UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ DIEGO DARCY ANDREOLLA TELEFONIA CONVENCIONAL E TELEFONIA IP: COMPARATIVO DE TÉCNOLOGIAS CURITIBA 2015 DIEGO DARCY ANDREOLLA TELEFONIA CONVENCIONAL E TELEFONIA IP: COMPARATIVO DE TÉCNOLOGIAS Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Redes de Computadores e Segurança de Redes, da Universidade Tuiuti do Paraná, como requisito para obtenção do certificado de Especialista em Redes de Computadores. Professor: Roberto Amaral. CURITIBA 2015 AGRADECIMENTOS Antes de tudo agradeço a Deus, fonte de vida e de graça. Obrigado por me iluminar durante toda essa trajetória. Aos meus pais, Jaime e Elsa, que apesar das dificuldades encontradas sempre incentivaram meus estudos. A todos os professores que contribuíram com todo o conhecimento adquirido no decorrer do curso, sem eles o estudo aqui apresentado seria praticamente impossível. RESUMO O estudo explica o funcionamento, características, vantagens e desvantagens de dois sistemas de telefonia usados atualmente. O tema surgiu do grande crescimento desse novo sistema de telefonia que funciona sob a rede mundial de computadores, a Internet, com seu maior atrativo aos usuários, o seu custo. Pretende-se mostrar como as duas tecnologias funcionam mostrando as vantagens e desvantagens de cada uma. O resultado do estudo mostra que, com o entendimento dessas tecnologias e o uso correto de ambas tirando o melhor de cada uma, traz um resultado positivo ao usuário final sendo ele empresa ou um cliente residencial, com relação a custos e performance. Palavras-chave: Telefonia, VoIP, TDM, E1, Sinalização, Rede, Voz, Protocolos. ABSTRACT The study explains the operation, features, advantages and disadvantages of two telephone systems currently used. The issue arose from the sheer size of this new telephone system which operates under the World Wide Web, the Internet, with its most attractive to users, your cost. It is intended to show how the two technologies work showing the advantages and disadvantages of each. The result of the study shows that with the understanding of these technologies and the correct use of both getting the best of each one brings a positive result to the end user being it business or a residential customer with respect to costs and performance. Keywords: Telephony, VoIP, TDM, E1, Sign, Network Voice Protocol. LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 – PARTES BÁSICAS DE UM SISTEMA TELEFÔNICO TRADICIONAL ......................................................................................................... 13 FIGURA 2 – DIAGRAMA BÁSICO DE INTERLIGAÇÃO DE CENTRAIS ................ 16 FIGURA 3 – SINAIS ANALÓGICOS E SINAIS BINÁRIOS ...................................... 16 FIGURA 4 – DIGITALIZAÇÃO DO SINAL ANALÓGICO (VOZ) ............................... 17 FIGURA 5 – SIMPLIFICAÇÃO DA MULTIPLEXAÇÃO ............................................ 18 FIGURA 6 – SINAL MULTIPLEXADO ...................................................................... 19 FIGURA 7 – CONTADOR DE TIME-SLOT .............................................................. 19 FIGURA 8 – QUADRO E MULTIQUADRO .............................................................. 20 FIGURA 9 – REPRESENTAÇÃO DOS TIME-SLOTS ............................................. 21 FIGURA 10 – REPRESENTAÇÃO DA SINALIZAÇÃO E1 ....................................... 23 FIGURA 11 – QUADRO E1 COM SINALIZAÇÃO DE LINHA .................................. 24 FIGURA 12 – REPRESENTAÇÃO DA SINALIZAÇÃO TELEFÔNICA PARA FRENTE E PARA TRÁS .......................................................................................... 27 FIGURA 13 – ENVIO DE SINALIZAÇÃO MFC ENTRE CENTRAIS TELEFONICAS ......................................................................................................... 29 FIGURA 14 – FLUXO DE CHAMADA UTILIZANDO O PROTOCOLO MFC/R2 ..... 32 FIGURA 15 – NORMAS DO ISDN EM ESTRUTURA DE CAMADAS ..................... 35 FIGURA 16 – INTERFACES E PONTOS DE REFERÊNCIA DO ISDN PRI ........... 35 FIGURA 17 – ESTRUTURA DO QUADRO DE CAMADA 2 DO ISDN .................... 36 FIGURA 18 – CAMPO “ADRESS” DO PROTOCOLO LAPD ................................... 37 FIGURA 19 – ESTRUTURA DO QUADRO DE CAMADA 3 DO ISDN .................... 38 FIGURA 20 – FLUXO DE CHAMADA UTILIZANDO O PROTOCOLO ISDN .......... 40 FIGURA 21 – ARQUITETURA TIPICA DE REDE PARA TELEFONIA IP ............... 46 FIGURA 22 – PRINCIPAIS PROTOCOLOS VOIP ................................................... 50 FIGURA 23 – CABEÇALHO TCP/IP ........................................................................ 53 FIGURA 24 – CABEÇALHO UDP/IP ........................................................................ 54 LISTA DE TABELAS TABELA 1 – ALOCAÇÃO DOS BITS DO TIME SLOT 16 EM UM MULTIQUADRO ................................................................................................ 26 TABELA 2 – SIGNIFICADO DOS BITS ABDC NA SINALIZAÇÃO PRA FRENTE ........................................................................................................... 27 TABELA 3 – SIGNIFICADO DOS BITS ABCD NA SINALIZAÇÃO PRA TRÁS ................................................................................................................ 28 TABELA 4 – SINALIZAÇÃO R2 DIGITAL ................................................................ 28 TABELA 5 – SINAIS PARA FRENTE DO MFC ....................................................... 30 TABELA 6 – SINAIS PARA TRÁS DO MFC ............................................................ 31 TABELA 7 – CÓDIGOS TIPO E MENSAGENS Q.931 ............................................ 39 TABELA 8 – CODECS PARA COMPRESSÃO DE VOZ ......................................... 43 TABELA 9 – SCORES MOS DE ALGUNS CODECS .............................................. 44 TABELA 10 – DESCRIÇÃO DOS SCORES MOS ................................................... 44 LISTA DE SIGLAS ANATEL Agência Nacional de Telecomunicações BRA Basic Rate Access BRI Basic Rate Interface C/R Command / Response CAS Channel Associated Signaling CCS Common Channel Signaling CEPT Conferência Europeia Postal de Telecomunicação CODEC Codificador-Decodificador DSP’s Digital Signals Processors DTLS Datagram Transport Layer Security E1 Padrão de Linha Telefônica Digital Europeu FDM Frequence Division Multiplexing FTP File Transfer Protocol GC Gateway Controller GK Gatekeeper GW Gateway HDLC High Level Data Link Control HTTP Hypertext Transfer Protocol IANA Internet Assigned Numbers Authority IDS Intrusion Detection System IETF Internet Engineering Task Force IP Internet Protocol IPS Intrusion Prevention System IPSEC Internet Protocol Security ISDN Integrated Service Digital Network ISDN Integrated Services Digital Network ITU-TS International Telecomunications Union – Telecom. Standardizations IVR Interactive Voice Response KBIT/S Kilobits Por Segundo KBITS Kilobits KBPS Kilobits Por Segundo KHZ Kilohertz LAN Local Area Network LAPD Link Access Procedure on the D-channel MBPS Mega Bits Por Segundo MC Multipoint Controller MCU Multipoint Control Unit MEGACO Media Gateway Control Protocol MFC Multi Frequencial Compelida MGC Media Gateway Controller MGCP Media Gateway Control Protocol MGW Media Gateway MOS Mean Opinion Score MP Multipoint Processor MUX Multiplexador PABX Private Automatic Branch Exchange (Central Telefônica Privada) PAM Pulse Amplitude Modulation PCM Pulse Code Modulation PRA Primary Rate Access PRI Primary Rate Interface QoS Quality of Service R2 Região 2 RDSI Rede Digital de Serviços Integrados RFC Request For Comments RPS Revoluções Por Segundo RTCP Real-Time Transport Control Protocol RTCP Rede Telefônica Pública Comutada RTP Real-Time Transport Protocol S/MIME Secure Multi-Purpose Internet Mail Extensions SAPI Service Access Point Identifier SGC Signalling Gateway Controller SGW Signalling Gateway S-HTTP Secure HTTP SIP Session Initiation Protocol SRTCP Secure Realtime Transport Control Protocol SRTP Secure Realtime Transport Protocol SS7 Sistema de Sinalização Número 7 SSH Secure Shell SSL Secure Sockets Layer STFC Sistema de Telefonia Fixa Comutada TCP Transmission Control Protocol TDM Time Division Multiplexing TEI Terminal Endpoint Identifier TLS Transpot Layer Security TM Terminal Multimídia TUP Terminal de Uso Público UDP User Datagram Protocol UIT União Internacional de Telecomunicações µS Micro Segundos VLAN Virtual Local Area Network VOIP Voz Sobre IP VPN Virtual Private Network SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 12 2 TELEFONIA CONVENCIONAL .................................................................... 13 2.1 O QUE É ........................................................................................................ 13 2.1.1 Terminal Telefônico ....................................................................................... 14 2.1.2 Rede de Acesso ............................................................................................. 14 2.1.3 Central Telefônica .......................................................................................... 14 2.2 TRANSMISSÃO DA VOZ .............................................................................. 16 2.2.1 Digitalizando um Sinal ................................................................................... 17 2.3 MULTIPLEXAÇÃO DE SINAIS ...................................................................... 17 2.3.1 Tdm .................................................................................................................19 2.3.2 Pcm ................................................................................................................ 21 2.4 E1 ................................................................................................................... 23 2.4.1 Protocolos de sinalização do E1 .................................................................... 23 2.4.2 Sinalização MFC/R2 Digital (CAS) ................................................................ 24 2.4.3 Sinalização ISDN ........................................................................................... 33 2.5 VANTAGENS E DESVANTAGENS DA TELEFONIA CONVENCIONAL ...... 41 3 TELEFONIA IP .............................................................................................. 41 3.1 O QUE É ........................................................................................................ 41 3.2 DIGITALIZAÇÃO DE SINAIS DE VOZ .......................................................... 42 3.2.1 Codecs ........................................................................................................... 43 3.3 REQUISITOS PARA TELEFONIA IP ............................................................. 44 3.4 ARQUITETURA DE REDE ............................................................................ 45 3.4.1 Rede IP .......................................................................................................... 46 3.4.2 Sistema de Telefonia Fixa Comutada ............................................................ 46 3.4.3 Pabx ............................................................................................................... 47 3.4.4 Terminal Telefônico Convencional ................................................................. 47 3.4.5 Terminal Telefônico IP ................................................................................... 47 3.4.6 Terminal Multimídia ........................................................................................ 47 3.4.7 Gateway ......................................................................................................... 47 3.4.8 Gateway Controller ........................................................................................ 48 3.4.9 Multipoint Control Unit .................................................................................... 48 3.4.10 Gatekeeper .................................................................................................... 48 3.4.11 Zona .............................................................................................................. 49 3.5 PROTOCOLOS .............................................................................................. 49 3.5.1 Protocolo IP ................................................................................................... 50 3.5.2 Tcp/ip ............................................................................................................. 50 3.5.3 Udp/ip ............................................................................................................. 53 3.5.4 H323 Packet Based Multimedia Communications Systems .......................... 54 3.5.5 H255.0 Call Signalling Protocols and Media Stream Packetization for Packet-based Multimedia Communication Systems ................................................ 54 3.5.6 H.245 Control Protocol for Multimedia Communication ................................. 55 3.5.7 H.235 Security and Encryption for H-Series (H.323 and other H.245-based) Multimedia Terminals ......................................................................... 55 3.5.8 H.450.X Generic Functional Protocol for the Support of Supplementary Services ........................................................................................... 55 3.5.9 Session Initiation Protocol (SIP) .................................................................... 56 3.5.10 Media Gateway Control Protocol (MGCP) ..................................................... 56 3.5.11 Media Gateway Control Protocol (MEGACO) ............................................... 56 3.5.12 Real-Time Transport Protocol (RTP) ............................................................. 57 3.5.13 Real-Time Transport Control Protocol (RTCP) .............................................. 57 3.6 ANALISE COMPARATIVA ENTRE H323 E SIP ............................................ 57 3.6.1 Complexidade de implantação ...................................................................... 58 3.6.2 Extensibilidade de Modularidade ................................................................... 59 3.6.3 Serviços ......................................................................................................... 60 3.6.4 Segurança ...................................................................................................... 60 3.7 SEGURANÇA VOIP ....................................................................................... 60 3.8 VANTAGENS E DESVANTAGENS VOIP ..................................................... 63 4 CONCLUSÃO ................................................................................................ 65 REFERENCIAS ........................................................................................................ 66 12 1 INTRODUÇÃO Em um momento em que a informação é tida como o bem mais precioso da humanidade, as telecomunicações adquirem um papel fundamental nos mais diversos aspectos: sociais, econômicos e políticos. Desde a primeira transmissão telegráfica em 1844, as telecomunicações evoluíram muito. Não seria diferente no ramo da telefonia, o simples fato de falar ao telefone com qualquer pessoa no mundo continua o mesmo, mas a forma como fazemos isso tem evoluído bastante, devido aos custos envolvidos. A telefonia tradicional tem uma qualidade incomparável, porém seus custos são maiores, por conta disso surgiu no mercado uma nova forma de falar ao telefone, mais barata e que tenta cada dia mais se equiparar com a qualidade da telefonia tradicional, o VoIP, ou voz sobre IP. Um comparativo entre o funcionamento dessas duas tecnologias é necessário para um entendimento do porque o VoIP vem crescendo e porque ainda dependemos tanto da tradicional TDM. 13 2 TELEFONIA CONVENCIONAL 2.1 O QUE É Telefonia Convencional são linhas de cabo de par metálico ligando usuários à centrais telefônicas, que por sua vez, comutam chamadas feitas por meio de números de um aparelho telefônico a outro, onde são cobradas taxas por essas chamadas dependendo do tempo de duração e da distância que essa ligação está sendo feita, a qualidade da chamada é muito boa. A Rede Telefônica Pública Comutada (RTPC) é uma rede de comunicação (analógica ou digital), com acessos analógicos pelo assinante. Destina-se, basicamente, ao serviço de telefonia, oferecendo suporte à comunicação de dados na faixa de voz (entre 300Hz e 3400Hz). Trata-se de uma estrutura de comunicação complexa e de grande capilaridade. É composta pela rede de longa distância (centrais interurbanas e internacionais) e os respectivos entroncamentos, rede local (composta pelas centrais locais e entroncamentos urbanos) e o enlace de assinante, constituído pelos terminais e linhas de assinante (Teleco, 2014). FIGURA 1 – PARTES BÁSICAS DE UM SISTEMA TELEFÔNICO TRADICIONAL FONTE: TELECO, 2014. 14 2.1.1 Terminal Telefônico O terminal telefônico é o aparelho utilizado pelo assinante. No lado do assinante pode existir desde um único terminal, até um sistema telefônico privado como um PABX para atender a uma empresa com seus ramais ou um call center. Um terminal é geralmente associado a um assinante do sistema telefônico. Existem também os Terminais de Uso Público (TUP) conhecidos popularmente como orelhões (Teleco, 2014). 2.1.2 Rede de Acesso A Rede de Acesso é responsável pela conexão entre os assinantes e as centrais telefônicas. As Redes de Acesso são normalmente construídas utilizando cabos de fios metálicos em que um par é dedicado a cada assinante. Este par, juntamente com os recursos da central dedicados ao assinante é conhecido como acesso ou linha telefônica. A Anatel acompanha a capacidade de atendimento das operadoras telefônicas através do número de acessos instalados, definido simplesmente como o número de acessos, inclusive os destinados ao uso coletivo, que se encontram em serviço ou dispõem de todas as facilidades necessárias para entrar em serviço (Teleco, 2014). 2.1.3 Central Telefônica As linhas telefônicas dos vários assinantes chegam às centrais telefônicas e são conectadas entre si quando um assinante (A) deseja falar com outro assinante (B). Convencionou-se chamar de A o assinante que origina a chamada e de B aquele que recebe a chamada. Comutação é o termo usado para indicar a conexão entre assinantes. Daí o termo Central de Comutação (“switch”). A central telefônica tem a função de automatizar o que faziam as antigas telefonistas que comutavam manualmente os caminhos para a formação dos circuitos telefônicos (Teleco, 2014). 15 A central de comutação estabelece circuitos temporários entre assinantes permitindo o compartilhamento de meios e promovendo uma otimização dos recursos disponíveis. A central a que estão conectados os assinantes de uma rede telefônica em uma região é chamada de Central Local. Para permitir que assinantes ligados a uma Central Local falem com os assinantes ligados a outra Central Local são estabelecidas conexões entre as duas centrais, conhecidas como circuitos troncos. No Brasil um circuito tronco utiliza geralmente o padrão internacional da UIT para canalização digital sendo igual a 2 Mbps ou 1 E1. Em uma cidade podemos ter uma ou várias Centrais Locais. Em uma região metropolitana pode ser necessário o uso de uma Central Tandem que está conectada apenas a outras centrais, para otimizar o encaminhamento do tráfego. As centrais denominadas Mistas possuem a função local e a função tandem simultaneamente. Estas centrais telefônicas locais estão também interligadas a Centrais Locais de outras cidades, estados ou países através de centrais de comutação intermediarias denominadas de Centrais Trânsito. As Centrais Trânsito são organizadas hierarquicamente conforme sua área de abrangência sendo as Centrais Trânsito Internacionais as de mais alta hierarquia. É possível desta forma conectar um assinante com outro em qualquer parte do mundo (Teleco, 2014). 16 FIGURA 2 – DIAGRAMA BÁSICO DE INTERLIGAÇÃO DE CENTRAIS FONTE: TELECO, 2014. 2.2 TRANSMISSÃO DA VOZ Sabe-se que a voz é um conjunto de vibrações acústicas e a forma como ela se manifesta na natureza é analógica. O objetivo é transmitir o sinal de voz em um sistema digital através do processo de digitalização, que permitem que esses conjuntos de vibrações acústicas sejam transmitidos em um meio digital assumindo apenas dois valores, zeros ou uns (Teleco, 2014). FIGURA 3 – SINAIS ANALÓGICOS E SINAIS BINÁRIOS FONTE: TELECO, 2007. 17 2.2.1 Digitalizando um Sinal É o processo de transformação de um sinal analógico em um sinal digital, consiste em três fases: Amostragem, que consiste em retirar amostras do sinal original conforme uma frequência pré-determinada; Quantização, que consiste em refinar o sinal amostrado; Codificação, que transforma o sinal quantizado em um sinal binário. FIGURA 4 – DIGITALIZAÇÃO DO SINAL ANALÓGICO (VOZ) FONTE: TELECO, 2007. A digitalização do sinal ocorre quando a transformação do sinal analógico em um trem de pulsos, onde a amplitude desse trem é diretamente proporcional ao pulso da amplitude instantânea do sinal amostrado. Para aplicações em telefonia, a frequência de amostragem adotada internacionalmente é de 8.000 amostras por segundo. Neste caso, cada nível de valor corresponde a um código de 8 bits, o que permite serem quantizados níveis distintos. Fazendo-se uma conta simples, teríamos então, 8.000 amostras/segundo x 8 bits/amostra, onde obteríamos uma taxa de 64.000 bits/segundo (64 kbit/s). Este procedimento é chamado PCM (Pulse Code Modulation) (Teleco, 2014). 2.3 MULTIPLEXAÇÃO DE SINAIS Mesmo com a digitalização do sinal analógico, ainda é preciso maximizar a transmissão do mesmo de um ponto a outro e essa maximização é feita através da multiplexação, que nada mais é do que, a transmissão simultânea de dois ou mais elementos, sinais, de informação utilizando o mesmo meio de transmissão. Para 18 compreender este conceito, a figura 5 apresenta uma breve analogia ao tráfego simultâneo de veículos através de uma grande avenida (Teleco, 2014). FIGURA 5 – SIMPLIFICAÇÃO DA MULTIPLEXAÇÃO FONTE: TELECO, 2007. Analogamente à transmissão de sinais, cada veículo corresponderia a um sinal, a rua procedente de cada veículo representaria a largura de banda necessária para a circulação deste veículo, e a avenida corresponderia ao meio de transmissão de maior capacidade de tráfego que as ruas anteriores e que possibilita o tráfego simultâneo de veículos. Sempre que a largura de banda de um meio físico for maior ou igual à largura de banda de um determinado sinal, este meio poderá ser utilizado para transmitir este sinal. Na prática, a banda passante necessária para um sinal é em geral bem menor do que a banda passante dos meios físicos disponíveis. Portanto, dentro deste fundamento de aproveitar a banda passante extra para a transmissão simultânea de outros sinais se baseia o conceito de multiplexação, que nada mais é do que a técnica que permite a transmissão de mais de um sinal em um mesmo meio físico. A multiplexação resulta na otimização dos meios de transmissão, normalmente de capacidade limitada, com a transmissão de diversos sinais simultaneamente (Teleco, 2014). Existem duas formas básicas de multiplexação: Domínio do tempo, o chamado TDM ou Time Division Multiplexing; Domínio da frequência, o chamado FDM ou Frequence Division Multiplexing. 19 FIGURA 6 – SINAL MULTIPLEXADO FONTE: TELECO, 2007. 2.3.1 Tdm TDM: Multiplexação por Divisão de Tempo, técnica mais utilizada na telefonia, utiliza-se do conceito de alocação de “espaços de tempo”, chamados time-slots, para os sinais previamente amostrados. Para compreender como são alocados estes time-slots e o funcionamento do TDM, será utilizada uma analogia com um PCM de 30 canais e uma chave seletora rotativa conforme a figura 7, onde na periferia desta chave, existem 32 posições correspondentes aos canais do PCM (Teleco, 2014). FIGURA 7 – CONTADOR DE TIME-SLOT FONTE: TELECO, 2007. A chave gira no sentido horário e demora em cada canal um intervalo de tempo e cada vez que a chave passa por um canal ela retira uma amostra da amplitude do seu sinal naquele instante. O tempo em que a chave comuta cada canal, denominase time-slot. 20 A velocidade de 8000 revoluções por segundo, que é a frequência de amostragem, pois de cada canal serão retiradas 8000 amostras por segundo. A volta completa da chave toma então 1/8000 do segundo que equivale a 125 µs e chamase quadro. Como cada ponto da chave corresponde a um time-slot, analogamente um quadro conterá 32 time-slots, cada um com duração de 125 µs/32. Assim, a chave abre um "espaço de tempo" ou time-slot para amostragem do canal durante 125 µs/32 = 3,9 µs. Outro termo utilizado é o multiquadro, que é o conjunto de 16 quadros consecutivos que corresponde a 16 vezes o tempo de um quadro. Logo, um multiquadro equivale a 16 x 125 µs = 2 ms. A figura 8 representa os quadros e multiquadros (Teleco, 2014). FIGURA 8 – QUADRO E MULTIQUADRO FONTE: TELECO, 2007. Isto provoca uma multiplicação na taxa de transmissão, quando comparada com a taxa de cada sinal individualmente e consequentemente a ampliação da banda passante total. Este aumento é proporcional ao número de canais multiplexados. Os sinais de voz são amostrados a uma taxa de transmissão de 8000 amostras/segundo. Como todos são codificados com 8 bits/amostra, produzem uma taxa de transmissão de 64 kbit/s por canal. Sendo assim, se tivermos 32 canais, a saída deste sistema terá uma banda passante de 32 vezes 64 kbit/s que é igual a 2048 kbit/s . Dos 32 canais, dois são para sinalização e controle, no time-slot 0 de todos os quadros que compõe um multiquadro é transportado o sincronismo dos respectivos 21 quadros. No time-slot 16 do quadro 0, sempre é transportado o sincronismo de multiquadro. Onde sincronismo é uma espécie de negociação entre os dois lados interconectados para garantir a operação. Consiste em um procedimento utilizado para que o sistema reconheça o início e o fim de um quadro ou multiquadro. A cada quadro, ou seja, a cada 125 µs são enviadas no time-slot 16 informações de dois canais específicos. Portanto, em um multiquadro, a cada 2 ms são transportadas informações referentes aos 30 canais. Repetidamente, a cada 2 ms, estas informações são enviadas mesmo que os estados dos canais não tenham sido alterados, isto é, mesmo que as informações sejam repetidas (Teleco, 2014). FIGURA 9 – REPRESENTAÇÃO DOS TIME-SLOTS FONTE: TELECO, 2007. 2.3.2 Pcm Em telefonia, são frequentes o uso de linhas com alta velocidade e consequentemente de grande capacidade designados pelo termo tronco, usando PCM conjuntamente com a multiplexagem TDM, por exemplo, para o enlace T1 de 1544 Mbit/s, constituído por 24 canais de voz digitalizados (PCM24), utilizado no EUA, e o enlace E1 de 2048 Mbit/s, constituído por 30 canais de voz digitalizados (PCM30), amplamente usado na Europa. Realizam-se amostragens consecutivas dos canais de voz, ao ritmo de 8.000 amostras por segundo. De acordo com o Teorema de Nyquist, considera-se fh = 4000 Hz, o fato dos filtros existentes terem roll-off, ou seja, não cortarem 22 abruptamente o sinal para as frequências de corte, mínima, e máxima, de 300 e 3400 Hz do canal definido para a voz. A quantificação utiliza 7 bits por amostra, o que permite 2 7 = 128 patamares ou níveis distintos de tensão para o sinal codificado, assegurando assim uma razoável qualidade ao processo. A adição de um 8º bit de controle a cada amostra, permite constituir um grupo de bits, representativo de uma amostra de todos os 24 canais. Aos 24 canais x (7 + 1) bits/canal = 192 bits assim obtidos é ainda acrescentado um outro bit para enquadramento e sincronismo, dando origem a um total de 193 bits, conjunto este que se designa por multiquadro. O bit 193 de cada trama é usado frequentemente para sincronização, podendo, por exemplo, conter alternadamente os valores binários 0 e 1 (... 0101010101...) o que permite ao multiplexer do receptor obter uma informação de “timing”, e sincronizar o seu relógio de leitura dos bits com o do relógio de transmissão usado pelo emissor, resultando em uma comunicação sincronizada. bc - bit de controle ou sinalização; bs - bit de sincronismo. Cada um desses quadros, quando enviados pela linha de transmissão, sendo a “amostra composta” de todos os canais, tem de ser transmitida em 1/8000 = 125 microssegundos, visto que se efetuam 8000 destas amostras por segundo. A transmissão do sinal de voz relativo a um canal telefônico necessita assim de (7 bits + 1 bit de controle) /amostra x 8000 amostras/segundo = 64 000 bit/s. Uma vez que 7 bits em cada amostra de um canal correspondem efetivamente à informação útil (data) os canais são na verdade de 7 x 8000 = 56 kbit/s. A esta “velocidade efetiva” de transmissão dos dados do assinante dá-se a designação de “throughput”. A taxa de amostragem em cada canal implica o envio de 8000 quadros/segundo, ou seja, uma velocidade de transmissão relativa à “Portadora T1” de 193 bits/quadro x 8000 quadro/s = 1.544 kbit/s. A transmissão dos canais exige o uso de 2 Multiplexers devidamente sincronizados, fazendo um deles a desmultiplexagem à chegada do sinal. Terá ainda de se proceder à conversão digital-analógica a fim de recuperar o sinal de voz original. Na Europa, bem como no Brasil, utiliza-se o sistema PCM30, e as portadoras E1 de 2048 Mbit/s, utilizadas em troncos digitais de grande porte, comportam 30+2 = 32 canais de 64 Kbit/s o que perfaz 32 x 64 = 2048 Kbit/s (Teleco, 2014). 23 2.4 E1 E1 é um padrão de linha telefônica digital europeu criado pela ITU-TS e o nome determinado pela Conferência Europeia Postal de Telecomunicação (CEPT), sendo o padrão usado no Brasil e na Europa. O E1 possui uma taxa transferência de 2 Mbps e pode ser dividido em 32 canais de 64 Kbps cada, contudo, 30 canais dos 32 canais existentes transportam informações úteis, pois a velocidade efetiva da transmissão (throughput) da portadora E1, é de 30 x 64 = 1920 Kbit/s, os outros 2 canais restantes (canal 0 e canal 16) destinam-se à sinalização (sistema designado por "Sinalização por Canal Comum") e o alinhamento de quadros ou tramas, estabelecendo um sincronismo entre os pontos (WIKIPEDIA. 2014). FIGURA 10 – REPRESENTAÇÃO DA SINALIZAÇÃO E1 FONTE: TELECO, 2007. 2.4.1 Protocolos de sinalização do E1 Protocolos de sinalização telefônica são aqueles destinados a passar informações entre dois terminais da chamada telefônica sobre o estado do canal portador de dados (voz). Na sinalização podem ser enviadas informações como ocupação de canal, atendimento, desconexão, número chamado, estado do número chamado, identificação do número chamador, entre outras (Barros, 2013). 24 2.4.2 Sinalização MFC/R2 Digital (CAS) O MFC/R2 é um protocolo de sinalização utilizado há mais de 50 anos. Comparado a outros protocolos de sinalização como ISDN PRI/BRI ou SS7, o R2 oferece um conjunto limitado de funcionalidades. A sinalização é utilizada apenas para estabelecer e terminar a chamada. Apesar disso ainda é largamente utilizada devido a diversos fatores como sua popularidade como protocolo de sinalização de troncos digitais, ser oferecido pelas principais operadoras de telefonia e a facilidade de implantação e operação. Esse protocolo foi padronizado no Brasil em 1968 e hoje as práticas Telebrás SDT 210-110-702 e SDT 210-110-703 ditam os padrões de funcionamento do mesmo no país. O padrão nacional se diferencia em alguns pontos do padrão internacional que esta descrito nas recomendações Q.400 à Q.490 do International Telecommunication Union Telecommunication Standardization Sector (ITU-T). O MFC/R2 é uma sinalização do tipo CAS e é um composto de duas sinalizações: a sinalização R2 digital responsável pela sinalização de linha e o MFC (MultiFrequencial Compelida) responsável pela sinalização de registro. A sinalização de linha é responsável por controlar o estado dos canais de voz e utiliza um time slot exclusivo para isso. Esse time slot é o 16, conhecido também como canal de sinalização e assim como todos os demais, possui 8 bits (Barros, 2013). FIGURA 11 – QUADRO E1 COM SINALIZAÇÃO DE LINHA FONTE: LOURENÇO, 2007. 25 Esses 8 bits são utilizados para informar o outro extremo sobre o estado dos canais de voz. A cada 2 ms cada lado da ligação atualiza seus 4 bits de sinais CAS, conhecidos como bits ABCD. Apenas os bits A e B são usados para enviar os seguintes sinais: Seize, Seize Ack, Ansewer, Clear Back, Forced Release, Clear Forward, Idle, Block. Os bits C e D assumem valores fixos, 0 e 1 respectivamente. “A razão para usar apenas dois bits com quatro disponíveis é histórica e vem desde os tempos quando a versão analógica do MFC/R2 foi portada para trabalhar em um mundo digital”. Os 8 bits do time slot 16 de um E1 CAS informam o estado dos 30 canais disponíveis através de um multiquadro. Um multiquadro consiste de 16 quadros E1, numerados de 0 a 15. Um multiquadro equivale a 16 x 125 µs = 2 ms. Vide FIGURA 8 – QUADRO E MULTIQUADRO. No time slot 16 do quadro 0 é transportado o sincronismo do multiquadro. O sincronismo pode ser entendido como uma espécie de negociação entre os dois lados interconectados o que garante a operação. Este procedimento é utilizado para que o sistema reconheça o início e o fim de um multiquadro (Barros, 2013). Os 8 bits do time slot 16 dos outros quadros, 1 até 15, são usados para informar o estado dos canais contidos nos time slots 1 a 15 e 17 a 31, onde há a seguinte distribuição: No quadro 1 os 4 primeiros bits do time slot 16 informam o estado do canal de voz contido no time slot 1 e os quatro últimos bits informam o estado do canal de voz contido no time slot 17; No quadro 2 os 4 primeiros bits do time slot 16 informam o estado do canal de voz contido no time slot 2 e os quatro últimos bits informam o estado do canal de voz contido no time slot 18 e assim sucessivamente (Barros, 2013). A tabela 1 mostra o modo como os 8 bits do time slot 16 são alocados em um multiframe para informar o estado de todos os canais de voz de um E1. 26 TABELA 1 – ALOCAÇÃO DOS BITS DO TIME SLOT 16 EM UM MULTIQUADRO FONTE: BARROS, 2013. No MFC/R2 é importante entender os conceitos de sinalização para frente e de sinalização para trás para a correta interpretação do protocolo. Sinalização para frente refere-se a sinalização enviada da central de origem da chamada para a central de destino. Sinalização para trás é a sinalização enviada pela central de destino para a central de origem em resposta a sinalização recebida. Na figura 12 há dois cenários de chamada para representar esses dois conceitos da sinalização (Barros, 2013). 27 FIGURA 12 – REPRESENTAÇÃO DA SINALIZAÇÃO TELEFÔNICA PARA FRENTE E PARA TRÁS FONTE: BARROS, 2013. O estado dos bits A e B ditam as condições em que os canais se encontram de acordo com o sentido da chamada, nas tabelas 2 e 3, são representados os significados de cada bit (Barros, 2013). TABELA 2 – SIGNIFICADO DOS BITS ABDC NA SINALIZAÇÃO PRA FRENTE FONTE: BARROS, 2013. 28 TABELA 3 – SIGNIFICADO DOS BITS ABCD NA SINALIZAÇÃO PRA TRÁS FONTE: BARROS, 2013. Na tabela 4 é representado o significado dos bits ABf (AB forward) e ABb (AB backward) de acordo com as fases da chamada. TABELA 4 – SINALIZAÇÃO R2 DIGITAL FONTE: BARROS, 2013. A sinalização de registro é utilizada para o envio de informações tais como o número do assinante A, número do assinante B, categoria do assinante A, estado do assinante B, etc. Caracteriza-se por enviar sinais compostos por frequências combinadas duas a duas (multifrequencial). São tons sonoros que viajam utilizando o canal de áudio em si. O sistema é chamado de Multi Frequencial Compelida (MFC), porque ao se enviar um sinal para frente, é necessário aguardar a recepção do sinal para trás para poder enviar um novo sinal para frente. Conforme pode ser visto na figura 13, durante este período, o sinal é enviado de forma permanente, ou seja, a mesma informação é enviada ininterruptamente até que uma resposta seja recebida.” (Barros, 2013). 29 FIGURA 13 – ENVIO DE SINALIZAÇÃO MFC ENTRE CENTRAIS TELEFONICAS FONTE: BARROS, 2013. Os sinais são divididos da seguinte forma: • Sinais para Frente: Grupo I (Informações Numéricas e Controle) Grupo II (Categoria do Chamador) • Sinais para Trás: Grupo A (Solicitação da Central de destino) Grupo B (Condições do Assinante) As tabelas 5 e 6 mostram o significado dos sinais de cada grupo. 30 TABELA 5 – SINAIS PARA FRENTE DO MFC FONTE: BARROS, 2013. 31 TABELA 6 – SINAIS PARA TRÁS DO MFC FONTE: BARROS, 2013. Na figura 14 é representada a troca de sinalização entre uma central PABX e a central da operadora do estabelecimento até a desconexão de uma chamada utilizando o protocolo MFC/R2. Neste cenário um ramal do PABX deseja originar uma chamada externa para o número de destino 61451633 que se encontra atrás da central da operadora (Barros, 2013). 32 FIGURA 14 – FLUXO DE CHAMADA UTILIZANDO O PROTOCOLO MFC/R2 FONTE: BARROS, 2013. Os passos representados são: a. Central PABX envia a sinalização de linha R2, neste caso SIZE, solicitando ocupação de um canal; b. Central da operadora responde a solicitação com um SIZE ACKD; c. A partir desse ponto a central PABX passa a enviar o número de destino por sinalização de registro MFC, é enviado sinal para frente do grupo I, neste caso o I6, que corresponde ao algarismo 6; d. Central da operadora responde com sinal MFC para trás do grupo A, neste caso o A1, solicitando o próximo dígito; e. Este processo se repete até que todo o número de destino seja enviado; f. Quando a central da operadora recebe todos os ditos é enviado o sinal para trás A5 para solicitar a categoria (e o número de A em alguns casos) da origem; 33 g. Central PABX responde com sinal para frente do grupo II, neste caso II1 para indicar de assinante comum; h. Central da operadora envia então sinal para trás A3, informando a central de origem que será enviado o estado do assinante B; i. Central PABX responde com II1 novamente; j. Central da operadora envia sinal para trás do grupo B, neste caso B1, para indicar assinante livre e início da tarifação, neste ponto a origem passa a ouvir o tom de controle e o assinante B começa a tocar; k. Quando o destino atende é enviado sinalização de linha ANSWER; l. Neste ponto passa a ocorrer conversação pelo canal de voz; m. Neste cenário a origem desliga primeiro e é enviado pela central PABX o sinal de linha CLEAR FORWARD; n. Central da operadora libera o canal que estava sendo utilizado para conversação com um sinal IDLE (Barros, 2013). 2.4.3 Sinalização ISDN ISDN é a sigla para Integrated Service Digital Network, ou em português, RDSI (Rede Digital de Serviços Integrados) e é um sistema de conexão de telefonia digital criado pelo ITU na década de 80 tendo como objetivo principal a integração de diversos serviços de voz e dados em uma única conexão digital entre a central da operadora e o usuário. Atualmente é mais utilizado para o trafego de voz enquanto outras tecnologias cuidam do trafego de dados (Barros, 2013). No ISDN existem dois tipos de canais: O canal B chamado de B-channel (Bearer Channel) é utilizado para Transportar a voz já digitalizada pelo processo de digitalização PCM; O canal D chamado de D-channel (Delta Channel) é utilizado para transportar a sinalização responsável pelo estabelecimento ou desconexão de uma chamada. A sinalização presente no D-channel é definida pelas normas Q.921 e Q.931 do ITU-T. Os termos BRI e PRI são utilizados para designar o tipo de interface ISDN a ser utilizada. As características de cada uma são as seguintes: 34 BRI (Basic Rate Interface, também conhecida por BRA – Basic Rate Access): É uma interface com capacidade para dois B-channels com 64 kbits/s de banda disponível em cada e um D-channel com 16 kbits/s de banda disponível. Esta interface utiliza como meio físico o mesmo par metálico das linhas telefônicas convencionais, porém não é comumente oferecida pelas operadoras de telefonia no Brasil; PRI (Primary Rate Interface, também conhecida como PRA – Primary Rate Access): É uma interface que utiliza a portadora E1 para transportar 30 Bchannels com 64 kbits/s de banda disponível em cada e um D-channel também com 64 kbits/s de banda disponível. É largamente utilizado no Brasil como protocolo de interconexão entre uma central PABX e a central pública (Barros, 2013). A sinalização empregada pelo ISDN para informar a central remota sobre a entrada de uma chamada telefônica e conhecida como CCS, sigla para Common Channel Signaling. Isso significa que toda a sinalização é feita por um canal de dados comum e que não esta associado a nenhum dos canais de voz como ocorre no CAS. Este canal comum é o D-channel e por convenção utiliza o time slot 16 de um E1 (Barros, 2013). O ISDN pode ser dividido em uma estrutura de três camadas onde uma camada superior depende da camada inferior para funcionar. Cada uma dessas camadas executa uma função específica conforme segue: A primeira é a camada física que trata das características físicas/elétricas das interfaces ISDND; A segunda camada especifica a estrutura do quadro (delimitação), o formato de campos, detecção de erros e procedimentos de alinhamento de enlace; A terceira camada especifica os procedimentos para o estabelecimento, manutenção e limpeza de conexões, ou seja, é responsável pela geração das mensagens de sinalização. 35 A figura 15 mostra as camadas e as respectivas normas que determinam o padrão de funcionamento do ISDN em cada uma delas. FIGURA 15 – NORMAS DO ISDN EM ESTRUTURA DE CAMADAS FONTE: BARROS, 2013. Na camada 1, tomando como exemplo somente o ISDN PRI, existem termos para definir as interfaces e os elementos conforme pode ser visto na figura 16. FIGURA 16 – INTERFACES E PONTOS DE REFERÊNCIA DO ISDN PRI FONTE: BARROS, 2013. Cada um desses termos tem o seguinte significado: NT1: o Network Termination 1 é o dispositivo que faz a conversão da interface U para a interface T; NT2: o Network Termination 2 lida com a camada 2 e 3 do protocolo ISDN e também fornece funções de multiplexação, comutação, terminação de 36 interface e de manutenção. O NT2 é quem fornece conexões para TE1 ou TA por meio da interface S e TE2 por meio da interface RD; TE1: os Terminal Equipment 1 são dispositivos ISDN que se conectam diretamente ao conector SD; TE2: os Terminal Equipment 2 são dispositivos não ISDN que se conectam ao NT2 por meio Terminal Adapters (TA) ou diretamente (Barros, 2013). A camada 2 do ISDN é baseada no procedimento de acesso a enlace no canal D (Link Access Procedure on the D-channel - LAPD), é reponsável pela integridade das informações transmitidas pela canal de sinalização D. Esses procedimentos são baseados no protocolo de controle de enlace de alto nível (High Level Data Link Control – HDLC). O formato do quadro de dados dessa camada pode ser visto na figura 17 (Barros, 2013). FIGURA 17 – ESTRUTURA DO QUADRO DE CAMADA 2 DO ISDN FONTE: BARROS, 2013. O quadro é composto pelos seguintes campos: Flag: responsável pela delimitação do quadro. São dois octetos por quadro, um no início (cabeçalho) e outro no final (rodapé). Possui a sequência de bits 01111110; Address: os dois primeiros bytes do quadro após o flag de cabeçalho são conhecidos como campo de endereço. O formato do campo de endereço pode ser visto na figura 18 e é formado pelos campos abaixo: 37 FIGURA 18 – CAMPO “ADRESS” DO PROTOCOLO LAPD FONTE: BARROS, 2013. • SAPI (Service access point identifier): o identificador de ponto de acesso de serviço (SAPI) é um campo de 6 bits que identifica o ponto onde Camada 2 apresenta um serviço para a camada 3. Os valores possíveis são: 0 = Call control procedures 1 = Packet Mode using Q.931 call procedures 16 = Packet Mode communications procedures 32-47 = Reserved for national use 63 = Management Procedures Others = Reserved for Future Use • C / R (Command / Response) bit que indica se o quadro é um comando ou uma resposta; • EA1 (Address Extension): o primeiro bit Address Extension é sempre definido como 0; • TEI (Terminal Endpoint Identifier) Identificador do dispositivo de 7 bits atribuídas a cada dispositivo (TE) em um barramento S/T ISDN. Este identificador pode ser atribuído estaticamente quando o TE é instalado, ou dinamicamente quando ativado e possui a seguinte divisão: 0-63 TEI atribuído estaticamente 64-126 TEI atribuído dinamicamente (atribuido pela switch) 127 Broadcast para todos os dispositivos. • EA2 (Address Extension): o segundo bit Address Extension é sempre definido como 1. Control Field: o campo de controle possui 2 octetos e serve para identificar o tipo de quadro. Além disso, ele inclui números de sequência, recursos de controle e rastreamento de erro de acordo com o tipo de quadro; 38 Information: informações do protocolo de camada 3; FCS: a Verificação de Redundância Cíclica CRC possui 2 octetos e é um teste de erros de bits de baixo nível sobre os dados do usuário (Barros, 2013); Finalmente na camada 3 fica a sinalização que vai cuidar das mensagens usadas para a configuração, a supervisão, a subdivisão e os serviços suplementares das chamadas. O formato e campos do quadro de dados desta camada podem ser vistos na figura 19. FIGURA 19 – ESTRUTURA DO QUADRO DE CAMADA 3 DO ISDN FONTE: BARROS, 2013. As funções de cada campo são descritas abaixo: Protocol discriminator: um octeto que identifica o protocolo da camada 3. Para o protocolo Q.931 este valor é sempre 00001000; Length of Call Reference Value: um octeto que indica o tamanho do próximo campo, o Call Reference Value; Call Reference Value: um ou dois octetos usados para identificar exclusivamente cada chamada entre a central pública e interface da central PABX. É utilizada somente durante a duração de uma determinada chamada, após a desconexão esta identificação fica disponível para utilização de outra chamada; Flag: bit que é configurado em zero pelo originador de uma mensagem Q.931 e configurado em 1 nas respostas enviadas pelo receptor da mensagem; Message Type: um ou dois octetos que identificam o tipo de mensagem enviada (ou seja, SETUP, CONNECT, etc.). Isso determina quais informações adicionais são necessárias e permitidas no próximo campo; 39 Information Elements: são opções mandatórias ou opcionais que são definidas de acordo com o Message Type (Barros, 2013). O Message Type define o propósito primário do quadro carregando as mensagens Q.931 do ISDN que vão prover as capacidades de controle de chamadas. As mensagens Q.931 mais importantes estão listadas na tabela 7. TABELA 7 – CÓDIGOS TIPO E MENSAGENS Q.931 FONTE: BARROS, 2013. Na figura 20 é representada a troca de sinalização entre uma central PABX e a central da operadora do estabelecimento até a desconexão de uma chamada utilizando o protocolo de sinalização ISDN. Neste cenário um ramal do PABX deseja originar uma chamada externa para um número de destino que se encontra atrás da central da operadora (Barros, 2013). 40 FIGURA 20 – FLUXO DE CHAMADA UTILIZANDO O PROTOCOLO ISDN FONTE: BARROS, 2013. Os passos representados são: a. Central PABX monta mensagem SETUP com o número chamado (B), identificação do canal B a ser utilizado e a capacidade de transporte (dados ou voz); b. Central da operadora ao receber o SETUP responde com um CALL PROCEEDING e passa a processar a mensagem recebida; c. Quando o destino é localizado a central da operadora envia mensagem ALERTING para informar que telefone de destino esta tocando; d. Quando destino atende é enviado pela central da operadora a mensagem CONNECT; e. Central PABX envia confirmação do atendimento com a mensagem CONNECT ACK; 41 f. Neste ponto passa a ocorrer conversação pelo canal B especificado na primeira mensagem; g. Origem desconecta a chamada e é enviado pela central PABX uma mensagem DISCONNECT com a causa da desconexão; h. Central da operadora envia a mensagem RELEASE para desconectar a chamada; i. Central PABX confirma a desconexão com a mensagem RELEASE COMPLETE (Barros, 2013). 2.5 VANTAGENS E DESVANTAGENS DA TELEFONIA CONVENCIONAL A principal vantagem da telefonia tradicional é na qualidade das ligações, em contra partida sua maior desvantagem é o custo. As operadoras de telefonia cobram pela alta qualidade de disponibilidade do serviço de voz, pois para manter essa qualidade é necessário manter uma rede enorme e equipamentos sempre disponíveis. Suas principais características são: Conversão analógico-digital nas centrais; Voz trafega em um circuito digital dedicado de 64 kbit/s; Banda alocada completamente para a sessão de voz; Sinal digital é convertido novamente em analógico para ser enviado ao assinante; Comutação por circuito, sem filas ou atrasos intermediários; Alta Confiabilidade/Disponibilidade; Qualidade da ligação; Alta percentagem de chamadas completadas; Sistema de alimentação fornecido pela própria central telefônica. 3 TELEFONIA IP 3.1 O QUE É A Comunicação de Voz em Redes IP, chamada de VoIP, consiste no uso das redes de dados que utilizam o conjunto de protocolos das redes IP (TCP/UDP/IP) para a transmissão de sinais de Voz em tempo real na forma de pacotes de dados. 42 A sua evolução natural levou ao aparecimento da Telefonia IP, que consiste no fornecimento de serviços de telefonia utilizando a rede IP para o estabelecimento de chamadas e comunicação de Voz. Nessas redes são implementados protocolos adicionais de sinalização de chamadas e transporte de Voz que permitem a comunicação com qualidade próxima àquela fornecida pelas redes convencionais dos sistemas públicos de telefonia comutada ou de telefonia móvel (Teleco, 2008). 3.2 DIGITALIZAÇÃO DE SINAIS DE VOZ Nos sistemas tradicionais o sinal de Voz utiliza uma banda de 4 kHz, e é digitalizado com uma taxa de amostragem de 8 kHz para ser recuperado adequadamente. Como cada amostra é representada por um byte (8 bits, com até 256 valores distintos), cada canal de Voz necessita de uma banda de 64 kbit/s (8.000 amostras x 8 bits). Esta forma de digitalização do sinal de Voz atende a recomendação ITU-T G.711 - Pulse code modulation (PCM). Nos sistemas de transmissão de Voz sobre IP, onde a demanda por banda é crítica, torna-se necessário utilizar também algoritmos de compressão do sinal de Voz. Esses algoritmos têm papel relevante pela economia de banda que proporcionam. O seu uso tem sido possível graças ao desenvolvimento dos processadores de sinais digitais (DSP’s), cuja capacidade de processamento tem crescido vertiginosamente. Estas necessidades incentivaram o desenvolvimento de tecnologias mais complexas para a digitalização e compressão de Voz, e que foram registradas através de recomendações do ITU-T. Estas recomendações são apresentadas na tabela 8, com algumas características relevantes (Teleco, 2008). 43 TABELA 8 – CODECS PARA COMPRESSÃO DE VOZ FONTE: FILHO, 2008. 3.2.1 Codecs Um dos componentes necessários para transmissão de voz numa rede de dados é o Áudio CODEC (Codificador-Decodificador). Este componente é o responsável por transformar a voz humana (um sinal analógico) em uma sequência de bits (um sinal digital) para transmissão numa rede de dados, fazendo amostragens periódicas no sinal de voz. Em equipamentos do tipo gateways VoIP, esses CODECs são implementados através de um componente chamado DSP (Digital Signal Processor). Como um microprocessador de uso geral, um DSP é um dispositivo programável, com seu próprio conjunto de instruções nativas. O uso desses chips associados a algoritmos de compressão permitiu a implementação de diversas tecnologias de CODEC’s. Cada CODEC provê certa qualidade de voz. A medida de qualidade da voz transmitida é uma resposta subjetiva de um ouvinte. Uma medida comum usada para determinar a qualidade do som produzido pelos CODECs específicos é o MOS (Mean Opinion Score). Com o uso do MOS, um amplo range de ouvintes julgam a qualidade de uma amostra de voz (correspondendo a um CODEC particular) numa escala de 1 a 5. A partir desses resultados, é calculada a média dos scores para atribuir o MOS para aquela amostra (Teleco, 2005). 44 TABELA 9 – SCORES MOS DE ALGUNS CODECS FONTE: OLIVEIRA, 2005. TABELA 10 – DESCRIÇÃO DOS SCORES MOS FONTE: OLIVEIRA, 2005. 3.3 REQUISITOS PARA TELEFONIA IP O objetivo da telefonia em redes IP é prover uma forma alternativa aos sistemas tradicionais, mantendo, no mínimo, as mesmas funcionalidades e qualidade similar, e aproveitando a sinergia da rede para o transporte de voz e dados. Os principais requisitos para a Telefonia sobre redes IP de modo a permitir uma comunicação inteligível, interativa e sem falhas são: Transmissão de Voz em tempo real com tempo de latência (atraso) menor que 300 ms; 45 Existência de Procedimentos de Sinalização para o estabelecimento e controle de chamadas, e para o fornecimento de serviços adicionais (conferência, chamada em espera, identificador de chamadas, etc.); Existência de Interfaces com os sistemas públicos de telefonia comutada e móvel (Teleco, 2008). 3.4 ARQUITETURA DE REDE O transporte de Voz sobre o protocolo IP levou ao desenvolvimento de um conjunto de novos protocolos para viabilizar a comunicação com as mesmas características das redes tradicionais. Nas redes IP os pacotes de dados com informação de Voz são enviados de forma independente, procurando o melhor caminho para chegar ao seu destino, de forma a usar com maior eficiência os recursos da rede. Os pacotes de dados associados a uma única origem de comunicação de Voz podem, portanto, seguir caminhos diferentes até o seu destino, ocasionando atrasos, alteração de sequência e mesmo perda desses pacotes. A tecnologia desenvolvida para a comunicação VoIP, implementada através dos novos protocolos, assegura a reordenação dos pacotes de dados e a reconstituição do sinal original, compensando o eco decorrente do atraso fim-a-fim dos pacotes de dados, o jitter e a perda de pacotes. Estes novos protocolos funcionam como aplicações específicas sobre o protocolo IP para prover comunicação em tempo real e sinalização de chamadas para as aplicações de Voz. Esses protocolos são executados por máquinas existentes nas redes IP (roteadores, switches) e por novos elementos funcionais que complementam a arquitetura dos sistemas de Telefonia IP. Enquanto na telefonia tradicional, a rede é hierárquica, ou seja, é baseada em grandes centrais telefônicas interligadas de forma hierárquica e que detém a inteligência da rede. Além disso, os terminais são desprovidos de inteligência e o seu endereçamento depende da geografia da área de abrangência da rede. Na telefonia IP, a rede é plana, não hierárquica, especializada no roteamento e transporte de pacotes de dados, e pode oferecer vários tipos de serviços. Os terminais são inteligentes, seu endereçamento independe de sua localização geográfica, e o processamento e a realização das chamadas ocorrem em vários 46 equipamentos que podem estar localizados em qualquer parte da rede(Teleco, 2008). FIGURA 21 – ARQUITETURA TIPICA DE REDE PARA TELEFONIA IP FONTE: FILHO, 2008. 3.4.1 Rede IP É a rede de dados que utiliza os protocolos TCP/IP e UDP/IP. Sua função básica é transportar e rotear os pacotes de dados entre os diversos elementos conectados a rede. Conforme o seu porte, pode ter um ou mais segmentos de rede (Teleco, 2008). 3.4.2 Sistema de Telefonia Fixa Comutada (STFC) É o sistema público convencional de comunicação de Voz, que interliga empresas e residências em âmbito nacional e internacional. O sistema de telefonia móvel atual também pode ser considerado convencional, para os serviços de comunicação de Voz (Teleco, 2008). 47 3.4.3 Pabx É o equipamento de uso corporativo empregado para executar os serviços privados de Voz nas empresas. Geralmente são sistemas digitais, e se interligam ao STFC (ou aos sistemas de telefonia móvel) para realizar as comunicações externas (Teleco, 2008). 3.4.4 Terminal Telefônico Convencional (Tel) É o telefone convencional usado em residências e empresas. Em alguns sistemas digitais mais modernos (públicos ou privados), os telefones também são digitais, para permitir um maior número de funcionalidades adicionais à comunicação de Voz convencional (Teleco, 2008). 3.4.5 Terminal Telefônico IP (Tel IP) É o telefone preparado para a comunicação de Voz em redes IP. Tem todas as funcionalidades e protocolos necessários instalados para suportar comunicação bidirecional de Voz em tempo real e a sinalização de chamadas. As funcionalidades adicionais integradas dependem da finalidade e do custo do terminal (Teleco, 2008). 3.4.6 Terminal Multimídia (TM) São computadores preparados para a comunicação de Voz em redes IP. Assim como o Tel IP, eles têm todas as funcionalidades e protocolos necessários instalados para suportar comunicação bidirecional de Voz em tempo real e a sinalização de chamadas (Teleco, 2008). 3.4.7 Gateway (GW) É o equipamento responsável pela interoperabilidade entre a rede IP e o STFC (e/ou sistemas de telefonia móvel). Ele executa a conversão de mídia em tempo real (Voz analógica x Voz digital comprimida) e a conversão de sinalização para as 48 chamadas telefônicas. Para simplificar o GW, o controle efetivo das chamadas em andamento é executado pelo Gateway Controller. Em sistemas de maior porte as funcionalidades de mídia e sinalização podem ser separadas em equipamentos distintos, chamados de Media Gateway (MGW) e Signalling Gateway (SGW). (Teleco, 2008). 3.4.8 Gateway Controller (GC) É o equipamento responsável pelo controle das chamadas em andamento realizadas pelos GW. Também chamado de Call Agent, o GC utiliza e gera as informações de sinalização e comanda os GW para iniciar, acompanhar e terminar uma chamada entre 2 terminais distintos. Em sistemas de maior porte as funcionalidades de controle de mídia e sinalização podem ser separadas em equipamentos distintos, chamados de Media Gateway Controller (MGC) e Signalling Gateway Controller (SGC). (Teleco, 2008). 3.4.9 Multipoint Control Unit (MCU) É o equipamento responsável pelos serviços de conferência entre 3 ou mais terminais. É composto por um Controlador Multiponto (MC - multipoint controller), responsável pela sinalização das chamadas, e por um Processador Multiponto (MP multipoint processor), responsável pelo processamento dos pacotes de dados dos sinais de Voz dos terminais envolvidos na conferência (Teleco, 2008). 3.4.10 Gatekeeper (GK) É o equipamento responsável pelo gerenciamento de um conjunto de equipamentos dedicados a telefonia IP, quais sejam: Tel IP, TM, GW, GC e MCU. Suas principais funções são: executar a tradução de endereçamento dos diversos equipamentos, controlar o acesso dos equipamentos à rede dentro de sua Zona, e controlar a banda utilizada. Outras funcionalidades opcionais podem ser adicionadas, entre elas: autorização de chamadas, localização de GW, gerenciamento de banda, serviços de agenda telefônica (lista) e serviços de gerenciamento de chamadas. 49 Na figura 11, cada GK é responsável por um conjunto de terminais. A comunicação entre 2 GK’s distintos normalmente é feita durante a realização de chamadas de longa distância, através de protocolos específicos para esse fim, onde são trocadas informações relativas aos terminais de cada área de atuação dos GK’s (Teleco, 2008). 3.4.11 Zona Zona é um conjunto de terminais, GW’s e MCU’s gerenciados por um único GK. Uma zona deve ter pelo menos 1 terminal, e pode ou não conter GW’s ou MCU’s. Entretanto, uma zona tem apenas 1 GK. Fisicamente a Zona pode ser composta por um ou mais segmentos de rede interligados através de roteadores ou outros equipamentos semelhantes. Comparada com os sistemas telefônicos convencionais, uma Zona corresponde a uma área com um determinado código de localidade, ou seja, uma cidade ou um conjunto de cidades conforme o tamanho e número de terminais (Teleco, 2008). 3.5 PROTOCOLOS A telefonia IP utiliza os protocolos TCP/UDP/IP da rede como infraestrutura para os seus protocolos de aplicação que participam dos processos descritos. A figura 22 apresenta a estrutura em camadas dos principais protocolos (Teleco, 2008). 50 FIGURA 22 – PRINCIPAIS PROTOCOLOS VOIP FONTE: FILHO, 2008. 3.5.1 Protocolo IP O IP é um protocolo de endereçamento, um protocolo de rede. Suas principais funções são endereçamento e roteamento, ou de uma maneira mais simples, fornecer uma maneira para identificar unicamente cada máquina da rede (endereço IP) e uma maneira de encontrar um caminho entre a origem e o destino (Roteamento). Mas ele não funciona sozinho, ele precisa de outro protocolo para transportar os dados, ai entram o TCP e o UDP (Batistti 2009). 3.5.2 Tcp/ip O Transmission Control Protocol (TCP) é, sem dúvidas, um dos mais importantes protocolos da família TCP/IP. É um padrão definido na RFC 793, "Transmission Control Protocol (TCP)", que fornece um serviço de entrega de pacotes confiável e orientado por conexão. Ser orientado por conexão, significa que todos os aplicativos baseados em TCP como protocolo de transporte, antes de iniciar a troca de dados, precisam estabelecer uma conexão. Na conexão são fornecidas, normalmente, informações de logon, as quais identificam o usuário que está tentando estabelecer a conexão. Após a identificação e autenticação, será estabelecida uma sessão entre o cliente e o servidor (Batistti 2009). 51 Características do TCP: Garante a entrega de datagramas IP: Esta talvez seja a principal função do TCP, ou seja, garantir que os pacotes sejam entregues sem alterações, sem terem sido corrompidos e na ordem correta. O TCP tem uma série de mecanismos para garantir esta entrega. Executa a segmentação e reagrupamento de grandes blocos de dados enviados pelos programas e Garante o sequenciamento adequado e entrega ordenada de dados segmentados: Esta característica refere-se a função de dividir grandes arquivos em pacotes menores e transmitir cada pacote separadamente. Os pacotes podem ser enviados por caminhos diferentes e chegar fora de ordem. O TCP tem mecanismos para garantir que, no destino, os pacotes sejam ordenados corretamente, antes de serem entregues ao programa de destino. Verifica a integridade dos dados transmitidos usando cálculos de soma de verificação: O TCP faz verificações para garantir que os dados não foram alterados ou corrompidos durante o transporte entre a origem e o destino. Envia mensagens positivas dependendo do recebimento bem-sucedido dos dados. Ao usar confirmações seletivas, também são enviadas confirmações negativas para os dados que não foram recebidos: No destino, o TCP recebe os pacotes, verifica se estão OK e, em caso afirmativo, envia uma mensagem para a origem, confirmando cada pacote que foi recebido corretamente. Caso um pacote não tenha sido recebido ou tenha sido recebido com problemas, o TCP envia uma mensagem ao computador de origem, solicitando uma retransmissão do pacote. Com esse mecanismo, apenas pacotes com problemas terão que ser reenviados, o que reduz o tráfego na rede e agiliza o envio dos pacotes. Oferece um método preferencial de transporte de programas que devem usar transmissão confiável de dados baseada em sessões, como bancos de dados cliente/servidor e programas de correio eletrônico: Ou seja, o TCP é muito mais confiável do que o UDP, e é indicado para programas e serviços que dependam de uma entrega confiável de dados (Batistti 2009). 52 O TCP baseia-se na comunicação ponto a ponto entre dois hosts de rede. Ele recebe os dados de programas e processa esses dados como um fluxo de bytes. Os bytes são agrupados em segmentos que o TCP numera e sequência para entrega. Estes segmentos são mais conhecidos como “Pacotes”. Antes que dois hosts TCP possam trocar dados, devem primeiro estabelecer uma sessão entre si. Uma sessão TCP é inicializada através de um processo conhecido como um “tree-way handshake” (Aperto de Mão Triplo). Esse processo sincroniza os números de sequência e oferece informações de controle necessárias para estabelecer uma conexão virtual entre os dois hosts. De uma maneira simplificada, no processo de tree-way handshake, o computador de origem solicita o estabelecimento de uma sessão com o computador de destino: Por exemplo, você utiliza um programa de FTP (origem) para estabelecer uma sessão com um servidor de FTP (destino). O computador de destino recebe a requisição, verifica as credenciais enviadas (tais como as informações de logon e senha) e envia de volta para o cliente, informações que serão utilizadas pelo cliente, para estabelecer efetivamente a sessão. As informações enviadas nesta etapa são importantes, pois é através destas informações que o servidor irá identificar o cliente e liberar ou não o acesso. O computador de origem recebe as informações de confirmação enviadas pelo servidor e envia estas confirmações de volta ao servidor. O servidor recebe as informações, verifica que elas estão corretas e estabelece a sessão. A partir deste momento, origem e destino estão autenticados e aptos a trocar informações usando o protocolo TCP. Se por algum motivo, as informações enviadas pela origem não estiverem corretas, a sessão não será estabelecida e uma mensagem de erro será enviada de volta ao computador de origem. Depois de concluído o tree-way handshake inicial, os segmentos são enviados e confirmados de forma sequencial entre os hosts remetente e destinatário. Um processo de handshake semelhante é usado pelo TCP antes de fechar a conexão para verificar se os dois hosts acabaram de enviar e receber todos os dados. O cabeçalho TCP é muito maior e tem muitos mais campos que o cabeçalho UDP, conforme apresentados nas figuras 23 e 24 (Batistti 2009). 53 FIGURA 23 – CABEÇALHO TCP/IP FONTE: http://maugicocenter.blogspot.com.br/2010_02_26_archive.html 3.5.3 Udp/ip O User Datagram Protocol (UDP) é um padrão TCP/IP e está definido pela RFC 768, "User Datagram Protocol (UDP)." O UDP é usado por alguns programas em vez de TCP para o transporte rápido de dados entre hosts TCP/IP. Porém o UDP não fornece garantia de entrega e nem verificação de dados. De uma maneira simples, dizemos que o protocolo UDP manda os dados para o destino; se vai chegar ou se vai chegar corretamente, sem erros, só Deus sabe. Pode parecer estranho esta característica do UDP, porém em determinadas situações, o fato de o UDP ser muito mais rápido do que o TCP (por não fazer verificações e por não estabelecer sessões), o uso do UDP é recomendado. O protocolo UDP fornece um serviço de pacotes sem conexão que oferece entrega com base no melhor esforço, ou seja, UDP não garante a entrega ou verifica o sequenciamento para qualquer pacote. Um host de origem que precise de comunicação confiável deve usar TCP ou um programa que ofereça seus próprios serviços de sequenciamento e confirmação (Batistti 2009). Características UDP: Serviço sem conexão, nenhuma sessão é estabelecida entre os hosts; UDP não garante ou confirma a entrega ou sequência os dados; Os programas que usam UDP são responsáveis por oferecer a confiabilidade necessária ao transporte de dados; 54 UDP é rápido, necessita de baixa sobrecarga e pode oferecer suporte à comunicação ponto a ponto e ponto a vários pontos (Batistti 2009). FIGURA 24 – CABEÇALHO UDP FONTE: http://maugicocenter.blogspot.com.br/2010_02_26_archive.html 3.5.4 H323 Packet Based Multimedia Communications Systems O padrão H.323 é um conjunto de protocolos verticalizados para sinalização e controle da comunicação entre terminais que suportam aplicações de áudio (Voz), vídeo ou comunicação de dados multimídia. É uma recomendação guarda-chuva do ITU-T que define padrões para comunicação multimídia através de redes que não oferecem Qualidade de Serviço (QoS) garantida, como é o caso das redes do tipo LAN, IP e Internet. Os padrões utilizados do conjunto H.323 e suas aplicações para os sistemas de Telefonia IP são descritos a seguir (Teleco, 2008). 3.5.5 H255.0 Call Signalling Protocols and Media Stream Packetization for Packetbased Multimedia Communication Systems Esta recomendação estabelece padrões para sinalização e empacotamento de mídia (Voz) para chamadas em sistemas baseados em redes de pacotes. Suas principais aplicações são: Sinalização de chamadas: define um conjunto de mensagens que usa o formato da recomendação Q.931 sobre os pacotes TCP da rede IP, com a finalidade de estabelecer e finalizar chamadas. Estas mensagens são 55 trocadas entre os equipamentos envolvidos na chamada: terminais, GC e MCU’s. Controle de equipamentos na rede (Zona): define um conjunto de mensagens para a funcionalidade RAS, responsável pelo registro, admissão e status dos equipamentos na rede. As mensagens são trocadas entre o GK e os terminais, GW, GC e MCU’s para o controle de uma determinada Zona. Estas mensagens usam como suporte os pacotes UDP da rede IP. Comunicação entre Gatekeepers: define um conjunto de mensagens para a sinalização gatekeeper-gatekeeper, que estabelece o processo de sinalização e controle para chamadas entre Zonas distintas. Transporte de mídia (Voz): esta recomendação baseia-se no uso dos protocolos RTP e RTCP como padrão para o transporte de mídia (Teleco, 2008). 3.5.6 H.245 Control Protocol for Multimedia Communication Esta recomendação estabelece padrões para a comunicação entre terminais, para o processo de controle do transporte de Voz (transport control). Estas mensagens usam como suporte os pacotes TCP da rede IP, e são trocadas entre os terminais, GW e MCU’s envolvidos em chamadas do tipo ponto-a-ponto e pontomultiponto (Teleco, 2008). 3.5.7 H.235 Security and Encryption for H-Series (H.323 and other H.245-based) Multimedia Terminals Esta recomendação estabelece padrões adicionais de Autenticação e Segurança (Criptografia) para terminais que usam o protocolo H.245 para comunicação ponto-aponto e multiponto (Teleco, 2008). 3.5.8 H.450.X Generic Functional Protocol for the Support of Supplementary Services Conjunto de recomendações que estabelece padrões de sinalização para serviços adicionais para terminais, tais como transferência e redirecionamento de chamadas, 56 atendimento simultâneo, chamada em espera, identificação de chamadas, entre outros. Estas mensagens usam como suporte os pacotes TCP da rede IP, e são trocadas entre os terminais, GW e MCU’s envolvidos em chamadas do tipo ponto-a-ponto e ponto-multiponto que possuam as funcionalidades dos serviços adicionais (Teleco, 2008). 3.5.9 Session Initiation Protocol (SIP) O protocolo SIP, definido através da recomendação RFC 2543 do IETF, estabelece o padrão de sinalização e controle para chamadas entre terminais que não utilizam o padrão H.323, e possui os seus próprios mecanismos de segurança e confiabilidade. Estabelece recomendações para serviços adicionais tais como transferência e redirecionamento de chamadas, identificação de chamadas (chamado e chamador), autenticação de chamadas (chamado e chamador), conferência, entre outros. Sua utilização é similar ao conjunto H.323 descrito, embora utilize como suporte para as suas mensagens os pacotes UDP da rede IP (Teleco, 2008). 3.5.10 Media Gateway Control Protocol (MGCP) O protocolo MGCP, definido através de recomendação RFC 2705 do IETF, é usado para controlar as conexões (chamadas) nos GW’s presentes nos sistemas VoIP. O MGCP implementa uma interface de controle usando um conjunto de transações do tipo comando – resposta que criam, controlam e auditam as conexões (chamadas) nos GW’s. Estas mensagens usam como suporte os pacotes UDP da rede IP, e são trocadas entre os GC’s e GW’s para o estabelecimento, acompanhamento e finalização de chamadas (Teleco, 2008). 3.5.11 Media Gateway Control Protocol (MEGACO) O protocolo MEGACO é resultado de um esforço conjunto do IETF e do ITU-T, o texto da definição do protocolo e o mesmo para o Draft IETF e a recomendação H.248, e representa uma alternativa ao MGCP e outros protocolos similares. 57 Este protocolo foi concebido para ser utilizado para controlar GW’s monolíticos (um único equipamento) ou distribuídos (vários equipamentos). Sua plataforma aplica-se a gateway (GW), controlador multiponto (MCU) e unidade interativa de resposta audível (IVR). Possui também interface de sinalização para diversos sistemas de telefonia, tanto fixa como móvel (Teleco, 2008). 3.5.12 Real-Time Transport Protocol (RTP) O protocolo RTP, definido através da recomendação RFC 1889 do IETF, é o principal protocolo utilizado pelos terminais, em conjunto com o RTCP, para o transporte fim-a-fim em tempo real de pacotes de mídia (Voz) através de redes de pacotes. Pode fornecer serviços multicast (transmissão um para muitos) ou unicast (transmissão um para um). O RTP não reserva recursos de rede e nem garante qualidade de serviço para tempo real. O transporte dos dados é incrementado através do RTCP (protocolo de controle) que monitora a entrega dos dados e provê funções mínimas de controle e identificação. No caso das redes IP este protocolo faz uso dos pacotes UDP, que estabelecem comunicações sem conexão (Teleco, 2008). 3.5.13 Real-Time Transport Control Protocol (RTCP) O protocolo RTCP, definido também através da recomendação RFC 1889 do IETF, é baseado no envio periódico de pacotes de controle a todos os participantes da conexão (chamada), usando o mesmo mecanismo de distribuição dos pacotes de mídia (Voz). Desta forma, com um controle mínimo é feita a transmissão de dados em tempo real usando o suporte dos pacotes UDP (para Voz e controle) da rede IP (Teleco, 2008). 3.6 ANALISE COMPARATIVA ENTRE H323 E SIP O H.323 (ITU-T) e SIP (IETF) são os protocolos de sinalização para comunicação multimídia mais utilizados do mercado atualmente. Cada um dos protocolos possui origens bem distintas. Enquanto o H.323 foi criado pelo ITU-T, entidade que 58 padroniza tudo relacionado a telecomunicações, o SIP surgiu dos estudos do IETF, organização direcionada a pesquisa e desenvolvimento da Internet. O H.323 surgiu como um protocolo para comunicações multimídia em ambiente LAN sem garantia de qualidade de serviço (QoS). Com o passar do tempo, as pesquisas em torno do protocolo passaram a abordar métodos mais complexos, inerentes a telefonia de Internet. Este protocolo herda características de sinalização do protocolo Q.931 ISDN, encontrada nas redes de circuito comutado. O SIP foi desenvolvido pelo grupo de trabalho MMUSIC do IETF e possui uma visão diferente do ITU-T, direcionada ao ambiente da Internet. Muitos dos campos de cabeçalho, regras de codificação, códigos de erro e mecanismos de autenticação são oriundos do HTTP. O SIP têm o objetivo de prover serviços equivalentes ao H.323, mas com uma abordagem mais simplificada, baseada em serviços da web. É importante ressaltar que as diferenças entre os dois protocolos não influenciam no QoS para telefonia de Internet, visto que o protocolo que é responsável pelo transporte da mídia é o RTP em ambos os casos (Watanabe, 2008). 3.6.1 Complexidade de implantação Não há dúvidas na maior complexidade do protocolo H.323 em relação ao SIP. A herança das redes de circuito comutado faz com que a pilha de protocolos sob o H.323 seja extensa. O SIP é mais simples, ao se espelhar em métodos oriundos do HTTP. O H.323 define algumas centenas de elementos enquanto o SIP possui apenas algumas dezenas de cabeçalhos, cada um com menos parâmetros, porém contendo mais informação. Uma simples interação SIP funciona com apenas quatro cabeçalhos (To, From, Call-ID e CSeq) e três tipos de requisição (INVITE, ACK e BYE).O H.323 utiliza representação binária em suas mensagens, baseado no ASN.1 e PER (packed encoding rules). O SIP utiliza-se de texto puro em suas mensagens, similar ao HTTP. Apesar das diferenças, ambos os protocolos utilizam UDP e TCP para transporte das mensagens de sinalização. A interação de inúmeros protocolos torna o H.323 complexo. O encaminhamento de chamada requer a interação dos protocolos H.450, H.225.0 e H.245. Problemas de tradução sobre firewalls foram uma constante nas primeiras versões do H.323, 59 pois estas entidades precisavam agir como proxies em nível de aplicação, analisando a mensagem por completo para chegar aos campos desejados. Na última versão do H.323 (versão 6), foram publicadas duas recomendações que normatizam os procedimentos de firewall/NAT transversal, devido a demanda de telefonia direcionada ao funcionamento em ambiente de Internet. No H.323 a operação é stateful, enquanto no SIP os elementos trabalham tanto em forma stateless ou stateful, dependendo da operação (Watanabe, 2008). 3.6.2 Extensibilidade de Modularidade A definição comumente conhecida por extensibilidade é a capacidade de se promover expansões e melhorias em um sistema qualquer, com mínimos impactos para isso. E este é um parâmetro de análise importante quando se comparam dois protocolos de sinalização de voz sobre IP, pois a extensibilidade influencia comercialmente e tecnicamente a escolha do protocolo a ser utilizado. O SIP não define explicitamente os requisitos de compatibilidade entre versões, o que resulta em redução do tamanho do código e menos complexidade. No entanto pode ter o efeito adverso de novas versões não suportarem recursos de versões anteriores. O H.323 por outro lado requer compatibilidade total de versões anteriores com as novas versões, o que resulta em um código extenso para implementação. A adição e evolução de recursos e serviços são consideradas mais flexíveis no SIP do que no H.323. O SIP possui mecanismos de extensibilidade embutidos no código, é baseado em texto e a maior parte de sua estrutura é modular. O H.323 é um tanto complexo para definição de novos recursos e serviços, requerendo o código de fabricantes para serem especificados. A modularidade do SIP é notória quando analisamos a forma como outros protocolos podem ser utilizados com o SIP, não necessitando de maiores modificações no núcleo funcional do SIP. A interação de diversos protocolos sob o H.323 acaba tornando-o mais fechado e menos maleável para interações com outros protocolos. Uma vantagem do H.323 é a utilização de codecs, que necessitam ser registrados junto ao IANA (no caso do SIP) antes de qualquer implementação. No H.323 não existe este tipo de requisito (Watanabe, 2008). 60 3.6.3 Serviços Os serviços suportados por ambos os protocolos são equivalentes, embora implementados de formas diferentes. O H.323 padroniza os serviços através da recomendação ITU-T H.450 enquanto o SIP não define explicitamente em sua RFC principal, apenas em white papers e outras RFC informativas. O tempo para aquisição de serviços também é equivalente nos dois protocolos, quando utilizando UDP. A diferença é que o H.323 estabelece uma conexão de backup via TCP paralelamente ao UDP, enquanto o SIP o faz sequencialmente, após falha do UDP (Watanabe, 2008). 3.6.4 Segurança A necessidade de perfis de segurança no H.323 foi primeiramente suprida em novembro de 2000, quando o ITU-T divulgou a recomendação H.235 versão 2, que provia diferentes níveis de segurança, não definidos no H.323 em si. A mais nova e importante adição à esta série foi o suporte a SRTP (Secure Real Time Transport Protocol). O SIP suporta autenticação de chamador e chamado por meio de mecanismos HTTP. A autenticação de segurança criptografada é suportada salto a salto por meio de SSL/TSL, embora o SIP possa utilizar qualquer mecanismo de segurança da camada de transporte ou similar HTTP, como SSH ou S-HTTP. O SIP também define autenticação fim a fim e criptografia utilizando-se de PGP ou S/MIME (Watanabe, 2008). 3.7 SEGURANÇA VOIP Assim como uma rede de computadores necessita de mecanismos de segurança para se proteger das ameaças provenientes de diversas fontes, a tecnologia VoIP também pode sofrer com essas ameaças e necessitar dessa mesma segurança. Devido as vulnerabilidades, ameaças e ataques que uma rede IP e consequentemente um serviço de VoIP possa sofrer, é necessária a implementação de métodos de segurança para preservar o pleno funcionamento da comunicação das chamadas telefônicas na rede. Dentre esses métodos encontram-se: 61 VLAN: com a utilização de uma VLAN, ocorre a segmentação lógica da rede dividindo o tráfego de voz do tráfego de dados, minimizando o efeito de ataques de negação de serviço. Outro detalhe é sobre o uso de softphones no computador, os softphones usam a mesma interface de rede para dados e voz, anulando a aplicação de VLAN, nesse caso é necessária que haja uma segunda interface de rede configurada para o uso do softphone; Virtual Private Network (VPN): permite o uso de uma rede pública, como a Internet, para a conexão de redes privadas com um alto grau de privacidade para os dados por meio de criptografia. Assim uma comunicação VoIP utilizando-se do recurso de VPN, faz com que a ligação telefônica ocorra de modo seguro, mesmo trafegando pela Internet; Firewall: o equipamento com firewall implementado, visa bloquear todo tráfego proveniente de fora da rede de acordo com as políticas e regras de acessos definidas. Esse bloqueio é realizado pela técnica do filtro de pacotes, que analisa as informações contidas nos pacotes IP que transportam dados de voz, para identificar se eles são legítimos ou não; Intrusion Detection System (IDS) e Intrusion Prevention System (IPS): esses sistemas detectam pacotes maliciosos mesmo depois de terem passado pelo firewall. O IDS analisa o comportamento da rede, buscando indícios de anomalias do funcionamento, gerando alarmes e eventos ao administrador de rede. Já o IPS é proativo, tratando os alertas e realizando ações de bloqueio; Autenticação SIP: fornece segurança no processo da requisição da sessão SIP (mensagens INVITE) e no registro dos terminais (mensagens REGISTER). A autenticação consiste em mensagens de desafio, onde a requisição e o registro não são realizados de imediato, mas com a solicitação de novas mensagens INVITE e REGISTER com MD5 digest, para que o terminal seja devidamente autenticado; IP Security (IPSec): é a extensão do protocolo IP com mecanismos de segurança no tráfego de seus pacotes. O IPSec pode operar de duas maneiras: modo transporte, onde somente a carga útil do pacote (dados de sinalização ou voz) são protegidos, ou modo túnel, em que o pacote todo é protegido por criptografia; Transpot Layer Security (TLS): esse protocolo pode criptografar mensagens de sinalização dos protocolos VoIP, como uma URL SIP, que recebendo o 62 mecanismo do TLS passa a ser “sips:”. Mas o TLS não é apropriado para a segurança de mensagens que utilizam o UDP na camada de transporte. Para o tráfego de mídia, é necessário o uso do DTLS. Datagram Transport Layer Security (DTLS): esse protocolo atende as limitações do TLS relacionadas ao protocolo UDP. Ele é similar em muitos aspectos ao TLS, porém tem como diferenciais o tratamento de perda de pacotes com base num temporizador para retransmissão, e inclui cookies nas respostas do servidor, verificando se as requisições recebidas são de um cliente legítimo ou não (Teleco, 2011). Algumas das soluções apresentadas acima são aplicadas diretamente para o serviço VoIP que se utiliza do protocolo SIP para o seu funcionamento, mas há também mecanismos de segurança que são feitos na utilização da pilha de protocolos H.323. A recomendação H.323 define como padrão o protocolo H.325 para segurança. O H.325 presta suporte a serviços de autenticação e integridade, envolvendo criptografias e algoritmos de chaves simétricas, além do uso também de TLS e IPSec. Os protocolos RTP e RTCP que são responsáveis pela transmissão de mídia em tempo real na VoIP, também tem suas variantes para fornecer segurança: SRTP e SRTCP. O Secure Realtime Transport Protocol (SRTP) garante a criptografia da carga útil dos pacotes transmitidos. Antes que seja enviado qualquer fluxo de mídia, há uma negociação de chaves criptográficas em ambas as partes envolvidas na comunicação. E o Secure Realtime Transport Control Protocol (SRTCP) também fornece criptografia para o controle da entrega dos dados. A implementação da segurança traz uma maior complexidade para o uso da tecnologia VoIP, porém é de extrema importância que haja esta implementação. Algumas das soluções apresentadas já estão presentes numa rede de computadores IP, (pelo menos se pressupõe isso, já que uma rede vulnerável fica impossibilitada de prover qualquer serviço esperado). Portanto, ao implantar VoIP, os mecanismos de segurança serão complementados, e normalmente não implementados de maneira inicial. 63 Como pode ser observado, a tecnologia VoIP pode ser prover de soluções de segurança, qualidade de serviço, aplicações e protocolos padronizados para utilização (Teleco, 2011). 3.8 VANTAGENS E DESVANTAGENS VOIP Vantagens A redução de custos é o fator preponderante dentre os benefícios do VoIP, mas existem outros fatores importantes: Amplia as opções de comunicação de voz da empresa, fora da capacidade já existente em PABX's; Possibilidade de integrar nas estações de trabalho, voz e dados, tornando a infraestrutura de comunicação convergente. Desta forma, compartilha-se equipamentos e recursos humanos para diferentes tarefas; Redução nos custos de ligações internacionais, interurbanas e intra-empresa, pois possibilita comunicação a custo zero quando feitas totalmente por meio do VoIP; Permitir um melhor gerenciamento online das informações estratégicas de custeio e de despesas. Desvantagens Atraso: é um tipo de problema que ocorre devido ao tempo despendido para a chegada de um pacote que pode gerar eco. Ou também a sobreposição de sinal, uma espécie de linha cruzada. Além dos problemas da rede, existem outras fontes de atraso, como a digitalização e codificação da voz. Variação do atraso: a variação do atraso ocorre devido às próprias características da rede IP que pode entregar uma sequência de pacotes com diferentes atrasos. Perda de pacotes: as redes IP não podem assegurar que todos os pacotes serão entregues, muito menos na ordem correta de envio. Alguns pacotes podem ser perdidos durantes as transmissões quando a rede estiver congestionada. A tecnologia VoIP possui maneiras de minimizar esse 64 problema, porém, perdas de pacote maiores que 10% geralmente não são toleradas. O sistema é dependente de energia elétrica para funcionar. Desta forma constitui-se uma desvantagem frente à telefonia convencional, que funciona normalmente em caso de problemas elétricos. O sistema na maioria dos casos, não disponibiliza a ligação para números de emergência, como 190, 193, dentre outros. Para ligações locais externas, o custo não é viável na opção de alguns serviços já existentes. 65 4 CONCLUSÃO Através dos resultados das pesquisas para elaboração deste estudo, conclui-se que com o conhecimento das tecnologias disponíveis para telefonia hoje, é possível extrair o melhor de cada uma delas. Enquanto o VoIP ainda não está 100% nos quesitos qualidade de disponibilidade, um sistema hibrido se torna a melhor solução. Devido ao VoIP precisar de mais equipamentos e recursos de rede, a telefonia TDM ainda se torna atrativa aos usuários, mesmo com seu custo maior, sua qualidade e disponibilidade ainda faz com que sobrevida. Foi notado que enquanto o VoIP tiver as deficiências apresentadas no trabalho, o mundo TDM ainda vai resistir por muito tempo. Ficou claro que as variações para implantação do VoIP são grandes, deve ser analisado quais protocolos e codecs trabalharão melhor na rede, e a importância de um QoS para que não ocorram chamadas de baixa qualidade. Deve ser feito um estudo antes da implantação do VoIP na rede, pois de nada adianta reduzir os custos se os usuários vão reclamar constantemente das falhas apresentadas no serviço, falhas que quase não ocorrem no sistema tradicional. 66 REFERÊNCIAS PINHEIRO, José M. S. Rede Telefônica Comutada. 2005. Disponível em: < http://www.projetoderedes.com.br/tutoriais/tutorial_rede_telefonica_comutada_01.ph p > Acesso em 15 jun. 2015. TUDE, Eduardo. 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