UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADE CATARATAS
FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS
CURSO ENGENHARIA AMBIENTAL
DETERMINAÇÃO DA COMPOSIÇÃO FÍSICA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
URBANOS PRODUZIDOS NA CIDADE DE FOZ DO IGUAÇU - PR
RAFAEL MATEUS CORDEIRO RANUCI
FOZ DO IGUAÇU – PR
2008
II
RAFAEL MATEUS CORDEIRO RANUCI
DETERMINAÇÃO DA COMPOSIÇÃO FÍSICA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
URBANOS PRODUZIDOS NA CIDADE DE FOZ DO IGUAÇU - PR
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à
banca examinadora da Faculdade Dinâmica de
Cataratas – UDC, como requisito parcial para
obtenção de grau de Engenheiro Ambiental.
Prof. Orientador: MSc. Márcia Helena Beck
FOZ DO IGUAÇU – PR
2008
III
TERMO DE APROVAÇÃO
UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS
DETERMINAÇÃO DA COMPOSIÇÃO FÍSICA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS
PRODUZIDOS NA CIDADE DE FOZ DO IGUAÇU - PR
PROJETO DE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO PARA AVALIAÇÃO
PARCIAL DO TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO
Aluno: Rafael Mateus Cordeiro Ranuci
Profº. Responsável: Márcia Helena Beck
Nota Final
Banca Examinadora:
Profº. Daniel Alberto Salinas
Profº. Vinícius Pante
Foz do Iguaçu, 01 de Dezembro de 2008
IV
Aos meus familiares e em especial à
minha esposa Jocieli e meu filho
Eduardo.
V
AGRADECIMENTOS
- À todos os professores que se dedicaram integralmente nesta jornada;
- À minha professora orientadora, Márcia Helena Beck, que teve paciência e
compreensão para a realização deste estudo;
- À Vital, empresa na qual me possibilitou a realização deste;
- Aos companheiros de trabalho, que incansavelmente estão diariamente ao meu lado,
buscando um objetivo em comum.
VI
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Composição da coleta seletiva em 2008 no Brasil.......................................27
Figura 2: Evolução da coleta seletiva no Brasil...........................................................28
Figura 3: Delineamento da pesquisa...........................................................................33
Figura 4: Localização do município.............................................................................34
Figura 5: Descarregamento do caminhão ..................................................................36
Figura 6: Separação do RS.........................................................................................37
Figura 7: Pesagem do RS...........................................................................................38
Figura 8: Amostras......................................................................................................39
Figura 9: Região de Três Lagoas................................................................................42
Figura 10: Composição Percentual dos Resíduos Sólidos na Região 01 – Três
Lagoas.........................................................................................................................44
Figura 11: Região da Vila C.........................................................................................45
Figura 12: Composição Percentual dos Resíduos Sólidos – Região 02 – Vila “C”......47
Figura 13: Região do São Francisco............................................................................48
Figura 14: Composição Percentual dos Resíduos Sólidos – Região 03 – São
Francisco......................................................................................................................50
Figura 15: Região do Jardim São Paulo.......................................................................50
Figura 16: Região do centro/Vila Iolanda......................................................................53
Figura 17: Composição Percentual dos Resíduos Sólidos – Região 05 .....................55
Figura 18: Região do Campos do Iguaçu......................................................................56
Figura 19: Composição Percentual dos Resíduos Sólidos – Região 10 ......................58
Figura 20: Composição dos RSU de Maringá...............................................................61
Figura 21: Composição dos RSU de Passo Fundo.......................................................62
Figura 22: Caminhão para coleta seletiva.....................................................................66
VII
VII
LISTA DE QUADROS E TABELAS
Quadro 1: Quanto aos riscos potenciais de contaminação do meio ambiente.............21
Quadro 2: Classificação dos resíduos quanto a natureza e origem.............................22
Tabela 1: Estimativa de geração de resíduos sólidos no Brasil....................................30
Tabela 2: Formas de disposição de resíduos por regiões do país................................31
Tabela 3: Planilha para determinação da composição física dos resíduos sólidos......43
Tabela 4: Planilha para determinação da composição física dos resíduos sólidos......46
Tabela 5: Planilha para determinação da composição física dos resíduos sólidos......49
Tabela 6: Planilha para determinação da composição física dos resíduos sólidos......51
Tabela 7: Planilha para determinação da composição física dos resíduos sólidos......54
Tabela 8: Planilha para determinação da composição física dos resíduos sólidos......57
VIII
VIII
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................. 12
1.1 OBJETIVOS .............................................................................................. 13
1.1.1 Objetivo Geral ................................................................................... 13
1.1.2 Objetivos específicos......................................................................... 13
1.2 JUSTIFICATIVA ........................................................................................ 14
2. REFERENCIAL TEÓRICO............................................................................... 16
2.1 HISTÓRICO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS ................................................. 16
2.2 CONCEITO DE RESÍDUOS SÓLIDOS ..................................................... 18
2.3 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS ......................................................... 20
2.4 IMPACTOS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS................................ 23
2.5 A RECICLAGEM ....................................................................................... 25
2.5.1 Aspectos sociais e econômicos da coleta seletiva de lixo................. 29
2.6 SITUAÇÃO DA GERAÇÃO DE RESÍDUOS EM OUTRAS REGIÕES DO
BRASIL............................................................................................................ 29
3. MATERIAIS E MÉTODOS ............................................................................... 32
3.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA............................................................. 32
3.2 LOCAL DO ESTUDO ................................................................................ 33
3.3 MATERIAIS UTILIZADOS ......................................................................... 35
3.4 QUARTEAMENTO E PROCEDIMENTOS UTILIZADOS .......................... 35
4. RESULTADOS OBTIDOS ............................................................................... 41
4.1 COMPARATIVO ENTRE CIDADES .......................................................... 60
5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS....................................................................63
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 65
7. REFERÊNCIAS................................................................................................ 67
IX
RANUCI, Rafael Mateus Cordeiro. DETERMINAÇÃO DA COMPOSIÇÃO FÍSICA DOS
RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS PRODUZIDOS NA CIDADE DE FOZ DO IGUAÇU
- PR Foz do Iguaçu, 2008. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em
Engenharia Ambiental) - Faculdade Dinâmica de Cataratas.
RESUMO
O presente trabalho tem por objetivo realizar levantamento dos resíduos sólidos
urbanos – RSU em seis regiões do município de Foz do Iguaçu. A qualificação e
quantificação desses resíduos são de extrema importância para que se possam propor
melhorias no programa de Coleta Seletiva e proporcionar o aumento de matéria prima
(resíduos orgânicos) na Usina de Compostagem. Esse levantamento foi realizado
utilizando-se o método de quarteamento. O trabalho foi realizado através da
amostragem dos principais bairros da cidade, sendo que a grande quantidade de lixo
gerada (150 ton./dia) exige que se faça um estudo desses resíduos sólidos urbanos,
promovendo diversos benefícios à população e principalmente ao Aterro Sanitário, uma
vez que, separando-se os resíduos, conseqüentemente se aumentará a vida útil do
aterro, além da contribuição proporcionada à preservação do Meio Ambiente.
Palavras-chave: Amostragem, Lixo, Aterro Sanitário.
XX
RANUCI, Rafael Mateus Cordeiro. DETERMINING THE COMPOSITION OF PHYSICAL
MUNICIPAL WASTE GENERATED IN CITIES OF FOZ DO IGUAÇU – PR Foz do
Iguacu, 2008. Completion of work of course (Bachelor of Environmental Engineering) Faculdade Dinâmica de Cataratas.
ABSTRACT
This study aims to conduct survey of municipal solid waste - MSW in six regions of the
city of Foz do Iguacu. The qualification and quantification of these residues are very
important to be able to propose improvements in the program of selective collection and
provide an increase in raw material (waste) in the composting plant. This survey will be
conducted using the method of quarteamento. The work will be carried out through
sampling of the main districts of the city, and the large amount of garbage generated
(150 ton. / day) requires us to make a study of municipal solid waste, promoting various
benefits to the population and mainly to the Sanitary Landfill, since, separating the waste
consequently increase the life of the landfill, as well as the proportionate contribution to
the preservation of the Environment.
Key-words: Sampling, garbage, landfill.
12
1. INTRODUÇÃO
A degradação ambiental causada pelos resíduos sólidos urbanos está
relacionada ao aumento no processo de urbanização que gerou grande concentração
populacional em algumas cidades, aliou-se ao consumo de produtos menos duráveis,
originando um aumento significativo da quantidade e da diversidade desses resíduos.
Tal quadro exige que todos os municípios tomem medidas urgentes e
adequadas para gerenciar os resíduos sólidos urbanos (RSU), minimizando, assim, os
impactos que possam causar ao meio ambiente, como enchentes, poluição do ar, da
água e do solo, deslizamentos de encostas, transmissão de doenças, entre outros.
13
O referido estudo tem como objetivo determinar a classificação física e
densidade aparente dos resíduos sólidos urbanos – RSU de seis regiões da cidade de
Foz do Iguaçu-PR, avaliando seu potencial de aproveitamento e propondo alternativas,
alternativas, a elevação do número de veículos adaptados para a coleta seletiva no
município com vistas na melhoria do sistema de disposição final dos RSU,
proporcionando o aumento significativo da vida útil do aterro sanitário municipal.
1.1OBJETIVOS
1.1.1Objetivo geral
O objetivo deste levantamento é determinar a composição física e
densidade aparente dos RSU de seis regiões do município de Foz do Iguaçu-PR.
1.1.2 Objetivos específicos
•
Analisar qualitativamente os RSU que são destinados no aterro sanitário;
•
Analisar quantitativamente os RSU que são destinados ao aterro sanitário;
•
Propor elevação do número de veículos adaptados para a coleta seletiva no
município de Foz do Iguaçu-PR.
14
1.2 JUSTIFICATIVA
Foz do Iguaçu é um município brasileiro situado no extremo oeste do
Estado do Paraná, na fronteira com a Argentina e com o Paraguai, criado em 1914.
Sua população estimada em 2008 é de 319.189 habitantes, porém,
integra uma área urbana com mais de 700 mil habitantes, constituída também por
Ciudad del Este, no Paraguai, e Puerto Iguazú na Argentina.
Devido ao aumento da população local e conseqüentemente o
crescimento da geração de resíduos sólidos urbanos, a destinação inadequada destes
resíduos fez com que a vida útil do Aterro Sanitário municipal fosse reduzida. Mediante
essa problemática e com o intuito de amenizar tal passivo, pretende-se, com a
aplicação do método de quarteamento, identificar a composição desses resíduos
sólidos gerados pela população urbana, para que posteriormente seja possibilitada uma
proposta de ações que minimizem os passivos ambientais.
Nesse contexto, sabe-se que a média de resíduos sólidos urbanos
gerados por dia é significativamente alta, sendo que a cidade representa um dos
principais pontos turísticos da região, formando o mais importante pólo turístico do
Estado do Paraná, com infra-estrutura capaz de receber cerca de um milhão de turistas
ao ano. Nos períodos de feriados e na temporada de férias de meio e final de ano a
cidade experimenta sensível aumento de população (população flutuante). Portanto,
considerando que a cidade é um pólo turístico mundial, devem ser consideradas as
características diferenciadas dos resíduos gerados pelo município nestas condições,
pois as características do lixo podem variar em função de aspectos sociais,
15
econômicos, culturais, geográficos e climáticos, ou seja, os mesmos fatores que
também diferenciam as comunidades entre si e as próprias cidades.
16
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 HISTÓRICO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
Os resíduos sólidos começaram a ser gerados nos tempos primitivos.
Até a metade do século XX o resíduo sólido não significava um
problema. A maior parte dele era formada por materiais orgânicos, como restos de
frutas e verduras, assim como de animais. Tudo degradável pela ação da natureza,ou
seja, o resíduo sólido era facilmente transformado pelo próprio meio ambiente em
nutrientes para o solo (SISSINO, 2000).
Muitas pessoas tinham o hábito de ter em suas casas uma horta ou
uma criação de galinhas e outros animais domésticos, que comiam os seus restos de
17
alimentos. O pouco que sobrava era recolhido e enterrado, retornado ao solo (SISSINO,
2000).
Portanto, com o passar dos anos, como explica Capra (1994), o modo
de vida dos habitantes do planeta foi mudando. A maioria mudou-se das áreas rurais
para as áreas urbanas. As cidades foram crescendo, reduzindo o espaço de moradia e
tempo disponível dos cidadãos. O resultado foi a busca da praticidade para uma vida
moderna.
A compra de alimentos e outros produtos enlatados, prontos para o
consumo, parecia a solução perfeita. Chegaram os supermercados, as comidas
prontas, o leite em embalagens práticas, verduras e legumes prontos para o consumo.
Mas tudo isso passou a gerar montanhas de embalagens, como sacos plásticos, caixas,
isopor, sacolas e latas, passando a ser um problema. Na verdade este problema
começou a partir do momento em que o homem iniciou a sua evolução, até então
morava em cavernas e vivia da caça e pesca. Como eram nômades, os resíduos
deixados pelos homens eram logo decompostos pela ação do tempo, pois eram, em
sua maioria, compostos de matéria orgânica. Começava então a evolução humana, ou
seja, o homem começou a pensar em conforto, dando início a produção de vasilhames
de cerâmica, instrumentos para plantio e roupas mais confortáveis. Passaram a
construir suas próprias moradias e posterior a isso deu-se início a comercialização que,
por conseqüência, incrementou a geração de resíduos, fato que até então não havia se
tornado um problema mundial (SANTOS, 2008).
Durante a revolução industrial ocorreu um grande “crescimento” na
geração de resíduos, contudo o que importava não era esse crescimento e sim o
desenvolvimento humano. Na segunda metade do século XX houve uma reviravolta,
problemas como o buraco na camada de ozônio e o aquecimento global começaram a
18
ser discutidos e isso levou à conclusão de que a geração de resíduos tem influência
direta nesses passivos, pois seu destino final não está acontecendo de forma
adequada, ou seja, esse problema não vem sendo encarado com a urgência necessária
(SANTOS, 2008).
2.2 CONCEITO DE RESÍDUOS SÓLIDOS
A palavra lixo é originária do latim, lixo, o que significa “cinza”, e isso
vem de uma época em que a maior parte dos resíduos de cozinha era formada por
cinzas e restos de lenha carbonizada dos fornos e fogões (BRANCO 1995).
Ampliando esse entendimento, a ABNT NBR 10004 (2004), denomina
resíduos sólidos: “Resíduos nos estados sólidos e semi-sólidos, que resultam de
atividades da comunidade de origem: urbana, agrícola, radioativa e outros (perigosos
e/ou tóxicos). Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de
tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de
poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu
lançamento na rede pública de esgoto ou corpos d’água, ou exijam para isso soluções
técnicas e economicamente inviáveis, em face à melhor tecnologia disponível".
Lixo os restos das atividades humanas, considerados pelos geradores
como inúteis, indesejáveis ou descartáveis. Normalmente, apresentam-se sob estado
sólido, semi-sólido ou semilíquido (com conteúdo líquido insuficiente para que este
possa fluir livremente.”
19
Resíduos, resumidamente, são os resultados de diversas atividades de
uma determinada comunidade, podendo ser de origem: industrial, doméstica,
hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e, ainda, da varrição pública, podendo estes
se apresentar nos estados sólidos, gasosos e líquidos (EPPRETCH, 2008).
Estes tipos de resíduos são decorrente do modelo de desenvolvimento
econômico imposto aos países pobres do “Sul” (subdesenvolvidos) pelos países do
“Norte” (desenvolvidos), os responsáveis por esta realidade (LIMA, 2000).
O sistema capitalista procura transformar todos os recursos naturais em
fonte de lucros, não se importando com as conseqüências desse ato. A relação homem
x natureza é de apropriação e de exploração dos recursos naturais, e o
desenvolvimento sustentável ou ecodesenvolvimento, uma utopia. E como se não
bastasse, o crescimento demográfico e a adoção de um estilo de vida que procura
imitar os países do Norte, ditos “desenvolvidos”, fazem com que a geração de resíduos
seja crescente e contínua, pressionando os recursos naturais e comprometendo a
qualidade de vida das pessoas. (LIMA, 1994)
“O consumo excessivo e nossa preferência pela alta tecnologia não só
cria quantidades enormes de coisas inúteis com requerem, em sua fabricação
gigantescas montanhas de energias” (CAPRA, 1994).
Além de todos os resíduos sólidos normais, que incluem a matéria
orgânica do dia-a-dia, resto de alimentos, material reciclável, entre outros mais comuns,
pode-se ainda citar ainda alguns tipos de resíduos que não despertam a atenção e
podem causar grandes danos ao ambiente, como por exemplo o lixo nuclear e
hospitalar, pilhas e baterias, principalmente por conter elementos químicos na forma
iônica que são absorvidos e acumulados pelos organismos (MONTEIRO, 2001).
20
2.3 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS
A Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT (2004) editou um
conjunto de normas para padronizar nacionalmente a classificação dos resíduos,
através da NBR 10004. Adicionalmente, um resíduo é classificado de acordo com a
referida
norma
por
apresentar
periculosidade,
inflamabilidade,
corrosividade,
reatividade, toxicidade e/ou patogenicidade, ficando estabelecido o seguinte:
•
NBR 10005 - Lixiviação de Resíduos - a lixiviação é um dos parâmetros mais
importantes para a avaliação da eficiência do processo de incorporação de
resíduos e da qualidade do produto obtido. Testes de lixiviação são usados para
prever o grau de eficiência da fixação dos constituintes perigosos no produto de
resíduo, principal objetivo da tecnologia de solidificação/estabilização.
“A norma NBR 10005 Lixiviação de Resíduos da Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT) é similar ao Extraction Procedure Test (EPT) da Agência
de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) sendo de aplicação geral para qualquer tipo de
resíduo, abordando um único cenário de disposição e não leva em consideração as
características específicas do resíduo in natura e tratado” (SILVA, 2002).
•
NBR 10006 - Solubilização de Resíduos;
•
NBR 10007 - Amostragem de Resíduos.
21
Esta classificação pode ser melhor entendida através do quadro 1, onde
é explicado cada classe de resíduos e suas características.
Quadro 1: Quanto aos riscos potenciais de contaminação do meio ambiente
CATEGORIA
Resíduos Classe I
Perigosos
Resíduos Classe II A
Não Inertes
Resíduos Classe II B
Inertes
CARACTERÍSTICAS
Resíduos sólidos ou mistura de resíduos
que, em função de suas características de
inflamabilidade, corrosividade,reatividade,
toxicidade e patogenicidade, podem
apresentar riscos à saúde pública,
provocando ou contribuindo para um
aumento de mortalidade ou incidência de
doenças e/ou apresentar efeitos adversos
ao meio ambiente, quando manuseados ou
dispostos de forma inadequada.
Resíduos sólidos ou mistura de resíduos
sólidos que não se enquadram na Classe I
(perigosos) ou na Classe IIb (inertes).
Estes resíduos podem ter propriedades tais
como:
combustibilidade,
biodegradabilidade, ou solubilidade em
água.
Resíduos sólidos ou mistura de resíduos
sólidos que, submetidos a testes de
solubilização não tenham nenhum de seus
constituintes
solubilizados,
em
concentrações superiores aos padrões de
potabilidade de águas, excetuando-se os
padrões: aspecto, cor, turbidez e sabor.
Como exemplo destes materiais podemos
citar, rochas, tijolos, vidros e certos
plásticos e borrachas que não são
decompostos prontamente.
Fonte: ABNT NBR 10004 (2004)
De acordo com sua origem, há quatro tipos de lixo: residencial,
comercial, público e de fontes especiais. Entre os últimos se incluem, por exemplo, o
22
lixo industrial, o hospitalar e o radioativo, que exigem cuidados especiais em seu
acondicionamento, manipulação e disposição final. No ambiente urbano pode ser
encontrado a produção do lixo nos mais diversos locais e atividades (LIPOR, 2000).
Para estudar as formas de combater o problema do lixo é necessário
conhecer as diferentes fontes e suas naturezas, expostas por Lima (1994), no quadro 2:
Quadro 2: Classificação dos resíduos quanto a natureza e origem
NATUREZA
Residencial
Comercial
Público
Domiciliar Especial
Fontes Especiais
ORIGEM
Resíduos gerados nas atividades
diárias em casas, apartamentos,
condomínios e demais edificações
residenciais.
Resíduos
gerados
em
estabelecimentos comerciais, cujas
características dependem da atividade
ali desenvolvida.
Resíduos presentes nos logradouros
públicos tais como folhas, galhadas,
partículas sólidas (poeira, terra e areia)
e aqueles descartados indevidamente
pela população, como entulho, bens
considerados inservíveis, papéis, restos
de embalagens e alimentos.
Entulho de obras, pilhas e baterias,
lâmpadas fluorescentes e pneus.
Lixo industrial, lixo radioativo, lixo de
portos, aeroportos e terminais rodo
ferroviários, lixo agrícola e resíduos de
serviço de saúde.
Fonte: ABNT NBR 10004 (2004)
Entende-se, portanto, que muito se tem discutido sobre as melhores
formas de tratar e eliminar os resíduos sólidos, sejam eles industriais, comerciais,
23
domésticos, hospitalares ou nucleares, gerado pelo estilo de vida da sociedade
contemporânea, porém, medidas urgentes precisam ser tomadas. Contudo, no
gerenciamento de resíduos sólidos existem muitas variáveis envolvidas, que dificultam
a tomada de decisões para implantação de políticas públicas direcionadas aos resíduos
(LIPOR, 2000).
Vale ressaltar que o Brasil conta com inúmeras tecnologias para a
implementação de um programa voltado à questão dos resíduos sólidos urbanos,
porém, como explica Jardim (1995), a ausência de políticas públicas e a ineficácia dos
instrumentos legais têm colaborado para a precariedade do setor.
2.4 IMPACTOS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS
Na atualidade os resíduos sólidos urbanos vêm causando sérios
problemas políticos, afetando o cotidiano da população, pois o aumento crescente da
degradação está diretamente relacionado às mudanças que ocorreram no decorrer dos
anos em diversos aspectos, tais como: quantidade, qualidade, volume e composição.
Assim, devido a essas novas características dos resíduos, o tempo de vida útil dos
Aterros Sanitários está a cada ano mais curto e, conseqüentemente. Há um aumento
dos gastos públicos (FIGUEIREDO, 1994).
De acordo com o CONAMA (1986) em sua Resolução nº 01, fica
especificado o seguinte: “como termo mais apropriado para o impacto ambiental como
toda a alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente,
causada por qualquer forma de material ou energia resultante das atividades humanas
24
que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem estar da população;
as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio
ambiente; a qualidade dos recursos ambientais”.
Um estudo realizado por Santos (2002) explica que o problema de
contaminação causado pela produção de resíduos sólidos é um acontecimento mundial,
sendo
considerado
altamente
impactantes
por
produzirem,
se
dispostos
desordenadamente: gás metano, monóxido de carbono e hidrocarbonetos, entre outros,
poluindo o ar; infiltração do “chorume”, formação de sedimentos e lançamento de
detergentes em córregos, poluindo a água; e utilização da área de disposição como
nicho ecológico por setores, poluindo o solo.
O resíduo quando não é disposto ou tratado adequadamente, acaba
poluindo o solo, a água e o ar, favorecendo a proliferação de vetores e doenças
(FIGUEIREDO, 1994). Baseado nas informações do autor supra citado, é possível
ressaltar que os resíduos
sólidos urbanos constitui
um dos principais agentes
causadores de impactos ambientais negativos, responsáveis pela contaminação dos
recursos hídricos do país, pois esse fator, age sobre o meio ambiente de forma
avassaladora, causando um choque nos sistemas ambientais, pondo em risco toda a
perpetuação das espécies.
Segundo Lopes (2003), “ o passivo o ‘resíduo’ existente nas indústrias e
nos ‘lixões’ necessitará ser eliminado a curto prazo e seus locais serem restaurados,
afim de diminuir prejuízos ambientais pecuniários futuros”.
Outra fonte poluidora existente em Aterros Sanitários, segundo Tartari
(2003), é o chorume, formado pela solubilização de componentes do lixo na água,
principalmente da chuva. Nos aterros sanitários, onde ocorre a disposição planejada
25
dos resíduos sólidos, normalmente o chorume é canalizado para um tanque a céu
aberto, podendo haver ou não um pré-tratamento, e desse reservatório, em alguns
casos, é despejado em bacias hidrográficas. A poluição das águas pelo chorume pode
provocar endemias ou intoxicações, se houver a presença de organismos patogênicos
e substâncias tóxicas em níveis acima do permissível.
Em se tratando dos impactos causados ao ar, Lopes (2003) explica que
os resíduos emitem gases durante sua decomposição, prejudicando significativamente
o meio ambiente. Coloca ainda que os gases poluentes que mais se fazem presentes
são: o monóxido de carbono (CO), partículas de óxido de enxofre (SO2), óxido de
nitrogênio (NO) e hidrocarbonetos (HC), sendo estes de grande impacto para o meio
ambiente.
Atualmente, os resíduos sólidos podem ser considerados como um dos
responsáveis pelos problemas ambientais da atualidade. Seu volume é excessivo e
vem aumentando progressivamente, principalmente nos grandes centros urbanos
atingindo quantidades impressionantes, como os 14 milhões de quilos coletados
diariamente na cidade de São Paulo. Além disso, os locais para disposição de todo
esse material estão se esgotando rapidamente, exigindo iniciativas urgentes para a
redução da quantidade enviada para os aterros sanitários, aterros clandestinos ou
lixões. (SISSINO, 2000)
2.5 RECICLAGEM
A partir da década de 1980, o termo reciclagem ganhou força na mídia
devido à percepção de que matérias-primas provenientes do petróleo estavam ficando
26
escasso e que o espaço para disposição do lixo estava comprometido (ANDRADE E
PRADO, 2004).
“Entre as alternativas de tratamento ou redução dos resíduos sólidos
urbanos, a reciclagem é aquela que desperta o maior interesse na população,
principalmente por seu forte apelo ambiental”.(MONTEIRO 2001).
Ou seja, a reciclagem, hoje, é uma das soluções mais viáveis
ecologicamente para a resolução dos problemas pertinentes ao lixo, pois o ato de
reciclar consiste em refazer o ciclo, trazendo de volta a origem, sob a forma de matériaprima que não se degrada facilmente e que pode ser reprocessada (VALLE, 1995).
É importante salientar que apenas a reciclagem não se constitui numa
solução para os problemas gerados pelo acúmulo do lixo, pois ligados a ele existem
alguns problemas de ordem técnica que, segundo Figueiredo (1994), devem ser
solucionados.
Uma das principais ferramentas da reciclagem que pode ser citada
seria a Coleta Seletiva que, segundo Lopes (2003), é caracterizada por processo de
desviar RSU, dos lixões e Aterros Sanitários, com o objetivo de reutilização e
reciclagem.
Uma das possibilidades para reduzir o problema é a implantação da
coleta seletiva de lixo, que consiste na segregação de tudo que pode ser reaproveitado,
como papéis, vidros plásticos - enviando esse material para reciclagem. A implantação
de programas de coleta seletiva do lixo não só contribuiria para a redução da poluição
causada pelo lixo, como também proporcionaria economia de recursos naturais – como
matérias primas, água e energia, representando, em alguns casos, obtenção de
recursos advindos da comercialização do material (SANTOS, 2008).
27
Apesar do crescente número de municípios em que a coleta seletiva de
lixo está implantada, uma vez que toda a coleta de lixo é de responsabilidade dos
governos
municipais,
verifica-se
também
um
grande
número
de
programas
desenvolvidos por iniciativa da sociedade civil em escolas, empresas, condomínios,
etc., que apresentam maior chance de continuidade, pois não estão vinculados a
mudanças e interesse políticos (EPPRETCH, 2008).
Essa problemática é apontada por Eppretch (2008) quando afirma que
apenas 14% da população do país é atendida pela coleta seletiva. Dessa porcentagem,
quase metade está na região Sudeste. Além desses dados, a autora coloca ainda a
porcentagem de cada tipo de resíduo recolhido pela coleta seletiva, podendo ser visto
através da figura 1, onde é apontada a composição do lixo coletado seletivamente no
Brasil em 2008, observando a porcentagem de cada tipo de resíduo recolhido até o
momento.
Figura 1: Composição da coleta seletiva em 2008 no Brasil
Fonte: Eppretch, 2008
28
Número de Municípios que
realizam coleta seletiva
Figura 2: Evolução da coleta seletiva no Brasil
Fonte: CEMPRE, 2008
Essa evolução, mostrada na figura 2, tem um respaldo muito grande
pelo aspecto legal dado aos resíduos sólidos em 1988 por meio da Constituição
Federal Brasileira, que tratou da matéria com maior ênfase, considerando o meio
ambiente como um patrimônio da humanidade (CAVALCANTI, 2000), além de
recomendar a necessidade de uma maior fiscalização e ação dos órgãos públicos e
privados nesta questão. No entanto, muitos aspectos foram deixados de lado pela
administração pública, ficando a gestão dos resíduos sólidos um tanto dispersa nos
diplomas federais e estaduais, dificultando as ações.
29
2.5.1 Aspectos Sociais e Econômicos da Coleta Seletiva de Lixo
Outra faceta importante de um programa de coleta seletiva é a
ressocialização, ou seja, a reincorporação de um segmento social como dos catadores
de lixo, até então marginalizados, a uma estrutura digna de trabalho, em unidades
especialmente preparadas para triagem, classificação e prensagem de lixo (LIMA e
RIBEIRO, 2000).
2.6 SITUAÇÃO DA GERAÇÃO DE RESÍDUOS EM OUTRAS REGIÕES DO
BRASIL
Uma pesquisa realizada no ano de 2000 pela PNSB – Pesquisa
Nacional de Saneamento Básico confirma que naquele ano o Brasil gerava
aproximadamente 228 mil toneladas de resíduos por dia, considerando uma população
de 180 milhões e geração percapita de 1,35 (Kg/hab/dia). Nessa mesma pesquisa, ficou
comprovado que 62% dos resíduos gerados vinham da região sudeste, enquanto que
as regiões centro-oeste e norte contribuíam apenas com 6,3 e 4,8 desse total (PAVAN,
2000).
Para exemplificar de forma mais clara esses números, a autora
supra citada criou uma tabela, colocando todas as estimativas brasileiras, como pode
se ver na tabela 1.
30
Tabela 1: Estimativa de geração de resíduos sólidos no Brasil
População Total
Quantidade
Percentual
Geração de Resíduos
(tonelada/dia)
Geração
percapita
(kg/hab/dia)
Quantidade
Percentual
228.413
100
1,35
Brasil
169.799.170
Norte
12.900.704
7,6
11.067
4,8
0,86
Nordeste
47.741.711
28,1
41.558
18,2
0,87
Sudeste
72.412.411
42,6
141.617
62,0
1,96
Sul
25.107.616
14,8
19.875
8,7
0,79
CentroOeste
11.636.728
6,9
14.297
6,3
1,23
Fonte: Pavan, 2000.
Levando em conta essas estimativas, a pesquisa salientou ainda a
forma como esses resíduos eram dispostos em cada região, conseguindo realizar uma
comparação eficaz para futuros estudos, destacando que mais de 20% de todo o
resíduo gerado no país era disposto em lixões a céu aberto ou lugares não fixos, como
mostra a tabela 2:
31
Tabela 2: Formas de disposição de resíduos por regiões do país
Brasil
Norte
Nordeste
Sudeste
Sul
Centro-Oeste
(%)
(%)
(%)
(%)
(%)
(%)
Vazadouro a céu
aberto
21,3
57,2
48,3
9,8
25,9
22,0
Aterro controlado
37,0
28,3
14,6
46,5
24,3
32,8
Aterro Sanitário
36,2
13,3
36,2
37,1
40,5
38,8
Estação
compostagem
2,9
0,0
0,2
3,8
1,7
4,8
Estação de triagem
1,0
0,0
0,2
0,9
4,2
0,5
Incineração
0,5
0,1
0,1
0,7
0,2
0,2
Locais não-fixos
0,5
0,9
0,3
0,6
0,6
0,7
Outra
0,7
0,2
0,1
0,7
2,6
0,2
Fonte: Pavan, 2000
Através da tabela 2, é possível constatar que a disposição de resíduos
em lixões a céu aberto encontra-se com mais freqüência nas regiões norte e nordeste
do país, regiões mais carentes e de situações mais precárias, favorecendo a presença
de crianças e adolescentes nestes lugares em busca do sustento (LIPOR, 2000).
32
3. MATERIAIS E MÉDODOS
3.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA
A pesquisa foi realizada seguindo o delineamento mostrado na figura 3:
33
Determinação
caminhões
amostrados
do
a
n. de
serem
Descarregamento do RS em
local próprio
Processo de quarteamento
Amostra
submetida
a
separação por tipo de material
Amostras para determinação
da densidade
Tabulação dos dados
Discussão dos resultados
Figura 3: Delineamento da pesquisa
3.2 LOCAL DE ESTUDO
Cidade de Foz do Iguaçu está localizada na região oeste do Estado do
Paraná, - latitude sul 25º 32' 45" e longitude oeste 54º 35' 07" (FOZ DO IGUAÇU, 2008),
possui cerca de 310 mil habitantes, tendo como uma de suas características a
34
diversidade cultural, pois conta com 72 etnias, destacando-se entre elas a Libanesa,
Chinesa, Paraguaia e Argentina. A base da economia da cidade está no turismo, com
destaque para o comércio e serviços (ALEXANDRE, 2006).
Foz do Iguaçu faz divisa com as cidades de Puerto Iguazú (Argentina) e
Ciudad del Este (Paraguai).
Figura 4: Localização do município
Fonte: http//:www.prefeiturafozdoiguacu.com.br
35
3.3 MATERIAIS UTILIZADOS
A seguir são descritos os materiais utilizados na coleta das amostras:
Plástico: utilizou-se, onde os caminhões foram descarregados, lona plástica
preta 5x8 metros para impermeabilizar o terreno e não contaminar a amostra.
Após as homogeneizações necessárias, utilizou-se um saco plástico preto
com capacidade de 50 litros, onde acondicionaram-se os materiais
recicláveis.
Faca, enxada e pá foram utilizados para o rompimento dos sacos plásticos e
homogeneização do resíduo.
Tambores de aço com capacidade de 200 litros para colocação do resíduo
coletado sobre plástico - a pesagem do material selecionado foi feita em
tambores, usando balança com capacidade para 150 Kg .
EPI – Equipamento de Proteção Individual (luvas, botas, protetor respiratório,
capas).
3.4 QUARTEAMENTO E PROCEDIMENTOS UTILIZADOS
Para realização deste levantamento quantitativo e qualitativo dos RSU
foi utilizado o método de quarteamento de resíduos, que segundo a NBR 10007 (ABNT,
2004) consiste em um processo de divisão em quatro partes iguais de uma amostra
pré-homogeneizada, sendo tomadas duas partes opostas entre si para constituir uma
36
nova amostra e descartadas as partes restantes. As partes não descartadas são
misturadas totalmente e o processo de quarteamento é repetido até que se obtenha o
volume desejado.
Para a composição gravimétrica foi obtida relacionando o peso total das
amostras finais de resíduos com o peso de cada resíduo devidamente separado. A fim
de evitar erros, pesou-se o tonel vazio e descontou-se depois do peso final.
Para analisar a composição física dos resíduos sólidos, a CETESB
(1990) recomenda o procedimento de amostragem descrito em seguida:
1) Descarregar o caminhão ou caminhões no local previamente escolhido (pátio
pavimentado ou coberto por lona) como mostra a figura 5;
Figura 5: Descarregamento do caminhão
37
2) Coletar quatro amostras de 200 litros cada (utilizar tambores), três na base e laterais
e uma no topo da pilha resultante da descarga. Antes da coleta, procede-se ao
rompimento dos receptáculos (sacos plásticos, em geral) e homogeneiza-se, o máximo
possível, os resíduos nas partes a serem amostradas. Ainda, deve-se considerar os
materiais rolados (latas, vidros, etc.). Caso a quantidade inicial de RS seja pequena
(menos que 1,5 t), recomenda-se que todo material seja utilizado como amostra, como
mostra a figura 6;
Figura 6: Separação do RS
38
3) Pesar os resíduos coletados;
Figura 7: Pesagem do RS
39
4) Dispor os resíduos coletados sobre uma lona. Este material constitui a amostra, a ser
utilizada para a análise da composição física dos resíduos.
Figura 8: Amostras
Esses procedimentos foram executados em cada um dos seis setores
analisados, sendo, portanto, agrupados os bairros com níveis socioeconômicos
semelhantes. A composição física dos resíduos foi obtida após a análise da amostra,
40
por meio da triagem, separando os materiais por classes relevantes como vidro,
plástico, papel/papelão, matéria orgânica, metais ferrosos, metais não ferrosos.
Separado os materiais, eles foram pesados por classe e calculados,
posteriormente, as porcentagens individuais, conforme esquema abaixo (GONÇALVES,
2007).
41
4. RESULTADOS OBTIDOS
Foram realizados seis quarteamentos, compreendendo seis regiões
distintas da cidade de Foz do Iguaçu. Tais regiões, seus respectivos bairros e suas
análises são citados a seguir:
42
Região 01 – Três Lagoas: População 30.197 habitantes
Tal região é limitada ao norte pelo Lago de Itaipu, ao sul pela Área
Rural, a leste por Santa Terezinha de Itaipu e a oeste por Furnas e Distrito Industrial.
Figura 9: Região de Três Lagoas
Fonte: PMFI, 2008
43
Região 01 – Três Lagoas
Peso dos resíduos (Kg) = Peso total – Peso do tonel
Peso dos resíduos (Kg) = 52,00 – 13,50
Peso dos resíduos (Kg) = 38,50
Os resíduos, depois de separados, foram pesados e utilizou-se da
tabela abaixo para preenchimento dos dados.
Tabela 3: Planilha para determinação da composição física dos resíduos sólidos
COMPONENTE
MADEIRA
MATÉRIA ORGÂNICA
METAIS
PAPEL/PAPELÃO
PLÁSTICO
TRAPOS
VIDROS
CONTAMINANTE BIOLÓGICO
CONTAMINANTE QUÍMICO
DIVERSOS
TOTAL
Peso (Kg)
1,60
20,55
0,60
1,20
3,90
2,70
0,30
5,00
0,15
2,50
38,50
Porcentagem
(%)
4,16
53,38
1,56
3,12
10,13
7,01
0,78
12,99
0,39
6,49
100
44
Com os dados obtidos, chega-se ao seguinte gráfico em relação à
composição dos resíduos sólidos nesta região do Município de Foz do Iguaçu.
R1 - TRÊS LAGOAS
53,38%
1,56%
3,12%
10,13%
7,01%
4,16%
6,49%
0,39%
madeira
papel/papelão
vidros
diversos
matéria orgânica
plástico
contaminante biológico
0,78%
12,99%
metal
trapos
contaminante químico
Figura 10: Composição Percentual dos Resíduos Sólidos ns Região 01 – Três Lagoas
45
Região 02 – Vila “C”: População 38.912 habitantes
Tal região é limitada ao norte pela Hidrelétrica de Itaipu (Lago), a oeste
pelo Rio Paraná, a leste pela Subestação de Furnas e ao sul pelo Rio Mathias Almada.
Figura 11: Região da Vila C
Fonte: PMFI, 2008
46
Região 02 – Vila “C”
Peso dos resíduos (Kg) = Peso total – Peso do tonel
Peso dos resíduos (Kg) = 47,50 – 13,50
Peso dos resíduos (Kg) = 34,00
Os resíduos, depois de separados, foram pesados e utilizou-se da tabela abaixo
para preenchimento dos dados.
Tabela 4: Planilha para determinação da composição física dos resíduos sólidos
COMPONENTE
MADEIRA
MATÉRIA ORGÂNICA
METAIS
PAPEL/PAPELÃO
PLÁSTICO
TRAPOS
VIDROS
CONTAMINANTE BIOLÓGICO
CONTAMINANTE QUÍMICO
DIVERSOS
TOTAL
Peso (Kg)
0,50
19,60
0,60
1,70
2,50
2,00
1,20
5,00
0,20
0,70
34,00
Porcentagem
(%)
1,47
57,65
1,76
5,00
7,35
5,88
3,53
14,71
0,59
2,06
100
47
Com os dados obtidos, chega-se ao seguinte gráfico em relação à
composição dos resíduos sólidos nesta região do Município de Foz do Iguaçu.
R2 - VILA "C"
57,65%
1,76%
5,00%
7,35%
1,47%
2,06%
5,88%
14,71%
3,53%
0,59%
madeira
papel/papelão
vidros
diversos
matéria orgânica
plástico
contaminante biológico
metal
trapos
contaminante químico
Figura 12: Composição Percentual dos Resíduos Sólidos – Região 02 – Vila “C”
Região 03 – São Francisco: População 50.430 habitantes
Tal região é limitada ao norte pela BR-277, a oeste com a Rua Iapó e
com o Rio M'Boicy, a leste com o Rio Tamanduazinho e ao sul com a Avenida
República Argentina.
48
Figura 13: Região do São Francisco
Fonte: PMFI, 2008
Região 03 – São Francisco
Peso dos resíduos (Kg) = Peso total – Peso do tonel
Peso dos resíduos (Kg) = 49,00 – 13,50
Peso dos resíduos (Kg) = 35,50
49
Os resíduos, depois de separados, foram pesados e utilizou-se da
tabela abaixo para preenchimento dos dados.
Tabela 5: Planilha para determinação da composição física dos resíduos sólidos49
COMPONENTE
Peso (Kg)
MADEIRA
MATÉRIA ORGÂNICA
METAIS
PAPEL/PAPELÃO
PLÁSTICO
TRAPOS
VIDROS
CONTAMINANTE BIOLÓGICO
CONTAMINANTE QUÍMICO
DIVERSOS
TOTAL
0,60
17,80
0,70
2,30
3,20
2,60
1,50
5,60
0,30
0,90
35,50
Porcentagem
(%)
1,69
50,14
1,97
6,48
9,01
7,32
4,23
15,77
0,85
2,54
100
Com os dados obtidos, chega-se ao seguinte gráfico em relação à
composição dos resíduos sólidos nesta região do Município de Foz do Iguaçu.
R3 - SÃO FRANCISCO1,97%
6,48%
50,14%
9,01%
7,32%
1,69%
2,54%
15,77%
4,23%
0,85%
madeira
papel/papelão
vidros
diversos
matéria orgânica
plástico
contaminante biológico
metal
trapos
contaminante químico
Figura 14: Composição Percentual dos Resíduos Sólidos – Região 03 – São Francisco
50
Região 05 – Jardim São Paulo: População 18.367 habitantes
Tal região é limitada ao norte pela Avenida República Argentina, a
oeste pelas Avenidas das Cataratas e João Paulo II e Rua Harry Shinke, a leste pelo
Rio Tamanduazinho e ao sul pela Região do Carimã na altura da linha do Condomínio
Mata Verde.
Figura 15: Região do Jardim São Paulo
Fonte: PMFI, 2008
51
Região 05 – Jardim São Paulo
Peso dos resíduos (Kg) = Peso total – Peso do tonel
Peso dos resíduos (Kg) = 45,50 – 13,50
Peso dos resíduos (Kg) = 32,00
Os resíduos, depois de separados, foram pesados e utilizou-se da
tabela abaixo para preenchimento dos dados.
Tabela 6: Planilha para determinação da composição física dos resíduos sólidos51
COMPONENTE
MADEIRA
MATÉRIA ORGÂNICA
METAIS
PAPEL/PAPELÃO
PLÁSTICO
TRAPOS
VIDROS
CONTAMINANTE BIOLÓGICO
CONTAMINANTE QUÍMICO
DIVERSOS
TOTAL
Peso (Kg)
0,40
20,65
0,60
0,90
3,00
2,60
1,00
2,40
0,25
0,20
32,00
Porcentagem
(%)
1,25
64,53
1,88
2,81
9,38
8,13
3,13
7,50
0,78
0,63
100
52
Com os dados obtidos, chega-se ao seguinte gráfico em relação à
composição dos resíduos sólidos nesta região do Município de Foz do Iguaçu.
R5 - JARDIM SÃO PAULO
64,53%
1,88%
2,81%
1,25%
9,38%
0,63%
0,78%
madeira
papel/papelão
vidros
diversos
7,50%
8,13%
3,13%
matéria orgânica
plástico
contaminante biológico
metal
trapos
contaminante químico
Gráfico 4: Composição Percentual dos Resíduos Sólidos de Foz do Iguaçu – Região 05
53
Região 09 – Centro / Vila Yolanda: População 37.356 habitantes
Tal região é limitada ao norte pela Avenida República Argentina, a
oeste pelo Rio Paraná, a leste pela Rua Harry Shinkler e Avenida João Paulo II e ao sul
pelo Rio M' Boicy e Avenida dos Imigrantes.
Figura 16: Região do Centro / Vila Yolanda
Fonte: PMFI, 2008
54
Região 09 – Centro / Vila Yolanda
Peso dos resíduos (Kg) = Peso total – Peso do tonel
Peso dos resíduos (Kg) = 46,00 – 13,50
Peso dos resíduos (Kg) = 32,50
Os resíduos, depois de separados, foram pesados e utilizou-se da
tabela abaixo para preenchimento dos dados.
Tabela 7: Planilha para determinação da composição física dos resíduos sólidos54
COMPONENTE
MADEIRA
MATÉRIA ORGÂNICA
METAIS
PAPEL/PAPELÃO
PLÁSTICO
TRAPOS
VIDROS
CONTAMINANTE BIOLÓGICO
CONTAMINANTE QUÍMICO
DIVERSOS
TOTAL
Peso (Kg)
1,10
18,50
0,90
3,30
4,30
0,50
0,80
2,70
0,10
0,30
32,50
Porcentagem
(%)
3,38
56,92
2,77
10,15
13,23
1,54
2,46
8,31
0,31
0,92
100
Com os dados obtidos, chega-se ao seguinte gráfico em relação à
composição dos resíduos sólidos nesta região do Município de Foz do Iguaçu.
55
R9 - CENTRO / VILA YOLANDA
56,92%
2,77%
10,15%
13,23%
3,38%
0,92%
0,31%
madeira
papel/papelão
vidros
diversos
1,54%
2,46%
8,31%
matéria orgânica
plástico
contaminante biológico
metal
trapos
contaminante químico
Figura 17: Composição Percentual dos Resíduos Sólidos – Região 05
Região 10 – Campos do Iguaçu: População 24.905 habitantes
Tal região é limitada ao norte com a BR 277, ao sul pela Avenida
República Argentina, a leste com o Rio M'Boicy e Rua Iapó e a Oeste com a Avenida
Paraná.
56
Figura 18: Região do Campos do Iguaçu
Fonte: PMFI, 2008
Região 10 – Campos do Iguaçu
Peso dos resíduos (Kg) = Peso total – Peso do tonel
Peso dos resíduos (Kg) = 48,00 – 13,50
Peso dos resíduos (Kg) = 34,50
57
Os resíduos, depois de separados, foram pesados e utilizou-se da
tabela abaixo para preenchimento dos dados.
Tabela 8: Planilha para determinação da composição física dos resíduos sólidos
COMPONENTE
MADEIRA
MATÉRIA ORGÂNICA
METAIS
PAPEL/PAPELÃO
PLÁSTICO
TRAPOS
VIDROS
CONTAMINANTE BIOLÓGICO
CONTAMINANTE QUÍMICO
DIVERSOS
TOTAL
Peso (Kg)
0,05
21,40
0,60
1,50
2,80
3,50
2,90
1,50
0,05
0,20
34,50
Porcentagem
(%)
0,14
62,03
1,74
4,35
8,12
10,14
8,41
4,35
0,14
0,58
100
58
Com os dados obtidos, chega-se ao seguinte gráfico em relação à
composição dos resíduos sólidos nesta região do Município de Foz do Iguaçu.
R10 - CAMPOS DO IGUAÇU
62,03%
1,74%
4,35%
8,12%
0,14%
0,58%
8,41%
10,14%
0,14%
madeira
papel/papelão
vidros
diversos
4,35%
matéria orgânica
plástico
contaminante biológico
metal
trapos
contaminante químico
.
Figura 19: Composição Percentual dos Resíduos Sólidos – Região 10
Nota-se, ao comparar os gráficos, que a matéria orgânica é o
componente de maior geração. O índice de metais, vidros e diversos se mostraram
bastante semelhantes, enquanto houve uma discrepância maior em relação ao plástico
e papel/papelão. O plástico, como pode ser observado, é de alta incidência, devido aos
resíduos serem embalados em sacolas e também ter sido encontrada uma grande
gama de embalagens plásticas. O papel/papelão foi de baixa incidência no município,
provavelmente devido ao fato de existir um grande número de colaboradores
59
ambientais (catadores), que dão importância maior ao papel, evitando que este chegue
ao aterro controlado da cidade.
Foz do Iguaçu gera 5.000 toneladas por mês x 1000 totalizando
5.000.000 kg por mês, após isso se dividi por 30 dias e então novamente por 310.000
que é a população de Foz do Iguaçu encontrando um total de 0.54 kg/hab/dia.
Densidade Aparente
A densidade aparente tem grande importância, no planejamento em relação à
frota de coleta e sistemas de armazenamento temporário, quando necessário.
Densidade Aparente – Região 01 – Três Lagoas
Densidade aparente (Kg/m³) = peso da amostra (kg) ÷ Volume do recipiente (m³)
Densidade aparente (Kg/m³) = 38,50 ÷ 0,2
Densidade aparente (Kg/m³) = 192,50
Densidade Aparente – Região 02 – Vila “C”
Densidade aparente (Kg/m³) = peso da amostra (kg) ÷ Volume do recipiente (m³)
Densidade aparente (Kg/m³) = 34,00 ÷ 0,2
Densidade aparente (Kg/m³) = 170,00
Densidade Aparente – Região 03 – São Francisco
Densidade aparente (Kg/m³) = peso da amostra (kg) ÷ Volume do recipiente (m³)
Densidade aparente (Kg/m³) = 35,50 ÷ 0,2
Densidade aparente (Kg/m³) = 177,50
60
Densidade Aparente – Região 05 – Jardim São Paulo
Densidade aparente (Kg/m³) = peso da amostra (kg) ÷ Volume do recipiente (m³)
Densidade aparente (Kg/m³) = 32,00 ÷ 0,2
Densidade aparente (Kg/m³) = 160,00
Densidade Aparente – Região 09 – Centro / Vila Yolanda
Densidade aparente (Kg/m³) = peso da amostra (kg) ÷ Volume do recipiente (m³)
Densidade aparente (Kg/m³) = 32,50 ÷ 0,2
Densidade aparente (Kg/m³) = 162,50
Densidade Aparente – Região 10 – Campos do Iguaçu
Densidade aparente (Kg/m³) = peso da amostra (kg) ÷ Volume do recipiente (m³)
Densidade aparente (Kg/m³) = 34,50 ÷ 0,2
Densidade aparente (Kg/m³) = 172,50
4.1 COMPARATIVO ENTRE CIDADES DO MESMO PORTE DE FOZ DO
IGUAÇU
Vale ressaltar que comparar a composição dos RSU entre cidades do
mesmo porte é de grande importância para esse estudo, possibilitando a compreensão
da realidade de cada região.
Foz do Iguaçu, por suas características fronteiriças, possui uma
realidade um tanto diferente das demais, apresentando uma grande oscilação em
termos de produção de RSU, dependendo da época do ano, devido a entrada e saída
de um grande número de turistas.
61
Nesse contexto, pode-se notar, através da pesquisas realizadas, que
Foz do Iguaçu mantém uma produção média aproximada de 150 toneladas (no mês de
agosto), de RSU diariamente.
Maringá, por sua vez, município localizado no Estado do Paraná
apresenta a seguinte produção de RSU, como mostra a figura 21:
Classe econômica
Estação do ano
A
V
B
I
V
I
C
V
I
Componentes:
D
V
I
Maringá
V
I
%
Papel/papelão
24,51
24,64
21,47
22,15
14,10
12,83
10,46
11,00
17,65 17,64
Plásticos
14,39
11,94
14,71
12,88
16,30
14,20
12,54
10,88
14,48 12,48
Vidros
4,24
4,97
3,04
2,48
2,48
2,80
1,62
2,26
2,48
3,40
Metais
4,83
5,10
5,86
5,70
3,76
4,84
5,03
4,90
4,87
5,15
Trapos
1,42
2,30
1,66
2,19
2,61
3,50
2,34
4,77
2,01
3,21
Madeira/couro/borracha
1,04
1,95
3,07
2,43
5,97
4,63
3,55
3,24
3,41
3,09
48,09
47,58
47,74
48,17
50,98
53,51
61,81
59,34
52,14
52,17
1,48
1,52
2,45
2,92
3,80
3,30
2,65
3,61
2,60
2,86
Mat. Orgânico
Diversos
Figura 21: Composição dos RSU de Maringá
Fonte: BARROS, 2003
Na figura 22, pode-se observar que a composição dos RSU no
município de Passo Fundo, localizado no Estado do Rio Grande do Sul apresenta uma
grande produção de plástico filme, tendo diferença significativa se comparado com
Maringá e Foz do Iguaçu.
62
Figura 22: Composição dos RSU de Passo Fundo
Fonte: MATTEI, 2007
Assim, o percentual de plástico rígido obtido em Passo Fundo indica
que esse material não vem sendo triado de forma eficiente. A presença desses
materiais, assim como os plásticos filmes, trazem inconvenientes no aterro, pois
apresentam baixa densidade e elevada resistência à biodegradação.
63
5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O estudo demonstrou que há uma grande quantidade de materiais
recicláveis, não sendo aproveitados pelo sistema de coleta seletiva do município
(Papel/Papelão, Metais, Plástico, Vidros = 20,56%), estes materiais acabam por
diminuir a vida útil do Aterro municipal, sem considerar o valor econômico destes
resíduos.
Os dados obtidos por Barros (2003), quanto ao percentual de Matéria
Orgânica (52,17%), foram muito próximos ao encontrado na pesquisa (57,45%), e que
também concorda com a média nacional que é de aproximadamente 60%.
No gráfico percentual dos RSU do Jardim São Paulo o percentual de
Matéria Orgânica encontrado foi de 64,53%, diferente do encontrado nos Bairros São
64
Francisco (50,14%) e no Centro / Vila Yolanda (56,92%), este valor pode ser explicado
pelo baixo poder aquisitivo da maioria dos habitantes da região.
Em estudo realizado por Barros (2003), na cidade de Maringá, o autor
encontrou aproximadamente 18% de papel / apelão nos RSU quarteados, o valor
encontrado na cidade de Foz do Iguaçu foi de aproximadamente 6%. Essa diferença
pode ser explicada levando-se em consideração que a cidade possui um sistema de
Coleta Seletiva, onde este resíduo, em função de sua valorização no mercado é
altamente valorizada pelos Agentes Ambientais (catadores).
Um dado interessante a ser comparado é dos plásticos onde Barros
(2003), encontrou aproximadamente 13%, e o presente estudo encontrou 10%. Se
pensarmos que existe valor econômico agregado às resinas termoplásticas e que a
cidade de Foz do Iguaçu, possui um programa de Coleta Seletiva mesmo que parcial,
pode-se s
65
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando que os problemas gerados pelo lixo têm particularidades
discrepantes entre localidades, principalmente quanto a composição, quantidade e
periodicidade dos resíduos gerados, torna-se fundamental que cada munícipe ou
administrador público, que deseja ser um ator ativo no processo de gerenciamento dos
resíduos, passe a conhecê-lo através de definição, classificação e caracterização de
seus resíduos, para que aí se possa compreender a importância da temática para o
meio ambiente.
Com esse estudo levantou-se a composição dos RSU de seis regiões
do município de Foz do Iguaçu, sendo estas regiões estratégicas, devido o alto número
de moradores em cada uma delas.
Percebeu-se que a composição apresenta maior porcentagem de
matéria orgânica em todas as regiões, devido, ser a classe de resíduos composta de
restos de alimentos, folhas e poda de grama. A classe de contaminante biológico
apresentou
grande
quantidade
de
material,
devido
a
esta
classe
ser
predominantemente composta por produtos de higiene (papel higiênico, absorvente
íntimo, fraldas descartáveis, etc.).
Os materiais recicláveis (metal, plástico, papel / papelão e vidro)
apresentam-se em menor quantidade nas regiões estudadas, devido ao trabalho
executado pelo programa de coleta seletiva bem como a presença dos agentes
ambientais na cidade de Foz do Iguaçu.
66
Após a conclusão deste estudo comprovou-se a necessidade em
aumentar a frota de caminhões para coleta seletiva municipal, visto que 20,56% de
todos os RSU encaminhados ao Aterro Municipal podem ser reciclados. Teremos como
conseqüência da melhoria do programa de coleta seletiva o aumento da vida útil do
Aterro Sanitário e conseqüentemente a minimização dos passivos ambientais alem de
trazer benefícios em termos de economia, limpeza e responsabilidade social.
Figura 20: Caminhão para coleta seletiva
Fonte: Vital, 2008
67
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ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2004c). NBR 10006 Procedimento de obtenção de extrato solubilizado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro.
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Determinação da Composição Física dos Resíduos Sólidos