INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS Engenharia Civil – Engenharia do Território 2008/2009 – 2º semestre Hidrologia e Recursos Hídricos 1º TRABALHO PRÁTICO CARACTERIZAÇÃO GEOMORFOLÓGICA DE UMA BACIA HIDROGRÁFICA Caracterize geomorfologicamente a bacia hidrográfica definida pela secção do curso de água que lhe for indicada no mapa. Identifique com rigor a bacia hidrográfica e apresente os seguintes desenhos ou figuras: − localização geográfica da bacia hidrográfica; − planta da bacia hidrográfica; − curva hipsométrica (com escalas absolutas e com a escala das áreas adimensional e acompanhada de quadro com os elementos de traçado); − hierarquização da rede de drenagem pelos métodos de Strahler e de Horton; − perfil longitudinal do curso de água principal e de dois dos seus maiores afluentes. Determine e apresente os seguintes elementos, incluindo, quando justificado, os cálculos efectuados: − área da bacia hidrográfica; − desenvolvimento do perímetro (adoçado) da bacia hidrográfica; − índice de compacidade de Gravelius; − altitudes máxima, mínima e média da bacia hidrográfica; − altura média da bacia hidrográfica; − desenvolvimento do curso de água principal; − declives médio e equivalente do curso de água principal; − densidade de drenagem da bacia hidrográfica; − percurso médio à superfície do terreno até um curso de água; − relação de bifurcação média. INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS Engenharia Civil – Engenharia do Território 2008/2009 – 2º semestre Hidrologia e Recursos Hídricos 2º TRABALHO PRÁTICO ANÁLISE DA PRECIPITAÇÃO PARTE 1 - Determinação da precipitação anual média sobre a bacia hidrográfica do 1º trabalho Determine a precipitação anual média na bacia hidrográfica estudada no 1º Trabalho Prático, (a) utilizando os postos udométricos fictícios indicados na planta do 1ºTrabalho e (b) utilizando postos udométricos ou udográficos reais da rede nacional. a) Recolha as séries da precipitação anual nos cinco postos udométricos fictícios indicados na planta do 1ºTrabalho (fonte: página alternativa da disciplina). Obtenha as correspondentes descrições estatísticas (médias, desvios-padrão e coeficientes de variação) e calcule a precipitação anual média na bacia pelos métodos de Thiessen e das isoietas. Apresente quadros do género abaixo exemplificado e apresente as seguintes figuras: − planta da bacia hidrográfica com a localização dos postos udométricos fictícios e o traçado dos polígonos de Thiessen; − planta da bacia hidrográfica com a localização dos postos udométricos fictícios e o traçado das isoietas médias anuais. Quadro 1 – Precipitação nos postos udométricos Identificação do posto Média Desvio-padrão (mm) (mm) Coeficiente de variação (-) Quadro 2 – Precipitação na bacia hidrográfica. Método dos polígonos de Thiessen Peso ( pi ) Contribuição (pi Pi) Posto ( i Precipitação ( Pi ) Área de influência ( Ai (mm) ) (-) (mm) ) (km2) A= Σ= Precipitação anual média sobre a bacia = Σ= mm Quadro 3 – Precipitação na bacia hidrográfica. Método das isoietas Isoietas PiContribuição ( pi (Pi-1+Pi )/2) Área compreendida (Ai ) Peso ( pi ) ( km2 ) (-) ( mm ) 1;Pi ( mm ) A= Σ= Precipitação anual média sobre a bacia = Σ= mm b) Identifique e localize postos udométricos ou udográficos da rede nacional com influência na bacia hidrográfica. Recolha as séries da precipitação nesses postos (fonte: http://snirh.inag.pt ), apresente quadros semelhantes aos dois primeiros atrás indicados e estime pelo método de Thiessen a precipitação anual média na bacia. PARTE 2 - a) Linha de possibilidade udométrica Aceda à página alternativa da disciplina e recolha as cinco séries de valores máximos anuais das precipitações, medidas num posto udométrico fictício, com durações de um a cinco dias. a1) Identifique a lei estatística que, de entre as leis Gumbel, log-normal (ou de Galton) e de Pearson III, melhor se ajusta à série da precipitação máxima anual com uma dada duração. Verifique a qualidade do ajustamento de cada uma das três leis consideradas por meio da representação das leis estatísticas e dos correspondentes pontos amostrais, em gráficos tendo em ordenadas o valor da variável aleatória analisada e em abcissas a variável normal reduzida. Complemente os gráficos com um quadro com a correspondência entre os períodos de retorno de 2, 10, 20, 100, 200 e 1 000 anos, a probabilidade de não excedência que lhes corresponde e a variável normal reduzida com essa probabilidade. a2) Determine, de acordo com as leis com melhor ajustamento, as precipitações máximas anuais com durações de um a cinco dias e com períodos de retorno de 10, 100 e 1 000 anos. a3) Obtenha a linha de possibilidade udométrica para durações superiores ou iguais ao dia e para o período de retorno de 1 000 anos. Represente tal linha, bem como os pontos que lhe serviram de base, num gráfico duplamente logarítmico. b) Identifique o posto udométrico da rede nacional (posto real) localizado o mais próximo possível da bacia hidrográfica estudada no 1º Trabalho Prático e dispondo de registos da precipitação diária máxima anual durante pelo menos 15 anos (fonte: http://snirh.inag.pt). b1) Recolha a série de precipitações diárias máximas anuais no referido posto. b2) Por aplicação da lei de Gumbel, determine as precipitações máximas diárias anuais com períodos de retorno de 2.33, 100 e 1 000 anos. c) Para o período de retorno de 100 anos, utilizando o estudo Análise de Fenómenos Extremos.Precipitações Intensas em Portugal Continental (fonte: http://snirh.inag.pt), estime para a bacia hidrográfica estudada no 1º Trabalho Prático valores da precipitação com durações inferiores ao dia e represente tais valores e a respectiva linha de possibilidade udométrica num gráfico duplamente logarítmico. Apresente os cálculos efectuados organizados, sempre que possível, em quadros. Função Densidade de Probabilidade Domínio Parâmetros Outros momentos Normal (Gauss) f ( x) = (x − µ)2 1 exp − 2σ 2 σ 2π −∞ < x < ∞ µ=x σ = sx Log-normal (Galton) f (x ) = 1 xσ y ( y −µy exp − 2σ 2y 2π )2 x>0 Factor de Probabilidade T≥2 [ ( )] w = ln T 2 1/ 2 Ca = 0 KN = w − µy = y Aplica-se KN a y 2.515517 + 0.802853w + 0.010328w 2 1 + 1432788 w + 0189269 w 2 + 0.001308w 3 . . σ y = sy σ2y µ x = exp µ y + 2 y = ln( x) [ ( ) ] σ2x = µ 2x exp σ2y − 1 Ca = 3 C v + C3v Gumbel (Tipo I de extremos) Goodrich (Tipo III de extremos) (Weibull) f ( x) = 1 α x−u x − u exp − − exp − α α −∞ < x < ∞ α= 6 sx u = x − 0.5772α 6 T 0.5772 + ln ln π T − 1 C a = 1.1396 f (x) = 1 N 1 A(x − x 1 ) N −1 1 e − A(x − x 1 ) N x > x1 Ca = Γ(3N + 1) − 3 Γ(2 N + 1) Γ( N + 1) + 2 Γ 3 ( N + 1) [Γ(2N + 1) − Γ ( N + 1)] 2 Γ( 2 N + 1) − Γ 2 ( N A= s 2x x1 = x − Pearson III (Gama) KG = − π 1 x−ε f (x ) = β Γ(α ) β α −1 − x − ε β e x>ε 1 AN 2 α = Ca s β= x α 1 + 1) 2 N Γ( N + 1) 2 ε = x − s x α = x − αβ 3 2 [ BK = Γ(2 N + 1) − Γ 2 ( N + 1) ] − 1 2 A K = [1 − Γ( N + 1)] BK N 1 K W = A K + BK − ln − 1 T z = var . normal reduzida = K N k= Ca 6 ( ) K P = z + z2 − 1 k + ( ) ( ) 1 3 1 z − 6z k 2 − z 2 − 1 k 3 + z k 4 + k 5 3 3 Utilização em MS EXCEL Função Normal F(x) = Probabilidade (X≤x) x=F-1(F(x)) x−x F( x ) = NORMSDIST s x x = x + s x NORMSINV (F( x ) ) Log-normal ln( x ) − y F( x ) = NORMSDIST sy x−u F( x ) = EXP (− EXP (− )) α Gumbel Goodrich 1 F( x ) = 1 − EXP − A ( x − x 1 ) N x −ε F( x ) = GAMMADIST ( ; α ; 1 ; TRUE ) β Pearson III Γ( x ) = EXP ( GAMMALN ( x )), x > 0 Γ(i + 1) = i! , i = 1, 2, 3, L - x = EXP ( y + s y NORMSINV (F( x ))) x = u − α LN (− LN (F( x ))) 1 x = x 1 + − LN (1 − F( x )) A N x = ε + β GAMMAINV ( F( x ) ; α ; 1 ) - Notas: 1. A determinação do parâmetro N da função de Goodrich pode ser feita utilizando o Solver ou o Goal Seek do MS Excel. 2. A descrição do processo a utilizar para a função de Pearson III implica que a assimetria seja positiva. Caso se disponha de uma amostra com assimetria negativa deve ajustar-se a função aos simétricos da amostra e considerar o complemento da probabilidade: y = −x F( x ) = 1 − F ( y ) x = − F −1 (F( y )) = − F −1 (1 − F( x )) 3. Para utilizar a função log-Pearson III, ajustar os logaritmos da amostra à Pearson III (ver log-normal): y = ln( x ) F( x ) = F( y) x = eF −1 ( F ( y )) INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS Engenharia Civil – Engenharia do Território 2008/2009 – 2º semestre Hidrologia e Recursos Hídricos 3º TRABALHO PRÁTICO ANÁLISE DE CAUDAIS INSTANTÂNEOS MÁXIMOS ANUAIS A lista da página seguinte apresenta as estações hidrométricas de Portugal Continental onde existem registos de caudais instantâneos máximos anuais, em número igual ou superior a 20, e com áreas de bacia hidrográfica inferiores a 1000 km2. Procure na referida lista a estação hidrométrica mais próxima da bacia hidrográfica que lhe foi atribuída e obtenha em http://snirh.inag.pt a série de caudais instantâneos máximos anuais. Por ajustamento das leis de Gumbel, Goodrich e log-Pearson III, determine o respectivo caudal específico de ponta de cheia com um período de retorno de 100 a. Represente graficamente as referidas leis e os pontos amostrais. CÓDIGO 03J/06 03J/01 03H/04 03Q/01 03P/01 03N/01 03K/01 04R/01 04J/04 05K/01 06K/01 07I/04 07L/01 08H/02 08O/01 08L/01 08J/01 09I/02 09G/01 10G/02 10K/01 10L/01 10J/01 12H/03 13H/03 11L/01 18L/01 19M/01 20I/04 24H/03 25G/02 26J/01 27J/01 27I/01 28L/02 29L/01 30G/01 NOME ALTO CÁVADO ALTO CÁVADO (DERIVAÇÃO) COVAS GIMONDE VINHAIS (QUINTA RANCA) REBORDELO VALE GIESTOSO PONTE PINELO CUNHAS SANTA MARTA DO ALVÃO ERMIDA CORGO CABRIZ MOINHO DA PONTE NOVA FRAGAS DA TORRE VALE DO TREVO QUINTA RAPE CASTRO D'AIRE PONTE VOUZELA PONTE VALE MAIOR PONTE ÁGUEDA PONTE SANTA CLARA DÃO PONTE JUNCAIS CALDAS DE SÃO GEMIL PONTE MUCELA LOUÇAINHA MANTEIGAS COUTO ANDREIROS MONFORTE PAVIA TORRÃO DO ALENTEJO MOINHO DO BRAVO ALBERNOA MONTE DA PONTE ENTRADAS VASCÃO MONTE DOS FORTES MONTE DOS PACHECOS Fonte: http://snirh.inag.pt φ(ºN) 41.8 41.8 41.72 41.8 41.75 41.75 41.72 41.65 41.53 41.5 41.23 41.07 41.03 40.93 40.92 40.88 40.88 40.73 40.7 40.57 40.67 40.62 40.52 40.25 40.03 40.37 39.27 39.05 38.85 38.3 38.07 37.85 37.83 37.77 37.52 37.35 37.3 λ(ºW) 7.88 7.88 8.3 6.7 7.00 7.17 7.7 6.57 7.85 7.75 7.75 8.12 7.5 8.18 7.13 7.52 7.93 8.12 8.47 8.45 7.68 7.52 7.97 8.2 8.3 7.55 7.62 7.45 8.72 8.23 8.42 7.95 7.85 8.02 7.58 7.62 8.47 X (m) 220044 220045 186106 319544 294388 279414 235375 329490 223652 231143 232286 201804 252887 196123 283170 252257 217025 201797 172314 173236 236115 251768 213864 194152 185130 249758 244911 259839 210588 191640 175505 214876 224968 209815 248563 245333 170320 Y (m) 536619 536619 528390 537799 539121 532127 527119 519972 506943 503257 473463 455808 452450 441248 439460 435590 435868 418766 414223 400372 410430 405380 395797 364888 340071 378576 256224 232970 214726 148520 121785 98978 96152 88648 61674 42742 36946 BACIA CÁVADO/RIB. COSTEIRAS CÁVADO/RIB. COSTEIRAS CÁVADO/RIB. COSTEIRAS DOURO DOURO DOURO DOURO DOURO DOURO DOURO DOURO DOURO DOURO DOURO DOURO DOURO DOURO VOUGA/RIB. COSTEIRAS VOUGA/RIB. COSTEIRAS VOUGA/RIB. COSTEIRAS MONDEGO MONDEGO MONDEGO MONDEGO MONDEGO TEJO TEJO TEJO TEJO SADO SADO GUADIANA GUADIANA GUADIANA GUADIANA GUADIANA RIB. ALGARVE CONCELHO MONTALEGRE MONTALEGRE TERRAS DE BOURO BRAGANÇA VINHAIS VINHAIS BOTICAS VIMIOSO RIBEIRA DE PENA VILA POUCA DE AGUIAR VILA REAL CINFÃES SÃO JOÃO DA PESQUEIRA AROUCA PINHEL SERNANCELHE CASTRO DAIRE VOUZELA ALBERGARIA-A-VELHA ÁGUEDA PENALVA DO CASTELO FORNOS DE ALGODRES TONDELA VILA NOVA DE POIARES PENELA MANTEIGAS CRATO MONFORTE MORA ALCÁCER DO SAL GRANDOLA BEJA BEJA CASTRO VERDE MÉRTOLA ALCOUTIM MONCHIQUE RIO RIO CAVADO RIO CAVADO RIO HOMEM RIO SABOR RIO TUELA RIO RABAÇAL RIO BEÇA RIO MAÇÃS RIO BEÇA RIO LOUREDO RIO CORGO RIBEIRA DE SAMPAIO RIO TAVORA RIO PAIVA RIBEIRA DE MASSUEIME RIO TAVORA RIO PAIVA RIO VOUGA RIO CAIMA RIO AGUEDA RIO DÃO RIO MONDEGO RIO DÃO RIA ALVA OU RIBEIRA DA FERVENCA RIBEIRA DA AZENHA, RIO CABRAS OU SIMONTE RIO ZÊZERE RIBEIRA DA RAIA OU DE SEDA RIBEIRA GRANDE OU DE AVIZ RIBEIRA DE TERA RIBEIRA DO XARRAMA RIBEIRA DE CORONA RIBEIRA DE TERGES RIO COBRES OU RIBEIRA DE TERGES RIBEIRA DE TERGES RIBEIRA DO VASCAO RIBEIRA DE ODELEITE RIBEIRA DE ODELOUCA ÁREA (km2) 99.16 102.21 118.02 405.73 478.00 868.57 77.9 543.62 337.00 49.00 294.23 10.80 440.07 647.16 405.00 171.76 288.00 649.00 189.91 403.98 175.54 606.53 619.14 661.81 5.75 28.00 245.06 142.35 616.54 468.00 220.00 169.79 454.82 51.18 410.24 284.29 451.68 Tamanho 20 20 35 20 30 35 34 23 41 36 34 24 20 51 32 20 45 47 53 50 65 72 34 39 28 30 25 25 30 30 39 25 32 25 28 31 27 INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS Engenharia Civil – Engenharia do Território 2008/2009 – 2º semestre Hidrologia e Recursos Hídricos 4º TRABALHO PRÁTICO OBTENÇÃO DE HIDROGRAMAS DE CHEIAS. AMORTECIMENTO DE ONDAS DE CHEIA EM ALBUFEIRAS PARTE 1 - Obtenção do hidrograma de cheia afluente Considerando desprezável o escoamento de base face ao escoamento directo, obtenha o hidrograma da onda de cheia natural na secção de referência da bacia hidrográfica analisada no 1º Trabalho em consequência de uma precipitação intensa com duração igual ao tempo de concentração da bacia e com período de retorno de 100 anos (precipitação de projecto). a) Calcule a precipitação de projecto. Para o efeito, admita que o tempo de concentração da bacia hidrográfica, tc, pode ser avaliado pelo menor dos que se obtêm por aplicação das seguintes três fórmulas: Giandotti tc = A + 1,5 L 4 0,8 Temez hm L tc = 0.3 dm 0.25 Kirpich (citada em Chow) tc = 0.95 0.76 L 1.155 H 0.385 em que são tc A L hm dm H tempo de concentração (h); área da bacia hidrográfica (km2); desenvolvimento do curso de água principal (km); altura média da bacia hidrográfica (m); declive médio do curso de água principal (-); diferença de cotas do talvegue do curso de água principal na secção de maior cota e na secção final que define a bacia hidrográfica (m). No cálculo da precipitação com duração igual ao tempo de concentração e período retorno de 100 anos aplique a linha de possibilidade udométrica estabelecida no Trabalho para aquele período de retorno, Parte 2, c). Admita que as perdas precipitação são uniformes ao longo do tempo e que correspondem a 20% precipitação total. b) de 2º de da Tendo por base o hidrograma unitário sintético triangular representado na figura seguinte, obtenha o hidrograma da onda de cheia afluente em condições naturais. Precipitação útil (mm) 2 D = ∆t 1 0 1.2 ta = u / u max 1 0.8 0.6 3 tc 7 D + tc = 0.4 8 ta 3 0.2 0 0 1 2 ta/∆t 3 4 5 6 7 8 9 10 Tempo / ∆ t (D + tc)/∆t Hidrograma unitário sintético Na figura, tc representa o tempo de concentração da bacia hidrográfica, ta, o tempo ascencional, u, a ordenada do hidrograma unitário (m3/s) e D, a duração da precipitação útil. Na obtenção do hidrograma de cheia atenda a que o anterior hidrograma unitário tem de ser discretizado de D em D e que é este também o intervalo de tempo a considerar na discretização temporal da precipitação efectiva de projecto. Considere que esta precipitação é uniforme ao longo do tempo. c) Obtenha o volume da onda de cheia afluente. PARTE 2 - Determinação da onde de cheia efluente por amortecimento da onda de cheia afluente Admita que na secção que define a bacia hidrográfica analisada no 1º Trabalho vai ser construída uma barragem que criará uma albufeira destinada ao amortecimento de ondas de cheia. Pretende-se determinar o hidrograma da onda de cheia amortecida pela albufeira correspondente ao hidrograma da onda de cheia afluente à albufeira para o período de retorno de 100 anos, obtido na primeira parte deste trabalho. Para o efeito, admita que a albufeira tem uma forma prismática com a área da base definida por Aa = P Ab 2 onde Aa representa a área da albufeira (unidades de Ab), Ab, a área da bacia hidrográfica e P, a precipitação total de projecto (m), e considere que: 1. A albufeira é munida de um descarregador de cheias sem comportas, ou seja, com descarga livre não controlada. Determine a largura b do descarregador por forma a que a descarga do caudal de ponta da cheia afluente, Qp, obtido na Parte 1, b) ocorresse com a carga de H de 3,00 m. A lei de vazão do descarregador é dada por 3 Qp = c b 2 g H 2 em que c é coeficiente de vazão considerado constante e igual a 0,48. 2. 3. A crista da soleira descarregadora situa-se à cota do nível de pleno armazenamento da albufeira, NPA No instante inicial (t=0) a superfície da água na albufeira encontra-se à cota do NPA. No cálculo da onda de cheia amortecida utilize a seguinte equação às diferenças finitas e considere que o erro admissível na determinação do caudal efluente ou descarregado em cada instante de cálculo não pode exceder 0,01 m3/s: Qa i + Qa i+1 Qe i + Qe i+1 ∆t Vi +1 = Vi + − 2 2 Na anterior equação i e i+1 representam dois instantes consecutivos de cálculo desfasados do passo de cálculo ∆t, Qa e Qe, respectivamente, os caudais afluente e efluente no instante indicado pelo índice e V, o volume armazenado na albufeira acima do NPA, também naquele instante. Considere que o passo de cálculo, ∆t, é igual a um trigésimo do tempo para a ponta do hidrograma de cheia afluente (tempo correspondente à ocorrência do caudal de ponta de cheia). Na apresentação de resultados e para além da indicação dos dados de base e do ∆t, inclua uma tabela com os valores, ao longo dos sucessivos instantes de cálculo, dos caudais afluentes e efluentes, dos volumes armazenados na albufeira acima do NPA e das correspondentes cargas acima da crista do descarregador (H) e, num mesmo gráfico, os hidrogramas afluente e efluente pelo menos até ao instante 4 tc. PARTE 3 - Comparação com outros métodos a) Calcule o caudal de ponta de cheia natural fornecido pela fórmula racional para a precipitação de projecto obtida na Parte 1, a). Considere o valor de 0,80 para o coeficiente C daquela fórmula. b) Obtenha o hidrograma de cheia que resulta de associar à precipitação útil obtida na Parte 1, a) um hietograma não uniforme constituído por quatro blocos contíguos determinados utilizando a linha de possibilidade udométrica e ordenados como se refere em http://www.civil.ist.utl.pt/~jh/8CA_FRacional.pdf . Intensidade da Precipitação Útil 0,25 c) 0,50 0,75 1,00 t/tc (-) Compare entre si os caudais de ponta da cheia centenária que resultam dos procedimentos aplicados (hidrograma unitário e precipitação efectiva com e sem intensidade uniforme e fórmula racional com e sem factor de majoração) e os resultantes da multiplicação dos caudais específicos de ponta de cheia centenária obtidos no 3º trabalho pela área da bacia hidrográfica que lhe foi atribuída. Comente esses valores.