UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES Carla Maria Alves da Silva Desafios do Desenvolvimento Organizacional Rio de Janeiro 2007 i 2 Resumo O trabalho propõe-se a direcionar as empresas do setor privado para a excelência na busca do desenvolvimento de seu capital humano, através de ferramentas de capacitação profissional, visto que na sociedade contemporânea, as organizações vêm buscando aprimoramento e capacitação através de ferramentas, inovações tecnológicas e criatividade humana. Observaremos que esse aprimoramento poderá ser medido através do investimento que as organizações fizerem ao seu capital humano e também em seus recursos materiais. Objetivamos pois, convergir esses dois universos em um só – o universo corporativo - e o universo do capital humano das organizações privadas em fonte única de crescimento, realização e desenvolvimento. 3 INTRODUÇÃO Vivemos em uma sociedade de organizações. Através de recursos como conhecimento, pessoas, dinheiro, tecnologia e informação, as organizações desempenham tarefa por meio do trabalho coletivo que nenhum individuo isoladamente conseguiria desempenhar. Ao longo dos anos, essas organizações foram se adequado aos processos sofridos nas sociedades como um todo e buscando refletir em seu cotidiano, o que essa sociedade exigia naquele dado momento. Com a ajuda da administração como arte e ciência, as organizações vêm se aprimorando cada vez mais e hoje, já entendem o papel fundamental que o indivíduo desempenha nela. Para tanto, a busca pelo conhecimento e o repasse desse conhecimento a quem de direito, passa a ser o grande desafio do momento. O indivíduo necessita cada vez mais de qualificação e na busca de crescimento pessoal e profissional, aliado às necessidades da organização, ele vai encontrando e vencendo as dificuldades inerentes ao trajeto. A preocupação que as organizações hoje têm na busca de novas ferramentas de desenvolvimento está estritamente relacionada a eficácia que essas ferramentas proporcionam ao objetivo de superação de limites dos fins dessa organização e de seus colaboradores. O grande desafio a que essas organizações se propõe hoje, é aliar toda a tecnologia que o mundo globalizado oferece, à harmonia de pensamentos, sentimentos e sensações humanas. O desafio reside em formar profissionais capacitados não apenas tecnicamente, mas principalmente, emocionalmente, de forma a capacitá-los para as questões do dia a dia, de como podem e devem exercer seus papéis diários, sempre com compromisso pelo trabalho e pelos seus pares, com foco em resultados e a satisfação desses resultados para organização 4 e colaborador. O sucesso dessas duas vertentes é, e será sempre, na forma como essas duas variáveis se relacionarem. A boa ou má relação, garantirá o sucesso para ambos os lados – Homem e Organização. CONCEITUANDO ADMINISTRAÇÃO - ADMINISTRADOR E SEUS PAPEIS “Administração é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar os esforços dos membros da organização e de utilizar todos os recursos organizacionais disponíveis para alcance de determinado objetivo de maneira eficaz e eficiente” A esses recursos organizacionais entendemos não somente as categorias econômicas como natureza, capital e trabalho mas também informação e tecnologia. E é obvio que o Homem rege toda essa orquestra. Para que essa regência aconteça de forma harmônica, segundo Katz¹, existem três tipos de habilidades para o bom desempenho administrativo: as habilidades técnica, humanas e conceituais. As habilidades técnicas envolvem uso de conhecimento especializado e facilidade na execução de técnicas relacionadas com o trabalho e os procedimentos de realização. As habilidades humanas estão relacionadas com o a facilidade ou dificuldade do trabalho interpessoal e grupal. Envolvem a capacidade de comunicar, motivar, coordenar, liderar e resolver conflitos individuais ou coletivos. As habilidades conceituais envolvem a visão da organização ou da unidade organizacional como um todo, a facilidade em trabalhar com idéias e conceitos, teorias e abstrações. Contudo, essas três habilidades requerem certas competências pessoais para serem colocadas em ação com êxito. As competências – qualidade de quem é capaz de analisar uma situação, apresentar soluções e resolver assuntos ou 5 problemas – constitui o maior patrimônio pessoal do administrador, o seu capital intelectual. A sua maior riqueza. O papel da empresa neste contexto, é o de dar condições à esse individuo, de mesclar todas essas habilidades aos conhecimentos do dia a dia e fazer de sua carreira um sucesso junto a organização. Segundo Fleury (1991), há vários caminhos para se desvendar a cultura de uma organização. Dentre eles destacam-se: O Histórico das Organizações: o momento de criação de uma organização e sua inserção no contexto político e econômico da época propiciam o pano de fundo necessário para compreensão da natureza da organização, suas metas, seus objetivos. O fundador neste contexto tem um papel fundamental, pois ele detém a concepção global sobre o projeto da organização e tem o poder para estruturá-la, desenvolvê-la e tecer elementos simbólicos consistentes com esta visão; Os incidentes críticos por que passou a organização, tais como crises, expansões, pontos de inflexão, de fracassos ou sucessos também são formadores de sua história. Nestes momentos, o tecido simbólico se revela mais facilmente ao pesquisador, pois certos valores importantes de serem preservados ou, pelo contrário, questionados, emergem com maior nitidez; O Processo de Socialização de Novos Membros: o momento de socialização é crucial para a reprodução do universo simbólico. É através das estratégias de integração do indivíduo à organização que os valores e comportamento vão sendo transmitidos e incorporados pelos novos membros. As estratégias mais usuais são os programas de treinamento e integração de novos funcionários. Os rituais de socialização desempenham ao mesmo tempo o papel de inclusão do indivíduo ao grupo e delimitação do processo de exclusão dos demais. As Políticas de Recursos Humanos: as políticas de recursos humanos têm papel relevante no processo de construção de identidade da organização por 6 serem as mediadoras da relação entre capital e trabalho. Analisando as políticas explícitas e principalmente as políticas implícitas de recursos humanos de uma organização é possível decifrar e interpretar os padrões culturais desta organização; O Processo de Comunicação: a comunicação é um dos elementos essenciais no processo de criação, transmissão e cristalização do universo simbólico de uma organização. É preciso identificar os meios formais orais (contactos diretos, reuniões, telefonemas) e escritos (jornais, circulares, "memos") e os meios informais, como por exemplo a "rádio-peão". O mapeamento dos meios permite o desvendar das relações entre categorias, grupos e áreas da organização; A Organização do Processo de Trabalho: a análise da organização do processo de trabalho em sua componente tecnológica e em sua componente social, como forma de gestão da força de trabalho, possibilita a identificação das categorias presentes na relação de trabalho. Assim, ela é importante para desvendar aspectos formadores da identidade organizacional, além de fornecer o referencial para se decifrar a dimensão político-construtiva do elemento simbólico. Ou seja, para se questionar como elementos simbólicos ocultam ou instrumentalizam relações de poder é preciso rebater a análise para o plano concreto das relações entre os agentes no processo de trabalho; As Técnicas de Investigação: derivam das propostas teórico-metodológicas desenvolvidas pelos autores. Na ênfase quantitativa utiliza-se levantamento de opinião, através de questionários, escalas, entrevistas, etc. Na ênfase qualitativa utilizam-se dados secundários da própria organização (documentos, relatórios manuais de pessoal, organogramas, jornais, etc.). As técnicas mais utilizadas para coleta de dados primários são entrevistas, observação participante e não participante e dinâmicas de grupo, com uso de jogos e simulações. Fases da Organização 7 As organizações assumem diferentes formas organizacionais em diferentes ambientes e em diferentes épocas. Mais do que isso, as organizações, durante sua existência, percorrem cinco fases distintas: Fase Pioneira: é a fase inicial da organização pelos seus fundadores ou empresários. Com os poucos procedimentos estabelecidos, a capacidade de empresa para realizar inovações é bastante elevada. Fase de Expansão: é a fase em que a organização cresce e expande suas atividades, intensificando suas operações e aumentando o número de seus participantes. A preocupação básica é o aproveitamento das oportunidades que surgem e o nivelamento entre a produção da organização e as necessidades ambientais. Fase de Regulamentação: com o crescimento das atividades da organização, esta é obrigada a estabelecer normas de coordenação entre os diversos departamentos ou setores que vão surgindo, bem como definir rotinas e processos de trabalho. Fase de Burocratização: com o desenvolvimento das operações e de acordo com a sua dimensão, a organização passa a necessitar de uma verdadeira rede de regulamentação burocrática, preestabelecendo todo o comportamento organizacional dentro de padrões rígidos e de um sistema de regras e procedimentos para lidar com todas as contingências possíveis relacionadas com as atividades do trabalho. Fase de Reflexibilização : é uma fase de readaptação à flexibilidade, de reencontro com a capacidade inovadora perdida, através da introdução consciente de sistemas organizacionais flexíveis. O Desenvolvimento Organizacional é exatamente um esforço de reflexibilização. Os especialistas do D.O. salientam que as estruturas convencionais de organização não têm condições de estimular a atividade inovadora nem de se adaptarem a circunstâncias em mudança. As principais críticas que fazem às estruturas convencionais de organização são as seguintes: 8 1. O poder da administração frustra e aliena e empregado. 2. A divisão do trabalho e fragmentação de funções impedem o compromisso emocional do empregado. 3. A autoridade única ou unidade de comando restringe a comunicação do empregado, afetando negativamente o comprometimento deste para com a organização. 4. As funções permanentes, uma vez designadas, tornam-se fixas e imutáveis. Com essas constatações, tornam-se cada vez mais importantes a inovação e o talento individual, o conhecimento e a superação de limites, ferramentas essenciais para o desafio de todo líder organizacional que é convidado a transformar essas dificuldades em oportunidades para crescimento de todos os envolvidos – membros, organização e sociedade. A HISTÓRIA DO DESENVOLVIMENTO O mundo está mudando com uma rapidez incrível, tal como uma imensa bola de neve que aumenta incessantemente o seu tamanho e velocidade, à medida que rola montanha abaixo. No decorrer das últimas décadas, o ritmo das mudanças se caracterizou por uma incrível aceleração. Em rápidas pinceladas, podemos afirmar que o séc XX – o chamado século das fábricas e das burocracias – passou por três etapas distintas, no que se refere a reestruturação organizacional das empresas e organizações: a era industrial clássica, a era industrial neoclássica e a era da informação. A industrialização clássica teve seu início no final do séc XIX, como conseqüência direta da Revolução Industrial, e estendeu-se até a metade do século XX, mais precisamente até 1950. è a etapa em que o capital financeiro 9 passou a constituir a principal fonte de riqueza. industrial provocou o distanciamento entre O surto de desenvolvimento países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Nessa época predominava um ambiente empresarial estável, previsível, tranqüilo, exigindo uma postura de permanência e de definição das organizações. Aqui prevaleceram as três abordagens tradicionais da administração: administração científica – que enfatiza as tarefas no nível do operário, a Teoria Clássica e o Modelo Burocrático que valorizava a estrutura organizacional e a teoria das Relações Humanas, que ressaltava o papel das pessoas nas organizações. A industrialização neoclássica ocorreu no período de 1950 a 1990 e significou uma etapa de forte transição no mundo dos negócios. Com o final da Segunda Guerra Mundial, as organizações puderam produzir em enorme escala, uma variedade de produtos e serviços realmente inovadores. As organizações estavam a costumadas á estabilidade e a certezas. A mudança ambiental trouxe desafios e uma nova realidade começou a mostrar seus amplos contornos – a globalização da economia – e trouxe novos conceitos – como qualidade total, produtividade, competitividade, como formas de sobrevivência empresarial. A era da informação teve seu início na década de 90 e marca o início da terceira etapa do mundo organizacional. Surge com o tremendo impacto provocado pelo desenvolvimento tecnológico e com a chamada tecnologia da informação. A nova riqueza passa a ser o conhecimento – o recurso mais valioso e importante – substituindo o capital financeiro. Em seu lugar surge o capital intelectual. Na idade da informação as coisas mudam rápida e incessantemente. A administração em uma economia globalizada torna-se um artigo de primeira necessidade. Conceituando administração podemos afirmar que é a maneira de utilizar os diversos recursos organizacionais – humanos, materiais, financeiros, de 10 informação e tecnologia, para alcançar objetivos e atingir elevado desempenho. O sentido de desempenho, obtenção de resultados e satisfação das pessoas e clientes é o tema central que focaliza o moderno local de trabalho. Conceituando desenvolvimento organizacional Paralelo com a história e a Organização Atual. O Desenvolvimento Organizacional é uma resposta da organização às mudanças. É um esforço educacional muito complexo, destinado a mudar atitudes, valores, comportamentos e a estrutura da organização, de tal maneira que esta possa se adaptar melhor às novas conjunturas, mercados, tecnologias, problemas e desafios que estão surgindo em uma crescente progressão. O Desenvolvimento Organizacional visa a clara percepção do que está ocorrendo nos ambientes interno e externo da organização, a análise e decisão do que precisa ser mudado e a intervenção necessária para provocar a mudança, tornando a organização mais eficaz, perfeitamente adaptável às mudanças e conciliando as necessidades humanas fundamentais com os objetivos e metas da organização. O D.O. exige a participação ativa, aberta e não-manipulada de todos os elementos que serão sujeitos ao seu processo e, mais do que tudo, uma profundo respeito pela pessoa humana. • Pressupostos Básicos do D.O. A maioria dos autores especialistas em D.O., conquanto tenham idéias e abordagens bastante diversificadas, apresentam muitos pontos de concordância, 11 principalmente no que se refere aos pressupostos básicos que fundamentam o D.O. A Cultura Organizacional repousa sobre um sistema de crenças e valores, tradições e hábitos, uma forma aceita e estável de interações e de relacionamentos sociais típicos de cada organização. A cultura de uma organização não é estática e permanente, mas sofre alterações ao longo do tempo, dependendo de condições internas ou externas. Algumas organizações conseguem renovar constantemente sua cultura mantendo a sua integridade e personalidade, enquanto outras permanecem com sua cultura amarrada a padrões antigos e ultrapassados. A única maneira viável de mudar uma organização é mudar a sua cultura, isto é, os sistemas dentro dos quais as pessoas vivem e trabalham. Além da cultura organizacional, os autores do D.O. põem ênfase no clima organizacional, que constitui o meio interno de uma organização, a atmosfera psicológica característica em cada organização. O clima organizacional está intimamente ligado ao moral e à satisfação das necessidades humanas dos participantes. O clima pode ser saudável ou doentio, pode ser quente ou frio, pode ser negativo ou positivo, satisfatório ou insatisfatório, dependendo de como os participantes se sentem em relação à sua organização. • Conceito de Mudança O mundo de hoje caracteriza-se por um ambiente em constante mudança. O ambiente que envolve as organizações é extremamente dinâmico, exigindo delas uma elevada capacidade de adaptação como condição básica de sobrevivência. O processo de mudança organizacional começa com o aparecimento de forças que vêm de fora ou de algumas partes da organização. Essas forças podem ser endógenas ou exógenas à organização: 1. As forças exógenas provêm do ambiente, como as novas tecnologias, mudanças em valores da sociedade e novas oportunidades ou limitações do ambiente (econômico, político, legal e social). 12 2. As forças endógenas que criam a necessidade de mudança estrutural e comportamental provêm da tensão organizacional: tensão nas atividades, interações, sentimentos ou resultados de desempenho no trabalho. O Desenvolvimento Organizacional é necessário sempre que a organização concorra e lute pela sobrevivência em condições de mudança. • Conceito de Desenvolvimento A tendência natural de toda organização é crescer e desenvolver-se. O desenvolvimento é um processo lento e gradativo que conduz ao exato conhecimento de si próprio e à plena realização de suas potencialidades. A eficiência da organização relaciona-se diretamente com sua capacidade de sobreviver, de adaptar-se, de manter sua estrutura e tornar-se independente da função particular que preenche. A fim de que uma organização possa alcançar um certo nível de desenvolvimento, ela pode utilizar diferentes estratégias de mudança: 1. Mudança evolucionária: quando a mudança de uma ação para outra que a substitui é pequena e dentro dos limites das expectativas e dos arranjos do status quo (lenta, suave) 2. Mudança revolucionária: quando a mudança de uma ação para a ação que a substitui contradiz ou destrói os arranjos do status quo (rápida, intensa, brutal) 3. Desenvolvimento sistemático: os responsáveis pela mudança delineiam modelos explícitos do que a organização deveria ser em comparação com o que é, enquanto aqueles cujas ações serão afetadas pelo desenvolvimento sistemático estudam, avaliam, e criticam o modelo de mudança, para recomendar alterações nele, baseados em seu próprio discernimento e compreensão. Assim as mudanças resultantes traduzem-se por apoio e não por resistências ou ressentimentos. 13 As principais características do Desenvolvimento Organizacional (DO) são: focaliza a cultura e os processos; especificamente, estimula a colaboração entre líderes e membros das organizações no manejo da cultura e dos processos. as equipes são fundamentais para realizar as tarefas do DO. o DO focaliza o aspecto humano e social da organização, mas atua também no tecnológico e no estrutural. participação na solução de problemas e na tomada de decisões por todos os níveis. focaliza a mudança total do sistema e vê as organizações como sistemas sociais complexos. os/as praticantes do DO são facilitadores/as, colaboradores/as e co-aprendizes com o sistema cliente. uma grande meta do DO é tornar as pessoas capazes de resolver problemas por si próprias, ensinando as habilidades e conhecimentos por meio de um método de aprendizagem contínuo. O DO vê as melhorias organizacionais como um processo contínuo no contexto de um ambiente em constante mudança. o DO utiliza um modelo de pesquisa de ação com participação intensa de seus membros. o DO assume uma postura de desenvolvimento que busca a melhoria dos indivíduos e das organizações. Criar soluções em que todos ganhem, é a prática habitual do DO. A Comunicação como Fator de Desenvolvimento Organizacional Mudança para adaptação 14 Conceitos como mutação tecnológica, inovação, mudança, bloqueios à mudança, comunicação e cultura organizacional são já preocupações não só dos cientistas sociais, interessados pela empresa e pelo trabalho, como também de todos quantos estão empenhados na melhoria dos climas das organizações e no seu bom funcionamento. É do conhecimento geral que, de há uns anos a esta parte, as empresas portuguesas vêm pautando a sua atuação pelo binômio mudança/novas tecnologias. Não será de estranhar o sentido desta atuação, se pensarmos que as nossas empresas se defrontam com a necessidade, cada vez maior, de se adaptarem às exigências do mercado e corresponderem aos desafios postos pela revolução dos próprios meios tecnológicos. Caberá, contudo, perguntar-se: que mudança querem elas introduzir e como pensam operá-la? Sem dúvida que as respostas a estas questões são múltiplas, mas aquelas que nos tocam mais de perto dizem respeito à nossa experiência, decorrente da entrada de Portugal na UE. Podemos então questionar: será esta é uma razão suficientemente justificável para a ocorrência da mudança? Não é certamente desconhecido de todos nós que a UE necessita, também ela, de adaptar-se às exigências mundiais, logo, Portugal não pode fugir à necessidade de adaptar-se também à UE. Isto implica, igualmente, das organizações portuguesas uma adaptação às necessidades do País - o que justifica que a necessidade de mudança se aplica ao nível da gestão dos recursos humanos. Sobre este assunto, referiu-se certa vez o Ministro da Indústria e do Desenvolvimento Tecnológico do Japão, do seguinte modo: Mais que a ausência de capital e de tecnologias novas, são os recursos humanos que levam as empresas à falência. 15 Esta afirmação faz-nos deparar com uma nova variável no processo de mudança: os recursos humanos. Eles tornam-se indispensáveis, pois não há mudança possível sem recursos humanos capazes de a gerar. Seria, porém, ingênuo pensar-se que a mudança nas organizações é possível de operar-se pelo simples domínio das novas tecnologias, dos recursos humanos e da intenção de conduzir à mudança. Há que contar com dois fatores muito importantes: os bloqueios à mudança e a vontade dos que participam na vida das organizações. Bloqueios à mudança Muitas das nossas empresas geram e desenvolvem no seu interior bloqueios à mudança, não raras as vezes atribuídos aos seus próprios recursos humanos. Destes bloqueios podemos destacar as formas de gestão centralizadas e a concentração dos processos de trabalho, bem como a organização baseada em estruturas piramidais e monolíticas. Estas aberrações organizacionais, que mais não expressam muitas vezes a arrogância e o autoritarismo de quem se posiciona nas suas estruturas, conduzem o clima das organizações a um estado endêmico de moral baixo, provocam o absentismo e, por conseqüência, induzem à baixa qualidade de resultados, geram a agressividade contra a hierarquia e provocam a rigidez face às mudanças necessárias e, por vezes, urgentes. Pode acrescentar-se, ainda, que parte das empresas funciona por fluxos excessivos de informação, de regulamentações, de procedimentos, de despachos e de circulares. Outras, pelo contrário, são refratárias a uma política de 16 informação, sedimentadas no receio infundado de que o conhecimento na mão dos recursos humanos pode voltar-se contra os interesses das próprias empresas. Tem-se, ainda, numa parte substancial das organizações e das empresas, uma concepção mecânica do seu funcionamento e organização, encarando os recursos humanos não como sistemas sócio-culturais abertos, inteligentes e complexos, mas como peças de uma máquina, à qual devem servir de forma acrítica. A acrescentar a tudo isto, verifica-se a tendência generalizada de perspectivar o colaborador da organização não como um ser portador de necessidades múltiplas e complexas, mas como homo economicus, esquecendo que as suas motivações não giram exclusivamente à volta dos aspectos pecuniários, mas que há fatores de caráter simbólico, por vezes tão ou mais importantes que aqueles. A emergência da comunicação Pois bem, se as organizações pretendem recursos humanos motivados, para se envolverem no processo de mudança, então é necessário considerar-se outro aspecto de ordem mais profunda: os sistemas de comunicação no interior das organizações. Mas que tipo de comunicação? E como poderá ela gerar motivação? Não estamos, naturalmente, a referir-nos aos depósitos de informação, e muito menos à informação punitiva, que leva à desafetação psicológica do colaborador. Pretendemos, de fato, referir-nos a uma estratégia global de comunicação, que tenha em conta não somente os canais formais da empresa, mas também os informais. Neste contexto, a gestão da comunicação organizacional pressupõe que os valores psicossociológicos e as oportunidades de difusão das mensagens são tidos em conta, a par dos objetivos da própria organização. 17 Do universo de mensagens a poder circular no interior da organização fazem parte diferentes tipos de informação: técnica, social, recreativa, cultural e de integração. Por informação de integração entendemos ser aquela pela qual se gera um campo semântico comum de interesses e de aspirações, que permite não só um espaço de diálogo, como também a neutralização do sentido penalizador e punitivo que por vezes caracteriza a informação institucionalizada nas empresas e nas organizações. Ao contrário da informação punitiva, penalizadora e normativa, a informação de integração caracteriza-se por ter subjacente os seguintes objetivos: descodificação, personalização e clarificação. Descodificação, no sentido de possibilitar a todos um entendimento claro e objetivo das normas, das formas de organização, da missão e dos seus objetivos a atingir a curto, a médio e a longo prazo. Personalização, de modo a permitir que cada elemento da organização tenha a possibilidade de identificar o seu trabalho e o dos outros, numa perspectiva global do processo de produção. Clarificação, de forma a tornar transparentes os objetivos organizacionais, os meios disponíveis, os estrangulamentos e as oportunidades, e os resultados da atividade da organização. Optar pela implantação de um sistema de comunicação que se caracterize pelos aspectos atrás referenciados é, por certo, escolher um sistema de comunicação que conduz à participação efetiva e afetiva dos recursos humanos no referido processo de mudança. Caso contrário, introduzindo nas organizações mutações exclusivamente tecnológicas, é criar as condições internas que produzem a desafetação psicológica dos elementos da organização, conseguindo-se desta forma não mais do que algumas bolhas de mudança. 18 Todavia, pretendendo-se adotar uma estratégia global de comunicação eficiente e eficaz, é indispensável olhar tanto as organizações como os seus recursos humanos por uma nova perspectiva: a de um sistema aberto. Uma nova visão: o homem como sistema aberto Outrora, as organizações de trabalho eram consideradas como uma engrenagem taylorizada, na qual os recursos humanos eram percepcionados como peças da sua constituição. Porém, a experiência vem demonstrando que esta visão não está adequada da realidade econômica, social e cultural. Se a organização é um sistema aberto e complexo, que está inserida num sistema ainda mais complexo, o País, que dizer da abertura e da complexidade de cada homem e de cada mulher, como subsistemas da organização? Este conjunto de idéias não pode deixar de nos remeter para o papel essencial e fulcral que o processo de comunicação e informação podem desempenhar na configuração dos sistemas abertos. Ou seja, dada a tendência de os sistemas receberem e processarem informação, ela afigura-se-nos imprescindível como fonte geradora de motivação. É que, o ser humano é um sistema auto - eco - organizador: organiza-se e desenvolve-se na relação que tem com o meio ambiente. Assim, a motivação não é algo que seja nem imanente nem transcendente ao ser humano, mas produto da relação que ele tem com os outros seres humanos no ambiente de trabalho. Pelas razões apontadas, é imperativo substituir-se a idéia de homempeça de uma máquina que o transcende pela de homem-sistema que, conjuntamente com outros sistemas, de forma interativa, contribuem para que a organização, como sistema maior, possa, de forma ajustada, atingir os seus próprios objetivos. 19 Pressupõe isto que, a pessoa não só se define pela sua estrutura interna, como também pela relação que tem com o meio envolvente, seja ele físico ou humano. Neste sentido, a introdução de medidas que provoquem alterações nos sistemas organizacionais afetam a configuração dos subsistemas humanos, e vice-versa. Explicitando de outra forma, podemos dizer que os comportamentos humanos não são predeterminados, mas derivam da relação que têm com o meio envolvente. A motivação pela comunicação Com efeito, ao pensar-se em mudança numa organização, não podemos descurar que esta só é possível de operar-se mediante comportamentos generalizados de motivação. Por outro lado, a alteração de padrões de comportamento, com vista à mudança objetiva, só é possível mediante processos de comunicação e informação pertinentes e estrategicamente bem delineados. Se as máquinas do marketing e das técnicas de venda absorvem parte substancial dos orçamentos das empresas e das organizações para pesquisar as tendências de mercado, para moldarem os produtos e serviços ao jeito das necessidades dos clientes e dos potenciais clientes, para promoverem a idéia do produto e para o distribuírem, que resultados se obterão ignorando ou desvalorizando as motivações, as atitudes e os comportamentos daqueles que são a chave de todos os processos organizacionais? Fica assim entendido que, a mudança tecnológica sem uma mudança de mentalidades no interior de uma organização não só não produz efeitos de elevada performance, como corre o risco de induzir no seu interior resistência aos processos de mudança, sejam eles tecnológicos ou não. É que, os comportamentos na vida de uma organização podem mudar, desde que mudem as interações no seu próprio meio interno. Sabendo-se que a configuração do meio interno do sistema organizacional não é imutável, os atores 20 sociais com maior nível de responsabilidade na organização podem e devem atuar sobre ela, mediante processos de comunicação e de informação. Por comunicação, entendemos ser o processo pelo qual partilhamos uma informação, uma idéia, uma atitude ou um sentimento. Podemos ainda vincular à comunicação a idéia de participação. Participar é precisamente a possibilidade de fazer parte de um todo, pois quem está isolado não tem qualquer possibilidade de fazer parte desse todo, logo não participa. Comunicar é, então, fazer participar num projeto global, trazendo para a comunidade de interesses o que dela estava separado, através da informação pertinente e objetiva. Do que foi dito, podemos concluir que, não sendo os problemas de comunicação de ordem econômica nem tecnológica, estes podem atuar quer como catalizadores, quer como entraves à mudança. Esta conclusão tem como pressuposto o fato de não sermos nem uma sociedade de máquinas nem uma sociedade exclusivamente de capitais financeiros. Pelo contrário, somos uma sociedade de homens e de mulheres, que pensam, sentem e agem de forma racional, sendo por isso tão importante a construção técnica como a construção social da organização. Considerando que a mudança é, antes de tudo, um problema de mentalidade, os meios tecnológicos só se tornarão eficazes pela força da vontade e do desejo dos homens que a utilizam. Mas o desejo e a vontade não podem nascer e desenvolver-se sem que sejam criadas na organização relações de confiança, as quais somente serão possível de alcançar pela via da comunicação. Nesta perspectiva, cada função ou cada papel não se limitará ao uso de um ferramenta de trabalho, mas comportará igualmente um homem ou uma mulher, cuja motivação é fundamental para o processo de mudança. A mudança pela Motivação 21 O desenvolvimento de um sistema de gestão global de comunicação numa organização pode traduzir-se por um conjunto enorme de vantagens, não só para a organização em si, como também para os seus colaboradores e para o público em geral. Para os recursos humanos, permitirá um melhor conhecimento da organização e das suas atividades, bem como de todos quantos nela laboram; uma compreensão mais correta dos problemas que se põem aos diferentes serviços; o sentimento de ser tratado humanamente; a supressão de sentimentos de isolamento e de anonimato; o sentimento de poder exprimir os seus próprios pontos de vista; o sentimento de pertencer a uma equipa e de nela desempenhar um papel útil; mais interesse pelo próprio trabalho; melhor ambiente. Numa palavra, a melhoria do clima e a construção de uma cultura organizacional que traduza a realidade concreta da complexidade humana que é, ao fim e ao cabo, a medida de todas as coisas. Para as chefias, possibilitará um melhor conhecimento dos problemas dos seus recursos humanos; melhores relações com cada colaborador; detecção dos valores individuais e dos sentimentos grupais; conhecimento de espíritos criativos e inovadores; pessoal mais estável. Para as organizações, conduzirá a um maior dinamismo, entusiasmo e vivacidade; menos desperdício de tempo e de material; maior satisfação de todos os que têm a responsabilidade de gerir; aumento de produtividade. Para o público em geral, melhoria quantitativa e qualitativa dos produtos e serviços e, por conseqüência, contribuição para o desenvolvimento econômico. Apostar, pois, numa política de comunicação é apostar na valorização dos recursos humanos e, por conseqüência, na própria organização. É contribuir para uma interação entre a cultura de cada ator social e a cultura da organização, daí resultando um espírito comum. Da interatividade de todos estes fatores resultará um benefício para o sistema social. A não acontecer assim, não haverá recursos humanos preparados e motivados. Sem motivação não haverá mudança. Sem mudança não haverá adaptação às exigências do meio envolvente. 22 O Universo de Inserção das Organizações O oceano significa o universo de inserção das organizações que sobreviverão e se adaptarão aos impactos das transformações exigidas pela dinâmica do mundo globalizado da Era da Informação. De acordo com Toledo (1997), a mutabilidade é o cenário em que as pessoas e organizações vão encontrar neste fim de milênio e no começo do próximo. Diante disso, coloca-se a necessidade das empresas se adequarem aos novos paradigmas para que permaneçam no mercado. Muitas organizações se vêem como centros, olhando apenas para o seu próprio umbigo, fechadas ao ambiente, em si mesmas, às mudanças. Não querem se comprometer, pois tal ação exige risco. Um novo modelo de gestão deve, então, ser criado neste cenário de competitividade crescente, tanto no nível das relações externas quanto internas. À medida que os cenários mudam os seres humanos são instados a mudar, a oferecer soluções criativas e a mobilizar novos recursos. E a transformação desse fluxo de mudanças se encontra na sinergia, parceria e na globalização que são formas de união. Os Obstáculos para a Mudança Toda mudança implica algum sacrifício e é sempre cercada por incertezas. As organizações por estarem inseridas num contexto de mudanças constantes precisam se adaptar às novas realidades com as quais se defrontam. Por exemplo, tais realidades poderiam ser a necessidade de uma nova política de recursos humanos, ou uma nova forma de gestão e planejamento; ou ainda, mudanças nas estruturas, sistemas e processos ou urgência de informatização; ou 23 até mudanças políticas e novas tecnologias. A despeito de tais pressões, muitas organizações não procedem as atitudes necessárias para instaurarem o processo que as levaria a modificar o seu status quo. Talvez o maior foco de resistência seja o fato de que a questão não é somente mudar, e sim gerenciar a mudança, o que implica na tarefa extremamente difícil de gerenciar a própria cultura da organização. O MODELO DAS COMPETÊNCIAS E A GESTÃO DO TRABALHO O modelo das competências profissionais começa a ser discutido no mundo empresarial a partir dos anos oitenta, no contexto da crise estrutural do capitalismo que se configura, nos países centrais, no início da década de setenta. Esta crise se expressa pelo esgotamento do padrão de acumulação taylorista/fordista; pela hipertrofia da esfera financeira na nova fase do processo de internacionalização do capital; por uma acirrada concorrência intercapitalista, com tendência crescente à concentração de capitais devido às fusões entre as empresas monopolistas e oligopolistas; e pela desregulamentação dos mercados e da força de trabalho, resultantes da crise da organização assalariada do trabalho e do contrato social. As respostas do capital à sua crise estrutural podem ser dimensionadas pelas reestruturações empreendidas no próprio processo produtivo, por meio da constituição das formas de produção flexíveis, da inovação científico-tecnológica aplicada aos processos produtivos, e de novos modos de gerenciamento da organização do trabalho e do saber dos trabalhadores. Este amplo processo de reestruturação teve como objetivos não só reorganizar em termos capitalistas o processo produtivo tendo em vista a retomada de seu patamar de acumulação, 24 mas gestar um projeto de recuperação da hegemonia do capital não só na esfera da produção, mas nas diversas esferas da sociabilidade, que se confrontasse ao contra-poder que emergira das lutas sociais e sindicais dos anos sessenta e setenta. As novas concepções gerenciais que surgem no bojo desse processo de reestruturação empresarial estão ancoradas, assim, numa lógica de recomposição da hegemonia capitalista e das relações capital-trabalho e têm como objetivos racionalizar, otimizar e adequar a força de trabalho face às demandas do sistema produtivo. Na década de 90, o aprofundamento da globalização das atividades capitalistas e a crescente busca de competitividade levaram ao "alinhamento definitivo das políticas de recursos humanos às estratégias empresariais, incorporando à prática organizacional o conceito de competência, como base do modelo para se gerenciarem pessoas", apontando para novos elementos na gestão do trabalho. Os elementos das novas práticas de gestão que configuram o modelo da competência no mundo do trabalho são a valorização dos altos níveis de escolaridade nas normas de contratação; a valorização da mobilidade e do acompanhamento individualizado da carreira; novos critérios de avaliação que valorizam as competências relativas à mobilização do trabalhador e seu compromisso com a empresa; a instigação à formação contínua; e a desvalorização de antigos sistemas de hierarquização e classificação, ligando a carreira ao desempenho e à formação.3 A adoção do modelo das competências profissionais pelas gerências de recursos humanos no mundo empresarial está relacionada, portanto, ao uso, controle, formação e avaliação do desempenho da força de trabalho diante das novas exigências postas pelo padrão de acumulação capitalista flexível ou: competitividade, produtividade, agilidade, racionalização de custos. Este modelo tende a tornar-se hegemônico em um quadro de crise do trabalho assalariado e da 25 organização prescrita do trabalho e do declínio das organizações profissionais e políticas dos trabalhadores. As noções estruturantes do modelo das competências no mundo do trabalho são a flexibilidade, a transferibilidade, a polivalência e a empregabilidade. Para o capital, a gestão por competências implica em dispor de trabalhadores flexíveis para lidar com as mudanças no processo produtivo, enfrentar imprevistos (incidentes/eventos)5e passíveis de serem transferidos de uma função a outra dentro da empresa requerendo-se, para tanto, a polivalência e a constante atualização de suas competências, o que lhes dá a medida correta de sua "empregabilidade". Ao definir sua estratégia competitiva (excelência operacional através da competição com base no custo, inovação no produto, orientação para serviços aos clientes) as organizações empresariais identificam as competências essenciais do negócio e as necessárias a cada função. A partir destas são definidas as competências dos trabalhadores necessárias à organização. No modelo das competências os conhecimentos e habilidades adquiridos no processo educacional, na escola ou na empresa, devem ter uma "utilidade prática e imediata" – tendo em vista os objetivos e missão da empresa –, e a qualidade da qualificação passa a ser avaliada pelo "produto" final, ou seja, o trabalhador instrumentalizado para atender às necessidades do processo de racionalização do sistema produtivo. O "capital humano" das empresas precisa ser constantemente mobilizado e atualizado para garantir o diferencial ou a "vantagem competitiva" necessários à desenfreada concorrência na economia internacionalizada. O uso e a apropriação das competências dos trabalhadores pelo capital – de seus saberes em ação, dos seus talentos, de sua capacidade de inovar, de sua criatividade e de sua autonomia - não implica, em geral, o comprometimento da empresa –, com os processos de formação/construção das competências, atribuindo-se aos trabalhadores a responsabilidade individual de atualizar e validar 26 regularmente sua "carteira de competências" para evitar a obsolescência e o desemprego. No modelo das competências o controle da força de trabalho se expressa através de estratégias de ressocialização e aculturação pela conformação da subjetividade do trabalhador. A ênfase na identificação dos interesses de patrões e empregados – que se convertem em uma comunidade social de colaboradores – a autogestão pela internalização da disciplina; o controle exercido sobre os trabalhadores por seus próprios colegas no trabalho em equipe e a sobrevalorização de aspectos atitudinais (o saber-ser) conferem ao modelo das competências a possibilidade de um controle menos formalizado e mais difuso sobre a força de trabalho, evitando-se as resistências e os conflitos. No estágio atual do capitalismo flexível observa-se um progressivo deslocamento do conceito-chave da sociologia do trabalho – a qualificação profissional –, para a noção de competências profissionais. O tradicional conceito de qualificação estava relacionado aos componentes organizados e explícitos da qualificação do trabalhador: educação escolar, formação técnica e experiência profissional. Relacionava-se, no plano educacional, à escolarização formal e aos seus diplomas correspondentes e, no mundo do trabalho, à grade de salários, aos cargos e à hierarquia das profissões, sendo expressão histórica das relações sociais diversas e contraditórias estabelecidas no processo produtivo. No modelo de competências importa não só a posse dos saberes disciplinares escolares ou técnico-profissionais, mas a capacidade de mobilizá-los para resolver problemas e enfrentar os imprevistos na situação de trabalho. Os componentes não organizados da formação, como as qualificações tácitas ou sociais e a subjetividade do trabalhador, assumem extrema relevância. O modelo das competências remete, assim, às características individuais dos trabalhadores. O modelo das qualificações ancorado na negociação coletiva cedeu lugar à gestão individualizada das relações de trabalho. A relação de coletivos (a empresa) com 27 indivíduos tende a enfraquecer as ações coletivas no campo do trabalho e a despolitizar a ação política sindical. A lógica das competências perpassa de forma contraditória, mas complementar, o mundo do trabalho: no núcleo do trabalho formalizado, a apropriação pelo capital do saber, do saber- fazer e do saber-ser dos trabalhadores, implica uma busca constante de ampliação e atualização do seu portfólio de competências e uma renúncia permanente aos seus interesses de classe em favor dos interesses empresariais. A ameaça de desemprego em um mercado de trabalho desregulamentado e instável confere à empresa o poder de negociação (e/ou imposição) em relação às formas e condições de trabalho à margem da mediação sindical, favorecendo a cooptação dos trabalhadores e a quebra de sua resistência. No mundo do trabalho precarizado – subcontratado, tempo parcial, temporário, conta própria, sem-carteira – os próprios trabalhadores se submetem ou mesmo incorporam a cultura da flexibilidade e da rotatividade de empregos como meio de manutenção de sua empregabilidade, aceitando as diferenças salariais e a perda de direitos e benefícios sociais em relação aos trabalhadores formais, como parte das "regras do jogo" do mundo do trabalho atual. No mundo dos sem-emprego a lógica das competências leva a uma culpabilização pela sua situação de exclusão e à busca de uma empregabilidade, situação em que o trabalhador desempregado é pressionado a ser competente para criar ou até mesmo "inventar" o seu próprio trabalho. Esta procura por uma "empregabilidade" no mercado de trabalho é, entretanto, vazia de significado porque condicionada pela baixa escolaridade e pela falta de políticas de trabalho e renda com a perspectiva de criação de novos postos de trabalho. A adoção do modelo das competências no mundo do trabalho traz, no entanto, implicações contraditórias para o trabalhador. Por um lado, pode-se apontar, como aspecto positivo, a valorização do trabalho, que assume um caráter 28 mais intelectualizado, menos prescritivo, exigindo a mobilização de competências que envolvem domínios cognitivos mais complexos e que vão além da dimensão técnica, demandando novas exigências de qualificação do trabalhador e a elevação dos níveis de escolaridade. Ressalta-se, também, positivamente, a valorização dos saberes em ação, da inteligência prática9 dos trabalhadores, independente de títulos ou diplomas; uma maior polivalência do trabalhador, que lhe permite lidar com diferentes processos e equipamentos, assumir diferentes funções e tornar-se multiqualificado; a possibilidade de construir competências coletivas a partir do trabalho em equipe, maior comunicação, participação e autonomia para o planejamento, execução e controle dos processos produtivos. Assinalamos, entretanto, que as possibilidades de construção de competências, de ampliação dos níveis de qualificação, de real autonomia de concepção e decisão, de participação e de exercício da subjetividade e da intersubjetividade no trabalho, não estão dadas no modelo de gestão por competências, e estarão condicionadas pelas relações de força e poder que se estabelecem entre o capital, por meio das estratégias da gerência de controle da mão-de-obra e extração da mais-valia, e o trabalho, traduzidas na busca de maior decisão e intervenção no processo produtivo. A forma, como a lógica das competências, vai se implantar nos espaços de trabalho e dependerá da capacidade de os trabalhadores, através de sua organização e mobilização, instituir mecanismos que garantam a materialização de seus interesses. Como aspectos negativos apontamos a intensificação do trabalho e a desprofissionalização, que são conseqüências de uma polivalência estreita e espúria, decorrente do reagrupamento das tarefas pela supressão de postos de trabalho, ou pelo enxugamento dos quadros das empresas com demissões. A intensificação da exploração do trabalho se traduz no fato de os trabalhadores operarem simultaneamente várias máquinas, ou desempenharem várias tarefas, em um ritmo e velocidade determinados pela mediação da automação e da informatização, ampliando a jornada de trabalho que passa a depender muito 29 menos de contratos previamente acordados entre capital e trabalho, e muito mais das necessidades da produtividade capitalista. A desprofissionalização ocorre sempre que o trabalhador deixa de atuar dentro da esfera de saberes, atividades, responsabilidades e referenciais próprios de sua profissão, e que são negociados em acordos coletivos e corporativos, e passa a desempenhar papéis e funções próprios de outras áreas e ocupações, com conseqüências para a sua (des) qualificação profissional. Assinalamos, ainda, o sofrimento no trabalho advindo do stress e da ansiedade decorrentes do medo de perda do emprego, das relações de trabalho inseguras, da intensificação e expansão da jornada de trabalho, do enfrentamento cada vez maior de responsabilidades no trabalho sem a contrapartida do aumento do salário ou da estabilidade no emprego e de ambientes de trabalho extremamente competitivos e individualistas. A insatisfação dos trabalhadores, advinda de uma participação restrita e de uma autonomia prescrita, definidas pela lógica do capital, consolida-se a partir da consciência da solidão de sua atuação, desprovida do respaldo de suas organizações de classe. A lógica das competências na gestão do trabalho, com sua perspectiva individualizante e individualizadora das relações de trabalho, leva o trabalhador, a um só tempo, à retração de seus saberes aos estritos limites e necessidades da empregabilidade e à ruptura da sua filiação social, posto que todas as relações que se estabelecem no trabalho se dão entre ele e a empresa, sem a mediação sindical. O Destino das Organizações Estanques A Seca representa o futuro para aquelas organizações que não aceitarem os novos paradigmas. Aquelas que não acompanharem o influxo dos requisitos 30 para a sobrevivência no mercado globalizado estão destinadas a desaparecer. As mudanças globais na economia delineiam um novo cenário que traz, para as empresas, drásticas mudanças nas relações de troca: exigência dos consumidores e necessidades de qualidade de vida do trabalho. Por isso, é necessário que as mudanças se façam nos processos sociais internos, para que se modifiquem também as pessoas a fim de que este modelo de gestão funcione. Diante disso, torna-se necessário superar as barreiras dos antigos comportamentos. Em primeiro lugar, através da quebra dos paradigmas construídos sobre a realidade passada, para que um novo paradigma possa fazer emergir uma nova realidade sobre ele construída. As organizações devem se preparar para os possíveis desafios, através de um processo contínuo de aprendizagem, mobilização de recursos adicionais para atenderem às novas demandas e adaptação ao novo ambiente; caso contrário, as organizações estão fadadas à morte (falência). O Futuro das Organizações de uma forma global Em nossa história o palácio de coral representa o novo estado possível da organização, ou, dito de outra forma, como serão as arquiteturas organizacionais para o século 21. Desde meados dos anos 80 têm aumentado as pressões sobre as empresas que desejam continuar no mercado com êxito. As transformações por que passa a nossa época são bastante diferenciadas daquelas trazidas no bojo da Revolução Industrial que motivou a reorganização das relações mundiais de produção e trabalho. Várias foram as forças que delinearam este novo cenário organizacional, dentre as quais pode-se citar a tecnologia, a competição, o excesso de oferta, a globalização, as expectativas do cliente, a participação governamental, as relações de propriedade e a dinâmica das forças de trabalho. 31 Neste contexto, é fácil perceber que as organizações para sobreviverem devem enfrentar todos estes desafios, o que pressupõe uma capacidade de prever mudanças e administrá-las, privilegiando a adaptabilidade, a flexibilidade, a sensibilidade, a decisão e a rapidez; daí a crucial importância do desenvolvimento antecipado de estratégias, ou, dito de outra forma, o que faz a diferença fundamental entre as empresas no mundo moderno é a qualidade do seu planejamento estratégico. Assim, podemos inferir que no futuro as organizações provavelmente terão, entre outras, as seguintes características: organizações em redes de fornecedores, concorrentes e clientes cooperando para sobreviver, limites organizacionais imprecisos (várias lealdades); sistemas de trabalho de alto desempenho (processos e qualidade total); equipes serão a norma; subunidades serão autônomas; normas e valores dão coesão para direção e coordenação ativas; formas organizacionais fluidas e transitórias; ênfase do aprendizado em nível de sistema; desenvolvimento da visão estratégica e visão específica; e menor ênfase no desempenho financeiro de curto prazo. FERRAMENTAS PARA DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL • Empowerment Empowerment é um conceito do qual muito se fala e pouco se pratica. Tem por objetivo transmitir responsabilidade e recursos para todas as pessoas, a fim obter a sua energia criativa e intelectual, de modo que possam mostrar a verdadeira liderança dentro de suas próprias esferas individuais de competência e também, ao mesmo tempo, ajudar a enfrentar os desafios globais de toda a empresa. O empowerment busca a energia, esforço e dedicação de todos – lamentavelmente características difíceis de encontrar nas nossas empresas – e tirar do gerente o antigo monopólio do poder, informações e 32 desenvolvimento. Empoderar é dar poder e autonomia aos funcionários para aproveitar ao máximo o seu talento coletivo. Existem alguns princípios para fazer o empowerment das pessoas: 1. Dar às pessoas um trabalho que elas sintam importante. 2. Dar às pessoas plena autoridade e responsabilidade, independência e autonomia em suas tarefas. 3. Permitir que as pessoas tomem decisões a respeito de seu trabalho. 4. Dar visibilidade às pessoas e proporcionar reconhecimento pelos seus esforços e resultados. 5. Construir relacionamentos entre as pessoas e apoiando-as através de líderes e impulsionadores. 6. Mover a informação em todos os níveis. Informação é poder e habilita as pessoas a pensar e agir melhor. 7. Pedir a opinião das pessoas a respeito dos assuntos de trabalho. Fazer com que elas se sintam as donas dos processos de trabalho. Fazer com que elas tenham orgulho de pertencer à organização. 8. Acentuar a colaboração e o espírito de equipe. Empoderar pessoas e empoderar equipes. 9. Ajudar as pessoas empoderadas a empoderar as demais. Estenda o empowerment a todos os níveis e áreas da organização. Transforme as velhas regras e regulamentos em meios para divulgar a informação, opiniões e idéias por toda a organização. O segredo é utilizar todo o seu pessoal, todas as habilidades, todo o tempo, dando-lhes autoridade e deixando-os agir. 33 • Avaliação por competências – 360º graus Consiste em um método que avalia o desempenho dos colaboradores, através de uma rede de feedback envolvendo as pessoas que fazem parte do seu círculo de atuação, possibilitando a visão da sua performance sob diferentes ângulos (visão dos superiores, pares, subordinados, clientes e fornecedores). Vantagens: • Possibilita resultados mais confiáveis e isentos de influências pessoais; • Possibilita a visão da performance do avaliado sob diferentes ângulos; • Promove maior aceitação, pois os colaboradores percebem como um processo mais justo e confiável; • Possibilita um maior controle da coerência do avaliador nos diferentes pareceres que emite. • Feedback Talvez a mais importante ferramenta dentro das organizações, servirá para balizar o relacionamento dos líderes e de seus liderados, identificando melhorias, ajustes e sucessos na implantação das diretrizes e rumos de uma equipe e de sua organização. Sabemos que existem outras ferramentas de avaliação que podem medir o sucesso do desenvolvimento de uma empresa e de seus colaboradores, porem, citamos as mais comuns, que podem ser usadas tanto em uma empresa de pequeno porte, como também nas grandes empresas mundiais. 34 Apresentaremos modelo organizacional de duas empresas de sucesso que comprovam ser os desafios do desenvolvimento organizacional, a única maneira de manter seu capital humano produtivo e motivado para os resultados esperados. Companhia Vale do Rio Doce Preocupada com a necessidade de desenvolver talentos e criar um banco de profissionais prontos para dar sustentação ao processo de crescimento, diversificação e internacionalização da empresa, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) definiu como um dos seus objetivos estratégicos o desenvolvimento organizacional e humano. Assim, foi criado o Departamento de Desenvolvimento Organizacional, com a missão de atrair, desenvolver e reter os melhores profissionais, talentosos e competentes, em quantidade e qualidade suficientes para construir a Vale do futuro. O grande desafio colocado é o de compatibilizar o modelo de gestão e a estrutura organizacional com pessoas talentosas e preparadas, em um ambiente propício para a plena realização das potencialidades e, assim, contribuir para o alcance do objetivo da Companhia até 2010, de tornarse uma das três maiores mineradoras diversificadas do mundo. O Departamento de Desenvolvimento Organizacional é responsável pelas políticas e programas de desenvolvimento organizacional e humano que contribuam para a atração de talentos e, principalmente, para sua retenção e desenvolvimento, incluindo mecanismos de diferenciação, remuneração e reconhecimento, além do desenvolvimento de uma liderança transformadora que implemente com eficácia os necessários processos de mudança. 35 São competências ou responsabilidades básicas da área: · Estrutura organizacional e modelo de gestão · Estrutura de cargos e salários · Estratégia de remuneração e benefícios, no Brasil e no exterior · Suporte na gestão das mudanças e nos projetos de transformação · Gestão do clima organizacional · Educação, treinamento e desenvolvimento · Gestão de carreiras e sucessões · Gestão de desempenho e competências · Gestão organizacional e desempenho profissional no exterior · Recrutamento e seleção no Brasil e exterior · Políticas de expatriados 36 Natura PDRH - Planejamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos O PDRH é um processo institucionalizado pela Natura para identificar, adquirir e desenvolver competências necessárias aos seus recursos humanos. Também está inserido no planejamento estratégico e é ferramenta para o desenvolvimento de sucessores dentro da empresa. Ele é composto por: • Desenvolvimento Organizacional • Processo de Gerenciamento de Desempenho • Treinamento e Desenvolvimento • Recrutamento e Seleção Desenvolvimento Organizacional Por meio do PDRH, a Natura anualmente analisa e define o melhor desenho organizacional, identifica suas competências atuais e futuras, define e verifica seus processos, políticas e sistemas de gestão, com a intenção de buscar o processo mais adequado na busca de seus objetivos estratégicos. PGD - Processo de Gerenciamento de Desempenho 37 É uma abordagem dinâmica e contínua voltada ao planejamento, desenvolvimento e acompanhamento do desempenho do colaborador e do seu crescimento pessoal e profissional. Ele se baseia em mapear os recursos humanos da empresa, para identificar performances diferenciadas e estimular uma cultura de alto desempenho na Natura. Os principais produtos do PGD são: •Direcionamento e construção dos Planos de Desenvolvimento •Acompanhamento do desenvolvimento profissional do colaborador •Avaliação anual do seu desempenho face aos objetivos negociados •Avaliação comparativa dos recursos humanos da Companhia •Feedback constante com foco no desenvolvimento Treinamento e Desenvolvimento Acreditamos que a evolução contínua dos indivíduos é fundamental para o crescimento e, por isso, investimos em treinamento e desenvolvimento profissional e pessoal de nossos colaboradores com programas e ferramentas específicos a cada realidade. Oferecemos a todos os nossos colaboradores um guia informatizado (GAN - guia de aprendizagem Natura) disponível na Intranet com sugestão de cursos/programas de formação, literatura de diversos temas, sites e orientações que contribuem para o plano de auto desenvolvimento. 38 CONCLUSÃO Gerir pessoas não é controlá-las e sim estimular o seu desenvolvimento. E o que é o desenvolvimento? Para Joel de Souza Dutra, cada vez mais “as pessoas são avaliadas pelas contribuições que fornecem ao patrimônio de conhecimento da empresa, ou seja, pela sua entrega à organização”. Conhecimento e habilidades nem sempre são suficientes para que o profissional possa agregar valor à instituição. O que determina o desenvolvimento é o nível crescente de complexidade ao qual as pessoas estão expostas. "Não basta oferecer cursos de treinamento, buscando proporcionar mais conhecimento e habilidades às pessoas. É preciso que a empresa dê espaço para que elas possam usar esse conhecimento e agregar valor à organização. Para assumir responsabilidades cada vez mais complexas não é necessário a mudança de posição. Dentro deste contexto, desenvolvimento perde o seu caráter de "promoção". "O espaço que a pessoa ocupa não é definido pelo cargo em si mas pelas necessidades da organização e sua capacidade em atender essas exigências", afirma o professor. "Desenvolver pessoas não é oferecer um acúmulo de cargos e sim um conjunto de degraus de complexidade". O imprescindível é encontrar um ponto de equilíbrio entre os desafios propostos pela empresa e a capacidade das pessoas em enfrentá-los. Se a organização sub-utiliza o potencial do colaborador quanto se superestimar a sua capacidade, ela o colocará em uma situação de estresse, muito danosa ao seu desenvolvimento. É necessário que o gestor de RH exija o máximo que as pessoas possam oferecer, mas seguindo o ritmo de aprendizagem e de 39 produtividade de cada um. "O bom líder é aquele que motiva e promove o crescimento da equipe reconhecendo e explorando os ritmos de cada pessoa". Para o novo conceito de desenvolvimento organizacional, o grande desafio é pois, transformar todas as pessoas da organização em talentos, ou seja, em profissionais entusiasmados, estimulados, que busquem o seu crescimento. Por isso, é preciso desenvolver todos os colaboradores e não apenas um grupo de pessoas escolhidas. "A empresa deve desenvolver 100% das pessoas para, quando precisar, todas elas estarem prontas. Além disso, o grupo excluído puxaria para baixo o desenvolvimento organizacional. A rotatividade de profissionais deve ser considerada como um processo natural, mas é importante que a empresa perca profissionais no momento adequado. Não é interessante para a organização que a pessoa saia logo após um período de desenvolvimento, mas não vale a pena retê-la se não há espaço para ela. "Ao prendê-la, a empresa terá um profissional frustrado, desmotivado ou então estará deixando de lado o processo de desenvolvimento de outras pessoas". Ao longo de nossa exposição, algumas lições sem dúvida, substancias ao nosso estudo em questão, não podem jamais calar dentro das organizações e no íntimo dos estudiosos dessa rica disciplina, que será sempre o desafio de tornar ambos os pilares – Organização e Ser Humano – livres e prontos a aprender. O grande desafio do desenvolvimento organizacional é e será sempre, o desafio do recomeço, da quebra de paradigmas. Será sempre a determinação de ousar – usar as ferramentas que se tem na hora certa e com o grupo certo. O maior desafio do desenvolvimento organizacional é o de saber que não se tem limites, quando o limite é a alma humana, cantada em verso e em prosa, mas sempre a alma humana, que de tão embriagada pelas tentativas, erros, vitórias e fracassos, jamais perde sua essência de HUMANA. E a Organização? Desafia-se pois, a busca da humanização dessa máquina, através de seus Seres, mais que Humanos, pensantes capazes da superação de si mesmo. e sempre 40 Bibliografia AMADO, Gilles et al. (1982), A Dinâmica da Comunicação nos Grupos, Rio de Janeiro, Zahar Editores. ANDRADE, Cândido (1975), Psicossociologia das Relações Públicas, Petrópolis, Vozes. AUBREY, Bob et al. (1994), Saber-Fazer Saber, A Aprendizagem da Acção na Empresa, Lisboa, Instituto Piaget. BÉRIOT, Dominic (1997), Mudança na Empresa: Uma Abordagem Sistémica, Lisboa, Instituto Piaget. BERTRAND, Yves et al. (1994), Organizações : Um Abordagem Sistémica, Lisboa, Instituto Piaget. BILHIM, João (1996), Teoria Organizacional, Lisboa, ISCSP. CANNON, Tom (1999), A Gestão dos Paradoxos no Século XX, Lisboa, Instituto Piaget. CENECO (1996), Dicionário de Marketing, Lisboa, Instituto Piaget. CÉSAR, Bruno (1997), A Estratégia do Projecto Lateral, Lisboa, Instituto Piaget. CHIAVENATO, Idalberto (1983), Introdução à Teoria da Administração, São Paulo, McGraw-Hill. CHIAVENATO, Idalberto (2002), Gestão de Pessoas, Elsevier/Campus CONTENÇAS, Paula (2000), A Eficácia da Metáfora na Produção da Ciência, Lisboa, Instituto Piaget. CORNATON, Michel (1979), Grupos e Sociedade, Lisboa, Veja. CROZIER, Michel (1994), A Empresa à Escuta, Lisboa, Instituto Piaget. 41 DALLE, F. (1976), O Papel Social da Empresa, Lisboa, Edições Ática. DIAS, Fernando Nogueira (2001), Sistemas de Comunicação, de Conhecimento e de Cultura, Um Olhar Sociológico, Lisboa, Instituto Piaget. ETTGHOFFER, Denis (1999), A Empresa Virtual, Lisboa, Instituto Piaget. FLEURY, Maria Tereza Leme, FISCHER, Rosa Maria. Cultura e poder nas organizações. Rio de Janeiro: Atlas, 1991. FLEURY, Maria Tereza Leme. Estória, mitos, heróis: cultura organizacional e relações de trabalho. Revista de Administração de Empresa. São Paulo, out./dez. 1987. FREITAS, Maria Ester de. Cultura organizacional: grandes temas em debate. Revista de Administração de Empresa. São Paulo, jul./set. 1991. FRIEDBERG, E. (1996), O Poder e a Regra, Lisboa, Instituto Piaget. GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. HANDY, Charles. Deuses da administração: como enfrentar as constantes mudanças da cultura organizacional. São Paulo: Vértice, 1987. JARROSSON, Bruno (1994), Convite a uma Filosofia do Management, Lisboa, Instituto Piaget. KATZ, Daniel et al. (1987), Psicologia Social das Organizações, São Paulo, Editora Atlas. LANDIER, Hubert (1994), Para uma Empresa Inteligente, Lisboa, Instituto Piaget. LEYTON, A. C. (1970), A Arte de Comunicar. A Comunicação na Indústria, Porto, Livraria Civilização – Editora. LOZANO, Fernando (s/d.), Manual Prático de Relações Públicas, Lisboa, Edição Livros do Brasil. MORGAN, Gareth. Imagens da organização. São Paulo: Atlas, 1996. MORIN, Pierre (1999), A Arte do Gestor, Lisboa, Instituto Piaget. OHANA, Paul (1997), As 100 Palavras-Chave do Management dos Homens, Lisboa, Instituto Piaget. PENTEADO, Whitaker (s/d.), Relações Públicas nas Empresas Modernas, Lisboa, Centro do Livro Brasileiro. 42 PETERS, Thomas et al. (1987), In Search of Excellence, Lisboa, Publicações Dom Quixote. PETIT, François (2000), Introdução à Psicossociologia das Organizações, Lisboa, Instituto Piaget. RAYNAL, Serge (2000), A Gestão por Projecto, Lisboa, Instituto Piaget. READ, R. T. (1973), Comunicação Interna na Empresa Moderna, Rio de Janeiro, Forum. ROCHET, Claude (1995), Management das Associações, Lisboa, Instituto Piaget. ROSA, Luís (1991), Sociologia da Empresa, Lisboa, Editorial Presença. SARTINI, I. (1980), Comunicação, Caminho para o Sucesso, Rio de Janeiro, Edições de Ouro. SÉRIEYX, Hervé (1995), O Big Bang das Organizações, Lisboa, Instituto Piaget. SILVA, Carlos (1983), Problemas de Comunicação na Empresa, Lisboa, ISCSP. SMITH, Paul (s/d.), Relações Públicas na Indústria, Lisboa, Pórtico. TAVARES, Maria das Graças de Pinho. Cultura organizacional: uma abordagem antropológica da mudança. São Paulo: Qualitymark, 1991. VALA, Jorge et al. (1995), Psicologia Social das Organizações, Oeiras, Celta Editora. WOOD JR., Thomaz. Mudança organizacional: uma abordagem preliminar. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 32, n. 3, p. 74, jul./ago. 1992.