AU
TO
RA
L
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
PE
LA
LE
I
DE
DI
R
EI
TO
AVM FACULDADE INTEGRADA
Por: Eluana Carvalho da Silva
DO
CU
M
EN
TO
PR
OT
EG
ID
O
DROGAS E ORIENTAÇÃO NO ENSINO BÁSICO
Orientador: Vilson Sergio de Carvalho
Manaus
2013
2
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
AVM FACULDADE INTEGRADA
DROGAS E ORIENTAÇÃO NO ENSINO BÁSICO
Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada
– Universidade Candido Mendes como requisito parcial
para obtenção do grau de especialista em Orientação
Educacional e Pedagógica.
Por: Eluana Carvalho da Silva
3
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus pela realização deste trabalho;
A minha mãe que sempre confiou no meu sucesso e na minha força de vontade
em conquistar meus ideais;
Agradeço a minha orientadora professora Dayanne pela paciência e
compreensão nos momentos que tudo parecia está obscuro;
A minha amiga Aielk Esoj que participou direta e indiretamente para a
conclusão desta obra;
Agradeço ao Centro Educacional Frances Burnett pela ajuda na aplicação do
Projeto de Orientação quando ao uso de Drogas;
E por fim agradeço a Universidade Candido Mendes, pelo conhecimento a mim
repassado com sua equipe de excelentes professores.
4
O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um
objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo
fará coisas admiráveis.
José de Alencar
5
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a Antônia Alba Carvalho e Job Eufrasio, pessoas que sempre
estiveram ao meu lado mim ajudando e orientado nos momentos maios difíceis da
minha vida.
6
RESUMO
A escola é um ambiente onde ocorre a interação dos indivíduos em grupos desde a infância
até a vida adulta. Essa interação é importante e fundamental no desenvolvimento humano e
na construção de suas relações sociais. Todavia, os tipos de relação que ocorre no contexto
escolar são de ampla complexidade que podem refletir problemas que surgem tanto dentro
quanto fora do ambiente escolar, o qual tem que estar preparado para saber lhe dar com tais
situações. Assim, um problema de grande relevância na sociedade e que vem refletindo no
ambiente escolar é o problema das drogas, que entre muitos interferem no processo de
ensino- aprendizagem. Nesse estudo constatou-se que são vários os meios pelos quais
chegam informações sobre drogas até os alunos. No entanto, todas as atividades
desenvolvidas no decorrer desse projeto foram de cunho informativo, porém, é preciso que
o orientador educacional elabore estratégias educacionais visando permitir a interação e
reflexão. Sendo assim, as estratégias dos programas de prevenção devem abordar a
integralidade pessoal e social do adolescente.
Palavras Chaves : Orientação, Escola, Drogas.
7
METODOLOGIA
Serão realizadas pesquisas ligadas aos parâmetros curriculares nacionais,
visando à compreensão de assuntos voltados ao tema proposto. Passando esse primeiro
momento o trabalho será dividido em fase, sendo a segunda a aplicação de questionário
descritivo com 6 (seis) questões subjetivas visando entender de que forma os alunos
conhecem os possíveis riscos causados a saúde humana devido ao uso drogas, a terceira
fase tem como objetivo montar um projeto voltado para orientação da comunidade
escolar. O projeto vai contar com a participação da comunidade assim como órgãos
externos (Conselho Tutelar, Delegacia do Menor Infrator e Secretaria de Educação de
Manaus – SEMED).
Descrição das fases
 Primeira Fase
Compreender os parâmetros curriculares da Educação que tange nos temas transversais:
“O compromisso com a construção da cidadania pede necessariamente uma
prática educacional voltada para a compreensão da realidade social e dos direitos e
responsabilidades em relação à vida pessoal, coletiva e ambiental...”
Ainda no texto de apresentação dos Temas Transversais, a título de embasamento.
Destaca-se:
“A contribuição da escola, portanto, é de desenvolver um projeto de
Educação comprometida com o desenvolvimento de capacidades que permitam intervir
na realidade para transformá - la. Um projeto pedagógico com esse objetivo poderá ser
orientado por duas grandes diretrizes que são:
Posicionar - se em relação às questões sociais e interpretar a tarefa educativa
como uma intervenção na realidade no momento presente e a segunda que seria não
tratar os valores apenas como conceitos ideais incluir essa perspectiva no ensino dos
conteúdos das áreas de conhecimento escolar.
 Segunda Fase
Após compreensão dos temas transversais o objetivo é a aplicação de questionário com
6 questões subjetivas, ao total serão entrevistados 125 alunos da rede particular de
8
ensino. O objetivo principal do questionário é conhecer o contexto escolar, quanto a
problemática droga, as ações que são desenvolvidas pela instituição junto aos alunos na
prevenção do uso de drogas e também verificar se a temática está presente no currículo
da unidade escolar pesquisada obedecendo a proposta dos Parâmetros Curriculares
Nacionais para a Saúde (PCNs) de ser trabalhada como um tema transversal.
 Terceira Fase
Realização de projeto com o tema: “Diga sim a Vida e não as Drogas –
Prevenir é Legal” que irá contar com a participação da comunidade escola. Os alunos
vão assistir a palestras ministradas pelos órgãos de segurança pública e ao mesmo
tempo irão participar com a realização de peças teatrais, parodias, danças culturais,
confecção de redações, poemas e poesias, o projeto será desenvolvido no decorrer de
uma semana, será a chamada semana antidrogas.
9
LISTA DE FIGURAS
Figura1: Referente ao sexo dos alunos..................................................................................24
Figura 2: Referente a idade dos alunos .................................................................................24
Figira 3: Referente ao conhecimento sobre drogas................................................................25
Figura 4: Referente a fonte de informações...........................................................................26
Figura 5: Uso de drogas ilícitas..............................................................................................26
Figura 6: Possíveis causas que levam ao consumo de drogas...............................................27
Figura 7: Painel central do projeto feito pelo nono ano.........................................................28
Figura 8: Painéis elaborados pelos alunos..............................................................................29
Figura 9: Palestra ministrada pelo órgão de segurança publica ............................................30
10
SUMÁRIO
AGRADECIMENTOS ............................................................................................. 3
LISTA DE FIGURAS..................................................................................................... 9
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 11
CAPÍTULO I ................................................................................................................ 13
DEFINIÇÃO DE DROGAS ......................................................................................... 13
1.1 – Linha de Tempo e o Uso de Drogas no Século 10.000 a.C. até o século
XVIII. ......................................................................................................................... 14
1.2 – Substancias tida como Drogas ........................................................................ 15
1.3 – O poder de cada Droga ................................................................................... 17
CAPÍTULO II ............................................................................................................... 18
DROGAS NA ADOLESCÊNCIA TEMORES E REAÇÕES DOS PAIS ............... 18
2.1 – Leis Contra as Drogas ..................................................................................... 18
2.2 – Drogas no mundo da Globalização ................................................................ 19
2.3 – Alguns fatores que levam ao uso de Drogas .................................................. 19
CAPÍTULO III ............................................................................................................. 21
A ESCOLA E A PREVENÇÃO CONTRA O USO DE DROGAS NA
ADOLESCENCIA ........................................................................................................ 21
3.1- A escola como agente no combate as drogas ................................................... 21
3.2 – O Ser adolescente ............................................................................................. 22
3.3- Conhecimentos dos alunos referentes a drogas .............................................. 23
3.4 – Orientação Escola Quanto ao uso das Drogas com o projeto “Diga sim a
Vida e não as Drogas” .............................................................................................. 28
CAPÍTULO IIII ............................................................................................................ 31
O ORIENTADOR EDUCACIONAL E O DESAFIO DAS DROGAS NO
CONTEXTO ESCOLAR ............................................................................................. 31
4.1- O ser Orientador ............................................................................................... 31
4.2- Inicio da Orientação Educacional.................................................................... 32
4.3- Orientação sobre as Drogas e o projeto político pedagógico ......................... 32
4.4- O papel do Orientador Educacional no contexto escolar .............................. 33
CONCLUSÃO............................................................................................................... 34
BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................... 36
WEBGRAFIA ............................................................................................................... 38
ANEXO 1 ....................................................................................................................... 39
11
INTRODUÇÃO
O consumo de substâncias psicoativas é um problema crescente de saúde
pública nos países em desenvolvimento, onde a cada dia esse consumo é mais
estimulado, passando a ser um mercado firmemente estabelecido com lucros e
marketing altamente notáveis.
Entre os adolescentes é visível à busca por essas substancias. Na nossa
sociedade, infelizmente o consumo de drogas fez e faz parte da história, pois o uso dessas
substâncias psicoativas acompanha o homem há muito tempo, variando com o tempo e a
cultura, nas últimas décadas, tem-se observado o crescimento vertiginoso de quadros de
abuso e dependência química, o que constitui, hoje, problema mundial de Saúde Pública
(FOCCHI et al, 2001).
Tem-se verificado, historicamente, que as sociedades se alternam entre o
fascínio e a aversão pela droga. Há mais ou menos seis mil anos, no Egito e na
Babilônia, os primeiros relatos referem-se ao uso de bebidas alcoólicas. Acredita-se que
o álcool era o elixir da vida, um remédio para várias doenças (NASSIF; ROSA, 2003).
No entanto a história passou e nos últimos anos, tivemos um aumento
significativo e notório o consumo de substâncias psicotrópicas em todo o mundo, e
principalmente em países em desenvolvimento, fato largamente comprovado por
pesquisas realizadas em diversos países (PINSKY; BESSA, 2009). O nosso país, sendo
o maior da América Latina, encontra-se segundo pesquisas realizadas pela ONU (2010),
encaixado nessa realidade social.
No Brasil, segundo o Estatuto da Criança e do adolescente (1990) no seu Art.
243. “Vender, fornecer ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar, de qualquer
forma, a criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes possam
causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida tem como
punição:” Pena - detenção de seis meses a dois anos, e multa, se o fato não constitui
crime mais grave. Pena - detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, se o fato não
constitui crime mais grave. (Redação dada pela Lei nº 10.764, de 12.11.2003)
12
Este trabalho tem como objetivo encontrar respostas objetivas, sérias,
científicas, para as perguntas e dúvidas mais frequentes surgidas nos últimos tempos.
Informação sobre drogas é o que compõe os capítulos que se seguem: o que são, como
evoluíram, que efeitos podem causar, o que leva as pessoas a se drogarem,
principalmente os adolescentes, e finalmente como a escola pode e deve atuar como
parceira importante no combate ao uso das drogas, pois melhor que reprimir, é informar,
orientar, instruir e educar com programas e projetos educacionais. No decorrer do
desenvolvimento desse trabalho o mesmo será divido em quatro capítulos sendo o
primeiro uma pequena definição da história das drogas a partir do século 10.000 a.C, até
os dias atuais, o segundo capítulo abordará a droga na adolescência e os possíveis
temores e reações dos pais e o terceiro a escola e a prevenção contra o uso de drogas e
o ultimo capitulo que explicará a importância do orientador educacional no contexto
escolar.
13
CAPÍTULO I
DEFINIÇÃO DE DROGAS
Drogas são substâncias, sintéticas ou naturais, que introduzidas no organismo
do ser humano, modifica suas funções. O termo “droga” é tido como o de uma
substância proibida, de uso ilegal e nocivo ao indivíduo, modificando suas funções, as
sensações, o humor e o comportamento (CARLINI et al, 1990) . Tem origem da palavra
holandesa “droog”, que significa folha seca, já que antigamente quase todos os
medicamentos tinham como base os vegetais, entretanto, atualmente existem as drogas
sintéticas, que são as criadas em laboratórios. Na história da civilização descobri-se o
uso de drogas em distintos contextos sociais: Religioso, Medicinal, Econômico,
Místico, Artístico, Intelectual, Militar, Político, Esportivo e Recreativo. No princípio da
história, algumas plantas entorpecentes e alucinógenas, chás de ervas, as bebidas
fermentadas indicavam sua existência entre os seres humanos.
Segundo CARLINI et al (1989) Elas podem ser:
• Naturais - Obtidas através de plantas, animais ou minerais. Ex: Cafeína (café), Ópio
(papoula), Nicotina (tabaco), THC (maconha).
• Sintéticas - São fabricadas em laboratórios. Ex: Cocaína. Sua classificação é dividida
em categorias como:
Estimulantes - Estimulam a atividade do sistema nervoso central, ou seja,
aumentam a atividade do cérebro, assim estimulando o seu funcionamento, causando
insônia e eletricidade na pessoa. Conhecidos também como psicoanalépticos,
nooanalépticos;
Perturbadores - Perturbam a atividade do sistema nervoso central,
modificando qualitativamente a atividade do cérebro, que perturbam, distorcem o seu
funcionamento, deformando as percepções da pessoa, como se fossem sonhos.
Chamados de alucinógenos, psicodélicos, psicoticomiméticos, psicodislépticos,
psicometamórficos,
alucinantes.
Ex:
Maconha,
Cacto,
Cogumelo,
LSD,
Anticolinérgicos em medicamentos e Plantas;
Depressores - Retardam o funcionamento do organismo, tornando as funções
metabólicas mais lentas. Ex: Heroína, morfina, antidepressivos, soníferos, ansiolíticos
(barbituricos);
14
Psicotrópicas - Possuem tropismo e afetam o sistema nervoso central,
alterando as atividades psíquicas e o comportamento. Podendo ser absorvida de várias
formas: por injeção, inalação, via oral, injeção intravenosa ou via retal (supositório).
1.1 – Linha de Tempo e o Uso de Drogas no Século 10.000 a.C. até o
século XVIII.
O uso de substâncias psicoativas tem acompanhado o homem no decorrer
da história, adquirindo diferentes significados ao longo dos anos, com marcantes
transformações das funções dessas substâncias na vida de seus usuários.
De acordo com BUCHER 1991, Gênesis - O livro da Bíblia relata um
episódio de bebedeira de Noé.
10.000 a.C. - Existem evidências de que no início da agricultura já se cultivavam
plantas como maconha, café e tabaco.
7.000 a.C. - Folhas de um tipo de pimenta mascada por seus efeitos estimulantes são
encontradas em sítios arqueológicos na Ásia.
6.000 a.C. - Nativos da América do Sul iniciam o cultivo e uso de tabaco.
5.400 - 5.000 a.C. - Um jarro de barro descoberto no norte do Irã, com resíduos de
vinho, é considerada a mais antiga evidência da produção de bebida alcoólica. .
4.000 a.C. - Fibras de cânhamo encontradas na China datam dessa época. Foi nesse
período também que o vinho e a cerveja começaram a ser produzidos no Egito.
3.500 a.C. - Os sumérios são considerados o primeiro povo a usar ópio.
3.000 a.C. - A folha de coca é mastigada na América do Sul e é tida como um presente
dos deuses.
3.000 a.C. - Evidências do consumo de canabis na Europa Oriental.
2.100 a.C. - Inscrições em tabuletas de argila mostram que médicos sumérios receitam a
cerveja para a cura de diversos males.
2.000 a.C. - Resíduos de coca são encontrados nos cabelos de múmias andinas.
1.000 a.C. - Nativos da América Central erguem templos para deuses cogumelos.
800 a.C. - Inicia-se a destilação de bebida alcoólica na Índia.
100 a.C. - O cânhamo cai em desuso na China e passa a ser usado apenas como
matéria-prima para produção de papel.
1450 - O uso de folhas de coca pelos incas se dissemina.
15
1492 - O navegador Cristóvão Colombo descobre o uso de tabaco pelos índios durante
viagens ao Caribe.
Século 16 - Durante a expedição marítima para o Oriente, os portugueses passam a
fumar ópio.
Século 16 - Américo Vespúcio faz os primeiros relatos sobre o uso da coca. Os
espanhóis passam a taxar as plantações na América.
1519 - Espanhóis levam plantas de tabaco para a Europa.
Século 17 - O gim é inventado na Holanda.
Século 18 - O cânhamo é usado no Ocidente como planta medicinal.
O uso das drogas acompanha o contexto historia da humanidade, no entanto é
fato que nesse contexto histórico, o consumo de drogas passou a ocupar novas funções,
como por exemplo, a busca do prazer individual e o alívio imediato de desconforto
físico ou psíquico.
1.2 – Substancias tida como Drogas
Anfetaminas (speed, cristal, anfes, dextroanfetamina e a metanfetamina) –
substâncias sintéticas que possuem efeitos estimulantes. Quando encontradas em estado
puro apresentam aspecto de cristais amarelados com sabor amargo, mas podem ser
achados em cápsulas, comprimidos, pó (branco, amarelo ou rosa), tabletes ou líquido.
Podem ser associadas com outras substâncias, o que as tornam imensamente perigosas,
e assim vendidas ilegalmente. É chamada de droga “suja”, pois tem só 5% de grau de
pureza. Consumidas por via oral, intravenosa (sendo diluídas em água), fumadas ou
aspiradas (em pó), contudo oralmente (quando não misturadas com álcool) é a forma
menos prejudicial de ser utilizada. Sua inalação compromete as mucosas do nariz e ser
injetada é perigoso, pois aumenta o risco de overdose e problemas físicos ou contágio
de doenças. Produtos que se encontram à venda no mercado: Benzedrine, Bifetamina,
Dexedrine, Dexamil, Methedrine, Desoxyn, Desbutal, Obedrin e Amphaplex.
Barbitúricos - depressores derivados do barbital. Organizados em três
categorias: Drogas de longa duração (8 a 16 horas) - tratamento de epilepsia, controle de
úlceras pépticas e pressão sanguínea alta. Drogas de média duração (4 a 6 horas) -
16
pílulas para dormir. Drogas de curta duração (breve) - anestésicos ou sedativos.
Encontrados em comprimidos ou cápsulas e consumidos por via oral ou intravenosa.
Canabinóides ou Maconha e seus derivados - (charro, chamon, liamba, erva,
chocolate, tablete, taco, curro, ganza, hax, hash, maconha, óleo [óleo de haxixe], boi ou
cânhamo) a mais popular das drogas ilegais. Os canabinóides são derivados da planta
Cannabis sativa, considerados drogas psicodélicas (leves), alucinógenas ou depressoras.
Sua preparação pode ser:
Cocaína (coca, branca, branquinha, gulosa, júlia, neve ou snow) - deriva da
folha do arbusto da coca (Erytbroxylon coca), com variações como a boliviana
(huanaco), a colombiana (novagranatense) ou a peruana (trujilense). Na planta encontrase de 0,5% a 1% de cocaína e pode ser cultivada entre 30 ou 40 anos, com 4 a 5
colheitas por ano.
Heroína (heroa, cavalo, cavalete, chnouk, castanha, H, pó, poeira, merda,
açúcar, brown sugar, burra, gold [heroína muito pura], veneno, bomba ou black tar) - é
um opiáceo, produzida da papoula (onde encontra-se o ópio), transformada em morfina
e então em heroína. Comercializada em pó (castanho ou branco [quando pura]), de
sabor amargo.
LSD (ácido, pills, cones ou trips) - tem ação alucinogénia ou psicadélica. A
dietilamida do ácido lisérgico é sintetizada da cravagem de um fungo do centeio.
Podendo apresentar a forma de barras, cápsulas, tiras de gelatina, micropontos ou folhas
de papel secante (como selos ou autocolantes), sendo a dose média de 50 a 75
microgramas. Consumido por via oral, absorção sub-lingual, injetada ou inalada.
Crack - A base livre (freebase) e o crack (rock, pedra) são duas drogas
estimulantes quimicamente iguais, ambas derivadas da coca, mas tem o seu processo de
preparação diferente: a base livre é alcançada com o aquecimento de uma mistura de
cloridrato de cocaína com éter. Se o aquecimento é feito com bicarbonato de sódio,
amoníaco e água, o produto final será o "crack" (com nome devido aos barulhos
estalados dos resíduos de bicarbonato de sódio quando aquecidos), assim tornando-se
possível de ser fumada. Também pode ser inalada e aspirada. Comercializadas sob a
forma de pedras brancas ou amareladas ou bolinhas semelhantes a grãos de chumbo
(125 ou 300 miligramas).
Alcool - seu agente principal é o etanol (álcool etílico). Possui processos de
fermentação ou destilação para que chegue a seus produtos finais.Tendo enorme
17
aceitação social e seu consumo é estimulado pela sociedade. Podem causar dependência
e mudança no comportamento e estar ligado a acidentes de trânsito, violência e
alcoolismo (dependência).
Boa Noite Cinderela - é um conjunto de drogas especifico: calmantes
(benzodiazepínicos), lorazepam (lorax), flutnitrazepam (rohypnol) e bromazepam
(lexotam). Conhecido como “rape drugs” (drogas de estupro), pois é apresentada a
vítima em forma de bala, chiclete ou em bebida por um desconhecido que puxa
conversa e que causa profundo sono, assim sendo seguido de golpes, como o estupro ou
roubo.
Cafeína - é a droga mais consumida no mundo, encontrada em alimentos
(chocolate, café, guaraná, refrigerantes com cola, cacau e chá-mate, também em alguns
analgésicos e inibidores de apetite).
1.3 – O poder de cada Droga
Tabela 1: Características das substancia nos Estados Unidos em 2010
Fonte: www.brasilescola/drogas.com.br
Na tabela 1 é possível observar que as substancias classificadas como nicotinas e
estimulantes tem poder de vicio alto se comparados às demais drogas listadas na tabela.
18
CAPÍTULO II
DROGAS NA ADOLESCÊNCIA TEMORES E REAÇÕES
DOS PAIS
O uso de drogas na adolescência é um tema que preocupa famílias, educadores
e profissionais da saúde. O interesse dos pesquisadores por esse assunto tem aumentado
muito nas ultimas décadas, segundo EVANGELISTA (1993) estudos investigam desde
a idade em que ocorreu o primeiro uso até as principais influências ou fatores de risco
para o estabelecimento do comportamento de consumo de substâncias, e os aspectos
familiares envolvidos no processo. A precocidade do início do uso de álcool e outras
drogas também tem sido alvo de preocupação.
Vários estudos indicam que crianças e adolescentes estão iniciando cada vez
mais cedo o uso destas substâncias. Alguns dos fatores fortemente associados ao uso de
drogas por adolescentes são: a facilidade de obtenção e o consumo de drogas pelos
amigos. Na adolescência, a necessidade de fazer parte de um grupo assume grande
importância, pois ajuda na afirmação da própria identidade, aumenta as opções de lazer
e reduz a solidão. As atitudes assumidas pelo grupo passam a ser tão ou mais
importantes do que alguns valores familiares, pois dele vem parte do suporte emocional
e a aceitação pelos outros componentes reforça a autoestima.
2.1 – Leis Contra as Drogas
A lei não é só um instrumento que dita deveres e regras, mas um instrumento
garantidor dos direitos de cada ser humano. Uma vez promulgada, deve estar em
concordância com as normas constitucionais. Num primeiro momento, houve a criação
da lei nº. 6368 de 21 de Outubro de 1976, que apresenta o porte de drogas ilícitas e seu
tráfico como questões do direito penal brasileiro, trazendo consequências graves aos
agentes do delito. Além de dispor medidas de prevenção e repressão ao tráfico de
entorpecentes e ao uso indevido dessas substâncias que causam dependência tanto física
quanto psíquica. Aborda, também, do tratamento e recuperação dos dependentes, e da
responsabilidade do Estado e os órgãos públicos de saúde e educação. Em seu artigo 1º,
responsabiliza a todos para que colaborem na prevenção e repressão ao tráfico de drogas
19
e ao seu uso. Já no artigo 4º, o órgão educacional deve adotar medidas de prevenção ao
tráfico e uso de entorpecentes dentro de escolas.
2.2 – Drogas no mundo da Globalização
Globalização segundo o dicionário Michaelis é na economia o fenômeno
observado na atualidade que consiste na maior integração entre os mercados produtores
e consumidores de diversos países. Umas das preocupações que norteia esse fenômeno
da globalização é a facilidade com que a droga teve e tem de se integrar entre diferentes
países do planeta terra.
A droga e seu alastramento por todo o país acabam com a estrutura social e a
reputação de segurança, vigilância e saúde, pois a demanda da criminalidade e violência
atualmente cresce diariamente. Com a excessiva procura das drogas, a ilegalidade se
torna um fator de benefício a esse mercado negro, produzindo lucros exorbitantes para
os “empresários” desse ramo, que por sua vez leva a corrupção de autoridades para
concentrar as forças legais que deveriam reprimir o sistema de tráfico de entorpecentes.
2.3 – Alguns fatores que levam ao uso de Drogas
Baixa auto - estima
Quem está convencido que tem pouco valor e é muito influenciável pelos outros, não
tem força para recusar a iniciação à droga se o grupo pressionar. A incapacidade de
assumir valores e de ter opiniões próprias com alguma autoconfiança é talvez o maior
risco individual.
Não aceitação sistemática das normas
Quase todos consideram que algumas normas sociais não devem ser aceitas. Esta
capacidade de por em causa as normas sociais é saudável e muito comum na
adolescência, no entanto, para alguns, a oposição a tais normas é sistemática e converte
- se num “modus vivendi”. A coberto de argumentações explícitas como a luta contra
as normas injustas e a procura da liberdade individual contra as “grilhetas sociais”, estão
os valores e atitudes de caráter negativo como o cepticismo, hedonismo, egocentrismo e
falta de responsabilidade e disciplina social. Nestes casos sucedem situações de “desvio
social” propícias à iniciação da droga.
20
A família
Os pais são os primeiros modelos dos filhos. Se os pais são consumidores de drogas,
Mesmo sendo as legais como é o caso do tabaco, álcool ou tranquilizantes, fornecem
um Modelo de consumismo que os filhos tendem a seguir. Efetivamente, as crianças
aprendem mais com o que vêm os pais fazer, do que com os conselhos que ouvem dos
mesmos, por outro lado, a forma com que os pais interagem ou não com os filhos, ou
seja, a forma com que educam os filhos é provavelmente a mais importante pois facilita
a solidificação de valores e laços afetivos que manterão os jovens longe das drogas.
21
CAPÍTULO III
A ESCOLA E A PREVENÇÃO CONTRA O USO DE
DROGAS NA ADOLESCENCIA
3.1- A escola como agente no combate as drogas
No Brasil, a educação está presente em sua Constituição Federal, no artigo 6º,
sendo apreciada como um direito de todos e dever da família e do Estado, inspirada nos
princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, sua finalidade é o pleno
desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho. Para Freire (1981), a educação deve ser problematizadora e
libertadora, à medida que ela é uma constante busca visando que os indivíduos
transformem o mundo em que vivem. Para tanto, os mesmos devem compreender a
realidade que os cerca através de uma visão crítica da mesma, reconhecendo e
respeitando sua cultura e história de vida. Essa concepção educacional baseia-se na
estimulação da criatividade dos educandos e numa relação de mediação com seu
educador, pois segundo o autor “ninguém educa ninguém e ninguém educa-se a si
mesmo, mas os homens educam-se em comunhão, mediatizados pelo mundo.”
Cabe então a escola manter com a comunidade em que se situa um
relacionamento de colaboração, em que pais ou qualquer pessoa da comunidade se
envolvam e participem das atividades promovidas pela escola, em prol do bom
aprendizado e formação social dos seus alunos Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LDB) N°. 9.394/96. Dessa forma, a escola deve estar aberta para encarar
conjuntamente com a sociedade todas as problemáticas que irão surgindo. Todavia,
atualmente convivemos com o problema do uso de drogas principalmente por
adolescentes e a escola se encontra em situação de acesso a esse público, o que a torna
um ambiente favorável para combater o uso de drogas através da ação preventiva.
Segundo os especialistas, a prevenção é a melhor forma de lidar com essa questão,
assim, a escola vem sendo apontada como local primordial para o início dessas
atividades (SILVA et al, 2008).
Geralmente na fase escolar que o adolescente tem o primeiro contato com o
mundo das drogas. Faz-se necessário considerar que a adolescência se caracteriza por
22
ser uma fase da vida permeada de questionamentos, inquietações e insegurança. Nesse
período de transição constante ele acaba se comportando de modo a ser valorizado pelo
grupo, o que pode favorecer o uso de substâncias entorpecentes, pois elas trazem
sensação de segurança, coragem e tranquilidade que pode levar ao vício (MURER;
OLIVEIRA; MENDES, 2009).
Outra medida importante na prevenção ao uso e abuso de drogas pode ser a
escolarização do adolescente associada ao ensino profissionalizante. Existem programas
de educação juvenil que desenvolvem essa prática de forma bem sucedida, muitas vezes
aliada ao setor de empresas privadas com aproveitamento posterior do adolescente no
mercado de trabalho. Estas atividades de valorização do indivíduo por meio da
ampliação de suas perspectiva de vida certamente estarão contribuindo para afasta–lo da
dependência de drogas.
Vale também lembrar que tais atitudes devem estar ligadas a uma política de
trabalho segura, que possa oferecer a esses cidadãos um emprego com remuneração
digna. Esta é uma arma utilizada pelo narcotráfico em níveis até desproporcionais
tamanho o volume de dinheiro envolvido, mais que, infelizmente, seduz jovens que não
encontram empregos salários dignos. Na concepção em que se compreende o papel da
escola como espaço fundamental à construção de conhecimentos e valores que estejam
em sintonia com o tempo e o mundo em que se vive, é importante que questões como a
do uso de drogas, possam estar incorporadas aos conteúdos curriculares no contexto
histórico e social para garantir, através de uma reflexão crítica dos alunos, a opção por
uma vida saudável.
3.2 – O Ser adolescente
A adolescência como recorte cronológico compreende pessoa entre 10 e 19
anos de idade (WHO, 2003) e pessoa entre 12 e 18 anos de idade (BRASIL, 1990).
Outra abordagem é o adolescente reduzido a corpo e fisiologia “período da vida
humana que sucede à infância, começa com a puberdade e se caracteriza por uma série
de mudanças corporais e psicológicas (estende-se aproximadamente dos doze aos vinte
anos)” (FERREIRA, 1999, p.55). Outro ponto de partida conceitual, segundo Cahn
(1999, p. 15) ”a adolescência constitui este tempo em que a conjunção do biológico, do
23
psíquico e do social remata a evolução do homenzinho, em seu longo caminho de
recém-nascido a adulto”. Uma outra concepção considera a adolescência com o etapa
transicional e moratória psicossocial. Winnicott (1963a [1993a]; 1 963b [1993b]; 1968
[1994]): analisa esta concepção e a apreende a partir passadas as fases de dependência
absoluta (iniciada nos primeiros momentos de vida do bebê) e de dependência relativa
(na primeira infância e latência), o adolescente encontra-se agora na etapa denominada
como “rumo à independência”.
3.3- Conhecimentos dos alunos referentes a drogas
Antes de procurar desenvolver qualquer tipo de projeto no Centro Educacional
Frances Burnet, verificou-se através de um questionário aplicado com 6 questões
subjetivas se os alunos na idade entre 10 até 16 anos conheciam sobre drogas, ou seja,
de alguma forma foram orientados sobre os possíveis riscos a saúde e a mente que as
drogas lícitas e ilícitas trazem para a vida do adolescente em fase de aprendizagem. Os
dados verificados variaram bastantes, pois em algumas perguntas os alunos mostravam
ter conhecimento enquanto em outras não.
Tipo de escola: Particular
Localização: Manaus – Am
Faixa etária dos alunos: 10 – 16 anos
Na figura 1 é possível observar que a quantidade de meninas é maior que a de
meninos, as meninas representam 54% das participantes da pesquisa.
28
3.4 – Orientação Escola Quanto ao uso das Drogas com o projeto “Diga
sim a Vida e não as Drogas”
Apos aplicação do questionário com seis questões subjetivas foi possível
observar que os alunos poucos conheciam sobre as diferentes drogas licitas e ilícitas
existentes em nossa sociedade, alguns até achavam ser normal o consumo entre os
adolescente, mas o que chamou a atenção foi o fato da escola tem no seu plano
bimestral projetos voltados para a orientação escolar quanto ao uso de drogas, projetos
esses que parecem não ter saído do papel.
Tendo como base esse problema foi desenvolvido no mês de setembro no dia
10 no turno vespertino o projeto “Diga sim a vida e não as Drogas – prevenir é legal ”,
foi escolhido esse turno pois era o que abrangia o maior número de alunos no ensino
fundamental com uma idade que apresentava ser considerável para assistir as palestras
sobre os efeitos das drogas no organismo humano.
Toda a comunidade escolar participou, as professoras escolheram temas para
trabalhar os efeitos das drogas em sala de aulas, algumas professoras até usaram filme
que mostrava e explicava possíveis consequências das drogas no cérebro humano. Os
alunos elaboram peças, confecção de cartazes e paródias ligadas ao tema do projeto. Na
figura 7 é possível observar o painel central feito pelos alunos.
Figura 7: Painel central do projeto feito pelos alunos do 9º ano A.
Fonte: Autor
29
Assim como o painel central os alunos realizaram a confecção de cartazes,
usaram para isso frases próprias as melhores foram premiadas. A figura 8 representa os
cartazes elaborados pelos alunos usados para ornamentação da escola na semana do
projeto.
Figura 8: Painéis elaborados pelos alunos para ornamentação da escola.
Fonte: Autor
Os alunos participaram da semana e no ultimo dia do projeto foi realizado uma
grande programação que contou com a ajuda do conselho tutelar, da direção escolar e
dos órgãos de segurança pública que ministraram palestra de orientação quanto ao uso
de drogas na fase de descobrimento “Adolescência”. Na figura 9 é possível observar a
participação de uma representante do órgão de segurança pública a senhora Ivone
apresentou uma série de problemas que as drogas causas no corpo humano, participou
logo em seguida de uma mesa redonda respondendo a diversas perguntas dos alunos.
30
Figura 9: Palestra ministrada pela representante do órgão de segurança publica.
Fonte: Autor
31
CAPÍTULO IIII
O ORIENTADOR EDUCACIONAL E O DESAFIO DAS
DROGAS NO CONTEXTO ESCOLAR
4.1- O ser Orientador
A Escola, hoje, tem um papel muito mais complexo do que antes, pois tem que
educar com as novas formas de educação impostas pela prática social, como a questão
da mídia e a questão das representações sociais e do imaginário, que estão presentes
quando se fala em educar o sujeito. A Orientação Educacional, hoje, também passa por
esse processo de atuação, pois, atua diretamente com professores, alunos e comunidade
escolar. Dessa forma, surge o interesse em pesquisar em analisar qual o papel da
orientação educacional? E qual a importância do orientador educacional nas unidades de
ensino? Com o objetivo de observar a atuação do profissional de orientação
educacional. Falar de Orientação Educacional, hoje, nas escolas requer lembrar da sua
estruturação no passado e sua relação com as diferentes tendências pedagógicas
existentes.
Segundo GRINSPUN (2006, p. 55) “O orientador educacional dialetiza as
relações e vê o aluno como um ser real, concreto e histórico”. Dessa forma, ele assume
uma postura política, percebendo que a educação faz parte de um contexto sócioeconômico-político-cultural e que o aluno é o principal sujeito desse contexto onde, o
mesmo está inserido em uma determinada sociedade. Por isso, o Orientador
Educacional é um profissional de grande importância na escola, pois, ele vai
articular/orientar e clarificar as contradições e confrontos, e nesse meio, buscar ajudar o
aluno a compreender as redes de relações que na sociedade se estabelecem.
Educar, hoje, exige mais do que nunca olhar o sujeito/aluno de forma ampla,
um ser que é que constituído de história, crenças e valores, e por isso a escola deve ter
um projeto político-pedagógico, onde nele implícito ou explicitamente, deve ser
refletido a questão da formação do sujeito. O Orientador deve, portanto, buscar os meios
necessários para que a escola cumpra seu papel de educar, mediante ao seu projeto
político-pedagógico.
32
4.2- Inicio da Orientação Educacional
A década de 1920 prepara o cenário para as ideias e tendências que vão
assinalar os agitados anos da década de 1930. Do ponto de vista educacional, uma
efervescência se manifesta em diferentes estados do país, onde são desencadeadas
iniciativas de reforma.
A Orientação Educacional surge em 1924 em São Paulo, no Liceu de Artes e
Ofícios,criada pelo engenheiro suíço Roberto Mange. De acordo com Maia; Garcia, a
Orientação Educacional nesse período “pretendia ser um serviço de seleção e de
orientação profissional para alunos do curso de mecânica” (1984, p. 11). Roberto
Mange teve a ajuda técnica de Henri Piéron e de sua esposa nessa seleção. Em 1930, na
Estrada de Ferro Sorocabana, ainda sob a direção de Mange e de seu colaborador Ítalo
Bologna, teve início um serviço de seleção, orientação e formação de alunos em cursos
de aprendizagem mantidos por aquela instituição. Esses serviços deram origem, em
1934, à criação do Centro Ferroviário de Ensino e Seleção Profissional (CFESP), que
passou a ser modelo para outras ferrovias do país. Dentre os princípios que regiam os
trabalhos do CFESP, encontra-se a seleção profissional baseada no conhecimento das
características individuais e nas aptidões funcionais para determinadas funções e
ocupações. Em 1931, Lourenço Filho criou o primeiro serviço público de Orientação
Profissional no Brasil, que depois prosseguiu no Instituto de Educação da Universidade
de São Paulo, tendo sido extinto em 1935.
4.3- Orientação sobre as Drogas e o projeto político pedagógico
Nos Parâmetros Curriculares Nacionais Saúde (PCN), a educação em saúde está
organizada de forma a indicar a dimensão individual e social da saúde, com os conteúdos
organizados em dois eixos, sendo estes: autoconhecimento para o auto cuidado e vida
coletiva. Dentre os conteúdos a serem abordados dentro do bloco vida coletiva, estão
incluídos: agravos ocasionados pelo uso de drogas (fumo, álcool e entorpecentes). Segundo
a indicação dos Parâmetros Curriculares para a Saúde, estes temas devem ser tratados
transversalmente, permeando por todas as áreas que compõem o currículo escolar, de forma
multidisciplinar, e fazem parte dos chamados temas transversais (BRASIL, 1996).
33
4.4- O papel do Orientador Educacional no contexto escolar
Os orientadores educacionais são interlocutores entre a escola, a família e a
sociedade. São estes que dão voz ao aluno. O trabalho do orientador é de extrema
importância para qualquer escola que esteja comprometida com a educação e com a
formação de pessoas críticas, democráticas e transformadoras, em vista de uma
sociedade solidária, igualitária, digna e responsável. Também tem a função de permitir
que os alunos possam exercer seu papel como cidadãos por meio de valores adquiridos,
intermediados pela educação, na preparação para o trabalho e no exercício da cidadania.
O orientador educacional é, entre os profissionais da escola, um dos que necessita estar
mais atento e capacitado a reconhecer e proporcionar momentos que facilitem o sentir, o
pensar, o fazer conscientes. Em outras palavras, o fazer do orientador implica a ajudar –
“afinal, ele é um profissional de ajuda – os outros jogadores a jogarem um bom jogo, a
desempenharem papeis sem fixar-se neles, a dizerem suas falas nos momentos
acertados”(PORTO, 2009, p. 65).
A Orientação Educacional é o serviço especializado que deve procurar
promover a integração do educando em seus múltiplos aspectos; consequentemente,
encarrega-se da coleta, da tabulação e da interpretação de dados na comunidade,
definindo para a escola o quadro final da realidade onde desempenhará seu processo
educativo. Pode parecer um assoberbamento o fato da Orientação Educacional se ocupar
desse trabalho, aliás, bastante exaustivo, aparentemente de competência de outro setor
da escola. Entretanto, tal argumento poderá ser anulado se atentarmos para o fato de
que, na estrutura escolar, o setor que mais se beneficia com tal trabalho é a Orientação
Educacional.
34
CONCLUSÃO
Não por acaso, tem crescido nos últimos anos a mortalidade entre jovens na
faixa etária dos 15 aos 24 anos vítimas de acidentes, homicídios e suicídios, muitas
vezes com evidente conexão com algum tipo de droga, desde a mais leve ou pesada,
lícita ou ilícita. Estudos realizados pela organização das nações unidas – ONU, descreve
que as pessoas começam a se viciar na adolescência e lamentavelmente, como grupo
mais numeroso, vêm os que começam a se viciar na pré-adolescência e só depois
colocam-se aqueles que se tornaram dependentes de drogas já adultos.
E aí nos perguntamos, de quem seria a culpa? Das autoridades, que não
conseguem controlar as drogas proibidas? Das industrias, que fornecem quantidades
espantosas de drogas permitidas, como o álcool e o fumo? Dos pais, que não educam
direito em casa? Dos amigos, que convidam, que insistem? Da sociedade? Ou da
escola?
Relacionar culpados, não chega a ser construtivo. Apontar o dedo de nada
resolve, até porque, há mais vítimas do que culpados nesta história.
Referente aos dados obtidos através dos questionários ficou claro que os alunos
apresentam uma motivação e um interesse maior quando são estimulados, assim como
também a iniciativa do orientador educacional em variar os recursos pedagógicos pode
fazer todo um diferencial durante uma atividade ou um projeto de aprendizagem, como
é o caso. Verificou-se também que a dramatização pode ser uma alternativa viável e
interessante para trabalhar o combate às drogas no contexto escolar nesse quadro é
necessário que o professor também tenha a consciência da importância da discussão da
saúde dentro da escola, principalmente quando se trata de temas polêmicos. Dessa
forma, percebo a real importância e função do Orientador Educacional, hoje, nas
escolas. Uma vez, que o orientador é um mediador entre professor-aluno, alunoprofessor,
aluno-sociedade,
sociedade-aluno.
Sendo
responsável
por
levar
possibilidades de desenvolvimento cognitivos, culturais e emocionais para o espaço
escolar. E de transformações necessárias para uma sociedade mais justa e humana.
35
Concluo com essa pesquisa que abordar a questão das drogas na Escola é
medida preventiva que se impõe. Aliás, para a Escola, é mais fácil perceber que o aluno
está envolvido com drogas do que para os pais, pois o envolvimento emocional
existente na relação pais e filhos pode levar a “cegueira psíquica”, isto é, como os pais
não querem ver seus filhos drogados, eles negam a si mesmos que isso esteja
acontecendo. E como os filhos escondem dos pais seu vício, fica ainda mais difícil.
36
BIBLIOGRAFIA
BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente/ECA, Lei nº. 8.069, de 13 de julho de
1990.
BRASIL / MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. SVS/ CN – DST
/ AIDS. A Política Saúde para Atenção Integral a Usuários de Álcool e outras Drogas/
Ministério da Saúde. 2 ed. ver. ampl. –Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
BUCHER, R. Drogas e drogadição no Brasil. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991.
BUCHER, R. Drogas: o que é preciso saber para prevenir. São Paulo: FUSSESP,
1992.
BUCHER, R. Prevenção ao uso indevido de drogas (v. 1 e 2). Brasília: UNB, 1989.
BUCHER, R. Qualidade de vida e consumo de drogas. Ceará: Mimeo, 1993.
CAHN, Raymond. O adolescente na psicanálise: a aventura da subjetivação. Rio de
Janeiro: Companhia das Letras, 1999.
CARLINI, E.A. et al. Consumo de drogas psicotrópicas no Brasil, em 1987. Brasília:
Ministério da Saúde/Ministério da Justiça, 1989 (Serie C. Estudos e Projetos, 5).
CARLINI, E.A. et al. II Levantamento Nacional sobre o Uso de Psicotrópicos em
Estudantes de 1º e 2º graus - 1989. São Paulo: CEBRID/EPM, 1990.
FERREIRA, A.B.H. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da Língua Portuguesa. 3ª.
ed. revista e ampliada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2128p.
FOCCHI, G.R.A., ANDRADE, A.G., LEITE M.C., LARANJEIRA, R. Dependência.
Química: novos modelos de tratamento. 1ª Ed. São Paulo: Roca, 2001.
37
NASSIF S.L.S., ROSA J.T. Cérebro, inteligência e vínculo emocional na
dependência de drogas. 1ª Ed. São Paulo: Vetor, 2003.
EVANGELISTA, R. e col. Apresentação de programas de estágios em Psicologia
Clínica Preventiva nas instituições e nos diferentes grupos sociais. São Paulo:
Mimeo, 1993.
FREIRE, Paulo, (1981). Educação como prática da liberdade. 19 ed. Rio de Janeiro: Paz
e Terra.
GRINSPUN, Mirian. A Orientação educacional - Conflito de paradigmas e
alternativas para a escola. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 2006.
MARQUES, Ana Cecília PettaRoselli; CRUZ, Marcelo S.,(2000). O adolescente e o
uso de drogas, Revista Brasileira Psiquiatria, v. 22, S II, p. 32-6.
MAIA, Eny Marisa; GARCIA, Regina Leite. Uma orientação educacional nova para
uma nova escola. São Paulo: Loyola, 1984.
MASUR, J. O que é toxicomania. São Paulo: Brasiliense, 1986.
MASUR, J; CARLINI, E.A. Drogas: subsídios para uma discussão. São Paulo:
Brasiliense, 1989.
MASUR, J; CARLINI, E.A."Cigarro, álcool, maconha, cocaína, heroína: qual a pior?"
in:
MASUR, J; CARLINI, E.A. Drogas: subsídios para uma discussão. São Paulo:
Brasiliense, 1989.
MURER, E.; OLIVEIRA, J. D. F.; MENDES, Roberto Teixeira, (2009) "Substâncias
Psicoativas no Ambiente Escolar", "Alimentação, Atividade Física e Qualidade de Vida
dos Escolares no Município de Vinhedo/SP". Editorial, nº 11, p.89-99
38
OLIVEIRA, L.G; NAPPO, S.A (2008). Caracterização da cultura de crack na cidade de
São Paulo: Padrão de uso controle. Saúde Pública, v 42, nº4, p. 664 71.
PINSKI, I., BESSA M.A. Adolescência e drogas. 2. Ed. 2ª reimpressão. São Paulo:
Contexto, 2009.
PORTO, Olívia. Orientação educacional: teoria, prática e ação. Rio de Janeiro: Wak
Ed., 2009.
SILVA, Gerlane Barbosa da. et al.,(2008). Intervindo na relação escola e drogas. Centro
de Educação/Departamento de Fundamentação de Educação/PROLICEN.
WEBGRAFIA
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394, de 20 de dezembro de 1996
MEC: Introdução. Disponível: HTTP://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/ -acessado
em: 18/08/2013.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Ottawa Charter for Health Promotion.
Disponível em: <http://www. who. int/hpr/does/ottawa.html>. Acesso em: 28/08/2013.
39
ANEXO 1
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES – PÓS GRADUAÇÃO
CENTRO EDUCACIONAL FRANCES BURNETT
Questionário do Aluno
1) Sexo
( ) Feminino ( ) Masculino
2) Idade __________
3) O que você sabe sobre drogas?
a) Substâncias que destroem a vida da família e provoca a morte do
usuário.
b) Substâncias prejudiciais à saúde e causam dependência.
c) Levam o usuário a cometer delitos
d) Não responderam
4) Em qual fonte você já ouviu falar de Drogas?
a) Internet
b) Jornal
c) Escola
d) Amigos
e) Família
5) Na sociedade Atual você como você ver o uso de drogas ilícitas?
a) Normal
b) Consequência da Globalização
c) Proibida por lei, mas com grande ênfase entre os jovens.
d) Sem solução
6) Em sua opinião quando um adolescente inicia no mundo das
drogas é por:
a) Baixo estima
b) Não aceitação das normas sociais
c) Falta de orientação da escola
d) Falta de orientação familiar
40
Download

Eluana Carvalho da Silva - AVM Faculdade Integrada