Plano da Bacia Hidrográfica do RIO TRAMANDAÍ A realidade sobre o uso da água na Bacia Quanta água temos? De quanta água precisamos? Qual a qualidade da água? Enquadramento das águas O processo, as escolhas dos cidadãos da Bacia e o comprometimento para o futuro. Editorial N a história das sociedades, os direitos humanos estão sendo construídos através da organização do povo. Os direitos ambientais foram consagrados. Dentre os direitos ambientais, destacamos o direito à água. Nada mais justo que os cidadãos se organizem em defesa da conquista desse direito e tenham a consciência dos seus deveres em relação à água. Devemos utilizá-la com conhecimento e racionalidade, ou seja, com precaução, cuidado e preservação. O Estado pretende assegurar água em qualidade e quantidade para o abastecimento humano e econômico, descentralizando suas ações na gestão da água por regiões e Bacias Hidrográficas, bem como por meio da participação comunitária através dos Comitês de Bacia. A importância das águas para a sociedade é indiscutível. Essa questão preocupante está diretamente associada aos impactos das ações humanas sobre os ambientes de água doce. Identificar tais impactos, conhecer a fundo causas e zconseqüências, adotar medidas de prevenção e buscar soluções é o caminho que estamos percor- Sem se conhecer a realidade não se consolida nenhum propósito! rendo através dos estudos realizados que chamamos Plano de Bacia. Esta revista apresenta ao leitor a Bacia Hidrográfica do Rio Tramandaí, com o objetivo de proporcionar, além de um pouco de história, conhecimento suficiente para que os moradores da Bacia possam se orgulhar do seu lugar, das suas águas e contribuir na tomada de decisões sobre os rumos da sua comunidade, assegurando o acesso e a qualidade da água, sua preservação e sua gestão pública. A Questão da Água N as águas banhamos nossos filhos, buscamos nosso alimento. Ao redor das águas erguemos nossas cidades, desenvolvemos nossas indústrias e agricultura. Sob a benção das águas amamos, carregamos nossa gente unindo povos e culturas. A água abraça e conforta. Há algum tempo a natureza era repleta. As florestas eram muito extensas, havia muitos animais, a terra era mais fértil, e as águas refletiam esta riqueza, pois eram límpidas e abundantes. Hoje as águas que banham e alimentam nossos filhos estão ameaçadas. Não por falta de água disponível, mas pela maneira como o homem se utiliza deste bem natural. O mau uso caracteriza-se tanto pelo uso excessivo, ou seja, o abuso ou desperdício (que reduz a quantidade) quanto pelo uso inadequado, que resulta na degradação (o que compromete a sua qualidade). No passado, quando as cidades eram menores e a necessidade por abastecimento, alimentos e energia era pequena, a quantidade de água utilizada podia ser atendida pela quantidade existente na natureza. No entanto, o crescimento da população e o desenvolvimento econômico acabaram por reduzir as disponibilidades hídricas. A sociedade moderna passou a usar a água de formas mais variadas. O leitor deve lembrar de crises enfrentadas por epidemias, falta de alimentos, sendo que, sem dúvida, a próxima crise a ser enfrentada, será de disponibilidade de água. Essencial à vida, a água é um recurso fundamental que de diferentes maneiras serve ao homem há milhões de anos. Sem dúvida, a próxima crise a ser enfrentada, será de disponibilidade de água. 1 A Bacia do Rio Tramandaí Localização da Bacia do Tramandaí no mapa do estado do Rio Grande do Sul dezessete comunidades com características diferentes que têm na água seu ponto comum. Desses municípios alguns estão totalmente dentro da Bacia: Arroio do Sal, Capão da Canoa, Imbé, Itati, Maquine, Terra de Areia e Xangri-lá. Os municípios de Três Forquilhas, Três Cachoeiras, Tramandaí, Cidreira, Balneário Pinhal, Osório, Dom Pedro de Alcântara, Torres, Palmares do Sul e São Francisco de Paula estão parcialmente dentro da Bacia. Pode-se observar a diversidade de ambientes naturais, com a presença de rios com águas abundantes, mata de encosta, lagoas, dunas, banhados, matas de restinga, entre outros. Nas riquezas da natureza, o curso das águas é passagem, encontro e união na Bacia do Rio Tramandaí. A VAMOS NAVEGAR NOS DIFERENTES AMBIENTES NATURAIS DA BACIA Região Hidrográfica do Guaíba Região Hidrográfica do Uruguai Região Hidrográfica do Litoral Na região de serra, nas sub-bacias dos rios Três Forquilhas e Maquiné encontram-se os rios e arroios com fluxo abundante, que evidencia um grande arraste de sedimentos. Cada bacia hidrográfica se interliga a outra de maior tamanho, constituindo, em reIação à ultima, uma sub-bacia. As bacias hidrográficas maiores são resultantes do conjunto de pequenas bacias. GLOSSÁRIO Este poder de SEDIMENTOS: arraste diminui Sub stâncias depositadas à medida que os pela ação da rios descem a sergravidade na água. ra. Ocorrem então SUB-BACIAS trechos de rio em Pequenas bacias que os sedimentos hidrográficas. transportados das ASSOREAMENTO partes altas são deDesgaste das margens de um rio, lagos ou lagoas. positados. A interferência do homem na vegetação das encostas pode fazer com que o fenômeno natural de transporte de sedimentos seja alterado, o que pode agravar problemas de assorea- Bacia do Rio Tramandaí têm suas nascentes nos rios Três Forquilhas e Maquiné e percorre o Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Todos os rios e lagoas desta região escoam em direção a foz do Rio Tramandaí. Isso significa que tudo que é feito em qualquer rio ou lagoa desta bacia pode afetar toda a área que a bacia ocupa. Podemos comparar esta situação ao organismo humano: quando um órgão está doente, o seu mau funcionamento pode afetar a todo o corpo. Para administrar as águas disponíveis, e de domínio público, o nosso Estado foi dividido em três Regiões Hidrográficas: A Bacia Hidrográfica do Rio Tramandaí está incluída na Região Hidrográfica do Litoral, onde as fragilidades para a manutenção da água doce são ainda maiores por causa da influência oceânica. Situada no Litoral Norte do Rio Grande do Sul abrange uma área de aproximadamente 270 mil hectares ou 2.700 km². Seus encantos e suas águas percorrem uma faixa costeira de aproximadamente 115 km. Fazem parte da Bacia do Rio Tramandaí, 2 - RELATÓRIO DA BACIA DO TRAMANDAÍ mento das lagoas. Nas porções baixas dos rios há captação de água para a irrigação de hortaliças, importante atividade econômica local. Próximo à foz do Rio Três Forquilhas, na Lagoa Itapeva, e Rio Maquiné, que tem sua desembocadura na Lagoa dos Quadros, a paisagem é substituída e as corredeiras dão lugar a um rio de águas serenas que se espalha pela sua ampla planície de inundação até chegar nas lagoas. Toda a parte mais baixa da bacia é formada por um conjunto de lagoas interligadas ou isoladas. Estas lagoas formam reservatórios naturais de água os quais servem a diversos usos: abastecimento público, criação de animais e agricultura, pesca, diluição de esgotos, entre outros. Entre as lagoas aparecem as áreas de banhado, parte da bacia importante para a manter a biodiversidade e a atividade ou movimento das lagoas. Os banhados trabalham como grandes esponjas que acumulam água e regulam o nível de longo prazo das lagoas. Entre o mar e as lagoas existem os campos de dunas. Por vezes invadidas ou removidas, as dunas têm dois papéis fundamentais no equilíbrio e preservação do sistema natural da bacia: funcionam como primeira barreira aos ventos e tempestades oceânicas (quando fixadas) e mais importante: são reservatórios de água doce próximo ao mar que impedem que a água salgada invada o continente e provoque a salinização da água doce das lagoas. A saída de todo o sistema de rios e lagoas para o mar se dá no estuário do Rio Tramandaí, a partir das Lagoas Armazém e Tramandaí. Neste ponto se forma a situação mais aguda de interferência oceânica da bacia. As Lagoas Armazém /Tramandaí, Lagoa das Custódias e Lagoa do Gentil têm água salobra (denominação da água com salinidade variando entre 00,5 a 3%). Neste ponto nota-se também a maior pressão da ocupação urbana sobre os recursos hídricos em que as cidades estão no limite das lagoas e do estuário. Nestas águas onde a luz reflete a vida é que a sabedoria do ambiente natural segue seu caminho! 3 O Uso do Solo, Flora e Fauna A preservação do solo tem relação direta com a qualidade e a quantidade dos recursos hídricos, pois o uso indiscriminado de produtos contamina o solo e conseqüentemente as águas. A quantidade de água também sofre impactos diretos da degradação efetuada no solo, pois a retirada da vegetação ou a agricultura irregular provocam erosões e perdas de toneladas de terras férteis, as quais vão assoreando nossos rios, lagos e lagoas. OS TIPOS DE USO DO SOLO NA BACIA DO RIO TRAMANDAÍ A paisagem da bacia: Oeste - predomínio de matas Porção central - extensa área composta por lagoas e campos; Leste - junto ao oceano há concentração de áreas urbanizadas; Sul - presença da silvicultura e de campos arenosos. A MATA DE ENCOSTA Também conhecida como mata atlântica abrange aproximadamente 27% do total da área da Bacia. ú (município de Vista da encosta da Serra do Umb tica (23/07/2004) Maquiné) coberta pela Mata Atlân Nesta formação de Encosta encontramos como espécies mais abundantes a canjerana, o palmiteiro, o chá-de-bugre entre outros. Nestas florestas observa-se uma fauna bastante diversificada. Répteis como a iguaninha-verde, a muçurana-de-barriga-branca e a cobra-d’água-do-litoral podem ser encontradas nas áreas de Floresta Atlântica e zona costeira. 4 - RELATÓRIO DA BACIA DO TRAMANDAÍ Nota-se uma expressiva riqueza de aves incluindo a ocorrência de algumas espécies bastante sensíveis à destruição do ambiente, entre as quais o uru, o macuco, o sabiá-cica, a choquinha –cinzenta, a maria-da-restinga e o tiririzinho do mato. OS CORPOS D’ÁGUA, LAGOAS E RIOS Os corpos d’água, lagoas e rios, representam uma área superficial de 16,11% da bacia e estão distribuídos ao longo da planície costeira. em (27/02/2004) Lagoa Custódia com banhado à marg Nesta região em função dos corpos d’água estarem ligados também ao mar observa-se uma variação de salinidade que reflete na diversidade das algas. São comuns nestes ambientes o lírio-do-brejo, a samambaiados-pântanos, o junco e outras plantas que se fixam nas margens estando total ou parcialmente dentro d’água. Na região do estuário encontra-se uma fauna economicamente importante para a região: Os peixes (corvina, savelha, tainha, enchova, pampo, barrigudinho , peixe- rei, bagre, linguado, traíra, jundiás e carás), os crustáceos ( camarào-rosa, catanhão , siriazul) e os moluscos. São identificados vários fatores que afetam a diversidade de peixes na Bacia tais como, o cultivo agrícola, especialmente o arroz, a sobrepesca e a exagerada captura de animais jovens, o desmatamento, a poluiçào doméstica, industrial e o uso de agrotóxicos. A Bacia do Rio Tramandaí abriga grande número de lagoas, várzeas e banhados. Esse sistema de lagoas é o mais extenso do país, sendo de grande importância para as aves aquáticas como a marreca-piadeira, marreca-caneleira, o marrecão e o cisne-de-pescoço-preto. Além destes animais, existem diversas espécies de mamíferos (lontra, capivara e ratão-do-banhado). O boto é uma espécie notada com frequência no estuário de Tramandaí, principalmente na área de desembocadura do rio com o oceano. Os campos úmidos são identificados por suas espécies características: grama-arame, grama-vermelha, bacopa ana, junco, e ciperaceas. OS CAMPOS SECOS Nesta unidade da paisagem a cobertura vegetal é baixa e rala e predominam as espécies de gramíneas. OS BANHADOS Os banhados são porções de terra permanente ou temporariamente alagadas e se dividem em dois tipos: de água doce e os de água salgada, e podem ou não ter ligação com o oceano. Nestes banhados são encontrados o capim-navalha, a fuirena-robusta, as taboas, o caraguatá do banhado, a margarida-do-banhado, o junco. Os ambientes de banhado e campos úmidos desempenham papel fundamental na reprodução e no desenvolvimento de diversas espécies, dentre as quais destacamos as seguintes: Peixes (traíra, jundiás e carás). Anfíbios – a rã-manteiga, porque é comum e possui valor comercial; e espécies ameaçadas de extinçào, como o sapinhode-barriga-vermelha e a rã-grilo-de-barrigavermelha. Répteis- o jacaré-de-papo-amarelo. Esta espécie está na lista brasileira de espécies ameaçadas. Aves – são observadas espécies como garça-moura, graça-branca-grande,graça-branca-pequena, socozinho, socó-dorminhoco, cabeça-seca, joão-grande, tapicuru, entre outros. Mamíferos- destaca-se a presença de pequenos roedores associados à zona costeira, a preá. io (09/03/2004) Campos secos no município de Osór São encontrados exemplares de butiá, hoje em grande risco de extinção devido à ocupação agrícola e pecuária. Espécies de mamíferos como o tuco-tuco, o zorilho e a lebre também são notadas. Ocorrem também algumas espécies de aves que vivem nos capinzais ou nas árvores e arbustos isolados (ema, perdiz, quero-quero, pica-pau-do-campo, anu-preto, cochicho, noivinha, tico-tico-do-campo, canário-docampo, andorinha-do-campo, caminheirozumbidor, sabiá-do-campo, além de espécies que ingressam de ambientes vizinhos). A VEGETAÇÃO ARBUSTIVA Os vassourais são comunidades arbustivas comuns nesta região, constituindo o estágio intermediário no processo de regene- Vegetação arbustiva pioneira nas 04) proximidades de Osório (02/03/20 Área de banhado - Várzea do rio Tramandaí (09/03/2004) ração das matas arenosas. Espécies vegetais comuns nessas formações são as vassourasbrancas, vassoura-vermelha e maricás. 5 OS PRINCIPAIS CONFLITOS NO USO DO SOLO DA BACIA Expansão da silvicultura sobre os campos secos; Expansão da orizicultura sobre os campos úmidos e banhados; A MATA DE ARAUCÁRIA A SILVICULTURA A noroeste da bacia, no Planalto e ao longo das nascentes dos rios Maquine e Três Forquilhas, observa-se essencialmente a araucária, também chamado pinheiro brasileiro. Na fauna podemos encontrar algumas espécies ameaçadas de extinção no Estado, como o sapinho-de-barriga-vermelha, e a rã-grilo-de-barriga-vermelha. A silvicultura está concentrada especialmente na porção sul da bacia, abrangendo municípios com Palmares do Sul, Pinhal, Cidreira e Tramandaí. Esta porção da GLOSSÁRIO bacia é utilizada SILVIC para o plantio de Criaçã ULTURA : o e desenv pinus e eucalip- de povoamentos olvimento florestais. to. A fauna de aves presente em plantios de eucaliptos e de pinus é bastante rica e encontra-se espécies como gavião-carijó, carrapateiro, João-debarro, risadinha, alegrinho, sabiá-laranjeira, tico-tico, sabiá poça, canário da terra. Expansão da área urbana sobre os sistemas de dunas; Cultivo da banana sobre a mata de encosta, parte dele em áreas de alta declividade, consideradas áreas de preservação permanente. Vegetação arbustiva pioneira nas 04) proximidades de Osório (02/03/20 O número de espécies raras e ameaçadas de mamíferos encontradas nesta área é muito significativo. DUNAS O mapeamento de uso do solo e cobertura vegetal identificou 8.135,64 hectares de dunas. A riqueza de espécies vegetais varia ao longo do sistema de dunas e observa-se com mais freqüência as ciperáceas e as gramíneas. Nas áreas de dunas costeiras foram encontradas as seguintes espécies: lagartixa – das -dunas , aves características de outros ambientes, principalmente chimango, joão-debarro, andorinha – de – testa - branca e caminheiro – zumbidor, tuco – tuco - branco, este último se encontra na lista de espécies ameaçadas do Rio Grande do Sul. Sistema de dunas entre Cidreira e Tramandaí (27/02/2004) 6 - RELATÓRIO DA BACIA DO TRAMANDAÍ de Pinus sp, junto Vista parcial de área com plantio 2/2004) à RS 784, município de Cidreira (27/0 As áreas com florestas de pinus formam locais bastante pobres e poucas aves freqüentam esta formação. São aves encontradas neste ambiente: rolinha-picuí, anubranco, João-de-barro, bem-te-vi, tico-tico, vira-bosta e outros. Os mamíferos constatados nas matas de pinus foram caracterizados ecologicamente pouco associados a este ambiente. MATAS DE RESTINGA Matas de restinga são as comunidades vegetais de porte arbóreo que se desenvolvem em solos arenosos da planície costeira. Estas, de aspectos florísticos representam uma particularidade da região. Estas comunidades arbóreas são chamadas arenosas ou brejeiras. Nas matas brejosas observa-se a canela-do-brejo, maria-mole, guamirim-araçá, ipê-amarelo, tanheiro e capororocão. A fauna de mamíferos destas matas é supostamente formada por um subconjunto das espécies encontradas na Floresta Atlântica. MINERAÇÃO a Mata de Restinga ao Sul da Lago da Cerquinha (21/07/2004) Na mineração, destaca-se na bacia a extração de areia (a região é a única fornecedora de areia fina para o estado). Ocorre também a mineração de basalto. A mineração de areia, embora pouco significativa em área, destaca-se como a atividade de mineração com maior potencial de impacto ao ambiente e, em especial, aos recursos hídricos. AGRICULTURA A plantação racional e econômica de hortaliças em geral (couve, alface,pimentão...), juntamente com outros cultivos em pequenas propriedades (milho, mandioca, etc), 7,17% da área da bacia. O arroz irrigado representa uma área cultivada em 2004 de 4.903,45 hectares. Os bananais, distribuídos especialmente na meia encosta das serras dos rios Três For- Área de mineração por raspagem (Foto GERCO/FEPAM, 2002) FATORES DE DE GRADAÇÃO DO LITORA L na, na meia Área ocupada pela cultura da bana s (21/07/2004) uilha Forq Três Rio do serra da sta enco quilhas e Maquiné ocupam 1,47 % da área da bacia. ÁREAS URBANAS As maiores áreas urbanas na bacia concentram-se nos municípios da faixa litorânea. Essa ocupação do solo representa 3,32 % da área da bacia. Nela está concentrada 86% da população residente da bacia. Na faixa que acom panha a linha do oceano (e quanto mais próximo deste , maior a descaracterização ambiental) localizam-se os problemas ambientais da bacia. Isto se deve, provav elmente, a três fatores princ ipais: Interesse pela zona litorânea como área de veraneio (expan são imobiliária); Maior facilidade de acesso e uso do solo na planície costeira (e stradas e relevo); Menor percentual de área protegida em unidade de conservaçã o na porção litorânea . í (06/12/2004) Áreas urbanas de Imbé e Tramanda 7 Clima e Áreas de Preservação TEMPERATURA P odemos dizer que a temperatura se comporta mais ou menos da mesma forma em toda a Bacia do Rio Tramandaí, sendo registrada uma média de 19°C nas áreas mais próximas ao mar. As temperaturas mais baixas são verificadas nas regiões da serra.( São Francisco de Paula). CHUVAS AS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO Para sabermos quanto chove é necessário adotar uma unidade de medida. Esta unidade é chamada precipitação e é calculada em milímetros. A precipitação média anual é de 1500mm na porção mais ao Norte. Ao Sul esta média cai para 1400mm por ano. A média registrada na região da Bacia do Rio Tramandaí se assemelha a média anual do Rio Grande do Sul. Instituídas por decretos específicos, são os Parques, as Reservas Biológicas, as Reservas Ecológicas, as Estações Ecológicas e as Áreas de Proteção Ambiental (as Apas). ÁREAS DE PRESERVAÇÃO LEGAL Desde o início da civilização, os povos reconheceram a existência de locais geográficos com características especiais e tomaram medidas para protegê-los. Atualmente, quem percorre as estradas que cruzam a região da bacia, admira uma paisagem que abriga além de belezas naturais em grande parte selvagens, terras com histórias de povos indígenas e negros escravos. Município Estas áreas protegidas são classificadas de várias formas e amparadas por políticas de proteção (estaduais, nacionais e internacionais). A Bacia do Rio Tramandaí abriga 08 unidades de Conservação, 02 Reservas Indígenas e um remanescente de quilombo, além da reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Nota-se ainda que no entorno da bacia existem outras unidades de conservação. Área do munic. na bacia (ha) nic. ocup. APP do munic. Área mu APP (%) por na bacia (ha) % 1.010,570 12.714,77 Arroio do Sal 1.355,194 ,65 33 7.3 Balneário Pinhal 1.045,754 ,84 82 9.6 Capão da Canoa 4.419,464 8 17.496,1 106,061 Cidreira ,41 20 1.9 632,294 Dom Pedro de Alcântara 3.942,51 78,353 Imbé 2.1 6 5,6 20.43 98,141 Itati 5.0 9 62.409,7 Maquiné 3.639,406 .148,81 32 136,763 Osório 6.058,26 07,722 Palmares do Sul 13 7 7,9 20.47 96,545 São Francisco de Paula 1.1 2 13.357,9 261,284 Terra de Areia 3.494,27 Torres 2.563,758 10.661,83 Tramandaí 1.124,527 6 7,6 20.81 Três Cachoeiras 1.884,281 9 20.811,5 570,492 Três Forquilhas 25,18 6.0 0,609 Xangrilá 9.787,24 28.53 26 aí and Total tram rio o ia bac legal na Areas de preser vação 8 - RELATÓRIO DA BACIA DO TRAMANDAÍ 8,0 18,5% 10,8% 25,3% 5,5% 16,1% 10,7% 8,2% 11,3% 2,3% 6,4% 9,0% 7,5% 24,1% 5,4% 9,1% 9,5% 10,6% ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE São definidas pelo Código Florestal como sendo certas áreas públicas, ou particulares, nas quais a eliminação total ou parcial da vegetação só é permitida, mediante autorização do Poder Executivo Federal, quando necessária a execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou de interesse social. Como exemplo de áreas de preservação permanente podem ser citadas: as margens dos rios, ao redor de lagoas, lagos ou reservatórios d’água; e os topos de morros, montes, montanhas e serras. ÁREAS DE QUILOMBOS Também demarcadas por decreto específico, são também chamados “quilombolas” são áreas com vestígios arqueológicos de quilombos. TERRAS INDÍGENAS Demarcadas por decreto, são as reservas indígenas. A existência de diversas áreas de preservação legal indica que o ambiente natural da região da Bacia do Rio Tramandaí é propício para a propagação de espécies nativas, essenciais para a recuperação de ambientes degradados ou alterados. A População da Bacia UMA HISTÓRIA MUITO ANTIGA Q uantas histórias e feitos já navegaram e ainda correm nas águas da Bacia do Rio Tramandaí? Século XVII. O cenário que revelava uma vegetação abundante e águas imaculadas era habitado por índios Carijós, os quais, em seu comércio de trocas usavam picadas, costeando os acidentes do terreno. Essas trilhas passaram a ser usadas apenas como ponto de passagem dos tropeiros, principalmente , paulistas compradores de índios que os levavam para São Paulo como escravos. Esses índios que as gerações futuras não poderão citar, mas que estavam presentes, vivendo, criando, modificando pouco a pouco as coisas ao redor, abriram os caminhos para um futuro de desenvolvimento no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Com a revisão do Tratado de Tordesilhas nossas terras passaram para o domínio português. E os primeiros brasileiros descendentes de portugueses atraídos pelo gado foram chegando, mas não para ficar. Usavam as rotas entre Colônia do Sacramento e Laguna para conduzir o gado até os mercados do centro do Brasil. Intensifica-se o caminho dos tropeiros e começam a surgir os primeiros currais e invernadas de tropas.Os primeiros casamentos entre brasileiros descendentes de portugueses com minuanos e charruas são festejados. Em 1732 eram concedidas as sesmarias (lotes e terra que a coroa Portuguesa cedia a quem se dispusesse cultivá-lo) o que gradualmente firma o povoamento, que ocupava desde a área ao sul do rio Mampituba até Maldonado, no Uruguai. A criação degrandes rebanhos e o comércio de couro e carne trazem os primeiros habitantes que se estabelecem entre a foz do Rio Tramandaí e a foz da Lagoa dos Patos. O Rio Grande do Sul crescia pela orla atlântica. A criação de gado, as charqueadas e a introdução do cultivo do trigo eram as principais atividades econômicas do período. Firma-se uma nova forma de ocupação através da agricultura em pequenas propriedades. Ao nascer do século XIX, começa a divisão político-administrativa do território em municípios. Santo Antônio da Patrulha, juntamente com Porto Alegre, Rio Grande e Rio Pardo, formam as primeiras sedes de vilas da Capitania. Origina-se o núcleo urbano de Torres. A partir da segunda década do século XIX, tem início a colonização alemã. Os primeiros colonos se estabelecem em São Leopoldo e Torres. Nasce a cidade de Cidreira, pioneira da arte de receber veranistas. Até então o litoral não era valorizado devido àscondições do solo, quase improdutivo. Século XX. Imigrantes europeus, aos poucos, introduzem novos hábitos baseados na busca da qualidade de vida dando início ao processo de veraneio. Com a construção de aproximadamente 80 casas e dois hotéis, Tramandaí passa a ser visitada como balneário. Com o nome de Arroio da Pescaria, floresce Capão da Canoa. Os primeiros ranchos começam a se agrupar à beira mar, e servem para abrigar pescadores e aventureiros e receber tropeiros, fazendeiros e viajantes. Em 1915, por iniciativa de José Antônio Picoral, é inaugurado em Torres o Balneário Picoral , que de forma decisiva contribuiu para o desenvolvimento do turismo no litoral. 9 Moradores do campo vinham até o mar para pescar e veranistas carregados por charretes ou barcos de carga iam chegando em número cada vez maior. As vias navegáveis de Osório e Torres passam a ser um meio de comunicação importante para o desenvolvimento de todo o Litoral Norte. Estradas são abertas, hotéis e chalés são construídos e outras localidades se erguem dando origem àscidades de Pinhal e de Arroio do Sal. A criação de uma linha de ônibus contribui para um expressivo desenvolvimento e acelera o processo de urbanização. Lagos começam a ser aterrados com as areias dos cômoros, as construções começaram a se proliferar em decorrência da instalação da primeira fábrica de móveis e esquadrias em Capão da Canoa. A consolidação do turismo e à melhoria das condições de transporte favorece a construção de loteamentos. Um novo ciclo econômico baseado na construção civil tem início. A partir da década de 1950 surge Arroio Teixeira, Rondinha, Xangri-lá, Curumim, Salinas, Magistério, Rainha do DO BACIA Mar, Santa Terezinha. NICÍPIOS INSERIDA NA POPULAÇÃO DOS MU IMATIVA PARA O ANO DE 2004) A implantação do balneário pla(EST EMBRO-FEVEREIRO DEZ RIO TRAMANDAÍ RÇO nejado de Atlântida estabelece um -NOVEMBRO MA URBANA RURAL TOTAL AL RUR A AN O URB ÍPI novo patamar de veraneio.No iníMUNIC TOTAL 61.073 706 9 .77 61 9 29 6.461 cio da década de 1970 alguns em6.760 ARROIO DO SAL 89.316 88.421 895 7 30 29 9.5 36 preendimentos contribuem para 9.8 BALNEÁRIO PINHAL 190.123 189.145 978 1 20 7 .09 37 7 37.29 alterar o ritmo de crescimento da 93 CAPÃO DA CANOA 105.526 103.133 2.3 .382 11.033 349 11 região Tramandaí recebe o Tedut CIDREIRA 690 0 0 69 3 50 DE 0 da Petrobrás, que impulsiona a DOM PEDRO 503 142.469 733 02 3.2 14 ALCÂNTARA** 4 42 cidade como pólo regional, ao 15.388 14.965 9.038 2.891 9 .92 IMBÉ 11 52 5.5 lado de Osório, que, com a inau1.987 7.539 01 MAQUINE 62.276 56.975 5.3 49 2.8 7 .30 33 6 guração da Free-Way, assume 36.15 256 0 OSÓRIO 256 4 12 0 124 papel cada vez mais importante PALMARES DO SUL** 1.056 0 56 1.0 4 46 O ISC na região. Multiplicam-se os em0 SÃO FRANC 464 2 .53 10 64 8.5 6 preendimentos imobiliários em DE PAUL A** 6.661 19.09 11.956 5.295 1.236 0 36 TERRA DE AREIA* 1.2 4 78 toda a faixa entre Torres e Tra0 784 07 2.549 9.7 16 57 2.2 TORRES** 17 19 mandaí. 37.273 36.054 1.2 5.328 TRAMANDAÍ 11.379 6.050 70 4.2 16 5.1 Alguns municípios do litoral 9.386 3.906 1.355 61 TRÊS CACHOEIRAS 5.2 44 2.8 266 durante os meses de dezem3.110 06 TRÊS FORQUILHAS 78.542 74.936 3.6 698 9.285 83 9.9 .204 bro, janeiro e fevereiro têm a XANGRI-LÁ 6 953.923 904.719 49 .54 27 94 0.3 17 39 197.9 sua população multiplicada por TOTAL i. A população luída a população de Itat inc á . est tes ia itan Are hab de 61 ra quatro. É construída a Estrada i é de 2.9 da para Ter *Na população estima idente em Terra de Areia é de 8.995 e em Itat res 4 200 a estimada par do Mar, entre Osório e Torres bacia. **Área urbana fora da que reforça ainda mais a função XVII Processo de ocupação e formação do estado do Rio Grande do Sul pela Coroa Portuguesa – Nesta fase o Litoral Norte era habitado por índios Carijós e utilizado zapenas como ponto de passagem dos tropeiros. 10 - RELATÓRIO DA BACIA DO TRAMANDAÍ São fixadas rotas que servem de caminhos para a condução do gado. A criação de grandes rebanhos e o comércio de couro e carne se estabelece na região deixando de ser mero corredor de passagem. Os recursos naturais passam a ser utilizados como suporte para o desenvolvimento econômico. XVIII de veraneio. A distribuição de empregos, as opções de comércio, serviços e lazer passam a ser regionais, cada cidade participando como parte de um amplo sistema urbano. composta por residentes e veranistas. A VISÃO DE HOJE É importante que se tenha uma clara visão da relação entre as atividades de trabalho que os cidadãos da bacia desempenham, quer seja na zona urbana ou na zona rural e a proteção dos recursos hídricos. A população deve interagir em suas atividades no sentido de que não venha a comprometer a quantidade e a qualidade das águas, garantindo uma vida saudável ligada ao desenvolvimento econômico. A base da economia dos municípios da bacia é o setor terciário (comércio e serviços). Os serviços na maior parte ligados ao turismo nos meses de veraneio. No setor primário (agropecuária) destaca-se o plantio do arroz. Dados do (IBGE, PAM 2002) mostram que foram produzidas 24 mil toneladas, o que corresponde a, aproximadamente, 0,5% da quantidade de arroz produzida no estado. Na indústria de transformação, destaca-se a indústria madeireira (25% do total), seguida pela indústria de produtos alimentares (21%) e pela indústria do mobiliário (14%), o que evidencia que na bacia a indústria não é fortemente desenvolvida. Municípios se emanciparam, comunidades se desenvolveram e nas últimas décadas essa população de origem portuguesa e açoriana sofreu um crescimento populacional muito significativo. A população estimada para a bacia, em 2004, era de aproximadamente 198.000 habitantes distribuídos em zona rural e urbana. O grau de urbanização da bacia assemelha-se com o nível identificado para o Estado. Sua população total corresponde a menos de 2% do númePopulação Residente ro de habitantes do Rio Grande do Sul e está 197.939 HAB concentrada nas 21% cidades que se localizam na orla marítima, 749.984 HAB 79% Osório, Capão da Canoa e Tramandaí. Quadro com MunicíPopulação Sazonal pios e percentuais de habitantes, divididos em zona rural e urbana. Em decorrência do veraneio a população da Bacia do Rio Tramandaí apresenta variações que podem ser divididas de acordo com o período do ano. De março a novembro a população dos municípios é composta apenas pela população residente, enquanto que de dezembro a fevereiro a população da maior parte dos municípios aumenta consideravelmente. Nesses meses a população é XIX A POPULAÇÃO E O TRABALHO Com a conquista das Missões e consolidação do domínio português, através das estâncias luso-brasileiras e da colonização agrícola açoriana, nascem os primeiros municípios entre eles Santo Antônio da Patrulha. É construído o Forte de São Domingos das Torres originando o núcleo urbano de Torres. Surge Cidreira, cidade do litoral pioneira na arte de receber veranistas. O turismo se consolida e um novo ciclo econômico vinculado à construção civil se estabelece. Surgem outros municípios e um novo modelo de veraneio com a construção de balneários planejados. A construção da Free-Way proporciona o deslocamento de veranistas de Porto Alegre em direção ao Litoral. A construção da Estrada do Mar consolida o Litoral Norte como uma Aglome11 ração Urbana. XX A ÁGUA A água é um recurso natural de valor econômico, estratégico e social, essencial à existência e bem estar do homem! Onde não há água, não há vida. Todos os ciclos econômicos e o desenvolvimento social, a qualidade de vida e a saúde humana, dependem de água de boa qualidade, disponível permanentemente a todas as classes sociais e à população como um todo. Disponibilidades Hídricas DISPONIBILIDADE HÍDRICA Quanta água temos e qual a qualidade da água QUANTA ÁGUA TEMOS D evido às diferentes e particulares condições climáticas presentes em nosso planeta a água pode ser encontrada, na natureza, em seus vários estados: sólido, líquido e gasoso. Chamamos de ciclo hidrológico, ou ciclo da água, à constante mudança de estado da água na natureza. O calor do sol aquece a água dos oceanos A gestão dos e da superfície terrestre que se evaporam, recursos hídricos formam nuvens e voltam a cair na terra sob é uma tarefa que demanda trabalho a forma de chuva. Depois escorrem para os e tempo e a consrios, lagoas e lagos ou para o subsolo e aos trução da política poucos correm de novo para o mar, mandas águas dentro das Bacias Hidrotendo o equilíbrio no sistema. gráficas é um proQuando a chuva cai, uma parte da água cesso que envolve se infiltra através dos espaços que encontra etapas sucessivas de trabalho, onde no solo e nas rochas (águas subterrâneas). a participação soPela ação da força da gravidade esta água vai cial tem um papel se infiltrando até não encontrar mais espafundamental. ços, começando então a se movimentar horizontalmente em direção às áreas de baixa pressão. A água da chuva que não se infiltra (águas superficiais), escorre sobre a superfície em direção às áreas mais baixas, indo alimentar os riachos, rios, mares, oceanos e lagos. As eventuais perdas de água se devem mais à poluição e à contaminação, que podem chegar a inviabilizar a reutilização, do que à redução do volume de água na bacia. Por isso a qualidade é fator de extrema importância quando falamos em quantidade de água. A água é um bem que se quer em condições de uso para garantir o desenvolvimento e a Manacial = qualidade de vida dos moradores da Bacia Fonte de Água do Rio Tramandaí! s ca dri Hí es ad lid ibi O local onde há desMedidas das Dispon carga e concentração Tipo Manancial Medida natural de água doce é a lad mu acu m³ chamado manancial ou lagoas do un fonte de água e se divide por seg m³/s rios em águas superficiais e por segundo m³/s poços subterrâneas. No Plano 12 - RELATÓRIO DA BACIA DO TRAMANDAÍ de Bacia somente as águas superficiais são analisadas e estas são encontradas nos rios e lagoas. As águas dos rios como se encontram em movimento são calculadas por vazões m³ por segundo e das lagoas que são as águas acumuladas quantificamos por metro cúbico. O conjunto de lagoas da Bacia do Rio Tramandaí tem um volume acumulado de aproximadamente 450 milhões de m³. O Rio Maquiné despeja todos os dias na Lagoa dos Quadros 200 mil m³ de água. O Rio Três Forquilhas, 500 mil metros cúbicos por dia na Lagoa Itapeva. No Rio Tramandaí passam 40m³ por segundo, aproximadamente 14.000 caixas d’água de 250 litros por segundo! Vazão do Rio Tramandaí 250 L EM 14.000 X 1s QUAL A QUALIDADE DA ÁGUA NA BACIA Não basta ter água, é necessário ter qualidade em condições de uso para nossas necessidades. Os cidadãos devem se sentir responsáveis pela preservação dos recursos hídricos e ter a consciência de que seus atos podem alterar tais recursos. Essa conscientização tem dois aspectos fundamentais. Em primeiro lugar, cada indivíduo precisa compreender que é parte integrante do ambiente e que, através de suas ações, é um agente modificador do mesmo. Em segundo lugar, deve se sentir como participante do processo de gestão da águas, interagindo com iguais e compartilhando os mesmos direitos e deveres. Só assim será possível alcançar um uso mais sustentável da água, a fim de garantir esse bem para as próximas gerações com qualidade e quantidade adequadas. A água pode não ter qualidade suficiente para determinado uso e ser adequada para outros. A qualidade das águas superficiais na bacia foi avaliada com base nos dados de monitoramento que a FEPAM dispõe e na Resolução 357/2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), que determina cinco classes de uso da água doce de acordo com sua qualidade e estabelece que quanto maior a classe pior a qualidade da água. A FEPAM mede a qualidade da água de seis em seis meses em quase todas as lagoas, no Rio Tramandaí e na foz do Rio Maquiné. Os rios e lagoas da bacia na sua maior parte encontram-se com água em boa qualidade. Trechos problemáticos são identificados na Lagoa do Marcelino (Classe 4), Lagoa do Armazém / Tramandaí (Classe 2 de água salobra), Lagoa Itapeva (Classe 2). Nestas lagoas o lançamento de esgotos sanitários compromete a qualidade da água. Classificação da qualidade atual da água na Bacia Hidrográfica do Tramandaí (baseada nos dados do monitoramento do GERCO/FEPAM do período de 1992 a 2004) Classes de uso s água s doces conforme resoluda o 357/2005, identificadas na çã Bacia do Rio Tramandaí Classes Usos Águas Doces Especial Abastecimento para consum o humano com desinfecção. Classe 1 Abastecimento para consumo hum após tratamento simplificado ano Proteção das comunidades aqu ; Recreação de contato primário áticas; (na ção, esqui aquático e mergulh tao). Classe 2 Abastecimento para consumo humano, após tratamento convencion al; Proteção das comunidades aqu Recreação de contato primário áticas; Irrigação de hortaliças e plan ; tas frutíferas. Aqüicultura. Classe 3 Abastecimento para consumo humano, após tratamento convencion al ou avançado; Irrigação de culturas arbóreas , cerealíferas e forrageiras; Dessedentação de animais. Classe 4 Navegação; Harmonia paisagística. Águas Salobras Classe 1 Recreação de con tato primário Proteção das comunidades aqu; áticas; Aqüicultura. Classe 2 Pesca amadora; Recreação de contato secundá rio. ção da quantidade Planejar a conserva nos mananciais, e qualidade da água itamento (raciove ro ap o o m co m be repartição justa) nalização dos usos e é fundamental. dos recursos hídricos Neste processo de construção do Plano de Bacia, a participaçã o da sociedade teve pape l essencial, pois atravé s da gestão participa tiva conseguimos obte r as informações mais importantes, identificando e sistematizan do os interesses múl tiplos da sociedade. 13 Demandas Hídricas Quanta água está sendo utilizadas e para que utilizamos municipais ou por empresas privadas que captam somente as águas subterrâneas. A rede de distribuição da CORSAN abastece cerca de 270.000 pessoas e a quantidade de água superficial usada para o abasteQUANTA ÁGUA ESTÁ cimento público é de 469,89 L/s nos meses SENDO UTILIZADA E de abril a novembro e 812,53L/s no período PARA QUE USAMOS de Dezembro a Março. A maior parte da demanda de água subterrânea é para o uso água é elemento necessáde abastecimento público, rio para quase todas as atie foi quantificada em aproGLOSSÁRIO USO CONSUNTIVO vidades dos cidadãos da ximadamente 14 milhões São aqueles que retiram Bacia. O uso múltiplo das águas de m(cúbicos) por ano que água de sua fonte natural tem gerado conflitos e está mobiequivalem a 437 litros por onde ocorre consumo lizando grande parte da sociedasegundo. significativo de água. de, dada a importância e o papel Para garantir que a água USO NÃO que este recurso tem em seus fornecida à população seja CONSUNTIVO São aqueles onde a água, usos consuntivos e não consunpotável, a Corsan busca fonpara efeitos práticos, tivos. tes de água e utiliza tecnologia não é consumida de de tratamento para eliminar forma expressiva. todos os poluentes e agentes am for aí nd ma tra rio do ameaçadores à saúde. Na bacia os consuntivos: us tes uin seg os os ad identific Captação de águas dos rios, lagos e riachos por meio de bombas –a água ento público; Saneamento: abastecim é conduzida, através das adutoras de água to de industria; Industrial: abastecimen gação. irri e al im an o çã nta bruta, até as estações de tratamento, tamAgropecuário: dessede bém chamadas ETAs. Na ETA, a água que ão presentes na est os tiv un ns co o nã chega é tratada para ficar em condições de Os usos : ma for te uin seg da bacia ser distribuída e abastecer a sociedade. DEMANDAS HÍDRICAS A Aqüicultura; otamento de efluentes do esg nto me ça lan to: en am Sane os sólidos; dos depósitos dos resídu e co sti mé do o ári nit sa ; de efluentes da indústria Industrial : lançamento animal; ão aç cri da de efluente nto me ça lan : rio uá ec Agrop o; Lazer, recreação e turism Pesca; Mineração; Navegação. SANEAMENTO – MENTO PÚBLICO ABASTECI- A água para ser consumida, sem apresentar riscos à saúde, tem de ser tratada, limpa e descontaminada. A Corsan é responsável pelo abastecimento público de quase toda a região da Bacia do Rio Tramandaí e capta água superficial e subterrânea. Em alguns trechos da bacia existem sistemas independentes de captação, tratamento e distribuição de água, operados pelas prefeituras 14 - RELATÓRIO DA BACIA DO TRAMANDAÍ ESGOTAMENTO SANITÁRIO A água que utilizamos em nossas casas retorna para o ambiente em forma de esgoto sanitário que contém resíduos orgânicos, inorgânicos e microorganismos. Estas cargas geram poluição no ambiente e contaminam as águas causando doenças. Na Bacia do Rio Tramandaí o tratamento de esgotos é na sua maioria na forma de fos- Esgoto sas (80% das moradias). Dos municípios que tem zona urbana dentro da Bacia, apenas cinco possuem rede coletora de esgoto: Capão da Canoa, Cidreira, Osório, Tramandaí e Xangri-lá. A coleta e tratamento de esgotos são indispensáveis para garantir a qualidade de vida e a qualidade das águas para outros usos. A poluição por esgoto doméstico reduz o nível de oxigênio presente na água, prejudicando a vida aquática e diminuindo a qualidade. Para medir o grau de poluição nas águas utilizamos o parâmetro DBO (Demanda Química de Oxigênio). Não é toda a carga orgânica que atinge os cursos d’água superficiais da bacia, a maior parte da carga orgânica é removida pelas fossas sépticas, lançada no mar, ou é removida por tratamento. O sistema implantaGLOSSÁRIO do de tratamento de DBO esgotos na Bacia tem Medida que condições de atenrepresenta quanto oxigênio é retirado der 235.731 pessoas. da água para depurar Esse total seria satisuma determinada fatório para a região quantidade de se não levássemos em carga poluidora de conta o aumento da origem orgânica. população nos meses de veraneio. São lançadas nos corpos d’água e no solo da área da bacia 4.439 toneladas de carga poluidora orgânica. ESGOTAMENTO PLUVIAL Entende-se por esgotamento pluvial a capacidade de drenagem da região, sendo esta, inferior a 50% da área, na maioria dos municípios. RESÍDUOS SÓLIDOS São as sobras de qualquer processo ou atividade industrial, doméstica, hospitalar, agrícola, lodos de estação de tratamento de água (ETA) e lodos de estação de tratamento de esgotos (ETE). Os resíduos sólidos podem ser biodegradáveis(restos de comida, cascas de frutas,etc.) e degradáveis (vidro, metais e outros). Há na bacia cinco aterros para disposição de resíduos sólidos urbanos licenciados pela FEPAM, localizados nos municípios de Terra de Areia, Osório, Capão da Canoa, Tramandaí e Três Cachoeiras. Os municípios que não possuem área própria para destinação enviam os resíduos coletados para Tramandaí e Terra de Areia. A produção anual total de resíduos na bacia é de aproximadamente 105 mil toneladas – em média 300 toneladas por dia. Quando estes resíduos são depositados nos lixões ou quando os aterros sanitários não são operados de forma adequada, este líquido é drenado para os rios e arroios comprometendo a qualidade das águas superficiais e subterrâneas. Importante lembrar que nos meses de veraneio agrava-se esta realidade. Para a vida, é fundamental que a água contenha oxigênio dissolvido e certa quantidade de alimento natural, na forma de algas, frutos e folhas procedentes da vegetação que existe às margens dos rios. IRRIGAÇÃO O consumo da água está relacionado com as lavouras de arroz e hortaliças. As demandas d’água associadas ao cultivo do arroz concentram-se no período de dezembro a março. Além da demanda para a lavoura do arroz dentro da Bacia, existem também duas captações para irrigação do arroz fora da bacia, demandando um alto consumo de água Irrigação de Hortaliças para irrigação. No mês de maior consumo, a irrigação de arroz para as áreas cultivadas dentro e fora da bacia, acrescida da irrigação de hortaliças é de aproximadamente 27,5 milhões de m(cúbicos) no mês de janeiro. A maior parte da água doce do planeta é utilizada para irrigar plantações em lugares onde a quantidade de chuva não é suficiente. É justamente nessa área onde é fácil reduzir o consumo exagerado, com práticas de irrigação que não desperdiçam a água . CRIAÇÃO DE ANIMAIS A quantidade de água usada na criação animal é de 1,6milhões de metros cúbicos por ano, sendo grandes proporções destinadas a higienização das instalações e equipamentos. 15 O QUE É CHORUME? Chorume é líquido com alta carga de poluição que contamina o solo e os corpos hídricos resultante da decomposição de resíduos sólidos. Quando estes resíduos são depositados nos lixões ou quando os aterros sanitários não são operados de forma adequada, este líquido é drenado para os rios e arroios comprometendo a qualidade das águas superficiais e subterrâneas. Importante lembrar que nos meses de veraneio agravase esta realidade. A carga orgânica, oriunda de fezes, urina e resíduos de alimentos, gerada pela criação animal, na bacia do rio Tramandaí é estimada em cerca de 1 tonelada/k2 de DBO, sendo o rebanho de bovinos o que representa maior contribuição. Pesca dificultando avaliar com precisão toda população que vive da pesca. NAVEGAÇÃO Criação de animais INDÚSTRIA Na indústria, para se obter diversos produtos, as quantidades de água necessárias são muitas vezes superiores ao volume produzido Estão licenciadas junto à FEPAM 80 empreendimentos industriais localizados nos municípios parcial ou totalmente inseridos na área da bacia. As atividades industriais com maior número de empreendimentos são Serraria e Desdobramento de Madeira e Matadouros / Abatedouros. A demanda hídrica estimada para o abastecimento industrial é de 260.172 metros cúbicos por ano. As fábricas utilizam água em processo de limpeza e resfriamento de máquinas. E, mais diretamente, como matéria-prima, no caso das indústrias de alimentos e outros. AQÜICULTURA Existem nove empreendimentos de aqüicultura na Bacia, sendo a cultura de peixes a predominante. Em Terra de Areia cultiva-se o camarão em tanques numa área de 1,1há. A demanda para esta atividade ocorre em função das perdas por evaporação em relação direta com as condições climáticas. PESCA Para diagnosticar esta atividade na bacia foi analisado o setor pesqueiro de água doce, que identificou a prática da pesca em quase todas as lagoas. Existem treze comunidades de pescadores, que apresentam características bastante diferentes. Nem todos os pescadores vivem em comunidades organizadas, 16 - RELATÓRIO DA BACIA DO TRAMANDAÍ Na região da Bacia do Rio Tramandaí, o trajeto de Torres a Tramandaí foi feito, durante anos, por barcos movidos a vapor, transportando passageiros e produtos entre as localidades. A navegabilidade de um curso d’água está ligada à existência de uma profundidade mínima para a qual a embarcação permanece flutuando na água, sem ficar presa ao Navegação fundo (encalhar). Essa profundidade mínima necessária é função do calado da embarcação, do efeito das ondas, do movimento da embarcação e da natureza do fundo do rio ou lagoa. Atualmente a navegação existente no sistema lagunar norte é de pequena escala e porte, restringindo-se ao lazer, recreação e pesca artesanal. Embarcações de médio porte ficam impedidas de navegar devido a pouca e irregular profundidade d’água nas lagoas e, em especial, nos canais de ligação entre as lagoas. MINERAÇÃO Dos minerais explorados na Bacia destacamse a areia e o basalto pela quantidade de áreas existentes. Tendo em vista a interferência direta com os recursos hídricos e a localização das áreas de extração – entre as lagoas do complexo lagunar – é de especial interesse a mineração da areia. Na Bacia Hidrográfica do Rio Tramandaí, existem cerca de 630 ha licenciados para extração e/ou pesquisa de Norte evidencia o uso das lagoas, por onde trafegavam e por onde era escoada a produção do estado. Paralelamente, o uso dos recursos hídricos sempre teve seu caráter de lazer, sendo utilizado pelos moradores do entorno também para a sua diversão e não somente para o consumo doméstico. OUTROS USOS DA ÁGUA NA BACIA Mineração areia, sendo mais de 50% para exploração mineral. Ocorre na bacia também exploração clandestina de areia numa área estimada de 185 ha distribuídos entre Capão da Canoa, Cidreira, Osório, Balneário Pinhal, Torres, Tramandaí e Xangri-lá. OUTRAS MINERAÇÕES Em menores proporções do que a mineração de areia, também ocorre na Bacia Hidrográfica do Rio Tramandaí a requisição de áreas para exploração de outros minerais como basalto, antracito, argila, saibro e sapropelito. TURISMO Na Bacia do Rio Tramandaí, o turismo voltado à orla marítima e baseado nas atividades de lazer vinculada às praias do mar é um ramo de atividade muito forte. As informações mencionadas sobre a prática de Turismo, de esportes de Aventura, de Ecoturismo, ou Turismo Rural, são centradas apenas nos recursos hídricos de água doce. O histórico do povoamento do Litoral Existem outras atividades que, numa proporção bem menor, utilizam água doce disponível na bacia hidrográfica. Nesse grupo de usos da água destacam-se os postos de lavagem de automóveis e o comércio varejista de combustíveis. Os postos de lavagem representam consumo de água e geração de efluentes líquidos e o comércio varejista de combustíveis também gera algum efluente líquido. Não existem informações suficientes para quantificar a demanda de água e a geração de efluentes decorrentes destes serviços. Dessa forma apresenta-se apenas o número desses estabelecimentos licenciados nos municípios da bacia. Foram identificados 91 estabelecimentos de comércio de combustível e oito postos de lavagem de veículos. POÇOS INDIVIDUAIS (PONTEIRAS) E PEQUENOS POÇOS COLETIVOS O abastecimento público, em especial nos municípios do litoral, é complementado através de poços unifamiliares, as “ponteiras”, e pequenos poços coletivos. Esses poços não apresentam registro algum, pois não são licenciados. Estima-se que cerca de 494 mil m3 de água da bacia sejam retirados anualmente para complementação do abastecimento público através de pequenos poços e ponteiras. Turismo 17 É necessário usar com conhecimento e consciência todos os recursos naturais dentro da Bacia do Rio Tramandaí. Com essa consciência, não precisaremos aprender a enfrentar a escassez da água. Aprenderemos sim, a evitá-la. O Balanço Hídrico O balanço hídrico determina o equilíbrio da entrada e da saída da água dentro de uma bacia hidrográfica. Tirar mais água de um lugar do que a capacidade dela se reabastecer é o caminho para o desequilíbrio e a escassez. O Balanço pode ser representado pela seguinte figura: De quanta água precisamos Quanta água temos OLÓGICO VAZÃO E VOLUME EC a ser mencionada Uma questão importante a a água existente é o fato de que nem tod b pena de que as pode ser utilizada, so am. lagoas e os rios secari e aspecto, foi Tendo em vista est los do balanço considerada nos cálcu nada quantidade hídrico uma determi tenção da vida de água para a manu o do equilíbrio aquática e preser vaçã ambiental. lume das lagoas e É como se parte do vo ervada para que vazão dos rios fosse res no rio ou lagoa. sempre fosse mantida vazão ou volume Esta é chamada de ecológico. O BALANÇO DE QUANTIDADE Do ponto de vista de quantidade de água sendo utilizada, em pelo menos quatro lagoas há indicativos de que estaria sendo extraída muita água: Lagoa das Pombas, 18 - RELATÓRIO DA BACIA DO TRAMANDAÍ Lagoa da Emboaba, Lagoa da Rondinha/ Cidreira e Lagoa da Fortaleza. Importante citar que mais da metade da água disponível no Rio Tramandaí está sendo retirada. Em proporção menor na Lagoa do Passo e Baixo Rio Maquiné são extraídos de 20 a 50% dos recursos hídricos. Os demais cursos d’água ou lagoas evidenciam resultados satisfatórios no que diz respeito a quantidade de água retirada( menos de 20% ). Definir a qualidade da água é bem mais difícil do que entender a qualidade de outros produtos. Para ser útil, deve conter um certo grau de impurezas, que varia de acordo com o uso que se pretende fazer dela. O BALANÇO DE QUALIDADE O Balanço de qualidade é realizado avaliando quanta carga poluidora é lançada nos cursos d’água ou lagoas e se estas cargas estão interferindo na qualidade da água. As lagoas que mais recebem carga poluidora são a Lagoa Armazém/Tramandaí, Lagoa dos Quadros, Marcelino e Itapeva , numa variação de 70 a 220 toneladas de DBO, no mês de janeiro, oriunda em grande parte do esgoto doméstico. Os rios Três Forquilhas e Maquiné, no mês de janeiro, recebem de carga poluidora em todo o seu curso uma média de 50 toneladas de DBO proveniente da criação animal, dos depósitos de lixo e de efluentes da indústria. O que mais chama atenção é a perda da qualidade da água nas Lagoas do Marcelino (Classe 4), Lagoa Itapeva (Classe 2) e Lagoa Armazém/Tramandaí (Classe 2 de águas salobras). Balanço Hídrico Quantitativo Relação entre disponibilidade hídrica e demandas hídricas Mês de Janeiro (com maior criticidade) 19 O Enquadramento O Enquadramento é um dos instrumentos A sociedade decidiu a qualidade que desede gestão das águas que mais requer envol- ja para cada um dos trechos dos rios e corvimento da comunidade. Além de plantar pos d’água, dentro da classificação existente a semente da reflexão e consciência propor- conforme a Resolução do CONAMA. ciona aos cidadãos o exercício da participaO futuro da águas é uma realidade na Bação e responsabilidade. cia do Rio Tramandaí! Através do Enquadramento os moradores Pelo cenário de pré-enquadramento, a Lada Bacia planejaram quais usos querem fazer goa Itapeva, a Lagoa dos Quadros e os Rios da água visando um futuro de desenvolvi- Três Forquilhas e Maquine estariam enquamento e qualidade de vida para as próximas drados em Classe 1. Neste caso, significa digerações. Também foi possível identificar zer que deverão ser melhoradas as condições alguns conflitos e quais possibilidades de de qualidade da água (mapa de qualidade da melhorar a situação atual. água na figura na página ao lado) no baixo O enquadramento das águas é um pro- Rio Maquine (atualmente em classe 2) e na cesso que envolveu toda a comunidade Lagoa Itapeva (atuda Bacia. Foram levantadas todas as caDe posse dos usos pre racterísticas das águas existentes (usos da tendidos para cada lag oa e rio foi determinado o pré água, poluição, número de usuários...) -enquadramento. Todos os usos existentes foram citados com maior ou menor fre qüência (em ordem do mais nobre para o menos nobre): te mais votados em Os usos percentualmen cada lagoa ou rio Irrigação Hortaliças consumidas cruas Navegação Recreação cont. Criação de animais Irrigação arroz Pesca Lagoa do Manoel Nunes Lagoa do Gentil Lagoa das Custódias Lagoa Armazém/Tramandaí Rio Tramandaí Lagoa Emboaba Lagoa das Pombas Lagoa do Marcelino Lagoa do Peixoto Lagoas Lessa/Caieira/Outras s Lagoas Pinguela/Palmital/Malva Lagoa do Passo Canal João Pedro Lagoa dos Quadros Rio Maquiné – Alto Rio Maquine – Baixo Rio Cornélios Rio Três Forquilhas – Alto Rio Três Forquilhas – Baixo Lagoa Itapeva Prot. Vida Áquática Abast. Trat. Con- 23 16 28 14 15 20 15 28 11 21 15 Lagoa da Cerquinha: Lagoa da Rondinha/Cidreira Lagoa da Fortaleza 12 24 30 11 24 37 11 22 36 23 18 34 15 16 14 25 26 19 11 12 24 12 18 11 14 27 25 20 13 16 12 30 17 12 16 17 21 12 19 12 26 22 23 24 22 13 16 11 20 18 20 17 20 15 11 23 11 20 25 16 20 20 - RELATÓRIO DA BACIA DO TRAMANDAÍ 24 25 16 22 Abastecimento público somente com desinfecção simples (co m cloro) Abastecimento público com tratamento simplificado (passagem em filtro e cloro) Irrigação hortaliças qu e são comidas cruas Proteção da vida aquá tica Recreação contato pri mário (natação, mergulho, esqui-aquá tico) Aqüicultura (criação de peixes ou crustáceos ou outras espécies aquá ticas) Pesca Abastecimento com tra tamento convencional (tratame nto em estação de tratamento de água) Criação de animais Irrigação arroz Uso Industrial Geração Energia Contemplação Mineração Navegação Lançamento esgotos almente também em classe 2). As maiores mudanças do ponto e vista da situação atual de qualidade da água estão nas seguintes lagoas: (i) Lagoa Armazém Tramandaí: Atualmente em Classe 2 das águas salobras, estaria enquadrada em Classe 1 de águas salobras e; (ii) Lagoa do Marcelino (próxima a Osório) está hoje em quais prejudicam atualmente a captação da Classe 4 e passaria para Classe2; Estas duas CORSAN para abastecimento de parte de situações pressupõem, certamente, o trata- Xangri-Lá. mento de esgotos nas cidades de Osório, Imbé e Tramandaí. A Lagoa dos Quadros, por sua vez, para ser mantida em Classe 1, também exigirá o tratamento de esgotos da cidade de Capão da Canoa, que despeja os esgotos na lagoa. Outra questão importante se refere ao próprio Rio Tramandaí que para ser mantido, em toda a sua extensão, enquadrado em Classe 2 de água doce exigirá que sejam evitados os eventos de salinização, os MAPA DO ENQUADRAMENTO - COREL 21 Texto de Encerramento 22 - RELATÓRIO DA BACIA DO TRAMANDAÍ As Águas do Rio Tramandaí Nas tuas fontes Já foste abrigo de índios Rota de passagem de tropeiros e viajantes E no processo de ocupação Paixão de imigrantes Nas tuas águas Encontramos com Deus, Realizando emoções Nas tuas margens, Buscamos nossos sonhos Nas tuas águas Contemplamos a vegetação Que fertilizas E embarcamos nas lembranças De uma infância feliz. Nas tuas margens erguemos cidades, Refletidas nas luzes do teu espelho Nas águas da chuva Que percorrem os teus caminhos Adquirimos riquezas e prosperidade Para futuras gerações Águas que abrigam os sóis de veraneio Abraçando nossos filhos Lavando o cansaço do ano inteiro Andante, Ora doce, ora salgada Que escorre pelo olhos de pescadores Lavando suas almas na madrugada Musa de tantos poetas, Aquário de sereias Ponte entre o real e as portas do imaginário Água nas mesas em forma de alimento Origem de tanto sustento As águas da bacia clamam por ti! Hoje um, Amanhã muitos. e logo tantos e outros mais... Quantos já somos? Multidão Nos corpos de nós todos, Tanto quanto no planeta A força do teu domínio 23