UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE FACULDADE DE MEDICINA DEPARTAMENTO DE RADIOLOGIA “Prevalência da imagem do forame de Huschke por meio da tomografia computadorizada” Henrique Nogueira Reis Tese submetida ao Corpo Docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor em Ciências (Radiologia). Área de Concentração: Radiodiagnóstico. Orientador: Prof. Antonio Carlos Pires Carvalho Rio de Janeiro/RJ 2006 FICHA CATALOGRÁFICA Reis, Henrique Nogueira Prevalência do forame de Huschke por meio da tomografia computadorizada,/ Henrique Nogueira Reis. -- Rio de Janeiro: UFRJ / Faculdade de Medicina, 2006. v, 60 f. : il. ; 31 cm. Orientador: Antonio Carlos Pires Carvalho Tese (doutorado) – UFRJ / Faculdade de Medicina, 2006 Referências bibliográficas: f. 50-53 1. Orelha externa - anormalidades. 2. Articulação temporo-mandibular anormalidades. 3. Tomografia computadorizada helicoidal. 4. Diagnóstico por imagem. 5. Osso temporal – anatomia e histologia. 6. Osso temporal – crescimento e desenvolvimento. 7. Humano. 8. Radiologia - Tese. I. Carvalho, Antônio Carlos Pires. II.Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Medicina, Radiologia. III. IV Título. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO FACULDADE DE MEDICINA DEPARTAMENTO DE RADIOLOGIA “Prevalência da imagem do forame de Huschke por meio da tomografia computadorizada” Henrique Nogueira Reis Orientador: Prof. Antonio Carlos Pires Carvalho Banca Examinadora: a a Prof . Dr . Léa Miriam Barbosa da Fonseca (Presidente) Prof. Dr. Marcelo Daniel Brito Faria Prof. Dr. Henrique Duque de Miranda Chaves Filho Prof. Dr. Elson Braga de Mello Prof. Dr. Marcos Vinícius Queiroz de Paula a a Prof . Dr . Bianca Gutfilen (Suplente) Prof. Dr. Josemar Parreira Guimarães (Suplente) Rio de Janeiro/RJ 2006 DEDICATÓRIA Aos meus queridos pais, a quem o Senhor na plenitude de toda a Sua bondade, presenteou com uma família de muitos filhos, os quais eles dignamente amaram e educaram. Minha querida mãe Ondina, receba com muito carinho e orgulho o fruto do trabalho de um de seus filhos, uma pequena retribuição a todo o amor que nos tem dedicado. Meu saudoso pai Nelson, sinto não poder presenteá-lo pessoalmente com algo para o qual tanto lutou, que foi a plena educação de seus filhos. Agradeço a seus sábios ensinamentos que me conduziram pela vida, sempre valorizando a auto-estima dos filhos. Luisa e Lucas, o papai como melhor amigo de vocês espera referenciá-los mais uma vez. Minha querida esposa Simone, sua presença e alegria nos fortalecem. Crescemos e aprendemos juntos. Aos meus queridos irmãos Moema, Ricardo, Cláudia, Newton, Nelson, Luís Carlos, Carlos Roberto, Thaïs, José Maria, Marcos Paulo, “Nelsão” – in memorian – e Songia, pela perseverança, exemplo e incentivo. Ao Pai por nos conceder a vida terrena como possibilidade de crescermos. AGRADECIMENTOS Ao Prof. Dr. Antonio Carlos Pires Carvalho, pela amizade, dedicação e extrema boa vontade em toda orientação no desenvolvimento desta Tese. À Prof. Dra. Léa Mírian Barbosa da Fonseca, pela oportunidade de desenvolver este estudo. Sinceramente agradeço. Ao Prof. Dr. Hilton Augusto Koch, por sua dedicação à ciência, exemplo a ser seguido. Aos demais Professores do Departamento de Radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, cordialmente recebam todos meu apreço. Aos nobres colegas do Curso de Mestrado/Doutorado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Como foi bom conviver com todos vocês! Especialmente agradeço à perseverante colega e Mestre Simone Ragone, pelo apoio, amizade e muitas falas e ouvidos em nossas viagens ao Rio de Janeiro. Sentiremos saudades! Aos colegas, profissionais e alunos do Serviço ATM da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Juiz de Fora. Ao Prof. Dr. Josemar Parreira Guimarães, por me iniciar na academia. Valeu pelo incentivo e sobretudo pela fraterna e sincera amizade que nos envolve. Muito obrigado! Ao Prof. Dr. Henrique Duque de Miranda Chaves Filho, Diretor da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Juiz de Fora, por todo o apoio e incentivo na qualificação de seus colegas, agradeço cordialmente. Às Secretárias do Departamento de Radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Dalila Meirelles e Regina Célia Barros pela amizade e consideração. Aos funcionários de Arquivo de Imagens do Setor de Tomografia Computadorizada do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pela boa vontade ao me fornecerem importantes dados no levantamento da amostra deste estudo. A todos os que, de algum modo ou de outro, contribuíram para a realização deste trabalho. RESUMO Na formação e no desenvolvimento da porção timpânica do osso temporal, até o quinto ano de vida, pode-se observar a presença de um forame na parede anterior do meato acústico externo, denominado forame de Huschke. Em alguns indivíduos este forame persiste na idade adulta. As implicações clínicas relacionadas ao complexo auditivo, à articulação temporomandibular e estruturas anexas têm sido relatadas por diversos autores. Portanto, neste estudo avaliou-se a persistência do forame de Huschke em 200 tomografias computadorizadas da mastóide. Dois examinadores, um Médico e um Cirurgião Dentista Radiologistas, analisaram as imagens da região timpânica do osso temporal bilateralmente observando a presença ou a ausência do mesmo. No total, foram encontrados 30 (15%) pacientes com a referida variação anatômica, 17 (8,5%) do sexo feminino e 13 (6,5%) do sexo masculino. Chamou a atenção o fato de que a presença do forame, na amostra avaliada, foi ipsilateral às alterações otológicas que justificaram a indicação do exame tomográfico. Pôde-se observar, ainda, que o forame de Huschke era perfeitamente identificado no exame tomográfico e que os especialistas em doenças da região devem descartar a sua prevalência. ABSTRACT In the temporal bone development and formation, until the age of 5 years old, it is noted the presence of a foramen in the medial portion of the external auditory canal, the foramen of Huschke. In some people this foramen persists throughout life. The persistence and its clinical implications related to the ear, temporomandibular joint and nearby structures, has been reported. The aim of this study was to evaluate by, the persistence of the foramen in 200 computed tomography scan, exams of the ear. At both sides of each computed tomography, were evaluated by two examiners, a Oral and a Physician Radiologist, all timpanic area of the temporal bone, to observe the presence or absence of the foramen of Huschke. In the total, it was found 30 (15%) patients with the referred anatomical anomaly, 17 (8,5%) of these where female and 13 (6,5%) male. It called attention the fact that the otologic complains were all ipslateral to the foramen presence. The computed tomography revealed being very efficient to the foramen of Huschke visualization. Those professionals who deal with the ear region and/ or temporomandibular joint should pay attention to the foramen of Huschke prevalence. SUMÁRIO página Ficha catalográfica...................................................................................... ii Resumo....................................................................................................... vii Abstract...........................................................…………….......................... viii 1 Introdução e objetivo................................................................................. 1 2 Revisão da literatura................................................................................... 5 2.1 – Tomografia........................ ................................................................ 5 2.2 – Anatomia e embriologia dos ossos temporais.................................. 7 2.3 – Estudos osteológicos e importância clínica do forame de Huschke... 12 2.4 - Alterações otológicas e articulação temporomandibular.................... 24 3 Pacientes, material e método...................................................................... 31 4 Resultados ................................................................................................. 34 5 Discussão.................................................................................................... 41 6 Conclusões.................................................................................................. 49 7 Referências Bibliográficas........................................................................... 50 8 Anexo.......................................................................................................... 54 1 - INTRODUÇÃO E OBJETIVO 1.1 - Introdução Surgindo como uma alternativa metodológica que se tem mostrado eficiente no processo de geração de conhecimento, a transdisciplinaridade possibilitou o desenvolvimento desta tese que aborda alterações comuns tanto à Odontologia quanto à Medicina, reiterando a condição disciplinar não restritiva em todo e qualquer estudo científico. Em função destas alterações, muitos pacientes queixam-se de sintomas otomandibulares, dada à proximidade anatômica entre as estruturas da articulação temporomandibular e da orelha. Tal condição, invariavelmente, direciona os pacientes com queixa de desordem temporomandibular e sintomas otomandibulares a procurarem os profissionais da otorrinolaringologia. Estudos epidemiológicos realizados6,8,14 relataram que os sintomas otomandibulares mais comuns são: otalgia, vertigem, tontura, hipoacusia, zumbido entre outros. Comum a várias doenças otoneurológicas, somente o último sintoma relacionado anteriormente, pode estar associado a mais de trezentas afecções, podendo ser classificado de acordo com a região afetada em: central, periférico, extra-auditivo e de origem desconhecida, este, respondendo por aproximadamente 50% dos casos. Com a finalidade de se estabelecer critérios diagnósticos mais precisos, uma base anátomo-funcional que justificaria estes sintomas tem sido objeto de estudo por diversos autores. No entanto, a literatura pertinente ao assunto não é conclusiva6,12,14,28,37,39. Costen10, em 1934, procurou justificar os sintomas otomandibulares afirmando que a ausência dos dentes posteriores, e conseqüente perda de suporte das arcadas dentárias, promoveriam uma pressão acentuada do processo condilar da mandíbula sobre as estruturas da orelha média. Teoria que foi posteriormente contestada por vários autores6,8,28. No entanto, é citação constante na maioria dos estudos das desordens temporomandibulares, dada a importância do assunto. Tanto Barros6 quanto Brunetti e Arcuri8 ao basearem seus estudos nos sintomas otomandibulares, atentaram para a filogênese das estruturas da orelha média, como por exemplo os ossículos, “interpretados como ossos da mandíbula que passaram a ser utilizados para ouvir” 6. Ainda, consideraram os músculos tensores do tímpano e do palato, como músculos mastigatórios, que, dentre outras coisas, têm em comum a mesma inervação, o nervo trigêmio. Outros28 justificaram estas alterações junto a estruturas ligamentares, como por exemplo os ligamentos tímpano-mandibular e discomaleolar, este último atuando diretamente sobre o maléolo, o que foi prontamente contestado no meio científico. Demais autores14,17 procuraram justificar os sintomas otomandibulares comuns a sintomas otoneurológicos por envolvimento dos nervos corda do tímpano e aurículotemporal. Outros pesquisadores2,10,12,17,34,38,41 ao relatarem doenças envolvendo a orelha e a articulação temporomandibular, como por exemplo: infecções no complexo auditivo que terminaram por infectar a articulação temporomandibular (artrite séptica), tumores relacionados à glândula parótida que durante seu desenvolvimento acabaram envolvendo o meato acústico externo, casos raros de fístula salivar espontânea no mesmo meato e de inúmeros relatos de acidentes na artroscopia da articulação temporomandibular, afirmaram que elas somente foram possíveis devido a alguma comunicação anatômica entre as duas estruturas. Esta comunicação óssea entre o meato acústico externo e a articulação temporomandibular, conhecida como forame de Huschke, surge no desenvolvimento da parte timpânica dos ossos temporais, nos primeiros anos após o nascimento5,8 e foi primeiramente descrita em detalhes por um anatomista e otorrinolaringologista de origem germânica, Emil Huschke (1797-1858), sendo normalmente encontrada na porção ântero-inferior da parte timpânica dos ossos temporais de crianças entre o primeiro e o quinto ano de vida, tempo em que se oblitera feito um diafragma. Caso persista no adulto, passa a ser considerada uma variação anatômica5,13. Estudos osteológicos realizados têm relatado a presença do forame de Huschke em crânios de indivíduos adultos5,13,19,41 (Figura 1). FIGURA 1 – Vista inferior de um crânio seco de indivíduo adulto mostrando o forame de Huschke (seta) e o poro acústico externo (asterisco). A identificação do forame de Huschke por métodos de obtenção de imagens convencionais é extremamente prejudicada ou até mesmo impossível de ser obtida16, devido à superposição das estruturas dos ossos temporais incluindo a parte timpânica, onde se localiza esta variante anatômica16,36. A introdução da técnica de obtenção de imagens por meio da tomografia computadorizada veio propiciar, dentre tantas outras vantagens, a observação do forame de Huschke1, 2, 29. 1.2 Objetivos Considerando as importantes implicações clínicas da presença do forame de Husckhe, a grande dificuldade e mesmo a impossibilidade em identificá-lo por meio das radiografias convencionais, objetivou-se realizar um estudo tomográfico da prevalência do forame de Husckhe em indivíduos brasileiros adultos. Valendo-se para isto, de uma amostra de pacientes com sintomas otológicos, os quais justificaram o pedido do exame tomográfico. 2 - REVISÃO DA LITERATURA 2.1 Tomografia Desde a descoberta dos raios-x por Röntgen em 1895, grandes progressos vêm acontecendo nos exames de radiodiagnóstico. Um dos mais importantes foi a descoberta da técnica tomográfica, que surgiu no ano de 1949. Ela propiciou a possibilidade de se observar a imagem de uma secção ou corte de uma estrutura anatômica de interesse. Estas imagens são produzidas como se na estrutura examinada fossem realizados vários cortes em vários planos, com espessura relativamente pequena. Holmlund e cols.20, após afirmarem ser a região da articulação temporomandibular extremamente complexa, alertaram para a grande dificuldade em examiná-la criteriosamente por meio de radiografias convencionais, portanto sugeriram que a tomografia computadorizada seja preferencialmente indicada quando se quer estudar estruturas que, normalmente, são superpostas na tomada radiográfica comum. Ao descreverem dois casos clínicos, onde ocorreram defeitos de desenvolvimento ósseo na placa timpânica de seus pacientes, Heffez e cols.18 observaram que as radiografias comuns eram falhas para detectar essas alterações. Logo, afirmaram que a tomografia computadorizada é o exame considerado de eleição para detectar a presença do forame de Huschke. Herzog e Fiese19 também reconheceram a eficácia da tomografia computadorizada para regiões onde são comuns as superposições de imagens, como por exemplo, as estruturas que compõem o meato acústico externo e a orelha média encobertas pelo osso temporal. Portanto, indicaram a tomografia computadorizada quando se necessita identificar a presença do forame de Huschke devido à sua localização. Segundo Arita e Varoli4 o funcionamento do tomógrafo pode acontecer de duas maneiras: primeiro, quando o filme gira para um lado e a fonte de raios-x para o outro (O filme está colocado sob a mesa de trabalho livre para se movimentar, sem incomodar o paciente, sendo o fulcro o único ponto que permanece estático); segundo, o cabeçote e o filme se movimentam através de um arco em vez de linearmente. Esses movimentos podem ser circular, triespiral, elíptico e ainda multidirecional. Ambas as formas de funcionamento geram imagens de uma fina camada ou slice do objeto. Essas camadas variam em uma espessura milimétrica, sendo que a distância entre os cortes também é mensurada em milímetros. Segundo os mesmos autores, diversas unidades funcionais compõem o sistema de tomografia computadorizada. São elas: uma fonte emissora de raios-x, um detector de radiação, um computador e um instrumento para que os dados acumulados em fita magnética ou discos sejam transformados em imagem visual. A imagem produzida por um tomógrafo computadorizado inicia-se com o processo de estratificação. Várias pequenas fontes de raios-x geram feixes extremamente finos que ultrapassam o corpo a ser examinado, fixando os detectores de radiação. Cada penetração radioativa no contorno do corpo produz um número que, juntos, são armazenados em um computador e através de um complexo sistema algébrico (algoritmo) contendo mais de dez mil equações, transforma-os em uma escala de densidade que produzirá uma imagem visível e interpretável. Matteson e cols.26 afirmaram que a grande vantagem da tomografia computadorizada em relação à radiografia comum é a obtenção de imagens sem superposições. O exame radiográfico comum é considerado falho para se avaliar subestruturas ósseas, podendo gerar imagens superpostas. Para estes casos o exame de eleição é a tomografia computadorizada. De acordo com Taguchi e cols.36, a dose de radiação necessária para se obter uma tomografia é alta se comparada com a radiografia convencional, e sua disponibilidade é limitada para o Cirurgião Dentista pelos altos custos do exame, quando comparado com as radiografias convencionais normalmente solicitadas pelos profissionais da Odontologia. Swartz e Harnsberger35 chamaram a atenção para a importância do exame físico (otoscopia) do meato acústico externo, que é facilmente acessível. No entanto, quando este está obstruído por tumor ou infecção, o exame por imagem tomográfica é extremamente importante para avaliar as estruturas adjacentes. Para Zarb e cols.43, depois da artroscopia e da cirurgia aberta da articulação temporomandibular, a radiografia e a ressonância magnética são os únicos métodos de obter imagens dessa articulação. Seu pequeno tamanho, morfologia variável da fossa articular, do processo condilar da mandíbula e estruturas ósseas densas que a circundam, oferecem dificuldades técnicas para obter-se uma imagem radiográfica clara e nítida. A principal limitação da radiografia convencional da articulação temporomandibular é a necessidade da modificação da angulação do feixe a fim de prevenir a sobreposição de estruturas ósseas adjacentes. Para superar estes obstáculos, múltiplas técnicas radiográficas foram introduzidas, notadamente a tomografia computadorizada. Os autores afirmaram, ainda, que a tomografia é uma opção se houver um problema concorrente ao tecido duro da articulação e a radiografia convencional pregressa for negativa ou questionável; no entanto, frisaram que a quantidade de radiação é cinco a dez vezes maior do que na radiografia transcraniana comum. 2.2 Anatomia e embriologia dos ossos temporais Testut e Latarget37 afirmaram que o osso temporal desenvolve-se da fusão de três elementos isolados no feto e recém-nascido. O osso petroso forma a cápsula da orelha interna; a face mastóidea situa-se na face lateral do crânio. A escama do temporal forma a parede lateral do crânio e recebe a parte articular da mandíbula. O osso timpânico dá fixação à membrana timpânica ou tímpano. A esta última parte engloba-se a apófise estilóide, que é uma parte do esqueleto visceral. Nos primeiros anos de vida, a porção petrosa, a escamosa e a timpânica fundem-se entre si, enquanto que a apófise estilóide permanece independente por algum tempo. No processo de desenvolvimento da porção timpânica, do nascimento até o quinto ano de vida, encontra-se um forame (forame de Huschke) que normalmente oblitera-se feito um diafragma, podendo persistir após este período. Embora os limites entre os diferentes elementos do osso temporal parcialmente desaparecem no adulto, é hábito descrevê-los separadamente. Ars5 ao desenvolver um estudo em que descreveu a embriologia do forame de Huschke, observou que nas oito primeiras semanas pós ovulatórias do período embrionário se formam as estruturas que compõem os órgãos da audição. Já aos 22 dias os dois primeiros arcos faringeanos estão bem visíveis no embrião. A vesícula ótica se individualiza aos 32 dias e aos 48 dias o meato acústico externo está préformado. Aos 52 dias ocorrem profundas transformações. Uma invaginação ectoblástica oriunda da primeira fenda branquial invagina-se indo ao encontro da outra invaginação de origem endoblástica. As células epiteliais presentes no fundo da invaginação ectoblástica proliferam formando uma placa epitelial compacta que participa na formação da membrana timpânica. Posteriormente, o tecido conjuntivo oriundo do endoblasto e que circunda a membrana do tímpano se ossifica formando, futuramente, a parte timpânica dos ossos temporais. Seus primeiros centros de ossificação aparecem na nona semana de vida intra-uterina. Na 12ª semana, esses centros fundem-se, formando o anel timpânico que apresenta a forma semelhante à de um anel interrompido. Na 15ª semana de vida fetal, o anel timpânico já constitui nove décimos de um círculo com diâmetro próximo a 10mm. Na 19ª semana o anel é independente da cápsula ótica; sua fusão com esta cápsula não ocorre antes da 35ª semana, ao contrário do que ocorre com as outras partes do osso temporal. A partir dessa idade o anel timpânico é formado por uma parte média, um ramo posterior e outro anterior. O autor afirmou ainda que após o nascimento, o anel timpânico se torna o osso timpânico e tem a forma de um anel interrompido em sua extremidade superior. Tal interrupção recebe o nome de incisura de Rivinus. Durante seu desenvolvimento, que ocorre em sentido circular e superior através de seus centros de ossificação, este irá fundir-se à porção petrosa do temporal formando a parede externa da cavidade timpânica. A próxima fase de desenvolvimento da parte timpânica do osso temporal é o aparecimento de dois tubérculos ou proeminências que crescem um contra o outro, até se unirem no primeiro ano de vida. O osso timpânico apresenta agora como resultado da fusão destes dois tubérculos uma abertura denominada forame de Huschke. A particularidade deste forame é que ele se oblitera feito um diafragma antes do quinto ano de vida. Ao estudarem as alterações de desenvolvimento da placa timpânica, Heffez e cols.18 verificaram que o forame de Huschke se forma durante o crescimento e desenvolvimento do anel timpânico. Este, ao se desenvolver, fusiona-se à parte petrosa do osso temporal, formando a parede externa da cavidade timpânica. Em continuidade, surgem duas proeminências na parte timpânica do osso temporal, que crescem em sentido convergente entre si até o primeiro ano de vida. Ao se fusionarem, permanece uma abertura entre a fossa articular e o meato acústico externo denominada forame de Huschke, que, normalmente, se fecha por volta do quinto ano de vida. Brunetti e Arcuri8 ao comentarem a anatomia dos ossos temporais e a estrutura do aparelho auditivo, afirmaram que este último é dividido funcional e anatomicamente em orelha externa, média e interna. A orelha externa é formada pelo pavilhão auditivo e o meato acústico externo. A orelha média começa com a membrana timpânica na qual é ligada a cadeia ossicular (martelo, bigorna e estribo) estendendo-se por toda cavidade timpânica. No interior desta cavidade o músculo tensor da membrana timpânica une o martelo ao tímpano. O músculo estapédico está unido ao estribo e quando solicitado enrijece a conexão entre os ossículos. A tuba auditiva é outra estrutura da orelha média cuja função anatômica é ligar a cavidade timpânica à nasofaringe. A orelha interna é composta pela cóclea, vestíbulo e canais semicirculares. Sua função é transformar estímulo mecânico em sensorial. Segundo Bento7, o osso temporal é um osso par que compõe parte da parede lateral e da base craniana. Ele é dividido em cinco partes distintas unidas por fissuras: escamosa, mastóide, estilóide, timpânica e petrosa, que se articulam com os ossos esfenóide, parietal, occipital, zigomático e ainda com a mandíbula através de uma articulação móvel denominada articulação temporomandibular. A porção timpânica é formada pelo osso timpânico, que é uma lâmina óssea forte, recurvada e forma as paredes anterior e inferior do meato acústico externo. Sua fusão com as porções mastóidea e petrosa póstero-inferiormente forma uma bainha para o processo estilóide. Ainda a porção timpânica é separada do processo condilar da mandíbula por uma pequena quantidade de tecido da glândula parótida. Sua superfície medial e ântero-inferior é fina e, por vezes, apresenta uma pequena abertura denominada forame de Huschke. Os autores ao descreverem o desenvolvimento embriológico do osso temporal, afirmaram que o osso timpânico é considerado um elemento ósseo independente do osso temporal, sendo que ele não circunda completamente a membrana timpânica, permanecendo uma abertura em seu segmento cranial que recebe o nome de incisura timpânica ou de Rivinus. Seu crescimento em sentido circular e superior formará a parede anterior do meato acústico externo, parte da fossa mandibular e da bainha do processo estilóide. Em seguida, o anel timpânico irá se fusionar com a parte petrosa do osso temporal, para participar da formação da parede externa da cavidade timpânica. Posteriormente, com o crescimento da parte timpânica do osso temporal, aparecem duas proeminências ou tubérculos, apresentando a forma de U: os chamados tubérculos timpânicos anterior e posterior que crescem continuamente no primeiro ano de vida até se fusionarem. O anel timpânico continua normalmente seu crescimento para cima. Com a fusão dos dois tubérculos tem-se o aparecimento entre a região ântero-inferior da parte timpânica do osso temporal e a fossa articular, do chamado forame de Huschke, que é uma abertura entre o futuro meato acústico e a fossa mandibular. Normalmente, com o contínuo crescimento do osso timpânico, este forame oblitera-se como um diafragma antes do 5º ano de vida e, por vezes, pode persistir no adulto. Madeira23 descreveu anatomicamente o osso temporal através de suas porções ou partes. A parte escamosa do osso temporal tem uma projeção denominada processo zigomático, que se une ao processo temporal do osso zigomático formando o arco zigomático, separando a fossa infratemporal da fossa temporal. Ainda na porção escamosa, em sua porção inferior, encontra-se a fossa mandibular, limitada anteriormente pela eminência articular e posteriormente pelo processo retro-articular. Mais posteriormente existe uma ampla abertura denominada poro acústico externo, quase totalmente delimitado pela parte timpânica do temporal. Este poro dá acesso ao meato acústico externo que penetra na porção petrosa do osso temporal. Na sua extremidade medial, o meato acústico é fechado durante a vida pela membrana do tímpano. Entre a parte timpânica e o osso occipital encontra-se uma saliência rugosa e robusta que se projeta em direção ântero-inferior, denominada processo mastóide. Logo abaixo da parte timpânica, encontra-se o processo estilóide, uma projeção também no sentido ântero-inferior em forma de estilete. Ao estudarem a embriologia do meato acústico externo, Anand e cols.2 observaram que seu desenvolvimento ocorre a partir do primeiro sulco branquial entre os arcos mandibular e hióide e que, na oitava semana de gestação, este sulco aprofunda-se, formando um tubo em forma de funil, dando origem ao primeiro conduto. Durante a nona semana, um sólido tampão epidérmico, denominado placa meatal, estende-se do primeiro conduto e entra em contato com o epitélio da primeira bolsa faríngea. Durante a vigésima primeira semana de vida fetal, os cordões das células epiteliais começam a se reabsorver, formando um canal, sendo que dois terços mediais do meato acústico externo são derivados deste novo tubo ectodérmico. O mesênquima em torno deste tubo ectodérmico forma quatro pequenos centros de ossificação os quais se fusionam para, futuramente, formarem o anel timpânico. Durante o primeiro ano de vida, estas proeminências ósseas crescem continuamente até se fusionarem. Esta fusão separa o anel primordial para dentro do meato acústico externo superiormente, surgindo uma comunicação entre o futuro meato acústico e a fossa articular, o forame de Huschke. Os autores destacaram que este forame usualmente se fecha por volta do quinto ano de vida, e que o meato acústico externo obtém sua forma adulta em torno dos nove anos. 2.3 Estudos osteológicos e importância clínica do forame de Huschke Em 1984, Sharma e Dawkins31 publicaram o primeiro caso que relacionava um quadro raro de fístula salivar espontânea, localizada no meato acústico externo. Uma paciente, com 58 anos, que apesar de não relatar história de trauma ou injúria na região da orelha, clinicamente apresentava uma otorréia aquosa incolor e inodora que aumentava quando ela abria e fechava a boca. O exame bioquímico realizado no líquido coletado mostrou tratar-se de saliva, sendo que o exame sialográfico, posteriormente solicitado, apresentava-se dentro dos parâmetros de normalidade. Durante o tratamento cirúrgico exploratório realizado, foi observado um defeito ósseo na placa timpânica medindo 5,0 X 3,0mm, o forame de Huschke, que, em seguida, foi fechado com uma pequena porção de cartilagem meatal. É importante frisar que a anomalia anatômica foi encontrada durante a cirurgia, embora não tenha sido realizado exame prévio por imagem para este fim. Os autores relataram o sucesso da terapêutica cirúrgica preconizada para a paciente, permanecendo esta assintomática. Por fim, ponderaram que a presença do forame de Huschke poderia explicar a rota pela qual uma severa otite externa acabaria acometendo a glândula parótida. Hawke e cols.16 citaram o caso clínico de uma hérnia assintomática espontânea bilateral da articulação temporomandibular para o meato acústico externo em uma paciente com 68 anos, que se queixava de perda progressiva da audição, sem história de trauma na região ou doença prévia na orelha. Por meio do exame de otoscopia, podia-se ver, no meato acústico externo da paciente, uma elevação quando sua boca se apresentava aberta. Ao solicitar à paciente para fechá-la, era observado, por meio do otoscópio, um declínio da elevação, sendo que, com a boca totalmente fechada, surgia uma invaginação. O exame radiográfico convencional não revelou anormalidade; no entanto a tomografia computadorizada dos ossos temporais mostrou uma deiscência óssea bilateral entre o meato acústico externo e a articulação temporomandibular. Tal quadro foi atribuído a uma falha no fechamento do forame de Huschke. Os autores afirmaram ser o primeiro caso descrito na literatura científica sobre este tipo de anormalidade. Continuando, Hawke e cols.18 ao investigarem o caso clínico de uma paciente de 52 anos com uma fístula espontânea da articulação temporomandibular para o meato acústico externo, informaram que, ao ser atendida primeiramente em 1982, ela relatava a história de um líquido incolor saindo do meato acústico externo durante a mastigação. Não havia história de trauma, de injúria ou qualquer outra alteração na articulação temporomandibular ou na glândula parótida. Durante o exame de otoscopia, ao ser solicitada para que ficasse com a boca aberta, podia ser visto por meio do aparelho, uma elevação no meato acústico externo. Ao ser orientada para que fechasse a boca, era observado o declínio da elevação, e com a boca totalmente fechada, surgia uma invaginação. Finalmente, a paciente relatava que a mastigação provocava o escorrimento de um líquido da orelha para a face, que coletado e enviado ao laboratório, o exame solicitado constatou tratar-se de saliva. O caso clínico apresentado foi primeiramente diagnosticado como uma glândula salivar ectópica. Em 1986, após reexaminá-la sem alteração do quadro anterior, foi feita uma tomografia computadorizada onde pode ser observada uma imagem axial compatível com uma deiscência óssea bilateral entre o meato acústico externo e a articulação temporomandibular. Esta falha óssea era o forame de Huschke, que os autores afirmaram ser o responsável pelo quadro clínico apresentado pela paciente. Em 1987 Van Sickels e cols.39 afirmaram ser a artroscopia da articulação temporomandibular o mais novo método para tratamento e diagnóstico das desordens temporomandibulares. Após a revisão de literatura sobre o assunto e baseando-se na anatomia regional, observaram um número potencial de complicações que podem ocorrer durante e após a cirurgia artroscópica. São eles: hemorragia e infecção na cavidade articular, edema, perfurações na membrana timpânica e fossa craniana média, injúria na glândula parótida, condrites, capsulites, danos ao disco articular e à articulação, injúrias nas estruturas da orelha média com perda parcial ou total da audição. Os autores relataram ainda o caso clínico de uma paciente que, durante a artroscopia da articulação temporomandibular, sofreu dilaceração da membrana timpânica e subseqüente perda total da audição. O forame de Huschke presente na paciente, propiciou a rota pela qual o artroscópio penetrou na orelha rompendo a membrana timpânica. Os autores finalizaram recomendando a avaliação de um otorrinolaringologista, caso ocorram complicações pósartroscopia da articulação temporomandibular. Applebaum e cols.3 afirmaram que a artroscopia da articulação temporomandibular é um procedimento cirúrgico efetivo para fins de diagnóstico e tratamento de suas desordens. Observaram que, com o aumento crescente de indicações para este procedimento, as complicações pós-cirúrgicas têm sido relatadas na mesma proporção. Com relação às complicações especificamente relacionadas ao aparelho auditivo, a literatura pesquisada pelos autores mostrou que, desde a primeira artroscopia da articulação temporomandibular realizada em 1975 por Omnish, somente dois casos foram publicados: um, por Sanders29, outro por Van Sickels39. Em seguida, os autores descreveram três casos onde ocorreram sérias complicações otológicas pós-artroscopia da articulação temporomandibular, sendo dois pacientes do sexo feminino e um do sexo masculino. Em todos os casos, ocorreram penetrações do artroscópio em estruturas nobres da região da orelha, sendo que, em dois casos, deixaram seqüelas irreversíveis. Logo, alertaram para a necessidade de um maior cuidado quando da inserção do trocar na articulação temporomandibular, feita por meio de uma pequena incisão. Chamaram a atenção para as áreas de junção entre as porções cartilaginosa e óssea do meato acústico externo e ainda a porção cartilaginosa do meato, que podem ser facilmente perfuradas por este instrumento biselado e rígido, com diâmetro variando de 1,7 a 2,7mm, e, inadvertidamente, penetrar na orelha média. Finalizaram relatando que os acidentes podem ter ocorrido devido a uma fratura acidental na fina parede anterior do meato acústico externo promovida pelo equipamento cirúrgico, ou ainda a possibilidade de a tomografia computadorizada préoperatória ter falhado em detectar pequenos defeitos ósseos que pudessem facilitar a penetração do artroscópio no meato acústico, com seqüelas, muitas vezes, irreversíveis. Ao realizar um estudo osteológico do forame de Huschke, investigando trezentos ossos temporais de crânios secos de indivíduos adultos, Ars5 afirmou ter encontrado o forame de Huschke em apenas dois casos. É importante frisar que o autor não especificou se as referidas anomalias eram uni ou bilaterais, ou ainda se os crânios de onde foram retirados os ossos temporais pertenciam a indivíduos do sexo masculino ou feminino. Ao estudarem as anomalias ósseas de desenvolvimento da placa timpânica, Heffez e cols.18 afirmaram que o forame de Huschke poderia propiciar a passagem do trocar (instrumento pontiagudo utilizado na artroscopia) da fossa articular para o meato acústico externo, em seguida atingindo a membrana timpânica, perfurando-a, como tem sido descrito na literatura. Hemorragia, injúria motora e sensitiva, danos à articulação, otalgia, dor, inchaço e infecção, são complicações que podem ocorrer durante o exame de artroscopia da articulação temporomandibular segundo Herzog e Fiese19. Com o objetivo de diminuir estas e outras complicações, estudos em cadáveres têm sido realizados buscando um acesso à articulação temporomandibular que não deixe seqüelas no nervo facial e nos vasos temporais superficiais. Talvez a mais devastadora complicação, segundo os autores, seja o envolvimento e injúria em estruturas da orelha média e interna. Ao observarem a dificuldade em se detalhar o mecanismo de ocorrência dessas complicações, procuraram identificar, através de fatores anatômicos, o que poderia predispor a tais lesões. Afirmaram que a presença do forame de Huschke com a penetração do trocar através do mesmo, poderia justificá-las. Este deixaria vulneráveis estruturas da orelha média e interna, trazendo sérias seqüelas ao aparelho auditivo. Os mesmos autores, ao examinarem cem crânios de indianos, encontraram a presença do forame de Huschke em 16, sendo que em 7% da amostra este se apresentava bilateralmente. Os autores não especificaram se os crânios estudados eram de crianças, de jovens ou de adultos. Ao mensurarem os tamanhos das referidas anomalias anatômicas, encontraram as menores medidas com valores de 1,0mm e as maiores com 7,0mm, no entanto, não detalharam o que consideraram como tamanho, se diâmetro transversal ou longitudinal. Com o objetivo de ilustrar outras possíveis implicações clínicas em pacientes que apresentem a referida anomalia anatômica, os autores relataram o caso clinico de uma hérnia no meato acústico externo, que foi atribuída à presença do forame de Huschke. Observaram que o paciente ao abrir a boca, o aumento da pressão hidrostática do líquido sinovial pressionava o epitélio que reveste o meato acústico externo, sendo identificado por meio da otoscopia como uma saliência, porém, fechando a boca, a saliência desaparecia. Concluíram sugerindo que uma otoscopia deveria ser preferencialmente realizada solicitando ao paciente que abrisse e fechasse a boca durante o transcorrer do exame. Thomson38 relatou dois quadros raros de otite externa que evoluíram para artrite séptica da articulação temporomandibular. Os pacientes, um do sexo feminino e outro do masculino, apresentavam fatores predisponentes para artrite, como por exemplo: desnutrição, debilidade física e imunossupressão por corticosteróides. Segundo o autor, a contaminação bacteriana da articulação temporomandibular, pelo quadro de otite externa, somente foi possível devido a alguma falha óssea no soalho do meato acústico que possibilitou a sua comunicação física com a cavidade articular, facilitando, assim, a infecção bacteriana. Esta falha não foi detectada por meio dos métodos radiográficos convencionais. Panda e cols.27 reportaram o caso raro de uma fístula salivar no meato acústico externo em uma paciente com 16 anos, que foi assistida por eles. A paciente não tinha história pregressa de procedimento cirúrgico ou trauma na região parotídea, no entanto, durante a mastigação, apresentava uma otorréia aquosa do lado direito que foi coletada e enviada ao laboratório. O exame bioquímico realizado verificou tratar-se de saliva, não sendo identificada a presença de células potencialmente malignas na amostra analisada. Em seguida, foram solicitados os exames: radiográfico, sialográfico e uma ultrassonografia da cabeça e do pescoço. Todos os resultados apresentavam-se dentro dos parâmetros normais. Subseqüentemente, a equipe decidiu pela realização de uma timpanotomia exploratória, que não verificou microscopicamente nenhuma anormalidade. Após muita discussão, foi decidido fazer o tratamento radioterápico da glândula parótida com o objetivo de diminuir sua função excretora. Após 20 dias, a paciente retornou com os mesmos sintomas. Em seqüência, foi realizado um novo exame sialográfico da parótida e verificado um pequeno fluxo do contraste utilizado, indo em direção ao meato acústico externo, o que motivou os membros da equipe médica a realizarem a parotidectomia radical no lado afetado, preservando o nervo facial. Após 18 dias, a paciente retornou com a recorrência do quadro, sendo realizada, pela mesma equipe, uma cirurgia exploratória mais ampla, verificando-se uma abertura rosácea na região ântero-inferior do meato acústico externo que foi obliterada com uma pequena porção do músculo esternocleidomastóideo. A paciente apresentou-se assintomática por um ano e, após este período novamente os sintomas retornaram. Foi então tratada sintomaticamente, não sendo admitida por parte da paciente qualquer proposta terapêutica mais invasiva. Realizando um estudo osteológico em 377 crânios de orientais e ocidentais adultos, Wang e cols.41 encontraram a prevalência do forame de Huschke em 7,2% das peças anatômicas, sendo que a freqüência por raça foi de 6,7% e 9,1%, respectivamente. O diâmetro longitudinal encontrado variou de 1,0 a 6,0mm; o diâmetro transversal, de 1,0 a 8,0mm. Dos 41 forames encontrados, 14 eram unilaterais e 13 bilaterais. Quanto à forma, 24 apresentavam-se ovalados, 15 redondos e dois irregulares. Segundo os autores, a significância clínica do forame de Huschke não tinha sido largamente reconhecida até aquela data. Comentaram ainda que a área próxima ao forame é, normalmente, onde ocorrem fraturas traumáticas no meato acústico externo e que a sua presença é importante na artroscopia da articulação temporomandibular, pois este procedimento cirúrgico é feito com endoscópio de fibra óptica rígida, cujo diâmetro externo pode variar de 1,7 a 2,7mm, portanto menor que o registrado pelas anomalias anatômicas estudadas. Segundo os autores, foram descritos acidentes graves que ocorreram durante a artroscopia da articulação temporomandibular, com a penetração do artroscópio no forame de Huschke, transpassando-o seguindo através do meato acústico externo até a orelha média. Finalizando, ponderaram que a presença do forame de Huschke poderia fornecer uma rota pela qual uma otite externa culminaria infectando a glândula parótida. Cecire e cols.9 relataram o caso de um paciente de 60 anos com história de otorréia aquosa incolor e inodora, advindo da orelha esquerda. Não havia antecedentes de trauma, surdez ou patologias das vias aéreas superiores. Após o exame otoscópico, foi encontrada uma massa avermelhada, polipóide, que foi completamente removida, sendo que o exame histológico realizado mostrou ser totalmente composta por tecido de granulação. Após a recorrência do quadro a ponto de a lesão evoluir quase obstruindo o meato acústico externo, foi realizado um estudo por imagem por meio de uma tomografia computadorizada da região da orelha, corte axial, e encontrado um defeito ósseo entre a articulação temporomandibular e o meato acústico externo. Este defeito, conhecido como forame de Huschke, propiciou que o crescimento da lesão atingisse novamente o meato acústico. Em seguida, uma nova polipectomia foi realizada e enviada uma nova amostra para o exame histopatológico que acusou tratar-se de uma lesão tumoral do tipo sinovioma. Dingle11 descreveu um quadro raro de artrite séptica da articulação temporomandibular por uma complicação de otite externa ocorrido em um paciente do sexo masculino aos 75 anos. Para pesquisar a via pela qual o microorganismo presente no quadro da orelha atingiu a cavidade articular, foi feito um exame de tomografia computadorizada da região da orelha, corte axial. Este acusou um defeito ósseo entre o meato acústico externo e a cavidade articular, o forame de Huschke, justificando a rota pela qual a infecção atingiu a articulação temporomandibular. Schunk e cols.33 chamaram a atenção para dois casos clínicos de duas pacientes que se apresentavam com tumores artrogênicos no meato acústico externo. A primeira, com 56 anos, foi encaminhada até eles com hipótese diagnóstica de exostose no meato acústico externo do lado direito. Além disso, ela se queixava de uma pressão na orelha seguida de diminuição da audição do lado em questão. Por meio do otoscópio, estando a paciente com a boca fechada, podia ser visto um abaulamento liso de aspecto exostóide, porém de consistência macia na parede anterior do meato acústico externo, que se estendia até tocar a membrana timpânica. Ao abrir a boca, a lesão se achatava desprendendo-se da membrana timpânica. Tal achado clínico justificava as queixas relativas à audição da paciente. O exame tomográfico realizado mostrava um tumor grande, arredondado, de tecido mole denso que crescia a partir da articulação temporomandibular direita para dentro do meato acústico, com uma destruição óssea na área acometida. No entanto os autores observaram que o defeito ósseo estava limitado muito planamente para ser causado por uma destruição de origem tumoral. O exame histopatológico da biópsia incisional realizado, diagnosticou uma hiperplasia tecidual reativa e inflamatória do tecido conjuntivo sinovial com ausência de malignidade, portanto, pseudotumoral. Em seguida nenhuma outra medida foi tomada, já que com a biópsia incisional ocorreu uma redução no tamanho do tumor. Após um ano, a paciente retornou para controle, verificando-se que o pseudotumor voltara a crescer, mas não tão acentuadamente. Assim a paciente optou por não fazer uma nova intervenção cirúrgica para a remoção da lesão. A segunda paciente, com 64 anos, apresentava-se com as mesmas queixas da anteriormente assistida, e também com uma lesão de aspecto tumoral que podia ser vista otoscopicamente no meato acústico externo. Esta lesão alterava de tamanho ao abrir e fechar a boca. Os autores relataram que o exame tomográfico mostrou um defeito ósseo bem delimitado na parede anterior do meato acústico externo. Foi feita uma biópsia, cujo resultado foi o mesmo da paciente anterior, porém não concluíram como foi a evolução do caso relatado. Ao revisarem a literatura, os autores encontraram relatos de casos clínicos de pacientes com hérnia sinovial no meato acústico externo, que se invaginou da articulação temporomandibular para a orelha pelo forame de Huschke, anomalia óssea que foi verificada tomograficamente em ambos os casos descritos anteriormente. Chamaram a atenção para estudos osteológicos em que encontraram a prevalência do forame de Huschke em 7% da população, e cujas alterações, como as relatadas por eles, poderiam ser mais observadas e diagnosticadas por meio de exame otoscópico, solicitando tão somente ao paciente que movimentasse a mandíbula, abrindo e fechando a boca. Esta simples observação possibilitaria verificar possíveis alterações de forma na parede ânteroinferior do meato acústico externo, ajudando a diagnosticar clinicamente a presença do forame de Huschke. Rabinov e cols.28 apresentaram um caso clínico de adenoma pleomórfico recorrente da glândula parótida que, de forma incomum durante seu crescimento, envolveu o meato acústico externo. O mal acometeu um paciente do sexo masculino, de 54 anos. Os autores, ao estudarem a doença, confirmaram, por meio do exame de tomografia computadorizada, corte axial, ter sido o forame de Huschke que propiciara o caminho pelo qual a lesão, ao se desenvolver, atingiu o meato acústico externo. Ao avaliarem uma paciente de 38 anos com história de artrose e travamento da articulação temporomandibular, Schickinger e cols.32 relataram que esta reclamou de dor e perda da audição na orelha direita após ser submetida a artroscopia da articulação temporomandibular. Ao consultar um otorrinolaringologista, este observou, por meio da otoscopia, que o meato acústico externo estava cheio de sangue e uma solução aquosa, bem como havia uma perfuração central na parte ântero-inferior da membrana timpânica; no entanto não havia sinais visíveis de perfuração no meato acústico externo. Os autores ponderaram que, embora os números de complicações após a artroscopia fossem pouco expressivos, injúrias à orelha média e interna são sérias o bastante para estimular investigações sobre o possível mecanismo de como procedem. Foi realizado em seguida uma tomografia computadorizada e uma ressonância magnética na articulação temporomandibular direita, que revelaram degeneração óssea e alterações inflamatórias. Não havia alterações ósseas que justificassem as iatrogenias causadas. Os autores, ao revisarem a literatura, encontraram algumas das possíveis explicações para o ocorrido, como por exemplo, traumas, doença articular degenerativa e a presença do forame de Huschke no adulto, o que não ocorreram neste caso. Acreditaram que a injeção salina usualmente utilizada sob pressão para distender a cápsula articular possa ter penetrado na fissura petrotimpânica e, em seguida, ter rompido a membrana timpânica. Finalizaram chamando a atenção para a importância do exame de tomografia computadorizada com cortes bem finos do osso temporal, para identificar estes pacientes de alto risco para a artroscopia da articulação temporomandibular. Ao realizarem um estudo sobre a prevalência do forame de Huschke, Faig-Leite e Horta Júnior13 analisaram 776 crânios sendo 305 identificados segundo o grupo étnico, sexo e faixa etária, e 471 sem qualquer identificação. Em todos os crânios, de ambos os lados, a parte timpânica dos ossos temporais foi detalhadamente observada quanto à presença, forma e tamanho deste forame. Os autores encontraram a presença desta anomalia anatômica em 77 (9,9%) crânios, sendo 44 (5,7%) pertencentes ao grupo dos crânios que não apresentavam identificação e 33 (4,2%) aos que eram identificados. Quanto à presença, os autores encontraram o forame de Huschke incidindo bilateralmente em 36 (4,6%) crânios, e na forma unilateral em 41 (5,3%), sendo 22 (2,8%) do lado direito e 19 (2,5%) do lado esquerdo. Ao analisarem em separado os crânios identificados, observaram que o forame estava mais freqüente em crânios do sexo feminino (16,2%) do que nos do sexo masculino (8,3%). Classificaram ainda os forame de Huschke encontrados em irregulares (73 crânios), ovais (20 crânios) e redondos (20 crânios). Com relação ao tamanho desta anomalia anatômica, Faig-Leite e Horta Júnior13 (1999) observaram que o diâmetro transverso variou entre 1,0 e 5,0mm e o longitudinal entre 1,0 e 8,0mm. Ao mensurarem a distância entre a parte mais lateral do forame e o poro acústico externo, encontraram esta medida variando entre 3,0 e 21,0mm. Os autores chamaram a atenção para o fato de que no grupo dos crânios que apresentavam identificação, o forame de Huschke incidiu de maneira estatisticamente mais significante nos indivíduos do sexo feminino, do que nos do sexo masculino. Ali e Rubinstein1 relataram o caso de um indivíduo do sexo masculino com 64 anos, que foi primeiramente examinado em abril de 1997, queixando-se de perda da audição, principalmente na orelha direita, com progressão acentuada nos três meses que antecederam o exame. O paciente relatou ainda, que experimentava alguma melhora realizando a manobra de Vasalva (utilizada com o objetivo de igualar a pressão entre o meato acústico externo e a orelha média). Sua história médica era positiva para hipertensão e artrite reumatóide. Após o exame físico foram observadas severas deformidades articulares advindas do estágio avançado da doença articular. O exame otológico realizado acusou a presença de cerúmen na orelha esquerda e uma retração da membrana timpânica do lado direito. O paciente foi orientado a continuar a realizar a manobra de Vasalva para a redução dos sintomas, e retornar ao consultório, caso necessário. Em março de 1998, o paciente retornou com história de aumento da perda de audição do lado direito, desta vez acompanhada de otorréia incolor do mesmo lado. Ao reexaminá-lo, foi verificado que a membrana timpânica apresentava-se normal, porém um líquido incolor advinha de um tecido granulomatoso na parede anterior do meato acústico externo, sugerindo uma fístula salivar. Foi realizado um exame de tomografia computadorizada dos ossos temporais, corte axial, e este mostrou um defeito na parede anterior do meato acústico externo e ainda alterações na forma do côndilo mandibular. O defeito ósseo, também conhecido como forame de Huschke, normalmente se fecha entre o primeiro e quinto ano de vida. A presença da referida anomalia anatômica explica a rota pela qual o tecido granulomatoso atingiu o meato acústico externo. O paciente foi então submetido a uma cirurgia para a remoção da neoformação tecidual (tecido granulomatoso fibrótico com áreas de necrose) e reconstrução do defeito ósseo. Ao descreveram importantes achados clínicos e radiográficos em duas pacientes que apresentavam hérnia da articulação temporomandibular para o meato acústico externo, Anand e cols.2 informaram que a primeira paciente, com 51 anos, queixava-se de perda progressiva da audição da orelha esquerda nos três meses anteriores ao exame, e ainda, dor e estalidos na articulação temporomandibular ao abrir e fechar a boca. Sua abertura bucal máxima era de 50mm. Não relatou história de trauma, infecção ou cirurgia nas regiões da articulação temporomandibular e do complexo auditivo. Por meio do exame otoscópico, foi observada no meato acústico do lado esquerdo uma protuberância que aumentava de tamanho ao abrir e diminuía ao fechar a boca. Foram, então, solicitados exames complementares. O audiograma realizado acusou uma perda moderada de audição do lado esquerdo, a tomografia computadorizada dos ossos temporais revelou um defeito na placa timpânica (forame de Huschke) centrado na junção anterior da membrana timpânica, e a ressonância magnética realizada mostrou evidência de um prolapso do tecido retrodiscal da articulação temporomandibular para o meato acústico externo. Foi, em seguida, realizada uma cirurgia com o objetivo de corrigir a variante anatômica mensurada em 7,0mm, utilizando-se, para tanto, de uma pequena porção de polypropylene (Medpore). O implante foi fixado usando-se uma miniplaca de titânio e a paciente aconselhada a restringir a abertura bucal por um período de três semanas. Em seu retorno, foi observado que a abertura bucal limitava-se a 42mm e a audição normalizara. Continuando, os autores afirmaram que a segunda paciente, com 46 anos, queixava-se de dor e ruído na orelha esquerda. Não havia história de surdez, escorrimento de líquido da orelha ou dificuldade de abrir a boca (abertura bucal máxima de 42mm). O exame otoscópico realizado revelou um inchaço intermitente na parede anterior do meato acústico externo do lado esquerdo, que apresentava seu maior volume em abertura bucal máxima. A tomografia computadorizada dos ossos temporais mostrou um defeito ósseo na parede anterior da placa timpânica e a ressonância magnética revelou a existência de uma hérnia do tecido retrodiscal da articulação temporomandibular para dentro do meato acústico externo. Durante a cirurgia para correção, utilizando-se para tanto um implante semelhante ao primeiro caso descrito, foi visto que a referida anomalia anatômica (forame de Huschke) media 5,0 x 7,0mm. Segundo os autores, após a recuperação da paciente, a abertura bucal limitou-se a 38mm, no entanto houve remissão dos sintomas relacionados ao complexo auditivo. Anand e cols.2 observaram ainda, que a íntima relação anatômica entre o meato acústico externo e a articulação temporomandibular explica o fato de um grande número de pacientes com sintomas de desordem temporomandibular procurarem, primeiramente, assistência nos otorrinolaringologistas. 2.4 Alterações otológicas e articulação temporomandibular Janke e Rivron21 descreveram o caso clínico de uma paciente de 58 anos de idade que apresentava otorréia recorrente. Ao ser examinada por meio do exame de otoscopia, este revelou uma membrana timpânica intacta, porém, havia presença de edema do epitélio que reveste o meato acústico externo da orelha direita, condição típica de otite externa. Foi inicialmente tratada com antibióticos de uso tópico e subseqüentemente retornava com o mesmo quadro. Após dois anos de acompanhamentos e recorrências, na décima primeira consulta, pela primeira vez a paciente relatou sentir a sensação de orelha úmida ao mastigar. Novamente um cuidadoso exame otoscópico foi realizado solicitando ao paciente que mastigasse algo. Este revelou um edema intermitente na parede anterior do meato acústico externo que apresentava também uma fístula. A articulação temporomandibular e a glândula parótida foram examinados clinicamente e nenhuma anormalidade foi encontrada. Uma tomografia sagital da orelha foi solicitada e esta revelou um pequeno defeito ósseo na parede póstero-superior da fossa articular que se comunicava com o soalho do meato acústico externo, nas imediações da fissura petrotimpânica. Em seguida foi realizado um exame sialográfico e este revelou uma fístula da glândula parótida para a articulação temporomandibular. Segundo os autores, não foi possível afirmar se o quadro agudo da orelha que deixou como seqüela uma fístula no meato acústico externo ou se a fístula é que ocasionou recorrentes quadros agudos na orelha. Segundo Marasa e Ham24, a incidência de otite média crônica com efusão é alta em crianças, e, baseado em fatos bem documentados na literatura, afirmaram que até o advento dos antibióticos estes pacientes invariavelmente evoluíam para um quadro de anquilose da articulação temporomandibular. Possivelmente, para os autores, isso ocorra por ter havido a passagem de infiltrado inflamatório através da fissura petrotimpânica, justificando o mal que acometia estes doentes. Weissman e cols.42 relataram dois casos clínicos de otite média aguda secretora onde os desenvolvimentos das alterações estavam relacionados a alguma deiscência óssea na região ântero-inferior da placa timpânica. Segundo os autores esta parede pode apresentar-se por vezes com uma fina deiscência que pode propiciar a formação de uma hérnia da articulação temporomandibular para a orelha média e/ou meato acústico externo. Quando presente na orelha média, por compressão, esta interfere no mecanismo de drenagem da tuba auditiva. Para os autores, a alteração deste mecanismo foi o responsável pelo desenvolvimento das alterações descritas a seguir: O primeiro caso ocorreu em uma paciente aos 51 anos de idade. Esta foi encaminhada com história de otorréia persistente por dois meses no lado direito. Nada relatou com relação à orelha esquerda. O exame otoscópico revelou otite externa na orelha direita, entretanto, na esquerda, havia uma perfuração central na membrana timpânica, que, através desta, podia ser vista uma pequena quantidade de fluido seroso. O exame tomográfico do osso temporal realizado revelou ambas mastóides bem desenvolvidas e a orelha direita normal. Entretanto o processo condilar esquerdo apresentava-se parcialmente fragmentado e a parede posterior da fossa articular apresentava-se deiscente com uma imagem sugestiva de uma invaginação da articulação temporomandibular para a região anterior do mesotímpano junto à entrada da tuba auditiva. Ambas as orelhas foram tratadas com antibióticos tópicos e esteróides. Após dez meses, foi realizado um novo exame otoscópico que demonstrou persistir a perfuração da membrana timpânica da orelha esquerda bem como havia a presença de secreção, o que sugeriu ser uma disfunção tubária. Ao ser proposto um tratamento mais invasivo com a possibilidade de uma mastoidectomia radical, a paciente se recusou e não mais compareceu para dar continuidade à terapia proposta. A segunda paciente, com 15 anos de idade, portadora de neurofibromatose, foi encaminhada para se submeter a uma cirurgia ortognática e remover um extenso neurofibroma facial do lado esquerdo. A otoscopia realizada do mesmo lado revelou uma elevação variável na parede anterior do meato acústico externo. Esta estava mais proeminente na posição de boca fechada; quando aberta, a elevação diminuía porém não desaparecia por completo. O exame tomográfico dos ossos da face revelou que a parede póstero-medial da fossa articular estava deiscente e que havia uma má-formação do processo condilar da mandíbula. Havia ainda a protrusão de um tecido mole da articulação temporomandibular para a orelha média, na região do hipotímpano e anterior ao mesotímpano. A orelha média e a mastóide apresentavam-se normais. Após a cirurgia, uma nova tomografia computadorizada mostrou que a mastóide e a orelha média continham tecido mole ou alguma secreção. Após um ano, a otoscopia realizada revelou as mesmas alterações presentes antes da cirurgia, sendo que não mais havia a presença de secreção. Chamaram a atenção para os quadros agudos da orelha que apresentem secreção, pois podem estar relacionados a uma disfunção tubária. A tuba auditiva pode estar fisicamente obstruída ao longo de sua extensão, resultando em uma pressão negativa com proliferação epitelial e formação de exudato e secreção do tipo serosa. Para os autores, a obstrução física pode se dar através de lesões tumorais ou pela invaginação de tecido mole da articulação temporomandibular para a orelha média comprimindo o mesotímpano e subseqüentemente a tuba auditiva, que, segundo os autores, foi o ocorrido nos dois casos descritos anteriormente. Brunetti e Arcuri8 afirmaram que a ciência, tanto na área médica como na odontológica, até hoje não conseguiu demonstrar de maneira conclusiva os mecanismos fisiopatológicos que justifiquem a presença de sintomas otológicos associados a pacientes com alterações na articulação temporomandibular. A herniação dos tecidos componentes da articulação temporomandibular para dentro do meato acústico externo, segundo Selesnick e cols.30 , tem sido normalmente associada a trauma, neoplasia, infecção, processo inflamatório ou má formação de desenvolvimento. Porém, os autores descreveram quatro casos clínicos da referida herniação por complicação de cirurgias otológicas realizadas, onde os pacientes, por apresentarem quadros otológicos agudos e de repetição, foram submetidos a uma meatoplastia para uma melhor visualização da porção anterior da membrana timpânica. Segundo os autores, muito embora haja uma coincidência de localização entre o forame de Huschke e a cirurgia, um dos casos apresentava, além da complicação cirúrgica em um dos lados da orelha, a herniação espontânea do tecido retrodiscal da articulação temporomandibular para o meato acústico externo. Destacaram a importância de o clínico estar atento ao prolapso de estruturas da articulação temporomandibular para o meato acústico externo, que pode estar relacionado tanto a fatores traumáticos, neoplásicos, infecciosos, quanto à presença do forame de Huschke. Ao relatarem um caso clínico de pneumoartrose na articulação temporomandibular que acometera um paciente oriental de 46 anos de idade, Schwartz e Sedhom34 afirmaram que, ao investigarem clinicamente um quadro de otalgia e um estranho barulho que o paciente se queixava na orelha direita, o mesmo se apresentou como sons aerados ocorrendo simultaneamente durante o movimento de abertura e fechamento da boca. Foi então realizado um exame tomográfico da orelha direita, corte axial. Este mostrou um pequeno defeito ósseo na placa timpânica, exatamente ao lado da inserção da membrana timpânica. Foram observados ainda, por meio da tomografia computadorizada, espaços aerados no entorno do côndilo mandibular. Por meio de uma agulha de calibre 25, foram removidos do espaço articular superior, alguns centímetros cúbicos de ar, com imediato desaparecimento da queixa. No entanto, segundo o relato do próprio paciente, os sons retornaram logo após os primeiros movimentos de abertura e fechamento bucal. Novamente foram removidos por meio do agulhamento alguns centímetros cúbicos de ar e injetado em seguida xilocaína a 2%. Imediatamente foram observadas bolhas do líquido anestésico imergindo da parede anterior do meato acústico externo. Em seguida, uma biópsia da região foi realizada para descartar a possibilidade de um novo tumor. Finalmente, foi realizado um enxerto na região, o que levou à remissão total dos sintomas inicialmente relatados. Ao descreverem um quadro cirúrgico de anquilose da articulação temporomandibular que acometera uma criança aos 3 anos de idade por complicação de uma mastiodite, Faerber e cols.12 afirmaram que após a descoberta dos antibióticos, este tipo de complicação ficou mais restrito a fatores traumáticos do que a infecciosos. Dentre os fatores infecciosos, os autores relacionaram as infecções em estruturas circundantes à articulação temporomandibular, como por exemplo, a mastoidite, a otite média e osteomielite. Afirmaram ainda que a otite media é uma complicação comum ao sarampo na infância. Muito embora raro de se acontecer, os processos infecciosos sistêmicos também podem levar a um quadro de anquilose da articulação temporomandibular sendo exemplos a febre tifóide, artrites sépticas associadas a pneumonia, gonorréia, meningite, endocardite bacteriana e sinusite. Afirmaram, baseado na literatura pertinente ao assunto, que o quadro apresentado pela criança foi viabilizado por alguma condição anatômica que favoreceu ao microorganismo do processo infeccioso da mastóide a atingir a articulação temporomandibular. Ao revisarem a literatura, os pesquisadores citaram um autor (Moffett B.) que afirmou que a placa timpânica não está plenamente formada até o quinto ano de vida. Este mesmo autor afirmou ainda que um estudo realizado em crânios secos de crianças com menos de dez anos de idade, é freqüentemente observada uma perfuração central no soalho da placa timpânica, resultado de uma incompleta ossificação. Hadlock e cols.15 afirmaram que atualmente as complicações oriundas de uma otite média aguda são baixas se comparadas à era préantibióticos, sendo que a mastoidite aguda é a mais comum. Eles relataram um caso de uma paciente que aos 11 anos de idade desenvolveu um quadro de otite média aguda bilateral, tratado com sucesso com o uso de antibiótico oral por dez dias. Quatro dias após findo este período, ela retornou queixando-se de otalgia na orelha esquerda, sendo confirmado um quadro repetitivo de otite média aguda. Prescrita amoxicilina por mais dez dias, a paciente logo retornou com queixa de aumento da otalgia da orelha esquerda sendo levantado que a paciente vinha freqüentando a praia com sucessivos banhos de mar na última semana. O exame clínico revelou: meato acústico externo edematoso e membrana timpânica normal; não havia edema na região da mastóide. O exame audiométrico era normal para ambas as orelhas. Foi diagnosticado um quadro de otite externa e medicada com solução ótica de corticóide e uso de amoxicilina por mais dez dias além do que havia sido prescrito, e orientação para não molhar as orelhas. Trinta e seis horas após, a paciente retornou queixando-se de uma otalgia insuportável, dificuldade de abrir a boca (15mm), dor na região da mastóide e na base craniana. A tomografia computadorizada solicitada revelou uma destruição do antro da mastóide esquerda com presença de tecido mole, sugerindo supuração. Na seqüência, a paciente se submeteu a uma mastoidectomia, miringotomia temporomandibular. Uma terapia e aspiração antibacteriana da articulação intravenosa com antibióticos de largo espectro foi prescrita para a paciente. Após sete dias de antibioticoterapia intravenosa, foram prescritas novas doses via oral. A abertura bucal da paciente retornou ao normal após vários dias findos a terapia antibacteriana. Segundo os autores, as infecções em qualquer espaço anatômico, incluindo a mastóide, são impedidas de se disseminarem com facilidade por diversas barreiras anatômicas. Como o tecido ósseo representa a melhor dessas barreiras, a presença de destruição (trauma) ou falhas no desenvolvimento deste tecido promovem um aumento de disseminações infecciosas onde essas falhas possam ocorrer. Yetiser e Tosun40 descreveram o caso clínico de um paciente do sexo masculino, 21 anos de idade, com longa história de corrimento na orelha mimetizando um quadro de otite média, além de inchaço na glândula parótida do mesmo lado. Ao ser questionado com relação a outras anormalidades, traumas ou doenças pregressas, respondeu negativamente. Relatou estar fazendo uso de antibióticos por via oral e ainda medicação intra-auricular específica para otite externa. Ao ser examinado otoscopicamente, pôde-se observar que o meato acústico externo apresentava-se normal, exceto por uma fístula em seu assoalho. No exame tomográfico da região, pôde-se observar uma lesão localizada superficialmente à glândula parótida e uma estrutura anormal no meato acústico externo. A análise radiográfica da região após injeção de contraste confirmou a presença de uma lesão cística que foi posteriormente removida. Histologicamente compatível com sialodenite crônica, a lesão não apresentava evidência tumoral. Acompanhado por um período de seis meses, o paciente não apresentou recorrência do quadro. Para os autores, lesões císticas com envolvimento da região do meato acústico externo podem estar associadas com: fístula aural, otite e/ou otorréia. Os diagnósticos diferenciais de outras lesões císticas da glândula parótida incluem: neoplasmas, linfadenopatia e cisto linfoepitelial. Uma outra condição pouco comum onde o paciente apresenta corrimento auricular, o que não ocorreu no caso anteriormente descrito, está relacionada à presença do forame de Huschke. Esta variante anatômica, que promove uma comunicação óssea entre o meato acústico externo e a fossa articular, está presente em todos os indivíduos do nascimento até o quinto ano de vida, quando se fecha normalmente. No entanto pode persistir no adulto, e, em alguns casos, necessitar de intervenção reparadora, pois o diminuto tecido epitelial que o recobre poderá se romper em um processo infeccioso presente tanto no lobo articular da parótida como na orelha com conseqüente significado clínico. Para tanto, os autores chamam a atenção para casos de sialodenite crônica relacionada ao forame de Huschke, em função de uma contínua contaminação da glândula parótida via orelha, e ainda casos de massa tumoral e/ou prolapso tecidual entre a orelha e a articulação temporomandibular. Ainda para os autores, as condições clínicas anteriormente descritas fazem diagnóstico diferencial com carcinoma mucoepidermóide, adenoma cístico, adenocarcinoma e mixoma. 3 - PACIENTES, MATERIAL E MÉTODO Foram avaliados retrospectivamente os exames de tomografia computadorizada da mastóide de duzentos pacientes adultos do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (Universidade Federal do Rio de Janeiro), atendidos pelo Serviço de Otorrinolaringologia. Todas as tomografias dos pacientes foram atentamente analisadas por um Cirurgião Dentista e um Médico Radiologistas, com o objetivo de pesquisar na região da fossa articular e do meato acústico externo a prevalência do forame de Huschke. Uma vez constatada a sua presença, as imagens de interesse foram fotografadas. Foram anotados em ficha apropriada os seguintes dados relativos a esta amostra: a) Nome, idade e o gênero do paciente; b) presença ou ausência do forame; c) incidência uni ou bilateral; d) o número do prontuário que identifica o paciente no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho; e) a data em que foi realizado o exame tomográfico; f) a queixa otológica que justificou o pedido do exame tomográfico e g) o diagnóstico radiológico realizado por um Médico especialista. Todos estes dados foram coletados, agrupados e disponibilizados no anexo. Dentre os exames tomográficos avaliados, 91 foram de pacientes do sexo masculino e 109 do feminino, com idade entre 18 e 94 anos e média de idade de 56 anos. Com o objetivo de não prejudicar esta amostragem, foram excluídos exames de pacientes operados na região da orelha ou com história de trauma na mesma região e exames controle de pacientes uma vez avaliados. Não foram excluídos exames realizados utilizando meio de contraste intravenoso. Com a finalidade de obter a imagem tomográfica do forame de Huschke, foram realizadas tomografias computadorizadas, nos planos axial e coronal, de duas peças anatômicas: a primeira com o forame presente (Figura1) e a segunda anatomicamente sem alterações. Comparando-se as imagens obtidas, pode-se seguramente afirmar que na série tomográfica no plano axial realizada junto a primeira peça anatômica, era perfeitamente identificado o forame de Huschke (Figura 2), o que não foi verificado na peça controle (Figura 3). MAE MAE MAE M M Figura 2 – Imagem tomográfica mostrando a presença do forame de Huschke bilateralmente (setas), meato acústico externo (MAE) e o processo mastóide (M). M MAE R M Figura 3 – Imagem tomográfica mostrando o meato acústico externo (MAE) e o processo mastóide (M). Todos os exames tomográficos dos pacientes avaliados, foram realizados com cortes no plano axial da região da mastóide, espessura de 1,0 a 1,5 mm, e incremento de 1,0 mm, sendo obtidos individualmente utilizando-se dois tipos de tomógrafos, como mostra o Quadro 1. Quadro 1 – Tomógrafos utilizados para a realização dos exames. Tomógrafo A Tomógrafo B Marca Siiemens Marca Toshiba Modelo Somaton Modelo Asteion 120 Kv – 320 mAs 120 Kv – 320 mAs Algoritmo EDGE Algoritmo EDGE Espessura/Incremento de 1,5/1 mm Espessura/Incremento de 1,5/1 mm As imagens obtidas com o uso dos tomógrafos foram todas impressas em uma única impressora da Marca Fuji, modelo Dry View 8100. Após a avaliação dos exames, os resultados obtidos foram submetidos a tratamento estatístico com o teste Qui-quadrado, para avaliar se a prevalência do forame de Huschke, no total da amostra, ocorreu com maior freqüência em pacientes do sexo feminino ou masculino, e, em relação ao gênero, se houve maior incidência uni ou bilateral. 4 - RESULTADOS Após a interpretação e tratamento estatístico das 200 tomografias computadorizadas que compuseram a amostra, foram obtidos os seguintes resultados: o forame de Huschke estava presente em 30 (15%) pacientes, sendo que 17 (8,5%) eram do sexo feminino e 13 (6,5%) do masculino, mostrando um discreto predomínio em indivíduos do sexo feminino. Os dados podem ser observados nas Tabelas apresentadas a seguir, numeradas de um a cinco. Tabela 1 - Presença ou ausência do forame de Huschke no total da amostra Forame de Huschke Presença Ausência Número de pacientes 30 (15%) 170 (85%) Total da amostra 200 (100%) Freqüência absoluta: fora dos parênteses A Tabela 2 mostra que o forame de Huschke presente em 30 pacientes, foi identificado unilateralmente em 28 (93,3%), e bilateralmente em 2 (6,7%) pacientes. Tabela 2 - Uni ou bilateralidade do forame de Huschke nos pacientes que o apresentaram Uni/Bilateralidade Unilateral Bilateral Forame de Huschke 28 (93,3%) 2 (6,7%) Freqüência absoluta: fora dos parênteses FH – forame de Huschke Pacientes com o FH (total) 30 (100%) Para verificar a hipótese de que, na região da fossa articular e do meato acústico externo, os sexos masculino e feminino induzam freqüências iguais da presença do forame de Huschke, foi realizado o tratamento estatístico dos dados obtidos com o auxílio do teste do Quiquadrado. Essa verificação se efetivou ao nível de significância de 0,05, e a regra de decisão para a rejeição ou não foi definida a partir de p. Se p foi maior do que 0,05, a hipótese, sob teste, não foi rejeitada e, caso contrário, a hipótese sob teste, foi rejeitada. A Tabela 3 foi idealizada para o estudo da hipótese de que o gênero tenha induzido freqüências iguais da presença do forame. Tabela 3 Freqüência da presença do forame segundo o gênero Forame Feminino Masculino Total Presença 17 (15,6%) 13 (14,3%) 30 (15%) Ausência 92 (84,4%) 78 (85,7%) 170 (85%) Total 109 (100%) 91 (100%) 200 (100%) Freqüência absoluta: fora dos parênteses Estes resultados encontrados não possibilitam afirmar que haja associação entre apresentar ou não a presença do forame de Huschke e o gênero do paciente, sendo fundamentados no teste do Qui-quadrado, que apresenta um p-valor muito elevado (0,737). Acima do nível de significância de 0,05. No entanto, chama a atenção o fato de que em 28 pacientes que se apresentavam com o forame de Huschke unilateral, suas queixas relacionavam-se ao mesmo lado. Os dois pacientes que apresentavam o forame bilateralmente queixavam das duas orelhas. As hipóteses diagnósticas que justificaram a solicitação da tomografia computadorizada foram compatíveis com: otorréia em doze pacientes, otite média crônica em oito, otite média crônica colesteatomatosa em seis outros pacientes, três pacientes com queixa de zumbido e, por fim, um com disacusia. Os resultados do cruzamento de dados entre essas doenças encontram-se na Tabela 4 a seguir. Em virtude de se observarem freqüências muito baixas, as análises devem ser somente descritivas não se justificando a aplicação de testes estatísticos para verificar a possibilidade de associação entre essas variáveis. Tabela 4 – Resultado do cruzamento de dados entre o gênero e as alterações encontradas. Gene/Patol Ausente Otorréia OMC OMCC Fem 92 (84,4%) 8 (7,3%) 5 (4,6%) 3 (2,7%) Masc 78 (85,7%) 4 (4,4%) 3 (3,3%) 3 (3,3%) Total 170 (85%) 12 (6%) 8 (4%) 6 (3%) Disacusia Zumbido Total 1 (0,9%) 109 (100%) 1 (1%) 2 (2,2%) 91 (100%) 1 (0,5%) 3 (1,5%) 200 (100%) Freqüência absoluta: fora dos parênteses OMC - otite média crônica, OMCC - otite média crônica colesteatomatosa Em seguida, visualizam-se algumas imagens tomográficas que foram registradas durante o desenvolvimento desta pesquisa, onde foi possível identificar a prevalência do forame de Huschke do lado direito e/ou do lado esquerdo dos pacientes. MAE MAE M M Figura 4 – Imagem tomográfica mostrando a presença unilateral do forame de Huschke (seta), meato acústico externo (MAE), côndilo da mandíbula (C), e processo mastóide (M). MAE M Figura 5 – Imagem tomográfica mostrando a presença do forame de Huschke (seta), meato acústico externo (MAE), côndilo da mandíbula (C), e processo mastóide (M). C MAE M Figura 6 – Imagem tomográfica mostrando a presença do forame de Huschke (seta), meato acústico externo (MAE), côndilo da mandíbula (C), e processo mastóide (M). MAE M Figura 7 – Imagem tomográfica mostrando a presença do forame de Huschke (seta), meato acústico externo (MAE), côndilo da mandíbula (C), e processo mastóide (M). MAE M Figura 8 – Imagem tomográfica mostrando a presença do forame de Huschke (seta), meato acústico externo (MAE), côndilo da mandíbula (C), e processo mastóide (M). MAE Figura 9 – Imagem tomográfica mostrando a presença do forame de Huschke (seta), meato acústico externo (MAE), côndilo da mandíbula (C), e processo mastóide (M). M MAE M Figura 10 – Imagem tomográfica mostrando a presença do forame de Huschke (seta), meato acústico externo (MAE), côndilo da mandíbula (C), e processo mastóide (M). MAE M Figura 11 – Imagem tomográfica mostrando a presença do forame de Huschke (seta), meato acústico externo (MAE), côndilo da mandíbula (C), e processo mastóide (M). MAE M Figura 12 – Imagem tomográfica mostrando a presença do forame de Huschke M (seta), meato acústico externo (MAE), côndilo da mandíbula (C), e processo mastóide (M). 5 - DISCUSSÃO A prevalência do forame de Huschke em crânios de indivíduos adultos tem sido relatada por vários autores apresentando uma grande variação na sua incidência, principalmente dependendo do grupo étnico considerado. Dentre os osteológicos realizados5,13,19,41, encontra-se uma variação acentuada entre os resultados obtidos, como também é variado o volume das amostras estudadas por cada um deles. Enquanto Ars5 encontrou uma prevalência de apenas dois forames (0,7%) em trezentos temporais estudados, Herzog e Fiese19, (1989), encontraram 16 forames em cem crânios de indianos avaliados (16,0%). Wang e cols.41 ao analisarem 377 crânios (300 chineses e 77 canadenses) encontraram o forame em 7,2% da amostra. Faig-Leite e Horta Júnior13, encontraram o forame de Huschke em 9,9% de uma amostra bastante expressiva composta por 776 crânios de indivíduos brasileiros adultos. Neste estudo, a prevalência encontrada foi de 15%. Pode-se destacar, ainda, que revendo a literatura e deparando-se com relatos de graves problemas clínicos que ocorreram advindos da presença do forame de Huschke, pode-se observar que a maioria dos casos que foram descritos acometeu indivíduos do sexo feminino2, 3, 17, 18, 27, 32, 34, 38 , o que não ocorreu de forma expressiva na amostra avaliada neste estudo. Chama a atenção o fato de que a prevalência encontrada nos exames tomográficos de pacientes com sintomas otológicos foi maior que a relatada nos estudos osteológicos anteriormente citados. Uma relação fisiopatológica entre a presença do forame e afecções ou sintomas da região da orelha e da articulação temporomandibular poderia ser assim interpretada, se comparados a um estudo tomográfico de sua prevalência em pacientes assintomáticos. No entanto, no sentido de contribuir para o estudo das alterações otológicas que possam ter envolvimento com o complexo articular da mandíbula, diversos estudos foram realizados2,3,16,17,18,27,32,34,38,40. Porém, a literatura pertinente ao assunto não é conclusiva (Marasa e Ham24, Brunetti e Arcuri8). Estes últimos autores afirmaram, ainda, que a ciência tanto na área médica como na odontológica, até hoje não conseguiu demonstrar de maneira conclusiva os mecanismos fisiopatológicos que justifiquem a presença de sintomas otológicos associados a pacientes com alterações na articulação temporomandibular. Ainda para Barros6, muito embora diversos estudos tenham tentado comprovar a existência de sintomas otorrinolaringológicos desencadeados por alterações na articulação temporomandibular, nada foi firmado com exatidão, quanto aos fatores etiológicos. Já Weissman e cols.42, reportaram o forame de Huschke e as fissuras petrotimpânica e de Santorini como possíveis bases anatômicas e funcionais para o desenvolvimento de sintomas otológicos por comprometimento da região peritimpânica, da função da tuba auditiva e da articulação temporomandibular. Com relação especificamente ao forame de Huschke, metodologia empregada neste estudo que se propôs a avaliar a a sua presença utilizando para tanto a tomografia computadorizada como método de diagnóstico, está consonante com diversos autores pesquisados1, 2,9,29,38. Matteson26 reforçou ainda que a grande vantagem da tomografia computadorizada é a obtenção de imagens sem superposições. Portanto, a tomografia computadorizada é o exame considerado de eleição e o mais apropriado para a identificação do forame de Huschke, segundo Ali e Rubinstein1, Anand e cols.2, Cecire e cols.9, Dingle11, Hawke e cols.16, Hawke e cols.17, Herzog e Fiese19, Rabinov e cols.28, Schunk e cols.33. O significado clínico de um forame de Huschke no adulto parece não ter sido amplamente reconhecido até o momento, já que a sua presença provavelmente enfraquece a estrutura óssea do meato acústico externo, aumentando, assim, a possibilidade de uma fratura no local ou, ainda, a presença de um delgado epitélio interpondo o meato acústico externo e a articulação temporomandibular na região do forame. Também aumenta a possibilidade de comprometer as duas estruturas em processos infecciosos, traumáticos e/ou tumorais. Weissman e cols.42 ao relatarem dois casos clínicos de otite média aguda com efusão, afirmaram que a obstrução física da tuba auditiva responsável pela complicação ocorreu devido à invaginação de um tecido mole da articulação temporomandibular para a orelha média. Ao ser realizado o exame de tomografia computadorizada da orelha no plano axial, foi observada uma deiscência óssea na placa timpânica, não mencionada como sendo o forame de Huschke, que, segundo os autores, propiciou a referida invaginação. Esta invaginação, também observada por meio do exame de otoscopia como uma elevação na parede anterior do meato acústico externo, foi relatada por Anand e cols.2. Eles descreveram em seus casos clínicos relatados, que o forame de Huschke pode ser identificado não só por meio do exame de tomografia computadorizada da orelha no plano axial, mas ainda no exame otoscópico, apresentando-se como uma elevação na parede anterior do meato acústico externo, nos casos onde ocorram prolapsos teciduais da articulação temporomandibular para a orelha externa. A literatura pertinente ao forame de Huschke, com relatos de diversas alterações na orelha atribuídas à sua presença, como também alterações que não ficaram plenamente esclarecidas e poderiam, segundo os autores, estar relacionadas a esta variante anatômica, justificam os resultados encontrados neste estudo, onde o forame de Huschke presente tomograficamente não foi laudado. Hadlock e cols.15 ao descreverem um quadro de mastoidite aguda com efusão da articulação temporomandibular, afirmaram que não havendo fatores congênitos ou história de trauma na região, a alteração poderia ser justificada pela ausência natural de barreiras anatômicas que não estariam plenamente formadas na paciente jovem ou, ainda, a fatores anatômicos, como por exemplo o forame de Huschke, que propiciaria a rota pelo qual o microrganismo atingiu a articulação temporomandibular, sem no entanto afirmar o que definitivamente ocorrera no caso clínico descrito por eles. Como também, Schwartz e Sedhom34, ao descreverem o que eles denominaram pneumoartrose da articulação temporomandibular, lado direito, afirmaram não haver indícios de que um tumor maligno tenha relação com o quadro descrito. No entanto, afirmaram que, tanto a presença do forame de Huschke, lado direito, quanto a radioterapia instituída na paciente, poderia justificar o quadro apresentado. Janke e Rivron21 ao reportarem um quadro de otorréia ocasionada por uma fístula salivar da articulação temporomandibular para o meato acústico externo, informaram que naquele caso clínico foi identificada no exame de tomografia computadorizada uma deiscência óssea entre a articulação temporomandibular e o meato acústico externo, mais precisamente na região da fissura petrotimpânica, sem contudo afirmarem ser esta deiscência o forame de Huschke. No entanto, quadros semelhantes foram descritos pelos autores Cecire e cols.9 , Hawke e cols.16, Sharma e Dawkins31, todos atribuídos à presença do forame de Huschke. O forame de Huschke tem sido associado a casos onde a evolução de tumores com origem na fossa articular de forma incomum atingem o meato acústico externo. Segundo alguns autores10,29,34, este forame propicia o desenvolvimento da lesão tumoral da articulação temporomandibular para o meato acústico externo. Importante salientar que Schunk e cols.33 e Anand e cols.2, alertaram que essas alterações poderiam ser suficientemente observadas com o auxílio de um otoscópio, apenas solicitando ao paciente que movimentasse a mandíbula, abrindo e fechando a boca. Esta simples observação possibilitaria verificar clinicamente alterações de forma na parede ântero-inferior do meato acústico externo, possibilitando realizar um diagnóstico clinico da presença do forame de Huschke. Infecções com origem no meato acústico externo, que de forma rara e incomum atingem a glândula parótida, foram relacionadas à presença do forame de Huschke32,40,41. Estas infecções possivelmente acometem a glândula parótida, devido a uma pequena quantidade de tecido glandular que separa o processo condilar da mandíbula da porção timpânica dos ossos temporais7, a qual é denominada lobo articular32. Na pesquisa realizada, onze pacientes que apresentavam o forame de Huschke queixavam-se de otorréia, sendo esta ipsilateral à sua localização. A literatura consultada18, 32, 40 descreve uma série de casos clínicos onde os pacientes apresentavam um quadro de otorréia que se intensificava durante a mastigação. Foram atribuídos a uma fístula salivar espontânea que pode instalar-se no meato acústico externo através de uma falha no fechamento do forame de Huschke. Outros autores27 ao descreverem o mesmo quadro clínico em uma paciente assistida por eles, não mencionaram o forame de Huschke como uma potencial rota para o fluxo salivar atingir o meato acústico externo. Weissman e cols.42 afirmaram que a obstrução física da tuba auditiva também pode ocorrer devido a invaginação de um tecido mole da articulação temporomandibular para a orelha média, originando um quadro de otite média crônica e/ou otite média crônica colesteatomatosa. Neste estudo, 14 pacientes identificados com o forame de Huschke apresentavam um diagnóstico clínico de otite média crônica e/ou otite média crônica colesteatomatosa. Hadlock e cols.15, ao descreverem um quadro de mastoidite aguda com efusão da articulação temporomandibular, afirmaram que não havendo fatores congênitos ou história de trauma na região, a alteração poderia ser justificada pela ausência natural de barreiras anatômicas que não estariam plenamente formadas na paciente jovem ou ainda em fatores anatômicos, como por exemplo o forame de Huschke, que propiciaria a rota pelo qual o microrganismo atingiu a articulação temporomandibular, sem no entanto afirmar o que definitivamente ocorrera no caso clínico descrito por eles. Ao descrever um caso de artrite séptica da articulação temporomandibular por complicação de uma otite externa, Thomson38 afirmou que apesar de não ter sido detectada na radiografia comum, o ocorrido somente foi possível devido a alguma falha óssea no soalho do meato acústico externo, que, segundo o autor, propiciou a infecção bacteriana. No entanto, não citou o uso de qualquer outro tipo de estudo por imagem que pudesse identificá-la. Marasa e Ham24, ao chamarem a atenção para a alta incidência de otite média crônica com efusão em crianças, afirmaram, baseado na literatura pertinente ao assunto, que até o advento dos antibióticos estes pacientes invariavelmente evoluíam para um quadro de anquilose da articulação temporomandibular. Os autores não citaram o forame de Huschke como uma possível variante anátomoóssea que poderia ter propiciado a passagem de infiltrado inflamatório para a articulação temporomandibular, notadamente sabendo-se que o forame de Huschke está presente em todas as crianças até o quinto ano de vida, no entanto, citaram a fissura petrotimpânica como sendo o caminho pelo qual a infecção atingiu a articulação temporomandibular. Em um quadro de anquilose da articulação temporomandibular que acometeu uma criança de um ano e três meses e foi descrito por Faerber e cols.12, estes afirmaram que o quadro foi viabilizado por alguma condição anatômica presente naquela menina que favoreceu ao microorganismo presente no processo infeccioso da mastóide atingir a articulação temporomandibular. Para tanto citaram um autor (Moffett B., 1986) que afirmou que a placa timpânica não está plenamente formada até o quinto ano de vida, sendo freqüentemente observada uma perfuração central no soalho da placa timpânica, resultado de uma incompleta ossificação. Em momento algum afirmaram ser o forame de Huschke a variante anatômica que propiciou tal condição, no entanto, há relatos onde uma paciente apresentava-se com limitação de abertura bucal após um quadro recorrente de otite média e que poderia estar associado tanto à presença do forame de Huschke como à fissura petrotimpânica. Os autores Hadlock e cols.15 salientaram que na infância as barreiras ósseas que normalmente impedem a disseminação de infecções, podem não estar completamente desenvolvidas ou apresentarem-se falhas, como por exemplo a fissura petrotimpânica e o forame de Huschke. Estes estão intimamente relacionados com a articulação temporomandibular. Além do mais, nessa faixa etária a tuba auditiva não está plenamente funcional. Portanto não devem ser descartadas as investigações de condições anatômicas que possam ser complicadoras em pacientes com otite média e/ou otite externa aguda, notadamente quando há a recorrência do quadro. Ao examinar o prontuário clínico dos pacientes desta pesquisa que se apresentavam com o forame de Huschke, chamou a atenção o número expressivo destes com quadros otológicos de repetição (28 em 30 pacientes). Weissman e cols.42, chamaram a atenção para quadros agudos da orelha com secreção que ao serem avaliados tomograficamente apresentavam-se com a mastóide bem pneumatizada. Para estas alterações a atenção do profissional deve ser dirigida para a base craniana (presença tumoral), para a nasofaringe e para a tuba auditiva. Esta última pode estar fisicamente ou funcionalmente obstruída ao longo de sua extensão, desde a região do mesotímpano até o orifício localizado na nasofaringe, comprometendo a drenagem e a equalização da pressão na orelha média. Esta condição resulta em uma pressão negativa promovendo uma proliferação epitelial desordenada com formação de mais exudato e secreção do tipo serosa. Para os autores, a obstrução funcional se dá através de parafunções musculares, já a obstrução física pode se dar através de lesões tumorais que se desenvolvem através de alguma deiscência óssea na região ântero-inferior da placa timpânica, propiciando a formação de uma hérnia da articulação temporomandibular para a orelha média e/ou meato acústico externo, interferindo no mecanismo de drenagem da tuba auditiva. Para os autores Yetiser e Tosun40, as lesões tumorais do tipo carcinoma mucoepidermóde, adenoma cístico, adenocarcinoma e mixoma, fazem diagnóstico diferencial com casos de massa tumoral e/ou prolapso tecidual entre a orelha e a articulação temporomandibular, via forame de Huschke. Selesnick e cols.31 também destacaram que o clínico deve estar atento ao prolapso de estruturas da articulação temporomandibular para o meato acústico externo, que pode ser prematuramente diagnosticado como uma exostose do meato acústico externo ou estar relacionado tanto a fatores traumáticos, neoplásicos, infecciosos quanto à presença do forame de Huschke34. Exatamente o que ocorreu com o caso descrito pelos autores Cecire e cols.9. Estes, ao examinarem a paciente por meio do otoscópio, encontraram uma massa avermelhada e polipóide que foi completamente removida, sendo que o exame histológico realizado mostrou ser totalmente composta por tecido de granulação. Após a recorrência do quadro a ponto de a lesão evoluir quase obstruindo o meato acústico externo, pôde-se constatar tratar-se de uma lesão do tipo sinovioma que ao evoluir atingiu a orelha através do forame de Huschke. Panda e cols.27 e Weissman e cols.42 descreveram casos clínicos de otorréia persistente onde as pacientes, ao se submeterem às terapias inicialmente propostas sem resultados satisfatórios e com recorrência do mal que as acometia, se recusaram a se submeterem a terapias mais invasivas, não mais comparecendo para dar continuidade ao tratamento proposto. Porém, Sharma e Dawkins31, ao preconizarem o tratamento cirúrgico para os casos de otorréia envolvendo o forame de Huschke, realizaram com sucesso o seu fechamento com uma pequena porção de cartilagem meatal. Já Anand e cols.2 implantaram também com sucesso, uma porção de polypropylene (Medpore) na região do forame de Huschke, fixando-a através de uma miniplaca de titânio. Schwartz e Sedhom35 realizaram um enxerto em um defeito ósseo na região da parede anterior do meato acústico externo, o que levou à remissão total dos sintomas relatados pelo paciente. No entanto não especificaram que tipo de enxerto foi utilizado no local. Yetiser e Tosun40 também enfatizaram que em alguns casos, a presença do forame de Huschke pode necessitar de intervenção reparadora, pois o diminuto tecido epitelial que o recobre poderá se romper em um processo infeccioso presente tanto no lobo articular da parótida como na orelha, com conseqüente significado clínico. Devido à presença do forame de Huschke, Selesnick e cols.30 e Anand e cols.2 descreveram situações clínicas onde ocorreram um prolapso do tecido retrodiscal da articulação temporomandibular para a orelha externa. Os últimos autores citados também enumeraram que sua paciente queixava-se de perda progressiva da audição. O mesmo quadro citado por Hawke e cols.16. A diminuição da audição foi queixa de um paciente com presença do forame de Huschke que apresentava uma fístula salivar espontânea, segundo Ali e Rubinstein1. Um dos pacientes avaliados neste estudo queixava-se com freqüência de disacusia. O forame de Huschke não foi mencionado como uma potencial rota através da qual o fluxo salivar alcançou o meato acústico externo, justificando o mal que acometia a paciente no caso clínico descrito por Panda e cols.27. Ainda Janke e Rivron21, ao reportarem um quadro de otorréia onde a paciente ao ser examinada por meio do exame de otoscopia, apesar de ser observada a presença de uma membrana timpânica intacta, havia edema do epitélio que reveste o meato acústico externo da orelha direita, condição típica de uma otite externa. Após antibioticoteria tópica e dois anos de acompanhamento e recorrências, na décima primeira consulta foi identificada no exame de tomografia computadorizada uma deiscência óssea entre a articulação temporomandibular e o meato acústico externo, mais precisamente na região da fissura petrotimpânica, sem contudo afirmarem ser esta deiscência o forame de Huschke. Quadros semelhantes foram descritos por Sharma e Dawkins32, Hawke e cols.17, Cecire e cols.9. Todos atribuídos à presença do forame de Huschke. 6 - CONCLUSÕES Com base na revisão de 200 exames de tomografia computadorizada da mastóide de pacientes adultos do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, foi possível afirmar que: 1) o forame de Huschke foi identificado em 30 (15%) pacientes; 2) foi observada uma maior prevalência unilateral do forame; 3) não foi possível afirmar estatisticamente que houve uma influência do gênero do paciente na presença do forame ; 4) todas as alterações otológicas que acometiam os pacientes foram ipsilaterais à presença do forame; 5) o quadro clínico mais presente foi otorréia (12 em 30 pacientes); 6) o exame tomográfico mostrou ser bastante eficaz para se identificar o forame de Huschke. 7 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 Ali TS, Rubinstein JT. Rheumatoid arthrits of the temporomandibular joint with herniation into the external auditory canal. Ann Otol Rhinol Laryngol 2000; 109: 177-179. 2 Anand VT, Latif MA, Smith WP. 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Figueiredo OMCC - OE Erosão 70 F Salvina M. Souza 40447 2 40149 6 40913 8 19343 5 41178 6 37973 9 41025 7 33173 1 40913 2 40249 5 11771 1 40298 6 33624 Mastoidite OD 53 Karina Ma Nascimento Luciana Oliveira Silva Marcos P. da Silva Cerúm 19 M Vitor Silva Paiva Hipoacusia + vertigem OE OMC - OD Erosão 66 F Denacyr Bitencourt Perda da audição OE Calcific 66 F Maria H. Carvalho Hipoacusia bil. Norma 16 M Wellington Sales OMCC fética Tecido 40 M OMCC bilateral + OE Mast. O 42 M Djalma de Fátima Silva Elson J. Costa OMCC OE Mast. O 41401 2 28464 0 25096 7 39983 3 38593 6 25126 3 01/10/0 2 02/10/0 2 03/10/0 2 09/10/0 2 08/10/0 2 11/10/0 2 23/10/0 2 23/10/0 2 30/10/0 2 02/10/0 2 13/01/0 3 24/09/0 2 01/11/0 2 04/11/0 2 07/11/0 2 14/11/0 2 19/11/0 2 28/11/0 2 28/11/0 1 Mast. O 02 0 02 1 02 2 02 3 02 4 02 5 02 6 02 7 02 8 02 9 03 0 52 F Francisca Jesus 53 F 19 M Arina Vicente Oliveira Marçon C. Silva 44 F Areani Cavalcanti 38 F Juracy Magalhães 67 M Brasilino Ferreira 53 F Maria H. Carvalho 25 M 73 M Marcio Costa Brandão Antonio C. Silva 30 F Ana CleideSantos 18 M Alex Souza Rezende 39774 7 10284 3 39244 2 67339 39965 2 37550 8 25096 7 37216 3 36163 2 41573 4 41262 6 03/12/0 2 04/12/0 2 18/12/0 2 17/06/0 2 11/12/0 2 12/02/0 2 16/12/0 2 18/12/0 2 18/12/0 2 20/12/0 2 06/01/0 3 Hipoacusia OD Norma Perda audição OD Norma OMC - OD Tecido Perda audição Sinuso Hipoacusia unilateral Norma Perda da audição OE Norma Hipoacusia e tontura Norma Hipoacusia bilateral Norma OMC - OD Mastói Edema Mastóide Mastói Otorréia fética OE Velame Legenda: OA: otite aguda, OC: otite crônica, OMC: otite média crônica, OMCC: otite média crônica colesteatomatosa, OE/OD: orelha esquerda/direita, A: ausente ANEXO – Relação dos pacientes da amostra. Continuação. No Idad Se Nome e x 31 21 M Helielson Souza 32 54 M 33 39 F 34 24 M Ulises Boyd 35 39 M Silas Nais Qilen 36 34 M Marcelo M. Silveira 37 49 M Sebastião Justino 38 18 F Fernanda Maciel 39 56 F Jurema M. Odilei 40 62 M José Conti 41 18 M Renato Cruz 42 54 F 43 94 M Dirceu Dutra Neves 44 75 F Jacirene Diniz 45 39 F Regina M. Santos 46 49 F Marlene Viana 47 28 F Marinel Santiago 48 43 M Luiz C. Nascimento 49 19 M Armando Silva 50 45 M Oziel do Valle João Viana Azevedo Madalena Moraes Lucia Silva Santos Pront. Data Hip. Diagnóstica Diag. R 41089 8 41097 1 37056 6 36667 7 40869 8 11692 6 40739 0 35874 5 33561 5 23763 6 18793 5 40454 6 36184 7 37285 4 27800 7 40298 6 38731 6 44026 6 40309 4 38605 Hipoacusia OD Norma Zumbido OE + lipotímia Norma OMC OD + sinusite Mastói OMC OE + sinusite Mastói Zumbido OE + hipoacusia Otite OD Norma Mastói OMC OE Mastói Otorréia OD Mastói OMCC + partes moles Mastói Paralisia facial Norma Surdez bilateral Norma Perda da audição OE Norma OE Partes Hipoacusia Norma OMC OD Mastói Otorréia OE Partes Otorréia crônica OD Norma Surdez Norma Otite média supurada Mastói OMCC Mastói 07/02/0 3 13/12/0 2 24/04/0 2 26/09/0 2 27/09/0 2 30/09/0 2 10/10/0 2 10/10/0 2 13/10/0 2 15/10/0 2 12/08/0 2 31/10/0 2 23/10/0 2 03/09/0 2 30/09/0 2 30/10/0 2 23/09/0 2 25/09/0 2 25/09/0 2 07/10/0 51 24 F Mônica M. Silva 52 30 M Marcelo Alves 53 28 F 54 19 M Reinaldo S. Dias 55 63 F 56 50 M Jorge Chantire 57 50 M Silvio L. Silva 58 58 F 59 48 M José Hélio Pires 60 54 F Claudia Batista Maria Cecília Maria P. Silva Nadir barbosa 9 36525 1 41405 6 41301 7 16849 1 01893 8 19526 5 02033 6 32341 4 40747 3 39236 6 2 09/10/0 2 08/01/0 3 13/10/0 2 21/10/0 2 16/09/0 2 29/08/0 2 05/09/0 2 16/09/0 2 28/08/0 2 29/08/0 2 OMCC OE Mastói OMCC OD Mastói OMCC OE Mastói OMCC Mastói Hipoacusia OD Norma Otorréia bilateral Norma OMCC OE Mastói Tontura Norma Hipoacusia bilateral Mastói Perda auditiva OE Forma Legenda: OA: otite aguda, OC: otite crônica, OMC: otite média crônica, OMCC: otite média crônica colesteatomatosa, OE/OD: orelha esquerda/direita, A: ausente ANEXO – Relação dos pacientes da amostra. Continuação. No Idad Se Nome e x 61 43 M Marcos Angelo 62 75 F 63 18 M Vitor Nascimento 64 40 F 65 19 M Paula Pontes Silva 66 43 F 67 18 M Vitor Fabrício 68 52 F Maria S. Pimenta 69 28 F 70 48 F Cristiane L. Cantuário Ana Maria Guedes 71 70 F Lydia A. Quadroa 72 18 M Alex Rezende 73 62 F 74 19 M Diogo Oliveira 75 42 F 76 29 M Fabrício Reis Tomé 77 19 F Maria A. Faustino 78 30 F Maristela Lima 79 23 M Thiago F. Silva 80 71 F Jacirene Diniz Rosinéia Neves Maria Tibúrcio Ana E. Vieira Heloísa E. B. Silva Edmeia A. Tavares Pront. Data Hip. Diagnóstica Diag. R 39946 7 37285 4 41652 3 31887 7 41226 OMCC OD Mastói Hipoacusia Norma Hipoacusia Norma OMCC OD Mastói Hipoacusia Norma Tontura Norma OMCC OE Mastói hipoacusia Norma Otorréia crônica OD Expess Hipoacusia Norma Hipoacusia Norma OMCC OE Mastói OMCC OD OMCC OE Mastói timp. Mastói cav. tim Mastói cav. tim Mastói Otorréia OE Norma Otorréia crônica OD Norma OMCC OE Toxoplasmose OMC OD Mastói 38324 7 40584 1 40759 2 41432 2 37214 3 39777 4 41262 6 28272 8 41269 0 40760 6 14089 9 41672 6 41218 3 34667 9 39976 29/08/0 2 03/09/0 2 09/09/0 2 10/09/0 2 11/09/0 2 11/09/0 2 16/09/0 2 19/09/0 2 10/01/0 3 26/12/0 2 06/01/0 3 06/01/0 3 02/01/0 3 30/12/0 2 18/12/0 2 27/11/0 2 10/03/0 3 12/02/0 3 11/03/0 3 21/02/0 OMCC OE OMCC OD Otopet 81 50 F Maria C. Duarte 82 60 M Jair da Silva 83 44 F Maria F. Sena 84 69 F Helena C. Freire 85 25 F Daniele B. Freitas 86 43 F Elaine Oliveira 87 22 F Graciele Santos 88 32 M Rafael D. Silva 89 23 M Danilo C. Junior 90 44 F Maria C. Pereira 4 18727 3 41450 1 37203 9 32598 4 41503 4 33531 1 37221 6 36645 7 40992 5 29813 6 3 10/02/0 3 10/01/0 3 20/02/0 3 06/12/0 3 13/02/0 3 10/01/0 3 04/02/0 3 17/01/0 2 07/02/0 3 08/05/0 3 OMCC OE Mastói OMCC OE OC OD Mastói cav. tim Mastói cav. tim Norma Disacusia OE Espess OMC bilateral Tecido Bilatera Mastói OMCC OE OMCC OE OMCC bilateral Perda de audição OE Otorréia crônica Legenda: OA: otite aguda, OC: otite crônica, OMC: otite média crônica, OMCC: otite média crônica colesteatomatosa, OE/OD: orelha esquerda/direita, A: ausente Mastói timp Norma Mast. E OE ANEXO – Relação dos pacientes da amostra. Continuação. No Idad Se Nome e x 91 23 M Maurício S. Silva 92 42 M 93 29 F 94 64 F 95 67 M 96 47 F 97 26 M 98 42 M 99 20 M 10 0 10 1 10 2 10 3 10 4 10 5 10 6 10 7 10 8 10 9 11 50 M 56 F 32 M 54 F 37 M 58 F 42 M 61 M 33 F 74 F 61 F Pront. Data 41936 0 Robson F. Luz 20612 0 Marion |Cordeiro 36307 8 Maria C. Lourenço 38903 2 Benigno Machado 00223 8 Maria J. Conceição 39242 4 Renato dosa Santos 41322 4 Luis C. S. Gomes 38170 1 Wellen Alves 46226 1 Luiz E. Santos 42097 5 Conceição M. M. B. 13236 1 Kleiton M. P. M. 42362 0 Nair B. V. Oliveira 39236 6 Carlos Cruz e 38235 Souza 7 Helena Oliveira 35876 Costa 3 Fco C. Nascimento 34038 6 A. H. Carvalho 30956 4 Gleide Gonçalves 31343 0 Anastácia P. Matos 25330 2 Luciana Cavalcante 37013 Hip. Diagnóstica Diag. R 04/07/0 3 15/07/0 3 04/08/0 3 06/08/0 3 29/08/0 3 29/08/0 3 29/08/0 3 03/10/0 3 250803 Tecido mole OD OMCC OMCC OE OMCC OE Tecido Ebúrne Mast. O Otoesclerose OE Partes Perda da audição OE Norma OMC OD Norma OMCC OE Mast. E OMCC OE Velame Hipoacusia Norma 02/07/0 3 21/01/0 4 16/10/0 3 10/02/0 3 28/11/0 3 08/09/0 3 12/09/0 3 12/06/0 3 11/02/0 3 20/05/0 3 29/10/0 Mastoidite OE Hipopn Tonteira, Vertigem, Zumbido Surdez Profunda Norma Perda da audição OD Schwa Paralisia Facial região OE Otite crônica OE Norma OMC OE Mast. E Perda da audição OD Norma OMC Tecido Zumbido OD Mastói Surdez Norma Norma OMCC 0 11 1 11 2 11 3 11 4 11 5 11 6 11 7 11 8 11 9 12 0 35 F Jacqueline Buiana 35 M Osmar Moraes 18 F Nilda da Silva 73 F Luzia S. Oliveira 47 M Ademir Reis 25 F Priscila G. R. Silva 44 F Bianca C. Caetano 21 F Cristiane G. Souza 59 M Luis R. Valencia 72 F Graciema Marinho 6 41302 1 41147 4 35999 2 40595 7 41644 2 34459 9 40123 1 36237 8 40269 7 00564 4 3 22/05/0 3 25/09/0 3 08/04/0 3 2905/03 29/10/0 3 18/12/0 3 15/01/0 4 18/12/0 3 01/11/0 3 13/02/0 3 Fístula labiríntica OD Proces Zumbido OD Norma Perda da audição OE Norma Otoesclerose Norma OMC longa data + OD Norma OMCC OD Pa Mastoidite Mast. e OMC Mast. e Vertigem Mast. e OMC OD Otoma Legenda: OA: otite aguda, OC: otite crônica, OMC: otite média crônica, OMCC: otite média crônica colesteatomatosa, OE/OD: orelha esquerda/direita, A: ausente ANEXO – Relação dos pacientes da amostra. Continuação. No 12 1 12 2 12 3 12 4 12 5 12 6 12 7 12 8 12 9 13 0 13 1 13 2 13 3 13 4 13 5 13 6 13 7 13 8 13 9 14 Idad Se Nome e x 20 M Fabio A. Abide 53 F 47 F 71 F 31 M 44 M 45 F 21 F 53 F 45 F 57 F 64 F 39 M 66 M 39 F 23 F 42 M 23 M 28 F 34 F Pront. Data 37899 1 Ana C. P. Silva 02845 1 Maria F. S. 37203 9 Edmea A. Tavares 39976 4 Ivan A. Silva 30640 3 Jose F. Almeida 41528 9 Kátia Santos 42662 3 Mariana P. S. Alves 43067 9 Jaqueline S. Silva 41935 9 Shirley Monteiro 27288 8 Margarida Nogueira 21739 0 Cleusa de Souza 37356 1 Marcelo P. da Silva 38233 2 Sebastião Lemos 09855 7 Martha C. Teixeira 31304 9 Angelica Gomes 41675 8 Aguinaldo de Moura 41737 0 Cosme S. Neves 42876 7 Renata C. 20716 Rodrigues 5 Fabíola Araújo 39342 17/02/0 3 17/02/0 3 20/02/0 3 21/02/0 3 27/02/0 3 28/02/0 3 02/03/0 4 31/03/0 4 05/04/0 4 07/04/0 4 08/04/0 4 16/04/0 4 20/04/0 4 05/05/0 4 17/05/0 4 17/05/0 4 19/05/0 4 20/05/0 4 25/08/0 4 25/05/0 Hip. Diagnóstica Diag. R Hipoacusia Norma Otite Secretora Norma OMCC OD Mast. e OMC OD Mastoi OMCC OE Mast. e Hipopacusia bil. Norma OMCC OE Mast. e OMA Mast. e Otorréia Tec. pa OMC OE Tec. pa Hipoacusia bil. Tec. pa Hipoacusia bil. Tec. pa OMCC OE Norma OMC OE Tec. pa Hipoacusia bil Mast. e Mastoidite OD Norma Mastoidite OD Norma Otorréia OD Mast. e OMCC recidivante Mast. e Zumbido OD Norma 0 14 1 14 2 14 3 14 4 14 5 14 6 14 7 14 8 14 9 15 0 57 F 63 Maria do Carmo Melo M Pascoal B. Moreira 40 M Antonio J. Aragoso 66 M Altamiro da Silva 39 F Darcilene Ramos 40 F Maristela S. Lima 67 F Macrina P. Silva 31 M Gilvanildo P. Souza 25 M Jéferson B. Amaral 63 M José da Silva 0 33847 4 31025 1 43065 8 42988 4 34261 8 41218 3 02845 1 40457 9 40537 6 40377 5 4 27/05/0 4 02/06/0 4 10/06/0 4 14/06/0 4 09/07/0 3 06/02/0 3 17/02/0 3 13/02/0 3 12/06/0 3 16/06/0 4 OMCC bil. Mast. E OMC OD Norma Hipoacusia bil. Vel. Ma Hipoacusia Norma OMCC Norma Otorréia crônica OD Norma OMCC Norma OMCC OD Mast. p Mastoidite Mast. e Vertigem Norma Legenda: OA: otite aguda, OC: otite crônica, OMC: otite média crônica, OMCC: otite média crônica colesteatomatosa, OE/OD: orelha esquerda/direita, A: ausente ANEXO – Relação dos pacientes da amostra. Continuação. No 15 1 15 2 15 3 15 4 15 5 15 6 15 7 15 8 15 9 16 0 16 1 16 2 16 3 16 4 16 5 16 6 16 7 16 8 16 9 17 Idad Se Nome e x 55 49 61 55 61 36 35 51 63 49 53 72 65 25 56 26 58 34 46 29 Pront. Data M Mario Jorge Silveira 43330 2 F Fabíola Pimentel 39342 0 M Paulo A. Gonçalves 12930 3 F Maria Z. Santos 35077 3 F Railda Costa 47472 0 F Terezinha de Jesus 36592 6 F Lucy S. Braga 33834 3 F Laurita V. Paulino 48725 7 M Ângelo T. Sales 39766 0 M Criveraldo Moreira 40524 7 F Maria H. 39881 Nascimento 9 F Maria Frca Silva 10098 1 F Maria Julia Bertoga 07268 1 F Alessandra C. Silva 32479 2 F Izabel R. Souza 47914 0 M Jose Mª T. Araújo 43738 8 F Enes C. Silva Vic 43845 0 F Maria S de Lima 04618 9 M Carlos Roberto do 14244 Nasc. 6 M Eliel L da Silva 29819 16/06/0 4 26/07/0 4 30/07/0 4 04/08/0 4 28/08/0 4 15/09/0 4 24/09/0 4 04/10/0 4 08/01/0 2 08/01/0 2 30/01/0 2 01/02/0 2 11/03/0 2 14/03/0 2 30/11/0 4 30/1104 29/11/0 4 29/11/0 4 29/11/0 4 26/11/0 Hip. Diagnóstica Diag. R Mastoidite OD Tec. pa OMCC Norma Otorréia OD Norma OMCC OE Mast. e Vertigem Norma OMCC Norma OMCC OE Mast. P OMC OE + Otorréia Norma OMCC OE Mast. e OMCC OD Norma Hipoacusia Norma Otalgia Mast. e OMCC Norma Mastoidite Mast. e Mastoidite OD Mast. p OMCC OE Partes OMC bilateral Velame Zumbido OD Partes Otite crônica OE Mast. p Surdez Mast. e 0 17 1 17 2 17 3 17 4 17 5 17 6 17 7 17 8 17 9 18 0 31 58 29 57 54 37 24 65 43 29 4 Elizabeth R 06385 Medeiros 7 M Rodrigo do C Amori 43662 4 F Raimunda O Ramos 47783 2 M Sebastião J Virgilio 47997 5 F Gilcelia A Natario 43487 5 M Yuri P C Silva 48690 5 M Uberlando T da 12843 Silva 8 F Filomena M Oliveira 28704 2 M Jose Mª T Araujo 43738 8 F Neuza de J Ramos 14370 5 F 4 26/11/0 OMCC OE 4 24/1104 Perda da audição OD 23/11/0 4 19/11/0 4 17/11/0 4 10/11/0 4 09/11/0 4 05/11/0 4 05/11/0 4 04/11/0 4 OE Pa Velame Otorréia OD Norma Surdez Norma Tonteira, Vertigem, Zumbido OMCC OE Norma Otite crônica OE Mast. E Zumbido OD Mast. p OMC bilateral Velame Mastoidite Partes Mast. p Legenda: OA: otite aguda, OC: otite crônica, OMC: otite média crônica, OMCC: otite média crônica colesteatomatosa, OE/OD: orelha esquerda/direita, A: ausente ANEXO – Relação dos pacientes da amostra. Continuação. No 18 1 18 2 18 3 18 4 18 5 18 6 18 7 18 Idad Se Nome e x 52 Pront. Data 34 M Luiz F Siqueira de F 41095 6 M Ricardo P Igreja 10427 4 M Renato M. Ramos 28966 1 F Odete L. 07891 Nascimento 1 F Ana Paula Silva 28444 8 M Adilson C. Soares 41117 29 F 49 F 38 46 52 32 Ana Luiza P. Santos 44248 0 Lidiane C. Ferreira 48662 03/11/0 4 03/11/0 4 26/05/0 5 10/05/0 5 01/05/0 5 28/04/0 5 26/04/0 5 18/04/0 Hip. Diagnóstica Diag. R Colesteatoma Velame Hipoacusia Mast. E Surdez Mast. p OMC OE Norma OMCC OE OD Pa Hipoacusia Velame Otorréia OD Norma Mastoidite Mast. E 8 18 9 19 0 19 1 19 2 19 3 19 4 19 5 19 6 19 7 19 8 19 9 20 0 51 F 63 M 49 F 38 F 52 M 64 M 35 F 21 F 68 M 39 F 58 M 35 M 9 40553 7 Augusto Perrela 42990 0 Aline Ribeiro Maia 43211 5 Natercia R. Ferreira 01086 3 Adilson Gattas Bara 44012 9 Pitágoras dos 44031 Santos 2 Jucirene O Aguiar 38499 7 Luciana Silva 44112 Santos 4 Maylan ª Batista 48163 3 Maria M. de 44110 Almeida 8 Antoni F. Pereira 42482 4 Edson C. Ferreira 38777 5 Genifer D. Carmo 5 14/04/0 5 13/04/0 5 0704/05 04/04/0 5 29/03/0 5 23/03/0 5 22/03/0 5 17/03/0 5 16/03/0 5 11/03/0 5 11/02/0 5 03/02/0 5 Tonteira, Vertigem, Zumbido Mastoidite Partes Zumbido OD Norma Colesteatoma Mast. p Otite crônica OE Mast. E Hipoacusia Bil Norma Surdez Partes OMC bilateral Mast. E Mastoidite OE Mast. p OMCC OE Norma Colesteatoma Norma Mastoidite Norma Legenda: OA: otite aguda, OC: otite crônica, OMC: otite média crônica, OMCC: otite média crônica colesteatomatosa, OE/OD: orelha esquerda/direita, A: ausente OD Pa