Se nossos antepassados tivessem visto a Terra sob a perspectiva dos astronautas, certamente a teriam batizado de Planeta Água. A presença desse elemento – constituído por duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio – determinou que a vida, da forma que a conhecemos, pudesse vir a existir. Por isso, preservar a água é preservar a vida. É uma tarefa para todos nós. (Projeto Biodiversidade Brasil – Natura e TV Cultura) Índice Introdução 3 1. Objetivo 11 2. Descrição sucinta 15 2.1. A captação de água no Espaço Natura Cajamar 21 2.2. Tratamento na Estação de Tratamento de Água (ETA) 22 2.3. Distribuição da água no Espaço Natura 23 2.4.Tratamento de efluentes na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) 24 2.4.1.Tratamento Preliminar do Efluente Industrial 25 2.4.2.Tratamento dos Efluentes Orgânicos 26 2.5. O controle do processo 30 2.6. Reaproveitamento da Água 30 3. Súmula dos Indicadores 31 3.1. Consumo de água potável 33 3.2. Consumo de Água por Unidade Vendida 33 3.3. Reutilização da Água 34 3.4. Ciclo da água no Espaço Natura 36 4. Linha do tempo 39 5. Benefícios da gestão ambiental 43 6. Anexos 49 introdução Introdução A água recobre 77% da superfície terrestre. E é por conta disso que o nosso planeta, visto do espaço, assemelha-se a uma esfera azul. Desse total, 97,5% são mares e oceanos, ou seja, água salgada, e apenas 2,5% são água doce – a maior parte concentra-se nas geleiras, nas regiões dos pólos e nos lençóis subterrâneos profundos dos continentes. Mesmo com tanta abundância, somente 0,3% da água no planeta está disponível para o consumo humano. Seu uso indiscriminado, ao longo da história da humanidade, vem colocando sob ameaça o futuro da própria vida na Terra. Segundo dados oficiais apresentados durante a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a Rio +10, realizada em 2002, mais de 2 bilhões de pessoas já enfrentam problemas de escassez de água, principalmente no norte da África e na Ásia Ocidental. Até 2025, esse número deve saltar para 4 bilhões, o equivalente a 50% da população mundial prevista. O Brasil é privilegiado, pois possui uma das maiores reservas de água doce do mundo – estima-se que o país concentre quase 12% das águas superficiais da Terra, aquelas de fácil acesso para o consumo. Grande parte dessa reserva, mais de 80%, concentra-se na região da Amazônia, uma área de baixíssima densidade populacional. As chuvas também são abundantes no país, com exceção do semi-árido nordestino, um dos locais que mais sofre com o problema da escassez de água. Nosso regime pluvial alimenta um dos maiores conjuntos hidrográficos do mundo, composto de 55 mil quilômetros de rios capazes de movimentar mais de 5 mil quilômetros cúbicos de água por ano. Essas águas tornam única nossa biodiversidade e garantem o sustento dos povos indígenas e populações tradicionais que vivem às suas margens. O Brasil também possui um enorme estoque de águas subterrâneas. Segundo estimativas, essa reserva teria aproximadamente 11 mil quilômetros cúbicos. O governo tem pouco controle e poucos dados sobre a quantidade de poços abertos e de água extraída deles. Acredita-se que existam 300 mil poços já perfurados no país e que novos 10 mil sejam abertos ao ano. Empresas de serviços e indústrias são as que mais se utilizam dessa forma de obtenção de recursos hídricos. Por causa dessa aparente fartura, por mais de 500 anos os recursos hídricos no Brasil foram tratados como inesgotáveis. Atualmente, sabe-se que a água é um recurso finito, mas o país enfrenta sérios problemas de Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental pag.5 gestão de suas reservas hídricas, que incluem a falta de planejamento para sua correta utilização e manutenção. Entre os mais graves, está a ocupação urbana desordenada de áreas de mananciais, que provocam a contaminação do solo e dos lençóis freáticos. Diante dessa ameaça, governos e empresas começam a questionar os atuais padrões de consumo da água, que estão profundamente relacionados ao modelo de desenvolvimento econômico adotado no país. De modo geral, a população brasileira está bem informada sobre os riscos de escassez da água. De acordo com pesquisa inédita encomendada pelo Programa Água para a Vida (do WWF-Brasil) ao Instituto Brasileiro de Pesquisa de Opinião Pública e Estatística (Ibope) sobre os hábitos de consumo e a percepção da questão dos recursos hídricos no Brasil, divulgada em março de 2005, 88% dos brasileiros acreditam que o país irá enfrentar problemas de abastecimento de água, a médio ou longo prazos, em razão da forma como o recurso é utilizado. No entanto, a mesma pesquisa demonstrou que o brasileiro não sabe como participar de iniciativas coletivas para a preservação e proteção da água. Para mudar esse cenário, é preciso promover a utilização responsável da água, o que só será possível se as pessoas tomarem consciência de que esse recurso é valioso, escasso e importante para a manutenção da vida. Cabe à humanidade assumir a responsabilidade pelo uso criterioso e pela valorização da água e pelo cuidado no tratamento dos assuntos, projetos, serviços e produtos relacionados a ela. Para isso, é importante a disseminação de informação a respeito do tema e a adoção de tecnologias mais adequadas. Hoje, existem alternativas para grande parte dos problemas ligados à água, tanto no ambiente doméstico quanto nos âmbitos empresarial e governamental. Entre elas, destacam-se os processos de tratamento e de reuso. As modernas estações de tratamento de água e esgoto, por exemplo, já conseguem devolver a água com qualidade para suas fontes de origem, além de permitir sua reutilização para outros fins que não o consumo humano. É nesse panorama, e com grande consciência sobre o valor desse recurso, que o gerenciamento da água no Espaço Natura Cajamar insere-se como prática de caráter coletivo, colocando a atividade empresarial como agenciadora de um novo modelo de desenvolvimento econômico a ser implantado e seguido: o da sustentabilidade. Cachoeira Cachoeira na na Amazônia Amazônia pag. 6 Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental pag.7 Apresentação da empresa Companhia aberta desde maio de 2004, ano em que completou 35 anos de existência, a Natura desfruta de posição de liderança no mercado brasileiro de cosméticos e produtos de higiene e perfumaria. No Espaço Natura, em Cajamar, São Paulo, a empresa concentra produção, logística e pesquisa, em um complexo com 81,5 mil m2 de área construída em terreno de 643 mil m2. Na unidade de Itapecerica da Serra, também em São Paulo, são desenvolvidas as atividades comerciais e de marketing. A história deste que é, hoje, um dos maiores grupos do país, com receita bruta de R$ 2,5 bilhões em 2004, começou em uma pequena loja e um laboratório inaugurados em 1969 na rua Oscar Freire, em São Paulo. Nascida com duas paixões – pela cosmética como veículo de promoção do autoconhecimento e pelas relações humanas –, a Natura optou, há 30 anos, pelo sistema de venda direta, apoiado no trabalho de revendedoras independentes – as Consultoras Natura. Espaço Natura Cajamar Números Natura 2004 Ao longo do tempo, a Natura construiu uma marca forte e desenvolveu um portfolio de produtos de qualidade, que atendem às necessidades de uma ampla faixa de consumidores. Atualmente, esse portfolio é composto por cerca de 600 produtos – nas áreas de maquiagem, perfumaria, banho, cabelos, tratamento para rosto e corpo, higiene oral, proteção solar, entre outras. • Volume de negócios: R$ 3,53 bilhões Desde o início, a Natura é conduzida por crenças e valores expressos por meio de produtos, serviços e comportamento empresarial, que buscam promover a melhor relação da pessoa consigo mesma, com a natureza e com o todo que a cerca. Em todas as suas práticas, a empresa reafirma seu comprometimento com a ética e a transparência. A responsabilidade de promover o bem-estar e de aprofundar os relacionamentos está presente no contato que a empresa mantém com seus públicos, bem como na interação com as comunidades onde atua e, mais amplamente, com o meio ambiente. • 5 mil cidades atendidas pag. 8 Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental • 407 mil Consultoras Natura no Brasil e 26 mil no exterior • 3.177 colaboradores no Brasil e 378 no exterior • 177 milhões de unidades vendidas • 600 produtos no portfolio • 3 filiais no exterior (Argentina, Chile e Peru) • 1 distribuidor na Bolívia • 1 loja na França • Produção: capacidade de 150 milhões de unidades/ano Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental pag.9 objetivo 1. Objetivo Este estudo de caso pretende relatar os processos e práticas adotados no gerenciamento dos recursos hídricos do Espaço Natura Cajamar, bem como apresentar seus principais resultados. É nosso propósito demonstrar a materialização que a Natura vem fazendo do seu compromisso com o desenvolvimento sustentável, contribuindo, no âmbito de suas atividades, para a minimização de uma das maiores ameaças ao futuro da vida em nosso planeta: a escassez da água. Ver anexo: texto da Política de Meio Ambiente Natura, na pág.49, e Declaração Universal dos Direitos da Água, na pág.53. Esta apresentação está organizada de acordo com as seguintes etapas que compõem o ciclo hídrico no Espaço Natura: Ciclo de água na Natura 1. Captação de água subterrânea 2. Tratamento na Estação de Tratamento de Água (ETA) C 1. ap ão ta ç 2. Tr at de a m en á gu t a o o 6. Reaproveitamento da água Us b) Tratamento dos Efluentes Orgânicos 7. R et o r n o à natureza veitamento apro e R 6. 5. Tra d e e t a me f lu e n t n te o s a) Tratamento Preliminar do Efluente Industrial tribuição 5. Tratamento de resíduos na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) 4. 4. Utilização da água 3 . D is 3. Distribuição no Espaço Natura 7. Rio Juquery/solo Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental pag.13 descrição sucinta 2. Descrição sucinta A Natura possui várias ações voltadas para a conservação e a utilização responsável dos recursos hídricos em todo o processo produtivo e nas suas instalações. Comprometida com o modelo de sustentabilidade, a empresa mantém controle sobre suas atividades, produtos e serviços para minimizar os possíveis impactos ambientais gerados por eles. Uma das ferramentas utilizadas com esse objetivo é o Sistema de Gerenciamento Ambiental Natura, SIGAN, que tem por base a NBR ISO 14001 (a companhia obteve a certificação NBR ISO 14001 em maio de 2004). O monitoramento realizado pelo SIGAN, em 2004, permitiu, entre outras iniciativas, identificar pontos falhos no consumo de água e promover o uso mais eficiente desse recurso, em um ano em que a produção cresceu 28%. Por não existir rede de abastecimento público, a água utilizada no Espaço Natura Cajamar provém de um poço artesiano local. Sua extração respeita os critérios de regeneração do lençol freático ao qual o poço se comunica, observando-se a vazão máxima e mínima determinada durante a fase de perfuração e de testes.Todo o ciclo de captação, tratamento, distribuição e reaproveitamento da água é gerenciado de forma a garantir seu uso sustentável. Um sistema instalado no poço artesiano, no local, mede o tempo de reposição do lençol freático e só retira mais água quando todo o líquido já foi reposto pela natureza, evitando seu esgotamento. Para tornar cada vez menor a necessidade de extrair água do poço e reduzir o consumo de maneira geral, o aumento da taxa de reutilização da água é meta permanente. Na Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) – considerada uma das mais modernas do mundo –, toda a água usada nas instalações do Espaço Natura é tratada antes de ser devolvida ao meio ambiente, com qualidade acima dos padrões exigidos pela legislação ambiental estadual e federal. Trata-se de um ciclo sustentado de uso e reuso da água, baseado em tecnologias de ponta e conceitos de consumo responsável, que busca consolidar um padrão de excelência nas relações da Natura com o meio ambiente e auxiliar a companhia a tornar-se referência entre as empresas brasileiras que adotam uma gestão socialmente responsável. Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental pag.17 Utilização de água no Site – Natura Cajamar solo poço micromedidores regas ETA banheiros, vasos sanitários Site Cajamar (refeição, fabricação, pias, chuveiros) ambiente caldeiras testes/solo efluente industrial excesso para o rio lavagem laboratórios/salas de treinamento obra do novo armazém consumo humano ambiente ambiente Tq. Equalização envio externo industrial solo Excesso tratamento externo SABESP Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental solo solo reserva incêndio produto final al. serviços limpeza prédios outros prédios pag. 18 ambiente (filtros areia, carvão e equipamentos) área de separação e distribuição regas tancagem água de chuva/ETE Itap lavagem fábricas limpeza rua espelhos de água Bioreator ETE excesso do efluente biológico envio externo As fontes subterrâneas A escassez de água no planeta levou pesquisadores do mundo inteiro a procurar novas fontes de abastecimento. Uma das mais importantes é a água subterrânea, armazenada no subsolo e represada por rochas ou argila nos chamados aqüíferos. Os aqüíferos reúnem 97,5% de toda a água disponível em condições de exploração pelo homem. De acordo com um levantamento feito pela Agência Nacional de Águas (ANA) em 2002, mais da metade da água de abastecimento público no Brasil provém do subsolo. Ali, a água passa por processos de filtração e de autodepuração mais eficientes que os mais modernos métodos de tratamento das águas superficiais. Por isso, as reservas subterrâneas são as mais naturais e limpas fontes permanentes de abastecimento. Além de ser mais protegida contra contaminações e apresentar melhor qualidade, a água subterrânea é extraída a baixo custo, o que a torna ainda mais atrativa. Segundo a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), o aumento da utilização das águas subterrâneas pode ser positivo para o meio ambiente. A abertura de poços apresenta um impacto ambiental muito inferior ao da construção de sistemas de abastecimento por vias superficiais, desde que feitos com a outorga da autoridade competente e seguindo-se todas as exigências legais. São várias as leis que regem o domínio das águas no Brasil. O Estado de São Paulo foi o primeiro a ter uma legislação específica. É uma outorga, que concede o simples direito de uso, não a sua propriedade, e exige a gestão adequada dos recursos subterrâneos para não causar prejuízos à população e ao meio ambiente. Atualmente, segundo estimativas, pelo menos 10 metros cúbicos por segundo de água são extraídos do subsolo da Região Metropolitana de São Paulo para uso em indústrias, condomínios e estabelecimentos comerciais. O município de Cajamar, na Grande São Paulo, onde se localiza o Espaço Natura, é totalmente abastecido por águas subterrâneas. É dessa fonte natural que a Natura retira a água para suas instalações. pag. 20 Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental 2.1. A captação de água no Espaço Natura Cajamar A cidade de Cajamar, declarada Área de Proteção Ambiental (APA) pela Lei Estadual Nº 4.055, de 04/06/84, abriga o Espaço Natura, inaugurado em 2001. O fato de o município localizar-se em uma APA favoreceu o objetivo da Natura de demonstrar que é possível praticar ações sustentáveis em áreas ambientalmente protegidas. Considerado o maior centro de pesquisa e desenvolvimento de produtos cosméticos da América Latina, o Espaço Natura possui 81,5 mil m2 de área construída em um terreno de 643 mil m2 de topografia curvilínea, com pequenos morros e desníveis. Está localizado à margem da Rodovia Anhangüera, é repleto de eucaliptos e, em seu interior, corre o rio Juquery, margeado por uma pequena ferrovia. Desde que começou a ser planejado, o Espaço Natura Cajamar já previa a utilização de fontes subterrâneas para suprir o seu abastecimento de água. Foi uma opção que veio ao encontro dos objetivos da empresa de economizar o recurso e de não competir com a comunidade de Cajamar pela utilização de água tratada. Assim, toda a água utilizada nas instalações do Espaço Natura é captada de um poço artesiano, a 132 metros de profundidade, por meio de uma bomba localizada a 35 metros da superfície. A retirada de água do solo atende aos regulamentos da outorga obtida pela empresa do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE), que permite uma captação de 20 m3/hora, em 20 horas de operação. Para cumprir rigorosamente a legislação e garantir a recuperação natural do lençol freático, evitando danos ao meio ambiente, a bomba de captação do poço artesiano do Espaço Natura está regulada para retirar exatamente 20 m3/hora e para operar apenas por 20 horas. Em seguida, o lençol fica em repouso por 4 horas para recuperar sua capacidade de vazão. No caso de contingências, como seca, por exemplo, a Natura mantém uma parceria com uma indústria vizinha para utilizar sua água por meio de um sistema de captação já instalado. Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental pag.21 2.2.Tratamento na Estação de Tratamento de Água (ETA) A água bruta captada nas fontes subterrâneas pelo poço artesiano é direcionada à Estação de Tratamento de Água (ETA) da Natura, onde é submetida a uma série de processos que garantem sua qualidade e eliminam microorganismos nocivos à saúde, além de resíduos. corrigido –, e ela é bombeada para as caixas d'água da torre elevatória. Localizada na entrada do Espaço Natura, a torre da caixa d’água é composta por 5 células de 200 m3 cada. • A água potável é armazenada em quatro destas células: nas células um, dois, quatro e cinco. É esta água que abastece as fábricas, os restaurantes e as torneiras do Espaço Natura. Na célula 3 fica a água destinada ao reuso. Nessa estação, a água adquire condições de potabilidade após passar pelas seguintes etapas de tratamento: 2.3. Distribuição da água no Espaço Natura • Um dosador automático adiciona a quantidade de cloro necessária para tratar a vazão de água que será enviada ao filtro. A adição de cloro é necessária para a desinfecção e a eliminação de microorganismos, mau cheiro, gosto desagradável e qualquer coloração anormal que eventualmente possam estar presentes na água retirada do poço. • Após processos de coagulação, neutralização e agitação, a decantação faz com que os flocos originados na etapa anterior depositem-se no fundo do tanque de água, formando uma espécie de lodo. • Na próxima etapa, a água passa por um filtro de areia que retém as impurezas sólidas. O pH da água é controlado – e, se necessário, ETE no Espaço Natura Cajamar Torre da caixa d’Agua do Espaço Natura Cajamar Toda a tubulação hídrica do Espaço Natura obedece à codificação de cores da norma ABNT para indicar o tipo de água que está sendo distribuída. Nas unidades de produção, por exemplo, a água que é desmineralizada segue através de tubulações de aço inoxidável. As águas destinadas ao consumo humano seguem em redes de cor verde. Já as águas que receberam tratamento na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e são reutilizadas na rega de jardins, nas descargas sanitárias, no sistema de combate a incêndios, na lavagem de pisos e na Central de Compostagem da Natura passam por tubulações de cor branca (mais detalhes no item 2.4). Fluxograma de tratamento da água – ETA bioreator bomba cloração (bomba dosadora) filtro de areia caixa da água torneiras de todo o site restaurante fábricas 2.4. Tratamento de resíduos na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Em 2001, a Natura investiu 3 milhões de dólares na implantação da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) no Espaço Natura Cajamar, colocando em foco o futuro problema da escassez da água e buscando a conscientização de seus colaboradores e de todos os que se relacionam com a empresa para essa questão. Além de estar integrada com a mata nativa que circunda todo o Espaço Natura, a ETE é a única estação da América do Sul dotada da tecnologia canadense de ultrafiltração, que utiliza membranas para tratamento de efluentes industriais e domésticos. Com esses recursos, ela foi inaugurada com capacidade para tratar 230 mil litros por dia, quantidade de esgoto (resíduos químicos e orgânicos) equivalente ao produzido por uma cidade de 45.000 habitantes. Hoje, com a instalação de uma nova membrana, a produção diária está em 253 mil litros, o que corresponde a um aumento de 10% de sua capacidade original. A utilização dessa tecnologia, combinada com um sistema de coleta de esgoto sanitário a vácuo (veja box na página 27), possibilitou uma redução de 5 vezes em sua área construída em relação às estações de tratamento convencionais. Além disso, se a Natura tivesse que mandar os efluentes domésticos e industriais para serem tratados fora (na Sabesp, por exemplo), além do impacto ambiental resultante da necessidade de transportar todo esse efluente e dos riscos associados a essa operação, teria um custo direto 5 vezes superior ao dispendido na operação atual. O moderno sistema de controle e supervisão da ETE permite que ela funcione de forma automática, reduzindo o número de colaboradores necessários para a sua operação. O ciclo de tratamento obedece a duas operações distintas: Efluentes Industriais – As águas e efluentes provenientes da limpeza dos equipamentos de produção e dos pisos das fábricas são mandados para a ETE por meio de tubulação própria. Estes efluentes chegam com alta concentração de elementos inorgânicos, óleos, álcool e outras substâncias utilizadas na fabricação dos produtos Natura. Efluentes Orgânicos – As águas e efluentes originados da cozinha e dos equipamentos sanitários são destinados à ETE também por meio de um sistema independente de tubulação, onde só entram elementos orgânicos. Ver anexo: vídeo Estação de Tratamento de Efluentes Natura. 2.4.1. Tratamento Preliminar do Efluente Industrial O tratamento é realizado nas seguintes etapas: Na ETE, o sistema de ultrafiltração para tratamento de esgoto e água permite que a Natura mantenha resultados acima dos padrões legais. • Os efluentes industriais, com elevada carga de material químico inorgânico e orgânico, além de metais solúveis e álcool, chegam à ETE com pequenas partículas sólidas. • Uma peneira separa os elementos sólidos, como pedaços de papel, de lacres, de sacos plásticos ou de produtos mal dispersos. • O material sólido retido é despejado em caçambas e destinado a aterros sanitários. • A seguir, os efluentes líquidos são mandados para um tanque intermediário, com capacidade de 3 metros cúbicos, que funciona como tanque pulmão ou reserva de contingência. Ele é usado por segurança, no caso de haver necessidade de interrupção do fluxo de efluentes para a etapa seguinte do tratamento. Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental pag.25 • Os efluentes são bombeados para o tanque de equalização, onde se inicia o seu pré-tratamento. Ali, ficam em constante agitação através de injeção de ar comprimido, que homogeneiza a mistura e dissolve oxigênio na água. • Do tanque de equalização, os efluentes industriais são bombeados para o tanque de reação, onde recebem produtos químicos e continuam sendo agitados. • Uma amostra é coletada para se determinar a quantidade de cada elemento químico necessário ao tratamento, a ser usado no tanque de reação. Então, ajusta-se o painel de controle para dar início ao processo. • Durante todo o processo de reação, a água fica em constante agitação para melhor dissolver os reagentes. Neste processo, formam-se flocos que decantam. Após cerca de 6 horas de agitação, obtém-se o lodo industrial decantado. • O líquido da superfície do tanque é mandado para um tanque intermediário – chamado Elevatória 1 –, que tem função de segurança, caso a etapa seguinte do tratamento não possa receber imediatamente o fluxo proveniente do tanque de reação. • A água enviada para a Elevatória 1 é bombeada para o tanque bioreator, no qual a sua carga orgânica é removida por processo biológico. • O material depositado no fundo do tanque de reação é bombeado para o tanque de lodo físico-químico ou lodo industrial. Uma amostra deste lodo é colhida para análise de pH e consistência. • O lodo industrial é agitado e recebe os reagentes químicos necessários para equilibrar os parâmetros de pH e consistência, determinados no laboratório da ETE. Após agitação por mais 2 horas, o material decantado é mandado para o filtro prensa. • A água extraída do filtro prensa é mandada para o bioreator. O material prensado, conhecido por torta de lodo industrial, é acondicionado em caçamba para ser enviado ao aterro industrial. Estação de Tratamento de Efluentes no Espaço Natura Cajamar Sistema de Coleta de Efluente à Vácuo De acordo com o conceito de conservação dos recursos renováveis, o Espaço Natura Cajamar utiliza um sistema de coleta de efluentes a vácuo, apropriado para lugares com alta concentração de público. Ele economiza aproximadamente 90% do consumo de água médio de um sistema convencional. 2.4.2.Tratamento dos Efluentes Orgânicos O sistema usa apenas 2 litros de água por acionamento, permitindo uma economia de até 18 litros na limpeza de cada vaso sanitário em comparação com sistemas convencionais (válvula de pressão). No total, existem 660 vasos sanitários no Espaço Natura Cajamar. Os efluentes sanitários contêm grande concentração de compostos orgânicos. Eles são formados pelas águas usadas nos restaurantes, nas pias dos banheiros e nos vasos sanitários – que funcionam com um sistema de coleta a vácuo (veja box ao lado). Toda a água do sistema de coleta de esgoto a vácuo é proveniente da ETE, ou seja, é reutilizada. Isso evita o uso nos vasos sanitários da água potável proveniente do poço artesiano, que é destinada para fins mais nobres. pag. 26 Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental pag.27 O tratamento de efluentes orgânicos na ETE segue as seguintes fases de operação: • Na ETE, existem bombas que mantêm a pressão negativa do sistema. Assim, por meio desse processo, os efluentes sanitários já chegam à estação homogeneizados. • Os efluentes sanitários passam, então, por uma peneira, que separa os elementos sólidos da água. Ela retém metais, plásticos, pedaços de tecido e demais partículas sólidas trazidas pelas tubulações. • O fluxo segue para o tanque sanitário, que tem função de reserva de contingência ou pulmão. • Do tanque sanitário, a água é bombeada para o bioreator, onde é misturada à água pré-tratada dos efluentes industriais. Ali, acontece o processo de biodigestão aeróbica dos elementos orgânicos – ou seja, em um meio equilibrado, bactérias digerem os elementos orgânicos dissolvidos na água. • O líquido fica em constante agitação por meio de injeção de ar comprimido, para manter o nível de oxigênio na água e a atividade das bactérias aeróbicas. Nesta etapa, é feita uma avaliação com espectrofotômetro para determinar os níveis de nitrogênio, fósforo e outras substâncias. • A concentração de bactérias na água é determinada através de análise microscópica. Conforme o resultado das análises, são adicionados componentes químicos necessários à manutenção da população ideal de bactérias. • Estando em condições adequadas, a água do bioreator é mandada para o sistema de ultrafiltração de membrana. No filtro, a água pura é separada dos elementos orgânicos dissolvidos. • Quando as membranas do filtro estão saturadas de matéria orgânica, é feita uma retrolavagem, e a água do processo é mandada de volta para o bioreator. • A massa orgânica do bioreator é constantemente monitorada e, quando sua concentração é muito alta, o produto do processo de retrolavagem é desviado para o tanque de lodo biológico. • No tanque de lodo biológico, é colhida uma amostra do lodo para determinar a quantidade de reagentes químicos que deve ser adicionada. O lodo é mantido em agitação por meio de injeção de ar comprimido, além de receber reagentes químicos. pag. 28 Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental • Após sua estabilização, o lodo biológico é mandado para o filtro de prensa. A água excedente do processo de prensagem retorna ao bioreator. • A torta do lodo biológico é acondicionada em caçamba para ser enviada a uma empresa de reciclagem, que a reprocessa e a transforma em um adubo orgânico. Fluxograma Básico da Estação de Tratamento de Efluentes efluente industrial peneira industrial tanque de equalização tanque de reação ar tanque de lodo industrial filtro prensa lodo industrial produtos químicos (reagentes) caçamba caçamba lodo industrial ar efluente sanitário Entradas Saídas peneira sanitário bioreator sistema de ultrafiltração tanque de lodo biológico caixa de cloração filtro prensa lodo biológico rio caçamba lodo biológico Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental pag.29 2.5. O controle do processo Para dar suporte tanto à ETA quanto à ETE, a Natura implantou um laboratório das águas, que funciona 24 horas e conta com uma equipe especializada composta de um químico (bacharel), três técnicos químicos, três auxiliares e um mecânico industrial de manutenção. Esse laboratório está capacitado a realizar análises físico-químicas e biológicas da água utilizada no Espaço Natura Cajamar. Para monitorar a confiabilidade dos resultados dessas análises, semestralmente a empresa chama um laboratório externo para fazer uma análise das mesmas amostras. Os resultados servem para validar os valores obtidos na análise interna. Em caso de discrepância, são realizadas contraprovas. Se as divergências permanecem, é iniciado um processo de investigação para detectar se o desvio ocorreu por falha humana, erro de leitura de algum equipamento ou incorreção na metodologia das análises. 2.6. Reaproveitamento da água Após os processos de tratamento na ETE, a água que sai da ultrafiltragem de membrana é mandada para a caixa de cloração, onde recebe cloro por meio de um dosador automático. Deste ponto, a água é bombeada para a célula 3 da torre da caixa d’água, onde fica disponível para uso nos vasos sanitários, na reserva para combate a incêndios, na limpeza de piso de rodagem e na rega dos jardins do Espaço Natura. O excedente é mandado de volta para a natureza, mas antes serve de meio de vida para os peixes do lago da ETE e dos diversos espelhos d’água que existem no Espaço Natura Cajamar, o que comprova que a água está apropriada para ser despejada no rio Juquery. Com o fechamento do ciclo da água, que retorna à natureza em condições de qualidade satisfatórias, a Natura materializa as suas intenções de minimizar os impactos ambientais de suas atividades e de contribuir para a busca da sustentabilidade no uso deste recurso fundamental para a vida. Além disso, a empresa utiliza seus recursos hídricos sob a perspectiva permanente da economia e da eficiência de seus processos. pag. 30 Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental súmula dos principais indicadores 3. Súmula dos principais indicadores 3.1. Consumo de água potável Em 2004, a Natura apresentou um crescimento de 28% em sua produção. Mesmo assim, o consumo de água potável no Espaço Natura manteve-se dentro de padrões adequados para atender à expansão de suas atividades, só crescendo cerca de 8% (veja tabela e gráfico abaixo). Água potável no Espaço Natura (em m3) 10.000 8.000 6.000 4.000 2.000 0 jan. fev. mar. abr. mai. jun. jul. ago. set. out. nov. dez. 2002 2003 2004 3.2. Consumo de Água por Unidade Vendida Em outubro de 2004, a Natura concluiu a instalação de todos os hidrômetros para monitoramento do consumo nos edifícios do Espaço Natura, na produção, em lavagens e excedentes. Com o monitoramento aperfeiçoado, no ano passado, o consumo de água por unidade vendida teve uma redução de quase 50% em relação a 2002 (veja gráfico a seguir). Depreende-se desse dado que, quanto maior for o controle, menores são as perdas e o consumo. O controle com monitoramento permite que as anomalias sejam detectadas rapidamente e, dessa forma, são tomadas providências para corrigi-las o mais breve possível. Desse modo, o desperdício, se acontece, dura pouco tempo. A meta para 2005 é reduzir em mais 1% o consumo relativo de água. Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental pag.33 Consumo de Água por Unidade Vendida(1) (litros/unidade) 1,22 2002 2003 2004 0,87 0,67 1. Unidades revendidas pelas Consultoras no Brasil (não se incluem amostras, brindes, material de apoio à revenda, produtos da linha Crer para Ver, entre outros). 3.3. Reutilização da Água A reutilização da água no Espaço Natura vem crescendo a cada ano, alcançando, em 2004, o índice de 39,50% (veja gráfico abaixo). Nos primeiros meses de 2005, a empresa já aumentou este índice de reuso para uma média de 50%. Reutilização da Água (% do total de água tratada na Estação de Tratamento de Efluentes) 2002 2003 2004 16% 29% 39,5% Adriana Alves, consumidora Natura pag. 34 Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental 3.4. Ciclo da água no Espaço Natura Confira abaixo o ciclo de utilização da água no Espaço Natura Cajamar, com números consolidados de 2004. Utilização de água no Site – Natura Cajamar (janeiro a dezembro/2004) solo 44% regas poço micromedidores ETA 13% mictórios, vasos sanitários 97.516 m3 100% água potável consumidores Site Cajamar tancagem água de chuva/ETE Itap (refeição, fabricação, pias, chuveiros) ambiente 5,3% caldeiras 12% produto final (11.764 22,4% al. serviços 17,6% lavagem 10,9% laboratórios/ salas de treinamento 4,8% consumo humano 0,3% obra do novo armazém 0,2% regas ambiente 11,4% outros prédios 100% água de reciclo (29.066 m3) ambiente entrou 35.603 m3 Tq. Equalização (17.480 m3) envio retido externo 2.329 m3 8.268 m3 diferença entre a entrada com a soma do tratado e enviado externo solo (178 m3) excesso para o rio (44.431 m3) 71.565 m3 produzido ETE 41.441 8.488 m3 m3 66.457 220 m3 m3 retirado 1.363 m3 diferença do produzido com o recebido tratou 25.016 m3 23.961m3 Excesso tratamento externo SABESP testes/solo efluente industrial solo (178 m3) 0,2% limpeza prédios 3.745 m3 (filtros areia, carvão 34.683 m3 e equipamentos) 2% área de separação e distribuição solo 6% reserva incêndio m3) 920 m3 35,3% lavagem 47,3% fábricas 37% limpeza rua espelhos de água Bioreator recebido 70.202 m3 linha do tempo 4. Linha do tempo 1995 Devido à necessidade de expansão de sua capacidade física e de produção, a Natura inicia os planos de construir sua nova unidade industrial. Abril de 1996 Escolha de Cajamar, à margem da Rodovia Anhangüera, para a construção da nova unidade. 1996 Início dos projetos de engenharia, arquitetura, tecnologia e decoração. Agosto de 1998 Início das obras e instalação das primeiras estruturas de ferro. Agosto de 1999 O planejamento do espaço já é perceptível. O lado funcional do Centro de Distribuição volta-se para a estrada. Os demais prédios abrem-se para o verde. Fevereiro de 2000 Término da construção da ETE. Abril de 2000 Início do tratamento de efluentes. Junho de 2000 Alguns prédios são entregues para o início de sua ocupação: o Reservatório Elevado, a Portaria de Cargas, o Picking, os refeitórios e a ETE – Estação de Tratamento de Efluentes. Outubro de 2000 Implantação do Projeto Coleta Certa 2002 Criação do Comitê da Sustentabilidade. Maio de 2001 Inauguração oficial do Espaço Natura Cajamar, com a presença do então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, de ministros de Estado e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Maio de 2004 Implantação da NBR ISO 14001 e criação do Sistema de Gerenciamento Ambiental Natura (Sigan). Agosto de 2004 Início das obras de expansão da ETE Natura. Outubro de 2004 Conclusão da instalação de todos os hidrômetros para monitoramento do consumo de água nos edifícios do Espaço Natura. benefícios da gestão sustentável dos recursos hídricos 5. Benefícios da gestão sustentável dos recursos hídricos Com todos esses processos e práticas de gerenciamento dos recursos hídricos, a Natura obtém vários benefícios de economia, eficiência e sustentabilidade: • Em 2004, a empresa conseguiu uma redução de 23% no consumo de água por unidade vendida em relação a 2003. • O reciclo de água tratada e as operações caça-vazamentos tiveram resultados significativos. Mesmo com o crescimento de 28% de itens produzidos em 2004, houve uma expansão sustentada do consumo de água. • A reutilização da água aumentou de 29%, em 2003, para 39,5%, em 2004. Em janeiro e fevereiro de 2005, o volume de reuso já superou este índice e alcançou a média de 50%. • Em 2004, foram implementadas ações para aumentar o reuso de água tratada, como a criação de novos pontos para rega, que deixou de utilizar água potável. • A ETE está em obras de expansão de sua capacidade física para atender ao crescimento da Natura. Hoje, a capacidade de tratamento de efluentes na ETE é de 253 m3/dia. Ela será ampliada para 340 m3/dia, o que deve suprir a demanda da empresa até 2008. • Em 2004, foram tratados 40.245 m3 de esgoto oriundo dos efluentes sanitários na ETE, contra 41.735 m3 em 2003 (3,5% a menos), embora o número de colaboradores no site tenha aumentado no mesmo período. Isso representa um crescimento sustentado com economia de água. • Em 2004, foram enviados à ETE 35.336 m3 de efluentes industriais contra 27.941 m3 em 2003 (20,9% a mais), o que reflete o significativo aumento da produção da empresa. • No total, o volume tratado dos efluentes sanitários e industriais em 2004 foi de 73.500 m3, contra 69.677 m3 em 2003, o que justifica a necessidade de ampliação da capacidade da ETE. • O sistema de coleta a vácuo representa grande economia para a Natura, já que utiliza apenas 2 litros de água/descarga, contra 20 litros/descarga do sistema convencional. Ao utilizar 2 litros de água por descarga, são tratados 220 m3 de esgoto/dia na ETE; usando 20 litros de água/descarga, seriam tratados 1.200 m3/dia. Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental pag.45 • A devolução de água e efluentes à natureza, que a Natura realiza em seu ciclo hídrico no Espaço Natura, obedece à Lei Estadual 997/76, artigos 12 e 18, ao Decreto Lei 8.468/76 e à Resolução 20/86 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), de acordo com o licenciamento ambiental concedido pela CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental). A legislação estadual permite que esta devolução contenha até 60 mg/litro de DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) ou que se pratique 80% de remoção de DBO nos processos de tratamento, enquanto a federal permite uma devolução de até 10 mg/litro. DBO é a unidade de medida da quantidade de oxigênio necessária para que a flora biológica faça a degradação natural da poluição. A Natura busca estar abaixo dos limites estabelecidos por lei. Dessa forma, a ETE devolve ao meio ambiente a água com qualidade acima dos padrões exigidos tanto pela legislação ambiental estadual quanto pela federal, efetuando mensalmente todas as análises comprobatórias de atendimento às normas. 9/12/2004 14/12/2004 23/12/2004 28/12/2004 DQO 57 41 40 45 Saída (mg/L) DBO 2 2 3 3 pH 7,6 7,5 7,4 7,4 Eficiência do processo (%) DQO DBO 98,7 99,9 99,1 99,9 99,0 99,9 98,9 99,9 • A gestão responsável da água é recorrente nas discussões da Natura com seus diversos públicos de relacionamento e tem sido assunto abordado em seus vários veículos de comunicação, para públicos internos e externos. • Além dos benefícios práticos que traz ao ciclo da água no Espaço Natura, a ETE também exerce um papel fundamental no programa de Educação Ambiental, sendo constantemente visitada por escolas, faculdades, órgãos públicos etc. Em 2004, por exemplo, recebeu aproximadamente 450 visitantes. As análises realizadas durante o ano de 2004 mostram que os efluentes tratados na Natura comportam, em média, em torno de 5 mg/litro de DBO ou realizam 99,9% de eficiência na remoção de DBO (veja gráfico abaixo, referente ao mês de dezembro de 2004). O resultado é que a água excedente, não reutilizada em suas instalações e despejada no rio Juquery, é devolvida à natureza com qualidades físico-químicas e biológicas bem superiores àquelas que o próprio rio apresenta. Para se ter uma idéia, a média anual de DBO do Rio Juquery chega a 60 mg/litro, ou seja, bem acima do que a que a Natura devolve com seus efluentes. Eficiência da ETE em DBO 9/12/2004 14/12/2004 23/12/2004 28/12/2004 pag. 46 DQO 4.525 4.670 4.210 4.232 Entrada (mg/L) DBO 2.415 2.610 2.520 2.605 Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental pH 7,6 7,4 7,4 7,5 % Redução DBO 99,9 99,9 99,9 99,9 Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental pag.47 anexos 6. Anexos Política de Meio Ambiente Natura A Natura assume que uma empresa ambientalmente responsável deve gerenciar suas atividades de maneira a identificar os impactos sobre o meio ambiente, buscando minimizar aqueles que são negativos e amplificar os positivos. Deve, portanto, agir para a manutenção e melhoria das condições ambientais, minimizando ações próprias potencialmente agressivas ao meio ambiente e disseminando para outras empresas as práticas e conhecimentos adquiridos na experiência da gestão ambiental. Ao assumir a política de meio ambiente como parte do seu compromisso com o desenvolvimento sustentável, a Natura visa também à ecoeficiência ao longo de sua cadeia de geração de valor; e, ao buscar a ecoeficiência, favorece a valorização da biodiversidade e de sua responsabilidade social. As diretrizes para o meio ambiente da Natura contemplam: • A responsabilidade para com as gerações futuras; • A educação ambiental; • O gerenciamento do impacto do meio ambiente e do ciclo de vida de produtos e serviços; e • A minimização de entradas e saídas de materiais. Responsabilidade para com as gerações futuras Gerenciamento do impacto no meio ambiente e do ciclo de vida de produtos e serviços No enfrentamento dos impactos ambientais resultantes de suas atividades no setor de cosméticos, saúde e fitoterápicos, tanto no Brasil quanto no exterior, a empresa: A Natura opera sistemas de gestão ambiental com ampla identificação de riscos, plano de ação, alocação de recursos, treinamento de colaboradores e auditoria. Foca sua ação preventiva nos processos que oferecem dano potencial ao meio ambiente, à saúde e risco à segurança de seus colaboradores, objetivando a prevenção à poluição, e realiza regularmente atividades de controle e monitoramento. Produz estudos de impacto em toda a cadeia produtiva; desenvolve parceria com fornecedores visando à melhoria de seus processos de gerenciamento ambiental. • Cumpre os parâmetros e requisitos exigidos pela legislação e demais normas subscritas pela organização; • Controla-os e monitora-os em todas as fases de produção, com vistas à redução de uso de insumos de valor ambiental estratégico, à eliminação gradativa de ensaios com animais em matérias-primas para produtos cosméticos, à redução de impactos ambientais de embalagens e à pronta reparação de eventuais incidentes; • Promove a melhoria contínua dos processos em toda a cadeia produtiva, incorporando tecnologias limpas; • Trata a questão ambiental como tema transversal em sua estrutura organizacional e a inclui no planejamento estratégico; • Desenvolve novos negócios ou novos modelos de negócio levando em conta os princípios e as oportunidades oferecidas pela sustentabilidade. Educação ambiental A Natura busca disseminar a cultura da responsabilidade ambiental, individual e coletiva, entre colaboradores, equipes de vendas, fornecedores, prestadores de serviços e consumidores. Capacita colaboradores para a prática da sustentabilidade nas atividades profissionais e estende esse compromisso às parcerias com fornecedores, inclusive por meio de cláusulas contratuais. Desenvolve ações de educação ambiental e treinamento sobre a prática da responsabilidade ambiental para colaboradores, estimulando o debate; promove campanhas internas dirigidas a familiares de colaboradores e à comunidade do entorno imediato da empresa; e participa ou apóia projetos e programas de educação ambiental voltados para a sociedade em geral. pag. 52 Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental Minimização de entradas e saídas de materiais Sem alterar seu padrão tecnológico atual, a Natura procura reduzir o consumo de energia, água, produtos tóxicos e matérias-primas, e implantar processos de destinação adequada de resíduos. Investe na atualização de seu padrão tecnológico, visando à redução ou substituição de recursos de entrada; realiza o tratamento de efluentes e de resíduos em geral e promove o uso de matérias-primas renováveis. Possui processos para medir, monitorar e auditar os aspectos ambientais associados ao consumo de recursos naturais e à geração de resíduos, estabelecendo periodicamente novas metas. Procura adotar práticas de bom manejo florestal na extração de ativos e na utilização sustentável de recursos naturais básicos; promove a reciclagem e o reuso de materiais, o gerenciamento da qualidade do ar, da água e do solo, o controle de efeitos sonoros, a redução do desperdício, e privilegia o uso de materiais biodegradáveis, entre outras iniciativas. A Natura busca desenvolver projetos e orienta os investimentos visando à compensação ambiental pelo uso de recursos naturais e pelo impacto causado por suas atividades. Busca organizar a sua estrutura interna de maneira que o meio ambiente não seja um tema isolado, mas que permeie todas as áreas da empresa, sendo considerado a cada produto, processo ou serviço que desenvolve ou planeja desenvolver. Isso permite à empresa prevenir-se de riscos, além de reduzir custos, aprimorar processos e explorar novos negócios voltados para a sustentabilidade ambiental, favorecendo a sua inserção no mercado. Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental pag.53 declaração universal dos direitos da água Documento redigido pela ONU, em 22 de março de 1992. 1. A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos. 2. A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida e de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado no Art. 30 de Declaração Universal dos Direitos Humanos. 3. Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo a água deve ser manipulada com racionalidade, preocupação e parcimônia. 4. O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e dos seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente, para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos por onde os ciclos começam. ETE no Espaço Natura Cajamar 5. A água não é somente uma herança dos nossos predecessores, ela é sobretudo um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do Homem para as gerações presentes e futuras. 6. A água não é uma doação gratuita da natureza, ela tem um valor econômico: é preciso saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo. 7. A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento, para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração de qualidade das reservas atualmente disponíveis. 8. A utilização da água implica o respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo o homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo Homem nem pelo Estado. 9. A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social. 10. O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra. Coordenação Geral Eliane Anjos, Gerência de Meio Ambiente Renata Sbardelini e Flávia Motta, Gerência de Relações Institucionais Coordenação Editorial e Edição Carmen Nascimento, Gerência de Conteúdo Coordenação de Produção Karen Cavalcanti, Juliana Nappo e Rafaela Dores, Gerência de Comunicação Institucional Pesquisa e redação Folie Comunicação Colaborou com esta publicação Marcos Josmar, Estação de Tratamento de Efluentes Projeto Gráfico e Editoração Modernsign Design e Inovação Créditos das Imagens Arnaldo Pappalardo (página 51), Eduardo Simões (página 9), Marcos Suguio (páginas 22, 23, 34, 27, 40, 41 e 54), Roberto Linsker (página 6) e Willy Biondani (página35). Impresso em papel 100% reciclado.