Se nossos antepassados
tivessem visto a Terra
sob a perspectiva dos astronautas,
certamente a teriam batizado
de Planeta Água.
A presença desse elemento –
constituído por duas moléculas de hidrogênio
e uma de oxigênio –
determinou que a vida,
da forma que a conhecemos,
pudesse vir a existir.
Por isso, preservar a água
é preservar a vida.
É uma tarefa para todos nós.
(Projeto Biodiversidade Brasil – Natura e TV Cultura)
Índice
Introdução 3
1. Objetivo 11
2. Descrição sucinta 15
2.1. A captação de água no Espaço Natura Cajamar 21
2.2. Tratamento na Estação de Tratamento de Água (ETA) 22
2.3. Distribuição da água no Espaço Natura 23
2.4.Tratamento de efluentes na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) 24
2.4.1.Tratamento Preliminar do Efluente Industrial 25
2.4.2.Tratamento dos Efluentes Orgânicos 26
2.5. O controle do processo 30
2.6. Reaproveitamento da Água 30
3. Súmula dos Indicadores 31
3.1. Consumo de água potável 33
3.2. Consumo de Água por Unidade Vendida 33
3.3. Reutilização da Água 34
3.4. Ciclo da água no Espaço Natura 36
4. Linha do tempo 39
5. Benefícios da gestão ambiental 43
6. Anexos 49
introdução
Introdução
A água recobre 77% da superfície terrestre. E é por conta disso que o
nosso planeta, visto do espaço, assemelha-se a uma esfera azul. Desse
total, 97,5% são mares e oceanos, ou seja, água salgada, e apenas 2,5%
são água doce – a maior parte concentra-se nas geleiras, nas regiões
dos pólos e nos lençóis subterrâneos profundos dos continentes.
Mesmo com tanta abundância, somente 0,3% da água no planeta está
disponível para o consumo humano. Seu uso indiscriminado, ao longo da
história da humanidade, vem colocando sob ameaça o futuro da própria
vida na Terra. Segundo dados oficiais apresentados durante a Conferência
das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento Sustentável,
a Rio +10, realizada em 2002, mais de 2 bilhões de pessoas já enfrentam
problemas de escassez de água, principalmente no norte da África e na
Ásia Ocidental. Até 2025, esse número deve saltar para 4 bilhões,
o equivalente a 50% da população mundial prevista.
O Brasil é privilegiado, pois possui uma das maiores reservas de água
doce do mundo – estima-se que o país concentre quase 12% das águas
superficiais da Terra, aquelas de fácil acesso para o consumo. Grande
parte dessa reserva, mais de 80%, concentra-se na região da Amazônia,
uma área de baixíssima densidade populacional. As chuvas também são
abundantes no país, com exceção do semi-árido nordestino, um dos locais
que mais sofre com o problema da escassez de água.
Nosso regime pluvial alimenta um dos maiores conjuntos hidrográficos do
mundo, composto de 55 mil quilômetros de rios capazes de movimentar
mais de 5 mil quilômetros cúbicos de água por ano. Essas águas tornam
única nossa biodiversidade e garantem o sustento dos povos indígenas
e populações tradicionais que vivem às suas margens.
O Brasil também possui um enorme estoque de águas subterrâneas.
Segundo estimativas, essa reserva teria aproximadamente 11 mil
quilômetros cúbicos. O governo tem pouco controle e poucos dados
sobre a quantidade de poços abertos e de água extraída deles. Acredita-se
que existam 300 mil poços já perfurados no país e que novos 10 mil
sejam abertos ao ano. Empresas de serviços e indústrias são as que mais
se utilizam dessa forma de obtenção de recursos hídricos.
Por causa dessa aparente fartura, por mais de 500 anos os recursos
hídricos no Brasil foram tratados como inesgotáveis. Atualmente, sabe-se
que a água é um recurso finito, mas o país enfrenta sérios problemas de
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
pag.5
gestão de suas reservas hídricas, que incluem a falta de planejamento
para sua correta utilização e manutenção. Entre os mais graves, está
a ocupação urbana desordenada de áreas de mananciais, que provocam
a contaminação do solo e dos lençóis freáticos.
Diante dessa ameaça, governos e empresas começam a questionar os
atuais padrões de consumo da água, que estão profundamente relacionados
ao modelo de desenvolvimento econômico adotado no país.
De modo geral, a população brasileira está bem informada sobre os
riscos de escassez da água. De acordo com pesquisa inédita encomendada
pelo Programa Água para a Vida (do WWF-Brasil) ao Instituto Brasileiro
de Pesquisa de Opinião Pública e Estatística (Ibope) sobre os hábitos de
consumo e a percepção da questão dos recursos hídricos no Brasil,
divulgada em março de 2005, 88% dos brasileiros acreditam que o país irá
enfrentar problemas de abastecimento de água, a médio ou longo prazos,
em razão da forma como o recurso é utilizado. No entanto, a mesma
pesquisa demonstrou que o brasileiro não sabe como participar
de iniciativas coletivas para a preservação e proteção da água.
Para mudar esse cenário, é preciso promover a utilização responsável da
água, o que só será possível se as pessoas tomarem consciência de que
esse recurso é valioso, escasso e importante para a manutenção da vida.
Cabe à humanidade assumir a responsabilidade pelo uso criterioso e pela
valorização da água e pelo cuidado no tratamento dos assuntos, projetos,
serviços e produtos relacionados a ela. Para isso, é importante a
disseminação de informação a respeito do tema e a adoção de
tecnologias mais adequadas. Hoje, existem alternativas para grande parte
dos problemas ligados à água, tanto no ambiente doméstico quanto
nos âmbitos empresarial e governamental. Entre elas, destacam-se
os processos de tratamento e de reuso. As modernas estações de
tratamento de água e esgoto, por exemplo, já conseguem devolver
a água com qualidade para suas fontes de origem, além de permitir
sua reutilização para outros fins que não o consumo humano.
É nesse panorama, e com grande consciência sobre o valor desse recurso,
que o gerenciamento da água no Espaço Natura Cajamar insere-se como
prática de caráter coletivo, colocando a atividade empresarial como
agenciadora de um novo modelo de desenvolvimento econômico
a ser implantado e seguido: o da sustentabilidade.
Cachoeira
Cachoeira
na na
Amazônia
Amazônia
pag. 6
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
pag.7
Apresentação da empresa
Companhia aberta desde maio de 2004, ano em que completou 35 anos
de existência, a Natura desfruta de posição de liderança no mercado
brasileiro de cosméticos e produtos de higiene e perfumaria.
No Espaço Natura, em Cajamar, São Paulo, a empresa concentra
produção, logística e pesquisa, em um complexo com 81,5 mil m2
de área construída em terreno de 643 mil m2. Na unidade de
Itapecerica da Serra, também em São Paulo, são desenvolvidas as
atividades comerciais e de marketing.
A história deste que é, hoje, um dos maiores grupos do país, com
receita bruta de R$ 2,5 bilhões em 2004, começou em uma pequena
loja e um laboratório inaugurados em 1969 na rua Oscar Freire,
em São Paulo. Nascida com duas paixões – pela cosmética como veículo
de promoção do autoconhecimento e pelas relações humanas –,
a Natura optou, há 30 anos, pelo sistema de venda direta, apoiado
no trabalho de revendedoras independentes – as Consultoras Natura.
Espaço Natura
Cajamar
Números Natura 2004
Ao longo do tempo, a Natura construiu uma marca forte e desenvolveu
um portfolio de produtos de qualidade, que atendem às necessidades
de uma ampla faixa de consumidores. Atualmente, esse portfolio
é composto por cerca de 600 produtos – nas áreas de maquiagem,
perfumaria, banho, cabelos, tratamento para rosto e corpo, higiene oral,
proteção solar, entre outras.
• Volume de negócios: R$ 3,53 bilhões
Desde o início, a Natura é conduzida por crenças e valores
expressos por meio de produtos, serviços e comportamento
empresarial, que buscam promover a melhor relação da pessoa
consigo mesma, com a natureza e com o todo que a cerca. Em todas
as suas práticas, a empresa reafirma seu comprometimento com a ética
e a transparência. A responsabilidade de promover o bem-estar
e de aprofundar os relacionamentos está presente no contato
que a empresa mantém com seus públicos, bem como na interação
com as comunidades onde atua e, mais amplamente,
com o meio ambiente.
• 5 mil cidades atendidas
pag. 8
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
• 407 mil Consultoras Natura no Brasil e 26 mil no exterior
• 3.177 colaboradores no Brasil e 378 no exterior
• 177 milhões de unidades vendidas
• 600 produtos no portfolio
• 3 filiais no exterior (Argentina, Chile e Peru)
• 1 distribuidor na Bolívia
• 1 loja na França
• Produção: capacidade de 150 milhões de unidades/ano
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
pag.9
objetivo
1. Objetivo
Este estudo de caso pretende relatar os processos e práticas adotados
no gerenciamento dos recursos hídricos do Espaço Natura Cajamar, bem
como apresentar seus principais resultados. É nosso propósito demonstrar
a materialização que a Natura vem fazendo do seu compromisso com o
desenvolvimento sustentável, contribuindo, no âmbito de suas atividades,
para a minimização de uma das maiores ameaças ao futuro da vida em
nosso planeta: a escassez da água.
Ver anexo: texto da Política de Meio Ambiente Natura, na pág.49, e
Declaração Universal dos Direitos da Água, na pág.53.
Esta apresentação está organizada de acordo com as seguintes etapas que
compõem o ciclo hídrico no Espaço Natura:
Ciclo de água
na Natura
1. Captação de água
subterrânea
2. Tratamento
na Estação
de Tratamento
de Água (ETA)
C
1.
ap
ão
ta ç
2. Tr
at
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á gu t
a o
o
6. Reaproveitamento
da água
Us
b) Tratamento dos
Efluentes Orgânicos
7. R et o r n o à
natureza
veitamento
apro
e
R
6.
5. Tra
d e e t a me
f lu e n t
n
te o
s
a) Tratamento
Preliminar do
Efluente Industrial
tribuição
5. Tratamento de
resíduos na Estação
de Tratamento de
Esgoto (ETE)
4.
4. Utilização da água
3 . D is
3. Distribuição no
Espaço Natura
7. Rio Juquery/solo
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
pag.13
descrição
sucinta
2. Descrição
sucinta
A Natura possui várias ações voltadas para a conservação e a utilização
responsável dos recursos hídricos em todo o processo produtivo e nas
suas instalações. Comprometida com o modelo de sustentabilidade, a
empresa mantém controle sobre suas atividades, produtos e serviços para
minimizar os possíveis impactos ambientais gerados por eles.
Uma das ferramentas utilizadas com esse objetivo é o Sistema de
Gerenciamento Ambiental Natura, SIGAN, que tem por base a
NBR ISO 14001 (a companhia obteve a certificação NBR ISO 14001
em maio de 2004). O monitoramento realizado pelo SIGAN, em 2004,
permitiu, entre outras iniciativas, identificar pontos falhos no consumo
de água e promover o uso mais eficiente desse recurso, em um ano
em que a produção cresceu 28%.
Por não existir rede de abastecimento público, a água utilizada no Espaço
Natura Cajamar provém de um poço artesiano local. Sua extração
respeita os critérios de regeneração do lençol freático ao qual o poço se
comunica, observando-se a vazão máxima e mínima determinada durante
a fase de perfuração e de testes.Todo o ciclo de captação, tratamento,
distribuição e reaproveitamento da água é gerenciado de forma a garantir
seu uso sustentável.
Um sistema instalado no poço artesiano, no local, mede o tempo
de reposição do lençol freático e só retira mais água quando todo
o líquido já foi reposto pela natureza, evitando seu esgotamento.
Para tornar cada vez menor a necessidade de extrair água do poço
e reduzir o consumo de maneira geral, o aumento da taxa de reutilização
da água é meta permanente.
Na Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) – considerada uma das
mais modernas do mundo –, toda a água usada nas instalações do Espaço
Natura é tratada antes de ser devolvida ao meio ambiente, com qualidade
acima dos padrões exigidos pela legislação ambiental estadual e federal.
Trata-se de um ciclo sustentado de uso e reuso da água, baseado em
tecnologias de ponta e conceitos de consumo responsável, que busca
consolidar um padrão de excelência nas relações da Natura com o meio
ambiente e auxiliar a companhia a tornar-se referência entre as empresas
brasileiras que adotam uma gestão socialmente responsável.
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
pag.17
Utilização de água no Site – Natura Cajamar
solo
poço
micromedidores
regas
ETA
banheiros,
vasos sanitários
Site Cajamar
(refeição, fabricação, pias, chuveiros)
ambiente
caldeiras
testes/solo
efluente
industrial
excesso para o rio
lavagem
laboratórios/salas
de treinamento
obra do
novo armazém
consumo humano
ambiente
ambiente
Tq. Equalização
envio
externo
industrial
solo
Excesso tratamento
externo SABESP
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
solo
solo
reserva incêndio
produto final
al. serviços
limpeza prédios
outros prédios
pag. 18
ambiente
(filtros areia, carvão
e equipamentos)
área de separação
e distribuição
regas
tancagem água
de chuva/ETE Itap
lavagem
fábricas
limpeza rua
espelhos de água
Bioreator
ETE
excesso do efluente biológico envio externo
As fontes subterrâneas
A escassez de água no planeta levou pesquisadores do mundo inteiro
a procurar novas fontes de abastecimento. Uma das mais importantes
é a água subterrânea, armazenada no subsolo e represada por rochas
ou argila nos chamados aqüíferos. Os aqüíferos reúnem 97,5% de toda
a água disponível em condições de exploração pelo homem.
De acordo com um levantamento feito pela Agência Nacional de Águas
(ANA) em 2002, mais da metade da água de abastecimento público
no Brasil provém do subsolo. Ali, a água passa por processos de filtração
e de autodepuração mais eficientes que os mais modernos métodos
de tratamento das águas superficiais. Por isso, as reservas subterrâneas
são as mais naturais e limpas fontes permanentes de abastecimento.
Além de ser mais protegida contra contaminações e apresentar melhor
qualidade, a água subterrânea é extraída a baixo custo, o que a torna
ainda mais atrativa.
Segundo a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS),
o aumento da utilização das águas subterrâneas pode ser positivo para
o meio ambiente. A abertura de poços apresenta um impacto ambiental
muito inferior ao da construção de sistemas de abastecimento por vias
superficiais, desde que feitos com a outorga da autoridade competente
e seguindo-se todas as exigências legais.
São várias as leis que regem o domínio das águas no Brasil. O Estado
de São Paulo foi o primeiro a ter uma legislação específica. É uma
outorga, que concede o simples direito de uso, não a sua propriedade,
e exige a gestão adequada dos recursos subterrâneos para não causar
prejuízos à população e ao meio ambiente.
Atualmente, segundo estimativas, pelo menos 10 metros cúbicos
por segundo de água são extraídos do subsolo da Região Metropolitana
de São Paulo para uso em indústrias, condomínios e estabelecimentos
comerciais. O município de Cajamar, na Grande São Paulo, onde
se localiza o Espaço Natura, é totalmente abastecido por águas
subterrâneas. É dessa fonte natural que a Natura retira a água
para suas instalações.
pag. 20
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
2.1. A captação de água no Espaço Natura Cajamar
A cidade de Cajamar, declarada Área de Proteção Ambiental (APA)
pela Lei Estadual Nº 4.055, de 04/06/84, abriga o Espaço Natura,
inaugurado em 2001. O fato de o município localizar-se em uma APA
favoreceu o objetivo da Natura de demonstrar que é possível praticar
ações sustentáveis em áreas ambientalmente protegidas.
Considerado o maior centro de pesquisa e desenvolvimento de produtos
cosméticos da América Latina, o Espaço Natura possui 81,5 mil m2 de
área construída em um terreno de 643 mil m2 de topografia curvilínea,
com pequenos morros e desníveis. Está localizado à margem da Rodovia
Anhangüera, é repleto de eucaliptos e, em seu interior, corre o rio
Juquery, margeado por uma pequena ferrovia.
Desde que começou a ser planejado, o Espaço Natura Cajamar já previa
a utilização de fontes subterrâneas para suprir o seu abastecimento
de água. Foi uma opção que veio ao encontro dos objetivos da empresa
de economizar o recurso e de não competir com a comunidade de
Cajamar pela utilização de água tratada.
Assim, toda a água utilizada nas instalações do Espaço Natura é captada
de um poço artesiano, a 132 metros de profundidade, por meio de uma
bomba localizada a 35 metros da superfície. A retirada de água do solo
atende aos regulamentos da outorga obtida pela empresa do
Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo
(DAEE), que permite uma captação de 20 m3/hora, em 20 horas
de operação.
Para cumprir rigorosamente a legislação e garantir a recuperação
natural do lençol freático, evitando danos ao meio ambiente, a bomba
de captação do poço artesiano do Espaço Natura está regulada
para retirar exatamente 20 m3/hora e para operar apenas por 20 horas.
Em seguida, o lençol fica em repouso por 4 horas para recuperar
sua capacidade de vazão.
No caso de contingências, como seca, por exemplo, a Natura mantém
uma parceria com uma indústria vizinha para utilizar sua água por meio
de um sistema de captação já instalado.
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
pag.21
2.2.Tratamento na Estação de Tratamento de Água (ETA)
A água bruta captada nas fontes subterrâneas pelo poço artesiano é
direcionada à Estação de Tratamento de Água (ETA) da Natura, onde
é submetida a uma série de processos que garantem sua qualidade e
eliminam microorganismos nocivos à saúde, além de resíduos.
corrigido –, e ela é bombeada para as caixas d'água da torre elevatória.
Localizada na entrada do Espaço Natura, a torre da caixa d’água é
composta por 5 células de 200 m3 cada.
• A água potável é armazenada em quatro destas células: nas células um,
dois, quatro e cinco. É esta água que abastece as fábricas, os restaurantes
e as torneiras do Espaço Natura. Na célula 3 fica a água destinada ao reuso.
Nessa estação, a água adquire condições de potabilidade após passar
pelas seguintes etapas de tratamento:
2.3. Distribuição da água no Espaço Natura
• Um dosador automático adiciona a quantidade de cloro necessária para
tratar a vazão de água que será enviada ao filtro.
A adição de cloro é necessária para a desinfecção e a eliminação
de microorganismos, mau cheiro, gosto desagradável e qualquer
coloração anormal que eventualmente possam estar presentes
na água retirada do poço.
• Após processos de coagulação, neutralização e agitação, a decantação
faz com que os flocos originados na etapa anterior depositem-se
no fundo do tanque de água, formando uma espécie de lodo.
• Na próxima etapa, a água passa por um filtro de areia que retém as
impurezas sólidas. O pH da água é controlado – e, se necessário,
ETE no Espaço
Natura Cajamar
Torre da caixa d’Agua
do Espaço Natura Cajamar
Toda a tubulação hídrica do Espaço Natura obedece à codificação
de cores da norma ABNT para indicar o tipo de água que está sendo
distribuída. Nas unidades de produção, por exemplo, a água que é
desmineralizada segue através de tubulações de aço inoxidável.
As águas destinadas ao consumo humano seguem em redes de cor
verde. Já as águas que receberam tratamento na Estação de Tratamento
de Esgoto (ETE) e são reutilizadas na rega de jardins, nas descargas
sanitárias, no sistema de combate a incêndios, na lavagem de pisos e
na Central de Compostagem da Natura passam por tubulações de cor
branca (mais detalhes no item 2.4).
Fluxograma
de tratamento
da água – ETA
bioreator
bomba
cloração
(bomba dosadora)
filtro
de areia
caixa
da água
torneiras de
todo o site
restaurante
fábricas
2.4. Tratamento de resíduos na Estação de Tratamento
de Esgoto (ETE)
Em 2001, a Natura investiu 3 milhões de dólares na implantação da Estação
de Tratamento de Efluentes (ETE) no Espaço Natura Cajamar, colocando em
foco o futuro problema da escassez da água e buscando a conscientização
de seus colaboradores e de todos os que se relacionam com a empresa
para essa questão.
Além de estar integrada com a mata nativa que circunda todo
o Espaço Natura, a ETE é a única estação da América do Sul dotada
da tecnologia canadense de ultrafiltração, que utiliza membranas para
tratamento de efluentes industriais e domésticos. Com esses recursos, ela foi
inaugurada com capacidade para tratar 230 mil litros por dia, quantidade de
esgoto (resíduos químicos e orgânicos) equivalente ao produzido por uma
cidade de 45.000 habitantes. Hoje, com a instalação de uma nova membrana,
a produção diária está em 253 mil litros, o que corresponde a um aumento
de 10% de sua capacidade original.
A utilização dessa tecnologia, combinada com um sistema de coleta
de esgoto sanitário a vácuo (veja box na página 27), possibilitou uma redução
de 5 vezes em sua área construída em relação às estações de tratamento
convencionais. Além disso, se a Natura tivesse que mandar os efluentes
domésticos e industriais para serem tratados fora (na Sabesp, por exemplo),
além do impacto ambiental resultante da necessidade de transportar todo
esse efluente e dos riscos associados a essa operação, teria um custo direto
5 vezes superior ao dispendido na operação atual.
O moderno sistema de controle e supervisão da ETE permite que ela funcione
de forma automática, reduzindo o número de colaboradores necessários para a
sua operação. O ciclo de tratamento obedece a duas operações distintas:
Efluentes Industriais – As águas e efluentes provenientes da limpeza dos
equipamentos de produção e dos pisos das fábricas são mandados para
a ETE por meio de tubulação própria. Estes efluentes chegam
com alta concentração de elementos inorgânicos, óleos, álcool
e outras substâncias utilizadas na fabricação dos produtos Natura.
Efluentes Orgânicos – As águas e efluentes originados da cozinha
e dos equipamentos sanitários são destinados à ETE também
por meio de um sistema independente de tubulação, onde só entram
elementos orgânicos.
Ver anexo: vídeo Estação de Tratamento de Efluentes Natura.
2.4.1. Tratamento Preliminar do Efluente Industrial
O tratamento é realizado nas seguintes etapas:
Na ETE, o sistema
de ultrafiltração para
tratamento de esgoto
e água permite que
a Natura mantenha
resultados acima
dos padrões legais.
• Os efluentes industriais, com elevada carga de material químico
inorgânico e orgânico, além de metais solúveis e álcool, chegam à ETE
com pequenas partículas sólidas.
• Uma peneira separa os elementos sólidos, como pedaços de papel, de
lacres, de sacos plásticos ou de produtos mal dispersos.
• O material sólido retido é despejado em caçambas e destinado a aterros
sanitários.
• A seguir, os efluentes líquidos são mandados para um tanque
intermediário, com capacidade de 3 metros cúbicos, que funciona como
tanque pulmão ou reserva de contingência. Ele é usado por segurança,
no caso de haver necessidade de interrupção do fluxo de efluentes para
a etapa seguinte do tratamento.
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
pag.25
• Os efluentes são bombeados para o tanque de equalização, onde
se inicia o seu pré-tratamento. Ali, ficam em constante agitação através
de injeção de ar comprimido, que homogeneiza a mistura e dissolve
oxigênio na água.
• Do tanque de equalização, os efluentes industriais são bombeados para
o tanque de reação, onde recebem produtos químicos e continuam
sendo agitados.
• Uma amostra é coletada para se determinar a quantidade de cada
elemento químico necessário ao tratamento, a ser usado no tanque de
reação. Então, ajusta-se o painel de controle para dar início ao processo.
• Durante todo o processo de reação, a água fica em constante agitação
para melhor dissolver os reagentes. Neste processo, formam-se flocos
que decantam. Após cerca de 6 horas de agitação, obtém-se o lodo
industrial decantado.
• O líquido da superfície do tanque é mandado para um tanque
intermediário – chamado Elevatória 1 –, que tem função de segurança,
caso a etapa seguinte do tratamento não possa receber imediatamente
o fluxo proveniente do tanque de reação.
• A água enviada para a Elevatória 1 é bombeada para o tanque
bioreator, no qual a sua carga orgânica é removida por processo biológico.
• O material depositado no fundo do tanque de reação é bombeado
para o tanque de lodo físico-químico ou lodo industrial. Uma amostra
deste lodo é colhida para análise de pH e consistência.
• O lodo industrial é agitado e recebe os reagentes químicos necessários
para equilibrar os parâmetros de pH e consistência, determinados no
laboratório da ETE. Após agitação por mais 2 horas, o material
decantado é mandado para o filtro prensa.
• A água extraída do filtro prensa é mandada para o bioreator.
O material prensado, conhecido por torta de lodo industrial, é
acondicionado em caçamba para ser enviado ao aterro industrial.
Estação de Tratamento
de Efluentes no Espaço
Natura Cajamar
Sistema de Coleta de Efluente à Vácuo
De acordo com o conceito de conservação dos recursos renováveis,
o Espaço Natura Cajamar utiliza um sistema de coleta de efluentes
a vácuo, apropriado para lugares com alta concentração de público.
Ele economiza aproximadamente 90% do consumo de água médio
de um sistema convencional.
2.4.2.Tratamento dos Efluentes Orgânicos
O sistema usa apenas 2 litros de água por acionamento, permitindo
uma economia de até 18 litros na limpeza de cada vaso sanitário
em comparação com sistemas convencionais (válvula de pressão).
No total, existem 660 vasos sanitários no Espaço Natura Cajamar.
Os efluentes sanitários contêm grande concentração de compostos
orgânicos. Eles são formados pelas águas usadas nos restaurantes, nas pias
dos banheiros e nos vasos sanitários – que funcionam com um sistema de
coleta a vácuo (veja box ao lado).
Toda a água do sistema de coleta de esgoto a vácuo é proveniente
da ETE, ou seja, é reutilizada. Isso evita o uso nos vasos sanitários
da água potável proveniente do poço artesiano, que é destinada
para fins mais nobres.
pag. 26
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
pag.27
O tratamento de efluentes orgânicos na ETE segue as seguintes fases
de operação:
• Na ETE, existem bombas que mantêm a pressão negativa do sistema.
Assim, por meio desse processo, os efluentes sanitários já chegam à
estação homogeneizados.
• Os efluentes sanitários passam, então, por uma peneira, que separa
os elementos sólidos da água. Ela retém metais, plásticos, pedaços
de tecido e demais partículas sólidas trazidas pelas tubulações.
• O fluxo segue para o tanque sanitário, que tem função de reserva
de contingência ou pulmão.
• Do tanque sanitário, a água é bombeada para o bioreator, onde é
misturada à água pré-tratada dos efluentes industriais. Ali, acontece o
processo de biodigestão aeróbica dos elementos orgânicos – ou seja,
em um meio equilibrado, bactérias digerem os elementos orgânicos
dissolvidos na água.
• O líquido fica em constante agitação por meio de injeção de ar
comprimido, para manter o nível de oxigênio na água e a atividade
das bactérias aeróbicas. Nesta etapa, é feita uma avaliação com
espectrofotômetro para determinar os níveis de nitrogênio, fósforo
e outras substâncias.
• A concentração de bactérias na água é determinada através de análise
microscópica. Conforme o resultado das análises, são adicionados
componentes químicos necessários à manutenção da população ideal
de bactérias.
• Estando em condições adequadas, a água do bioreator é mandada
para o sistema de ultrafiltração de membrana. No filtro, a água pura
é separada dos elementos orgânicos dissolvidos.
• Quando as membranas do filtro estão saturadas de matéria orgânica,
é feita uma retrolavagem, e a água do processo é mandada de volta
para o bioreator.
• A massa orgânica do bioreator é constantemente monitorada
e, quando sua concentração é muito alta, o produto do processo
de retrolavagem é desviado para o tanque de lodo biológico.
• No tanque de lodo biológico, é colhida uma amostra do lodo
para determinar a quantidade de reagentes químicos que deve ser
adicionada. O lodo é mantido em agitação por meio de injeção
de ar comprimido, além de receber reagentes químicos.
pag. 28
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
• Após sua estabilização, o lodo biológico é mandado para o filtro
de prensa. A água excedente do processo de prensagem retorna
ao bioreator.
• A torta do lodo biológico é acondicionada em caçamba para ser
enviada a uma empresa de reciclagem, que a reprocessa e a transforma
em um adubo orgânico.
Fluxograma Básico
da Estação de Tratamento
de Efluentes
efluente
industrial
peneira
industrial
tanque de
equalização
tanque de
reação
ar
tanque de
lodo industrial
filtro prensa
lodo industrial
produtos
químicos
(reagentes)
caçamba
caçamba
lodo
industrial
ar
efluente
sanitário
Entradas
Saídas
peneira
sanitário
bioreator
sistema de
ultrafiltração
tanque de
lodo biológico
caixa de
cloração
filtro prensa
lodo biológico
rio
caçamba
lodo
biológico
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
pag.29
2.5. O controle do processo
Para dar suporte tanto à ETA quanto à ETE, a Natura implantou um
laboratório das águas, que funciona 24 horas e conta com uma equipe
especializada composta de um químico (bacharel), três técnicos químicos,
três auxiliares e um mecânico industrial de manutenção. Esse laboratório
está capacitado a realizar análises físico-químicas e biológicas da água
utilizada no Espaço Natura Cajamar. Para monitorar a confiabilidade dos
resultados dessas análises, semestralmente a empresa chama um
laboratório externo para fazer uma análise das mesmas amostras.
Os resultados servem para validar os valores obtidos na análise interna.
Em caso de discrepância, são realizadas contraprovas. Se as divergências
permanecem, é iniciado um processo de investigação para detectar se o
desvio ocorreu por falha humana, erro de leitura de algum equipamento
ou incorreção na metodologia das análises.
2.6. Reaproveitamento da água
Após os processos de tratamento na ETE, a água que sai da ultrafiltragem
de membrana é mandada para a caixa de cloração, onde recebe cloro
por meio de um dosador automático.
Deste ponto, a água é bombeada para a célula 3 da torre da caixa d’água,
onde fica disponível para uso nos vasos sanitários, na reserva para
combate a incêndios, na limpeza de piso de rodagem e na rega dos
jardins do Espaço Natura.
O excedente é mandado de volta para a natureza, mas antes serve
de meio de vida para os peixes do lago da ETE e dos diversos espelhos
d’água que existem no Espaço Natura Cajamar, o que comprova
que a água está apropriada para ser despejada no rio Juquery.
Com o fechamento do ciclo da água, que retorna à natureza em
condições de qualidade satisfatórias, a Natura materializa as suas intenções
de minimizar os impactos ambientais de suas atividades e de contribuir
para a busca da sustentabilidade no uso deste recurso fundamental
para a vida. Além disso, a empresa utiliza seus recursos hídricos sob a
perspectiva permanente da economia e da eficiência de seus processos.
pag. 30
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
súmula
dos principais
indicadores
3. Súmula
dos principais
indicadores
3.1. Consumo de água potável
Em 2004, a Natura apresentou um crescimento de 28% em sua
produção. Mesmo assim, o consumo de água potável no Espaço Natura
manteve-se dentro de padrões adequados para atender à expansão de
suas atividades, só crescendo cerca de 8% (veja tabela e gráfico abaixo).
Água potável no Espaço Natura (em m3)
10.000
8.000
6.000
4.000
2.000
0
jan. fev. mar. abr. mai. jun. jul. ago. set. out. nov. dez.
2002
2003
2004
3.2. Consumo de Água por Unidade Vendida
Em outubro de 2004, a Natura concluiu a instalação de todos os
hidrômetros para monitoramento do consumo nos edifícios do Espaço
Natura, na produção, em lavagens e excedentes. Com o monitoramento
aperfeiçoado, no ano passado, o consumo de água por unidade vendida
teve uma redução de quase 50% em relação a 2002 (veja gráfico a seguir).
Depreende-se desse dado que, quanto maior for o controle, menores são
as perdas e o consumo. O controle com monitoramento permite que as
anomalias sejam detectadas rapidamente e, dessa forma, são tomadas
providências para corrigi-las o mais breve possível. Desse modo, o
desperdício, se acontece, dura pouco tempo.
A meta para 2005 é reduzir em mais 1% o consumo relativo de água.
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
pag.33
Consumo de Água por Unidade Vendida(1)
(litros/unidade)
1,22
2002
2003
2004
0,87
0,67
1. Unidades revendidas pelas Consultoras no Brasil (não se incluem
amostras, brindes, material de apoio à revenda, produtos da linha
Crer para Ver, entre outros).
3.3. Reutilização da Água
A reutilização da água no Espaço Natura vem
crescendo a cada ano, alcançando, em 2004, o índice
de 39,50% (veja gráfico abaixo). Nos primeiros meses
de 2005, a empresa já aumentou este índice de reuso
para uma média de 50%.
Reutilização da Água
(% do total de água tratada na Estação
de Tratamento de Efluentes)
2002
2003
2004
16%
29%
39,5%
Adriana Alves,
consumidora Natura
pag. 34
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
3.4. Ciclo da água no Espaço Natura
Confira abaixo o ciclo de utilização da água no Espaço Natura Cajamar,
com números consolidados de 2004.
Utilização de água no Site –
Natura Cajamar (janeiro a dezembro/2004)
solo
44% regas
poço
micromedidores
ETA
13% mictórios,
vasos sanitários
97.516 m3
100% água potável
consumidores
Site Cajamar
tancagem água
de chuva/ETE Itap
(refeição, fabricação, pias, chuveiros)
ambiente
5,3% caldeiras
12% produto final (11.764
22,4% al. serviços
17,6% lavagem
10,9% laboratórios/
salas de treinamento
4,8% consumo
humano
0,3% obra do
novo armazém
0,2% regas
ambiente
11,4% outros prédios
100% água de reciclo
(29.066 m3)
ambiente
entrou
35.603 m3
Tq. Equalização
(17.480 m3)
envio retido
externo 2.329 m3
8.268 m3 diferença entre a
entrada com a
soma do tratado
e enviado externo
solo (178 m3)
excesso para o rio
(44.431 m3)
71.565 m3
produzido
ETE
41.441
8.488 m3
m3
66.457
220 m3
m3
retirado
1.363 m3
diferença do
produzido com
o recebido
tratou
25.016 m3
23.961m3
Excesso tratamento
externo SABESP
testes/solo
efluente industrial
solo (178 m3)
0,2% limpeza prédios
3.745 m3
(filtros areia, carvão 34.683 m3
e equipamentos)
2% área de separação
e distribuição
solo
6% reserva incêndio
m3)
920 m3
35,3% lavagem
47,3% fábricas
37% limpeza rua
espelhos de água
Bioreator
recebido
70.202 m3
linha
do tempo
4. Linha
do tempo
1995
Devido à
necessidade de
expansão de sua
capacidade física e
de produção, a
Natura inicia os
planos de construir
sua nova unidade
industrial.
Abril de 1996
Escolha de
Cajamar, à
margem da
Rodovia
Anhangüera,
para a
construção da
nova unidade.
1996
Início dos projetos
de engenharia,
arquitetura,
tecnologia e
decoração.
Agosto de 1998
Início das obras
e instalação
das primeiras
estruturas
de ferro.
Agosto de 1999
O planejamento
do espaço já é
perceptível. O lado
funcional do Centro
de Distribuição
volta-se para a
estrada. Os demais
prédios abrem-se
para o verde.
Fevereiro de 2000
Término da
construção da ETE.
Abril de 2000
Início
do tratamento
de efluentes.
Junho de 2000
Alguns prédios
são entregues
para o início
de sua ocupação:
o Reservatório
Elevado, a
Portaria de
Cargas, o Picking,
os refeitórios e a
ETE – Estação de
Tratamento de
Efluentes.
Outubro de 2000
Implantação do Projeto
Coleta Certa
2002
Criação do Comitê
da Sustentabilidade.
Maio de 2001
Inauguração oficial do
Espaço Natura Cajamar,
com a presença
do então presidente
da República, Fernando
Henrique Cardoso,
de ministros de Estado
e do governador de São
Paulo, Geraldo Alckmin.
Maio de 2004
Implantação
da NBR ISO 14001
e criação do Sistema
de Gerenciamento
Ambiental Natura
(Sigan).
Agosto de 2004
Início das obras de
expansão da ETE
Natura.
Outubro de 2004
Conclusão da
instalação de todos
os hidrômetros
para monitoramento
do consumo de água
nos edifícios do
Espaço Natura.
benefícios
da gestão sustentável
dos recursos hídricos
5. Benefícios
da gestão sustentável
dos recursos hídricos
Com todos esses processos e práticas de gerenciamento dos recursos
hídricos, a Natura obtém vários benefícios de economia, eficiência
e sustentabilidade:
• Em 2004, a empresa conseguiu uma redução de 23% no consumo
de água por unidade vendida em relação a 2003.
• O reciclo de água tratada e as operações caça-vazamentos tiveram
resultados significativos. Mesmo com o crescimento de 28% de itens
produzidos em 2004, houve uma expansão sustentada do consumo
de água.
• A reutilização da água aumentou de 29%, em 2003, para 39,5%, em
2004. Em janeiro e fevereiro de 2005, o volume de reuso já superou
este índice e alcançou a média de 50%.
• Em 2004, foram implementadas ações para aumentar o reuso de água
tratada, como a criação de novos pontos para rega, que deixou de
utilizar água potável.
• A ETE está em obras de expansão de sua capacidade física para
atender ao crescimento da Natura. Hoje, a capacidade de tratamento
de efluentes na ETE é de 253 m3/dia. Ela será ampliada para
340 m3/dia, o que deve suprir a demanda da empresa até 2008.
• Em 2004, foram tratados 40.245 m3 de esgoto oriundo dos efluentes
sanitários na ETE, contra 41.735 m3 em 2003 (3,5% a menos),
embora o número de colaboradores no site tenha aumentado
no mesmo período. Isso representa um crescimento sustentado
com economia de água.
• Em 2004, foram enviados à ETE 35.336 m3 de efluentes industriais
contra 27.941 m3 em 2003 (20,9% a mais), o que reflete o significativo
aumento da produção da empresa.
• No total, o volume tratado dos efluentes sanitários e industriais
em 2004 foi de 73.500 m3, contra 69.677 m3 em 2003, o que justifica
a necessidade de ampliação da capacidade da ETE.
• O sistema de coleta a vácuo representa grande economia para
a Natura, já que utiliza apenas 2 litros de água/descarga, contra
20 litros/descarga do sistema convencional. Ao utilizar 2 litros de água
por descarga, são tratados 220 m3 de esgoto/dia na ETE; usando
20 litros de água/descarga, seriam tratados 1.200 m3/dia.
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
pag.45
• A devolução de água e efluentes à natureza, que a Natura realiza em
seu ciclo hídrico no Espaço Natura, obedece à Lei Estadual 997/76,
artigos 12 e 18, ao Decreto Lei 8.468/76 e à Resolução 20/86 do
Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), de acordo
com o licenciamento ambiental concedido pela CETESB (Companhia
de Tecnologia de Saneamento Ambiental).
A legislação estadual permite que esta
devolução contenha até 60 mg/litro
de DBO (Demanda Bioquímica de
Oxigênio) ou que se pratique 80%
de remoção de DBO nos processos de
tratamento, enquanto a federal permite
uma devolução de até 10 mg/litro.
DBO é a unidade de
medida da quantidade
de oxigênio necessária
para que a flora biológica
faça a degradação natural
da poluição.
A Natura busca estar abaixo dos limites estabelecidos por lei. Dessa
forma, a ETE devolve ao meio ambiente a água com qualidade acima dos
padrões exigidos tanto pela legislação ambiental estadual quanto pela
federal, efetuando mensalmente todas as análises comprobatórias de
atendimento às normas.
9/12/2004
14/12/2004
23/12/2004
28/12/2004
DQO
57
41
40
45
Saída (mg/L)
DBO
2
2
3
3
pH
7,6
7,5
7,4
7,4
Eficiência do
processo (%)
DQO
DBO
98,7
99,9
99,1
99,9
99,0
99,9
98,9
99,9
• A gestão responsável da água é recorrente nas discussões da Natura
com seus diversos públicos de relacionamento e tem sido assunto
abordado em seus vários veículos de comunicação, para públicos
internos e externos.
• Além dos benefícios práticos que traz ao ciclo da água no Espaço
Natura, a ETE também exerce um papel fundamental no programa
de Educação Ambiental, sendo constantemente visitada por escolas,
faculdades, órgãos públicos etc. Em 2004, por exemplo, recebeu
aproximadamente 450 visitantes.
As análises realizadas durante o ano de 2004 mostram que os efluentes
tratados na Natura comportam, em média, em torno de 5 mg/litro de
DBO ou realizam 99,9% de eficiência na remoção de DBO (veja gráfico
abaixo, referente ao mês de dezembro de 2004).
O resultado é que a água excedente, não reutilizada em suas instalações
e despejada no rio Juquery, é devolvida à natureza com qualidades
físico-químicas e biológicas bem superiores àquelas que o próprio rio
apresenta. Para se ter uma idéia, a média anual de DBO do Rio Juquery
chega a 60 mg/litro, ou seja, bem acima do que a que a Natura devolve
com seus efluentes.
Eficiência da ETE em DBO
9/12/2004
14/12/2004
23/12/2004
28/12/2004
pag. 46
DQO
4.525
4.670
4.210
4.232
Entrada (mg/L)
DBO
2.415
2.610
2.520
2.605
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
pH
7,6
7,4
7,4
7,5
% Redução
DBO
99,9
99,9
99,9
99,9
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
pag.47
anexos
6. Anexos
Política de Meio Ambiente Natura
A Natura assume que uma empresa ambientalmente responsável deve
gerenciar suas atividades de maneira a identificar os impactos sobre o
meio ambiente, buscando minimizar aqueles que são negativos e amplificar
os positivos. Deve, portanto, agir para a manutenção e melhoria das
condições ambientais, minimizando ações próprias potencialmente
agressivas ao meio ambiente e disseminando para outras empresas as
práticas e conhecimentos adquiridos na experiência da gestão ambiental.
Ao assumir a política de meio ambiente como parte do seu compromisso
com o desenvolvimento sustentável, a Natura visa também à ecoeficiência
ao longo de sua cadeia de geração de valor; e, ao buscar a ecoeficiência,
favorece a valorização da biodiversidade e de sua responsabilidade social.
As diretrizes para o meio ambiente da Natura contemplam:
• A responsabilidade para com as gerações futuras;
• A educação ambiental;
• O gerenciamento do impacto do meio ambiente e do ciclo de vida
de produtos e serviços; e
• A minimização de entradas e saídas de materiais.
Responsabilidade para com
as gerações futuras
Gerenciamento do impacto no meio ambiente e do ciclo
de vida de produtos e serviços
No enfrentamento dos impactos ambientais resultantes de suas atividades
no setor de cosméticos, saúde e fitoterápicos, tanto no Brasil quanto no
exterior, a empresa:
A Natura opera sistemas de gestão ambiental com ampla identificação de
riscos, plano de ação, alocação de recursos, treinamento de colaboradores
e auditoria. Foca sua ação preventiva nos processos que oferecem dano
potencial ao meio ambiente, à saúde e risco à segurança de seus
colaboradores, objetivando a prevenção à poluição, e realiza regularmente
atividades de controle e monitoramento. Produz estudos de impacto em
toda a cadeia produtiva; desenvolve parceria com fornecedores visando à
melhoria de seus processos de gerenciamento ambiental.
• Cumpre os parâmetros e requisitos exigidos pela legislação e demais
normas subscritas pela organização;
• Controla-os e monitora-os em todas as fases de produção, com vistas à
redução de uso de insumos de valor ambiental estratégico, à eliminação
gradativa de ensaios com animais em matérias-primas para produtos
cosméticos, à redução de impactos ambientais de embalagens e à
pronta reparação de eventuais incidentes;
• Promove a melhoria contínua dos processos em toda a cadeia
produtiva, incorporando tecnologias limpas;
• Trata a questão ambiental como tema transversal em sua estrutura
organizacional e a inclui no planejamento estratégico;
• Desenvolve novos negócios ou novos modelos de negócio levando em
conta os princípios e as oportunidades oferecidas pela sustentabilidade.
Educação ambiental
A Natura busca disseminar a cultura da responsabilidade ambiental,
individual e coletiva, entre colaboradores, equipes de vendas,
fornecedores, prestadores de serviços e consumidores. Capacita
colaboradores para a prática da sustentabilidade nas atividades
profissionais e estende esse compromisso às parcerias com
fornecedores, inclusive por meio de cláusulas contratuais. Desenvolve
ações de educação ambiental e treinamento sobre a prática da
responsabilidade ambiental para colaboradores, estimulando o debate;
promove campanhas internas dirigidas a familiares de colaboradores
e à comunidade do entorno imediato da empresa; e participa
ou apóia projetos e programas de educação ambiental voltados
para a sociedade em geral.
pag. 52
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
Minimização de entradas e saídas de materiais
Sem alterar seu padrão tecnológico atual, a Natura procura reduzir o
consumo de energia, água, produtos tóxicos e matérias-primas, e implantar
processos de destinação adequada de resíduos. Investe na atualização de
seu padrão tecnológico, visando à redução ou substituição de recursos de
entrada; realiza o tratamento de efluentes e de resíduos em geral e
promove o uso de matérias-primas renováveis. Possui processos para
medir, monitorar e auditar os aspectos ambientais associados ao consumo
de recursos naturais e à geração de resíduos, estabelecendo
periodicamente novas metas. Procura adotar práticas de bom manejo
florestal na extração de ativos e na utilização sustentável de recursos
naturais básicos; promove a reciclagem e o reuso de materiais, o
gerenciamento da qualidade do ar, da água e do solo, o controle de
efeitos sonoros, a redução do desperdício, e privilegia o uso de materiais
biodegradáveis, entre outras iniciativas.
A Natura busca desenvolver projetos e orienta os investimentos visando
à compensação ambiental pelo uso de recursos naturais e pelo impacto
causado por suas atividades. Busca organizar a sua estrutura interna de
maneira que o meio ambiente não seja um tema isolado, mas que
permeie todas as áreas da empresa, sendo considerado a cada produto,
processo ou serviço que desenvolve ou planeja desenvolver. Isso permite
à empresa prevenir-se de riscos, além de reduzir custos, aprimorar
processos e explorar novos negócios voltados para a sustentabilidade
ambiental, favorecendo a sua inserção no mercado.
Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental
pag.53
declaração universal
dos direitos da água
Documento redigido pela ONU, em 22 de março de 1992.
1. A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada
povo, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável
aos olhos de todos.
2. A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida
e de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos
conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura
ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais
do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado no Art. 30
de Declaração Universal dos Direitos Humanos.
3. Os recursos naturais de transformação da água em água potável
são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo a água deve ser
manipulada com racionalidade, preocupação e parcimônia.
4. O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação
da água e dos seus ciclos. Estes devem permanecer intactos
e funcionando normalmente, para garantir a continuidade da vida
sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação
dos mares e oceanos por onde os ciclos começam.
ETE no Espaço
Natura Cajamar
5. A água não é somente uma herança dos nossos predecessores,
ela é sobretudo um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção
constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral
do Homem para as gerações presentes e futuras.
6. A água não é uma doação gratuita da natureza, ela tem um valor
econômico: é preciso saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa
e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.
7. A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada.
De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência
e discernimento, para que não se chegue a uma situação de
esgotamento ou de deterioração de qualidade das reservas
atualmente disponíveis.
8. A utilização da água implica o respeito à lei. Sua proteção constitui uma
obrigação jurídica para todo o homem ou grupo social que a utiliza. Esta
questão não deve ser ignorada nem pelo Homem nem pelo Estado.
9. A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua
proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.
10. O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade
e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.
Coordenação Geral
Eliane Anjos, Gerência de Meio Ambiente
Renata Sbardelini e Flávia Motta, Gerência de Relações Institucionais
Coordenação Editorial e Edição
Carmen Nascimento, Gerência de Conteúdo
Coordenação de Produção
Karen Cavalcanti, Juliana Nappo e Rafaela Dores, Gerência de
Comunicação Institucional
Pesquisa e redação
Folie Comunicação
Colaborou com esta publicação
Marcos Josmar, Estação de Tratamento de Efluentes
Projeto Gráfico e Editoração
Modernsign Design e Inovação
Créditos das Imagens
Arnaldo Pappalardo (página 51), Eduardo Simões (página 9),
Marcos Suguio (páginas 22, 23, 34, 27, 40, 41 e 54),
Roberto Linsker (página 6) e Willy Biondani (página35).
Impresso em papel
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