UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE QUALIDADE DE VIDA NA TERCEIRA IDADE Por: Susel Helena de Paiva Silva Orientador Profª: Ana Paula Ribeiro Rio de Janeiro 2009 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE QUALIDADE DE VIDA NA TERCEIRA IDADE Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do Mestre – Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Administração em Saúde. Por: Susel Helena de Paiva Silva 3 AGRADECIMENTOS Agradeço a minha família pelo incentivo, carinho e companheirismo em mais esta realização. 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aos meus pais, meus queridos velhinhos que tanto me ensinaram e que, embora ausentes, estarão sempre presentes em toda a minha trajetória. 5 RESUMO O envelhecimento da população traz consigo preocupações e desafios, principalmente, na área da saúde, onde são necessárias e urgentes estratégias governamentais e societárias, que visem a promoção da saúde e prevenção de doenças ou agravos, tanto nas instituições públicas quanto no segmento da saúde suplementar. O idoso precisa ser visto, aceito e integrado como cidadão participante em toda a dimensão da sociedade. O envelhecimento ativo abrange premissas que objetivam promover a saúde, a participação e a segurança dessa população, através de ações que vislumbrem um envelhecer livre de incapacidades, com bem-estar e qualidade de vida. Palavras-chave: envelhecimento da população; promoção da saúde e prevenção de doenças; instituições envelhecimento ativo; qualidade de vida. públicas e saúde suplementar; 6 METODOLOGIA A metodologia utilizada para realização desta monografia foi através de pesquisas em livros, revistas, entrevistas, artigos e sites eletrônicos que se reportassem ao tema central: “Qualidade de Vida na Terceira Idade”. Foram consultadas diversas Legislações, principalmente às provenientes do Ministério da Saúde, em particular às referentes ao Sistema Único de Saúde – SUS e a Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, bem como a Constituição Brasileira e o Estatuto do Idoso. Para embasamento dos dados e gráficos em relação ao perfil demográfico da população idosa, foram colhidas informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Foram pesquisados argumentos de autoridades científicas, utilizados nas citações, objetivando confirmar as informações que se pretende traduzir no presente trabalho. Cada Capítulo foi elaborado, buscando-se caracterizar a noção de princípio/meio/fim e mantendo-se a interligação entre os três capítulos. Após a revisão final dos capítulos, procedeu-se à Introdução, especificando sucintamente a temática de cada capítulo. Na Conclusão, pretende-se apresentar uma discussão acerca dos assuntos abordados. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO l - Envelhecimento e Saúde 10 CAPÍTULO II – Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças 22 CAPÍTULO III – Envelhecimento Ativo : Uma Política de Saúde 35 CONCLUSÃO 52 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 56 ÍNDICE 62 FOLHA DE AVALIAÇÃO 64 8 INTRODUÇÃO O crescente envelhecimento da população é um fenômeno universal, tornando-se um grande desafio para governantes e sociedade em geral. O problema levantado neste estudo é: “que ações estão sendo implementadas para que essa população envelheça com qualidade de vida?”. Justifica-se tal preocupação face ao aumento da expectativa de vida da população no Brasil, sendo necessárias estratégias, através de programas de promoção da saúde e prevenção de riscos de doenças ou agravos, que visem não apenas viver mais, mas viver com qualidade. O objetivo geral é apresentar programas desenvolvidos pelo Ministério da Saúde, através do SUS e ações da ANS orientando as operadoras de Planos de Saúde a investirem nessa atividade e também demonstrar a importância da prevenção de doenças e promoção da saúde e seus resultados positivos em todos os segmentos da sociedade, especificamente na terceira idade, objetivando um envelhecimento ativo. A hipótese de solução ao problema apresentado é a visão da necessidade urgente de efetivação de projetos capazes de proporcionar ao idoso a possibilidade de uma vida com qualidade e dignidade, direitos estes já investidos pela Constituição Brasileira, pelo Estatuto do Idoso e demais regulamentações sobre o tema. No primeiro capítulo, busca-se demonstrar as origens e processos de transição demográfica no Brasil, seu impacto numa sociedade onde a conceituação da terceira idade é complexa, não havendo, ainda, a real conscientização e valorização dessa população, especialmente na questão saúde. Demonstram-se, segundo o Ministério da Saúde, as principais doenças e fatores de risco que acometem os idosos. 9 No segundo capítulo, enfatiza-se a importância da Promoção da Saúde e Prevenção de doenças em todas as idades, prioritariamente na velhice, quando, pela própria natureza, as doenças se manifestam com maior frequência e gravidade. São citadas as principais legislações brasileiras que estabelecem diretrizes para aplicação de programas no contexto saúde/doença, bem como àquelas que amparam seus direitos como cidadãos. Identifica-se o papel do Sistema Único de Saúde – SUS no cumprimento de Leis específicas e a necessidade de implantação eficaz de programas para esses fins. É apresentada a atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, em relação à proposta de qualificação da atenção à saúde suplementar através do desenvolvimento de programas de Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos e Doenças pelas operadoras de planos de saúde, visando proteção, recuperação e reabilitação da saúde dos seus beneficiários. No terceiro capítulo, enfoca-se a conceituação e metas da Organização Mundial de Saúde acerca do Envelhecimento Ativo, preconizando fatores determinantes que propiciem ao idoso uma nova forma de aceitar e se adequar a essa etapa da vida, com o apoio de políticas e programas necessários, assim como da família e da sociedade em geral e destacam-se atitudes importantes e essenciais para o alcance do objetivo maior que é envelhecer com qualidade de vida e cidadania. 10 I – ENVELHECIMENTO E SAÚDE 1.1 – Envelhecimento da população O processo de envelhecimento populacional constitui-se num dos maiores desafios para a saúde pública contemporânea, principalmente nos países aonde esse fenômeno vem ocorrendo em situações de pobreza e grande desigualdade social. O envelhecimento da população mundial, que teve início nos países desenvolvidos, vem assumindo nos países subdesenvolvidos uma velocidade bem mais acentuada. Segundo Berquó (1996) deve-se lembrar que nosso país é marcado por grandes desigualdades – sejam elas sociais, territoriais e econômicas – e, desta forma, o processo de envelhecimento apresenta especificidades variadas, reforçando as desigualdades, no que diz respeito à qualidade de vida e ao bem-estar nas diferentes classes da população. Pode-se afirmar que no Brasil são encontrados vários modos de se envelhecer, de acordo com a condição socioeconômica, sexo, acesso à informação e à educação, cultura e até mesmo pela região onde se reside. Quando se analisa o perfil de cada região, destacam-se as desigualdades, que podem ser observadas, por exemplo, nos idosos das Regiões Norte e Nordeste, que, marcados pela pobreza, apresentam uma expectativa de vida inferior à Região Sudeste, de quase dez anos (Duchiade, 1995). Assim, no Brasil, de acordo com a situação e localização do indivíduo, o envelhecimento e o próprio estado de velhice tem uma repercussão e dita como esse sujeito vivencia essa etapa de sua vida. Em paralelo às modificações observadas na pirâmide populacional, doenças próprias do envelhecimento ganham maior expressão no conjunto da sociedade. Um dos resultados dessa dinâmica é uma demanda crescente por serviços de saúde. Aliás, este é um dos desafios atuais: escassez de recursos para uma demanda crescente. O idoso consome mais serviços de saúde, as internações hospitalares são mais frequentes e o tempo de ocupação do leito é maior quando comparado a outras faixas etárias. Em geral, as doenças dos 11 idosos são crônicas e múltiplas, perduram por vários anos e exigem acompanhamento constante, cuidados permanentes, medicação contínua e exames periódicos. Necessário se faz encontrar os meios para: incorporar os idosos em nossa sociedade, mudar conceitos já enraizados e utilizar novas tecnologias, com inovação e sabedoria, a fim de alcançar de forma justa e democrática a equidade na distribuição dos serviços e facilidades para o grupo populacional que mais cresce no país. “Quando quis tirar a máscara, estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, já tinha envelhecido” (Tabacaria, ALVARO DE CAMPOS/FERNANDO PESSOA, 1928). 1.2 – Perfil demográfico da população idosa no Brasil No Brasil, nos últimos 30 anos, a pirâmide etária vem apresentando crescente participação da população idosa, levando a um alargamento de seu ápice, que tende à retangularização. Do ponto de vista demográfico, existe superposição de uma população jovem de dimensão relevante, com uma população envelhecida também expressiva (Moreira, 2001; Veras, 2002). Conforme Duchiade (1995) o processo de transição demográfica se inicia entre os anos de 1940, quando há introdução de novas tecnologias, como vacinas, antibióticos e medicamentos, além da expansão do saneamento básico. Desta forma, até 1980, a mortalidade havia caído para menos da metade do que se observava nos anos 40 - 24,94 por mil, alcançando níveis inferiores a 9 por mil. Para Palma (2000) e Barreto (1992) as origens da transição demográfica brasileira não se devem apenas ao avanço tecnológico, mas principalmente à redução na taxa de fecundidade. E de fato, em 1960, os níveis de fecundidade, que eram de 5,8 filhos por mulher, declinam para 2,5 filhos por mulher em 1996. De acordo com a Revisão 2008 (IBGE) que incorpora a trajetória recente e futura da fecundidade, com base nas informações provenientes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2002 a 2006, o nível limite se estabiliza em 1,5 filho por mulher (hipótese recomendada). 12 Conclui-se que a transformação da estrutura etária do país de uma composição jovem para envelhecida, reflete os efeitos da redução da taxa de fecundidade, iniciada em meados da década de 1960, e da queda da mortalidade. Em consequência, nosso país vem apresentando redução do grupo etário jovem, vivenciando com isso o que se denomina envelhecimento pela base. Estima-se que, por volta de 2025, o Brasil ultrapasse os 30 milhões de idosos (Berquó, 1996). Segundo o IBGE (2002) o crescimento da população de idosos, em números absolutos e relativos, é um fenômeno mundial e está ocorrendo em um nível sem precedentes. Em 1950, eram cerca de 204 milhões de idosos no mundo. Já em 1998, quase cinco décadas depois, esse contingente alcançava 579 milhões de pessoas; um crescimento de quase 8 milhões de pessoas idosas por ano. As projeções indicam que, em 2050, a população idosa será de 1.900 milhões de pessoas, montante equivalente à população infantil de 0 a 14 anos de idade. Outros aspectos importantes para explicar esse fenômeno são os seguintes: • Desde 1950, a esperança de vida ao nascer em todo o mundo aumentou 19 anos; • Hoje em dia, uma em cada dez pessoas tem 60 anos de idade ou mais; para 2050, estima-se que a relação será de um para cinco, para o mundo em seu conjunto, e de um para três para o mundo desenvolvido; • Segundo as projeções, o número de centenários – de 100 anos de idade ou mais – aumentará 15 vezes, de aproximadamente 145.000 pessoas em 1999, para 2,2 milhões em 2050; • Entre 1999 e 2050, o coeficiente entre a população ativa e inativa – isto é, o número de pessoas entre 15 e 64 anos de idade por pessoa de 65 ou mais – diminuirá em menos da metade, nas regiões desenvolvidas, e em uma fração ainda menor nas áreas menos desenvolvidas. 13 Gráfico 1 Projeção de crescimento da proporção da população de 60 anos ou mais de idade segundo o sexo - Brasil – 2000/2020 O envelhecimento da população torna-se fator preponderante para a saúde pública mundial. Verifica-se que este fato tem inicio em países desenvolvidos, porém é nos países em desenvolvimento que o envelhecimento da população vem ocorrendo de maneira mais galopante. No Brasil, o número de idosos (>=60 anos) passou de 3 milhões em 1960, para 7 milhões em 1975 e 14 milhões em 2002 (um aumento de 500% em quarenta anos) e estima-se que alcançará 32 milhões em 2020. Em países como a Bélgica, por exemplo, foram necessários cem anos para que a população idosa dobrasse de tamanho. Segundo o IBGE a diferença entre as taxas de mortalidade por gênero evidencia-se no número maior de mulheres na composição da população. No total da população do país, a parcela feminina supera a masculina em 5,3%, enquanto, entre os idosos, este percentual antige a 27,3%. Informa, ainda, que em 2008, para cada grupo de 100 crianças de 0 a 14 anos existem 24,7 idosos 14 de 65 anos ou mais. Em 2050, o quadro muda e para cada 100 crianças de 0 a 14 anos estima-se 172,7 idosos. Tabela 1 – Percentual da população brasileira por grupos de idade – 1990/2050 Conforme projeções do IBGE a vida média do brasileiro chega ao patamar de 81 anos em 2050. Os avanços da medicina e as melhorias nas condições gerais de vida da população repercutem no sentido de elevar a média de vida do brasileiro (expectativa de vida ao nascer) de 45,5 anos de idade, em 1940, para 72,7 anos, em 2008, ou seja, mais 27,2 anos de vida e o país continua galgando anos na vida média de sua população, alcançando em 2050 o patamar de 81,29 anos, basicamente o mesmo nível atual da Islândia (81,80), Hong Kong, China (82,20) e Japão (82,60). 15 Gráfico 2 – Brasil – Projeção População de 80 anos ou mais – 1980/2050 Fonte: IBGE – 2008 1.3 – Conceituação do Idoso “Velhice é quando se percebe que não existe no futuro nenhum evento proveitoso por que esperar, como indício de felicidade. Mas isso não será verdadeiro a vida inteira? Por isso, talvez, os jovens devessem aprender com os velhos que é preciso viver cada dia como se fosse o último” (ALVES, 2001, p.158). Nas últimas décadas tem-se presenciado maior preocupação de vários estudos sobre envelhecimento. Parte-se do pressuposto que conceituar envelhecimento é complexo, pois envolve vários fatores que interagem e para se discutir o envelhecimento há de se considerar, além do critério cronológico, as ocorrências de eventos biológicos em determinado período que podem trazer consequências em todas as demais dimensões da vida e saúde dos idosos. A Organização Mundial da Saúde – OMS – define a população idosa como aquela a partir dos 60 anos de idade. Esse limite é válido para os países 16 em desenvolvimento, mas admite-se um ponto de corte de 65 anos de idade para os paises desenvolvidos, pela tradição destes em utilizarem este índice há várias décadas. Assim, no Brasil são considerados idosos aqueles indivíduos que ultrapassam os 60 anos de idade, no entanto, é difícil caracterizar uma pessoa como idosa utilizando como único critério a idade. Além disso, nesse segmento conhecido como terceira idade estão incluídos indivíduos diferenciados entre si, tanto do ponto de vista socioeconômico como demográfico e epidemiológico, bem como as variantes por sexo, educação e renda costumam ser bastante expressivas. Do ponto de vista demográfico, envelhecer significa aumentar o número de anos vividos. Paralelamente à evolução cronológica, coexistem fenômenos de natureza biopsíquica e social, importantes para a percepção da idade e do envelhecimento. Nas sociedades ocidentais, é comum associar o envelhecimento com a saída da vida produtiva pela via da aposentadoria. “A velhice não é uma variável fixa, que podemos analisar antes e depois da modernização, mas uma realidade culturalmente construída, inclusive pelas disciplinas científicas que a tomaram como alvo” (GROISMAN, 1999, p.48). Partindo-se desta afirmação, convém acrescentar as idéias de Néri e Cachioni (1999) quando mencionam que o modo de envelhecer depende de como o curso de vida de cada pessoa, grupo etário e geração é estruturado pela influência constante e interativa de suas circunstâncias histórico-culturais, da incidência de diferentes patologias durante o processo de desenvolvimento e envelhecimento, de fatores genéticos e do ambiente ecológico. Morhy (1999) entende que a velhice pode ser conceituada como: O processo de acumular experiências e enriquecer a vida por meio de conhecimento e habilidades físicas. Muitos afirmam que a pessoa é considerada idosa a partir do momento em que encerra as suas atividades econômicas e/ou começa a depender de terceiros para o cumprimento de suas necessidades básicas ou tarefas rotineiras. 17 O conceito de capacidade funcional é particularmente útil no contexto do envelhecimento. Envelhecer mantendo todas as funções não significa problema quer para o indivíduo ou para a comunidade; quando as funções começam a deteriorar é que os problemas começam a surgir. Bolsanello (1986) enfatiza que a questão do envelhecimento está intimamente ligada com a coletividade, cujos conceitos estão relacionados com a experiência de vida e acrescenta que “o principal objetivo dos cuidados para com o idoso deve ser o de mantê-lo como parte integrante da sociedade”. Na velhice, a manutenção de autonomia está diretamente ligada à qualidade de vida. Portanto, uma forma de procurar qualificar a vida de um indivíduo é através do grau de autonomia com que ele desempenha as funções do dia-a-dia e que o fazem independente dentro de seu contexto socioeconômico e cultural. Diversos fatores conjugados estão contribuindo para que a sociedade perceba e se conscientize da necessidade de novas conceituações de idoso, adequadas às exigências dessa parcela cada vez mais numerosa da população, numa interpretação de que o envelhecer, mais que inevitável, pode ser uma fase da vida extremamente produtiva, em virtude da experiência e sabedoria adquiridas, podendo, ainda, representar uma etapa de maior flexibilidade, onde existe tempo para realizar atividades que antes não havia tempo. “Finalmente, podemos entender a velhice como um processo biológico natural, uma etapa da vida, baseada tanto no transcurso do tempo quanto nos efeitos que ele produz na pessoa. É uma etapa que possui certas limitações, da mesma forma que as demais etapas, mas traz compensações insubstituíveis para toda a sociedade, tais como serenidade, experiência, maturidade, perspectiva de vida pessoal e social” (MORAGAS, 1997, p.19). Envelhece-se todos os dias, durante toda a existência, porém, é imprescindível a oferta de oportunidades, pelos governantes e pela sociedade em geral, de uma vida digna para essa população, através de um novo conceito de velhice, levando-se em conta o idoso como sujeito existente, vivendo e atuando em seu tempo, em seu presente, estando no mundo, sendo 18 participante em sua comunidade e em sua vida, de forma saudável, autônoma, decidida e independente. Esta seria uma velhice bem-sucedida. 1.4 – Terceira Idade – Principais doenças e fatores de risco Segundo o Ministério da Saúde, as doenças mais comuns apresentadas por idosos são: • Doenças Cardiovasculares: Infarto, Angina, Insuficiência Cardíaca Fatores de risco: pouca atividade física (sedentarismo), fumo, diabetes, alta taxa de gordura no sangue (colesterol) e obesidade (gordura). • Derrames (Acidente Vascular Cerebral – AVC) Fatores de risco: Pressão alta (Hipertensão Arterial), fumo, sedentarismo, obesidade, colesterol elevado. • Câncer Fatores de risco: fumo, exposição ao sol, alimentação inadequada, obesidade, casos na família, alcoolismo. • Pneumonia Fatores de risco: gripe, enfizema e bronquite anteriores, alcoolismo e imobilização na cama. • Enfizema e Bronquite Crônica Fatores de risco: fumo, casos na família, poluição excessiva. • Infecção Urinária Fatores de risco: retenção urinária no homem e na mulher a incontinência urinária. • Diabetes Fatores de risco: obesidade, sedentarismo, casos na família • Osteoporose Fatores de risco: fumo, sedentarismo, dieta pobre em cálcio, nas mulheres o risco é sete vezes maior. 19 • Osteoartrose Fatores de risco: obesidade, traumatismo, casos na família. Uma coisa é aumentar o número de anos a serem vividos e outra, completamente diferente, é dar qualidade a esses anos. Recente pesquisa realizada pela Unicamp relata que, embora haja aumento da expectativa de vida, homens e mulheres vivem 50% desses anos com incapacidades importantes. Além das doenças mais comuns relacionadas, pode-se acrescentar outras, que acometem essa população: • Depressão – é considerada pela Organização Mundial de Saúde como a principal causa de incapacidade em países desenvolvidos. Nesta fase da vida é geralmente acompanhada de perdas, de outras doenças e de dificuldades e pode se apresentar de maneira atípica, sem a tradicional tristeza e, muitas vezes, a própria pessoa não se dá conta de que está deprimida. Queixas variadas como insônia, perda de memória e emagrecimento, devem alertar para uma avaliação mais aprofundada. A Depressão é uma doença psiquiátrica que mais comumente leva ao suicídio, sendo que os idosos formam o grupo etário que com mais frequência se suicida. • Demência – é uma síndrome clínica, caracterizada pelo comprometimento de múltiplas funções corticais superiores decorrente de doença ou disfunção cerebral, de natureza crônica e progressiva, na qual ocorre perturbação de múltiplas funções cognitivas, incluindo memória, atenção compreensão, e cálculo, aprendizado, linguagem e pensamento, julgamento, orientação, acompanhada, geralmente, de alterações psicológicas, do comportamento e da personalidade. Ø Doença de Alzheimer – a principal causa da demência – é uma doença cerebral totalmente degenerativa conhecida, com primária, aspectos de etiologia neuropatológicos não e neuroquímicos característicos. Fatores genéticos 20 são extremamente relevantes, pois além da idade, a existência de membro da família com demência é o único fator sistematicamente associado, presente em 32,9% de casos diagnosticados. Instala-se usualmente de modo insidioso e desenvolve-se lenta e continuamente por um período de vários anos. O início pode ser na meia-idade ou até mesmo mais cedo, mas a incidência é maior à medida que a idade avança (a partir dos 60-65 anos). • Doença de Parkinson – É uma das doenças neurológicas mais comuns e intrigantes nos dias atuais. É uma doença de distribuição universal e atinge todos os grupos étnicos e classes socioeconômicas, porém sua incidência e prevalência aumentam com a idade. Do ponto de vista patológico é uma doença degenerativa caracterizada por morte de neurônios, com manifestações clínicas que incluem tremor de repouso, bradicinesia, rigidez roda denteada e anormalidades posturais. É uma doença progressiva, que usualmente acarreta incapacidade severa após 10 a 15 anos, particularmente na população mais idosa. Segundo o 1Dr. Roberto Magalhães – Médico Geriatra do Hospital e Maternidade São Camilo – Ipiranga-SP é possível conviver com uma ou mais doenças crônicas, desde que se mantenha um alto nível de acompanhamento e seriedade com o tratamento, a geriatria desempenha importante papel, na medida em que tenta detectar, primeiro a propensão para essas doenças e segundo, diagnosticá-las precocemente, para que o tratamento possa ser instituído prontamente. De acordo com diretrizes constantes na Política de Saúde do Idoso a maioria das doenças crônicas que acometem essa população tem, na própria idade, seu principal fator de risco, entretanto, a presença de uma doença crônica não significa que o idoso não possa gerir sua própria vida. Ações preventivas, assistenciais e de reabilitação devem objetivar a melhoria da 1 Entrevista com Dr. Roberto Magalhães em www.nutricaoempauta.com.br - acesso em 23/04/2009 21 capacidade funcional. Trata-se, portanto, de um enfoque que transcende o simples diagnóstico e tratamento de doenças específicas. Hoje se pode vivenciar o surgimento de um novo paradigma em saúde em todo o mundo. Um modelo de saúde voltado para a promoção de saúde e prevenção de doenças, incluindo nesse contexto com grande ênfase a crescente população de idosos. Nessa dimensão a saúde e a qualidade de vida estão alinhadas, num elo inseparável. Cabe aos órgãos públicos e privados que tratam da saúde no Brasil, planejar, articular, executar, controlar e fiscalizar ações efetivas que objetivem atender essa demanda, em busca de um envelhecer com qualidade de vida. Vale lembrar trecho da Carta do Papa João Paulo II2 quando diz: “É importante também que estas políticas se completem com programas formativos destinados a educar as pessoas para a velhice durante toda a sua existência, tornando-as capazes de se adaptarem às mudanças, cada vez mais rápidas, no modo de viver e de trabalhar. Uma formação centrada não só no fazer, mas e sobretudo no ser, atenta aos valores que fazem apreciar a vida em todas as suas fases e na aceitação tanto das possibilidades como dos limites que a vida encerra”. 2 Carta do Papa João Paulo II aos participantes na Assembléia Mundial sobre o Envelhecimento datada de 03/04/2002 – www.vatican.va - acesso em 01/05/2009 22 II – PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS 2.1 – Sua importância na questão Saúde O conceito modernamente utilizado de 3promoção à saúde compreende três níveis de prevenção à doença: • Prevenção Primária - compreende ações que possibilitem evitar os mecanismos e fatores desencadeantes da doença antes que esta tenha se instalado. Inclui, não somente campanhas de vacinação, mas também, investimento em saneamento básico, alterações no estilo de vida e nos hábitos alimentares das pessoas, campanhas antitabagismo, entre outras que apontem para ganhos em qualidade de vida; • Prevenção Secundária - esta modalidade pressupõe o diagnóstico e tratamento precoces para idosos com capacidade funcional preservada e limitações da invalidez para idosos frágeis com múltiplas patologias. São, portanto, ações que se referem à realização de exames preventivos periódicos a fim de se detectar precocemente a existência de doenças; • Prevenção Terciária - envolve ações que visem tratar precocemente as doenças sintomáticas estabelecidas e suas complicações, evitando perda funcional e minimizando o sofrimento causado pelas limitações impostas às pessoas já acometidas por doenças crônicas. A partir desta conceituação, entende-se que não basta atuar na cura da doença depois que ela já se instalou; é preciso intervir nos determinantes do adoecimento. A reorientação dos serviços de saúde, a partir dos pressupostos da promoção à saúde, implica trabalhar com a concepção positiva de saúde, ou seja, é preciso superar o modelo biomédico hegemônico, centrado na doença e na assistência médica curativa. A promoção da saúde, em sua concepção atual, encontra-se desvinculada do conceito de se caracterizar apenas como um nível de atenção 3 Texto “Promoção e Prevenção à Saúde” – Dra. Silvana de Araújo – Geriatria e Gerontologia em www.ciape.org.br/matdidatico - acesso em 15/04/2009 23 de medicina preventiva. Seu significado atual ganha enfoque político em torno do processo de saúde-doença, já não cabendo mais somente o conceito de nível de atenção. É, portanto, uma forma eficaz de enfrentar os desafios referentes à saúde e à qualidade de vida, introduzindo a noção de responsabilidade civil de gestores, compartilhada com a sociedade organizada. Promover a saúde é lidar com as condições socioeconômicas de uma determinada população, estilos de vida distintos, formas de viver constituídas nas sociedades modernas, onde mesmo os segmentos mais favorecidos da população perdem de vista o que é uma vida saudável, adaptando-se a uma forma de vida sedentária e estressante, geradora de angústias, ansiedades e depressão, acarretando a ocorrência de doenças passíveis de prevenção. Promoção à saúde é hoje um movimento ideológico que valoriza o social e está associado a valores como: vida, solidariedade, equidade, democracia, cidadania, desenvolvimento, participação e ação coletiva. Entretanto, refere-se também a uma combinação de estratégias que envolvem o estado, a comunidade, os indivíduos e o próprio sistema de saúde, seja ele público ou privado. O individualismo, que é uma das principais características das sociedades modernas, desmobiliza as pessoas na busca de melhores condições de vida, enfatizando a necessidade de resgate de valores como a solidariedade e a ética. Para se levar adiante ações efetivas de promoção à saúde, se faz necessário aceitar o imenso desafio de desencadear processos amplos e complexos de parcerias, atuações intersetoriais e participações coletivas que otimizem os recursos disponíveis e garantam sua aplicação em políticas que respondam integralmente às necessidades da população. “Apesar de vivermos em um tempo amplamente tecnológico, de comunicação veloz, com imensos recursos e avanços médicos, exames sofisticados e recursos diagnósticos de toda ordem, nada supera em sucesso uma atitude correta e equilibrada de prevenção” (PORTINHO, 2008, p.223). Segundo Buss (2003) Programas de promoção da saúde do idoso são cada vez mais requeridos em face das demandas crescentes do 24 envelhecimento populacional. A promoção da saúde é um tema em evidência na atualidade e que traz desafios para a ampliação das práticas no sentido de ressaltar os componentes socioeconômicos e culturais da saúde e a necessidade de políticas públicas e da participação social no processo de sua conquista. Do ponto de vista gerontológico, o tema converge com a promoção do envelhecimento ativo, caracterizado pela experiência positiva de longevidade com preservação de capacidades e do potencial de desenvolvimento do indivíduo, para o que a garantia de condições de vida e de políticas sociais é uma prerrogativa. A incorporação da visão de promoção da saúde nos programas para idosos supõe uma abordagem crítica da prevenção e da educação em saúde e pode ser vista como um processo social em curso, complexo, que vem sendo estimulado em nível internacional por fóruns e documentos institucionais desde meados da década de 1980. 2.2 – Legislações brasileiras - Saúde do Idoso As principais legislações brasileiras que estabelecem diretrizes e programas de promoção da saúde e prevenção de doenças da população idosa, bem como seus direitos como cidadão, objetivando sua integração na sociedade e buscando proporcionar qualidade de vida são: • Constituição Federal 1988 (Saúde – artigos 196 a 200); • Lei 8080/90 – Regulamenta o SUS; • Lei 8842/94 – Política Nacional do Idoso; • Decreto 1948/96 – Regulamenta a Lei 8842/94; • Portaria 1395/99 MS – Política Nacional de Saúde do Idoso; • Lei 10741/03 – Estatuto do Idoso; • Portaria 399/06 – Pacto pela Saúde 2006 – Consolidação do SUS e suas diretrizes operacionais; • Portaria 2528/06 MS – Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. 25 2.3 – O papel do Sistema Único de Saúde – SUS No Brasil o direito universal e integral à saúde é conquistado pela sociedade na Constituição de 1988 e reafirmado com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Lei Orgânica da Saúde nº 8.080/90. Por esse direito, entende-se o acesso universal e equânime a serviços e ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, garantindo a integralidade da atenção, indo ao encontro das diferentes realidades e necessidades de saúde da população e dos indivíduos. A regulamentação do SUS estabelece princípios e direciona a implantação de um modelo de atenção à saúde que priorize a descentralização, a universalidade, a integralidade da atenção, a equidade e o controle social, ao mesmo tempo em que incorpora, em sua organização, o princípio da territorialidade para facilitar o acesso das demandas populacionais aos serviços de saúde. Concomitante à regulamentação do SUS, o Brasil organiza-se para responder às crescentes demandas de sua população que envelhece. A Política Nacional do Idoso, promulgada em 1994 e regulamentada em 1996, assegura direitos sociais à pessoa idosa, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade e reafirmando o direito à saúde nos diversos níveis de atendimento do SUS (Lei nº 8.842/94 e Decreto nº 1.948/96). Em 1999, a Portaria Ministerial nº 1.395 anuncia a Política Nacional de Saúde do Idoso, a qual determina que os órgãos e entidades do Ministério da Saúde relacionados ao tema promovam a elaboração ou a readequação de planos, projetos e atividades na conformidade das diretrizes e responsabilidades nela estabelecidas. Essa política assume que o principal problema que pode afetar o idoso é a perda de sua capacidade funcional, isto é, a perda das habilidades físicas e mentais necessárias para realização de atividades básicas e instrumentais da vida diária. 26 Em 2003, o Congresso Nacional aprova e o Presidente da República sanciona o Estatuto do Idoso, elaborado com intensa participação de entidades de defesa dos interesses dos idosos. O Estatuto do Idoso amplia a resposta do Estado e da sociedade às necessidades da população idosa, mas não traz consigo meios para financiar as ações propostas. O Capítulo IV do Estatuto reza especificamente sobre o papel do SUS na garantia da atenção à saúde da pessoa idosa de forma integral, em todos os níveis de atenção. Em fevereiro de 2006, é publicado, por meio da Portaria nº 399/GM, o documento das Diretrizes do Pacto pela Saúde que contempla o Pacto pela Vida. Neste documento, a saúde do idoso aparece como uma das seis prioridades pactuadas entre as três esferas de governo sendo apresentada uma série de ações que visam, em última instância, à implementação de algumas das diretrizes da Política Nacional de Atenção à Saúde do Idoso. Para efeitos deste Pacto é considerada idosa a pessoa com 60 anos ou mais e determina que o trabalho nesta área deve seguir as seguintes diretrizes: • Promoção do envelhecimento ativo e saudável; • Atenção integral e integrada à saúde da pessoa idosa; • Estímulo às ações intersetoriais, visando à integralidade da atenção; • A implantação de serviços de atenção domiciliar; • O acolhimento preferencial em unidades de saúde, respeitado o critério de risco; • Provimento de recursos capazes de assegurar qualidade da atenção à saúde da pessoa idosa; • Fortalecimento da participação social; • Formação e educação permanente dos profissionais de saúde do SUS na área de saúde da pessoa idosa; • Divulgação e informação sobre a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS; • 27 Promoção de cooperação nacional e internacional das experiências na atenção à saúde da pessoa idosa; • Apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas. Através da Portaria nº 2528/MS, de 19 de outubro de 2006, institui-se a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa cuja finalidade primordial é recuperar, manter e promover a autonomia e a independência dos indivíduos idosos, direcionando medidas coletivas e individuais de saúde para esse fim, em consonância com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde. Esta Política objetiva, no âmbito do SUS, garantir atenção integral à Saúde da população idosa, enfatizando o envelhecimento saudável e ativo e fortalecendo o protagonismo das pessoas idosas no Brasil, apontando as seguintes importantes diretrizes: 1) Promoção do envelhecimento ativo e saudável; 2) Manutenção e reabilitação da capacidade funcional; 3) Apoio ao desenvolvimento de cuidados informais. O envelhecimento ativo e saudável compreende ações que promovem modos de viver favoráveis à saúde e à qualidade de vida, orientados pelo desenvolvimento de hábitos como: alimentação adequada e balanceada, prática regular de exercícios físicos, convivência social estimulante, busca de atividades prazerosas e/ou que atenuem o estresse, redução dos danos decorrentes do consumo de álcool e tabaco e diminuição significativa da automedicação. Promover o envelhecimento ativo e saudável significa, entre outros fatores, valorizar a autonomia e preservar a independência física e psíquica da população idosa, prevenindo a perda de capacidade funcional ou reduzindo os efeitos negativos de eventos que a ocasionem. Além disso, garantir acesso a instrumentos diagnósticos adequados, a medicação e a reabilitação funcional. É importante qualificar os serviços de 28 Saúde para trabalhar com aspectos específicos da saúde da pessoa idosa (como a identificação de situações de vulnerabilidade social, a realização de diagnóstico precoce de processos demenciais, a avaliação da capacidade funcional etc). Ressalta-se, ainda, a importância de processos informativos e educativos continuados no SUS e campanhas para estimular comportamentos saudáveis. O sistema formal de atenção à saúde precisa atuar intersetorialmente e, também, como parceiro da rede de suporte social da pessoa idosa (sistema de apoio informal), auxiliando na otimização do suporte familiar e comunitário e fortalecendo a formação de vínculos de co-responsabilidade. Cabe, portanto, à gestão municipal da saúde desenvolver ações que objetivem a construção de uma atenção integral à saúde dos idosos em seu território. No âmbito municipal, é fundamental organizar as equipes de Saúde da Família e a atenção básica, incluindo a população idosa em suas ações (por exemplo: atividades de grupo, promoção da saúde, hipertensão arterial e diabetes mellitus, sexualidade, DST/aids, campanhas de vacinação específicas). Seus profissionais devem estar sensibilizados e capacitados a identificar e atender às necessidades de saúde dessa população. Muitos são os desafios trazidos pelo envelhecimento da população, as diversas dimensões e dificuldades acarretadas devem ser compreendidas e tratadas como um todo, a fim de garantir ao idoso a sua integração na comunidade. O envelhecer populacional nos parâmetros atuais influencia não somente a área da saúde e assistência médica, mas, também, vários segmentos da sociedade como o consumo, a transferência de capital e propriedades, impostos, pensões, o mercado de trabalho, a composição e organização da família. O envelhecer é um processo normal, que deve ser acompanhado por soluções médicas, porém incluindo intervenções sociais, econômicas e ambientais. 29 “Embora ainda persistam dificuldades quanto à articulação entre assistência médica e ações de controle de riscos e agravos, tem-se buscado quebrar essa dicotomia que expressa o resultado histórico de uma segmentação das ações na população” (LIMA, 2005, p.482). Para Campos (2007) mais grave que as dificuldades que o Sistema Único de Saúde enfrenta, “é a impressão de que há um desencantamento com o SUS ou, talvez, um descrédito quanto a nossa (movimento sanitário, políticos, gestores, profissionais, entre outros) capacidade para transformar em realidade uma política tão generosa e racional”. A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa cria diretrizes para promover a longevidade com qualidade de vida, bem como estabelece as competências das várias áreas e seus respectivos órgãos, cabendo a estes colocar em prática ações voltadas para esse fim, minimizando o distanciamento entre a lei e a realidade dos idosos no Brasil. 2.4 – Ação da Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS A Saúde Suplementar no Brasil, depois de quase quarenta anos de atuação praticamente sem regulação, vem sofrendo profundas mudanças a partir da promulgação da Lei nº 9656/98, que regulamenta os planos privados de assistência à saúde e da Lei nº 9961/00 que cria a Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS. Em dezembro de 2005, o processo de regulação da ANS incorpora aspectos de qualificação da saúde suplementar. A proposta enfatiza a qualificação de todos os envolvidos no sistema da saúde suplementar, os chamados “atores do processo” – operadoras, prestadores de serviços, beneficiários e a própria ANS. Cada um responsável pela transformação do setor e comprometidos em atuar como produtores de saúde, ou seja: as operadoras de planos – gestoras de saúde; os prestadores de serviços – produtores de cuidados de saúde; os beneficiários – usuários com consciência sanitária e a ANS – qualificando-se para corresponder à tarefa de regular um setor de produção de saúde. 30 A saúde suplementar no Brasil passa por diversas mudanças e as operadoras de plano de saúde estão sendo incentivadas a adotar ações de promoção de saúde e prevenção de doenças, através do Programa de Qualificação da Saúde Suplementar da Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS. Atualmente, o conjunto de recursos tecnológicos está alocado em ações desarticuladas, pouco cuidadoras, centradas na assistência médico-hospitalar especializada e incorporando de forma acrítica às novas tecnologias, configurando-se num modelo pouco eficiente e pouco efetivo. A mudança do Modelo de Atenção à Saúde envolve a adoção de práticas cuidadoras e integrais. Pensar a saúde de forma integral significa, também, articular as diretrizes da ANS com as políticas empreendidas pelo Ministério da Saúde (MS), respeitando as peculiaridades do setor suplementar, fortalecendo parcerias e a discussão a respeito das necessidades de saúde da população. Nessa estratégia, os valores investidos pelas operadoras em programas de promoção e prevenção são alocados em conta específica para esse fim. Para isso, é necessário efetuar cadastro desses programas na ANS, onde são avaliados quanto ao cumprimento de pré-requisitos básicos para um programa de qualidade. A ANS entende que os recursos utilizados nesses programas são investimentos que podem gerar benefícios futuros às operadoras e aos seus beneficiários. Por esse motivo, esses valores podem ser reconhecidos como ativos desde que observados os critérios dispostos na Instrução Normativa Conjunta nº 001 de 30/12/2008. Quando se fala em saúde do idoso, é importante diferenciar as limitações decorrentes do processo natural de envelhecimento daquelas causadas por alguma patologia e, por este motivo, sugere a ANS a construção de dois tipos de programas voltados para esta população: um de promoção da saúde e outro de prevenção secundária relacionada à demência, patologia 31 bastante prevalente entre os idosos e responsável por diversas dificuldades apresentadas nesta fase da vida. Faz-se importante o desenvolvimento de programas que forneçam instrumentos para o idoso e sua família lidarem com as singularidades do processo de envelhecer, contribuindo para que, apesar das progressivas limitações que possam ocorrer, sejam redescobertas maneiras de experimentar a vida com a máxima autonomia e qualidade possíveis. Atividades específicas sugeridas pela ANS: • Orientação aos familiares (cuidados diários com o idoso, prevenção de quedas); • Orientação para execução de atividades de vida diária; • Oficinas (nutrição, terapia ocupacional, grupos de convivência, lúdicas, entre outras); • Atividades de lazer assistido; • Sensibilização sobre o tema do envelhecimento saudável para idosos e familiares através de palestras ou outras atividades organizadas e patrocinadas pela operadora; • Acompanhamento com equipe multiprofissional para prevenção e/ou controle das complicações clínicas comuns desta fase da vida, tais como hipertensão arterial, diabetes, incontinência urinária, osteoporose, depressão, entre outras; • Atividades físicas orientadas; • Elaboração de calendário vacinal para acompanhar e/ou incentivar a participação dos idosos nas campanhas públicas (por exemplo, vacina contra tétano e difteria, gripe e pneumonia, etc); • Integração com o programa voltado para a prevenção de doenças cardiovasculares. 32 Quanto aos programas de prevenção de danos causados pela demência, são relevantes ações nesse sentido, considerando o alto índice patológico entre os idosos, acarretando grandes dificuldades à vida do idoso e de seus familiares, exigindo destes alterações importantes na rotina de cuidados diários. Atividades específicas sugeridas pela ANS: • Consultas médicas; • Consulta com outros profissionais de saúde; • Orientação aos familiares (cuidados diários com o paciente com demência); • Visitas/consultas domiciliares feitas por médico ou outro profissional de saúde; • Orientação para execução de atividades de vida diária; • Oficinas (nutrição, terapia ocupacional, grupos de convivência, lúdicas, entre outras); • Atividades de lazer assistido; • Atividades físicas orientadas. A ANS enfatiza que, com ações de promoção e prevenção, pode-se reduzir ainda mais a mortalidade e os custos com internações e cirurgias, além de oferecer maior qualidade de vida para os beneficiários dos planos de saúde. Esclarece que promoção e prevenção são conceitos diferentes que juntos podem trazer benefícios para toda a carteira de clientes e para a operadora. A promoção tem uma característica de conscientização: são ações realizadas antes da doença, sempre associadas a valores. Alguns exemplos são as campanhas contra o fumo e os programas de qualidade de vida. Já a prevenção, como o próprio nome diz, tem como foco prevenir o segurado de alguma doença usando como meio as ferramentas técnicas para elaboração de exames periódicos. 33 Entende a ANS que um programa de qualidade da saúde necessita de ações que conjuguem esses dois conceitos. Além de estimular as campanhas de conscientização (controle do peso, tabagismo, sedentarismo, consumo de álcool, entre outras), é importante que as operadoras tenham o perfil de cada cliente de sua carteira e que alertem seus beneficiários para a realização de exames de prevenção. Com isso a operadora deixa de ser uma espectadora para ser uma gestora de saúde. Esse é o principal objetivo da ANS. Na avaliação de Túlio Franco, coordenador da pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense (UFF):4 há alguns anos, observamos um processo de reestruturação produtiva no setor de saúde suplementar. A adoção de políticas de prevenção é uma dessas vertentes. O objetivo principal é a redução de custo, mas a implementação desses programas acaba promovendo uma melhora da assistência oferecida aos usuários. Ganham todos. E a saúde financeira das operadoras está vinculada a sua capacidade de modernizar a assistência ao beneficiário. As operadoras precisam compreender que, além de atender as necessidades de tratamento dos seus usuários, devem estar atentas à manutenção da sua saúde, fazendo com que estes não precisem utilizar-se da rede de serviços de alto custo; precisa-se ter claro que os dois sistemas, de tratamento da doença e geração de saúde, são necessários e complementares. Segundo Miranda (2003) um modelo ideal engloba de forma integrada, mas diversa, a coexistência de dois tipos de sistemas: um voltado para a doença e outro voltado para a saúde. É urgente e importante que as operadoras reavaliem seu modelo de atenção à saúde, adequando-se aos programas sugeridos pela ANS, com vistas a dar conta de uma população mais envelhecida, que, certamente, abrange parcela significativa da carteira de todas as operadoras, demandando mais serviços médicos e tornado-se cada vez mais exigente de um segmento com avanços tecnológicos de diagnose e tratamento constantes, o que acarreta custos crescentes. Trata-se de uma questão de sobrevivência das 4 Artigo: Melhor prevenir do que internar! – www.unidas.org.br - acesso em 31/03/2009 34 operadoras aderirem a esse novo modelo de atendimento, onde a saúde e qualidade de vida estão alinhadas, buscando, assim, manterem-se competitivas e sustentáveis, através de planos de saúde inteligentes na gestão de seus benefícios. A ANS vem fazendo seu papel dando continuidade às estratégias de indução à adoção de Programas de Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos e Doenças, com o objetivo de criar uma nova proposta de atenção mais qualificada, centrada no direito à saúde, estabelecido constitucionalmente, levando em consideração as especificidades do setor suplementar, ao mesmo tempo em que se identifica com as políticas empreendidas pelo Ministério da Saúde para todo o país. A adoção de um novo modelo de atenção à saúde, principalmente visando à população idosa, com uma prática cuidadora e efetiva resolutividade, através de programas de promoção e prevenção, encontra diversas dificuldades e muitos limites, no entanto, precisam ser considerados por todos os atores envolvidos, seja no Setor Público ou na Saúde Suplementar, como desafios e não como obstáculos. O objetivo principal das ações desses programas deve ser a busca incansável da qualidade de vida, priorizando o envelhecimento saudável e ativo. 35 III – ENVELHECIMENTO ATIVO : UMA POLÍTICA DE SAÚDE 3.1 – Metas da Organização Mundial de Saúde Na definição da Organização Mundial de Saúde envelhecimento ativo é o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem. Em síntese, é manter a autonomia e a independência dos idosos, não só em relação à saúde física, mas, também, nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis. Para isso, é necessária a interação dos governantes e de toda a sociedade. O conceito pretende transmitir uma mensagem mais inclusiva do que o termo “envelhecimento saudável”, já que considera participação como engajamento continuado na vida, mesmo que eventualmente limitado ao espaço doméstico ou coexistente com algum nível de incapacidade. Não se restringe, portanto, à habilidade para manter-se fisicamente ativo ou inserido na força de trabalho. É reconhecida a influência de um conjunto de determinantes que interagem continuamente para o envelhecimento ativo (econômicos, comportamentais, pessoais, relacionados ao meio ambiente físico, social e aos serviços sociais e de saúde), influenciados por aspectos relativos a gênero e cultura. As políticas devem articular ações intersetoriais voltadas a esses determinantes. As metas estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde5 para a promoção do envelhecimento ativo podem ser divididas com base nos três pilares: 1) saúde; 2) participação; e 3) segurança: 1) Saúde • Prevenir e reduzir a carga de deficiências em excesso, doenças crônicas e mortalidade prematura; 5 www.portal.saude.gov.br - acesso em 20/04/2009 • 36 Reduzir os fatores de risco associados às principais doenças e aumentar os fatores que protegem a saúde durante a vida; • Desenvolver serviços sociais e de saúde acessíveis, de alta qualidade e adequados para a terceira idade, que abordem as necessidades e os direitos dos homens e mulheres em processo de envelhecimento; • Fornecer treinamento e educação para cuidadores formais e informais. 2) Participação • Propiciar educação e oportunidades de aprendizagem durante o curso da vida; • Reconhecer e permitir a participação ativa de pessoas idosas nas atividades de desenvolvimento econômico, trabalho formal e informal e atividades voluntárias, de acordo com suas necessidades individuais, preferências e capacidades; • Incentivar a participação integral dos idosos na vida familiar e comunitária. 3) Segurança • Assegurar proteção, segurança e dignidade aos idosos, através dos direitos e necessidades de segurança social, financeira e física dos idosos; • Reduzir as desigualdades nos direitos à segurança e nas necessidades das mulheres mais velhas. Constata-se que o envelhecimento ativo leva em conta o conceito de esperança de vida livre de incapacidades. 3.2 – Fatores Determinantes O envelhecimento ativo depende de uma diversidade de fatores determinantes que envolvem indivíduos, famílias e paises. A compreensão 37 dessas evidências sobre esses fatores propicia a elaboração de políticas e programas que obtenham êxito nessa área. Qualidade de vida na velhice é uma avaliação multidimensional referenciada a critérios socioeconômicos, normativos e intrapessoais, a respeito das relações atuais, passadas e prospectivas entre o idoso e o ambiente em que vive. A qualidade de vida na velhice pressupõe a integração de vários elementos em interação constante ao longo da vida do individuo. Depende das condições físicas e biológicas propiciadas pela genética; do estilo de vida; do ambiente físico e familiar; da existência de redes de relações de amizade e lazer e das oportunidades oferecidas pelos governantes, principalmente na questão saúde, mas, também, na possibilidade de trabalho e renda, educação formal e informal, grau de urbanização e saneamento adequados e participação efetiva na sociedade como cidadão. Segundo o médico Alexandre Kalach, Chefe do Programa de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial de Saúde,6 a incapacidade dos idosos está diretamente relacionada ao grau de risco de ser portador de doenças crônicas que cada um vai desenvolver ao longo da vida e enfatiza que uma pessoa pode chegar anos 80 anos e ter um risco acumulado baixo. E outro indivíduo para a mesma idade pode ter até cinco vezes mais risco de desenvolver essas doenças, porque elas estão relacionadas não apenas a fatores genéticos, mas a estilos de vida, aspectos comportamentais ou a forma como se está vivendo hoje em dia. 3.2.1 – Fatores comportamentais determinantes A adoção de estilos de vida saudáveis e a participação ativa no cuidado da própria saúde são importantes em todos os estágios da vida. Um dos mitos do envelhecimento é que é tarde demais para se adotar esses estilos nos últimos anos de vida. Pelo contrário, o envolvimento em atividades físicas adequadas, alimentação saudável, abstinência do fumo e do álcool e fazer uso 6 Extraído do texto postado por: Milena Nogueira Lessa em www.faac.unesp.br/pesquisa/idosomidia/docs/milena/envativo.doc - acesso em 23/04/2009 38 de medicamentos sabiamente, podem prevenir doenças e o declínio funcional, aumentar a longevidade e a qualidade de vida do individuo. “A realidade da vida moderna nos proporciona uma série de benefícios. Algumas pessoas começam a perder energia e tendem a se acomodar à medida que o tempo passa, esquecendo inclusive de manter atividade física adequada e alimentação equilibrada, que são essenciais para manter um elo saudável. As dificuldades têm que ser ultrapassadas porque a vida é movimento. O que você não usa, perde. E o preço da inatividade é muito alto, porque leva a maior incidência de doenças” (PORTINHO, 2008, p.206). A participação em atividades físicas regulares e moderadas pode retardar declínios funcionais, além de diminuir o aparecimento de doenças crônicas em idosos saudáveis e doentes crônicos. Por exemplo, uma atividade física regular e moderada reduz bastante o risco de morte por problemas cardíacos em pessoas com doenças do coração diagnosticada, bem como pode inibir substancialmente a gravidade de deficiências associadas à cardiopatia e outras doenças crônicas. O tratamento preventivo de doenças para idosos não impõe condições sacrificantes, dentre outros, é indicado atividades físicas, como uma simples caminhada, prática de esportes condizentes com a idade e o vigor, subir escadas, jardinagem, como também é aconselhável consultas regulares com geriatras antes que os problemas crônicos se apresentem. Atualmente, a prevenção vem sendo indicada cada vez mais cedo e a preocupação com o envelhecimento deixou de ser exclusiva do idoso, passando a ser da sociedade como um todo. “As pessoas muito idosas - mesmo aquelas que nunca, antes, fizeram exercícios físicos - podem tornar-se fisicamente mais aptas. E esta aptidão física habilita os indivíduos mais velhos a funcionar melhor, no seu dia-a-dia, e a viver mais tempo e melhor, mesmo em presença de outros problemas de saúde ou de hábitos ruins. Ainda que o tempo conspire para roubar o vigor, o equilíbrio e a resistência física, podemos combater contra o tempo. E muitas das pessoas mais velhas estão a ganhar esse combate” (ROWE, 1999, p.433). 39 Os problemas de alimentação em todas as idades incluem tanto a desnutrição (mais frequente, mas não exclusivamente, nos paises menos desenvolvidos) como o consumo excessivo de calorias. Nos idosos, a desnutrição pode ser causada pelo acesso limitado a alimentos, dificuldades socioeconômicas, faltas de informação e conhecimento sobre nutrição, escolhas erradas de alimentos (alimentos ricos em gordura, por exemplo), doenças e uso de medicamentos, perda de dentes, isolamento social, deficiências cognitivas ou físicas que inibem a capacidade de comprar comida e prepará-la. O controle nutricional, com acompanhamento de profissional habilitado, é fator importante para uma alimentação rica e balanceada. A promoção da saúde oral e programas de prevenção de cáries, para estimular as pessoas a manterem seus dentes naturais, precisa começar ainda cedo e continuar ao longo da vida. Devido à dor e pior qualidade de vida associadas aos problemas de saúde oral são necessários serviços básicos de tratamento dental e também serviços especializados como os de prótese. A sexualidade é um elemento presente e importante na boa qualidade de vida dos idosos e muitos estudos mostram que não há uma idade específica para que ela termine. A sexualidade na velhice é um tema comumente negligenciado pela medicina, pouco conhecido e entendido pela sociedade e pelos próprios idosos. A atividade sexual tem sido considerada uma atividade própria, quase monopólio, das pessoas jovens, das pessoas de boa saúde e fisicamente atraentes. A idéia de que pessoas de idade avançada possam manter relações sexuais não é culturalmente muito aceita, preferindo-se ignorar e fazer desaparecer do imaginário coletivo a sexualidade da pessoa idosa. Apesar desses tópicos culturais, a velhice conserva a necessidade psicológica de uma atividade sexual continuada. Nas últimas décadas verificam-se mudanças com respeito a esse tema, o que tem permitido um aumento considerável de idosos que buscam ajuda para tratamento de problemas dessa natureza. É necessário que os profissionais de saúde tenham presente a possível existência de alterações sexuais e interroguem seus pacientes a esse 40 respeito, inclusive com informações sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Fatores psicológicos que são adquiridos ao longo do curso da vida têm uma grande influência no modo como as pessoas envelhecem. A autoeficiência (a crença na capacidade de exercer controle sobre sua própria vida) está relacionada às escolhas pessoais de comportamento durante o processo de envelhecimento e à preparação para a aposentadoria. adversidades determina o nível de adaptação a Saber superar mudanças, como aposentadoria e crises do processo de envelhecimento (privação e o surgimento de doenças). Homens e mulheres que se preparam para a velhice e se adaptam a transformações próprias dessa fase, se ajustam melhor à vida depois dos 60 anos. A maioria das pessoas fica bem-humorada à medida que envelhece e, em geral, os idosos não diferem muito dos jovens no que se refere à capacidade de solucionar problemas. O lazer é o conjunto de ocupações que o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, para sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou livre capacidade criadora, após se livrar ou desembaraçar das obrigações profissionais, familiares e sociais, reunindo as três funções do lazer: descanso; divertimento, recreação e entretenimento; desenvolvimento pessoal. O lazer prazeroso, assim como, para alguns a religiosidade, acarretam bem-estar psicológico, refletindo na capacidade do individuo em adaptar-se às perdas e recuperar-se de eventos estressantes no curso da vida individual e social, tais como desemprego, doenças, desastres, mortes em família, violência urbana, crises econômicas, guerras e aumenta seu potencial para assimilar informações positivas sobre si mesmo, elevando sua auto-estima. 41 O professor e médico geriatra da Universidade Federal de São Paulo, Toniolo Neto7 afirma que para um envelhecimento saudável, o remédio básico para a saúde, a princípio, é o bom humor, em seguida os exercícios físicos, bons hábitos alimentares e ocupação mental. Segundo ele, o idoso deve continuar a manter-se em atividade, contribuindo para a sociedade com sua experiência e ponderação. A sexualidade na terceira idade também é saudável e a medicina pode dar condições de saúde e disposição física e mental para que o idoso possa desfrutá-la. Os medicamentos também podem ser aliados a resolver problemas comuns nessa faixa etária como: ansiedade, depressão e insônia e enfatiza que manter o equilíbrio entre o corpo e a mente é essencial na idade avançada. 3.2.2 – Fatores relacionados ao ambiente físico e social Ambientes físicos adequados à idade podem representar a diferença entre a independência e a dependência, especialmente para as pessoas em processo de envelhecimento. Moradia e vizinhança seguras e apropriadas são essenciais para o bemestar do idoso. A localização, incluindo a proximidade de membros da família, serviços e transporte podem significar a diferença entre uma interação social positiva e o isolamento. A queda de pessoas idosas é uma das principais causas de lesões, custos de tratamento e morte. As consequências das lesões sofridas em uma idade mais avançada são mais graves do que entre pessoas mais jovens. Para lesões da mesma gravidade, os idosos experimentam maior incapacidade, tempo de internação mais longo, extensos períodos de reabilitação, maior risco de dependência posterior e de morte. Os obstáculos dos ambientes que aumentam os riscos de queda incluem pouca iluminação, pisos irregulares ou escorregadios e a falta de corrimão para 7 Extraído do texto postado por: Milena Nogueira Lessa em www.faac.unesp.br/pesquisa/idosomidia/docs/milena/envativo.doc - acesso em 23/04/2009 42 apoio. Estas quedas ocorrem frequentemente no ambiente da casa e podem ser evitadas. A proteção contra a violência e maus-tratos, a busca da paz e tranquilidade, são fatores essenciais no ambiente social que estimulam à saúde, participação e segurança, à medida que as pessoas envelhecem. Solidão, isolamento social, analfabetismo, desinformação e exposição a situações de conflito aumentam consideravelmente os riscos de deficiências e morte precoce. A harmonia ou não entre pais idosos e filhos é a projeção do relacionamento cultivado durante o passar dos anos, da infância desses filhos até sua formação adulta. O respeito, a dedicação, a atenção, a preocupação, o amor dos filhos criados para com os pais idosos, é fruto de uma educação estruturada, continua e baseada em sentimentos verdadeiros que se manifesta mais nitidamente nessa fase da terceira idade, onde a carência afetiva é forte, a necessidade de atenção é uma prioridade. Cabe à família oferecer aos seus idosos condições de sentirem-se mais felizes, com esperanças e objetivos próprios, proporcionando-lhes qualidade de vida de forma a amenizar as dores físicas e psicológicas características dessa fase do viver, bem como incentiválos a participarem de atividades saudáveis que visem ao seu bem-estar. A educação com oportunidades de aprendizado permanente pode ajudar as pessoas a desenvolverem habilidades e a obterem a confiança necessária a fim de adaptar-se ao progresso hoje vivenciado e assim, permanecerem independentes à proporção que envelhecem. Como os mais jovens, os cidadãos mais velhos precisam de treinamento em novas tecnologias, especialmente na agricultura e comunicação eletrônica. “Cada qual tem sua própria vocação ou missão específica na vida; cada um precisa executar uma tarefa concreta, que está a exigir realização. Nisto a pessoa não pode ser substituída nem sua vida ser repetida. Assim, a tarefa de cada um é tão singular como a sua oportunidade específica de levá-la a cabo” (FRANKL, 1996, p.136). 43 3.2.3 – Fatores econômicos determinantes As políticas de envelhecimento ativo precisam se cruzar com projetos mais amplos para reduzir a pobreza em todas as idades. Os pobres apresentam um risco maior de doenças e deficiências e os idosos nesse contexto estão particularmente vulneráveis. Muitos idosos, especialmente as mulheres, vivem sozinhos ou em áreas rurais sem renda certa ou suficiente. Estes fatores afetam seriamente seu acesso a alimentos nutritivos, moradia adequada e cuidados de saúde. Alguns estudos demonstram que idosos com baixa renda têm uma chance de cerca de 30% de apresentar altos níveis funcionais se comparados àqueles que possuem uma renda satisfatória. A palavra aposentadoria procede da palavra “aposentos”, que sugere descanso, repouso, quietude, alívio. E ainda, desaceleração, ruptura com os estilos de vida assentados no trabalho cotidiano e no formalismo que o caracteriza: horários, responsabilidades, hierarquia, disciplina, entre outras regras. Em resumo, é a passagem de um ciclo de vida projetado no trabalho formal, compulsório, para outro, orientado pelo lazer e principalmente pela desocupação e ócio voluntários. Entretanto, para a maioria dos aposentados brasileiros, o sentido de descanso, lazer e tranquilidade há muito deixou de ser verdadeiro, considerando que as perdas econômicas são significativas e inevitáveis, fato que os obriga a buscarem novas fontes de renda que possibilite uma sobrevivência com dignidade. Em todas as partes do mundo, há um aumento do reconhecimento da necessidade de se apoiar a contribuição ativa e produtiva que idosos podem dar no trabalho formal, informal, nas atividades não-remuneradas em casa e em ocupações voluntárias. É uma população que tem uma bagagem enorme e que está aí para oferecer esse conhecimento. É preciso romper com o preconceito e criar condições para que pessoas com mais de sessenta anos possam trabalhar dignamente. Algumas empresas estão descobrindo que a experiência e a 44 sabedoria adquiridas por quem se aposenta não podem ser perdidas. Mas mesmo quem não precisa mais trabalhar por ter uma boa aposentadoria também precisa se manter ocupado. E uma das opções é o trabalho voluntário. Houve uma época em que o cidadão passava a vida inteira trabalhando e quando se aposentava, tudo o que desejava era descansar. Passar o dia relaxando em casa, sem ter de cumprir com obrigações ou seguir horários. A palavra de ordem era descanso. Mas o que vem acontecendo ultimamente no segmento da terceira idade é uma sensível mudança de comportamento, de um aposentado inerte e passivo para um cidadão mais atuante, quer por opção na busca de um envelhecimento ativo, quer por necessidade de complementação financeira, ou as duas situações em muitos casos. Para alguns, aposentadoria essencialmente conduz à redução da autoestima e status social. A interrupção do trabalho pode trazer consequências desastrosas à vida do indivíduo, pois o retira da participação social, levando-o ao isolamento, “declínio” de felicidade e insatisfação. Portanto, a perda do trabalho pode estar associada ao desinteresse pela vida e ao surgimento de doenças e incapacidades físicas. “Quando o homem idoso se aposenta, o impacto na sua vida é muito grande porque o papel que ele desenvolvia, de engenheiro, médico, professor, enfim, diversas profissões, não existe mais. Para as mulheres, o impacto não é tão desolador, pois muitas delas aprenderam a dividir seu tempo em múltiplas atividades, e continuam a fazer isso na aposentadoria” (Revista “DIGA LÁ”, 2005, p.34). Por esse motivo, constata-se que são as mulheres a maioria em cursos, aulas de dança, trabalho voluntário e até no lazer. Muitos buscam trabalho por questões financeiras e também para sentir-se útil, contudo, o importante é como se dá essa busca, é primordial que o idoso procure uma atividade que lhe dê prazer e não somente obrigação. Fazer aquilo de que gosta nesse momento é fundamental para manutenção da mente sadia, ou seja, manter-se produtivo faz bem não só ao bolso, como também, e principalmente, à saúde. Desconstruir a idéia de que o trabalho é um dever e o ócio um pecado é uma meta. Somente uma parcela da população, como alguns artistas, políticos 45 e profissionais liberais, conseguem ser valorizados, considerados melhores, nesta etapa da vida. O ideal é que a aposentadoria possa ser entendida como mais uma etapa da vida com suas vantagens e dissabores. Valorizar mais o ônus do que o bônus vai depender do momento de cada um, assim, deve-se aproveitar esse tempo livre de forma produtiva e agradável, utilizando-o para aprender e desenvolver novas habilidades que não foram possíveis pela falta de tempo que o trabalho formal ocasiona e fazendo coisas que conduzam ao bem-estar. Segundo Oliveira (2001) o idoso não precisa angustiar-se em relação aos destinos incertos do futuro. O futuro é o presente sustentado pelos feitos passados, e isso não deixa de ser um ganho. Vale citar as palavras abaixo:8 “Sou feliz por estar vivo na graça de Deus. As energias que me restam emprego-as na obtenção dos prazeres que a vida pode oferecer-me nos limites da minha idade. Não me angustio por ser velho decadente, vivi intensamente o que a vida oferece aos vivos. Não fui rico de bens materiais, porém, tive tudo de que necessitei para ser feliz. De material tenho apenas o corpo gasto e envelhecido, que logo será devolvida a terra, e que ela faça dele um bom proveito. Restou-me, porém, o que não me angustio de possuir – um imenso amor a Deus e à vida – posses que a mim bastam” (OLIVEIRA, 2001, p.164). De acordo com Marco Aurélio Ferreira Vianna9, consultor de recursos humanos, em muito pouco tempo a expectativa de vida será de mais de 100 anos, devido aos avanços médicos, da informática, da genética e de outras ciências, o corpo humano será capaz de superar muitas doenças que causam incapacidades e continuará ativo por mais de um século de vida. Desta forma é necessário estar preparado para o impacto da longevidade nas organizações e nas pessoas, é preciso planejar a carreira x aposentadoria e procurar condições financeiras para viver tanto, o homem terá de se adaptar a vida para poder desfrutar de uma velhice com qualidade. 8 Sábias palavras de um aposentado idoso, do Vale do Jequitinhonha-MG, extraídas do livro “Aposentadoria” (Oliveira, 2001: p.164). 9 Extraído do texto postado por: Milena Nogueira Lessa em www.faac.unesp.br/pesquisa/idosomidia/docs/milena/envativo.doc - acesso em 23/04/2009 46 3.2.4 – Programas e Políticas de Envelhecimento Ativo “Quando o envelhecimento é aceito como um êxito, o aproveitamento da competência, experiência e dos recursos humanos dos grupos mais velhos é assumido com naturalidade, como uma vantagem para o crescimento de sociedades humanas maduras e plenamente integradas” (PLANO DE MADRI, 2002, artigo 6º). Quando políticas sociais de saúde, mercado de trabalho, emprego e educação apóiam o envelhecimento ativo, tendem a proporcionar: Ø Menos mortes prematuras em estágios da vida altamente produtivos; Ø Menos deficiências associadas às doenças crônicas na terceira idade; Ø Mais pessoas com uma melhor qualidade de vida à medida que envelhecem; Ø À proporção que envelhecem, mais indivíduos participando ativamente nos aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos da sociedade, em atividades remuneradas ou não, e na vida doméstica, familiar e comunitária; Ø Menos gastos com tratamentos médicos e serviços de assistência médica. Programas e políticas de envelhecimento ativo reconhecem a necessidade de incentivar e equilibrar as responsabilidades pessoais de cada um: ao idoso a preocupação de ter certos cuidados consigo mesmo e se planejar e preparar para a velhice, a percepção do estado de saúde pelo próprio idoso tem sido considerada um bom marcador de risco de mortalidade, independentemente da carga objetiva de morbidade; as famílias de cuidarem dos seus idosos com respeito, atenção e carinho; a sociedade apoiando sua integração em todos os segmentos e aos governantes, implantando efetivamente programas importantes e necessários para essa população. A manutenção da saúde e autonomia na velhice, identificada como boa qualidade de vida física, mental e social, é o horizonte desejável para se preservar o potencial de realização e desenvolvimento nesta fase da vida. É 47 também a perspectiva necessária para reduzir o impacto social que cerca as questões extremamente complexas e delicadas relativas ao cuidado ao idoso dependente. Por essas e outras motivações demográficas e socioeconômicas, a promoção da saúde vem sendo destacada no eixo das políticas contemporâneas na área do envelhecimento. O envelhecimento ativo é uma aspiração básica que potencializa o viver e depende, em grande parte, de condições sociais e políticas públicas que garantam direitos básicos de cidadania e possibilitem práticas mais saudáveis, como alimentação equilibrada, atividade física, uso prazeroso do corpo, inserção social e ocupacional dotadas de significado, lazer gratificante, além do acesso a serviços assistenciais e preventivos. Trata-se de metas complexas, em torno das quais são necessários movimentos individuais e coletivos que anunciem e apontem à construção de uma nova ordem societária. Ao se enfatizar a participação do idoso e oportunizar seu exercício em todos os segmentos da sociedade, vislumbra-se um “abrir portas” ao pensamento criativo sobre a vida e ao desejo de atuar na construção de outras realidades possíveis, mais propícias à qualidade de vida no envelhecimento. A ONU não quer que as políticas públicas caiam no assistencialismo, o importante é trabalhar a reinserção desse indivíduo, usando a experiência nos segmentos de decisão política, comunitária ou que envolvam projetos de interesse nacional. 3.3 – O envelhecer com qualidade de vida e cidadania No início do século XX, a expectativa de vida ao nascer andava ao redor dos 40 anos. Naquele tempo, homem ou mulher que atingissem essa idade, provavelmente, estariam se aproximando do final de suas vidas. Hoje, aos 40 anos, eles são considerados jovens. A expectativa de vida praticamente dobrou no decorrer do século XX, com tendência de aumentar ainda mais neste século e isso traz consigo uma série de problemas socioeconômicos. São muitos os que chegam aos 70, 80 anos em condições físicas, às vezes, muito boas, mas aposentados desde os 50 anos, obrigando a Previdência Social a manter o pagamento dos benefícios por um período que não havia sido previsto. Morrer 48 mais tarde criou também problemas sérios no relacionamento familiar, especialmente no que se refere a como lidar com um parente de idade mais avançada. Atualmente, é difícil a família que não tenha alguém com 70, 80 anos em condições físicas nem sempre ideais. No entanto, não são poucas as pessoas que envelhecem e chegam aos 80 anos em plena atividade sem passar pelo processo de decrepitude física e intelectual que tanto assusta. Diante desse fenômeno, mudanças e ações não antes vislumbradas, tornam-se fundamentais, imprescindíveis e inadiáveis, objetivando transformar a visão das famílias/sociedade/governantes em relação ao idoso, na perspectiva de oferecer condições adequadas e eficientes para o envelhecimento saudável e ativo dessa população. Em entrevista10 ao Dr. Drauzio Varella, o Médico e Diretor do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, Dr. Wilson Jacob Filho, aconselha às pessoas que estão passando dos 60 anos: “Antes de mais nada, elas devem ter certeza de que vão viver muito. Nunca na história do ser humano houve a expectativa de se viver mais de 60 anos como há agora. Depois devem planejar como querem viver esse tempo e para tanto seria útil ouvir a opinião de profissionais que têm conhecimento do assunto. Por fim, é fundamental querer viver bem todos os anos que têm pela frente e não aceitar de forma passiva os acontecimentos. A chave do sucesso está em participar ativamente do processo de envelhecimento. Hoje é nosso objetivo encontrar os caminhos que levam ao envelhecimento saudável. Na verdade, ele é produto de várias ações que culminam com a expectativa de vida alongada, mas em condições de exercer todos os papéis que o indivíduo exercia ou gostaria de exercer dentro da sociedade. O envelhecimento saudável impõe não só boa condição física e mental, como também a inclusão social que lhe permita desempenhar tais funções”. Há cinquenta anos, o paradigma da medicina era aconselhar as pessoas de mais idade a fazerem repouso. Era clássica a imagem do velho de pijama, sentado na poltrona da sala, sem fazer qualquer esforço, sem andar, sem ir sequer à padaria. Esse paradigma é totalmente rechaçado e contrariado pela medicina atual. Hoje, entende-se que o envelhecimento ativo conduz ao envelhecimento saudável. Na verdade, essas expressões são quase sinônimas quando empregadas na literatura e nas recomendações cotidianas. O 10 Entrevista extraída de http://drauziovarella.ig.com.br/entrevistas/esaudavel2.asp - acesso em 14/04/2009 49 envelhecimento ativo prioriza a atividade física não só após o indivíduo ter atingido faixa de idade mais avançada, mas durante todo o processo. Não se admite mais um período de sedentarismo em que a atividade física seja interrompida por volta dos 20, 25 anos, quando ele se torna um profissional atuante e só seja retomada mais tarde, como forma de tratamento porque já adoeceu. Além disso, é importante manter atividade social, profissional, afetiva e amorosa em todos os sentidos. O idoso precisa compreender que só pertence à comunidade se agir como ela age. Caso contrário, será dela excluído naturalmente. O Envelhecimento ativo é um processo de otimização de oportunidades com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas. Permite que os idosos percebam o seu potencial para o bem-estar físico, social e mental ao longo do curso da vida e que participem da sociedade de acordo com suas necessidades, desejos e capacidades, ao mesmo tempo, em que propicia proteção, segurança e cuidados adequados, quando necessários. A finalidade do envelhecimento ativo é aumentar a expectativa de uma vida saudável com melhor qualidade de vida, inclusive para as pessoas que são frágeis, fisicamente incapacitadas e que requerem cuidados especiais. Se envelhecer é natural, isso não implica que o idoso vá aceitar a queda na saúde e da qualidade de vida como uma coisa natural. A palavra ativo refere-se à participação contínua nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis, e não somente à capacidade de estar fisicamente ativo ou de fazer parte da força de trabalho. As pessoas mais velhas que se aposentam e aquelas que apresentam alguma doença ou vivem com alguma necessidade especial podem continuar a contribuir ativamente para seus familiares, companheiros, comunidades e paises. Expectativa de vida saudável é uma expressão usada como sinônimo de expectativa de vida sem incapacidades físicas. Enquanto a expectativa de vida ao nascer permanece uma medida importante do envelhecimento da população, o tempo de vida que as pessoas podem esperar viver sem precisar 50 de cuidados especiais é extremamente importante para uma população em processo de envelhecimento. Manter a autonomia e independência durante o processo de envelhecimento é uma meta fundamental para indivíduos e governantes. Além disto, o envelhecimento ocorre dentro de um contexto que envolve outras pessoas – amigos, colegas de trabalho, vizinhos e membros da família. Esta é a razão pela qual interdependência e solidariedade entre gerações (uma via de mão-dupla, com indivíduos jovens e velhos, onde se dá e se recebe) são princípios relevantes para o envelhecimento ativo. É uma questão de cidadania se sentir realizado, valorizado e integrado à sociedade, fator importante ao longo de toda vida. Para tal, é de extrema relevância que, independentemente da idade, o individuo mantenha projetos de vida para concretizar e que esta decisão seja respeitada. A saúde física, mental e emocional vai ser consequência desses sonhos e realizações. A prevenção e controle de processos patológicos são eixos fundamentais na velhice, mas relacionam-se organicamente a outras dimensões do viver que potencializem condições de satisfação das necessidades básicas e sentimento de realização. Nessa linha emergem as reflexões sobre o “bom envelhecimento”, como forma de reação à associação entre velhice e inatividade. Conforme Rowe e Kahn (1999), nos anos 90, o termo envelhecimento bem-sucedido se populariza, no campo gerontológico, no sentido de identificar estratégias que incrementem a proporção da população idosa que envelhece bem. Os autores propõem que envelhecimento bem-sucedido engloba três componentes principais: baixa probabilidade de doença e incapacidade, alta capacidade funcional física e cognitiva e engajamento ativo com a vida. Seguindo esta definição envelhecimento bem-sucedido é mais que ausência de doença e manutenção da capacidade funcional. Ambas são importantes, mas é a sua combinação com o entrosamento ativo com a vida que melhor representa o conceito. Segundo o Dr. Juan Hitzig, 11 51 especialista em medicina do idoso e prevenção gerontológica e professor da Universidade de Biogerontologia de Maimonide (Argentina), após estudar as características de alguns longevos saudáveis conclui que, além das características biológicas, o denominador comum entre todos eles está em suas condutas e atitudes. Sintetizando afirma: “Cada pensamento gera uma emoção e cada emoção mobiliza um circuito hormonal que terá impacto nas trilhões de células que formam nosso organismo”. Assim, ele criou o “Alfabeto Emocional”: As condutas “S”: serenidade, silêncio, sabedoria, sabor, sexo, sono, sorriso, promovem secreção de serotonina, enquanto que as condutas “R”: ressentimento, raiva, rancor, repressão, resistência, facilitam a secreção de Cortisol, um hormônio corrosivo para as células, que acelera o envelhecimento. As condutas “S” geram atitudes “A”: ânimo, amor, apreço, amizade, aproximação, entretanto, as condutas “R” geram atitudes “D”: depressão, desânimo, desespero, desolação. Aprendendo este alfabeto emocional, logra-se viver mais tempo e melhor, porque o sangue “ruim” (muito cortisol e pouca serotonina) deteriora a saúde física e mental e acelera o envelhecimento. O bom-humor e a realização de atitudes que façam bem são a chave para a longevidade saudável. É preciso compreender que a velhice não é o fim da vida, mas uma parte dela. Cabe a cada um descobrir como vai vivê-la, porém é indispensável que a sociedade trabalhe para que se possa viver da melhor maneira possível. As políticas públicas estão aí; falta fazê-las funcionar a contento. 11 Extraído de http://www.outorga.com.br - acesso em 10/05/2009 52 CONCLUSÃO O envelhecimento de sua população é uma aspiração natural de qualquer sociedade. Mas isso não é o bastante; é importante almejar uma melhoria na qualidade de vida daqueles que já envelheceram ou que estão em processo de envelhecimento. Manutenção de autonomia e independência é uma tarefa complexa que resulta dessa conquista social. O desafio, principalmente, para os paises subdesenvolvidos é considerável. O modo como paises como o Brasil responderão a esse desafio proposto pelo envelhecimento de suas populações dependerá em grande parte do grau de sensibilização ao problema por parte da sociedade como um todo e de seus políticos em particular. Diante do movimento social, político e econômico que se vive hoje, pensar a cidadania do idoso, parece algo ultrapassado, será que já não se deveria estar com o processo de cidadania presente e atuante em todos os segmentos sociais? Esta questão em principio pode ser explicada por Goldmann (2000) quando afirma que o segmento idoso ainda está sob a condição de estagnação no seu cotidiano. São várias as Leis que regulam os direitos dos idosos, portanto, esse espaço legal que se coloca para a sociedade brasileira deve ser mais bem incorporado, assumido como uma política pública e não como algo dado de forma filantrópica pelo Estado. “A distribuição da velhice por classes e grupos sociais mostra o perfil equivalente da concentração da riqueza e do poder em nosso país. No meio rural e na periferia urbana os velhos excluídos, anônimos e marginalizados. Nas classes médias, o isolamento, a perda de papéis familiares e de trabalho, associados às perdas do poder aquisitivo, não compensado pela aposentadoria” (MAGALHÃES, 1989, p.16). É através de seu engajamento em uma vida ativa que o idoso pode sentir-se cidadão, uma condição que compreende ações condicionadas para a 53 sua própria existência. Compete, em primeira instância, ao Poder Público efetivar essas ações, já instituídas por Leis, que visem proporcionar qualidade de vida a essa população. No que tange à Saúde Suplementar, conforme orientações da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, um bom programa de Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos e Doenças deve possuir um conjunto de atividades estrategicamente ordenadas e sistematizadas pelas operadoras de planos privados de saúde, não só para controle de patologias e agravos, mas, prioritariamente, para a sua prevenção, direcionados a toda a população da carteira, ou com perfil epidemiológico de risco conhecido, sob a ação e a coordenação multiprofissional. Além disso, um programa deve garantir o acompanhamento específico de sua clientela, bem como avaliação e monitoramento através de indicadores de saúde. Considerando que o contexto da saúde apresenta mudanças de toda a ordem – mudanças que exigem uma resposta efetiva por parte das operadoras através de programas voltados para a saúde – acredita-se que as propostas de desenvolvimento de ações de promoção da saúde e prevenção de doenças, além de responder às necessidades dos usuários, agregam valor às operadoras que buscam diferenciar-se num mercado altamente competitivo, através do efetivo atendimento à saúde dos seus beneficiários, mudando o paradigma de plano de doença para verdadeiramente planos de saúde. Até bem pouco tempo, a sociedade em que vivemos, visualizou o idoso de acordo com sua expectativa de vida, que era curta e sem saúde. Hoje, com os avanços da medicina e com a busca da qualidade de vida sensivelmente aguçada, a terceira idade ganha mais saúde e, consequentemente, uma expectativa de vida maior. Portanto, essa sociedade descobriu-se envelhecendo, vivendo mais, com melhor capacidade produtiva, direito à cidadania, desejos antes impensáveis, fatos que levam a uma nova interpretação do estar idoso, cada vez mais ativo, saudável e com longetividade. 54 O envelhecer pode se tornar um momento da vida rico e proveitoso, uma fase de melhor gerenciamento do tempo e maior discernimento, já que visualizou durante toda a sua existência a complexidade e mutação de situações e fatos. Este indivíduo devido às suas vivências pode decidir o que é imprescindível do que não é; o que é inadiável; o que é importante e urgente, e o que realmente somará positivamente em sua vida. Segundo Alves (2001) “há na velhice uma liberdade de escolha, mais que necessária, nunca experimentada”. Uma liberdade de ser o que se é, de se ter desejos, de se poder realizar coisas dentro do próprio ritmo, de se aprender novidades de acordo com as preferências. Apesar do envelhecimento significativo da população brasileira, somente há algumas décadas se pode notar um “interesse” e maior preocupação com e pela temática, tanto dos órgãos governamentais quanto da sociedade, surgindo, assim, programas, eventos e projetos destinados a idosos, com destaque para a Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças e Envelhecimento Ativo; Universidades da Terceira Idade; Conselhos Nacional, Estadual e Municipal; Delegacias do Idoso; Associações; campanhas, dentre outros. Todavia, é válido lembrar que muitos desses programas não se expandiram por todo o Brasil, havendo ausência em muitas regiões, onde existe demanda de importante relevo. Aqui se coloca mais um desafio, qual seja: garantir e assegurar a participação do idoso frágil, pobre e analfabeto, bem como aqueles que vivem em Instituições Asilares nesse processo, pois é notório que, na maioria das vezes, participam desses projetos apenas os idosos saudáveis que possuem uma noção mais ampla de seus direitos, face suas condições físicas, econômicas e sociais, que os colocam numa posição mais favorável na influência e na tomada de decisões. O que se pretende é alcançar a inserção de todos os idosos, respeitando, evidentemente, suas capacidades e limitações. É necessário, assegurar um atendimento de saúde que considere as características típicas da velhice, garantir um sistema de aposentadoria básica 55 universal, desmistificar a idéia da velhice associada à fragilidade, ao fim. Isso pode ser assegurado com a execução, na prática, dos direitos sociais dos idosos, previstos nas leis e estatuto em vigor. Envelhecer bem, prolongar a juventude e retardar a morte têm sido ideais permanentes do ser humano. Ao longo dos séculos, filósofos, teólogos e cientistas vêm empreendendo explorações intelectuais sobre qual é a essência do segredo da manutenção da juventude, de uma boa e longa velhice e de morte tardia, feliz e indolor. Espera-se que os indivíduos tenham condições de envelhecer com maior qualidade no futuro, mantendo envolvimento com pessoas e eventos, tendo oportunidade de se manterem ativos e se sentirem felizes em relação a si mesmos. Afinal, o futuro dos idosos depende em grande parte da habilidade para gerar e empregar cultura e tecnologia com o objetivo de alcançar níveis de funcionamento que compensem as perdas. Se as pessoas se mantiverem física e intelectualmente ativas, envolvidas socialmente, em contato consigo próprias, buscando a promoção da saúde e prevenção de doenças, elas poderão envelhecer bem e satisfeitas. Quando o idoso olha para trás, faz uma revisão da sua vida e conclui que ela teve e tem um sentido, certamente, ocorre a sensação de realização, mesmo tendo que conviver com algumas limitações é possível ter um envelhecimento ativo, com mais saúde, inserção na sociedade e maior prazer. 56 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, www.ans.gov.br - acesso em 18/04/2009. ALVES, Rubem. As cores do crepúsculo: a estética do envelhecer. São Paulo: Papirus, 2001. BARRETO, M.L. Admirável Mundo Velho – velhice, fantasia e realidade social. São Paulo: Ática, 1992. BERQUÓ, E. Algumas considerações demográficas sobre o envelhecimento da população no Brasil. In: Anais do I Seminário Internacional “Envelhecimento Populacional: Uma agenda para o final do século”. Ministério da Previdência e Assistência Social. Brasília, 1996. BOLSANELLO, Aurélio; BOLSANELLO, Maria Augusta. Conselhos – Análise do Comportamento Humano em Psicologia. Curitiba: Educacional, 1986. BRASIL. 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Rio de Janeiro: Relume-Dumará: UNATI/UERJ, 2002. 62 INDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTOS 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I ENVELHECIMENTO E SAÚDE 1.1 - Envelhecimento da população 10 1.2 - Perfil demográfico da população no Brasil 11 1.3 - Conceituação do idoso 15 1.4 - Terceira Idade – Principais doenças e fatores de risco 18 CAPÍTULO II PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS 2.1 – Sua importância na questão Saúde 22 2.2 – Legislações Brasileiras – Saúde do Idoso 24 2.3 – O papel do Sistema Único de Saúde – SUS 25 2.4 – Ação da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS 29 63 CAPÍTULO III ENVELHECIMENTO ATIVO – UMA POLÍTICA DE SAÚDE 3.1 – Metas da Organização Mundial de Saúde 35 3.2 – Fatores Determinantes 36 3.2.1 – Fatores comportamentais determinantes 37 3.2.2 – Fatores relacionados ao ambiente físico e social 41 3.2.3 – Fatores econômicos determinantes 43 3.2.4 – Programas e Políticas de Envelhecimento Ativo 46 3.3 – O envelhecer com qualidade de vida e cidadania 47 CONCLUSÃO 52 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 56 ÍNDICE 62 FOLHA DE AVALIAÇÃO 64 64 FOLHA DE AVALIAÇÃO Universidade Candido Mendes – Pós-Graduação Administração em Saúde – Instituto A Vez do Mestre Título da Monografia: Qualidade de Vida na Terceira Idade Autor: Susel Helena de Paiva Silva Data da entrega: 21/07/2009 Avaliado por: Profª Ana Paula Ribeiro Conceito: Lato Sensu