UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA FACULDADE DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E URBANISMO PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO INDUSTRIA ELETRÔNICA NO BRASIL: AVALIAÇÃO DE ALGUMAS DE SUAS INFLUÊNCIAS AMBIENTAIS COM ENFASE NA QUESTÃO ENERGÉTICA. CESAR HENRIQUE JOSÉ DA SILVA ORIENTADOR: PROF. DR. GILBERTO MARTINS Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Engenharia de Produção, da Faculdade de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo (FEAU), da Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP, como requisito para obtenção do Título de Mestre em Engenharia de Produção. SANTA BÁRBARA D’OESTE 2007 Dedico este trabalho em memória de meu querido Pai, pois acho que ele teria orgulho deste momento que ele ajudou a construir, assim como eu me orgulho de ter sido seu filho. À minha adorável Mãe que simplesmente acredita sempre em mim. À minha doce Esposa e meus queridos Filhos que sempre me incentivaram mesmo quando o trabalho nos limitava algum compartilhamento familiar. ii AGRADECIMENTOS Ao professor Gilberto Martins pela orientação sempre precisa e adequada, com cuidadosa compreensão das dificuldades do trabalho e sempre dispensando incentivo e paciência para este desenvolvimento. iii ABSTRACT Due to the importance that the electronic equipment has assumed in daily life, and the growth of this industrial sector, this work propose and applies a methodology of evaluation of the consumption of electricity of this productive sector from a measurable parameter: the area of printed circuit board consumed. The main productive process with its components and inputs are presented and a standard process is proposed where allows the evaluation of the consumption of electricity consumption per unit area of used printed circuit board. Some potential environmental impacts of the electronic products are analysed. The results of the electricity consumption in the studied industrial sector had been analyzed comparatively to the total consumption and of other sectors as the industrial and domestic. Finally was observed an estimate of the embodied energy in each phase of the productive process of an electronic equipment was carried through, for unit area of assembly board, where also indicated that the phase of assembly of the components on the board has a very small weight on the overall embodied energy. KEYWORDS: PCI Assembly, Electronic industry, Consumption of Energy and Embodied Energy. iv RESUMO A partir da importância que os equipamentos eletrônicos têm assumido na vida cotidiana, e o crescimento deste setor industrial, este trabalho propõe e aplica uma metodologia de avaliação do consumo de energia elétrica deste setor produtivo a partir de um parâmetro mensurável: a área de placa de circuito impresso consumida no país. São então apresentados os principais processos produtivos, componentes, insumos e equipamentos utilizados nesta indústria e é proposto um processo padrão que permita a avaliação do consumo de energia elétrica a partir da área de placa utilizada. São analisados ainda alguns potenciais impactos ambientais associados aos produtos eletrônicos. Os resultados do consumo de energia elétrica no setor industrial estudado foram analisados comparativamente ao consumo total e de outros setores como o industrial e doméstico, demonstrando não ser este um setor eletro-intensivo . Finalmente foi realizada uma estimativa da energia embutida em cada fase do processo produtivo de um equipamento eletrônico, por unidade área de placa montada, que indicou que a fase de montagem dos componentes sobre a placa tem também um peso muito pequeno. PALAVRAS-CHAVE: Montagem de PCI, Indústria Eletrônica, Consumo de Energia e Energia Embutida. v SUMÁRIO RESUMO ............................................................................................................V LISTA DE FIGURAS........................................................................................ VIII LISTA DE TABELAS ..........................................................................................X 1. INTRODUÇÃO............................................................................................... 1 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. 1.5. OBJETIVO GERAL ......................................................................................................3 OBJETIVO ESPECÍFICO ..............................................................................................4 “METODOLOGIA”........................................................................................................4 MOTIVAÇÃO ..............................................................................................................5 ESTRUTURA DO TRABALHO ........................................................................................6 2. RECURSOS NATURAIS E ENERGIA........................................................... 8 2.1. RECURSOS NATURAIS .............................................................................................20 2.2. ENERGIA .................................................................................................................30 3. INDÚSTRIA ELETRÔNICA ......................................................................... 37 3.1. CARACTERIZAÇÃO E ESTRATÉGIA DA INDÚSTRIA ELETRÔNICA ...................................39 3.2. INDÚSTRIA ELETRÔNICA NO BRASIL .........................................................................46 3.2.1 HISTÓRICO............................................................................................................46 3.2.2 ÁREAS PRINCIPAIS DE ATUAÇÃO (CARACTERIZAÇÃO) ..............................................49 3.2.3 ESTRATÉGIAS .......................................................................................................51 3.3. INDÚSTRIA ELETRÔNICA – DEFINIÇÕES E PROCESSO DE PRODUÇÃO ........................53 3.4. COMPONENTES ELETRÔNICOS.................................................................................55 3.5. PLACA DE CIRCUITO IMPRESSO (PCI) ......................................................................59 3.6. PROCESSOS E MONTAGEM DE COMPONENTES NA PCI ..............................................62 3.9. PROCESSO DE PRODUÇÃO ......................................................................................70 A. APLICAÇÃO DE PASTA DE SOLDA POR PROCESSO DE IMPRESSÃO .................................70 B. INSERÇÃO DE COMPONENTES SMDS ..........................................................................71 C. SOLDAGEM POR “REFLOW” ........................................................................................73 D. ROTAÇÃO DA PCI PARA MONTAGEM DO OUTRO LADO..................................................74 E. APLICAÇÃO DE ADESIVO PARA SMDS .........................................................................74 F. INSERÇÃO DE SMDS SOBRE ADESIVOS .......................................................................75 G. CURA DE ADESIVO ......................................................................................................76 H. INSERÇÃO DE COMPONENTES CONVENCIONAIS ............................................................76 I. SOLDAGEM A ONDA ....................................................................................................76 J. TESTES PARAMÉTRICOS ..............................................................................................78 K. MONTAGENS MANUAIS ................................................................................................79 vi 4. CONSUMO DE ENERGIA E IMPACTOS DE MATERIAIS DA INDÚSTRIA ELETRÔNICA.................................................................................................. 80 4.1. CONSUMO ENERGÉTICO NA INDÚSTRIA ELETRÔNICA ................................................80 4.2. INVENTÁRIO DE MATERIAIS DA INDÚSTRIA DE COMPONENTES ELETRÔNICOS .............94 4.3. IMPACTOS AMBIENTAIS DA INDÚSTRIA ELETRÔNICA – GESTÃO DE RESÍDUOS ............95 4.2.1. USO DE LIGA DE SOLDA “LEAD FREE” NA INDÚSTRIA ELETRÔNICA ....................103 5. METODOLOGIA DE ANÁLISE DO CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA NO PROCESSO................................................................................................... 106 5.1. CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA PARA PROCESSO PROPOSTO PARA 3 TIPOS DE PRODUTOS ESPECÍFICOS ..............................................................................................117 6. CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................... 119 REFERÊRENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................... 125 ANEXO I – CASO 1: CÁLCULO DE ENERGIA ELÉTRICA PARA PLACA DE EQUIPAMENTO DE AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL ........................................ 136 ANEXO II – CASO 2: CÁLCULO DE ENERGIA ELÉTRICA PARA PLACA DE USO EM COMPUTADORES ......................................................................... 139 ANEXO III – CASO 3: CÁLCULO DE ENERGIA ELÉTRICA PARA TELEFONES CELULARES PROPOSTO ...................................................... 142 ANEXO IV – INFORMAÇÃO REFERENCIAL DE MÁQUINAS E FORNECEDORES......................................................................................... 145 ANEXO V – CÁLCULO DAS ÁREAS DOS COMPONENTES E TEMPO DE INSERÇÃO .................................................................................................... 146 ANEXO VI – PLANILHA PARA APLICAÇÃO DO CONSUMO PARA DEMANDAS LIMITES EM M²/MÊS................................................................ 147 vii LISTA DE FIGURAS FIGURA 1: AS INTERAÇÕES ENTRE ECOSSISTEMAS, SISTEMA PRODUTIVO E SISTEMA ECONÔMICO LEVAM À INTERDEPENDÊNCIA DAS CRISES DESTES 3 SISTEMAS ..15 FIGURA 2: ESTRUTURA PARA ACV .............................................................28 FIGURA 3: ETAPAS DOS PROCESSOS DE PROJETO DE PRODUÇÃO DE SEMICONDUTORES .................................................................40 FIGURA 4: BALANÇA COMERCIAL - PRODUTOS ELETRELETRÔNICOS ..48 FIGURA 5: BALANÇA COMERCIAL – COMPONENTES ELETRÔNICOS......48 FIGURA 6: ESQUEMA UTILIZADO PARA A DEFINIÇÃO DA INDÚSTRIA ELETRÔNICA ............................................................................54 FIGURA 7: MONTAGEM DE COMPONENTES EM PCI .................................55 FIGURA 8: TIPOS DE ENCAPSULAMENTO DE COMPONENTES ELETRÔNICOS ..........................................................................57 FIGURA 9: TIPOS DE TECNOLOGIAS DE MONTAGEM DE COMPONENTES ELETRÔNICOS ..........................................................................63 FIGURA 10: FLUXO DE PROCESSO DE MONTAGEM ASSOCIADO (MT) E FLUXO DE PROCESSO DE MONTAGEM EM SUPERFÍCIE (SMT) ........................................................................................65 FIGURA 11: EQUIPAMENTOS PARA UM PROCESSO SMT .........................66 FIGURA 12: VARIAÇÕES DE MONTAGENS DE PLACA DE CIRCUITO IMPRESSO ................................................................................67 FIGURA 13: FLUXOGRAMA DO PROCESSO PADRÃO PARA DESENVOLVIMENTO DO ESTUDO .........................................69 FIGURA 14: COMPARAÇÃO EM PORCENTAGEM DE ENTRADA DE ENERGIA PARA CADA ESTAGIO DE FABRICAÇÃO DE COMPONENTES ELETRÔNICOS..............................................82 FIGURA 15: DETALHES DOS COMPONENTES DENTRO DA FASE DE MANUFATURA...........................................................................83 FIGURA 16: CONSUMO DE ENERGIA PRIMÁRIA POR MANUFATURA DE PC COMPARADA COM O NÚMERO DE UNIDADES VENDIDAS MUNDIALMENTE .......................................................................84 FIGURA 17: TELEFONES MÓVEIS – EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA CDMA ...................................................................................................86 FIGURA 18: RESUMO DE INVENTÁRIO DE MATERIAL E ENERGIA PARA FABRICAÇÃO DE BOLACHA DE SILÍCIO.................................89 FIGURA 19: MÉDIA DE CONSUMO DE ELETRICIDADE EM 12 LABORATÓRIOS DE FABRICAÇÃO DE SEMICONDUTORES.....91 FIGURA 20: CONSUMO DE ENERGIA NA PRODUÇÃO E USO DE UM CHIP DE MEMÓRIA DE 32MB DRAM ................................................92 FIGURA 21: ANÁLISE DE CICLO DE VIDA GENÉRICO ................................97 viii FIGURA 22: COMPOSIÇÃO TÍPICA DOS MATERIAIS DE PRODUTOS ELETRÔNICOS DESCARTADOS .............................................98 FIGURA 23: ÍNDICE DE EFEITOS AMBIENTAIS CAUSADOS POR TOXICIDADE ...........................................................................105 FIGURA 24: CAPACITOR CERÂMICO – MEDIDAS .....................................108 FIGURA 25: REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO TAMANHO DOS COMPONENTES PARA O TRABALHO ..................................108 ix LISTA DE TABELAS TABELA 1: DIVISÃO DO SETOR ELETRÔNICO EM SEGMENTOS COM SUAS APLICAÇÕES ........................................................51 TABELA 2: DISTRIBUIÇÃO DOS TIPOS DE PCIS POR APLICAÇÃO E TENDÊNCIAS NO BRASIL - REFERÊNCIA 1997 .....................61 TABELA 3: CLASSIFICAÇÃO E APLICAÇÃO DE COMPONENTES ELETRÔNICOS ..........................................................................81 TABELA 4: CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA POR ARÉA DE BOLACHA DE SÍLICIO ................................................................................90 TABELA 5: CARACTERÍSTICAS DOS COMPONENTES PROPOSTOS ......109 TABELA 6: PLANILHA PARA APLICAÇÃO E DETERMINAÇÃO DE PROCESSO ESPECÍFICO ......................................................112 TABELA 7: CONSUMO DE PCI POR ÁREA NO PERÍODO PONDERADO MENSALMENTE ......................................................................113 TABELA 8: PLANILHA DE CONSUMO ENERGIA POR SETORES .............114 x 1. INTRODUÇÃO A presença de produtos que possuem recursos ou dispositivos eletrônicos no cotidiano da sociedade tem aumentado consideravelmente nos dias de hoje. A eletrônica tem assumido uma crescente importância em segmentos como informática, automação de serviços bancários e comerciais, sistemas automotivos e produtos de bens de consumo (MELO, 2001). A indústria eletrônica atuando tanto nos tradicionais segmentos de áudio e vídeo, ou em novos segmentos como os eletrodomésticos, cada vez mais “inteligentes”, e nos automóveis que tem ampliado a sua eletrônica embarcada, faz desta uma indústria de importância crescente no Brasil e no mundo. Quando se fala em indústria eletrônica como um sub-setor do setor industrial, há uma agregação muito grande de indústrias que, de um modo geral fabricam ou montam componentes eletrônicos e elétricos. Para o Ministério de Minas e Energia (MME) a indústria elétrica e eletrônica está classificada em um grupo de “outras indústrias” sem detalhamento. Para a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE) a divisão das indústrias associadas obedece a uma divisão por área, com Automação Industrial, Componentes elétricos e eletrônicos (divisões de partes e peças), Informática, Telecomunicações, Equipamentos Industriais, GTD (Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica), Material Elétrico de Instalação e Utilidades Domésticas Eletroeletrônicas. Divisão esta que também não traz muita precisão para o conceito de indústria eletrônica. Segundo “Nordic Council of Ministers” (1995b) o termo eletrônica está relacionado a dispositivos eletrônicos ou circuitos e sistemas baseados em dispositivos eletrônicos. Este fórum também cita a Enciclopédia Britânica que considera os dispositivos eletrônicos como sendo os dispositivos que possuem a condução de elétrons através do vácuo, gás ou semicondutores. Neste trabalho é proposta uma definição de indústria eletrônica a partir da similaridade dos processos produtivos nela utilizados. Neste sentido não será considerada a indústria elétrica, que tem uma grande variedade de produtos e processos produtivos, o que tornaria muito abrangente e difícil uma análise como a que aqui se propõe. As implicações ambientais associadas a esta indústria eletrônica também serão abordadas neste trabalho com enfoque em uso de energia e recursos envolvidos em todo o fluxo do processo. Segundo Griese (2004), os produtos eletrônicos, do ponto de vista ambiental devem buscar minimizar o consumo de energia e recursos de forma a atingir uma visão de sustentabilidade. Valendo-se desta idéia a proposta é identificar componentes e processos envolvidos que possam ser contabilizados numa caracterização desta indústria de forma a se avaliar os impactos a ela associados. Os produtos desta indústria eletrônica possuem componentes, como placas de circuito impresso, componentes eletrônicos e ligas de solda, além de toda classe de materiais envolvidos no encapsulamento dos componentes e no invólucro do produto final. Todos estes componentes têm contribuições isoladas e muitas vezes independentes sobre o ponto de vista de uso de energia e recursos dentro de seus ciclos de vida desde a fase de extração, manufatura, uso e disposição final do produto. Um exemplo conhecido sobre as características impactantes ambientais de um dos componentes dos equipamentos eletrônicos é a liga de solda das placas de circuito impresso, que geram uma dificuldade de gerenciamento do resíduo no momento do descarte do produto. O chumbo (Pb), elemento contido na liga de solda é reconhecido como um dos mais significantes perigos à vida do ser humano, especialmente para mulheres gestantes e seus bebês e crianças. Apesar de muita resistência contra o 2 argumento para eliminar o chumbo dos circuitos ou componentes eletrônicos, a indústria eletrônica tem se direcionado para a redução de uso de substâncias perigosas em seus processos (UDOMLEARTPRASERT, 2004). Legislações ambientais, avanços tecnológicos e incremento da competitividade do mercado global têm determinado padrões ambientalmente adequados nos projetos de produtos e processos para a indústria de montagem eletrônica. Estes produtos e processos têm seus projetos baseados em várias ferramentas que têm uma capacidade qualitativa limitada para identificar interferências entre impactos ambientais, rendimentos e confiabilidade (STUART, 1997). Dentre estes impactos estão incluídos o uso de energia, consumo de materiais, geração de resíduos, rendimento do processo e confiabilidade do produto. Stuart (1997) já indicava que uma estratégia de introdução de novos produtos ou inovação de processos requeria da indústria ou companhia uma avaliação complexa de custos e interferência ambiental. 1.1. OBJETIVO GERAL Neste trabalho se pretende avaliar o consumo de energia no processo de fabricação típico da indústria eletrônica, que é a montagem de placas de circuito impresso, e discutir alguns aspectos ambientais associados ao ciclo de vida de seus produtos. Este trabalho não tem a pretensão de esgotar todas as informações que envolvem os processos existentes dentro da indústria eletrônica, mas sim apresentar um processo genérico suficiente dentro desta indústria que nos permita avaliar o nível de consumo de energia deste setor, assim como algumas das implicações ambientais de suas estratégias produtivas. 3 1.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Os objetivos deste trabalho são: i ) Propor um indicador de caracterização e medição do tamanho do setor que esta inserido a indústria eletrônica. Este caracterizador deverá atender um padrão quantitativo para o levantamento e definição de parâmetros importantes para a validação dos consumos de energia dentro da indústria estudada. ii ) Avaliar o consumo de eletricidade das operações e processos produtivos utilizados na indústria eletrônica. iii ) Fazer uma abordagem da energia embutida associada aos componentes ou materiais utilizados. iv ) Discutir os aspectos ambientais associados a esta atividade. 1.3. “METODOLOGIA” A metodologia do trabalho tem caráter exploratório baseando-se em levantamento bibliográfico. Em função da alta competitividade do setor, indisponibilidade de dados e questões relacionadas a segredo industrial, optouse por esta metodologia, ao invés de um estudo de caso. O referencial bibliográfico traz a informação técnica sobre as fases dos processos associados e componentes envolvidos. Além disso, foram estudados e contextualizados a indústria a ser avaliada para dar suporte à análise dos parâmetros do processo utilizado. Este referencial também apresenta alguns estudos para contextualizar os principais conceitos envolvidos na indústria eletrônica para discussão ambiental. 4 Foi proposta uma descrição de um processo de produção genérico, que foi utilizado para a aplicação prática do trabalho, dirigindo-o à análise do objetivo específico para conclusão da avaliação do consumo de energia do processo de montagem de placa. Uma parte da abordagem quantitativa do trabalho foi feita sobre o referencial bibliográfico de forma a definir o padrão de consumo energético e algumas referências de impactos ambientais associados. Uma outra parte da abordagem quantitativa se valeu do uso de cálculos e algumas definições práticas baseadas em experiências do autor nos processos associados. As abordagens quantitativas tiveram o objetivo de tentar classificar e analisar um padrão de consumo e potenciais impactos ambientais dentro do escopo do trabalho. Uma identificação e definição de um indicador serviram como base para sustentação deste estudo exploratório de um modelo de produto assim como a validação de seus resultados. Para contextualização prática da aplicação, foram avaliados 3 tipos de produtos-exemplo usando os referenciais bibliográficos desenvolvidos e os do processo padrão proposto. 1.4. MOTIVAÇÃO A escolha desta segmentação do setor se explica em função de uma expectativa profissional do autor em explorar esta indústria de forma diferenciada no cenário industrial nacional. A experiência e vivência deste em processos de manufatura de montagem de placas de circuito impresso durante quase duas décadas têm demonstrado e identificado uma tendência de aumento de produção neste segmento em função de demanda crescente de produtos com esta tecnologia e esta condição traz junto uma demanda de 5 energia relacionada/necessária assim como potenciais impactos ambientais. Esta vivência do autor na indústria eletrônica também foi motivo de tentar contextualizá-la de forma a criar um conhecimento crítico sobre esta indústria ou atividade que tem apresentado um crescimento significativo do ponto de vista de investimentos e importância, seja na balança comercial do país seja na aplicação e desenvolvimento de novas tecnologias de manufatura e produtos associadas a este segmento. Esta condição é que motivou o trabalho e estará conduzindo a metodologia da análise. Algumas informações e conceitos adquiridos em função da experiência profissional do autor nos processos de manufatura de indústria eletrônica serão utilizados para desenvolvimento do trabalho. 1.5. ESTRUTURA DO TRABALHO Com o objetivo de criar uma associação dos hábitos de consumo dos dias de hoje com os produtos da indústria a ser avaliada neste trabalho, o capítulo 2 aborda um referencial teórico com conceitos de desenvolvimento e utilização dos bens de consumo como uma necessidade potencialmente padronizada da sociedade atual. Esta discussão abordará a evolução e comportamento do consumo no decorrer da história analisando sob o ponto de vista do uso de materiais e consumo de energia. O capítulo 3 traz uma descrição de indústria eletrônica, descrevendo um pouco da história da mesma no mundo e seu desenvolvimento no Brasil com as distribuições do segmento do setor eletrônico no país assim como algumas tendências e estratégias de manufatura. Neste capítulo também existe a definição e caracterização da indústria eletrônica para o trabalho e dos principais componentes. Ainda neste capítulo serão descritos o processo produtivo e algumas características de equipamentos utilizados. 6 No capítulo 4 são apresentados alguns estudos encontrados na literatura que discutem o consumo de energia e de matérias e os impactos ambientais associados ao pós uso de alguns dos produtos da indústria eletrônica, que servirão de comparação com os resultados obtidos neste trabalho. No capítulo 5 é desenvolvido o modelo de processo produtivo e são calculados os consumos de eletricidade e os resultados são comparados com os valores aplicados a 3 processos propostos em 3 tipos de produtos diferentes para uma discussão final. Para finalizar, uma discussão das necessidades de consumos energéticos e impactos ambientais da indústria eletrônica e seus produtos eletrônicos será apresentada no capítulo 6. 7 2. RECURSOS NATURAIS E ENERGIA Nossa cultura econômica e social é regida pela lógica da tecnologia para resolver os problemas do dia a dia sem que nos preocupemos se a solução destas questões poderá aumentar os problemas da humanidade no futuro, tornar mais próximo o momento do esgotamento dos recursos naturais ou acionar um mecanismo irreversível de danos irreparáveis à biosfera e ao ambiente necessário à sobrevivência (TIEZZI, 1988). Segundo Jackson (1996), a sociedade humana aparenta ter se liberado ou estar desconsiderando quase que completamente seus limites naturais, ou seja, mostra-se desconsiderando os limites dos recursos naturais. Também analisando nossa sociedade, Daly (1984) cita que uma outra observação muito comum a ser feita sobre esta sociedade humana é que ela pode ser descrita como uma sociedade industrial moderna que tem como um de seus dogmas fundamentais o postulado da necessidade do “desenvolvimento”, onde “desenvolvimento” significa crescimento constante da economia que pode ser medido em fluxo de dinheiro, em dólares, reais, marcos, yens ou rublos. Esta forma de medir, segundo Daly, pode ser considerada como uma forma de medida abstrata e mostra que o progresso, nestes termos, vem a ser aumento constante do produto interno bruto per capita. ”Um paradigma neoclássico do crescimento econômico é o crescimento contínuo da capacidade de produção (estoque) e renda (fluxo), porém num mundo finito, crescimento contínuo é impossível. Dados finitos estômagos, finitas vidas e o tipo de homens que não vive só de pão, o crescimento se torna indesejável bem antes de se tornar impossível” (DALY, 1984). Para Daly (1984) existe uma economia política que se preocupa ou faz um discurso sobre a escassez de recursos naturais e existe também uma política econômica que paradoxalmente tenta contornar o conflito social minimizando a 8 escassez, prometendo que existam mais coisas para mais pessoas de forma eterna. Este paradoxo onde a sociedade tem que garantir controladamente o crescimento com limites do consumo e também da produção sem conflitos sugere um pensamento organizado onde não só as questões econômicas sejam priorizadas no crescimento e desenvolvimento da sociedade e sim uma combinação maior com outras variáveis, como questões ambientais que estão diretamente relacionadas com o futuro desta sociedade. A humanidade começou a se preocupar com o esgotamento dos recursos naturais quando percebeu que, após o advento da revolução industrial, a capacidade do ser humano em apropriar-se ou alterar a natureza aumentou muito, resultando em alterações positivas e negativas. A imprevisibilidade dessas alterações no ambiente, ou seja, a maneira pela qual nos apropriamos dos recursos naturais pode provocar impactos no meio ambiente que, de acordo com a sua qualidade, podem reverter negativamente na própria apropriação desses recursos, gerando deseconomias (BELLIA, 1996). Segundo Tiezzi (1988) ainda, se observarmos a globalidade e a interdependência dos fatos e medindo-os com os tempos da biologia, muito mais longos que os da história, percebe-se com clareza que nestes últimos anos, a humanidade chegou, pela primeira vez, a uma encruzilhada da qual podemos tomar decisões ou aplicar soluções que precipitem ou não problemas futuros para a continuidade da própria humanidade. Nem sempre as decisões que precipitem problemas futuros trazem uma distribuição justa e adequada em todos os benefícios, sendo facilmente identificada a péssima distribuição de recursos e benefícios entre as regiões do planeta, com muita miséria e fome em muitos cantos, associadas à falta de direitos e bem estar mínimos de um ser humano. Goldemberg (1998) define esta situação como a disparidade na distribuição de renda onde as elites que são minoritárias diferem suas necessidades, aspirações e forma de vida em relação às massas mais pobres da população, por exemplo, em relação ao uso 9 de energia. Esta disparidade também se reproduz no uso dos recursos naturais. Estudos ou prognósticos sobre os problemas ambientais tem se apresentado com as mais variadas intensidades de visão catastróficas. Meadows (1973) já citava que o crescimento da industrialização e da economia indica o maior uso e custo de recursos naturais. Uso devido ao aumento em muitas aplicações e custo devido a escassez de determinados recursos. O crescimento da população, na busca da satisfação de seus interesses individuais e sociais ou coletivos também faz com que este uso e custo sejam aumentados ou agravados em função do aumento da quantidade de usuários destes recursos. Para garantir que a humanidade tenha crescimento sem interferir ou limitar o meio ambiente, um conceito ou cultura de desenvolvimento deve ser repensado de forma aplicar as melhores rotas para uso do planeta. Uma cultura para o desenvolvimento da humanidade carece ao extremo da biologia, da termodinâmica e das relações fundamentais destas duas ciências com a economia, com a vida social e com os processos produtivos (TIEZZI, 1988). Para Tiezzi tal convicção, em substância parte de 3 considerações: a) o equilíbrio da natureza é um equilíbrio extremamente delicado que, com facilidade, o homem pode modificar de maneira irreversível. A natureza não é um reservatório ilimitado de recursos; b) a longo prazo, a coletividade, jamais é indenizada pela destruição e pelo desperdício dos recursos naturais e ambientais, seja em termos econômicos, seja em termos sociais; c) o fictício bem-estar da sociedade de consumo baseia-se na exploração da relação de três tipos de populações: 1) as novas gerações, que irão se deparar com os recursos escassos e com o ambiente poluído; 2) os 10 grupos mais fracos e marginalizados, que sofrem danos sobre a saúde, com a poluição, etc., sem usufruir das vantagens econômicas do consumismo; 3) o Terceiro Mundo, que paga estas necessidades consumistas com a monocultura, com o próprio ambiente destruído (natural e culturalmente), e com a fome. Em abril de 1968 um grupo de pessoas de 10 países se reuniram na “Academia dei Lincei”, em Roma, para formar uma organização informal, com muita propriedade como um “colégio invisível” e com a finalidade de promover o entendimento dos componentes variados, mas interdependentes – econômicos, políticos, naturais e sociais – que formam o sistema global em que vivemos (MEADOWS, 1973). Seus encontros resultaram em um projeto sobre o Dilema da Humanidade onde o grupo examinou os cinco fatores básicos que determinam e, por conseguinte, em última análise limitam o crescimento em nosso planeta: população, produção agrícola, recursos naturais, produção industrial e poluição. Este grupo de pessoas se denominou Clube de Roma. Meadows (1973) identificava que para manter o crescimento da economia e da população até o ano 2000, uma lista de componentes necessários seria longa, mas poderia ser dividida de maneira geral em duas categorias principais: - A primeira categoria inclui as necessidades físicas que mantêm toda atividade fisiológica e industrial (alimentos, matérias-primas, combustíveis fósseis e nucleares e os sistemas ecológicos do planeta, que absorvem refugos e reciclam importantes substâncias químicas básicas). Estes componentes são, teoricamente, os elementos computáveis, tais como terra cultivável, água doce, metais, florestas e oceanos. - A segunda categoria dos componentes necessários ao crescimento consiste nas necessidades sociais. Mesmo que os sistemas físicos da terra sejam capazes de sustentar uma população muito maior e mais desenvolvida economicamente, o crescimento real da economia e população dependerão de fatores de paz e estabilidade social, instrução e empregos, e de constante 11 progresso tecnológico, fatores que são muito mais difíceis de avaliar ou predizer. Um crescimento exponencial é um fenômeno dinâmico, isto é, envolve elementos que mudam durante um período de tempo e quando muitas quantidades diferentes estão crescendo simultaneamente em um sistema, e quando todas elas se correlacionam de maneira complicada, a análise das causas de crescimento e do comportamento futuro do sistema torna-se realmente muito difícil (MEADOWS, 1973). Dependendo da maneira que as grandes sociedades consumidoras de reservas vão comportar-se, em face de algumas importantes decisões futuras, elas podem: a) continuar a aumentar o consumo dos recursos naturais, de acordo com o padrão atual. b)aprender a aproveitar e a reciclar materiais que tem sido postos de lado. c) desenvolver novos métodos para aumentar a durabilidade de produtos feitos com reservas que são escassas. d) encorajar padrões sociais e econômicos capazes de satisfazer as necessidades de uma pessoa, embora reduzindo ao mínimo, em vez de aumentar ao máximo, os bens insubstituíveis que ela possui e dissipa. Estes caminhos envolvem opções que são particularmente difíceis, por que implicam a escolha entre benefícios presentes e benefícios futuros (MEADOWS, 1973). A escolha de se valer de benefícios presentes mantendo-os no futuros gera um contexto de discussão onde já em 1987 uma Comissão de ONU para Meio Ambiente e Desenvolvimento se reuniu e produziu um documento, conhecido como Relatório Bruntland, que define o conceito de “Desenvolvimento sustentável” como sendo aquele que garante o uso atual com uma ponte segura para o futuro no sentido da manutenção e preservação dos recursos utilizáveis. “Desenvolvimento sustentável”, segundo esta comissão, é “desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazer as suas próprias necessidades”. 12 Para que haja um crescimento econômico com o progresso social e a manutenção e conservação do meio ambiente, contemplados de forma simultânea e harmônica buscando maximizar a eco-eficiência de todas as atividades humanas, o conceito de desenvolvimento sustentável vem sendo encarado como uma possível resposta aos desafios sociais e ambientais que temos enfrentado neste início de século (PNUMA, 2006). Reforçando esta referência, pode-se citar a consideração de Gallo (2007) que descreve que o desenvolvimento sustentável não representa um estado de harmonia permanente, sendo que as questões econômicas e ecológicas devem ser especial e igualmente analisadas em processos de tomada de decisões. Isto se deve ao fato de que economia e ecologia estão integradas nas atividades do mundo real, portanto necessitam que haja considerações que atendam as necessidades do presente sem desconsiderar o futuro. Gallo (2007) também cita que as estratégias para o desenvolvimento sustentável necessitam de vontade e empenho políticos com mudanças de atitudes e objetivos e disposições institucionais alinhadas nos níveis municipal, estadual e federal. Eco-eficiência é um conceito que essencialmente procura relacionar os resultados obtidos em uma determinada atividade com os impactos produzidos sobre o meio ambiente, em termos de consumo de recursos naturais ou de poluição, neste sentido, vários indicadores de desempenho ambiental de produtos e processos vêm sendo desenvolvidos. Um exemplo de um indicador é a “Pegada Ecológica” que exprime uma área produtiva equivalente de terra e mar capaz de prover recursos ecológicos e serviços e absorver os resíduos gerados por uma unidade de população que pode ser calculada de forma individual, regional ou até mesmo de mundial (WWF, 2007). Um outro exemplo é o indicador “Emergia”, também chamado de memória energética, que indica a energia necessária para a produzir um determinado produto, recurso ou serviço e é medido em termos de energia solar equivalente (ORTEGA, 2007). Boff (2003), entretanto classifica o termo desenvolvimento como vindo do campo da economia; não de qualquer economia, mas da economia do tipo 13 imperante, que visa à acumulação de bens e serviços de forma crescente e linear mesmo à custa de iniqüidade social e depredação ecológica. Esse modelo é gerador de desigualdades e desequilíbrios, inegáveis em todos os campos em que ele é dominante (BOFF, 2003). A sustentabilidade provém do campo da ecologia e da biologia. Ela afirma a inclusão de todos no processo de inter-retro-relação que caracterizam todos os seres em ecossistemas. A sustentabilidade afirma o equilíbrio dinâmico que permite todos participarem e se verem incluídos no processo global (BOFF, 2003). A expressão desenvolvimento sustentável se torna assim, na prática, inexeqüível. Os termos se contrapõem e não revelam uma forma nova e alternativa de relação entre produção de bens necessários à vida e à comodidade humana e natureza com seus recursos limitados (BOFF, 2003). Conceitos capitalistas ou socialistas que trazem seus padrões de classes sociais não apresentaram tampouco uma solução ou embasamento sobre crescimento material com limites ou objetivos. Para posturas sem limites ou objetivos é preciso rediscutir não apenas as relações de produção, mas também o que, como, onde, quando produzir, etc. É preciso varrer todos os lugares-comuns que fazem coincidir o bem-estar com o aumento do “Produto Nacional Bruto” (PNB) ou com a concentração industrial (TIEZZI, 1988). Os valores com os quais construir esta nova cultura do desenvolvimento devem ser científicos e não metafísicos, e, ao mesmo tempo, éticos e não materiais (TIEZZI, 1988). Segundo TIEZZI, durante muito tempo (antes da década de 80), o desconhecimento ou desconsideração de grandes leis da física (os rendimentos energéticos, a entropia) e muitos princípios básicos da biologia, da evolução e da genética, faziam com que tanto os países capitalistas como os países do socialismo real demonstrassem uma cultura de desperdício de 14 recursos, na destruição do meio ambiente, no desrespeito pelas futuras gerações. TIEZZI faz uma apresentação de um esquema proposto por B. Commoner, conforme Figura 1 abaixo onde demonstra uma relação de 3 potenciais crises contemporâneas. A crise ambiental e a crise energética são frutos de opções equivocadas do sistema produtivo e do sistema econômico. A energia é a chave para entender estas interações: um sistema baseado em energias nãorenováveis catalisa uma série de reações em cadeia que levam, inevitavelmente, à destruição do meio ambiente, à exaustão dos recursos naturais e, em última análise, à crise econômica. recursos bens SISTEMA PRODUTIVO ECOSSISTEMAS poluição Crise Ambiental SISTEMA ECONÔMICO capitais Crise Energética Crise Econômica FIGURA 1: AS INTERAÇÕES ENTRE ECOSSISTEMAS, SISTEMA PRODUTIVO E SISTEMA ECONÔMICO LEVAM À INTERDEPENDÊNCIA DAS CRISES DESTES 3 SISTEMAS FONTE: TIEZZI (1988) Os limites do desenvolvimento, ou melhor, do crescimento material, neste caso, são os limites da renovabilidade dos recursos naturais, do ambiente, da energia, etc (TIEZZI, 1988). A estas interações pode-se acrescentar o aspecto do uso da força de trabalho envolvida dentro do sistema, que além de um papel de tipo operacional tem importante influência sobre a quantidade de produtos que este sistema proporciona. 15 Segundo Meszaros (1989), a força de trabalho socialmente disponível, podendo ser ou não usada, constitui um dos dilemas mais contraditórios dentro de uma sociedade capitalista, haja vista que tem um papel duplo de forte relação, ou seja, a mesma força de trabalho que existe como “fator de produção” também assume um forte aspecto de “consumidor de massa”. Estas duas relações são vitais para a manutenção de um ciclo normal de um sistema capitalista. Esta identidade de trabalhador e consumidor de massa atribui ao trabalho uma função estratégica dentro do conjunto do sistema, mesmo que as pessoas envolvidas não tenham a devida consciência de seus papeis e potenciais emancipações sociais (MESZAROS, 1989). Com potencial aumento da população e uma maior tendência de consumo em massa para atendimento das necessidades da sociedade de forma geral, o sistema econômico força o sistema produtivo a suprir suas demandas, gerando por conseguinte demandas, não menores, ao ecossistema. Desta maneira fica configurado um elevado consumo de materiais e energia com todas as suas limitações naturais e impactos ambientais associados. Para Tiezzi (1988), isto não remete a sociedade ao retorno de uso de iluminação a vela, mas sim o uso de conceitos de análise de dinâmica avaliando os efeitos conforme os tempos biológicos com o objetivo de alcançar um fluxo estacionário de energia, de população e de recursos. Segundo Meadows (1973), na história da humanidade, muitos propuseram um certo estado de não crescimento para a sociedade humana. Muitos filósofos, economistas e biólogos discutiram esse estado, e deram-lhe tantos nomes diferentes quantos eram os significados e ele aplicou uma definição de estado de equilíbrio para o estado constante de população e capital, ou seja, estado de estabilidade ou igualdade entre forças contrárias. Nos termos dinâmicos do modelo mundial discutido por Meadows, as forças contrárias são aquelas que causam o aumento da população e do estoque de capital (intenso desejo de ter família numerosa, baixa eficiência no controle de natalidade, taxa alta de 16 investimento de capital), e as que causam diminuição da população e do estoque de capital (falta de alimento, poluição, taxa alta de depreciação ou obsolescência). A palavra capital deve ser entendida como a combinação do capital agrícola, industrial e de serviço. Assim, a mais básica definição do estado de equilíbrio global é que a população e o capital são essencialmente estáveis, estando as forças que tendem a aumentá-los ou diminuí-los em um estado de equilíbrio cuidadosamente controlado (MEADOWS, 1973). O ponto de ruptura onde o crescimento depende das disponibilidade dos recursos naturais é o objeto de análise profunda e Tiezzi (1988) faz uma citação de Laura Conti que apresenta um resposta para esta identificação afirmando que o momento mais oportuno para parar é agora, pois agora é mais difícil do que ontem, mas é mais fácil do que amanhã. Agora é mais difícil do que há um ano atrás, mas é mais fácil do que dentro de um ano e cada dia que se passa a liberdade de escolha fica cada vez menor. Em uma análise global em 1990, Jackson (1996) mostrava uma emissão de materiais tóxicos na atmosfera na ordem de 19 milhões de toneladas anuais, sendo que a indústria química era a responsável por aproximadamente 40% dessa emissão. Novos materiais têm sido desenvolvidos, mas com não menos problemas. Por exemplo, as novas gerações de materiais usados em semicondutores e supercondutores aumentaram o uso de materiais raros sob os quais existe pouca pesquisa sobre efeitos à saúde ou impactos ambientais. As composições de materiais usando polímeros e vidro ou fibras oferecem alto perigo ocupacional durante sua manufatura e propõe sérios problemas de resíduos após seu uso (JACKSON, 1996). A ignorância sobre os limites da capacidade do planeta para absorver poluentes deveria ser razão suficiente de cautela na liberação de substâncias contaminantes. O perigo de se atingirem esses limites é especialmente grande 17 porque há, tipicamente, uma longa demora entre a liberação de um poluente no meio ambiente e o aparecimento de seus efeitos negativos no sistema ecológico (MEADOWS, 1973). Quanto mais qualquer atividade humana se aproxima do limite da capacidade que o planeta tem para suportá-la, tanto mais evidentes e difíceis de se resolver se tornam as opções ou alternativas a essa atividade considerando-se que a terra é finita (MEADOWS, 1973). Em geral, a sociedade moderna não aprendeu a reconhecer estas opções, e a tratar com elas. Desta forma o objetivo evidente no atual sistema mundial consiste em garantir que para o aumento da população existam condições de proporcionar-lhe mais alimentos, bens materiais, ar puro para cada pessoa (MEADOWS, 1973). “A dinâmica das populações sempre se apresentou dependente das condições físicas, químicas e alimentares, propiciando o desenvolvimento e crescimento daqueles adaptadas às condições reinantes, condenando à redução (e até à extinção) das espécies para as quais o meio ambiente se tornasse hostil. Administrada pela evolução da Natureza, poder-se-ia dizer que, se economia houvesse, toda ela seria dependente da própria evolução do planeta, em especial da biosfera, até surgir o Homem” (BELLIA, 1996) Segundo Bellia (1996) os seres humanos vivem em sociedade e em suas variadas atividades, relacionam-se com o meio ambiente. As diferentes formas de relacionar-se economicamente com o ambiente é que caracterizam a transformação de elementos da natureza em recursos naturais. A apropriação que os seres humanos fazem dos recursos da natureza é diferenciada, dependendo da tecnologia utilizada, das finalidades, etc. Assim, cada período histórico e cada sociedade transformam o ambiente em recurso de uma determinada maneira. O petróleo, por exemplo, há menos de duzentos anos atrás era utilizado apenas por curandeiros como remédio e também em pequena escala na iluminação. Hoje em dia o petróleo é um dos primeiros combustíveis que movimentam as indústrias, os transportes, etc. O mesmo pode-se dizer em relação à energia potencial das quedas d’água e assim por diante. 18 Neste sentido, não se pode esquecer que foi a evolução natural das condições ambientais, durante bilhões de anos, que permitiu o surgimento da humanidade. Esta mesma evolução extinguiu os grandes sáurios ao modificarse para condições adversas a tais espécies. Entretanto, sabe-se até intuitivamente que, ao recriar um novo ambiente, pode-se gerar, em paralelo, uma série de efeitos colaterais (desejáveis ou não) que podem facilitar, por um lado, ou dificultar, ou até impedir, o desenvolvimento e a qualidade de vida dos seres humanos, à medida que se alteram os ecossistemas (BELLIA, 1996). De acordo com Jackson (1996) o setor ou a economia industrial se comporta como um lago que sustenta ou propicia a vida através da dissipação de energia e materiais, mas existe um fim definido ou limites. Para este autor a fonte de energia de alta qualidade que mantém o delicado balanço neste lago é a energia solar, sendo que a entrada e saída de materiais neste sistema, participam de um ciclo global de materiais onde os materiais degradados são naturalmente retornados para um estado de disponibilidade usando a energia solar. E assim por diante segue-se o ciclo. Para Jackson (1996), temos um desconfortável dilema: perseguir ou permanecer no nosso curso presente de oferta de alto padrão de vida material, mas com a destruição da estabilidade do nosso ambiente natural ou renunciar ao benefícios da industrialização que pode salvar o ambiente mas com o nosso retorno ao esforço selvagem para sobreviver. O objetivo do gerenciamento ambiental na economia industrial tem sido realmente fugir deste dilema buscando encontrar uma maneira de manter as vantagens de bem estar humano que tem sido alcançado através da industrialização e ainda assim garantir a vida futura do meio ambiente. Este dilema não é fácil, considerada a restrição termodinâmica de todas as atividades que se caracterizam por ser essencialmente dissipativa de energia e materiais. De acordo com a 1ª lei da termodinâmica em qualquer processo a somatória de energia e matéria envolvidas, permanecem constantes, enquanto a 2ª lei dita que os processos reais são sempre irreversíveis, sendo que as irreversibilidades são crescentes com o aumento da velocidade dos processos, e que o aumento da organização 19 de um sistema (redução da entropia) só é possível se o aumento da desorganização do entorno (aumento da entropia) for maior. Neste sentido a necessidade da redução do uso de materiais assim como o uso mais eficiente da energia passa ser a razão nobre das pesquisas que não degradem o meio ambiente e permitam o crescimento do sistema econômico para satisfação da sociedade humana. Desta forma uma discussão sobre material e energia será apresentada a seguir. 2.1. RECURSOS NATURAIS O uso de materiais variados nos produtos de utilidade geral da sociedade tem apresentado diferenciais significativos dentro do mercado de bens de consumo, pois materiais mais resistentes, duráveis, baratos ou inovadores são objeto de pesquisa continua, muito embora as novas opções não tenham necessariamente forte apelo à redução de impactos ambientais. Para Jackson (1996) o uso de materiais no processo de produção de bens pode ser analisado em vários estágios: no projeto, processamento, fabricação e até no descarte. O estágio de projeto é onde todos os aspectos do sistema são concebidos, são planejados e projetados. Particularmente neste estágio é que se deve incluir alem do projeto do produto, também o projeto do sistema de produção. Ambos os elementos teriam impacto significante sobre aspetos materiais de vários sistemas. Os estágios subseqüentes são os de processamento e produção, onde o produto material é processado e distribuído para os fornecedores para prover especificamente serviços relacionados a estes produtos. 20 O próximo estágio é a disposição onde passa a existir uma necessidade de gestão dos resíduos. Esta fase é responsável por definir a disposição de materiais que deixaram o sistema econômico e reentram no meio-ambiente. Freqüentemente este estágio é o último na vida do produto e apesar de haver uma perda de contato ou atenção da sociedade sobre este produto, ele ainda está sujeito às leis da natureza, pois muitas vezes degradam, dispersam, são acumulados, às vezes são reutilizados em um ou outro produto. Às vezes eles vazam e contaminam o solo ou nascentes de água, causando danos ambientais por gerações. E esta é uma das principais motivações para desenvolvimento de estratégia de gerenciamento e de prevenção ambiental (JACKSON, 1996). Para Jackson (1996), existem 2 importantes objetivos nesta motivação que são o melhoramento da eficiência dos materiais e a substituição dos recursos e materiais perigosos. Esta necessidade do uso de materiais pela sociedade está inserida dentro de um contexto de desenvolvimento e lucratividade do sistema sócio-econômico e político mundial como um todo e tem sua importância bem definida dentro de estratégias de futuro de todas as nações do planeta, assim como o uso de energia (YOUNG, 1994). Segundo Jackson (1996), a procura de lucros dentro da economia industrial é um fator crucial no desenvolvimento desta economia e é uma motivação para melhoria contínua e busca de aumento da eficiência na indústria. Uma característica que tem tido um evidente aumento sobre os produtos industriais é a desmaterialização, que segundo Graedel e Allenby (1995) é um processo pelo qual uma menor quantidade de materiais é usada para fazer produtos que produzem as mesmas funções de seus produtos predecessores. Um exemplo atual de desmaterialização são os computadores palmtops que tem mais capacidade que os supercomputadores da década de 80 com uma fração de massa dos mesmos. Os circuitos integrados eletrônicos também são exemplos de desmaterialização onde a densidade de componentes eletrônicos 21 dentro de pequenos encapsulamentos tem sido aumentada em ritmo exponencial desde 1960 (GRAEDEL, ALLENBY, 1995). Uma limitação importante na desmaterialização é que muitos produtos industriais são preferencialmente relacionados a padrões humanos e não podem ser reduzidos arbitrariamente. Computadores pessoais, por exemplo, tiveram uma redução de tamanho significativo nas últimas décadas, com o melhoramento da tecnologia de armazenagem de dados possibilitando redução de discos rígidos. Os circuitos integrados são melhores e menores, mas itens como o teclados não podem ter sua redução em função de não atender as necessidades das mãos humanas. Do ponto de vista de conceito, pode-se apontar um exemplo estratégico discutido por Jackson (1996) que é a redução do “mix” ou quantidade de tipos materiais dentro do sistema. Isto quer dizer que observando pelo ponto de vista termodinâmico, este “mix” ou quantidade representa um aumento de entropia dentro do sistema e pelo ponto de vista prático uma maior quantidade de fluxos de resíduos (material) é mais difícil de tratar efetivamente que uma quantidade menor. A desmaterialização pode ser impulsionada por mudança de conceitos ou cultura da sociedade assim como por definições governamentais, entretanto é claro que esta não é uma condição tão fácil ou simples de ser atingida. Alguns processos desenvolvidos e executados podem ser relacionados ou aplicados como “benchmarking” de procedimentos através dos quais a tecnologia é continuamente desenvolvida para melhoramento da performance ambiental. Produtos padrões, ou com características de intercambialidade, poderiam incluir requisitos relacionados a projetos modulares, reposição de componentes e tempo de vida maior. Esta condição alinha um conceito de aplicação de melhores práticas ou uso de recursos materiais já experimentados em outras situações. Considerando a aplicação de materiais de forma mais consciente, conforme estes critérios de produto, é possível iniciar a viabilização da melhor aplicação 22 de materiais da fase do seu projeto ao desuso com amparo de regulamentação ou legislação que, por exemplo, defina uma responsabilização clara de fabricantes ou produtores durante toda a vida do produto. Segundo Jackson (1996) também, regulamentações não podem ser feitas com definições de limitações rigorosas sobre as atividades industriais, pois podem conduzir a ineficiências e perdas de competitividade, ou melhor, deve haver um número de oportunidades para criar interferências dentro de uma estrutura de regulamentação através do qual os governos possam encorajar e promover a desmaterialização. Em particular, o desenvolvimento de novos conceitos de responsabilidades pós-uso poderiam transformar a estrutura da economia de mercado através do deslocamento da base de rentabilidade pela quantidade de produtos vendidos em direção à provisão de serviços (JACKSON, 1996). Neste conceito de redução de materiais e energia no sentido de um maior uso de serviços, a observação que deve ser aplicada é sobre o contexto total do sistema onde ou no qual o produto tem sua aplicação ou função. Segundo Young e Sachs (1994), frequentemente é mais eficiente realizar uma grande mudança sistêmica do que uma individual de produto, como por exemplo, a construção de mais estradas nem sempre é a melhor opção de reduzir congestionamento. Uma opção considerável seria que o planejamento poderia ser conduzido no sentido da melhoria da rede dos transportes públicos repensando o desenvolvimento de linhas que percorrem locais residenciais e próximos a locais de trabalho da população. Aplicação de taxas para práticas ambientalmente correta e subsídios são freqüentemente consideradas como mais uma maneira flexível de encorajar o melhoramento da performance ambiental na economia de mercado apesar de nenhum preço ou custo ser capaz de fazer uma compensação no futuro para algum esgotamento de recurso natural raro. Os materiais são determinados geralmente em valores que são considerados economicamente adequados do ponto de vista da sociedade, ou seja custos aplicados aos materiais em função de aspectos de oferta e procura, sazonalidade regionais, tecnologia aplicada e até mesmo, como citado, taxações arbitradas por critérios específicos. 23 Nesta linha de raciocínio, Jackson (1996) diz que obviamente é necessário identificar uma maneira de internalizar o custo externo, de forma a se tentar garantir que o preço a ser pago pelos materiais e produtos incluam o custo dos danos ambientais e esgotamento de recursos os quais são associados ao uso e consumo destes materiais. O sistema produtivo, entretanto ainda não se permite favorecer este raciocínio e pelo contrário, exerce pressão para que não haja esta internalização do custo. Para exemplificar esta situação de internalização dos custos embutido a cada material, a sociedade de forma geral poderia se valer de um raciocínio imaginativo proposto por Gardener e Sampat (1998) que supõem que se um caminhão entregasse diariamente pela manhã em cada casa, todos materiais que uma pessoa usaria durante o seu dia, não considerando alimentação e combustível, teríamos neste caminhão um empilhamento de madeira para os jornais, produtos químicos para o shampo, plásticos para sacolas ou metais para as aplicações em seus carros. Caso acrescentasse também a esta suposição, por exemplo, somente as necessidades diárias em suas vidas incluindo pedras e cascalhos usados em seus escritórios e nas ruas que são percorridas dentro do dia, segundo estes autores a pilha de materiais colocada no caminhão, estaria na ordem de 101 quilos por dia para um americano adulto. Portanto seria receber 101 quilos hoje, mais 101 quilos amanha e assim por diante. Para Young e Sachs (1994) uma melhor aplicação de materiais nos produtos durante toda sua vida, passa por uma revisão dos conceitos de profissionais, companhias e indústrias que as desenvolvem e produzem. Estes conceitos podem estar estruturados ou embasados em um padrão cultural que permeia toda a sociedade atual. Os requisitos puramente funcionais e econômicos já não tem tido peso tão mais expressivo que os requisitos de apelos sociais e ecológicos dentro das mais recentes propostas de criação das organizações de produção. Isto fica mais evidente em função de um padrão de globalização onde a busca por produtos com maior lucratividade, segurança e atendendo exigências 24 ecológicas e ambientais são fatores decisivos numa concorrência de mercado. Do ponto de vista das exigências ecológicas e ambientais, a maior preocupação está muito relacionada com o aumento da consciência de consumidores e de uma forte pressão de leis ambientais (JACOVELLI & FIGUEIREDO, 2003). Esta questão é ponto-chave nesta discussão. Todo este contexto permite considerar que existe uma direção de trabalho e desenvolvimento no conceito do produto, de forma a obter um melhoramento de eficiência do mesmo em todos os aspectos citados ao longo de toda sua vida, desde a extração dos componentes do produto até o seu descarte final. Pensando especificamente em produto, pode-se dizer que a melhor fase para se estabelecer ou integrar estratégias de redução de impactos ambientais é fase de projeto do produto, que possui uma janela de conceito capaz possibilitar uma grande variedade de escolha (JACOVELLI & FIGUEIREDO, 2003). Para Tibor e Feldman (1997), citados por Jacovelli e Figueiredo (2003), quando se projeta com perspectiva ambiental, se aplica esforços em produtos e processos capazes de eliminar ou reduzir poluição, e em conseqüência reduzir custos também com descarte de resíduos perigosos e com custos associados ao cumprimento das leis (JACOVELLI & FIGUEIREDO, 2003). Dentro da fase de desenvolvimento de um projeto a necessidade de identificar uma administração sistêmica que suporte um controle de processo que inclua os interesses ambientais, tem sido experimentada por grandes empresas que por conseqüência tem incentivado várias pesquisas que resultam em uma série de ferramentas, conhecidas por DFX (Design for X ou Design for eXcellence). Estas ferramentas “permitem ações, preferencialmente no ambiente de concepção do projeto, com o objetivo de otimizar diversos resultados posteriores, obtidos nas fases seguintes de manufatura e, mais recentemente, em relação a outros aspectos envolvidos com o produto como a manutenção, reciclagem e descarte” (JACOVELLI, 2005). 25 Dentro da abordagem de DFX ainda existem outras importantes ferramentas como as descritas (JACOVELLI, 2005): - Projeto para desmontagem (DFD - Design for Disassembly) - Projeto para reciclagem (DFR - Design for Recyclability) - Projeto para a confiabilidade (DFRe - Design for Reliability) - Projeto para o ciclo de vida (DFLC - Design for Life-Cycle) - Projeto para a qualidade (DFQ - Design for Quality) - Projeto para a segurança (DFS - Design for Safety) - Projeto para a embalagem (DFP - Design for Packaging) - Projeto para a interface amigável (DFUF - Design for User-Friendliness) - Projeto para a inspeção (DFI - Design for Inspectability) - Projeto para os testes (DFT - Design for Testability) - Projeto para a manutenção (DFMt - Design for Maintainability) Segundo Kuo et al. (2002), “o grande desafio não é a implementação de novas técnicas, mas a superação de barreiras organizacionais e resistências de mudar o jeito com que as coisas são feitas”, e desta forma não existem dúvidas que as ferramentas DFX são importantíssimas para alcançar um projeto e produto competitivo dentro da atual indústria de manufatura, atendendo todos os novos apelos impostos pelos clientes, assim como a própria superação das expectativas de tais solicitações (JACOVELLI, 2005). Alternativas e iniciativas de processos que possam minimizar impactos ambientais tem sido pesquisados e aplicados de forma a obter a melhor desempenho do sistema como um todo e neste sentido surge a proposta de uma indústria ecológica. 26 Segundo Graedel e Allenby (1995) para que haja uma indústria ecológica, ou um padrão de ecologia industrial, a humanidade pode racionalmente buscar e manter capacidade desejável, ganhando em economia, cultura e evolução tecnológica. Este conceito requer que um sistema industrial seja visto não de forma isolada no sistema ambiental, mas sim combinado com ele. Trata-se de uma visão de um sistema no qual existe a busca para otimizar o ciclo total de materiais desde o material virgem, do material acabado, do componente, do produto, do produto obsoleto e da sua disposição final. Os fatores a serem otimizados incluem recursos, energia e capital. Um encurtamento da vida útil dos produtos tem sido deliberadamente aplicado para tornar possível o lançamento de novas linhas de produtos, modelos e suprimentos superproduzidos no ritmo de uma circulação acelerada. Esta obsolescência planejada para os bens de consumo duráveis é uma maneira de captura do poder de compra da sociedade. De forma indireta, a capacidade de aumento do uso de bens de serviço fica limitada em função de pretensas vantagens para os bens de consumo (exemplo: uso de um automóvel particular em relação ao transporte coletivo) (MESZAROS, 1989). Ferramentas de avaliação da interferência ou solicitações dos produtos ao meio-ambiente tem sido utilizadas para desenvolvimento de projetos industriais e atividades de desenvolvimento. A “life-cycle assessment (LCA) – avaliação de ciclo de vida” determina o fluxo associado de energia e materiais, avaliações de stresses ambientais e impactos provindos de produtos e processos desde os seu início ao seu final de vida, pode produzir recomendações para melhorar seu desempenho em relação ao meio-ambiente. A avaliação inclui o inicio do ciclo de vida do produto, processo ou atividade, englobando a extração e processamento da matéria prima, manufatura, transporte e distribuição com uso/reuso/manutenção, reciclagem e descarte final. Conforme demonstrado por Graedel (1998) os elementos de uma analise de inventário de ciclo de vida pode ser visto conforme Figura 2 abaixo e faz parte 27 de uma adaptação da SETAC – “Society of Enviromental Toxicology and Chemistry - Sociedade de Toxicologia Ambiental e Química (1991). FIGURA 2: ESTRUTURA PARA ACV FONTE: GRAEDEL (1998) Como questão chave, observando a entrada de materiais pode-se acrescentar que não existe somente a referência de material físico participando do sistema, mas também uma referência de energia embutida para obtenção deste material. O desempenho geral de energia de cada produto é determinado através de todo o fluxo de energia em seu tempo de vida, desde sua extração, passando pelo processamento e produção e chegando a seu uso. Define-se como 28 energia embutida toda a quantidade de energia requerida para produzir o material em sua forma de produto e pode ser chamada como energia de entrada (Ein). Uma outra ferramenta com a mesma abordagem de avaliação da interferência ou solicitações dos produtos ao meio-ambiente é a chamada de “Engenharia de Ciclo de Vida – ECV” que tem por objetivo de otimizar o ciclo de vida dos produtos e minimizar a poluição e os resíduos associados, aplicando desenvolvimento ou soluções tecnológicas e científicas no projeto e produção dos produtos (RODRIGUES, 2007). Ainda conforme Rodrigues (2007), algumas tomadas de decisões para projetos de produtos tem se valido de ferramentas ambientais e com a adoção de políticas que garantam a sua aplicação, sendo que alem da Avaliação de Ciclo de Vida – ACV, o Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis ou Ecodesign e o princípio da Responsabilidade Ampliada do Produtor (EPR – Extended Producer Responsability) são alguns instrumentos e políticas com destaque especial de aplicação. Dentro das propostas e iniciativas com instrumentos e políticas de preservação ambiental orientada para produtos, deve-se acrescentar os aspectos da integração dos consumidores, com sua importante participação no padrão de consumo dos produtos e descarte destes pós-uso além da participação dos produtores com suas responsabilidades no destino final dos produtos (RODRIGUES, 2007). Estes dois integrantes dentro do sistema desempenham importante papel no desenvolvimento e a aplicação das políticas. Um com a conscientização e máxima utilização dos produtos com o descarte apropriado e o outro com a responsabilidade de viabilizar a melhor coleta dos descartes e a mais adequada destinação final. 29 2.2. ENERGIA A energia representa um dos aspectos fundamentais de um processo produtivo e uma sociedade como a nossa deve seu desenvolvimento à existência de fontes energéticas facilmente disponíveis. Por isto o tema energético adquiriu um destaque fundamental, seja em termos de perspectivas de produção/emprego, seja em relação aos problema ambientais (TIEZZI, 1988). No aspecto ambiental Reis (2000) também cita que o uso que fazemos da energia, em princípio para a satisfação das necessidade e desejos da sociedade, de forma geral, é o responsável pelos maiores e mais graves problemas ambientais. A cadeia produtiva associada aos processos de extração, transformação, transporte e consumo de energia provocam uma série de impactos ao meio ambiente como resíduos das minas e das centrais nucleares, contaminação de recursos hídricos na exploração mineira, contaminação de recursos hídricos e solos por combustíveis líquidos ou petróleo, impactos ambientais provenientes de grandes barragens, além das emissões de gases tóxicos e de efeito estufa , entre outros (AEA, 2002). Sob o ponto de vista da economia, durante muito tempo acreditou-se que existia uma forte relação entre o uso de energia e o crescimento econômico, de forma que o crescimento econômico não seria possível sem o aumento contínuo do consumo de energia, porém, a partir da década de 70, pôde-se observar uma dissociação desta relação, principalmente nos países industrializados onde, enquanto o PIB apresentava um crescimento regular, o consumo de energia mantinha-se com um padrão praticamente constante (REIS, SILVEIRA, 2000). Ainda no aspecto econômico, os vínculos entre a crise energética e a crise econômica podem ser mais bem compreendidos quando se introduz o conceito de produtividade. A produtividade do capital é a quantidade de valor agregado por unidade de capital fixo investido: nos investimentos dos últimos decênios, 30 escolheu-se a via de favorecer a produtividade do trabalho, em lugar do capital. Ou seja, preferiu-se investir grandes capitais imobilizados em maquinários (com baixa produtividade do capital), obtendo o mesmo produto com poucos técnicos empregados (alta produtividade do trabalho). Dessa forma, o produto nacional bruto cresce a custa do desemprego e de uma dramática redução dos capitais disponíveis para sustentar o crescimento econômico e para o encaminhamento de novas formas de produção de energia, ou seja, as fontes renováveis. E, vice-versa, não têm sido favorecidos os setores com baixa dependência de energia, de baixo potencial poluidor e alta ocupação de mãode-obra. Na verdade, isto faz com que se diminua fortemente a produtividade da energia, ou seja, a eficiência econômica com a qual a energia é transformada. A opção nuclear é exatamente uma opção “energy intensivecapital intensive”, de baixa produtividade (e grande desperdício) de energia e de capital, com a conseqüente diminuição do emprego de mão-de-obra (TIEZZI, 1988). Muitos órgãos e entidades oficiais e independentes têm desenvolvido estudos sobre o assunto energia e sua abrangência ou uso. Na Europa, por exemplo, a Agência Européia do Ambiente (AEA) preparou uma avaliação do grau de eficácia das políticas e preocupações ambientais que fazem parte do setor energético. Na avaliação da AEA a energia é um bem econômico e social, que proporciona conforto pessoal e mobilidade, e que garante a produção de grande parte da riqueza industrial e comercial. Nesta avaliação da AEA que abrange a União Européia (EU), 3 questões tidas como principais foram apresentadas: Segurança do abastecimento, Competitividade e Proteção do ambiente. Sendo que, apesar de distintas, estas 3 questões estão fortemente relacionadas (AEA, 2002). Este trabalho reforça também que a produção e consumo de energia têm influência importante em alterações climáticas, que interferem no ecossistema e causam efeitos nocivos para a saúde humana. Qualquer discussão e preocupação sobre energia nos dias de hoje requer muito critério de planejamento consistente. O crescimento rápido e mal 31 planejado da produção e do consumo energético leva a impactos ambientais que podem comprometer o desenvolvimento. O uso de energia seja através de combustíveis fósseis ou nucleares, ou através da exploração em grande escala da hidroeletricidade ou ainda de recursos de biomassa, provoca os mais severos impactos ambientais tanto em nações em desenvolvimento como naquelas industrializadas. Isto inclui poluição do ar, lixo radioativo, sedimentação das bacias dos rios, desmatamento, erosão do solo, etc (JANNUZZI, SWISHER, 1997). A União Européia tem aplicado o uso controlado de energia por força de tributações, mas nem sempre esta tributação apresenta efetividade quando aplicada de forma isolada. Um exemplo disto pôde ser observado na virada do século 20, quando a comunidade européia apresentou um aumento do consumo de energia em função de redução de preços internacionais dos combustíveis fósseis e devido à liberação dos mercados de energia (AEA, 2002). Uma conclusão da AEA (2002) sobre este fato cita que sem a internalização das linhas externas da energia e uma melhor gestão da mesma por vias de políticas adequadas, não se conseguirá atingir um resultado de economia desta energia com incentivo de poupança da mesma e desencorajando o seu consumo. O consumo de energia pode ser medido pela “Oferta Interna de Energia – OIE” que representa a energia disponibilizada para ser transformada, distribuída e consumida em processos produtivos de cada país além de contabilizar eventuais perdas que possam existir ao longo de todo sistema. O Brasil possui uma estrutura produtiva intensiva em energia e capital e pouco intensiva em empregos (MME, 2007). A constatação das possibilidades técnicas de se continuar a oferecer os serviços necessários para a humanidade dependendo de menores quantidades de energia, e de que crescimento econômico não está necessariamente atrelado a maior consumo energético, colocou em xeque os fundamentos do planejamento dominante até meados da década de 70. No entanto, talvez a mais convincente vantagem da eficiência energética é a de que ela é quase 32 sempre mais barata que a produção de mais energia. Não resta dúvida de que investir em tecnologia eficiente para os vários usos-finais implica também maiores gastos de capital (JANNUZZI, SWISHER, 1997). Neste sentido, para Reis (2000) a modernização nos países desenvolvidos que tem tido um uso crescente de combustíveis fósseis e de eletricidade para proporcionar mobilidade, iluminação, condicionamento ambiental, lazer, produção de bens e oferta de serviços, deve ter no uso de equipamentos energeticamente mais eficientes, uma forma de atingir uma vantagem potencial em função de uma escala de produção e barateamento destes equipamentos. No entanto ainda assim são necessárias políticas específicas e eficazes para garantir que as opções mais eficientes não sejam desconsideradas em função de seu custo em relação a opções menos eficientes. Portanto, toda esta proposta de uso de energia eficiente é muito dependente de uma estratégia de investimento que, para países em crescimento, se apresenta com maior dificuldade de aplicação em função de uma demanda reprimida a ser atendida, pois os benefícios básicos de segurança e conforto que são proporcionados por este recurso ainda estão por se alcançar e distribuir para toda a sua população. Para atender todas as necessidades de uso de energia da sociedade um sistema energético estruturado deve ser estabelecido a fim de definir os critérios que permitam fazer um uso racional e eficiente de energia e com a possibilidade de emprego de fontes alternativas capazes de atender à demanda dos consumidores desde sua obtenção até sua distribuição. Este sistema energético compreende um conjunto de atividades que podem ser dividas em três níveis: a) produção e conversão de fontes em vetores energéticos, b) armazenamento e distribuição dos vetores, e c) consumo final. Cada nível inclui uma complexa rede de atividades com o objetivo de extrair energias das fontes encontradas na natureza e entregá-la ao ponto de consumo (JANNUZZI, SWISHER, 1997). 33 Fontes de energia primárias são as formas que a energia é encontrada na natureza. Estas originam-se de processos naturais e incluem petróleo, carvão, gás natural, etc. As várias fontes são processadas e convertidas em vetores (energia secundaria), como exemplo eletricidade ou gasolina, para ser utilizada. Estas fontes por sua vez, são armazenadas ou distribuídas para os consumidores finais. Dependendo das atividades nos setores de consumo, a energia é usada para operar máquinas, motores, lâmpadas, para transportar bens e pessoas, com o objetivo de satisfazer as necessidades de força motriz, iluminação, cocção, climatização, entre outras. Estas diversas funções são chamadas usos-finais energéticos (ou serviços de energia) (JANNUZZI, SWISHER, 1997). O uso final de energia pode apresentar várias modalidades de caracterização dos diversos tipos de consumidores, no caso da energia elétrica atendidos no âmbito de concessionárias que as distribuem como residenciais, comerciais, industriais, iluminação pública, poderes e serviços públicos e tipos rurais (REIS, SILVEIRA, 2000). Conforme JANNUZZI e SWISHER, pode-se chamar de setor energético o setor da economia que se ocupa dos processos de conversão de fontes primárias em secundárias, como, por exemplo, refinarias, destilarias de álcool, usinas de produção de eletricidade, etc. Uma das mais utilizadas formas de energia secundária nos dias de hoje é a eletricidade que atende à solicitação ou necessidade de consumo em aparelhos eletrodomésticos e comerciais, assim como sistemas de produção industrial. Para a energia elétrica, a impossibilidade de armazená-la em larga escala, gera a necessidade de um levantamento específico do uso desta energia por cada tipo de consumidor dentro de intervalos de tempo. Desta forma, definir uma função temporal denominada “Curva de Carga” é necessário, e esta curva expressa a demanda para o setor (REIS, SILVEIRA, 2000). 34 Ainda do ponto de vista do uso da energia na indústria pode-se citar, segundo Jacovelli e Martins (2003) que: “É premente ter uma visão detalhada de um processo produtivo e de seu comprometimento, em função dos diversos tipos de energéticos e sua forma de utilização final, pois essa visão se apresenta como única ferramenta realmente eficaz no gerenciamento do consumo e garantia de tomadas de decisões racionais, baseadas em dados concretos e que demonstrem, por parte da empresa, uma visão coerente com os conceitos atuais de desenvolvimento sustentável, ou seja, observar com detalhes qual é o uso final da energia, de forma a garantir uma racionalidade em termos econômicos, técnicos e ambientais”. A política estratégica de muitas nações industrializadas tem levado em conta aspectos como: - os níveis de atividades econômicas e crescimento de população; - o custo relativo de recursos de energia, incluindo considerações de vários desenvolvimentos tecnológicos; - os parâmetros ambientais e conservacionais. Vale ressaltar que existem mais aspectos que podem ser considerados dentro das estratégias de cada nação. Energia final inclui algumas formas de energia, primária e secundária, que estão disponíveis para o consumidor, descontando perdas de armazenamento e distribuição. Esta energia é convertida em energia útil no ponto de uso-final. Energia útil e a energia realmente demandada pelo consumidor como calor, luz ou movimento mecânico. A quantidade de energia útil aproveitada de uma dada quantidade de energia final depende da eficiência da tecnologia de usofinal (JANNUZZI, SWISHER, 1997). A utilização de fontes de energia primária em um uso final apresenta um sério problema do ponto de vista de eficiência, ou seja, a energia útil é sempre menor que a energia fornecida pela fonte (GOLDEMBERG, 2003). 35 As fontes de energia disponíveis nos países em desenvolvimento e nos industrializados estarão sendo utilizadas, apesar de todas preocupações ambientais, à medida que forem sendo necessárias aos objetivos destes países. O padrão de desmatamento, degradação do solo e crescimento populacional descontrolado que permeia os países em desenvolvimento e conflitam com os problemas de sustentabilidade, cria uma associação de que os maiores problemas energéticos ambientais existem nestes países em desenvolvimento, porém tanto os países em desenvolvimento assim como os desenvolvidos, tais problemas existem, apesar das necessidades energéticas de cada um serem diferentes. Enquanto nos países em desenvolvimento o objetivo é a busca por sair de uma condição insuportável de baixo nível de desenvolvimento, nos países desenvolvidos o objetivo é atender à tendência de alto nível de consumo (GOLDEMBERG, 2003). 36 3. INDÚSTRIA ELETRÔNICA Por volta do início do século XVII, foram feitas as primeiras experiências com eletricidade. Naquela época, o homem ainda não tinha conhecimento sobre a constituição da matéria. Em 1750 o cientista e estadista americano Benjamin Franklin, começou formular o conceito da eletricidade. Ele imaginava a eletricidade como um fluído invisível. Se um corpo tivesse mais do que sua cota normal deste fluído, ele dizia que o corpo tinha uma carga positiva; se o corpo tivesse menos que sua cota normal, sua carga era considerada negativa. Com base nesta teoria, Franklin concluiu que, se um corpo com carga positiva fosse colocado em contato com um corpo com carga negativa, o fluído escoava do corpo positivo (excesso) para o corpo negativo (deficiência). Este fluído hoje é chamado corrente elétrica. A palavra eletrônica vem de “eletron” conforme designação de Lorentz em 1895 e praticamente se inicia como uma atividade tecnológica a partir da descoberta do 1º diodo termoiônico, também chamado de válvula. Uma divisão em 2 períodos da industria eletrônica é descrita como sendo do início do século 20 até 1948 que se utilizavam válvulas e a partir desse ano quando surgiram os transistores, que substituíram as válvulas (MELO, RIOS, GUTIERREZ, 2001). O transistor nesta época passou a ser um elemento muito importante dentro da indústria eletrônica com a possibilidade de várias aplicações com tamanhos de produtos menores. O termo Transistor é derivado das palavras TRANSfer e resISTOR em função de uma descrição da operação do transistor, onde um sinal de entrada de corrente elétrica em um circuito de baixa resistência passa para um circuito de 37 alta resistência na saída controlado por fluxo de corrente elétrica através de materiais semicondutores (KASAP, 2005) Em 1965 Gordon Moore, inventor do Circuito Integrado (CI) e que também um dos fundadores e presidentes da Intel, fez uma avaliação e reportou que o desenvolvimento dos transistores assumia uma taxa de redução de tamanho de 50% a cada 12 meses, sendo que em uma revisão feita por ele mesmo em 1975, retificou que esta redução ocorria a cada 18 meses (MADOU, 2002). Os cientistas descobriram que para melhorar as propriedades elétrônicas dos transistores o aumento do grau de pureza destes semicondutores é muito significativo, numa ordem de 1 átomo de impureza por 100 milhões de átomos de germânio (MELO, RIOS, GUTIERREZ, 2001). Assim como o germânio o silício também é utilizado nos componentes eletrônicos e é um dos mais abundantes elementos na natureza encontrado em composição de sílica e silicatos. Para atingir uma característica semicondutora, com alto grau de pureza, o silício tem que passar por um processo de purificação com elevada temperatura, de 1500ºC à 2000ºC com uma série de reações que possibilita atingir um grau de pureza de até 99.9% (MELO, RIOS e GUTIERREZ, 2001). Apesar do longo desenvolvimento histórico da eletrônica a partir do século XVII, somente durante a Primeira Guerra Mundial, a indústria eletrônica com a aplicação na radiocomunicação, teve seu grande desenvolvimento. Entre 1922 e 1960, o total anual de vendas de equipamentos eletrônicos subiu de U$ 60 milhões para U$ 10,2 bilhões. Com os extraordinários progressos alcançados pelas atividades espaciais desenvolvidas principalmente na esfera estatal da economia das grandes potências, assim como pela expansão relativamente rápida das técnicas de automatização em todo o mundo, pode-se admitir que o valor dos produtos eletrônicos tem atingido, a partir da década de 70, somas muito elevadas, desempenhando um papel importante na economia mundial. 38 3.1. CARACTERIZAÇÃO E ESTRATÉGIA DA INDÚSTRIA ELETRÔNICA O incremento da produção da indústria, em geral pode resultar em um incremento no consumo de energia elétrica e isto é uma relação natural em todo cenário mundial, tanto para os países em desenvolvimento como para os desenvolvidos, conforme citado anteriormente. Uma área de grande importância dentro deste cenário de expansão, inclusive com um grande fomento de alta tecnologia seja na geração, seja na utilização de seus produtos e processos é a indústria eletrônica. Este sub-setor eletrônico é responsável pela introdução e abastecimento dos mais variados recursos da eletrônica e microeletrônica dentro do cotidiano dos cidadãos. Estes recursos creditam às máquinas mais eficiência e diminuem a operação e controles manuais, que passam a serem controlados por microprocessadores que nada mais são que “chips” (circuitos integrados eletrônicos), que são desenvolvidos e fabricados com as mais sofisticadas tecnologias. Uma proposição de divisão básica deste sub-setor pode ser descrita como: - Setor de materiais semicondutores (onde há extração, desenvolvimento e projeto a partir da pastilha semicondutora); - Industrialização do material semicondutor (onde há o uso de equipamentos e processos para fabricação de componentes eletrônicos); - Aplicação ou uso final dos componentes eletrônicos em eletrônica, ou seja, desenvolvimento e projeto de equipamentos e montagem de componentes eletrônicos para obtenção de um produto eletrônico (produto final). O 1º e 2º itens estão relacionados respectivamente com a indústria de semicondutores e de componentes eletrônicos. 39 Estes 2 itens, mais especificamente, podem ser divididos em 3 etapas como pode ser visto na Figura 3 abaixo (NETO, FILHO, FLEURY, LAURINDO, CARVALHO, PESSÔA, GARCIA e SAWAYA, 2002), onde cada etapa apresenta particularidades de investimentos e recursos técnicos específicos para implementação da indústria de semicondutores. FIGURA 3: ETAPAS DOS PROCESSOS DE PROJETO DE PRODUÇÃO DE SEMICONDUTORES FONTE: (NETO, FILHO, FLEURY, LAURINDO, CARVALHO, PESSÔA, GARCIA E SAWAYA, 2002) A etapa de projeto, comparativamente às outras, é a que requer menor investimento, mas tem a necessidade de uma mão de obra altamente qualificada para desenvolvimento dos programas ou softwares dos Chips e com detalhada capacidade de integração com a etapa de fundição (foundry) que gera requisitos para a definição do projeto (NETO, FILHO, FLEURY, LAURINDO, CARVALHO, PESSÔA, GARCIA e SAWAYA, 2002). A etapa de fabricação e empacotamento, tem necessidade de investimentos da ordem de US$ 2 bilhões e US$ 150 milhões, respectivamente. Os maiores investimentos estão nestas fases com uso de fornos especiais, salas limpas e 40 equipamentos laboratoriais. Estas etapas contemplam operações de destaque da pastilha de silício, soldagem de fios de ouro na pastilha, testes de “stress” térmico, encapsulamento, inclusão de componentes discretos e testes finais específicos (NETO, FILHO, FLEURY, LAURINDO, CARVALHO, PESSÔA, GARCIA e SAWAYA, 2002). O tempo de ciclo dos produtos e processos desta indústria é considerado baixo, em torno de 3 anos. Isto em função do ritmo do desenvolvimento dos componentes de processamento e de software básico, muito influenciado pela indústrias de PCs (computadores pessoais) (NETO, FILHO, FLEURY, LAURINDO, CARVALHO, PESSÔA, GARCIA e SAWAYA, 2002). Esta uma característica de obsolescência dos componentes muito relacionada ao desenvolvimento tecnológico dos produtos, no caso do exemplo PCs. A indústria de semicondutores forma a espinha dorsal da produção de produtos eletrônicos, sendo que os semicondutores discretos e circuitos integrados têm revolucionado o modo de vida da sociedade de forma geral com suas aplicações. A produção de semicondutores é tradicionalmente considerada como uma produção limpa por fazer uso de sofisticadas salas limpas em seu processo e tratamento final em muitas empresas, embora faça uso ou consumo de substâncias químicas perigosas, como ácidos, solventes orgânicos, metais pesados e arsênico (PANDEY, 2004). Nos últimos anos ocorreu um incremento da fabricação de semicondutores com conseqüente aumento de fábricas e este aumento de volume transformou-se em sérios problemas, sendo que o foco ambiental sobre a indústria de semicondutores está na aplicação de tecnologia de produção limpa com o desenvolvimento de processos e equipamentos capazes de reduzir o uso de materiais químicos perigosos, energia, recursos naturais etc (PANDEY, 2004). Já para a indústria de eletrônica que monta circuitos eletrônicos, uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) em 2003 mostrava que esta indústria movimentava uma receita em torno de US$ 3,5 41 trilhões para o mercado mundial de produtos eletrônicos com tendência de crescimento, sendo os EUA e Japão os 2 maiores mercados e o Brasil ocuparia a 13ª posição. Para se ter uma idéia comparativa do valor citado, a indústria farmacêutica representava 1/10 desse valor, enquanto a automobilística representa menos de 1/5 (FINEP, 2007). Esta colocação demonstra o peso deste mercado e atividade dentro do cenário econômico mundial. Existe uma dificuldade em se delinear ou mapear com precisão o escopo da indústria eletrônica em função da abrangência de seus produtos e suas aplicações nas mais variadas áreas, porém uma classificação mais usual quanto aos produtos fornecidos são os Bens Eletrônicos de Consumo (BEC). Pode-se dizer que as indústrias que montam circuitos eletrônicos em placas possuem um mesmo padrão estratégico nos vários setores, que é o atendimento ao produto final, projetos e processo de baixo custo e desta forma algumas indústrias se especializam nesta atividade de forma a otimizar seus custos seja numa economia de escala seja em um diferencial competitivo. O estudo da Universidade Estadual de Campinas Instituto de Economia Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia (UNICAMP-IE-NEIT), Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior (MDIC), Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) sobre a cadeia de bens eletrônicos de consumo apontou que as empresas de serviços de manufatura têm aberto espaço no seio do complexo eletrônico independente das divisas de regiões ou países. Tais corporações conseguem ganhos de escala mediante o estabelecimento de contratos de serviços com diferentes fabricantes que terceirizam determinados produtos ou etapas do processo produtivo. Ao arregimentar produtos similares de diferentes contratantes conseguem reduzir custos, especialmente fixos, devido ao elevado volume de produção. Embora a atuação dessas corporações seja mais visível na informática e em telecomunicações, nada impede que as mesmas ampliem sua penetração na manufatura de áudio & vídeo. 42 Como exemplo, a Intel, Microsoft, IBM, Compaq e Dell Computer, fazem partes de um grupo de grandes empresas que de certa forma definiram este diferente formato de geração de valor dentro da cadeia de produção dos produtos eletrônicos. Antes como grandes fabricantes de produtos eletrônicos, identificaram a potencialidade de focar atenção em suas melhores competências. A Intel se concentrou nos processadores, a Microsoft nos sistemas operacionais, inclusive com domínio total do mercado, a Dell Computer passou a se concentrar nas etapas de vendas e distribuição, assim como a IBM e Compaq buscaram a etapa de soluções e serviços. Especificamente a IBM e Compaq, na década de 80, passaram suas etapas de montagem para Manufaturas Contratadas (CEM) como a Solectron e a Celéstica (NETO, FILHO, FLEURY, LAURINDO, CARVALHO, PESSÔA, GARCIA e SAWAYA, 2002). Apesar do grande crescimento das empresas de serviços de manufatura, as corporações líderes no mercado de eletrônica, em geral, possuem uma estrutura produtiva verticalizada e/ ou uma rede bem estabelecida de fornecimento de insumos. Estas grandes corporações líderes mundiais deste setor se estruturam no plano mundial buscando aproveitar o máximo daquilo que as diferentes nações podem lhes proporcionar como, mercado consumidor; ambiente tecnológico; incentivos fiscais; condições macroeconômicas, a exemplo de condições estáveis e de taxas cambiais favoráveis à exportação, entre outras; etc. Países como Filipinas, Malásia, Tailândia e México se caracterizam como hospedeiros de boa parte das grandes corporações e líderes de mercado. A indústria eletrônica e a tecnologia que a move e também justifica sua existência, tem notória participação nos hábitos e conforto das civilizações modernas e a história de desenvolvimento desta indústria até os dias de hoje mostra que seu desempenho e continuidade não estão estacionados. Contudo um outro ponto de vista sobre esta indústria deve ser também analisado, em função das potenciais conseqüências que este desenvolvimento pode trazer 43 junto com uma revolução de alta tecnologia, ou seja, os potenciais prejuízos à saúde humana e ao ambiente. Estes prejuízos à saúde humana estão associados aos resíduos desta indústria eletrônica como metais pesados, gases de efeito estufa, bifenilas policloradas (PCB), cloreto de polivinila (PVC) e retardantes de chama halogenados, assim como outros (NORDIC COUNCIL OF MINISTERS, 1995b). O desenvolvimento da indústria eletrônica tem apresentado um movimento de convergência entre seus diferentes segmentos em termos da base tecnológica. Este movimento pode ser descrito com as seguintes características (GONÇALVES, 1997): a) Homogeneização crescente das tecnologias e insumos utilizados; b) Integração de um número crescente das funções dos produtos finais em componentes semicondutores – principalmente circuitos integrados e, dentro destes, os Asics (circuitos integrados de aplicação específica); c) interdependência e complementaridade de tecnologias, mercados e produtos; e d) comunicabilidade crescente entre diferentes tipos de equipamentos e sistemas de eletrônica - os novos sistemas de multimídia são a materialização deste fenômeno. Uma divisão tradicional do complexo eletrônico considera os seguintes segmentos: informática, telecomunicações, automação e bens eletrônicos de consumo (BEC). O segmento de BEC é de certa forma bastante caracterizado e influenciado pela introdução de inovações radicais que induzem a um movimento continuo de renovação de linhas de produto com crescente incorporação de conteúdo tecnológico por conseqüência uma ampliação do mercado ao gerar uma relativa obsolescência a cada nova geração de produtos. 44 Diante de um padrão de superprodução, as mercadorias destinadas ao consumo de massa caracterizam-se tanto por dois conceitos, até certo ponto contraditórios: o conceito de “bens de consumo duráveis” e o de “obsolescência planejada”, onde os produtos têm uma sua vida útil encurtada de modo a favorecer um lançamento e suprimento contínuo de produtos ou mercadorias superproduzidas com circulação acelerada (MESZAROS, 1989). Ainda segundo Meszaros (1989), esta alta circulação com redução do tempo de vida dos produtos, implica num maior desperdício, então se pode dizer que consumo, considerando que este ultrapasse as correspondentes necessidades de valores-de-uso do consumo humano, é equivalente funcional à destruição “do ponto de vista perverso do processo de realização capitalista”. A dinâmica de ciclo de vida curto, onde os produtos têm seu tempo de uso ou utilização bastante pequeno seja por uma questão de obsolescência de tecnologia, modelo ou moda, seja por uma característica descartável dos produtos do complexo eletrônico, tem sido muito importante para os segmentos de informática e BEC, enquanto o setor de automação com equipamentos maiores e de maior custo tem padrão mais conservador para substituição apesar de estar sobre os benefícios dos avanços tecnológicos (retrofitting). O segmento de telecomunicações tem seu padrão dividido nos 2 aspetos; o 1º aspecto de equipamentos grandes com suas centrais de comutação e retransmissões de sinais e dados e o 2º aspecto com seus equipamentos menores com aparelhos terminais ou de aplicação remotas e móveis. O controle dos vários segmentos da indústria eletrônica se estrutura em grandes corporações dividindo espaços com grande número de empresas pequenas e médias criando o suporte dentro da cadeia de suprimentos. 45 3.2. INDÚSTRIA ELETRÔNICA NO BRASIL 3.2.1 HISTÓRICO Nos países mais industrializados da América Latina, como o Brasil, o México e a Argentina, a indústria eletrônica tem dado passos significativos, tendo grande parte de sua produção na chamada "eletrônica de lazer", que abrange televisores, rádios-receptores e aparelhos de som em geral. Em alguns casos, porém já existem outros aparelhos e dispositivos de aplicação técnico-científica e área de telecomunicações. Esta indústria eletrônica brasileira teve em 1991 um impacto muito grande devido à abertura da economia que eliminou os benefícios de nacionalização exigidos na fabricação de bens finais incentivados ou protegidos por políticas setoriais ou regionais, onde as empresas nacionais eram protegidas da concorrência com os produtos importados necessitando somente manter um padrão e volume de nacionalização de produtos de bens de consumo ou de aplicação industrial. Este impacto somado à condição do setor automotivo ter uma capacidade limitada de fornecimento de componentes nacionais para modernização dos veículos produzidos no país, mais a redução de 88% nas alíquotas de imposto de importação para componentes na Zona Franca de Manaus colocaram a indústria de componentes em desvantagens no mercado, pois possibilitaram aos fabricantes de bens finais incentivos a importar produtos prontos de forma CKD (kits completamente desmontados) ou SKD (kits de aparelhos semimontados), inviabilizando o fornecimento de componentes, partes e peças fabricadas localmente (ABINEE, 2007). Como conseqüência ocorreu o fechamento de importantes fornecedores do parque eletrônico brasileiro, dispensa de pessoal altamente qualificado e afastamento da indústria de componentes do processo de desenvolvimento dos produtos. 46 A tecnologia de hardware está cada vez mais se concentrando nos componentes, o que quer dizer que cada vez mais o custo do produto se aproxima da soma do custo dos componentes que o integram, e desta forma se uma indústria local não produz uma lista de componentes suficiente para atender o mercado interno e assegurar divisas de exportação, fica difícil manter a indústria de bens finais competitiva. Isto indica que, sendo a indústria eletrônica extremamente dependente de um mercado de componentes eletrônicos (indústria esta que não é desenvolvida no país), tem seus custos desfavorecidos em relação ao mercado mundial devido à necessidade de importar tais itens e considerando que os custos dos produtos eletrônicos tem sido muito próximos dos custos de seus componentes, a margem de competitividade dentro do processo ou administração ficam bastante limitados. Hoje a indústria brasileira ainda tem um grande potencial de crescimento, considerando que o desenvolvimento de um parque industrial de componentes eletrônicos pode impulsionar este segmento, uma vez que as importações de componentes eletrônicos alcançaram a casa de US$ 9,3 milhões de janeiro a novembro de 2006, conforme dados da ABINEE (2007) apresentados na Figura 5. Apesar de um potencial mercado de consumo de equipamentos eletroeletrônicos, o Brasil tem se apresentado como um usuário de componentes eletrônicos, na grande maioria importada, para aplicação no produto final. Entende-se desta forma que a característica da indústria eletrônica nacional tem apresentado um perfil de montador ou agregador de componentes para se obter o produto, como pode se observar na Zona Franca de Manaus que se vale de um incentivo de legislação para importar e manufaturar produtos. Uma característica desta indústria é de uma importação maciça de componentes e com um padrão de aumento destas importações ano a ano , que pode ser observada na evolução da balança comercial de produtos elétricos e eletrônicos de 2005 e 2006 apresentada na Figura 4, que mostra um acumulado de janeiro a novembro de 2006 com um acréscimo de 17,4% nas exportações destes produtos, sendo que para as importações o acréscimo foi 47 maior, atingindo 25,4% no mesmo período (ABINNE, 2007), o que ocasionou o aumento no saldo da balança comercial neste período de janeiro a novembro de 2006 de 33,6% em relação a 2005, atingindo valores da ordem de US$ 9,03 bilhões para esta área de produtos elétricos e eletrônicos. FIGURA 4: BALANÇA COMERCIAL – PRODUTOS ELETRELETRÔNICOS FONTE: ABINEE (2007) US$ Milhões Setor Eletroeletrônico para Componentes Eletrônicos Janeiro-Novembro 9.363,90 10000 8000 6000 4000 2000 0 7.343,00 586,6 577,9 2005 Exportações Importações 2006 FIGURA 5: BALANÇA COMERCIAL - COMPONENTES ELETRÔNICOS FONTE: ABINEE (2007) 48 Se no mesmo período analisarmos somente a área de componentes eletrônicos, que é um elemento importantíssimo na discussão deste trabalho, teremos que o volume de exportação teve redução de 1,5% enquanto a importação teve um crescimento de 27,5%, conforme mostrado na Figura 5 (ABINNE, 2007), sendo o saldo da balança comercial de US$ 8,78 milhões, ou seja, 97,3% do déficit de todo o setor no período. 3.2.2 ÁREAS PRINCIPAIS DE ATUAÇÃO (CARACTERIZAÇÃO) A indústria eletrônica brasileira tem-se mostrado presente na indústria automobilística no acionamento e controle de sistemas de injeção, freios e de ar-condicionado e ainda em qualquer aplicação de informática, hoje muito comum nos veículos com a denominação de eletrônica embarcada, que significa todo o recurso ou sistema eletrônico que auxilie nos controles ou monitoração dos veículos. A área de telecomunicações também é uma área que se utiliza muito dos recursos da indústria eletrônica aplicados em aparelhos celulares e em todo o recurso eletrônico necessário em infra-estrutura para garantir o funcionamento destas unidades de produtos (estações e subestações de rádio-base, antenas, repetidoras de sinais e sistemas de centrais telefônicas,...) (MELO, RIOS e GUTIERREZ, 2001). A telefonia fixa que concorre de certa forma com a aplicação móvel dos aparelhos celulares também mantém sua fatia de ocupação na indústria eletrônica. Todos os sistemas informatizados das redes bancárias, industriais ou comerciais também utilizam equipamentos e sistemas providos pela indústria eletrônica. Sistemas informatizados também podem atender às necessidades e 49 aplicações domésticas com o advento dos computadores pessoais que tem tido uma tendência de popularização. Até mesmo na área de energia, sistemas de comandos diversos e controle nas fases de geração, transmissão e distribuição de energia, possuem equipamentos e sistemas também providos pela indústria eletrônica de potência. Os produtos eletrônicos que possuem placas de circuito impresso são fabricados por vários segmentos da indústria que são apresentados na Tabela 1 (ABRACI, 2007). Nesta tabela observa-se uma distribuição de segmentos caracterizada pelos seus produtos finais que atendem às varias necessidades da sociedade de consumo ou suportes de serviços em geral. Esta divisão e alguns exemplos de suas aplicações estão listadas nesta Tabela 1. 50 TABELA 1: DIVISÃO DO SETOR ELETRÔNICO EM SEGMENTOS COM SUAS APLICAÇÕES. SEGMENTO DE MERCADO DO SETOR ELETRÔNICO Automotivo Informática Consumo Telecomunicações Comércio e Escritório Industrial e Instrumental APLICAÇÕES Sistema de potência (injeção), sistemas de segurança, controles, rádios e sistemas de som, instrumentações do painel PC`s mainframes minicomputadores, terminais, monitores, impressoras e demais periféricos TV`s, vídeo cassetes, sistema de áudio, vídeo games, calculadoras, instrumentos musicais, linha branca, relógios Telefones, centrais, pagers, modens, equipamentos de transmissão/recepção por ondas de rádio Automação comercial, copiadoras, fax, bombas de combustível, taxímetro, etc. Instrumentos de controle de processo, de teste/medição, atuadores, sensores, equipamentos de comando númerico, etc. FONTE: COMPLEXO ELETRÔNICO: PLACAS DE CIRCUITO IMPRESSO (ABRACI, 2007) 3.2.3. ESTRATÉGIAS Observando o padrão tecnológico de uma década atrás até os dias de hoje, o complexo eletrônico nacional encontra-se entre os segmentos que mais se beneficiaram pelas recentes ondas de inovações que alteraram os padrões gerenciais, produtivos e de concorrências em nível mundial. Tudo é uma decorrência da rápida incorporação de insumos e processos com elevado conteúdo tecnológico, simultaneamente apoiados e direcionados para o 51 processamento, transmissão e recepção de informações digitalizadas, em escala de velocidade crescente (GONÇALVES, 1997). A distribuição das empresas do complexo eletrônico também tem sua característica de região, até mesmo fortalecida por incentivos ou políticas fiscais que pode ser exemplificada pela Zona Franca de Manaus, onde, por meio de legislação cria uma proteção às indústrias locais frente às importações e define uma vantagem para aumento da competitividade dentro do mercado nacional e internacional (BAPTISTA, 1993). Existe muita dificuldade em definir com precisão todas as estratégias aplicadas para o complexo eletrônico nacional, já que ele pode estar disperso em mais setores que não os somente identificados como tal, entretanto apresentaremos abaixo algumas das principais estratégias. Para a indústria eletrônica a eficiência produtiva é importantíssima para creditar competitividade ao produto final, já que alia dois elementos básicos do padrão de concorrência da indústria: qualidade e preços. Este padrão faz com que a tendência de intensificação na alocação de sistemas e equipamentos automatizados seja maior a cada dia, principalmente nas fases de montagens e testes (BAPTISTA 1993). Nas áreas produtivas de alta escala para produtos eletrônicos de consumo, equipamentos fazem a inserção automática horizontal e vertical, linhas de produção são automaticamente alimentadas na entrada e descarregadas na saída, “robots” para componentes especiais, máquinas de solda com controles automáticos e programados em velocidade e temperatura, testadores de placas soldadas que indicam automaticamente componentes defeituosos e sua localização, linhas finais com ajustes via computador, desde estoque de componentes às linhas e ao estoque final, entre outros. A tendência para a externalização parcial das atividades de manufatura também pode ser observada, motivada pelo objetivo de ganhar eficiência nas operações internas e reduzir os custos fixos das empresas que declinava em 52 redução de lucratividade. Esta tendência tem se refletido no elevado dinamismo do segmento de fornecedores de serviços de manufatura para a indústria eletrônica. O setor tem observado também um significativo crescimento dos serviços “turnkey”, em que o fornecedor assume o processo completo, desde as compras de materiais até a própria manufatura. As condições específicas e técnicas do processo assim como os altos custos de capital envolvidos têm contribuído muito para o surgimento de indústrias neste nicho de mercado. Esta condição tem em vista que para atingir a otimização é extremamente mandatório altos volumes de produção ou pelo menos adequados para a máxima ocupação da configuração e equipamentos disponíveis. 3.3. INDÚSTRIA ELETRÔNICA – DEFINIÇÕES E PROCESSO DE PRODUÇÃO Utilizaremos neste trabalho uma definição funcional para caracterizar a indústria eletrônica como sendo aquela que tem por característica a montagem de componentes eletrônicos em placas de circuito impresso. A placa de circuito impresso é um elemento de agregação dos componentes eletrônicos, e pode-se inferir que o seu consumo dentro do setor tem forte relação com o número de componentes eletrônicos também consumidos, assim como o de produtos finais produzidos e que desta forma, pode-se, com certa precisão, identificar o tamanho da indústria eletrônica, através deste indicador. A Figura 6 busca demonstrar um esboço da indústria eletrônica a ser analisada neste trabalho. 53 Componentes Eletrônicos Placa de Circuito Impresso Produto Final da Indústria Eletrônica FIGURA 6: ESQUEMA UTILIZADO PARA A DEFINIÇÃO DA INDÚSTRIA ELETRÔNICA Os componentes eletrônicos são elementos capazes de executar funções elétricas ou eletrônicas que combinadas resultam em trabalho ou aplicações específicas. A placa de circuito impresso é um elemento constituído por uma placa ou cartão de material com propriedades de isolação elétrica e sobre a qual estão impressas trilhas de cobre, que é um elemento que possui uma excelente propriedade de condução de eletricidade. Esta placa de circuito impresso, comumente conhecida no setor eletrônico como PCI, tem a função de sustentar mecanicamente os componentes eletrônicos que formam o circuito que por sua vez é formado por resistores, capacitores, transistores, circuitos integrados, etc., assim como todas as trilhas condutoras de eletricidade, de cobre, e que definem todas as interligações entre estes componentes. Toda esta configuração de montagem e interligação sobre a placa é amparada por especificações de largura, espessura e comprimento das trilhas e da própria placa, atendendo propriedades elétricas do circuito como intensidade de corrente, freqüência do sinal, impedâncias de operação, etc. A Figura 7 mostra os componentes sendo agregados à placa. 54 Componentes Eletrônicos PCI FIGURA 7: MONTAGEM DE COMPONENTES EM PCI Vale reforçar que a placa montada com componentes eletrônicos que se pretende descrever é simplesmente uma placa eletrônica que poderá ter uma infinidade de aplicações em processos seqüenciais dentro de gabinetes, máquinas e equipamentos eletrodomésticos e veículos ou até mesmo em sua condição simples de placa somente montada. A produção deste produto (placa montada) é uma atividade em crescimento no mercado nacional e internacional, conforme já visto, onde empresas se especializam para tal competência e vendem este serviço para possíveis integradores dentro de uma cadeia de fabricação ou mesmo para o próprio fornecedor final. Como acréscimo de informação sobre os itens ou componentes necessários à obtenção de uma placa de circuito impresso montada completamente, neste capítulo teremos uma descrição rápida do que são os componentes eletrônicos e a PCI. 3. 4. COMPONENTES ELETRÔNICOS Os componentes eletrônicos podem ser divididos em 2 tipos; componentes convencionais e componentes SMDs. A sigla SMD vem do inglês “Surface 55 Mounted Device”, que significa “Dispositivo (ou Componente) Montado em Superfície”. Os componentes convencionais, também chamados de “Through-Hole”, que significa “através de furo” possuem terminais que transpassam a placa e são soldados na face oposta à que ficam os corpos dos componentes. Componentes eletrônicos têm forte associação com os circuitos integrados, comumente chamados de CI. Estes CIs são semicondutores que possuem, em geral, o elemento silício na sua fabricação, tem larga utilização dentro da indústria eletrônica e importância econômica significativa (MELO, RIOS, GUTIERREZ, 2001). Os componentes SMDs já são uma evolução dos componentes eletrônicos, possuindo terminais curtos e menores que os convencionais, podem ser soldados ou fixados à superfície da placa, mantendo-se totalmente em um lado da face da placa de circuito impresso. Existe uma grande variedade de componentes SMDs hoje no mercado, como “Chips” com dimensões cúbicas, SMDs cilíndricos, encapsulamentos plásticos com “solders pins” (SOT, SO, VSO “package”), Cis miniatura, Mikropack, indutores, trimmers, cristais, chaves, conectores, reles, etc. Uma amostra de alguns componentes existentes atualmente no mercado pode ser observada na Figura 8. 56 FIGURA 8: TIPOS DE ENCAPSULAMENTO DE COMPONENTES ELETRÔNICOS FONTE: FUSE (1999) O encapsulamento dos componentes se apresenta em vários formatos e tamanhos e podem ter como tipo de material a cerâmica, plástico ou substrato de epóxi, dependendo da aplicação final do componente e do tipo de soldagem a que será submetido. Este encapsulamento serve para sustentar, proteger e fixar as pastilhas de circuito eletrônico de cada componente. Esta propriedade mecânica do encapsulamento permite que somente os terminais eletrônicos dos componentes fiquem expostos para poderem ser utilizados ou ligados em sua aplicação final. Estes terminais geralmente são ligados às pastilhas eletrônicas internas a este encapsulamento por minúsculos fios. 57 Componentes denominados discretos como resistores, capacitores cerâmicos e semicondutores representam 80% da linha de SMDs, que possui uma predominância do formato cúbico sobre as versões cilíndricas. A geometria uniforme e adequada é um fator muito importante no processo, assim alguns encapsulamentos já estão padronizados (IEC) ou estão propostos para padronização (JEDEC recomendation). Para os componentes SMD esta condição de não ter terminais que necessitam transpassar a placa, implica em encapsulamentos menores, com massas menores também, para fixar e deixar expostas somente pequenas partes de terminais para serem soldados nas placas de circuito impresso. A condição de não necessitar furos nas placas para transpassamento dos terminais também credita uma maior liberdade ou possibilidade de posicionamento de trilhas nas placas com menor distância uma entre as outras e caminhos e áreas mais livres sem os furos. Desta forma os componentes SMDs possibilitam uma grande densidade de encapsulamento nas placas de circuito impresso devido seu menor tamanho. Como exemplo pode-se observar que alguns componentes com mesma característica elétrica podem apresentar uma massa até 10 vezes menor em um componente SMD em comparação a um convencional, fora a redução do comprimento dos terminais que confere ao SMD uma melhor resistência a choques e vibração em relação ao convencional. Para a operação de inserção de componentes SMD, máquinas especiais e automáticas são necessárias. Com todas estas variações e características descritas e observadas na figura 9, os componentes SMDs passam a influenciar substancialmente na definição das máquinas necessárias ao processo de montagem. Sistemas de pega e posicionamento destes componentes SMDs pelas máquinas necessitam ser muito precisos, porém com variações de tamanho, existem consideráveis variações de velocidade de posicionamento ou inserção, sem 58 comprometimento da qualidade da operação. Máquinas que inserem componentes maiores possuem velocidades menores que as que inserem componentes menores. 3.5. PLACA DE CIRCUITO IMPRESSO (PCI) A placa de circuito impresso (PCI) que é um outro insumo da indústria eletrônica pode ser de simples face (trilhas somente em um lado da placa), dupla face (trilhas nos dois lados da placa) ou multicamadas (trilhas nos dois lados da placa e em camadas intermediárias isoladas que são conectadas através de furos metalizados com cobre). Pode-se também classificar as placas segundo o material da sua base, comumente chamado no setor eletrônico de laminado, de acordo com os seguintes tipos (ABRACI, 2007): - FR-2 - Laminado formado por um aglomerado de papel e resina fenólica; - FR-4 - Laminado formado de fibra de vidro; - CEM-1 - Laminado misto agregando os dois materiais. As duas primeiras classificações apresentadas mantêm uma correlação bastante estreita quanto à aplicação. O FR-2 é utilizado para montagem em simples face, que atenderia aparelhos de uso doméstico como vídeos, audios e eletrodomésticos em geral. O FR-4 é tipicamente utilizado em montagens dupla face, ou seja, montagem nos 2 lados da placa, e atendem a produtos de especificações mais rigorosas, em setores como informática, telecomunicações, controles industriais, automação bancaria e comercial, etc.. O tipo CEM-1 ainda tem uma aplicação pontual na indústria automobilística que incorpora esta PCI em eletrônica embarcada para montagens em dupla face. 59 Suas variadas características mecânicas e elétricas são distribuídas ou divididas em vários tipos de placas que atendem aos mais variados tipos de segmentos industriais. No Brasil existe apenas um fabricante de laminado com cobre e um fabricante de laminado nu sendo que o atendimento à demanda da indústria nacional de PCI é completado com importações. A distribuição de PCI por famílias no mundo está dividida em 60% PCI multicamadas, 25% de placas dupla face e 15% de face simples, isto considerando a demanda global. A elevada participação da primeira família é em decorrência da sua aplicação mais intensa nos setores mais dinâmicos do complexo, como informática e equipamentos de telecomunicações. A tabela 2 apresenta a situação atual no Brasil e a tendência do uso de PCI por família dividida em alguns segmentos do complexo eletrônico. 60 TABELA 2: - DISTRIBUIÇÃO DOS TIPOS DE PCIS POR APLICAÇÃO E TENDÊNCIAS NO BRASIL - 1997 (%) POR FAMÍLIA SEGMENTO DE MERCADO DENTRO DO SETOR ELETRÔNICO APLICAÇÕES Automotivo Sistema de potência (injeção), sistemas de segurança, controles, rádios e sistemas de som, instrumentações do painel PC`s mainframes minicomputadores, terminais, impressoras e demais periféricos TV`s, vídeo cassetes, sistema de áudio, vídeo games, calculadoras, instrumentos musicais, linha branca, relógios Telefones, centrais, pagers, modens, equipamentos de transmissão/recepção por ondas de rádio Automação comercial, copiadoras, fax, bombas de combustível, taxímetro, etc. Instrumentos de controle de processo, de teste/medição, sensores, equipamentos de comando númerico, etc. Informática Consumo Telecomunicações Comércio e Escritório Industrial e Instrumental % SIMPLES FACE E TENDÊNCIA % DUPLA FACE E TENDÊNCIA % MULTICAMADAS E TENDÊNCIA 15 % Decrescente 70 % Estável 15 % Crescente 0% 10 % Crescente 90 % 75 % Decrescente 20 % Crescente 5% Crescente 5% Decrescente 25 % Decrescente 70 % Crescente 15 % Decrescente 50 % Crescente 35 % Crescente 5% Decrescente 50 % Decrescente 45 % Crescente FONTE: ABRACI (2007) E EMPRESAS DO SETOR 61 3.6. PROCESSOS E MONTAGEM DE COMPONENTES NA PCI Para a aplicação ou montagem dos componentes eletrônicos nas placas de circuito impresso, são utilizados processos de montagens com equipamentos altamente automatizados e que variam com as características do produto a ser montado. Esta característica varia em função dos tipos dos componentes eletrônicos e da placa de circuito impresso. As variedades de máquinas podem ser aplicadas de forma a se obter seqüências de montagens de componentes eletrônicos nas PCI de acordo com as características de cada produto final. A seqüência de montagem também sofre influência devido ao tipo de tecnologia de montagem de componente adotada no projeto do produto final que pode ser dividido em 2 tipos; tecnologia de montagem convencional e montagem em superfície, conforme mostra a figura 9. Esta característica tem relação forte em função do tipo do componente. A tecnologia de montagem convencional consiste da montagem dos componentes eletrônicos através de furos na PCI. Estes componentes eletrônicos convencionais têm, conforme já descrito, seus terminais transpassando a PCI e são soldados nas trilhas em um ou dois lados da PCI, caracterizando o contato ou conexão elétrica com as trilhas. Esta tecnologia pode ser denominada montagem THT (Through-Hole Tecnology), que na tradução direta seria a tecnologia de montagem de componentes que atravessam furos. A tecnologia de montagem em superfície consiste na fixação com conexão elétrica dos componentes eletrônicos na face da PCI, sendo que estes componentes podem ser colocados em um ou ambos os lados da placa e fixados por pasta de solda ou uma cola não condutora e então soldados. Esta tecnologia é definida dentro do meio industrial eletrônico como montagem SMT (Surface Mount Technology) e usa componentes eletrônicos SMD 62 (Surface Mounted Device) que possuem características mecânico-físicas para atender as características de processo que as envolvem (geralmente características de dissipação e robustez térmica assim como geometria voltada para aplicação). FIGURA 9: TIPOS DE TECNOLOGIAS DE MONTAGEM DE COMPONENTES ELETRÔNICOS FONTE: ICOTRON – BOLETIM TÉCNICO Nº 59 (1990) O processo de montagem em superfície (SMT) que se utiliza das placas de dupla face e multicamadas tem sido o de maior difusão em função de sua maior racionalização (melhor ocupação da área), miniaturização (características dos componentes) e confiabilidade, e esta tendência de uso crescente pode ser observada na tabela 2 apresentada anteriormente. Existem varias possibilidades de configuração de processos que utilizam estes tipos de tecnologias sendo que dependendo do tipo do produto a configuração pode se alterar tornando-se mais simples ou mais complexa. As configurações ou fluxo de processo podem ser também uma associação destas tecnologias (MT – Mixed Tecnology) ou puramente Convencional ou 63 SMT, como pode ser observado na Figura 10 (STUART, TURBINI e AMMONS, 1997) O processo associado ou MT mostra o uso de montagens de superfície com as inserções SM e inserções TH de componentes convencionais, além de executar as soldagem por “reflow” para os componentes SM e soldagem a onda para os componentes convencionais TH, respectivamente. Já o processo SMT executa a montagem somente de componentes SM nos 2 lados da placa necessitando somente o processo de inversão do lado placa para a soldagem por “reflow”. Nos dois processos a montagem de componentes manuais como conectores e partes de forma geral são executados no final do processo. 64 Processo MT Processo SMT Alimentação de componentes Alimentação de componentes Aplicação de Pasta de Solda Aplicação de Pasta de Solda Inserção "SM" Inserção "SM" Soldagem por "Reflow" Soldagem por "Reflow" Inserção "TH" Inversão da Placa Soldagem a Onda Aplicação de Pasta de Solda Inserção "SM" Limpeza Soldagem por "Reflow" Montagem de conectores Montagem de conectores Montagem de partes Montagem de partes Testes Reparo Testes Reparo FIGURA 10: FLUXO DE PROCESSO DE MONTAGEM ASSOCIADO (MT) E FLUXO DE PROCESSO DE MONTAGEM EM SUPERFÍCIE (SMT) FONTE: STUART, TURBINI E AMMONS (1997) 65 Um exemplo de processo de manufatura com montagem SMT pode ser observado na Figura 11, onde somente máquinas de inserção automática de componentes SMDs são usadas (“placers”), sendo que neste exemplo existem 3 tipos destas máquinas que fazem as montagens de componentes com a possibilidade de velocidades de inserção diferentes, as 2 primeiras máquinas do fluxo, e uma máquina de inserção de componentes genéricos, que se incumbe de inserir componentes com geometrias especiais que não podem ser inseridos nas máquinas anteriores. A máquina de solda por refusão (“reflow”) também é aplicada neste exemplo, assim como equipamentos de carga e descarga de placas são usados como recursos para automatizar estas operações (“loader” e “unloader”, respectivamente. Loader ( Alimentador de placas) Printer (Aplicação de Pasta de Solda) Unloader (desabastecimento de placas) Placer (inserção de componentes) Reflow Oven (soldagem por refusão) Placer (alta velocidade de inserção de componentes) General Placer (inserção de componentes genéricos) FIGURA 11: EQUIPAMENTOS PARA UM PROCESSO SMT FONTE: DONGFAN E LINCAN (2006). A utilização de componentes cada vez menores e específicos, exige o uso de tecnologia de montagem cada vez mais avançadas e precisas. Esta combinação por sua vez requer PCIs mais desenvolvidas conforme mostrado da tabela 2, que tende a direcionar uma grande parte da produção de PCI para 66 2 tipos de família; dupla face e multicamadas, até que novas soluções tecnológicas venham a ser desenvolvidas. Baseado nesta tendência evidenciada, este trabalho utilizará a análise do processo SMT como predominante na configuração do layout de máquinas. As configurações do layout podem ter variações conforme os mais diversos tipos de placa e tipos de montagem e algumas variações de montagens podem ser observadas conforme figura 12. FIGURA 12: VARIAÇÕES DE MONTAGENS DE PLACA DE CIRCUITO IMPRESSO FONTE: ICOTRON – BOLETIM TÉCNICO Nº 60 (1990) As montagens “a” e “b” da Figura 12 indicam uma montagem exclusivamente SMT. As montagens “c”, “d” e “e” apresentam componentes convencionais e SMD e desta forma se caracteriza como sendo uma montagem mista, que possui componentes SMDs soldados por imersão no lado da solda e componentes SMDs e Convencionais não soldado por imersão no lado dos componentes. 67 Para as montagens “b”, “d” e “e” é necessário o uso de placas de circuito impresso (PCI) de dupla face. Para este trabalho será aplicado um exemplo de montagem mista similar à montagem “d” na Figura 12 e um fluxograma do processo pode ser observado na Figura 13 juntamente com uma descrição das máquinas envolvidas e uma referência de consumo de energia em kW. 68 Início Aplicação de Pasta de Solda Máquinas Potência Screen Printer 3 KW Inserção de Componentes SMDs Pequenos Pick-Placer (Small Parts) 5 KW Inserção de Componentes SMDs Grandes Pick-Placer (Large Parts) 5 KW Soldagem por "Reflow" Forno de Refusão 80 KW Inversão da Placa Inversor de Placa Dispensador de Cola 5 KW Inserção de Componentes SMDs Pequenos Pick-Placer (Small Parts) 5 KW Inserção de Componentes SMDs Grandes Pick-Placer (Large Parts) 5 KW Polimerização do Adesivo Forno de Polimerização 40 KW Montagem Manual Bancada Manual 0,5 KW Soldagem a Onda Wave Solder Machine 50 KW Teste Paramétrico In-Circuit Test 2,2 KW Aplicação de Adesivo Fim FIGURA 13: FLUXOGRAMA DO PROCESSO PADRÃO PARA DESENVOLVIMENTO DO ESTUDO 69 Os processos de montagens das placas de circuito impresso em uma empresa eletrônica, geralmente obedecem a uma seqüência elementar para a montagem das placas eletrônicas conforme fluxograma descrito na Figura 13. Uma característica básica em todo este processo de obtenção de uma placa de circuito impresso montada é a fixação e interligação elétrica de todos os componentes, via as trilhas da PCI, através de uma liga soldante, geralmente de Estanho(Sn)-Chumbo(Pb) como principais componentes na liga, que pode conter ainda Prata (Au), Antimônio (Sb) e Cádmio (Cd), que conforme citado anteriormente, tem característica contaminantes ao meio-ambiente. Estes componentes são combinados geralmente na forma de pasta ou barras de solda que são usados em processos específicos que serão apresentados no decorrer deste trabalho. Esta liga de solda é o primeiro componente a ser aplicado a PCI e desta forma inicia-se toda a sequência de processo citada acima. A impressão de pasta de solda é somente um dos passos na fabricação e montagem em superfície e o primeiro a ser apresentado neste trabalho. 3.9. PROCESSO DE PRODUÇÃO A. APLICAÇÃO DE PASTA DE SOLDA POR PROCESSO DE IMPRESSÃO A impressão de pasta de solda é uma técnica na qual esta pasta é aplicada através de um “stencil”, que nada mais é que uma tela (máscara) que possui aberturas ou rasgos que permitem a passagem da mesma nos pontos onde acontecerá a soldagem dos componentes na PCI. Neste processo, uma máquina, mais comumente conhecida como “screen printer”, acomoda um stencil com partes vazadas por onde a pasta de solda atravessa e se deposita sobre a PCI. 70 A “screen printer” que tem esta função de aplicar a pasta de solda sobre a placa antes da montagem de componentes tem custo bastante variado dependendo do grau de automação e também do tamanho da placa que ela pode operar e sua velocidade (HWANG, 1989). Para este processo, estas máquinas de aplicação de solda são utilizadas para obtenção do resultado de deposição do elemento de solda-liga nas placas de circuito impresso. A característica operacional principal destas máquinas é a velocidade do rodo que aplica a pasta de solda na PCI e a pressão que este rodo aplica sobre o estêncil. As considerações básicas destas máquinas são seu máximo tamanho de área de impressão e o número de placas que pode ser processada por hora. Uma média de potência de operação destas máquinas esta por volta de 3 KW considerando uma máquina com capacidade de aplicar pasta de solda em uma área de 50 cm x 48 cm com um tempo médio de ciclo de operação de aproximadamente 15 segundos (ANEXO IV). B. INSERÇÃO DE COMPONENTES SMDS Este processo de montagem é feito de forma automática, onde altas velocidades de inserção são requeridas. Existe uma variedade de máquinas capazes de inserir automaticamente uma grande variedade de tipos de componentes e seus variados tamanhos, geometrias e características elétricas. Uma descrição breve destas características dos componentes é feita a seguir. Estas máquinas automáticas inserem os componentes exatamente sobre as áreas delimitadas pelo projeto da placa, comumente chamadas de “pads” ou terminais soldáveis, ou seja, locais da placa que possuem pasta de solda e que 71 depois da soldagem garantirão a fixação e conexão elétrica das trilhas da placa com os componentes e, por conseguinte definindo o circuito eletrônico. Os componentes ficam posicionados sobre a placa devido à propriedade da pasta de solda de executar uma pega dos componentes que ficam grudadas até o processo de soldagem. Esta pega ou qualidade de colagem tem uma característica de fixação limitada até o processo de solda, portanto, até a soldagem, a placa será transportada sem sofrer choques mecânicos. As máquinas de inserção são as mais críticas do ponto de vista do processo SMT e as mais caras dentro de uma linha. Algumas empresas usam robôs dedicados para fazer este processo de inserção em função de flexibilidade em suas linhas e custos, porém necessita ter um grupo de engenharia com capacidade de desenvolver o hardware e software necessário (PRASAD, 1989). Existem máquinas específicas para os vários tipos de componentes pequenos e grandes. A velocidade média de inserção para estes componentes varia entre 90.000 a 120.000 componentes/hora em função do tipo de componentes pequenos ou grandes. Este é um dado médio fornecido pelos fabricantes e usuários deste tipo de máquinas. Uma média de potência de operação destas máquinas de inserção está por volta de 5 KW considerando uma máquina com capacidade de inserção média de aplicar 20.000 inserções por hora (ANEXO IV). Estas máquinas costumam determinar a capacidade de uma linha de produção de placa SMT e constituem aproximadamente 50% do custo total do investimento de capital para configurações de médio a alto volume. 72 C. SOLDAGEM POR “REFLOW” A soldagem pode ser executada em dois tipos de processo; a soldagem à onda e soldagem por “reflow”. A soldagem à onda será discutida mais adiante, já a soldagem por “reflow” ou por refusão, como também pode ser chamada, se caracteriza como um processo onde uma pasta de solda, de liga estanhochumbo é colocada na PCI no início do processo por uma “screen printer”, recebe a inserção dos componentes eletrônicos sobre a mesma e passa por um forno de refusão a temperatura de aproximadamente 198°C, onde esta pasta se funde e solda os terminais dos componentes eletrônicos na PCI e desta forma-se obtém um elemento soldante entre a placa e os componentes. Os métodos de aquecimento da pasta de solda para se conseguir a solda dos componentes na placa podem ser conseguidas através de aquecimento por condução, infravermelho, ar quente, convecção, indução, aquecimento por resistências, laser,... sendo que cada um destes métodos tem particular aplicação dependendo de volume de produção, custo, tipo de componentes envolvidos, tipo de materiais envolvidos e outros parâmetros de processos (HWANG, 1989). Os fornos aplicados apresentam-se na forma de um túnel com medidas mínimas aproximadas de 3m de comprimento, onde a PCI percorre varias zonas de diferentes temperaturas com velocidade devidamente controlada, que visa atingir as reações físico-químicas na pasta de solda, necessárias ao processo. Estas reações químicas executam uma decapagem química, eliminando contaminações ou oxidações sob o efeito da temperatura deste processo. O aquecimento deste forno é dado por resistências elétricas. Para esta operação de soldagem dos componentes, fornos especiais e automáticos são necessárias uma potência média de 80kW (ANEXO IV). Estas máquinas fazem a soldagem dos componentes eletrônicos já posicionados na PCI através da pasta de solda. As PCIs são transportadas por esteiras para dentro do forno onde a atmosfera e temperatura destas máquinas 73 são controladas digitalmente. O controle da atmosfera se faz necessário para evitar que contaminantes influenciem na qualidade das junções de solda e a temperatura atende à necessidade da pasta de solda atingir seu ponto de fusão. Atualmente, resistências elétricas são os elementos de fonte de calor para o sistema da máquina e em decorrência desta condição o consumo de energia elétrica para estes fornos costuma ser o maior dentro do processo, envolvendo outros equipamentos, se equivalendo, dependendo de características de modelos e capacidade, somente às máquinas de solda. A média de consumo de potência desta máquina está em torno de 80 KW. D. ROTAÇÃO DA PCI PARA MONTAGEM DO OUTRO LADO Este processo consiste em girar a placa em 180º, ou seja, virar a face da placa que estava sendo montado para baixo e a face antes virada para baixo fique para cima, de forma que possa ser dada continuidade ao restante da montagem do processo. E. APLICAÇÃO DE ADESIVO PARA SMDS Neste processo uma quantidade de adesivo de resina epóxi é aplicada na placa em posições onde, na seqüência do processo, serão inseridos componentes SMDs. Estas posições são exatamente ajustadas para que a cola execute a fixação dos componentes pelo corpo do mesmo, sem invadir as áreas destinadas à soldagem dos pads da placa e terminais dos componentes. Para a operação de aplicação de adesivos, máquinas especiais e automáticas similares às máquinas de inserção de componentes são necessárias. 74 Estas máquinas de aplicação de adesivo têm características similares às máquinas de inserção onde um cabeçote que pega um componente e o posiciona sobre a pasta de solda, agora move uma seringa com adesivo e o aplica exatamente nas posições na placa onde os componentes serão posicionados depois. A aplicação do adesivo consiste de uma ou duas aplicações de diâmetros adequados para o tamanho do componente que será posicionado e colado. Um número maior de aplicações pode ser feito dependendo da característica do componente que se propõe montar. Este diâmetro e posição podem ser totalmente controlados por um programa carregado, que além das coordenadas pode controlar a pressão de aplicação na seringa com adesivo. Estas máquinas possuem velocidades de aplicação de adesivos iguais às das máquinas de inserção assim como todas as características de instalação e consumo de energia (ANEXO IV). F. INSERÇÃO DE SMDS SOBRE ADESIVOS Este processo de inserção é similar ao citado no item B, neste capítulo, com a diferença que, neste processo, ao invés da inserção dos componentes sobre pasta de solda, neste caso a inserção é feita sobre adesivos previamente aplicados. As características de montagem, como precisão e velocidade de inserção permanecem como as citadas naquele item (ANEXO IV). Para a operação de aplicação dos componentes sobre o adesivo, máquinas especiais e automáticas similares às máquinas de inserção de componentes são necessárias. 75 G. CURA DE ADESIVO Como na soldagem por “reflow” este processo de cura do adesivo de resina epoxi também usa um forno (ANEXO IV) que, neste caso, define a polimerização do adesivo. Após a placa ter recebido o adesivo e os componentes sobre o mesmo, passa por um forno de polimerização com temperatura aproximada entre 110ºC à 160ºC, onde este adesivo se cura e fixa os componentes eletrônicos na PCI e desta forma liberando-a para o processo de soldagem à onda. As características mecânicas deste forno são similares às já citadas no item C, cabendo somente a observação que os ajustes de temperaturas e velocidades podem sofrer alterações conforme especificação da placa ou adesivo. A média de consumo de potência de desta máquina está em torno de 80 KW. H. INSERÇÃO DE COMPONENTES CONVENCIONAIS Neste processo a inserção de componentes convencionais é feita de forma manual. Estes componentes convencionais se caracterizam por volume, peso e geometria como auto falantes, displays, etc, que são inviáveis para montagem em processos automáticos. Esta fase não requer utilização de máquinas ou equipamentos elétricos ou eletrônicos de grande porte ou que consumam muita potência. Tem-se como exemplo, iluminação, parafusadeiras elétricas, sopradores e outros. I. SOLDAGEM A ONDA Neste processo as máquinas de solda têm por finalidade executar a soldagem dos componentes eletrônicos que já estão montados na placa através da 76 fixação dos terminais. Estas máquinas possuem um cadinho onde a liga de solda é fundida em torno de 240ºC a 260ºC. Neste processo uma liga de estanho-chumbo é aquecida a temperaturas de aproximadamente 230°C de forma a atingir uma característica pastosa-líquida em um tanque especial. A soldagem é feita quando a PCI passa tocando a face desta liga no tanque de tal forma que esta liga se transporta para os pontos específicos da placa onde há áreas de cobre exposto e componentes previamente montados, visando criar um elemento soldante entre a placa e os componentes eletrônicos. O aquecimento deste tanque é dado por resistências elétricas. Estas máquinas possuem um sistema de exaustão que captura toda as emanações de gases do processo sem fuga para o ambiente. A soldagem a onda é o processo automático mais popular para montagem de placas de circuito impresso. A temperatura do banho de solda situa-se entre 230ºC a 260ºC, com tempo de permanência entre 1 a 3 segundos. Um processo de soldagem de onda dupla apresenta um melhor desempenho da soldagem dos componentes na PCI, sendo que uma primeira onda, chamada turbulenta, envia um jato de solda para assegurar uma boa estanhagem em todas as áreas metalizadas, e uma segunda mais laminar, remove o excesso de solda que possa gerar algum acúmulo de solda ou curto-circuito. Para esta operação de soldagem dos componentes, fornos com cadinhos especiais e automáticos e sistemas de esteiras internos a máquina, são necessárias (ANEXO IV). A potência consumida destas máquinas fica por volta de 50 KW e é uma das máquinas que mais consomem energia elétrica dentro de uma indústria eletrônica concorrendo como máquina de maior consumo somente com os fornos de refusão. 77 J. TESTES PARAMÉTRICOS Nesta fase, equipamentos executam testes automáticos das PCI devidamente soldadas com os componentes eletrônicos. Estes testes verificam os parâmetros das placas montadas para validação do processo como um todo. Os equipamentos envolvidos têm a finalidade de testar a integridade da montagem e aferir parâmetros das placas montadas e geralmente se apresentam em bancadas automáticas. Estes equipamentos são comumente chamados de ICT (In Circuit Test) que aplicam testes de parâmetros e funcionais. Este teste elétrico de uma montagem é feita de forma que cada componente é testado individualmente, mesmo que os componentes estejam soldados em uma placa (PRASAD, 1989). Para este trabalho será aplicado o valor médio de consumo de energia de 2,2 KW, considerando um equipamento ICT padrão. O consumo de energia elétrica de cada tipo de máquina será definido neste trabalho conforme informação técnica fornecida pelos seus fabricantes e desta forma, uma estimativa de um consumo elétrico total para as mais variadas configurações ou seqüência de processo poderá ser avaliada. A Tabela 3 também apresenta uma média de Potência elétrica de cada tipo de máquina para um processo completo e genérico para montagem de qualquer tipo de placa de circuito impresso e que deverá estar sendo considerada como a configuração padrão para considerações de consumo de energia elétrica para este trabalho. 78 K. MONTAGENS MANUAIS A inserção de componentes que possuem formas, geométricas ou tamanhos que não viáveis à montagens na PCI de forma automática são geralmente executadas em operações manuais. Especificamente os projetos das placas e componentes eletrônicos buscam eliminar a operação de montagem humana e com objetivos variados como precisão e qualidade da montagem, velocidade desta operação e a eliminação da mão de obra pura e simplesmente. As operações manuais em uma indústria eletrônica na sua maioria são para montagens das placas de circuito impresso em gabinetes ou carcaças de produto final. Como esta indústria eletrônica tende a atender produções de alto volume, as operações de montagens manuais possuem na sua maioria, tempos de ciclos de montagem muito baixos uma vez que estão conectados a linhas de máquinas de inserção de componentes automáticas, conforme descritas nos itens anteriores. Esta característica de tempo de ciclo baixo também se associa ao uso de linhas com muitos operadores executando as montagens manuais em postos com dispositivos eletromecânicos ou simplesmente ferramentas de auxílio à manipulação de componentes. 79 4. CONSUMO DE ENERGIA E IMPACTOS DE MATERIAIS DA INDÚSTRIA ELETRÔNICA 4.1. CONSUMO ENERGÉTICO NA INDÚSTRIA ELETRÔNICA Para a indústria eletrônica, o desenvolvimento de produtos ambientalmente corretos tem tido sua aplicação nos conceitos de projetos dos produtos desde a fase da fabricação de componentes e dos próprios produtos com menor gasto de energia, o banimento do uso de materiais perigosos e a redução de emissões atmosféricas, até a fase do desenvolvimento de produtos com conceitos de reciclagem que permitem o uso e reuso dos mesmos. Segundo um estudo de ACV de componentes eletrônicos feito no Japão em 1997, existem aproximadamente 100 tipos de componentes eletrônicos distribuídos em várias categorias e classificações. Este estudo de ACV criou um inventário de ciclo de vida (ICV), com as entradas ou necessidade de energia e emissões atmosféricas, água e materiais e se valeu de informações de setor econômico japonês utilizando uma tabela de entradas-saídas de recursos necessários para a obtenção de cada componente (UENO, SHIINO e ONISHI, 1998). O estudo da indústria japonesa aplicou um método que contemplou o inventário de energia, materiais e resíduos considerando e avaliando estes recursos envolvidos para obtenção de componentes eletrônicos desde as fases de obtenção do material até o seu encapsulamento. Este estudo se valeu do custo da quantidade de energia necessária mais a quantidade de emissões atmosféricas para a produção de cada componente em sua respectiva indústria. Este custo foi dado em YEN (moeda japonesa) conforme dados econômicos fornecidos pelas indústrias japonesas. Nosso interesse é apenas identificar a proporção relativa entre os diferentes componentes eletrônicos sem nos ater ao custo ou moeda aplicados. Para detalhar os cálculos de análise de ciclo de vida dos componentes eletrônicos no estudo, foi aplicada uma classificação de tipos de componentes e a que aplicações eles atendiam. A classificação é apresentada na tabela 3. TABELA 3 – CLASSIFICAÇÃO E APLICAÇÃO DE COMPONENTES ELETRÔNICOS Indústria de componente Aplicação do componente Semicondutor CIs (Circuitos Integrados), transistores, diodos, componentes de potência, semicondutores óticos e células solares. CRT Componentes passivos Conexões Transdutores PCI Tubos de imagem para aplicação doméstica e para aplicação industrial. Resistores, capacitores, transformadores e bobinas. Chaves e conectores. Cabeças magnéticas, alto-falantes e micros motores. Placa de Circuito Impresso multicamadas, placas duplas-faces e placas flexíveis. FONTE: UENO, SHIINO E ONISHI, 1998 A cadeia produtiva para cada componente no estudo se apresentou em 3 fases: (1) obtenção de material, (2) fabricação do componente e (3) encapsulamento final do componente. Se considerarmos como exemplo um semicondutor, a obtenção de material seria a obtenção do polissilício da natureza, a fabricação final seria a fabricação do “wafer” (tarugos com o silício já purificado que são separadas em bolachas com diâmetros padrão – para este trabalho estaremos definindo o termo “wafer” como bolachas de sílicio) e o 81 encapsulamento final seria aplicação do invólucro ou carcaça do componente com terminais. O gráfico da Figura 14 mostra a distribuição percentual do consumo de energia dentro das 3 fases da indústria para cada classe de componente. Esta é uma referência comparativa para se ter uma idéia da distribuição de energia dentro das fases da fabricação de vários componentes eletrônicos. FIGURA 14: COMPARAÇÃO EM PORCENTAGEM DE ENTRADA DE ENERGIA PARA CADA ESTAGIO DE FABRICAÇÃO DE COMPONENTES ELETRÔNICOS FONTE: UENO, SHIINO E ONISHI, 1998 Observando o gráfico da Figura 14 pode-se perceber que a maior média de consumo de energia dentro das 3 fases é no processo de fabricação do componente. Em uma análise um pouco mais detalhada desta fase poderemos observar que a eletricidade é a energia mais aplicada dentro dos dados levantados no estudo e o gráfico da Figura 15 mostra também percentualmente o tipo de energia aplicada nas indústrias de fabricação de componentes. 82 FIGURA 15: FONTES DE ENERGIA DENTRO DA FASE DE MANUFATURA FONTE: UENO, SHIINO E ONISHI, 1998 O gráfico da Figura 15 mostra que o energético mais consumido na fase de ,manufatura, de qualquer uma das classes de componentes é a energia elétrica. Especificamente para semicondutores o estudo da Associação de Desenvolvimento da Indústria Eletrônica no Japão (JEIDA) também reporta que 83% de toda energia consumida no processo da indústria de fabricação de semicondutor é energia elétrica e o restante fica dividido em gás, LPG, óleo e querosene (WILLIANS, AYRES e HELLER, 2002). Partindo para uma análise de montagem de um produto eletrônico com alguns dos componentes descritos, pode-se observar o estudo da Universidade Técnica de Berlim que apontou um levantamento de consumo de energia primária da ordem de 535 kWh para manufaturar um PC completo em 1999 (sem considerar consumo para o monitor de vídeo) e este valor era quase ¼ do valor de 2.125 kWh que havia sido identificado antes de 1990. Este aumento de 83 eficiência demonstrou a importância de ter os dados atualizados para avaliações de produtos eletrônicos (SCHISCHKE, GRIESE – 2004). Este caso não implica que houve uma redução de impactos ambientais ou relações associadas de melhoria ao meio-ambiente, pois ocorreu uma sobrecompensação através de uma produção de massa, onde o número de PCs vendidos de 1989 a 2003, saltou de 21 milhões para 150 milhões de unidades (Figura 16). A principal conclusão deste estudo de caso de PCs foi que a atualização de inovações tecnológicas para produtos eletrônicos é fundamental para uma adequada gestão de ciclo de vida deste setor (SCHISCHKE, GRIESE – 2004). FIGURA 16: CONSUMO DE ENERGIA PRIMÁRIA POR MANUFATURA DE PC COMPARADA COM O NÚMERO DE UNIDADES VENDIDAS MUNDIALMENTE FONTE: SCHISCHKE, GRIESE (2004) Um bom indicador de performance ambiental de avanço dos componentes eletrônicos pode ser obtido a partir dos chips semicondutores (CI – Circuito 84 Integrado), sendo que estes chips tem função significativa no consumo de energia durante a vida útil do produto. Para demonstrar o efeito do desenvolvimento dos componentes eletrônicos no consumo de energia pode-se observar o setor de telecomunicações com suas tecnologias de transmissão de dados. Por exemplo, pode-se observar que o desenvolvimento da tecnologia de transmissão de informação CDMA (Code Division Multiple Access: que significa a transmissão de sinais por controle de códigos) e dos componentes envolvidos trouxe um padrão de redução de consumo de energia primária ao decorrer do tempo. A Figura 17 apresenta uma diminuição do consumo de energia primária dos CIs de 1997 a 2001 para CDMA dentro da elipse verde, sendo que o CDMA+Analog, apesar de mais modesta, também ocorreu a diminuição de 1997 a 2002, conforme a elipse azul. Como mais uma ilustração, o CDMA representa a segunda geração (2G) do padrão de comunicação móvel, enquanto CDMA2000 (elipse laranja) e WCDMA (elipse roxa) são padrões de terceira geração (3G) considerando-se deste as unidades de transmissão de sinal analógico (SCHISCHKE, GRIESE – 2004). Desta forma, na Figura 17 pode-se observar que a tecnologia CDMA2000, mais recente, já surge com um consumo de energia primária menor e tendência definida. A tecnologia W-CDMA não demonstrou seu decréscimo de consumo, mas deve seguir a mesma tendência. 85 FIGURA 17: TELEFONES MÓVEIS – EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA CDMA FONTE: SCHISCHKE, GRIESE (2004) Em resumo, nesta Figura 17 pode-se observar dentro das elipses que a medida que passa o tempo, o desenvolvimento da tecnologia apresenta-se com uma aplicação de componentes que tem menor consumo de energia primária na sua fabricação, sendo que o único a não demonstrar esta tendência ainda na figura é a tecnologia W-CDMA. As miniaturizações podem ser um aspecto relacionado a este desempenho no setor, sendo que este aspecto, no setor de telecomunicações, tem valor estratégico significativo de mercado enquanto inovação, principalmente no que diz respeito ao seu volume de produto final. Analisando o comportamento deste setor pode-se observar um aumento de volume de vendas de forma geral e apesar de consumir menos na fabricação 86 de cada componente devido à miniaturização, o balanço de energia pode ser o mesmo ou até maior em função do aumento do volume de produção. Observa-se que os componentes eletrônicos ou semicondutores utilizam geralmente o elemento silício, que é um elemento bastante abundante na natureza, devido às suas características semicondutoras, sendo que este passa por uma purificação, em sua fabricação até atender o grau de utilização adequado à montagem de um componente eletrônico. A purificação do silício pode ser dividida em 3 fases, sendo elas: grau metalúrgico – MG-Si (1ª fase da purificação do silício para uso em fases posteriores); grau eletrônico – EG-Si (fase de uso capaz de atender aplicações em semicondutores com pureza na ordem 99.9999%) e grau solar Cz-Si (fase obtida da seqüência das duas anteriores e com disponibilização de um semicondutor fotovoltaico, ou capaz de fornecer energia a partir da absorção de luz) (NAWAZ, TIWARI, 2005). Um dado de energia sobre a produção de semicondutores nas suas fases de purificação de silício é que para se produzir 1kg de silício grau de metalúrgico são necessários 20 kWh de energia, já para produzir 1kg de silício de grau eletrônico são necessários 100 kWh, sendo que o elemento base para este processo é o silício de grau metalúrgico. Por último, para atingir o silício de grau solar a energia é de 290kWh, também se valendo do uso do material de grau eletrônico (NAWAZ, TIWARI, 2005). Conforme NAWAZ e TIWARI (2005) a energia embutida nos diferentes processos, em 1m² de silício em grau solar ou para um sistema fotovoltaico são de 666 kWh considerando: - Grau Metalúrgico (MG-Si)= 45 kWh/m² (produção de 2,234 Kg à 20kWh/kg). - Grau Eletrõnico (EG-Si)= 201 kWh/ m² (produção de 2,011 Kg à 100kWh/kg). 87 - Grau Solar (Cz-Si)= 420 kWh/m² (produção de 1,448 Kg à 290kWh/kg). Este valor de 666 kWh/m² é a soma de energia individual nas 3 fases de purificação do silício. Ainda sobre estes dados observa-se que as quantidades de material utilizado em cada fase apresentam certa perda ao longo do processo em função das características do mesmo. Outra fonte de referência é o estudo de inventário de ciclo de vida sobre módulos fotovoltaicos de cristal de silício, feito pela Universidade de Utrecht na Holanda, onde se apresenta que para obtenção de 12,5 cm X 12,5 cm de pastilha de silício em grau solar seriam necessários 8,33 kWh de energia no processo. Fazendo a conversão para a área de 1m², tem-se aproximadamente 553 kWh/m² (WILD-SCHOLTEN, ALSEMA, 2005). A diferença do consumo de energia por área, apresentada acima, pode se dar em função das características especificas dos processos ou mesmo por aproximações numéricas feitas nas referências. Um outro estudo feito por pesquisadores no Japão, França e Estados Unidos, procurou fazer uma avaliação dos impactos ambientais associados à produção de microchips ou componentes eletrônicos através do inventário de material e energia usados nesta cadeia produtiva. Um resumo da distribuição do inventario de material e energia desta indústria para a fabricação de uma bolacha de silício pode ser observada na figura 18. 88 FIGURA 18: RESUMO DE INVENTÁRIO DE MATERIAL E ENERGIA PARA FABRICAÇÃO DE BOLACHA DE SILÍCIO (FONTE: WILLIANS, AYRES E HELLER, 2002). Atendo-se à energia requerida neste processo, existem várias fontes que apresentam informação sobre o uso de energia elétrica na indústria de semicondutores conforme Tabela 4 abaixo: 89 TABELA 4 – CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA POR ARÉA DE BOLACHA DE SÍLICIO Fonte Média de Energia Elétrica (KWh / cm²) 1997 National Technology Road Map for Semiconductors 1,40 1993 MCC life cycle study 1,60 U.S. Census Annual Survey of Manufacturers 1,52 Japan Electronics Industry Development Association – JEIDA 1,44 (FONTE: WILLIANS, AYRES E HELLER, 2002). O estudo de Williams et al (2002) considerou o consumo de eletricidade para a fabricação de bolacha de sílicio é 1,5 KWh/cm² e o consumo de combustível fóssil é de 1 MJ/cm² para esta mesma bolacha. A análise desta cadeia de produção indica um grande consumo de eletricidade dentro do seu processo de fabricação da pastilha de silício para a manutenção de toda infra-estrutura necessária à purificação e manuseio adequado do elemento a base de silício. Um levantamento do laboratório americano “Lawrence Berkeley” (2000) sobre o consumo de energia elétrica em 12 laboratórios com processo de fabricação de semicondutor utilizando salas limpas, apresentou a distribuição de aplicação conforme figura abaixo. Este levantamento também é aplicado no estudo de Willians, Ayres e Heller (2002). 90 FIGURA 19: MÉDIA DE CONSUMO DE ELETRICIDADE EM 12 LABORATÓRIOS DE FABRICAÇÃO DE SEMICONDUTORES (FONTE: LAWRENCE BERKELEY LABORATORY, 2000) A Figura 19 acima mostra que o maior consumo de energia elétrica nesta fase do processo é destinada a ferramentas de processo com 35% do uso. Os sistemas de ventilação com 26% (agrupando ventilação e exaustão de ar com 19% e 7% respectivamente) e sistemas de resfriamento com 20%, perfazem os 3 maiores consumidores de energia elétrica no processo. Os sistemas de produção de nitrogênio com 7%, purificação da água do processo com 5%, resfriamento de água com 4% e atividades suporte em geral com 3%, fecham a toda a distribuição de energia elétrica nesta fase do processo (LAWRENCE BERKELEY LABORATORY, 2000). Para fazer uma análise que pudesse chegar a uma aplicação em um componente eletrônico com alto grau de purificação para caracterizar esta cadeia produtiva, Willians, Ayres e Heller (2002) usaram como referência a 91 fabricação de uma memória de 32MB DRAM fabricada sobre uma bolacha de silício de 200-mm (esta especificação é definida pelo diâmetro da bolacha, no caso 200 mm). Para o estudo foi usado o seguinte exemplo; para cada componente ou chip de memória de 32MB DRAM são requeridos 1,6 cm² de uma bolacha de silício de 200-mm e esta pastilha é considerada como inserida em um chip ou componente com dimensão de 1,0cm x 2,7cm encapsulado em resina retangular e com peso de 2,0g (WILLIANS, AYRES e HELLER, 2002). Uma análise do consumo de energia por chip ou componente eletrônico pode ser visto na Figura 20. Este é o consumo de combustível fóssil (energia primária) para cada estágio de produção de um chip e seu uso. Como pode ser observado, 48% da energia é requerida na fabricação da bolacha de silício e o uso contabiliza 27%, sendo estes os estágios de maior consumo. A energia para produzir a estrutura principal de um chip com cobre e epoxy representa 0,3% (WILLIANS, AYRES e HELLER, 2002). FIGURA 20: CONSUMO DE ENERGIA NA PRODUÇÃO E USO DE UM CHIP DE MEMÓRIA DE 32MB DRAM (FONTE: WILLIANS, AYRES E HELLER, 2002). 92 O cálculo de energia para o uso foi feito aplicando um típico cenário de uso doméstico com 4 anos de tempo de vida em 3 horas de uso diário e 365 dias por ano (WILLIANS, AYRES e HELLER, 2002). O estudo considerou uma mescla ou mistura da média global de tecnologia para geração de eletricidade da “International Energy Agency” e “BUWAL 250 Life Cycle Inventory Database”, aplicando um fator de conversão de kilowatt hora de eletricidade para mega joules de combustível fóssil de 10,7 MJ por KWh (WILLIANS, AYRES e HELLER, 2002). Se analisarmos somente a fabricação do componente eletrônico, desconsiderando o consumo de energia durante o uso, temos uma energia requerida de 41,07 MJ por componente. Fazendo-se uma conversão, com a hipótese que toda a energia utilizada em cada uma das fases seja energia elétrica, utilizamos o fator 10,7 MJ/kWh para se identificar quanto de energia elétrica é necessário por componente tem-se: Cálculo: 41,07 MJ / 10,7 MJ = 3,838 KWh por componente. Este valor de 3,838 KWh por componente seria o limite superior da energia elétrica requerida para se fabricar um componente ou chip de 32MB DRAM com 2,7 cm² conforme definido no estudo.Fazendo-se o cálculo de energia elétrica embutida por cm² encontra-se o valor de 1,422 KWh/ cm². Cálculo: 3,838 KWh por componente / 2,7 cm² = 1,422 KWh/ cm². Para este trabalho, como valor de referência, será usado valor de 1,422 kWh/cm², obtidos dos cálculos do estudo de Willians, Ayres e Heller (2002), em função da apresentação mais detalhada das fases de fabricação de um componente eletrônico e seu inventário de material e energia, assim como o levantamento de dados de várias fontes. É importante atentar-se que esta referência considera que toda a energia aplicada no processo seja a elétrica. 93 4.2. INVENTÁRIO DE MATERIAIS DA INDÚSTRIA DE COMPONENTES ELETRÔNICOS Conforme Figura 18, faz parte do inventário de entrada da indústria de componentes eletrônicos semicondutores, alguns elementos químicos, gases elementares, bolacha de silício, energia e água. Segundo o estudo de Willians, Ayres e Heller (2002), para produzir 2 gramas de memória 32MB DRAM são necessários 1600g de combustível fóssil e 72g de produtos químicos. Ainda para a fabricação de um chip são necessários 32.000g de água e 700g de gases básicos, principalmente N2. Segundo outro estudo feito por Willians, Ayres e Heller (2002), a interpretação de que o uso de material secundário, ou o usado na fabricação dos componentes eletrônicos é muito maior comparativamente que do componente eletrônico em si, é por que a fabricação de componentes eletrônicos semicondutores, assim com outras peças de alta tecnologia, possuem baixa entropia, em função do estado altamente organizado da matéria. Dado que eles são fabricados usando alta entropia dos materiais utilizados que os compõem, é natural que seja requerido um alto investimento de energia e o inventário de materiais aplicado é necessário para se transformar o todo em uma estrutura organizada (AYRES, HELLER e WILLIANS, 2002). Estes autores propõem que é necessário a discussão sobre o quantidade de materiais indiretos, a energia requerida e os impactos ambientais da cadeia produtiva de um determinado produto. Sobre este ponto de vista, colocam em dúvida o conceito de desmaterialização quando aplicado à fabricação de componentes eletrônicos em função de miniaturizações ou aumento de adensamento de funções por área. Esta mesma análise que é aplicada para a fabricação dos componentes eletrônicos, pode ser feita em relação ao gasto de energia na fabricação de computador pessoal (PC), conforme apresentado no capítulo 4.1 (Figura 16), 94 onde apesar da redução do gasto de energia para se fabricar um computador, ao longo do tempo a quantidade de computadores fabricados aumentou significativamente de forma que o consumo energético não se reduziu necessariamente, ou pelo contrário, aumentou. 4.3. IMPACTOS AMBIENTAIS DA INDÚSTRIA ELETRÔNICA – GESTÃO DE RESÍDUOS Um ponto que tem recentemente levantado preocupação da sociedade em relação à alta tecnologia é a constatação do uso de determinadas substâncias químicas perigosas e consumo significativo de recursos naturais para abastecer sua expansão global e as inúmeras variedades de produto. Rodrigues (2007) identifica a citação de mais de mil substancias diferentes, que podem ser provenientes desta indústria eletrônica, sendo que algumas contem alto grau de toxicidade como o chumbo, mercúrio, arsênico, cádmio, cromo hexavalente e retardantes de chamas bromados e halogenados, que quando incinerados geram dioxinas e furanos. Para as soldagens dos componentes eletrônicos nas placas de circuito impresso, a liga soldante é geralmente constituída de Estanho(Sn)Chumbo(Pb), elemento reconhecidamente com características tóxicas. Esta liga pode ainda conter Prata (Au), Antimônio (Sb) e Cádmio (Cd) que além das características idênticas à do chumbo na água, também tem um longo tempo de diminuição de efeito radioativo que, apesar de baixo, pode contaminar a natureza (NORDIC COUNCIL OF MINISTERS, 1995b). O uso de chumbo em produtos eletrônicos tem sido fortemente reduzido com desenvolvimento de novas ligas alternativas e com aplicação de rígida legislação. Este assunto sobre redução de chumbo, também denominado “Lead Free” será apresentado na seqüência deste trabalho. 95 Todo produto tem um ciclo de vida que abrange as fases desde a obtenção da matéria-prima até o “end-of-life” (fim-de-vida do produto) quando o produto não tem mais funcionalidade ou satifaz o seu usuário ou proprietário (JOFRE e MORIOKA, 2005). Existem 5 estratégias básicas de “end-of-life” que podem ser aplicadas conforme potencial econômico e eficiência ambiental: 1- Reuso: estratégia de recuperação e comércio do produto usado ou seus componentes mantendo a característica original do produto; 2- Conserto: esta estratégia promove o prolongamento da vida do produto através de conserto ou manutenção deste produto; 3- Remanufatura: considera o processo de remover peças específicas do produto descartado para reuso em novas aplicações; 4- Reciclagem: processos de tratamento, recuperação ou reprocessamento de peças de produtos descartáveis para serem aplicados em peças virgens ou produtos novos. 5- Disposição: esta estratégia aplica a incineração ou a deposição em aterros dos produtos descartados. 96 FIGURA 21: ANÁLISE DE CICLO DE VIDA GENÉRICO (FONTE: JOFRE E MORIOKA, 2005) Um estudo realizado em 6 países europeus sobre metodologias e estudos para determinar a quantidade de resíduos e disposição de produtos ao final de seu ciclo de vida ou “end-of-life”, indica a dificuldade de se obter informações ou documentações precisas sobre a quantidade de produtos novos importados e exportados. Isto, em linhas gerais, cria problemas significativos na abordagem e análise de um fluxo de descarte dos produtos em função da imprecisão da sua origem que pode apresentar várias fontes de origem, interna ou externa ao país. Uma análise de ciclo de vida precisa necessitaria de uma maior precisão dos inventários de entrada e saída (KOCA e DJERF, 2000). O estudo mostrou também que o padrão do trato com os descartes de produtos está relacionado ou muito influenciado com o comportamento da população de cada nação ou país em relação ao gerenciamento dos seus descartes. Os critérios que compõem este comportamento são, por exemplo: idade, sexo, número de crianças, habitantes, sistema de coleta de lixo, mudanças sazonais 97 (influência periódica ou modismos, seja pelo efeito das estações do tempo, seja por padrões temporais de mídia), nível de educação, etc. A acuracidade dos dados está muito relacionado com a eficiência de se definir com precisão todos os critérios relacionados a este comportamento (KOCA e DJERF, 2000). Uma referência sobre a composição do material eletrônico descartado quando um produto eletrônico chega à fase de final de vida é uma proporção de 40:30:30, de metal, plásticos e óxidos refratários respectivamente (SODHI e REIMER, 2001). A Figura 18 mostra a típica composição dos componentes na proporção 40:30:30 para os produtos eletrônicos. FIGURA 22: COMPOSIÇÃO TÍPICA DOS MATERIAIS DE PRODUTOS ELETRÔNICOS DESCARTADOS FONTE: SODHI E REIMER, 2001 A placa de circuito impresso (PCI), que é um dos componentes básicos dentro de um produto eletrônico, é composta em linhas gerais, por 49% de materiais cerâmicos, vidros e óxidos, 19% de plásticos, 4% de bromo e 28% de metais. 98 Uma composição mais precisa e real de uma PCI está relacionada ao tipo da placa assim como de sua idade (VEIT, PEREIRA e BERNARDES, 2003). Especificamente o tratamento das PCIs descartadas, ou rejeitos, necessitam de processos complexos para separação dos componentes, sendo que estes podem ser processos mecânicos, químicos e térmicos (VEIT, PEREIRA e BERNARDES, 2003). Uma característica sobre os procedimentos e destinos de produtos eletrônicos a serem descartados pode ser observada em Jofre e Morioka (2005) que analisaram algumas das estratégias de “End-of-Life” para regiões diferentes e a adoção de políticas e análise de padrões culturais também fazem parte deste estudo. O estudo sobre o gerenciamento de resíduos ou descartes de equipamentos elétrico e eletrônico foi feito no Japão, Estados Unidos e União Européia. Segundo Jofre e Morioka (2005), uma análise de descarte de equipamentos eletro eletrônicos feita em 2003 mostrou que no Japão a coleta dos descartes era mandatória com remuneração dos coletadores e coletava aproximadamente 648.000 toneladas anuais. Nos Estados Unidos a coleta era voluntária com um volume máximo de 751 toneladas anuais e na União Européia com uma coleta regulamentada por órgãos específicos, a massa coletada chegava a 1.919.240 toneladas ano. Estes números, apesar de não trazer a precisa relação com os números de consumidores e tamanho nas regiões envolvidas, revelam os conceitos e estratégias associadas a cada cultura. Estratégias estas que são; mandatória pelo padrão de disciplina; a voluntária por um padrão de busca de consciência e liberdade, e a regulamentada pela necessidade de padrão ou regra para vários grupos-países envolvidos neste mesmo propósito. É importante salientar que a informação relacionada aos setores que utilizam componentes eletrônicos tem certa limitação na precisão de dados, quando se pretende avaliá-los nos quesitos impactos e inventário de recursos ambientais, 99 isto se deve seja pela falta de padronização de uma metodologia de controle dos vários tipos de componentes, seja pela velocidade de desenvolvimento tecnológico que não facilita que os dados tenham uma manutenção adequada em relação à sua atualização. Estudos em várias partes do mundo procuram diminuir esta limitação principalmente em relação aos impactos ambientais, em geral, em âmbito local. Um exemplo foi o estudo feito em Guiyu, uma cidade da província de Guangdong no sudoeste da China, onde uma série procedimentos de descarte e processos de reciclagem de peças de produtos eletrônicos foram identificados e seus impactos ambientais contabilizados (LEUNG, CAI e WONG, 2006). Como atualmente existe globalmente uma procura por práticas capazes de gerenciar efetivamente o resíduo dos produtos eletrônicos durante seu ciclo de vida e depois do final de sua vida ou uso, soluções de reuso e reciclagens têm sido consideradas práticas amigáveis .(LEUNG, CAI e WONG, 2006). Esta condição, de certa forma, tem feito com que os resíduos dos produtos eletrônicos gerados pelos países mais ricos sejam exportados para os países mais pobres e em desenvolvimento, principalmente pelo baixo custo da mão de obra utilizada na reciclagem nestes países, assim como pela facilidade de disposição doméstica destes resíduos. Registros sobre a disposição de produtos eletrônicos indicam que 50% a 80% dos resíduos coletados para reciclagem nos países industrializados, como os Estados Unidos, tendo sido direcionados para centros de reciclagem na Ásia. Para se ter uma idéia de quantidade, somente nos Estados Unidos no período de 2004 a 2007 estão previstos a obsolescência de 315 milhões de computadores, para citar apenas um equipamento eletrônico. (LEUNG, CAI e WONG, 2006). Os centros de reciclagem na Ásia incluem China, Índia, Paquistão, Vietnam e Filipinas que freqüentemente apresentam limitações de cuidados e proteções 100 ambientais e à saúde humana, com o uso de aparatos e sistemas não apropriados. Na cidade de Guiyu, local do estudo de Leung, Cai e Wong (2006), existem várias vilas e comunidades que tradicionalmente se dedicavam à plantação de arroz e estão se transformando em centros de reciclagem de resíduos eletrônicos vindos dos Estados Unidos, Hong Kong e outros países. Para estes resíduos eletrônicos as operações de reciclagem consistem em desmontagem de sistemas de impressão com toner, desmontagem de equipamentos eletrônicos, venda de monitores e computadores para recuperação de cobre e partes plásticas para derretimento, recuperação de cobre de cabos via aquecimento, aquecimento de placas de circuito impresso sobre blocos de carvão e uso de ácidos para executar a decapagem química e recuperação de ouro e outros metais, porém nem todas atividades são feitas para recuperação de materiais, algumas atividades são executadas como parte ou fase auxiliar dos próprios processos de aquecimento e para vendas gerais (LEUNG, CAI e WONG, 2006). As operações de recuperação através de processos térmicos, como a de fios de cobre que, liberam cloreto de polivinil e polibromados retardantes de chama são executados por homens, mulheres e crianças em condições de nenhum cuidado com a saúde e meio ambiente. Os resíduos ou partes dos produtos eletrônicos são descartados ao ar livre, em áreas próximas a rios, campos abertos e próximos a arrozais ou mesmo dentro das áreas de moradia. Para fazer uma avaliação dos efeitos dos descartes destes materiais em vários locais de Guiyu, foram utilizados métodos padronizados para avaliação de solo e sedimentos coletados (LEUNG, CAI e WONG, 2006). Este estudo em Guiyu mostrou várias formas de contaminação da cidade sendo uma delas a contaminação química em vários campos ao redor da cidade por via de tráfego veicular que transporta os elementos químicos quando passa por áreas onde há a emissão de gases de queima ou aquecimento do lixo eletrônico. 101 As áreas mais afastadas dos centros de reciclagem, que na teoria, se esperava menor contaminação, não confirmaram tal hipótese. A concentração de PBDE, proveniente das áreas de aterros de sistema de impressão com toner, demonstrou um resultado de 10 a 60 vezes maior que em qualquer outro lugar já reportado, assim como níveis de contaminação de rios similares aos de aterros, desmanches e pontos de queima em geral (LEUNG, CAI e WONG, 2006). O final do estudo mostra que os efeitos adversos dos processos de reciclagem não afetam necessariamente somente a cidade de Guiyu, mas pode criar impactos ao ambientes e as pessoas localizadas ao seu redor, sem limites precisamente definidos. Esta situação, como já citado anteriormente, está fortemente relacionada à expectativa de lucro que estas regiões da China têm com a recuperação de computadores e desmanches de PCs obsoletos, monitores e placas de circuito impresso para recuperação de alumínio, ouro, cobre, platina e outros metais. OS autores apontam que facilidades de importação, muitas vezes ilegais contribuem para que isto se sustente (LEUNG, CAI e WONG, 2006). Um outro estudo que procurou avaliar as necessidades para se obter um controle apropriado dos ciclos de materiais em função do rápido crescimento econômico Asiático e foi conduzido por pesquisadores de universidades do Japão, China, Índia, Corea, Filipinas, Taiwan, Tailândia e Estados Unidos, indicou uma necessidade de esforços nos 3R que são; Redução, Reuso e Reciclagem (TERAZONO, MURAKAMI, ABE, MORIGUCHI, SAKAI, KOJIMA, YOSHIDA, LI, YANG, WONG, JAIN, KIM, PERALTA, LIN, MUNGCHAROEN e WILLIANS, 2006). Uma abordagem do estudo aponta que em função do fato das informações disponíveis sobre o fluxo de materiais descartados entre os países serem limitadas, é necessário que as investigações sejam específicas para cada produto ou devem ter sua análise de fluxo de uso e processo de descarte entre os países (TERAZONO, MURAKAMI, ABE, MORIGUCHI, SAKAI, KOJIMA, 102 YOSHIDA, LI, YANG, WONG, JAIN, KIM, PERALTA, LIN, MUNGCHAROEN e WILLIANS, 2006). O estudo também analisou um exemplo de esforço para reciclagem de materiais no Japão, onde a legislação aplicada requer que os fabricantes tenham responsabilidade na coleta e reciclagem dos produtos em sua fase de final de vida. Os pesquisadores analisaram os dados operacionais de plantas de reciclagem de eletros-domésticos sobre a ótica dos materiais utilizados nos produtos, o balanço de material, a porcentagem de recuperação de material pesado e a configuração dos processos de reciclagem. A análise demonstrou que o resíduo gerado e emissões de metais pesados foram reduzidos após a implementação da lei, apesar de uma ampla variação nos 4 cenários que foram aplicados para a análise (TERAZONO, MURAKAMI, ABE, MORIGUCHI, SAKAI, KOJIMA, YOSHIDA, LI, YANG, WONG, JAIN, KIM, PERALTA, LIN, MUNGCHAROEN e WILLIANS, 2006). 4.2.1. USO DE LIGA DE SOLDA “LEAD FREE” NA INDÚSTRIA ELETRÔNICA Existem vários esforços para um rápido desenvolvimento de uso de liga de solda isenta de chumbo em produtos elétricos e eletrônicos. Na Europa a regulamentação que restringe o uso de vários materiais perigosos em equipamentos eletrônicos, aponta o chumbo como danoso à saúde humana através da contaminação de água e solo durante o processo de disposição de tal resíduo material no ambiente. No Japão o uso de placa de circuito impresso sem uso de chumbo serve como instrumento de markentig para alcançar uma vantagem competitiva de mercado (ELBERT, 2002). Esta eliminação de chumbo na Europa e Japão também é citada por Goudarzi (2002) como sendo uma pressão governamental e para esta tendência as empresas necessitam fazer avaliações em seus processos de forma geral para 103 atender requerimentos de qualidade dos produtos. As alterações de processos mais evidentes envolvem as temperaturas de trabalho, pois a liga de solda sem chumbo possui uma temperatura de fusão e refusão maior que quando a utilizado o chumbo. Quando se substitui o chumbo na liga de solda SnPb por SnAgCu, SnCu, SnZn ou outras ligas, a toxicidade da placa de circuito impresso é reduzida conforme mostra a Figura 23 abaixo, onde o Indicador de Toxicidade Potencial (TPI) esta relacionado com os materiais utilizados na liga de solda. Este indicador foi desenvolvido pelo Instituto Fraunhofer IZM (Institut Zuverlãssigkeit und Mikrointegration) na Alemanha, apresenta as concentrações permitidas pela legislação européia e suas classificações de poluição de água e valores de risco de substâncias perigosas definidas e declaradas pela União Européia. Este medidor é apresentado em um único índice específico de material, que varia de 0 (potencial de perigosidade nulo) até 100 (potencial de perigosidade mais elevado) por mg de substância. Já o indicador de Potencial Emissão Tóxica (TPE) esta relacionada especialmente às emissões no processo de degradação durante a fases de final de vida do produto com seu descarte. No caso das emissões apresentadas no gráfico, as mesmas foram consideradas no pior caso de TPI (MUELLER, GRIESE, SCHISCHKE e STOBBE, 2005). 104 30 25 20 15 10 5 S n8 3 P b 3 7 S nZ n 9 S n9 S nB 0 B i5 i9 8 ,5 C S u0 nA ,5 g3 ,5 B i4 ,8 S nA S g3 nA ,5 g4 C S u0 nC ,5 u0 ,7 N i0 ,1 0 Ligas de Solda TPI - Indicador de Potencial Toxicidade TEP - Potencial Emissão Tóxica FIGURA 23: ÍNDICE DE EFEITOS AMBIENTAIS CAUSADOS POR TOXICIDADE FONTE: MUELLER, GRIESE, SCHISCHKE E STOBBE (2005) Como referência de quantidade, aproximadamente 90.000 toneladas de ligas de solda por ano contendo chumbo eram usadas em produtos eletrônicos no mundo em 2005 e estavam sendo substituídas por ligas sem chumbo ou outras alternativas ecologicamente mais corretas (MUELLER, GRIESE, SCHISCHKE e STOBBE, 2005). 105 5. METODOLOGIA DE ANÁLISE DO CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA NO PROCESSO. Para proceder a avaliação de consumo de energia no processo de produção de PCIs montadas da indústria eletrônica é necessário se fazer uma avaliação na demanda de energia das máquinas envolvidas no processo, as características dimensionais dos componentes eletrônicos e a área de placa do produto aplicada ao processo. A demanda de energia elétrica das máquinas envolvidas no processo que foi descrita na Figura 13 no capitulo 3, foi uma referência baseada em informações de fornecedores de máquinas. A quantidade e tipo de máquinas foi definido como sendo a configuração mínima para se montar qualquer tipo de placa SMD existente no mercado atual. Isto indica que esta configuração pode ser alterada retirando algum tipo de máquina que não seja necessário ao processo de montagem de determinada placa, assim como pode haver a duplicação de mais de um tipo de determinada máquina em função de característica do produto com mais ou menos tipo de componentes específicos. Desta forma também é possível avaliar qual seria o impacto no consumo de energia da configuração aumentando um determinado tipo de máquina, mas valendo chamar a atenção que os fornos são as máquinas de maior consumo e não costumam ter duplicação e sim adequação de sua capacidade ao processo. Placas com sua totalidade de componentes SMDs pequenos necessitam mais máquinas de inserção para tal, de forma a atender à necessidade de produtividade da linha. Analisando os componentes eletrônicos pode-se dizer que este item é extremamente significativo na definição da área da placa. Um projetista de PCI necessita sempre ter uma idéia aproximada da área dos componentes antes de começar um layout. Uma estimativa possível é multiplicar a área requerida para cada tipo de componente utilizado (esta área 106 engloba o tamanho dos “pads” para contato dos terminais na PCI mais o espaço entre componentes). Um fator de ineficiência do encapsulamento do componente também pode ser utilizado. Este fator de ineficiência, nada mais é que uma compensação das variações dos encapsulamentos dos componentes, sendo que para placas de memória, esta ineficiência varia em torno de 10% e para placas lógicas, esta ineficiência pode chegar a 30% (PRASAD, 1989), tudo isto em função das variações dimensionais dos componentes. Para este trabalho será definida uma faixa de tamanho de componentes que são componentes pequenos e grandes, para que possa haver o desdobramento dos cálculos e do modelo proposto pelo trabalho. Além desta definição de tamanho será considerado que, cada componente, além de sua própria área, necessita de uma área à sua volta para garantir os espaçamentos entre outros componentes na placa. A título de exemplo, se for considerado um capacitor cerâmico de medida conforme Figura 24, pode-se observar que sendo sua área de 2,00 mm x 1,25 mm, ainda necessita uma área livre em suas laterais para que haja possibilidade de se colocar outros componentes sem a sobreposição no mesmo. Uma medida usual para esta condição é considerar para componentes SMDs, um acréscimo de 1,27 mm no comprimento ( L ) e largura ( B ). Para este trabalho consideraremos que esta característica apresentada pelo capacitor da Figura 24 será exatamente a característica para todos os outros componentes e produtos. 107 FIGURA 24: CAPACITOR CERÂMICO - MEDIDAS FONTE: ICOTRON – BOLETIM TÉCNICO Nº 61 (1990) Também para efeito do trabalho considerar-se-á hipoteticamente que a PCI possui uma composição ou distribuição de 30% de sua área populada com componentes eletrônicos grandes e os 70% de área restantes populada com componentes pequenos. Componentes pequenos serão os considerados menores que 15mm x 15mm (para efeito de cálculo consideraremos somente dois tamanhos de componentes que represente cada uma destas condições necessárias - Figura 25). Comprimento Componentes Pequenos 15 mm Componentes Grandes 15 mm Largura FIGURA 25: REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO TAMANHO DOS COMPONENTES PARA O TRABALHO 108 Para facilitar o cálculo será considerado que os componentes pequenos terão medida padrão 5mm x 5mm, que ficaria em uma faixa bastante mais próxima dos minúsculos componentes eletrônicos existentes hoje no mercado e um pouco mais longe da medida adotada para componentes grandes. Para os componentes grandes a medida adotada será exatamente 15mm x 15mm conforme considerado por este trabalho. TABELA 5: - CARACTERÍSTICAS DOS COMPONENTES PROPOSTOS Medida do Componente (mm) Área do Componente (10-5 m²) Área com espaço de 1,27 mm ao redor do componente (10-5 m²) 5x5 2,50 3,90 15 x 15 22,50 26,50 Componente Pequeno Componente Grande Analisando a tabela 5 e considerando a distribuição de componentes na PCI pode-se calcular o número de inserções de cada tamanho por área que lhe cabe nesta distribuição. Sendo, neste caso hipotético, uma área de 70% para componentes pequenos, tem-se que 0,70 m² por m² de uma área de PCI e isto comportaria 17.806 componentes pequenos colocados ou inseridos. Cálculo: 0,70 m² / 3,90 x 10-5 m² = 17.806 componentes pequenos Área efetiva de componentes= 17.806 x 2,5 x 10-5 m² = 0,445 m² Para os componentes grandes 1.113 inserções serão necessárias dentro de uma área de 0,30 m² por m². Cálculo: 0,30 m² / 26,50 x 10-5 m² = 1.113 componentes grandes Área efetiva de componentes= 1.113 x 22,5 x 10-5 m² = 0,25 m² 109 Para prosseguimento dos cálculos será considerada uma média de 20.000 inserções de componentes por hora para as máquinas de inserção de componentes, tanto para componentes pequenos como componentes grandes. Tal disposição será adotada por ser esta uma condição mais usual e prática no mercado de montagem de PCI, isto se justifica, pois, mesmo que haja indicações dos fabricantes que as máquinas de inserções tenham capacidade variando de 90.000 à 120.000 inserções por hora, esta condição de alta capacidade é obrigatoriamente combinada com baixa flexibilidade, ou seja, menor número de tipos de componentes e ainda assim componentes de geometria de fácil operação ou inserção. Sendo 17.806 inserções de componentes pequenos em condições de máquinas e configuração para 20.000 inserções horária, tem-se que seria necessária 0,890 hora para tal tarefa de inserção. Cálculo: 17.806 / 20.000 = 0,890 h para inserir os componentes pequenos Sendo 1.113 componentes grandes inseridos em condições de máquinas de 20.000 inserções por hora, teremos 0,057 hora necessárias. Cálculo: 1.113 / 20.000 = 0,057 h para inserir os componentes grandes Como o maior tempo de ocupação da configuração de máquinas é o destinado para componentes pequenos, este tempo de 0,890 hora é o tempo referência para que 1 m² de PCI seja montado com a distribuição de componentes e configuração de máquinas propostas neste trabalho. Um resumo dos cálculos pode ser observado no ANEXO V. Para a montagem de uma placa de circuito impresso as várias máquinas envolvidas, necessariamente não possuem a mesma velocidade de operação ou mesmo tempo para executar a sua parte da tarefa de montagem da placa. 110 Esta característica pode ser exemplificada se observamos que se as máquinas para inserção de componente grandes e pequenos possuem a mesma velocidade para o número de inserção horária e cada uma tem número de inserções diferente para atingir a porcentagem de área definida no trabalho, isto indica que uma máquina atingirá primeiro o seu compromisso de montar os componentes na sua área definida e ficará esperando a outra concluir seu compromisso, uma vez que estão em uma linha de montagem em série. Ex: Para componentes pequenos serão necessários 0,890 hora para montar 70% da área com tais componentes pequenos enquanto levará 0,057 hora para montar 30% de área com componentes grandes que cumprirá sua montagem antes. Desta forma como definimos, tem-se que para a montagem de 1m2 de área enquanto a máquina de inserção de componentes pequenos trabalha 100% do tempo montando componentes durante 0,890 hora, para os componentes grandes serão necessários somente 0,057 hora e o restante do tempo esta máquina ficaria parada, onde o consumo de energia elétrica neste momento, para efeito do trabalho será considerado de 10% do seu consumo total, considerando um consumo de “stand-by” que existe. Esta característica também se aplica às outras máquinas que serão sugeridas na configuração proposta no trabalho e para isto deverá ser observado que toda máquina que se mantiver em regime de operação de máximo consumo de energia elétrica terá seu tempo de operação igualado ao tempo de maior inserção de componentes que, conforme apresentado anteriormente, é de 0,890 hora. Uma máquina que é exceção ao modelo proposto é a “screen printer” que tem sua característica de operação baseada na área de impressão de pasta de solda e desta forma, para esta simulação, será aplicado o seguinte conceito. Sendo a “screen printer” uma máquina com sua capacidade determinada pela velocidade com que deposita ou aplica a pasta de solda na placa, consideraremos que a composição das velocidades envolvidas no processo 111 como a velocidade de transporte da PCI, a velocidade de impressão da pasta de solda e a velocidade de separação da PCI do estêncil, que terão um tempo total de operação de 0,004 hora (15 segundos) para uma impressão de área de 500 mm x 500 mm. Esta definição segue um padrão médio das máquinas existentes hoje no mercado. Portanto para a “screen printer” completar 1 m² de PCI, deverá operar durante 0,016 hora e este será o tempo considerado como consumo máximo para esta máquina e, no restante do tempo, para atingir o maior tempo de máquina de inserção (0,890 h para inserção de “small parts”) será considerado 10% do consumo total como sendo ‘stand-by”. Feitas estas considerações, pode-se compor a planilha com uma configuração básica de máquinas e seus consumos na Tabela 6. TABELA 6: PLANILHA PARA APLICAÇÃO E DETERMINAÇÃO DE PROCESSO ESPECÍFICO B - Consumo de Energia por Maquina Consumo Qtde. Máx. (KW) Maq. Tempo de Tempo de operação operação em (h) Stand-By (h) Consumo Energia em Operação (KWh) Consumo Energia em Stand-By (KWh) Consumo/Área (KWh/m2) 0,310 SCREEN PRINTER 3,0 1 0,016 0,874 0,048 0,262 PICK-PLACE (SMALL PARTS) 5,0 1 0,890 0,000 4,450 0,000 4,450 PICK-PLACE (LARGE PARTS) 5,0 1 0,057 0,833 0,285 0,417 0,702 FORNO DE REFUSÃO GLUE INSERTION (DISPENSADORA DE COLA) PICK-PLACE (SMALL PARTS) PICK-PLACE (LARGE PARTS) FORNO DE POLIMERIZAÇÃO BANCADAS MANUAIS WAVE SOLDER MACHINE IN-CIRCUIT TEST 80,0 5,0 5,0 5,0 40,0 0,5 50,0 2,2 1 1 1 1 1 1 1 1 0,890 0,890 0,890 0,057 0,890 0,890 0,890 0,890 0,000 0,000 0,000 0,833 0,000 0,000 0,000 0,000 71,200 4,450 4,450 0,285 35,600 0,445 44,500 1,958 0,000 0,000 0,000 0,417 0,000 0,000 0,000 0,000 71,200 4,450 4,450 0,702 35,600 0,445 44,500 1,958 Total (KWh/m 2 ) 168,766 FONTE: ELABORADA A PARTIR DE DADOS DOS FORNECEDORES DE MÁQUINAS Tendo em vista esta configuração padrão proposta, se faz necessária a combinação deste conceito com as características do mercado de PCI para o desenvolvimento dos cálculos de consumo por área. 112 Os últimos dados fornecido pela ABRACI sobre o consumo de placas de circuito impresso no país, dos anos de 2003 a 2006 (o dado fornecido de 2006 foi um dado estimado pela associação) está apresentado na tabela 7 a seguir. Para se obter uma referência mais aproximada possível, desconsideraremos o dado estimado de 2006 e fazendo uma média por mês dos anos de 2003 a 2005, conforme tabela 7. TABELA 7: - CONSUMO DE PCI POR ÁREA NO PERÍODO PONDERADO MENSALMENTE Ano Área m² / Ano Área m² / Mês 2003 2004 2005 2006 855.706 1.129.803 934.383 690.638* 71.308 94.150 77.865 57.553 * Consumo estimado FONTE: ABRACI (2007) Os dados neste período mostram uma estabilização no consumo de placas entre 70.000 m² a 94.000 m² produzidos ao mês como média anual. Utilizando o maior e menor consumo mensal destes anos e o mesmo critério dimensional dos componentes com a configuração de máquinas aplicadas na tabela 4, pode-se observar o consumo de energia elétrica para 70.000 m²/mês de 141,764 GWh/Ano e para 94.000 m²/mês um consumo de 190,368 GWh/Ano nestes respectivos limites (ANEXO VI). Se compararmos estes valores com os consumos de energia elétrica de outros setores industriais no BEN (Balanço Energético Nacional), no mesmo período de anos, poderemos identificar que o consumo deste setor é relativamente baixo. Como exemplo foi feita uma comparação do consumo de energia elétrica 113 nos anos de 2003 a 2005 para os setores residencial, industrial e outros, conforme Tabela 8 abaixo. TABELA 8: - PLANILHA DE Ano Área (m²) / Ano Ind. Eletrônica (GWh) / Ano 2003 2004 2005 855.706 1.129.803 934.383 144,394 190,648 157,672 CONSUMO ENERGIA POR SETORES Residencial (GWh) / Ano 76.126,243 78.591,144 83.207,975 Industrial Total (GWh) / Ano 160.333,707 172.091,971 175.401,771 Outros (GWh) / Ano 31.404,087 34.179,151 35.546,591 FONTE: MME – BALANÇO ENERGÉTICO NACIONAL – BEN 2005 Pode-se observar uma mesma tendência de comportamento de consumo para todos os setores assim como a manutenção da baixa relação de consumo da indústria eletrônica, tendo como referência o modelo proposto neste trabalho. Percentualmente, considerando o ano de 2005, observa-se que o consumo da energia da indústria eletrônica é 0,19% em relação ao consumo do setor residencial, aproximadamente 0,09% em relação ao consumo do setor industrial e 0,44% do consumo de “outros setores” na Tabela 9 categoria esta onde está inserida a indústria eletrônica proposta neste trabalho. Desta forma, pode-se concluir que o impacto do consumo de energia elétrica da indústria eletrônica conforme conceito utilizado neste trabalho, não é muito significativo comparando com outros setores industriais. Estes dados e cálculos apresentaram uma característica de consumo de energia elétrica baseado em um consumo mensal de área de PCI nacional em determinado período, onde uma configuração de processo/máquina foi sugerida de forma hipotética. 114 Faremos agora uma estimativa da energia elétrica embutida por metro quadrado de área de placa de circuito impresso montada, considerando não só o processo de montagem desta placa, desenvolvido neste trabalho, mas também a energia embutida nos componentes eletrônicos utilizados. Para isso consideraremos que todos os componentes eletrônicos sejam similares a um chip de memória de 32MB DRAM já descrito no capítulo 4, que requer 1,6 cm² de uma bolacha de silício de 200-mm, sendo que esta pastilha está inserida em um chip ou componente com 1,0cm x 2,7cm encapsulado em resina retangular e com peso de 2,0g. A energia requerida por área desta memória é de 1,422 KWh/cm² ou 14,22 MWh/m² (WILLIANS, AYRES e HELLER, 2002). Pensando em uma análise de energia embutida em cada componente eletrônico, podemos utilizar os mesmos conceitos de área de PCI e consideraremos que se tivermos 1 m² de placa de circuito impresso coberta por componentes eletrônicos na proporção definida, ou seja, 70% da área com componentes pequenos, temos uma área efetiva de componentes 17.806 x 2,5 x 10-5 m² = 0,445 m², desconsiderando os espaços entre os componentes. Para os 30% de área restantes, cobertos com componentes grandes, temos uma área efetiva coberta de 1.113 x 22,5 x 10-5 m² = 0,25 m². Assim, a área total efetivamente coberta com componentes eletrônicos é de 0,695 m², o que representa uma energia embutida de 13,9 MWh se aplicarmos as características da memória citada. Cálculo: 0,695 m² x 14,22 MWh/ m² = 9,882 MWh. Assim, podemos observar que a energia elétrica utilizada na montagem dos componentes sobre a placa (168 kWh ou 0,168 MWh) representa aproximadamente 1,6 % da energia embutida em componentes similares a uma memória. Procurando aproximar um pouco mais o valor da energia elétrica embutida conforme as especificações do estudo de Willians, Ayres e Heller (2002) aos cálculos de consumo de energia de montagem de placa deste trabalho, usaremos uma referência de um componente eletrônico com uma pastilha de 115 silício de 1,6 cm² inserida em um encapsulamento de 1,0cm x 2,7cm em resina retangular, com área final de 2,7 cm² por componente, sendo a energia embutida por área de 1,422 kWh/cm2, conforme apresentação e cálculo das fases de fabricação de um componente eletrônico do capítulo 4.1. Desta forma pode-se deduzir hipoteticamente os seguintes cálculos: - Considerando que a área proposta no trabalho para componentes pequenos é de 70% de 1 m² e possui 17806 destes componentes nesta área, o valor total da área com componentes de 5 x 5 mm será de 0,445 m². - Considerando a área para componentes grandes como sendo de 30% de 1 m² e possui 1113 destes componentes grandes nesta área, o valor total da área com componentes de 15 x 15 mm será de 0,255 m². - A área total de todos os componente, pequenos e grandes, será de 0,700 m². - Fazendo a substituição dos componentes propostos no trabalho nesta área de 0,700 m² por componente eletrônico memória de 32MB DRAM com área de 2,7cm², teremos agora 2.592 unidades do componente desta memória em 1m2 de área proposto no trabalho. - Multiplicando estas 2.592 unidades por 3,838 KWh por componente teremos que a energia elétrica embutida para esta quantidade de componentes será de 9.950,370 kWh por área definida no trabalho. Analisando que o consumo de energia elétrica para montagem de placa de circuito impresso proposto e calculado neste trabalho, é de 168,766 KWh/m² ou 16,876Wh/cm² e que para a fabricação de um componente eletrônico similar a uma memória que requer 1,422 KWh/cm², a diferença de 84 vezes maior, temse que o maior consumo de energia dentro de um placa eletrônica esta na fase de obtenção e fabricação do componente eletrônico ou chip semicondutor dentro do seu processo de purificação do elemento semicondutor, no caso silício. 116 Para este trabalho este valor calculado, sobre uma estimativa de consumo de energia elétrica de componentes eletrônicos, não se caracterizaria como uma energia consumida no Brasil, em função do maior número de componentes serem importados de outros centros de produção deste componente. Este consumo de energia acontece em outros países. Caso seja avaliada uma determinada placa de aplicação em determinado produto, uma análise deste consumo de energia elétrica também pode ser calculada e o conceito desenvolvido na planilha do Anexo VI pode ser aplicado com as variações desejadas como será apresentada no item 5.1 a seguir. 5.1. CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA PARA PROCESSO PROPOSTO PARA 3 TIPOS DE PRODUTOS ESPECÍFICOS Para explorar um pouco mais o consumo de energia elétrica para fabricação de produtos eletrônicos, será feito uma análise de 3 tipos de placas que podem fazer parte de alguns setores industriais ou fornecedores de bens de consumo citados neste trabalho. Uma placa de equipamento de automação (ANEXO I), uma placa de aplicação em computador (ANEXO II) e uma proposta de placa de telefone celulares (ANEXO III) serão os 3 tipos a serem avaliados. Estes 3 tipos serão considerados como caso 1, 2 e 3 respectivamente. Para a placa de automação como caso 1, que possui uma característica de placa de circuito impresso face simples (somente um lado da placa com componentes) o consumo de energia elétrica por área ficou na ordem de 18,759 kWh/m², considerando o processo e as máquinas propostas no cálculo do ANEXO I. A placa caso 2, de aplicação no computador, já possui uma característica mais complexa com padrão de face dupla (com componentes montados nos 2 lados da placa) e com a necessidade de mais máquinas envolvidas no processo para 117 executar toda a montagem proposta. O consumo de energia elétrica desta forma fica em torno de 37,835 kWh/m², conforme cálculos do ANEXO II. Este valor é praticamente o dobro do caso 1, apesar de ser menor, ela possui montagem nos 2 lados da placa. Já para o caso 3 que é uma proposta baseada na experiência deste autor sobre placa de telefone celular, os cálculos do ANEXO III demonstraram um consumo de energia elétrica por área na ordem de 830,153 kWh/m², isto considerando uma montagem em 2 faces e uma quantidade de componentes muito maior comparado com os casos 1 e 2 apresentados. Estes dados, apesar de utilizarem um critério hipotético de padrão de máquinas e processo, que se manteve comum a todos os 3 casos, demonstra que a quantidade de lados de placa montadas representa um acréscimo importante de consumo se mantivermos um mesmo padrão de produto, mas a quantidade e adensamento de componentes por área é também muito significativo aumento do consumo de eletricidade na montagem. Apesar do adensamento de componentes por área ser uma tendência de miniaturização dos produtos eletrônicos, ou seja, de torná-los cada vez menor, ainda assim não existe uma capacidade de relacioná-la com uma redução de consumo de energia, associada a seu tamanho. Uma outra relação já percebida mas ainda não quantificada é o aumento do consumo de materiais e energia a medida que os produtos são reduzidos e ficam mais acessíveis ao mercado consumidor. 118 6. CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS Na opinião deste autor, o ciclo de trabalho e consumo é um dos comportamentos mais importantes na sociedade atual e na economia capitalista, ainda que exista a limitação de oferta de trabalho para todos. Assim, existe uma forte tendência de aumento de demanda para bens de consumo, seja para o atendimento de necessidades básicas, seja para uma maior comodidade e conforto, da sociedade. O aumento do consumo também tem ocasionado uma tendência forte de descartabilidade rápida dos produtos no cotidiano da sociedade atual, o que nos remete a uma reflexão sobre a sustentabilidade desta prática. A melhor expectativa do ponto de vista ambiental seria, que, a demanda por produtos pudesse ser cada vez menor, mesmo com perspectiva de atender a todos, à medida que os produtos pudessem ser otimizados e duráveis podendo, potencialmente, refletir num maior aumento da demanda de serviços que os aproveitasse mais, num maior intervalo de tempo. A indústria eletrônica, como definida neste trabalho, fortemente relacionada com este cenário atual de uso de bens de consumo, tanto com inovações tecnológicas em seus processos de manufatura, como na aplicação de seus produtos, demonstrou neste trabalho não ser uma indústria energo intensiva. No Brasil observar-se que comparativamente com setores como residenciais e industriais, a indústria eletrônica de montagem de placas de circuito impresso para produtos eletrônicos, tem seu consumo de energia elétrica pouco expressivo em relação ao mercado nacional. Atendo-se ao processo específico de montagem de placas, pode-se observar que a configuração de processo e as máquinas que venha ser aplicadas por uma indústria, têm forte relação com o resultado de consumo de energia. As máquinas e fornos de soldagem da liga de solda desta indústria são os equipamentos de maior consumo de energia (para aquecimento direto). Já a velocidade do processo está fortemente relacionada com as máquinas de inserção automática e possuem um consumo de energia mais modesto em relação às máquinas e fornos de soldagem. Desta forma pode-se entender que se dobrarmos a velocidade de inserção, com o acréscimo de máquinas de inserção automática podemos ter um atendimento da demanda na metade do tempo, reduzindo assim o consumo de energia, uma vez que os fornos e máquinas de solda têm grande ocisosidade, tendo, entretanto, que ficar ligadas o tempo todo. As variáveis de configuração de processo e máquina estão muito relacionadas com os valores de investimentos e por isso é que existe a especialização de indústrias no atendimento de montagens de placas de circuito impresso através de terceirização, onde além da especialização técnica dos processos é possível se atingir uma otimização dos custos de manufatura para os mais diversos pedidos de clientes. Analisando os componentes envolvidos nesta indústria, observa-se que os componentes eletrônicos ou semicondutores, que são na sua maior parte importados, possuem uma energia embutida por unidade de área muito maior que o consumo de energia necessário para montagem de placas de circuito impresso na mesma unidade de área. Esta diferença esta na ordem de 50 a 100 vezes mais energia elétrica por área de componente eletrônico em relação ao gasto na montagem. A precisão dos dados da indústria que fabrica semicondutores é um fator de limitação para uma melhor análise desta indústria e fica muito em função de pesquisas de associações, empresas ou entidades organizadas com preocupações pertinentes ao consumo de energia e material desta indústria. Neste trabalho o que pôde ser observado é que mais de 80% da energia consumida na industria de semicondutores é energia elétrica. 120 Ainda nesta linha de raciocínio, em relação à limitação das informações sobre detalhes desta indústria de semicondutores, um outro exemplo observado é quando se avalia os tipos de materiais encontrados em produtos eletrônicos descartados, e não se identifica o silício que é aplicado na fabricação dos componentes eletrônicos como sendo uma quantidade significante na composição destes materiais. Isto pode ser explicado pela existência de processos de dopagem do silício para obtenção de alto grau de purificação do semicondutor, reduzindo muito a possibilidade de separação ou identificação do silício unicamente. Estes processos possuem características e desenvolvimentos especiais com seus segredos pertinentes e com limitada divulgação pública. O Brasil não tem uma indústria de semicondutores estabelecida e isto esta relacionado com a necessidade de altos investimentos, assim como o estabelecimento de uma demanda consistente que justifique tal investimento. Uma grande fatia do mercado mundial de semicondutores está baseada no fornecimento de alguns poucos fabricantes. Esta indústria de semicondutores também necessita de mão de obra qualificada, o que não deve ser um ponto restritivo ao Brasil já que o país goza de boa credibilidade sobre a qualidade e potencial de sua mão de obra. A implementação da indústria de fabricação de componentes eletrônicos no país se mostra como uma estratégia importante, mas com uma ótica mais de avanço tecnológico e econômico para melhoramento da balança comercial, por isso estes processos de alto investimento só fazem sentido se houver demanda firme e consistente e poder ser muito competitivo com outros mercados. Do ponto de vista de impactos ambientais associados aos materiais dentro da indústria eletrônica, observa-se também a dificuldade de levantamento de dados precisos sobre o inventário de entrada e saída dos materiais envolvidos. Quando se observa a grande quantidade de ferramentas existentes para viabilizar a otimização dos resultados de uso de energia e materiais nos 121 estudos de ACV, pode-se identificar iniciativas alinhadas com estes objetivos, como a redução de elementos danosos ao meio ambiente como o Chumbo nos produtos eletrônicos ou projetos que permitam o retorno de telefones e partes, como exemplo baterias, em pontos controlados e habilitados a fazer uma destinação adequada deste, seu reuso ou descarte final, porém conceitualmente quando se observa o processo de miniaturização que esta indústria aplica em seus produtos finais, não se identifica que ao longo da cadeia para obtenção de seus componentes, haja uma redução de materiais envolvidos nos processos assim como também não se identifica claramente que o consumo global de energia se reduza, uma vez que o objetivo econômico desta indústria é a produção de alto volume e de bens de consumo. O limite de todo este sistema seria a capacidade de, tecnologicamente, se reduzir uma aplicação ou um produto, à própria disponibilidade das reservas de materiais para sustentar a obtenção do produto e demanda de consumo da sociedade.(esta frase está confusa...)Como estes limites ainda não se apresentam definidos no cotidiano da sociedade, a aplicação de ferramentas que permitam aumentar o tempo de vida são extremamente importantes e especificamente avaliando um produto eletrônico, a idéia de se projetar produtos com tempo maior para a obsolescência ou com alternativas de atualizações (“upgrades”) e uma mudança do paradigma de uma economia baseada em produtos para uma baseada em serviços seria uma ótima iniciativa na visão deste autor. A destinação final dos produtos eletrônicos demonstra fonte de preocupação em função da quantidade de elementos tóxicos aplicados em sua montagem. Para as placas de circuito impresso montadas as soluções de reciclagem dos componentes não possuem ainda alternativas tecnológicas ideais integradas com meio ambiente. Os processos de moagem tem limitação de separação abrangente de todos os componentes da placa, os processos de raspagem ou retirada dos componentes eletrônicos costumam se valer de processos térmicos que desprendem muitos gases tóxicos e os processos de recuperação dos metais dos componentes eletrônicos estão muito associados ao uso de 122 elementos químicos de manuseio perigoso e descarte complicado no meio ambiente. Infelizmente estes processos de descarte e reciclagem das placas eletrônicas montadas também tem tido um direcionamento para especializar áreas ou regiões especificas, mas com o agravante que estes processos ficam associados a uso de mão de obra de baixo custo e por conseguinte a áreas pobres do planeta. A diferença de custo é tão alta, que toneladas de lixo eletrônico são capazes de transpor oceanos para ser “recicladas” e descartadas de forma completamente inadequada. A falta de controle dos processos, descuido com a saúde das pessoas e com o meio ambiente é uma condição comum nestas atividades. A falta de informação precisa da cadeia logística do descarte dos produtos eletrônicos é um problema para definições de planos de melhoria das condições ambientais. O estudo apresentado sobre os centros de descarte e reciclagem de produtos eletrônicos na Ásia mostra que a contaminação do ambiente pelos resíduos destes produtos e seus processos de reciclagem possuem padrão de contaminação que não se restringe à área da atividade e sim pode abrir fronteiras com contaminação das águas, solo, animais ou tudo que possa estar em contado direto com estes processos. Legislações regionais e tratados internacionais podem trazer resultados significativos para uma melhor destinação destes itens, mas para isto se tornar realidade é necessário tratar com firmeza as informalidades ou condutas ilegais que possam estar envolvidas neste fluxo. Retomando a análise da indústria eletrônica estudada, a proposta manufatureira da indústria eletrônica para o Brasil pode ser uma tendência pelo padrão de mão de obra e viabilidades comerciais e fiscais que possam existir. Aparte o padrão de consumo de energia que se apresenta de forma comum a qualquer outro setor industrial, a questão técnica que pode ser mais importante, 123 na opinião deste autor, para a indústria eletrônica fica sendo mesmo as implicações de materiais que serão dispensados após o uso do produto. Propostas de maior tempo de vida dos produtos desta indústria assim como uma potencial migração para o conceito de uma economia de serviços em contraposição a uma economia de produtos de vida curta, cada vez mais freqüente no padrão de consumo de novidades, parecem entretanto ser bastante utópicas neste contexto, embora desejáveiss do ponto de vista ambiental. Para o Brasil não existe informação disponível sobre a aplicação de energia nos processos de reciclagem ou consumo de energia envolvido nos processos de manufatura e produção da indústria de eletrônica. A dificuldade de informações sobre este assunto potencialmente está influenciada pela dificuldade de se contabilizar a quantidade de produtos fabricados internamente e seus descartes com controles e registros em associações e órgãos competentes, em contraposição à quantidade de produtos que possam estar sendo utilizados, provenientes de origem externa com menor rigor de controle ainda. O aspecto de conhecimento e consciência do usuário quanto ao descarte de componentes ou produtos eletrônicos, também é um complicador para este assunto. Por último, um avanço da regulamentação, suportada por uma fiscalização adequada e acompanhada por uma divulgação abrangente dos assuntos sobre os aspectos ambientais e energéticos aos produtos e eletrônicos ainda podem ajudar mais neste conhecimento. 124 REFERÊRENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABINEE ; Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica. www.abinee.org.br/abinee/decon - Acesso em 29/Set/2007. ABINEE ; Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica. Balança Comercial do Setor Jan-Nov/06 www.abinee.org.br/abinee/decon/decon12.htm - Acesso em 13/abr/2007. ABRACI ; Associação Brasileira de Circuitos Impresso www.abraci.org.br - Acesso em 29/Set/2007. AEA - Agência Européia do Ambiente http://www.eea.eu.int _ ISBN 92-9167-428-1 AEA, Copenhaga – Dinamarca – 2002 -- Acesso em 29/Set/2007. 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Estes componentes eletrônicos possuem seus encapsulamentos e dimensões específicas e que estarão sendo denominados como componentes grandes (indicados com pontos cor laranja) que serão inseridos em máquinas “pick-place (large parts)” e componentes pequenos (sem indicação alguma de cor) que serão inseridos em máquinas “pick-place (small parts)”. Os componentes que são inseridos manualmente (indicados com pontos cor azul) estarão sendo inseridos nas bancadas manuais. Neste caso a placa é de face simples, existindo montagem de componentes somente de um lado da placa que é apresentada na foto. Desta forma o número de máquinas no processo e menor. As características mecânicas e de montagem da placa da Figura 1 são apresentadas na Tabela 1 abaixo como Caso 1, e o desdobramento dos cálculos mostram que para esta placa com dimensão de 10,50 x 11,63 cm temse a necessidade de 0,32 hora (19,2 minutos) para se montar 1m² de placa com as características da placa deste caso. Foi considerado o tempo total da montagem dos componentes pequenos por ser maior em relação ao tempo total para montagem dos componentes grandes de 0,03 horas, que terá o seu tempo de “stand-by” considerado como consumindo 10% da potência total da máquina. 136 FIGURA 1 – PLACA DE EQUIPAMENTO PARA SISTEMA DE AUTOMAÇÃO Para esta placa não são necessárias as máquinas “screen printer”, forno de refusão e as máquinas de inserção para montagem de componentes no outro lado da placa e a identificação das máquinas utilizadas no processo, pode ser observada com o número 0 (zero) na coluna de “Qtde. Maq.” na tabela 2. Para a determinação do tempo que cada máquina trabalha em regime máximo de consumo foi considerado como referência o tempo da máquina de maior tempo, e desta forma as máquinas que mantém o máximo de consumo em todo o tempo do processo de montagem terão o tempo determinado pela máquina de maior tempo de inserção (para small parts). A referência aplicada será a área da placa considerando 1m2. A Tabela 2 apresenta o consumo de energia elétrica para esta placa, definindo os tipos e quantidades de máquinas que são necessárias para no processo de montagem. O consumo total de energia elétrica para a configuração necessária a montagem é de 18,759 kWh/m2, ou seja a cada m2 de placa com a 137 característica apresentada, é necessário 18,759 kW para funcionamento das máquinas envolvidas no processo. TABELA 1 - TEMPOS DE INSERÇÃO POR ÁREA E ÁREA POR HORA – CASO 1 # Análise: Caso 1 Total de Componentes (qtde.): Área avaliada - Comprimento (cm): Área avaliada - Largura (cm): Area Analisada (cm²): 86 10,50 11,63 122,12 Maior Tempo para Proposta (h/m²): Qtde. Compon. no. Inserc. Componente Pequeno: Componente Grande: Componente Grande (Mont. Manual): 77 8 1 20.000 20.000 --- Total de Componentes: 86 Tempo / Compon. (seg) 0,32 Tempo Total Tempo Inserc. / Total Area Inserc. / m² Analisada (hora) (seg) 0,18 0,18 13,86 1,44 0,32 0,03 --- --- --- TABELA 2 – CONSUMO DE ENERGIA POR MÁQUINA APLICADA AO PROCESSO - CASO 1 AVALIAÇÃO DE CONSUMO PARA O CASO 1 A - Consumo de Energia por Maquina: SCREEN PRINTER PICK-PLACE (SMALL PARTS) PICK-PLACE (LARGE PARTS) FORNO DE REFUSÃO GLUE INSERTION (DISPENSADORA DE COLA) PICK-PLACE (SMALL PARTS) PICK-PLACE (LARGE PARTS) FORNO DE POLIMERIZAÇÃO BANCADAS MANUAIS WAVE SOLDER MACHINE IN-CIRCUIT TEST Consumo Energia (KW) Qtde. Maq. . Tempo de operação (h) Tempo de operação em Stand-By (h) 3,0 5,0 5,0 80,0 5,0 5,0 5,0 40,0 0,5 50,0 2,2 0 1 1 0 0 0 0 0 1 1 1 0,000 0,320 0,030 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,320 0,320 0,320 0,000 0,000 0,290 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 Consumo Energia em Operação (KW) 0,000 1,600 0,150 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,160 16,000 0,704 Consumo Energia em Stand-By (KW) 0,000 0,000 0,145 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 Total (KWh/m 2 ) Consumo Energia 2 (KWh/m ) 0,000 1,600 0,295 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,160 16,000 0,704 18,759 138 ANEXO II – CASO 2: CÁLCULO DE ENERGIA ELÉTRICA PARA PLACA DE USO EM COMPUTADORES Para uma placa de aplicação em computadores a necessidade de consumo de energia elétrica e será de analisada como um Caso 2. A Figura 1 mostra a placa de circuito impresso e seus componentes eletrônicos montados. Fica mantida a condição dos componentes eletrônicos possuírem seus encapsulamentos e dimensões específicas e que mantida a denominação de componentes grandes (indicados com pontos cor laranja) que serão inseridos em máquinas “pick-place (large parts)” e componentes pequenos (sem indicação alguma de cor) que serão inseridos em máquinas “pick-place (small parts)”. Os componentes que são inseridos manualmente (indicados com pontos cor azul) estarão sendo inseridos nas bancadas manuais. Neste caso a placa é de face dupla, existindo montagem de componentes nos dois lados e para efeito de análise será considerado a mesma configuração para ambos os lados conforme apresentada na Figura 1. As características mecânicas e de montagem da placa da Figura 1 são apresentadas na Tabela 1 e os cálculos mostram que para esta placa com dimensão de 13,94 x 7,20 cm tem-se a necessidade de 0,20 horas (12 minutos) para se montar 1m² de placa com as característica da placa de caso 2. Foi considerado o tempo total da montagem dos componentes pequenos por ser maior em relação ao tempo total para montagem dos componentes grandes de 0,03 horas. O conceito de observar a coluna “Qtde. Maq.” na Tabela 2 para identificar as máquinas aplicadas no processo de montagem desta placa também é valido, cabendo somente a observação sobre a “screen printer”, que se considerarmos o mesmo critério citado anteriormente de que a “screen printer” terá um tempo total de operação de 0,004 hora (15 segundos) para uma impressão de área de 500 mm x 500 mm, então para aplicar a pasta de solda à área da placa de 139 13,94 x 7,20 cm será necessário o tempo de 1,61 x 10-4 horas para a “screen printer” executar a tarefa. Como o tempo referência para o consumo será o da máquina de “small parts”, a diferença para este tempo será considerada com 10% do consumo total em “stand-by”. FIGURA 1 – PLACA DE APLICAÇÃO EM COMPUTADORES A Tabela 2 apresenta o consumo de energia elétrica para esta placa, definindo os tipos e quantidades de máquinas são necessárias para no processo de montagem. O consumo total de energia elétrica para a configuração necessária a montagem é de 37,835 kWh/m², ou seja a cada 1 m² montados desta placa são consumidos 37,835 kWh. 140 TABELA 1 - TEMPOS DE INSERÇÃO POR ÁREA E ÁREA POR HORA – CASO 2 # Análise: Caso 2 Total de Componentes (qtde.): Área avaliada - Comprimento (cm): Área avaliada - Largura (cm): Area Analisada (cm2): 47 13,94 7,20 100,37 Maior Tempo para Proposta (h/m²): Qtde. Compon. no. Inserc. Componente Pequeno: Componente Grande: Componente Grande (Mont. Manual): 40 6 1 20.000 20.000 --- Total de Componentes: 47 Tempo / Compon. (seg) 0,20 Tempo Total Tempo Inserc. / Total Area Inserc. / m2 Analisada (hora) (seg) 0,18 0,18 7,20 1,08 0,20 0,03 --- --- --- TABELA 2 – CONSUMO DE ENERGIA POR MÁQUINA APLICADA AO PROCESSO - CASO 2 AVALIAÇÃO DE CONSUMO PARA O CASO 2 A - Consumo de Energia por Maquina: Consumo Energia (KVAh) SCREEN PRINTER PICK-PLACE (SMALL PARTS) PICK-PLACE (LARGE PARTS) FORNO DE REFUSÃO GLUE INSERTION (DISPENSADORA DE COLA) PICK-PLACE (SMALL PARTS) PICK-PLACE (LARGE PARTS) FORNO DE POLIMERIZAÇÃO BANCADAS MANUAIS WAVE SOLDER MACHINE IN-CIRCUIT TEST 3,0 5,0 5,0 80,0 5,0 5,0 5,0 40,0 0,5 50,0 2,2 Tempo de Qtde. Tempo de operação em Maq. operação (h) Stand-By (h) 1 1 1 1 0 1 1 1 1 1 1 1,61E-04 0,200 0,030 0,200 0,000 0,200 0,200 0,200 0,200 0,200 0,200 0,200 0,000 0,170 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 Consumo Energia em Operação (KW) 0,000 1,000 0,150 16,000 0,000 1,000 1,000 8,000 0,100 10,000 0,440 Consumo Energia em Stand-By (KW) 0,060 0,000 0,085 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 Total (KWh/m 2 ) Consumo Energia (KVAh) 0,060 1,000 0,235 16,000 0,000 1,000 1,000 8,000 0,100 10,000 0,440 37,835 Obs.: Considerado a mesma combinação de componentes nos 2 lados da placa. 141 ANEXO III – CASO 3: CÁLCULO DE ENERGIA ELÉTRICA PARA TELEFONES CELULARES PROPOSTO Considerando que uma placa de telefone celular teria um dimensional médio de 4,50 cm X 9,00 cm e com uma estimativa de distribuição média de componentes pequenos em torno de 500 unidades (dentro de uma faixa que pode variar de 350 a 700 unidades) e os componentes grandes ficando em torno de 30 unidades (variando em uma faixa de 7 a 40 unidades). Deve-se observar que esta condição é definida pelas características do produto celular e o critério de componentes grandes ou pequenos esta determinado pela capacidade das máquinas de inserção. FIGURA 1 – PLACA EXEMPLO DE TELEFONE CELULAR Com esta distribuição, propriamente dita, pode-se considerar, aproximadamente, que 90% são componentes pequenos e 10% são componentes grandes. A Tabela 1 mostra uma característica de placa proposta para o setor de telecomunicações para análise do consumo de energia elétrica. TABELA 1 - TEMPOS DE INSERÇÃO POR ÁREA E ÁREA POR HORA – TELECOMUNICAÇÕES # Análise: Telecomunicações Total de Componentes (qtde.): Área avaliada - Comprimento (cm): Área avaliada - Largura (cm): Area Analisada (cm²): 530 4,50 9,00 40,50 Maior Tempo para Proposta (h/m²): Qtde. Compon. no. Inserc. Componente Pequeno: Componente Grande: Componente Grande (Mont. Manual): 500 30 N.A. 20000 20000 --- Total de Componentes: 530 Tempo / Compon. (seg) 6,17 Tempo Total Tempo Inserc. / Total Area Inserc. / m² Analisada (hora) (seg) 0,18 0,18 90,00 5,40 6,17 0,37 --- --- --- Observando a distribuição dos componentes dentro da área definida pode-se observar que são necessários 6,17 horas para fazer 1m². A cada 1 hora são produzidas 0,16 m² de área de placa com a característica definida. A Tabela 2 mostra a configuração da linha que é capaz de fabricar tal placa e a potencia total da configuração. O critério para as máquinas aplicadas ao processo seguem o citado nos 2 casos anteriores e novamente a “screen printer”, que possui como característica um tempo total de operação de 0,004 hora (15 segundos) para uma impressão de área de 500 mm x 500 mm, conforme um padrão médio das máquinas existentes hoje no mercado e desta forma para aplicar pasta de solda em 1 m² de placa deverá levar 0,016 hora. Este tempo será aplicado nos cálculos de consumo de energia e o tempo restante para atingir o tempo padrão do processo, que será o tempo da “small parts” de 6,17 horas, consideraremos como tempo de consumo em “standy-by” mantendo o critério de consumo de 10% da potencia total da máquina. 143 Para este exemplo o cálculo de consumo de energia elétrica para uma configuração capaz de executar a montagem da placa com tais características de componentes e área de PCI resultou em 830,153 kWh/m². TABELA 2 – CONSUMO POR MÁQUINA APLICADA AO PROCESSO – TELECOMUNICAÇÕES AVALIAÇÃO DE CONSUMO PARA TELECOMUNICAÇÕES A - Consumo de Energia por Maquina: Consumo Energia (KW) SCREEN PRINTER PICK-PLACE (SMALL PARTS) PICK-PLACE (LARGE PARTS) FORNO DE REFUSÃO GLUE INSERTION (DISPENSADORA DE COLA) PICK-PLACE (SMALL PARTS) PICK-PLACE (LARGE PARTS) FORNO DE POLIMERIZAÇÃO BANCADAS MANUAIS WAVE SOLDER MACHINE IN-CIRCUIT TEST 3,0 5,0 5,0 80,0 5,0 5,0 5,0 40,0 0,5 50,0 2,2 Tempo de Qtde. Tempo de operação em Maq. operação (h) Stand-By (h) 1 1 1 1 0 1 1 1 1 0 1 0,016 6,170 0,370 6,170 0,000 6,170 0,370 6,170 6,170 0,320 6,170 6,154 0,000 5,800 0,000 6,170 0,000 5,800 0,000 0,000 5,850 0,000 Consumo Energia em Operação (KW) 0,048 30,850 1,850 493,600 0,000 30,850 1,850 246,800 3,085 0,000 13,574 Consumo Energia em Stand-By (KW) 1,846 0,000 2,900 0,000 0,000 0,000 2,900 0,000 0,000 0,000 0,000 Total (KWh/m 2 ) Consumo Energia (KVAh) 1,894 30,850 4,750 493,600 0,000 30,850 4,750 246,800 3,085 0,000 13,574 830,153 144 ANEXO IV – INFORMAÇÃO REFERENCIAL DE MÁQUINAS E FORNECEDORES Para este trabalho foram adotados valores de consumo de potência baseado em informações de manuais de vários fornecedores de máquinas sendo que os valores adotados na tabela abaixo são valores médios para referência de cálculo. VALOR ADOTADO NO TRABALHO PROCESSO MÁQUINA POTÊNCIA (KW) FORNECEDORES / Links de referência - MPM, Deck, Camelot, ... Aplicação de pasta de solda SCREEN PRINTER por processo de impressão. 3 http://www.smtinline.com/html-en/NewProducts/dek265horizon.html http://www.smtinline.com/html-en/NewProducts/prn-svy/05.html http://www.dek.com/ http://industrial.panasonic.com/ww/products_e/product_cat2/AAAH00 0_e/AAAH000_e/printer/index.html - Fuji, Siemens, Panasonic, Juki, ... Inserção de componentes PICK-PLACE (SMALL PARTS) SMDs Pequenos 5 Inserção de componentes PICK-PLACE (LARGE PARTS) SMDs Grandes 5 http://industrial.panasonic.com/ww/products_e/product_cat2/AAAH00 0_e/AAAH000_e/mounter/index.html http://www.smtinline.com/html-en/NewProducts/xp-141e.html http://www.smtinline.com/html-en/NewProducts/cp732-en.html http://www.fuji.co.jp/e/SMT/smt_Products/nxt/index_nxt.html http://www.fuji.co.jp/e/SMT/index.html http://www.circuitnet.com/classifieds/10425.shtml http://ea.automation.siemens.com/doc/standard.asp?id=6127&domid =10&sp=E&addlastid=&m1=6118&m2=6124&m3=6127 - Heller, BTU, Conceptronics, Eletrovert, Ominoflo, ... Soldagem em forno de refusão FORNO DE REFUSÃO Aplicação de adesivo para GLUE INSERTION (DISPENSADORA DE SMDs. COLA) Inserção de SMDs pequenos sobre adesivos. Inserção de SMDs grandes sobre adesivos. 80 http://www.hellerindustries.com/markIIIApex.htm http://www.equipmatching.com/manufacturer/CONCEPTRONIC http://www.speedlinetech.com/electrovert/electra.aspx - Fuji, Panasonic, ... 5 http://industrial.panasonic.com/ww/products_e/product_cat2/AAAH00 0_e/AAAH000_e/adhesive/index.html PICK-PLACE (SMALL PARTS) 5 - Fuji, Panasonic, ... PICK-PLACE (LARGE PARTS) 5 - Fuji, Panasonic, ... - Heller, BTU, Conceptronics, Eletrovert, Ominoflo, ... Cura de adesivo. FORNO DE POLIMERIZAÇÃO Inserção de componentes BANCADAS MANUAIS convencionais. 40 http://www.hellerindustries.com/markIIIApex.htm http://www.madelltech.com/wavesolders.html http://www.novastarinc.com/reflowspecs.html 0,5 - Fabricantes em geral de mobiliário industrial - Eletrovert, Heller, ... Soldagem a onda. WAVE SOLDER MACHINE 50 IN-CIRCUIT TEST 2,2 http://www.hellerindustries.com/markIIIApex.htm http://www.madelltech.com/wavesolders.html http://www.novastarinc.com/reflowspecs.html - HP, Alfatest, ... Testes paramétricos. http://www.alfatest.ro/en/index.php?page=testequipments&spage=test-in-circuit#links http://www.teradyne.com/ict/teststation-in-circuit-test/ ANEXO V – CÁLCULO DAS ÁREAS DOS COMPONENTES E TEMPO DE INSERÇÃO CÁLCULO DAS ÁREAS DOS COMPONENTES E TEMPO DE INSERÇÃO A- Componentes Medida do Componente (mm) Componente Pequeno Componente Grande Espaço Livre ao redor do Componente 5 15 x x 1,27 5 15 Área do Componente (m2) 2,500E-05 2,250E-04 Área do Componente comEspaço 3,931E-05 2,647E-04 Distribuição de área por tamanho de componente (%) Número de inserção por área (Ins./m2) Componente Pequeno Componente Grande 70 30 17.806 1.133 Área da Placa (m2) 1 Componente Pequeno Componente Grande Número de Inserção (Média Horária) Tempo Necessário para área definida (hora/m2) 20.000 20.000 0,890 0,057 146 ANEXO VI – PLANILHA PARA APLICAÇÃO DO CONSUMO PARA DEMANDAS LIMITES EM M²/MÊS PROPOSTA DO MODELO DE CONSUMO PARA INDÚSTRIA ELETRÔNICA A - Componentes Área do Componente (m2) -5 2,500 x 10 -4 2,250 x 10 Medida do Componente (mm) Componente Pequeno Componente Grande 5 15 x x 5 15 Área do Componente com Espaço -5 3,931 x 10 -4 2,647 x 10 1,27 Espaço Livre ao redor do Componente Distribuição de área por tamanho de componente (%) Número de inserção por área (Ins./m2) Componente Pequeno Componente Grande 70 30 17.806 1.133 Área da Placa (m2) 1 Componente Pequeno Componente Grande Número de Inserção 20.000 20.000 Tempo Necessário para área 0,890 0,057 B - Consumo de Energia por Maquina SCREEN PRINTER Consumo Máx. (KW) . 3,0 Qtde. Maq. . 1 Tempo de Tempo de Consumo Consumo operação operação em Energia em Energia em Stand-By (h) Operação (KW) Stand-By (KW) (h) 0,016 0,874 0,048 0,262 Consumo/Área (KWh/m2) . 0,310 PICK-PLACE (SMALL PARTS) 5,0 1 0,890 0,000 4,450 0,000 4,450 PICK-PLACE (LARGE PARTS) 5,0 1 0,057 0,833 0,285 0,417 0,702 FORNO DE REFUSÃO GLUE INSERTION (DISPENSADORA DE COLA) PICK-PLACE (SMALL PARTS) PICK-PLACE (LARGE PARTS) FORNO DE POLIMERIZAÇÃO BANCADAS MANUAIS WAVE SOLDER MACHINE IN-CIRCUIT TEST 80,0 5,0 5,0 5,0 40,0 0,5 50,0 2,2 1 1 1 1 1 1 1 1 0,890 0,890 0,890 0,057 0,890 0,890 0,890 0,890 0,000 0,000 0,000 0,833 0,000 0,000 0,000 0,000 71,200 4,450 4,450 0,285 35,600 0,445 44,500 1,958 0,000 0,000 0,000 0,417 0,000 0,000 0,000 0,000 71,200 4,450 4,450 0,702 35,600 0,445 44,500 1,958 Total (KWh/m 2 ) 168,766 # Para a demanda de PCI por área de 70.000,000 (m2/mês) necessita-se de 141,764 (GWh/Ano) # Para a demanda de PCI por área de 94.000,000 (m2/mês) necessita-se de 190,368 (GWh/Ano) 147