Bahia
Federação das Indústrias do Estado da Bahia Sistema FIEB
O SENAI
do futuro
Sistema FIEB anuncia
investimentos que transformarão
formação e pesquisa em
tecnologia e inovação na Bahia
ISSN 1679-2645
Ano XVIII nº 221 junho/julho 2012
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E S C O L H A
FUTEBOL DE SETE MASTER
FUTEBOL
2 Bahia Indústria
U M A
FUTSAL
ATLETISMO
M O D A L I D A D E
NATAÇÃO
TÊNIS
www.fieb.org.br/jogos_do_sesi
E
P A R T I C I P E .
VÔLEI
TÊNIS DE MESA
XADREZ
VÔLEI DE PRAIA
EDITORIAL
Construindo o futuro
Um dos centros mais avançados do SENAI no país, o Cimatec, que
completou em 2012 uma década, comemorou a data com uma solenidade especial, que reuniu autoridades, representantes do setor
industrial, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), SENAI Nacional, além de integrantes do Sistema FIEB. Foi a ocasião oportuna
para o anúncio de um aporte de R$ 200 milhões em investimentos,
que irá transformar o SENAI Bahia e dotá-lo do que há de mais
avançado em qualificação, formação e pesquisa aplicada. Estamos
falando da implantação de dois Institutos SENAI de Inovação e de
três Institutos SENAI de Tecnologia, além da ampliação de agências
instaladas no interior, assegurando uma maior presença do Sistema FIEB em outras regiões do estado, além da Região Metropolitana
de Salvador, onde se concentra a maioria de suas atividades. Como
parte desta estratégia, as unidades de Feira de Santana, Ilhéus e
Dendezeiros também vão receber um upgrade.
Tudo isso visa preparar o SENAI Bahia para os grandes desafios dos próximos anos em demanda por capacitação e preparação de profissionais para atender o setor industrial baiano. E
disso o SENAI entende, como relatam os representantes de importantes segmentos industriais instalados ou em processo de
implantação na Bahia. A Ford, por exemplo, já capacitou mais
de 5 mil trabalhadores com a ajuda do SENAI, em especial, do
Cimatec, e destaca a busca de soluções rápidas para atender suas necessidades. A JAC Motors, que está montando uma fábrica
na Bahia, fala o quanto foi relevante identificar a presença do
SENAI. Para um dos diretores da fábrica, o SENAI Bahia reúne
condições de infraestrutura e recursos para atender às demandas de uma empresa em implantação, que necessitará de uma
estrutura de apoio para capacitar e treinar pessoal, mas também
para buscar soluções de inovação, no que o Cimatec poderá contribuir com seus núcleos de pesquisa aplicada.
Sincronizar as demandas das empresas industriais com as necessidades de capacitação de pessoal e viabilizar o aumento da
densidade de uma cadeia industrial são algumas das atividades
de caráter estratégico que o SENAI está habilitado a desempenhar.
Com os novos investimentos, em dois anos, a perspectiva é duplicar a estrutura atual. Os desafios são muitos, mas a história do
SENAI Bahia, que o coloca como unidade de referência no país,
serve de base para um futuro ainda mais sólido e promissor na
construção de uma indústria baiana cada vez mais competitiva.
Professor orienta alunos de
turma da Ford que está sendo
treinada em laboratório do
SENAI em Camaçari
Um aporte de R$ 200
milhões em investimentos vai
transformar o SENAI Bahia
e dotá-lo do que há de mais
avançado em qualificação,
formação e pesquisa aplicada
nos próximos anos
Unidades do
Sistema FIEB
Para informações sobre a
atuação e os serviços
oferecidos pelas entidades do
Sistema FIEB, entre em contato
SESI – Serviço Social
da Indústria
Sede: 3343-1301
@Educação de Jovens e Adultos – RMS: (71)
3343-1429
@Responsabilidade Social: (71) 3343-1490
@Camaçari: (71) 3205 1801 / 3205 1805
@Candeias: (71) 3601-2013 / 3601-1513
@Itapagipe: (71) 3254-9930
@Itaigara: (71) 3444-4250 / 4251 / 4253
@Lucaia: (71) 3205-1801
@Piatã: (71) 3503 7401
@Retiro: (71) 3234 8200 / 3234 8221
@Rio Vermelho: (71) 3616 7080 / 3616 7081
@Simões Filho: (71) 3296-9300 / 3296-9330
@Eunápolis: (73) 8822-1125
@Feira de Santana: (75) 3602 9762
@Sul: (73) 3639 9331 / 3639 9326
@Jequié: (73) 3526-5518
@Norte: (74) 2102-7114 / 2102 7133
@Valença: (75) 3641 3040
@Sudoeste: (77) 3422-2939
@Oeste: (77) 3628-2080
SENAI – Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial
Sede: 71 3343-8090
@Cimatec: (71) 3534-8090
@Dendezeiros: (71) 3534-8090
@Cetind: (71) 3534-8090
@Feira de Santana: (73) 3639-9302
@Ilhéus: (73) 3639-9302
@Luís Eduardo Magalhães: (77) 3628-5609
@Barreiras: (77) 3612-2188
IEL – Instituto
Euvaldo Lodi
Sede: 71 3343-1384/1328/1256
@Barreiras: (77) 3611-6136
@Camaçari: (71) 3621- 0774
@Eunápolis: (73) 3281- 7954
@Feira de Santana: (75) 3229- 9150
@Ilhéus: (73) 3639-1720
@Itabuna: 3613-5805
@Jacobina: (74) 3621-3502
@Juazeiro: (74) 3611-0155
@Teixeira de Freitas: (73) 3291-0621
@Vitória da Conquista: (77) 3424-2558
CIEB - Centro das Indústrias
do Estado da Bahia
Sede: (71) 3343-1214
sistema fieb nas mídias sociais
4 Bahia Indústria
FIEB
lhistas Homero Ruben Rocha Arandas; Comitê de
Presidente José de Freitas Mascarenhas. 1º Vice-
Portos Reinaldo Dantas Sampaio
Bahia
presidente: Victor Fernando Ollero Ventin. Vicepresidentes Carlos Gilberto Cavalcante Farias;
CIEB
Emmanuel Silva Maluf; Reinaldo Dantas Sampaio;
Vicente Mário Visco Mattos. Diretores Titulares
Alberto Cânovas Ruiz; Antonio Ricardo Alvarez Alban; André Régis Andrade; Carlos Henrique Jorge
Gantois; Claudio Murilo Micheli Xavier; Eduardo Catharino Gordilho; Josair Santos Bastos; Leovegildo
Oliveira De Souza; Luiz Antonio de Oliveira; Manuel
Ventin Ventin; Maria Eunice de Souza Habibe; Reginaldo Rossi; Sérgio Pedreira de Oliveira Souza;
Wilson Galvão Andrade. Diretores Suplentes Adalberto de Souza Coelho; Alexi Pelagio Gonçalves
Portela Júnior; Carlos Alberto Matos Vieira Lima;
Juan José Rosário Lorenzo; Marcos Galindo Pereira
Lopes; Mário Augusto Rocha Pithon; Noêmia Pinto
de Almeida Daltro; Paulo José Cintra Santos; Ricardo de Agostini Lagoeiro
Diretor-Presidente José de Freitas Mascarenhas.
Vice-Presidentes José Carlos Boulhosa Baqueiro;
Irundi Sampaio Edelweiss; Marco Aurélio Luiz
Martins. Diretores Titulares Carlos Antônio Borges Cohim Silva; Clovis Torres Junior; Fernando
Elias Salamoni Cassis; João de Teive e Argollo;
Luís Fernando Galvão de Almeida; Luiz Antunes
Athayde Andrade Nery; Marconi Andraos Oliveira;
Roberto Fiamenghi; Rogelio Golfarb; Ronaldo Marquez Alcântara; Diretores Suplentes Davidson de
Magalhães Santos; Erwin Reis Coelho de Araujo;
Givaldo Alves Sobrinho; Heitor Morais Lima; Jorge Robledo de Oliveira Chiachio; José Luiz Poças
Leitão Filho; Mauricio Lassmann Diretor regional
oeste Pedro Ovídio Tassi
Editada pela Superintendência
de Comunicação Institucional
do Sistema Fieb
Conselho Editorial Irundi Edelweiss, Maurício Castro, Cleber
Borges e Patrícia Moreira. Coordenação editorial Cleber Borges.
Editora Patrícia Moreira. reportagem Patrícia Moreira, Carolina
Mendonça e Fábio Bito Teles.
fotografia João Alvarez. Projeto
Gráfico e Diagramação Ana Clélia
Rebouças. Ilustração e Infografia
Murilo Gomes.
Impressão Stilo Gráfica e Editora
SESI
conselhos
Presidente do Conselho e Diretor Regional José
Conselho de Economia e desenvolvimento in-
de Freitas Mascarenhas.
Superintendente José Wagner Fernandes
dustrial Antônio Sérgio Alípio; Conselho para
o
Desenvolvimento
Empresarial
Estratégico
Clóvis Torres Júnior; Conselho de Assuntos Fis-
SENAI
cais e Tributários Cláudio Murilo Micheli Xavier;
Presidente do Conselho José de Freitas
Conselho de Comércio Exterior Reinaldo Dantas
Sampaio; Conselho da Micro e Pequena Empresa
Industrial Carlos Henrique Jorge Gantois; Conselho de Infraestrutura Marcos Galindo Pereira
Lopes; Conselho de Meio Ambiente Irundi Sampaio Edelweiss; Comitê de Petróleo e Gás Eduardo Rappel; Conselho de inovação e Tecnologia
José Luís Gonçalves de Almeida; Conselho de
Responsabilidade Social Empresarial Marconi
Andraos Oliveira; Conselho de Relações Traba-
Mascarenhas.
FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS
DO ESTADO DA BAHIA
Rua Edístio Pondé, 342 –
Stiep, CEP.: 41770-395 / Fone: 71
3343-1280 /
w w w.f ieb.or g.br/ b ahia _ indu stria_online
Diretor Regional: Leone Peter Andrade
IEL
Presidente do Conselho e Diretor Regional
As opiniões contidas em artigos
assinados não refletem necessariamente o pensamento da FIEB.
José de Freitas Mascarenhas.
Superintendente Armando da Costa Neto
Filiada à
Diretor Executivo do Sistema FIEB
Alexandre Beduschi
Sindicatos filiados à FIEB
Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria de Fiação
e Tecelagem no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria do tabaco no Estado da Bahia, sinditabaco@
fieb.org.br / Sindicato da Indústria do Curtimento de Couros e Peles no Estado da Bahia,[email protected] / Sindicato da
Indústria do Vestuário de Salvador, Lauro de Freitas, Simões Filho, Candeias, Camaçari, Dias D’ávila e Santo Amaro, sindvest@
fieb.org.br / Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria de Extração de
Óleos Vegetais e Animais e de Produtos de Cacau e Balas no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria da
Cerveja e de Bebidas em Geral no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias do Papel, Celulose, Papelão,
Pasta de Madeira para Papel e Artefatos de Papel e Papelão no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias do Trigo, Milho, Mandioca e de Massas Alimentícias e de Biscoitos no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato
da Indústria de Mineração de Calcário, Cal e Gesso do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria de Calçados, seus Componentes e Artefatos
no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do
Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias de Cerâmica e Olaria do Estado da Bahia, [email protected] /
Sindicato das Indústrias de Sabões, Detergentes e Produtos de Limpeza em geral e Velas do Estado da Bahia, sindisaboesba@
fieb.org.br / Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias e Marcenarias de Salvador, Simões Filho, Lauro
de Freitas, Camaçari, Dias D’ávila, Sto. Antônio de Jesus, Feira de Santana e Valença, [email protected] / Sindicato das
Indústrias de Fibras Vegetais no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria
da Cidade do Salvador, [email protected] / Sindicato da Indústria de Produtos Químicos, Petroquímicos e Resinas Sintéticas do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado da Bahia, sindiplasba@
sindiplasba.org.br / Sindicato da Indústria de Produtos de Cimento no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da
Indústria de Mineração de Pedra Britada do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais e de Produtos Farmacêuticos do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria de
Mármores, Granitos e Similares do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria Alimentar de Congelados,
Sorvetes, Sucos, Concentrados e Liofilizados do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria de Carnes
e Derivados do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria do Vestuário da Região de Feira de Santana, [email protected] / Sindicato da Indústria do Mobiliário do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato da Indústria
de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento de Ar do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias de
Construção Civil de Itabuna e Ilhéus, [email protected] / Sindicato das Indústrias de Café do Estado da Bahia, sincafeba@
fieb.org.br / Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos, Computadores, Informática e Similares dos Municípios de Ilhéus e
Itabuna, [email protected] / Sindicato das Indústrias de Construção de Sistemas de Telecomunicações do Estado da Bahia,
[email protected] / Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Feira de Santana,
[email protected] / Sindicato das Indústrias de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado da Bahia, sindirepaba@
sindirepabahia.com.br / Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, sindipecas@sindipecas.
org.br / Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais no Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias de
Cosméticos e de Perfumaria do Estado da Bahia, [email protected] / Sindicato das Indústrias de Artefatos de Plásticos,
Borrachas, Têxteis, Produtos Médicos Hospitalares, [email protected]
sumário Junho/julho 2012
16
10 ANOS
do CIMATEC
Ao completar uma
década do
Cimatec, são
anunciados
investimentos de
R$ 200 milhões
para o SENAI
Bahia
Leone Andrade,
Jaques Wagner e
José Mascarenhas
visitam laboratório
do Cimatec
Foto: João Alvarez
14
21
24
José Paulo Lacerda/CNI
6
Programa Nacional de Saúde
e Segurança no Trabalho
Jogos
do sesi
Inovação
made in bahia
TABLET PARA CRIANÇAS COM
NECESSIDADES especiais
SESI Bahia coordena programa nacional
que atua na prevenção de acidentes e na
promoção da saúde com trabalhadores
da indústria da construção, previsto
para ser implantado até 2014
Atletas da Bahia
conquistam
quatro medalhas
na 8ª edição dos
Jogos Nacionais
IEL apresenta
cases de
empresários que
descobriram
novos negócios
Protótipo similar a um tablet,
desenvolvido no SENAI Cimatec,
apresenta resultados surpreendentes
no processo educativo de crianças
portadoras de necessidades especiais
Tecnologia preventiva
Equipe do SESI coordena programa nacional com
foco na prevenção de acidentes e promoção da
saúde na indústria da construção
por patrícia moreira
D
Fotos João Alvarez
oenças e acidentes provocam a perda de 36 milhões de dias de trabalho por ano, uma média
de quatro dias por trabalhador. Ao
todo, 28% dos afastamentos por
períodos superiores a 15 dias ocorrem na indústria, conforme revela
pesquisa do Instituto de Saúde
Coletiva da Universidade Federal
da Bahia (ISC/Ufba). Um outro estudo, do SESI Nacional, divulgado
em 2011, mostra que a indústria
brasileira registra perdas da ordem de R$ 42 bilhões por ano, o
equivalente a 3% do PIB (Produto
Interno Bruto), com trabalhadores
que se apresentam no trabalho
sem as condições de saúde ideais,
com impacto no seu desempenho.
Os números sobre o impacto
da saúde do trabalhador no ambiente do trabalho são ainda mais
expressivos quando se trata da indústria da construção civil, uma
das campeãs em número de acidentes graves e afastamentos por
doenças. Com base no banco de
dados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e da Relação Anual de Informações Sociais
(RAIS), o índice de mortalidade no
setor em 2009 foi de 18 para cada
100 mil trabalhadores com cartei-
6 Bahia Indústria
ra assinada, equivalente ao dobro
em relação às demais atividades
produtivas.
Vale ressaltar que o setor saiu
de aproximadamente 1 milhão
de trabalhadores, em 2005, para
três milhões, em 2011. Apesar do
aumento da população empregada no setor, no período de 2000 a
2009, houve avanços na redução
do índice de mortalidade relacionada ao acidente do trabalho, que
passou de 32 mortes a cada 100
mil trabalhadores para as 18 mortes para cada 100 mil. Mas a taxa
ainda é considerada muito alta se
comparada à das demais atividades econômicas (uma proporção
de 7 para cada 100 mil) e à da indústria da construção de países
como Finlândia e Inglaterra.
Saúde no Trabalho
Dados como estes levaram o
Departamento Nacional do Serviço Social da Indústria (SESI) a
desenvolver, em 2010, o Programa
Nacional de Segurança e Saúde
no Trabalho para a Indústria da
Construção (PNSST IC). O SESI
Bahia foi escolhido para coordenar este programa, em função da
experiência do Departamento Regional com o desenvolvimento do
Programa Setorial de Segurança
e Saúde do Trabalho para a Indústria da Construção na Bahia,
realizado em parceria com o Sinduscon Bahia e coordenado pelo
engenheiro Robério Costa Silva.
“Nós aproveitamos a nossa experiência para construir um novo
programa, de âmbito nacional,
com novas estratégias, tecnologias
e produtos”, explica Robério Silva.
O programa nacional foi projetado
para ser implantado no período de
2010 a 2014, com orçamento total
de R$ 18 milhões e dividido em
três fases, cada uma com duração
de 18 meses. O PNSST IC, além do
desenvolvimento de tecnologias
(diagnósticos, programas de sensibilização, treinamentos e desenvolvimento de softwares), também
prevê transferência de tecnologias
aos estados, suporte técnico aos
DRs do SESI e operacionalização
junto às empresas.
A equipe encarregada do programa tem perfil multidisciplinar
e inclui engenheiro de segurança,
administrador de empresas, pedagogo, analista de sistemas e epidemiologista. Na execução estão
previstas visitas em campo e inspeções para verificar a adoção das
medidas sugeridas. “A ideia é le-
Operários
dos canteiros
de obras, e
também as
construtoras,
são alvos do
programa de
prevenção
em saúde e
segurança
var informações até o trabalhador
sobre a prevenção de acidentes no
trabalho”, explica Robério Silva,
destacando que a experiência prática vem comprovando melhorias
e a redução de acidentes após a
adoção do método de prevenção.
O programa teve a adesão de
todos os estados e já foi lançado
em quatro (Bahia, Rio Grande do
Norte, Ceará e Santa Catarina).
Desde 2010, foram desenvolvidas
cinco tecnologias e outras seis estão em desenvolvimento. Em todo
o país, a iniciativa já capacitou
120 profissionais, entre engenheiros e técnicos de 26 estados da
federação.
O Sindicato da Indústria da
Construção Civil da Bahia (Sinduscon) é parceiro do Sistema
FIEB no apoio a iniciativas como
esta, que ajudam a reduzir a ocorrência de acidentes nos canteiros.
O presidente do sindicato, Carlos
Alberto Vieira Lima, observa que
a educação dos profissionais é fator fundamental na prevenção de
acidentes. De 1998 a 2008, houve
uma redução de 47% no número
de acidentes de trabalho nos canteiros, de acordo com o Ministério
do Trabalho, graças a iniciativas
como esta empreendida pelo SESI.
Bahia Indústria 7
SESI desenvolve
Soluções de Promoção
da Saúde do Homem
O Serviço Social da Indústria (SESI),
órgão colaborador da Organização
Mundial da Saúde (OMS), também desenvolve outras ações inovadoras na
área de prevenção e orientação à saúde,
voltadas para a melhoria da qualidade
de vida dos trabalhadores da indústria.
Uma delas é o Programa de Saúde do
Homem, iniciativa piloto desenvolvida
em cinco empresas de Salvador desde
outubro de 2011, com um grupo de 2 mil
trabalhadores.
Segundo Cláudia Lemos, coordenadora do projeto, a iniciativa considerou os
resultados do Diagnóstico de Saúde e Estilo de Vida (DSEV), serviço subsidiado
pelo SESI, aplicado em 47 mil industriários, que apontou a predominância de
trabalhadores do sexo masculino na indústria e a presença de fatores de riscos
aglomerados – como obesidade, alimentação pobre em fibras, sedentarismo, etc.
–, que contribuem para o surgimento de
doenças crônicas não transmissíveis.
“A expansão das doenças crônicas
acarreta prejuízos para a sociedade, ao
passo que afeta o bem-estar das pessoas, provoca a perda de produtividade e
onera os custos das empresas. Contudo,
é possível mudar este cenário, investindo em soluções sociais”, afirma a coordenadora. Nesta perspectiva, o SESI
desenvolve duas ações voltadas para a
indústria baiana: um curso de formação
de promotores de Qualidade de Vida no
Trabalho, com gestores e técnicos da Indústria e uma agenda de Qualidade de
Vida no ambiente de trabalho das empresas parceiras.
O desenvolvimento humano permeia todo o projeto, com a transferência
de tecnologia para as indústrias, com
8 Bahia Indústria
Medição de
pressão arterial
é uma das ações
que fazem parte
do programa para
prevenir doenças
crônicas
ações integradas de qualidade de vida, a contribuição dos
eixos de promoção da saúde, esporte, bem-estar e responsabilidade social.
Além do projeto, outra ação de promoção da Saúde do Homem é a série Homens Saudáveis, Viva Mais Viva Melhor, da
Campanha Educativa de Segurança e Saúde no Trabalho, que
disponibiliza material específico para a promoção da saúde
do homem, desenvolvido em parceria com o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA). Este material instrucional
entra como suporte para as atividades presenciais de educação
e comunicação em saúde. A campanha disponibiliza folders,
cartilhas, dentre outros materiais informativos, para as indústrias, por meio de uma vitrine virtual, com vistas à prevenção
de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, à melhoria
do estilo de vida do trabalhador e à promoção da saúde do homem. Todo o material pode ser solicitado mediante cadastro no
site do SESI (www.sesi.org.br/pro-sst).
“O SESI, com a implementação destas estratégias, caminha
em consonância com o direcionamento de desenvolvimento de
ambientes de trabalho saudáveis e eleva, assim, a qualidade
de vida da população corporativa. O entendimento é que os
trabalhadores estarão mais aptos e motivados a contribuir de
forma efetiva para um processo produtivo inovador e sustentável na Indústria Baiana”, explica Cláudia Lemos. [bi]
circuito
por cleber borges
Exclusão bancária
atinge 36%
Caminhos da
sustentabilidade
Mais de um terço da população
brasileira – exatos 36% – não
possui conta corrente ou poupança
por não ter condições financeiras,
revela a pesquisa CNI-Ibope
Retratos da Sociedade Brasileira:
Inclusão Financeira. Quatro em
cada cinco brasileiros,
correspondendo a 78% da
população, usam dinheiro como
principal forma de pagamento,
enquanto 13% lançam mão do
cartão de crédito. O cartão de
débito aparece na terceira posição,
com 6% de usuários, e na última
posição, empatados com 1%, estão
o cheque e o vale-alimentação. O
uso de dinheiro é mais comum
entre as pessoas de baixa renda,
atingindo 88% de quem ganha até
um salário mínimo, contra 38% de
quem possui renda acima de 10
salários mínimos.
Ser sustentável implica em custos
adicionais, mas é um fator
necessário à sobrevivência das
empresas. É o que revela estudo
da CNI realizado com 60
executivos de grandes empresas
do país, para os quais os
investimentos em
sustentabilidade deverão crescer
nos próximos anos. O tema é
tratado normalmente pelo alto
escalão das empresas, sendo 50%
pela presidência, 22% pela
diretoria e 14% pela vicepresidência. Em apenas 7% delas
é tratado no âmbito de gerências.
Não investir em ações
sustentáveis acarreta riscos à
sobrevivência da empresa, para
39% dos ouvidos e risco à
imagem, para 18%. A tendência
para os próximos anos é de
crescimento dos investimentos na
área, para 75%, enquanto apenas
3% acham que haverá redução. As
principais barreiras para
implementar ações de
sustentabilidade são custos
adicionais, falta de cultura na
organização, regulação, falta de
incentivos e de tecnologia.
O que afeta a
competitividade
As empresas brasileiras
trabalham, em média, 13 vezes a
mais que as concorrentes
estrangeiras para pagar impostos.
Isso inibe os investimentos e
aumenta os preços para o
consumidor. Por essa razão, a CNI
acaba de lançar uma campanha
para chamar a atenção da
sociedade para problemas antigos
que afetam a competitividade da
indústria. No site http://
aindustriatempressa.com.br/
estão detalhadas as ações
necessárias para resgatar a
capacidade de competição da
indústria brasileira e o internauta
pode assinar manifesto
defendendo a competitividade da
indústria brasileira.
“A inflação aleija,
mas o câmbio mata.”
Mário Henrique Simonsen (1935-1997), ao
destacar, na década de 1980, os efeitos
prejudiciais do câmbio sobre a
competitividade da indústria.
Capital de giro mais barato
O BNDES anunciou que reduzirá as taxas de juros do programa Progeren, destinado
ao financiamento de capital de giro. As taxas ao ano para micro e pequenas
empresas, que eram 9,5%, passaram para 6%. Para as médias empresas, os juros
caíram de 9,5% para 6,5% e, para as médias-grandes e grandes, de 10% para 8%. O
presidente da instituição, Luciano Coutinho, espera que a redução dos juros seja
repassada pelos agentes financeiros, na ponta, aos clientes. É, talvez, o programa de
capital de giro com as taxas mais baixas já praticadas do país. O BNDES incluirá no
Progeren as médias empresas de toda a indústria da transformação, que até então só
tinham alguns produtos atendidos. O total disponível até o dia 31 de dezembro de
2013 será de R$ 14 bilhões, sendo R$ 11 bilhões para micro, pequenas e médias
empresas e R$ 3 bilhões para médias-grandes e grandes empresas.
Bahia Indústria 9
sindicatos
ELEIÇÕES
Sindratar• Foi eleita, dia
18 de junho, a nova diretoria
do Sindicato das Indústrias
de Refrigeração, Aquecimento
e Tratamento de Ar do Estado
da Bahia (Sindratar-BA) para
o biênio 2012-2014. O empresário Raimundo Dunezeu, da
Mac Engenharia e Instalações,
disputou, em chapa única, o
terceiro mandato. Suas metas
são ampliar a base de empresas
associadas, formar parcerias
para incrementar a formação de
mão de obra especializada para
o segmento, bem como, normatizar e certificar os procedimentos do sindicato nos moldes da
ISO 9001:2008.
Sindileite: ação de conscientização
O órgão das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO, na
siga em inglês) instituiu, em 2011, 1º de junho como Dia Mundial do Leite.
Em Salvador, a data foi lembrada com um café da manhã, oferecido pelos
associados do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados
do Leite do Estado da Bahia (Sindileite), no Jardim de Alah. Além disso,
estudantes de enfermagem e nutricionistas realizaram exames de controle da pressão arterial e de glicose e deram dicas nutricionais. De acordo
com o presidente do sindicato, Paulo Cintra, a iniciativa teve a adesão de
18 empresas na Bahia. “A proposta é divulgar as qualidades nutricionais
do leite, um alimento rico em cálcio, mas também em proteínas”, explicou. Das 6 às 10 horas, quem costuma caminhar pela Orla de Salvador foi
convidado a participar da degustação dos produtos (leite, iogurte, queijo,
bebidas lácteas) e a aprender sobre combinações saudáveis com outros
alimentos, como chocolate e cereais, em uma barraca montada no Jardim
de Alah. A Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), da
Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia, parceira do evento, levou
para o Jardim de Alah 200 crianças de quatro escolas municipais.
Sindratar promove capacitação
O Sindicato das Indústrias de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento de Ar do Estado da Bahia (Sindratar-BA), em parceria com a Federação
das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), por meio do SENAI Cimatec,
oferece aos profissionais da área de refrigeração e ar condicionado, curso de capacitação em supervisão de instalação de equipamentos e sistemas de ar condicionado. O curso, que começou em 11 de junho, prossegue até 25 de setembro.
10
Bahia Indústria
Estudantes
e populares
participaram de
atividades pelo
Dia do Leite
Sindvest-Feira• A nova
diretoria do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Feira
de Santana e Região (Sindivest)
tomou posse, 11 de abril, na sede da entidade, no SESI de Feira
de Santana. A nova presidente,
Ane Rose Lula, exercerá mandato até 2015. Ela pretende dar
continuidade aos projetos da
entidade. A nova gestão ganhou
o reforço da empresária Késia
Melo, da Kelvi’s Confecções,
que leva para a equipe toda a
sua experiência com moda e
consciência do associativismo
para evolução do setor do vestuário na região.
Moveba• João Schaun Schnitman foi reeleito, dia 2 de
abril, para a presidência do Sindicato da Indústria do Mobiliário da Bahia (Moveba). A posse
ocorreu dia 15 de maio, em ato
na sede da FIEB.
ABNT/Divulgação
Participação baiana na Rio+20
O baiano Jorge Cajazeira, presidente do Sindicato das Indústrias do
Papel, Celulose, Papelão, Pasta de Madeira para Papel e Artefatos de
Papel no Estado da Bahia (Sindipacel) e do comitê que desenvolveu as
normas da ISO 26000, foi o único representante baiano a dar palestra
durante a reunião da Organização das Nações Unidas, a Rio+20, dia 18
de junho, no Rio de Janeiro. Ele apresentou os trabalhos do comitê da
ISO 26000, finalizada após cinco anos de trabalho, com a participação
de 600 especialistas de cem países. Mais conhecida como a ISO da responsabilidade social, a norma já foi adotada por entidades representativas, governos e empresas de 157 países.
Representação baiana na FAO
Wilson Andrade, presidente do Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais da Bahia (Sindifibras),
representou a Bahia na reunião do comitê de commodities da FAO (órgão das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), presidida pelo brasileiro
José Graziano, em Roma, no final do mês de maio. Ele
participou como coordenador de um dos 18 comitês
que engloba os diversos setores do agronegócio mundial. Durante quatro dias, o maior fórum de agronegócio mundial discutiu sobre a produção, consumo e
distribuição de alimentos, fibras e florestas, considerando as condições climáticas, sociais e econômicas
nos próximos 50 anos.
Jorge Cajazeira
apresentou
trabalhos no
comitê da ISO
26000
Polo de Confecções de
Feira será instalado
Após longa indefinição, o Projeto Policon – Polo de Distribuição das Indústrias de Confecção
de Feira de Santana – irá finalmente ser implantado. Em 2011,
o local de instalação do polo foi
alvo de um processo judicial envolvendo a Cooperativa dos Badameiros de Feira de Santana (Coobafs) e o Sindicato das Indústrias
de Vestuário de Feira de Santana
(Sindvest), que reivindicava a
reintegração de posse do terreno
para instalação do polo. O impasse foi resolvido em meados do
mês de maio. Com o fechamento
do processo, o Sindvest de Feira
de Santana mobiliza as indústrias associadas para reestruturação do Policon, que abrigará em
torno de 50 lojas destinadas ao
escoamento da produção de confecção da cidade, o que promete
fortalecer ainda mais a cadeia
produtiva da região.
Simagran promove
reuniões itinerantes
Divulgação
José Graziano e Wilson Andrade
durante reunião da FAO, em Roma
Como parte da estratégia de
fortalecer as ações do Sindicato da
Indústria de Mármores, Granitos
e Similares da Bahia (Simagran)
no interior, foi realizado, dia 13 de
junho, em Feira Santana, reunião
itinerante que discutiu temas como fiscalização do Ministério do
Trabalho nas marmorarias, convênios e benefícios para as empresas
do setor, convenção coletiva dos
trabalhadores, o fim do carrinho
transportador de chapas e o prazo
final para implantação do sistema
a úmido nas marmorarias. A próxima reunião no interior será em
15 de agosto, na cidade de Santo
Antônio de Jesus.
Bahia Indústria 11
Sistema FIEB marca
presença no sul baiano
Serviços para a região foram apresentados
no IV Festival Internacional do Chocolate
O
público que visitou o IV Festival Internacional
do Chocolate da Bahia pôde conhecer também
serviços e produtos oferecidos pelas entidades
do Sistema FIEB (CIEB, SESI, SENAI e IEL) na região
sul do estado. Durante o evento, realizado em Ilhéus,
entre os dias 28 de junho e 2 de julho, equipes da Federação das Indústrias do Estado da Bahia fizeram
demonstrações e apresentaram palestras com temas
de interesse da economia local, a exemplo da cadeia
do cacau.
No estande do Sistema FIEB, o público conferiu demonstrações de análises realizadas nos laboratórios
do SENAI, além de obter informações sobre cursos,
capacitações, programas e projetos para atender às
demandas da indústria.
Na abertura das palestras, o gerente geral do Centro das Indústrias do Estado da Bahia (CIEB), Evandro Mazo, falou sobre as ações do Programa de Interiorização da federação para o sul do estado. “Nosso
Estande
da FIEB
disponibilizou
informações
ao público
Joá Souza/coperphoto
12 Bahia Indústria
objetivo é fomentar e apoiar a implantação de centros
tecnológicos, ampliação das capacitações de pessoal
e atração de novos investimentos”, explicou.
O assunto capacitação interessou particularmente
Cláudio Silva, 54, dono de uma pequena construtora
em Ilhéus. Com dificuldades para encontrar mão de
obra qualificada na região, especialmente encanadores e eletricistas, ele está tendo atrasos nas obras.
Quando soube que a Unidade Sul do SENAI oferece
cursos de formação e qualificação de trabalhadores
para a construção civil, o empresário se animou.
“Vou lá buscar informações e ir atrás de funcionários
capacitados!”, disse.
O empresário também gostou de saber que a federação dá informações e apoia os empresários que
desejam exportar e importar, já que ele pretende
comprar produtos em mercados no exterior. As informações foram apresentadas pela coordenadora
de Comércio Exterior do Centro Internacional de Negócios (CIN) da FIEB, Daniella Cunha, que mostrou
as linhas de atuação da entidade para o processo de
internacionalização das empresas baianas. “Oferecemos informações, estudos e pesquisas de mercados,
consultorias para a elaboração de planos, certificação de origem (COD), inteligência comercial, e precisamos desta aproximação com o empresariado para
conhecer melhor as demandas de cada segmento”,
pontuou.
A programação também contemplou temas de interesse para a economia da região, como a segurança
alimentar na cadeia produtiva do cacau e do chocolate, a inserção de um programa de gestão da qualidade
nas empresas, o cumprimento das normas de saúde e
segurança do trabalho e o Programa de Qualificação
de Fornecedores (PQF) do IEL, cujo foco é o aumento
da competitividade por meio de um processo de avaliação e capacitação de empresas fornecedoras, em
critérios pré-estabelecidos. [bi]
Missão comercial estreita
laços com o além-mar
FIEB participa de comitiva do governo que esteve em Portugal,
apresentando oportunidades de negócios com a Bahia
A
trair empresários portugueses para investir na Bahia e
cooperar com empresários
baianos de diferentes setores. Este
foi o objetivo da Missão Técnica da
Secretaria da Indústria, Comércio
e Mineração (Sicm) a Portugal,
realizada entre 19 e 22 de junho.
A FIEB integrou a comitiva representada pelo superintendente de
Desenvolvimento Industrial, João
Marcelo Alves, que apresentou o
perfil da indústria local, seus diferentes segmentos e localização
territorial, assim como o apoio que
o Sistema FIEB poderá dar aos futuros investidores.
Foram realizadas quatro apresentações aos empresários, três
em núcleos empresariais regionais e uma em Lisboa. Os segmentos que despertaram maior
interesse foram os de alimentos,
moldes, plásticos, metalomecânico, naval e materiais de construção. “Apesar da crise e da forte
queda na demanda por produtos
e serviços industriais portugueses, os acordos de cooperação em
que se possa alocar máquinas,
tecnologia e know-how em produtos e processos são bem vistos. As alianças e joint-ventures
tecnológicos também foram bem
recebidas pelos empresários de
pequeno e médio portes”, conta
João Marcelo Alves.
De acordo com o superinten-
Divulgação
Antonio
Coradinho
(E) e João
Marcelo Alves
(2º à direita)
integraram
missão
empresarial
a Portugal
dente, há um grande número de
empresas de pequeno e médio
portes na zona do euro, particularmente na Europa mediterrânea, que possuem tecnologia
de ponta, elevada qualidade e
know-how de processos e produtos. No entanto, elas têm sofrido
uma grande queda nas vendas e
na produção e buscam por novos
mercados para sobreviver e crescer. “Apesar das limitações de investimentos greenfield (iniciados
do zero), dada a atual crise de crédito na zona do euro, as parcerias
com empresários baianos surgem
como uma opção interessante e
podem ser um atalho à inovação
tão necessária à indústria baiana”, afirma Alves.
Para o presidente da Câmara
Portuguesa de Comércio na Bahia,
Antonio Coradinho, é justamente
nas diferenças que as indústrias
portuguesa e baiana são altamente complementares. “A Bahia produz uma série de matérias-primas
que precisam ser beneficiadas e
Portugal possui tecnologia, conhecimento e equipamentos ociosos por conta da crise; é preciso
fazer esta ponte e tirar proveito da
língua comum e desta reciprocidade”, aponta.
Uma das ações que podem contribuir para promover esta aproximação é o 5° Seminário de Oportunidades de Negócios Bahia-Portugal, entre 19 e 21 de outubro, na
capital baiana. [bi]
Bahia Indústria 13
Competitividade
saudável
Bahia conquista quatro medalhas nos Jogos
Nacionais do SESI: uma de prata e três de bronze
por Fábio Bito Teles e Verônica Lins
P
equena em números, grande nas conquistas. Esse é o
retrato da delegação baiana
que participou da 8ª edição
dos Jogos Nacionais do SESI, no
início de junho, em Goiânia. Os 22
atletas classificados para a etapa
nacional voltaram para a Bahia
com quatro medalhas – uma de
prata e três de bronze – e muita
história para contar.
Paulo Roberto Souza, representando a Embasa, conquistou a medalha de prata no tênis de campo
categoria 45+. “Minha participação
era incerta, devido a uma contusão, e o resultado terminou sendo
14 Bahia Indústria
muito bom”, conta Paulo, que tinha
conquistado o ouro em 2010.
Outro atleta já experiente e
que trouxe medalha para casa
foi Jobson Silva Santana, representante da Mondial Eletrodomésticos, no Atletismo. O terceiro
lugar no pódio veio na prova de
200m rasos, 16+. “É muito difícil
trabalhar, treinar e estudar, mas
tenho apoio da empresa, que me
dispensa mais cedo para participar das competições e patrocina
os uniformes”, revela.
Jobson reconhece que todo o
esforço vale a pena e pensa em
integração. “O esporte melhora o
Solenidade
de abertura
da 8ª Edição
dos Jogos
Nacionais, em
Goiânia
relacionamento com os colegas
e estimula o espírito de equipe
na empresa. Sempre que posso
chamo outros colegas para treinarem comigo”.
natação
Foi com este mesmo espírito
de integração que Laís Araújo,
representante da Coelba na natação, participou dos Jogos do
SESI pela primeira vez e trouxe
o bronze nas provas de 400m,
categoria 25+. “Entrei nos Jogos
para completar a equipe que
estava desfalcada e conquistei
essa vitória.”
Equipe da Bahia
recebe medalha
Valores do Esporte
A BAHIA NOS JOGOS
NACIONAIS DO SESI
22 atletas
4
modalidades (Tênis, Natação,
Atletismo e Xadrez) prata
(Paulo Roberto Souza – Embasa
– no tênis de campo) bronze
(Jobson Silva Santana –
Mondial – no atletismo; Laís
Araújo – Coelba – na natação;
Célia Lopes de Souza – Coelba
– no atletismo) empresas
representadas (Embasa,
Suzano, Coelba, DPAN – Ilhéus,
Continental, Magnevita e
Mondial)
1
3
7
josé paulo lacerda/cni
O terceiro bronze baiano também veio de uma atleta da Coelba. Célia Lopes de Souza deu um
grande salto para ficar entre as
três melhores do Brasil, no salto
em altura feminino 30+. Para Célia, o esporte é essencial para o
dia a dia. “A prática esportiva me
deixa muito mais motivada, muito
mais ativa para desenvolver as minhas atividades.”
Para Wagner Fernandes, superintendente do SESI Bahia, o esporte está atrelado à melhoria da
qualidade de vida do trabalhador,
e, consequentemente, ao aumento
da competitividade da indústria.
“Além do vínculo direto com a
saúde do trabalhador, o esporte
ensina valores que são importantes conquistas.”
Luiz Figueiredo, gerente da
unidade do SESI Simões Filho,
lista alguns desses valores. “O
esporte aprimora o espírito de
equipe, competitividade, solidariedade, responsabilidade e a vida
saudável”, conta.
O próximo desafio agora é preparar a edição Regional dos Jogos,
aqui na Bahia, em novembro, e fazer ainda mais bonito na edição nacional, no ano que vem, desta vez
no Rio de Janeiro.
As delegações regionais também receberam medalhas durante os Jogos Nacionais. As equipes
técnicas de cada Estado foram homenageados
com a medalha Valores do Esporte – Espírito de
Equipe, Motivação, Respeito, Comprometimento
e União – como reconhecimento aos profissionais
responsáveis por promover estes valores fundamentais para a prática esportiva e promoção da
qualidade de vida nas suas unidades.
Fábio Rocha, coordenador de Programa de Lazer do SESI Simões Filho e técnico da equipe de
natação delegação NE2, foi o representante da
Bahia a receber a homenagem. Para Rocha, os
jogos são uma oportunidade de valorizar o trabalhador, além de uma excelente oportunidade de
promover a integração e a união entre os atletas de
vários estados e empresas. “Há uma rica troca de
experiência. É gratificante observar o quanto essa
integração se desdobra em motivação e incentivo
entre eles. Os trabalhadores atletas se apoiam e isso só fortalece o espírito esportivo”, avalia.
E espírito esportivo não falta a Francineide
Ferreira Luz, atleta da Continental Pneus, que disputou os 200m 30+ e faz a sua estreia nos Jogos.
Ela começou a praticar atletismo há sete anos, por
incentivo de uma colega de trabalho, e já inclui o
esporte à sua rotina. Para melhorar o seu rendimento, ela treina quase três horas por dia na pista
de atletismo do SESI Simões Filho, sob o acompanhamento de um técnico. Treinando em horários
opostos ao seu expediente, ela não reclama da ginástica que faz para conciliar esporte, trabalho e
vida pessoal.
“Recomendo a prática de atividade física para
meus colegas. O esporte me deixa mais disposta para trabalhar”, afirma. Hoje, com o apoio da
Continental, Francineide participa das provas do
campeonato baiano de atletismo e dos eventos esportivos promovidos pela empresa.
No portal da FIEB é possível acompanhar a
programação dos Jogos do SESI, fazer inscrições
e conferir a dicas SESI Esportes http://www.fieb.
org.br/jogos_do_sesi/ [bi]
Bahia Indústria 15
Filosofia SENAI para
inovar e
competir
Ano em que o Cimatec faz uma
década marca o início da expansão
da rede tecnológica na Bahia
POR Patrícia Moreira e Carolina Mendonça
Fotos João Alvarez
os próximos três anos, o SENAI Bahia
vai receber mais de R$ 200 milhões em
investimentos para a criação, expansão e modernização de suas unidades,
na Região Metropolitana de Salvador e
no interior. Os investimentos ocorrem
quando o SENAI Bahia, acaba de comemorar os 10 anos do Cimatec, um dos maiores centros de referência em tecnologia e inovação do país.
É o princípio de um processo, que resultará na
expansão do próprio Cimatec, que vai ganhar as
unidades 3 e 4, e na criação de três Institutos SENAI
de Tecnologia (IST) – em Eletroeletrônica, em Processos Químicos e Biotecnológicos e em Construção
Civil –; e mais dois Institutos SENAI de Inovação
(ISI) – em Automação Industrial e em Conformação
Mecânica e Soldagem. “Mantemos o olhar voltado
para o futuro. Para continuar atendendo o nosso
compromisso com a indústria, com foco e eficiência,
estamos elaborando um Plano Estratégico de Ação,
tendo como horizonte dez anos à frente”, assegura o
presidente da FIEB.
As ações preveem ainda a expansão e a moderni16 Bahia Indústria
Governador
Jaques Wagner,
autoridades e
o presidente
da FIEB, José
Mascarenhas (D)
zação das unidades Cetind, em Lauro de Freitas, e
Dendezeiros, na capital, e a construção de uma nova
estrutura do SENAI em Camaçari, onde hoje há uma
agência. No interior, Feira de Santana, Juazeiro, Luís
Eduardo Magalhães, Barreiras e Vitória da Conquista
vão ter unidades do SENAI duplicadas ou construídas. A Região Sul (Ilhéus/Itabuna) ganhará uma
Escola Técnica e um Centro Tecnológico. Há ainda a
perspectiva de construção das unidades Polo Naval e
Parque Tecnológico em Salvador.
Todos estes investimentos refletem o compromisso da Federação das Indústrias da Bahia de dotar o
SENAI de uma estrutura afinada com as demandas
da indústria. Sinaliza também o comprometimento
do Sistema FIEB com o desenvolvimento regional da
Bahia, que vem registrando uma transformação da
sua matriz, nos últimos 10 anos, a partir da chegada
da Ford a Camaçari, e que vem expandindo suas fronteiras industriais para o interior. Mas também reflete
a credibilidade da instituição no mercado, resultado
de uma equação que, na avaliação do diretor regional do SENAI Bahia, Leone Peter Andrade, é composta por uma equipe altamente qualificada, somada a
uma “aderência ao mercado”.
Quem traduz isto na prática é o gerente de Instalação de Motores para a Ford América do Sul, Paulo
Oliveira. “Essa união da Ford com o SENAI tem resultado em grandes conquistas. A maior delas, motivo
de muito orgulho, é o programa Fast Track. O SENAI
Cimatec conseguiu atender a uma demanda específica da Ford”, revela.
Além disso, ele destaca a parceria que se traduz
“
Mantemos o olhar para
o futuro. Para continuar
atendendo o compromisso
com a indústria, estamos
elaborando um Plano de
Ação tendo como horizonte
10 anos à frente
José de Freitas Mascarenhas,
presidente da FIEB
em doações de carros, motores e
peças pela Ford, no intuito de fomentar o conhecimento tecnológico. “Essa parceria possibilitou
a criação de um laboratório de
testes de bancada, cursos de mestrado, cursos profissionalizantes e
projetos de pesquisas. Para uma
empresa global como a Ford, é
importante contar com parceiros
competentes, munidos de equipamentos e cercados por tecnologia
de ponta.”
Uma pequena amostra disso tudo é o número de profissionais da
Ford que já passou pelo SENAI: 5
Bahia Indústria 17
mil. Somem-se a estes, 6,5 mil trabalhadores capacitados para a Veracel, 5 mil para a da Suzano, mais de
500 para a Bridgestone e mais de 16 mil para o Polo
Calçadista. O próximo compromisso do SENAI é com
o treinamento das equipes da JAC Motors.
JAC MOTORS
“A JAC Motors considera o SENAI Cimatec importante para viabilizar a implantação da empresa na
Bahia. Precisaremos capacitar nossos colaboradores
antes mesmo de iniciarmos as operações. Além disso,
estamos desenvolvendo uma nova família de veículos, que será montada em Camaçari e que demandará
serviços de engenharia para pesquisas e inovações.
O apoio do Cimatec contribuirá para alcançarmos as
nossas metas, que estão atreladas ao cronograma do
projeto e ao custo do veículo”, revela Marcelo Sorato,
diretor da cadeia de suprimentos e de Engenharia da
JAC. Marcelo Sorato revela que as condições de infraestrutura e os recursos encontrados com a presença
do Cimatec tiveram um grande impacto na decisão do
grupo de se instalar no estado.
A explicação para este reconhecimento externo,
na avaliação do gerente do Núcleo Estratégico do SENAI, Luís Alberto Breda, está em tentar enxergar as
demandas do mercado no longo prazo e na maleabilidade para se adaptar às necessidades dos clientes
industriais. Breda acredita que uma decisão importante que transformou o perfil do SENAI Bahia foi a
verticalização da formação.
Há 15 anos, o SENAI oferecia apenas cursos de
qualificação gratuitos. Isso mudou na primeira gestão do presidente José Mascarenhas. “Com a mudança do perfil industrial, o SENAI precisou se atualizar
e mudou o seu portfólio. Manteve os cursos tradicionais de qualificação e aperfeiçoamento – caldeireiro,
eletricista, soldador –, mas inseriu a formação de nível técnico, de graduação (tecnólogo e bacharelado),
especialização e de mestrado e doutorado. Esta atuação vertical, amplia a capacidade de apoiar a indústria local”, avalia Breda.
O SENAI também desenvolve projetos como o de
Desenvolvimento de Cadeias de Suprimentos (Decas).
“Era interesse ampliar a presença da cadeia automotiva. O SENAI mapeou as peças produzidas fora da
Bahia, fez o cruzamento com as empresas locais para
densificar a cadeia”, explica Breda.
O SENAI segue a metodologia de comitês setoriais,
em que representantes das empresas, entidades de
18 Bahia Indústria
classe, universidades e parceiros
de instituições congêneres são
chamados para desenhar, com a
indústria, – que tem uma participação de 70% nestes comitês –,
os programas de formação. Mas a
experiência demonstrou que, para avançar na competitividade, é
preciso evoluir constantemente.
“Parte disso se atende com pessoal qualificado, mas é preciso dispor de um centro tecnológico para
resolver problemas mais complexos e desenvolver novas soluções.
O Cimatec resulta de um processo
de inovação sólido, atrelado a um
programa de pós-graduação consistente, contribuindo para a me-
lhoria da competitividade das empresas”, sintetiza o gestor do NES.
CIMATEC 10 ANOS
Ao longo de 10 anos, o SENAI
Cimatec consolidou-se com uma
estrutura física de 56 laboratórios,
35 salas de aulas, quatro ambientes para certificação de pessoas, biblioteca especializada com
quase de 26 mil títulos; oferta de
cursos de formação profissional
desde aprendizagem básica até o
doutorado; realização de serviços
técnicos e tecnológicos; desenvolvimento de pesquisa aplicada;
atendimento a mais de 2.700 empresas industriais.
Projetos de expansão
Região Metropolitana
»Cimatec 3 e 4
»Criação dos Institutos SENAI de
Tecnologia (IST) em Eletroeletrônica,
Processos Químicos e
Biotecnológicos e em Construção
Civil
»Criação dos Institutos SENAI de
Inovação (ISI) em Automação
Industrial e em Conformação
Mecânica e Soldagem
»Expansão e a modernização das
unidades Cetind e Dendezeiros
»Construção de unidade do SENAI
em Camaçari
»Em fase de aprovação: Construção
das unidades Pólo Naval e Parque
tecnológico de Salvador
Interior
Norte
»Duplicação da unidade Feira de
Santana
»Construção da unidade Juazeiro
Oeste
»Construção de unidades em Luís
Eduardo Magalhães e em Barreiras
Região Sul (Ilhéus/Itabuna)
»Construção de escola técnica e de
um centro tecnológico
Sudoeste
»Construção de unidade em Vitória
da Conquista
Alunos em
treinamento
contratado pela
Ford na agência
do SENAI em
Camaçari; ao
lado, obras
do Cimatec
seguem
avançadas
Foi esta trajetória de sucesso
que se celebrou em uma solenidade realizada no dia 10 de junho,
em cerimônia que reuniu autoridades, representantes da Confederação Nacional da Indústria,
SENAI Nacional, dirigentes do Sistema FIEB, funcionários e alunos
da casa. “O Cimatec é motivo de
orgulho para a Bahia, sua capacidade de formação, inovação e tecnologia é um fator de atração para
novos projetos no estado”, afirmou
o governador Jaques Wagner.
O resultado deste avanço é que
o Cimatec virou referência para
programas federais de grande
porte, a exemplo do projeto piloto
Bahia Indústria 19
da Empresa Brasileira de Pesquisa
e Inovação Industrial (Embrapii).
Durante a solenidade, foram assinados contratos para a realização
de cinco projetos – três da General
Motors do Brasil, um da Cambuci e
outro da Ferbras – e há mais 51 em
processo de avaliação.
O centro também lidera a oferta
de cursos do Programa Nacional
de Acesso ao Ensino Técnico e
Emprego (Pronatec) na Bahia, que
oferecerá 18 mil vagas até o fim do
ano. Convidado a entregar alguns
dos diplomas dos 33 mestres da
primeira turma de mestrado em
Gestão e Tecnologia Industrial e
em Modelagem Computacional
formados pela instituição, o professor da Universidade de Aachen
(Alemanha), Reiner Kopp, referência mundial em conformação
mecânica, disse que o Cimatec
trouxe progresso tecnológico para
a Bahia, um importante fator de
atração para empresas estrangeiras. “Esta estrutura de apoio pode
ser o diferencial”, pontuou.
»LEIA NO PORTAL – Entrevistas
de Leone Andrade e de Marcelo
Sorato, da Jac Motors:
www.fieb.org.br
20 Bahia Indústria
SENAI Cimatec toca
projetos pela Embrapii
Leone Peter
apresenta
equipamento
do Laboratório
de Plásticos
do Cimatec. Na
foto: Jaques
Wagner, Paulo
Câmera, José
Mascarenhas,
Rafael
Lucchesi,
Reiner Kopp e
Roberto Santos
(ao fundo)
Um dos três centros tecnológicos
a participar do projeto piloto da
Empresa Brasileira de Pesquisa e
Inovação Industrial (Embrapii) no
país, a unidade Cimatec coordena
o desenvolvimento dos cinco primeiros projetos aprovados entre
os mais de 50 prospectados pelo
SENAI-BA. São três contratos com
a General Motors do Brasil para
área automotiva, um com o Grupo
Cambuci, gestora das marcas de
materiais esportivos Penalty e Stadium, e outro da Perbras, que atua
no setor de petróleo e gás natural.
“Os projetos são prospectados
por uma equipe do Núcleo Estratégico do SENAI (NES) juntamente
com o Cimatec e também recebem
o aval do diretor regional da entidade”, explica o gerente do NES,
Luís Alberto Breda. Ele diz que a
estimativa é que, até maio de 2013,
serão 200 projetos prospectados e
cerca de 60 aprovados para desenvolvimento.
Elaborado nos moldes da Embrapa (Empresa Brasileira de Pes-
quisa Agropecuária), o projeto
piloto da Embrapii colabora para
estabelecer uma ponte entre institutos de pesquisa e as empresas
que desejam investir em novos
produtos e processos com apoio
técnico de qualidade e financeiro,
já que o governo federal entra com
um terço dos recursos do empreendimento.
A flexibilidade de obtenção de
recursos e a garantia de expertise
na condução dos projetos – além
do Cimatec, apenas os Institutos
de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e
Nacional de Tecnologia (INT) participam da Embrapii – levaram a
General Motors do Brasil a buscar
o SENAI-BA. “Como todo investimento em inovação envolve riscos, precisávamos firmar parceria
com uma instituição de excelência
e a unidade Cimatec tinha o perfil
e a experiência necessários”, definiu o engenheiro-chefe de tecnologia e inovação da Engenharia de
Manufatura da GM Brasil, Carlos
Sakuramoto. [bi]
Inovação como
diferencial
por patrícia moreira
Três empreendedores
apostaram em
novos produtos e
tecnologias com o
apoio do IEL Bahia
Fotos João Alvarez
U
biratan Martins, da H2O Alimentos, empresa
de Salvador, fabricante do Acarajé da Bahia
congelado. Eudes Alves, sócio da Contagium
Indústria e Comércio de Confecções, fabricante de fardamentos de Feira de Santana. João Paulo Paschoarelli Veiga, da Fluxotécnica Equipamentos
Industriais, fornecedora da área de petróleo e gás. A
priori, estas três empresas não têm nada em comum e
atuam em ramos diversos, a não ser por uma peculiaridade: a busca por inovação.
Investir em inovação e desenvolver soluções pioneiras para incrementar produtos e negócios tem sido
um caminho cada vez mais procurado pelos empresários com o apoio de instituições como o Instituto Euvaldo Lodi (IEL-Bahia), que integra o Sistema FIEB.
Com o papel de gerar conhecimento e funcionar como
um facilitador para aproximar empresa e centros de
pesquisas (universidades, institutos, etc.), visando
o acesso a soluções técnicas mais avançadas, o IEL
atua como agente de capacitação em tecnologia de
gestão e em qualificação a serviços dos parceiros industriais.
André Pinto, gerente de Capacitação Empresarial
do IEL, desenvolve um trabalho com pequenas empresas e explica que a falta de capacitação leva os
empresários a acreditarem que o capital consiste na
única restrição ao desenvolvimento de seus negócios, o que é um equívoco. “O empresário fica muito
prejudicado por não ter esta visão”, observa. Quando
é procurado, o IEL faz um diagnóstico do negócio e
identifica as demandas que serão tratadas no âmbito do Sistema FIEB ou fora dele. “O mais difícil é o
empresário chegar até aqui”, acrescenta André Pinto.
QUALIFICAÇÃO
No âmbito do Programa de Qualificação de Fornecedores (PQF), que atende fornecedores das grandes
André Pinto,
gerente de
Capacitação
Empresarial
do IEL
indústrias da Bahia, a Contagium desenvolveu, em
parceria com o SENAI, um sistema que permite fazer
o controle de acesso de pessoas pelo uniforme. Eudes Alves explica que a ideia surgiu quando assistia
a uma palestra do IEL. O sistema, conhecido como
RFID (Radio Frequency Identification), permite também controlar o acesso a ambientes restritos, a entrada e saída de veículos e documentos, levantamentos
patrimoniais, dentre outras aplicações. Com o apoio
do IEL, a ideia original transformou-se em realidade.
“O IEL foi fundamental neste processo. Encontramos todo o suporte e orientação e foi quem nos
levou a conhecer esta nova tecnologia. Eu só tinha
uma ideia”, revela Alves, que agora está buscando
Bahia Indústria 21
financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa
do Estado da Bahia (Fapesb) para ampliar o processo
de inovação. Fabricante de fardamentos, a ideia da
Contagium, agora que concretizou a primeira etapa
do processo de inovação, é conquistar grandes fornecedores como clientes e assim ampliar sua área de
atuação.
O Acarajé da Bahia encontrou uma solução inovadora no âmbito do Projeto Extensão Industrial Exportadora (Peiex), projeto voltado para a disseminação
da cultura de exportação, desenvolvido pelo IEL,
em parceria com a Apex Brasil – Agência Brasileira
de Promoção de Exportações e Investimentos. Tudo
começou quando o empresário Ubiratan Martins teve
a ideia de congelar o bolinho mais famoso da Bahia.
“Ele já chegou ao IEL com uma ideia inovadora: vender o tradicional acarajé baiano congelado. No IEL,
nós oferecemos todo o suporte de gestão, por meio do
Peiex – como precificar o produto, fazer promoção comercial, elaborar planejamento estratégico, etc. Mas
faltava apoio para ter maior visibilidade no mercado
e identificamos que ele precisava melhorar a embalagem. Pelo Sibratec (Sistema Brasileiro de Tecnologia),
outro projeto do IEL, a gente conseguiu subsidiar
90% da consultoria do SENAI para fazer a adequação
de embalagem”, conta André Pinto.
A ideia de congelar o acarajé foi desenvolvida em
oito meses. O investimento inicial foi de R$ 80 mil em
22 Bahia Indústria
equipamentos de cozinha, matéria-prima e embalagem. Em 2011, a empresa produzia 35 mil acarajés por
mês para restaurantes, bares, hotéis e consumidor final, em 11 estados. O negócio deu certo e o volume de
vendas cresce ao ritmo de 50% ao ano. A embalagem
desenvolvida pelo SENAI melhorou a aparência, dando qualidade final ao produto, e assegurou ao quitute
da H2O Alimentos voos mais altos.
Captação de recursos
O IEL ajudou
a desenvolver
uma nova
embalagem
para o Acarajé
da Bahia
Mas inovação não é apenas desenvolver um produto a partir de uma ideia original. A experiência da
Fluxotécnica consistiu em descobrir o caminho das
pedras na captação de recursos. “Às vezes, o empresário tem boas ideias, mas não tem dinheiro para
tocar o projeto e inovação não sai do papel se não
houver pesquisa e desenvolvimento e, no Brasil, isso
é muito caro”, explica André Pinto, citando a Fluxotécnica.
Fornecedora da área de petróleo e gás, a Fluxotécnica já fazia parte do PQF quando soube do edital Pappe Inovação (Fapesb), que disponibiliza até
R$ 500 mil para soluções inovadoras a fundo perdido. “Ele bateu na nossa porta para que o IEL o ajudasse a construir uma proposta para ter acesso a
estes recursos e ele conseguiu”, revela o gerente do
IEL. A empresa criou o Petrol-Pack, um sistema de
compressão para a exploração de campos on shore
(em terra), que aumenta a produção em poços de
gás e de óleo em poços de gás e de gás associado,
respectivamente.
“Os empresários acham que é impossível fazer
captação, que tem que ter conhecimento, ou que a
empresa não tem capacidade de fazer algo à altura.
Com a assessoria do IEL, a gente desenvolveu a proposta para apresentar à Fapesb e tivemos sucesso”,
explica o empresário João Paulo Paschoarelli Veiga,
46, engenheiro mecânico, sócio da Fluxotécnica. Mas
ele faz questão de frisar que os recursos não chegam
por acaso. É necessário também ter capacitação.
“Sempre representamos multinacionais e investimos muito. Só conseguimos levar o projeto adiante
porque conseguimos colocar o produto no mercado e
um grande cliente apostou em testar e operar o equipamento. O que conseguimos foi uma junção de fatores”, revela. E conseguiu.
Para a experiência dar certo, além de ganhar o edital, é preciso muita articulação e experiência. A Fluxotécnica já trabalhava na área há mais de 25 anos, o
“
A estratégia é não querer
inventar a roda. Partir do
zero é apostar no erro,
tem que partir de algo
tangível e se cercar da
própria experiência e dos
parceiros tecnológicos
João Veiga (foto), engenheiro
mecânico, sócio da Fluxotécnica
que permitiu a concepção do equipamento. Agora, a empresa já está
partindo para uma experiência
mais ousada, desenvolvendo um
produto destinado à exploração off
shore (pré-sal): vasos separadores
aplicados em condições severas de
pressão, temperatura e corrosão
comuns na exploraçao do pré-sal,
em parceria com SENAI Cimatec e
financiado pela Finep. “A estratégia é não querer inventar a roda.
Partir do zero é apostar no erro,
tem que partir de algo tangível e
se cercar da própria experiência e
dos parceiros tecnológicos”, ensina João Veiga.
Em fase de aprimoramento do
Petrol-Pack, Veiga revela que já
está fornecendo o equipamento
em pequena escala, com a perspectiva de produzir em série para
exportar para a Argentina e a Venezuela. O equipamento teve um
custo de desenvolvimento de R$
3,5 milhões e está sendo comercializado a R$ 550 mil, a unidade. O
novo projeto prevê investimentos
de mais de R$ 7 milhões e envolve
parceiros como o SENAI Cimatec e
Aberddeen. [bi]
Bahia Indústria 23
Tecnologia
de inclusão
Engenheiros do Cimatec e equipe médica do
Cepred constróem juntos aparelho que ajuda
crianças com necessidades especiais
POR Fábio Bito Teles
24 Bahia Indústria
FOTO joão alvarez
Q
uando a fonoaudióloga
Thais Abreu chegou à
Amee (Área de Microeletônica e Eletrônica
Embarcada) do Cimatec, sabia que
dava mais um passo para promover inclusão através da tecnologia. Acostumada com os desafios,
a equipe da Amee, gerenciada
por Yan Medeiros, percebeu logo
que havia na proposta da doutora
Thais algo singular. “A diferença
deste projeto foi o cliente final.
Passamos a conhecer uma realidade totalmente diferente do nosso
cotidiano”, revela Medeiros.
O cliente final neste caso são
crianças especiais do Cepred
(Centro de Prevenção e Reabilitação da Pessoa com Deficiência),
que apresentam alguma dificuldade de comunicação. “Eu tinha
um paciente com paralisia cerebral e surdez. Assim ele não podia se comunicar oralmente, nem
por libras. Foi aí que pensei num
aparelho digital como solução”,
conta a fonoaudióloga.
Antes, o processo de aprendizagem usava desenhos de papel pregados na parede sistematicamente
e a lentidão gerava nervosismo
nas crianças. Depois de compreender as necessidades delas, a
equipe definiu um padrão para
a construção de um sistema operacional e foram criados os jogos
educativos na área de Modelagem
Computacional do Cimatec e, em
seguida, saiu o primeiro protótipo.
O produto desenvolvido pela
equipe tem um nome um pouco
estranho: Sistema Eletrônico Portátil Baseado na Comunicação Alternativa Aumentativa, ou CAA.
Mas ao olhar o primeiro protótipo, percebe-se logo a semelhança
com um Tablet, só que um pouco
mais robusto do que os encontrados no mercado hoje em dia. “O
primeiro protótipo tinha a função
de verificar a funcionalidade dos
softwares e a receptividade das
crianças, logo, questões estéticas
foram deixadas de lado”, conta
Yan Medeiros.
Mas a ideia não é que o CAA
seja fininho como um iPad, por
exemplo. O aparelho tem que ser
envolto em acrílico e bastante resistente, já que as crianças eventualmente batem com força no
equipamento, o atiram no chão e
babam nele.
Em 2011, foi feita a primei-
“
Sempre trabalhei no desenvolvimento
de sistemas e produtos eletrônicos
para a indústria, mas nunca para o
desenvolvimento motor e cognitivo de
crianças com deficiência. Acho que essa
foi a maior conquista no projeto
Cleber Almeida, engenheiro
da Amee do SENAI Cimatec
ra apresentação do protótipo às
crianças, com o objetivo de testar
a receptividade tanto do programa
que substitui o material didático,
como a estrutura física do aparelho. E a reação delas não poderia
ter sido melhor. “Foi fantástico (o
momento). Era nítida a expressão
de satisfação delas”, relembra o
gerente da Amee.
Para Cleber Almeida, engenheiro da Amee, que registrou o
momento do primeiro teste, a boa
receptividade foi quase como um
prêmio. “Sempre trabalhei no desenvolvimento de sistemas e produtos eletrônicos para a indústria,
mas nunca para o desenvolvimento motor e cognitivo de crianças
com deficiência. Acho que essa
foi a maior conquista do projeto”,
celebra.
Para José Marcos Araújo, diretor de TI da Distak Computadores
Ltda, empresa parceira do projeto,
“a reação das crianças aumentou
a motivação para investir. Depois
de quase dois anos de expectativas, presenciar o uso e também a
aceitação por parte dos usuários é
gratificante”, conta.
Na página
ao lado, Yan
Medeiros
mostra o tablet
desenvolvido
no Cimatec
A continuidade do investimento resultou num segundo protótipo que está pronto e já se assemelha ao que será o produto final. A
segunda versão contou com a atuação da Área de Desenvolvimento
de Produtos Industriais (ADPI),
composta por designers que deram ao equipamento um aspecto mais amigável e manuseável.
“Também foi reduzido o tamanho
das placas eletrônicas e inserimos
uma tela mais moderna, resistente
a impacto e riscos. O volume desta segunda versão deve ser 1/3 da
primeira”, revela Medeiros.
Só que entre estar pronto e ser
produzido em grande escala existe um abismo. “O nosso principal
cliente é o governo. Mas o caminho ainda é longo...”, analisa José
Marcos Araújo. Segundo o empresário, o grande problema é investimento, já que para a produção em
larga escala são necessários um
projeto comercial e um plano de
negócios. “Estamos à procura de
novos investidores”, convida.
Mas muito mais que lançar um
produto no mercado, ver este projeto ganhando vida tem um sentido
de responsabilidade social importante, avalia o gerente da Amee
do SENAI Cimatec. “Para a maioria das pessoas, comunicar-se é
algo trivial, mas não para aquelas
crianças. Cada sujeito e predicado que formavam era uma vitória. Levar esta oportunidade para
pessoas tão especiais foi algo que
humanizou nossos engenheiros,
tão acostumados ao dia a dia com
máquinas. Dificilmente teremos
outro projeto com o impacto do
CAA em nossa equipe.” Otimista,
Yan Medeiros acredita que em 2013
já estejam finalizadas as questões
de documentação e acordos de propriedade intelectual. [bi]
Bahia Indústria 25
indicadores Números da Indústria
Produção baiana volta
a crescer em abril
Produtos Químicos/Petroquímicos, Alimentos e
Bebidas, Minerais não-metálicos e Borracha e Plástico
puxaram o desempenho da indústria para cima
A
taxa anualizada da produção física da indústria de transformação da Bahia apresentou, em abril de 2012, desempenho positivo
de 0,3%, após registrar crescimento nulo
em março, retomando a trajetória de recuperação da
atividade produtiva industrial. No ranking dos 13 estados que participam da pesquisa do IBGE (denominada PIMPF-R), a Bahia ficou na 7ª colocação entre os
sete estados que apresentaram desempenho positivo
(atrás de Goiás, Paraná, Pernambuco, Amazonas, Rio
Grande do Sul e Pará). Seis estados registraram resultados negativos: Ceará, Espírito Santo, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Na Bahia, dos oito segmentos pesquisados, quatro apresentaram desempenho positivos: os de Produtos Químicos/Petroquímicos (9,5%), Alimentos e
Bebidas (7,1%) e Minerais não-metálicos e Borracha e
Plástico (ambos com 3,1%). Por outro lado, tiveram resultado negativo: Veículos Automotores (-13,6%), Re-
fino de Petróleo e Prod. de Álcool
(-9,5%), Metalurgia Básica (-8,7%)
e Celulose e Papel (-2,8%).
Na comparação de abril de 2012
com igual mês do ano anterior, a
produção física da indústria de
transformação baiana apresentou
queda de 1,4% (houve queda de
3,1% da média nacional). Quatro
dos oito segmentos da Indústria de
Transformação registraram crescimento da atividade, como segue:
Celulose e Papel (14,8%, refletindo especialmente a baixa base de
comparação, uma vez que o segmento mostrou queda de 15,2% em
abril de 2011, quando houve paralisação parcial para manutenção
em unidade produtiva); Borracha
e Plástico (6%); Produtos Químicos/Petroquímicos (3%, por
conta da maior produção de polietileno de alta e baixa densidade, sulfato de amônio e etileno)
e Minerais não-Metálicos (2,7%).
Por outro lado, quatro segmentos registraram queda na
atividade: Veículos Automotores (-17,7%, devido à redução na
fabricação de automóveis, devido à retração do mercado nacional), Refino de Petróleo e Produção de Álcool (-10,4%, decorrente do recuo na produção de
óleo diesel e nafta petroquímica); Metalurgia Básica (-5,1%,
devido à menor produção de
barra, perfil e vergalhões de co-
BAHIA - PRODUÇÃO FÍSICA DA
INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO (2010 - 2012)
140
135
2010
130
125
2012
120
115
2011
110
105
100
95
Nota: Exclusive a indústria extrativa mineral (CNAE 10, 11, 13 e 14); base = 100 (média 2002)
26 Bahia Indústria
DEZ
NOV
OUT
SET
AGO
JUL
JUN
MAI
ABR
MAR
FEV
JAN
90
bre e vergalhões de aços ao carbono) e Alimentos e Bebidas (-2,7%,
em função da menor produção de
leite em pó, óleo de soja refinado e
refrigerantes).
COMMODITIES EM QUEDA
De modo geral, mantém-se a
tendência negativa dos segmentos produtores de commodities,
influenciados pela conjuntura internacional adversa, com a crise
na Europa e a desaceleração das
economias dos Brics.
Destaca-se que a indústria de
transformação baiana tende a
apresentar resultados positivos
no acumulado do primeiro semestre do ano. Tal tendência se deve
principalmente ao efeito base de
comparação deprimida relaciona-
da aos efeitos da interrupção do
fornecimento de energia elétrica
em fevereiro de 2011, que comprometeu parte da produção das
empresas localizadas no Polo Industrial de Camaçari. Na prática,
essa tendência é confirmada no
acumulado janeiro/abril, quando
se registrou alta de 6,2% na produção industrial, em comparação
com igual período do ano passado.
O resultado, que não surpreende, fez com que a Bahia ficasse
entre os seis que cresceram no
acumulado do ano, ao lado de
Paraná, Rio Grande do Sul, Pará,
Goiás e Pernambuco. Decresceram
as indústrias de São Paulo, Minas
Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Amazonas, Espírito Santo e
Ceará. [bi]
produção física por estado:
indústria de transformação
Estados
Variação (%)
Abr/12Jan-abr12/Mai11-Abr12/
abr11Jan-abr11Mai10-Abr11
São Paulo
-3,8
-5,1
-1,8
Minas Gerais
-0,8
-1,0
-1,0
Rio de Janeiro
-10,9
-9,4
-2,8
Paraná
2,46,2 7,8
Rio Grande do Sul
-1,7
1,1
1,7
Bahia
-1,46,2 0,3
Santa Catarina
-2,3
-5,1
-6,1
Amazonas -11,8-4,6 3,0
Espírito Santo
-4,4
-6,0
-6,7
Pará
1,32,0 0,4
Goiás
16,819,3 14,4
Pernambuco3,9 5,2 3,5
Ceará
-3,2-3,7 -9,0
Brasil
-3,1-3,0 -1,2
Fonte IBGE; elaboração Fieb/SDI
Bahia Indústria 27
Participação
direta
Líderes sindicais participam da
elaboração do Planejamento
Estratégico do Sistema FIEB
para os próximos quatro anos
POR Carolina mendonça
Fotos João alvarez
C
ontribuindo diretamente com a construção
do Planejamento Estratégico do horizonte
2013-2016 do Sistema FIEB, presidentes e representantes dos sindicatos das indústrias da
Bahia se reuniram na sede da Federação, em 18 de
maio, para indicar desafios para a competitividade
do setor e da instituição. Participantes de um processo de construção coletiva de ações para os próximos
quatro anos, eles elencaram os principais problemas
enfrentados pelos segmentos da indústria baiana e
sugeriram caminhos de atuação para as instituições
do Sistema FIEB.
Divididos em grupos temáticos, os líderes sindicais discutiram Educação e Qualificação; Infraestrutura e Interiorização; Associativismo e Defesa de
Interesse; Competitividade e Inovação; e Desenvolvimento Sustentável e Comércio Exterior (internacionalização). “É um momento em que a liderança sindical
tem oportunidade de se expressar e discutir, apresentando necessidades e expectativas em relação ao Sistema FIEB e ao seu setor de representação”, afirma o
superintendente de Relações Institucionais da FIEB,
Cid Vianna.
Para complementar as discussões e traçar um panorama da indústria frente às políticas públicas para
o setor, o gerente executivo de Política Econômica da
CNI, Flavio Castelo Branco, ministrou a palestra Plano Brasil Melhor: Principais Medidas e seus Impactos
na Indústria. O especialista destacou os pontos fortes
28 Bahia Indústria
Flávio Castelo
Branco fez
uma análise
do cenário
econômico
do pacote, a exemplo dos incentivos à inovação e às
exportações; pontos de atenção, como as dificuldades de implementação e a transitoriedade da maior
parte das medidas; além do que ficou ausente: uma
agenda sobre as questões estruturais (custo de energia, excesso de carga tributária, entre outros).
Os resultados do encontro estarão refletidos nas
diretrizes do Planejamento Estratégico do Sistema
FIEB para os próximos quatro anos, que está em processo de elaboração, conduzido pela Superintendência de Planejamento e Monitoramento (SPM) e cuja
metodologia vem sendo utilizada há dois anos.
Realizado por equipes internas com alto nível de
suficiência, o processo de Planejamento é apoiado
por ferramentas de acompanhamento como o Balanced ScoreCard, um instrumento de planejamento e
gestão de empresas, além das Reuniões de Análise
Estratégica (Raes), uma prática em organizações de
ponta. A SPM também já implantou um Escritório de
Gestão a Estratégia e está montando um Escritório de
Gerenciamento de Projetos para apoiar e criar a cultura de gestão de projetos na organização.
“O processo de
planejamento é
participativo”
A Superintendente de Planejamento e Monitoramento, Ângela Ribeiro, explica como é feito o Planejamento Estratégico do Sistema FIEB.
Com tem sido o envolvimento dos
líderes sindicais na construção do
planejamento estratégico dos próximos quatro anos?
A visão das lideranças sindicais
sobre o cenário da indústria da
Bahia e principais desafios para
a sua competitividade é um dos
Ângela Ribeiro
destaca a
importância de
ouvir cada líder
sindical
principais inputs para nosso ciclo de planejamento estratégico.
A exemplo de anos anteriores, o
envolvimento se dá mediante consultas internas, isto é, entrevistas
individuais com cada líder sindical, constituindo-se na primeira
etapa de todo o processo e, nos
dois últimos anos, complementado por encontros anuais para discussão coletiva sobre os Fatores
Impulsionadores da Competitividade da Indústria.
Quais são as etapas de elaboração
do Planejamento e como este será
estruturado?
O ciclo de planejamento estratégico do Sistema FIEB tem horizonte
de quatro anos e é revisitado anualmente. O processo acontece de
forma participativa, envolvendo
dois públicos: lideranças externas (sindicados e empresas) e lideranças internas, mobilizando
em torno de 100 pessoas entre
líderes e técnicos. O processo é
corporativo, ou seja, é comum ao
Sistema FIEB e este ano tivemos
algumas inovações, como uma
maior integração entre o planejamento e o orçamento, a realização
da etapa preliminar (denominada
de reflexões estratégicas) no âmbito das entidades SESI, SENAI e
IEL para subsidiar o encontro corporativo, a definição clara de premissas para orientar os planos de
ação e orçamento e, principalmente, um maior envolvimento das
lideranças sindicais. Após o II Encontro de Presidentes de Sindicatos, estamos preparando um novo
encontro para “devolutiva”, ou
seja, momento em que o Sistema
FIEB apresentará um conjunto de
ações para responder às demandas apresentadas pelo líderes.
Quando o mesmo estará pronto?
Será apresentado?
Os direcionadores estratégicos
que orientarão o orçamento das
áreas e planos de ação estão prontos e foram divulgados para toda
a força de trabalho em junho. As
etapas seguintes serão orçamento, planos e programas de ação,
encaminhados em setembro para
as entidades nacionais e aprovação final em dezembro pelos Conselhos das entidades e Diretoria
FIEB/CIEB. [bi]
Bahia Indústria 29
painel
Indústria brasileira
no Japão
Estudante do SESI cumprimenta monitor americano que participa do projeto
Projeto piloto de intercâmbio
Duzentos estudantes do programa de Educação Básica do SESI articulada com Educação
Profissional do SENAI (Ebep) integram a experiência-piloto do Projeto de Intercâmbio de
Inglês, que no mês de junho cumpriu sua etapa presencial. Durante um mês, 20 universitários
norte-americanos conviveram com os alunos selecionados desenvolvendo atividades para o
avanço da aprendizagem da língua inglesa. A convivência com os universitários das
Community Colleges dos EUA é apenas uma das etapas do intercâmbio, iniciado em abril, de
forma virtual, com interações por meio de ferramentas como Google Take Action, Skype e
Facebook. Fruto da cooperação entre SESI, SENAI e o National Center for Business Champions,
o projeto tem como objetivo elevar o nível de inglês instrumental dos estudantes do ensino
articulado e também promover uma experiência de estágio de alta qualidade para os
monitores americanos. A experiência será realizada ainda este ano com alunos de seis
departamentos regionais do SESI.
Música para socializar. A Orquestra
Juvenil do SESI Itapagipe realizou seu
primeiro concerto, 15 de junho, no ginásio
da Escola Bernardo Martins Catharino.
Resultado da parceria com a Neojibá, a
iniciativa pioneira do Sistema FIEB já inspira
outros projetos. No dia 26 de junho, o
idealizador do ViraVida, Jair Meneguelli,
presidente do Conselho Nacional do SESI,
anunciou a possibilidade de incluir aulas de
música no ViraVida. O projeto atua no
resgate de jovens em situação de risco.
30 Bahia Indústria
O presidente da FIEB e
vice-presidente da CNI, José
de Freitas Mascarenhas,
representou a indústria
nacional em seminário
sobre oportunidades de
investimento no Brasil,
realizado no dia 25 de maio,
no Japão. Promovido pelo
Itamaraty e pelo jornal
Nikkei, o mais importante
diário econômico japonês, o
encontro reuniu autoridades
de peso das duas nações, a
exemplo do ministro de
Desenvolvimento, Indústria
e Comércio, Fernando
Pimentel e do ministro
japonês da Economia, Yukio
Edano, além de
representantes da Fiesp,
da Vale e do governo da
Bahia. José Mascarenhas
fez palestra sobre
Infraestrutura no Brasil e,
juntamente com a missão
brasileira, visitou
investidores do país asiático
com interesses em nosso
país e o Ministério dos
Transportes do Japão.
Cartilha Sped é lançada na FIEB
O Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) unifica as
atividades de recepção, validação, armazenamento e
autenticação de livros e documentos que integram a
escrituração comercial e fiscal dos empresários e das
associações empresariais. Com o objetivo de transmitir o
conhecimento a respeito das obrigações tributárias
acessórias relacionadas ao Sped e facilitar o entendimento e
aplicação da legislação que trata dessa matéria, foi lançada,
em 19 de junho, na FIEB, a Cartilha do Sped, resultado do
esforço de várias instituições e entidades, entre elas a
Federação das Indústrias do Estado da Bahia. Para o
presidente da FIEB, José Mascarenhas, a Cartilha irá
contribuir de forma significativa para o cumprimento das
obrigações impostas pelo sistema tributário brasileiro,
considerado um dos mais complexos do mundo. O diretor da
FIEB e coordenador do Conselho de Assuntos Fiscais e
Tributários (Caft), Cláudio Murilo Xavier, assegurou que esta
é apenas uma das ações do Sistema FIEB com o intuito de
melhorar a relação fisco-contribuinte. A cartilha está
disponível para download no Portal FIEB: www.fieb.org.br.
Saint-Clair Júnior e Thiago Guedes disputam etapa regional
Campeões em Física e Química
O guia está disponível em versão impressa e digital
Responsabilidade
Social
Estão abertas as inscrições
para o 15º Prêmio SESI
Qualidade no Trabalho
(PSQT), que pretende
identificar e reconhecer as
empresas industriais que
adotam práticas
diferenciadas de gestão em
responsabilidade social
empresarial. Informações:
sesi.org.br/psqt2012
Thiago Guedes e Saint-Clair Ramos dos Santos Júnior, alunos
do 3º ano do ensino médio da Escola Djalma Pessoa, do SESI
Bahia, estão concorrendo na etapa regional Norte e Nordeste
das Olimpíadas de Química 2012. Eles estão entre os 40
baianos selecionados para esta etapa da competição. A escola
também foi destaque na Olimpíada de Física, com duas
alunas medalhistas: Luciana Moreno, prata; e Mariana Vilas
Boas, bronze. Os resultados atestam a política de valorização
da escola que tem como meta tornar-se centro de referência
em educação até 2015.
CIN participa de Missão Empresarial a Angola
Com o objetivo de buscar novas oportunidades de negócios para as empresas industriais
baianas, o Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias da Bahia (CIN/
FIEB), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos
(Apex Brasil) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), levou a Angola
empresários baianos. Eles integraram a Missão Empresarial Brasileira que participou da 29ª
Feira Internacional de Luanda (Filda), que aconteceu de 15 a 21 de julho, no país africano.
Uma das mais importantes do continente, a Filda representou uma oportunidade para os
empresários introduzirem seus produtos no mercado africano. Dotado de um expressivo
mercado consumidor, Angola importa 40% dos bens e serviços consumidos no país, e foi um
dos países que mais cresceram nos últimos anos, a um ritmo de 10% ao ano. O papel do CIN
foi dar suporte aos empresários industriais, promovendo apoio na organização das
atividades e encontros de negócios.
Bahia Indústria 31
ideias
Desafios baianos
por Reinaldo Sampaio
A região semiárida vive um período de estiagem, considerado a
maior seca dos últimos 50 anos.
Há cerca de 50 anos, Celso Furtado, em uma de suas reflexões sobre o Nordeste, lembrou que nunca
seria demais afirmar que “a seca
é parte da realidade nordestina e
em particular do semiárido, assim
como as neves perenes são parte
do mundo dos esquimós”. A tradução da observação furtadiana é
que não podemos nos surpreender
com a inexorabilidade da seca e,
por isso, é preciso organizar as atividades produtivas na região, não
somente para garantir a sobrevivência da população, mas, acima
de tudo, assegurar a possibilidade
do seu progresso. Missão que, até
o momento, não realizamos.
Nesses 50 anos, muitas coisas
foram e continuam sendo feitas
por aqueles que governam, contribuindo para a sobrevivência e
a subsistência da população do
semiárido, mas são insuficientes
para a promoção do progresso e da
transformação da realidade territorial, na sua dimensão de formação socioespacial, ou na definição
de Pierre Bourdieu, de interação
homem-território-natureza.
Max Weber, in Economia e Sociedad, pondera que, quando um
ente, por exemplo, o governo, propõe-se a implementar uma ação
transformadora, para que alcance
os resultados desejados, precisa
dispor dos meios apropriados para realizá-la e, na medida em que
essa ação depende da iniciativa
de outro agente da transformação,
32 Bahia Indústria
deve-se por à sua disposição os
meios que induzam aos objetivos
desejados. Dentre esses meios,
impõe-se um esforço concentrado para disponibilizar um instrumental técnico-científico que,
conhecendo o clima e as características físico-químicas do solo e
de suas potencialidades, desenvolva espécies vegetais e animais
adaptados à ecologia da região;
que monitore os recursos de água
de superfície e subterrânea e das
possibilidades do seu aproveitamento; que amplie o conhecimento geológico do cristalino rochoso
e do seu potencial mineral e que
seja estudado o perfil etnológico
da população, associando esses
conhecimentos a formas criativas de organização da produção,
substituindo a conservadora visão
orientada para os “problemas do
semiárido”, pela visão estratégica
de operar as suas “potencialidades e oportunidades”.
O desenvolvimento territorial
é uma ação sistêmica, devendo
observar os aspectos relativos
aos desequilíbrios da distribuição espacial das populações, aos
desperdícios dos recursos naturais, aos impactos que as novas
técnicas e novas estruturas produtivas, principalmente as do
meio rural, causam nas populações originárias e nas atividades
produtivas pré-existentes, além
da necessidade de oferecer à população equipamentos e serviços
públicos eficientes. No caso da
Bahia, o desenvolvimento da região semiárida ganha contorno
ainda mais estratégico, tanto pela sua dimensão territorial, 388
“
Quando observamos as rendas ‘per
capita’ dos Estados brasileiros em 1985,
os dez com as piores rendas eram os
nove Estados nordestinos mais o Pará
e, quando analisamos os dados do
IBGE de 2009, constatamos que essa
condição não foi alterada
mil km² (nela caberia, juntos, os
Estados do Ceará, Pernambuco,
Paraíba, Alagoas e Sergipe e ainda sobrariam 35 mil km²), quanto
pela população residente, cerca
de 6,0 milhões de pessoas, cujas
condições socioeconômicas nos
conferem o incômodo primeiro
lugar – nacional – em número de
famílias inscritas no Programa
Bolsa Família.
Dentre as ações necessárias,
proponho o fortalecimento do
aparato técnico-científico da estrutura de estudos do semiárido
da Embrapa, com a instalação de
Centros de Pesquisa no próprio
território; que o Serviço Geológico
Brasileiro (CPRM), em cooperação
com a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) intensifique
o conhecimento geológico da região, disponibilizando informações em escalas de 1:100.000 e em
semidetalhe dos distritos mineiros; que se acelere a utilização dos
recursos do Ministério da Integração que estariam disponíveis para
implementar as obras do tramo sul
da transposição do Rio São Francisco, que contemplaria o semiári-
Raul Spinassé/Ag. A Tarde
do da Bahia. Cabe ainda promover
uma reorientação da forma de atuação do Banco do Nordeste na aplicação dos recursos do Fundo de
Financiamento do Nordeste (FNE),
predominantemente destinados
à agricultura familiar. Apoiá-la é
um imperativo, mas deve ser objeto do programa de financiamento do Ministério da Agricultura e
não do FNE. Esses recursos, como
determinado na Lei 7.827/89, foram criados para promover o desenvolvimento da base produtiva
regional, objetivando a redução
das desigualdades intra e interregionais, donde se depreende uma
ação transformadora que propicie
o progresso desses produtores e
não a sua sobrevivência.
Quando observamos as rendas
“per capita” dos estados brasileiros em 1985, os dez com as piores
rendas eram os nove estados nordestinos, mais o Pará, e, quando
analisamos os últimos dados
publicados pelo IBGE, relativos
a 2009, constatamos que essa
condição não foi alterada. Vale
dizer que na Bahia, a maior economia do Nordeste, a renda “per
capita” equivale a cerca de 55%
da renda per capita média brasileira, evidenciando o malogro
das pretensas políticas de desenvolvimento da região, em grande
parte decorrente da ausência dos
investimentos indutores e da preservação das velhas formas do
fazer, amplificada pela ineficácia da alocação desses recursos,
que devem ser orientados para
construir formas inovadoras de
organização da produção, através da incorporação de novas
tecnologias e do fortalecimento
de mecanismos associativos de
natureza empresarial que eleve
a produtividade, o valor adicionado da produção e a geração de
excedentes, possibilitando o progresso social.
Faltou a impulsão dinâmica
geradora do desenvolvimento e
os dados demonstram a permanência das forças concentradoras do conhecimento técnico e da
renda, em contradição com o real
sentido do desenvolvimento, de
ser não apenas um processo de
acumulação
macroeconômica,
mas principalmente uma via de
As ações
governamentais
não alteraram
a realidade do
semiárido baiano
Reinaldo
Sampaio é
vice-presidente
da FIEB e
coordena o
Comitê de Portos
acesso a novas formas sociais que
estimulem a criatividade humana
para atender às aspirações de uma
coletividade.
A experiência histórica demonstra que essa impulsão dinâmica deve ser centrada na expansão industrial e, para tanto, deve-se também priorizar a questão
logística, dado que o processo de
desenvolvimento somente ocorre
nos espaços territoriais nos quais
a sociedade e os agentes econômicos dispõem da produção e da
fluidez, da tecnologia, da educação, da informação, das finanças
e da mobilidade dos fatores da
produção (maquinaria, insumos e
produtos) e das pessoas, em condições eficientes e competitivas.
No que concerne à logística, o Nordeste, e em particular o semiárido, padecem do famoso dilema de
Hirschman, de que não se investe
porque não há demanda, porém,
a demanda somente ocorrerá se
houver investimento.
É preciso investir, porque o desenvolvimento não é um processo
espontâneo; ele decorre da decisão política de promovê-lo. [bi]
Bahia Indústria 33
leitura&entretenimento
danilo canguçu/divulgação
teatro
Paparutas: para crianças
O cotidiano de Lucas, em meio ao mundo tecnológico, é
transportado de um instante para o outro, a uma
tradição milenar, ligada à força da natureza. Como se
sairá Lucas em um mundo tão diferente do seu? O enredo
dessa trama, criada por Lázaro Ramos e adaptada pela
diretora, atriz e arte-educadora Débora Landim, é
conferido no novo espetáculo, Paparutas, da Companhia
Novos Novos. Em cena, 25 atores, com idades entre 7 e 20
anos, mostra essa belíssima história, aliando tradição e
modernidade.
não perca Teatro Vila Velha (Passeio Público), sab., 16 horas e dom., às 11 e 16 horas, até 29/7, R$ 20 e R$ 10 (meia). Informações: (71) 3083-4600
Divulgação
exposição
Dores da Colômbia
Conhecido por obras que desdenha dos estereótipos da
sensualidade, pintando gordinhas e gordinhos erotizados, o
pintor, desenhista e escultor colombiano Fernando Botero,
tem seu trabalho Dores da Colômbia apresentado em
Salvador. A fim de denunciar a violência da história
colombiana e propor uma reflexão por meio da arte, Botero
lança seu olhar sobre episódios como os atentados que
afligiram a Colômbia, nos anos de 1980 e 1990. Cores
vibrantes compõem as imagens que representam cenas
inspiradas na violência do narcotráfico, nas guerrilhas e no
comportamento dos paramilitares colombianos.
não perca Caixa Cultural Salvador, até 27 de julho, das 9h às 18h. Entrada gratuita. Informações: (71) 3421 – 4200
livros
Os bastidores de Wall Street
O Jogo da Mentira
Michael Lewis
Best Business
308 p.
R$ 49,90
34 Bahia Indústria
Em O Jogo da Mentira, o autor, que entrou
como trainee no Salomon Brothers e
chegou ao cargo de corretor, descreve,
com um toque de ironia, todas as formas
que Wall Street tinha de transformar
dinheiro em mais dinheiro e como os
corretores conseguiam manter a sanidade
diante dos balanços financeiros diários,
trazendo um relato preciso de uma época
de grandes lucros e prejuízos abissais, em
que fortunas poderiam ser ganhas ou
perdidas da noite para o dia.
Gandhi pelo avesso
O consagrado jornalista americano Joseph
Lelyveld faz uma biografia pouco
convencional do líder indiano Mahatma
Gandhi na qual apresenta o homem em
sua totalidade problemática, enxergando
Mahatma Gandhi - E por trás dos mitos criados por seus
sua Luta com a Índia seguidores e inimigos. O autor não hesita
Joseph Lelyveld
em destacar os numerosos fracassos do
Companhia das
Letras
Mahatma. Do mesmo modo, temas como
480 p.
sua ambígua sexualidade e a tendência à
R$ 48
autopromoção são abordados com
sensibilidade crítica.
CIEB.
Um bom negócio
para você, para os
seus funcionários
e para a indústria
da Bahia.
O Centro das Indústrias do Estado da Bahia – CIEB,
entidade que pertence ao Sistema FIEB, tem como
objetivo a representação e a defesa dos interesses
da indústria baiana, bem como contribuir para
a melhoria da competitividade empresarial,
oferecendo às suas associadas soluções em
capacitação, consultoria e outras, de modo a
contribuir para o crescimento sustentável das
empresas. Conheça melhor os benefícios que a sua
empresa pode ter sendo uma associada do CIEB.
Tel.: (71) 3343-1215 • [email protected]
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Bahia Indústria 35
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MATÉRIA-PRIMA QUE PRECISA: INOVAÇÃO.
Inovar é um objetivo constante do SENAI. Inovar nos cursos técnicos ou no ensino superior.
Inovar nos mais modernos laboratórios, nas pesquisas e no
desenvolvimento de novas tecnologias. Um exemplo disso é o CIMATEC, há 10 anos uma referência
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36 Bahia Indústria
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