UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO – UMESP
SEMINÁRIO METODISTA TEOLÓGICO DO NORDESTE
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ACONSELHAMENTO PASTORAL
DILSON SOARES DIAS
ACONSELHAMENTO PASTORAL PARA CASAIS DA IGREJA
METODISTA CENTRAL EM VITÓRIA DA CONQUISTA BAHIA
RECIFE
2007
1
DILSON SOARES DIAS
ACONSELHAMENTO PASTORAL PARA CASAIS DA IGREJA METODISTA
CENTRAL EM VITÓRIA DA CONQUISTA - BAHIA
Trabalho
de
Conclusão
de
Curso
apresentado ao Programa de PósGraduação em Aconselhamento Pastoral da
Universidade Metodista de São Paulo UMESP, como exigência para obtenção
parcial do titulo de especialista em
Aconselhamento Pastoral.
Orientadora: M. Sc. Joselice Leone Lima Fonsêca
RECIFE
2007
2
Dias, Dilson Soares
Aconselhamento Pastoral para Casais da Igreja Metodista Central em
Vitória da Conquista Bahia
/ Dílson Soares Dias. - - Recife: UMESP / SEMENE, 2007.
x, 52. ; 31 cm.
Orientador: Joselice Leone Lima Fonseca
Trabalho de Conclusão de Curso – Universidade
Metodista de São Paulo,
UMESP, SEMENE, 2007.
Referências bibliográficas: f. 50-52
1. Aconselhamento Pastoral. 2. Casais – TCC. I. Fonseca,
Joselice Leone Lima . II. Universidade Metodista de São Paulo,
UMESP, SEMENE. III.Título.
3
BO LETI M DE AVAL IAÇÃO DO TRABALHO DE CO NCLUSÃO DE CURSO
Nome do/a aluno/a:
Especialização em:
Dílson Soares Dias
Aconselhamento Pastoral
Título do Trabalho:
ACONSELHAMENTO PASTORAL PARA CASAIS DA IGREJA
METODISTA CENTRAL EM VITÓRIA DA CONQUISTA - BAHIA
Orientador/a:
Joselice Leone Lima Fonsêca
Data de
Apresentação:
05/12/2007
RESULTADO FINAL
O/a aluno/a, foi:
( x ) APROVADO com
(
Conceito 9,0
) REPROVADO
Comentários:
O Trabalho de Conclusão de Curso apresentado pelo aluno apresenta uma temática de
relevância, tanto no contexto evangélico, quanto no social, uma vez que visa à formação de
lares estruturados, sendo que estes por sua vez influenciam de modo significativo na
sociedade. O referencial teórico subsidia o tema, havendo coesão entre os parágrafos com
elevada capacidade reflexiva, sendo possível através da teoria mostrar em que contexto
encontra-se os casamentos atuais e o que pode ser feito para trazer o casamento ao contexto
bíblico de sua criação .
São Bernardo do Campo, 05 / 12 / 2007.
Assinatura do(a) Orientador(a)
4
Àqueles/as que têm dedicado a sua própria vida, por amor à
Cristo e ao próximo, emprestando seu tempo, estudos e
atenção, visando ver seus/as aconselhandos/as confiantes,
autônomos/as e felizes, entendendo que o principal interessado
e investidor quanto a nossa saúde física, emocional e espiritual é
o nosso Deus. Aos verdadeiros conselheiros cristãos dedico
5
AGRADECIMENTOS
Ao Deus Todo Poderoso, o Pai, Criador de todas as coisas, o Filho, Redentor e
Senhor nosso, e o Espírito Santo, Consolador e Santificador da Igreja. Glória e
honra para todo o sempre!
À Damaris, minha amada companheira, mulher da minha aliança (Malaquias 2:14).
Aos meus queridos filhos, Débora, Mateus e Lucas.
À amada Igreja Metodista Central em Vitória da Conquista, que acompanha meus
passos na fé cristã desde a minha juventude, incentivando-me.
A todos/as os/as professores/as do curso, que contribuíram com o seu saber para o
nosso elevo intelectual e acadêmico.
Aos colegas do Curso de Aconselhamento Pastoral do Semene pela União, força,
incentivo e dedicação.
E a todos/as quantos direta ou indiretamente contribuíram para o êxito deste
trabalho.
6
“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam”.
Salmo 126.2
7
RESUMO
Este trabalho de Conclusão de curso traz uma abordagem sobre Aconselhamento
Pastoral para casais, sendo esta uma temática que corresponde ao interesse dos/as
pastores/as, conselheiros/as cristãos/as e estudiosos/as na área de aconselhamento
pastoral na área conjugal. O objetivo deste trabalho foi identificar as necessidades
dos casais, mais precisamente da Igreja Metodista Central em Vitória da Conquista Bahia. Para fornecer informação e suporte, principalmente na perspectiva Bíblica,
aconselhando-os para a vivência mútua conjugal. Como metodologia foi realizada
uma pesquisa bibliográfica, sendo realizadas leituras, análises e interpretação de
livros, periódicos, textos, documentos etc. Todo material recolhido foi submetido a
uma triagem, a partir da qual foi possível estabelecer um plano de leitura
sistemático. Como resultados, pode-se observar o quanto é indispensável o
acompanhamento, aconselhamento, e encaminhamento de casais para a boa
convivência no lar, e fora dele. Foi identificado como as marcas da pós-modernidade
podem ser norteadoras para o Aconselhamento pastoral. Pode ser visto ainda que
Aconselhamento Pastoral não é simplesmente passar conselhos. Aconselhar é
saber ouvir, entender e fazer-se entender, tendo em vista o fundamento bíblico e a
estrutura emocional/psíquica do ser humano. Conclui, confirmando a hipótese, de
ser o Aconselhamento Pastoral para casais, utilizando-se de técnicas das ciências
humanas norteada pela bíblia, o meio que vem a fornecer uma orientação saudável
para preparar e prevenir os casais quanto ao verdadeiro sentido do casamento.
Palavras-chave: Aconselhamento Pastoral – Casais
8
ABSTRACT
This study is about pastoral counseling for couples. This theme fits the interests of
pastors, Christian counselors and people who study pastoral couple counseling. The
aim of this study was to identify the needs of the couples, specifically in the central
Methodist church in Vitória da Conquista – Bahia. To provide information and
support, principally in Biblical perspective, counseling the couples for mutual living in
the marriage. The methodology used for making this study was based in
bibliographic searching, reading, analyzing and interpretation of books, articles,
documents, etc. All sources were organized according to the specific subject, so that
it was possible to establish a systematic program for reading. As a result we could
observe how essential it is the attendance and counseling for the couples to have a
good living at home, and outside it. We could also identify how the signs of pos
modernity can give directions for pastoral counseling does not mean simply giving
advices but it also requires listening, understanding and making people comprehend
what you say, based in the biblical fundament and the emotional/psychical structure
of the human being. The conclusion of this study confirms the hypothesis that the
pastoral counseling for couples based in biblical principles is the way to proved a
healthy orientation to prepare the couples for the real sense of marriage.
Key. Words: pastoral counseling for couples
9
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................... 10
2 CASAMENTO........................................................................................................
2.1 VISÃO SOCIAL DO CASAMENTO....................................................................
2.1.1 Causas, de conflitos e suas conseqüências no relacionamento
conjugal............................................................................................................
2.1.1.1 Falta de diálogo no casamento ....................................................................
2.1.1.2 Visão equivocada do casamento..................................................................
2.1.1.2.1 Visão demasiadamente otimista ...............................................................
2.1.1.2.2 Visão Demasiadamente Pessimista..........................................................
2.1.1.3 Planejamento familiar ..................................................................................
2.1.1.4 Respostas aos argumentos contra o controle de natalidade.......................
2.1.1.4.1 O mandamento de Deus para propagar é geral, não é específico............
2.1.1.4.2 O Controle da natalidade não é o assassinato incipiente..........................
2.1.1.4.3. A procriação não é o único propósito para o sexo ..................................
2.1.1.4.4 A Bíblia não condena o controle da natalidade em geral..........................
2.1.1.4.5 Um conceito cristão do controle da natalidade..........................................
2.1.1.4.6 Quando o controle da natalidade é errado ...............................................
2.1.1.4.7 Quando o controle da natalidade é certo...................................................
2.1.1.4.8 Vida sexual do casal .................................................................................
2.2 VISÃO BÍBLICA SOBRE CASAMENTO............................................................
2.2.1 Ensinamentos do Antigo Testamento..............................................................
2.2.2 Ensinamentos do Novo Testamento................................................................
2.2.3 Os ensinamentos de Paulo..............................................................................
2.2.4 Ensinamentos sobre o novo casamento..........................................................
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28
28
3 ACONSELHAMENTO PASTORAL PARA CASAIS DA IGREJA METODISTA
CENTRAL EM VITÓRIA DA CONQUISTA – BAHIA.............................................
3.1 FIGURA DO CONSELHEIRO............................................................................
3.2 ALGUNS CUIDADOS NO ACONSELHAMENTO PASTORAL.........................
3.3 UM BREVE HISTÓRICO SOBRE A IGREJA METODISTA
3.3. 1 A Igreja Metodista Central de Vitória da Conquista/BA..................................
3.3.1.1 Curso de Preparação para o Casamento.....................................................
3.3.1.2 Aconselhamento pré-nupcial
.............................................................
3.3.1.3 Curso Casados Para Sempre (Marriage Ministries International.................
3.3.1.4 Grupo de discipulado com casais................................................................
3.3.1.5 Encontro de Casais com Cristo ...................................................................
31
31
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48
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................
50
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................
51
10
1 INTRODUÇÃO
O casamento é algo especial para o ser humano. Com raríssimas exceções todo
homem e toda mulher deseja se casar. Casamento não é um ato, ele não acontece
no altar ou no fórum; não acontece quando o pastor, o padre, ou o juiz declara que
estão casados.
Casamento é um processo, as engrenagens vão se ajustando no decorrer do tempo.
Ao contrário do que se imaginam casamentos bem sucedidos não são aqueles que
não enfrentam dificuldades (não existe casamento dessa natureza). Nenhum casal
está isento dos ventos fortes, das tempestades no casamento. Jesus deixa bem
clara esta posição ao concluir o belíssimo sermão do monte, mencionando a
parábola dos dois fundamentos:
Todo aquele, pois que ouve estas minhas palavras e as pratica será
comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e
caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com
ímpeto contra aquela casa que não caiu porque fora edificada sobre a
rocha. E todo aquele que houve estas minhas palavras e não as pratica
será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a
areia; caiu a chuva, transbordaram os rios, e sopraram os ventos e deram
com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína
(Mateus 7. 24-27).
O texto acima relata sobre casa edificada (casa sugere família), e deixa claro que o
problema não está nas estações das chuvas, no transbordamento dos rios, nem nos
ventos fortes que batem com ímpeto contra a casa. E sim na estrutura da
Construção.
No geral as pessoas não se preparam adequadamente para a vida conjugal.
Levam anos estudando para ser professor, médico, pastor, mas não tem a mesma
preocupação em se preparar para a vida conjugal. Muitas pessoas entram para o
casamento com pouquíssimas informações sobre o novo estado de vida, ou com
informações bem superficiais, longe da realidade. Para alguns o casamento será
sempre um mar de rosas sem espinho algum, imaginam que, nunca, jamais terão
problemas. Infelizmente fazemos parte de uma geração que assiste ao
11
desmoronamento das relações conjugais. A célebre frase dita no altar “até que a
morte os separe”, não passa muitas vezes de formalidade, fica apenas no altar,
registra-se apenas para aquele momento, como parte do ritual de celebração, e não
como alvo, meta para aqueles que estão entrando para o casamento. No mundo
globalizado não apenas copos e sacolas são descartáveis, mas também pessoas e
relacionamentos conjugais.
Casar para alguns tem sido como ir ao supermercado ou a padaria, fazem isto
quantas vezes forem necessárias, como é o caso do ex-policial malaio Kamarudim
Mohamed, de 72 anos, que depois de uma longa lista de 51 desastrosos
casamentos, com a duração média de 193 dias, casou-se outra vez com Khadijah
Udin, de 74 anos, que fora sua primeira mulher, há 50 anos (CAMPOS, 2005)
Este trabalho de Conclusão de Curso traz uma abordagem sobre Aconselhamento
Pastoral para casais. Trata-se de uma temática que corresponde ao interesse de
pastores, conselheiros cristãos e estudiosos na área de aconselhamento pastoral, e
relacionamentos matrimoniais. Este estudo visa contribuir nos relacionamentos
conjugais através de orientações práticas para melhor convivência matrimonial, e,
em conseqüência disto, uma vida familiar equilibrada e saudável.
Como metodologia foi realizada uma pesquisa bibliográfica sendo esta o passo
inicial para construção efetiva de um criterioso protocolo de investigação. Essa
pesquisa auxilia na escolha de um método mais apropriado, assim como num
conhecimento das variáveis e na autenticidade de pesquisa. Após a escolha de tema
ocorreu uma revisão bibliográfica.
Foi realizada leitura, análise e interpretação de livros, periódicos, textos,
documentos, etc. todo material recolhido foi submetido a uma triagem, a partir da
qual foi possível estabelecer um plano de leitura. Através de uma leitura atenta e
sistemática que se faz acompanhar de anotações e fichamentos que serviram à
fundamentação teórica do estudo.
12
Como parte de uma pesquisa bibliográfica este trabalho contem explanações e estas
seguem um fluxo que facilite a compreensão e a aplicação do assunto. Todo texto
possui uma linguagem acessível visando um entendimento primário do assunto.
Em conjunto com a pesquisa bibliográfica foi realizada também a pesquisa descritiva
que tem por finalidade observar, registrar e analisar os fenônemos sem, entretanto,
entrar no mérito de seu conteúdo. Na pesquisa descritiva não há interferência do
investigador, que apenas procura perceber, com o necessário cuidado, a freqüência
com que o fenômeno acontece. Procura descobrir a freqüência com que um
fenômeno ocorre, sua natureza, características, causas, relações e conexões com
outros fenômenos.
Na pesquisa descritiva há um uso de técnicas padronizadas de coleta de dados
(questionário e observação sistemática), visando construir uma descrição detalhada
de determinado fenômeno, suas características, propriedades, variáveis e interrelações entre ela. Freqüentemente envolve o uso de técnicas de coleta de dados:
entrevistas, questionário, observação participativa, etc., tomando a forma de um
levantamento.
13
2 CASAMENTO
União de duas pessoas de sexos diferentes, para viverem de maneira agradável até
que a morte os separe. Qualquer união fora deste padrão está fora do ideal divino,
pois Deus o instituiu desta maneira “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede
fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a [ ]” (Gênesis 1.28).
É verdade que não fomos criados para vivermos sozinhos. “Disse o Senhor Deus:
Não é bom que o homem esteja só; farlhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”.
(Gênesis 1.18) Mas o sentimento que aproxima as pessoas de sexo oposto a
viverem juntas pelo casamento deve ser o amor.
O casamento (união entre um homem e uma mulher), do ponto de vista teológico,
segundo Von Allmen (1972, p. 236), “é um elemento indispensável ao
prosseguimento da raça humana”. É o princípio da existência da família,
considerada a célula-mater da sociedade. Portanto, entende-se por extensão, que
se a família vai bem logo toda a sociedade estará equilibrada em suas relações e
afeições.
Leon – Dufour (1972, p.135) comentando sobre o texto bíblico “Sede fecundos,
multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a [...]” (Gênesis 1.28), afirma que a
“sexualidade encontra assim o seu sentido em traduzir na carne a unidade dos dois
seres que Deus chama a ajudar-se mutuamente no amor recíproco”.
Drescher (2004) entende que o tempo, empenho, cooperação contínua e zelosa do
casal, são elementos indispensáveis para ter-se um casamento amadurecido e
satisfatório. Devem ser devotados o compartilhar e se interessar, o amar e ouvir, o
doar-se e perdoar. Um casamento bem sucedido precisa ser constantemente
monitorado, ajustado e fortalecido.
14
2.1 VISÃO SOCIAL DO CASAMENTO
A professora de história, Maria da Conceição Silva (2007), mostra que no Brasil do
século XIX, a união entre os poderes espiritual e temporal denominado de padroado
régio delegava à Igreja Católica o poder legal sobre o matrimônio. Cabia ao clero
administrá-lo para evitar as uniões ilegítimas. Assim, o sacramento do matrimônio
resolveria o problema das uniões ilegítimas.
Os liberais defensores das reformas de modernização do país combatiam dentre
outras coisas a vigência do padroado régio – união entre trono e altar – que
concedia à Igreja o poder sobre o casamento com efeitos civis. No entanto, os
liberais discordavam deste domínio dos eclesiásticos sobre a família e apresentaram
no parlamento projetos de extinção do padroado régio e do matrimônio canônico.
Assim, investigar as temáticas catolicismo e casamento é avaliar a importância dos
projetos dos liberais, cujo objetivo era eliminar o amplo poder da Igreja Católica em
assuntos como a celebração dos cultos e do casamento, e com isto, também,
favorecer os não-católicos, como protestantes, judeus, etc. que enfrentavam sérias
dificuldades nesta área.
Em janeiro de 1890, houve significativas mudanças com a aprovação dos decretos
de separação entre Igreja e Estado e o de casamento civil. Este foi regulamentado
pelo governo provisório e previsto para entrar em vigor quatro meses depois, no dia
24 de maio de 1890, o que contribuiria significativamente com o processo de
secularização que se consolidaria com a Constituição de 1891.
O Decreto n. 181, de 24 de janeiro de 1890, prescrevia que “o casamento, em
virtude das relações de direito que estabelece, é celebrado sob a proteção da
Republica” (Discurso Proferido por Campos Sales). Com este ato e outros do
governo provisório – Marechal Deodoro da Fonseca – não seria de se admirar a
tentativa dos Padres conservadores para impedir que a igreja fosse definitivamente
prejudicada.
15
Os bispos divulgaram, em março de 1890, uma pastoral coletiva condenando
decretos de separação entre Igreja e Estado e de casamento civil emitidos pelo
governo provisório. Os bispos reafirmaram que as constituições dogmáticas e
disciplinares do Concílio Tridentino fazem parte dos princípios de nossa fé e das
regras de nossa disciplina, permanece em pleníssimo vigor, como até aqui, a sua
legislação matrimonial, quer em relação ao modo de celebrar os casamentos, quer
em relação às causas matrimoniais (MOOG,1981 p.-37).
Para os bispos católicos o casamento civil contrariava o verdadeiro matrimônio
instituído por Deus prescrito pela legislação eclesiástica que ainda eram as
Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, 1707.
Apesar da ala clerical conservadora ter proposto sérias restrições e embates ao
projeto de casamento civil, este foi aprovado e garantido constitucionalmente, o que
contribuiu, significativamente, para garantir o direito da família no código civil de
1916. Este, também foi muito debatido no parlamento. O catolicismo e o matrimônio
foram pauta de discussão das reformas de modernização do Brasil propostas pelos
liberais. A lei do casamento civil ou os artigos da Constituição de 1891 não são o
marco inicial da secularização do matrimônio e sim a consolidação do projeto
liberal de 1829 e 1870, que estabeleceu o registro civil. Vinte anos mais tarde,
em
1890, se instituía o casamento civil que limitou o poder da Igreja sobre a família.
Mas esta não foi a única derrota sofrida pela Igreja Católica nas questões
relacionadas ao casamento. Pois em 28 de junho de 1977 o deputado Nelson de
Souza Carneiro conseguiu a aprovação da lei 6515/77 que instituiu o divórcio no
Brasil.
Os
índices
de
separações
em
nosso
país
vem
aumentando
consideravelmente não distanciando muito dos Estados Unidos e países europeus
em termos percentuais.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, (I.B.G.E – ano 2003) mostra em
pesquisa realizada uma estimativa do estado dos relacionamentos conjugais no
Brasil (Quadro 1).
16
Quadro 1 -Dados sobre casamentos, separações e divórcios nos estados brasileiros
Casamento
Separações
Divórcios
Judiciais
Brasil
Separações
%Divórcios
+ Divórcios
748.981
103.452
138.520
241.972
32,3 %
2.432
157
354
511
21,1 %
Alagoas
10.317
401
1.551
1.952
18,9 %
Amapá
1.169
135
314
449
38,4 %
Amazonas
12.159
220
983
1.203
9,8 %
Bahia
45.396
2.192
5.964
8.156
17,9 %
Ceará
25.587
1.809
3.931
5.740
22,4 %
D. Federal
11.840
2.236
3.985
6.221
52,5 %
E.. Santo
18.239
2.697
3.994
6.691
36,6 %
Goiás
26.623
2.854
5.029
7.883
29,6 %
Maranhão
15.326
409
1.551
1.960
12,7 %
M.Grosso
10.313
1.115
1.808
2.923
29,3 %
M. G. Sul
8.793
2.021
3.145
5.166
58,7 %
M. Gerais
89.440
14.229
14.640
28.869
32,2 %
Pará
17.637
634
2.429
3.063
17,3 %
Paraná
50.065
5.149
8.312
13.461
26,8 %
Paraíba
13.769
1.098
2.696
3.794
27,5 %
Pernambuco
33.963
1.801
7.113
8.914
26,2 %
Piauí
8.954
456
993
1.449
16,1 %
R.de Janeiro
60.743
4.179
8.691
12.870
21,1 %
R.G. Norte
10.073
628
1.937
2.565
25,4 %
R.G. Sul
33.686
8.278
7.465
15.743
46,7 %
Rondônia
6.830
876
1.638
2.514
36,8 %
Roraima
1.107
96
453
549
49,5 %
S. Catarina
22.011
5.984
5.167
11.151
50,6 %
São Paulo
201.658
42.702
42.213
84.915
42,1 %
Sergipe
6.564
734
1.244
1.978
30,1 %
Tocantins
4.290
362
920
1.282
29,81 %
Acre
Fonte: IBGE (2003)
17
Segundo a mesma fonte pode-se ainda registrar que 72 % dos pedidos de
separações são feitos pelas mulheres e 28 % pelos homens. Cerca de 10 % dos
cônjuges tem menos de 20 anos. Apenas 10.6 % das uniões são com pessoas
acima de 39 anos de idade. Em 1993 houve 182.781 separações e divórcios e em
2003, 241.972, calculando um aumento de 32,4 %. Os registros sobre casamento no
Brasil mostram que 32 % destes acabaram em divórcio ou separação.
2.1.1 Causas, de conflitos e suas conseqüências no relacionamento conjugal
2.1.1.1 Falta de diálogo no casamento
Os sistemas atuais giram em torno da comunicação. Rádio, programas televisivos,
internet, etc. E a cada dia que passa o mundo se faz pequeno, pois a facilidade na
comunicação divulga rapidamente o comportamento dos vários povos, reduzindo as
distâncias e aproximando as pessoas. Um episódio ocorrido em qualquer parte do
mundo corta o espaço e o tempo em segundos ou instantaneamente, via satélite.
Mas apesar de todo avanço tecnológico na comunicação, as reclamações quanto a
comunicação inter-pessoal tem aumentado. Todos estes elementos tecnológicos da
comunicação roubam a possibilidade de diálogo pessoal, tão necessário ao
relacionamento familiar. As pessoas vão se tornando estranhas mesmo residindo
sob o mesmo teto, partilhando o mesmo quarto, dormindo na mesma cama.
Há certo consenso entre estudiosos do campo de aconselhamento pastoral de
casais, de que grande parte das dificuldades de relacionamento conjugais deve-se
ao fato de não saberem comunicar-se de maneira apropriada.
John Gray (1995) fala das diferenças marcantes entre homens e mulheres (física,
emocional e estruturalmente) e ilustra os conflitos que normalmente ocorre entre
eles, sendo um dos motivos, o fato de falarem “línguas diferentes”.
18
Quadro 2 – Diferenças no diálogo entre homens e mulheres
Mulheres falam
“Nós nunca saímos”
Homens respondem
“Isso não é verdade. Nós saímos.
semana passada”
“Todo mundo me ignora”
“Eu
tenho
certeza
de
que
algumas pessoas notam você”
“Eu estou tão cansada que não posso “Isso
é
ridículo.
Você
não
fazer nada”
desamparada”
“ A casa está sempre uma bagunça “
“Não está sempre uma bagunça”
“Ninguém me ouve mais”
“Mas eu estou te ouvindo agora”
“Nada está funcionando”
“Você
está
dizendo
que
é
por
isso
está
culpa
minha?”
“Você não me ama mais”
“Claro
que
amo.
É
que
estou aqui.”
“Nós estamos sempre com pressa”
“Não
estamos
não.
sexta-feira
nós estávamos relaxados”
“Eu quero mais romance”
“Você
está
querendo
dizer
que
eu não sou romântico?”
Fonte: Gray (1995)
Quando elas dizem: “Eu não me sinto ouvida”, não quer dizer que ninguém a
escutou, e sim: “Eu me sinto como se você não entendesse tudo o que eu quero
dizer ou não se importasse com o que sinto. Você me mostraria que está
interessado no que eu tenho a dizer?”
A comunicação é indispensável na vida conjugal.
Casais não são “ilhas” para
viverem vidas isoladas. A falta de comunicação pode trazes danos irreparáveis ao
casamento. Provavelmente se o primeiro casal humano tivesse conversado, sobre
as vantagens e desvantagens de comerem do fruto da árvore que o Senhor disse
que não deveriam comer certamente a conclusão seria outra. Mas não conversaram,
Eva simplesmente comeu, e posteriormente deu para Adão, que acabou comendo
também. Trazendo assim sérias conseqüências para o casal e toda a humanidade.
19
2.1.1.2 Visão equivocada do casamento
O mundo sofreu grandes transformações de cunho político, religioso e social nas
últimas décadas, e o casamento não foi exceção. É fato que sempre existiu, existe e
continuará ruptura nos casamentos. Mas os nossos dias tem sido marcado por
números alarmantes de separações e divórcios.. Influenciados por uma sociedade
permissiva, que prega e vive a liberdade sexual, influenciada pelos meios de
comunicação, especialmente a televisão que mostra como sendo normal a
infidelidade, a destituição do matrimônio e a possibilidade de uma nova união,
muitos lares estão se desfazendo. Não há um padrão a ser seguido, cada um tem
sua própria maneira de agir.
2.1.1.2.1 Visão demasiadamente otimista
É a visão romântica demais, onde as mulheres falam de “príncipe encantado” e os
homens em “a mulher de meus sonhos” ou “ a mulher de minha vida”. As histórias
de amor desta linha focalizam quase sempre apenas a fase de conquista e terminam
com a duvidosa e eufórica declaração: “e foram felizes para sempre”. A esse
respeito é importante citar um parágrafo do artigo “Os casamentos de Charles” e
“jogos subterrâneos”, do conhecido psicanalista Contardo Caligaris, publicado na
Folha de São Paulo em 14 de abril de 2005.
Romances e filmes de amor, em sua esmagadora maioria, narram as
peripécias dos amantes até que consigam se juntar. Depois disso, parece
óbvio que eles vivam “felizes para sempre”. Infeliz e frequentemente nos
consultórios de psicoterapeutas e psicanalistas, a história dos casais
depois do cartão inicial é contada em versões bem menos sorridentes.Está
dentro desse contexto à história do índio Peri e da não-índia Ceci, no
romance O Guarani, de José de Alencar, escrito em 1857, e também a
história dos adolescentes Romeu e Julieta, que se apaixonaram num baile
de máscaras em Verona, e no dia seguinte se casaram em segredo, já que
suas famílias eram inimigas entre si. O romance dramático de William
Shakespeare escrita em 1595 termina em tragédia: primeiro Romeu
comete suicídio na suposição de que a amada esteja morta; depois Julieta,
em face da morte do amado, também se mata.A desvantagem da visão
exageradamente otimista é que os nubentes são muito ingênuos e se
20
casam despreparados. Não admitem dificuldade posterior alguma e não
tomam medidas preventivas (CESÁR, 2005, p .22).
Fica evidente nesta visão o despreparo dos nubentes, e a grande possibilidade de
aumentar as estatísticas de separações e divórcios. Isto só vem reforçar a
importância do aconselhamento pastoral antes do casamento. Assim como os
noivos se preparam para aquisição de móveis, compra ou aluguel de casa,
subsistência
financeira,
etc.,
devem
também
se
prepararem
através
de
aconselhamentos e cursos que visem o bom relacionamento conjugal.
2.1.1.2.2 Visão demasiadamente pessimista
Se por um lado existem aqueles que vêem o casamento apenas numa perspectiva
romântica e sem dificuldade alguma. Por outro lado existe também aqueles que
vêem a união apenas de maneira negativa. Nessa circunstância a fidelidade e
felicidade é praticamente impossível, pois as discussões se intensificam, os pontos
fracos
freqüentemente são mencionados, as acusações se tornam comuns, o
respeito não mais existe, o amor desaparece, e normalmente o casamento fica em
cheque. Para os adeptos desta visão, a solução do problema, geralmente vem
através da separação, é mais fácil descartar, que gastar tempo concertando. Veja o
que diz o jornalista Elben M. Lenz César.
Em vez de frases românticas, colecionam ditados e conceitos chocantes: “o
amor é eterno enquanto dura”, “Quando a pobreza bate à porta, o amor voa
pela janela”, “O amor faz passar o tempo, e o tempo faz passar o amor”.E
por que não citar os absurdos conselhos de ilustres famosos: “Se não fosse
bobamente moralista, teria tido mais amantes e menos maridos” (Elizabeth
Taylon - Atriz); “hoje o que eu consideraria ideal seria poder ter duas, três,
quatro mulheres, amigas, namoradas eventuais, e elas terem dois três,
quatro homens” (José Ângelo Gaiasa - Psiquiatra). “Se a gente pensar
bem, casamento nunca foi necessário” (Flávio Gikovate - Psicoterapeuta).
Por razões como estas, se casa cada vez menos e cada vez mais tarde. Ao
mesmo tempo em também crescem os números de separações (CESÁR,
2005, p.22).
21
2.1.1.3 Planejamento familiar
Tudo na vida precisa ser planejado. A falta de um planejamento correto, só traz
prejuízos e aborrecimentos, sobretudo em termos de família. A bíblia
ensina a
planejar antes de executar. [...]pois qual de vós, pretendendo construir uma torre,
não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a
concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não o podendo
acabar, todos os que a virem zombem dele, dizendo: este homem começou a
construir e não a pôde acabar (Lucas 14:28).
Muitos desentendimentos ocorrem por conta da falta de planejamento familiar. Da
mesma forma que não planejam sobre filhos (o excesso, ou falta de filhos, tem
levado casais a separação e consequentemente ao divórcio), também não planejam
finanças, fazendo com que pequenos problemas do dia a dia acabe se tornando
uma bola de neve.
O que se observa é que quanto menor o poder aquisitivo das pessoas, maior o
número de filhos. Os que se opõem ao controle da natalidade, do ponto de vista
cristão apelam na maioria das vezes com os seguintes argumentos: (GEISLER,
1998)
 Afirma que o Controle da natalidade é desobediência ao mandamento de
Deus no sentido de propagar. Porque este foi o primeiro mandamento divino.
 O Controle da natalidade é um assassinato incipiente na intenção. Porque
elimina a possível vida.
 Entende que o
propósito de sexo é exclusivamente a procriação. E que
nenhum método contraceptivo deva ser usado.

Cita o caso de Onã, como exemplo de que as Escrituras condena o homem
que fizer tal coisa. “Sabia porém, Onâ que o filho não seria tido por seu; e
todas as vezes que possuía a mulher de seu irmão deixava o sêmen cair na
22
terra, para não dar descendência a seu irmão. Isso, porém, que fazia, era
mau perante o Senhor, pelo que também a este fez morrer (Gênesis 38:9).
2.1.1.4 Respostas aos argumentos contra o controle de natalidade
2.1.1.4.1 O mandamento de Deus para propagar é geral, não é específico
A ordem ou mandamento de propagação não é dada a uma pessoa, e sim a raça em
geral. Deus deseja que a espécie reproduza e não necessariamente que cada
indivíduo dela se multiplique. Se a ordem de propagar fosse individual, então toda
pessoa que se recusasse a casar estaria em pecado.
2.1.1.4.2 O Controle da natalidade não é o assassinato incipiente
Há uma grande diferença em impedir alguma vida de dar à luz a mais vida, e tirar
uma vida depois de ter nascido. No primeiro caso ainda não há vida, e no último
pode ser assassinato. A seletividade voluntária a respeito do número de filhos não
constitui em pecado.
2.1.1.4.3. A procriação não é o único propósito para o sexo
A procriação é um dos propósitos do sexo, não o único propósito. O sexo também
tem propósitos de comunhão e de recreação. Se o sexo visasse apenas à
procriação, seria então muito estranho que a natureza permita que as mulheres
23
possam procriar por menos da metade de sua vida conjugal (somente até a
menopausa).
2.1.1.4.4 A Bíblia não condena o controle da natalidade em geral
O caso específico da recusa de Onã em suscitar descendência para seu irmão, não
pode ser usado para estabelecer uma regra geral contra os contraceptivos, por
várias razões. Primeiramente sua desobediência não era ao mandamento geral,
para ter filhos, mas, sim, à responsabilidade específica de um irmão sobrevivente no
sentido de suscitar descendência para seus parentes. Não podemos apenas com
base no texto citado de Gênesis 38.8, estabelecer uma regra para todas as
situações.
2.1.1.4.5 Um conceito cristão do controle da natalidade
É errado que todos empreguem o controle da natalidade o tempo todo. Deus
ordenou que a raça se reproduzisse (Gênesis 1. 28). Se todos ficassem sem ter filho
algum, a raça se extinguiria depois de algum tempo..
2.1.1.4.6 Quando o controle da natalidade é errado
Podemos pontuar diversas situações em que o controle de natalidade seria errado.
Por exemplo, se alguém o usasse fora do casamento para a atividade sexual ilícita.
Os contraceptivos não devem ser usados para evitar as conseqüências da
24
concupiscência. Finalmente, pode ser errado recusar a ter filhos somente porque a
pessoas não quer assumir a responsabilidade deles.
2.1.1.4.7 Quando o controle da natalidade é certo
Não se deve concluir que, porque alguns usos do controle da natalidade são
egoístas todos são egoístas. Cada caso é um caso, há várias situações em que o
controle da natalidade pode ser algo positivo. Por exemplo, adiar a família até que
se possa cuidar dela melhor pode ser uma ação muito sábia. Se razões
psicológicas, econômicas, ou educacionais indicassem um tempo futuro melhor para
a família, então não será moralmente errado esperar.
2.1.1.4.8 Vida sexual do casal
Muito embora o sexo não seja o cerne da questão no casamento, todavia, é
importantíssimo na vida conjugal. O sexo não deve ser um ato (o estupro é um ato
sexual) e sim uma relação (correspondência sexual). A finalidade do sexo no
casamento é a procriação, comunhão e prazer. O mau desempenho nesta área (do
homem ou da mulher) pode ocorrer por vários fatores, como por exemplo, quando
uma pessoa foi estuprada na infância e não tratou esta área, geralmente verá o sexo
como algo mais monstruoso que prazeroso.
Existem vários padrões equivocados a respeito do sexo, por exemplo: Só o homem
deve procurar pela mulher para uma relação sexual, a companheira jamais. É
proibido ficarem nus na frente um do outro pois Adão e Eva quando perceberam que
estavam nus, cozeram para si aventais.
25
Outro aspecto fundamental é saber quais são as diferenças entre o homem e a
mulher, no que tange ao relacionamento sexual. O homem está pronto para a
relação sexual desde que tenha ereção, e esta é quase sempre instantânea devido
aos estímulos visuais que recebe. Em geral a mulher necessita de mais preparação,
estímulos táteis e tranqüilidade emocional.
Outra diferença que é necessário ressaltar é que a mulher costuma se excitar mais
lentamente que o homem. Enquanto no homem 20 a 30 cm3 de sangue são
suficientes pára encher seus órgãos genitais e assegurar uma ereção, a mulher
precisa de pelo menos três vezes mais a fim de garantir uma excitação constante e
uma boa lubrificação (KUSNETZOFF, 1998).
È necessário ao homem saber estimular a mulher. Esta estimulação deve ocorrer
com tempo necessário para que ela alcance um bom grau de excitação. Esse tempo
pode variar de acordo com a idade e as circunstâncias. Entretanto, ele nunca deverá
ser menos de 15 a 20 minutos.
Kusnetzoff (1998) descreve ainda outras diferenças entre o comportamento sexual
masculino e feminino. Segundo ele, o desejo da mulher é muito mais contínuo,
permanece após o orgasmo. No homem a maior parte do seu ser está
comprometida na ereção. Já a mulher, ela precisa ser considerada, admirada,
acariciada como um todo. Enquanto o homem é parcial e vai “direto ao assunto”, a
mulher é total, foge ao que é direto, buscando reconhecimento. O homem é
nitidamente descontínuo. A mulher tem uma profunda preferência pela continuidade.
Para o homem, um orgasmo é um orgasmo. A mulher é um ser útil por excelência.
Deseja carícias, agrados, ternura, emoção, sinceridade, doçura e erotismo. Para o
autor, o casal precisa estar consciente dessas diferenças a fim de poderem apreciar
e vivenciar este fenômeno com maior intensidade e satisfação pessoal possíveis.
A boa preparação para o ato sexual proporciona uma outra grande diferença entre o
homem e a mulher: “a mulher pode ter vários orgasmos simultâneos no curso de um
só coito, enquanto homem tem uma única ejaculação.
26
Uma pergunta muito comum durante o aconselhamento pré-nupcial quando o
assunto é sexo, é a seguinte: com que freqüência o casal deve se relacionar
sexualmente? Para isto não existe regra estabelecida que oriente ao casal qual deve
ser a freqüência de suas relações, o tempo de cada relação e de que maneira elas
devem acontecer, fica a critério de cada casal.Segundo.
(Kinsey apud Edésio,
1998)
Quadro 3 - Média da atividade sexual
Idade
Antes de 20
20 – 25
26 – 30
31 – 35
36 – 40
41 – 45
46 – 50
51 – 55
56 – 60
Média anual
250
200
150
125
110
90
60
60
25
Intervalo / dias
1,46
1,82
2,43
2,92
3,31
4,05
6,08
6,08
14,60
Fonte: Kinsey apud Edésio (1998)
2.2 VISÃO BÍBLICA SOBRE CASAMENTO
Deus não instituiu o casamento para acabar em separação ou divórcio. O propósito
do criador é que este fosse dissolvido unicamente pela morte, porém, em razão da
fragilidade humana algumas situações foram toleradas.
2.2.1 Ensinamentos do Antigo Testamento
A Bíblia apresenta claramente o casamento como uma união íntima e permanente
entre marido e mulher. Este é o ideal imutável de Deus. Mas, desde o pecado
original, os seres humanos estão vivendo num nível abaixo do ideal. A Bíblia
reconhece este fato, ‘ e, é por isso que:
27
Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for
agradável aos seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e se ele
lhe lavar um termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir da sua casa;
e se ela, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem; e se este a
aborrecer, e lhe lavrar termo de divórcio, lho der na mão, e a despedir da
sua casa ou se este último homem, que a tomou para si por mulher, vier a
morrer, então, seu primeiro marido, que a despediu, não poderá tornar a
desposa-la para que seja sua mulher, depois que foi contaminada, pois é
abominação perante o Senhor; assim, não farás pecar a terra que o
Senhor, teu Deus, te dá por herança (Deuteronômio 24.1-4).
O texto citado traz orientações sucintas que regem a pratica do divórcio – uma
prática tolerada, mas nunca ordenada nem encorajada por Deus. De acordo com o
Antigo Testamento, o divórcio deveria ser legal (com um documento escrito),
permanente
e
permitido
apenas
quando
houvesse
“impureza”
envolvida.
Infelizmente, o significado de “impureza” se tornou assunto de debate. Alguns diziam
que isso incluía qualquer comportamento impróprio; outros restringiam o termo e
argumentavam que impureza se referia apenas à infidelidade sexual. Jesus parece
ter concordado com esta segunda opinião.
2.2.2 Ensinamentos do Novo Testamento
Jesus reafirmou o caráter permanente do matrimônio, ressaltou que a permissão
divina para o divórcio foi dada apenas por causa da natureza pecaminosa do homem
(e não porque fosse o ideal de Deus), afirmou que a imoralidade sexual era a única
causa legítima para o divórcio, e ensinou claramente que a pessoa que se divorcia
de um cônjuge infiel e se casa com outro comete adultério (e faz com que o novo
cônjuge também cometa adultério).
Como os líderes judeus que questionavam o significado da palavra impureza, alguns
eruditos modernos discutiram o significado da expressão “exceto em caso de
relações sexuais ilícitas”. “Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua melhor,
exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele
que casar com a repudiada comete adultério” (Mateus 5.3).
28
A palavra grega traduzida por “relações sexuais” é pornéia, que se refere a todo tipo
de intercurso sexual fora do casamento este comportamento viola o conceito de uma
só carne, que é fundamental ao matrimônio bíblico.
Mesmo quando há infidelidade envolvida, o divórcio não é ordenado; ele é
simplesmente permitido. O perdão e a reconciliação ainda são preferíveis ao
divórcio. No entanto, se o divórcio ocorrer nestas circunstâncias, a opinião de muitos
eruditos evangélicos é que a parte inocente está livre para se casar novamente.
2.2.3 Os ensinamentos de Paulo
Respondendo a uma pergunta dos Coríntios, o apóstolo repete o ensino de Cristo e
depois acrescenta uma segunda causa em que o divórcio é permitido: o abandono
por um cônjuge incrédulo.
A referência bíblica citada trata de incompatibilidade religiosa. O casamento de um
crente com um incrédulo. Estes casamentos teologicamente mistos não devem
terminar em divórcio (exceto quando o incrédulo vai embora), apesar do fato de que
as diferenças religiosas podem criar tensões no lar. Paulo escreve que,
permanecendo casado, o cônjuge crente santifica o matrimônio e, com o tempo, o
cônjuge incrédulo pode acabar se rendendo a Cristo.
2.2.4 Ensinamentos sobre o novo casamento.
Existem controvérsias sobre o divórcio nos círculos judaicos, pelo menos no tempo
de Cristo, estava centrada nas causas. Algumas pessoas dentro da comunidade
judaica nunca puseram em dúvida o direito de se casar novamente depois de um
divórcio. Hoje em dia, o foco da discussão nos meios evangélicos está colocado na
questão das segundas núpcias.
29
De acordo com vários autores, o texto de Deuteronômio 24. 1-4, prova que o
divórcio dissolve um casamento e dá o direito de se casar novamente. Esta
passagem não obriga a pessoa a se casar de novo, mas garante esse direito se a
pessoa quiser. Já o texto: “Eu porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não
sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e se casar com outra comete adultério,
e o que casar com a repudiada comete adultério” (Mateus 19.9), indica claramente
que quando o cônjuge pratica fornicação (pornéia) e ocorre o divórcio, o cônjuge fiel
tem o direito de se casar novamente. Jesus parece estar ensinando nesta passagem
que, enquanto o divórcio torna o contrato sem efeito, a imoralidade habitual torna o
pacto
sem efeito e, portanto, dá à parte fiel uma oportunidade de se casar
novamente. Jesus não obriga as pessoas a se casarem de novo. No entanto, fica
claro no texto acima que ele presume que um segundo casamento irá ocorrer.
Há um outro texto que também dá margem para contrair um segundo matrimônio,
caso a pessoa queira. “Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em
tais casos, não fica sujeito à servidão nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem
chamado à paz” (I Coríntios 7.15).Também neste caso as segundas núpcias não são
obrigatórias. Mesmo sendo permitido um segundo casamento, esta atitude nem
sempre é sensata. Paulo recomendou que as pessoas que não eram casadas (isso
poderia incluir os ex-casados) permanecessem solteiras.
A maioria dos cristãos que crêem na Bíblia concordam que a intenção de Deus é
que o casamento seja uma união permanente e exclusiva entre um homem e uma
mulher que se realizam sexualmente dentro do matrimônio. Em nenhum lugar da
Bíblia o divórcio é ordenado ou estimulado.
O divórcio é permitido somente em duas circunstâncias. A primeira é quando o
cônjuge é culpado de imoralidade sexual e não quer se arrepender e viver fielmente
no matrimônio. A segunda é quando um dos cônjuges é incrédulo e decide
abandonar o companheiro ou a companheira crente, por sua própria vontade e
permanentemente.
30
Deus, em sua graça, e numa “concessão divina à fraqueza humana” permite, então,
que haja o divórcio. Na opinião de muitos estudiosos da Bíblia, o cristão divorciado
tem o direito e a liberdade de se casar novamente “no Senhor”, desde que tenha
tentado a reconciliação sem sucesso e terminado o casamento de acordo com as
diretrizes bíblica.
31
3 ACONSELHAMENTO PASTORAL PARA CASAIS DA IGREJA
METODISTA CENTRAL EM VITÓRIA DA CONQUISTA – BAHIA
O Aconselhamento Pastoral é um ministério de ajuda aos casais da igreja local, que
através da conversação e de outras formas, identifica situações que precisam ser
trabalhadas, afim de que o casal possa estando ajustado desfrutar da bênção do
casamento. O Aconselhamento Pastoral visa descobrir, conjuntamente com o casal
que está enfrentando situações delicadas no relacionamento conjugal, o significado
da vida a dois. E vivenciarem a bênção do casamento.
Segundo Collins (1995, p. 75), “O Aconselhamento Pastoral é, primeiramente, uma
relação em que uma pessoa, o ajudador, busca assistir outro ser humano nos
problemas da vida”, pois o Aconselhamento Pastoral é a ação prática de cuidar do
outro, oferecendo suporte de esperança à luz da Bíblia, usando elementos das
ciências sociais, levando o aconselhando a refletir e tomar uma decisão por si
mesmo.
De acordo ainda com Clinebell (1987, p. 47), o Aconselhamento Pastoral é uma
dimensão da Psicologia Pastoral e utiliza uma “variedade de métodos de cura
(terapêuticos) para ajudar as pessoas a lidar com seus problemas e crise de uma
forma mais conducente ao crescimento e, assim experimentar a cura”.
3.1 FIGURA DO CONSELHEIRO
Conforme Friesen (2002, p. 81), o Conselheiro Cristão é alguém vocacionado por
Deus e muito bem preparado através de treinamentos, constantes leituras e oração,
a respeito dos problemas pelos quais as pessoas passam, e que, em confiança, lhe
trazem solicitando ajuda. Este conselheiro também está apto para ensinar a outros a
respeito de como se obter uma vida em plenitude como Jesus a planejou. Sem o
conselheiro não haveria Aconselhamento Pastoral, assim como sem o aconselhando
32
também não o haveria. O Aconselhamento Pastoral é a justa cooperação e
participação do aconselhando que trás suas dificuldades, traumas, dramas e queixas
das mais variadas possíveis ao conselheiro.
As pessoas precisam resolver seus problemas existenciais, seus conflitos e
dificuldades relacionais. O mundo tende a oferecer muitas opções de ajuda, algumas
significativas, outras, entretanto nocivas, baseadas em charlatanismo. A cartomante
e a benzedeira estão tão próximas, atendendo logo ali na esquina, podendo ser
tanto em um barraco ou em uma casa chique na outra esquina. É possível o acesso
às cartas, búzios e astrologia até mesmo pelo telefone ou internet, instantânea e
imediatamente. Pode até custar caro, mas quando a angústia bate, qualquer
tentativa de solução parece válida. Às vezes as pessoas procuram a ajuda
profissional de psicólogos, psiquiatras, neurologistas, assistentes sociais e/ou
médicos. Nem sempre são destes profissionais de saúde que os membros das
Igrejas e pessoas do seu circulo de amizade estão necessitando e, pior ainda, nem
sempre têm dinheiro para receber um acompanhamento médico e profissional.
O
treinamento
em
métodos
e
técnicas,
o
embasamento
teórico
sobre
Aconselhamento Pastoral, os estudos sobre o desenvolvimento do ser humano e de
sua personalidade são fundamentais e podem ajudar ao conselheiro. O conselheiro
pastoral precisa de informações básicas sobre o comportamento humano. Mesmo os
estudos em obras de psicologia podem ampliar a compreensão sobre a dinâmica
psíquica. Além da leitura de livros cristãos, o conselheiro deverá ampliar os seus
horizontes estudando também obras científicas na área da psicologia, antropologia,
pedagogia, filosofia e história. Tendo discernimento, muita coisa pode lhe ser de
grande valia, entendendo que ninguém consegue reter e dominar o conhecimento de
todas as áreas. A habilidade de praticar o Aconselhamento Pastoral de modo
eficiente somente se dará de modo efetivo através da própria prática.
Muitas vezes o que deixa o aconselhando impressionado, de modo subjetivo e
inconsciente, é a forma como o conselheiro cristão considera e se interessa com os
seus problemas.
19
33
De acordo ainda com Frienser (2002, p.82): “O Aconselhamento Pastoral acaba
sendo a projeção do próprio conselheiro”. A maneira como ele reage através da
comunicação analógica (expressão do rosto, tonalidade da voz, gestos e atitudes),
transmite muito mais informações do que o conselheiro se apercebe, mais do que
suas próprias palavras, sendo assim, portanto, é fundamental que o conselheiro
cristão conheça a si mesmo, tenha uma autopercepção aguçada de seus
sentimentos, seja uma pessoa madura e equilibrada, e ainda, algo muito importante,
que tenha o seu próprio conselheiro e/ou supervisor, sendo enriquecido também
através da experiência de estar no outro lado, o lado do aconselhando.
As qualidades e as habilidades do conselheiro podem e devem ser desenvolvidas.
Viver conscientemente, experimentar os relacionamentos de maneira consciente,
resolver seus próprios conflitos com eficiência e maestria requer muito esforço e
dedicação perseverante.
O conselheiro cristão e o conselheiro pastoral deve ter firmes princípios cristãos.
Necessita ser fortalecido pelo poder de Deus e ter firmes convicções pessoais,
sendo cheio do Espírito Santo e das características do Seu fruto, conforme Gálatas
5:22-23 (amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade,
mansidão, domínio próprio).
O perfil ideal do conselheiro cristão e a sua maior característica é a sabedoria, cuja
capacidade maior é o discernimento das coisas. Ela não é fruto da erudição e
intelectualidade humana. Tiago 3:17 diz: “A sabedoria, porém, lá do céu, é
primeiramente pura; depois pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de
bons frutos, imparcial, sem fingimento”. No versículo 13 deste mesmo capítulo se diz
que a sabedoria é manifesta em mansidão, no proceder mansamente. Fica evidente
que a sabedoria que vem do alto trata o outro da mesma maneira como Jesus
tratou, com bondade humana. Esta sabedoria enfoca o ser humano com paz, com
indulgência, com imparcialidade, coerentemente sem fingimentos.
O Aconselhamento Pastoral é um instrumento terapêutico, baseado num processo
de conversa particular, onde o conselheiro pode ouvir situações diversas da vida e, à
34
luz das escrituras, construir, conjuntamente com o aconselhando, alternativas e
rumos equilibrado que gerem bem estar e saúde física, mental, social e espiritual.
Deve ser praticado para todos/as as pessoas que precisam de orientação, por
estarem passando por um período de insegurança quanto ao futuro e, este
acompanhamento, sempre que possível, deve ser ministrado de forma preventiva, e
não corretiva, onde os problemas já começam a acontecer. Como um líder que
ministra ao coração de seu povo, o conselheiro cristão sempre terá pessoas o
procurando com os mais diversos problemas. Desde um rapaz que brigou com a
namorada, um filho que tem dificuldade em aceitar a autoridade do pai, a mulher que
traiu o marido, o casal que está a ponto de divorciar-se, até os casos extremos de
tentativa de suicídio por causa de finanças, homossexualismo ou lesbianismo,
dentre outros.
O mundo hoje vive um tempo de muita insegurança e este estado está a cada dia se
agravando ainda mais devido as próprias circunstâncias como e onde vivem ou
trabalham as pessoas, bem como a busca de significados na vida. É sobre estas
pessoas que se incidem ainda mais a pressão devido às mudanças éticas, morais,
de costumes, de hábitos com que passa a sociedade, deixando-as confusas, a tal
ponto que, na hora da angústia, não sabem qual é o melhor caminho a seguir.
Assim, todos precisam de ajuda para sobreviver, de auxílio para conseguir enxergar
seus problemas e de cuidado para melhor solucioná-los.
Aí está o campo para a atuação do conselheiro pastoral. Esse trabalho é
normalmente desenvolvido pelos pastores, líderes, professores e outros cristãos que
são devidamente treinados e capacitados em cursos na área do Aconselhamento
Pastoral.
Todo processo de cuidado pastoral é uma ação ou realização continuada e
prolongada de alguma atividade que vise, ao final, o bem-estar daquele que
necessita de cuidados. Porém, trilhar esse caminho de auxiliar ao próximo exige
uma análise critica dos fatores que envolvem a vida da pessoa em questão. Isso
pode revelar as diversas origens do problema, bem como, o direcionamento para os
melhores caminhos a fim de solucioná-los.
35
Aconselhamento Pastoral pode ser exercido por todas as pessoas que tiveram um
encontro pessoal e transformador com Jesus Cristo, que estejam inseridas no
trabalho de uma igreja, que conheçam a Bíblia e que tenham recebido de Deus a
vocação para ajudar pessoas através do aconselhamento ou outras formas de
apoio. Assim, de acordo com Barretos Neto (2007) “A Igreja deve ser uma
comunidade terapêutica, na qual os membros devem cuidam uns dos outros”.
Assim, todos os líderes da Igreja devem ser capacitados e a partir daí estarem aptos
para o exercício do ministério como conselheiros cristãos, desenvolvendo o
Aconselhamento Pastoral.
3.2 ALGUNS CUIDADOS NO ACONSELHAMENTO PASTORAL
Para o êxito do Aconselhamento Pastoral alguns procedimentos devem ser
providenciados, como: A atenção total ao que o aconselhando estiver falando,
dentro de um clima leve e descontraído, poderá favorecê-lo a apresentar primeiro o
seu problema superficial ou aparente, para ver se será aceito e compreendido.
Então, depois de algum tempo, se for percebido a empatia, ele revelará o problema
que o perturba. Enquanto a pessoa estiver contando o problema que a angustia,
deve-se verificar o que ela está querendo dizer através do que está dizendo, isso é,
o que ela está deixando de falar, ou a quem e o que está acusando. Deve se
lembrar que estar atento é ouvir os verdadeiros sentimentos de uma pessoa, os
quais ela comunica através de palavras escolhidas, tom de voz e expressões faciais.
A epistola de Tiago 1.19 cita: “Portanto meus amados irmãos, todo o homem seja
pronto para ouvir, tardio para falar, e tardio para se irar”.
Nem sempre o Aconselhamento Pastoral tem um fim positivo. Se o aconselhamento
é bíblico faça a sua parte sendo guiado pelo Espírito, deixando então com o
aconselhando a responsabilidade de aceitar ou não. Deste modo, o conselheiro não
precisa se sentir que fracassou no seu aconselhamento. O exemplo bíblico em
Marcos 10.17-22, quando Jesus dá um conselho, nos ensina acerca da
36
responsabilidade de cada um. Naquele caso quem falhou? Foi o conselheiro ou o
aconselhando?
Deve-se saber ainda que, em aconselhamento, é o aconselhando que deve procurar
o conselheiro e não o contrário. São os interessados quem devem procurar o
conselheiro. O contrário já é uma intromissão e o conselheiro perderia toda a
autoridade.
Quando em aconselhamento se localiza o problema e suas causas, deve-se
procurar levar o aconselhando a um ponto em que ele não possa escapar das
responsabilidades de seus atos com desculpas. A mente humana é engenhosa e
capaz de racionalizar e justificar a razão de seu procedimento. Nada melhor e mais
eficiente do que a Palavra de Deus para este confronto com a pessoa, com seu
problema, e deixar com ela a responsabilidade de tomada de posição. Tais como os
exemplos do caso do profeta Natã com o faltoso rei Davi em 2 Samuel 12 e também
no episódio quando o Senhor confrontou Caim, quando disse: "...Por que andas
irado? E por que decaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que
serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu
desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo". (Gênesis 4.6,7). Deus, aqui, está
colocando a responsabilidade no aconselhando.
O conselheiro cristão, responsável e comprometido com a sua vocação e em prestar
um bom serviço ao seu próximo, deve se manter atualizado procurando fazer
sempre cursos, treinamento e leitura bons livros e revistas sobre na área de
Aconselhamento Pastoral e outros, principalmente na área da família, que, graças a
Deus, recentemente têm inundado as nossas livrarias.
3.3 UM BREVE HISTÓRICO SOBRE A IGREJA METODISTA
O movimento Metodista surgiu na Inglaterra no século XVIII, através dos irmãos
John e Carlos Wesley. Filhos de Susana Annesley, (cujo pai era pastor puritano), e
37
do pastor anglicano Samuel Wesley (que era filho e neto de pregadores puritanos).
Embora os pais dos Wesley tenham recebido forte influencia dos puritanos
(movimento que lutou pela purificação da Igreja Anglicana dos elementos ligados ao
Catolicismo Romano,e se tornou uma força renovadora na vida moral dos seus
membros). Eles optaram pela Igreja da Inglaterra. A fidelidade ao Anglicanismo e a
herança do puritanismo fez com que eles dessem aos seus filhos o melhor das duas
tradições (REILY, 1991).
O Metodismo faz parte integrante do movimento Protestante. Herdeiro da Reforma,
mediante a Igreja da Inglaterra, cujos 39 (trinta e nove) artigos de religião formam a
base dos seus artigos. O metodismo aceitou as três colunas principais da Reforma –
A autoridade das Escrituras, a justificação pela Fé e o Sacerdócio Universal de todos
os crentes.
Um dos episódios que marcou o início do metodismo foi a viagem de John Wesley
para Virgínia, nos Estados Unidos com a finalidade de “evangelizar os índios”. Mas
essa tentativa foi um fracasso. Em sua viagem de retorno John Wesley expressa sua
frustração em um de seus diários dizendo “fui à América evangelizar os índios, mas
quem me converterá?”. No dia 24 de maio de 1738, atendendo a um convite, Wesley
foi a uma pequena reunião. Ouvindo a leitura de um antigo comentário escrito por
Martinho Lutero, sobre a carta aos Romanos, João sente seu coração se aquecer.
Ele experimentou a grande confiança em Cristo e recebeu a segurança de que Deus
havia perdoado seus pecados. Como não havia muitas oportunidades na Igreja
Anglicana, Wesley pregava aos operários em praças e salões – muito embora ele
não gostasse de pregar fora da Igreja, mas aos poucos foi se convencendo de que
Deus o havia levantado, bem como ao povo metodista, para uma finalidade
específica: “espalhar a santidade bíblica por toda a terra”. A Igreja Metodista, como
Igreja propriamente, organizou-se primeiro no Estados Unidos e depois na Inglaterra
após a morte de Wesley no dia 22 de março de 1791 (ROCHA 1967)
38
3.3.1 Igreja Metodista Central em Vitória da Conquista/Ba
Igreja Metodista Central em Vitória da Conquista – Bahia, Foi organizada em 31 de
dezembro de 1969, através do missionário Rev. Waldemar Trevenzolli. Em seus
trinta e oito anos de história passaram pela igreja 932 pessoas. (Livro de Rol
Permanente – data abertura 31 de dezembro de 1969). Vários outros trabalhos
foram iniciados e organizados através desta comunidade. Atualmente constam
apenas na Igreja Central 345 membros ativos (ROL ATUAL DE MEMBROS, 2007).
É uma comunidade alegre, atuante que anuncia, e procura vivenciar, o evangelho de
Jesus Cristo. Ela é formada em sua maioria por jovens, dos quais aproximadamente
60% são casados. Embora o índice de separações e divórcios entre os casais da
igreja seja bem abaixo da média nacional. Existem várias pessoas que chegaram a
igreja já separadas, das quais 30 foram submetidas ao formulário de pesquisa, para
considerarem as principais causas de separações e divórcios. Das 9 (nove)
possibilidades sugeridas, as 3 (três) que obtiveram maior índice foram: falta de
comunicação, falta de tempo, relação desgastada.
Considerando a importância do casamento, todo esforço tem sido feito para a
preservação do mesmo. Assim, além do aconselhamento pastoral formal na Igreja
Metodista Central de Vitória da Conquista, são oferecidas também as seguintes
ferramentas: Curso de Preparação para o Casamento, curso para casais “Casados
Para Sempre”, Grupo de Discipulado com Casais, e em parceria com outras
denominações organiza o Encontro de Casais com Cristo,
39
3.3 .1.1Curso de Preparação para o Casamento
3.3.1.2 Aconselhamento Pré-Nupcial
Ninguém entra para um relacionamento na expectativa de ser infeliz, se
decepcionar. Pelo contrário, sonha com a felicidade Só que no decorrer do
relacionamento percebe-se que o homem não é o senhor perfeição, e que a mulher,
não é a senhora maravilha. O mar de rosas começa a si transformar em mar de
espinhos.
A crise se instala, e a separação começa a bater à porta pedindo
passagem. O aconselhamento pastoral para noivos além das orientações, deixa a
porta aberta para novas conversas, pois as sessões com o casal estreita os laços de
amizade e confiança entre conselheiro e aconselhados, cria espaço para ouvirem e
serem ouvidos, facilitando assim contatos posteriores sempre que houver
necessidade.Alguns encontros são indispensáveis com o casal para ouvi-lo e passar
algumas orientações tais como:
a)Primeiro encontro
O conselheiro deverá ouvir mais que falar. Nesse encontro os noivos deverão falar
um pouco sobre si mesmos, como são, formação profissional, interesses,
expectativas quanto ao novo estado de vida. Nesse primeiro encontro são
importantes algumas perguntas direcionadas, pois alguns aspectos podem contribuir
para uma relação estável, conforme dados de pesquisas apontam:
 Formação e contexto sociais semelhantes (confissão religiosa, idade,
educação, inteligência e nível sócio-econômico).
 Estabilidade emocional e habilidades sociais (que incluem as habilidades de
comunicação, auto-conceitos positivos e boa saúde física e mental).
40
 Bons modelos paterno e materno (inclusive o bom relacionamento com os
pais).
 Apoio de outras pessoas importantes para o casal.
Quanto maior for à probabilidade de que a motivação para o casamento independa
de fatores circunstanciais problemáticos, inclusive de pressões internas e externas,
maior a qualidade do matrimônio.
b) Segunda encontro
Deve ser enfatizada a visão Bíblica sobre o casamento. Sua origem, examinando
cuidadosamente os textos Bíblicos que falem sobre o casamento, enfatizando sua
indissolubilidade. Analisar seus propósitos (tais como, companheirismo, união
sexual, criação de filhos).
c) Terceiro e quarto encontro.
Tratar de algumas questões práticas da vida diária, tais como:
 O que eles esperam conseguir no casamento, e que não poderiam obter
como solteiros?
 Em que eles são diferentes um do outro?
Em que são iguais? O que pode
ser feito para conviver com essas diferenças?
 O que os pais deles acham do casamento? Como cada um deles acha que
vai ser o relacionamento com a família do cônjuge, depois do casamento?
 Eles gostam dos amigos um do outro?
 O que eles gostam de fazer para se divertir, para passar o tempo?
 Onde eles vão morar? Como foi a decisão? (COLLINS,2004).
41
d) Quinto encontro
É abordado sobre a vida sexual do casal. É importante ouvir cada um, que visão
eles tem em relação ao sexo no casamento (observar se há influência da família,
sociedade, religião, e se essa influência é positiva ou negativa). Explicar a finalidade
do sexo no casamento, como prazer conjugal, procriação, comunhão. Comentar
sobre as diferenças existentes entre o homem e a mulher não só fisicamente, mas
também nas questões emocionais e como isto influencia no relacionamento sexual.
(de maneira geral o homem é movido pelo que vê, enquanto a mulher é movida pelo
que ouve).
e) Sexto encontro – Métodos Anticonceptivos
Neste encontro são abordados sobre os métodos anticonceptivos de uma forma
bastante abrangente e explicativa.
A Camisinha masculina é uma fina capa de látex, usada no pênis, onde os
espermatozóides ficam retidos. Desenrolar a camisinha no pênis ereto, antes de
qualquer contato com a vagina. Deve ser retirada do pênis imediatamente após a
ejaculação,
segurando
as
bordas
da
camisinha
para
impedir
que
os
espermatozóides escapem para a vagina. Deve ser utilizada observando sempre o
prazo de validade. A colocação deverá ser feita com o pênis em ereção. Deixe um
pequeno espaço na ponta da camisinha. Isto é importante e pode ser conseguido
comprimindo-se a extremidade da camisinha entre o polegar e o indicador e
mantendo-os assim enquanto a coloca. Encoste a camisinha enrolada na ponta da
glande e desenrole-a até a base do pênis. Se a camisinha não for lubrificada, utilize
somente lubrificantes a base de água, os quais deverão ser aplicados sobre o pênis
antes da colocação e/ou diretamente na camisinha depois de colocada. Após o uso
retire a camisinha, dê um nó na extremidade aberta e jogue-a no lixo (LUIZA,2007).
A Camisinha Feminina deve ser retirada da embalagem somente na hora do uso.
Flexionar o anel de modo que possa ser introduzido na vagina. Com os dedos
42
indicador e médio, empurrar o máximo que puder, de modo que fique sobrando um
pouco para fora, o que deve permanecer assim durante a relação. Retirar logo após
a ejaculação, rosqueando o anel para que não escorra o líquido seminal para dentro
da vagina. Se usada corretamente, sua eficácia é alta, varia de 82 a 97 %. Quase
todas as pessoas podem usar; protege contra doenças sexualmente transmissíveis,
inclusive AIDS; previne doenças do colo uterino; não faz mal a saúde; fácil acesso.
Quanto as desvantagens, tem custo; é preciso usar uma camisinha a cada relação.
Pode causar efeitos colaterais como alergia ou irritação, que pode ser reduzida
trocando a marca e tipo e com uso de lubrificantes à base de água. A camisinha
feminina é um método novo no Brasil e pode ser encontrada nas principais redes de
drogarias. Tem todas as vantagens da camisinha masculina. Deve ser usada pela
mulher antes da relação e retirada logo após.
A pílula contém hormônios que evitam a liberação do óvulo. O médico é quem deve
orientar qual pílula deve ser usada. No caso da pílula combinada, o primeiro
comprimido é tomado no primeiro dia da menstruação, ou seja, quando começar o
sangramento toma-se uma pílula, depois uma a cada dia no mesmo horário, até
terminar a cartela. Esperar uma semana e iniciar a cartela seguinte no oitavo dia. A
menstruação virá nesse período de intervalo. A eficácia é alta, se usada
corretamente. Varia de 97 a 99,9%. Pode ser a redução dos problemas menstruais;
não interfere na relação sexual, protege contra algumas doenças ginecológicas
inclusive alguns tipos de câncer. É preciso ter disciplina e constância; pode produzir
efeitos colaterais como, náuseas, mal estar gástrico, mudança de peso, dor de
cabeça, tontura, diminuição das menstruações, acne, dor mamária, sangramento
entre menstruações, alterações emocionais. A pílula anticoncepcional é um dos
melhores métodos para evitar uma gravidez indesejada. Existem diversos tipos de
pílula porque existem diversos tipos de mulheres. O médico é a melhor pessoa para
decidir que tipo deve se tomar. Existem outras indicações médicas para a pílula tais
como endometriose, ovários policísticos, tensão pré-mestrual e cólica menstrual.
A pílula funciona através da ingestão diária de uma pequena quantidade dos
hormônios que são produzidos nos ovários. Esta ingestão diária de hormônios,
iguais aos que você normalmente tem, acaba enganando o sistema de regulação do
43
seu organismo que imagina estar você grávida. Com isto é inibida a ovulação. Os
óvulos não são mais liberados pelos ovários e a mulher não engravida. Ao final de
uma cartela a parada da ingestão dos hormônios causa uma menstruação. Existe
também a pílula vaginal para as mulheres que enjoam muito com o anticoncepcional
oral.
A pílula do dia seguinte é muito usada por mulheres que tiveram relação sexual sem
usar algum tipo de método contraceptivo e não querem ficar grávidas. Esse método
evita que a mulher fique ansiosa esperando a próxima menstruação aparecer. A
pílula do dia seguinte, que na verdade são duas, uma a pessoa toma assim que
puder após a relação e a outra no dia seguinte. De 2 a 5 dias após tomar essas
pílulas, a pessoa deverá menstruar, (isso para a grande maioria das mulheres,
porém, quanto maior o tempo, menor será sua eficácia. A pílula do dia seguinte só
deverá ser usada em casos especiais. A mulher não deve fazer o uso constante da
pílula do dia seguinte devido ao alto teor de hormônio que ela possui, nem deve
substituir o uso da pílula anticoncepcional que seu médico indicou pela do dia
seguinte.
As injeções anticoncepcionais devem ser injetadas na região glútea, ou nádegas.
Não massagear o local da injeção. Existem três tipos de anticoncepcionais
injetáveis: Uno-Ciclo e Perlutan, Mesigyna e Cyclofemina, e Depo-Provera 150. para
o Uno-Ciclo e Perlutan, a injeção deve ser feita no 8º dia da menstruação. Sempre
considerar o início da menstruação como o primeiro dia. Para a Mesigyna e
Cyclofemina, a primeira injeção deve ser feita no 1º dia da menstruação e daí em
diante a cada 30 dias. Para a Depo-Provera 150 ou Tricilon a data ideal é o mais
próximo possível da mesntruação e daí em diante a cada três meses. Para UnoCiclo, Perlutan, Mesigyna e Cyclofemina as vantagens e desvantagens de ser
aplicada a cada 3 meses, mas a desvantagem de provocar ausência de
menstruação e a fertilidade demorar um pouco para voltar. As principais indicações
das injeções são para as mulheres que esquecem a pílula, que não podem tomar a
pílula via oral, e para as mulheres que tem de esconder o anticoncepcional.
Somente deve ser usada com orientação médica.
44
O Dispositivo Intra Uterino (DIU) é uma pequena peça de plástico recoberta com
cobre que é colocado dentro do útero. O DIU é tão eficiente quanto à pílula, e, é
uma opção para aquelas mulheres que já tem filhos e que desejam espaçar a
próxima gravidez por mais de dois anos, ou para aquelas que tem dúvidas sobre
uma solução definitiva. O DIU mais moderno dura de 5 a 10 anos no organismo da
mulher. São colocados dentro do útero pelo médico e é necessário que a mulher
faça controle periódico do DIU. Nem sempre mulheres que não tiveram filhos se
adaptam bem ao DIU. Os DIUs atualmente usados são à base de fios de cobre que
destroem os espermatozóides dentro do útero não permitindo, portanto a
fecundação.
ATabelinha é um método baseado em cálculos sobre a possibilidade da mulher
engravidar em épocas diferentes do Ciclo Menstrual. Teoricamente a mulher é fértil
no meio do seu ciclo. Ou seja, nos ciclos mais comuns de 28 a 30 a fertilidade
máxima seria entre o 13º 14º e 15º dia, contando o primeiro dia da menstruação
como dia 1º . Uma regra fácil e uma tabelinha que tem chance de dar certo é a
seguinte. Anote num calendário o primeiro dia da menstruação. Marque em azul os
dias que pode ter relações: entre o 1º dia e 9º dia da menstruação. Lembre-se
conte sempre a partir do 1º dia da menstruação. Marque em vermelho os dias em
que não pode ter relações: do 10º ao 19º.. Do 20º até a próxima menstruação, pode
ficar despreocupada novamente, marque azul.
Tabelinha é extremamente perigoso na adolescência, pois o ciclo nesta fase pode
sofrer variações muito grandes de mês a mês. Pouco eficiente.
A vasectomia é a ligadura dos canais deferentes no homem. É uma pequena cirurgia
feita com anestesia local em cima do escroto (saco). Não precisa de internação. É
uma cirurgia de esterilização voluntária definitiva e, por isto, o homem tem de ter
certeza absoluta desta decisão.
A ligadura de trompas é realizada nas mulheres que nunca mais querem ter filhos.
Pode ser feita de várias maneiras, mas sempre exige internação e anestesia geral
45
ou regional. É uma cirurgia de esterilização voluntária definitiva e, por isto, a mulher
tem de ter certeza absoluta desta decisão.
O Controle Hormonal deve sempre ser receitado por médico ginecologista e não
pode ser usada de maneira habitual. Ou seja, é de emergência. Em caso de
necessidade deve procurar um serviço de ginecologia ou o médico pessoal urgente.
Os processos reprodutivos na espécie humana como nos outros vertebrados, estão
sob controle hormonal. São os hormônios que induzem a formação dos gametas e
promovem o impulso sexual. No caso especial dos mamíferos placentários, o
desenvolvimento embrionário ocorre no interior do organismo materno. Disso
decorre, por conseguinte, um conjunto de modificações no organismo para garantir a
sobrevivência do embrião durante a gravidez. Grande parte dessas modificações no
organismo feminino, em preparação para a gravidez, está também sob controle
hormonal.
O Coito interrompido, ou “tirar fora”, é quando o homem, segundos antes da
ejaculação, retira o pênis e ejacula fora da vagina. Método muito pouco eficiente,
pois as secreções do pênis na fase de excitação podem conter espermatozóides
vivos. E também porque é muito difícil conter a ejaculação. Para evitar a sensação
de ejaculação os homens costumam pensar em coisas estranhas tal como um trem
em alta velocidade se dirigindo para o casal, ou contar 2001 para trás.... Pouco
eficiente
O Diafragma é um anel de metal recoberto por uma película de borracha ou silicone
que é colocado pela mulher dentro da vagina antes da relação e retirado 12 horas
após. Ele impede que os espermatozóides entrem no útero. Uma das vantagens do
diafragma é sua discreção. Só você sabe que está usando. Inicialmente o tamanho
do diafragma deve ser medido por um médico. A duração do diafragma é muito
grande, bastando cuidados de conservação. Para ser eficiente ele tem de ser usado
junto com um creme espermaticida.
O anel vaginal é colocado na vagina no 5º dia da menstruação, permanecendo
nesta posição durante três semanas. A vantagem é que a mulher não precisará
46
tomar a pílula todo dia e nem esquecerá. Outra vantagem é que os hormônios serão
absorvidos
diretamente
pela
circulação
evitando
alguns
efeitos
colaterais
desagradáveis da pílula oral. Pode ser colocado com a mulher deitada, agachada,
ou em pé. O anel após ser retirado da embalagem deve ser flexionado. A mulher
deve introduzi-lo na vagina empurrando-o com o dedo até não senti-lo mais. A
colocação é no 5º dia da menstruação e deve permanecer por 21 dias. Para retirar o
anel basta inserir o dedo na vagina e puxa-lo. Deverá ser feita uma pausa de 7 dias
e um novo anel deve ser utilizado por 21 dias.
O método do muco cervical consiste na mulher observar a saída de muco, como um
catarro, de dentro da vagina. Logo após a menstruação a vagina fica bem seca.
Durante o ciclo menstrual as glândulas do colo do útero começam a secretar o
muco. A mulher pode observar este muco e verificar sua elasticidade. Após esta
observação a regra é evitar as relações no período que existe este muco e 3 dias
após ele sumir completamente. Por ser um método pouco eficiente ele não é
recomendado para mulheres que não tem um parceiro fixo, ou para aquelas que não
querem engravidar de maneira alguma. Pouco eficiente.
Os Espermaticidas são cremes, supositórios, sprays, que colocados dentro da
vagina antes da relação matam os espermatozóides. Não são muito divulgados no
Brasil, são de difícil acesso, e são menos seguros que a camisinha.
Implante Hormonal é um micro-bastão de hormônio sintético similar a progesterona,
que é implantado no antebraço (com anestesia local) e inibe a ovulação. Dura três
anos.
O desivo anticoncepcional Deve ser colocado na pele, em diversos locais do corpo,
permanecendo na posição durante uma semana. A maior vantagem é que a mulher
não precisa tomar a pílula todo dia e nem esquecerá. Outra vantagem é que os
hormônios serão absorvidos diretamente pela circulação evitando alguns efeitos
colaterais desagradáveis da pílula oral.
47
3.3..1.3 Curso Casados para Sempre
Este curso já é oferecido pela igreja há 12 anos, para casais evangélicos ou não,
que se comprometam
formado por
em participar das 13 lições mais formatura. O grupo é
um casal líder, acompanhado de um casal em treinamento (que
posteriormente assumirá um novo grupo), e mais cinco novos casais, totalizando
sete casais, que se
encontram semanalmente por um período de duas horas, em
dia e horário previamente acertado com todos os casais do grupo. Este curso
geralmente é recomendado para casais que tem algumas dificuldades mas que
podem ser trabalhadas aos poucos. Nos encontros as seguintes lições são
partilhadas: aliança, uma-só-carne, papéis, semeando e colhendo, ‘ perdão, visão de
fé e confiança, orando juntos, acordo, os dons do espírito, sexo, batalha espiritual,
estilo de vida, ministério de uma-só-carne.
Após a partilha das lições o cônjuge que desejar compartilhar alguma experiência
pessoal, tem toda liberdade. No encerramento de cada lição será feita uma oração
pelo casal líder ou casal em treinamento, e servido um lanche, organizado pelos
próprios casais.
Ao término do curso acontece uma festa de formatura com todos os casais
participantes do grupo, que deverão levar outros casais para a noite de formatura.
Preferencialmente casais que ainda não passarão pelo curso, e que de alguma
maneira podem ser ajudados através do mesmo.
A festa de formatura do curso “Casados Para Sempre”, consta de testemunhos
pelos casais participantes, uma explicação sobre o funcionamento do curso, número
de lições (treze) e casais (cinco, fora o casal líder e o casal em treinamento),
encontros uma vez por semana com duração de duas horas cada encontro, que
deverá acontecer preferencialmente em local neutro, ou nas dependências da igreja
(não deve ser na residência dos casais participantes), os filhos não poderão
participar. O dia e horário do encontro são definidos pelo próprio grupo. Após a
explicação são distribuídas fichas a todos os casais, que deverão preencher
48
manifestando seu desejo ou não de participar do curso. Em caso positivo, o casal se
compromete a participar de todas as lições.Finalmente será servido gratuitamente
um jantar ou lanche a todos os convidados presentes (MANUAL DE TREINAMENTO
DE LÍDERES, 1995)
3.3.1.4 Grupo de discipulado com casais.
Este grupo é formado por casais, que normalmente já passaram
pelo
aconselhamento pastoral, participaram de cursos, e desejam continuar se
encontrando. Não há uma regra quanto ao número de casais participantes, mas
recomenda-se de quatro a seis casais.
Os encontros acontecem semanalmente ou quinzenalmente. Podendo ser no lar de
algum dos casais, ou nas dependências da Igreja. Nesses encontros existem
também momentos de partilha, oração, leitura da bíblia, prestação de contas (como
estão caminhando, se os alvos estabelecidos pelo casal estão sendo alcançados). O
fato de não ter participado de outros encontros não é impedimento para participar do
discipulado.
3.3.1.5 Encontro de Casais com Cristo (E.C.C.)
Encontro de Casais com Cristo. São três dias de encontro, geralmente um final de
semana, começado na sexta-feira à noite, sábado o dia todo e domingo também
todo o dia, as refeições são feitas no local, o casal é liberado apenas para dormir em
casa, e retornar no dia seguinte. É um encontro bastante dinâmico com palestrantes
bem preparados, cujos temas são voltados para a vida conjugal. Normalmente os
encontros têm participação de sessenta casais, independentemente da condição
financeira, posição social ou credo religioso. Este tipo de encontro é recomendado
para casais que estão em crise e precisa urgentemente de ajuda.
49
Para participar o casal precisa ser convidado (geralmente por alguém que trabalhará
no encontro, em média 130 casais trabalham na organização do mesmo, são quase
400 pessoas envolvidas, entre encontristas e encontreiros ). O casal que convida
paga a inscrição de seus convidados (o casal convidado não tem despesa alguma).
Muitas surpresas agradáveis acontecem durante o encontro, inclusive a renovação
dos votos matrimoniais, numa cerimônia de renovação de votos na vida conjugal.
Dois dias depois (terça-feira à noite, acontecem os testemunhos, onde os casais
falam da importância do encontro para a vida deles, boa parte dos participantes
relatam a situação difícil que estavam enfrentando e como estão se sentido após
terem participado do Encontro de Casais com Cristo. A grande maioria dos casais
convidados trabalham na organização de um novo encontro, para novos casais.
50
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ninguém está isento de enfrentar dificuldades na vida conjugal. No contexto em que
se vive, as pessoas estão optando mais por substituir que disposição para consertar.
E não tem sido diferente quanto ao matrimônio. Uma grande parte das
denominações evangélicas enfoca apenas o indivíduo, e ainda assim com a parte
que realmente lhe interessa, mais conhecida como “espiritual” (a salvação da alma).
Não importando se o lar está em guerra, se o casamento não passa de uma
fachada, sendo muitas vezes preservado apenas em função da família, da igreja ou
sociedade. Devido esta omissão muitos casais estão chegando aos tribunais para
separação.
A Igreja precisa chegar primeiro,
pois ela é o corpo de Cristo, logo, suas mãos,
seus pés, sua boca. O Senhor deseja usar sua igreja como parceira na implantação
de lares bem sucedidos, casamentos sólidos, famílias bem ajustadas.
Todos podem contar com a cooperação de Deus, criador, sustentador, e inventor do
casamento. Se por um lado ninguém está isento das tempestades, por outro todos
podem contar com a graça do Senhor.
51
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