Entrevista Getúlio Coelho
Esportes,
no Mackenzie
Os fatores fundamentais
na obtenção de resultados
expressivos pelos
atletas Mack
omplementando o ensino
acadêmico, há mais de um
século o Mackenzie forma
atletas nas mais diversas especialidades, ajudando-os a superar os
próprios limites. Os resultados, colhidos durante muitas décadas, têm
sido os melhores possíveis. Alunos
de fama internacional como
Robert Scheidt, Oscar Schmidt,
César Castro, Vânia Ishii, Hugo
Hanashiro ou promessas como
Camila Minakawa e Jéssica Yamada, entre outros, têm saído das
quadras esportivas do Mackenzie.
Hoje, no século 21, os números
confirmam o êxito. Em torno de 3
mil alunos, atletas do Mackenzie –
incluindo 900 bolsistas entre as
escolas de base e faculdades –,
praticam esportes coletivos ou
individuais nos campi São Paulo,
Tamboré e Brasília.
Getúlio Coelho, gerente de esportes – “interino há cinco anos”,
como ele gosta de frisar – e gerente
da auditoria do Mackenzie (veja
quadro), explica: “Dois fatores
foram básicos na obtenção de resultados expressivos pelos atletas do
Mackenzie: 1. A linha de conduta
bem definida – tanto no aspecto
administrativo quanto no esportivo. “Antes, tínhamos problemas na
distribuição de verbas para compra
de equipamentos, uniformes, inscrições em torneios”, diz. Foram
necessárias mudanças na equipe,
C
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Mackenzie
Em ação, nas duas primeiras fotos, a equipe feminina de handebol.
Acima, a luta pela vitória, no basquetebol
remanejamento das verbas e prestação de contas adequadas à nova
filosofia de trabalho. 2. No lado
esportivo, as bolsas de estudo foram encaixadas dentro de novo
parâmetro – passou-se a levar em
conta o nível dos atletas e suas
necessidades financeiras. “Agora, o
gráfico de distribuição tem uma
curva, o que não acontecia antes,
quando praticamente todos os esportistas tinham 100% de bolsa”,
revela Getúlio. As alterações trouxeram bons frutos: “Hoje temos
um grupo com 10%, uma grande
concentração entre 50% a 60%
para atletas de nível médio, e as
bolsas integrais, em menor número, para esportistas com grande
potencial, mas de limitados recursos financeiros”.
Com a reestruturação, competições tradicionais como a Mac-Nav intercalam-se com torneios que incentivam a descoberta de novos valores.“É
o caso da Intermack,que reúne as oito
atléticas do Mackenzie, mais a liga,
para jogos entre eles”,explica Getúlio.
Outros importantes como os Jogos
Universitários do Estado de São Paulo
(Juesp), criados pela Secretaria Estadual de Esportes, Copa Sul-Sudeste,
Torneio USP, Confederação Brasileira
do Desporto Universitário (CBDU),
Sempre de bom humor, Getúlio
dedica-se ao trabalho e ao esporte
Trinta anos no esporte brasileiro
raças à extraordinária história de
Getúlio Coelho no esporte brasileiro, como árbitro
de basquete, em 2000, o
doutor Cyro Aguiar, então diretor-presidente do
IPM, convidou-o a assumir interinamente a
gerência de esportes,
acumulando a nova função com a
de auditor-chefe da auditoria do
Instituto Presbiteriano Mackenzie.
Getúlio gosta de relembrar:
“Quando garoto, jogava basquete
mas, por usar óculos, deixei o jogo e
passei a apitar torneios em Amparo,
minha cidade, no interior de São
Paulo”. Em um desses jogos, Renato
Righetto, grande árbitro brasileiro –
apitou três finais de Olimpíadas –,
ficou impressionado com o jovem e
o convidou a fazer o curso para árbitros na Federação Paulista de
Basquetebol. “Foi em 1963. Fui
aprovado em segundo lugar. Passei
a árbitro nacional (1965) e apitei o
Campeonato Brasileiro Masculino,
no Rio de Janeiro”, conta Getúlio. Foi
indicado (1970) pela Confederação
Brasileira de Basquetebol para o
Campeonato Sul-Americano Feminino, em Guaiaquil, no Peru. “Era um
timaço, com Norminha, Marlene,
Delci, Maria Helena,
Heleninha. Assim, passei a árbitro internacional”, diverte-se.
Mas as constantes
solicitações para viajar
a serviço esbarravam
na carreira escolhida.
“Como trabalhava em
banco, e era difícil
conciliar os compromissos, fiz poucas viagens. Já estava casado, tinha filhos, não
podia abrir mão do
emprego”, conta. Mas
o amor pelo esporte manteve-o na
ativa. Seguiu apitando campeo-
G
Em pé, à direita (destaque),
após apitar jogo final, com o
Banespa campeão
natos de basquete fortíssimos, com
Amaury, Mosquito, Vitor e outros
grandes atletas. “Fui designado
para o pré-olímpico da Bulgária – a
grande viagem que fiz, quando conheci Itália, França e Iugoslávia.”
Na mesma época, Getúlio passou a trabalhar na área de auditoria do banco – o acúmulo de trabalho fez com que fosse abandonando o esporte, gradativamente.
“Até 1982, 1983, apitei jogos universitário. Em 1989, problema administrativo no Esporte Clube Banespa levou-o a cuidar da parte
administrativa de outro esporte, o
vôlei. “Viajei com a equipe para a
Itália, onde ganhamos o vicecampeonato com a equipe brasileira que tinha Tande, Marcelo
Negrão, Montanaro, Mauricio, Giovani e Amauri, entre outros.” O último compromisso foi em 1996, no
Corinthians, com Oscar Schmidt.
Momento culminante de sua carreira foi quando apitou Sírio e
Bósnia, no Ibirapuera – partida eletrizante vencida pelo Sírio.
Sempre brincalhão, de repente Getúlio fica sério. Faz
questão de salientar: “Meu trabalho, desde 1997, é o de auditor do
Instituto Presbiteriano Mackenzie.
É minha profissão, com muita
honra e alegria. Mas adoro relembrar a passagem de 30 anos pelo
esporte”, conclui.
Mackenzie
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Entrevista Getúlio Coelho
1
2
3
4
1 O atleta olímpico César Castro, do
Mackenzie Brasília 2 Hugo e Aily,
destaques no tênis de mesa 3 A luta de
Vânia Ishii, no judô 4 A saga da família
Minakawa 5 Jéssica luta por Pequim
Copa Aurélio Miguel de Judô, entre
outras, são competições em que o
Mackenzie se destaca. “As equipes
Mackenzie de Engenharia, Educação
Física (FLEE) e Economia são as mais
fortes”, afirma Getúlio.
6
7
10
9
Do Ensino Básico ao
Fundamental
As atividades esportivas são realizadas nos três campi Mackenzie –
São Paulo, Tamboré e Brasília.
Segundo Getúlio Coelho – que
exerce a gerência de esportes, ao
mesmo tempo que dirige a Auditoria
do Mackenzie –, faz-se contínuo e
dedicado trabalho de estímulo aos
alunos na prática do esporte como
complemento ao ensino.
Em São Paulo há torneios em outros colégios, com os atletas mackenzistas atuando sob orientação dos
professores de Educação Física. No
caso de alunos bolsistas, o que pesa é
a carência financeira do aluno.
No Tamboré faz-se trabalho com
a comunidade. Pioneiro e inovador,
o Mackenzie faz do esporte instrumento de inclusão social aos menos
favorecidos.
Getúlio
explica:
“Garotos de Carapicuíba, Osasco,
Aldeia da Serra, Itapevi são selecionados nos colégios da região e,
de acordo com a idade, disputam
torneios de basquete pré-míni, míni,
mirim e infantil no Mackenzie
Tamboré”. Outro projeto, o Lep
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5
6 Júlio Novetti, no windsurf
7 Cristiane Boreggio, a
karateca vitoriosa 8 Sucesso
mackenzista no iatismo
9 Robert Scheidt, hepta
mundial de iatismo
10 Oscar, espírito de luta
provado em cinco olimpíadas
Kids, promove inserção social oferecendo esportes e recreação a 88 crianças e adolescentes de famílias de
baixa renda, moradores nos bairros
de Casa Verde e Parque Peruche, em
São Paulo.Trinta e cinco voluntários,
alunos dos cursos de Educação
Física, Psicologia e Pedagogia do
Mackenzie, dão o suporte necessário
ao projeto. Complementando, há o
apoio financeiro da gerência de
Esportes, com distribuição de uniformes, passes escolares e cesta básica. Quem se destaca pode receber
porcentagens de bolsas para estudar
no Mackenzie Tamboré.
Em Brasília, também há o incentivo aos alunos na prática esportiva
e bolsas, mas sempre levando em
conta a carência financeira do aluno. César Castro tem patrocínio do
Mackenzie, mas pela Gerência de
Comunicação Social, com verba de
publicidade da instituição.
Getúlio salienta que o sucesso
dos projetos que elevam o nome do
Mackenzie nos esportes deve-se,principalmente, ao apoio que recebe
tanto da diretoria do IPM quanto da
reitoria da UPM. Cita o doutor Pedro
Ronzelli, vice-reitor: “Entusiasta do
esporte, ele sempre nos incentiva.
Com as atléticas, participamos do
trote solidário, mostrando organização e competência, dentro do espírito mackenzista de privilegiar o lado
esportivo, sem esquecer a parte
acadêmica”, finaliza.
Ninho de cobras – Entre centenas de mackenzistas que se tornaram famosos em diferentes esportes, registramos alguns. No basquete:
Naim de Mello, Victor, Jathir, Succar, Dodi, Agra, Cadum, Oscar, Massenet, Amaury Passos, Radivilas, Valdemar Blatkausca, Saiani e Cláudio
Mortari, técnico. George Edson, campeão olímpico em Barcelona/92, hoje é técnico de vôlei da Atlética Eugênio Gudim – FCECA.
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