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UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL
CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO
CASA DO PATRONATO AGRÍCOLA DE CAXIAS DO SUL
LEVANTAMENTO DE DANOS
César Augusto de Souza Oliveira
Caxias do Sul
novembro de 2009
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César Augusto de Souza Oliveira
CASA DO PATRONATO AGRÍCOLA DE CAXIAS DO SUL –
LEVANTAMENTO DE DANOS
Trabalho apresentado como parte dos requisitos para aprovação na
disciplina de Laboratório de Arquitetura e Urbanismo.
Campo de Estágio: Royal Arquitetura – Caxias do Sul
Orientador: Prof. Arq. Me. Luiz Merino de Freitas Xavier
Supervisor: Prof. Arq. Me. Helton Estivalet Bello
Caxias do Sul
novembro de 2009
4
AGRADECIMENTOS
À equipe da Royal Arquitetura, por proporcionar a oportunidade de participar deste
trabalho.
Aos Professores Helton Estivalet Bello e Luiz Merino de Freitas Xavier, que não
pouparam dedicação e incentivo.
Às Professoras Maria Fernanda de Oliveira Nunes, Vera Lúcia Bueno Fischer e
Monika Stumpp, por compartilharem seus conhecimentos.
Ao Arquiteto Fausto Isolan e às colegas Gabriela Lampert e Laís Mauri, pela
inestimável contribuição.
A uma colega muito especial, Ana Paula Graciola, pelo companheirismo e
solidariedade.
À equipe da APAE Caxias, pela atenção dispensada.
5
A experiência não vem de se ter vivido muito, mas de se ter refletido
intensamente sobre o que se fez e sobre as coisas que aconteceram.
Danilo Gandin
6
RESUMO
Este trabalho é composto por um material ilustrado contendo informações
relevantes para embasar os trabalhos de intervenção no projeto de Conservação e
Restauro da Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul. Seu objetivo é
documentar
os
principais
danos
existentes
e
identificados
na
edificação,
relacionando-os aos seus agentes e causas, anteriormente ao processo de
intervenção. Esta identificação de danos é relatada sob a forma de fichas de
qualificação e diagnóstico, que identificam os principais elementos atingidos, e por
plantas, cortes e fachadas que representam e descrevem graficamente as
patologias. O diagnóstico dos materiais e elementos arquitetônicos qualifica as
partes mais degradadas do edifício, possibilitando a definição de prioridades para a
intervenção.
Palavras-chave: restauração, Patronato Agrícola, Caxias do Sul.
7
ABSTRACT
This academic work is composed by an illustrated material which contains
important information to base intervention and consolidation in the project of
Conservation and Architectonic Restoration of the Patronato Agrícola de Caxias do
Sul building. Its purpose is to make a register of main existing damages of the house,
making a relationship with their causes, before the beginning of the process of
restoration. This identification of damages is specified by qualification and diagnosis
charts, wich identifiy main reached elements and graphically describe building
pathologies. The diagnosis of architectural materials and elements qualifies the most
degraded pieces of the building, making possible the definition of priorities for the
restoration.
Keywords: restoration, Patronato Agrícola, Caxias do Sul.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Patronato Pinheiro Machado, em Viamão/RS...............................................17
Figura 2: Atual situação da Casa do Patronato............................................................19
Figura 3: O Patronato Agrícola de Caxias do Sul, 1928...............................................20
Figura 4: O anexo construído nos anos 1950..............................................................23
Figura 5: Modificações realizadas pelas Irmãs do Sacré-Cœur..................................24
Figura 6: A casa durante um evento em 2000.............................................................25
Figura 7: A marcação da cobertura que desabou........................................................27
Figura 8: Acesso atual, pelo terreno da APAE.............................................................28
Figura 9: Eixos da estrutura e blocos, relacionados com a fachada............................30
Figura 10: A torre de sanitários....................................................................................32
Figura 11: Vestígios de encanamento numa das paredes do bloco sul......................32
Figura 12: Primeiro lance de escadas em concreto.....................................................33
Figura 13: Lance de escadas em madeira...................................................................33
Figura 14: Forro do teto em madeira, bloco norte........................................................33
Figura 15: Laje de concreto junto à bay-window..........................................................34
Figura 16: Tabique separando a escada do torreão....................................................35
Figura 17a: Uma telha francesa padrão.......................................................................35
Figura 17b: As telhas presentes na cobertura..............................................................35
Figura 18: Placa alusiva à inauguração da casa..........................................................36
Figura 19: O brasão da Intendência Municipal.............................................................37
Figura 20: O letreiro sobre a bay-window do segundo pavimento...............................38
Figura 21a: O reboco danificado na fachada oeste.....................................................44
Figura 21b: Os degraus danificados na escada do pavimento térreo.........................44
Figura 22a: A madeira danificada nos degraus da escada.........................................45
Figura 22b: O forro do torreão.....................................................................................45
Figura 23: Cachorros de sustentação do beiral..........................................................45
Figura 24a: Esquadrias voltadas para o pátio interno..................................................46
Figura 24b: Esquadrias voltadas para o pátio interno..................................................46
Figura 25: Estrutura da cobertura danificada na junção com a torre...........................47
Figura 26: Estrutura do entrepiso apodrecida pela ação da umidade.........................47
Figura 27: A estrutura danificada na escada de madeira............................................48
Figura 28: A esquadria instalada na varanda fechada com alvenaria.........................52
Figura 29: Os vãos fechados com alvenaria................................................................52
Figura 30: Os vãos fechados com alvenaria, vista interna...........................................53
Figura 31: O anexo construído e os vãos fechados pelas Irmãs.................................53
Figura 32: Os vãos modificados na fachada oeste......................................................54
Figura 33: A escada e a cisterna.................................................................................55
Figura 34a: As variações na bandeira das esquadrias................................................55
Figura 34b: As variações na bandeira das esquadrias................................................55
Figura 35: O vão modificado na fachada norte............................................................56
Figura 36: O anexo construído nos anos 80................................................................57
Figura 37: O piso de madeira instalado em 1992........................................................58
Figura 38: O piso cerâmico do lavabo.........................................................................58
Figura 39: As esquadrias descaracterizadas na fachada norte...................................59
Figura 40: A esquadria modificada na fachada principal.............................................60
Figura 41: A rampa de concreto em frente à porta principal........................................60
Apêndice A: Fichas de qualificação e diagnóstico - lesões..........................................70
Apêndice B: Fichas de qualificação e diagnóstico - lacunas........................................86
Apêndice C: Fichas de qualificação e diagnóstico - descaracterizações.....................98
Apêndice D: Plantas de qualificação, cortes e fachadas............................................108
Anexo A: Orçamentos para a execução das esquadrias e do sistema hidrossanitário..
....................................................................................................................................119
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1 INTRODUÇÃO
A finalidade do presente trabalho é apresentar um relatório de identificação e
cadastramento de danos - lesões, lacunas e descaracterizações – presentes
atualmente na edificação da Casa do Patronato de Caxias do Sul . Atendendo aos
objetivos propostos pelo escritório caxiense Royal Arquitetura, contratado para
desenvolver o projeto de restauração da referida edificação, este inventário vem
atender à necessidade de se identificar tais patologias antes e durante o
desenvolvimento da obra de restauro, possibilitando estudar alternativas viáveis para
sua correção. Ao mesmo tempo, pretende constituir um registro histórico,
possivelmente o último antes de realizada a intervenção, do estado atual da
edificação. O edifício, como monumento histórico que é, é um bem que merece ser
conservado dado o seu valor como testemunho histórico de uma época. O papel da
preservação dos edifícios históricos é resgatar valores inerentes à sociedade a que
pertencem.
Entre as ações desenvolvidas está a apresentação da pesquisa histórica
realizada pela equipe da Royal Arquitetura, relatando brevemente os usos aos quais
a edificação serviu, bem como os fundamentos básicos a respeito da cronologia,
composição e configuração do objeto analisado, para que se possam compreender
as razões das mais relevantes descaracterizações por ela sofridas ao longo do
tempo. Compõe ainda o presente trabalho uma descrição do sistema construtivo da
edificação, relacionando-o com as possíveis funções dos diversos ambientes da
casa. A seguir, apresenta-se o levantamento
métrico cadastral realizado pelo
Escritório, contendo uma sequência de fotografias de autorias diversas, que
destacam as principais patologias construtivas presentes no monumento. Um
conjunto de fichas de qualificação e diagnóstico dos danos e um conjunto de plantas
de qualificação compõem o restante da parte gráfica do presente relatório, seguindo
a metodologia proposta por Carbonara (1985) e por Renosto (2008).
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2 METODOLOGIA DE TRABALHO
A pesquisa histórica compreende o estudo das fontes documentais e do objeto
da preservação. As fontes documentais são caracterizadas, de modo geral, como
primárias e secundárias. As fontes documentais primárias compreendem todos os
documentos escritos e iconográficos disponíveis que ainda não tenham sido objeto
de análise (OLIVEIRA, 2003). São os inventários, escrituras, fotografias antigas,
desenhos originais, requerimentos junto aos órgãos públicos, variando com as
características da edificação. As fontes documentais secundárias compreendem o
conjunto de estudos e bibliografia disponível sobre o objeto de pesquisa, como os
estudos analíticos monográficos publicados.
A redação deste trabalho utilizou primeiramente as fontes documentais
secundárias, confeccionadas e fornecidas pela Royal
Arquitetura, escritório
responsável pelo projeto de restauro do imóvel. Esta documentação divide-se em
duas partes – a parte gráfica, composta por um conjunto de plantas arquitetônicas e
um memorial fotográfico atual, e a parte textual, da qual faz parte uma pesquisa
histórica relatando a cronologia de uso do referido imóvel.
Para a devida complementação da pesquisa, foram utilizadas fontes primárias,
sob a forma de documentação obtida no processo de tombamento do imóvel,
disponibilizado pelo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami – AHMJSA.
Desta documentação fazem parte algumas fotografias da época da construção e
outras algum tempo mais recentes, a matrícula do imóvel, uma cronologia histórica e
alguns artigos publicados em jornais, relatórios da intendência, além de documentos
relativos à própria construção, como memoriais descritivos, tabelas orçamentárias,
requerimentos, cartas e memorandos, relevantes para atestar a autenticidade da
data da construção e da autoria do projeto. Esta documentação fundamentou a
contextualização histórica da edificação, relevante
para classificar a tipologia
15
construtiva. O conhecimento desta tipologia e seu respectivo registro constitui um
acervo de dados de vital importância para a condução de soluções adequadas
durante o restauro, uma vez que aponta os possíveis problemas que possam vir a
comprometer estruturalmente o edifício. A tipologia construtiva ainda executa o papel
de fazer compreender as funções do edifício e o arranjo de seus espaços internos.
Através de sua análise, é possível detectar características arquitetônicas alteradas
por eventuais reformas.
A partir do memorial fotográfico, foram classificadas as patologias construtivas
mais relevantes, que deram origem às fichas de qualificação e diagnóstico. Estas
fichas demonstram o estado atual de determinado elemento arquitetônico, através
de imagens e dados descritivos. Estas, em conjunto com as plantas de qualificação
desenvolvidas a partir do levantamento fornecido pela Royal Arquitetura, permitem a
elaboração do diagnóstico, etapa na qual são feitas considerações descritivas a
respeito das degradações e suas causas, dos elementos formais primitivos ainda
reconhecíveis, dos acréscimos e de seu estado de conservação.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
16
3 HISTÓRICO DOS PATRONATOS
3.1 OS PATRONATOS NO BRASIL
Os primeiros patronatos agrícolas começam a ser implantados no Brasil após
a proclamação da República, período no qual surgem preocupações de ordem social
referentes à segurança pública, pois era relativamente alto o número de crianças
que viviam nas ruas e em situação de abandono, oriundas principalmente do êxodo
rural. Estes patronatos tinham como função adequar a força de trabalho ao fomento
agrícola, atividade econômica então predominante no Brasil, recebendo alunos que
tinham entre oito e dez anos de idade, e permanecendo no regime de internato
durante aproximadamente dez anos.
O estabelecimento desse tipo de educandário trazia à tona o debate sobre a
inserção da infância pobre no mercado de trabalho, como forma de ajustá-los às
necessidades trabalhistas daquela época.
A criação de patronatos agrícolas deu-se através do Decreto nº 12.893, de
1918. Em 1918, 1919 e na década de 1920, diversas unidades foram criadas em
diversos locais do País, constituindo uma malha institucional articulada a partir da
administração federal.
3.2 OS PATRONATOS NO RIO GRANDE DO SUL
No Rio Grande do Sul, a base legal para a implantação dos patronatos
agrícolas foi o Decreto nº 2.283 de 10 de julho de 1917, que altera a constituição da
Escola de Engenharia para criar as Escolas Industriais, além das já existentes
Estações de Agricultura e Criação e Estações Zootécnicas. Na ocasião, foram
criadas as “Escolas Industriais Elementares”, em Caxias do Sul, Santa Maria e Rio
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
17
Grande; as “Estações de Agricultura e Criação” de Bento Gonçalves, Cachoeira do
Sul e Santa Rosa; e ainda as “Estações Zootécnicas” de Bagé, Alegrete e Júlio de
Castilhos. Os patronatos agrícolas vinculam-se às Estações de Agricultura e Criação
e às Estações Zootécnicas citadas. A implantação dos patronatos agrícolas no Rio
Grande do Sul, desta forma, precede em um ano à implantação dos mesmos em
nível federal.
Em 1921, a Escola de Engenharia reformou seus estatutos e, em 1923, as
diversas seções dos patronatos agrícolas no interior foram desativadas devido ao
baixo número de matrículas e às crises políticas que envolveram o Estado naquele
ano. Seus alunos foram
transferidos para o Patronato Pinheiro Machado, em
Viamão (fig. 1).
Fig. 1: Patronato Pinheiro Machado, Viamão-RS, 1930
Fonte: Acervo do Museu da UFRGS.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
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3.3 O PATRONATO AGRÍCOLA DE CAXIAS DO SUL
Durante a década de 1920, foi intensa a correspondência dos intendentes de
Caxias do Sul com o Patronato Pinheiro Machado para providências, especialmente
indicações de alunos para serem acolhidos em Porto Alegre. O diretor do Patronato
Pinheiro Machado em Viamão, Celeste Gobbato, foi Intendente de Caxias no
período de 1924 a 1928 por indicação do Partido Republicano Revolucionário –
PRR - estadual. Foi no último ano de sua administração que Celeste Gobatto
implantou o Patronato Agrícola Municipal de Caxias do Sul (ROYAL ARQUITETURA,
2009).
Em carta de 17 de junho de 1927 a Chrétien Hoogenstrasten1, o Intendente
solicita um croqui do futuro Patronato Agrícola Municipal, “calculando que o mesmo
possa abrigar 10 menores, devendo ter uma cantina, três salas para aulas, um
dormitório, um refeitório, cozinha, etc.” A carta prossegue determinando que “a
cantina será semi-subterrânea, aproveitando-se o solo com declividade de 10%. A
casa será de material e de bonita aparência, em condições de poder ser facilmente
augmentada para comportar 20 alumnos.” (Acervo Arquivo Histórico Municipal João
Spadari Adami - AHMJSA).
O terreno escolhido (fig. 2), na então zona rural de Caxias do Sul, localiza-se
atualmente no quarteirão formado pelas Ruas Dr. Antônio Casagrande, Abramo
Pezzi, Professora Maria D’Ávila Pinto e Avenida Júlio de Castilhos. O atual bairro
Marechal Floriano possui características essencialmente residenciais, dada a sua
topografia.
1
Chrétien Hoogenstraten foi um arquiteto atuante na década de 1920 em Porto Alegre, que entre
outras obras, projetou o prédio do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (GRINGS, 2003).
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
19
Fig. 2: Atual situação da Casa do Patronato, no bairro Marechal Floriano, sem escala, 2009
Fonte: adaptado do levantamento cadastral realizado pela Royal Arquitetura.
Em seu Relatório ao Conselho Municipal referente ao período de 1924-1928,
Celeste Gobbato apresenta a construção do patronato agrícola como “o
complemento indispensável da organização agrícola”, já que, de fato, a
administração pautou fortemente ações na área rural, como por exemplo, a criação
da Inspetoria Agrícola Municipal, a organização da Chácara Municipal, distribuição
de mudas, introdução de novas raças de porcos e galinhas e a promoção de uma
exposição agrícola-industrial-artística, em 1925.
O arquiteto contratado para elaborar o projeto do patronato agrícola de
Caxias do Sul foi Luiz Gastaldi Valiera. Segundo Weimer (1999), a atuação de
Valiera tem início em Porto Alegre na virada do século XX, onde foi muito ativo até o
período anterior à I Guerra Mundial. Seu último projeto em Porto Alegre foi assinado
em 1917. O profissional transfere-se então para Caxias do Sul, onde teve atuação
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
20
relevante na década de 1920. No acervo do Arquivo Histórico João Spadari Adami,
de Caxias do Sul, encontram-se cinco projetos seus: um anteprojeto para a fábrica
Abramo Eberle & Cia, na quadra que compreende as Ruas Sinimbu, Os Dezoito do
Forte, Borges de Medeiros e Marquês do Herval, de 1925; o projeto para a
residência de Angelo Corso, do mesmo ano; o projeto para a residência de João
Menegotto Filho, de 1929; o projeto para a reconstrução do Hotel Veiga, de 1930, e
o projeto do Banco Pelotense, na esquina da Avenida Júlio de Castilhos e Rua
Marquês do Herval, no terreno onde atualmente está edificado o prédio do Banco do
Estado do Rio Grande do Sul S.A., também de 1930. Ainda segundo o mesmo autor,
em 1934 Valiera solicita seu registro ao CREA, o qual foi negado por deficiência na
documentação – em decorrência deste fato, poucas são as informações pessoais
disponíveis acerca do arquiteto. Segundo o Álbum do Cinquentenário da Imigração
Italiana, Valiera foi distinguido com o título de “Cavalliere” pelo governo italiano. Para
Weimer, foi um grande projetista de palacetes, além de ter sido um dos maiores
conhecedores do neoclassicismo.
O projeto do patronato agrícola não está arquivado no acervo do AHMJSA.
Entretanto, um grande número de documentos referentes à construção do prédio,
como faturas, contratos com fornecedores, especificações e listas de material
pertencem ao acervo, atestando a autoria do projeto. A construção ficou a cargo de
Henrique Marchetti, sob a supervisão do próprio Luiz Valiera.
A figura 3, reproduzida do relatório do Intendente Celeste Gobatto, é a única
imagem do ano da inauguração disponível no AHMJSA. Nela, pode ser visualizada
a fachada principal, com a configuração original da varanda (à esquerda) e as
esquadrias com tampões de madeira.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
21
Fig. 3: O Patronato agrícola de Caxias do Sul, 1928
Fonte: Relatório do Intendente Celeste Gobatto, disponível no acervo do AHMJSA.
As obras iniciam-se em 1927 e o patronato é inaugurado ainda inacabado em
julho de 1928, iniciando-se as aulas em 1º de agosto, com doze alunos inscritos,
dois a mais que o previsto no projeto.2
A instalação do patronato agrícola de Caxias do Sul se dá já ao final da fase
de implantação dos patronatos no Brasil. Segundo Mendonça (1996), a partir da
década de 1930, a conjuntura histórica brasileira, marcada pelos efeitos da crise de
1929, pelo crescimento populacional e pelo desenvolvimento da industrialização
junto à economia e sociedade brasileiras, promove alterações no sistema de ensino.
2
Os primeiros menores internados foram: Noé Barboza Blum, Demetrio Luiz Damaciano, Francelino da Silva
Miranda, Mauro Mendes Totta, Danillo Fabbris, Waldomiro Pereira, Constantino Oliveira, Clemente Camilo Silva,
Adelmar Scotti, Arthur Pergher, Eugenio Dal Ri Crippa e João Canuto Settin. (CAXIAS DO SUL, 1928)
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
22
Surge uma nova geração de especialistas em educação, disputando com
políticos tradicionais, intelectuais católicos e profissionais liberais a imposição de um
“novo” projeto educacional. A criação, pelo governo provisório, de dois novos
Ministérios: o do Trabalho, Indústria e Comércio (M.T.I.C.) e o da Educação e Saúde
(M.E.S.) revelaram importantes antagonistas ao Ministério da Agricultura, já que a
nova pasta seria incumbida de centralizar a gestão sobre todo e qualquer ramo do
ensino. Os quadros do novo Ministério, ao qual se costuma atribuir o “pioneirismo”
em toda e qualquer iniciativa educacional, passariam a disputar com os da
Agricultura o controle sobre o Ensino Agrícola, posto considerarem que a educação
primária deveria afastar-se do ensino técnico ou vocacional, em nome do equívoco
pedagógico de sobrecarregarem-se as crianças com a preparação para o trabalho.
Com isso, nova legislação - decreto-lei 23.979 de março de 1933 - redefiniria
algumas instituições até então encarregadas do Ensino Agrícola. Os antigos
patronatos, por exemplo, passaram para a alçada do Ministério da Justiça, dando
origem ao Serviço de Assistência ao Menor (SAM), de caráter semelhante ao vigente
na Primeira República. O patronato caxiense foi construído com recursos
provenientes da cobrança de uma taxa municipal cobrada sobre a comercialização
de mudas de árvores e animais, e ainda com os rendimentos obtidos através da
venda de rifas realizadas pelas Damas da Caridade (DAL BÓ, 1990, in Jornal Folha
de Hoje, p.12, 16/DEZ/1989).
A crise gerada pelos crescentes questionamentos voltados contra o modelo
de ensino empregado pelos patronatos vai atingir em cheio o recém criado Patronato
Municipal de Caxias do Sul. Já em 1929, o então Presidente do Patronato, Antonio
Piccoli Filho, demite-se alegando falta de fundos, além de diversas irregularidades.
Celeste Gobbato, após terminar seu mandato na Intendência, assume a direção da
instituição, cargo que se acumula com o da direção da Estação Experimental. São
quase inexistentes as informações sobre o Patronato na primeira metade da década
de 1930, mas é evidente que as dificuldades financeiras e administrativas são muitas
e é nesse período que a instituição é fechada. Em 1936, em carta ao Bispo Dom
Ricardo Müller, o então Intendente Dante Marcucci informa que o prédio acha-se
fechado “há annos” e que já há encaminhamentos para o repasse do mesmo à
Diocese de Caxias do Sul.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
23
O prédio é então entregue aos irmãos Josefinos, que ali instalaram uma
escola de Artes e Ofícios semelhante ao Pão dos Pobres de Porto Alegre (DAL BÓ,
1989).
Já em 1948, durante esta ocupação, a Prefeitura autoriza, através da Lei nº
78, de 9 de outubro de 1948, o “loteamento do terreno de propriedade do município,
onde atualmente funciona a Colônia Educacional 10 de Novembro”. Os lotes
destinam-se a moradia de operários de Caxias do Sul. Em 1953 a Prefeitura, através
da Lei nº 514, de 28 de janeiro, autoriza a doação de diversos terrenos do citado
loteamento a entidades assistenciais, à Mitra Diocesana, à Casa da Criança e outras
instituições.
Em 1952, o prédio passa a ser ocupado pelas irmãs do Sacré-Cœur de Marie.
Para atender ao novo uso, o prédio sofre reformas e ampliações: construção de um
anexo de três pavimentos perpendicular à fachada de fundos (fig. 4), onde
funcionavam o refeitório e o alojamento das irmãs. Foi fechado com alvenaria de
tijolos o espaço onde existia uma sacada ou varanda, no lado esquerdo da fachada
principal, como pode-se observar na figura 5.
Fig. 4: O anexo construído nos anos 1950, 1954
Fonte: adaptado do levantamento aerofogramétrico da Prefeitura Municipal de Caxias do
Sul.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
24
a
b
Fig. 5: Modificações realizadas pelas Irmãs do Sacré-Cœur , c. 1952. Em (a), o anexo; (b)
indica o fechamento da varanda.
Fonte: adaptado do acervo do AHMJSA, autoria desconhecida.
Nos dois anos seguintes, o
prédio é ocupado pela creche do Conselho
Municipal de Amparo à Infância - COMAI e duas salas são emprestadas para o
então Instituto Mario Totta, futura Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais APAE;
Foi elaborada em 1966 uma
“planta topográfica da parte a ser cedida à
APAE”, incluído o quarteirão em torno do Patronato. O prédio apresenta ainda o
anexo construído pelas Irmãs do Sacré-Cœur de Marie. Este anexo desapareceu em
1992 durante as obras realizadas pela SEAAQ.
No ano de 1969, durante a gestão do Prefeito Victório Trez, a Lei Municipal
1.837 de 24 de dezembro de 1969 autoriza a doação da gleba de terras, com
6.487,50 m² “circundante ao prédio da antiga Escola Educacional 10 de Novembro”,
à APAE, com o objetivo de construir a Escola para Excepcionais e Instituto de
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
25
Fisioterapia Profunda. A edificação foi utilizada pela APAE até 1980, tendo ficado
sem uso até 1992.
Somente no ano de 1980 é que a edificação foi averbada ao terreno no
Registro de Imóveis, como “edificação em alvenaria com três pavimentos”, e sem
que conste sua área (AHMJSA, 2009).
Em 1992, a Associação de Engenheiros, Arquitetos, Agrônomos Químicos e
Geólogos de Caxias do Sul – SEAAQ - realizou uma pequena reforma no bloco norte
da casa, porém não chegou a utilizá-lo (AHMSJA, 2009). A edificação foi tombada
como patrimônio de interesse histórico, artístico e cultural em 2003, pela Prefeitura
Municipal, durante o exercício do Prefeito Gilberto Pepe Vargas, através do Ofício de
Gabinete nº 627/2003, fato este averbado ao Registro de Imóveis no mesmo ano
(AHMJSA, 2009).
Fig. 6: A casa durante um evento promovido pelos alunos do
Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Caxias
do Sul, c. 2000.
Fonte: relatório do levantamento realizado pela Royal Arquitetura.
Atualmente a casa encontra-se em vias de ser restaurada para possibilitar seu
aluguel, como forma de
angariar rendimentos financeiros para a instituição
(APAE,2009).
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
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4 CARACTERÍSTICAS DA EDIFICAÇÃO
4.1 CARACTERÍSTICAS TIPOLÓGICAS
De acordo com a informação constante na Instrução de Tombamento
arquivada no AHMJSA (2009), a edificação foi construída em estilo eclético, vigente
nas primeiras décadas do século XX. As principais características desse estilo –
busca pela grandiosidade, hierarquização nos ambientes internos, dinamismo na
volumetria e simetria – aparecem nesta obra.
A casa possui planta assimétrica, sendo que todos seus ambientes internos
são quadrados ou retangulares e, no caso destes, dispostos longitudinalmente em
relação à orientação da fachada principal (leste). Em seu sentido longitudinal, nos
três pavimentos principais, pode-se identificar uma distinção entre quatro blocos ou
segmentos. Ao norte, o primeiro segmento ocupa três pavimentos e, ao que tudo
indica, sua configuração é a de um setor administrativo:
escritórios voltados para a fachada principal e sanitários voltados para os fundos.
Escadas em madeira comunicam os pavimentos, de forma independente da
escadaria principal.
O próximo bloco possui a torre e configura o acesso à casa, pois a ele
pertencem a principal circulação vertical e o pátio interno. A torre pode ser
interpretada como um símbolo de poder, um espaço nobre, localizado ao centro da
casa e mais alto do que o restante da cobertura. O terceiro bloco, o principal, é
composto por um hall; a porta principal possui duas folhas de abertura, e ao fundo
tem-se o acesso para um ambiente que reúne todos os atributos para ter sido um
refeitório, e este ainda comunica-se com o bloco da torre através do pátio interno.
Neste terceiro bloco, a hipótese mais plausível é que o segundo e o terceiro
27
pavimentos abrigavam a sala de aulas e o dormitório coletivo, respectivamente. O
último bloco, voltado para sul, abrigava o setor de serviços, como cozinha e
lavanderia em seu térreo, e possuía apenas dois pavimentos. No pavimento superior
estariam localizados os alojamentos dos funcionários. No artigo de Dal Bó (1989), o
ex-aluno Artur Scalabrin menciona que “os alunos mais velhos trabalhavam na
marcenaria”, o que indica que existia na casa um ambiente destinado a essa
atividade. À exceção da cobertura sobre o último bloco, que era composta por duas
partes com três águas cada uma – o lado restante era encostado à parede, na qual
atualmente pode-se notar o sinal de sua existência (fig. 7) - as outras são todas de
quatro águas.
Fig. 7: No detalhe, a marcação da cobertura que desabou, 2009.
Fonte: Arquiteto Helton E. Bello.
A fachada principal segue a modulação imposta pela planta, dividindo-se em
quatro segmentos verticais distintos. A volumetria dinâmica aparece em todas as
fachadas.
Através da análise de fotos históricas encontradas, pode-se concluir que
várias reformas foram realizadas no prédio com o objetivo de adequá-lo ao uso de
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
28
cada época. Originalmente, o acesso principal era feito por uma via paralela à
fachada leste, que ligava a Avenida Júlio de Castilhos à entrada do imóvel. Como a
Rua Dr. Antônio Casagrande foi aberta tempos depois da construção da casa, o
acesso original foi fechado para abrigar o pátio do colégio Dante Marcucci, e foi
construído um muro separando o talude do terreno desta mesma rua. Esta
foi
aberta com traçado paralelo à fachada, de modo que a casa permaneceu alinhada à
rua. Com a abertura da Rua Professora Maria D’Ávila Pinto, o acesso passou a ser
feito pela fachada oeste, mais especificamente pelo terreno que abriga o colégio da
APAE (fig. 8).
Fig. 8: Acesso atual, pelo terreno do colégio da APAE, fachada oeste, 2009.
Fonte: Arquiteto Helton E. Bello
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
29
4.2 CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS
A obtenção dos dados que permitem descrever e analisar as mais relevantes
características construtivas da edificação da Casa do Patronato foi feita através da
análise da obra no local e desenvolvida a partir da documentação fotográfica
apresentada durante o desenvolvimento deste trabalho.
A edificação
foi construída com materiais e técnicas de uso comum na
arquitetura regional da primeira metade do século XX. As fundações são do tipo
sapata corrida de pedras de campo – basalto - e rejuntadas com cimento. As
paredes externas são em alvenaria de tijolos maciços, argamassados nas juntas, e
possuem espessura variável entre 37 e 51 centímetros, dependendo do trecho e da
localização. As paredes que dividem os blocos longitudinais são as mais espessas.
Existem paredes internas em alvenaria, engradamento em estuque3 e madeira. A
construção estrutura-se em quatro eixos longitudinais (leste – oeste) e em três eixos
transversais (norte – sul), que orientam a divisão dos ambientes internos (fig. 9).
3
Estuque é uma espécie de argamassa feita com pó de mármore, gesso, areia e cal, assente sobre
estrutura de tela metálica. (N.A.)
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
30
N
Bloco norte
Pátio interno
Torre
Bloco principal
Bloco sul
Fig. 9: Os eixos da estrutura e os blocos, relacionados com a fachada, 2009.
Fonte: adaptado do levantamento realizado pela Royal Arquitetura.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
31
De acordo com o memorial descritivo da época da construção (AHMJSA,
2009), os marcos das esquadrias externas são de louro e os internos de pinho; os
caixilhos e tampos, de cedro, e as venezianas, de louro e cedro, para o torreão (ou
sótão), todas pintadas com óleo de linhaça. ). Como as esquadrias do torreão não
apresentam venezianas,entende-se que a decisão por este tipo de abertura foi
mudada durante o andamento da obra.
Na composição do orçamento para a fabricação das esquadrias, foram
apresentadas quatro propostas, das marcenarias Cosmer & Gollo, Galleano & Cia.,
Dal Bó, Giacometti & Cia, e Andreazza, Bragagnolo & Cia. Esta última muito
provavelmente tenha sido a responsável pela execução dos trabalhos, já que seu
preço era o mais vantajoso por incluir a colocação dos vidros (760$000 – setecentos
e sessenta mil Réis).
Os pisos apresentam atualmente três tipos de materiais: madeira, ladrilhos
hidráulicos de 20 x 20 cm com duas estampas diferentes e cimento alisado,
dependendo do ambiente e de sua função. Na varanda fechada na década de 50, o
piso original foi substituído por cerâmica. O piso do refeitório encontra-se revestido
com cimento alisado.
Ao que tudo indica, a instituição teria sido inaugurada sem possuir sistema de
esgoto em funcionamento, o que não representou problemas, já que, à época, o
contexto onde a casa está localizada era essencialmente rural. A tubulação original
era de ferro fundido para água potável e de chumbo para os esgotos. Pode-se
visualizar, conforme mostra a figura 10, que este anexo foi uma improvisação em
relação ao projeto original. Este bloco possui coroamento em platibanda,
posicionada abaixo do beiral do bloco central. A hipótese mais relevante é que tal
solução fora adotada com a finalidade de abrigar no topo da torre um reservatório. A
inserção deste bloco no conjunto não segue a lógica de implantação da casa,
divergindo da ordem volumétrica da edificação. Existem vestígios de áreas molhadas
na parede interna da fachada sul, onde era a cozinha (fig. 11).
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
32
Não se pode afirmar, pelo menos a partir da análise dos memoriais, que
existiam originalmente instalações elétricas na edificação, mesmo porque seu
contexto original era rural e afastado, para a época, do centro urbano da cidade.
Todos os vestígios desse tipo de equipamento encontrados
seguramente
pertencem à épocas posteriores à da construção.
Fig. 10: A torre de sanitários, 2009.
Fonte: Arquiteto Helton E. Bello.
Fig. 11: Vestígios de encanamento numa das paredes do bloco sul, possivelmente na cozinha, 2009.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
33
A casa apresenta, em seu interior, um sistema construtivo um tanto peculiar,
que mescla entrepisos e escadas em madeira e em concreto. No hall de acesso
principal, no pavimento térreo, existe um primeiro lance de escadas em concreto
armado, cujo patamar superior é uma laje do mesmo material. A partir deste
pavimento, a escada e os entrepisos passam a ser em madeira, configuração que se
repete até o torreão (fig. 12 e 13). Tal configuração deve-se a uma maior facilidade
ou rapidez durante o processo de construção. As escadas do bloco norte possuem
todos os lances em madeira, porém a madeira é de um outro tipo e o desenho do
forro inferior também não é o mesmo. Os grandes vãos sem pilares existentes no
bloco principal também justificam o uso da estrutura de madeira. Os forros do teto
são confeccionados no mesmo material, cujas réguas seguem o sentido das
montadas no piso (fig. 14).
Fig. 12 (à esq.): Primeiro lance de escadas em concreto, 2009.
Fig. 13 (à dir.): Lance de escadas em madeira, entre o segundo e o terceiro pavimentos, 2009.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
34
Fig. 14: Forro do teto em madeira, bloco norte, terceiro pavimento, 2009.
No segundo e no terceiro pavimentos, no bloco central, mais uma vez aparece
a combinação de entrepisos de concreto e madeira. Junto à fachada principal, sob
as bay-windows em ambos os pavimentos e ao fundo apenas do terceiro pavimento,
junto à parede oeste, existem pequenas lajes de concreto, que aparecem em
balanço na fachada principal. O restante dos entrepisos é confeccionado com uma
madre de madeira a cada 80 centímetros, entalada transversalmente na alvenaria de
tijolos, intertravada por um elemento em forma de cruz (fig. 15).
Fig. 15: Laje de de concreto junto à bay-window, bloco principal, segundo
pavimento, e madres de madeira, 2009.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
35
O quarto pavimento é formado pelo torreão, que possui piso e forro de
madeira com a mesma configuração dos pavimentos abaixo. Foi adicionado um
tabique, com uma porta, que separa o aposento da escada sem ir até o teto e que
será tratado como uma descaracterização (fig. 16).
Fig. 16: Tabique separando a escada do torreão, quarto pavimento, 2009.
As coberturas são estruturadas em madeira, e seu método de montagem é
oriundo do sistema construtivo regional. Os telhados remanescentes são todos em
quatro águas. As telhas cerâmicas originais, apesar de possuírem a forma francesa
(fig. 17a), são donas de um desenho exclusivo em sua face externa (fig. 17b).
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
36
Fig. 17a (à esq.): Uma telha francesa padrão, 2009.
Fig. 17b (à dir.): As telhas presentes na cobertura, 2009.
Uma placa em mármore, colocada na parede da torre da escada, ao final do
primeiro lance, e que curiosamente encontra-se íntegra, assinala a inauguração do
imóvel (fig. 18). A expressão “festa da cumieira” assinala o momento em que o topo
de uma construção é concluído. A inauguração, segundo a placa, deu-se com a
presença do então presidente do Estado Getúlio Dornelles Vargas, em seu mandato
que durou de 1928 a 1933.
Fig. 18: Placa alusiva à inauguração da casa, com os dizeres “Festa da cumieira – placa
commemorativa da visita de S. Exia. Dr. Getúlio D. Vargas – Presidente do Estado, 22/4/1928, 2009.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
37
Em alguns trechos da fachada principal, a leste, existem molduras que
marcam a divisão dos pavimentos. Nesta mesma fachada encontra-se, sobre a
porta, o brasão da Intendência Municipal, modelado em estuque, conforme a fig. 19.
Tanto a pintura externa quanto a interna foram refeitas várias vezes. A pintura
original era à base de cal com pigmentação.
Existem várias camadas de tinta sobre a maioria das paredes internas, em
diversas cores diferentes, desde o azul claro, passando pelo verde claro, amarelo e
finalmente duas tonalidades de bege.
A edificação não possui originalmente esquadrias metálicas; apenas as calhas
pluviais são confeccionadas neste material, com seção semicircular. As canalizações
pluviais originais são confeccionadas em folha-de-flandres , porém a maior parte
delas já não existe ou foi substituída por tubulação em PVC.
Fig. 19: O brasão da Intendência Municipal, 2009.
Também na fachada principal, pode-se observar o sinal deixado pelo letreiro
confeccionado em estuque sobre a bay-window do segundo pavimento. Na fig. 20,
pode-se observar a frase “Melhorar a terra para o homem e o homem para a terra”,
em alusão à atividade originalmente abrigada pela casa.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
38
Fig. 20: O letreiro sobre a bay-window do segundo pavimento, 1928.
Fonte: adaptado do Relatório do Intendente Celeste Gobatto.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
87878739
5 CADASTRAMENTO DE PATOLOGIAS CONSTRUTIVAS
5.1 METODOLOGIA
Para o desenvolvimento da qualificação gráfica do estado atual da edificação,
foi utilizado como base o levantamento cadastral realizado pela Royal Arquitetura
(2009). O trabalho de campo desenvolvido pelo escritório inclui primeiramente um
cadastro fotográfico básico, para orientar os desenhistas durante a execução do
trabalho. A seguir, foram realizadas a medição expedita do imóvel e a graficação
computadorizada na escala 1/50, das plantas baixas e de cobertura, dos cortes e de
todas as fachadas da configuração original da edificação, através do uso de software
gráfico apropriado (AutoCAD®)4 para o desenho de projeções ortogonais cotadas
paralela e diagonalmente. Para a representação gráfica das patologias, foi utilizada
a
escala
1/100,
para
facilitar
a
formatação
da
apresentação,
conforme
recomendação constante no Manual de Elaboração de Projetos do Programa
Monumenta (2005). Foi acrescentada ainda uma documentação fotográfica mais
específica, condizente com o propósito do trabalho.
Por imposição metodológica, o levantamento cadastral de um edifício antecede
a qualquer operação sobre ele, a não ser que o imóvel esteja danificado
estruturalmente a ponto de colocar em risco a segurança dos pesquisadores
(OLIVEIRA, 2003).
A partir do levantamento foi desenvolvida a graficação das plantas, cortes e
fachadas. “... é oportuno começar pelo desenho geral e, progressivamente, chegar
até o detalhamento executivo, o qual necessita de flexibilização conforme o estado
do objeto a ser reproduzido...” (CARBONARA, 1985, p.126, tradução nossa). Ainda
40
de acordo com o mesmo autor, o uso do computador como uma ferramenta para
este tipo de trabalho revela-se de particular utilidade, posto que permite facilmente a
aplicação de cores, texturas e modificações sobre o desenho sem a necessidade de
refazê-lo a cada nova etapa.
5.2 DEFINIÇÃO
O ciclo de vida de um edifício é um termo que contempla, além da elaboração
do projeto e da construção, todas as vertentes relacionadas com seu uso,
manutenção,
conservação,
reabilitação
ou
restauro
e
possível
demolição
(OLIVEIRA, 2003). Muitas falhas podem ser devidas a erros na escolha dos
materiais, no projeto e na execução, mas a maior parte delas surge devido à falta de
manutenção e a ações de vandalismo voluntário. A presença de patologias, deste
modo, refere-se à existência de falhas localizadas principalmente nas alvenarias,
revestimentos
e partes em madeira, sendo que, dada a porosidade desses
materiais, estão propensos a todo o tipo de ataque por insetos, vegetação e
umidade. Danos estruturais, apesar de requererem atenção, são muito menos
frequentes nos casos em que a construção tenha sido executada dentro de padrões
mínimos de qualidade. Além disso, revestimentos e madeiras são sempre as partes
mais vulneráveis à ação humana.
Para o cadastramento e exposição dos danos encontrados nesta edificação,
foram determinadas três categorias: lesões, lacunas e descaracterizações. A opção
por essa classificação foi feita pelo próprio autor, seguindo o modelo proposto por
Bello (1990) e por Renosto (2008), e fundamenta-se no fato de serem estas as mais
relevantes patologias a merecerem atenção durante uma possível intervenção em
imóveis tombados. A edificação foi dividida em blocos, consoante o levantamento
realizado pela Royal Arquitetura (2009), e para cada bloco as patologias foram
organizadas de acordo com a classificação já mencionada.
4
AutoCAD é marca registrada da Autodesk Inc. (AUTODESK, 2009).
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
41
5.3 CLASSIFICAÇÃO
As lesões podem ser definidas como danos de qualquer natureza e
provocados por qualquer agente, presente em elementos que ainda possam ser
reconhecidos em sua essência original, e ainda que possam ser de algum modo
restaurados
ou
restituídos,
possibilitando
seu
aproveitamento.
São
assim
classificadas, desta forma, todas as patologias que danificaram parcialmente
elementos ainda presentes no monumento. Como causa das lesões, destacam-se:
a) a poluição atmosférica presente na região onde está localizado o monumento,
que se assenta sobre as superfícies, formando uma crosta negra ativa que provoca
a erosão gradual da superfície (BRAGA, 2003);
b) a umidade relativa do ar, sobretudo em regiões de clima temperado, onde o
índice costuma ficar acima de 70%;
c) os agentes biológicos, sejam eles animais – microorganismos, insetos, aves e
roedores - ou vegetais (fungos, líquens e vegetação), que atacam sobretudo as
madeiras.
Já as lacunas referem-se às partes faltantes, das quais pode o pesquisador
certificar-se de sua anterior existência, dada a disponibilidade de documentação
histórica suficientemente confiável para tal, e que ao longo do tempo foram
suprimidas por
vandalismo, ataque biológico e exposição às intempéries. No
levantamento de patologias deste trabalho, a lacuna foi considerada quando a
extensão dos danos não permite a imediata identificação das características
originais de determinado elemento. É seguro afirmar que as lacunas geralmente
identificam-se com elementos de madeira, metal e cerâmica. Não é esta uma regra
fixa, porém esquadrias, guarda-corpos e gradis, vidraças, pisos e revestimentos,
equipamentos hidrossanitários e elétricos, bem como coberturas e ornamentos,
estão mais sujeitos a desaparecerem ao longo do tempo do que elementos de
pedra, concreto e alvenaria. Em regiões livres de terremotos e fenômenos naturais
afins, o desabamento de partes inteiras de concreto ou alvenaria, embora possam se
consumar, são consideravelmente raros. De acordo com a pesquisa realizada pela
equipe da Royal Arquitetura (2009), o anexo construído pelas Irmãs do Sacré-Cœur
desabou parcialmente e teve o restante removido. Elementos fáceis de serem
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
42
furtados e que permitem aproveitamento em outra construção costumam ser alvo de
ações de vandalismo em prédios abandonados.
As descaracterizações, numa edificação qualquer, são quase impossíveis de
não acontecerem, porque é muito pouco provável que tais prédios mantenham o
mesmo uso ao longo de toda a sua existência. As descaracterizações são, na
maioria das vezes, provenientes das adaptações realizadas para acolher estes
novos usos. Para edificações históricas, que abrigam funções diferentes das
originais, a reabilitação das características originais torna-se uma alternativa a ser
estudada com apreço para a preservação do edifício. Este processo inclui “a revisão
e atualização dos equipamentos do edifício e a organização dos espaços existentes,
melhorando seu desempenho funcional e proporcionando sua reutilização, dentro
dos moldes atuais e visando seu melhor aproveitamento” (GREER, 1998, tradução
nossa). Estas descaracterizações costumam ser as patologias hierarquicamente
mais relevantes durante o processo de requalificação de um imóvel tombado. As
descaracterizações encontradas na Casa do Patronato são anteriores ao seu
tombamento, e a hipótese considerada é que sejam todas reversíveis, mesmo
porque não foram identificadas descaracterizações estruturais.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
87878743
6 FICHAS DE QUALIFICAÇÃO E DIAGNÓSTICO
Para a confecção das fichas de qualificação e diagnóstico, foi realizado
primeiramente um levantamento fotográfico sistemático, registrando as principais
patologias construtivas da edificação, em cada bloco e em cada pavimento.
O produto deste levantamento é um registro composto por 35 fichas de
qualificação, numeradas de acordo com o tipo de patologia que demonstram.
A concepção das fichas teve como referência os modelos propostos por
Carbonara (1985) e por Renosto (2008). A estrutura de cada ficha é dividida em três
segmentos horizontais. O segmento superior apresenta os dados acadêmicos, como
nome da Instituição de Ensino, nome dos orientadores e do acadêmico. Neste
segmento são apresentados também o tipo de patologia (lesão, lacuna ou
descaracterização) e o número da ficha. No segmento central, cada ficha apresenta
um elemento construtivo, descrevendo a patologia encontrada,
fotografias em
número suficiente para mostrar as partes danificadas, e ainda a planta baixa
esquemática do pavimento correspondente, com os pontos de tomada das fotos
devidamente assinalados. Por fim, no segmento inferior, cada ficha apresenta um
texto em itens esclarecendo o tipo de material e o processo de produção
empregados na confecção do elemento construtivo, uma breve descrição e análise
de seu estado físico atual, grau de originalidade encontrado, procedimentos
indicados para a restituição do elemento, critério de avaliação – se é visual ou se foi
realizada com base em documentos históricos – e data da avaliação.
44
6.1 FICHAS DE DIAGNÓSTICO - LESÕES
O resultado da identificação das lesões deu origem a quinze das fichas de
qualificação, que retratam os principais elementos afetados por este tipo de
patologia.
6.1.1 BLOCO SUL
Os rebocos apresentam crostas negras e descolamento, tanto interna quanto
externamente, resultado da longa exposição às intempéries. Algumas partes do
revestimento foram desagregadas por ação mecânica, tanto de vandalismo como
por ação das chuvas. A pintura encontra-se desgastada, mostrando o reboco em
alguns trechos. A alvenaria do coroamento das paredes possui partes danificadas
nas faces sul e oeste.
As esquadrias restantes encontram-se apodrecidas e com muitas partes
quebradas, o que inviabiliza o seu aproveitamento.
6.1.2 BLOCO PRINCIPAL E TORRE
As lesões são menos expressivas nas partes de alvenaria da fachada
principal. Os rebocos externos estão em bom estado, com apenas algumas fissuras
e manchas negras, enquanto os internos estão mais danificados junto aos alizares
das portas. Na fachada oeste, uma porção inferior da fachada encontra-se sem o
reboco (fig. 20a). A pintura interna deste bloco mostra várias camadas de tinta, em
tonalidades diferentes.
Os pisos do primeiro pavimento, de ladrilhos hidráulicos de 20x20 centímetros,
encontra-se em condições de uso, porém a aparência da estampa encontra-se
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
45
desgastada. A escada de concreto encontra-se igualmente em condições de uso. O
piso dos dois primeiros degraus possui algumas partes quebradas (fig. 21b). O
corrimão externo está em bom estado, não oferecendo risco para os usuários, porém
necessita de limpeza e pintura. O corrimão interno foi retirado, permanecendo
apenas seus suportes de fixação.
Fig. 21a e 21b: O reboco danificado na fachada oeste (à esq.) e os degraus danificados na escada
do pavimento térreo (à dir.), 2009.
As escadas em madeira, que ligam os demais pavimentos, apresentam partes
apodrecidas, recobertas por crostas de tinta e comprometidas estruturalmente em
alguns pontos, conforme mostra a fig. 22a. Os corrimãos foram parcialmente
quebrados por ações de vandalismo, mas é possível restituir a forma original a partir
de peças remanescentes.
O revestimento dos tetos apresenta, de um modo geral, bom estado, o que
possibilita sua restituição e aproveitamento. O forro da torre é o mais danificado, e
apresenta danos produzidos pela infiltração de umidade através da cobertura (fig.
22b).
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
46
Fig. 22a: A madeira danificada nos degraus da escada, entre o segundo e terceiro pavimentos, 2009.
Fig. 22b: O forro do torreão, danificado, 2009.
Os beirais em madeira estão danificados principalmente na face oeste,
estando a madeira apodrecida e abaulada. Alguns pontos estão infestados por
insetos xilófagos e colmeias de abelhas ou marimbondos. Outras partes sofrem com
a umidade descendente, resultado de infiltrações pela cobertura.
A maior parte dos cachorros de sustentação dos beirais está em bom estado,
conforme mostra a fig. 23, mesmo porque a madeira é mais densa e de melhor
qualidade. Algumas unidades estão sem condições de aproveitamento.
Fig. 23: Cachorros de sustentação do beiral, 2009
As esquadrias, tanto internas quanto externas, em sua maioria encontram-se
em estado que inviabiliza seu aproveitamento. As esquadrias das fachadas externas
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
47
estão em pior estado do que as voltadas para o pátio interno (fig. 24a e 24b), que,
apesar de apresentarem condições de aproveitamento duvidosas, ainda podem ser
reconhecidas em sua conformação original.
Figs. 24a e 24b: Esquadrias voltadas para o pátio interno, 2009.
A cobertura de telhas cerâmicas apresenta alguns pontos em que faltam
telhas, devido ao desabamento da estrutura de madeira, apodrecida pela ação da
água das chuvas. O entupimento das calhas pluviais na junção entre este bloco e a
torre causou infiltração de água, o que comprometeu estruturalmente a cobertura
(fig. 25), danificando ainda o piso do pavimento abaixo, conforme a fig. 26.
Fig. 25: Estrutura da cobertura danificada na junção com a torre, 2009.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
48
Fig. 26: Estrutura do entrepiso apodrecida pela ação da umidade descendente, 2009.
6.1.3 BLOCO NORTE
Neste pavimento, a maior parte das lesões é interna e devida a atos de
vandalismo. Como já mencionado, esta ala da casa, sendo produto da intervenção
realizada em 1992 pela SEAAQ, está em melhor estado que os demais segmentos
da edificação.
No pavimento térreo, o piso de madeira possui algumas falhas causadas pela
ação de insetos xilófagos. A escada de madeira que liga o segundo ao terceiro
pavimento está comprometida estruturalmente, com alguns degraus apodrecidos
que se soltaram de sua fixação na parede, conforme pode-se observar no destaque
da fig. 27. Nestes mesmos pavimentos, as paredes de estuque foram danificadas em
pontos isolados por ação de vandalismo.
As pichações atingem somente este bloco e os danos delas resultantes
restringem-se à pintura, não atingindo esquadrias, pisos ou forros.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
49
Fig. 27: a estrutura danificada na escada de madeira, 2009
As fichas de diagnóstico e qualificação referentes às lesões encontram-se no
Apêndice A, página 70.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
50
6.2 FICHAS DE DIAGNÓSTICO – LACUNAS
Para a qualificação e diagnóstico das lacunas, foram desenvolvidas onze
fichas, na mesma formatação das anteriores.
6.2.1 BLOCO SUL
Neste bloco, a principal lacuna identificada na parte externa é a falta da
cobertura, resultado de seu desabamento. O transbordamento das calhas pluviais na
junção da cobertura cerâmica com a alvenaria provoca a percolação de água no
substrato das paredes, danificando os forros e a pintura. Esta mesma umidade
configura condições favoráveis para a reprodução de insetos xilófagos, que acabam
por danificar a estrutura da cobertura, cuja madeira nem sempre possui a qualidade
desejada.
Outra lacuna significativa é a falta de todo o piso de madeira no
compartimento acessado pela fachada leste, e de grande parte das paredes internas
e esquadrias. Como este ambiente está há muito tempo sem a proteção da
cobertura, a maior parte do piso apodreceu pela exposição às intempéries, e o que
restou dele foi removido.
As portas internas deste bloco encontram-se em avançado estado de
apodrecimento, e faltam muitas partes, sendo consideradas irrecuperáveis. As
esquadrias externas encontram-se largamente comprometidas, com partes faltantes
e ferragens inoperantes. Em relação às esquadrias externas, tanto os quadros
quanto as almofadas das portas e janelas remanescentes
quebradas e corroídas por insetos.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
possuem partes
51
6.2.2 BLOCO PRINCIPAL E TORRE
As lacunas identificadas nesta porção da edificação são menos expressivas e
referem-se fundamentalmente às esquadrias e partes em madeira. O piso e o forro
foram quase que completamente removidos no segundo pavimento. Apesar disto, as
madres e seu intertravamento encontram-se em boas condições e não apresentam
deformações, perda de secção ou ataque visível por insetos xilófagos, possibilitando
sua utilização. Esta estrutura encontra-se aparentemente seca e íntegra, porém é
necessária uma análise mais aprofundada para confirmar a possibilidade de
reaproveitamento.
Já no terceiro pavimento, apesar de não ter sido removido, o entrepiso está
comprometido estruturalmente, o que inviabiliza seu aproveitamento, sendo por tal
motivo considerado como lacuna. A maior parte do piso e de sua estrutura,
apodreceu por ação de umidade descendente, uma vez que encontra-se sob um
trecho danificado da cobertura.
6.2.3 BLOCO NORTE
As únicas lacunas consideráveis são a ausência de portas internas, no térreo
e no terceiro pavimento. Alguns trechos das calhas pluviais estão faltando,
contribuindo para a fixação de manchas negras na pintura.
Este bloco encontra-se em melhor estado não somente por ter sido objeto de
intervenção pela SEAAQ em 1992, mas também por estar melhor localizado em
relação às condições climáticas, recebendo maior quantidade de insolação durante
todo o ano, o que contribui para a diminuição da ação da umidade.
As fichas de qualificação e diagnóstico que demonstram as lacunas estão no
Apêndice B, página 86.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
52
6.3 FICHAS DE DIAGNÓSTICO - DESCARACTERIZAÇÕES
As descaracterizações são comumente identificadas em edifícios que passam
por trocas de uso durante sua vida útil. Durante esta pesquisa, foram reconhecidas
descaracterizações por modificação de elementos existentes e por acréscimo. O
levantamento de descaracterizações foi resumido em nove fichas, na mesma
formatação anteriormente apresentada, que retratam as principais modificações
realizadas durante as diferentes épocas de ocupação da casa: a da década de 1950,
pelas Irmãs do Sacré-Cœur, e a de 1992, pela SEAAQ. Outra descaracterização que
não interfere diretamente na estrutura física da casa, mas sim nos aspectos formais
do conjunto arquitetônico, é a construção que abriga o Clube de Mães da APAE,
erigida no início da década de 1980 para suprir uma necessidade de espaço que o
prédio principal da instituição não tem condições de oferecer.
6.3.1 AS DESCARACTERIZAÇÕES REALIZADAS ATÉ OS ANOS 1950
6.3.1.1 BLOCO SUL
Apresenta o maior número de descaracterizações desta época. Nas fachadas
leste e sul, a varanda existente no segundo pavimento foi fechada com alvenaria e,
na primeira destas fachadas, foi instalada uma esquadria muito semelhante a outras
encontradas na casa, porém sua inserção destoa compositivamente dos demais
elementos deste segmento da fachada (fig. 28 e 29).
No
interior
deste
cômodo,
encontram-se
vestígios
hidrossanitárias e piso cerâmico, conforme o destaque na fig. 30.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
de
instalações
53
Fig. 28: No destaque, a esquadria instalada na varanda fechada com alvenaria, 2009.
Fonte: adaptado do levantamento cadastral realizado pela Royal Arquitetura.
Fig. 29: Os vãos fechados com alvenaria, c. 2006.
Fonte: adaptado do site da Prefeitura Municipal de Caxias do Sul.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
54
Fig. 30: Os vãos fechados com alvenaria, vista interna, 2009.
Na fachada sul, dois vãos de porta foram fechados para transformação em
janelas. Na fig. 31, da década de 1950, os vãos já aparecem modificados.
a
b
Fig. 31: O anexo construído (a) e os vãos fechados pelas Irmãs do Sacré-Cœur (b), c. 1952.
Fonte: adaptado do acervo do AHMJSA, autoria desconhecida.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
55
6.3.1.2 BLOCO PRINCIPAL E TORRE
A torre de sanitários, acrescida a este bloco, foi muito provavelmente a
primeira descaracterização imposta à edificação. Na documentação fornecida pelo
AHMJSA para pesquisa, consta um memorial de materiais para execução do
sistema hidrossanitário, sendo que data de 1927 o rol de materiais para instalação
de água potável e de 1929 a listagem de componentes para o sistema de esgoto,
indicando que esta torre foi construída logo após a inauguração do Patronato.
As demais alterações realizadas neste bloco aparecem na fachada oeste.
Como as Irmãs do Sacré-Cœur construíram um anexo junto a esta fachada (fig. 32),
as aberturas foram modificadas de modo a transformarem-se em acesso para este
anexo, que foi completamente removido durante a intervenção de 1992.
Fig. 32: Os vãos modificados na fachada oeste, 2009.
Fonte: adaptado de fotografia de autoria do Arquiteto Helton E. Bello.
Ainda neste bloco, ao fundo do pátio externo, foram acrescentadas uma
cisterna em concreto, entre a torre de sanitários e o pátio, e uma escada no mesmo
material para acesso a ela. Posteriormente ainda foi edificado um muro em tijolos
maciços e que depois foi aumentado com blocos cerâmicos de seis furos, sem
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
56
reboco, sobre o patamar da escada, para impedir o acesso ao pátio durante o
período em que a casa ficou sem uso.
Fig. 33: Em primeiro plano, a escada e a cisterna; ao fundo, o muro, 2009.
6.3.1.3
BLOCO NORTE
Não foram identificadas descaracterizações significativas realizadas nesta
época. Algumas esquadrias não correspondem ao padrão original, mas não é
possível determinar exatamente em qual época as alterações foram realizadas.
Existe atualmente uma porta para acesso secundário na fachada norte, que destoa
da geometria imposta pelo conjunto de janelas. Na fachada principal, destaca-se a
disposição variável das bandeiras das janelas, que aparecem ora em forma de
losango,
ora
em
forma
de
triângulos
combinados
Fig. 34a e fig. 34b: As variações na bandeira das esquadrias, 2009
Fonte: Arquiteto Helton E. Bello.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
com
polígonos.
57
Fig. 35: O vão modificado na fachada norte, 2009
Fonte: Arquiteto Helton E. Bello.
6.4 O CLUBE DE MÃES – DÉCADA DE 1980
No início dos anos 80, um anexo foi construído junto à fachada oeste, no local
onde antes estava a edificação construída pelas Irmãs do Sacré-Cœur, que
encontrava-se parcialmente desabado. Este acréscimo teve o objetivo de atender à
necessidade de ampliação do espaço físico do colégio, que não possui um aposento
específico para abrigar o Clube de Mães, no qual são desenvolvidas pequenas
atividades de artesanato para auxiliar na obtenção de recursos financeiros para a
instituição (APAE, 2009). Pelo interior deste anexo, tem-se acesso ao pavimento
térreo da torre de sanitários, que está sendo atualmente ocupado pela instituição. O
portão que aparece na fig. 36 é o acesso atualmente disponível para a Casa do
Patronato.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
58
Fig. 36: O anexo construído nos anos 80, 2009
Fonte: Arquiteto Helton E. Bello
6.5 AS DESCARACTERIZAÇÕES DE 1992
A SEAAQ realizou uma reforma parcial no bloco norte, com o objetivo de
utilizá-lo para abrigar a sede da instituição. Mesmo após concluída a reforma, a
edificação não chegou a ser ocupada (SEAAQ, 2009).
Nesta intervenção, foram substituídos os pisos de madeira das salas dos três
pavimentos por peças similares às originalmente encontradas; foi realizada uma
pintura com tinta acrílica sobre os ladrilhos dos ambientes dos fundos do pavimento
térreo, que seriam utilizados como cozinha e lavabo, e ainda foram substituídos os
pisos cerâmicos dos lavabos do segundo e do terceiro pavimentos, bem como seus
aparelhos sanitários, posteriormente retirados por ação de vandalismo.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
59
Fig. 37: O piso de madeira instalado em 1992, segundo pavimento, 2009
Fig. 38: O piso cerâmico do lavabo e o local de onde foi retirado o aparelho sanitário, 2009
Externamente, a pintura foi refeita utilizando-se tinta acrílica ou polivinílica
(PVA). Este tipo de pintura, porém, é prejudicial ao reboco de edificações como a
analisada, pois diminui a permeabilidade da argamassa. A estrutura dos poros
desempenha um papel importante na conservação de estruturas antigas, já que
incide no comportamento higroscópico da alvenaria. A porosidade controla também
o conteúdo de água e a penetração de ar na estrutura da argamassa (KANAN,
2008). Como a região de Caxias do Sul possui clima potencialmente úmido, o ideal é
manter a porosidade do revestimento para que a umidade seja mais facilmente
dispersada. Edificações como a que está sendo objeto de análise costumavam
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
60
receber, em seu reboco externo, uma preparação para a caiação, à base de óleo de
linhaça ou caselina, cujo excesso poderia inibir a função higroscópica dos poros da
argamassa, intensificando a presença de crostas negras sobre o revestimento.
As esquadrias externas deste bloco, uma delas na fachada principal, uma na
fachada oeste e todas da fachada norte foram descaracerizadas através da
substituição de suas partes móveis, originalmente em madeira, por peças em vidro
temperado colorido (fumê) com ferragens em alumínio. Algumas tiveram instaladas
painéis de vidro fixos e outras, duas partes corrediças, sempre mantendo o caixilho
original em madeira (fig. 39).
Fig. 39: As esquadrias descaracterizadas na fachada norte, 2009.
Fonte: Arquiteto Helton E. Bello
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
61
Fig. 40: A esquadria modificada na fachada principal, 2009.
Ainda no ano de 1992, foi acrescentada uma rampa para acesso de
portadores de deficiência física, em frente à porta principal do bloco, confeccionada
em concreto e que descaracterizou o acesso à entrada. Os degraus de pedra
basalto ainda encontram-se sob a rampa.
Fig. 41: A rampa em concreto à frente da porta principal, 2009.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
62
Como as instalações elétricas não existiam ou estavam inoperantes, a SEAAQ
instalou eletrodutos aparentes, no teto e nas paredes dos três pavimentos, com
pontos de iluminação, interruptores e tomadas. Atualmente estes elementos
encontram-se depredados e sem funcionalidade.
As fichas de qualificação e diagnóstico das descaracterizações encontram-se
no Apêndice C, página 98.
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7 PLANTAS DE QUALIFICAÇÃO
O desenvolvimento das plantas de qualificação utilizou como ponto de partida
o levantamento cadastral realizado pela Royal Arquitetura, que foi fornecido ao autor
em meio digital. Além das plantas dos quatro pavimentos, constam três cortes e as
quatro fachadas. Em todo o conjunto de desenhos estão inseridos breves
comentários acerca do material, estado ou alguma característica relevante
relacionada ao elemento apontado. A importância da apresentação das plantas,
cortes e fachadas, com a respectiva qualificação dos elementos, surge da
necessidade de se agrupar as informações apontadas pelas fichas de qualificação e
diagnóstico num documento que permita a rápida localização das patologias no
contexto geral da edificação.
7.1 PLANTAS BAIXAS
As plantas baixas apresentam uma representação esquemática dos pisos e
dos forros, sempre dividindo cada ambiente ao meio em diagonal. A porção superior
esquerda de cada ambiente representa o piso, ao mesmo tempo em que a porção
inferior direita representa o forro em projeção. As plantas demonstram ainda uma
representação esquemática das esquadrias, bem como a indicação de seu estado
de conservação. Uma legenda com números e símbolos gráficos, desenvolvida com
base no modelo proposto por Bello (1990), caracteriza o material e o estado de
conservação dos três elementos. A planta de cobertura registra os principais pontos
em que faltam telhas ou em que estas encontram-se danificadas.
64
7.2 CORTES
O cadastro originalmente produzido pela Royal apresenta sete cortes,
identificados de AA a GG. O autor considerou a utilização de apenas três, nomeados
como DD, FF e GG, por possuírem a propriedade de permitir a identificação do
maior número de elementos sem que a descrição das patologias se tornasse
redundante. Para a apresentação deste trabalho, foram mantidas as suas
identificações originais. Os cortes receberam uma legenda distinta daquela utilizada
nas plantas, com a finalidade de caracterizar elementos diferentes dos anteriormente
expostos. Esta legenda mantém a simbologia gráfica, porém agora contempla
apenas a condição predominante do elemento:
a) elemento em mau estado, para o qual é indicada a avaliação ou prospecção
do material ou peça analisada;
b) elemento em estado regular ou bom, indicando um elemento em condições de
utilização ou restituição. A permanência ou substituição do elemento deve ser
avaliada, de acordo com o proposto pelo projeto de restauro arquitetônico;
c) lacuna,
convencionando
os
elementos
ausentes
ou
extensamente
danificados, de modo que seja indicada a sua restituição.
Os cortes representam, de forma predominante, elementos nos quais a
percepção da altura é fundamental. Escadas e corrimãos, lajes e entrepisos, portas
internas e estrutura da cobertura estão entre os objetos analisados. Além destes, por
vezes são mencionados outros de menor relevância, como calhas pluviais, beirais e
telhas cerâmicas.
Casa do Patronato Agrícola de Caxias do Sul – Levantamento de danos
65
7.3 FACHADAS
A qualificação gráfica das fachadas demonstra o estado em que se encontram
os
revestimentos
externos,
as
esquadrias
visíveis
externamente
e
as
descaracterizações perceptíveis. Para convencionar os esquemas gráficos das
fachadas, foi utilizado um terceiro tipo de legenda, que considera:
a) destacamento de material no reboco: indica os pontos em que a alvenaria
está exposta por abrasão ou desprendimento do revestimento;
b) presença de crosta negra na superfície das paredes;
c) descaracterizações, assinalando as esquadrias e vãos modificados.
Os comentários inseridos no levantamento das fachadas referem-se a
patologias presentes em pontos isolados do revestimento, dos tubos de queda
pluvial, dos ornamentos em estuque e madeira e das esquadrias.
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8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Durante o processo de elaboração do diagnóstico, constatou-se que as
patologias estão presentes em todos os blocos e em todos os pavimentos, em maior
ou menor quantidade. Os elementos em madeira são os que mais caracterizam a
existência de lesões e lacunas. O bloco norte, apesar das descaracterizações, é o
menos deteriorado por ter sido objeto de intervenção em 1992. De outro lado, o
bloco sul, ao mesmo tempo em que apresenta as descaracterizações mais
significativas, teve sua conservação comprometida pela exposição às intempéries,
intensificada pela falta da cobertura. No bloco principal e na torre, constam em maior
quantidade as lesões. A maior parte dos elementos localizados neste setor é
passível de restituição, uma vez que a originalidade permanece de maneira ainda
expressiva. Estruturalmente, a edificação encontra-se íntegra, não tendo sido
identificadas rachaduras ou recalques, o que demonstra que o objeto foi fruto de um
projeto bem resolvido e de uma execução corretamente realizada. Mesmo nos
elementos degradados, é evidente a qualidade dos materiais empregados.
As fachadas mais degradadas são a oeste e a sul. A fachada principal, a leste,
encontra-se em bom estado, permitindo a leitura de suas características e
apresentando a maior parte de seus ornamentos e elementos em madeira,
possibilitando sua valorização durante o futuro processo de requalificação do bem.
Até que sejam definidas as prioridades de intervenção, seria desejável apostar na
prevenção como a melhor forma de preservar o patrimônio histórico-cultural.
A disponibilidade deste tipo de informação permite, desde logo, prever certas
decisões a serem tomadas durante a intervenção nos elementos danificados ou
faltantes, com o intuito de qualificar ainda mais um bem cuja história não deve cair
no esquecimento. O desafio dos trabalhos voltados para preservação do patrimônio
histórico e cultural no mundo contemporâneo é tanto maior quanto menos se
conhece a herança deixada por nossos antepassados, e quanto menor for o registro,
67
a documentação e a disponibilização dessas informações. A preservação e a
requalificação de um imóvel como este gera ao seu entorno sentimentos de
autoestima e valorização do espaço social ao qual pertence.
O desenvolvimento deste inventário é, consequentemente, uma etapa
indispensável ao processo de intervenção, por fornecer informações relevantes para
o estabelecimento do grau de urgência com que cada elemento necessita ser
tratado. E vai além, na medida em que contribui para a consolidação de um registro
histórico atualizado da edificação, provavelmente o último antes da intervenção.
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9 MINHA EXPERIÊNCIA PESSOAL – RELATO DE ESTÁGIO
“Quando procurei os Professores Helton e Luiz Merino para que me
orientassem durante o desenvolvimento de meu trabalho de Laboratório de
Arquitetura e Urbanismo , não sabia o que iria enfrentar durante o decorrer do
semestre. Eles, através de seu brilhante trabalho em conjunto com a equipe da
Royal Arquitetura, me mostraram a validade e a importância da experiência do
estágio em pesquisa, que abre amplos caminhos para um futuro e promissor
desenvolvimento profissional. A experiência proporcionada enriquece o estudante
como um todo, atuando em seu crescimento profissional, científico e social.
A parte mais desafiadora consiste em conciliar os apontamentos, às vezes
contraditórios, do Orientador e do Supervisor. É preciso desenvolver a capacidade
de assimilar as opiniões de ambos, sempre válidas, para que se possa obter o
melhor resultado possível.
Este trabalho mostrou-me a importância de considerar que um projeto de
restauração lida, acima de tudo, com a consciência histórica. Analisando muitas das
intervenções recentes em bens de interesse cultural e a crescente descaracterização
a que estão sendo submetidos, torna-se gritante a necessidade de se impôr
preceitos teóricos para guiar atuações práticas. Somente assim é que os objetivos
da preservação – ditados pelas razões de preservar – poderão ser alcançados com
relativo sucesso.”
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WEIMER, Günter. A Arquitetura: Síntese Rio-grandense. Porto Alegre: Editora da UFRGS,
1999.
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71
APÊNDICE A – FICHAS DE QUALIFICAÇÃO E DIAGNÓSTICO LESÕES
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86
APÊNDICE B – FICHAS DE QUALIFICAÇÃO E DIAGNÓSTICO LACUNAS
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98
APÊNDICE C – FICHAS DE QUALIFICAÇÃO E DIAGNÓSTICO
DESCARACTERIZAÇÕES
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108
APÊNDICE D – PLANTAS DE QUALIFICAÇÃO
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119
ANEXO A – ORÇAMENTOS PARA A EXECUÇÃO DAS ESQUADRIAS E
DO SISTEMA HIDROSSANITÁRIO
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