Tutorial 01 ALINHAMENTO CONCEITUAL E PRÁTICA DO PROCESSO DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos - ABIMAQ Presidente Luiz Aubert Neto Conselho de Tecnologia Celso Vicente Vice-Presidente ABIMAQ e Coordenador do Conselho Arthur Almeida Carlos Alberto Maciel Claudio Deziderio Claudio Makarovsky Djalma Bordignon Hernane Kaminski Cauduro Judenor Marchioro Mário Vedovello Sarraf Paulo Adolfo Dietziker Renato Laranjeira Wagner Setti Waldomiro Modena Filho Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da Indústria e Máquinas e Equipamentos – IPDMAQ Conselho Gestor João Alfredo Saraiva Delgado Presidente Celso Vicente Vice-Presidente Carlos César Padovan Corrado Vallo Evandro Luciano Orsi Conselho Fiscal Carlos Octávio Villanova Nogueira Hiroyuki Sato Walter Luiz Lapietra Secretária Executiva do IPDMAQ Anita Dedding Equipe Técnica Juliano Carillo Gomes Rodrigo Correia do Amaral Apoio Gisele Aparecida Machado Vanessa Thais Lopes Rodrigues Bolsista CNPq Wagner Aneas ALINHAMENTO CONCEITUAL E PRÁTICA DO PROCESSO DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA Carlos Alberto Schneider, Prof. Dr.-Ing Fundação CERTI/SG Antônio Rogério de Souza, Prof. Dr. Fundação CERTI/CIENCIA Novembro/2011 Expediente Autores Carlos Alberto Schneider Antônio Rogério de Souza Colaboração Eliza Coral Eduardo Rezende Orestes Estevan Alarcon Anita Dedding Revisão do Texto Luciana Santaella Malaguti Capa Bruno Quint Berreta Editoração Rodrigo Silva da Silva Fundação CERTI www.certi.org.br Universidade Federal de Santa Catarina Departamento de Engenharia Mecânica www.emc.ufsc.br UFSC Departamento de Engenharia Mecânica Catalogação na fonte elaborada por Heloisa Costa CRB 14/977 S358g Schneider, Carlos Alberto. Gestão da inovação na indústria de bens de capital : alinhamento conceitual e prática do processo de inovação tecnológica. / Carlos Alberto Schneider; Antônio Rogério de Souza – Florianópolis, 2011. 30f. : il., graf., tab., 29 cm. Conteúdo : Tutorial 1 Inclui referências. 1. Inovação tecnológica. 2. Bens de capital. 3. Desenvolvimento industrial. I. Schneider, Carlos Alberto. II. Souza, Antônio Rogério de. III. ABIMAQ. IV. Título. CDU 65.339.188 “Todos os direitos autorais pertencentes à Fundação CERTI, protegidos conforme Lei n° 9.610/96” APRESENTAÇÃO Após a abertura da economia brasileira no início dos anos 90, as empresas nacionais têm se alinhado em torno de uma agenda de fortalecimento da sua competitividade. O combate aos juros altos e à carga tributária elevada, a reivindicação por crédito e investimentos em infraestrutura, o aumento no número de normas técnicas que assegurem a segurança e a qualidade das máquinas e equipamentos, e a valorização de uma cultura de inovação nas empresas são os temas de maior destaque dessa agenda. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos tem representado os interesses do setor em cada um desses pontos. Ao longo de 70 anos, a ABIMAQ tem atuado tanto com a apresentação de reivindicações ao poder público, como com a construção de uma agenda positiva que possa favorecer, ao final, a indústria nacional. O Programa Gestão da Inovação na Indústria de Bens de Capital foi concebido pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Bens de Capital, o IPDMAQ, com esse espírito cooperativo, e tem sido realizado em uma parceria com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, através do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq. A finalidade desta iniciativa é capacitar as empresas do setor de bens de capital na elaboração de projetos de inovação, entre outras atividades. A sua realização procura enfrentar o déficit tecnológico crescente em alguns segmentos, mas também procura aproveitar as oportunidades recentemente colocadas pelo Plano Brasil Maior, que dará ênfase nos próximos quatro anos aos investimentos em inovação. As atividades previstas pelo Programa estão estruturadas em 4 grandes metas: 1. Realizar workshops em Gestão da Inovação na Indústria de Bens de Capital 2. Realizar visitas de imersão em empresas participantes desses workshops 3. Criar o Sistema de Informações online no portal do IPDMAQ 4. Criar o Sistema de Monitoramento online de iniciativas de inovação no setor Este tutorial, elaborado em parceria com a Fundação CERTI e o Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina, é um primeiro esforço para orientar as empresas na elaboração de um projeto de inovação. O acompanhamento posterior do IPDMAQ será outra medida para que as ideias de inovação possam se converter em projetos estruturados, e para que esses projetos possam se converter em ações de inovação concretas. A ABIMAQ e o IPDMAQ têm trabalhado para que, através de ações como esta, a inovação seja a principal alavanca da competitividade no setor de Bens de Capital. Agradecemos, desde já, a participação das empresas nesta iniciativa, e desejamos continuar contando com o empenho de todos na construção de um Brasil mais inovador e competitivo. Boa leitura. Celso Vicente Vice-presidente e Coordenador do Conselho de Tecnologia da ABIMAQ SUMÁRIO 1. Introdução ..........................................................................................................................9 2. Conceito de Inovação Tecnológica ......................................................................................10 3. Ciclo de Vida dos Produtos .................................................................................................17 4. Riscos ao Inovar .................................................................................................................18 5. Elementos-Chave para sua Empresa Inovar ........................................................................19 6. A Gestão da Inovação ........................................................................................................21 7. A Cooperação para a Inovação ...........................................................................................25 8. O Financiamento da inovação ...........................................................................................27 9. Conclusões .........................................................................................................................28 10. Referências ......................................................................................................................28 1. INTRODUÇÃO O desenvolvimento industrial tem sido submetido, ao longo de sua história, a grandes mudanças de paradigmas. Estas mudanças geraram adaptações que permanecem interiorizadas no ambiente empresarial. Destacam-se como fundamentalmente impactantes os paradigmas da PRODUTIVIDADE, da QUALIDADE e da FLEXIBILIDADE E AGILIDADE. Estes desafios apresentaram algumas características que devem ser destacadas. No paradigma de PRODUTIVIDADE, buscava-se suprir uma demanda maior do que a oferta, de modo que a ênfase era focada na ampliação da produção. Pouca era a atividade de desenvolvimento de novos produtos e a qualidade era uma questão de final de processo. O paradigma da QUALIDADE trouxe consigo a necessidade de atender bem o cliente. A visão do mercado e de processos entra em cena como questões-chave. Porém, poucos projetos de desenvolvimento eram centrados na engenharia de produto e de manufatura. O paradigma da FLEXIBILIDADE E AGILIDADE surgiu com a necessidade de diversificação de produtos, devido a demandas do mercado, exigindo maior freqüência e rapidez de fornecimento. Começava a era dos multiprojetos e da informação. Atualmente, enfrenta-se um novo paradigma que é o da INOVAÇÃO. Ele surgiu, naturalmente, como complemento ao avançado conhecimento e atingiu fortemente o negócio. O conhecimento passou a ser muito valorizado e a internalização da cultura da inovação na empresa passou a ser imprescindível para sua competitividade no mercado globalizado. O Brasil está no meio desta mudança, em que a gestão do conhecimento, o desenvolvimento de parcerias e alianças, a gestão do capital intelectual e a criação de ambientes corporativos adequados passar a ser fundamental para o desenvolvimento das empresas. Embora a inovação tenha sido sempre uma preocupação ao longo de toda a história do desenvolvimento industrial, somente nos últimos anos ela atingiu status de maior importância no ambiente empresarial, ganhando, inclusive, contorno especial nos meios governamentais, acadêmicos e empresariais. A partir do momento em que a inovação se torna fator-chave para a competitividade e até mesmo de sobrevivência das empresas, este novo paradigma passou a exigir um profissionalismo que antes era pouco considerado. O nível de competição global exige que as empresas inovem seus produtos e processos cada vez mais rápido e com menor custo, para fazer frente aos concorrentes. Desta forma, o desenvolvimento empírico é substituído pelo desenvolvimento planejado e com profunda base técnico-científica. Não existe mais espaço para amadorismos. Como será ressaltado neste tutorial, a maioria dos produtos lançados no mercado não tem sucesso. Porém, as causas desse insucesso podem ser minimizadas com uma boa gestão, tomando-se algumas precauções. Este novo paradigma exige das empresas a estruturação para inovação. Uma empresa inovadora deve ter em seu organograma, um núcleo ou departamento de inovação, em que a alta administração esteja devidamente engajada e representada e que, sistematicamente, um percentual do faturamento da empresa seja destinado para investir em inovação. Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica | 9 Além disso, a empresa deve estar ciente que para desenvolver novos produtos é necessário conhecimento, e dificilmente todo este conhecimento está integralmente presente na empresa. É necessário haver COOPERAÇÃO com outras organizações e que estas cooperações, bem como os RECURSOS - sejam eles próprios e ou de outras fontes - precisam de uma GESTÃO eficiente e eficaz. A constante prospecção tecnológica, bem como dos mercados, é muito importante para gerenciar o risco dos novos desenvolvimentos. Finalmente, ressalta-se que é fundamental implementar na empresa a cultura da inovação. Todos devem ser motivados a inovar novos diversos setores da empresa. Todas as formas de inovação devem estar contempladas dentro do espírito de uma empresa inovadora, ou seja, tendo uma carteira de projetos inovadores em PRODUTO, PROCESSO, GESTÃO e MERCADO, sejam elas RADICAIS ou INCREMENTAIS. 2. CONCEITO DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA Os termos inovação, inovar, inovador são possivelmente, no Brasil e no Mundo, os termos hoje utilizados com maior frequência e sempre com orgulho e satisfação. As palavras da moda! conforme Figura 1, o conceito da inovação deve ser visto sob a forma usual, legal e focal. Figura 1 Conceito de Inovação O conceito USUAL da palavra inovação é utilizada por todos para referir-se ao novo, ao diferente, relativo a um contexto específico. Por exemplo, o cidadão que está usando um tênis diferenciado, o cientista que se refere a sua descoberta como inovação, o empresário quando adquire uma máquina ou ferramenta de última geração. 10 | Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica No âmbito jurídico, o Brasil definiu um entendimento LEGAL daquela Inovação que é o elemento estratégico do desenvolvimento econômico, ambiental e social. Infelizmente, mesmo esta definição dá lugar a interpretações distintas e conflitantes. Entende-se amplamente que PRODUTOS inovadores englobam os serviços. Por PROCESSOS inovadores entende-se qualquer estrutura que desempenhe, com êxito, a geração de uma solução, por meio de tecnologias de fabricação, montagem, produção, controle de qualidade, gestão de pessoas, venda de produtos, planejamento do futuro. Com relação ao surgimento dos produtos inovadores no mercado ou à implantação de processos inovadores nas empresas/instituições, há duas formas básicas a caracterizar, conforme apresentado na Figura 2. Figura 2 Os indutores da Inovação A forma de indução, imaginada muitas vezes como a mais usual, denominada Science Technology Push, de fato é rara e está mais associada às inovações radicais. Ela decorre de novas descobertas da ciência, que em alguns casos dão lugar a novas tecnologias e por sua vez aplicadas convenientemente geram um produto ou processo com características totalmente novas, que se aceitas e pagas pelo mercado, constituem-se inovações marcantes. A indução de uma inovação na vertente “Demand Market Pull” é mais freqüente e tem mais chances de êxito, pois estará moldada a uma exigência, necessidade, conveniência do cliente. Ela se dá, em geral, na forma de inovação incremental. As soluções inovadoras, também aqui, são factíveis, em geral pela inserção de conhecimentos e/ou tecnologias de fronteira. Idealmente, a geração de uma solução inovadora não se desenvolve de forma linear, mas sim, de uma forma cíclica e interativa, com operações de pesquisa e desenvolvimento. Como mostra a Figura 3, é importante iniciar com um mapeamento do Mercado Potencial, seguido da busca de uma Concepção ou Invenção (criatividade), que uma vez estabelecida, é interessante testar junto ao mercado. Apenas se a receptividade ao conceito for relevante, avança-se no projeto detalhado, que poderá exigir novas pesquisas e uma eventual nova consulta ao mercado. O avanço se dará em função de agregação de soluções diferenciadas de funcionalidade, custo acessível e confiabilidade assegurada. Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica | 11 Quando é alcançada a etapa de comercialização, são grandes as chances de aceitação do produto pelo mercado, e se este tiver sucesso econômico, ele entra no rol das renomadas inovações. Figura 3 Inovação puxada pelo mercado Para saber mais sobre conceitos, exemplos e modelos de inovação: • hƩp://invenƩa.net/radar-inovacao/a-inovacao/ • InnovaƟon Models hƩp://ict.udlap.mx/projects/cudi/sipi/files/InnovaƟon%20models%20 Imperial%20College%20London.pdf • The Linear Model of InnovaƟon: The Historical ConstrucƟon of an AnalyƟcal Framework http://www.csiic.ca/PDF/Godin_30.pdf São muitas as maneiras utilizadas por diferentes autores para conceituar inovação. Abaixo, citamse apenas duas, de forma a realçar que inovação se concretiza se houver sucesso no mercado. Do ponto de vista empresarial, a inovação deve estar sempre vinculada ao ganho de competitividade. “Inovação é uma nova ideia implementada com sucesso, que produz resultados econômicos - Ernest Gundling (3M)” “A inovação caracteriza-se pela abertura de um novo mercado - Joseph Schumpeter (economista)” Várias são as formas de se conceituar inovações. Porém, todas elas trazem explícito que o Processo de Inovação é uma AÇÃO, que acontece no AMBIENTE EMPRESARIAL e que deve promover a geração de RESULTADO e/ou LUCRO. Deve-se ter consciência que as inovações desenvolvidas serão copiadas um dia pela concorrência, acrescentando, inclusive, melhorias incrementais. Portanto, quando se tem produto ou processo que é sucesso de mercado, a estratégia para continuar tendo sucesso é buscar sempre desenvolver um produto melhor e acrescentar melhorias continuamente. 12 | Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica Para saber mais sobre conceitos de inovação: Manual de OSLO - www.finep.gov.br/imprensa/sala_imprensa/manual_de_oslo.pdf A Figura 4 apresenta os diferentes tipos de inovação que uma empresa pode realizar. A Empresa poderá considerar-se INOVADORA se a sua equipe de colaboradores for capaz, com seu conhecimento, experiência, competência e trabalho, de gerar soluções diferenciadas e exitosas no campo de Produto ou Processo, sejam elas produção/fabricação, de negócio (forma de comercializar) ou de gestão (de pessoas, de qualidade, de sustentabilidade, etc.). Obviamente, as empresas capazes de inovar em todas as frentes, simultaneamente, serão algumas poucas empresas de grande porte. O fundamental é adotar a postura e focar o que representa o melhor potencial de retorno e/ou lucro a curto, médio e longo prazo. Figura 4 Os tipos de inovação Neste tutorial, o foco central serão as inovações de PRODUTO e PROCESSO (fabricação), de caráter tecnológico. Desta forma, avança-se com a conceituação de inovação no contexto FOCAL. A inovação tem sempre como ponto de partida, uma ideia, uma invenção ou mesmo uma oportunidade de mercado. A origem pode ser de uma demanda de clientes, a vontade do presidente, a invenção de um colaborador, uma tecnologia desenvolvida pela academia. Para que um produto se torne um sucesso no mercado, ou seja, uma inovação, seu desenvolvimento passa por uma série de passos importantes que serão detalhados mais adiante. Estes passos constituem o denominado Processo de Inovação Tecnológica (PIT), tanto na geração de produtos como processos inovadores, apresentados nas Figuras 5 e 6. Em ambos os casos, necessita-se de conhecimentos avançados e de ferramentas que permitam que o desenvolvimento seja rápido, eficaz e com menos custo. Na Inovação de Produto, gera-se um novo produto ou melhorias Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica | 13 significativas em produto existente. Na Inovação de Processo, o mesmo produto é produzido, porém com características diferenciadas e mais eficientes, de forma que o mesmo seja mais competitivo, isto é, tenha menor custo de produção e melhor qualidade. Figura 5 Inovação em Produto Figura 6 Inovação em Processo A Figura 7 apresenta um exemplo de inovação incremental em produto, bem conhecido nas máquinas ferramenta e um exemplo de inovação radical. Atualmente, neste segmento, quase todas as soluções inovadoras aplicam tecnologias da informação e comunicação. Uma máquina ferramenta tem inúmeras funcionalidades asseguradas pela eletrônica, software e capacidade de comunicação. Pode-se caracterizar como uma Inovação Radical o equipamento desenvolvido no Brasil, denominado de PADS (Plasma Assisted Debing System), que constitui-se numa concepção de forno que utiliza íons e moléculas ativadas por uma descarga elétrica em gás a baixa pressão, para processamento de peças de alta complexidade. O impacto destas moléculas, íons e elétrons sobre a superfície do material, produz, além do efeito térmico, reações químicas superficiais que permitem acelerar o processamento. O sistema desenvolvido promove uma redução do tempo de processamento de 60 h para menos de 10 h em uma única etapa, ao invés das quatro etapas 14 | Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica necessárias anteriormente, quando se utiliza forno convencional. Este equipamento, iniciado como uma Inovação de Processo, está se consolidando como um produto da empresa. Figura 7 Exemplo de inovação incremental e radical de produto A Figura 8 apresenta uma exemplo de inovação em processo, onde destaca-se a iniciativa do fabricante de copos de plástico, que intencionava melhorar a competitividade de seu produto copo de plástico. A equipe de engenharia da empresa, em parceria com a empresa fornecedora de matéria-prima, desenvolveu o processo e o maquinário, dando uma solução mais eficiente em termos de custo e qualidade, aumentando a desejada competitividade. De fato, neste caso, as empresas estabeleceram uma parceria, transformando a inovação de processo em um produto de mercado de uma nova empresa. Adicionalmente, criaram um modelo que gerou uma interessante ampliação de negócios para todos os envolvidos. Estas iniciativas de impacto no setor foram reconhecidas nacionalmente pelo Prêmio FINEP de Inovação. Figura 8 Exemplo de inovação de processo Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica | 15 Porém, quando se trata de entendimento do conceito de inovação para efeito de solicitação de financiamento, tanto à FINEP como ao BNDES ou outro Agente de Fomento, é importante observar como este agente caracteriza a Inovação e o Processo de Inovação Tecnológica. Desta forma, quando da elaboração de um projeto para estas agências de fomento, a conceituação estabelecida pelo Agente de Fomento FINEP pode ser utilizada como exemplo: “INOVAÇÃO é a introdução, com êxito, no mercado, de produtos, serviços, processos, métodos e sistemas que não existiam anteriormente, ou contendo alguma característica nova e diferente do padrão em vigor. Compreende diversas atividades científicas, tecnológicas, organizacionais, financeiras, comerciais e mercadológicas. A exigência mínima é que o produto/serviço/ processo/método/sistema inovador deva ser novo ou substancialmente melhorado para a empresa em relação aos seus competidores.” http://www.finep.gov.br/o_que_e_a_finep/conceitos_ct.asp Além disso, é importante ressaltar que no Brasil, progressivamente, avança-se no estabelecimento de Políticas Públicas em âmbito Federal, Estadual e também, em certos Municípios, conforme exemplo da Figura 9. São estratégias, instrumentos e recursos para apoiar as empresas inovadoras, na grande expectativa de que estas implementem inovações de produto e processo impactantes e que obtenham sucesso, pois sobre estes é que tem-se chance de captar retornos na forma de impostos diretos e indiretos, gerando desenvolvimento. Hoje observa-se segmentos industriais sem capacidade inovadora, que além de estar reduzindo sua atividade empresarial (agregação de valor), pedem socorro ao governo com medidas de redução de impostos. Fica evidente que a Inovação Tecnológica de Produtos e Processos é fundamental para uma retomada de desenvolvimento no Brasil. Figura 9 Os níveis das políticas de Inovação, Ciência e Tecnologia 16 | Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica 3. CICLO DE VIDA DOS PRODUTOS A interpretação do ciclo de vida do desenvolvimento de produtos, representado na Figura 10, tem de ser de domínio pleno do presidente da empresa até o gerente do projeto de inovação. Deles devem derivar as diretrizes de desenvolvimento de cada solução inovadora, para que esta produza os melhores resultados. Todo produto tem um Ciclo de Vida (Janela de Mercado), que começa quando no mercado surge a oportunidade ou cria-se a ideia ou o invento que pode concretizá-lo. Este Ciclo termina quando o produto deixa a carteira de produtos da empresa. É fácil compreender que a duração do Ciclo de Vida dos Produtos está sendo encurtado pela dinâmica do mercado. Na Figura 10, há dois períodos que se deve observar com especial atenção: o Ciclo de Inovação e o Lucro. É certo que é preciso antecipar o período de Lucro e alongá-lo ao máximo, enquanto que é preciso reduzir ao mínimo o Ciclo de Inovação. Observa-se que na Empresa sem preparo, sem estratégia para inovação, o tempo entre o aparecimento da oportunidade e a percepção do bom negócio pode levar meses. Também, o tempo até a tomada de decisão de investigar ou mesmo de iniciar o desenvolvimento da solução, é de semanas ou meses. Fica aqui evidente que haverá reflexos de encurtamento de lucro. Tomada a decisão de desenvolver, intensificam-se, fortemente, os investimentos ao longo de um período que se buscará encurtar, bem como, com aplicação de uma gestão objetiva e eficiente, fazer que a intensidade dos investimentos seja a menor possível. Figura 10 O ciclo de vida do desenvolvimento de produtos Só após o lançamento do novo produto no mercado, aparecem receitas de vendas. Um esforço permanente de redução dos custos de produção faz com que o período de lucro seja antecipado. Inovações incrementais ao longo da vida do produto no mercado irão proporcionar muito mais lucro. Em relação à caminhada e ao conjunto de ações para alcançar a linha de lucro, ressaltam-se os aspectos dos riscos e competências necessárias para redução da probabilidade de insucesso. Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica | 17 Num mundo globalizado e competitivo, a janela de mercado dos produtos e processos está cada dia mais estreita. Desta forma a empresa deve ser rápida no desenvolvimento do novo produto e estar sempre preparada para lançar novos produtos que substituam aqueles que fazem o sucesso de sua empresa. Matem o produto “estrela” de vendas de sua empresa com um produto mais inovador, antes que a concorrência o faça! Para saber mais sobre o ciclo de vida de produtos: The Product Life Cicle- www.quickmba.com/marketing/product/lifecycle/ 4. RISCOS AO INOVAR A inovação está hoje na agenda da maioria das empresas como questão-chave para sua competitividade e ou mesmo tempo, para sua sobrevivência. Mas, a inovação traz consigo também os riscos de insucesso. Porém, não investir na inovação já constitui, por si só, o maior risco, pois a inserção competitiva no mercado exige competência e administração de risco, de forma a oferecer alternativas de produtos que permitam conquistar novos mercados e atender demandas específicas dos clientes. A seguir, são apresentados fatos que impõem uma profunda reflexão. Um estudo feito nos USA, nos anos 90, apresentou resultados bastante instrutivos quanto ao insucesso no desenvolvimento e lançamento de produtos inovadores, que vale analisar, uma vez que no Brasil alcança-se agora uma era de inovação, como aquela existente no USA, 20 anos atrás. Este estudo mostrou que: A maioria dos projetos de produtos nunca chega ao mercado. Os que chegam, tem taxas de falha em campo de 25 até 45%. • Taxa de sucesso de negócio é de 65%, relaƟvo aos produtos lançados. • De cada 7 novas ideias de produtos, 4 são desenvolvidos, 1,5 lançados e 1 tem sucesso; • 46% dos recursos de P&D das empresas são alocados em projetos cancelados ou sem êxito. (Fonte: Robert Cooper, 2001) Os indicadores apresentados, certamente, desestimulam qualquer iniciativa de implementar um processo de inovação tecnológica na Empresa. Entende-se que os riscos podem ser reduzidos, expressivamente, se o gerenciamento do processo for competente e integrado com as várias áreas da empresa. É muito instrutivo observar o que o referido estudo aponta como causas do insucesso de 80 produtos inovadores lançados no mercado naquela ocasião. 18 | Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica Como fica evidenciado na Figura 11 abaixo, a maior causa de fracasso no desenvolvimento de um novo produto está numa inadequada análise de mercado. Portanto, realizar um criterioso estudo de viabilidade técnica, econômica e comercial é fundamental para minimizar este tipo de risco. Ocorre que nem sempre as empresas fazem isto, na ilusão de que estão reduzindo custos no desenvolvimento. De todas as causas de fracasso, somente uma, a força do competidor, não está sob o controle da própria empresa, o que demonstra que o gerenciamento do desenvolvimento do novo produto é fator-chave para a minimização do risco. Figura 11 Causas de fracasso no desenvolvimento de produtos 5. ELEMENTOS-CHAVE PARA SUA EMPRESA INOVAR Toda empresa industrial tem seu processo de produção, manufatura e comercialização estruturado e operacional. Para assegurar sua competitividade, é preciso mais e mais avançar na melhoria contínua da gestão dos processos e na gestão da qualidade total. Ao lado deste esforço, está evidente que o empresário deverá, progressivamente, implementar e praticar o Processo de Inovação Tecnológica, com a missão de transformar ideias, inventos ou oportunidades em produtos com diferencial marcante e de sucesso no mercado, isto, em princípio com sua própria equipe de colaboradores. Isto significa ter uma equipe capaz de fazer análise técnica, econômica e comercial de proposições de novos produtos, de efetivar, através de pesquisa, a geração de soluções singulares, de desenvolver os protótipos alfa e beta, de fazer o design e planejar a confiabilidade do produto, de especificar e estruturar os processo de fabricação e produção, de cuidar de ensaios e ações de garantia da qualidade, de analisar custos e planejar a qualidade, entre as principais tarefas, e fazer isto tudo com o máximo de agilidade, custo mínimo e qualidade adequada. De fato, reunir toda esta competência, ter base de informações estruturada e infraestrutura de trabalho não é elemento para uma grande empresa, que dirá uma média ou uma pequena empresa. Mas, há formas de superar estes desafios, desde que sejam atendidos satisfatoriamente os três elementos-chaves para praticar o Processo de Inovação Tecnológica, conforme ilustra a Figura 12. Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica | 19 Figura 12 Elementos chave do processo de inovação tecnológica O Empresário tem a clara percepção de que gerar um produto diferenciado com sua equipe demanda um bom tempo e muito recurso financeiro. Igualmente, percebe bem o alto risco que existe em toda esta operação de investimento. Tudo isto tem feito com que poucas empresas assumam uma estratégia de priorizar a inovação. Políticas de Desenvolvimento nacional e estaduais têm como diretriz mudar este cenário urgentemente. Com certeza, o elemento FINANCIAMENTO é o mais fácil de superar, atualmente. Como demonstrado, dominar a multiplicidade de competências não é simples, nem para as grandes empresas. A palavra de ordem é COOPERAÇÃO, seja com empresas de tecnologia, seja com instituições de ciência, tecnologia e inovação, seja com seus concorrentes/parceiro no contexto de um cluster, como mostra a Figura 13. 20 | Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica Figura 13 Elementos-chave para a empresa inovar O maior desafio está em ter a capacidade de GESTÃO do processo de inovação tecnológica, tendo em vista a multiplicidade de competências necessárias e as diretrizes já apontadas. Faltam, nas Empresas e no mercado, profissionais com uma formação e experiência para liderar estas tarefas. 6. A GESTÃO DA INOVAÇÃO A Gestão da Inovação em uma empresa deve contemplar todo o portfólio de desenvolvimento de produtos e processos, tendo gerentes para a família de produtos, para produtos singulares, se for o caso, ou mesmo para partes, peças ou processos específicos em outros casos. Em todos os casos, a transformação da ideia ou oportunidade em solução inovadora tem de ser gerenciada abaixo das diretrizes já apontadas e resumidas na Figura 14. Para isto, o gerente, em especial, e a equipe, têm de praticar uma multiplicidade ampla de tarefas. Figura 14 Elementos do Processo de Gestão da Inovação Tecnológica 1 EBT: Empresa de Base Tecnológica 2 ICTI: Instituição de Ciência Tecnologia e Inovação Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica | 21 A título de introdução conceitual, cabe ressaltar alguns aspectos dos estágios do PIT – Processo de Inovação Tecnológico como sintetizado na Figura 15. Figura 15 Processo de inovação tecnológica É fundamental iniciar com um criterioso Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Comercial (EVTEC), mesmo que a ideia trazida seja do presidente, com vistas a uma tomada de decisão crucial. É preciso determinar os elementos que apontam êxito e os riscos inerentes. Um aprofundamento sobre factibilidades podem advir de Pesquisas Tecnológicas Aplicadas bem objetivas. Somente vendo sinalização positiva de êxito, passa-se à etapa de protótipo conceitual. Na linha do modelo interativo de desenvolvimento, uma revisão do estudo de viabilidade é às vezes imprescindível. Apenas frente a uma solução com base segura do aspecto inovador, comprovado pelo protótipo, pode-se tomar a decisão de prosseguir. As etapas paralelas de desenvolvimento do produto e dos correspondentes processos de fabricação demandam altos investimentos. Os preparativos para a produção-piloto e a posterior comercialização para clientes-chave, envolvem criteriosos conceitos de garantias de qualidade. Destaca-se alguns aspectos importantes a serem considerados no desenvolvimento da competência interna, inclusive na orçamentação de um pleito de recursos e financiamento, se for o caso. Conhecer o mercado e as necessidades dos clientes – este ponto, embora de interesse e óbvia importância, muitas vezes é de difícil realização. Não se pode imaginar o que o mercado quer, mas um levantamento das demandas dos consumidores e as tendências podem ajudar muito. Estas informações poderão confirmar ou não a consistência da proposta de inovação e traçar um plano de ação, que definirá as mudanças no produto ou no processo e até mesmo a estratégia do negócio. Firmar parcerias com Universidades, Institutos de P&D e Empresas de Base Tecnológica - no Brasil, vem se firmando a cultura da interação universidade-empresa. Estas parcerias, se bem gerenciadas, permitem que parte dos riscos e custos sejam absorvidos pelos laboratórios destas 22 | Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica instituições, inclusive com apoio financeiro governamental. Estas condições devem ser mais aproveitadas pelas empresas no seu processo de inovação. Elaborar Estudos de Viabilidade – iniciar um desenvolvimento de um novo produto ou processo sem antes analisar sua viabilidade técnica, econômica e comercial, é apostar no fracasso. Este estudo permitirá determinar em que estágio da curva S encontram-se os produtos correlatos, se as melhorias são tecnicamente viáveis, se o custo deste não extrapola o que o mercado pode absorver como preço, a abrangência do mercado e a concorrência, enfim, uma série de premissas fundamentais para iniciar os investimentos. Muitas vezes os empresários se empolgam com a nova ideia e partem diretamente para o desenvolvimento dos protótipos e produtos sem analisar, criteriosamente, estas questões, achando que fazer este tipo de estudo é custo. Na realidade um EVETEC deve ser encarado como o investimento inicial, para ver se a ideia deve ou não seguir adiante. É menos drástico abortar um desenvolvimento quando ainda não foram feitos investimentos substanciais. Utilizar ferramentas modernas – o planejamento de um novo produto exige gente competente e ferramentas que permitam um desenvolvimento rápido e com garantia de qualidade. Se não existirem as ferramentas em sua empresa, busque através de parcerias. Embora estes cuidados minimizem os riscos, certamente o imponderável estará presente no processo de inovação. Por isso é fundamental cercar-se de uma equipe competente e criativa, capaz de contornar os possíveis problemas que sempre ocorrerão em alguma etapa do Processo de Inovação Tecnológica de sua empresa. Para saber mais sobre os riscos de inovar Tecnologia-O custo e o Risco de Inovar (Carmine Taralli-IEA/USP) http://www.iea.usp.br/ textos/tarallitecnologia.pdf Innovation Traps – Risks and Challenges in Thinking About Innovation (Eleanor D Glor) http://www.innovation.cc/peer-reviewed/glor-ethics.pdf Innovation — abusiness risk that can bemanaged and mitigated http://www.ghd.com/pdf/Keeping%20Good%20Companies%20Final%20Published%20 Article%20Feb10.pdf Ainda no contexto geral de Gestão da Inovação, cabe ressaltar algumas questões organizacionais e operacionais, como: Estruturação para a inovação – a empresa deve começar por ter uma estrutura capaz de agir rapidamente para aproveitar as oportunidades. Esta estrutura pode ser atribuída a uma pessoa, no caso de pequena empresa ou na forma de núcleo ou departamento, nas grandes e médias empresas. As atribuições são de atuar como observatório, monitoramento de ações e resultados. Planejamento da inovação – a inovação deve estar presente no orçamento e plano estratégico da empresa. O ideal é que a empresa coloque um percentual do seu faturamento na forma de investimento anual em inovação. Isto permite ganho de tempo, quando oportunidades surgem, principalmente quando se trata de contrapartidas a serem dadas em projetos, parcialmente subvencionadas. Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica | 23 Ferramentas para a inovação: • Prospecção tecnológica – o planejamento da inovação e a definição de uma carteira de projetos exigem um diagnósƟco prévio da situação da inovação na empresa, frente aos seus concorrentes e um monitoramento constante das tendências tecnológicas referentes aos seus produtos e processos-chave. Ao desenvolver novos produtos sem esta precaução, corre-se o risco de estar “reinventando a roda”. As grandes empresas possuem ferramentas poderosas na forma de observatório tecnológico e de gestão do conhecimento. Esta prospecção pode ser feita de forma simples, por meio de visitas em feiras ou mesmo pela internet ou de forma complexa, implantando um observatório tecnológico uƟlizando ferramentas de inteligência compeƟƟva. Obviamente, este segundo caso, só é viável para médias e grandes empresas. • Planejamento e gestão de projetos – algumas ferramentas mínimas são fundamentais para que o Processo de Inovação ocorra de forma eficiente. Hoje, o mercado nacional já tem ofertas de óƟmas ferramentas apropriadas ao desenvolvimento de inovações. • Desenvolvimento rápido de produtos – caso a empresa não tenha internalizada esta competência, é fundamental que busque parcerias com ICTIs para evitar custos desnecessários ou pior ainda, demorar muito para finalizar o produto e perder a janela de mercado para o concorrente. A implantação destas questões-chave numa empresa exige um esforço na capacitação do RH, independentemente se a etapa é realizada na empresa ou com auxílio de parceiros. Hoje, no Brasil, existem entidades que podem auxiliar as empresas em todas estas questões. No que concerne à estruturação para a inovação, o IEL/SC desenvolveu, em parceria com a UFSC e apoio da FINEP, uma metodologia de implantação de núcleos de gestão da inovação nas empresas (www.ielsc.org. br ). Na questão de capacitação para inovação e ferramentas de desenvolvimento de produto, a Fundação CERTI (www.certi.org.br ), em parceria com a UFSC e apoio do CNPq, desenvolveu um programa de capacitação denominado e-Nova, que está sendo oferecido via ensino a distância para algumas regiões do Brasil, mas que pode ser implementado para as empresas de Bens de Capital, inclusive introduzindo ferramentas específicas para este caso. O e-Nova é um programa de capacitação em rede (Figura 16), que visa apoiar a geração de ideias, organização e conquista de recursos e a implantação de inovação, visando o aumento da competitividade das empresas. São utilizadas metodologias de ensino a distância, permitindo aos alunos uma flexibilidade de tempo no estudo dos diferentes materiais disponibilizados (vídeos, jogos, aulas e fóruns) 24 | Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica Figura 16 Metodologia e-Nova de Ensino à Distância Este programa foi concebido para ser realizado em três etapas: Disciplinas Básicas, Disciplinas Avançadas e Prática da Inovação, promovendo uma capacitação adequada às necessidades de cada público-alvo. Para saber mais: Metodologia de Capacitação em Gestão de Inovação – e-Nova www.certi.org.br/e-nova - www.egc.br/e-nova 7. A COOPERAÇÃO PARA A INOVAÇÃO A cooperação pode ser feita de várias formas. Os primeiros parceiros da inovação de uma empresa são seus clientes e fornecedores. Deles vem grande parte das demandas por novos produtos ou melhorias incrementais nos produtos existentes. Outra parceria fundamental que as empresas devem utilizar é aquela com instituições universitárias e Centros Tecnológicos. No Brasil, há muitos institutos públicos e privados importantes como: Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Instituto Nacional de Tecnologia (INT), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (CIETEC), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR), Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI), além de muitos outros, que podem dar suporte às empresas no seu processo de inovação. Este, se bem gerenciado, apresenta uma série de vantagens, conforme resumido na Figura 17. No processo de cooperação, seja com ICTIs, seja com outras empresas, é preciso ser cuidadoso com a definição dos direitos de propriedade e patenteamento. O estabelecimento de um contrato prévio, que defina claramente as responsabilidades e direitos de cada parte, é fundamental para evitar questões jurídicas futuras com os pesquisadores ou com suas instituições. Hoje, Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica | 25 este processo já está mais maduro e a compreensão, tanto por parte das empresas, como das instituições, está mais regulamentada. Figura 17 Cooperação para Inovação As vantagens do estabelecimento de parcerias são inúmeras. Porém, as mais importantes são a redução de custos e a velocidade no desenvolvimento das soluções. Além disso, as parcerias evitam verticalizações e a necessidade de uma equipe de desenvolvimento cara e substancialmente grande. A forma de remuneração dos parceiros é a mais variada, podendo, inclusive, englobar a participação nos resultados, o que é uma forma de compartilhar o risco com o desenvolvedor da solução. A cooperação para o processo de inovação tecnológica da empresa poderá ser feita com universidades. Estas parcerias podem passar pelos NITs (núcleos de inovação tecnológica), ou até mesmo diretamente com os pesquisadores de uma determinada célula de competência. Em qualquer caso, porém, a empresa deve estar atenta para a aprovação desta cooperação junto aos órgãos responsáveis da instituição (Centro, Departamentos etc), para evitar problemas no desenrolar do projeto. Cada instituição tem suas normas específicas. Os Centros de P&D, os Centros de Tecnologias e também os Centros de Referência em Inovação Tecnológica, embora mais acostumados com o ambiente empresarial, também possuem suas especificidades, que precisam ser bem compreendidas pela empresa. Normalmente, todos eles devem obedecer a legislações e normas especificas, principalmente, no que concerne a sigilo e propriedade intelectual. No caso de projetos com empresas de base tecnológica, o processo e os cuidados são similares. Todas as parcerias, indistintamente, devem ser objeto de contratos. Porém, a empresa deve atentar para que estes contratos sejam feitos no espírito do ganha-ganha. Parcerias estabelecidas com base no ganha-ganha tem maiores chances de sucesso e podem resultar num processo virtuoso de longo prazo de importância estratégica fundamental para a competitividade da empresa. 3 PIT - Plano de Inovação Tecnológica da Empresa 26 | Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica Para saber mais sobre COOPERAÇÃO para a inovação • Interação Universidade-Empresa no Brasil hƩp://www.scielo.br/pdf/ee/v37n1/08.pdf • Interação universidade-empresa na sociedade do conhecimento: reflexões e realidade hƩp://www.scielo.br/pdf/ci/v28n1/28n1a10.pdf • Portal Inovação: um espaço de cooperação entre empresas e a comunidade CienơficoTecnológica hƩp://ĩeppler-site.appspot.com/papers/ PortaoInovacaoEspacoCooperacaoEmpresaComunidadeCienƟficoTecnologica.pdf • A Universidade, a Empresa e a Pesquisa hƩp://www.ifi.unicamp.br/~brito/arƟgos/univ-empr-pesq-rev102003b.pdf 8. O FINANCIAMENTO DA INOVAÇÃO Uma Empresa Inovadora, dependendo de sua natureza, destinará usualmente um percentual anual de seu faturamento, para a promoção da inovação, isto é, da sua competitividade e de seu crescimento. Esta dotação, em certos casos, pode chegar a 10% do faturamento. Independente deste aporte sistêmico ou eventual, vale a pena estar atento às oportunidades múltiplas oferecidas pelos governos federal e também estadual. São oportunidades que agregam desde recursos nãoreembolsáveis (subvenção), financiamentos a juros bem favoráveis (subsidiados) e incentivos fiscais que permitem deduzir até 65% da despesa realizada com inovação (Lei do Bem). Dependendo do projeto da empresa e de seu estágio de desenvolvimento, para promover um grande salto de crescimento, podem ser muito oportunos os investimentos de risco de natureza público e privados, conforme ilustra a Figura 18. Figura 18 Investimentos públicos e privados para inovação Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica | 27 A respeito destes instrumentos e detalhes de procedimento, os tutoriais seguintes irão avançar bastante no detalhamento, pois este é o foco central do Programa de Gestão da Inovação na industria de Bens de Capital da ABIMAQ – IPDMAQ. 9. CONCLUSÕES Desenvolver novos produtos e processos com inserção de novas tecnologias, de forma que se tenha um negócio competitivo, agora denominado inovação ou processo de inovação tecnológica, já é algo que se pratica desde muito antes da revolução industrial. O que mudou e faz com que a inovação seja algo fundamental para cada empresa que queira sobreviver, é que as exigências dos clientes crescem, aceleradamente, e é importante estar preparado para atuar em um mercado globalizado. O Brasil e os brasileiros têm muitas competências, instrumentos e recursos para inovar. O esforço fundamental agora é unir esforços para superar os entraves, principalmente burocráticos e de atuação coordenada, e agregar um maior número de empresas e instituições nesta iniciativa em prol do desenvolvimento econômico, ambiental e social, assegurando um futuro digno para os seus cidadãos. 10. REFERÊNCIAS COOPER, Robert. Winning at new products, accelerating the process from idea to launch. Cambridge: Basic Books, 2001. CRUZ, Carlos. A universidade, a empresa e a pesquisa. Revista Humanidades, v. 45 p.15-29. Brasília: UNB, 1999. FUNDAÇÃO CERTI. Metodologia de capacitação em gestão de inovação: e-nova. Disponível em: <www.certi.org.br/e-nova>. Acesso em: 03 nov. 2011. GLOR, Eleanor. Innovation traps: risks and challenges in thinking about innovation. Workshop on Public Sector Innovation, Feb. 9 and 10, Canada, 2002. Disponível em: <http://www.innovation.cc/peer-reviewed/glor-ethics.pdf>. Acesso em: 03 nov. 2011. GODIN, Benoit. The linear model of innovation: the historical construction of an analytical framework. Project on the History and Sociology of S&T Statistics, Working Paper n. 30, Canada, 2005. INVENTTA. A inovação: definição, conceitos e exemplos. Disponível em: <http:// inventta.net/radar-inovacao/a-inovacao>. acesso em: 03 nov. 2011. MOTA, Teresa Lenice Nogueira da Gama. Interação universidade-empresa na sociedade do conhecimento: reflexões e realidade, Ci. Inf., v. 28, n.1, p.79-86, jan, 1999. 28 | Alinhamento Conceitual e Prática do Processo deInovação Tecnológica OCDE. Manual de Oslo: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. 3. ed. Paris: OCDE, 2005. (Tradução oficial realizada pela FINEP/Brasil). PACHECO, R. C. S.; KERN, V. M.; VIEIRA, D.; GONÇALVES, A. L.; BEPPLER, F. D. Portal inovação: um espaço de cooperação entre empresas e a comunidade científico-tecnológica. In: IADIS International Conference, Portugal, 2005. QUICKMBA. The product life cycle. Disponível em: <http://www.quickmba. com/marketing/product/lifecycle>. Acesso em: 03 nov. 2011. RAPINI, Márcia Siqueira. Interação universidade-empresa no Brasil: evidências do Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq. Estud. Econ., v. 37, n.1, p. 211-233, Mar 2007. STONE, Jeremy. Innovation: a business risk that can be managed and mitigated. Disponível em: <http://www.ghd.com/pdf/Keeping%20Good% 20Companies%20 Final%20Published%20Article%20Feb10.pdf >. Acesso em: 03 nov. 2011. TARALLI, Carmine. Tecnologia: o custo e o risco da inovação. Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, São Paulo: 1996. TIDD, Joe. Innovation models. Imperial College, Londres, 2006.