XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011. GESTÃO DE CLUBES DE FUTEBOL: UM ESTUDO DE CASO NO CLUBE BARAÚNAS DE MOSSORÓ RN ALVARO FABIANO PEREIRA DE MACEDO (UFERSA) [email protected] PAULO EMANUEL DE OLIVEIRA LORENA (UFERSA) [email protected] Liana Holanda Nepomuceno Nobre (UFERSA) [email protected] LUCIANA BATISTA SALES (UFERSA) [email protected] JANIEIRY QUEIROGA DA COSTA (UFERSA) [email protected] O desempenho financeiro de uma organização pode ser medido através do cálculo de índices financeiros. Fatores como: grau de endividamento, fontes de recursos, nível de liquidez e rentabilidade e retorno dos acionistas podem ser avaliados attravés da análise dos resultados desses índices. Através de um estudo de caso feito em um clube de futebol da cidade de Mossoró-RN, o presente trabalho analisou e avaliou os índices de liquidez, lucratividade e de endividamento dessa instituição. Analisando as contas de receitas e despesas da Associação Cultural Esporte Clube Baraúnas, a pesquisa apontou que a agremiação fechou o período de 2009 com graves problemas financeiros, resultado da falta de investidores, de falhas estruturais e de mão-de-obra capaz de dar ao clube uma visão profissional de gestão. O estudo observou ainda a necessidade e importância da exploração de estudos acadêmicos na área esportiva, sobretudo no futebol local, pela sua importância dentro de um mercado que movimenta, mundialmente, bilhões de reais todos os anos. Palavras-chaves: Futebol, Baraúnas, gestão esportiva, indices financeiros XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011. 1. Introdução Mesmo com vestígios em diversas culturas antigas, como China e Japão, é difícil precisar de forma contundente a origem do futebol. Do modo como é praticado hoje, o seu surgimento pode ser atribuído à Inglaterra, na segunda metade do século XIX. De lá para cá o esporte bretão foi incorporado ao cotidiano das pessoas em todos os quadrantes do planeta. Em 1933, no governo de Getúlio Vargas, é legitimada no Brasil a profissão de Jogador de Futebol. E, finalmente, em sua terceira fase, já com status de principal esporte do país, o futebol se transforma em um negócio altamente lucrativo, atraindo grandes organizações de diversas áreas do mercado. A parceria da Parmalat - empresa de origem italiana - com a equipe do Palmeiras – fundada por imigrantes italianos – na década de noventa, teve grande destaque por ter gerado resultados financeiramente positivos para ambas as partes e, principalmente, por ter levado a equipe do Palestra Itália à conquista de vários títulos. O sucesso imediato desta parceria, inclusive, superou as expectativas da própria Parmalat. (COSTA, 2007). O caso da Parmalat é apenas um dos exemplos bem sucedidos da inserção das grandes organizações no meio futebolístico. O esporte que sempre atraiu multidões de apaixonados aos estádios, hoje, assim como outros esportes, influencia também os mais variados segmentos do mercado, atraindo investidores de todas as áreas. Segundo a última revisão feita pela CBF (2009) - órgão que coordena as atividades esportivas nacionais – até 22 de outubro de 2009 existiam, no país, 783 clubes de futebol. A maneira como é exercida a administração desses clubes é, hoje, elemento de estudo de vários especialistas. Segundo Costa (2007), a administração no futebol é dividida basicamente em profissional e amadora. Entretanto, os cientistas já observam a transação da gestão esportiva amadora para a profissional. Dentro de um contexto de pressão por parte do governo e de despesas crescentes, que aumentam a uma taxa maior do que as receitas, devido à crescente concorrência por jogadores com clubes estrangeiros, a administração do futebol brasileiro caminha para sua profissionalização. (MARQUES; COSTA, 2009, p. 120). É bem verdade que a administração de clubes esportivos possui características peculiares (Ibid., p. 120). E estas características, que são assumidas conforme o setor social onde esses clubes estão inseridos devem ser compreendidas pelo administrador profissional. Contudo, “A área de Administração Esportiva envolve a aplicação dos conceitos e teorias gerais da Administração” (BASTOS, 2003, p.2), o que torna a estrutura administrativa desses clubes semelhante a de uma organização empresarial. Entretanto, o que se vê é a acentuada falta de vigor financeiro dos clubes. “Boa parte deles sobrevive em situações financeiras preocupantes, afundados em dívidas acumuladas por anos de déficit operacional” (GODOY, 2009, p. 1). O problema de estudo deste trabalho envolve a área de finanças da Associação Cultural Esporte Clube Baraúnas e visa responder qual o desempenho financeiro desse clube. Portanto, o objeto a ser estudado é estritamente a área financeira do clube. O objetivo geral da pesquisa é analisar o desempenho dessa agremiação. São analisados, na pesquisa, os elementos que formam as receitas e as despesas do time, assim como os demais itens das demonstrações contábeis. Os objetivos específicos analisados são: (a) apresentar os principais índices financeiros utilizados; (b) calcular esses índices e (c) demonstrar através dos índices a realidade financeira do clube. 2. Referencial teórico 4 XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011. Inicialmente o futebol não era acessível às classes inferiores, era um esporte essencialmente elitista, praticado por pessoas brancas da alta classe social. (SANTOS, 1981; PEREIRA, 2003; LANNI 2008a; NASCIMENTO, 2008; CAMPOS E SEITZ, 2008). Os primeiros a terem contato com o esporte foram os jovens que freqüentaram as escolas européias no final do século XIX. Em 1895, Charles Miller fundou o São Paulo Athletic Club. Em 14 de abril do mesmo ano foi realizado na Várzea do Carmo, ao lado do rio Ramanduateí em São Paulo, o primeiro jogo oficial no Brasil, entre os times da Companhia de Gás e da Estrada de Ferro São Paulo Railway. Na ocasião a equipe do São Paulo Railway venceu por 4 x 2 PEREIRA (2003). Segundo uma publicação datada de 1904, só na cidade de São Paulo existia 118 instituições esportivas, sendo 72 dedicadas ao futebol LANNI (2008b). O futebol não foi no Brasil, em suas primeiras fases evolutivas, somente um objeto de diversão ou um instrumento político. Desde o início, antes mesmo de sua profissionalização, já se percebia práticas de negócios. Os atletas amadores mais talentosos já recebiam dinheiro para atuar pelos clubes. A profissionalização do jogador de futebol ocorrida em 1933 que inseriu os atletas dentro das leis trabalhistas e sindicalizou o esporte organizou os salários pagos aos atletas que se tornaram funcionários do clube em que atuavam. Algumas instituições também já se aproveitavam do esporte para a divulgação de suas marcas. Morel (2010) cita vários anúncios feitos por empresas que já utilizavam o marketing no futebol explorando tanto jogadores quanto os times e a seleção brasileira. Mas foi a partir da década de 80 na fase de transição política do país, que as empresas se incorporaram definitivamente no futebol. Segundo Pereira (2003), o primeiro fato marcante da entrada da iniciativa privada no Brasil ocorreu em 1987 através do contrato do Clube dos Treze com as companhias Coca-Cola e Açúcar União, que deu nome à competição chamada Copa União. Esse campeonato ficou marcado por uma das maiores polêmicas do futebol brasileiro. De acordo com o autor, estavam de lados opostos da polêmica a CBF, que ainda mantinha forte ligação com o Estado, e as equipes que faziam parte do chamado Clube dos Treze, que começavam na época a estreitar suas relações com a iniciativa privada. Pereira (2003) afirma que a briga aconteceu por motivos financeiros. No contrato da Coca-cola com o Clube dos Treze estava previsto que todos os times colocariam a marca do refrigerante nos uniformes. Vários clubes do módulo amarelo não aceitaram os valores propostos no contrato e se negaram a estampar a marca. A solução encontrada pelo Clube dos Treze foi a de não haver cruzamento dos grupos de forma que o campeonato envolvesse apenas as equipes do módulo verde. Apesar dos efeitos negativos causados pelo fracasso inicial da iniciativa, como a interrupção do contrato entre Clube dos Treze e Globo (CIDADE DO FUTEBOL, 2007), o campeonato de 1987 introduziu elementos importantes na estrutura do futebol brasileiro, “Entre elas a criação do Conselho Arbitral na CBF e federações, aliança dos grandes clubes com a TV, parcerias com empresas privadas para patrocinar clubes e competições, entre outras” (IBID, 2007, p.1). Na Copa União, a Coca-cola estampava a sua marca nos uniformes das equipes, contudo a relação dela com clubes se resumia em pagar pelo espaço no uniforme. A parceria da Parmalat com o Palmeiras marcou essa mudança de paradigma que atingiu o setor profissional, Pereira (2003); Costa (2007), Bellenzier (2007). Em 1992, Palmeiras e a empresa italiana Parmalat assinaram um acordo de cogestão do departamento de futebol do clube, com um investimento anual da empresa de US$ 6 milhões e uma divisão de funções (o patrocinador era responsável pelo nível técnico da equipe, e o clube ficava com as responsabilidades estruturais). 5 XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011. Para se associar ao Palmeiras, a empresa italiana colocou como exigência a administração partilhada no futebol, com decisões tomadas sempre em conjunto. (COSTA, 2007. P.1) Essa participação na gestão do clube não foi exclusiva no palmeiras. A forma adotada pela Parmalat para administrar a relação com os clubes parceiros era em via de regra não assumir somente um contrato de patrocínio como também de co-gestão do departamento de futebol das entidades patrocinadas (TEITELBAUM, 1997). Além do Palmeiras, Etti Jundiaí (atual Paulista), Santa Cruz e Juventude firmaram parcerias nos moldes da que havia sido feita com a diretoria do Palmeiras (COSTA 2007). A aproximação entre Juventude e Parmalat ocorreu por iniciativa do próprio clube em 1993. A equipe se ofereceu como um instrumento de marketing e pleiteou, em troca, uma contrapartida financeira da empresa, (TEITELBAUM, 1997). Uma vez firmado o contrato, ele se configurou mais como uma formalidade comercial do que propriamente como um documento que procurasse firmar rigidamente objetivos ou procedimentos. Fixava os direitos e obrigações de ambas as partes, incluindo elementos como a oferta de respaldo financeiro em troca de veiculação da logotipia da empresa nos uniformes de treinamento, viagem e competição utilizados pela equipe, além de uma certa quantia adicional, referente à colocação de placas com publicidade da empresa no interior do estádio Alfredo Jaconi (Ibid, 1997, p.50). A prioridade dos contratos da Parmalat com as equipes era a exposição de sua marca e essa estratégia obteve resultados positivos. A Companhia, que não figurava entre as líderes do mercado, chegou a ocupar a segunda colocação entre as empresas do gênero alimentício no Brasil, atrás somente da Nestlé (Bellenzier,2007). Com o sucesso alcançado nas parcerias a empresa italiana diversificou os negócios e adotou também a estratégia de contratar jogadores e vinculá-los a seus parceiros. De acordo com Costa (2007), os lucros com as negociações de atletas, que não havia sido considerado como um ponto fundamental para o projeto acabou se tornando a forma de auto-sustentação do programa. “Várias reportagens publicadas em jornais indicam que a multinacional afirma ter lucrado, desde o início da co-gestão, US$ 25 milhões com a venda e a compra de jogadores” (SPESSOTO, 2008, p.26). A parceria também teve reflexos positivos paras as equipes. O Palmeiras saiu de um jejum de dezessete temporadas sem títulos e conquistou dois campeonatos brasileiros e três campeonatos paulistas com a parceria, enquanto que o Juventude conquistou, em 1994, o título de Campeão Brasileiro da Série B, ascendendo ao grupo dos maiores clubes de futebol do País, (TEITELBAUM, 1997). Depois disso, outras empresas também entraram com estratégias agressivas no futebol como o Banco Excel, que entrou no mercado em 1997 e patrocinou o Vitória e o Corinthians e logo em seguida Botafogo, América MG e o Juventude. A empresa obteve bastante sucesso com a parceria com o Vitória através de inovações nos padrões oficiais do uniforme, criando novos desenhos a cada temporada e adotando o terceiro padrão oficial, amplamente adotado na Europa, mas que era ignorado pelos times brasileiros (PEREIRA, 2008). 2.1. Dificuldades financeiras e a necessidade de administração profissional dos clubes Desde o Governo de Getúlio Vargas, com sua política nacionalista que ajudou a transformar o futebol num importante elemento da cultura brasileira até as intervenções das organizações particulares nos clubes de futebol, uma coisa não mudou: a dura realidade financeira dessas equipes. A criação do Clube dos Treze foi uma iniciativa dos principais times do país que resolveram se unir para tentar reorganizar o futebol brasileiro em termos mais profissionais (CIDADE DO FUTEBOL, 2007). As parcerias como a da Parmalat, que mudaram os padrões da estrutura administrativa dos clubes através da co-gestão, não obtiveram sucesso. Para 6 XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011. Bellenzier (2007), uma possível causa do fracasso desses modelos foi falta de profissionalismo e de seriedade no meio esportivo brasileiro. Pereira (2003) reforça esse pensamento ao afirmar que o Vitória foi um das poucas equipes do Brasil que aproveitaram essa fase de aproximação dos clubes com a iniciativa privada, incorporando procedimentos mais modernos de administração, àqueles que já existiam, pois o time baiano tinha profissionalizado várias áreas da instituição antes mesmo da parceria com o Excel. A partir de 2000 com a chegada dos investidores privados e grandes fundos de investimento no futebol brasileiro, que vislumbravam a possibilidade de alcançarem elevadas taxas de retorno sobre o investido no curto prazo, houve a tentativa de transformar os clubes em empresas, “mas isto não aconteceu por avanços e retrocessos na legislação brasileira e mudanças na própria legislação internacional estabelecida pela FIFA” (IBID, 2003, p.69). Um exemplo conhecido desse tipo de investimento foi a parceria firmada em 2005 entre Corinthians e MSI (Media Sports Investment) e que terminou em 2007 devido a suspeitas de evasão de divisas e corrupção por parte dos dirigentes corintianos, Cataruzzi (2009). Outro aspecto que dificulta a transformação dos clubes em empresas é a desconfiança e o desconhecimento de muitos dirigentes com a economia do futebol e a importância que representa para um time contar com firmes investidores e empresas que façam patrocínios de longo prazo, Cidade do futebol (2007). Para Pereira apud Anunciação (2003); Costa (2007); Cidade do futebol (2007), essa desconfiança se deve a falta de conhecimento científico das pessoas que comandam o esporte, que são na maioria das vezes ex-atletas ou pessoas fundamentadas pelo conhecimento empírico. De acordo com COSTA (2007) é preciso entender a estrutura ligada ao esporte, que é basicamente dividida entre profissional e amadora, para compreender a administração no futebol. Para ele existem várias maneiras de se organizar uma equipe esportiva e de inseri-la no contexto profissional do esporte, e que para isso é importante que o setor administrativo trabalhe como facilitador e acelerador de processos dentro da agremiação, dando um caráter mais dinâmico às atividades, aumentando assim as chances de obtenção de receita. Para uma melhor gestão, é importante a interação do setor administrativo com todas as áreas, investindo em marketing, em melhoria nos estádios, em uma maior transparência e um melhor atendimento ao seu principal consumidor – além de associar o conceito de competência e estratégia no âmbito esportivo, assim como acontece no ambiente empresarial (COSTA, 2007; CATARUZZI, 2009). 2.2. Breve história da origem do Baraúnas O Esporte Clube Baraúnas foi fundado em 14 de janeiro de 1960 e nasceu de um bloco carnavalesco. Em 1924 foi criado na cidade de Mossoró um bloco de carnaval denominado “Baraúnas”, em homenagem ao cacique que dirigia a tribo Monxorós - primeiros habitantes do local que viria a se tornar a cidade de Mossoró RN - e cujas cores eram o verde, o vermelho e o branco. Em 1966 o clube mudou sua razão social para “Associação Cultural Esporte Clube Baraúnas”, visando o amparo legal e a busca de dotação oriunda dos órgãos competentes, recebendo o título de utilidade pública pela Lei Estadual n° 4268/73 e pela Lei Municipal n° 60/63 (CAMPEÕES DO FUTEBOL, 2007). A maior conquista do “leão do oeste” ou “Baru”, como é chamado pelos torcedores foi primeiro lugar no campeonato estadual de 2006 - e seu maior destaque em nível nacional aconteceu um ano antes na Copa do Brasil. No torneio a equipe chegou a eliminar equipes de renome como Vitória e Vasco da Gama, mas acabou eliminado nas quartas-de-final pelo Cruzeiro. 2.3. Administração financeira – índices financeiros e desempenho organizacional 7 XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011. De acordo com BRUNORO & AFIF (1997, p.57) APUD PEREIRA et. e al. (2010), um clube de futebol deve contar com os departamentos técnico, administrativo e de recursos humanos, financeiro, marketing e de patrimônio. Segundo Gabardo (2008), os clubes, de acordo com a realidade financeira em que se encontram, montam as equipes que disputarão os campeonatos de forma a suprir as suas próprias expectativas, as dos torcedores e as dos investidores. Ele argumenta que apesar de não obterem retorno financeiro sobre o dinheiro investido, os torcedores não se importam desde que os dirigentes formem grandes esquadrões que lhe dêem alegrias. Já os acionistas e aplicadores investem esperando o retorno financeiro, e ao contrário dos torcedores, se o dinheiro aplicado não trouxer retorno, seus administradores terão que se explicar pelo fracasso. É o administrador financeiro que cuida da riqueza dos acionistas. Para Gitman (2004), ele deve gerir ativamente os assuntos financeiros de qualquer tipo de empresa, seja ela financeira ou não financeira, pública ou privada, grande ou pequena, com ou sem fim lucrativo. Lemes Júnior, Rigo e Cherobim (2007) descrevem Administração financeira como uma arte e ciência que administra os recursos financeiros, maximizando a riqueza dos acionistas, sendo este, portanto, o seu objetivo. Essa definição enriquece a afirmativa de Gabardo (2008) de que é necessário que os administradores conheçam bem o funcionamento do futebol como negócio para diminuir as probabilidades de fracasso, que acarretariam em prejuízo não só para os clubes como também para os que neles investem. 3. Metodologia Para atingir os objetivos propostos no estudo, o presente estudo abordará o nível de pesquisa exploratória, pois se pretende obter uma visão geral do fenômeno estudado. A pesquisa exploratória normalmente permite um planejamento mais flexível, mas, por outro lado, não estuda minuciosamente o objeto estudado, fazendo com que haja a necessidade de um estudo posterior. Portanto, esse nível de pesquisa muitas vezes se constitui em um primeiro passo para a realização de uma pesquisa mais aprofundada. Segundo Oliveira (2005), esse procedimento implica em dois tipos de abordagem para o fenômeno que se pretende estudar: abordagem qualitativa e abordagem quantitativa. O autor descreve as duas abordagens da seguinte maneira: O método quantitativo significa quantificar dados obtidos através de informações coletadas por meio de questionários, entrevistas, observações. (OLIVEIRA, 2005, p. 38). A pesquisa qualitativa pode ser caracterizada como sendo a tentativa de explicar o significado e as características do resultado das informações obtidas através de entrevistas ou questões abertas, sem a mensuração quantitativa de características ou comportamentos. (OLIVEIRA, 2005, p.39). Oliveira (2005) e Cesar (2010) enfatizam que esses dois tipos de abordagens não são excludentes, é possível em uma pesquisa quantitativa, recorrer a dados qualitativos para melhor análise e vice versa, portanto um trabalho pode ser de natureza qualitativa, quantitativa ou dos dois métodos combinados. O trabalho apresentado aborda técnicas tanto qualitativas quanto quantitativas para analisar o objeto estudado. O trabalho, portanto, trata-se de um estudo de caso com fundamentação teórica que investiga o fenômeno em seu contexto real. O Método do Estudo de Caso é uma abordagem qualitativa e é freqüentemente utilizado para coleta de dados na área de estudos organizacionais (CESAR, 2010). Todavia, o estudo de caso pode ser considerado um método eclético que pode utilizar diferentes técnicas e métodos para facilitar a compreensão do objeto ou fenômeno em seu contexto (MAREN, 1995 APUD OLIVEIRA, 2005). Portanto, embora tenha natureza qualitativa, o estudo de caso pode se utilizar de ferramentas quantitativas para analisar o objeto estudado. 8 XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011. Para o levantamento dos dados os instrumentos utilizados foram a entrevista e a análise documental. foi realizada uma entrevista com o gestor financeiro da entidade Associação Cultural Esporte Clube Baraúnas, assim como a análise dos documentos pertinentes ao assunto estudado, no caso a Demonstração de Resultados e o Balanço Patrimonial do ano de 2009 do clube. A entrevista é caracterizada pela relação direta entre pesquisador e entrevistado e pela utilização do registro das respostas em gravadores ou anotações manuais. “Na entrevista é possível aplicar um questionário ou simplesmente utilizar um roteiro com itens que exijam respostas livres” (OLIVEIRA, 2005, p.32). As perguntas foram elaboradas na forma de um roteiro semi-estruturado com questões pertinentes ao objeto de estudo. O objetivo da análise documental é identificar, em documentos primários, informações que sirvam de subsídio para responder alguma questão de pesquisa. Para Sá-Silva, Almeida e Gundani (2009), a riqueza de informações que podemos extrair e resgatar dos documentos justifica o seu uso em várias áreas das Ciências Humanas e Sociais. A análise das Demonstrações e do Balanço Patrimonial da equipe estudada foi fundamental para se chegar ao objetivo principal do estudo. 4. Resultados Através de uma entrevista realizada com o diretor de futebol da Associação Cultural Esporte Clube Baraúnas, juntamente com a análise de documentos de natureza financeira foram coletados dados sobre a estrutura física e financeira do clube. A equipe possui os departamentos: Administrativo, Técnico (futebol) e de Patrimônio, além dos departamentos de Marketing e Financeiros que são terceirizados. Em sua estrutura hierárquica, o Presidente do clube detém o maior poder de decisão. Todos os planejamentos tomados passam pela sua avaliação e aprovação antes de serem executados. O presidente é também o responsável por formar parcerias com empresas públicas e privadas (patrocínios, apoio, etc) e com outros clubes de futebol (parcerias). Abaixo dele estão o vice-presidente, os diretores de futebol e de patrimônio, e os funcionários ligados ao clube. Os maiores bens da entidade são o Centro de Treinamento e um microônibus. O Centro conta com uma boa infra-estrutura em um espaço bastante amplo, tem em seu espaço físico três campos de futebol, restaurante e alojamento para jogadores e demais funcionários. O microônibus foi obtido pelo clube através do capital recebido pela classificação da equipe na competição “Copa do Brasil” no ano de 2005 e é utilizado para o transporte dos jogadores aos treinamentos e aos jogos em cidades próximas. Para o Diretor do departamento de futebol a entidade tem um histórico de dificuldades. Segundo ele, o melhor momento do clube ocorreu nos anos de 2005 e 2006. Em 2005 a equipe se classificou para as quartas-de-final da Copa do Brasil e enfrentou equipes grandes do futebol brasileiro como Vasco da Gama - RJ e Cruzeiro – MG. A premiação paga pela classificação final rendeu a equipe capital suficiente para fechar o ano com um balanço positivo, que foi investido para melhorar a estrutura do clube e para formar uma equipe forte para disputar a competição estadual do ano seguinte. A equipe se sagraria campeã, pela primeira vez, do torneio estadual em 2006, mas voltaria, no ano seguinte, a viver sob grandes dificuldades financeiras. “falta um maior apoio do poder público e também das empresas que não arriscam investir no clube, e aí dificulta porque fica sem ter de onde sair o dinheiro para formar um bom time para fazer um bom campeonato.” (CITAÇÃO VERBAL). A falta de apoio é, portanto, a maior dificuldade enfrentada pelo clube que tem todas as suas atividades voltadas para as disputas de campeonatos de futebol. 9 XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011. De acordo com o diretor esportivo do Baraúnas, o clube teve um ano negativo em 2009. A entidade sofreu, como na maioria dos anos, com a falta de investimentos. Além disso, começou suas atividades muito antes do início do campeonato, data que segundo ele, atrai os patrocinadores, e com isso adquiriu um déficit pré-operacional, e não teve recursos para manter os pagamentos em dia. “Muitas vezes o dinheiro sai do bolso do presidente ou de colaboradores, de um torcedor, do diretor, porque às vezes o dinheiro que entra não é suficiente para cobrir as despesas de pré-temporada.” (CITAÇÃO VERBAL). A equipe entrou em campo pela primeira vez no campeonato estadual de 2009 no dia 22 de janeiro e sua última partida aconteceu em 16 de abril. Nesse período foram vinte jogos, dez deles como visitante. Esse período de três meses tem um balanço financeiro diferente do restante do ano. Por se tratar da principal competição na maioria dos anos, é nessa época que os gastos e as receitas são maiores. Nos meses seguintes os gastos e as receitas diminuem. Os jogadores de salários mais altos, assim como a comissão técnica são liberados e o time passa a jogar os campeonatos seguintes com atletas e comissão técnica da base, acarretando numa diminuição significativa da folha salarial. Em conseqüência as principais fontes de receita também apresentam um índice significativo de diminuição. A entidade não elabora o Balanço Patrimonial oficial, nem as Demonstrações contábeis, sendo que as contas do clube são separadas apenas em receitas e custos ou despesas e devidamente arquivadas. Outro ponto importante a ser destacado é relativo às fontes de informação. Os dados divulgados neste trabalho foram obtidos através da análise de inúmeros documentos e os seus valores expressos no valor médio de todas as contas de receitas e despesas da agremiação. Portanto, os balanços apresentados apresentam números próximos do valor real de cada item, de forma que possibilita a análise, os cálculos e a conclusão dos objetivos propostos na pesquisa. Os dados obtidos a seguir se referem ao fechamento do período contábil de 2009. O balanço e as demonstrações foram elaborados pelo autor para separar e organizar os itens e seus respectivos valores, com o objetivo de facilitar a leitura e a compreensão dos dados. O valor Total do Ativo - a soma dos ativos: circulante, não circulante e ativo permanente - da entidade em 2009 foi de aproximadamente R$ 4.087.000,00, sendo a maior parte desse valor concentrada no Ativo permanente da agremiação. O valor Total do Passivo – a soma dos passivos: circulante, não circulante e Patrimônio Líquido – da entidade em 2009 foram de aproximadamente R$4.087.000,00, sendo a maior parte desse passivo, concentrada no Patrimônio Líquido. As principais fontes de receitas do clube são: patrocínio, direitos de transmissão, bilheterias e doações. Além dessas fontes principais a equipe recebe também uma porcentagem pela venda de seus produtos, como camisas, chaveiros, bonecos, etc. pelo restaurante que funciona no Centro de Treinamento e pela venda de jogadores. As Receitas foram assim discriminadas: Vendas 4.000,00 (quatro mil reais); Publicidade 5.000,00 (cinco mil reais); Esportivas 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais); Doações 12.000,00 (doze mil reais) e Outras receitas 5.000,00 (cinco mil reais), totalizando 71.000,00 (setenta e um mil reais). As Receitas esportivas, que representam aproximadamente 63% do total advêm dos ganhos obtidos ao longo das disputas dos campeonatos, como receitas de bilheteria. A conta doações é formada pelo capital cedido, em parcelas anuais, por torcedores, colaboradores e membros da própria diretoria, que ajudam a equipe nas disputas dos campeonatos. A conta outras receitas é formada por receitas obtidas com a utilização do espaço do Centro de Treinamento por terceiros, como restaurante, aluguel de campo, etc. 10 XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011. As despesas do clube em 2009 advieram dos custos com viagens e hospedagens nos jogos disputados fora de casa, serviços especializados e despesas esportivas: pagamento de arbitragem, taxa de uso de estádio, e outros. Todos esses gastos geraram uma despesa bruta total em torno de R$120.000,00. As Despesas foram assim discriminadas: Viagens e hospedagens 30.000,00 (trinta mil reais); Serviços especializados 20.000,00 (vinte mil reais); Esportivas 60.000,00 (sessenta mil reais); e Outras despesas 10.000,00 (dez mil reais). ATIVO CIRCULANTE 48.000,00 PASSIVO CIRCULANTE 122.000,00 Disponível Caixa 12.000,00 Créditos Direito de transmissão Patrocínio 8.000,00 25.000,00 Estoques Materiais esportivos 3.000,00 ATIVO NÃO CIRCULANTE 4.000,00 PERMANENTE 4.000,00 4.035.000,00 Investimentos Município Fornecedores 10.000,00 Outras contas a pagar 30.000,00 Obrigações trabalhistas Salários 82.000,00 PASSIVO NÃO CIRCULANTE 10.000,00 Exigível a longo prazo Realizavel a longo prazo Outras contas a receber Obrigações comerciais 20.000,00 Empréstimos 10.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 3.955.000,00 Capital 3.905.000,00 Prejuízo operacional 50.000,00 Imobilizado Veículo Centro de Treinamento 15.000,00 4.000.000,00 Fonte: Elaboração dos autores, 2010 Tabela 1 – Balanço Patrimonial de 2009 Todo o controle das despesas e receitas é feita por um contador que atua na prestação de serviço ao clube. Além disso, o marketing também é feito por uma empresa terceirizada que lucra com a marca Baraúnas e passa para esse uma porcentagem dos lucros. Os produtos também não são vendidos diretamente pelo clube. Camisas, chaveiros, adesivos e outros acessórios com a marca da equipe são fabricados, distribuídos ao clube e vendidos ao público por outra empresa e parte da venda - apenas 20% - é destinada ao clube. 4.1. Análise dos índices De acordo com Gitman (2004), para acompanhar e analisar o desempenho das empresas é realizado cálculos de índices financeiros e as interpretações desses índices é que permitem a avaliação desse desempenho. Segundo ele, os elementos básicos dessa análise são as demonstrações de resultados e o balanço patrimonial da empresa. Geralmente, esses índices 11 XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011. de liquidez, atividade e endividamento medem risco; os de rentabilidade medem retorno; os de valor de mercado capturam tanto risco como retorno. O índice de liquidez corrente é: Índice de Liquidez Corrente = A.C 48.000,00 = = 0,393443 P.C 122.000,00 De acordo com Gitman (2004), quanto maior o valor do índice de liquidez corrente, mais líquida é a empresa, e que a aceitação desse valor do índice depende do setor em que a empresa atua, mas em geral, um resultado igual a 2 é considerado aceitável. Em 2009, o clube apresentou um índice baixo de Liquidez corrente, aproximadamente 0,39. Isso significa que para cada R$1,00 de dívidas totais, a empresa dispõe de apenas R$0,39 de bens e direitos a serem realizadas no curto prazo. Essa liquidez baixa pode representar dificuldades financeiras e indicar problemas com o fluxo de caixa da instituição. O índice de Liquidez Imediata é: Índice de Liquidez Imediata = D + A.T 12.000,00 = P.C = 0,098361 122.000,00 Quanto maior a Liquidez Imediata da empresa, maior será a sua capacidade de saldar seus compromissos apenas com recursos de caixa. O valor de aproximadamente 0,09 mostra que as disponibilidades do clube são muito inferiores ao total de obrigações que ele tem para pagar no curto espaço de tempo, não tendo, portanto, condições de saldar imediatamente as suas dívidas. O índice de Liquidez geral é: AC + RLP Índice de Liquidez Geral = 52.000,00 = P.C + ELP = 0,39394 132.000,00 A empresa tem maior capacidade em honrar os seus compromissos de curto e longo prazo através apenas de suas disponibilidades e de seus realizáveis a longo prazo, sem precisar utilizar o seu ativo permanente, quando o seu índice de Liquidez Geral é alto. O valor de 0,39 indica que para cada real de dívida de curto e de longo prazo, o Baraúnas dispõe de apenas 39 centavos de recurso disponível em ativo circulante e realizável a longo prazo, não tendo portanto capacidade de honrar seus compromissos de curto e longo prazo sem utilizar o seu ativo permanente. O índice de Participação de terceiros é: PC + ELP Índice de Participação de terceiros 132.000,00 = A.T = 0,03229 4.087.000,00 De acordo com Téles (2003), o índice de endividamento pode ser visto por dois pontos de vistas, o financeiro e o de obtenção de lucro. Analisando pelo financeiro, quanto maior a participação de terceiros, menor a liberdade de decisões financeiras da empresa e maior a sua 12 XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011. dependência sob esses terceiros. Já do ponto de vista de obtenção de lucros, pode ser vantajoso para a empresa trabalhar com Capitais de Terceiros, desde que a remuneração paga a estes seja menor do que o lucro obtido com a aplicação desse capital nos negócios. O autor indica que sempre que for abordado o índice de Participação de Capitais de Terceiros, deverá fazer a análise levando exclusivamente o ponto de vista financeiro, ou seja, o risco de insolvência e não em relação ao lucro ou ao prejuízo. O cálculo do índice de Capital de Terceiros aponta que a participação de terceiros na empresa é de pouco mais de 3% do total. Um valor bem baixo, que aponta a pouca participação de capital de terceiros na agremiação. Mas apesar do Capital Próprio da organização ser maior que o Capital de Terceiros, a maior parte desse capital está concentrada no Ativo Permanente, demonstrando a falta de Capital Líquido Circulante nas atividades do clube em 2009. Um dos índices mais importantes a ser calculado na pesquisa, o Imobilizado do Patrimônio Líquido é: A.P 4.035.000,00 = Imobilização do Patrimônio Líquido = PL = 1,04129 3.875.000,00 Quanto maior for o resultado, pior para a empresa porque quanto mais a empresa investir no Ativo Permanente, menos sobrará de recursos próprios para o Ativo Circulante e, em conseqüência disso, maior será a dependência de Capitais de Terceiros para o financiamento do Ativo Circulante. O Baraúnas apresenta um índice de Imobilização do Patrimônio Líquido de 104,13% aproximadamente, a análise desse resultado é de que para o Recurso próprio do clube está concentrado em sua totalidade no Ativo Permanente, não sobrando recursos para investir no Ativo Circulante. A análise desses dois índices mostrou que o clube dispõe de pouco capital de terceiros para financiar as suas atividades como também de Capital Próprio para financiar as operações e saldar as dívidas, indicando um alto índice de insolvência na instituição. A margem de Lucro bruto é: Margem Bruta = R.V – CPV -49.000,00 = R.V = -0,69014 71.000,00 Em 2009, a Associação Cultural Esporte Clube Baraúnas teve um prejuízo bruto de R$49.000,00. Isso significa que sua receita de vendas no ano foi menor do que o custo dos produtos vendidos, o que fez com que o clube fechasse o ano com uma margem bruta negativa de aproximadamente 69%. Esse resultado quer dizer, em outras palavras, que a cada real obtido pela venda de um produto, o Baraúnas teve um custo de 1,69 reais com esse produto, tendo um prejuízo de 0,69 centavos por produto vendido. A Margem de Lucro Líquido : L.L Margem Líquida = -50.000,00 = R.V = -0,70423 71.000,00 O clube fechou o ano com um prejuízo operacional líquido estimado em R$50.000,00. Isso acarretou num valor negativo de índice de Margem líquida, aproximadamente 70% negativo. 13 XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011. Isso significa que a empresa está operando no prejuízo, onde os custos operacionais são bem maiores que as receitas de venda. O Retorno do Capital próprio é: L.L Retorno sobre o Patrimônio Líquido = P.L = -50.000,00 = -0,0264 3.955.000,00 Esse índice é especialmente importante para os acionistas. Quanto maior seu resultado, melhor para os investidores. O Prejuízo líquido do Baraúnas foi de aproximadamente 50.000 reais em 2009. Os investimentos não trouxeram lucro para a entidade, que fechou o ano com balanço negativo e, conseqüentemente, não trouxeram o retorno esperado pelos acionistas que nela investiram. 5. Conclusões Ao investigar dados da entidade pesquisada o trabalho apresentado concluiu que a agremiação convive sob graves problemas financeiros e estruturais que acarretam na falta de investidores. A administração, conforme as palavras do Diretor de Futebol da entidade é feita de forma amadora assim como, segundo ele, na maioria dos clubes do Brasil. Um indício desse amadorismo é a visão de curto prazo dos dirigentes que controlam o clube e essa conclusão é firmada pelo exemplo descrito pelo diretor sobre o planejamento do clube para o exercício de 2006, quando o clube dispunha de um capital considerável e se encontrava num estágio de maior visibilidade no cenário nacional. Essa visibilidade atraiu os patrocinadores e o clube teve condições de formar uma boa equipe para a disputa dos campeonatos. Com a situação confortável no início das atividades, o clube fez todo o planejamento com o objetivo de vencer o campeonato estadual, que até então nunca havia conquistado. Os dirigentes traçaram metas de curto prazo, mas não fizeram planos para o futuro do clube, investindo todo o capital disponível em um único ano. E assim, mesmo tendo conquistado os objetivos próprios e também dos torcedores com a conquista inédita do campeonato estadual de 2006, o clube não conseguiu recuperar o investimento feito e os acionistas não tiveram retorno. Em 2007, mesmo com a visibilidade mantida, o mau planejamento, fruto de uma visão limitada do negócio afastou os investidores e a agremiação já se encontrava na mesma situação que nos anos anteriores, sem dinheiro em caixa e sem acionistas dispostos a investir no clube. A falta de capital próprio e de financiamentos fez com que a equipe não tivesse condições de contratar bons jogadores e de disputar as primeiras colocações dos campeonatos, sem receitas o clube fica incapaz de saldar suas dívidas. Esse desequilíbrio nas contas foi comprovado nos cálculos dos índices. O clube dispõe de um passivo circulante maior que o ativo, que está todo concentrado no permanente, demonstrando a falta de liquidez do clube. Essa falta de disponibilidades, aliada ao pouco investimento de terceiros deixa o clube numa situação de insolvência. A diminuição das receitas resulta numa queda de lucratividade, as despesas passam a ser maiores e faz com que o clube feche o ano com prejuízo. Os acionistas que investem não obtêm retorno e isso os afasta. E a falta de uma melhor estrutura administrativa aliada com o grave problema financeiro impede a chegada de potenciais investidores. Por último, cabe destacar que a má administração não é resultado da incompetência dos dirigentes, mas sim da falta de conhecimento científico dos mesmos. Como destacou o diretor entrevistado, sobram cargos no clube, mas falta mão-de-obra qualificada capaz de mudar sua estrutura e incorporar um modelo de administração profissional sobre o mesmo. 14 XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011. Referências BASTOS, Flávia da Cunha. Administração Esportiva: área de estudo, pesquisa e perspectivas no Brasil 2003. 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