UNIVERSIDADE MEDOTODISTA DE SÃO PAULO
(PÓLO GUARATINGUETÁ)
Curso de Letras Português/Espanhol (EAD)
Artigo (reportagem) sobre as variantes lingüísticas na
Língua Portuguesa
DO CAMPO DO FUTEBOL AO CAMPO
LEXICAL E MORFOLÓGICO
UM GOL DE PLACA
Conteúdo: Perspectivas sociolingüísticas para o estudo da
linguagem
Orientadora: Profª. Drª. Andréa da Silva Pereira
Autor: Paulo Rone Zampieri – Matrícula: 136.721
Guaratinguetá, outubro de 2008.
Guaratinguetá: Terra das Garças Brancas
De origem indígena, Guaratinguetá significa “Terra das Garças Brancas”, visto
que seu território e sua paisagem sempre foram marcados pela grande quantidade de
garças. Os índios dominavam suas terras até a chegada dos brancos que, a partir de 1600,
começam a construir, a margem direita do Rio Paraíba do Sul, a cidade que, fundada em
13 de junho de 1630, já em 1651, é elevada a Vila Santo Antonio de Guaratinguetá e é
hoje uma das cidades mais antigas e importantes do Vale do Paraíba. Em Guaratinguetá
nasceram várias personalidades tais como: Frei Galvão, o primeiro santo brasileiro,
Dilermando Reis, músico e violinista, Rodrigues Alves, ex-presidente da República,
Euríclides de Jesus Zerbini, médico cardiologista e pioneiro no transplante de coração no
Brasil; nas terras de Guaratinguetá foi achada a imagem de Nossa Senhora de Aparecida,
o local hoje deu origem à cidade de Aparecida. A cidade abrigou também a Associação
Esportiva Guaratinguetá, clube de futebol fundado em 1905, extinto em 1998, que teve
seu auge entre 1961 até 1964, quando participou da elite do Futebol Paulista, tendo como
feito vencer o Santos do Rei Pelé por 3 X 0. Em 1960 foi campeão da Segunda Divisão
Paulista, que foi seu principal título na história. Seu estádio era o Ninho da Garça. Hoje
em dia, o representante de Guaratinguetá no futebol é o Guaratinguetá Futebol Ltda, que
já foi campeão paulista do interior e fez, no primeiro semestre de 2008, uma excelente
campanha no campeonato paulista de futebol, sendo líder da primeira fase, ficando entre
os quatros do Paulistão 2008.
Mascote do Guaratinguetá Futebol Ltda
Escultura de garças no Centro de Guaratinguetá
(Praça Três Garças)
A variante lingüística no futebol
O objetivo desta matéria é fazer uma análise das variantes lingüísticas na Língua
Portuguesa, ocorridas no nível lexical e morfológico, dentro da paixão nacional que é o
futebol, através da cobertura feita pelo sítio futebol do interior
(http://futebolinterior.com.br) da brilhante campanha do Guaratinguetá Futebol Ltda no
campeonato paulista de 2008 (ocorrida neste primeiro semestre), mostrando que além das
partidas realizadas dentro do campo de futebol, aconteceu uma cobertura jornalística
onde ocorreram outras partidas, agora no campo lexical e morfológico, na variante
sociocultural da profissão jogador de futebol, nos subconjuntos formados por palavras
pertencentes a uma mesma área de conhecimento ou de interesse, com a ocorrência do
registro de uma linguagem informal, através do uso de figuras de linguagem, com a
utilização de recursos metafóricos, capazes de imprimir e tornar mais expressivas as
mensagens, bem como do emprego de reduções lingüísticas ou de linguagens masculinas
que se servem de aumentativos e são muito utilizadas na narrativa futebolística. Desta
forma, opera-se a criação de diversas expressões e denominações que familiarizam e
aproximam os leitores da linguagem que comumente estes utilizam quando de suas
conversas e discussões a respeito do futebol, de seus ídolos e, principalmente, dos seus
times favoritos. Veremos, numa relação de similaridade entre o sentido próprio e o
sentido figurado, que as garças de Guaratinguetá continuam voando, tanto para se
abrigarem nas árvores que margeiam o Rio Paraíba, como para acolherem, no Estádio
Professor Dario Rodrigues Leite, o time da cidade, numa simbiose capaz de tornar único
o Ninho das Garças, por isso, começaremos com um breve histórico da cidade de
Guaratinguetá, a Associação Esportiva de Guaratinguetá e o Guaratinguetá Futebol Ltda.
A garça e seu ninho (aqui o Estádio Professor Dario Rodrigues Leite)
Variante sociocultural: profissão: jogador de futebol
Do campo do futebol ao campo lexical e morfológico
Analisando o conteúdo pesquisado (sítio futebol do interior – Campanha do
Guaratinguetá no Campeonato Paulista de 2008), observa-se, já na primeira matéria de 10
de janeiro, a seguinte manchete: “Guaratinguetá vive ansiedade pra enfrentar campeão
do Brasil”, onde o jornalista do sítio do futebol do interior relata que a primeira rodada do
Campeonato Paulista marca o duelo de campeões, onde o Guaratinguetá, campeão do
interior, enfrenta o São Paulo, atual bicampeão brasileiro. Assim, logo na manchete da
primeira matéria de cobertura do campeonato, percebe-se o registro informal através das
reduções lingüísticas (Guaratinguetá vive ansiedade pra enfrentar...) e o Guaratinguetá,
agora no corpo da matéria, sendo transformado em Guará (Os torcedores do Guará...).
Nota-se, também, como o registro informal de nível lexical através do uso de figuras de
linguagem, mais precisamente através da expressão metafórica popular, a comparação do
futebol a uma guerra, uma batalha, um combate, onde uma partida do campeonato é
marcada como um duelo de campeões. Ainda em relação a este histórico primeiro jogo
do campeonato paulista é importante observar o título principal da segunda matéria (do
dia 16 de janeiro): Guaratinguetá X São Paulo – Interior recebe o Imperador; bem como
a manchete após o jogo (17 de janeiro): Guaratinguetá 1 X 2 São Paulo – Brilha a estrela
do Imperador. Assim, se o futebol é comparado a uma batalha, aqueles que brilham no
campo do combate tendem a ser tratados como reis e imperadores. Pelé é o Rei do
Futebol, pois reinou absoluto nos gramados do mundo inteiro. Adriano, que imperou
sobre os gramados do Estádio San Siro de Milão (reparem a analogia com o Imperador
romano Adriano que reinou entre os anos 117 a 138), passou a ser o Imperador do
futebol. Nesta variante de sexo (gênero masculino), percebemos o nível lexical de estilo
metafórico, mas que poderia ser, diante do exagero contido, de estilo hiperbólico, pois faz
o jogador de futebol carregar os sonhos e as expectativas de todo um Império, aqui
compreendido como seu time e a sua imensa massa de torcedores. Ainda bem que os
deuses do futebol estavam de prontidão, aliviando a carga do Imperador Adriano que,
numa noite memorável, brilhou, marcando dois lindos gols.
Outra questão a ser analisada, dentro da variante lingüística do futebol e ainda no
plano lexical, são as metáforas que fazem analogias entre os animais e as diversas
equipes de futebol. Esta figura de linguagem é tão forte e poderosa que os torcedores
destes clubes passam a ser chamados, muitas das vezes, pelo bicho que eles representam.
Quem nunca chamou um torcedor palmeirense de “porco” ou um corintiano de “gambá”?
Este desfile de mascotes animais, ou animais mascotes, ganhou notícia no sítio do futebol
do interior, com a manchete: Zoológico! Animais dominam mascotes na A1, A2, e A3
Paulista, onde dos 60 clubes, 55 são representados por animais, sendo que os mais
populares são o Leão e o Galo. O Rei da selva aparece em nove clubes, já o dono do
galinheiro, relata o autor da matéria, é representado por sete. Para enfatizar o uso destas
metáforas equiparando o time ao seu animal (mascote), decifrem esta primeira página:
Rio Preto 0 X 1 Guaratinguetá – Garça na cola da macaca. A garça já contou sua
história e sua ligação, afetiva e toponímica, com Guaratinguetá, mas e a macaca, quem
será?... Pois esse uso de linguagem com registro informal, através de figuras de
linguagem, principalmente com as expressões metafóricas populares, é tão usual na
comunicação dos amantes do futebol, que falar em macaca é falar da Ponte Preta de
Campinas. O mesmo ocorre com relação à reportagem sobre o jogo do Guaratinguetá
com o Santos, onde o título é: Peixe volta a Guará após 44 anos. Ou seja, o grande
Alvinegro Praiano é tratado por Peixe, e este tratamento é de fácil identificação pelos
apaixonados por futebol, provando que o boleiro já está acostumado a bater umas peladas
no campo lexical, morfológico e semântico da linguagem e das palavras utilizadas no
discurso narrativo do futebol, ainda que não tenha consciência de sua existência.
Duelo entre o Guaratinguetá e o
Santos ou entre a Garça e o Peixe
(Baleia)
Ainda para realçar a força das expressões metafóricas nas coberturas das partidas
futebolísticas, bem como o uso constante destas figuras de imagem, repare no título da
notícia de outro jogo ocorrido no dia 24 de fevereiro na Rua Javari, em São Paulo:
Juventus X Guaratinguetá – É ou não cavalo paraguaio? Em que o Tricolor do Vale
do Paraíba (outro nome dado ao time em virtude das cores branca, vermelha e azul, de
seu uniforme), teria que vencer para comprovar que não é mais um cavalo paraguaio, ou
seja, para afirmar que realmente trata-se de uma equipe verdadeira e não falsificada, sem
força. Nota-se ainda, no corpo do artigo, o subtítulo “Xerife está de volta!”, para
informar a volta de um zagueiro titular ao time, demonstrando o registro informal de uma
linguagem masculina, onde o zagueiro xerife é aquele que toma conta de sua defesa,
protegendo e evitando a invasão do time inimigo em sua área. Esta mesma linguagem
pode ser observada no título e subtítulo do jogo de 06 de fevereiro entre o Palmeiras e o
Guaratinguetá: Palmeiras X Guaratinguetá – Líder defende ponta contra Luxa.
Verdão cauteloso?! Aqui, além da redução lingüística ocorrida no nome do técnico do
Palmeiras (Luxemburgo para Luxa), ocorre uma variante sociocultural relacionada a
profissão muito comum na linguagem masculina do futebol, agora no nível morfológico,
que é o uso do aumentativo, onde o Palmeiras (verde), é chamado por Verdão, o
cauteloso Verdão sucumbiu: Palmeiras 0 X 3 Guaratinguetá – Mais um show do
líder!!!
(Foto de André Rigue/Estadão) -> Michael abre o placar para o Guará em cobrança de pênalti, ao
chutar no campo oposto de Marcos
Uma brilhante campanha, uma cobertura com muitas variantes (lingüísticas)
Assim foi a brilhante campanha do Guaratinguetá no Paulistão de 2008,
merecendo destaque no sítio da FIFA, a entidade máxima do futebol, com uma
reportagem extensa intitulada “Guará prospera em terra de Gigantes”, enumerando os
feitos da equipe que, mesmo eliminada na semifinal do Campeonato Paulista, acredita
que atingiu seu objetivo, tanto que após a “ressaca” da eliminação para a Ponte Preta, sua
diretoria soltou nota de agradecimento à cidade, torcedores e parceiros.
Assim concluí-se este trabalho que fez um estudo das variantes lingüísticas
existentes nas coberturas futebolísticas, a partir das matérias do sítio futebol do interior e
a campanha do Guaratinguetá Futebol Ltda do Campeonato Paulista de Futebol de 2008,
demonstrando-se diversas questões ligadas à variante sociocultural: profissão jogador de
futebol, com as conseqüentes variantes de linguagem de nível lexical e morfológico num
registro de linguagem informal, linguagens masculina com o uso do aumentativo,
reduções lingüísticas, figuras de imagem, metáforas e ou expressões metafóricas
populares, saltando do campo apaixonante do futebol para outro campo não mesmo
apaixonante: nossa língua portuguesa. Um gol de placa.
Do campo do futebol
Ao campo lexical e morfológico
Um gol de placa
Paulo Rone Zampieri
Referências Bibliográficas
Sítios:
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http://futebolinterior.com.br
http://www.guarafutebol.com.br
http://www.brasilescola.com/português
http://pt.wikipedia.org/wiki/guaratinguet%3%A1
http://pt.wikipedia.org/wiki/guaratinguet%3%A1_esporteclube
http://pt.wikipedia.org/wiki/associa%C3%A7%C3%A1_esportiva_guaratingu
et%C3A1
http://www.fifa.com/worldfootball/clubfootball/news/newsid=700034.html#g
uara+thrive+land+giants
http://monografias.brasilescola.com/educacao/variacao-linguistica-umarealidade-nossa-lingua.htm
Fotos:
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http://classicoeclassico.sites.uol.com.br/templos/sp/guaratin3.jpg
http://www2.pindavale.com.br
http://images.google.com.br
http://www.guarafutebol.com.br
Aula:
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F R A S E S - Arkheia Metodista