Alessandra de Sousa Couto SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL DO IMPACTO DE SOLUÇÕES ARQUITETÔNICAS NO DESEMPENHO TÉRMICO DE EDIFICAÇÕES Dissertação de Mestrado Dissertação apresentada ao Mestrado em Engenharia Civil do CEFET-MG como requisito para obtenção do título de Mestre em Engenharia Civil Orientador: Prof. Guilherme Fernandes Marques, Ph.D. Co-Orientador: Prof. Frederico Romagnoli Silveira Lima, Dr. Belo Horizonte, 29 de agosto de 2013 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial do trabalho sem a autorização da Instituição, da autora e do orientador. Alessandra de Sousa Couto Arquiteta e Urbanista, pós-graduada em Arquitetura de Interiores, mestranda em Engenharia Civil, trabalha na Seção de Engenharia da Polícia Militar de Minas Gerais, com o desenvolvimento de projetos de construção e reforma e avaliação do uso e ocupação das edificações PM em todo o Estado. Alessandra de Sousa Couto SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL DO IMPACTO DE SOLUÇÕES ARQUITETÔNICAS NO DESEMPENHO TÉRMICO DE EDIFICAÇÕES Dissertação apresentada ao Mestrado em Engenharia Civil do CEFET-MG como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Engenharia Civil Belo Horizonte, 29 de agosto de 2013 Dedico este trabalho ao meu marido e aos meus pais. AGRADECIMENTOS A todas as pessoas que me apoiaram no período do mestrado, em especial: Ao Engenheiro de Produção Civil e Capitão PM Antônio Carlos Correa Júnior, meu marido, meu maior incentivador, pelo amor, carinho e apoio incondicional durante todo o mestrado. Agradeço de forma especial o total apoio no desenvolvimento deste trabalho final, me auxiliando com seus conhecimentos. Aos meus pais e irmãos pelo apoio e incentivo aos meus estudos, durante todas as fases de minha vida. Ao Prof. Guilherme Fernandes Marques, pela orientação e confiança durante o desenvolvimento do trabalho. Ao Prof. Frederico Romagnoli, pela co-orientação e auxílio no aprendizado do software Desing Builder. Ao Prof. Sílvio Romero Fonseca Motta, pelo apoio com seus conhecimentos e pelos contatos com pessoas para colaborarem nesta pesquisa. Ao Prof. Raoni Venâncio dos Santos Lima, UFRN, pelo auxílio quanto ao uso do Software Design Builder. À Isa Couto Corrêa, que dividiu os primeiros momentos da sua vida com a conclusão desse trabalho. RESUMO A inclusão de estudos sobre o comportamento térmico de edificações, na elaboração de projetos de edifícios é um método eficiente na busca pelo conforto térmico com menor consumo de energia e consequente redução das emissões de CO2 para o meio ambiente. As ferramentas de simulação computacional são um importante auxílio na avaliação de opções construtivas. As edificações comerciais e públicas, principalmente devido ao tipo de uso e concepção arquitetônica são as maiores responsáveis pelo consumo de energia em razão do uso de ar condicionado, sendo importante o desenvolvimento de estudos que contribuam para a redução de tal necessidade. O objetivo deste trabalho é investigar soluções arquitetônicas, envolvendo materiais de vedação externa e elemento de proteção solar nas aberturas, para melhoria do desempenho ambiental de uma edificação da Polícia Militar de Minas Gerais, tendo como referência, o conforto térmico interno na edificação. A avaliação e a comparação são feitas em termos de porcentagem de horas de desconforto, consumo de energia e emissão de CO2. Através do software Design Builder, é simulado o projeto base, conforme padrão de construção utilizado hoje na Corporação. Posteriormente, são feitas modificações do tipo de bloco de vedação e telha utilizada, variação na espessura desses blocos e utilização de brises nas janelas. Todos os casos em estudo são simulados considerando ventilação natural de todos os ambientes e posteriormente considerando uso de ar-condicionado em dois ambientes administrativos. Os resultados apontam que quanto menores os valores de transmitância para as paredes externas, maior é o percentual de horas de desconforto. A utilização de telha mais isolante para a cobertura, com menor transmitância e atraso térmico maior, fez com que o percentual de horas de desconforto aumentasse, em relação ao caso base, principalmente nos meses mais frios. Porém, o consumo de energia, com uso de ar condicionado, necessário para manter o ambiente na temperatura de conforto estipulada foi menor devido ao fato das temperaturas máximas horárias serem maiores para o tipo de telha menos isolante. O uso de brises nas janelas, mostrou-se bastante eficiente para a melhoria do conforto térmico e consequentemente para a redução no consumo de energia. Conclui-se, dessa forma, que sistemas construtivos de baixa resistência térmica e consequentemente maiores valores de transmitância térmica, podem proporcionar mais conforto, em certas situações. Palavras Chave Desempenho térmico, Conforto térmico, envoltória e elementos de proteção solar. ABSTRACT The inclusion of studies on the thermal behavior of buildings, development of building projects is an efficient method in the search for thermal comfort with lower energy consumption and consequent reduction of CO2 emissions to the environment. The computational simulation tools are an important aid in evaluating construction options. The commercial and public buildings, mainly due to the type of use and architectural design are the most responsible for energy consumption on account of the use of air conditioning, it is important to develop studies that contribute to the reduction of such need. The objective of this work is to investigate architectural solutions involving sealing materials and external protection element in solar vents, to improve the environmental performance of a building of the Military Police of Minas Gerais, with reference to the thermal comfort inside the building. The evaluation and comparison is made in terms of percentage of hours of discomfort, energy consumption and CO2 emissions. Through the Design Builder software, is simulated design basis as construction standards used today in the Corporation. Subsequently, modifications are made to the type of sealing block tile used and variation in thickness of these blocks and the use of louvers in the windows. All case studies are simulated considering natural ventilation in all environments and subsequently considering the use of air conditioning in two administrative environments. The results indicate that the lower the transmittance values for the external walls, the higher the percentage of hours of discomfort. The use of more insulation for the tile roof, with lower transmittance and thermal lag greater, caused the percentage of hours of discomfort increased, compared to the base case, especially in the colder months. However, the energy consumption with the use of air conditioning required to keep the environment in the comfort temperature was lower due to the stipulated maximum temperature Time fact be greater for the type of tile least insulator. The use of louvers in the windows, was quite efficient for improving thermal comfort and consequently to a reduction in energy consumption. The conclusion is thus that building systems of low thermal resistance and hence greater thermal transmittance can provide more comfort in certain situations. Keywords Thermal performance, thermal comfort, envelope and solar protection elements. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 7 2. OBJETIVOS...................................................................................................................... 10 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .......................................................................................... 11 3.1. Desempenho ambiental no ambiente construído............................................................. 11 3.2. Análise de desempenho ambiental .................................................................................. 12 3.2.1. 4. Desempenho térmico de edificações .................................................................. 12 3.2.1.1. Conforto térmico ......................................................................................... 13 3.2.1.2. Bioclimatologia ........................................................................................... 17 3.2.1.3. Transmissão e armazenamento de calor em edificações ............................. 25 3.2.1.4. Métodos e normas de avaliação de desempenho ambiental ........................ 33 3.2.1.5. Ferramentas de simulações e análises de desempenho ambiental............... 36 METODOLOGIA ............................................................................................................. 40 4.1. Atividades para realização do trabalho ........................................................................... 41 4.2. Definição da tipologia de referência e dos materiais empregados nos sistemas de vedação externa ...................................................................................................................... 45 4.3. Determinação da Zona de Conforto ................................................................................ 48 4.4. Recomendações para condicionamento térmico passivo ................................................ 49 4.5. Definição das soluções utilizadas nas simulações .......................................................... 53 4.6. Avaliação do desempenho térmico e ambiental das envoltórias através de simulação computacional ........................................................................................................................ 59 4.7. Análise dos resultados esperados .................................................................................... 64 5. RESULTADOS OBTIDOS .............................................................................................. 65 5.1. Cálculo de propriedades térmicas ................................................................................... 65 5.2. Conforto térmico nos ambientes ..................................................................................... 67 5.3. Emissão de CO2 .............................................................................................................. 80 5.4. Consumo de energia ........................................................................................................ 81 6. CONCLUSÃO .................................................................................................................. 85 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................. 88 ANEXOS .................................................................................................................................. 92 Anexo I – Configurações de ar condicionado utilizadas nas simulações ............................... 92 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Escala térmica de Fanger ......................................................................................... 15 Figura 2 - Correlação entre PMV e PPD .................................................................................. 15 Figura 3 - Diagrama de Givoni ................................................................................................. 20 Figura 4 - Zona de Conforto ..................................................................................................... 21 Figura 5 - Zona de ventilação ................................................................................................... 22 Figura 6 - Zona de resfriamento evaporativo ........................................................................... 22 Figura 7 - Zona de massa térmica para resfriamento................................................................ 23 Figura 8 - Zona de massa térmica para aquecimento ............................................................... 24 Figura 9 - Zona de aquecimento solar passivo ......................................................................... 24 Figura 10 - As três fases da transmissão de calor nos fechamentos opacos. ............................ 26 Figura 11 - Esquema de parede dupla com uso de elemento isolante e representação do fluxo de calor ..................................................................................................................................... 30 Figura 12 - Zoneamento bioclimático brasileiro ...................................................................... 35 Figura 13 - Fluxograma das simulações ................................................................................... 45 Figura 14 - Planta baixa da edificação avaliada ....................................................................... 46 Figura 15 - Perspectiva da edificação avaliada ........................................................................ 46 Figura 16 - Implantação Projeto Destacamento Policial .......................................................... 59 Figura 17 – Volumetria da edificação no Design Builder ........................................................ 60 Figura 18 – Representação interna da edificação no Design Builder ....................................... 60 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Indicadores de conforto em ambiente com ar-condicionado................................... 17 Tabela 2 - Absortância para radiação solar (ondas curtas) ....................................................... 32 Tabela 3 - Resumo das simulações ........................................................................................... 43 Tabela 4 - Detalhamento das estratégias de condicionamento térmico passivo ....................... 51 Tabela 5 - Transmitância térmica, atraso térmico e fator de calor solar admissíveis para cada tipo de vedação externa ............................................................................................................ 52 Tabela 6 - Composição de materiais para alvenarias externas – Caso Base (BCE20) ............. 53 Tabela 7 - Composição de materiais para cobertura FC (fibrocimento) .................................. 54 Tabela 8 - Composição de materiais para alvenarias externas – BCE15 ................................. 54 Tabela 9 - Composição de materiais para alvenarias externas – BCE25 ................................. 54 Tabela 10 - Temperatura estimada de piso ............................................................................... 61 Tabela 11 - Resultados de transmitância térmica dos blocos de concreto celular autoclavado 65 Tabela 12 - Resultados de capacidade térmica, atraso térmico e fator solar de blocos de concreto celular autoclavado .................................................................................................... 66 Tabela 13 - Resultados de composição de materiais para alvenarias externas – Casos BCA15_FC_VN, BCA20_FC_VN, BCA25_FC_VN, BCA15_FC_AC, BCA20_FC_AC e BCA25_FC_AC ....................................................................................................................... 66 Tabela 14 - Resultados de Composição de materiais para cobertura – Casos BCXXX_TA_VN e BCXXX_TA_AC .................................................................................................................. 67 Tabela 15 - Média das temperaturas e desvio padrão dos dados avaliados a cada mês no ambiente Recepção - REDS – Casos BCE15_FC_VN, BCE20_FC_VN (caso base) e BCE25_FC_VN. ....................................................................................................................... 69 Tabela 16 - Média das temperaturas e desvio padrão dos dados avaliados a cada mês no ambiente Administração – Casos BCE15_FC_VN, BCE20_FC_VN (caso base) e BCE25_FC_VN. ....................................................................................................................... 70 Tabela 17 - Média das temperaturas e desvio padrão dos dados avaliados a cada mês no ambiente Recepção - REDS – Casos BCA15_FC_VN, Casos BCA20_FC_VN e BCA25_FC_VN. ...................................................................................................................... 72 Tabela 18 - Média das temperaturas e desvio padrão dos dados avaliados a cada mês no ambiente Administração – Casos BCA15_FC_VN, Casos BCA20_FC_VN e BCA25_FC_VN. ...................................................................................................................... 73 Tabela 19 - Transmitância e Atraso Térmico das paredes externas dos Casos base (BCE20_FC_VN), BCE15_FC_VN, BCE25_FC_VN, BCA15_FC_VN, BCA20_FC_VN e BCA25_FC_VN. ...................................................................................................................... 74 Tabela 20 - Média das temperaturas e desvio padrão dos dados avaliados a cada mês no ambiente Recepção – REDS – Casos BCE15_FC_VN, BCE15_TA_VN e BCE15_TA_VN_B................................................................................................................... 78 Tabela 21 - Média das temperaturas e desvio padrão dos dados avaliados a cada mês no ambiente - Administração – Casos BCE15_FC_VN, BCE15_TA_VN e BCE15_TA_VN_B 78 Tabela 22 - Transmitância e Atraso Térmico das coberturas externas dos casos BCE15_FC_VN e BCE15_TA_VN. ........................................................................................ 79 Tabela 23 - Percentual de horas de desconforto BCE20_FC_VN e BCE15_TA_VN_B ........ 80 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Percentual de horas de desconforto/mês no ambiente Recepção – REDS – Casos base (BCE20_FC_VN), BCE15_FC_VN e BCE25_FC_VN. ................................................. 69 Gráfico 2 - Percentual de horas de desconforto/mês no ambiente Administração – Casos base (BCE20_FC_VN), BCE15_FC_VN e BCE25_FC_VN. ......................................................... 70 Gráfico 3 - Percentual de horas de desconforto/mês no ambiente Recepção – REDS – Casos BCA15_FC_VN, BCA20_FC_VN e BCA25_FC_VN ............................................................ 72 Gráfico 4 - Percentual de horas de desconforto/mês no ambiente Administração – Casos BCA15_FC_VN, BCA20_FC_VN e BCA25_FC_VN ............................................................ 73 Gráfico 5 - Percentual de horas de desconforto/mês no ambiente Recepção – REDS – Casos BCE15_FC_VN, BCE15_TA_VN e BCE15_TA_VN_B ....................................................... 77 Gráfico 6 - Percentual de Horas de desconforto/mês no ambiente Administração – Casos BCE15_FC_VN, BCE15_TA_VN e BCE15_TA_VN_B ....................................................... 77 Gráfico 7 - Emissão de CO2 no ano devido ao uso de aparelhos condicionadores de ar......... 80 Gráfico 8 - Consumo de energia devido ao uso de aparelhos de ar condicionado. Anual ....... 82 Gráfico 9 - Temperaturas máximas verificadas no ambiente Administração - ºC BCE10_TA_AC e BCE10_FC_AC ......................................................................................... 83 Gráfico 10 - Temperaturas máximas verificadas no ambiente Recepção/REDS - ºC BCE10_TA_AC e BCE10_FC_AC ......................................................................................... 83 Com organização e tempo, acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito. Pitágoras 7 1. INTRODUÇÃO De acordo com Motta e Aguilar (2009), nosso modelo mundial de desenvolvimento é baseado em um crescente consumo de recursos naturais, apresentando como consequência, a degradação e a poluição ambiental. De um lado, os países ricos, na busca pela manutenção dos elevados padrões de vida, continuam a promover um consumo crescente. Por outro lado, os países em desenvolvimento, na busca por melhorias em seus padrões de vida, também elevam excessivamente o consumo dos recursos naturais. As mudanças ambientais e climáticas em curso, juntamente com o fato de que os recursos naturais são limitados, indicam que esse modelo de desenvolvimento apresenta-se insustentável. É preciso pensar na qualidade de vida, buscando soluções socialmente e economicamente ideais, porém com maior eficiência no uso dos recursos naturais, causando assim, menor impacto ambiental. Nesse contexto, nas últimas décadas, surgiu uma série de discussões sobre economia de energia, gerada em grande parte pelos indícios do aquecimento global e suas desastrosas conseqüências, assim como pela crise do petróleo na década de 70. Atualmente, já está comprovado que o aquecimento global é um fenômeno climático que está agravando consideravelmente, principalmente devido às atividades humanas. A principal evidência do aquecimento global vem sendo a elevação gradual das temperaturas médias em todo o mundo aliada às alterações bruscas dos diversos fenômenos atmosféricos que ocorrem na Terra. Dentre as consequências de tal aquecimento está o crescimento e surgimento de desertos, o derretimento das geleiras e o aumento de furacões e ciclones. Outra conseqüência é o aumento das ondas de calor, refletindo diretamente no comportamento térmico das edificações, gerando uma maior demanda de utilização de sistemas de condicionamento de ar. Estes sistemas por sua vez, consomem energia, a qual provoca geralmente a emissão de dióxido de carbono na atmosfera. Tal emissão tem um grande impacto sobre o efeito estufa, uma vez que o citado gás forma uma camada protetora que retém parte das radiações infravermelhas emitidas pelo sol e as reflete para a superfície. 8 Dentre as edificações existentes em cada comunidade, destacam-se os prédios comerciais e os públicos como os maiores responsáveis pelo consumo de energia devido ao uso de condicionamento do ar. Tal fato ocorre muitas vezes devido à concepção arquitetônica da edificação, à especificação dos materiais empregados e ao tipo de uso da edificação. Portanto, as características construtivas de uma edificação são extremamente importantes para que o edifício tenha eficiência energética. De acordo com Lamberts et al. (1997), a eficiência energética é a obtenção de um serviço com baixo consumo de energia. Dessa maneira, uma edificação pode ser considerada mais eficiente energeticamente que outra, quando proporcionar as mesmas condições ambientais com menor consumo de energia. Muito além do uso de recursos tecnológicos tais como equipamentos com baixo consumo para iluminação e condicionamento de ar, a elaboração de projetos que incluam estudos sobre o comportamento energético do edifício pode melhorar a eficiência da arquitetura. Dessa maneira, os profissionais responsáveis pela concepção de projetos de edificações devem buscar um maior conhecimento das interações térmicas que ocorrem nos edifícios, incentivando práticas de projetos eficientes e que otimizem o uso da energia na indústria da construção. A análise do tipo de clima no qual a edificação será inserida, assim como das propriedades físicas dos materiais que serão empregados na edificação, quando utilizados de forma correta podem gerar uma economia no consumo de energia final e consequentemente menor emissão de CO2 para a atmosfera. Nesse sentido, o uso de ferramentas computacionais apropriadas para avaliar o desempenho térmico e energético de edificações, pode auxiliar tanto na melhoria de edificações existentes quanto na avaliação do comportamento de futuras edificações, introduzindo alternativas que possam melhorar sua eficiência energética. Baseado nos preceitos acima, o trabalho aqui proposto irá avaliar e comparar o desempenho ambiental de uma edificação pública da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, ainda não construída, com o objetivo de verificar, se é possível melhorar a eficiência térmica da mesma, através de modificações nos materiais utilizados nas envoltórias (paredes externas e telhado), modificação nas espessuras dessas paredes externas e com a utilização de elementos sombreadores nas aberturas (brises). 9 Inicialmente será feita simulação computacional, utilizando o software Design Builder, para o caso base, conforme projeto arquitetônico desenvolvido pela Corporação, utilizando materiais atualmente empregados pela PMMG como padrão para as envoltórias. Posteriormente serão feitas novas simulações, modificando a espessura dos blocos, o tipo de bloco e o tipo de telha utilizados, e será incluído o uso de elementos sombreadores (brises) nas janelas para o conjunto que apresentar melhor desempenho. Os materiais propostos como alternativas aos padrões empregados atualmente foram definidos conforme sua existência no mercado da construção de Belo Horizonte, sendo apontados pelos fabricantes como materiais que apresentam bom desempenho térmico. Serão feitas simulações com o uso de ventilação natural e posteriormente com uso de arcondicionado nos ambientes em estudo, para manter o ambiente em temperatura confortável, pré-estabelecida. Para as simulações onde for considerada ventilação natural, será avaliado como resultado a porcentagem mensal do número de horas de desconforto em dois ambientes administrativos, durante o período em que cada um é utilizado, tendo como parâmetro a zona de conforto préestabelecida. Para as simulações onde for considerado uso de ar-condicionado nos ambientes em estudo, será avaliada a emissão anual de CO2 em kg e consumo anual de energia em kWh, relativos ao uso de ar-condicionado nos dois ambientes em estudo. Pretende-se, dessa forma, avaliar a influência da envoltória no consumo de energia das edificações, verificando o impacto da alteração das características térmicas das paredes e coberturas e da inclusão de brise para redução da incidência direta da luz do sol. 10 2. OBJETIVOS Os objetivos do presente trabalho são: I. Avaliar o desempenho ambiental, em termos de consumo de energia e emissão de CO2, em uma edificação de tipologia definida observando-se a demanda por conforto ambiental. II. Avaliar possibilidades de melhoria do desempenho ambiental desta edificação, investigando soluções de projeto, através de: a. emprego de bloco de vedação externa e telha diverso do material proposto inicialmente, b. variação na espessura dos blocos de vedação externa proposto, c. utilização de elementos sombreadores externos (brises). 11 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3.1. Desempenho ambiental no ambiente construído No Brasil, aproximadamente 40% da extração de recursos naturais têm como destino o setor construtivo e 50% dos resíduos sólidos urbanos vêm das construções e de demolições (OBRECOM, 2011). Além do impacto ambiental existente na fase de construção da edificação deve-ser levado em consideração também o impacto ambiental existente na fase de uso dessas edificações. Esses impactos são referentes à forma como a energia é consumida para iluminação e condicionamento ambiental, como a água é servida e como o esgoto é destinado (JOHN, 2000; SANSÃO, 2011). De acordo com a estratégia da União Europeia para o Ambiente Urbano (UE, 2004) o aquecimento e a iluminação dos edifícios são responsáveis pela maior quota individual de utilização da energia (42%, dos quais 70% destes para aquecimento) e produzem 35% de todas as emissões de gases contribuintes para o efeito estufa. No Brasil, a participação dos edifícios no consumo de energia elétrica é superior a 45%, principalmente em consequência do consumo durante o uso e a operação do edifício, e este porcentual está crescendo mais rapidamente do que a economia (CBCS, 2011). Nesse contexto, é bastante claro que o atual modelo de desenvolvimento baseado na extração maciça de recursos naturais e geração de resíduos não é sustentável ao longo dos anos. Especificamente, a cadeia produtiva da construção civil, por ser uma das maiores da economia e consequentemente grande geradora de impactos ambientais, terá que passar por transformações significativas. É necessário pensar em uma otimização do uso de recursos naturais, de materiais e componentes construtivos por meio da análise ambiental de edifícios e de produtos com base em seu ciclo de vida; na diminuição dos custos de manutenção e melhora do desempenho térmico da edificação; na economia de água, no aumento da vida útil da edificação, na geração de empregos e consequentemente na melhoria da qualidade de vida (JOHN, 2000; JOHN, 2006; SANSÃO, 2011). 12 3.2. Análise de desempenho ambiental O termo “desempenho ambiental”, conforme definição já apresentada neste trabalho apresenta enfoque amplo e envolve vários elementos. No presente trabalho, o foco é o desempenho ambiental relacionado com a redução no consumo de energia consumida durante o uso da edificação para manutenção de padrão de conforto definido em norma. Desta forma, contribui para a redução no consumo de energia na fase de uso da edificação o emprego de materiais, métodos e técnicas construtivas que visem bom desempenho térmico. A consequência direta da redução no consumo de energia é a redução em emissão de CO2 necessária para a geração dessa energia. Muito embora a matriz energética brasileira seja predominantemente hidrelétrica, com reduzida emissão de CO2 por kWh gerado se comparado com geração térmica a gás, diesel ou carvão, é importante destacar que no Brasil estas últimas vem sendo cada vez mais empregadas para atendimento a demandas de ponta (picos de demanda que resultam, dentre outros usos, o ar-condicionado). (CAMARGO, 2004). Desta forma, torna-se cada vez mais importante a melhoria da eficiência térmica e consequentemente da redução da demanda de energia durante o uso das edificações, incluindo a demanda decorrente do condicionamento do ar. 3.2.1. Desempenho térmico de edificações De acordo com Lamberts et al. (1997), a eficiência energética é a obtenção de um serviço com baixo consumo de energia. Dessa maneira, uma edificação pode ser considerada mais eficiente energeticamente que outra, quando proporcionar as mesmas condições ambientais com menor consumo de energia. Para Melo (2007), o desempenho térmico eficiente de uma edificação, implica em um consumo mínimo de energia, mantendo ainda as condições de conforto dos usuários. Meier et al. (2002) propuseram três critérios para avaliar edificações: 13 1) A edificação deve proporcionar conforto aos usuários, de acordo com as atividades específicas a que se destinam; 2) A edificação deve conter equipamentos e materiais eficientes que estejam de acordo com o local e condições do ambiente; 3) A edificação deve consumir menos energia quando comparada a edificações similares. Para se proceder ao estudo do comportamento térmico de uma edificação, é necessário o conhecimento de alguns assuntos, dentre eles a fisiologia térmica dos ocupantes da edificação, a climatologia e os processos de transmissão de calor. 3.2.1.1. Conforto térmico Segundo a Sociedade Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Condicionamento de Ar dos Estados Unidos, ASHRAE, 2013, conforto térmico é a condição de satisfação do indivíduo com o ambiente térmico que o circunda. De acordo com Lamberts, et al (1997), quando o balanço de todas as trocas de calor a que está submetido o corpo for nulo e a temperatura da pele e suor estiverem dentro de certos limites, pode-se dizer que o homem sente conforto térmico. O organismo humano possui um mecanismo termo-regulador, que permite que a temperatura interna do corpo seja mantida praticamente constante em 37ºC (variando entre 36,1 e 37,2ºC), sendo que os limites para sobrevivência estão entre 32 e 42ºC. Quando o meio apresenta condições térmicas inadequadas para que sejam mantidas as condições de temperatura, o sistema termo-regulador do homem é ativado, reduzindo ou aumentando as perdas de calor pelo organismo através de alguns mecanismos de controle, como reação ao frio e ao calor. Quando o corpo encontra dificuldades para eliminar o calor devido à alta temperatura do meio, ocorre a vasodilatação, com aumento do volume sanguíneo, acelerando o ritmo cardíaco e provocando a transpiração. Com o frio existem as dificuldades para manter o calor devido à baixa temperatura do meio. Desta forma origina-se a vasoconstrição, com a diminuição do volume sanguíneo e do ritmo cardíaco, provocando arrepio ou até mesmo tremor muscular. A 14 pele é o principal órgão termo-regulador do organismo humano, sendo que ao sentir desconforto térmico o primeiro mecanismo fisiológico a ser ativado é a regulagem vasomotora do fluxo sanguíneo desta camada. Quando as perdas por convecção e radiação ainda são inferiores às perdas necessárias à termo-regulação, tem início outro mecanismo de termo-regulação da pele, denominado transpiração (LAMBERTS, et al 1997; LAMBERTS et al 2011a). O conforto térmico é afetado por variáveis, classificadas em ambientais e humanas. As variáveis ambientais são a temperatura radiante média, a velocidade do ar, a umidade relativa do ar e a temperatura do ar, sendo esta última a principal variável do conforto térmico. As variáveis humanas compreendem o metabolismo gerado pela atividade física e a resistência térmica oferecida pela vestimenta. Existem também, outras variáveis que podem exercer influência nas condições de conforto de cada pessoa, tais como sexo, idade, raça, hábitos alimentares, peso, altura etc, que também devem ser consideradas (LAMBERTS et al 2011a). 3.2.1.1.1. Indicadores de conforto térmico Lamberts et al (2011b) indicam que existem vários índices de conforto térmico, divididos entre aqueles que se baseiam no balanço de calor e os que têm uma abordagem adaptativa. Os indicadores foram criados para avaliar o efeito conjunto das variáveis de conforto térmico e são desenvolvidos, de forma geral, fixando um tipo de atividade e a vestimenta do indivíduo. Com base nessas informações, relacionam-se as outras variáveis do ambiente, criando-se cartas ou monogramas com as diversas condições ambientais que proporcionam respostas iguais por parte dos indivíduos. Entre os indicadores baseados no balanço de calor, destaca-se o voto médio predito, desenvolvido por Fanger em 1972. Esse indicador faz uma relação entre as seis variáveis do conforto térmico, citadas anteriormente, com o percentual de pessoas insatisfeitas com a sensação térmica em um ambiente. O voto das pessoas é registrado por meio de uma escala gráfica, representada na figura 1. 15 Figura 1 - Escala térmica de Fanger Adaptado de TSE et al (2005) TSE et al (2005) relatam que Fanger propôs o índice para avaliação da quantidade de pessoas insatisfeitas (PPD - Predicted Percentage of Dissatisfied) que estima a porcentagem geral de insatisfação térmica dentro de um espaço com ar condicionado. Salienta-se que o PPD é uma função matemática do PMV, podendo ser demonstrado pela figura 2: Figura 2 - Correlação entre PMV e PPD Fonte: Lamberts (2011) 16 Lamberts et al (2011b) salientam que a norma ISO 7730/94 - “Moderate thermal environments - Determination of the PMV and PPD indices and specification of the conditions for thermal comfort” considera um ambiente confortável quando o percentual de pessoas insatisfeitas não ultrapassa 10% e os insatisfeitos devido ao desconforto causado pelas correntes de ar indesejadas (draught) forem inferior a 15%. O ASHRAE Handbook of Fundamentals (ASHRAE, 2013) delimita, para atingir uma zona de conforto que atenda 80% das pessoas de um ambiente, considerando a execução de atividades sedentárias ou leves, isolamento da vestimenta de 0,5clo no verão e de 0,9clo no inverno, para uma velocidade máxima do ar de 0,8 m/s e umidade do ar máxima de 60%, as seguintes temperaturas: 23ºC a 27ºC no verão; 20,5ºC a 24,5ºC no inverno. Salienta-se que clo é a unidade de medição da resistência térmica da roupa, sendo 1clo equivalente a 0,155m² ºC/W. Givoni (1992) entende que a população de países quentes em desenvolvimento, por viverem a maior parte do tempo em edifícios sem condicionamento, são aclimatadas e conseguem tolerar temperaturas mais altas e maior umidade. Assim seria possível, considerando velocidades do ar entre 0,1m/s e 1,5m/s, em edificações residenciais e naturalmente ventiladas, considerar os seguintes limites de temperatura, para prover o conforto necessário a essa população: 20ºC a 29ºC no verão; 18ºC a 27ºC no inverno. Na norma NBR 16401, “Instalações de ar-condicionado – sistemas centrais e unitários”, em sua parte 2, são estipulados os parâmetros ambientais suscetíveis de produzir sensação aceitável de conforto térmico em 80% ou mais de pessoas em ambientes com ar condicionado. Os parâmetros estipulados consideram um grupo homogêneo de pessoas, usando roupa típica da estação e em atividade sedentária ou leve (1,0met a 1,2met). Os parâmetros adotados se enquadram nas zonas de conforto estipuladas pela a ASHARE para estes mesmos fatores pessoais (NBR16401-2-2008). 17 Salienta-se que “met” é a unidade utilizada para descrever a energia produzida por unidade de área de uma pessoa em repouso (1met=58W/m²) Tabela 1 - Indicadores de conforto em ambiente com ar-condicionado Temperatura Umidade Relativa Velocidade média Operativa (ºC) (%) verão inverno do ar (m/s) 22,5 a 25,5 65 23,0 a 26,0 35 21,0 a 23,5 60 21,5 a 24,0 30 0,20 ou 0,25 0,15 ou 0,20 Fonte: Adaptado da NBR16401-2-2008. 3.2.1.2. Bioclimatologia A bioclimatologia estuda as relações entre o clima e o ser humano. A expressão projeto bioclimático foi criada por Olgyay em 1973, como forma de definir uma arquitetura que apresenta desempenho térmico adequado, tirando partido das condições do clima do local (LAMBERTS et al, 2011a). Para efeitos de estudo, o clima normalmente é subdividido em três escalas, distintas, porém indissociáveis: o macroclima, o mesoclima e o microclima (LAMBERTS et al, 1997). No macroclima, as variáveis climáticas são quantificadas em estações meteorológicas e se referem a dados relativos a uma determinada região. As normais climatológicas são exemplos de dados disponíveis para caracterização do clima das cidades. As normais são séries de dados, padronizados pela Organização Meteorológica Mundial, calculadas para períodos de 30 a 30 anos, obtidas a partir de médias mensais e anuais de totais diários. A série de 1931 a 1960 é a mais recente, e apresenta médias mensais de temperatura, médias das máximas de temperatura, média das mínimas de temperatura, temperaturas máximas e mínimas absolutas, pressão atmosférica, umidade relativa, horas de insolação, precipitação, dentre outras. Os dados medidos em estações podem ser reunidos em arquivos climáticos. Os arquivos podem conter dados de anos específicos ou podem representar o macroclima de uma cidade ou 18 região. Neste caso, há diversas formas de tratamento de dados para que o arquivo seja representativo, em geral, registrando dados de hora a hora, até atingir as 8760 horas que formam um ano completo de 365 dias. O TRY (Test Reference Year) é um Ano Climático de Referência, resultado de um tratamento de 30 anos de dados climáticos em que são eliminados os anos que apresentam a menor e a maior temperatura da série. Por fim, é selecionado o ano cujas temperaturas não apresentam extremos. Apesar do TRY ser gerado a partir de dados de temperatura, ele apresenta ainda dados de umidade, direção e velocidade dos ventos, cobertura de nuvens, pressão atmosférica e, às vezes, radiação solar (LAMBERTS et al, 2011a). No mesoclima e microclima são observadas as alterações locais na radiação solar, temperatura do ar, umidade e vento, estando o microclima relacionado diretamente à escala da edificação e seu entorno imediato (LAMBERTS et al, 2011a). 3.2.1.2.1. Estratégias bioclimáticas Como forma de verificar as estratégias arquitetônicas mais adequadas para uma determinada localidade, foram criadas cartas bioclimáticas. Estas permitem através do clima externo plotado sobre diagramas, verificar as estratégias arquitetônicas mais adequadas para uma determinada localidade. O uso correto destas estratégias, durante a concepção de projeto da edificação, pode proporcionar melhoras nas condições de conforto térmico e redução no consumo de energia (LAMBERTS et.al, 2011a). Na década de 1960, os irmãos Olgyay (1963) elaboraram o primeiro diagrama, propondo estratégias de adaptação da edificação ao clima, a partir de dados do clima externo. Dentre outros estudos, em 1969, Givoni desenvolveu uma carta bioclimática para edifícios, que corrigia algumas limitações do diagrama proposto inicialmente por Olgyay. A principal diferença entre os dois sistemas é que o Diagrama de Olgyay (1963) é desenhado entre dois eixos, sendo o eixo vertical o das temperaturas(secas) e o eixo horizontal o das umidades relativas. Já a carta de Givoni é traçada sobre uma carta psicrométrica. Outra diferença é o fato do diagrama de Olgyay se basear em temperaturas externas, enquanto Givoni baseou-se nas temperaturas internas do edifício (BOGO et. al, 1994). 19 Em 1992, Givoni fez uma atualização em seu trabalho, explicando que pessoas que utilizam edifícios sem condicionamento e naturalmente ventilados, aceitam usualmente uma grande variação de temperatura e velocidade do ar como situação normal, demonstrando assim sua aclimatação. Givoni desenvolveu então uma carta bioclimática adaptada para países em desenvolvimento, expandindo os limites máximos de conforto, em relação à sua carta anterior (LAMBERTS et.al, 1997). De acordo com Lamberts et.al (1997), foi desenvolvido um estudo com o objetivo de selecionar uma metodologia bioclimática a ser utilizada no Brasil. Neste estudo foram analisadas as metodologias de vários autores, entre eles Watson e Labs, Olgyay, Givoni e Szokolay. A partir da pesquisa, conclui-se que o trabalho de Givoni de 1992 para países em desenvolvimento é o mais adequado às condições brasileiras. Stilpen, (2007) afirma que a conclusão da pesquisa baseia-se em quatro aspectos principais: Givoni desenvolveu um trabalho específico voltado para nações quentes e em desenvolvimento; Sua metodologia adota maiores limites de velocidade do ar para temperaturas mais elevadas, coerentes com a realidade dos países de clima quente e úmido; Seu trabalho foi fundamentado na aclimatação de indivíduos a climas quentes e úmidos, sendo seu estudo confirmado por experimentos na Tailândia; O espaço interno da edificação pode ser resfriado com menor consumo elétrico, já que se adotou temperatura máxima para o conforto superior àquela observada em outros modelos. O diagrama de Givoni é dividido em 12 partes, conforme representado na figura 3. São 9 estratégias bioclimáticas e 3 áreas híbridas, estas últimas, abrangendo duas ou mais estratégias de forma individual ou simultânea. 20 Figura 3 - Diagrama de Givoni Fonte: Sansão (2011) A figura 4 indica limites para a zona de conforto. Para condições climáticas que resultem em pontos delimitados por esta região, existe uma grande probabilidade das pessoas sentirem conforto térmico. Desta forma, pode-se verificar que a sensação de conforto térmico pode ser obtida para umidade relativa do ar variando de 20 a 80%, razão de umidade entre 4g/kg e 17g/kg e temperatura de bulbo seco entre 18 e 29ºC (LAMBERTS et al, 2011a). Buscando manter o conforto, quanto mais próximas de 18ºC forem as temperaturas, menor deverá ser a velocidade do vento, para que não haja desconforto. Por outro lado, quanto mais próximas de 29ºC, menor deverá ser a incidência solar direta no ambiente (STILPEN, 2007). 21 Figura 4 - Zona de Conforto Fonte: LAMBERTS et al (2011a) As estratégias de condicionamento térmico passivo são propostas para as seguintes zonas bioclimáticas: zona de ventilação, de resfriamento evaporativo, zona de massa térmica de refrigeração, zona de massa térmica para aquecimento, zona de aquecimento solar passivo, zona de umidificação do ar (SANSÃO, 2011). A zona de ventilação, figura 5, é delimitada pela temperatura de bulbo seco entre 20°C e 32°C; umidade relativa do ar entre 15% e 100%; razão de umidade entre 4g/kg e 20,5g/kg; volume específico entre 0,85m³/kg e 0,88m³/kg. Para esta zona, a estratégia adequada é o resfriamento natural do ambiente construído através da substituição do ar interno (mais quente), pelo externo (mais frio). As soluções arquitetônicas mais indicadas são a ventilação cruzada, a ventilação da cobertura e a ventilação do piso sob a edificação (LAMBERTS et al, 2011a). 22 Figura 5 - Zona de ventilação Fonte: LAMBERTS et al (2011a) A zona de resfriamento evaporativo, figura 6, é delimitada por temperatura de bulbo seco entre 20°C e 44°C, temperatura de bulbo úmido entre 10,5°C e 24°C e razão de umidade entre 0g/kg e 17g/kg (STILPEN, 2007). Esta estratégia é utilizada para aumentar a umidade relativa do ar e diminuir a sua temperatura, podendo ser obtida de forma direta ou indireta. Uma forma direta de resfriamento evaporativo é o uso de vegetação, de fontes d’água ou de outros recursos que resultem na evaporação da água diretamente no ambiente que se deseja resfriar. Uma forma indireta pode ser obtida através de tanques d’água sombreados executados sobre a laje de cobertura (LAMBERTS et al, 2011a). Figura 6 - Zona de resfriamento evaporativo Fonte: LAMBERTS et al (2011a) 23 A zona de massa térmica para resfriamento, figura 7, compreende temperatura de bulbo seco entre 29°C e 38°C, razão de umidade entre 4g/kg e 17g/kg; volume específico entre 0,87m³/kg e 0,89m³/kg. A utilização de componentes construtivos com inércia térmica (capacidade térmica) superior faz com que a amplitude da temperatura interior diminua em relação à exterior, ou seja, os picos de temperatura verificados externamente não serão percebidos internamente. Desse modo, o calor armazenado nos componentes construtivos da edificação durante o dia é devolvido ao ambiente somente à noite, quando as temperaturas externas diminuem. Em contrapartida, a massa térmica resfriada durante a noite, mantém a edificação fria durante boa parte do dia, reduzindo as temperaturas interiores nesse período (LAMBERTS et al, 1997; STILPEN, 2007). Figura 7 - Zona de massa térmica para resfriamento Fonte: LAMBERTS et al (2011a) A figura 8 ilustra a zona de massa térmica para aquecimento, cuja temperatura de bulbo seco está compreendida entre 14°C e 20°C e a umidade relativa entre 0% e 100%. O uso de massa térmica com ganho solar pode compensar as baixas temperaturas pelo armazenamento de calor solar que fica retido nas paredes e pode ser devolvido ao interior da edificação nos horários mais frios. Esta estratégia consiste em usar fechamentos opacos e mais espessos, além de diminuir as áreas de aberturas e orientá-las para o sol (LAMBERTS et al, 1997). 24 Figura 8 - Zona de massa térmica para aquecimento Fonte: LAMBERTS et al (2011a) A zona de aquecimento solar passivo, figura 9, está compreendida na área delimitada por temperatura de bulbo seco entre 10,5°C e 14°C e umidade relativa entre 0% e 100%. Nesta região é recomendado o isolamento térmico do edifício de forma mais rigorosa, devido à tendência a grandes perdas de calor. Deve ser incorporado ao projeto do edifício, superfícies envidraçadas orientadas ao sol, aberturas reduzidas nas fachadas menos expostas ao sol e proporções apropriadas de espaços exteriores para conseguir sol no inverno. Figura 9 - Zona de aquecimento solar passivo Fonte: LAMBERTS et al (2011a) 25 A estratégia de umidificação é recomendada quando a umidade relativa do ar for muito baixa e a temperatura inferior a 27ºC, causando sensação de desconforto devido à secura do ar. Recomenda-se o uso de recipiente com água, no interior do ambiente para aumentar a umidade relativa do ar. Outra forma de manter a umidade pode ser obtida com a utilização de aberturas herméticas, conservando o vapor proveniente das plantas e das atividades domésticas (LAMBERTS et al, 1997). 3.2.1.3. Transmissão e armazenamento de calor em edificações Em uma arquitetura, as trocas de energia (luz e calor) acontecem entre os meios interno e externo, através do envelope ou fechamento da edificação. O envelope construtivo pode ser dividido em fechamentos opacos e fechamentos transparentes. Sendo a principal diferença entre eles, a sua capacidade de transmitir (transparentes) ou não transmitir (opacos) a radiação solar para o ambiente interno. Entender os conceitos de transmissão de calor e o comportamento térmico dos fechamentos possibilita ao arquiteto dimensionar e especificar corretamente as aberturas e os materiais de construção a serem utilizados na edificação (LAMBERTS et al,1997). 3.2.1.3.1. Transmissão e armazenamento de calor em fechamentos opacos de edificações A condição essencial para que ocorra troca de calor é que haja diferença de temperatura entre corpos. O corpo com maior temperatura tende a ceder parte da sua energia térmica para o corpo com menor temperatura até que se tenha o equilíbrio térmico entre os corpos. No caso dos fechamentos opacos das edificações, o fluxo de calor acontece em função da diferença entre as temperaturas interna e externa (LAMBERTS et al, 2011). Segundo Lamberts et al (1997), a transmissão de calor nos fechamentos opacos acontece em três fases: Troca de calor com o meio exterior; Condução através do fechamento; e Troca de calor com o meio interior, como se mostra na figura 10. 26 Figura 10 - As três fases da transmissão de calor nos fechamentos opacos. Fonte: LAMBERTS (1997) Supondo as temperaturas indicadas na figura 10, na fase 1, a superfície externa do fechamento receberá calor do meio por radiação e convecção. A temperatura da superfície externa aumentará em função da resistência superficial externa. Esta por sua vez é função da velocidade do vento. Já a radiação incidente no fechamento opaco, terá uma parcela refletida e outra absorvida, sendo que os valores dependerão respectivamente da refletividade e da absortividade do material. Na fase 2, com a elevação da temperatura da face externa do fechamento, haverá um diferencial entre esta e a superfície interna, provocando a troca de calor entre as duas. A troca térmica nesta fase ocorre por condução, sendo que a intensidade do fluxo de calor pelo material dependerá da sua condutividade térmica. Esta por sua vez é uma propriedade que depende da densidade e representa a capacidade de conduzir maior ou menor quantidade de calor por unidade de tempo. Quanto maior o valor da condutividade, maior será a quantidade de calor transferida entre superfícies. Cabe ressaltar também a importância da variável espessura do fechamento, nesta fase. Através da espessura, pode ser calculada a resistência térmica – propriedade do material de resistir ao calor. Na terceira fase do processo, as trocas térmicas acontecem por convecção e radiação. O calor chega até a superfície interna, fazendo com que a temperatura da superfície seja maior que a temperatura do ar. As perdas de calor por convecção dependerão da resistência superficial interna do fechamento e as perdas por radiação, da emissividade superficial do material. 27 3.2.1.3.1.1. Inércia térmica A inércia térmica pode ser definida como a capacidade de uma edificação de armazenar e liberar calor. O seu uso na edificação, ajuda no atraso e na diminuição dos picos de calor extremos (PAPST, 1999). Em princípio os fechamentos da edificação recebem calor do interior ou do exterior, dependendo de onde a temperatura do ar seja maior. Ao conduzir o calor para o outro extremo, o material retém uma parte desse calor no seu interior, como consequência de sua massa térmica. Posteriormente, quando a temperatura do ar interior for maior que a da superfície do material, o calor armazenado pode ser devolvido para o interior (LAMBERTS et al, 1997). A massa térmica das edificações pode estar contida em paredes, partições internas, pisos, coberturas, desde que constituídos de material com grande capacidade térmica (PAPST, 1999). Quanto maior for o valor da massa térmica, maior será o calor retido pelo material. Concreto e a alvenaria, por exemplo, são materiais que esquentam e esfriam mais lentamente do que muitos outros materiais de construção, como conseqüência dos valores de suas massas térmicas (ACI, 2002). Em algumas regiões, o uso de massa térmica com ganho solar, pode compensar as baixas temperaturas à noite, pelo armazenamento de calor solar que fica retido nos componentes construtivos da edificação durante o dia. Este é devolvido ao ambiente somente à noite, quando as temperaturas externas diminuem. Em contrapartida, a massa térmica resfriada durante a noite, mantém a edificação fria durante boa parte do dia, reduzindo as temperaturas interiores nesse período (ACI, 2002). Os benefícios da massa térmica em edifícios comerciais são geralmente maiores do que para os prédios residenciais (ACI, 2002). De acordo com Papst (1999), isto ocorre devido ao fato do ganho de calor armazenado na massa térmica durante o dia ser liberado no período noturno quando há baixa ou nenhuma ocupação num escritório. Somando-se a isso, nos edifícios de escritório, além dos ganhos de calor relativos ao clima, insolação e aos fechamentos externos, existem grandes ganhos de calor internos, devido à iluminação, equipamentos e ocupantes, 28 criando maior necessidade de massa térmica para absorver e atrasar o fluxo de calor (ACI, 2002). A razão entre o calor absorvido e o calor armazenado nos materiais da edificação depende da capacidade térmica do material que compõe a envoltória. A capacidade térmica por unidade de superfície é o produto da densidade pela espessura e pelo calor específico dos seus componentes. O conceito de massa térmica refere-se à combinação da massa específica e da espessura do material, pois se o calor específico dos materiais de construção (inorgânicos) encontram-se na faixa de 0,87 a 1,67 kJ/kg.K, a capacidade térmica dos componentes das edificações é quase completamente dependente do peso da estrutura (PAPST, 1999). 3.2.1.3.1.2. Transmitância térmica A transmitância térmica, ou coeficiente global de transferência de calor (U) pode ser definida como uma das propriedades dos componentes utilizados nas envoltórias das edificações, relacionada à permissão da passagem de energia. É definida em função dos materiais que compõe a envoltória, com base na espessura do componente e na condutividade térmica de cada componente. A transmitância térmica representa a capacidade de conduzir maior ou menor quantidade de energia por unidade de área e de diferença de temperatura, conforme preceitua Lamberts et al, 2010. A unidade do sistema internacional que representa a transmitância é W/(m².K). A NBR 15220-2 (ABNT, 2005) define os critérios para o cálculo da transmitância térmica para os elementos e componentes da edificação, considerando-se as seções e camadas de cada componente. A citada norma denomina seção a uma parte de um componente tomada em toda a sua espessura (de uma face à outra) e que contenha apenas resistências térmicas em série. Camada é definida como parte de um componente tomada paralelamente às suas faces e com espessura constante. A transmitância térmica é o inverso do somatório do conjunto de resistências térmicas correspondentes às camadas de um elemento ou componente, incluindo resistências superficiais interna e externa. A NBR 15220-2 (ABNT, 2005) indica que sempre que for possível, os valores da resistência térmica, e por consequência da transmitância térmica 29 devem ser obtidos com base em medições baseadas em ensaios normalizados. Entretanto, caso esse dado não esteja disponível, ele poderá ser calculado com base nas expressões delineadas nos itens 4 (resistência térmica de materiais) e 5 (resistência térmica de um componente) dessa norma. A influência da transmitância térmica de paredes e coberturas no consumo de energia de edificações comerciais é estudada por Melo, 2007 para duas tipologias construtivas (um edifício de 5 pavimentos e uma loja comercial de um pavimento) nas cidades de Florianópolis, Curitiba e São Luiz. O estudo baseou-se em simulação computacional com o uso do software Energy Plus com diferentes condições de carga interna, absortância solar externa, padrão de uso, razão de área de janelas nas fachadas, entre outros parâmetros; sempre analisando a influência destes em relação ao consumo anual de energia elétrica das edificações. A análise dos casos indica que o aumento da transmitância térmica das paredes da tipologia 1 (edifício de 5 pavimentos) nas três cidades proporcionou uma redução do consumo anual da edificação, principalmente para os casos simulados em conjunto com alta densidade de carga interna ou alto padrão de uso. Nos casos referentes à tipologia 2 (loja comercial de um pavimento), verificou-se que o aumento da transmitância térmica da cobertura representou um aumento do consumo anual da edificação para todos os casos simulados nos três climas avaliados. As tipologias adotadas buscaram isolar a contribuição de dois elementos (alvenarias de vedação externa e coberturas) com o objetivo de avaliar o comportamento do aumento da transmitância em cada situação. GRAF (2011) estudou a influência da transmitância térmica das superfícies que compõem a envoltória de uma edificação residencial em Curitiba, com o objetivo de se avaliar sua importância para mantê-la em uma faixa de conforto térmico com menor uso de energia para climatização dos ambientes. Nesse sentido, fez-se necessário buscar um ponto ótimo entre transmitância térmica e energia incorporada para o modelo estudado, ajustando o isolamento térmico do invólucro conforme o clima do local do estudo. O nível de isolamento foi verificado pela transmitância térmica dos materiais que compõem as superfícies do invólucro, sabendo-se que quanto menor a transmitância térmica, mais isolada é a superfície. Assim tem-se que o aumento da resistência térmica dos componentes implica em um maior isolamento térmico e por consequência em uma redução da transmitância. Essa característica pode ser obtida com o uso de elementos isolantes, conforme demonstrado na figura 11. 30 Figura 11 - Esquema de parede dupla com uso de elemento isolante e representação do fluxo de calor Fonte: Renovarte (2010) Embora o senso comum indique que o bom desempenho térmico de uma edificação é diretamente proporcional ao isolamento da sua envoltória, e por consequência a baixos valores de transmitância, Roriz et al (2009) indicam que sistemas construtivos de baixa resistência térmica, e alta transmitância podem proporcionar mais conforto do que aqueles que possuem uma alta resistência térmica e um potencial de isolamento mais elevado. Pela avaliação de estudos elaborados para diversas localidades no Brasil, esses autores concluíram que o uso de isolantes pode prejudicar o desempenho térmico de edificações, principalmente daquelas com valores mais altos de fontes internas de calor ou de ganhos solares através de vidros, uma vez que o isolamento restringe as perdas de calor. 3.2.1.3.1.3. Atraso térmico A NBR 15220-1 (ABNT 2005) define atraso térmico como o tempo transcorrido entre uma variação térmica em um meio e sua manifestação na superfície oposta de um componente construtivo submetido a um regime periódico de transmissão de calor. A unidade do sistema internacional utilizada para medi-lo é h (horas). A norma cita ainda que o atraso térmico 31 depende da capacidade térmica do componente construtivo e da ordem em que suas camadas estão dispostas. A segunda parte da citada norma (NBR 15220-2) apresenta no item 7 (Atraso térmico de um componente) o roteiro para o cálculo dessa propriedade para elementos homogêneos e heterogêneos. Não menos importante, a terceira parte dessa norma (NBR 15220-3) traz em seu anexo D tabelas com propriedades térmicas, entre as quais o atraso térmico, de uma série de paredes e coberturas, usualmente utilizadas para construção de edificações. PEREIRA, 2009 estudou a influência do envelope no desempenho térmico de edificações residenciais, na cidade de Florianópolis, utilizando o Software Energyplus. No que tange à avaliação do atraso térmico, duas colocações merecem destaque. A primeira é de que o atraso térmico demonstra exercer uma maior influência sobre o desconforto nos ambientes ventilados e ocupados do que em ambientes sem ventilação e ocupação. A segunda e não menos importante refere-se ao fato do aumento dos valores do atraso térmico, nos casos estudados, implicarem em redução das horas de desconforto, com exceção desse comportamento, em apenas um dos casos avaliados. 3.2.1.3.1.4. Fator Solar de elementos opacos O fator de ganho de calor solar de elementos opacos, ou simplesmente fator solar de elementos opacos é definido pela NBR 15220-1 (ABNT 2005) como o quociente da taxa de radiação solar transmitida através de um componente opaco pela taxa da radiação solar total incidente sobre a superfície externa do mesmo. O item 8 (Fator de ganho solar de elementos opacos) da NBR 15220-2 traz a expressão que permite calcular o Fator Solar para os elementos opacos, apresentando o valor em percentual. O fator solar de elementos opacos relaciona-se diretamente com a transmitância e a absortância de cada elemento. Tratada a transmitância anteriormente, faz-se necessário tecer uma breve exposição da absortância, que é o quociente da taxa de radiação solar absorvida por uma superfície pela taxa de radiação solar incidente sobre esta mesma superfície (ABNT 2005). A absortância é dada em função do tipo de material e da sua cor, como se verifica na Tabela 2: 32 Tabela 2 - Absortância para radiação solar (ondas curtas) Absortância (α) Tipo de superfície Chapa de alumínio (nova e brilhante) 0,05 Chapa de alumínio (oxidada) 0,15 Chapa de aço galvanizada (nova e brilhante) 0,25 Caiação nova 0,12 / 0,15 Concreto aparente 0,65 / 0,80 Telha de barro 0,75 / 0,80 Tijolo aparente 0,65 / 0,80 Reboco claro 0,30 / 0,50 Revestimento asfáltico 0,85 / 0,98 Pintura Branca 0,20 Amarela 0,30 Verde clara 0,40 “Alumínio” 0,40 Verde escura 0,70 Vermelha 0,74 Preta 0,97 Fonte: NBR 15220-2 MELO, 2007 avaliou a influência da absortância das superfícies externas de paredes e coberturas adotando valores de 0,20 e 0,90 nas simulações computacionais realizadas em seu estudo. Observou-se que o aumento da absortância implicou no aumento do consumo de 33 energia nos três casos estudados. Salienta-se que para a absortância baixa (0,20) o aumento da transmitância das paredes, avaliada nesse estudo, implicou em redução de energia, principalmente para as cidades com climas mais frios. Em contrapartida, quando da avaliação do modelo com absortância maior (0,90) verificou-se que o aumento da transmitância térmica conduziu para aumento do consumo de energia, principalmente no local avaliado com temperaturas externas mais elevadas. Conclui-se que o aumento da transmitância térmica combinada com alta absortância a radiação solar aumentam os ganhos externos para o ambiente interno resultando em uma maior utilização do sistema de condicionamento de ar. 3.2.1.4. Métodos e normas de avaliação de desempenho ambiental A avaliação do desempenho térmico de edificações pode ser feita na fase de projeto ou após a construção da edificação. Na fase de projeto as avaliações podem ser feitas através da verificação do cumprimento de diretrizes construtivas e através de simulação computacional. Na edificação construída, as avaliações podem ser feitas através de medições in loco de variáveis representativas do desempenho (NBR 15220-3, 2005). Esses estudos podem ser feitos com o intuito de servir de base para a indicação de melhorias nas próprias edificações, como também para balizar e recomendar diretrizes para o projeto e construção de outras edificações, de modo a evitar os mesmos erros e falhas. (SANSÃO, 2011) Normalmente as análises são realizadas de acordo com índices de conforto térmico, que são estabelecidos através de escala de sensação de conforto e desconforto, obtida com base no estímulo das pessoas. A partir desses índices, são montadas cartas diagramas, delimitando zonas de conforto térmico estabelecendo limites que possam atender várias regiões e pessoas (LEÃO, 2006). Por exemplo, a carta bioclimática de Givoni relaciona dados climáticos, zonas de conforto térmico e diretrizes de projeto. Diante da preocupação mundial com a economia de energia e desempenho térmico das edificações, vários países possuem normas para conservação de energia, que apresentam diretrizes obrigatórias ou voluntárias, para que se tenha edificações com melhor desempenho. 34 As normas mais difundidas internacionalmente, e que serviram de base para várias outras, foram desenvolvidas pela ASHRAE – Sociedade Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Condicionamento de Ar – nos Estados Unidos. De um modo geral, estas normas estabelecem requisitos mínimos para projeto de edifícios eficientes energeticamente. Estes requisitos para projetos de edifícios eficientes recomendados pela ASHRAE são indicados com base na manutenção das condições mínimas de conforto térmico descritas na ASHRAE Standard 55 (ANSI; ASHRAE, 2010) e no capítulo 8 da ASHRAE Handbook of Fundamentals (ASHRAE, 2013). (PEREIRA, 2009) A ASHRAE implantou a sua primeira norma de eficiência energética em 1975. MELO, 2007 indica que desde 1989 a ASHRAE considera a envoltória da edificação, sistemas de condicionamento de ar, iluminação artificial, aquecimento de água, eficácia de motores e equipamentos como critérios para avaliação da eficiência energética de uma edificação. O Brasil, em 1984, estabeleceu o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), com o objetivo principal de contribuir para racionalização do uso da energia, através da apresentação de características da eficiência energética de diversos produtos através de etiquetas informativas. Em 2001, após a crise vivenciada no setor de geração e distribuição de energia elétrica, aumentou-se o estimulo para o uso eficiente da energia elétrica, sendo tal situação caracterizada pela publicação da Lei 10.295/01, que dispõe sobre a política nacional de conservação e uso racional de energia (BRASIL, 2001-a) e do Decreto 4.059/01 que regulamenta a citada lei (BRASIL, 2001-b). Esses documentos previram, entre outras ações, o desenvolvimento de mecanismos que promovam a eficiência energética nas edificações construídas no Brasil. Nesse sentido, foi criado em 2003 o Programa Nacional de Eficiência Energética em Edificações – PROCEL EDIFICA. A classificação do nível de eficiência energética em edifícios comerciais e de serviços públicos leva em conta a eficiência e potência instalada do sistema de iluminação, a eficiência do sistema do condicionamento de ar e o desempenho térmico da envoltória da edificação. (PROCELINFO, 2006) LAMBERTS, 2012 indica que no Brasil existem 31 edifícios comerciais etiquetados e 43 etiquetas emitidas. Entre esses encontram-se o edifício Robson Braga de Andrade, o CNATE da Caixa Econômica Federal e o Edifício Forluz, todos localizados em Belo Horizonte. 35 Em 2005, foi instituída no Brasil, a norma NBR-15220, Desempenho Térmico de Edificações. Esta norma esta subdividida em cinco partes que descrevem a respeito de métodos de cálculo e de medição de propriedades térmicas dos componentes construtivos das edificações, definem um zoneamento bioclimático brasileiro, conforme figura 12 e indicam diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse social. A parte 3 da NBR apresenta recomendações quanto ao desempenho térmico de habitações de interesse social, aplicáveis durante a fase de projeto. São estabelecidos também nesta parte, o zoneamento bioclimático brasileiro e recomendações de diretrizes construtivas e detalhamento de estratégias de condicionamento térmico passivo, com base em parâmetros e condições pré-fixados. Dessa maneira, o território brasileiro foi subdividido em 8 zonas relativamente homogêneas quanto ao clima, adaptando a carta bioclimática sugerida por Givone. Para cada zona, foram estipuladas recomendações técnico construtivas, com o objetivo de otimizar o desempenho térmico das edificações, através da adequação ao clima. A partir da norma é possível realizar avaliação por prescrição, verificando-se o cumprimento de determinados limites estabelecidos para as propriedades térmicas dos componentes construtivos e ainda o atendimento a recomendações de estratégia de condicionamento térmico passivo, conforme Zoneamento bioclimático brasileiro e carta bioclimática estabelecidos na norma. (NBR 15220-3, 2005). Figura 12 - Zoneamento bioclimático brasileiro Fonte: NBR 15220-3 (2005) 36 Outra norma em vigor no Brasil é a NBR15575 – Edificações Habitacionais de até cinco pavimentos, em vigor desde 2008. Além de reafirmar as indicações da NBR15220, esta norma utiliza como critério de avaliação de desempenho térmico a determinação de valores limites de temperatura do ar no interior da edificação, para verão e inverno. Estes limites variam em uma escala de classificação do desempenho em mínimo (M), intermediário (I) e superior (S), e também variam segundo as zonas bioclimáticas. (PEREIRA, 2009) A citada norma de desempenho passou por um processo de revisão estando em vigor desde o mês de julho de 2013. A principal mudança está explicitada no nome da NBR 15.575:2013 Edificações Habitacionais - Desempenho: diferentemente da versão anterior, restrita a edificações residenciais de até cinco pavimentos, o novo texto será mais abrangente e contemplará projetos habitacionais de qualquer porte. Com relação ao desempenho térmico, de um modo geral, a norma prevê que a edificação deve reunir características que atendam às exigências de desempenho térmico, considerando-se as zonas bioclimáticas definidas na NBR 15.220 - Desempenho Térmico de Edificações. (TECHNE, 2013) 3.2.1.5. Ferramentas de simulações e análises de desempenho ambiental Os programas de simulação computacional possibilitam avaliar o desempenho térmico e energético de edificações através do estudo de diferentes alternativas de projeto, com opções de analisar variações no desenho arquitetônico, nos componentes construtivos, nos sistemas de iluminação ou nos sistemas de condicionamento de ar. A partir das simulações, é possível estimar o consumo de energia, o custo desse consumo e até mesmo o impacto ambiental provocado pela alternativa de projeto antes mesmo de sua execução. (MENDES et al, 2005) A utilização de ferramentas computacionais pode ocorrer tanto na fase de projeto como durante a construção da edificação, permitindo testar soluções mais eficientes sem a necessidade de intervir na edificação. Além disso, a facilidade de manipulação das variáveis envolvidas na edificação, o baixo custo e a redução do tempo de simulação contribuem ainda mais para uma maior utilização destes programas computacionais (MELO, 2007). 37 Salienta-se que muitos programas computacionais nacionais e internacionais foram ou estão sendo desenvolvidos para o cálculo de cargas térmicas, avaliação das condições de conforto térmico e desempenho energético de edificações. A escolha do programa a ser utilizado em uma simulação dependerá da aplicação pretendida. (MELO,2007). Um dos programas de simulação de edificações mais utilizados no mundo é o EnergyPlus, distribuído pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos. Ele foi desenvolvido para simulação de carga térmica e análise energética de edificações e seus sistemas. O programa inclui também, a possibilidade de adicionar ventilação natural, usos de água, sistemas fotovoltaicos, índices de conforto térmico, entre outros. As inúmeras possibilidades que o software permite, o colocam à frente de diversos programas de simulações termoenergéticas existentes (MELO et al, 2009). No Brasil, ainda são poucos os profissionais que utilizam esses programas como ferramenta de trabalho, ficando o uso mais restrito às instituições de estudo e pesquisa. A complexidade dos fenômenos envolvendo o comportamento térmico de edifícios implica em uma grande quantidade de dados de entrada nas simulações, requerendo conhecimentos multidisciplinares dos usuários, dificultando assim, a utilização dessas ferramentas de forma simples e rápida (MENDES et al, 2005). Porém, mesmo com tais dificuldades, as simulações têm sido de grande valia para análises termo energéticas de edificações. 3.2.1.5.1. Programa Design Builder O Design Builder é uma das ferramentas de simulação computacional existentes no mercado, a qual foi escolhida para utilização no presente estudo, na versão 2.3.6.005 revisada em 2010. Trata-se de uma interface amigável para simulações de desempenho de edifícios, através da ferramenta Energy Plus, citada acima. O programa calcula as cargas de aquecimento e resfriamento, utilizando o método de "Balanço de Calor" aprovado pela ASHRAE e implementado pelo EnergyPlus. 38 Segundo a OTEC (2011), as simulações para o modelo são rodadas utilizando informação climática horária para checar como o edifício irá se comportar durante a operação. O programa permite a análise, em intervalos anuais, mensais, diários, horários ou sub-horários para avaliar: Consumo de energia por combustível e uso final. Temperatura de ar interno, média radiante, de operação e níveis de umidade; Níveis de conforto, inclusive curvas de distribuição das horas não atendidas (segundo os critérios da ASHRAE 55, Fanger PMV, Pierce PMV ET, Pierce PMV SET, Índice de Desconforto Pierce - DISC, Índice Pierce de Sensação Térmica - TSENS, Kansas Uni TSV); Informação climática local; Transmissão de calor no edifício, considerando paredes, coberturas, taxas de infiltração, ventilação, etc; Cargas de aquecimento e resfriamento; Emissão de CO2. O programa possibilita também, analisar os efeitos das alternativas de projeto no desempenho do edifício, permitindo a avaliação de parâmetros como: consumo anual de energia, horas de aquecimento e emissão de CO2. O procedimento para entrada de dados é subdividido em seis passos: Modelagem tridimensional da edificação, Definição das rotinas de ocupação, Identificação dos sistemas construtivos (materiais utilizados em paredes, pisos, telhados, forros, etc.), Caracterização das aberturas: portas, janelas, brises, vãos, 39 Sistemas de iluminação, Sistemas de condicionamento de ar, aquecimento, exaustão e ventilação. 40 4. METODOLOGIA A proposta geral do presente trabalho é investigar soluções envolvendo materiais, elementos construtivos, regime de uso e arquitetura, para melhoria do desempenho ambiental de uma edificação de tipologia definida. O desempenho ambiental é definido nesse trabalho a partir do consumo de energia para fins de condicionamento de ar da edificação, quando necessário para manter o conforto térmico, o qual se relaciona com emissões de CO2 para geração da energia. Dessa forma, é realizada também avaliação do conforto térmico, por meio do número de horas de desconforto, para estabelecimento de um critério de referência, garantindo que soluções de melhor desempenho ambiental atendam aos requisitos de conforto térmico. As soluções envolvem: I. Variação no tipo e espessura dos blocos utilizados na alvenaria de vedação externa; II. Variação no tipo de telha utilizada na cobertura; III. Utilização ou não de elementos de proteção solar externos (brises); IV. Emprego de ventilação natural e condicionamento do ar. É definida uma tipologia e um projeto específico de uma edificação comercial (orientação, carga térmica, regime de uso, dimensões e materiais), e construído um modelo computacional desse ambiente com emprego do software Design Builder. O modelo é empregado em uma sequencia de simulações variando-se as soluções apresentadas. Para todas as soluções apresentadas são feitas duas simulações, sendo que a primeira considera que os ambientes administrativos em estudo são naturalmente ventilados e a segunda considera que os mesmos ambientes são condicionados artificialmente. Para cada simulação que considera a ventilação natural dos ambientes em estudo, são registrados resultados de número de horas de desconforto. Para as simulações que consideram a climatização artificial dos ambientes em estudo, são registrados o consumo de energia e emissão correspondente de CO2. Buscou-se 41 verificar se, e como, é possível reduzir o consumo de energia e a emissão de CO2, devido ao uso de ar-condicionado, garantindo porém, o conforto térmico no interior da edificação. 4.1. Atividades para realização do trabalho Para atingir os objetivos propostos, este trabalho envolve os seguintes passos: Definição de um projeto de edificação como caso base a ser estudado nas condições climáticas da cidade de Belo Horizonte. Definição de materiais a serem empregados na envoltória (paredes externas e telhado), de acordo com materiais usuais na construção civil local. Delimitação das condições e recomendações de conforto térmico para a cidade de Belo Horizonte baseado em estudos existentes e recomendações prescritas na NBR 15220-3 (ABNT, 2005). Utilização do software Design Builder para realizar simulações computacionais da edificação experimental, conforme as variáveis em estudo. As simulações no software Design Builder seguem as seguintes etapas: Configuração de um cenário de referência, denominado “Caso Base” a partir de projeto existente da edificação. Esse projeto inclui especificação construtiva dos ambientes (tipo e espessura dos blocos, tipo de telha usada na cobertura) e regime de uso com ventilação natural. Para o Caso Base, é realizada uma simulação para período de um ano e calculado o número de horas de desconforto. O primeiro grupo de simulações subsequentes inclui alterações no material e espessura de blocos utilizados nas paredes de vedação externa, ainda com uso de ventilação natural, conforme rotina pré-definida, buscando verificar se é possível melhorar o desempenho térmico dos ambientes administrativos mudando o material e espessura das paredes externas. Os resultados são avaliados calculando-se o número de horas de desconforto. 42 Um segundo grupo de simulações considera as mesmas envoltórias estudadas nas simulações do primeiro grupo, porém, substituindo a ventilação natural pelo condicionamento de ar, e calculados o consumo de energia com uso de ar condicionado (kWh) e emissão correspondente de CO2 (kg). As simulações são realizadas com uso de ar-condicionado em dois ambientes administrativos, conforme temperatura de conforto pré-definida, buscando verificar qual dos casos estudados permite maior redução no consumo de energia e emissão de CO2, mantendo porém, as condições de conforto térmico pré-estabelecidas. A partir do caso com melhor desempenho ambiental quanto ao material e espessura das paredes externas, é desenvolvida nova simulação acrescentando alteração no tipo de cobertura. A simulação é realizada com uso de ventilação natural, conforme rotina prédefinida, buscando verificar se é possível melhorar o desempenho térmico dos ambientes administrativos mudando o material da cobertura. Considerando a configuração de cobertura utilizada no caso anterior, é desenvolvida nova simulação com o uso de ar-condicionado para suprir as horas de desconforto. A simulação é realizada com o uso de ar-condicionado nos ambientes administrativos, conforme temperatura de conforto pré-definida, buscando verificar se e quanto a mudança no tipo de telha contribuiu para redução no consumo de energia e emissão de CO2, mantendo as condições de conforto térmico pré-estabelecidas. Partindo do caso que apresente melhor desempenho ambiental em relação à alvenaria de vedação e tipo de telha, é realizada nova simulação com a inclusão de brise nas janelas. A simulação é realizada com uso de ventilação natural, conforme rotina pré-definida, buscando verificar até que ponto é possível melhorar o conforto térmico dos ambientes administrativos com a inclusão de brises nas janelas. Considerando a inclusão de brise utilizada no caso anterior, será realizada nova simulação com o uso de ar-condicionado para suprir as horas de desconforto. A simulação é realizada com o uso de ar-condicionado nos ambientes administrativos, conforme temperatura de conforto pré-definida, buscando quantificar os benefícios decorrentes da inclusão de brise nas aberturas para redução no consumo de energia e emissão de CO2, mantendo as condições de conforto térmico pré-estabelecidas. Assim, serão realizadas 16 simulações apresentadas de forma simplificada na tabela 3. 43 Tabela 3 - Resumo das simulações Código BCE20_FC_VN (Caso Base) BCE15_FC_VN BCE25_FC_VN BCA15_FC_VN BCA20_FC_VN BCA25_FC_VN BCE15_FC_AC BCE20_FC_AC BCE25_FC_AC Descrição simplificada dos sistemas simulados Envoltória composta por parede de tijolos cerâmicos de 6 furos circulares, assentados na dimensão intermediária, dimensões do tijolo: 10,0x15,0x20,0 cm (Espessura total da parede 20 cm). Cobertura em telha de fibrocimento de 7 mm com laje em concreto com 20 cm de espessura. Uso de ventilação natural. Envoltória composta por parede de tijolos cerâmicos de 6 furos circulares, assentados na menor dimensão, dimensões do tijolo: 10,0x15,0x20,0 cm (Espessura total da parede 15 cm). Cobertura em telha de fibrocimento de 7 mm com laje em concreto com 20 cm de espessura. Uso de ventilação natural. Envoltória composta por parede de tijolos cerâmicos de 8 furos circulares, assentados na dimensão intermediária, dimensões do tijolo: 10,0x20,0x30,0 cm (Espessura total da parede 25 cm). Cobertura em telha de fibrocimento de 7 mm com laje em concreto com 20 cm de espessura. Uso de ventilação natural. Envoltória composta por parede de blocos de concreto autoclavado, assentados na menor dimensão, dimensões do bloco: 10x30,0x60,0 cm (Espessura total da parede 15 cm). Cobertura em telha de fibrocimento de 7 mm com laje em concreto com 20 cm de espessura. Uso de ventilação natural. Envoltória composta por parede de blocos de concreto autoclavado, assentados na menor dimensão, dimensões do bloco: 15x30,0x60,0 cm (Espessura total da parede 20 cm). Cobertura em telha de fibrocimento de 7 mm com laje em concreto com 20 cm de espessura. Uso de ventilação natural. Envoltória composta por parede de blocos de concreto autoclavado, assentados na menor dimensão, dimensões do bloco: 20x30,0x60,0 cm (Espessura total da parede 25 cm). Cobertura em telha de fibrocimento de 7 mm com laje em concreto com 20 cm de espessura. Uso ventilação natural. Envoltória composta por parede de tijolos cerâmicos de 6 furos circulares, assentados na menor dimensão, dimensões do tijolo: 10,0x15,0x20,0 cm (Espessura total da parede 15 cm). Cobertura em telha de fibrocimento de 7 mm com laje em concreto com 20 cm de espessura. Uso de ar-condicionado. Envoltória composta por parede de tijolos cerâmicos de 6 furos circulares, assentados na dimensão intermediária, dimensões do tijolo: 10,0x15,0x20,0 cm (Espessura total da parede 20 cm). Cobertura em telha de fibrocimento de 7 mm com laje em concreto com 20 cm de espessura. Uso de ar-condicionado. Envoltória composta por parede de tijolos cerâmicos de 8 furos circulares, assentados na dimensão intermediária, dimensões do tijolo: 10,0x20,0x30,0 cm (Espessura total da parede 25 cm). Cobertura em telha de fibrocimento de 7 mm com laje em concreto com 20 cm de espessura. Uso de ar-condicionado. 44 Código BCA15_FC_AC BCA20_FC_AC BCA25_FC_AC BCXXX_TA_VN BCXXX_TA_AC BCXXX_XX_VN_B BCXXX_XX_AC_B Descrição simplificada dos sistemas simulados Envoltória composta por parede de blocos de concreto autoclavado, assentados na menor dimensão, dimensões do bloco: 10,0x30,0x60,0 cm (Espessura total da parede 15 cm). Cobertura em telha de fibrocimento de 7 mm com laje em concreto com 20 cm de espessura. Uso de ar-condicionado. Envoltória composta por parede de blocos de concreto autoclavado, assentados na menor dimensão, dimensões do bloco: 15,0x30,0x60,0 cm (Espessura total da parede 20 cm). Cobertura em telha de fibrocimento de 7 mm com laje em concreto com 20 cm de espessura. Uso de ar-condicionado. Envoltória composta por parede de blocos de concreto autoclavado, assentados na menor dimensão, dimensões do bloco: 20,0x30,0x60,0 cm (Espessura total da parede 25 cm). Cobertura em telha de fibrocimento de 7 mm com laje em concreto com 20 cm de espessura. Uso de ar-condicionado. Envoltória composta por parede com tipo de bloco e espessura que apresentar maior redução no consumo de energia e emissão de CO2 entre os casos anteriores (especificação XXX definida posteriormente). Cobertura em telha termoacústica, composta por espuma rígida de poliuretano com espessura de 30 mm, revestida, na face superior e inferior por telhas de aço pré-pintadas, com 0,5 mm de espessura, com laje de concreto de 20 cm. Uso ventilação natural. Envoltória composta por parede com tipo de bloco e espessura que apresentar maior redução no consumo de energia e emissão de CO2 entre os casos anteriores. Cobertura em telha termoacústica, composta por espuma rígida de poliuretano com espessura de 30 mm, revestida, na face superior e inferior por telhas de aço pré-pintadas, com 0,5 mm de espessura, com laje de concreto de 20 cm. Uso de ar condicionado. Envoltória composta por parede com tipo de bloco e espessura que apresentar maior redução no consumo de energia e emissão de CO2 entre os casos anteriores. Cobertura composta por tipo de telha que apresentar maior redução no consumo de energia e emissão de CO2 entre os casos anteriores. Uso de ventilação natural. Inclusão de elementos de proteção solar nas janelas (brises). Envoltória composta por parede com tipo de bloco e espessura que apresentar maior redução no consumo de energia e emissão de CO2 entre os casos anteriores. Cobertura composta por tipo de telha que apresentar maior redução no consumo de energia e emissão de CO2 entre os casos anteriores. Uso de ar condicionado. Inclusão de elementos de proteção solar nas janelas (brises). As siglas para descrição de cada caso foram compostas da seguinte forma: As siglas BCE e BCA significam bloco cerâmico e bloco de concreto autoclavado, respectivamente. FC indica o uso da telha de fibrocimento, enquanto TA o uso da telha termoacustica. No que tange a 45 climatização do ambiente foram utilizadas as letras VN para ventilação natural e AC quando do uso de aparelhos de ar condicionado. A letra B, no final da sigla indica o uso de proteção solar (brises). A letra x foi utilizada para indicar a necessidade de avaliação do material e espessura que seria utilizado, até a comparação dos resultados das simulações. O desenvolvimento das simulações é apresentado na figura 13. Figura 13 - Fluxograma das simulações 4.2. Definição da tipologia de referência e dos materiais empregados nos sistemas de vedação externa A edificação definida como tipologia de referência para o estudo é um Destacamento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Trata-se de um projeto modelo da Corporação, para um tipo de subunidade policial, com área construída de 140,58m², conforme figuras 14 e 15. 46 N Figura 14 - Planta baixa da edificação avaliada Figura 15 - Perspectiva da edificação avaliada A escolha da edificação específica, leva em consideração o fato da mesma, estar em fase de projeto, de maneira que estudos a respeito podem contribuir para melhorias nesse projeto e consequentemente no desempenho térmico e ambiental da edificação construída. 47 A definição dos materiais utilizados na envoltória de uma edificação é uma das variáveis que o arquiteto pode considerar, com o objetivo de melhorar o conforto térmico no interior de edificações, diminuindo consequentemente os gastos com condicionamento artificial. Nesse contexto, o Caso Base definido no presente estudo é configurado com materiais de vedação externa (paredes e cobertura) usuais no mercado de Belo Horizonte e foram definidos conforme padrão utilizado hoje nas obras da PMMG. Atualmente são utilizados como elementos de vedação externa nestas obras, para as paredes, blocos cerâmicos com 6 furos circulares, com 15cm de espessura, mais 2,5cm de reboco em cada face, totalizando uma espessura de 20cm. A pintura externa das edificações é padronizada na cor branco gelo. Para os telhados, são utilizadas laje com 20cm de espessura e telhado sobre a laje, em telhas de fibrocimento com 7mm de espessura. Portanto, estas serão as condições dos materiais da envoltória a serem utilizados no caso base de simulação. Buscando avaliar potenciais melhorias no desempenho ambiental da edificação de forma passiva, é avaliada a substituição dos materiais usualmente empregados nas envoltórias, por outros materiais também existentes no mercado em estudo. Como substituição ao bloco cerâmico com furos circulares, é utilizado o bloco de concreto celular autoclavado e como substituição à telha de fibrocimento, é avaliada a telha metálica com isolamento termoacústico em poliuretano, na espessura de 30mm. A opção por avaliar tais materiais parte principalmente do fato dos mesmos serem apresentados pelos fornecedores como alternativas que apresentam bom desempenho térmico, com potenciais reflexos no desempenho ambiental em vista de possível redução no consumo de energia para manutenção do conforto. Além do estudo das alvenarias de vedação em relação ao tipo de bloco empregado, é estudado o desempenho ambiental em relação às espessuras desses blocos, sendo definido que os dois tipos de blocos devem ser avaliados nas espessuras de 10, 15 e 20cm. É considerado 2,5cm de argamassa de emboço na face interna e 2,5cm na face externa. As respectivas paredes acabadas têm 15, 20 e 25cm. 48 Por fim, é avaliada a melhoria de conforto proporcionada pelo uso de brises externos às aberturas e sua influência nos valores do consumo de energia e da emissão de CO2 relativa à necessidade de uso de ar-condicionado para garantir conforto térmico no ambiente interno. Os valores das propriedades dos materiais da envoltória, necessárias para a avaliação do desempenho térmico através de simulação computacional no software Design Builder, densidade, condutividade térmica e calor específico são retirados da NBR15220-2-2005. 4.3. Determinação da Zona de Conforto Para avaliação do conforto térmico, é necessária a definição da zona de conforto. Tal zona varia entre ambientes naturalmente ventilados e ambientes climatizados artificialmente. Conforme exposto em 3.2.1.1.1, Givoni (1992), estabelece uma zona de conforto, para edificações naturalmente ventiladas, de países quentes e úmidos. Os valores indicados por Givoni (1992), para os limites de temperatura de conforto nesses países e que, portanto deveriam ser utilizados como critério de avaliação do desempenho térmico de seus edifícios, são: No verão: de 20ºC a 29ºC No inverno: de 18ºC a 27ºC Ainda segundo a carta psicrométrica de Givoni, a umidade relativa deve estar entre 20 e 80%. As simulações do presente estudo, que consideram o uso de ventilação natural, seguem como parâmetro para avaliação das horas de desconforto interno, os intervalos recomendados por Givoni para inverno e verão. O critério de avaliação é a porcentagem do número de horas ocupadas que apresentam desconforto. Pereira (2009) considera em seu estudo, como critério para a definição dos meses de inverno e verão, a temperatura média mensal do ar, registrada no ano climático de referência (TRY) de Florianópolis. Para valores acima de 20ºC foi considerado mês de verão. 49 Belo Horizonte pertence à zona bioclimática 3, assim como a cidade de Florianópolis. Portanto, para o presente estudo, é considerada a temperatura média mensal do ar, registrada no ano climático de referência (TMY) de Belo Horizonte, seguindo o mesmo critério utilizado no estudo de Pereira (2009), onde valores acima de 20ºC são considerados meses de verão. Dessa maneira, são considerados meses de inverno de maio a agosto e meses de verão de setembro a abril. Para as simulações onde é utilizado ar-condicionado nos ambientes em estudo, a zona de conforto é definida com base nos limites estabelecidos pela NBR16401-2-2008, “Instalações de ar-condicionado – sistemas centrais e unitários”, parte 2, estando estes parâmetros enquadrados nas zonas de conforto estipuladas pela ASHARE para os mesmos fatores pessoais , conforme descrito no item 3.2.1.1.1 da revisão bibliográfica. Embora a sensação de conforto seja subjetiva e envolva vários fatores, conforme exposto naa revisão bibliográfica, serão considerados para efeito dessas simulações, que os ambientes em estudo (recepção/REDS e administração), deverão ter suas temperaturas mantidas sempre a 24ºC, durante todo o tempo de uso pré-estabelecido. Esta temperatura está dentro da zona de conforto estipulada pela NBR16401-2-2008, para ambientes com ar-condicionado, tanto para períodos de inverno quanto para os meses de verão. Devido ao fato da edificação ser destinada ao uso militar, o tipo de vestimenta (farda) será considerado o mesmo durante todo o ano. 4.4. Recomendações para condicionamento térmico passivo Embora seja prevista a utilização de ar-condicionado nos ambientes administrativos da edificação em estudo nos horários onde a temperatura estiver fora da zona de conforto, a utilização de estratégias de condicionamento passivo deve ser utilizada, buscando minimizar ou até mesmo eliminar a necessidade do condicionamento artificial, quando possível. Para a formulação das diretrizes construtivas que carreiam o presente estudo foram considerados os parâmetros abordados na NBR 15220-3 (2005) para o estabelecimento de condicionamento térmico passivo, quais sejam: 50 a) tamanho das aberturas para ventilação; b) proteção das aberturas; c) vedações externas (tipos de parede externas e tipo de cobertura), com atenção especial para os índices de transmitância térmica, atraso térmico e fator solar; d) estratégias de condicionamento térmico passivo. As recomendações e estratégias construtivas apresentadas na parte 3 da NBR 15220 (2005), para cada zoneamento bioclimático, destinam-se a habitações unifamiliares de interesse social. Porém, estas diretrizes serão utilizadas como suporte neste estudo, podendo ser constatado inclusive, no final, se as recomendações avaliadas podem ser estendidas a outra tipologia ou não. A cidade de Belo Horizonte, está localizada na Zona Bioclimática 3, o que implica na necessidade de atender as seguintes diretrizes construtivas: Aberturas para ventilação: Médias Estratégias de condicionamento passivo: B, C, F e I Paredes externas: Leves e refletoras Coberturas: Leves e isoladas Proteção das aberturas: Permitir sol durante o inverno Consideram-se aberturas para ventilação médias aquelas com percentual da área do piso superior a 15% e inferior a 25%. O projeto apresenta aberturas equivalentes a 1/6 da área do piso, ou seja, aproximadamente 17%, atendendo a recomendação prescrita na NBR 15220-3 (2005). As recomendações para condicionamento térmico passivo, B, C, F e I, apresentadas na NBR15220-3, (2005) estão detalhadas na tabela 4. 51 Tabela 4 - Detalhamento das estratégias de condicionamento térmico passivo Estratégia B Detalhamento A forma, a orientação e a implantação da edificação, além da correta orientação de superfícies envidraçadas, podem contribuir para otimizar o seu aquecimento no período frio através da incidência de radiação solar. A cor externa dos componentes também desempenha papel importante no aquecimento dos ambientes através do aproveitamento da radiação solar. C A adoção de paredes internas pesadas pode contribuir para manter o interior da edificação aquecido. F As sensações térmicas são melhoradas através da desumidificação dos ambientes. Esta estratégia pode ser obtida através da renovação do ar interno por ar externo através da ventilação dos ambientes. I Temperaturas internas mais agradáveis também podem ser obtidas através do uso de paredes (externas e internas) e coberturas com maior massa térmica, de forma que o calor armazenado em seu interior durante o dia seja devolvido ao exterior durante a noite, quando as temperaturas externas diminuem. Fonte: NBR 15220, 2005 As estratégias B, C e F não são alteradas no presente trabalho, uma vez que o objetivo é avaliar estratégias para melhoria do conforto térmico, redução do consumo de energia e da emissão do CO2, através de alterações na envoltória da edificação. Assim, essas estratégias serão constantes, para todos os casos avaliados. Para avaliação das paredes externas e coberturas, verifica-se que a citada norma indica as características citadas na tabela 5: 52 Tabela 5 - Transmitância térmica, atraso térmico e fator de calor solar admissíveis para cada tipo de vedação externa Vedações Externas Paredes Coberturas Transmitância Atraso térmico – Fator Solar térmica – U ϕ FSo W/m².K h % Leve U ≤ 3,00 ϕ ≤ 4,3 FSo ≤ 5,0 Leve refletora U ≤ 3,60 ϕ ≤ 4,3 FSo ≤ 4,0 Pesada U ≤ 2,20 ϕ ≥ 6,5 FSo ≤ 3,5 Leve isolada U ≤ 2,00 ϕ ≤ 3,3 FSo ≤ 6,5 Leve refletora U ≤ 2,30.FT ϕ ≤ 3,3 FSo ≤ 6,5 U ≤ 2,00 ϕ ≥ 6,5 FSo ≤ 6,5 Pesada Fonte: NBR 15220-3 (2005) Pela análise da tabela acima, verifica-se que as paredes que apresentarão melhor desempenho térmico, de acordo com a recomendação para a zona bioclimática 3, serão aquelas com transmitância térmica inferior a 3,6W/m²K e com atraso térmico inferior a 4,3 horas. No que tange ao Fator Solar para elementos opacos a NBR 15220-2 (2005) apresenta a equação 1 para seu cálculo: (1) onde: FSo representa o fator de ganho de calor solar de elementos opacos (ou apenas fator solar de elementos opacos); U representa a transmitância; α representa a absortância e Rse representa a resistência superficial externa. A citada norma indica que Rse é admitida constante igual a 0,04 para toda direção de fluxo de calor, assim a equação 1 pode ser escrita da seguinte forma: (2) Por fim, conforme indicado no item 4.2 deste estudo, a absortância será constante para toda a envoltória e igual a 0,2 (pintura branca). Assim, o Fator Solar poderá ser calculado pela equação 3: (3) 53 Com relação à proteção das aberturas, elas são analisadas na última etapa da simulação computacional, momento em que são incluídos os elementos de proteção solar (brises). 4.5. Definição das soluções utilizadas nas simulações O caso base é simulado com os materiais normalmente utilizados para a construção das edificações na PMMG. As paredes externas são dimensionadas no programa Design Builder com a seguinte configuração, exposta na tabela 6: Tabela 6 - Composição de materiais para alvenarias externas – Caso Base (BCE20). NBR 15220-3 (2005) Descrição ϕ [h] U [W/(m².K)] Parede de tijolos de 6 furos circulares, assentados 1,92 Fator Solar - FSo % 4,8 1,53 na dimensão intermediária Dimensões do tijolo: 10,0x15,0x20,0 cm Espessura de argamassa de assentamento: 1,0 cm Espessura da argamassa de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 20,0 cm Salienta-se que esse material não atende os requisitos delimitados na NBR 15220-3 (2005) para ser considerada uma parede leve refletora, tipologia mais adequada à zona bioclimática de Belo Horizonte. A cobertura utilizada é a de telha de fibrocimento de 0,7 cm com laje de concreto de 20 cm. Esse material apresenta as seguintes características, expostas na tabela 7: 54 Tabela 7 - Composição de materiais para cobertura FC (fibrocimento) Descrição U [W/(m².K)] Cobertura de telha de fibrocimento com laje de 1,99 concreto de 20 cm. Espessura da telha: 0,7cm ϕ [Horas] 7,9 Fator Solar - FSo % 1,59 Fonte: NBR 15220-3 (2005) As configurações dessa cobertura configuram-na como uma cobertura pesada, conforme critérios estabelecidos na NBR 15220-3 (2005). Para avaliação de outros critérios construtivos é alterado, inicialmente, a espessura das paredes externas, mantendo todos os materiais. Assim os casos BCE15_FC_VN e BCE25_FC_VN são simulados adotando, respectivamente, as seguintes configurações de materiais, nas paredes externas: Tabela 8 - Composição de materiais para alvenarias externas – BCE15 Descrição U [W/(m².K)] Parede de tijolos de 6 furos circulares, assentados 2,28 na menor dimensão Dimensões do tijolo: 10,0x15,0x20,0 cm Espessura de argam. de assentamento: 1,0 cm Espessura da argamassa de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 15,0 cm ϕ [Horas] 3,7 Fator Solar - FSo % 1,82 Fonte: NBR 15220-3 (2005) Tabela 9 - Composição de materiais para alvenarias externas – BCE25 Descrição U [W/(m².K)] Parede de tijolos de 8 furos circulares, assentados 1,61 na dimensão intermediária Dimensões do tijolo: 10,0x20,0x30,0 cm Espessura de argam. de assentamento: 1,0 cm Espessura da argamassa de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 25,0 cm Fonte: NBR 15220-3 (2005) ϕ [Horas] 5,9 Fator Solar - FSo % 1,29 55 Em breve análise, verifica-se que o aumento da espessura das alvenarias implica na redução da transmitância e por conseqüência, do Fator Solar. Entretanto, ocorre também o aumento do número horas envolvidas no atraso térmico, condicionando a parede a aproximar-se mais de paredes pesadas. Não menos importante, verifica-se que a alvenaria utilizada para os casos BCE15_FC_VN, e BCE15_FC_AC é classificada como parede leve e refletora, uma vez que a transmitância do conjunto é menor que 3,60 W/(m².K), o número de horas do atraso térmico é menor do que 4,3 horas e o fator solar é menor do 4,0%. Assim, acredita-se que essa tipologia, entre as combinações estudadas com o uso do bloco cerâmico, seja a mais adequada para o emprego na zona bioclimática estudada. Para avaliar a conveniência do uso do bloco de concreto celular autoclavado, são simulados três casos com alvenarias compostas por esse material e argamassa de cimento com a mesma dimensão dos casos anteriores. A NBR 15220-3 (2005) não traz os dados de transmitância, atraso térmico e fator solar para os blocos de concreto autoclavado. Nesse sentido, faz-se necessário calcular os valores necessários, com base nas equações disponíveis na NBR 15220-2 (2005), quais sejam: (4) onde: R é a resistência térmica para blocos homogêneos; e é a espessura de uma camada e; λ é a condutividade térmica do material. (5) onde: Rt é a resistência térmica de um componente; R1, R2, ..., Rn são as resistências térmicas das n camadas homogêneas, determinadas pela equação 4. (6) 56 onde: U é a transmitância térmica e; Rt é a resistência térmica determinada pela expressão 5. Para cálculo do atraso térmico, faz-se necessário calcular inicialmente a capacidade térmica do elemento, que pode ser obtida por meio das equações 7 e 8: ∑ (7) (8) onde: ei é a espessura da camada i; ci é o calor específico do material da camada i; ρi é a densidade de massa aparente do material da camada i; CTa, CTb, ... CTn são as capacidades térmicas do componente de cada para cada seção (a, b, …, n), determinadas pela expressão 7; Aa, Ab, ..., An são as áreas de cada seção. O atraso térmico em elementos constituídos por camadas heterogêneas varia de acordo com a ordem das camadas. O atraso térmico é determinado através da equação 9: √ (9) onde: Rt é a resistência térmica de superfície a superfície do componente; B1 é dado pela equação 10; B2 é dado pela equação 11. (10) onde B0 é dado pela equação 12. ( ( ) ) ( ) (11) 57 (12) onde: CT é a capacidade térmica total do componente; CText é a capacidade térmica da camada externa do componente. A NBR 15220-2 cita que a condutividade térmica e o calor específico dos blocos de concreto celular autoclavado são, respectivamente, 0,17W/(m.K) e 1,00kJ/(kg.K). A densidade de massa aparente é indicada como 400-500(kg/m³). Em contato com a PRECON, empresa produtora e distribuidora desse material em Belo Horizonte, foi indicado que a densidade de massa aparente mais correta seria de 500kg/m³. Após a simulação dos seis casos é avaliada a quantidade de energia necessária, com o uso de ar-condicionado, para manter um nível de conforto térmico ideal na sala da administração e na recepção/REDS, nos horários de uso desses dois ambientes. Além do consumo de energia, é avaliada também, a emissão de CO2 ocorrida durante o período de um ano, devido ao uso do ar-condicionado. É considerada nesse estudo a temperatura de 24ºC como temperatura ideal de conforto, conforme definido em 4.3, realizando o acionamento de aparelhos condicionadores de ar sempre que a temperatura ultrapassar esse valor. Assim, são realizados os estudos dos seis casos com uso de ar-condicionado, conforme indicado na tabela 03, para avaliar qual caso utiliza menor quantidade de energia e consequentemente menor emissão de CO2. Após a simulação dos casos BCE15_FC_AC, BCE20_FC_AC, BCE25_FC_AC, BCA15_FC_AC, BCA20_FC_AC, BCA25_FC_AC é verificada qual tipologia apresentou menor consumo de energia e menor emissão de CO2 durante o ano. A partir dessa tipologia são realizadas novas simulações, incluindo outras variações, para verificar a possibilidade de reduzir o consumo de ar condicionado. Para tanto, o caso BCXXX_TA_VN utiliza a tipologia com menor consumo de energia durante o ano para avaliar o impacto da inclusão de uma nova solução de cobertura no conforto térmico. A simulação é feita considerando a ventilação natural nos ambientes em estudo. É avaliada a redução na porcentagem mensal de horas de desconforto em relação ao caso base e à tipologia com menor consumo energético. Posteriormente, é realizada nova 58 simulação, denominada caso BCXXX_TA_AC, onde é verificado o consumo de energia em razão do uso de aparelhos condicionadores de ar, após a modificação da cobertura. A nova cobertura é idealizada com substituição das telhas de fibrocimento de 7 mm de espessura, por telhas termoacústicas, compostas por espuma rígida de poliuretano com espessura de 30 mm, revestida, na face superior e inferior por telhas de aço pré-pintadas, com 0,5 mm de espessura, cada. É mantida a laje com a mesma dimensão e a mesma espessura da câmara de ar. A NBR 15220-2 (ABNT, 2005) não apresenta a transmitância térmica, o atraso térmico e o fator solar do novo modelo de cobertura. Entretanto, tais propriedades podem ser calculadas através das equações 6, 9 e 3, respectivamente, tal como foi realizado para os blocos de concreto celular autoclavado. Após a simulação do caso BCXXX_TA_AC, é verificada se a mudança do tipo no tipo de telha utilizada contribuiu para a redução no consumo de energia e emissão de CO2 durante o ano. Em caso positivo, parte-se dessa tipologia para uma nova simulação com a inclusão no projeto, de brises nas janelas. O objetivo é verificar até que ponto é possível melhorar o conforto térmico dos ambientes administrativos com a inclusão desses elementos de proteção solar. Os brises podem ser horizontais, verticais ou mistos. Quanto ao tipo de funcionamento, podem ser fixos ou móveis. A escolha correta depende da orientação solar da edificação. Os elementos horizontais cumprem corretamente seu papel nas orientações Norte e Noroeste, de acordo com Olgyay (1998). Como as janelas dos ambientes em estudo estão com orientação norte, é definido para efeito de estudo, a utilização de brises horizontais fixos, afastados 0,30m da janela, com lâminas de 0,20m de profundidade, afastamento de 0,30m entre réguas e inclinação das réguas de 15º. No caso BCXXX_XX_AC_B, será feita a avaliação do desempenho ambiental da edificação, considerando a inclusão de brise utilizada no caso anterior, desenvolvendo, porém, nova simulação com o uso de ar-condicionado para suprir as horas de desconforto. A simulação é realizada com o uso de ar-condicionado nos ambientes administrativos, conforme temperatura de conforto pré-definida, buscando verificar o quanto a inclusão de brise nas aberturas contribuiu para redução no consumo de energia e emissão de CO2, mantendo as condições de conforto térmico pré-estabelecidas. 59 4.6. Avaliação do desempenho térmico e ambiental das envoltórias através de simulação computacional Todas as simulações são feitas considerando o clima de Belo Horizonte, sendo utilizado o arquivo climático “BRA_BELO HORIZONTE_PAMPULH_TMY3-835830”, constante no banco de dados do software Design Builder. A edificação é representada graficamente, conforme dimensões de projeto e espessuras de alvenaria a serem estudadas. A implantação da edificação ao longo do terreno e orientação solar são sempre as mesmas, seguindo padrão da figura 16. As figuras 17 e 18 apresentam, respectivamente, a volumetria e as repartições internas da edificação representada no software Design Builder. Figura 16 - Implantação Projeto Destacamento Policial 60 Figura 17 – Volumetria da edificação no Design Builder Figura 18 – Representação interna da edificação no Design Builder A temperatura-padrão do chão (ground) apresentada no software é de 14ºC para todos os meses do ano. De acordo com Venâncio (2009), a manutenção deste valor pode maximizar as perdas térmicas pelo piso, sendo recomendado ajustar esses valores mensais para que as 61 possibilidades de erro sejam reduzidas. Caso não haja disponibilidade de dados de temperatura do chão, recomenda-se adotar as médias de temperaturas do ar mensais. Dessa maneira, as temperaturas do chão adotadas nas simulações são as temperaturas médias do ar, verificadas em cada mês, retiradas do software Design Builder, a partir do arquivo climático do local em estudo, conforme tabela 10. Tabela 10 - Temperatura estimada de piso Temperatura Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 24,05 24,36 24,34 22,82 20,16 18,87 18,88 19,70 21,88 23,01 22,93 23,36 Estimadas para o piso (ºC) Fonte: Elaborada pela Autora Para a modelagem da ocupação da edificação, é usado um modelo (template) base para ambientes de escritório geral da biblioteca do software Design Builder e editada algumas configurações para adequação ao padrão de uso da edificação em estudo. A rotina de uso é definida com base no horário de expediente da Polícia Militar de Minas Gerais. A jornada de trabalho na Polícia Militar de Minas Gerais é regulamentada pela Resolução 4251 de 09 de maio de 2013, que prevê no seu artigo 2º que o horário de expediente administrativo às segundas, terças, quintas e sextas-feiras, será de 08:30 às 12:00 horas e de 14:00 às 18:00 horas e, às quartas-feiras, de 08:30 às 13:00 horas. A citada Resolução indica ainda, em seu artigo 7º, inciso III, alínea a, a distribuição de turnos operacionais nas 24 horas do dia, respeitando empregos de 06, 08 ou 12 horas. Assim, foram criadas rotinas diferenciadas para ocupação dos ambientes. A primeira, denominada PMMG_Plantão, prevê o uso do ambiente e equipamentos eletrônicos durante as 24 horas, sendo utilizada no ambiente Recepção/REDS. Esse ambiente é utilizado pelos policiais designados para o atendimento operacional, acompanhamento da rede rádio e registro de ocorrências. A segunda, denominada PMMG_Administração, prevê o uso do ambiente e dos equipamentos nos horários de expediente administrativo na PMMG e é utilizada para a administração e ambientes de apoio. Para o ambiente de reunião (PMMG_reunião), é considerada ocupação de 08:30 às 10horas, de segunda a sexta feira. 62 A densidade de pessoas por metro quadrado é definida para a recepção/REDS, administração e reunião, a partir da área de cada sala e da previsão do número de postos de trabalho indicados no layout do projeto. Nos demais ambientes tais como banheiros, copa e circulação, é mantida a densidade da biblioteca padrão do software, para estes espaços em tipologia de escritório. A taxa metabólica adotada é de 0,90, indicada pelo software para atividade leve em ambientes de escritório. A temperatura de setpoint para ativar o uso de condicionamento artificial para resfriamento, nos casos onde este for utilizado, é definida em 24ºC, baseado nas recomendações da NBR16401-2-2008. Conforme exposto na tabela 4 – Indicadores de conforto em ambientes com ar-condicionado, tal temperatura está dentro da zona de conforto tanto para o período de inverno quanto para o período de verão. A temperatura de setpoint para ativação da ventilação natural também é definida em 24ºC para todos os ambientes. A programação é ativada quando a temperatura do ar na zona (ambiente) for maior que a temperatura de setpoint para ventilação natural da mesma. O material constituinte do piso da edificação é definido a partir do solo, radier de concreto com 10cm de espessura, argamassa de reboco 2,5cm de espessura e piso cerâmico, 1cm de espessura. As paredes internas são consideradas em todas as simulações, em blocos com 6 furos circulares com 10cm de espessura, mais reboco de 2,5cm em cada face, totalizando 15cm de espessura. Os materiais das alvenarias externas e do sistema de cobertura variam conforme cada caso simulado, conforme descrito no item 4.5. Para as janelas, são utilizadas esquadrias de alumínio com 4cm de largura e vidro liso incolor espessura 3mm. As dimensões das aberturas seguem o projeto arquitetônico. A porcentagem de área de janela que abre é estipulada em 50%. A janela interna (guichê de atendimento) entre recepção/REDS e circulação tem vidro liso incolor 6mm, com 15% de abertura para atendimento ao público. As portas internas são tipo prancheta. Para as simulações com ventilação natural, é considerado que as portas abrem 100% de sua área, durante 50% do tempo que permanecem abertas. Para as simulações com ar condicionado é considerado o uso das portas fechadas, sendo abertas apenas 5% do tempo. 63 A iluminação requerida e a densidade de luz típica para a atividade foram mantidas conforme o template “Office_OpenOff” base para ambientes de escritório geral da biblioteca do software Design Builder. Foi considerada iluminação com luminárias para lâmpadas fluorescentes de sobrepor, 5 W/m². As rotinas de uso são definidas de maneira diferenciada, conforme é observado em edificações similares na PMMG: Administração: segunda à sexta-feira entre 08:30 e 18:00 Recepção/REDS e circulação: Todos os dias da semana, 24 horas Reunião: segunda à sexta-feira entre 08:30 e 10:00 Demais ambientes de apoio: Todos os dias da semana entre 18:00 e 07:00, 15%. As definições quanto ao sistema de ventilação natural ou condicionamento artificial são feitas conforme duas situações de simulação. Para as simulações com ventilação natural é considerado que as janelas permanecerão totalmente abertas de 08:30 às 18horas, de segunda a sexta feira, em todos os ambientes, com exceção da recepção/REDS (plantão). Neste último, a rotina é modificada, sendo considerado que as janelas permanecerão totalmente abertas de 08:00 horas às 21:00horas, 75% até 24:00 horas, 50% até 08:00 do dia seguinte. Esta rotina é aplicada inclusive para os finais de semana. As taxas de renovação do ar utilizadas são àquelas calculadas pelo programa. Para as simulações com ar-condicionado, é considerado o uso de aparelhos do tipo split nos ambientes da administração e recepção/REDS, conforme configurações da biblioteca do software Design Builder, apresentadas no anexo I. Nos demais ambientes é mantida a ventilação natural, conforme rotina já estabelecida nas simulações com ventilação natural. A rotina de uso do ar-condicionado na sala da administração é de 08:30 horas às 18 horas, de segunda a sexta feira. A rotina de uso do ar-condicionado na sala da recepção/REDS é considerada 24 horas, todos os dias da semana. Não é considerado sistema de aquecimento e ventilação mecânica para a edificação. 64 4.7. Análise dos resultados esperados A análise é elaborada a partir dos seguintes resultados provenientes das simulações: Temperatura interna do ar (ºC) Umidade relativa do ar (%) Produção de CO2 (kg) Consumo de energia (kWh) São feitas simulações horárias para todo o ano climático de referência. Os períodos simulados correspondem às horas de ocupação da edificação. São analisados os seguintes resultados: Para as simulações onde for considerado uso de ventilação natural em todos os ambientes: Porcentagem mensal do número de horas de desconforto nos ambientes denominados administração e recepção/REDS, durante o período em que cada ambiente é utilizado, conforme parâmetros estipulados em 4.3. Esses ambientes foram escolhidos pelo fato de serem ambientes administrativos de permanência prolongada, onde é usual suprir as horas de desconforto com o uso de condicionamento artificial. Além disso, o estudo dos dois ambientes foi considerado, em virtude da diferença no horário de expediente em cada um (Recepção/REDS – 24 horas; Administração – 08h30m – 18h00m). Para as simulações onde for considerado uso de ar-condicionado nos ambientes em estudo: Emissão anual de CO2 em kg e consumo anual de energia em kWh, relativos ao uso de ar-condicionado nos dois ambientes em estudo. 65 5. RESULTADOS OBTIDOS Neste capitulo são apresentados os resultados da análise da influência dos materiais da envoltória da edificação, com base nas diretrizes delineadas na metodologia. 5.1. Cálculo de propriedades térmicas Conforme exposto anteriormente, fez-se necessário calcular, inicialmente, o valor das propriedades térmicas dos conjuntos de alvenaria que adotam blocos de concreto autoclavado, para as três espessuras estudadas. O resultado do cálculo das propriedades térmicas de cada conjunto de alvenarias é apresentado nas tabelas 11 e 12. Tabela 11 - Resultados de transmitância térmica dos blocos de concreto celular autoclavado Dimensão do Bloco (cm) Seção A - Seção B - (reboco + argamassa (reboco + bloco + + reboco) reboco) Resistência Resistência Transm térmica da térmica itância parede total térmica (m²K)/W (m²K)/W (W/m2. K) Área Resistência Área Resistência (m²) (m²K)/W (m²) (m²K)/W 10x30x60 0,0091 0,1304 0,18 0,6317 0,533 0,703 1,42 15x30x60 0,0091 0,1739 0,18 0,9258 0,766 0,936 1,07 20x30x60 0,0091 0,2174 0,18 1,2199 0,998 1,168 0,86 66 Tabela 12 - Resultados de capacidade térmica, atraso térmico e fator solar de blocos de concreto celular autoclavado Dimensão do Bloco Capacidade Térmica (cm) [kJ/(m².K)] Atraso Térmico (h) Fator Solar (%) 10x30x60 153,698 4,885 1,138 15x30x60 179,869 6,554 0,854 20x30x60 205,946 8,198 0,685 Do exposto, pode-se resumir que os casos estudados com utilização de bloco de concreto celular autoclavado terão as alvenarias externas compostas das seguintes formas: Tabela 13 - Resultados de composição de materiais para alvenarias externas – Casos BCA15_FC_VN, BCA20_FC_VN, BCA25_FC_VN, BCA15_FC_AC, BCA20_FC_AC e BCA25_FC_AC Caso Descrição U ϕ [Horas] [W/(m².K)] BCA15_ FC_VN Parede de blocos de concreto autoclavado, 1,42 assentados na menor dimensão e Dimensões do bloco: 10x30,0x60,0 cm BCA15_ FC_AC Espessura de argamassa. de assentamento: 1,0 cm Fator Solar - FSo % 4,885 1,138 6,554 0,854 Espessura da argamassa de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 15 cm BCA20_ FC_VN Parede de blocos de concreto autoclavado, 1,07 assentados na menor dimensão e Dimensões do bloco: 15x30,0x60,0 cm BCA20_ FC_AC Espessura de argam. de assentamento: 1,0 cm Espessura da argamassa de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 20,0 cm 67 Caso U ϕ [Horas] [W/(m².K)] Descrição BCA25_ FC_VN Parede de blocos de concreto autoclavado, 0,86 assentados na menor dimensão e Dimensões do bloco: 20x30,0x60,0 cm BCA25_ FC_AC Espessura de argam. de assentamento: 1,0 cm 8,198 Fator Solar - FSo % 0,685 Espessura da argamassa de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 25,0 cm Em breve análise, verifica-se que em todas as dimensões estudadas, considerando-se a pintura externa na cor branca, as paredes em bloco de concreto celular autoclavado, não podem ser consideradas paredes leves refletoras, uma vez que os atrasos térmicos são superiores a 4,3 horas. No que tange à cobertura, os cálculos das propriedades térmicas da solução adotada com uso de telha termoacústica são resumidas na tabela 14. Tabela 14 - Resultados de Composição de materiais para cobertura – Casos BCXXX_TA_VN e BCXXX_TA_AC Sigla TA 5.2. Descrição U ϕ [Horas] [W/(m².K)] Cobertura de telha termoacústica composta por 0,57 espuma rígida de poliuretano com espessura de 30 mm, revestida, na face superior e inferior por telhas de aço pré-pintadas, com 0,5 mm de espessura, com laje de concreto de 20 cm. 17,200 Fator Solar - FSo % 0,456 Conforto térmico nos ambientes O conforto térmico foi avaliado nos ambientes Recepção/REDS e Administração. Esses ambientes foram escolhidos pelo fato de serem ambientes administrativos de permanência prolongada, onde é usual suprir as horas de desconforto com o uso de condicionamento 68 artificial. Além disso, o estudo dos dois ambientes foi considerado, em virtude da diferença no horário de expediente em cada um (Recepção/REDS – 24 horas; Administração – 08h30m – 18h00m). Para as simulações onde foi considerado o uso de ventilação natural em todos os ambientes, foi calculado o percentual de horas de desconforto para cada um dos ambientes administrativos em estudo. Foram consideradas, no cálculo desse percentual, apenas as horas em que cada ambiente é ocupado (recepção/reds, 24 horas todos os dias e administração, 08:30 às 18:00 horas, de segunda a sexta). As horas em que a temperatura interna, em cada ambiente, ficou entre 20ºC e 29ºC no verão e entre 18ºC e 27ºC no inverno. As horas fora desta zona de conforto foram consideradas como horas de desconforto. Salienta-se que conforme exposto na metodologia, os meses de maio a agosto foram considerados meses de inverno. Os demais meses foram considerados meses de verão. No gráfico 1 apresenta-se o percentual de horas de desconforto no ambiente Recepção/REDS, em cada mês, quando do uso dos blocos cerâmicos com espessuras de 10 cm, 15 cm e 20 cm. Salienta-se que atualmente as obras da Polícia Militar de Minas Gerais são construídas conforme é definido o caso base de estudo, ou seja, a espessura do bloco utilizado é de 15cm (espessura total da parede 20cm). O caso base foi representado em vermelho, buscando destacá-lo na comparação com os demais casos. Optou-se pela disposição dos casos, no gráfico, em ordem crescente de espessura dos blocos em estudo. Devido a esta definição, o caso base (BCE20_FC_VN) foi representado entre os casos BCE15_FC_VN e BCE25_FC_VN. A coluna descrita como total, representa o percentual de horas de desconforto durante todo o ano. 69 70,00 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total BCE15_FC_VN (%) 35,40 47,02 58,33 38,47 30,91 17,50 20,03 28,63 20,97 27,55 20,00 28,09 31,02 BCE20_FC_VN (%) 37,42 52,38 62,37 43,06 34,01 18,19 21,24 30,38 21,67 29,44 21,81 30,24 33,44 BCE25_FC_VN (%) 38,90 54,61 63,98 45,42 35,22 18,47 21,24 31,18 22,22 31,05 22,92 32,53 34,73 Gráfico 1 - Percentual de horas de desconforto/mês no ambiente Recepção – REDS – Casos base (BCE20_FC_VN), BCE15_FC_VN e BCE25_FC_VN. A tabela 15 apresenta a média das temperaturas avaliadas em cada mês no ambiente Recepção/REDS e o desvio padrão (σ) da amostra, para os três casos analisados. Tabela 15 - Média das temperaturas e desvio padrão dos dados avaliados a cada mês no ambiente Recepção - REDS – Casos BCE15_FC_VN, BCE20_FC_VN (caso base) e BCE25_FC_VN. Caso Est Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez BCE15_FC Média 28,51 29,08 29,43 28,54 26,21 25,37 25,34 25,96 27,41 27,96 27,72 28,29 _VN σ 1,73 1,40 1,60 1,52 1,60 1,63 1,77 1,87 1,94 1,81 1,51 1,52 BCE20_FC Média 28,64 29,21 29,57 28,68 26,35 25,51 25,48 26,11 27,55 28,09 27,86 28,42 base) σ 1,71 1,36 1,57 1,47 1,55 1,57 1,71 1,81 1,87 1,76 1,46 1,49 BCE25_FC Média 28,74 29,28 29,68 28,76 26,44 25,59 25,53 26,19 27,63 28,19 27,95 28,51 _VN σ 1,68 1,34 1,54 1,44 1,52 1,53 1,66 1,77 1,83 1,72 1,43 1,47 _VN (caso No gráfico 2 apresenta-se o percentual de horas de desconforto no ambiente Administração, em cada mês, quando do uso dos blocos cerâmicos com espessuras de 10 cm, 15 cm e 20cm. 70 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total BCE15_FC_VN (%) 40,00 48,00 54,29 42,27 36,09 21,50 25,65 33,64 28,57 29,13 21,43 25,00 33,75 BCE20_FC_VN (%) 41,30 49,50 55,24 42,73 37,39 21,50 25,65 35,45 28,10 30,00 21,90 25,91 34,52 BCE25_FC_VN (%) 41,74 50,00 56,19 42,73 37,83 21,50 25,65 35,45 29,05 31,30 21,90 25,45 34,87 Gráfico 2 - Percentual de horas de desconforto/mês no ambiente Administração – Casos base (BCE20_FC_VN), BCE15_FC_VN e BCE25_FC_VN. A tabela 16 apresenta a média das temperaturas avaliadas em cada mês no ambiente Administração e o desvio padrão (σ) da amostra, para os três casos analisados. Tabela 16 - Média das temperaturas e desvio padrão dos dados avaliados a cada mês no ambiente Administração – Casos BCE15_FC_VN, BCE20_FC_VN (caso base) e BCE25_FC_VN. Caso Est Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez BCE15_FC Média 28,33 28,94 29,30 28,55 26,34 25,69 25,56 26,27 27,72 28,02 27,53 27,97 _VN σ 2,14 1,69 1,92 1,59 1,63 1,66 1,78 2,00 2,07 1,97 1,79 1,76 BCE20_FC Média 28,41 29,03 29,38 28,63 26,40 25,74 25,62 26,33 27,79 28,11 27,63 28,06 base) σ 2,12 1,65 1,88 1,54 1,58 1,60 1,74 1,95 2,01 1,92 1,75 1,73 BCE25_FC Média 28,47 29,07 29,45 28,66 26,45 25,78 25,64 26,37 28,83 28,16 27,68 28,12 _VN σ 2,09 1,62 1,86 1,50 1,54 1,54 1,69 1,91 1,96 1,87 1,71 1,71 _VN (caso 71 Pela análise das simulações, verifica-se que o caso BCE15_FC_VN (Parede de tijolos de 6 furos circulares 10,0x15,0x20,0cm, assentados na menor dimensão) apresenta um menor percentual de horas de desconforto para ambos os ambientes. Essa configuração apresenta o maior valor de transmitância, entre as três configurações analisadas. Não menos importante, o atraso térmico é o menor entre as três configurações de parede. Destaca-se que os valores de Transmitância, Atraso Témico e Fator Solar da configuração de parede adotada para o caso BCE15_FC_VN são os únicos que atendem aos valores estabelecidos para classificação como parede leve refletora, na Tabela C.2 da NBR 15.220/3 (ABNT, 2005). Mesmo assim, verifica-se alta porcentagem de horas de desconforto nos ambientes em estudo. A carga térmica interna da edificação pode ser considerada grande contribuidora para tal acontecimento. Verifica-se que os indices de desconforto no ambiente Recepção – REDS é menor do que no ambiente Administração. A análise dos valores de desconforto em cada hora permite concluir que tal aspecto se dá devido ao conforto vivenciado no período noturno. Verifica-se também, que a média das temperaturas é menor no caso BCE15_FC_VN. O aumento da massa térmica implicou em uma menor dispersão dos dados, contudo, pelo fato da média ser mais alta, verifica-se um indice maior de desconforto. A avaliação, no presente estudo, estende-se à possibilidade de aplicação de blocos de concreto celular autoclavado nas alvenarias extenas. Nesse sentido, o gráfico 3 apresenta o percentual de horas de desconforto no ambiente Recepção/REDS, em cada mês, quando do uso dos blocos de concreto celular autoclavado, com espessuras de 10 cm, 15 cm e 20 cm. 72 80,00 70,00 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total BCA15_FC_VN (%) 44,55 60,57 66,80 51,11 39,78 22,22 24,33 34,54 25,14 34,54 26,53 38,17 38,93 BCA20_FC_VN (%) 49,80 63,99 69,49 55,97 44,35 24,44 25,27 37,23 27,64 36,96 30,42 42,74 42,27 BCA25_FC_VN (%) 52,76 65,33 70,16 56,94 46,37 24,86 25,81 37,37 27,92 37,77 31,25 43,82 43,27 Gráfico 3 - Percentual de horas de desconforto/mês no ambiente Recepção – REDS – Casos BCA15_FC_VN, BCA20_FC_VN e BCA25_FC_VN A tabela 17 apresenta a média das temperaturas avaliadas em cada mês no ambiente Recepção - REDS e o desvio padrão (σ) da amostra, para os três casos com paredes externas compostas por blocos de concreto autoclavado. Tabela 17 - Média das temperaturas e desvio padrão dos dados avaliados a cada mês no ambiente Recepção - REDS – Casos BCA15_FC_VN, Casos BCA20_FC_VN e BCA25_FC_VN. Caso Est Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez BCA15_FC Média 28,93 29,48 29,85 28,98 26,65 25,81 25,76 26,41 27,86 28,39 28,16 28,71 _VN σ 1,71 1,35 1,55 1,45 1,55 1,56 1,71 1,79 1,85 1,73 1,43 1,46 BCA20_FC Média 29,09 29,64 30,02 29,16 26,82 25,99 25,94 26,59 28,03 28,56 28,32 28,87 _VN σ 1,70 1,33 1,53 1,42 1,50 1,52 1,67 1,75 1,81 1,69 1,40 1,44 BCA25_FC Média 29,15 29,69 30,10 29,20 26,88 26,04 25,97 26,64 28,08 28,62 28,37 28,93 _VN σ 1,67 1,32 1,52 1,40 1,49 1,51 1,65 1,74 1,79 1,67 1,38 1,43 Na mesma linha, o gráfico 4 apresenta o percentual de horas de desconforto no ambiente Administração, em cada mês, quando do uso dos blocos de concreto celular autoclavado com espessuras de 10 cm, 15 cm e 20cm. 73 70,00 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total BCA15_FC_VN (%) 44,35 54,50 61,43 51,36 41,30 25,00 31,30 40,91 31,90 34,78 27,14 27,27 39,23 BCA20_FC_VN (%) 46,52 58,00 65,24 54,55 44,35 27,00 31,30 43,18 34,29 36,52 30,48 30,00 41,72 BCA25_FC_VN (%) 46,52 58,50 67,14 56,36 46,09 27,00 31,74 43,64 34,76 37,83 30,48 30,45 42,49 Gráfico 4 - Percentual de horas de desconforto/mês no ambiente Administração – Casos BCA15_FC_VN, BCA20_FC_VN e BCA25_FC_VN Tal como delineado anteriormente, a tabela 18 apresenta a média das temperaturas avaliadas em cada mês no ambiente Administração e o desvio padrão (σ) da amostra, para os três casos com paredes externas compostas por blocos de concreto autoclavado. Tabela 18 - Média das temperaturas e desvio padrão dos dados avaliados a cada mês no ambiente Administração – Casos BCA15_FC_VN, Casos BCA20_FC_VN e BCA25_FC_VN. Caso Est BCA15_FC Média _VN σ BCA20_FC Média _VN σ BCA25_FC Média _VN σ Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 28,66 29,28 29,62 28,86 26,64 25,97 25,84 26,58 28,05 28,37 27,89 28,31 2,13 1,65 1,88 1,53 1,57 1,59 1,75 1,94 1,99 1,90 1,74 1,72 28,78 29,41 29,75 28,99 26,76 26,09 25,95 26,71 28,18 28,50 28,03 28,44 2,12 1,62 1,85 1,49 1,52 1,54 1,71 1,89 1,94 1,86 1,70 1,70 28,82 29,43 29,81 29,02 26,80 26,13 25,98 26,75 28,21 28,54 28,04 28,47 2,09 1,61 1,84 1,47 1,50 1,51 1,68 1,87 1,91 1,83 1,68 1,69 O percentual de horas de desconforto, em ambos ambientes é maior do que os verificados quando do uso de blocos cerâmicos. 74 Assim, como observado nos blocos cerâmicos, o aumento da espessura implicou no aumento das temperaturas médias e na redução da dispersão, nos dois ambientes analisados. Nota-se que os valores de transmitância térmica das configurações de paredes elaboradas com blocos de concreto celular autoclavado são menores do que os valores dos blocos cerâmicos. Em outra análise, os valores do atraso térmico para essas configurações são consideravelmente maiores do que os valores verificados nas configurações que adotam os blocos cerâmicos, observadas as espessuras de cada dimensão. Para facilitar essa visualização, a tabela 19 condensa esses dados, apresentados anteriormente neste trabalho. Tabela 19 - Transmitância e Atraso Térmico das paredes externas dos Casos base (BCE20_FC_VN), BCE15_FC_VN, BCE25_FC_VN, BCA15_FC_VN, BCA20_FC_VN e BCA25_FC_VN. Caso CASO BASE BCE20_FC_VN Descrição U [W/(m².K)] Parede de tijolos de 6 furos circulares, assentados 1,92 na dimensão intermediária ϕ [Horas] 4,8 Dimensões do tijolo: 10,0x15,0x20,0 cm Espessura de argam. de assentamento: 1,0 cm Espessura da argamassa de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 20,0 cm BCE15_FC_VN Parede de tijolos de 6 furos circulares, assentados 2,28 na menor dimensão 3,7 Dimensões do tijolo: 10,0x15,0x20,0 cm Espessura de argam. de assentamento: 1,0 cm Espessura da argamassa de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 15,0 cm BCE25_FC_VN Parede de tijolos de 8 furos circulares, assentados 1,61 na dimensão intermediária 5,9 Dimensões do tijolo: 10,0x20,0x30,0 cm Espessura de argam. de assentamento: 1,0 cm Espessura da argamassa de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 25,0 cm BCA15_FC_VN Parede de blocos de concreto autoclavado, 1,42 assentados na menor dimensão 4,885 75 Caso Descrição U [W/(m².K)] ϕ [Horas] Dimensões do bloco: 10x30,0x60,0 cm Espessura de argam. de assentamento: 1,0 cm Espessura da argamassa de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 15 cm BCA20_FC_VN Parede de blocos de concreto autoclavado, 1,07 assentados na menor dimensão 6,554 Dimensões do bloco: 15x30,0x60,0 cm Espessura de argam. de assentamento: 1,0 cm Espessura da argamassa de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 20,0 cm BCA25_FC_VN Parede de blocos de concreto autoclavado, 0,86 assentados na menor dimensão 8,198 Dimensões do bloco: 20x30,0x60,0 cm Espessura de argam. de assentamento: 1,0 cm Espessura da argamassa de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 25,0 cm O comportamento dos casos simulados indica que o aumento da transmitância térmica das paredes facilita a dissipação dos ganhos internos para o ambiente externo, implicando na redução do percentual de horas de desconforto. Da mesma forma, verifica-se que o atraso térmico de todas as configurações de parede que utilizaram blocos de concreto celular autoclavado é maior do que o valor delineado na NBR 15220.3 (ABNT, 2005) na definição de paredes leves refletoras. Tal como demonstrado em CHVATAL et al. (2007), verificou-se que o aumento da resistência térmica e por consequência do isolamento, dificultou a dissipação de ganhos internos para o ambiente externo, ocasionando maior percentual de horas de desconforto. A alteração da transmitância e do atraso térmico das paredes externas não foi suficiente para que a edificação estudada apresentasse bom desempenho térmico e conforto, sendo necessária a adoção de outras estratégias para sua melhoria. Assim, deu-se a alteração da cobertura e a inclusão de elementos de proteção solar no caso simulado que apresentou menor índice de desconforto. 76 Verifica-se que entre as seis configurações de paredes avaliadas, a única que atende aos requisitos delimitados na norma para o tipo de parede adequado para a Zona Bioclimática 03, na qual se encontra Belo Horizonte, é a do caso BCE15_FC_VN. Faz-se necessário destacar que esse caso foi o que apresentou o menor percentual de horas de desconforto, perante todos os casos avaliados, configurando-o como base para as avaliações decorrentes da modificação da cobertura e para a instalação dos elementos de proteção solar, conforme delineado na metodologia. Assim, nos gráficos 5 e 6 apresenta-se a comparação do percentual de horas de desconforto térmico de 3 casos, para os dois ambientes em estudo: Caso BCE15_FC_VN: Considerada a situação que apresentou menor percentual de horas de desconforto dentre as opções de blocos de vedação utilizados. Caso BCXXX_TA_VN: A partir da melhor situação de desempenho térmico dentre os blocos (caso BCE15_FC_VN), foi substituído o tipo de cobertura, para telha termoacústica, conforme descrito na metodologia. Esse caso passará a chamar BCE15_TA_VN, uma vez que foi verificado que a parede de 15 possui menor índice de desconforto térmico. A sigla apresenta a composição dos materiais adotados na simulação, permitindo uma melhor compreensão nas análises vindouras. Caso BCXXX_XX_VN_B: A partir da melhor situação entre os casos BCE15_FC_VN e BCXXX_TA_VN, foi feita a inserção de elemento sombreador (brises) nas janelas, conforme descrito na metodologia. Esse caso passará a chamar BCE15_TA_VN, uma vez que foi verificado que a parede de 15 possui menor consumo de energia e emissão de CO2, quando aliado à solução de cobertura com uso de telha termoacústica. A sigla apresenta a composição dos materiais adotados na simulação, permitindo uma melhor compreensão nas próximas análises. 77 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 BCE15_FC_VN (%) Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total 35,40 47,02 58,33 38,47 30,91 17,50 20,03 28,63 20,97 27,55 20,00 28,09 31,02 BCE15_TA_VN (%) 31,90 43,60 55,24 41,25 37,77 23,75 24,73 31,99 20,00 24,46 15,97 24,33 31,21 BCE15_TA_VN_B (%) 29,21 40,63 48,39 25,28 18,41 8,33 9,54 16,67 14,58 21,77 13,89 21,51 22,27 Gráfico 5 - Percentual de horas de desconforto/mês no ambiente Recepção – REDS – Casos BCE15_FC_VN, BCE15_TA_VN e BCE15_TA_VN_B 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 BCE15_FC_VN (%) Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total 40,00 48,00 54,29 42,27 36,09 21,50 25,65 33,64 28,57 29,13 21,43 25,00 33,75 BCE15_TA_VN (%) 36,52 45,00 50,95 44,09 44,78 32,50 33,04 41,82 25,24 25,65 14,76 21,36 34,64 BCE15_TA_VN_B (%) 33,91 43,00 44,76 25,45 21,74 8,50 6,96 20,00 19,52 23,91 14,29 20,45 23,45 Gráfico 6 - Percentual de Horas de desconforto/mês no ambiente Administração – Casos BCE15_FC_VN, BCE15_TA_VN e BCE15_TA_VN_B 78 Foram elaboradas ainda, as tabelas 20 e 21 com os valores das médias de temperaturas e dos desvios padrão da configuração com menor índice de desconforto, inicialmente avaliado, e com as alterações da cobertura e inclusão do elemento sombreador (brise). Tabela 20 - Média das temperaturas e desvio padrão dos dados avaliados a cada mês no ambiente Recepção – REDS – Casos BCE15_FC_VN, BCE15_TA_VN e BCE15_TA_VN_B Caso Est Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez BCE15_FC Média 28,51 29,08 29,43 28,54 26,21 25,37 25,34 25,96 27,41 27,96 27,72 28,29 _VN σ 1,73 1,40 1,60 1,52 1,60 1,63 1,77 1,87 1,94 1,81 1,51 1,52 BCE15_T Média 28,42 28,95 29,35 28,67 26,58 25,85 25,79 26,25 27,48 27,89 27,63 28,14 A_VN σ 1,54 1,30 1,48 1,45 1,56 1,61 1,73 1,76 1,82 1,67 1,35 1,35 BCE15_T Média 28,29 28,85 29,09 28,10 25,76 24,91 24,84 25,44 27,04 27,72 27,51 28,02 A_VN_B σ 1,54 1,29 1,40 1,39 1,38 1,36 1,43 1,58 1,73 1,63 1,34 1,36 Tabela 21 - Média das temperaturas e desvio padrão dos dados avaliados a cada mês no ambiente - Administração – Casos BCE15_FC_VN, BCE15_TA_VN e BCE15_TA_VN_B Caso Est Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez BCE15_FC Média 28,33 28,94 29,30 28,55 26,34 25,69 25,56 26,27 27,72 28,02 27,53 27,97 _VN σ 2,14 1,69 1,92 1,59 1,63 1,66 1,78 2,00 2,07 1,97 1,79 1,76 BCE15_T Média 28,17 28,76 29,18 28,66 26,73 26,22 26,02 26,56 27,70 27,85 27,33 27,76 A_VN σ 1,90 1,53 1,75 1,47 1,53 1,59 1,72 1,84 1,91 1,82 1,62 1,56 BCE15_T Média 28,03 28,64 28,91 28,05 25,77 25,10 24,95 25,60 27,25 27,68 27,20 27,61 A_VN_B σ 1,91 1,53 1,70 1,48 1,46 1,46 1,54 1,76 1,85 1,79 1,61 1,57 O percentual de horas de desconforto aumenta com a alteração da cobertura nos meses mais frios, contudo, a temperatura média nos meses mais quentes é menor quando da simulação com a nova solução de cobertura. O uso da telha termoacústica, no lugar da telha de fibrocimento, proporcionou uma redução significativa da transmitância térmica da cobertura. Entretanto, a nova configuração de cobertura aumentou significativamente o valor do atraso térmico. Para facilitar essa visualização, a tabela 22 condensa esses dados, apresentados 79 anteriormente neste trabalho. É importante ressaltar que todas as horas de desconforto do presente estudo acontecem devido ao calor. Não foi registrado desconforto devido ao frio. Tabela 22 - Transmitância e Atraso Térmico das coberturas externas dos casos BCE15_FC_VN e BCE15_TA_VN. Caso BCE15_FC_VN Descrição ϕ [Horas] U [W/(m².K)] Cobertura de telha de fibrocimento com laje de 1,99 concreto de 20 cm. Espessura da telha: 0,7cm BCE15_TA_VN Cobertura de telha termoacústica composta por 0,57 espuma rígida de poliuretano com espessura de 30 mm, revestida, na face superior e inferior por telhas de aço pré-pintadas, com 0,5 mm de espessura, com laje de concreto de 20 cm. 7,9 17,200 Ambas as coberturas são classificadas como pesadas, com base na NBR 15220.3 (ABNT, 2005), não sendo tipos de vedações indicadas para o uso na zona bioclimática 03. Destaca-se, no entanto que a inclusão dos elementos de proteção solar possibilitou a redução média das horas de desconforto na taxa aproximada de 10,30%. Esse valor é acentuado nos meses mais frios do ano (maio – setembro). O controle do ganho solar, através de elementos de proteção solar, mostra-se como um dos fatores primordiais para se atingir uma edificação mais confortável termicamente e consequentemente com maior eficiência energética. Quando os ganhos solares não são controlados a edificação tem uma tendência a se tornar mais desconfortável. Comparando-se o percentual de horas de desconforto entre o caso base, sistema construtivo previsto inicialmente para a construção da edificação e o caso BCE15_TA_VN_B, edificação com soluções, de envoltória, mais adequadas para a cidade de Belo Horizonte, verifica-se que neste último, o percentual de desconforto é 11,17% menor no ambiente ocupado 24 horas e 11,07% menor no ambiente ocupado somente no horário administrativo, conforme demonstra a tabela 23. 80 Tabela 23 - Percentual de horas de desconforto BCE20_FC_VN e BCE15_TA_VN_B Caso BCE20_FC_VN (CASO BASE) Percentual de horas de desconforto – Média anual Ambiente Recepção – REDS 33,44% Administração 34,52% BCE15_TA_VN_B Recepção – REDS 22,27% Administração 5.3. 23,45% Emissão de CO2 Até o presente momento, foram adotadas soluções passivas, testando diferentes materiais, com o objetivo de melhorar o conforto nos ambientes. Embora tenha sido verificada melhoria, a porcentagem do número de horas de desconforto ainda não é ideal. A melhoria do conforto térmico nos ambientes estudados pode ser alcançada através do uso de aparelhos de ar-condicionado. Entretanto, o consumo de energia desses aparelhos tem como reflexo a emissão de CO2 durante a geração. No presente trabalho, o consumo de energia e consequente emissão de CO2 é proporcional ao nível de desconforto atinente a cada solução construtiva estudada como pode ser verificado no gráfico 7. BCE15_FC_A BCE20_FC_A BCE25_FC_A BCA15_FC_A BCA20_FC_A BCA25_FC_A BCE15_TA_A BCE15_TA_A C C C C C C C C_B Emissão CO2 (kg/ano) 1425,81 1465,59 1496,92 1515,74 1543,83 1572,1 1409,41 Gráfico 7 - Emissão de CO2 no ano devido ao uso de aparelhos condicionadores de ar 1290,25 81 A redução obtida com as alterações na envoltória, em relação ao caso base + ar condicionado (BCE20_FC_AC), totalizou 175,34 kg de carbono no ano, considerando-se a utilização de ar condicionado em apenas duas salas da edificação estudada. Esse valor representa 11,96 % da quantidade de carbono emitido pelos aparelhos de ar-condicionado que seriam utilizados para atingir o conforto térmico necessário no caso base. Não menos importante, a adoção da parede leve e refletora (elaborada com tijolos cerâmicos de 10x20x30, assentados na menor dimensão) possibilita a redução de 39,78 kg, quando comparada com a edificação estudada no caso base. Destaca-se ainda que as simulações realizadas com o uso do bloco de concreto celular autoclavado apresentaram maior emissão de CO2 devido ao uso de aparelhos de arcondicionado. Tal situação vai ao encontro da quantidade de horas de desconforto verificadas quando da simulação das edificações sem o resfriamento mecânico. Outro aspecto que deve ser observado é que o caso BCE15_TA_AC (edificação concebida com alvenaria de 15 cm acabada e cobertura com uso de telhas termo acústica) apresentou emissão de CO2 menor do que a do caso BCE15_FC_AC (edificação concebida com alvenaria de 15 cm acabada e cobertura com uso de telhas de fibrocimento). Esse aspecto não é condizente com as horas de desconforto avaliadas nas edificações simuladas com as mesmas configurações, sem o resfriamento mecânico (caso BCE15_TA_VN e caso BCE15_FC_VN, respectivamente). Pela análise das temperaturas verificadas a cada hora, nos dois ambientes analisados, observase que as temperaturas máximas no caso BCE15_FC_VN são superiores às temperaturas máximas no caso BCE15_TA_VN, para os dois ambientes. Tal situação pode ter implicado na menor utilização dos aparelhos condicionadores de ar para atingir a temperatura de conforto. Estudar as diferenças de temperatura nos ambientes é um ponto para estudo em trabalhos futuros. Verifica-se que a mesma hora de desconforto pode ter implicações diferentes em termos de consumo de energia. 5.4. Consumo de energia O consumo de energia anual dos aparelhos condicionadores de ar pode ser verificado no gráfico 8. 82 2300 2200 2100 2000 1900 1800 1700 1600 1500 BCE15_F C_AC Consumo de Energia Anual (kW) 2072,29 BCE20_F C_AC 2129,73 BCE25_F C_AC 2147,28 BCA15_F C_AC 2202,9 BCA20_F C_AC 2244,93 BCA25_F C_AC 2257,12 BCE15_T A_AC 2047,91 BCE15_T A_AC_B 1874,65 Gráfico 8 - Consumo de energia devido ao uso de aparelhos de ar condicionado. Anual O caso BCE15_FC_AC apresentou o menor consumo de energia enquanto manteve-se a solução de cobertura adotada no caso base (telha de fibrocimento e laje em concreto). Essa situação era esperada, haja vista que esse caso apresentou o menor percentual de horas de desconforto e é o único que adota alvenarias externas com as características externas indicadas na norma para a Zona Bioclimática 03. Não menos importante, as paredes do caso BCE15_FC_AC possuem o maior valor de transmitância térmica entre os modelos analisados. O aumento dessa propriedade facilita a dissipação dos ganhos internos para o ambiente externo, reduzindo o consumo de energia do sistema de condicionamento de ar. Em contrapartida, a redução da transmitância térmica da cobertura implica na redução do consumo de energia decorrente do uso de aparelhos condicionadores de ar. Embora o percentual de desconforto total tenha sido maior quando da modificação da cobertura, com a substituição da telha de fibrocimento pela telha termoacústica, a análise das temperaturas verificadas a cada hora nos ambientes da Administração e Recepção/REDS, indica que os picos de temperatura são maiores, nos meses quentes, quando do uso da telha de fibrocimento. Tal situação deve ter implicado na necessidade de uso do aparelho condicionador de ar por mais tempo, implicando em maior consumo de energia e emissão de CO2 no caso BCE15_FC_AC do que no caso BCE15_TA_AC. Essa informação é apresentada nos gráficos 09 e 10. 83 33,50 33,00 32,50 32,00 31,50 31,00 30,50 30,00 29,50 29,00 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez BCE15_FC_VN 33,45 32,90 32,89 31,53 29,87 29,27 29,06 30,83 32,62 32,36 31,02 32,73 BCE15_TA_VN 32,52 32,26 32,40 31,35 30,09 29,61 29,43 30,60 32,23 31,60 30,35 31,83 Gráfico 9 - Temperaturas máximas verificadas no ambiente Administração - ºC - BCE15_FC_VN e BCE15_TA_VN 34,00 33,50 33,00 32,50 32,00 31,50 31,00 30,50 30,00 29,50 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez BCE10_FC_VN 33,81 33,29 33,35 32,02 30,62 30,39 29,98 31,56 33,19 32,77 31,39 33,20 BCE10_TA_VN 33,16 32,88 33,07 32,02 30,93 30,83 30,33 31,48 32,96 32,30 30,96 32,61 Gráfico 10 - Temperaturas máximas verificadas no ambiente Recepção/REDS - ºC - BCE15_FC_VN e BCE15_TA_VN 84 Tal como ocorre com a emissão de CO2, o consumo de energia é reduzido com a adoção da telha termoacústica, segunda solução de cobertura e novamente quando da previsão de elementos de proteção solar. Quando comparado com o caso base (BCE20_FC_AC), o caso BCE15_TA_AC_B possibilitou a redução do consumo de 255,08 kW no ano. Esse valor representa 11,98% do total de kW consumidos durante o ano na edificação base. 85 6. CONCLUSÃO O desempenho térmico das edificações varia conforme as características dos sistemas construtivos que compõem o envelope, a carga térmica interna, o padrão de uso, as dimensões das aberturas, o fator de proteção solar das aberturas, entre outros parâmetros. A adequação desses parâmetros ao clima onde a edificação está inserida é fator primordial para se obter maior conforto térmico com menor consumo de energia. Conforme mostrado neste trabalho, o estudo de variações na especificação de materiais da envoltória e previsão de brise, ainda na fase de projeto, pode contribuir para a melhoria no desempenho térmico futuro desta edificação e consequentemente para o desempenho ambiental da mesma, devido à possível redução na emissão de CO2 como consequência do consumo de energia com ar condicionado. Não menos importante de se considerar, é a possibilidade de redução no custo financeiro com o consumo de energia na edificação. Os resultados do presente estudo veem comprovar que sistemas construtivos de baixa resistência térmica e consequentemente maiores valores de transmitância térmica, podem proporcionar mais conforto, em certas situações. Embora seja largamente difundido entre os fornecedores de materiais isolantes, arquitetos, engenheiros e até mesmo pesquisadores, que o bom desempenho térmico é sempre diretamente proporcional ao isolamento do envelope, este estudo, assim como outros já realizados, mostra que esta não é uma realidade aplicada a qualquer zona bioclimática e a qualquer tipologia arquitetônica. Nos resultados do presente estudo, quanto menores os valores de transmitância para as paredes externas, maior foi o percentual de horas de desconforto. O bloco de vedação externa com o menor valor para o atraso térmico e para a transmitância foi o que apresentou melhor desempenho térmico dentre os materiais estudados. O fato dos ambientes em estudo trocarem calor com o exterior apenas por uma parede e também por apresentarem alto valor de carga térmica interna, característica do tipo de ocupação, contribuiu para acentuar os níveis de desconforto provocados pelas transmitâncias térmicas mais baixas. A maior resistência térmica das paredes dificultou a dissipação do calor interno para o exterior. Em relação à cobertura, a utilização de telha mais isolante, com menor transmitância e atraso térmico consideravelmente superior à solução inicial, fez com que o percentual de horas de 86 desconforto também aumentasse, em relação ao caso base, principalmente nos meses mais frios. Porém, é importante notar que embora tenha aumentado o percentual de horas de desconforto, o consumo de energia, com uso de ar condicionado, necessário para manter o ambiente na temperatura de conforto estipulada foi menor do que o consumo do Caso BCE15_FC_VN. Isto se deve ao fato das temperaturas máximas horárias serem maiores no Caso BCE15_FC_VN (telha de fibrocimento). Estudar as diferenças de temperatura nos ambientes é um ponto para estudo em trabalhos futuros. Verificou-se que a mesma hora de desconforto pode ter implicações diferentes em termos de consumo de energia, devido ao quanto a temperatura está acima do limite da zona de conforto. A proteção das aberturas, através do uso de brises nas janelas, mostrou-se bastante eficiente para a melhoria do conforto térmico e consequentemente para a redução no consumo de energia. Verifica-se, entretanto, que a recomendação da NBR 15220-3 (2005), para a zona bioclimática 3, quanto à permissão de insolação nos ambientes durante o período de inverno, não se aplicou ao ambiente típico de escritório. A utilização de proteção solar nas janelas trouxe inclusive, maiores reduções nas temperaturas internas nos meses de inverno. Portanto, cabe ressaltar aqui, que as recomendações e estratégias construtivas apresentadas na Parte 3 da NBR 15220 (2005), destinam-se a habitações unifamiliares de interesse social. Embora estas recomendações tenham sido utilizadas inicialmente como parâmetros comparativos, através do presente estudo, pode-se constatar que as recomendações não podem ser generalizadas para qualquer tipologia. O fato das simulações terem sido desenvolvidas considerando uma edificação ainda em fase de projeto possibilita melhorias nesse projeto através da comparação entre os resultados dos casos obtidos das simulações. Porém, para a confirmação de valores reais de temperatura e consumo de energia, seria necessária a existência de uma edificação construída, para que fossem feitas medições in loco, com o objetivo de calibrar os resultados da edificação real com o modelo a ser simulado. Salienta-se ainda, que no presente estudo, todas as horas de desconforto foram dadas devido às temperaturas superiores ao estipulado para a zona de conforto. Em nenhuma das situações e horários estudados, a temperatura interior da edificação foi inferior a 18ºC (limite inferior da zona de conforto delimitada). A elevada carga térmica de ocupação interna e a dificuldade para sua dissipação contribuíram para as elevadas temperaturas. 87 Nota-se que embora o percentual de horas de desconforto tenha sido minimizado com algumas soluções adotadas, este valor ainda é alto, sendo importante investigar a influência de outras variáveis, relativas à concepção arquitetônica, tais como orientação solar, dimensões das aberturas, tipo de vidro das janelas, dentre outras. Ambientes de trabalho desconfortáveis termicamente influenciam diretamente no rendimento dos funcionários. Rever outras variáveis do projeto arquitetônico pode melhorar passivamente o conforto, de maneira a minimizar o uso do ar condicionado. Sugestões para trabalhos futuros: Avaliar a influência da orientação solar dos ambientes em estudo, na melhoria do conforto térmico. Avaliar a influência da resistência térmica das paredes internas na melhoria do conforto térmico. Avaliar a influência de diferentes dimensões de janelas no conforto térmico. Avaliar os parâmetros estudados considerando os demais zoneamentos bioclimáticos estipulados pela NBR 15220-3 (2005). 88 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMERICAN CONCRETE INSTITUTE. ACI 122R-02: Guide to Thermal Properties of Concrete and Masonry Systems. Reported by ACI Committee 122, Detroit, Michigan, U.S.A., 2002. ASHRAE. Handbook of Fundamentals. American Society of Heating Refrigerating and Air Conditioning Engineers. New York, USA, 2013. ______. ANSI/ASHRAE 55-2010: Thermal Environmental Conditions for Human Occupancy. Atlanta, 2010. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR15220: Desempenho Térmico de Edificações. Rio de Janeiro, 2005. ______. NBR 15575: Edificações habitacionais – Desempenho. Rio de Janeiro, 2013. ______. NBR 16401-2: Instalações de ar-condicionado – Sistemas centrais e unitários. 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