Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.2, n.2, p.83-90, 2000 SECAGEM DE SEMENTES DE FEIJÃO (Phaseolus vulgares L.) VARIEDADE CARIOQUINHA USANDO BOMBA DE CALOR Mário Eduardo R. M. Cavalcanti Mata1, José Rildo Oliveira2, Maria Elita Duarte Braga3 RESUMO Foi construída uma bomba de calor para produzir ar a baixas umidades relativas e temperaturas para secagem de produtos termosensiveis como sementes de feijões. O processo consistiu em usar um sistema de refrigeração, usando como gás refrigerante o R-22. Nesse processo o ar ambiente passa pelo evaporador, condensando parte do vapor de água existente no ar, e em seguida esse ar se movimenta por parte de condensador do sistema, quando então é aquecido. Por meio do controle da vazão mássica do fluído refrigerante e do fluxo do ar de secagem, foi possível obter temperaturas e umidade relativa de 28 oC e UR 40%; 32 oC e UR 35%; 36°C e UR 30%. O fluxo do ar de secagem utilizado neste trabalho foi de 95 m3.min-1.m-2. Diante dos resultados obtidos e para as condições do ar de secagem, produzidas pela bomba de calor, pode-se concluir que é possível secar 50 quilos de sementes de feijão de um teor de umidade inicial médio de 35%b.s. para 13,5% b.s., em um período de tempo médio de 45, 21 e 18 horas, respectivamente, não havendo diminuição significativa da germinação das sementes que foi de 92%. Palavras-chave: bomba de calor, secagem, sementes VARIETY "CARIOQUINHA" BEANS SEEDS DRYING (Phaseolus vulgares L.) BY THE OF A HEAT PUMP ABSTRACT A heat pump has been built for air production that’s close to room temperature and low relative humidity in order to have dried thermo-sensible products like beans seeds. The process uses a refrigerating system by steam pressure. It’s used R22 as refrigerating gas, where room air condenses part of its water steam in the air, this air passes through the refrigerating system's "steamer", and then this air is heated by passing along part of the condensator. Through the control of drain mass of the refrigerating fluid and the air flow, it has been possible to get temperatures and relative humidity of 28o C and RH 40%; 32o C and RH 35%; 36°C and RH 30%. For these obtained air conditions, there was used a beans seed drying at a rate of 95 m3. min.-1.m-2. Due to the obtained result we could get the conclusion that for produced air conditions by the heat pump, it is possible to dry 50 kg. of beans seeds at an average initial moisture content of 35% d.b. for 13.5% of moisture content, d.b. in an average time period of 45, 21, and 18 hours, respectively, without significant changes in seeds germination that has been 92%. Keywords: heat pump, drying, seed _______________________ 1 Agricultural Engineering Department, Federal University of Paraíba. P.O.Box 10.087, CEP 58.109-970 Campina Grande, PB – Brazil E- mail: [email protected] 2 Mechanical Engineering, Postgraduate Student of Agricultural Engineering. POB 10.087 CEP 58.109-970 Campina Grande, PB-Brazil E-mail: [email protected] 3 Agricultural Engineering Department, Federal University of Paraíba. P.O.Box 10.087, CEP 58.109-970 Campina Grande, PB – Brazil E-mail: [email protected] 83 84 INTRODUÇÃO As sementes representam um mecanismo de sobrevivência e perpetuação das espécies, sendo consideradas produtos nobres de alto valor agregado e portadoras de determinadas características genéticas que fazem com que cerca de 1/3 a 3/4 da população dos países, em nível mundial, se alimentem de grãos de cereais e leguminosas. Depois da produção as sementes de feijão necessitam ser secas para preservar sua qualidade durante a sua armazenagem. Nesta etapa o teor de umidade é reduzido de aproximadamente 35% para 12% base úmida, sendo os processos mais utilizados: a) secagem natural e b) secagem em secadores de camada estacionária. A secagem natural tem sido utilizada só, quando as condições do ar ambiente permitem a secagem dos produtos. Como no Nordeste Brasileiro, o período de colheita do feijão é um período chuvoso, a secagem artificial é a mais empregada, utilizando-se secadores de camada estacionária Algumas unidades beneficiadoras de sementes usam sistemas alimentados por resistências elétricas para aquecer o ar de secagem. Do ponto de vista técnico, as resistências são eficientes, confiáveis e de fácil manuseio. No que diz respeito aos custos, em virtude dos programas de subsídios à eletrificação rural, tanto o investimento inicial como as manutenções são baixas. No entanto, com a privatização do setor energético, é provável que estes custos não se mantenham nos mesmos patamares. Além do mais, o uso indiscriminado dos secadores de resistência pode causar sobrecarga nas linhas de alimentação e distribuição de energia. O uso de bomba de calor no condicionamento de ar para secadores apresenta todas as vantagens dos sistemas de secagem a baixas temperaturas e manifesta as mesmas características desejáveis das fontes de calor resistivas. Do ponto de vista termodinâmico, é consideravelmente mais eficiente. O consumo de eletricidade é 52% menor que as cargas resistivas e viabiliza a obtenção de um produto de qualidade mais homogênea (Hogan et al., 1983). Estudos feitos por Sathler (1979) e Cavalcanti Mata (1997) mostraram que as sementes de feijão, quando secas a temperaturas acima de 35°C diminuem seu poder germinativo em torno de 30%, caracterizando-se como um produto termosensível. Desta forma, para que a semente de feijão não seja afetada e esse produto possa ser seco, seria necessário fornecer às sementes um ar que tenha uma temperatura em torno de 30 °C e baixas umidades relativas (inferiores a 50%). Assim sendo, nos processos de secagem com temperaturas do ar de secagem próximas à temperatura ambiente, pensou-se em utilizar um ciclo de refrigeração aberto simples, onde o ar ambiente úmido passasse primeiramente pelo evaporador, fazendo com que o ar resfriado atingisse uma temperatura abaixo do ponto de orvalho, condensando-o, e, em seguida, passasse por um condensador que aquecesse este ar até a temperatura em torno de 30°C. Desta forma, os objetivos deste trabalho foram: a) construir uma bomba de calor para secagem de produtos termosensíveis (sementes de feijão); b) secar sementes de feijão nas diversas condições de secagem geradas pela bomba de calor; c) correlacionar os dados experimentais com os simulados pelo modelo de Thompson, utilizando o software aplicado à secagem de grãos – SASG 5.0 – desenvolvido para o feijão carioca por Cavalcanti Mata et al. (1995). MATERIAIS E MÉTODOS Este trabalho foi realizado no Laboratório de Processamento e Armazenamento de Produtos Agrícolas do Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal da Paraíba. Para realização deste trabalho, foram obtidas sementes de feijão junto a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba – EMEPA, proveniente do seu campo de produção de sementes no município de Lagoa Seca – PB, safra 1999. Bomba de calor bomba de calor para secagem de sementes, Figura 1, foi construída a partir de um condicionador de ar doméstico, com capacidade de 18.000 BTU/h, tendo como fluido de trabalho o R22. Duas modificações foram feitas no equipamento: A primeira consistiu na adição de um trocador de calor, “condensador”, de dimensões menores (520mm x 180mm), interligado em série com o circuito frigorífico já existente, sendo que este ficou localizado na parte frontal superior do equipamento, fazendo com que o ar ambiente atravesse as superfícies do evaporador e do condensador e troque as energias neles contidas; a segunda modificação foi a substituição da hélice original, cujo diâmetro era de 380mm, por outra de diâmetro inferior, 340mm. Os demais componentes foram mantidos. Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.2, n.2, p.83-90, 2000 85 As modificações efetuadas no condicionador de ar têm por objetivo o aproveitamento simultâneo dos fluxos energéticos gerados no condensador e no evaporador. O sistema proposto consiste em fazer com que o ar ambiente troque calor com o evaporador, resfriando este ar abaixo do seu ponto Axial Fan de orvalho. O ar saturado que sai do evaporador passa em seguida por parte da energia dissipada pelo condensador (condensador 2), fazendo com que saia, deste engenho, um ar a baixa temperatura (próximo a temperatura ambiente) e com baixa umidade relativa. Evaporator Condenser 2 Condenser 1 air Drying Compressor Centrifugal valve Expansion valve Fan Figura 1. Esquema de produção de ar para secagem de sementes, com baixa temperatura e baixa umidade relativa, utilizando uma bomba de calor. A secagem das sementes de feijão foi realizada com as condições do ar de saída da bomba de calor, em um secador com capacidade de 50 kg de sementes, a uma altura da camada de 50 cm e fluxo do ar de secagem de 95m3.min-1.m-2. Coeficiente e fator de performance da bomba de calor O coeficiente de performance da bomba de calor foi avaliado para as condições médias do ar durante a secagem. Foi determinado também o fator de performance. Para essas determinações, foram conectados termopares, na linha do refrigerante nas posições: entrada do compressor (1), na saída do compressor (2), na entrada do condensador 1 (3), na saída do condensador 2 (4) e na entrada do evaporador (5), conforme indicado na Figura 2. A formulas utilizadas para determinação do coeficiente de performance e do fator de performanace foram: COP h2 h4 h2 h1 em que COP h1 h2 h4 Coeficiente de performance, adimensional entalpia na entrada do compressor, kJ/kg entalpia na saída do compressor, kJ/kg entalpia na saída do condensador 2, kJ/kg PF h1 h5 h2 h1 (2) em que PF h5 fator de performance entalpia na entrada do evaporador, kJ/kg Os dados experimentais obtidos da secagem de sementes de feijão foram comparados com os simulados por meio do Programa computacional denominado SASG 5.0 (Software Aplicado à Secagem de Grãos), desenvolvido por Cavalcanti Mata et al. (1995). (1) Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.2, n.2, p.83-90, 2000 86 C ondenser 2 Seed drying Pressure ( MPa ) C ondenser 1 2 3 4 W 5 1 E vaporator A m biental air E nthalpy ( k J.k g -1 .°K -1 ) Figura 2. Esquema de um diagrama Pressão – Entalpia para determinação do coeficiente de performance (COP) do sistema. Grande, ocasionadas pelas chuvas, conforme mostra a Tabela 2. Como o equipamento adota condensação a ar, consequentemente, ocorreram pequenas variações nos dados coletados. Assim sendo, tomou-se como parâmetro a média de cada mês, tanto para as temperaturas como para a umidade relativa do ar. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os testes de avaliação do equipamento foram feitos durante os meses de julho, agosto e setembro de 1999. Vale ressaltar que, nessa época do ano, a temperatura e a umidade relativa do ar sofrem oscilações bruscas, na cidade de Campina Tabela 2. Dados meteorológicos de Campina Grande Mês Precip. (mm) julho 95,8 agosto 36,5 setembro 16,7 T. ar b. s. (ºC) máxm mínm média 24,6 19,4 21,6 24,5 19,9 21,5 26,3 20,4 22,6 Umid. Rel. (%) T. amb. b. s. (ºC) máxm mínm média máxm mínm média 96 58 76 26,2 18,6 22,4 94 55 73 26,7 18,1 22,4 93 53 77 28,2 19,3 23,7 Fonte – Estação Meteorológica da EMBRAPA - CNPA Na operação de secagem das sementes, o ar de circulação é submetido à uma pressão estática proporcionada pela camada do produto. O ventilador centrífugo usado no condicionador de ar não teve capacidade para vencer pressões dessa magnitude, (1,13mm c.a.m-1 de coluna de grãos) sem alterar o ciclo de refrigeração, pois ocorreu uma diminuição do fluxo de ar de circulação que incide sobre o evaporador, acarretando uma redução no efeito refrigerante do sistema, causando assim, modificações no ciclo termodinâmico do equipamento. Visando solucionar este problema, aumentou-se o fluxo de ar que passa pelo evaporador e pelo condensador 2, utilizando-se um ventilador centrífugo auxiliar de média pressão, marca JOMAR, modelo R8, de 7000rpm e 0,25 CV. Esse ventilador auxiliar utilizado permite vencer pressões estáticas mais altas do que as necessárias, portanto, para evitar um aumento demasiado da vazão e da temperatura do ar de secagem, a rotação da ventoinha foi controlada por meio de um potenciômetro. Desta forma, trabalhou-se com uma rotação apenas o suficiente para evitar o congelamento do ciclo. Nestas condições, a vazão do ar de secagem foi de 1,94 m3.s-1. Esta observação implica dizer que os dois ventiladores (axial e o centrífugo) que trabalham no mesmo eixo de rotação devem sofrer uma alteração que possibilite a colocação de ventiladores com características de potência, vazão e rotação diferentes. Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.2, n.2, p.83-90, 2000 87 Na Tabela 3, encontram-se os valores do rendimento da bomba de calor obtido durante a secagem de sementes de feijão. Os valores encontrados na Tabela 3 estão compatíveis com a capacidade do equipamento e próximos aos encontrados por Takeuchi et al. (1991) que projetaram um sistema para secagem de produtos agrícolas com capacidade de 15000 a 23000 BTU/h, obtendo um fator de performance da ordem de 4 a 5. Na literatura, poucos são os trabalhos envolvendo a secagem de produtos agrícolas, utilizando condicionador de ar como bomba de calor. Segundo Gomes (1995), geralmente, os trabalhos, envolvendo o uso de condicionador de ar como bomba de calor destina-se ao aquecimento do ar ambiente ou da água, obtendo-se um coeficiente de performance médio em torno de 2,9. Tabela 3. Rendimento da bomba de calor durante a secagem das sementes de feijão Bomba de Calor Variáveis F.P. COP COPteórico 6,3 5,3 7,95 Nc 0,67 Secagem das sementes de feijão e sua simulação Inicialmente, utilizou-se um programa de computação que simulasse a secagem de sementes de feijão, desenvolvido por Cavalcanti Mata (1997), usando o modelo de Thompson (1976), com validade para temperaturas entre 40 e 80ºC. No entanto, os dados experimentais e simulados não foram satisfatórios, o que é compreensível, pois estava na faixa de extrapolação de sua validade. Diante desse fato, procurou-se determinar, para o modelo de Thompson, uma nova equação de camada fina para a faixa de temperatura entre 21 e 41ºC, sendo que os valores das constantes obtidas para a equação de Thompson [ t = A.ln(RM) + B(ln(RM))2 ] foram: A = -91,7178 x Exp.(-0,147T); B = 9,947 x Exp. (-0,07704T) (3) em que A B coeficiente que depende do material coeficiente que depende do material RM M Me Mi Me (4) RM = M = t = Razão de umidade, adimensional Teor de umidade, decimal, base seca Tempo, h Na Tabela 4, encontram-se as três diferentes condições de secagem experimentais e simuladas, das sementes de feijão, realizadas utilizando-se a bomba de calor de 18.000 BTU/h. As sementes de feijão tiveram o seu teor de umidade reduzido, de 25 para 12% base seca, num período de tempo de 45, 21 e 18 horas para as condições do ar de secagem de 28o C e UR de 40%; 32o C e UR de 35%; 36°C e UR 30%, respectivamente. As curvas de secagem das sementes de feijão, mostradas na Figura 3, são para as condições de secagem de 32°C e 35% de umidade relativa do ar e compreendem uma média de duas repetições. Nessa Figura, encontram-se também as curvas de secagem das sementes de feijão calculadas pelo programa de simulação SASG 5.0. Mesmo assim, como pode ser observado na Figura 20, o tempo de secagem no processo de simulação foi de 25 horas, enquanto que, na secagem experimental, foi de 21 horas, verificando-se uma diferença no tempo de secagem de 19%, o que é aceitável, tendo em vista que, segundo Martins (1982), os erros entre os valores experimentais e os simulados podem estar em torno dos 20%. Contudo, constata-se, ainda na Figura 3, que os valores simulados podem estar próximos em termos de média, mas não em termos de cada camada individualmente, o que sugere que o modelo de simulação para feijão necessita ainda de alguns ajustes e de investigações mais apuradas. Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.2, n.2, p.83-90, 2000 88 Tabela 4. Condições da simulação de secagem obtidas a partir dos dados experimentais. Temperatura ambiente (°C) Umidade relativa ambiente (%) Temperatura do ar secagem (°C) Umidade relativa do ar de secagem (%) Teor de umidade inicial das sementes, % base seca Teor de umidade final das sementes, % base seca Fluxo de ar ( m3.min-1.m-2 ) Altura da camada (m) 22 77 28 40 25 12 8 0,5 21,6 76 32 35 25 12 8 0,5 21,3 73 36 30 25 12 8 0,5 Tempo de secagem experimental (h) Tempo de secagem simulada (h) 45 49 21 25 18 21 20 24 18 22 20 16 18 16 14 14 Teor de umidade b.u.(%) Teor de umidade b.s.(%) 26 12 12 0 2 4 6 8 10 12 Tempo (h) 1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª 3ª camada, camada, camada, camada, camada, camada, camada, 1ª secagem, (0,12m) 1ª secagem, (0,24m) 2ª secagem, (0,12m) 2ª secagem, (0,24m) valores simulados valores simulados valores simulados Figura 3. Dados experimentais e simulados da secagem em camada delgada de sementes de feijão, à temperatura de 32ºC (±0,5ºC) e 25% de umidade inicial em base seca. Eficiência da secagem Na Tabela 5, verifica-se que o equipamento consome, em média, 2,35kW.h e que, no período de 21 horas, foram retirados 6,35 kg de água, sendo a eficiência desses equipamento, durante o processo de secagem das sementes de 7,6 kW.h por quilograma de água evaporada. Hogan (1983) utilizando um sistema com capacidade de aquecimento de 24 kW, na secagem de 100 toneladas milho, obteve um consumo de 0,557kW.h por quilograma de água evaporada. Contudo, vale ressaltar que o sistema utilizado por Hogan, por destinar-se à secagem de grãos, trabalhou com temperaturas de secagem mais altas, enquanto que o objetivo desse experimento foi o de secar sementes de feijão a temperaturas mais baixas, por tratar-se de um produto termosensível. Assim sendo, o valor obtido neste trabalho pode ser considerado satisfatório, uma vez que no ciclo termodinâmico do sistema de refrigeração muita energia ainda permanece disponível para outra finalidade, sugerindo-se o seu uso na pré-secagem das sementes, ainda na vagem, até o ponto de debulha. Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.2, n.2, p.83-90, 2000 89 Tabela 5. Eficiência de secagem da bomba de calor durante a secagem das vagens, secagem das sementes e secagem simultânea das vagens e das sementes de feijão Secagem Consumo (kW.h) Tempo (h) Qevap (kg) E. S. (kW.h/kg) sementes 2,35 21,0 4,54 7,6 Testes de vigor e de germinação das sementes de feijão Os testes de vigor e de germinação, observados na Tabela 6, realizados durante este trabalho mostram que, para as condições de secagem utilizadas, o processo de secagem não afetou a qualidade fisiológica das sementes, logo após os experimentos, confirmando que, quando as sementes são secas a uma baixa temperatura (31 ±1)ºC, a sua qualidade é preservada. Isto também foi observado por Sathler (1979), que secou sementes de feijão sob temperaturas de 30, 35, 40, 45 e 50ºC, e chegou à conclusão de que sementes secas a temperaturas abaixo de 35ºC não são afetadas na sua qualidade fisiológica. Tabela 6. Valores médios dos percentuais de germinação e de vigor, obtidos para sementes de feijão. Condição Antes da secagem Após secagem Teor de umidade b.s. 25 12 CONCLUSÕES A utilização da bomba de calor no aquecimento do ar ambiente para secagem de vagens de feijão mostrou-se viável, na medida em que se produziu ar com baixa umidade absoluta e temperatura próxima de 50°C. O coeficiente de performance da bomba de calor, trabalhando com carga e sem ela, no secador de sementes, foi de 4,6 e 4,9, respectivamente. Caso o sistema tenha que ser projetado para realizar secagens com uma camada de sementes igual ou superior a 0,5m, é necessário substituir o ventilador centrífugo original do condicionador, por um ventilador centrífugo de média pressão, de modo que se tenha uma vazão mínima de 1,94m3/s. O sistema projetado tem uma eficiência de secagem de 4,65 kW.h por quilograma de água evaporada na secagem das sementes de feijão, com teor de umidade inicial de 25% b.s. até 12% b.s. Vigor (%) 92 92 Germinação(%) 98 98 A germinação (98%) e o vigor (92%) das sementes de feijão não foram afetados pelas condições de secagem utilizadas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Almeida, M.M. Armazenagem refrigerada de umbu (Spondias tuberosa Arruda Câmara): alterações das características físicas e químicas de diferentes estádios de maturação. Campina Grande, PB. Universidade Federal da Paraíba, 1999. 89p. (Tese de Mestrado ). Brooker, D.B., Bakker-Arkema, F.W., Hall, C.W. Drying and storage of grains and oilseeds. New York, The AVI Van Nostrand Reinhold, 1992. 450p. Cavalcanti Mata, M.E.R.M. Efeito da secagem em altas temperaturas por curtos períodos de tempo em camada estacionaria, sobre a armazenagem de sementes de feijão ( Phaseolus vulgaris L.) variedade ”carioca”. Campinas. Universidade Estadual de Campinas. 1997. 229p. (Tese de Doutorado). Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.2, n.2, p.83-90, 2000 90 Crank, J. 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