o sujeito assume a necessidade de
aprender e se apropria do processo de formação. Percebemos que a interação e
comunicação entre ouvintes e surdos facilita a inserção desses na sociedade em geral.
Com isso, é necessário entendermos o porquê da crescente busca pela aprendizagem
dessa língua a fim de intervir de forma auxiliadora na construção de uma sociedade
mais igualitária.
Palavras-Chave: LIBRAS. Interação e Comunicação. Autoformação.
1. INTRODUÇÃO
A Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS é uma língua que tem ganhado espaço
na sociedade por conta dos movimentos dos surdos em prol de seus direitos, é uma luta
de muitos anos que os caracteriza como um povo com cultura e língua próprias. Assim,
através de anos de luta a classe surda conquistou o direito de usar sua língua que
possibilita não só a comunicação, mas também sua efetiva participação na sociedade.
O presente trabalho, através da observação participante, pretende apresentar
algumas reflexões sobre a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS e o interesse dos
jovens da cidade de Guanambi-Ba por essa língua e a crescente busca dos mesmos por
cursos com essa temática.
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2. PERCURSO HISTÓRICO DA LIBRAS
Sobre o surgimento da LIBRAS, (MENEZES, 2006) afirma que:
―O Brasil ainda era uma colônia portuguesa governada pelo imperador
Pedro II quando a língua de sinais para surdos aportou no país, mais
precisamente no Rio de Janeiro. Em 1856, o conde francês Ernest
Huet desembarcou na capital fluminense com o alfabeto manual
francês e alguns sinais. O material trazido pelo conde, que era surdo,
deu origem à Língua Brasileira de Sinais (Libras). O primeiro órgão
no Brasil a desenvolver trabalhos com surdos e mudos surgiu em
1857. Foi do então Instituto dos Surdos-Mudos do Rio de Janeiro,
hoje Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), que saíram os
principais divulgadores da Libras. A iconografia dos sinais -ou seja, a
criação dos símbolos- só foi apresentada em 1873, pelo aluno surdo
Flausino José da Gama. Ela é o resultado da mistura da Língua de
Sinais Francesa com a Língua de Sinais Brasileira antiga, já usada
pelos surdos das várias regiões do Brasil.‖
O instituto I‘Eppe, em 1896, contribuiu para o desenvolvimento da LIBRAS
quando realizou um encontro internacional com o intuito de avaliar a decisão do
Congresso Mundial de Professores de Surdos, ocorrido no ano de 1880 em Milão, o
qual havia proibido o uso da LIBRAS na educação dos surdos, só sendo retomado o seu
uso na década de 1940. Atualmente a LIBRAS é considerada uma língua regulamentada
pela Lei n.º 4.857/2002 como língua dos surdos brasileiros, decisão que facilitou a
socialização dos surdos.
A LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais tem sua origem na Língua de Sinais
Francesa. As línguas de sinais não são universais, assim cada país possui sua própria
língua, as quais sofrem influências da cultura regional. Para Quadros (2004) ―a língua
de sinais é uma linguagem espacial articulada através das mãos, das expressões faciais e
do corpo. É uma língua natural usada pela comunidade surda brasileira‖.
Adotada pela maioria dos surdos do Brasil, a LIBRAS, ao contrário do que muitos
pensam não é simplesmente mímica ou gestos, mas sim uma língua que possui estrutura
própria, de modalidade diferente da língua oral, a LIBRAS difere-se da língua
portuguesa por ser uma língua gestual-visual, contrária à língua portuguesa que é oralauditiva. A estrutura gramatical da LIBRAS é composta por sinais formados com
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combinações de formas e movimentos das mãos, também de pontos de referência no
espaço ou no corpo, a LIBRAS é constituída por um sistema lingüístico que transmite
fatos e idéias, natural das comunidades de pessoas surdas de todo país. Sendo assim
considera-se a LIBRAS uma língua promulgada pelo corpo, que requer atenção visual,
discriminação visual, memória visual, expressão facial e corporal e agilidade manual.
3. A LIBRAS NO CONTEXTO LOCAL
É notado o aumento por cursos da Língua Brasileira de Sinais no município de
Guanambi-Ba, sendo tanto as entidades públicas e privadas responsáveis pela realização
de cursos voltados para essa temática e a inclusão de jovens e seus familiares na
sociedade em geral. Percebemos através da participação enquanto ouvintes, que os
jovens não-surdos em sua grande maioria compõem os assistidos nos cursos e mantém
uma interatividade com os jovens surdos auxiliadores no desenvolvimento do
aprendizado da LIBRAS. Essa interação se dá de forma calorosa por ambas as partes,
sendo que por parte do deficiente auditivo há uma grande satisfação em ensinar, pois os
mesmos têm notado os crescentes encontros realizados entre ouvintes e surdos de
Guanambi e também em cidades vizinhas.
O Colégio Estadual Idalice Nunes e a Escola Municipal Getulio Vargas
possuem interprete em sala de aula. O colégio possui ainda uma sala especial para
deficientes auditivos.
O SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) tem atuado de forma
idealizadora na promoção por cursos na cidade de Guanambi-Ba. São cursos com carga
horária de 100 horas e em turmas de 25 alunos, composta principalmente por jovens
estudantes, familiares de surdos e profissionais de áreas afins.
O CEPPEX (Centro de Pós-Graduação e Extensão) que engajado no
compromisso de colaborar para a solução dos problemas da comunidade, no tocante ao
social, desenvolve freqüentemente mini-cursos nessa temática, geralmente com carga
horária de vinte horas, que na maioria das vezes são ministrados por estudantes de pósgraduação em LIBRAS. Esses mini-cursos têm em sua metodologia a realização de
aulas expositivas e sinalizadas, trabalhos em grupos e atividades individuais,
promovendo a interação dos ouvintes e preparando-os para serem fomentadores da
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LIBRAS.
A FISK, mesmo sendo uma escola de idiomas, tem lançado projetos de extensão
para a comunidade e, sem sombra de dúvidas o de maior procura é seu Curso de
LIBRAS. São cursos com cargas horárias maiores, a turma é composta em maioria por
alunos de pós-graduação em LIBRAS, familiares e amigos dos surdos, bem como os
próprios alunos dos cursos de inglês, espanhol, português e informática.
Destarte, não podemos esquecer-mos da APADA (Associação de Pais e Amigos
dos Deficientes Auditivos), esta é uma entidade sem fins lucrativos e realiza cursos
voltados para a família do deficiente auditivo e seu rol social. Em geral, o curso possui
carga horária de vinte horas, ministrado por professores da própria entidade, com
material já existente na mesma, visando a real integração do deficiente auditivo em seu
meio, enfatizando que o convívio com outros deficientes auditivos motiva o aluno e
acelera seu desenvolvimento.
Belloni (1999) destaca a importância de que sejam enfatizadas as abordagens
interativas entre os seres humanos e de não limitá-las às máquinas. A abordagem
educacional utilizada na elaboração do curso concebe o processo de ensino-aprendizado
como orientado, social e comunicativo. O aluno tem uma participação autônoma e ativa
e o professor o de mediador, interferindo para auxiliar o aluno em sua aprendizagem e
coordenando a nova e ansiosa interação entre alunos e deficientes auditivos.
Nota-se, portanto, que além da sua utilidade comunicativa, as línguas de sinais
proporcionam aos indivíduos surdos o desenvolvimento tanto cognitivo, quanto
lingüístico, este "em relação a dois aspectos: o social e o intelectual" (GOMES;
DANESI, 2003, p. 18)
4. CONCLUSÃO
São muitos os fatores que levam as pessoas a buscarem o aprendizado da
LIBRAS. Destacamos a seguir alguns desses fatores: 1) curiosidade e interesse por uma
língua diferente; 2) parentes e/ou amigos serem deficientes auditivos e 3) necessidade
no trabalho e/ou inclusão social.
Aquele que aprende a LIBRAS passa a enxergar o mundo dos surdos com outros
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olhos, não os exclui e não se sente excluído. Passa a valorizar mais os gestos, o corpo,e
o olhar dos surdos. Vêem os deficientes auditivos como membro comum de uma
sociedade que luta para ser igualitária e que podem independente da deficiência serem
amigos e comungarem das mesmas coisas. Segundo Mario Quintana ―Deficiente" é
aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas
ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
Portanto, os jovens guanambienses aguardam por uma maior e constante participação
em relação à comunidade surda, e para que tal participação seja efetiva é preciso
difundir a língua, a cultura, as histórias e a concepção de mundo dos surdos, pois ainda
segundo Mario Quintana ―Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se
esconde por trás da máscara da hipocrisia.
REFERÊNCIAS
BELLONI, Maria Luiza. Educação a distância. Campinas, SP: Autores Associados,
1999.
GOMES, Erissandra; DANESI, Marlene Canarim. Linguagem e Escrita: Uma dinâmica
de grupo. In: Revista Espaço: informativo técnico científico do INES. Rio de Janeiro:
INES, n. 18/19 (dezembro/2002 - julho/2003). 2003, p. 14-20.
LEGISLAÇÃO DE LIBRAS. Linguagem Brasileira de
<www.libras.org.br/leilibras.htm>. Acesso em: 05 novembro 2010.
Sinais.
Em:
MENEZES, Ebenezer Takuno de; SANTOS, Thais Helena dos. “LIBRAS (Língua
Brasileira de Sinais)” (Verbete). Dicionário Interativo da Educação Brasileira. Educa
Brasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2006.
QUADROS, R. M. de. Educação de Surdos: A Aquisição da Linguagem. Porto Alegre,
RS: Artes Médicas, 1997.
QUADROS, R. M. de; KARNOPP, L. B. Língua de sinais brasileira. Porto Alegre, RS:
Editora ArtMed, 2004.
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SINTOMATOLOGIA MÚSCULOESQUELETICO E SUA RELAÇÃO COM A
ATIVIDADE LABORAL DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM
Ricardo Bruno Santos Ferreira
Dani Ian Ribeiro Cordeiro
Guilherme Henrique Rizério Barreto
Raimundo Cleber Sousa Santos
Mauro Cesar Ribeiro dos Santos
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RESUMO
O presente artigo trata da freqüência sintomatológica músculo-esqueletico
que acometem os profissionais de enfermagem nas realizações de suas atividades
laborais nos postos de saúde da família na cidade de Guanambi-Ba. Dados do Conselho
Federal de Enfermagem (Cofen) contabilizam a existência Somada dos enfermeiros com
nível superior, níveis médios e técnicos, mais de um milhão, respondemos por 60,2% da
força de trabalho em saúde no Brasil. Destaca-se que esses profissionais se encontram
em áreas de risco eminente na relação direta entre o trabalho de enfermagem e os
distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), como exemplo de fatores
temos: o tempo de trabalho; o cuidar direto a pacientes com alto grau de deficiência;
determinantes psicológicos; a fragmentação dos serviços da enfermagem e deficiência
na ergonomia do ambiente de trabalho, podendo assim vir a desenvolver algumas
patologias e, consequentemente a uma perda da sua qualidade de vida. Sabendo-se disso
fora realizado um estudo quantitativo com pesquisa documental e questionário
estruturado a fim de avaliar a freqüência de afecções que acometem o sistema músculo
esquelético dos profissionais de enfermagem em seus postos de trabalho. A coleta de
dados realizou-se em um publico alvo de 46 profissionais de enfermagem, com
aplicação do instrumento após leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido – TCLE pelos respondentes. Ao fim foram obtidos dados que mostraram a
prevalência de DORT em 82% dos entrevistados, sendo 31% referente à lombalgia
como afecção músculo-esqueletico mais freqüente.
Palavras chave: DORT; Profissional de Enfermagem; Qualidade de vida, Ergonomia.
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INTRODUÇÃO
Os estudos e práticas sobre as questões relacionadas à saúde do trabalhador
vêm ocupando um espaço crescente, pois a presença de doença ou a vivência de um
acidente repercutem na vida familiar, laboral e social e no psiquismo do mesmo. (Merlo,
Et Al; 2001)
As doenças ocupacionais não são recentes. Já no século XVI, George Bauer
apresentava um estudo sobre doenças e acidentes de trabalho em mineiros. Em 1917
Bernadino Ramazinni, considerado o pai da medicina do trabalho relatou que os
movimentos violentos e irregulares bem como as posturas inadequadas durante o
trabalho, provocam lesões ao corpo humano. Apesar de ultrapassado, esse paradigma
mecanicista do homem relacionado ao trabalho, é bastante forte, principalmente no que
diz respeito ao trabalho repetitivo. (Przysiezny, 2005)
Em geral, acompanhando essas ocorrências e dependendo da gravidade das
mesmas, os indivíduos expressam sentimentos de desvalia, insegurança, quanto ao
futuro profissional, inconformismo frente a algumas limitações, incertezas e morosidade
no processo terapêutico e de reabilitação, medos e fantasias inconscientes,
manifestações depressivas e de revolta, associadas, em geral a incorporação de toda uma
ideologia de culpabilização individual. (Merlo, ET AL; 2001, pag. 1)
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
No exercício da profissão, inúmeras são às vezes em que os trabalhadores de
Enfermagem adotam posturas corporais impróprias, como é o caso de várias tarefas
desempenhadas à beira do leito como realizar curativo (por vezes de longa duração),
puncionar acesso venoso, auxiliar no banho de leito, realizar trocas de decúbito ou
passagem leito-maca-leito; como dito, todas as tarefas mencionadas colocam esses
profissionais em posições inadequadas contribuindo para o aparecimento de danos ao
sistema musculoesquelético entre os quais estão as Lesões por Esforços Repetitivos
(LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).
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Para identificar e abordar as causas de LER/DORT é necessário considerar
vários aspectos do ambiente de trabalho.
Uma vez presente, as doenças
osteomusculares relacionadas ao trabalho possuem quatro estágios de acordo com Sato
(1993) e Helfenstein (1998):
Estágio 1 - Sensação de peso, dormência e desconforto em áreas específicas. Pontadas
ocasionais durante as atividades mais intensas (no trabalho ou fora dele) podem ocorrer.
As sensações passam após descanso de horas ou poucos dias.
Estágio 2 - Existe dor com alguma persistência. A localização da dor é mais precisa. É
mais intensa durante picos de atividade. Pode haver perda de sensibilidade, sensação de
formigamento, inchaço e calor ou frio na área afetada.
Estágio 3 - Perda de força eventual ou freqüente. Dor persistente mesmo com repouso
prolongado. Crises de dor aguda podem surgir mesmo durante repouso.
Estágio 4 - Dor aguda e constante, às vezes insuportável. A dor migra para outras partes
do corpo. Perda de força e do controle de alguns movimentos. Perda grande ou total da
capacidade de trabalhar e efetuar atividades domésticas.
As doenças mais comuns dentro de uma ampla lista de quadros clínicos são:
tenossinovites, tendinites, bursites, cervicalgia, dorsalgia e lombalgia. Manifestam-se
principalmente no pescoço, cintura escapular e/ou membros superiores, em decorrência
do trabalho, podendo afetar tendões, músculos e nervos periféricos. (Murofuse Neide;
Marziale Maria, 2005).
A coluna vertebral foi uma das estruturas mais atingidas por distúrbios como
a dorsalgia (20%), o lumbago com ciática (16,9%), a cervicalgia (12,2%), a
ciática (6,4%) e a síndrome cervicobraquial (2,7%), que são distúrbios que
têm a dor como uma de suas características, porém com especificidade.
(Neide; Maria, 2005).
OBJETIVO GERAL:
 Relatar a incidência de distúrbios osteosmusculares em profissionais de
enfermagem.
ESPECÍFICOS:
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 Identificar as áreas anatômicas com maior inserção das lesões
osteomusculares.
 Expor a lesão osteomuscular mais presente (lombalgias, DORTs, ETC).
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo quantitativo, realizado com pesquisa documental e
questionário estruturado. O universo desse estudo expressa o total de enfermeiros de
nível superior, técnicos e auxiliares de enfermagem lotados em Unidades de Saúde da
Família da zona urbana do município de Guanambi - BA, totalizando 46 trabalhadores
aos quais foram feitos convites individuais para participarem deste estudo, assegurando
o caráter sigiloso quanto à identificação dos respondentes e apresentando objetivo e
método da investigação, respeitando-se as recomendações sobre a ética em pesquisa.
O instrumento de pesquisa utilizado, questionário estruturado, foi submetido
ao processo de validação no mês de agosto do corrente ano (2010). Já a coleta de dados
ocorreu no mês de setembro, com aplicação do instrumento após leitura e assinatura do
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE pelos respondentes.
O questionário compreendeu 28 questões objetivas de múltipla escolha
abordando os seguintes dados: Relação Profissional, Mobiliário e Estrutura Física,
Epi‘s(Equipamento De Proteção Individual), Normas Regulamentadoras, Condição
Biopsicossocial e Patologias Mais Freqüentes.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
O resultado parcial tornou-se surpreendente, e reafirmou a importância deste
estudo. Dos 46 entrevistados, 34 afirmaram que de forma intermitente sentem dores
após a realização de atividades laborais, contrastando com apenas 11 que afirmaram
nunca ter sofrido tal sintoma.
Das 34 afirmativas, 26 propuseram que a sintomatologia aumenta de acordo
ao exercício realizado no trabalho. O que demonstra a real interferência do trabalho na
queda da qualidade de vida dos profissionais de enfermagem, já que a freqüência da dor
varia de acordo com o tempo de exercício da profissão.
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Outro
indicativo
da
associação
da
presença
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de
sintomatologia
musculoesquelética e a atividade laboral realizada pelos mesmos, foi confirmado
durante o questionamento se as dores diminuem quando há descanso. 27 profissionais
afirmaram que sempre ou quase sempre o repouso é uma medida que surte bons
resultados.
Um dos pontos mais preocupantes com a análise deste estudo foi sobre a
procura de meios para aliviar as dores. Apenas 15 pessoas afirmaram utilizar a via
farmacológica como tratamento; 27 transcreveram que nunca procuraram o médico,
tampouco utilizaram qualquer medicamento. O que indica que a procura destes
profissionais por auxilio medico especializado possui um índice mínimo, podendo fazer
com que a patologia se desenvolva com maior facilidade, levando ao estado de
impossibilidade de desempenho da profissão.
A negativa da procura por auxilio especializado pode ser compreendido, já
que 37 dos entrevistados afirmaram que a condição física afetada nunca atrapalhou
durante a realização das atividades, Apenas 8 afirmaram a existência dessa relação.
Dos entrevistados, 27 relataram nunca ter apresentado qualquer tipo de
Distúrbio Relacionado ao Trabalho (DORT), mostrando uma grande contradição, uma
vez que 33 pessoas relataram inicialmente que sentiam dores após a realização das
atividades laborais. Esses dados devem-se ao fato da ignorância dos profissionais com
relação aos nomes científicos. Auxiliando nesse processo de comprovação da existência
de contradições, quando questionados qual o tipo de DORT que os mesmo sofrem, 16
afirmaram possuir lombalgia, 13 com Cervicalgia, 2 com Tendinite e 1 com Bursite.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ainda que parciais pelo fato do projeto se encontrar em andamento. os
resultados vêm se mostrando surpreendentes, reafirmando as inquietações que nos
levaram ao desenvolvimento do trabalho. A coleta mostrou a prevalência de DORT em
82% dos entrevistados, sendo 31% referente à lombalgia como afecção músculoesqueletico mais freqüente.
O resultado reafirmou o posicionamento de diversas bibliografias utilizadas
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e mostra a necessidade de uma intervenção para uma mudança no ambiente de trabalho
do profissional de Enfermagem. Outra preocupação é com relação a não procura de
tratamento pelos profissionais que relatam possuir algum tipo de DORT, levando à
necessidade de uma eventual intensificação na política educacional de cada profissional.
Ajustes no mobiliário, diminuição na carga horária de trabalho, mostram ser os
principais instrumentos para uma transformação em prol de uma melhor qualidade de
vida do trabalhador em questão, evitando assim aposentadorias precoces.
Em uma classe com mais de 150 mil profissionais, o presente trabalho
torna-se uma questão de saúde publica. Por ser humanamente necessário para que estes
―zeladores‖ de vidas desenvolvam seu trabalho com a qualidade necessária, os ajustes
supracitados com relação aos princípios ergonômicos necessitam ser atendidos.
Ressaltamos assim o principio constitucional do direito a saúde, englobando todos os
moldes necessários para a obtenção da mesma.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
ALEXANDRE, N.M.C. Aspectos ergonômicos relacionados com o ambiente e
equipamentos hospitalares. Rev. Latino-am. Enfermagem., v. 6, n. 4, out. 1998.
Encontrado em www.scielo.com.br acesso em 19/10/2009.
ALEXANDRE, N.M.C.; BENATTI, M.C.C. Acidentes de trabalho afetando a coluna
vertebral: um estudo realizado com trabalhadores de enfermagem de um hospital
universitário. Rev.latino-am.enfermagem, Ribeirão Preto, v. 6, n. 2, p. 65-72, abril
1998. Encontrado em www.scielo.com.br acesso em 19/10/2009.
GURGUEIRA, Giovana Pimentel; ALEXANDRE, Neusa Maria Costa and FILHO,
Heleno Rodrigues Corrêa. Prevalência de sintomas músculo-esqueléticos em
trabalhadoras de enfermagem. Rev. Latino-Am. Enfermagem [online]. 2003, vol.11,
n.5,
pp.
608-613.
ISSN
0104-1169.
doi:
10.1590/S010411692003000500007. Encontrado em www.scielo.com.br acesso em 19/10/2009.
LEITE, Patricia Campos; SILVA, Arlete; MIRIGHI, Miriam Aparecida Barbosa. A
mulher trabalhadora de enfermagem e os distúrbios osteomusculares relacionados
ao trabalho. Rev Esc Enfermagem da USP. Encontrado em www.scielo.com.br acesso
em 19/10/2009.
MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). LER, DORT, dor relacionada ao trabalho –
protocolos de atenção integral à saúde do trabalhador de complexidade
diferenciada.
In:
Área
de
saúde
do
trabalhador.
2006.
Disponívelem:<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/trabalhador/pdf/protocolo_ler_dort.pdf.
Acesso em 18/10/2009
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MENDES, R. O impacto dos efeitos da ocupação sobre a saúde de trabalhadores. I
— Morbidade. Rev. Saúde públ., S. Paulo, 22:311-26, 1988.
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EDUCAÇÃO INFANTIL: CUIDAR OU EDUCAR? AS ESPECIFICIDADES DO
CURRÍCULO E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES
Adeilma Queiroz da Mota1 (Uneb)
Roselane Queiroz da Mota (Uneb)
Heldina Pereira Pinto Fagundes2 (Uneb)
RESUMO
Analisamos aqui como a formação de professor só faz sentido se for embasada a partir
das concepções sinalizadas na proposta curricular. Destacamos, portanto, como objetivo
geral a relação entre currículo e formação de professores no contexto da educação
infantil. Como suporte teórico, recorremos aos conceitos de currículo de Silva (1999),
formação de professores de Ortiz (2007), à concepção de Educação Infantil de Craidy
(2006), entre outros. Trata-se de pesquisa bibliográfica que tem como foco a formação
de professores e o currículo, já que ambos podem se tornar limitados, sem a devida
atenção a esse vínculo orgânico. Realizamos o levantamento dos dados bibliográficos,
ou seja, recorremos a fontes secundárias, buscando o contato com textos escritos,
conforme destacam (MARCONI e LAKATOS, 1990, p.66). Foram analisados artigos
de bases de dados e de livros, bem como textos oficiais. Os resultados apontam que o
currículo e a formação de professores devem se assentar nessas novas concepções para
atender a essa nova demanda. Nas considerações finais, apontamos que o professor é a
ponte entre o currículo e o aluno. Isso exige formação qualificada para atender, às
especificidades do pequeno infante já que o docente é o intérprete do que pensa e sente
a criança, assim como interpretante do mundo que a rodeia.
PALAVRAS CHAVE: Educação Infantil; Currículo; Formação de Professores.
INTRODUÇÃO
Atualmente há um novo olhar sobre o conceito de infância, que vem sendo
ressignificado e reconhecido. A criança tem sido compreendida como compreendida
como um sujeito social e histórico que partilha, interage e produz cultura na sociedade
1
Graduandas do Curso de Pedagogia – UNEB campus XII Adeilma. E-mail: [email protected] e
Roselane: [email protected].
2
Orientadora. Dra. em Educação: Currículo, PUC-SP. Professora Adjunta da Universidade do Estado da
Bahia – Uneb. E-mail: [email protected]
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onde vive. Esse processo ocorreu somente após a promulgação da Constituição Federal
de 1988, posteriormente com a vigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
9394/96 (LDB) e consolidado no Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA. A
educação infantil ganha maior importância na medida em que a criança é reconhecida
como um sujeito que também possui direitos que precisam ser respeitados,
considerando a especificidade própria de sua idade, diferindo claramente da realidade
do adulto.
Além disso, exige-se que sua diversidade sociocultural e racial sejam
consideradas para a melhoria da qualidade de sua educação. Nesse contexto, a formação
do educador, a participação das famílias e as propostas educacionais devem ser
veiculadas a essa nova concepção de criança.
Nesta perspectiva faz-se necessário compreendermos o currículo e a formação
de professores para atender a esse público. Isto porque, ―a experiência da criança no
contexto educativo precisa ser muito mais qualificada. Ela deve incluir o acolhimento, a
segurança, o lugar para a emoção, para o gosto e para o desenvolvimento da
sensibilidade‖ (BUJES, 2001), o que constitui um grande problema para a formação
docente que, infelizmente, ainda impera sob a dicotomia teoria e prática.
Outra dificuldade da proposta da Educação Infantil é a dissociação entre o cuidar
e o educar. É preciso que haja integração entre esse binômio, uma vez que só se educa
cuidando e só se cuida educando. E o professor precisa estar atento às especificidades
da criança. Assim, não poderíamos deixar de pensar como deve ser específico o
currículo da Educação Infantil.
Para Silva (1999) currículo ―é lugar, é espaço, é território [...] é autobiografia,
nossa vida: no currículo se forja identidade. O currículo é documento de identidade‖.
Isto significa que o currículo é aquilo que é produzido na interação, nos sentidos e
significação da atividade cultural e educacional e é por isso que o currículo da Educação
Infantil não se restringe a listar conteúdos e orientações de trabalho, mas deve ser
constituído de direitos fundamentais da criança priorizando seu desenvolvimento
integral, considerando sua identidade cultural e social.
Metodologia
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Buscando compreender a dinâmica do tema ―Educação Infantil: cuidar ou educar? As
especificidades do currículo e a formação de professores‖, optamos pelo levantamento
dos dados bibliográficos, ou seja, recorremos à fontes secundárias, observando que a
finalidade da mesma ―é colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi
escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto‖ (MARCONI e LAKATOS, 1990 ,
p.66).
O objetivo principal deste trabalho é destacar a relação entre currículo e
formação de professores no contexto da educação infantil. Nesse sentido, pretendemos
destacar brevemente a importância de se buscar o ponto de equilíbrio entre ambos os
lados, já que sem a formação de professores o processo de desenvolvimento curricular
pode se tornar limitado ao mesmo tempo em que a formação de professor só faz sentido
se for embasada a partir das concepções sinalizadas na proposta curricular. O currículo e
a formação são complementares.
Entre os autores analisados, destacamos Silva (1999), que nos apresenta seu
conceito de currículo destacando sua contribuição na formação da identidade cultural e
social da criança, mostrando-nos que ser professor da Educação Infantil é muito mais
que cumprir uma missão ou cuidar das crianças como parentes – tias, conforme criticou
Paulo Freire – mas é o exercício de uma atividade profissional na qual várias questões
estão em jogo, notadamente aquelas referentes à formação do sujeito, dentre outras
coisas. Destacamos também, Craidy (2006), que nos fornece sua concepção de
Educação Infantil, destacando o modo como podemos realizar essa articulação entre
educar e cuidar nas atividades pedagógicas, sem reduzir essa ação ao treinamento para
séries iniciais, tampouco restringir o cuidar ao assistencialismo.
Recorremos ainda, à concepção de formação de professores de Ortiz (2007), que
coloca como fundamental que o profissional de Educação Infantil deve ser
especializado. Isto significa que esse profissional, além de bem preparado, deve ter uma
atuação mediadora entre a experiência da criança pequena e o desenvolvimento e a
aprendizagem, interagindo com as crianças e desempenhando ações de cuidado e
educação.
Formação do professor da educação infantil
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Por um longo período devido ao papel assistencial e filantrópico da Educação Infantil,
regido pelo esquema ―sopão e banho‖ não se exigiam, para tal modalidade, profissionais
especializados e, os únicos requisitos eram gostar e saber cuidar fisicamente das
crianças (ORTIZ, 2007). Contemporaneamente, com as definições das legislações,
principalmente da LDB, acerca da Educação Infantil, bem como os estudos sobre o
desenvolvimento da infância, mostram o quanto bem preparado deve estar o
profissional para atuar nesta área. Esse profissional ―é aquele que sabe mediar as
experiências da criança pequena de modo a contribuir positivamente para o seu
desenvolvimento e aprendizagem‖ (ORTIZ, 2007). É aquele que interage com a criança
desempenhando ações de cuidado e educação.
Deste modo é preciso que o professor de Educação Infantil esteja amparado em
uma sólida formação básica advinda principalmente dos cursos de Pedagogia e
magistério com condições de dar continuidade a um programa de formação permanente.
Sabemos, no entanto, da inexistência de articulação entre formação inicial e continuada,
uma vez que a proposta inicial se reduz à docência e a continuada a seminários e
oficinas que não respondem as dificuldades educativas do professor (DELGADO,
2007).
A formação oferecida aos professores da Educação Infantil deve dar-lhes
subsídios para que comprometam com o bem estar e o desenvolvimento integral da
criança, principalmente no contexto atual de multiplicidade de fatores sócio-político e
econômico; de tecnologia, globalização. É esperado do professor, saber apoiar a criança,
dar incentivos e novos desafios, tudo isso com qualidade e fazendo uma relação
indissociável entre educar e cuidar (ORTIZ, 2007). Enfim, a prática pedagógica deve
ser reflexiva por parte do professor, afim de que possa rever seus próprios modos de
aprender e construir a experiência a partir da ação-reflexão-ação em favor do
desenvolvimento autônomo dos educadores.
Considerações finais
O professor é a ponte entre o currículo e o aluno logo, faz-se necessário que ele
tenha uma formação qualificada para atender, principalmente, às especificidades do
pequeno infante já que o docente é o intérprete do que pensa e sente a criança, assim
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como interpretante do mundo que a rodeia. Somente quem tem a vivência na sala de
aula é capaz de adaptar o currículo às particularidades da educação infantil e este deve
ser elaborado a partir das propostas dos docentes que se tornariam responsáveis pela
programação curricular.
O que a criança vivencia na escola terá repercussões por toda a vida, muitas
vezes irreversíveis, nos aspectos cognitivos, afetivos e sociais e o docente precisa saber
mediar isso através de um currículo flexível e humanístico para que a criança
desenvolva sua integridade e autonomia. Por isso é que o binômio cuidar e educar
devem permanecer indissociáveis.
Nesta perspectiva, currículo e formação não podem ser vistos de forma isolada,
uma vez que a qualidade da atuação do educador depende, e muito, da organização
curricular. Por isso é que procuramos buscar um ponto de equilíbrio entre o currículo e a
formação de professores para que o fazer docente não resulte apenas em transmissão de
conteúdos, mas que avance na perspectiva do respeito aos direitos da criança pequena.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CAEIRO, Alcina Ramos; PEREIRA, Gionete Ione. Currículo na Educação Infantil:
Avanços e Perspectivas. Digitado – Cepex - Guanambi-Ba, 2009.
CRAIDY, C. M; KAERCHER, G. E. P. S. (orgs). Educação Infantil: pra que te quero.
Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.
FARIA, A. L. G. de; PALHARES, M. S. (orgs). Educação Infantil Pós-LDB: rumos e
desafios. 2. ed. Campinas, SP: Autores Associados – FE/UNICAMP; São Carlos,
Editora da UFScar. Florianópolis, SC: Editora da UFSC, 2000. – (coleção polêmicas do
nosso tempo; 62).
MARCONI, Marino de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de Pesquisa:
planejamento e execução de pesquisa, amostragens e interpretação de dados. 2 ed. São
Paulo;Atlas, 1990.
PÁTIO, Educação Infantil: de que professor precisamos para a Educação Infantil.
Agosto/novembro, 2003.
PÁTIO, Educando Crianças de 0 a 3 anos. Março/junho, 2007.
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PROJETO FAZENDO HISTÓRIA: NARRATIVAS DE VIDA IMBRICADAS NA
FORMAÇÃO DE LEITORES
Autoras: Lindiane Carla Pereira Cardoso
Simone Francisca Martins
Professora Orientadora: Ms Zélia Malheiro Marques
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Programa de Iniciação Científica - PICIN
RESUMO
O projeto ―Fazendo História‖, inscrito no Programa de Iniciação Científica – PICIN - da
Universidade do Estado da Bahia - UNEB - visa pensar e desenvolver narrativas de
leitura do sujeito em formação. Localiza-se entre dois eixos temáticos, a formação e a
leitura situados, então, entre dois movimentos de estudo, a formação, referente aos
estudos de Nóvoa (1992), Pineau (1999), Josso (2004), Souza (2006), tomando as
narrativas de vida como possibilidade de reflexão e de apropriação retrospectiva do
trabalho vivido e, o segundo, à leitura, parte intrínseca da história cultural abordada nos
estudos de Chartier (2001), Silva (2001), Lacerda (2003), Paulino (2004), Cordeiro
(2006) e Abreu (2004). Embasado em uma reflexão teórica, o projeto concretizar-se-á a
partir do desenvolvimento de encontros de leitura para coletar narrativas de vida.
Coletado o material com as narrativas produzidas, passam a ser analisadas para fins de
pesquisa, separando-as em categorias de estudo com o propósito de resultar num livro
de autobiografias que abordem a formação leitora de estudantes do município de
Caetité-BA. Enquanto campo de investigação mais alargado e dialogando com a
constituição leitora imbricada com leitura, cultura e sociedade a discussão, nesse
sentido, levará em consideração os cenários em que é visível a falta de tradição da
leitura e escrita, lugares muitas vezes, alheios aos interesses acadêmicos.
PALAVRAS-CHAVE: Leitura; Escrita; Formação; Narrativas; Autobiografia.
INTRODUÇÃO
O projeto ―Fazendo História‖ justifica-se ao pensar as histórias de formação e de
leitura que estão espalhadas pelos diversos espaços desse imenso país, incluindo as
presentes nas escolas públicas, muitas vezes, esquecidas ou desvalorizadas por não
haver quem as incentive no sentido de ouvi-las e de contá-las. Ao confrontá-las com a
constituição leitora de pessoas que se sentem em situações assim, abrem-se
possibilidades não só de reconstrução dos próprios caminhos, mas, principalmente, no
que concerne a uma forma de propiciar sentido à vida.
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A princípio essa ideia pode parecer bem comum, ao se pensar as historias não
divulgadas em relação as que já se encontram legitimadas ou a produção de escritas
autobiográficas. Em contato com a escuta pessoal e social de cada sujeito leitor
envolvido com a formação, no entanto, pode-se chegar à conclusão de relevância dessas
histórias para o conhecimento de si o do social, fazendo o intercâmbio com outros
espaços culturais.
Nessa linha de discussão o presente estudo, surge das experiências realizadas
com alunos e professores nesse Alto Sertão Baiano, especificamente, no município de
Caetité - Bahia, lugar em que se observa a experiência da constituição leitora de
estudantes e dos profissionais da educação, especificamente, àqueles que trabalham no
IEAT – Instituto de Educação Anísio Teixeira.
O objetivo desta pesquisa é analisar as narrativas de leitura coletadas nos
encontros vivenciados para a constituição leitora. Sendo assim, foi necessário realizar
encontros de leitura no IEAT; mapear os espaços de leituras da cidade; organizar as
narrativas de leitura identificadas no processo de constituição leitora; estabelecer
categorias de análise para as narrativas identificadas, bem como discernir leituras
oriundas de impressos e as que estão vinculadas à oralidade; registrar o material
pesquisado; e por fim, temos o propósito de publicar os trabalhos resultantes da
pesquisa à comunidade, assim como organizar e divulgar o livro com as narrativas
colhidas.
Por tudo isso, tendo em vista a divulgação do projeto em estudo, surge a
premissa de apresentar trabalhos sobre as ações desenvolvidas até o momento, bem
como os resultados parciais e finais. Assim, faz-se necessário delimitar o referencial
teórico que norteia o estudo, balizado à luz de Hess (2006), Machado (1998), Cordeiro
(2006) e Souza (2004). Cabe enfatizar que os autores citados foram importantes para
estabelecer o diálogo com a pesquisa, entretanto, não são os únicos, haja vista a
possibilidade de confronto com outras referências como os estudos de Chartier (2001),
Josso (2004), Pineau (1999), Nóvoa (1992), Silva (2001), Lacerda (2003), Paulino
(2004) e Abreu (2004).
REFERENCIAL TEÓRICO
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O projeto, conforme já dissemos, tem relação com dois eixos temáticos:
formação e leitura, situando-se, assim, em dois movimentos de estudo abordados à luz
de estudiosos na área. Inicialmente, cabe enfatizar o valor do instrumento de coleta de
dados utilizado no projeto ―Fazendo História‖, como o diário.
Para tanto lembramos o texto: ―Momento do diário e diário dos momentos‖ em
que nos informa sobre alguns tipos de diários como o da saúde, diários de encontros e
de aquisições científicas:‖[...] Nesse registro, escrever um diário é um meio de construir
sua identidade de pesquisador. A cada tema explorado pode corresponder uma caderneta
de anotações, um diário‖ (HESS, 2006, p.89) .
A partir dessa perspectiva, estamos expressando sobre nossas experiências e
dessa forma preservando nossa história, pois estamos deixando algo que poderá ser
estudado futuramente. Assim, como qualquer escrito, o diário vem para nos libertar,
pois podemos desabafar sobre algo que nos incomoda ou descrever um aspecto
emocional. Podemos narrar um acontecimento, um evento, leitura, conversa, as
reflexões do dia-a-dia, descobertas de fatos históricos, assim como ideias concebidas,
leituras vividas, experiências realizadas, enfim, fatos ou até mesmo ficção que são
registrados, a fim de serem conservados, mantendo uma história, cultura, modos de vida
de um indivíduo e de um povo.
De repente, essas leituras de formação podem ter uma concepção de nos
descontrair, nos fazer relaxar, entretanto, podem se tornar um documento histórico.
―Com o tempo, o diário adquire uma dimensão histórica. Quando um diário é
descoberto ou lido, com o distanciamento temporal, ele torna-se um banco de dados
interessante pra o historiador‖ (HESS, 2006, p. 94). E pode ser uma fonte de pesquisa
aos diversos campos, assim como serve para o próprio autor adquirir mais experiência,
evoluir na escrita e ampliar seu leque de conhecimentos, pois poderá comparar seus
conhecimentos adquiridos e relatados num determinado momento passado com o atual.
Todo diário necessita de um autor independente se é uma pessoa ou um grupo de
pessoas. São construídos independente de regras, como acena Hess (2006) a partir de
escrita individual ou coletiva. Num hospital, por exemplo, o prontuário pode ser
mantido diariamente, constituindo registros das informações concernentes aos serviços
fornecidos aos doentes: medicamentos administrados, reações, exames, diagnósticos
etc.
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Por isso, levando em consideração o caráter de instrumento investigativo, o
diário é utilizado nesta pesquisa com o objetivo de discutir a constituição leitora de cada
sujeito pesquisado e sua contribuição na formação social, profissional e cognitiva de
cada um.
Neste contexto, Anna Rachel Machado nos acrescenta em sua obra ―O diário de
Leituras: a introdução de um novo instrumento na escola‖ a respeito da importância de
registrar as leituras efetuadas. O diário além de ser um relato do que se pensa, ele
também é uma expressão do pensamento moldado de instrumento de pesquisa
internalizado.
Em primeiro lugar, podemos dizer que o diário é habitualmente considerado
como ‗discurso‘, no sentido benvenistiano do termo, e Barthes (1979)
radicaliza essa posição ao considerar que o diário não chega a ser um texto,
mas sim uma espécie de fala escrita (1998, p. 24).
É através dessa função de busca de conhecimentos que a produção de diários
vem florescer e dar respaldo à pesquisa autobiográfica e formativa, pois é através dessa
prática que se pode fazer balanços das próprias ações, podendo futuramente ou até
mesmo no momento atual servir de campo de pesquisa, afinal, no trabalho com
memórias podemos chegar a diversas respostas para perguntas existentes no
pensamento humano.
Neste âmbito, Cordeiro (2006), acrescenta para o estudo em questão,
informações a respeito do seu trabalho realizado na UNEB com alunos do curso de
Pedagogia e Letras. O primordial objetivo, nessa investigação, foi abordar o percurso de
leitura desses alunos, bem como identificar seu repertório de leitura visando, assim,
diagnosticar as leituras literárias na formação pessoal e acadêmica. A pesquisadora
tenta, a partir daí, relacionar as práticas culturais de leitura e processos de formação e
autoformação.
A autora citada desbrava o campo de leitura dos alunos dos cursos de Pedagogia
e Letras, analisando os relatos dissertados durante a pesquisa. Os sujeitos pesquisados
dão relatos belíssimos de experiências leitoras, das dificuldades na infância em ler as
obras de Literatura Infantil. Alguns leitores também mostram carência da leitura
impressa logo no início de sua formação, outros relatam que só tiveram contato com
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alguns autores através da escola. E, de um modo geral, percebe-se que as leituras
ditadas pela escola não se tornavam prazerosas. Nesse aspecto, alguns alunos falam do
amor por leituras que não faziam parte do planejamento escolar. Quando necessitavam
ler algum cânone isso era feito de modo mecânico, pois a maioria das leituras eram de
cunho avaliativo. Através dessa mecanização, os alunos não apreciavam a obra e
acabavam lendo simplesmente para fazer avaliações, deixando de buscar outras obras de
porte significativo.
Podemos notar por meio dos escritos colhidos no projeto ―Fazendo História‖ que
tal prática é utilizada em nossas escolas, principalmente no Ensino Médio, período em
que o estudante adquire maior contato com a literatura canonizada, sendo que ela é
repudiada pela grande maioria pelo fato de ser obrigatória. Desse modo, alguns leem o
que desejam, outros nenhum contato desejam ter com a leitura, preferindo as
facilidades, instantaneidades do mundo digital, cada dia mais frequente em nossas
vidas.
Levando em consideração esta evidência, lembramos Souza (2004) quando
enfatiza que, através da prática de leitura e escrita, o sujeito em formação, tornará um
ser de conhecimentos, pois ao relatar experiências vivenciadas nesse processo, passa a
acumular experiências e conhecimentos, adquirindo capacidade de relembrar e relatar
sua própria história. E é, nessa perspectiva, que a narrativa pessoal se torna um fomento
no qual o próprio autor da história investiga e forma seu leque de conhecimentos.
Souza (2004, p. 136) reforça essa ideia, quando questiona: ―O que é a educação
senão a construção sócio-histórica e cotidiana das narrativas pessoal e social? [...]‖. No
diálogo com essa concepção, observamos a troca de experiências que se dá pelas
narrativas que ouvimos e que falamos e pela forma de propagarmos as histórias
vivenciadas. É nessa perspectiva que o autor citado defende o processo de autobiografia
e biografias na área educacional, não como mera terapia, mas como pesquisa que
propõe apoiar o sujeito a buscar conhecimentos através de sua história de vida ou pelo
menos parte dela:
[...] enquanto atividade formadora, a narrativa de si e das experiências
vividas ao longo da vida caracterizam-se como processo de formação e de
conhecimento, porque se ancora nos recursos experienciais engendrados nas
marcas acumuladas das experiências construídas e de mudanças identitárias
vividas pelos sujeitos em processo de formação e desenvolvimento.
(SOUZA, 2004, p. 136)
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Nessa
constatação,
enfatizamos
o
valor
de
requisitar
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as
narrativas
autobiográficas como processo de formação de si, da autoformação profissional, de
construção e manutenção de histórias pessoais, de ―fazer história‖. Sendo assim, por
meio das narrativas de leitura, dos diários escritos nos encontros desenvolvidos no
IEAT, o projeto em questão evidencia cenas das histórias de vida de leituras dos
estudantes do Normal Médio, nas quais faz-se possível perceber o processo de
constituição leitora e a formação de si e do social em que esses leitores estão inseridos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABREU, Márcia. Os números da cultura. In: RIBEIRO, V. M. Letramento no Brasil.
São Paulo: Global, 2004.
____________. (Org.). Percursos da leitura. In: ABREU, M. Leitura, história e
história da leitura. São Paulo: Fapesp, 2007.
CHARTIER, Roger. (Org.). Do livro à leitura. In: ABREU, M. Práticas da leitura. São
Paulo: Estação da Liberdade, 2001.
CORDEIRO, Verbena Maria Rocha. Os bastidores da leitura: praticas e representações
ou do lixo à biblioteca. In Anais do CIPA, salvador, setembro, 2006.
HESS, R. Momento do diário e diário dos momentos. In SOUZA, E. C. e ABRAHAO,
M. H. M. B. (Org.) Tempos, narrativas e ficções: a invenção de si. Porto Alegre:
EDIPUCRS, 2006, p. 89-103.
JOSSO, Marie-Christine. Da formação do sujeito – ao sujeito da formação. In:
NÓVOA, A. e FINGER, M. O método (auto) biográfico e a formação. Lisboa
MS/DRHS/CFAP, 1988.
NÓVOA, Antonio. A formação tem que passar por aqui: as histórias de vida no projeto
Prosalus. In: NÓVOA, A. e FINGER, M. O método autobiográfico e a formação.
Lisboa MS/DRHS/CFAP, 1988.
SOUZA, Elizeu Clementino de; CORDEIRO, Verbena Maria Rocha. Por entre escritas,
diários e registros de formação. Revista de educação PRESENTE, Centro de Estudos e
assessoria pedagógica, Salvador, Ano 15, n. 2, p. 44-49, jun/2007.
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TERCEIRA IDADE: SUJEITOS, PRÁTICA E EXPERIÊNCIAS 1
Dayanne Mota de Oliveira2
Jamilson Fernandes de Matos3
Sônia Frota dos Santos4
Sônia Maria Alves de Oliveira Reis5
Resumo
Este trabalho visa apresentar informações em relação a estudos que estamos realizando
em relação à terceira idade, destacando reflexões sobre envelhecimento no âmbito local
e global, políticas para terceira idade e dos modelos de assistência ao idoso no país e em
Guanambi-Ba. Além disso, apresentamos o Estatuto do Idoso e alguns conceitos sobre
os aspectos biopsicossociais e culturais do processo de envelhecimento. Para orientar a
realização deste estudo, destacamos Beauvoir (1990); Duarte (1999); Estatuto do Idoso
(2003); Peixoto (1998); Moletta (2000) e outros. A compreensão dos dados
fundamenta-se nos pressupostos da abordagem qualitativa. Do ponto de vista técnicometodológico, utilizamos diário de campo, constituído a partir da observação nos
espaços que atendem sujeitos da terceira idade e entrevistas visando apresentar os
significados da experiência vivenciada por eles e pelos profissionais que realizam as
atividades socioeducativas. Os resultados da investigação reafirmam a necessidade de
atuação do pedagogo nas equipes multiprofissionais de programas, projetos e atividades
voltados para a pessoa idosa. O trabalho aponta alguns fundamentos e pressupostos
teórico-metodológicos para o trabalho na educação dos educandos da terceira idade.
Palavra Chaves – Terceira idade, envelhecimento, equipe multiprofissional e
experiencias.
Introdução
1
Este trabalho foi apresentado na atividade eixo interdisciplinar, resultados das discussões na disciplina
―TEC Terceira Idade‖ oferecida no 3º semestre do curso de Pedagogia.
2
Graduanda do curso de Pedagogia, UNEB - Campus XII.
3
Graduando do curso de Pedagogia, UNEB - Campus XII.
4
Graduanda do curso de Pedagogia, UNEB - Campus XII.
5
Profª da disciplina TEC Terceira Idade, UNEB – Campus XII.
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Existe hoje uma crescente presença dos idosos nos espaços públicos; observamos
que cada vez mais eles "ocupam a cena" e, às vezes, no papel decisivo de protagonistas.
A classificação de um indivíduo como idoso não deve limitar-se apenas à idade
cronológica, embora a mesma tenha sido adotada de forma geral e quase como
exclusiva nas discussões sobre o envelhecimento. É fundamental também levar em
conta as idades biológica, social e psicológica que não coincidem necessariamente com
a cronológica. Diante disso, se faz necessário esclarecermos o conceito de alguns termos
como:
velhice,
envelhecimento
populacional,
terceira
idade,
psicologia
do
envelhecimento, qualidade de vida (saúde e lazer), Estatuto do Idoso e outros, para
compreendermos melhor a temática em estudo.
Mapa conceitual
A partir de um mapa conceitual construído no decorrer do levantamento
bibliográfico sobre estudos e pesquisas no campo da Terceira Idade podemos dizer que
a velhice é um processo pessoal, natural, indiscutível e inevitável, para qualquer ser
humano na evolução da vida. Nessa fase sempre ocorrem mudanças biológicas,
fisiológicas, psicossociais, econômicas e políticas que compõe o cotidiano das pessoas.
Segundo Beauvoir (1990, p.15) a velhice é
um fenômeno biológico: o organismo do homem idoso apresenta
certas singularidades; acarreta consequências psicológicas: certos
comportamentos são considerados, como característicos da idade
avançada. Como todas as situações humanas, ela tem uma dimensão
existencial: modifica a relação do indivíduo com o tempo e, portanto,
sua relação com o mundo e com sua própria história.
De acordo com os estudos que realizamos não há um consenso sobre qual a idade
em que se inicia a chamada Terceira Idade. Segundo Duarte (1999), do ponto de vista
cronológico, chama-se de Terceira Idade a faixa etária em torno dos 65 anos,
aproximadamente; ancianidade dos 70 aos 75 anos e última senectude, ao redor dos 80
anos.
Conforme Peixoto (1998), a Terceira Idade é um termo que vem a fazer um corte
na velhice. Dessa forma, os idosos recém aposentados, que continuam em atividade são
considerados pertencentes à Terceira Idade, enquanto que aqueles que já avançam um
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pouco mais na idade e apresentam um quadro de fragilidade e decadência são chamados
de ―velhos‖.
Nesse sentido, é oportuno refletirmos sobre o envelhecimento populacional, que
nada mais é que o crescimento da população considerada idosa em uma dimensão tal
que, de forma sustentada, amplia a sua participação relativa no total da população. A
participação da população idosa em 2000 segundo o IBGE correspondia a 5,1% da
população total do País. Este processo de envelhecimento populacional provocado pela
redução da mortalidade, a diminuição da taxa de fecundidade e o aumento da
expectativa de vida, nos colocam diante de novos desafios que exigem respostas
urgentes. Tal modificação na base da pirâmide populacional tem profundas repercussões
sobre as políticas sociais, principalmente em termos de investimentos no que se refere à
saúde, previdência social, educação, etc.
Ao observar uma população cada vez mais envelhecida, evidencia-se a
importância de garantir aos idosos não só uma sobrevida maior, mas também uma boa
qualidade de vida. O conceito de qualidade de vida está relacionado à auto-estima e ao
bem-estar pessoal e abrange uma série de aspectos como a capacidade funcional, o nível
socioeconômico, o estado emocional, a interação social, a atividade intelectual, o autocuidado, o suporte familiar, o próprio estado de saúde, os valores culturais, éticos e a
religiosidade, o estilo de vida, a satisfação com o emprego e/ou com atividades diárias e
o ambiente em que se vive.
Nessa direção compreendemos que o conceito ―qualidade de vida‖ é subjetivo
depende do nível sociocultural, da faixa etária e das aspirações pessoais do indivíduo. A
saúde e a qualidade de vida dos idosos, mais que em outros grupos etários, sofrem a
influência de múltiplos fatores físicos, psicológicos, sociais e culturais. Assim,
promover a saúde do idoso significa considerar variáveis de distintos campos do saber,
numa atuação interdisciplinar e multidimensional. Nessa perspectiva a Psicologia do
Envelhecimento estuda as transformações do desenvolvimento humano, percebendo o
sujeito como um ser processual, onde cada indivíduo envelhece de modo singular, ou
seja, de acordo com experiências que lhe são peculiares.
Estatuto do idoso
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Com o objetivo de assegurar os direitos da pessoa idosa, a Secretaria Especial dos
Direitos Humanos da Presidência da República elaborou o Estatuto do Idoso em
parceria com os Estados e Municípios. De iniciativa do Projeto de Lei n°3.561 de 1997,
o Estatuto do Idoso foi também fruto da organização e mobilização dos aposentados,
pensionistas e idosos vinculados à Confederação Brasileira dos Aposentados e
Pensionistas (COBAP), sendo uma grande conquista para a população idosa e para a
sociedade. O idoso possui direito à liberdade, à dignidade, à integridade, à educação, à
saúde entre outros direitos fundamentais.
Com ênfase na temática em estudo, observamos que o Estatuto do Idoso prevê no
Artigo 21 ―que o Poder Público deve criar oportunidades de acesso do idoso à educação,
adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais
destinados a eles‖. Com isso, observamos, que as instituições educacionais e sociais
devem promover aos sujeitos da terceira idade experiências socioeducativas, culturais,
esportivas e outras.
Neste estudo, concluímos que o ensino para idosos apresenta especificidades que
precisam ser bem mais pesquisadas e sistematizadas, nesse sentido as atividades
pedagógicas devem ter suas próprias características, adotando-se recursos e técnicas de
ensino destinadas à aprendizagem de pessoas da terceira idade. Todavia, notamos que a
educação voltada para o idoso ainda se vê abandonada e incompreendida. Infelizmente
o sistema educacional e social não reconhece os direitos dos idosos. As autoridades
brasileiras não amparam de forma mais consistente o idoso com relação aos estudos, o
que se constitui em um profundo desrespeito. "De modo geral, o público da terceira
idade busca o contato com novas pessoas, novas culturas, participação em eventos de
confraternização e a vivência de experiências diferenciadas." (MOLETTA, 2000).
A Terceira Idade em Guanambi
Com o propósito de fazer um levantamento dos espaços reservados para a terceira
idade na cidade de Guanambi-Bahia visitamos o Centro de Convivência do Idoso
―Otelino Ferreira Costa‖ localizado na Rua Joaquim Chaves, Bairro Santo Antônio. Este
espaço é mantido pela Secretaria de Ação Social e Prefeitura Municipal de GuanambiBA. Atende sujeitos da terceira idade a partir dos 60 anos de idade.
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Em entrevista realizada com a diretora do Centro de Convivência do Idoso e no
decorrer das visitas e observações feitas no local constatamos que o espaço oferece aos
idosos momentos de lazer, assistência médica e aconselhamento sobre questões de
ordem pessoais, profissionais e sociais. Além disso, funciona também como um espaço
onde o sujeito da terceira idade ou comunidade pode prestar queixas de maus tratos
sofridos pelos idosos.
Observamos que o Centro de Convivência do Idoso conta com uma equipe
formada por médicos, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais e outros, porém
notamos a falta de um pedagogo, que a nosso ver poderia contribuir e auxiliar na
organização de um atendimento e desenvolvimento de trabalho pedagógico numa
perspectiva multidisciplinar.
Nessa direção, compreendemos que a atuação do pedagogo no trabalho com
idosos deve ser articulada a uma equipe multiprofissional com meios adequados para
melhor atingir objetivos e ideais. Para tanto o educador deve ter uma boa formação para
saber lidar com esses sujeitos que já possuem uma experiência sólida, se atentando para:
conhecimentos já acumulados, velocidade de aprendizagem, dificuldades de ordem
visual, dificuldades de ordem auditiva e problemas de locomoção.
Considerações finais
Assim, podemos inferir que o propósito desse trabalho foi provocar a reflexão
sobre a educação que temos e a educação que queremos para o aprendiz idoso na
contemporaneidade, entendendo que é urgente a necessidade de um redimensionamento
no modo de ver a velhice, para que se instalem no pensamento pedagógico novas
práticas educativas para além das velhas práticas de alfabetização dos adultos, assim
como a mudança de estereótipos e preconceitos sociais relacionados às pessoas idosas.
O grande desafio está em buscar a compreensão do processo de como se chegar ao
envelhecimento com sucesso e qualidade de vida, e isto vai depender de uma educação
numa perspectiva interdisciplinar.
Referencias teóricos
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BEAUVOIR, Simone de. A velhice. Tradução de Maria Helena Franco Martins. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 1990.
DUARTE, L. R. S. Idade cronológica: mera questão referencial no processo de
envelhecimento. Est. Interdiscipl. Envelhec.. UFRGS, Porto Alegre, v.2, p. 35-47, 1999.
ESTATUTO DO IDOSO. Lei Federal nº 10.741, de 01 de outubro de 2003.
PEIXOTO, C. Entre o estigma e a compaixão e os termos classificatórios: velho,
velhote, idoso, terceira idade... In: LINS DE BARROS, M. M. (Org). Velhice ou
terceira idade? Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1998.
MOLETTA, V. F.; GOIDANICH, K. L. Turismo para a terceira idade. 2 ed. Porto
Alegre: SEBRAE/RS, 2000.
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Perfil Biopsicossocial dos Profissionais de Enfermagem que atuam nos PSFs da
Cidade de Guanambi – BA
Geisa Silva Novais¹
Julia Renata Fernandes de Magalhães¹
Malba Diane Oliveira Rêgo¹
Rúbia Vieira da Luz¹
1
Thamirys Freitas Nolasco
Mauro Cesar Ribeiro dos Santos²
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo traçar o perfil biopsicossocial dos profissionais
de enfermagem que atuam no Programa de Saúde da Família (PSF) da cidade de
Guanambi –BA, para assim facilitar a adoção de medidas que garantam a melhoria da
qualidade de vida desta categoria, pois esta necessita de uma atenção especial no que
tange a saúde ocupacional, já que o pilar dessa profissão é o cuidar do outro, esse
cuidador exerce um importante papel na promoção da saúde das populações por ele
atendidas. A pesquisa foi realizada no município supracitado, foram entrevistados 46
profissionais da área (enfermeiros auxiliares e técnicos de enfermagem), os resultados
mostraram que há uma predominância de profissionais técnicos, sobre as demais
categorias, verificou-se também que a enfermagem continua sendo caracterizada como
profissão feminina, que os profissionais atuantes são jovens com poucos anos de
profissão e não costumam possuir distúrbios psicológicos relacionados ao trabalho.
Sendo assim, espera-se que este trabalho serva como subsidio para que, ao se ter
conhecimento das principais características do grupo de profissionais atuantes nos PSFs
do município sejam traçadas medidas que estejam de acordo com as reais necessidades
do referido público para que estas venham alcançar êxito e assim beneficiar este que é
um grupo que assume um importante papel na sociedade já que cuida da promoção da
saúde das populações.
Palavras chave: Saúde do trabalhador; perfil biopsicossocial; profissional de
enfermagem.
INTRODUÇÃO
O trabalho de enfermagem sempre esteve pautado no cuidar do outro, assim o
profissional desta área vê-se responsável pela melhoria da qualidade de vida do ser
1
Graduandas do curso de Bacharelado em enfermagem da Universidade do Estado da Bahia – UNEB
Campus XII.
² Professor Especialista da Universidade do Estado da Bahia UNEB Campus XII.
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cuidado e nem sempre o ser cuidador tem adequada atenção no processo que se
estabelece entre os dois sujeitos. Este é um grupo que se destaca por suas características
relacionadas ao gênero, à hierarquia e sobrecarga, tanto física como emocional, e ao
desrespeito ao ritmo biológico.
Essa categoria necessita de investigações adequadas acerca de seu perfil
biopscicossocial, uma vez que, a qualidade de vida destes trabalhadores tem sido
grandemente comprometida devido à existência dos fatores supracitados e da ausência
de medidas que tenham o objetivo de promover o bem estar físico, mental, social e
biológico dos mesmos.
Desta forma, a identificação do perfil biopscicossocial dos profissionais de
enfermagem que atendem nos PSFs de Guanambi-BA é um forte subsídio para que
sejam criadas medidas direcionadas à melhoria da qualidade de vida desta classe, pois,
para que ocorra a resolução de um entrave, faz-se indispensável que o mesmo seja
inicialmente detectado.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Rocha e Almeida (2000) destacam, que a enfermagem é um grupo profissional
de singular importância, pelo desempenho de papéis, funções e responsabilidades, que
são específicas do cuidado à saúde, principalmente no que diz respeito a prevenção,
promoção, proteção, recuperação, reabilitação e divulgação da saúde.
Segundo COFEN – Conselho Federal de Enfermagem (1986), órgão responsável
por fiscalizar, disciplinar o exercício dos profissionais de enfermagem, o enfermeiro é
um profissional de nível superior que exerce todas as atividades de enfermagem,
inclusive a coordenação de sua equipe. Já o técnico de enfermagem, possui o segundo
grau com formação profissionalizante, cabendo-lhe executar as ações assistenciais de
enfermagem, exceto as privativas do enfermeiro, como também, a participação e
acompanhamento do trabalho de enfermagem. Enquanto o auxiliar de enfermagem de
formação de primeiro ou segundo grau com curso profissionalizante de auxiliar, realiza
as ações de cunho mais simples como prestação de cuidados de higiene e de conforto,
além de auxiliar o técnico e o enfermeiro.
Com essa divisão, fica evidente a fragmentação existente nesses serviços,
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resultando numa hierarquização de classe. Pitta apud Braga (2000) afirma que essa
divisão induz a um pensamento preconceituoso e cruel, onde há uma parcela mínima,
que detém o conhecimento fazendo reflexões e a grande maioria responsável pelo
trabalho braçal e mecânico. Essa divisão implicaria numa maior suscetibilidade no
desenvolvimento de agravos psicossociais e desequilíbrio referente à aquisição de
recursos financeiros, entre outros.
Alem disso, no decorrer de sua evolução histórica a enfermagem adquiriu a
característica de profissão feminina, essa tendência à feminilização da enfermagem
pode estar ligada ao papel que a mulher assumiu ao longo dos tempos de cuidadora do
lar, possuidora de obrigações domésticas.
Padilha apud Lago (2008) afirma que:
―apesar de todas as transformações que possibilitaram à mulher
o exercício de diversas funções além daquelas estabelecidas
pelas limitações de uma sociedade patriarcal, a associação entre
o cuidar e a enfermagem ao feminino encontra-se de tal modo
arraigada no imaginário e nas práticas sociais, que qualquer
mudança deste quadro não poderia ocorrer, a não ser
lentamente‖
Os profissionais de saúde, em específico os profissionais de enfermagem
apresentam um panorama psicodinâmico bastante complexo. São diversos fatores que
contribuem para um maior desgaste desta profissão, tais como: predominância da
população feminina, dupla jornada de trabalho, desrespeito ao ritmo biológico devido
aos plantões noturnos, falta de reconhecimento da profissão, dificuldade de
relacionamento entre equipes interdisciplinares, sofrimento psíquico inerente ao
trabalho no âmbito hospitalar, entre outros.
BOTEGA e MARTINS (2003), referem que a profissão da enfermagem suscita
sentimentos muito fortes e contraditórios: piedade, compaixão e amor; culpa e
ansiedade; ódio e ressentimento contra pacientes que fazem emergir estes sentimentos
fortes. Além disso, o alto nível de tensão, angústia e ansiedade entre os enfermeiros, são
os principais motivos para as faltas e abandonos da tarefa, mudanças freqüentes de
emprego e uma alta freqüência de pequenos problemas de saúde que requerem alguns
dias de ausência de trabalho.
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De modo geral, é comum que o profissional de enfermagem, seja ele auxiliar,
técnico ou o próprio enfermeiro, sinta-se com um alto grau de cansaço ao encerrar seu
turno de trabalho, muitos chegando a se sentir completamente esvaídos em suas
condições física e emocional e a tendência é que quanto maior seja o tempo de
profissão, maiores sejam os desgastes e os prejuízos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
De acordo com os dados obtidos através dos 46 questionários aplicados nos
PSFs da cidade de Guanambi, e do questionamento com relação ao cargo ocupado,
pode-se concluir que a equipe de enfermagem é formada em sua maioria por técnicos de
enfermagem contando com 26 profissionais, seguidos de enfermeiros 16 profissionais e
4 auxiliares de enfermagem. Esses dados demonstram a divisão existente no trabalho de
enfermagem em que o enfermeiro (a) nesse contexto geralmente assume o cargo de
coordenador (a) da equipe, bem como os procedimentos privativos do enfermeiro (a)
como à consulta de enfermagem, por exemplo, já o técnico de enfermagem assume
procedimentos mais simples que são maioria neste ambiente. Com relação ao número de
auxiliares de enfermagem pode-se perceber que nos últimos tempos aconteceu uma
redução na quantidade desses (as) profissionais uma vez que, estes (as) passaram a
buscar o ensino técnico.
Com relação a questão do gênero, os dados apontam que a profissão de
enfermagem ainda possui em seu corpo profissional uma maioria feminina, visto que
dos 46 entrevistados, 40 são do sexo feminino, 5 do sexo masculino e 1 não respondeu.
Assim estes dados confirmam o que discutem os autores que afirmam ser a enfermagem
uma profissão feminina.
Ao se questionar a faixa etária, foi possível observar que os profissionais que
compõem a equipe de enfermagem atuante no Programa de Saúde da Família de
Guanambi – BA possuem predominantemente a faixa de 20 à 29 anos, mostrando que
essa é uma equipe formada principalmente por jovens 27 dos 46 entrevistados, os
demais foram divididos entre 30 a 39: 12 profissionais; 40 a 49: 13 profissionais e com
mais de 50 anos apenas 3 profissionais.
Quando a pergunta foi há quanto tempo que esses profissionais atuam na mesma
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função confirmou-se os dados da pergunta anterior visto que 25 dos profissionais
afirmaram exercer a profissão há menos de 5 anos; 6 afirmam exercer a profissão por
um período entre 6 e 10 anos; e 6 profissionais atuam por um período entre 11 e 15
anos; 5 profissionais atuam por um período entre 16 e 20 anos e 2 profissionais atuam
há mais de 20 anos na profissão.
Dos profissionais entrevistados, 35 afirmaram nunca terem apresentado
alterações psicológicas surgidas devido ao trabalho; 8 profissionais afirmaram sofrerem
alterações psicológicas ―as vezes‖ e 3 profissionais afirmam sofrerem essas alterações
quase sempre. Apesar de ser minoria os profissionais que relatam esse tipo de problema,
este é muito comum entre os profissionais de enfermagem uma vez que estes, no seu
cotidiano, estão em contato com a dor e o sofrimento do outro, e com isso estão
propensos a desenvolver algum problema de ordem psicológica.
A partir desses dados pode-se afirmar que esse profissional possui o seguinte
perfil: É técnico de enfermagem, mulher, jovem, atua na profissão há um período de até
5 anos e não costuma sofrer alterações psicológicas relacionadas ao trabalho. Dessa
forma fica estabelecido quem é esse profissional de enfermagem do Programa de Saúde
da Família da cidade de Guanambi – BA, para que a partir deste trabalho seja possível
direcionar a criação de programas que visem à melhoria da qualidade de vida dos
mesmos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em suma, o perfil biopsicossocial dos trabalhadores de enfermagem que atuam nos
PSFs da cidade de Guanambi-Ba foi traçado, indicando a feminilização da profissão
bem como o predomínio da classe jovem no exercício laboral e a não apresentação de
alterações psicológicas referentes ao trabalho.
Dessa forma, essas explanações geram subsídios para o desenvolvimento de futuras
pesquisas e intervenções para a melhoria da qualidade de vida desses profissionais. Uma
vez que, os resultados obtidos demonstram a necessidade de que se elabore um
conhecimento crítico que vise atender as exigências da categoria.
REFERNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BRAGA, Daphne. Acidente de trabalho com material biológico em trabalhadores da
equipe de enfermagem do Centro de Pesquisas Hospital Evandro Chagas. [Mestrado]
Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública; 2000. 75 p. Disponível em:
http://portalteses.icict.fiocruz.br/transf.php?script=thes_chap&id=0000120
5&lng=pt&nrm=iso. Data de acesso: 03 de Nov. de 2010.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Dispõe sobre a regulamentação do exercício
da Enfermagem e dá outras providencias. Lei n° 7.498/86, de 25 de junho de 1986.
Disponível em: http://site.portalcofen.gov.br/node/4161 Acesso em: 25 de out. de 2010.
LAGO, João Baptista SF. O lugar do trabalho feminino e manual em enfermagem. Versão
16. Knol. 29 Set. 2008. Disponível em: http://knol.google.com/k/joão-baptista-sf-lago/o-lugardo-trabalho-feminino-e-manual/10pau2pj6gqwc/1. Data de acesso: 05 de out. de 2010.
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OFICINA DE ORIENTAÇÃO SEXUAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Flávia Alves Moreira1
Leiliane Martins Ângelo1
Lorena D‘Oliveira Gusmão 2
RESUMO
A experiência descrita no presente texto refere-se ao projeto de educação em saúde
intitulado ―Oficina de Educação Sexual‖ que desenvolveu um trabalho de orientação
para jovens de 12 a 18 anos no que tange à sexualidade com objetivo de promover o
desenvolvimento pessoal e social do(a) adolescente por meio da reflexão, com revisão e
ampliação dos conceitos e condutas sobre sexualidade. Dividiram-se as ações do projeto
em três etapas: Estudo bibliográfico, Preparação da comunidade e Execução das
oficinas. Estabeleceu-se parceria com a equipe de enfermagem da Unidade Básica de
Saúde da Família do Monte Pascoal. A necessidade do projeto se deu pela observação
do elevado quantitativo de atendimentos a mães adolescentes no programa de
puericultura na Unidade de Saúde do Monte Pascoal. Justifica-se, pois representa uma
experiência de crescimento pessoal e aprendizagem para autores e, sobretudo, por
proporcionar aos envolvidos aprendizado sobre sexualidade e demais abordagens que
decorrem desse tema, por meio de informações adequadas, atitudes preventivas
apropriadas e específicas. Considerando a reflexão dos autores sobre sua própria
sexualidade, a escuta detalhada das vicissitudes da sexualidade do(a) adolescente e as
ponderações sobre os temas abordados durante as atividades das oficinas, a proposta de
trabalho estabelecida resultou em estreitamento da relação entre educadores e jovens
que possibilitou maior cumplicidade, favorecendo a troca de experiências e
conhecimentos, além da constatação da necessidade urgente de uma política de atenção
e acompanhamento ao jovem/adolescente nas unidades de saúde para ampliar o acesso à
informação sobre sexualidade e demais questões que envolvem a saúde do adolescente
como um todo.
Palavras - chave: educação sexual; sexualidade; adolescente e sexualidade.
1
Acadêmicos do curso de Bacharelado em Enfermagem da Universidade do Estado da Bahia – UNEB –
DEDC XII. Brasil.
2
Enfermeira especialista em Terapia Intensiva /IBPEX. Professora auxiliar do departamento de Educação
campus XII da Universidade do Estado da Bahia - UNEB. Brasil.
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INTRODUÇÃO
No contexto da saúde pública, a saúde do adolescente vem estimulando a
produção de estudos devido à destacada importância social que tem sido dada a essa
fase descrita como etapa de desenvolvimento biológico e, entendida como um fenômeno
das sociedades modernas. Segundo Fossa (2003), estes estudos caracterizaram a
adolescência como uma fase da vida onde se destaca a puberdade, transformações e
preparação para o ingresso social na vida adulta. Retomando o contexto da saúde
pública, considera-se um período com riscos relativos à formação de hábitos, exposição
à violência, substâncias psicoativas e à iniciação sexual.
Fossa
(2003)
determina
que
estes
riscos
devam
ser
enfrentados,
prioritariamente pelo poder público e toda a sociedade, e indica a escola como local
mais propício para reflexão e abordagem continuada de temas como sexualidade,
gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis, tendo como objetivo a orientação
sexual. É cabível ressaltar que o conhecimento dos adolescentes sobre a vida e a
sexualidade não é construído espontaneamente e está vinculado também ao convívio
social, portanto, a escola não pode limitar as fronteiras para essa abordagem, devendo
transpor as relações de professor - aluno.
O processo educativo, como apontam Ruiz et al (2004), deve ser amplo,
envolvendo uma comunicação bilateral, com base no contexto de vida das pessoas e seu
propósito deve versar a libertação das pessoas para que sejam sujeitos sociais capazes
de fazer opções construtivas para suas vidas e para a sociedade.
No contato diário com várias situações e histórias de adolescentes, durante
atividades acadêmicas de prática supervisionada nos serviços de saúde, percebemos os
desafios encontrados por eles nas relações com os parceiros/parceiras, diante de uma
gravidez não planejada ou doença sexualmente transmissível (DST), nos desafios para
assumir as próprias decisões e principalmente nos conflitos intensificados pela
concepção distorcida da sexualidade que lhes fora apresentada em algum momento da
vida. Portanto, não há como negar que os adolescentes têm cada vez mais acesso à
informação, porém muitos tabus e preconceitos não foram vencidos, constatando que
muitas vezes a informação disponível é destituída de um processo de reflexão,
atropelando seus valores e sua história, o que causa angústias e dificulta a tomada de
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decisões.
Dentro desse contexto de observação, o projeto ―Oficina de Orientação Sexual‖
começou a ser delineado com o intuito de abordar a Educação Sexual na unidade básica
de saúde rompendo os limites da escola e dividindo com esta a responsabilidade de
promover orientação aos adolescentes sobre sexualidade.
O CENÁRIO E SUJEITOS DO PROJETO
As unidades Básicas de Saúde da Família seguem as diretrizes da portaria n°
648 de 28 de março de 2006, constituindo estratégia prioritária para reorganização da
atenção básica, caracterizada por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e
coletivo, que abrangem a promoção, proteção, prevenção de agravos, diagnóstico,
tratamento, reabilitação e manutenção da saúde.
A unidade de Saúde da Família do Monte Pascoal, na qual se desenvolveu o
projeto, está em funcionamento desde 09 de outubro de 1999 e atualmente possui uma
equipe multiprofissional composta por médico, enfermeiro, cirurgião dentista, auxiliar
de consultório dentário, técnico de enfermagem e agente comunitário de saúde, entre
outros funcionários administrativos; com um bom número de famílias cadastradas.
A assistência organiza-se em ações específicas do Ministério da Saúde,
abrangendo a saúde do adulto, idoso, mulher, criança e adolescente. Para atendimento
dos adolescentes, a unidade não conta com uma rotina específica para esse público,
partindo da enfermeira do setor a idéia de formar parceria com a Universidade para
instituir práticas voltadas aos jovens com o objetivo de aproximá-los à UBSF do bairro.
O PROJETO – HISTÓRICO E SUA FORMAÇÃO
Durante as atividades acadêmicas de prática supervisionada nos serviços de
saúde, sob orientação da enfermeira docente da Universidade do Estado da Bahia,
observou-se um elevado quantitativo de atendimentos a mães adolescentes no Programa
de Humanização do Pré Natal - PHPN na Unidade de Saúde do Monte Pascoal,
revelando freqüente ocorrência de maternidade/paternidade entre jovens do bairro.
A falta de informação acerca da sexualidade, numa visão ampla, livre de tabus,
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foi percebida nessa população, pelo desconhecimento sobre os métodos contraceptivos e
seu uso correto ou Doença Sexualmente Transmissível (DST), além de igualarem o
significado de sexualidade e sexo, deixando refletir acerca do funcionamento e
necessidades do próprio corpo, desconsiderando seus próprios valores para adotar um
perfil de comportamento que é comum ao grupo social que pertencem.
Diante do acima exposto, surgiu a idéia de estruturar um grupo aberto de
jovens, com idade entre 12 e 18 anos, para discutir questões acerca da sexualidade,
privilegiando informações sobre o corpo humano e suas necessidades básicas, como
relacionamento afetivo embasado em troca e compartilhamento e não apenas em doação
unilateral, convívio social, enfrentamento de dilemas como gravidez indesejada ou
mesmo contaminação por DST e possível discriminação advinda dessas situações. Além
de conhecimentos sobre Gravidez, Gestação e Aborto, Diagnóstico e Tratamento de
DSTs, métodos contraceptivos e seu uso correto.
Essa idéia foi planejada sob a forma de um projeto de extensão universitária,
vinculado ao Núcleo de Pesquisa e Extensão – NUPEX da Universidade do Estado da
Bahia, Campus XII, intitulado ―Oficina de Educação Sexual‖. As atividades em campo
desenvolveram-se por meio de seis oficinas temáticas, com duração de 2 a 3 horas, nas
quais os monitores eram direcionadores do grupo.
A execução desenvolveu-se em três etapas distintas, a saber, etapa de estudo
bibliográfico para o preparo do orientador e monitores através de leituras aprofundadas
e discussão de todo o conteúdo programado para as atividades das oficinas, seguido de
envolvimento dos pais, por meio de uma reunião com as famílias para apresentar o
projeto e defender a necessidade de promover a Educação sexual para os adolescentes.
Ainda nessa etapa foram feitas divulgação da oficina no bairro por meio de cartazes
informativos e convites individuais aos jovens para participarem voluntariamente do
projeto.
A segunda etapa constituiu o preparo e execução das oficinas de educação
sexual com os temas predeterminados, que seguiram uma seqüência preestabelecida. As
oficinas foram realizadas no período de 17 maio a 26 de julho de 2010. Por fim, a
terceira etapa constituiu o encerramento das atividades das oficinas com posterior
reunião com orientador e monitores para explanação dos resultados obtidos.
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RELATO DE EXPERIÊNCIA
As execuções das oficinas ocorreram em seis momentos distintos. A oficina 1
abordou o tema “Puberdade e mudanças físicas‖. Foi preparada uma apresentação em
slides com imagens explicativas para discutir com os envolvidos as questões acerca da
Imagem corporal, Mudança comportamental (psicológica), Transição da infância para
adolescência e convívio social, religioso e familiar. Os adolescentes participaram
expondo suas vivências e medos, principalmente em relação ao futuro profissional e
afetivo, demonstrando preocupação com suas expectativas para o futuro.
A oficina 2 teve como tema principal o ―aparelho reprodutor masculino e
feminino‖. Porém, em virtude dos tabus, as discussões com o grupo tomaram rumos
diferenciados, não atrapalhando o objetivo principal da atividade de realizar uma
abordagem morfofuncional, higiene e cuidados com a genitália masculina e feminina,
além de menarca e menstruação. A troca de conhecimentos entre o grupo foi
enriquecedora, pois demonstrou as diferentes experiências vividas por eles no início da
puberdade e a dificuldade em lidar com essas mudanças. Peças anatômicas do aparelho
reprodutor masculino e feminino foram utilizadas juntamente com apresentação de
slides, imagens e vídeos para enriquecer a dinâmica da oficina. Os temas ―Fecundação,
Gestação e Parto‖ foram discutidos na oficina 3, em forma de palestra, com utilização
de vídeos e imagens e, como o grupo não continha gestantes, as discussões giraram em
torno de relato de casos na família e conhecidos.
O encontro seguinte para realização da oficina 4 teve como objeto ―Gravidez
na adolescência‖ discutindo-se as formas de prevenção, métodos anticoncepcionais e
aborto, bem como os riscos de uma gestação precoce para a saúde do adolescente.
Ocorreram demonstrações sobre o uso correto de todos os métodos disponíveis no
Sistema Único de Saúde com distribuição de preservativo feminino e masculino e
orientações quanto à aquisição dos demais.
Ao longo da execução do projeto, percebemos que o grupo cresceu e passou a
contar com a presença do sexo masculino, contribuindo para aprimorar as discussões
dos temas abordados, fato que foi nitidamente percebido durante a oficina 5, que tratou
do tema ―Doenças Sexualmente Transmissíveis, HIV/AIDS, formas de prevenção e
tratamento‖. Para execução das atividades foi solicitado ao Centro de Testagem e
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Aconselhamento de DST/AIDS – CTA, empréstimo do álbum seriado de DSTs e das
próteses dos órgãos genitais femininos e masculinos que foram utilizados para
promover a prática do uso correto dos preservativos (feminino e masculino), pois
constitui o único método que previne DSTs e Gravidez ao mesmo tempo.
A última oficina teve como objetivo promover orientação sobre violência
sexual, definindo seu conceito e discutindo que o fato de praticar sexo ou qualquer outro
ato contra sua vontade constitui violência e, quando submetida a essa situação, a mulher
tem amparo legal da justiça.
O resultado do projeto demonstrou que os indivíduos envolvidos acumularam
conhecimento sobre os temas das oficinas observado por meio dos questionamentos
feitos ao final de cada oficina. Outro fato que nos despertou a atenção foi a ampliação
do grupo envolvido, pois inicialmente era composto por quatro adolescentes e ao final
estendeu para dez componentes freqüentes. Foi possível desenvolver uma relação de
confiança entre o grupo e a equipe de monitoras que favoreceu a troca de
conhecimentos. Durante as primeiras oficinas houve resistência da participação da
comunidade, mas com o desenvolvimento do trabalho e captação dos adolescentes no
bairro as oficinas foram aceitas e eles passaram a participar efetivamente das atividades
propostas.
REFERÊNCIAS
FOSSA, AM. Educação sexual na escola: um estudo junto a adolescentes [tese de
mestrado]. Piracicaba-SP: Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade
Metodista De Piracicaba;2003
RUIZ,VR; LIMA, AR; MACHADO, AL. Educação em saúde para portadores de
doença mental: relato de experiência*.Rev Esc Enferm USP: 2004; 38(2):190-6,
2003.
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