UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Sumário História e Cultura Afro-brasileira e indígena no curso de Pedagogia: formação inicial e intervenção na escola básica...................................................................................................... 4 CURRÍCULO, CONHECIMENTOS E SABERES DA ESCOLA ............................................ 8 NO E DO CAMPO ................................................................................................................... 8 DIFERENTES CORES SEMELHANTES SERES: REFLEXÕES E PRÁTICAS.................... 15 SINDROME DE DOWN: SUPERANDO DESAFIOS NA ...................................................... 21 EDUCAÇÃO INFANTIL ....................................................................................................... 21 VIVER SAUDÁVEL COM DIABETES ................................................................................. 30 CONDIÇÕES ERGONÔMICAS DOS POSTOS DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DE ENFERMAGEM INSERIDOS NAS PSFs DE GUANAMBI. ......... 36 Livro didático: narrativas passadas e presentes sobre o negro no Brasil, mitos a desvendar. ..... 42 DEFICIÊNCIA AUDITIVA/ SURDEZ: ALUNOS QUE SOFREM SILENCIOSAMENTE .... 48 SÍNDROME HIPERTENSIVA E SUAS COMPLICAÇÕES NO PUERPÉRIO: Revisão integrativa da literatura*.......................................................................................................... 56 DESAFIOS NA APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS EM SITUAÇÃO DE RISCO E VULNERABILIDADE ........................................................................................................... 63 Meio Ambiente e uso consciente dos recursos naturais na formação dos alunos enquanto cidadãos ............................................................................................................... 70 ANÁLISE DO CONHECIMENTO ERGONÔMICO E NORMAS REGULAMENTADORAS DO TRABALHO. ................................................................................................................... 77 Fé e regeneração: percepções do processo de doença e cura entre os frequentadores de um centro espírita na cidade de Guanambi/BA. ............................................................................. 83 O JORNAL COMO INSTRUMENTO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DA LEITURA E ESCRITA ................................................ 89 PROJETO EDUCANDO COM A FAMÍLIA .......................................................................... 96 A PREVALÊNCIA DE SOFRIMENTO MENTAL EM MULHERES DURANTE A GESTAÇÃO, PARTO E PUERPÉRIO ................................................................................. 103 SER MÃE: TAREFA REPLETA DE DIFICULDADES E SUPERAÇÃO ............................ 109 Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 HANSENÍASE EM GUANAMBI: Uma mancha silenciosa e presente .................................. 115 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO MUNICÍPIO DE MATINA-BAHIA : ALGUMAS REFLEXÕES.................................................................................................... 122 USO E DISPONIBILIDADE DE EPI (EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL) NOS PSFs DA ZONA URBANA DE GUANAMBI-BA. ...................................................... 129 O CENÁRIO DA EJA NO MUNICIPIO DE CAETITÉ: ALGUMAS REFLEXÕES ............ 135 CONTRIBUIÇÕES DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DE UMA ESCOLA DA REDE MUNICIPAL DE GUANAMBI-BA ..................................................................................... 142 FATORES PREDISPONENTES da Depressão PÓS-PARTO e ConseqUências na Interação Mãe/Bebê: Revisão Integrativa.............................................................................................. 149 A FACE PEDAGÓGICA DE EROS EM BUSCA DA VALORIZAÇÃO DA DOCÊNCIA.. 156 GLOBALIZAÇÃO: UM MEIO DE INCLUSÃO SOCIAL E EDUCACIONAL PARA PESSOAS SURDAS............................................................................................................. 163 A CONCEPÇÃO DO PROJETO ENSINO-APREDINZAGEM NA ESCOLA ...................... 168 A DIVERSIDADE ÉTNICO-CULTURAL E A FORMAÇÃO DOCENTE PARA TRABALHAR A LEI 10.639/2003 ....................................................................................... 175 Relato de experiência: Construindo um conhecimento introdutório sobre teatro na sala de aula ............................................................................................................................................. 181 TEATRO, COISA SÉRIA! ................................................................................................... 187 INFLUÊNCIA DA ESTRUTURA FÍSICA NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM ............................................................................... 192 LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS – LIBRAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA NA CIDADE DE GUANAMBI-BAHIA ..................................................................................................... 199 SINTOMATOLOGIA MÚSCULOESQUELETICO E SUA RELAÇÃO COM A ATIVIDADE LABORAL DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM .................................................... 204 EDUCAÇÃO INFANTIL: CUIDAR OU EDUCAR? AS ESPECIFICIDADES DO CURRÍCULO E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES......................................................... 211 PROJETO FAZENDO HISTÓRIA: NARRATIVAS DE VIDA IMBRICADAS NA FORMAÇÃO DE LEITORES .............................................................................................. 216 TERCEIRA IDADE: SUJEITOS, PRÁTICA E EXPERIÊNCIAS ......................................... 222 Perfil Biopsicossocial dos Profissionais de Enfermagem que atuam nos PSFs da Cidade de Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Guanambi – BA .................................................................................................................... 228 OFICINA DE ORIENTAÇÃO SEXUAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA ............................. 234 Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 História e Cultura Afro-brasileira e indígena no curso de Pedagogia: formação inicial e intervenção na escola básica Heldina Pereira Pinto Fagundes (UNEB) 1 RESUMO Este trabalho tem como objetivo realizar uma análise sobre nossa ação de professora, refletindo sobre a interpenetração entre o currículo formal e o currículo real na disciplina Educação e Cultura afro-brasileira e indígena. Recorremos à epistemologia qualitativa, por meio do método autobiográfico; utilizamos como instrumentos de coleta de dados: narrativa, análise de documento, entrevistas e grupo focal, entre outros. Pretende-se realizar uma avaliação do currículo formal e do currículo real, a partir do olhar da professora da disciplina e dos alunos. O cenário é o Campus XII, Uneb, tendo como sujeitos 40 alunos e a professora. Esperam-se como principais resultados, uma vinculação maior entre teoria e prática, para que as discussões acadêmicas se articulem com a realidade da educação básica, na consolidação de uma educação anti-racista. As Leis 10.639/3003 e 11645/2008 produziram alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, mas para que elas tenham repercussão, é preciso que perpassem os cursos de formação de professares. Para que os objetivos da Lei sejam alcançados são necessárias ações de reflexão e avaliação sobre a condução e os desdobramentos de sua implementação no sistema educativo. Os resultados parciais apontam que no currículo em ação do curso de pedagogia o próprio encontro dos graduandos com conhecimentos relativos às populações afro e indígena já possibilita uma quebra de paradigmas no sentido de apresentar informações capazes de desconstruir preconceitos e construir uma nova visão sobre a contribuição da população afro e indígena para o processo civilizatório da humanidade. Palavras Chave: Lei 10.639/2003, currículo, formação de professores, autobiografia. INTRODUÇÃO Este projeto tem como objetivo geral realizar análise sobre a nossa ação enquanto professora, de forma crítica, num processo de autoformação, refletindo sobre o que estamos fazendo; sobre como o currículo formal e o currículo real (olhar dos alunos e da professora) se articulam, enquanto currículo em ação, no percurso da disciplina Educação e Cultura afro-brasileira e indígena. Buscamos vincular teoria e prática para que as discussões acadêmicas se articulem com a realidade da educação básica. A consolidação de uma educação antiracista visando o cumprimento dos objetivos da lei 10.639/2003 exige que se realizem 1 Doutora em Educação: Currículo, professora adjunta da Uneb, Campus XII. E-mail: [email protected] Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 ações, reflexões e avaliação sobre a condução e os desdobramentos da introdução dessa Lei no sistema educativo brasileiro. METODOLOGIA Definimos como objeto de estudo a disciplina História e Cultura Afrobrasileira e Indígena no currículo do curso de Pedagogia. O escopo da pesquisa volta-se para uma reflexão sobre o trabalho desenvolvido em um semestre letivo e posteriormente no acompanhamento da ação das alunas durante o período de estágio curricular. Recorremos à epistemologia qualitativa, com destaque para o método autobiográfico, para pensar nossa ação enquanto docente num curso de formação de professores. Empregamos diversos instrumentos de coleta de dados, como a memória das aulas, análise de documento, entrevistas e grupo focal, entre outros. Não pretendemos realizar observação nas escolas de ensino fundamental, mas pesquisar os graduandos do curso de pedagogia. Suas falas e suas reflexões sobre a atuação no estágio também constituirão material para nossa análise. Na primeira fase, concomitantemente com o desenvolvimento das aulas, realizamos leituras sobre a pesquisa autobiográfica, porque acreditamos ser o melhor caminho no qual uma professora e seus alunos, presos nas teias do currículo, buscam desvendar esses fios e tramas para enxergar o objeto sobre o qual falam. Neste momento, também são realizados os registros do cotidiano das atividades do currículo em ação, ou seja, das nossas práticas. Os sujeitos pesquisados incluem, além da professora da disciplina, os graduandos de Pedagogia do Campus XII, matriculados em História e Cultura Afrobrasileira e Indígena, no semestre 2009.1. Define-se, então o nosso locus, ou cenário da pesquisa. A pesquisa tem duração de 4 semestres letivos – que, no Campus XII, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), não corresponde ao calendário regular. A coleta de dados e a revisão bibliográfica tiveram início juntamente com a oferta da disciplina, em julho de 2009. Pretende-se concluí-la juntamente com o término do estágio curricular dessa turma. Segundo Moreira (1996) trabalhar com autobiografias e narrativa pessoal na criação de contextos favoráveis ao engajamento multicultural (JACKSON, 1995, Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 apud MOREIRA 2001: 29) envolve diversos aspectos. Assim, ―a autobiografia tem sido combinada com uma orientação fenomenológica para enfatizar os aspectos formativos do currículo, entendido, de forma ampla, como experiência vivida‖ (SILVA, 1999, 43). Este método tem sido empregado como instrumento de formação. A análise dos dados será feita a partir de uma perspectiva hermenêuticafenomenológica e interpretativa (da transcrição à textualização). RESULTADOS PARCIAIS Enquanto professora, temos procurado desenvolver a disciplina abordando conteúdos relativos ao sentido e significado de educação e cultura, na perspectiva dos estudos culturais (SILVA, 1999). Destacando também o conceito de cultura como prática de significação, na perspectiva de Moreira (2001), discutimos quais os conteúdos devemos trabalhar? Que áfrica? Qual sujeito e qual identidade estão sendo formados. Analisamos o que são as africanidades brasileiras, a história de luta dos quilombolas (Carvalho, 1996), a infância afrodescendente (Santos, 2006) e a questão dos mitos, na perspectiva da cosmovisão religiosa africana, o Candomblé, os Orixás, etc. Destacamos também como conteúdo relevante a compreensão dos conceitos de racismo, preconceito e discriminação, em publicação organizada por Munanga (2001) e Ana Célia Silva (2001). Apresentamos vídeos e literatura infantil e infanto-juvenil abordando o cotidiano das escolas de educação infantil e séries iniciais, sugeridos nas Diretrizes. Diversos materiais são trabalhados, destacando algumas personagens negras e protagonistas de feitos históricos, culturais. Exploramos bastante o uso de imagens, filmes, entre outros. No início do curso, as ações afirmativas, ou discriminação positiva, também têm sido conteúdos básicos, os quais têm gerado muita polêmica no que tange à questão das cotas. Ao final do curso, a maioria passa a defender a necessidade das ações afirmativas, Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 por compreender como a discriminação é construída no processo histórico. Tendo situado essas questões, voltamo-nos para a busca de uma reflexão sobre nossa ação e sua influência na formação do pedagogo do Campus XII da UNEB. Desejamos encontrar respostas, mas também produzir conhecimentos que nos conduzam à melhor direção no trato da educação anti-racista. REFERÊNCIAS BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações ÉtnicoRaciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (2007). Disponível em<www.mec.gov.br/secad/diversidade/ci> Acesso em: 20/20/2009. CARVALHO, José Jorge. (org.); DORIA, Siglia Zambrotti; OLIVEIRA JÚNIOR, Adolfo Neves de. O quilombo do Ro das rãs: história, tradição, lutas. Salvador, BA: EDUFBA, 1996. CATANI, Denise B. et al. Histórias de vida e autobiografias na formação de professores e profissão docente (Brasil, 1985-2003) IN: Educação e Pesquisa), Universidade de São Paulo. São Paulo, v.32, n.2, p. 385-410, maio/ago 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ep/v32n2/a13v32n2.pdf. Acesso em 27/06/2009 MOREIRA, Antonio Flávio Barbosa. Em defesa de uma orientação cultural na formação de professores. In: MOREIRA, Antonio Flávio B. et. al (orgs.). Ênfases e omissões no currículo. Campinas, S. P.: Papirus, 2001. MUNANGA, Kabengele (org.). Superando o racismo na escola. 3. ed. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Fundamental, 2001. SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 1999. SANTOS, Ana Kátia Alves dos. Infância afrodescendente: epistemologia crítica no ensino fundamental. Salvador: EDUFBA, 2006. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 CURRÍCULO, CONHECIMENTOS E SABERES DA ESCOLA NO E DO CAMPO Bianca Castro das Neves1 (Uneb) Maria de Fátima da Silva Magalhães (Uneb) Patrícia Teixeira Carvalho Donato (Uneb) Heldina Pereira Pinto Fagundes2 (Uneb) RESUMO Atualmente a educação do campo tem sido colocada no centro das discussões educacionais, o que significa um avanço, pois o campo sempre foi visto como um lugar inferior à cidade. As escolas do campo ainda são tratadas com políticas compensatórias, ou com programas que não atendem aos interesses e anseios dos campesinos, contribuindo, assim, para o aumento do êxodo rural. Este trabalho, de cunho bibliográfico, tem por objetivo analisar textos que discutem o currículo e o contexto social da escola do campo, percebendo em que medida são contemplados os conhecimentos e saberes do povo camponês. As propostas oficiais existentes hoje para a educação do campo surgiram no bojo das lutas de reivindicações dos movimentos sociais que questionavam as escolas existentes por trabalhar com conhecimentos distantes de sua realidade e apresentavam novas propostas, fundamentadas a partir das pedagogias como a da alternância e da terra, as quais buscam trabalhar com temas que são significativos e inovadores, para a reflexão crítica dos educandos para a produção da identidade cultural, da história e das raízes, num processo de formação humana como sujeito do processo educativo. Palavras chaves: Educação do campo, currículo, saberes. INTRODUÇÃO Historicamente, o conceito de educação rural esteve associado a uma educação precária, atrasada, com pouca qualidade e poucos recursos (...). O movimento Por uma Educação do Campo recusa essa visão, concebe o campo como espaço de vida e resistência, onde camponeses lutam por um acesso a permanência na terra e para edificar e garantir um modus vivendi que respeite as 1 Graduadas do Curso de Pedagogia – UNEB campus XII. E-mail: [email protected]. Orientadora. Dra. em Educação: Currículo, PUC-SP. Professora Adjunta da Universidade do Estado da Bahia – Uneb. E-mail: [email protected]. 2 Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 diferenças quanto à relação com a natureza, trabalho, cultura e relações sociais. Esta neo concepção educacional não está sendo construída para os trabalhadores rurais, mas por eles, com eles, camponeses. (MOLINA E FERNANDES, s/d, p.9) O movimento Por uma Educação do Campo luta pela universalização do acesso e pela permanência dos campesinos na escola. Busca-se, com isso, que essa população seja respeitada em suas diferenças e seja valorizada em seu modo de vida para que se identifiquem como ser social, que produz história no processo de construção de sua identidade. Compreendendo que se trata de um direito de cidadania, no qual, todos os brasileiros possam ser incluídos e respeitados enquanto construtores do Estado-nação simpatizamos com esse desejo de fundar um país mais justo e democrático. Daí nasce o nosso interesse em fazer um projeto de pesquisa voltado para a discussão do currículo, dos conhecimentos e saberes da escola no e do campo. Assim sendo, pretendemos nos debruçar sobre as questões acerca do currículo da escola do campo para conhecer um pouco mais sobre essas temáticas para podermos compreender em que medida as propostas de educação do campo atendem aos saberes e necessidades educacionais dos camponeses. METODOLOGIA Escolhemos o tema: ―Currículo, Conhecimento e Saberes da Escola no e do Campo‖ por estarmos acompanhando as discussões sobre essa área. Com isso aprofundamos nossos estudos, fazendo um levantamento bibliográfico preliminar. Por ser um tema muito amplo, procuramos por meio das leituras de obras já publicadas, buscar noções acerca da delimitação do objeto em estudo. Com base nisso, localizamos os conceitos sobre currículo e educação do campo nas fontes consultadas como: teses e dissertações, artigos de periódicos indexados na base de dados do Scielo, capítulos de livros, livros e anais. As fontes analisadas foram localizadas na biblioteca universitária do campus XII, em bibliotecas particulares e da Escola Municipal Marcelino Neves, outras encontradas disponíveis na internet e no Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia formato eletrônico, especificamente em CD-Rom de anais de congressos e também se buscou consultar artigos de bases de dados. De posse desse material bibliográfico, passou-se à leitura (inicialmente uma leitura exploratória que consiste em reconhecer e ter uma visão global da obra). Em seguida a leitura analítica, em que se analisam as informações contidas nas fontes com o propósito de obter respostas ao problema da pesquisa, e, por fim, a leitura interpretativa que tem por objetivo relacionar o conteúdo das fontes estudadas a outros conhecimentos já obtidos, utilizando-se da confecção de fichas. Além disso, a construção lógica do trabalho será estruturada para atender os objetivos propostos e, finalmente, a redação. Nesta abordaremos uma visão teórica de currículo, conhecimentos e saberes da escola do campo. ESCOLA NO E DO CAMPO Existe um movimento social no campo, e não só há uma dinâmica social como há um movimento pedagógico e uma renovação educativa que tem seu alicerce nos movimentos sociais. Esse movimento de renovação é marcado pelo trabalho e realizado em escolas de assentamentos, escolas indígenas, educação de jovens e adultos que tem como base uma pedagogia popular e democrática vinculada aos movimentos sociais do campo, que por si só já é educativo, visto que forma valores, gera cultura, provoca processos. O movimento por uma educação do campo vincula a luta por educação com o conjunto das lutas pela transformação das condições sociais de vida no campo; por isso em nossos encontros sempre temos a preocupação de fazer e ajudar os educadores e educadoras a fazer uma leitura histórica da realidade mais ampla; e por isso defendemos que uma das suas tarefas é ajudar na organização do povo para que participe dessas lutas. (CALDART, 2004, p. 152-153) O movimento social situa a educação no terreno dos direitos, colocando-a entre os grandes valores da vida e da formação humana. Tal princípio vai muito além de uma visão de mercado, já que nesta concepção, para trabalhar no campo, basta conhecer Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia poucas letras ou nenhuma. Este movimento representa uma nova consciência do direito à educação. A escola no e do campo que ouvimos falar hoje, é uma conquista lançada nas bases dos movimentos sociais. Caldart (2004, p.150) assinala que ―a educação do campo tem se desenvolvido em muitos lugares através de programas, de práticas comunitárias, de experiências pontuais‖, que muito mais que isso, ela necessita ser demarcada nas políticas públicas brasileiras. Quando falamos em educação do campo estamos nos referindo a um projeto educacional que passa a existir a partir das experiências do povo camponês. Fernandes (2004) diferencia educação no campo e do campo da seguinte maneira: Enquanto escola no campo representa um modelo pedagógico ligado a uma tradição ruralista de dominação, a escola do campo representa uma proposta de construção de uma pedagogia, tomando como referencia as diferentes experiências dos seus sujeitos: os povos do campo (p.142). Mais do que definir ou mudar um conceito ―é preciso desconstruir paradigmas, preconceitos e injustiças, a fim de reverter às desigualdades educacionais, historicamente construídas, entre campo e cidade‖; é preciso que tenha a consciência dessa mudança e o que ela traz de beneficio para o camponês para que assim possamos acabar com a distinção cidade X campo numa construção mútua de educação. A escola rural não necessariamente deve ser uma escola agrícola. Ela precisa estar vinculada à cultura produzida a partir de relações sociais, mediadas pelo trabalho na terra, tendo como proposta uma educação básica que de fato assuma a identidade desse povo, não só como formação cultural diferenciada, mas como ajuda efetiva no preparo desses trabalhadores. Isso deve ocorrer tanto em relação a políticas públicas como em relação a princípios, concepções e métodos pedagógicos, entre outras coisas que tenham como objetivo a superação da dicotomia rural/urbano. Dessa maneira, as pessoas regulam seu pertencimento a grupos sociais e asseguram solidariedade entre elas, ou seja, se garante a continuidade dessa sociedade através das práticas educacionais, dos conhecimentos, destreza e valores que, de uma maneira, explícita ou oculta, são estimulados a sentir-se membro de uma comunidade. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia É neste contexto que professores precisam pensar como se deve responder á situação de desigualdade e a diversidade cultural que encontramos em nossa sociedade. É preciso compreender como se processa a aprendizagem, principalmente no caso do aluno concreto, real com que lidam todo dia e que difere dos modelos que gostaríamos de encontrar na sala de aula, conforme alerta Gomes (2007): ―não é fácil trabalhar pedagogicamente com a diversidade, sobretudo em um país como o Brasil, marcado por profunda exclusão social‖. Defender a implantação de políticas públicas específicas para a educação do campo não significa incentivar uma postura dicotômica, mas sim, romper com a discriminação para fortalecer a identidade cultural da população rural e garantir o atendimento diferenciado ao que é diferente, mas, que não deve e não é desigual. Como diz Moreira e Silva (1999, p. 27): ―A cultura é o terreno em que se enfrentam diferentes e conflitantes concepções de vida social, é aquilo que recebemos‖. O Brasil é um país multicultural e, para isso, necessita de uma educação multicultural, que não trabalha apenas com os grupos ou identidades marginalizadas, mas que contribua para a transformação social abrindo espaço para a diversidade. Assim Moreira enfatiza que o currículo é um grande aliado para essa consolidação, pois, Se o currículo constitui o cerne da relação educativa, corporificando os nexos entre saber poder e identidade, será em grande parte por seu intermédio que as escolas buscarão atribuir novos sentidos e produzir novas identidades culturais, auxiliando a conformar novos modos de reação à realidade social contemporânea, inegavelmente multicultural (CANEN; MOREIRA, 2001, p.20). Neste sentido, o Currículo da escola do campo deve abordar saberes da cultura do aluno em consonância com outras, para que os mesmos possam refletir sobre a natureza da sociedade, e a contribuição dos diversos grupos na construção do conhecimento. CONSIDERAÇÕES FINAIS Não é possível formar sujeitos históricos, autônomos, criativos e críticos com práticas educativas alienadoras e autoritárias que não levam em conta a realidade do Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 aluno, seus anseios, desafios e perspectivas. Assim, falar em educação do campo é trazer para dentro da sala de aula todas as experiências, as vivências e os saberes possibilitando a construção de conhecimentos significativos que estimulem uma melhor convivência com o seu meio. Por isso, faz-se necessário refletir sobre a importância do sistema educacional. É preciso, juntamente com a comunidade, trabalhar em parceria na busca da construção de um currículo voltado para a educação no e do campo, pois este é algo abrangente, dinâmico e existencial que precisa ser discutido e analisado, envolvendo situações de circunstâncias e comprometimento na sua reelaboração. Nesse tocante, são poucas as mudanças ocorridas no currículo das escolas no e do campo, as únicas são as defendidas pelos movimentos sociais, principalmente os Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que propõe a valorização e o respeito na afirmação da identidade, para o processo de enraizamento da cultura e da história do campesino. Assim, como outras instituições sociais, a escola e a comunidade passam por mudanças na sociedade. Com isso, os papéis da escola no e do campo devem ser ampliados para dar conta das novas demandas da comunidade rural, construindo, assim, uma parceria entre ambas. Esperamos que este trabalho venha despertar a curiosidade dos leitores levandoos a questionarem e debaterem sobre o tema currículo, conhecimento e saberes da escola no e do campo, pondo em prática atitude que contribua para a resignificação do currículo. No entanto, para que isso possa ocorrer é preciso que gestores, educadores, educandos, pais, e comunidade se envolvam e proponham temas significativos para o processo de ensino-aprendizagem, que são de fundamental importância para o desenvolvimento do aluno como sujeito crítico e reflexivo na sua coletividade na busca de produzir e transformar a realidade para o desenvolvimento do campo e do país. REFERÊNCIAS CALDART, Roseli Salete. Pedagogia dos Movimentos Sem Terra. 3 ed. São Paulo: Expressão Popular, 2004. CANEN, Ana; MOREIRA, Antônio Flávio Barbosa. Reflexões sobre o multiculturalismo na escola e na formação docente. In: CANEN, Ana; Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 MOREIRA, Antônio Flávio Barbosa (orgs.). Ênfases e omissões no currículo. Campinas, SP: Papirus, 2001. FERNANDES, Bernardo Mançano. Diretrizes de uma Caminhada. In. ARROYO, Miguel Gonzalez; CALDART, Roseli Salete; MOLINA, Mônica Castagna (orgs). Por uma educação do campo. 2 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004. GOMES, Nilma Lino. Diversidade e Currículo. In: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação a Distância. Indagações sobre o currículo do Ensino Fundamental. Salto para o Futuro, Boletim 17, set. 2007. MOREIRA, Antônio Flávio Barbosa. SILVA, Tomas Tadeu da. Sociologia e Teoria Crítica do Currículo: uma introdução. In. MOREIRA, Antônio Flávio Barbosa; SILVA,Tomas Tadeu da. (orgs.). Currículo, Cultura e Sociedade. 3 ed. São Paulo: Cortez, 1999. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 DIFERENTES CORES SEMELHANTES SERES: REFLEXÕES E PRÁTICAS Adriana Ferreira de Souza Cardoso 1 Jackeline Silva Cardoso Liliane de Jesus Lima Karla Adriana Fernandes de Castro Pereira Dinalva de Jesus Santana Macêdo 2 Resumo Este pôster tem como o propósito apresentar algumas reflexões a partir da realização de uma oficina denominada DIFERENTES CORES SEMELHANTES SERES: REFLEXÕES E PRÁTICAS, que foi promovida pelo grupo de estudos Educação das relações étnico-raciais e a lei 10639/2003: desafios e possibilidades para a promoção de uma educação anti-racista. Essa atividade foi realizada em uma turma de educação infantil de crianças de 05 e 06 anos, da escola municipal João Farias Cotrim, e teve como objetivo promover momentos de interação entre os alunos para que pudesse observar se há na escola preconceitos dos alunos brancos para com as crianças negras, discutir relações de respeito e de tolerância para com as crianças negras, bem como com as diferenças existentes na escola. Para os nossos estudos em torno da temática, recorremos dos seguintes autores: Macêdo (2009), Nascimento (2007), Porto (2007) e Santomé (2005). Através das observações das relações estabelecidas entre os alunos na escola e da história do boneco Zezinho trabalhada em sala de aula, evidenciamos que a cor negra é vista como feia por um dos alunos, o que nos leva a inferir que pode haver práticas de racismo e de preconceitos ente os alunos. Nesse sentido, é muito importante investir na formação de professores para que a temática da diversidade étnico-cultural faça parte da proposta pedagógica da escola e que está seja trabalhada em todas as atividades durante todo ano letivo de maneira politizada. Palavras-chave: racismo, preconceito, diversidade, respeito e tolerância. Introdução O Grupo de Estudos: Educação das relações étnico-raciais e a lei 10639/2003: desafios e possibilidades para a promoção de uma educação anti-racista coordenado pela professora Dinalva de Jesus Santana Macêdo, promoveu estudos sobre o contexto 1 Graduandas do Curso de Pedagogia do Campus XII e participantes do grupo de estudos Educação das Relações Étnico-raciais e a Lei 10639/2003: desafios e possibilidades para a promoção de uma educação anti-racista. 2 Mestre em Educação e Contemporaneidade e professora assistente da Universidade do Estado da BahiaCampus XII. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 histórico da população negra, suas vivências; lutas contra o racismo, o preconceito, a discriminação, a educação quilombola e algumas sugestões de como trabalhar a lei 10.639/03 nas escolas. Nesse grupo de estudos foram desenvolvidos alguns trabalhos que abordavam a maneira de como o negro tem sido visto na escola e na sociedade no âmbito em geral, bem como, o quanto a mídia contribui para o fortalecimento do racismo e do preconceito racial. Tivemos ainda a oportunidade de entrevistar professores, coordenadores e diretores das escolas estaduais e municipais do município de Guanambi, objetivando saber como a Lei 10639 de 2003 está sendo implementada nas escolas. Com o intuito de a Universidade contribuir com os seus conhecimentos e experiências, para que os espaços educativos possam também desenvolver ações reflexivas sobre as questões étnico-raciais e culturais, de forma a promover uma educação que respeite e valorize a diversidade cultural. A professora Dinalva de Jesus Santana Macêdo propôs o desenvolvimento de uma oficina, na Escola Municipal João Farias Cotrim, 3 que atende crianças e adolescentes das primeiras séries do ensino fundamental. A presente oficina intitulada: DIFERENTES CORES SEMELHANTES SERES: REFLEXÕES E PRÁTICAS, com a duração de 04 horas, foi realizada em uma turma da educação Infantil, no turno da tarde no dia 23 de setembro de 2010. Referencial Teórico Os negros e afro-descendentes tiveram grande influencia no desenvolvimento da sociedade brasileira, no entanto, essa contribuição no decorrer da história tem sido silenciada ou desvalorizada. É percebido ainda nos dias de hoje, mesmo que o Brasil é tido como um país democrático, pluricultural e pluriétnico, ainda se evidencia muitas práticas de preconceito, racismo e discriminação contra os afro-descendentes, tanto na escola, como na sociedade em geral. 3 A referida escola foi escolhida devido ao diagnóstico oferecido pela coordenadora pedagógica de que há muitas práticas de preconceitos e de discriminação entre os alunos. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Essas práticas segregacionistas e racistas obrigam aos negros a negarem a sua própria cor, cultura e identidade, sustentando desta maneira a ideologia do branqueamento, que sustenta a idéia e os valores de que os brancos são superiores e os negros são vistos como inferiores. Para Sant`Ana ―o racismo é a pior forma de discriminação porque o discriminado não pode mudar as características raciais que a natureza lhe deu‖(2008 p.37). Ninguém nasce preconceituoso, o preconceito é aprendido socialmente, pois é uma opinião preestabelecida que é imposta pelo meio, época e educação‖(Sant´Ana 2008 p.58). De acordo com essa proposição, pode-se afirmar que o meio em que as pessoas vivem, tanto podem contribuir para o aumento do preconceito quanto para a superação deste. Os educadores que estão dia a dia lidando com crianças, adolescentes, jovens e adultos devem trabalhar temáticas na sala de aula que contribuam para que seja reconhecida, valorizada e respeitada a diversidade cultural presente na escola. No entanto, a educação dada ao povo ainda tem como característica principal a homogeneização da cultura popular, ainda não foi de fato colocada como possibilidade para a população brasileira uma educação que leve em conta a diversidade cultural do nosso país, uma educação que trate a diferença como um dado histórico, portanto de forma não reducionista e essencializada. A diversidade tem de ser trabalhada de forma a colocar as questões ligadas à cultura de modo não folclórico que é o que tem sido feito ao longo da historia da cultura brasileira com os elementos afro-descendentes e indígenas (PORTO 2007). A lei federal 10.639 de 10 de marco de 2003 determina que o ensino de História e Cultura afro-brasileira Africana seja obrigatório nas escolas para que estas instituições educativas possam promover ações anti-racistas, que atenuem qualquer forma de preconceito e contribuam para a aceitação e a positivação da e auto-estima dos educandos que sofreram ou sofrem com a discriminação, em especial os afrodescendentes. A escola tem como obrigação incluir as determinações dessa lei no seu projeto político pedagógico, para tal propósito, é imprescindível não medir esforços para que essas determinações possam ser trabalhadas em todo âmbito do currículo escolar, durante todo o ano letivo, e não apenas em datas especiais. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Objetivos A execução da oficina teve como objetivo promover momentos de interação entre os alunos para que pudesse observar se há na escola preconceitos dos alunos brancos para com as crianças negras, bem como discutir relações de respeito para com as crianças negras, bem como com diferenças existentes na escola. A oficina ainda teve como propósito fazer reflexões sobre a diversidade étnicocultural em especial a identidade negra e a importância de trabalhar o preconceito, o racismo e a discriminação em sala de aula. Metodologia Os procedimentos metodológicos utilizados foram a priori, uma socialização para saber o nome de cada um presente na sala de aula. Logo após, contamos a história ―A minha cor tem muito Valor‖, por meio de fantoches, depois de uma breve discussão sobre a moral da história as crianças individualmente interpretaram por meio de desenho o que entenderam sobre a mesma. No decorrer da oficina foram cantadas duas músicas para as crianças a respeito do preconceito e da diversidade cultural. Em seguida realizou-se a dinâmica do espelho, em que cada criança se colocava na frente do espelho e falavam sobre em si, tomando por base o nome, idade, cor e se ela era bonita. As crianças se reconheciam como marrons, negras, pardas e brancas. Para finalizar foi confeccionado um cartaz com figuras de diversas pessoas selecionadas pelas crianças que levou o nome da oficina Diferentes cores semelhantes seres: reflexões e práticas. Resultados Ao chegar na escola não evidenciamos nenhuma atitude de preconceito entre os alunos. Porém, ao realizar esta oficina, presenciamos uma fala preconceituosa de uma criança ao dizer que o boneco da história, cujo nome era Zezinho, era feio porque sua Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 cor era preta. Isso nos instiga a deduzir que as crianças de cor branca podem achar as crianças negras feias e excluí-las de seu grupo de amigos, o que pode dificultar o convívio respeitoso entre os alunos. Diante desse fato, é imprescindível que as escolas trabalhem com as questões da história e da cultura dos afro-descentes para que possa ajudar na superação do racismo e do preconceito. A professora da turma demonstrou simpatia pelo tema da oficina e contribuiu bastante para o desenvolvimento das atividades. Frente aos momentos mais embaraçosos (como o momento de discutir que ser negro não é ser feio, o que foi presenciado na fala de um dos alunos), a professora mostrou ter domínio revelando que sabe lidar com situações desse tipo, porém, não questionamos se ela trabalha com as questões étnico-raciais em sala de aula. Conclusões Trabalhar as questões étnico-raciais não é tarefa fácil e única/exclusiva do professor, toda a comunidade escolar deve se comprometer com essa questão. Macêdo (2009), citando Dayrel (1996) elucida que a escola precisa levar em conta toda a diversidade cultural, pois esta deve ser vista como fruto de um processo de construção social. A autora ainda afirma que no currículo escolar permeia relações de poder que podem influenciar no processo de construção de identidade étnico-racial e da autoestima dos educandos. Dessa forma espera-se que a lei 10.639/03 seja trabalhada em todas as atividades didático pedagógicas da escola durante todo o ano letivo, deixando de lado o currículo turístico que trata dessas questões em datas específicas (SANTOMÉ 2005). Mas para tal tarefa, é urgente que invista numa proposta de formação inicial e continuada de professores para a educação das relações étnico-raciais, que considere o currículo como uma construção sociocultural (NASCIMENTO, 2007). Cabe ainda ressaltar que todas as discussões levantadas no planejamento e efetivação da oficina e do grupo de estudos contribuíram significativamente em nossa formação acadêmica, visto que foi um marco inicial para uma melhor compreensão e valorização da história e da cultura dos negros e afro-descendentes. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Referências MACÊDO, Dinalva de Jesus Santana. A identidade étnico-racial e as interfaces com o currículo escolar: dilemas e possibilidades. In: Anais do Seminário Nacional Educação e Pluralidade Sócio-Cultural: instituições, sujeitos e política públicas, realizado na Universidade Estadual de Feira de Santana, BA, no período de 27 a 29 de maio de 2009. NASCIMENTO, Cláudio Orlando Costa. Professores em Formação e a Educação das Relações Étnico-Raciais. In. XVIII- Encontro de Pesquisa Educacional do Nordeste 2007. Maceió. Anais do XVIII Encontro de Pesquisa Educacional do Nordeste, realizado em Maceió, Alagoas em 2007. PORTO, Ana Luiza Araújo. Educação e afrodescendencia: Algumas reflexões. In: XVIII – Encontro de Pesquisa Educacional do Nordeste 2007. Maceió. Anais do XVIII Encontro de Pesquisa Educacional do Nordeste, realizado em Maceió, Alagoas em 2007. SANTOMÉ, Jurgo Torres. As Culturas Negadas e Silenciadas no Currículo In: SILVA, Tomaz Tadeu da. (org.) Alienígenas em sala de aula. 6 ed. Petrópolis: Vozes, 2005, p. 159 – 177. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 DEDC XII SINDROME DE DOWN: SUPERANDO DESAFIOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL 1 Daniela Matos Carvalho 2 Resumo Esta pesquisa partiu não somente das dúvidas e/ou questionamentos feitos em sala de aula durante a graduação, mas através de observações realizadas em ambientes escolares como também em ambientes sociais, pois é necessário fazermos algumas releituras quando se trata da educação daqueles que possuem Síndrome de Down: é uma educação por amor ao próximo ou simplesmente uma tarefa a mais como educadora. Nesse sentido a pesquisa busca identificar que no diferente o reconhecimento da identidade, da troca, do aprendizado, vendo cada aluno como único,nos torna mais humano e capaz de assumir a responsabilidade de encarar o desafio que levem os alunos a descobrirem a escola como um espaço de ser, viver e crescer com as diversidades humanas. Sugere também atitudes no intuito de contribuir para a superação de desafios na educação infantil com portadores de down no município de Caetité. Assim, embasada em teóricos que defendem e discutem uma nova concepção de educação inclusiva respeitando o espaço e a aprendizagem do portador de Down, essa pesquisa utiliza-se do estudo de natureza exploratória, buscando um maior aprofundamento sobre o processo de inclusão de crianças portadoras de síndrome de down bem como a questão dos recursos e preparação da comunidade escolar e em especial os professores da rede de ensino público no município de Caetité nas escolas que possuem educação infantil. Nesse sentido, dos estudos já realizados podemos perceber que boa parte das superações somente ocorrerá quando o professor de educação infantil caetiteense da rede púbica incluir em sua prática pedagógica em seus princípios enquanto educador; atitudes de saber fazer, ser, aprender e conhecer seu aluno com síndrome de down. Palavras-chave: Desenvolvimento Infantil, Inclusão e Aprendizagem. Introdução Partindo da premissa de que a educação é o meio mais viável, ou o único meio de desenvolvimento social de uma nação e que por sua vez não tem o direito de ser um veiculo de exclusão ou de segregação entre indivíduos principalmente aqueles com 1 Anteprojeto de pesquisa apresentado ao Curso de Pós-Graduação em Nível de Especialização Lato Sensu em Educação Infantil oferecido pelo Departamento de Estudos Básicos e Instrumentais (DEBI), no Campus Universitário de Itapetinga- BA, Nov., 2009. 2 Aluna do curso de Pós-Graduação em Nível de Especialização Lato Sensu em Educação Infantil, Campus Universitário/ Itapetinga-BA. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 capacidades físicas, intelectuais, emocionais e sociais diferentes, é necessário repensarmos com precisão e objetividade que a Síndrome de Down, não é uma doença contagiosa, mas uma necessidade especial. Dessa maneira, esta proposta de estudo partiu não somente das dúvidas e/ou questionamentos feitos durante o curso de Letras com habilitação em língua portuguesa e literatura portuguesa, mas através de observações realizadas nas escolas que possuem educação infantil da rede pública no município de Caetité, uma vez que nos propõe fazer algumas releituras quando se trata da educação daqueles que possuem Síndrome de Down: é uma educação por amor ao próximo ou simplesmente uma tarefa a mais como educador? É uma atitude condizente com a profissão ou obrigatoriedade imposta pela lei? O educador é preparado para receber o aluno com Síndrome de Down? As escolas têm um aporte teórico metodológico para receber as crianças? Perguntas como essas fizeram nascer o anteprojeto Síndrome de Down: Superando Desafios na Educação Infantil no Município de Caetité no qual nos traz um novo olhar mais reflexivo e dinâmico sobre os portadores de síndrome de down caetiteenses. Diante desses questionamentos, a necessidade de se estudar novas propostas com intuito de renovar a postura dos educadores e consequentemente possibilitar na educação infantil um ensino igualitário é fator desencadeante desse estudo, já que a área investigada apresenta-se ainda distante das práticas de ensino de muitos educadores caetiteenses. A escola deixou de ser um espaço para o desenvolvimento cognitivo daqueles que a freqüentam; hoje essa instituição deve ser encarada também como um ambiente fundamental para ampliação das relações sociais. Assim, é dever primordial dos educadores incentivarem os alunos a estar preparados para reconhecer e valorizar as diferenças sem negá-las nem discriminá-las. Dessa forma, este anteprojeto também por meio de uma concisa leitura e diálogo entre autores renomados, buscará identificar no diferente o reconhecimento da identidade, da troca, do aprendizado, vendo cada aluno como único, tornando-se mais humanos e capazes de assumir a responsabilidade de encarar o desafio que leve os alunos a descobrirem a escola como um espaço de ser, viver e crescer com as diversidades humanas. Sendo a Educação um processo de desenvolvimento da capacidade física, Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 intelectual e moral de cada criança, faz-se necessário o educador caetiteense das redes públicas que leciona na educação infantil compreender que mesmo o portador de down possuindo suas limitações é possível através do estimulo, do reconhecimento e da dinamicidade escolar desde a educação infantil proporcionar habilidades e competências concernentes a sua aprendizagem. Assim a base dessa pesquisa está em primeira instancia investigar como o educador caetiteense vem trabalhando para possibilitar ao seu aluno portador de down uma convivência positiva com as demais crianças, buscando dessa forma detectar a interferência da família e dos gestores da educação infantil para enfim analisar e propor alternativas efetivas que promovam um processo dialógico entre inclusão e educação, entre educador e educando, entre família e comunidade escolar. Dessa forma a escolha da Linha de pesquisa: Desenvolvimento Infantil, Inclusão e Aprendizagem, deu-se pela principal razão desta linha estar relacionada diretamente com os estudos dos portadores com Síndrome de Down, considerando que é a partir da educação infantil que cada criança descobre sua identidade e sua maneira de superar os desafios. Assim nesta linha de pesquisa poderemos encontrar suporte teórico e metodológico para a realização da pesquisa, podendo melhorá-la e contribuir com as pesquisas que já estão sendo feitas nessa área. Sendo a síndrome de down uma realidade ainda vista superficial pelos educadores da rede pública no município de Caetité, torna-se de suma importância a ação desse estudo, uma vez que poderá ajudar não somente aos pais e professores caetiteense, mas á sociedade através de palestras, cursos e projetos de extensão como meio de viabilizar uma renovação de uma prática pedagógica que concretize o principio da escola para todos. A síndrome de down se caracteriza, por uma alteração na divisão cromossômica usual, resultando na triplicação ao invés da duplicação do material genético referente ao cromossomo 21. O desenvolvimento de uma criança portadora da síndrome de down se difere em pouca coisa do desenvolvimento das demais, dessa forma ela pode freqüentar uma escola de ensino regular, pois os convívios com outras crianças não portadoras da síndrome colaboraram no seu desenvolvimento. Além disso, essa convivência também é positiva para as demais crianças, pois faz com que cresçam respeitando as diferenças, Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia sem nenhum tipo de restrição em seu círculo de amizade, seja por raça, aparência, religião ou nacionalidade. Segundo Mantoan (2006; p.20) é necessário ―[...] reconhecer a igualdade de apresentar como ponto de partida e as diferenças no aprendizado como processo de ponto de chegada‖, isto é, devemos olhar a educação especial como uma possibilidade de vencer o modelo educacional elitista, no qual muitas vezes negou á criança e o jovem reconhecer em si próprio e no outro as particularidades e potencialidades que cada um possui. A esse respeito Freitas (2006, p.167) nos acrescenta que: Há, na educação inclusiva, a introdução de outro olhar. Uma maneira nova de se ver, ver os outros e ver a educação. Para incluir todas as pessoas, a sociedade deve ser modificada com base no entendimento de que é ela que precisa ser capaz de atender às necessidades de seus membros. Assim sendo, inclusão significa a modificação da sociedade como pré-requisito para a pessoa com necessidades especiais buscar seu desenvolvimento e exercer sua cidadania. Fernandes (2006, p.49) salienta que ―em seu conjunto, a legislação brasileira tem uma orientação inclusiva já que aponta que a escola regular é o local preferencial para o atendimento especializado dos alunos com deficiências ou necessidades especiais‖. Sendo assim, fica importante destacarmos alguns deles. Na Constituição Federal de 1988 no Art.208 parágrafo III o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; o estatuto da criança e do adolescente no capítulo IV Art. 53 parágrafo III acrescenta que a criança e o adolescente têm direito á educação, visando pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho assegurando-lhe atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. Por fim a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº. 9394/96) vem nos confirmar no capítulo V da educação especial no Art.58 que entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Assim, como se vê, em todos esses textos tem a retificação que a educação especial deve haver num espaço de inclusão, ou seja, na escola em especial já que será através desta que tal portador de alguma necessidade poderá se inserir em um contexto que trava o respeito e não a desigualdade. Desse modo a educação inclusiva está agregada à diversidade de cultura, de raça, de cor e diferenças, pois faz parte do nosso universo enquanto seres falantes e produtores do conhecimento romper com tais pré-conceitos para uma efetiva construção de uma aprendizagem significativa e real participação social. A questão não está em dizer que existe uma ―educação especial‖ para aqueles que necessitam, mas sim um processo de inclusão, ou seja, eu levo você para minha realidade e você me leva para a sua e assim descobrimos nossas limitações e competências. De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, a missão que eles propõem é "Liderar o processo de transformação da sociedade‖ para que reconheça a pessoa com síndrome de down como cidadão pleno e integrado, por meio de mobilização, convencimento e incorporação da classe política dirigente, do sistema educacional, de outros organismos sociais e da comunicação, apoiado em valores como inclusão, ética da diversidade, solidariedade, responsabilidade e equidade. É notório observarmos que tal objetivo ao longo do texto foi discutido e comprovado através de diversos teóricos, no entanto, precisamos ainda superar muitos desafios principalmente em contextos que fazem do portador de síndrome de down refém de rótulos e consequentemente da própria necessidade. Nas palavras de Mantoan (2006, p.186): A representação de uma escola que assegure o respeito: ―Mostra-se útil aos que ainda não compreenderam o que é primordial na escola: a experiência com as diferenças, mas sem exclusões, diferenciações, restrições de qualquer natureza e sempre reconhecendo-as e valorizando-as como essenciais á construção identitária‖. Uma escola aberta ás diferenças é o desafio postado para este século: uma escola na qual o principio da inclusão seja o leme a orientar sua organização. ―É necessário acreditarmos que, diferentes, somos todos. Limitados somos sempre em relação a alguma coisa ou a alguém. Misteriosos somos todos, porque insondáveis, inconclusivos e surpreendentes somos como seres humanos‖(GAIO,2006, p.173). Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 O portador de síndrome de down reflete em seus sentimentos e atos aquilo que lhe é ensinado, rejeita ou reivindica aquilo que é seu; dessa maneira um sujeito que não possui tal necessidade também não se comportaria assim? Faz-se necessário repensarmos enquanto educadores e cidadãos nossos atos constantemente, pois mesmo tendo suas limitações genéticas, o portador de down necessita de amor e compreensão para realizar-se na sociedade. Para que crianças com síndrome de down possam ter um desenvolvimento apropriado no contexto do ensino regular, tendo como promotor desse desenvolvimento o professor, é necessário analisarmos cuidadosamente pelo menos dois aspectos no que refere à educação dessas crianças. O primeiro deles envolve a concepção de que crianças com necessidades especiais não diferem de outras ditas com desenvolvimento "normal" no que diz respeito as suas possibilidades de aprender. O segundo aspecto traz como exigência examinarmos com mais rigor o nosso papel, enquanto educadores no processo de ensinar, principalmente no que diz respeito a nossa qualificação para lidar com uma ampla diversidade de necessidades apresentadas por cada um dos alunos, dado que, muitas vezes, o ensino da criança com necessidades especiais ocorre de maneira insatisfatória. Dada a necessidade de conhecimento contínuo e de boa qualidade sobre as condições para promovermos uma boa educação, Desde o primeiro dia de vida, a criança com down precisa primeiro ser genuinamente inserida na sua família. Os pais, muitas vezes, têm um preconceito que é anterior ao nascimento do filho e com freqüência não se dão conta disto até que alguém os aponte. Com este preconceito internalizado e muitas vezes culpados por estes sentimentos camuflam esta questão. Tal problemática fica evidenciada quando se tenta incluir seu filho na vida escolar e social, portanto, mais uma vez, vemos a necessidade de um trabalho cuidadoso e minucioso junto aos familiares que não se trata de orientação, nem prescrição, pois assim não damos espaço para acolher o lado preconceituoso dos próprios pais e dar-lhes a possibilidade de transformação. Segundo (Vygotsky 1995), ―o ambiente é mutável e dinâmico, exercendo um papel variado no desenvolvimento infantil, dependendo da idade da criança‖. À medida que esta se desenvolve, seu ambiente também muda, e, conseqüentemente, a sua forma de relação com este meio se altera. Mas, o ambiente a que nos referimos não é apenas o Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 ambiente do lar da criança, mas também outros ambientes que ela começa a freqüentarem cada momento de sua vida. Hoje não podemos afirmar até que grau de autonomia a pessoa com Síndrome de Down pode atingir, mas acreditamos que seu potencial é muito maior do que se considerava há alguns anos. Os programas educacionais atuais preocupam-se desde cedo com a independência, a escolarização e o futuro profissional do indivíduo. Os conteúdos acadêmicos devem ser voltados não só para a leitura, escrita e as operações matemáticas, mas para a preparação do indivíduo para a vida. A independência objetivada neste tipo de programa engloba desde habilidades básicas, como correr, vestir-se ou cuidar da higiene íntima até a utilização funcional da leitura, do transporte, do manuseio do dinheiro e o aprendizado para tomar decisões e fazer escolhas, bem como assumir a responsabilidade por elas. Sob esta perspectiva podemos observar que os portadores de down como qualquer outro sujeito necessita antes de atenção e amor para se desenvolver e crescer em um ambiente propicio. Ser diferente não impede ninguém de viver e lutar pelos seus sonhos, o que impede na maioria das vezes são as dificuldades encontradas pelo estereótipo já ―gravado‖ na mente de alguns sujeitos. Para a realização do presente trabalho optou-se por uma pesquisa de natureza exploratória, enquanto estudo de caso, buscando-se um maior aprofundamento sobre o processo de inclusão de crianças portadoras de síndrome de down, bem como a questão dos recursos e preparação da comunidade escolar e em especial os professores da rede de ensino público no município de Caetité, nas escolas que possuem educação infantil. Para Marconi (1990, apud SILVA E GRIGOLO, 2002). A pesquisa de campo é aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese, que se queira comprovar ou, ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles. Minayo (2000), por sua vez, concebe campo de pesquisa como o recorte que o pesquisador faz em termos de espaço, o que significa o recorte de uma realidade empírica que quer investigar a partir das escolhas teóricas feitas para tratar o objeto de investigação. O eixo condutor da análise retratará a perspectiva dos alunos com síndrome de down, no intuito de se perceber se há ou não contribuição da educação inclusiva no processo de aprendizagem da criança. Pretende se utilizar também a técnica de Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 observação participativa, visto que: Na observação participante, o pesquisador não é apenas um elemento de fora que observa a situação que está sendo estudada. O observador participante se insere na realidade observada e aproxima-se, o máximo possível, do fenômeno a ser pesquisado. Esse tipo de observação permite e favorece a compreensão de valores, costumes, comportamentos, relações e características dos grupos [...] (SILVA E GRIGOLO, 2002 pág.55). A investigação contará também com entrevistas não-diretivas com os professores, a fim de coletar dados gerais sobre sua postura em relação à educação para e com portadores de down; diálogos, aplicação de questionários com os alunos, para saber como o professor trabalha, quais suas experiências e dificuldades. Após toda coleta de informações, pretende-se analisar tais dados sistematizando os resultados; reunir as informações obtidas e confrontá-las com a realidade e com o referencial teórico que norteia a pesquisa. Por fim, pretende-se sugerir atitudes, a partir da teoria que fundamenta a pesquisa, no intuito de contribuir para a superação de desafios na educação infantil como portadores de down no município de Caetité. Referências CONSTRUIR NOTICIAS. Escolhe, pois, a vida. Nº. 38 – Ano 07 – Janeiro/Fevereiro 2008. Disponível em: <http://drauziovarella.ig.com.br/entrevistas/sdown6.asp> Acessado em: 19/11/09. FERNANDES, Sueli. Fundamentos para educação especial. 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SILVA, Marise Borba; GRIGOLO, Tânia Maris. Metodologia para iniciação à prática da pesquisa e da extensão II. Florianópolis: UDESC/CEAD, 2002. (Cad. PEDAGÓGICOII). Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 VIVER SAUDÁVEL COM DIABETES Camila Mirella Rocha Donato Danielle Santos Leite Jamille Ribeiro Barros3 Ricardo Franklin De Freitas Mussi 4 RESUMO O diabetes é um sério problema de saúde pública em todo o mundo, pelo crescimento de sua frequência, pelos impactos que geram o desenvolvimento de suas complicações agudas e crônicas, e pelo seu elevado custo social e econômico. O presente estudo teve como objetivo promover aos pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), um melhor conhecimento sobre sua doença a fim de proporcioná-los atitudes de auto-cuidado no cotidiano. Ser saudável com DM não depende somente da realização correta do tratamento e do sucesso do mesmo, mas também da maneira como a pessoa convive com sua condição de saúde, de conhecer suas possibilidades e limites, do apoio/suporte que recebe e do acesso a uma educação em saúde com base no diálogo, em que a pessoa possa se expressar e construir novas maneiras de lidar com sua doença. É preciso não somente identificar os recursos disponíveis, mas especialmente saber selecionar aqueles que possibilitam um maior bem estar, que são mais próximos de seus hábitos e rotinas, pois a partir do momento que a pessoa aprende a conviver com tais fatores, poderá definir novas metas e construir caminhos para atingi-las. Trata-se uma pesquisa qualitativa que através de uma analise aleatória foi obtida uma amostra composta por 21 pessoas com Diabetes Mellitus tipo 2 em acompanhamento na Unidade Básica de Saúde José Ladeia Lobo de Guanambi – BA. Foi utilizado formulário elaborado para este estudo a fim de caracterizar o público alvo, e realizadas palestras com os temas: ―Conhecendo a diabetes e a importância da alimentação‖; ―O diabético e a atividade física‖; com colaboração de acadêmicas do curso de Educação Física. Os resultados foram apresentados em tabelas através de porcentagem simples, no qual apontaram o baixo nível de conhecimento dos portadores de DM2 quanto ao entendimento sobre a doença e suas complicações. Palavras-Chave: Diabetes, Atividade Física, Alimentação, Educação em Saúde. INTRODUÇÃO 3 4 Acadêmicas do Curso de Enfermagem da UNEB/Departamento de Educação Campus XII. Mestrando em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Feira de Santana (Orientador). Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 O sedentarismo e o estresse, acompanhados por uma má alimentação, acarretam mudanças que provocam uma alteração no estado de saúde da população sendo esta a principal causa do aumento de incidência de doenças crônicas. Entre estas, destaca -se, a Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2). O diabetes Mellitus é uma síndrome de etiologia múltipla que pode resultar de defeitos de secreção e/ou ação da insulina, podendo ser ocasionada pela destruição das células beta do pâncreas (produtoras de insulina), resistência à ação da insulina, distúrbios da secreção da insulina, entre outros (BRASIL, 2006). Por se tratar de uma doença de grande freqüência é de suma importância que o portador de Diabetes Mellitus aprofunde seu conhecimento acerca da doença. Um esclarecimento claro e objetivo sobre o conceito, as formas de tratamento e os agravos ocasionados deve ser disponibilizado aos pacientes com o intuito de estimular uma boa qualidade de vida. O objetivo deste estudo foi promover aos pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2, um aprofundamento em seus conhecimentos sobre sua doença a fim de proporcionálos atitudes de auto-cuidado no cotidiano, por meio de ações preventivas e educativas. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O Diabetes Mellitus (DM) é um grave problema de saúde pública no Brasil, pelo crescimento de sua frequência, pelos impactos que geram o desenvolvimento de suas complicações e pelo seu elevado custo social e econômico. (BRASIL, 2006). Um levantamento da Sociedade Brasileira de Diabetes – SBD (2005) estima que 11% da população brasileira acima de 40 anos têm DM. As principais consequências do DM incluem disfunção e falência de vários órgãos, especialmente rins, olhos, nervos, coração e vasos sanguíneos (BRASIL, 2006). Os pacientes com DM2 têm uma propensão de até quatro vezes maior de serem acometidos por doenças cardíacas e por um acidente vascular cerebral quando comparados a pessoas não diabeticas (KANTERS et al ,1999 apoud SCHEFFEL et al, 2004, p 263 ). O tratamento do DM é realizado pelo uso de hipoglicemiantes orais e/ou insulina, dieta e atividade física . Bretas (2006) afirma que é preciso uma abordagem Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 complexa no tratamento, e seu sucesso depende de motivação e de atividades educacionais, proporcionando modificações de hábitos de vida e incorporação de novas rotinas referentes à prática de atividade física, dieta balanceada e cuidados com o corpo. Resultados do Diabetes Prevention Program (2002, apud SARTORELLI; FRANCO, 2003, p.34) demonstraram redução de 58% na incidência de casos de DM através do estímulo a uma dieta saudável e à prática de atividades físicas, sendo essa intervenção mais efetiva do que o uso de metformina. Portanto, é preciso não somente identificar os recursos para viver saudável, mas especialmente saber selecionar aqueles que possibilitam um maior bem estar, que são mais próximos de seus hábitos e rotinas, pois a partir do momento que a pessoa aprende a conviver com tais fatores, poderá definir novas metas e construir caminhos para atingi-las (SILVA, 2001). METODOLOGIA O presente estudo faz uso de uma abordagem qualitativa, na qual a amostra foi constituída de pessoas com Diabetes Mellitus tipo 2 em acompanhamento na Unidade Básica de Saúde José Ladeia Lobo de Guanambi – BA. Acompanhados por agentes comunitários de saúde, as autoras do projeto foram aos domicílios dos pacientes, onde foi aplicado um formulário com a finalidade de conhecer a população a ser estudada bem como também de avaliar o conhecimento dos pacientes sobre diabetes e suas particularidades, além de serem entregues convites individuais, informando o local de realização, datas e o horário das palestras. Foram realizadas duas palestras no mês de março do ano de 2009, tendo a colaboração das acadêmicas do 8º semestre de Educação Física da Universidade do Estado da Bahia. Os temas estruturados (Conhecendo a diabetes e a importância da alimentação; O diabético e a atividade física) tiveram como objetivo transmitir aos pacientes diabéticos, informações sobre a doença, tratamento e medidas de prevenção de agravos, salientando aos pacientes as mudanças no hábito alimentar e a prática de atividade física. Os dados obtidos foram analisados e apresentados em tabelas através de porcentagem simples, possibilitando a avaliação nível de conhecimento dos portadores Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 DEDC XII de DM2 sobre a doença e suas complicações. DESENVOLVIMENTO Através de uma analise aleatória, foram incluídos para o estudo 21 pacientes, com média de idade de 62,6 anos , a maioria do sexo feminino, casados , alfabetizados, renda igual ou superior a um salário mínimo e utilizam hipoglicemiantes orais como forma de tratamento. Menos da metade pratica atividade física, sendo a caminhada predominante. Em relação a mudanças de hábitos alimentares mais da metade relataram ter reduzido somente o açúcar por orientação médica. A maioria dos portadores apresenta o diagnóstico da doença há mais de cinco anos. A literatura aponta que há relação entre a duração do diabetes mellitus e o surgimento de complicações microvasculares. O que nos afirmam a importância de um bom tratamento e um bom conhecimento das medidas de prevenção dos agravos, como forma de viver saudável. Quando perguntados : ― O que você entende sobre a doença?‖ e “Quais complicações a diabetes pode ocasionar?‖ os resultados encontra-se nas tabelas 1 e 2 , no qual pode-se perceber uma diversidade de significados atribuídos ao entendimento sobre diabetes mellitus. Tabela 1- Distribuição numérica e percentual das respostas dos diabéticos referentes a questão: “O que você entende sobre a doença?” RESPOSTAS Não sei É o aumento de glicemia no sangue adquirido através da obesidade Açúcar no sangue Açúcar no sangue, não tem cura Açúcar no sangue; coceira na orelha e na vagina Doença normal, não sinto nada. Perigosa, porque tem que ter controle Doença perigosa, que aleja. Perigosa, de difícil cicatrização das feridas É uma doença complicada que mata Doença ruim Doença ruim, pois não pode fazer uma operação e não pode se alimentar bem Doença crônica que deve seguir a dieta Precisa de cuidados Sede demasiada, muita urina, fraqueza e dor nas pernas Nº 4 1 1 1 1 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 % 19,05% 4,76% 4,76% 4,76% 4,76% 9,52% 4,76% 4,76% 4,76% 4,76% 4,76% 4,76% 4,76% 4,76% 4,76% Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 DEDC XII Sente mal, problemas nos rins e coração TOTAL 1 21 4,76% 100% Tabela 2 -Distribuição numérica e percentual das respostas dos diabéticos referentes a questão: “Quais complicações a diabetes pode ocasionar?” RESPOSTAS Não sei Má cicatrização Não cicatriza como deveria, impossibilita de comer o que deseja Muita sede, muita fome, dor nas pernas, visão ruim Perda da visão, problemas nos ossos, falta de sensibilidade nos membros Perda da visão, audição Muita sede Má cicatrização, causa cegueira Causa amputação, problemas na visão Problemas visuais Se não tomar remédio, pode agravar Dor nas pernas Problemas nos rins, no coração Ferida, aleja Cegueira Pode morrer TOTAL Nº 3 1 1 1 1 1 1 1 1 3 1 1 1 1 1 1 21 % 14,29% 4,76% 4,76% 4,76% 4,76% 4,76% 4,76% 4,76% 4,76% 14,29% 4,76% 4,76% 4,76% 4,76% 4,76% 4,76% 100% O conjunto desses dados apontou o baixo nível de conhecimento dos portadores de DM2 quanto ao entendimento sobre a doença e suas complicações. CONCLUSÕES Este estudo permitiu conhecer o perfil dos portadores de Diabetes Mellitus tipo II, com relação a características sócio-demográficas, bem como avaliar o nível de conhecimento dos mesmos indivíduos a respeito de sua doença levando em consideração o que cada um entende sobre a patologia e suas possíveis complicações. A partir das diversas respostas obtidas, conclui-se que há um baixo nível de conhecimento tendo em vista que muitos relatam o conceito de diabetes conforme seus sintomas e sua vivência individual. O que nos levar a considerar a importância da educação em saúde para esses pacientes, desde que seja utilizada uma linguagem Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 simples e adequada para que proporcione um aprendizado amplo e complexo, visto que o conhecimento da doença e de seus agravos é uma forma de facilitar o tratamento e viver saudável. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Diabetes Mellitus. Brasília: 2006, nº16, . Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/cadernos_ab/abcad16.pdf. Acesso em: 07 de fev. de 2009. BRETAS, P.C.A. e GAMBA, M.A. Enfermagem e saúde do adulto. Barueri, SP: Manole,2006 (serie Enfermagem). SARTORELLI, D. S.; FRANCO, L. J.. Tendências do diabetes mellitus no Brasil: o papel da transição nutricional. Caderno de Saúde Pública. Rio de Janeiro. V. 19, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v19s1/a04v19s1.pdf. Acesso em: 30 de jan. de 2009. SCHEFFEL, et al. 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ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 CONDIÇÕES ERGONÔMICAS DOS POSTOS DE TRABALHO E SAÚDE DOS TRABALHADORES DE ENFERMAGEM INSERIDOS NAS PSFs DE GUANAMBI. Ana Paula Lessa Tavares de Andrade1 Daiana Gonçalves Machado1 Frank Evilácio de Oliveira Guimarães1 Leiliane Martins Ângelo1 Welliton Trindade da Silva 1 Mauro César Ribeiro dos Santos2 RESUMO A relação entre trabalho e o processo saúde-doença constam desde a antiguidade, porém nem sempre compôs foco da atenção. A discussão de questões relacionadas à saúde do trabalhador de enfermagem tem merecido cada vez mais destaque, pois o aparecimento de alterações ligadas ao sistema musculoesquelético nestes profissionais decorrentes da atividade laboral é um fenômeno que vem ocorrendo a nível mundial. Reconhecendo a magnitude das demandas que permeiam a discussão sobre saúde do trabalhador e doenças decorrentes do trabalho no cenário das políticas de saúde, este artigo propõe uma reflexão acerca das condições ergonômicas dos postos de trabalho com foco na saúde do trabalhador de enfermagem de Guanambi - BA. Tratase de um estudo qualitativo, realizado com pesquisa bibliográfica realizada pela Internet, através da BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) no banco de dados LILACS (Literatura LatinoAmericana em Ciências de Saúde), SciELO (Scientific Library Eletronic Online), além de dados do Ministério Público do Brasil e pesquisa de campo através de coleta de dados por meio de questionário estruturado aplicado aos profissionais de enfermagem lotados nas Unidades Básicas de Saúde de Guanambi. A análise dos dados foi feita através do confronto das informações contidas no referencial teórico pesquisado e os dados encontrados em campo. Os resultados obtidos apontaram que 73,9% dos entrevistados apresentam dores ligadas à atividade laboral, sendo lombalgia a mais freqüente, e 73,9% não realizam tratamento médico. Palavras-chave: Trabalho e saúde, Ergonomia e enfermagem; mobiliário e trabalho; Saúde do trabalhador INTRODUÇÃO Dentro da área da saúde pública a Saúde do Trabalhador, segundo Guimarães et. al. (2005), é um campo específico que procura atuar através de procedimentos próprios para promoção e proteção à saúde de pessoas envolvidas no exercício do trabalho. 1 Acadêmicos do curso de Bacharelado em Enfermagem da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – DEDC XII. Brasil. 2 Fisioterapeuta, Especialista em Metodologia em Ensino Superior. Professor do departamento de Educação campus XII da Universidade do Estado da Bahia. Brasil. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Sant‘anna e Santos (2010) corroboram especificando que esse campo abarca a disciplina ergonomia, cuja origem epistemológica deriva do grego ergon (trabalho) e nomos (regras), que foca suas ações mediante estudo das relações trabalho/trabalhador para promover melhorias no ambiente de trabalho. O processo de formação e definição dessa disciplina vincula-se à história do trabalho e aos avanços científicos relacionados (GUIMARÃES et.al, 2005). Historicamente a relação entre trabalho e o processo saúde-doença constam desde a antiguidade, porém nem sempre compôs foco da atenção. Essa relação intensificou durante a Revolução Industrial onde os acidentes que resultaram em perda da capacidade para o trabalho e até morte, ocorridos por falta de estrutura adequada nos postos de trabalho gerou revoluções trabalhistas (CASTRO e FARIAS, 2008). No Brasil o amparo legal para os trabalhadores ocorreu apenas em 1919, através da adoção de convenções para proteção à saúde do trabalhador através da Organização Internacional do Trabalho – OIT (SANT‘ANNA e SANTOS, 2010) e com o Decreto Legislativo nº 3.724 que implantou serviços de medicina ocupacional fortalecendo a ergonomia (BRASIL, 2003). Carvão et. al. (2006) define que esse decreto associado a pesquisas realizadas com digitadores (identificando numerosos casos de tenossinovite ocupacional e Lesão por Esforço Repetitivo – LER) culminaram na instituição da NR – 17 no ano de 1990 que refere a Ergonomia como um instrumento de transformação visando uma conjuntura menos nociva ao trabalho. Para Reinhardt e Fischer (2009) a preocupação com a saúde dos trabalhadores da saúde foi mais tardia do que em outras categorias profissionais e segundo Santana (2006) somente em 1980 é que surge a primeira tese tratando do tema O CAMPO DA SAÚDE DO TRABALHADOR DE ENFERMAGEM Estudos sobre a saúde dos trabalhadores de enfermagem concluem que estes convivem com riscos ocupacionais inerentes à profissão (químicos, biológicos e físicos) e ergonômicos relacionados ao espaço físico do posto de trabalho (MARZIALE e ROBAZZI, 2000). Para Alexandre (1998) o espaço físico do posto de trabalho, definido como ―espaço imaginário‖ necessário para realização da atividade laboral, lida com questões de estrutura física além de equipamentos e mobiliários que suscitam adoção de Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 posturas inadequadas quando impróprios e exigem esforço e má postura quando disposto em lugares inadequados podendo potencializar o risco ocupacional principalmente para o sistema musculoesquelético caracterizado por Murofuze e Marziale (2005) como o mais grave no campo da saúde do trabalhador. Entre os principais fatores de risco relacionados a essas alterações, os ambientais constituem o principal de acordo com Gurgueira et al (2003) e são causadores de incapacidade, absenteísmo/afastamentos além de produzir custos expressivos em tratamento e indenizações (WALSH et al, 2004). A proteção à saúde dos trabalhadores dada pela NR 32 de 2005 ainda é incompleta, pois enfoca riscos físicos, químicos e radioativos suprimindo questões como deslocamentos, esforços adicionais, movimentação e transporte de pacientes e materiais. Araújo et.al (2009) corrobora afirmando que as condições de trabalho reúne essas questões além da própria organização do trabalho confirmando a limitação das diretrizes propostas pela NR – 32. OBJETIVOS O presente estudo tem como objetivo avaliar as condições ergonômicas dos postos de trabalho e a saúde dos trabalhadores de enfermagem das unidades de saúde de Guanambi para promover reflexão acerca dos riscos ocupacionais aos quais estão expostos de forma a impactar positivamente na melhoria das condições de trabalho. METODOLOGIA Trata-se de um estudo qualitativo com objetivo de avaliar as condições ergonômicas dos postos de trabalho e saúde dos trabalhadores de enfermagem inseridos nas Unidades Saúde da Família de Guanambi - BA, cujo universo expressa 46 trabalhadores entre Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares. O levantamento bibliográfico foi realizado pela Internet, através de dados do Ministério Público do Brasil e pela BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) no banco de dados LILACS (Literatura LatinoAmericana em Ciências de Saúde) e SciELO (Scientific Library Eletronic Online) utilizando os descritores: Trabalho e saúde, Ergonomia e enfermagem; mobiliário e trabalho; Saúde do trabalhador. O instrumento de coleta compreendeu as questões 06 a 17 do questionário desenvolvido pelo projeto de pesquisa intitulado ―Perfil Ergonômico dos postos de trabalho dos profissionais de enfermagem da cidade de Guanambi - BA‖ Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 vinculado à Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus XII, totalizando 18 questões objetivas de múltipla escolha, aplicado em setembro/2010 após leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE pelos respondentes. A análise e discussão dos resultados basearam-se nas literaturas utilizadas no referencial teórico DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Quando questionados sobre comprometimento físico gerado pelo mobiliário do posto de trabalho 10,8% dos respondentes afirmaram que sempre observam essa relação enquanto a maioria (21,6%) afirmou que essa relação existe às vezes. Em relação aos mobiliários específicos 52,1% afirmaram nunca ter tido comprometimento físico gerado por balcões/mesas enquanto 8,6% apontaram que essa relação é sempre observada. Em contra partida 73,9% afirmaram que apresentam dores ligadas à atividade laboral e que ocorrem ao final do expediente, sendo lombalgia a mais freqüente (34,7%) seguida de cervicalgia (28,2%). A divergência nas respostas dos entrevistados aponta para o desconhecimento dos mesmos acerca da ergonomia e todas as suas faces e aplicações, principalmente no que refere à mobília e estrutura física dos postos de trabalho que são os principais responsáveis por distúrbios musculoesqueléticos. Revelam ainda que grande parte dos entrevistados sofre de patologias relacionadas ao trabalho, porém não as relacionam com a estrutura/mobília do posto de trabalho. Destes que declararam possuir algum distúrbio relacionado ao trabalho 73,9% responderam negativamente quando questionados sobre a realização de tratamento médico enquanto 32,6% afirmaram fazer uso de fármacos devido a esses transtornos. A reflexão acerca destes dados aponta para uma questão preocupante onde a maioria não procura tratamento médico em decorrência de uma doença/lesão do trabalho podendo refletir futuramente em incapacidade para o trabalho sem que tenha ocorrido um histórico desse processo de adoecimento, impedindo o profissional de associar a doença à atividade laboral. Outro fato alarmante proveniente da análise destes dados indica que 8,6% dos entrevistados que responderam negativamente ao questionamento sobre realização de consulta para tratamento médico da doença afirmaram utilizar medicações para tratamento da mesma, ou seja, realizando automedicação, fato que pode mascarar Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII os sintomas de uma doença decorrente do trabalho ou ainda trazer conseqüências graves e imediatas decorrentes dessa prática perigosa. Apesar de grande parte dos entrevistados apresentarem algum distúrbio decorrente do trabalho, 63% afirmaram que não realizam atividade de relaxamento e 36,9% nunca realizam revezamento entre colegas para que um possa repousar enquanto o outro assume seu trabalho. CONSIDERAÇÕES FINAIS Emerge das discussões realizadas ao longo desse trabalho a necessidade dos profissionais conhecerem com maior obstinação os paradigmas que definem o processo saúde - doença e principalmente sua relação com o trabalho. É indiscutível em uma visão global que as condições ergonômicas, quando adversas, interferem consideravelmente na qualidade do trabalho, conseqüentemente interferindo também na saúde do trabalhador, mesmo que para este não tenha relação alguma. Profissionais da saúde em geral, inclusive os da enfermagem, devem conter esse conhecimento mais aprofundado para lhe servir de orientador na busca da melhor alternativa de terapêutica seja para pacientes acometidos por essas doenças, na condição de cuidador, ou mesmo na condição de doente. REFERENCIAS ARAÚJO JÚNIOR, M.A., et al. Influência da Ergonomia no Trabalho De Enfermagem. 61º Congresso Brasileiro de Enfermagem, 2009. Disponível em<http://www.abeneventos.com.br/anais_61cben/files/01867.pdf>. Acesso em 01 out 2010. ALEXANDRE, N.M.C. Aspectos ergonômicos relacionados com o ambiente e equipamentos hospitalares. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto, v.6, n.4, out 1998. 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Heldina Pereira Pinto Fagundes (UNEB) 2 RESUMO: Apesar de no Brasil se pregar o mito da democracia racial, ainda se verifica a distância entre discurso e prática no tocante à educação da cultura afrodescendente. Sabe-se que através da Lei 10639/03 tornou-se obrigatória a inclusão nos currículos o ensino da cultura afro-brasileira e africana nas escolas do Brasil, contudo, sabemos que essa realidade ainda não é perceptível. Diante disso, neste estudo, voltamos nossa análise para o livro de História, considerando que é na história que são erigidos os heróis e narrativas míticas capazes de construir representações e forjar um ideário, já que influi diretamente no imaginário social, pois os livros didáticos são em muitas das vezes, o único recurso didático que muitas crianças têm acesso. INTRODUÇÃO: O Brasil possui 94,3 milhões de afrodescendentes em seu território (FERREIRA. 2009, p. 177). Estudos e estatísticas mostram que essa população é a que mais sofre com os problemas sociais, racismo, discriminação, estereótipos, inferiorização, marginalização social, falta de reconhecimento e invisibilidade histórica, produzindo assim, um efeito drástico nas condições de vida e na identidade da população negra no país. Atrelado a isso, esses indivíduos quando ingressam no sistema de ensino, não se reconhecem dentro da identidade nacional, pois o currículo e o livro didático perpetuam formas estereotipadas nos mesmos. Levando essa discussão para a discriminação presente no livro didático, percebemos o quanto é necessário revisitá-los e analisá-los, pois é neste, enquanto materiais curriculares, que as maiores formas de transmissão da ideologia racista se sustentam e se perpetuam. 1 2 Graduanda do curso de Pedagogia – UNEB - Campus XII Professora Adjunta da UNEB – Campus - XII Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 REFERENCIAL TEÓRICO: A democratização do ensino escolar no Brasil é recente e carece ainda de muitas mudanças. Se olharmos para o passado, percebemos que desde a década de 1970 até os dias atuais, os avanços conquistados no campo educacional são altamente expressivos, tanto em qualidade quanto em quantidade de alunos. O sistema político do país – através de Leis – se estruturou para garantir que todas as crianças, independente da classe social, cor, sexo ou etnia, frequentassem o sistema de ensino. Outro grande avanço é a gratuidade do livro didático oferecido aos alunos, de modo que, todos tenham acesso às informações deste, desde o ensino fundamental ao médio. Mas com todos esses avanços, percebemos que a educação ainda sustenta grandes ranços do passado. Ao analisarmos o currículo escolar, notamos que os conteúdos transmitidos são baseados na cultura eurocêntrica, que valoriza o conhecimento empírico, o progresso através da ciência e, sobretudo, apregoa de forma camuflada, o embranquecimento da população. Ao depararmos com esses problemas percebemos, então, que os conteúdos a serem repassados na escola, são submetidos a um processo de seleção no interior da cultura e, a forma de repassá-los também. Diante disso, cabe a nós analisarmos quais e como esses conhecimentos são transmitidos. Sabemos que a cultura é baseada e mantida através de um grupo que compartilha e perpetua a mesma visão de mundo. Assim, esse conhecimento teórico que os une e, os faz sentir-se fortes é o que chamamos de ideologia. Essa ideologia pode ser transmitida para as crianças através da família, do grupo social e, principalmente, pela escola. Dessa forma, percebemos que a ideologia é, ― constituída por aquelas crenças que nos levam a aceitar as estruturas sociais existentes como boas e desejáveis‖ (SILVA. apud. ALTHUSSER, 2002:.31) Essa ideologia transmitida na escola, principalmente para as crianças, é responsável pela internalização dos conhecimentos e, consequentemente, pela sua visão de mundo. Um dos principais veículos para transmitir a ideologia é pelo livro didático de história, pois Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia é neste, que um grupo social é reportado como importante, vencedor, enquanto outros se tornam frágeis e oprimidos. Entendemos assim que a maneira como um grupo social é abordado no livro, interfere diretamente na construção da identidade da criança. É sabido que o livro didático é responsável pala transmissão dos conhecimentos históricos de um povo, sua ideologia, sua cultura, sua estrutura social e, é neste, que encontramos a visão que a cultura dominante tem do dominado. Dominado aqui, entendido com o oprimido, o negro, o índio, o camponês. E nesse contexto, entendemos como a escola trata através do livro didático, os afrodescendentes e qual a importância destes para a estrutura social. As relações humanas fetichizadas não são mentirosas, são coisificadas. Desta forma, a ideologia burguesa, através do livro didático, contribui para justificar e manter a realidade, reproduzindoa‖ (FARIA, 1991. p.70) Apesar da Constituição de 1988 garantir direitos iguais para todos os cidadãos brasileiros, ainda se conserva no Brasil o conceito absurdo e primitivo de julgar e discriminar os negros. A escola não foge a isso. Em seu seio, ainda se observa práticas discriminatórias aos indivíduos pertencentes a outros grupos étnicos, principalmente aos negros. Na estrutura organizacional, no material didático, no currículo, no comportamento de alguns professores, ainda é observável a inferiorização que estes relegam aos afrodescendentes. Através da influência da escola nova e de Anísio Teixeira – onde defendia que a escola deveria ser laica, gratuita e universalista - a estrutura educacional brasileira goza do princípio de ser uma entidade pautada na igualdade. Contudo, se percebe, que essa igualdade é mascarada, pois os conteúdos transmitidos não contemplam a história de milhões de negros que frequentam diariamente essa instituição de ensino. Não contemplam a diversidade étnico-cultural que compõe a escola. ―Refletir sobre a cultura negra é considerar as lógicas simbólicas historicamente construídas, ao longo da história, por um grupo sociocultural específico: os descendentes de africanos escravizados no Brasil‖.(GOMES,2006 : 37) Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 É inapropriado tentar igualar grupos étnicos tão diferenciados, abordando no livro didático conteúdos que enaltecem e supervalorizam a cultura europeia em detrimento da cultura africana, pois ocasiona no aluno um enorme sentimento de desvalorização e inferioridade: ―temos necessidade de uma noção de política que se baseie em identidades políticas desiguais, não uniformes, múltiplas e potencialmente antagônicas‖. (RUTHERFORD, 1996. p.35 citado por SILVERIO, 2006. p.13) Diante disso, percebemos a incoerência de um currículo que se baseie unicamente no fortalecimento da uniformidade de direitos. Todos nós temos os mesmos direitos, contudo, não há como igualar a noção de direitos de uma estudante branco da classe media, com o conceito de direitos de um estudante negro periférico. São visões de mundos diferenciadas, que necessita de políticas públicas diferenciadas. O currículo escolar, - as disciplinas, o livro didático, as discussões - deve se ater à grande necessidade de banir todos os atos discriminatórios, também pelo livro didático de história, já que se trata de um material importante na efetivação do currículo. Há urgência em recontar a história para as crianças, há de se propagar a enorme contribuição do negro para a nossa sociedade. OBJETIVOS: GERAL: Analisar livros didáticos de história de 1º a 4º série (do segundo ao quinto ano) do ensino fundamental, identificando como as questões do negro são tratadas, após a vigência da Lei 10639/03, destacando as ideologias subjacentes aos conteúdos e as metodologias propostas para o desenvolvimento das atividades/exercícios de compreensão, interpretação e fixação e como isso pode interferir na representação que as crianças fazem sobre os mesmos na atualidade. METODOLOGIA: O estudo das transmissões ideológicas e discriminatórias notadamente referidas aos negros, presentes no livro didático abarca um emaranhado de questões que sugerem Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 vários estudos e discussões, exigindo que seja definida a abordagem qualitativa. Essa abordagem permite a compreensão da problematização, sendo instrumentalizada por meio da análise documental e interpretada com auxílio da análise de conteúdo. No decorrer da pesquisa serão analisados livros didáticos de história de 1ª a 4ª série (segundo ao quinto ano) do ensino fundamental utilizados pelas escolas públicas do município de Guanambi. A análise dos conteúdos utilizados por esses livros serão contrastadas com as informações obtidas do estudo das literaturas que discutem essa temática desvendando assim, as possíveis conclusões que serão obtidas ao fim dessa pesquisa. RESULTADOS PARCIAIS: Os estudos tem demonstrado que ainda há de se percorrer um longo caminho até a efetivação da referida Lei, pois os livros didáticos ainda não contemplam todas as normas referidas na Lei. Ao invés de conteúdos fundamentados, percebemos que há um disfarce com gravuras e imagens de negros que tentam demonstrar uma igualdade étnica. Contudo, isso não passa de uma maneira de amenizar as disparidades. Entretanto, percebe-se que existe a vontade de introduzir mudanças que possam contribuir com a construção de outras narrativas capazes de dialogar com as questões étnico-raciais. REFERÊNCIAS: ABRAMOWICZ, Lúcia Maria de Assunção Barbosa. SILVÉRIO, Valter Roberto (orgs.). Educação como prática da diferença. Campinas, S.P: Armazém do Ipê (Autores Associados), 2006. __________, Lúcia Maria de Assunção Barbosa. SILVÉRIO, Valter Roberto (orgs.). Educação como prática da diferença. IN: GOMES, Nilma Lino. Diversidade cultural, currículo e questão racial: desafios para a prática pedagógica. Campinas, S.P: Armazém do Ipê (Autores Associados), 2006. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 FARIA, Ana Lúcia G. de. Ideologia no livro didático. 10 ed. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1991. FERREIRA, Mariana. Brasil, Nação Negra. IN: Atualidades vestibular e Enem. São Paulo. 10ª ed. (p.176 – 181). 2009. GONZAGA, Amarildo Menezes. A pesquisa em educação: um desenho metodológico centrado na abordagem qualitativa. IN: PIMENTA, S.G.; GHEDIN, E. 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ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 DEFICIÊNCIA AUDITIVA/ SURDEZ: ALUNOS QUE SOFREM SILENCIOSAMENTE Di Paula Ferreira Prado 1 Stela Regina Montalvão de Oliveira Tatiana de Cássia Boa Sorte Viana Pereira Prof. Ms. Sônia Maria Alves de Oliveira Reis 2 Resumo O presente trabalho é resultado de uma pesquisa sobre a deficiência auditiva/ surdez em que se procura destacar alguns conceitos básicos e informações relevantes para compreender e incluir os alunos surdos, uma vez que a audição é uma das bases para a aprendizagem e constata-se que as crianças demandam grande parte de suas atividades escolares envolvidas em funções auditivas. Sendo assim, é importante ressaltar que o acompanhamento na criança surda deve ser iniciado cedo, pois quanto antes começar o trabalho de habilitação, maior será o aproveitamento na aquisição da linguagem. Para orientar esta pesquisa, a metodologia utilizada pautou-se na abordagem qualitativa por meio da pesquisa bibliográfica. Tendo em vista a sistematização das ideias aqui propostas, o estudo foi direcionado pelas obras dos seguintes autores: Damázio (2007); Fávero (2007); Mantoan (2006); Rinaldi (1997); Sales (2004); Redondo (2000), dentre outros. A falta de conhecimento específico das consequências dos problemas auditivos na infância faz com que muitas crianças sejam erroneamente rotuladas nas escolas, o que pode prejudicar o seu processo de aprendizagem e desenvolvimento. Desse modo, a melhor maneira de se cuidar do aprendizado da linguagem é propiciar um meio ambiente favorável para o seu desenvolvimento, e estar atento às condições de saúde auditiva da criança. A educação inclusiva constitui-se um desafio para as escolas que almejam pautar seu trabalho em ambientes heterogêneos de aprendizagem, contemplando a diversidade linguística. Palavras - Chave: Deficiência auditiva, surdez, criança, aprendizagem, diversidade linguística. Introdução A audição é uma função complexa e faz parte de um sistema especializado, constituindo-se num caminho fundamental em que a criança desenvolve a fala e a linguagem oral, que é a base de muitas aprendizagens. Sendo assim, é necessário 1 Graduandas do VI Semestre do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – Campus XII. 2 Professora do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – Campus XII. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia entender seus conceitos básicos para compreender os alunos que muitas veze s sofrem silenciosamente. As alterações da audição podem causar, em qualquer idade, problemas de comunicação e sérias implicações. Por isso, devem ser detectados e tratados tão cedo quanto possível, em benefício do desenvolvimento linguístico, intelectual, social e emocional da criança. Quanto antes começar o trabalho de habilitação na criança surda, maior será o aproveitamento na aquisição da linguagem, uma vez que, a porcentagem da falta de identificação dos pais e educadores do déficit auditivo na criança é bastante alta. Ao tratar desse assunto Rinaldi (1997) afirma que: Com o objetivo de diminuir os efeitos e, consequentemente, as dificuldades decorrentes da deficiência auditiva, entende-se que toda atenção deve ser dirigida para o processo de estimulação global da criança surda, com vistas a facilitar o desenvolvimento de sua linguagem. Essa estimulação implica: propiciar à criança experiências significativas que favoreçam a compreensão e a recepção lingüísticas; despertar na criança a necessidade de se expressar, de se comunicar, partindo do ambiente que a rodeia, através de todas as vias perceptivas, a fim de possibilitar a emissão lingüística. (RINALDI ,1997, p. 43). A deficiência auditiva é a diminuição da capacidade de percepção normal dos sons, sendo considerado surdo o indivíduo cuja audição não é funcional na vida comum, e parcialmente surdo, aquele cuja audição, ainda que deficiente, é funcional com ou sem prótese auditiva. A deficiência auditiva traz muitas limitações para o desenvolvimento do indivíduo, pois ―a audição é essencial para a aquisição da linguagem falada, sua deficiência influi no relacionamento da mãe com o filho e cria lacunas nos processos psicológicos de integração de experiências, afetando o equilíbrio e a capacidade normal de desenvolvimento da pessoa‖. (REDONDO, p. 5, 2000). Observa-se que a surdez ainda é um tema pouco explorado pelos educadores, principalmente no que diz respeito aos aspectos psicológicos, sociológicos, culturais e educacionais. A inclusão do aluno com surdez deve acontecer desde a educação infantil até a educação superior, garantindo-lhe, desde cedo, utilizar os recursos de que necessita para superar as barreiras no processo educacional e usufruir seus direitos escolares, exercendo sua cidadania, de acordo com os princípios constitucionais do nosso país. (DAMÁZIO, 2007, p. 14). A surdez pode ser: leve se a pessoa apresenta dificuldades para ouvir sons distantes, mas pode compreender a fala de uma conversa; moderada: compreende a dificuldade Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII do indivíduo para acompanhar uma discussão, podendo necessitar do auxílio de um aparelho auditivo; moderadamente grave, atingindo pessoas que precisam do uso do aparelho auditivo, mas conseguem ouvir sons próximos, necessitando também de treinamento em fala e linguagem; e surdez grave, que é caracterizada pela capacidade de ouvir somente sons próximos; e a surdez profunda, refere-se ao grupo de pessoas surdas, mas com indicativos de que podem perceber a vibração sonora quando emitida com intensidade muito forte. Nesse caso, confiam mais na visão para processar informações. (REDONDO, 2000). É essencial destacar que a família possui papel fundamental no processo de desenvolvimento da criança deficiente auditiva, assim como no processo de inclusão desta na sociedade. Assim, caberá à família, após a confirmação do diagnóstico, a procura de recursos técnicos e de acompanhamento profissional adequado, visando ao desenvolvimento global desta criança. A educação escolar da criança surda é um desafio que se apresenta às escolas que abraçam a inclusão, pois precisam quebrar barreiras lingüísticas e pedagógicas para que os alunos com necessidades educativas especiais possam estudar nas turmas comuns de ensino regular. Percebe-se que a falta de conhecimento específico das conseqüências dos problemas auditivos na infância faz com que muitas crianças sejam erroneamente rotuladas, nas escolas, como ―distraídas‖, ―desconcentradas‖, ―incapazes‖, ―desinteressadas‖,ou ―deficientes‖. Damázio (2007, p. 13) confirma: As pessoas com surdez enfrentam inúmeros entraves para participar da educação escolar, decorrentes da perda da audição e da forma como se estruturam as propostas educacionais das escolas. Muitos alunos com surdez podem ser prejudicados pela falta de estímulos adequados ao seu potencial cognitivo, sócio-afetivo, linguístico, e político-cultural e ter perdas consideráveis no desenvolvimento da aprendizagem. As abordagens pedagógicas para alunos com deficiência auditiva, concentram-se na inclusão desses alunos na escola regular ou em classes especiais. Existem três tendências educacionais: o oralismo que visa a integração da criança surda na comunidade ouvinte, dando-lhe condições para desenvolver a língua oral (no caso do Brasil, o português) como única forma desejável de comunicação dos surdos. Nessa Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 abordagem, não se permite o uso de sinais e do alfabeto manual ou qualquer forma de gestualização, sendo a fala o único meio de expressão permitido, pois percebe a surdez como uma deficiência que deve ser minimizada através da estimulação auditiva e propõe que a pessoa capte a mensagem através da leitura labial. De acordo com Damázio (2007, apud Sá, 1999) essa tendência ―...não conseguiu atingir resultados satisfatórios, pois legitima a manutenção do fracasso escolar, não aceita o uso da Língua de Sinais, discrimina a cultura surda e nega a diferença entre surdos e ouvintes‖. Já a comunicação total é um método auditivo-oral com os sinais e o alfabeto manual. A ênfase está na recepção da informação por todos os meios possíveis, incluindo a amplificação, a visão, os sinais e os gestos. O método deve ser introduzido na primeira infância e destaca o papel fundamental dos pais na educação de seus filhos surdos. No entanto, a língua de sinais não é utilizada como língua natural, como parte da cultura surda. Por outro lado a abordagem educacional por meio do bilinguismo tem como princípio fundamental oferecer à criança um ambiente linguístico, na qual os interlocutores se comuniquem de forma natural. De acordo com Moura (2001), essa modalidade pressupõe o ensino de duas línguas para a criança, sendo a primeira a língua de sinais que dará a base para a aprendizagem de uma segunda língua, que pode ser a escrita ou a oral, dependendo do modelo seguido. Isto significa que a criança é exposta à Língua de Sinais através de interlocutores surdos ou ouvintes que tenham conhecimento em língua de sinais. A língua oral ou escrita será trabalhada seguindo os princípios de aprendizado de uma segunda língua. Essa tendência tem como pressuposto básico que o surdo deve ser bilíngue, ou seja, adquirir como língua materna a língua de sinais, que é considerada sua língua natural, e como segunda língua, a oficial de seu país. Segundo Rinaldi (1997, p. 25-26) ―As crianças surdas têm o direito de serem bilíngües. Sua educação, portanto, deve propiciar-lhes o desenvolvimento da linguagem que inclua o aprendizado da Língua Portuguesa e a aquisição da Língua Brasileira de Sinais‖. Nesse sentido, se a criança surda não for exposta à língua de sinais desde seus primeiros anos de vida, sofrerá várias consequências com atraso no seu desenvolvimento linguístico, cognitivo, social ou pessoal, uma vez que os surdos não têm distúrbios intelectuais, mas podem ter atraso no desenvolvimento intelectual, se não Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia tiverem acesso a sua língua natural, a língua de sinais, desde crianças. Língua materna é a que se fala no ambiente da criança desde o seu nascimento, e natural, a falada na comunidade a que pertence, com a qual identifica-se culturalmente e não possui barreiras para a sua aquisição. A Língua de Sinais foi criada por comunidades surdas e é considerada uma língua natural que utiliza canal espaço-visual, com estruturas gramaticais próprias, possuindo todas as características das língua orais. Ela propicia o desenvolvimento linguístico e cognitivo da criança surda, facilita o processo de aprendizagem e constitui seu elemento identificatório. Além disso, não é universal, pois cada país tem a sua e sofre as influências da cultura nacional. A Língua Brasileira de Sinais, LIBRAS foi reconhecida oficialmente pela Lei nº 10.436/2002, como a língua oficial dos Surdos. Segundo Rinaldi (1997, 31)) ―A aprendizagem de LIBRAS possibilita às crianças surdas maior rapidez e naturalidade na exposição de seus sentimentos, desejos e necessidades, desde a mais tenra idade. Possibilita a estruturação do pensamento e da cognição e ainda uma interação social, ativando consequentemente o desenvolvimento da linguagem‖. Essas propostas educacionais surgiram a partir das Leis e Decretos regulamentares, como: a Lei Federal 10.098/2000, prevê a formação de intérpretes de Língua de Sinais para possibilitar aos surdos o acesso à informação; Lei Federal 10.436/2002, reconhece a Língua Brasileira de Sinais, como língua oficial das comunidades surdas; e o Decreto Federal 5.626/2005, regulamenta as leis anteriores e reconhece o direito dos surdos a uma educação bilíngue, na qual a Língua de Sinais é a primeira língua, e a Língua Portuguesa, preferencialmente na modalidade escrita, é a segunda. Prevê a inclusão da Libras como disciplina curricular, com a formação e a certificação de professor, instrutor e tradutor/intérprete de Libras. Para Rinaldi (1997, 147)) Nos termos de Paulo Freire, ―a leitura do mundo precede a leitura da palavra‖. Nesse sentido, as palavras e as outras estruturas do Português só serão efetivamente apreendidas pelo surdo brasileiro se, anteriormente, sua linguagem permitir que ele estruture seu conhecimento e suas experiências. Como raramente o surdo pode fazer essa leitura do mundo através da fala do Português, é imprescindível que outra fala seja a intermediadora nesse processo: a língua brasileira de sinais – LIBRAS. A avaliação psicopedagógica no caso das crianças surdas deve servir para identificar suas necessidades educacionais e facilitar seu acesso aos objetivos estabelecidos no Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 currículo. A coleta, a análise e a avaliação das informações sobre as condições pessoais do aluno e sua interação com o contexto escolar e familiar devem facilitar as decisões acerca do tipo de escolarização inicial desses alunos e definir a maneira mais adequada de ajudá-los facilitando a tomada de decisões em diferentes momentos de sua escolaridade. (BONALS, e SANCHES-CANO, 2008). Deve-se avaliar o modo como a criança age para se comunicar, a habilidade na conversa e compreensão das regras e normas, o conhecimento dos fatos e o uso da linguagem nos acontecimentos. Com vistas a orientar esta pesquisa, a metodologia utilizada pautou-se na abordagem qualitativa por meio da pesquisa bibliográfica. Conforme os autores Ludke e André (2005), Alves-Mazzotti (2004), Trivinos (1987), os pesquisadores qualitativos preocupam-se com os processos e não apenas com resultados e o produto. Nesse processo, o pesquisador é o principal instrumento de coleta de dados, sendo estes tratados predominantemente de forma descritiva. ―O que este tipo de pesquisa visa é a descoberta de novos conceitos, novas relações, novas formas de entendimento da realidade‖. (ANDRÉ, 1995, p. 30). Percebe-se que a educação do surdo voltou-se mais para o desenvolvimento da comunicação do que à transmissão de conhecimentos, situando-se no âmbito da caridade e filantropia, desvinculada da educação como direito de liberdade e igualdade. Manteve assim o estereótipo da incapacidade de aprender por não ouvir. Dessa forma, a transferência do aluno portador de deficiência para a sala de aula comum só vai garantir a convivência com os colegas. Para o sucesso acadêmico são necessárias mudanças estruturais e pedagógicas, em que a inclusão na escola comum se constitua um processo gradativo, que respeite as diferentes necessidades e interesses de cada criança, preparando-a para frequentar uma turma regular. Em síntese, a integração plena da pessoa surda passa, necessariamente, pela garantia de convívio em um espaço, onde não haja repressão de sua condição de surdo, onde possa expressar-se da maneira que mais lhe satisfaça, mantendo situações prazerosas de comunicação e de aprendizagem. As pessoas surdas são únicas e tem diferenças individuais iguais às dos ouvintes. Os programas educacionais inclusivos efetivos deveriam ser individualizados para satisfazer as necessidades, pois as habilidades para comunicar vão ser sempre diferentes para cada pessoa. ―Levar em conta as potencialidades e limitações da criança surda permite que ela manifeste sua Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 espontaneidade e suas diferenças. Diferenças que não a tornam um ser inferior ou menos capaz, mas apenas diferente – como todo ser humano‖. ( , 2000, p. 30). O surdo não precisa almejar uma vida semelhante ao ouvinte, mas pode aceitar e assumir sua surdez e formar uma comunidade, com cultura e língua próprias, uma vez que, o aprendizado da língua oral não é percebido como o único objetivo educacional do surdo, nem como uma possibilidade de minimizar as diferenças causadas pela surdez. Referências BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L.T. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. BONALS, J; SANCHES-CANO, M. (org.). Avaliação psicopedagógica. Tradução Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2008. BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente (ECA). Lei nº 8.069/90 de 13 de julho de 1990. BRASIL. Lei 9394 de 24 de dezembro de 1996. COHN, C. Antropologia da criança. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 2005. 57 p. (Coleção Passo-a-Passo). DAMÁZIO, M. F. M; SILVA, A; LIMA, C. 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ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 RINALDI, G; et. al. A educação dos surdos. Brasília: MEC/ SEESP, 1997. Vol II. (Séries Atualidades Pedagógicas; n. 4). ______. Deficiência auditiva. Brasília: MEC/ SEESP, 1997. Vol I. (Séries Atualidades Pedagógicas; n. 4). REDONDO, M. C. F; CARVALHO, J. M. Deficiência auditiva. Brasília: MEC. Secretaria de Educação a Distância, 2000. (Cadernos TV Escola). SALLES, H. M. M. L; et. al. Ensino de língua portuguesa para surdos: caminhos para a prática pedagógica. Brasília: MEC, SEEESP, 2004. 2 v. (Programa Nacional de Apoio à Educação dos Surdos). SOARES, M. A. L. A educação do surdo no Brasil. Campinas, SP: Autores Associados; Bragança Paulista: EDUSF, 1999. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 SÍNDROME HIPERTENSIVA E SUAS COMPLICAÇÕES NO PUERPÉRIO: Revisão integrativa da literatura* Camila Mirella Rocha Donato ¹ Daiana Gonçalves Machado ² Monnik Viana Marques³ Larissa Silva De Abreu Rodrigues4 4 ¹²³Alunas do Curso de Enfermagem da UNEB/Departamento de Educação Campus XII. Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da UFBA. Professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) Departamento de Educação Campus XII: Guanambi-BA e da Faculdade Guanambi (FG). __________________________________________________________________ RESUMO Considerando as síndromes hipertensivas na gestação como uma das principais causas de mortes materno-fetais, o estudo em questão, buscou averiguar o conteúdo já existente na literatura brasileira sobre essas síndromes, sua interferência na gestação e complicações no puerpério, como também medidas de prevenção dessas doenças. Tratase de uma pesquisa de revisão integrativa de literatura da base de dados da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS). Realizou-se análise de artigos da literatura brasileira, publicados no período de 1986 a 2010, que tivessem em seu conteúdo informações sobre as complicações decorrentes das síndromes hipertensivas, bem como a maneira adequada de se evitar estas patologias ou controlar a ocorrência de suas intercorrências no processo gestacional/puerpério. Selecionando-se aqueles que após a leitura dos resumos se adequaram com o tema e o objetivo proposto pelo presente estudo. A partir da leitura pormenorizada dos artigos que compõem a amostra desse estudo, elaborou-se um quadro sinóptico com a síntese dos artigos que atenderam aos critérios de inclusão da revisão integrativa, obtendo-se assim, os resultados. Os resultados dessa pesquisa evidenciaram poucos estudos sobre o referido tema, apesar da importância e de suas conseqüências serem devastadora no processo gestação-puerpério. Diante da necessidade de diminuir o alto índice de mortalidade de mulheres em idade fértil, a assistência pré-natal eficiente tem sido apontada como uma ferramenta imprescindível no processo de diminuição de morbi-mortalidade quando oferecida em quantidade e qualidade adequadas. Palavras-chave: Complicações Puerperais, Síndrome hipertensiva, Pré-Natal. INTRODUÇÃO Síndromes hipertensivas na gestação são definidas e classificadas em: Hipertensão Gestacional, caracterizada por pressão arterial (PA) maior do que 140 x 90 Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 mmHg; Pré-eclâmpsia: PA maior do que 140 x 90 mmHg diagnosticada após 20 semanas de gestação associada à proteinúria maior do que 300 mg/24 horas; Hipertensão Arterial Crônica: PA maior do que 140 x 90 mmHg diagnosticada antes da gestação ou antes de 20ª semana e Eclâmpsia, definida por convulsão que não pode ser atribuída a outras causas, em mulheres com pré-eclâmpsia (OLIVEIRA, et al., 2006). Identificar essas diversas formas de manifestação da síndrome hipertensiva, seu tratamento, sua prevalência e incidência, ajuda a diferenciá-la de outras patologias, bem como prevenir futuras complicações para mãe e seu filho. As complicações fetais podem está relacionadas à redução do suprimento de oxigênio e nutrientes, enquanto as maternas a edema pulmonar e hipertensão arterial sistêmica crônica (FERRÃO, et al., 2006; CARVALHO, et al., 2006; MELO, et al., 2009). Corroborando com esses autores Angonesi e Polato (2007), destacaram ainda que, a mortalidade materna é prevalente em cerca de 60% a 86% e a fetal em 56% a 75%. Para Saviato et. al. (2008) a mortalidade materna representa um indicador da mulher ao seu acesso à assistência à saúde e a adequação do sistema de assistência à saúde em responder às suas necessidades. Nesse sentido, o acompanhamento à mulher desde o pré-natal ao puerpério (período que vai do instante após o parto até a anatomia da mulher voltar ao seu estado pré-gravídico), deve constar de um número ideal de consultas de pré-natal e de prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças intercorrentes da gestação, principalmente quando se trata de gravidez com risco devido à presença de síndromes hipertensivas (CALDERON, CECATTI, PEREIRA, 2006; MELO, et al., 2009). Diante do exposto, o objetivo deste estudo consiste em averiguar o conteúdo já existente na literatura brasileira sobre as síndromes hipertensivas, sua interferência na gestação e complicações no puerpério, como também medidas de prevenção dessas doenças. Justificando-se pela importância de sistematizar o conhecimento sobre a definição e os fundamentos terapêuticos para o cuidar das gestantes com síndromes hipertensivas gestacionais. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Trata-se de uma pesquisa de revisão interativa de literatura, devido a sua característica predominante que é um amplo levantamento bibliográfico. Pelo seu Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 delinemaneto metodológico do estudo, procedeu-se com coleta de dados a partir de fontes secundárias (SOUZA, SILVA, CARVALHO, 2010). Para acesso aos artigos que compuseram a amostra da presente revisão utilizou se a base de dados da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) que organiza a informação em uma estrutura que integra e interconecta varias bases de dados referenciais, como SciELO (Scientific Electronic Library Online), LILACS ( Literatura Latino- Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), MEDLINE ( Literatura Internacional em Ciências da Saúde) (CENTRO LATINO-AMERICANO E DO CARIBE DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE, 1967). Para identificação dos textos relacionados ao tema pesquisado, foram utilizadas os seguintes descritores: Complicações Puerpério, Hipertensão, Síndrome de Hellp, Eclampsia, Pré-eclampsia, Hipertensão Induzida pela Gestação e Puerpério. Após procedeu-se a delimitação da amostra a partir dos seguintes critérios de inclusão: artigos de literatura brasileira, com os resumos disponíveis, com texto completo disponível on line que versam sobre complicações decorrentes das síndromes hipertensivas e publicados no período entre 1986 a 2010; sendo a amostra constituída de 14 artigos. RESULTADOS E DISCUSSÂO Os resultados dessa pesquisa são sistematizados abaixo e evidenciam a produção científica brasileira sobre as síndromes hipertensivas, sua interferência na gestação e complicações no puerpério, como também medidas de prevenção dessas doenças. As Síndromes hipertensivas consistem no resultado da má adaptação do organismo materno a gravidez, classificando-se em: Hipertensão gestacional, presença de hipertensão arterial transitória na gravidez, sem proteinúria e normalização da pressão arterial após a 12ª semana de gestação; Pré-eclâmpsia, forma não convulsiva marcado pelo início da hipertensão aguda após a vigésima semana de gestação e Eclâmpsia, distúrbio hipertensivo gestacional que se caracteriza pelos episódios convulsivos (ANGONESI, POLATO; 2007). Para Novo e Gianini (2010), a eclâmpsia pode se apresentar de forma isolada ou associada à hipertensão arterial materna preexistente, sendo a forma mais grave dos distúrbios hipertensivos. Dentre as diversas complicações dos distúrbios hipertensivos encontra-se a Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Síndrome de HELPP caracterizada por: (H) hemólise, (EL) enzimas hepáticas elevadas e (LP) baixa contagem de plaquetas. Essa síndrome pode levar a insuficiência cardíaca e pulmonar, insuficiência renal aguda e síndrome da angustia respiratória (ANGONESI, POLATO; 2007). Em conformidade, Novo e Gianini (2010) mostram em seus relatos que mesmo com o decorrer dos anos a hipertensão é a principal complicação da gravidez e de morte materna e consideram ainda que a má qualidade na assistência tanto no pré-natal quanto no ambiente hospitalar durante e após o parto é um dos determinantes para este índice. De fato, espera-se que, quanto melhor equipado e estruturado o serviço de saúde de um determinado local, menor sejam seus índices de mortalidade materna e fetal, no qual a gestante é orientada e esclarecida em relação à gestação e as possíveis complicações desse período (HADDAD; SILVA, 2000). Sirqueira, Tanaka (1986) e Laurenti, et al. (1990), afirmam ainda que, aumento da mortalidade materna relacionado a hipertensão arterial está relacionado a problemas na assistência pré-natal (ausência de pré-natal, inscrição tardia e até má qualidade de assistência). Essa mortalidade aumentou genericamente com o aumento das faixas etárias, onde de 10 a 29 anos, predominaram as causas externas; de 30 a 39 anos, predominaram as neoplasias e no de 40 a 49 anos, as doenças do aparelho circulatório (ALBUQUERQUE, et al., 1998). Diante disso, as medidas de controle para a Síndrome Hipertensiva concentram-se no diagnóstico precoce e identificação de seus fatores de risco, dando maior significância ao período pré-natal e ao puerpério (OBA, TAVARES; 2001). CONCLUSÃO Percebeu-se através dessa pesquisa a escassez de estudos sobre o objeto investigado, apesar da importância e de suas conseqüências serem devastadora no processo gestação-puerperio. A maior parte dos estudos sobre pré-eclâmpsia concentram-se no período pré-parto (MELO, 2009; FERRÃO, et al, 2006; AMORIM, et al., 2008). Observou-se, ainda, a partir da análise dos resultado, uma ênfase dos autores na imprescindível assistência pré-natal eficiente, já que esta é uma alavanca chave no Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 processo de diminuição de morbi-mortalidade quando oferecida em quantidade e qualidade adequadas. Portanto, para diminuir o alto índice de mortalidade materna/fetal é preciso garantir a estas o acesso a saúde integral, igualitária e universal, com a necessidade da implementação das políticas de saúde já existentes. REFERÊNCIAS ANGONESI, J.; POLATO, A. Doença Hipertensiva Específica da Gestação (DHEG), incidência à evolução para a Síndrome de HELLP. Revista Brasileira de Análises clínicas, vol. 39, p. 243-245, 2007. Disponível em: http://www.sbac.org.br/pt/pdfs/rbac/rbac_39_04/rbac_39_04_01.pdf. Acesso em: 13 de set. de 2010. ALBUQUERQUE, R. M., et al. Causas e fatores associados à mortalidade de mulheres em idade reprodutiva em Recife, Brasil . Cad. Saúde Públ. Rio de Janeiro, 14 (Supl. 1): 41-48, 1998. 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ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 DESAFIOS NA APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS EM SITUAÇÃO DE RISCO E VULNERABILIDADE Di Paula Ferreira Prado Stela Regina Montalvão de Oliveira Tatiana de Cássia Boa Sorte Viana Pereira 1 Orientadora: Profª. Dra. Débora Alves Feitosa 2 Resumo Neste trabalho, será abordada a realidade das crianças em situação de risco e vulnerabilidade que são encaminhadas à casa de Passagem de Guanambi, nas suas respectivas escolas. Buscar-se-á identificar as ocorrências que levam esses pequenos seres a esta instituição, tendo como premissa básica conhecer, analisar e compreender o processo de aprendizagem dessas crianças, que desde cedo tem uma trajetória escolar conturbada e interrompida, pois sobrevivem em situações adversas. Entende-se que situação de risco seja a condição de crianças que por suas circunstâncias de vida estão expostas à violência doméstica, criminalidade, prostituição, abusos, maus-tratos, abandono, e a um conjunto de experiências relacionadas às privações de ordem afetiva, cultural e socioeconômica, que desfavorecem o desenvolvimento físico e psicossocial, traduzidos por dificuldades na freqüência e no aproveitamento escolar. Isso nos levou aos questionamentos necessários para entender melhor à realidade dessas crianças oriundas de estruturas familiares tão diferentes e destoantes do padrão social vigente, órfãs de pais vivos ou não. A compreensão dos dados fundamentar-se-á nos pressupostos da abordagem qualitativa, utilizando-se a pesquisa bibliográfica, a observação e entrevistas como suporte técnico-metodológico, em que a sala de aula será ambiente propício para se colher dados relevantes. Assim, apreender essa situação passa a significar uma das possibilidades para que o ser humano continue sendo sujeito crítico da história que constrói, que luta pelo direito de ser criança em suas especificidades. Ressalta-se a importância da participação dessas crianças no contexto sociocultural em que vivem, com vistas a desenvolver suas potencialidades e para terem autonomia sobre suas próprias vidas. Dessa forma, cabe ao educador refletir sobre suas práticas no processo ensino-aprendizagem de crianças em situação de risco e vulnerabilidade, cujas experiências externadas no espaço escolar se transformam num desafio constante para o cumprimento da escola na sua missão formativa, educativa e socializadora. Palavras - Chave: crianças, situação de risco, vulnerabilidade, aprendizagem. Introdução 1 Alunas do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia - UNEB, Departamento de Educação - Campus XII 2 No período em que foi realizado o estudo a Professora era lotada na UNEB – Campus XII. Atualmente é professora da UFRB. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Esta pesquisa surgiu devido à necessidade de conhecer, analisar e compreender o processo de aprendizagem das crianças que são atendidas na Casa de Passagem de Guanambi, localizada à Rua Santa Maria, no Bairro Alto Caiçara. Essa instituição é filantrópica, sem fins lucrativos, e tem como prioridade acolher crianças em situação de risco encaminhadas pelo Conselho Tutelar por período determinado, oferecendo-lhes os direitos básicos estipulados, como: moradia, alimentação equilibrada, assistência à saúde, dentre outros. Isso nos levou aos questionamentos necessários para entender melhor à realidade dessas crianças, considerando que esta situação de risco acaba se traduzindo por dificuldades na frequência e no aproveitamento escolar. Tendo em vista que estas crianças enfrentam um conjunto de experiências relacionadas às privações de ordem afetiva, cultural e sócio-econômica, necessitando de acompanhamento pedagógico e psicológico, pois tais condições acabam prejudicando o seu desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicológico. Nesse sentido, considerando os desafios que envolvem a proposição da pesquisa, levantamos para nortear o processo de investigação e análise da aprendizagem das crianças envolvidas, algumas questões como: qual o perfil dessas crianças; qual a participação da instituição na inserção dessas crianças na escola; quais as relações entre as crianças atendidas na Casa de passagem e a comunidade escolar em que foram inseridas e se possuem algum tipo de acompanhamento pedagógico. Tendo como objetivo observar o cotidiano das crianças na Casa de Passagem e nas respectivas escolas e descrever e analisar o processo de aprendizagem das mesmas. Destaca-se o conceito de situação de risco de Lescher (2004, p.11), ―entende-se a condição de crianças que, por suas circunstâncias de vida, estão expostas à violência, ao uso de drogas e a um conjunto de experiências relacionadas às privações de ordem afetiva, cultural e socioeconômica que desfavorecem o pleno desenvolvimento biopsico-social‖. Muitas famílias não têm cuidado e educado as crianças como deveriam, colocando-as, muitas vezes, em circunstâncias adversas e perigosas, devido aos múltiplos problemas e à situação de vulnerabilidade em que se encontram isso tudo como reflexo do contexto brasileiro que é marcado pela extrema desigualdade social. As concepções de criança e infância Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 A concepção de infância que vem se constituindo historicamente, não se apresenta de forma homogênea, mas de acordo com a organização de cada sociedade e as suas estruturas sociais e econômicas em vigor. Assim, as idéias a respeito do desenvolvimento infantil, da educação e do cuidado com as crianças, modificam-se ao longo da sua história. Para Corazza (2002, p. 81) as crianças são as grandes ausentes da história simplesmente porque, ―no chamado passado, da antiguidade à idade média, não existia este objeto discursivo a que chamamos infância, nem essa figura social e cultural chamada criança‖. Na realidade, as especificidades da criança, suas particularidades e toda sua originalidade de conceber o mundo não eram analisadas nem reconhecidas pela figura do adulto. A pesquisa sobre a história da infância brasileira começa com o aparecimento do trabalho de Ariés (1978) sobre a natureza histórica e social da criança, quando se percebe um sério esforço para consolidar uma visão da criança como cidadã, sujeito criativo e social, produtora da cultura e da história considerando os aspectos sociais, culturais e políticos que interferiram na formação da nação. Para Bazílio (2003) o tema da infância tem estado presente no Brasil há algum tempo, não só nas discussões teóricas, mas também nas políticas públicas e nas lutas dos movimentos sociais que sem dúvida, conseguiram várias conquistas no plano legal – o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – para tornar fato o preceito constitucional: crianças e adolescentes são cidadãos de direitos. Ao abordar essas questões Farias (2005, p. 48) afirma que ―independente de classe social, etnia ou gênero todos os sujeitos em desenvolvimento – as crianças – tem direitos inalienáveis e intransferíveis, direitos que devem, democraticamente, ser legitimados nos diferentes contextos, através da sua plena concretização‖. No entanto, observa-se que para muitas crianças, o tempo de infância tem sido encurtado, em virtude das circunstâncias em que vivem. Foi necessária uma longa caminhada histórica para que as crianças fossem percebidas em sua plenitude. Portanto, na sociedade contemporânea, a infância é ressignificada e reconhecida como um tempo de direitos na vida das crianças. Dornelles Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia (2005) faz uma abordagem moderna do conceito de infância colocando-a como uma época de individualização da criança como sujeito infantil, que tem suas singularidades e particularidades, como a necessidade de ter tempos e espaços diferenciados para a sua escolarização. O contexto histórico da educação e do atendimento à criança no Brasil A situação que mostramos as nossas crianças é violenta e hostil. Educamos não para a solidariedade e igualdade, mas para a competição, o preconceito e hostilidade. As crianças são educadas com imagens de violência em todas as esferas da sociedade, guerras, conflitos, desigualdades entre os povos, intolerância, indiferença e violação contra os direitos humanos. Contrapondo-se à visão generalista da modernidade que tenta, num jogo de poder, naturalizar a idéia de uma infância idealizada, ingênua, única e universal, Dornelles (2005) aborda uma concepção de infância mais ampla, com características e modos de vida diversificados, numa análise histórica e social, de poder e saber, de infâncias que se perdem, na tentativa de formar um indivíduo para um mundo que se torna cada vez mais complexo e complicado. Pela análise do contexto histórico da educação e do atendimento à criança no Brasil, observam-se práticas discriminatórias de atendimento por região ou classe social, além do fato de que a educação infantil e o ensino elementar foram deixados em segundo plano. Ao tratar desse assunto, Farias (2005, p. 47), afirma que: ―No contexto de uma educação elitizadora, muitos ficavam fora do processo de escolarização. Dessa forma, não só os negros, as mulheres e as populações desfavorecidas (à margem do modo de produção colonial) se encontravam apartados do campo educacional. A criança de zero a seis anos também não tinha acesso às escolas, até porque não existiam escolas para essa faixa etária e esse assunto sequer era cogitado‖. Percebe-se pelos relatos da história das crianças, que as pertencentes às classes menos favorecidas sempre foram excluídas da vida social e escolar, ao longo do tempo foram vítimas das mazelas de uma sociedade excludente. Os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Nessa perspectiva, Cohn (2005) ao discorrer sobre as implicações da antropologia da criança, analisa a educação e os processos de aprendizagem dessa criança, pesquisando suas modalidades, lugares e inter-relações com o meio, pois neste processo, há uma diversidade de experiências culturais que precisam ser observadas, considerando as capacidades de aprendizagem e competências de cada uma, pois há crianças menos atuantes na elaboração dos sentidos e outras que são mais ativas na construção de conhecimentos. Para Cohn, as concepções do que é ser criança, do desenvolvimento e da capacidade de aprender devem ser entendidas de maneira interligada, pois fundamentam a aprendizagem escolar. Defende ainda, que o cotidiano de uma escola deva ser abordado em uma pesquisa sobre crianças para compreender as escolas e as pedagogias, pois as crianças não apenas se submetem ao ensino, mas também criam sentidos e atuam sobre o que vivenciam. Atualmente reconhece-se a criança como sujeito ativo e atuante, produtor, mais que receptor da cultura. (COHN, 2005). A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo, segundo Bock (1999) envolve aspectos cognitivos, emocionais, orgânicos, psicossociais e culturais, e é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos, bem como da transferência destes para novas situações. Assim, a estrutura cognitiva do aluno tem que ser levada em conta no processo de aprendizagem, pois os conhecimentos que apresenta e que correspondem a um percurso de aprendizagem contínuo são fundamentais na aprendizagem de novos conhecimentos. Outra influência relevante para os estudos que envolvem o desenvolvimento da criança, foram as contribuições de Piaget (1975) enfatizando que o sujeito é o principal agente no processo de desenvolvimento, pois a aprendizagem depende da ação do sujeito no ambiente e da organização interna dessa experiência. Desse modo, para organizar seu conhecimento, o indivíduo se baseia em suas aprendizagens anteriores, relacionando o que já sabe ao que está aprendendo. Metodologia Para a realização desse estudo, optou-se pela pesquisa qualitativa com caráter Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 descritivo e exploratório por considerar a aproximação que se estabelece com o objeto de pesquisa e a interpretação e descrição dos fenômenos que são observados em situações reais. Inicialmente houve uma observação prévia na qual foi detectado esse problema. Fez-se um levantamento e estudo bibliográfico a respeito, com obras atuais e consagrados autores envolvidos com o processo de ensino-aprendizagem. Construídas as reflexões sobre o tema, passou-se então à segunda etapa da pesquisa: o trabalho de campo. Os dados estão sendo coletados a partir de anotações das observações e conversas informais e entrevistas com funcionários e crianças da Casa de Passagem e professores das escolas em que estudam; e finalmente será feito o confronto entre as observações coletadas e a interpretação obtida das obras anteriormente selecionadas. Será feito ainda o acompanhamento do desenvolvimento dessas crianças no desenrolar da pesquisa. Apesar dos grandes avanços das tecnologias e as contribuições das leis no Brasil, ainda convivemos com a realidade de crianças que vivem em situação de risco e vulnerabilidade, traduzidos por dificuldades de aprendizagem, nas condições de saúde, nas relações afetivas consigo mesmo, com sua família, com a sociedade e com o mundo, tendo como consequência uma vida marcada pela violência e conflitos com a lei. Ainda que a Psicologia tenha muitos estudos e conhecimento sobre crianças em geral, há uma grande lacuna quando se focaliza sujeitos em situação de risco pessoal e social, uma vez que faltam pesquisas e modelos teóricos sobre o desenvolvimento de crianças que vivem em situação de miséria ou que fazem parte de minorias marginalizadas. No Brasil, esta situação tem o agravante do grande número de desigualdades sociais, o que leva a aumentar, cada vez mais, a quantidade de crianças expostas aos riscos provocados por estes problemas. É fundamental que a criança seja encarada como uma prioridade na política educacional através da definição de um conjunto de soluções inovadoras, de práticas pedagógicas, familiares e comunitárias mais eficazes e adaptadas às diversas necessidades educativas, almejando a equidade para ajudar a superar as injustiças sociais que frequentemente implicam o insucesso, o abandono e a exclusão escolar e social. Ao estudar a criança de maneira ampla, respeitando suas especificidades e particularidades, pode-se compreendê-la como um ser social e construtor de conhecimentos. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Referências ARIÈS, P. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1978. BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L.T. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente (ECA). Lei nº 8.069/90 de 13 de julho de 1990. COHN, C.. Antropologia da criança. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 2005. 57 p. (Coleção Passo-a-Passo). DEL PRIORE, M. (org.). História das crianças no Brasil. 5. ed. São Paulo: Contexto, 2006. DORNELLES, L. V. Infâncias que nos escapam: da criança na rua à criança cyber. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005. (Coleção Infância e Educação). FARIAS, M. Infância e educação no Brasil nascente. IN: VASCONCELLOS, V. M. R. (org.). Educação da infância: história e política. Rio de Janeiro: DP&A, 2005. KRAMER, S. De que professor precisamos para a Educação Infantil? Pátio Educação Infantil, Porto Alegre, ano I nº. 2. 10-13: Uma pergunta várias respostas. Agosto/novembro, 2003. LUDKE, M.; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986. MOREIRA, D. A. O método fenomenológico na pesquisa. São Paulo: Thomson Pioneira, 2002. NUNES, D. G. Reconhecimento social da infância no Brasil: da maioridade à cidadania. IN: VASCONCELLOS, V. M. R. (org.). Educação da infância: história e política. Rio de Janeiro: DP&A, 2005. PIAGET, J. Psicologia da inteligência. Rio de Janeiro: Zahar, 1978 Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Meio Ambiente e uso consciente dos recursos naturais na formação dos alunos enquanto cidadãos Marizângela Ribeiro dos Santos 1 Francineide de Jesus Pereira 2 Resumo Aprender e ensinar ciências é um desafio e deve permitir a exploração do ambiente e da ampliação do conhecimento sobre o mundo, não é adquirindo, lendo ou ouvindo o professor, mas agindo sobre o meio a partir da perspectiva dos alunos: observando, descrevendo, investigando e compartilhando explicações, dúvidas e controvérsias com seus colegas. O aprendizado deve ser uma aventura estimulante que leve a compreender que a investigação científica não é uma mera coleção de fatos desconexos, mas sim a produção de esquemas conceituais amplos promovendo um ambiente amigável e pacífico, fazendo com que o aluno sinta-se acolhido e responda de maneira favorável ao ensino. Segundo Piaget é de extrema importância se trabalhar com coisas que existem no concreto, de contextualizar os conteúdos estudados e de estabelecer uma relação mais próxima com os alunos. O PCN das Ciências Naturais tem como objetivo; “Compreender a natureza como um todo dinâmico, sendo o ser humano parte integrante e agente de transformações do mundo em que vive; Identificar relações entre conhecimento científico, produção de tecnologia e condições de vida, no mundo de hoje e em sua evolução histórica; colocando em prática conceitos, procedimentos e atitudes desenvolvidos no aprendizado escolar [...] Compreender a saúde como bem individual e comum...” Considerando os objetivos da educação, principalmente dando condições para o exercício pleno da cidadania, um mínimo de formação básica em Ciências deve ser desenvolvido, de modo a fornecer instrumentos que possibilitem uma melhor compreensão da sociedade em que vivemos. Assim encaramos o conhecimento mínimo em Ciências como necessário para a formação cultural de qualquer cidadão, estruturando-se e criando domínio sobre o desenvolvimento tecnológico. 1 Discente do Curso de Licenciatura em Química do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano – Campus Guanambi. [email protected] 2 Professora Mestre em Educação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano – Campus Guanambi. [email protected]; Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 DEDC XII Palavras – Chaves: aprender ciências; 1. INTRODUÇÃO Este trabalho foi realizado na Escola Agrícola de Ceraíma, localizada no Núcleo de Ceraíma na cidade de Guanambi – Ba. Os sujeitos do nosso trabalho foram alunos das turmas de 5ª série do Ensino Fundamental, professores de Ciências das turmas de 5ª série do Ensino Fundamental; funcionários da instituição e comunidade externa. Com a preocupação de contemplar questões relacionadas ao meio em que o aluno está inserido de forma participativa, propõe-se a conscientização do uso dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente, na formação dos alunos, a partir da discussão da temática “o meio ambiente e o uso consciente dos recursos naturais na formação dos alunos enquanto cidadãos”, visto que o ser humano necessita de vivência social e educativa. Dentre essas discussões, destacam-se temáticas relacionadas com o caráter e dignidade, a importância da escola na formação do cidadão, sem esquecer que o sustento vem da terra. Partindo do princípio que a educação ambiental é um processo longo e contínuo, e mudar isso não é fácil, acreditamos que antes de tudo devemos primeiro mudar nossos hábitos e atitudes, uma vez que a mudança deve ser espontânea e vir de dentro, para que ela possa de fato ocorrer. Muitas situações estão distantes fisicamente, mas influenciam na manutenção dos seres vivos. Por isso, a importância de pequenos atos em nossas casas e escolas é imprescindível para que a mudança ocorra. 3. OBJETIVOS 3.1 OBJETIVO GERAL Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Estimular a mudança de atitudes para formação de novos hábitos com relação à utilização dos recursos naturais e a reflexão sobre a responsabilidade ética de nossa espécie e o próprio planeta como um todo, para que a sociedade possua um ambiente sustentável, garantindo a vida no planeta, dando ênfase às relações interpessoais. 3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) Incentivar e promover o trabalho coletivo e a cooperação entre os alunos e os professores, entre a escola e a comunidade, para transformação humana e social, alcançando a preservação e a recuperação do ecossistema; b) Observar e analisar fatos e situações de todos os tipos de poluição do ponto de vista ambiental, de modo crítico, reconhecendo as necessidades oportunidades de atuar de modo propositivo para garantir um meio ambiente saudável e a boa qualidade de vida; c) Capacitar os alunos para plantar, preservar e recuperar áreas verdes na escola e comunidade, visando formar cidadãos que interagem e participem de forma ativa na recuperação do meio ambiente; d) Participar de ações sociais que resgatem valores humanos como respeito pela vida, responsabilidade, solidariedade, amizade e ética. 4. METODOLOGIA A oficina pedagógica que tem como tema “O Ciclo da água e contaminação” ministrada pelos graduandos de Licenciatura em Química do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano será direcionada as alunos da 5ª série do Ensino Fundamental da Escola Agrícola de Ceraíma, localizada em Ceraíma zona rural da cidade de Guanambi - Bahia, aos vinte e sente dias do mês de outubro do corrente ano. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII A oficina se dará em dois momentos, no primeiro momento ocorrerá a apresentação dos ministrantes e ministrados através da dinâmica do presente que tem como objetivo trabalhar a atenção, a observação, o desapego, a sinceridade, a emoção de dar e repartir um bem recebido, demonstrando o intuito de construir um mundo mais solidário, mais humano e, a distribuição dos crachás de identificação. Em seguida, o tema da oficina será apresentado através de um vídeo que explica como ocorre o ciclo da água, paralelo às explicações dos ministrantes. Para que os alunos compreendam o ciclo das águas e como ele ocorre na natureza, faremos um painel das sensações, no qual os alunos terão contato com a água em seus três estados (sólido, líquido e gasoso) através do toque, para que observem e sintam as mudanças ocorridas com a água. Logo após será realizado um questionário dinâmico, utilizando uma árvore de balões, com perguntas relacionadas ao conteúdo apresentado anteriormente. Cada aluno irá até a árvore e deverá estourar um balão e responder à pergunta contida dentro do mesmo, podendo ser respondida individualmente ou com a ajuda dos outros ministrados. Caso a dinâmica termine antes do horário do intervalo para o almoço, os alunos confeccionarão cartazes sobre o ciclo das águas. O segundo momento será realizado no turno vespertino, terá início com a dramatização do texto Gênese, de Klaus Dessecker, que será contado inversamente (ver texto em anexo). Ao término da dramatização será apresentado um vídeo sobre a contaminação da água, suas consequências e higiene pessoal. A última etapa da oficina pedagógica será a construção de um terrário (ver montagem em anexo). O terrário imita o Meio Ambiente das plantas e realiza na sua pequena área o ciclo das águas. Com o aumento da temperatura, a água usada para regar o solo evapora, e se junta à água proveniente da transpiração das plantas, formando uma concentração de vapor de água. No ambiente fechado, este vapor condensa-se e em pequenas gotas, que retorna para irrigar novamente o solo e tudo começa outra vez. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII Com a construção do terrário e observando a formação das gotículas de água, o aluno terá uma prova visível e constatativa do ciclo das águas. A culminância da oficina dar-se-á com a confecção de um mural, no qual os participantes usarão a criatividade e conhecimento adquirido durante as discussões para ilustrar o que compreenderam do tema “Ciclo da água e contaminação”. 5. RESULTADOS Após a realização da oficina promovemos as seguintes atividades: Campanhas para a diminuição do uso de veículos, de embalagens plásticas, etc.; Parada da consciência ambiental: carros na garagem, pessoas na rua a pé ou de bicicleta; Lançamento da primeira edição do jornal e pedágio da consciência ambiental; Culminância do projeto: feira pedagógica, apresentações e exposição do material produzido nas oficinas; Apresentação de peças teatrais com o objetivo de sensibilizar e conscientizar os indivíduos sobre a importância de preservar o meio ambiente. Ao fim deste trabalho de educação para o ambiente, oportunizaremos aos alunos e à população uma compreensão fundamental dos problemas existentes, da presença humana no ambiente, da sua responsabilidade e do seu papel crítico como cidadãos de um país e de um planeta. Desenvolveremos assim, as competências e valores que conduzirão a repensar e avaliar de outra maneira as suas atitudes diárias e as suas consequências no meio ambiente em que vivem. Como o aluno pode aprender o propósito do ambiente, os conteúdos Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII programáticos lecionados, tornar-se-ão uma das formas de tomada de consciência, mais agradáveis e de maior interesse para o aluno. 6. CONCLUSÃO/AVALIAÇÃO Espera-se que durante o desenvolvimento da prática pedagógica aplicada a educação ambiental coexista a relativa mudança de comportamento dos educandos na comunidade escolar e no exercício da cidadania, solidariedade e cooperação entre escola e comunidade. Visto que a interdisciplinaridade busca a reintegração do conhecimento voltado para a interdependência das diferentes disciplinas curriculares (SANTOMÉ, 1998). O mesmo se faz necessário com relação à compreensão das diferentes relações mantidas entre todos os seres vivos, daí a afirmativa de vários autores e inclusive do Edgar Morin (2001), de que a Ecologia é uma ciência interdisciplinar que necessita relacionar-se com outras ciências para compreender as interações existentes entre os seres na Biosfera. Desta maneira, a Educação Ambiental também não está dissociada da inter-relação entre as diferentes disciplinas, da interdisciplinaridade. Como afirma Casciano (1998), a Educação Ambiental não contém especificidade isolada, correspondente a uma transformação de toda a educação, a um fazer educação mais ampla. Na escola, os conteúdos de meio ambiente devem ser integrados ao currículo através da transversalidade, pois serão tratados nas diversas áreas do conhecimento, de modo a impregnar toda a prática educativa e, ao mesmo tempo criar uma visão global e abrangente da questão ambiental. Para que um trabalho com o tema meio ambiente possa atingir os objetivos a que se propõe, é necessário que toda a comunidade escolar (professores, funcionários, alunos e pais) assuma esses objetivos, pois eles se concretizarão em diversas ações que envolverão a todos, cada um na sua função. É desejável que a comunidade escolar possa refletir conjuntamente sobre o trabalho a ser implementado, sobre os objetivos que se pretendem atingir e sobre as formas Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 DEDC XII de se conseguir isso, esclarecendo o papel de cada um nessa tarefa. Portanto, o convívio escolar é decisivo na aprendizagem de valores sociais e o ambiente escolar é o espaço de atuação mais imediato para os alunos. 7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: ciências naturais. Brasília: MEC/SEF, 1997. 136p CASCINO, F. Educação Ambiental, Princípio, História, Formação de Professores. SENAC, São Paulo, 1998. MORIN, E. A Cabeça Bem Feita – Repensar a Reforma, Repensar o Pensamento. 5ª edição, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 2001. SANTOMÉ, J. Globalização e Interdisciplinaridade: O Currículo Integrado. Tradução: Cláudia Schiling. Artes Médicas, Porto Alegre, 1998. http://www.slideshare.net/denise/projeto-meio-ambiente. Acessado em 24/07/2010 às 20h46minh. http://proportoseguro.blogspot.com/2009/02/dinamica-o-presente.html. Acesso em 25/10/2010 às 08h30minh Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 DEDC XII ANÁLISE DO CONHECIMENTO ERGONÔMICO E NORMAS REGULAMENTADORAS DO TRABALHO. Maílla S. Silva1 Paloma C. Dias Regina de S. Fagundes Tauane F. S. Amaral Mauro C.R. Santos2 RESUMO O presente estudo discute sobre a importância em conhecer o nível de instrução e utilização dos conceitos ergonômicos e das Normas Regulamentadoras do Trabalho por parte dos profissionais de enfermagem para que se promova a saúde do trabalhador. Tem como objetivo analisar o conhecimento dos profissionais de enfermagem, os quais atuam nas Unidades de Saúde da Família (USF) do município de Guanambi-BA, sobre a ergonomia, as normas regulamentadoras do trabalho e sua aplicabilidade na prática. Utilizou-se uma metodologia quantitativa e a investigação foi operacionalizada através de umquestionário estruturado que serviu para análise dos dados coletados. Com essa análise observou-se que a maior parte dos profissionais de enfermagem participantes da pesquisa conhece principalmente a norma regulamentadora do trabalho NR15 (insalubridade) e ainda, não participam de programas de educação continuada sobre o tema, não identificado se os princípios da ergonomia são aplicados no seu ambiente de trabalho. A partir deste estudo verificou-se que os profissionais de enfermagem estão inseridos num ambiente de trabalho que oferece vários riscos e agravos á sua saúde. Entretanto ainda há dificuldade de reconhecer e aplicar os conhecimentos desta nova ciência em construção(ergonomia) tanto por parte da equipe de enfermagem, como pelas instituições nas quais trabalham estes profissionais. Palavras-Chaves: Ergonomia, Profissionais de enfermagem, Normas Regulamentadoras do Trabalho. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia 1 Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Acadêmicos de Bacharelado em Enfermagem da Universidade do Estado da Bahia- UNEB. 2 Professor Orientador da Universidade do Estado da Bahia. INTRODUÇÃO A aplicação dos princípios da ergonomia e das Normas Regulamentadoras do Trabalho é indispensável para a promoção da saúde dos profissionais de enfermagem, uma vez que esses realizam sua prática laboral num ambiente que oferece riscos á sua integridade física. Elucidando a importância dos profissionais da área da saúde tomar conhecimento acerca de quais NRT‘s são mais adequadas à proteção de sua saúde quando exercendo suas obrigações laborais. Dessa forma esta pesquisa tem a finalidade de perceber o grau de conhecimento da equipe de enfermagem que atua nas Unidades Básicas de Saúde do município de Guanambi-BA sobre a ergonomia e as normas Regulamentadoras do Trabalho.A investigação foi operacionalizada via questionário estruturado e pesquisa bibliográfica. REFERENCIAL TEÓRICO De acordo com Alexandre, a ergonomia é uma ciência que estuda a relação entre o homem e o seu ambiente de trabalho. Neste contexto, o termo ambiente abrange não só o meio no qual o homem trabalha, mas também os instrumentos, os métodos e a organização deste trabalho. O objetivo primordial da ergonomia é contribuir para a satisfação das necessidades humanas no ambiente de trabalho, incluindo a promoção da saúde e o bem-estar biopsicosocial. Portanto, um dos pontos básicos para que esses objetivos sejam alcançados é a realização de uma análise cuidadosa do trabalho, visando identificar os fatores de incompatibilidade no contexto de trabalho e suas conseqüências para o indivíduo. A análise crítica da ergonomia sobre as situações de trabalho visa à reorganização deste ambiente para que dele seja eliminado fontes de prejuízo, e elementos agressores que podem predispor à perda parcial ou total de qualquer fu nção vital, em curto, médio ou longo prazo. Alexandre (1998), afirma que várias Organizações internacionais e grupos de pesquisa vem destacando o pessoal de enfermagem como um grupo de risco em relação Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII ao desenvolvimento de doenças ocupacionais em destaque problemas dorsais e sugerem a utilização da ergonomia como estratégia fundamental de prevenção. A fim de garantir a proteção dos trabalhadores existem vinte e oito normas regulamentadoras que devem ser consideradas de forma inter-relacionada para que ocorra a proteção devida aos profissionais. Dentre essas, a Norma Regulamentadora 32, intitulada Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Assistência à Saúde é a mais abrangente no que concerne á proteção do profissional durante prática laboral. Ela estabelece as diretrizes básicas para implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral. Evangelinos & Marchetti (2003). Desta forma consideramos a aplicação dos princípios ergonômicos na Enfermagem harmônicos com a fase de desenvolvimento em que esta profissão se encontra, onde o corpo de conhecimento científico, embora ainda em formação, está sendo construído, para que o ambientede trabalho do enfermeiro assim como de todos os demais profissionais atuantes possa lhe proporcionar conforto e segurança para que haja uma redução dos agravos a saúde impossibilitando os trabalhadores de exercerem suas funções. Marziale (2000). METODOLOGIA Trata-se de um estudo quantitativo, realizado com questionário estruturado que tem como objetivo analisar o conhecimento sobre ergonomia e Normas Regulamentadoras do Trabalho. O universo desse estudo expressa o total de enfermeiros de nível superior, técnicos e auxiliares de enfermagem lotados em Unidades de Saúde da Família da zona urbana do município de Guanambi- BA, totalizando 46 trabalhadores aos quais foram feitos convites individuais para participarem deste estudo, assegurando o caráter sigiloso quanto à identificação dos respondentes e apresentando objetivo e método da investigação, respeitando-se as recomendações sobre ética em pesquisa. O levantamento bibliográfico foi realizado pela pesquisa exploratória de artigos Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 encontrados no banco de dados do site scielo utilizando as seguintes palavras-chaves: Ergonomia, Profissionais de enfermagem, Normas Regulamentadoras do Trabalho. A coleta de dados realizou-se com aplicação do instrumento após leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e esclarecido (TCLE) pelos respondentes. O questionário compreendeu 28 questões objetivas (algumas com subitens) de múltipla escolha abordando os seguintes dados: Relação profissional, mobiliários e estrutura física, EPI‘s (Equipamento de Proteção Individual), Normas Regulamentadoras, Condições Biopsicossocial e patologias mais freqüentes. A tabulação dos dados foi feita através da planilha no programa Microsoft Office Word Excel e sua análise baseou no artigo Riscos Ocupacionais em Saúde de Mauro et al (2004). RESULTADOS E DISCUSSÃO Com base na análise dos dados nota-se que os profissionais de enfermagem nem sempre estão atentos ás condições ergonômicas do seu ambiente de trabalho sendo que a maioria deles afirmou nunca ter participado de eventos de educação permanente sobre ergonomia principalmente pela falta de disponibilidade de eventos da área. Apesar da importância das Normas Regulamentadoras (NRs) na prática do exercício profissional foi observado que a grande parte da equipe de enfermagem não consulta o manual que consta as NRs e por isso eles podem ser prejudicados no que concerne aos direitos trabalhistas. A NR 15 que de acordo com Mauro et al (2004) dispõe sobre ―atividades e operações insalubres‖ e, assegura aos profissionais que estão susceptíveis á riscos físicos, químicos, biológicos e mecânicos da unidade hospitalar um adicional de insalubridade que gratifica o profissional que trabalha em um ambiente insalubre. Entretanto, o estudo mostrou que esta norma é uma das mais conhecidas entre as equipes de enfermagem pesquisadas, e isso talvez se justifique pela maior preocupação dos profissionais com o benefício financeiro. No entanto, existem NRs que se voltam mais para a proteção do trabalhador como a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), dentre outras. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Os técnicos especialistas em Higiene e Segurança do Trabalho são unânimes em colocar que o importante não é gratificar o trabalhador com o adicional de insalubridade ou de periculosidade, mas sim tornar o trabalhador e o ambiente absolutamente saudáveis. Mauro et al (2004:342) CONSIDERAÇÕES FINAIS Apesar das dificuldades encontradas para realização deste trabalho, pode-se verificar que os profissionais de enfermagem estão inseridos num ambiente de trabalho que oferece vários riscos e agravos á sua saúde e que a Ergonomia traz o conhecimento necessário para que estas condições sejam melhoradas. Entretanto, constatou-se que ainda há um reduzido grau de instrução dos profissionais a respeito do que vem a ser ergonomia, bem como as normas Regulamentadoras do Trabalho, além da ineficácia na educação continuada dos trabalhadores de enfermagem, de modo que essa, por sua vez, possibilitaria o conhecimento sobre os temas supracitados. Dessa forma, nota-se a importância da promoção da educação continuada, Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 DEDC XII através de cursos de extensão e palestras que contribuam para um maior conhecimento dos profissionais de enfermagem sobre ergonomia e NRs, para que assim possam cuidar de sua saúde se prevenindo dento do local de trabalho. REFERÊNCIAS ALEXANDRE, N.M.C. Aspectos ergonômicos relacionados com o ambiente e equipamentos hospitalares. Rev.latinoam.enfermagem, Ribeirão Preto, v. 6, n. 4, p. 103-109, outubro 1998. Disponível em < http//: www.scielo.com.br >Acessado em: 24/10/10. ALEXANDRE, N.M.C. Ergonomia e as ativividades ocupacionais da equipe de enfermagem. Rev.Esc.Enf.USP, v.32, n.1, p.84-90, abr. 1998. Disponível em < http//: www.scielo.com.br >Acessado em: 24/10/10. MARZIALE, M.H.P.; ROBAZZI, M.L.C.C. O trabalho de enfermagem e a ergonomia. Rev.latino-am.enfermagem, Ribeirão Preto, v. 8, n. 6, p. 124-127, dezembro 2000. Disponível em < http//: www.scielo.com.br >Acessado em: 20/10/10. MAURO M.Y.C; MUZI C.D; GUIMARÃES R.M; MAURO.C.C.C. Riscos ocupacionais em saúde. R Enferm UERJ 2004 12:338-45. Disponível em < http//: www.scielo.com.br >Acessado em: 22/10/10. ROBAZZI M.L.C.C; MARZIALE M.H. A Norma Regulamentadora 32 e suas implicações sobre os trabalhadores de enfermagem. Rev Latino-am Enfermagem 2004 setembro outubro; 12(5):834-6. Disponível em < http//: www.scielo.com.br >Acessado em: 29/10/10. PORTARIA MTE n.º 485, de 11 de Novembro de 2005 (DOU de 16/11/05 – Seção 1) Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 DEDC XII Fé e regeneração: percepções do processo de doença e cura entre os frequentadores de um centro espírita na cidade de Guanambi/BA. Jardelson Rocha Oliveira 1 Sandra Célia Coelho G. da S. S. de Oliveira 2 RESUMO O Espiritismo Kardecista tem destaque na área de pesquisa das ciências sociais e seu estudo pode favorecer consideravelmente a compreensão do poder que a religião exerce sobre os aspectos socioculturais do homem, uma vez que este possui influência nos campos da espiritualidade, da fé e da cura. Este artigo tem como finalidade divulgar os resultados da pesquisa realizada entre os freqüentadores de um centro espírita na Cidade de Guanambi-BA. O objetivo desta pesquisa foi compreender os motivos que levaram os freqüentadores deste centro espírita a crê que obtiveram a cura das suas patologias através da fé na doutrina, bem como, suas percepções acerca do processo de doença e cura. A metodologia que aplicamos na pesquisa teve como ponto de partida a visão dos entrevistados, dos pesquisadores e do espiritismo, por meio de uma abordagem quantiqualitativa. Os resultados desta pesquisa levaram-nos a perceber que muitas pessoas optam pelas terapias espirituais depois de passarem pelo tratamento na medicina convencional e não obter cura para as suas doenças. Os relatos contam com afirmações de cura para determinadas enfermidades como: alguns tipos de cânceres, hematofobia, colelitíase, dores nas articulações, loucura, dente outras. Todos os relatos foram cheios de afirmações quanto à contribuição relevante do espiritismo na cessação da doença. Palavras-chave: espiritismo, religião, cura. INTRODUÇÃO O interesse pelas questões que envolvem o sagrado acompanha o curso da historia humana através de épocas e culturas distintas. A valorização da religião e da espiritualidade e de suas práticas justifica-se pela sua relevância social e colaboração terapêutica como mediadores no processo saúde-doença. O envolvimento da religião em áreas relacionadas à saúde mental e física é merecedor de um maior aprofundamento científico para a sua validação. Entretanto, apenas recentemente, tem-se tornado objeto de estudos científicos passando a ser registrada com maior constância nos últimos anos. (FARIA e SEIDL, 2005; MOREIRA-ALMEIDA et al, 2010) 1 Graduando em enfermagem pela Universidade do Estado da Bahia – [email protected] 2 Professora, mestranda e orientadora da Universidade do Estado da Bahia – [email protected] Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Espiritualidade, Religião, e o processo saúde/doença. Religiosidade e espiritualidade mesmo relacionadas podem ser consideradas como duas vertentes diferentes. Religião é um sistema de símbolos que dispõe e motiva de forma poderosa e duradoura, e sugere a existência de um coletivo de crenças a que um indivíduo possa vir a fazer parte, adentrando um universo repousado sobre o sagrado e sobre a busca de sentidos envolvendo expressões de fé, participações em igrejas e sistematização de cultos e doutrinas, compartilhados por um grupo. Em contra partida a espiritualidade permite ser concebida como uma experiência pessoal com o intangível e com Deus. É um sentimento próprio, que provoca interesse por si mesmo e pelos outros que dá sentido à vida, adotando um conceito mais amplo que religião. (SILVA e SIQUEIRA, 2009, SAAD et al 2001). Ao se ver em meio ao adoecimento e a necessidade de cura, que debilita o homem, este busca através de representações simbólicas o significado para tais fenômenos perturbadores. Por muitas vezes o processo desencadeado por um quadro patológico pode se justificar ao ser inserido num complexo de relações entre a cau sa e o significado do adoecimento, bem como o merecimento e enfrentamento necessário para alcançar cura desta doença. Fé, Cura (regeneração) e Espiritismo. A se tratar de aspectos espiritualistas, acreditar é mais importante do que ter a comprovação de seus conceitos. Sendo assim, a confiabilidade na realização de uma coisa, e a determinação de atingir um fim, pode ser entendida como fé. Esta é apresentada como uma força superior, que se acredita e que não está necessariamente ligada a Deus, tampouco vinculada à participação nos rituais ou crenças de uma religião organizada específica. (SAAD, MASIERO e BATTISTELLA, 2001; PSSINE 2007). Este sentimento que se manifesta de maneira variável, pode estar ligado a questões emocionais com motivos e valores diferentes, podendo ser altivo e sublime, coletivo ou pessoal. Pode ter origem definida ou existir sem razão determinada. Com base nos contextos de fé e diante do panorama religioso cultural atual, sobressai-se a busca dos fiéis pelos benefícios oferecidos com objetivos terapêuticos, como as possibilidades de cura apresentada pelas religiões. Tal fenômeno leva à Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 reflexão sobre as noções de normal e patológico que habitam a ideologia dessas religiões e de seus adeptos, colaborando para o sucesso das práticas curativas oferecidas. (CERQUEIRA-SANTOS, KOLLER E PEREIRA, 2004) Ao refletir sobre o envolvimento entre doença, cura e religião, sugere-se começar pela etimologia da palavra cura. Curar em latim significa literalmente ―cuidar‖. O verbo curar/cuidar é muito apropriado para os casos de saúde/doença, pois expressa a idéia de atenção com a saúde antes da instalação da doença ou da deterioração do doente. (PAIVA, 2007). O Espiritismo enquanto meio de obtenção de cura. Em uma de suas obras Kardec (2002, pag. 05) veio a definir o espiritismo como ―uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal‖. É através das práticas terapêuticas que o espiritismo tem atraído cada vez mais pessoas que buscam nas terapias alternativas, o alívio para suas angústias e o alento para suas dores bem como, almejam a cura para doenças muitas vezes descritas como incuráveis em que houve o insucesso no tratamento através da medicina tradicional. O foco deste estudo, de caráter qualitativo e descritivo, está nas relações entre a religiosidade dos freqüentadores de um centro espírita na cidade de Guanambi-Ba e o processo doença/cura. Tentamos compreender as características dessas relações a partir dos relatos dos entrevistados, transmitindo para esse estudo, suas percepções a cerca do adoecimento e da influência do espiritismo na busca e na obtenção da cura. O depoimento oral foi o principal instrumento de pesquisa. Elaboramos entrevista semiestruturada, salientando tanto aspectos vivenciais dos entrevistados à doença, quanto suas visões religiosas ou não do processo doença/cura. Recolhemos relatos de pessoas que se submeteram a algum tipo de terapia espiritual vinculada ao espiritismo. Fora selecionado aleatoriamente um centro espírita assim como os sujeitos entrevistados. Procuramos pessoas que freqüentam costumeiramente a instituição e que se dispusera a nos relatar detalhadamente suas experiências. O universo da pesquisa está delimitado a 15 pessoas de ambos os sexos, com idades entre 26 e 72 anos. Pedimos que discorressem sobre alguns temas propostos tais como, tempo em que freqüentam Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 o espiritismo, as doenças das quais foram curados, a percepção sobre o adoecimento, os meios pelos quais se deu a cura, o porquê da certeza de que foi o espiritismo o mediador da cura e a percepção sobre o processo doença e cura. As entrevistas foram realizadas no mês de maio de 2010 e objetivo deste estudo foi perceber a importância do espiritismo para esses indivíduos, bem como identificar as terapias espirituais utilizadas e as percepções sobre o processo de doença e cura a que eles estiveram envolvidos. Para os entrevistados, tanto as enfermidades físicas quanto as de origem mental, são de cunho espiritual e se originam do desequilíbrio entre o corpo e a alma, resultante das alterações energéticas ocorridas em ambos. Este processo pode ser gerado pela interferência de fatores advindos de vidas passadas ou podem resultar da ausência da adoção de uma linha de pensamentos positivos para evitar o acumulo de energias negativas que adoecem o corpo. Dos entrevistados apenas 6,6% não se declarou espírita, e os demais (93,3%) utilizaram o termo ―espírita kardecista‖ para se denominarem. As doenças, cuja cura tem relação com o espiritismo, foram na sua grande maioria (46.6%) alguns tipos de câncer (de tireóide, de ovário, de útero e de próstata), seguido de hidrocefalia (6,6%), hematofobia (fobia de sangue) (6.6%), colelitíase (6.6%), dor no carpo com perda do movimento da mão (6.6%), dores nas articulações (13.3%), doença não diagnosticada nas pernas (6.6%) e loucura (13.3%). Dentre os meios de obtenção de cura e rituais adotados, foram citadas as preces e orações, água fluidificada, cirurgia espiritual presente e cirurgia espiritual à distância e as sessões de passe (sendo esta a mais utilizada 73,3%). Todos os relatos foram cheios de afirmações quanto à contribuição relevante do espiritismo na cessação da doença. Pôde-se perceber que a coincidência entre o período de tratamento espiritual e período em que as doenças foram curadas, bem como, a inexistência de uma justificativa médica satisfatória, somadas à fé e às explicações pré-estabelecidas pela doutrina espírita sobre o adoecimento, formaram um conjunto de argumentos mais utilizados para garantir que a cura foi de procedência espírita. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 CONSIDERAÇÕES FINAIS Entender os motivos que levam alguns homens a acreditarem que a cura possa advir de uma entidade imaterial é muito mais do que aceitar atuação de uma força estranha. Ao ouvir esse grupo de espíritas kardecistas, percebemos que o ser humano pode ser fruto das diversas formas de interferência das religiões que continuamente atuam na construção das atitudes humanas. Os fenômenos espirituais promovem neste grupo um entrelaçamento da espiritualidade com a religiosidade que culmina na mais pura demonstração de fé no sagrado. A procura pelo acolhimento religioso que se dá pelo coletivo, também se faz na intimidade com o mistério, em que os problemas são tratados com a instância espiritual no nível particular. REFERÊNCIAS CERQUEIRA-SANTOS, Elder; KOLLER, Sílvia Helena; PEREIRA, Maria Teresa Lisboa Nobre. Religião, saúde e cura: um estudo entre neopentecostais. Psicol. cienc. prof., Brasília, v. 24, n. 3, set. 2004 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid =S141498932004000300011&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 01 set. 2010. FARIA, Juliana Bernardes de; SEIDL, Eliane Maria Fleury. Religiosidade e enfrentamento em contextos de saúde e doença: revisão da literatura. Psicol. Reflex. Crit., Porto Alegre, v. 18, n. 3, Dec. 2005 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010279722005000300012&lng=en&nrm=iso>. access on 10 ago. 2010. KARDEC, ALLAN; O que é espiritismo; Isnt. Dif. Espírita; 50º ed. 2002. MOREIRA-ALMEIDA, Alexander et al . Envolvimento religioso e fatores sociodemográficos: resultados de um levantamento nacional no Brasil. Rev. psiquiatr. clín., São Paulo, v. 37, n. 1, Jan. 2010 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010160832010000100003&lng=en&nrm=iso>. access on 01 Sept. 2010. PAIVA, Geraldo José de. Religião, enfrentamento e cura: perspectivas psicológicas. Estud. psicol. (Campinas), Campinas, v. 24, n. 1, Mar. 2007 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103166X2007000100011&lng=en&nrm=iso>. access on 11 ago. 2010. PESSINI, Leo. A espiritualidade interpretada pelas ciências e pela saúde. O mundo da saúde: Bioética, saúde e espiritualidade. São Paulo, n. 2, ano 31, p. 187-195, abr./ jun. 2007. Disponível em http://www.saocamilo-sp.br/pdf/mundo_saude/53/06 _a_espiritualidade.pdf. Acesso em 05/09/2010 Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 SAAD, M.; MASIERO, D.; BATTISTELLA, L. Espiritualidade baseada em evidências. Acta Fisiátrica 8(3):107-112, 2001. Disponível em http://www.actafisiatrica.org.br/v1/controle/secure/Arquivos/AnexosArtigos/A3C65C29 74270FD093EE8A9BF8AE7D0B/vl_08_n_03_107_112.pdf. acessos em 11 ago. 2010. SILVA, Rogério Rodrigues da; SIQUEIRA, Deis. Espiritualidade, religião e trabalho no contexto organizacional. Psicol. estud., Maringá, v. 14, n. 3, Sept. 2009 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid =S1413-73722009000300017&lng=en&nrm=iso>. access on 10 Sept. 2010 Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 O JORNAL COMO INSTRUMENTO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DA LEITURA E ESCRITA Eliane Guimarães de Oliveira 1 RESUMO Com o objetivo de ressignificar as práticas de leitura e escrita na escola, planejamos e executamos o projeto: O Jornal como instrumento de intervenção pedagógica no processo de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita, que consiste basicamente em atividades que estimulam e valorizam a leitura e escrita dos nossos alunos, através do instrumento: jornal. Primeiro implantamos um jornal-mural e posteriormente um jornal editado, sendo todo o conteúdo desses portadores fruto de pesquisas, leitura com diferentes estratégias e escrita por parte de nossos educandos. O resultado desse projeto desenvolvido em 2008/2009 é a melhoria da nossa qualidade de ensino, com melhores índices de aproveitamento, maior desempenho em avaliação externa (IDEB) e o principal: a contribuição gradativa para a formação de uma cultura de leitores. Palavras – chaves: Jornal, práticas de leitura e escrita, ensino-aprendizagem. Introdução O Grupo Escolar Municipal Vereador João Farias Cotrim foi criado em 11 de maio de 1986, durante a gestão do prefeito Nilo Augusto de Morais e recebeu esse nome em homenagem ao Vereador João Farias Cotrim. A escola está situada na Avenida Tiradentes, s/n – Bairro Lagoinha, no Município de Guanambi, na região sudoeste da Bahia; o local onde está inserida a escola é um bairro residencial, com alguns comércios como: supermercados, lojas, padaria, borracharia... Atendemos alunos da Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental, nos turnos matutino e vespertino, e turmas de Educação de Jovens e Adultos no noturno. A escola tem sete salas de aula, uma biblioteca e um laboratório de informática (em fase de construção). Em 2008 tivemos cerca de 447 alunos, em 2009 400 e a matricula de 1 Graduada em Pedagogia e Especialista em Metodologia do Ensino Fundamental. Atualmente é Coordenadora Pedagógica da Rede Municipal de Ensino de Guanambi da Escola João Farias Cotrim e Analista Universitário na UNEB - Campus XII. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 2010 registra um total de 385 educandos (com sete salas de aula, pois uma sala foi transformada em biblioteca). Os nossos educandos são provenientes do próprio bairro onde está localizada a escola e outros próximos, alguns deles considerados periféricos e com concentração de famílias com baixa renda, daí muitos de nossos alunos provirem de lares onde enfrentam sérios problemas como: fome, abandono, desemprego. É importante frisar que, ao longo de sua história, essa instituição tem atendido alunos provenientes de classes mais baixas e enfrentou em seu percurso problemas como evasão, reprovação e indisciplina, muitos desses elementos contribuindo para uma imagem negativa de nossa instituição junto à comunidade local. Para muitos de nossos alunos atendidos o processo de letramento ocorre única e exclusivamente na escola, e isto muitas vezes dificulta o processo de ensinoaprendizagem, acarretando déficits na leitura e escrita que influenciam o desempenho dos educandos e conseqüentemente o rendimento da escola. Uma análise do nosso rendimento escolar ao longo dos anos, bem como a nota do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) nos levou a pensar e planejar ações de intervenção pedagógica. Sobre o IDEB, os dados demonstram que em 2005 obtivemos a nota mais baixa entre as escolas da rede municipal de Guanambi (2,2), em 2007 nosso desempenho melhorou (3,7), mas acreditamos que seria importante um salto ainda maior em 2009. Sabendo da importância da leitura no processo de avaliação do INEP (Prova Brasil) e considerando que a sociedade pós-moderna requer cada vez mais do indivíduo a criatividade, que acreditamos ser alimentada por um processo permanente de leitura, sendo esta um elemento de fundamental importância no contexto de formação do sujeito, sentimos no coletivo da escola a necessidade de planejar uma atividade capaz de influenciar no processo de ensino-aprendizagem da leitura e escrita e que repercutisse no rendimento dos alunos e da escola e servisse de instrumento de divulgação das nossas leituras e produções, demonstrando o potencial e a capacidade de nossos alunos e profissionais. Foi nesse contexto que surgiu e foi elaborado o Projeto O Jornal como instrumento de intervenção pedagógica no processo de ensino-aprendizagem da Leitura e da Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Escrita, o qual foi executado entre fevereiro de 2008 a novembro de 2009, envolvendo educandos de todos os segmentos e com resultados alcançados além dos previstos, em termos qualitativos e quantitativos, como a nota 4,9 no IDEB 2009, publicada recentemente pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura) e a grande procura de livros para leitura na biblioteca por parte de nossos alunos. Objetivos Levando em conta o contexto de inserção, bem como a realidade de nossa instituição educacional, definimos os seguintes objetivos: Ressignificar as práticas de leitura e escrita da instituição, contribuindo para a melhoria da qualidade do ensino-aprendizagem através da formação gradativa de uma cultura de leitores. Dinamizar o processo de ensino-aprendizagem da leitura e escrita, com proposta ousada e inovadora; Enriquecer a formação de nossos educandos, com o uso da pesquisa como um instrumento de leitura; Investir na prática de leitura e escrita que seja significativa, interessante e real, a partir do estudo e construção de um jornal na escola; Divulgar as ações da escola, melhorando a sua imagem junto a comunidade local; Socializar leituras realizadas, através das dicas de leituras no jornal-mural e jornal editado; Incentivar a prática de leitura e escrita na escola, contribuindo assim para melhoria do rendimento escolar; Valorizar as leituras e produções de alunos e profissionais da escola em torno de diversos conteúdos curriculares, com espaço para divulgação em jornal. Procedimentos metodológicos para uma intervenção pedagógica Como primeira atividade ocorreu uma reunião na escola, durante a jornada pedagógica em fevereiro de 2008, para discussão sobre o desempenho da instituição, que também Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 repercute em sua credibilidade e a necessidade de investimento na prática de leitura e escrita, resultando em inclusão de objetivo, meta e ação no Projeto Político Pedagógico 2008 que contemplasse esse processo. Em seguida, a coordenação da escola ficou responsável pela sistematização das discussões e Elaboração do Projeto: O Jornal como instrumento de intervenção pedagógica no processo de ensino-aprendizagem da Leitura e da Escrita (como produto das discussões coletivas), o qual foi apreciado pelos docentes e finalmente houve a execução do projeto com as seguintes ações: Estudo em cada sala de aula sobre o Jornal: o que é, sua função, estrutura.... Para isso foi solicitado ao aluno, por cada professor, que levasse jornal de casa e os que não possuíam trabalharam em dupla com colegas; com esses jornais foram feitas análise de sua função e de sua organização, com atividades como: leitura, recorte, colagem, enfocando sessões como: notícias, humor, esporte...Nessa atividade a leitura foi bastante utilizada, atentando para diferentes estratégias Montagem de um Jornal-Mural no pátio da escola para que os alunos e professores se familiarizassem com o instrumento e divulgassem no decorrer do ano de 2008 e 2009 pesquisas e produções (notícias, curiosidades, textos... de conteúdos diversificados e do currículo escolar trabalhado). A princípio o jornalmural foi feito com isopor e papel, pois não dispúnhamos de recurso para outro tipo de material, posteriormente conseguimos incluir o material do jornal como uma ação no Plano de Desenvolvimento da escola e conseguimos construí-lo mais sofisticado (madeira e vidro); Enquete com todas as turmas para definição do nome do Jornal, sendo escolhido: J. F. Noticias (ficando este o nome do jornal-mural e posteriormente jornal editado); Divulgação no jornal-mural de registro escrito e fotografias de todos os eventos e projetos realizados pela escola no decorrer do ano; Divulgação no jornal mural, durante todo o ano letivo, de leituras (coma as dicas), pesquisas, produções, relatos de experiências de ensino-aprendizagem pelas turmas e professores; Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII Formação de uma comissão (coordenação, direção e professor da escola) para seleção de material exposto no decorrer do ano no Jornal-mural. A seleção ocorreu em novembro de 2008 e outubro de 2009 e o material selecionado faria parte do Jornal impresso; Discussão coletiva (direção, coordenação e professores) sobre a formatação do jornal a ser impresso, sendo definidas as partes: Em 2008 – Capa: editorial abordando o enfoque da leitura em nossa instituição, segunda página: histórico e fotografia da escola, bem como a equipe dos profissionais; terceira e quarta página: ações e eventos da escola realizadas no ano de 2008; quinta e sexta página: experiências de ensino-aprendizagem das turmas (relatos, depoimentos...); sétima página: dicas de leitura, com textos abordando leituras realizadas pelos alunos e/ou turmas e oitava página: Informações, curiosidades, humor e diversão, todas frutos de leitura das turmas. Em 2009 - Capa: editorial e outdoor produzido por alunos e foto do jornal-mural; segunda página: textos produzidos pelos alunos em maio de 2009, quando foi feito concurso de redação com o tema sobre a escola (em comemoração ao aniversário da instituição) e divulgação de informações produzidas por alunos: aquecimento global, h1n1 e evento Pedofilia realizado no Município; terceira e quarta página: divulgação de projetos e eventos realizados pela escola em 2009 – com registro, depoimentos e fotografias; quinta página: dicas de leitura, com indicação de livros da biblioteca da escola (fruto de suas leituras) pelos alunos/turmas; sexta e sétima página: relato de experiências significativas de ensino-aprendizagem das turmas, com registro escrito e fotos e oitava página: Dicas, curiosidades e humor, todas pesquisadas e/ou construídas pelos alunos no decorrer do ano a partir do estudo de conteúdos curriculares (plantas, reciclagem lixo, economia água, animais...) e nessa última página também aparece a equipe da escola em 2009 (direção, coordenação, professores e outros profissionais); Digitação e impressão de 100 (cem) cópias (em cada ano) do jornal J.F. Notícias. Em 2008 foi pago com recursos de fundos de arrecadação da escola e em 2009 o serviço gráfico foi pago com recurso do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola); Distribuição do Jornal a todas as escolas da rede Municipal de Guanambi, a Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Secretaria de Educação, aos profissionais da escola, sorteio nas turmas de alguns jornais para os alunos e visualização do material para todos os educandos; Divulgação do Jornal impresso junto aos pais em reunião da escola; Exposição do Jornal impresso em evento da escola (em maio de 2009); Avaliação dos resultados Considerações finais Sabemos que a avaliação não deve ser apenas medida, que simplesmente constata; ela vai muito além, como afirma Luckesi (1994) e nos faz tomar um posicionamento diante dos dados; no caso do Projeto: O Jornal como instrumento de intervenção pedagógica no processo de ensino-aprendizagem da Leitura e da Escrita, ele surgiu a partir de um processo de avaliação diagnóstica, onde analisamos dados da escola e tomamos a decisão de elaborar a ação como um meio de intervenção. No decorrer do processo de execução desse projeto, diversas vezes nos debruçamos sobre a sua efetividade, inclusive mudando quando necessário. Nesse caminho, os diversos segmentos da comunidade escolar participaram: alunos, pais, docentes e gestores. Outro instrumento utilizado como avaliação é a ficha de leitura da biblioteca, onde observamos um grande índice de procura e empréstimos aos alunos, o que tem melhorado o grau de letramento de nossos educandos. Como atividade final de avaliação, fizemos análise dos resultados do projeto e constatamos que foi além do previsto, com alcance extraordinário, qualitativa e quantitativamente. Em dezembro de 2009, ao analisarmos os projetos da escola em reunião, O Jornal J. F. Noticias foi considerado pelo coletivo como uma ação importantíssima e que deve se tornar um projeto permanente. Outro instrumento de avaliação desse projeto seria o resultado no IDEB 2009, que foi alcançado, pois nossa nota foi de 4,9, uma meta estipulada pelo MEC para 2021. Referencias bibliográficas Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 ALUNOS E PROFESSORES DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO. Memorial da educação de Guanambi. Guanambi: Gráfica Papel Bom, 2004 GERALDI, João Wanderley. O texto na sala de aula: leitura e produção. São Paulo: Ática, 1997. JOLIBERT, Josette. Formando crianças leitoras. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. Vol. 1 LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar. 8.ed. São Paulo: Cortez, 1994 ORSOLON, Luzia Angelina Marino. O coordenador/formador como um dos agentes de transformação da/na escola. 7 ed. São Paulo: edições Loyola, 2006 SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2001 VASCONCELOS, Celso dos Santos. Planejamento: projeto de ensino-aprendizagem e projeto político pedagógico. 15 ed. São Paulo: Libertad Editora, 2006 VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Técnicas de ensino: por que não? 3 ED. Campinas: Papirus, 1995 ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 PROJETO EDUCANDO COM A FAMÍLIA Eliane Guimarães de Oliveira 1 Núbia Carmem Araújo Boa Sorte Reis 2 RESUMO O projeto Educando com a Família é uma proposta de intervenção pedagógica de uma escola da rede Pública Municipal de Guanambi - o Grupo Escolar Municipal Vereador João Farias Cotrim e foi construído para promover parceria entre a instituição escolar e a familiar, visando à melhoria no processo de ensino-aprendizagem através da reflexão acerca do tema Escola e Família. O projeto surgiu de observação e estudos sobre a importância e a influência da educação no espaço familiar na construção da aprendizagem escolar. O Educando com a família consiste basicamente na realização de encontros mensais com pais, profissionais da escola e da comunidade local para estudo de temas de interesse das famílias, sendo os mesmos escolhidos em plenária. Implantado desde 2004 e com nova formatação a partir de 2008, o projeto tem proporcionado a instituição escolar oportunidade de construir coletivamente uma proposta onde a parceria é elemento fundamental na educação. A realização do projeto trouxe à Escola João Farias Cotrim um crescimento na participação dos pais junto à instituição, o que tem contribuído para a melhoria do rendimento escolar. Palavras – chaves: Família, escola, educação, parceria. Introdução O Grupo Escolar Municipal Vereador João Farias Cotrim está situado na Avenida Tiradentes, s/n – Bairro Lagoinha e atende alunos da Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental, nos turnos matutino e vespertino, além de atender turmas de Educação de Jovens e Adultos no noturno. A escola tem sete salas de aula em 2010 e cerca de 385 alunos em 16 turmas, sendo a demanda proveniente, em sua maioria de bairros periféricos da cidade de Guanambi. 1 Graduada em Pedagogia e Especialista em Metodologia do Ensino Fundamental. Atualmente é Coordenadora Pedagógica da Escola João Farias Cotrim na Rede Municipal de Ensino de Guanambi e Analista Universitária na UNEB - Campus XII. 2 Graduada em Pedagogia. Atualmente é Diretora da Escola João Farias Cotrim na Rede Municipal de Ensino de Guanambi. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Entre os diversos projetos desenvolvidos por essa instituição de ensino, temos o ―Educando com a Família‖ que realizamos desde 2004 com o propósito de melhorar as relações entre a escola e as famílias e também propiciar informações a comunidade escolar. O projeto Educando com a Família constitui-se num instrumento de reflexão acerca do tema Escola e Família, evidenciando a importância dessa parceria, principalmente pelo fato de que vivemos uma época em que a conturbação e a desintegração dos valores são obstáculos para o ser humano. Nesse cenário, a escola se vê diante de vários problemas educacionais agregados a desordem e ao desrespeito as regras de conduta e a falta de limites com seus alunos. Observa-se no contexto escolar que cada vez mais os alunos chegam com menos limites trabalhados pela família. Nota-se que nos dias atuais a escola não pode viver sem a família, nem a família sem a escola, pois é através da interação desse trabalho em conjunto, com objetivo do desenvolvimento do bem estar e da aprendizagem do educando, que será possível uma formação integral do mesmo. Os profissionais da escola acreditam, muitas vezes, que os alunos vão mal porque suas famílias estão desestruturadas ou porque não se interessam pela vida escolar da criança. A ausência de muitos pais às reuniões pedagógicas é um fato que vem acontecendo muito no contexto escolar atual, o que pode ser um indicativo do pouco acompanhamento da vida escolar das crianças. Para sanar tais conflitos, é preciso criar uma parceria entre família e escola, para que haja uma distribuição mais justa de responsabilidade na educação da criança, pois sabemos que quanto mais a família participa, mais eficaz é o trabalho da escola. Nesse sentido, é importante que direção, pais, professores e alunos dividam experiências, compreendam e trabalhem as questões envolvidas no dia-a-dia. As escolas devem ser mais atrativas e participativas, para despertar no aluno o desejo de aprender e no pais o interesse em se envolver e o apóio familiar pode proporcionar às crianças uma Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 estrutura equilibrada e sadia, para crescerem e tornarem cidadãos capazes de interagir na realidade. Referencial Teórico A educação é um processo que ocorre em vários espaços de inserção do sujeito, como afirma Brandão (2005) a educação está presente em todos os momentos da vida do homem, seja através de atitudes, ensinamentos, comportamentos e aprendizagem. Não há educação específica e unitária, nem um lugar exclusivo para se ensinar e se aprender. A partir dessas considerações e levando em conta abordagens de Libâneo (2004) observamos que há vários espaços de educação, que pode ser informal, não-formal e formal, todos de fundamental importância na construção dos conhecimentos do indivíduo. Em relação à educação formal, ela se dá de forma planejada, daí ser aquela que desenvolvemos nos espaços escolares, que não podem deixar de considerar os conhecimentos construídos nos vários outros espaços sociais, entre eles o espaço da família, aliás, o primeiro grupo social do individuo, onde acontecem as primeiras aprendizagens. Ao abordarmos sobre a aprendizagem, notamos que uma série de fatores influencia a sua construção, inclusive as relações afetivas vivenciadas pelo individuo no decorrer de sua existência. Pesquisadores como Piaget, Wallon e Vygotsky demonstram em estudos que essas relações afetivas são construídas desde a mais tenra idade e influenciam toda a vida do sujeito, inclusive na construção de valores. Desse modo, fica evidente a importância da participação de uma educação afetiva familiar adequada, onde sentimentos e emoções são trabalhados e valorizados. Observando a realidade de nossas instituições educativas, percebemos que muitas das dificuldades das crianças no processo de construção da aprendizagem escolar estão relacionadas às aprendizagens (entre elas as afetivas) que ocorrem ou deixam de ocorrer na família, daí a necessidade de um projeto de intervenção da instituição escola junto à família. Sabendo que o papel da instituição escolar é o de educar com responsabilidade, Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 comprometida com a formação teórica, mas também humana, o projeto Educando com a Família é uma proposta de intervenção para contribuição na formação de valores. Nesse sentido, a nossa relação educação/escola/família se transforma através de pequenas ações modificadoras, onde a família passa a compreender a importância dos objetos traçados pela escola, assim como o seu lugar de co-responsável nesse processo. Assim, com espaços de formação, família e escola aproveitam o máximo as possibilidades de estreitamento de relações, porque o ajuste entre ambas e a união de esforços para a educação das crianças deve ser, sem dúvida um elemento facilitador da aprendizagem e educação do sujeito. OBJETIVOS Oportunizar reflexões, discussões sobre a educação familiar; Discutir sobre a importância da família na formação do sujeito; Incentivar a busca por melhorias nas condições do bairro onde vivem; Propiciar formação profissional com a oferta de algumas oficinas; Refletir sobre hábitos necessários para a manutenção da saúde da família Procedimentos metodológicos para uma intervenção pedagógica A proposta do projeto surgiu inicialmente a partir de considerações em trabalho de conclusão de curso de Especialização realizado na UNEB – Campus XII (monografia) sobre afetividade (feito pela coordenação da escola). As considerações foram apresentadas em encontros de planejamento entre docentes e a coordenação pedagógica da escola e também foi observado que a participação da família na instituição era pequena e a relação escola/família precisava de melhoria. A princípio organizamos alguns encontros esporádicos, com temas definidos pelos docentes e coordenação pedagógica da escola e horários alternados. A partir de 2008, buscou-se a revitalização do projeto, implementando-o de forma sistematizada e constante, com a realização de encontros mensais onde teríamos temas de interesse da comunidade escolar e palestrantes convidados pela Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 escola. Definimos o horário noturno, por ser mais viável a participação dos pais, a maioria trabalhadores e também por haver turmas de Educação de Jovens e Adultos nesse horário na instituição, sendo muitos deles pais de alunos da escola. Os temas escolhidos inicialmente tratavam sobre família, saúde, educação. Com a nova formatação do projeto, a demanda foi crescente. Com isso buscamos incluir na programação a realização de oficinas que proporcionasse também educação profissional aos participantes. Ao final do primeiro ano buscamos avaliação da comunidade escolar, sendo o projeto considerado como importante no crescimento da participação da família nas atividades escolares. Nessa avaliação também foi feito levantamento de temas de interesse da comunidade a serem trabalhados no ano seguinte e houve a certificação dos participantes. Em 2009 o projeto continuou com essa estrutura e em 2010 também, tornando-se assim uma atividade permanente na instituição. ALGUMAS ATIVIDADES DO PROJETO 2008 Palestra: Afetividade na Família Palestrante: Coordenadora da Escola Alcoolismo e seus prejuízos à Família Palestrante: Grupo AA de Guanambi Planejamento Familiar Palestrante: Enfermeira PS bairro Importância da Higiene para a saúde da família Palestrante: Enfermeira PS bairro Valores para a família Ministrante: Pastoral da Família /professora UNEB Oficinas: Confeite bolo, sabão caseiro, maquiagem, jogos de mesa e Cinema Ministrantes: Professores e funcionários da escola, pessoas da comunidade, Secretaria de Cultura de Guanambi 2009 Palestra Alimentação Saudável para a Família Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Ministrante: Alunos Curso Enfermagem FG Os perigos das drogas para as famílias Ministrante: Grupo da Igreja Batista Palestra A Importância do Estudo Ministrante: professora UNEB e coordenadora EJA Guanambi Palestra: Os Limites na Família Ministrante: Pastoral da família/Diretora Colégio João Durval Carneiro Oficina de Chocolate e confecção colar Ministrantes: profissionais da escola Encerramento com Certificação e show com Leo Cigano 2010 Palestra: Educação Ambiental Ministrante: RECIVIDA Mesa redonda: Memórias e Trajetória da Escola João Farias Cotrim Participação: profissionais da escola e alunos Palestra sobre Cidadania Ministrante: Igreja Batista Filadélfia . Palestra- O preconceito e a discriminação: algumas reflexões sobre os prejuízos à vida do ser humano Ministrante: professora da UNEB Oficina de pintura Ministrante: professora de artes Considerações finais Percebendo as dificuldades geradas no relacionamento entre a escola e a família, que afeta diretamente no desenvolvimento integral da criança, sentimos necessidade de buscar alternativa como forma de estreitar estas relações em contribuição as crescimento do aluno. A partir de tais considerações, pensamos nesse projeto como um instrumento de reflexão conjunta entre pais e escola sobre o papel e a influência de cada um no Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 tocante a aprendizagem de nossos educandos. Levamos em conta ainda o fato de que, há muitos pais que pouco contribuem positivamente na educação dos filhos pelo fato de não terem tido oportunidades de acesso a informações importantes, daí ser o encontro um meio de instrumentalização. Além disso, os encontros são oportunidades de construção de conhecimento para os pais, e considerando o contexto social procuramos abordar alguns temas que contribuem para a melhoria das condições de vida das famílias de nossos educandos. No momento em que escola e família conseguem estabelecer uma parceria na promoção da educação das crianças e jovens, muitos dos conflitos observados, são aos poucos superados. Podemos afirmar que o Projeto Educando com a Família é um espaço de promoção dessa parceria e o resultado é que estamos construindo passo a passo uma escola mais democrática, mais participativa e mais próxima da realidade dos educandos e isso vem contribuindo significativamente para a melhoria do nosso processo de ensino-aprendizagem, com crescimento gradativo dos índices de aprovação. Referencias bibliográficas ALMEIDA, Ana Rita Silva. A emoção na sala de aula. Campinas, São Paulo: Papirus, 1995 BRANDÃO, José Rodrigues. O Que É Educação. 1ª ed. Editora Brasiliense, 1995. GOTMAN, John. Inteligência emocional e a arte de educar os filhos. 38 ed. Rio de Janeiro:DP & A, 1997. LIBÂNEO, José C. Pedagogia e pedagogos, para quê? São Paulo: Cortez Editora, 1998. TAILHER, Y. L. et. al. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Sumus, 1992 Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 DEDC XII A PREVALÊNCIA DE SOFRIMENTO MENTAL EM MULHERES DURANTE A GESTAÇÃO, PARTO E PUERPÉRIO Djamara Souza da Silva RESUMO: Os transtornos de humor são muito comuns durante a gravidez principalmente porque o período gestacional é marcado por muitas mudanças psicológicas, bioquímicas e socioeconômicas que podem refletir diretamente na saúde mental da mulher. A presente revisão tem como objetivo identificar quais os principais causas dos transtornos mentais que acometem as mulheres na gestação parto e puerpério e como o enfermeiro pode identificar e orientar ,precocemente, mulheres portadoras de transtornos do humor durante a gestação. Para esse estudo oram utilizadas bases de dados, a saber: Scielo (Revista de Saúde Pública), Revista Eletrônica de enfermagem, Revista da Escola de Enfermagem da USP, foram selecionados artigos publicados em português no período compreendido entre 1998–2008. Observou-se com o presente estudo que grande parte dos transtornos em mulheres gestantes ou puéperas são ocasionados por fatores externos, entre a gestante e o meio em que vive. A falta de um diagnóstico preciso pode prejudicar a atuação do profissional de enfermagem no que diz respeito as orientações e acompanhamento no pré natal e conseqüentemente a um agravamento do estado patológico da mulher.Seria de grande ajuda que os profissionais de saúde possuíssem mais informações sobre os transtornos mentais ,de forma que pudessem estabelecer tratamentos e acompanhamento específicos para essas mulheres ,visando dessa forma identificar tais patologias precocemente evitando assim conseqüências mais graves para mãe e recém nato. Palavras – chave: Transtornos mentais, enfermagem, gravidez, parto, puerpério INTRODUÇÃO Os distúrbios psiquiátricos podem acometer os indivíduos em diversas etapas da vida uma vez que a vulnerabilidade é agravada por eventos naturais somados a predisposição psicossocial, orgânica e hereditária.(CRAUSS;MARCOS,2008) A gestação é um período de transição que faz parte do processo normal do desenvolvimento humano. Há grandes transformações, não só no organismo da mulher, mas no seu bem-estar, alterando seu psiquismo e o seu papel sócio-familiar. .(FALCONE; MÄDER;NASCIMENTO;SANTOS;NÓBREGA,2005) A literatura indica que o período gravídico-puerperal é a fase de maior Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII incidência de transtornos psíquicos na mulher, necessitando de atenção especial para manter ou recuperar o bem-estar, e prevenir dificuldades futuras para o filho. A intensidade das alterações psicológicas dependerá de fatores familiares, conjugais, sociais, culturais e da personalidade da gestante.(FALCONE; MÄDER;NASCIMENTO;SANTOS;NÓBREGA,2005) As síndromes psiquiátricas pós-parto constituem uma área pouco conhecida e conseqüentemente pouco pesquisada, cuja razão encontra-se ligada ao não reconhecimento do transtorno, visto a dificuldade de distinção dos sintomas. Antigamente, associavam-se os transtornos puerperais como distúrbios específicos desta fase, mas hoje é sabido que o parto e todos os eventos que o sucedem funcionam como fatores desencadeantes dos processo mórbido.(SILVA;BOTTI,2005) Os fatores de risco, relacionados com os transtornos psiquiátricos na gestação são: antecedentes psiquiátricos, dificuldades financeiras, baixa escolaridade, gestação na adolescência, falta de suporte social, eventos estressores e história de violência doméstica. Evidências demonstram que, além de a depressão pré-natal ser mais freqüente, ela é o principal fator de risco para depressão pós-natal, sendo esta, muitas vezes, uma continuação da depressão iniciada na gestação.(PEREIRA;LOVISI,2008) A mulher deprimida no período gestacional, em razão dos sintomas depressivos, apresenta menor preocupação com seu estado de saúde, ocasionando, muitas vezes, nãoadesão ao pré-natal, além de maior consumo de álcool, tabaco e outras drogas, pessimismo, insônia, falta de apetite, acarretando diminuição da quantidade e qualidade da ingesta. .(PEREIRA;LOVISI,2008) O atendimento pré-natal, principalmente, de adolescentes grávidas confirma-se como uma excelente oportunidade de se conjugar esforços de diferentes profissionais, a fim de melhorar a detecção e a condição psicossocial dessas gestantes e, conseqüentemente, de seus futuros bebês.(FREITAS ;BOTEGA,2002) Os profissionais que atuam com gestantes devem vê-las com uma "concepção de pessoa humana", procurar estabelecer mecanismos de interação que desvelem as verdadeiras necessidades e seus significados. Não devem assumir uma posição superior, vendo as gestantes como pessoas indefesas, fracas e submissas. Se o serviço e os profissionais assumirem essa posição de igualdade, respeito e confiança em relação às suas experiências e aprendizagens adquiridas, a relação será de desenvolvimento Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 emocional e de crescimento mútuo. Portanto, o aspecto fundamental da assistência prénatal eficiente, deve incluir o cuidar da mulher grávida considerando as suas necessidades biopsicossociais e culturais. (CAMACHO;CANTINELLI;RIBEIRO ;CANTILINO; GONSALES; BRAGUITTONI; JUNIOR,2002). O profissional enfermeiro precisa ater-se na importância, também, dos três primeiros meses após o parto onde a mulher apresenta a maior taxa de risco, em relação a qualquer outra etapa de sua vida, de vir a sofrer uma internação decorrente de um transtorno psiquiátrico. Sendo que, cerca de 70% das mulheres com tais distúrbios, não possuem história prévia de doença mental. (CRAUSS; MARCOS, 2008) PROCEDIMENTO METODOLÓGICO Para a elaboração da presente revisão integrativa as seguintes etapas foram percorridas: estabelecimento da hipótese e objetivos da revisão integrativa; estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão de artigos (seleção da amostra); definição das informações a serem extraídas dos artigos selecionados; análise dos resultados; discussão e apresentação dos resultados e a última etapa consistiu na apresentação da revisão. Para guiar a revisão integrativa, formulou-se a seguinte questão: Quais os principais transtornos mentais que acometem as mulheres na gestação parto e puerpério e como o enfermeiro pode identificar e orientar ,precocemente, mulheres portadoras de transtornos do humor durante a gestação? Para a seleção dos artigos foram utilizadas bases de dados, a saber: Scielo(Revista de Saúde Pública),Revista Eletrônica de enfermagem,Revista da Escola de Enfermagem da USP. Dessa forma, procurou-se ampliar o âmbito da pesquisa, minimizando possíveis vieses nessa etapa do processo de elaboração da revisão integrativa. Os critérios de inclusão dos artigos definidos, inicialmente, para a presente revisão integrativa foram: artigos publicados em português disponíveis nas bases de dados selecionadas, no período compreendido entre 1998–2008; As palavras-chave utilizadas foram gestação, gravidez, transtornos mentais e enfermagem psiquiátrica. A busca foi realizada pelo acesso on-line e, utilizando os critérios de inclusão, a amostra final desta revisão integrativa foi constituída de 6 Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII artigos. Tabela 1 - Apresentação da síntese de artigos incluídos na revisão integrativa Nome do artigo TRANSTORNOS MENTAIS NA GESTAÇÃO E PUERPÉRIO: CLASSIFICAÇÃO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO Autores RENATA CAMACHO,FÁBIO CANTINELLI CARMEN RIBEIRO AMAUR Y CANTILINO BÁRBARA GONSALES ÉRIKA BRAGUITTONI JOEL RENNÓ JR Intervenção estudada Saúde mental das mulheres em período de gestação e puerpério Resultados 33% das mulheres com transtorno de pânico pioram com a gravidez, das portadoras de TOC 46% piora durante a primeira gestação e 13% esta relacionado ao aparecimento de TOC durante a gravidez Recomendações/conclusões Mulheres com diagnóstico de esquizofrenia ou depressão maior apresentaram elevado risco para complicações na gravidez, trabalho de parto e período neonatal. Entre essas complicações, há anormalidades placentárias, hemorragias e sofrimento fetal DEPRESSÃO PUERPERAL: UMA REVISÃO DA LITERATURA ELDA TEREZINHA DA SILVA E NADJA C.L. BOTTI Distúrbios Puerperais Psiquiátricos 50 a 80% das gestantes são acometidas de tristeza puerperal, 10 a 15% tem depressão puerperal e 0,1 a 0,2 % tem psicose puerperal E importante que os profissionais de saúde desenvolvam ações preventivas na rede pública não só voltadas para a gestante, mas para a mulher em geral. Além disso, estimular a compreensão do parceiro e da mulher ás fases críticas do puerpério TRANSTORNOS MENTAIS NA GRAVIDEZ, PARTO E PUERPÉRIO, NA REGIÃO DE RIBEIRÃO PRETO-SPBRASIL MARGARITA A. VILLAR LUIS ELIENE REIS DE OLIVEIRA O número de pacientes atendidas no Setor de Urgências Psiquiátricas (SUP) e Clínica Obstétrica do Hospital das Clínicas (COHC) da FMRP-USP, com o diagnóstico 648.4 (Transtornos Mentais na Gravidez, Parto e Puerpério), conforme CID-9, no período de 1988 a 1993. Agrupando os quadros psíquicos de toda a população de mulheres incluídas no estudo, verifica se que 48 (35,5%) evidenciaram transtorno psiquiátrico sem qualquer especificação; 27 (20%) tiveram quadros ou reações psicóticas; em 13 (9,6%) a ansiedade foi ou pode ser identificada como base do distúrbio; 11 (8,1%) eram oligofrênicas, metade das quais com outros problemas de saúde; 11 (8,1%) eram pacientes com esquizofrenia; 11 (8,1%) manifestaram reações depressivas, a maioria com tentativa de suicídio; 10 (7,4%) apresentaram transtorno não especificado em associação com patologias clínicas e/ou obstétricas; finalmente, 4 (2,9%) tiveram transtorno psiquiátrico em associação com doenças do sistema nervoso central( principalmente epilepsia). É imprescindível, manter um esquema de observação compartilhado com elementos da família principalmente no puerpério, a fim de identificar a presença de sintomas ou a verbalização de intenções indicativas de tentativa de suicídio ou ameaça de filicídio. GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA: PREVALÊNCIA DE DEPRESSÃO, ANSIEDADE E IDEAÇÃO SUICIDA GISLEINE VAZ SCAVACINI DE FREITAS E NEURY JOSÉ BOTEGA A prevalência de depressão, ansiedade e ideação suicida em adolescentes grávidas e verificar associações entre ideação suicida e variáveis psicossociais Tendo em vista os objetivos deste estudo, pudemos concluir que as prevalências de depressão, ansiedade e ideação suicida apresentaram-se aproximadamente iguais nos diferentes trimestres gestacionais (Depressão: 27,5; 17,5; 17,5, respectivamente; média = 20,8. Ansiedade: 22,5; 15; 32,5, respectivamente; média = 23,3. Ideação suicida: 20; 15; 15, respectivamente; média = 16,7). A ideação suicida associou-se estatisticamente com a presença de depressão, ansiedade, pouco apoio social e estado civil solteira. PREVALÊNCIA DA DEPRESSÃO GESTACIONAL E FATORES ASSOCIADOS PRISCILA KRAUSS PEREIRA E GIOVANNI MARCOS LOVISI Depressão é um transtorno mental comum durante a gravidez, associado com diversos fatores de risco. Estudos revelaram relação entre depressão gestacional e efeitos deletérios no desenvolvimento do bebê À época deste estudo, 20 (16,7%) adolescentes relataram ideação suicida, oito (40%) também apresentavam ansiedade e depressão, cinco (25%) apresentavam apenas depressão, duas (10%) apresentavam apenas ansiedade. Cinco (25%) já haviam tentado suicídio anteriormente. Apenas cinco (25%) dessas 20 adolescentes não foram consideradas "casos" de ansiedade ou de depressão A prevalência de depressão gestacional encontrada nas pesquisas provenientes de países desenvolvidos variou bastante, oscilando de 5% a 30%. Poucos encontraram prevalências abaixo de 10%, sendo mais freqüentes taxas em torno de 10% e 15%. Entre os fatores de risco levantados, estão precedentes psiquiátricos, uso de substâncias, atitude negativa ante a gravidez, falta de suporte social, eventos de vida estressantes e conflitos conjugais. No Brasil, o número de estudos publicados sobre o assunto ainda é ínfimo, sendo a prevalência também em torno de 20% e os fatores associados, semelhantes aos encontrados nos demais estudos de países em desenvolvimento. Considerando a realidade de saúde pública nacional, o cuidado pré-natal pode ser o único contato que uma mulher em idade reprodutiva tenha com os serviços de saúde, tornando-se crucial para intervenções direcionadas à promoção da saúde da mulher como um todo Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA: PREVALÊNCIA DE DEPRESSÃO, ANSIEDADE E IDEAÇÃO SUICIDA GISLEINE VAZ SCAVACINI DE FREITAS E NEURY JOSÉ BOTEGA A prevalência de depressão, ansiedade e ideação suicida em adolescentes grávidas e verificar associações entre ideação suicida e variáveis psicossociais À época deste estudo, 20 (16,7%) adolescentes relataram ideação suicida, oito (40%) também apresentavam ansiedade e depressão, cinco (25%) apresentavam apenas depressão, duas (10%) apresentavam apenas ansiedade. Cinco (25%) já haviam tentado suicídio anteriormente. Apenas cinco (25%) dessas 20 adolescentes não foram consideradas "casos" de ansiedade ou de depressão DEDC XII Tendo em vista os objetivos deste estudo, pudemos concluir que as prevalências de depressão, ansiedade e ideação suicida apresentaram-se aproximadamente iguais nos diferentes trimestres gestacionais (Depressão: 27,5; 17,5; 17,5, respectivamente; média = 20,8. Ansiedade: 22,5; 15; 32,5, respectivamente; média = 23,3. Ideação suicida: 20; 15; 15, respectivamente; média = 16,7). A ideação suicida associou-se estatisticamente com a presença de depressão, ansiedade, pouco apoio social e estado civil solteira. RESULTADOS De acordo com os objetivos dessa revisão, os transtornos que mais acometem gestantes nos períodos pré natal, parto e puerpério ainda não tem um diagnóstico ou não foram identificados, observou-se que grande parte dos transtornos que se apresentam no período gestacional são causados por fatores externos, entre a gestante e o meio em que vive. Dessa forma a atuação do profissional de saúde pode ficar prejudicada e restrita a orientações superficiais, pois seria necessário um diagnóstico mais específico para que sejam tomadas as orientações e cuidados pertinentes a cada transtorno. Diante da escassez de artigos que informassem sobre o tema estudado, percebeu-se que os transtornos presentes na fase gestacional não são muito estudados e tão pouco conhecidos, boa parte dos sintomas desses transtornos são ignoradas durante a consulta pré-natal ou de puerpério pela equipe de saúde, seja por desconhecerem seus sintomas ou por não saberem como diagnosticá-los, dessa forma as desordens mentais passam sem diagnósticos e muito menos tratamentos adequados. A prática da enfermagem, desde a antiguidade, relaciona-se ao cuidado e alívio do sofrimento humano. E sabido que qualquer forma patológica que venha a acometer o homem desencadeia uma série de transtornos, além de envolver paralelamente sentimentos de angústia, medo, ansiedade, preconceitos, descrença, pessimismo, entre outros. CONCLUSÃO Concluindo a presente revisão interativa notou-se que seria necessário que as equipes de saúde possuíssem mais informações a respeito dos transtornos mentais que acometem as gestantes no período gravídico e pós gravídico. De posse do conhecimento necessário os profissionais poderiam identificar a presença de sofrimento psíquico Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 nas gestantes, que não raras vezes passam despercebidos. Teriam também a oportunidade de acalmar e esclarecer a gestante quanto aos ricos para o feto e para si mesma. Um conhecimento mais profundo dos fatores desencadeantes e sintomáticos poderia também favorecer ao diagnóstico de alterações psíquicas mais precocemente e assim o enfermeiro seria capaz de, se necessário, encaminhar a paciente para um atendimento mais específico, proporcionando uma gravidez mais segura para mãe e concepto. REFERENCIAS 1-Oliveira,E.Reis e Luis, Margarita A. Villar. Transtornos Mentais Na Gravidez, Parto E Puerpério, Na Região De Ribeirão Preto-Sp-Brasil .Disponível em< http://www. ee.usp.br/reeusp/upload/pdf/448.pd f> 2-Silva,E.Terezinha e Botti,N.C.Lappan.Depressão Puerperal:Uma Revisão De Literatura. Disponível em<http://www.revistas.ufg.br/index.php/fen/article/viewArticle/880> 3-Freitas,G.V.Escavacine e Botega, N.José. Gravidez Na Adolescência: Prevalência De Depressão, Ansiedade e Ideação Suicida. Disponível em< http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104...script> 4-Pereira,P.Crauss e Lovisi,G.Marcos. Prevalência Da Depressão Gestacional e Fatores Associados. Disponível em< http://www.scielo.br/pdf/rpc/v35n4/04.pdf> 5-Falcone, Vanda Mafra; Mäder, Custódia Virginia de Nóbrega; Nascimento, Christianne Freitas Lima; Santos, Joacira Mota Matos; Nóbrega, Fernando José. Atuação Multiprofissional e a Saúde Mental De Gestantes. Disponível em< http:// www.scielo.br/pdf/rsp/v39n4/25534.pdf > 6-Camacho,Renata Sciorilli ; Cantinelli,Fábio Scaramboni ; Ribeiro,Carmen Sylvia ; Cantilino, Amaury; Gonsales ,Bárbara Karina; Braguittoni, Érika; Jr.Joel Rennó. Transtornos Psiquiátricos Na Gestação e no Puerpério: Classificação, Diagnóstico e Tratamento. Disponível em< http:// bases.bireme.br/.../online/?... > Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 SER MÃE: TAREFA REPLETA DE DIFICULDADES E SUPERAÇÃO Daiana Gonçalves Machado¹ Emanuella Soares Fraga Fernandes² Monnik Viana Marques³ Ricardo Franklin de Freitas Mussi 4 123 Acadêmicas do curso de Bacharelado em Enfermagem da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – DEDC XII. Brasil. E-mail: 1 [email protected]. 4 Professor Especialista da UNEB/Departamento de Educação Campus XII (Orientador). Brasil. RESUMO Conforme as mudanças ocorridas na área de saúde, esta deixa de ser apenas de cunho curativo, e passa a direcionar-se também para a prevenção. De acordo com esse novo enfoque, a pesquisa em questão teve como meta a identificação das dúvidas mais freqüentes do público alvo assistidas pela ESF, do Bairro Brasília (Guanambi-Ba), com relação à gestação, lactação e ao cuidado com o recém-nascido e execução de um programa educativo voltado ao tema. Esse estudo foi realizado no início de 2009, tendo caráter descritivo com abordagem qualitativa, os dados foram coletados através de questionário e entrevista semi-estruturada. Em seguida, os elementos foram avaliados e planejou-se e efetivou-se uma educação em saúde, totalizando um total de três encontros. Depois disso, foi aplicado um questionário que buscou avaliar a atividade desenvolvida. A partir dos dados colhidos, percebe-se um problema educacional, pois a maioria das gestantes sabe dos cuidados dessa época, porém não tem o conhecimento do porquê dessas ações, notando-se a fragilidade dessas informações, na maioria de caráter popular. Com relação à avaliação da pesquisa-ação, ela foi positiva, visto que as participantes afirmaram serem esses encontros de grande valia, propondo a existência de um grupo permanente. Portanto, fica claro que apesar de todas as dificuldades encontradas o PSF é um lugar estratégico para as intervenções de educação em saúde, bem como, essas podem ser desenvolvidas rotineiramente com boa vontade e criatividade por parte da equipe. Palavras-chave: Educação em saúde, Gestante, PSF e Enfermagem. INTRODUÇÃO Após as Conferências Internacionais sobre Promoção da Saúde vem percebendo a necessidade de se rever o paradigma orientador das ações de saúde, que são em sua grande maioria voltadas pra ações de cunho curativo, com a necessidade de definir Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 ações de saúde voltadas para prevenção e orientação. Atividades preventivas estas que de acordo com Okazaki et al. (2005) e Rangel (2008) deve incluir políticas públicas e ambientes apropriadas, baseadas em uma educação em saúde continuada que possibilita uma melhor e mais efetiva qualidade de vida em que o cidadão possa exercer um papel relevante e participativo dentro da sociedade e na garantia da possibilidade de viver melhor. De acordo com esse novo enfoque de promoção de saúde, a pesquisa em questão promoveu uma educação em saúde de caráter preventivo com as gestantes, partindo da necessidade de uma orientação contínua e do papel do enfermeiro, que deve saber que ensinar é dar ao outro, veículos de construir seu próprio saber (FREIRE, 1996). OBJETIVOS A pesquisa teve como meta a identificação das dúvidas mais freqüentes do público alvo assistidas pela Estratégia da Saúde da Família, do Bairro Brasília, na cidade de Guanambi (Bahia), com relação à gestação, lactação e ao cuidado com o recém-nascido (até oito meses), posteriormente foi planejada, executado e avaliado um programa educativo no seio do PSF, voltado para as dificuldades encontradas pelas grávidas, pretendendo assim contribuir para uma gestação, parto e lactação mais tranqüila, segura e de bom andamento. O PSF E SUAS POSSIBILIDADES Segundo Fernandes e Narchi (2007), o PSF busca a reorientação do modelo assistencial do Sistema Único de Saúde a partir da organização da Atenção Básica, tendo como principal desafio promover a reorientação das práticas e ações de saúde de forma integral e ininterrupta. Possuindo para esse objetivo uma equipe multiprofissional que deve travar um vínculo de confiança com a população assistida e conseqüentemente um acolhimento mais humanizado e resolutivo (BRASIL, 2000). Nesse sentido, Kawamoto (1993) e Levy (2000) ressaltam que as ações educativas em saúde são processos que objetivam capacitar indivíduos e/ou grupos, de modo que possam assumir ou ajudar na melhoria das condições de saúde da população, Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 sendo ainda reforçado por Freire (1996), quando este afirma que o ensino não é somente uma transferência de conhecimento. No entanto, na maioria das unidades de saúde acontecem poucos trabalhos educativos e quando estes ocorrem dificilmente são eficientes e eficazes, em virtude de diversos fatores que vão desde a falta de material disponível até a participação popular escassa. Apesar dos empecilhos encontrados é evidente a oportunidade ímpar que o PSF oferece para o desenvolvimento dessas atividades, sugerindo-se a aplicação de uma metodologia criativa e o envolvimento do provedor com o seu público-alvo, como uma alternativa válida para o sucesso do trabalho (MOURA, 2002). Brasil (2000), Rios e Vieira (2007) reforçam que as atividades educativas (pelas quais as gestantes constituem o foco do processo de aprendizagem) a serem realizadas em grupo ou individualmente devem conter uma linguagem clara e compreensível, a fim de promover orientações gerais sobre os cuidados na gestação e cuidados com o recém-nascido. No que tange a promoção da saúde no pré-natal, esta ocorre quando é possibilitado à mulher conhecimento sobre seu corpo e compreensão das alterações ocorridas (BRASIL, 2002). Afirmação essa que é complementada por Rios e Vieira (2007), quando discorrem que a carência de informações sobre o parto e o medo do desconhecido, são os fatores mais comuns de tensão da gestante, sendo necessário uma assistência com procedimentos clínicos e educativos, objetivando promover a saúde e identificar precocemente problemas que possam resultar em risco para a saúde da gestante e do concepto. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Foi realizado um estudo descritivo com abordagem qualitativa, no PSF localizado no bairro Brasília em Guanambi (Bahia). Inicialmente foi realizada uma visita ao PSF para reconhecimento da unidade, após a autorização, foi exposta a meta do estudo para as gestantes que estavam fazendo o acompanhamento do pré-natal na unidade, que ao entenderem e aceitarem as condições propostas assinaram o Termo de Consentimento. Em seguida, foi aplicado o questionário (22 perguntas mistas) e uma entrevista semi-estruturada, gravada (8 questões). Os dados foram coletados no primeiro Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII semestre de 2009 e realizados durante a espera das consultas de pré–natal de cada paciente presente no dia escolhido pela equipe para coletar as informações. Após a análise das amostras e avaliação dos resultados. Planejou-se e efetivou-se uma educação em saúde junto com essa população, as atividades foram divididas em dois módulos: Saúde da Mulher e Saúde da Criança, totalizando um total de três encontros. Depois das intervenções foi aplicado um questionário na última palestra, que teve a intenção de avaliar a atividade desenvolvida, bem como sugestões para o aperfeiçoamento do trabalho desenvolvido. APRESENTAÇÃO DOS DADOS E DISCUSSÕES CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA A coleta de dados aconteceu com quatro gestantes que estavam presentes na unidade e aprestaram idade entre 19 e 37 anos; das quais (75%) eram casada, 50% branca e 50% parda. A maioria referiu ser mãe pela primeira vez, morar com o parceiro, não praticar nenhuma atividade física e freqüentar mensalmente a unidade para fazer o pré-natal, afirmando ser a consulta suficiente para esclarecer suas dúvidas. Quando questionadas sobre até que mês o recém-nascido deve ter amamentação exclusiva e do por que do teste do pezinho ser importante a maior parte marcou a alternativa correta. SABERES Após responderem o questionário, as grávidas foram entrevistadas individualmente; em relação à importância do pré–natal e da consulta de enfermagem para a criança, elas afirmaram que é importante, mas não sabiam justificar essa importância. Com relação às dúvidas da gestação, lactação e cuidado com o bebê a maioria disse não ter; ao serem questionadas se há alguma doença, que acomete a gestante ou recém-nascido, que as mães gostariam de ter conhecimento, somente uma respondeu que gostaria de saber sobre a sífilis congênita. Sendo relatado que, quando surge alguma dúvida, elas buscam conselhos da mãe e outras pessoas da comunidade. Todas as Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 entrevistadas preferiram o parto normal, porém sem uma justificativa coerente. Através dos dados colhidos é perceptível um acompanhamento das gestantes do bairro, que segundo Brasil (2005), tem como objetivo acolher a mulher desde o início da gravidez, assegurando, ao fim da gestação, o nascimento de uma criança saudável e a garantia do bem-estar materno e neonatal. No entanto nota-se uma fragilidade nos argumentos sobre diversos assuntos como: o por que da importância do pré-natal, percebendo-se um problema educacional e fragilidade dos conhecimentos das participantes, sendo a maioria dessas informações de caráter popular. No dia 25 de março, foi realizado o questionário final, com sete gestantes. Ao se perguntar da importância dos temas abordados daquele dia, todas acharam os temas abordados importantes. Em relação a já conhecer o tema suficiente, 57,15% responderam não saber o necessário. Sendo perceptível a contradição com relação ao primeiro questionário onde as gestantes afirmaram serem as consultas de pré-natal suficientes para sanar suas inquietações. CONSIDERAÇÕES FINAIS Portanto, fica claro que apesar de todas as dificuldades encontradas o PSF é um lugar estratégico para as intervenções de educação em saúde, bem como, essas atividades podem ser desenvolvidas rotineiramente com boa vontade e criatividade por parte da equipe. Com relação à população, esta apesar de não ter uma presença maciça, participa de forma constante das ações de educação. Havendo assim, a necessidade de melhorar o planejamento e a execução das intervenções, além de adequá-los ao público, para que a orientação educativa aconteça de forma adequada, consecutiva, com participação da comunidade e que torna os clientes ativos em mente pensante e não em mero reprodutor de um conhecimento. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Assistência Pré-Natal: normas e manuais técnicos. 3. ed. Brasília: Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, 2000. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde (Documento Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 para discussão). Brasília: Ministério da Saúde, 2002. BRASIL. Ministério da Saúde. Pré-Natal e Puerpério. Atenção Qualificada e Humanizada. Manual Técnico. 1 ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2005. FERNANDES, R. A. Q.; NARCHI, N. Z. Enfermagem e Saúde da mulher. Barueri, SP; Editora: Manole Ltda., 2007. FREIRE, P.; Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. KAWAMOTO, E. E. Educação em saúde. 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RIOS, C. T. F.; VIEIRA, N. F. C. Ações educativas no pré-natal: Reflexão sobre a consulta de enfermagem como um espaço para educação em saúde. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 2007. Disponível em: <http:// br.monografias.com/trabalhos903/educativas-prenatal/educativas-prenatal.shtml>. Acesso em: 17 dez. 2008. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 HANSENÍASE EM GUANAMBI: Uma mancha silenciosa e presente Cintya Paloma Moreira Carvalho (UNEB) Mary Viviani Jacarandá Lima Carneiro (UNEB) RESUMO: Ao longo da história, a Hanseníase foi descrita como uma doença que causava horror, em função das deformidades físicas que apresentava, ocasionando estigma e preconceito dos mais diversos. Provavelmente nenhuma doença provocou um preconceito tão intenso, sendo associada durante muito tempo e até nos dias atuais a conceitos como pecado, impureza e punição. Apesar de ser uma doença antiga, com registros na Bíblia denominando-a como lepra, ainda é constante nos dias atuais. O problema se encontra nas conseqüências que a doença pode proovocar no indivíduo acometido. Sendo assim realizou-se esse estudo no intuito de verificar os casos de hanseníase em Guanambi a partir de dados coletados pelo SINAN, e preceber se há ou não a adesão ao tratamento que proporciona a cura, Palavras-chaves: hanseníase, lepra, prevenção. 1.INTRODUÇÃO A hanseníase é uma doença infecto-contagiosa, causada pelo Mycobacterium leprae, também conhecido como bacilo de Hansen, que se manifesta principalmente por meio de sinais e sintomas dermato-neurológicos: lesões na pele e nos nervos periféricos, principalmente nos da face, olhos, braços, mãos, pernas e pés. A transmissão do bacilo está relacionada a fatores individuais (resposta imunológica) e sócio-econômicos, bem como, ao diagnóstico e tratamento; se faz de forma direta, por via respiratória, e por esse motivo ambientes que concentrem elevado número de pessoas com condições de saneamento desfavoráveis aliado a uma alimentação insuficiente, propicia ainda mais a transmissão do bacilo. Nos últimos cinco anos, ressalta-se que a média de casos novos detectados no Brasil nessa população foi de 4.000 casos (Ministério da saúde/ BR- Relatório executivo do Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 PNCH.–maio 2007 a junho 2008). A região nordeste foi responsável por 47% de todos os casos menores de 15 anos de idade no país em 2007. A Bahia reflete os dados nacionais e dentro do estado há várias regiões onde a hanseníase é uma doença prevalente e o oeste da Bahia tem várias cidades com grande número de casos de hanseníase notificados a exemplo. Em Guanambi percebe-se através dos dados obtidos do SINAN, que a hanseníase é uma doença presente, apesar dos números não serem altos, girando em torno de 10, 11 casos por ano, numa série histórica de 5 anos, sendo que neste período pode-se observar casos de hanseníase em menores de 15 anos nas formas graves da doença o que caracteriza que existem portadores das formas virchowiana e dimorfa, contaminando essas crianças/adolescentes, sendo necessário uma busca efetiva de pacientes, que devem iniciar o tratamento o mais precocemente possível afim de controlar a mesma. Aliada a isso deve-se capacitar médicos, enfermeiros, técnicos, auxliares e toda a equipe para dar melhores condições de atendimento e diagnóstico. Percebe-se dessa forma, que é função da (o) Enfermeira(o) da ESF proporcionar uma educação permanente aos auxiliares e técnicos de enfermagem, bem como dos agentes comunitários de saúde, e principalmente, realizar consultas que proporcionem, dentre outras funções, a identificação dos fatores de risco e de adesão ao tratamento. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Denominada durante muitos séculos por lepra, a Hanseníase, ao longo da história, foi descrita como uma doença que causava horror, em função das deformidades físicas que apresentava, ocasionando estigma e preconceito dos mais diversos. Seus indícios datam de 600 a.C., procedendo da Ásia, que juntamente com a África podem ser consideradas o berço da doença (COLE S.T. et. al/, 2001). Naquela época não havia conhecimento do agente etiológico, os portadores eram isolados para evitar o contágio, ainda assim, em fins do século XIX, quando Armauer Hansen descobre o caráter infecto-contagioso da doença, anulando idéia de hereditariedade, pecado ou castigo, surge a teoria de que o isolamento do doente eliminaria o mal. Tal fato incentivou durante muitas décadas, a Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 adoção de um modelo de tratamento baseado no cerceamento da liberdade em grandes instituições de isolamento. A pessoa apresenta área(s) e/ou lesão(ões) (manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, pápulas, infiltrações, tubérculos e nódulos) com distúrbio de sensibilidade, diminuição ou perda de sensibilidade ao calor, a dor e/ou ao tato em qualquer parte do corpo, com rarefação ou queda de pêlos, diminuição ou ausência de suor. As lesões da hanseníase geralmente se iniciam com hiperestesia (sensação de queimação, formigamento e/ou coceira) no local, que evoluem para ausência de sensibilidade e, a partir daí, não coçam e o paciente refere dormência. Caso não sejam tratadas, manifestam-se lesões nos nervos, que se apresentam espessos e doloridos, resultando em comprometimento sensitivo, motor e autônomo, responsáveis pelas incapacidades e deformidades característicos da doença. Os doentes de hanseníase são classificados como Paucibacilares e Multibacilares. Os paucibacilares são aqueles que possuem forma clínica indeterminada e/ou tuberculóide, abrigando uma pequena quantidade de bacilos, que é considerada insuficiente para infectar outras pessoas; tem baciloscopia negativa e apresentam menos de cinco lesões de pele e/ou apenas um tronco nervoso acometido (VIEIRA C.; 2008). A forma contagiosa da hanseníase, os multibacilares, abrigam um grande número de bacilos e são classificados como virchowianos e dimorfos; apresentam mais de cinco lesões de pele e um ou mais tronco nervoso acometido, sendo que os pacientes que não estão em tratamento, são considerados como fontes de transmissão e infecção da doença. A infecção é considerada de fácil diagnóstico e terapêutica, desde que, os profissionais tenham o comprometimento e a sensibilidade em diagnosticar precocemente e avaliar os riscos de agravamento da doença, classificando as formas clínicas corretamente e iniciando o tratamento o mais cedo possível. O esquema de Poliquimioterapia (PQT), recomendado pelo Programa de Controle da Hanseníase (PCH) para o tratamento dos doentes, leva à cura em períodos de tratamento relativamente curtos, 6 meses para os paucibacilares e 12 meses para os multibacilares, Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII sendo possível desenvolver atividades de controle da doença mesmo em municípios com pouca estrutura. Visto que a meta prevista para o ano 2000 e anos seguintes não foi atingida na maioria dos estados brasileiros, o objetivo agora é transferido para 2010, a fim de que os municípios busquem individualmente atingir o controle da doença. O eixo central do plano nacional de combate à hanseníase, é utilizar a rede de atenção básica junto às unidades de saúde da família, descentralizando o programa para o mais próximo dos usuários. Os secretários municipais de saúde devem desempenhar um papel estratégico ao assumir a responsabilidade pelo combate e controle da doença em seu município (Ministério da saúde/2007). É necessário um atendimento que oriente e conscientize a população, informando-a sobre a hanseníase e suas formas de transmissão, para que não se tenha um público passivo diante do controle da doença, pois muitos contatos domiciliares acabam não comparecendo ao serviço de saúde para o exame dermato-neurológico. E para que as equipes de saúde consigam cumprir essa tarefa com responsabilidade realizando uma busca ativa dos dados, é fundamental que o agente comunitário busque conhecer o cotidiano do usuário para facilitar o horário e o comparecimento do mesmo no local de saúde. Para a melhoria e organização do controle sobre a Hanseníase, é de fundamental importância intensificar a busca ativa (muitas vezes não se encontra o indivíduo em casa) melhorando o registro de dados; descentralizar as ações de controle da doença; deve-se estabelecer parcerias com outros serviços, com as USF‘s, ou com outras unidades básicas de saúde, no sentido de resgatar os contatos faltosos e de diagnóstico e tratamento precoce da doença; necessita-se focalizar e agilizar o diagnóstico de hanseníase em menores de quinze anos; deve-se promover a educação continuada/permanente e capacitação da equipe profissional da atenção básica visando diagnóstico e tratamento precoce e faz-se necessária à continuidade deste trabalho de controle de contatos, em parceria com as Universidades, sensibilizando e capacitando os acadêmicos da área de saúde, para suspeição diagnóstica e encaminhamento de casos suspeitos, também se faz necessária à parceria com outros órgãos governamentais em nível federal, estadual e municipal, ONGs ou Instituições privadas, visando sensibilizar outros setores para a luta contra a hanseníse. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 3. OBJETIVOS Gerais: Conhecer a situação epidemiológica da hanseníase no município de Guanambi, contribuindo para a prevenção da mesma. Específicos: Informar sobre a doença, formas de contágio, prevenção e tratamento; Orientar os garis para fazerem busca de manchas em familiares e encaminhá-los aos serviços de saúde através da atenção básica 4. METODOLOGIA Trata-se de um estudo epidemiológico retrospectivo, investigativo, realizado através dos dados das fichas do Sistema Nacional de Agravos de Notificação – SINAN dos pacientes atendidos com diagnóstico de hanseníase no serviço de referência do município de Guanambi – Bahia. Inicialmente será realizada uma visita diagnóstica aos espaços da Secretaria Municipal de Saúde, Departamento de Vigilância à Saúde, Vigilância Epidemiológica, Vigilância Sanitária, Vigilância à Saúde do Trabalhador, Departamento de Atenção Básica, 1º Centro de Saúde, Secretaria de Saúde, a partir destas informações dar-se-ão as próximas intervenções. Serão realizadas entrevistas com o Diretor do Departamento de Vigilância à Saúde e Vigilância Epidemiológica para adquirir dados sobre a doença em Guanambi, em seguida os dados obtidos serão analisados para elaboração do projeto. Após o Projeto pronto será agendada uma reunião com a Prefeitura Municipal de Guanambi e as Secretarias de Saúde, para apresentar o projeto e solicitar autorização para elaboração do mesmo. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Serão agendados cinco encontros com o público alvo para desenvolvimento dos trabalhos, no primeiro contatos será aplicado um questionário inicial para verificar o conhecimento que a clientela do projeto tem sobre o tema, em seguida serão dados esclarecimentos sobre a doença partindo do conhecimento prévio que os mesmos tem sobre o assunto e na seqüência serão discutidos temas sobre as formas clínicas, forma de contágio, tratamento e prevenção de incapacidades. 5. PROBLEMA Por que as pessoas continuam desenvolvendo a hanseníase nos dias atuais visto que a educação em saúde vem sendo desenvolvida com foco neste agravo há mais de 30 anos, através de campanhas ―educativas‖ anuais, utilizando cartazes, folhetos, folders e realização de palestras nos centros e unidades de saúde? 6. CONCLUSÃO Através de questionários aplicados e rodas de conversas com o público alvo deste trabalho em Guanambi percebemos que a população conhece muito pouco a doença hanseníase, além do fato de confundirem a hanseníase com leshmaniose, os entrevistados não sabem informar sobre o tratamento, onde buscar ajuda e todo o tratamento ainda é centralizado em um único local no Primeiro Centro uma Unidade Básica de Saúde e as Unidades de Saúde da Família – USF e Equipes de Agentes Comunitários de Saúde – EACS não vêem o problema da hanseníase como um grave problema grave de saúde pública que precisa ser debelado pela Estratégia de Saúde da Família – ESF. 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALENCAR C.H.M. et. al. Hanseníase no município de Fortaleza, CE, Brasil: aspectos epidemiológicos e operacionais em menores de 15 anos. Revista Brasileira de Enfermagem – REBEn, vol. 61, número especial, p. 671-5, 2008. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de atenção Básica. 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ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO MUNICÍPIO DE MATINA-BAHIA 1 : ALGUMAS REFLEXÕES Bianca Bezerra de Souza 2 Érica Silva Pereira Gloriana Fernandes Oliveira Josimara Vieira Lima Simone Souza Fagundes Sônia Maria Alves de Oliveira Reis3 Profª Alessandra Reis4 Resumo Este trabalho é resultado das discussões realizadas nas disciplinas Pesquisa e Prática Pedagógica III, Educação de Jovens e Adultos e Trabalho Interdisciplinar do Eixo do 3º semestre do curso de Pedagogia que visa analisar como está sendo efetivado o atendimento da Educação de Jovens e Adultos no município de Matina-BA. Além disso, pretendemos conhecer as políticas educacionais para a EJA em âmbito nacional e local, descrever o cenário da EJA no município de Matina indicando quais programas de EJA foram implementados no município. Para orientar a realização deste estudo, destacamos Arroyo (2005); Di Pierro (2005) Eiterer & Reis (2009) Haddad & Di Pierro (2000) e outros. A compreensão dos dados fundamenta-se nos pressupostos da abordagem qualitativa. Do ponto de vista técnico-metodológico, utilizaremos análise documental, questionários e entrevistas. Os resultados iniciais desse estudo que nos propomos a realizar reafirmam a necessidade de uma formação docente que contemple as particularidades da EJA, conhecimentos e saberes teórico-metodológicos que contribuam para uma prática educativa emancipatória na EJA. Palavras Chaves – EJA, políticas públicas, sujeitos, atendimento. Introdução O estudo proposto tem como enfoque principal conhecer e analisar como está sendo efetivado o atendimento da Educação de Jovens e Adultos no município de Matina-BA5. Além disso, pretendemos conhecer as políticas educacionais para a EJA 1 Este trabalho é resultado das discussões realizadas nas disciplinas Pesquisa e Prática Pedagógica III, Educação de Jovens e Adultos e Trabalho Interdisciplinar do Eixo do 3º semestre do curso de Pedagogia. 2 Graduandas do curso de Pedagogia, UNEB - Campus XII. Profª da disciplina Educação de Jovens e Adultos, UNEB – Campus XII. 4 Profª da disciplina Pesquisa e Prática Pedagógica III, UNEB – Campus XII. 5 Município do sudoeste da Bahia, com aproximadamente 13.245 mil habitantes, com uma área de 773 Km². As principais atividades econômicas do município são agricultura e pecuária, a cidade possui um clima seco a sub-úmido e limita-se com os municípios de Palmas de Monte Alto, Riacho de Santana e Igaporã. 3 Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 em âmbito nacional e local, descrever o cenário da EJA neste município indicando quais programas de EJA foram por ele implementadas. A EJA constitui um conjunto de processos de aprendizagem, nos quais os educandos desenvolvem suas capacidades, enriquecem seus conhecimentos e melhoram suas competências técnicas e profissionais. Garantir ao jovem e adulto a alfabetização da escrita, leitura e cálculos é prepará-lo para continuidade de seus estudos, assegurando-lhe o acesso a outros níveis de ensino. Além disso, quando se propõe práticas de construção coletiva do conhecimento, se valoriza o saber de cada aluno e possibilita-os aprendizagem através de diferentes linguagens, de forma a prepará-los frente às exigências do mundo atual, permitindo assim o pleno exercício da cidadania. Os estudos e pesquisas sobre Educação de Jovens e Adultos são importantes para conhecermos os dados educacionais da EJA em nosso município, pois enquanto estudantes de Pedagogia é importante que nos inteirarmos das questões educacionais locais. Justificamos ainda a escolha do tema por meio de incentivos para analisar as estratégias em busca de concretizarem dados e ideias a respeito da mesma. Esta investigação também é relevante e se justifica pelo fato da maioria das pessoas que estão envolvidas nela tem experiência no campo da EJA, seja na condição de alfabetizadoras, coordenadoras ou estudantes da disciplina Educação de Jovens e Adultos. Acreditamos que o conhecimento acerca do tema proposto será pertinente à organização das questões/dados educacionais do município nessa modalidade de ensino e em futuros estudos e proposição de projetos tanto de pesquisa quanto de intervenção pedagógica. Observamos que um dos grandes entraves em relação a EJA se refere a carência de Políticas Públicas para esta modalidade de ensino. Portanto pretendemos com este trabalho investigar se há políticas publicas de EJA no município de Matina. Compreendemos a educação de Jovens e adultos como um direito por isso objetivamos com esta investigação conhecer as políticas educacionais para a EJA em âmbito nacional e local, observando o atendimento por meio dos programas temporários e do ensino fundamental (escola regular). Metodologia Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII A pesquisa é de cunho qualitativo. Nos estudos qualitativos, o pesquisador é o principal instrumento de investigação, isso porque tanto a formação intelectual do pesquisador, quanto suas experiências pessoais e profissionais relacionadas ao contexto e aos sujeitos dão subsídios na interpretação dos fenômenos observados e assim devem ser explicitados ao leitor. Na pesquisa qualitativa o pesquisador tem um contato direto com o objeto a ser pesquisado, conhecendo assim os temas e problemas mais íntimos destes. O pesquisador deve ganhar a confiança dos participantes da pesquisa, fazendo com que estes sintam a necessidade de participar. De acordo com Fernando Rey (2005, pág.103) A pesquisa qualitativa caracteriza-se pela construção de um modelo teórico como via de significação da informação produzida, a qual não está fragmentada em resultados parciais associados aos instrumentos usados, mas está integrada em um sistema cuja inteligibilidade é produzida pelo pesquisador. As pesquisas qualitativas possuem várias metodologias, ou seja, usam uma grande variedade de procedimentos e instrumentos para coleta de dados. Essa pesquisa revê como é feito o planejamento para conduzir a investigação de modo a atingir o objetivo ou até mesmo responder as questões que são propostas. Segundo Mazzoti ―a natureza das abordagens qualitativas, aliada a sua disseminação recente em algumas áreas de conhecimento como a educação, exige que os pesquisadores que as adotam demonstrem preocupação com o rigor com que pretendem conduzir sua investigação‖ (2004, p.171). A coleta de dados será realizada no município de Matina-BA, com o consentimento da Secretaria Municipal de Educação. Como procedimentos metodológicos pretendemos realizar análise de documentos, entrevistas semiestruturada e questionários destinados aos educadores e coordenadores da EJA da rede municipal das escolas que atende sujeitos da EJA. De acordo com Mazzoti ―por sua natureza interativa, a entrevista permite tratar de temas complexos que dificilmente poderiam ser investigados adequadamente através de questionários, explorando-os profundamente‖ (2004, p.168). No levantamento prévio do número de alunos atendidos na rede municipal de Matina-BA, detectamos que no Grupo Escolar ―X‖ e no Colégio Municipal ―Y‖ há um Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 total de 253 alunos matriculados na EJA e 23 professores. Revisão de Literatura A Educação de Jovens e Adultos sempre compreendeu um conjunto diverso de processos e práticas a respeito da ampliação dos conhecimentos básicos, competências técnicas e profissionais ou de habilidades socioculturais. Como aponta Di Pierro e Haddad (2000, p. 109): No campo dos direitos legais, a primeira Constituição Brasileira, de 1824, firmou sob forte influencia européia a garantia de uma ―instrução primária e gratuita para todos os cidadãos‖, portanto também para os adultos. A EJA configura-se como uma modalidade de educação que atende a pessoas de 15 anos ou mais de idade, constituindo um conceito da Educação ao longo da vida. Propõe que a formação do ser humano está estruturada num sistema tridimensional, ou seja, o Eu (autoformação) como o Outro (heteroformação) e com o Meio Ambiente (ecoformação). A EJA nesta linha tri/ou bidimensional utiliza a perspectiva libertadora que propõe possibilitar ao estudante a percepção de que a educação fornece os instrumentos para melhor compreender a realidade interferindo e transformando o seu cotidiano. Nessa direção a Lei de Diretrizes e Bases – LDB 9394/96 nos dois artigos que tratam da educação de jovens e adultos, assegura que Art. 37: A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. Art. 38: Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos que compreenderão a base nacional, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. As mudanças são poucas em relação à concepção e a prática da educação de jovens e adultos que está em vigor nos sistemas de ensino. Uma delas foi à mudança ocorrida na idade do jovem para ter acesso a esta modalidade de ensino. Antes, a faixa de idade era de 18 e 21, com a vigência da LDB a faixa de idade mudou para 15 e 18 anos em cada nível de ensino. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 No entanto, a EJA não é vista como responsabilidade pública, passa a fazer parte do cenário nacional, porém necessita de mais investimentos para tapar as lacunas que ainda existem na área de formação do professor, da aprendizagem e de pesquisas. Com todas essas demandas vê-se a possibilidade de reconfigurar a EJA. Assim, segundo Eiterer e Reis (2009, p.196) ―a EJA deve ser reconfigurada, tendo por base o perfil do jovem e do adulto que demandam escolaridade, ou melhor, aprendizagem de fato‖. Os alunos da EJA são vistos como portadores de problemas na aprendizagem, são estudantes evadidos, defasados, reprovados. De acordo com Arroyo (2005, p. 23): A EJA somente será reconfigurada se esse olhar for revisto. Se o direito à educação ultrapassar a oferta de uma segunda oportunidade de escolarização, ou na medida em que esses milhões de jovens-adultos forem vistos para além dessas carências. Um novo olhar deverá ser construído, que os reconheça como jovens e adultos em tempos e percursos de jovens e adultos. Percursos sociais onde se revelam os limites e possibilidades de ser reconhecidos como sujeitos dos direitos humanos. Esses jovens e adultos são sujeitos privados de seus direitos educacionais. Temos de reconhecer, de um lado, que jovens e adultos são cognitivamente capazes de aprender ao longo de toda a vida e que as mudanças econômicas, tecnológicas e socioculturais em curso neste novo milênio impõem a aquisição e atualização constante de conhecimentos pelos indivíduos de todas as idades, propugna-se conceber todos os sistemas formativos nos marcos da educação continuada. Contudo, faz-se necessário a implementação de políticas públicas que favoreçam a melhoria da educação de jovens e adultos, como relata Di Pierro (2005, p. 110): Já a partir da década de 1920 o movimento de educadores e da população em prol da ampliação do número de escolas e da melhoria de sua qualidade começou a estabelecer condições favoráveis à implementação de políticas públicas para a educação de jovens e adultos. Em termos de política pública, uma revisão da literatura permite que identifiquemos algumas indicações mais ou menos consensuais. Uma delas relaciona -se ao reconhecimento do direito dos indivíduos traçarem com autonomia suas próprias biografias formativas. A outra recomenda modificar o estilo de planejamento das agências formadoras, levando-as a realizar um "giro" da oferta para a demanda, ou seja, deixar de conceber a oferta educativa a partir de padrões únicos (quase sempre referidos Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 aos parâmetros da educação escolar de crianças e adolescentes), passando a concebê-la a partir da diversidade de demandas concretas dos diferentes segmentos sociais. Isso não implica em dizer que a educação básica ofertada a jovens e adultos deva reproduzir as formas de organização, currículos, métodos e materiais da educação básica infanto-juvenil, muito pelo contrário, a experiência internacional recomenda flexibilizar currículos, meios e formas de atendimento, integrando as dimensões de educação geral e profissional, reconhecendo processos de aprendizagem informais e formais, combinando meios de ensino presenciais e a distância, de modo que os indivíduos possam obter novas aprendizagens e a certificação correspondente mediante diferentes trajetórias formativas. Considerações finais As políticas públicas precisam atender às especificidades da EJA a fim de que não haja uma mera concepção compensatória de educação de pessoas adultas, o que implicaria em negar as desigualdades educativas a serem enfrentadas. Uma pesquisa em Educação de Jovens e Adultos comporta em seu interior uma complexa gama de fatores a serem explorados numa investigação, mesmo porque propõe uma grande diversidade de necessidades formativas. Dessa forma, o lugar da educação de jovens e adultos pode ser entendido como marginal ou secundário, sem maior interesse do ponto de vista da formulação política e da reflexão pedagógica, quando, pelo contrário, a abordagem do fenômeno educativo é ampla e sistêmica, merecendo maiores atenções quanto a sua história, concepções, proposições, legalização e financiamento. Os resultados iniciais desse estudo que nos propomos a realizar reafirmam a necessidade de uma formação docente que contemple as particularidades da EJA, conhecimentos e saberes teórico-metodológicos que contribuam para uma prática educativa emancipatória na EJA. Referências bibliográficas Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 ALVES, MAZZOTTI, Alda Judith; GEWANDSZNADJER, Fernando. O método anãs Ciências Naturais e Sociais: Pesquisa Quantitativa e Qualitativa. São Paulo: Pioneira Thomson, 2004. AMORIM, Antonio. A nova LDB, Lei nº 9.394/96 – Analise e Aplicação. Salvador, dezembro de 1997. ARROYO, Miguel. Educação de Jovens e Adultos: um campo de direitos e de responsabilidade publica. In:SOARES, L.J.G., GIOVANETTI, M.A.; GOMES, N.L.. Diálogos na educação de jovens e adultos. Belo Horizonte: Autêntica, 2005, p.19-50. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Brasília, DF, MEC, 1996. DI PIERRO M. C. 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ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 USO E DISPONIBILIDADE DE EPI (EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL) NOS PSFs DA ZONA URBANA DE GUANAMBI-BA. Anderson Dias Cardoso 1 Elionara Teixeira Boa Sorte Gabriela Luz Sousa Gabryella Castro Guimarães Maurício da Silva Santos Orientador: Mauro César Ribeiro dos Santos 2 RESUMO Relata o uso dos EPI (Equipamentos de Proteção Individuais) pelos profissionais de enfermagem dos PSFs (Programa de Saúde da Família) da zona urbana do município de Guanambi-BA, e a disponibilidade desses equipamentos de proteção nestas unidades de saúde. Objetiva retratar a proporção do uso pelos profissionais e o comprometimento dos gestores na disponibilidade dos EPI. Discorre a respeito da importância de medidas preventivas para a saúde do trabalhador, contribuindo assim para o bom desempenho de suas atividades. É notável que a maioria dos profissionais pesquisados reconhecem a importância das medidas preventivas, já que fazem uso dos EPI e os gestores cumprem seu papel no que se refere à disponibilidade desses equipamentos. Como método, optou se realizar uma pesquisa de campo, com abordagem quantitativa, utilizando artigos científicos e livro para fundamentação teórica, sendo o questionário estruturado o instrumento de pesquisa adotado. Considera-se que diante do crescente número dos acidentes de trabalho, relatados em diversos estudos, a discussão e adoção de medidas preventivas, por parte de profissionais e gestores são de extrema importância para a garantia de condições ideais de trabalho. Valendo-se da relevância do tema abordado, anseia-se aprofundar este estudo, utilizando-se de outros instrumentos de pesquisa, a fim de enriquecer a discussão proposta. Palavras-chave: EPI (Equipamentos de Proteção Individuais), saúde do trabalhador, condições de trabalho. INTRODUÇÃO 1 2 Graduando (a) em enfermagem pela Universidade do Estado da Bahia. Prof. Esp. da Universidade do Estado da Bahia. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia As questões referentes à saúde e segurança do trabalho tem sido elemento de discussão com intuito de assegurar melhores condições de trabalho aos profissionais, o que evitaria danos à saúde e garantiria a continuidade de suas atividades. A problemática discutida busca responder questionamentos referentes ao uso e disponibilidade de EPI, sendo pertinente esse estudo, visto a importância da prevenção para evitar riscos relacionados à saúde do trabalhador. A princípio, julga-se que os profissionais de enfermagem entrevistados não fazem uso dos EPI, mesmo estes sendo disponibilizados pelos gestores, suposição essa baseada no conhecimento do alto índice dos acidentes próprios às atividades laborais referenciados em diversos estudos. Equipamento de Proteção Individual – EPI intitula a Norma Regulamentadora do trabalho urbano (NR 6) e estabelece as definições legais, formas de proteção, requisitos de comercialização e responsabilidades (empregador, empregado, fabricante e MTE - Ministério do Trabalho e Emprego). Os artigos 166 e 167 da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) embasam juridicamente essa norma (ROCHA, 2001). Os equipamentos de proteção individual referem-se à proteção específica aos riscos constatados, e cabe a cada empregador fornecer os EPI e capacitar o trabalhador em relação ao uso correto dos mesmos. Contudo, torna-se indispensável o empenho dos profissionais em reconhecer a importância de utilizá-los, não se limitando apenas a uma obrigação dos empregadores. REFERENCIAL TEÓRICO Marizale e Robazzi (2000) mostram que desde a década de 40, diante das inadequadas condições de emprego nos hospitais de diversos países, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) tem considerado o problema como tema de discussão e proposto recomendações referente à higiene e segurança, para melhorar essa situação. Em se tratando de profissionais de enfermagem, Costa e Felli (2005) ainda apontam que esses estão expostos a diversas cargas de trabalho. [...] No Brasil, MAURO et al. (1976) foram as pioneiras em utilizar os princípios ergonômicos para analisar o trabalho de enfermagem e na última década houve uma maior utilização da referida abordagem e um número crescente de estudos tem sido realizados (MARIZALE E ROBAZZI, 2000, p.125). Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 O estudo de Malaguti et al. (2007) relata os acidentes com perfurocortantes, sendo a causa mais comum de exposição ocupacional. Além disso, mostra que a adoção de medidas preventivas requer mudanças de hábitos e, muitos profissionais experientes têm dificuldade de lidar com essa mudança. Nesse estudo, a disponibilidade dos EPI foi citada por 44% dos enfermeiros com carga de chefia como a maior facilidade que os profissionais de enfermagem têm à disposição para prevenção de acidentes. Malaguti et al., 2007 ainda aponta que a resistência do profissional em utilizar os EPI foi citada por 41,3% dos sujeitos pesquisados, como motivo que determina a ocorrência de acidentes na unidade relacionados ao profissional, à instituição e ao paciente. Tanto Formozo e Oliveira (2009) quanto Malaguti et al. (2007) afirmam que os profissionais de enfermagem se preocupam mais com o uso dos EPI de acordo com a gravidade e a facilidade de transmissão da patologia do cliente assistido. É relevante a prática de educação preventiva para o grupo de enfermagem, advertindo os possíveis riscos a acidentes de trabalho com o não uso EPI, é fundamental que toda equipe busque formas que possibilitem mais garantia nos procedimentos. Com isso, percebe-se que o uso de EPI é de extrema importância para evitar acidentes de trabalho, o que é percebido pelos profissionais de enfermagem, contudo, apesar de muitas vezes esses equipamentos estarem disponíveis, o seu uso adequado não é estabelecido devido a diversas situações, como por exemplo, o receio pela mudança de hábitos, sendo necessários treinamentos e orientações a cerca dessa iniciativa. OBJETIVOS Este artigo busca investigar o uso dos EPI (Equipamentos de Proteção Individuais) pelos profissionais de enfermagem dos PSFs (Programa de Saúde da Família) da zona urbana do município de Guanambi-BA, e a disponibilidade desses equipamentos nas unidades de saúde da família pesquisadas. METODOLOGIA Trata-se de um estudo quantitativo, realizado com pesquisa de campo e questionário estruturado. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII Esse estudo expressa o total de enfermeiros de nível superior, técnicos e auxiliares de enfermagem lotados em Unidades de Saúde da Família da cidade de Guanambi-BA, totalizando 46 trabalhadores aos quais foram feitos convites individuais para participarem deste estudo, assegurando o caráter sigiloso quanto à identificação dos respondentes e apresentado a estes profissionais o objetivo e método da investigação, respeitando-se as recomendações sobre a ética em pesquisa. O levantamento bibliográfico foi realizado por meio de artigos e livros relacionados a ergonomia. O instrumento de pesquisa utilizado foi um questionário estruturado, elaborado pelo grupo de estudo do projeto de extensão ―Perfil ergonômico dos postos de trabalho dos profissionais de enfermagem da cidade de Guanambi-Bahia” da Universidade do Estado da Bahia – Campus XII. A coleta de dados realizou-se em agosto de 2010 com aplicação do instrumento após leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE pelos respondentes. O questionário compreendeu 28 questões objetivas de múltipla escolha abordando os seguintes dados: Relação Profissional, Mobiliário e Estrutura Física, EPI, Normas Regulamentadoras, Condição Biopsicossocial e Patologias Mais Freqüentes. Sendo que neste artigo utilizou-se apenas as três questões referentes a EPI. Os dados foram tabulados em planilha no Microsoft Office Excel 2007, a análise baseou-se na relação do uso dos EPI e das ofertas destes pelos estabelecimentos, fato preconizado por leis e normas do trabalho, para isso elaborou-se gráficos em busca de favorecer as análises dos dados. Isto surgiu com objetivo de proporcionar uma crítica sobre os riscos ocupacionais pelos quais os profissionais estão submetidos, para que contribua para melhoria das condições de trabalho. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os questionários foram respondidos por 46 profissionais, sendo 16 enfermeiros, 26 técnicos de enfermagem e 4 auxiliares. Quanto à disponibilidade dos EPI no ambiente de trabalho, segue o gráfico 1. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 A partir dos dados dispostos no gráfico 1 afere-se que a maioria dos PSFs pesquisados dispõem de EPI, contribuindo para prevenção dos acidentes de trabalho ao qual a equipe de enfermagem está exposta. Com isso, percebe-se que a gestão tem cumprido seu papel diante da NR-6. Os dados referentes ao uso de EPI encontram-se distribuídos no gráfico 2. Este gráfico remete ao uso de EPI, em que 50% dos pesquisados refere sempre usar os equipamentos, fato contrastado com o estudo de Malaguti et al., 2007, no qual houve resistência dos entrevistados no uso dos equipamentos de proteção individual. Estes resultados constatam a conscientização e a relevância dada a estes equipamentos por parte dos profissionais entrevistados, desconfirmando a hipótese apresentada. CONSIDERAÇÕES Constata-se a relevância de discutir a saúde do trabalhador, com a finalidade de adotar medidas preventivas de danos à saúde que visem melhorias nas condições de trabalho. Em se tratando dos profissionais de enfermagem, a adoção de medidas como o uso de EPI é relevante para redução de riscos inerentes às atividades realizadas por estes. Aos gestores cabe propiciar adequadas condições de trabalho e capacitar a equipe Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 quanto às prevenções e, aos profissionais, se sensibilizarem para importância dessa medida, e do uso de todos os equipamentos necessários à sua proteção. Neste estudo, verifica-se o uso de EPI pelos profissionais entrevistados e a disponibilidade desses nos estabelecimentos de saúde pesquisados. Contudo, vale ressaltar um possível aprofundamento deste estudo, com a utilização de outros instrumentos de pesquisa, como uma observação total, entrevista semi-estruturada com profissionais de enfermagem e usuários dos PSFs, a fim de ampliar a discussão a cerca do tema. REFERÊNCIAS COSTA, Taiza Florêncio; FELLI, Vanda Elisa Andrés. Exposição dos trabalhadores de enfermagem às cargas químicas em um hospital público universitário da cidade de São Paulo. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 13, n. 4, Ago. 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010411692005000400007&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 27 Out. 2010. FORMOZO, Gláucia Alexandre, OLIVEIRA, Denise Cristina de. Auto-proteção profissional e cuidado de enfermagem ao paciente soropositivo ao HIV: duas facetas de uma representação. Acta paul. Enferm. [online]. 2009, vol.22, n.4, pp.392.Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ape/v22n4/a07v22n4.pdf.>Acesso em: 28 de outubro de 2010 as 12:48 MALAGUTI, Silmara Elaine et al . Enfermeiros com cargos de chefia e medidas preventivas à exposição ocupacional: facilidades e barreiras. Rev. esc. enferm. USP. São Paulo, v. 42, n. 3, Set. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S008062342008000300012&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 27 Out. 2010. MARZIALE, Maria Helena Palucci; ROBAZZI, Maria Lúcia do Carmo Cruz. O trabalho de Enfermagem e a Ergonomia. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 8, n. 6, Dez. 2000. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010411692000000600018&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 14 Out. 2010. RIBEIRO, Maria Celeste Soares (org.). Enfermagem e trabalho: fundamentos para atenção à dos trabalhadores. São Paulo: Martinari, 2008. ROCHA, Geraldo Celso. Trabalho, Saúde e Ergonomia: Relação entre aspectos legais e médicos. 3ª triagem. Curitiba: Juruá, 2006. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 O CENÁRIO DA EJA NO MUNICIPIO DE CAETITÉ: ALGUMAS REFLEXÕES1 Cláudia Pereira dos Santos2 Danívia da Silva Santos Isana Cristina S. Neves Janete de Carvalho da Silva Lígia Karla S. Magalhães Naiara Santos R. Lacerda Sônia Maria A. Oliveira Reis3 RESUMO O artigo em questão tem como objetivo analisar como a legislação nacional e local regulamenta e propõe o atendimento, a organização do trabalho pedagógico e o financiamento da Educação de Jovens e Adultos no município de Caetité – BA. Dessa forma buscamos compreender como se dá o atendimento da EJA no ensino fundamental da rede municipal de Caetité, através de levantamento de dados, relatos e questionários que configuram o ensino oferecido na educação de jovens e adultos. A partir disso, procuramos com estudos revelar como ocorre à participação e interesse das autoridades em relação aos sujeitos da EJA, bem como a formação continuada para os professores e as políticas públicas voltadas a essa modalidade de ensino. A pesquisa foi realizada numa escola da sede do município, onde buscamos analisar os motivos que levaram os professores da EJA a empenhar-se nessa modalidade de ensino e indagamos sobre sua afinidade e afetividade com esses jovens e adultos. Observamos que a educação de jovens e adultos carrega consigo a pretensão de dar garantias de um direito que foi negado a esses educandos que é o acesso à escolarização básica e, ao mesmo tempo, cria grandes expectativas naqueles que frequentam os cursos quanto às mudanças no cotidiano, principalmente, na realidade profissional deles. Buscamos verificar também se as instituições de ensino públicas têm se preocupado com a formação de seu corpo docente, uma vez que a qualidade do ensino depende muito da relação professor-aluno. Palavras-chave: EJA, políticas públicas, sujeitos, organização do trabalho pedagógico. 1 Artigo produzido na atividade do eixo, 3º semestre curso de Pedagogia. Graduandas do 4º semestre do Curso de Pedagogia, UNEB – Campus XII. ²Professora mestra do curso de Pedagogia Universidade do Estado da Bahia – UNEB – Campus XII . 2 Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Introdução O presente artigo tem como objetivo analisar o cenário da EJA no município de Caetité, onde se busca compreender quais são as iniciativas e propostas realizadas neste município a partir da proposta estadual. Analisamos também o perfil dos sujeitos que frequentam essa modalidade de ensino. O trabalho foi desenvolvido a partir de uma reflexão crítica e por meio de coleta de dados através de entrevistas, questionários e fontes bibliográficas. A partir dos dados coletados nos propomos a entender como a EJA é regulamentada pela legislação nacional e local, observando se há uma atenção voltada às necessidades desses sujeitos que fazem esta modalidade de ensino. Além disso, visamos compreender que significado os educandos da EJA atribuem ao seu processo de escolarização e como eles se vêem no ambiente escolar durante as aulas. Dessa forma procuramos identificar e mapear as principais iniciativas e discussões relacionadas às políticas públicas de educação de jovens e adultos no Brasil e especificamente no município de Caetité/BA, tomando por base, os resultados coletados nos documentos municipais que foram analisados e os estudos e a interlocução com os autores como Arroyo (2005), Reis (2009), Freire (1997) e Di Pierro (2005) e com a coordenação de EJA da Rede Municipal de Caetité. Fundamentos Filosóficos e Pedagógicos da Educação de Jovens e Adultos A história de Educação de Jovens e adultos no Brasil teve seu início ainda nos tempos do Brasil colônia, com ações educativas exercidas pelos jesuítas. Porém, devidos ao contexto sócio-econômico e político da época, que considerava a cidadania apenas como um direito da elite, pouco ou quase nada foi realizado oficialmente e as ações desenvolvidas não adquiriram amplitude significativa na sociedade como um todo. Com o advento do século XIX, surge no cenário nacional, diversos movimentos contra o analfabetismo que só se formaliza com a promulgação da Constituição Brasileira de 1988, onde é garantida a escolarização primária e gratuita para todos os cidadãos. A partir dos anos 60 de acordo (DI PIERRO, 2005). Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia [...] ―movimentos de educação e cultura popular ligados a organizações sociais, à Igreja Católica e a governos desenvolveram experiências de alfabetização de adultos orientadas a conscientizar os participantes de seus direitos, analisarem criticamente a realidade e nela intervir para transformar as estruturas sociais injustas‖. Percebe-se então que a sociedade começa a voltar toda a atenção para a educação em todos os seus níveis e modalidades. Entretanto, a educação básica de jovens e adultos como observa (DI PIERRO, 2005), toma um novo rumo com o início da ditadura militar, onde o ensino de jovens e adultos deixa de ser pelos ideais dos movimentos populares onde a formação crítica do aprendiz era o principal objetivo, para atender ao apelo modernizador da educação à distância e aderindo aos preceitos tecnicistas, pois o país estava necessitando de mão de obra especializada para manter o ritmo de crescimento da individualização da aprendizagem e instrução programada, que fundamentaram a difusão das modalidades de educação não presencial em centros de estudos supletivos e tele cursos, que se somaram aos cursos presenciais na configuração de um subsistema de ensino supletivo. Que mais tarde acaba se configurando até mesmo nas universidades com ensino a distância. É importante ressaltar que a Educação de Jovens e Adultos deve ser compreendida enquanto processo de formação humana plena que, embora instalado no contexto escolar, deverá levar em conta as formas de vida, trabalho e sobrevivência dos jovens e adultos que se colocam como principais destinatários dessa modalidade de educação. É necessário relacionar os saberes com a prática, sendo que os educadores devem a todo o momento relacionar os saberes teóricos com o cotidiano dos educandos, mostrando-os a importância dessa comparação, relação esta que pode ser comparada com a pedagogia dialógica freireana, que visa à valorização do ser humano que aprende como alguém que já traz uma bagagem de experiências, e não aprende como ignorante. Analisando a história da educação de jovens e adultos no país, percebemos uma longa trajetória marcada por avanços e retrocessos, sendo que estes avanços fizeram com que a EJA, se difundisse por todo o país, principalmente com a retomada de seus objetivos primários onde ONGs tomam a frente do ensino de EJA por todo país. A EJA em Caetité – Bahia Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 A passagem das políticas educacionais da EJA foi marcada, em todo mundo, pelo crescimento da absorção e a participação de jovens e adultos em programas educacionais. Dentre as motivações para a busca de maiores níveis de escolarização após a infância e adolescência destacam-se as múltiplas necessidades de conhecimentos ligadas ao acesso aos meios de informação, comunicação, havendo assim crescentes exigências de qualificação de um mundo do trabalho cada fez mais competitivo e excludente. As pessoas que se ingressam na EJA no município de Caetité buscam nesta modalidade de ensino, oportunidades de estudos acelerados em horário noturno. São adolescentes, jovens e adultos, que por motivos de trabalho, família e muitas vezes condições financeiras tiveram que interromper o processo de escolarização. Com uma trajetória escolar truncada e descontínua marcada por insucessos e desistências muitos retornam à escola em busca de credenciais escolares. Ir à escola como afirma (EITERER & REIS, 2009, p 206) é uma das estratégias para enfrentar a exclusão, pois na escola podem aprender não só a dominar a leitura e a escrita, o registro convencional do cálculo matemático, mas também reorientar sua subjetividade e conduta para fazer frente aos padrões culturais dominados. As instituições de ensino públicas têm se preocupado bastante com a formação de seu corpo docente, uma vez que a qualidade do ensino depende muito da relação professor-aluno. Muito se discute, atualmente, sobre a formação do professor de jovens e adultos, pois o educador deve ter consciência de sua força no desenvolvimento do educando. O professor da EJA deve compreender a necessidade de respeitar a pluralidade cultural, as identidades, as questões que envolvem classe, etnia, saber e linguagem dos seus alunos, caso contrário, o ensino ficará limitado à imposição de um padrão. Educar jovens e adultos, hoje, não é apenas ensiná-los a ler e escrever seu próprio nome. É oferecer-lhes uma escolarização ampla e com mais qualidade. E isso requer atividades contínuas e não projetos isolados que, na primeira dificuldade, são deixados de lado para o início de outro. Além disso, a educação de jovens e adultos não deve se preocupar apenas em reduzir números e índices de analfabetismo. Deve ocupar-se de fato com a cultura do educando, com sua preparação para o trabalho e como está previsto nas diretrizes curriculares da EJA deve-se preocupar também com a Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 qualificação e equalização do ensino e da aprendizagem na Educação de Jovens e Adultos. Constata-se o quantitativo de duzentos e trinta e cinco (235) alunos matriculados no ensino fundamental I (1ª a 4ª série) e o fundamental II (5ª a 8ª). Esses são distribuídos em cinco escolas sendo uma na sede e as demais nos seus distritos. O município conta com trinta e dois professores lecionando em turmas de EJA, os quais contam apenas com a orientação de uma coordenadora pedagógica. A pesquisa foi realizada na escola da sede do município onde verificamos a existência de oito professores que ensinam na EJA, sendo dois no fundamental I e seis no fundamental II, os mesmos possuem nível superior com especializações. Ao analisar os motivos que levaram os professores da EJA a empenhar-se nessa modalidade de ensino, notamos principalmente afinidade e afetividade com os jovens e adultos o que favorece uma relação professor/aluno mais próxima e consequentemente facilita o aprendizado e provoca o diálogo em sala de aula. Ao indagarmos sobre formação profissional dos docentes da EJA, abordagens pedagógicas, as escolhas teóricas e metodológicas utilizadas, percebemos que a organização do trabalho pedagógico da maioria fundamenta-se nas propostas de Paulo Freire. Além disso, os professores demonstraram satisfação em lecionar nas turmas da EJA, embora reconheçam os desafios que terão a enfrentar. Relataram ainda a preocupação e o esforço constante para estabelecer uma relação entre teoria e prática e aproximar o cotidiano dos alunos as práticas de sala de aula. Para superar tais dificuldades, os professores buscam desenvolver práticas pedagógicas dinâmicas e participativas, valorizando os conhecimentos prévios dos discentes. Fazendo uma análise sobre os sujeitos da EJA da escola que serviu de base para este projeto, notamos que a sua maioria reside na sede do município, eles estão na faixa etária entre vinte e cinco a trinta e quatro (25 a 34) anos. Percebemos que a maioria dos discentes matriculados nessa modalidade de ensino são casados e trabalhadores, que ganham menos de um salário mínimo, além disso, são responsáveis pelo sustento da família, sendo esta a maior dificuldade enfrentada para continuar os estudos. Os motivos que os levaram a frequentar a EJA é a perspectiva de conseguir um melhor emprego e melhoria de vida, os discentes afirmam que o ensino da EJA é excelente e que seus Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 professores mostram-se bem próximos dos alunos. Considerações Finais Diante do que foi exposto verificamos que o cenário da EJA no município de Caetité não se difere dos demais, pois ao pesquisarmos sobre o tema constatamos que a EJA no município ainda não é um campo consolidado, uma vez que sua proposta curricular da EJA do município ainda não está pronta. Concluímos também que o perfil dos sujeitos que frequentam essa modalidade de ensino são jovens e adultos trabalhadores proletariados, desempregados, dona de casa, com suas diferenças culturais, de etnia, de religião e de crenças, o que exige do educador uma visão mais ampla dos seus sujeitos. No que se refere ao professor, este artigo possibilitou identificar as características que o mesmo deve possuir para atuar com jovens e adultos e a importância do respeito ao conhecimento que o aluno traz de seu dia-a-dia. Fazendo com que o educando seja um ser pensante, crítico e produtor do seu conhecimento. Nesse sentido, foi evidenciado que a maioria dos professores possui um curso de nível superior, porém não voltados especificamente para a área em que atuam. Dessa forma, entendemos que o estudo da EJA, despende de pesquisas e acompanhamentos mais aprofundados e sistemáticos, principalmente em relação ao estudo da EJA no município de Caetité, pois observamos uma necessidade de compreender melhor o campo da EJA, reconhecendo as especificidades dos seus sujeitos, elaborando políticas públicas, garantido o atendimento e financiamento com qualidade. Referências Bibliográficas ARROYO, Miguel. Educação de jovens e adultos: um campo de direitos e de responsabilidade pública. In: SOARES, L.J. G; GIOVANETTI,M.A; GOMES,N.L. Diálogos na educação de jovens e adultos. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.p.19-50. BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 apresentação dos temas transversais e ética. 3. Ed. Brasília: MEC/SEF, 2001. DI PIERRO, Maria Clara. Notas sobre a redefinição da identidade e das políticas publicas de educação de jovens e adultos no Brasil. Campinas, vol. 26, n.92, p.11151139, Especial - Out. 2005. EITERER, C. L.; REIS, S. M. A. O. Educação de jovens e adultos entre regulação e emancipação. In: SOARES, Leôncio; SILVA, I. O. (Orgs.). Sujeitos da educação e processos de sociabilidade: os sentidos da experiência. Belo Horizonte: Autentica, 2009, v. 1, p. 179-216. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 CONTRIBUIÇÕES DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DE UMA ESCOLA DA REDE MUNICIPAL DE GUANAMBI-BA Isamara Silveira 1 Jussana Ribeiro2 Luciana Rodrigues Martins3 Marleide Figueiredo. 4 Rejane Teixeira 5 Orientadora: Profª Ms. Zizelda Lima Fernandes. RESUMO: O presente projeto propõe desenvolver um estudo que adentra pelo campo da educação, cujo objeto de estudo é o Projeto Político Pedagógico compreendido como um instrumento indispensável de ação e transformação na escola por auxiliá-la na construção do seu próprio caminho e na realização dos seus objetivos. Propõe-se a partir desse trabalho, analisar o processo de construção e vivência do Projeto Político Pedagógico na escola Vivara da rede municipal de Guanambi-BA. A questão problema orientadora da pesquisa é a seguinte: o Projeto Político Pedagógico da Escola Vivara da rede municipal de Guanambi, contempla em suas metas e ações as reais necessidades, anseios e perspectivas dos alunos inseridos nessa instituição? O campo de investigação é uma escola da rede municipal de ensino que atende crianças que se encontram nos anos iniciais do ensino fundamental. Pesquisa de natureza qualitativa cujos atores sociais serão professores, alunos e gestores da escola ( diretor/a, coordenador/a). O processo de coleta de dados se constituirá a partir dos procedimentos teóricometodológicos: Análise documental, entrevistas semi-estruturadas e questionários. O material coletado e classificado será a base de apoio para a interpretação e análise dos dados a partir de articulação com estudiosos diversos que abordam o referido tema em seus estudos. Palavras - chave: Projeto Político-Pedagógico, Gestão Democrática e Cidadania. 1. ASPECTOS INTRODUTÓRIOS Ao estabelecer as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a atual LDB 9394/96, buscou criar condições legais para que cada escola pudesse se organizar para o alcance dos objetivos propostos na Constituição de 1988, art 2º: 1 Aluna do 4º semestre do Curso de Pedagogia da UNEB/CAMPUS XII Aluna do 4º semestre do Curso de Pedagogia da UNEB/CAMPUS XII 3 Aluna do 4º semestre do curso de pedagogia da UNEB/CAMPUS XII 4 Aluna do 4º semestre do curso de pedagogia da UNEB/CAMPUS XII 5 Aluna do 4º semestre do curso de pedagogia da UNEB/CAMPUS XII 2 Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 A ‗educação‘ é um direito para todos, um dever do Estado e da família, e está a ser promovida com a colaboração da sociedade, com o objetivo de desenvolver plenamente o desenvolvimento integral da personalidade humana e a sua participação nos trabalhos com vista ao bem-estar comum. Como reza a Constituição de 1988, a educação de fato é um direito de todos. Cabe a cada membro: Estado, Família e Sociedade zelar por medidas de não-exclusão de alunos através da sua inserção no sistema escolar, não somente pela garantia de vagas, mas assegurando a sua freqüência, permanência e participação ativa na escola a fim de que haja a efetivação de uma aprendizagem bem-sucedida. A partir dos estudos e discussões realizados em torno das diretrizes da LDB 9394/96, assim como das leituras e debates provenientes da disciplina de Didática sobre o processo de formação do professor, com destaque para os saberes necessários à prática educativa, fez-se indispensável o estudo dessa temática. Considerando que o estudo sobre Planejamento em seus vários níveis é crucial para os profissionais da educação, procuramos abordar o nível de planejamento que envolve o Projeto Político Pedagógico. O PPP é um documento que facilita e organiza as atividades na escola, sendo mediador de decisões, da condução das ações e da análise dos seus resultados e impactos que, por conseguinte, orienta a prática de produzir uma realidade. Conhecido também como Projeto Educativo da Escola, o PPP é um instrumento indispensável de ação e transformação na escola por auxiliá-la na construção do seu próprio caminho e na realização dos seus objetivos. As reflexões e estudos desenvolvidos nos impulsionaram a buscar conhecer com maior profundidade essa modalidade de planejamento na escola, especialmente pela sua grande característica que seria proporcionar a participação e envolvimento da comunidade interna e externa. Depois de muitas indagações chegamos a um denominador comum quanto à questão que seria o foco do nosso estudo. A saber: o Projeto Político Pedagógico da Escola Vivara da rede municipal de Guanambi, contempla em suas metas e ações as reais necessidades, anseios e perspectivas dos alunos inseridos nessa instituição. Perante a problemática central, traçamos os objetivos que nortearão o nosso estudo: Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Geral: Analisar o processo de construção e vivência do Projeto Político Pedagógico da Escola Vivara da rede municipal de Guanambi-BA. Específicos: - Analisar a concepção e relevância do Projeto Político Pedagógico; - Analisar o processo de construção e vivência do Projeto Político Pedagógico no contexto escolar; - Identificar no Projeto Político Pedagógico da Escola Vivara da rede municipal de Guanambi, ações direcionadas às reais necessidades, anseios e perspectivas dos alunos; - Verificar se o Projeto Político Pedagógico é visto apenas como uma exigência burocrática ou como elemento articulador das ações da escola. É de grande valia para nós, futuros pedagogos, a possibilidade da descoberta de possíveis ações que possam nos aproximar do cotidiano de uma escola, e perceber se nesse cotidiano é contemplada a realidade sócio-cultural dos alunos, os seus anseios e perspectivas. Esta pesquisa também proporcionará a construção dos conhecimentos que posteriormente possibilitarão reflexões aos professores, gestores e coordenadores quanto à necessidade da busca de um novo modelo de planejamento. 2. PERCURSO METODOLÓGICO Propomos para o desenvolvimento dessa pesquisa uma abordagem metodológica de natureza qualitativa. Segundo Piore (1979, p.560 ) ―o emprego de métodos qualitativos pode conferir redirecionamentos da investigação, com vantagens em relação ao planejamento integral e prévio de todos os passos da pesquisa‖. A pesquisa será realizada na escola Vivara da rede municipal de ensino na cidade de Guanambi-Ba. A referida instituição atende um total de 290 crianças que se encontram nos anos iniciais do ensino fundamental, com idade entre 7 aos 14 anos. Crianças essas que, na sua maioria, apresentam um rendimento escolar insatisfatório e que são provenientes de uma camada social baixa.. A escola atende também crianças deficientes: dez surdos e dois cegos. Quanto a estrutura física, a escola possui: seis salas de aula, uma biblioteca, uma cantina, um almoxarifado, uma sala da direção, três banheiros, dois para os alunos e um para os professores e funcionários. A área de Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 lazer da escola é muito pequeno o que, muitas vezes, tumultua o recreio. Escolhemos a escola Vivara, em primeiro lugar pela localização e depois por atender a um público bem mais diversificado. No processo de coleta dos dados realizaremos: Análise documental, entrevistas semi-estruturadas e questionários. Desenvolveremos uma análise do Projeto Político Pedagógico da Escola com o propósito de realizar um confronto entre as metas traçadas, as análises realizadas e a realidade do aluno no contexto escolar. Nessa dinâmica buscaremos entrevistar ( entrevista semi-estruturada): o diretor (a) e o coordenador (a) e três dos dez professores que atuam na escola. A necessidade de consultar o diretor se justifica pelo fato do mesmo ser o responsável por tomar frente nas decisões e articulações das atividades na instituição. O coordenador será imprescindível, pois este funciona como auxiliador na coordenação da escola e encaminhamentos no processo de elaboração e execução do Projeto Político Pedagógico. Os professores trarão um demonstrativo de participação e envolvimento no planejamento da escola. A seleção dos três professores será feita a partir da sua disponibilidade e compreensão quanto à pesquisa a ser realizada. Cabe dizer que a entrevista semi-estruturada é aquela que combina perguntas fechadas e abertas, e que permite ao entrevistado discorrer sobre o tema sugerido sem que o entrevistador fixe a priori determinadas respostas ou condições. Alguns tópicos são selecionados a priori; contudo, as questões reais não o são (Bailey, 1982). É uma técnica de pesquisa que visa obter informações de interesse a uma investigação, onde o pesquisador formula perguntas orientadas, com um objetivo definido, frente a frente com o respondente e dentro de uma interação social. Quanto aos questionários serão distribuídos para os alunos com questões fechadas e abertas. As questões abertas como se sabe, são aquelas em que o interrogado responde com suas próprias palavras sem qualquer restrição e nas fechadas todas as respostas possíveis são fixadas de antemão. O objetivo dos questionários é buscar identificar as perspectivas e anseios dos alunos. Optamos por fazer esse questionários com os alunos que se encontram no quarto ou quinto ano, devido à sua maior maturidade, que apresentarem interesse diante da proposta. Posteriormente, com o material em mãos, coletado e classificado, construirmos o nosso texto, tendo como base de apoio para a interpretação e análise dos dados, a nossa Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 ―rigorosidade metódica‖e uma articulação com estudiosos diversos que abordam o referido tema em seus estudos. 3. REVISÃO DE LITERATURA: O Projeto Político Pedagógico é a síntese dos princípios, diretrizes e prioridades estabelecidas pela equipe escolar a partir dos objetivos educacionais e da definição dos resultados a serem atingidos, sempre voltados para a melhoria da aprendizagem dos alunos e do desempenho da escola. Para tratar o tema deste estudo serão utilizados como subsídio teórico, textos que nos possibilitem adquirir conhecimento a respeito da LBD 9394/96, no que se refere ao PPP, da construção do planejamento educacional no contexto que envolve todo um processo participativo (elaboração do PPP). Para tanto utilizaremos também os autores, Veiga (1995), Vasconcelos (2000). A consolidação do Projeto Político Pedagógico tem um marco na LDB 9394/96. O Artigo 12 afirma: ―Os estabelecimentos de ensino respeitando as normas comuns e as do seu sistema de ensino terão a incumbência de: I – elaborar e executar sua proposta pedagógica‖. A instituição escolar tem autonomia para que o Projeto Político Pedagógico aconteça. Isto é assegurado no art. 15, Título IV: ―Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público.‖ Veiga (1995, págs. 16-18) cita em sua obra, princípios que norteiam o Projeto Político-Pedagógico e que estão definidos em: a) ―Igualdade de condições para acesso e permanência da escola‖ b) ―Qualidade que não pode ser privilégio de minorias econômicas e sociais‖ c) Situa ―entre concepção e execução, entre o pensar e o fazer, entre teoria e prática.‖ Percebe-se que tais princípios atentam para a questão da igualdade de oportunidades, abordam a gestão democrática que implica na socialização e uma educação de qualidade. Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 público na Educação Básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I – Participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola. (art. 14. LDB, 9394/96), mediante: d) A liberdade está associada à autonomia e assume a responsabilidade na construção do Projeto Político-Pedagógico. e) A valorização do magistério, e afirma que a qualidade do ensino está relacionada com a formação inicial e continuada, recursos integrados à escola e remuneração. Na visão de (Veiga, 1995; pág. 33), ―o Projeto Político-Pedagógico da escola é uma reflexão de seu cotidiano‖ e sua construção ―requer continuidade das ações‖ dentro da escola. O Projeto Político Pedagógico é ―o plano global da instituição‖, plano este que deve ter todas as informações necessárias para o seu funcionamento, ou seja, o documento que prova sua existência e a direciona para que funcione corretamente. Em algumas escolas e redes, o planejamento é encarado como instrumento burocrático e autoritário. Em um sistema autoritário, o planejamento é uma arma que se volta contra o professor porque o que ele disser - ou alguém disser por ele - que vai ser feito tem que ser cumprido. Caso contrário, ele foi incompetente. E, nem sempre, conseguimos fazer o que planejamos. Por diversas razões, inclusive por falha nossa, mas não unicamente por isso. No entanto, o movimento da sociedade e o processo de redemocratização têm favorecido o conceito de planejamento como real instrumento de trabalho e não como uma ferramenta de controle dos professores. Desenvolver a cidadania, a ética, o senso crítico, os valores, etc. são objetivos perfeitos para estarem em um Projeto Político Pedagógico como afirma NOGUEIRA (2005). Segundo o autor, especificamente sobre os objetivos, é preciso alertar sobre a sua redação e conteúdo, pois muitas vezes são redigidos com frases bonitas e de impacto, porém de uma fragilidade e superficialidade que não levam a nada. REFERÊNCIAS BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 05 de Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 outubro de 1988/organização do texto, notas remissivas e índices por Juarez de Oliveira: São Paulo: Saraiva, 1988. NOGUEIRA, Nilbo Ribeiro Pedagogia dos projetos. Etapas, papéis e atores. São Paulo: Érica, 2005 VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento: projeto de ensino aprendizagem e projeto político-pedagógico. 10. ed. São Paulo: Libertad, 2002. VEIGA, Ilma P.A. Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível (orgs.) – Campinas, SP. Papirus, 1995. – (Coleção Magistério: Formação e Trabalho Pedagógico). PIORE, Michael J. Qualitative research techniques in economics, In Administrative Science Quarterly, vol. 24, nº 4, Decembrer 1979, pp. 560 – 569. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 FATORES PREDISPONENTES da Depressão PÓS-PARTO e ConseqUências na Interação Mãe/Bebê: Revisão Integrativa Ana Paula Lessa Tavares de Andrade¹ Jamille Ribeiro Barros¹ Jardelson Rocha Oliveira¹ Larissa Silva de Abreu Rodrigues2 RESUMO A Depressão pós-parto (DPP) tornou-se marcante na área das ciências no tocante às pesquisas sobre a saúde da mulher. Percebe-se um aumento gradativo no número de casos de DPP entre as mulheres em puerpério, principalmente no primeiro ano de vida da criança. O presente estudo objetivou identificar as conseqüências desta temática sobre a relação entre a mãe e o bebê, levando em consideração os indicadores descritos na literatura como determinantes. Trata-se de uma revisão integrativa realizada através do acesso online da base de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). A busca foi operacionalizada por meio das seguintes palavraschaves: ―depressão pós-parto, relação mãe-bebê e maternidade‖ e os critérios de inclusão delimitados, conforme está descrito na metodologia do presente estudo. Para a análise de dados dos seis artigos incluídos, foi desenvolvido um quadro sinóptico com a síntese destes. Os resultados dessa pesquisa enfatizam as repercussões do quadro de DPP para a qualidade da relação entre a díade mãe-bebê. Notou-se também, que o estado depressivo materno exerce ação direta na percepção da mãe, em relação ao desenvolvimento integral da criança e negativa a sua avaliação em relação ao exercício da maternidade, o que, segundo o resultado das pesquisas analisadas, influencia consideravelmente no desenvolvimento psicossocial da criança. Sendo assim, destaca -se a necessidade de acompanhamento dessas pacientes por profissionais capacitados que estabeleçam vínculo de confiança e venham assim, a inquirir aspectos determinantes que forneçam subsídios para prevenção e detecção de distúrbios psicológicos ainda que no pré-natal, e promova a recuperação da saúde destas mulheres. Palavras-chaves: Depressão pós-parto, interação mãe-bebê, materna 1 Acadêmico do Curso de Bacharelado em Enfermagem – Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Departamento de Educação. Campus XII. Guanambi-BA. 2 Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da UFBA. Professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) Departamento de Educação Campus XII: Guanambi-BA e da Faculdade Guanambi (FG). Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 INTRODUÇÃO A interação entre a mãe e seu bebê e sua influência para o desenvolvimento posterior da criança constitui um tema de relevante interesse entre os pesquisadores das áreas que envolvem a saúde da mulher, da criança e de sua família (SCHWENGBER e PICCININI, 2003). Os casos de mães com depressão pós-parto (DPP) são relativamente comuns e ocorrem devido a inúmeros fatores psicossociais, subjetivos e biológicos, de difícil controle, que atuam implacavelmente no seu surgimento (COSTA, PACHECO e FIGUEIREDO, 2007; MORAES et al, 2006). Por isso, os fatores que caracterizam a DPP como um problema de saúde pública, merecem uma atenção especial, pois, esta traz conseqüências severas tanto maternas como para o desenvolvimento da criança (SCHWENGBER e PICCININI, 2003; SANTOS JUNIOR, SILVEIRA e GUALDA, 2009). Os sintomas comuns à DPP vão do desânimo persistente, sentimentos de culpa, alterações do sono, idéias suicidas, temor de machucar o filho, inapetência e redução da libido, diminuição do nível de funcionamento mental à presença de idéias obsessivas ou supervalorizadas. Considerando que a identificação e a sistematização das considerações encontradas na literatura brasileira sobre as produções científicas relacionadas à DPP podem contribuir para uma melhor interpretação do conhecimento produzido na área com o propósito de auxiliar no desenvolvimento de futuras investigações e intervenções. Sendo assim, a presente revisão integrativa buscou identificar as conseqüências da DPP sobre a relação entre a mãe e o bebê, levando em consideração os indicadores descritos na literatura como determinantes. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS As etapas da elaboração da presente revisão integrativa constitui-se de: estabelecimento de objetivos da revisão; estabelecimento de critérios de seleção da amostra; definição das informações a serem extraídas dos artigos selecionados; análise e discussão dos resultados. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Os artigos foram selecionados na base de dados LILACS. O uso dessa base de dados visou minimizar os possíveis vieses no processo de elaboração da revisão integrativa. A busca foi realizada pelo acesso on-line através das seguintes palavras-chaves: depressão pós-parto, relação mãe-bebê, maternidade. Após a identificação dos artigos, delimitaram-se os seguintes critérios de inclusão: artigos publicados em português, independentemente da metodologia utilizada, com textos completos disponíveis na base de dados selecionada, publicados no período compreendido entre 2005 a 2009. Em atendimento aos referidos critérios de inclusão, a amostra final desta revisão integrativa foi constituída de seis artigos. Para a coleta de dados dos artigos que foram incluídos neste trabalho, foi desenvolvido um quadro sinóptico com a síntese dos trabalhos que atenderam aos critérios de inclusão. ANÁLISE DOS RESULTADOS E DISCUSSÃO Na presente revisão integrativa, analisou-se seis artigos e, a seguir, apresentarse-á um panorama geral dos artigos avaliados (Tabela 1). Dentre os artigos incluídos, quatro são de autoria de psicólogos e dois tem entre seus autores docentes e discentes de enfermagem. Dos artigos avaliados três foram de revisão bibliográfica, dois desenvolvidos em instituições hospitalares e um em um instituto de psicologia de uma universidade federal. Quatro artigos foram publicados em revistas de psicologia clínica, um em revista de saúde pública em uma revista de enfermagem. Quanto aos aspectos específicos da temática estudada presentes na revisão encontraram-se: fatores de risco para DPP e a prevalência da mesma; tipo de abordagem da temática e outros tipos enfermidades descritas nos estudos; caracterização da depressão pós-parto e fatores de risco associados à sua ocorrência; repercussões do estado depressivo das mães para a qualidade da interação com o bebê; avaliação da prevalência e os fatores associados à DPP; comparação dos relatos de mães com indicadores de DPP com mães que não apresentaram tais indicadores. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII TABELA 1 - Apresentação da síntese de artigos incluídos na revisão integrativa. Título do artigo Autores Conclusão Fatores de risco para a Uma percentagem Baixas DPP e a prevalência da significativa de mulheres socioeconômicas da puérpera sintomatologia Pacheco; Barbára mesma encontra-se clinicamente e a não aceitação da gravidez depressiva após Figueredo deprimidas são preditores e de Costa; Resultado Alexandre Prevalência Raquel O que foi estudado condições elementos-chave no desenvolvimento da DPP. o parto Hudson S. Jr; Verificou-se como a A produção científica está Percebe-se que a DPP é um Depressão pós- Maria de Fátima temática presente nos cinco continentes problema que acomete uma parto: Silveira; abordada e a presença do quantidade cada vez maior de de predominância da abordagem mulheres quantitativa, na demandando pesquisas que prevalência, possam instruir diagnóstico, Um Dulce Maria Gualda. problema vem sendo enfermeiros envolvidos nos estudos. latente. mundo, com focado incidência, na fatores associados e terapêutica no e puerpério, cuidado de tratamento da DPP. enfermagem a esta síndrome. Depressão Pós- Damiana A DPP como distúrbio A DPP acomete entre 15 a Os profissionais de saúde, parto: Guedes-Silva; de grau 20% das parturientes, e maior devem estar aptos a cuidar Marise Ramos de moderado a severo, de parte das mães vítimas deste das parturientes a fim de Souza; caráter distúrbio não procura ajuda evitar traumas para a mãe, identificado como um profissional, filhos e famílias envolvidos, Moreira; episódio cuidados Marcelo com início dentro de Genestra. seis semanas pós-parto. prevenção e conseqüências. Vilma Perez humor de multifatorial, depressivo, ou usa médicos dos para o bebês e não para si mesmas. inclusive, episódios prevenindo de suicídio e infanticídio O impacto da Daniela Delias As características da Fatores depressão pós- de Souza DPP e fatores de risco contribuem parto Schwengber; associados. O estado precipitação da DPP. de interação mãe-bebê; no interação mãe- César depressivo da mãe e a O estado depressivo da mãe caso de diagnostico após o bêbe Piccini qualidade da interação pode repercutir negativamente parto realiza-se intervenções com nas 1ª interações com o bebê e multidisciplinares. desenvolvimento conseqüentemente profissionais preparados para posterior da criança. desenvolvimento da criança. lidar com essas situações. para Agusto bebê no para a no O atendimento precoce deve previnir um padrão negativo Com Prevalência da Inácia da Avaliar a prevalência e DPP prevalente em 19,1%, O acompanhamento de mães, depressão pós- Silva; Ricardo T. os fatores associados maior em mães de nível em especial de baixa renda, parto e fatores Pinheiro; para socioeconômico mais baixo e por uma ação integrada que associados. Ricardo A. da parto de menor escolaridade; Os atenda variáveis associadas à Silva; G. o biopsicossociais depressão pós- Bernardo fatores associados incluem: DPP, pode prevenir graves L.Horta; Augusto psicossociais, a preferência problemas D.Faria; Paulo L. por sexo e desejo de aborto familiares que decorrem da R.Souza pessoais DPP Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 e Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia Daniela Delias Compararam-se, da maternidade de Sousa no contexto da Schwengber depressão Cesar com os de mães sem desenvolvimento materna no Piccinini indicadores com papel materno final do A experiência Augusto Mães com indicadores de Esses achados apontam para a relatos de mães com depressão indicadores insatisfeitas de os DEDC XII DPP estão mais importância de avaliações e com o intervenções precoces para do bebê, primeiro ano de minimizar negativos os da efeitos depressão materna para a díade mãebebê. vida do bebê Constatou-se que o estado depressivo da mãe pode repercutir negativamente nas primeiras interações com o bebê e no seu desenvolvimento, especialmente no tocante à ocorrência posterior de problemas emocionais e de comportamento. Em relação aos artigos avaliados, percebeu-se que as mães com indicadores de depressão, se comparadas com aquelas sem os mesmos indicadores, evidenciam uma impressão negativa em relação às mudanças comportamentais, as novas habilidades dos seus bebês, as características emocionais deste e demais elementos do comportamento infantil, bem como menor satisfação com a maternidade e uma avaliação negativa do seu desempenho enquanto mãe. Estes fatores estão mais presentes em mães de bebês do sexo masculino do que naquelas mães de bebês do sexo feminino. Por fim, os artigos destacaram a DPP como um problema de saúde que acomete cada vez mais um número maior de mulheres e que requer uma avaliação precoce tendo em vista a uma intervenção pela atuação marcante de uma equipe multiprofissional para um acompanhamento direto visando à prevenção, o diagnóstico precoce e a recuperação da saúde, a fim de evitar complicações para díade mãe-bebê e também para suas famílias. CONCLUSÕES A existência de um vínculo profícuo entre a mãe o bebê, proporciona a estes uma relação frutuosa, e ao último, atravessar as fases iniciais da vida, convertendo-se em um adulto saudável. Muitos aspectos relacionados ao estado depressivo no puerpério ainda estão por serem esclarecidos, novos estudos devem ser tomados, pois, são importantes para se conhecer a etiologia e as características deste problema (BORSA, FEIL e PANIÁGUA, 2007). A revisão da literatura mostrou que os fatores que predispõem o Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 desenvolvimento de um quadro de depressão entre as mães de crianças, varia de período, podendo acometê-las desde a gestação até as fases finais do puerpério, acentuando-se de forma mais severa no primeiro ano de vida do bebê. Deste modo, a DPP deve ser assistida de forma multifatorial, levando em consideração os múltiplos aspectos da gestação e puerpério incorporando-se à rotina dos profissionais que lidam com a DPP, a busca ativa de sintomas depressivos e de seus fatores de risco, preferencialmente desde o pré-natal, considerando que este é um momento onde a mulher está exposta a exigências como a reorganização corporal, pessoal, familiar e social. REFERÊNCIAS BORSA, Juliane Callegaro; FEIL, Cristiane Friederich; PANIÁGUA, Rafaele Medeiros. A relação mãe Bebê em casos de depressão pós-parto. Psicologia.com.pt O Portal dos Psicólogos. Disponível em: http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0384.pdf. Acesso em: 15 set. 2010. COSTA, Raquel; PACHECO, Alexandra; FIGUEIREDO, Bárbara. Prevalência e preditores de sintomatologia depressiva após o parto. Rev. psiquiatr. clín., São Paulo, v. 34, n. 4, 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010160832007000400001&lng=en&nrm=iso>. access on 23 Sept. 2010. GUEDES-SILVA, Damiana et al . Depressão pós-parto: prevenção e conseqüências. Rev. Mal-Estar Subj., Fortaleza, v. 3, n. 2,set. 2003. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S151861482003000200010&lng=pt&nrm=iso. Acessos em 23 Set. 2010. MORAES, Inácia Gomes da Silva et al . Prevalência da depressão pós-parto e fatores associados. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 40, n. 1, Feb. 2006 . Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S003489102006000100011&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 23 Sept. 2010. SANTOS JUNIOR, Hudson Pires de Oliveira; SILVEIRA, Maria de Fátima de Araújo; GUALDA, Dulce Maria Rosa. Depressão pós-parto: um problema latente. Rev. Gaúch. Enferm;v 30, n 3, 2009. Disponivel em: http://www.seer.ufrgs.br/index.php/RevistaGauchadeEnfermagem/article/view/8062/69 97. acessos em 23 Set 2010. SCHWENGBER, Daniela Delias de Sousa; PICCININI, Cesar Augusto. O impacto da depressão pós-parto para a interação mãe-bebê. Estud. psicol. (Natal), Natal, v. 8, n. 3, Dec. 2003 . Disponível em: Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413294X2003000300007&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 23 Sept. 2010. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 A FACE PEDAGÓGICA DE EROS EM BUSCA DA VALORIZAÇÃO DA DOCÊNCIA Luciana Rodrigues Martins RESUMO O que eu pretendo neste trabalho é relacionar e discutir uma temática tão atual que é mostrada de maneira equivocada pela nossa sociedade, que é a docência, resultando em um futuro comprometedor para a profissão dos professores. Quando busco interrelacionar a face pedagógica de Eros com a docência, viso mostrar algo que é bem pouco visto pelas pessoas, devido ao fato do pouco conhecimento que se tem sobre: a mitologia, Eros, filosofia e a pedagogia, Essa falta de esclarecimento gera conceitos que não condizem com a realidade. Como o mito de Eros nos ajuda a compreender melhor essa relação de amor, amizade e porque não dizer paixão dos docentes com essa causa bonita e complexa que é a educação? Como Eros era alguém que não estava feliz com o que possuía, sempre ia em busca de algo que saciasse a sua vontade, assim é o professor, que não estando feliz com a sua formação vai sempre em busca de novos conhecimentos para saciar a sua sede do saber, consequentemente melhorando a sua vida pessoal, profissional gerando frutos na sala de aula, promovendo aos seus alunos a possibilidade de serem mais críticos e uma formação mais humana, resultando em vida familiar e social melhor. Logo notarão que isso foi resultado do trabalho do professor, assim este terá a sua valorização perante toda a sociedade. Porém, isso não acontecerá do dia para a noite. É preciso a conscientização e maior informação para os professores saberem como podem ser promotores da sua valorização. Almejo através deste artigo promover uma reflexão do que é ser professor, baseado nos estudos da doutora em filosofia Marlene de Sousa Dozol, em um dos seus artigos a ―Face Pedagógica de Eros‖. PALAVRAS CHAVES: Docência, Eros, Valorização, A Face Pedagógica de Eros Antes de fazermos a relação entre o mito de Eros com a carreira da docência temos de entender como se originou e o que é o mito de Eros, que se dá de duas maneiras uma delas é descrita por Maria Lucia de Arruda Aranha: Na Teogonia de Hesíodo, as entidades que saem do seio de Caos - vazio da desorganização inicial surgem por segregação, por separação. Até que nasce Eros o Amor, força de natureza espiritual que preside a partir daí a coesão, a ordem do universo Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 nascente. No ciclo dos mitos olimpianos, Eros (Cupido. Para os romanos), filho de Afrodite representado por uma criança travessa ocupada em flechar os corações para torná-los apaixonados. Mas ele próprio se apaixona por Psique (Alma). Afrodite, invejosa da beleza de Psique, afasta-a do filho e a submete às mais difíceis provas e sofrimentos, dando-lhe como companheiras a Inquietude e a Tristeza; até que Zeus, atendendo aos apelos de Eros, libertaa para que o casal se una novamente. Aranha(1993) A outra maneira é descrita por Marlene de Souza Dozol em seu artigo ―A Face pedagogica de Eros: Eros nasce numa festa na qual os deuses comemoram nascimento de Afrodite. Seu vínculo com a deusa do amor, torna-o companheiro e servo da Beleza. Gerado nesse dia, é filho de Pênia (a Pobreza) e Poros (o Recurso). Por conta de seus progenitores, Eros é duplo. Da mãe herda a carência, a falta e a busca. Do pai, o poder ou a possibilidade de saciar a fome, suprir a falta, urdir estratégias para satisfazer suas necessidades e desejos. Porém, esta satisfação nunca é definitiva. Sempre provisória, impõe a Eros uma espécie de sina: a de viver a festa de uma fome saciada, de uma falta suprida, de um prazer lúdico propiciado pela estratégia acertada e a de morrer em seguida, tendo que sentir e recomeçar tudo para novamente viver. Daí seu destino de andarilho (cf. Pessanha, in: CIVITA, 1993, p.33). Socrates em um dos seus dialogo dizia que Eros representava:‖ Eros representa 'um anelo de qualquer coisa que não se tem e se deseja ter". Pela origem de Eros e pelo que ele significa para a mitologia Grega não fica tão dificil interrelacionar-lo com a pedagogia como faz a doutora em filosofia Marlene de Sousa Dozol em seus artigos onde ela busca fazer um comparação do mito com a pedagogia surgindo assima o que ela chama de ―face padagógia de Eros‖, comparação essa que é muito bem explicada em seu artigo que tem como nome:‖ A Face Pedagogica de Eros‖, permitindo assimilar as atitudes e intenções do professor com as de Eros,ele sendo filho de Pênia( a pobreza) e de Poros ( o recurso), nunca está saciado com o que tem e quer ir sempre em busca de algo para satisfazer o seu dejeso, assim também é o professor que ama a sua profissão, ele vai sempre se aperfeiçoando e aprendendo novos conhecimentos para assim suprir o dejeso que é de levar aos seus alunos o conhecimento de forma criativa, irresistivel e crítica para que os mesmos possam aprender e continuarem indo atras dos seus sonhos. Muitos destes sonhos são alimentados pelo amor , paixão e outros sentimentos que movem as pessoas para além do que elas vivem, esses sonhos fazem parte também Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 do imaginario dos professores, quando eles são alcançados vemos docentes felizes com a sua carreira e com os resultados obtidos pelo sua luta, e estes acabam por levar para sala de aula e para a sociedade todos esses frutos, posteriormente a sociedade valorizará a sua profissão, por ser algo que muda a realidade que existe nela. O mito de Eros ajuda na valorização dos professores, pois dá a eles um grande incentivo e desperta neles um sentimento de nobreza e poder explicando como usar todo seu conhecimento de forma criativa para que os seus alunos se sintam atraidos pelo conhecimento, de modo que o professor use todo o seu saber de forma atraente por meio da fala dos gestos e de sua subjetividade, de inicio parece ser um pouco sem sentido, mas se usam toda a sua paixão tudo flui de maneira que eles nem poderão imaginar, nesse caso que utilizaremos a teoria da face pedagogica de Eros, esta que interralaciona o mito de eros com o ato de ensinar, Eros que para alguns é o cupido, tem o poder de seduzir e encantar a todos que ele toca com a sua fecha, assim será o professor que seduzirar e encantará os alunos com o seu conhecimento que é a sua flecha, mas do que isso ele tem de execer uma atração muito forte em seus alunos para que estes nunca mais esqueçam o que lhes é ensinado e veja como é util para a vida deles, mudando assim essa ideia falsa de que estudar é ruim e não serve pra nada, o professor que busca mudar essa realidade atraves de leitura de textos que os ajudem a compreender a trabalhar melhor na sala de aula com esses alunos tornando a aula mais atraente e o conhecimento mais dinâmico, mudará o que esses alunos pensam e passará a ser exemplo para os mesmos, mostrará um mundo novo que há por tras de dos livros e conceitos, dando um sentido mais concreto para tudo que é estudado para que os alunos passem a viver aquilo que está escrito que parecia está tão longe e intrangivél, nessa troca ganha o professor, o aluno e toda a escola, que notando o rendimento do professor valorizará mais o seu trabalho pelo esforço pra mudar a realidade, refletindo muito significativamente na educação que é ministrada naquele ambiente, ganhando o respeito dos pais, e posteriormente de toda sociedade em que ele vive. Notamos que não é uma tarefa muito fácil trabalhar esse lado pedagógico de Eros que existe em cada professor, mas tudo começa quando este desperta por estudar aquilo que ele mas se identifica e esse despertar irá desabrochar nele o Eros que estava Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 ainda oculto com isso se tornará mas compromissado com algo que é de fundamental importância para a nossa sociedade que é a educação, sendo esse o caminho para se buscar a sua valorização, pois a mesma sociedade que menospreza a docência e isso atinge a educação do nosso país será a que notará o fruto do seu trabalho quando se deparar com cidadãos mais críticos, atentos aos valores morais que são tão pouco praticados na sociedade, fazendo a mesma ser obrigada a enxergar o quanto é importante o professor na formação de pessoas comprometidas com um mundo mais ético e crítico, ou seja um mundo em que sonhamos viver, mas, esse caminho é árduo e difícil de ser trilhado por haver tantas barreiras que transpõem- se para que o docente venha desistir, mas nem tudo está perdido, basta que o docente busque a força em si mesmo através do Eros que existe dentro dele, força essa que fará com que ele lute pra cada vez mais se aperfeiçoar e buscar mais conhecimento, essa é a maneira de saciar a sede que o mesmo tenham sendo ele o exemplo de como é que se revelará a face pedagógica de Eros para as demais pessoas que lhes cercam, vivendo uma oportunidade de poder mostrar toda a sua força pra lutar em busca do seu objetivo que é de ter uma educação voltada para uma formação mas crítica e humana, preceitos esses que não são mais prioridades em nosso meio educacional, onde que o professor é visto como mero instrumento para se levar o conhecimento e não mais como um profissional respeitado e valorizado pelo seu conhecimento o que acaba nos deixando desanimados a querer seguir na carreira por essa está tão em baixa em nossa sociedade, contudo temos de buscar a mudança, e aqui é o começo pra essa lutar, colocar em discussão uma temática não tão atual por ser já a muito tempo pensada dessa forma e pouco repensada e refletida em nosso meio, temática essa que é de estrema importância na formação dos novos educadores que irão para sala de aula já sabendo dessa força que ele tem e como deverá usa lá em seus futuros trabalhos que venham a desempenhar em sala de aula com seus alunos. Quando fazemos a associação de Eros com o professor vai mais além do desejar ardentemente, associamos também pelo outro significado que os gregos davam para o Eros que é: o amor que seduz o corpo e alma dos que se aproxima e envolvem-se com ele, ou seja, o erotismo. O professor deve buscar esse envolvimento com os seus alunos, envolvimento esse que está relacionado com a troca de conhecimento, onde o professor Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia ―seduzirá ― os alunos com o conhecimento que ele tem, é a utilização do erotismo de uma forma pedagógica com a utilização de algo que foi citado anteriormente que é a palavra, essa tem o poder de transmitir aos outros o que há no nosso interior como: pensamentos, conhecimentos, sensações e emoções, e o professor tem uma arma que é de fundamental importância para fazer isso acontecer que é a palavra, segundo Dozol: O uso da palavra, mais de que uma função meramente caracteristica da espécie humana, requer especial qualificação e é isto que distingue reis e poetas dos demais serem ouvidos precisam seduzir e quando seduzem tranformam -se em autoridades. Dozol (2005). Vemos que somos especiais e a importancia das palavras para nos comunicarmos com quem está proximo de nós, e como a palavra tem o poder de mudar, mas não adianta ter a palavra tem de ter eloqüência de saber falar o que vai ser apropriado para cada aluno sendo que eles são todos diferentes uns dos outros, alunos esses que poderão serem professores. trabalhar essa palavra juntamente com a eloqüência de falar sabiamente um discurso. Como cita Torrano“ ...a autoridade de ambos se estriba na sedução e no fascínio que através da palavra exercem sobre seu „entourage‟ “ (1995, p.37). Fazendo isso por meio de uma observação para saber qual será a melhor maneira de agir e que linguagem específica usará, para que com esse discurso consiga seduzir as ―almas‖, pois ela só se deixa raptar com um bom discurso; que tenha palavras convincentes que elas gostam de ouvir. Deve também existir a sutileza de saber o momento de falar e de ficar em silêncio, haverá momentos em que calar será mais propício, para que esse jogo de sedução aconteça. E quando for falar análise bem a entonação da voz para que o discurso seja apaixonante, dramático, sedutor, romântico ou mesmo compassivo, ela é a parte importante do discurso e se estiver combinando com (entoação da voz com o discurso) o docente conseguirá o seu objetivo ( que é a atenção dos discentes). Uma vez que conseguiu ter o aluno próximo e atento ao que for trabalhado em sala de aula o professor poderá analisar melhor a sua prática, se está atendendo as expectativas suas ou se ele tem de melhorar em alguma coisa, quanto mais o Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 professor ter sede por querer saber mais, quanto mais ele está vivendo o Eros que habita dentro dele, que lhe faz querer ir mais longe do que todos pensam, desejar aquilo que parece impossível aos olhos dos outros, que se deixam dominar por: palavras, atos problemas familiares e profissionais, esses acabam por trabalhar por obrigação, e o seu trabalho lhe causa angustia, tristeza e até mesmo dores, resultando assim na baixa produção de conhecimento dele para passar para os seus alunos tendo como conseqüência uma educação desigual, resultando na falta de valorização que existem na profissão de docência, sendo isso o que não deve acontecer com os docentes, ao contrario devem ir em busca da fonte que irá saciar a sua sede de saber. Diante de tudo que foi dito temos de acrescentar que esse processo de valorização do professor não acontecerá de uma hora para outra, mudanças assim demoram um certo tempo para acontecer devido a lentidão com que as pessoas demoram para aceitar as transformações. No entanto o professor não pode desanimar diante desse lento processo, ele tem de continuar o seu o seu trabalho em sala de aula para que as mudanças comecem acontecer nos próprios alunos, fazendo-os pensarem cada vez mais de forma crítica, mudando assim a sua maneira de pensar e agir na família e no meio social. Com o passar do tempo poderemos notar as transformações de forma mais concreta, a ponto dos alunos notarem que estão contribuindo para a existência de uma sociedade mais crítica, ética e solidaria, e quando forem questionados a respeito de quem foi o promotor dessa transformação, saberão que foi o professor. A partir dessas mudanças resultantes do trabalho do professor irão realmente valorizar o trabalho e a dedicação do docente. Resultados esses que só ocorreram graças a ação do professor de ir em busca de capacitação e aperfeiçoamento dos conhecimentos, sem duvida nenhuma pelo fato dele acreditar na possibilidade de haver mudanças e não deixarem se abater pelo pessimismo e pelos problemas econômicos que passam do decorrer da sua vida e que agrava mais ainda na sua formação e no seu trabalho, pelo fato de terem salários que não dão para eles viverem dignamente, por isso tem de haver uma força maior que o fará ir em busca de seus objetivos de obter mais conhecimento não somente para a sua formação pessoal, e sim para que possa trabalhar cada vez melhor para a formação de cidadãos críticos, e essa força nada mais é do que ―A face Pedagógica de Eros que há dentro de cada um deles, despertando cada vez mais uma Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 paixão por uma das profissões mais importantes, a docência resultando assim em ganhos para os alunos, os professores e a sociedade. REFERÊNCIAS: DOZOL, M. S. A face pedagógica de Eros. In: 28ª Reunião da ANPED, 2005, Caxambu. CD-ROM - 28ª Reunião da ANPED, 2005. V. 1. HESÍDIO. Teogenia – a origem dos deuses. Estudo e trad. de Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras, 1995. ARANHA, Maria lucia De Arruda. Filosofando introdução a filosofia. São paulo, Mordena, 1993 Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 GLOBALIZAÇÃO: UM MEIO DE INCLUSÃO SOCIAL E EDUCACIONAL PARA PESSOAS SURDAS Celeste Maria Pereira Matos Dorielma Fagundes de Carvalho Eliene da Silva Rodrigues Evilânia da Silva Santos Kele Reis Silva Patrícia Pereira Costa¹ Orientador (a): Kátia Montalvão2 RESUMO Desenvolvemos um projeto de pesquisa, na Associação de Pais e Amigos dos deficientes auditivos de Guanambi e região (APADA), com o objetivo de conhecer o seu trabalho, que presta serviço à comunidade trabalhando com crianças e jovens surdas. Visitamos a sede da instituição que fica na Rua Castro Alves, bairro Lagoinha, onde vimos fotos de alguns eventos que aconteceram e de pessoas que trabalham na instituição. Posteriormente visitamos o Colégio Estadual Idalice Nunes que dispõe de uma sala multifuncional equipada com aparelhos eletrônicos como: computadores, televisão e DVD e que realiza atividades de apoio pedagógico aos alunos surdos possibilitando a eles acesso a vários conteúdos através de vídeo-aulas em libras. Neste colégio há também turmas regulares onde os alunos surdos participam de aulas com outros alunos ouvintes, havendo uma interprete auxiliar nessas salas. Acontecem também oficinas de artesanato utilizando matérias recicláveis. Essas atividades têm o intuito de promover a inclusão dos surdos no meio educacional. A APADA ainda promove cursos preparatórios para inserir-los no mercado de trabalho. E o trabalho dessa entidade é voluntário e conta com a ajuda de algumas pessoas que colaboram além de organizarem eventos para arrecadar dinheiro para manter a mesma, e com lutas para quebrar as barreiras do preconceito para com os surdos, existente até mesmo na própria família que não aceitam e não buscam ajuda para o tratamento e inclusão dessas pessoas especiais que necessitam muito de atenção e de carinho. Através dessa visita pudemos conhecer os métodos de ensino e aprendizagem dos alunos surdos. E por meio dessa observação vimos como a globalização é de suma importância para que ocorra a inclusão dessas pessoas surdas no meio social através de aparelhos eletrônicos que foram criados para facilitar as suas vidas. Palavras chaves: APADA; Globalização; Libras; Surdos; Inclusão Social. INTRODUÇÃO A globalização tem por finalidade a integração das pessoas, através de ocorrência da difusão de informações, para que todos interligados a uma mesma aldeia global Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 haja uma total união entre todos os seres humanos apesar das suas diferenças. Portanto o objetivo geral do nosso projeto de pesquisa é utilizar a globalização como um meio de inclusão social, conhecer e mostrar os métodos utilizados na aprendizagem, através dos recursos tecnológicos existentes hoje nas escolas, que se encontram preparadas para acolher e educar os surdos. A finalidade da escolha deste tema foi mostrar o trabalho desenvolvido pela APADA, que apóia as escolas na educação dos surdos a partir de suas realidades. E como futuros pedagogos possamos contribuir de forma satisfatória e adequada nesse processo educacional, e nos prepararmos para enfrentar algumas dificuldades que nossos alunos venham a ter, pois queremos fazer parte de uma nova realidade social que promova uma transformação em que as pessoas recebam atenção e que as escolas possam contribuir no desenvolvimento físico, moral e psicológico dessas pessoas. E não somente nós graduandos, mas também a sociedade possa ver entender e ajudar os surdos, para que não haja exclusão e sejam respeitados como seres humanos e que conheçam o trabalho desenvolvido pela APADA através de voluntários, dando apoio aos surdos e seus familiares nas dificuldades enfrentadas por eles. Em entrevista com o diretor da APADA, José Wilson e com a professora Joilce Fernandes, direcionamos algumas perguntas em relação à instituição APADA, a entidade foi fundada no ano de 1988 para atender os alunos surdos que antes estudavam na APAE, só que por eles não terem deficiência não podiam continuar. A instituição visa dar suporte educacional, ajudando na inclusão deles no meio social, e no mercado de trabalho, promove cursos de libras para as pessoas interessadas em aprendê-la. Só que a entidade passa por dificuldades financeiras, e conta com a ajuda de associados, e de voluntários para manter-se. Perguntamos à professora sobre sua formação, como se dá o processo de ensino aprendizagem e como a globalização contribui para ajudar na inclusão do aprendizado (deles), ela é pedagoga e está terminando o curso de libras pelo CEPPEX, (centro de pós- graduação), trabalha há 10 anos com surdos. A respeito da inclusão vem ocorrendo aos poucos, pois é necessário a conscientização da sociedade, mas na nossa cidade já houve grandes mudanças, e a globalização contribuiu de maneira significativa, pois surgem novos equipamentos e recursos que facilita o aprendizado dos alunos, exemplo disso é a internet, pois através dela eles tem conhecimento de pessoas como eles, que moram em outros países e que Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 estudam em faculdades. E no caso da surdez estão sempre criando novos aparelhos que os ajudam. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A principal conseqüência da surdez refere-se aos prejuízos na comunicação natural dos sujeitos surdos que atingem vários aspectos de seu desenvolvimento global. Não tendo acesso ao mundo sonoro, à criança com surdez é extremamente prejudicada no que concerne aos processos de aquisição e desenvolvimento de linguagem e fala o que acarreta a dificuldade de se comunicar e de receber informações através da linguagem oral. Enquanto o desenvolvimento da linguagem ocorre naturalmente em uma criança ouvinte, no caso da criança surda, este desenvolvimento depende da intervenção de profissionais devidamente preparados, levando-o a adquirir uma língua de forma consciente e deliberada (Poker, 2002). Segundo Carlos Skliar, ―os Estudos Surdos se constituem enquanto um programa de pesquisa em educação, onde as identidades, as línguas, os projetos educacionais, a história, a arte, as comunidades e as culturas surdas são focalizadas e entendidas a partir da diferença, a partir de seu reconhecimento político‖ (1998, p. 5). O princípio constitucional que diz que ―toda criança tem direito à educação‖ é válido também para crianças surdas. Por isso, é dever da família, da sociedade do estado oferecer as condições necessárias para que todas possam percorrer as etapas que constituem os diferentes níveis de ensino: educação infantil, educação fundamental, ensino médio e educação superior. A continuidade da escolarização visa a oferecer à criança surda as mesmas chances que são oferecidas às outras crianças no que diz respeito ao exercício efetivo de sua cidadania, para que posa se desenvolver como pessoa, adquirir meios culturais para se posicionar na comunidade e para adquirir habilidades para o seu entrosamento eficiente e produtivo na sociedade. ________________________________________________________ Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 1 Graduandas em Pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB Departamento de educação -campus XII. METODOLOGIA A nossa abordagem foi qualitativa, tivemos a preocupação de observar e mostrar o trabalho educacional realizado no campo e as atividades e eventos desenvolvidos mensalmente, anualmente em Guanambi e região; como na contextualização da história da instituição. Nosso campo de pesquisa foi a APADA – Associação de Pais e amigos Deficientes Auditivos de Guanambi e Região, junto com o Colégio Estadual Idalice Nunes de Guanambi – Ba. Os sujeitos de pesquisa das entrevistas realizadas foram os que compõem a equipe APADA: Presidente; Professores; Pais; Interpretes e alunos. A coleta de dados foi feita através de observações e entrevistas em sala de aula, onde constatamos a importância dos métodos utilizados na aprendizagem dos surdos e a interação dos mesmos com os ouvintes, trazendo uma grande transformação e informação no campo social e educacional. Os recursos utilizados foram às filmagens e as fotografias, que nos deu suporte para o nosso trabalho ser realizado de forma mais integra, trazendo assim, mais enriquecimento e dados reais para serem mostrados e verificados pelas pessoas que presenciaram a exposição do nosso trabalho. RESULTADOS Dentro do que observamos, vimos o interesse e a preocupação da equipe APADA, em desenvolver um trabalho sério e de resultados. A sociedade é constituída de muitos preconceitos, que assolam tanto a si mesma como as pessoas que sofrem com ela, e esta instituição tem um compromisso de mostrar para essas pessoas que estão equivocadas, pois o preconceito é feito através de informações incorretas e de falta de conhecimento. As nossas expectativas foram superadas ao observá-mos e conhecermos todo o trabalho desenvolvido pela APADA e o colégio Estadual Idalice Nunes, pois só tínhamos conhecimento do trabalho da APADA, através de eventos realizados por eles na comunidade; e ao conhecermos de perto o trabalho realizado, descobrimos de que forma os surdos são ajudados na educação, para serem inseridos na sociedade, não se sentindo pessoas inúteis e diferentes dos outros. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 CONSIDERAÇÕES FINAIS Partindo da análise, quanto à deficiência na inclusão social dos surdos, podemos atribuí-la ao preconceito presente na sociedade, que oculta a capacidade que essas pessoas têm, como também a falta de profissionais qualificados para prepará-los; que partindo dessa, possam ser apresentados a sociedade, bem como acontece com qualquer indivíduo no ciclo social. Para que tenha uma inclusão justa, é necessário que a presença de tais profissionais sejam indispensáveis no processo educacional, vale ressaltar que o preconceito quanto aos mesmos devem ser excluídos. Uma vez incluídos, uma sociedade justa será concebida. Para finalizar, queremos expor nossas idéias ao elaborarmos tal trabalho que foi o de transmitir honestamente nossos estudos, nossas expectativas, e a proposta de melhor encaminhar o aluno surdo a obter o mesmo sucesso que os demais cidadãos possuem quanto o acesso ao processo social. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SKLIAR, Carlos. Um olhar sobre o nosso olhar acerca da surdez e das diferenças. In: A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Editora Mediação, 1998b. p.5. MONTALVÃO, Kátia. Pesquisa e Prática Pedagógica 1. Guanambi, BA: 2009. SILVA, Tomas Tadeu da. Alienígenas na sala de aula. 6º. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 DEDC XII A CONCEPÇÃO DO PROJETO ENSINO-APREDINZAGEM NA ESCOLA1 Adriana Montalvão Fátima Cardoso Grasiele Lima Luciane Gonçalves Ruth Meire Nogueira 2 Zizelda Lima Fernandes3 Alessandra Reis4 RESUMO A necessidade de pensar o Planejamento como instrumento facilitador do trabalho pedagógico e as discussões realizadas nas aulas de Didática nos incentivaram indagar a respeito do planejamento e suas aplicações no cotidiano escolar. Os estudos sobre a importância dos níveis de planejamento na escola nos possibilitaram pensar sobre sua elaboração, execução e sobre os significados que os professores atribuem a ação de planejar. Sabemos que o planejamento é um instrumento teórico-metodológico que visa dar um novo significado ao trabalho dos docentes de uma forma refletida, consciente, sistematizada e participativa, como conceitua Vasconcelos (2008). Do ponto de vista técnico-metodológico, utilizaremos observação, entrevista e analise de documentos. Objetivamos investigar e analisar o sentido do planejamento para as diversas instituições escolares, pois compreendemos que a educação é um processo de transformação e reconstrução do ser humano em todas as suas dimensões – pessoais, sociais, culturais e históricas. Daí a necessidade de planejar e organizar as atividades sejam no campo pessoal, institucional e/ou social. Palavras Chaves – Planejamento, Projeto, Ensino-aprendizagem. Introdução Este texto se propõe pensar o projeto de ensino aprendizagem como um instrumento de base para desenvolver o trabalho pedagógico, sua importância no planejamento, analisando se realmente é dado a ele o devido valor pelo educador. O planejamento divide opiniões, se para uns ele é um alicerce, para outros ele pode ser visto como algo que limita o trabalho do educador. 1 Este trabalho foi apresentado na atividade eixo interdisciplinar, resultados das discussões na disciplina ―Didática‖ oferecida no 3º semestre do curso de Pedagogia. 2 Graduandas do 4º semestre do curso de Pedagogia, UNEB - Campus XII 3 Profª da disciplina Didática, UNEB – Campus XII. 4 Profª da disciplina Prática Pedagógica em Pesquisa, UNEB – Campus XII. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 A importância do projeto ensino-aprendizagem no planejamento, a necessidade de pensar a elaboração desse projeto como instrumento facilitador do trabalho pedagógico, como também as leituras e discussões realizadas nas aulas de Didática nos incentivaram a indagar a respeito do planejamento e suas aplicações no cotidiano escolar. Não podemos deixar de mencionar os diversos tipos de planejamento uma vez que em muitos casos é visto como algo de difícil aplicação e para muitos ele se torna dispensável e rejeitado, ficando marcado por alguns educadores como algo que em nada contribui no seu trabalho. Considerando o quanto é árduo o trabalho pedagógico, complicado seria sem planejamento, pois o mesmo o constitui elemento articulador da ação pedagógica. Percebe-se a partir dessas considerações a relevância da pesquisa. Com este estudo objetivamos investigar e analisar o sentido que é dado ao projeto ensino-aprendizagem pelos professores e coordenadores pedagógico do Projeto Monte Pascoal. Além disso, pretendemos conhecer os níveis de planejamento do Projeto Monte Pascoal enfocando o projeto de ensino aprendizagem. Buscaremos identificar como é desenvolvido o planejamento, para isso observaremos a elaboração e execução dos projetos de ensino aprendizagem e indagaremos os professores em relação aos significados que eles atribuem aos projetos de ensino-aprendizagem. METODOLOGIA Esse trabalho exige pela natureza do seu objeto de estudo, a utilização de uma metodologia qualitativa como uma forma de se obter um entendimento mais acurado do tema proposto. As pesquisas qualitativas são caracteristicamente multimetodológicas, isto é, usam uma grande variedade de procedimentos e instrumentos de coletas de dados. Podemos dizer, entretanto, que a observação (participante ou não), a entrevista em profundidade e análise de documentos são os mais utilizados, embora possam ser complementados por outras técnicas (MAZZOTTI, 2004) uma vez que estas possibilitam maior aproximação com o cotidiano e as experiências vividas pelos próprios sujeitos. Segundo GIL, (2009, p 53) O estudo de campo focaliza uma comunidade, que não é necessariamente geográfica, já que pode ser uma comunidade de trabalho, de estudo (...). A pesquisa é desenvolvida por meio da observação direta das atividades do Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 grupo estudado e de entrevistas com informantes para captar suas explicações e interpretações do que ocorre no grupo. GIL (2009) enfatiza também a importância do pesquisador realizar a maior parte do trabalho pessoalmente, pois será uma experiência direta com a situação de estudo. Esse estudo será realizado no projeto Monte Pascoal, em especial, no local onde o corpo docente se reúne para realizar o planejamento. Pretendemos entrevistar e acompanhar a reunião de planejamento de dez professores e um coordenador que atuam na Educação Infantil e no Ensino Fundamental (1º, 2º e 3º ano), na cidade de Guanambi - BA. A escolha dos sujeitos se deu pelo fato dos mesmos estarem envolvidos com o processo de planejamento, elaboração e execução do projeto de ensino-aprendizagem. O Projeto atende atualmente duzentas crianças pertencentes a classe popular e que vivem em situação de risco social. As atividades diárias estão divididas em quatro momentos: socialização, atividades dirigidas em sala; alimentação e recreação. A estrutura da escola é distribuída em 01 secretaria, 05 salas de aula, 01 banheiro, 01 pátio, 01 cantina e 01 dispensa. Serão aplicados questionários constituídos de dez questões que abordarão sobre o conhecimento e a importância do planejamento como também sua eficácia nos projetos desenvolvidos pela escola. Utilizaremos também o método da observação nas reuniões de planejamento, objetivando conhecer os níveis de planejamento do Projeto Monte Pascoal. Considerando a realização do planejamento dentro da escola em vários âmbitos, faremos uma analise do empenho do corpo docente no que se refere à elaboração e aplicação do projeto de ensino-aprendizagem e o que fazem para melhorá-lo quando necessário. Dessa forma analisaremos a elaboração do projeto desde sua fase inicial até sua conclusão, observando como os educadores em questão o projetam. REVISÃO DE LITERATURA Para realização deste estudo utilizaremos como subsídio Vasconcellos (1995), pois ele nos possibilitou levantar questões relacionadas ao conceito de planejamento e seus níveis. Nesse sentido aborda que o projeto pedagógico Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII é um instrumento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano da escola, só que de uma forma refletida, consciente, sistematizada, orgânica e, o que é essencial, participativa. E uma metodologia de trabalho que possibilita resignificar a ação de todos os agentes da instituição (VASCONCELLOS, 1995, p. 143). Na educação escolar podemos realizar planejamentos em diferentes níveis de abrangências: Planejamento do sistema de educação - é o planejamento de maior abrangência correspondendo ao planejamento que é feito em nível nacional, estadual ou municipal. Planejamento escolar - trata-se do que chamamos de projeto político pedagógico (ou projeto educativo), sendo o plano integral da instituição. Planejamento curricular - é a proposta geral das experiências de aprendizagem que serão oferecidas pela escola. Planejamento ensino-aprendizagem - é o planejamento mais próximo da pratica do professor e da sala de aula. Projeto de trabalho - são projetos de aprendizagem desenvolvidos na escola por um determinado período, geralmente de caráter interdisciplinar. Planejamento setorial - é o plano dos níveis intermediários (cursos, departamentos, áreas) ou dos serviços no interior da escola (direção coordenação /supervisão, orientação, secretaria, etc.). Sabemos que o projeto de ensino-aprendizagem corresponde ao plano didático, realizado pelos educadores na instituição escolar, com base na necessidade e realidade de cada educando, considerando-se que para haver um bom planejamento é importante haver uma relação dinâmica entre professor/ aluno. Nessa direção, não podemos dizer que há ensino se não houver aprendizagem, e vice-versa, e mesmo que às vezes o sujeito aprendeu algo sozinho, ele nunca está completamente sozinho, no mínino está dividindo uma linguagem, que se foi absorvida, de algum emissor. E para que haja um intercâmbio satisfatório entre educador/educando, faz-se necessário um bom planejamento. O planejamento se coloca no campo da ação do fazer, todavia, não parte do nada: existem definições prévias (teorias, valores, etc.) que precisam ser explicitadas. O projeto de ensino – aprendizagem está atrelado a uma concepção Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 de educação, que por sua vez, está relacionada ás concepções de conhecimentos e de currículo. Estas concepções devem constar do projeto político pedagógico da instituição. (VASCONCELOS, 1997, p.98). Refletindo sobre a citação acima o autor nos permite compreender a relação de interdependência existente entre o tipo de educação que se busca fazer e o tipo de planejamento a ela relacionado. Em alguns casos, encontramos na prática escolar verdadeiro ―monstrinhos‖ criados pela tentativa de juntar concepções antagônicas entre a maneira e o conteúdo de se trabalhar no dia-a-dia a forma e o conteúdo do planejar. Sendo a educação um processo de transformação e aperfeiçoamento da cultura e do viver humano, por exigir a sua própria essência sendo uma visão que se projeta além do momento presente, uma vez que ela não se limita e nem objetiva apenas o conhecimento e a análise do presente, ou querer conservar o ―status quo‖ da cultura e do saber, a educação tende a pensar o futuro, buscar novos horizontes e novas perspectivas para o homem. Notamos também, que todo ser humano pensa-se no futuro preocupa-se com o mesmo e a partir desta ansiedade planeja-se pensando no que vai fazer e no que se pretende fazer, organizando assim o seu agir, a sua vida, o seu trabalho, as suas economias; enfim, tudo aquilo que se pode interferir na sua vida. Nesse sentido faz-se necessário o prever, o racionalizar e o planejar, esses três métodos são essenciais para se organizar qualquer atividade, seja pessoal, Institucional e/ou Social. Percebemos a necessidade de planejamento na escola e sua abrangência no relacionamento entre professor e aluno, pois o ato de planejar é pensar sobre o que existe, o que se quer alcançar, com que meio se pretende agir e como avaliar o que se pretende atingir. Considerações finais Diante do proposto, percebemos que o planejamento é o instrumento básico para todo um processo educativo, uma vez que nos pode indicar as direções a serem seguidas. Portanto, este planejamento deve partir do propósito que é o homem e seu viver. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 DEDC XII Tendo em vista a educação como processo de reconstrução do ser humano em todas as suas dimensões, pessoais, sociais, culturais e históricas, realiza-se nesse mundo humano a promoção de uma ação de desequilibro perante a realidade deste, uma vez que o homem atuando ou interferindo no processo de evolução da natureza, é capaz de ocasionar a ruptura necessária para modificar a direção dos fenômenos determinísticos. Mediante o exposto, vemos a necessidade de um planejamento, o qual dimensione o processo educativo, vise planejar a ação educativa partindo do presente e projetandose para o futuro. Necessitamos planejar o processo educativo de modo que não se limite, porém, se liberte. Por isso o ato de planejar deve ser numa perspectiva dinâmica. Todo ser humano pensa no futuro, quer saber do seu futuro e a partir desta ansiedade pelo o futuro, faz seus planos. Ele pensa no que vai fazer e no que pretende fazer. Planeja o seu agir, a sua vida, o seu trabalho, as suas economias; enfim, tudo aquilo que possa interferir na sua vida. (ESTEBAN, 2008 p.29). O trecho acima reforça a função do planejamento escolar e na vida pessoal de cada indivíduo, pois planejar é uma exigência do ser humano; é um ato de pensar sobre um possível e viável fazer. E como o homem pensa o seu ―que fazer‖, o planejamento se justifica por si mesmo. A sua necessidade é a sua própria evidencia e justificativa. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES-MAZZOTTI, Alda J., GEWANDSZNAJDER, F. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisas quantitativas e qualitativas. São Paulo: Editora Pioneira, 2004. GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2009 ESTEBAN, M.T. (org.) A avaliação no cotidiano escolar. In: ESTEBAN, M.T. (org.) Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos. 5 ed. Petrópolis: Dp et. Alii, 2008. ESTEBAN, M.T. (org.) Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos. 5 ed. Petrópolis: Dp et. Alii, 2008. VASCONCELLOS, C. S. Planejamento: plano de ensino-aprendizagem e projeto educativo. São Paulo: Libertad, 1997. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 ______________. Algumas observações sobre a mudança na prática da avaliação. In: Revista AEC – Avaliação: Novos Paradigmas. Ano 24, n. 94, Brasília, 1995. _______________. Planejamento: projeto de ensino-aprendizagem e projeto políticopedagógico. São Paulo: Libertad editora, 2008. . Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 A DIVERSIDADE ÉTNICO-CULTURAL E A FORMAÇÃO DOCENTE PARA TRABALHAR A LEI 10.639/2003 Vilma Batista de Jesus12 Dinalva de Jesus Santana Macêdo Resumo O presente ensaio nasce a partir dos estudos realizados no projeto de extensão: Educação das relações étnico-raciais e a Lei 10639/03: desafios e possibilidades para a promoção de uma educação anti-racista, coordenado pela professora Dinalva de Jesus Santana Macêdo. O nosso objetivo é fazer algumas reflexões em torno da diversidade étnico-cultural e a formação dos professores para trabalhar as determinações da Lei10639/03, que torna obrigatório a História e a Cultura da Afro-Brasileira e Africana nas escolas básicas do país, tanto nas públicas, como nas particulares. A justificativa dessa discussão se dá pelo fato de presenciamos através das experiências de estágio nas escolas, bem como mediante algumas entrevistas que foram realizadas com professores das escolas públicas de Guanambi e da região, que mesmo os professores reconhecendo a necessidade de trabalhar com a temática da história e da cultura dos afro-descendentes, pouco se tem feito no cotidiano das escolas. Através do projeto de extensão estudamos vários autores que tratam sobre as questões do currículo, preconceito e discriminação na escola e no livro didático, bem como sobre a formação de professores tendo em vista a diversidade étnico-cultural. No presente ensaio, recorremos das discussões de Gomes (2001), Gonçalves e Soligo (2009), Lopes (2008) e Silva (2001). Acredita-se que essas reflexões poderão contribuir com as discussões que reconhecem a necessidade de investir na formação inicial e continuada de professores para a educação das relações étnico-raciais, pautada num currículo multicultural. Palavras chave: diversidade cultural, Lei 10639/03 e formação docente. Introdução A Lei 10.639/2003 estabelece a obrigatoriedade do ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nos estabelecimentos de ensino fundamental e 1 Graduanda do Curso de Pedagogia do Campus XII, monitora do grupo de Estudos Educação das Relações Étnico-Raciais e a Lei 10639/03: desafios e possibilidades para a promoção de uma educação anti-racista, vinculada à PRAES- Pró-Reitoria de Assistência Estudantil. 2 Mestre em Educação e Contemporaneidade e professora Assistente da Universidade do Estado da Bahia- Campus XII- Guanambi. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 médio, oficiais e particulares, ressaltando a importância e a necessidade da desconstrução social do preconceito e da discriminação racial que são atribuídas à população negra. Dessa forma, é que resolvemos fazer este estudo, tendo como objetivos: refletir sobre a necessidade de superar os estereótipos, o preconceito e a discriminação na escola; levantar questionamentos sobre os valores humanos frente às diversidades étnico-raciais e ressaltar a importância de se investir na formação de professores para a educação das relações étnico-raciais. Nesse sentido, reconhecemos que é urgente que os professores desenvolvam o seu trabalho pautado numa postura democrática e participativa, de maneira que possam propiciar a produção do conhecimento, bem como a valorização da identidade cultural dos educandos, promovendo mudanças atitudinais, procedimentais e conceituais para efetivamente contribuir com a educação das relações étnico-raciais. Para tal tarefa, é necessário que o professor seja formado para trabalhar com a diversidade cultural presente na escola. A Formação docente para a diversidade étnico-cultural Diante desse novo cenário que se apresenta para a contemporaneidade, os profissionais da educação se vêem obrigados a refletir e tomar consciência acerca das limitações sociais, culturais e ideológicas que se fazem presentes na prática docente, cujas reflexões lhes permitirão perceber que a educação dentro de dada sociedade poderá ser um instrumento de manutenção, ou de libertação, o que certamente contribuirá para a construção de uma escola inclusiva, bem como para a formação de uma sociedade mais humana e democrática. Considerando esse desafio, faz-se necessário que as instituições de ensino possibilitem aos docentes e discentes condições para efetivar o conhecimento e a valorização das relações étnico-raciais, com vistas a atender às necessidades vigentes da educação inclusiva e plural. Assim sendo, o espaço escolar configura-se como um ambiente propício para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, rompendo com os indícios de exclusão. Seguindo essa linha de raciocínio, Lopes (2008, Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII p.183) enfatiza que: É preciso insistir sempre que a sociedade brasileira é preconceituosa e discriminadora em relação à sua população. Em decorrência, o modelo de educação não tem sido inclusivo, ainda quando permite a entrada de todos na escola. Todos entram, ou a maioria entra, mas nem todos saem devidamente escolarizados, aptos a enfrentar a vida como verdadeiros cidadãos. A instituição escolar precisa desenvolver programas que reconhecendo as diferenças e respeitando-as, promovam a igualdade de oportunidades para todos, o que se traduz pela oferta de escola de qualidade. Nessa perspectiva, a Lei 10.639/2003, passou a ser uma temática sempre presente nos debates educacionais, estendendo o seu campo de ação a um número cada vez maior de pessoas com o intuito de universalizar o direito de expressão, sem haver qualquer tipo de discriminação ou preconceito racial. Em virtude dessas necessidades educacionais, as instituições de ensino devem trabalhar numa perspectiva transformadora, buscando um conhecimento inter e transdisciplinar no sentido de assegurar aos educandos autonomia, respeito e valorização das diversidades étnicoracial e cultural. Corroborando com essa reflexão Gomes (2001, p.89) afirma que: No Brasil ser negro é tornar-se negro. O conhecimento dessas questões pode nos ajudar a superar o medo e/ou desprezo das diferenças raciais ainda presente na escola e na sociedade. Entender essa complexidade é uma tarefa dos/as profissionais da educação. É tarefa de uma escola que se quer cidadã e, por isso mesmo, não pode deixar de incluir a questão racial no seu currículo e na sua prática. No sentido de viabilizar esses propósitos na escola, é preciso romper com o paradigma cristalizado de inferioridade que a educação tem propagado, através do seu currículo monocultural e excludente. Assim sendo, Gonçalves e Soligo (2009), elucidam que é urgente levar em consideração os seguintes aspectos: O primeiro aspecto é de observar a valorização da cultura européia em detrimento de outras etnias, como indígena e africana, principalmente como componente curricular. Tal valorização fez com que essas culturas negadas ficassem relegadas a inferioridade e até em certos casos no abandono total e exclusão [...]. O segundo aspecto está ligado a imagem de África. No campo curricular a imagem da África e do negro foi moldada pela instituição do escravismo no Brasil pelo colonialismo Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 português. Os negros foram transformados em mercadorias e bens, portanto houve uma dominação sexual, religiosa e lingüística...‖(p. 7 e 8). As autoras supracitadas continuam colaborando com a nossa reflexão, se posicionado a favor de uma formação docente multicultural. O terceiro aspecto diz respeito a formação docente.[...]. O educador poderá ser um mediador dos estereótipos caso sua formação se paute em uma visão acrítica das instituições com viés tecnicista e positivista, que não contempla outras formas de ação e reflexão. Por outro lado, a questão ligada à pluralidade cultural e étnica pode despertar neste educador uma postura crítica acerca dos instrumentos pedagógicos em voga no interior das escolas possibilitando-lhes a desconstrução de mitos, paradigmas e preconceitos historicamente veiculados na cultura escolar...( p. 9). Nesse processo, faz-se necessário ressaltar que um dos grandes desafios dos profissionais do século XXI é a consciência do saber e do saber-fazer em sala de aula, considerando as questões étnicas e culturais e para tanto a formação docente deve contemplar essas abordagens, pois esses profissionais da educação configuram-se como protagonistas de mudanças sociais. Portanto, é necessário que o professor trabalhe em prol da desconstrução dos estereótipos, dos preconceitos e das discriminações em relação à população afrodescendente e indígena que estão presentes na escola, através dos materiais didáticos, das relações estabelecidas, pelos atores desse universo, bem como no sistema que rege o comportamento da sociedade brasileira. Para que isso possa se efetivar, é preciso que os docentes conscientizem-se do seu papel, bem como não se acomodem diante de tal situação. A escola é um universo bastante complexo e heterogêneo, fazendo-se necessário que os professores, coordenadores pedagógicos e gestores tenham uma postura pluricultural frente a essa heterogeneidade, isto é, precisam utilizar o conhecimento e as experiências para trabalhar as diversidades culturais. Nesse cenário entra em voga a formação docente, a qual deve está pautada em princípios éticos e culturais, despertando nos educadores uma postura crítica acerca dos instrumentos pedagógicos, possibilitando-lhes a desconstrução de mitos, paradigmas e preconceitos historicamente vinculados na cultura escolar. Para Silva (2001, p.10): Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Esse entendimento de cultura é necessário para o professor na medida em que ele atua em um sistema que através da tradição seletiva impõe a cultura dominante efetiva a alunos de segmentos étnicos e raciais diversos, colocando-a como a tradição e o passado significativo. O conteúdo é realmente significativo quando este é relacionado com o contexto sócio-cultural do aluno e lhe propicia o domínio do conhecimento sistematizado. A efetivação de tal proposta é uma tarefa complexa, entretanto para que se tenha uma educação emancipatória, faz-se necessário que os atores envolvidos nesse processo, venham angariar novos conhecimentos, reintegrando-lhes e reconstruindo-os, tendo em vista, uma construção conjunta, pois o processo de aprendizagem não se realiza de maneira estática, mas através de um processo dinâmico. Assim, a formação docente configura-se como um processo dialético e multideterminado, sendo uma ação determinante nas transformações histórico e social da cultura escolar. Diante disso, é importante investir na formação continuada dos docentes, pois enquanto agente de transformação estes devem estar atentos aos contextos sociais, educacionais da escola, o que subsidiará a propor práticas concretas que vão de encontro às necessidades dos educandos, bem como auxilia a desenvolver as competências cognitivas e socioculturais desses indivíduos. Conclusão Através dos estudos realizados podemos inferir que as escolas reconhecem a importância de trabalhar com as questões históricas e culturais, todavia, as práticas curriculares limitam-se aos conteúdos dos livros didáticos, pois não conseguem contextualizar os conteúdos para torná-los significativos para os alunos. Nessa perspectiva, é preciso que a escola abra espaço para as várias culturas, trabalhando-as de maneira contextualizada com a realidade sócio-histórica do educando, assim sendo, a pluralidade cultural assume uma posição determinante no sentido de avançar em direção a uma proposta pedagógica multicultural. Todavia, é necessário sublinhar que apesar das dificuldades que são enfrentados no cenário educacional para a construção de uma educação anti-racista, a temática Educação das Relações Étnico Raciais vem ganhando maior notoriedade nas arenas Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 educacionais, exigindo um novo perfil dos profissionais da educação, isto é, que estes tenham uma formação eficiente para atuarem com comprometimento, criticidade e criatividade, no sentido de forjar ações que permitam transformações política, cultural e social. No bojo dessas discussões, acreditamos que para atender às novas demandas da contemporaneidade, principalmente no que concerne à criação de sujeitos plurais, competentes e críticos, faz-se necessário implementar no solo das escolas brasileiras, políticas públicas fundamentadas numa perspectiva de educação multicultural, que venham viabilizar o processo de formação inicial e continuada dos professores, para que estes possam trabalhar de forma competente e politizada com a diversidade étnicocultural presente na escola. Referências: GOMES, Nilma Lino. Educação cidadã, etnia e raça: O trato pedagógico da diversidade. In: Racismo e anti-racismo na educação: repensando nossa escola. CAVALEIRO, Eliane. São Paulo: Summus, 2001. GONÇALVES, Luciene Ribeiro Dias, SOLIGO, Ângela de Fátima. EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO- RACIAIS: O DESAFIO DA FORMAÇÃO DOCENTE. In: 29ª reunião anual da ANPED, realizada em Caxambu em outubro de 2006. Disponível em:< http://www.anped.org.br/reunioes/29ra/trabalhos/trabalho/GT2.> Acesso em 07 de abril de 2009. LOPES, Vera Neuza. Racismo, preconceito e discriminação. In: MUNANGA, Kabengele (org.). Superando o racismo na escola. 2 ed, revisada, Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2008. SILVA, Ana Célia da. Desconstruindo a discriminação do negro nos livro didático. Salvador: EDUFBA, 2001. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Relato de experiência: Construindo um conhecimento introdutório sobre teatro na sala de aula1 Darkson Kleber Alves da Silva 2 Luana Pinto dos Santos3 Nádia Silva Cruz4 Patrícia Magalhães Teixeira 5 Priscila Rocha Frederico 6 Ana Cláudia de Oliveira Freitas7 Resumo: Este trabalho é o resultado de uma prática acadêmica que objetiva modificar a imagem construída nas escolas de que “ARTE SE FAZ DE QUALQUER JEITO”. Com base em nossos conhecimentos empíricos e em autores como Barbosa e Buoro, trabalhamos nos cursos de Pedagogia a realização teatral desde sua concepção até a maquete cenográfica. Iniciamos com a leitura do livro A MARGARIDA FRIORENTA de Fernanda Lopes de Almeida, texto de fácil acesso a todas as escolas; analisamos seu conteúdo e escrita (estrutura teatral); propusemos a livre adaptação a partir da idéia central do texto; fizemos leituras dramáticas e as maquetes cenográficas pensando em todas as questões de iluminação e deslocamento cênico. O resultado deste trabalho sintetizado na fala de um aluno, “Nunca imaginei que fazer arte era assim... não é o que aprendemos na escola, nunca mais vou assistir a uma peça do mesmo jeito!”, reafirma a necessidade de estimular o convívio com a arte e diluir o distanciamento existente entre a prática artística profissional e a “arte escolar”, abrindo espaço para a construção artística com todas as preocupações dos produtores de arte para que os indivíduos compreendam a importância da arte na formação do homem e seu universo profissional. Palavras-Chaves: Arte/Educação, teatro, experiência escolar. O trabalho Construindo um conhecimento introdutório sobre teatro na sala de aula foi desenvolvido na disciplina TEC Teatro e Música sob orientação da Professora Especialista Ana Cláudia de Oliveira Freitas, no 5º semestre do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB Campus XII - Guanambi-Ba, com o objetivo de trazer para a sala de aula o teatro, através da construção de uma maquete e leitura 1 Trabalho produzido em sala de aula, resultado de experiências vividas, desenvolvido na disciplina TEC Teatro e Musica. 2 Graduando do curso de Pedagogia, UNEB – Campus XII. 3 Graduanda do curso de Pedagogia, UNEB – Campus XII. 4 Graduanda do curso de Pedagogia, UNEB – Campus XII. 5 Graduanda do curso de Pedagogia, UNEB – Campus XII. 6 Graduanda do curso de Pedagogia, UNEB – Campus XII. 7 Licenciada em Arte Educação pela UNESP, Especialista em Planejamento Educacional, Professora Assistente da UNEB – Campus XII Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 dramática da história “Joaninha” livre adaptação do texto A Margarida Friorenta da autora Fernanda Lopes de Almeida. A professora Licenciada em Arte Educação acima citada propôs através da leitura do texto A Margarida Friorenta, a realização de sua livre adaptação e confecção de uma maquete, denominada caixa preta8, do cenário do espetáculo final. Inicialmente nos foi sugerido a análise da história infantil para adaptação da forma que o grupo entendesse como melhor e que enquadrasse com o perfil dos componentes do grupo. Dessa maneira, o grupo se dividiu nas tarefas para confecção da caixa preta, desde o planejamento até a escolha dos materiais, tais como a dimensão da caixa, do recurso que utilizaríamos para forrar ou pintar a caixa na cor preta, até o acabamento final, tais como a listagem de objetos e peças para a montagem do cenário, até mesmo o figurino das personagens em palco. Também a utilização das sonorizações adequada nas ações de suspense; emoção; drama, etc. Para a confecção da caixa preta, utilizamos uma caixa de papelão de dimensões de um quadrado de 50 centímetros. Cortamos um lado da caixa, que seria a frente do palco, e cortamos também aparte superior dessa caixa, que seria o teto do palco, com um corte de 30 centímetros ao centro do teto. Posteriormente, escolhemos o forro mais adequado para forragem. Optamos pelo papel camurça na cor preta, pois este não possui brilho, o que facilita a visualização do cenário pela platéia. Depois da caixa pronta, tivemos que pensar e analisar o cenário para sua montagem. Em nossa adaptação o texto A margarida Friorenta se transformou em “Joaninha”, contando com dois cenários um externo – a rua e outro interno - a casa. 8 Maquete representativa de um palco de peça teatral confeccionada a partir de uma caixa de papelão, forrada na cor preta. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Para a confecção, utilizamos caixinhas de fósforos; papeis coloridos; pedaços de tecidos de algodão; caixinhas de remédios; hidrocor; cola; tesouras; palitos de 50 centímetros para dependurar os bonecos personagens9. Antes de montar o cenário, foi preciso planejar cada detalhe, observar a visão que um possível auditório teria de cada local, onde aconteceriam as cenas. Durante a criação do novo texto, nossa imaginação “criou asas” dando margem a uma diversidade de idéias que foram surgindo com entusiasmo no decorrer do trabalho. Preocupamo-nos com a clareza em relação aos diálogos entre os personagens e com o desfecho da história. Foi uma experiência significativa, entendemos a importância e os benefícios que o teatro traz para a aprendizagem e também suas dificuldades. Aprendemos como trabalhar uma peça teatral em sala de aula, não deixando ninguém de fora, utilizando os recursos e o espaço que se tem e claro o mais importante: a criatividade mostrou-nos um campo de novas possibilidades que deve ser enxergado e apreciado, usado pelos que se fazem educadores dentro de um espaço escolar. Tudo é possível, e como diz o ditado popular “com jeitinho de brasileiro, a gente consegue fazer e bem feito qualquer coisa”. Vale ressaltar a importância que um trabalho desses tem, tanto para as crianças quanto para o professor. A confecção da caixa preta é uma maneira prévia de visualizar como poderá acontecer uma peça de teatro, é uma oportunidade de ver o que realmente está sendo planejando, identificando o que não ficou bom e o que precisaria ser modificado. Enfim, uma atividade prazerosa que requer vontade, dedicação compromisso e criatividade. 9 Miniatura das personagens da história ―Joaninha‖ adaptado do texto A margarida Friorenta, em forma de bonecos/ fantoches dependurado em um palito de 50 cm. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia ADAPTADO DA HISTÓRIA INFANTIL: A MARGARIDA FRIORENTA Fernanda Lopes de Almeida PERSONAGENS: JOANINHA FREDERICO ANA LUÍSA D. BERTA NARRADOR CENÁRIOS: a rua e a casa CENA 1 NARRADOR - Em meio ao castigante frio junino, havia uma menininha chamada Joana, que vivia andando sem rumo pelas ruas de uma cidadezinha bucólica e distante dos grandes centros. Certa noite, Joaninha triste, estava à procura de um lugar quente e aconchegante para descansar e dormir. Já exausta de tanto andar, se deitou na varanda de uma casa, quando apareceu um garotinho e,... FREDERICO - Ei! Qual é o seu nome? O que você está fazendo aí sozinha? Você quer ficar doente menina? Ta fazendo muito frio! Vai pra sua casa, sua mãe vai brigar com você! JOANINHA - Meu nome é Joana! Se eu tivesse casa não estaria aqui! Meu nariz está gelado, que frio! NARRADOR - Com pena da menina, o pequeno Frederico procura ajudá-la. Parece ter uma boa idéia! FREDERICO - Não saia daí Joana. Vou chamar minha irmã e nós vamos te ajudar! Você não vai mais sentir frio. Pode crer! NARRADOR - O menino fica eufórico. FREDERICO – (gritando) Ana Luísa! Ana Luísa! ANA LUÍSA - Credo Fred! Tá louco? Para de gritar que nem um maluco. Que foi? Viu alguma espaçonave? FREDERICO - Não! Pior que isso! ANA LUÍSA - Hum?! FREDERICO - Escuta. Encontrei uma menininha lá fora, na rua. Ela me disse que não tem casa, esta com fome, frio, suja, chorando, deve estar até doente! Eu prometi pra ela que ia dar um jeito de ajudá-la. Vamos lá! ANA LUÍSA - Coitadinha! Pobrezinha! Ela tem quantos anos? FREDERICO - Deixa de ser curiosa Luísa, e vamos ajudar a menina. Vem! NARRADOR - Esses dois danadinhos foram até Joana e sem precisar insistir, levaram ela para casa com todo cuidado para que seus pais não vissem nada! JOANA - E se a mãe de vocês me colocarem pra fora? ANA LUÍSA - Ela não vai fazer isso! Nós vamos esconder você no nosso quarto, ela nem vai te ver. Mamãe está tomando banho agora e papai ainda nem chegou do trabalho. Eu e Fred acabamos de sair um pouquinho pra rua e ela nem percebeu. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 FREDERICO - É só a gente não fazer barulho. JOANA - Na sua casa tem cachorro Fred? ANA LUÍSA - Não!!! JOANA - Tem comida? Estou com fome! FREDERICO - Comida, doce, refrigerante, suco de laranja, chocolate, sorvete, biscoito,.... ANA LUÍSA - E hoje a noite: pizza! Obá! JOANA - Humm,... Nunca comi pizza?! ANA LUÍSA - Depois você vai comer e vai saber como é. Vamos logo, ta fazendo frio aqui fora! JOANA E FREDERICO - Vamos! CENA 2 NARRADOR - As crianças passam pela sala devagarzinho sem fazer barulho e logo chegam ao quarto e escondem Joaninha. Só não contavam em ser surpreendidas pela mãe antes de irem a cozinha buscar alguma coisa para Joana comer. D. BERTA - Onde vocês estavam? Quem é aquela menina que entrou com vocês? Onde ela está? ANA LUÍSA - Eu disse Fred: mamãe não vai deixar a Joana morar com a gente! FREDERICO - Você não disse nada disso, sua mentirosa! ANA LUÍSA - Disse sim! FREDERICO - Não disse! Horrorosa! ANA LUÍSA - Vou te matar seu magricela! Grrrrrr! D. BERTA - Parem de brigar agora, ou eu coloco vocês de castigo! Quero saber quem é essa menina. Podem me explicar o que está acontecendo? NARRADOR - As crianças contam a mãe como encontraram Joaninha e D. Berta fica comovida. Enquanto isso.... JOANA - Eu vou embora! A senhora não precisa brigar com eles. Não quero mais ficar aqui. FREDERICO - Não Joaninha! Você não tem pra onde ir D. BERTA - Não estou brigando com eles minha querida. Só queria saber quem é você e onde a encontraram. Só isso! Não tenha medo, não precisa ir embora, nós vamos te ajudar. NARRADOR - Parece que D. Berta, com suas doces palavras, aqueceu o coraçãozinho da menina. Ela sorriu meio desconfiada. D. BERTA - Vão brincar um pouquinho no quarto, que eu vou preparar uma pizza deliciosa pra vocês. (Ana Luísa empreste um vestido seu a joaninha pra ela se trocar depois que tomar um banho) Fred, você vem me ajudar, e ligar para o papai vir logo. Depois da pizza e de conversarmos com o papai vamos todos dormir, e amanhã cedinho vamos ver qual a melhor solução para Joaninha. Vou conversar com uma amiga para procurar a família da amiguinha de vocês e se for mesmo verdade que ela não tem ninguém, acho que podemos nos tornar uma grande família ate Joaninha ter um lar de verdade para morar. O que vocês acham disso crianças?! ANA LUÍSA, FREDERICO E JOANINHA - EHHH!! FREDERICO - Boa idéia mamãe! Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 ANA LUÍSA - A minha professora disse que toda criança tem direito de ter uma família, comida, escola, tudo o que precisa. Ta vendo Joaninha, você agora não vai mais ficar com fome, nem sentir frio. JOANA - Encontrar vocês hoje foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida! Valeu! Nem to mais com medo. A gente já pode comer a tal da pizza tia? NARRADOR - E graças a Fred e Ana Luísa, tudo acaba mesmo em pizza! Ops,... até que Joaninha encontre um novo lar. O que não vai ser difícil, já que essa família vai ajudar! FIM Referências Bibliográficas ALMEIDA, Fernanda Lopes. A Margarida Friorenta. São Paulo: Ática, 2007. ABRAMOWICH, Fanny. Literatura Infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scpione. 1993. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 TEATRO, COISA SÉRIA! Alciene Santos1 Daniela Fernandes Dayanne Mota Di Paula Prado Sônia Frota Stela Montalvão Elinoete Cerqueira Tatiana de Cássia Boa Sorte Ana Cláudia de Oliveira Freitas2 Resumo: Este trabalho é o resultado de uma prática acadêmica que objetiva modificar a imagem construída nas escolas de que ―ARTE SE FAZ DE QUALQUER JEITO‖. Com base em nossos conhecimentos empíricos e em autores como Barbosa e Buoro, trabalhamos nos cursos de Pedagogia a realização teatral desde sua concepção até a maquete cenográfica. Iniciamos com a leitura do livro A MARGARIDA FRIORENTA de Fernanda Lopes de Almeida, texto de fácil acesso a todas as escolas; analisamos seu conteúdo e escrita (estrutura teatral); propusemos a livre adaptação a partir da idéia central do texto; fizemos leituras dramáticas e as maquetes cenográficas pensando em todas as questões de iluminação e deslocamento cênico. O resultado deste trabalho sintetizado na fala de um aluno, “Nunca imaginei que fazer arte era assim... não é o que aprendemos na escola, nunca mais vou assistir a uma peça do mesmo jeito!”, reafirma a necessidade de estimular o convívio com a arte e diluir o distanciamento existente entre a prática artística profissional e a ―arte escolar‖, abrindo espaço para a construção artística com todas as preocupações dos produtores de arte para que os indivíduos compreendam a importância da arte na formação do homem e seu universo profissional. Palavras-Chaves: Arte/Educação, teatro, experiência escolar. 1 Graduandas do VI Semestre do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – Campus XII. 2 Professora Especialista do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – Campus XII. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 RELATO DE EXPERIÊNCIA Após a leitura do livro infantil: A margarida friorenta da autora Fernanda Lopes de Almeida foi proposta uma atividade pela professora orientadora Ana Cláudia Freitas, na qual deveríamos fazer uma adaptação livre do texto original do livro. Diante de várias discussões optamos por fazer essa adaptação baseada na realidade de grande parte das crianças da sociedade atual, que sofrem com a nova reconfiguração familiar, principalmente a inserção da mulher no mercado de trabalho, uma vez que o convívio e as relações entre pais e filhos têm sido prejudicados, logo percebemos o quanto o carinho, o afeto e a atenção são fatores importantes que influenciam diretamente na vida das crianças. Nessa perspectiva, no segundo momento construímos uma maquete para a representação do texto adaptado, cuja produção foi apresentada em forma de encenação na sala de aula, com a participação e envolvimento de todos do grupo. Esta atividade foi de grande relevância para nós, despertando nossa imaginação e criatividade, aguçando nossa sensibilidade, e contribuindo para uma maior interação com a área – o teatro -, que é uma ferramenta influente no ensino da arte. O MENINO TRISTE Livre adaptação do texto “A Margarida Friorenta” de Fernanda Lopes de Almeida Personagens: Pedro: Menino de 5 anos Lúcia: Mãe Graça: Babá (Música de fundo). Pedro está brincando sozinho em seu quarto com muitos brinquedos espalhados pelo chão, quando sua babá chega e diz: Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 (Babá) – Pedro, ta na hora de dormir, arrume os brinquedos e vá para a cama! (Pedro) – Vou esperar a mamãe. (Babá) – Não Pedro. Sua mãe vai chegar muito tarde e você precisa acordar cedo para ir à escola. Apague a luz e vá dormir. A babá sai do quarto mais logo ouve um barulho. Menino no quarto chorando baixinho. (Colocar música de fundo). (Babá) – Por que você está chorando? Está sentindo alguma coisa? (Pedro) – Estou triste! (soluçando). Por que minha mãe vai demorar? (Babá) – Porque ela está trabalhando pra comprar mais brinquedos pra você. Hum! É tão ruim ficar triste; mas calma essa tristeza vai passar. Pedro se encolheu ainda mais embaixo do cobertor. Lúcia chega em casa. (Lúcia) – Oi Graça, trouxe um presente para o Pedro, entregue a ele, por favor, estou muito cansada. Boa Noite! (Babá) – Boa noite Dona Lúcia, vou agora mesmo levar para o Pedrinho. (Babá) – Olha Pedro, que lindo presente sua mãe trouxe pra você! (Pedro) – Ah! Eu não quero mais brinquedos, já tenho muitos e nem tenho com quem brincar... (Voz triste, choramingando) (Pedro) – Por que a mamãe não veio me ver? (Babá) – Ela chegou cansada. O menino permaneceu triste, sentado na cama e olhando desconsolado para o brinquedo. A babá teve uma idéia: (Babá) – Ah, espere um pouco, vou arranjar uma solução para sua tristeza! A babá foi à porta do quarto da mãe do garoto e a chamou: (Babá) – Dona Lúcia! (Lúcia) – Anh! É você Graça? Você está bem? (Babá) – Sim estou bem, mas o Pedro não! (Lúcia) – O que ele tem? (Babá) – Ah, ele está muito triste! (Lúcia) – Ué, mas por quê? (Babá) – Ele não me disse, mas está até chorando. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 (Lúcia) – Veja se ele não está com frio, ou fome... (Babá) – Ok! Vou ver o que ele quer. A babá foi ao quarto de Pedro e perguntou: (Babá) – Pedro, sua mãe quer saber o que você tem, se está com frio, com fome, com medo, ou se quer brincar. (Pedro) - Eu não tenho nada! (emburrado) (A babá voltou ao quarto da mãe de Pedro, e disse): (Babá) – Dona Lúcia, já tentei de tudo, mas ele ainda está triste e não fala o que tem! (Lúcia) – Então, traga-o para cá. Como é difícil entender as crianças!!! (Babá) – Certo! Já vou trazê-lo. E sai para buscar o garoto. (Lúcia) – Filho, o que você tem? Por que está tão chateado, eu te dou tudo o que me pede, tem muitos brinquedos, computador, vídeo-game, o que mais você quer? (Pedro) – Nada não! (E deitou-se junto à sua mãe). (Lúcia) - Vamos tentar dormir querido, amanhã vai ser um longo dia. A mãe escuta um barulhinho. (Lúcia) – Você está com medo? Fique sossegado, estou aqui com você. Pedro continuava amuado e não conseguia dormir. (Lúcia): Já sei o que está acontecendo. Filho venha cá. Ela então puxou o filho e lhe deu um abraço bem apertado e muitos beijos. (Música de fundo) (Lúcia) – Eu te amo filho, você é muito importante para mim, nunca se esqueça disso! (Pedro) – Eu preciso muito de você mamãe, não saia de perto de mim. Agora não vou mais ficar triste, vou dormir tranquilo. Pela manhã, Lúcia diz à babá: (Lúcia) – Graça, perdi o sono esta noite e fiquei pensando, pensando, até descobri o motivo da tristeza do Pedro. Não era frio, nem fome ou medo! Ele precisa de atenção, de carinho como qualquer pessoa. Meu filho está carente, está se sentindo muito sozinho, mas a partir de agora vou lhe dedicar mais tempo, vou lhe dar muitos abraços, brincar com ele, contar histórias, passear, enfim, vou ser uma mãe de verdade! (Música de fundo). A babá responde comovida: Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 (Babá) – Ele estava sentindo sua falta, Dona Lúcia. Eu faço o que posso, mas realmente as crianças precisam muito da afeição e cuidado dos pais, não basta apenas dar coisas materiais, pois nada substitui a atenção e o amor. (Lúcia) – Isso mesmo, Graça! O afeto e a interação entre pais e filhos é que fazem a diferença! Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 INFLUÊNCIA DA ESTRUTURA FÍSICA NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM Adrielle Souza de Jesus¹ Ana Claudia Oliveira Silva Cristiane Morais de Araújo Elane Alves Campos Eliane Bernardes Santos Orientador: Mauro Cesar Ribeiro dos Santos² RESUMO O estudo tem por objetivo analisar os efeitos do espaço físico nas relações interpessoais no ambiente de trabalho dos profissionais de enfermagem. As relações estabelecidas neste local são de fundamental importância para que exista um melhor rendimento profissional, satisfação pessoal e uma boa qualidade dos serviços prestados. Trata-se de um estudo qualitativo, realizado com pesquisa documental e questionário estruturado. O universo desse estudo expressa o total de enfermeiros de nível superior, técnicos e auxiliares de enfermagem lotados em Unidades de Saúde da Família da zona urbana do município de Guanambi - BA, totalizando 46 trabalhadores aos quais foram feitos convites individuais para participarem deste estudo, no período de novembro de 2009 a setembro de 2010. A ergonomia é o estudo do relacionamento do homem e seu ambiente de trabalho, preocupa-se com a melhoria das condições materiais e instrumentais de trabalho, ou seja, a qualidade de vida dos trabalhadores. Os resultados demonstram que a maioria dos entrevistados (65,2%) não considera o ambiente físico como fator de interferência em suas relações profissionais e 78,2% confirma a ausência da ergonomia nas pautas das reuniões. Verifica-se que se faz necessário uma difusão de conhecimento entre os enfermeiros quanto aos aspectos ergonômicos, a fim de melhorar as condições físicas e psíquicas dos trabalhadores, proporcionando assim boas relações profissionais. Palavras-chave: Relações interpessoais, ergonomia, espaço físico. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia 1 2 Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Graduando (a) em enfermagem pela Universidade do Estado da Bahia. Prof. Esp. da Universidade do Estado da Bahia. 1. Introdução A sociedade atual é marcada por intensas e rápidas transformações, as quais são nitidamente observadas no ambiente de trabalho, que trouxe ao mesmo tempo mudanças inquestionáveis para o homem como também precarização das relações entre os profissionais. O trabalho é uma atividade realizada com o objetivo de obter um rendimento econômico, sendo considerado por muitos estudiosos como uma forma elevada de socialização humana, representando muitas vezes um aprendizado e um contato permanente entre as pessoas. Neste contexto, torna-se fundamental priorizar a qualidade de vida do trabalhador, respeitando os aspectos ergonômicos. A ergonomia é o estudo do relacionamento do homem e seu ambiente de trabalho, preocupa-se com a melhoria das condições materiais e instrumentais de trabalho, ou seja, a qualidade de vida dos trabalhadores. A ergonomia desde a sua criação vem ampliando sua visão atuando em qualquer situação de trabalho ou lazer de maneira mais flexível, enfatizando o humanismo nos relacionamentos interpessoais. As relações interpessoais no ambiente de trabalho são de fundamental importância para que exista um melhor rendimento profissional, satisfação pessoal e uma boa qualidade dos serviços prestados. Na área da saúde, mais precisamente na Enfermagem, é necessário que haja uma integração mútua da equipe multiprofissional, por envolver diversos graus de responsabilidade e complexidade. Desta forma, percebese a importância de um ambiente de trabalho estruturado de acordo com as normas ergonômicas, visando uma melhoria nas condições físicas e psíquicas dos trabalhadores, proporcionando boas relações profissionais. 2. Objetivo Geral Analisar os efeitos do espaço físico nas relações interpessoais no ambiente de trabalho dos profissionais de enfermagem. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia Objetivos específicos -Relacionar a interferência da estrutura física com as relações profissionais da equipe de enfermagem -Identificar elementos que proporcionam a precarização dos relacionamentos interpessoais dos profissionais de enfermagem 3. Fundamentação Teórica A palavra trabalho e o qualitativo profissional são usados em psicologia para designar toda atividade realizada tecnicamente com a finalidade de conseguir um rendimento econômico. Em nossa organização social, o ser humano dedica ao trabalho aproximadamente 65% da sua vida produtiva, incluindo-se jornada de trabalho e atividade propriamente dita, a locomoção e o atendimento das necessidades relacionadas ao trabalho. Portanto o homem passa metade de sua existência dedicandose ao trabalho profissional (MAURO, 2004). Segundo Magalhães (1990), o ambiente de trabalho é constituído de duas partes distintas: a física: (instalações, móveis e decoração etc.), e social (as pessoas que habitam) ... influem no conforto social. Evidentemente, se tais elementos forem precários, ninguém trabalhará com moral elevado. Conforme a natureza do trabalho exigir-se-á uma luminosidade, uma temperatura, um grau de umidade diferente, o que também deverá estar de acordo com a região onde se trabalha e a época do ano.(Magalhães1990 p 51) Segundo FISCHER e PARAGUAI (1989), o ambiente de trabalho é um conjunto de fatores interdependentes, que atua direta e indiretamente na qualidade de vida das pessoas e nos resultados do próprio trabalho. A visão global das influências do trabalho facilita a compreensão das dificuldades e desconfortos, da insatisfação, dos baixos desempenhos, das doenças camufladas e/ou na ocorrência de acidentes e incidentes de trabalho. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 As condições de trabalho e os riscos ocupacionais podem ser estudados por diferentes abordagens, dentre elas a ergonomia. Para a ergonomia, as condições de trabalho são representadas por um conjunto de fatores interdependentes que atuam direta ou indiretamente na qualidade de vida das pessoas e nos resultados do próprio trabalho; e o homem, a atividade e o ambiente de trabalho são os componentes da situação de trabalho, que devem ser analisados. (ABRANCHES, 2005). A ergonomia focaliza um sistema formado por um complexo relacionamento de componentes que interagem entre si. O centro desse sistema é o homem (educação, motivação, dados antropométricos) sendo imediatamente influenciado pela tarefa (análise da postura, vibração, aplicação de forças, repetição, ritmo e métodos de trabalho, movimentos de flexão e torção); instrumento (peso, tamanho, manejo e controles, localização) e posto de trabalho (alcance dos movimentos, espaço de trabalho, altura da superfície de trabalho, mobiliário)(ALEXANDRE, 1998). Segundo COOPER (1973) A qualidade das relações interpessoais é um aspecto de grande importância no ambiente de trabalho. ―Umas boas relações entre os membros do grupo de trabalho são um fator central da saúde individual e organizacional‖. A Enfermagem, entendida como uma prática social estabelece entre si e os demais envolvidos no desenvolvimento de seu processo de trabalho, uma teia de relações interpessoais e grupais de caráter complexo, o que exige da enfermeira, profissional de referência no meio e legalmente coordenadora da equipe de enfermagem, especial atenção no gerenciamento destas relações. Neste sentido, a enfermeira assume o papel de gerenciar as relações interpessoais que estabelecem os trabalhadores de enfermagem entre si, com os demais profissionais da área e com os sujeitos que procuram os serviços de saúde (URBANATTO, 2004). A comunicação já não se pode ser considerada apenas como um dos instrumentos básicos da enfermagem ou do desenvolvimento do relacionamento terapêutico. Ela tem de ser considerada como capacidade ou competência interpessoal a ser adquirida pelo enfermeiro, não importando sua área de atuação STEFANELLI (1987). 4. Metodologia Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Trata-se de um estudo qualitativo, realizado com pesquisa documental e questionário estruturado O universo desse estudo expressa o total de enfermeiros de nível superior, técnicos e auxiliares de enfermagem lotados em Unidades de Saúde da Família da zona urbana do município de Guanambi - BA, totalizando 46 trabalhadores aos quais foram feitos convites individuais para participarem deste estudo, assegurando o caráter sigiloso quanto à identificação dos respondentes e apresentando objetivo e método da investigação, respeitando-se as recomendações sobre a ética em pesquisa. O instrumento de pesquisa utilizado, questionário estruturado, a coleta de dados foi realizada entre novembro de 2009 a setembro de 2010 com aplicação do instrumento após leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE pelos respondentes. O questionário compreendeu a 5 questões objetivas de múltipla escolha abordando os seguintes dados: Relação Profissional, estrutura física do ambiente de trabalho e ergonomia. 5. Resultados De acordo com os resultados observou-se que grande parte dos funcionários (65, 2%) não considera o ambiente físico como um fator de interferência em suas relações interpessoais no ambiente de trabalho, somente uma pequena porcentagem (32,6%) confirmam essa correlação. Os resultados também demonstram que 65,2 % dos profissionais de enfermagem mostraram-se satisfeitos quanto a estrutura física de trabalho e uma pequena porcentagem (32,6%) consideram esse aspecto insatisfatório. Conforme os dados coletados verifica-se que a relação entre os profissionais e a estrutura física do ambiente de trabalho mostra-se claramente positiva considerando que 80,4 % dos entrevistados apontam para a ausência de conflitos interpessoais entre os colegas. Nos questionários chama a atenção o fato dos aspectos ergonômicos serem pouco discutidos em grande parte das unidades de saúde, pois a maioria dos entrevistados (78,2%) confirma a ausência desse assunto como pauta das reuniões e somente 19,5 % dos profissionais presenciaram o contrário. No que diz respeito à Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 estrutura organizacional do ambiente de trabalho nota-se que este não é considerado como um desencadeador de confronto entre os profissionais considerando u m percentual significativo de 89,9%. 6. Discussão Com base nas pesquisas realizadas com os profissionais da área de saúde percebe-se que não há correlação direta entre os fatores físicos do ambiente de trabalho e as relações interpessoais. Para a maioria dos profissionais entrevistados, o ambiente de trabalho é considerado satisfatório e não interfere no relacionamento com os colegas. No cotidiano do trabalho de enfermagem identifica-se que, em diversas situações, existem dificuldades nas relações de trabalho, tanto dentro da equipe de enfermagem como dessa com outras equipes profissionais, porém esses conflitos e disputas estão relacionados principalmente em questões que envolvem autonomia e poder dos agentes e não aos aspectos ergonômicos do ambiente. Segundo Lima (1999) ―As enfermeiras, com freqüência, relatam problemas advindos da pouca autonomia que têm no desempenho do trabalho e na tomada de decisões, atribuindo-os à indefinição de papéis da enfermeira e à submissão ao médico.‖ Resultados de pesquisa no Hospital Heliópolis (PIZZOLI, 1999), demonstram que mesmo os profissionais estando insatisfeitos com aspectos que abordam as condições de trabalho, mostraram elevada concentração em satisfação nas dimensões que abragem aspectos sociais e de relacionamento. A ausência de questões ergonômicas nas pautas das reuniões confirmada pela maioria dos entrevistados nessa pesquisa demonstra o desconhecimento da importância desse assunto por parte da maioria dos enfermeiros. Resultados de pesquisas sobre condições de trabalho e aspectos ergonômicos mostram que há necessidade de difundir-se entre os enfermeiros o conhecimento desses estudos. (MAURO 2004). Para que haja um questionamento dos fatores físicos do ambiente de trabalho é preciso conhecimento sobre ergonomia e estar ciente das normas regulamentadoras, por isso faz-se importante uma constante discussão sobre o assunto para que assim os trabalhadores possam buscar soluções para essa adequação. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 7. Considerações Finais Socialmente ou no trabalho, o homem depende de relações que são imprescindíveis para a convivência humana, não sendo diferente no campo da enfermagem. Dentre os vários fatores, pode-se dizer que a comunicação é essencial para a construção de relações harmoniosas no ambiente de trabalho. Compreender essa perspectiva implica em reforçar argumentos que possibilite a conscientização dos profissionais da saúde partindo do ponto de que é preciso se inteirar das normas regulamentadoras bem como das condições ergonômicas do ambiente de trabalho, visando um bem estar profissional e consequentemente uma satisfação para a equipe de enfermagem. 6- Referências bibliográficas ABRANCHES, Sueli. S. A situação ergonômica do trabalho de enfermagem em unidade básica de saúde. Tese de pós-graduação. Escola de enfermagem de Ribeirão Preto- USP. Ribeirão Preto. 2005. ALEXANDRE, Neusa, M. C. Aspectos ergonômicos relacionados com o ambiente e equipamentos hospitalares. Rev. Lat-AM. Enfermagem v. 6 n° 4 Ribeirão Preto. Out.1998. COOPER, A. (1973). Group Training of Individual and Organization Development. Basle: S. Karger FISCHER, F.M.; PARAGUAY, A.I.B.B. A ergonomia como instrumento de pesquisa e melhoria das condições de vida e trabalho. In: FISCHER, F.M. et al. Tópicos de saúde do trabalhador. São Paulo: HUCITEC, 1989. p. 19-72 MAGALHÃES, C. Técnica da chefia e do comando. 9.ed. Rio de Janeiro: IBGE, 1990,104p. LIMA, M.A.D.; ALMEIDA, M. C. P. O trabalho de enfermagem na produção de cuidados de saúde no modelo clinico. Rev. gaúcha Enferm., Porto Alegre, v.20, n. esp., p.86-101, 1999 MAURO, Maria Ivone. C. et.al. Riscos ocupacionais em saúde. Rev. Bras. Enferm. UERJ, 2004. p.339. STEFANELLI, M.C. Ensino de técnicas de comunicação terapêutica enfermeiro – paciente. Ver. Esc. Enfermagem da USP, v.21, n. 2, p. 107-115,ago./1987. URBANATO, Janete. S; CAPELA, Beatriz. B. Processo de trabalho em enfermagem: Gerenciamento das relações interpessoais. Ver. Brás. Enferm. Vol. 57. n° 4. July/Aug. 2004. PIZZOLI, L.M.L. Qualidade de vida no trabalho: um estudo de caso das enfermeiras do hospital Heliopolis. Cienc. Saúde coletiva vol. 10 n° 4 Rio de Janeiro. Out/dec. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS – LIBRAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA NA CIDADE DE GUANAMBI-BAHIA Rodrigues, Mônica X. Santana UNIVERSIDADE NORTE DO PARANÁ – UNOPAR RESUMO: Criada em 1856, a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS por muito tempo foi desprestigiada nos diversos ambientes sociais, alcançando somente nos últimos anos um alto nível de popularização, não apenas no âmbito escolar como também na sociedade em geral. A LIBRAS não é a gestualização da língua portuguesa, e sim uma língua independente, o que a concebe prestigio na construção de estudos. O presente trabalho, ainda em construção, busca sistematizar as observações enquanto ao crescimento pela aprendizagem da LIBRAS na cidade de Guanambi – BA, principalmente pelos jovens. Para tanto, utilizamos a metodologia de pesquisa etnográfica: observação com registro em diário de campo e análise documental. Observamos que uma língua considerada natural da comunidade surda despertou em muitos jovens a autoformação, definida como "a apropriação por cada um do seu próprio poder de formação". Na autoformação, o sujeito assume a necessidade de aprender e se apropria do processo de formação. Percebemos que a interação e comunicação entre ouvintes e surdos facilita a inserção desses na sociedade em geral. Com isso, é necessário entendermos o porquê da crescente busca pela aprendizagem dessa língua a fim de intervir de forma auxiliadora na construção de uma sociedade mais igualitária. Palavras-Chave: LIBRAS. Interação e Comunicação. Autoformação. 1. INTRODUÇÃO A Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS é uma língua que tem ganhado espaço na sociedade por conta dos movimentos dos surdos em prol de seus direitos, é uma luta de muitos anos que os caracteriza como um povo com cultura e língua próprias. Assim, através de anos de luta a classe surda conquistou o direito de usar sua língua que possibilita não só a comunicação, mas também sua efetiva participação na sociedade. O presente trabalho, através da observação participante, pretende apresentar algumas reflexões sobre a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS e o interesse dos jovens da cidade de Guanambi-Ba por essa língua e a crescente busca dos mesmos por cursos com essa temática. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia 2. PERCURSO HISTÓRICO DA LIBRAS Sobre o surgimento da LIBRAS, (MENEZES, 2006) afirma que: ―O Brasil ainda era uma colônia portuguesa governada pelo imperador Pedro II quando a língua de sinais para surdos aportou no país, mais precisamente no Rio de Janeiro. Em 1856, o conde francês Ernest Huet desembarcou na capital fluminense com o alfabeto manual francês e alguns sinais. O material trazido pelo conde, que era surdo, deu origem à Língua Brasileira de Sinais (Libras). O primeiro órgão no Brasil a desenvolver trabalhos com surdos e mudos surgiu em 1857. Foi do então Instituto dos Surdos-Mudos do Rio de Janeiro, hoje Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), que saíram os principais divulgadores da Libras. A iconografia dos sinais -ou seja, a criação dos símbolos- só foi apresentada em 1873, pelo aluno surdo Flausino José da Gama. Ela é o resultado da mistura da Língua de Sinais Francesa com a Língua de Sinais Brasileira antiga, já usada pelos surdos das várias regiões do Brasil.‖ O instituto I‘Eppe, em 1896, contribuiu para o desenvolvimento da LIBRAS quando realizou um encontro internacional com o intuito de avaliar a decisão do Congresso Mundial de Professores de Surdos, ocorrido no ano de 1880 em Milão, o qual havia proibido o uso da LIBRAS na educação dos surdos, só sendo retomado o seu uso na década de 1940. Atualmente a LIBRAS é considerada uma língua regulamentada pela Lei n.º 4.857/2002 como língua dos surdos brasileiros, decisão que facilitou a socialização dos surdos. A LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais tem sua origem na Língua de Sinais Francesa. As línguas de sinais não são universais, assim cada país possui sua própria língua, as quais sofrem influências da cultura regional. Para Quadros (2004) ―a língua de sinais é uma linguagem espacial articulada através das mãos, das expressões faciais e do corpo. É uma língua natural usada pela comunidade surda brasileira‖. Adotada pela maioria dos surdos do Brasil, a LIBRAS, ao contrário do que muitos pensam não é simplesmente mímica ou gestos, mas sim uma língua que possui estrutura própria, de modalidade diferente da língua oral, a LIBRAS difere-se da língua portuguesa por ser uma língua gestual-visual, contrária à língua portuguesa que é oralauditiva. A estrutura gramatical da LIBRAS é composta por sinais formados com Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 combinações de formas e movimentos das mãos, também de pontos de referência no espaço ou no corpo, a LIBRAS é constituída por um sistema lingüístico que transmite fatos e idéias, natural das comunidades de pessoas surdas de todo país. Sendo assim considera-se a LIBRAS uma língua promulgada pelo corpo, que requer atenção visual, discriminação visual, memória visual, expressão facial e corporal e agilidade manual. 3. A LIBRAS NO CONTEXTO LOCAL É notado o aumento por cursos da Língua Brasileira de Sinais no município de Guanambi-Ba, sendo tanto as entidades públicas e privadas responsáveis pela realização de cursos voltados para essa temática e a inclusão de jovens e seus familiares na sociedade em geral. Percebemos através da participação enquanto ouvintes, que os jovens não-surdos em sua grande maioria compõem os assistidos nos cursos e mantém uma interatividade com os jovens surdos auxiliadores no desenvolvimento do aprendizado da LIBRAS. Essa interação se dá de forma calorosa por ambas as partes, sendo que por parte do deficiente auditivo há uma grande satisfação em ensinar, pois os mesmos têm notado os crescentes encontros realizados entre ouvintes e surdos de Guanambi e também em cidades vizinhas. O Colégio Estadual Idalice Nunes e a Escola Municipal Getulio Vargas possuem interprete em sala de aula. O colégio possui ainda uma sala especial para deficientes auditivos. O SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) tem atuado de forma idealizadora na promoção por cursos na cidade de Guanambi-Ba. São cursos com carga horária de 100 horas e em turmas de 25 alunos, composta principalmente por jovens estudantes, familiares de surdos e profissionais de áreas afins. O CEPPEX (Centro de Pós-Graduação e Extensão) que engajado no compromisso de colaborar para a solução dos problemas da comunidade, no tocante ao social, desenvolve freqüentemente mini-cursos nessa temática, geralmente com carga horária de vinte horas, que na maioria das vezes são ministrados por estudantes de pósgraduação em LIBRAS. Esses mini-cursos têm em sua metodologia a realização de aulas expositivas e sinalizadas, trabalhos em grupos e atividades individuais, promovendo a interação dos ouvintes e preparando-os para serem fomentadores da Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 LIBRAS. A FISK, mesmo sendo uma escola de idiomas, tem lançado projetos de extensão para a comunidade e, sem sombra de dúvidas o de maior procura é seu Curso de LIBRAS. São cursos com cargas horárias maiores, a turma é composta em maioria por alunos de pós-graduação em LIBRAS, familiares e amigos dos surdos, bem como os próprios alunos dos cursos de inglês, espanhol, português e informática. Destarte, não podemos esquecer-mos da APADA (Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos), esta é uma entidade sem fins lucrativos e realiza cursos voltados para a família do deficiente auditivo e seu rol social. Em geral, o curso possui carga horária de vinte horas, ministrado por professores da própria entidade, com material já existente na mesma, visando a real integração do deficiente auditivo em seu meio, enfatizando que o convívio com outros deficientes auditivos motiva o aluno e acelera seu desenvolvimento. Belloni (1999) destaca a importância de que sejam enfatizadas as abordagens interativas entre os seres humanos e de não limitá-las às máquinas. A abordagem educacional utilizada na elaboração do curso concebe o processo de ensino-aprendizado como orientado, social e comunicativo. O aluno tem uma participação autônoma e ativa e o professor o de mediador, interferindo para auxiliar o aluno em sua aprendizagem e coordenando a nova e ansiosa interação entre alunos e deficientes auditivos. Nota-se, portanto, que além da sua utilidade comunicativa, as línguas de sinais proporcionam aos indivíduos surdos o desenvolvimento tanto cognitivo, quanto lingüístico, este "em relação a dois aspectos: o social e o intelectual" (GOMES; DANESI, 2003, p. 18) 4. CONCLUSÃO São muitos os fatores que levam as pessoas a buscarem o aprendizado da LIBRAS. Destacamos a seguir alguns desses fatores: 1) curiosidade e interesse por uma língua diferente; 2) parentes e/ou amigos serem deficientes auditivos e 3) necessidade no trabalho e/ou inclusão social. Aquele que aprende a LIBRAS passa a enxergar o mundo dos surdos com outros Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 DEDC XII olhos, não os exclui e não se sente excluído. Passa a valorizar mais os gestos, o corpo,e o olhar dos surdos. Vêem os deficientes auditivos como membro comum de uma sociedade que luta para ser igualitária e que podem independente da deficiência serem amigos e comungarem das mesmas coisas. Segundo Mario Quintana ―Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino. Portanto, os jovens guanambienses aguardam por uma maior e constante participação em relação à comunidade surda, e para que tal participação seja efetiva é preciso difundir a língua, a cultura, as histórias e a concepção de mundo dos surdos, pois ainda segundo Mario Quintana ―Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia. REFERÊNCIAS BELLONI, Maria Luiza. Educação a distância. Campinas, SP: Autores Associados, 1999. GOMES, Erissandra; DANESI, Marlene Canarim. Linguagem e Escrita: Uma dinâmica de grupo. In: Revista Espaço: informativo técnico científico do INES. Rio de Janeiro: INES, n. 18/19 (dezembro/2002 - julho/2003). 2003, p. 14-20. LEGISLAÇÃO DE LIBRAS. Linguagem Brasileira de <www.libras.org.br/leilibras.htm>. Acesso em: 05 novembro 2010. Sinais. Em: MENEZES, Ebenezer Takuno de; SANTOS, Thais Helena dos. “LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais)” (Verbete). Dicionário Interativo da Educação Brasileira. Educa Brasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2006. QUADROS, R. M. de. Educação de Surdos: A Aquisição da Linguagem. Porto Alegre, RS: Artes Médicas, 1997. QUADROS, R. M. de; KARNOPP, L. B. Língua de sinais brasileira. Porto Alegre, RS: Editora ArtMed, 2004. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 SINTOMATOLOGIA MÚSCULOESQUELETICO E SUA RELAÇÃO COM A ATIVIDADE LABORAL DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM Ricardo Bruno Santos Ferreira Dani Ian Ribeiro Cordeiro Guilherme Henrique Rizério Barreto Raimundo Cleber Sousa Santos Mauro Cesar Ribeiro dos Santos UNEB-CAMPUS - XII RESUMO O presente artigo trata da freqüência sintomatológica músculo-esqueletico que acometem os profissionais de enfermagem nas realizações de suas atividades laborais nos postos de saúde da família na cidade de Guanambi-Ba. Dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) contabilizam a existência Somada dos enfermeiros com nível superior, níveis médios e técnicos, mais de um milhão, respondemos por 60,2% da força de trabalho em saúde no Brasil. Destaca-se que esses profissionais se encontram em áreas de risco eminente na relação direta entre o trabalho de enfermagem e os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), como exemplo de fatores temos: o tempo de trabalho; o cuidar direto a pacientes com alto grau de deficiência; determinantes psicológicos; a fragmentação dos serviços da enfermagem e deficiência na ergonomia do ambiente de trabalho, podendo assim vir a desenvolver algumas patologias e, consequentemente a uma perda da sua qualidade de vida. Sabendo-se disso fora realizado um estudo quantitativo com pesquisa documental e questionário estruturado a fim de avaliar a freqüência de afecções que acometem o sistema músculo esquelético dos profissionais de enfermagem em seus postos de trabalho. A coleta de dados realizou-se em um publico alvo de 46 profissionais de enfermagem, com aplicação do instrumento após leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE pelos respondentes. Ao fim foram obtidos dados que mostraram a prevalência de DORT em 82% dos entrevistados, sendo 31% referente à lombalgia como afecção músculo-esqueletico mais freqüente. Palavras chave: DORT; Profissional de Enfermagem; Qualidade de vida, Ergonomia. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 INTRODUÇÃO Os estudos e práticas sobre as questões relacionadas à saúde do trabalhador vêm ocupando um espaço crescente, pois a presença de doença ou a vivência de um acidente repercutem na vida familiar, laboral e social e no psiquismo do mesmo. (Merlo, Et Al; 2001) As doenças ocupacionais não são recentes. Já no século XVI, George Bauer apresentava um estudo sobre doenças e acidentes de trabalho em mineiros. Em 1917 Bernadino Ramazinni, considerado o pai da medicina do trabalho relatou que os movimentos violentos e irregulares bem como as posturas inadequadas durante o trabalho, provocam lesões ao corpo humano. Apesar de ultrapassado, esse paradigma mecanicista do homem relacionado ao trabalho, é bastante forte, principalmente no que diz respeito ao trabalho repetitivo. (Przysiezny, 2005) Em geral, acompanhando essas ocorrências e dependendo da gravidade das mesmas, os indivíduos expressam sentimentos de desvalia, insegurança, quanto ao futuro profissional, inconformismo frente a algumas limitações, incertezas e morosidade no processo terapêutico e de reabilitação, medos e fantasias inconscientes, manifestações depressivas e de revolta, associadas, em geral a incorporação de toda uma ideologia de culpabilização individual. (Merlo, ET AL; 2001, pag. 1) FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA No exercício da profissão, inúmeras são às vezes em que os trabalhadores de Enfermagem adotam posturas corporais impróprias, como é o caso de várias tarefas desempenhadas à beira do leito como realizar curativo (por vezes de longa duração), puncionar acesso venoso, auxiliar no banho de leito, realizar trocas de decúbito ou passagem leito-maca-leito; como dito, todas as tarefas mencionadas colocam esses profissionais em posições inadequadas contribuindo para o aparecimento de danos ao sistema musculoesquelético entre os quais estão as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia Para identificar e abordar as causas de LER/DORT é necessário considerar vários aspectos do ambiente de trabalho. Uma vez presente, as doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho possuem quatro estágios de acordo com Sato (1993) e Helfenstein (1998): Estágio 1 - Sensação de peso, dormência e desconforto em áreas específicas. Pontadas ocasionais durante as atividades mais intensas (no trabalho ou fora dele) podem ocorrer. As sensações passam após descanso de horas ou poucos dias. Estágio 2 - Existe dor com alguma persistência. A localização da dor é mais precisa. É mais intensa durante picos de atividade. Pode haver perda de sensibilidade, sensação de formigamento, inchaço e calor ou frio na área afetada. Estágio 3 - Perda de força eventual ou freqüente. Dor persistente mesmo com repouso prolongado. Crises de dor aguda podem surgir mesmo durante repouso. Estágio 4 - Dor aguda e constante, às vezes insuportável. A dor migra para outras partes do corpo. Perda de força e do controle de alguns movimentos. Perda grande ou total da capacidade de trabalhar e efetuar atividades domésticas. As doenças mais comuns dentro de uma ampla lista de quadros clínicos são: tenossinovites, tendinites, bursites, cervicalgia, dorsalgia e lombalgia. Manifestam-se principalmente no pescoço, cintura escapular e/ou membros superiores, em decorrência do trabalho, podendo afetar tendões, músculos e nervos periféricos. (Murofuse Neide; Marziale Maria, 2005). A coluna vertebral foi uma das estruturas mais atingidas por distúrbios como a dorsalgia (20%), o lumbago com ciática (16,9%), a cervicalgia (12,2%), a ciática (6,4%) e a síndrome cervicobraquial (2,7%), que são distúrbios que têm a dor como uma de suas características, porém com especificidade. (Neide; Maria, 2005). OBJETIVO GERAL: Relatar a incidência de distúrbios osteosmusculares em profissionais de enfermagem. ESPECÍFICOS: Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Identificar as áreas anatômicas com maior inserção das lesões osteomusculares. Expor a lesão osteomuscular mais presente (lombalgias, DORTs, ETC). METODOLOGIA Trata-se de um estudo quantitativo, realizado com pesquisa documental e questionário estruturado. O universo desse estudo expressa o total de enfermeiros de nível superior, técnicos e auxiliares de enfermagem lotados em Unidades de Saúde da Família da zona urbana do município de Guanambi - BA, totalizando 46 trabalhadores aos quais foram feitos convites individuais para participarem deste estudo, assegurando o caráter sigiloso quanto à identificação dos respondentes e apresentando objetivo e método da investigação, respeitando-se as recomendações sobre a ética em pesquisa. O instrumento de pesquisa utilizado, questionário estruturado, foi submetido ao processo de validação no mês de agosto do corrente ano (2010). Já a coleta de dados ocorreu no mês de setembro, com aplicação do instrumento após leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE pelos respondentes. O questionário compreendeu 28 questões objetivas de múltipla escolha abordando os seguintes dados: Relação Profissional, Mobiliário e Estrutura Física, Epi‘s(Equipamento De Proteção Individual), Normas Regulamentadoras, Condição Biopsicossocial e Patologias Mais Freqüentes. RESULTADOS E DISCUSSÕES O resultado parcial tornou-se surpreendente, e reafirmou a importância deste estudo. Dos 46 entrevistados, 34 afirmaram que de forma intermitente sentem dores após a realização de atividades laborais, contrastando com apenas 11 que afirmaram nunca ter sofrido tal sintoma. Das 34 afirmativas, 26 propuseram que a sintomatologia aumenta de acordo ao exercício realizado no trabalho. O que demonstra a real interferência do trabalho na queda da qualidade de vida dos profissionais de enfermagem, já que a freqüência da dor varia de acordo com o tempo de exercício da profissão. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia Outro indicativo da associação da presença DEDC XII de sintomatologia musculoesquelética e a atividade laboral realizada pelos mesmos, foi confirmado durante o questionamento se as dores diminuem quando há descanso. 27 profissionais afirmaram que sempre ou quase sempre o repouso é uma medida que surte bons resultados. Um dos pontos mais preocupantes com a análise deste estudo foi sobre a procura de meios para aliviar as dores. Apenas 15 pessoas afirmaram utilizar a via farmacológica como tratamento; 27 transcreveram que nunca procuraram o médico, tampouco utilizaram qualquer medicamento. O que indica que a procura destes profissionais por auxilio medico especializado possui um índice mínimo, podendo fazer com que a patologia se desenvolva com maior facilidade, levando ao estado de impossibilidade de desempenho da profissão. A negativa da procura por auxilio especializado pode ser compreendido, já que 37 dos entrevistados afirmaram que a condição física afetada nunca atrapalhou durante a realização das atividades, Apenas 8 afirmaram a existência dessa relação. Dos entrevistados, 27 relataram nunca ter apresentado qualquer tipo de Distúrbio Relacionado ao Trabalho (DORT), mostrando uma grande contradição, uma vez que 33 pessoas relataram inicialmente que sentiam dores após a realização das atividades laborais. Esses dados devem-se ao fato da ignorância dos profissionais com relação aos nomes científicos. Auxiliando nesse processo de comprovação da existência de contradições, quando questionados qual o tipo de DORT que os mesmo sofrem, 16 afirmaram possuir lombalgia, 13 com Cervicalgia, 2 com Tendinite e 1 com Bursite. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ainda que parciais pelo fato do projeto se encontrar em andamento. os resultados vêm se mostrando surpreendentes, reafirmando as inquietações que nos levaram ao desenvolvimento do trabalho. A coleta mostrou a prevalência de DORT em 82% dos entrevistados, sendo 31% referente à lombalgia como afecção músculoesqueletico mais freqüente. O resultado reafirmou o posicionamento de diversas bibliografias utilizadas Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 e mostra a necessidade de uma intervenção para uma mudança no ambiente de trabalho do profissional de Enfermagem. Outra preocupação é com relação a não procura de tratamento pelos profissionais que relatam possuir algum tipo de DORT, levando à necessidade de uma eventual intensificação na política educacional de cada profissional. Ajustes no mobiliário, diminuição na carga horária de trabalho, mostram ser os principais instrumentos para uma transformação em prol de uma melhor qualidade de vida do trabalhador em questão, evitando assim aposentadorias precoces. Em uma classe com mais de 150 mil profissionais, o presente trabalho torna-se uma questão de saúde publica. Por ser humanamente necessário para que estes ―zeladores‖ de vidas desenvolvam seu trabalho com a qualidade necessária, os ajustes supracitados com relação aos princípios ergonômicos necessitam ser atendidos. Ressaltamos assim o principio constitucional do direito a saúde, englobando todos os moldes necessários para a obtenção da mesma. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ALEXANDRE, N.M.C. Aspectos ergonômicos relacionados com o ambiente e equipamentos hospitalares. Rev. Latino-am. Enfermagem., v. 6, n. 4, out. 1998. Encontrado em www.scielo.com.br acesso em 19/10/2009. ALEXANDRE, N.M.C.; BENATTI, M.C.C. Acidentes de trabalho afetando a coluna vertebral: um estudo realizado com trabalhadores de enfermagem de um hospital universitário. Rev.latino-am.enfermagem, Ribeirão Preto, v. 6, n. 2, p. 65-72, abril 1998. Encontrado em www.scielo.com.br acesso em 19/10/2009. GURGUEIRA, Giovana Pimentel; ALEXANDRE, Neusa Maria Costa and FILHO, Heleno Rodrigues Corrêa. Prevalência de sintomas músculo-esqueléticos em trabalhadoras de enfermagem. Rev. Latino-Am. Enfermagem [online]. 2003, vol.11, n.5, pp. 608-613. ISSN 0104-1169. doi: 10.1590/S010411692003000500007. Encontrado em www.scielo.com.br acesso em 19/10/2009. LEITE, Patricia Campos; SILVA, Arlete; MIRIGHI, Miriam Aparecida Barbosa. A mulher trabalhadora de enfermagem e os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. Rev Esc Enfermagem da USP. Encontrado em www.scielo.com.br acesso em 19/10/2009. MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). LER, DORT, dor relacionada ao trabalho – protocolos de atenção integral à saúde do trabalhador de complexidade diferenciada. In: Área de saúde do trabalhador. 2006. Disponívelem:<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/trabalhador/pdf/protocolo_ler_dort.pdf. Acesso em 18/10/2009 Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 MENDES, R. O impacto dos efeitos da ocupação sobre a saúde de trabalhadores. I — Morbidade. Rev. Saúde públ., S. Paulo, 22:311-26, 1988. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 EDUCAÇÃO INFANTIL: CUIDAR OU EDUCAR? AS ESPECIFICIDADES DO CURRÍCULO E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES Adeilma Queiroz da Mota1 (Uneb) Roselane Queiroz da Mota (Uneb) Heldina Pereira Pinto Fagundes2 (Uneb) RESUMO Analisamos aqui como a formação de professor só faz sentido se for embasada a partir das concepções sinalizadas na proposta curricular. Destacamos, portanto, como objetivo geral a relação entre currículo e formação de professores no contexto da educação infantil. Como suporte teórico, recorremos aos conceitos de currículo de Silva (1999), formação de professores de Ortiz (2007), à concepção de Educação Infantil de Craidy (2006), entre outros. Trata-se de pesquisa bibliográfica que tem como foco a formação de professores e o currículo, já que ambos podem se tornar limitados, sem a devida atenção a esse vínculo orgânico. Realizamos o levantamento dos dados bibliográficos, ou seja, recorremos a fontes secundárias, buscando o contato com textos escritos, conforme destacam (MARCONI e LAKATOS, 1990, p.66). Foram analisados artigos de bases de dados e de livros, bem como textos oficiais. Os resultados apontam que o currículo e a formação de professores devem se assentar nessas novas concepções para atender a essa nova demanda. Nas considerações finais, apontamos que o professor é a ponte entre o currículo e o aluno. Isso exige formação qualificada para atender, às especificidades do pequeno infante já que o docente é o intérprete do que pensa e sente a criança, assim como interpretante do mundo que a rodeia. PALAVRAS CHAVE: Educação Infantil; Currículo; Formação de Professores. INTRODUÇÃO Atualmente há um novo olhar sobre o conceito de infância, que vem sendo ressignificado e reconhecido. A criança tem sido compreendida como compreendida como um sujeito social e histórico que partilha, interage e produz cultura na sociedade 1 Graduandas do Curso de Pedagogia – UNEB campus XII Adeilma. E-mail: [email protected] e Roselane: [email protected]. 2 Orientadora. Dra. em Educação: Currículo, PUC-SP. Professora Adjunta da Universidade do Estado da Bahia – Uneb. E-mail: [email protected] Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 onde vive. Esse processo ocorreu somente após a promulgação da Constituição Federal de 1988, posteriormente com a vigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9394/96 (LDB) e consolidado no Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA. A educação infantil ganha maior importância na medida em que a criança é reconhecida como um sujeito que também possui direitos que precisam ser respeitados, considerando a especificidade própria de sua idade, diferindo claramente da realidade do adulto. Além disso, exige-se que sua diversidade sociocultural e racial sejam consideradas para a melhoria da qualidade de sua educação. Nesse contexto, a formação do educador, a participação das famílias e as propostas educacionais devem ser veiculadas a essa nova concepção de criança. Nesta perspectiva faz-se necessário compreendermos o currículo e a formação de professores para atender a esse público. Isto porque, ―a experiência da criança no contexto educativo precisa ser muito mais qualificada. Ela deve incluir o acolhimento, a segurança, o lugar para a emoção, para o gosto e para o desenvolvimento da sensibilidade‖ (BUJES, 2001), o que constitui um grande problema para a formação docente que, infelizmente, ainda impera sob a dicotomia teoria e prática. Outra dificuldade da proposta da Educação Infantil é a dissociação entre o cuidar e o educar. É preciso que haja integração entre esse binômio, uma vez que só se educa cuidando e só se cuida educando. E o professor precisa estar atento às especificidades da criança. Assim, não poderíamos deixar de pensar como deve ser específico o currículo da Educação Infantil. Para Silva (1999) currículo ―é lugar, é espaço, é território [...] é autobiografia, nossa vida: no currículo se forja identidade. O currículo é documento de identidade‖. Isto significa que o currículo é aquilo que é produzido na interação, nos sentidos e significação da atividade cultural e educacional e é por isso que o currículo da Educação Infantil não se restringe a listar conteúdos e orientações de trabalho, mas deve ser constituído de direitos fundamentais da criança priorizando seu desenvolvimento integral, considerando sua identidade cultural e social. Metodologia Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Buscando compreender a dinâmica do tema ―Educação Infantil: cuidar ou educar? As especificidades do currículo e a formação de professores‖, optamos pelo levantamento dos dados bibliográficos, ou seja, recorremos à fontes secundárias, observando que a finalidade da mesma ―é colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto‖ (MARCONI e LAKATOS, 1990 , p.66). O objetivo principal deste trabalho é destacar a relação entre currículo e formação de professores no contexto da educação infantil. Nesse sentido, pretendemos destacar brevemente a importância de se buscar o ponto de equilíbrio entre ambos os lados, já que sem a formação de professores o processo de desenvolvimento curricular pode se tornar limitado ao mesmo tempo em que a formação de professor só faz sentido se for embasada a partir das concepções sinalizadas na proposta curricular. O currículo e a formação são complementares. Entre os autores analisados, destacamos Silva (1999), que nos apresenta seu conceito de currículo destacando sua contribuição na formação da identidade cultural e social da criança, mostrando-nos que ser professor da Educação Infantil é muito mais que cumprir uma missão ou cuidar das crianças como parentes – tias, conforme criticou Paulo Freire – mas é o exercício de uma atividade profissional na qual várias questões estão em jogo, notadamente aquelas referentes à formação do sujeito, dentre outras coisas. Destacamos também, Craidy (2006), que nos fornece sua concepção de Educação Infantil, destacando o modo como podemos realizar essa articulação entre educar e cuidar nas atividades pedagógicas, sem reduzir essa ação ao treinamento para séries iniciais, tampouco restringir o cuidar ao assistencialismo. Recorremos ainda, à concepção de formação de professores de Ortiz (2007), que coloca como fundamental que o profissional de Educação Infantil deve ser especializado. Isto significa que esse profissional, além de bem preparado, deve ter uma atuação mediadora entre a experiência da criança pequena e o desenvolvimento e a aprendizagem, interagindo com as crianças e desempenhando ações de cuidado e educação. Formação do professor da educação infantil Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Por um longo período devido ao papel assistencial e filantrópico da Educação Infantil, regido pelo esquema ―sopão e banho‖ não se exigiam, para tal modalidade, profissionais especializados e, os únicos requisitos eram gostar e saber cuidar fisicamente das crianças (ORTIZ, 2007). Contemporaneamente, com as definições das legislações, principalmente da LDB, acerca da Educação Infantil, bem como os estudos sobre o desenvolvimento da infância, mostram o quanto bem preparado deve estar o profissional para atuar nesta área. Esse profissional ―é aquele que sabe mediar as experiências da criança pequena de modo a contribuir positivamente para o seu desenvolvimento e aprendizagem‖ (ORTIZ, 2007). É aquele que interage com a criança desempenhando ações de cuidado e educação. Deste modo é preciso que o professor de Educação Infantil esteja amparado em uma sólida formação básica advinda principalmente dos cursos de Pedagogia e magistério com condições de dar continuidade a um programa de formação permanente. Sabemos, no entanto, da inexistência de articulação entre formação inicial e continuada, uma vez que a proposta inicial se reduz à docência e a continuada a seminários e oficinas que não respondem as dificuldades educativas do professor (DELGADO, 2007). A formação oferecida aos professores da Educação Infantil deve dar-lhes subsídios para que comprometam com o bem estar e o desenvolvimento integral da criança, principalmente no contexto atual de multiplicidade de fatores sócio-político e econômico; de tecnologia, globalização. É esperado do professor, saber apoiar a criança, dar incentivos e novos desafios, tudo isso com qualidade e fazendo uma relação indissociável entre educar e cuidar (ORTIZ, 2007). Enfim, a prática pedagógica deve ser reflexiva por parte do professor, afim de que possa rever seus próprios modos de aprender e construir a experiência a partir da ação-reflexão-ação em favor do desenvolvimento autônomo dos educadores. Considerações finais O professor é a ponte entre o currículo e o aluno logo, faz-se necessário que ele tenha uma formação qualificada para atender, principalmente, às especificidades do pequeno infante já que o docente é o intérprete do que pensa e sente a criança, assim Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 como interpretante do mundo que a rodeia. Somente quem tem a vivência na sala de aula é capaz de adaptar o currículo às particularidades da educação infantil e este deve ser elaborado a partir das propostas dos docentes que se tornariam responsáveis pela programação curricular. O que a criança vivencia na escola terá repercussões por toda a vida, muitas vezes irreversíveis, nos aspectos cognitivos, afetivos e sociais e o docente precisa saber mediar isso através de um currículo flexível e humanístico para que a criança desenvolva sua integridade e autonomia. Por isso é que o binômio cuidar e educar devem permanecer indissociáveis. Nesta perspectiva, currículo e formação não podem ser vistos de forma isolada, uma vez que a qualidade da atuação do educador depende, e muito, da organização curricular. Por isso é que procuramos buscar um ponto de equilíbrio entre o currículo e a formação de professores para que o fazer docente não resulte apenas em transmissão de conteúdos, mas que avance na perspectiva do respeito aos direitos da criança pequena. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAEIRO, Alcina Ramos; PEREIRA, Gionete Ione. Currículo na Educação Infantil: Avanços e Perspectivas. Digitado – Cepex - Guanambi-Ba, 2009. CRAIDY, C. M; KAERCHER, G. E. P. S. (orgs). Educação Infantil: pra que te quero. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001. FARIA, A. L. G. de; PALHARES, M. S. (orgs). Educação Infantil Pós-LDB: rumos e desafios. 2. ed. Campinas, SP: Autores Associados – FE/UNICAMP; São Carlos, Editora da UFScar. Florianópolis, SC: Editora da UFSC, 2000. – (coleção polêmicas do nosso tempo; 62). MARCONI, Marino de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de Pesquisa: planejamento e execução de pesquisa, amostragens e interpretação de dados. 2 ed. São Paulo;Atlas, 1990. PÁTIO, Educação Infantil: de que professor precisamos para a Educação Infantil. Agosto/novembro, 2003. PÁTIO, Educando Crianças de 0 a 3 anos. Março/junho, 2007. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 PROJETO FAZENDO HISTÓRIA: NARRATIVAS DE VIDA IMBRICADAS NA FORMAÇÃO DE LEITORES Autoras: Lindiane Carla Pereira Cardoso Simone Francisca Martins Professora Orientadora: Ms Zélia Malheiro Marques UNEB – Campus VI Programa de Iniciação Científica - PICIN RESUMO O projeto ―Fazendo História‖, inscrito no Programa de Iniciação Científica – PICIN - da Universidade do Estado da Bahia - UNEB - visa pensar e desenvolver narrativas de leitura do sujeito em formação. Localiza-se entre dois eixos temáticos, a formação e a leitura situados, então, entre dois movimentos de estudo, a formação, referente aos estudos de Nóvoa (1992), Pineau (1999), Josso (2004), Souza (2006), tomando as narrativas de vida como possibilidade de reflexão e de apropriação retrospectiva do trabalho vivido e, o segundo, à leitura, parte intrínseca da história cultural abordada nos estudos de Chartier (2001), Silva (2001), Lacerda (2003), Paulino (2004), Cordeiro (2006) e Abreu (2004). Embasado em uma reflexão teórica, o projeto concretizar-se-á a partir do desenvolvimento de encontros de leitura para coletar narrativas de vida. Coletado o material com as narrativas produzidas, passam a ser analisadas para fins de pesquisa, separando-as em categorias de estudo com o propósito de resultar num livro de autobiografias que abordem a formação leitora de estudantes do município de Caetité-BA. Enquanto campo de investigação mais alargado e dialogando com a constituição leitora imbricada com leitura, cultura e sociedade a discussão, nesse sentido, levará em consideração os cenários em que é visível a falta de tradição da leitura e escrita, lugares muitas vezes, alheios aos interesses acadêmicos. PALAVRAS-CHAVE: Leitura; Escrita; Formação; Narrativas; Autobiografia. INTRODUÇÃO O projeto ―Fazendo História‖ justifica-se ao pensar as histórias de formação e de leitura que estão espalhadas pelos diversos espaços desse imenso país, incluindo as presentes nas escolas públicas, muitas vezes, esquecidas ou desvalorizadas por não haver quem as incentive no sentido de ouvi-las e de contá-las. Ao confrontá-las com a constituição leitora de pessoas que se sentem em situações assim, abrem-se possibilidades não só de reconstrução dos próprios caminhos, mas, principalmente, no que concerne a uma forma de propiciar sentido à vida. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 A princípio essa ideia pode parecer bem comum, ao se pensar as historias não divulgadas em relação as que já se encontram legitimadas ou a produção de escritas autobiográficas. Em contato com a escuta pessoal e social de cada sujeito leitor envolvido com a formação, no entanto, pode-se chegar à conclusão de relevância dessas histórias para o conhecimento de si o do social, fazendo o intercâmbio com outros espaços culturais. Nessa linha de discussão o presente estudo, surge das experiências realizadas com alunos e professores nesse Alto Sertão Baiano, especificamente, no município de Caetité - Bahia, lugar em que se observa a experiência da constituição leitora de estudantes e dos profissionais da educação, especificamente, àqueles que trabalham no IEAT – Instituto de Educação Anísio Teixeira. O objetivo desta pesquisa é analisar as narrativas de leitura coletadas nos encontros vivenciados para a constituição leitora. Sendo assim, foi necessário realizar encontros de leitura no IEAT; mapear os espaços de leituras da cidade; organizar as narrativas de leitura identificadas no processo de constituição leitora; estabelecer categorias de análise para as narrativas identificadas, bem como discernir leituras oriundas de impressos e as que estão vinculadas à oralidade; registrar o material pesquisado; e por fim, temos o propósito de publicar os trabalhos resultantes da pesquisa à comunidade, assim como organizar e divulgar o livro com as narrativas colhidas. Por tudo isso, tendo em vista a divulgação do projeto em estudo, surge a premissa de apresentar trabalhos sobre as ações desenvolvidas até o momento, bem como os resultados parciais e finais. Assim, faz-se necessário delimitar o referencial teórico que norteia o estudo, balizado à luz de Hess (2006), Machado (1998), Cordeiro (2006) e Souza (2004). Cabe enfatizar que os autores citados foram importantes para estabelecer o diálogo com a pesquisa, entretanto, não são os únicos, haja vista a possibilidade de confronto com outras referências como os estudos de Chartier (2001), Josso (2004), Pineau (1999), Nóvoa (1992), Silva (2001), Lacerda (2003), Paulino (2004) e Abreu (2004). REFERENCIAL TEÓRICO Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 O projeto, conforme já dissemos, tem relação com dois eixos temáticos: formação e leitura, situando-se, assim, em dois movimentos de estudo abordados à luz de estudiosos na área. Inicialmente, cabe enfatizar o valor do instrumento de coleta de dados utilizado no projeto ―Fazendo História‖, como o diário. Para tanto lembramos o texto: ―Momento do diário e diário dos momentos‖ em que nos informa sobre alguns tipos de diários como o da saúde, diários de encontros e de aquisições científicas:‖[...] Nesse registro, escrever um diário é um meio de construir sua identidade de pesquisador. A cada tema explorado pode corresponder uma caderneta de anotações, um diário‖ (HESS, 2006, p.89) . A partir dessa perspectiva, estamos expressando sobre nossas experiências e dessa forma preservando nossa história, pois estamos deixando algo que poderá ser estudado futuramente. Assim, como qualquer escrito, o diário vem para nos libertar, pois podemos desabafar sobre algo que nos incomoda ou descrever um aspecto emocional. Podemos narrar um acontecimento, um evento, leitura, conversa, as reflexões do dia-a-dia, descobertas de fatos históricos, assim como ideias concebidas, leituras vividas, experiências realizadas, enfim, fatos ou até mesmo ficção que são registrados, a fim de serem conservados, mantendo uma história, cultura, modos de vida de um indivíduo e de um povo. De repente, essas leituras de formação podem ter uma concepção de nos descontrair, nos fazer relaxar, entretanto, podem se tornar um documento histórico. ―Com o tempo, o diário adquire uma dimensão histórica. Quando um diário é descoberto ou lido, com o distanciamento temporal, ele torna-se um banco de dados interessante pra o historiador‖ (HESS, 2006, p. 94). E pode ser uma fonte de pesquisa aos diversos campos, assim como serve para o próprio autor adquirir mais experiência, evoluir na escrita e ampliar seu leque de conhecimentos, pois poderá comparar seus conhecimentos adquiridos e relatados num determinado momento passado com o atual. Todo diário necessita de um autor independente se é uma pessoa ou um grupo de pessoas. São construídos independente de regras, como acena Hess (2006) a partir de escrita individual ou coletiva. Num hospital, por exemplo, o prontuário pode ser mantido diariamente, constituindo registros das informações concernentes aos serviços fornecidos aos doentes: medicamentos administrados, reações, exames, diagnósticos etc. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Por isso, levando em consideração o caráter de instrumento investigativo, o diário é utilizado nesta pesquisa com o objetivo de discutir a constituição leitora de cada sujeito pesquisado e sua contribuição na formação social, profissional e cognitiva de cada um. Neste contexto, Anna Rachel Machado nos acrescenta em sua obra ―O diário de Leituras: a introdução de um novo instrumento na escola‖ a respeito da importância de registrar as leituras efetuadas. O diário além de ser um relato do que se pensa, ele também é uma expressão do pensamento moldado de instrumento de pesquisa internalizado. Em primeiro lugar, podemos dizer que o diário é habitualmente considerado como ‗discurso‘, no sentido benvenistiano do termo, e Barthes (1979) radicaliza essa posição ao considerar que o diário não chega a ser um texto, mas sim uma espécie de fala escrita (1998, p. 24). É através dessa função de busca de conhecimentos que a produção de diários vem florescer e dar respaldo à pesquisa autobiográfica e formativa, pois é através dessa prática que se pode fazer balanços das próprias ações, podendo futuramente ou até mesmo no momento atual servir de campo de pesquisa, afinal, no trabalho com memórias podemos chegar a diversas respostas para perguntas existentes no pensamento humano. Neste âmbito, Cordeiro (2006), acrescenta para o estudo em questão, informações a respeito do seu trabalho realizado na UNEB com alunos do curso de Pedagogia e Letras. O primordial objetivo, nessa investigação, foi abordar o percurso de leitura desses alunos, bem como identificar seu repertório de leitura visando, assim, diagnosticar as leituras literárias na formação pessoal e acadêmica. A pesquisadora tenta, a partir daí, relacionar as práticas culturais de leitura e processos de formação e autoformação. A autora citada desbrava o campo de leitura dos alunos dos cursos de Pedagogia e Letras, analisando os relatos dissertados durante a pesquisa. Os sujeitos pesquisados dão relatos belíssimos de experiências leitoras, das dificuldades na infância em ler as obras de Literatura Infantil. Alguns leitores também mostram carência da leitura impressa logo no início de sua formação, outros relatam que só tiveram contato com Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 alguns autores através da escola. E, de um modo geral, percebe-se que as leituras ditadas pela escola não se tornavam prazerosas. Nesse aspecto, alguns alunos falam do amor por leituras que não faziam parte do planejamento escolar. Quando necessitavam ler algum cânone isso era feito de modo mecânico, pois a maioria das leituras eram de cunho avaliativo. Através dessa mecanização, os alunos não apreciavam a obra e acabavam lendo simplesmente para fazer avaliações, deixando de buscar outras obras de porte significativo. Podemos notar por meio dos escritos colhidos no projeto ―Fazendo História‖ que tal prática é utilizada em nossas escolas, principalmente no Ensino Médio, período em que o estudante adquire maior contato com a literatura canonizada, sendo que ela é repudiada pela grande maioria pelo fato de ser obrigatória. Desse modo, alguns leem o que desejam, outros nenhum contato desejam ter com a leitura, preferindo as facilidades, instantaneidades do mundo digital, cada dia mais frequente em nossas vidas. Levando em consideração esta evidência, lembramos Souza (2004) quando enfatiza que, através da prática de leitura e escrita, o sujeito em formação, tornará um ser de conhecimentos, pois ao relatar experiências vivenciadas nesse processo, passa a acumular experiências e conhecimentos, adquirindo capacidade de relembrar e relatar sua própria história. E é, nessa perspectiva, que a narrativa pessoal se torna um fomento no qual o próprio autor da história investiga e forma seu leque de conhecimentos. Souza (2004, p. 136) reforça essa ideia, quando questiona: ―O que é a educação senão a construção sócio-histórica e cotidiana das narrativas pessoal e social? [...]‖. No diálogo com essa concepção, observamos a troca de experiências que se dá pelas narrativas que ouvimos e que falamos e pela forma de propagarmos as histórias vivenciadas. É nessa perspectiva que o autor citado defende o processo de autobiografia e biografias na área educacional, não como mera terapia, mas como pesquisa que propõe apoiar o sujeito a buscar conhecimentos através de sua história de vida ou pelo menos parte dela: [...] enquanto atividade formadora, a narrativa de si e das experiências vividas ao longo da vida caracterizam-se como processo de formação e de conhecimento, porque se ancora nos recursos experienciais engendrados nas marcas acumuladas das experiências construídas e de mudanças identitárias vividas pelos sujeitos em processo de formação e desenvolvimento. (SOUZA, 2004, p. 136) Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia Nessa constatação, enfatizamos o valor de requisitar DEDC XII as narrativas autobiográficas como processo de formação de si, da autoformação profissional, de construção e manutenção de histórias pessoais, de ―fazer história‖. Sendo assim, por meio das narrativas de leitura, dos diários escritos nos encontros desenvolvidos no IEAT, o projeto em questão evidencia cenas das histórias de vida de leituras dos estudantes do Normal Médio, nas quais faz-se possível perceber o processo de constituição leitora e a formação de si e do social em que esses leitores estão inseridos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, Márcia. Os números da cultura. In: RIBEIRO, V. M. Letramento no Brasil. São Paulo: Global, 2004. ____________. (Org.). Percursos da leitura. In: ABREU, M. Leitura, história e história da leitura. São Paulo: Fapesp, 2007. CHARTIER, Roger. (Org.). Do livro à leitura. In: ABREU, M. Práticas da leitura. São Paulo: Estação da Liberdade, 2001. CORDEIRO, Verbena Maria Rocha. Os bastidores da leitura: praticas e representações ou do lixo à biblioteca. In Anais do CIPA, salvador, setembro, 2006. HESS, R. Momento do diário e diário dos momentos. In SOUZA, E. C. e ABRAHAO, M. H. M. B. (Org.) Tempos, narrativas e ficções: a invenção de si. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2006, p. 89-103. JOSSO, Marie-Christine. Da formação do sujeito – ao sujeito da formação. In: NÓVOA, A. e FINGER, M. O método (auto) biográfico e a formação. Lisboa MS/DRHS/CFAP, 1988. NÓVOA, Antonio. A formação tem que passar por aqui: as histórias de vida no projeto Prosalus. In: NÓVOA, A. e FINGER, M. O método autobiográfico e a formação. Lisboa MS/DRHS/CFAP, 1988. SOUZA, Elizeu Clementino de; CORDEIRO, Verbena Maria Rocha. Por entre escritas, diários e registros de formação. Revista de educação PRESENTE, Centro de Estudos e assessoria pedagógica, Salvador, Ano 15, n. 2, p. 44-49, jun/2007. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 TERCEIRA IDADE: SUJEITOS, PRÁTICA E EXPERIÊNCIAS 1 Dayanne Mota de Oliveira2 Jamilson Fernandes de Matos3 Sônia Frota dos Santos4 Sônia Maria Alves de Oliveira Reis5 Resumo Este trabalho visa apresentar informações em relação a estudos que estamos realizando em relação à terceira idade, destacando reflexões sobre envelhecimento no âmbito local e global, políticas para terceira idade e dos modelos de assistência ao idoso no país e em Guanambi-Ba. Além disso, apresentamos o Estatuto do Idoso e alguns conceitos sobre os aspectos biopsicossociais e culturais do processo de envelhecimento. Para orientar a realização deste estudo, destacamos Beauvoir (1990); Duarte (1999); Estatuto do Idoso (2003); Peixoto (1998); Moletta (2000) e outros. A compreensão dos dados fundamenta-se nos pressupostos da abordagem qualitativa. Do ponto de vista técnicometodológico, utilizamos diário de campo, constituído a partir da observação nos espaços que atendem sujeitos da terceira idade e entrevistas visando apresentar os significados da experiência vivenciada por eles e pelos profissionais que realizam as atividades socioeducativas. Os resultados da investigação reafirmam a necessidade de atuação do pedagogo nas equipes multiprofissionais de programas, projetos e atividades voltados para a pessoa idosa. O trabalho aponta alguns fundamentos e pressupostos teórico-metodológicos para o trabalho na educação dos educandos da terceira idade. Palavra Chaves – Terceira idade, envelhecimento, equipe multiprofissional e experiencias. Introdução 1 Este trabalho foi apresentado na atividade eixo interdisciplinar, resultados das discussões na disciplina ―TEC Terceira Idade‖ oferecida no 3º semestre do curso de Pedagogia. 2 Graduanda do curso de Pedagogia, UNEB - Campus XII. 3 Graduando do curso de Pedagogia, UNEB - Campus XII. 4 Graduanda do curso de Pedagogia, UNEB - Campus XII. 5 Profª da disciplina TEC Terceira Idade, UNEB – Campus XII. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII Existe hoje uma crescente presença dos idosos nos espaços públicos; observamos que cada vez mais eles "ocupam a cena" e, às vezes, no papel decisivo de protagonistas. A classificação de um indivíduo como idoso não deve limitar-se apenas à idade cronológica, embora a mesma tenha sido adotada de forma geral e quase como exclusiva nas discussões sobre o envelhecimento. É fundamental também levar em conta as idades biológica, social e psicológica que não coincidem necessariamente com a cronológica. Diante disso, se faz necessário esclarecermos o conceito de alguns termos como: velhice, envelhecimento populacional, terceira idade, psicologia do envelhecimento, qualidade de vida (saúde e lazer), Estatuto do Idoso e outros, para compreendermos melhor a temática em estudo. Mapa conceitual A partir de um mapa conceitual construído no decorrer do levantamento bibliográfico sobre estudos e pesquisas no campo da Terceira Idade podemos dizer que a velhice é um processo pessoal, natural, indiscutível e inevitável, para qualquer ser humano na evolução da vida. Nessa fase sempre ocorrem mudanças biológicas, fisiológicas, psicossociais, econômicas e políticas que compõe o cotidiano das pessoas. Segundo Beauvoir (1990, p.15) a velhice é um fenômeno biológico: o organismo do homem idoso apresenta certas singularidades; acarreta consequências psicológicas: certos comportamentos são considerados, como característicos da idade avançada. Como todas as situações humanas, ela tem uma dimensão existencial: modifica a relação do indivíduo com o tempo e, portanto, sua relação com o mundo e com sua própria história. De acordo com os estudos que realizamos não há um consenso sobre qual a idade em que se inicia a chamada Terceira Idade. Segundo Duarte (1999), do ponto de vista cronológico, chama-se de Terceira Idade a faixa etária em torno dos 65 anos, aproximadamente; ancianidade dos 70 aos 75 anos e última senectude, ao redor dos 80 anos. Conforme Peixoto (1998), a Terceira Idade é um termo que vem a fazer um corte na velhice. Dessa forma, os idosos recém aposentados, que continuam em atividade são considerados pertencentes à Terceira Idade, enquanto que aqueles que já avançam um Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 pouco mais na idade e apresentam um quadro de fragilidade e decadência são chamados de ―velhos‖. Nesse sentido, é oportuno refletirmos sobre o envelhecimento populacional, que nada mais é que o crescimento da população considerada idosa em uma dimensão tal que, de forma sustentada, amplia a sua participação relativa no total da população. A participação da população idosa em 2000 segundo o IBGE correspondia a 5,1% da população total do País. Este processo de envelhecimento populacional provocado pela redução da mortalidade, a diminuição da taxa de fecundidade e o aumento da expectativa de vida, nos colocam diante de novos desafios que exigem respostas urgentes. Tal modificação na base da pirâmide populacional tem profundas repercussões sobre as políticas sociais, principalmente em termos de investimentos no que se refere à saúde, previdência social, educação, etc. Ao observar uma população cada vez mais envelhecida, evidencia-se a importância de garantir aos idosos não só uma sobrevida maior, mas também uma boa qualidade de vida. O conceito de qualidade de vida está relacionado à auto-estima e ao bem-estar pessoal e abrange uma série de aspectos como a capacidade funcional, o nível socioeconômico, o estado emocional, a interação social, a atividade intelectual, o autocuidado, o suporte familiar, o próprio estado de saúde, os valores culturais, éticos e a religiosidade, o estilo de vida, a satisfação com o emprego e/ou com atividades diárias e o ambiente em que se vive. Nessa direção compreendemos que o conceito ―qualidade de vida‖ é subjetivo depende do nível sociocultural, da faixa etária e das aspirações pessoais do indivíduo. A saúde e a qualidade de vida dos idosos, mais que em outros grupos etários, sofrem a influência de múltiplos fatores físicos, psicológicos, sociais e culturais. Assim, promover a saúde do idoso significa considerar variáveis de distintos campos do saber, numa atuação interdisciplinar e multidimensional. Nessa perspectiva a Psicologia do Envelhecimento estuda as transformações do desenvolvimento humano, percebendo o sujeito como um ser processual, onde cada indivíduo envelhece de modo singular, ou seja, de acordo com experiências que lhe são peculiares. Estatuto do idoso Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Com o objetivo de assegurar os direitos da pessoa idosa, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República elaborou o Estatuto do Idoso em parceria com os Estados e Municípios. De iniciativa do Projeto de Lei n°3.561 de 1997, o Estatuto do Idoso foi também fruto da organização e mobilização dos aposentados, pensionistas e idosos vinculados à Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (COBAP), sendo uma grande conquista para a população idosa e para a sociedade. O idoso possui direito à liberdade, à dignidade, à integridade, à educação, à saúde entre outros direitos fundamentais. Com ênfase na temática em estudo, observamos que o Estatuto do Idoso prevê no Artigo 21 ―que o Poder Público deve criar oportunidades de acesso do idoso à educação, adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais destinados a eles‖. Com isso, observamos, que as instituições educacionais e sociais devem promover aos sujeitos da terceira idade experiências socioeducativas, culturais, esportivas e outras. Neste estudo, concluímos que o ensino para idosos apresenta especificidades que precisam ser bem mais pesquisadas e sistematizadas, nesse sentido as atividades pedagógicas devem ter suas próprias características, adotando-se recursos e técnicas de ensino destinadas à aprendizagem de pessoas da terceira idade. Todavia, notamos que a educação voltada para o idoso ainda se vê abandonada e incompreendida. Infelizmente o sistema educacional e social não reconhece os direitos dos idosos. As autoridades brasileiras não amparam de forma mais consistente o idoso com relação aos estudos, o que se constitui em um profundo desrespeito. "De modo geral, o público da terceira idade busca o contato com novas pessoas, novas culturas, participação em eventos de confraternização e a vivência de experiências diferenciadas." (MOLETTA, 2000). A Terceira Idade em Guanambi Com o propósito de fazer um levantamento dos espaços reservados para a terceira idade na cidade de Guanambi-Bahia visitamos o Centro de Convivência do Idoso ―Otelino Ferreira Costa‖ localizado na Rua Joaquim Chaves, Bairro Santo Antônio. Este espaço é mantido pela Secretaria de Ação Social e Prefeitura Municipal de GuanambiBA. Atende sujeitos da terceira idade a partir dos 60 anos de idade. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Em entrevista realizada com a diretora do Centro de Convivência do Idoso e no decorrer das visitas e observações feitas no local constatamos que o espaço oferece aos idosos momentos de lazer, assistência médica e aconselhamento sobre questões de ordem pessoais, profissionais e sociais. Além disso, funciona também como um espaço onde o sujeito da terceira idade ou comunidade pode prestar queixas de maus tratos sofridos pelos idosos. Observamos que o Centro de Convivência do Idoso conta com uma equipe formada por médicos, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais e outros, porém notamos a falta de um pedagogo, que a nosso ver poderia contribuir e auxiliar na organização de um atendimento e desenvolvimento de trabalho pedagógico numa perspectiva multidisciplinar. Nessa direção, compreendemos que a atuação do pedagogo no trabalho com idosos deve ser articulada a uma equipe multiprofissional com meios adequados para melhor atingir objetivos e ideais. Para tanto o educador deve ter uma boa formação para saber lidar com esses sujeitos que já possuem uma experiência sólida, se atentando para: conhecimentos já acumulados, velocidade de aprendizagem, dificuldades de ordem visual, dificuldades de ordem auditiva e problemas de locomoção. Considerações finais Assim, podemos inferir que o propósito desse trabalho foi provocar a reflexão sobre a educação que temos e a educação que queremos para o aprendiz idoso na contemporaneidade, entendendo que é urgente a necessidade de um redimensionamento no modo de ver a velhice, para que se instalem no pensamento pedagógico novas práticas educativas para além das velhas práticas de alfabetização dos adultos, assim como a mudança de estereótipos e preconceitos sociais relacionados às pessoas idosas. O grande desafio está em buscar a compreensão do processo de como se chegar ao envelhecimento com sucesso e qualidade de vida, e isto vai depender de uma educação numa perspectiva interdisciplinar. Referencias teóricos Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 BEAUVOIR, Simone de. A velhice. Tradução de Maria Helena Franco Martins. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990. DUARTE, L. R. S. Idade cronológica: mera questão referencial no processo de envelhecimento. Est. Interdiscipl. Envelhec.. UFRGS, Porto Alegre, v.2, p. 35-47, 1999. ESTATUTO DO IDOSO. Lei Federal nº 10.741, de 01 de outubro de 2003. PEIXOTO, C. Entre o estigma e a compaixão e os termos classificatórios: velho, velhote, idoso, terceira idade... In: LINS DE BARROS, M. M. (Org). Velhice ou terceira idade? Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1998. MOLETTA, V. F.; GOIDANICH, K. L. Turismo para a terceira idade. 2 ed. Porto Alegre: SEBRAE/RS, 2000. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Perfil Biopsicossocial dos Profissionais de Enfermagem que atuam nos PSFs da Cidade de Guanambi – BA Geisa Silva Novais¹ Julia Renata Fernandes de Magalhães¹ Malba Diane Oliveira Rêgo¹ Rúbia Vieira da Luz¹ 1 Thamirys Freitas Nolasco Mauro Cesar Ribeiro dos Santos² RESUMO O presente trabalho tem como objetivo traçar o perfil biopsicossocial dos profissionais de enfermagem que atuam no Programa de Saúde da Família (PSF) da cidade de Guanambi –BA, para assim facilitar a adoção de medidas que garantam a melhoria da qualidade de vida desta categoria, pois esta necessita de uma atenção especial no que tange a saúde ocupacional, já que o pilar dessa profissão é o cuidar do outro, esse cuidador exerce um importante papel na promoção da saúde das populações por ele atendidas. A pesquisa foi realizada no município supracitado, foram entrevistados 46 profissionais da área (enfermeiros auxiliares e técnicos de enfermagem), os resultados mostraram que há uma predominância de profissionais técnicos, sobre as demais categorias, verificou-se também que a enfermagem continua sendo caracterizada como profissão feminina, que os profissionais atuantes são jovens com poucos anos de profissão e não costumam possuir distúrbios psicológicos relacionados ao trabalho. Sendo assim, espera-se que este trabalho serva como subsidio para que, ao se ter conhecimento das principais características do grupo de profissionais atuantes nos PSFs do município sejam traçadas medidas que estejam de acordo com as reais necessidades do referido público para que estas venham alcançar êxito e assim beneficiar este que é um grupo que assume um importante papel na sociedade já que cuida da promoção da saúde das populações. Palavras chave: Saúde do trabalhador; perfil biopsicossocial; profissional de enfermagem. INTRODUÇÃO O trabalho de enfermagem sempre esteve pautado no cuidar do outro, assim o profissional desta área vê-se responsável pela melhoria da qualidade de vida do ser 1 Graduandas do curso de Bacharelado em enfermagem da Universidade do Estado da Bahia – UNEB Campus XII. ² Professor Especialista da Universidade do Estado da Bahia UNEB Campus XII. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 cuidado e nem sempre o ser cuidador tem adequada atenção no processo que se estabelece entre os dois sujeitos. Este é um grupo que se destaca por suas características relacionadas ao gênero, à hierarquia e sobrecarga, tanto física como emocional, e ao desrespeito ao ritmo biológico. Essa categoria necessita de investigações adequadas acerca de seu perfil biopscicossocial, uma vez que, a qualidade de vida destes trabalhadores tem sido grandemente comprometida devido à existência dos fatores supracitados e da ausência de medidas que tenham o objetivo de promover o bem estar físico, mental, social e biológico dos mesmos. Desta forma, a identificação do perfil biopscicossocial dos profissionais de enfermagem que atendem nos PSFs de Guanambi-BA é um forte subsídio para que sejam criadas medidas direcionadas à melhoria da qualidade de vida desta classe, pois, para que ocorra a resolução de um entrave, faz-se indispensável que o mesmo seja inicialmente detectado. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Rocha e Almeida (2000) destacam, que a enfermagem é um grupo profissional de singular importância, pelo desempenho de papéis, funções e responsabilidades, que são específicas do cuidado à saúde, principalmente no que diz respeito a prevenção, promoção, proteção, recuperação, reabilitação e divulgação da saúde. Segundo COFEN – Conselho Federal de Enfermagem (1986), órgão responsável por fiscalizar, disciplinar o exercício dos profissionais de enfermagem, o enfermeiro é um profissional de nível superior que exerce todas as atividades de enfermagem, inclusive a coordenação de sua equipe. Já o técnico de enfermagem, possui o segundo grau com formação profissionalizante, cabendo-lhe executar as ações assistenciais de enfermagem, exceto as privativas do enfermeiro, como também, a participação e acompanhamento do trabalho de enfermagem. Enquanto o auxiliar de enfermagem de formação de primeiro ou segundo grau com curso profissionalizante de auxiliar, realiza as ações de cunho mais simples como prestação de cuidados de higiene e de conforto, além de auxiliar o técnico e o enfermeiro. Com essa divisão, fica evidente a fragmentação existente nesses serviços, Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 resultando numa hierarquização de classe. Pitta apud Braga (2000) afirma que essa divisão induz a um pensamento preconceituoso e cruel, onde há uma parcela mínima, que detém o conhecimento fazendo reflexões e a grande maioria responsável pelo trabalho braçal e mecânico. Essa divisão implicaria numa maior suscetibilidade no desenvolvimento de agravos psicossociais e desequilíbrio referente à aquisição de recursos financeiros, entre outros. Alem disso, no decorrer de sua evolução histórica a enfermagem adquiriu a característica de profissão feminina, essa tendência à feminilização da enfermagem pode estar ligada ao papel que a mulher assumiu ao longo dos tempos de cuidadora do lar, possuidora de obrigações domésticas. Padilha apud Lago (2008) afirma que: ―apesar de todas as transformações que possibilitaram à mulher o exercício de diversas funções além daquelas estabelecidas pelas limitações de uma sociedade patriarcal, a associação entre o cuidar e a enfermagem ao feminino encontra-se de tal modo arraigada no imaginário e nas práticas sociais, que qualquer mudança deste quadro não poderia ocorrer, a não ser lentamente‖ Os profissionais de saúde, em específico os profissionais de enfermagem apresentam um panorama psicodinâmico bastante complexo. São diversos fatores que contribuem para um maior desgaste desta profissão, tais como: predominância da população feminina, dupla jornada de trabalho, desrespeito ao ritmo biológico devido aos plantões noturnos, falta de reconhecimento da profissão, dificuldade de relacionamento entre equipes interdisciplinares, sofrimento psíquico inerente ao trabalho no âmbito hospitalar, entre outros. BOTEGA e MARTINS (2003), referem que a profissão da enfermagem suscita sentimentos muito fortes e contraditórios: piedade, compaixão e amor; culpa e ansiedade; ódio e ressentimento contra pacientes que fazem emergir estes sentimentos fortes. Além disso, o alto nível de tensão, angústia e ansiedade entre os enfermeiros, são os principais motivos para as faltas e abandonos da tarefa, mudanças freqüentes de emprego e uma alta freqüência de pequenos problemas de saúde que requerem alguns dias de ausência de trabalho. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 De modo geral, é comum que o profissional de enfermagem, seja ele auxiliar, técnico ou o próprio enfermeiro, sinta-se com um alto grau de cansaço ao encerrar seu turno de trabalho, muitos chegando a se sentir completamente esvaídos em suas condições física e emocional e a tendência é que quanto maior seja o tempo de profissão, maiores sejam os desgastes e os prejuízos. RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com os dados obtidos através dos 46 questionários aplicados nos PSFs da cidade de Guanambi, e do questionamento com relação ao cargo ocupado, pode-se concluir que a equipe de enfermagem é formada em sua maioria por técnicos de enfermagem contando com 26 profissionais, seguidos de enfermeiros 16 profissionais e 4 auxiliares de enfermagem. Esses dados demonstram a divisão existente no trabalho de enfermagem em que o enfermeiro (a) nesse contexto geralmente assume o cargo de coordenador (a) da equipe, bem como os procedimentos privativos do enfermeiro (a) como à consulta de enfermagem, por exemplo, já o técnico de enfermagem assume procedimentos mais simples que são maioria neste ambiente. Com relação ao número de auxiliares de enfermagem pode-se perceber que nos últimos tempos aconteceu uma redução na quantidade desses (as) profissionais uma vez que, estes (as) passaram a buscar o ensino técnico. Com relação a questão do gênero, os dados apontam que a profissão de enfermagem ainda possui em seu corpo profissional uma maioria feminina, visto que dos 46 entrevistados, 40 são do sexo feminino, 5 do sexo masculino e 1 não respondeu. Assim estes dados confirmam o que discutem os autores que afirmam ser a enfermagem uma profissão feminina. Ao se questionar a faixa etária, foi possível observar que os profissionais que compõem a equipe de enfermagem atuante no Programa de Saúde da Família de Guanambi – BA possuem predominantemente a faixa de 20 à 29 anos, mostrando que essa é uma equipe formada principalmente por jovens 27 dos 46 entrevistados, os demais foram divididos entre 30 a 39: 12 profissionais; 40 a 49: 13 profissionais e com mais de 50 anos apenas 3 profissionais. Quando a pergunta foi há quanto tempo que esses profissionais atuam na mesma Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 função confirmou-se os dados da pergunta anterior visto que 25 dos profissionais afirmaram exercer a profissão há menos de 5 anos; 6 afirmam exercer a profissão por um período entre 6 e 10 anos; e 6 profissionais atuam por um período entre 11 e 15 anos; 5 profissionais atuam por um período entre 16 e 20 anos e 2 profissionais atuam há mais de 20 anos na profissão. Dos profissionais entrevistados, 35 afirmaram nunca terem apresentado alterações psicológicas surgidas devido ao trabalho; 8 profissionais afirmaram sofrerem alterações psicológicas ―as vezes‖ e 3 profissionais afirmam sofrerem essas alterações quase sempre. Apesar de ser minoria os profissionais que relatam esse tipo de problema, este é muito comum entre os profissionais de enfermagem uma vez que estes, no seu cotidiano, estão em contato com a dor e o sofrimento do outro, e com isso estão propensos a desenvolver algum problema de ordem psicológica. A partir desses dados pode-se afirmar que esse profissional possui o seguinte perfil: É técnico de enfermagem, mulher, jovem, atua na profissão há um período de até 5 anos e não costuma sofrer alterações psicológicas relacionadas ao trabalho. Dessa forma fica estabelecido quem é esse profissional de enfermagem do Programa de Saúde da Família da cidade de Guanambi – BA, para que a partir deste trabalho seja possível direcionar a criação de programas que visem à melhoria da qualidade de vida dos mesmos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em suma, o perfil biopsicossocial dos trabalhadores de enfermagem que atuam nos PSFs da cidade de Guanambi-Ba foi traçado, indicando a feminilização da profissão bem como o predomínio da classe jovem no exercício laboral e a não apresentação de alterações psicológicas referentes ao trabalho. Dessa forma, essas explanações geram subsídios para o desenvolvimento de futuras pesquisas e intervenções para a melhoria da qualidade de vida desses profissionais. Uma vez que, os resultados obtidos demonstram a necessidade de que se elabore um conhecimento crítico que vise atender as exigências da categoria. REFERNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 BRAGA, Daphne. Acidente de trabalho com material biológico em trabalhadores da equipe de enfermagem do Centro de Pesquisas Hospital Evandro Chagas. [Mestrado] Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública; 2000. 75 p. Disponível em: http://portalteses.icict.fiocruz.br/transf.php?script=thes_chap&id=0000120 5&lng=pt&nrm=iso. Data de acesso: 03 de Nov. de 2010. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem e dá outras providencias. Lei n° 7.498/86, de 25 de junho de 1986. Disponível em: http://site.portalcofen.gov.br/node/4161 Acesso em: 25 de out. de 2010. LAGO, João Baptista SF. O lugar do trabalho feminino e manual em enfermagem. Versão 16. Knol. 29 Set. 2008. Disponível em: http://knol.google.com/k/joão-baptista-sf-lago/o-lugardo-trabalho-feminino-e-manual/10pau2pj6gqwc/1. Data de acesso: 05 de out. de 2010. MARTÍN, Miguel; GINÉ, Albert; BONILLA, Indiana; SILVEIRA, Andréa; ROCCA, Poliana; REIS, Ricardo. 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ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 OFICINA DE ORIENTAÇÃO SEXUAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA Flávia Alves Moreira1 Leiliane Martins Ângelo1 Lorena D‘Oliveira Gusmão 2 RESUMO A experiência descrita no presente texto refere-se ao projeto de educação em saúde intitulado ―Oficina de Educação Sexual‖ que desenvolveu um trabalho de orientação para jovens de 12 a 18 anos no que tange à sexualidade com objetivo de promover o desenvolvimento pessoal e social do(a) adolescente por meio da reflexão, com revisão e ampliação dos conceitos e condutas sobre sexualidade. Dividiram-se as ações do projeto em três etapas: Estudo bibliográfico, Preparação da comunidade e Execução das oficinas. Estabeleceu-se parceria com a equipe de enfermagem da Unidade Básica de Saúde da Família do Monte Pascoal. A necessidade do projeto se deu pela observação do elevado quantitativo de atendimentos a mães adolescentes no programa de puericultura na Unidade de Saúde do Monte Pascoal. Justifica-se, pois representa uma experiência de crescimento pessoal e aprendizagem para autores e, sobretudo, por proporcionar aos envolvidos aprendizado sobre sexualidade e demais abordagens que decorrem desse tema, por meio de informações adequadas, atitudes preventivas apropriadas e específicas. Considerando a reflexão dos autores sobre sua própria sexualidade, a escuta detalhada das vicissitudes da sexualidade do(a) adolescente e as ponderações sobre os temas abordados durante as atividades das oficinas, a proposta de trabalho estabelecida resultou em estreitamento da relação entre educadores e jovens que possibilitou maior cumplicidade, favorecendo a troca de experiências e conhecimentos, além da constatação da necessidade urgente de uma política de atenção e acompanhamento ao jovem/adolescente nas unidades de saúde para ampliar o acesso à informação sobre sexualidade e demais questões que envolvem a saúde do adolescente como um todo. Palavras - chave: educação sexual; sexualidade; adolescente e sexualidade. 1 Acadêmicos do curso de Bacharelado em Enfermagem da Universidade do Estado da Bahia – UNEB – DEDC XII. Brasil. 2 Enfermeira especialista em Terapia Intensiva /IBPEX. Professora auxiliar do departamento de Educação campus XII da Universidade do Estado da Bahia - UNEB. Brasil. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 UNEB Universidade do Estado da Bahia DEDC XII INTRODUÇÃO No contexto da saúde pública, a saúde do adolescente vem estimulando a produção de estudos devido à destacada importância social que tem sido dada a essa fase descrita como etapa de desenvolvimento biológico e, entendida como um fenômeno das sociedades modernas. Segundo Fossa (2003), estes estudos caracterizaram a adolescência como uma fase da vida onde se destaca a puberdade, transformações e preparação para o ingresso social na vida adulta. Retomando o contexto da saúde pública, considera-se um período com riscos relativos à formação de hábitos, exposição à violência, substâncias psicoativas e à iniciação sexual. Fossa (2003) determina que estes riscos devam ser enfrentados, prioritariamente pelo poder público e toda a sociedade, e indica a escola como local mais propício para reflexão e abordagem continuada de temas como sexualidade, gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis, tendo como objetivo a orientação sexual. É cabível ressaltar que o conhecimento dos adolescentes sobre a vida e a sexualidade não é construído espontaneamente e está vinculado também ao convívio social, portanto, a escola não pode limitar as fronteiras para essa abordagem, devendo transpor as relações de professor - aluno. O processo educativo, como apontam Ruiz et al (2004), deve ser amplo, envolvendo uma comunicação bilateral, com base no contexto de vida das pessoas e seu propósito deve versar a libertação das pessoas para que sejam sujeitos sociais capazes de fazer opções construtivas para suas vidas e para a sociedade. No contato diário com várias situações e histórias de adolescentes, durante atividades acadêmicas de prática supervisionada nos serviços de saúde, percebemos os desafios encontrados por eles nas relações com os parceiros/parceiras, diante de uma gravidez não planejada ou doença sexualmente transmissível (DST), nos desafios para assumir as próprias decisões e principalmente nos conflitos intensificados pela concepção distorcida da sexualidade que lhes fora apresentada em algum momento da vida. Portanto, não há como negar que os adolescentes têm cada vez mais acesso à informação, porém muitos tabus e preconceitos não foram vencidos, constatando que muitas vezes a informação disponível é destituída de um processo de reflexão, atropelando seus valores e sua história, o que causa angústias e dificulta a tomada de Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 decisões. Dentro desse contexto de observação, o projeto ―Oficina de Orientação Sexual‖ começou a ser delineado com o intuito de abordar a Educação Sexual na unidade básica de saúde rompendo os limites da escola e dividindo com esta a responsabilidade de promover orientação aos adolescentes sobre sexualidade. O CENÁRIO E SUJEITOS DO PROJETO As unidades Básicas de Saúde da Família seguem as diretrizes da portaria n° 648 de 28 de março de 2006, constituindo estratégia prioritária para reorganização da atenção básica, caracterizada por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrangem a promoção, proteção, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde. A unidade de Saúde da Família do Monte Pascoal, na qual se desenvolveu o projeto, está em funcionamento desde 09 de outubro de 1999 e atualmente possui uma equipe multiprofissional composta por médico, enfermeiro, cirurgião dentista, auxiliar de consultório dentário, técnico de enfermagem e agente comunitário de saúde, entre outros funcionários administrativos; com um bom número de famílias cadastradas. A assistência organiza-se em ações específicas do Ministério da Saúde, abrangendo a saúde do adulto, idoso, mulher, criança e adolescente. Para atendimento dos adolescentes, a unidade não conta com uma rotina específica para esse público, partindo da enfermeira do setor a idéia de formar parceria com a Universidade para instituir práticas voltadas aos jovens com o objetivo de aproximá-los à UBSF do bairro. O PROJETO – HISTÓRICO E SUA FORMAÇÃO Durante as atividades acadêmicas de prática supervisionada nos serviços de saúde, sob orientação da enfermeira docente da Universidade do Estado da Bahia, observou-se um elevado quantitativo de atendimentos a mães adolescentes no Programa de Humanização do Pré Natal - PHPN na Unidade de Saúde do Monte Pascoal, revelando freqüente ocorrência de maternidade/paternidade entre jovens do bairro. A falta de informação acerca da sexualidade, numa visão ampla, livre de tabus, Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 foi percebida nessa população, pelo desconhecimento sobre os métodos contraceptivos e seu uso correto ou Doença Sexualmente Transmissível (DST), além de igualarem o significado de sexualidade e sexo, deixando refletir acerca do funcionamento e necessidades do próprio corpo, desconsiderando seus próprios valores para adotar um perfil de comportamento que é comum ao grupo social que pertencem. Diante do acima exposto, surgiu a idéia de estruturar um grupo aberto de jovens, com idade entre 12 e 18 anos, para discutir questões acerca da sexualidade, privilegiando informações sobre o corpo humano e suas necessidades básicas, como relacionamento afetivo embasado em troca e compartilhamento e não apenas em doação unilateral, convívio social, enfrentamento de dilemas como gravidez indesejada ou mesmo contaminação por DST e possível discriminação advinda dessas situações. Além de conhecimentos sobre Gravidez, Gestação e Aborto, Diagnóstico e Tratamento de DSTs, métodos contraceptivos e seu uso correto. Essa idéia foi planejada sob a forma de um projeto de extensão universitária, vinculado ao Núcleo de Pesquisa e Extensão – NUPEX da Universidade do Estado da Bahia, Campus XII, intitulado ―Oficina de Educação Sexual‖. As atividades em campo desenvolveram-se por meio de seis oficinas temáticas, com duração de 2 a 3 horas, nas quais os monitores eram direcionadores do grupo. A execução desenvolveu-se em três etapas distintas, a saber, etapa de estudo bibliográfico para o preparo do orientador e monitores através de leituras aprofundadas e discussão de todo o conteúdo programado para as atividades das oficinas, seguido de envolvimento dos pais, por meio de uma reunião com as famílias para apresentar o projeto e defender a necessidade de promover a Educação sexual para os adolescentes. Ainda nessa etapa foram feitas divulgação da oficina no bairro por meio de cartazes informativos e convites individuais aos jovens para participarem voluntariamente do projeto. A segunda etapa constituiu o preparo e execução das oficinas de educação sexual com os temas predeterminados, que seguiram uma seqüência preestabelecida. As oficinas foram realizadas no período de 17 maio a 26 de julho de 2010. Por fim, a terceira etapa constituiu o encerramento das atividades das oficinas com posterior reunião com orientador e monitores para explanação dos resultados obtidos. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 RELATO DE EXPERIÊNCIA As execuções das oficinas ocorreram em seis momentos distintos. A oficina 1 abordou o tema “Puberdade e mudanças físicas‖. Foi preparada uma apresentação em slides com imagens explicativas para discutir com os envolvidos as questões acerca da Imagem corporal, Mudança comportamental (psicológica), Transição da infância para adolescência e convívio social, religioso e familiar. Os adolescentes participaram expondo suas vivências e medos, principalmente em relação ao futuro profissional e afetivo, demonstrando preocupação com suas expectativas para o futuro. A oficina 2 teve como tema principal o ―aparelho reprodutor masculino e feminino‖. Porém, em virtude dos tabus, as discussões com o grupo tomaram rumos diferenciados, não atrapalhando o objetivo principal da atividade de realizar uma abordagem morfofuncional, higiene e cuidados com a genitália masculina e feminina, além de menarca e menstruação. A troca de conhecimentos entre o grupo foi enriquecedora, pois demonstrou as diferentes experiências vividas por eles no início da puberdade e a dificuldade em lidar com essas mudanças. Peças anatômicas do aparelho reprodutor masculino e feminino foram utilizadas juntamente com apresentação de slides, imagens e vídeos para enriquecer a dinâmica da oficina. Os temas ―Fecundação, Gestação e Parto‖ foram discutidos na oficina 3, em forma de palestra, com utilização de vídeos e imagens e, como o grupo não continha gestantes, as discussões giraram em torno de relato de casos na família e conhecidos. O encontro seguinte para realização da oficina 4 teve como objeto ―Gravidez na adolescência‖ discutindo-se as formas de prevenção, métodos anticoncepcionais e aborto, bem como os riscos de uma gestação precoce para a saúde do adolescente. Ocorreram demonstrações sobre o uso correto de todos os métodos disponíveis no Sistema Único de Saúde com distribuição de preservativo feminino e masculino e orientações quanto à aquisição dos demais. Ao longo da execução do projeto, percebemos que o grupo cresceu e passou a contar com a presença do sexo masculino, contribuindo para aprimorar as discussões dos temas abordados, fato que foi nitidamente percebido durante a oficina 5, que tratou do tema ―Doenças Sexualmente Transmissíveis, HIV/AIDS, formas de prevenção e tratamento‖. Para execução das atividades foi solicitado ao Centro de Testagem e Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII UNEB Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação Campus XII – Guanambi-BA XV Semana Acadêmica 16 a 20 de novembro de 2010 Aconselhamento de DST/AIDS – CTA, empréstimo do álbum seriado de DSTs e das próteses dos órgãos genitais femininos e masculinos que foram utilizados para promover a prática do uso correto dos preservativos (feminino e masculino), pois constitui o único método que previne DSTs e Gravidez ao mesmo tempo. A última oficina teve como objetivo promover orientação sobre violência sexual, definindo seu conceito e discutindo que o fato de praticar sexo ou qualquer outro ato contra sua vontade constitui violência e, quando submetida a essa situação, a mulher tem amparo legal da justiça. O resultado do projeto demonstrou que os indivíduos envolvidos acumularam conhecimento sobre os temas das oficinas observado por meio dos questionamentos feitos ao final de cada oficina. Outro fato que nos despertou a atenção foi a ampliação do grupo envolvido, pois inicialmente era composto por quatro adolescentes e ao final estendeu para dez componentes freqüentes. Foi possível desenvolver uma relação de confiança entre o grupo e a equipe de monitoras que favoreceu a troca de conhecimentos. Durante as primeiras oficinas houve resistência da participação da comunidade, mas com o desenvolvimento do trabalho e captação dos adolescentes no bairro as oficinas foram aceitas e eles passaram a participar efetivamente das atividades propostas. REFERÊNCIAS FOSSA, AM. Educação sexual na escola: um estudo junto a adolescentes [tese de mestrado]. Piracicaba-SP: Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Metodista De Piracicaba;2003 RUIZ,VR; LIMA, AR; MACHADO, AL. Educação em saúde para portadores de doença mental: relato de experiência*.Rev Esc Enferm USP: 2004; 38(2):190-6, 2003. Anais da XV Semana Acadêmica de Ensino, Pesquisa e Extensão A Universidade e suas Práticas no Contexto Regional: Construindo Diálogos. ISSN – 2179-0973 DEDC XII