XIV SIMGeo
Simpósio de Geografia da UDESC
2º SEMINÁRIO NACIONAL DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
ÁREA TEMÁTICA: PLANEJAMENTO TERRITORIAL, PLANEJAMENTO
LOCAL E REGIONAL
CENÁRIO DO AGROTURISMO NA REGIÃO DAS MISSÕES E SEU IMPACTO NO
DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Daniela Burkhard1
Jorge Amaral de Moraes 2
Daniel Luciano Gevehr 3
Roger Pierre Vidal4
Resumo
O desenvolvimento regional pode ser estimulado pelo agroturismo, envolvendo uma gama de
fatores positivos, como a geração de renda, e confiança entre as pessoas envolvidas, no
segmento. O agroturismo proporciona a inter-relação entre os setores ligados ao Turismo,
formando-se assim redes de relacionamento e cooperação. Neste contexto, desenvolvemos
este estudo sobre os cenários de prática para o agroturismo na Região das Missões, localizado
no Rio Grande do Sul. Privilegiamos em nossa investigação os impactos do agroturismo no
que se refere aos aspectos socioeconômicos, tendo em vista o desenvolvimento regional.
Dessa forma, discutem-se as potencialidades da região como atrativo turístico e as
dificuldades encontradas para o aprimoramento dessas atividades.
Palavras-chave: Agroturismo, Desenvolvimento Regional, Missões.
Abstract
Regional development can be stimulated by agritourism, involving a range of positive factors,
such as income generation, and trust between the people involved in the segment. Agritourism
provides the interrelationship between the sectors linked to tourism, thereby forming networks
of relationship and cooperation. In this context, we developed this study into the practice
scenarios for agri-tourism in the Region of Missions, located in Rio Grande do Sul We
focused our research on the impacts of agritourism in relation to socioeconomic aspects, with
a view to regional development. Thus, we discuss the potential of the region as a tourist
attraction and the difficulties encountered in improving these activities
Keywords: Agritourism, Development Region, Missions
1
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR) das Faculdades Integradas
de Taquara – FACCAT. E-mail: [email protected]
2
Doutor em Desenvolvimento Rural e professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional
das Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT). E-mail: [email protected]
3
Doutor em História e professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional das Faculdades
Integradas de Taquara (FACCAT). E-mail: [email protected]
4
Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR) das Faculdades Integradas
de Taquara – FACCAT. E-mail: [email protected]
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Florianópolis, Santa Catarina
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Introdução
O turismo representa conforme a OMT (Organização Mundial do Turismo), um de
cada nove empregos criados no mundo. Esta realidade deve-se ao crescente poder de compra
das populações e a uma forma de lazer e negócios das pessoas, cada vez mais ocupadas em
seu cotidiano. Também o agroturismo – considerado umas das formas de turismo –
representa, atualmente, uma forte alternativa de diversificação da renda das famílias que ainda
se encontram no campo, agregando valor a atividade agropecuária existente em suas
propriedades.
Nessa perspectiva, de pensar o agroturismo como uma atividade significativa no
contexto de desenvolvimento, consideramos fundamental a análise de Portuguez quando
afirma que o Agroturismo:
[...] pode ser entendido como a modalidade de turismo em espaço rural praticada
dentro das propriedades, de modo que o turista e/ou excursionista entra, mesmo que
por curto período de tempo, em contato com a atmosfera da vida na fazenda,
integrando-se de alguma forma aos hábitos locais. (PORTUGUEZ 1999, p.77).
É importante destacar que o turismo no meio rural no Brasil teve início na década de
1980, no estado de Santa Catarina, e hoje está presente em vários estados brasileiros. Já na
França, Itália e Portugal, o setor está em funcionamento há praticamente meio século.
Em nosso estudo, defendemos a ideia de que o agroturismo pode evitar o êxodo rural,
valorizando as culturas agrícolas desenvolvidas nesse meio e reforçar, por conseqüência, o
Turismo Ambiental. Afirmamos isso em função da tentativa de promoção da conservação do
meio rural e da cultura regional, sendo essa uma ideia que pode gerar possibilidades para as
famílias de proprietários e trabalhadores das unidades rurais envolvidas nesse processo.
Essa questão é abordada por Molina (2001, p.28), que afirma que “o desenvolvimento
abrange tanto os aspectos produtivos como os sociais; por exemplo, a mobilidade social e a
qualidade de vida.” Ainda, de acordo com o mesmo autor “o crescimento econômico é
medido em termos reais e objetivos, pois todo aumento na produção e em seu valor expressase em termos quantitativos.” (Ibidem, p.27)
Com isso, o planejamento turístico, visa à integração de fatores de desenvolvimento,
surge o reconhecimento da amplitude do fenômeno turístico para o desenvolvimento de locais
ou regiões com potencial adormecido, fundamentalmente relacionado aos aspectos
interdisciplinares e convergentes da atividade. Esse tem como objetivo, também, o
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desenvolvimento coerente dos elementos físicos, econômicos, sociais, culturais, técnicos e
ambientais, para satisfação de turistas, empresários e poder público.
Nesse
contexto,
que
procura
analisar
o
agroturismo
na
perspectiva
do
desenvolvimento regional é que inserimos nosso estudo, que se propõe a discutir o
desenvolvimento do agroturismo na Região das Missões.
Acreditamos que esse agroturismo pode desempenhar um papel de gerador de renda,
associado ao crescimento sócio econômico e a efetivação da valorização do meio rural. Isso
ocorre, em nosso entendimento, porque a Região das missões tem características centrais
baseadas na agricultura, apresentando significativa produção de matéria prima para
exportação. Porém, estes produtos não geram valor agregado, tendo em vista o baixo número
de indústrias de transformação desta matéria prima.
Segundo o estudo apresentado no Seminário Regional RS, Alternativas de
Desenvolvimento pelo COREDE MISSÕES (2005), em torno de 85% dos produtos
alimentícios industrializados consumidos na região missioneira são advindos de outras regiões
do estado e do país, isso porque a indústria fundamenta-se na produção agropecuária, sendo
pouco desenvolvida.
Tendo base nestes dados, pode-se ter uma visão da importância do desenvolvimento
de outras atividades econômicas – alternativas – na propriedade, influenciando diretamente a
ocupação das pessoas e também na motivação para o trabalho, tendo em vista o
desenvolvimento da própria região.
Nessa perspectiva contextual é que desenvolvemos a pesquisa, buscando responder se
o agroturismo pode exercer influência no desenvolvimento sócio-econômico da Região das
Missões. Como objetivo geral do trabalho, buscamos avaliar os impactos socioeconômicos do
agroturismo e suas influências no desenvolvimento regional das Missões.
Estruturamos nossa pesquisa, procurando discutir os conceitos fundamentais que
permeiam nossa análise, como o de Agroturismo e Desenvolvimento Regional. Buscamos
ainda compreender de forma mais aprofundada a infra-estrutura existente na Região das
Missões, no segmento do turismo, bem como a identificação do potencial da Região das
Missões para a prática de agroturismo.
Tendo esses elementos referenciais como questões norteadoras da pesquisa,
selecionamos três propriedades rurais, que desenvolvem atualmente o Agroturismo na Região
das Missões. Através desses três exemplos, procuramos investigar os impactos
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socioeconômicos produzidos pela atividade do Agroturismo para o Desenvolvimento
Regional da região missioneira.
O agroturismo e o desenvolvimento regional das missões.
O turismo, segundo ROSE (2002), é uma atividade econômica do setor terciário e
consiste em um conjunto de serviços que se vende ao turista. Estes serviços estão
necessariamente inter-relacionados de tal forma, que a ausência de um deles dificulta e até
inviabiliza a venda ou a prestação de todos os outros. Esses, por sua vez, possuem
peculiaridades rigidamente determinadas para as quais se traslada o turista, ainda que a
comercialização possa realizar-se no local de produção ou fora dele, ou seja, no ponto de
origem da demanda. A diferença marcante é que na atividade turística não se realiza uma
distribuição física do produto, uma vez que é o consumidor que se desloca até a fonte de
produção.
Vale ressaltar que o conceito de turismo empregado está de acordo com aquilo que a
Organização Mundial do Turismo – OMT propõe. Esse conceito é apresentado na obra de De
La Torre, que afirma que:
O turismo é um fenômeno social quer consiste no deslocamento voluntário e
temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que, fundamentalmente por motivos
de recreação, descanso, cultura ou saúde, saem de seu local de residência habitual
para outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa, nem remunerada,
gerando múltiplas inter-relações de importância social, econômica e cultural (DE LA
TORRE 1992, p.24).
Podemos notar que, atualmente, o turismo pode ser considerado a principal atividade
econômica, a maior “indústria” existente, superando setores tradicionais da economia, como a
indústria automobilística, eletrônica e petrolífera. Isso fica evidenciado nos estudos
apresentados por OLIVEIRA (2001), quando o mesmo faz menção a OMT e na análise
realizada com dados quantitativos, gerados pelo Turismo em diferentes lugares do mundo.
O setor tornou-se um grande gerador de postos de trabalho, produzindo 192 milhões
de empregos diretos e um número incalculável de atividades paralelas. Ainda conforme os
estudos da OMT (Organização Mundial do Turismo) desenvolvidos no Programa Nacional de
Municipalização do Turismo efetuado no Brasil entre 1994 e 2002 apontavam que o turismo,
nesse período analisado, movimentava mais de cinqüenta e dois segmentos da economia.
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Ressaltamos que são vários os tipos de turismo praticados universalmente, tornando
assim esta atividade uma grande opção de desenvolvimento. É importante que cada local
defina em que tipo – ou tipos de turismo – suas características se enquadram, de acordo com o
potencial da região. É de primordial importância esta definição, na medida em que os
possíveis investidores do setor possam efetuar seus negócios.
Deve-se considerar o produto turístico, a ser ofertado. Conforme os estudos realizados
por Beni o produto turístico:
[...] é o resultado da soma de recursos naturais e culturais e serviços produzidos por
uma pluralidade de empresas, algumas das quais operam a transformação da
matéria-prima em produto acabado, enquanto outras oferecem seus bens e serviço.
(BENI 1998, p. 29)
O produto turístico é composto de um “conjunto de bens e serviços”, no qual os bens
turísticos são todos aqueles que proporcionam satisfação de exigências fisiológicas,
espirituais, culturais e morais, quase todos os bens turísticos, não podem, ser transformados,
transferidos ou vendidos. Estes bens podem ser ainda materiais (mares) e imateriais (arte),
livres (ar) e apropriáveis (campos de esportes).
Ainda, segundo a OMT, se uma pessoa está em viagem para, de ou dentro de um certo
país, três formas distintas de turismo podem ser categorizadas: A primeira é a de Turismo
receptivo - quando não-residentes são recebidos por um país de destino, do ponto de vista
desse destino. A segunda é a de Turismo emissivo - quando residentes viajam a outro país, do
ponto de vista do país de origem. Já a terceira é a de Turismo doméstico - quando residentes
de dado país viajam dentro dos limites do mesmo.
Cabe salientar que o Turismo receptivo é o conjunto de bens, serviços, infra-estrutura,
atrativos, etc., que reunidos, atendem as expectativas dos indivíduos que adquiriram o produto
turístico. Corresponde à oferta turística, já que se trata da localidade receptora e seus
respectivos atrativos a serem oferecidos aos turistas lá presentes.
Para se organizar o turismo receptivo de modo que seja bem estruturado, deve ter o
apoio elementos essenciais em seu planejamento sendo assim executado com possível
sucesso. Estes elementos são: Relação turismo e governo em harmonia; Apoio e
investimentos dos empresários; Envolvimento da comunidade local, ou seja, de forma
endógena.
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A partir da interrelação desses elementos é que podemos ver nascer um centro receptor
competitivo. Estes elementos são apenas os essenciais, mas não os diferenciais, uma vez que é
o diferencial que fará com que o turista se desloque até esse possível centro receptivo de
turismo.
De acordo com Oliveira (2001, p.42-43) estes visitantes, por sua vez, irão formar
diferentes tipos de fluxos, como é o caso do Fluxo de convergência que é a influência dos
grandes centros urbanos sobre as suas regiões, atraindo os residentes dos municípios vizinhos
por motivos de divertimento, compras, visitas culturais e gastronomia. O Fluxo periférico, por
sua vez, ocorre com o deslocamento das pessoas das pequenas cidades para o campo ou das
zonas rurais para as cidades vizinhas, normalmente nos finais de semana. Temos ainda o
Fluxo de negócios, que é o movimento de pessoas que procuram determinados centros
urbanos por interesse profissional, ocorrendo geralmente nos dias úteis. Finalmente, o Fluxo
Turístico é produzido por pessoas que percorrem maiores distâncias com permanência mais
extensa em centros urbanos, balneários, estações termais. É influenciado fundamentalmente
pelo período de férias.
No entanto, atentamos para o fato de que nesse centro receptor, deve haver – além dos
três elementos de fundamental importância para a formação do produto turístico, outros que
devem estar presentes na localidade. Dentre eles estão os atrativos naturais e
histórico/culturais; acessos; marketing; infra-estrutura básica e complementar; condições de
vida da população local; posicionamento geográfico; entre outros.
Procurando fundamentar nossa análise, observamos ainda as possibilidades de
classificação dos atrativos turísticos, que desempenham papel preponderante na analise que
buscamos realizar sobre o Agroturismo na Região das Missões. Para facilitar o entendimento
sobre essa questão, apresentamos abaixo um quadro, brevemente, as características dos
diferentes tipos de atrativos turísticos de uma região:
1.1.1.
1.1.2. Tabela 1 - Classificação dos atrativos turísticos
TIPO DE ATRATIVO
Atrativos naturais
1.1.2.1.
DESCRIÇÃO
Montanhas, planaltos, planícies, praias, mangues, baías, ilhas,
arquipélagos, atóis, canais, rios, lagos, pântanos, cachoeiras,
águas termais, fontes hidrominerais, parques, reservas, grutas,
cavernas, áreas de caça e pesca etc.
Monumentos arquitetônicos, ruínas, obras de arte, esculturas,
pinturas, sítios históricos, parques arqueológicos, museus,
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Atrativos histórico-culturais bibliotecas, arquivos, institutos históricos - geográficos, outros.
Manifestações religiosas e crenças populares, músicas e
danças típicas, gastronomia e bebidas típicas, arquitetura
popular, artesanato, feiras, mercados, festa e comemorações
cívicas, populares e folclóricas.
Folclore
Congressos e convenções, feiras e exposições, eventos artísticos,
desportivos, socioculturais, carnavais etc. Realização técnico científicas (exploração agrícola, pastoril, minérios, industrial, usinas,
barragens, zoológicos, aquários, jardins, botânicos e planetários etc.)
Acontecimentos
programados
Fonte: Adaptado MOTA, (2001)
Procurando a ruralidade: o turismo no espaço rural
Segundo o Ministério do Turismo do Brasil, o Turismo Rural fundamenta-se em
aspectos que se referem ao turismo, ao território, à base econômica, aos recursos naturais e
culturais e à sociedade. Considera-se, portanto, Turismo no Espaço Rural ou em áreas rurais:
[...] todas as atividades praticadas no meio não urbano, que consiste de atividades de
lazer no meio rural em várias modalidades definidas com base na oferta: turismo
rural, agroturismo, turismo ecológico ou ecoturismo, turismo de aventura, turismo
de negócios, turismo de saúde, turismo cultural, turismo esportivo, atividades estas
que se complementam ou não. (GRAZIANO DA SILVA et al, 1998, p.14)
Além desta definição que apresentamos acima, podemos afirmar que o turismo rural
vai muito além de apenas um “complemento” da atividade agrícola tradicional. Consideramos
fundamental, nesse sentido, a proposta de que:
Avaliado do ponto de vista dos fatores que incrementam o desenvolvimento local e
regional, o turismo rural vai além de seu estágio apenas complementar da atividade
agrícola tradicional. Atualmente, ele constitui um modelo perfeito do tradicional
trinômio viagem-turismo-lazer, envolvendo estruturas organizacionais que deixam
para trás a prosaica convivência num pequeno chalé no meio rural (ALMEIDA, et
al, 2000, p. 64).
Na mesma obra de referência sobre o tema, temos a afirmação de que o turismo rural é
atualmente uma “locomotiva” do desenvolvimento local e regional. Nessa perspectiva de
entendimento temos que:
[...] assim como o turismo convencional, o turismo rural constitui uma fonte de
renda, proveniente de impostos e de divisas para as localidades onde ocorre; gera
empregos para a mão-de-obra local, fazendo reverter, em certos casos, o processo de
êxodo rural dos jovens, que já não precisam migrar para as grandes cidades em
busca de empregos; estimula uma série de atividades produtivas, inerentes ao
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contexto rural, tais como produtos agrícolas, vestuário específico, construções e
serviços públicos, transportes, seguros. O turismo rural explora e “capitaliza” o meio
rural ou natural que, de outra forma, não agrega valor econômico, só aquele
diretamente relacionado à produção agrícola ou à pecuária; estimula a aquisição de
produtos artesanais e daqueles relacionados com as atividades do meio rural como
lamparinas, ferramentas, objetos de decoração; ao atrair fluxos de pessoas de outros
espaços econômicos, o turismo rural estimula o consumo nas áreas onde ocorre,
desencadeando o tradicional efeito multiplicador da atividade turística (GREFFE
apud ALMEIDA, et al, 2000, p. 64-65)
Defendemos em nossa análise, a valorização do patrimônio cultural e natural, como
elementos da oferta turística no meio rural. O conjunto que constituem o patrimônio cultural
material e imaterial da região, como é o caso da Região Missioneira, deve ser promovido
como artefatos culturais, através das práticas do Turismo e do Agroturismo na região.
Acreditamos que os empreendedores, na definição de seus produtos de Turismo Rural,
devem contemplar com a maior autenticidade possível os fatores culturais, por meio do
resgate das manifestações e representações da cultura regional (como o folclore, os trabalhos
manuais, os “causos”, a gastronomia), e primar pela conservação do ambiente natural.
Turismo no espaço rural: o agroturismo
O Agroturismo pode ser considerado como uma modalidade de Turismo praticada no
meio rural, por agricultores dispostos a compartilhar seu modo de vida com os habitantes do
meio urbano. Os agricultores, mantendo suas atividades agropecuárias, oferecem serviços de
qualidade, valorizando e respeitando o meio ambiente e a cultural local.
Desta forma, empregamos o conceito de Agroturismo como sendo:
[...] atividades internas à propriedade, que geram ocupações complementares às
atividades agrícolas, as quais continuam a fazer parte do cotidiano da propriedade,
em menor ou maior intensidade. Devem ser entendidas como parte de um processo
de agregação de serviços e bens não-materiais existentes nas propriedades rurais
(paisagem, ar puro, etc) a partir do “tempo livre” das famílias agrícolas, com
eventuais contratações de mão-de-obra externa. (GRAZIANO ET AL, 1998, p.14)
Dessa forma, esta prática de turismo, ajuda a promover a economia local, criando
empregos nas atividades indiretamente ligadas à atividade agrícola e ao próprio turismo, como
comércio de mercadorias, serviços auxiliares, construção civil, entre outras, além de abrir
oportunidades de negócios diretos, como hospedagem, lazer e recreação. Com relação aos
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benefícios ambientais, pode-se mencionar o estímulo à conservação ambiental e à
multiplicação de espécies de plantas e animais, entre outros, pelo aumento da demanda
turística.
Economicamente, pode-se mencionar como exemplo de vantagens associadas ao
agroturismo, a possibilidade de agregar valor aos produtos agrícolas do estabelecimento e a
instalação de indústrias artesanais, por exemplo para a produção de alimentos regionais
típicos. Além disso, desperta a atenção para o manejo, conservação e recuperação de áreas
degradadas e da vegetação florestal e natural. Sobre essa questão Portuguez propõe que:
O agroturismo, por sua vez, pode ser entendido como a modalidade de turismo em
espaço rural praticada dentro das propriedades, de modo que o turista e/ou
excursionista entra, mesmo que por curto período de tempo, em contato coma
atmosfera da vida na fazenda, integrando-se de alguma forma aos hábitos locais. Tal
distinção faz-se necessária, uma vez que se pode, por exemplo, praticar o turismo
ambiental em espaço rural, ou seja, não especificamente no interior de uma
propriedade (PORTUGUEZ, 1999, p. 77).
Nessa mesma linha interpretativa, outra abordagem esclarecedora é feita por TULIK
(1997, 1997, p. 14), que define Agroturismo como uma “derivação do Turismo Rural, mas
caracteriza-se por uma interação mais efetiva entre o turista com a natureza e as atividades
agrícolas.” Neste segmento do Agroturismo, admite-se a presença de alguns equipamentos
fora da propriedade, como hotéis, bares, restaurantes, agências, comércio, dentre outros, como
forma de dar mellhor suporte aos empreendimentos – isso desde que a maior programação
seja feita dentro da fazenda ou sítio
O caso das missões
A pesquisa apresentada é do tipo exploratória. Valemo-nos também da pesquisa
aplicada, na qual utilizamos dados coletados junto às propriedades que já desenvolvem o
Agroturismo. Utilizamos, para isso, um Estudo de Caso, onde realizamos um detalhamento
das atividades, junto às propriedades, identificando as pessoas, as famílias, e as atividades do
Agroturismo.
Foram incluídas as propriedades que já desenvolvem o agroturismo, num universo de
três propriedades localizadas na Região das Missões (RS). Os dados e informações foram
obtidos por meio da acessibilidade, da população escolhida segundo alguns critérios de
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representatividade. A amostra da pesquisa teve base nas três propriedades que desenvolvem o
Agroturismo, na Região das Missões, sendo esta não probabilística, e por acessibilidade.
Conforme Vergara (2005, p.50-51), a amostra não probabilística por acessibilidade, significa
estar “longe de qualquer procedimento estatístico, seleciona elementos pela facilidade de
acesso a eles.” Dessa forma, os proprietários das propriedades definidas na amostra são
entendidos aqui como os sujeitos de nossa investigação.
A análise de conteúdo constituiu-se através das informações obtidas junto às
propriedades, bem como, a análise da relação dos índices socioeconômicos de participação do
Agroturismo com as possíveis influências para o desenvolvimento regional. Sendo esta, feita
de forma estatística, com um software adequado Excel.
Cabe ressaltar que o método limitou-se porque muitas vezes os responsáveis por
responder as pesquisas não relatam os dados com exatidão, podendo, com isso, ocorrer
distorções de dados sobre suas atividades.
Conforme pesquisa realizada junto ao SEBRAE/RS, Unidade de Santo Ângelo, na
Região das Missões a Noroeste do Rio Grande do Sul, encontram-se 51 locais de hospedagem
cadastrados junto ao Projeto Rota Missões. Essas encontram-se distribuídas em três tipos:
hotéis, pousadas e camping ou cabanas. Contabilizando o somatório destas infra-estruturas de
recebimento turístico, podemos considerar que a região possui um potencial para 4965
pernoites, sendo 70% em hotéis, 20% em cabanas e campings e 10 % em pousadas, com um
total de 1952 UH (unidades habitacionais). Tem ainda capacidade para 660 pessoas
pernoitarem em campings ou barracas e 30 cabanas com a mesma finalidade. A capacidade de
pernoites por município está concentrada em São Borja, o qual comporta 19% de toda
capacidade de recebimento de turistas da Região das Missões, seguida de Santo Ângelo com
17%, São Luiz Gonzaga com 14% e de Porto Xavier com 8%.
No segmento de gastronomia, observa-se a distribuição dos locais de alimentação no
qual o Município de Santo Ângelo apresenta com 17% do total de empresas do setor, seguido
de Entre Ijuís com 12% e São Miguel das Missões com 11%. Conforme fonte de dados na
Região das Missões, entre os 20 municípios analisados somam-se 95 empreendimentos,
distribuídos em restaurantes, lancherias, padarias e outros locais que comercializam
alimentos.
1.1.2.1.1.1.1.1.1.
Quando
nos
referimos à acessibilidade, lembramos que a
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Região das Missões está situada na Encosta
Ocidental do Planalto Rio-Grandense, mais
precisamente na região Noroeste do Estado do
Rio Grande do Sul, zona fisiográfica das
Missões. A região é cortada por várias rodovias,
como a BR 285 – ENTRE IJUÍS, BR 412 – SÃO
BORJA, BR 392 – PORTO XAVIER, RS 168 –
BOSSOROCA, RS 344 – GIRUÁ e RS 307 –
SÃO PAULO DAS MISSÕES.
Além disso, a região ainda conta com um aeroporto regional, localizado no município
e Santo Ângelo, que conta atualmente com vôos diários a Porto Alegre. Operando em
modernas instalações e com uma pista pavimentada de 1.625 metros, o Aeroporto Sepé
Tiaraju – que nos remete a lembrança da liderança Guarani do século XVIII – está localizado
no Km 12 da RS 049, ligação rodoviária entre Santo Ângelo e Catuípe, se unindo a cidade por
uma via totalmente asfaltada.
Figura 1 - Principais Acessos Terrestres e Aéreos
1.1.2.1.1.1.1.1.2.
Fonte: Revista Municípios da Rota Missões
1.1.2.1.1.1.1.1.3.
Conforme dados coletados junto ao Projeto Rota Missões, a região apresenta 16
empresas do setor, sendo que destas 56% encontram-se no município de Santo Ângelo, e 12%
em São Pedro do Butiá, estando as demais distribuídas pelos municípios de São Luiz
Gonzaga, Bossoroca, Cerro Largo, Giruá e São Miguel das Missões.
Quanto aos Guias de Turismo, na Região das Missões, encontramos cadastrados na
Associação Regional, em média 40 guias. Entretanto, atuando hoje no mercado, pode-se
considerar em média apenas 10 pessoas.
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Também nos preocupamos em pesquisar os locais de comercialização do artesanato
produzido na região missioneira. Foram pesquisados 12 locais cadastrados para venda de
artesanato, sendo a maior concentração em São Borja, que conta com 41% do total. Os demais
encontra-se distribuídos por Cerro Largo, Giruá, Guarani das Missões, São Ângelo, São Luiz
Gonzaga, São Miguel das Missões e Porto Xavier. Estima-se que mais de 160 artesãos
estejam envolvidos na confecção do artesanato missioneiro, com peças diversificadas,
incluídas ou não no Rota Missões. Essas atividades geram trabalho e renda para as pessoas
envolvidas nessas atividades, que acima de tudo mostram as peculiaridades da cultura
material da região missioneira, o que contribui na promoção do desenvolvimento regional.
Quanto aos atrativos turísticos, a Região das Missões apresenta diversos espaços
constituídos, que contemplam cultura e lazer, distribuídos em espaços urbanos e rurais.
Através desses lugares, os turistas podem conhecer esculturas, igrejas, diversos outros
exemplos da cultura material e imaterial das Missões.
Buscando melhor estruturar a tabulação dos dados coletados na pesquisa de campo,
construímos uma tabela, que apresenta os municípios da região das Missões e seus principais
atrativos turísticos:
Tabela 2 – Atrativos Turísticos da Região das Missões
Municípios
Atrativos
Santo Ângelo
Catedral Angelopolitana, Prefeitura Municipal – Acervo Tupambaé,
Museu Municipal Dr. José Olavo Machado, Museu Arqueológico, Museu
Marechal Rondon, Rua da Redução, Monumento ao Índio, Teatro
Municipal Padre Antônio Sepp, Memorial da Coluna Prestes, Monumento
a Coluna Prestes, Monumento Tio Billia, Centro Municipal de Cultura
Santo Ângelo Custódio, Centro de Cultura Missioneira, Capela do
Colégio Tereza Verzeri, Associação dos Artistas Plásticos de Santo
Ângelo – AAPASA, Santuário de Schoenstatt (Tupancirendá), Seminário
Sagrada Família / Santuário Nossa Senhora da Salette, Parque
Internacional de Exposições Siegfried Ritter e Cascata do Comandai.
São Miguel das
Missões
Espetáculo de Som e Luz, Antiga Sacristia, Igreja de São Miguel das
Missões – Ruínas – Patrimônio Histórico da Humanidade, Museu das
Missões, Sino, Cruz Missioneira, Fonte Missioneira, Fazenda do Presente
e a Fazenda Triunfo.
São Luiz
Gonzaga
Gruta Nossa Senhora de Lourdes, Centro de Criatividade de São Luiz,
Capela Santo Antônio, Museu Municipal Senador Pinheiro Machado,
Museu Arqueológico, Igreja Matriz, Praça da Matriz, Instituto Histórico
Geográfico, Sítio Arqueológico de São Lourenço e o Rio Piratini.
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Bossoroca
Caibaté
Sobrado do Furtado e Cemitério dos Cativos.
Santuário do Caaró.
Cerro Largo
Igreja Matriz de Nazaré, Casarios Enxaimel, Cruz de Fundação, Museu
25 de julho e Centro de Artesanato.
Dezesseis de
Novembro
Nenhum registro encontrado
Entre-Ijuís
Giruá
Guarani das
Missões
Pirapó
Porto Xavier
Rolador
Roque Gonzáles
Salvador das
Missões
Sítio Arqueológico de São João Batista, Museu Arqueológico e o Rio Ijuí.
Parque Elson Pilau
Polfest, Museu Casa da Cultura e o Santuário Nossa Senhora de
Czestochowa.
Casa da Cultura
Rio Uruguai
Nenhum registro encontrado
Santuário do Assunção do Ijuí, Salto Pirapó, Barra do Ijuí e o Cerro do
Inhacurutum
Nenhum registro encontrado
Santo Antônio
das Missões
Museu Municipal Estanislau Wolski, Vila Santa Rosa / Trevo de Acesso e
o Parque de exposições Lindolfo Ourique
São Nicolau
Igreja Matriz, Museu Arqueológico, Museu Histórico Missioneiro, Sítio
Arqueológico da Redução Jesuítica de São Nicola, Adega Jesuítica,
Sobrado da Família Silva, Passo de Santo Izidro no Rio Uruguai e o
Chafariz Jesuítico
São Paulo das
Missões
Kerbefest Missões, Expofest e a Trilha ecológica de Cerro Grande
São Pedro do
Butiá
Monumento de São Pedro, Expobutiá, Kerbfest, Fisch Fest, Dezemberfest,
Igreja Matriz
Sete de
Setembro
Capela de São Roque
Ubiretama
Cascata do Rio Laranjeiras
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Fonte: Pesquisa de Campo
Na Região das Missões, encontramos cadastradas, junto ao SEBRAE/RS, 12 locais de
lazer rurais, nos quais somente um deles foi caracterizado pela realização do Agroturismo. É o
caso dos Produtos Coloniais Mayer, localizado em São Pedro do Butiá. Abaixo apresentamos
a lista com os empreendimentos de lazer localizados na zona rural, bem como o município em
que estão localizados:
Tabela 03 – Propriedades Rurais na Região das Missões
NOME DO EMPREENDIMENTO
LOCALIZAÇÃO
Balneário Visão
Bossoroca
Parque Aquático Cristal
Cerro Largo
Parque das Fontes
Enre-Ijuis
Jussara Isabel Gottems Daruy
Giruá
Ademar Hilgert Caye Me
Pirapó
Balneário Cachoeirão Das Missões
Pirapó
Balneário Porto Cristal
Santo Ângelo
Jeferson Vidal Martins
Santo Ângelo
João Alberto Stoquero
Santo Ângelo
Fazenda do Presente
São Miguel das Missões
Fazenda Progresso
São Nicolau
Produtos Coloniais Mayer
São Pedro do Butiá
Fonte: SEBRAE/RS – Rota Missões.
Como já afirmamos anteriormente, na realização da pesquisa de campo, encontramos
apenas uma propriedade que possuía as atividades de Agroturismo. Foi o caso dos “Produtos
Coloniais Mayer”, localizada no município de São Pedro do Butiá. Na propriedade, 10
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pessoas estão envolvidas na produção da agroindústria e atendimento aos turistas, sendo estas
83% com trabalhos diários sendo realizados e 17% realizam trabalhos eventuais. No entanto,
os trabalhos eventuais aumentam 50% quando a propriedade recebe os turistas. A atividade, já
em 2007, obtinha um rendimento médio de R$ 570,00 reais mensais, valores que atualizado
pelo IGP-M com base maio de 2014 corresponde a R$ 901,00 reais mensais.
Dentre os produtos ofertados ao turista estão melado, chimia, açúcar mascavo, mel,
licor, cachaça, vinho, peixe, uva in natura, almoços e jantares típicos alemães, e visitação a
Casa típica de 1926. O empreendimento não oferece camping e nem pernoites. A atividade é
um exemplo do Agroturismo, no qual o visitante pode apreciar quaisquer dos processos de
colheita dos produtos citados, além de conhecer a agroindústria onde são transformados.
Todos os produtos são fabricados na propriedade, sendo 100% das pessoas contratadas
aproveitadas no processo, tendo uma rentabilidade média com a venda gerada pela
agroindústria de em média R$ 3.000,00 mensais, sendo que 97% colaboradores recebem de
R$ 381,00 a R$ 760,00 em 2007
A partir dos dados apresentados podemos considerar que o exercício da atividade de
Agroturismo pode ter correlação com o desenvolvimento de uma localidade agrícola. O
desenvolvimento regional, conforme Siedenberg (2006, p.71) é um “processo de mudanças
sociais e econômicas que ocorrem em uma determinada região”. Constata-se, ainda, que a
partir do momento em que um grupo social organiza-se em uma atividade rentável com
relações de confiança entre as pessoas envolvidas, e mostrando-se auto-sustentável, pode-se
sim gerar desenvolvimento regional. Com isso, expandem-se suas fronteiras, e assim angariase uma rede de relacionamentos de mercado, que vem a ser estruturada com a mesma
atividade, na forma de repassadores, ou até mesmo cooperados.
Constatamos que a partir do momento em que um grupo social organiza-se em uma
atividade rentável com relações de confiança entre as pessoas envolvidas, e mostrando-se
auto-sustentável, pode-se sim gerar desenvolvimento regional para uma localidade. Com isso
expandem-se suas fronteiras, angariando uma rede de relacionamentos de mercado, que vem a
ser estruturada com a mesma atividade, na forma de repassadores, ou até mesmo de
cooperados.
Cria-se, dessa forma, uma interligação comercial, onde todos ganham e as atividades
começam a ser complementadas, como é o caso de São Pedro do Butiá, que no ano de 2008,
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inaugurou um Centro de Turismo, com a principal atratividade ligada à estátua de São Pedro
que tem o tamanho parecido ao do Cristo Redentor do Rio de Janeiro/RJ.
Nesse contexto analisado, a região somente tem a ganhar, pois os empreendimentos,
cada vez mais, irão gerar visitações de turistas, que vem em busca da superação de um desejo,
que deve ser suprido através dos empreendedores, ofertando suas atrações, bem como seus
produtos coloniais. Esse é o caso dos Produtos Coloniais Mayer, estudado em nossa pesquisa.
Considerações finais
O Turismo pode ser considerado uma importante alternativa de trabalho e renda. É,
sem dúvida, uma atividade que, em uma região pouco desenvolvida em outros setores da
economia, pode oferecer meios de manter e melhorar o nível de atividade econômica,
evitando dessa forma a migração de pessoas para as áreas mais desenvolvidas e densamente
povoadas de um país. Não há dúvidas de que o turismo no mundo encontra-se em crescimento
e que o desenvolvimento tecnológico tem contribuído para o avanço deste setor. O
agroturismo é uma das alternativas que, nesse contexto, somam nas regiões onde o turismo
cultural predomina, como no caso da Região das Missões.
Tendo essas questões como problema, procuramos desenvolver uma pesquisa na qual
verificamos as influências do Agroturismo, para o desenvolvimento regional das Missões.
Dentre os aspectos analisados incluíram-se o levantamento dos atrativos da Região das
Missões, as potencialidades de desenvolvimento do agroturismo e as influências.
Notamos que através da análise real das atividades, demonstrou-se que é possível
gerar desenvolvimento regional com a angariação de atividades ligadas ao turismo. Essas, por
sua vez, contribuem para a permanência do homem no campo, promovendo o
desenvolvimento rural. Foi possível avaliar a interrelação do turismo com o mundo rural, e
assim visualizar o retorno possível, através das pessoas envolvidas, e não deixando de analisar
o tipo de atividades de lida campeira. Na análise dos resultados, percebemos que a
propriedade estudada possuía mais de nove produtos ofertados ao mercado, sendo que todos
eram de fabricação própria, envolvendo não somente a família, mas pessoas eventuais
contratadas para as tarefas. Todas possuem rentabilidade considerável para o campo.
Entretanto, concluímos que a Região das Missões não está focada no desenvolvimento
do Agroturismo, mas sim do turismo que percorre diferentes lugares dos municípios
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envolvidos, em especial de seus espaços urbanos. A região está preparada para o turismo,
apresentando a infra-estrutura desejada, com restaurantes, guias de turismo, agências,
hotelaria, locais de venda de artesanato. Nesse contexto, o Agroturismo vem a somar como
mais um atrativo aos visitantes, mas não o principal.
Quanto ao desenvolvimento regional, como já visto, e analisado, a atividade que gera
resultados econômicos e sociais, como ao Agroturismo, pode ter alta relação com o
desenvolvimento e crescimento regional. Certamente, a cadeia de relações, geradas com a
fabricação e comercialização de produtos, vai muito além dos valores gerados com o
recebimento de turistas.
Compreendemos que o Agroturismo apresenta relação com o desenvolvimento
regional, devido ao fato que ele promove geração de renda, através da alternativa criada no
campo, no qual a principal fonte de recursos muitas vezes vem apenas da agricultura de
monocultura. Sendo assim, o Agroturismo, uma vez potencializado na Região das Missões,
pode oferecer mais uma opção para agregar valor a propriedade onde é desenvolvido, fixar o
homem no campo e promover o desenvolvimento regional.
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cenário do agroturismo na região das missões e seu impacto no